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Editora Poisson

Tópicos em Administração
Volume 6

1ª Edição

Belo Horizonte
Poisson
2018
Editor Chefe: Dr. Darly Fernando Andrade

Conselho Editorial
Dr. Antônio Artur de Souza – Universidade Federal de Minas Gerais
Dra. Cacilda Nacur Lorentz – Universidade do Estado de Minas Gerais
Dr. José Eduardo Ferreira Lopes – Universidade Federal de Uberlândia
Dr. Otaviano Francisco Neves – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Dr. Luiz Cláudio de Lima – Universidade FUMEC
Dr. Nelson Ferreira Filho – Faculdades Kennedy

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


T674
Tópicos em Administração – Volume 6/
Organização Editora Poisson – Belo
Horizonte - MG : Poisson, 2018
333p

Formato: PDF
ISBN: 978-85-93729-68-3
DOI: 10.5935/978-85-93729-68-3.2018B001

Modo de acesso: World Wide Web


Inclui bibliografia

1. Administração 2. Gestão. I. Título

CDD-658.8

O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são
de responsabilidade exclusiva dos seus respectivos autores.

www.poisson.com.br

contato@poisson.com.br
Capítulo 1: Análise do Custo x Benefício na troca de Lâmpadas
Convencionais por Lâmpadas Led: O Caso de uma Universidade
Comunitária do Sul do Brasil. ............................................................................... 8
Antonio Zanin, Fabiano Marcos Bagatini, Rodrigo Barichello, Ademar Tibola

Capítulo 2: Aplicação do BSC em uma pequena indústria de travesseiros a


partir da Teoria Geral dos Sistemas: estudo de caso da Softdream .................... 18
Eduarda Padovez Gil , Inês Francisca Neves Silva, Leila de Cássia Pereira, Marco Aurélio
Batista de Sousa, Renata Gama e Guimaro Moura, Ythanna Crystian Sales Lacerda

Capítulo 3: Análise dos estudos empíricos brasileiros sobre o desempenho


orçamentário público ............................................................................................ 32
Camila Freitas SantAna, Clóvis Fiirst, Marcia Zanievicz Silva

Capítulo 4: Gestão de custo e viabilidade de implantação de piscicultura no


município de Urupá-Rondônia .............................................................................. 46
Clodoaldo Oliveira Freitas, Celio Tessinari Rocha, Cleberson Eller Loose, Eliane Silva Leite,
Josenildo de Souza e Silva

Capítulo 5: Custo de produção de mudas em viveiro: estudo de caso na


associação de preservação do meio ambiente e da vida (APREMAVI) ............... 60
Ana Paula Jasper da Silva, César Machado, Leila Chaves Cunha

Capítulo 6: O impacto da Lei 12.619/2012 sobre os custos trabalhistas de


uma transportadora de grãos da cidade de Vilhena-RO...................................... 73
Alessandra da Silva Scheffer, José Arilson Souza, Wellington Silva Porto, Elizângela Maria
Oliveira Custódio

Capítulo 7: O efeito do enquadramento e dos custos perdidos em decisões


de investimentos: Uma análise da intenção entre a continuidade ou
interrupção de investimento em um projeto ......................................................... 87
Ana Cristina Munaro, Janaína Gabrielle Moreira Campos da Cunha Amarante, Luciano Luiz
Dalazen, Janaina N. M. Martins

Capítulo 8: A Significância do Planejamento Tributário para a Estrutura de


Custos de uma Organização ............................................................................................. 101
Caio Saab Orsini
Capítulo 9: A contribuição dos modelos de previsão de insolvência na
prevenção de custos de falência: uma proposta de um novo modelo a partir
de índices financeiros em empresas de capital aberto no Brasil ......................... 113
Mohamed Mehdi Hijazi, Elói Junior Damke, Luís Fernando Moreira

Capítulo 10: Análise de custos e sugestão de melhoria pelo método de


custeio abc em uma empresa do setor alimentício .............................................. 126
Joana Oliveira Butzke, Luana Vanessa Kollmann Hermes, Mônica Worchinski, Patrícia Taís
Pohl, Catia Raquel Felden Bartz

Capítulo 11: Análise do ponto de equilíbrio e investimento de uma fábrica de


cascões de sorvetes ............................................................................................. 136
Cristina Raquel Reckziegel, Gezebel Marcela Bencke, Catia Raquel Felden Bartz

Capítulo 12: Planejamento tributário para redução da carga tributária e


aumento da lucratividade. .................................................................................... 144
Rodrigo Leme Dias de Souza, João Marcos Ferreira Rosner

Capítulo 13: Energia eólica no Brasil: um estudo da trajetória tecnológica da


Companhia Paranaense de Energia – Copel........................................................ 162
Zélia Halicki, Paulo Afonso Ritter Gomes, Eliane Fernandes Pietrovski, Sieglinde Kindl da
Cunha, Dálcio Roberto dos Reis

Capítulo 14: Informação Estratégica: Um estudo bibliométrico na base Web


of Science ............................................................................................................. 173
Eloni Santos Perin, Myller Augusto Santos Gomes, Luciano Mayer Koch

Capítulo 15: Sistemas da Informação (SIs) e Sustentabilidade nos Processos


de Tomada de Decisão ........................................................................................ 181
Adriana Karin Goelzer Leinig, Edelvino Razzolini Filho, José Simão de Paula Pinto, Iomara
Scandelari Lemos

Capítulo 16: Inovação em produtos alimentícios: análise em editais de


subvenção econômica no Estado do Amazonas. ................................................ 189
Rafael Dantas de Oliveira
Ricardo Jorge da Cunha Costa Nogueira

Capítulo 17: Processo de seleção e escolha de sistema de gestão para


empresa varejista de moda .................................................................................. 201
Diego Ricardo Krohl, Eliton Tiago Guzi Guarnieri, Taynara Cerigueli Dutra
Capítulo 18: O crescimento da força do trabalho feminino em uma indústria
do setor metal mecânico - um estudo de caso .................................................... 210
Mario Fernando Mello, Viviane Fries, Letícia Muskopf

Capítulo 19: A educação empreendedora como forma de desenvolvimento


do empreendedor ................................................................................................. 222
Mario Fernando Mello, Luciano De Los Santos Nunes, Daian Augusto Pilan Nunes, Thairone
Ezequiel de Almeida, Lorenna Maris Belo Lança, Wilson Pereira Freitas

Capítulo 20: Estratégia em serviços: um estudo de caso em um bar e casa


de shows............................................................................................................... 233
Thairone Ezequiel de Almeida, Lorenna Maris Belo Lança, Wilson Pereira Freitas

Capítulo 21: Gestão de conhecimento: Análise de dados e resultados em


uma empresa multinacional .................................................................................. 242
Gabriel Fernandes Sales, Gabriela Fernandes Anversi, Ingridy Maria Xavier Miranda,
Reinalda Blanco Pereira

Capítulo 22: Dinâmica do comportamento informacional: racionalidade,


aprendizado, razão individual e hábitos na busca à informação ......................... 251
Lucas Henrique Gonçalves, Almir Cléydison Joaquim da Silva, Mônica Aparecida Bortolotti

Capítulo 23: Painel com especialistas, composto por Profissionais da área de


Energia Fotovoltaica, associado com áreas do conhecimento da Gestão de
Projetos ................................................................................................................. 263
Everton Dias de Oliveira, Caroline Kuhl Gennaro, Rafaela Heloisa Carvalho Machado, Mario
Sérgio Correa dos Santos

Capítulo 24: Diagnóstico do planejamento estratégico em startups de Santa


Catarina ................................................................................................................ 272
Iara Cristina Corrêa, André Luís Almeida Bastos

Capítulo 25: O conflito da sucessão na empresa familiar: as expectativas da


futura geração de líderes...................................................................................... 292
Jessica Casali Turcato, Martinho Luís Kelm, Cátia Raquel Felden Bartz

Capítulo 26: Estudo comparativo das boas práticas de governança de


incubadoras, sob a ótica da tríplice hélice. ...................................................... 305
Catia Raquel Felden Bartz, Martinho Luis Kelm, Jessica Casali Turcato

Autores:................................................................................................................. 317
Unidade I
Tópicos em Gestão
Econômica
Capítulo 1

Antonio Zanin
Fabiano Marcos Bagatini
Rodrigo Barichello
Ademar Tibola

Resumo: A economia de energia elétrica é um assunto de grande importância, pelo


fato do País se aproximar de uma possível crise energética. Este trabalho concentra
estudos em soluções baseadas em novas tecnologias e novos conceitos a serem
implementados em iluminação, visando à redução no consumo de energia elétrica.
Buscou-se neste estudo apresentar uma análise de custo/benefício da aplicação do
sistema de iluminação usando a tecnologia LED em um Campus de uma
Universidade Comunitária. Foram coletados dados em campo e foram comparados
os custos envolvidos e os benefícios da substituição. Os resultados demonstram
que com a substituição das lâmpadas fluorescentes por lâmpadas com a
tecnologia LED, proporcionará a redução de demanda prevista de 150,46 kW,
economizando 448,49 MWh/ano de energia. Dessa forma, verifica-se que o sistema
de iluminação LED é um método que se aplicado é bastante eficiente em relação à
iluminação convencional.

Palavras-chave: Análise Custo/Beneficio. Tecnologia LED. Eficiência Energética.


Universidade Comunitária.

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1 INTRODUÇÃO aplicações e tornaram-se fontes luminosas


eficientes e de baixo custo (RODRIGUES,
A produção de energia elétrica está
2012).
diretamente relacionada com o crescimento
econômico de um país e a busca pelo seu Com o objetivo de reduzir os desperdícios de
fortalecimento demanda grandes energia no consumo final de uma
investimentos a fim de atender ao aumento da Universidade Comunitária este trabalho
oferta, qualidade e eficiência de seu uso. apresenta a proposição de redução de
consumo de energia elétrica com projeto que
Estudos realizados pelo Ministério de Minas e
visa à eficiência energética. Assim, este
Energia - MME mostram que o Brasil
estudo visa apresentar um estudo de caso
apresenta um cenário com projeção de
onde foram projetadas troca das soluções de
consumo crescente de energia elétrica nos
iluminação tradicionais por alternativas LEDs.
próximos anos (MME, 2011). Aliado a esta
percepção, o setor energético, passou a ser Como forma de melhor compreender o estudo
muito visado tanto pelos efeitos negativos ao proposto no que se refere à relação
meio ambiente e às populações, causados custo/benefício da aplicação do sistema de
por projetos de grande porte, quanto pelo iluminação usando a tecnologia LED, este
desperdício e pela ineficiência de sua documento é composto por cinco seções,
produção e de uso, intrínseca ao setor como forma de melhor direcionar o objeto de
(MENKES, 2004). estudo. Assim, além desta parte introdutória,
apresenta-se a revisão bibliográfica com
Fazem-se necessários investimentos nos
ênfase na eficiência energética, a tecnologia
processos de geração, transmissão e
LED e a apresentação dos Métodos
distribuição de energia elétrica, bem como na
Determinísticos de Análise de Investimento
adoção de medidas de eficiência energética
que sustentam os resultados da pesquisa. A
que proporcionem redução no consumo de
seguir, descrevem-se os procedimentos
energia.
metodológicos, a apresentação e análise dos
Neste contexto, a temática da eficiência resultados na busca pelo entendimento do
energética vem se tornando cada vez mais objeto estudado e, por fim, as considerações
um ponto recorrente nas discussões sobre a finais da pesquisa.
demanda de energia em nível global. A
preocupação com a sustentabilidade e meio
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
ambiente, os custos crescentes da produção
de energia e a necessidade de prover 2.1 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
demandas cada vez maiores, as quais estão
Ações de eficiência energética constituem
cada vez mais difíceis de serem resolvidas
uma atividade ou conjunto de atividades
são algumas das razões que justificam os
concebidas para aumentar a eficiência
investimentos em eficiência energética
energética de uma instalação, sistema ou
aplicada aos sistemas de iluminação que
equipamento (EVO, 2012). A Associação
constituem uma grande parcela da energia
Brasileira das Empresas de Serviços de
consumida (BASTOS, 2011).
Conservação de Energia – ABESCO define
Os sistemas de iluminação nas ultimas eficiência energética como sendo uma
décadas vem passando por profundos atividade técnico-econômica que objetiva: I)
avanços, em especial aqueles relacionados proporcionar o melhor consumo de energia e
ao emprego da eletrônica nos processos de água, com redução de custos operacionais
ignição, acionamento e promoção da correlatos; II) minimizar contingenciamentos
eficiência energética (RIBEIRO, A et al, 2012). no suprimento desses insumos; III) introduzir
Corroborando com os avanços, a existência elementos e instrumentos necessários para o
de iniciativas como a extinção das lâmpadas gerenciamento energético e hídrico da
incandescente (com baixa eficiência) do empresa ou empreendimento (ABESCO,
mercado consumidor até 2016 e o incentivo 2015). As ações de eficiência energética
do consumo de lâmpadas mais econômicas. estão sendo fortemente adotadas, nos últimos
anos, como alternativas de atendimento ao
A tecnologia de iluminação LED – Light
mercado brasileiro.
Emitting Diode é uma alternativa de
substituição às lâmpadas com baixa Frente ao cenário de consumo crescente de
eficiência. O desenvolvimento desta energia elétrica, foram criadas políticas
tecnologia para iluminação expandiu suas públicas voltadas ao setor energético, as

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quais deram origem às Leis 9.991/2000 e eficiência já implementados e em execução.


10.295/2001. A primeira dispõe sobre a No âmbito da abordagem do Progresso
realização de investimentos em pesquisa e Tendencial, encontram-se as medidas que
desenvolvimento e em eficiência energética viabilizam o Potencial de Mercado de
por parte das empresas concessionárias, eficiência energética. Define-se este Potencial
permissionárias e autorizadas do setor de de Mercado, como sendo uma parcela do
energia elétrica (Brasil, 2000). A segunda cria Potencial Econômico na qual os
a Política Nacional de Conservação e Uso consumidores possuem percepção de riscos
Racional da Energia, que visa a alocação menores para a execução de investimentos
eficiente de recursos energéticos e a nos projetos de redução de demanda e sua
preservação do meio ambiente (Brasil, 2001). adoção acarreta economia de custos sob o
Coube à Agência Nacional de Energia Elétrica aspecto financeiro (MME, 2011).
– ANEEL aprovar os Procedimentos do
Os reflexos na indústria já podem ser
Programa de Eficiência Energética – PROPEE,
observados, seja no incremento de
através da Resolução Normativa n° 556/2013,
investimentos em P&D, em projetos de
criados a partir da Lei 9.991/2000 (ANEEL,
equipamentos mais eficientes, seja na criação
2013). Além das leis citadas, existem outras
de empresas específicas destinadas ao
ações governamentais, como a elaboração de
estudo de alternativas em eficiência
diretrizes e programas de eficiência
energética, as chamadas Empresas de
energética que foram criadas a partir dos
Serviços de Conservação de Energia - ESCO.
anos 80.
Em uma instalação industrial, podem-se
Uma ação importante para o mercado
adotar três medidas de conservação de
brasileiro e que merece destaque, fora a
energia elétrica, quais sejam: I) adoção de
criação Selo Procel - Programa Nacional de
mudanças de padrão tecnológico no uso da
Conservação de Energia Elétrica. A presença
energia; II) mudanças de estrutura do sistema
da etiqueta deste selo no produto, no ponto
consumidor e; III) alterações de
de venda, evidencia o atendimento a
padrões/hábitos de consumo (EPE, 2014). As
requisitos de desempenho estabelecidos em
ações a serem tomadas pela instituição de
normas e regulamentos técnicos (INMETRO,
ensino, objeto do estudo, abrangem os três
2015).
eixos. A primeira ação proposta é a troca de
A movimentação em torno de projetos do lâmpadas fluorescentes tubulares por
sistema elétrico brasileiro resultou na lâmpadas de LED (Diodo Emissor de Luz) que
elaboração do Plano Nacional de Energia – possuem maior eficiência energética. A
PNE 2030, com um volume específico voltado segunda refere-se às mudanças nos
ao tema eficiência energética. O PNE 2030 processos operacionais da equipe de apoio
tem como objetivo o planejamento de longo da instituição encarregada de monitorar e
prazo do setor energético do país, orientando coordenar as ações necessárias para que as
tendências e balizando as alternativas de lâmpadas permaneçam desligadas enquanto
expansão desse segmento nas próximas o ambiente não estiver sendo utilizado. E, por
décadas (MME/EPE, 2007). Coube ao MME, fim, um trabalho de conscientização dos
criar também um Plano Nacional de Eficiência usuários sobre a necessidade e os benefícios
Energética. Este plano tem como objetivo em desligar a iluminação, quando não há
apresentar as projeções de eficiência pessoas presentes do ambiente de trabalho
energética para energia elétrica no período de e/ou estudo.
2010 até 2030 (MME, 2011).
Com o aumento da conscientização da
Para a elaboração deste planejamento, o população referente à forma de gastar
MME considerou duas abordagens energia, buscando a diminuição da mesma, é
relacionadas às medidas de eficiência que a tecnologia de iluminação LED – Light
energética. Em uma primeira, denominada de Emitting Diode se expandiu, tornando-se uma
Progresso Tendencial, o montante de energia fonte luminosa eficiente e de baixo custo
economizada em um cenário futuro é (RODRIGUES, 2012).
resultado de uma ação natural de reposição
Os LEDs existem desde 1962, durante muito
tecnológica e aperfeiçoamento de processos
tempo foram usados apenas como
que ocorrem sem uma intervenção
indicadores luminosos de aparelhos
diferenciada dos agentes, sejam eles públicos
eletrônicos, após utilizados como
ou privados. Nesta definição, os agentes
sinalizadores de lâmpadas de emergência e
atuam através dos programas e projetos de

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semáforos, sendo que a sua utilização como 2.2.1 PAYBACK DESCONTADO


iluminação de ambientes internos e externos
Alguns autores, entre eles Lemes Júnior, Rigo
ainda é considerada uma tecnologia recente
e Cherobim (2002), Brigham e Ehrhardt (2006)
(RIBEIRO, 2012).
abordam o payback descontado com um
O LED é um diodo emissor de luz, de alta método de análise. Este instrumento, assim
durabilidade e eficiência energética, é um tipo como o payback simples, busca evidenciar o
de diodo semicondutor em estado sólido, sua tempo necessário para recuperar o
luz é produzida dentro de um chip cujo investimento inicial. Porém, existe uma
tamanho é inferior a 0,25 mm². Este chip é um diferença significativa, o payback descontado
cristal também em estado sólido. (LOPES, passa a considerar o valor do dinheiro no
2014) tempo. Assim, é um instrumento mais
refinado, proporcionando uma análise mais
Pesquisa realizada por Bley (2012) aponta
elaborada, apesar de manter as outras falhas,
que a eficiência energética compreende a
referentes à distribuição dos fluxos de valores,
relação entre o fluxo luminoso e a potência
bem como daqueles que ocorrem após o
(lúmens/watt) e nesta relação à iluminação
período de recuperação.
LED se caracteriza como sendo muito mais
eficiente que as demais. O método do payback descontado utiliza uma
taxa de desconto para verificar o número
O uso de LEDs contribui para a maior
exato de períodos em que o empreendimento
eficiência e longa vida útil do sistema, além
recupera o valor inicial investido (ZANIN e
de não depositar elementos químicos nocivos
BAGATINI, 2012). Normalmente, essa taxa de
ao meio ambiente, comparado às lâmpadas
desconto usada é a taxa mínima de
fluorescentes (PINTO, 2008).
atratividade (TMA), a qual é determinada pelo
No setor comercial, o qual inclui as próprio investidor como parâmetro para
instituições de ensino, o setor de iluminação remuneração de seu capital.
corresponde a 26% do total do consumo de
energia elétrica na edificação (MME/EPE,
2007). Isso significa que se forem tomadas 2.2.2 VALOR PRESENTE LÍQUIDO
ações de conservação de energia em
Para Souza (2003, p. 74) o valor presente
iluminação, haverá uma significativa redução
líquido corresponde “a diferença entre o valor
de consumo de energia elétrica na conta
presente das entradas líquidas de caixa
apresentada pela concessionária no final do
associadas ao projeto e o investimento inicial
mês.
necessário”.
Todo projeto que demanda investimento de
Gitman (2001) afirma que o VPL é uma
recursos financeiros pode ser estudado
técnica de orçamento sofisticada. O seu valor
mediante a utilização de métodos de análise
é determinado subtraindo-se do valor inicial
específicos, objetivando identificar a
de um projeto, o valor presente das entradas
viabilidade, bem como, o prazo de retorno do
líquidas de caixa, descontadas a uma taxa
mesmo.
igual ao custo do capital da empresa. (LEMES
JÚNIOR; RIGO e CHEROBIM, 2002).
2.2 MÉTODOS DETERMINÍSTICOS DE
Desta forma, o valor presente líquido é uma
ANÁLISE DE INVESTIMENTOS
medida de quanto valor é criado ou
A avaliação de projetos de investimentos adicionado hoje, realizando determinado
comumente envolve um conjunto de técnicas investimento. Para tanto, faz-se necessário
que buscam determinar sua viabilidade trazer a valor presente todos os fluxos de
econômica e financeira, considerando uma caixa esperados, utilizando uma taxa de
determinada Taxa Mínima de Atratividade. desconto e após reduzir estes valores do
Desta forma, normalmente esses parâmetros desembolso inicial do projeto.
são medidos pelo Payback (prazo de retorno
Conforme Lemes Júnior, Cherobim e Rigo
do investimento inicial), pela TIR (Taxa Interna
(2002) utilizar o VPL para a tomada de
de Retorno) e/ou pelo VPL (Valor Presente
decisões facilita o alcance do principal
Líquido) (CASAROTTO e KOPPITKE, 2000).
objetivo do administrador financeiro, que é de
maximizar a riqueza do acionista ou
proprietário. O valor presente líquido de um
projeto é bastante sensível a variações na

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12

taxa de desconto. Quanto maior for essa taxa, objeto que está sendo estudado. YIN (2005)
menos valem os fluxos de caixa do projeto, e comenta que a escolha da metodologia de
menor é o VPL resultante. A taxa de desconto estudo de caso deve-se ao fato de ser uma
dos fluxos de caixa representa o retorno técnica de investigação de comportamentos
esperado pelos investidores. que não podem ser manipulados
isoladamente e devem ser analisados em
conjunto. Segundo Bruyne (1997) o estudo de
2.2.3 TAXA INTERNA DE RETORNO
caso reúne informações tão numerosas e tão
É a taxa exigida de retorno que, quando detalhadas quanto possível, com vistas a
utilizada como taxa de desconto, resulta em apreender a totalidade da situação.
VPL igual a zero. (ROSS; WESTERFIELD e
A escolha da ICES estudada ocorreu de forma
JORDAN, 2000), (ABREU FILHO et al, 2003),
intencional, tendo em vista que a mesma
(SOUZA; CLEMENTE, 2001), (LEMES
participou de uma chamada pública
JÚNIOR; RIGO e CHEROBIM, 2002), (BRASIL,
promovida pela empresa geradora de energia
2002).
elétrica de Santa Catarina, que investe parte
Assim, quando o VPL é zero encontra-se o de seus resultados em projetos que visam
ponto de equilíbrio econômico do projeto, eficiência energética.
desta forma, não haverá criação nem
Para realização do estudo de caso, utilizaram-
destruição de valor (ROSS, WESTERFIELD e
se os dados do projeto, o qual recebeu
JORDAN, 2000).
recursos não reembolsáveis da geradora de
Com a TIR, procura-se determinar uma única energia elétrica no montante de
taxa de retorno para sintetizar os méritos de R$ 948.000,00, com uma contra partida de
um projeto. Essa taxa é dita interna, no R$ 204.000,00, a qual prevê a substituição de
sentido de que depende somente dos fluxos 13.237 lâmpadas fluorescentes por lâmpadas
de caixa de certo investimento, e não de taxas LED, com a finalidade de reduzir o consumo
oferecidas em algum outro lugar. (LEMES de energia elétrica.
JÚNIOR; RIGO e CHEROBIM, 2002).
A aprovação do projeto está condicionada à
Para avaliação de propostas de investimento, redução de 16% no consumo de energia,
através do cálculo da TIR, é necessário sendo que até o momento foram efetuados
conhecer os montantes de dispêndio de medições em vários espaços, pois a ICES
capital (desembolsos se tiver mais de um), e está iniciando a substituição das referidas
dos fluxos de caixa líquidos gerados pela lâmpadas. Assim sendo, para os cálculos
decisão, onde a TIR representará a referentes ao fluxo de caixa e payback,
rentabilidade do projeto expressa em termos iniciaram pela cotação de lâmpadas
de taxa de juros (ASSAF NETO, 2003). fabricadas por fornecedores que possuem
selo Procel, demais materiais e mão de obra,
Desta forma, a TIR representa a taxa de juros
considerando uma estimativa de redução na
para a qual o valor presente das entradas de
energia a qual se projetou por meio de
caixa resultantes do projeto iguala o valor
medições diárias em alguns espaços físicos.
presente dos desembolsos do mesmo, sendo
uma medida bastante utilizada no orçamento
de capital. Caracteriza desta forma, a taxa de 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS
remuneração do capital investido. RESULTADOS
Neste capítulo apresentam-se os dados
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS coletados e as análises econômico-
financeiras referentes à substituição das
O estudo caracteriza-se como pesquisa
lâmpadas fluorescentes por lâmpadas LED,
descritiva com abordagem qualitativa e
na Instituição de Ensino Superior estudada.
quantitativa, realizada por meio de um estudo
de caso em uma Instituição Comunitária de O quadro 1 apresenta o sistema existente e o
Ensino Superior (ICES), localizada no Oeste quadro 2 o sistema proposto. A substituição
de Santa Catarina. A pesquisa foi baseada no das lâmpadas é considerada uma ação que
método do estudo de caso, pois se investigou gerará uma oportunidade de eficiência
um fenômeno dentro do seu contexto real, no energética.
qual as condições contextuais referem-se ao

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13

Quadro 1 – Sistema existente


Total de Total de
SISTEMA EXISTENTE
Luminárias lâmpadas
Campus A - Fluorescente T8 F 1x32 1.204 1.204
Campus A - Fluorescente T8 F 2x32 5.420 10840
Campus A - Fluorescente T8 F 3x32 7 21
Campus A - Fluorescente T8 F 4x32 40 160
Campus B - Fluorescente T8 F 1x32 4 4
Campus B - Fluorescente T8 F 2x32 504 1008
Total 7.179 13.237
Fonte: Autores com dados da pesquisa

Por meio do Quadro 01, visualiza-se o total de fluorescentes, somando-se os dois Campus
7.179 luminárias totalizando 13.237 lâmpadas da Instituição de ensino estudada.

Quadro 2 – Sistema proposto


Total de
SISTEMA PROPOSTO Total de lâmpadas
Luminárias
Campus A - Lâmpada a LED tipo T8 1x21W 1.204 1.204
Campus A - Lâmpada a LED tipo T8 2x21W 5.420 10.840
Campus A - Lâmpada a LED tipo T8 3x21W 7 21
Campus A - Lâmpada a LED tipo T8 4x21W 40 160
Campus B - Lâmpada a LED tipo T8 1x21W 4 4
Campus B - Lâmpada a LED tipo T8 2x21W 504 1008
Total 7.179 13.237
Fonte: Autores com dados da pesquisa

O Quadro 2 evidencia o número de lâmpadas economizando 448,49 MWh/ano de energia. O


LED e as especificações, as quais substituirão investimento total necessário para executar o
as lâmpadas fluorescentes, proporcionando a projeto é descrito no quadro 3.
redução de demanda prevista de 150,46 kW,

Quadro 3 – Investimento total


Descrição Valores %
Elaboração do projeto (Diagnóstico) R$ 48.000,00 4,17%
Materiais e Equipamentos R$ 794.286,20 68,94%
Mão de Obra Própria (Concessionária) R$ 23.043,93 2,00%
Transporte R$ 30.432,00 2,64%
Descarte de Materiais R$ 13.237,00 1,15%
Medição e Verificação R$ 28.119,00 2,44%
Treinamento e Capacitação R$ 10.920,00 0,95%
Mão de Obra de Terceiros R$ 198.555,00 17,23%
Marketing (Divulgação) R$ 5.603,50 0,49%
Total R$ 1.152.196,63 100,00%
Fonte: Autores com dados da pesquisa

Verifica-se por meio do Quadro 3, o total de pela geradora de energia elétrica de Santa
investimento para substituição das lâmpadas, Catarina, a qual investirá R$ 948.038,13 que
totalizando R$ 1.152.196,63, que foi representa 82,28% e a Instituição de Ensino
contemplado em Chamada pública promovido Superior R$ 204.158,50 ou 17,72% do total.

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14

Os investimentos da IES são mão de obra de Medição e verificação representam 2,44% do


terceiros e marketing. investimento e refere-se aos custos dos
serviços para comprovar a efetiva economia
A mão de obra própria refere-se às despesas
de energia e redução da demanda com a
da concessionária e a mão de obra de
implementação do projeto.
terceiros está relacionada com a retirada dos
equipamentos atuais e instalação dos novos e O investimento de R$ 10.920,00 em
equivalem a R$ 221.598,93 ou 19,23% do treinamento e capacitação, equivale a 0,95%
total. do total e prevê dois treinamentos , sendo um
no início do projeto e dois no final do mesmo.
O investimento com transporte no valor de
O objetivo é capacitar os participantes para
R$ 30.432,00, representando 2,64% do todo,
repassar aos demais usuários os benefícios
refere-se às despesas da concessionária com
provenientes da implementação do projeto.
reuniões de acompanhamento e inspeção dos
serviços que serão realizados durante a O investimento em marketing consiste na
execução do projeto proposto. divulgação das ações executadas nos
projetos de eficiência energética, buscando
As lâmpadas retiradas do sistema de
disseminar o conhecimento e as práticas
iluminação da IES deverão ser descartadas
voltadas à eficiência energética.
de maneira ambientalmente correta, desta
forma, o investimento de R$ 13.237,00 será O quadro 4 detalha os materiais e
necessário para encaminhar à empresa equipamentos a serem utilizados para a
especializada em serviços de implementação do projeto de eficiência
descontaminação e descarte, representando energética proposto.
1,15% do valor total.

Quadro 4 – Materiais e equipamentos


Materiais e Equipamentos Vida útil Quantidade Preço unitário Custo total
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 33,14 27 R$ 60,01 R$ 1.620,14
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 18,08 889 R$ 60,01 R$ 53.344,45
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 8,68 288 R$ 60,01 R$ 17.281,44
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 132,58 94 R$ 60,01 R$ 5.640,47
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 72,31 318 R$ 60,01 R$ 19.081,59
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 33,14 708 R$ 60,01 R$ 42.483,54
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 12,05 8.970 R$ 60,01 R$ 538.244,85
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 8,68 750 R$ 60,01 R$ 45.003,75
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 18,08 21 R$ 60,01 R$ 1.260,11
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 18,08 160 R$ 60,01 R$ 9.600,80
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 8,1 4 R$ 60,01 R$ 240,02
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 33,14 40 R$ 60,01 R$ 2.400,20
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 18,08 332 R$ 60,01 R$ 19.921,66
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 12,05 182 R$ 60,01 R$ 10.920,91
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 8,1 130 R$ 60,01 R$ 7.800,65
Lâmpada a LED tipo T8 18 W 24,1 324 R$ 60,01 R$ 19.441,62
Total R$ 794.286,20
Fonte: Autores com dados da pesquisa

Os materiais e equipamentos, que são as significa maior nível de iluminamento (luz) no


lâmpadas à LED, equivalem a 68,94% do ambiente, com menor consumo de energia
investimento total. elétrica.
As lâmpadas LED possuem maior eficiência Além desta, citar-se ainda as seguintes
energética em relação às fluorescentes vantagens:
tubulares. Especificamente em se tratando de
iluminação, maior eficiência energética

Tópicos em Administração - Volume 6


15

 Maior vida útil, devido a presença de processo de aquisição das lâmpadas é a


dissipador metálico que garante o presença do selo Procel no produto. Este selo
gerenciamento térmico dos LEDs; garante que o fabricante adotou todas as
medidas exigidas pela legislação vigente para
 Baixa manutenção;
que as lâmpadas à LED tenham a vida útil
 Baixa depreciação de fluxo luminoso declarada pelo fornecedor.
ao longo de sua vida útil;
Para o cálculo da viabilidade econômico-
 Não geram ruídos (perturbações) na financeira do projeto considera-se que a
instalação elétrica, devido ao driver substituição das lâmpadas fluorescentes
interno de alto fator de potência e pelas lâmpadas de LED proporcionem
baixa distorção harmônica; economia de energia de 448,49 MWh/ano,
sendo que o preço médio da energia elétrica
 Podem ser utilizadas com sensores
da IES é de R$ 587,66 MWh/ano. Assim, o
de presença, uma vez que não
desembolso anual com a fatura de energia
possuem limitações para quantidade
elétrica da IES reduz em R$ 263.559,63. O
de ciclos de acendimento.
quadro 5 apresenta o fluxo de caixa do
Uma característica importante, e que deve ser projeto proposto e o Payback descontado.
tomada como um item obrigatório no

Quadro 5 – Fluxo de caixa do projeto

Ano Fluxo de caixa Fluxo de caixa descontado Payback descontado

0 R$-1.152.196,63 R$-1.152.196,63 R$-1.152.196,63


1 R$ 263.559,63 R$ 233.238,61 R$ -918.958,02
2 R$ 263.559,63 R$ 206.405,85 R$ -712.552,17
3 R$ 263.559,63 R$ 182.660,04 R$ -529.892,12
4 R$ 263.559,63 R$ 161.646,06 R$ -368.246,07
5 R$ 263.559,63 R$ 143.049,61 R$ -225.196,46
6 R$ 263.559,63 R$ 126.592,57 R$ -98.603,89
7 R$ 263.559,63 R$ 112.028,83 R$ 13.424,94
8 R$ 263.559,63 R$ 99.140,55 R$ 112.565,49
9 R$ 263.559,63 R$ 87.735,00 R$ 200.300,50
10 R$ 263.559,63 R$ 77.641,60 R$ 277.942,09
Fonte: Autores com dados da pesquisa

Considerando um horizonte de análise de 10 utilização. O uso desta tecnologia, como


anos, e uma taxa mínima de atratividade – alternativa de recurso energético no Brasil,
TMA de 13% ao ano, investimento total de proporcionara economia de energia elétrica,
R$ 1.152.196,63 e redução de desembolso contribuindo para um consumo consciente
para pagamento da fatura de energia elétrica deste recurso energético.
de R$ 263.559,63, o payback descontado do
Evidencia-se no estudo que o investimento na
projeto é de 6,88 anos, o valor presente
aquisição de lâmpadas de LED é viável em
líquido de R$ 277.942,09 e a taxa interna de
aplicações onde o uso da iluminação é
retorno de 18,78%. Quando considerado
intenso, como em ambientes comerciais. Isto
somente o investimento da IES, que
se deve à eficiência energética e durabilidade
representa R$ 204.158,50, o tempo de retorno
dos LEDs. No caso específico da
é de aproximadamente 0,8753 anos ou 10
Universidade Comunitária, quando
meses e meio.
considerado o investimento total pela
instituição o prazo de retorno do investimento
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS se daria em 6,88 anos, com um valor presente
líquido de R$ 277.942,09 e a taxa interna de
Este estudo permitiu perceber as vantagens
retorno de 18,78%. Quando considerado
dos LEDs em relação às lâmpadas
somente o investimento da IES, contabilizando
convencionais e a importância da sua
os recursos provindos da Concessionária de

Tópicos em Administração - Volume 6


16

Energia Elétrica, o tempo de retorno é de Ademais, constata-se a importância dos


aproximadamente 0,8753 anos ou 10 meses e Programas de Eficiência Energética (por força
meio. da Lei 9991/2000, as concessionárias
investem 1% de suas Receitas Operacionais
Verificou-se com os cálculos da viabilidade
Líquidas - ROL em programas de eficiência
econômico-financeira do projeto que com a
energética e em programas de pesquisa e
substituição das lâmpadas fluorescentes
desenvolvimento no setor elétrico),
pelas lâmpadas de LED podem proporcionar
demonstrando à sociedade a importância e a
economia de energia de 448,49 MWh/ano,
viabilidade econômica de ações de combate
sendo que o preço médio da energia elétrica
ao desperdício de energia elétrica e de
da IES é de R$ 587,66 MWh/ano. Assim, o
melhoria da eficiência energética de
desembolso anual com a fatura de energia
equipamentos, processos e usos finais de
elétrica da IES reduz em R$ 263.559,63.
energia. Proporciona a transformação do
Salienta-se que, com um custo de aquisição mercado de energia elétrica, estimulando o
mais elevado que o de lâmpadas desenvolvimento de novas tecnologias e a
convencionais, o uso de LEDs proporciona a criação de hábitos racionais de uso da
redução do consumo de energia, se energia elétrica.
configurando com grande potencial no que
diz respeito à iluminação em geral.

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http://www.epe.gov.br. Acesso em 01/06/2015.
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Administração financeira: princípios, fundamentos
[8] BRASIL. Lei 9.991, de 24 de julho de 2000.
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http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/LEIS/L9991.ht Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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Tópicos em Administração - Volume 6


17

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[26] SOUZA, Alceu, CLEMENTE, Ademir.
[20] PINTO, R. A. Projeto e Implementação de Decisões financeiras e análise de investimentos:
Lâmpadas para Iluminação de Interiores fundamentos, técnicas e aplicações. 4. ed. São
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Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) -
Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, [27] YIN, R. Estudo de caso: planejamento e
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[21] RIBEIRO, Ana Cristina Cota et al. O
and financial feasibility of a biodigester: A sound
emprego da tecnologia LED na Iluminação
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Pública. e-Xacta, v. 5, n. 1, 2012.
swine production. In: CURKOVIC, S. (Org).
[22] RIBEIRO, Ana Cristina Cota et al. O Susteinable Development – Authoritative and
emprego da tecnologia LED na Iluminação leading edge content for environmental
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2012.
[23] RODRIGUES, C. R. B. S. Contribuições ao
uso de diodos emissores de luz em iluminação

Tópicos em Administração - Volume 6


18

Capítulo 2

Eduarda Padovez Gil


Inês Francisca Neves Silva
Leila de Cássia Pereira
Marco Aurélio Batista de Sousa
Renata Gama e Guimaro Moura
Ythanna Crystian Sales Lacerda

Introdução: Com o crescimento e dinamismo da economia atualmente, toda


empresa e/ou organização possui a necessidade de manter o equilíbrio com o
ambiente externo e interno de forma eficiente e eficaz, buscando o modelo ideal de
atuação. com isso, utiliza seus subsistemas de forma que seja possível construir a
harmonia entre a missão, os valores, os objetivos e metas da empresa. essa gestão
é feita com o objetivo de auxiliar a empresa na tomada de decisão mantendo sua
estrutura e maximizando a eficiência do sistema. (ROSA FILHO; ROSA, 2005)
Segundo Oliveira (2000, p. 166) “os sistemas de informação são um conjunto que
visa captar o que acontece na organização, apresentando de forma sucinta, a cada
nível, o que lhe cabe, e tendo por objetivo dar subsidio ao processo decisório”.
Conforme Beuren e Teixeira (2014, p. 170): “A integração dos processos e recursos
à estratégia, do nível operacional ao nível estratégico, requer sistemas de controle
gerencial para efeitos da avaliação e gestão do desempenho”.
O sistema de gestão é composto pela missão e objetivo da empresa, que é
construído através da junção das crenças e valores dos gestores da empresa, seus
sócios/acionistas e todos que estão envolvidos na administração dessa empresa.
Nesse sistema existem os subsistemas, que dão diretrizes específicas de cada
área, como planejamento e controle, para a melhora das posturas gerenciais que
impactam diretamente na tomada de decisão. (CATELLI, 2010).
Para que o sistema de gestão tenha sucesso no resultado final é necessária uma
interação perfeita dos seus subsistemas, pois é através do processo de gestão que
será possível a verificação de que as atividades da empresa estão sendo
realizadas de acordo com a missão, crenças e valores, maximizando a eficiência
do sistema. (MAIA; PINTO, 1999)
Com base nessas premissas, o objetivo deste trabalho é apresentar a aplicação do
Balanced Scorecard (BSC) em uma pequena indústria de travesseiros a partir da
visão da Teoria Geral dos Sistemas.

Tópicos em Administração - Volume 6


19

1. OS PRINCIPAIS SUBSISTEMAS Segundo Arenas (1999), o subsistema físico-


EMPRESARIAIS operacional diz respeito aos elementos físicos
que compõem a parte operacional da
1.1 SUBSISTEMA INSTITUCIONAL
empresa, ou seja, que executam as atividades
De acordo com Rosa Filho e Rosa (2005, p. 3 da empresa. É através da interação desse
- 4), “este subsistema tem como escopo dar o subsistema com os demais que a empresa
direcionamento da empresa frente ao consegue operar alcançando o sucesso e
ambiente externo a partir das crenças e cumprindo sua missão.
valores dos donos formando a missão,
Para Catelli (2010, p. 56), “o sucesso da
crenças e valores da empresa. O subsistema
gestão não está nas atividades, mas em cada
deve apresentar como requisitos:
ocorrência, em cada transação resultando em
ser definido a partir das crenças e valores dos consequências positivas ou negativas para as
donos; atividades”. Ou seja, nesse subsistema são
processados todos os eventos ocorridos ou
ser formalizado tendo a empresa um
que ocorrerão num futuro próximo que de
documento para nortear o conjunto de
alguma forma irá impactar no patrimônio da
diretrizes básicas;
empresa, sendo possível concluir que o
ser validado pela sociedade compreendendo sucesso da eficiência e a otimização da
o exercício de atividades lícitas e que eficácia organizacional ocorrem no
satisfaçam às necessidades do ambiente; subsistema físico-operacional.
ser divulgado, interna e externamente, Segundo Rosa Filho e Rosa (2005), para que
possibilitando o conhecimento das diretrizes o conjunto de subsistemas seja eficiente
institucionais da empresa. ” existem algumas premissas:
Segundo Arenas (1999, p. 29), “as crenças A estrutura físico-operacional deve atender às
são as convicções e os valores são diretrizes estabelecidas pelo subsistema
apreciações subjetivas que revelam as modelo de gestão para permitir o
preferências das pessoas segundo suas cumprimento da missão;
tendências e influências sociais às quais
É preciso assegurar interações proativas entre
estão submetidas. Essas crenças e valores
as partes: fornecedores de recursos, o
dos proprietários irão impactar nas crenças e
sistema físico-operacional e os diversos
valores de toda a organização porque,
clientes dos produtos e serviços gerados;
somadas às expectativas de seus
investidores, se converterão em diretrizes- A organização precisa dimensionar o
mestras, que nortearão os demais ambiente próximo, detectando as variáveis
subsistemas do sistema empresa. ” (fornecedores de recursos, concorrentes e
clientes) bem como o ambiente remoto com
Saber aonde se quer chegar e como chegar é
suas variáveis (econômicas, sociais, políticas,
o primeiro passo para organizar a empresa.
tecnológicas, regulatórias etc.) das quais
Logo, em várias visitas e análises realizadas dependem a eficácia da empresa;
na empresa em questão foi detectado que o
Cada transação desenvolvida neste
subsistema institucional da mesma
subsistema deve gerar produtos e serviços de
compreende exatamente a definição dada,
valor superior aos recursos consumidos.
sendo formado a partir das crenças e valores
dos donos da empresa, sócios, gestores e
administradores.
1.3 SUBSISTEMA SOCIAL
O Subsistema Social da empresa tem como
1.2 SUBSISTEMA FÍSICO-OPERACIONAL objetivo atender as premissas impostas pelos
gestores da empresa, sendo as
De acordo com Maia e Pinto (1999), o
características de cada um, suas crenças e
subsistema físico-operacional diz respeito às
valores. Para que, com isso, seja possível
atividades a serem desenvolvidas dentro da
obter a colaboração e interação de todos os
organização com o objetivo da continuidade
subsistemas sem afetar ou modificar os
da empresa, que através da harmônica
interesses individuais que estão relacionados
interação dessas atividades com os meios
à organização. (ROSA FILHO; ROSA, 2005)
internos e externos, alcançará o sucesso.

Tópicos em Administração - Volume 6


20

Segundo Guerreiro (1996, p. 84), "esse  As diversas normas devem ser


subsistema diz respeito ao conjunto dos esquematizadas e estabelecidas;
elementos humanos da organização,
 Deve ser contratado o pessoal que
envolvendo assim as características e
será treinado para preencher os
variáveis relacionadas com os indivíduos:
cargos de estrutura e também para
objetivos, capacitação, motivação,
atender às normas de procedimento;
necessidades, liderança, entre outros
aspectos igualmente relevantes".  Devem ser procurados os diversos
materiais, equipamentos, instrumentos
Conforme Maia e Pinto (1999, p.7) “sendo a
e recursos necessários.
empresa um complexo sistema social e, sob
uma perspectiva sistêmica, propõem-se os
seguintes requisitos para que o subsistema
social faça parte do modelo ideal de atuação 1.5 SUBSISTEMA DE GESTÃO
empresarial: De acordo com Lemes (1997), o “Subsistema
 sinergia entre os objetivos pessoais e de Gestão: reflete as crenças e valores dos
os objetivos da empresa; donos quanto à forma pela qual estes querem
que o empreendimento seja conduzido pelos
 os gestores devem ter espírito de gestores em direção à missão da empresa.
liderança e conhecimentos Sua operacionalização se dá pelo processo
multidisciplinares para interpolarem de planejamento, execução e controle,
suas decisões com variáveis diversas; destacando-se neste processo a importância
 a motivação vem da capacidade de do subsistema de informação. ”
aglutinar indivíduos com Segundo Catelli et al (1995, p. 47),
especialidades e crenças diferentes
em atingir o objetivo maior que é a “... o subsistema de Gestão é caracterizado
missão da empresa; como o processo de planejamento, execução
e controle. A fase de execução das atividades
 possibilitar o feedback dos indivíduos operacionais é o ponto fundamental que
e dos gestores. “ caracteriza o estado dinâmico do sistema
empresa. Nessa condição a empresa interage
intensamente com o meio ambiente, obtendo
1.4 SUBSISTEMA ORGANIZACIONAL os recursos de que necessita, transformando-
os em bens e serviços e ofertando-os
Segundo Rosa Filho e Rosa (2005), o
novamente ao meio ambiente. ”
Subsistema Organizacional diz respeito a
estrutura organizacional da empresa, como a É através desse subsistema que os gestores
empresa está organizada e sistematizada, conduzem e executam as atividades e os
com uma estrutura inter-relacionada que processos da empresa com a interação dos
possibilite o cumprimento da missão da meios interno e externo, de forma otimizada e
empresa. eficiente, visando a missão da empresa.
Para Perez Júnior et all (1997, p. 32), “a
autoridade e o poder são delegados através
2 TIPOS DE DECISÃO
de toda estrutura organizacional. ” Portanto,
esse subsistema está diretamente relacionado Segundo Laudon e Laudon (2007), dentro de
aos processos de departamentalização e uma empresa existem diversos
segregação de funções. departamentos e funções, que demandam
informações específicas de cada um, para
Segundo Jucius e Schlender (1974) apud
que seja tomado as decisões. Essas decisões
Rosa Filho e Rosa (2005, p. 5), “a organização
podem ser classificadas como:
tem uma série de elementos importantes, que
consubstanciam com os seguintes pré- Decisões não estruturadas: são aquelas
requisitos: tomadas com bom senso, onde o responsável
use ainda sua capacidade de avaliação e sua
 A estrutura organizacional deve ser
perspicácia na identificação do problema.
estabelecida de modo que os vários
Essa decisão é inesperada, importante e não
executivos e empresários sejam
faz parte da rotina da empresa, portanto para
ligados entre si num arcabouço
tomá-las não há um processo bem definido ou
efetivo;
bem compreendido.

Tópicos em Administração - Volume 6


21

Decisões estruturadas: são decisões Sistemas de nível de conhecimento: dão


repetitivas e rotineiras, que envolvem suporte aos trabalhadores do conhecimento e
procedimentos predefinidos, dessa forma não de dados em uma organização, com
precisam ser tratadas como novidades. propósito de ajudar a empresa a integras
nova conhecimentos no negócio e a controlar
Decisões semi-estruturadas: nesse tipo de
o seu fluxo de papelada;
problemática, apenas parte do problema tem
uma resposta clara e precisa já estabelecida Sistemas de nível gerencial: são projetados
por um procedimento aceito. É um mix dos para servir ao monitoramento, ao controle, à
dois tipos de decisões citadas anteriormente. tomada de decisão e às atividades
De modo geral, as decisões estruturadas são administrativas dos gerentes médios. O
mais comuns e tomadas dentro dos níveis principal questionamento levantado por esse
organizacionais mais baixos; já as não sistema é: as coisas estão funcionando bem?
estruturadas são comuns nos níveis mais altos Em geral fornece relatórios periódicos em
da empresa. lugar de informações instantâneas sobre as
operações;
Toda decisão é fundamental para a empresa,
ela pode ser simples ou mais complexa, tudo Sistemas de nível estratégico: ajudam a
dependerá do grau de relevância, pois pode administração sênior a atacar e enfocar
ter como objetivo a solução de algum assuntos estratégicos e tendências de longo
problema ou a oportunidade de novos prazo, tanto na empresa como no ambiente
negócios. (MARQUES, 2016) externo, tendo como principal preocupação
adequar às mudanças no ambiente externo
Segundo Simon (1960) apud Laudon e
com a capacidade organizacional existente.
Laudon (2007, p. 305) as decisões podem ser
subdivididas em quatro estágios: Para que a empresa obtenha sucesso e
resultados satisfatórios, é necessário que haja
 Inteligência: consiste em descobrir,
uma interação harmoniosa e eficiente entre os
identificar, e entender os problemas
sistemas, visando sempre o cumprimento da
que estão ocorrendo na organização,
missão da empresa.
onde e o efeito que esse está
causando;
 Concepção: envolve a identificação e 3 CONTROLE INTERNO
a investigação das várias soluções
possíveis do problema; “O controle interno representa em uma
organização o conjunto de procedimentos,
 Seleção: consiste em escolher uma métodos ou rotinas com os objetivos de
das alternativas de solução; proteger os ativos, produzir dados contábeis
Implementação da solução: envolve fazer a confiáveis e ajudar a administração na
alternativa escolhida funcionar e continuar a condução ordenada dos negócios da
monitorar em que medida ela está empresa”. (ALMEIDA, 1996, p. 50)
funcionando. Para Attie (1998, p. 117),
“O conceito, a interpretação e a importância
do controle interno envolvem imensa gama de
2.1 PRINCIPAIS SISTEMAS DE APOIO PARA
procedimentos e práticas que, em conjunto,
TOMADA DE DECISÃO
possibilitam a consecução de determinado
Conforme Laudon e Laudon (2007, p. 307), os fim, ou seja, controlar. Regra geral, o controle
principais sistemas de apoio para a tomada interno tem quatro objetivos básicos: a) a
de decisão são: salvaguarda dos interesses da empresa; b)
precisão e a confiabilidade dos informes e
Sistemas de nível operacional: esses dão
relatórios contábeis, financeiros e
suporte aos gerentes operacionais no
operacionais; c) o estímulo à eficiência
acompanhamento das atividades e
operacional; d) aderência às políticas
transações elementares da organização, tais
existentes. ”
como vendas, receitas, depósitos em
dinheiro, folha de pagamento e decisões de
crédito. Esse sistema tem como principal
propósito responder a perguntas rotineiras e
localizar o fluxo de transações através da
organização;

Tópicos em Administração - Volume 6


22

3.1 CONTROLE PREVENTIVO Informações Complementares: são


informações que precedem as outras,
“Um Controle Interno eficaz, além de
servindo como complemento. Exemplo:
constituir-se em poderoso instrumento
descrições, comentários, narrações,
gerencial dar transparência a toda e qualquer
explicações, anexos, demonstrativos e
atividade. A postura preventiva (ação
gráficos.
preventiva) visa ao assessoramento do gestor.
Busca-se a integração do ciclo planejamento, Informações Arquivadas: é a técnica de
orçamento, finanças e controle, com a detectar até que ponto a empresa tem
finalidade de dar suporte à administração por condições de tratar suas informações como
meio da busca do melhor controle do gasto, algo de valor, como uma demonstração de
usando mecanismos de eficiência, eficácia, sua organização em relação ao passado,
efetividade e economicidade” (MEIRELLES presente e futuro. Uma empresa que toma
1988, p. 565 APUD BARCELOS, 2012). decisões retrospectivas não trabalha com
informações atualizadas.
Controle preventivo é aquele que ocorre com
a projeção de situações ou eventos que ainda Conforme Rosa Filho e Rosa (2005), é
não ocorreram, com o objetivo de antecipar necessário atender alguns requisitos:
e/ou evitar erros ou irregularidades.
 Ser elaborado após a formalização de
(BARCELOS, 2012)
todos os outros subsistemas,
conforme mencionado;
4 SUBSISTEMA DE INFORMAÇÃO  Ser supridor das necessidades
decisórias dos gestores gerando
De acordo com Arenas (1999), nesse informações relevantes, tempestivas e
subsistema ocorre a coleta e o confiáveis;
processamento de todos os dados e
informações geradas dos demais sistemas,  Ser formalizado e integrado ao
ele é responsável pela organização e processo de gestão;
tradução dessas informações de forma que  Deve evidenciar os impactos das
atenda às necessidades dos seus usuários variáveis internas e externas;
dando suporte para o planejamento e tomada
de decisões.  Deve permitir avaliações de
desempenho global e analítico.
Segundo Guerreiro (1996, p. 70) esse
subsistema pode ser caracterizado como: “a
reunião de elementos com a finalidade de
5 SUBSISTEMAS DE RECURSOS HUMANOS
gerar informações para apoiar o processo de
gestão e execução das atividades O subsistema de recursos humanos vem
operacionais”. sendo visto com maior frequência, em
conjunto com o crescimento e dinamismo da
Laudon e Laudon (2007, p. 10) apresenta
economia. Toda empresa e/ou organização
algumas classificações de informações:
tem a necessidade de se manter atualizada a
Informações Seletivas: técnica nova de levar fim de utilizar esse subsistema como um
ao público, comunidade, governo e à diferencial competitivo no mercado.
concorrência informações sobre a empresa. É
Chiavenato (2002) apud Costa Filho e
como se fosse um feedback tanto para o
Marques (2010, p. 196),
cliente interno quanto para o externo;
“explica que o objetivo da administração de
Informações Obrigatórias ou Legais: são
recursos humanos consiste no planejamento,
aquelas caracterizadas pela sua
organização, desenvolvimento, coordenação
obrigatoriedade, periodicidade e são
e controle de técnicas capazes de promover o
impostas pelas leis e por convenções.
desempenho eficiente do pessoal, ao mesmo
Exemplo: notas fiscais, recibos, balanços
tempo em que a organização representa o
financeiros, impostos, etc.
meio que permite às pessoas que com ela
Informações Confidenciais: caracterizadas colaboram alcançar os objetivos individuais
pelo sigilo, por serem acessíveis a poucas relacionados direta ou indiretamente com o
pessoas. Exemplo: formulas planos, patentes, trabalho, visando conquistar e manter
projetos, lucros, perdas e logística. pessoas na organização, trabalhando e

Tópicos em Administração - Volume 6


23

dando o máximo de si, com atitudes positivas mensuração do desempenho das


e favoráveis.” organizações através dos indicadores
financeiros e não financeiros. O termo
Balanced indica o equilíbrio entre os objetivos
6. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO de curto e longo prazo, entre os indicadores
de desempenho financeiros e não financeiros,
“Medidas de desempenho são os ‘sinais entre os indicadores de tendências e
vitais’ da organização. ” (HRONEC, 1994, p.5) ocorrências e perspectivas internas e
Da assertiva apresentada é possível confirmar externas de desempenho.
que a verificação e acompanhamento do
desempenho de uma organização é O BSC segue uma lógica estrutural que
essencial, pois é através dessa avaliação que deverá ser a direcionadora de todas as ações
o administrador da empresa irá traçar relacionadas e estabelecidas pela sua
estratégias de melhorias que atendam aos implementação, que é a de que a
interesses dos seus usuários.. organização deverá a partir de indicadores de
curto prazo definir medidas de vetores que
Segundo Marras (2009, p. 173), a avaliação impulsionam o desempenho futuro.
de desempenho, “é um instrumento gerencial
que permite ao administrador mensurar os Para tanto haverá a definição de objetivos e
resultados obtidos por um empregado ou por medidas que são derivados da visão e
um grupo, em período e área específicos”. A estratégia da empresa, focados no
avaliação de desempenho tem a finalidade de desempenho organizacional sobre quatro
auxiliar o administrador da empresa na perspectivas: financeira, do cliente, dos
verificação dos resultados e dos pontos fortes processos internos e de aprendizado e
e fracos de cada elemento que compõe o crescimento, formando assim a estrutura do
sistema, para que com isso possa planejar a BSC. O Quadro 1 esquematiza a relação entre
melhor forma de alcançar os objetivos da o BSC e a Controladoria.
organização como um todo. Ao examinar os conceitos desenvolvidos por
Para testar a aplicabilidade dos conceitos Kaplan e Norton (1997) no Balanced
apresentados até o momento, utilizou-se o Scorecard na Controladoria, observa-se que
modelo de suporte a decisão denominada ambos têm uma visão crítica sobre as
Balanced Scorecard – BSC. informações geradas pelo sistema contábil
apoiado nos princípios de contabilidade
tradicionais, rico em informações relativas ao
7. BALANCED SCORECARD - BSC passado da organização, mas pobre em
informações que possibilitem o planejamento
Kaplan e Norton (1997), ao desenvolverem o das atividades futuras da organização e,
Balanced Scorecard na década de 90, portanto, melhor previsão dos seus destinos.
pretendiam mudar a usual maneira de

Quadro 1 – Relação entre o Balanced Scorecard e a Controladoria


Balanced Scorecard Indicadores Essenciais Papel da Controladoria
- retorno dos investimentos - fornece os indicadores gerais
- lucratividade - avalia o desempenho setorial
Financeiros
- nível da receita - mede o desempenho econômico
- custo do produto (passado, presente e futuro)
- participação no mercado
- avalia o mercado
- novos clientes
- informa as receitas
Clientes - manutenção dos clientes
- informa a lucratividade
- lucratividade por cliente
- avalia a satisfação do cliente
- satisfação do cliente
- novos produtos - avalia os setores (deptos)
Processos Internos - serviços pós-vendas - avalia relações com o cliente
- operações - levanta as necessidades do cliente
- satisfação dos funcionários - avalia o clima organizacional
Aprendizado e - retenção de funcionários - avalia a sinergia
Crescimento - lucratividade por funcionário - auxilia disseminar as estratégias
- produtividade por funcionário - auxilia o comprometimento
Fonte: Elaborada com base em Kaplan e Norton (1997)

Tópicos em Administração - Volume 6


24

O BSC não é a única ferramenta que a 8.2 DO SUBSISTEMA FÍSICO E


Controladoria dispõe para a sua gestão. OPERACIONAL
Para exemplificar a aplicabilidade do BSC a A empresa possui prédio próprio com
partir da Teoria Geral dos Sistemas, foi possível área de expansão. O prédio é
utilizado o estudo de caso da empresa distribuída em 4 salões, sendo:
Softdream.
 1ª sala: destinada a gerencia (1 mesa,
3 cadeiras, 3 computadores, 1 ar
condicionado, 1 armário para
8 SOFTDREAM arquivos, 1 telefone corporativo e 1
8.1 DEFINIÇÃO DO SUBSISTEMA impressora);
INSTITUCIONAL  2ª sala: destinado à área do
A empresa SoftDream Travesseiros LTDA administrativo/financeiro/fiscal e
iniciou-se com a ideia de três irmãs que recursos humanos (2 mesas, 2
tinham problemas para dormir, cujos cadeiras, 2 computadores, 1 ar
princípios se traduziram em: condicionado, 1 armário para
arquivos, 1 telefone corporativo e 1
Visão: Ser reconhecida pela exclusividade e impressora);
qualidade do produto.
 3ª sala: destinada ao
Missão: Produzir e comercializar travesseiros marketing/vendas, setor de
capazes de proporcionar o máximo de bem- suprimentos e logística/faturamento (3
estar e conforto. mesas, 3 cadeiras, 3 computadores, 1
Valores: ar condicionado, 1 armário, 2
telefones corporativo, 1 impressora);
Inovação
 4ª sala: destinada a produção (4
Modernidade Esquinadeiras, 4 máquinas de
Profissionalismo costura, 4 cadeiras, 3 silos de
armazenamento do enchimento, 1
Trabalho em equipe balcão para embalagem, 1 seladora
Melhoria continua manual).

Objetivos de longo prazo – Perspectivas do A empresa utiliza no fluxo de produção a


BSC: manufatura, que é um sistema com técnica de
produção artesanal, e divisão do trabalho.
De crescimento e aprendizagem: turnover dos Utilizando este modelo é possível obter maior
funcionários da área de produção inferior a volume de produção, pois é aplicada a
15%. Plano de carreira desenvolvido para que técnica da divisão do trabalho, onde cada
os próprios funcionários possam ter trabalhador executa uma pequena porção do
oportunidades de desenvolver técnicas e produto. Desta maneira são economizados e
ferramentas de trabalho a fim de estabelecer especializados movimentos, fato que
melhorias contínuas. repercute numa maior velocidade de
Dos processos: desenvolver novos produtos produção.
em prazos de 3 anos, considerando A matéria prima que compõe nosso produto é
pesquisas de mercado visando a inovação advinda de plumas artificiais adquirida de
sem perder a qualidade. empresas terceirizadas. No processo da
Dos clientes: atingir Market Share de 15%. O tecelagem que ocorre na esquinadeiras se
cliente é a razão da nossa existência e para produz fio a fio o tecido da capa do
encantá-lo e conquistá-lo, produzimos travesseiro. As costureiras cortam o tecido e
travesseiros de alta qualidade, com contínua costura no molde do produto. O enchimento é
evolução dos nossos processos industriais e realizado de maneira uniforme para que não
práticas comerciais. haja vácuo. O produto volta para as
costureiras, que finaliza a costura. Os
Financeiros: retorno sobre o patrimônio líquido produtos são encaminhados para
de 20% a.a. para cada ano do triênio. esterilização e posteriormente para o
empacotamento/selagem da embalagem.

Tópicos em Administração - Volume 6


25

Especificações do produto: As plumas têm sistema. Caso haja a necessidade de


diversas vantagens quando o assunto e descontos e comissionamentos que não se
conforto, praticidade e desempenho. As enquadre no padrão, os mesmos deveram ser
peças desenvolvidas com essa tecnologia tratados pela gerencia.
são muito leves, ao mesmo tempo em que
Setor de logística: Após a provação do
proporcionam excelente isolamento térmico.
pedido, deverá ser encaminhado para
expedição para realização de embarques e
faturamento. Os mesmos deveram fazer a
8.3 DO SUBSISTEMA SOCIAL
conferencia da carga e descarga dos
A empresa conta com 3 sócios com igual veículos.
participação e 22 funcionários, sendo: 1 no
Setor administrativo e RH: Todas as
administrativo, 1 no RH, 1 no
informações e solicitações geradas pelos
marketing/vendas, 1 no setor de suprimentos,
setores são passíveis de análise e decisão da
1 na logística/faturamento, 16 na produção (1
gerencia.
supervisor, 5 pessoas destinada ao manuseio
das esquinadeiras, 4 costureiras, 3 pessoas Setor da produção: Neste departamento serão
no enchimento, 2 pessoas na esterilização e 2 desenvolvidos os Planejamentos de Controle
pessoas no empacotamento/selagem). e Produção a serem realizados. Os processos
operacionais serão executados de acordo
Setor de suprimentos: De acordo com as
com os treinamentos de capacitação
solicitações de materiais encaminhadas, o
realizados pelo RH. A cada lote de produção
responsável do setor irá gerar ordem de
será separado uma amostra para o analista
compras, realizarem as cotações (mínimo três
de qualidade.
fornecedores), escolhendo o fornecedor que
atenda com melhor qualidade, preço e
logística. A cotação selecionada deverá ser
8.4 DO SUBSISTEMA DE GESTÃO E
aprovada/reprovada, pelo supervisor da área
DECISÃO
solicitante e/ou pela gerencia da empresa.
A escolha do Subsistema de Gestão é
Setor de marketing/vendas: Os vendedores
Centralizado, pois trata-se da intenção do
deveram preencher os formulários das vendas
administrativo em conduzir a empresa. Por se
a serem realizadas com todas as informações
tratar de uma empresa pequena/médio porte,
necessárias para encaminhar ao analista do
o administrativo interage em todas as
setor. Com todas as informações o analista
atividades desempenhadas.
deverá implantar o pedido de vendas via

8.5 DO CONTROLE INTERNO 8.6 DO SUBSISTEMA DE INFORMAÇÃO


A empresa adotou o sistema preventivo, com A empresa controla toda a sua produção e
a finalidade de evitar a ocorrência de erros, finanças através de pacotes de planilhas
desperdícios ou irregularidades e dar suporte editadas pela empresa Luz Planilhas
à administração por meio da busca do melhor Empresariais, basicamente elaboradas em
controle do gasto, usando mecanismos de planilhas eletrônicas do software Excel®
eficiência, eficácia, efetividade e
economicidade.

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26

8.7 DO SUBSISTEMA DE RECURSOS base nos dados obtidos na seção 8, foram


HUMANOS projetadas as planilhas para o BSC com o
auxílio da planilha eletrônica do software
Este departamento será responsável pelo
Excel® editada pela Luz Planilhas
recrutamento, seleção e treinamentos dos
Empresariais.
funcionários da empresa. É de extrema
importância a realização de
acompanhamentos, incentivos a fim de obter
melhores desempenhos dos mesmos visando 9.1 METAS ESPECÍFICAS PARA CADA
o método de melhoria contínua. PERSPECTIVA DO BSC
Uma vez estruturado o Subsistema da
empresa, foi necessário traduzir as visões de
9 ELABORAÇÃO DO BSC PARA A longo prazo para dentro do BSC. Nesse
SOFTDREAM sentido, procurou-se trabalhar com apenas
três metas para cada perspectiva, pois a
Feitas essas considerações sobre os
empresa não tem experiência com essa
subsistemas, pautado nos princípios e
ferramenta de gestão. Assim foi
premissas defendidos nas seções 2 a 8 e com
disponibilizado o proposto dentro da planilha.

Com base nessas perspectivas e nesses determinadas. Essas são traduzidas em


indicadores, são traçados planos de ação padrões financeiras, conforme sequencia
para que todos os colaboradores da empresa descrita na planilha.
possam interagir e buscar as metas

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27

Tópicos em Administração - Volume 6


28

Após a etapa de definição das metas e execução, é possível analisar o resultado final
elaboração das planilhas, mês a mês são e recomeçar o processo projetando metas
inseridos os resultados reais e as variações para o novo período. O resultado sintético das
são apuradas, permitindo o controle dos projeções analíticas anteriores está
resultados, corrigindo eventuais desvios. Uma apresentado a seguir:
vez finalizado o período de projeção e

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29

Desmistificando o que muitos acreditam ser 9.2 ALERTAS SOBRE OS RESULTADOS


impossível para uma pequena empresa, este ATRAVÉS DA PLANILHA
trabalho apresenta uma forma simples e
A planilha mencionada possui muitos recursos
prática de inserir boas práticas de gestão. É
além dos apresentados, entre eles gráficos
evidente que todo um esforço gerencial foi
comparativos e um sistema de alertas e dicas
necessário para se chegar a tais resultados,
sobre os resultados apurados, muito válidos
não se tratando apenas de números em
para a tomada de decisão gerencial.
planilhas.
Esses alertas são provenientes do resultado
de cada perspectiva, porém são confrontados
com as demais perspectivas, causando uma
dimensão temporal das medidas de ajustes
necessárias. Para o período em evidência, a
planilha emitiu o seguinte sistema de alertas e
dicas:

Tópicos em Administração - Volume 6


30

Portanto, ficou evidente que na perspectiva maneira estratégica evoluir nos negócios,
de aprendizagem que a empresa está abaixo fazendo uso dos subsistemas empresarias
do desejado, porém caminha para atingir a para melhor gerir a empresa.
meta estabelecida. Se os gestores decidirem
Avançando com a colaboração na gestão da
avançar com o modelo de gestão, poderão
empresa, foram apresentados o conceito e o
investir em outras ferramentas paralelas, sem
modelo de decisão baseado em Kaplan e
abdicar desse instrumento de gestão e
Norton (1997) denominado Balanced
controle denominado BSC.
Scorecard – BSC, mundialmente conhecido.
A implementação do BSC se deu através de
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS planilhas já mencionadas, e os controles
foram executados mensalmente, tendo como
Neste trabalho foram abordados os principais base de revisão esse período para as quatro
subsistemas empresarias, e a importância de perspectivas do modelo.
cada um deles dentro de uma entidade, de
forma que a mesma mantenha o equilíbrio de Concluí-se que embora simples na essência,
sua estrutura. ferramentas como essa planilha pode ser
colocada em prática e apoiar a gestão de
Através de um estudo de caso na empresa empresas com sistemas empresariais já
SoftDream, uma fabricante de travesseiro, que consolidados, porém sem muitos recursos
mantém o centro de decisão nas três sócias, financeiros para investir em robustos sistemas
foi possível evidenciar que a mesma busca de de informação.

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[15] LEMES, S. Avaliação de desempenho para
gestão econômica de empresas pecuárias.

Tópicos em Administração - Volume 6


32

Capítulo 3

Camila Freitas SantAna


Clóvis Fiirst
Marcia Zanievicz Silva

Resumo: O objetivo da pesquisa é identificar as variáveis do desempenho


orçamentário público nos estudos teórico-empírico brasileiros. A tipologia de
pesquisa quanto ao objetivo é descritiva, quanto ao procedimento bibliográfica e
quanto a abordagem do problema caracteriza-se como sendo predominantemente
qualitativa, da qual aplicou-se a técnica de análise de conteúdo para categorizar os
estudos referente orçamento público brasileiro. A pesquisa tem base
exclusivamente em publicações de artigos em periódicos e congressos da área de
contabilidade e administração. A seleção dos artigos para compor a população e
amostra da pesquisa ocorreu por meio da busca nas bases utilizando a expressão
“orçamento público” no título, resumo e palavras-chave, do qual a amostra da
pesquisa resultou em 18 artigos, sendo 14 artigos publicados em revistas
classificadas com Qualis Capes A2 à B3 e 4 artigos publicados no Congresso
ENAPG. Os resultados destacam que são escassos os artigos que abordam o
orçamento público brasileiro, e devido a este fato, as variáveis do desempenho
orçamentário público, destacadas no constructo de pesquisa devem ser
exploradas, em especial aquelas que aparecem com uma frequência mais
constante, como exemplo a variável definições de politicas e gastos públicos. A
pesquisa também evidencia a obrigatoriedade prevista em lei quanto ao uso do
orçamento público, como também denota a contribuição desta ferramenta para o
processo de gestão pública, em prol do atendimento das necessidades da
população.

Palavras-Chave: Pesquisas científicas; Orçamento público; Desempenho

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1 INTRODUÇÃO alto grau de risco quanto à mensuração de


desempenho da gestão pública. Já Pires e
O processo de elaboração do planejamento
Martins (2012), salientam que as variáveis de
financeiro e administrativo também faz parte
desempenho do orçamento público são
do contexto do ente público, em virtude de
pouco exploradas, demandando de mais
que a contabilidade pública está interligada a
estudos relacionados ao orçamento público e
ciência das finanças, que tem como uma das
seu desempenho na prática.
características estabelecer os mecanismos
necessários para atender a eficiência e Diante do contexto apresentado, a seguinte
eficácia das contas proeminentemente questão problema norteia a pesquisa: Como
públicas resultantes dos investimentos, apresentam-se as variáveis do desempenho
despesas, receitas e da prestação de orçamentário público nos estudos teórico-
serviços à população (ANGÉLICO, 1995; empírico brasileiros? Assim, para atingir a
CRUZ; FERREIRA, 2010). proposta de estudo tem-se como objetivo
identificar as variáveis do desempenho
A instituição da Lei n° 4.320, na data de 17 de
orçamentário público nos estudos teórico-
março do ano de 1964, intitulada como Lei
empírico brasileiros.
Geral de Orçamento, de acordo com Leite
(1984), foi um grande avanço para a realidade Deste modo, o estudo justifica-se e torna o
da contabilidade pública quanto à introdução desenvolvimento da pesquisa relevante, em
de um modelo de orçamentação voltado a virtude de que de acordo com Leite et al.
atividade de controle das despesas. (2008) e Pires e Martins (2011), há pouca
investigação da literatura nacional sobre a
Após a promulgação da Lei n° 4.320/64, a
caracterização das variáveis do orçamento
administração pública passou por mudanças
público, nos estudos de levantamento teórico
significativas em prol do desenvolvimento da
que abordaram as pesquisas realizadas sobre
seriedade e transparência administrativa,
o “orçamento”. Ainda, Andersen e Mortensen
quanto ao gerenciamento dos recursos
(2010), destacam que existe uma lacuna
arrecadados e a forma como vem sendo
teórica e empírica entre a literatura clássica
utilizados pela gestão, em relação a busca do
do orçamento público e a literatura recente do
objetivo de promoção do bem estar social dos
desempenho das organizações públicas.
cidadãos (SOUZA, 2002).
Tendo em vista que as pesquisas envolvendo
Vários pesquisadores dedicam-se a análise a temática, apresentaram o levantamento das
do desempenho do processo orçamentário características dos artigos publicados em
público. Cada abordagem retrata uma periódicos em um contexto geral (SUAVE et
característica ou ambiente diferente, por al., 2014), público e privado (MACÊDO;
exemplo, Carvalho et al. (2013) discorrem que LAVARDA, 2013) ou das práticas
o orçamento público pode ser influenciado relacionadas à abordagem metodológica
por diversas determinantes, como (LYRIO; DELLAGNELO; LUNKES, 2013).
institucionais, geográficas, econômicas,
Assim, denota-se que o orçamento em si é
culturais, sociais. Ollaik et al.
estudado, porém, há indícios de que as
(2011) destacam que a maioria dos estudos pesquisas não apresentam uma abordagem
sobre o orçamento caracterizam-se como de padronizada, ainda mais quanto as variáveis
cunho técnico, retratando a não utilização dos envolvidas neste processo são voltadas à
modelos teóricos instruídos para analisar e utilização do orçamento no contexto da
compreender como se estabelece a tomada contabilidade pública ou das determinantes
de decisões do processo orçamentário. que auxiliem na caracterização do
desempenho do orçamento. Neste contexto, o
Em se tratando do estudo do orçamento
presente estudo contribui por evidenciar as
público, Reed (1986) discorre que os
variáveis utilizadas para medir o desempenho
tomadores de decisão precisão de medidas
do orçamento público, que de acordo com
de desempenho para traçar avaliações sobre
Leite et al. (2008) e Moura, Dallabona e
a eficiência e eficácia de suas ações
Lavarda (2010), encontra-se defasadas em
implementadas e reduzir assim possíveis
comparação ao número de pesquisas
incertezas e impactos negativos recorrentes
evidenciando o desempenho do orçamento
que possam advir de um mau uso ou
empresarial na literatura brasileira. Além
destinação do orçamento público. Desta
disso, a pesquisa contribui para a expansão
forma, Behn (1995) ressalta que as chances
do conhecimento científico e o destaque da
de insucesso do orçamento apresentam um
produção atual, servindo de incentivo à

Tópicos em Administração - Volume 6


34

realização de futuras pesquisas na área governo, pois os orçamentos representam a


orçamentária pública. alocação dos recursos destinados para
atender as necessidades da população, por
2 REFERENCIAL TEÓRICO
meio do gerenciamento dos recursos
2.1 ORÇAMENTO PÚBLICO propostos pelo gestor público à implantação
de projetos, programas e ações sociais
O orçamento é um instrumento que trabalha
(MACÊDO; LAVARDA, 2013). Nesse sentido
com planos gerais das operações e/ou de
Machado Jr. (2012) discorre que o orçamento
investimentos em determinado período
tem a finalidade de estimar a receita e fixar as
(ZDANOWICZ, 1983), orientado por objetivos
despesas previstas para determinado período
e metas orçamentárias que definem as fases
de gestão da atividade pública.
de estabelecimento das políticas, objetivos e
metas da organização (WELSCH, 1996). Abreu e Gomes (2013) salientam que as leis,
normas e regras do orçamento apresentam
Para Kohama (2001, p. 64), o “orçamento é
um papel expressivo na modelagem do
um ato de previsão e fixação da despesa para
desempenho econômico do país. Assim,
um determinado período de tempo e constitui
voltando-se ao contexto brasileiro, o
o documento fundamental das finanças do
orçamento passou a ser discutido na década
Estado, bem como da Contabilidade Pública”.
de 1940, e a partir da instituição da Lei Geral
Assim, relacionando-o à sua utilização no
dos Orçamentos, no ano de 1964, o governo
contexto da administração pública, o
efetivamente passa a adotar as práticas e
orçamento público é definido por Andrade
planos orçamentários, antes mesmo das
(2002), como sendo a materialização do
empresas privadas brasileiras adotarem o
planejamento, manutenção das atividades,
orçamento como ferramenta de controle, fato
das ações e dos projetos, bem como dos
que ocorreu por volta dos anos de 1970
processos executados pelo estado.
(ZDANOWICZ, 1983).
De acordo com Andersen e Mortensen (2010),
A Lei n° 4.320/64 institui as normas gerais
a orçamentação pública tornou-se uma das
para a elaboração e controle dos orçamentos
principais questões políticas e,
e dos balanços dos entes federativos,
consequentemente, o estudo do orçamento
subdivididos por esperas públicas, sendo da
público transformou-se uma preocupação
União, dos Estados, dos Municípios e do
recorrente de pesquisadores, bem como para
Distrito Federal. Deste modo, com base no
compreender melhor sobre aspectos
Tribunal de Contas da União (2002), faz-se
determinantes das decisões políticas,
necessário supra citar que com a
tomadas em prol da prestação de serviços
promulgação da Constituição Federal em
aos cidadãos (ANDERSEN; MORTENSEN,
1988 e da Lei Complementar n° 101 de 05
2010).
Maio de 2000, intitulada como Lei de
As estratégias e as ações que compõem o Responsabilidade Fiscal (LRF), que definiu
processo orçamentário sinalizam o ponto de limites aos gastos públicos e
vista e o compromisso das autoridades responsabilidade fiscal aos gestores. Após
governamentais frente a implementação de esses eventos, tornou-se possível ratificar e
políticas (PEREIRA et al., 2010). inovar o orçamento público brasileiro, em
Corroborando, Hou et al. (2011) salientam que virtude do surgimento do Plano Plurianual
o orçamento público destaca-se por ser uma (PPA) e Lei Orçamentária Anual (LOA), e
ferramenta de governança moderna, que também da Lei de Diretrizes Orçamentária
serve para atribuir responsabilidades aos (LDO).
funcionários públicos, fortalecer a relação
Assim, ao decorrer dos anos discutiu-se
fundamental entre o orçamento e os valores
fortemente no ambiente político e econômico
democráticos que referem-se a prestação de
sobre a reforma do orçamento público. Neste
contas aos contribuintes e cidadãos.
sentido, o estudo de Barcelos e Calmon
Brelàz e Alves (2013, p. 805) destacam que “a (2014) objetivaram examinar as mudanças no
realização do orçamento é uma das tarefas processo decisório que culminou na reforma
mais complexas de um governo. Trata-se de propriamente dita do orçamento brasileiro no
um importante instrumento de planejamento e ano 2000. Esta ênfase na reforma de acordo
execução e é através dele que os programas com os autores ocorreu principalmente devido
de governo se realizam”. Assim, o orçamento a instituição da LRF, que dispunha da
público é um compromisso de contribuições orientação do planejamento e da
voltado à coletividade e as práticas do programação orçamentária dos entes

Tópicos em Administração - Volume 6


35

federativos que vigora até o presente Assim, a avaliação orçamentária é dada por
momento na legislação brasileira. meio da análise da eficiência do controle
orçamentário, em vista das ações
Assim, o orçamento público conforme
desenvolvidas para a consecução dos
Cavalcante (2010b) tem sua importância
objetivos da administração pública e das
direcionada a avaliação dos programas
medidas que contribuem para a otimização
governamentais, e como um mecanismo de
dos recursos utilizados pelo processo (REIS;
controle para auxílio ao processo de tomada
MACHADO JUNIOR, 2012).
de decisão. Neste sentido, o próximo tópico
aborda o orçamento voltado à avaliação do O processo de avaliação do desempenho
desempenho do ente público. orçamentário deve ser realizado
individualmente para cada técnica
orçamentária que for utilizada, tendo em vista
2.2 ORÇAMENTO PARA AVALIAÇÃO DO que cada uma possui características
DESEMPENHO PÚBLICO diferentes à serem consideradas. Assim, os
tipos de técnicas orçamentárias que existem,
As organizações públicas têm dedicado
no contexto público, são: o orçamento
esforços para melhorar a prestação de
tradicional, o orçamento programa, o
contas, usando medidas de desempenho
orçamento de desempenho, o orçamento
integradas em seus sistemas de orçamento,
participativo e o orçamento base zero
para guiar a tomada de decisões sobre a
(SANTOS, 2001; MAIA, 2010).
utilização dos recursos humanos, financeiros,
entre outros (MELKERS; WILLOUGHBY, O estudo de Macêdo e Lavarda (2013),
1998). analisaram as técnicas orçamentárias com o
objetivo de destacar as características dos
De acordo com Abernethy (1999), o
artigos publicados em periódicos no ambiente
orçamento em si, tem por finalidade avaliar o
nacional e internacional relacionando as
desempenho e atribuir responsabilidade pelos
pesquisas sobre orçamento público,
resultados as funções organizacionais
orçamento participativo e controladoria
específicas ou a membros. Para Catelli,
pública, evidenciando que a contabilidade
Almeida, Parisi e Pereira (2001), a avaliação
pública é carente de publicações nesta área
de desempenho compreende um papel
de pesquisa.
indispensável para o controle da organização
produzindo informações que dão suporte ao Outro destaque é dado ao estudo de Lyrio,
processo de tomada de decisões mais Dellagnelo e Lunkes (2013) que focou no
assertivas à gestão. Neste contexto, a ponto de vista contextual e das abordagens
medição de desempenho nas organizações metodológicas, com a finalidade de analisar
públicas contribui para ajudar o gestor as referências citadas pelos autores e as
público à realizarem as dotações circunstâncias ambientais onde desenvolveu-
orçamentárias (BEHN, 2003). se a pesquisa sobre a produção científica
relacionada ao orçamento público brasileiro.
A medição de desempenho nas organizações
Desta forma, a fim de identificar as variáveis
públicas também pode ser vista como o
do desempenho do orçamento aplicado ao
resultado do mandato legislativo (JULNES;
ente público, o próximo tópico apresenta os
HOLZER, 2001). Behn (2003) salienta que
procedimentos metodológicos aplicados à
para utilizar medidas de desempenho para
pesquisa.
fins de orçamento, os gestores públicos
precisam de medidas que descrevem a
eficiência de várias atividades, os resultados
3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
e os custos totais das operações
desenvolvidas. Com o intuito de atender o objetivo do estudo
de identificar as variáveis do desempenho
Entretanto, na concepção de Schick (2007),
orçamentário público do caso brasileiro nos
não pode-se fazer uma avaliação dos
estudos teórico empíricos, realizou- se uma
gestores somente pelo resultado gerado pelos
pesquisa descritiva, com abordagem
controles orçamentários da entidade pública,
qualitativa, por meio de pesquisa
uma vez que os mesmos, quanto ao
bibliográfica.
gerenciamento, não apresentam flexibilidade
para obtenção de menores custos na A coleta de dados ocorreu nas bases de
prestação dos serviços públicos. pesquisa Scientific Periodicals Electronic

Tópicos em Administração - Volume 6


36

Library (SPELL) e Scientific Eletronic publicações da amostra inicial totalizou 82


Library Online (Scielo Brasil) Scopus - artigos com acesso e disponibilização de
texto completo na internet.
Document Search e Portal de Periódicos
Capes e nas edições do Encontro de Após a leitura dos títulos e dos resumos,
Administração Pública e Governança foram descartados artigos fora do escopo
(ENAPG), Congresso USP, Congresso desta pesquisa, o que resultou num total de
Brasileiro de Custos (CBC), relacionados as 32 artigos. Neste sentido realizou-se uma
áreas de contabilidade, administração e nova leitura incluindo a introdução e o
gestão. O período de análise dos dados conteúdo referenciado e analisado pelo
compreendeu aos anos de 1987 à 2014. artigo. Após, identificou-se a amostra final
composta por 18 artigos, sendo, 14
A localização dos artigos para compor a
publicados em periódicos classificados em
população da pesquisa ocorreu por meio da
Qualis Capes de A2 a B3 e 4 artigos
utilização da expressão “orçamento
socializados no congresso ENAPG.
público” no título, resumo e palavras-chave,
que foi determinada para auxiliar na Para análise dos dados, elaborou-se um
evidenciação dos artigos que tratam dessa constructo (MARTINS; THEÓPHILO, 2007)
temática. A amostra inicial compreendeu 28 evidenciado com base no objetivo
artigos localizados na base SPELL, 44 artigos estabelecido as categorias e subcategorias
evidenciados na base Scielo Brasil e 10 destacadas de acordo com as modalidades
estudos encontrados no ENAPG, de modo de orçamento envolvendo a administração
que as demais bases de pesquisas (Scopus e pública observados na análise dos dados, a
Portal de Periódicos Capes) e congressos fim de identificar as variáveis do desempenho
(USP e CBC) não apresentaram artigos, em do orçamento no contexto público, conforme
português, pautado nos critérios de busca disposto no Quadro 1.
estabelecidos. Assim, a quantidade de

Quadro 1 – Constructo de pesquisa


Objetivo: Analisar as abordagens das variáveis do desempenho orçamentário público nos estudos empíricos
brasileiros.
Categorias Subcategorias Autores
Lacher (1995);
Definições de políticas e gastos públicos;
Orçamento Tradicional Santos (2001); Maia
Atendimento da alocação de recursos;
(2010).
Consonância com o Plano Plurianual (PPA);
Uso de indicadores de desempenho; Santos (2001); Maia
Orçamento de
Uso de indicadores de custos; (2010); Cavalcante
Desempenho
Uso de indicadores de eficiência; (2014).
Atendimento dos princípios contábeis;
Projeção das atividades do governo; Smithies (1980);
Orçamento Programa Revisões dos objetivos; Santos (2001); Maia
Mínimo de alocação de recursos. (2010).
Integração dos colaboradores;
Compromisso com o programa de participação Santos (2001); Yuen
Orçamento orçamentária; (2007); Maia (2010);
Participativo Limite da capacidade financeira da adm. local; Mota e Bliacheriene
Tempo entre a implementação e avaliação; (2011).
Efeitos das políticas locais.
Redução dos custos; Santos (2001); Maia
Orçamento Base Zero
Indicadores de eficiência; (2010); Lauth (2014).
Fonte: Dados da pesquisa.
Assim, com base nos autores elencados no informações fossem categorizadas, bem
constructo foram selecionados as categorias como, permitiu “isolar os temas de um texto
e subcategorias a serem observadas, tendo coletado e extrair as partes utilizáveis e
em vista que para a análise dos dados foi correlacionáveis ao problema da pesquisa,
realizado a leitura dos artigos da amostra da para permitir a comparação com outros textos
pesquisa com base na utilização da técnica escolhidos do mesmo modo” (Colauto &
de análise de conteúdo, que propiciou que as Beuren, 2010, p. 138).

Tópicos em Administração - Volume 6


37

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS público e suas respectivas variáveis para


verificação do desempenho orçamentário. No
Nesta seção apresentam-se os resultados
Quadro 2, são observados os estudos
obtidos com a análise dos artigos sobre o
analisados, destacando o título do artigo, o(s)
orçamento público selecionados na amostra
autor(s), o ano de publicação e a
da pesquisa, discutindo-se as categorias em
revista/congresso e seu respectivo Qualis
que são elencados os tipos de orçamento
Capes em que o estudo foi publicado.
Quadro 2 – Caracterização dos estudos sobre orçamento tradicional
Periódico/
Título/Autor/Ano
Qualis Capes
Planejamento a curto prazo / orçamento programa: teoria e prática (Silva, Revista de Administração
1987) Pública / A2
A comunidade como instância executora do planejamento: o caso do Revista de Administração
orçamento participativo de Porto Alegre (Giacomoni, 1994) Pública / A2
Controle social do Orçamento Programa: Um enfoque à administração Contabilidade Vista & Revista /
pública municipal (Perreira & Varela, 2000) B1
Orçamento Participativo em Municípios Predominantemente Rurais (Pase, Revista Desenvolvimento em
2003) Questão / B1
Limites e possibilidades do orçamento participativo: para além da retórica Revista de Administração
(Franzese & Pedroti, 2005) Pública / A2
Transparência na elaboração, execução e prestação de contas do Revista de Contabilidade do
orçamento municipal: um estudo em um município brasileiro (Cruz & Ferreira, Mestrado em Ciências
2008) Contábeis da UERJ / B3
Orçamento público no Brasil: um estudo dos créditos adicionais (Rocha, Revista de Contabilidade,
2009) Gestão e Governança / B2

O orçamento participativo: avanços e desafios do orçamento participativo de


Revista Gestão e Sociedade /
Araraquara em direção à ampliação da cidadania local (Carvalho & Araujo,
B3
2010)

Orçamento por desempenho: uma análise qualitativa comparada dos


modelos de avaliação dos programas governamentais no Brasil e nos Revista de Gestão USP / B2
Estados Unidos (Cavalcante, 2010a)
Avaliação dos programas do PPA: estudo de caso da implantação do Revista de Administração
orçamento por desempenho (Cavalacante, 2010b) Pública e Gestão Social / B3
Vinte anos de orçamento participativo: análise das experiências em Cadernos Gestão Pública e
municípios brasileiros (Costa, 2010) Cidadania / B3
Modelos de democracia eletrônica: analisando o orçamento participativo
ENAPG 2010
digital (Abreu, Melo & Motta, 2010)
Orçamento público municipal destinado à cultura: uma análise no município
de São João del-Rei em Minas Gerais no período de 2005 a 2008 (Souza & ENAPG 2010
Oliveira, 2010)
A experiência brasileira em orçamento-programa: uma primeira visão Revista de Administração
(Machado Jr., 2012) Pública / A2
Disclosure no orçamento público federal: o caso da alocação orçamentária
ENAPG 2012
nas atividades de defesa (Silva, Leal & Almeida, 2012)
O controle externo orçamentário e financeiro em nível municipal: o caso da
ENAPG 2012
câmara de vereadores de Olímpia – SP (Sarttorelli & Pires, 2012)
Orçamento público no Brasil: a utilização do crédito extraordinário como
Revista de Administração (FEA-
mecanismo de adequação da execução orçamentária brasileira (Rocha,
USP) / A2
Marcelino & Santana, 2013)
O Orçamento Participativo e a democratização da gestão pública municipal: Revista de Administração
a experiência de Vitória da Conquista (BA) (Novaes & Santos, 2014) Pública / A2
Fonte: Elaborado pelo Autores com base na Bibliografia.

Tópicos em Administração - Volume 6


38

De uma maneira geral, constatou-se que Assim, como observado por Leite et al.
principalmente os artigos sobre orçamento (2008), constatou-se que há pouca pesquisa,
público, na perspectiva de eficiência e na literatura nacional, sobre o orçamento na
desempenho, foram publicados no ano de área pública. Os achados também reiteram as
2010. Embora tenha sido encontrado 7 artigos conclusões de Andersen e Mortensen (2010),
publicados antes do ano de 2010, sendo o que indicou haver uma lacuna de pesquisa
primeiro no ano de 1987, publicado pela em torno do orçamento público. Pelo que se
Revista de Administração Pública. observa, tais evidencias ainda persistem no
decorrer dos últimos anos.
Entretanto, os artigos classificam-se em
revistas com Qualis Capes A2, sob o qual Deste modo, para a identificação das
foram publicados em sua maioria na Revista variáveis perceptíveis nos estudos analisados,
de Administração Pública (5 artigos) e na destaca-se na Tabela 1 os resultados
Revista de Administração FEA-USP (1 Artigo), encontrados, tendo por base o constructo de
que denotam representatividade, no âmbito pesquisa para categorização e
nacional, na área de contabilidade. subcategorização das variáveis do
desempenho orçamentário público

Tabela 1 – Principais resultados apresentados quanto ao orçamento tradicional


Categoria Orçamento Tradicional
Autor / Ano Subcategoria Variável Desempenho
a) Definições de políticas e gastos públicos; X Positivo
Rocha (2001)
b) Atendimento da alocação de recursos; X Positivo
a) Definições de políticas e gastos públicos; X Positivo
Cruz e Ferreira (2008)
b) Atendimento da alocação de recursos; X Neutro
a) Definições de políticas e gastos públicos; X Negativo
Souza e Oliveira (2010)
b) Atendimento da alocação de recursos; X Neutro

Silva, Leal e Almeida a) Definições de políticas e gastos públicos; X Neutro


(2012) b) Atendimento da alocação de recursos; X Positivo
a) Definições de políticas e gastos públicos; X Negativo
Sarttorelli e Pires (2012)
b) Atendimento da alocação de recursos; – Neutro

Rocha, Marcelino e a) Definições de políticas e gastos públicos; X Positivo


Santana (2013) b) Atendimento da alocação de recursos; X Positivo
X Constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
– Não constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
Fonte: Elaborado pelo Autores com base nos dados da pesquisa.

Analisando a seleção dos estudos sobre a alocação de recursos redução no


destacados, observa-se na pesquisa de déficit de accountability, como ressaltado
Rocha (2001) que a adição de créditos pelos autores. Já no estudo de Souza e
adicionais ao orçamento permite ao governo Oliveira (2010), em relação a definição de
melhor atender suas definições de políticas e políticas e de gastos públicos, o município
de gastos públicos, bem como, permite alocar não tinha estabelecido um conselho
com maior frequência os recursos para a específico para a secretária municipal de
manutenção de suas atividades. cultura e turismo para definição clara e
concisa dos recursos alocados e assim
Na análise do estudo de Cruz e Ferreira
também evidenciou-se quanto à subcategoria
(2008), a subcategoria da variável b foi
da variável B, que a alocação dos recursos
classificada como neutra devido ao fato do
devido a problemas na subcategoria da
estudo não contribuir para as discussões
variável A era dispendiosa, mas mesmo

Tópicos em Administração - Volume 6


39

assim, obteve um desempenho considerado finanças públicas e em relação a alocação de


satisfatório em relação ao orçamento previsto recursos. Nada foi constatado na pesquisa, a
e ao realizado, classificando-a assim como não ser a necessidade de melhor
desempenho neutro. transparência das informações a este
respeito.
Na pesquisa de Silva, Leal e Almeida (2012),
foi analisado a orçamentação executada na Na pesquisa de Rocha, Marcelino e Santana
defesa civil do país por meio da correlação (2013), aplicou-se entrevistas com os
estatística, os resultados revelaram, em integrantes da comissão de orçamentos,
relação a definição de políticas e de gastos consultores, especialistas e fiscalizadores da
públicos, que este apresentou uma visão ferramenta orçamentária, e assim demonstrou
equivocada quanto à realização de que a definição de políticas e de gastos
investimentos, que podem ser oriundos de públicos ocorre, porém em consonância há
despesas contingenciais, dessa forma, pressões políticas que assim determinam a
classificou-se de acordo com o constructo da alocação de recursos, embora estes recursos
pesquisa a subcategoria da variável A como alocados serem apresentados com resultados
neutra, e em relação a subcategoria da positivos atendendo ao planejamento
variável B o resultado do desempenho foi orçamentário realizado.
positivo em virtude de que foi feito um
Assim, de forma geral as subcategorias das
balanceamento entre as despesas
variáveis A e B, dispostas no constructo da
obrigatórias e as despesas correntes.
pesquisa foram observadas nos estudos, com
No estudo de Sarttorelli e Pires (2012), exceção da alocação de recursos no estudo
observou-se que os resultados evidenciados de Sarttorelli e Pires (2012). Desta forma, na
a partir do orçamento da câmera de sequência, são apresentados na Tabela 2 os
vereadores não obtiveram uma certa principais resultados relacionados ao
satisfação, pois houve dificuldades orçamento de desempenho.
relacionadas ao papel de controle externo das

Tabela 2 – Principais resultados apresentados quanto ao orçamento de desempenho


Categoria Orçamento de Desempenho
Autor / Ano Subcategoria Variável Desempenho
Cavalcante a) Consonância com o Plano Plurianual (PPA); X Positivo
(2010a)
b) Uso de indicadores de desempenho; X Positivo
c) Uso de indicadores de custos; X Positivo
d) Uso de indicadores de eficiência; X Positivo
e) Atendimento dos princípios contábeis; X Positivo
Cavalcante a) Consonância com o Plano Plurianual (PPA); X Positivo
(2010b)
b) Uso de indicadores de desempenho; X Positivo
c) Uso de indicadores de custos; X Positivo
d) Uso de indicadores de eficiência; X Positivo
e) Atendimento dos princípios contábeis; – Neutro
X Constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
– Não constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme destacados, o estudo de do orçamento programa, destaca que ambas


Cavalcante (2010a), que aborda uma revisão subcategorias para estabelecimento de um
da literatura, o autor destaca que modelo desempenho positivo da gestão pública,
brasileiro de avaliação dos programas observando o Plano Plurianual (PPA), a Lei de
governamentais é feito por meio da utilização Diretrizes Orçamentária (LDO) e a Lei

Tópicos em Administração - Volume 6


40

Orçamentária Anual (LOA), no sentido que decisão, seja estratégica, tática e operacional,
ambas corroboram na otimização dos influenciando positivamente no desempenho
recursos e efetividade dos projetos da alocação dos recursos, bem como na
governamentais. efetividade e na eficiência dos serviços
públicos ofertado aos cidadãos.
Já no segundo estudo desenvolvido por
Cavalcante (2010b), o autor realizou uma De um modo geral, os resultados da Tabela 2,
avaliação do orçamento de desempenho do merecem atenção e o desenvolvimento de
Ministério do Desenvolvimento Social e novas pesquisas para que se consolide a
Combate à Fome, do Ministério da Educação evidência na prática o resultado do orçamento
e do Ministério da Saúde. Assim, conforme os de desempenho, em vista que a extração
resultados apresentados no estudo, pode-se para análise ficou baseada em 2 artigos
evidenciar que as subcategorias das variáveis científicos. Assim, na sequência, apresentam-
de desempenho orçamentário, desta forma se os principais resultados quanto ao
como o objetivo central de Cavalcante orçamento programa na Tabela 3
(2010b), possibilitam subsidiar a tomada de

Tabela 3 – Principais resultados apresentados quanto ao orçamento programa


Categoria Orçamento Programa
Autor / Ano Subcategoria Variável Desempenho
Silva (1987) Projeção das atividades do governo; X Positivo
Revisões dos objetivos; X Positivo
Mínimo de alocação de recursos. X Positivo
Perreira e Projeção das atividades do governo; X Positivo
Varela (2000)
Revisões dos objetivos; X Positivo
Mínimo de alocação de recursos. X Positivo
Machado Jr. Projeção das atividades do governo; X Positivo
(2012)
Revisões dos objetivos; – Neutro
Mínimo de alocação de recursos. X Neutro
X Constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
– Não constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
Fonte: Dados da pesquisa.

De acordo com os estudos ressaltados, o governo e também no alcance da qualidade


estudo de Silva (1987) trata de como o dos serviços prestados à população.
orçamento programa auxilia na determinação
Na pesquisa de Machado Jr. (2012), destaca-
do planejamento, programação e nos
se que a projeção das atividades do governo
processos de orçamentação atendendo as
proporciona como desempenho positivo do
políticas orçamentarias e na tomada de
orçamento programa, no entanto, foi
decisões concisas pelo gestor público, uma
classificado o desempenho do orçamento
vez que é feita a revisão das metas
como neutro nas duas subcategorias;
orçamentárias e controlada a alocação dos
revisões dos objetivos, por não mencionar e
recursos para execução das atividades do
mínimo de alocação de recursos, que apesar
governo. Na mesma perspectiva, seguem os
de ser comentado os resultados não foram
resultados do orçamento programa
suficientes para explicar se possui um efeito
encontrados na pesquisa de Perreira e Varela
positivo ou negativo no desempenho do
(2000), que destacam ainda que o orçamento
orçamento.
programa tem muito a contribuir com os
objetivos e propósitos de um bom Em síntese, percebe-se que nos três estudos,
desempenho das ações desenvolvidas pelo o orçamento programa contribuiu para a
efetividade das atividades desempenhadas à

Tópicos em Administração - Volume 6


41

população pelo seu direcionamento destacados os principais resultados quanto


possibilitado ao gestor público. aos estudos sobre orçamento participativo.
Respectivamente na Tabela 4, são

Tabela 4 – Principais resultados apresentados quanto ao orçamento participativo


Categoria Orçamento Participativo
Autor / Ano Subcategoria Variável Desempenho
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Giacomoni
c) Limite da capacidade – Neutro
(1994)
d) Tempo entre a implementação e avaliação; X Positivo
e) Efeitos das políticas locais. X Positivo
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Pase (2003) c) Limite da capacidade X Negativo
d) Tempo entre a implementação e avaliação; – Neutro
e) Efeitos das políticas locais. X Negativo
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Franzese e
c) Limite da capacidade – Neutro
Pedroti (2005)
d) Tempo entre a implementação e avaliação; X Positivo
e) Efeitos das políticas locais. X Positivo
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Carvalho e
c) Limite da capacidade X Positivo
Araujo (2010)
d) Tempo entre a implementação e avaliação; X Positivo
e) Efeitos das políticas locais. X Positivo
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Costa (2010) c) Limite da capacidade – Neutro
d) Tempo entre a implementação e avaliação; – Neutro
e) Efeitos das políticas locais. X Positivo
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Abreu, Melo e
c) Limite da capacidade – Neutro
Motta (2010)
d) Tempo entre a implementação e avaliação; X Positivo
e) Efeitos das políticas locais. X Positivo
a) Integração dos colaboradores; X Positivo
b) Compromisso com o programa de participação X Positivo
Novaes e
c) Limite da capacidade X Neutro
Santos (2014)
d) Tempo entre a implementação e avaliação; X Neutro
e) Efeitos das políticas locais. X Positivo
X Constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
– Não constam informações da subcategoria das variáveis nos resultados do referido artigo.
Fonte: Dados da pesquisa.

Os achados do estudo de Giacomoni (1994) e O estudo de Pase (2003), envolveu uma


de Abreu, Melo e Motta (2010), não análise sobre o orçamento participativo em
evidenciaram o limite da capacidade do municípios predominantemente rurais,
orçamento participativo, uma vez que o destaca que os limites atribuídos a
mesmo pode ser incrementado por outras capacidade financeira, quando se trata de
fontes de recursos, e que sua participação municípios rurais, impõe sérios obstáculos à
intervinda por meio da população auxilia na implantação do orçamento participativo.
qualificação do processo de alocação de Assim, quanto a análise do quesito descrito
recursos no considerando o âmbito na subcategoria E da Tabela 4, relacionado
pesquisado pelo autor que remete-se ao aos efeitos das políticas locais, de acordo
orçamento municipal. com os resultados do autor, supõem-se que
falhas nas políticas públicas voltadas ao meio

Tópicos em Administração - Volume 6


42

rural, consequentemente, gerando um mal avaliação de desempenho. Ainda, observou-


desempenho, ou seja, efeito negativo. se que que estratégia de estudo de caso,
focalizado na implantação ou no
No estudo de Franzese e Pedroti (2005),
acompanhamento do orçamento
destacou-se o fato da população participar da
implementado, foi pouco explorados na
concepção das dotações orçamentárias
literatura investigada, fato que pode ser
tornando possível verificar o tempo e a
devido os artigos estarem voltados a revisão
avaliação do orçamento, bem como perceber
de literatura e as perspectivas de evolução do
as ocorrências de insatisfações dos cidadãos,
orçamento no ambiente de gestão da pública.
relacionadas as políticas implementadas
pelos gestores na avaliação do desempenho.
A pesquisa de Carvalho e Araujo (2010), 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
discutiu a implementação do orçamento
Para atender o objetivo proposto de identificar
participativo em três municípios (Porto Alegre
as variáveis do desempenho orçamentário
- RS, São Paulo - SP e Araraquara - SP). A
público nos estudos empíricos brasileiros,
partir da análise quanto aos resultados
foram pesquisadas as bases de dados da
apresentados no estudo de Carvalho e Araujo
Spell, Science Brasil, Scopus, Portal de
(2010), constata-se que a perspectiva do
Periódicos Capes e Congressos USP, ENAPG
estudo atende as subcategorias de A até E de
e CBC e filtrado artigos relacionados ao
forma positiva no desempenho medido no
orçamento público, do qual encontrou-se 18
orçamento participativo. No mesmo contexto
artigos científicos atendendo aos critérios
de análise de implementação do orçamento
metodológicos estabelecidos.
participativo, denota-se que no estudo de
Costa (2010) elencou os mesmos Constatou-se que muitos artigos não
pressupostos da pesquisa de Carvalho e apresentavam contribuições teórico-empíricas
Araujo (2010), porém analisando as etapas de sobre o tema investigado, mais sim,
implantação segundo a amostra da pesquisa constituem-se de revisão de literatura e
composta por dissertações, teses, periódicos, perspectivas sobre a evolução deste artefato
anais de eventos, endereços eletrônicos, sites de gerenciamento do ente público. Ainda,
das prefeituras e outros informativos sobre 26 denotou-se que são escassos os artigos que
municípios brasileiros que passaram pelo abordam o orçamento público, seja em sua
processo de implantação do orçamento constituição como desenvolvimento, por isso
participativo. as variáveis analisadas por meio do
constructo de pesquisa devem ser exploradas
No estudo de Novaes e Santos (2014), os
por meio de estudo de caso, por exemplo, as
autores tratam dos limites da capacidade do
definições de politicas e gastos públicos.
orçamento participativo e do tempo entre a
implementação e a avaliação, mais não fica Deste modo, a contribuição dos artigos
especificamente esclarecido o fator de publicados nessa área, destacam com
impacto no desempenho do orçamento. bastante ênfase a obrigatoriedade do uso do
Partindo dessa preposição, o estudo foi orçamento, estabelecida pela legislação
classificado quanto as subcategorias das aplicável. Também enfatizam a contribuição
variáveis C e D como neutras. que o orçamento público estabelece no
processo de gestão pública e na tomada de
De modo geral, destacam-se que os artigos
decisões mais assertivas, bem como mais
da Tabela 4 enfatizam que o orçamento
efetivas em prol do desenvolvimento da
participativo trata-se de uma conquista
administração dos recursos alocados para
democrática sobre a decisão de aplicação
atender as necessidades da população.
dos recursos orçamentários e assim melhorar
seu desempenho apresentado. Salienta-se Os achados da pesquisa, instiga que tem-se
que nas bases e eventos pesquisados não foi a necessidade de ampliar os estudos
encontrado artigos sobre o orçamento público abordando está temática, assim como
focado no orçamento base zero, razão pela apontado por Pires e Martins (2012), e
qual, não foi apresentado análise sobre o também a realização de estudos
referido orçamento. aprofundados para estabelecer maiores
explicações sobre o orçamento público e seu
Genericamente, a análise dos resultados
desempenho na prática, podendo utiliza-se
remete que os artigos analisados representam
do procedimento metodológico de estudo de
uma contribuição na área temática do
caso ou de levantamento. A principal
orçamento público e suas variáveis para

Tópicos em Administração - Volume 6


43

limitação da pesquisa condiz em relação ao âmbito dos artigos analisados, determinados


fato de que os resultados não podem ser com base nos critérios tomados para a coleta
generalizados e ainda por restringem-se ao dos dados.

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Tópicos em Administração - Volume 6


46

Capítulo 4

Clodoaldo Oliveira Freitas


Celio Tessinari Rocha
Cleberson Eller Loose
Eliane Silva Leite
Josenildo de Souza e Silva

Resumo: A piscicultura é uma atividade lucrativa e se bem manejada pode


proporcionar ganhos acima da taxa mínima de atratividade comercial. Este estudo
objetivou analisar a viabilidade econômica da implantação e manutenção do cultivo
de tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818) na Piscicultura Luna no
município de Urupá-RO durante o período de 2009 a 2014, com projeção para mais
cinco ciclos de produção; demonstrar com argumentos interpretativos e técnicos
sobre os indicadores econômicos, com ênfase no período de retorno de capital
(Payback); valor presente líquido (VPL) e taxa interna de retorno (TIR). As
ferramentas utilizadas nesse trabalho foram a observação direta, a análise de
documentação contábil, entrevista e a história de vida do proprietário. Os dados
analisados apresentaram um custo de 84,77% com ração, dos alevinos e de
engorda. Já o Payback de 6 anos e 1 mês, considerando o valor da terra nua e taxa
interna de retorno acima de 15% a partir do 6º ano. Demais projeções realizadas
demonstraram viabilidade econômica da atividade, mesmo com aquisição do
terreno para a produção de pescado; com potencial de gerar riqueza em
decorrência de suas características operacionais, independentemente de ser
implantada com recursos próprios ou financiada. O produtor antes de iniciar a
atividade deverá estudar o mercado, de modo a atender todas as exigências legais
para garantir uma produção sustentável, socialmente e ecologicamente corretos,
por meio da assistência técnica.

Tópicos em Administração - Volume 6


47

1 INTRODUÇÃO Da produção de pescado de Rondônia, 80%


destina-se para Manaus - AM, outra parte
A aquicultura no Brasil é uma atividade
para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil,
bastante promissora, devido às boas
principalmente Rio de Janeiro e São Paulo,
condições ambientais e espaço físico em
com grande expectativa de escoamento para
abundância, sendo aproximadamente oito mil
a Ásia pela Rodovia Transoceânica (MPA,
km de costa marítima, além de possuir as
2011).
maiores reservas de água doce do mundo
Existe muita especulação em relação aos
com 8,2 bilhões de m³ abrigando 2.300
ganhos reais proporcionado pela atividade de
espécies de peixes dulcícolas e 1.298
cultivar peixes, isso gera incerteza e
marinhas (REIS et al., 2003). Só na bacia
insegurança ao empreendedor porque é uma
Amazônica, com área aproximada de
atividade diferente, por exemplo, da criação
4.800.000 km², estima-se 1.400 espécies de
de bovinos que possibilita a visualização
peixes, (REIS et al., 2003). Mas apesar de
diária. É fácil de entender essa problemática
todas essas vantagens a atividade ainda é
porque a atividade depende de um bom
discreta, apenas 36 espécies são
manejo, onde tudo deve ser bem planejado,
comercializadas na Amazônia, somente 18
desde a escolha da área até a
tem produção significativa. Em Rondônia as
comercialização (KUBITZA, 2000).
duas principais espécies de cultivo
O objetivo principal desse trabalho foi analisar
significativos, sendo: o tambaqui (Colossoma
a viabilidade econômica da implantação e
macropomum, Cuvier, 1818) e o pirarucu,
manutenção de uma piscicultura no município
(Arapaima gigas, Schinz, 1822) (MPA, 2013).
de Urupá – RO, durante o período de 2009 a
No cenário mundial, o Brasil fica em 25º lugar
2014 e projeção para mais cinco ciclos de
na pesca e em 17º na aquicultura (MPA,
produção, com ênfase nos indicadores:
2011). Para incentivar a atividade, o governo
período de retorno de capital (Payback); valor
federal lançou no Brasil o Plano Safra da
presente líquido (VPL) e taxa interna de
Pesca e Aquicultura. Nesse programa está
retorno (TIR).
incluído o Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar
(PRONAF) para Aquicultura Familiar com juros
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
variando de 0,5 a 4% aa; PRONAF Médio
destinado ao Grande Pescador e Aquicultor 2.1 O TAMBAQUI (COLOSSOMA
com juros de 5,5 a 9% aa. No início do MACROPOMUM, CUVIER, 1818)
programa, a meta era atingir 2 milhões de
É uma espécie reofílica, ou seja, na natureza
toneladas anuais até o final de 2014, mas
precisa de águas com correnteza para
esse valor já está superado para mais de 2,5
desenvolver o seu metabolismo,
milhões de toneladas (MPA, 2014).
principalmente a reprodução; apresenta
Em Rondônia as características ambientais
hábito alimentar onívoro e herbívoro; está
são favoráveis para o cultivo de espécies
presente em vários países e o nome muda de
tropicais, pois a temperatura média anual da
acordo com a região (GOMES et al., 2010).
água gira em torno de 26 a 27°C, os solos são
Na Colômbia e na Venezuela é chamado de
argilosos e propícios para construção de
“cachama”; no Peru, como “gamitana”; na
tanques escavados, a topografia
Bolívia e no Equador, o tambaqui é conhecido
relativamente plana facilita a implantação do
como “pacu”, e nos Estados Unidos, é
empreendimento aliado à logística de
conhecido pelo nome de “black pacu”,
escoamento e o potencial hídrico de 16.000
podendo atingir na natureza mais de um
m³/s (MPA, 2013). A estimativa do MPA no
metro de comprimento e pesar mais de 40 kg
Estado é atingir produção de 80 mil toneladas
(DAIRIKI, 2011). O Colossoma macropomum,
de pescado até o final de 2014. Só na
exemplificado na figura 1, pertence à classe
Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril
Actinopterygii, ordem dos Characiformes e é
(IDARON-RO, 2013) estão matriculados,
da família Characidae (ARAÚJO-LIMA;
próximo de oito mil proprietários rurais que
GOULDING, 1998).
desenvolvem a piscicultura.

Tópicos em Administração - Volume 6


48

Figura 1-Tambaqui (Colossoma macropomum, CUVIER, 1818)

Fonte: Arquivo Pessoal (2014).


O tambaqui é um animal que apresenta Trabalhos realizados pela Embrapa, em 2001,
grande rusticidade, sendo bastante resistente na Amazônia Ocidental com o tambaqui,
à hipóxia, com capacidade de desenvolver o mostraram bons resultados de ganho de peso
prolapso labial, ou seja, expansão do lábio de até 2 kg em oito meses de cultivo
inferior em ambientes com pouco oxigênio (EMBRAPA, 2001). O sistema de criação mais
dissolvido. Essa característica permite ao utilizado é o intensivo em viveiros escavados
peixe captar a água das camadas mais porque permite maior produção por unidade
superficiais, rica em oxigênio e direcionar de volume quando comparado ao sistema
para as brânquias, chegando a suportar extensivo, maior controle de doenças nos
valores abaixo de 1 mgL-1 (BALDISSEROTTO, peixes, rapidez no momento da despesca,
2009). Melhor crescimento é obtido em águas facilidade no arraçoamento, melhor
ácidas, com pH entre 4 e 6, sendo uma observação dos peixes, etc (MARINHO
espécie resistente à ação tóxica da amônia PEREIRA, 2009). As fases de criação da
com limites mínimos de até 0,46 mgL-1 de espécie do tambaqui resumem-se em três
amônia não ionizada (ISMIÑO-ORBE, 2003). fases, a larvicultura, a produção de juvenis
(até 70 dias de vida) e a engorda em torno de
O hábito alimentar do tambaqui é muito
12 meses (GOMES et al., 2010).
diversificado, essa espécie é considerada
onívora com tendência a herbívora, filtradora,
frugívora e suas preferências por alimento
2.2 GESTÃO DO CUSTOS DE PRODUÇÃO
mudam à medida que o peixe cresce,
(CP)
passando de zooplâncton a sementes e
frutas. Uma característica interessante é a Os indicadores contábeis servem para
capacidade de mudar o perfil enzimático do mostrar o quanto vai custar para produzir um
trato gastrintestinal de acordo com a determinado produto; para isso, basta fazer a
qualidade do alimento ingerido, por esse somatória de todos os custos e dividir o
motivo é considerada como espécie rústica, resultado pelo volume de produção (MATTOS,
podendo aceitar em sistemas de criação, os 1998). A soma dos custos fixos e custos
mais variados tipos de alimentação (ARAUJO variáveis dá origem aos custos totais
LIMA; GOULDING, 1998). (MARTINS, 2003).
A principal vantagem do cultivo de tambaqui O estudo e análise de custos de produção
em sistema de produção fechado é a sua são importantes para a pesca e para a
capacidade de se alimentar de vários tipos de piscicultura, pois permitem observar se
alimentos presentes no viveiro: determinado investimento será rentável ou
microcrustáceos planctônicos, algas não ao empreendedor. Por meio desses
filamentosas, plantas aquáticas, caramujos, estudos é possível ter uma noção importante
frutas, sementes, tubérculos, rações de quanto o investidor terá que gastar em
peletizadas e extrusadas (PEZZATO, 1999). relação à infraestrutura e custeio do
empreendimento o que caracteriza se esta
atividade será viável ou não. A gestão de

Tópicos em Administração - Volume 6


49

custo de produção para qualquer atividade O cálculo do custo operacional total (COT) é
produtiva é uma das informações mais uma forma de avaliar se uma atividade é
importantes (GAMEIRO; CARDOSO, 2001). sustentável em longo prazo. É um valor
Não é diferente para a atividade de satisfatório, porque analisa se o fluxo de caixa
piscicultura, principalmente porque o é capaz para cobrir todos os gastos mensais
mercado é que impõe os preços, de acordo do produtor (como gastos com insumos), o
com a oferta e procura, época do ano, COT inclui também as retiradas mensais do
espécie, qualidade do produto, etc. Quando a produtor e as depreciações de benfeitorias,
cadeia produtiva não está completamente equipamentos e máquinas; mostra os valores
consolidada a situação torna-se mais difícil de que o produtor deve poupar anualmente para
ser controlada, levando-se em consideração repor os respectivos recursos de produção no
que existe competição e o preço não pode final da vida útil da cada um (SCHIMIDU,
ser ditado pelo piscicultor individualmente 1997).
(GAMEIRO; CARDOSO, 2001).
A análise dos custos de produção possibilita
2.5 DEPRECIAÇÃO
identificar os pontos negativos, que mais
contribuem para diminuição dos lucros, que De acordo com a Resolução Normativa CFA
deverão ser mais trabalhados, os que perdem Nº 428, de 19 de novembro de 2012, capítulo
importância e os que tendem a aumentar sua II, em seu Art. 2º, a depreciação é a
participação no cômputo geral (SOUZA diminuição do valor dos bens pelo desgaste
FILHO et. al., 2003). ou perda de utilidade por uso, ação da
natureza ou obsolescência. Todo bem
patrimonial possui um tempo máximo de vida
2.3 RECEITA BRUTA (RB) útil, e nesse empreendimento considerou-se
para os tanques escavados utilizados no
A receita bruta é o valor obtido com a venda
cultivo de tambaqui o prazo máximo de 40
da produção (SCORVO FILHO, 2004). A
anos, sendo a taxa anual de depreciação
Receita Federal, no regulamento do imposto
igual a 2,5%, conforme metodologia utilizada
de renda, RIR/1999, atualizado EM 2010, em
por Scorvo Filho (2008).
seu artigo 279, define receita bruta como
“entrada bruta das vendas e serviços, venda
de bens nas operações de conta própria ou
2.6 LUCRO OPERACIONAL (LO)
conta alheia ou preço dos serviços prestados”
(RECEITA FEDERAL, 2010). É o resultado da realização das atividades
econômicas da empresa, é a diferença entre
A receita bruta (RB) é encontrada através do
o lucro bruto e as despesas operacionais
produto da produção pelo preço unitário
necessárias para a sua execução da
vendido. Na piscicultura a receita bruta é o
produção. Lucro operacional é todo resultado
resultado dos montantes arrecadados com as
que direta ou indiretamente está relacionado
vendas da produção de peixes ao longo dos
com a atividade da empresa (FABRETTI,
ciclos produtivos (MARTIN et al., 1998).
2006). O lucro operacional é calculado
efetuando-se a diferença entre a renda bruta
e o custo operacional total (MATSUNAGA et
2.4 CUSTO OPERACIONAL TOTAL (COT)
al., 1976).
É o levantamento da estimativa do custo
Se o resultado da operação for negativo, o
operacional que leva em consideração a
lucro passa a ser chamado de prejuízo
soma do COE (Custo Operacional Efetivo)
operacional e é calculado pela operação
acrescentando todos os encargos sociais
algébrica: lucro bruto - despesas
(referente à mão de obra), depreciação da
operacionais + receitas operacionais = lucro /
infraestrutura e outros equipamentos
prejuízo operacional, ou seja, LO = RB – COT,
(MATSUNAGA et al., 1976). O COE, nesse
onde LO = lucro operacional, COT= custo
caso, é a soma de todas as despesas diretas,
operacional total e RB = receita bruta
todos os custos realizados pelo
(MARTIN et al., 1998).
empreendedor para a efetivação da produção
de sua atividade, como mão de obra; hora O lucro operacional mostra se há capacidade
máquina; combustível; insumos como ração, de geração de resultados satisfatórios
alevinos, equipamentos e quaisquer outros proveniente das operações da empresa e se
gastos. tem potencial de gerar riqueza em

Tópicos em Administração - Volume 6


50

decorrência de suas características valores atuais líquidos maiores (BUARQUE,


operacionais (FURLANETO, 2006). 1991).

2.7 ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE (IL) 2.10 VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)


Esse índice mostra a taxa disponível de A análise do valor presente líquido (VPL),
receita da atividade após o pagamento de também é conhecida como valor atual líquido
todos os custos operacionais e é dado em (VAL), pode ser definido como valor
porcentagem. O índice de lucratividade é a esperado, pelo qual a empresa aumenta o
diferença entre as receitas e despesas da seu capital se ocorrer investimento (SILVA e
atividade em valor atualizado, (KASSAI, 2000). QUEIRÓS, 2011). Esse método identifica se
Esta metodologia está diretamente há aumento ou não do valor da empresa,
relacionada com o Valor Presente Líquido analisa todos os fluxos de caixa do projeto,
(VPL). O método do índice de lucratividade permite a adição de todos os fluxos de caixa
compara o valor presente das entradas de na data zero, considera o custo de capital e
caixa futuras com o investimento inicial é a considera o risco no custo de capital (BRUNI
razão entre o valor presente das entradas de e FAMÁ, 2001).
caixa e o investimento inicial de um projeto
Se o VPL for maior que zero, o projeto é
(GROPPELLI e NIKBAKHT, 2010).
economicamente viável para investimento, ou
É calculado pela fórmula: IL= (LO/RB) X 100, seja, o valor empregado na atividade é
sendo IL = índice de lucratividade, LO = lucro recuperado e gera excedente; se o VPL tem
operacional e RB = receita bruta (LAPONNI, valor igual a zero, dependendo do objetivo, o
2000). projeto poder ser viável, paga o capital
investido, cobre os riscos, mas é bom ter
cautela e comparar com outros investimentos
2.8 PONTO DE NIVELAMENTO (PN) disponíveis; caso o VPL obtiver valor menor
que zero, o projeto é inviável e não vale a
O ponto de nivelamento indica qual a
pena investir porque resultará em dívida, não
produção mínima necessária para cobrir
pagará o investimento ou a manutenção da
todos os custos, dado o preço de venda
atividade (LAPONNI, 2000).
unitário. O ponto de equilíbrio financeiro é o
momento quando despesas e receitas se
igualam, ou seja, quando a empresa passa a
2.11 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)
ter lucros líquidos. O PN é calculado a partir
da fórmula: PN = CF/ (RB-CV), onde PN = A TIR é taxa máxima que o investidor deve
ponto de nivelamento; CF = custos fixos; RB = pagar quando fizer um empréstimo para não
receita bruta e CV = custos variáveis perder dinheiro, ou a taxa mais elevada que o
(BUARQUE, 1991). investidor pode contrair em um empréstimo
para financiar um investimento sem perder
dinheiro (BARROS, 2002). Trata-se de uma
2.9 PAYBACK taxa hipotética que faz com que os valores
das despesas sejam iguais aos valores dos
Esse índice mostra qual é o tempo necessário
retornos dos investimentos, trazidos ao valor
para o investidor recuperar o investimento
atual.
econômico que fez no empreendimento, ou
quantos ciclos com fluxos de caixa resultante A comparação da TIR pode ter três
das operações do projeto é preciso para resultados: Se o valor da TIR for maior que
devolver o valor investido inicialmente taxa de referência, o projeto deve ser aceito;
(DAMODARAN, 2002). Mas não é quando a TIR for igual a taxa de referência, o
aconselhável considerar apenas este projeto poder ser viável, paga o capital
indicador como decisão de investimento, investido, mas é bom ter cautela; mas se a
porque não utiliza os fluxos de caixa depois TIR obtiver valor menor que a taxa de
do período de recuperação. Este índice pode referência, o projeto é inviável porque os
auxiliar na escolha de um projeto com prazo ganhos são inferiores à TMA (GITMAN, 2002).
de retorno menor, quando não há outro com
período mais longo, desde que possa gerar
riqueza para o empreendedor, que apresente

Tópicos em Administração - Volume 6


51

3 METODOLOGIA dinheiro estiver confirmado na conta, para


evitar prejuízos e aborrecimentos com calotes,
A metodologia utilizada foi um estudo de caso
pois esse fato já aconteceu na região. Como é
buscando esclarecer as dúvidas partindo de
uma forma de produção diferenciada na
um contexto real (BONOMA, 1985). Analisado
região, com peixes pesando, em média,
à luz das teorias existentes acerca do tema,
acima de 3 kg, a comercialização é garantida
tem-se que, essa metodologia possibilita a
com preços de R$ 4,50 por kg de peixe (em
investigação de fenômenos atualizados,
2010, 2011, 2013 e 2014) e R$ 5,00 (em
considerando diversas fontes de evidências
2012).
(YIN, 1889).
O primeiro ciclo produtivo, em 2010, serviu
As ferramentas utilizadas nesse estudo foram:
como experiência e como alerta de que
a observação direta, análise de
deveria melhorar para aumentar a produção,
documentação contábil, entrevista e história
com maior eficiência técnica e econômica,
de vida do proprietário, sendo os indicadores
menores custos de produção e melhor
numéricos resultantes dos cálculos de
aproveitamento da capacidade produtiva. No
viabilidade econômica da atividade aquícola
início da atividade o proprietário traçou a meta
em questão, calculados por meio dos
de produção de peixes com peso acima de
indicadores econômicos, sendo estes:
3,0 kg de acordo com análise da demanda de
Investimentos; Depreciação; Receita Bruta
mercado; mas esse peso não foi possível de
(RB); Custo Operacional Total (COT); Custo
ser alcançado em um ciclo de apenas 12
de Produção (CP); Margem de Contribuição
meses. Então foi adotada a metodologia de
(MC); Lucro Operacional (LO); Índice de
recria de juvenis até atingirem a média de 750
Lucratividade (IL); Ponto de Nivelamento (PN);
g para repovoamento dos tanques de
Payback; Valores Presentes Líquidos (VPL) e
engorda. Desse modo, o peixe vai para a fase
Taxa Interna de Retorno (TIR) (MATTOS, 1998;
de engorda já superada a fase de adaptação,
MATSUNAGA, 1976; SCORVO FILHO et al.,
mais resistente às variações ambientais e às
2004; VICECONTI, 2003).
doenças e com maior tamanho e peso inicial
Com os resultados obtidos montou-se um (LAZZARI et al., 2006). Essa atitude
banco de dados no programa Microsoft excel, possibilitou ter uma safra de pescado anual
contendo os cálculos realizados com as por tanque, de acordo com o objetivo inicial
fórmulas utilizadas gerando gráficos e do empreendedor, pois a cada despesca
tabelas. Os resultados das análises de estavam disponíveis para repovoamento os
viabilidade econômica mostrados nesse lotes de juvenis, sem precisar esperar a
trabalho foram obtidos a partir do estudo de época de reprodução de larvas e alevinos,
caso de uma piscicultura comercial semi- podendo ter seu início em qualquer época do
intensiva de tambaqui (Colossoma ano.
macropomum, CUVIER, 1818), sendo dez
As atividades de piscicultura na propriedade
tanques grandes para engorda e cinco
iniciaram-se em de 2009, com investimento
tanques menores para recria de juvenis,
próprio, no valor de R$ 82.000,00. Esse valor
totalizando 7,8 há (78.000 m²) de lâmina de
foi suficiente para cobrir os custos iniciais
água. Está localizada em uma propriedade
com infraestrutura, hora máquina, sistema de
rural, cujas coordenadas geográficas são S
encanamento, equipamentos e licenciamento,
11°06’40,2” e W 62°23’14,3”, na linha C-4, km
como mostra a Tabela 1. O custo com Hora
02, gleba 06, Lote 07, no município de Urupá-
máquina representou 73,2% do investimento
RO.
inicial.
Nessa fase foram construídos os dois
4 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO primeiros tanques, totalizando uma área de
DOS DADOS 1,5 ha (15.000 m²). Foram povoados com
4.000 alevinos em novembro de 2009,
Os peixes foram vendidos para
medindo cada um, de 2 a 3 cm. A primeira
atravessadores com peso médio de 3,2 kg e a
despesca aconteceu em outubro de 2010,
produção destinou-se à cidade de Manaus-
quando foram retirados apenas 2.670 peixes
AM. A negociação foi realizada
com biomassa total de 8.012 kg, com uma
aproximadamente 30 dias antes da despesca.
taxa de mortalidade de 33,25%, sendo que
De acordo com o proprietário do
este resultado para cultivo comercial não foi
empreendimento, o nível da água dos tanques
lucrativo.
só é diminuído para despesca quando o

Tópicos em Administração - Volume 6


52

Segundo depoimento do proprietário, o motivo de nadar na superfície, para captar o oxigênio


da sobrevivência de apenas 66,75% dos com a boca aberta e alguns desenvolveram o
peixes se deve ao fato de não ter muita crescimento dos lábios inferiores, problema
experiência com a atividade no início e na resolvido com o aumento da vazão. Foram
época da estiagem, no mês de agosto vendidos para atravessadores com destino à
daquele ano, devido ao pouco fluxo no Manaus pelo preço de R$ 4,50/kg, totalizando
abastecimento de água nos tanques, houve um montante de R$ 36.000,00 de receita
uma queda na quantidade de oxigênio bruta.
dissolvido. Os peixes desenvolveram o hábito

Tabela 1 – Investimentos Referentes a 2009


Investimentos Valor (R$) %
Hora Máquina 60.000,00 73,2
Sistema de água 5.000,00 6,1
Rede para despesca (arrastão) 7.000,00 8,5
Caixa d’água (1.000 l) 1.000,00 1,2
Bombas (motor) 6.000,00 7,3
Licenciamento 3.000,00 3,7
Total 82.000,00 100
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Mesmo com a mortalidade elevada, o No final do ciclo, em agosto de 2012, foram


empreendedor não desanimou, pois notou retirados 14.706 peixes, totalizando 50.104
uma receita razoável para aquela primeira Kg, vendidos a R$ 5,00 o quilo, o montante
etapa, então decidiu investir mais em dinheiro foi de R$ 250.520,00 de renda
R$ 120.000,00 no final de 2010, construindo bruta e R$156.262,88 de renda líquida
mais 4 tanques para engorda, aumentando (Tabela 2).
sua área de cultivo para 4,5 ha (45.000 m²).
Para repovoar os tanques em agosto de 2012,
No final do ciclo, em setembro de 2011, a
foram utilizados os peixes juvenis com peso
despesca rendeu 9.380 peixes, pesando
variando entre 0,5 e 1 kg. No final do ciclo, em
30.060 kg, estes foram vendidos a R$ 4,50/kg,
julho de 2013, foram retiradas 50 toneladas e
com montante de R$ 135.000,00 de renda
vendidos pelo preço de R$ 4,50 o quilo,
bruta e R$ 80.667,84 de renda líquida (Tabela
resultando em um montante de R$ 250.000,00
2). Devido a assistência técnica, as práticas
de renda bruta e R$ 131.297,12 de renda
de manejo melhoraram, reduzindo a
líquida (Tabela 2). Nesse ano não houve a
mortalidade para 14,72%, e o negócio
necessidade de fazer novos investimentos.
começou a dar retorno, mesmas indicações
de (IZEL e MELO, 2004). Em junho de 2014 foram retirados 16.130
peixes, peso total de 50 toneladas, e foram
Em 2011 foram investidos mais R$ 150.000,00
comercializados pelo valor de R$ 4,50 o quilo.
e construídos mais 4 tanques para engorda,
Obtendo assim o montante de R$ 225.000,00
ampliando assim, a área para 7,8 ha (78.000
de receita bruta e R$ 121.300,96 de renda
m²), com o total de 10 tanques grandes para
líquida. Esses valores estão apresentados na
engorda e 5 tanques menores para juvenis.
Tabela 2 a seguir.

Tópicos em Administração - Volume 6


53

Tabela 2 : Fluxo de Caixa, Investimento e Depreciação entre 2010 a 2014 (R$)


Fluxo de caixa 2010 2011 2012 2013 2014
Receita bruta 36.000,00 135.520,00 250.520,00 225.000,00 225.000,00
Custo operacional 19.749,60 54.332,16 94.257,12 93.702,88 103.699,04
Renda líquida 16.250,40 80.667,84 156.262,88 131.297,12 121.300,96
Infraestrutura 120.000,00 150.000,00 -- -- --
Subtotal -103.749,60 - 69.332,16 156.262,88 131.297,12 121.300,96
Depreciação 3.025,00 6.025,00 9.775,00 9.775,00 9.775,00
Saldo anterior - 82.000,00 - 188.774,60 - 264.131,76 - 118.163,88 3.358,24
Saldo total -188.774,60 - 264.131,76 - 118.163,88 3.358,24 114.884,20
Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Ao longo dos cinco ciclos neste terceiro ciclo, esse fato ocorre devido dois
empreendimento foram acumuladas entradas fatores: ao aumento da produtividade de
de R$ 871.000,00 (receita bruta) e biomassa e aumento do preço de venda do
R$ 505.258,80 de lucro operacional, sem levar pescado, que em 2012 foi negociado a
em conta a depreciação e o valor da terra. R$ 5,00 o quilo.
Nesse período verificou-se que essa atividade
Do terceiro ao quinto ciclo há um decréscimo
conseguiu pagar todos os gastos assim como
justificado pelo aumento no preço de compra
possui potencial de gerar riqueza.
da ração de engorda. Os valores a partir
Em cada ciclo de produção o valor do ponto desse período são previsões baseados na
de nivelamento necessário para cobrir todos média dos últimos dois ciclos de produção, e
os gastos variou. Em 2010 o ponto de podem variar no tempo em função dos preços
nivelamento foi de 9.722,64 kg de peixes; no de compra de ração e venda do pescado.
ano de 2011 aumentou para 20.205,88 kg Isso mostra a capacidade de cobrir todos os
devido ao aumento de produção de gastos com geração de resultados
biomassa; em 2012 também aumentou para satisfatórios proveniente das operações do
30.260,49kg. Em 2013 e 2014 esses valores empreendimento.
passaram para 35.683,52kg e 42.744,53 kg
Para o cálculo da depreciação dos tanques
respectivamente, devido aumento da
escavados foi empregada a taxa de 2,5% ao
produção de biomassa e aumento no preço
ano, conforme metodologia utilizada por
da ração de engorda, tendo uma média para
Scorvo Filho (2008). Durante o período dos 5
os cinco ciclos de 27.723,41kg de peixe. Os
ciclos, o valor total da depreciação referente a
valores de ponto de nivelamento
esses investimentos foi de R$ 38.375,00. Isso
considerados a partir do sexto ciclo são
significa que para o montante de
relativos à média dos anos de 2013 e 2014
R$ 349.000,00 investido nos três primeiros
pelo motivo de não existir mais investimentos
anos, ao final de 2014 estão atualizados para
com infraestrutura e estabilização da
R$ 310.625,00.
produção.
Os principais custos de produção
A média dos preços de venda do pescado ao
considerados para esse empreendimento
longo dos cinco ciclos foi R$ 4,60 e a média
foram: custos variáveis; insumos (alevinos,
da margem de contribuição foi de R$ 2,58,
ração, adubos, calagem, kit para análise);
esse é o ganho real em um kg de peixe. De
assistência técnica; custos fixos; depreciação
todo o montante dos valores da receita bruta,
(equipamentos e viveiros); benfeitorias; mão
44,1% destinou-se ao pagamento de custos,
de obra; taxas e impostos. O custo de
resultando em um índice de lucratividade
produção referente ao valor pago para
médio de 55,9%.
produzir 1 kg de peixe obteve média de
O índice de margem de contribuição e índice R$ 2,02 ao longo de todo período e variou em
de lucratividade crescentes do primeiro ao cada ciclo (R$ 2,46; R$ 1,81; R$ 1,88;

Tópicos em Administração - Volume 6


54

R$ 1,87; e R$ 2,07 de 2010 a 2014 pode representar de 60% a 80% dos custos
respectivamente). Estes valores são bem de produção de pescado (SALLES, 2009).
abaixo dos encontrados por Loose et al. Seguido da mão de obra com 10,11% dos
(2014), que variou de R$2,34 a R$ 5,22 teve gastos totais, como mostra a Tabela 3.
média de R$3,76.
Os valores são compostos por todos os
O item que apresentou maior importância foi a gastos realizados em cada ciclo, como os
ração para engorda, representando 84,77%, insumos (calcário, sal, superfosfato triplo, cal
considerando a ração das fases de alevinos, hidratada, ração), e investimentos de
juvenil e engorda. Em outro trabalho em produção (alevinos, mão de obra,
Rondônia em 10 propriedades, o custo com licenciamento e encargos trabalhistas). Esse
ração ficou entre 59,91% a 90,76%, com dado revela que a ração para engorda é um
média de 72% dos custos totais de produção dos insumos de produção que deve ser bem
(LOOSE et al., 2014). Já no estado do administrado e calculado no momento do
Amazonas tem-se uma média de 64,20% arraçoamento para evitar surpresas
(IZEL e MELO, 2004). O custo total de desagradáveis no momento da contabilidade
produção com alimentação, em Rondônia, de gastos.

Tabela 3 – Média dos custos de Produção para os Cinco Ciclos Produtivos


Custo de Produção Valor (%)
Calcário 0,08
Sal 0,09
Superfosfato triplo 1,52
Cal hidratada O,25
Ração alevinos 2,45
Ração engorda 82,32
Alevinos 1,56
Mão de obra 10,11
Licenciamento 1,64
Encargos trabalhistas 0,81
Total 100

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Considerando todas as despesas de tabela 4 e mostram valores positivos a partir


produção equivalente a 100%, é possível do sexto ano:
notar economia nos outros insumos (calcário,
Para esse empreendimento, sem considerar o
sal, superfosfato triplo, cal hidratada). Nesse
valor da terra, o Payback é de 4 anos e 11
empreendimento o consumo de ração de
meses, ou seja, a recuperação de todo valor
engorda foi considerado normal quando
investido aconteceu a partir desta data. Em
comparado à média de conversão alimentar
um trabalho de viabilidade econômica
para os cinco ciclos, que é de 1,58, conforme
realizado no ano de 2003 pela
Salles (2009).
Superintendência da Zona Franca de Manaus
Nos três primeiros anos foram feitos - SUFRAMA, coordenado pelo Instituto
investimentos consecutivos, totalizando Superior de Administração e Economia -
R$ 349.000,00 e isso contribuiu para ISAE/Fundação Getúlio Vargas – FGV, mostra
aumentar o tempo necessário para o que o período de retorno de capital investido
investidor recuperar o montante empregado no cultivo de tambaqui em Rondônia é de 5
no decorrer do período. Os valores de fluxo anos e 6 meses.
de caixa acumulado e o investimento no
A metodologia do Payback não é a única
período do ano zero estão apresentados na
ferramenta para a tomada de decisões de

Tópicos em Administração - Volume 6


55

viabilidade econômica de projetos e deve ser significa que o empreendimento reembolsou o


utilizado em conjunto com outros indicadores, montante aplicado durante os cinco primeiros
para Damodaran (2002), esse modelo pode anos iniciais da atividade, sem levar em conta
ser empregado como alternativa de o preço da terra. O gráfico da Figura 2 a
desempate entre análises excludentes e seguir mostra esses valores para VPL e TIR
semelhantes. O período de 4 anos e 11 meses durante os ciclos de produção.
para recuperação do capital investido

Figura 2 - Presente Líquido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR) com Projeção para 5 anos

200 40%
30%
Milhares R$

100 20%
10%
0%
0 -10%
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 -20%
- 100 -30%
-40%
- 200 -50%
-60%
-70%
- 300 -80%
-90%
- 400 ANO VPL TIR -100%

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

Como em qualquer cultivo comercial de A atividade de piscicultura em questão


peixes, o objetivo não é apenas reaver o apresentou o VPL e TIR positiva em tempo
montante empregado na atividade. Se for menor que a atividade de criação de bovinos
considerado a taxa mínima de atratividade de corte, o Payback, sem considerar o preço
comercial de 15%, haverá uma taxa interna de da terra, ficou abaixo de 5 anos, indicando
retorno de 16% a partir do sexto ano e valor que o projeto é uma boa opção para
presente líquido satisfatório de R$ 15.510,86. investimento, é capaz gerar retorno de capital
O gráfico acima apresenta ainda os valores investido em menor prazo quando comparado
das projeções até o décimo ano sempre com à criação de bovinos de corte da região
resultados positivos e crescentes, atingindo Centro-Oeste, em Camapuã – MS, o projeto é
TIR de 20% no 10º ciclo de produção, após economicamente viável, o valor empregado
ter recuperado todo valor investido em na atividade é recuperado e gera excedente,
infraestrutura, sem a necessidade de novos atingindo TIR de 25% e VPL de R$ 171.399,99
investimentos em construção de tanques. ao 10º ano, logo, o projeto possui viabilidade
econômica para instalação e manutenção ao
Mesmo com altos investimentos iniciais
longo do tempo.
realizados para implantação do
empreendimento, a atividade de piscicultura A propriedade onde foi instalada a
analisado apresenta bons resultados. Um piscicultura analisada não foi comprada, foi
estudo intitulado Aspectos Econômicos da adquirida através do Projeto Integrado de
Produção de Bovinos de Corte, realizado na Colonização (PIC) do Território Federal de
região Centro-Oeste em Camapuã - MS, sobre Rondônia em 1982, pelo Instituto Nacional de
produção de bovinos de corte, obteve taxa Colonização e Reforma Agrária - INCRA. Mas
interna de retorno em torno de 13,13%, com essa atividade pode ser implantada por um
resultados de VPL positivos no 10º ano de empreendedor que não possui propriedade
produção e recuperação do capital inicial rural, desde que esteja disposto a
investido em, aproximadamente, 7 anos, sem desembolsar o valor necessário para compra
considerar a compra da área rural com ou arrendamento da terra.
pastagens (ARAÚJO et al., 2012).
O preço da terra nua considerado foi
R$ 64.463,00, para aquisição de 9 ha

Tópicos em Administração - Volume 6


56

(90.000m²), equivalente à área total da Se for considerado o preço da terra nua


piscicultura da propriedade. Esse é o valor de atualizado, com valor de R$ 161.157,02,
mercado referente ao ano de 2009 praticado conforme o preço praticado na região, o
na região, de acordo com informações Payback será de 6 anos e 1 mês, com valor
fornecidas pelo proprietários, corretores e presente líquido (VPL) e taxa interna de
vizinhos da propriedade. Se esse valor for retorno (TIR) satisfatória a partir do décimo
abatido no fluxo de caixa ao decorrer dos ano com valores de R$ 497.299,34 e 15%,
ciclos de produção, o tempo necessário para respectivamente, como mostra a Tabela 4
recuperar todo capital investido será de 5 abaixo:
anos e 6 meses, como mostra o fluxo de caixa
da tabela 4.

Tabela 4-Payback, VPL e TIR Considerando o Preço da Terra Atualizado


Ano Fluxo de Caixa (R$) Fluxo Acumulado (R$) VPL (R$) TIR (%)
0 - 513.147,02 - 513.147,02 -- --
1 16.250,40 - 496.906,62 - 513.147,02 - 97
2 80.667,84 -416.238,78 - 496.906,62 - 59
3 155.742,88 - 260.495,90 -416.238,78 - 24
4 131.297,12 - 129.198,78 - 260.495,90 -9
5 121.300,96 -7.897,82 - 129.198,78 0
6 126.299,04 (Payback) 118.401,22 -7.897,82 5
7 126.299,04 244.700,26 118.402,22 9
8 126.299,04 370.999,30 244.701,26 12
9 126.299,04 497.298,34 371.000,30 14
10 126.299,04 623.597 497.299,34 15
Fonte: Dados da pesquisa (2014)
O valor do preço da terra atualizado O valor de R$126.299,04, considerado como
contribuiu para aumentar consideravelmente o renda líquida futura, pode variar com
período de Payback, VPL e TIR, levando-se tendência a diminuir nos próximos anos em
em consideração que a propriedade onde foi função da diminuição do preço de venda do
instalada a piscicultura é próxima à zona pescado e aumento do preço da ração para
urbana, o que torna a situação mais onerosa, engorda. Mas tudo dependerá das flutuações
porém facilita a logística para aquisições de do mercado, que possui modelo dinâmico e
insumos e venda do pescado. Para um novo depende dos valores ativos de compra e
investidor que pretende instalar a atividade venda; como em qualquer outro
existe a opção de escolha de propriedades empreendimento existe risco em cada período
mais afastadas e com preços mais acessíveis. de tempo.
Convém observar que o montante para
Segundo o proprietário do empreendimento, o
investimento em infraestrutura, materiais e
segredo de fazer dar certo é traçar metas,
insumos pode ser adquirido por meio dos
estar presente, acompanhar, monitorar e
financiamentos disponíveis pelas linhas de
buscar informação. Neste sentido, é
crédito, como por exemplo, o PRONAF para
confirmado por Crepaldi (2011, p. 195) que
Aquicultura Familiar, com juros variando de
atribui a gestão da propriedade como: “[...]
0,5 a 4% aa ou PRONAF Médio Aquicultor
estudar, registrar e controlar a gestão
com juros de 5,5 a 9% aa, dentro do Plano
econômica das empresas [...]”. Desde o início
Safra do MPA (MPA, 2014).
da atividade de piscicultura em sua
As projeções para as datas após 2014 estão propriedade, sempre buscou a melhor
baseadas na média do fluxo de caixa maneira de aumentar a produção de peixes
referente aos anos 2013 e 2014, devido não com maior eficiência técnica e econômica,
existir mais investimentos com infraestruturas. com menores custos de produção e melhor

Tópicos em Administração - Volume 6


57

aproveitamento da capacidade produtiva, isso os gastos variou em cada ciclo de produção,


explica a conversão alimentar média de 1,58 tendo uma média de 27.723,41kg de peixe.
kg de ração para cada kg de peso vivo, Isso significa que se a produção for menor
devido a densidade média de 5,12m² para que essa quantidade, o saldo da safra será
cada peixe, bem acima do que é indicado negativo.
que é 1kg/m², neste caso com menor
Considerando os valores de fluxo de caixa
densidade, aumenta-se a produtividade do
acumulado, descontados apenas os custos
peixe (SALLES, 2009).
operacionais totais, sem considerar o valor da
Antes de iniciar o negócio, analisou a terra, o período de retorno do capital investido
demanda de mercado para determinar a (Payback) é de 4 anos e 11 meses com valor
melhor forma de como o produto deveria ser presente líquido (VPL) de R$ 15.510,86 e taxa
ofertado, qual o tamanho e peso, qual a interna de retorno (TIR) de 16% no quinto ano
espécie e a quantidade de produção. Sempre de cultivo, com previsão de atingir 25% a
tratou sua piscicultura como uma empresa de partir do décimo ano.
produção de peixes; obedeceu todas as
Se for considerado o valor de mercado da
exigências legais quanto a documentação,
área, referente ao ano de 2009, para
autorizações, prazos e licenciamentos e
instalação da piscicultura, o Payback passará
seguiu o modelo de produção sustentável,
para 6 anos e 1 mês com o valor presente
socialmente e ecologicamente corretos;
líquido e a taxa interna de retorno serão
reflorestou as áreas degradadas de sua
satisfatórios a partir do 10º ano, mesmo assim
propriedade com essências florestais de
o negócio não deixa de ser viável, levando-se
acordo com estudo de historicidade sobre as
em consideração a possibilidade de serem
espécies existentes antes da ação antrópica
pagos utilizando recursos das linhas de
no local e na medida do possível, tentou
crédito do PRONAF dentro do Plano Safra do
seguir as orientações técnicas da engenharia
MPA com prazos maiores.
de pesca. Conhecer os custos reais para
instalação e manutenção do empreendimento Portanto, de acordo com as análises e
de piscicultura, assim como em qualquer cálculos realizados, neste trabalho descrito e
outra atividade produtiva, é uma das fundamentado, o empreendimento de
ferramentas indispensáveis para realização piscicultura, possui viabilidade econômica
de análises econômicas, sendo um dos para investimento, inclusive com práticas
fatores que contribui para o sucesso da sociais e ecológicas corretas, todo valor
atividade (CASACA e TOMAZELLI JÚNIOR, empregado na atividade é recuperado, gera
2001). excedente e se mantém ao longo do tempo,
com taxa de retorno acima da taxa de
mercado (TMA) de 15%. Para efeitos de
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS comparação com outras pisciculturas, devem-
se levar em consideração, algumas questões
De acordo com os resultados de viabilidade
como: genética dos peixes, duração do ciclo
econômica encontrados e analisados no
de cultivo; custo de produção local;
estudo em questão, tanto para investidores
infraestrutura; condições ambientais como
que possuem área com aptidão piscícola ou
qualidade e quantidade da água, tipos de
para aqueles que pretendem adquirir o local
solo, temperatura; topografia; manejo;
de instalação do empreendimento, a
assistência técnica; sanidade; formas e
piscicultura é uma atividade viável. Os
existência de comércio; vias de acesso e
cálculos apresentados mostram que o ponto
distância, entre outras que só a assistência
de nivelamento necessário para cobrir todos
técnica especializada poderá orientar.

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Tópicos em Administração - Volume 6


60

Capítulo 5

Ana Paula Jasper da Silva


César Machado
Leila Chaves Cunha

Resumo: O objetivo do presente trabalho é descrever o processo de levantamento


do custo unitário das mudas produzidas em viveiro da Associação de Preservação
do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi). As mudas produzidas são divididas em 3
grupos: Pioneiras, são aquelas com ciclo de produção de aproximadamente 5
meses; Secundárias, são aquelas com tempo de produção médio de 12 meses;
Nobres, são aquelas que ficam mais tempo nos canteiros, cerca de 30 meses. A
maioria das mudas de árvores produzidas pela Apremavi é distribuída para ser
plantada em terras de pequenos agricultores e o excedente é comercializado. A
produção total da entidade foi de 368.429. O custo unitário das mudas pequenas é
o seguinte: Pioneiras: de R$ 0,38; Secundárias: R$ 0,83; Nobres: R$ 2,00.
Evidenciou-se também se que, em alguns casos, o preço de venda das mudas é
menor do que o seu custo de produção.

Palavras-chave: Mudas em viveiro; Custos; Terceiro Setor.

Tópicos em Administração - Volume 6


61

1 INTRODUÇÃO empreendimento demanda maior nível de


sofisticação e controle de custos, requerendo
No Brasil, praticamente todo o reflorestamento
planejamento mais apurado. Como a
é realizado através do plantio de mudas, pois
Apremavi iniciou a atividade de produção de
a semeadura diretamente no campo é muito
mudas no ano de 1987, os viveiros são
limitada em relação à sobrevivência das
classificados como permanentes.
plantas, e somente se aplica a poucas
espécies florestais, sob condições especiais Grande parte das mudas de árvores
no que se refere aos cuidados e aos custos produzidas pela Apremavi é distribuída para
inerentes a esse tipo de reflorestamento. O ser plantada em terras de pequenos
plantio de mudas assegura a sobrevivência agricultores e proprietários de terras da
das plantas no campo, além de grande região. O excedente das mudas é
economia de sementes, pois as fases de comercializado para empresas, prefeituras e
germinação e o primeiro crescimento ocorrem proprietários de terras, gerando recursos que
no viveiro, sob todos os cuidados de sombra, são reinvestidos nas atividades da entidade.
irrigação e proteção contra pragas e doenças No entanto, mesmo que a gratuidade não seja
(SIMÕES, 1987). onerosa para o beneficiário, apresenta
consumo de recursos por parte da entidade.
Viveiro é o local onde as mudas são
Portanto, faz-se necessário conhecer o seu
produzidas. Neste ambiente as mudas são
custo.
dispostas de forma regular, abrigadas em
ambiente favorável, observados os critérios De acordo com Silva, Prado e Pereira (2011),
técnicos de instalação, visando obter material um dos maiores desafios para as
botânico de qualidade para plantação em organizações do terceiro setor é o
local definitivo (GÓES, 2006). De acordo com desenvolvimento de uma estrutura de gestão
Vasconcelos et al. (2012), um viveiro adequada às suas especificidades, para que
contempla infraestrutura física e operacional os gestores tenham informações relevantes e
para a obtenção de mudas, tanto no aspecto pertinentes referentes aos controles internos
técnico, na produção das mudas, quanto no relacionados à gestão de custos, para
aspecto da profissionalização da gestão, melhorar o desempenho da entidade. Deste
especialmente na área de custos, pois esses modo, o objetivo da presente pesquisa é
empreendimentos desenvolvem atividades de descrever o processo de levantamento do
cultivo, armazenamento e distribuição de custo unitário das mudas produzidas em
mudas visando a consecução de objetivos viveiro da Associação de Preservação do
mercadológicos. Meio Ambiente e da Vida.
Neste contexto, a Associação de Preservação A identificação dos custos relacionados à
do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), cuja produção de qualquer organização é de
missão é a "defesa, preservação e extrema importância para o sucesso do
recuperação do meio ambiente e dos valores empreendimento, incluindo as instituições
culturais, buscando a qualidade de vida na sem fins lucrativos. De acordo com Aguiar e
Mata Atlântica e em outros Biomas", Martins (2004), para que as organizações sem
desenvolve o Programa de Planejamento de fins lucrativos desenvolvam suas atividades
Propriedades e Paisagens. Esse Programa precisam aplicar de forma eficiente os
integra um conjunto de atividades cujo recursos que lhes são destinados, pois a
objetivo é desenvolver e oferecer know-how utilização dos recursos é uma variável
na recuperação de florestas e promover importante para a manutenção do fluxo
alternativas econômicas ambientalmente regular de financiamentos, o que permite a
sustentáveis junto a proprietários rurais, continuidade de suas atividades.
prefeituras e empresas doestado de Santa
A pesquisa se justifica por contribuir com a
Catarina. Dentre as atividades desenvolvidas
discussão sobre o terceiro setor. De acordo
no programa, está a produção de mudas em
com Dal Vesco, Santos e Scarpin (2015), esse
viveiro (APREMAVI, 2015).
campo de conhecimento tem despertado o
De acordo com Vasconcelos et al. (2012), os interesse de diversos pesquisadores, porém,
viveiros podem ser classificados em há, ainda, certa incipiência quando se remete
temporários, que objetivam a obtenção de ao arcabouço teórico que norteia esta área de
mudas em curto período; e permanentes, que pesquisa. Além disso, a importância do
visam à produção de mudas por longo terceiro setor é objetivamente percebida, em
período (uso continuado). Esse tipo de

Tópicos em Administração - Volume 6


62

relação à sua participação na economia sobre o negócio, condição essencial à


brasileira, que representa números relevantes. administração de custos.
A seguir, apresenta-se estudos relacionados
ao tema de pesquisa, tanto à produção de
2 CUSTOS NO TERCEIRO SETOR
mudas em viveiro, como referentes à
As entidades do terceiro setor possuem aplicação de custos no terceiro setor.
algumas características próprias, dentre elas Vasconcelos et al. (2012) realizaram pesquisa
destaca-se: são entidades não com o objetivo de analisar a aderência dos
governamentais; possuem gestão própria; são métodos de custeio por absorção e variável à
voluntárias, sem fins lucrativos; e são dinâmica de quatro viveiros de mudas. Os
legalmente constituídas. No Brasil, as resultados demonstram que três dos quatro
associações e fundações são consideradas, viveiros pesquisados não apresentam
no artigo 44 do Código Civil, como pessoas quaisquer modalidades de controle de custos.
jurídicas de direito privado. As associações Os preços são fixados de modo impreciso,
são formadas por um grupo de pessoas que aplicando-se um percentual sobre os custos
se reúnem para atingir um determinado fim. estimados. Nesses empreendimentos, a
Ela não visa o lucro e, portanto, seus gestão operacional é alheia à gestão contábil-
resultados financeiros não são divididos entre financeira.
os participantes. Sua função é atender as
Aguiar e Martins (2004) realizaram pesquisa
áreas assistencial, ambiental ou social
com o objetivo de identificar implicações que
(TERCEIRO SETOR, 2015).
as estruturas organizacionais, sob a ótica da
O Programa Planejamento de Propriedades e teoria de Mintzberg, predominantes nas
Paisagens desenvolvido pela Apremavi pode Organizações Não-Governamentais (ONGs)
ser definido com uma atividade rural. Neste do Estado de São Paulo, podem causar na
sentido, Santos e Marion (1996 p. 33) definem gestão estratégica de custos. Constatou-se
o sistema de custos rural como “[...] um que as ONGs apresentam como estrutura
conjunto de procedimentos administrativo que organizacional predominante: a burocracia
registra, de forma sistemática e contínua, a profissional, conforme a tipologia proposta por
efetiva remuneração dos fatores de produção Mintzberg. A implementação de uma gestão
empregados nos serviços rurais”. estratégica de custos precisará considerar
que essas organizações utilizam, fortemente,
Santos e Marion (1996), afirmam que, um
o parâmetro de treinamento, muito
sistema de custos completo tem objetivos
planejamento de ações, além de atuarem em
bem amplos e definidos, e sua importância
ambientes, preferencialmente, estáveis e
incide diretamente como ferramenta básica
complexos, apresentarem mediano controle
para a administração de qualquer
de desempenho e um controle externo
empreendimento, mais de forma especial no
constante.
ramo agropecuário, já que estes possuem um
espaço de tempo entre produção e Carvalho e Pacheco (2012) realizaram estudo
comercialização que fogem à simplicidade que procurou investigar as práticas contábeis
dos demais tipos de negócios. e as dificuldades existentes em uma
Organização do Terceiro Setor no que se
No contexto da produção de mudas em
refere aos custos de gratuidades. Cerificou-se
viveiro, Vasconcelos et al. (2012) destacam
que nem todas as gratuidades são
que o planejamento da infraestrutura
evidenciadas, especialmente devido às
dependerá do porte da empresa assim como,
dificuldades na sua valoração e evidenciação;
dos recursos disponíveis para investimento e
a qualidade da regulamentação e a falta de
custeio do negócio. A administração desse
métodos padronizados gera certa
tipo de negócio ganha maior complexidade
insegurança nos profissionais responsáveis
quando se trabalha com espécies de mudas
pela contabilidade e finanças da organização;
que reclamam tratamentos diferenciados, no
parte da liderança da OTS investigada
tocante à forma de plantio, temperatura do
demonstrou certo desconhecimento sobre as
local de produção, iluminação, volume de
práticas relacionadas às gratuidades.
água, forma de armazenagem, modo de
transporte, época e tempo de germinação. A
gestão de viveiros apresenta certas
particularidades, requerendo conhecimento

Tópicos em Administração - Volume 6


63

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE E


DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO
Este trabalho classifica-se como descritivo,
pois tem como objetivo descrever o processo A Associação de Preservação do Meio
de apuração dos custos envolvendo o cultivo Ambiente e da Vida (Apremavi) foi fundada no
de mudas nativas em viveiros da Apremavi. dia 9 de julho de 1987, na cidade de Ibirama-
Trata-se de um estudo de caso, que segundo SC. Criada por 19 pessoas, conta atualmente
Yin (2010), o estudo de caso conta com com cerca de 400 sócios que contribuem nos
múltiplas fontes de evidências. Na presente trabalhos, entre agricultores, professores,
pesquisa as fontes de evidências são as bancários, estudantes, empresários, médicos,
entrevistas com o presidente da associação e advogados, biólogos, agrônomos e outros
com a coordenadora administrativa, profissionais, de diversas regiões de Santa
documentos que foram disponibilizados para Catarina e do Brasil e também de outros
a coleta de dados, bem como o site da países.
Apremavi, onde se buscou caracterizar a
O início das atividades da associação, na
entidade.
cidade de Ibirama, foi pautado quase que
A pesquisa caracteriza-se também como totalmente em trabalho voluntário, mas,
qualitativa. De acordo com Richardson (1989), sempre amparado em dois eixos claros de
o aspecto qualitativo de uma investigação atuação: teoria e prática. Ao mesmo tempo
pode estar presente até mesmo nas em que apresentava denúncias de
informações colhidas por estudo desmatamento de florestas nativas, a
essencialmente quantitativos. Apremavi iniciou as pesquisas empíricas para
a produção de mudas nativas, tentando
As informações necessárias à pesquisa foram
oferecer uma alternativa às ações destrutivas
levantadas por meio de entrevistas
que eram comuns na região. No ano de 1990
semiestruturadas, que ocorreram em visitas
a sede é transferida para a cidade de Rio do
realizadas à associação pelos pesquisadores.
Sul e se inicia a fase da profissionalização.
As entrevistas foram aplicadas ao presidente
Novos projetos são desenvolvidos e mais
da associação, que possui conhecimento
pessoas contratadas. Além disso, é instalada
sobre o processo de produção de mudas, e
na cidade de Atalanta uma unidade de
com a coordenadora administrativa, que
campo, o viveiro Jardim das Florestas e tem
forneceu as informações acerca dos aspectos
capacidade instalada para a produção de
gerenciais, por meio da disponibilização de
aproximadamente 1.000.000.
documentos necessários para o levantamento
dos dados. O estudo foi realizado com base O processo de produção de mudas em viveiro
em informações do ano de 2013. inicia pelo cadastramento de árvores e a
coleta de sementes. São produzidas cerca de
Ao término desta etapa, utilizou-se planilha
120 espécies diferentes de árvores nativas
eletrônica para organização dos dados, o que
que são utilizadas em projetos ambientais,
facilitou a visualização dos valores
geralmente para recompor matas ciliares e
apresentados. Em seguida, foram realizados
encostas. O trabalho é completado com
todos os cálculos necessários a fim de
atividades educativas, visando conscientizar
atender o objetivo desta pesquisa.
os beneficiários da importância das florestas.
O excedente das mudas é comercializado
para interessados em reflorestar, arborizar ou
4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
embelezar sua propriedade.
Os resultados são apresentados com as
Um dos primeiros passos e o mais importante
seguintes subseções: caracterização da
na produção de mudas nativas é conseguir as
entidade e descrição do processo produtivo;
sementes que darão origem às árvores. A
levantamento dos custos; PROCESSO DE
maior parte das sementes é adquirida nos
PRODUÇÃO DAS MUDAS; cálculo do custos
municípios da região através do
com insumos; cálculo do custo das mudas; e,
cadastramento de árvores matrizes, que são
discussão dos resultados.
árvores que apresentam bom
desenvolvimento e qualidade. As sementes
geradas pelas árvores matrizes podem ser
recolhidas do chão ou diretamente na árvore.
Mesmo realizando a coleta de sementes em
árvores matrizes, parte das sementes é

Tópicos em Administração - Volume 6


64

adquirida no mercado, devido à grande parte do processo para que as mudas


dificuldade em localizá-las na região cheguem a um tamanho um pouco maior,
monitorada. para então serem comercializadas. A
comercializadas das mudas terceirizadas é
O próximo processo é o da semeadura. Nesta
realizado em embalagens maiores (sacos
fase as sementes são distribuídas em
plásticos que medem 20 x 26 cm). Deste
sementeiras, onde germinam e crescem para
modo, as mudas ainda se distinguem em
depois serem repassadas às embalagens.
mudas pequenas e mudas grandes, que são
Esse processo denomina-se repicagem.
as terceirizadas.
Muitas vezes se faz necessário o uso de
irrigação, que é de extrema importância para As mudas produzidas são utilizadas em
a germinação das sementes e crescimento projetos ambientais, geralmente para
das mudas. recompor matas ciliares e encostas. Nesses
projetos são utilizadas cerca de 80% das
Destaca-se que parte da produção é
mudas produzidas no ano, restando então,
terceirizada. A terceirização da produção é
cerca de 20% para comercialização. Destaca-
parcial, ou seja, o processo inicial da
se que atualmente a Apremavi não são
produção acontece nos canteiros próprios da
calculados os custos para a determinação do
Apremavi. Depois de certo tempo de
preço de venda das mudas comercializadas.
permanência no canteiro, que vai depender
da espécie, elas são enviadas ao prestador
de serviço juntamente com embalagens
4.2 LEVANTAMENTO DOS CUSTOS
maiores, que são fornecidas pela Apremavi,
para que aconteça a troca de embalagem. A seguir são apresentados os dados
necessários para o cálculo do custo das
O processo de terceirização ocorre por dois
mudas produzidas em viveiro. A empresa
motivos: a) por pedido do próprio cliente,
possui máquinas, equipamentos, ferramentas
quando solicita mudas maiores; b) porque a
e veículos que são utilizados durante o
comercialização não ocorreu enquanto as
processo produtivo das mudas, conforme
mudas eram pequenas. Então, terceiriza-se
relacionados na Tabela 1.

Tabela 1 - Bens Utilizados no Processo de fabricação de mudas


Descrição do bem Valor de aquisição (R$) Ano de aquisição
Máquina de roçar grama 1.060,00 2012
Triturador 500,00 2012
Roçadeira 1.740,00 2011
GPS Garmin 1.099,00 2011
Bebedouro 299,00 2006
Máquina para irrigação 5.500,00 2006
Construção Estufa 16.718,89 2006
Caixas Plásticas 2.600,00 2000
Carrinho para transporte de mudas 455,00 2005
Refrigerador Dako 950,00 2001
Máq de Irrigação 2.048,00 1996
Betoneira 670,00 1996
Toyota Bandeirantes 32.200,00 1996
Cultivador Motorizado Yanmar 6.150,00 1996
Reboque p/ Microtrator 650,00 1996
Fonte: Dados da pesquisa

Tópicos em Administração - Volume 6


65

Ressalta-se que todos os bens mencionados taxas de depreciação utilizadas, bem como a
na Tabela 1 são utilizados no processo vida útil de cada bem, que foram definidas
produtivo, não sendo mensurados aqueles com base em informações colhidas na
que não fazem parte desse processo. entidade.
Na Tabela 2 apresenta-se o cálculo da
depreciação referente ao ano de 2013. As
Tabela 2 - Custos com depreciação anual
Bens Utilizados no Ano de Vida útil Aquisição Taxa de Depreciação anual
processo Aquisição (anos) (R$) deprec. (R$)
Máquina de roçar grama 2012 6 1.060,00 16,67% 176,67
Triturador 2012 10 500,00 10% 50,00
Roçadeira 2011 5 1.740,00 20% 348,00
GPS Garmin 2011 5 1.099,00 20% 219,80
Bebedouro 2006 10 299,00 10% 29,90
Máquina de irrigação 2006 10 5.500,00 10% 550,00
Construção estufa 2006 10 16.718,89 10% 1.671,89
Caixas Plásticas 2000 20 2.600,00 5% 130,00
Carrinho de mão 2005 5 455,00 20% 100% depreciado
Refrigerador Dako 2001 10 950,00 10% 100% depreciado
Máquina de Irrigação 1996 10 2.048,00 10% 100% depreciado
Betoneira 1996 5 670,00 20% 100% depreciado
Toyota Bandeirantes 1996 10 32.200,00 10% 100% depreciado
Cultivador Mot. Yanmar 1996 20 6.150,00 5% 100% depreciado
Reboque p/ Microtrator 1996 20 650,00 5% 100% depreciado
Depreciação Anual 3.176,26
Fonte: Dados da pesquisa
A Tabela 2 foi elaborada para demonstrar os Todos os custos envolvidos com a produção
cálculos decorrentes da depreciação sobre das mudas nativas foram organizados de
os bens da entidade. É importante mencionar acordo com informações coletadas na
que muitos dos bens da Apremavi encontram- Apremavi. Os insumos por sua vez, são os
se totalmente depreciados, pois, conforme únicos custos que não constam na Tabela 3,
demonstrado, o tempo de utilização desses pois serão calculados com base em um lote
bens no processo produtivo ultrapassa a vida de 100 mudas, conforme demostrado na
útil estabelecida. Deste modo, o custo com seção 4.4.
depreciação que a entidade teve no período
analisado foi de R$ 3.176,26.
Tabela 3 - Custos
Gastos Mensais (R$) Anuais (R$)
Funcionários + Encargos 20.960,00 251.520,00
CREA e outras taxas 50,00 600,00
Energia Elétrica 220,00 2.640,00
Telefone 100,00 1.200,00
Aluguel 760,00 9.120,00
Combustível 500,00 6.000,00
Seguro de Vida 120,00 1.440,00
ASOs 40,00 480,00
Laudo Seg. do trabalho 170,00 2.040,00
Manutenção de Equipamentos 100,00 1.200,00
Manutenção de Veículos 250,00 3.000,00
EPI 150,00 1.800,00
Ferramentas 150,00 1.800,00
Alimentação 160,00 1.920,00
Custo de Depreciação 264,69 3.176,26
Total 23.994,69 287.936,26
Legenda: CREA: Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia; ASOs: Atestado de Saúde
Ocupacional; EPI: Equipamento de Proteção Individual.
Fonte: Dados da pesquisa

Tópicos em Administração - Volume 6


66

Observa-se que a maioria dos custos foi para sair a campo; as mudas de espécies
informada de acordo com uma média mensal, Secundárias são aquelas com tempo de
e todos eles são provenientes do processo produção médio de cerca de 12 meses. Já as
produtivo. espécies consideradas Nobres são aquelas
que ficam mais tempo nos canteiros e
consequentemente, agregam mais custos até
4.3 PROCESSO DE PRODUÇÃO DAS MUDAS estarem prontas para saírem a campo,
levando cerca de 30 meses.
As mudas de árvores nativas produzidas pela
Apremavi foram separadas em grupos, de A Apremavi produziu 401.055 mudas no ano
acordo com o tempo que cada uma leva para de 2013. Destas mudas, houve uma perda de
estar apta ao plantio. Esse período aproximadamente 15%, restando assim uma
compreende desde a semeadura até o produção de 340.897 mudas. Além disso,
momento em que a muda está apta para sair produziu mais 27.532 mudas de espécies
a campo. As árvores são categorizadas em 3 nativas que estão sendo calculadas em
grupos, sendo eles: Pioneiras, Secundárias e separado, pois parte do processo de
Nobres. produção dessas mudas é terceirizado.
Dessa forma, a produção total da entidade foi
As espécies consideradas Pioneiras, são
de 368.429 mudas (340.897 + 27.532). A
aquelas com ciclo de produção mais rápido,
produção mensal está demonstrada na
levando cerca de 5 meses para estar pronta
Tabela 4.

Tabela 4 - Produção de mudas


Mês Produção Mensal
Janeiro 74.080
Fevereiro 69.200
Março 34.080
Abril 15.360
Maio 14.080
Junho 7.560
Julho 18.560
Agosto 19.760
Setembro 28.070
Outubro 38.845
Novembro 39.825
Dezembro 41.635
(=) Produção Própria 401.055
(-) Perdas 15% 60.158
(=) Produção Própria 340.897
(+) Produção terceirizada 27.532
(=) Produção total 368.429
Fonte: Dados da pesquisa

Do total da produção não terceirizada, que foi A produção dividida entre esses 3 grandes
de 340.897 mudas, 50% são de espécies grupos (Pioneiras, Secundárias e Nobres)
Pioneiras, 30% são de espécies Secundárias está demonstrada na Tabela 5.
e 20% são de espécies Nobres.

Tópicos em Administração - Volume 6


67

Tabela 5 - Separação da produção normal em grupos


Tempo de Canteiro % da produção Produção Anual
Pioneiras 5 50% 170.448
Secundárias 12 30% 102.269
Nobres 30 20% 68.179
340.897
Fonte: Dados da pesquisa

A terceirização não acontece de forma ao prestador de serviço juntamente com


integral. A muda é produzida nos canteiros embalagens maiores, que são fornecidas pela
próprios da Associação, ou seja, as mudas Apremavi, para que aconteça a troca de
consomem da mesma quantidade de insumos embalagem.
que qualquer outra muda produzida no
Das 27.532 mudas que tem parte do seu
canteiro, excluindo-se deste valor apenas o
processo terceirizado, 30% são de espécies
valor gasto com readubação, pois fica a
Pioneiras, 40% são Secundárias e 30% são
cargo do prestador de serviço. Depois de
Nobres, conforme demonstrado na Tabela 6.
certo tempo de permanência no canteiro, que
vai depender da espécie, elas são enviadas

Tabela 6 - Separação da produção terceirizada em grupos


Grupos Tempo de canteiro % da produção Produção Anual
Pioneiras 5 30% 8.260
Secundárias 12 40% 11.013
Nobres 30 30% 8.260
27.532
Fonte: Dados da pesquisa

Na Tabela 7 são apresentados os rateios dos grupos: Pioneiras, Secundárias, Nobres e


valores dos custos mensais pelos quatro terceirizadas.

Tabela 7 - Custos Mensais rateados por grupos


Descrição dos Gastos Valores Pioneiras Secundárias Nobres Terceirizadas
mensais (R$)
Funcionários + Encargos 20.960,00 9.696,85 5.818,11 3.878,74 1.566,30
CREA e outras taxas 50,00 23,13 13,88 9,25 3,74
Energia Elétrica 220,00 101,78 61,07 40,71 16,44
Telefone 100,00 46,26 27,76 18,51 7,47
Aluguel 760,00 351,60 210,96 140,64 56,79
Combustível 500,00 231,32 138,79 92,53 37,36
Seguro de Vida 120,00 55,52 33,31 22,21 8,97
ASOs 40,00 18,51 11,10 7,40 2,99
Laudo Seg. do trabalho 170,00 78,65 47,19 31,46 12,70
Manutenção de Equipamentos 100,00 46,26 27,76 18,51 7,47
Manutenção de Veículos 250,00 115,66 69,40 46,26 18,68
EPI 150,00 69,40 41,64 27,76 11,21
Ferramentas 150,00 69,40 41,64 27,76 11,21
Alimentação 160,00 74,02 44,41 29,61 11,96
Custo de Depreciação 264,69 122,45 73,47 48,98 19,78
Média do custo mensal por 23.994,69 11.100,80 6.660,48 4.440,32 1.793,08
grupo
Legenda: CREA: Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia; ASOs: Atestado de Saúde
Ocupacional; EPI: Equipamento de Proteção Individual.
Fonte: Dados da pesquisa

Tópicos em Administração - Volume 6


68

O rateio dos custos mensais foi realizado com mudas germinam e crescem, para que
base na quantidade de mudas produzida em depois, sejam repicadas para as embalagens,
cada grupo durante o ano de 2013. que são sacos plásticos de tamanho 10x16
cm. Os dois insumos utilizados nas
semeadeiras, são a casca de arroz
4.4 CÁLCULO DO CUSTO COM INSUMOS carbonizada e a serragem podre.
Na Tabela 8 apresenta-se os valores dos
insumos utilizados nas semeadeiras, onde as

Tabela 8 - Insumos Utilizados nas semeadeiras


Insumos Custo por muda (R$)

Casca de arroz carbonizada 0,0002

Serragem podre 0,0003

Total 0,0005

Fonte: Dados da pesquisa

Os cálculos utilizados para chegar aos Dividindo-se os R$ 100,00 pela produção


valores unitários com tais insumos estão anual de 368.429 mudas, tem-se um custo
demonstrados a seguir: de acordo com dados unitário de R$ 0,0003. O fato do custo da
recolhidos com os próprios funcionários da serragem ser tão baixo se dá pelo motivo de
Associação, anualmente são utilizados cerca que é recebida gratuitamente, então, o único
de 1.000 kg de casca de arroz carbonizado custo que a entidade tem é com o frete para
com as semeadeiras. O preço de aquisição seu transporte até os viveiros.
deste insumo é de R$ 0,09 por kg,
Para facilitar a organização dos dados
multiplicando-se a quantidade utilizada no
realizou-se o levantamento dos insumos
ano que foi de 1.000 kg, tem-se um custo de
utilizados no saquinho 10x16 cm, com base
R$ 90,00 por ano com casca de arroz
em um lote com 100 mudas. Utilizou-se deste
carbonizada. Dividindo-se esse valor pela
procedimento em função de que os pesos e
produção anual (368.429) chega-se a um
custos dos insumos apresentam valores muito
custo unitário de R$ 0,0002.
pequenos se considerados sobre uma única
São utilizados cerca de 2.000 kg de serragem muda de árvore. No Quadro 1 evidencia-se a
por ano nas semeadeiras, com um custo de quantidade de insumos para um lote de 100
cerca de R$ 100,00 no ano com serragem. mudas.

Quadro 1 – Quantidade de insumos por lote de 100 mudas


Insumos Quantidades

Casca de arroz carbonizada 2 kg

Esterco de peru 2 kg

Terra de Jardim 30 kg

Farelo -

Sementes -

Sacos plásticos 100 sacos 10x16

Readubação -

Caixa de madeira para venda 2,5 caixas

Fonte: Dados da pesquisa

Tópicos em Administração - Volume 6


69

Para o farelo, sementes e readubação não das mudas nos saquinhos, então utiliza-se da
existem quantias identificadas, pois os valores mesma forma para todos os grupos.
são irrisórios e de difícil mensuração. Todos
Na Tabela 9 demostra-se os custos com
os grupos de mudas, independentemente da
insumos consumidos em cada grupo de
espécie, utilizam-se da mesma quantidade de
mudas.
insumos nesta fase inicial que é a plantação

Tabela 9 - Insumos Utilizados em lote de 100 mudas


Insumos Pioneiras Secundárias Nobres Terceirizadas
Casca de arroz carbonizada 0,18 0,18 0,18 0,18
Esterco de Peru 0,70 0,70 0,70 0,70
Terra de jardim 0,48 0,48 0,48 0,48
Farelo 0,05 0,05 0,05 0,05
Sementes 0,81 0,81 0,81 0,81
Sacos plásticos 1,49 1,49 1,49 1,49
Readubação Liquida 0,09 0,09 0,09 -
Caixa para venda 1,25 1,25 1,25 1,25
Embalagem 20x26 - - - 11,00
Total de insumos no lote 5,06 5,06 5,06 15,97
Quantidade de mudas no lote 100
Total de insumos unitários 0,05 0,05 0,05 0,16
Fonte: Dados da pesquisa
Pode-se observar que o consumo é igual para gastos durante a permanência no canteiro da
todos os grupos de mudas (Pioneiras, própria Associação.
Secundárias e Nobres). Para as terceirizadas
No Quadro 2 demonstra-se os cálculos de
o valor do consumo com insumos é diferente.
cada insumo para o lote de 100 mudas, para
Isso acontece porque as mudas que tem
se calcular os valores demonstrado na Tabela
parte do processo terceirizado necessitam de
9.
embalagens maiores, além dos insumos já

Quadro 2 – Cálculo de insumos para lote de 100 mudas


O gasto com farelo em um ano é igual a R$ 200,00. Dividindo este valor pela quantidade de mudas
Farelo produzidas em um ano (368.429) e multiplicando por 100 = valor gasto com farelo em um lote de
100 mudas é de R$ 0,05
O gasto com sementes no ano foi de R$ 3.000,00. Dividindo R$ 3.000,00 pelo total de mudas
Sementes (368.429) e multiplicando por 100, sabe-se que o valor gasto com sementes em um lote de 100
mudas, igual a R$ 0,81;
A compra deste insumo custou R$ 336,00 no ano. Dividindo este valor pelo total de mudas
Readubação líquida (368.429) e multiplicando por 100 têm-se que o gasto com readubação em um lote de 100 mudas é
de R$ 0,09;
Casca de arroz O quilo de casca de arroz carbonizado é adquirida por R$ 0,09. Utilizando os dados do Quadro 1,
carbonizado sabe-se que em um lote de 100 mudas o custo com este insumo é de R$ 0,18;
O quilo deste insumo custa R$ 0,35. De acordo com os dados do Quadro 1, sabe-se que em um
Esterco de Peru
lote de 100 mudas o gasto é de R$ 0,70;
O quilo de terra de jardim é adquirida por R$ 0,02. Observando com os dados do Quadro 1, sabe-
Terra de jardim
se que o custo com esse insumo no lote de 100 mudas é de R$ 0,48.
Os sacos plásticos utilizados são de tamanho 10x16 cm. O custo unitário é de R$ 0,01, ou seja, no
Sacos Plásticos
lote de 100 mudas há um gasto de R$ 1,49.
A caixa é adquirida por R$ 0,50. Cada caixa suporta 40 mudas, ou seja, são necessárias 2,5 caixas
Caixas para venda para transportar o lote de 100 mudas. Sabe-se dessa forma, que o custo com caixa no lote de 100
mudas é de R$ 1,25.
Das 368.429 mudas produzidas no ano, 27.532 mudas têm parte do seu processo terceirizado. Em
síntese: a Apremavi produz a muda e as envia ao prestador de serviço que deve passá-la para uma
embalagem maior (20x26 cm) embalagem esta, que é fornecida pela Apremavi e custa cerca de
Terceirização
R$0,11, ou seja R$ 11,00 no lote de 100 mudas. O prestador de serviço fornece apenas a mão de
obra e os insumos utilizados na readubação. Este serviço prestado pelo terceiro custa para a
Apremavi R$ 0,80 por muda.
Fonte: Dados da pesquisa

Tópicos em Administração - Volume 6


70

Destaca-se que no Quadro 2 demonstra-se de Secundárias e Nobres, que são as mudas


forma detalhada os cálculos efetuados para produzidas de forma integral nas instalações
se obter os valores evidenciados da Tabela 9. da entidade e que são comercializadas na
embalagem 10x16 cm, denominadas “mudas
pequenas”.
4.5 CÁLCULO DO CUSTO DAS MUDAS
Na Tabela 10 demonstra-se os custos
unitários das mudas de espécies Pioneiras,

Tabela 10 - Custo unitário mudas pequenas


Pioneiras Secundárias Nobres

Semeadeiras 0,0005 0,0005 0,0005

Insumos 0,05 0,05 0,05

Custos mensais 0,33 0,78 1,95

Total 0,38 0,83 2,00

Fonte: Dados da pesquisa

Observa-se na Tabela 10 que, embora o meses que as mudas ficam nos canteiros, que
consumo de insumos seja igual nos três variam de acordo com a espécie (5, 12 ou 30
grupos, os seus custos unitários são meses) e dividiu-se pela produção de cada
diferentes. Isso se justifica pelo fato de que grupo. Desta forma, chegou-se a um custo
alguns grupos tem um tempo de permanência unitário que cada muda teve durante o
menor nos canteiros. período que permaneceu nos canteiros.
O cálculo dos demais custos foi feito da Na Tabela 11 demostra-se os custos unitários
seguinte maneira: utilizou-se custo mensal das mudas que tem parte do seu processo
calculado para cada grupo na Tabela 7, terceirizado, denominadas “mudas grandes”,
multiplicou-se esse valor pela quantidade de comercializadas em embalagens 20x26 cm.

Tabela 11 - Custo unitário das mudas grandes


Pioneiras Secundárias Nobres

Semeadeiras 0,0005 0,0005 0,0005

Insumos 0,16 0,16 0,16

Custos mensais 0,33 0,78 1,95

Mão de Obra terceirizada 0,80 0,80 0,80

Total 1,29 1,74 2,91

Fonte: Dados da pesquisa

Para as mudas terceirizadas, utilizou-se da nos canteiros, que variam de acordo com a
mesma forma de cálculo que as mudas de espécie (5, 12 ou 30 meses) e dividiu-se pela
produção normal. Os gastos unitários gastos produção das terceirizadas.
com insumos estão demonstrados na Tabela
O custo unitário das mudas que tem parte do
9.
seu processo terceirizado são superiores aos
Para os demais custos utilizou-se dos gastos custos unitários das demais mudas. Isso
mensais calculados para as mudas acontece por dois motivos: existe o custo com
terceirizadas na Tabela 7, multiplicou-se pela a terceirização que é de R$0,80 por muda,
quantidade de meses que as mudas ficam valor significativo no custo unitário final; existe

Tópicos em Administração - Volume 6


71

também o gasto com a embalagem maior pequenas são vendidas a R$ 1,00 (preço de
20x26 cm, que é usada com exclusividade venda 1) no varejo para quantidades até
nessas mudas. 1.000 mudas. Para quantidades superiores a
1.000 mudas, o preço é de R$ 0,90 (preço de
venda 2) e para compras acima de 10.000
4.6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS unidades o preço é de R$ 0,80 (preço de
venda 3). Na Tabela 12, apresenta-se o
De acordo com informações coletadas com o
comparativo do custo com os preços unitários
setor comercial da entidade, as mudas
de venda praticados pela Apremavi.

Tabela 12 - Comparativo Custo x Preço Mudas Pequenas


Custo Unitário Preço de venda 1 Preço de venda 2 Preço de venda 3
Espécie
(R$) (R$) (R$) (R$)

Pioneiras 0,38 1,00 0,90 0,80

Secundárias 0,83 1,00 0,90 0,80

Nobres 2,00 1,00 0,90 0,80

Fonte: Dados da pesquisa

Observa-se na Tabela 12, que as mudas do As mudas grandes, que são aquelas que têm
grupo das Pioneiras têm o seu custo inferior parte do processo terceirizado, e que são
ao preço de venda; as mudas do grupo das vendidas em sacos maiores, tem preço de
Secundárias o custo é inferior ao preço de venda unitário de R$ 3,00 no varejo, e quando
venda apenas quando são vendidas acima de vendidas em quantidades superiores a 250
10.000 mudas; já as mudas do grupo Nobres mudas, no atacado, o preço unitário é de
são vendidas abaixo do custo. R$ 2,50.

Tabela 13 - Comparativo Custo x Preço Mudas Grandes


Custo Unitário Preço de venda 1 Preço de venda 2
Espécie
(R$) (R$) (R$)

Pioneiras 1,29 3,00 2,50

Secundárias 1,74 3,00 2,50

Nobres 2,91 3,00 2,50

Fonte: Dados da pesquisa

Para as mudas grandes, é possível notar que 5 CONCLUSÃO


as únicas mudas que são vendidas abaixo do
Este trabalho teve por objetivo descrever o
custo são as do grupo das Nobres, e somente
processo de levantamento do custo unitário
quando vendidas em quantidade acima de
das mudas produzidas pela Apremavi. Após o
250 mudas.
levantamento dos dados, foram calculados os
De acordo com essas informações, é possível custos das mudas por grupos distintos:
observar que os preços de venda estão Pioneiras, Secundárias e Nobres. Além disso,
incoerentes com os custos unitários apurados, foram segregadas as mudas produzidas
e que em alguns grupos o preço de venda é integralmente pela Apremavi daquelas que
inferior ao custo de produção. são parcialmente terceirizadas.
O desenvolvimento do presente trabalho
evidenciou o processo produtivo da produção
de mudas em viveiro, a partir do levantamento
dos gastos incorridos na produção de mudas.

Tópicos em Administração - Volume 6


72

Segundo Silva, Prado e Pereira (2011), um são fixados de modo impreciso, aplicando-se
dos maiores desafios para as organizações um percentual sobre os custos estimados.
do terceiro setor é o desenvolvimento de uma
Percebeu-se que uma forma de minimizar os
estrutura de gestão adequada às suas
custos unitários existente em algumas
especificidades, para que os gestores tenham
situações de venda, seria aumentar a
informações relevantes e pertinentes
produção, já que a capacidade produtiva da
referentes aos controles internos relacionados
entidade está avaliada em 1.000.000 de
à gestão de custos, para melhorar o
mudas por ano, no entanto, em 2013 a
desempenho da entidade.
produção total atingiu apenas 368.429 mudas,
O levantamento do custo unitário das mudas tendo assim, uma capacidade ociosa de
segregadas por grupos proporcionou a cerca de 632.000 mudas.
comparação com os preços praticados na
O trabalho apresenta limitações, pois
comercialização, e que em alguns casos
constatou-se a necessidade de uma melhor
estava abaixo do custo. Além disso, permitiu
mensuração na quantidade de insumos
visualizar quais grupos de mudas trazem
utilizados no lote de 100 mudas,
maior retorno à entidade. Destaca-se que a
principalmente no que diz respeito às
Apremavi não possuía sistema de custos, o
sementes, farelo e para a readubação. O que
que converge com os resultados apontados
pode ser objeto de outros trabalhos, com o
por Vasconcelos et al. (2012) que
intuito de aprofundar o trabalho aqui
demonstram que três dos quatro viveiros
apresentado, em função da necessidade das
pesquisados não apresentam qualquer
organizações do terceiro setor em manter
modalidade de controle de custos. Os preços
controle de suas atividades.

REFERÊNCIAS
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Métodos e Técnicas. 2. Ed. São Paulo: Atlas, 1989.
Finanças USP, São Paulo, ed. Comemorativa, p.
51-64, set., 2006 [8] SANTOS, G. J.; MARION, J.
C. Administração de custos na agropecuária. 2. ed.
[2] APREMAVI – Associação de Preservação
São Paulo: Atlas, 1996.
do Meio Ambiente e da Vida. Disponível em:
http://www.apremavi.org.br/institucional. Acesso [9] SILVA, M. A.; PRADO, R.A. D. P; PEREIRA,
em 15 de Abril de 2014. A. R. M. S. Precificação em organizações do
terceiro setor. XVIII Congresso Brasileiro de Custos
[3] CARVALHO, L. C. A.; PACHECO, V.
– Rio de Janeiro - RJ, Brasil, 07 a 09 de novembro
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terceiro setor: um estudo no Centro de Ação de 2011.
Voluntária de Curitiba. XXI Congresso Brasileiro de [10] SIMÕES, J. W. Problemática da produção
Custos – Natal, RN, Brasil, 17 a 19 de novembro de de mudas em essências florestais. Instituto de
2014. Pesquisas e Estudos Florestais ESALQ/USP -
Departamento de Ciências Florestais. Sér. Téc. -
[4] DAL VESCO, D. G.; SANTOS, A. C.;
IPEF Piracicaba, v.4, n.13 p. 1-29, dez. 1987.
SCARPIN, J. E. Análise do campo científico em
pesquisas com a temática “terceiro setor” no Brasil [11] VASCONCELOS, Y. L.; YOSHITAKE, M.;
sob a perspectiva de redes sociais. ConTexto, n. FRANÇA, S. M.; SILVA, G. F. Métodos de custeio
15, v. 29, p. 47-61, jan./abr. 2015. aplicáveis em viveiros florestais. Custos e
[5] GÓES, A. C. P. Viveiro de mudas: @gronegócio on line - v. 8, n. 2- Abr/Jun, 2012.
construção, custos e legalização. Viveiro de Mudas [12] TERCEIRO SETOR. Disponível em:
- Construção, Custos e Legalização. 2. ed. http://terceiro-setor.info/associacoes-e-
Macapá: Embrapa Amapá, 2006. fundacoes.html. Acesso em 13 ago. 2015.
[6] MARTINS, G. A. Estudo de caso: uma [13] YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e
reflexão sobre a aplicabilidade em pesquisas no métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.
Brasil. Revista de Contabilidade e Organizações,

Tópicos em Administração - Volume 6


73

Capítulo 6

Alessandra da Silva Scheffer


José Arilson Souza
Wellington Silva Porto
Elizângela Maria Oliveira Custódio

Resumo: O artigo tem como objetivo principal pesquisar os impactos ocorridos nos
custos trabalhistas de uma transportadora de grãos após a implantação da Lei
12.619/2012 que dispõe sobre o exercício da profissão de motorista, demonstrando
através de tabelas e figuras a evolução e proporção dos custos trabalhistas sobre a
receita. A população do estudo é composta por empresas no ramo de transporte
de grãos na cidade de Vilhena-RO, e devido a flexibilidade da análise e coleta dos
dados a amostra é de apenas uma empresa do ramo, onde foram coletados e
analisados dados de um veículo no ano de 2011, antes da implantação da lei e
2013, ano de total adesão da lei. Utilizou-se estudo de caso, com abordagem
comparativa. Os resultados apontam para o crescimento da participação dos
custos trabalhistas nas atividades da empresa, comprometendo uma maior parcela
da receita realizada. Constatou-se ainda que o impacto maior nos custos
trabalhistas foi no acréscimo de pagamento de horas extras, reflexos de horas
extras e horas de espera, que tiveram uma grande alavancagem, refletindo nos
encargos e também nas férias e 13º salário. O estudo apontou ainda que o
crescimento da receita bruta foi inferior ao crescimento dos custos trabalhistas
total.

Tópicos em Administração - Volume 6


74

1 INTRODUÇÃO transportadora de grãos na cidade de


Vilhena-RO, causados pela implantação da
O transporte de cargas tem um grande poder
Lei 12.619/2012? Para responder esta
na economia do Brasil. Segundo Braga;
questão definiu-se como objetivo geral:
Souza e Braga (2011, p.2), seu faturamento é
estudar quais foram os impactos nos custos
de mais de 40 bilhões e corresponde a 2/3 de
trabalhistas, em uma transportadora de grãos,
todo o transporte de cargas no país.
causados pela implantação da Lei
A empresa estudada trata-se de uma 12.619/2012-Lei dos Motoristas. Tendo ainda
transportadora que atua na área de transporte como objetivos específicos: a) esclarecer o
de grãos na cidade de Vilhena-RO há mais de objetivo da lei; b) identificar as mudanças
25 anos. Atualmente sua frota total é de 130 ocorridas com a adoção da lei; c) verificar
veículos, o que a torna uma das maiores e quais foram os impactos nos custos
mais importantes da região. Os transportes trabalhistas de uma transportadora ocorridos
realizados pela empresa são movimentados pela adoção da lei.
pela produção de grãos no cone sul do
Este estudo é composto por cinco tópicos,
estado de Rondônia e norte do Mato Grosso,
onde o primeiro a introdução; o segundo é
devido à localização da cidade em que a
composto pelo referencial teórico; o terceiro
empresa se encontra.
contém a metodologia da pesquisa; o quarto
A cidade de Vilhena-RO, onde se localiza a a análise e discussão dos dados e o último as
empresa da pesquisa, é a primeira cidade do considerações finais.
estado, sendo conhecida como “portal da
Amazônia” encontrando-se no Sul do estado
de Rondônia, sendo a maior da região e 2 REFERENCIAL TEÓRICO
quarta mais populosa do estado de Rondônia,
2.1 CUSTOS
segundo dados do IBGE (2014).
A necessidade do controle fez com que a
Em 02 de Maio de 2012 foi decretada a Lei
apuração de custos ganhasse importância
12.619, de 30 de abril de 2012, conhecida
desde o início do capitalismo. Era por meio da
como Lei dos Motoristas, que visa
contabilidade de custos que o comerciante
regulamentar a profissão dos trabalhadores
tinha resposta se estava lucrando com seu
da área do transporte rodoviário de
negócio. (SANTOS, 2005, p.21)
passageiros e cargas, tendo ligação direta
com a forma de remuneração, jornada de Até a Revolução Industrial (século XVIII),
trabalho e tempo de direção desses quase só existia a Contabilidade Financeira,
trabalhadores, além de ter um importante (ou Geral), que, desenvolvida na Era
aspecto em relação a segurança nas Mercantilista, estava bem estruturada para
estradas. Antes da lei, os profissionais desta servir as empresas comerciais. (MARTINS,
área se submetiam em sua maioria a trabalhar 2010, p.19)
horas e até dias ininterruptos, podendo
Devido a todas as necessidades de apuração
causar um grande desgaste em sua saúde e
real de lucro e prejuízo, viu-se a importância
assim prejudicando a direção com segurança.
de criar métodos de procedimentos de
Outro problema visto era a irregularidade da
apuração naquilo que se era gasto com a
profissão, onde alguns dos profissionais
produção, transformação e/ou prestação de
trabalhavam informalmente, pois não havia
serviço.
nenhuma lei específica que assegurasse os
motoristas da classe. Para melhor desenvolvimento do estudo é
preciso entender as seguintes nomenclaturas:
Após a implantação da lei as empresas foram
obrigadas a se adequarem as novas Gastos: sacrifício financeiro, onde a empresa
obrigações e mudanças, que ocorreram na compra um produto ou serviço. Para Martins
jornada de trabalho dos motoristas e forma de (2010, p.24) [...] é um sacrifício esse
pagamento. A lei vista inicialmente como representado por entrega ou promessa de
solução a inúmeros problemas tornou-se entrega de ativos (normalmente dinheiro).
palco de grandes polêmicas e impactos
Custo: é um gasto com a fabricação de um
decorrentes dessas mudanças exigidas pela
produto, comercialização ou prestação de
lei. É neste contexto que esse trabalho possui
serviços. O Custo é também um gasto, só que
uma questão norteadora: Quais foram os
reconhecido como tal, isto é, como custo, no
impactos nos custos trabalhistas de uma
momento da utilização dos fatos de produção

Tópicos em Administração - Volume 6


75

(bens e serviços) para a fabricação de um valor às atividades desenvolvidas,


produto ou execução de um serviço. independentes de quando eles ocorrem.”
(MARTINS 2010, p.25). (ROSA, 2007, p. 27)
De acordo com Nascimento (2001, p.26), O Custeio Baseado em Atividades, conhecido
custo pode ser definido, ainda, como a soma também como ABC (Activity-Based Costing),
de todos os dispêndios para a produção ou é um método de custeio que procura reduzir
obtenção de um bem ou serviço. sensivelmente as distorções provocadas pelo
rateio arbitrário dos custos indiretos.
Despesas: é um sacrifício para gerar receita,
(MARTINS, 2010, p.87)
as despesas são gastos que não estão
relacionados com o processo de fabricação Para Schmidt; Santos e Leal (2009), apud
ou transformação de um bem ou serviço. Para Wernke (2010 p.3) o ABC caracteriza-se como
Martins (2010, p.25), é um bem ou serviço uma ferramenta gerencial que busca entender
consumido direta ou indiretamente para a formação de todos os custos necessários à
obtenção de receita. obtenção de determinado produto ou serviço
e alocá-los da melhor forma possível.
Segundo Martins (2010, p. 27), custo e
despesa não são sinônimos; têm sentido O ABC pode ser aplicado, também, aos
próprio, assim como Investimento, Gasto e custos diretos, principalmente à mão-de-obra
Perda. direta, e é recomendável que seja; mas não
haverá, neste caso, diferenças significativas
Para Nascimento (2001, p.25), custo é o
em relação aos chamados “sistemas
somatório dos bens e serviços consumidos ou
tradicionais”. (MARTINS, 2010, p.87)
utilizados na produção de novos bens ou
serviços, traduzidos em unidades monetárias. Para Nascimento (2001, p.42), “a importância
da classificação dos custos em nível de
Devido as grandes dificuldades de se definir
atividade dentro da cadeia do processo
a qualificação de cada item na atividade é
produtivo é proporcional a seu peso no
necessário que todas as nomenclaturas sejam
conjunto do custo final; [...].”
classificadas com complexibilidade, para que
haja uma apuração real dos custos de uma
atividade.
2.1.2 CUSTOS TRABALHISTAS
Uma das áreas mais complexas das
2.1.1 PRINCIPAL MÉTODO DE CUSTO empresas, é a parte trabalhista, devido todas
UTILIZADO PELAS EMPRESAS DE as normas e leis que regem esse setor. Os
TRANSPORTE custos trabalhistas, que estão ligados
diretamente com a mão de obra, têm uma
Em se tratando de meios de desenvolvimento
grande relação com os direitos do trabalho e
de controle, redução e aprimoramento dos
sociais.
custos, o setor responsável é o de transporte,
que devem buscar meios e alternativas de Segundo Noronha, Negri e Artur (2006 p.164),
melhoria e redução dos gastos. a alternativa mais simples para identificar os
custos do trabalho é considerá-lo como a
O transporte é a única área de maior custo na
somatória do salário nominal, adicionado a
maioria dos sistemas logísticos. Esse nível de
todos os gastos definidos por lei e realizados
despesa, combinado a dependência das
pelo empregador. Ou seja, uma somatória de
operações logísticas para um transporte
tudo que se é gasto com o trabalhador,
efetivo, significa que o departamento de
independentemente de sua classificação ou
transporte precisa desenvolver um papel ativo
origem, iniciando desde o momento da
no planejamento estratégico. (GONÇALVES,
contratação ao ato rescisório.
2012, p.6)
Entre todos os custos trabalhistas classificam-
O principal método de custo utilizado pelas
se alguns, como: salários e demais
transportadoras atualmente é o Activity-Based
remunerações (adicionais, abonos,
Costing, ABC.
camisões), impostos federais (previdência),
“Na atividade logística tem-se considerado, contribuições a associações e sindicatos,
com frequência, o Custeio Baseado em Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
Atividades que procura relacionar todos os (FGTS), benefícios ao trabalhador que são
custos relevantes necessários à adição de custeados pelo empregador e parcialmente

Tópicos em Administração - Volume 6


76

por redução fiscal (cartão alimentação, vale- Artur (2006, p.165) a despeito da diversidade
cultura, vale-transporte). Além de todos os da natureza desses valores, todos podem ser
direitos garantidos por lei, que são considerados como custos diretos ou
provisionados, como: 13º salário, férias indiretos para a empresa definidos pela
remuneradas, 1/3 de férias, acrescido de legislação.
todos os impostos. Para Noronha, Negri e

Quadro 1 - Composição dos custos do trabalho


Item
1 Pagamento pelo tempo trabalhado
Inclui o salário contratual, os pagamentos por horas extras e os adicionais por mudanças de turno,
pelo trabalho noturno ou durante feriados.
2 Benefícios pagos diretamente
Incluem os pagamentos pelo tempo não trabalhado (férias, feriados e outras ausências remuneradas,
exceto afastamento por doença, custeado pela previdência social), as gratificações sazonais e
irregulares (inclusive 13º salário, adicionais por férias complementares aos pagamentos pelas férias
propriamente ditas, remuneração variável e participação nos lucros e resultados, por exemplo),
salários indiretos (como custos de moradia dos trabalhadores suportados pelo empregador) e os
pagamentos a fundos de poupança dos empregados.
3 Gastos previdenciários dos empregadores e outros tributos relacionados ao trabalho
Incluem as contribuições previdenciárias (regulamentares ou decorrentes de acordos coletivos,
contratuais ou voluntárias a regimes de previdência privada e seguros), os custos de assistência
médica e serviços de saúde, os seguros de vida e de acidentes, as indenizações por acidentes e
doenças ocupacionais, as indenizações por demissão ou término do contrato de trabalho e os
tributos incidentes sobre a folha de pagamentos e sobre o salário.
4 Custos de formação profissional e de serviços de bem-estar e custos do trabalho não
classificados em outras rubricas
Incluem os custos de formação profissional e de serviços de bem-estar e os custos do trabalho não
classificados em outras rubricas.

Fonte: CAVALVANTE (2015, p.13)


O Quadro 1 apresenta, a composição dos Marcondes e Arnaldo Lopes Süssekind. A
custos trabalhistas detalhadamente e construção da CLT teve grande inspiração na
separados em 4 itens. Carta del Lavoro (Código do Trabalho), que é
um documento que coordena as leis sobre
previdência e assistência aos trabalhadores
2.2 CLT- BREVE HISTÓRICO na Itália. (CARRION, 2008, p.20)
Em janeiro de 1942 o presidente da República A Consolidação das Leis do Trabalho entrou
Getúlio Vargas e o Ministro do Trabalho, em vigência em 10 de novembro de 1943,
Alexandre Marcondes Filho iniciaram uma criada pelo Decreto-Lei nº 5.452 de 1º de
discussão sobre a importância da criação da Maio de 1943, sancionada pelo presidente
consolidação das leis do trabalho, que a Getúlio Vargas, durante o período do Estado
princípio se chamaria Consolidação das Leis novo, com objetivo principal de regulamentar
do Trabalho e da Previdência Social, tendo as relações individuais e coletivas do trabalho
em vista a necessidade da renovação do unificando todas as leis do trabalho já existida
país. na época. (CARRION, 2008, p.20)
O jurista Luiz Augusto do Rego Monteiro, A CLT constitui o texto legislativo básico do
convidado pelo presidente Getúlio Vargas, foi Direito do Trabalho do Brasil, enriquecido pela
o coordenador do projeto de criação da CLT legislação complementar e pela Constituição
do início ao fim, juntamente com ele um grupo Federal[...]. (CARRION, 2008, p.21)
de juslaboralistas composto por; Oscar
Saraiva, Segadas Vianna, Dorval Lacerda

Tópicos em Administração - Volume 6


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Desde de sua criação a Consolidação das empresas, usando-se como argumento o art.
Leis do Trabalho vem passando por 62 Item I da CLT, que classifica a atividade
alterações, que são regidas por leis. Isso externa incompatível com a fixação de
acontece devido as mudanças que se faz horário, passou a ser obrigatório, devendo ser
necessário, de alterações, melhorias e controlada com diário de bordo. O diário de
complementações, como é o caso da Lei bordo é a folha ponto preenchida em sua
12.619/2012-Lei dos Motoristas, que trouxe maioria manualmente pelo motorista e deve
grandes mudanças na CLT em relação aos acompanhar o mesmo em suas viagens,
profissionais da área. comprovando a jornada com o disco
tacógrafo.
O total da jornada diária de trabalho permitida
2.3 LEI 12.619/2012 – LEI DOS MOTORISTAS
passou a ser de 8 (oito) horas por dia,
A lei 12.619 entrou em vigor em 02 de maio podendo exceder por mais 2 (duas) horas,
de 2012, tendo como autor o deputado que são computadas como horas
federal Tarcísio Zimmermann, com projeto de extraordinárias, conforme Art.235C § 1º da Lei
lei nº 319/2009, regulamentando a profissão 12.619/2012. Além disso, passou a exigir:
dos trabalhadores da área do transporte de intervalo de no mínimo 1(uma) hora e no
cargas e passageiros alterando a máximo 2 (duas) horas para o almoço;
Consolidação das Leis Trabalhistas, CLT, que repouso noturno de 11 (onze) horas de
passou a ser mais rigorosa em vários descanso a cada 24 (vinte e quatro) horas,
aspectos quando se refere a esta profissão. com o veículo devidamente parado; descanso
semanal de 35 (trinta e cinco) horas seguidas
A jornada de trabalho que antes não era
e intervalo de 30 (trinta) minutos a cada 4
controlada pelos motoristas e nem pelas
(quatro) horas de direção.

Quadro 2 - Diretrizes definidas pela Lei 12.619/12.

Jornada diária de 8 horas e semanal de 44 horas ;


Intervalo mínimo de uma hora para refeição;
Repouso de 11 horas a cada 24 horas ,obrigatoriamente com o veiculo
Jornada de Trabalho estacionado;
Descanso semanal de 35 horas;
Intervalo mínimo 30 minutos para descanso a cada 4 horas de tempo
ininterrupto de direção.

Receber as horas extraordinárias, no maximo duas diárias, com


acréscimo de no mínimo 50% sobre a hora normal;
Hora noturna, entre 22h e 5h da manha, com acréscimo de 20%, pelo
Horas Extras, Noturnas e
menos, sobre a hora diurna;
Tempo de Espera
Horas relativas ao período do tempo de espera indenizada com base no
salário-hora normal, acrescido de
30%.

Limitação de jornada diária em 8 horas e 44 semanais, autorizando no


máximo a consecução de 2 horas extras diárias;
Garantia de intervalo de alimentação de no mínimo 1 hora,
Limitação da jornada de
Intervalo de repouso de 11 horas a cada 24 horas
trabalho do motorista
(interjornada) e descanso semanal de 35 horas;
Duração máxima de direção sem parada de 4 horas, com intervalo de 30
minutos para iniciar novo período de direção.
Fonte: BOLCHI; FAVRETTO; ARTOFON; RAMOS, (2013 p.5)

O Quadro 2 mostra detalhadamente os pontos mais rigorosa e complexa, diferente da


onde houve mudança, decorrente a adoção realidade do universo do transporte antes da
da lei, que estão relacionadas principalmente lei.
com a jornada de trabalho, onde passou a ser

Tópicos em Administração - Volume 6


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Outra mudança, foi o recebimento de horas Conforme o Art.235-G da Lei 12.619/2012,


extras de no mínimo 50% acrescido sobre a tornou-se proibida a remuneração do
hora normal, horas de espera acrescido 30% motorista em função da distância percorrida,
sobre a hora normal e adicional noturno. do tempo de viagem e/ou da natureza e
quantidade de produtos transportados,
Tendo em vista todas as alterações
inclusive mediante oferta de comissão ou
relacionadas a jornada de trabalho dos
qualquer outro tipo de vantagem, se essa
profissionais do transporte, que permiti ao
remuneração ou comissionamento
trabalhador o direito e também dever de ter
comprometer a segurança rodoviária ou da
um descanso significativo em sua viagem, a
coletividade ou possibilitar violação das
expectativa é uma grande redução nos
normas da presente legislação.
acidentes nas rodovias de todo o país, já que
a possibilidade é que o trabalho seja com
menos estresse e mais saúde.

Figura 1- Remuneração com base na Lei 12.619, considerando motorista

Jornada Diária de 8 Horas


Hora Extra 150%

Hora de Espera 130%

Adicional Noturno 20%

Hora de Reserva 30%

Proibida remuneração variável em função de distância e/ou tempo de viagem
Fonte: ILOS apud ARAUJO (2013)

A Figura 1 mostra como ficou formado a possuem placas de outras cidades, isso
composição salarial dos motoristas sendo justifica o grande fluxo de veículos de cargas
mediante a pagamento de salário fixo, no município.
definido de acordo com a convenção coletiva
O grande marco do transporte de cargas na
de cada região, mais as verbas adicionais,
cidade de Vilhena deve-se a produção de
ficando proibida qualquer remuneração em
grãos no cone sul do estado e principalmente
função de distância e/ou tempo de viagem.
no norte do Mato Grosso.
O fato pelo qual Vilhena movimenta as cargas
2.4 A CIDADE DE VILHENA E SUA de grãos do norte do Mato Grosso deve-se a
DISTÂNCIA DOS PRINCIPAIS PONTOS localização da cidade, onde se encontra em
um posicionamento central, do carregamento
A cidade de Vilhena encontra-se no centro do
em Sapezal-MT, Comodoro-MT, Campos de
polo de produção e transporte de grãos entre
Júlio-MT, Campo Novo do Parecis-MT ao
o estado de Rondônia e Mato grosso.
descarregamento que são nos portos de Porto
Segundo dados do IBGE (2014), Vilhena-RO
Velho-RO, onde de lá são destinados a
possui cerca de 1.673 veículos caminhões
Manaus para exportação.
cadastrados entre outros inúmeros que

Tópicos em Administração - Volume 6


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Figura 2- Percurso e distância carregamento Sapezal/MT e descarregamento Porto Velho/RO

Fonte: Google Maps (2015)

A localização da Cidade de Vilhena no km e Vilhena encontra-se cerca de 705 km de


percurso entre a cidade de Sapezal onde é Porto Velho e 248 Km de Sapezal. O tempo
feito o carregamento e Porto Velho, local de médio da viagem é de 14h29min.
descarregamento. A distância total é de 953

Figura 3 - Duração de viagem de acordo com a Lei 12.619/2012.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2015.


A Figura 3 mostra a duração de uma viagem significadamente menor, já que não havia
levando em consideração a origem Vilhena- obrigatoriedade em paradas, descansos e
RO, carregamento em Campo Novo do repouso noturno. Sendo assim, o mesmo
Parecis-MT, descarregamento em Porto percurso poderia ser feito em pouco mais de
Velho-RO e retorno para a origem em Vilhena- 24 horas, dependendo apenas de eventuais
RO. O tempo gasto no percurso é de 85,5 imprevistos e da espera para carregar e
horas, aproximadamente 3,5 dias, descarregar da mercadoria.
considerando um tempo de espera para
Portanto, esse tempo de viagem praticamente
carregamento e descarregamento de 8 horas,
foi triplicado, impactando na produtividade e
que geralmente pode variar para mais ou para
resultados da empresa devido ao aumento do
menos, em alguns casos chegando a dias e
tempo gasto e também para o motorista, além
até mesmo semanas de espera. Porém, antes
de ter de se submeter a descansos em locais
da implantação da Lei 12.619/2012 esse
sem nenhuma condição de segurança e
tempo gasto no percurso era

Tópicos em Administração - Volume 6


80

conforto, já que há poucos pontos de paradas de um estudo e análise de informações de


adequados em toda a rodovia BR 364. dois anos. Para Lakatos; Marnoni (2007, p.
107) apud Prodanov; Freitas (2013, p.38) o
método comparativo ocupa-se da explicação
3 METODOLOGIA DA PESQUISA dos fenômenos e permite analisar o dado
concreto, deduzindo desse “os elementos
O trabalho trata-se de um estudo de caso,
constantes, abstratos e gerais.”
onde foram analisados dados relativos aos
custos trabalhistas diretos, referente a uma A coleta de dados foi realizada através de
transportadora de grãos na cidade de Vilhena visitas a empresa, sendo aplicado formulário
no estado de Rondônia. O método de onde a empresa respondeu juntamente com o
raciocínio classifica-se como dedutivo, pois se pesquisador, daí então foram coletados os
trata de uma análise do problema geral ao custos diretos trabalhistas de um determinado
particular. Para Gil (2008, p. 9) apud veículo no ano de 2011 e 2013.
Prodanov; Freitas (2013, p.27) o método
dedutivo parte de princípios reconhecidos
como verdadeiros e indiscutíveis e possibilita 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
chegar a conclusões de maneira puramente
Os impactos nos custos trabalhistas após a
formal, isto é, em virtude unicamente de sua
implantação da Lei 12.619/2012-Lei dos
lógica.
motoristas, são analisados em dois aspectos;
A população e amostra envolvem uma comparando a evolução dos custos em 2011
empresa no ramo de transporte de grãos na e 2013 e avaliando a representação desses
cidade de Vilhena/RO, onde foram analisados custos na receita do veículo.
dados de apenas um veículo para fins de
comparação.
4.1 VARIAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS
O período considerado foi de dois anos, 2011,
TRABALHISTAS
antes da Lei 12.619/2012 – Lei dos Motoristas
e o ano de 2013 onde a empresa já havia No ano de 2011, antes da implantação da lei
realizado total adesão da Lei 12.619/2012 – 12.619/2012, a remuneração do motorista era
Lei dos Motoristas, não levando em baseada em salário fixo mais diárias para
consideração o ano de 2012, pois foi o ano de viagem. Já no ano de 2013 essa remuneração
implantação da lei, o que dificulta a análise passou a ser de acordo com o exigido na lei,
das informações, prejudicando assim a sendo, salário fixo, mais horas extras, DSR
veracidade dos resultados. sobre horas extras, horas de espera e diárias
de viagem, conforme dados coletados na
O método utilizado na pesquisa é o
empresa.
classificado como comparativo, pois trata-se

Tabela 1 - Variações dos custos anuais com remuneração motorista 2011/2013

2011 2013 Variação R$ Δ%

Fixo motorista 14.520,00 17.256,00 2.736,00 18,84

Horas Extras 50% - 3.165,44 3.165,44 -

DSR S/ Horas Extras - 684,35 684,35 -

Horas de Espera - 1.018,77 1.018,77 -

Diárias para viagem 6.811,20 8.640,00 1.828,80 26,85

Total Remuneração Motorista 21.331,20 30.764,56 9.433,36 44,22

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.


A Tabela 1 apresenta as verbas trabalhistas ano de 2011 e 2013. O custo com a
referente a remuneração de um motorista no remuneração da mão de obra em 2011 foi de

Tópicos em Administração - Volume 6


81

R$ 21.331,20 já em 2013 esse valor saltou influenciados pela lei, e são apenas
para R$ 30.764,56, um aumento total de consequências dos ajustes anuais em
44,22%. O pagamento de horas de espera, convenção coletiva.
horas extras e reflexos tiveram uma grande
Portanto a evolução de 44,22% a mais nos
influência nesses aumentos, já que em 2011
custos com remuneração, estão
não havia obrigatoriedade de pagamento
comprovadamente relacionados com a
dessas verbas. O salário fixo do motorista
adoção da lei na empresa que tornou
teve um aumento de apenas 18,84%, e as
obrigatório o pagamento de horas extras,
diárias 26,85%, uma variação pequena se
reflexos e horas de espera, que antes não
comparada com a evolução dos demais
eram obrigatórios.
custos, isso porque seus aumentos não foram

Tabela 2 –Variação dos encargos sobre a remuneração


Variação
Contas 2011 2013 Δ%
R$

8% FGTS 1.161,60 1.688,46 526,86 45,36

11% INSS (parte da empresa) 1.597,20 2.321,64 724,44 45,36

Total 2.758,80 4010,10 6768,90 45,36

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

Os impostos sobre a folha de pagamento diária para vigem somente são agregadas a
tiveram um aumento total de 45,36% base de cálculo se forem maior que 50% do
consequência da evolução dos custos, salário, conforme Lei nº 8.212/91 art. 28, § 8º,
conforme a Tabela 2. "a", o que não é o caso da empresa estudada.
Portanto, os aumentos com horas extras e
Para a base de cálculo de FGTS e INSS
DSR sobre horas extras são os principais
entram apenas salário fixo, horas extras,
influentes desse avanço nos encargos totais,
reflexos sobre horas extras. As horas de
já que são incidentes de impostos e obtiveram
espera são consideradas indenizatórias,
um aumento significativo em 2013.
portanto não entram na base cálculo e as

Tabela 3 - Variação dos custos com 13º salário e férias


Contas 2011 2013 Variação Δ%
R$

Férias 1.210,00 1.758,82 548,82 45,36

1/3 Férias 403,33 586,27 182,94 45,36

FGTS 8% Férias 129,07 187,61 58,54 45,36

11% INSS Férias (parte da empresa) 177,47 257,96 80,49 45,36

Total Custos com Férias 1.919,87 2.790,66 823,89 45,36

13 º Salário 1.210,00 1.758,82 548,82 45,36

FGTS 8% 13º 96,80 140,71 43,91 45,36

INSS 11% 13º (parte da empresa) 133,10 193,47 60,37 45,36

Total Custos com Férias 229,90 334,18 104,28 45,36

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

Tópicos em Administração - Volume 6


82

A Tabela 3 mostra a evolução dos custos com aumento refletiu nos encargos, que passaram
13º salário, férias e demais impostos. O custo a ter uma base de cálculo maior em 2013 do
total com férias, 1/3 de férias, 13º salário e que em 2011.
demais encargos tiveram um aumento de
45,36%. O principal fator de contribuição para
esses aumentos são a evolução dos custos 4.2 REPRESENTATIVIDADE DOS CUSTOS
com a remuneração, que influenciam TRABALHISTA EM RELAÇÃO A RECEITA
diretamente na base de cálculo para esses
A receita do caminhão nada mais é do que a
direitos trabalhistas, ou seja, o acréscimo das
soma dos fretes que o mesmo faz. Conforme
verbas como horas extras, DRS sobre horas
mostra a Figura 4, a receita anual bruta do
extras que não eram pagos antes da lei,
veículo no ano de 2011 foi de R$ 283.582,98
passam a fazer parte da base de cálculos
já no ano de 2013 esse valor foi de
desses fatores, gerando assim uma evolução
R$324.445,05, o que corresponde a um
de tais custos. Consequentemente, esse
aumento de 14,41%.

Figura 4 - Variação da receita de um veículo em 2011/2013

324.445,05
400.000,00 283.582,98
300.000,00
200.000,00
100.000,00 14,41%
0,00
2011 2013 Variação %
Fonte: Dados da Pequisa,2015.

Antes da implantação da lei 12.619/2012 os acrescida de 2 horas extras, tornou-se exigido


caminhões tinham liberdade para trafegar também parada de 30 minutos a cada quatro
sem nenhum controle de jornada, podendo horas e intervalo para almoço de no mínimo 1
trabalhar muitas horas ininterruptas, sem hora, além de descanso semanal de 35 horas
exigência de paradas, descansos diários e e noturno de 11 horas, mudando totalmente a
semanal. Após a implantação da lei essa realidade de quem estava acostumado a ser
realidade mudou, a jornada de trabalho “livre” para trabalhar e faturar.
passou a ser limitada a 8 horas diárias

Figura 5- Representação dos custos com remuneração sobre a receita bruta

TOTAL SALÁRIO MOTORISTA 9,48%


7,52%
DIARIAS 2,66%
2,40%
HORAS DE ESPERA 0,31%

DSR S/ HORAS EXTRAS 0,21%

HORAS EXTRAS 50% 0,98%

FIXO MOTORISTA 5,32%


5,12%
0,00% 2,00% 4,00% 6,00% 8,00% 10,00%

2013 2011

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

Tópicos em Administração - Volume 6


83

A Figura 5 mostra a representação dos custos horas extras e horas de espera, já que para
com remuneração do motorista sobre a este ano não havia estas verbas, em 2013 as
receita bruta, no ano de 2011 e 2013, exceto horas extras representaram 0,98%, a DSR
os impostos. As diárias para viagem tiveram sobre horas extras 0,21% e as horas de
um aumento na representação de 0,26% e o espera 0,31%, sendo então os maiores
salário fixo 0,20%, na representação sobre a influenciadores no aumento da representação
receita. Esses aumentos são decorrentes os total da folha sobre a receita, que foi de
reajustes salariais anuais, a lei não causou 7,52% em 2011 e em 9,48% em 2013, o que
influência nesses valores. Em 2011 não houve equivale a um aumento de 1,96% na
representação nas horas extras, DSR sobre representação sobre a receita.

Figura 6 - Representação dos custos com encargos sobre a folha sobre a receita bruta

0,72%
2013
0,52%

0,56%
2011
0,41%

0,00% 0,10% 0,20% 0,30% 0,40% 0,50% 0,60% 0,70% 0,80%

Encargo motorista( folha) 11% INSS (parte da empresa)


Encargo motorista( folha) 8% FGTS

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

De acordo com representação apresentada de 0,56% e em 2013 passou a ser 0,72%, já o


na Figura 6, o custo com encargos sobre folha FGTS em 2011 representava 0,41% e em
de pagamento do motorista passou a ter uma 2013 0,52%.
representatividade maior em 2013,
Portanto os custos com folha de pagamento
consequência do aumento da remuneração
do motorista tiveram uma elevação,
do trabalhador. Em 2011 o custo com INSS
comparados com a proporção da receita em
11%, parte que é custeada pela empresa, era
2011 e 2013.
Figura 7 - Representação dos custos férias sobre a receita bruta

11% INSS FÉRIAS (PARTE DA 0,07%


EMPRESA) 0,06%

FGTS 8% FÉRIAS
0,06%
0,05%

1/3 FÉRIAS
0,18%
0,14%

FÉRIAS
0,54%
0,43%

0,00% 0,10% 0,20% 0,30% 0,40% 0,50% 0,60%


2013 2011

Fonte: Dados da Pesquisa,2015.

Tópicos em Administração - Volume 6


84

A Figura 7 mostra a representação dos custos 2013 aumentou 0,04%, elevando o índice para
com férias, 1/3 de férias e demais impostos, 0,18%. Houve evolução também nos
sobre a receita bruta do veículo. Em 2011 a encargos, em 2011 o FGTS representava
representação das férias sobre a receita era 0,05% e o INSS 0,06 já em 2013 a o FGTS foi
de 0,43% e em 2013 passou a ser 0,54%, o 0,06% e o INSS 0,07%, aumentando 0,01% a
1/3 de férias também houve aumento na representatividade de cada custo sobre a
representatividade, em 2011 era 0,14% e em receita.

Figura 8 - Representação dos custos férias sobre a receita bruta

INSS 11% 13º (PARTE DA 0,06%


EMPRESA) 0,05%

0,04%
FGTS 8% 13º
0,03%

0,54%
13 º SALÁRIO
0,43%

0,00% 0,10% 0,20% 0,30% 0,40% 0,50% 0,60%

2013 2011

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

De acordo com a Figura 8, a representação transporte de cargas e passageiros


dos custos com 13º salário sobre a receita rodoviários, tendo ligação direto com a forma
bruta do veículo passou de 0,43% em 2011 e de pagamento, jornada de trabalho e tempo
0,54% em 2013, o que equivale a um aumento de direção, mudando assim a realidade das
de 0,11% na representação. empresas transportadoras e também dos
Consequentemente a representação dos profissionais da área.
encargos sobre o 13º também tiveram uma
Neste estudo podem-se identificar quais
evolução, em 2011 o FGTS representava
foram os impactos nos custos com a folha de
0,03% da receita e o INSS, parte paga pela
pagamento da empresa. Com o acréscimo de
empresa, 0,04%, em 2013 esses índices de
pagamento obrigatório de horas extras,
representação tiveram um aumento de 0,02%.
reflexo e horas de espera, a remuneração do
Devido ao aumento nos custos com folha de motorista teve um aumento de 44,22% nos
pagamento, as férias, 13º salário e impostos custos trabalhista ligados diretamente com a
incidentes também aumentaram, tornando folha de pagamento, esse aumento refletiu
uma representatividade maior sobre a receita nos impostos, férias e 13º, tendo em vista que
anual bruta. para seus respectivos levantamentos é
necessário que se use as devidas verbas
Conforme todos os dados avaliados, os
como base de cálculo.
custos passaram a ter uma representatividade
maior sobre a receita em 2013. Esse impacto Esse aumento com a folha de pagamento
deve-se ao aumento dos os custos com a tornou a representatividade dos custos sobre
folha e o pequeno crescimento da a receita mais elevados, em 2011 a soma de
produtividade do veículo. todos os custos com a remuneração do
motorista representava 7,52% da receita bruta
do caminhão já em 2013 essa
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS representatividade teve um aumento de
1,96%, elevando esse indicador de
A Lei 12.619/2012-Lei dos Motoristas,
participação a 9,48%. Ou seja, a inclusão
regulamenta a profissão dos motoristas de

Tópicos em Administração - Volume 6


85

dessas novas verbas trabalhista, exigidas 12.619/2012. Destaca-se que a alteração


pela lei, na folha de pagamento, tornou esses tributária representa um fator limitante para a
custos mais elevados, influenciando num pesquisa, pois interfere na composição dos
aumento da representatividade sobre a custos trabalhistas, objetivando minimiza-los,
receita não só na remuneração, mas também nos resultados da empresa no ano de 2013.
nos impostos, férias e 13º salário.
Outro ponto relevante é que a Lei
Outro ponto relevante da pesquisa é que se 12.619/2012-Lei dos Motoristas, passou por
constatou na empresa, que a implantação da uma alteração regulamentada pela Lei
lei contribuiu para uma combinação 13.103/2015 de 02 de março de 2015, que
desfavorável para os resultados do negócio, flexionou a jornada de trabalho e a forma de
receitas com crescimento menor que os pagamento, isso porque não houve
custos, a figura 12 informa o desempenho das adaptação positiva das empresas tão pouco
receitas e dos custos com folha total. dos motoristas. Portanto, sugere-se como
estudos futuros uma análise dos custos
Mesmo o percentual de variação da receita
trabalhistas após a alteração da lei.
sendo positivo, em 2013 a produtividade total
do veículo foi relativamente pequena em Diante dos dados analisados, pode-se afirmar
relação ao aumento dos custos trabalhistas que com a implantação da Lei 12.619/2012-
que tiveram um aumento de mais de 40%. Um Lei dos motoristas, na empresa estudada,
fator que contribuiu para esse “pequeno” mesmo com a alteração da opção tributária,
aumento foi a redução da jornada de trabalho que os custos trabalhistas representam maior
do motorista, tendo em vista que há apenas impacto nos resultados da empresa no ano de
um motorista trabalhando por veículo, devido 2013, contudo o assunto merece um
a isso o mesmo passou a consumir mais aprofundamento com vistas a analisar o
tempo para realizar um frete, diminuindo quanto este impacto pode comprometer, em
assim seu faturamento. longo prazo, a capacidade de
desenvolvimento da empresa.
Constatou-se durante a pesquisa que a
empresa estudada realizou uma alteração na Ainda como estudos futuros sobre o tema
sua opção tributária, até 2011 era optante sugere-se analisar a representatividade dos
pelo lucro presumido e a partir de 2012 custos trabalhistas, considerando os anos de
passou a ser optante pelo lucro real. Esta 2011 e 2013, em uma empresa transportadora
alteração tributária, conforme decisão de grãos que manteve sua opção tributária
gerencial foi realizada visando também inalterada no ano de 2013 em relação ao ano
minimizar os impactos previstos pela de 2011.
obrigatoriedade da implantação da lei

REFERÊNCIAS
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10ª. ed. São Paulo: Atlas, 2010. de caso em transportadora. XVII Congresso
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Tópicos em Administração - Volume 6


87

Capítulo 7

Ana Cristina Munaro


Janaína Gabrielle Moreira Campos da Cunha Amarante
Luciano Luiz Dalazen
Janaina N. M. Martins

Resumo: Contradizendo a teoria de finanças moderna, defensora da racionalidade


total dos indivíduos, os custos perdidos e o efeito do enquadramento do problema
influenciam nas decisões futuras. Os agentes não são isentos de racionalidade,
contudo, são passíveis de idiossincrasias e utilizam heurísticas que favorecem
vieses comportamentais na tomada de decisões. O estudo apresenta uma situação
típica de custo afundado, com um cenário de investimento entre um projeto em
falência e outro futuro projeto promissor. As declarações sobre o investimento
envolvem o trabalho, orçamento e tempo já investidos no projeto, em uma
perspectiva passada e, à investir, em um quadro voltado para o futuro. Para isso,
três diferentes conjuntos de proposições de investimentos foram aplicados em 226
alunos de Administração. Como resultados, se observa que a intenção de tomada
de decisão concentra-se na quantidade de dinheiro investido no projeto (passado)
e compromete os investimentos futuros, principalmente para o gênero feminino que
se mostrou mais suscetível ao efeito do custo perdido do que o gênero masculino.
Além disso, os resultados demonstram que pequenas alterações no progresso de
um projeto, altera muito a intenção da tomada de decisão com base em continuar
com o mesmo ou mudar para a opção alternativa.

Palavras-chave: Custos perdidos. Efeito do enquadramento. Tomada de decisão.

Tópicos em Administração - Volume 6


88

1 INTRODUÇÃO vezes ‘irracional’, que os usuários da


contabilidade gerencial utilizam em seu
As Finanças comportamentais, com sua
processo decisório. Além disso, muitos outros
característica investigativa de compreender
estudos realizam a asseveração do efeito dos
os aspectos psicológicos humanos nas
custos perdidos como operadores atenuantes
decisões de investimento, vêm se
no comportamento dos tomadores de decisão
consolidando na evolução da teoria das
(KAREVOLD, TEIGEN, 2010; MOON, 2001;
finanças. Neste contexto, estudos
ZEELING, VAN DIJK, 1997)
relacionados à compreensão do efeito sunk
cost (custo perdido) são alvos de inquietação Entendendo a relevância da temática na
entre pesquisadores (ARKES; AYTON,1999; gestão organizacional no que tange à tomada
MOON, 2001; MURCIA; BORBA, 2006), de decisão, optou-se em abordar os
considerando que os tomadores de decisão discentes de todo o curso de Administração
individuais ou de grupo, no geral, são desde o início da graduação até o final, com o
relutantes em aceitar como desperdiçados os intuito de verificar a percepção dos mesmos
investimentos já realizados, ou seja, se frente aos cenários e condições propostas.
preocupam com os custos perdidos, os quais Vale ressaltar que comumente os estudos que
se tornaram irrecuperáveis. Ponderam abarcam esta temática investigam apenas
também o fato de estarem muito focados estudantes e profissionais da área contábil
sobre os custos já incorridos e se recusam à (ALTOÉ et al., 2006; BARRETO et al., 2013).
possibilidade de abandonar a atual
Considerando a relevância da temática e a
abordagem em comparação aos possíveis
necessidade de maiores investigações,
custos da ausência de outras oportunidades,
busca-se trazer novas contribuições com
ademais, não estão dispostos a reconhecer
ineditismo dos pontos a serem investigados.
que os investimentos iniciais foram um erro,
Neste sentido, o presente estudo pretende
investindo em recursos adicionais na
responder as seguintes questões: Como
esperança de que um eventual retorno
diferentes enquadramentos (framing) do
reparará suas perdas e será reconquistado
progresso de um projeto podem indicar as
por meio de suas novas ações, sendo esta a
intenções de investimento? Com base no
premissa básica para ocorrer o efeito dos
trabalho, orçamento e tempo investidos e à
custos perdidos ou afundados (YATES;
investir, qual é o efeito dos custos perdidos na
TAN ,1995; KWAK; MOON, 2010)
tomada de decisão? Há distinção entre
O efeito se refere à situações em que os gênero na percepção do framing e do efeito
indivíduos persistem com um curso não ótimo do custo perdido? Partindo desses
de ação em virtude de um investimento inicial. questionamentos, o principal objetivo do
Este é considerado um erro ou um presente estudo é verificar o efeito do
comportamento irracional (ARKES; BLUMER, enquadramento e dos custos perdidos na
1985), tendo em vista que as regras tomada de decisão sobre investimentos. Mais
normativas de tomada de decisão prescrevem especificamente se almeja analisar a intenção
ao serem consideradas apenas os custos e de investimento de trabalho, orçamento e
benefícios futuros, sem ponderar os tempo em uma perspectiva passada e futura
investimentos passados. É evidente, na teoria de um projeto; além disso, pretende-se
de finanças, que apenas as entradas e saídas também comparar os efeitos do
de caixa futuros devem influenciar as enquadramento e dos custos perdidos entre
decisões, pois pesquisas revelaram que o gênero, evidenciando a importância e o
efeito do custo perdido é uma causa de erro ineditismo da pesquisa frente ao que já foi
na tomada de decisão que pode resultar em estudado.
custos excessivos para as empresas e a
sociedade ( LAING, 2010; LAING et al., 2014).
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Contudo, para Borba; Murcia (2005), na
abordagem positiva da contabilidade este 2.1 FINANÇAS COMPORTAMENTAIS
comportamento irracional dos gestores
O campo de estudo das Finanças
(raciocínio intuitivo e subjetivo) em relação
Comportamentais substancia-se no
aos custos passados e irrecuperáveis não
questionamento à teoria econômica clássica,
deve ser desconsiderado, como ocorre no
a qual sugere que a tomada de decisão dos
caso dos princípios econômicos. Ao contrário,
agentes econômicos se estabelece em torno
deve-se procurar entender a forma, muitas
da racionalidade. Em uma visão simplificada,

Tópicos em Administração - Volume 6


89

os indivíduos contrapõem seus desejos com Em suma, a próxima seção apresentará


as possibilidades ditadas pelas restrições de alguns aspectos comportamentais que podem
renda. Os agentes econômicos não afetar a tomada de decisões e seus possíveis
desperdiçam informações e utilizam os impactos em investimentos financeiros.
elementos gerados pela própria dinâmica
econômica para aprimorar o processo
decisório; isto não significa que os erros 2.2 DECISÕES SOBRE INVESTIMENTOS
deixam de existir, porém, segundo a hipótese
A Moderna Teoria de Finanças defende que
das expectativas racionais, os indivíduos não
apenas benefícios e custos incrementais
cometem sistematicamente os mesmos erros.
devem afetar a tomada de decisão. No
Questionando os princípios da racionalidade, entanto, os agentes tomadores de decisões
Herbert A. Simon estabeleceu o conceito de não são necessariamente racionais, podendo
racionalidade limitada, que se baseia na ideia ser conduzidos a decisões equivocadas
de que os indivíduos fundamentam suas (ARAUJO NETO et al., 2014). Para Macedo et
decisões em um conjunto limitado de al. (2007), os julgamentos individuais que
informações, ou seja, os agentes econômicos influenciam demasiadamente no processo
não conseguem frequentemente tomar decisório são permeados de subjetividade,
decisões ótimas, mas sim, unicamente inerentes aos indivíduos. Já a literatura sobre
satisfatórias. Neste sentido, de acordo com a tomada de decisão pressupõe que os
Kimura; Basso; Krauter (2006, p.44), o tomadores de decisões individuais usam
comportamento humano é influenciado por alguma forma de heurística de julgamento
diversos aspectos psicológicos que podem como uma estratégia geral para simplificar as
distorcer a identificação e a percepção dos tarefas de decisões complexas (LAING,
fatos, o que leva a uma decisão baseada em 2010).
julgamentos individuais, nos quais a
Em complemento, experimentos de Andrade;
racionalidade imposta pela teoria da utilidade
Ariely (2009) forneceram evidências
esperada pode não ser obedecida.
consistentes de que emoções incidentais
Para Segantini et al. (2011), os indivíduos influenciam diretamente a tomada de decisão,
buscam os atalhos mentais denominados com efeitos indiretos e duradouros nas
recursos heurísticos com o propósito de decisões de cunho econômico. As emoções
reduzir a complexidade do processo de incidentais não somente influenciam as
decisão. Frank (1998), acredita que mesmo decisões econômicas no curto tempo, mas
quando os indivíduos têm ao seu dispor os vivem mais do que a experiência emocional
fatos realmente relevantes, não tomam, em si. Isso porque as ações passadas são,
frequentemente, decisões racionais. Existe muitas vezes, usadas como pontos de início
ainda outra dificuldade relativa ao modelo da para tomadas de decisão e as pessoas
escolha racional, que é o fato de, muitas tendem a ter comportamentos consistentes
vezes, criar interferências erradas acerca de com suas ações e cognições passadas,
quais são os fatos relevantes para a escolha. assim, escolhas anteriores inconscientemente
Para Ariely (2008), os seres humanos são baseadas em emoções incidentais
muito menos ‘racionais’ em suas decisões do passageiras, podem se tornar a base para
que a teoria econômica tradicional presume, o futuras decisões.
que se comprova é que os comportamentos
Por exemplo, em situações em que a decisão
pouco racionais do ponto de vista econômico
ideal seria a de interromper a produção
não são aleatórios nem insensíveis, mas sim,
interna em favor da terceirização, os gestores
são sistemáticos e previsíveis. Ainda,
individuais exibiram um conservadorismo
segundo Thaler (1999), há duas classes de
impressionante: primeiro, eles levam a
investidores, classificados em racionais e os
especificidade dos ativos em conta; em
quase racionais. De acordo com o autor, os
segundo lugar, os tomadores de decisão são
indivíduos que permeiam o segundo grupo,
ainda mais conservadores do que deveriam
procuram tomar decisões ótimas, contudo,
ser, por meio da incorporação dos custos
cometem erros resultantes de interferências
perdidos (ROODHOOFT; WARLOP, 1999).
comportamentais intrínsecas ao ser, o que
acarreta em falhas do processo racional de Bruine de Bruin et al. (2007) apresentam as
decisão. competências das tomadas de decisão para
adultos formadas por sete habilidades, são
elas: resistência ao enquadramento (framing),

Tópicos em Administração - Volume 6


90

reconhecimento das normas sociais, 2.3 A TEORIA DOS PROSPECTOS E O


pouco/excesso de confiança, uso das regras EFEITO FRAMING
de decisão, consistência na percepção de
Avançando na linha de Simon, Kahneman;
risco, resistência aos custos perdidos e
Tversky (1979) consideram que os indivíduos
percursos independentes de avaliação de
se valem de estratégias fundamentadas em
valor. Entretanto, tais competências não
simplificações ou preconceitos que não
mostraram consistência em relação à idade
conduzem necessariamente a uma situação
dos indivíduos; enquanto adultos mais velhos
de maximização da satisfação dos indivíduos,
tiveram desempenho significativamente pior
a denominada Teoria dos Prospectos. Essa
na resistência aos efeitos do enquadramento
teoria qualifica um conjunto de iniciativas
e na aplicação das regras de decisão, eles
utilizadas pelas pessoas, como atalhos
foram significativamente melhor em
mentais, empregados inconscientemente
reconhecer as normas sociais e resistir aos
pelos agentes nos mais diversos tipos de
efeitos dos custos perdidos.
decisões.
Já Kimura; Basso; Krauter (2006) expõem, em
De acordo com essa teoria, depois de haver
suma, alguns aspectos comportamentais que
feito um experimento inicial, um gestor pode
podem afetar o processo de tomada de
raciocinar que, se ele não continuar a investir
decisão e os possíveis impactos em
seu dinheiro naquele projeto, o investimento
investimentos financeiros: a) dissonância
estará perdido. Desta maneira quando um
cognitiva, na qual o indivíduo enfrenta conflito
investimento ou decisão não traz os
em sua tomada de decisão, quando dois ou
resultados esperados, e depois do gestor
mais elementos não são coerentes; b)
haver incorrido os ‘custos perdidos’, o risco
inconsistência, refere-se a identificação de
de se investir ainda mais em projetos que
incoerência em determinadas atitudes; c)
trarão perdas ainda maiores é muito grande
ancoragem e conservadorismo, de acordo
(BORBA; MURCIA, 2005).
com os autores, este aspecto comportamental
fundamenta-se na probabilidade que os Conforme Druckman; McDermott (2008), um
indivíduos possuem na tomada de decisão de dos fenômenos mais notáveis na tomada de
gerar um valor de referência que sustenta decisão política e social é a ocorrência do
suas percepções, gerando evidências efeito de enquadramento. Os indivíduos
conservadoras; d) arrependimento, respalda- respondem de forma diferente para o mesmo
se na experiência do individuo que o alude a problema de decisão quando o problema é
sensação de arrependimento; e por fim, e) apresentado em um formato diferente (LAING,
teoria dos prospectos, a qual surge como 2010). Segundo Laing (2010), um quadro
uma critica a teoria da utilidade esperada, poderá ser considerado em termos de uma
propõe que em vez de a tomada de decisão representação de uma situação por meio da
atribuir valores aos resultados finais qual um tomador de decisão ganha certo
esperados, esta é atrelada aos ganhos e entendimento ou faz sentido dos cursos
perdas, e as probabilidade são substituídas alternativos de ação disponíveis. Uma
por pesos ou ponderações na decisão. explicação para esse fenômeno é que,
quando um tomador de decisão centra-se no
Como se pode notar, a tomada de decisão na
negativo, há uma maior urgência em se
área de investimentos é afetada por vários
envolver em comportamento preventivo em
fatores situacionais, comportamentais,
vez de explorar outras opções.
cognitivos e emocionais; deste modo, a
suposta racionalidade econômica derivada da Para Karevold; Teigen (2010), pares de
teoria clássica é, muitas vezes, suplantada declarações que descrevem quantidades
por tomadas de decisões ‘pouco racionais’ ou semelhantes, mas que implicam em
que não favorecem a máxima utilidade. Os diferenças avaliativas na literatura de
próximos dois itens trarão duas teorias que julgamento e tomada de decisão têm sido
abordam e explicam, em parte, esse estudados como efeitos de enquadramento.
comportamento. Por exemplo, quando se diz que um copo
está meio cheio, pode-se apontar que está
longe de ser vazio; quando outro copo é
descrito como meio vazio chama-se a atenção
para o fato de que ele está longe de ser
completo. O conteúdo dos dois copos pode
ser o mesmo, mas o primeiro dá a impressão

Tópicos em Administração - Volume 6


91

de estar mais cheio, enquanto que o segundo A definição de custo perdido varia
está prestes a se esvaziar. ligeiramente entre as áreas econômica,
financeira e de contabilidade, no entanto, o
Alguns tipos de efeitos de enquadramento
princípio básico da irrelevância da informação
ocorrem quando as preferências dos
para o processo de tomada de decisão
indivíduos mudam devido à variações
permanece constante. Uma vez que, segundo
arbitrárias nas informações em vez de refletir
Johnstone (2002), a decisão de continuar ou
e fazer cálculos em todas as dimensões
interromper um investimento em uma tarefa
imagináveis de uma decisão (DRUCKMAN;
deve ser controlada apenas por seus custos e
MCDERMOTT, 2008). Quando problemas,
benefícios futuros e não pelos custos de
opções ou alternativas são enquadrados em
investimentos anteriores. Este efeito tem maior
termos de perdas, os indivíduos tendem a ter
presença em casos que envolvam decisões
um comportamento mais propenso ao risco.
sequenciais e resulta em uma tendência a
No entanto, quando o mesmo problema é
aumentar o compromisso de um curso de
enquadrado em termos de ganhos, os
ação que não vai maximizar os lucros ou
indivíduos tendem a ser avessos ao risco
minimizar os custos (LAING et al., 2014).
( KAHEMAN; TVERSKY, 1979; LAING et al.,
Também, a sensibilidade aos custos
2014).
irrecuperáveis, muitas vezes, leva a
O artigo de Druckman; McDermott (2008) perseverança ou até mesmo ao efeito
explorou o impacto dos estados emocionais ‘escalada’ ou aumento dos cursos
sobre as atitudes de risco e enquadramento normativamente inadequados de ação
das situações de risco dos indivíduos. As (ROODHOOFT; WARLOP, 1999).
considerações emocionais podem agravar ou
Nas pesquisas feitas na área de finanças, os
atenuar a influência de um framing específico.
resultados encontrados comprovam que os
Em outras palavras, a emoção pode fornecer
indivíduos tendem a seguir um orçamento
uma chave importante em explicar a variância
preliminar estipulado, independente dos
em efeitos de enquadramento, incluindo a
resultados dessas ações, demonstrando que,
suscetibilidade a eles e precisam ser
muitas vezes, os investidores tendem a
distinguidas para além da sua valência
investir seus recursos sob efeito dos custos
positiva ou negativa, uma vez que diferentes
perdidos (BORBA; MURCIA, 2005). Para
emoções negativas exercem efeitos opostos.
McAfee et al. (2010) e Arkes; Blumer (1985)
Dessa forma, é preciso complementar o foco
após ter feito um grande investimento
do trabalho cognitivo por meio da integração
afundado, as pessoas têm uma tendência a
da emoção em uma compreensão dos efeitos
investir mais em uma tentativa de impedir o
de enquadramento.
seu investimento anterior de ser
desperdiçado. Quanto maior for o tamanho do
seu investimento perdido, mais elas tendem a
2.4 O EFEITO DOS CUSTOS PERDIDOS
investir, mesmo quando o retorno sobre o
(SUNK COSTS)
investimento adicional parece não valer a
Os custos perdidos, irrecuperáveis ou pena. Isto é, o sentimento de haver investido
afundados são os custos que já foram tempo e dinheiro em vão não agrada
incorridos e não podem ser recuperados administradores, contadores, economistas e
(MCAFEE et al., 2010, MURCIA; BORBA, tomadores de decisão em geral (BORBA;
2006, SILVA; SOUZA; DOMINGOS, 2008). MURCIA, 2005).
Assim, para a tomada de decisão, são
Por exemplo, considere uma situação de um
estritamente irrelevantes (JOHNSTONE, 2002,
investimento já realizado de 100 milhões de
LAING, 2010). Apesar disso, há evidências
reais num projeto, sendo necessários mais 50
que demonstram que estes custos, nem
milhões para finalizar o projeto. Uma nova
sempre são ignorados; isto sugere que as
tecnologia permite fazer um projeto similar por
experiências passadas, tais como os custos
20 milhões, com as mesmas características
perdidos, podem influenciar na maneira que
do original, a decisão óbvia é abandonar o
um indivíduo toma uma decisão (LAING,
projeto original, perdendo os 100 milhões
2010); violando a teoria da utilidade esperada
investidos originalmente. Nessa situação,
e sendo uma das principais fontes de
esse valor já investido é considerado perdido
preocupação de comportamento não racional
e não interfere no processo decisório,
na tomada de decisão (LAING et al., 2014).
devendo, por isso, ser desconsiderado na
análise (SILVA; SOUZA; DOMINGOS, 2008).

Tópicos em Administração - Volume 6


92

Conforme McAfee et al. (2010), muitos dos Neto et al. (2014) sugere que, em algum grau,
exemplos usualmente utilizados para para todos os cenários propostos, os alunos
demonstrar a falácia de custo perdido de Ciências Contábeis acabaram por
consistem de catástrofes resultantes de não adicionar os custos perdidos em suas
se ter ignorando estes custos, como por decisões, sendo que os homens se
exemplo, o programa de energia nuclear mostraram menos propensos à falácia dos
resultou em bilhões de dólares desperdiçados custos perdidos.
e energia cara, e a Guerra do Vietnã resultou
A falácia do custo perdido pode ser evitada
em dezenas de milhares de mortes
se as pessoas pararem de se concentrar em
americanas e apenas adiou o tempo da
investimentos realizados no passado e pensar
queda do Vietnã do Sul.
sobre como podem melhorar o aqui e agora
O estudo de Putten et al. (2010), descobriu (PUTTEN et al., 2010). Contudo, de acordo
que as pessoas que têm uma tendência para com o estudo de McAfee et al. (2010), embora
ruminar sobre eventos passados e, têm maior reagir a custos perdidos seja racional em
dificuldade para se deixar deles, são muitas situações, ignorá-los também pode ser
especialmente propensas a cair na armadilha racional em determinados momentos, por
do custo perdido. Já as pessoas com uma exemplo, em situações que os investimentos
orientação de ação, com maior facilidade de passados não são informativos,
se desprender de eventos passados, são preocupações com a reputação
menos suscetíveis ao efeito custo afundado. (gestor/empresa) não são importantes e, as
Para Roodhooft; Warlop (1999), em cada restrições orçamentárias e de tempo não são
caso, a mera existência de investimento salientes
prévio (em dinheiro ou em tempo) interfere na
Conforme McAfee et al. (2010), em um mundo
análise e na adoção de cursos alternativos de
de incerteza, as perspectivas futuras são
ação, com os quais o gerente seria
informados por decisões passadas; em um
normativamente melhor. Além disso, o efeito
mundo de recursos escassos e tempo finito,
dos custos perdidos se evidencia pelas
as perspectivas futuras são limitadas por
considerações emocionais do tomador de
decisões passadas; em um mundo de
decisão que, muitas vezes, puxam em direção
interação social, as perspectivas futuras são
oposta, e os indivíduos podem optar por adiar
determinadas pela reputação que é
o ‘dia do ajuste de contas com as falhas do
determinada por decisões passadas.
passado’(DRUCKMAN; MCDERMOTT, 2008).
Portanto, reagir à decisões passadas e aos
Já para McAfee et al. (2010), dentre as razões custos perdidos que elas tenham provocado,
de incorrer aos custos perdidos, estão: a muitas vezes, é racional. As pessoas podem
reputação e comprometimento do tomador de investir mais racionalmente caso tenham
decisão para com a equipe; as restrições investido mais no passado, porque maiores
financeiras que podem levar as empresas ou investimentos passados podem indicar que o
indivíduos à ficar com projetos que já não sucesso está mais à mão e, muitas vezes,
parecem ser a melhor escolha; além disso, reduz a capacidade ou vontade de
dado o tempo limitado para investir em empreender em investimentos alternativos,
projetos, os indivíduos têm menos tempo dada a presença de limitações financeiras e
durante o qual tentar amortizar os custos em de tempo.
experimentar novos projetos e, portanto,
podem ser racionalmente menos propensos a
abandonar projetos atuais. 3 METODOLOGIA DO ESTUDO
Pesquisas prévias indicam que adultos mais Este estudo se caracteriza como uma
velhos (mais de 60 anos) estão menos sujeitos pesquisa descritiva, com relação ao horizonte
à falácia dos custos perdidos em comparação temporal é transversal (cross-section), com
com jovens adultos estudantes universitários dados que descrevem as variáveis em um
(STROUGH et al., 2011). A pesquisa de único ponto de tempo e longitudinal
Strough et al. (2011) demonstrou que, em descrevendo as variáveis ao longo do tempo
comparação com os adultos mais jovens, (HAIR JR et al., 2005a; WOOLDRIDGE, 2011).
adultos mais velhos foram menos propensos a Para Hair Jr et al. (2005b) uma população
cometer a falácia dos custos perdidos e mais “(...) é o total de todos os elementos que
propensos a tomar decisões normativas compartilham algum conjunto comum de
corretas. Já o resultado do estudo de Araujo características”. Neste sentido, esta é

Tópicos em Administração - Volume 6


93

constituída por estudantes de graduação do forma, os estudantes precisam se posicionar


setor de Ciências Sociais Aplicadas em uma como gestores e avaliar seis proposições que
universidade pública do estado do Paraná no descrevem o quanto de trabalho, tempo e
ano de 2015. Ao final, a amostra foi composta dinheiro já foram despendidos no projeto A,
de estudantes de graduação em ou seja, uma orientação direcionada ao
Administração do período noturno, entre o passado, bem como, descrevem os
primeiro ao quarto ano, perfazendo um total montantes remanescentes de trabalho, tempo
de 226 alunos. e dinheiro, uma orientação voltada ao futuro.
Nas declarações elaboradas, foi utilizado um
Com relação a coleta de dados utilizou-se o
percentual de 75% para o que já foi
método de levantamento (survey), abordando-
despendido e 25% para descrever o que
se uma amostra não probabilística por
ainda resta, ou seja, o trabalho que precisava
conveniência (GIL, 2008).
ser feito, tempo e orçamento restante. Estes
percentuais foram estabelecidos em
conformidade com o estudo de Karevold;
3.1 PARTICIPANTES, INSTRUMENTO E
Teigen (2010). Sendo assim, a questão central
COLETA DOS DADOS
das declarações revelam os motivos,
O questionário aplicado baseou-se no estudo intenções e planos dos respondentes na
de Karevold; Teigen (2010), o qual descrevia continuação com o projeto A ou se migram
um cenário fictício contendo problemas de para o projeto B.
custos perdidos apresentados a dois públicos
No survey 2, utilizou-se do mesmo cenário
distintos: i) gestores de nível médio e ii)
com o objetivo de verificar as inferências sob
estudantes de graduação em psicologia. No
as declarações. Contudo, foram dispostas oito
presente estudo, foram aplicados três
preposições, as quais descreviam o quanto
questionários que descrevem o mesmo
de trabalho, tempo e dinheiro já foram
cenário, mas com preposições divergentes,
despendidos no projeto A, bem como, os
com o objetivo de avaliar a percepção da
montantes remanescentes de trabalho, tempo
amostra objeto deste estudo frente a um
e dinheiro. Todavia, empregou-se percentuais
problema de enquadramento e custos
divergentes dos exercidos anteriormente, os
perdidos (ver Apêndice A). Os questionários
quais variam entre 20% a 70% de acordo com
foram distribuídos em turmas distintas de
o proposto no estudo de Karevold; Teigen
estudantes de graduação em Administração,
(2010). Por fim, no survey 3, são elaboradas
do primeiro ao quarto ano, os quais foram
seis preposições, com percentuais pré-
convidados a dar a sua interpretação a partir
estabelecidos de 50% para o que já foi
de declarações que descrevem o estado atual
despendido, e 50% para os montantes
de um projeto.
restantes, nesse caso, subdividiu-se em dois
Os questionários foram entregues de forma grupos de respondentes um com o foco nas
aleatória, de forma que a distribuição foi declarações passadas e outro nas
realizada da seguinte forma: a) survey 1, declarações voltadas ao futuro.
aluno do primeiro ano em Administração, b)
Cabe ressaltar que, entre as preposições
survey 2, alunos do segundo ano em
descritas nos três surveys, predomina a
Administração; e c) survey 3, alunos do
divergência quanto aos termos linguísticos
terceiro e quarto ano de Administração; este
empregados. Neste sentido, o objetivo deste
último foi distribuído entre turmas de anos
artigo centra-se na avaliação da percepção
distintos visando equalizar o número de
do problema proposto e, por consequência, a
alunos em cada survey. No primeiro survey, é
tomada de decisão do respondente. Para
descrito um cenário fictício, conforme o
Karevold; Teigen (2010), frases como maior
estudo de Karevold; Teigen (2010), em que há
do que/menor do que, e acima/abaixo,
avaliação entre dois projetos, denominados
sugerem que a meta deve ser contrastada
projetos A e B. Neste cenário, o projeto A já
com os valores de referência. Já “mais do que
iniciado, passa por uma ameaça de mercado,
70%” é claramente positivo, ao passo que
em que dois concorrentes lançam ideias
“inferior a 80%” indica um déficit. Da mesma
melhores que o projeto em questão.
forma, “quase” ou “cerca de 80%” é
Alternativamente, surge outro projeto,
claramente positivo, isto é, termos que
chamado de projeto B que caracteriza-se
implicam comparações para atingir a meta e
como mais promissor que o já elaborado, bem
“menos de 80%” é claramente inferior.
como, os lançados pelos concorrentes. Desta

Tópicos em Administração - Volume 6


94

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.2 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS Abaixo seguem os resultados para cada uma
das aplicações do cenário de tomada de
A análise dos dados foi realizada pelo
decisão em investimentos com as suas
software SPSS (Statistical Package for Social
diferentes declarações para cada grupo de
Sciences). Para verificar a sensibilidade aos
respondentes.
custos perdidos entre as amostras definidas,
os dados coletados foram segmentados por
gênero, como um diferencial deste estudo,
Survey 1:
uma vez que, estudos realizados, como o de
Karevold; Teigen (2010), não realizam esta Com base na literatura da área de custos
mesma diferenciação. Após a segmentação perdidos, comprova-se uma tendência a
dos dados, orientadas por gênero, a análise aumentar o compromisso de uma ação que
se deu por meio do teste binomial, não vai maximizar os lucros ou minimizar os
caracterizado como um teste não- custos (LAING et al., 2014), pois os indivíduos
paramétrico, ou seja, não pressupõe a tendem a seguir um orçamento preliminar
normalidade das variáveis testadas. O teste estipulado, independentemente dos
binomial compara a distribuição de uma resultados dessas ações (BORBA; MURCIA,
variável dicotômica com uma determinada 2005); persistindo em custos normativamente
probabilidade obtida da amostra. Neste inadequados de ação (ROODHOOFT;
sentido, para este estudo, foi empregado WARLOP, 1999) na tentativa de impedir o
como nível de significância o valor de 0,05 investimento anterior de ser desperdiçado
sendo este comumente utilizado nas (MCAFEE et al., 2010). Por isso, se previu que
pesquisas de Ciências Sociais Aplicadas. os respondentes se expressariam em termos
das realizações e custos passados, optando
pela falácia do custo perdido.

Tabela 1: Intenção de tomada de decisão com base em declarações passadas e futuras do


trabalho, orçamento e tempo de um projeto
Quadro orientado para o passado Quadro orientado para o futuro

Tempo Orçamento Tempo


Trabalho Orçamento Trabalho
Gênero usado restante restante
feito (%) gasto (%) restante (%)
(%) (%) (%)

Continuar com o
55 67 62 45 43 33
Projeto A
Masculino

Mudar para o
45 33 38 55 57 67
Projeto B

Sig 0,644 0,044** 0,164 0,644 0,441 0,044**

Continuar com o
72 69 66 41 38 52
Projeto A
Feminino

Mudar para o
28 31 34 59 62 48
Projeto B

Sig 0,024** 0,061* 0,136 0,458 0,265 1,000

Nota: *** p<0,001; ** p<0,05; *p<0,10. Dados da pesquisa gerados pelo software SPSS.
Fonte: Os autores, 2015.
A Tabela 1 apresenta os resultados obtidos orientado para o futuro; além da segregação
do primeiro questionário aplicado. No lado por gênero. Os resultados demonstram que,
esquerdo da tabela é apontado o percentual com base na orientação passada sobre o
obtido das declarações passadas e, do lado trabalho, orçamento e tempo gastos, as
direito, os dados referentes ao framing mulheres sofreram mais o efeito dos custos

Tópicos em Administração - Volume 6


95

perdidos do que os homens, principalmente, Por outro lado, a característica mais


com relação ao trabalho (p<0,05) e conservadora não é predominante no gênero
orçamento (p<0,10) despendidos no projeto, masculino. Este gênero permaneceria com o
replicando os resultados de Araujo Neto et al. projeto inicial apenas quanto considerado o
(2014). Para o gênero masculino, a falácia dos valor investido, todavia, ao realizar uma
custos perdidos foi observada no orçamento prospecção futura, os homens tendem a
já gasto com o projeto (p<0,05), nesse caso, considerar o fator “tempo restante” uma
a decisão é por continuar com o Projeto A. condição importante para tomada de decisão
em novos projetos, o orçamento já investido
Para as declarações orientadas para o futuro,
no projeto anterior não se mostrou significativo
as opiniões estavam divididas de forma mais
neste estudo.
equilibrada entre aqueles que decidiam que
mudariam para o projeto B e aqueles que
acreditavam na continuação do Projeto A,
Survey 2:
resultados semelhantes ao estudo de
Karevold; Teigen (2010). Um achado Nesta fase, os progressos no Projeto A foram
interessante para esse framing é que os enquadrados em duas maneiras diferentes:
homens optaram por mudar de projeto com duas declarações em cada conjunto (trabalho
base no tempo restante, resultado e orçamento) foram enquadradas em termos
significativamente estatístico (p<0,05). de realizações do passado, ao passo que as
outras duas declarações foram orientadas
Assim, percebe-se que apesar de todos os
para o futuro. Na realidade, as declarações
respondentes estarem no mesmo ano de
sobre o trabalho feito e sobre o orçamento
graduação (1º ano) e do mesmo curso
gasto podem ser vistas como formas
(Administração), o gênero apresenta-se como
alternativas de descrever a mesma realidade:
um fator diferenciador para a tomada de
se 75% do trabalho (ou qualquer outra
decisão em investimentos frente aos cenários
percentagem entre 70% e 80%) é feita, em
propostos. Corrobora-se, portando, no perfil
seguida, ‘mais do que 70%’ ou ‘menos que
feminino a tendência de se preservar na
80%’, são formas opcionais admissíveis de
orientação para o passado, no que já foi
descrever esta proporção (KAREVOLD;
investido e nos esforços já dispensados, não
TEIGEN, 2010). Também neste questionário,
se evidenciando uma maior propensão aos
admite-se que o progresso descrito em
riscos de um novo negócio auspicioso. Este
termos de realizações passadas pode ser
posicionamento corrobora com os estudos de
interpretado como um argumento para a
Kwark; Moon (2010), Borba; Murcia (2005),
continuação do investimento em um projeto.
quanto a influente tendência da continuação
de investimentos em projetos com
expectativas não promissoras.

Tabela 2: Intenção de tomada de decisão com base em declarações passadas e futuras do


trabalho, orçamento e tempo de um projeto
Preferência dos respondentes para o progresso do Projeto com base em declarações sobre o trabalho e orçamento já
investidos e à investir
Quadro orientado para o passado Quadro orientado para o futuro
Gênero Trabalho feito Orçamento gasto Trabalho restante Orçamento restante
>70% <80% >70% <80% <30% >20% <30% >20%
Continuar com o 73 43 87 33 60 57 70 50
Projeto A
Masculino

Mudar para o 27 57 13 67 40 43 30 50
Projeto B
Sig 0,016** 0,585 0,000*** 0,099* 0,362 0,585 0,043** 1,000
Continuar com o 90 33 87 30 43 43 63 47
Projeto A
Feminino

Mudar para o 10 67 13 70 57 57 37 53
Projeto B
Sig 0,000*** 0,099* 0,000*** 0,043** 0,585 0,585 0,200 0,856
Nota: *** p<0,001; ** p<0,05; *p<0,10. Dados da pesquisa gerados pelo software SPSS.
Fonte: Os autores, 2015.

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Os resultados que estão resumidos na Tabela ambos os projetos. Com exceção do


2 mostram um alto grau de concordância orçamento restante (<30%) para os homens
entre os entrevistados: declarações que ficou claro a decisão por continuar com o
orientadas para o passado referentes a um Projeto A (p<0,05). Nota-se a mudança de
limite inferior (mais de 70%), tanto para opinião dos participantes por meio do efeito
trabalho e dinheiro são claramente de enquadramento devido a pontos de
percebidos como argumentos para continuar referência explícitos, o que parece ser
investindo no Projeto A, dados bem importante não é o quanto for feito, ou
semelhantes ao estudo de Karevold; Teigen deixado de fazer, mas se esse montante é
(2010). Para os homens o trabalho já realizado descrito como grande (mais do que X) ou
é motivo para manter o mesmo projeto pequeno (menos de Y) (KAREVOLD; TEIGEN,
(p<0,05) e para o orçamento (p <0,001 por 2010).
teste binomial). As mulheres apresentaram
resultados bem semelhantes aos homens,
sendo que tanto para o trabalho quanto para Survey 3:
o orçamento já investidos, decidiu-se por
No terceiro cenário de investimento, ao invés
continuar com o projeto A (p <0,001); tal
de se concentrar nas diferenças entre o que
intenção de continuar os investimentos no
já foi feito e o que ainda há para fazer, o foco
mesmo projeto condiz com a teoria dos
esteve em quão perto um valor real está do
custos perdidos.
ponto de referência, para isso, utilizou-se o
No entanto, quando as demonstrações são termo ‘quase’. Ou seja, uma parte do trabalho
expressas por limites superiores (inferior a que está quase na metade realizado não é o
80%), se interpretou como sugestões para bastante feito, assim, cai abaixo do ponto de
investir na alternativa B. Para os respondentes referência. Outra mudança nesta aplicação é
masculino, o investimento de menos de 80% que se considerou somente o gênero
do orçamento é fato para mudar de projeto masculino como respondentes e, se dividiu os
(p<0,10), já para o gênero feminino tanto o grupos em: grupo 1 – alunos do 3° ano da
trabalho (p<0,10) quanto o orçamento graduação e; grupo 2 – alunos do 4° ano da
(p<0,05) aplicados são considerados para a graduação em Administração. Em
troca de projeto. semelhança ao estudo original (KAREVOLD;
TEIGEN, 2010), se previu que ao projeto que
Para as orientações voltadas para o futuro,
está quase 50% feito, será dada uma
quando as declarações demonstram que há
avaliação positiva, ao passo que um projeto
menos do que 30% do trabalho/orçamento
onde quase 50% ainda precisa ser feito seria
restantes e mais do que 20% do
dada uma interpretação mais negativa,
trabalho/orçamento restantes, as intenções de
mesmo que este projeto, estritamente falando,
ação não mostraram muita diferença entre
esteja mais avançado do que o antigo.

Tabela 3: A intenção de decisão de investimento em um projeto com base em diferentes


declarações de progresso
Preferência dos respondentes para o progresso do Projeto com base em seis diferentes declarações, quando
"quase" 50% está feito ou "quase" 50% permanece por fazer

Grupo 1: Quadro orientado para o passado Grupo 2: Quadro orientado para o futuro

Trabalho Orçamento Tempo Trabalho Orçamento Tempo restante


feito (%) gasto (%) usado restante restante (%) (%)
(%) (%)

Continuar com o Projeto A 42,6 42,6 31,5 26,8 19,5 19,5

Mudar para o Projeto B 57,4 57,4 68,5 73,2 80,5 80,5

Sig 0,341 0,341 0,009** 0,004** 0,000*** 0,000***

Nota: *** p<0,001; ** p<0,05; *p<0,10. Grupo 1: estudantes do 3º ano e Grupo 2: estudantes do 4º ano.
Fonte: Os autores, 2015.

Tópicos em Administração - Volume 6


97

Ao contrário do que se esperava, houve um 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


maior equilíbrio nas escolhas dos
O estudo atingiu o objetivo de verificar o efeito
participantes do Grupo 1, com uma leve
do enquadramento e dos custos perdidos na
interpretação das declarações como
tomada de decisão sobre investimentos,
argumentos de apoio à mudança dos
considerando as variáveis de trabalho,
trabalhos para o projeto B, com significância
orçamento e tempo aplicados em uma
para a declaração de ‘quase metade do
perspectiva passada e futura de um projeto.
tempo usado’ (teste binomial, p<0,05). Já
As evidências encontradas na presente
como previsto, as declarações do Grupo 2,
pesquisa contribuem para aumentar a
voltadas para o futuro, ou seja, quanto do
compreensão do efeito do enquadramento e
trabalho, orçamento e tempo ainda restam,
dos custos perdidos em decisões de
foram interpretadas como preferências para o
investimentos. Os achados deste estudo,
Projeto B. No cenário de ‘quase metade do
demonstram que pequenas alterações, tanto
trabalho precisa ser feito’ foi decidido trocar
linguísticas, quantitativas (percentual) ou de
de projeto (p<0,05) e, quando ‘ainda há
pontos de referência, na forma de
metade do orçamento/tempo restantes’ foi
enquadramento do progresso de um projeto,
mais fortemente interpretado como motivo de
altera muito a intenção da tomada de decisão
mudança de projeto (p<0,001).
com base em continuar com o mesmo ou
Em uma segunda análise, ambos os grupos mudar para a opção alternativa.
também foram divididos de acordo com quem
Nas declarações voltadas para o passado, foi
já trabalha em alguma área que envolve
encontrado o efeito dos custos perdidos nas
tomada de decisão e quem não trabalha.
decisões dos respondentes, sobretudo para o
Nesse caso, tanto os respondentes que
gênero feminino, que mais facilmente
trabalham (n=18) e os que não trabalham
considerou o trabalho, orçamento e tempo já
(n=36) não mostraram diferenças
investidos na decisão futura de continuar com
significativas nas intenções de tomada de
o projeto, fato considerado irrelevante perante
decisão, replicando os mesmos resultados
a teoria de finanças. Já com as descrições
obtidos pelo grupo inteiro demonstrado na
orientadas para o futuro (com foco no
tabela 3: no quadro voltado para o passado
trabalho, dinheiro e tempo remanescentes), a
se percebeu uma leve tendência em mudar
preferência para a opção de custos perdidos
para o projeto B e, no quadro voltado para o
foi amenizada e quase desapareceu.
futuro, as decisões foram fortemente
Ademais, ao se verificar também os dois
indicativas da mudança de projeto.
últimos anos de graduação, evidencia-se uma
Neste momento do estudo, não foi objeto da percepção diferenciada para tomada de
pesquisa investigar o gênero, mas sim se os decisão de investimentos, de modo que os
últimos anos de formação dos formandos expressam maior firmeza para
administradores e a experiência profissional migrar a um novo projeto mais promissor
apresentam diferenças de percepções. Neste (efeito framing) frente às considerações
contexto, evidencia-se o grupo 1 (3º ano de propostas quanto ao que resta do projeto já
Administração) com uma preocupação maior investido, sendo menos influenciáveis pelo
na questão “tempo usado” como um aspecto efeito sunk cost.
de relevância para alteração para um projeto
Alguns resultados deste estudo estão em
mais promissor, os outros pontos como
linha com os achados de Karevold; Teigen,
“trabalho feito e orçamento gasto” não
2010, outros, entretanto, trazem contribuições
demonstrou relevância estatística, de modo
não apresentadas na pesquisa dos autores,
que o grupo não apresentou-se muito
suscitando assim a sua diferenciação e
perceptível aos demais fatores. Todavia, ao
evidenciando novas contribuições para a
analisar o posicionamento do Grupo 2 (4º
comunidade científica. Neste sentido, esta
ano), é observado um perfil mais solidificado
pesquisa traz sua contribuição com
quanto aos quesitos restantes do projeto (o
ineditismo, ao avaliar gêneros, experiências
que precisa ser feito, orçamento e tempo
profissional e estudantes de graduação do
restantes), de forma que estes fatores são
curso de Administração, uma vez que os
predominantes direcionadores para escolha
estudos nacionais geralmente realizam as
de mudança de um projeto, neste caso o
pesquisas apenas com estudantes ou
projeto B.
profissionais da área contábil ( ALTOÉ et al.,
2006; BARRETO et al., 2013). Com a

Tópicos em Administração - Volume 6


98

característica de um primeiro estudo nacional, que as mulheres tendem a ser mais


abarcando os cenários, propostas e propensas a sentir esse efeito.
características metodológicas diferenciadas
Tem-se como limitação de pesquisa a
para investigação do efeito sunk cost e efeito
ausência da diferenciação da importância das
framing, tem-se como intenção a motivação
variáveis do trabalho, orçamento e tempo
para o maior aprofundamento nas temáticas
utilizados nos projetos no geral, assim, com
investigadas e, assim como outros estudos,
as respostas auto declaradas não pode-se
não esgota ou encerra o assunto, muito pelo
distinguir se o processamento mental dos
contrário, é um ingresso para novas
respondentes pesou mais um fator em relação
pesquisas.
ao outro e, nem se levou em consideração os
O estudo contribui para a teoria dos custos aspectos subjetivos no momento da escolha.
perdidos, na medida que demonstra que Neste aspecto, emerge como sugestões para
pequenas alterações no framing do problema estudos futuros a abordagem destes
altera sensivelmente a tomada de decisão em aspectos. Não obstante ao exposto no estudo,
continuar ou não os investimentos em sugere-se ainda a replicação do modelo
determinado projeto. Também vem a somar utilizado na investigação do comportamento
mais resultados nas pesquisas já feitas sobre de profissionais tomadores de decisão ou
a falácia dos custos perdidos nas decisões administradores formados, com o intuito de
em geral e, principalmente, demonstrando verificar se as percepções são alteradas a
partir da ascensão profissional.

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processo decisório dos indivíduos: evidências dos
Sometimes we have too much invested to
estudantes de graduação de uma universidade
gamble, Journal of Economic Psychology, vol. 18,
federal, UnB Contábil, Brasília, vol. 9, n. 2, p. 223-
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247, jul./dez. 2006.

Tópicos em Administração - Volume 6


100

APÊNDICE A

Cenário de avaliação

Uma organização iniciou o desenvolvimento de uma nova solução técnica que se espera que seja
melhor do que a maioria dos concorrentes no mercado. O empreendimento está orçado em 10
milhões de reais e deve levar 2 anos. Depois que o projeto (''Projeto A") foi iniciado, dois dos
concorrentes lançaram soluções técnicas que são melhores do que o Projeto A. Ao mesmo tempo,
uma equipe de desenvolvimento da organização inventou uma nova solução técnica (''Projeto B")
que parece ser mais promissora tanto do projeto A, quanto das soluções dos concorrentes.

Agora, o Projeto A precisa de 1,0 milhão para chegar à próxima etapa. Já o Projeto B precisa de 1,0
milhão para seguir adiante para a próxima etapa. O grupo de liderança precisa decidir se vai
prosseguir com o Projeto A ou utilizar estes recursos no Projeto B. Alguns estão preocupados, pois
tudo que já se investiu no Projeto A pode ser perdido ou desperdiçado, enquanto outros estão
focados nas oportunidades promissoras associadas ao Projeto B. Na reunião, os líderes defendem
se eles devem continuar com o Projeto A ou, em vez disso, prosseguir com o Projeto B.

O que você supõe como a melhor solução considerada para cada líder?

A: devemos continuar com o Projeto A;

B: devemos mudar para o Projeto B.

Tópicos em Administração - Volume 6


101

Capítulo 8

Caio Saab Orsini

Resumo: O presente artigo apresenta o Planejamento Tributário como uma


eficiente ferramenta da Engenharia de Custos utilizada por uma entidade na
busca pela redução legal de sua carga tributária, possibilitando a redução nos
custos oriundos dos setores fiscal e tributário e dos custos operacionais e
proporcionando a utilização dos recursos em novos investimentos. A metodologia
seguida foi a do método dedutivo, adotando-se os critérios da pesquisa básica,
qualitativa, exploratória e bibliográfica. Inicia-se esclarecendo a definição de
Planejamento Tributário, seu papel num processo de Gestão Tributária (a
posteriori) e os profissionais envolvidos no processo e na gestão. Explica-se o
significado dos termos Elisão, Evasão e Elusão Fiscal e elucida-se sua relação com o
Planejamento Tributário. Esclarece-se aspectos essenciais da estrutura conceitual
contábil para o adequado entendimento do leitor quanto à relação da
Contabilidade e suas principais ramificações com a Engenharia de Custos e ao
modo como ambas as áreas afetam e são afetadas pelo Planejamento Tributário
no processo de Gestão de Custos. Apresenta-se aspectos do Simples Nacional, do
Spedinho e da DeSTDA, questionando a classificação do primeiro como exemplo
de Planejamento Tributário e a viabilidade econômico-financeira dos demais num
ambiente empresarial estruturado com um adequado Planejamento Tributário.
Conclui-se com a ressalva da posição do autor quanto a escolha da melhor
ferramenta a ser utilizada no Planejamento Tributário e destaca-se, levando em
consideração o atual cenário econômico brasileiro e sua enorme carga
tributária, a atual essencialidade do mesmo como meio de garantir maior
competitividade no mercado e a continuidade da empresa.

Palavras-chave: Planejamento Tributário. Engenharia de Custos. Contabilidade de


Custos.

Tópicos em Administração - Volume 6


102

1 INTRODUÇÃO (2014) exemplifica tal situação: “... numa


grande empresa multinacional, totalmente
Segundo ZANLUCA (2014), o planejamento
informatizada e cujo controle fiscal era
tributário é a metodologia para se obter um
‘impecável’, o treinamento do escriturador
menor ônus fiscal sobre operações ou
fiscal foi deixado de lado, por se achar
produtos, utilizando-se meios legais.
que a ‘despesa era desnecessária, pois já
É comumente, porém erroneamente, temos controles e informatização
chamado de elisão fiscal. Esta suficientes’. Por simples falta de
representa, resumidamente falando, os meios conhecimento da matéria, este funcionário
lícitos de se não pagar tributos, enquanto o deixou de escriturar vários créditos de
planejamento tributário é um desses meios. impostos recuperáveis, como IPI, ICMS, PIS e
Melhor esclarecendo, planejamento tributário COFINS não cumulativos.”; E a seguir, o autor
e elisão fiscal caminham lado a lado, questiona: “De que adianta ‘economizar’
contudo, um planejamento mal elaborado R$ 250,00 cancelando um curso de
ou mal executado pode resultar em evasão atualização do IPI e do ICMS para o
fiscal, ou ainda, elusão, descaracterizando-o. profissional responsável pela escrituração de
tais impostos dentro da empresa e
Vale ressalvar que não se deve confundir
desperdiçar milhares (ou até milhões!) de
elisão fiscal com evasão fiscal, sendo essa
reais por erro de interpretação nas
ocorrente de meios ilícitos, ou seja, evasão
mudanças das normas fiscais?”
fiscal é sonegação de tributos, ou com elusão
fiscal, que é a simulação de um negócio
jurídico (a serem melhor detalhados
2 METODOLOGIA
posteriormente).
Este artigo baseia-se no estudo de diversos
ZANLUCA (2014) ainda esclarece que a base
aspectos do planejamento tributário, em
de um adequado planejamento fiscal é a
especial sua conceituação e seus possíveis
existência de dados regulares e confiáveis, reflexos na estrutura de custos da
pois, do contrário, o planejamento ficará organização.
sujeito a dados avulsos e não regulares,
Utilizou-se nesse trabalho a pesquisa básica
incentivando, assim, o uso de estimativas,
(natureza), qualitativa (forma de abordagem
agravando a possibilidade de erros e
avaliações equivocadas. Assim, sabendo do problema), exploratória (objetivos),
que a contabilidade proporciona um sistema bibliográfica (procedimentos técnicos). O
de registros permanentes das operações, é método escolhido foi o método do raciocínio
possível tomá-la como pilar do planejamento dedutivo.
tributário.
No processo de pesquisa, adotou-se um
Como consequência dos fatos supracitados, critério de seleção de materiais (artigos, livros,
o contabilista se destaca na elaboração e publicações, etc), com o objetivo de
execução do planejamento tributário, pois é conceituar e exemplificar o planejamento
quem comanda as diversas operações tributário e
internas da empresa, além de ser, em maior
termos adjacentes cuja compreensão se faz
parte dos casos, o responsável por
necessária para o melhor entendimento do
múltiplos controles, conciliações e apurações
trabalho. Assim, tomou-se como maior desafio
tributárias.
o esclarecimento quanto a escolha da melhor
Essa interação do contabilista com as ferramenta
operações internas da empresa leva o
a compor o planejamento tributário, visando
mesmo a
a maior redução possível nos custos da
interagir com diversas equipes internas, organização.
proporcionando ao profissional reconhecer
Com base nesse fato, torna-se vital a
deficiências e outros pontos críticos que
conceituação de Elisão, Evasão e Elusão
podem ocasionar falhas ao longo da
Fiscal, a explicação de onde o planejamento
execução do planejamento.
tributário se enquadra em um processo de
A gestão deve ser focalizada em pessoas, gestão tributária,
não em processos e controles, evitando as
a apresentação da estrutura conceitual da
situações mais excêntricas. ZANLUCA
contabilidade e de sua relação com a

Tópicos em Administração - Volume 6


103

Engenharia de Custos, a análise da influência ordenamento jurídico. Consequentemente, ao


do planejamento tributário no fluxo de caixa se constatar um ilícito, não se tratará mais de
de uma empresa, o um planejamento tributário. Todavia, o ilícito
poderá ocorrer devido a uma má elaboração
questionamento quanto a classificação do
ou má execução do planejamento. Assim,
simples nacional como meio de planejamento
constata-se o crime tributário,
tributário, a elucidação quanto aos aspectos
descaracterizando o planejamento. Nesse
do SPED do Simples Nacional (apelidado
entendimento, entende-se que os termos
pelos profissionais da área como “Spedinho”)
podem ser igualizados.
e da DeSTDA obrigada aos contribuintes do
ICMS optantes pelo Simples Nacional, além Em contrapartida, estudos apontam a
do questionamento quanto a viabilidade existência de duas espécies de elisão
econômico- financeira de ambas para uma fiscal.
organização optante pelo regime citado.
ZANLUCA (2014) apresenta essas espécies
Buscando um melhor entendimento para o como “aquela decorrente da própria lei”,
leitor, esse artigo teve os casos supracitados onde “o próprio dispositivo legal permite ou
divididos em 9 capítulos estrategicamente até mesmo induz a economia de tributos”, e “a
ordenados para uma mais fácil absorção das que resulta de lacunas e brechas existentes
ideais e conceitos neles apresentados pelos na própria lei”, que “contempla hipóteses em
autores. que o contribuinte opta por configurar seus
negócios de tal forma que se harmonizem
com um menor ônus tributário, utilizando-se
3 ELISÃO, EVASÃO E ELUSÃO FISCAL de elementos que a lei não proíbe ou que
possibilitem evitar o fato gerador de
LEAL (2014) explica que a juridicidade do
determinado tributo com elementos da própria
planejamento tributário depende da
lei”. Nessa interpretação nota-se clara
compatibilidade do mesmo com diversas
semelhança do conceito de planejamento
regras e princípios constitucionais, indo
tributário com a segunda espécie de elisão
além da simples legalidade aparente da
fiscal, o que permite concluir pela presente
adoção de medidas jurídicas e comerciais
pesquisa, que o termo “planejamento
com o intuito de se recolher menos tributos
tributário” se aplica dentro do termo “elisão
ou que impliquem no adiamento da ocorrência
fiscal”.
do fato gerador.
LEAL (2014) ainda esclarece que a
O planejamento tributário envolve a adoção
verificação da elisão ocorre, na maioria dos
de medidas jurídicas ou econômicas que
casos, em momento anterior ao que
possibilitem a redução ou eliminação dos
costumeiramente é verificada a ocorrência
ônus tributários e que estejam nos limites da
do fato gerador, em contrapartida da evasão
ordem jurídica.
fiscal, que é verificado após. Essa última
Como LEAL (2014) apresenta, ao se estudar conceitua-se como os meios ilícitos de se
o planejamento tributário, termos como evitar a tributação. O autor a apresenta como
elisão, evasão e elusão, se fazem frequentes, a prática pelo contribuinte de atos que
ainda que não exista um conceito único para omitam da autoridade fiscal o surgimento da
os tais, nem na doutrina tampouco, na obrigação tributária.
jurisprudência.
A doutrina sugere ainda, o caso de Elusão
O autor conceitua Elisão Fiscal em seu trabalho Fiscal, também conhecida na literatura
como “a prática de um ato ou celebração de pesquisada, por “Elisão Ineficaz”. Nessa, o
negócio legal que vise a isenção, não- sujeito passivo simula um negócio jurídico,
incidência ou incidência menos onerosa do visando a dissimulação da ocorrência do
tributo”, dizendo que essa se trata de um fato gerador. LEAL (2014) a conceitua
planejamento tributário que se enquadra no como um ardil caracterizado pelo abuso das
ordenamento pátrio. formas, uma “forma jurídica atípica, a rigor
lícita, com escopo de escapar artificiosamente
Do pressuposto acima, surge a dúvida
da tributação”.
quanto à igualdade do termo “planejamento
tributário” com o termo “elisão fiscal”.
Ambos pressupõem uma conduta lícita, em
outras palavras, que esteja de acordo com o

Tópicos em Administração - Volume 6


104

4 PLANEJAMENTO E GESTÃO TRIBUTÁRIA atividades, propriamente ditas. Logo, na


auditoria tributária, o processo consiste em:
Tem-se a partir desse ponto, o entendimento
a) Corrigir erros de interpretação das
que o objetivo do planejamento tributário é a
obrigações tributárias e de execução das
redução da carga tributária incidente nas
rotinas fiscais da empresa; b) Evitar
atividades dos contribuintes. Entretanto, para
contingências fiscais e pagamento indevido
obter- se sucesso na execução do mesmo,
de tributos; c) Buscar e implantar meios lícitos
deve-se antes, realizar uma série de estudos
de economia tributária.
que servirão de base para o desenvolvimento
do planejamento.
Esse estudo prévio tem aspectos que 5 ESTRUTURA CONCEITUAL DA
variam de acordo com a atividade que é CONTABILIDADE
desenvolvida em cada empresa. De uma
Como já mencionado anteriormente, a figura
forma genérica, elencam-se os seguintes
do contabilista ganha destaque ao longo do
aspectos a serem analisados: A interpretação
planejamento tributário. Para melhor
da lei quanto a hipótese de incidência dos
entender o assunto, essa seção traz um
tributos, ou seja, a situação abstrata apresenta
resumo da estrutura conceitual básica da
na lei; A aplicação da hipótese ao caso
contabilidade objetivando demonstrar um
concreto, em outras palavras, a fato gerador;
pouco do conhecimento que, não só o
O gerenciamento do planejamento; O
contabilista, mas sim todo profissional deve
acompanhamento do mesmo ao longo de sua
ter para que possa implantar um
execução; A defesa prévia e os riscos
planejamento tributário eficiente e nortear de
envolvidos na mesma quanto ao montante
maneira eficaz um processo de gestão
que se pretende economizar.
tributária.
Tais aspectos conduzem o profissional, a
Iniciam-se sobre os princípios fundamentais
relacionar, respectivamente para cada caso
da contabilidade, totalizados em sete
supracitado, uma finalidade do
princípios, são eles: Entidade, Continuidade,
planejamento tributário. Sabendo que todos
Oportunidade, Registro pelo Valor Original,
ocorrem simultaneamente. Entre os aspectos
Atualização Monetária, Competência,
citados, estão: a) Evitar a incidência do fato
Prudência. Para entender sua importância
gerador do tributo; b) Postergar o
e do que exatamente cada princípio trata,
pagamento do tributo de modo a não
apresenta-se uma breve explicação sobre os
provocar incidência de contingências fiscais;
mesmos:
c) Reduzir o montante, a alíquota ou a base
de cálculo do tributo. O princípio da Entidade garante a autonomia
patrimonial, ou seja, a diferenciação de um
Assim, pode-se expor facilmente, que o
patrimônio particular no meio dos patrimônios
planejamento tributário resulta de um
existentes. Em outras palavras, o patrimônio da
adequado processo de gestão tributária,
Entidade não se confunde com o patrimônio
sendo esse último o processo de
do dono ou dos sócios.
gerenciamento dos aspectos tributários de
uma empresa que visa controlar as O princípio da Continuidade estabelece que a
operações diretamente relacionadas com vida definida ou provável da Entidade deve
tributos. ser considerada no momento da classificação
e avaliação das mutações patrimoniais, sejam
Deve-se entender que o processo de
elas quantitativas ou qualitativas.
administração tributária tem que atingir todos
os departamentos que influenciam a geração O princípio da Oportunidade representa a
de rotinas fiscais. É óbvio que o zelo fica tempestividade e a integridade do registro do
sobre o departamento de apuração de patrimônio e suas mutações, determinando
impostos da empresa. Portanto, um foco que o mesmo seja feito imediatamente e com a
excessivo nesse departamento é muito extensão correta, independente das causas
comum, o que pode resultar em um alto índice originárias.
de falhas no processo.
O princípio do Registro pelo Valor Original
Como sugere o nome, a gestão tributária determina que os componentes patrimoniais
visa adequação, planejamento e revisão dos devam ser registrados pelo valor original da
processos, ou seja, objetiva a administração, o transação com o mundo exterior e expressos
controle, e não apenas a execução das a valor presente na moeda corrente do

Tópicos em Administração - Volume 6


105

país. Tais registros manter-se-ão nas diferenciação entre as características


avaliações das variações patrimoniais qualitativas e quantitativas. Logo, visando um
posteriores, ainda que resulte em agregações entendimento fácil e simplificado por parte do
ou decomposições no interior da Entidade. leitor, apresentam-se todas como
características qualitativas:
O princípio da Atualização Monetária dita que
as alterações no poder aquisitivo da moeda Compreensibilidade – A informação deve
nacional devem ser expressas nos registros ser apresentada de modo que seja
contábeis através de ajustes nos valores dos claramente compreendida pelo usuário.
componentes patrimoniais, visando adequar o
 Relevância – A informação
entendimento nacional ao contexto
apresentada de ser relevante para o
internacional. Tal princípio deve ser
usuário, ou seja, pode influenciar na sua
considerado apenas se a inflação
tomada de decisão.
acumulada no triênio seja superior a 100% e
não é obrigatório nas demonstrações  Materialidade – Tida como uma
complementares. variável da Relevância, a informação é dita
material quando sua omissão ou distorção
O princípio da Competência rege que as
é capaz de influenciar o usuário durante
receitas e as despesas devem ser incluídas,
tomada de decisão.
simultaneamente quando se correlacionarem,
 Confiabilidade – A informação de ser
na apuração do resultado do período em que
confiável e livre de contingências.
ocorreram independentemente da data do
recebimento ou do pagamento.  Representação Fidedigna – A
informação deve apresentar
O princípio da Prudência esclarece que,
adequadamente as transações e demais
ao serem apresentadas alternativas
eventos a ela pertinentes.
igualmente válidas para a quantificação das
mutações patrimoniais que alterem o  Neutralidade – A informação deve ser
Patrimônio Líquido, deve-se adotar o menor imparcial.
valor para os componentes do Ativo e o maior
 Prudência – A informação deve ser
valor para os componentes do Passivo. Este
apresentada com certo grau de
princípio demanda um profundo estudo
precaução de modo a evitar a
doutrinário quanto à estrutura contábil para a
superestimação dos Ativos e das
elaboração das demonstrações financeiras.
Receitas e subestimação dos Passivos e
Além dos princípios fundamentais, outro das Despesas, além de proibir o uso
pressuposto básico é a Primazia da Essência excessivo de provisões.
sobre a Forma, que ressalva a necessidade
 Comparabilidade – Deve ser
de se contabilizar e apresentar as
possível ao usuário comparar as
transações ou demais eventos de acordo
demonstrações contábeis de uma entidade
com sua substância e realidade econômica e
em diferentes períodos e exercícios.
não apenas sua forma legal. O objetivo é
obter uma informação adequada, valorizando  Tempestividade – A informação deve
a essência de cada operação ao invés do ser íntegra e tempestiva, ou seja, deve
que está descrito em um documento (por ser apresentada em tempo hábil de
exemplo, nota fiscal ou contrato). influenciar a tomada de decisão, ainda
que haja possibilidade de alguma
Ao analisar mais detalhadamente os
incerteza.
princípios fundamentais e a Primazia da
Essência sobre a Forma, ressaltam-se Equilíbrio entre Custo e Benefício – Os
algumas características que merecem ser benefícios oriundos da informação devem
destacadas. São essas características, superar os custos de se produzi-la. Constitui
conhecidas como Características Qualitativas uma limitação de ordem prática (um
e Características Quantitativas das exercício de julgamento) e não uma
Demonstrações Contábeis, que tornam as característica qualitativa propriamente dita.
demonstrações contábeis úteis ao usuário.
Para melhor esclarecimento, ao falar das
Adiciona-se uma ressalva que, para fins demonstrações contábeis (ou demonstrações
da referida pesquisa, é irrelevante a financeiras) deve-se considerar o Balanço
Patrimonial (BP), a Demonstração do

Tópicos em Administração - Volume 6


106

Resultado do Exercício (DRE), a que não sejam originários de aporte de


Demonstração das Mutações do Patrimônio capital de proprietários da entidade.
Líquido (DMPL) ou a Demonstração dos
Despesa (D) ═ Diminuição no benefício
Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a
econômico da entidade durante o período
Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e a
contábil. Saída de recursos, decréscimo de
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), além
ativos ou acréscimo de passivos que
das Notas Explicativas (NE) e dos Quadros
resultem em diminuição do patrimônio
Complementares (QC). Ressaltando que não
líquido e que não sejam originários de
se inclui nas demonstrações contábeis os
distribuição de capital aos proprietários da
relatórios administrativos e as análises
entidade.
gerenciais.
As demonstrações acima mencionadas são
nada mais do que representações estruturadas 6 CONTABILIDADE NA ENGENHARIA DE
do desempenho e da posição patrimonial e CUSTOS
financeira da entidade, visando proporcionar
Na Engenharia de Custos, como sugere o
informações úteis aos usuários sobre o
nome, são analisados os custos da entidade
desempenho, a posição patrimonial e
e é traçado estrategicamente seu
financeira e o fluxo de caixa da entidade
gerenciamento.
para que possam realizar avaliações e
tomar decisões econômicas e financeiras. É através da Contabilidade que é feito o
gerenciamento dos negócios. E ao se
No COSIF Eletrônico elucida-se que são
implantar uma adequada Engenharia de
essas informações, unidas às informações
Custos, permite-se a tomada de decisões
adicionais constadas nas Notas Explicativas
quanto aos custos de produção e a fixação
e nos Quadros Complementares (quando for
de preços aos clientes para que a entidade
o caso), que ajudam os usuários das
possa competir no mercado nacional e
demonstrações contábeis a prever futuros
internacional.
fluxos de caixa da entidade.
Esta parte da Contabilidade é conhecida
Por fim desta seção, para que fique claro o
como Contabilidade de Custos, que estuda a
entendimento do leitor quanto aos principais
formação do resultado do exercício através
termos e nomenclaturas contábeis,
do comportamento dos custos fixos e
conceituam-se os elementos da posição
variáveis e serve de ponto de equilíbrio
patrimonial (Ativo, Passivo e Patrimônio
contábil, econômico e financeiro (equilíbrio
Líquido) e financeira (Receita e Despesa):
entre lucratividade e rentabilidade). Do
Ativo (A) ═ Recurso presente controlado casamento da Engenharia de Custos com a
pela entidade, resultante de eventos Contabilidade de Custos dar-se- á origem a
passados, do qual se espera geração de um processo de Gestão de Custos.
benefícios econômicos futuros.
Todo método de contabilização tem a
Passivo (P) ═ Obrigação presente da finalidade de viabilizar o gerenciamento do
entidade, resultante de eventos passados, empreendimento. Ainda, existe um ramo
da qual se espera geração de benefícios específico para tal fim, a Contabilidade
econômicos futuros através da saída de Gerencial, que estuda as formas de
recursos na liquidação da mesma. utilização das demonstrações contábeis
como ferramenta de gestão empresarial,
Patrimônio Líquido (PL) ═ Também
fornecendo informações e subsídios para a
conhecido como Situação Líquida (SL), é o
tomada de decisões estratégicas. É a
valor residual dos ativos da entidade após a
Contabilidade Gerencial, junto a um rígido
dedução de todos os passivos, ou seja, é a
controle de custeamento, que permite a
diferença entre o Ativo e o Passivo (PL = A –
visualização da rentabilidade do capital
P).
aplicado e da lucratividade do
Receita (R) ═ Aumento no benefício empreendimento.
econômico da entidade durante o período
Entretanto, para o controle financeiro, faz-se
contábil. Entrada de recursos, acréscimo de uso da Contabilidade Financeira, que
ativos ou decréscimo de passivos que estuda a captação de recursos financeiros e
resultem em aumento do patrimônio líquido e as sobras do fluxo de caixa que podem ser
aplicados no mercado de capitais.

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107

O principal tema desse artigo, o Planejamento O planejamento tributário é o único que


Tributário, se enquadra na Contabilidade pode resultar em real economia para as
empresas, sem a preocupação com
Tributária, também conhecida como
posteriores complicações com o Fisco. Mas
Contabilidade Fiscal, que é uma derivada da
para que tenha um bom resultado é
Contabilidade Gerencial. A Contabilidade
imprescindível que a organização tenha uma
Tributária estuda a administração tributária,
contabilidade fidedigna, ou seja, a mesma
objetivando meios de redução da carga
deve seguir as normas e princípios contábeis
tributária através da forma menos onerosa
normalmente aceitos, considerando o que
possível de aplicação da legislação tributária,
recebe e gasta verdadeiramente (SOUZA e
o que, por consequência, resulta em menores
PAVÂO, 2012).
custos para a entidade.
SILVA (2009) ressalta que o planejamento
tributário é um direito tão essencial quanto os
7 INFLUÊNCIA DO PLANEJAMENTO direitos de planejar o fluxo de caixa e de fazer
TRIBUTÁRIO NO FLUXO DE CAIXA DA investimentos. Em outras palavras, é de direito
EMPRESA do contribuinte estruturar seu negócio da
maneira que melhor lhe convir na busca de
SILVA (2009) define planejamento tributário
menores custos para seu empreendimento,
como “um conjunto de sistemas legais que
o que logicamente inclui a redução do valor
visam diminuir o pagamento de tributos e
oriundo dos impostos e demais tributos
surgiu como ferramenta para que o
incidentes. Citando ZANLUCA (2014): “Se a
contribuinte possa diminuir o exorbitante valor
forma celebrada é jurídica e lícita, o governo
pago de tributos e aumentar seu lucro” e
deve respeitá-la.”
aponta a finalidade do mesmo como sendo a
obtenção da menor carga tributária possível, Aos profissionais da Contabilidade cabe
resultando na maior economia fiscal possível. contribuir com sua participação na geração
de informações que possam dar suporte aos
Toda empresa possui sua estrutura de
administradores nas tomadas de decisões, na
custos, dentro da qual está incluso o custo
continuidade dos empreendimentos, pois
tributário, o que representa boa parcela de
conhecendo a legislação tributária, o cenário
consumo do lucro. Com objetivo de reduzir tais
fiscal e a natureza do negócio, deve promover
custos, houve a necessidade de buscar
ações que permitam licitamente reduzir ou até
meios legais, meios esses que
eliminar tributos, e dessa forma proteger e
possibilitassem a redução do custo tributário.
desencaixe das empresas (SILVA, 2009).
Nasce então, a figura do planejamento
tributário, onde se dá o ato de projetar o
pagamento do tributo (SOUSA, 2014).
8 SIMPLES NACIONAL – UM EXEMPLO DE
Objetivando a obtenção de economia de PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO?
impostos, o Planejamento Tributário se
O Simples Nacional (Sistema Integrado de
consagra como um Planejamento
Pagamento de Impostos e Contribuições das
Empresarial que visa os tributos e seus
Microempresas e Empresas de Pequeno
reflexos na organização.
Porte), também conhecido como Super
Tanto SOUSA (2014) quanto ZANLUCA (2014) Simples, substituiu o Simples Federal e foi
fazem alusão à Lei 6.404/76 (Lei das S/A), instituído pelo Estatuto Nacional das Micro
citando que no Artigo 153 da mesma há a e Pequenas Empresas (Lei Complementar nº
previsão dos sócios administradores da 123/2006) como um regime tributário
empresa serem obrigados a realizar o diferenciado que unifica e simplifica a
planejamento tributário. Tal fato esclarece arrecadação de oito impostos e
que o planejamento fiscal é mais do que uma contribuições federais, estaduais e
faculdade (um direito) mas sendo sim uma municipais (inclusive obrigações acessórias),
obrigatoriedade (um dever) implicada a todo prevê tratamento favorecido quanto ao
administrador. cumprimento de obrigações trabalhistas e
previdenciárias (inclusive obrigações
Tal ato proporcionaria uma economia
acessórias), garante preferência nas
tributária e, em consequência, as empresas
aquisições de bens e serviços pelos poderes
apresentariam um resultado positivo no fluxo
públicos e acesso facilitado à tecnologia, ao
de caixa.
associativismo e às regras de inclusão.

Tópicos em Administração - Volume 6


108

No COSIF temos enunciado que esse criação e formalização de mais empresas.


tratamento diferenciado é gerido por três Além do mais, estabeleceu-se um processo
único de abertura e fechamento de empresas,
instâncias, sendo elas:
podendo as empresas terem baixa a qualquer
O Comitê Gestor do Simples Nacional tempo, ainda que possuam débitos tributários
(CGSN) – Trata dos aspectos tributários; ou pendências de outros tipos.
Composto por quatro representantes da
Deve-se dar a devida atenção a mais um
União (através da Secretaria da Receita
benefício adquirido com a LC nº 147/2014: o
Federal do Brasil), dois dos Estados e do
fim da substituição tributária para os
Distrito Federal e dois dos Municípios.
beneficiados pelo Simples. Este benefício foi o
O Comitê para Gestão da Rede Nacional que sofreu maior resistência para ser
para Simplificação do Registro e da aplicado, entenda: No regime de substituição
Legalização de Empresas e Negócios tributária o pagamento do Imposto sobre
(CGSIM) – Trata do processo de registro e de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
legalização de empresários e de pessoas é antecipado para o início da cadeia de
jurídicas; Vinculado à Secretaria da Micro e produção, assim, utiliza-se um valor
Pequena Empresa da Presidência da presumido de preço final como base de
República; Composto por representantes das cálculo do referido imposto. O que isso
três esferas políticas e de órgãos de apoio e de significa? Significa que um processo genérico
registro empresarial, na forma definida pelo de substituição tributária acarreta um maior
Poder Executivo. ônus tributário. Esta conclusão não toma
por base nenhuma situação específica, logo,
O Fórum Permanente das Microempresas e
é devido citar-se o fato de que, em alguns
Empresas de Pequeno Porte – Trata dos
casos e com determinados ajustes, a
demais aspectos; Composto por membros
substituição tributária pode ser benéfica em
dos órgãos federais competentes e das
termos competitivos.
entidades vinculadas ao setor.
Tal assunto é bem extenso e rico em detalhes,
Esse regime reduziu a carga tributária
todavia, o aprofundamento no mesmo não
(possibilidade de economia de até 40% no
cabe as metas deste trabalho. Deixa-se aqui
pagamento do ônus tributário) e agilizou a
uma sugestão para estudos posteriores.
comunicação com os órgãos Federais,
Estaduais e Municipais. Em outras palavras, o Cabe esclarecer que, segundo a Lei
Simples Nacional é considerado por diversos Complementar 123/2006, “Microempresa” é
autores uma ferramenta de planejamento aquela cuja receita bruta anual não exceda o
tributário para as Microempresas (ME) e as valor de R$ 240 mil. Enquanto que “Empresa
Empresas de Pequeno Porte (EPP), mas de Pequeno Porte” se enquadra dentre
também é reconhecido, sendo um incentivo aquelas cuja receita bruta anual é um valor
fiscal induzido por lei, como um exemplo da superior à R$ 240 mil, mas não excede o
primeira espécie de elisão fiscal. Os autores valor de R$ 2,4 milhões. Ainda, esclarece-se
do presente artigo hão de esclarecer essa que do COSIF de que serão consideradas
suposta contradição ao final deste mesmo válidas para inscrição no Simples Nacional
capítulo. as Micro e Pequenas Empresas que optem
oficialmente pelo regime tributário em
Avançando no tema, houve ainda o êxito
questão, com exceção daquelas que
por parte do governo na instauração da
estiverem impedidas de tal ato por alguma
alteração, por meio da Lei Complementar
das vedações impostas pela Lei
(LC) nº 147/2014, que ficou conhecida
Complementar 123/2006.
como Universalização do Simples Nacional,
ou ainda, Simples Universal. Este seria uma O Simples Nacional implica no recolhimento
versão universalizada do Simples Nacional, mensal, mediante um único documento de
onde as empresas com interesse em arrecadação, denominado DAS (Documento
ingressar no regime unificado de tributação, de Arrecadação do Simples Nacional), dos
seriam classificadas em relação ao porte seguintes tributos: IRPJ (Imposto de Renda
da empresa, independentemente de sua Pessoas Jurídicas), PIS/PASEP (Programas
atividade. de Integração Social – PIS – e de
Formação do Patrimônio do Servidor
Esse procedimento permitiu a entrada de
Público – PASEP), COFINS (Contribuição para
novas atividades no regime, potencializando a
Financiamento da Seguridade Social), IPI

Tópicos em Administração - Volume 6


109

(Imposto sobre Produtos Industrializados), principalmente, mas não somente, por leigos
CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro e profissionais com menos conhecimento
Líquido), INSS (Instituto Nacional do Seguro sobre essa temática.
Social – neste caso, trata-se das
Contribuições para a Seguridade Social –
cota patronal), ICMS (Imposto sobre 9 SPEDINHO – O SPED DO SIMPLES
Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS NACIONAL
(Imposto sobre Serviços).
Neste capítulo apresenta-se o Sistema
Os autores MORAIS e CASTRO (2011) Público de Escrituração Digital (SPED) como
explicam: “No Simples Nacional não há parte do Programa de Aceleração do
qualquer lacuna legal que leve a evasão, Crescimento (PAC) do Governo Federal que
nem elisão fiscal, o que se objetiva é uma representa a modernização no cumprimento
‘inclusão fiscal’ na tentativa de acolher a das obrigações acessórias e visa identificar
micro, talvez pequena, empresa para o mais rapidamente e de modo mais eficaz
mercado formal dito ‘simples’.”. possíveis ilícitos tributários. Isso foi possível
com a implantação dos seguintes passos:
Os autores deste trabalho discordam da
afirmação acima citada quanto a não relação  Informatização da relação fisco-
do Simples Nacional com a possibilidade contribuinte;
de Elisão Fiscal, sendo que, como já
 Integração das informações dos
demonstrado anteriormente neste mesmo
órgãos fiscalizadores;
capítulo, o regime aqui tratado se encaixa
adequadamente na definição da primeira  Padronização das informações
espécie de Elisão. Contudo, a citação ainda prestadas nas obrigações acessórias.
se faz válida, pois entende-se que os autores
O SPED só é considerado juridicamente
da mesma procuraram ressalvar a
válido em sua forma digital, pois a assinatura
importância do Simples como um meio de
dos respectivos documentos eletrônicos é
inclusão fiscal para as empresas que,
feita através de devida certificação digital.
alegadamente, não teriam condições de
competir no mercado formal e não somente O nome “Spedinho” é o apelido atribuído a
como um meio de se buscar a redução do Escrituração Fiscal Digital (EFD) que passou
ônus fiscal. a ser obrigação acessória global com a
inclusão da obrigatoriedade para as
Desse entendimento, é compreensível a
Microempresas (ME) e para as Empresas
dúvida quanto a classificação ou não do
de Pequeno Porte (EPP) optantes pelo
Simples Nacional como exemplo de
Simples Nacional a partir de 01/01/2016
Planejamento Tributário. Contudo, ainda que
devido ao Protocolo ICMS nº 91 de 30 de
haja divergência por parte dos doutrinadores
setembro de 2013, publicado no Diário
quanto a conceituação dos termos
Oficial da União (DOU) no dia posterior
pertinentes, os autores deste artigo já
(01/10/2013), que altera o Protocolo ICMS nº
apresentaram nos capítulos iniciais sua
03/2011, este que dispõe sobre a
posição quanto às vertentes doutrinárias
obrigatoriedade da EFD e a fixação de seu
existentes.
prazo.
A escolha foi minuciosamente baseada nos
Dentre as mais recentes mudanças no âmbito
recorrentes estudos do tema, leitura e análise
tributário, destacam-se as novidades nos
de obras de variados autores e, até mesmo,
sistemas de cruzamento de dados, cada vez
afinidade quanto a doutrina aqui fixada
mais especializados, onde o governo investe
(quesito que se fez necessário e se valeu
em tecnologias da informação, cada vez mais
como definitivo pela falta de uma posição
avançadas e modernas. É nesse quadro que
legal ou corrente doutrinária
se encaixa o Sped Fiscal, caracterizado como
significativamente majoritária).
um sistema de integração de informações
Pode-se assim responder à questão entre os órgãos governamentais e tido como
proposta da seguinte forma: Mantem-se o um avanço na relação fisco-contribuinte.
entendimento de que o Simples Nacional é
A mais recente mudança que já vinha sendo
uma ferramenta de Elisão Fiscal, mas não
planejada a algum tempo é a atualização
se enquadra como Planejamento Tributário,
quanto as empresas a serem obrigadas a
ainda que comumente seja tratado como tal,
fazer essa declaração. Trata-se da criação

Tópicos em Administração - Volume 6


110

da obrigatoriedade para com essa 10 DESTDA – UMA NOVA OBRIGAÇÃO


declaração para todas as empresas, NADA SIMPLES
independentemente de seu faturamento ou
Uma nova obrigação acessória mensal
forma de tributação.
passou a ser cobrada a partir de 1º de janeiro
A mudança supracitada já se faz concreta de 2016, relativa aos fatos geradores ocorridos
com o Spedinho ao enquadrar as MEs e EPPs a partir da mesma data. Instituída pelo Ajuste
optantes pelo Simples Nacional nesse Sinief 12/2015, dedica-se este capítulo a
aglomerado de empresas obrigadas a tal Declaração de Substituição Tributária,
declaração. Diferencial de Alíquota e Antecipação
(DeSTDA), a ser devida pelos contribuintes
A justificativa para essa ocorrência jaz na
do ICMS optantes pelo Simples Nacional.
compreensão da importância do Sped Fiscal,
esclarecendo passo-a-passo: Esta nova declaração é de interesse das
administrações tributárias das unidades
Primeiramente, o contribuinte presta
federadas, sendo que cada UF é competente
informações ao Fisco e aos demais órgãos
para determinar os critérios de
competentes (quando for o caso);
obrigatoriedade da DesTDA a serem
A seguir, as informações são trocadas entre os aplicados aos seus contribuintes e aos
fiscos das Unidades Federadas (UFs); contribuintes de outra UF que realizem
operação ou prestação de serviço sujeito ao
Com essa troca, facilita-se a descoberta de
ICMS na UF em questão.
divergências nas informações prestadas;
A DeSTDA é composta por informações no
Assim, (uma vez constatada uma divergência)
meio digital referentes ao resultado da
medidas cabíveis são tomadas em prol da
apuração do ICMS em alguns casos
inibição de possíveis fraudes tributárias;
específicos. Esses casos estão dispostos na
Logo, aumenta-se a arrecadação dos tributos Lei Complementar 123/2006 – artigo 13 – § 1º
inerentes. – inciso XIII – alíneas:
Essa mudança tem acarretado aos  “a” (substituição tributária);
empresários a necessidade de se investir em
 “g” (antecipação);
constantes atualizações e treinamentos
quanto as novas exigências a serem  “h” (diferencial de alíquota).
cumpridas do modo mais viável possível
A justificativa para a criação dessa
(incluindo-as em seus planejamentos
obrigação seria a necessidade de se
tributários), evitando-se, logicamente,
atender o disposto no § 12, artigo 16, da
quaisquer penalidades decorrentes de
LC 123/2006, ou seja, atender a
evasões fiscais alegadamente não
determinação de que as informações a
intencionais. Além de investir em novas
serem fornecidas relativas ao ICMS nas
tecnologias que permitam administrar as
formas previstas nas alíneas anteriormente
informações prestadas mais facilmente,
citadas devem ser prestadas por meio de
visando o mesmo objetivo anteriormente
aplicativo único. Indo mais além, cito também
citado.
a possibilidade da DeSTDA ter sua base legal
Faz-se, nesse cenário, mais uma ressalva complementada por legislação específica de
quanto a suma importância do contador, cada UF.
caminhando junto com o gestor da área
Uma vez apresentada, abre-se uma questão
concernente, no cumprimento em tem hábil
quanto a viabilidade econômica da DeSTDA.
e com notável excelência das obrigações
Observa-se que, para cada operação que se
acessórias pelo fisco determinadas.
enquadre no Diferencial de Alíquotas, faz-se
Idealmente, todos os colaboradores devem
necessária a emissão de uma Guia de
estar cientes das mudanças, estando, assim,
Recolhimento de Tributos Estaduais (GNRE).
possibilidades a cooperar da melhor maneira
Não fica difícil notar com as informações até o
possível com os responsáveis da área
momento apresentadas que essas exigências
fiscal-tributária e/ou demais áreas
hão de elevar os já elevadíssimos custos
pertinentes.
tributários, além de elevar também os custos
operacionais uma vez que passa a ser
imprescindível a utilização de serviços

Tópicos em Administração - Volume 6


111

contábeis mais especializados e, empresas, dificulta seu crescimento e


consequentemente, mais caros. acelera o cessar de suas atividades.
Nota-se também a ausência de tratamento Visando impedir o rápido fim das empresas,
diferenciado para as empresas optantes pelo essas devem ser estimuladas a desenvolver
Simples Nacional. Como se não bastassem um planejamento tributário entre seus
todas essas exigências e as dificuldades processos, sendo o mais provável a
inerentes a seu cumprimento, reduziu-se o implantação de um processo de gestão
prazo para entrada no SPED Contábil. tributária, facilitando a elaboração e
consequente execução do planejamento (o
Não restam dúvidas quanto à necessidade
possível agente mais influente na
imediata dos profissionais e empresários
determinação do sucesso ou não da
contábeis de se atualizarem quanto aos
empresa).
“nada simples” detalhes dessa nova
obrigação e de firmarem um rígido controle Para se saber qual a melhor ferramenta de
interno em suas empresas para não serem planejamento tributário a ser escolhida, deve
surpreendidos com penalizações futuras. haver, por parte do profissional, uma
Ainda assim, em consequência da descabida profunda análise individual de cada
quantidade de obrigações e respectivas empresa e uma minuciosamente ponderada
regras cada vez mais complexas, não se avaliação da relação custo/benefício de
vislumbra, nas condições atuais, a cada ferramenta, tendo sempre em vista o
possibilidade de se estabelecer qualquer melhor para a expansão da entidade,
procedimento interno para garantir-se livre independente do porte da empresa, evitando
de possíveis multas e demais penalizações a generalização por setor ou faturamento.
inerentes de declarações errôneas.
Respondendo mais claramente à pergunta no
Acrescento ainda, para conhecimento geral, título do Capítulo 7 deste artigo, o Simples
que já aderiram à DeSTDA os Estados do Nacional não se enquadra como um
Mato Grosso (MT), Pernambuco (PE), Rio método de Planejamento Tributário, mas
Grande do Sul (RS) e São Paulo (SP). sim, como a primeira espécie de Elisão Fiscal
(como comentado ao longo do mesmo
capítulo). Independente de como é
11 CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS classificado, é inegável seu objetivo e eficácia
quanto a redução da carga tributária
O planejamento tributário pode ser tomado
incidente e consequente significativa
como fator essencial para assegurar a
economia empresarial.
competitividade da empresa no mercado e
representa uma forma legítima de economia na Mudanças ocorreram nesse regime,
carga tributária da mesma. destacando-se o Spedinho que proporcionou
ainda mais economia para as empresas,
Tal fator possui caráter preventivo e busca a
além de aumentar o leque de empresas
diminuição de impostos e de alternativas nas
que poderiam se enquadrar no Simples.
tomadas de decisões, que resultam em
Contudo, há aspectos negativos, como a
reflexos positivos nos resultados da empresa.
instauração da DeSTDA, resultando em maior
É de conhecimento comum que o Brasil possui custo tributário e operacional para as
uma elevadíssima carga tributária fiscal, uma empresas optantes pelo Simples, na
das mais altas do mundo, em média 33% do contramão da padronização e adequação das
faturamento empresarial. Essa onerosíssima informações contábeis pelo fisco.
carga interfere no resultado econômico das

REFERÊNCIAS em:<http://cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=conta
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Tópicos em Administração - Volume 6


113

Capítulo 9

Mohamed Mehdi Hijazi


Elói Junior Damke
Luís Fernando Moreira

Resumo: Um número expressivo de estudos tem buscado propor modelos de


previsão de insolvência, embora escassas as pesquisas que se associam as
propostas existentes a partir do desenvolvimento de modelos matemáticos mais
atualizados. Avaliando os modelos disponíveis na literatura, o objetivo deste estudo
é propor um novo modelo de previsão de insolvência a partir de índices financeiros
em empresas de capital aberto. Por meio do emprego da técnica de análise
discriminante a fim de evidenciar quais os índices financeiros melhor explicam a
falência das organizações pesquisadas, classificando-as em solventes e
insolventes, foi possível comprovar e propor um novo modelo de previsão de
insolvência que contribui com maior acuracidade na prevenção dos custos de
falência em empresas de capital aberto, uma vez que a análise discriminante pelo
método direto obteve 76,1% de precisão na classificação. Por sua vez, o método
passo a passo ou por etapas, obteve 68,1%. Por fim, a validação cruzada obteve
70% de precisão na classificação das empresas selecionadas para a amostra do
estudo.

Palavras-chave: Modelos de previsão de insolvência. Custos de falência. Função


discriminante.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


114

1 INTRODUÇÃO modelos são considerados não confiáveis,


pois não levam em consideração as
Processos de falência ou de recuperação
mudanças econômicas e legais que
produzem custos a credores e as
ocorreram no Brasil nos últimos 20 anos, não
organizações devedoras. Tais custos,
se adaptando ao contexto atual do mercado e
conforme diversos autores descrevem, podem
das organizações.
ser classificados em custos diretos e indiretos
(WARNER, 1977; FISCHER; MARTEL, 2005). As razões acima mencionadas se mostram
Os primeiros são relacionados aos gastos suficientes para justificar a busca de modelos
jurídicos e os indiretos, custos de para previsão de insolvência a fim de
oportunidade decorrentes principalmente do maximizar a prevenção de possíveis falências
tempo de recuperação, tais como e os custos delas decorrentes.
dificuldades de crédito, perda de receitas,
Diante do contexto apresentado, emerge
dentre outros.
como questão da pesquisa: Como o novo
Em ambientes econômicos, a entrada e saída modelo de previsão de insolvência pode
de empresas é um processo natural. Contudo, contribuir na prevenção de custos de falência
a falência extrapola os prejuízos dos credores em empresas de capital aberto?
e devedores, prejudicando o ambiente
Para propor resposta a esta questão, este
econômico em detrimento de empregos que
estudo tem como objetivo propor um modelo
são perdidos, impostos não arrecadados e a
de previsão de insolvência a partir de índices
interrupção da oferta de produtos e serviços
financeiros. Quanto à organização, este
de determinada atividade. Assim, é possível
estudo se apresenta em quatro seções
observar que a ocorrência de tal fato afeta
adicionais à esta introdução: inicialmente,
toda a sociedade (ALTMAN, 2006) e,
efetiva-se a revisão de literatura acerca dos
compreender os determinantes da falência é
conceitos de insolvência, falência e a Lei de
importante qualquer dimensão dos custos que
Recuperação de Empresas, assim como os
ela acarreta.
modelos de previsão de insolvência
Uma das tarefas importantes da área existentes; em seguida, apresenta-se os
financeira é prever a insolvência, com vistas a procedimentos metodológicos utilizados para
permitir aos stakeholders prevenirem-se dos o alcance do objetivo proposto; por fim,
custos decorrentes. Neste contexto, exibem-se os resultados da pesquisa e as
destacam-se os modelos de previsão de considerações finais, limitações e
insolvência a partir de fórmulas elaboradas via recomendações desta pesquisa.
análise dos indicadores financeiros das
organizações. A utilização destes ferramentais
de análise permitiu o desenvolvimento de 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
modelos com boa capacidade para indicar
2.1 OS CONCEITOS DE FALÊNCIA E
futuras concordatárias por meio dos escores
INSOLVÊNCIA
obtidos.
Antes de tratar a falência em si, é necessário
No final da década de 60, Beaver, seguido de
recorrer à origem da palavra: deriva-se do
Altman, foram os primeiros a utilizar
verbo latino fallere que significa falsear, faltar,
formalmente em um estudo sobre previsão de
cometer uma falha. Na Idade Média, quando
insolvência de empresas por meio da análise
alguém cometia uma falha, tal ato era
multivariada de dados.
considerado uma violação ou infração, sendo
As técnicas estatísticas contribuíram para punido em forma de prisão e mutilação.
desenvolvimento de modelos empíricos de
Segundo a ótica legal, a falência é uma
previsão de insolvência. No entanto, apesar
situação jurídica de direito decretada por um
de haver disponibilidade de modelos, estes
juiz que tem como objetivo solucionar a
não têm sido atualizados de modo a captar as
situação de insolvência em que se encontra a
mudanças no ambiente institucional. A
organização perante seus credores de
exemplo, Foster (1986) e Scott (1981)
receberem seus créditos. (LACERDA, 1971;
observam que apesar do aparente sucesso
MENDES, 1930; REQUIÃO, 1991).
dos modelos de previsão de insolvência,
estes tem enfrentado reservas em nível de Do ponto de vista econômico, a falência é a
prática profissional. situação econômica no qual aquele que
recebeu uma prestação de crédito não é
Na mesma linha, para Assaf (2010a), esses
capaz de executar uma contraprestação, ou

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


115

seja, não se tem o retorno que era esperado Como relatado anteriormente, o critério mais
da prestação de crédito adquirida comum que caracteriza a insolvência de uma
anteriormente a fim de ser selada, seja pelo organização e consequentemente a falência
motivo de impontualidade ou os chamados da mesma é a impontualidade.
atos de falência. (MENDONÇA, 1962;
A impontualidade é o não cumprimento das
NEGRÃO, 2009).
obrigações por parte do devedor, não
A impontualidade é considerada a principal pagando no vencimento das mesmas, sem
característica da falência de uma que haja motivos jurídicos relevantes.
organização, mas outras características como Manifesta-se a impontualidade por meio do
a execução frustrada e os denominados atos chamado protesto especial que é requerido
de falência também evidenciam tal situação perante o cartório, posteriormente é
financeira, embora não haja nenhum título em decretada a falência do devedor. (FAZZIO
atraso, mas por meio destes atos pode ser JUNIOR, 1999; ALMEIDA, 2009; FUHRER,
requerida a falência de uma organização. 1999).
(FUHRER, 1999).
Conforme relatado anteriormente, a execução
Já o chamado estado de insolvência é frustrada, uma das características do estado
composto pelas três características de insolvência, é a situação em que não há
mencionadas acima, sendo tratado a seguir. pagamento por parte do empresário
tampouco a nomeação de bens que podem
Insolvência é a incapacidade de pagar as
ser penhorados. Já os chamados atos de
dívidas por parte daquele que as contraiu,
falência são ações praticadas pela sociedade
tendo prestações a cumprir superiores aos
empresária que tem como objetivo não pagar
rendimentos que têm, tendo seu passivo
o credor, caracterizando assim o estado de
maior que o ativo, caracterizando assim o
insolvência. (CASTELLANI, 2008).
chamado estado de insolvência, este de
caráter econômico que antecede o estado de Existem outros sinais que podem caracterizar
falência, de caráter jurídico. (ALMEIDA, 2009) a condição de insolvente, mas todos estes
estão diretamente ligados ao não
Já para Andrade (1996), o estado de
cumprimento das obrigações contraídas ou
insolvência é caracterizado quando ocorre a
ao não pagamento das prestações, como por
cessação dos pagamentos, ou seja, quando
exemplo: não cumprimento assumido do
os pagamentos são suspensos ou
plano de recuperação judicial, atrasos de
interrompidos, caracterizando assim o estado
pagamentos, ausência do empresário, entre
jurídico de inadimplência, sendo que os
outros. (ALMEIDA, 2009).
pagamentos podem voltar a serem realizados
quando a companhia for acionada As três características que caracterizam o
judicialmente. chamado estado de insolvência encontram-se
resumidas no quadro 1:

Quadro 1- Características do Estado de Insolvência


Impontualidade Execução Frustrada Atos de Falência
Quando o devedor, sem nenhuma Quando o devedor citado em Ausência de representante;
razão de direito, ou seja, sem processo de execução não paga,
Retardar pagamentos;
nenhuma justificativa, deixa de não deposita e não nomeia à
pagar no vencimento obrigação penhora bens suficientes dentro do Fraudar credores e pagamentos;
líquida e certa. prazo legal.
Simular transferência do
estabelecimento;
Deixar de cumprir obrigação
assumida dentro do prazo;
Transferir a empresa a outro sem
consentimento dos credores.

Fonte: Elaborado pelos autores

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


116

3 A LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS e troca de recursos, incluem-se os custos de


(LRE) definição dos direitos de propriedade bem
como o cumprimento destes direitos.
A recuperação empresarial pode ser definida
(FURUBOTN & RICHTER, 2000). Embora a
como a oportunidade da empresa negociar
literatura utilize o termo “custos de falência”, o
com seus credores a fim de manter suas
termo não é adequado uma vez que a
operações ativas, preservando a empresa em
expressão “custos” deve estar associada à
relação aos interesses que em torno dela
produção de bens e serviços.
giram. Este mecanismo foi instituído no Brasil
por meio da Lei de Recuperação de Já os custos de falência são os custos
Empresas n° 11.101 de 9 de fevereiro de decorrentes dos processos de recuperação
2005. ou liquidação empresarial, sendo divididos
em custos diretos e indiretos. (FISHER &
O empresário, aquele que exerce a atividade
MARTEL, 2005; WEISS, 1990; WARNER,
de forma individual ou numa sociedade
1977). Para Campbel (1997), os custos diretos
empresária, é a pessoa que está submetida a
da falência são os custos consumidos nas
esta lei, excluindo-se assim as empresas
despesas com processos (despesas
públicas, sociedades de economia mista,
administrativas) com honorários de
cooperativas, entre outras instituições.
advogados, peritos, administradores, taxas
A concessão de recuperação econômica judiciais, taxas de arquivamentos, entre outras
deve ser realizada caso alguns fatores sejam despesas. Tais custos variam entre 3,1% a
levados em consideração, conforme o art. n° 4,3% do valor de mercado da empresa.
37 da lei mencionada: a relevância da (WEISS, 1990; WARNER, 1977).
atividade econômica e social que o devedor
Os custos indiretos da falência, chamados
exerce no âmbito local, regional ou nacional; a
também de custos de oportunidade, são os
mão-de- obra empregada e tecnologia
custos que decorrem da renúncia de uma
utilizada na empresa; o volume do ativo e do
oportunidade bem como os benefícios que
passivo; o tempo em que foi constituída a
poderiam ser obtidos a partir desta
empresa e o negócio que desenvolve; o nível
oportunidade que fora renunciada, neste
de endividamento da empresa e o seu
caso, os custos seriam: redução dos lucros,
faturamento anual.
perda de valor da empresa, perda de
Existem alguns meios no qual a organização capacidade de obtenção de crédito, aumento
pode requerer uma recuperação judicial, dos custos operacionais, tempo gasto no
conforme a lei n° 11.101: quando se vence o processo, redução das receitas, entre outros.
prazo e as condições para pagamento; (CAMPBEL, 1997; FISHER & MARTEL, 2005;
quando há a chamada fusão de empresas ou WEISS, 1990).
cessam-se as vendas de ações da
Embora estes custos estejam relacionados
sociedade; quando incorre o aumento do
diretamente à organização que se encontra
capital social, quando os administradores são
em processo de recuperação ou falência, tais
substituídos sem aviso prévio de tal fato; entre
custos são arcados por ambos, credores e
outros meios.
devedores, pois ambos têm interesse no
Segundo Almeida (2000), um pedido de desfecho do processo.
recuperação judicial é formulado quando: um
plano viável é proposto e que atenda os
pressupostos fundamentais, com um prazo 3.2 OS MODELOS DE PREVISÃO DE
estabelecido, sendo independente da INSOLVÊNCIA
concordância dos credores, no qual será
Em meados dos anos 30, começaram a ser
composta uma comissão de três membros
desenvolvidos os modelos de previsão de
das partes interessadas a fim de fiscalizar a
insolvência com o objetivo de verificar a
execução do plano.
solvência ou não das empresas.
O primeiro trabalho desta espécie foi
3.1 CUSTOS DE FALÊNCIA realizado em 1932 por Paul Fitzpatrick. Este
selecionou de forma aleatória 19 empresas
Antes de conceituar os chamados custos de
falidas e 19 empresas bem sucedidas
falência, é importante saber o conceito dos
compreendidas entre os anos de 1920 e 1929
custos de transação: todos os custos que
tendo como objetivo verificar se há diferenças
estão envolvidos na criação, manutenção, uso
entre o conjunto de índices calculados para

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


117

as empresas. Tal verificação foi feita a partir Y  0, 05(RP) 1, 65(LG)  3, 55(LS) 1, 06(LC)
de dois métodos: a observação dos  0, 33(GE)
indicadores de desempenho, tendo um nível
onde,
mínimo que deve ser atingido, e a observação
destes indicadores ao longo do tempo. RP = Rentabilidade do Patrimônio
Fitzpatrick concluiu que os índices mais LG = Liquidez Geral
significativos na diferenciação das empresas
foram o patrimônio líquido sobre o passivo e o
LS = Liquidez Seca
lucro líquido sobre o patrimônio líquido. LC = Liquidez Corrente
Em 1966, Beaver realizou um estudo sobre a GE = Grau de Endividamento
relação entre os índices financeiros e a
previsão de falência. A amostra foi composta O estudo obteve 86,62% de precisão tendo
por 158 empresas do ramo industrial de como escore de corte zero, sendo
considerada insolvente a empresa que obtiver
capital aberto; destas 79 eram falidas e 79
bem sucedidas compreendidas entre os anos valor entre -3 e -7, zona de penumbra com
de 1954 até 1964. As empresas foram valor entre -3 e zero, e solvente entre zero e 7.
separadas de acordo com sua atuação Em 1968, Altman foi o pioneiro a desenvolver
industrial bem como os índices financeiros, um modelo de previsão de insolvência por
totalizando 38 diferentes tipos de indústrias e meio da análise discriminante, até então a
seis grupos de índices financeiros, técnica utilizada era de comparação de
respectivamente. indicadores com padrões. A amostra foi
composta por 66 empresas, destas 33
Os índices das empresas que não tinham
dificuldades financeiras pouco se alteravam insolventes e 33 não insolventes
enquanto das empresas que faliram iam se compreendidas no período entre 1946 e 1965.
deteriorando à medida que se aproximava da O modelo obteve 90% de confiabilidade. No
falência. Para Beaver (1966), este tipo de Brasil, Altman et al. (1979) desenvolveu outro
estudo contribui na utilização em diagnósticos estudo que tinha o mesmo objetivo mas a sua
e prevenção de insolvência. amostra era composta por empresas
brasileiras dos mais diversos ramos, sendo 23
Para Matarazzo (2003), os principais modelos empresas insolvente e 35 bem sucedidas,
de previsão de insolvência são os de Kanitz, totalizando 58 empresas. A maior proximidade
Altman, Elizabetsky, Matias e Pereira, que do último ano anterior à insolvência das
serão apresentados na sequência. empresas indicava maior precisão e
Em 1978, Kanitz foi considerado o pioneiro na confiabilidade, tendo 88% de precisão.
utilização do método da análise discriminante No Brasil, foi testada a seguinte fórmula:
no Brasil, que ficou conhecido como
Termômetro de Kanitz. Em seu estudo, Kanitz
utilizou 516 indicadores que tinham como Z  1, 44  4, 03(B 1)  2, 25(B 2 )  0,14(B3 ) 
objetivo verificar os melhores capazes de 0, 42(B 4 )
prever a insolvência. Seu estudo foi composto
por uma amostra com 74 empresas, 49 onde,
empresas solventes e 25 insolventes, todas
B1 = Lucros Acumulados / Ativo Total
de capital aberto.
Em seu estudo, as empresas falidas B2 = Lucros antes dos juros e imposto de
obtiveram maior grau de precisão. Kanitz renda / Ativo Total
(1978) concluiu que apesar da imprecisão
B3 = Patrimônio Líquido / Exigível Total
dos balanços das empresas brasileiras, a
análise dos índices financeiros é relevante B4 = Vendas Líquidas / Ativo Total
para a previsão de falência nas organizações.
De acordo com tal estudo desenvolveu a
seguinte função de previsão de insolvência: Para Altman et al. (1979), o ponto crítico é
zero. Caso o desempenho da organização
apresente valor acima de zero é considerada
bem sucedida, caso contrário, com
problemas financeiros.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


118

Em 1976, Elizabetsky também adotou a X 3 = Fornecedores / Ativo Total


análise discriminante como instrumento de
análise em seu estudo que tinha como X 4 = Ativo Circulante / Passivo Circulante
objetivo padronizar o processo de avaliação e
X 5 = Lucro Operacional / Lucro Bruto
concessão de créditos a clientes. A amostra
foi composta por 373 empresas do ramo de X 6 = Disponível / Ativo Total
confecções, sendo 273 bem sucedidas e 99
falidas, utilizando dados contábeis de 1974 Este estudo, o ponto crítico a ser considerado
das respectivas observações. Aas empresas é zero. Sendo assim, caso a empresa obtenha
falidas foram escolhidas de acordo com o valor acima de zero, é considerada solvente,
critério de impontualidade, tendo utilizado 60 caso contrário, insolvente.
índices financeiros. Depois de constatadas Enquanto Pereira (1983), ao realizar o estudo
correlações entre alguns índices, o número foi sobre a previsão de insolvência, tinha como
reduzido a 38. Seu modelo obteve a seguinte objetivo desenvolver um modelo que possa
fórmula discriminante, que obteve 88,9% de auxiliar e avaliar a saúde financeira das
precisão na classificação: empresas. Bem como os demais autores
citados, adotou a análise discriminante como
instrumento de análise de dados. A amostra
Y  1,93( X 32 )  0, 20( X 33 ) 1, 02( X 35 ) utilizada era composta por 419 empresas
1,33( X 36 ) 1,12( X 37 ) compreendidas entre os anos de 1980 e
1983, sendo 259 bem sucedidas e 160
onde, insolventes, do setor industrial e comercial,
X 32 = Lucro Líquido / Vendas sendo separadas de acordo com seu ramo e
região geográfica. Neste estudo, o autor
X 33 =Disponível / Ativo Permanente X 35 = desenvolveu duas funções discriminantes,
Contas Receber / Ativo Total uma para o setor industrial e outra para o
X 36 = Estoques / Ativo Total comercial, utilizando 85 índices financeiros
que foram classificados em três categorias:
X 37 = Passivo Circulante / Ativo Total liquidez, estrutura e rentabilidade, este último,
obteve maior nível de eficiência. Já o modelo
obteve 73,73% de precisão.
Este estudo teve como ponto crítico 0,5. Caso
a observação apresente valor superior à 0,5 é
considerada bem sucedida, caso contrário, Z  0, 722  5,124(E23 ) 11, 016(L19 ) 
falida.
0,342(L21)  0, 048(L26 )  8, 605(R13 )  0,
Em seu estudo, Matias (1978) tinha, bem 004(R29 )
como Elizabetsky (1976), o objetivo de
contribuição teórica a fim de aperfeiçoar a onde,
concessão de crédito às pessoas jurídicas.
E23 = Duplicas Descontadas / Duplicatas a
Para tal, utilizou a análise discriminante como
instrumento de análise na amostra composta Receber
por 100 observações, metade era de L19 = Estoques (Final) / Custo das
empresas solventes e a outra de insolventes,
Mercadorias Vendidas
correspondentes ao período de 1977 e 1978.
Por meio da análise correlacional dos 40 L21 = Fornecedores / Vendas
índices analisados, obteve a seguinte função
cuja precisão foi de 75%: L26 = Estoque Médio / Custo das Mercadorias
Vendidas
R13 = (Lucro Operacional + Despesas
Z  23, 792(X 1 )  8, 26(X 2 )  9,868(X 3 )  0,
Financeiras) / (Ativo Total – Investimento
764(X 4 )  0,535(X 5 )  9,912(X 6 ) Médio)
onde, R29 = Exigível Total / (Lucro Líquido + 0,1
X1 = Patrimônio Líquido / Ativo Total Imobilizado Médio + Saldo Devedor da
Correção Monetária)
X 2 = Financiamento e Empréstimos
Bancários / Ativo Circulante

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


119

Para Pereira (1983), o ponto crítico deste classificando-as em solventes ou insolventes.


estudo é zero. Após aplicada a função, caso a Assim, a análise dos dados efetivou-se a
empresa obtenha valor acima de zero, será partir de técnicas estatísticas multivariadas.
considerada solvente, caso contrário, Por sua vez, todos os dados foram
insolvente. padronizados, obtendo uma nova amostra.
Em seguida, foi avaliada a normalidade dos
dados por meio do teste de Shapiro- Wilks e
3.3 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA Kolgomorov-Smirnov, análise visual dos
histogramas, curtose e assimetria.
Quanto aos seus objetivos, este trabalho
Constatadas anormalidades de algumas
classifica-se como descritivo e quanto à
variáveis por meio da assimetria positiva e
natureza, como pesquisa aplicada; com
negativa, foram realizadas transformações
relação aos procedimentos técnicos
exponenciais e logarítmicas, respectivamente,
utilizados, segue o delineamento de uma
a fim de corrigir tais anormalidades. Em
pesquisa correlacional e, portanto, de
seguida, foram verificados dados com valores
abordagem quantitativa.
considerados extremos, sendo removidas
Para a coleta de dados, foram utilizados estas observações, bem como variáveis que
dados secundários disponíveis na Comissão apresentaram alta correlação bivariada.
de Valores Mobiliários (CVM) e na Bolsa de Assim, todos os pressupostos conceituais da
Valores de São Paulo. análise de dados foram respeitados.
A amostra do estudo foi comporta por 92 O passo conseguinte foi avaliar a
empresas, inseridas no período de 1995 até homogeneidade das matrizes de variância-
2012. Deste conjunto amostral, 46 falidas e 46 covariância dos grupos da amostra por meio
bem sucedidas, num universo de 2139 do Box´s M Test. Por fim, foi analisada a
empresas registradas no CVM. existência de diferenças significativas entre os
grupos, por meio do Lambda de Wilks. Desse
Inicialmente, foram coletados os dados
modo, os pressupostos estatísticos foram
contábeis a partir do banco de dados das
respeitados.
empresas, disponibilizados pela CVM. Na
segunda etapa, foram calculados os índices Por fim, realizou-se análise discriminante, o
financeiros propostos pelos principais autores que permitiu classificar em grupos distintos as
anteriormente citados. organizações solventes e insolventes,
conforme mencionado anteriormente.
Para a análise dos dados, foi implementada
análise discriminante a fim de se conhecer O esquema metodológico/procedimental
quais os índices financeiros que melhor adotado na análise dos dados deste estudo
explicam a falência das empresas, está resumido na Figura 1.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


120

Figura 1- Esquema procedimental de análise dos dados

Fonte: Elaborado para este estudo.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Caracterizadas as variáveis que compõem a


amostra, o próximo passo foi realizar a análise
Na primeira parte desta seção serão
exploratória dos dados. Conforme Hair et
apresentados os resultados da pesquisa: a
al.(2005) recomenda, os dados da análise
análise dos índices financeiros realizados e
multivariada devem ser tratados antes por
posteriormente a análise discriminante e seus
uma análise exploratória. Nesta fase, foi
resultados.
realizada uma análise da normalidade,
Este estudo foi composto por 27 índices curtose, assimetria e valores atípicos
financeiros propostos pelos autores dos (outliers). Conforme os testes de Shapiro-
modelos previsão de insolvência Wilks e Kolgomorov-Smirnov realizados, os
mencionados nos tópicos anteriores. Destes dados seguem uma distribuição normal.
índices, três foram excluídos da análise
Já na análise da curtose, Hair et al. (2005,
devido a não compatibilidade da estrutura
p.82) afirma que “uma curva é muito aguda
dos balanços contábeis atuais se
quando a curtose excede +3 e é muito
comparados ao período em que foram
achatada quando ela fica abaixo de -3”, logo,
desenvolvidos os estudos; outro índice
este estudo apresentou 15 variáveis com
(liquidez corrente) foi excluído da análise, pois
problemas de curtose.
dois autores (Kanitz e Matias) utilizavam a
mesma variável em seus modelos, resultando Ainda na análise exploratória, foi realizada
assim na análise de 23 índices (variáveis). uma análise acerca dos desvios da
Esta análise foi realizada conforme os assimetria. Schumaker e Lomax (2004)
Balanços Patrimoniais e Demonstrações de afirmam que valores acima de +3 são
Resultado de Exercício das companhias que considerados assimétricos positivos,
compõem a amostra. enquanto que os valores abaixo de -3 são

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


121

considerados assimétricos negativos, logo, da transformação logarítmica. Após tais


este estudo apresentou nove variáveis com medidas a fim de reduzir os desvios
assimetria negativa: 1, 6, 7, 10, 15, 18, 20, 22, assimétricos, apenas cinco variáveis
23; e sete variáveis com assimetria positiva: 5, continuaram com uma distribuição
11, 13, 14, 16, 19, 21. A fim de reduzir tais assimétrica. Com o intuito de verificar o efeito
desvios assimétricos, Tamhane e Dunlop de tais transformações, analisou-se a
(2000) propõem que para uma distribuição variável11 que obteve o maior valor de
assimétrica positiva, se proceda a distribuição assimétrica positiva dentre as
transformação logarítmica x log(x) . Já para demais, portanto, foi utilizada a transformação
um desvio assimétrico negativo, propõem a logarítmica, conforme pode ser observado no
transformação exponencial, que é o inverso quadro a seguir:

Quadro 2- Histogramas da variável original e modificada

Fonte: Elaborado pelos autores

No quadro acima, o histograma esquerdo método passo a passo (stepwise). A análise


representa a variável analisada originalmente, discriminante pelo método direto consiste na
enquanto o histograma do lado direito inclusão de todas as variáveis explicativas na
reproduz a transformação realizada na função, independentemente de seu poder
variável. explicativo; já a análise discriminante pelo
método passo a passo consiste na entrada
Enquanto que na análise de valores
das variáveis explicativas que são
considerados atípicos, realizada por meio da
introduzidas na função, uma por vez,
análise dos histogramas, as observações 31,
sequencialmente, de acordo com a
35, 40 e 44 foram excluídas da amostra, pois
capacidade das mesmas de discriminação
foram consideradas observações extremas,
entre os grupos, ou seja, conforme o poder
com comportamentos diferentes dos demais.
discriminante das mesmas. (MALHOTRA,
Na análise de correlação existente entre as 2006; HAIR et al., 2005).
variáveis deste estudo, conforme a correlação
A função discriminante realizada neste estudo
de Pearson, os índices que apresentarem um
obteve resultados efetivos, pois atendeu aos
valor acima de +0,7 ou abaixo de -0,7 são
pressupostos estatísticos e conceituais que
considerados de alta correlação bivariada.
envolvem tal técnica estatística, exceto o
Logo, neste estudo, as variáveis 3 e 4
pressuposto da existência de homogeneidade
apresentaram uma correlação de 0,935; a
das matrizes de variância e covariância que é
variável 4 foi excluída por ter um desvio
verificado pelo teste Box´s M. Tal fato se deve
assimétrico maior que a variável 3.
à sensibilidade das técnicas multivariadas
Por conseguinte, a técnica estatística de que são afetadas pelo tamanho da amostra,
análise discriminante foi aplicada ao estudo. esta uma limitação deste estudo, e também a
Tal técnica tem como resultados duas funções recomendação de cinco observações para
discriminantes: pelo método direto e pelo cada variável. (HAIR et al., 2005).

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


122

Já a estatística de Lambda de Wilks, quando 22(Estoque Médio / Custo das Mercadorias


a variável apresentar valor próximo a zero, Vendidas) e 23 (Lucro Operacional +
significa que há um alto poder discriminativo, Despesas Financeiras / Ativo Total –
caso seja próximo a um, é irrelevante o seu Investimento Médio). Estas variáveis
poder discriminatório, neste caso, a variável compuseram a função discriminante por
16 apresentou valor um, sendo indiferente a etapas (stepwise), pois obtiveram valores
sua utilização na análise. As demais variáveis próximos a zero, tendo maior poder
também apresentaram valor próximo a um, discriminante. Tal análise das variáveis pode
tendo pouco poder discriminante, exceto as ser melhor observado no quadro a seguir,
variáveis 10 (Lucro Liquido / Vendas), com suas respectivas cargas discriminantes:

Quadro 3- Função Discriminante pelo método direto


Variáveis Cargas Variáveis Cargas Variáveis Cargas
Zscore: 1 0,256 Zscore: 10 -13,218 Zscore: 18 0,422
Zscore: 2 0,213 Zscore: 11 0,930 Zscore: 19 0,060
Zscore: 3 0,143 Zscore: 12 -0,134 Zscore: 20 0,114
Zscore: 5 0,430 Zscore: 13 0,007 Zscore: 21 -0,332
Zscore: 6 -0,532 Zscore: 14 0,246 Zscore: 22 -0,969
Zscore: 7 0,299 Zscore: 15 0,162 Zscore: 23 0,584
Zscore: 8 0,323 Zscore: 16 -0,139 (Constante) 1,351
Zscore:9 0,068 Zscore: 17 0,140
Fonte: Elaborado pelos autores
Esta função discriminante pelo método direto critério que determina em qual grupo a
obteve 76,1% de precisão na classificação observação será classificada, atingindo assim
das observações, percentual considerado um dos objetivos desta técnica estatística que
satisfatório se comparado com os principais é a classificação das observações aos
autores estudados. grupos. Neste estudo, o grupo de insolventes
é menor que o de solventes, devido à
Enquanto que a função pelo método passo a
exclusão dos valores atípicos,
passo obteve resultados efetivos, atendendo
respectivamente 42 e 46 observações. Para
a todos os pressupostos desta técnica
calcular o escore de corte, deve-se saber o
estatística envolvida, exceto o teste de Box´s
valor de centróide de cada grupo. O grupo de
M pela mesma razão da função pelo método
insolvente teve como seu centróide o valor de
direto. Conforme observado no quadro
-0,644 enquanto que o grupo de solventes
anterior, as variáveis 10, 22, e 23 obtiveram
teve 0,705; determinando assim o seguinte
maior carga discriminante, por tal razão,
escore de corte:
compõem a seguinte função discriminante:

Zc=0, 061
Z  0, 032 13,108X10 1,189X22  0,
664X23
Determinado o escore de corte deste estudo,
qualquer valor acima deste escore, obtido a
O valor de -0,032 é a constante resultante da partir da função da discriminante, a empresa
análise discriminante realizada. Esta função é considerada solvente, caso seja abaixo,
obteve 68,2% de precisão na classificação insolvente.
das observações.
A fim de proceder a validação estatística do
Após obter as duas funções discriminantes, o modelo pelo método passo a passo, Hair et al.
próximo passo é determinar o escore de corte (2005) afirma que tal validação é realizada
a fim de classificar e agrupar as observações para avaliar a capacidade ou não de
nos grupos previamente definidos. De acordo generalização de um modelo a partir de um
com Hair et al. (2005), o escore de corte é o conjunto de dados, buscando obter uma

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


123

validação interna e externa do modelo a ser Esta técnica será realizada por meio de uma
validado. Uma amostra com 10 observações comparação da validação dos modelos de
escolhidas aleatoriamente dentre a amostra previsão de insolvência estudados neste
original, composta por cinco empresas trabalho a fim de confrontar a precisão dos
consideradas insolventes e cinco bem mesmos, conforme pode ser melhor
sucedidas, foi utilizada para tal técnica de observado no quadro a seguir:
validação.

Quadro 4- Validação dos modelos de previsão de insolvência

Situação
Situação
Altman Elizabetsky Kanitz Matias Pereira prevista novo
real
modelo

SADIA S.A Insolvente Insolvente Insolvente Solvente Solvente Insolvente Insolvente


ECISA Insolvente Insolvente Solvente Solvente Insolvente Solvente Insolvente

TCO Solvente Solvente Solvente Solvente Solvente Solvente Insolvente


POLITENO Solvente Insolvente Solvente Solvente Insolvente Insolvente Insolvente
JARI Insolvente Insolvente Solvente Insolvente Insolvente Insolvente Insolvente
CIA CAC. Solvente Insolvente Solvente Solvente Insolvente Solvente Solvente
LIGHT Insolvente Insolvente Solvente Solvente Solvente Solvente Solvente
WETZEL Insolvente Insolvente Solvente Insolvente Solvente Insolvente Solvente
PORTOB. Solvente Insolvente Insolvente Insolvente Insolvente Solvente Solvente

CIA HID. Insolvente Insolvente Solvente Solvente Solvente Solvente Solvente


% DE
50% 40% 50% 40% 60% 70% 100%
PRECISÃO

Fonte: Elaborado pelos autores

Depois de realizada a validação cruzada, abertas contribuindo para o desenvolvimento


pode-se concluir que esta função de estratégias de negociação que maximizem
discriminante desenvolvida pelo método valor. Esta função também é de grande valia
stepwise ou por etapas obteve o maior índice para fornecedores de crédito, uma vez que
de classificação correta se comparado com permite a estas avaliar o risco em que uma
os demais autores citados, obtendo 70% de empresa encontra-se. Em especial,
precisão na amostra selecionada, próximo ao metodologias que permitem compreender os
índice de classificação obtido da função que determinantes da insolvência a fim de prover
foi de 68,1%. às partes interessadas a minimização dos
custos de falência talvez sejam um dos proxys
de maior relevância no contexto financeiro
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS, LIMITAÇÕES E atual.
RECOMENDAÇÕES
Tais custos, que existem quando há um
A insolvência representa um grave problema processo de recuperação/falência em
que organizações e economias podem andamento, comprometem a eficácia dos
enfrentar e, identificar com antecedência as resultados das organizações, pois o montante
tendências é de grande interesse, seja para que seria destinado para o pagamento das
as empresas ou pessoas e instituições dívidas, será destinado para o pagamento de
envolvidas. honorários por exemplo.
As contribuições que contemplem resultados Os resultados alcançados neste estudo
de estudos dos modelos de previsão de podem ser defrontados com os resultados
insolvência com maior confiabilidade podem apresentados pelos autores citados neste
auxiliar investidores a melhor avaliar o preço estudo uma vez que os mesmos tinham como
teórico justo das ações das companhias objetivo propor uma função discriminante

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


124

capaz de classificar as companhias em precisão. Já o modelo direto de análise


grupos (solventes e insolventes), tendo este discriminante, a função obteve 76,1% de
estudo o mesmo objetivo a fim de diminuir o classificação correta, considerando todas as
impacto dos custos de falência nas variáveis, tendo um percentual maior que
organizações. Matias (1978) e Pereira (1983).
Este estudo buscou atender todos os No procedimento de validação cruzada
pressupostos, conceituais e estatísticos, que realizada, tal técnica utilizou uma amostra de
envolvem a análise discriminante. Enquanto 10 observações da amostra original. Esta
Kanitz (1978), não considerou o tamanho da técnica obteve como resultado da função
amostra em relação ao número de variáveis, discriminante pelo método passo a passo um
ou seja, o número de variáveis era muito percentual de acertos de 70%, resultado
superior ao número de observações, por superior quando comparado com os cinco
exemplo, neste estudo este aspecto foi levado modelos de previsão de insolvência citados
em consideração. na pesquisa.
Embora na validação cruzada este estudo Devido às constantes alterações nos cenários
obtivesse o maior índice de classificação econômico e legal, emerge a demanda por
correta quando comparado com os demais adequação destes modelos periodicamente
autores mencionados no trabalho, algumas frente à nova realidade do mercado. Portanto,
limitações dificultaram a obtenção de os modelos devem ser revisados
resultados melhores: inicialmente, refere-se ao periodicamente devido a tais mudanças, pois
tamanho da amostra, devido à delimitação do se encontram inseridas num contexto
período analisado que foi entre 1995 e 2012, socioeconômico e legal distinto daquele que
sendo o pressuposto estatístico do Box´s M vigorava quando foram desenvolvidos os
Test sensível a tal fato. modelos de previsão de insolvência
estudados neste trabalho.
Outra limitação decorrente deste estudo está
relacionada à disponibilidade dos dados Quando incorridos estes custos, podem
contábeis das organizações de capital aberto. comprometer a continuidade da companhia
Na base de dados consultada (CVM), muitas que se encontra num processo de
empresas não apresentavam os indicadores e recuperação, afetando assim o objetivo de
dados necessários para o cálculo dos índices recuperar-se e a preservação da mesma.
financeiros adotados no trabalho.
Finalmente, a função discriminante obtida
Quanto à precisão de classificação correta, corroborou a consecução do objetivo deste
este estudo obteve 68,1% de percentual de trabalho, ou seja, foi desenvolvida uma função
acertos por meio da função discriminante pelo capaz de auxiliar na previsão de falências de
método stepwise, se destacando as variáveis empresas e assim, pode contribuir na
com variáveis com maior poder discriminante: prevenção dos custos de falência incorridos
10, 22 e 23. Tal percentual foi obtido devido à nos processos de recuperação e falência de
retirada de outlier`s de variáveis com alto grau uma organização.
de correlação, elevando assim tal grau de

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Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


126

Capítulo 10

Joana Oliveira Butzke


Luana Vanessa Kollmann Hermes
Mônica Worchinski
Patrícia Taís Pohl
Catia Raquel Felden Bartz

Resumo: Atualmente uma grande parcela das famílias brasileiras adequaram-se a


fazer suas refeições fora de casa. Diante do crescimento gradativo deste mercado,
faz-se necessário o estudo e análise de custos oriundos do processo produtivo dos
pratos em um restaurante. A essência deste trabalho consiste em mostrar o atual
sistema de custos, do processo produtivo de lasanhas, apresentadas em três
sabores, carne moída, frango e legumes em um restaurante da cidade de
Horizontina- RS, bem como análises críticas, e por fim, propor sugestões com o
propósito de melhorar seus processos. A apresentação do sistema atual dá-se por
meio de dados colhidos no local, através de entrevistas referentes aos custos
inerentes ao setor de produção de lasanhas. Foram analisadas todas as atividades
que agregam valor ao processo produtivo de lasanhas. Com base nisso, foram
utilizadas as matrizes de custeio para que se obtivesse a melhor sugestão a fim de
aumentar o desempenho do estabelecimento diante da atualidade competitiva.

Palavras chave: Sistemas de Custos. Análise Crítica. Custeio.Método ABC.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


127

1 INTRODUÇÃO Anthony entende que “para tomada de


decisão a informação de custo pode ser
No atual cenário competitivo é de suma
usada para estimar os custos e benefícios dos
importância a busca contínua pelo
alternativos cursos de ação e, portanto,
aprimoramento dos serviços e produtos
auxiliar a administração a escolher qual o
oferecidos, de forma a obter permanência e
melhor dos cursos a tomar” (Anthony; 1967,
aceitação no mercado. Os sistemas de custos
p.32).
estão presentes há algum tempo no cotidiano
das empresas, desde que a produção Desta forma, o objetivo da análise dos custos
artesanal na Revolução Industrial se é dar suporte dentro do processo de gestão
transformou em produção mecanizada, das empresas, no planejamento, controle e
existem relatos de controle de custos e informação da organização.
métodos de custeios.
Deste modo, é observável a importância do
2.1.2 DEFINIÇÕES E CONCEITOS
controle de custos e de sua correta
administração em uma organização. Bornia A contabilidade de uma empresa envolve
acredita que “o planejamento e a melhoria conceitos e definição que devem ser
contínua desse processo auxiliam no conhecidas para que é cabível o
crescimento empresarial”. (BORNIA,2002, p. entendimento de alguns conceitos como
26). custo, gasto e despesa, já que mais tarde
serão abordados de forma prática. Custos
Em função da grande competitividade se
segundo IBRACON, é o valor gasto com bens
torna essencial à sobrevivência das empresas
e serviços para a produção de outros bens e
o estabelecimento de controles de processo
serviços.
produtivo, bem como métodos de custeios,
custos decorrentes e preços do produto. Com Quanto a definição de gastos, Bornia o define
isso, a empresa passa a se manter em como o valor de bens de consumo ou de
igualdade frente aos concorrentes e dispõe produção que já foram adquiridos pela
de benefícios resultantes dos controles de empresa. Para Borges (2015), gasto é tudo
custos. aquilo que a empresa não planeja no
orçamento, mas que precisa investir para dar
continuidade a produção.
2 DESENVOLVIMENTO
Despesa, no entanto, engloba tudo aquilo que
2.1 REFERENCIAL TEÓRICO a empresa precisa para se manter em
funcionamento. Já para Bornia, é o valor de
2.1.1 SISTEMAS DE CUSTOS E
input consumido com o funcionamento da
IMPORTÂNCIA
empresa que não são passíveis de
As empresas de pequeno porte vêm identificação com a fabricação. A despesa é
crescendo significativamente no Brasil, geralmente dividida em administrativa,
portanto, torna-se inevitável a análise de comercial e financeira.
custos, bem como sua aplicabilidade. Bornia
(2002) acredita que um sistema de custeio
pode ajudar a empresa tanto no controle 2.1.3 CUSTEIO PELO MÉTODO ABC
quanto na tomada de decisões.
O custeio pelo método ABC baseia-se na
Além da função de controle que a divisão de custos em atividades principais
contabilidade de custos passou a exercer, ligados a um produto específico. Este
também é útil no processo de tomada de conceito surgiu com a necessidade de maior
decisão. Para Martins (2003), no que tange ao controle dos custos alocados, já que os
processo de decisão, seu papel reveste-se de critérios de rateio antes utilizados eram
suma importância, pois consiste na considerados inadequados.
alimentação de informações sobre valores
O princípio básico do custeio ABC é que os
relevantes que dizem respeito às
recursos da empresa são gastos na
consequências de curto e longo prazo sobre
realização das atividades e essas atividades
medidas de introdução ou corte de produtos,
são executadas para gerar bens ou serviços.
administração de preços de venda, opção de
Motta (2000), afirma que a atividade é o
compra ou produção etc.
elemento principal na empresa, uma vez que

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


128

a mesma mostra o que a empresa faz, como 2.3 ANÁLISES DOS RESULTADOS
realiza e os resultados desses processos.
2.3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
Bornia afirma que o método ABC, também
O estudo foi realizado em um restaurante
controla os desperdícios, pois a mensuração
classificado, de acordo com sua receita bruta
pode ser feita para cada atividade e o
anual, em uma empresa de pequeno porte. A
processo de melhoria pode ser feito
empresa atua no setor alimentício, servindo
diretamente sobre a atividade,
refeições sete dias por semana. Os pratos
independentemente da alocação dos custos.
servidos no restaurante variam conforme
cardápio da semana com uma variedade de
aproximadamente 30 pratos por dia , entre
2.1.4 GESTÃO DE CUSTOS EM EMPRESAS
saladas,pratos principais acompanhamentos
PRESTADORAS DE SERVIÇOS
e sobremesas.
A prestação de serviços é um dos setores que
No desenvolvimento do estudo, considerou-se
mais cresce e tende a continuar crescendo no
o processo produtivo de lasanhas oferecidas
Brasil. Devido a globalização acaba existindo
durante o almoço, caracterizando-se pelo
uma forte competitividade no setor
sistema de atendimento self service ou
empresarial, fazendo com que as empresas
restaurante a quilo, onde o cliente só paga
estejam em constante evolução, controlando
pela quantidade servida no buffet. As
suas ações, de agir e gastar. Dessa forma,
lasanhas analisadas apresentam três sabores:
torna-se cada vez mais importante uma
bolonhesa, frango e legumes.
correta administração dos custos nas
empresas.
Segundo Dal`Bó (2009) o crescimento de uma 2.3.2 ATUAL SISTEMA DE CUSTOS DO
empresa pode estar comprometido se não RESTAURANTE
houver uma gestão de custos adequada. Para
O restaurante se enquadra no segmento de
uma eficaz gestão de custos é necessário
self service, conhecido como o tradicional
conhecer os mecanismos de custeamento,
buffet a quilo, o que acaba por impossibilitar a
verificando as características da empresa
fixação de preço de venda nos pratos
para adotar o método que melhor se adapte
separadamente. Sendo assim, adota-se um
às suas necessidades.
preço padrão no buffet, para as mais diversas
variedades de R$ 35,00.
2.2 MATERIAIS E MÉTODOS Com o preço de venda fixo, o restaurante
obriga-se a possuir um sistema de controle
O estudo caracteriza-se por ser um estudo de
caso, por meio de entrevistas e pesquisas de suas finanças. O controle geral dos custos
acerca do restaurante a ser apresentado. A da empresa, ou seja, a contabilidade, é
escolha do método, foi o qualitativo pois realizada por uma empresa especializada em
permite um conhecimento aprofundado da serviços contábeis. Assim, a empresa pode
problemática (KAPLAN; DUCHON, 1988). solicitar o balancete quando necessário este
inclui a Demonstração do Resultado do
A análise do sistema atual de custos e dados
Exercício – DRE, receitas e despesas
colhidos, foram feitos por meio de técnicas
lançadas ao longo do ano. Se o somatório da
julgadas convenientes a situação. Foram
receita for superior as despesas, a empresa
realizados entrevistas e questionários com o
teve lucro, caso contrário, prejuízo.
proprietário do estabelecimento e cozinheira
responsável pela preparação das lasanhas. A
proposta de um sistema de custos sucedeu-
2.3.3 PROPOSTA DE GESTÃO DE CUSTOS
se por pesquisas bibliográficas, sendo
julgado mais adequado o método de custeio Conforme citado anteriormente, a empresa
ABC por apresentar inúmeras aplicações, e não possui um sistema de custos
por sua vez, melhores resultados quanto ao internamente, possuindo apenas o controle
setor de serviços. contábil geral dos pratos oferecidos. Assim,
justifica-se uma proposta de gestão de custos
para o restaurante. A partir de dados colhidos
no restaurante,funcionários e gerencia
relataram que o prato que mais apresentava

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


129

incertezas quanto ao lucro seria a lasanha, cada prato, para que futuras decisões
distribuída em três sabores: bolonhesa, frango possam ser tomadas acerca do processo
e legumes. Essa incerteza dá-se por dois produtivo.
principais fatores: primeiro pelo fato de que o
processo produtivo leva um tempo maior
quando comparado a qualquer outro prato, e 2.3.4 DESCRIÇÃO DO PROCESSO
pelo custo elevado da matéria-prima. PRODUTIVO
Para tanto define-se como sendo a melhor O processo produtivo da lasanha pode ser
proposta, o método de custos ABC (divisão visualizado na figura 1, em ordem de
por atividades), por se encaixar dentro das acontecimentos. A figura descreve o processo
necessidades atuais do restaurante, e pela macro relativo à produção.
necessidade de identificação do lucro de

Figura 1 – Etapas do Processo Produtivo de lasanhas no Restaurante

Todas as lasanhas oferecidas, possuem o ingredientes em quilogramas(Kg) dos três


mesmo sequenciamento de etapas, sabores da lasanha, resultando no peso total
diferenciando-se apenas nos ingredientes do das lasanhas(ver Anexo A), e assim seu custo
molho. total. Segundo o proprietário cada lasanha
serve em média de 12 a 15 pessoas. A tabela
Após a separação das atividades, foram
1 mostra o peso da lasanha pronta sem o
quantificados também os ingredientes
processo de assamento, relacionada com o
necessários a cada lasanha. Os ingredientes,
custo de matéria prima para cada sabor de
bem como suas respectivas quantidades
lasanha que o restaurante oferece.
podem
A partir da tabela 1, conclui-se que a lasanha
ser conferidas no Anexo A deste artigo.
bolonhesa apresenta o maior custo em
relação a matéria prima, em razão do custo
elevado da carne moída bovina. Em seguida,
2.3.5 ALOCAÇÃO DE CUSTOS
vem a lasanha de frango e então com um
2.3.5.1 MATÉRIA PRIMA custo menos relevante esta a de legumes. Em
todas as três lasanhas há o acréscimo de
Os custos com matéria prima foram
queijo, que também possui um custo
mensurados levando-se em consideração os
significativo.

Tabela 1 – Custos Referentes a mátéria Prima relacionadas com o peso (kg)

Custo de Matéria Prima Peso (Kg) Custo


Lasanha de Carne 2,838 R$ 29,00
Lasanha de Frango 3,038 R$ 24,15
Lasanha de Legumes 3,044 R$ 22,26

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


130

2.3.5.2 MÃO DE OBRA uma faxineira para realização de higienização


do ambiente. A tabela 2 apresenta a
O quadro de funcionários é composto por
distribuição de funções, salário integral no
nove pessoas, sendo uma cozinheira
mês, horas trabalhadas, tempos de realização
responsável pelo preparo de lasanhas. Para
da atividade e o custo da mão de obra
fins de cálculos, considerou-se um funcionário
utilizada na produção de cada lasanha.
na cozinha, dois como caixa administrativo, e

Tabela 2 – Custos da Mão de Obra

Carga Horária/dia Custa da Custo de Mão


Duração
(horas) Hora de Obra

Cozinheira 8 R$ 5,54 1,91 R$ 3,53


Caixa/ Auxiliar administrativo 4 R$ 7,33 0,17 R$ 0,41
Faxineira 8 R$ 3,66 0,08 R$ 0,10

Para a determinação dos custos de mão de Dessa forma, a depreciação final resultou
obra foram considerados os salários com para cada lasanha em R$ 0,43.
todos os benefícios inclusos. Os salários das
áreas foram distribuídos, conforme carga
horária de trabalho diário. Em seguida, foi 2.3.5.4 CUSTOS DE TRANSFORMAÇÃO
necessário tomar nota dos tempos para
Os custos de transformação do processo
produzir as lasanhas. Assim, o valor de custo
produtivo de cada uma das lasanhas, é
da hora foi multiplicado pelo tempo
composto por sete principais etapas, das
necessário àquela etapa, resultando no custo
quais cinco são realizadas pela cozinheira do
total da mão de obra das três lasanhas.
estabelecimento. O quadro 1 remete os
Assim, o custos com a mão de obra para
custos de transformação, relacionando cada
preparo de cada lasanha é de R$ 4,04.
etapa ao tempo de execução. A depreciação
das máquinas e equipamentos antes
calculado, foi dividida entre os equipamentos
2.3.5.3 DEPRECIAÇÃO
e máquinas utilizadas nos processos de
Para cálculo da depreciação foi necessário preparação, cozimento, assamento,
levar em conta todos os bens imobilizados, - distribuição e contabilização. A mão de obra
máquinas e equipamentos- utilizados no faz parte de todos os processos, sendo
processo, a depreciação do local, o qual é analisada em cada um deles de maneira
alugado, bem como valores correspondentes. separada a fim de obter maior certeza acerca
de seus valores.

Quadro 1- Distribuição dos Custos de Transformação


Etapas do Processo Tempo de Depreciação Mão de Obra Custo de
Execução (h)
Preparação 0,33 x x R$0,70
Cozimento 0,67 x x R$1,24
Montagem da Lasanha 0,33 x R$0,62
Assar Lasanha 0,5 x x R$0,93

Distribuição 0,08 x x R$0,25


Contabilização 0,17 x x R$0,63
Higienização 0,08 x R$0,10
Total R$4,46

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


131

Os custos de transformação das sete etapas 2.3.4.5 DESPESAS GERAIS


foram calculados pelo somatório da
Os custos com despesas podem ser
depreciação e mão de obra, resultando em
observados na tabela 3. Estes custos foram
um custo total de R$ 4,46 para cada tipo de
calculados com base nas despesas totais dos
lasanha. Os custos de transformação serão
itens descritos, dividindo pelo média de
somados futuramente à matéria prima, e às
pratos mensais que o restaurante oferece.
despesas gerais.
Dessa forma, foi obtida a despesa do
restaurante por lasanha.

Tabela 3 – Despesas Gerais por Lasanha Fabricada


Despesas Gerais

Aluguel R$0,62

Energia Elétrica R$0,67

Água R$0,18

Telefone/Internet R$0,22

Gás R$1,91

Contabilidade R$0,76

Outros R$0,48

Total R$4,84

Ao analisarmos a tabela, podemos identificar despesas, pode-se fazer a representação do


uma despesa de R$ 4,84 por unidade, lucro/prejuízo que o estabelecimento obtém
resultante de sete principais centros de com a venda de lasanhas em seu cardápio.
custos. Dentre estes, o gás possui o custo Conforme mencionado anteriormente, o
mais elevado. sistema do restaurante é o buffet por quilo,
sendo que o cliente pagará pelo quilo
consumido R$ 35,00. Os gráficos contidos
2.3.7 APRESENTAÇÃO DE nas figuras 3,4 e 5 mostram o lucro alcançado
LUCROS/PREJUÍZOS por unidade vendida, considerando os pesos
de 2,838kg para a bolonhesa, 3,038kg para a
A partir do conhecimento do custo total
de frango e 3,044 kg para a de legumes.
proveniente da produção das lasanhas e suas

Figura 3 – Apresentação de resultados

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


132

Figura 4 – Apresentação de Resultados

Figura 5 – Apresentação de Resultados

Os gráficos representam a comparação do 2.4 CONSIDERAÇÃO FINAIS


preço de venda com o lucro ou prejuízo que
Para melhor entendimento, uma pessoa
as lasanhas oferecem ao restaurante. Todas
consome em média 0,2 kg de lasanha em
as lasanhas resultaram em um lucro acima de
uma refeição, o que correspondente a uma
60% em relação ao seu preço de venda. A
porção da lasanha. O gráfico contido na
lasanha bolonhesa apresentou um lucro de
figura 6 relaciona o valor gasto pelo consumo
R$ 61,03, enquanto que a de frango
de uma porção de lasanha e o ticket médio-
representa um lucro de R$ 78,02. Ao que se
valor médio gasto por cliente no restaurante,
refere a lasanha de legumes, esta teve a
considerando o preço de R$ 35,00 por quilo.
maior margem de lucro, com 75%.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


133

Figura 6 – Comparação do valor gasto com o valor pago por uma porção de lasanha

Os clientes gastam em média R$ 18,28 em servida duas vezes durante o mês, obtemos o
suas refeições, e deste total, 44% é lucro líquido mensal de R$ 437,74. Essa
corresponde ao consumo da lasanha. participação equivale a mais que 4% no lucro
líquido total conforme figura 7 nos mostra.
Ao somar o lucro obtido na venda das três
lasanhas, considerando que cada lasanha é

Figura 7 - Comparação do Lucro da Lasanha com o lucro total do restaurante.

120,00%
95,78%
100,00%

80,00%

60,00%

40,00%

20,00%
4,22%
0,00%
Lucro Líquido Mensal Lucro Líquido Mensal -
(R$437,74) Lasanhas (R$9934,84)

O lucro obtido com as vendas de lasanhas 3 CONCLUSÃO


torna-se muito menor em relação ao lucro
A análise individual de cada prato é de
líquido, porém a margem de lucro alcançado
extrema importância para o melhor
pelas lasanhas supera a casa dos 60%. Isso
monitoramento dos custos de um restaurante.
nos faz crer que o restaurante está de fato
Cada prato apresenta um diferencial, ao que
lucrando com a venda de lasanhas, e apesar
tange seu processo produtivo, gerando assim,
de sua matéria prima apresentar um custo
custos diferenciados aos mesmos. A lasanha
elevado, seu lucro é obtido principalmente no
foi mencionada como um dos pratos com
que se refere ao preço de venda.
maior custo para a empresa, entretanto, como
já apresentado, o lucro obtido através da
venda da mesma é significativo comparado
ao lucro total do restaurante.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


134

Desta forma, o método de custeio proposto seus lucros, bem como suas despesas. Isto
cumpriu com o objetivo, proporcionando uma se justifica pelo fato de anteriormente a
estrutura padrão de rateio dos custos empresa não possuir um método de custeio
oriundos do processo produtivo da lasanha. para cada prato separadamente, o que
impossibilitava-o de conhecer o lucro real
Através deste estudo conseguiu-se concluir
obtido através de seus pratos.
quais são as lasanhas que geram maior lucro.
A lasanha que obteve o maior percentual de Essas informações são suficientes para a
lucratividade foi a de Legumes, pois os custos formulação de novas estratégias diante de um
com matéria prima são 23% menores quando mercado cada vez mais competitivo, onde os
comparada com a lasanha bolonhesa. pequenos detalhes fazem a diferença. Assim
o controle de custos é de fundamental
A partir dos dados obtidos pela aplicação do
importância pois faz parte das estratégias de
método ABC na empresa, o proprietário
negócio e proporciona a confiabilidade total
contará com uma forma eficaz de controlar
nos lucros obtidos.

REFERÊNCIAS
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custos de operações. São Paulo: Editora Custos Operacionais em Terminais Intermodais de
Brasiliense, 1967. Contêineres. Rio de Janeiro, 2004.
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Portuguesa. 8 ed. 2010 quantitative and qualitative methods in informations
systems research: a case study. Mis Quarterly,
[3]. BORGES, Leandro. Entendendo a
1998.
Diferença entre custos, gastos e despesas.
Disponível em: < http://blog.luz.vc/o-que- [10]. HONG, Yuh Ching. Gestão baseada em
e/entenda-diferenca-entre-custos-gastos-e- custo por atividade. São Paulo. Ed. Atlas. 1995.
despesas/>, acesso em 20 de junho de 2016. IBRACON. Nº 2. Revisado e Atualizado em abril de
1999.
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de Custos. Aplicação em empresas modernas. [11]. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de
Porto Alegre: Bookman, 2002. custos. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2003
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Fabiano Maury. Implementação do Custeio satisfação do consumidor. 2Ed. Rio de Janeiro.
Baseado em Atividades para Gestão dos Gastos 2000
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[13]. NETO, Oscar Guimarães. Análise de
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Disponível em:
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Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


135

ANEXOS

Anexo A- Quantidades e Ingredientes das Lasanhas Vendidas no Restaurante

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


136

Capítulo 11

Cristina Raquel Reckziegel


Gezebel Marcela Bencke
Catia Raquel Felden Bartz

Resumo: O principal objetivo do artigo é identificar o valor do investimento para


iniciar uma produção de cascão de sorvete, mensurando os custos fixos, custos
variáveis e o ponto de equilíbrio. O procedimento adotado foi uma pesquisa
bibliográfica baseada em informações de autores específicos, juntamente com um
estudo de caso. Os resultados revelam que é interessante investir na fabricação de
cascões, utilizando vinte máquinas para a produção e dois turnos de trabalho, isso
gera uma lucratividade maior e receita acima do ponto de equilíbrio. A produção
que essas máquinas possuem, atendem a demanda da empresa, que também
produz e comercializa sorvetes, e o excedente poderá ser vendido na região, pois
existe demanda.

Palavras Chave: Indústria, Ponto de Equilíbrio, Cascões de Sorvetes.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


137

1 INTRODUÇÃO Para aumentar sua lucratividade, a empresa


busca através de ações de marketing,
Em várias situações de nosso cotidiano
expansão de unidades produtivas,
utilizamos a palavra custo. O processo
qualificação profissional, aperfeiçoamento do
produtivo de uma empresa está diretamente
processo, entre outros, melhor posicionar-se
ligado à ideia de custos, que são aqueles que
em seu mercado. A maneira como a empresa
a empresa enfrenta ao longo de seu processo
atua no mercado, no que se refere a preços, é
produtivo. É de grande importância que a
chamada de estratégia de preços (ÁVILA,
empresa realize a análise destes custos, para
2012).
que estas informações possam auxiliar na
organização e implementação de estratégias Para Avila (2012), quando existe um
que permitam o aumento dos lucros. acompanhamento formal de custos, qualquer
empresa passa a dispor de informações
O produto pode ser considerado como
necessárias para medir o seu desempenho; a
qualquer bem ou serviço que é obtido através
comparar o que foi orçado como o realizado
de um processo produtivo existente em uma
dispondo de dados confiáveis para análise de
empresa. O mercado é um sistema que
desempenho; a definir preço próprio; enfim
permite por em contato os compradores e os
decidir sobre estratégias adequadas a
vendedores de um mesmo bem ou serviço. As
competir no mercado onde atua, apoiada em
empresas concorrem entre si, buscando
dados próprios que exprimem sua realidade.
sempre diminuir seus custos para que seja
possível vender seu produto por um preço
menor e assim, obter mais lucros e aumento
2.1 CUSTOS FIXOS
das vendas (ZANLUCA, 2011).
Zanluca (2011) afirma que os custos fixos são
O presente estudo será realizado em uma
aqueles necessários ao funcionamento físico
sorveteria que já está instalada há nove anos
da empresa. É tudo aquilo que não sofre
na cidade de Horizontina. A empresa
alteração de valor em caso de aumento ou
comercializa sorvetes no cascão, em
diminuição dos volumes de produção e
casquinhas e em potes. Seu produto de maior
vendas, não dependendo do nível de
venda é o cascão, que é comercializado em
atividade. Alguns exemplos são:
média 8.387 (oito mil trezentos e oitenta e
sete) unidades por ano.
Devido ao grande número de perdas com os  Aluguel de equipamentos ou
cascões comprados de terceiros e visando instalações;
uma maior qualidade nos cascões resolveu-se
 Segurança e vigilância;
estudar a viabilidade da instalação de uma
fábrica própria de cascão. Para Ferreira  Depreciação;
(2013), a concorrência está cada vez mais
 Imposto predial;
acirrada buscando novos e melhores
produtos e acrescendo o volume de vendas  Custo fixo operacional;
para as empresas, portanto é de grande
 Água e luz.
relevância que os produtos estejam
disponíveis no mercado, com qualidade
superior aos concorrentes, custos acessíveis
O custo fixo unitário estará sempre em função
para manter-se no mercado competitivo e
da quantidade produzida.
benefícios o pós venda.
Na medida em que aumentam os volumes
de produção, os custos fixos unitários
2 CUSTOS INDUSTRIAIS diminuem. Quanto maior a quantidade,
maiores os ganhos das economias de
Segundo Avila (2012), custos podem ser
escala e menores serão os custos fixos
definidos como sendo a expressão monetária
unitários (BRUNI, 2010, p. 56-58).
dos recursos colocados à disposição da
produção, sejam eles humanos, tecnológicos
e financeiros. Conhecer custos é a condição
2.2 CUSTOS VARIÁVEIS
básica para administrar qualquer empresa,
seja ela comercial, industrial ou de serviços, Os custos variáveis são todos aqueles que
de micro e grande porte. dependem dos volumes de produção e
vendas, alterando o seu valor de acordo com

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


138

as atividades da empresa. Quanto maior a


produção da empresa em um determinado
período, maior serão os custos variáveis
(LEONE, 2009). Exemplos de custos variáveis
são: matéria-prima, embalagens e comissões
a vendedores. (BRUNI, 2010, p. 63-64).
Seguindo os princípios de Bruni (2010, p. 71),
De acordo com Bornia (2010, p. 36), a caso seja necessário o cálculo do ponto de
empresa toma suas decisões baseadas no equilíbrio em unidades monetárias (PEC$),
quanto irá produzir de cada item, para que deve-se multiplicar o ponto de equilíbrio
seja possível tirar o máximo de proveito da contábil em unidades pelo preço de venda do
situação. Neste caso, apenas os custos produto, como mostra a fórmula abaixo:
variáveis são importantes, pois são apenas
eles que dependem da quantidade produzida
pela empresa.

2.3 PONTO DE EQUILÍBRIO 2.5 PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO


Segundo Bornia (2010, p. 58) o ponto de Segundo Bornia (2010, p. 63) no ponto de
equilíbrio é o nível de vendas onde o lucro é equilíbrio financeiro os custos considerados
nulo. É um dos indicadores que informa a são apenas os custos desembolsados, que
gerência sobre o volume necessário de realmente possuem vínculo financeiro com a
vendas em um determinado período para empresa. Informa quanto a empresa terá que
cobrir todos os custos fixos e variáveis. vender para não ficar sem dinheiro para cobrir
Ao aumentar suas vendas, a empresa suas necessidades de desembolso. Se as
conseguirá obter resultados acima do ponto operações da empresa somarem valores
de equilíbrio e terá um benefício positivo. No abaixo do ponto de equilíbrio financeiro, a
entanto, se as vendas registrarem valores mesma terá que tomar outras ações, como
abaixo do ponto de equilíbrio haverá perdas. efetuar empréstimos, o que dificultará ainda
O cálculo do ponto de equilíbrio permite que a mais a situação.
empresa, mesmo antes de iniciar suas Bruni (2010, p. 74) afirma que o ponto de
operações, saiba qual é o nível de vendas equilíbrio financeiro apresenta o volume de
que precisará atingir para recuperar o vendas, em quantidades ou em unidades
dinheiro investido. Caso não consiga cobrir os monetárias, para uma geração de caixa igual
custos, deverá proceder a alterações até a zero. Devem-se subtrair os gastos não
alcançar um novo ponto de equilíbrio que seja desembolsáveis (como depreciações) do
compatível com seus custos e permita lucros volume de gastos fixos, conforme
(CONCEITO DE, 2012). representado na fórmula abaixo, que nos dá
Bruni (2010, p. 70) afirma que existem os valores em quantidade:
diferentes conceitos de ponto de equilíbrio,
como o ponto de equilíbrio contábil, financeiro
ou econômico.

2.4 PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL Ou em unidades monetárias:


Bornia (2010, p. 63) afirma que no ponto de
equilíbrio contábil são levados em conta todos
os custos e despesas relacionados com o
funcionamento da empresa. De acordo com
Bruni (2010, p. 71) o ponto de equilíbrio 2.6 PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO
contábil apresenta o volume de vendas ou
No ponto de equilíbrio econômico são
faturamento que determinado
incluídos nos custos e despesas fixas todos
empreendimento precisa obter para cobrir
os custos referentes desde ao capital próprio,
seus gastos, sendo o lucro nulo. É calculado
ao possível aluguel das edificações e outros
através da divisão dos custos fixos totais pela
do gênero. Demonstra a real rentabilidade
margem de contribuição:
que a atividade que a empresa exerce traz,

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


139

confrontando-as com outras opções de No ponto de vista de Bruni (2010, p. 74-75) o


investimento. Os custos imputados são um ponto de equilíbrio econômico apresenta o
tanto quanto individuais e deve-se ter em volume de vendas em quantidades ou em
conta que se trata de um instrumento unidades monetárias, para um resultado
gerencial, não representando custos econômico igual a zero. Para o cálculo em
realmente incorridos (BORNIA, 2010, p. 63). quantidade o cálculo é representado como:

visando permitir o seu conhecimento amplo e


detalhado.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
O presente estudo busca analisar a
Ou em unidades monetárias: possibilidade de a Sorveteria Italiana instalar
uma fábrica própria de cascão. Essa fábrica
atenderia a demanda da empresa e o restante
das unidades produzidas seriam
3 MÉTODOS E TÉCNICAS comercializadas para as empresas da região.
Primeiramente foi feito uma revisão de Atualmente a Sorveteria Italiana compra os
literatura baseada em autores pertinentes ao cascões por caixa, a um preço de R$28,43.
tema, assim adquire-se o conhecimento Cada caixa possui 120 unidades (cento e
teórico necessário para embasar o trabalho. vinte unidades), sendo assim, cada unidade
tem um custo de R$ 0,23. Mas existe uma
O trabalho caracteriza-se por ser descritivo, perda com cascões quebrados em cada
quando procura descrever sistematicamente caixa que gira em torno de 5,54%, fazendo
uma área de interesse, ou fenômeno, com que o preço de compra unitário do
conforme Lakatos e Marconi (2001); mas, cascão seja de aproximadamente R$ 0,26.
também, pode ser definido como exploratório,
por procurar, em sua fase inicial, entender um Para a análise da viabilidade de instalar uma
fenômeno, para depois, poder explicar suas fábrica própria de cascão é necessário
causas e consequências (GIL, 1999). inicialmente calcular os custos variáveis para
a produção do cascão. A Tabela 1 apresenta
Foi adotado para realização do trabalho um os custos variáveis referentes à matéria-prima.
estudo de caso, onde de acordo a Gil (1999),
apresenta como objetivo a análise profunda e
exaustiva de uma, ou poucas questões,

Tabela 1: Custos variáveis da matéria-prima.


Matéria-prima Quantidade Valor
Água 2 litros R$ 0,007
Óleo de milho 1 litro R$ 5,240
Açúcar mascavo 250 gramas R$ 2,740
Açúcar 800 gramas R$ 1,264
Sal 10 gramas R$ 0,010
Chocolate em pó 10 gramas R$ 0,448
Polvilho doce 500 gramas R$ 3,540
Farinha 1500 gramas R$ 2,970
Total R$ 16,22
Fonte: Autores (2013)

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


140

Conforme a Tabela 1, o custo total da matéria- matéria-prima de R$ 0,108. O Quadro 1


prima é de R$ 16,22. Com essa matéria-prima mostra os custos variáveis unitários da
é possível fabricar 150 cascão (cento e embalagem.
cinquenta), gerando um custo unitário para a

Quadro 1 – Custo variável unitário da embalagem


Embalagem Valor unitário da embalagem

Saquinho plástico R$ 0,002

Caixa de papelão R$ 0,01

Total R$ 0,013

Fonte: Autores (2013)

No Quadro 1 é possível verificar que o custo máquinas, onde será calculado o custo fixo
unitário da embalagem é de R$ 0,013. de cada grupo para posteriormente analisar a
Somando o custo unitário da matéria prima, opção mais lucrativa. O primeiro grupo
custo unitário da embalagem e os impostos contém 2 máquinas para fabricar cascão, o
necessários obtêm um custo variável unitário segundo 10 máquinas, o terceiro 15 máquinas
de R$ 0,13. e o ultimo 20 máquinas. Será analisado
primeiramente o custo fixo utilizando apenas
Com o custo variável calculado o próximo
um turno de trabalho. O Quadro 2 apresenta o
passo é determinar o custo fixo. Nesse estudo
resultado dos custos fixos para um turno de
serão considerados 4 diferentes grupos de
trabalho.

Quadro 2 – Custo fixo para um turno de trabalho.


Custo Fixo 2 máquinas 10 máquinas 15 máquinas 20 máquinas

Energia elétrica R$ 246,00 R$ 1.230,00 R$1.845,00 R$ 1.845,00

Água R$ 50,00 R$ 80,00 R$100,00 R$100,00

Aluguel R$ 700,00 R$ 700,00 R$ 700,00 R$ 700,00

Imposto salário R$ 74,58 R$ 372,90 R$596,64 R$ 745,80

Salário R$ 678,00 R$ 3.390,00 R$5.424,00 R$ 6.780,00

ISS (município) R$ 5,00 R$ 5,00 R$5,00 R$ 5,00

Depreciação R$ 16,96 R$ 84,80 R$127,20 R$ 169,60

Custo fixo total R$ 1.770,54 R$ 5.862,70 R$ 8.797,84 R$ 10.345,40

Custo fixo unitário R$ 0,13 R$0,09 R$0,09 R$ 0,08

Fonte: Autores (2013)

O Quadro 2 demonstra o custo fixo total para podem ser produzidas 66000 unidades
os quatro grupos de máquinas. Para obter o (sessenta e seis mil) mensais, quinze
custo fixo unitário, que também foi máquinas 99000 unidades (noventa e nove
apresentado no quadro 3, é necessário dividir mil) por mês e para vinte máquinas 132000
o custo fixo total pelas unidades que podem unidades (cem mil e trezentos e vinte
ser produzidas em cada grupo de máquinas. unidades) por mês.
Com duas máquinas é possível produzir
Usando dez máquinas e quinze máquinas o
13200 unidades (treze mil e duzentas
custo fixo unitário é o mesmo (R$0,09), mas
unidades) por mês, com dez máquinas
utilizando apenas duas máquinas foi obtido o

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


141

maior custo fixo unitário (R$0,13). É possível com sessenta e cinco centavos) e para vinte
verificar que o menor custo fixo unitário é máquinas R$ 20.366,20 (vinte mil trezentos e
utilizando vinte máquinas para fabricar sessenta e seis reais com vinte centavos).
cascão (R$0,08).
O valor dos salários apresentados é referente
O valor da depreciação é 10 % do ao numero de funcionário. Para cada duas
investimento, onde, para duas máquinas é de máquinas é necessário um funcionário, ou
R$ 2.036,62 (dois mil e trinta e seis reais com seja, para duas, dez, quinze e vinte máquinas
sessenta de dois centavos), dez máquinas é são necessários dois funcionários, cinco
R$ 10.183,10 (dez mil cento e oitenta e três funcionários, oito funcionários e dez
reais com dez centavos), para quinze funcionários respectivamente.
máquinas o investimento é de R$ 15.274,65
O Quadro 3 apresenta os custos fixos totais
(quinze mil duzentos e setenta e quatro reais
quando é utilizado dois turnos de trabalho.

Quadro 3 – Custo fixo total para dois turnos de trabalho


Custo Fixo para 2 turnos 2 máquinas 10 máquinas 15 máquinas 20 máquinas

Energia elétrica R$ 492,00 R$ 2.460,00 R$ 3.690,00 R$ 3.690,00

Água R$ 100,00 R$ 160,00 R$200,00 R$ 200,00

Aluguel R$ 700,00 R$ 700,00 R$ 700,00 R$ 700,00

Imposto salário R$ 149,16 R$ 745,80 R$ 1.193,28 R$ 1.491,60

Salário R$ 1.356,00 R$ 6.780,00 R$ 10.848,00 R$ 13.560,00

ISS (município) R$ 5,00 R$ 5,00 R$ 10,00 R$ 10,00

Depreciação R$ 50,92 R$ 254,58 R$ 381,87 R$ 509,16

Custo fixo total R$ 2.853,08 R$ 11.105,38 R$ 17.023,15 R$ 20.160,76

Custo fixo unitário R$ 0,11 R$ 0,08 R$ 0,09 R$ 0,08

Fonte: Autores (2013)

Analisando o Quadro 3 é possível verificar máquinas são respectivamente 26400


que o menor custo fixo para dois turnos é unidades (vinte e seis mil e quatrocentas
encontrado em dez máquinas e vinte unidades), 132000 unidades (cento e trinta e
máquinas (R$0,08). Para duas máquinas se dois mil), 198000 (cento e noventa e oito mil) e
obteve o maior custo fixo unitário (R$0,11) e 264000 unidades (duzentos e sessenta e
para quinze máquinas o valor encontrado está quatro mil).
entre o maior e o menor valor (R$0,09).
Após todos esses dados coletados é possível
Pelo fato de a análise ser para dois turnos, a calcular o ponto de equilíbrio. Será utilizado o
depreciação é de 15% do investimento. Em Ponto de Equilíbrio Contábil o para este
dois turnos a quantidade de unidades estudo, utilizando a seguinte fórmula:
produzidas em duas, dez, quinze e vinte
máquinas. O valor do “pre o” será utilizado
R$ 0,26. A Figura 1 apresenta os resultados
obtidos no ponto de equilíbrio econômico,
relacionando com as unidades que podem
ser produzidas por cada grupo de máquina.
O Ponto de Equilíbrio Contábil será calculado
para os dois turnos e para os 4 grupos de

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


142

Figura 1 – Ponto de Equilíbrio e unidades produzidas. Fonte: Autores (2013).

É possível verificar que em todos os grupos necessário calcular o lucro pela seguinte
de máquinas a produção atende ao ponto de fórmula:
equilíbrio. Para finalizar os cálculos é

A partir destes dados, obtiveram-se os relaciona o ponto de equilíbrio, lucro e a


resultados apresentados na Figura 2. Esta receita para cada grupo de máquinas.

Figura 2 – Lucro, receita e ponto de equilíbrio. Fonte: Autores (2013).

É possível constatar que o lucro será maior analisado pela Figura 2 é que a produção no
utilizando vinte máquinas e dois turnos de grupo de vinte máquinas tem capacidade
trabalho, devido ao melhor aproveitamento para atender o ponto de equilíbrio.
das máquinas para fabricação de cascão.
Para duas máquinas em um turno a empresa
teria prejuízo, e para dois turnos o lucro 5 CONCLUSÕES
utilizando duas máquinas é muito baixo. Nos
A partir desse estudo foi possível verificar que
grupos de dez máquinas e quinze máquinas
a análise de custo é de extrema importância
existe em lucro que pode ser considerado
para as empresas, pois mostra qual é a
bom, mas no grupo de vinte máquinas o lucro
melhor opção de investimento, visando o
é significativamente maior, sendo de
maior lucro. Outro fator importante é o ponto
R$14.159,25 (quatorze mil cento e cinquenta
de equilíbrio que nos indica a partir de que
e nove reais com vinte e cinco centavos)
ponto de vendas a empresa vai cobrir todos
mensal. Outro fator importante que pode ser
seus custos fixos. Podemos concluir através

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


143

do estudo que a opção mais lucrativa seria baixo devido o lucro ser de R$14.159,25
utilizar vinte máquinas e dois turnos de mensal. Esse estudo foi de extrema
trabalho, com essa produção será possível importância para o entendimento da análise
atender a demanda da empresa e as de custos industriais, atingindo todos os
unidades restantes seriam comercializadas objetivos esperados. A informação gerada
para as sorveterias da região. O investimento pela análise do Ponto de Equilíbrio é
para o grupo de vinte máquinas é de fundamental para o sucesso e a lucratividade
R$ 20.366,20, que pode ser considerado das empresas.

REFERÊNCIAS
[1]. AVILA, Antonio Victorino. Custos http://www.ietec.com.br/site/techoje/categoria/detal
Industriais e Precificação. Disponível em: he_artigo/290. Acesso em: 10 abr. 2013.
<http://pet.ecv.ufsc.br/site/downloads/custos_indus
[6]. GIL, A. C. Métodos e Técnicas de
triais.pdf>. Acesso em: 19 jun. 2013.
pesquisa social. 5ª Edição. São Paulo: Atlas, 1999.
[2]. BORNIA, Antonio Cezar. ANÁLISE HORNGREN, CHARLES T., Cost Accounting: A
GERENCIAL DE CUSTOS. 3ª Edição. São Paulo: managerial emphasis. Englewood Cliffs:
Atlas, 2010.
[7]. Prentice Hall, 1997.
[3]. BRUNI, Adriano Leal. A ADMINISTRAÇÃO
[8]. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A.
DE CUSTOS, PREÇOS E LUCROS. 4ª Edição. São
Fundamentos de metodologia científica. São Paulo:
Paulo: Atlas, 2010.
Atlas, 1991.
[4]. CONCEITO DE. Conceito de Ponto de
[9]. LEONE, GEORGE SEBASTIÃO GUERRA,
Equilíbrio. Disponível em:
Custos: Planejamento, implantação e controle. 3ª
<http://conceito.de/ponto-de- equilibrio>. Acesso
ed.- 6. reimpr. São Paulo: Editora Atlas, 2009
em: 10 jun. 2013
[10]. ZANLUCA, Jonatan de Sousa. Custos
[5]. FERREIRA A. B. A Engenharia e Análise
Fixos e Variáveis. Disponível em:
do valor como metodologia da redução de custos.
http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/
Disponível em:
custo-fixo-variavel.htm. Acesso em: 10 jun. 2013.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


144

Capítulo 12

Rodrigo Leme Dias de Souza


João Marcos Ferreira Rosner

Resumo: O presente artigo, visa analisar e demonstrar a importância do


planejamento tributário, e explanar suas formas e ações dentro da legalidade, o
artigo foi realizado através de pesquisa exploratória, descritiva e explicativa. O
universo empresarial é extremamente competitivo, todos os dias centenas de
empresas abrem e fecham no Brasil, e todas, independentemente do seu ramo e
tamanho são criadas com o intuito principal de gerarem lucro. E essa trajetória até o
lucro e sua expansão não é simples, por isso planejar e utilizar as informações
corretas são de grande valia para as empresas. A carga tributária no país é
extremamente elevada, uma das mais altas de todo o mundo, e é a destinação de
boa parte das receitas das empresas, planejar e antecipar o impacto dessa carga
tributária nas empresas é extremamente benéfico, sendo o planejamento tributário
uma ferramenta totalmente essencial. O artigo também demonstra os regimes
tributários existentes no Brasil, mostrando suas peculiaridades básicas, e por fim
apresenta um estudo de caso, elaborado em uma empresa situada na cidade de
Itararé – SP, aplicando o planejamento baseado em informações reais, utilizando
das ferramentas do planejamento tributário preventivo para descobrir entre os
regimes tributários Lucro real e Lucro presumido aquele mais vantajoso para e
empresa estudada.

Palavras-chave: Planejamento tributário. Regimes tributários. Tipos de planejamento


tributário.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


145

1 INTRODUÇÃO Primeiramente, é necessário entender o que é


tributo. O Código Tributário Nacional no seu
A carga tributária no país é extremamente
art. 3º define tributo como: “Tributo é toda
nociva e impactante, todas as empresas são
prestação pecuniária compulsória, em moeda
afetadas por essa imposição realizada pelo
ou cujo valor nela se possa exprimir, que não
Estado, levando ao ponto de ser inviável a
constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei
continuidade de muitas organizações.
e cobrada mediante atividade administrativa
A utilização do planejamento tributário visa plenamente vinculada” (BRASIL, 1966, NÃO
exatamente combater essa situação, visto que PAGINADO). No Brasil existem vários tributos,
ele busca de forma legal, organizar e facilitar classificados como impostos, taxas,
o cumprimento das obrigações tributárias e contribuição de melhoria, empréstimo
diminuir o pagamento destes tributos. compulsório e contribuições especiais.
Na economia atual, onde reduzir custos e O sistema tributário brasileiro é complexo,
despesas é totalmente necessário, as exigindo do profissional domínio expressivo
empresas grandes, médias e de pequeno sobre os regimes de tributação e das leis
porte estão cada vez mais utilizando o tributárias (DOMINGUES, [20-?]).
planejamento tributário como ferramenta de
Realizar o Planejamento Tributário é uma
gestão para pagar menos impostos e
forma legal de minimizar a carga tributária,
consequentemente aumentar seus lucros.
que demanda conhecimentos técnicos e bom
Especificamente, este artigo tem como senso dos profissionais ao tomar as decisões
objetivo conceituar o planejamento tributário, estratégicas no espaço organizacional
seus tipos e suas ações, apontar os 3 (três) (OLIVEIRA et al 2009, apud DOMINGUES,
regimes tributários existentes no país, e [20-?]).
realizar um estudo de caso em uma empresa
Para Vieira (2012), o planejamento tributário
de Itararé – SP, analisando entre os regimes
visa evidenciar os atos e fatos administrativos
Lucro real e Lucro presumido aquele menos
com o intuito de demonstrar quais os ônus
impactante na empresa.
tributários nas opções legais disponíveis para
a escolha daquela menos onerosa.
2 METODOLOGIA Três são as formas para se atingir a escolha
menos onerosa:
O presente artigo foi realizado através de
pesquisa exploratória, descritiva e explicativa, Evitar o acontecimento do fato gerador;
segundo Gil (2002) classificar as pesquisas
Reduzir as alíquotas dos tributos ou suas
em exploratórias, descritivas e explicativas
bases de cálculo;
possibilita uma aproximação conceitual,
evidenciando e elucidando as características Postergar o pagamento dos tributos, sem
principais e comprovando a importância do ocorrência de penalidade.
tema proposto.
Foi utilizada pesquisa bibliográfica, tendo
De acordo com Domingues (2000, p.112 apud
como embasamento livros, artigos científicos
SILVA [20-?], p.04) o planejamento tributário
e sites. Por fim, houve a realização de um
é:
estudo de caso, tendo como fundamento o
conhecimento explorado, mostrando na Atividade empresarial que, desenvolvendo-se
prática a importância do planejamento de forma estritamente preventiva, projeta os
tributário para as empresas. atos e fatos administrativos com o objetivo de
informar quais os ônus tributários em cada
uma das opções legais disponíveis, cuidando
3 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO de implementar aquela menos onerosa,
formando um conjunto de condutas,
O ato de planejar é extremamente relevante
comissivas, da pessoa física ou jurídica,
na vida das empresas, em todos os setores a
realizadas antes ou depois da ocorrência do
prática de um bom planejamento é capaz de
fato gerador, destinadas a reduzir, mitigar,
gerar controle e fidedignidade na tomada de
transferir ou postergar legalmente os ônus dos
decisões. Os tributos gerados pelas
tributos.
atividades das empresas também não fogem
a isso, assim surgindo o planejamento É importante ressaltar, que todas as empresas
tributário. independente do seu porte podem realizar o

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


146

planejamento tributário. O diferencial é como buscando identificar possíveis erros de


será realizado esse planejamento, Fabretti escrituração nas operações tributárias ou
(2014), explana que para elaboração do também identificar possíveis créditos fiscais
planejamento é necessário bom senso do que sejam de direito da empresa (O GUIA
planejador, há opções licitas válidas para COMPLETO PARA PLANEJAR E REDUZIR
grandes empresas mas inviáveis para CUSTOS TRIBUTÁRIOS DE SUA EMPRESA,
empresas menores. [20-?]).
Já o Especial, é o planejamento que ocorre
mediante uma determinada ação da empresa
3.1 TIPOS DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
que irá impactar diretamente suas operações,
3.1.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO por exemplo: Abertura de filiais, aquisição de
ESTRATÉGICO, OPERACIONAL, empresas, processos de reestruturação
PREVENTIVO, CORRETIVO E ESPECIAL societária como: Cisão, Fusão e Incorporação
(O GUIA COMPLETO PARA PLANEJAR E
O planejamento estratégico visa analisar e
REDUZIR CUSTOS TRIBUTÁRIOS DE SUA
alterar quando necessário, as distinções
EMPRESA, [20-?]).
estratégicas das organizações, como:
Localização Geográfica, necessidade de mão Como visto, é extremamente necessário que
de obra, estrutura de capital, dentre outros. Já as empresas e os profissionais usem o
o planejamento operacional busca avaliar os planejamento como ferramenta de gestão,
procedimentos realizados em relação as seja na sua forma estratégica, operacional,
formas de tributação ou sua contabilização. preventiva, corretiva ou especial, além de
(O GUIA COMPLETO PARA PLANEJAR E gerar economia monetária pode obter-se
REDUZIR CUSTOS TRIBUTÁRIOS DE SUA informações relevantes capazes de influenciar
EMPRESA, [20-?]). na tomada de decisões.
Um exemplo no Brasil, é a zona franca de
Manaus, onde realiza-se políticas tributárias
4 ELISÃO FISCAL
diferenciadas, proporcionando benefícios
para as empresas que optem por se Elisão fiscal é uma conduta lícita do
estabelecer naquela região (SUFRAMA, contribuinte ao buscar potencializar seus
2017). lucros. A elisão é executada antes do fato
gerador de forma legítima e ética sem
Existem também três formas de Planejamento
nenhuma prática simulatória.
tributário relacionados ao tempo: Preventivo,
Corretivo e Especial. De acordo com Shinkagi (2010, p.25 apud
SILVA, [201-?], p.06): “a elisão fiscal é
O preventivo ocorre através de orientações
definida como a economia lícita, mediante
sobre o trato correto das obrigações
toda e qualquer operação anterior à
tributárias principais e acessórias, analisando
ocorrência do fato gerador que, sem violar a
a condição fiscal e legal da empresa e o
lei, evita, reduz ou posterga o imposto”.
planejamento estratégico de curto, médio e
Utilizando-se de lacunas ou imperfeiçoes da
longo prazo. Por meio dessas informações é
lei, a elisão fiscal é uma forma legítima do
possível ter embasamento para realizar
contribuinte conseguir economia tributária.
simulações com as formas existentes de
tributação – Lucro Real, Presumido e Simples Há duas espécies de elisão fiscal:
Nacional. E também, proporciona visualizar
Aquela decorrente da própria lei, onde a
possíveis benefícios fiscais lícitos existentes
própria legislação consente ou induz a
na legislação, e as possíveis consequências
economia do tributo. O legislador busca
que essas ações proporcionariam na empresa
claramente fornecer benefícios fiscais. Os
(O GUIA COMPLETO PARA PLANEJAR E
incentivos fiscais são exemplos
REDUZIR CUSTOS TRIBUTÁRIOS DE SUA
característicos da elisão decorrente da
EMPRESA, [20-?]).
própria lei (ZANLUCA, 2017).
A efetivação do Planejamento Corretivo ocorre
A segunda espécie é aquela resultante de
quando é encontrado alguma irregularidade,
fissuras na lei, que o colaborador encontra
sendo necessário buscar alternativas para
possibilidades de interpretação, utilizando-se
corrigir as inconsistências localizadas. São
de elementos que a lei não proíbe
realizadas revisões fiscais, que podem ser
possibilitando utilizar-se de premissas
diárias, mensais e até de períodos maiores,
legislativas. De acordo com Moreira:

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


147

Como a carta magna prevê que ninguém é Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois)
obrigado a fazer ou deixar de fazer algo se anos, e multa (BRASIL, 1990, NÃO
não em virtude da lei, a existência de lacuna PAGINADO).
nesta última possibilita ao contribuinte utilizar-
As ações ilegais através do descumprimento
se de eventuais “falhas legislativas” para
das leis fiscais podem se originar de três
obter economia de tributos (MOREIRA, 2011,
espécies de infração:
p. 06).
Transgressão somente tributária, onde suas
O ponto de partida do planejamento tributário
sanções e medidas ocorrem apenas na lei
é a elisão fiscal, através dos tipos de elisão
fiscal, como exemplo a aplicação de alíquota
que é possível a elaboração licita do
menor que a realmente devida para o
planejamento. A delimitação das ações que
contribuinte, obtendo uma sanção
serão realizadas ao planejar serão relativas a
administrativa – fiscal. A segunda espécie é
liberdade determinada pela elisão fiscal.
quando ocorre tanto crime fiscal como penal,
falsificar Notas Fiscais ou guias tributárias são
ações características desse tipo de infração.
5 EVASÃO FISCAL
E por último a infração unicamente penal,
Não se deve confundir evasão fiscal com onde o ato ilegal realizado é apenas
planejamento tributário, o planejamento busca identificado como crime na lei penal
de forma lícita alternativas que possam gerar (ZANLUCA, [20-?]).
benefícios para a empresa, a evasão provém
Utilizar-se da evasão fiscal tem ficado cada
de atos ilícitos que buscam ocultar ou reduzir
dia mais difícil, os agentes de fiscalização
informações e fatos para retardar o
estão fazendo uso de ferramentas capazes de
pagamento do tributo após o fato gerador.
cruzar dados e informações, forçando o
Oliveira ([20-?] p.170 apud SILVA, p.06) contribuinte a demonstrar os atos ilegais
conceitua evasão como: “Toda e qualquer (ZANLUCA, [20-?]).
ação ou omissão tendente a elidir, reduzir ou
Como visto, o uso da ilegalidade fiscal é
retardar o cumprimento de obrigação
crime, infringindo tanto as leis fiscais como
tributária”.
penais, o uso da evasão fiscal deve ser
A lei nº. 8.137, de 27 de Dezembro de 1990 expressamente combatido nas organizações.
define e capitula o crime de elisão fiscal,
como segue:
6 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO
Art.1º Constitui crime contra a ordem tributária
suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição O estudo de caso deste presente artigo será
social e qualquer acessório, mediante as realizado através do Planejamento Tributário
seguintes condutas: preventivo, modalidade já descrita em tópico
anterior, que tem como característica principal
I - omitir informação, ou prestar declaração
analisar as condições fiscais e legais da
falsa às autoridades fazendárias;
empresa e realizar simulações com as formas
II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo existentes de tributação.
elementos inexatos, ou omitindo operação de
No Brasil, existem três tipos de regimes
qualquer natureza, em documento ou livro
tributários, o Simples Nacional, Lucro
exigido pela lei fiscal;
Presumido e Lucro Real. Cada regime possui
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, uma legislação específica, sendo possível
duplicata, nota de venda, ou qualquer outro para o contribuinte escolher aquela que mais
documento relativo à operação tributável; convém para sua atividade, salvo os casos de
obrigatoriedade ou impedimentos descritos
IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou
em lei.
utilizar documento que saiba ou deva saber
falso ou inexato;
V - negar ou deixar de fornecer, quando 6.1 SIMPLES NACIONAL
obrigatório, nota fiscal ou documento
O Simples Nacional é o mais simplificado dos
equivalente, relativa a venda de mercadoria
regimes, foi criado como forma de incentivar
ou prestação de serviço, efetivamente
os micros e pequenos empresários.
realizada, ou fornecê-la em desacordo com a
legislação.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


148

O Simples Nacional constitui as normas arrecadação do Simples Nacional – DAS. O


relativas ao tratamento tributário a ser utilizado DAS abrange oito tributos IRPJ, CSLL, IPI,
pelas microempresas e empresas de COFINS, PIS/PASEP, Contribuição para a
pequeno porte no âmbito da União, dos Seguridade Social destinada à Previdência
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios Social da pessoa jurídica-CPP (Tributos
através de um regime único de arrecadação federais), ICMS (Tributo estadual) e ISS
(PORTAL TRIBUTÁRIO, 2017). (Tributo municipal) (DOMINGUES, [20-?]).
A realização de um único regime de
arrecadação é realizado pelo Documento de

TABELA 1:Alíquotas percentuais aplicáveis para o cálculo do Simples Nacional


Receita bruta em 12 meses Alíquotas
(em r$)
Comércio Indústria Serviços
Até 180.000,00 4,00% 4,50% 4,50%
De 180.000,01 a 360.000,00 5,47% 5,97% 6,54%
De 360.000,01 a 540.000,00 6,84% 7,34% 7,70%
De 540.000,01 a 720.000,00 7,54% 8,04% 8,49%
De 720.000,01 a 900.000,00 7,60% 8,10% 8,97%
De 900.000,01 a 1.080.000,00 8,28% 8,78% 9,78%
De 1.080.000,01 a 1.260.000,00 8,36% 8,86% 10,26%
De 1.260.000,01 a 1.440.000,00 8,45% 8,95% 10,76%
De 1.440.000,01 a 1.620.000,00 9,03% 9,53% 11,51%
De 1.620.000,01 a 1.800.000,00 9,12% 9,62% 12,00%
De 1.800.000,01 a 1.980.000,00 9,95% 10,45% 12,80%
De 1.980.000,01 a 2.160.000,00 10,04% 10,54% 13,25%
De 2.160.000,01 a 2.340.000,00 10,13% 10,63% 13,70%
De 2.340.000,01 a 2.520.000,00 10,23% 10,73% 14,15%
De 2.520.000,01 a 2.700.000,00 10,32% 10,82% 14,60%
De 2.700.000,01 a 2.880.000,00 11,23% 11,73% 15,05%
De 2.880.000,01 a 3.060.000,00 11,32% 11,82% 15,50%
De 3.060.000,01 a 3.240.000,00 11,42% 11,92% 15,95%
De 3.240.000,01 a 3.420.000,00 11,51% 12,01% 16,40%
De 3.420.000,01 a 3.600.000,00 11,61% 12,11% 16,85%
FONTE: Adaptado do Portal Tributário (2017).
Para melhor compreensão é necessário definir II -
Microempresa e Empresa de pequeno porte, no caso de empresa de pequeno porte, a
segundo a Lei complementar nº 123, de 14 de ufira, em cada ano-calendário, receita bruta
Dezembro de 2006 em seu Art 3º define superior a R$ 360.000,00 (trezentos e
Microempresa e Empresa de pequeno porte sessenta mil reais) e
como: igual ou inferior a R$ 4.800.000,00
(quatro milhões e oitocentos mil reais)
Para os efeitos desta Lei Complementar,
(BRASIL, 2006, NÃO PAGINADO).
consideram-se microempresas ou empresas
de pequeno porte, a sociedade empresária, a Nem todas as microempresas e empresas de
sociedade simples, a empresa individual de pequeno porte poderão recolher seus tributos
responsabilidade limitada e o empresário a por meio do Simples Nacional, de acordo com
que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de o art. 3º, II, §§2º e 4º, e art. 17 da Lei
10 de janeiro de 2002 (Código Civil), Complementar nº 123/2006, não poderá optar
devidamente registrados no Registro de pelo Simples Nacional a micro ou pequena
Empresas Mercantis ou no Registro Civil de empresa:
Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde
[...] que tenha auferido, no ano-calendário
que:
imediatamente anterior ou no ano-calendário
I - no caso da microempresa, aufira, em cada em curso, receita bruta no mercado
ano-calendário, receita bruta igual ou inferior interno superior a R$ 3.600.000,00 ou ao limite
a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil adicional de igual valor para exportação de
reais); e mercadorias e serviços;

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


149

que tenha auferido, no ano-calendário de apuração da base de cálculo do Imposto de


início de atividade, receita bruta no mercado Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o
interno superior ao limite proporcional de R$ Lucro Líquido (CSLL).
300.000,00 multiplicados pelo número de
Segundo Oliveira et al (2014), o regime Lucro
meses em funcionamento no período,
Presumido ao ser introduzido pela legislação,
inclusive as frações de meses, ou ao limite
buscou facilitar as rotinas burocráticas de
adicional de igual valor para exportação de
algumas organizações, normalmente aquelas
mercadorias e serviços [...]
de menor nível estrutural.
[...]que participe do capital de outra pessoa
Uma facilidade notável do Lucro Presumido é
jurídica;
a possibilidade de ser dispensado de
que exerça atividade de banco comercial, de escrituração contábil detalhada de suas
investimentos e de desenvolvimento, de caixa receitas e despesas, desde que escriturado
econômica, de sociedade de crédito, dentro dos princípios previstos na legislação
financiamento e investimento ou de crédito fiscal, a existência de um livro caixa onde
imobiliário, de corretora ou de distribuidora de deverá demonstrar as receitas recebidas já é
títulos, valores mobiliários e câmbio, de o suficiente (OLIVEIRA et al, op.cit., 2014).
empresa de arrendamento mercantil, de
As empresas que se enquadram no Lucro
seguros privados e de capitalização ou de
Presumido são determinadas pelo art. 13, da
previdência complementar; resultante ou
lei nº 9.718 de Novembro de 1998:
remanescente de cisão ou qualquer outra
forma de desmembramento de pessoa Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta
jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 total no ano-calendário anterior tenha sido
anos-calendário anteriores[...] (BRASIL,2006, igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e
NÃO PAGINADO). oito milhões de reais) ou a R$ 6.500.000,00
(seis milhões e quinhentos mil reais)
Muitas empresas tentam se encaixar no
multiplicado pelo número de meses de
Simples Nacional, sua forma simplificada de
atividade do ano-calendário anterior, quando
tributação e de arrecadação são
inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo
extremamente atrativas. Dependendo do ramo
regime de tributação com base no lucro
da empresa o simples pode ser
presumido (BRASIL, 1998, NÃO PAGINADO).
expressivamente mais benéfico que os
demais regimes, mas só um planejamento As organizações que escolherem o Lucro
tributário bem elaborado pode mostrar os Presumido como regime tributário devem
reais benefícios da escolha do regime. presumir o lucro atingido trimestralmente,
através de percentuais de lucratividades
ditados por lei, esses percentuais serão
6.2 LUCRO PRESUMIDO diferenciados por atividade, obtendo cada um
alíquotas diferentes.
O Lucro Presumido é a forma de tributação
realizada de forma simplificada para a

TABELA 2: Percentuais ditados pela lei para base de cálculo do Lucro Presumido
Atividade Receita Bruta Alíquota Lucro Presumido
Indústria e comércio em geral 1.000.000 8% 80.000
Serviços em geral 1.000.000 32% 320.000
Serviços hospitalares e de 1.000.000 8% 80.000
transporte de cargas
Demais serviços de transportes 1.000.000 16% 160.000
Revenda de combustíveis para 1.000.000 1,6% 16.000
consumo
FONTE: Manual de Contabilidade Tributária (2014).

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


150

O Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido O lucro presumido é uma boa opção como
é calculado pela aplicação da alíquota de ferramenta do planejamento tributário, para
15% (quinze por centro) e também poderá empresas altamente lucrativas pode resultar
incidir um adicional do Imposto de Renda a em economia tributária.
alíquota de 10% (dez por cento) sobre a
parcela da base de cálculo que exceder o
resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 6.3 LUCRO REAL
pelo meses do respectivo período de
O Lucro Real é o regime de tributação que
apuração (OLIVEIRA ET AL, 2014).
exige a apuração pela contabilidade do lucro
A base de cálculo da CSLL, devida pelas líquido no exercício das empresas, como o
pessoas jurídicas optantes pelo lucro nome diz o “Real” Lucro atingido pelas
presumido corresponde a: empresas. Todas as empresas podem fazer
uso desse regime, por lei determinadas
12% da receita bruta nas atividades
empresas são obrigadas a seguir o Lucro
comerciais, industriais, serviços hospitalares e
Real.
de transporte;
O embasamento para a apuração do Lucro
32% para:
Real são as escriturações mercantis das
a) prestação de serviços em geral, exceto a empresas, fazendo-se necessário extrema
de serviços hospitalares e transporte; observância dos princípios que regem a
contabilidade, completa escrituração fiscal e
b) intermediação de negócios;
contábil, escrituração de livros fiscais e
c) administração, locação ou cessão de bens contábeis e uma preparação fidedigna das
imóveis, móveis e direitos de qualquer demonstrações contábeis (OLIVEIRA et al,
natureza (PORTAL TRIBUTÁRIO, [20-?], NÃO 2014).
PAGINADO).
Oliveira et al, op.cit., (2014, p.188) conceitua
Já as alíquotas da contribuição conforme o Lucro Real como: “Lucro Líquido do período
art. 3o da Lei no 7.689, de 15 de dezembro de apurado na escrituração comercial,
1988 (BRASIL,1988, NÃO PAGINADO) são: “- denominado lucro contábil, ajustado pelas
15% (quinze por cento), no caso das pessoas adições, exclusões e compensações
jurídicas de seguros privados, das de autorizadas pela legislação do Imposto de
capitalização e das referidas nos incisos I a Renda”.
VII, IX e X do § 1º do art. 1º da Lei
A apuração do Lucro real pode ser realizada
Complementar nº 105, de 10 de janeiro de
de forma trimestral, encerrados em 31 de
2001; e II - 9% (nove por cento), no caso das
março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de
demais pessoas jurídicas”.
dezembro com base no resultado líquido
Estão proibidas de optar pelo Lucro obtido em cada trimestre. A outra opção é
Presumido as empresas que não se tributação pelo lucro real anual, onde os
enquadram nos valores determinamos por lei, recolhimentos serão efetuados mensalmente
e mesmo aquelas que estão dentro dos com base em estimativas. (OLIVEIRA et al,
valores legais de Receita Bruta mas que são op.cit.,2014).
obrigadas por legislação a seguir o Lucro
O imposto de Renda trimestral será calculado
Real também estão impedidas de serem
mediante a aplicação da alíquota:
regidas pelo Lucro Presumido.
Alíquota normal de 15% sobre a totalidade da
Neste regime de tributação não há
base de cálculo, ou seja, 15% do lucro real;
possibilidade de utilização de incentivos
fiscais, de acordo com o art.526 do Alíquota adicional de 10% sobre a parcela da
Regulamento do Imposto de Renda-RIR/1999, base de cálculo que exceder o limite de
para efeito de pagamento, a pessoa jurídica R$60.000,00 – limite trimestral.
poderá deduzir do imposto devido no período
(OLIVEIRA et al, op.cit.,2014, p.189).
de apuração, o imposto pago ou retido na
fonte sobre as receitas que integraram a base A alíquota do imposto de Renda pago
de cálculo, vedada qualquer dedução a título mensalmente por estimativa é a mesma de
de incentivo fiscal (BRASIL, 1999, NÃO 15%. A alíquota de adicional de 10% não se
PAGINADO). altera também, apenas o pagamento que
deverá ser feito mensalmente sobre a parcela

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


151

do lucro estimado que exceder R$ 20.000,00 planejamento a melhor opção para sua
(OLIVEIRA et al, op.cit.,2014). empresa.
Em relação a Contribuição social sobre o
lucro líquido (CSLL) as alíquotas seguem as
7 ESTUDO DE CASO
mesmas utilizadas pelo lucro presumido, já a
base de cálculo é o lucro contábil, ajustado O estudo de caso do presente artigo
pelas adições e exclusões previstas na formulou-se através do planejamento tributário
legislação. (PORTAL TRIBUTÁRIO, [20-?]). preventivo, realizando simulações com os
regimes tributários Lucro real e Lucro
As pessoas jurídicas obrigadas
presumido, buscando descobrir o regime
automaticamente ao Lucro Real segundo o
mais vantajoso em relação a lucratividade e
Portal Tributário (2017, NÃO PAGINADO) são:
aquele mais econômico tributariamente para e
a) cujas atividades sejam de bancos empresa estudada. Por ter um faturamento
comerciais, bancos de investimentos, bancos relativamente alto, a empresa rapidamente
de desenvolvimento, caixas econômicas, desenquadra-se do Simples Nacional, sendo
sociedades de crédito, financiamento e esse o motivo de apresentar o a estudo de
investimento, sociedades de crédito caso apenas no Lucro real e Lucro
imobiliário, sociedades corretoras de títulos, presumido.
valores mobiliários e câmbio, distribuidora de
Os dados foram repassados por um escritório
títulos e valores mobiliários, empresas de
de contabilidade, onde teve-se acesso ao
arrendamento mercantil, cooperativas de
faturamento anual e as demonstrações do
crédito, empresas de seguros privados e de
resultado no exercício no ano de 2016.
capitalização e entidades de previdência
privada aberta; A empresa utiliza-se do Lucro real como
regime tributário, buscando evidenciar se é a
b) que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos
melhor escolha foi realizado uma nova
de capital oriundos do exterior;
demonstração do exercício no Lucro
c) que, autorizadas pela legislação tributária, presumido.
usufruam de benefícios fiscais relativos à
Através das demonstrações do resultado do
isenção ou redução do imposto [...]
exercício, tabelas e gráficos procurou-se
[...] f) que explorem as atividades de evidenciar com clareza os regimes tributários
securitização de créditos imobiliários, e seus resultados.
financeiros e do agronegócio.
g) também estão obrigadas ao Lucro Real as
7.1 CARACTERÍSTICAS DA EMPRESA
empresas imobiliárias, enquanto não
concluídas as operações imobiliárias para as A empresa criada em 2008 atua no ramo
quais haja registro de custo orçado. Comércio varejista de mercadorias em geral,
com predominância de produtos alimentícios -
h) as Sociedades de Propósito Específico
supermercados, sendo uma das mais
(SPE) constituídas por optantes pelo Simples
promissoras da cidade de Itararé – SP, conta
Nacional deverão apurar o imposto de renda
com 26 colaboradores, constituindo extrema
das pessoas jurídicas com base no Lucro
importância econômica para a cidade.
Real, conforme estipulado no artigo 56, § 2, IV
da Lei Complementar 123/2006. Seu sócio-diretor, empreendedor nato,
começou a trabalhar desce cedo, buscando
É necessário salientar, que não há um regime
sempre empreender e crescer. A empresa por
de tributação benéfico para todas as
intermédio do seu sócio – diretor sempre
empresas. Cada empresa com suas
utilizou e seguiu as regras contábeis, gerando
particularidades, suas atividades e operações
informações relevantes e materiais.
deve considerar e analisar através do seu

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


152

7. 2 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO NO EXERCÍCIO NOS REGIMES LUCRO REAL E LUCRO


PRESUMIDO

TABELA 3: Demonstração do resultado do exercício Março 2016

DRE MARÇO 2016 LUCRO REAL DRE MARÇO 2016 LUCRO PRESUMIDO
Receita operacional R$ 2.041.789,20 Receita operacional R$ 2.041.789,20
(-) Deduções da receita bruta (-) Deduções da receita bruta
(-) Tributos/Contrib/Vendas. (-) Tributos/Contrib/Vendas.
(-) ICMS s/ vendas -R$ 34.591,84 (-) ICMS s/ vendas -R$ 34.591,84
(-) PIS s/vendas -R$ 10.522,42 (-) PIS s/vendas -R$ 13.271,63
(-) COFINS s/vendas -R$ 48.466,15 (-) COFINS s/vendas -R$ 61.253,68
Receita Líquida R$ 1.948.208,79 Receita Líquida R$ 1.932.672,05
(-) Custo das merc. -R$ 1.524.987,56 (-) Custo das merc. -R$ 1.524.987,56
Vendidas. Vendidas.
(-) Custo dos serviços -R$ 45.242,49 (-) Custo dos serviços -R$ 45.242,49
prestados prestados
Lucro operacional Bruto R$ 377.978,74 Lucro operacional Bruto R$ 362.442,00
(-) Despesas (-) Despesas
(-) Despesas operacionais (-) Despesas operacionais
(-) Despesas trabalhistas -R$ 186.653,65 (-) Despesas trabalhistas -R$ 186.653,65
(-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos (-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos
sociais sociais
(-) Despesas serviços -R$ 26,382,73 (-) Despesas serviços -R$ 26,382,73
prestados por p/ Jurídica prestados por Jurídica
(-) Despesas gerais - R$ 73.389,81 (-) Despesas gerais -R$ 73.389,81
(-) Despesas tribut. -R$ 1.497,87 (-) Despesas tribut. -R$ 1.497,87
Lucro Operacional I R$ 90.054,68 Lucro Operacional I R$ 74. 517,94
(+) Outras Receitas operacionais (+) Outras Receitas operacionais
(+) Bonificações recebidas R$ 16.863,45 (+) Bonificações R$ 16.863,45
em mercadorias recebidas em
mercadorias
Lucro Operacional II R$ 106.918,13 Lucro Operacional II R$ 91.381,39
(+) Receitas não operacionais (+) Receitas não operacionais
(+) Crédito PIS s/ compras R$ 10.522,42 (+) Crédito PIS s/ -
compras
(+) Crédito COFINS s/ R$ 48.466,15 (+) Crédito COFINS s/ -
compras compras
(+) Compensação R$ 18.633,27 (+) Compensação -
PIS/COFINS s/ compras PIS/COFINS s/ compras
Resultado do exercício R$184.539,97 Resultado do exercício R$ 91.381,39
antes da provisão p/ IRPJ e antes da provisão p/
CSLL IRPJ e CSLL
(-) Provisão p/ CSLL -R$ 16.608,60 (-) Provisão p/ CSLL -R$ 22.051,32
(-) Provisão p/ IRPJ -R$ 40.135,00 (-) Provisão p/ IRPJ -R$ 34.835,78
Resultado do exercício R$ 127.796,37 Resultado do exercício R$ 34.494,29
após provisão p/ IRPJ e após provisão p/ IRPJ e
CSLL CSLL
FONTE: Escritório de contabilidade (2016).

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


153

A tabela 3 representa a simulação do Em contrapartida no Lucro presumido a


resultado do exercício no 1º trimestre de 2016 alíquota no PIS foi de 0,65% e COFINS 3%
no Lucro Real e Lucro Presumido. sobre a receita operacional, mas fazendo uso
do regime de incidência cumulativo, ou seja,
No lucro real a apuração dos tributos PIS e
sem direito a creditar e debitar os tributos, já o
COFINS é realizada através do regime de
ICMS segue o mesmo procedimento do Lucro
incidência não cumulativa, onde o valor a ser
real.
pago é levantado através de débitos e
créditos, sendo pago a diferença, outro ponto O lucro presumido não tem direito a créditos
importante do Lucro Real, é a possibilidade tributários, assim ficando sem lançamentos no
de usufruir de créditos tributários, como campo “Receitas não operacionais”
evidenciado nas “Receitas não operacionais”
A provisão para CSLL foi calculada através da
onde encontra-se “Crédito COFINS s/
base de cálculo de 12% sobre a Receita
compras” e “Crédito PIS s/ compras” além, da
operacional e concluída com a alíquota de
“Compensação PIS/COFINS sobre compras”.
9%. O IRPJ teve sua base de cálculo
Aplicou-se de acordo a legislação vigente, a
encontrada através da alíquota de 8%,
alíquota de 1,65% no PIS, e 7,60% para
(alíquota definida em legislação para Indústria
COFINS sobre a receita operacional, o ICMS
e comércio em geral) sobre a Receita
também usa o direito a crédito não
operacional onde tal resultado foi multiplicado
cumulativo.
por 15% e a parcela do período (trimestre)
Já na provisão para CSLL utilizou-se da que ultrapassou R$ 60.000,00 foi multiplicado
alíquota de 9% sobre o “resultado do por 10%.
exercício antes da provisão para IRPJ e
Demonstração do cálculo para CSLL:
CSLL”, e para a provisão do IRPJ 15% sobre
a mesma base de cálculo da CSLL R$ 2.041.789,20 x 12% = R$ 245.014,70 x 9%
acrescentando mais 10% sobre a parcela = R$ 22.051,32.
trimestral que ultrapassar R$ 60.000,00.
Demonstração do cálculo para IRPJ:
Demonstração do cálculo do IRPJ:
R$ 2.041.789,20 x 8% = R$ 163.343,14.
R$ 184.539,97 x 15% = R$ 27.681,00. R$ 163.343,14 X 15% = 24.501,47.
R$ 184.539,97 – R$ 60.000,00 = R$ 163.343,14 – R$ 60.000,00 =
R$ 124.539,97 X 10% = R$ 12.424,00. R$ 103.343,14 x 10% = R$ 10.334,31.
R$ 27.681,00 + 12.424,00 = R$ 40.135,00. R$ 24.501,47 + R$ 10.334,31 = R$ 34.835,78.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


154

TABELA 4:Demonstração do resultado do exercício Junho 2016

DRE JUNHO 2016 LUCRO REAL DRE JUNHO 2016 LUCRO PRESUMIDO
Receita operacional R$ 2.015.399,34 Receita operacional R$ 2.015.399,34
(-) Deduções da receita bruta (-) Deduções da receita bruta
(-) Tributos/Contrib/Vendas. (-) Tributos/Contrib/Vendas.
(-) ICMS s/ vendas -R$ 38.849,61 (-) ICMS s/ vendas -R$ 38.849,61
(-) PIS s/vendas -R$ 6.937,64 (-) PIS s/vendas -R$ 13.100,10
(-) COFINS s/vendas -R$ 31.954,22 (-) COFINS s/vendas -R$ 60.461,98
Receita Líquida R$ 1.937.657,87 Receita Líquida R$ 1.902.987,65
(-) Custo das merc. -R$ 1.430.989,60 (-) Custo das merc. -R$ 1.430.989,60
Vendidas. Vendidas.
Lucro operacional Bruto R$ 506.668,27 Lucro operacional Bruto R$ 471,998,05
(-) Despesas (-) Despesas
(-) Despesas operacionais (-) Despesas operacionais
(-) Despesas trabalhistas -R$ 181.547,42 (-) Despesas trabalhistas -R$ 181.547,42
(-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos (-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos
sociais sociais
(-) Despesas serviços -R$ 22.174,36 (-) Despesas serviços -R$ 22.174,36
prestados por p/ Jurídica prestados por Jurídica
(-) Despesas financ. -R$ 887,08 (-) Despesas financ. -R$ 887,08
(-) Despesas gerais - R$ 77.762,91 (-) Despesas gerais -R$ 77.762,91
(-) Despesas tribut. -R$ 1.319,86 (-) Despesas tribut. -R$ 1.319,86
Lucro Operacional I R$ 222.976,64 Lucro Operacional I R$ 188.306,42
(+) Outras Receitas operacionais (+) Outras Receitas operacionais
(+) Bonificações R$ 8.951,80 (+) Bonificações R$ 8.951,80
recebidas em recebidas em
mercadorias mercadorias
Lucro Operacional II R$ 231.928,44 Lucro Operacional II R$ 197.258,22
(+) Receitas não operacionais (+) Receitas não operacionais
(+) Crédito PIS s/ R$ 6.846,48 (+) Crédito PIS s/ -
compras compras
(+) Crédito COFINS s/ R$ 31.535,33 (+) Crédito COFINS s/ -
compras compras
(+) Compensação R$ 19.553,10 (+) Compensação -
PIS/COFINS s/ compras PIS/COFINS s/ compras
Resultado do exercício R$ 289.863,35 Resultado do exercício R$ 197.258,22
antes da provisão p/ antes da provisão p/
IRPJ e CSLL IRPJ e CSLL
(-) Provisão p/ CSLL -R$ 26.087,70 (-) Provisão p/ CSLL -R$ 21.766,31
(-) Provisão p/ IRPJ -R$ 66.465,84 (-) Provisão p/ IRPJ -R$ 34.307,99
Resultado do exercício R$ 197.309,81 Resultado do exercício R$ 141.183,92
após provisão p/ IRPJ e após provisão p/ IRPJ e
CSLL CSLL
FONTE: Escritório de contabilidade (2016).

Seguindo os mesmos procedimentos R$ 22.986,34. R$ 43.479,50 + R$ 22.986,34 =


descritos na tabela 3 os valores levantados R$ 66.465,84.
são:
No Lucro presumido os valores foram:
Demonstração do cálculo para CSLL no Lucro
Demonstração do cálculo para CSLL no Lucro
real:
presumido:
R$ 289.863,35 x 9% = 26.087,70.
R$ 2.015.399,34 x 12% = R$ 241.847,92 x 9%
Demonstração do cálculo para IRPJ Lucro = R$ 21.766,31.
real:
Demonstração do cálculo para IRPJ no Lucro
R$ 289.863,35 x 15% = 43.479,50. presumido:
R$ 289.863,35 – R$ 60.000,00 =
R$ 2.015.399,34 x 8% = R$ 161.231,95.
R$ 229.863,35. R$ 229.863,35 x 10% =
R$ 161.231,95 x 15% = R$ 24,184,79.

Gestão do Conhecimento e Inovação - Volume 6


155

R$ 161.231,95 – R$ 60.000,00 = R$ 10.123,19. R$ 24,184,79 + 10.123,19 =


R$ 101.231,95. R$ 101.231,95 x 10% = 34.307,99.

TABELA 5: Demonstração do resultado do exercício Setembro 2016


DRE SETEMBRO 2016 LUCRO REAL DRE SETEMBRO 2016 LUCRO PRESUMIDO
Receita operacional R$ 2.120.079.00 Receita operacional R$ 2.120.079.00
(-) Deduções da receita bruta (-) Deduções da receita bruta
(-) Tributos/Contrib/Vendas. (-) Tributos/Contrib/Vendas.
(-) ICMS s/ vendas -R$ 42.924,43 (-) ICMS s/ vendas -R$ 42.924,43
(-) PIS s/vendas -R$ 10.695,89 (-) PIS s/vendas -R$ 13.780,51
(-) COFINS s/vendas -R$ 49.266,71 (-) COFINS s/vendas -R$ 63.602,37
Receita Líquida R$ 2.071.191,97 Receita Líquida R$ 1.999.771,69
(-) Custo das merc. (-) Custo das merc. -R$ 1.611.252,55
Vendidas. -R$ 1.611.252,55 Vendidas.
Lucro operacional Bruto R$ 405.939,42 Lucro operacional Bruto R$ 388.519,14
(-) Despesas (-) Despesas
(-) Despesas operacionais (-) Despesas operacionais
(-) Despesas trabalhistas -R$ 174.396,24 (-) Despesas trabalhistas -R$ 174.396,24
(-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos (-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos
sociais sociais
(-) Despesas serviços -R$ 18.686,08 (-) Despesas serviços -R$ 18.686,08
prestados por p/ prestados por Jurídica
Jurídica
(-) Despesas finan. -R$ 53,59 (-) Despesas finan. -R$ 53,59
(-) Despesas gerais -R$ 72.217,48 (-) Despesas gerais -R$ 72.217,48
(-) Despesas tribut. -R$ 93,56 (-) Despesas tribut. -R$ 93,56
Lucro Operacional I R$ 140.492,47 Lucro Operacional I R$ 123.072,19
(+) Receitas financ.
(+) Bonificações R$ 237,49 (+) Bonificações R$ 237,49
recebidas recebidas
(+) Outras Receitas operacionais (+) Outras Receitas operacionais
(+) Bonificações R$ 11.547,95 (+) Bonificações R$ 11.547,95
recebidas em recebidas em
mercadorias mercadorias
Lucro Operacional II R$ 152.277,91 Lucro Operacional II R$ 134.857,63
(+) Receitas não operacionais (+) Receitas não operacionais
(+) Crédito PIS s/ R$ 6.744,54 (+) Crédito PIS s/ -
compras compras
(+) Compensação R$ 53.218,06 (+) Compensação -
PIS/COFINS s/ compras PIS/COFINS s/ compras
Resultado do exercício R$ 212.240,51 Resultado do exercício R$ 134.857,63
antes da provisão p/ antes da provisão p/
IRPJ e CSLL IRPJ e CSLL
(-) Provisão p/ CSLL -R$ 19.101,65 (-) Provisão p/ CSLL -R$ 22.896,85
(-) Provisão p/ IRPJ -R$ 47.060,13 (-) Provisão p/ IRPJ -R$ 36.401,58
Resultado do exercício R$ 146.078,73 Resultado do exercício R$ 75.559,20
após provisão p/ IRPJ e após provisão p/ IRPJ e
CSLL CSLL
Fonte: Escritório de contabilidade (2016).

Continuando com a mesma formatação da tabela 3 os dados encontrados foram:


Demonstração do cálculo para CSLL no Lucro real:
R$ 212. 240,51 x 9% = R$ 19.101,65.
Demonstração do cálculo para IRPJ no Lucro real:
R$ 212. 240,51 x 15% = R$ 31.836,08. R$ 212.240,51 – R$ 60.000,00 = R$ 152.240,51.
R$ 152.240,51 x 10% = R$ 15.244,05 = R$ 15.244,05 + 31.836,08 = R$ 47.060,13.
Já no Lucro presumido os valores descobertos foram:

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Demonstração do cálculo para CSLL no Lucro presumido:


R$ 2.120.079.00 x 12% = R$ 254.409,48 x 9% = R$ 22.896,85.
Demonstração do cálculo para IRPJ no Lucro presumido:
R$ 2.120.079.00 x 8% = R$ 169.606,32. R$ 169.606,32 x 15% = R$ 25.440,95. R$ 169.606,32 –
R$ 60.000,00 = R$ 109.606,32. R$ 109.606,32 x 10% = R$ 10.960,63. R$ 25.440,95 + R$ 10.960,63
= R$ 36.401,58.

TABELA 6: Demonstração do resultado do exercício Setembro 2016


DRE DEZEMBRO 2016 LUCRO REAL DRE DEZEMBRO 2016 LUCRO PRESUMIDO
Receita operacional R$ 2.256.359,84 Receita operacional R$ 2.256.359,84
(-) Deduções da receita bruta (-) Deduções da receita bruta
(-) Devolução de -R$ 812,48 (-) Devolução de -R$ 812,48
mercadorias mercadorias
(-) Tributos/Contrib/Vendas. (-) Tributos/Contrib/Vendas.
(-) ICMS s/ vendas -R$ 43.819,48 (-) ICMS s/ vendas -R$ 43.819,48
(-) PIS s/vendas -R$ 12.013,82 (-) PIS s/vendas -R$ 14.661,06
(-) COFINS s/vendas -R$ 55.335,85 (-) COFINS s/vendas -R$ 67.666,42
Receita Líquida R$ 2.144.378,21 Receita Líquida R$ 2.129.400,40
(-) Custo das merc. -R$ 1.530.904,12 (-) Custo das merc. -R$ 1.530.904,12
Vendidas. Vendidas.
Lucro operacional Bruto R$ 613.474,09 Lucro operacional Bruto R$ 598.496,28
(-) Despesas (-) Despesas
(-) Despesas operacionais (-) Despesas operacionais
(-) Despesas trabalhistas -R$ 215.117,10 (-) Despesas trabalhistas -R$ 215.117,10
(-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos (-) Despesas c/ serviços de terceiros e encargos
sociais sociais
(-) Despesas serviços -R$ 35,857,82 (-) Despesas serviços -R$ 35,857,82
prestados por p/ prestados por Jurídica
Jurídica
(-) Despesas finan. -R$ 43,58 (-) Despesas finan. -R$ 43,58
(-) Despesas gerais -R$ 80.808,61 (-) Despesas gerais -R$ 80.808,61
(-) Despesas tribut. -R$ 187,12 (-) Despesas tribut. -R$ 187,12
Lucro Operacional I R$ 281.459,86 Lucro Operacional I R$ 266.482,05
(+) Receitas financ.
(+) Bonificações R$ 1.716,18 (+) Bonificações R$ 1.716,18
recebidas recebidas
(+) Outras Receitas operacionais (+) Outras Receitas operacionais
(+) Bonificações R$ 10.899,93 (+) Bonificações R$ 10.899,93
recebidas em recebidas em
mercadorias mercadorias
Lucro Operacional II R$ 294.075,97 Lucro Operacional II R$ 279.098,16
(+) Receitas não operacionais (+) Receitas não operacionais
(+) Crédito PIS s/ R$ 10.271,90 (+) Crédito PIS s/ -
compras compras
(+) Compensação R$ 67.077,77 (+) Compensação -
PIS/COFINS s/ compras PIS/COFINS s/ compras

Resultado do exercício R$ 371.425,64 Resultado do exercício R$ 279.098,16


antes da provisão p/ antes da provisão p/
IRPJ e CSLL IRPJ e CSLL
(-) Provisão p/ CSLL -R$ 33.428.31 (-) Provisão p/ CSLL -R$ 24.359,91
(-) Provisão p/ IRPJ -R$ 86.856,41 (-) Provisão p/ IRPJ -R$ 39,110,95
Resultado do exercício R$ 251.140,92 Resultado do exercício R$ 215.627,30
após provisão p/ IRPJ e após provisão p/ IRPJ e
CSLL CSLL
Fonte: Escritório de contabilidade (2016).

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Por fim, utilizando os mesmos métodos já na base de cálculo que é a Receita


demonstrados na tabela 3 segue o resultado operacional de R$ 2.256.359,84.
dos cálculos:
Demonstração do cálculo para CSLL no Lucro
Demonstração do cálculo para CSLL no Lucro presumido:
real:
R$ 2.256.359,84 – R$ 812,48 =
R$ 371.425,64 x 9% = R$ 33.428.31. R$ 2.255.547,36. R$ 2.255.547,36 x 12% =
R$ 270.665,68. R$ 270.665,68 x 9% =
Demonstração do cálculo para o IRPJ no
R$ 24.359,91.
Lucro real:
Demonstração do cálculo para IRPJ no Lucro
R$ 371.425,64 x 15% = R$ 55.713,85.
presumido:
R$ 371.425,64 – R$ 60.000,00 = R$ 311.425,
64.R$ x 10% = R$ 31.142,56. R$ 55.713,85 + R$ 2.256.359,84 – R$ 812,48 =
R$ 31.142,56 = R$ 86.856,41. R$ 2.255.547,36. R$ 2.255.547,36 x 8% =
R$ 180.443,79. R$ 180.443,79 x 15% =
J