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LUTAR OU ENTREGAR?

por Monica Guimaraes

Tens problemas? Obstáculos que te parecem intransponíveis? Não consegues progredir?


Uns dizem-te para praticares a aceitação, outros dizem-te para lutar.
Tu pensas: Em que é que ficamos?
Qual é o caminho afinal, e qual é o propósito de tudo isto?
Continua a ler e olha-te por dentro enquanto o fazes.

O ser humano tem uma tendência patológica em resvalar para aquilo que lhe exigir
menos responsabilidade e convicção. Esta tem sido a grande causa do arrastar lento e
sofrido do processo evolutivo da humanidade em geral e em particular.
Há que compreender, em primeiro lugar, a diferença entre termos como aceitação e
resignação;
deixar fluir e deixar andar,
e entregar e não querer saber.

A Entrega é um dos exercícios mais sublime e subtil da evolução e só é conseguida por


aqueles que já brincaram muito ao livre arbítrio e perceberam que afinal ele só é bom
numa medida certa e, como sempre, em equilíbrio.
Quando o Homem aprende a arte da entrega, ele elevou-se acima de todas as densidades
humanas, de todo sofrimento e tudo flui em perfeita harmonia. Por isso, só aquele que
depois de ter já dominado a arte de exercício do livre-arbitrio, compreende que abdicar
dele será o único caminho para a verdadeira emancipação da sua alma. Um pouco como
quando um pai resolve deixar o filho fazer tudo o que ele quer, acertos e asneiras,
durante um tempo para que ele possa aprender por si mesmo a distinguir o certo do
errado. Essa aprendizagem será feita pela vivência das consequências das suas atitudes e
escolhas. É isso. Nós somos essa criança. Até que um dia essa criança pensa: bem,
talvez fosse boa ideia dar mais ouvidos aos conselhos e orientações do meu pai. Afinal
ele sabe mais do que eu e mais importante que isso: eu sei que ele quer o melhor para
mim, porque me ama incondicionalmente. Então aceita e entrega.
Encontra o equilíbrio entre respeitar a sua própria vontade, pois é seu direito legitimo e
inviolável, e a vontade do seu pai.

Aceitação é assim a compreensão de que seja o que for que esteja a experienciar há uma
aprendizagem subjacente a ser feita, que por vezes não é mais do que aprender a
entregar e deixar –se de rebeldias.

Resignação é algo bem diferente. O resignado não aceitou, muito menos compreendeu a
causa e aprendizagem que determinado evento problemático lhe vem trazer. Apenas
desistiu. Cansou-se e aí falha numa aprendizagem bem mais primária, que é a
responsabilidade que todos temos de agir, de fazer, de concretizar. Como Mandela
disse: sermos capitão da nossa alma.
Na verdade, antes de aprendermos a ENTREGAR às Vontades do grande oceano,
devemos aprender a saber COMANDAR o nosso leme. O resignado largou o leme,
demitiu-se da sua responsabilidade.
Cada um de nós tem o seu barco e seu leme para comandar, mas todos partilhamos o
mesmo oceano, e vai ser o equilíbrio entre a nossa destreza como capitães e nosso
conhecimento, respeito e aceitação dos comandos do grande oceano, com suas
calmarias e tempestades, que definirá nossa chegada a bom porto.
Então agora que já compreendemos a diferença entre entrega e resignação, como saber,
afinal, quando é tempo de entregar e aceitar e quando é tempo de lutar, agarrar no leme
e enfrentar as ondas e ventos contrários?
Bem aí, é tempo de parar e olhar para a situação com os olhos do bom aprendiz.

Faz-te esta primeira grande questão:


Há algo que eu possa fazer para mudar esta realidade?

Se a resposta for sim, mesmo que seja um sim que te parece muito difícil de realizar, e é
quase sempre, ele está lá e tu sabes e não vais poder ignorá-lo. Podes até tentar
convencer os outros que não, não é possível, não há nada que eu possa fazer, mas se
puderes, TU vais saber e isso vai vibrar em ti, vai atrair para a tua vida tudo o que for
preciso, todas essas dificuldades até que tu reconheças e acredites no teu próprio poder.
Então se podes fazer. Faz. Faz tudo o que estiver ao teu alcance. Não desistas, não atires
a toalha ao chão, enfrenta. Pois com certeza é essa a aprendizagem que precisas fazer.
Nesse caso, é tempo de reivindicar teu livre arbítrio, teu poder de agir e transformar tua
realidade em algo melhor. Olha para trás, para compreender as causas. Que escolhas
fizeste que desencadearam essa consequência que hoje vives? Depois de identificadas,
corrige-as. Muda-te, transforma-te através da experiência. Sê capitão do teu barco.
Agarra o leme e muda de direcção para aproveitares ventos mais favoráveis.

Se por outro lado, perscrutares tua alma e a resposta for não, não há nada que eu possa
fazer para mudar esta realidade, aí entrega. Com certeza a aprendizagem que tens a
fazer diz mais respeito ao exercício de humildade perante aquilo que te transcende do
que a avaliar tua capacidade de fazer frente aos obstáculos, tal como bom capitão que
reverencia a supremacia do grande oceano, entregando-lhe sua vida sempre que se faz
ao mar.
Aqui, é-te pedido para aprender a confiar, saber receber, saber deixar fluir que é deixar-
te guiar por uma sabedoria bem maior que a tua, que te embala suavemente e conduz, se
te deixares levar.

Contudo é importante compreender que a verdadeira entrega, aquela que não é forçada
por um sentimento de incapacidade e passa assim a ser um “não quero mais saber”, só é
possível quando acompanhada pela aceitação.
Para fazer a Entrega, é preciso ter feito antes a Aceitação, pelo menos a primeira fase da
aceitação. Esta acontece quando abraçamos toda a experiência, aceitando-a
completamente por saber que há nela algo revelador e impulsionador para nossa alma,
mesmo que não saibamos o quê no momento. É como dar um voto de confiança ao
universo. Depois disso, é normal não tardar muito até recebermos a informação que
faltava, para compreendermos a causa efectiva de todos os eventos que tanto nos
abalaram. E aí a magia acontece: Tudo vai embora, tudo é curado, tudo é corrigido,
transcendido e ultrapassado.
Então, pensando bem, não é assim tão complicado:
Se tens um problema, resolve-o. Se a resolução não depende de ti, aceita e entrega.

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