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A História da Informação

26 de setembro de 2018

A informação é um conceito fundamental que rege os aspectos do universo físico


e “entendê-lo e utilizá-lo tem sido um processo extremamente longo e difícil” (A História
..., 2012). Desde a criação da palavra escrita, uma tecnologia revolucionária e que muito
colaborou para a instauração e propagação de leis e para a expansão das relações comer-
ciais nas primeiras sociedades, as multifronteiras da comunicação vêm sendo quebradas.
Mas não somente isso, o número de mudanças que ocorreram na comunicação nos últimos
trezentos anos segue modificando a maneira como a informação é vista.

O documentário “A História da Informação”, escrito e dirigido por Nic Stacey, a-


presentado pelo Professor Jim Al-Khalili, e produzido pela emissora BBC, aborda e inter-
liga conceitos de informação e entropia com bastante maestria e inteligência, exemplifi-
cando as evoluções da escrita no globo, a forma como a humanidade, em um grande salto,
passou a dominar técnicas de transmissão e armazenamento, e expondo as invenções que
foram capazes de reduzir uma vasta gama de informações a códigos simples, que vão des-
de o primeiro alfabeto criado à idade moderna digital.

Num primeiro contato, o telespectador é apresentado ao contexto do surgimento


da palavra escrita, onde tábuas de argila eram utilizadas para a gravação de símbolos pic-
tográficos pelos sons que estes representavam, e permitia-se, com isso, a perduração de
ideias através dos séculos. Com essa invenção, o povo sumério, da antiga Mesopotâmia,
havia descoberto que a informação podia ser modificada entre as mais variadas formas,
nas quais “todo o tipo de manifestação da alma humana estaria fixado para sempre na ar-
gila” (A História ..., 2012).

A escrita era a única tecnologia da informação existente no mundo, no entanto, a


partir do século XVIII, as coisas começaram a mudar. Nos fins do século XVIII, sob os
ares da Revolução Industrial, foi criada uma nova espécie de tecnologia da informação
na cidade de Lyon, na França, lar de alguns dos melhores artesãos do mundo. Essa criação
foi o processo de tecelagem, invenção do mecânico francês Joseph-Marie Jacquard, onde
cartões perfurados eram utilizados para tecer padrões de forma programada, mostrando
“que se pode pegar a essência de algo, extrair a informação vital e representá-la em outra
forma” (A História ..., 2012).

Em seguida, já no final do século XIX, a rapidez com que a informação era trans-
mitida mudou drasticamente em razão da eletricidade. O telégrafo, inventado por Samuel
Morse, deu um novo sentido ao processamento e à transmissão de informações por meio
de seu alfabeto de bips, os códigos telegráficos, tornando-as mais rápidas do que nunca.
Logo, o telégrafo não demorou a se espalhar pelo mundo e impulsionar a sociedade atra-
vés dessa nova absorção da informação – através de zeros e uns.

Em meio a um enigma sobre o movimento das moléculas e a criação de ordem ex-


posto pelo físico James Clerk Maxwell, enigma este que demoraria mais de 100 anos para
ser resolvido, os primeiros passos para a criação do primeiro computador eram dados. O
matemático Alan Turing, cujos estudos serviram como base para a maioria dos eletrônicos
já criados, “queria entender se certos processos na matemática podiam ser feitos se seguis-
sem apenas um conjunto de regras” (A História ..., 2012). Se as máquinas pudessem com-
preender instruções da mesma forma que o cérebro humano fazia, seriam capazes de exe-
cutar tarefas e eliminar a parte humana desse sistema. Turing trouxe à sociedade os seus
algoritmos computacionais e marcou o nascimento da grande Era dos Computadores.

Contudo, o real poder da informação ainda não havia sido revelado. Ainda no sé-
culo XX, os estudos do matemático Claude Shannon, considerado o pai da Teoria da In-
formação, revelaram à sociedade “novas visões sobre a linguagem humana” (A História
..., 2012). Shannon, que trabalhava na Bell Telephone Laboratories, explicou o problema
na comunicação de maneira quantitativa: a unidade básica de informação é uma situação
de "sim ou não” – e que isso poderia ser expressado através de dígitos binários, por meio
dos números 1 e 0, hoje, o bit, sistema característico de cada computador que existe.

Entende-se, com todos esses processos e estudos, que a informação não é somente
importante para a efetivação da comunicação humana, como também para o entendimento
dos muitos aspectos da realidade. O documentário ressalta, de maneira clara, a importân-
cia do estudo da informação, desde o seu armazenamento em tábuas de argila até a utili-
zação da luz e da eletricidade para otimizar a comunicação. Mas não apenas isso, “A
História da Informação” enfatiza, também, o valor à evolução e à manutenção dos meios
de comunicação, tornando-os, portanto, como já dito no estudo de Marshall McLuhan, as
próprias extensões do ser humano.

Referências

"ORDER & DISORDER" The Story of Information. Direção: Nic Stacey. Produção: BBC.
Londres (EN), 2012.