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Universidade de Aveiro Departamento de Engenharia Mecânica

2016

Jorge Tiago Alves Projeto de uma câmara frigorífica móvel com


Ferreira Tavares autonomia energética alargada
Universidade de Aveiro Departamento de Engenharia Mecânica
2016

Jorge Tiago Alves Projeto de uma câmara frigorífica móvel com


Ferreira Tavares autonomia energética alargada

Dissertação apresentada à Universidade de Aveiro para cumprimento dos


requisitos necessários à obtenção do grau de Mestrado em Engenharia Me-
cânica, realizada sob orientação científica de Nelson Amadeu Dias Martins,
Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Mecânica da Universi-
dade de Aveiro e de Mónica Sandra Abrantes de Oliveira Correia, Profes-
sora Auxiliar do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de
Aveiro.
O júri

Presidente Prof. Doutor Fernando José Neto da Silva


Professor Auxiliar do departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de
Aveiro

Arguente Profª. Doutora Maria Isabel da Silva Nunes


Professora Auxiliar do departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade
de Aveiro

Orientador Prof. Doutor Nelson Amadeu Dias Martins


Professor Auxiliar do departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de
Aveiro
Agradecimentos / A consecução de um trabalho de investigação como aquele que agora se
Acknowledgements apresenta, para além do empenho e dedicação de quem o realiza, requer
também o contributo de muitas outras pessoas às quais expresso os meus
agradecimentos:
Ao Professor Doutor Nelson Dias, orientador desta dissertação, e à Profes-
sora Doutora Mónica Correia, coorientadora desta dissertação, pelo interesse
com que acolheram este trabalho de investigação; pelas suas sugestões, que
constituíram uma preciosa e indispensável ajuda na elaboração desta disser-
tação.
À empresa Unilever-Jerónimo Martins e à OLÁ, pelo desafio lançado.
Ao Professor José Elídio Sá, pela disponibilidade demonstrada.
Aos meus pais, por toda a ajuda e motivação não só para este trabalho,
como também ao longo de todo o meu percurso académico.
À minha namorada, por todo o apoio e motivação constante.
E por fim, a todos os meus amigos que ajudaram e me acompanharam neste
percurso.
Palavras-chave Câmara de conservação; energia renovável; sistema de refrigeração; sistema
fotovoltaico.

Resumo A crescente necessidade de desenvolvimento de câmaras frigoríficas com au-


tonomia energética alargada é atualmente um tema que suscita enorme in-
teresse na indústria alimentar. Em zonas distantes ou sem acesso à rede
elétrica torna-se necessária a integração de tecnologias de refrigeração mó-
veis que não comprometam a qualidade dos produtos armazenados. Por
outro lado, reconhece-se também uma maior preocupação com o ambiente,
verificando-se cada vez mais a integração de energias renováveis em diversos
tipos de equipamentos, com o objetivo de diminuir as emissões de dióxido
de carbono para a atmosfera e reduzir o consumo de eletricidade proveni-
ente da rede. Na presente dissertação foi elaborado um projeto de uma
câmara frigorífica com autonomia energética alargada, que surgiu no âm-
bito de uma competição entre universidades portuguesas, promovida pela
empresa Unilever-Jerónimo Martins. A competição “Sou OLÁ” visou a ela-
boração do projeto e construção de um protótipo de um veículo de venda de
gelados inovador, disruptivo e autónomo do ponto de vista energético. Para
isso, o presente trabalho consistiu no estudo e dimensionamento de uma
câmara de conservação de gelados que garantisse que o seu conteúdo não
atingisse temperaturas superiores a −18◦ C, durante oito horas consecutivas
de funcionamento, sem a necessidade de ligação à rede elétrica. Com o
intuito de cumprir os objetivos pretendidos, realizou-se uma revisão biblio-
gráfica acerca das tecnologias existentes e possíveis de integrar no projeto.
Apresentou-se como proposta uma nova configuração de uma câmara frigorí-
fica com gavetas, que permite a melhor organização dos gelados, originando
uma redução do tempo em que o interior da câmara se encontra em contacto
com o exterior. Esta proposta é vantajosa tanto a nível energético, como
a nível de organização e gestão do tempo durante a venda de gelados. Os
resultados obtidos, de acordo com uma análise energética e comparação en-
tre as câmaras frigoríficas existentes no mercado, e a configuração proposta
neste projeto, permitem concluir que na última se verifica uma redução de
cerca de 77% de perdas de energia. No entanto, tendo em conta que a intro-
dução de um sistema de refrigeração na câmara frigorífica requer uma fonte
de alimentação do sistema, foi projetado um sistema de duas baterias e um
inversor que garantem o funcionamento da câmara durante as oito horas,
nas condições pretendidas. Propõe-se ainda a criação de um posto fixo de
abastecimento através de um sistema de painéis fotovoltaicos, cujo principal
objetivo está centrado no carregamento de um sistema de baterias, que po-
derá ser trocado por aquele que se encontra no veículo, quando necessário.
O posto estará ainda conectado à rede elétrica para que o carregamento
não seja comprometido em situações meteorológicas desfavoráveis, como a
ausência de radiação solar. Tendo em conta os resultados obtidos neste pro-
jeto, concluímos que a solução proposta é mais eficiente a nível energético,
comparativamente às soluções existentes no mercado, tendo-se atingido a
autonomia pretendida. Esta poderá ainda oferecer uma variedade de solu-
ções interessantes às empresas comercializadoras de gelados que poderão
originar um aumento das vendas.
Keywords Photovoltaic systems; refrigerating chamber; refrigerating system; renewable
energy.

Abstract The growing need for the development of refrigerating chambers with exten-
ded energy autonomy is nowadays a theme which rouses great interest in the
Food Industry. In remote zones, or with no access to the electrical network,
it becomes necessary to incorporate mobile refrigeration technologies which
do not compromise the quality of the stored products. On the other hand,
there is also a greater concern for the environment and, therefore, there is an
increasingly widespread integration of renewable energies in different types of
equipment, with the main purpose of reducing the emissions of carbon dio-
xide into the atmosphere and of lowering the consumption of electricity from
the electrical network. In this Masters dissertation, we developed a project of
a refrigerating chamber with extended energy autonomy, which was initially
idealized in a competition involving Portuguese Universities, sponsored by
a company called Unilever-Jerónimo Martins. The competition, which was
entitled “Sou OLÁ”, had the twofold purpose of designing the project and
the construction of a prototype of an innovative ice cream sales vehicle, dis-
ruptive and autonomous from an energetic point of view. With this purpose,
the present work consisted of the studying and subsequent designing of an
ice cream storage chamber which could guarantee that its content would
not reach temperatures above 18◦ C for eight consecutive hours of operation
without having to connect to the electrical network. With the purpose of at-
taining the desired conditions, a literature review was carried out on existing
and potential technologies that would incorporate the project. Our proposal
involved a new configuration of a refrigerating chamber with drawers, which
allows the better organization of the ice creams, thus originating a reduction
of the time in which the inside of the chamber is in contact with the outside.
This proposal is advantageous not only in energetic terms, but also in organi-
zational and time management during the selling process of ice cream. The
obtained results, according to an energy analysis and comparison between
existing refrigerating chambers on the market, and the configuration which
is proposed in this project, allow us to conclude that in this last one there
is a reduction of approximately 77% of loss of energy. However, bearing in
mind that the introduction of a cooling system in the refrigerating chamber
requires a system power supply, a system of two batteries was designed and
an inverter that ensures the chambers operates throughout the eight hours
in the desired conditions. We also propose the creation of an immobile sup-
ply point through a system of photovoltaic panels, whose main objective is
centered on the charging of a battery system which may be changed for the
one in the vehicle whenever necessary. The station will still be connected to
the electrical network so that the loading process is not compromised in un-
favorable weather conditions, such as the absence of solar radiation. Taking
into account the results which were obtained in this project, it is possible
to conclude that the proposed solution is more energy-efficient compared
to other existing solutions on the market, having attained the desired auto-
nomy. We consider that this option may also offer a variety of interesting
solutions to the companies that produce and sell ice cream.
Índice

Lista de Tabelas iii

Lista de Figuras v

Lista de Abreviaturas vii

1 Introdução 1
1.1 Enquadramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Estrutura da dissertação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3

2 Revisão bibliográfica 5
2.1 Fundamentação teórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.1 Princípios da Termodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.2 Modos de transferência de calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2.2 Sistemas de refrigeração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.2.1 Refrigeração por compressão a vapor . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.2.2 Refrigeração por absorção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.2.3 Refrigeração termoelétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.2.4 Sistemas eutéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.3 Câmaras frigoríficas existentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.4 Noções de projeto de câmaras frigoríficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.4.1 Armazenamento de gelados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.4.2 Temperatura exterior de projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.4.3 Propriedades do ar húmido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.4.4 Irradiação solar incidente na superfície terrestre . . . . . . . . . . . 23
2.4.5 Carga térmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.5 Componentes da câmara frigorífica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
2.5.1 Isolamento térmico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
2.5.2 Refrigerante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
2.5.3 Sistema de refrigeração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
2.5.4 Compressor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.5.5 Condensador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
2.5.6 Evaporador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
2.5.7 Válvula de expansão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.5.8 Componentes auxiliares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
2.6 Fontes energéticas para sistemas de alimentação . . . . . . . . . . . . . . . 45

i
2.6.1 Sistemas de painéis fotovoltaicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
2.6.2 Sistemas de armazenamento de energia elétrica . . . . . . . . . . . 47

3 Parametrização do projeto 51
3.1 Enquadramento na competição “Sou OLÁ” . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.1.1 Condições de funcionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.1.2 Veículo projetado na competição “Sou OLÁ” . . . . . . . . . . . . . 52
3.1.3 Dimensões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
3.2 Características do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.2.1 Zona de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.2.2 Orientação geográfica de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.3 Etapas do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
3.4 Configurações a analisar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
3.4.1 Configuração 1- Câmara frigorífica convencional . . . . . . . . . . . 57
3.4.2 Configuração 2 - Câmara frigorífica com gavetas . . . . . . . . . . 58

4 Dimensionamento da câmara frigorífica 61


4.1 Dimensionamento de alguns parâmetros essenciais ao projeto . . . . . . . 61
4.1.1 Determinação da temperatura exterior de projeto . . . . . . . . . . 61
4.1.2 Determinação das propriedades do ar húmido . . . . . . . . . . . . 63
4.1.3 Dimensionamento do isolamento térmico . . . . . . . . . . . . . . . 64
4.1.4 Determinação da carga térmica- Configuração 1 . . . . . . . . . . . 64
4.1.5 Determinação da carga térmica- Configuração 2 . . . . . . . . . . . 72
4.1.6 Comparação entre as configurações 1 e 2 . . . . . . . . . . . . . . . 74
4.2 Dimensionamento dos componentes da câmara . . . . . . . . . . . . . . . 74
4.2.1 Seleção do fluido refrigerante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
4.2.2 Sistema de refrigeração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
4.2.3 Componentes da câmara . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
4.3 Dimensionamento da fonte de alimentação da câmara . . . . . . . . . . . . 81
4.3.1 Dimensionamento do sistema de baterias . . . . . . . . . . . . . . . 81
4.3.2 Dimensionamento do sistema de painéis PV . . . . . . . . . . . . . 83
4.4 Análise energética do sistema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
4.4.1 Consumos energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
4.4.2 Emissões de CO2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
4.4.3 Eficiência energética do sistema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
4.5 Caderno de encargos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
4.5.1 Lista dos componentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
4.5.2 Disposição dos componentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
4.5.3 Análise económica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
4.5.4 Ficha técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

5 Considerações finais 93
5.1 Conclusões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93
5.2 Sugestões para trabalhos futuros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

Anexo A 101
Lista de Tabelas

2.1 Características principais câmara frigorífica 125 Pushy da Fricon. . . . . . 17


2.2 Pratical Storage Life (PSL) de um gelado para diferentes temperaturas de
armazenamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.3 Composição percentual do ar atmosférico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.4 Valores da constante dos gases para o ar seco e para o ar húmido . . . . . 21
2.5 Fatores de correção para diferentes tipos de clima. . . . . . . . . . . . . . 27
2.6 Tipo de aplicação de um compressor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
2.7 Classificação dos tipos de evaporadores existentes. . . . . . . . . . . . . . . 40

3.1 Dimensões interiores da câmara frigorífica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53


3.2 Dimensões e área de cada uma das faces da câmara frigorífica. . . . . . . . 53
3.3 Dimensões de um gelado e quantidade máxima armazenada na câmara
frigorífica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.4 Coordenadas GPS da localidade Amareleja. . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.5 Tempos de operação para a câmara frigorífica convencional. . . . . . . . . 58
3.6 Tempos de operação para a câmara frigorífica com gavetas. . . . . . . . . 59

4.1 Valores das temperaturas exteriores de projeto de verão, para a localidade


de Amareleja, adaptados da literatura. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
4.2 Temperaturas exteriores de projeto usadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
4.3 Valores temperaturas e pressões no exterior da câmara frigorífica. . . . . . 63
4.4 Parâmetros relativos ao ar do exterior da câmara. . . . . . . . . . . . . . . 63
4.5 Parâmetros relativos ao ar do interior da câmara. . . . . . . . . . . . . . . 64
4.6 Valores para cálculo da posição solar, para o dia 21 de junho. . . . . . . . 65
4.7 Valores para conversão entre os registo LST e LAT, no formato horário
(hh:mm:ss). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
4.8 Hora do nascer e do pôr do sol e a duração de um dia solar, para o dia 21
de junho em LST e LAT, no formato horário (hh:mm:ss). . . . . . . . . . 66
4.9 Valores das constantes necessárias para o cálculo do fator de transmissão
atmosférica τb . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
4.10 Variação horária de ω, θ, τb e Gcb , relativamente à superfície do teto. . . . 67
4.11 Variação horária, formato (horas:minutos), de ω, θ, τb e Gcb , relativamente
às superfícies das paredes frontal e traseira. . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
4.12 Variação horária, formato (horas:minutos), de ω, θ, τb e Gcb , relativamente
à superfície da parede este. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
4.13 Variação horária, formato (horas:minutos), de ω, θ, τb e Gcb , relativamente
à superfície da parede oeste. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

iii
4.14 Valores para cálculo do fator de densidade, Fm e calor latente e sensivel,
q, para a configuração tradicional. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
4.15 Valores para cálculo do fator de abertura da porta, Dt , para a configuração
tradicional. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
4.16 Valores para cálculo da parcela da infiltração, qinf , para a configuração
tradicional. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
4.17 Valores da carga térmica total e das parcelas da mesma. . . . . . . . . . . 71
4.18 Valores para cálculo do fator de densidade, Fm e calor latente e sensivel,
q, para a configuração com gavetas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
4.19 Valores para cálculo do fator de abertura da porta, Dt , para a configuração
com gavetas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
4.20 Valores para cálculo da parcela da infiltração, qinf , para a configuração
com gavetas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
4.21 Valores da carga térmica total e das parcelas da mesma. . . . . . . . . . . 73
4.22 Temperaturas e pressões de evaporação e condensação do refrigerante R134a. 76
4.23 Valores das temperaturas, pressões, entalpias e entropias em cada fase do
ciclo representado nas figuras 2.11a e 2.11b. . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
4.24 Valores do fluxo mássico do refrigerante e das entalpias para cada ponto
do sistema de refrigeração. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
4.25 Potências dos componentes do sistema de refrigeração da câmara. . . . . . 76
4.26 Potências dos componentes do sistema de refrigeração da câmara obtidos
pelo software de simulação Coolpack. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
4.27 Características principais do compressor FFU 100HAK. . . . . . . . . . . 78
4.28 Características principais do condensador UC UFU 100HAK. . . . . . . . 79
4.29 Características principais do evaporador dimensionado. . . . . . . . . . . . 79
4.30 Características principais do dispositivo medidor selecionado. . . . . . . . 80
4.31 Características principais do inversor de corrente selecionado. . . . . . . . 82
4.32 Características principais das baterias selecionadas. . . . . . . . . . . . . . 82
4.33 Caracateristicas principais do painel PV selecionado. . . . . . . . . . . . . 84
4.34 Valores dos consumos de energia elétrica e energia primária para as ligações
à rede e ao posto de abastecimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
4.35 Emissões de CO2 relativas à produção de energia elétrica para a ligação à
rede. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
4.36 Valores do COP para a ligações à rede e ao sistema de baterias . . . . . . 87
4.37 Orçamento dos equipamentos selecionados para o projeto. . . . . . . . . . 90
4.38 Ficha técnica do projeto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
Lista de Figuras

2.1 Ciclo de compressão a vapor de carnot; (a) Esquema dos componentes e


trocas de calor do ciclo; (b) Diagrama TS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.2 Métodos possíveis de TES. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.3 Armazenamento de energia térmica como calor latente para o caso da
mudança de fase sólido-líquido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.4 Exemplo de sistema de compressão de vapor. . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.5 (a) Processo de Absorção ocorre no recipiente direito, causando o efeito de
refrigeração no lado esquerdo; (b) O processo de separação do refrigerante
ocorre no recipiente direito, como resultado do calor adicional de uma
fonte exterior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.6 Câmara frigorífica modelo 125 Pushy da Fricon. . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.7 Curva de geração de valores horários da temperatura do ar . . . . . . . . . 19
2.8 Ângulos Solares; (a) Superficie horizontal; (b) Superficie vertical. . . . . . 26
2.9 Fluxo de massas de ar frio e quente que ocorrem numa câmara de refrige-
ração com portas abertas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.10 Esquema de um sistema de refrigeração de compressão a vapor teórico. . . 35
2.11 Curvas representativas da figura 2.10; (a) Curva da temperatura em função
da entropia; (b) Curva da pressão em função da entalpia . . . . . . . . . . 35
2.12 Ciclo de compressao a vapor real; (a) Esquema; (b) Diagrama PH. . . . . 36
2.13 Designs comuns de evaporadores tubulares. (a) Bobina zigzag plana; (b)
Bobina oval; . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
2.14 Evaporador prato em serpentina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
2.15 Evaporador prato em serpentina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
2.16 Exemplo de um tubo capilar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
2.17 Esquema de uma válvula de expansão automática. . . . . . . . . . . . . . 44
2.18 Esquema de válvulas flutuantes simples. (a) Válvula flutuante de alta
pressão; (b) Válvula flutuante de baixa pressão . . . . . . . . . . . . . . . 44
2.19 (a) Celula PV; (b) Modulo PV; (c) Painel PV . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.20 Sistema de armazenamento de energia de baterias. . . . . . . . . . . . . . 46

3.1 Veículo de venda de gelados, projetado para o concurso “Sou OLÁ”; (a)
Vista frontal; (b) Vista lateral. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
3.2 Câmara frigorífica inserida no veículo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
3.3 Dimensões em milímetros das faces da câmara frigorífica; (a) Porta e Pa-
rede Traseira; (b) Paredes Laterais ; (c) Teto e Piso. . . . . . . . . . . . . 53
3.4 Vista geográfica da localidade de Amareleja, retirado do programa Google
Earth. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54

v
3.5 Posição geográfica da câmara frigorífica definida para estudo (Vista de Topo) 55
3.6 Fases do projeto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
3.7 Configuração 1- Câmara frigorífica convencional (a) Interior; (b) Exterior. 57
3.8 Configuração 2- Câmara frigorífica com gavetas . . . . . . . . . . . . . . . 58
3.9 Câmara frigorífica com gavetas contendo o dispositivo protetor. . . . . . . 59

4.1 Curva da distribuição horária da temperatura do ar exterior na Amareleja. 62


4.2 Parcela da transmissão durante um dia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
4.3 Radiação solar nas paredes da câmara frigorífica . . . . . . . . . . . . . . . 69
4.4 Variação horária da parcela da transmissão com o efeito da radiação . . . 70
4.5 Valores percentuais das parcelas da carga térmica, para a configuração
tradicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
4.6 Carga Térmica total e a percentagem de cada uma das parcelas, para a
configuração 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
4.7 Compressor FFU 100HAK da Embraco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78
4.8 Unidade condensadora, modelo UC UFU 100HAK, da Embraco. . . . . . . 79
4.9 Válvula de expansão termoestática, modelo PAN0, da Dunan. . . . . . . . 80
4.10 Sistema de alimentação da câmara. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
4.11 Inversor 300W 12Vdc 220Vac Soft Start, da Mercury. . . . . . . . . . . . . 82
4.12 Bateria 12V 100Ah, da AlcoaSport. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
4.13 Irradiação solar incidente no sistema de painéis PV, durante as 8 horas de
funcionamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
4.14 Controlador de carga selecionado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
4.15 Lista dos componentes do projeto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
4.16 Disposição dos elementos dimensionados relativamente à câmara frigorí-
fica; (a) Baterias e inversor; (b) Unidade condensadora. . . . . . . . . . . . 89
Lista de Abreviaturas

Lista de acrónimos

Símbolo Designação

AC Corrente alternada

AST Apparent solar time

AU Unidade astronómica

BES Battery energy storage

CFC Clorofluorcarboneto

COP Coefficient of performance

DC Corrente direta

DOD Depth of discharge

DST Daylight saving time

DX Expansão direta

EES Armazenamento de energia elétrica

EPS Poliestireno expandido

HBP High back pressure

HFC Hidrofluorcarboneto

LBP Low back pressure

LST Local standard time

vii
MBP Medium back pressure

MPPT Maximum power point tracking

PAG Potencial de aquecimento global

PCM Phase change material

PH Pressão-entalpia

PU Poliestireno

PSL Pratical storage life

PV Fotovoltaico

PU Poliuretano

PWM Pulse width modulation

TES Armazenamento de energia térmica

TS Temperatura-entropia

Lista de símbolos

Símbolo Designação Unidades

am Fração derretida kg

Atotal Área total exterior da câmara m2

AP V Área do painel fotovoltaico m2

a0 Constante -

a1 Constante -

Cp Calor específico J/(kg.K)

dn Dia do ano -

Dt fator de tempo de abertura da porta -

Df Fator do fluxo através da abertura da porta -


E Poder emissivo de uma superfície rad

Eo Fator de excentricidade rad

Eposto Emissões de CO2 na ligação ao posto kgCO2

Eprotetor Eficiência do dispositivo protetor da abertura -

Erede Emissões de CO2 na ligação à rede elétrica kgCO2

Et Equação do tempo min

Fm Fator de densidade -

g Constante gravitacional m/s2

GP V Irradiação solar incidente no painel fotovoltaico W/m2

h Entalpia J/kg

hext Entalpia do ar exterior da câmara kJ/kg

hint Entalpia do ar interior da câmara kJ/kg

h1 Entalpia do ponto 1 kJ/kg

h2 Entalpia do ponto 2 kJ/kg

h3 Entalpia do ponto 3 kJ/kg

h4 Entalpia do ponto 4 kJ/kg

HL Calor latente de fusão kJ/kg

Hp Altura da abertura da porta m

HN 1 Hora a que ocorre a temperatura mínima do ar horas

HN 2 Hora a que ocorre a temperatura mínima do ar, horas


no dia seguinte

HX Hora a que ocorre a temperatura máxima do ar horas

Ls Longitude do meridiano de referência ◦ (graus)

Le Longitude do observador ◦ (graus)


Lcorr Correção da longitude ◦ (graus)

L comprimento do material m.

kb Constante -

k Condutividade térmica W/(m.K)

M Massa molar g/mol

m Massa kg

ṁe fluxo mássico kg/hora

ṁr Fluxo mássico do refrigerante kJ/kg

Nd Duração de um dia solar horas

P Número de aberturas da porta -

Pil Potência dos equipamentos de iluminação W

pn Número de pessoas no interior da câmara -

Pot Potência dos motores W;

PutilP V Potencia fornecida pelo painel fotovoltaico W

q Calor latente e sensível de infiltração, para fluxo kW


completamente estabelecido

Q Transferência de energia térmica J

Q̇ Fluxo de transferência de energia térmica atra- W


vés das fronteiras do sistema

Q̇c Potência do condensador kW

Q̇e Capacidade de refrigeração ou potência do eva- kW


porador

Qinf Parcela da infiltração kW

Qilum Consumo elétrico relativo à iluminação Wh

Qpessoas Parcela da carga térmica relativa às pessoas W


Qmotores Consumo elétrico dos motores Wh

qM ET Calor gerado pelo metabolismo de uma pessoa W/hora

Qrad Radiação solar absorvida pelo painel fotovoltaico kW

Qtrans Parcela da transmissão kW

Qtotal Carga térmica total kW

qx00 Fluxo de calor unidimensional que atravessa o W/m2


material

r Distância do entre o Sol e a Terra, em função do km


dia do ano

ro Distância do entre o Sol e a Terra média km

R Constante dos gases J/(mol.K)

Rda Constante dos gases para o ar seco J/(kgda K)

Rg Constante dos gases J/(g.K)

r0 Fator de correção climático -

r1 Fator de correção climático -

rk Fator de correção climático -

Rtotal Resistência térmica K/W

Rw Constante dos gases para o ar húmido J/(kgw K)

TN 1 Temperatura mínima do ar ◦C

TN 2 Temperatura mínima do ar, no dia seguinte ◦C

Te Temperatura de evaporação ◦C

Tenv Temperatura do meio envolvente ◦C

Tc Temperatura de condensação ◦C

Text Temperatura do ar no exterior da câmara frigo- ◦C

rífica
Tint Temperatura do ar no interior da câmara frigo- ◦C

rífica

til Tempo de funcionamento da iluminação horas.

Ti Temperatura inicial K

Tf Temperatura final K

Tm Temperatura de mudança de fase K

tm Tempo de funcionamento do motor horas;

tp Tempo de permanência das pessoas no interior horas


da câmara

Ts Temperatura da superfície ◦C

TX Temperatura máxima do ar ◦C

T1 temperatura da superfície do material atingida K


pelo fluxo

T2 Temperatura da superfície do material onde se K


inicia a transferência de calor

Uglobal Coeficiente de transferência global de calor W/(m2 .K)

ve Velocidade do fluxo que atravessa as fronteiras m2


do sistema

Ẇ Fluxo do trabalho resultante do sistema

Ẇc Potência do compressor kW

z elevação a cima de um plano horizontal de refe- m


rência
Símbolo grego Designação Unidades

α Altitude solar ◦ (graus)

β Ângulo de inclinação da superfície ◦ (graus)

γ Azimute solar ◦ (graus)

δ Declinação solar ◦ (graus)

∆T Diferença de temperaturas K

∆Tevap Diferença de temperaturas no evaporador ◦C

ηP V Eficiência do painel fotovoltaico %

ηinversor Eficiência do inversor %

ηbateria Eficiência da bateria %

θ Ângulo de incidência ◦ (graus)

θp Tempo de abertura e fecho da porta s

θo Tempo que a porta se mantém aberta min

θd Período total de funcionamento horas

µ Grau de saturação %

ρext Densidade do ar exterior da câmara kg/m3

ρint Densidade do ar interior da câmara kg/m3

τ Ângulo do dia rad

τb Fator de transmissão atmosférica

φ Latitude da superfície ◦ (graus)

φrh Humidade relativa %

ω Ângulo horário ◦ (graus)

ωs Ângulo horário do nascer do sol ◦ (graus)


Lista de unidades

Unidade Designação

A Ampere

Ah Ampere-hora

kJ Quilojule

kg Quilograma

kW Quilowatt

kW h Quilowatt-hora

kW he Quilowatt-hora relativo ao consumo de energia


elétrica

kW he Quilowatt-hora relativo ao consumo de energia


primária

K Graus Kelvin

kP a Quilopascal

m Metros

m2 Metros ao quadrado

m3 Metros ao cubo

min Minutos

mol Mole

rad Radianos

s Segundos

V Volt

W Watt

◦ Graus

◦C Graus celsius
% Percentagem
Capítulo 1

Introdução

Este primeiro capítulo tem como objetivo contextualizar e apresentar o projeto que foi
desenvolvido e que vai ser relatado nesta dissertação. Inclui três secções, designadamente:
o enquadramento teórico, os objetivos delineados para a elaboração e desenvolvimento
do projeto e, por último, a estrutura do projeto.
No enquadramento da dissertação 1.1, faz-se a identificação e a apresentação inicial
da problemática em estudo, de acordo com a investigação relevante. De seguida, procede-
se à definição do objetivo geral da dissertação e dos objetivos específicos que orientaram
esta dissertação 1.2. Termina-se o primeiro capítulo com a apresentação do plano geral
da dissertação onde se descreve a estrutura geral desta 1.3 e se apresenta, resumidamente,
o assunto tratado em cada um dos cinco capítulos que a constituem.

1.1 Enquadramento
O presente projeto surge no seguimento da competição “Sou OLÁ” organizada pela
empresa Unilever-Jerónimo Martins. Esta competição realizou-se pela primeira vez no
ano de 2016, e visou a elaboração do projeto e a construção de um protótipo de um
veículo de venda de gelados para a marca OLÁ.
Participaram nesta competição quatro equipas de cinco alunos, uma por cada uma
das universidades que concorreram: Universidade de Aveiro, Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto, Universidade do Minho e o Instituto Superior Técnico de Lisboa.
A nossa equipa, representante da Universidade de Aveiro, obteve o segundo lugar.
A referida marca de gelados pretende o desenvolvimento de um sistema de refrigera-
ção com autonomia energética, durante um intervalo de tempo estipulado. No decorrer
da competição, foi projetado um veículo que incluiu no seu interior uma câmara frigorí-
fica. Para se desenvolver tal finalidade, foram impostos constrangimentos ao sistema de
refrigeração, tanto pela OLÁ como pelo conceito estabelecido pela equipa.
No contexto anteriormente apresentado, a presente dissertação desenvolve-se com o
intuito de projetar uma câmara frigorífica, que satisfaça os critérios pretendidos e que
possa ser usada tanto para a venda de gelados como para outras aplicações.
Para além da indústria alimentar, existem outras áreas com crescente necessidade do
desenvolvimento de câmaras frigoríficas autónomas. Uma das áreas mais investigadas e
com maior necessidade deste tipo de aparelhos autónomos é o armazenamento de vacinas,
administradas em áreas remotas. Em zonas sem acesso à eletricidade, ou com acesso

1
2 1.Introdução

intermitente à mesma, as vacinas podem ser danificadas e perder as suas caraterísticas e


utilidade [1].
Outra das vertentes consideradas nesta dissertação é o facto de que cada vez mais
existe uma maior preocupação com o ambiente, o que tem estado na origem da criação
da nova legislação que limita o uso de alguns dos fluidos refrigerantes mais poluentes,
utilizados em sistemas frigoríficos. Por outro lado, teve-se também em consideração o
aumento do custo da eletricidade e reconhece-se que tem vindo a aumentar a investiga-
ção de tecnologias de refrigeração inovadoras, que possam ser vantajosas, quer a nível
económico quer a nível ambiental [2].
Pelos objetivos anteriormente expostos, surge o objetivo de avaliar a possibilidade
de integração de fontes renováveis no projeto, como forma de suprir as necessidades
energéticas do mesmo, conferindo-lhe autonomia.

1.2 Objetivos
Assumindo que a presente dissertação se desenvolveu a partir da elaboração de um
projeto que visou a construção de um protótipo de um veículo de venda de gelados
para uma conhecida marca do mercado, e que esta pretendia o desenvolvimento de um
sistema de refrigeração com autonomia energética, durante um intervalo de tempo esti-
pulado, definiu-se, no desenvolvimento do presente projeto, como objetivo geral, estudar
e projetar uma câmara frigorífica móvel com autonomia alargada.
Com vista à consecução do objetivo geral, definiram-se cinco objetivos de estudo mais
específicos, que se passam a enumerar:

• efetuar a análise energética de uma configuração tradicional de câmara para vendas


de gelados;

• efetuar a análise energética de uma configuração proposta para uma câmara frigo-
rífica;

• dimensionar a câmara frigorífica proposta;

• selecionar e integrar uma fonte energética, caso seja necessário;

• avaliar a funcionalidade do sistema projetado, de acordo com os constrangimentos


impostos.

O primeiro objetivo específico, desenvolvido numa fase inicial do projeto, consiste


na realização de uma análise energética de uma configuração tradicional de uma câmara
frigorífica, com dimensões conhecidas e alvo de estudo detalhado no capítulo três.
O segundo objetivo específico, prende-se com a análise energética de uma configuração
proposta para uma câmara frigorífica, para as dimensões anteriormente referidas. Caso
se verifique uma eficiência energética superior à apresentada pelo modelo já existente,
será feito um novo dimensionamento da eficiência energética.
O terceiro objetivo específico, requer uma análise do consumo de energia da configu-
ração proposta, em função da qual serão dimensionados os componentes da câmara.
O quarto objetivo específico operacionaliza-se pela seleção e introdução de fontes
energéticas, caso se verifique necessário, de forma a garantir a autonomia alargada.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


1.Introdução 3

O quinto e último objetivo específico, permite avaliar a funcionalidade do sistema


projetado, de acordo com os constrangimentos impostos ao longo do desenvolvimento do
projeto.

1.3 Estrutura da dissertação


A presente dissertação está organizada em cinco capítulos.
O primeiro capítulo está dividido em três secções: enquadramento, objetivos e es-
trutura da dissertação. Este capítulo tem como finalidade apresentar e contextualizar a
investigação, pelo que compreenderá uma introdução ao projeto, onde são descritos os
seus objetivos e enquadramento teórico.
No segundo capítulo, faz-se uma revisão bibliográfica relevante para o tema da dis-
sertação, e para suporte do dimensionamento e projeto da câmara. Neste capítulo, sub-
dividido em seis secções, estão descritas as tecnologias disponíveis, e são apresentados
diferentes sistemas de refrigeração, bem como as fontes energéticas compatíveis com es-
tes sistemas. São ainda apresentadas noções necessárias ao projeto da câmara frigorífica
bem como dos seus componentes essenciais. Para uma melhor compreensão destes tó-
picos, será ainda feita uma fundamentação teórica com base nos princípios gerais da
Termodinâmica, que serão referidos ao longo dos restantes capítulos.
No terceiro capítulo, subdividido em quatro secções, apresentam-se as características
do projeto, o seu enquadramento na competição “Sou OLÁ”, as etapas de desenvolvi-
mento do projeto e, por último, as configurações da câmara frigorífica a utilizar. Ainda
no terceiro capítulo, apresentam-se todos os constrangimentos impostos ao projeto da
câmara frigorífica e dos seus componentes, tendo em conta o problema que se pretende
solucionar. Neste contexto, é feita uma parametrização do projeto, enunciando-se os
parâmetros específicos e características da câmara frigorífica essenciais ao seu funciona-
mento.
No quarto capítulo, apresenta-se o dimensionamento da câmara frigorífica alimen-
tada por um sistema autónomo e foi categorizada em cinco secções: dimensionamento de
alguns parâmetros essenciais ao projeto, dimensionamento dos componentes da câmara,
dimensionamento da fonte de alimentação da câmara, análise energética do sistema e o
caderno de encargos. Ao longo do quarto capítulo, serão determinados todos os aspe-
tos correspondentes à carga térmica da câmara frigorífica para, posteriormente, serem
dimensionados os seus componentes. Ainda nesta secção, serão selecionados os compo-
nentes mais adequados ao projeto, com recurso à utilização de catálogos fornecidos por
empresas e, tendo por base a revisão bibliográfica, apresentada no capítulo dois.
O quinto capítulo encontra-se subdividido em duas secções: conclusões e sugestões
para trabalhos futuros. Neste capítulo, descrevem-se as considerações finais do projeto,
apresentando-se as conclusões da dissertação relativamente aos resultados obtidos, bem
como as dificuldades encontradas. Faz-se ainda uma análise relativamente ao cumpri-
mento dos objetivos propostos, e do grau de sucesso na sua consecução. Posteriormente,
será ainda feita uma análise das limitações do projeto, cuja resolução é sugerida para
desenvolvimento de trabalhos futuros.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


4 1.Introdução

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


Capítulo 2

Revisão bibliográfica

No presente capítulo, faz-se uma revisão bibliográfica relevante ao tema da disserta-


ção, para apoio ao dimensionamento e projeto da câmara. O presente capítulo encontra-
se organizado em seis secções. Na primeira 2.1, é feita uma fundamentação teórica com
base nos princípios gerais da Termodinâmica, que serão referidas ao longo dos restantes
capítulos. Seguidamente, na secção 2.2 é feita uma abordagem aos diferentes sistemas de
refrigeração. Na secção seguinte 2.3 são apresentadas as tecnologias inerentes às câma-
ras frigoríficas existentes. Na secção 2.4 são apresentadas noções de projeto de câmara
frigorífica. Na penúltima secção 2.5 descrevem-se os principais componentes de câma-
ras frigoríficas. Por fim, na última secção 2.6 descrevem-se as fontes energéticas para
sistemas de refrigeração.

2.1 Fundamentação teórica


Esta secção aborda algumas matérias da Termodinâmica e outros conceitos essenciais
à compreensão de toda a revisão bibliográfica. A fundamentação teórica é composta por
duas subsecções, que são: os princípios da Termodinâmica e os modos de transferência
de calor.

2.1.1 Princípios da Termodinâmica


Nesta subsecção são descritos alguns princípios e conceitos da Termodinâmica neces-
sários a uma melhor compreensão da dissertação. Alguns dos assuntos abordados são os
conceitos de energia, entalpia e entropia, a Lei da Conservação de Energia e os ciclos de
refrigeração.
A Termodinâmica é o estudo da energia, das suas transformações e relações com o
estado da matéria.
Entende-se por sistema termodinâmico a região no espaço ou a quantidade de matéria
ligada por uma superfície fechada. Tudo o que é externo ao sistema é considerado o meio
envolvente. O sistema é separado do seu meio envolvente por limites que podem ser
móveis ou fixos, reais ou imaginários.
A energia é definida como a capacidade de produzir um efeito e é classificada na
forma de energia armazenada ou energia na forma transiente [3].

5
6 2.Revisão bibliográfica

A maioria dos processos de engenharia são analisados como sendo processos em regime
estacionário. Isto significa que todas as quantidades associadas ao sistema não variam
com o tempo.
A primeira Lei da Termodinâmica, também conhecida por Lei da Conservação da
Energia, representada na equação 2.1, descreve um balanço de energia, num sistema
aberto ou fechado. A diferença entre a energia que entra e a que sai de um sistema é
igual à energia armazenada nesse mesmo sistema.
X ve2 X v2
ṁ(h + + gz) − ṁ(h + e + gz) + Q̇ − Ẇ = 0 (2.1)
entra
2 2
sai

Onde:
ṁe é o fluxo mássico;
h é a entalpia;
ve é a velocidade do fluxo que atravessa as fronteiras do sistema;
g é a constante gravitacional;
z é a elevação a cima de um plano horizontal de referência;
Q̇ é o fluxo de transferência de energia térmica através das fronteiras do sistema;
Ẇ é o fluxo do trabalho resultante do sistema.

Ciclo de refrigeração de compressão


Os ciclos de refrigeração transferem energia térmica de uma região, a uma determi-
nada temperatura, para uma região com uma temperatura mais elevada. Geralmente, a
região de temperatura mais elevada, a que recebe energia térmica, é o ar ambiente ou
água usada para o arrefecimento de um equipamento.
A performance de um ciclo de refrigeração é denominada por coefficient of perfor-
mance, COP, que traduz a razão entre a quantidade de calor removido de um sistema
pela energia necessária ao seu funcionamento, também referido como consumo energético
[3].
Admitindo que um motor térmico que opera entre dois reservatórios, um quente
e um frio, funcione segundo um ciclo em que todos os processos são reversíveis, este
ciclo é também reversível. Se o ciclo for revertido, o motor térmico transforma-se num
refrigerador. Este ciclo é denominado por ciclo de Carnot [4].
A figura 2.1 representa o esquema dos componentes e trocas de calor do Ciclo de
Carnot e respetivo diagrama de temperatura em função da entropia, TS.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 7

(a) (b)

Figura 2.1: Ciclo de compressão a vapor de Carnot; (a) Esquema dos componentes e
trocas de calor do ciclo; (b)Diagrama TS [3].

Armazenamento de Energia Térmica (TES)


O armazenamento de energia térmica, também conhecido com thermal energy storage,
TES, pode ser descrito como armazenamento de frio, cold storage, ou de calor, heat
storage. O frio ou calor são acumulados num meio de armazenamento, para poderem
fornecer a respetiva energia térmica, quando for necessário, para arrefecer ou aquecer.
Os métodos de armazenamento de energia necessitam ser reversíveis para que seja
possível utilizar a energia guardada. Estes processos podem ser divididos em físicos ou
químicos, e alguns dos métodos possíveis estão representados na figura 2.2 [5].

Figura 2.2: Métodos possíveis de TES[5]

Estes métodos serão mais aprofundados nos capítulos seguintes, com o objetivo de
verificar se poderão trazer benefícios no projeto da arca frigorífica.
O calor transferido entre dois corpos pode ser classificado como calor sensível ou calor

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


8 2.Revisão bibliográfica

latente.
Designa-se por calor sensível, quando se observa uma mudança de temperatura num
determinado corpo, em que não ocorre mudança de fase. A capacidade de armazenamento
térmica durante este processo é baseada na diferença de temperatura e no calor específico.
A equação 2.2 permite quantificar o calor sensível armazenado num sistema térmico.
Z Tf
Q= mCp ∆T (2.2)
Ti

Quando, numa transferência de calor, ocorre uma mudança de fase, verifica-se uma
troca de calor latente. A equação 2.3, permite quantificar o calor latente armazenado
num sistema térmico.
Z Tm Z Tf
Q= mCp ∆T + mam HL + mCp ∆T (2.3)
Ti Tm

Onde:
Q é a transferência de energia térmica, em J;
Ti é a temperatura inicial, em K;
Tm é a temperatura de mudança de fase, em K;
HL é calor latente de fusão, em kJ/kg;
am é a fração derretida, em kg;
Tf é a temperatura final, em K;
m é a massa, em kg;
Cp é o calor específico, em J/(kg.K)
∆T é a diferença de temperaturas, em K.
Na figura 2.3, encontra-se ilustrada a variação do calor armazenado, da forma sensível
e latente, com o aumento da temperatura.

Figura 2.3: Armazenamento de energia térmica como calor latente para o caso da mu-
dança de fase sólido-líquido [5].

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2.Revisão bibliográfica 9

2.1.2 Modos de transferência de calor


Nesta subsecção estão descritos os três modos de transferência de calor: condução;
convecção; radiação. Para além destes, é ainda abordado o conceito de resistência térmica
que será bastante útil para os cálculos subsequentes relacionados com o projeto.
A energia pode ser transferida através de interações de um sistema com o meio que
o rodeia. Essas transferências podem ocorrer por meio da realização de trabalho ou da
transferência de calor.

Condução
A condução é um fenómeno de transferência de calor num meio, que pode ser um
sólido ou um fluido, quando neste existe um gradiente de temperatura.
A transferência de calor por condução é representada pela Lei de Fourier, que pode
ser usada para determinar o fluxo de calor, dependendo da distribuição da temperatura
num determinado meio e é descrita pela equação 2.4.


q 00 = −k∇T (2.4)
Assume-se que a troca de calor é efetuada em regime estacionário, ou seja, o fluxo é
constante ao longo do tempo e para o caso prático da condução de calor através de uma
parede, o fluxo de calor, qx , é unidimensional e encontra-se representado pela equação
2.5.

T2 − T1
qx00 = −k (2.5)
L

Onde:
qx00 é o fluxo de calor unidimensional que atravessa o material, em W/m2 ;
k é a condutividade térmica do material, em W/(m.K);
T2 é a temperatura da superfície do material onde se inicia a transferência de calor,
em K;
T1 é a temperatura da superfície do material atingida pelo fluxo, em K;
L é o comprimento do material, em m.

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10 2.Revisão bibliográfica

A Lei de Fourier aplica-se em toda a matéria, independentemente do seu estado (so-


lido, líquido ou gasoso). Esta lei também pode descrever as trocas de calor por condução
num sistema térmico em regime transiente, onde o fluxo varia com o tempo, e a um nível
multidimensional. A equação de difusão do calor, que descreve o sistema e tridimensional
e em regime transiente, está representada na equação 2.6 [6].
     
∂ ∂T ∂ ∂T ∂ ∂T ∂T
k + k + k + q̇ = ρCp (2.6)
∂x ∂x ∂y ∂y ∂z ∂z ∂t

Convecção
A convecção é um processo de transferência de calor que ocorre entre uma superfície
e um fluido em movimento, que esteja em contacto com esta, quando existe um gradiente
de temperaturas entres os dois.
Este processo divide-se em dois mecanismos: a difusão de calor e a advecção. A
advecção consiste na transmissão de energia provocada pelo movimento macroscópico do
fluido. A difusão ou condução foi descrita anteriormente, na presente subsecção. Existem
dois tipos de convecção: forçada e natural.
A convecção forçada ocorre quando o fluxo do fluido é gerado por meios exteriores,
tais como: um ventilador; uma bomba; a ação do vento.
A convecção natural ocorre quando o fluxo do fluido é induzido pela impulsão, resul-
tante das diferenças de densidade geradas pelas variações de temperatura do fluido, como
por exemplo: componentes que se encontram com uma temperatura elevada, dispostos
verticalmente. O ar em contacto com estes componentes aquece, e por consequência a
sua densidade diminui. O ar aquecido, tornou-se mais leve que o restante ar que o rodeia
e, por isso, devido à impulsão, tem tendência a subir enquanto é substituído pelo ar
circundante.
Independentemente do tipo de convecção, este processo é dado pela equação 2.7.

qx00 = h (Ts − T∞ ) (2.7)


A equação 2.7 é conhecida como a Lei de Newton do Arrefecimento. É assumido
que esta expressão seja positiva, ou seja, que Ts é superior a Tenv . Isto significa que
a transferência de calor ocorre da superfície para o fluido. Se Tenv for superior a Ts ,
transferência de calor ocorre no sentido inverso, do fluido para a superfície e é dada pela
equação 2.8 [6].

qx00 = h (Tenv − Ts ) (2.8)

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2.Revisão bibliográfica 11

Radiação
A radiação é a energia emitida por matéria que se encontra a uma temperatura
diferente de zero. A sua emissão está relacionada com as alterações das configurações
dos eletrões dos respetivos constituintes atómicos ou moleculares. A energia de radiação
é transportada por ondas eletromagnéticas, e não necessita de um meio para se propagar,
ao contrário da condução e da convecção. Não só é possível que se propague através do
vácuo, mas é através deste que a propagação é mais eficiente. Um exemplo pode ser a
emissão de energia do Sol que alcança a Terra e se propaga através do vácuo.
O fluxo a que a energia é emitida por unidade de área é designado por poder emissivo
da superfície, Eb . Existe um limite superior do poder emissivo que é descrito pela Lei de
Stefan-Boltzmann, expressa pela equação 2.9.

Eb = δTs4 (2.9)
Esta lei aplica-se a uma superfície designada por radiador ideal ou corpo negro. O
fluxo de calor emitido por uma superfície real é menor que num corpo negro e é dado pela
equação 2.10, onde ε é uma propriedade radiante de uma superfície que se designa por
emissividade. Esta propriedade avalia a eficiência com que uma superfície emite energia
comparativamente a um corpo negro. O seu intervalo de valores situa-se em 0 ≤ ε ≤ 1.

E = εδTs4 (2.10)
A taxa a que a radiação incide numa superfície, por unidade de área, é designada
por irradiação, G. A irradiação pode ser total ou parcialmente absorvida. A taxa de
absorção de irradiação, por unidade de área, Gabs , é determinada com o conhecimento
da propriedade radioativa de uma superfície, conhecida por absortividade, αabs . Esta
taxa é dada pela equação 2.11.
A absortividade, αabs , encontra-se no intervalo 0 ≤ αabs ≤ 1. Se αabs > 1 a superfície
é opaca e parte da radiação é refletida. Se a superfície for semitransparente, parte da
irradiação pode ser transmitida.

Gabs = αabs G (2.11)


Assumindo que ε = αabs , condição designada por superfície cinzenta, o fluxo de calor
por radiação é obtido através da equação 2.12.

00
qrad = εEb (Ts ) − αabs G = εδ(Ts4 − Tenv
4
) (2.12)
No caso da superfície estar em contacto com um gás, existe simultaneamente trans-
ferência de calor por radiação e por convecção e, assim, o fluxo de calor é determinado
pela equação 2.13 [6].

q 00 = qconv
00 00
+ qrad = h(Ts − T∞ ) + εδ(Ts4 − Tenv
4
) (2.13)

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


12 2.Revisão bibliográfica

Resistência Térmica
Os três modos de transferência de calor foram descritos ao longo da presente subsec-
ção. A partir das equações 2.5, 2.7 o fluxo de transferência de calor, qx , é expresso pela
equação 2.14.

∆T
qx = qx00 A = (2.14)
Rtotal
Onde Rtotal é denominado por resistência térmica total, a qual é expressa em K/W
e possui diferentes formas para a condução, convecção e radiação.
Este conceito aplica-se no caso da transferência de calor unidimensional, sem geração
de energia, e com propriedades constantes.
Por tudo isto, obtêm-se as equações da resistência térmica para os diferentes modos,
sendo que equação que traduz a resistência térmica para a condução, Rt,cond , numa parede
plana está descrita pela equação 2.15.

Ts1 − Ts2 L
Rt,cond ≡ = (2.15)
qx kA
Pela Lei de Arrefecimento de Newton, já descrita anteriormente pela equação 2.7, a
resistência térmica para a convecção, Rt,conv , é dada pela equação 2.16.

Ts − T∞ 1
Rt,conv ≡ = (2.16)
qx hA
Como as resistências térmicas para a condução e para a convecção se encontram em
série, estas podem ser somadas. Assim, a equação que representa a resistência total,
Rtotal é dada por 2.17.

1 L 1
Rtotal = + + (2.17)
hi A kA he A
Como as resistências da radiação superficial e da convecção atuam em paralelo e, se
T∞ = Tsup , estas podem ser combinadas e formar uma única resistência da superfície.
Por vezes é ainda utilizado o coeficiente de transferência global de calor, Uglobal , que
é definido por uma expressão análoga à Lei do Arrefecimento de Newton, representada
pela equação 2.18.

qx ≡ Uglobal A∆T (2.18)


Através das equações 2.14 e 2.18, é possível relacionar o coeficiente de transferência
global, Uglobal , com a resistência térmica total, Rtotal , como demonstrado na equação 2.19
[6].
1
Uglobal = (2.19)
Rtotal A

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 13

2.2 Sistemas de refrigeração


Nesta secção são abordados os principais sistemas de refrigeração existentes e expli-
citado o seu modo de funcionamento, fluidos refrigerantes usados, e principais caracte-
rísticas e vantagens de cada um.

2.2.1 Refrigeração por compressão a vapor


Na presente subsecção é apresentado e descrito o sistema de refrigeração por com-
pressão a vapor, que é dos mais usados atualmente em câmaras frigoríficas domésticas.
Este sistema utiliza um fluido refrigerante, que é uma substância que circula dentro
de um circuito fechado, capaz de retirar calor de um meio enquanto se evapora a baixa
pressão.
As fases de um ciclo de refrigeração de um sistema de compressão de vapor são as
seguintes:

1. O fluido refrigerante entra no evaporador a baixa pressão, na forma de mistura


bifásica, e retira energia sob a forma de calor do meio refrigerado, enquanto passa
para o estado de vapor.

2. O vapor entra no compressor, onde é comprimido e bombeado, deslocando-se de


seguida para o condensador. Ao passar pelo compressor, a pressão aumenta e o
vapor entra no estado de vapor sobreaquecido.

3. Ao entrar no condensador, o fluido liberta energia sob a forma de calor para o


meio exterior. Assim, ocorre o fenómeno de condensação, em que o fluido passa do
estado de vapor sobreaquecido para o estado líquido.

4. O fluido, ao sair do condensador, entra na válvula de expansão, onde a sua pressão


é reduzida, regressando ao evaporador, para assim se repetir o ciclo [7].

Na figura 2.4, estão representadas as fases explicadas anteriormente.

Figura 2.4: Exemplo de sistema de compressão de vapor [7].

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


14 2.Revisão bibliográfica

2.2.2 Refrigeração por absorção


Em comparação com outros processos de refrigeração, em que o calor retirado do
meio a refrigerar é desperdiçado após o processo, como a refrigeração por compressão
de vapor, o processo de refrigeração por absorção reaproveita esse calor através de um
processo de refrigeração operado a calor .
Outra diferença entre o processo de refrigeração por compressão a vapor e o de refri-
geração por absorção são os fluidos usados. Como os primeiros fazem uso dos Cloroflu-
orocarbonetos, CFCs, hidrofluorcarbonetos, HFCs, entre outros, que são prejudiciais ao
ambiente, em particular à camada de ozono, e sendo o uso destes restritos pelos motivos
anteriormente mencionados, a utilização do método de refrigeração em análise é muito
mais desejada. Contudo, apesar deste processo de refrigeração apresentar bastantes van-
tagens em relação ao de compressão por vapor, este último continua a ser o mais utilizado
atualmente .
O fluido usado num sistema de refrigeração por absorção é uma solução binária com-
posta por um refrigerante e um absorvente.
Na figura 2.5a encontram-se dois recipientes conectados entre si. O recipiente es-
querdo contém um líquido refrigerante, enquanto que o direito contém uma solução de
fluido refrigerante com absorvente. A solução no recipiente direito absorve o vapor do re-
frigerante do lado esquerdo, originando uma redução da pressão no recipiente esquerdo.
Enquanto o vapor é absorvido, a temperatura, do fluido refrigerante que sobra, dimi-
nui devido à sua evaporação. Assim, é causado um efeito de refrigeração no recipiente
esquerdo, enquanto que a solução do direito se torna mais diluída, devido ao maior con-
teúdo de refrigerante absorvido. Este processo é denominado por processo de absorção.
Este processo é, normalmente, exotérmico, portanto é dissipado calor para o exterior,
para que o sistema mantenha a sua capacidade de absorção.
Quando a solução não consegue continuar com o processo de absorção, devido à
saturação do refrigerante, este deve ser separado da solução diluída. Este fenómeno é
denominado por processo de separação, e consiste em fornecer calor ao recipiente direito,
com o intuito de extrair o refrigerante da solução, como demonstra a figura 2.5b. Ao
receber energia, sob a forma de calor, o vapor do refrigerante condensa, ao dissipar calor
para o meio envolvente.

(a) (b)

Figura 2.5: (a) Processo de Absorção ocorre no recipiente direito, causando o efeito de
refrigeração no lado esquerdo; (b) O processo de separação do refrigerante ocorre no
recipiente direito, como resultado do calor adicional de uma fonte exterior[8].

Através deste dois processos é produzido um efeito refrigerante, reaproveitando a


energia, sob a forma de calor, proveniente do exterior. Contudo, este efeito não pode

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 15

ser produzido continuamente, uma vez que os dois processos não se realizam simultane-
amente. Como o processo de separação se realiza a uma pressão superior à do processo
de absorção, é necessário introduzir uma bomba de circulação para auxiliar a circulação
da solução do lado direito para o esquerdo [8].

2.2.3 Refrigeração termoelétrica


A presente subsecção retrata o sistema de refrigeração termoelétrico. Assim, são
abordados os seguintes assuntos: modo de funcionamento, as vantagens e desvantagens
em relação a outros sistemas de refrigeração, os estudos existentes e melhorias estudadas
desta tecnologia, bem como possíveis aplicações.
A refrigeração termoelétrica, TEC, consiste na conversão de energia elétrica em calor
ou frio, através do efeito Peltier [9]. O sistema é composto por um circuito elétrico ligado
a dois condutores sólidos. Um dos condutores encontra-se a uma temperatura superior
à do outro e enquanto existir uma diferença de temperatura entre estes, uma corrente
elétrica atravessa o circuito. Essa corrente elétrica atua como um fluido refrigerante, em
que os eletrões se movem pelo sistema, transportando a energia sob a forma de calor
extraída da área a refrigerar e desta forma cria-se o efeito de refrigeração. Este fenómeno
é denominado por efeito Seebeck invertido [10], [11].
Esta tecnologia apresenta diversas vantagens em relação à refrigeração por compressão
a vapor, tais como o facto do equipamento conter partes amovíveis mínimas, melhor
controlo de temperatura e a ausência de um fluido refrigerante. Estes fatores dão origem
a equipamentos mais robustos, compactos e silenciosos em comparação com o sistema de
compressão a vapor.
Contudo, deve-se referir que apresenta duas desvantagens bastantes importantes, que
se prendem com o elevado consumo de energia e baixa eficiência, razões pelas quais a
tecnologia é pouco utilizada.
A investigação realizada tem-se concentrado, pois, na diminuição do consumo energé-
tico e no aumento da eficiência. Assim, têm surgido várias soluções, tais como o evapo-
rador de metanol com efeito termoelétrico integrado, o refrigerador híbrido que combina
a termoeletricidade com o sistema de vapor a compressão e o refrigerador doméstico
termoelétrico de criação de gelo.
As evoluções registadas em estudos de sistemas TEC centram-se na melhoria da re-
sistência térmica dos permutadores de calor. No entanto, a melhoria da performance dos
permutadores de calor, normalmente, resulta em perdas de pressão e, consequentemente,
no aumento de consumo energético de equipamentos auxiliares [9].
Este tipo de sistema de refrigeração é ideal para aplicações em aparelhos portáteis de
tamanho reduzido. Assim, poderá ser usado em câmaras frigoríficas portáteis e câmaras
de conservação de bebidas, por exemplo, para transporte em carros para uso pessoal [12].

2.2.4 Sistemas eutéticos


Os sistemas eutéticos podem ser constituídos por tubos ocos ou por placas. Estes
contêm uma solução eutética que armazena energia térmica, TES, para produzir um efeito
de arrefecimento sempre que necessário com a finalidade de manter a temperatura ideal
no interior da arca frigorífica. Estes sistemas diferenciam-se dos sistemas convencionais
de refrigeração na medida em que não recorrerem à expansão de um gás.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


16 2.Revisão bibliográfica

Os eutéticos absorvem o calor, enquanto se mantêm na temperatura de mudança de


fase, o que permite que a temperatura da arca se mantenha constante durante algum
tempo. Este tipo de material é denominado por phase change material, PCM, ou por
material de mudança de fase.
Como vantagens dos sistemas eutéticos salientam-se: modo de funcionamento silen-
cioso; fonte de frio fiável; rápida absorção de calor; reduz a carga térmica necessária a
extrair do interior da arca frigorífica; peso reduzido.
Por estes motivos, os sistemas eutéticos são idealmente aplicados em situações móveis,
onde não é possível a integração de um sistema de refrigeração convencional, ou em
transporte de produtos perecíveis [13].

2.3 Câmaras frigoríficas existentes


Na presente secção são apresentadas as tecnologias inerentes às câmaras frigoríficas
existentes.
Uma vez que as câmaras frigoríficas e veículos utilizados pela marca Olá para venda
de gelados são produzidas pela empresa Fricon, elaborou-se uma pesquisa dos modelos e
sistemas usadas por esta empresa.
Nesta secção encontra-se representado o modelo mais recente de um veículo de venda
de gelados da Fricon, a câmara 125 Pushy, ilustrada na figura 2.6

Figura 2.6: Câmara frigorífica modelo 125 Pushy da Fricon [14].

Este modelo consiste na integração de uma arca frigorífica numa bicicleta. Num
pequeno contentor separado da arca encontra-se uma unidade condensadora que é ligada
à rede elétrica, para que no início do período de funcionamento a temperatura do seu
interior esteja nas condições pretendidas.
Foram introduzidos sistemas eutéticos no seu interior com o intuito de prolongar a
autonomia energética da câmara. No entanto, a autonomia garantida pela marca é de
apenas 6 horas, para uma temperatura de −16◦ C.
As características principais deste modelo estão enumeradas na tabela 2.1
Os modelos de câmaras frigoríficas para venda de gelados anteriores a este, utilizam
apenas sistemas eutéticos para a conservação da temperatura, que devem ser trocados
regularmente, tendo uma autonomia inferior à do modelo 125 Pushy. Quer o veículo
apresentado nesta secção, quer os modelos anteriores falham nos requisitos de autonomia
e condições de temperatura pretendidos pela marca Olá, e propostos no presente projeto
[14].

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 17

Tabela 2.1: Características principais câmara frigorífica 125 Pushy da Fricon [14].

Modelo 125 Pushy


Fabricante Fricon
Sistemas utilizados • Refrigeração por compressão a vapor
• Eutéticos
Consumo 3, 28kW h/6h
Temperatura garantida −16◦ C

2.4 Noções de projeto de câmaras frigoríficas


Uma câmara frigorífica tem como função principal garantir a conservação dos produ-
tos armazenados. Essa conservação pode ser realizada de duas formas: arrefecimento e
congelamento.
Enquanto que o arrefecimento é a diminuição da temperatura de um produto, desde
a sua temperatura inicial até à temperatura de congelamento, o congelamento é a dimi-
nuição da temperatura de um produto, partindo da temperatura de congelamento. Na
maioria dos alimentos, a temperatura de congelamento é próxima de 0◦ C.
Com o intuito de obter as condições desejadas tanto de temperatura, como de humi-
dade relativa, a câmara frigorífica necessita de remover a carga térmica do seu interior
[15]. Para que esta carga seja determinada, é fulcral conhecer as seguintes informações:

• natureza do produto;

• temperatura de armazenamento;

• frequência de entradas e saídas dos produtos;

• temperaturas de entrada dos produtos nas câmaras;

• humidade relativa interna e externa;

• duração de armazenamento, por produto;

• incidência da radiação solar.

Estes parâmetros são analisados nos subcapítulos seguintes.

2.4.1 Armazenamento de gelados


Na presente subsecção são abordados algumas assuntos relativos ao armazenamento
do produtos congelados, tais como: tempo de vida e temperatura de armazenamento.

Tempo de vida
Um fator normalmente usado para descrever o tempo de vida de um produto é de-
nominado por pratical storage life, PSL. O PSL de um produto é o período de armaze-
namento, depois do congelamento, em que o produto mantém as suas propriedades e,
simultaneamente, se mantém próprio para consumo [16]. A tabela 2.2 representa o PSL
de um gelado para diversas temperaturas.

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18 2.Revisão bibliográfica

Tabela 2.2: Pratical Storage Life (PSL) de um gelado para diferentes temperaturas de
armazenamento [16].

Temperatura de Armazenamento ( ◦ C) -12 -18 -24


Tempo de Armazenamento (meses) 1 6 12

Temperatura de armazenamento
O fator com mais influência na qualidade de um produto congelado é a flutuação da
temperatura do seu armazenamento. Se o produto armazenado for exposto a ciclos de
temperatura resultantes na alteração da temperatura do produto, o seu tempo de vida
reduz-se significativamente.
No caso específico dos gelados, é aconselhado que estes sejam transportados a −20◦ C,
e que, idealmente a temperatura de armazenamento não ultrapasse os −18◦ C. No en-
tanto, considera-se que poderão existir oscilações de temperatura, no máximo, de 3◦ C,
o que permite que a temperatura no interior da câmara frigorífica atinja um máximo de
−15◦ C, apenas por breves instantes.
A humidade relativa de uma câmara frigorífica para conservação de gelados deve ser
90% [17].

2.4.2 Temperatura exterior de projeto


Os critérios adotados em alguns países, para o estabelecimento de temperaturas exte-
riores de projeto, recorrem a valores horários dos dados climáticos de base, nomeadamente
da temperatura e da humidade do ar.
Como em Portugal os valores horários da temperatura apenas estão disponíveis em
suporte informático para algumas estações meteorológicas, houve necessidade de recorrer
a métodos que melhor estimem esses valores.
A geração de valores horários da temperatura do ar é realizada com base nos valores
de temperatura máximos e mínimos diários registados, em cada estação meteorológicas.
O método utilizado para essa geração de valores é o proposto por Petricevic, o qual é
descrito pelas equações 2.20 e 2.21.
 
TX + TN 1 TX − TN 1 180
T (t) = − cos (t − HN 1 ) , (2.20)
2 2 HX − HN 1
para HN 1 ≤ t ≤ HX ;
 
TX + TN 2 TX − TN 2 180
T (t) = + cos (t − Hx ) (2.21)
2 2 24 − HX + HN 2
para Hx ≤ t ≤ 24 + HN 2 .

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2.Revisão bibliográfica 19

Onde:
TX é a temperatura máxima do ar, em ◦ C;
TN 1 é a temperatura mínima do ar, em ◦ C;
TN 2 é a temperatura mínima do ar no dia seguinte, em ◦ C;
HX é a hora a que ocorre temperatura máxima, em horas;
HN 1 é a hora a que ocorre a temperatura mínima, em horas;
HN 2 é a hora a que ocorre a temperatura mínima do dia seguinte, em horas.

Estas equações traduzem-se graficamente por uma curva composta por dois ramos
sinusoidais de períodos diferentes, representado na figura 2.7. O primeiro, entre a hora
da temperatura mínima e a máxima do dia em questão; já a segunda, entre esta e a hora
da temperatura mínima do dia seguinte [18].

Figura 2.7: Curva de geração de valores horários da temperatura do ar, adaptado de [18].

Dados climáticos de verão


Na literatura analisada encontraram-se os parâmetros climáticos de verão determina-
dos para 86 estações meteorológicas. Esses parâmetros são os seguintes:

• temperatura exterior de projeto de termómetro seco;

• temperatura exterior de projeto de termómetro molhado;

• amplitude térmica diária;

• número médio de graus-dias de arrefecimento.

A utilização da curva-tipo da evolução diária da temperatura num dia extremo de


verão, ilustrada na figura 2.7, é um método que fornece resultados bastantes satisfatórios,
na previsão da variação horária da temperatura do ar.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


20 2.Revisão bibliográfica

As temperaturas exteriores de projeto encontram-se listadas para diferentes probabi-


lidades acumuladas de ocorrência das mesmas num verão típico. Para os dados climáticos
de verão, considera-se o período entre o dia 1 de junho e 30 de setembro.
As probabilidades de ocorrência de 90%, 95%, 97,5% e 99% correspondem às tem-
peraturas que serão igualadas ou excedidas durante cerca de 300, 150, 75 e 30 horas,
respetivamente, nas condições anteriormente referidas.
A regulamentação nacional define como condições extremas de projeto de verão:
• a temperatura exterior de projeto, designada como temperatura de bolbo seco cuja
probabilidade acumulada de ocorrência é de 97,5%;
• a humidade exterior de projeto, como humidade específica absoluta que ocorre
simultaneamente com a temperatura de projeto definida.
Para o método apresentado pelas equações 2.20 e 2.21, os valores horários em que
as temperaturas são máximas e mínimas são, 5 horas e 15 horas, respetivamente. Estes
valores são registados para o local standard time, LST, que representa o tempo local
registado no relógio. Assim, HX = 15 e HN 1 = HN 2 = 5 [18].

2.4.3 Propriedades do ar húmido


Na presente subsecção, são descritos alguns conceitos e propriedades relativamente
ao ar húmido, tanto no exterior como no interior da câmara frigorífica, tais como: a
humidade relativa, a entalpia e a densidade.
Assim, foi realizada uma revisão bibliográfica acerca dos seguintes assuntos: consti-
tuição do ar atmosférico, relação dos gases perfeitos para o ar seco e o ar húmido e os
parâmetros da humidade.

Constituição do ar atmosférico
O ar atmosférico é composto por vários componentes gasosos, como o vapor de água
e contaminantes, como o pólen, o fumo e outros poluentes.
O ar seco representa o ar atmosférico desidratado, em que tanto o vapor de água, como
os diversos contaminantes presentes são inexistentes. A sua composição é relativamente
constante e, segundo Harrison (1965), a percentagem aproximada está presente na tabela
2.3.
Tabela 2.3: Composição percentual do ar atmosférico [3].

Azoto Oxigénio Outros gases


78,084 20,948 0,968

O ar húmido é composto por uma mistura de ar seco com vapor de água. A quantidade
de vapor de água varia entre zero, ar seco, até um máximo que depende da temperatura
e da pressão. A saturação é um estado de equilíbrio neutro entre o ar húmido e a fase
de condensação da água, que pode ser líquida ou sólida. A constante dos gases, Rg é
determinada pela equação 2.22.

R
Rg = (2.22)
M

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2.Revisão bibliográfica 21

Tabela 2.4: Valores da constante dos gases para o ar seco e para o ar húmido

Rda [J/(kgda K)] Rw [J/(kgw K)] Mda [g/mol] Mw [g/mol] R [J/(mol.K)]


287,055 461,520 28,9645 18,01528 8314,41

A temperatura e pressão barométrica variam consideravelmente com a altitude e


posição geográfica e condições meteorológicas. Assim, consideram-se como condições
atmosféricas padrão, ao nível da água do mar, uma pressão atmosférica de 101, 325kP a,
para um temperatura atmosférica de 15◦ C.

Relação dos gases perfeitos para o ar seco e para o ar húmido


Com o objetivo de se determinar os parâmetros relativos à humidade do ar, é neces-
sário fazer uma análise da relação dos gases perfeitos para os seus constituintes.
Tanto o ar seco como o vapor de água são considerados gases perfeitos. As equa-
ções 2.23 e 2.24 descrevem a lei dos gases perfeitos para o ar seco e para o ar húmido,
respetivamente.

pda Var = nda RTabs (2.23)

pw Var = nw RTabs (2.24)


Como o ar húmido é considerado uma mistura de gases perfeitos independentes,
também o ar seco e o vapor de água obedecem à equação dos gases perfeitos 2.26.

pVar = nRTabs (2.25)


Onde, p = pda + pw é a pressão total da mistura, e n = nda + nw é o número total de
moles da mistura. Assim, obtém-se a equação 2.26.

(pda + pw )Var = (nda + nw )RTabs (2.26)


Através das equações 2.23, 2.24 e 2.26, obtêm-se as equações das frações molares do
ar seco, xda e do vapor de água, xw , 2.27 e 2.28, respetivamente.
pda pda
xda = = (2.27)
pda + pw p
pw pw
xw = = (2.28)
pda + pw p

Parâmetros da humidade
Neste ponto são descritos alguns conceitos que concernem o cálculo e a compreensão
de matérias relacionadas com a humidade do ar, essenciais à determinação das humidades
relativas do ar exterior e interior da câmara e respetivas entalpias. Para tal, as matérias
abordadas são as seguintes: humidade absoluta, humidade absoluta à pressão de satura-
ção, humidade relativa, grau de saturação, volume específico, entalpia e densidade do ar
húmido.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


22 2.Revisão bibliográfica

A humidade absoluta, W , de uma amostra de ar húmido, é definida como a razão


entre a massa de vapor de água e a massa de ar seco da mesma, como demonstrado pela
equação 2.29. Os valores de Mda , Mw encontram-se na tabela 2.4.

Mw xw
W = = 0, 62198 (2.29)
Mda xda
Através das equações 2.27 e 2.28, obtém-se a expressão 2.30 para a humidade absoluta,
W.
pw
W = 0, 62198 (2.30)
p − pw
A humidade absoluta à pressão de saturação, Ws , é a razão entre o ar húmido saturado
em relação a água ou gelo, para a mesma pressão p e temperatura T . Esta é definida
pela equação 2.31.
pws
Ws = 0, 62198 (2.31)
p − pws
Onde o termo pws representa a pressão de saturação de vapor de água na ausência
de ar, a uma dada temperatura .
O grau de saturação, µ, representa a razão entre a humidade absoluta, W , e a hu-
midade absoluta do ar húmido à pressão de saturação, Ws , para a mesma pressão p e
temperatura T , como demonstra a equação 2.32.

W
µ= (2.32)
Ws
A humidade relativa, φrh , é a razão entre a fração molar do vapor de água, numa
amostra de ar húmido, e a fração molar do vapor de água numa amostra de ar saturada,
para as mesmas condições de pressão e temperatura, como demonstrado na expressão
2.33.
xw
φrh = (2.33)
xws
Pela equação 2.33 e pela equação 2.28 substituída pelos termos xw e xws , obtém-se a
expressão 2.34, que define a humidade relativa, φrh .
pw µ
φrh = = (2.34)
pws 1 − (1 − µ) ppw
O volume específico do ar húmido, νar , é expresso em termos de uma unidade de
massa de ar seco pela equação 2.35.

Var
υar = (2.35)
Mda
A equação do volume específico do ar húmido, νar , em unidades específicas pode ser
expressa por 2.36.

0, 2871(Tda + 273, 15)(1 + 1, 6078W )


νar = (2.36)
p

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2.Revisão bibliográfica 23

A entalpia de uma mistura constituída por gases perfeitos é a soma das entalpias
parciais individuais de cada um dos gases.

har = hda + W hws (2.37)


Como os valores de hda e hws , são obtidos pelas expressões hda ≈ 1, 006Tda e hws ≈
2501 + 1, 86Tda , respetivamente, obtém-se a equação 2.38 para o cálculo da entalpia do
ar húmido .

har = 1, 006t + W (2501 + 1, 86Tda ) (2.38)


A pressão parcial do vapor de água do ar húmido, pw , é a mesma que a pressão
de saturação do vapor de água para a temperatura para a temperatura td , pws (td ). A
temperatura td corresponde à temperatura do ponto de orvalho.

pW
pws (td ) = pw = (2.39)
0, 62198 + W
A equação 2.40 pode ser útil no cálculo de W , quando o valor de Ws∗ é conhecido.

(2501 − 2, 326 ∗ Tw )Ws∗ − 1, 006(Tda − Tw )


W = (2.40)
2501 + 1, 86Tda − 4, 186Tw
A densidade de uma amostra de ar húmido, ρar , é a razão entre a massa total e o
volume total da amostra, e é determinada através da equação 2.41. [3]

Mda + Mw 1
ρar = = (1 + W ) (2.41)
Var υar

2.4.4 Irradiação solar incidente na superfície terrestre


A presente subsecção tem como objetivo demonstrar as etapas necessárias para a
determinação da irradiação solar incidente na superfície da Terra, que é necessária para
o cálculo da carga térmica e para o dimensionamento dos painéis fotovoltaicos, assuntos
abordados nas subsecções 2.4.5 e 2.6.1, respetivamente.
Para determinar a irradiação solar na superfície terrestre são descritas as seguintes
etapas: a relação entre as posições do Sol e da Terra; a direção dos raios solares em
relação à superfície terrestre; o tempo e duração da exposição solar; a irradiação solar
incidente em planos horizontais e inclinados e, por fim, a irradiação solar em condições
de céu limpo.

Relação entre as posições do Sol e da Terra


Spencer (1972) desenvolveu uma expressão para o fator de correção da órbita do
planeta Terra, denominado por fator de excentricidade, Eo , expresso pela equação 2.42.

 r 2
o
Eo = = 1, 000110 + 0, 034221cos(τ )
r (2.42)
+ 0, 001280sin(τ ) + 0, 000719cos(2τ ) + 0, 000077sin(2τ )

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24 2.Revisão bibliográfica

Onde:
ro é a distância média entre o Sol e a Terra, também conhecida como uma unidade
astronómica, AU, sendo que 1AU = 1, 496 ∗ 108 km;
r é distância entre o Sol e a Terra, para um determinado dia do ano, dn ;
τ é denominado por ângulo do dia, está expresso em radianos e é obtido através da
equação 2.43.

2π(dn − 1)
τ= (2.43)
365
Onde:
dn é o dia do ano, sendo que 1 ≤ dn ≤ 365; considera-se que dn = 1 corresponde ao
dia 1 de janeiro e dn = 365 corresponde ao dia 31 de dezembro, considerando que o mês
de fevereiro tem 28 dias.

O ângulo entre uma linha que une os centros da Terra e do Sol e o plano equatorial
é designado por declinação solar, δ, e, segundo Spencer, é calculado através da equação
2.44.

δ = [0, 006918 − 0, 399912cos(τ ) + 0, 070257sin(τ ) − 0, 006758cos(2τ )


180 (2.44)
+0, 000907sin(2τ ) − 0, 002697cos(3τ ) + 0, 00148sin(3τ )]
π
Sabe-se que para o hemisfério norte, δ é máximo no solstício de verão, que ocorre no
dia 21 de junho e mínimo para o solstício de inverno, que ocorre no dia 21 de dezembro,
para os quais são atingidos os valores δ = 23, 45◦ C e δ = −23, 45◦ C, respetivamente.
Para o hemisfério sul verifica-se o inverso [19].

Tempo solar
O tempo solar denominado por local apparent time, LAT, é o tempo baseado no
movimento angular aparente do sol. O meio dia solar acontece quando o sol se encontra
exatamente acima do observador [20].
LAT é o tempo usado para o registo dos dados da radiação solar. Não coincide com
o tempo observado no relógio, denominado por local standard time, LST, para o qual são
registados os dados meteorológicos, tais como a variação da temperatura e velocidade do
vento [19].
Para proceder aos cálculos relativos à radiação solar é necessário converter o tempo
LST para LAT, aplicando duas correções.
Primeiro realiza-se uma correção da longitude a que o observador se encontra, Le , em
relação à longitude do meridiano de referência, Ls onde LST é baseado. O sol demora
4 minutos a percorrer um grau. Assim, a correção da longitude é dada pela seguinte
expressão: Lcorr = 4(Ls − Le ).

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 25

A segunda correção realizada é relativa à discrepância entre tempo solar e o tempo


local, que tem em conta as perturbações na taxa de rotação da Terra. Esta discrepância
é denominada por equação do tempo, Et , e é determinada pela equação 2.45, podendo
atingir um valor máximo de 16 minutos.

Et = [0, 000075 + 0, 001868cos(τ ) − 0, 032077sin(τ )


(2.45)
−0, 014615cos(2τ ) − 0, 04089sin(2τ )] ∗ 229, 18

Por fim, para regiões do planeta onde existe mudança horária de verão e inverno,
deve-se ainda ter em conta essa mudança, denominada por daylight saving time, DST.
A diferença, em minutos, entre o tempo solar e o tempo local padrão é dado pela
equação 2.46, [20].

LAT − LST = 4(Ls − Le ) + Et + DST (2.46)

Relações geométricas e ângulos solares


As relações geométricas entre um plano, com uma determinada orientação relativa ao
planeta Terra, e a radiação dos raios solares pode ser descrita através de vários ângulos,
representados nas figuras 2.8a e 2.8b, que são os seguintes:

• α, ângulo da altitude solar, é a altura angular do sol acima do horizonte celestial


do observador. Esta é expressa em graus e sabe-se que 0◦ 6 α 6 90◦ ;

• ω, ângulo horário, corresponde ao ângulo medido no polo celestial, entre o meridiano


do observador e o meridiano solar. Para o meio dia solar, isto é LAT = 12horas,
ω = 0; sabendo que durante a manhã, ω > 0, e que aumenta 15◦ C por hora;

• θ, ângulo de incidência, é o entre os raios solares incidentes numa superfície e a


normal a essa superfície;

• γ, ângulo de azimute solar, é a orientação do plano, em graus; sendo ψ = 0 para


sul e ψ > 0 para este;

• β, ângulo de inclinação, é a inclinação do plano onde incide a luz solar;

• φ, latitude do observador, em valor decimal.

Existe um conjunto de relações entre estes ângulos. A equação 2.47 representa a


relação de θ com os restantes ângulos.

cos(θ) = [sin(φ)cos(β) − cos(φ)sin(β)cos(γ)] sin(δ) + [cos(φ)cos(β)


(2.47)
+sin(φ)sin(β)cos(γ)] cos(δ)cos(ω) + cos(δ)sin(β)sin(γ)sin(ω)

O ângulo θ varia entre 0◦ C e 90◦ C. Se os valores não estiverem contidos neste


intervalo, significa que os raios solares estão atrás da superfície e, portanto, a irradiação
solar incidente nessa superfície é igual a 0.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


26 2.Revisão bibliográfica

(a) (b)

Figura 2.8: Ângulos Solares; (a) Superficie horizontal; (b) Superficie vertical [19].

Irradiação solar incidente em superfícies inclinadas


Para certas orientações e posições do plano, existem certas condições, que aplicadas
à equação 2.47, simplificam o cálculo do ângulo θ. Essas condições são as seguintes:

• com orientação para sul, γ = 0◦ ;

• horizontais, β = 0◦ ;

• verticais, β = 90◦ .

Recorrendo à equação 2.47 e aplicando a condição β = 0◦ , obtém-se a equação 2.48


que determina o ângulo incidente numa superfície horizontal.

cos(θ) = sin(δ)sin(φ) + cos(δ)cos(φ)cos(ω) (2.48)


Recorrendo à equação 2.47 e aplicando a condição β = 90◦ , obtém-se a equação 2.49
que determina o ângulo incidente numa superfície vertical.

cos(θ) = −cos(φ)cos(γ)sin(δ) + sin(φ)cos(γ)cos(δ)cos(ω) + cos(δ)sin(γ)sin(ω) (2.49)

Duração de um dia solar


O intervalo entre o nascer e o pôr do sol é denominado por dia solar, altura do dia em
que existe radiação solar. Assim, é necessário determinar a hora destes dois momentos,
para apenas contabilizar a radiação durante um dia solar.
Um dia solar corresponde ao intervalo de tempo, em que o sol é visível, por um
determinado observador estacionário, durante um ciclo. A duração de um dia solar varia
ao longo do ano, não sendo necessariamente 24 horas. O dia solar começa na hora do
nascer do sol, ws , e acaba na hora do pôr do sol.
Para determinar a duração de um dia Nd , isto é, o intervalo de tempo entre o nascer
e o pôr do sol, é necessário conhecer o ângulo horário, ω, para estes instantes.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 27

O ângulo horário do nascer do sol, designado por ωs , é determinado através da equação


2.48, sabendo que nesse instante θ = 90◦ . Assim, obtemos a equação 2.50.

ωs = cos−1 [−tan(φ)tan(δ)] (2.50)

É de salientar que os ângulos horários do nascer e do pôr do sol são iguais em módulo,
ou seja, apenas o sinal difere. Através da equação 2.50 e sabendo que Nd = 2ωs , obtém-se
a equação 2.51 para o cálculo de Nd em horas [19].

2
Nd = cos−1 [−tan(φ)tan(δ)] (2.51)
15

Radiação solar para condições de céu limpo


Para determinar a irradiação solar incidente na superfície terrestre tem de se ter em
conta os efeitos da atmosfera. Nem toda a radiação que incide na Terra atinge a sua
superfície. Parte dela é difundida e absorvida pela atmosfera terrestre.
A radiação depende também das condições atmosféricas e da massa do ar. Como
estas condições variam com a meteorologia, é necessário estabelecer condições padrão de
céu limpo. Hottel (1976) apresenta um modelo que estima a radiação dos raios solares,
para estas condições. O efeito da atmosfera na radiação solar, para estas condições, é
descrito pelo fator de transmissão atmosférica, τb , determinado pela equação 2.52.
 
−kb
τb = a0 + a1 ∗ exp (2.52)
cos(Θz )
Os valores de a0 , a1 e kb para uma atmosfera padrão com 23 km de visibilidade e
para altitudes inferiores a 2, 5 km são determinados a partir dos valores de a∗0 , a∗1 e
k∗b , obtidos pelas equações 2.53a, 2.53b e 2.53c.

a∗0 = 0, 4237 − 0, 00821(6 − Hsup )2 (2.53a)


a∗1 = 0, 5055 + 0, 00595(6, 5 − Hsup ) 2
(2.53b)
k∗b = 0, 2711 + 0, 01858(2, 5 − Hsup ) 2
(2.53c)

Onde Hsup representa a altitude da superfície em análise em relação à superfície


Terrestre.
De seguida aplicam-se os fatores de correção climáticos r0 , r1 e rk , que se encontram
na tabela 2.5, sabendo que r0 = a0 /a∗0 , r1 = a1 /a∗1 e rk = kb /k∗b .

Tabela 2.5: Fatores de correção para diferentes tipos de clima, adaptado de [20].

Tipo de clima r0 r1 rk
Tropical 0,95 0,98 1,02
Meia latitude de verão 0,97 0,99 1,02
Verão subártico 0,99 0,99 1,01
Meia latitude de inverno 1,03 1,01 1,00

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28 2.Revisão bibliográfica

Para a atmosfera padrão definida, aplica-se o efeito do fator de transmissão atmosfé-


rica à radiação solar incidente, e obtém-se a radiação solar para condições de céu limpo,
Gcb , expressa pela equação 2.54.

Gcb = GSC Eo τb cos(θz ) (2.54)


Onde:
GSC é denominada por constante solar e tem o valor de 1367 W/m2 [20].

2.4.5 Carga térmica


Na presente subsecção são descritos alguns assuntos relacionados com a carga térmica
a extrair da câmara frigorífica, as parcelas que a constituem e é explicado como estas
componentes podem ser dimensionadas.
A carga térmica corresponde à soma do calor latente e do calor sensível, como já
referido anteriormente. Para a sua determinação é necessário considerar várias parcelas,
como:

• a transmissão de calor;

• a infiltração de ar;

• o calor transmitido pelo produto;

• diversas cargas térmicas (iluminação, pessoas e equipamentos).

Seguidamente, faz-se uma análise de cada uma destas parcelas.

Parcela de Transmissão
A parcela de transmissão diz repeito à quantidade de calor transferida por condução,
através das paredes da câmara frigorífica. A carga transferida através destes meios é
diretamente proporcional à área de contacto correspondente à superfície total submetida
à troca de calor. Com o objetivo de determinar a quantidade de calor transferida através
das paredes da câmara frigorífica, recorre-se à equação 2.55 [15].

Qtrans = Atotal Uparede (Text − Tint ) (2.55)


Onde:
Qtrans é o calor transferido através das paredes da câmara frigorífica, do ambiente
externo para o interior da câmara, em kW ;
Atotal é a área total exterior da câmara através da qual ocorre transferência de calor,
em m2 ;
Uparede é o coeficiente de transferência global de calor, em W/m2 .K;
Text é a temperatura do ar no exterior, em ◦ C;
Tint é a temperatura do ar no interior da câmara, em ◦ C.

Através da equação 2.14, obtém-se a equação 2.56 para o cálculo de Qtrans .

(Text − Tint )
Qtrans = (2.56)
Rtotal

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2.Revisão bibliográfica 29

No caso de câmaras frigoríficas expostas ao sol, existe ainda um efeito que se deve
considerar. Esse efeito é a radiação solar incidente nas paredes da câmara, que origina
um aumento da temperatura superficial das mesmas. De acordo com a subsecção 2.4.4,
determina-se a irradiação solar incidente nas paredes da câmara G.
Sabendo que os ganhos de radiação solar através de uma parede da câmara são dados
por αabs GA, determina-se o somatório dos ganhos solares para cada uma das paredes da
câmara.
Com o objetivo de determinar a totalidade de calor transferido através das paredes,
obtém-se a equação 2.57, que determina o valor de Qtrans , tendo em conta a influência
da radiação solar nas paredes da câmara [21].

(Text − Tint ) X
Qtrans = + αabs Gi Ai (2.57)
RT

Parcela de Infiltração
A parcela de Infiltração provém do ar externo, que entra na câmara frigorífica sempre
que esta é aberta. O ar do exterior encontra-se a uma temperatura superior à temperatura
do interior da câmara, logo, quando esta é aberta, é absorvida a energia proveniente do
exterior. Quanto mais frequentes e/ou duradouras forem as aberturas da câmara fria,
maior será a carga térmica no que diz respeito à parcela de infiltração.
Geralmente, esta parcela é a das que mais contribuem para a carga térmica total,
em casos onde as aberturas da porta são frequentes [15], podendo ter um contributo
superior a metade da carga térmica total [22]. Nestes casos, recomenda-se a utilização
de meios que reduzam esta infiltração, nomeadamente a cortina de ar ou de PVC. Em
alguns casos, é recomendável o uso das duas soluções em conjunto.
A infiltração de ar resulta das diferenças de densidade entre o interior e exterior da
câmara. Devido a este fenómeno, ocorre uma troca de fluxo de massas de ar quente e
frio. Enquanto que o ar frio proveniente do interior da câmara é libertado para o exterior,
originando nevoeiro, o ar quente entra na câmara, podendo criar gelo nas suas paredes.
Este efeito encontra-se descrito na figura 2.9.

Figura 2.9: Fluxo de massas de ar frio e quente que ocorrem numa câmara de refrigeração
com portas abertas, adaptado de [21].

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30 2.Revisão bibliográfica

A parcela da infiltração, qinf , é determinada através da equação 2.58 [21].

qinf = qDt Df (1 − Eprotetor ) (2.58)


Onde:
q é o calor latente e sensível, para um fluxo completamente estabelecido, em kW ;
Dt é o fator de tempo de abertura da porta;
Df é o fator do fluxo através da abertura da porta;
Eprotetor é o rendimento do dispositivo protetor da abertura.

Gosney e Olama (1975) desenvolveram as expressões 2.59 e 2.60 para a troca de fluxo
de ar completamente estabelecido.

ρext 0,5
 
q = 0, 221Ad (hext − hint )ρr 1 − (gHp )0,5 Fm (2.59)
ρint
 1,5
2
Fm =  (2.60)
 
 1/3 
ρint
1+ ρext

Onde:
Ad é a área de abertura da porta, em m2 ;
hext é a entalpia do ar exterior da câmara, em kJ/kg;
hint é a entalpia do ar interior da câmara, em kJ/kg;
ρext é a densidade do ar que entra na câmara por infiltração, em kg/m3 ;
ρint é a densidade do ar refrigerado no interior da câmara, em kg/m3 ;
g é a constante gravitacional e tem o valor de 9,81m/s2 ;
H é a altura da abertura da porta, em m;
Fm é o fator de densidade.

Para uso cíclico, irregular e constante da porta, o fator de tempo de abertura da


porta, Dt , é calculado pela equação 2.61 [21].

P θp + 60θo
Dt = (2.61)
3600θd
Onde:
P é o número de aberturas da porta;
θp é o tempo de abertura e fecho da porta, em s;
θo é o tempo que a porta se mantém aberta, em min;
θd é o período total de funcionamento, em horas.

O tempo típico θp para portas convencionais do tipo pull-cord, usadas em armaze-


namentos industriais para refrigeração, variam entre 15 a 25s. Para portas de elevada
velocidade de abertura e fecho, θp varia entre 5 a 10 s, podendo chegar aos 3 s.
Os tempos θo e θd devem ser fornecidos pelo utilizador do equipamento.
Hendrix reportou que o fluxo em regime estacionário é estabelecido cerca de 3s depois
da abertura da porta, o que pode reduzir a infiltração do ar em portas de abertura rápida
[21].

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 31

Parcela do produto
A parcela do produto diz respeito ao calor gerado pelo produto armazenado no interior
da câmara frigorífica. Esta parcela divide-se em duas fases: a primeira, relativa ao
arrefecimento, logo de seguida do congelamento, como foi referido em 2.4. Enquanto que
na primeira fase ocorre troca de calor latente e sensível, na segunda fase apenas existe
troca de calor sensível. A parcela divide-se nas seguintes partes:

1. Arrefecimento: remoção do calor sensível antes do congelamento, Q1 , determinada


através da equação 2.62

Q1 = mp c1 (Tint − Tproduto ) (2.62)

2. Mudança de fase: remoção do calor latente durante o congelamento, Q2 , determi-


nada através da equação 2.63.

Q2 = mp hif (2.63)

3. Arrefecimento até à temperatura pretendida: remoção do calor sensível após o


congelamento, Q3 , determinada através da equação 2.64.

Q3 = mp c2 (Tproduto − Tf inal ) (2.64)

4. Calor de respiração, remoção do calor gerado pelos produtos (apenas quando se


trata de fruta ou legumes).

Onde:
mp é a massa do produto, em kg;
c1 calor específico acima do ponto de congelamento, em kJ/(kg.K);
c2 calor específico abaixo do ponto de congelamento, em kJ/(kg.K);
hif é o calor latente de fusão do produto, em kJ/kg
Tint é a temperatura do interior da câmara, em ◦ C ou K.
Tproduto é a temperatura a que o produto entra na câmara frigorífica, em ◦ C, ou K;
Tf inal é a temperatura final do produto pretendida, em ◦ C ou K.

No caso de frutas ou legumes é necessário ter em consideração o calor de respiração,


que é designado pelo calor proveniente do metabolismo destes alimentos. A determinação
destas trocas de energia são obtidas através do produto entre a massa armazenada, em to-
neladas, e o calor proveniente do metabolismo destes alimentos, que é, aproximadamente
500 kcal/ton.24h [21].

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32 2.Revisão bibliográfica

Parcela de Cargas Diversas

Por fim, a parcela de cargas diversas engloba a geração de calor de variadas ori-
gens, nomeadamente, a geração de calor devida a: iluminação; pessoas; motores; outros
equipamentos.
Tanto os motores dos ventiladores, como o material de iluminação e todos os outros
equipamentos no interior da câmara frigorífica são, não só uma fonte de calor, devido à
dissipação de energia existente durante o seu funcionamento, mas também de consumo
de energia elétrica. A equação relativa ao calor gerado pelos motores e pela iluminação
está descrita em 2.65 e 2.66, respetivamente.

Qmotores = Pot ∗ tm (2.65)

Qiluminado = Pil ∗ til (2.66)

Onde:
Qmotores é o consumo elétrico dos motores, em W h;
Pot é a potência dos motores, em W ;
tm tempo de funcionamento do motor, em horas;
Qilum é o consumo elétrico dos relativo à iluminação, em W h;
Pil é a potência dos equipamentos de iluminação, em W ;
til é o tempo de funcionamento da iluminação, em horas.

A carga térmica gerada pela presença de pessoas dentro da câmara deve-se ao seu
metabolismo, e é determinada através da equação 2.67.

Qpessoas = p ∗ tp ∗ qM ET (2.67)

Onde:
Qpessoas é parcela da carga térmica relativa às pessoas, em W ;
pn é o número de pessoas no interior da câmara;
tp é o tempo de permanência das pessoas no interior da câmara, em horas
qM ET é o calor gerado pelo metabolismo de uma pessoa, em W/hora.
Se possível, devem ser pensados meios de controlo do caudal de ar em função da
necessidade de carga térmica do sistema. Uma solução possível passa pela implementação
de variadores de frequência ou motores de dupla velocidade.
O cálculo da carga térmica é realizado tendo em consideração um período de 24
horas. No entanto, o sistema não se encontra em funcionamento durante todo esse tempo.
Assim, deve-se considerar um período de 16 a 20 horas de operação dos equipamentos, de
forma a possibilitar o degelo da câmara fria, eventuais manutenções, e também possíveis
sobrecargas de capacidade. Normalmente, considera-se um tempo de funcionamento de
18 horas. Por tudo isto, a potência de refrigeração, dada pela equação ??, será um pouco
menor que o valor da carga térmica total.
Para degelo natural considera-se N = 16 horas, para temperaturas superiores a 0◦ C
, enquanto que para degelo artificial o N terá um valor entre 18 e 20 horas, para tempe-
raturas inferiores a 0◦ C [21].

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2.Revisão bibliográfica 33

2.5 Componentes da câmara frigorífica


Na presente secção são abordados alguns assuntos relativamente aos componentes que
constituem a câmara frigorífica.
Esta é composta por diversos componentes que necessitam de ser dimensionados, tais
como o sistema de refrigeração da câmara e respetivo fluido refrigerante, o isolamento
térmico, entre outros.
Para um sistema de refrigeração de compressão a vapor, deve-se ainda ter em conta
os seguintes componentes: evaporador; compressor; condensador; válvula de expansão e
equipamentos auxiliares.

2.5.1 Isolamento térmico


Esta subsecção tem com objetivo enumerar alguns fatores importantes a ter em con-
sideração na seleção do isolamento térmico da câmara frigorífica.
O isolamento térmico tem como finalidade reduzir as trocas de calor entre o exterior
e interior da câmara frigorífica e manter a temperatura da parede externa da câmara
próximo à do ambiente externo, para evitar problemas de condensação.
O isolamento térmico é constituído por materiais de baixa condutividade térmica,
k. Os materiais isolantes são porosos e a sua elevada resistência térmica é devida à
baixa condutividade térmica do ar contido nestes poros. As trocas de calor através do
material isolante são feitas, essencialmente, por condução. Nos poros que contêm ar,
ocorre também convecção e radiação, mas estes fenómenos são desprezáveis.
Um bom isolante térmico deve apresentar as seguintes características:

• baixa condutividade térmica, k;

• impermeabilidade à água e à humidade relativa;

• baixo coeficiente de expansão térmica;

• pouca variação da condutividade térmica com a utilização;

• baixa densidade, especialmente para isolamento do piso e do teto, apesar de uma


boa resistência à compressão ser necessária para o isolamento do piso;

• o gás utilizado no isolamento não deve afetar a camada de ozono e possuir um baixo
potencial de aquecimento;

• total ausência de odores;

• resistência ao apodrecimento;

• material resistente ao fogo.

Atualmente, as paredes da câmara frigorífica são compostas por painéis isolantes


pré-fabricados do tipo "sanduíche". Esta disposição é composta por dois revestimentos
metálicos interligados por um núcleo isolante. Para o núcleo isolante, geralmente, são
usados dois materiais: a espuma rígida de poliueretano, PU, e o poliestireno expandido,
EPS [23].

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34 2.Revisão bibliográfica

2.5.2 Refrigerante
Na presente subsecção são retratados os tipos de fluidos refrigerantes mais usados no
sistema de refrigeração de compressão a vapor e alguns assuntos a ter em consideração
na sua seleção.
O fluido refrigerante mais usado em instalações de compressão a vapor foi o di-
clorodifluorometano, CCl2 F2 „ também conhecido por Refrigerante 12, ou R12. Outro
fluido refrigerante com vasta aplicação na refrigeração é o R11, também denominado por
triclorofluorometano, CCl3 F . Estas substâncias são conhecidas como hidrocarbonetos
halogenados, ou clorofluorocarbonetos, CFC’s.
Mais tarde, descobriu-se que a libertação destas substâncias para a atmosfera tem
uma forte influência na degradação da camada do ozono. A medição deste impacto é
denominado por potencial de aquecimento global, PAG.
Surge, por isso, uma necessidade de substituir estes refrigerantes por outros, menos
prejudiciais ao ambiente, como o R134a e o R22. Estes fluidos foram usados em câmaras
frigoríficas durante muito tempo e continuam a ser usados pela maior parte dos sistemas
de refrigeração atualmente [7].
Durante o ano de 2014 foi criada uma nova legislação, a ser aplicada a partir do dia 1
de janeiro de 2015, com vista a reduzir progressivamente o uso de refrigerantes prejudiciais
ao ambiente. No capítulo 3, Artigo 11, ponto 1, do regulamento [24], estão referidas as
proibições, sendo que uma delas revela importância para este projeto: "Frigoríficos e
congeladores para uso comercial (hermeticamente fechados) que contenham HFC com
PAG igual ou superior a 2500 estão proibidos a partir de 1 de janeiro de 2020, e que
contenham HFC com PAG igual ou superior a 150 estão proibidas a partir de 1 de
janeiro de 2022".
Tal inibição futura, implica uma escolha mais cuidada no refrigerante a utilizar, sendo
que cada vez mais se recorre ao uso destes dois refrigerantes: propano e isobutano, R290a
e R600a, respetivamente.

2.5.3 Sistema de refrigeração


O sistema de refrigeração de compressão a vapor é constituído por diversos compo-
nentes. Para além dos elementos de um sistema teórico, um sistema real pode necessitar
da introdução de outros componentes auxiliares, para garantir o bom funcionamento
da máquina. O sistema de refrigeração de compressão a vapor de um único estágio é
constituído por:

• um compressor;

• um condensador;

• um evaporador;

• uma válvula de expansão;

• componentes auxiliares.

Cada componente do sistema de refrigeração é dimensionado através de uma análise


energética de um sistema teórico, apresentando um conjunto de características específi-
cas. Cada componente é influenciado pelos outros, de modo a que sejam compatíveis.

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2.Revisão bibliográfica 35

Assim, ao realizar uma seleção dos componentes, através de catálogos de empresas comer-
cializadoras dos mesmos, estes poderão ter características diferentes das dimensionadas
inicialmente. Por esta razão, ao projetar o sistema deve-se ter em conta todos os com-
ponentes e fazer os ajustes necessários para que o sistema tenha a melhor performance,
ocupe o menor espaço, e seja o mais económico possível [7].
O dimensionamento deve começar pelo compressor, que é considerado o "coração"do
sistema de refrigeração de compressão a vapor.

Análise energética
Na figura 2.10, está representado um esquema de um sistema teórico de refrigeração
por compressão, cujas etapas foram descritas na subsecção 2.2.1.

Figura 2.10: Esquema de um sistema de refrigeração de compressão a vapor teórico [3].

Nas figuras 2.11a e 2.11b estão representados os diagramas temperatura-entropia e


pressão-entalpia, respetivamente.

(a) (b)

Figura 2.11: Curvas representativas da figura 2.10; (a) Curva da temperatura em função
da entropia; (b) Curva da pressão em função da entalpia [3].

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36 2.Revisão bibliográfica

Pela 1ª Lei da Termodinâmica, descrita pela equação 2.1, obtêm-se as seguintes equa-
ções para cada fase do ciclo de compressão.

• 4-1: Evaporador; Processo isotérmico: Te = T1 = T4 ;

Q̇e = ṁr (h1 − h4 ) (2.68)

• 1-2: Compressor; Processo isentrópico: s1 = s2 ;

Ẇc = ṁr (h2 − h1 ) (2.69)

• 2-3: Condensador; Processo isotérmico: Tc = T2 = T3 ;

Q̇c = ṁr (h3 − h2 ) (2.70)

• 3-4: Válvula de expansão; Processo adiabático: h3 = h4 ;

Devido às perdas de energia do compressor, deve-se ainda considerar a sua eficiência


isentrópica, ηcomp , para o cálculo de h2 . Sabendo que h2s é a entalpia do ponto 2 ideal,
ou seja, se não existissem perdas no compressor, ηcomp = 100%, recorre-se à eficiência do
compressor para determinar o valor de h2 , através da equação 2.71.

h2s − h1
ηcomp = (2.71)
h2 − h1
No entanto, no dimensionamento de um sistema de refrigeração deve-se ter em conta
as diversas perdas de energia que não são consideradas num ciclo teórico. Por este
motivo, apresenta-se o esquema e diagrama TS de um ciclo de compressão a vapor real,
nas figuras 2.12a e 2.12b, respetivamente.

(a) (b)

Figura 2.12: Ciclo de compressao a vapor real; (a) Esquema; (b) Diagrama PH.

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2.Revisão bibliográfica 37

Através das imagens apresentadas verifica-se as perdas de pressão existentes no ciclo


real, através dos seus componentes: evaporador; linha de sucção; compressor; linha de
descarga; unidade condensadora; linha de líquido. Estas perdas afetam a performance
do um sistema e é de esperar que a potência do consumo seja superior à teórica e que o
Coeficient of Performance, COP, seja inferior.
Assim sendo, o ciclo real do sistema de refrigeração apresenta perdas de carga nas
seguintes etapas:

1-2: linha de sucção;


2-3: compressor;
3-4: linha de descarga;
4-5: unidade condensadora;
5-6: linha de líquido;
6-7: válvula de expansão;
7-1: evaporador.

Para uma estimativa mais detalhada é possível recorrer a softwares de simulação,


como o Coolpack, tanto para a determinação das propriedades da temperatura, pressão,
entropia de cada um dos pontos mencionados, como também das potências dos equipa-
mentos e respetivo COP.
O valor do COP do sistema de refrigeração é obtido através da equação 2.72.

Q̇e
COP = (2.72)
Ẇc
Onde:
Q̇e é a capacidade de refrigeração ou potência do evaporador, em kW ;
Ẇc é a potência do compressor, em kW .

2.5.4 Compressor
Na presente subsecção são enumerados e descritos alguns tipos de compressores pos-
síveis de incorporar no sistema de refrigeração abordado na subsecção 2.5.3.
Num sistema de refrigeração, o compressor tem duas funções principais. A primeira
consiste em bombear o fluido proveniente do evaporador. A segunda função é aumentar a
pressão do refrigerante, sob a forma de vapor sobreaquecido, durante a fase de compressão
e, consequentemente, a sua temperatura . Devido à diferença de pressão criada o vapor
sobreaquecido do refrigerante flui pelo sistema [25].
Os compressores podem ser classificados pelos diferentes tipos e pelo seu modo de
selagem. Estes podem ser divididos em dois tipos: de deslocamento positivo e dinâmicos.
E o seu modo de selagem é classificado como: hermético, semi-hermético e aberto.
Tanto os compressores do tipo de deslocamento positivo, como do tipo dinâmico
podem ser classificados pelo seu modo de selagem [7].

Compressores herméticos
Os compressores herméticos são equipamentos completamente selados. Encontram-
se confinados num compartimento compacto que é soldado. São usados na maioria dos

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38 2.Revisão bibliográfica

sistemas de refrigeração de pequena capacidade e em aplicações domésticas e comerciais,


em parte, devido ao seu baixo custo.
O facto de o compressor estar selado, por um lado, não permite a sua manutenção,
mas por outro evita vazamento de refrigerante. Apesar de não ser possível aceder ao seu
interior, este aparelho possui um tempo de vida longo, durante o qual não é necessária
manutenção [25].
No caso da seleção do refrigerante selecionado possuir um PAG superior a 150, o
compressor tem de ser hermético, segundo a legislação em vigor desde 1 de janeiro de
2015 [24].

Compressores semi-herméticos
Os compressores semi-herméticos são idênticos aos herméticos, com a diferença do
compartimento não ser soldado, mas sim aparafusado, o que permite o acesso ao seu
interior e, consequentemente, a possibilidade de manutenção.
Este tipo de equipamento surgiu para colmatar as desvantagens dos compressores
herméticos, como a falta de acessibilidade. No entanto, apresenta algumas desvanta-
gens, como a necessidade de refrigeração exterior para o motor e um custo superior aos
compressores herméticos.
Tem aplicação em sistemas de refrigeração de média e grande escala e pode ser de
estágio único ou duplo [25].

Compressores abertos
No caso dos compressores abertos, o motor e o compressor encontram-se, normal-
mente, em recipientes diferentes, estando ligados através de um eixo, acoplado exter-
namente ao motor, que atravessa o compartimento do compressor. Esta zona deve ser
selada, para prevenir o vazamento do refrigerante e a entrada de ar, que pode acontecer
quando a pressão do compartimento do compressor é inferior à atmosférica.
Geralmente são aplicados em sistemas que usam o amoníaco como refrigerante, mas
podem também usar os halogenados [25].

Compressores de deslocamento positivo


Os compressores de deslocamento positivo recorrem ao trabalho realizado pelo eixo
do motor, para reduzir o volume comprimido, de refrigerante, na câmara e, consequen-
temente, aumentar a pressão do fluido. Exemplos de compressores deste tipo, são os
seguintes: recíproco; rotativo; parafuso.

Compressores dinâmicos
Os compressores dinâmicos podem ser do tipo: centrífugo ou turbo.

Seleção do compressor
Normalmente, o compressor é o primeiro componente a ser selecionado para o sistema
de refrigeração referido.
Para além dos tipos de compressor apresentados anteriormente, deve-se ainda ter em
conta alguns aspetos importantes na sua seleção, que são os seguintes: capacidade de

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 39

refrigeração; compatibilidade com o fluido refrigerante selecionado; tipo de aplicação; e


possuir o COP o mais elevado possível.
A capacidade de refrigeração listada no catálogo do compressor deve ser superior à
do sistema de refrigeração projetado, com o intuito de evitar a sobrecarga do sistema em
condições extremas de funcionamento. No entanto, esse valor não deve ser muito superior
ao dimensionado para não se sobredimensionar o sistema. Caso isto se verifique, existe
a possibilidade do compressor interromper o seu funcionamento mais vezes, originando
mais arranques do motor e, consequentemente, maiores consumos de energia.
Quanto ao refrigerante, o compressor deve ser compatível com o fluido pretendido.
Existem diversos tipos de aplicação disponíveis para este tipo de equipamento em fun-
ção da temperatura de evaporação do sistema: LBP, denomidado por low back pressure;
MBP, medium back pressure; HBP, high back pressure. Os tipos de aplicação referidos
encontram-se representados tabela 2.6.

Tabela 2.6: Tipo de aplicação de um compressor .

Tipo de aplicação Temperatura de evaporação Exemplo de equipamentos


LBP −35◦ C até −10◦ C Congeladores; câmaras frigoríficas
L/MBP −35◦ C até −5◦ C Montras de refrigeração
HBP −5◦ C até 15◦ C Máquinas de venda

2.5.5 Condensador
Na presente subsecção são enumerados e descritos alguns tipos de condensadores
possíveis de incorporar no sistema de refrigeração abordado na subsecção 2.5.3.
Um condensador é um dispositivo de troca de calor entre o sistema e o meio envol-
vente, podendo este ser ar ou água. Ao receber o refrigerante, proveniente do compres-
sor, com pressão e temperatura alta, o condensador liberta calor para o exterior. Assim,
ocorre uma mudança de estado no refrigerante, de vapor para líquido-condensado.
Este componente fornece calor ao meio envolvente, durante três fases. Inicialmente
ocorre uma troca de calor sensível, devido ao arrefecimento do vapor sobreaquecido. De
seguida, verifica-se a transferência de calor latente, durante a fase de condensação. E,
por fim, verifica-se um subarrefecimento do condensado [7].
Os condensadores usados na indústria da refrigeração são divididos em três tipos:
arrefecidos a água; arrefecidos a ar; evaporativos.
A seleção de um condensador é realizada com base na capacidade de refrigeração e
no refrigerante usado. No caso de ser usada a água para arrefecimento, deve-se ter em
conta a sua qualidade, temperatura e quantidade que pode circular no sistema [25].
Geralmente, as empresas que comercializam compressores e condensadores fornecem
estes dois componentes formando um só equipamento, denominado por unidade conden-
sadora. Nestes casos, seleciona-se o compressor em primeiro lugar e de seguida a unidade
condensadora correspondente.

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40 2.Revisão bibliográfica

2.5.6 Evaporador
Na presente subsecção são enumerados e descritos alguns tipos de evaporadores pos-
síveis de incorporar no sistema de refrigeração abordado na subsecção 2.5.3.
Um evaporador é um dispositivo onde ocorre transferência de calor, por meio de
um fluido refrigerante que vaporiza ao absorver calor de um determinado espaço, com o
objetivo de o refrigerar.
Devido à diversidade de aplicações, deste componente, pode ser fabricado em dife-
rentes tamanhos, formatos, designs e é usualmente classificado de acordo com o seu tipo
de construção, o método de circulação de ar, condições de operação, entre outros.
A tabela 2.7 descreve a classificação dos tipos de evaporadores existentes, quanto aos
seguintes aspetos: categorias; tipos de alimentação do refrigerante; forma de construção;
circulação do ar.

Tabela 2.7: Classificação dos tipos de evaporadores existentes [7], [25].

Categorias • cooler de ar
• cooler líquido
Tipos de alimentação
do Refrigerante • expansão seca ou direta (DX)
• alimentação de refrigerante por inundação
• sobrealimentação de líquido
Forma de construção • tubular
• prato
• com alhetas
Circulação do ar • natural
• forçada

Quanto a tipo de construção, existem os seguintes evaporadores: tubular; prato; com


alhetas.
O evaporador do tipo tubular, normalmente fabricado em aço, para evaporadores de
grande dimensão e para casos em que o amoníaco seja o refrigerante; é fabricado em
cobre para evaporados de pequena dimensão em que não se use o amoníaco. Os formatos
tubulares mais usados são o tubular zigzag plano, mais conhecido como serpentina, e
o tubular espiral, normalmente usado em chillers, ilustrados nas figuras 2.13a e 2.13b,
respetivamente.

(a) (b)

Figura 2.13: Designs comuns de evaporadores tubulares. (a) Bobina zigzag plana; (b)
Bobina oval;

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2.Revisão bibliográfica 41

No que diz respeito ao tipo de construção em superfície-prato, existem vários tipos.


Uns são compostos por duas placas de metal soldadas e juntas, de modo a que o fluido
refrigerante circule entre estas, como ilustrado na figura 2.14. Este tipo de equipamento
tem uma grande aplicação em frigoríficos domésticos devido ao baixo custo de fabrico, à
facilidade de limpeza e à facilidade de criar as formas desejadas. Na figura 2.14 encontra-
se ilustrado um exemplo de evaporador do tipo prato-superfície.

Figura 2.14: Evaporador prato em serpentina

Outro tipo de evaporador de prato-superfície consiste na instalação de tubagens de


refrigerante entre duas placas de metal, soldadas nos seus limites. Com o intuito de obter
um bom contacto térmico entre as placas e o tubo, o espaço entre os pratos é preenchido
com uma solução eutética ou, alternativamente, é criado um vácuo nesse espaço, para
que a pressão atmosférica force os pratos a se manterem firmemente encostados ao tubo.
Este tipo de evaporadores esta representado na figura 2.15.

Figura 2.15: Evaporador prato em serpentina

Os que contêm a solução eutética são bastante usados na refrigeração de camiões de


transporte, ou como substitutos de prateleiras em câmaras de refrigeração, montras de
supermercado, entre outros.
Finalmente, as bobinas com alhetas são iguais às bobinas tubulares, com exceção da
inserção de alhetas. A função destas reside numa maior absorção de calor do exterior,
uma vez que a área de contacto com o meio envolvente aumenta, e conduz esse calor até
ao fluido refrigerante. Este método aumenta a eficiência da capacidade de refrigeração do
evaporador. No entanto, em alguns casos, o sobredimensionamento das alhetas poderá
reduzir a capacidade de refrigeração.
Quanto aos métodos de alimentação do refrigerante, o evaporador pode ser do tipo:
expansão seca; expansão húmida; sobrealimentação do fluido.

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42 2.Revisão bibliográfica

Dimensões do evaporador
Para o projeto de uma câmara frigorífica deve-se ainda dimensionar o evaporador
a partir da capacidade de refrigeração, que tem influência nas dimensões necessárias
do evaporador. Assim sendo, as dimensões do evaporador são determinadas através da
equação 2.73.

Q̇e = Uevaporador Aevaporador ∆Tevaporador (2.73)


Onde:
Uevaporador é o coeficiente global de transferência de calor do evaporador, em W/(m2 .K)
Aevaporador corresponde à área total exterior do evaporador, em m2 ;
∆Tevaporador corresponde à diferença de temperaturas Te − Tint , em ◦ C.

2.5.7 Válvula de expansão


A válvula de expansão tem como função reduzir a pressão do refrigerante que sai do
condensador, que se encontra à pressão de condensação, até à pressão de evaporação ao
entrar no evaporador e regular o fluxo do refrigerante que entra no evaporador, para que
corresponda às características do equipamento. Estes dispositivos são projetados para
que o fluxo do refrigerante que entra no evaporador, seja o igual ao fluxo que é evaporado
na serpentina. Este fluxo depende da capacidade de refrigeração do sistema [25].
Alguns dos tipos de válvulas de expansão existentes, são os seguintes [7]:

• tubo capilar;

• válvula de expansão termostática;

• válvula de expansão automática;

• válvula flutuante.

Tubo capilar
O tubo capilar é o componente de controlo de fluxo mais simples. Geralmente, estão
disponíveis com diâmetros internos pequenos, na ordem dos 0,5 a 3 mm, e com compri-
mentos de 1 a 6 m, sendo que o comprimento deve ser ajustado para igualar a capacidade
do compressor [25], [7]. Os tubos reduzem a pressão de condensação até à pressão de eva-
poração, que se mantém constante, independentemente das mudanças de carga térmica,
e através de um dispositivo de controle de temperatura, transmitem a pressão requerida
pelo componente. A sua aplicação são os compressores herméticos até 30kW [25].
Na figura 2.16 encontra-se ilustrado um exemplo de um tubo capilar.

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2.Revisão bibliográfica 43

Figura 2.16: Esquema de tubo capilar [7].

Válvula de expansão termostática


A válvula de expansão termostática é a válvula de controlo mais usada nos setores
doméstico e comercial, devido à sua elevada eficiência e à sua fácil adaptação a diferentes
aplicações [7]. Estas válvulas controlam automaticamente o fluxo do refrigerante que
entra no evaporador, de modo a igualar a capacidade do sistema de acordo com a variação
da carga térmica [25]. O seu modo de funcionamento consiste em manter o vapor que sai
do condensador num estado de sobreaquecimento constante, para que o refrigerante não
entre no compressor sob forma de mistura bifásica, mas sim de vapor sobreaquecido. Este
fator é extremamente importante, pois não deve entrar líquido no compressor, apenas
vapor, para impedir que danifique o aparelho.
As válvulas de expansão termostática podem ser de do tipo equalização externa ou
equalização interna, dependendo da perda de carga no evaporador [7].

Válvula de expansão automática


As válvulas de expansão automática são constituídas por uma mola, um diafragma e
um parafuso de regulação. O diafragma está sujeito à conjugação da força exercida por
uma mola, de ajuste fixo, com a pressão do evaporador.
A pressão exercida pela mola de regulação pode ser alterada previamente. A sua
posição define a pressão de evaporação, que se mantém constante, independentemente
das mudanças de temperatura, obstruindo a passagem do refrigerante ao evaporador,
quando a câmara frigorífica interrompe o seu funcionamento, devido ao aumento de
pressão criado. Quanto maior for a tensão exercida pela mola, maior é a pressão de
evaporação e vice-versa.
Este tipo de componente é aplicado em instalações com apenas um evaporador, prin-
cipalmente com capacidades reduzidas e variações de carga térmica reduzidas.
É compatível com todos os refrigerantes, exceto o amoníaco, e permite a regulação
da temperatura de evaporação, numa faixa bastante ampla [7].
A figura 2.17 representa um esquema de uma válvula de expansão automática.

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44 2.Revisão bibliográfica

Figura 2.17: Esquema de uma válvula de expansão automática [7].

Válvula flutuante
As válvulas flutuantes são sempre usadas em sistemas com evaporadores de alimen-
tação de líquido inundado. Existem dois tipos de válvula flutuante: de pressão alta e
de pressão baixa. Ambas as válvulas possuem um componente flutuante, similar a uma
boia, que se encontra dentro de uma câmara própria, adjacente ao evaporador. A boia
da válvula de baixa pressão pode ser inserida dentro de evaporador, em vez de ser usada
uma câmara.
Estas válvulas recorrem à boia para controlar a passagem de refrigerante. Com o
aumento da carga no evaporador, mais líquido é evaporado e, consequentemente, o líquido
existente diminui, tanto no evaporador, como na câmara da boia. Assim, com a descida do
nível, a boia desce também, e permite a abertura de um orifício que origina o escoamento
de mais líquido do condensador.

(a) (b)

Figura 2.18: Esquema de válvulas flutuantes simples. (a) Válvula flutuante de alta
pressão; (b) Válvula flutuante de baixa pressão

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2.Revisão bibliográfica 45

2.5.8 Componentes auxiliares


Na presente subsecção são descritos alguns componentes auxiliares possíveis de se
integrar num sistema de refrigeração.
Um sistema real de refrigeração é constituído por bastantes mais componentes com-
parativamente a um teórico. A análise do sistema teórico é realizada com o intuito de
facilitar os cálculos, no entanto, para que a câmara frigorífica funcione corretamente, é
necessário a integração de outros dispositivos auxiliares como por exemplo: o reservatório
de líquido, o acumulador de sucção, o separador de óleo, o termostato.
O reservatório de líquido, colocado entre o condensador e a válvula de expansão é uti-
lizado para armazenar temporariamente o fluido refrigerante proveniente do condensador
e para recolher este fluido quando houver necessidade de reparos no sistema.
O acumulador de sucção é, geralmente, instalado à entrada do compressor, na linha
de sucção e tem como principal função evitar a entrada de refrigerante líquido neste
equipamento. O fluido proveniente do evaporador entra no acumulador, que retém o
fluido líquido e apenas permite a passagem de vapor para o compressor.

2.6 Fontes energéticas para sistemas de alimentação


Um sistema de refrigeração doméstico ou comercial, geralmente, é alimentado pela
corrente elétrica da rede. No entanto, para sistemas móveis a energia de alimentação ne-
cessária ao seu funcionamento pode ser fornecida através de outros tipos de equipamentos
e tecnologias. Com as crescentes preocupações ambientais e com o constante desenvolvi-
mento de tecnologias não poluentes, surge o interesse de integrar energias renováveis nos
equipamentos, para um melhor aproveitamento energético.
Dentro das energias renováveis, a energia solar é a que mais se justifica integrar neste
projeto, uma vez que o equipamento está exposto à radiação solar durante todo o seu
funcionamento.
Por estes motivos, na presente secção são abordadas algumas das tecnologias exis-
tentes relativas à integração da energia solar como fonte de alimentação do sistema de
refrigeração.
A energia solar pode ser aproveitada para a geração de eletricidade e pode ser cate-
gorizada em dois tipos distintos: elétrica e térmica.
A energia solar elétrica utiliza sistemas de painéis fotovoltaicos para a produção de
energia elétrica e é a mais indicada para sistemas móveis. Pode ser integrada como fonte
de alimentação em sistemas de refrigeração de compressão a vapor e termoelétricos [26],
descritos na subsecção 2.2.

2.6.1 Sistemas de painéis fotovoltaicos


Nesta subsecção são abordados alguns assuntos que dizem respeito a sistemas de
painéis fotovoltaicos, tais como: tipos de configuração, materiais, dispositivos de arma-
zenamento e respetivos componentes auxiliares.
Nos sistemas fotovoltaicos, PV, a energia solar incidente é convertida em energia
elétrica, através de materiais denominados por semicondutores. A incidência da luz solar
nestes materiais origina um estímulo dos eletrões e, assim, é criada tensão elétrica e,

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


46 2.Revisão bibliográfica

consequentemente a produção de energia elétrica. Este fenómeno é denominado por


efeito fotovoltaico.
Os semicondutores são configurados em elementos denominados por células fotovol-
taicas. Individualmente estas células produzem correntes relativamente baixas sendo,
por isso, necessária a associação de múltiplas células em conjuntos denominados módulos
fotovoltaicos. Estes últimos podem ser ainda agrupados numa estrutura designada por
painéis. Nas figuras 2.19a, 2.19b e 2.19c encontram-se ilustrados os esquemas de uma
célula, um módulo e um painel PV, respetivamente.

(a) (b) (c)

Figura 2.19: (a) Celula PV; (b) Modulo PV; (c) Painel PV [27].

Os painéis solares podem ser constituídos por diversos materiais e possuir diversos
designs. A variedade de materiais PV, juntamente com as características que apresentam,
resulta numa aplicação tecnológica com enorme potencial, que se encontra em constante
desenvolvimento [27].
Os materiais dos semicondutores dos painéis PV mais comuns são o silício monocris-
talino, no entanto existem diversos outros implementados na sua construção, tais como:
o silício policristalino, o silício amorfo, sulfito de cádmio e o arsenieto de gálio [20].
Este tipo de sistemas é considerado uma fonte energética bastante vantajosa, na
medida em que: depende da energia solar; tem pouco impacto no ambiente; é modular,
o que possibilita diferentes combinações para igualar as necessidades pretendidas; possui
um tempo de vida elevado, superior a 25 anos; facilmente instalado e produzido à escala
industrial.
Podem ser classificados em dois tipos de sistemas: grid-connected, onde existe a
ligação à rede elétrica ou stand-alone, que são sistemas autónomos, ideais para aplicações
móveis.
É de salientar que os sistemas PV não são constituídos apenas por painéis e por isso,
deve-se ter em conta outros equipamentos necessários à sua instalação, que no caso da
aplicação stand-alone, são: painéis PV, controlador de carga, inversor e baterias, cujo
esquema de ligação é apresentado na figura 2.20.

Figura 2.20: Sistema de armazenamento de energia de baterias.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


2.Revisão bibliográfica 47

Painéis PV
A potência útil do painel PV, e pode ser obtida através da equação 2.74.

PutilP V
ηP V = (2.74)
Qrad
Onde:
ηP V é a eficiência do painel solar;
PutilP V é a potência elétrica fornecida pelo painel;
Qrad é a radiação solar absorvida pelo painel.
Sabendo que Qrad = GP V ∗ AP V , obtém-se a equação 2.75, que determina a área
necessária que os painéis PV devem ter para satisfazer as necessidades energéticas pre-
tendidas.

Pbateria
AP V = (2.75)
ηP V ∗ GP V
Onde:
GP V é a irradiação solar incidente no painel PV, em W/m2 ;
AP V é a área do painel solar, em m2 .

Para determinar o valor de GP V , recorre-se à subsecção 2.4.4. Para determinar este


valor é necessário conhecer a inclinação ideal do painel, βP V , para o qual o valor de
GP V é máximo, que ocorre às 12 horas LAT quando θ = 0. Recorrendo à equação 2.47,
determina-se o ângulo de inclinação βP V , e pela equação 2.54, determinam-se os valores
de GP V .

Controlador de carga
Os controladores de carga têm como principais funções: proteger as baterias con-
tra sobrecargas e evitar descargas totais, interrompendo a corrente quando estiverem
carregadas ou quase descarregadas, respetivamente.
Estes equipamentos podem ser dos seguintes tipos: MPPT, maximum power pointer
tracking, ou PWM, pulse width modulation.
Enquanto que o controlador PWM iguala a tensão das baterias à dos painéis, man-
tendo a intensidade de corrente fixa, o MPPT procura a maior potência possível, ajustado
a intensidade da corrente.
O dispositivo MPPT é mais eficiente, quando comparado com o PWM, contudo tem
o custo mais elevado.
O controlador de carga deve ser selecionado de forma a ter maior intensidade de
corrente que os painéis solares.

2.6.2 Sistemas de armazenamento de energia elétrica


Esta subsecção relaciona o armazenamento de energia elétrica com sistemas de painéis
fotovoltaicos.
O armazenamento de energia elétrica, denominado por electrical energy storage, EES,
é uma tecnologia em crescente desenvolvimento no mercado, que no futuro se tornará

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48 2.Revisão bibliográfica

indispensável, quando combinada com energias renováveis, para a diminuição de emissões


de CO2 , [28].
A tecnologia EES consiste na conversão de energia elétrica numa forma de energia
armazenada num meio, para mais tarde ser utilizada.
Esta forma de armazenamento de energia visa resolver alguns problemas, como por
exemplo: o elevado custo da eletricidade em horas de pico, a necessidade de um for-
necimento contínuo e flexível, a longa distância entre o lugar onde ocorre geração de
eletricidade e o lugar do seu consumo, entre outros.
Existem diversos métodos de categorização de sistemas EES, que podem ser em re-
lação à sua função, tempo de resposta e duração de armazenamento. O método mais
usado baseia-se na forma de energia armazenada no sistema, que categoriza esta tecnolo-
gia em sistemas de armazenamento de energia mecânica, eletroquímica, química, elétrica
e térmica [29].
O armazenamento de energia elétrica para aplicações PV é categorizado na forma
eletroquímica e realizado através de baterias recarregáveis.
O sistema de armazenamento de energia elétrica com painéis PV, funciona da seguinte
forma: a energia elétrica DC proveniente dos painéis solares passa pelo controlador de
carga que iguala a intensidade da corrente à das baterias; esta é usada para carregar o
sistema de baterias; as baterias armazenam a energia, descarregando-a quando o sistema
de refrigeração se encontrar em funcionamento; a energia elétrica sob a forma de corrente
DC passa pelo inversor, que a transforma em corrente AC; esta chega ao compressor e
este começa a trabalhar.

Inversor
O inversor deve ter uma potência superior à do sistema AC, para o qual se deve
considerar a sua eficiência para prevenir uma sobrecarga. Assim, a potência do inversor,
Pinversor , é determinada através da equação 2.76.

PAC
Pinversor = (2.76)
ηinversor
Onde:
ηinversor corresponde à eficiência do inversor de corrente;
PAC corresponde à potência de consumo do sistema AC, em W h.

Bateria
Os sistemas de armazenamento de energia eletroquímica, também conhecidos como
battery energy storage, BES, baseiam-se no uso de baterias recarregáveis. Estas recebem
energia elétrica sob a forma de corrente DC e descarregam a energia elétrica para um
determinado aparelho, quando necessário. As baterias existentes para esta tecnologia são
classificadas em bateria secundária ou bateria de fluxo. As baterias secundárias são do
tipo chumbo-ácido, lítio-ião (Li-ião), níquel-cádmio (NiCd) ou sódio-enxofre (NaS). As
baterias de fluxo podem ser do tipo fluxo redox ou fluxo híbrido.
O tipo de baterias mais usado em sistemas de painéis PV são as baterias secundárias
chumbo-ácido e a baterias de lítio.
As baterias chumbo-ácido são usadas para a ignição de veículos, situações de emer-
gência de fornecimento de energia e sistemas stand-alone de painéis PV.

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2.Revisão bibliográfica 49

As baterias de lítio são, normalmente, aplicadas em equipamentos portáteis, devido


ao seu peso e tamanho reduzido, tais como computadores portáteis, telemóveis e veículos
elétricos.
Uma característica importante das baterias a considerar é o seu depth of discharge,
DOD, que representa a percentagem de descarga das baterias. A capacidade das baterias
listada em catálogos é normalmente superior à capacidade útil de carga das baterias.
Normalmente o DOD das baterias de chumbo-ácido e de lítio são cerca de 80% e 95%,
respetivamente.
Cada um destes tipos de bateria apresenta vantagens e desvantagens, quando com-
paradas. As baterias de lítio, comparativamente com as de chumbo-ácido apresentam
menor dimensão e peso, e maior tempo de vida, no entanto, têm menor capacidade e,
portanto, devem estar agrupadas em maior quantidade para satisfazer as mesmas neces-
sidades energéticas [29], [28].
O tipo e quantidade de baterias é selecionado em função da sua capacidade em
Ampere-hora, Ah. Para determinar a capacidade da bateria necessária, é preciso co-
nhecer o consumo diário das baterias, o tempo de autonomia pretendido respetivas ca-
racterísticas do inversor e baterias encontradas nos catálogos dos fabricantes.
O consumo total do sistema de baterias, Putil , é dado pela equação 2.77.

Putil = Pinversor ∗ tf uncionamento ∗ nautonomia (2.77)


Onde:
tf uncionamento representa o tempo de funcionamento do sistema, em horas;
nautonomia representa o número de dias de autonomia pretendido para o sistema de
baterias.

Sabe-se que a potência de consumo útil das baterias difere da potência de consumo
descrita no catálogo, em função da sua eficiência e do seu DOD. Assim, conhecendo estes
dados, determina-se o consumo total das baterias, Pbateria através da equação 2.78

Putil
= DOD ∗ ηbateria (2.78)
Pbateria

Onde:
Putil representa o consumo útil das baterias, em W h;
ηbateria representa a eficiência da bateria;
DOD representa o depth of discharge da bateria.

A lei de Joule, representada pela condição P = U I, permite determinar a capacidade


da bateria. Sabendo que a potência P corresponde ao consumo das baterias, em kW h,
U corresponde à diferença de potencial da bateria, em V , e a intensidade I representa a
capacidade da bateria em Ah, a capacidade total do sistema de baterias, Ctotal é obtido
através da equação 2.79.

P Pbateria
I= ≡ Ctotal = (2.79)
U Ubateria
Conhecendo a capacidade total das baterias, procede-se ao cálculo do número de
baterias em função da capacidade individual de cada uma. Para um sistema de baterias

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50 2.Revisão bibliográfica

em série, sabe-se que o somatório das capacidades de cada bateria é igual a capacidade
total do sistema, assim obtém-se a equação 2.80.
X
Ctotal = Ci = nbaterias ∗ Cbateria (2.80)
Onde:
nbaterias representa o número de baterias do sistema;
Cbateria representa a capacidade de uma única bateria, em Ah.

Assim, pela equação 2.80, o número de baterias necessárias para o sistema projetado
é dado pela equação 2.81.

Ctotal
nbaterias = (2.81)
Cbateria

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Capítulo 3

Parametrização do projeto

Neste capítulo, efetua-se a parametrização do projeto, que tem como principal função
a definição de alguns constrangimentos e características impostas ao projeto, essenciais
ao seu dimensionamento. O presente capítulo encontra-se organizado em quatro secções.
Na primeira 3.1, faz-se o enquadramento no âmbito da competição “Sou OLÁ”. Na secção
seguinte 3.2, definem-se as características do projeto, no que concerne às condições do
produto a conservar, à zona de estudo e à orientação geográfica do estudo. Na penúl-
tima secção 3.3, apresentam-se as diferentes etapas do projeto. Na última secção 3.4,
são descritas as duas configurações de câmaras frigoríficas a analisar: câmara frigorífica
convencional e câmara frigorífica com gavetas.

3.1 Enquadramento na competição “Sou OLÁ”


O presente projeto surge no âmbito da competição “Sou OLÁ”, organizada pela em-
presa Unilever-Jerónimo Martins e consistiu no dimensionamento de uma câmara frigo-
rífica para integração num veículo de venda de gelados para a marca OLÁ.

3.1.1 Condições de funcionamento

Os objetivos pretendidos para este projeto são o dimensionamento de uma câmara


frigorífica que se mantenha em funcionamento durante um certo de intervalo de tempo,
nas condições ideais, sem recorrer a alimentação, durante esse período.
Nesta subsecção estão definidas as condições de funcionamento, pretendidas pela
OLÁ, tais como as temperaturas ideais de conservação e o período de tempo durante o
qual que se devem manter.

Temperaturas ideais de conservação

São definidas como condições ideais, as temperaturas compreendidas entre −20◦ C ≤


T ≤ −18◦ C. Sabe-se ainda, que as temperaturas poderão atingir os −15◦ C, apenas por
breves instantes. Devido às eventuais oscilações de temperatura durante as aberturas da
câmara, estipulou-se como temperatura do interior da câmara o valor de −20◦ C.

51
52 3.Parametrização do projeto

Período de funcionamento
O período de funcionamento estipulado pela OLÁ, durante o qual se devem manter
as temperaturas de conservação, corresponde a 8 horas consecutivas. Pelo que se definiu
o período compreendido entre as 10:30 horas da manhã e as 18:30 horas da tarde.

3.1.2 Veículo projetado na competição “Sou OLÁ”


O veículo apresentado pela equipa da Universidade de Aveiro é, essencialmente, cons-
tituído por uma carcaça esférica exterior, estrutura de suporte e a câmara frigorífica que
está inserida no seu interior. As vistas frontal e lateral do veículo estão representadas
nas figuras 3.1a e 3.1b, respetivamente.

(a) (b)

Figura 3.1: Veículo de venda de gelados, projetado para o concurso “Sou OLÁ”; (a) Vista
frontal; (b) Vista lateral.

Como já foi referido anteriormente, a presente dissertação centra-se apenas no projeto


da câmara frigorífica inserida no interior do veículo, como ilustrado pela figura 3.2.

Figura 3.2: Câmara frigorífica inserida no veículo.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


3.Parametrização do projeto 53

3.1.3 Dimensões
As dimensões foram estabelecidas de acordo com o objetivo de projetar uma câmara
de conservação portátil, destinada à venda de gelados. As dimensões exteriores desta
câmara, encontram-se representadas na tabela 3.1.

Tabela 3.1: Dimensões interiores da câmara frigorífica.

Altura (m) Profundidade (m) Largura (m) Área Total (m2 ) Volume Interior (m2 )
0,775 0,515 0,475 0,202 0,190

Na figura 3.3 estão representadas cada uma das diferentes faces da câmara e as suas
dimensões.

(a) (b) (c)

Figura 3.3: Dimensões em milímetros das faces da câmara frigorífica; (a) Porta e Parede
Traseira; (b) Paredes Laterais ; (c) Teto e Piso.

Na tabela 3.2 encontram-se as dimensões de cada uma das paredes exteriores da arca
e as respetivas áreas.

Tabela 3.2: Dimensões e área de cada uma das faces da câmara frigorífica.

Dimensão 1 (mm) Dimensão 2 (mm) Área 8mm2 )


Porta/Parede Traseira 555 855 0,949
Teto/Piso 555 595 0,660
Paredes Laterais 595 855 1,017
Total 2,627

A partir de informação fornecida pela empresa OLÁ, relativamente às dimensões dos


gelados, e de acordo com as medidas estipuladas para as gavetas da câmara, determinou-
se a quantidade de gelados e o volume máximo respetivo que pode ser armazenado. Foram
apenas considerados dois tipos de gelados, com o objetivo de simplificar os cálculos. Os
valores a cima referidos encontram-se na tabela 3.3.

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54 3.Parametrização do projeto

Tabela 3.3: Dimensões de um gelado e quantidade máxima armazenada na câmara fri-


gorífica.

Dimensões de um gelado (mm*mm*mm) Quantidade Volume (L)


Gelado 1 61*61*160 110 65
Gelado 2 153*55*33 120 33
Total 230 100

3.2 Características do projeto


O projeto que se pretende desenvolver, ao longo desta dissertação prende-se com
o dimensionamento de uma câmara de conservação, geralmente referida como câmara
frigorífica. No decorrer da presente secção, estão definidos diversos parâmetros que ca-
racterizam a câmara, tais como: características do produto a conservar; zona de estudo;
orientação geográfica.

3.2.1 Zona de estudo


A zona de estudo considerada para este projeto foi Portugal Continental. Com o
objetivo de projetar uma câmara frigorífica para condições extremas, os cálculos são
realizados na localidade do país onde se registam maiores temperaturas para o intervalo
de tempo de 1 de junho a 31 de setembro. Através da literatura [18], concluiu-se que a
localidade que reúne as condições acima referidas e que, por isso, irá ser estudada é a
Amareleja, situada no concelho de Moura, distrito de Beja.

Figura 3.4: Vista geográfica da localidade de Amareleja, retirado do programa Google


Earth.

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3.Parametrização do projeto 55

Na tabela 3.4 estão presentes as coordenadas GPS da localidade Amareleja.

Tabela 3.4: Coordenadas GPS da localidade Amareleja.

Latitude Longitude
38º 12’ 27” N 7º 13’ 40” O

3.2.2 Orientação geográfica de estudo


Para efeitos de estudo, é necessário estabelecer a posição geográfica da câmara frigo-
rífica. A sua posição é definida para o estudo da influência da radiação solar nas paredes
da câmara. Com o objetivo de simplificar os cálculos da irradiação solar incidente nas
paredes da câmara a figura 3.5, é possível visualizar a orientação definida.

Figura 3.5: Posição geográfica da câmara frigorífica definida para estudo (Vista de Topo)

Sendo que as orientações das paredes da câmara, segundo os pontos cardeais, são as
seguintes:

1. Parede frontal: direcionada para sul;

2. Parede lateral este: direcionada para este;

3. Parede traseira: direcionada para norte;

4. Parede lateral oeste: direcionada para oeste;

As paredes correspondentes ao teto e ao chão são consideradas superfícies horizontais.

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56 3.Parametrização do projeto

3.3 Etapas do projeto


Nesta secção são estabelecidas as etapas do projeto, para uma melhor perceção e
organização do mesmo. Na figura 3.6, está representado um diagrama que descreve a
metodologia definida para cada uma das fases do projeto.

Figura 3.6: Fases do projeto.

1. Problema: identificar um problema que é necessário resolver;

2. Enquadramento: perceber onde se insere o problema e avaliar a sua importância


de resolução;

3. Parametrização: definir as caraterísticas e constrangimentos impostos ao projeto;

(a) Proposta 1- "Câmara de Conservação Convencional" - definição da


configuração a dimensionar
(b) Proposta 2- "Câmara com gavetas": definição de uma configuração al-
ternativa;

4. Dimensionamento: determinar as necessidades energéticas de cada proposta


(carga térmica) e projetar os componentes da câmara de acordo com a configu-
ração mais vantajosa do ponto de vista energético;

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3.Parametrização do projeto 57

5. Avaliação: analisar e comparar as propostas para determinar se a proposta apre-


sentada é uma alternativa viável ao que já existe no mercado;

6. Fontes Energéticas: analisar e dimensionar as fontes energéticas que permitam


o projeto de um sistema móvel e com autonomia alargada;

7. Conclusões Finais: avaliação dos resultados e conclusões.

3.4 Configurações a analisar


Nesta subsecção encontram-se as duas configurações das câmaras frigoríficas analisa-
das: a câmara frigorífica convencional e a proposta da câmara frigorífica com gavetas.
Ao longo da secção, não só é explicado o funcionamento de cada uma das câmaras, como
também são definidos os parâmetros que as caracterizam, como por exemplo, tempos de
abertura e dimensões interiores.

3.4.1 Configuração 1- Câmara frigorífica convencional


A câmara frigorífica convencional, tem como base a generalidade das câmaras móveis
existentes para venda de gelados.

Modo de Funcionamento
As câmaras convencionais são operadas de um modo relativamente simples. A aber-
tura da câmara é feita através da tampa superior, tal como é possível visualizar nas
figuras 3.7a e 3.8.

(a)

(b)

Figura 3.7: Configuração 1- Câmara frigorífica convencional (a) Interior; (b) Exterior
[14].

Dentro desta câmara, os gelados são armazenados em caixas de cartão empilhadas


umas em cima das outras. Por este motivo, no ato da venda de um gelado, o vende-
dor demora bastante tempo para encontrar o gelado pretendido, podendo ter de retirar
diversas caixas para o encontrar.

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58 3.Parametrização do projeto

Tempo de abertura

Por tempo de abertura entende-se o tempo em que a porta da arca frigorífica per-
manece aberta, pelo que não se pode considerar que a câmara esteja completamente
isolada.
Os tempos de abertura estão definidos na tabela 3.5.

Tabela 3.5: Tempos de operação para a câmara frigorífica convencional.

Tempo de cada abertura [s] 60


Tempo de abertura e fecho da porta [s] 15
Número de Aberturas 270

De facto, tanto os tempos de abertura, como o número de aberturas da câmara variam


de tal forma, que não é possível serem previstos com exatidão. Portanto, o tempo de
abertura foi sobredimensionado com o objetivo de analisar as trocas de calor máximas
possíveis, por uma questão de segurança. Quanto ao número de aberturas, foi definido
como um número superior à quantidade de gelados que a câmara poderá armazenar, por
segurança.

3.4.2 Configuração 2 - Câmara frigorífica com gavetas


A proposta do projeto da câmara frigorífica com gavetas, tem como objetivos a econo-
mização de energia e de tempo durante a venda de gelados. Ao organizar a distribuição,
de modo a colocar cada tipo de gelados por gaveta, o tempo de abertura da câmara
será bastante inferior ao das arcas frigoríficas existentes no mercado. Assim, pretende-se
diminuir significativamente a perda de energia. A configuração da câmara proposta está
representada na figura 3.8.

Figura 3.8: Configuração 2- Câmara frigorífica com gavetas

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3.Parametrização do projeto 59

Modo de Funcionamento
A câmara frigorífica é composta por oito compartimentos individuais, distribuídos
por quatro gavetas. Cada compartimento deve conter um único tipo de gelados para
facilitar a organização.

Dispositivo protetor
As aberturas das gavetas estarão cobertas com tiras de um material plástico flexível,
que têm como objetivo a diminuição da infiltração do ar e, consequentemente o aumento
da carga térmica. Estas tiras têm um pequeno espaçamento entre si que permite a
introdução da mão do vendedor para retirar o gelado.
Encontra-se ilustrada na figura 3.9 a câmara frigorífica proposta contendo as dispo-
sitivo protetor em cada gaveta.

Figura 3.9: Câmara frigorífica com gavetas contendo o dispositivo protetor.

Tempos de operação
Os tempos de operação para a câmara frigorífica com gavetas, encontram-se na tabela
3.6, sendo que o número de aberturas é o mesmo que na configuração 1.Quanto ao tempo
de abertura, este será bastante inferior, uma vez que a abertura das gavetas é uma tarefa
mais rápida e o vendedor sabe quais gelados estão contidos em cada uma das gavetas,
não havendo necessidade de os procurar.

Tabela 3.6: Tempos de operação para a câmara frigorífica com gavetas.

Tempo de cada abertura [s] 10


Tempo de abertura e fecho da porta [s] 5
Número de aberturas 270

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60 3.Parametrização do projeto

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


Capítulo 4

Dimensionamento da câmara
frigorífica

No presente capítulo, faz-se o dimensionamento da câmara frigorífica alimentada por


um sistema autónomo. Este capítulo está subdividido em cinco secções. Na primeira
secção 4.1, faz-se o dimensionamento de alguns parâmetros essenciais ao projeto. Na
secção seguinte 4.2, faz-se o dimensionamento dos componentes da câmara. Na secção
4.3, apresenta-se o dimensionamento da fonte de alimentação da câmara. Na penúltima
secção 4.4, elabora-se uma análise energética do projeto e, por último, na secção 4.5
apresenta-se o caderno de encargos.

4.1 Dimensionamento de alguns parâmetros essenciais ao


projeto
Com a finalidade de dimensionar a câmara frigorífica é necessário o cálculo e análise
de alguns parâmetros essenciais ao projeto, nomeadamente:

• determinação da temperatura exterior de projeto;

• propriedades do ar húmido;

• dimensionamento do isolamento térmico;

• determinação da carga térmica para as duas configurações propostas.

4.1.1 Determinação da temperatura exterior de projeto


Na presente subsecção é determinada a temperatura exterior de projeto, de acordo
com a subsecção 2.4.2.
Na literatura [18], encontram-se enumerados os valores de temperatura máximos em
função da probabilidade de ocorrência, registados em Portugal, que ocorrem na localidade
de Amareleja e estão representados na tabela 4.1.
Como já referido na secção 2.4.2, segundo a regulamentação nacional, a temperatura
exterior de projeto corresponde à temperatura de termómetro seco associada à probabi-
lidade de ocorrência de 97,5%. Assim, Text = 36, 5◦ C.

61
62 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.1: Valores das temperaturas exteriores de projeto de verão, para a localidade
de Amareleja, adaptados da literatura [18].

Probabilidade de ocorrência (%) 99 97,5 95 90


Temperatura de termómetro seco (◦ C) 38,1 36,5 35 33
Temperatura de termómetro molhado coincidente (◦ C) 22,6 21,9 21,5 20,8
Amplitude térmica diária (◦ C) 18

Sabendo que TX = Text e conhecendo o valor da amplitude térmica diária, obtém-se


o valor de TN 1 . Os valores de HX e HN 1 foram estabelecidos na subsecção 2.4.2 de de
acordo com o método usado. Os dados necessários ao cálculo da curva da distribuição
horária da temperatura do ar exterior encontram-se na tabela 4.2.

Tabela 4.2: Temperaturas exteriores de projeto usadas.

Text (◦ C) Tw (◦ C) TN 1 (◦ C)
36,5 21,9 18,5

Recorrendo as equações 2.20 e 2.21 e aos dados da tabela 4.2 é gerada a curva da
evolução horária da temperatura do ar, para condições extremas de temperatura.

Figura 4.1: Curva da distribuição horária da temperatura do ar exterior na Amareleja.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 63

4.1.2 Determinação das propriedades do ar húmido


Esta subsecção destina-se ao cálculo das propriedades relativas ao ar húmido, tanto
no exterior como no interior da câmara frigorífica, de acordo com a subsecção 2.4.3. As
propriedades determinadas são as seguintes: humidade relativa, entalpia e densidade.

Propriedades do ar húmido no exterior da câmara


Os valores de Tda e Tw são obtidos da tabela 4.2, sendo que Tda ≡ Text . Através das
tabelas de psicometria do Anexo A e de uma ajuste polinomial, obtêm-se os valores de
pws (Tda ) e pws (Tw ), listados na tabela 4.3.

Tabela 4.3: Valores temperaturas e pressões no exterior da câmara frigorífica.

Tda (◦ C) Tw (◦ C) pws (Tda ) [kP a] pws (Tw ) [kP a] P [kP a]


36,5 21,9 6,1138 2,6298 101,325

Pela equação 2.31, obtêm-se os valores de Ws e Ws∗ , para Pws (Tda ) e Pws (Tw ), respe-
tivamente.
Conhecendo os valores de Ws∗ , Tda e Tw obtém-se W , recorrendo à equação 2.40.
Por fim, pelas equações 2.32, 2.34, 2.36 e 2.38, determinam-se os valores de µ, φ, ν e
h, respetivamente.
Os valores dos parâmetros obtidos para o ar interior da câmara encontram-se na
tabela 4.4.
Tabela 4.4: Parâmetros relativos ao ar do exterior da câmara.

Ws∗ ν m3 /kg ρar kg/m3


   
W Ws µ(%) φrh (%) h [kJ/kg]
0,01046 0,03993 0,01657 26,19 26,52 0,8919 63,59 1,133

Propriedades ar húmido no interior da câmara


No que diz respeito às propriedades do ar no interior da câmara, são conhecidos os
valores correspondentes à temperatura interior da câmara e à humidade relativa. Quanto
à temperatura, considera-se que Tint ≡ Tda . Já a humidade relativa é estabelecida a 90%,
uma vez que é a mais indicada para estas aplicações, como referido na subsecção 2.4.1.
O valor de pws (Tda ) é determinado através das tabelas de psicometria do Anexo A.
Conhecendo os valores de φrh e pws (Tda ), determina-se pw , recorrendo à equação 2.34.
De seguida determinam-se as humidades absolutas W e Ws , através das equações
2.30 e 2.31, respetivamente.
Por fim, obtêm-se os valores de µ, ν, h e ρar , através das equações 2.32, 2.36, 2.38 e
2.41, respetivamente.

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64 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Os valores dos parâmetros obtidos para o ar interior da câmara encontram-se na


tabela 4.5.
Tabela 4.5: Parâmetros relativos ao ar do interior da câmara.

ν m3 /kg ρar kg/m3


   
W Ws µ(%) φrh (%) h [kJ/kg]
0,000570855 0,000634348 89,99 90,00 0,7177 -18,71 1,393

4.1.3 Dimensionamento do isolamento térmico


Os materiais para isolamento térmico analisados são o PU e o PS. Apesar do PS ter um
custo significativamente inferior, o PU possui condutividade térmica mais baixa. Assim,
para a mesma quantidade de calor transferido pelas paredes da câmara, é necessário uma
maior espessura de isolamento, no caso do PS.
Uma vez que a câmara frigorífica projetada é móvel não se justifica aumentar a
espessura das paredes, pois o seu tamanho deve ser o mais reduzido possível. Assim,
o material escolhido para o isolamento térmico de ambas as configurações é o PU, com
uma espessura de 80mm.

4.1.4 Determinação da carga térmica- Configuração 1


Na presente subsecção determina-se a carga térmica para a configuração da câmara
frigorífica tradicional, explicada na subsecção 3.4.1. São determinadas cada umas das
parcelas da carga térmica existentes relativas à transmissão, infiltração e ao produto, de
acordo com a subsecção 2.4.5.

Parcela de Transmissão (Penetração)


Desprezando as oscilações da temperatura do interior da câmara devido à sua aber-
tura, considera-se que a temperatura Tint se mantém constante ao longo do tempo. Atra-
vés das condições estabelecidas no capítulo 3, sabe-se ainda que Tint = −20◦ C. A variação
horária de Text encontra-se representada na figura 4.1, na subsecção 4.1.1.
Aplicando a equação 2.17 para o caso em estudo, obtém-se a 4.1, que determina a
resistência térmica das paredes da câmara frigorífica.

1 L 1
Rtotal = + + (4.1)
hext A kisol A hint A
A parcela de transmissão Qtrans relativa a transferência de calor por condução e
convecção, através das paredes da câmara, é determinada através da equação 2.56 e a
sua variação horária no decorrer de um dia encontra-se representada na figura 4.2.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 65

Figura 4.2: Parcela da transmissão durante um dia

No entanto, deve-se ainda ter em conta o efeito da irradiação solar incidente nas
paredes da câmara frigorífica, a qual é calculada de acordo com a subsecção 2.4.4.
Para isso, foi determinada a radiação solar incidente em cada uma das paredes da
câmara, para as condições de projeto de verão obtidas na subsecção 4.1.1.
É ainda necessário determinar a orientação solar relativa à câmara, para o dia 21 de
junho, data do solstício de verão. Esta decisão deve-se ao facto de ser o dia com maior
exposição solar e, portanto, onde haverá mais ganhos de energia sob a forma de radiação
solar.
Pelas equações 2.42, 2.43, 2.44 e 2.45 determinaram-se os parâmetros representados
na tabela 4.6, para o dia 21 de junho, sendo que dn = 172 é o valor correspondente à
data em questão.

Tabela 4.6: Valores para cálculo da posição solar, para o dia 21 de junho.

dn τ [rad] Eo [rad] δ [◦ ] Et [min]


172 2,94 0,97 23,45 -1,32

Como a informação relativa à radiação solar é, geralmente, registada em relação ao


tempo solar, LAT, e a parcela da transmissão determinada na figura 4.2, é registada
relativamente ao horário local, LST, é necessário relacionar estes dois registos horários.
Assim, pela equação 2.46, determina-se a conversão entre LAT e LST.
Onde, LAT-LST representa a diferença entre os dois registos horários. Isto é, para o
dia 21 de Junho na localidade de Amareleja, às 12 horas LAT, equivale às 13:30 horas
LST.
De seguida, determina-se a hora do nascer e do pôr do sol e, consequentemente, a
duração de um dia solar. Recorrendo às equações 2.50 e 2.51, obtêm-se os valores listados

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66 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.7: Valores para conversão entre os registo LST e LAT, no formato horário
(hh:mm:ss).

Lcorr Et DST LST − LAT


00:28:52 00:01:19 01:00:00 1:30:11

na tabela 4.8.
Tabela 4.8: Hora do nascer e do pôr do sol e a duração de um dia solar, para o dia 21 de
junho em LST e LAT, no formato horário (hh:mm:ss).

Nascer do sol Pôr do sol Duração do dia


LAT 04:40:12 19:19:48
14:39:36
LST 06:10:23 20:49:48

Sabe-se ainda que ω = 0◦ para LAT = 12horas, que ω > 0◦ durante a manhã e
ω < 0◦ durante a tarde aumentando 15◦ por hora. O valor de ω e máximo e mínimo nas
horas do nascer do sol e pôr do sol, respetivamente. Assim sendo, estabelece-se a variação
de ω para o tempo LAT, considerando que −109, 96◦ ≤ ω ≤ 109, 96◦ , pois ωs = 109, 96.
Sabendo que a atmosfera absorve parte da irradiação solar incidente na superfície
terrestre é necessário determinar o fator de transmissão atmosférica τb . Para condições
de céu limpo, os valores de τb em função de θ são determinados pela equação 2.52.
De acordo com a subsecção 2.4.4, os valores das constantes a0 , a1 e kb são deter-
minados através das equações 2.53a, 2.53b e 2.53c respetivamente, para uma altitude
Hsup = 0m. Para isso aplicam-se os fatores de correção para o tipo de clima de meia
latitude de verão, presentes na tabela 2.5, às condições r0 = a0 /a∗0 , r1 = a1 /a∗1 e
rk = kb /k∗b . Os valores das constantes obtidas, para estas condições encontram-se na
tabela 4.9.
Tabela 4.9: Valores das constantes necessárias para o cálculo do fator de transmissão
atmosférica τb .

a0 a1 kb
0,410989 0,500445 0,276522

De seguida, para cada uma das paredes da câmara frigorífica, determinaram-se as


seguintes variações horárias: θ em função de ω; τb em função de θ; Gcb em função de θ e
de τb .
É ainda importante salientar que para o cálculo de θ são usados os valores relativos à
posição solar no dia 21 de junho, que se encontram na tabela 4.6. Os ângulos que variam
consoante as paredes da câmara frigorífica são: o de inclinação β e o de azimute γ.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 67

1. Teto
Uma vez que o teto é uma parede horizontal sabe-se que β = 0◦ e, por isso, os
valores de θ são determinados através da equação 2.48. Assim, a variação horária
de ω, θ, τb e Gcb , relativa à superfície da câmara frigorífica correspondente ao teto,
encontra-se representada na tabela 4.10.

Tabela 4.10: Variação horária de ω, θ, τb e Gcb , relativamente à superfície do teto.

LST LAT ω [◦ ] θ [◦ ] τb [◦ ] Gcb W/m2


 

6:10 4:40 109,96 90,00 0,41 0,00


6:30 5:00 105,00 86,59 0,42 32,73
7:30 6:00 90,00 75,75 0,57 186,73
8:30 7:00 75,00 64,36 0,68 386,34
9:30 8:00 60,00 52,66 0,73 584,18
10:30 9:00 45,00 40,90 0,76 757,86
11:30 10:00 30,00 29,49 0,78 892,44
12:30 11:00 15,00 19,53 0,78 977,44
13:30 12:00 0,00 14,75 0,79 1006,48
14:30 13:00 -15,00 19,53 0,78 977,44
15:30 14:00 -30,00 29,49 0,78 892,44
16:30 15:00 -45,00 40,90 0,76 757,86
17:30 16:00 -60,00 52,66 0,73 584,18
18:30 17:00 -75,00 64,36 0,68 386,34
19:30 18:00 -90,00 75,75 0,57 186,73
20:30 19:00 -105,00 86,59 0,42 32,73
20:49 19:19 -109,96 90,00 0,41 0,00

2. Paredes frontal e traseira:


Uma vez que as paredes frontal e traseira são superfícies verticais, sabe-se que
β = 90◦ e, por isso, os valores de θ são determinados através da equação 2.49.
Como estão direcionadas para sul e norte, sabe-se que os valores de γ são 0◦ e 90◦ ,
respetivamente. Assim, a variação horária de ω, θ, τb e Gcb , relativa às superfí-
cies da câmara frigorífica correspondentes às paredes frontal e traseira, encontra-se
representada na tabela 4.11.

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68 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.11: Variação horária, formato (horas:minutos), de ω, θ, τb e Gcb , relativamente


às superfícies das paredes frontal e traseira.

LST LAT ω [◦ ] θ [◦ ] τb [◦ ] Gcb W/m2


 

9:43 8:13 56,54 90,00 0,41 0,00


10:30 9:00 45,00 84,93 0,43 50,61
11:30 10:00 30,00 79,71 0,52 122,17
12:30 11:00 15,00 76,39 0,57 175,91
13:30 12:00 0,00 75,25 0,58 195,22
14:30 13:00 -15,00 76,39 0,57 175,91
15:30 14:00 -30,00 79,71 0,52 122,17
16:30 15:00 -45,00 84,93 0,43 50,61
17:16 15:46 -56,54 90,00 0,41 0,00

3. Parede este
Uma vez que parede este e uma superfície vertical, sabe-se que β = 90◦ e, por isso,
os valores de θ são determinados através da equação 2.49. Como está direcionada
para este, sabe-se que γ = 90◦ . Assim, a variação horária de ω, θ, τb e Gcb ,
relativa à superfície da câmara frigorífica correspondente à parede este, encontra-se
representada na tabela 4.12.

Tabela 4.12: Variação horária, formato (horas:minutos), de ω, θ, τb e Gcb , relativamente


à superfície da parede este.

LST ω [◦ ] θ [◦ ] τb [◦ ] Gcb W/m2


 
LAT
6:10 4:40 109,96 30,43 0,77 882,80
6:30 5:00 105,00 27,61 0,78 910,91
7:30 6:00 90,00 23,45 0,78 947,79
8:30 7:00 75,00 27,61 0,78 910,91
9:30 8:00 60,00 37,39 0,76 803,09
10:30 9:00 45,00 49,56 0,74 632,91
11:30 10:00 30,00 62,70 0,68 415,45
12:30 11:00 15,00 76,26 0,57 178,09
13:30 12:00 0,00 90,00 0,41 0,00

4. Parede oeste
Uma vez que parede oeste é uma superfície vertical, sabe-se que β = 90◦ e, por isso,
os valores de θ são determinados através da equação 2.49. Como está direcionada
para oeste, sabe-se que γ = −90◦ . Assim, a variação horária de ω, θ, τb e Gcb ,
relativa à superfície da câmara frigorífica correspondente à parede oeste, encontra-
se representada na tabela 4.13.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 69

Tabela 4.13: Variação horária, formato (horas:minutos), de ω, θ, τb e Gcb , relativamente


à superfície da parede oeste.

LST LAT ω [◦ ] θ [◦ ] τb [◦ ] Gcb W/m2


 

13:30 12:00 0,00 90,00 0,41 0,00


14:30 13:00 -15,00 76,26 0,57 178,09
15:30 14:00 -30,00 62,70 0,68 415,45
16:30 15:00 -45,00 49,56 0,74 632,91
17:30 16:00 -60,00 37,39 0,76 803,09
18:30 17:00 -75,00 27,61 0,78 910,91
19:30 18:00 -90,00 23,45 0,78 947,79
20:30 19:00 -105,00 27,61 0,78 910,91
20:49 19:19 -109,96 30,43 0,77 882,80

Na figura 4.3, encontra-se representada a variação horária de Gcb , em tempo LST para
cada uma das paredes analisadas. Foram desprezados os seguintes fatores: irradiação
refletida pelo chão do meio envolvente e os ganhos de radiação solar através da superfície
correspondente ao chão da câmara frigorífica.

Figura 4.3: Radiação solar nas paredes da câmara frigorífica

Assim, pela equação 2.57, combina-se o efeito da radiação solar, com a parcela da
transmissão da figura 4.2. Esta combinação perfaz a totalidade de trocas de calor através
das paredes da câmara, e está representada na figura 4.4.

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70 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Figura 4.4: Variação horária da parcela da transmissão com o efeito da radiação

Parcela de Infiltração
Os valores de Wp e Hp correspondem à largura e comprimento da abertura da câmara,
respetivamente, e encontram-se definidas na subsecção 3.4.1. A área Ad é obtida através
destes valores.
Os valores de hext , ρext , hint e ρint foram determinados na subsecção 4.1.2. Os valores
de hext e ρext correspondem à entalpia e densidade calculadas relativamente às proprie-
dades da humidade do ar no exterior da câmara e estão representadas na tabela 4.4. Já
os valores de hint e ρint correspondem à entalpia e densidade calculadas relativamente às
propriedades da humidade do ar no interior da câmara e estão representadas na tabela
4.4.
Recorrendo aos resultados apresentados na tabela 4.14, determinam-se as incógnitas
Fm e q através das equações 2.60 e 2.59, respetivamente.

Tabela 4.14: Valores para cálculo do fator de densidade, Fm e calor latente e sensivel, q,
para a configuração tradicional.
h i h i h i h i
kJ kJ kg kg m
Ad m2
 
q [kW ] Wp [m] Hp [m] hext kg hint kg ρext m3
ρint m3
g s2
Fm

3,53 0,435 0,395 0,172 63,59 -18,71 1,133 1,394 9,81 0,949

Os valores presentes na tabela 4.15 correspondem ao número e duração das aberturas


da porta definidos na subsecção 3.4.1.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 71

Tabela 4.15: Valores para cálculo do fator de abertura da porta, Dt , para a configuração
tradicional.

Dt P θp [s] θo [min] θd [horas]


0,281 270 10 90 8

O fator Dt é determinado através da equação 2.61, recorrendo aos parâmetros listados


na tabela 4.15.
A parcela da infiltração, qinf , é obtida através da equação 2.58, para os valores
representados na tabela 4.16. Considera-se Eprotetor = 0, uma vez que a configuração
tradicional não possui qualquer dispositivo de proteção e que Df = 0, 8.

Tabela 4.16: Valores para cálculo da parcela da infiltração, qinf , para a configuração
tradicional.

qinf [W ] q [W ] Dt Df Eprotetor
795 3531 0,281 0,8 0

Parcela do Produto
Uma vez que projeto consiste no dimensionamento de uma câmara de conservação,
a sua função está centrada apenas no armazenamento e conservação do produto e, por
isso, não existe alteração de temperatura e, consequentemente não ocorre troca de calor
latente, nem troca de calor sensível, pelo que se considera desprezável a parcela do
produto para o caso em estudo.

Parcela decorrente e diversas cargas


Quanto à parcela relativa à iluminação e outros equipamentos é também considerada
nula, uma vez que não foi necessária a introdução de outros componentes no interior da
câmara. A carga proveniente das pessoas é também nula, pois esta só é aplicada em
câmara industriais, onde efetivamente se verifica a circulação de pessoas.

Carga térmica total


A carga térmica total Qtotal é obtida através do somatório das suas parcelas calcu-
ladas ao longo desta subsecção, aplicando um fator de segurança de 10% para evitar o
subdimensionamento do sistema. Tanto os valores da carga térmica como os das parce-
las que a constituem, relativos à configuração tradicional, estão representados na tabela
4.17.
Tabela 4.17: Valores da carga térmica total e das parcelas da mesma.

Qtrans [W ] Qinf [W ] Qproduto [W ] Qdiv [W ] Qtotal [W ]


200 795 0 0 1094

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72 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Na figura 4.5 estão representados os valores percentuais das parcelas da carga térmica
relativamente ao seu total, para a configuração tradicional.

Figura 4.5: Valores percentuais das parcelas da carga térmica, para a configuração tra-
dicional

4.1.5 Determinação da carga térmica- Configuração 2


Na presente subsecção determina-se a carga térmica para a configuração da câmara
frigorífica tradicional, explicada na subsecção 3.4.2. São determinadas cada umas das
parcelas da carga térmica existentes relativas à transmissão, infiltração e ao produto, de
acordo com a subsecção 2.4.5.
A configuração com gavetas proposta no presente projeto difere da tradicional apenas
na duração e dimensões das aberturas. Assim, tanto a parcela da transmissão, produto e
diversas é a mesma em ambas as configurações. No entanto, a infiltração será diferente.

Parcela da infiltração
Os valores de Wp e Hp correspondem à largura e altura da gaveta da câmara, respeti-
vamente, e encontram-se definidas na subsecção 3.4.1. A área Ad é obtida através destes
valores.
Os valores de hext , ρext , hint e ρint foram determinados na subsecção 4.1.2. Os valores
de hext e ρext correspondem à entalpia e densidade calculadas relativamente às proprie-
dades da humidade do ar no exterior da câmara e estão representadas na tabela 4.4. Já
os valores de hint e ρint correspondem à entalpia e densidade calculadas relativamente às
propriedades da humidade do ar no interior da câmara e estão representadas na tabela
4.4.
Recorrendo aos resultados apresentados na tabela 4.18, determinam-se as incógnitas
Fm e q através das equações 2.60 e 2.59, respetivamente.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 73

Tabela 4.18: Valores para cálculo do fator de densidade, Fm e calor latente e sensivel, q,
para a configuração com gavetas.
h i h i h i h i
kJ kJ kg kg m
Ad m 2
 
q [W ] Wp [m] Hp [m] hext Kg hint kg ρext m3
ρint m3
g s2
Fm

1472 0,395 0,235 0,093 63,59 -18,71 1,133 1,394 9,81 0,949

Os valores presentes na tabela 4.15, correspondem ao número e duração das aberturas


das gavetas definidos na subsecção 3.4.2.

Tabela 4.19: Valores para cálculo do fator de abertura da porta, Dt , para a configuração
com gavetas.

Dt P θp [s] θo [min] θd [horas]


0,103 270 5 27 8

O fator Dt é determinado através da equação 2.61, recorrendo aos parâmetros listados


na tabela 4.19.
A parcela da infiltração, qinf é obtida através da equação 2.58, para os valores re-
presentados na tabela 4.20. Através da literatura [21], considera-se que Eprotetor = 0, 8,
uma vez que a configuração com gavetas possui um dispositivo de proteção de PVC e
que Df = 0, 8.

Tabela 4.20: Valores para cálculo da parcela da infiltração, qinf , para a configuração com
gavetas.

qinf [W ] q [W ] Dt Df Eprotetor
24 1472 0,103 0,8 0,8

As únicas alterações nesta proposta são os tempos de operação e a introdução de um


dispositivo de proteção nas gavetas, definidos no capítulo 3. O dispositivo de proteção é
constituído por cortinas de plástico flexíveis. Assim, o valor de Eprotetor corresponde a
0,8 [21].

Carga térmica total


A carga térmica total Qtotal é obtida através do somatório das suas parcelas calcu-
ladas ao longo desta subsecção, aplicando um fator de segurança de 10% para evitar o
subdimensionamento do sistema. Tanto os valores da carga térmica como os das parce-
las que a constituem, relativos à configuração tradicional, estão representados na tabela
4.21.
Tabela 4.21: Valores da carga térmica total e das parcelas da mesma.

Qtrans [W ] Qinf [W ] Qproduto [W ] Qdiv [W ] Qtotal [W ]


200 24 0 0 247

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74 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

A figura 4.6 demonstra a influência que cada uma das parcelas desempenha na carga
térmica total. Para esta configuração verifica-se que a parcela da infiltração é muito
menor do que a da transmissão devido à eficiência energética da solução proposta. A
distribuição percentual das parcelas da carga térmica neste caso é o inverso relativamente
à configuração tradicional.

Figura 4.6: Carga Térmica total e a percentagem de cada uma das parcelas, para a
configuração 2.

4.1.6 Comparação entre as configurações 1 e 2


Na presente subsecção são analisados os valores obtidos para a carga térmica de cada
uma das configurações.
A parcela da infiltração determinada na configuração com gavetas é de 24W , o que
significa que se regista uma redução de 97%, comparativamente à configuração tradicional
que regista um valor de 795W .
Relativamente à carga térmica total, a configuração com gavetas perfaz um total
de 247W , registando uma redução de 77% em relação à solução tradicional. Assim, a
configuração da câmara frigorífica com gavetas é uma opção bastante mais eficiente do
ponto de vista energético.

4.2 Dimensionamento dos componentes da câmara


Nesta secção é realizado o dimensionamento e seleção dos componentes que consti-
tuem a câmara de conservação apenas para a configuração com gavetas, com base na
secção 2.5. Os componentes da câmara dimensionados são os seguintes:

• fluido refrigerante;

• isolamento térmico;

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 75

• sistema de refrigeração;

• outros componentes.

4.2.1 Seleção do fluido refrigerante


Na presente secção e selecionado o fluido refrigerante do sistema, de acordo com a
subsecção 2.5.2.
Foram ponderados alguns fluidos, como o R134a, o R404a e o R600a. Apesar do
R404a ser usado no mercado em câmaras de conservação móveis de venda de gelados,
este é o que apresenta menor COP entre os três, e possui um PAG superior ao permitido
pelo regulamento, o que impossibilita a sua comercialização a partir de 1 de janeiro de
2020 [24].
O R600a é ideal do ponto de vista ambiental, uma vez que possui um PAG extre-
manente reduzido, inferior a 150. No entanto, apresenta algumas desvantagens. Este
gás é considerado inflamável, pertencendo ao grupo de segurança A3 e, no mercado,
atualmente, verifica-se uma falta de componentes compatíveis com o R600a.
Ponderados os argumentos anteriormente referidos, o fluido refrigerante escolhido foi o
R134a devido a possuir um COP elevado, comparativamente com os outros refrigerantes,
por ser menos prejudicial ao ambiente do que o R404a e devido à maior compatibilidade
dos componentes, comparativamente com o R600a.

4.2.2 Sistema de refrigeração


Na presente subsecção é dimensionado o sistema de refrigeração do projeto, de acordo
com a subsecção 2.5.3.
Para tal, realizou-se uma análise energética do sistema de compressão a vapor ideal
de um único estágio, representado na figura 2.10, da subsecção 2.5.3.
O sistema de refrigeração escolhido para a câmara frigorífica é o sistema de compressão
a vapor de um único estágio, normalmente usado tanto para sistemas de refrigeração em
geral, como para as câmaras de refrigeração de venda de gelados. A seleção deste sistema
deve-se, essencialmente, ao facto de possuir um COP mais elevado que as restantes
alternativas e à sua simples construção e design, juntamente com painéis PV, formando
um sistema solar elétrico de compressão a vapor.
Sabendo que a Tint = −20◦ C e que ∆Tevap = [4; 5]◦ C, para uma humidade relativa
de 90%, a temperatura de evaporação do sistema disponível no catálogo da Embraco,
mais próxima do pretendido, é Te = −25◦ C. Como Text = 36, 5◦ C e sabendo que
∆Tevap = [5; 7]◦ C, a temperatura de condensação escolhida pelo catálogo da Embraco é
Tc = 45◦ C.
Sabendo que Pe e Pc correspondem à pressões do fluido R134a, quando este se en-
contra às temperaturas Te e Tc , respetivamente, determinaram-se por interpolação, as
pressões de evaporação e condensação, encontradas na tabela 4.22, recorrendo à tabela
das propriedades termodinâmicas do fluido referido no Anexo A.
Para o sistema teórico representado pelas figuras 2.11a e 2.11b e recorrendo às con-
dições apresentadas na subsecção 2.5.3 e às tabelas do Anexo A, determinaram-se as
temperaturas, pressões, entalpias e entropias em cada fase do ciclo, listadas na tabela
4.23.

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76 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.22: Temperaturas e pressões de evaporação e condensação do refrigerante R134a.

Te [◦ C] Tc [◦ C] Pe [M P a] Pc [M P a]
-25 45 0,10649 1,1602

Tabela 4.23: Valores das temperaturas, pressões, entalpias e entropias em cada fase do
ciclo representado nas figuras 2.11a e 2.11b.

Fase T [◦ C] P [M P a] h [kJ/kg] s [kJ/(kg.s)]


1 -25 0,10649 383,45 1,7461
2 55,33 1,16020 454,85 1,7461
3 45 1,16020 263,95
4 -25 0,10649 263,95

Recorrendo à subsecção 2.5.3, sabe-se que a carga térmica corresponde à capacidade


de refrigeração do sistema Q̇evap , assim sendo, tem-se que Qtotal = Q̇evap = 247W .
Conhecendo este valor, obtém-se o fluxo mássico do refrigerante ṁr , recorrendo à equação
2.68 e aos valores apresentados na tabela 4.23. .

Tabela 4.24: Valores do fluxo mássico do refrigerante e das entalpias para cada ponto do
sistema de refrigeração.

ṁr [kg/s] h1 [kJ/kg] h2 [kJ/kg] h3 [kJ/kg] h4 [kJ/kg]


0,002063281 383,45 454,85 263,95 263,95

Através das equações 2.69, 2.70, 2.71 e dos valores da tabela 4.24, determinaram-se
os valores das potências de cada componente do sistema de refrigeração e respetivo COP.
Esses valores estão listados na tabela 4.25.
Tabela 4.25: Potências dos componentes do sistema de refrigeração da câmara.

Evaporador, Q̇e 247 W


Compressor, Ẇc 148 W
Condensador, Q̇c -350 W
Válvula de Expansão 0W
COP 1,67

De seguida, recorreu-se ao software de simulação Coolpack, para determinar os valores


do sistema real apresentado nas figuras 2.12a e 2.12a da subsecção 2.5.3.
Através da análise realizada pelo Coolpack, obteve-se os resultados apresentados na
tabela 4.26.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 77

Tabela 4.26: Potências dos componentes do sistema de refrigeração da câmara obtidos


pelo software de simulação Coolpack.

Evaporador, Q̇e 247 W


Compressor, Wc 153 W
Condensador, Q̇c -400 W
Válvula de Expansão 0W
COP 1,61

4.2.3 Componentes da câmara


Na presente subsecção são dimensionados e selecionados os componentes da câmara
frigorífica, recorrendo à informação da subsecção 2.5.

Compressor
Em primeiro lugar selecionou-se o compressor, através do catálogo da Embraco, tendo
em conta os seguintes requisitos:

• compatibilidade com o refrigerante R134a, uma vez que foi o fluido selecionado
para a câmara;

• tipo de aplicação LBT, devido a ser a mais indicada à temperatura de evaporação


do projeto;

• capacidade de refrigeração Q̇e > 247W ;

• ser do tipo hermético recíproco, uma vez que o compressor deve ser selado herme-
ticamente para poder trabalhar com o fluido selecionado, segundo a nova regula-
mentação [24];

• possuir o COP mais elevado possível.

Por estes motivos, o compressor selecionado corresponde ao modelo FFU 100HAK da


Embraco que se encontra ilustrado na figura 4.7, e para o qual as características principais
estão descritas na tabela 4.27.

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78 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.27: Características principais do compressor FFU 100HAK.

Modelo FFU 100HAK


Tipo Compressor hermético recíproco
Refrigerante R134a
Aplicação LBT
Capacidade de refrigeração 290W
Potência de consumo 181W
COP 1, 61
Voltagem nominal/frequência 220V 50Hz
Tipo de Motor CSIR
Torque inicial LST

Figura 4.7: Compressor FFU 100HAK da Embraco

Unidade condensadora
Tendo selecionado o compressor, procede-se à seleção da unidade condensadora cor-
respondente. Assim, pelo catálogo da Embraco selecionou-se a unidade condensadora
compatível com o compressor escolhido, cujo modelo é UC UFU 100HAK. Este equi-
pamento contém não só o condensador como também o compressor selecionado anteri-
ormente, um ventilador, um tubo capilar, um reservatório de líquido e um protetor de
sobrecarga.
O equipamento selecionado encontra-se ilustrado na figura 4.8 e as suas características
principais encontram-se enumeradas na tabela 4.28.
Deve-se ainda salientar que, pelo catálogo da Embraco, a capacidade de refrigeração
e a potência de consumo da unidade condensadora em questão correspondem aos valores
máximos, uma vez que esta pode conter uma gama diversa de compressores. No entanto,
os valores de Q̇e e Ẇc a considerar são os mesmos do compressor selecionado.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 79

Tabela 4.28: Características principais do condensador UC UFU 100HAK.

Modelo UC UFU 100HAK


Refrigerante R134a
Aplicação LBT
Capacidade de refrigeração 290W
Potência de consumo 181W
COP 1,61
Voltagem nominal/frequência 220V 50Hz
Tipo de Motor CSIR
Peso 16,5
Dimensões 420*286*244 mm

Figura 4.8: Unidade condensadora, modelo UC UFU 100HAK, da Embraco.

Evaporador

O evaporador deve ser montado pela empresa que fornece a arca frigorífica, sendo a
Fricon o fabricante escolhido. O evaporador deverá estar colocado de modo a comple-
tar voltas completas na câmara, estando apenas em contacto com as seguintes paredes:
teto;piso; paredes laterais. Optou-se por não colocar o evaporador na parede traseira,
uma vez que a disposição em volta da câmara, descrita anteriormente, é uma solução de
menor custo e maior facilidade de fabrico.
As características principais deste aparelho estão enumeradas na tabela 4.29.

Tabela 4.29: Características principais do evaporador dimensionado.

Tipo Serpentina
Material Cobre
Capacidade de Refrigeração 290 W
Diâmetro do tubo 3/8 in

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80 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Válvula de expansão

Através de um manual de utilização do compressor, fornecido pela empresa Embraco,


é sugerido um dispositivo medidor de acordo com o tipo de torque do motor [30]. Como o
motor do compressor selecionado é do tipo HST, a seleção do dispositivo medidor envolve
a escolha de uma válvula de expansão.
Pelo catálogo da empresa Dunan, escolheu-se uma válvula de expansão termostática
modelo TA Series, devido a ser mais indicada para aplicações de pequena capacidade de
refrigeração.
A seleção é baseada no refrigerante usado, na capacidade de refrigeração e na queda
de pressão na válvula. Pela tabela 4.22, conhecem-se as pressões Pevap e Pcond , respeti-
vamente. Assim, a queda de pressão, corresponde a Pcond − Pevap = 1M P a = 10bar.
Para os valores da Tcond e Tevap do sistema, o modelo correspondente é o que está
indicado para uma capacidade de refrigeração imediatamente acima da projetada.
Conhecendo estes dados, o dispositivo selecionado é a válvula de expansão termostá-
tica PAN0, da Dunan, cujas principais características estão descritas na tabela 4.30.

Tabela 4.30: Características principais do dispositivo medidor selecionado.

Modelo TAN0
Tipo Válvula de expansão termostática standard
Fabricante Dunan
Refrigerante R134a
Capacidade de refrigeração [W ] 300
Peso [kg] 0,22

Na figura 4.9 encontra-se representada a válvula de expansão termoestática selecio-


nada.

Figura 4.9: Válvula de expansão termoestática, modelo PAN0, da Dunan.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 81

4.3 Dimensionamento da fonte de alimentação da câmara


Na presente secção é projetado o sistema de alimentação da câmara, onde são dimen-
sionados e selecionados todos os componentes que o constituem.
A alimentação da câmara é realizada através de um sistema de baterias e inversor,
que satisfaz as necessidades energéticas da câmara para o período de tempo do seu
funcionamento.
As baterias selecionadas são do tipo chumbo-ácido, devido à sua melhor aplicabili-
dade em sistemas alimentados por painéis PV e ao seu custo bastante inferior, quando
comparado com as baterias de lítio.
O esquema da alimentação energética da câmara projetada está representado na figura
4.10.

Figura 4.10: Sistema de alimentação da câmara.

4.3.1 Dimensionamento do sistema de baterias


Nesta subsecção é dimensionado o sistema de baterias que pode ser constituído por
uma ou múltiplas baterias, juntamente com um ou múltiplos inversores de corrente,
segundo a subsecção 2.6.2.

Dimensionamento do inversor
Primeiro, começa-se por dimensionar o inversor. Para isso recorreu-se ao catálogo da
empresa Mercury para consultar as suas características. Através deste catálogo sabe-se
que a eficiência deste aparelho é de 90% e, assim, ηinversor = 0, 9. A potência de consumo
do sistema de refrigeração AC PAC corresponde à potência do compressor selecionado na
subsecção 4.2.3, portanto, PAC = 181W . Por fim, através da equação 2.76, determina-se
a potência do inversor, Pinversor = 200W .
Pelos motivos apresentados anteriormente, e tendo em conta que a potência do in-
versor deve ser superior à dimensionada, com o intuito de evitar sobrecargas e picos de
corrente, o equipamento selecionado é o Inversor 300W 12Vdc 230Vac Soft Start, da Mer-
cury, cujas características principais e imagem se encontram representados na tabela 4.31
e figura 4.11, respetivamente. Optou-se pelo inversor de 300 W, para evitar sobrecarga
no inversor em situações de pico.

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82 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.31: Características principais do inversor de corrente selecionado.

Modelo Inversor 300W 12Vdc 230Vac Soft Start


Fabricante Mercury
Potência 300W
Eficiência 90%
Voltagem DC 12 V
Voltagem AC 220 V

Figura 4.11: Inversor 300W 12Vdc 220Vac Soft Start, da Mercury.

Conhecendo a potência do inversor, procede-se ao dimensionamento das baterias. As


baterias são projetadas para funcionarem durante 8 horas por dia, período de funcio-
namento da câmara frigorífica, e pretende-se que tenham uma autonomia para apenas
um dia. Assim, sabe-se que tf uncionamento = 8 horas e nautonomia = 1. Portanto, pela
equação 2.77, obtém-se o consumo útil das baterias, que corresponde a Putil = 1600W h.
Através das características do inversor escolhido, listadas na tabela 4.31, sabe-se a
diferença de potencial da bateria, Ubateria = 12V . Pela equação 2.79, determina-se a
capacidade total do sistema de baterias, que é Ctotal = 185Ah.
Através do catálogo da empresa AlcoaSport, consultou-se as características das ba-
terias. Como Ctotal = 185Ah, recorrendo à equação 2.81, o sistema dimensionado e
composto por duas baterias de 100Ah.
Assim sendo, as baterias selecionadas são da empresa AlcoaSport, modelo 12V 100Ah
e as suas características principais e imagem estão representadas na tabela 4.32 e figura
4.12, respetivamente.

Tabela 4.32: Características principais das baterias selecionadas.

Modelo Bateria 12V 100 Ah


Fabricante AlcoaSport
Capacidade 100Ah
Eficiência 90%
Voltagem DC 12 V

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 83

Figura 4.12: Bateria 12V 100Ah, da AlcoaSport.

Sabendo que o sistema de baterias é composto por duas baterias de 100Ah, perfazendo
um total de 200Ah. Determina-se o consumo real para este sistema, através da equação
2.79, e obtém-se um consumo real das baterias de 2400W h. Este valor é importante,
pois corresponde à potência que os painéis fotovoltaicos devem fornecer às baterias, para
estas carregarem completamente.

4.3.2 Dimensionamento do sistema de painéis PV


Nesta subsecção é descrito e dimensionado o sistema de painéis PV que alimenta o
sistema de baterias, de acordo com as subsecções 2.4.4 e 2.6.1.
Inicialmente surgiu a ideia de colocar os painéis na parte superior do veículo de venda
de gelados, podendo criar sombra sobre o vendedor que o manobra. No entanto, devido
ao peso substancial dos painéis, esta solução não é a mais viável, uma vez que reduz a
manobrabilidade do veículo.
Assim sendo, a solução proposta para a integração dos painéis PV como fonte ener-
gética do sistema centra-se na criação de um posto fixo de abastecimento das baterias,
que poderá ser integrado num estabelecimento fixo de venda de gelados. Poderá ainda
incorporar outras funções, tais como o carregamento de telemóveis e outros equipamen-
tos, atraindo um maior número de pessoas e, consequentemente, aumentar a venda de
gelados.
A principal função do posto de abastecimento é o carregamento das duas baterias
necessárias para o funcionamento do sistema de refrigeração projetado, de acordo com
as condições pretendidas para o projeto, referidas no capítulo 3. Estando as baterias
carregadas, estas serão substituídas pelas baterias usadas pelo veículo, no dia anterior.
Pretende-se que o posto de carregamento esteja conectado à rede elétrica, para que o
carregamento das baterias não seja comprometido em situações meteorológicas desfavo-
ráveis, como a ausência de radiação solar.
Através da consulta de um catálogo de painéis solares, da empresa Canadian So-
lar, são conhecidas algumas características dos painéis PV. Essas características estão
enumeradas na tabela 4.33.
Com a finalidade de determinar a incidência de irradiação solar GP V , recorre-se à
subsecção 2.4.4. O ângulo ideal dos painéis βP V corresponde ao ângulo de inclinação do
plano em que se verificam maiores ganhos solares, que ocorre quando θ = 0◦ , ao meio
dia solar. Assim, através da equação 2.47 e sabendo que γ = 0◦ para uma orientação a
sul, sabe-se que βP V = 22◦ , para o período entre 1 de junho e 31 de setembro.
Compararam-se os ganhos de radiação solar entre a inclinação ideal e o posicio-
namento horizontal dos painéis, valor determinado na subsecção 4.1.4. Através desta

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84 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Tabela 4.33: Caracateristicas principais do painel PV selecionado.

Modelo CS6K 285FM-G


Fabricante Canadian Solar
Eficiência 17, 33%
Potência nominal máxima 285W
Dimensões 1658 ∗ 992 ∗ 5, 8(mm)
Área do painel PV 1, 644m2
Peso 23 kg

análise, concluiu-se que a diferença de ganhos solares entre as duas situações não é signi-
ficativa. Assim sendo, optou-se por posicionar os painéis PV com uma ligeira inclinação
de 10◦ , para que possa facilitar o escoamento da água, em dias de chuva. No caso de ser
necessário mais que um painel, um deverá ter orientação para sul e o outro para norte,
para que independentemente da zona de instalação, se possam otimizar os ganhos de
radiação.
O valor de GP V durante as 8 horas de funcionamento, é determinado através das
equações 2.54 e 2.47, para a inclinação β = 10◦ . Os valores dos ângulos solares corres-
pondentes ao dia 21 de junho, calculados na subsecção 4.1.4, encontram-se nas tabelas
4.7 e 4.6. A variação horária de GP V está representada na figura 4.13, perfazendo um
total de 6679W h/m2 .

Figura 4.13: Irradiação solar incidente no sistema de painéis PV, durante as 8 horas de
funcionamento.

Recorrendo à equação 2.75, da subsecção 2.6.1, obtém-se AP V = 3, 11m2 . Através da


tabela 4.33, verifica-se que são necessários dois painéis para satisfazer carregar comple-
tamente as duas baterias e, por isso a área dos dois painéis selecionados é de 3, 29m2 .
Para o sistema PV selecionou-se ainda o controlador de carga MPPT Epsolar Tracer-
4210A 40A 12/24V, da empresa Sunsolar, tendo em consideração que dever suportar
intensidades de corrente superior às dos painéis projetados. Este equipamento encontra-
se ilustrado na figura 4.14.
Este aparelho é sugerido pela empresa Sunsolar para os painéis e baterias em ques-

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 85

Figura 4.14: Controlador de carga selecionado.

tão, sendo comercializado em conjunto com os 2 painéis solares pretendidos a um custo


inferior.

4.4 Análise energética do sistema


A análise energética do sistema é elaborada nesta subsecção, onde são abordados os
seguintes tópicos: consumos energéticos, eficiência energética do sistema e emissões de
CO2 .

4.4.1 Consumos energéticos


Esta subsecção descreve e analisa os consumos energéticos da câmara frigorífica para
as 8 horas de funcionamento, que são divididos para duas aplicações diferentes: ligação
à rede elétrica e utilização do posto de abastecimento fixo.
Para o caso da ligação à rede elétrica, tanto esta como o sistema de refrigeração
funcionam com corrente AC, similar a uma câmara frigorífica doméstica, e, por isso, não
existe a necessidade da utilização de baterias nem inversor.
Assim, o consumo de energia elétrica kW he diário para esta situação é determinado
através da potência do compressor selecionado na subsecção 4.2.3, cujo valor corresponde
a 181W . No entanto, como a capacidade de refrigeração do sistema de refrigeração
projetado é de 290W e apenas são necessários 250W , a câmara frigorífica irá funcionar
a 86% da carga máxima.
Normalmente, se a carga de refrigeração diminuir, o compressor estará em funciona-
mento menos tempo, no entanto terá mais arranques por dia, o que tende a reduzir o
rendimento global do sistema, isto é o COP. Por outro lado, se a carga diminui deve-se ao
facto da temperatura/radiação no exterior diminuir também, o que origina um aumento
do COP, devido à menor diferença de temperatura entre o interior e o exterior da câmara.
Como estes são efeitos contrários, não é óbvio qual se destaca.
Por estes motivos, para uma simplificação da análise dos consumos energéticos,
assume-se que o COP nominal do sistema se mantém constante quando o sistema funci-
ona a 86% da carga.
Para as condições referidas, a potência de consumo do compressor será de apenas
156W e, sabendo que num dia o sistema encontra-se em funcionamento durante 8 horas,
o consumo de energia elétrica corresponde a kW he /dia = 8∗potência= 1, 25kW h/dia.

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86 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Para o caso da ligação ao posto de abastecimento fixo, dimensionado na secção 4.3, a


alimentação da câmara é feita através do sistema de baterias. Por isso, o consumo diário
para este caso corresponde ao consumo das baterias, determinado na subsecção 4.3.1, e
tem o valor de kW he = 2, 4kW h/dia.
Os valores de consumo de energia primária para a ligação à rede, para Portugal, são
determinados pela condição kW hp = 2, 5 ∗ kW he , onde kW hp corresponde ao consumo
de energia primária e kW he corresponde ao consumo de energia elétrica. No caso da
ligação ao posto de abastecimento o consumo de energia primária dos painéis solares é
nulo, uma vez que a produção de eletricidade através dos painéis não requer o consumo
de energias fosseis. Os valores de kW he e kW hp encontram-se na tabela 4.34, para cada
uma das aplicações, considerando que os valores anuais correspondem ao período entre
1 de junho e 31 de setembro.

Tabela 4.34: Valores dos consumos de energia elétrica e energia primária para as ligações
à rede e ao posto de abastecimento.

Ligação à rede Ligação ao posto de abastecimento


kW he /dia 1,25 2,45
kW he /ano 152,50 298,90
kW hp /ano 381,25 0

4.4.2 Emissões de CO2


A presente subsecção visa a comparação de emissões de CO2 relativas à produção de
energia elétrica nas duas situações referidas na subsecção 4.4.1, que são: a ligação à rede
elétrica e a ligação ao posto de abastecimento fixo.
As emissões de CO2 relativas à produção de energia elétrica para a ligação à rede
Erede , são determinadas multiplicando o fator de emissão F E pelo respetivo consumo.
Sabe-se que o fator de emissão para este caso, registado no ano de 2015 em Portugal,
tem o valor de F E = 0, 47kgCO2 /kW he [31].
Do mesmo modo são determinadas as emissões de CO2 relativas à produção de energia
elétrica relativa ao posto de abastecimento Eposto . Sabe-se que F E = 0kgCO2 /kW h,
uma vez que corresponde aos valores padrão definidos para a produção de energia através
de painéis solares [31].
Assim sendo, determinaram-se os valores das emissões diárias e anuais correspon-
dentes às duas aplicações referidas, recorrendo aos consumos energéticos enumerados na
tabela 4.34.

Tabela 4.35: Emissões de CO2 relativas à produção de energia elétrica para a ligação à
rede.

Ligação à rede Ligação ao posto de abastecimento


F E(kgCO2 /kW h) 0,47 0
Emisses/dia (kgCO2 ) 0,59 0
Emisses/ano (kgCO2 ) 71,68 0

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 87

Recorrendo à tabela 4.35, pode-se concluir que se reduz a emissão cerca de 71, 68kg de
CO2 por ano, quando se opta por usar o posto de abastecimento fixo em vez da ligação à
corrente elétrica. No entanto, é de salientar que as emissões de CO2 determinadas apenas
concernem o consumo primário de energia elétrica e não incluem as emissões inerentes
ao fabrico dos equipamentos em questão. As emissões de gases de estufa totais relativas
ao uso destes equipamentos requer uma análise mais extensiva, sugerida para trabalhos
futuros.

4.4.3 Eficiência energética do sistema


Esta subsecção tem como objetivo a análise da eficiência energética do sistema pro-
jetado.
No caso da ligação à rede elétrica a eficiência do sistema é avaliada através do COP
do sistema de refrigeração. Enquanto que no caso da alimentação através das baterias
deve ser ainda considerado a contribuição das eficiências do inversor e das baterias.
Multiplicando o COP do sistema de refrigeração por ηinversor e ηbateria , obtém-se o COP
do sistema autónomo. Ambos os valores estão representados na tabela 4.36.

Tabela 4.36: Valores do COP para a ligações à rede e ao sistema de baterias

COP
Rede elétrica 1,6
Sistema de baterias 1,17

Por estes motivos, verifica-se que embora o sistema projetado satisfaça as condições
requeridas para este projeto, do ponto de vista energético é um sistema com eficiência
reduzida. Este facto deve-se perda de energia no inversor e nas baterias.

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88 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

4.5 Caderno de encargos


Na presente secção é elaborado um caderno de encargos com o intuito de elaborar
uma lista de componentes selecionados para o projeto, a sua disposição, uma análise
económica e uma energética do projeto.

4.5.1 Lista dos componentes


De acordo com as secções 4.2 e 4.3, onde são dimensionados e selecionados os com-
ponentes da câmara frigorífica e da fonte de alimentação do sistema, respetivamente,
elaborou-se uma lista dos componentes selecionados para o projeto e respetiva estima-
tiva de custos, presente na figura 4.15.

Arca frigorífica 239 e


Arca frigorífica doméstica da Fricon
modelo CN130;
-inclui evaporador oculto.

Unidade condensadora 306 e


Unidade condensadora da Embraco
modelo UC UFU 100HAK;
-inclui condensador; compressor; ventilador;
equipamentos auxiliares.
Válvula de expansão 78 e
Válvula de expansão termoestática da Dunan
modelo TAN0.

Bateria 82,1 e
Bateria 12V 100Ah da Alcoa Sport.

Inversor de corrente 55,5 e


Inversor 300W 12Vdc 220Vac Soft Start Mercury

Kit de 2 painéis e 1 controlador de carga 688,5 e


Paineis PV: Modelo CS6K 285FM-G da Cana-
dian Solar
Controlador de carga: MPPT Epsolar Tracer-
4210A 40A 12/24V

Figura 4.15: Lista dos componentes do projeto.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 89

A lista dos componentes, presente na figura 4.15, enuncia apenas os componentes


necessários para uma estimativa de custos através de uma análise do mercado. Assim,
é de salientar, que certos componentes listados, nesta subsecção, incluem outros compo-
nentes dimensionados, tais como a arca frigorífica que contém o evaporador e a unidade
condensadora, constituída pelo compressor, condensador e ventilador.

4.5.2 Disposição dos componentes


Com esta subsecção pretende-se demonstrar a disposição dos componentes seleciona-
dos relativamente à câmara frigorífica.
Na figura 4.16a encontra-se ilustrada a disposição das baterias e do inversor selecio-
nados.
A figura 4.16b apresenta uma caixa onde estará colocada a unidade condensadora,
tendo em conta as medidas da mesma.

(a) (b)

Figura 4.16: Disposição dos elementos dimensionados relativamente à câmara frigorífica;


(a) Baterias e inversor; (b) Unidade condensadora.

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90 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

4.5.3 Análise económica


Na presente subsecção é elaborada uma análise económica do projeto, onde é des-
crita uma estimativa de custos dos equipamentos selecionados para a câmara frigorífica.
Esta análise é baseada em pedidos de orçamento às empresas que fabricam os produtos
selecionado.
O orçamento do projeto encontra-se dividido em três partes: a câmara frigorífica, o
sistema de alimentação e o posto fixo de abastecimento, os quais são descritos na tabela
4.37.
Tabela 4.37: Orçamento dos equipamentos selecionados para o projeto.

Componente Custo unitário (e) Quantidade Custo (e)


Arca frigorífica 239 1 239
Unidade condensadora 306 1 306
Válvula de expansão 78 1 78
Câmara frigorífica 623

Baterias 82,1 2 164,2


Inversor de corrente 55,5 1 55,5
Sistema de alimentação 219,7

Baterias 82,1 2 164,2


Painéis PV 688,5 1 688,5
Posto fixo de abastecimento 852,7

Custo total do projeto 1795,4

Deve-se ainda ter em consideração uma estimativa orçamental em escala, no caso de


ser pretendida a produção industrial do protótipo, que poderá ser bastante útil, uma vez
o custo por unidade será substancialmente inferior.

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4.Dimensionamento da câmara frigorífica 91

4.5.4 Ficha técnica


Esta subsecção destina-se à apresentação da ficha técnica da câmara frigorífica pro-
jetada na presente dissertação, representada na tabela 4.38. A ficha técnica do projeto
enuncia as características da câmara, tais como: o consumo energético, as dimensões e
os componentes que a constituem. Relativamente a cada componente selecionado são
também descritas as seguintes características: modelo, tipo e fabricante.

Tabela 4.38: Ficha técnica do projeto.

Câmara frigorífica CN130


Fabricante Fricon
Capacidade de refrigeração 290W
Potência nominal 181W
Consumo máximo 1, 45kW h/8hr
Consumo a 86% da carga 1, 25kW h/8hr
Dimensões exteriores 855 ∗ 595 ∗ 555mm
Gavetas 8
Quantidade de gelados 230
Volume útil 100 L
Isolamento térmico PU
Espessura isolamento 80mm

Compressor FFU 100HAK


Tipo Hermético
Fabricante Embraco
Potência nominal 186W

Unidade condensadora UC UFU 100HAK


Fabricante Embraco
Elementos Condensador, compressor, ventilador,
outros equipamentos.

Evaporador Oculto
Tipo Serpentina

Válvula de Expansão TAN0


Tipo Válvula de expansão termoestática
Fabricante Dunan

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92 4.Dimensionamento da câmara frigorífica

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


Capítulo 5

Considerações finais

O quinto capítulo, está subdividido em duas secções: conclusões 5.1 e sugestões para
trabalhos futuros 5.2, onde são descritas as considerações finais do projeto e apresentadas
as conclusões da dissertação relativamente aos resultados obtidos. Faz-se ainda uma
análise relativamente ao cumprimento dos objetivos propostos, e do grau de sucesso na
sua conclusão. Posteriormente, será ainda feita uma análise das limitações do projeto,
cuja resolução é sugerida para trabalhos futuros.

5.1 Conclusões
Na presente secção são enunciados os resultados obtidos na elaboração do projeto
de dissertação e são enumeradas e descritas as respetivas conclusões na resolução dos
objetivos propostos na secção 1.2 do capítulo 1.
De forma a permitir a consecução dos objetivos propostos, o presente projeto percor-
reu cinco etapas até à sua conclusão, que se passam a enumerar:

• elaboração da análise energética de uma configuração tradicional para uma câmara


frigorífica de venda de gelados;

• elaboração da análise energética de uma configuração proposta para uma câmara


frigorífica;

• dimensionamento da câmara frigorífica de acordo com a configuração proposta;

• dimensionamento do sistema de alimentação da câmara, e um posto fixo de carre-


gamento do mesmo;

• avaliação da funcionalidade do sistema projetado, de acordo com os constrangi-


mentos impostos.

Na primeira etapa, foi realizada a análise energética de uma configuração tradicional


para uma câmara frigorífica de venda de gelados, onde se verificou que os consumos de
energia podem atingir valores significativamente elevados. Foi possível verificar também
que a maior parte deste consumo se deve à infiltração do ar durante as aberturas da porta,
sendo que esta parcela corresponde a 80% da carga térmica total. Através desta análise
energética realizada, e de acordo com a metodologia usada para o dimensionamento da

93
94 5.Considerações finais

câmara frigorífica, conclui-se que o tempo de abertura da câmara frigorífica possuí elevada
influência nas perdas de energia por infiltração do ar.
Por estes motivos, na segunda etapa do projeto, apresentou-se uma configuração de
uma câmara frigorífica com gavetas, com o objetivo de reorganizar a distribuição dos
gelados e, consequentemente, reduzir o tempo necessário para cada abertura. Com esta
proposta, para além da melhor organização dos produtos e gestão do tempo, observaram-
se ainda reduções significativas de perdas de energia por infiltração do ar, que resultou na
redução de 77% da carga térmica total, comparativamente com a configuração tradicional.
Sabendo que a configuração com gavetas proposta é significativamente mais vantajosa
do ponto de vista energético, relativamente às soluções já existentes, procedeu-se ao seu
dimensionamento numa terceira etapa. Inicialmente, dimensionou-se um sistema teórico
de refrigeração por compressão de vapor de um único estágio, cujo fluido refrigerante é o
R134a e obteve-se uma capacidade de refrigeração de 247W , uma potência de consumo
de 148W e, consequentemente, um COP de 1,67. Através da análise realizada pelo soft-
ware Coolpack, obteve-se resultados semelhantes, em para a capacidade de refrigeração
de 247W , resultou numa potência de consumo de 153W e, consequentemente, um COP
de 1,61. De seguida, através de catálogos de fabricantes selecionaram-se os componentes
com base em potências superiores às teóricas calculadas. O sistema projetado possui,
capacidade de refrigeração de 290W , uma potência de consumo de 181W e, consequen-
temente, um COP de 1,60. Por estes motivos, pode-se concluir que as potências e COP
dos equipamentos selecionados são semelhantes às dimensionadas.
Uma vez que o sistema de refrigeração necessita de uma fonte de alimentação para
o seu funcionamento durante o período pretendido, esta foi dimensionada na quarta
etapa do projeto. Desta forma, optou-se pela integração de um sistema de baterias
que fornece a energia necessária para que a câmara frigorífica garanta as condições de
armazenamento pretendidas durante oito horas. Verificou-se que são necessárias duas
baterias de 100Ah para a alimentação energética da câmara, nestas condições, e um
inversor de 300W que transforma a corrente DC, proveniente destas, em corrente AC,
fundamental para o funcionamento do compressor. Embora seja possível o carregamento
das baterias através da ligação à rede elétrica, propôs-se ainda a criação de um posto
fixo de abastecimento com a integração de energia renovável. Este é constituído por dois
painéis fotovoltaicos que carregam duas baterias, para serem trocadas por aquelas que se
encontram no veículo, quando for necessário. Este centro de carregamento estará ainda
conectado à rede elétrica para que o carregamento não seja comprometido em situações
meteorológicas desfavoráveis, como a ausência de radiação solar.
De acordo com os resultados obtidos, concluiu-se que a configuração das gavetas
não só é mais eficiente a nível energético como também apresenta vantagens do ponto
de vista da organização da venda de gelados e respetiva gestão do tempo. Tendo-se
atingido a autonomia e condições pretendidas, conclui-se que foi alcançado o objetivo
principal do presente projeto. No entanto, apesar dos objetivos cumpridos, ao analisar
o projeto como um único sistema, este tem uma eficiência energética inferior quando é
alimentado pelas baterias comparativamente à ligação à rede elétrica, devido às perdas
de energia através dos diversos equipamentos necessários ao armazenamento. Verifica-se
ainda, com a introdução dos painéis fotovoltaicos, a redução nas emissões de CO2 , e no
consumo de energia primária, relativamente à produção de eletricidade, sem considerar o
consumo de energias fósseis inerentes ao fabrico dos equipamentos. A redução média das
emissões e do consumo de energia primária obtidas têm os valores de 71, 68kgCO2 /ano

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


5.Considerações finais 95

e 381, 25kW hp /ano, respetivamente.


Com a introdução de um posto de carregamento com a introdução de painéis fotovol-
taicos, surge uma variedade de soluções interessantes para as empresas comercializadoras
de gelados, que são apresentadas como sugestões para trabalhos futuros na secção 5.2, e
que são suscetíveis de originar um aumento das vendas.

5.2 Sugestões para trabalhos futuros


O desenvolvimento da dissertação aqui relatada, e a consecução do projeto que a
compõe, permitiu alcançar algumas conclusões, mas deixou alguns aspetos por esclarecer,
e abriu ainda caminhos para novas investigações.
No desenvolvimento deste projeto foram identificadas algumas questões interessantes,
que por limitações do tempo disponível para a conclusão desta dissertação, não houve
oportunidade de analisar, pelo que será agora apresentada uma análise breve, apontando-
se sugestões para investigações e projetos futuros.
Na medida em que este projeto propõe uma configuração inovadora de uma câmara de
conservação móvel de autonomia energética alargada, que não existe no mercado, surgem
algumas sugestões de trabalhos futuros para que possa ser introduzida no mercado com
sucesso. Algumas dessas sugestões são:

• avaliação da introdução de painéis PV leves no veículo apresentado na subsecção


3.1.2;

• avaliação da utilização do refrigerante R600a, no sistema de refrigeração;

• análise das perdas de carga no sistema de refrigeração e otimização do mesmo;

• avaliação de uma eventual introdução de PCMs no fabrico do isolamento;

• análise estrutural relativa à disposição dos equipamentos dimensionados;

• construção de um protótipo baseado na configuração apresentada, para teste.

A possibilidade de introdução de painéis PV no veículo apresentado na subsecção 3.1.2


poderá revelar-se uma ideia interessante, uma vez que possibilita uma maior autonomia
da câmara. Os painéis podem ainda funcionar como coberto para o vendedor de gelados
que opera o veículo. Para além destes motivos, devido à introdução dos painéis, existem
inúmeras soluções a explorar, tais como: carregamentos de telemóveis, aparelhos sonoros,
entre outros. Portanto, esta sugestão de trabalho futuro consiste numa análise dinâmica
e estrutural da introdução deste tipo de equipamento solar no veículo.
A introdução do refrigerante R600a é, sem dúvida, um ponto a analisar no futuro,
como já referido na subsecção 2.5.2, devido ao facto de este ser um gás vantajoso tanto a
nível ambiental, como de desempenho no sistema de refrigeração. Devido à nova legisla-
ção, o uso do R134a e dos restantes HFCs, será limitado à colocação no mercado a partir
de 2022 [24], razão pela qual o refrigerante R600a poderá ser uma alternativa, no futuro
próximo, aos refrigerantes usados atualmente. No entanto, existem algumas questões que
requerem uma melhor análise no uso deste gás. A sua elevada inflamabilidade requer um
conjunto de precauções quer na sua construção, quer nos testes de segurança a serem
realizados. Outro aspeto a ter em conta é o problema das limitações dos componentes do

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


96 5.Considerações finais

sistema de refrigeração compatíveis com o gás, no que diz respeito à sua disponibilidade
no mercado e ainda quanto à capacidade de refrigeração que é reduzida.
Neste projeto, o sistema de refrigeração foi dimensionado com base num sistema de
refrigeração de compressão a vapor de um único estágio teórico. Sabe-se que um sistema
de refrigeração real contém perdas de carga ao longo dos componentes, e das linhas de
carga, que não foram contabilizadas. A seleção dos componentes foi realizada através de
catálogos, sobredimensionando a potência necessária calculada. Assim, outra sugestão
de trabalho futuro envolve a determinação das perdas de carga, com o intuito de otimizar
o sistema, caso se verifique necessário.
Atualmente existe uma grande introdução de materiais PCM na indústria da refri-
geração. Assim, seria também interessante avaliar uma introdução destes materiais no
isolamento da câmara, com o objetivo de se obter um menor coeficiente de condutividade
e, consequentemente, menos ganhos de energia sob a forma de calor.
A análise estrutural da disposição dos equipamentos no veículo não foi um assunto
avaliado no presente projeto, no entanto revela grande importância na construção do
veículo de gelados. Por estes motivos, propõe-se uma avaliação de possíveis estruturas
acopladas à câmara frigorífica e respetiva análise estrutural para a verificação da sua
viabilidade de construção.
Por fim, a construção de um protótipo baseado na configuração deste projeto, seria
interessante na medida em que permitiria comprovar a sua viabilidade. As perdas ener-
géticas determinadas neste projeto foram sobredimensionadas, para que a câmara possa
estar funcional em condições climatéricas de verão extremas. No entanto, um teste real do
protótipo seria útil não só para validar os cálculos energéticos apresentados, mas também
para conhecer alguns dados, como o tempo de aberturas de porta, quantidade de vendas,
entre outros, para otimizar o consumo de energia necessário ao seu funcionamento, por
exemplo em condições menos severas.

Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


Bibliografia

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Jorge Tiago Alves Ferreira Tavares Dissertação de Mestrado


Anexos

99
Anexo A

Tabelas de psicometria

101
Thermophysical Properties of Refrigerants 30.17

Refrigerant 134a (1,1,1,2-Tetrafluoroethane) Properties of Saturated Liquid and Saturated Vapor


Pres- Density, Volume, Enthalpy, Entropy, Specific Heat Velocity of Viscosity,Thermal Cond.,
Surface
Temp.,* sure, kg/m3 m3/kg
kJ/kg kJ/(kg·K) cp , kJ/(kg·K) cp /cv Sound, m/s μPa·s mW/(m·K)
Tension, Temp.,*
°C MPa Liquid Vapor Liquid Vapor Liquid Vapor Liquid Vapor Vapor Liquid Vapor Liquid Vapor Liquid Vapor mN/m °C
–103.30a 0.00039 1591.1 35.4960 71.46 334.94 0.4126 1.9639 1.184 0.585 1.164 1120 126.8 2175.0 6.46 145.2 3.08 28.07 –103.30
–100 0.00056 1582.4 25.1930 75.36 336.85 0.4354 1.9456 1.184 0.593 1.162 1103 127.9 1893.0 6.60 143.2 3.34 27.50 –100
–90 0.00152 1555.8 9.7698 87.23 342.76 0.5020 1.8972 1.189 0.617 1.156 1052 131.0 1339.0 7.03 137.3 4.15 25.79 –90
–80 0.00367 1529.0 4.2682 99.16 348.83 0.5654 1.8580 1.198 0.642 1.151 1002 134.0 1018.0 7.46 131.5 4.95 24.10 –80
–70 0.00798 1501.9 2.0590 111.20 355.02 0.6262 1.8264 1.210 0.667 1.148 952 136.8 809.2 7.89 126.0 5.75 22.44 –70
–60 0.01591 1474.3 1.0790 123.36 361.31 0.6846 1.8010 1.223 0.692 1.146 903 139.4 663.1 8.30 120.7 6.56 20.80 –60
–50 0.02945 1446.3 0.60620 135.67 367.65 0.7410 1.7806 1.238 0.720 1.146 855 141.7 555.1 8.72 115.6 7.36 19.18 –50
–40 0.05121 1417.7 0.36108 148.14 374.00 0.7956 1.7643 1.255 0.749 1.148 807 143.6 472.2 9.12 110.6 8.17 17.60 –40
–30 0.08438 1388.4 0.22594 160.79 380.32 0.8486 1.7515 1.273 0.781 1.152 760 145.2 406.4 9.52 105.8 8.99 16.04 –30
–28 0.09270 1382.4 0.20680 163.34 381.57 0.8591 1.7492 1.277 0.788 1.153 751 145.4 394.9 9.60 104.8 9.15 15.73 –28
–26.07b 0.10133 1376.7 0.19018 165.81 382.78 0.8690 1.7472 1.281 0.794 1.154 742 145.7 384.2 9.68 103.9 9.31 15.44 –26.07
–26 0.10167 1376.5 0.18958 165.90 382.82 0.8694 1.7471 1.281 0.794 1.154 742 145.7 383.8 9.68 103.9 9.32 15.43 –26
–24 0.11130 1370.4 0.17407 168.47 384.07 0.8798 1.7451 1.285 0.801 1.155 732 145.9 373.1 9.77 102.9 9.48 15.12 –24
–22 0.12165 1364.4 0.16006 171.05 385.32 0.8900 1.7432 1.289 0.809 1.156 723 146.1 362.9 9.85 102.0 9.65 14.82 –22
–20 0.13273 1358.3 0.14739 173.64 386.55 0.9002 1.7413 1.293 0.816 1.158 714 146.3 353.0 9.92 101.1 9.82 14.51 –20
–18 0.14460 1352.1 0.13592 176.23 387.79 0.9104 1.7396 1.297 0.823 1.159 705 146.4 343.5 10.01 100.1 9.98 14.21 –18
–16 0.15728 1345.9 0.12551 178.83 389.02 0.9205 1.7379 1.302 0.831 1.161 695 146.6 334.3 10.09 99.2 10.15 13.91 –16
–14 0.17082 1339.7 0.11605 181.44 390.24 0.9306 1.7363 1.306 0.838 1.163 686 146.7 325.4 10.17 98.3 10.32 13.61 –14
–12 0.18524 1333.4 0.10744 184.07 391.46 0.9407 1.7348 1.311 0.846 1.165 677 146.8 316.9 10.25 97.4 10.49 13.32 –12
–10 0.20060 1327.1 0.09959 186.70 392.66 0.9506 1.7334 1.316 0.854 1.167 668 146.9 308.6 10.33 96.5 10.66 13.02 –10
–8 0.21693 1320.8 0.09242 189.34 393.87 0.9606 1.7320 1.320 0.863 1.169 658 146.9 300.6 10.41 95.6 10.83 12.72 –8
–6 0.23428 1314.3 0.08587 191.99 395.06 0.9705 1.7307 1.325 0.871 1.171 649 147.0 292.9 10.49 94.7 11.00 12.43 –6
Licensed for single user. © 2009 ASHRAE, Inc.

–4 0.25268 1307.9 0.07987 194.65 396.25 0.9804 1.7294 1.330 0.880 1.174 640 147.0 285.4 10.57 93.8 11.17 12.14 –4
–2 0.27217 1301.4 0.07436 197.32 397.43 0.9902 1.7282 1.336 0.888 1.176 631 147.0 278.1 10.65 92.9 11.34 11.85 –2
0 0.29280 1294.8 0.06931 200.00 398.60 1.0000 1.7271 1.341 0.897 1.179 622 146.9 271.1 10.73 92.0 11.51 11.56 0
2 0.31462 1288.1 0.06466 202.69 399.77 1.0098 1.7260 1.347 0.906 1.182 612 146.9 264.3 10.81 91.1 11.69 11.27 2
4 0.33766 1281.4 0.06039 205.40 400.92 1.0195 1.7250 1.352 0.916 1.185 603 146.8 257.6 10.90 90.2 11.86 10.99 4
6 0.36198 1274.7 0.05644 208.11 402.06 1.0292 1.7240 1.358 0.925 1.189 594 146.7 251.2 10.98 89.4 12.04 10.70 6
8 0.38761 1267.9 0.05280 210.84 403.20 1.0388 1.7230 1.364 0.935 1.192 585 146.5 244.9 11.06 88.5 12.22 10.42 8
10 0.41461 1261.0 0.04944 213.58 404.32 1.0485 1.7221 1.370 0.945 1.196 576 146.4 238.8 11.15 87.6 12.40 10.14 10
12 0.44301 1254.0 0.04633 216.33 405.43 1.0581 1.7212 1.377 0.956 1.200 566 146.2 232.9 11.23 86.7 12.58 9.86 12
14 0.47288 1246.9 0.04345 219.09 406.53 1.0677 1.7204 1.383 0.967 1.204 557 146.0 227.1 11.32 85.9 12.77 9.58 14
16 0.50425 1239.8 0.04078 221.87 407.61 1.0772 1.7196 1.390 0.978 1.209 548 145.7 221.5 11.40 85.0 12.95 9.30 16
18 0.53718 1232.6 0.03830 224.66 408.69 1.0867 1.7188 1.397 0.989 1.214 539 145.5 216.0 11.49 84.1 13.14 9.03 18
20 0.57171 1225.3 0.03600 227.47 409.75 1.0962 1.7180 1.405 1.001 1.219 530 145.1 210.7 11.58 83.3 13.33 8.76 20
22 0.60789 1218.0 0.03385 230.29 410.79 1.1057 1.7173 1.413 1.013 1.224 520 144.8 205.5 11.67 82.4 13.53 8.48 22
24 0.64578 1210.5 0.03186 233.12 411.82 1.1152 1.7166 1.421 1.025 1.230 511 144.5 200.4 11.76 81.6 13.72 8.21 24
26 0.68543 1202.9 0.03000 235.97 412.84 1.1246 1.7159 1.429 1.038 1.236 502 144.1 195.4 11.85 80.7 13.92 7.95 26
28 0.72688 1195.2 0.02826 238.84 413.84 1.1341 1.7152 1.437 1.052 1.243 493 143.6 190.5 11.95 79.8 14.13 7.68 28
30 0.77020 1187.5 0.02664 241.72 414.82 1.1435 1.7145 1.446 1.065 1.249 483 143.2 185.8 12.04 79.0 14.33 7.42 30
32 0.81543 1179.6 0.02513 244.62 415.78 1.1529 1.7138 1.456 1.080 1.257 474 142.7 181.1 12.14 78.1 14.54 7.15 32
34 0.86263 1171.6 0.02371 247.54 416.72 1.1623 1.7131 1.466 1.095 1.265 465 142.1 176.6 12.24 77.3 14.76 6.89 34
36 0.91185 1163.4 0.02238 250.48 417.65 1.1717 1.7124 1.476 1.111 1.273 455 141.6 172.1 12.34 76.4 14.98 6.64 36
38 0.96315 1155.1 0.02113 253.43 418.55 1.1811 1.7118 1.487 1.127 1.282 446 141.0 167.7 12.44 75.6 15.21 6.38 38
40 1.0166 1146.7 0.01997 256.41 419.43 1.1905 1.7111 1.498 1.145 1.292 436 140.3 163.4 12.55 74.7 15.44 6.13 40
42 1.0722 1138.2 0.01887 259.41 420.28 1.1999 1.7103 1.510 1.163 1.303 427 139.7 159.2 12.65 73.9 15.68 5.88 42
44 1.1301 1129.5 0.01784 262.43 421.11 1.2092 1.7096 1.523 1.182 1.314 418 138.9 155.1 12.76 73.0 15.93 5.63 44
46 1.1903 1120.6 0.01687 265.47 421.92 1.2186 1.7089 1.537 1.202 1.326 408 138.2 151.0 12.88 72.1 16.18 5.38 46
48 1.2529 1111.5 0.01595 268.53 422.69 1.2280 1.7081 1.551 1.223 1.339 399 137.4 147.0 13.00 71.3 16.45 5.13 48
50 1.3179 1102.3 0.01509 271.62 423.44 1.2375 1.7072 1.566 1.246 1.354 389 136.6 143.1 13.12 70.4 16.72 4.89 50
52 1.3854 1092.9 0.01428 274.74 424.15 1.2469 1.7064 1.582 1.270 1.369 379 135.7 139.2 13.24 69.6 17.01 4.65 52
54 1.4555 1083.2 0.01351 277.89 424.83 1.2563 1.7055 1.600 1.296 1.386 370 134.7 135.4 13.37 68.7 17.31 4.41 54
56 1.5282 1073.4 0.01278 281.06 425.47 1.2658 1.7045 1.618 1.324 1.405 360 133.8 131.6 13.51 67.8 17.63 4.18 56
58 1.6036 1063.2 0.01209 284.27 426.07 1.2753 1.7035 1.638 1.354 1.425 350 132.7 127.9 13.65 67.0 17.96 3.95 58
60 1.6818 1052.9 0.01144 287.50 426.63 1.2848 1.7024 1.660 1.387 1.448 340 131.7 124.2 13.79 66.1 18.31 3.72 60
62 1.7628 1042.2 0.01083 290.78 427.14 1.2944 1.7013 1.684 1.422 1.473 331 130.5 120.6 13.95 65.2 18.68 3.49 62
64 1.8467 1031.2 0.01024 294.09 427.61 1.3040 1.7000 1.710 1.461 1.501 321 129.4 117.0 14.11 64.3 19.07 3.27 64
66 1.9337 1020.0 0.00969 297.44 428.02 1.3137 1.6987 1.738 1.504 1.532 311 128.1 113.5 14.28 63.4 19.50 3.05 66
68 2.0237 1008.3 0.00916 300.84 428.36 1.3234 1.6972 1.769 1.552 1.567 301 126.8 109.9 14.46 62.6 19.95 2.83 68
70 2.1168 996.2 0.00865 304.28 428.65 1.3332 1.6956 1.804 1.605 1.607 290 125.5 106.4 14.65 61.7 20.45 2.61 70
72 2.2132 983.8 0.00817 307.78 428.86 1.3430 1.6939 1.843 1.665 1.653 280 124.0 102.9 14.85 60.8 20.98 2.40 72
74 2.3130 970.8 0.00771 311.33 429.00 1.3530 1.6920 1.887 1.734 1.705 269 122.6 99.5 15.07 59.9 21.56 2.20 74
76 2.4161 957.3 0.00727 314.94 429.04 1.3631 1.6899 1.938 1.812 1.766 259 121.0 96.0 15.30 59.0 22.21 1.99 76
78 2.5228 943.1 0.00685 318.63 428.98 1.3733 1.6876 1.996 1.904 1.838 248 119.4 92.5 15.56 58.1 22.92 1.80 78
80 2.6332 928.2 0.00645 322.39 428.81 1.3836 1.6850 2.065 2.012 1.924 237 117.7 89.0 15.84 57.2 23.72 1.60 80
85 2.9258 887.2 0.00550 332.22 427.76 1.4104 1.6771 2.306 2.397 2.232 207 113.1 80.2 16.67 54.9 26.22 1.14 85
90 3.2442 837.8 0.00461 342.93 425.42 1.4390 1.6662 2.756 3.121 2.820 176 107.9 70.9 17.81 52.8 29.91 0.71 90
95 3.5912 772.7 0.00374 355.25 420.67 1.4715 1.6492 3.938 5.020 4.369 141 101.9 60.4 19.61 51.7 36.40 0.33 95
100 3.9724 651.2 0.00268 373.30 407.68 1.5188 1.6109 17.59 25.35 20.81 101 94.0 45.1 24.21 59.9 60.58 0.04 100
101.06c 4.0593 511.9 0.00195 389.64 389.64 1.5621 1.5621 ∞ ∞ ∞ 0 0.0 — — ∞ ∞ 0.00 101.06
*Temperatures on ITS-90 scale a Triple point b Normal boiling point c Critical point
30.18 2009 ASHRAE Handbook—Fundamentals (SI)

Refrigerant 134a Properties of Superheated Vapor


Pressure = 0.101325 MPa Pressure = 0.200 MPa Pressure = 0.400 MPa
Saturation temperature = −26.07°C Saturation temperature = −10.07°C Saturation temperature = 8.94°C
Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of
°C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s °C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s °C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s
Saturated Saturated Saturated
Liquid 1374.34 166.07 0.8701 747.1 Liquid 1325.78 186.69 0.9506 672.8 Liquid 1263.84 212.08 1.0432 583.8
Vapor 5.26 382.90 1.7476 145.7 Vapor 10.01 392.71 1.7337 146.9 Vapor 19.52 403.80 1.7229 146.6
–20 5.11 387.68 1.7667 147.8
–10 4.89 395.65 1.7976 151.0 –10 10.01 392.77 1.7339 147.0
0 4.69 403.74 1.8278 154.2 0 9.54 401.21 1.7654 150.6
10 4.50 411.97 1.8574 157.2 10 9.13 409.73 1.7961 154.0 10 19.41 404.78 1.7263 147.0
20 4.34 420.34 1.8864 160.1 20 8.76 418.35 1.8260 157.3 20 18.45 414.00 1.7583 151.2
30 4.18 428.85 1.9150 162.9 30 8.42 427.07 1.8552 160.4 30 17.61 423.21 1.7892 155.0
40 4.04 437.52 1.9431 165.7 40 8.12 435.90 1.8839 163.4 40 16.87 432.46 1.8192 158.6
50 3.91 446.33 1.9708 168.4 50 7.83 444.87 1.9121 166.3 50 16.20 441.76 1.8485 162.0
60 3.78 455.30 1.9981 171.0 60 7.57 453.97 1.9398 169.2 60 15.60 451.15 1.8771 165.3
70 3.67 464.43 2.0251 173.6 70 7.33 463.20 1.9671 171.9 70 15.05 460.63 1.9051 168.4
80 3.56 473.70 2.0518 176.1 80 7.11 472.57 1.9940 174.6 80 14.54 470.21 1.9326 171.4
90 3.46 483.13 2.0781 178.6 90 6.89 482.08 2.0206 177.2 90 14.08 479.91 1.9597 174.3
100 3.36 492.71 2.1041 181.0 100 6.70 491.74 2.0468 179.7 100 13.65 489.72 1.9864 177.1
110 3.27 502.44 2.1298 183.4 110 6.51 501.53 2.0727 182.2 110 13.24 499.65 2.0126 179.8
120 3.19 512.32 2.1553 185.7 120 6.34 511.47 2.0983 184.7 120 12.87 509.71 2.0386 182.4
130 3.11 522.35 2.1805 188.1 130 6.17 521.55 2.1236 187.1 130 12.51 519.90 2.0641 185.0
140 3.03 532.52 2.2054 190.3 140 6.01 531.76 2.1486 189.4 140 12.18 530.21 2.0894 187.5
150 2.96 542.83 2.2301 192.6 150 5.87 542.12 2.1734 191.7 150 11.87 540.66 2.1144 190.0
Pressure = 0.600 MPa Pressure = 0.800 MPa Pressure = 1.000 MPa
Saturation temperature = 21.58°C Saturation temperature = 31.33°C Saturation temperature = 39.39°C
Licensed for single user. © 2009 ASHRAE, Inc.

Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of
°C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s °C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s °C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s
Saturated Saturated Saturated
Liquid 1219.08 229.62 1.1035 524.0 Liquid 1181.92 243.58 1.1495 477.4 Liquid 1149.06 255.44 1.1874 438.6
Vapor 29.13 410.67 1.7178 145.0 Vapor 38.99 415.58 1.7144 142.9 Vapor 49.16 419.31 1.7117 140.6
30 27.79 418.97 1.7455 149.0
40 26.41 428.72 1.7772 153.4 40 36.98 424.61 1.7437 147.6 40 48.95 419.99 1.7139 141.0
50 25.21 438.44 1.8077 157.4 50 35.03 434.85 1.7758 152.4 50 45.86 430.91 1.7482 146.9
60 24.16 448.16 1.8374 161.2 60 33.36 444.98 1.8067 156.8 60 43.34 441.56 1.7807 152.0
70 23.22 457.93 1.8662 164.7 70 31.90 455.08 1.8366 160.8 70 41.21 452.05 1.8117 156.7
80 22.37 467.75 1.8944 168.0 80 30.62 465.17 1.8656 164.6 80 39.36 462.47 1.8416 160.9
90 21.59 477.65 1.9221 171.2 90 29.46 475.30 1.8939 168.1 90 37.74 472.86 1.8706 164.9
100 20.88 487.64 1.9492 174.3 100 28.41 485.49 1.9215 171.5 100 36.29 483.26 1.8989 168.6
110 20.22 497.72 1.9759 177.3 110 27.46 495.74 1.9486 174.7 110 34.99 493.69 1.9265 172.1
120 19.61 507.92 2.0022 180.1 120 26.58 506.07 1.9753 177.8 120 33.80 504.19 1.9535 175.4
130 19.04 518.22 2.0280 182.9 130 25.77 516.50 215 180.8 130 32.71 514.75 1.9800 178.6
140 18.51 528.63 2.0536 185.6 140 25.01 527.03 2.0272 183.7 140 31.70 525.39 2.0061 181.7
150 18.01 539.17 2.0787 188.2 150 24.31 537.66 2.0527 186.4 150 30.76 536.12 2.0318 184.6
160 17.54 549.82 2.1036 190.8 160 23.65 548.40 2.0777 189.2 160 29.90 546.95 2.0571 187.5
170 17.10 560.59 2.1282 193.3 170 23.03 559.24 2.1025 191.8 170 29.08 557.88 2.0820 190.3
180 16.68 571.48 2.1525 195.8 180 22.45 570.20 2.1270 194.4 180 28.32 568.91 2.1066 193.0
190 16.29 582.50 2.1766 198.2 190 21.89 581.28 2.1511 196.9 190 27.60 580.05 2.1309 195.6
200 15.91 593.63 2.2003 200.6 200 21.37 592.46 2.1750 199.4 200 26.92 591.29 2.1550 198.2
Pressure = 1.200 MPa Pressure = 1.400 MPa Pressure = 1.600 MPa
Saturation temperature = 46.32°C Saturation temperature = 52.43°C Saturation temperature = 57.91°C
Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of Temp.,* Density, Enthalpy, Entropy, Vel. of
°C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s °C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s °C kg/m3 kJ/kg kJ/(kg·K) Sound, m/s
Saturated Saturated Saturated
Liquid 1118.89 265.91 1.2200 405.0 Liquid 1090.50 275.38 1.2488 375.1 Liquid 1063.28 284.11 1.2748 348.1
Vapor 59.73 422.22 1.7092 138.2 Vapor 70.76 424.50 1.7068 135.6 Vapor 82.34 426.27 1.7042 132.9
50 58.09 426.51 1.7226 140.7
60 54.32 437.83 1.7571 146.9 60 66.61 433.69 1.7347 141.2 60 80.74 428.99 1.7124 134.7
70 51.26 448.81 1.7896 152.3 70 62.25 445.31 1.7691 147.5 70 74.43 441.47 1.7493 142.3
80 48.69 459.61 1.8206 157.1 80 58.74 456.56 1.8014 153.0 80 69.61 453.30 1.7833 148.7
90 46.49 470.30 1.8504 161.5 90 55.79 467.60 1.8322 158.0 90 65.71 464.76 1.8153 154.2
100 44.55 480.94 1.8794 165.6 100 53.24 478.53 1.8619 162.5 100 62.43 476.01 1.8458 159.2
110 42.83 491.58 1.9075 169.4 110 51.03 489.39 1.8906 166.6 110 59.62 487.13 1.8753 163.8
120 41.28 502.25 1.9350 173.0 120 49.05 500.25 1.9186 170.5 120 57.14 498.19 1.9038 168.0
130 39.87 512.95 1.9619 176.4 130 47.28 511.11 1.9459 174.2 130 54.95 509.23 1.9315 171.9
140 38.58 523.72 1.9882 179.7 140 45.67 522.02 1.9726 177.7 140 52.98 520.28 1.9586 175.6
150 37.39 534.56 2.0142 182.8 150 44.19 532.97 1.9988 181.0 150 51.18 531.36 1.9851 179.1
160 36.29 545.48 2.0397 185.8 160 42.83 544 2.0246 184.2 160 49.54 542.49 2.0111 182.5
170 35.26 556.50 2.0648 188.8 170 41.57 555.10 2.0499 187.2 170 48.03 553.68 2.0366 185.7
180 34.31 567.60 2.0896 191.6 180 40.41 566.28 2.0748 190.2 180 46.63 564.94 2.0617 188.8
190 33.40 578.80 2.1141 194.4 190 39.31 577.55 2.0994 193.1 190 45.32 576.29 2.0865 191.8
200 32.56 590.11 2.1382 197.1 200 38.28 588.92 2.1237 195.9 200 44.10 587.71 2.1109 194.7
210 31.76 601.51 2.1621 199.7 210 37.32 600.38 2.1477 198.6 210 42.96 599.23 2.1350 197.6
220 31.01 613.02 2.1856 202.3 220 36.41 611.94 2.1714 201.3 220 41.88 610.84 2.1588 200.3
230 30.29 624.64 2.2090 204.8 230 35.55 623.60 2.1948 203.9 230 40.87 622.55 2.1823 203.0
240 29.61 636.36 2.2320 207.2 240 34.73 635.35 2.2179 206.4 240 39.91 634.35 2.2055 205.6
250 28.96 648.18 2.2548 209.7 250 33.96 647.22 2.2408 208.9 250 39.00 646.25 2.2285 208.2
*Temperatures on ITS-90 scale