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PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO

ESTADO DE SÃO PAULO

concurso público

008. Prova Objetiva


professor de educação básica III – língua portuguesa
(opção 008)

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Nome do candidato

RG Inscrição Prédio Sala Carteira

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02.12.2018 | tarde
Conhecimentos Gerais 03. Assinale a alternativa em que os substantivos fazem o
plural de acordo com o plural de “queixa-crime”.

Língua Portuguesa (A) cirurgião-dentista e guarda-louça.

(B) guarda-marinha e pombo-correio.

Leia a tira para responder às questões de números 01 a 03. (C) guarda-noturno e guarda-roupa.

(D) guarda-roupa e cirurgião-dentista.

(E) pombo-correio e guarda-braço.

Leia o texto para responder às questões de números 04 a 08.

O reconhecimento póstumo de escritores é uma vitó-


ria agridoce. Justiça é feita à qualidade da obra, mas quem
m­erecia desfrutar do sucesso não está mais aqui para desfru-
tá-lo. Após passar a vida sem reconhecimento, talvez lutando
contra dificuldades financeiras, talvez duvidando de si mes-
mos, esses autores caem no esquecimento, para anos mais
tarde serem descobertos pelo mercado editorial. Por melan-
cólico que seja, esse reconhecimento tardio pelo menos dá
a nós, leitores, a chance de conhecer um grande autor. É
essa a história de Lucia Berlin, a americana que ao morrer,
em 2004, era uma professora aposentada que estimulava jo-
vens escritores, se batia com problemas de saúde e tinha três
(Laerte. Folha de S.Paulo. 22.08.2018. Adaptado) l­ivros de contos que quase ninguém tinha lido.
A descoberta da obra de Lucia Berlin veio 11 anos após
sua morte. Em 2014, os escritores Stephen Emerson, Barry
01. No último quadrinho, a fala “Só queixa.” indica que a per- Gifford e Michael Wolfe, que a conheceram pessoalmente,
sonagem oculta se propuseram a convencer algumas das grandes edito-
ras ameri­canas a publicar a coletânea de contos da amiga.
(A) sugere que a situação dispensa uma ação mais Queriam tirar do esquecimento um conjunto de textos que
enérgica. m­erecia ser lido. Conseguiram que a editora Farrar, Straus e
(B) discorda da moça quanto à necessidade de reclamar. Giroux se interessasse e, em 2015, Manual da faxineira viu
a luz.
(C) reconhece que há um crime a ser investigado, de Viu a luz e viu a glória. Foi escolhido um dos dez melho­
fato. res livros do ano pelo The New York Times. Traduzido para
(D) acredita que uma queixa-crime é pouco para a vários idiomas, foi elogiado por críticos mundo afora. No
situação. Brasil, saiu em 2016 pela Companhia das Letras.
(Marleth Silva, “Fracasso e glória.”
(E) deixa a responsabilidade da situação para a moça. Em: Cândido – jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Adaptado)

02. Se o pronome referente à moto for expresso, em norma- 04. A discussão apresentada no primeiro parágrafo enfatiza
-padrão, a frase da personagem oculta, no primeiro qua- que
drinho, assume a seguinte redação:
(A) os leitores são os que mais ganham com o despres-
(A) Fá-la entrar. tígio dos escritores, uma vez que estes, posterior-
mente, fazem sucesso e saem do esquecimento.
(B) Faça ela entrar.
(B) as descobertas realizadas pelo mercado editorial são,
(C) Faça-lhe entrar.
em geral, envoltas de mistérios e conseguem, ainda
(D) Faça-a entrar. assim, fazer justiça com aqueles que já faleceram.

(E) Faça-na entrar. (C) a vida dos escritores sem reconhecimento está fada-
da a uma luta contínua contra as dificuldades finan-
ceiras e, sobretudo, com relação à autoestima.

(D) o mercado editorial tem se importado pouco com escri-


tores desconhecidos, o que reforça a melancolia des-
ses profissionais, que morrem sem sucesso.

(E) o reconhecimento póstumo se marca por sentimen-


to ambíguo, considerando-se que o real interessado
não está mais vivo para poder desfrutar do sucesso
merecido.
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05. Com as informações do 2o e do 3o parágrafos, concluiu-se 07. Assinale a alternativa cuja pontuação do enunciado está
corretamente que em conformidade com a norma-padrão.

(A) a editora Farrar, Straus e Giroux movimentou-se e (A) O Manual da faxineira escrito por Lucia Berlin, foi
realizou a publicação das obras de Lucia Berlin para e­scolhido um dos dez melhores livros do ano pelo The
que elas entrassem na lista do The New York Times. New York Times; exemplificando bem que o reconhe-
(B) os escritores amigos de Lucia Berlin verão, por hora, cimento tardio por melancólico que seja, pelo menos,
a obra da amiga cair no esquecimento, como acon- permite aos leitores conhecer uma grande autora.
tece com a maioria dos autores.
(B) Escrito por Lucia Berlin, o Manual da faxineira, foi
(C) os leitores agora têm a oportunidade de conhecer a e­scolhido um dos dez melhores livros do ano pelo The
obra de Lucia Berlin, já que a empreitada dos seus New York Times exemplificando bem que o reconhe-
amigos logrou êxito. cimento tardio, por melancólico que seja, pelo menos,
permite aos leitores conhecer uma grande autora.
(D) o elogio à obra de Lucia Berlin mundo afora mostra
que seus amigos estavam enganados quanto ao po- (C) O Manual da faxineira, escrito por Lucia Berlin, foi
tencial literário da escritora já falecida. e­scolhido um dos dez melhores livros do ano pelo The
New York Times, exemplificando bem que o reconhe-
(E) o fato de Lucia Berlin estar morta impulsionou o inte-
cimento tardio, por melancólico que seja, pelo menos
resse de amigos, editoras e fãs pelas obras da auto-
permite aos leitores conhecer uma grande autora.
ra, o que a colocou na lista do The New York Times.
(D) Escrito por Lucia Berlin, o Manual da faxineira foi esco-
lhido um dos dez melhores livros do ano pelo The New
06. Considere os trechos do 1o parágrafo:
York Times, exemplificando bem que, o r­econhecimento
•  … para anos mais tarde serem descobertos pelo mer- tardio, por melancólico que seja, pelo menos, permite
cado editorial.; aos leitores conhecer uma grande autora.
•  … era uma professora aposentada que estimulava
j­ovens escritores…; (E) O Manual da faxineira escrito por Lucia Berlin foi
e­scolhido um dos dez melhores livros do ano pelo The
•  … se batia com problemas de saúde…
New York Times exemplificando bem, que o reconhe-
No contexto em que estão empregados, os termos em cimento tardio, por melancólico que seja pelo menos,
destaque significam, correta e respectivamente: permite aos leitores conhecer uma grande autora.

(A) elucidados; encorajava; suplantava.

(B) criados; impulsionava; cuidava. 08. Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de
(C) fomentados; promovia; sofria. concordância.

(D) expostos; provia; dominava. (A) Passaram onze anos da morte de Lucia Berlin, e sua
obra foi descoberta. Um grupo de amigos queria tirar
(E) revelados; incentivava; enfrentava. do esquecimento um conjunto de textos que mere-
ciam ser lidos.

(B) Passou onze anos da morte de Lucia Berlin, e sua


obra foi descoberta. Um grupo de amigos queria tirar
do esquecimento um conjunto de textos que merecia
ser lidos.

(C) Faziam onze anos da morte de Lucia Berlin, quando


sua obra foi descoberta. Um grupo de amigos que-
riam tirar do esquecimento um conjunto de textos
que mereciam ser lido.

(D) Fazia onze anos da morte de Lucia Berlin, quando


sua obra foi descoberta. Um grupo de amigos que-
riam tirar do esquecimento um conjunto de textos
que mereciam serem lidos.

(E) Foram onze anos da morte de Lucia Berlin, quando


sua obra foi descoberta. Um grupo de amigos que-
ria tirar do esquecimento um conjunto de textos que
mereciam ser lido.

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Leia o texto para responder às questões de números 09 a 13. 10. Assinale a alternativa em que há termo empregado em
sentido figurado.
Foi Conceição quem os descobriu, sentados pensativa-
mente debaixo do cajueiro: Chico Bento com os braços cru- (A) Cordulina de cócoras segurando um filho, e um outro
zados, e o olhar vago. Cordulina de cócoras segurando um menino mastigando uma folha…
filho, e um outro menino mastigando uma folha, deixando
escorrer-lhe pelo canto da boca um fio de saliva esverdeada. (B) … deixando escorrer-lhe pelo canto da boca um fio
Já sabia Conceição que Chico Bento havia retirado: de saliva esverdeada.
V­icente, da derradeira vez, contara a venda do gadinho dele
e o caso das passagens. (C) … Vicente (...) contara a venda do gadinho dele e o
E a moça, todos os dias, na confusão de gente que ia caso das passagens.
chegando ao Campo, procurava descobrir aquelas caras
(D) … através da máscara costumeira com que as dis-
c­onhecidas, que deviam vir bem chupadas e bem negras,
farçava a miséria.
provavelmente irreconhecíveis, com sua casca grossa de
s­ujeira.
(E) ... Cordulina muito gorda (…) servindo café às visitas
Afinal ali estavam. Foi realmente com dificuldade que
em tigelinhas de louça.
os identificou, apesar de seus olhos já terem se habituado a
r­econhecer as criaturas através da máscara costumeira com
que as disfarçava a miséria.
E marchou para eles, com o coração estalando de pena, 11. Considere as passagens:
lembrando-se da última vez em que os vira, num passeio às •  Foi Conceição quem os descobriu… (1o parágrafo);
Aroeiras feito em companhia do pessoal de Dona Idalina:
Chico Bento, chegando do campo, todo encourado, e Cordu- •  … contara a venda do gadinho dele… (2o parágrafo);
lina muito gorda, muito pesada, servindo café às visitas em •  … com sua casca grossa de sujeira. (3o parágrafo);
tigelinhas de louça. •  Afinal ali estavam. (4o parágrafo).
Por sinal, nesse dia, Cordulina pedira a Conceição e a
Vicente que aceitassem ser padrinhos da criança que estava Os termos em destaque referem-se, correta e respecti-
por nascer. vamente, a
Conceição, porém, nunca vira o afilhado. Já estava na
(A) Chico Bento e sua família; Chico Bento; caras
cidade, ao tempo do batizado.
c­onhecidas; Campo.
E lembrara-se de ter achado graça, ao ver, na procura-
ção que enviara, o seu nome junto ao de Vicente, num papel (B) famílias de retirantes; Chico Bento; gente que ia che-
sério, eclesiástico, em que eles se tratavam mutuamente por gando; cajueiro.
nós, bem expresso na fórmula final: “reservando para nós
o parentesco espiritual”… Conceição gostara daquele nós (C) Chico Bento e Cordulina; Vicente; Chico Bento e
de bom agouro, que simbolizava suas mãos juntas, unidas, Cordulina; Aroeiras.
c­olocadas protetoramente, pela autoridade da Igreja, sobre a
cabeça do neófito… (D) Vicente e sua família; Chico Bento; Vicente e Chico
(Rachel de Queiroz. O Quinze) Bento; Campo.

(E) Chico Bento e sua família; Vicente; caras chupadas


09. A leitura do texto permite afirmar que Conceição e negras; Aroeiras.

(A) pensava na família de retirantes que conhecera em


Aroeiras, lamentando ter negado o convite para apa-
drinhar a criança.

(B) encontrou a família de retirantes em situação de


dar dó e teria a oportunidade, naquela ocasião, de
c­onhecer seu afilhado.

(C) procurou a família de retirantes pelo local, mas a


penúria física em que todos estavam impediu-a de
reconhecê-los.

(D) viu, entre muitas famílias retirantes, a de Chico


Bent­o, e esquivou-se para não ser vista, pois a que-
riam de madrinha da criança.

(E) reconheceu a família de Chico Bento entre as famí-


lias retirantes, mas ele e Cordulina pareciam viver
uma abastança que a impressionou.

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12. Nas passagens “sentados pensativamente debaixo do Conhecimentos Pedagógicos e Legislação
cajueiro” (1o parágrafo), “provavelmente irreconhecí-
veis, com sua casca grossa de sujeira” (3o parágraf­o),
“Foi realmente com dificuldade que os identificou”
(4o parágrafo) e “Conceição, porém, nunca vira o afilha- 14. O desenvolvimento com igualdade social implica o reco-
do.” (penúltimo parágrafo), os advérbios em destaque nhecimento da ação coletiva e da necessidade de investi-
e­xpressam, correta e respectivamente, circunstância de mento em processos formativos que favoreçam o domínio
de conhecimentos para alargar a compreensão dos pro-
(A) modo, modo, afirmação e negação. cessos históricos e sociais. Pensando sobre as funções
sociais e pedagógicas da escola e da educação, Márcia
(B) lugar, afirmação, tempo e negação. Aguiar compreende que

(C) modo, dúvida, afirmação e tempo. (A) é necessário o desenvolvimento de um currículo


nacional unificado, a fim de minimizar as desigual-
(D) inclusão, modo, dúvida e tempo. dades regionais por meio de um sistema de ensino
padronizado.
(E) modo, afirmação, intensidade e negação. (B) à escola e à educação não cabe a função de induzir
novas formas de sociabilidade humana.

(C) a função social é potencializada quando a criação de


13. Considere as passagens: escolas particulares é incentivada.
•  Conceição os descobriu, quando estavam sentados (D) quanto mais a escola cumpre sua função social, mais
    sombra do cajueiro. ela contribui para a formação de cidadãos críticos e
•  Todos os dias, Conceição ficava     espera de participativos.
c­aras conhecidas.
(E) os processos cognitivos e sociais devem estar
•  Conceição estava com Cordulina em Aroeiras, quando subordinados ao desenvolvimento econômico, o
a mulher de Chico Bento pediu     ela que batizas- qual promove a igualdade social.
se     criança que estava prestes a nascer.
•  Conceição ia     cidade e lembrou-se, então, já
e­star ao tempo do batizado. 15. Para oferecer as melhores condições possíveis de inser-
ção no processo educativo formal, o Atendimento Edu-
De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto cacional Especializado (AEE) é ofertado preferencial-
d­evem ser preenchidas, correta e respectivamente, com mente na mesma escola comum em que o aluno estuda.
Uma aproximação do ensino comum com a educação
(A) à … a … a … à … à especial vai se constituindo à medida que as necessi-
dades de alguns alunos provocam o encontro, a troca
(B) a … a … à … à … a de experiências e a busca de condições favoráveis ao
desempenho escolar desses alunos. Como perspectiva
(C) à … à … à … à … à
de trabalho da escola comum inclusiva, Edilene Ropoli
comenta que
(D) a … à … à … a … a
(A) é imprescindível a escuta atenta dos pais e respon-
(E) à … à … a … a … à sáveis, valorizando quem mais conhece os alunos e
suas dificuldades.

(B) os professores comuns e os da educação especial


precisam se envolver para que seus objetivos espe-
cíficos de ensino sejam alcançados, compartilhando
um trabalho interdisciplinar e colaborativo.

(C) para fomentar a socialização das crianças com neces-


sidades especiais, a elas deve ser dado espaço para
que possam realizar livremente as atividades que de-
sejarem em sala de aula.

(D) o ensino individualizado é fator de destaque para


que crianças com necessidades especiais encon-
trem condições adequadas a fim de se desenvolve-
rem tanto intelectual quanto fisicamente.

(E) inevitavelmente há uma perda qualitativa no ensino


das crianças que, não tendo dificuldades de aprendi-
zagem, passam a ter que conviver com crianças com
necessidades especiais.

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16. Terezinha Rios afirma que o trabalho docente compe- 19. A Lei Federal no 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe
tente é aquele que mobiliza todas as dimensões de sua sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, estabele-
ação. Ou seja, falar em competência não significa falar ce que a criança e o adolescente têm direito à liberdade,
em algo abstrato ou em um modelo, mas em algo situado ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em
em sociedades reais, dentro de um sistema de educação processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos
formal, em determinada instituição de ensino, em conjun- civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas
to com um coletivo de professores. Segundo a autora, a leis. Sobre esses direitos, pode-se dizer que
explicitação da docência da melhor qualidade se dará em
(A) o direito à opinião e o direito à expressão não são
quatro dimensões, dentre as quais ela denomina dimen-
garantias da criança e do adolescente.
são fundante a dimensão
(B) a integridade psíquica da criança e do adolescente­
(A) técnica.
poderá ser violada quando necessário ao pleno
(B) estética. desenvolvimento de suas capacidades cognitivas,
­
emocionais e motoras.
(C) ética.
(C) brincar, praticar esportes e divertir-se não são direi-
(D) crítica.
tos da criança e do adolescente.
(E) política.
(D) a criança e o adolescente têm o direito de ser edu-
cados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de
tratamento cruel ou degradante.
17. De acordo com o art. 14 da Lei Federal no 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases (E) não é um dever de todos velar pela dignidade da
da educação nacional, os sistemas de ensino definirão criança e do adolescente.
as normas da gestão democrática do ensino público na
educação básica, de acordo com as suas peculiaridades,
tendo como um de seus princípios a participação 20. A Resolução no 7, de 14 de dezembro de 2010, do Con-
selho Nacional de Educação/Câmara de Educação Bási-
(A) de ONGs para consultoria de projetos educacionais
ca (CNE/CEB), que fixa Diretrizes Curriculares Nacionais
inovadores.
para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos, estabelece
(B) das comunidades escolar e local em conselhos que a proposta educacional da escola de tempo integral
­escolares ou equivalentes. promoverá a ampliação de tempos, espaços e oportuni-
dades educativas, bem como que as atividades serão
(C) de aprendizes na elaboração das diretrizes pedagó- desenvolvidas dentro do espaço escolar conforme a dis-
gicas da escola. ponibilidade da escola, ou fora dele, em espaços distintos
(D) de equipe multiprofissional no atendimento a grupos da cidade ou do território em que está situada a unidade
mais vulneráveis. escolar, porém sempre

(E) de sociedades de amigos de bairro na fiscalização (A) de acordo com o respectivo projeto político-pedagó-
das práticas educacionais. gico.

(B) em parceria com as famílias e responsáveis.

18. A teoria de Henri Wallon tem como objeto a gênese dos (C) com ética e urbanidade.
processos psíquicos que constituem a pessoa. Nesse
(D) com uso de transporte público para distâncias acima
sentido, o tema das emoções ocupa um lugar de desta-
de 1,5 Km.
que para essa teoria. Sobre esse tema, Izabel Galvão diz
que a ação pedagógica não deve se restringir à compre- (E) durante o dia, sendo vedadas as atividades notur-
ensão e ao controle, devendo incluir também a possibi- nas.
lidade de

(A) informação.

(B) escolha.

(C) ensino.

(D) expressão.

(E) abstenção.

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21. Ilma Veiga afirma que o projeto político-pedagógico pode 23. Daniela Auad questiona a aparente naturalidade com que
ser entendido como a própria organização da escola em vemos a prática de meninas e meninos frequentarem a
sua totalidade, sendo a escola o lugar de concepção, rea- mesma escola, fazendo uma distinção dos termos “escola
lização e avaliação de seu projeto educativo. Todo projeto mista” e “coeducação”, a fim de fortalecer o debate sobre
pedagógico da escola é, também, um projeto político por educação e relações de gênero. Para a autora, a escola
estar articulado ao compromisso sociopolítico no sentido mista
da formação do cidadão. A construção do projeto político-
-pedagógico pela escola está relacionada com (A) seria uma das muitas medidas necessárias para
­implantar uma política pública coeducativa.
(A) a acentuação dos conflitos entre os professores e, por-
tanto, a necessidade da figura de uma gestão forte, (B) elimina as representações acerca do masculino e do
racional e organizada. feminino presentes nas práticas escolares.

(B) o desfazimento das práticas consolidadas no ambiente (C) é suficiente para o término das desigualdades, uma
escolar. vez que promove as relações de gênero.

(C) o aumento do trabalho dos professores, que terão (D) acentua as desigualdades entre meninos e meninas,
menos tempo para planejar as aulas e corrigir as ati- pois, por exemplo, longe dos meninos, as meninas
vidades. se sentiriam mais encorajadas a se expressar.

(D) o compromisso de seguir os documentos legais, com (E) trouxe uma igualdade real e não apenas formal no
base em um modelo pronto e acabado. tocante às relações de gênero, ultrapassando a
­dimensão coeducativa.
(E) a luta pela descentralização em busca da autonomia
e da qualidade.

24. O Parecer do Conselho Nacional da Educação/Câmara


da Educação Básica (CNE/CEB) no 11/2000 incorporou
22. A Resolução no 4, de 13 de julho de 2010, do Conse- uma nova concepção de Educação de Jovens e Adultos
lho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica (EJA), deixando de ter como objetivo o suprimento de
(CNE/CEB), que define Diretrizes Curriculares Nacionais uma defasagem e passando a ser uma modalidade de
Gerais para a Educação Básica, dispõe que a transver- educação básica, nas etapas do Ensino Fundamental e
salidade Médio. À função reparadora, articula-se também a função
equalizadora para aqueles jovens e adultos que tiveram
(A) deve ser evitada na elaboração do projeto político- seus estudos interrompidos, por razões de natureza das
-pedagógico, pois indiretamente enfraquece os mais variadas. Considerando a forma de organização
saberes consolidados de cada uma das áreas do do currículo da EJA e as tendências pedagógicas que a
conhecimento. ­embasam, é correto afirmar que a EJA

(B) tem por finalidade a integração da equipe escolar (A) busca sobretudo a igualdade perante a lei, em detri-
com a comunidade local. mento da igualdade de oportunidades.

(C) constitui uma das maneiras de trabalhar os compo- (B) é baseada na perspectiva freiriana de educação
nentes curriculares, as áreas de conhecimento e os ­bancária.
temas sociais em uma perspectiva integrada.
(C) precisa ser pensada como modelo pedagógico
(D) é uma proposta curricular ordenada que fragmenta ­próprio.
os conhecimentos acumulados pela humanidade.
(D) deve, sempre que possível, evitar articular-se com a
(E) estrutura-se em torno de grandes eixos articulado- educação profissional.
res e privilegia os conteúdos de língua portuguesa e
matemática. (E) tem por finalidade última ensinar ao aluno o processo
inicial de alfabetização.

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25. O processo de ensino pode ser caracterizado pela com- 27. Em uma escola municipal de Ribeirão Preto, foi agendada
binação de atividades do professor e do aluno. Já os reunião com o objetivo de educar os pais de determinados
métodos podem ser determinados pela relação objetivo- alunos com problemas de aprendizagem, pois, segundo a
-conteúdo no que se refere aos meios para se chegar diretora, os pais seriam as principais causas dos proble-
ao objetivo estabelecido, implicando uma sequência pla- mas que interferem na aprendizagem dos alunos. À luz dos
nejada e sistematizada de ações. José Carlos Libâneo estudos de Jane Castro e Marilza Regattieri, pode-se dizer
comenta que a relação objetivo-conteúdo-método que essa situação hipotética

(A) é sequencial, no sentido de que a ordem em que (A) em um primeiro momento causa desconforto nos
ocorrem interfere no processo de ensino. pais dos alunos, mas frequentemente sana dificul-
dades de aprendizagem que estão fora do alcance
(B) tem como característica a mútua interdependência. da escola.

(B) coloca em condição de igualdade mães, pais e demais


(C) está ancorada no método intuitivo-analítico.
agentes escolares.
(D) é usualmente posta em prática durante aulas (C) condiz com o que se espera de uma escola atenta ao
­expositivas. que ocorre tanto dentro como fora da sala de aula.

(E) relaciona-se com a descentralização do ensino. (D) fortalece o vínculo dos integrantes da comunidade
escolar.

(E) transfere da escola para o aluno e sua família o peso


do fracasso escolar e transforma pais, mães, profes-
26. Jussara Hoffmann problematiza o erro por uma perspec-
sores, diretores e alunos em antagonistas.
tiva dialógica e construtivista, ou seja, o erro como ele-
mento fundamental à produção de conhecimento pelo ser
humano, portanto fecundo e positivo. Nesse sentido, a
avaliação dialógica concebe o conhecimento como apro-
priação do saber pelo aluno e pelo professor, exigindo do 28. Tem-se hoje uma rápida penetração das tecnologias,
professor uma postura epistemológica e privilegiando a mas uma lenta assimilação das implicações que essas
feição mediadora da avaliação. A autora defende que o tecnologias trazem para a educação. Em seu conjunto,
acompanhamento do processo de construção de conhe- Ladislau Dowbor entende que essas novas tecnologias
cimento implica representam uma oportunidade radical de democratiza-
ção do acesso ao conhecimento. Sobre a relação entre
(A) favorecer o desenvolvimento do aluno, orientá-lo nas educação e tecnologias da informação e comunicação, o
tarefas e oferecer-lhe novas leituras ou explicações. autor sugere que

(B) acompanhar todas as ações e tarefas do aluno para (A) cabe ao Estado, na forma de políticas educacionais,
dizer se está ou não apto em determinada matéria. estabelecer como, quando e onde as tecnologias da
informação e comunicação serão utilizadas pelos
(C) observar passo a passo os resultados parciais de professores.
cada aluno.
(B) a escola não deve fazer parte dessa mediação, por-
que as tecnologias da informação e comunicação
(D) mensurar o processo de aprendizagem previsto no
desautorizam o trabalho pedagógico realizado em
currículo escolar, na medida em que as provas atuam
sala de aula.
como um instrumento de coleta de dados e possibilitam
a efetivação da verificação da qualidade de ensino. (C) o uso que as crianças já fazem das tecnologias da
informação e comunicação, por meio de tablets e
(E) garantir uma sondagem no início do período letivo celulares, exige um movimento inverso da escola,
a fim de identificar as dificuldades e potencialidades desestimulando esse uso excessivo.
dos alunos.
(D) a quantidade de conhecimentos obtidos através das
tecnologias da informação e comunicação já justifica
o seu uso irrestrito pelos professores.

(E) a educação precisa organizar essa transição propor-


cionada pelas tecnologias da informação e comuni-
cação, de modo a preparar as crianças para o mun-
do realmente existente.

9 PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde
Estatuto do Servidor Conhecimentos EspecíficoS

31. Leia os textos.


29. Gregorius é funcionário público estável do Município de
Ribeirão Preto e teve comprovadas, em processo admi- Texto I
nistrativo, modificações no seu estado psíquico que lhe
diminuíram a sua eficiência no exercício do cargo que
ocupa. Nessa situação, segundo o Estatuto do Servidor
Público Municipal (Lei no 3.181/1976), é correto afirmar
que Gregorius

(A) deverá ser demitido a bem do serviço público.

(B) estará sujeito à readaptação de ofício no serviço.

(C) ficará suspenso do cargo até que recupere sua


­capacidade.

(D) será advertido por escrito e terá que passar por


­perícia médica.

(E) terá direito a ser aposentado por invalidez, com


­proventos proporcionais ao tempo de serviço. (Níquel Náusea. Fernando Gonsales. Folha de S.Paulo, 25.08.2018)

Texto II

30. A respeito das penalidades aplicáveis aos servidores


­públicos por infrações disciplinares, o Estatuto do Ser-
vidor do Município de Ribeirão Preto (Lei no 3.181/1976)
estabelece que

(A) a aposentadoria não impede que o servidor público


seja punido por falta grave cometida durante o exer-
cício do cargo, se ainda não prescrita.

(B) a infração é punível, quer consista em ação, ou omis-


são, desde que tenha produzido resultado perturba-
dor do serviço.

(C) se considera abandono do cargo, a ausência do ser-


viço, sem justa causa, por mais de trinta dias úteis
(Níquel Náusea. Fernando Gonsales. Folha de S.Paulo, 15.08.2018)
consecutivos ou não.
Com base em Koch e Elias (2011), é correto afirmar que
(D) a confissão espontânea da infração, antes da deci- as tiras
são do processo administrativo, isenta o servidor da
(A) fazem uma paráfrase de outros textos, os quais
punição disciplinar.
podem ser recuperados nas tiras com as expressões
“os passarinhos” (Texto I) e “a mosca tsé-tsé africana”
(E) a reincidência não pode ser computada para agravar
(Texto II).
a punição do servidor pela infração disciplinar.
(B) criam uma relação intertextual com outros textos, o
que pode ser confirmado pelas informações no plano
da linguagem não verbal, mas não no da linguagem
verbal.
(C) mantêm relação intertextual com outros textos, o que
se confirma com as passagens “migalhas de pão
para marcar o caminho” (Texto I) e “Bela Adormecida”
(Texto II).
(D) mantêm relação intertextual com outros textos, sem
lhes alterar o sentido original, razão pela qual se con-
segue criar o humor nos gêneros derivados.
(E) buscam novos sentidos para as narrativas, o que é
possível porque a relação intertextual se estabelece
com textos do mesmo gênero, tanto os originais
quanto os derivados.
PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde 10
32. João Wanderley Geraldi (1997) observa que, na prática 34. De acordo com Dolz e Schneuwly (em Dolz, Noverraz e
escolar, “institui-se uma atividade linguística artificial”, Schneuwly, 2004), entende-se uma sequência didática
que compromete a aprendizagem da língua. Para o autor, como
visando a garantir aos alunos o domínio das habilidades
(A) módulos de ensino propostos a partir do diagnóstico
de uso da língua em situações concretas de interação, o
das dificuldades enfrentadas pelos alunos, funda-
ensino das práticas de leitura e escrita deve
mentada em atividades linguísticas de produção tex-
(A) formalizar a escolarização dos conhecimentos, enten- tual visando à escrita.
dendo-os como conteúdos a serem trabalhados em (B) exercícios regulares de aspectos normativos da lín-
sala de aula, sem que seja necessária sua relação gua que têm por objetivo capacitar o aluno em dife-
com o mundo social em que são constituídos. rentes atividades de linguagem a que está exposto,
notadamente as formais.
(B) partir de unidades menores que o texto, tais como a
palavra e a oração, promovendo um trabalho mais (C) conteúdos organizados dentro de um mesmo nível
sistematizado em cada nível de abordagem até se de complexidade, explorados dentro de um gênero
chegar ao domínio do texto e do discurso. textual previamente escolhido, conforme necessida-
de e interesse dos alunos.
(C) valer-se do texto como material instrumental, explici-
(D) módulos de ensino que são organizados de forma
tando-se sua materialidade linguística, por meio da
interdependente com o fim de melhorar determinada
qual é preciso desenvolver a percepção da gramá­
prática de linguagem dos alunos, fundamentada nos
tica da língua notadamente na variedade culta.
gêneros textuais.
(D) apoiar-se na abordagem do texto como material aca- (E) exercícios regulares de leitura de textos variados,
bado para análise, entendendo-se que os sentidos com o fim precípuo de possibilitar a fruição a partir
apreendidos pelo leitor são, com efeito, aqueles pre- dos gêneros, sobretudo os da esfera ficcional, apre-
viamente definidos pelo autor, no ato de criação. ciados pelos alunos.

(E) sustentar-se na abordagem contextualizada e signifi-


cativa, dando-se voz aos discentes para que a intera- Leia o texto para responder às questões de números 35 a 39.
ção se estabeleça em sala de aula, garantindo-lhes o
A seca que assolou o semiárido nordestino por longos
domínio efetivo da língua padrão em suas modalida-
seis anos amenizou-se, é verdade. Ainda permanecem, con-
des oral e escrita.
tudo, imensos polígonos com estiagens classificadas como
moderadas ou severas, algumas há mais de seis meses.
O sertão do Maranhão, do Piauí e do Ceará figura entre
33. Para Marisa Lajolo (1985), a obra literária é concebida as áreas mais afetadas, assim como manchas do agreste – a
como um objeto faixa vizinha da úmida zona da mata litorânea – em Pernam-
buco, Alagoas e Sergipe.
(A) linguístico, que nasce da engenhosidade verbal do O estresse hídrico abarca 540 mil km2, equivalentes a
autor. 44% da região Nordeste. No Centro-Oeste, a escassez atinge
260 mil km2 (17%).
(B) social, que nasce da relação comunicativa entre Por sorte, não se observaram até aqui condições para
autor e leitor. a reedição do El Niño, evento climático que costuma turbi-
nar secas nordestinas. Subsistem, porém, 60% de chance
(C) artístico, que nasce da criatividade e inventividade de que ele volte neste semestre. De toda maneira, os efeitos
do autor. desses fenômenos disseminados se evidenciam de modo
mais claro no campo.
(D) cultural, que nasce para representar o primor da lin-
Há cidades no noroeste paulista que amargaram 120
guagem.
dias quase sem chuvas. Como resultado, a próxima safra de
(E) polissêmico, que nasce da interrelação de múltiplas cana pode ser 7% menor, com perda de 40 milhões de tone-
linguagens. ladas e prováveis reflexos no preço do etanol já em outubro.
No norte de Minas Gerais, 70% dos rios e córregos estão
com vazão comprometida, segundo a Emater estadual. Caiu
25% a quantidade de cabeças de gado, e a produção leiteira
sofreu redução de 62%. A quebra na colheita de grãos da
área foi pior, chegando a 85%.
No agreste pernambucano, 65 municípios se encontram
em estado de emergência, praticamente sem chuvas pelos
últimos quatro anos. E a água da transposição do São Fran-
cisco ainda não passa de uma promessa, com a paralisa-
ção de obras de ligação de seus canais com as adutoras que
abastecem a população do estado.
Não faltam casos para ilustrar o drama da estiagem para
milhões de brasileiros. Faltam planos (e, agora, verbas) para
gestão racional dos recursos hídricos, pois não é impossível
obter um grau de segurança mesmo onde são escassos.
11 PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde
Mais preocupante se mostra a possibilidade de que 37. No trecho do primeiro parágrafo “algumas há mais de
essas secas se tornem mais frequentes, ou mesmo crônicas, seis meses.”, a progressão textual se dá por meio de
com a prognosticada mudança do clima. Há que preparar o
país também para isso. (A) elipse.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 01.09.2018. Adaptado) (B) hiperônimo.

(C) catáfora.
35. Considere as passagens do texto:
•  Ainda permanecem, contudo, imensos polígonos com (D) sinônimo.
estiagens classificadas como moderadas ou severas... (E) hipônimo.
(1o parágrafo);
•  O estresse hídrico abarca 540 mil km2, equivalentes a
44% da região Nordeste. (3o parágrafo); 38. Por meio do exame da categoria dos pronomes, dos
verbos e dos advérbios, Benveniste afirma que todo ato
•  Mais preocupante se mostra a possibilidade de que de comunicação se constrói a partir da manifestação de
essas secas se tornem mais frequentes, ou mesmo crô- três determinações, concretizadas no eu-aqui-agora.
nicas, com a prognosticada mudança do clima. (último Com relação à categoria do pronome, o autor irá fazer
parágrafo). sua clássica distinção entre a manifestação da pessoali-
Com base em Marcuschi (em Machado e Bezerra, 2002), dade (eu e tu) e da impessoalidade (ele) no discurso. [...]
as passagens transcritas estão organizadas, respectiva- Da mesma forma que os pronomes, as circunstâncias de
mente, nas sequências tipológicas: tempo e de lugar serão pensadas por Benveniste a partir
do ato de comunicação. Nesse sentido, o aqui opõe-se
(A) descrição, exposição e argumentação. ao lá na medida em que o primeiro determina o espaço
do sujeito e o segundo o do não sujeito; o agora opõe-se
(B) injunção, narração e exposição. ao então na medida em que este determina o espaço do
não sujeito, e aquele, o do sujeito.
(C) narração, descrição e argumentação.
(Cortina e Marquezan em: Mussalim e Bentes: 2005, V.3)

(D) descrição, narração e exposição. Com base nas informações apresentadas, é correto afir-
mar que, no Editorial da Folha, identifica(m)-se
(E) narração, injunção e exposição.
(A) a indicação implícita da pessoalidade nas passagens
“A quebra na colheita de grãos da área foi pior”
(6o parágrafo) e “Não faltam casos para ilustrar o
36. Assinale a alternativa em que a organização das infor- drama da estiagem” (8o parágrafo) e a indicação de
mações textuais se dá por meio da relação de causa e lugar, como em “Há que preparar o país também
efeito. para isso.” (9o parágrafo).

(A) A seca que assolou o semiárido nordestino por lon- (B) a ausência de elementos pronominais que indiquem
gos seis anos amenizou-se, é verdade. Ainda perma- a pessoalidade, havendo, porém, a marca de tempo
necem, contudo, imensos polígonos com estiagens da enunciação, nas passagens: “Ainda permanecem,
classificadas como moderadas ou severas... contudo, imensos polígonos” (1o parágrafo) e “Fal-
tam planos (e, agora, verbas) para gestão racional”
(B) O sertão do Maranhão, do Piauí e do Ceará figura (8o parágrafo).
entre as áreas mais afetadas, assim como manchas
(C) a ausência de elementos pronominais que indiquem
do agreste – a faixa vizinha da úmida zona da mata
a pessoalidade, bem como ausência de termos que
litorânea – em Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
reportem ao tempo da enunciação e ao lugar, ao
(C) Por sorte, não se observaram até aqui condições longo de todo o texto, como estratégia argumenta-
para a reedição do El Niño, evento climático que cos- tiva, considerando-se que a intenção do autor é a
tuma turbinar secas nordestinas. Subsistem, porém, criação do efeito de objetividade.
60% de chance de que ele volte neste semestre. (D) a indicação, na passagem “Mais preocupante se
mostra a possibilidade de que essas secas se
(D) Há cidades no noroeste paulista que amargaram 120
tornem mais frequentes” (9o parágrafo), dos elemen-
dias quase sem chuvas. Como resultado, a próxima
tos: pessoalidade, por meio do termo “preocupante”;
safra de cana pode ser 7% menor, com perda de 40
lugar, por meio da expressão “essas secas”; e tempo
milhões de toneladas e prováveis reflexos no preço
da enunciação, por meio do termo “frequentes”.
do etanol já em outubro.
(E) a ausência de elementos pronominais que indiquem
(E) Não faltam casos para ilustrar o drama da estiagem a pessoalidade e o tempo da enunciação, havendo,
para milhões de brasileiros. Faltam planos (e, agora, porém, elementos explícitos referentes a lugar, como
verbas) para gestão racional dos recursos hídricos, se pode comprovar com a passagem “Por sorte, não
pois não é impossível obter um grau de segurança se observaram até aqui condições para a reedição
mesmo onde são escassos. do El Niño” (4o parágrafo).

PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde 12
39. De acordo com Kleiman (1993), “a ativação do conheci- 40. De acordo com Dolz, Gagnon e Decândio (2010), os
mento prévio é essencial à compreensão, pois é o conhe- Textos I e II associam-se, correta e respectivamente, aos
cimento que o leitor tem sobre o assunto que lhe permite seguintes domínios sociais de comunicação:
fazer as inferências necessárias para relacionar diferen-
(A) discussão de problemas sociais controversos; trans-
tes partes discretas do texto num todo coerente”. Nesse
missão e construção de saberes.
sentido, é correto afirmar que o enunciado
(B) documentação e memorização das ações humanas;
(A) “e prováveis reflexos no preço do etanol já em outu- transmissão e construção de saberes.
bro.” (5o parágrafo) assinala o oportunismo para se
aumentar sem justificativa o preço do álcool. (C) discussão de problemas sociais controversos; cultura
literária ficcional.
(B) “A quebra na colheita de grãos da área foi pior, che-
gando a 85%.” (6o parágrafo) sugere a ineficácia da (D) documentação e memorização das ações humanas;
produção agrícola no Brasil ao longo dos anos. instruções e prescrições.

(C) “E a água da transposição do São Francisco ainda (E) instruções e prescrições; cultura literária ficcional.
não passa de uma promessa” (7o parágrafo) revela
que é iminente a transposição das águas do rio. 41. Assinale a alternativa em que, nos dois trechos, identifi-
cam-se marcas de oralidade transpostas para a escrita.
(D) “Faltam planos (e, agora, verbas) para gestão racio-
nal dos recursos hídricos” (8o parágrafo) mostra que (A) “que Você merole” (Texto I) e “Mãe eu vou para o rio”
a falta de recursos é histórica no Brasil. (Texto II).

(E) “Há que preparar o país também para isso.” (9o pa- (B) “Sinhor Prefeito” (Texto I) e “Ela não podi come peixe
rágrafo) indica que o Brasil está sujeito à previsão de com iscama que é pirigozo” (Texto II).
mudança do clima no planeta. (C) “e nei di patis” (Texto I) e “e ela puxou avara e saiu
um peixe grande” (Texto II).
(D) “defisiente físico nas Ruas” (Texto I) e “ela esqueseu
Leia os textos para responder às questões de números
a iscama” (Texto II).
40 a 42.
(E) “nei uma jite que eles e elas não coiese” (Texto I) e “e
Texto I falou para o home” (Texto II).

Sinhor prefeito
42. Entre os valores e atitudes subjacentes às práticas de lin-
Nos queremu que Você merole as situasão de mininos e guagem, os Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua
meninas esta com defisiente físico nas Ruas ele entra na Portuguesa (1998) preconizam a “preocupação com a
igreja e tei escada eles não entra não tei nigei para por qualidade das produções escritas próprias, tanto no que
eles la dentro e nei uma jite que eles e elas não coiese ela se refere aos aspectos formais – discursivos, textuais,
e ele e também não ce coiesem ele e ela porque eles e gramaticais, convencionais – quanto à apresentação
elas e defisiente e eles não e defisiente eles não pode joga estética.” Dessa forma, os textos dos alunos
Bola e nei andar de Bicicrete e nei di patis e também não (A) irão compor material para uma abordagem pragmá-
pode pasia nas Ruas dos colega nei estudar Praque ele tica em sala de aula, considerando-se sobretudo as
não da comta de escrever e nei ler oque ele vai fazer na condições que motivaram a sua produção, o que im-
escola so llarcha e brimcar na escola Dese jeito eles não plica abandonar uma visão de correção gramatical
podi pasar di ano ou mesmo a reescrita desses textos em sala de aula.
Obrigada porter Aterder o meu pidido Lucas (B) serão avaliados integralmente pelo professor que os
(Dolz, Gagnon e Decândio: 2010) devolverá posteriormente aos estudantes, solicitan-
do que seja feita a reescrita e que todos os erros
Texto II apontados sejam definitivamente eliminados, o que
garantirá o domínio linguístico e discursivo.
Era uma vez que tinha uma menina que jamava Magali ela
foi peca no rio que tem la perto da casa e ela falou para a (C) deverão ser relidos pelos estudantes, que deverão
mãe dela: identificar as falhas linguísticas, considerando-se o
– Mãe eu vou para o rio e vai traze um peixe. nível de aprendizagem em que estão, para poderem
E ela esta pescando e o anzol trem e ela puxou avara e higienizar o texto, isto é, eliminar todos os usos lin-
saiu um peixe grande ela pegou o peixe e foi tira uma foto guísticos discordantes da norma-padrão.
com ele e falou para o home; (D) constituirão o próprio material para a prática de aná-
– Home voce fais um favor o que voe quer menina eu que- lise linguística, que será mediada pelo professor, tra-
ro tira uma foto com o meu pexe que eu pesque coto que balhando a partir de questões mais simples de natu-
paga? Paga 50 setavo tão toma o diero. reza linguística e discursiva para chegar às questões
Mais a foto sai escuro e ela leva o peixe para mãe dela mais complexas, do texto como um todo.
fritar. Quando foi come ela esqueseu a iscama que intalou
na boca e a mãe dela salvou ela ela qasi qui si afogou. Ela (E) deverão fomentar a discussão acerca da importância
não podi come peixe com iscama que é pirigozo. da gramática, uma vez que trazem problemas diver-
sificados, os quais precisam ser integralmente expli-
Vera – 3a série cados pelo professor na ocasião em que retornar os
(Dolz, Gagnon e Decândio: 2010) textos corrigidos aos estudantes.
13 PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde
43. O objeto de ensino e, portanto, de aprendizagem é o 45. Diante de uma placa escrita TEATRO é provável que um
conhecimento linguístico e discursivo com o qual o sujeito pernambucano, lendo em voz alta, diga TÉ-atru, que um
opera ao participar das práticas sociais mediadas pela carioca diga TCHI-atru, que um paulistano diga TÊ-atru.
linguagem. Organizar situações de aprendizado, nessa E agora? Quem está certo?
perspectiva, supõe: planejar situações de interação nas (Marcos Bagno: 2007)
quais esses conhecimentos sejam construídos e/ou
tematizados; organizar atividades que procurem recriar O autor usa o exemplo para explicar
na sala de aula situações enunciativas de outros espaços (A) os diferentes modos de falar e escrever, enfatizando
que não o escolar, considerando-se sua especificidade e o dialeto de prestígio na sociedade, que norteia a
a inevitável transposição didática que o conteúdo sofrerá; escrita, o que, de acordo com os Parâmetros Cur-
saber que a escola é um espaço de interação social onde riculares Nacionais: Língua Portuguesa, permite um
práticas sociais de linguagem acontecem e se circuns- melhor desenvolvimento linguístico dos alunos.
tanciam, assumindo características bastante específicas (B) a necessidade de se criar na sociedade uma forma
em função de sua finalidade: o ensino. única de falar que expresse corretamente a escrita
(Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, 1998) dos termos, o que, de acordo com os Parâmetros
Com base nos PCN: Língua Portuguesa (1998), consi- Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, é priori-
dade no ensino fundamental.
derando que, nas instâncias públicas há o privilégio da
modalidade escrita, o trabalho com ela em sala de aula (C) o descuido por parte significativa da população que,
orienta-se pelo além de falar errado, também escreve com muitos
erros, o que, de acordo com os Parâmetros Curricu-
(A) reconhecimento dos espaços sociais de circulação lares Nacionais: Língua Portuguesa, não tem impli-
do conhecimento para a formulação de textos que cações para o desenvolvimento do aluno.
atendam às necessidades mútuas de compreensão
dos sujeitos. (D) as possibilidades de expressão da língua, enfatizando
que a ortografia deve se moldar a essas diferentes fa-
(B) apelo à comunicação face a face dos sujeitos, que lhes las, o que, de acordo com os Parâmetros Curriculares
permite reordenar continuamente seus textos, ajustan- Nacionais: Língua Portuguesa, é uma falácia, pois o
do-se às necessidades comunicativas imediatas. que importa ensinar é a variante de prestígio social.
(C) ensino dos aspectos formais da língua, o que se con- (E) a variação existente na fala, estigmatizada social-
cretiza em exercícios gramaticais, escrita, correção mente pelo fato de haver uma valorização da língua
de erros ortográficos e leitura de textos prototípicos. escrita, o que, de acordo com os Parâmetros Curri-
culares Nacionais: Língua Portuguesa, não se justi-
(D) contexto de comunicação, que exige dos sujeitos fica, sabendo-se que fala e escrita constituem siste-
uma interação em que os textos produzidos dispen- mas diferenciados da linguagem verbal.
sam a monitoração linguística e discursiva constante.
(E) conhecimento da situação comunicativa, que exige a 46. Irandé Antunes (2003) diz que “aceitar o caráter interacio-
interação entre os sujeitos, em detrimento de aspectos nal da oralidade e sua realização em diferentes gêneros
textuais e discursivos de formulação de enunciados. e registros textuais leva o professor de português a inter-
vir para que o trabalho com a oralidade tenha determina-
44. Durante uma aula, a professora fazia oralmente uma das características”. Uma dessas características implica
atividade de plural com os alunos. Ao perguntar o plu- reconhecer que
ral de “troféu”, um aluno respondeu: “troféis”. Com base (A) os papéis sociais na interação verbal variam, razão
em Bortoni-Ricardo (2004), o que justifica a resposta do pela qual os alunos deverão entender que a comu-
estudante é o fato de existir nicação acarreta conhecer e respeitar a expressão
verbal do outro, realizando as próprias expressões
(A) uma neutralização das vogais no final de sílaba, o com apuro e formalidade linguísticos.
que sugere que o aluno pertença a uma comunidade
rural ou rurbana do contínuo de urbanização, que (B) o trabalho com a variedade de tipos e gêneros será
suprime o /l/ final em palavras paroxítonas. uma oportunidade para os alunos identificarem as
variações linguísticas nos contextos, o que é rele-
(B) uma troca bastante recorrente de fonemas surdos e vante para saberem adequar-se às situações de in-
sonoros, de tal forma que o /u/ lateral surdo foi subs- teração de que participam.
tituído por /l/ sonoro e, em seguida, inadvertidamen-
(C) a oralidade requer domínio da entonação, das pau-
te, realizado o plural do substantivo.
sas e de outros recursos suprassegmentais, o que
(C) uma neutralização entre /l/ e /u/ na posição pós-vocá­ significa que, se o aluno não escreve e não lê corre-
lica, o que sugere que, inadvertidamente, o aluno tamente, não conseguirá estabelecer boa comunica-
acredite que “troféu” se escreva da mesma forma que ção com seus pares.
“papel”, terminando com /l/. (D) a atividade receptiva de quem escuta o discurso de
(D) uma hipercorreção das palavras, moldando a articu- outrem é também uma atividade de participação em
lação destas a formas consideradas “eruditas” ou de um ato de linguagem, devendo o aluno estar mais
prestígio social, como também ocorre nos vocábulos predisposto à escuta do que à fala, já que se trata de
“bandeija, carangueijo, deseijo”. uma prática pouco estimulada.
(E) os textos orais dispensam os recursos de encadea-
(E) uma dupla possibilidade de plural dos substantivos
mento dos tópicos pelo fato de haver uma interação
na língua, ambos aceitos e em conformidade com
face a face que permite o uso contínuo de elementos
a norma padrão, considerando-se a diversidade lin- de reiteração, que dinamiza a comunicação entre os
guística do português brasileiro. falantes da língua.
PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde 14
47. De acordo com Dolz e Schneuwly (em Dolz, Noverraz e 49. Ao analisar as concepções de linguagem, Geraldi (1997)
Schneuwly, 2004), o trabalho com as sequências didáti- aponta três grandes correntes. A que é apresentada nos
cas deve acontecer com os gêneros Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa
(1998) como norteadora do ensino de língua portuguesa
(A) em uma abordagem mista, ora linear e ora espiral,
centra seus estudos
oferecendo-se diferentes tarefas de leitura e escrita
aos alunos. (A) no transformacionalismo, priorizando a linguagem
(B) de um mesmo agrupamento, repetindo-os em todas como ação de um falante sobre outro.
as séries para que sejam efetivamente aprendidos.
(B) na gramática tradicional, priorizando a linguagem
(C) em uma abordagem “em espiral”, garantindo-se como expressão do pensamento dos falantes.
explorar diversos agrupamentos e diferentes níveis
de complexidade. (C) no estruturalismo, priorizando a linguagem como ins-
trumento de comunicação entre os sujeitos.
(D) de diferentes agrupamentos, fortalecendo-se as rela-
ções intertextuais em uma progressão linear.
(D) na linguística da enunciação, priorizando a lingua-
(E) em uma abordagem livre, efetivando-se diferentes gem como forma de interação entre os sujeitos.
tarefas de leitura e escrita de mesmo nível de com-
plexidade. (E) na gramática estrutural, priorizando a linguagem como
domínio da escrita pelos falantes.

48. De acordo com Rojo (em Rojo e Moura: 2012), os letra-


mentos na sociedade contemporânea “tornam-se multi- 50. Leia a charge.
letramentos: são necessárias novas ferramentas – além
das da escrita manual (papel, pena, lápis, caneta, giz e
lousa) e impressa (tipografia, imprensa) – de áudio, vídeo,
tratamento da imagem, edição e diagramação”. Tal posi-
cionamento se articula com os Parâmetros Curriculares
Nacionais – Ensino Médio que mostram a necessidade
de entender
(A) as limitações próprias das tecnologias da comunica-
ção e da informação, sobretudo no modelo de ensino
atual, retrógrado, e que precisa ser melhorado, o que
pode ser conseguido com projetos que atuem, pri-
meiramente, nas demandas elementares da escola,
(Charge de Duke. https://www.otempo.com.br. Adaptado)
as quais, evidentemente, dispensam as novidades
tecnológicas. Considerando a situação de comunicação apresentada,
a tipologia textual presente na resposta do mestre é a
(B) o modo como as informações circulam por meio dos
recursos tecnológicos e de aplicar as tecnologias da (A) injuntiva, pois a informação remete a um procedi-
comunicação e da informação na escola, no trabalho mento a ser adotado pelo discípulo.
e em outros contextos relevantes para a vida, o que
pode ser conseguido com atividades extracurricula- (B) narrativa, pois a informação remete a fatos e episó-
res que tematizem o uso das tecnologias disponíveis dios localizados no tempo.
no cotidiano das pessoas.
(C) argumentativa, pois a informação cria um embate
(C) a natureza das tecnologias da informação como inte-
entre o mestre e o discípulo.
gração de diferentes meios de comunicação, lingua-
gens e códigos, o que pode ser conseguido com a (D) expositiva, pois a informação é apresentada como
liberação do uso de aparelhos eletrônicos em sala de um conhecimento polêmico.
aula, descentralizando o papel do professor e dando
liberdade aos alunos para a construção do conheci- (E) descritiva, pois a informação do mestre caracteriza o
mento nesse novo contexto. perfil social de seu discípulo.
(D) a função integradora que as tecnologias da informação
exercem na sua relação com as demais tecnologias, o
que pode ser conseguido com projetos externos que
deixem claro para os alunos que esse domínio é uma
realidade para além do contexto escolar, que não con-
segue acompanhar as inovações tecnológicas.
(E) o impacto das tecnologias da comunicação e da infor­
mação na vida das pessoas, nos processos de produ-
ção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida
social, o que pode ser conseguido com projetos de
ensino que explorem pedagogicamente os recursos
tecnológicos disponíveis.

15 PMRI1801/008-PEB-III-LPortuguesa-Tarde
redação

Leia os textos.

Texto 1

Para que as imagens de TV ou para que a voz do radialista chegue ao público, é fundamental que uma empresa ou orga-
nização tenha acesso às ondas eletromagnéticas, pois é através dessas ondas que a informação chegará aos aparelhos de
televisão ou de rádio. O espectro magnético pertence ao Estado, que escolhe se ele mesmo utilizará esse bem ou se conce-
derá seu uso para terceiros, através de uma concessão pública. Importante observar que a União não dá a posse do espectro
eletromagnético, mas cede o uso, então ninguém será proprietário, mas terá apenas uma concessão dada pelo governo, sob
as normas vigentes, para fazer uso dele. Essa concessionária que recebe a outorga deve cumprir determinadas regras. Muitas
dessas regras nem foram regulamentadas ainda, não ficando claro quais as normas que regem o setor.
(Samir El Hawat. “Regulação da mídia: censura ou necessidade?”. Lume/UFRGS. https://lume.ufrgs.br, 2015. Adaptado)

Texto 2

Censura, liberdade de expressão, poder e influência da mídia. São várias as expressões usadas quando o assunto é
regulação da mídia. O tema, que já foi alvo de debates e de criação de leis em outros países, ainda é polêmico no Brasil, onde
o vazio em relação a algumas regras deixa espaço para a veiculação de conteúdos inadequados do ponto de vista dos direitos
humanos e que refletem pouco a diversidade do país.
Do mesmo modo como o transporte e a energia, a comunicação é um serviço público: trata-se de um direito previsto na
Constituição Federal de 1988. Diferentemente de outros capítulos do texto constitucional — como os relacionados ao meio
ambiente —, aqueles que se referem ao direito à comunicação ainda não foram regulamentados, o que dificulta a execução
e a fiscalização desse serviço.
(“Regulação da mídia: conheça os pontos em debate no Brasil”. Agência Brasil. http://agenciabrasil.ebc.com.br, 29.09.2015. Adaptado)

Texto 3

De acordo com pesquisa feita em 2016 pelo projeto “Violações de Direitos na Mídia Brasileira”, que acompanhou
28 programas de rádio e TV em um período de 30 dias, foram cometidas, no período analisado, 4 500 violações de direitos,
8 232 infrações às leis brasileiras, 7 529 infrações à legislação multilateral, e 1 962 desrespeitos a normas autorregulatórias, a
exemplo do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.
Contudo, dificilmente essas transgressões resultam em punições para os profissionais e emissoras responsáveis, a
menos que atinjam grande repercussão na mídia. Como normalmente não é o caso, cultivamos diariamente uma imprensa
televisiva que, em vez de apenas informar os fatos para sua audiência, busca formar consciências a partir de profissionais que
utilizam de sua subjetividade para incorporar impressões pessoais nos fatos.
Em entrevista a uma rádio paulistana, um humorista bastante conhecido contou que a censura pode causar um bloqueio no
processo criativo do profissional comediante, o qual “não deveria pensar duas vezes antes de contar uma piada. Se o humor não
cutucar, ele fica muito sem sal e não desce bem. O jornalismo é a mesma coisa, dá audiência com esses conflitos”, relatou.
(Mateus Araújo. “Discurso de ódio se confunde com liberdade de expressão na TV brasileira”. A escotilha. www.aescotilha.com.br, 17.06.2018. Adaptado)

Texto 4

Sempre que se aproxima uma nova eleição, entra em cena a discussão sobre o tal “controle da mídia”, que deveria
funcionar como garantia contra eventuais excessos e contra a influência dos meios de comunicação nos resultados eleitorais.
O “controle” sobre o conteúdo produzido pelos meios de comunicação, sejam quais forem suas opções, tem o nome de
censura, a qual conspira contra a democracia; a contrapartida da liberdade total de expressão deve ser a responsabilidade
pelo que se diz, assegurada pela Justiça.
O fato é que a democracia brasileira, com todos os problemas, vem se consolidando. Logo, qualquer tentativa de censura
na produção de conteúdo deve ser rejeitada, na mesma medida em que devem ser preservados os mecanismos legais de
ressarcimento a eventuais prejudicados pela ação da mídia.
(William Correa. “Censura e controle da mídia”. Folha de S.Paulo. www1.folha.uol.com.br, 19.08.2014. Adaptado)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma-
-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

A regulação da mídia é necessária para impedir violações de direitos ou


seria uma forma de censura?

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redação
Em hipótese alguma será considerado o texto escrito neste espaço.

H O
U N
S C
R A

NÃO ASSINE ESTA FOLHA


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RASCUNHO

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RASCUNHO

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