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Aula 3: Projeto Geométrico – Curvas Horizontais Circulares

Introdução:

A geometria de uma estrada é definida pelo traçado do seu eixo em planta e pelos
perfis longitudinal e transversal. De maneira simplificada, o traçado em planta é
composto de trechos retos concordados por curvas horizontais que são usadas,
em geral, para desviar de obstáculos que não possam ser vencidos
economicamente.

A princípio, uma estrada deve ter o traçado o mais curto possível. Porém, ligeiras
deflexões, quando necessárias podem harmonizar o traçado da estrada com a
topografia local.

Geralmente a topografia da região atravessada, as características geológicas e


geotécnicas dos solos de fundação, a hidrografia e problemas de desapropriação
determinam o uso corrente de curvas horizontais. Escolhido o raio das curvas, as
mesmas devem garantir:

o A inscrição dos veículos


o A visibilidade dentro dos cortes
o A estabilidade dos veículos que percorrem a via com grandes velocidades

As curvas horizontais circulares simples são muito empregadas em projeto de


estradas. Este tipo de concordância é realizado quando se combinam duas
tangentes com um raio de círculo. A figura 4.1 mostra os principais elementos de
uma curva circular.

Geometria da curva circular

Para concordar dois alinhamentos retos, foi há muito, escolhida a curva circular,
devido à simplicidade desta curva para ser projetada e locada. O estudo da curva
circular é fundamental para a concordância, pois mesmo quando se emprega uma
curva de transição a curva circular continua a ser utilizada na parte central da
concordância. A figura a seguir mostra a nomenclatura usada nas curvas
horizontais circulares simples.

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O ponto de início da curva circular denomina-se ponto de curva (PC), que pode
ser à direita (PCD) ou à esquerda (PCE). A outra extremidade recebe o nome de
ponto de tangente (PT). São os seguintes os principais elementos da curva
circular:

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o Raio (R): é o raio do arco de círculo empregado na concordância, expresso
em metros. É um elemento selecionado por ocasião do projeto de acordo
com as características técnicas da rodovia e a topografia da região. A
escolha do valor do raio pode ser feita também por meio de gabaritos, que
representam, na escala da planta, trechos de curvas circulares de diversos
raios, de valores convenientemente escalonados.

o Ângulo Central (AC): é o ângulo formado pelos raios que passam pelo PC e
PT e que se interceptam no ponto O. Pode-se demonstrar facilmente que o
ângulo central é numericamente igual à deflexão entre os alinhamentos
(AC=∆).

o Tangente (T): segmentos de reta que unem os pontos de curva (PC) e de


tangente (PT) ao ponto de intersecção (PI)

o Desenvolvimento (D): é o comprimento do arco de círculo desde o PC até o


PT.

o Grau da Curva (G): é o ângulo central que corresponde a uma corda de


comprimento c. O grau é independente do ângulo central.

o Afastamento (E): é a distância entre o PI e o ponto médio da curva.

o Deflexão por Metro (dm): ângulo formado entre a tangente T e uma corda
de comprimento c=1m que parta do PC.

As indicações usuais nas folhas de projeto são as seguintes, podendo variar de


acordo com o projetista:

o Numeração das estacas múltiplas de 5

o A indicação do PC e PT com o número das respectivas estacas são


escritos ao longo dos raios extremos da curva

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o Na parte interna colocam-se os valores dos principais elementos da curva
(R, ∆, G, T, D, dm)

Costuma-se também indicar cortes e aterros, e enquadrar o eixo da estrada entre


dois traços paralelos, cujo afastamento é igual à largura da plataforma. Os valores
dos principais elementos das curvas podem ser colocados em tabelas no rodapé
da folha de projeto.

As principais relações entre alguns elementos geométricos da curva circular


simples, indispensáveis tanto no projeto quanto na locação são as seguintes:

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Uma curva pode ser definida pelo raio ou pelo grau. Pode-se facilmente obter uma
expressão que relacione esses dois elementos. Considerando a figura acima
temos:

Quando se faz a substituição do comprimento do arco de uma curva pela sua


respectiva corda se comete um erro, cuja grandeza passa a ser mais significativa
à medida que se aumenta o comprimento da corda.

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Se adotarmos cordas de 20m para R ≥ 180m, cordas de 10m para 65 ≤ R < 180,
cordas de 5m para 25 ≤ R < 65 e cordas de 2m para R < 25m, o erro será menor
que 0,01m, portanto desprezível. Utilizando uma corda c = 20m, a equação 4.7
fica:

G20 = 1145,92 (4.8)


R

O grau G20 deve ser múltiplo de 40’ para facilitar a locação. A seqüência utilizada é
a seguinte:

1. Adota-se R’ (provisório) > Rmin

2. Calcula-se G’ = 1145,92/R’

3. Adota-se G, múltiplo de 40’, próximo a G’

4. Calcula-se R = 1145,92/G

Outra expressão que fornece o valor do grau da curva pode ser obtida
considerando a seguinte proporção:

Aplicando alguns conceitos de geometria pode-se verificar facilmente na figura 4.1


que os valores da deflexão sobre a tangente são dados por:

d=G (4.11)
2

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Para o cálculo da deflexão por metro, basta dividir a deflexão sobre a tangente
pelo valor da corda c.

dm = G20 (4.12)
2.c

para c = 20m

dm = G20
40

Recomenda-se adotar valores inteiros para a deflexão por metro, para facilitar as
leituras dos ângulos de deflexão para a locação da curva.

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Estradas de Rodagem – Projeto Geométrico – Cap 4 – Glauco Pontes Filho