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Planejamento Social e Formulação

de Projeto de Intervenção
Planejamento Social e Formulação de Projeto de Intervenção
Autora: Alessandra Medeiros
Como citar este documento: MEDEIROS, Alessandra. Planejamento Social e Formulação de Projeto de
Intervenção. Valinhos: 2015.

Sumário
Apresentação da Disciplina 03
Unidade 1: Planejamento Social: Processo Lógico, Político e Administrativo 05
Assista a suas aulas 20
Unidade 2: Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica
27
e Técnico-Operativa
Assista a suas aulas 42
Unidade 3: A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais 50
Assista a suas aulas 64
Unidade 4: Planos, Programas e Projetos Sociais 72
Assista a suas aulas 85

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Planejamento Social e Formulação de Projeto de Intervenção
Autora: Alessandra Medeiros
Como citar este documento: MEDEIROS, Alessandra. Planejamento Social e Formulação de Projeto de
Intervenção. Valinhos: 2015.

Sumário
Unidade 5: Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico,
93
Reflexão Estratégica, Execução e Avaliação
Assista a suas aulas 106
Unidade 6: Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais 113
Assista a suas aulas 126
Unidade 7: Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais 133
Assista a suas aulas 150]
Unidade 8: O Gestor Social e o Planejamento 158
Assista a suas aulas 171

3
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Apresentação da Disciplina
Esta disciplina tem como objetivo mediada pelos serviços oferecidos pela
apresentar os principais conceitos do rede social.
planejamento, especialmente no que
Assim, apresentamos a ementa desta
tange à elaboração, implantação e
disciplina: planejamento social: dimensão
implementação de projetos de intervenção,
ético-política, sócio-histórica e técnico-
como requisitos fundamentais a um gestor
operativa; processo lógico, político
social.
e administrativo. A planificação do
Planejamento Social e Formulação de planejamento: políticas públicas, espaços
Projeto de Intervenção é a disciplina socioinstitucionais, planos, programas e
que compõe o projeto pedagógico do projetos sociais. Formulação de projeto de
curso de pós-graduação EaD em Gestão intervenção.
Social: Políticas Públicas, Redes e Defesa
de Direitos e, nesse sentido, está em
consonância com a proposta de subsidiar
melhores condições de avaliação nas
ações interventivas, contribuindo, ainda,
para a elaboração de estratégias de
enfrentamento das demandas sociais
que requisitam a intervenção profissional
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Unidade 1
Planejamento Social: Processo Lógico, Político e Administrativo

Objetivos

1. Este será o primeiro momento de um conjunto de


oito aulas, no qual exploraremos o universo do
planejamento e sua relação com a atuação do gestor
social, principalmente no processo de formulação,
implementação e implantação de um projeto social ou
projeto de intervenção.
2. Os objetivos da primeira aula consistem em apresentar
a disciplina e introduzir os seus conceitos basilares,
tais como o ciclo do planejamento e a importância da
temática para o profissional responsável pela gestão
de programas, projetos relacionados à política social.
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1.1 O Termo Planejamento

Na aula de hoje, será abordado o conceito de planejamento, de suma importância para a


compreensão da disciplina em sua totalidade.
Os conceitos ora abordados estão fundamentados no livro Planejamento Social: intencionalidade
e instrumentação, de Myrian Veras Baptista (VERAS, 2007).

Para saber mais


Link para saber mais sobre o livro citado e autora: <http://veraseditora.com.br/planejamento-
social-intencionalidade-e-instrumentacao/>

A professora Myrian Veras Baptista possui graduação em Serviço Social pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, concluída em 1954, e doutorado em Serviço Social pela mesma universidade,
finalizado em 1974, em que foi professora titular, exercendo a docência praticamente até seu
falecimento. Tinha experiência na área de Serviço Social, com ênfase em Serviço Social na área da
infância, adolescência e juventude, atuando principalmente nos seguintes temas: crianças, adolescentes
e famílias; teoria e prática do serviço social; defesa de direitos. Foi fundadora e coordenadora do Núcleo
de Estudos e Pesquisas sobre Crianças e Adolescentes – NCA/PUC-SP e fundadora da Associação dos
Pesquisadores de Núcleos de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente – Neca.

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O que vem a ser planejamento? O termo planejamento,

[...] na perspectiva lógico-racional, refere-se ao processo permanente e


metódico de abordagem racional e científica de questões que se colocam
no mundo social. Enquanto processo permanente, supõe ação contínua
sobre um conjunto dinâmico de situações em um determinado momento
histórico [...] supõe uma sequência de atos decisórios, ordenados em
momentos definidos e baseados em conhecimentos teóricos, científicos
e técnicos (BAPTISTA, 2007, p. 13).

Para saber mais


Pesquise vários conceitos de planejamento.
Por exemplo: o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (2008, p. 634) coloca que planejar é:
1. Fazer o plano ou a planta de; projetar; traçar
2. Tencionar, projetar
3. Elaborar um plano de

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Desse modo, o planejamento social de um processo de decisão dentro do
está relacionado com questões que se planejamento da política pública urbana.
apresentam no mundo social e também
destacamos que está diretamente
vinculado a processos de tomada de Para saber mais
decisão. O dicionário do pensamento social do século XX
Para tornar mais inteligível o processo (1996, p. 571) traz a seguinte reflexão: “existem
de tomada de decisão, será utilizado um muitas interpretações do planejamento em
caso, que faz parte da realidade social geral e do planejamento social em particular.
de uma metrópole, como por exemplo: a Na abordagem mais simples, o planejamento
cidade de São Paulo. Assim sendo: social é planejamento aplicado a instituições e
recursos sociais”.
A Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir
a velocidade das marginais, e ainda Pode referir-se a objetivos globais ou parciais.
vem desenvolvendo uma política de
mobilidade urbana, com implantação
de corredores de ônibus e ciclovias.
Com certeza, essas decisões não são
consenso na população e fizeram parte
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Pode abranger o planejamento para todo um sistema social ou referir
apenas ao planejamento de aspecto específicos de um projeto em uma
agência de serviço social. O próprio planejamento tem que ser descrito
com maiores detalhes para evitar a circularidade nessa definição (Ibidem,
p. 571).
Planejar o cotidiano é uma ação que o homem executa de forma automática, sem se dar conta
da abrangência e da importância dessa ação. Assim sendo, planeja uma viagem, a compra
de um imóvel, estabelece metas de curto, médio e longo prazo etc. E na área social? É fácil
planejar? Esta disciplina demonstrará que não. Isso porque o homem se concentra no fazer, no
agir e não privilegia os momentos que antecedem essas ações.
Planejar na área social refere-se à seleção de atividades e otimização de tempo, recursos etc.
O planejamento subsidia a escolha dos caminhos, que serão percorridos e as providências
necessárias, como também acompanha a execução das ações, monitorando-as e redefinindo-
as de acordo com as necessidades.

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1.2 O Ciclo do Planejamento
Para saber mais A aula de hoje centra-se na compreensão
E como podemos entender o conceito de
do ciclo do planejamento. Para iniciarmos
planejamento estratégico?
sua conceituação, observe o esquema a
Planejamento estratégico é um conceito comum seguir:
no âmbito da administração, que significa o
ato de pensar e fazer planos de uma maneira
estratégica.

Planejamento estratégico: <http://www.


significados.com.br/planejamento-
estrategico/>.

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Este esquema permite perceber que o de conceitos e técnicas de diversas
ciclo do planejamento é composto por disciplinas relacionadas com a explicação e
quatro etapas interligadas e que podem quantificação os fatos sociais [...]”.
ser interrompidas a qualquer momento, Em uma organização, o momento em que
retomando-se novos passos. As quatro são levantadas as informações sobre as
etapas do ciclo do planejamento, problemáticas identificadas será, então, o
reflexão, decisão, ação e retomada da momento da reflexão.
reflexão, correspondem a necessidade
O momento de reflexão pode ser
de aproximações sucessivas diante exemplificado quando um grupo de
do objeto do planejamento, ou seja, pessoas de uma organização se reúne para
revela a necessidade de construção e pensar melhorias nos atendimentos ou
reconstrução da intervenção diante do projetos já realizados, ou, ainda, quando
objeto – a realidade social - tais etapas são esse mesmo grupo identifica uma nova
conceituadas conforme Baptista (2007, p. problemática e passa a levantar dados para
15): conhecer a nova demanda.
A reflexão: [...] “diz respeito ao A decisão “se refere à escolha de
conhecimento de dados, à análise e estudo alternativas, à determinação de meios, à
de alternativas, à superação e reconstrução definição de prazos, etc.” (Ibidem, p.15).
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Após a reflexão, o momento em que a
equipe decide os caminhos que serão Para saber mais
adotados pode ser identificado como o Vamos estudar o conceito de decidir?
“pontapé” inicial rumo à ação, ou seja,
Decidir significa, de acordo com Ferreira (2008, p.
antes de qualquer ação, existe o momento 286):
de decisão.
1. Determinar, resolver
Com os dados levantados na fase de 2. Solucionar
reflexão, a equipe reúne um conjunto de 3. Dar decisão
informações, que passam a subsidiar a 4. Tomar deliberação.
decisão de qual caminho será tomado.
5. Dar preferência
Nesse sentido, se havia alguma dúvida,
6. Resolver-se
por exemplo, entre implantar um projeto
voltado ao atendimento das necessidades
Já a ação está “relacionada à execução das
de crianças e adolescentes ou de idosos,
decisões. É o foco central do planejamento.
os dados levantados na fase da reflexão
Orienta-se por momentos que a
contribuirão para a decisão de todos pelo
antecedem e é subsidiada pelas escolhas
projeto que seja mais viável e relevante.
efetivadas na operação anterior, quanto

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aos necessários processos de organização” Com a finalização da ação, nada mais
(BAPTISTA, 2007, p. 15). natural do que avaliar como o processo
Para entender o conceito de ação, basta transcorreu, ou seja, novamente refletir, só
imaginar que todas as providências que são que, dessa vez, a reflexão está direcionada
tomadas, após a decisão, já fazem parte da para um balanço da ação que foi
ação para que se efetive o desejado. desenvolvida.

Retomando os exemplos citados nas fases A retomada da reflexão pode acontecer


anteriores, ao se decidir por um projeto que em vários momentos. É claro que se
atenda crianças e adolescentes, o primeiro espera que aconteça ao término das
passo a ser executado para que o projeto ações desenvolvidas. No entanto, se algo
se efetive pode já ser considerado parte da acontecer no decorrer da implementação
ação. do projeto, impactando negativamente
as ações desenvolvidas, cabe ao grupo
Entende-se por retomada da reflexão executor interromper a ação, retomar a
“operação de crítica dos processos e dos reflexão para correção da rota, dando
efeitos da ação planejada, com vistas ao início, portanto, a um novo ciclo do
embasamento do planejamento de ações planejamento.
posteriores” (BAPTISTA, 2007, p. 15).

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Importante ressaltar que essas operações estão interligadas e podem ser interrompidas a
qualquer momento, redimensionando-se o planejado para uma nova rota, em função de novas
circunstâncias postas na realidade.

Para saber mais


Artigo científico: “Política e Planejamento Social: decifrando a dimensão técnico-operativa na prática
profissional e veja um exemplo prático do uso do planejamento na política de assistência social”, de
Odária Battini (Disponível em: <http://www.cedeps.com.br/wp-content/uploads/2009/06/
Pol%C3%ADtica-e-planejamento-social.pdf>).

Vale destacar:
O Planejamento Social pode ser entendido sob diferentes enfoques, a saber: a) como ferramenta
de trabalho que propicia uma prática metodologicamente conduzida e eticamente comprometida
com a cidadania; b) como processo lógico, político e administrativo que, por meio de seu
movimento, adensa formas de participação popular nos níveis decisórios e operativos; c) como
instrumento que busca racionalizar e dar direção para redefinições futuras de organizações,
políticas sociais, setores ou atividades, Influenciando o nível técnico e político e d) como mediação
entre a burocracia e as condições objetivas para efetivação de direitos (BATTINI, 2009, p. 7).

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Glossário
Implementação: “significa tomar providências concretas para a realização de algo planejado.
A fase de implementação pode ser considerada como a busca, formalização e incorporação de
recursos humanos, físicos, financeiros e institucionais que viabilizem o projeto, bem como a
instrumentalização jurídico-administrativa do planejamento” (BAPTISTA, 2007, p. 103).
Implantação: é a “operação, nos espaços e nos prazos determinados, das ações previstas no
planejamento” (Ibidem, p. 103).
Intervenção: modo de interferir na realidade com vistas a transformá-la (Ibidem, p. 103).

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?
Questão
para
reflexão

A partir do ciclo do planejamento, estabeleça uma


relação desse com a prática de um gestor social em seu
cotidiano. Atenção: comece com uma reflexão e, em
seguida, decida, estabeleça a ação e como você faria
para retomar a reflexão.

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Considerações Finais (1/2)

É de extrema importância retomar os principais tópicos estudados, na aula de


hoje, para que sejam colocados em prática no cotidiano profissional:
• O planejamento requer uma ação contínua, sempre relacionadas a tomadas
de decisões.
É imperativo considerar que mesmo em situações caracterizadas nos
termos da proteção social, como emergenciais, ou seja, que demandem
ações de prevenção, resposta e recuperação, assim como, a articulação
das Políticas Públicas para garantir o acesso a bens e serviços públicos
a população atendida. É, justamente, do processo de planejamento que
emergem os procedimentos a serem adotados no enfrentamento de tais
circunstâncias;
• para planejar, é preciso relacionar os conhecimentos teóricos, científicos
e técnicos adquiridos. Um planejamento adequado requer organização e
procedimentos lógicos;

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Considerações Finais (2/2)
• planejar na área social é um grande desafio, pois o cotidiano é impregnado
de imediaticidade, ou seja, na ação em si mesma, no fazer, de modo que
pensar, planejar é comumente atribuído pelo senso comum como “perda de
tempo”;
• planejar subsidia a escolha de caminhos a serem tomados e ainda permite
a correção de rotas que, por questões circunstanciais, precisarão ser
redimensionadas em função de variáveis encontradas no decorrer da
execução da ação que estiver sendo desenvolvida;
• Pode-se concluir, então, que o planejamento é de suma importância na
elaboração de qualquer intervenção social e consiste em vários passos que
serão esmiuçados nas próximas aulas.

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Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
BATTINI, Odária. Política e Planejamento Social: decifrando a dimensão técnico-operativa
na prática profissional. In: II Encontro Estadual do Sistema Municipal e Gestão Local do CRAS,
2007. SETP/NUCLEAS. Curitiba-PR. Disponível em: <http://www.cedeps.com.br/wp-content/
uploads/2009/06/Pol%C3%ADtica-e-planejamento-social.pdf> . Acesso em: 01 nov. 2015.

DICIONÁRIO do pensamento social do século XX. Editado por William Outhwaite, Tom
Bottmore; com a consultoria de Ernest Gellner, Robert Nisbet, Alain Touraine; editoria da versão
brasileira, Renato Lessa, Wanderley Guilherme dos Santos. Tradução de Eduardo Francisco
Alves, Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. 7.
ed. Curitiba: Positivo, 2008.

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Assista a suas aulas

Aula 1 - Tema: Planejamento Social: Processo Aula 1 - Tema: Planejamento Social: Processo
Lógico, Político e Administrativo - Bloco I Lógico, Político e Administrativo - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/6ef-
c9f2324dfee23eac279d87bc834f59e6>. 50134cf21259dc54e32e0dc7fbc1d>.

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Questão 1
1. Qual o ciclo do planejamento?

a) Ação, decisão, reflexão e retomada da reflexão.


b) Reflexão, ação, decisão e retomada da reflexão.
c) Reflexão, decisão, ação e retomada da reflexão.
d) Retomada da reflexão, decisão, ação e reflexão.
e) Retomada da reflexão, ação, decisão e reflexão.

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Questão 2
2. Das alternativas abaixo, assinale a que mais condiz com o conceito de
planejamento social:

a) Refere-se ao processo final e metódico de abordagem racional e científica de questões que


se colocam no mundo social.
b) Refere-se ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de
questões que se colocam no mundo social.
c) Refere-se ao processo permanente e metódico de abordagem social e científica de
questões que se colocam no mundo racional.
d) Refere-se ao processo permanente e teórico de abordagem racional e científica de
questões que se colocam no mundo social.
e) Refere-se ao processo permanente e metódico de intervenção social e científica de
questões que se colocam no mundo social.

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Questão 3
3. É o foco central do planejamento:

a) a reflexão
b) a retomada da reflexão
c) a ação
d) a decisão
e) o agir

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Questão 4
4. Operação de crítica dos processos e dos efeitos da ação planejada:

a) Retomada da ação.
b) Retomada da decisão.
c) Retomada da avaliação.
d) Retomada da reflexão.
e) Retomada do planejamento.

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Questão 5
5. A __________________ significa tomar providências concretas para
a realização de algo planejado. Já a _____________________________
é operação, nos espaços e nos prazos determinados, das ações previstas
no planejamento.

As palavras que completam corretamente as lacunas são:


a) implantação / implementação
b) implementação / implantação
c) implantação / intervenção
d) implementação / intervenção
e) intervenção / implantação

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Gabarito
1. Resposta: C. 3. Resposta: C.
O ciclo do planejamento é: reflexão, O foco do planejamento é a ação. O
decisão, ação e retomada da reflexão. planejamento existe para que algo seja
realizado/materializado.
2. Resposta: B.
4. Resposta: D.
Refere-se ao processo permanente
e metódico de abordagem racional e Chamamos de retomada da reflexão a
científica de questões que se colocam no operação de crítica dos processos e dos
mundo social. efeitos da ação planejada.
Planejar implica método, ação racional e
científica de questões colocadas no mundo 5. Resposta: B.
social.
A implementação significa tomar
providências concretas para a realização de
algo planejado. Já a implantação é operação,
nos espaços e nos prazos determinados, das
ações previstas no planejamento.
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Unidade 2
Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-
Operativa

Objetivos

1. Na primeira parte da aula de hoje, o objetivo será compreender a dimensão política


que permeia o planejamento. Faz-se mister ressaltar que a perspectiva política ora
mencionada é, em seu sentido amplo, como mediação para as relações humanas, tais
como o trabalho, o lazer, o amor, ou seja, a vida em sociedade. Comumente, a dimensão
política é sempre relacionada às instituições políticas, pelas quais se exerce o poder, e
pela qual se efetiva a representatividade numa sociedade democrática, logo, a política
partidária. Contudo, a perspectiva da dimensão política ora empregada se refere ao
poder. Poder como relação, ou como um conjunto de relações, sendo assim, “como
capacidade ou possibilidade de agir, de produzir efeitos desejados sobre indivíduos ou
grupos humanos”, portanto, uma estratégia política (ARANHA; MARTINS, 1993, p.180).

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Unidade 2
Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-
Operativa

Objetivos

2. Desse modo, se pensarmos a política enquanto poder, e o poder como uma relação ou
um conjunto de relações pelas quais, um indivíduo ou um grupo, interfere nas atividades
de outros indivíduos e grupos, a relação existente entre elemento político como fator de
tomada de decisões é fundamental para o planejamento social.
3. Na segunda parte da aula, será materializado o ciclo do planejamento, ou seja, será
articulado o conteúdo trabalhado na aula passada: reflexão, decisão, ação e retomada da
reflexão, de maneira que se possa visualizar sua utilização no cotidiano das organizações
sociais.
4. Ressalta-se a importância de se compreender que o planejamento em sua dimensão
política deve ser estrategicamente articulada com a sequência das atividades realizadas
durante o processo de planejamento.
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2.1 O Planejamento como Ato
Político
muito diferentes. A situação a seguir ilustra
Pensar no planejamento como ato político essa problemática.
não é tarefa fácil, entretanto é um exercício “Existe a necessidade de estratégias
que deve ser realizado cotidianamente, porque existem confrontos e existem
tendo em vista que qualquer atividade maneiras diferentes de enfrentá-los”
profissional realizada em espaços sócio- (RIVERA apud BAPTISTA, 2007, p. 17).
ocupacionais subordina indivíduos ou
grupos de indivíduos a outros grupos e Baptista (2007, p. 17) ainda esclarece que
ou instituições, portanto, é fundamental “a dimensão política do planejamento
considerar todas as pessoas, grupos, decorre do fato de que ele é um processo
instituições envolvidas no processo de contínuo de tomada de decisões”.
planejamento. Essas decisões são tomadas por pessoas,
Torna-se imperativo considerar a e, para que a ação se efetive, todos os
diversidade de pensamentos e estratégias envolvidos deverão participar dos processos
que emanam dos profissionais envolvidos decisórios, inclusive o público-alvo a
no processo de planejamento, em relação ser atendido, a fim de que opinem e se
a uma mesma situação “problema”, de manifestem com relação às necessidades e
modo que essa será analisada e elaboradas problemáticas vividas no cotidiano. Baptista
possíveis intervenções de perspectivas (2007, p. 21-22) alerta que,
29/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
Para que o planejado se efetive na direção desejada, é fundamental que,
além do conteúdo tradicional de leitura da realidade para o planejamento
da ação, sejam aliados: apreensão das condições subjetivas do ambiente,
como vontade política dos grupos envolvidos, correlação de forças,
articulação dos grupos, alianças ou incompatibilidades [...].

Para saber mais


As prioridades contempladas pelas políticas públicas são formuladas pelo Estado, mas nascem na
sociedade civil. Por isso mesmo, estão em permanente disputa. Demandas e necessidades tornam-se
prioridade efetiva quando ingressam na agenda estatal, tornando-se interesse do Estado e não mais
apenas dos grupos organizados da sociedade (CARVALHO, 2001, p.16).

Então, considerar tudo o que se encontra na realidade, e até o que não está facilmente visível,
faz parte do processo de planejamento e é um grande desafio.
Lozano e Martin apud Baptista (2007, p. 18-19) chamam ainda atenção para o fato de que
não é fácil estabelecer a inter-relação necessária entre o elemento técnico (ou de concepção)
30/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
e o elemento político (ou de decisão) no de recursos que usados e aplicados
processo de planejamento. O que eles indevidamente interrompem grandes
querem dizer com isso? Não adianta obras, como vias e estações de metrô
elaborar uma proposta metodologicamente e trem, afetando diretamente a vida de
correta, se as negociações/decisões não milhares de pessoas.
foram pactuadas coletivamente. Corre-se,
então, o risco de um projeto bem redigido
não sair do papel. Para saber mais
Todo ato político na tomada de decisões Assista ao filme Saneamento Básico. Produção
pode impactar diretamente na vida de brasileira, demonstra o planejamento como ato
milhões de cidadãos. Por exemplo: os político.
recursos utilizados no Programa Bolsa Como identificar o planejamento como ato
Família são questionados por muitos político nesse filme?
brasileiros que não possuem clareza do
impacto da redução da miséria na vida de
muitas pessoas.
Ao mesmo tempo, pode-se também tomar
decisões políticas equivocadas na alocação
31/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
2.2 A Sequência de Atividades de continuidade no processo de elaboração
no Ato de Planejar de um projeto de intervenção.
Não se pode esquecer que o planejamento
A utilização do ciclo do planejamento em
engloba todas essas etapas que
atividades pode ser esquematizada da
precedem a redação de um projeto.
seguinte forma:
“A função essencial do planejamento,
1) Equacionamento como instrumento técnico, é aumentar
Momento da reflexão. “O equacionamento a capacidade e melhorar a qualidade
corresponde ao conjunto de informações do processo de adoção de decisões,
significativas, para a tomada de decisões, oferecendo dados básicos da situação e
encaminhadas pelos técnicos aos necessidades” (BAPTISTA, 2007, p. 19).
centros decisórios” (BAPTISTA, 2007, p. Vale ressaltar um ponto muito importante:
19). O que significa isso? Após todo o “diante de um mesmo problema e de
levantamento e análise dos dados, essa uma mesma demanda, as pessoas têm
situação identificada como problema e diferentes formas de encaminhamento de
que demanda uma intervenção, deverá apreensão do real” (BAPTISTA, 2007, p. 19).
ser encaminhada para quem tem poder de Isso está relacionado à visão de mundo de
decisão, ou seja, se existe a possibilidade cada pessoa e à fonte em que busca seus
32/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
fundamentos. Cada pessoa irá encaminhar
a situação analisada de acordo com seus
referenciais. Esse é mais um grande desafio
do planejamento: como planejar algo
em conjunto, com as pessoas pensando
Para saber mais
A partir do conteúdo estudado, no que se refere
e avaliando possivelmente de maneiras
à diversidade de pontos de vista, estratégias e
diferentes? Planejar vai requerer, então,
possibilidades de enfrentamento da situação
muita discussão e um balizamento da
objeto. Os diferentes profissionais envolvidos
compreensão de todos sobre as temáticas
nas atividades de planejamento, terão diferentes
centrais do projeto.
formas de apreender a realidade vivenciada,
Por exemplo: se um projeto irá contribuir consequentemente, diferentes formas de
para a melhoria da autoestima de mulheres encaminhamento. Neste sentido, tomando como
vítimas de violência, um conceito em exemplo a charge a seguir, pesquise formas de
que todos deverão debruçar e traçar um expressão artística, como imagens e/ou charges
entendimento coletivo é o de autoestima. que expressem tal diversidade.

33/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
Fonte: Winkal, 2015. Disponível em: <http://winkal.com/share/m/N0oJ>.

Importante atentar-se para o fato de que,

Se sua perspectiva da realidade se faz a partir de um ângulo conservador,


o planejador, vai percebê-la enquanto fato social objetivo, tomando o
dado como limite da reflexão [...] fazendo com que a apreensão do real
se resuma nas questões colocadas no cotidiano, não interessando o
processo que está em sua gênese (BAPTISTA, 2007, p. 20).
34/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
O que a autora quer dizer com isso? Caso a pessoa tenha uma base de análise conservadora,
isso irá influenciar no planejamento por ela elaborado, e corre-se o risco que ela perca de vista
o processo, atentando apenas para o dado real ou o problema identificado de maneira isolada.
Devemos, então, realizar o exercício de ir além da aparência do real, pois em tudo existe uma
essência velada.

Para saber mais


Como exemplificar um pensamento conservador? Ou um pensamento que analise apenas o fato social
objetivo?
Por exemplo: pessoas moram na rua por não querer trabalhar ou preferem viver sem regras. Esse é um
exemplo de pensamento conservador que não considera as histórias de vida, nem condições sociais
mais amplas.
Você consegue identificar algum outro exemplo de pensamento conservador?

2) Decisão
O conceito de decisão acaba sendo o mais fácil, já que corresponde às diferentes escolhas
necessárias no decorrer do processo de planejamento.
35/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
Baptista reforça a necessidade de participação do público-alvo nas decisões, pois “as
resultantes dessas análises determinam a importância da participação de segmentos da
população, como sujeito político no processo decisório” (2007, p. 21).

É importante enfatizar que, enquanto no planejamento tradicional


perdia-se a referência concreta ao sujeito – a população entrava como
‘usuária’, ‘demandante’, ‘clientela’, mas nunca como ser histórico. No
planejamento agora proposto a população é personagem central do
processo (Ibidem, p. 21).
3) Operacionalização
Talvez essa seja a parte em que as pessoas apresentem maior resistência em sua execução.
Depois das decisões tomadas, o passo seguinte será colocar todas as ideias no papel, por
meio de planos, programas e projetos. Dessa forma, a operacionalização “relaciona-se ao
detalhamento das atividades necessárias à efetivação das decisões tomadas, cabendo aos
técnicos sua consubstanciação em planos, programas e projetos” (BAPTISTA, 2007, p. 23).

36/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
Muitas pessoas possuem dificuldade Vale lembrar ainda que a retomada da
em operacionalizar. Por exemplo, após reflexão estudada no ciclo do planejamento
se decidir realizar uma intervenção, é também acontece na ação, pois é natural
imperativo, antes de começar a execução, que, ao final da execução do planejado, se
esquematizá-la por escrito. faça um balanço sobre o que deu certo, o
A ânsia de já começar a executar faz que precisa ser corrigido etc.
com que a operacionalização seja uma
etapa que recebe pouca dedicação,
porém, quanto mais dedicação ao ato de
escrever planos, programas e projetos,
detalhadamente, maior será a eficiência
das ações e o monitoramento das
atividades.
4) Ação
Destaca-se que a ação é o foco central do
planejamento. Assim, quando é iniciada a
tomada de providências para executar o
planejado, já se iniciou a ação.
37/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
Glossário
Consubstanciação: concretização, deixar algo real, palpável. De acordo com o Dicionário
Aurélio: consolidar, unir-se, ligar-se intimamente (2008, p. 261).
Operacionalizar: colocar ideias em ações. Tornar algo operacional. Conforme o Dicionário
Aurélio, operacional é o que está pronto para funcionar (2008, p. 593).
Ato político: ato relacionado ao poder de decisão. Não se relaciona a partidos políticos.

38/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
?
Questão
para
reflexão

Vamos agora colocar em prática os conhecimentos adquiridos


nesta aula. Apresente uma situação que exemplifique o
planejamento como ato político. E depois reflita: você tem
dificuldade em operacionalizar?

39/178
Considerações Finais

Vale ressaltar que:


a) a dimensão política do planejamento está relacionada ao processo
de tomada de decisões;
b) as pessoas possuem diferentes formas de analisarem e
interpretarem a realidade;
c) todos os envolvidos deverão participar do processo de planejamento
e tomada de decisões;
d) o planejamento ajuda a subsidiar a tomada de decisões e os
melhores caminhos a serem adotados;
e) a operacionalização objetiva colocarmos nossas ideias no papel.

40/178
Referências

ARANHA, M.L. de A; MARTINS, M.H.P. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna,
1993.
BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:
Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
DICIONÁRIO do pensamento social do século XX. Editado por William Outhwaite, Tom
Bottmore; com a consultoria de Ernest Gellner, Robert Nisbet, Alain Touraine; editoria da versão
brasileira, Renato Lessa, Wanderley Guilherme dos Santos. Tradução de Eduardo Francisco
Alves, Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. 7.
ed. Curitiba: Positivo, 2008.

41/178 Unidade 2 • Planejamento Social: Conceito, Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-Histórica e Técnico-Operativa
Assista a suas aulas

Aula 2 - Tema: Planejamento Social: Conceito, Aula 2 - Tema: Planejamento Social: Conceito,
Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio- Finalidades, Dimensão Ético-Política, Sócio-
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873feedefe0502f0ae3cd36e55070c14>. 362811d73a99ac58c198a068bbc6e290>.

42/178
Questão 1
1. A dimensão política do planejamento está relacionada:

a) ao processo de tomada de decisões;


b) ao partido político de quem apresenta as propostas;
c) à retomada da reflexão;
d) ao processo de monitoramento;
e) à ação propriamente dita.

43/178
Questão 2
2. É importante enfatizar que, enquanto no planejamento tradicional per-
dia-se a referência concreta ao sujeito – a população entrava como “usu-
ária”, “demandante”, “clientela”, como objeto passivo sem capacidade de
protagonizar as ações, ou seja, nunca como ser histórico, no planejamento
agora proposto à população:

a) é compreendida como público-alvo;


b) é personagem central do processo;
c) ainda pode ser compreendida como cliente;
d) deve ser tratada apenas como usuária.
e) nenhuma das alternativas anteriores.

44/178
Questão 3
3. “relaciona-se ao detalhamento das atividades necessárias à efetivação
das decisões tomadas, cabendo aos técnicos sua consubstanciação em
planos, programas e projetos”. Essa frase refere-se à(a):

a) ação
b) decisão
c) operacionalização
d) retomada da reflexão
e) equacionar

45/178
Questão 4
4. Relaciona-se às providências que transformarão em realidade o que foi
planejado. Estamos nos referindo à(a):

a) ação
b) decisão
c) operacionalização
d) retomada da reflexão
e) equacionar

46/178
Questão 5
5. “O _________________ corresponde ao conjunto de informações sig-
nificativas, para a tomada de decisões, encaminhadas pelos técnicos aos
centros decisórios.”

a) gerenciamento
b) levantamento
c) plano de trabalho
d) monitoramento
e) equacionamento

47/178
Gabarito
1. Resposta: A. passivo de ações, mas como sujeito que
participa do processo de planejamento.
A dimensão política do planejamento está
relacionada ao processo de tomada de 3. Resposta: C.
decisões.
A operacionalização “relaciona-se ao
2. Resposta: B. detalhamento das atividades necessárias à
efetivação das decisões tomadas, cabendo
É importante enfatizar que, enquanto aos técnicos sua consubstanciação em
no planejamento tradicional perdia- planos, programas e projetos”.
se a referência concreta ao sujeito – a
população entrava como “usuária”, 4. Resposta: A.
“demandante”, “clientela”, mas nunca
como ser histórico, no planejamento agora A ação relaciona-se às providências que
proposto a população é personagem transformarão em realidade o que foi
central do processo. Trata-se de trabalhar planejado.
na perspectiva do protagonismo da
população atendida, não como objeto

48/178
Gabarito
5. Resposta: E.

“O equacionamento corresponde ao
conjunto de informações significativas,
para as tomadas de decisões,
encaminhadas pelos técnicos aos centros
decisórios”.

49/178
Unidade 3
A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais

Objetivos

1. Os objetivos da aula de hoje são: a) discutir o


planejamento como processo técnico-político;
b) compreender o planejamento como processo
técnico-político; c) contextualizar as situações
socioinstitucionais, no sentido de que se possa
apreender o objeto do planejamento, num
processo de construção e reconstrução durante
toda a ação; e d) apresentar o conceito de
planificação. Estes elementos são essenciais
para a articulação junto às Políticas Públicas
nos mais diferentes espaços socioinstitucionais.

50/178
3.1 O Planejamento como
Processo Técnico-Político
b) necessidade de utilizar recursos
O processo de planejamento se realiza a excedentes ou de utilizar
partir de aproximações sucessivas, que equipamento ocioso;
tem como centro de interesse a situação c) disponibilidade de recursos de
delimitada como objeto de intervenção. agências de financiamento;
Vale esclarecer que delimita um objeto de
intervenção, a partir de nossos objetivos, d) transferência do poder decisório para
pois não conseguimos planejar a realidade novas lideranças (já que, em uma
como um todo. E é claro que essa mudança de partido, por exemplo,
delimitação dependerá das circunstâncias haverá a necessidade de se planejar a
particulares de cada situação. transição de um governo para outro);

O planejamento surge de necessidades e) necessidade de fundamentar novos


como: programas, já que, ao final de
uma intervenção, avaliações são
a) utilizar recursos escassos para realizadas para subsidiar novas ações,
atender a grandes problemas (na corrigindo o que for necessário;
maioria das vezes);

51/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


f) planejar planos, programas e reconstrução do objeto; pelo estudo da
projetos com prazo limitado ou situação; pela definição de objetivos
ação permanente de intervenção. para a ação; pela formulação e escolha
Importante esclarecer que uma ação de alternativas; pela montagem de
permanente poderá se configurar planos, programas e/ou projetos; pela
como um serviço. implementação; pela implantação; pelo
Vale lembrar que realizar planos, controle da execução; pela avaliação
programas e projetos relaciona-se às de processo e da ação executada e pela
decisões políticas que pressupõem retomada do processo em um novo
alocação de recursos para sua realização. patamar.

Como descrever os passos do


planejamento? Após a decisão de
planejar, o movimento reflexão-decisão-
ação-retomada da reflexão pode ser
assim caracterizado: pela construção/

52/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


Para saber mais
O Dicionário do pensamento social do século XX (1996, p. 572) nos traz a seguinte reflexão:

Teoricamente, todos os atores sociais podem tomar decisões mais ou menos racionais acerca de sua
própria ação e conduta futura. Assim, planos podem ser feitos por famílias, firmas e outras organizações,
comunidades locais e unidades dotadas de governo próprio, até o corpo central dos responsáveis pelas
decisões. Estamos interessados aqui no planejamento que vai além das fronteiras de uma unidade autônoma,
autossuficiente, como uma família ou firma, em especial, no planejamento em nível global, implicando a
sociedade como um todo.

O quadro a seguir demostra como as fases metodológicas se transformam em documentos no


decorrer do processo de planejamento:

53/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


Quadro 1: Fases metodológicas do processo de planejamento

Fonte: (BAPTISTA, 2007, p. 29).

54/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


O quadro demonstra como todas as etapas do planejamento deverão se materializar em
documentos. Nesse curso, ainda serão trabalhadas as fases metodológicas, principalmente a
importância do estudo da situação.

Para saber mais


O Dicionário do pensamento social do século XX nos traz a seguinte reflexão:

A tomada de decisões em matérias sociais constitui um processo político em que os valores e interesses
dos participantes desempenham um papel predominante, se bem que nem sempre ostensivo. Além disso, a
realização do plano é um processo social que raras vezes é totalmente guiado, se é que alguma vez o foi pelas
intenções dos planejadores. Vários atores sociais operando em outros níveis de intencionalidade participam
desses processos. O resultado, portanto, dependerá do vigor e da solidez das ações não planejadas e as
chamadas consequências não premeditadas ocorrerão inevitavelmente. Da perspectiva do planejador, elas
podem ser vistas como espontâneas. E a divergência entre plano e resultado depende de certo número de
fatores. Alguns dos mais importantes são a complexidade do sistema-alvo, as contradições internas e os
conflitos entre componentes do sistema-alvo, o impacto de forças exteriores (como as naturais) ou a natureza
estocásticas dos vínculos intrassistêmicos em uma sociedade (SZTOMPAKA, 1981 apud 1996, p. 572).

55/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


Importante destacar os contextos inicial poderá se transformar para o
institucionais, ou seja, a partir de que atendimento de adolescentes grávidas.
lugar serão realizados os processos de Não se pode esquecer que o objeto do
planejamento? Há que se considerar de planejamento da intervenção profissional é
qual setor que envolve diretamente ou o segmento da realidade que é posto como
indiretamente o aparato do Estado, ou seja, desafio. Nesse sentido, deve-se considerar
o poder público, a iniciativa privada, como que a realidade social é dinâmica e,
também o chamado terceiro setor. para apreendê-la, fazem-se necessárias
As dinâmicas institucionais são muito sucessivas aproximações.
diferentes e, nesse sentido, dependendo Nessas aproximações, o objeto de
do lugar que solicita uma intervenção, o intervenção poderá mudar e, por
objeto poderá se construir e reconstruir isso, ele constrói-se e reconstrói-se,
ao longo de toda a ação planejada. Por permanentemente, durante toda a ação
exemplo, inicialmente a demanda pode planejada.
se referir no território a um projeto de
intervenção voltado para o atendimento
a idosos e o contato com as pessoas
envolvidas e com a realidade. Esse objeto
56/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais
Na prática, a (re) construção do objeto da ação profissional é um
processo que envolve operacionalização das demandas institucionais,
das pressões dos usuários e das decisões profissionais. Uma vez que
a intervenção e o planejamento da ação profissional se realizam
primordialmente nas instituições, é a demanda institucional o ponto
de partida e o ponto de referência para essa construção e para o
planejamento da intervenção (BAPTISTA, 2007, p. 32).
Deve-se, então, considerar a demanda institucional como o ponto de partida para novos
desafios e novas oportunidades de intervenção e não ficar preso aos dados colocados na
realidade inicialmente.
Os profissionais vivem em uma polaridade: de um lado, empregador, e, do outro, as pessoas
que demandam o trabalho. Estar entre essas duas forças cria um falso dilema. O que seria esse
falso dilema? O imperativo de ter de escolher um lado. Estar no meio dessa força é inerente a
profissões colocadas no sistema capitalista. Sempre se estará entre contextos, cujos interesses
poderão ser contrários, porém, a partir dessa contradição, deve-se buscar alternativas
profissionais para a transformação da realidade.
57/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais
Assim, deve-se reconstruir o objeto, planos, programas e projetos” (BAPTISTA,
superando a demanda institucional 2007, p. 97).
imediata, ou seja, ultrapassar limites Os diferentes níveis dos planos,
daquilo que nos foi colocado no momento programas e projetos será assunto da
de nossa contratação, buscando inovar e próxima aula. Pode-se perceber que o
encontrando novos espaços. conceito de planificação está relacionado
com a operacionalização, ou seja,
3.2 Planificação planificar no momento em que se está
operacionalizando uma intervenção.
Compreender o conceito de planificação
é fundamental para a apreensão dos
conteúdos que serão abordados nas
próximas aulas.
Planificação é a sistematização das
atividades e dos procedimentos em
documentos que “representam graus
decrescentes de níveis de decisão:

58/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


Para saber mais
O Dicionário de Língua Portuguesa apresenta o
seguinte conceito de planificar: 1. Apresentar em
planta 2. planejar, projetar 3. Submeter a plano.
(FERREIRA, 2008, p. 635).

Agora, pesquise o link a seguir e veja o conteúdo


desta aula usado no cotidiano da política de
saúde:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/sus_instrumento.pdf>

Nesse arquivo, é exemplificado um planejamento


colocado em prática, em todas as suas etapas.

59/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


Glossário
Polaridade: forças antagônicas. Conforme o Dicionário Aurélio, polarizar: atrair para si,
concentrar-se para um certo fim (2008, p. 638)
Dilema: dúvida. Conforme o Dicionário Aurélio, dilema: situação difícil, na qual é preciso
escolher entre duas alternativas contraditórias ou antagônicas ou insatisfatórias (2008, p. 319).
Aproximações sucessivas: pautadas no movimento dialético, devemos olhar para a realidade,
questioná-la, buscar novos conhecimentos e olhar novamente para a realidade com um novo
olhar/pensamento reconstruído.

60/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


?
Questão
para
reflexão

Reflita sobre exemplos de circunstâncias que usamos


o planejamento, tanto no poder público como na
iniciativa privada e também no terceiro setor. Será que
existem desafios comuns?

61/178
Considerações Finais

Nesta aula, alguns pontos devem ser destacados:


a) o objeto de intervenção pode construir-se e reconstruir-se no decorrer da
ação planejada;
b) isso acontece por vários motivos, dentre eles: a realidade social é
complexa e mutável;
c) dessa forma, é preciso realizar várias aproximações;
d) depois de se ter o objeto bem definido, deve-se colocar as ideias no
papel, em documentos, como: planos, programas e projetos.

62/178
Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
DICIONÁRIO do pensamento social do século XX. Editado por William Outhwaite, Tom
Bottmore; com a consultoria de Ernest Gellner, Robert Nisbet, Alain Touraine; editoria da versão
brasileira, Renato Lessa, Wanderley Guilherme dos Santos. Tradução de Eduardo Francisco
Alves, Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. 7.
ed. Curitiba: Positivo, 2008.

63/178 Unidade 3 • A Planificação do Planejamento: Políticas Públicas, Espaços Socioinstitucionais


Assista a suas aulas

Aula 3 - Tema: A Planificação do Planejamento: Aula 3 - Tema: A Planificação do Planejamento:


Políticas Públicas, Espaços Sócio-Institucionais Políticas Públicas, Espaços Sócio-Institucionais
- Bloco I - Bloco II
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1d/5e2d6fb537a350cfb0779a9697c68813>. 1d/894a6ac7269ed6484eb4969f19d80fb3>.

64/178
Questão 1
1. Analise as frases abaixo e assinale a alternativa correta:

I. O processo de planejamento se realiza a partir de aproximações sucessivas.


II. O processo de planejamento tem como centro de interesse a situação delimitada como
objeto de intervenção.
III. Delimitamos um objeto de intervenção, a partir de nossos objetivos, pois não conseguimos
planejar a realidade como um todo.
a) Todas as frases estão corretas.
b) Apenas as frases I e II estão corretas.
c) Apenas as frases II e III estão corretas.
d) Apenas as frases I e III estão corretas.
e) Todas as frases estão incorretas.

65/178
Questão 2
2. Analise as frases abaixo e assinale a alternativa correta:

O planejamento surge de necessidades, como:


I. Utilizar recursos abundantes para atender a grandes problemas.
II. Necessidade de utilizar recursos excedentes ou de utilizar equipamento ocioso.
III. Disponibilidade de recursos de agências de financiamento.
a) Todas as frases estão corretas.
b) Apenas as frases I e II estão corretas.
c) Apenas as frases II e III estão corretas.
d) Apenas as frases I e III estão corretas.
e) Todas as frases estão incorretas.

66/178
Questão 3
3. Com relação à construção e reconstrução do objeto, analise as frases:

I. Devemos considerar que a realidade social é dinâmica e, para apreendê-la, se fazem


necessárias sucessivas aproximações.
II. Nessas aproximações, nosso objeto de intervenção poderá mudar.
III. O objeto constrói-se e reconstrói-se permanentemente durante toda a ação planejada.
a) Todas as frases estão incorretas.
b) Apenas as frases I e II estão corretas.
c) Apenas as frases II e III estão corretas.
d) Apenas as frases I e III estão corretas.
e) Todas as frases estão corretas.

67/178
Questão 4
4. A _______________ é a sistematização das atividades e dos procedi-
mentos em documentos.
A palavra que preenche a lacuna é:
a) planificação
b) operacionalização
c) avaliação
d) ação
e) decisão

68/178
Questão 5
5. No que consiste o falso dilema?

a) Escolher o lado do empregador.


b) Escolher o lado da população.
c) Achar que temos de escolher um lado.
d) Aceitar a demanda institucional imediata.
e) Aceitar a demanda institucional mediata.

69/178
Gabarito
1. Resposta: A. disponibilidade de recursos de agências de
financiamento.
O processo de planejamento se realiza
a partir de aproximações sucessivas. O 3. Resposta: E.
processo de planejamento tem como
centro de interesse a situação delimitada Com relação à construção e reconstrução
do objeto, devemos considerar que
como objeto de intervenção. Delimitamos
a realidade social é dinâmica e, para
um objeto de intervenção, a partir de
apreendê-la, se faz necessárias sucessivas
nossos objetivos, pois não conseguimos
aproximações. Nessas aproximações, nosso
planejar a realidade como um todo.
objeto de intervenção poderá mudar, ou
seja, o objeto constrói-se e reconstrói-se
2. Resposta: C.
permanentemente durante toda a ação
O planejamento surge de necessidades planejada.
como: de utilizar recursos escassos
para atender a grandes problemas;
necessidade de utilizar recursos excedentes
ou de utilizar equipamento ocioso;
70/178
Gabarito
4. Resposta: A.

Planificação é a sistematização das


atividades e dos procedimentos em
documentos.

5. Resposta: C.

O falso dilema consiste em não termos de


escolher um lado.

71/178
Unidade 4
Planos, Programas e Projetos Sociais

Objetivos

1. A aula de hoje tem como principal desafio apresentar as diferenças conceituais entre
planos, programas e projetos e ainda compreender esses documentos como formas
materiais resultantes do processo de planificação.
2. Novamente, será retomada a reflexão citada nas aulas anteriores da dificuldade que
muitas pessoas possuem em colocar suas ideias no papel. Materializar intenções antes de
executar ações se torna, portanto, um ponto fundamental no processo de planejamento.
3. Assim, serão apresentados aspectos comuns desses três tipos de documentos e, em
seguida, será discutido, particularmente, cada um deles.
4. Sugere-se que, para o melhor aproveitamento deste conteúdo, sejam pesquisados
exemplos desses três tipos de documentos e perceba a diferenciação, entre eles, pelo
estilo da redação e conteúdo neles expresso.

72/178
4.1 Planos, Programas e Projetos: Características Gerais

O desenho acima apresentado remete-se à ideia das dimensões desses três documentos,
como se o plano estivesse numa dimensão mais externa, o programa no meio, e ao centro,
73/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais
os projetos. Podemos ainda afirmar que Por exemplo: um plano de governo terá a
em uma dimensão mais externa ao plano duração de quatro anos, tempo de duração
seriam as políticas, especialmente políticas de um mandato.
públicas, no caso deste curso. Espaço: os planos, programas e projetos
Importante esclarecer ainda que ao centro também deverão contar com áreas
também estão os serviços. O que diferencia delimitadas espacialmente, ou seja,
um projeto de um serviço? Um serviço estamos nos referindo a uma cidade,
apresenta a característica de ser ofertado uma região específica, uma política em
continuamente, enquanto um projeto tem, especial?
necessariamente, um tempo limitado. Volume: os planos, programas e projetos
Existem algumas dimensões essenciais também deverão apresentar resultados
tanto nos planos como programas e concretos mensuráveis, inclusive, recursos
projetos. São elas: materiais e físicos concretos.
Tempo: tanto um plano como programa
e um projeto cobrem um tempo limitado;
esse tempo vai variar de acordo com as
características próprias dos documentos.

74/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Para saber mais Para saber mais
Pesquise planos, programas e projetos. Na perspectiva do sistema de planejamento, uma
política é um processo de tomada de decisões
Plano Brasil Sem Miséria: <http://www.
que ‘começa com a adoção de postulados gerais
brasilsemmiseria.gov.br/>
que depois são desagregados e especializados.
[...] Quando a priorização é plasmada em
4.2 Plano
um modelo que relaciona meios e fins,
“O plano delineia as decisões de caráter geral concatenando-se temporalmente, se obtém um
do sistema, suas grandes linhas políticas, plano” (CURY, 2001, p. 43).
suas estratégias, suas diretrizes e precisa
responsabilidades” (BAPTISTA, 2007, p. Podemos citar vários planos nacionais:
99). Essa definição permite afirmar que o
• Plano Nacional de Cultura
plano apresenta diretrizes mais amplas,
mais gerais, e não apresenta, na maioria • Plano Nacional de Educação
das vezes, a metodologia que será realizada, • Plano Nacional de Resíduos Sólidos
principalmente quando se tratar de um plano • Plano de Combate ao Tráfico de Seres
de diretrizes e não um plano de ações. Humanos
75/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais
• Plano Nacional de Combate ao crack 4.3 Programa
e outras drogas
“É a setorização do plano [...] é,
• Plano Nacional de Política para
basicamente, um desdobramento do
Mulheres
plano” (BAPTISTA, 2007, p. 100).
O conceito acima mostra que um programa
Para saber mais geralmente faz parte de um plano, sendo
direcionado para uma região específica ou
Pesquise um desses planos e veja como se
para um público particular.
estrutura e quais são seus principais itens.
Retomando o exemplo do Plano Brasil Sem
Por exemplo: o Plano Nacional de Cultura possui
Miséria, tem-se nele o Programa Bolsa-
até um site para, inclusive, você conhecer e
família. Pode-se compreender que o Bolsa-
opinar sobre suas metas em alguns momentos.
família está direcionado para um segmento
Disponível em: <http://pnc.culturadigital.br/>. específico dentro de um plano de diretrizes
Também existem links no YouTube sobre a gerais mais amplas.
implantação de planos. Pesquise e confira. No Brasil, destaca-se também o PETI –
Programa de Erradicação do Trabalho

76/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Infantil, que objetiva acabar com o 4.4 Projeto
trabalho de crianças e adolescentes entre 7
e 15 anos. Conceitua-se projeto como “[…] o
documento que sistematiza e estabelece
o traçado prévio da operação de um
Para saber mais conjunto de ações” (BAPTISTA, 2007, p.
Um programa “engloba um conjunto de projetos 102).
que são articulados por meio de diferentes Como característica desse tipo de
estratégias. Instrumento utilizado, no nível documento, pode-se afirmar que ele
governamental, para a concretização das ações está mais próximo da execução, portanto
e dos objetivos traçados” (DICIONÁRIO DO deverá ser muito detalhado.
TERCEIRO SETOR, 2011, p. 195).
Nesta disciplina, busca-se compreender
como se elabora um projeto social ou
projeto de intervenção.
Vale iniciar este conteúdo pelas qualidades
esperáveis em um projeto, de acordo com
Baptista (2007, p.102). São elas:

77/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


• Simplicidade e clareza na redação: um projeto deverá comunicar claramente
sua ideia, sem linguagem rebuscada, transmitindo as informações de modo
que atraia a atenção do leitor.

• Disposição gráfica adequada: o projeto deverá ser apresentado de uma forma


que o texto fique atrativo e facilite sua leitura.

• Clareza e precisão nas ilustrações: além de um texto claro, o projeto também


poderá trazer ilustrações que condensem os dados apresentados e auxiliem a
interpretação do leitor.

• Objetividade e exatidão nas informações, na terminologia e nas


especificações técnicas: o projeto deverá apresentar informações precisas,
pautadas na realidade e em dados concretos para que os dados não sejam
interpretados como “achismos” ou ainda senso comum.

• Descrição adequada de cada operação: já que um projeto serve como um


guia para a ação, ele deverá apresentar o “passo a passo” para sua realização.

78/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Um projeto também deverá apresentar expressos nos objetivos, ou seja, manter
sua abrangência, ou seja, o projeto deve uma linha metodológica de raciocínio
se referir de forma exaustiva a todos os que uma seção desencadeie das ideias já
aspectos da estrutura da questão a que se postas anteriormente.
destina, delimitando um recorte para sua Por último e não menos importante,
intervenção. um projeto deverá apresentar limitação
Uma característica também fundamental temporal e espacial, como já indicamos nos
consiste em ser compatível e coerente aspectos comuns entre planos, programas
em suas relações entre as partes e em e projetos.
suas relações com outros níveis da Vale ainda reforçar a diferença entre
programação, ou seja, se um projeto se serviço e projeto. Um serviço não tem
desmembra de um programa e de um prazo de término. Já um projeto deve,
plano, deverá apresentar metodologia necessariamente, ter um começo, um meio
consistente e não destoar das linhas e um fim.
propostas nos outros documentos.
Atenção: muitas pessoas confundem
Um projeto também deverá ter relação projeto de pesquisa com projeto social ou
visível entre as operações previstas e projeto de intervenção. Projetar relaciona-
o alcance dos resultados desejados,
79/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais
se a colocar suas ideias no papel para
objetivar uma ação. No caso da pesquisa,
o projeto de pesquisa é o norte para um
levantamento de dados, e, no caso de um
projeto de intervenção, é um norte para a
mudança de uma realidade.

Para saber mais


“O Projeto é a implementação de uma causa
ou um ideal. São empreendimentos que são
planejados a partir de um conjunto de objetivos
específicos claros e bem definidos” (DICIONÁRIO
DO TERCEIRO SETOR, 2011, p. 195).

80/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Glossário
Dimensões essenciais: são balizas imprescindíveis que não poderão deixar de ter em um plano,
programa e projeto.
Diretrizes: como uma linha reguladora, norteadora. Conforme Dicionário Aurélio: linha reguladora
de um caminho ou estrada, de um plano, um negócio, ou de procedimento (2008, p. 321).
Erradicar: acabar. O Dicionário Aurélio nos remete ao verbo desarraigar, ou seja, arrancar pela raiz,
extinguir ou destruir inteiramente (2008, p. 296).

81/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


?
Questão
para
reflexão

No seu cotidiano você tem acesso a planos, programas


e projetos? Quais planos são necessários para melhor
compreensão e atuação profissional? A partir de
sua área de atuação, levante os planos e programas
governamentais que deverão subsidiar sua ação.

82/178
Considerações Finais

Nesta aula, pode-se perceber que, mesmo com as dificuldades cotidianas, um


gestor precisa colocar suas ideias no papel por meio de planos, programas e
projetos.
Também ficou perceptível que planos, programas e projetos são documentos
diferentes em termos da profundidade de seu conteúdo. Enquanto um plano
apresenta diretrizes mais gerais, um projeto deverá ser muito mais detalhado
em sua metodologia. Já um programa acaba sendo o desmembramento de
um plano, direcionado para uma área ou região específica, ou ainda a um
determinado público-alvo.

83/178
Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
CURY, Thereza Christina Holl. Elaboração de projetos sociais. In: ÁVILA, Célia M. (Org.). Gestão de
projetos sociais. 3 ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária,
2001. p. 39-60.
MEREGE, Luiz Carlos; MOUSSALLEM, Márcia (Orgs.). Dicionário do Terceiro Setor. São Paulo:
Plêiade, 2011.

84/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Assista a suas aulas

Aula 4 - Tema: Planos, Programas e Projetos Aula 4 - Tema: Planos, Programas e Projetos
Sociais - Bloco I Sociais - Bloco II
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a89c014d61db71ea171bf793e9683a4b>. b149ccac56a23fca1017cb848e9267ae>.

85/178
Questão 1
1. Das dimensões citadas nesta aula, está correta a seguinte ordem:

a) Serviços, planos, projetos e programas.


b) Programas, projetos, serviços e planificação.
c) Planificação, programa, projetos e serviços.
d) Plano, programa, projetos e serviços.
e) Projeto, programa, serviços e planificação.

Também ficou perceptível que planos, programas e projetos são documentos diferentes em
termos da profundidade de seu conteúdo. Enquanto um plano apresenta diretrizes mais gerais,
um projeto deverá ser muito mais detalhado em sua metodologia. Já um programa acaba sendo
o desmembramento de um plano, direcionado para uma área ou região específica, ou ainda a
um determinado público-alvo.

86/178
Questão 2
2. Considerando à diferença em profundidade de seu conteúdo, no
que se refere a planos, programas e projetos. Qual documento a seguir
apresenta as diretrizes mais gerais?

a) Centro de Referência de Assistência Social.


b) Programa Nacional de Apoio à Cultura.
c) Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
d) Programa Bolsa Família.
e) Plano Nacional Viver sem Limites.

87/178
Questão 3
3. Um gestor social, a partir de sua formação acadêmica, deve estar apto
à formulação de políticas públicas, portanto é importante ter clareza
dos conceitos discutidos nesta aula. Quanto à elaboração de projetos, é
correto afirmar que:

I. Um projeto social deve estar direcionado a uma dada realidade territorial.


II. Um projeto social tem caráter permanente, por isso todos os seus custos devem ser bem
planejados.
III. A clareza na redação de um projeto é de extrema importância, pois a partir dela serão
apresentados elementos relevantes para captação de recursos.
IV. Um projeto social também se caracteriza por seu tempo de duração; dessa forma, faz-se
necessário conter em seu bojo como cada ação será monitorada e avaliada.
V. No processo de elaboração de um projeto, não se faz necessário dialogá-lo com um plano
nacional.

88/178
Questão 3
Assinale as alternativas corretas:
a) I, II e V.
b) II, II, e IV.
c) I, III e IV.
d) III, IV e V.
e) Todas as alternativas estão corretas.

89/178
Questão 4
4. São dimensões essenciais tanto nos planos como programas e
projetos:

a) Tempo, volume e espaço.


b) Tempo, volume e objetivo.
c) Tempo, espaço e meta.
d) Espaço, volume e cronograma.
e) Distância, redação e forma.

90/178
Questão 5
5. O __________ se caracteriza como a setorização do _____________.

As palavras que completam a frase são:


a) projeto / plano
b) projeto / programa
c) programa / plano
d) plano / programa
e) plano / projeto

91/178
Gabarito
1. Resposta: D. metas, por exemplo), pois são elementos
que “vendem” o projeto. Outra grande
Quanto à dimensão hierárquica, tem-se: diferenciação do projeto está voltada para
plano, programa, projeto e serviços. o seu contexto de tempo: começo, meio e
fim, e com isso as respectivas avaliações e
2. Resposta: E. monitoramentos para cada fase dele.

Por ser um plano de dimensão nacional, 4. Resposta: A.


esse traz diretrizes importantes para
elaboração de programas e projetos em Tempo, volume e espaço são dimensões
outras esferas do governo. essenciais destes documentos.

3. Resposta: C. 5. Resposta: C.
Um projeto social sempre estará O programa se caracteriza como a
direcionado a uma dada realidade setorização do plano.
territorial. Como explicamos durante a
aula, faz-se necessário ter uma redação
bem escrita (justificativa, objetivos e
92/178
Unidade 5
Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão
Estratégica, Execução e Avaliação

Objetivos

1. Esta aula deverá apresentar os primeiros


passos para a elaboração de um projeto
de intervenção. Para tanto, o conteúdo
foi dividido em dois eixos: o primeiro
conceituará o início desta etapa e o
segundo explicará os passos para realizá-la.
2. O objetivo desta quinta aula é apresentar
a metodologia de elaboração de projetos
sociais e os caminhos que deverão ser
percorridos durante as etapas de execução
desse tipo de documento.

93/178
5.1 Como Começar um Projeto Social?

A elaboração de um projeto social, necessariamente, deverá começar pelo estudo da situação.


Alguns autores também chamam esse momento de: análise da situação, estudo diagnóstico,
avaliação ex-ante etc. Não importa a nomenclatura a ser utilizada; o fundamental é que
este primeiro momento traga um panorama da situação apresentada para compreensão da
realidade que será o objeto da intervenção.
Uma primeira aproximação será iniciada pelo conceito de estudo da situação. Este estudo

Consiste na caracterização (descrição interpretativa), na compreensão e


na explicação de uma determinada situação tomada como problema para
o planejamento e na determinação da natureza e da magnitude de suas
limitações e possibilidades (BAPTISTA, 2007, p. 39).
O conceito chama a atenção em alguns pontos. Primeiro: deve-se explicar a realidade, não
somente descrevê-la ou interpretá-la. Segundo: a situação tomada como problema remete à
necessidade de focar, delimitar, ou seja, recortar o segmento da realidade que está colocado
como desafio, ou, ainda, o objeto da intervenção. Terceiro: ao analisar essa realidade, deve-se
olhar também as potencialidades e não apenas os problemas.

94/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
Deve-se retomar neste momento alguns conhecimentos já discutidos nas aulas anteriores,
como: a necessidade de conhecermos como se estabelecem as instâncias de poder presentes
na realidade estudada. Além disso, também deve-se estabelecer a superação do enfoque
situacional, ou seja, não adotar uma visão reducionista.
São objetivos do estudo da situação (MATTELART 1968 apud BAPTISTA, 2007, p. 41):

• a configuração do marco de situações ou de antecedentes, acompanhada de


análise compreensiva e explicativa de suas determinações;

• a identificação sistemática e contínua de áreas críticas e de necessidades, a


que se pode acrescentar, ainda, de oportunidades e ameaças;

• a determinação de elementos que permitam justificar a ação sobre o objeto;

• o estabelecimento de prioridades;

• a análise dos instrumentos e técnicas que podem ser operados na ação;

• a identificação de alternativas de intervenção.

95/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
Pode-se perceber que o estudo da situação • coleta de dados;
é um momento trabalhoso e que demanda • organização e análise: descrição/
a análise de muitos dados e, ao mesmo interpretação/ compreensão/
tempo, é a partir dele que a decisão será explicação dos dados obtidos;
tomada quanto a quais caminhos serão
percorridos e quais mudanças se pretende • identificação de prioridades de
alcançar. intervenção;
• definição de objetivos e
5.2 Estudo da Situação estabelecimento de metas;
• análise de alternativas de
Será apresentado agora como se configura
intervenção.
o estudo da situação. Ele abarca um
conjunto de atividades, citadas a seguir: Pode-se perceber, então, que o estudo da
situação será um caminho a ser percorrido,
• Levantamento das hipóteses que começará com o levantamento das
preliminares; hipóteses preliminares até a conclusão de
• construção de referenciais teórico- qual a melhor alternativa de intervenção.
práticos;

96/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
Para compreender essas atividades, é Esses conhecimentos que compõem
necessário estudar agora cada uma delas. os referenciais teórico-práticos são de
Inicia-se o estudo da situação pelo diferentes naturezas. São conhecimentos
levantamento de hipóteses preliminares. éticos, morais, filosóficos, teóricos,
Hipóteses podem ser compreendidas como científicos, técnicos, além dos próprios
pressupostos, ou seja: a ideia inicial básica valores e padrões normativos assumidos
que norteará a coleta de informações e pela equipe planejadora, instituição
o seu processamento. Por exemplo, você e população envolvida no processo
pode já ter contato com uma realidade e, (BAPTISTA, 2007).
por meio de sua observação, pode imaginar Nesse momento, deve-se conhecer a
que existe a necessidade de implantação realidade em sua totalidade, ou seja, não
de um projeto para atendimento de focar apenas a região em que se está
adolescentes grávidas. Essa, portanto, é atuando, e também como se dá e explica
sua hipótese preliminar. tal situação de um modo mais amplo, na
O passo a seguir é a construção de cidade ou ainda nacionalmente.
referenciais teórico-práticos. Essa Também nesse momento, deve-se
atividade consiste em analisar a hipótese embasar em um conhecimento de ordem
levantada à luz de conhecimentos. transdisciplinar.
97/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
de Pesquisa Econômica Aplicada etc.
Para saber mais Além dos indicadores oficiais, outros
O conhecimento de ordem transdisciplinar é poderão ser criados pela equipe a partir
aquele que lança mão de conhecimentos das do levantamento de dados e pesquisas
diferentes disciplinas e, não sendo propriedade planejadas.
de nenhuma delas, as supera criando um Como realizar um sistema de indicadores
conhecimento novo, tendo como referência a partir de levantamento de dados e
uma teoria social que ilumina (modificando) os pesquisas planejadas? Por exemplo,
conhecimentos construídos a partir de outras sua organização social identificou
perspectivas, dando-lhes uma nova dimensão uma necessidade de intervenção em
(BAPTISTA, 2007, p. 46). determinada região de sua cidade e vocês
já buscaram dados na prefeitura local
É imperativo na construção desses para melhor compreender a situação,
referenciais levantar um sistema de conferindo a todos um panorama inicial da
indicadores. Esses indicadores poderão problemática.
estar prontos e disponibilizados em órgãos
No entanto, os problemas identificados
como o IBGE – Instituto Brasileiro de
são de naturezas diversas, como: falta de
Geografia e Estatística, o IPEA – Instituto
acesso à saúde, educação, trabalho etc.
98/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
Para contribuir com o mapeamento das A próxima atividade do estudo da situação
necessidades da região, recomenda-se que consiste na coleta de dados da realidade
as famílias em situação de vulnerabilidade identificada como objeto do planejamento
que vivem no local sejam ouvidas, por meio e também como ela é percebida por todos
de pesquisas, como: entrevistas, aplicação os envolvidos (sociedade, quem vivencia,
de questionários etc. Isso permitirá que quem trabalha com a questão, por
o grupo possa construir um sistema de exemplo). Reafirma-se aqui a necessidade
indicadores iniciais ou marco-zero para a da população que será atendida participar
situação local. Exemplo: 70% das crianças desse processo e, também, manifestar suas
entre 0 e 3 anos estão fora da creche. necessidades e opiniões.
Mais uma vez, terá de se garantir que
Para saber mais não se trata de julgamento ou avaliação
pela aparência, mas de fruto de reflexão e
Levante os principais sites oficiais que retomada da reflexão, numa aproximação a
apresentam indicadores sociais que apresentem essência da situação problema.
dados de diferentes políticas.
Dando continuidade no estudo da situação,
deve-se levantar os dados da instituição
demandatária da ação, ou seja, deve-se
99/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
conhecer o maior número de informações Estatuto da Criança e do Adolescente
que caracterizem e instituição que e toda a rede de apoio que fará parte
demanda a intervenção: sua missão, do cotidiano do futuro projeto: escolas,
visão, história da instituição, atividades, hospitais, postos de saúde etc.
etc. Necessidade de se conhecer o perfil Por último, dados referentes a outras
instituição para qual a intervenção deve ser práticas realizadas na própria instituição
planejada. (prática interna) também deverão ser
Em seguida, é preciso levantar os dados levantados, como também de outras
das políticas públicas, da legislação, do instituições que desenvolvem ações
equipamento jurídico e da rede de apoio similares (prática externa), ou seja, deve-se
existente com relação tanto à instituição buscar referências em outras instituições
demandatária como também ao público que já realizam projetos similares ao que
que será atendido no projeto. pretendemos propor.
Por exemplo: se o projeto de intervenção A última e não menos trabalhosa
que será elaborado for direcionado para atividade do estudo da situação
crianças e adolescentes, as políticas consiste na organização desses dados
públicas para esse público deverão até compreender sua essência. Nessa
ser levantadas, como também o ECA – atividade, ressalta-se que, mais do que
100/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
organizar e descrever os dados levantados,
deve-se analisá-los, interpretá-los e
explicá-los.

Para saber mais


Pesquise o documentário “Quem se importa” e
estude as situações que nele estão apresentadas
e como foram as propostas de intervenção.
Disponível em: <http://www.adorocinema.
com/filmes/filme-203515/>.

101/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
Glossário
Visão reducionista: visão que diminui o que está sendo analisado, tratando-o como algo
inferior, simples, pequeno.
Marco de situações: alguns autores também colocam como marco-zero, ou seja, a fotografia
inicial/ retrato inicial da situação.
Indicadores ou indicadores sociais: aquilo que indica, que serve como guia. “São instrumentos
metodológicos que servem para medir os resultados e impactos de um programa ou um projeto
social” (DICIONÁRIO DO TERCEIRO SETOR, 2011).

102/178 Unidade 5 • Metodologia de Elaboração de Projetos Sociais: Emergência do Projeto, Diagnóstico, Reflexão Estratégica,
Execução e Avaliação
?
Questão
para
reflexão

Aceite o desafio de escolher uma realidade posta como


desafio e levante os indicadores que encontrar. Após
a realização desse exercício, reflita: como foi essa
experiência?

103/178
Considerações Finais

Pode-se, então, concluir nesta aula que um projeto se inicia com um estudo
da situação inicial.
Também foi possível perceber que o estudo da situação é um momento muito
importante, para que a proposta que será realizada, futuramente, esteja em
consonância com a realidade e necessidade da população a ser atendida.

104/178
Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
MEREGE, Luiz Carlos; MOUSSALLEM, Márcia (Orgs.). Dicionário do Terceiro Setor. São Paulo:
Plêiade, 2011.

105/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Assista a suas aulas

Aula 5 - Tema: Metodologia de Elaboração Aula 5 - Tema: Metodologia de Elaboração


de Projetos Sociais; Emergência do Projeto, de Projetos Sociais; Emergência do Projeto,
Diagnóstico, Reflexão Estratégica, Execução e Diagnóstico, Reflexão Estratégica, Execução e
Avaliação - Bloco I Avaliação - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
2f8ef66aa27763c78e7bd257796891f7>. d017020b85b72c71b2de19acd806a8d6>.

106/178
Questão 1
1. Qual o primeiro passo para realização de um projeto?

a) Articular uma equipe.


b) Iniciar a escrita da redação.
c) Fazer um estudo da situação.
d) Construir indicadores.
e) Estabelecer os objetivos.

107/178
Questão 2
2. O levantamento de hipóteses abordado nesta aula está relacionado
à(ao):

a) ideia inicial do problema posto na realidade;


b) ideia adquirida após o processo de avaliação;
c) resultado dos indicadores sociais;
d) resultado da discussão feita pela equipe técnica;
e) monitoramento inicial das atividades;

108/178
Questão 3
3. A construção de referenciais é um elemento importante no processo
de construção de um projeto. Assinale o momento em que essa deve ser
realizada:

a) Antes de definir o que fazer.


b) Após levantamento das hipóteses.
c) Durante o processo de avaliação e monitoramento.
d) Após levantamento dos indicadores existentes.
e) Antes de finalizar a execução do projeto.

109/178
Questão 4
4. Assinale a alternativa correta com relação aos objetivos do estudo da
situação expostos nas frases a seguir:

I. O estudo da situação tem como objetivo a configuração do marco de situações ou de


antecedentes, acompanhada de análise compreensiva e explicativa de suas determinações.
II. O estudo da situação tem como objetivo a identificação sistemática e contínua de áreas
críticas e de necessidades, a que se pode acrescentar, ainda, de oportunidades e ameaças.
III. A determinação de elementos que permitam mascarar a ação sobre o objeto.
São verdadeiras as alternativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) Todas são verdadeiras.
e) Todas são falsas.

110/178
Questão 5
5. A última e não menos trabalhosa atividade do estudo da situação
consiste:

a) no levantamento das hipóteses preliminares;


b) na organização destes dados até compreendermos sua essência;
c) na construção de referenciais;
d) na coleta de dados;
e) na coleta de dados da prática interna e externa.

111/178
Gabarito
1. Resposta: C. que será feita uma aproximação do
problema em questão no projeto.
O estudo da situação é o primeiro passo
para a elaboração de um projeto. 4. Resposta: A.

2. Resposta: A. A frase III está incorreta, pois é a


determinação de elementos que permitam
O levantamento das hipóteses sempre justificar a ação sobre o objeto.
será feito a partir da situação colocada
no primeiro momento, sem demais 5. Resposta: B.
aprofundamentos. Essas hipóteses podem
ser confirmadas ou não. A última e não menos trabalhosa
atividade do estudo da situação consiste
3. Resposta: B. na organização destes dados até
compreendermos sua essência.
A construção de referenciais deve ser
realizada após o levantamento das
hipóteses, pois é nesse aprofundamento

112/178
Unidade 6
Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais

Objetivos

1. Após a finalização do estudo da situação, deve-se identificar as prioridades de


intervenção. Existe essa necessidade porque em vários casos muitos problemas
serão levantados e nem todos poderão ser melhorados em um único projeto
de intervenção. Nesse sentido, torna-se muito importante conhecer como
identificar as prioridades de intervenção, sendo esse o assunto a ser trabalhado
na primeira parte desta aula.
2. Na sequência, será apresentado como analisar uma alternativa de intervenção, e,
finalmente, apresentar os próximos passos na elaboração de um projeto social.
3. Resumidamente, os objetivos da sexta aula são: compreender como identificar
prioridades de intervenção, como analisar as alternativas de intervenção e
também como identificar os próximos passos na elaboração de um projeto social.

113/178
6.1 Prioridade de Intervenção

Para identificar a prioridade de intervenção, ou seja, qual será o objeto de intervenção inicial
que trará mais efetivamente a transformação da situação, recomenda-se que sejam adotados
dois critérios: o de relevância e o de viabilidade. Com relação à relevância, deve-se questionar
quão significativo será o impacto da ação? Com relação à viabilidade: deve-se questionar se
o que foi identificado é viável em termos concretos, relacionando-se também com o perfil da
instituição, recursos humanos e materiais existentes etc.
Baptista (2007, p. 89) também apresenta uma classificação com relação às alternativas de
intervenção:

• Alternativas de consolidação: são aquelas que propõem ações de


fortalecimento de programas já existentes;

• Alternativas de inovação: são aquelas que propõem ampliação


ou renovação da ação através da adoção de novos caminhos, da
participação de novos grupos etc.
O estudo das alternativas realiza-se, basicamente, a partir de quatro critérios correlacionados
de análise. São eles:
114/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais
1. 1. Análise das consequências 3. Análise das operações: é o estudo da
sociais da ação: procura definir viabilidade técnica das alternativas
qual o conjunto que oferece maior propostas.
segurança quanto ao alcance dos 4. Análise do rendimento político:
resultados previstos e oportunidade possibilidade de sanção de quem
de mudança global da situação vai tomar a decisão, de aceitação de
visada, no sentido desejado pelo quem vai executá-la e de quem vai
planejamento, com o menor risco ser beneficiado pelo planejamento
(BAPTISTA, 2007, p. 92). (BAPTISTA, 2007, 92).
Essa análise permite dizer sobre a
Pode-se perceber com as análises acima
importância de escolher alternativas
que escolher uma intervenção requer um
que poderão impactar na realidade
olhar amplo e muitas variáveis.
global, mas, ao mesmo tempo, com
um menor risco e um alcance viável.
2. 2. Análise da economia da ação:
Relaciona-se ao real e ao factível,
principalmente com relação à
viabilidade financeira.
115/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais
planejar. Inicialmente, refletir (equacionar,
Para saber mais levantar as informações) e na sequência
Quando falamos em gestão social estamos nos decidir qual será o caminho a ser
referindo à gestão das ações sociais públicas. percorrido (após análise e identificação das
A gestão social é, em realidade, a gestão das prioridades). Agora, antes da ação, deve-se
demandas e necessidades dos cidadãos. A operacionalizar, ou seja, colocar as ideias
política social, os programas sociais, os projetos no papel (planificar).
são não apenas canais dessas necessidades De que forma? Como poderia ser um
e demandas, mas também respostas a elas roteiro de um projeto social?
(CARVALHO, 2001, p.16).
1. Identificação da organização
proponente.
6.2 E os Próximos Passos? Deve-se começar pela identificação da
organização proponente do projeto.
Depois de definidas as alternativas,
Nesse primeiro item, deve-se apresentar
deve-se colocar as ideias no papel e
a instituição, sua missão, que está à
efetivamente escrever o projeto. Para
frente dela, quais os principais parceiros e
tanto, será necessário retomar o ciclo
também as certificações que possui.
do planejamento e os passos do ato de
116/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais
Não se pode esquecer de que é importante É importante que esse item não ultrapasse
pensar em um título criativo para o projeto, uma página.
o qual chame a atenção dos leitores e que 3. Justificativa.
retrate o que o projeto fará. Um dos itens fundamentais do projeto é
Nesse item, é importante constar: o nome sua justificativa.
da organização, qual o endereço dela, seus Ela deverá esclarecer quanto à necessidade
principais parceiros, projetos que já realiza, do projeto e também com relação à
principais certificações que já possui etc. natureza do problema.
2. Sumário. Será nesse item que poderá ser colocada
a maioria dos dados descobertos até o
Em seguida, deve-se apresentar o sumário
momento, ou seja, todas as informações
da proposta. Alguns autores também
levantadas durante o estudo da situação.
colocam como sumário executivo. Deve
ser um resumo claro e eficiente do projeto Vale lembrar que este é um roteiro básico
para realização de um projeto e que,
e conter no máximo uma página. Ele serve
dependendo do órgão que o financiará,
para dar uma ideia geral do projeto, que só
existem editais que apresentam um roteiro
será lido na íntegra, se for do interesse em
específico e que deverá ser adaptado de
continuar a leitura.
acordo com as exigências apresentadas.
117/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais
Nesse sentido, é interessante manter um arquivo com uma justificativa que contenha quatro
páginas, por exemplo, e, dependendo do edital, você deverá sintetizar as informações,
enquadrando-as dentro do espaço permitido pelo local.
4. Apresentação dos objetivos e metas.
Logo na sequência da justificativa, deve-se apresentar os objetivos do projeto, tanto o geral
como específicos.

Para saber mais


Existem vários pré-requisitos implícitos na escolha dos objetivos de um projeto:
• Aceitabilidade: deve ser aceitável para as pessoas cujas ações se acham envolvidas na sua execução.
• Exequibilidade: tem de ser exequível dentro de um tempo razoável;
• Motivação: tem que ter qualidades que sejam motivadoras;
• Simplicidade: deve ser simples e claramente estabelecido;
• Comunicação: deve ser comunicado a todos que estejam, de alguma forma, ligados ao projeto (CURY,
2001, p.44). é uma citação! Não temos como alterá-la ou suprimí-la. O comunicado é no sentido de
que a comunicação, seja democrática, chegue a todos. Seja ela verbal ou escrita.

118/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais


5. Detalhamento do projeto. Nesse as informações, ou seja, se será melhor
item, deve-se apresentar o que vai descrever o custo mensal e depois o custo
ser feito no projeto e como será anual, por exemplo. Nesse item, é muito
realizado. Pode-se chamar esse item importante compreender os tipos de
também de metodologia. materiais e variações de custos em um
Muitas pessoas possuem dificuldade projeto, que será assunto das próximas
na redação desse item do projeto. Nele, aulas.
deverão estar contempladas todas as 7. Como o projeto será avaliado e
ações previstas no projeto, ou seja, como monitorado? Por fim, deve-se
os objetivos serão atingidos? Por exemplo: apresentar o sistema de avaliação
serão realizadas oficinas, cursos de e monitoramento, ou seja, como o
capacitação etc. projeto será avaliado durante sua
6. Orçamento. Deve-se apresentar execução e ao final dele?
agora o orçamento, ou seja, quanto Esse tem sido um dos itens obrigatórios
vai custar o projeto? e diferenciais em um projeto. Quanto
Não existe nenhuma “receita” de como mais o projeto demostrar compromisso
montar um orçamento, ficando a cargo da no monitoramento e avaliação, quanto
equipe uma melhor forma de apresentarem mais indicadores implicados nessa coleta
119/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais
de informações, maiores as chances de Por fim, esclarece-se que o roteiro
obtenção de financiamento. apresentado poderá mudar, dependendo
do edital e, portanto, deverá ser
reorganizado para atingir a finalidade a que
Para saber mais se propõe.
Quando falamos do projeto como um
instrumento comunicativo, estamos querendo
ressaltar uma de suas características
fundamentais. Dos instrumentos de
planejamento, o projeto é aquele que apresenta
o maior nível de detalhamento, permitindo
assim uma perfeita compreensão de sua
totalidade, bem como de todas as suas partes.
É fundamental visualizar o ‘sistema’ como um
todo, percebendo suas inter-relações, suas
interdependências, suas relações de causalidade
(CURY, 2001, p. 50).

120/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais


121/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais
Glossário
Factível: aquilo que pode ser feito. O Dicionário Aurélio ainda acrescenta o sinônimo exequível:
possível de se executar (2008, p. 387).
Prioridade: demanda que deverá ser atendida primeiro. De acordo com o Dicionário Aurélio,
qualidade do que ou de quem é o primeiro (2008, p. 654).

122/178 Unidade 6 • Elaboração, Execução, Monitoramente e Avaliação de Projetos Sociais


?
Questão
para
reflexão

Partindo das orientações apresentadas nesta aula,


como, por exemplo, os critérios correlatos de análise
das alternativas de intervenção, ou ainda, os critérios
para identificação das prioridades de intervenção,
reflita sobre as implicações de decidir uma intervenção
de maneira equivocada e as consequências que
poderão ocorrer.

123/178
Considerações Finais
É importante destacar nesta aula a necessidade de analisar os dados levantados
no estudo da situação e, de acordo com critérios, deve-se pautar a decisão por
ações que tragam uma mudança de fato na realidade apresentada.
São critérios de análise para ajudar na decisão a ser tomada: a relevância e a
viabilidade da ação.
Outros critérios correlatos importantes são: identificar as consequências sociais
da ação, a análise da economia da ação, a análise das operações e a análise do
rendimento político.
Por fim, deve-se optar por uma ação que consolide algo que já existe ou ainda que
inove, traçando outros caminhos.
Após tomar essas decisões, deve-se colocá-las no papel, por meio de um roteiro
sugerido, que explique as características da organização proponentes. Justifique
a intervenção proposta, apresente os objetivos e metas, a metodologia que será
utilizada, quanto o projeto custará, ou seja, seu orçamento, e ainda como deverá
ser monitorado e avaliado.
124/178
Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
CURY, Thereza Christina Holl. Elaboração de projetos sociais. In: ÁVILA, Célia M. (Org.). Gestão de
projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária,
2001. p. 39-60.
KISIL, R. Elaboração de projetos e propostas para organizações da sociedade civil. 3. ed. São Paulo:
Global, 2004.

125/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Assista a suas aulas

Aula 6 - Tema: Elaboração, Execução, Aula 6 - Tema: Elaboração, Execução,


Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais -
- Bloco I Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
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6caba5e157318d1e8c397ac348ff2af1>. 987407f14abbfc81d65d09763062>.

126/178
Questão 1
1. São critérios para identificarmos as prioridades de intervenção:

a) Relevância e criatividade.
b) Viabilidade e tempo.
c) Viabilidade e orçamento.
d) Relevância e eficiência.
e) Relevância e viabilidade.

127/178
Questão 2
2. Existem dois tipos de alternativas de intervenção: as de
_______________ e as de ___________________. As primeiras
fortalecem ações já existentes. As segundas ampliam ou renovam a ação
com novos caminhos.

Preenche corretamente as lacunas a alternativa:


a) consolidação / recomendação
b) inovação / criatividade
c) consolidação / inovação
d) consolidação / intervenção
e) inovação / prioridade

128/178
Questão 3
3. São critérios correlatos de análise ao estudarmos as alternativas de
intervenção:

I. Consequências sociais da ação.


II. Análise da economia da ação.
III. Análise das operações.
IV. Análise do rendimento político.
V. Análise da vizinhança.
São corretas as alternativas:
a) Todas estão corretas.
b) I, II, III e IV.
c) II, III e IV.
d) II, III, IV e V.
e) Todas estão incorretas.

129/178
Questão 4
4. Item do projeto que deverá esclarecer quanto à necessidade do projeto
e também com relação à natureza do problema. Estamos nos referindo à:

a) Introdução
b) Metodologia
c) Avalição
d) Justificativa
e) Conclusão

130/178
Questão 5
5. São alguns pré-requisitos na elaboração de objetivos:

a) Aceitabilidade e exequibilidade.
b) Complexidade e comunicação.
c) Motivação e direção.
d) Aceitabilidade e complexidade.
e) Exequibilidade e viabilidade.

131/178
Gabarito
1. Resposta: E. análise da economia da ação, análise das
operações e análise do rendimento político.
São critérios para identificarmos as
prioridades de intervenção: a relevância e a 4. Resposta: D.
viabilidade.
A justificativa deverá esclarecer quanto
2. Resposta: C. à necessidade do projeto e também com
relação à natureza do problema.
As alternativas de consolidação fortalecem
ações já existentes. As alternativas de 5. Resposta: A.
inovação ampliam ou renovam a ação com
novos caminhos. São alguns pré-requisitos na elaboração de
objetivos a aceitabilidade e exequibilidade.
3. Resposta: B.

São critérios correlatos de análise ao


estudarmos as alternativas de intervenção:
as consequências sociais da ação,

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Unidade 7
Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais

Objetivos

1. Em continuidade ao processo de planejamento que vem sendo apresentado, desde a


primeira aula, serão detalhados a seguir mais alguns conceitos e recomendações para
quando uma pessoa estiver executando as etapas de realização de um projeto social.
2. Vale lembrar, inicialmente, que os projetos sociais podem estar vinculados tanto
ao poder público como ao setor privado (chamada responsabilidade/filantropia
empresarial) e ao terceiro setor.
3. No entanto, deve-se ter sempre em mente a necessidade do fortalecimento da
responsabilidade do Estado, não apenas na transferência de recursos públicos para a
execução dos projetos, mas no acompanhamento e fiscalização das ações desenvolvidas.
4. Um projeto social nasce de um incômodo gerado por uma situação e do desejo de
melhorá-la, ou seja, transformá-la.
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Unidade 7
Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais

Objetivos

5. Como mencionado na aula passada, o roteiro de apresentação de um projeto poderá


variar de acordo com a agência financiadora.
6. Antes de apresentar as etapas concretas de elaboração de um projeto social, foco
central desta aula, faz-se necessário retomar o conceito de um projeto social.
7. Kisil (2004, p. 13) apresenta a definição da ONU (Organização das Nações Unidas)
de projeto que aponta: “um projeto é um empreendimento planejado que consiste
num conjunto de atividades inter-relacionadas e coordenadas, com o fim de alcançar
objetivos específicos dentro dos limites e de orçamento dados”.
8. Nesta aula, então, serão apresentadas as etapas que deverão ser seguidas, enfatizando o
que deverá ser atingido em cada uma delas.

134/178
Unidade 7
Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais

Objetivos

9. São as etapas:
Etapa I: A definição do projeto: o que
vamos fazer?
Etapa II: O plano de trabalho: como
vamos agir?
Etapa III: O andamento do projeto:
como vamos avaliar, tirar conclusões
e disseminar resultados.
Etapa IV: O orçamento: Quanto vai
custar tudo isso?

135/178
7.1 Etapa 1

A primeira etapa de um projeto deverá definir o que fazer? Pode-se afirmar que essa será a
etapa que concretizará o estudo da situação já estudado nas aulas anteriores.
É a definição, finalmente, do que será feito para a mudança da realidade. Concretamente, essa
etapa trará sistematizados todos os dados coletados. Deverá apresentar as características do
público-alvo, o objetivo geral e os objetivos específicos do projeto, como também uma boa
justificativa e as características da organização proponente.

Para saber mais


O primeiro passo de um projeto é a análise do contexto, também chamada diagnóstico da situação,
análise situacional ou análise do cenário. É preciso descrever, analisar e entender a realidade local,
social e institucional na qual pretendemos intervir e assegurar a conexão entre nossa intervenção no
plano micro (comunidade, público-alvo do projeto) e no plano macro (município, estado).

Quais as informações necessárias para que isso possa se realizar a contento? Quem são e como
pensam os atores nessa realidade? Quais seus desejos e necessidades?

136/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


Para saber mais
Quais os problemas, suas causas e seus efeitos? Quais são os valores da equipe do projeto? Eles
coincidem? Quais as características e competências da equipe? Ou seja, analisar o contexto significa
não só analisar a realidade externa ao projeto, mas também a sua dinâmica interna, criando uma base
para a avaliação final, bem como identificar as situações que possam limitar ou potencializar o alcance
dos resultados do projeto (CURY, 2001, p. 46).

7.2 Etapa 2

A segunda etapa de elaboração de um projeto deverá responder: como agir? Essa etapa está
direcionada à redação da metodologia. Nada melhor do que partir de um exemplo concreto.
Tomando como exemplo um objetivo específico de um projeto que será: diminuir em 50%
o número de adolescentes grávidas na Zona Sul de São Paulo, indaga-se: como fazer para
diminuir esse número?
A partir dessa pergunta, deverão ser elencadas as ações a serem desenvolvidas para que o
objetivo específico indicado se concretize.

137/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


Por exemplo: • ajuda a gerência e a equipe a
Promover palestras para as adolescentes acompanhar a ordem em que vão
nas Unidades Básicas de Saúde da região. acontecer as coisas e o cronograma
de desembolso financeiro e quando
Essa seria uma grande ação a ser colher os resultados;
desenvolvida. E, então, quais seriam as
atividades? Para que essa ação aconteça, • ajuda na preparação de atividades
deve-se cumprir as seguintes atividades: importantes, como eventos,
contatar as Unidades Básicas de Saúde visitas, por exemplo, auxiliando na
da região, contratar palestrantes, preparação adequada;
confeccionar material pedagógico de apoio • ajuda também na motivação das
etc. pessoas, propiciando um clima mais
Um item obrigatório nesta fase cooperativo e confiante no projeto
de elaboração de um projeto é o para o melhor.
estabelecimento de um cronograma de
atividades.
O cronograma de atividades tem algumas
funções:
138/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais
Para saber mais
O cronograma é um poderoso auxiliar tanto no planejamento quanto no monitoramento do
projeto, pois com ele visualizamos o todo das atividades no tempo, suas interdependências, seu
desenvolvimento, seus resultados, e podemos ir identificando possíveis desvios em relação ao
planejado, o que possibilita uma correção de rota ainda durante o desenvolvimento do projeto.

O cronograma de atividades deve ser:

• completo, isto é: com todas as atividades do projeto e seus respectivos responsáveis;

• preciso, apontando o início e o fim de cada atividade;

• lógico, de modo a mostrar as interdependências entre as diversas atividades [...].

• flexível, atualizado e sistematicamente analisado;

• realista, baseado em estimativas reais (CURY, 2001, p. 48).

139/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


Mais alguns exemplos que poderão auxiliar • Plano de trabalho quase completo;
na elaboração da metodologia de um • as pessoas responsáveis pelas
projeto: atividades já designadas;
Qual seria outra ação necessária para que • o projeto propriamente, parcialmente
o resultado de diminuir em 50% o número escrito (equipe que está redigindo
de adolescentes grávidas seja obtido? apresenta o andamento);
Outra ação: promover campanhas • a equipe de captação já informa as
de sensibilização sobre métodos fontes de recursos pesquisadas e
anticonceptivos. novos contatos que serão realizados;
Para que essa ação aconteça, quais as • calendário das futuras reuniões;
atividades necessárias?
• Confeccionar cartazes;
• promover palestras nas escolas.
Ao final da etapa 2 e de muitas reuniões de
equipe, recomendam-se os produtos:

140/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


A forma de coleta desses indicadores
Para saber mais poderá variar de acordo com cada projeto,
Planejar as atividades de um projeto é não desde a observação dos usuários até a
só definir quais as ações e procedimentos aplicação de questionários, entrevistas e
necessários para alcançar os resultados ainda a realização de grupos focais.
desejados, mas também programar o tempo e Importante ressaltar que não se pode
a sequência em que se desenvolverá cada uma prever numericamente os indicadores,
dessas atividades (CURY, 2001, p. 48). porque o projeto ainda não aconteceu.
Retomando o exemplo das adolescentes
7.3 Etapa 3 grávidas, poderão ser indicadores
quantitativos desse projeto:
A terceira etapa consiste em como
• Número de adolescentes
monitorar e avaliar?
participantes do projeto;
Nessa fase, deverão ser elencados os
• número de adolescentes grávidas,
indicadores quantitativos e qualitativos
após a realização do projeto.
que serão observados durante e ao final do
projeto. As fontes de coleta desses indicadores
também poderão ser diversificadas de
141/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais
acordo com as ações desenvolvidas. Então, pode-se concluir que, para se obter
Poderão ser fontes de coleta: listas de um dado qualitativo, será preciso o contato
presença, atas de reuniões, formulários direto com o público-alvo atendido para
elaborados especificamente para esse fim saber quão significativo foi o projeto na
etc. opinião desse.
Embora mais complexos, a criação de
indicadores qualitativos também se torna Para saber mais
muito importante. Ainda no exemplo de
Para saber mais como a construção de
um projeto que atenderá adolescentes
indicadores qualitativos é um grande desafio,
grávidas, pode-se mensurar: a melhoria
acesse o link e aprofunde seus conhecimentos
na qualidade de vida das adolescentes,
com o texto de Maria Cecília de Souza
o aumento da autoestima, sendo estes
Minayo chamado “Construção de Indicadores
indicadores mais subjetivos, ou seja,
Qualitativos para Avaliação de Mudanças”.
qualitativos.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/
Para coletá-los, utilizar-se-ão técnicas de
rbem/v33s1/a09v33s1.pdf>.
pesquisa, como: observação, entrevista
com as adolescentes ao final do projeto etc.

142/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


7.4 Etapa 4 profissionais que deverão trabalhar para
a realização das atividades. Não se pode
A quarta etapa consiste em definir quanto esquecer de calcular os impostos a serem
vai custar o projeto, ou seja, montar o recolhidos, caso o vínculo seja pela CLT. No
orçamento. caso de profissionais autônomos, também
A primeira regra para montar um deverão ser previstos os impostos (taxa
orçamento de maneira adequada é vincular de prestação de serviços). Nesse item,
todos os recursos para cada atividade também deverão ser contabilizados os
listada na segunda etapa do projeto. custos a serem gastos com consultorias
e assessorias (se necessário), bem como
Em seguida, deverão ser separados os
os investimentos em treinamentos e
recursos segundo as suas especificidades,
capacitações da equipe.
ou seja, quais serão os gastos relativos a
recursos humanos, recursos materiais e Importante atentar-se para o custo com
custos operacionais. a contratação de avaliadores externos,
e, caso seja necessário, o gasto relativo
Os gastos com recursos humanos estão
a essa contratação também deverá ser
relacionados às pessoas necessárias para
computado em recursos humanos.
a execução do projeto, ou seja, todos os

143/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


Os gastos com recursos materiais podem No momento de elaboração de um projeto,
variar em bens de consumo e bens também é importante saber que nem todo
permanentes. financiador arca com bens permanentes, e,
Entende-se como bens de consumo muitas vezes, as organizações já precisam
os que possuem menor durabilidade contar com a retaguarda de possuírem
e pelos bens permanentes aqueles de esses recursos necessários.
maior durabilidade. Os bens de consumo Nessa etapa, é imperativo prever os custos
possuem uma vida útil em geral muito operacionais que são aqueles gastos de
abaixo dos bens permanentes. manutenção, como: o valor aproximado
Por exemplo: um grampeador é um bem de gastos para o pagamento de conta de
permanente; já os seus grampos são bens água, conta de luz, gás, gasolina, aluguel,
de consumo. por exemplo.

Geladeira, mesa, cadeira, aparelho Importante ressaltar que o orçamento


telefônico, computador e impressora são elaborado a partir dos requisitos dos
exemplos de bens permanentes; já papel editais de empresas, que disponibilizam
sulfite, lápis, caneta e clips são exemplos recursos para projetos sociais, deve
de bens de consumo. considerar a diferença entre apoio,
financiamento e patrocínio. Geralmente,
144/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais
um patrocinador só repassa o recurso Vários são os modelos no momento de
na conclusão da intervenção a ser confeccionar um orçamento e dependerá
desenvolvida. Já um financiador da variação dos gastos.
poderá estabelecer um cronograma de Por exemplo, um projeto com mesmo valor
desembolso para o repasse das verbas. mensal poderá ser feito um orçamento
Já um apoiador poderá contribuir com mensal e o total gasto, multiplicado por 12
cotas menores de recursos, sejam meses.
financeiros diretamente ou concedendo Contudo, para um projeto cujo valor
algum gênero/item necessário para mensal seja variável, convém realizar um
o desenvolvimento de alguma ação/ quadro de gastos, especificando os gastos
atividade do projeto. mês a mês, e justificar a variação dos
Finalmente, deve-se lembrar que a mesmos.
organização proponente deverá apresentar
uma contrapartida, já que quase nenhum
financiador viabiliza os recursos totais para
a realização do projeto. Contrapartida é,
portanto, o que a instituição já possui para
dispor inicialmente para execução do projeto.
145/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais
Glossário
Cronograma de desembolso: será a forma como o financiador repassará os recursos do
projeto, por exemplo: 20% no primeiro mês, 30% no terceiro mês e 50% no sexto mês.
Grupos focais: “um instrumento metodológico de pesquisa qualitativa, que auxilia as
organizações a avaliar os projetos a partir de ganhos subjetivos” (DICIONÁRIO DO TERCEIRO
SETOR, 2011, p. 125).
Terceiro Setor: “[...] conjunto de organizações que são criadas por iniciativa privada, isto é, por
uma pessoa ou grupo de pessoas, mas voltadas para a geração de bens e serviços de caráter
público” (DICIONÁRIO DO TERCEIRO SETOR, 2011, p. 226).

146/178 Unidade 7 • Elaboração, Execução, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais


?
Questão
para
reflexão

De acordo com as etapas apresentadas, qual delas você


consideraria de maior complexidade para a atuação de
um gestor?

147/178
Considerações Finais

Esta aula sintetiza as etapas de elaboração de um projeto social, retomando os


processos que deverão ser concluídos em cada uma delas.
A primeira etapa, mais demorada do ponto de vista de coleta de dados e análise,
irá subsidiar e fundamentar um projeto mais condizente com a realidade e
também com as necessidades da população atendida.
A segunda etapa deverá definir a metodologia do projeto, ou seja, como
desempenhará suas ações e suas atividades. Destaca-se nessa etapa o papel
fundamental do cronograma de atividades.
A terceira etapa consiste em elaborar um cronograma de monitoramento e avaliação
com o desafio de apresentar indicadores que ilustrem ao futuro financiador como
serão medidos os resultados e comprovados que eles foram atingidos.
A quarta etapa consiste na elaboração do orçamento cuja principal dica está
relacionada em não esquecermos de contabilizar o custo de nenhuma atividade
prevista.
148/178
Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
CURY, Thereza Christina Holl. Elaboração de projetos sociais. In: ÁVILA, Célia M. (Org.). Gestão de
projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária,
2001. p. 39-60.
KISIL, R. Elaboração de projetos e propostas para organizações da sociedade civil. 3. ed. São Paulo:
Global, 2004.

149/178 Unidade 4 • Planos, Programas e Projetos Sociais


Assista a suas aulas

Aula 7 - Tema: Formulação de Projeto de Aula 7 - Tema: Formulação de Projeto de


Intervenção - Bloco I Intervenção - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
387d005480a9eadf53648443fcf82ecd>. 139c453b24f284bc52b0a8db6d602580>.

150/178
Questão 1
1. Assinale a alternativa correta com relação a projetos sociais:

a) São documentos para serem escritos após uma ação.


b) Nascem de um incômodo e desejo de mudar uma situação.
c) Nascem de um pedido de uma autoridade governamental.
d) Devem ser redigidos por uma única pessoa.
e) São documentos escritos para registrar intenções.

151/178
Questão 2
2. Assinale a alternativa correta com relação às funções do cronograma
de atividades:

I. Ajuda a gerência e a equipe a acompanhar a ordem em que vão acontecer as coisas e o


cronograma de desembolso financeiro e quando colher os resultados.
II. Ajuda na preparação dos objetivos.
III. Ajuda na motivação das pessoas, propiciando um clima mais cooperativo e confiante no
projeto para o melhor.
Estão corretas as afirmações:
a) I e II.
b) II e III.
c) I e III.
d) Todas estão corretas.
e) Todas estão incorretas.

152/178
Questão 3
3. São qualidades desejáveis em um cronograma de atividades:

a) Deve ser completo, preciso, lógico, flexível e realista.


b) Deve ser graficamente completo.
c) Deve ser completo e apresentar os responsáveis pelas atividades.
d) Deve ser legível.
e) Deve ser factível.

153/178
Questão 4
4. São exemplos de bens permanentes:

a) Geladeira, fogão e clips.


b) Sofá, mesa e papel sulfite.
c) Caneta, grampeador e computador.
d) Geladeira, fogão e computador.
e) Lanche, giz e lousa.

154/178
Questão 5
5. Termo compreendido pelos recursos que a organização já deverá
possuir para iniciar o projeto. Estamos nos referindo a:

a) Cronograma de desembolso.
b) Cronograma de atividades.
c) Monitoramento.
d) Bens permanentes.
e) Contrapartida.

155/178
Gabarito
1. Resposta: B. 3. Resposta: A.

Os projetos sociais nascem de um Um cronograma de atividades deve ser:


incômodo e do desejo de mudar uma “completo, isto é: com todas as atividades
situação. do projeto e seus respectivos responsáveis;
– preciso, apontando o início e o fim de
2. Resposta: C. cada atividade; – lógico, de modo a mostrar
as interdependências entre as diversas
Um cronograma ajuda a gerência e a atividades [...]. – flexível, atualizado e
equipe a acompanhar a ordem em que sistematicamente analisado; – realista,
vão acontecer as coisas e o cronograma baseado em estimativas reais”.
de desembolso financeiro e quando colher
os resultados. Ajuda na preparação de
4. Resposta: D.
atividades importantes como eventos,
visitas, por exemplo, auxiliando na São exemplos de bens permanentes:
preparação adequada. Ajuda também na geladeira, fogão e computador, por terem
motivação das pessoas, propiciando um
maior durabilidade.
clima mais cooperativo e confiante no
projeto para o melhor.
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Gabarito
5. Resposta: E.

Contrapartida é o que a instituição já


possui e complementa, inicialmente, a
execução do projeto.

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Unidade 8
O Gestor Social e o Planejamento

Objetivos

1. Nesta última aula, retomaremos os fundamentos apresentados sobre


os processos de planejamento, bem como relacionaremos com a função
do gestor. Vamos retomar uma reflexão de Myrian Veras Baptista (2007,
p. 14) quando aponta que “existe uma dimensão de racionalidade
do planejamento que está fincada em uma logicidade que norteia
naturalmente as ações das pessoas, levando-as a planejar, mesmo sem se
aperceberem de que o estão fazendo”.
2. Essa ideia irá nortear o conteúdo desta última aula e estabelecerá relação
com a atuação de um gestor. Embora a autora pontue que planejamos,
mesmo sem perceber que estamos fazendo isso, um gestor deve planejar
com clareza dos processos e ciente das etapas que estiver desenvolvendo.

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Unidade 8
O Gestor Social e o Planejamento

Objetivos

3. Um gestor precisa ter claro que, antes de iniciar a redação de um projeto,


é necessário que seja feita uma discussão acerca do importante papel do
planejamento junto à equipe. Deverá conduzir o grupo a responder perguntas
como: onde estamos, onde queremos chegar e como faremos para chegar
lá como parte integrante do planejamento. Não se deve esquecer que
planejamento é o alicerce de qualquer projeto para que este seja bem-sucedido.
4. Essa fase inicial é de suma importância para a equipe definir se um projeto vale
a pena ser implantado ou não.
5. Assim, nesta aula serão pontuadas algumas variáveis que fazem a diferença
na hora de elaborar um projeto social, como também uma função essencial do
gestor, que é nunca perder de vista a necessidade de monitorar e avaliar.

159/178
8.1 Fatores que Fazem a
Diferença
• criatividade: “elaborar um projeto
Existem algumas variáveis que fazem implica em sonhar alto, idealizar,
a diferença na hora de se elaborar um arriscar [...] se sua idealização for
projeto social. São elas: ‘pobre’, o projeto fica sempre aquém
das reais possibilidades que teria”
• Liderança: a verdadeira liderança que
(KISIL, 2004, p. 21);
torna o processo descentralizado e
identifica talentos, potencializando a • Comprometimento: compromisso
equipe; e comprometimento da equipe que
deverá possuir uma missão coletiva.
• competência técnica: nem sempre a
equipe que realizará um projeto na Outro fator bastante importante é a
área de educação terá um pedagogo realização do trabalho em equipe. Qual a
na equipe, mas precisará se munir de diferença entre um grupo e uma equipe?
todo o conhecimento técnico para As pessoas de uma equipe concordam com
tal. Nesse caso, o projeto poderá um objetivo comum e também concordam
prever, por exemplo, uma consultoria. que a única maneira de alcançá-lo é
Outra opção é a capacitação/ trabalhando em conjunto.
treinamento da própria equipe;

160/178 Unidade 8 • O Gestor Social e o Planejamento


São características de uma equipe integrada: satisfação das necessidades individuais,
interesses comuns, sentir-se parte da equipe, orgulho e satisfação na atividade do grupo,
comprometimento com os objetivos da equipe, alto grau de interação entre os componentes e
normas precisas de atuação visando aos resultados propostos.

Para saber mais


Liderança é um processo interpessoal através do qual um indivíduo dotado de autoridade – ou seja,
poder legitimado – influencia e orienta o comportamento de outro(s). É através da liderança que a
gerência – tão somente um cargo ou um papel social – se realiza. O líder conduz, inspira, orienta e
anima os indivíduos na direção de um dado objetivo. A força de uma equipe está em relação direta com
a força de seu líder (CURTY, 2001, p. 26).

8.2 Monitorar e Avaliar: Competências do Gestor

Outro destaque que se pode dar no processo de planejamento, relacionando-o diretamente à


função do gestor, é a garantia que o projeto será monitorado e avaliado.

161/178 Unidade 8 • O Gestor Social e o Planejamento


Conceito de avaliação: chamada de estudo da situação, análise
“ação ou efeito de avaliar [...] é um diagnóstica, estudo diagnóstico etc.
instrumento metodológico utilizado A avaliação que ocorre durante a realização
para mostrar os resultados e impactos de um projeto pode ser chamada de
dos programas e projetos sociais das monitoramento ou avaliação de processo.
organizações. Serve para aprimorar as
ações com qualidade e profissionalismo”
(DICIONÁRIO DO TERCEIRO SETOR, 2011, Para saber mais
p. 37). Monitoramento é um instrumento que
Existem diferentes tipos de avaliação. acompanha de maneira sistemática as atividades
Importante iniciar pela classificação e projetos das organizações. Auxilia e dá
da avaliação com relação ao tempo informações necessárias para o processo de
(momento) em que ela será realizada. avaliação. Essencial para as organizações para
Nesse sentido, uma avaliação poderá ser com os financiadores. O monitoramento permite
feita: antes, durante, depois e algum tempo o controle de custos e benefícios, bem como
depois da realização de um projeto. corrige os rumos do projeto social (DICIONÁRIO
DO TERCEIRO SETOR, 2011, p. 164).
Uma avaliação que acontece antes chama-
se avaliação ex-ante, podendo ser também
162/178 Unidade 8 • O Gestor Social e o Planejamento
Já a avaliação que acontece no final do Por avaliação externa, chamamos a
projeto, logo que ele acaba, pode ser avaliação que uma pessoa “de fora”
chamada de avaliação de eficácia ou é contratada mediante assessoria ou
resultado. consultoria para realizá-la.
A avaliação que deverá acontecer algum A avaliação mista é composta por pessoas
tempo depois que o projeto já tenha do próprio projeto, como também
acabado será a que medirá o impacto ou integrantes externos.
efetividade e é comumente chamada de Daremos destaque para a avaliação
avaliação de impacto. participativa, na qual o público-alvo
As avaliações podem ser classificadas de do próprio projeto também participa,
acordo com a escolha de quais sujeitos manifestando opinião e reflexões para a
realizarão/conduzirão os processos melhoria do projeto.
avaliativos, conforme descrição abaixo: Três outros conceitos fundamentais
Podemos chamar de avaliação interna: que o gestor deverá dominar durante o
aquela realizada apenas pelos membros da processo de planejamento e, portanto,
equipe do próprio projeto. durante a implantação de um projeto são: a
eficiência, a eficácia e a efetividade.

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A eficiência está relacionada ao custo X benefício e acaba sendo medida durante a execução do
projeto, ou seja, no processo de implantação.
Já a eficácia está relacionada ao alcance do resultado atingido, ou seja, o projeto cumpriu seus
objetivos?
A efetividade está relacionada ao impacto do projeto, ou seja, a sustentação do resultado ao
longo do tempo, após o projeto já ter sido concluído.
Dar 1 ou 2 exemplos da eficiência, eficácia e efetividade. Quem está algum tempo sem estudar
pode ter alguma dificuldade de entender as diferenças.

Para saber mais


A avaliação da eficiência de um projeto verifica e analisa a relação entre a aplicação de recursos
(financeiros, materiais, humanos) e os benefícios derivados de seus resultados. [...]
A eficácia de um projeto está relacionada ao alcance de seus objetivos. A sua gestão será eficaz à medida
que suas metas sejam iguais ou superiores às propostas. [...]
A efetividade de um projeto está relacionada ao atendimento das reais demandas sociais, ou seja, à
relevância de sua ação, à sua capacidade de alterar as situações encontradas (CARVALHO, 2001, p. 73).

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8.3 O Papel do Gestor na • Apresentação da organização
Disseminação do Projeto proponente: deverá apresentar a
instituição, seus principais projetos
Outro olhar que o gestor deverá possuir já realizados, prêmios, parceiros e
durante o processo de planejamento está financiadores;
relacionado à confecção de relatórios que • justificativa: deverá apresentar a
prestem contas do que foi desenvolvido relevância do projeto, seu objetivo
no projeto, como também à confecção de geral, seus objetivos específicos,
materiais de divulgação dos resultados público-alvo a ser atendido e
alcançados, como elaboração de DVDs localização do projeto (em que as
institucionais, folders etc. Claro que, para atividades serão realizadas);
que isso ocorra, deverá haver uma previsão • metodologia: descreverá as ações e
orçamentária já antecipada, no momento as atividades que serão executadas
da redação do projeto. no projeto. Em seguida, deverá
O gestor deverá garantir a coerência na ser apresentado o cronograma de
apresentação do projeto. Sugerem-se os atividades.
seguintes destaques: • sistema de monitoramento e
avaliação;
165/178 Unidade 8 • O Gestor Social e o Planejamento
• orçamento; Para isso, é essencial descrever a
• anexos; missão, as características principais da
organização: quando, como e por que
O gestor também desempenhará um
começou, resultados recentes, número
importante papel na busca de parcerias,
de pessoas atendidas, projetos, relação
ou na supervisão de alguma equipe que se
com a comunidade. Apresente a estrutura
responsabilize por isso.
administrativa e corpo executivo: técnicos,
Sugere-se que seja apresentada uma funcionários e voluntários.
carta de apresentação com as ideias do
Nos anexos, poderão ser colocados:
projeto em poucas linhas, em seguida um
estatuto legal, lista de membros do
resumo executivo do projeto que sintetize a
conselho diretor, balanço financeiro do
proposta do financiamento do projeto. Isso
último ano fiscal, último relatório anual,
auxiliará o financiador a ver aonde o projeto
planejamento estratégico, reportagens
quer chegar e do que necessita para tal.
marcantes, material promocional.
A proposta a ser apresentada deve
ser elaborada, de modo a estabelecer
uma relação de credibilidade entre
instituição solicitante e financiador.
166/178 Unidade 8 • O Gestor Social e o Planejamento
Glossário
Logicidade: aquilo que é lógico e que transmite segurança no sentido do que quer provar ou
alcançar.
Compromisso: como uma obrigação. O Dicionário Aurélio ilustra ainda como obrigação mais ou
menos solene (2008, p. 251), ou seja, com ou sem formalidades.
Comprometimento: relacionado ao envolvimento. O Dicionário Aurélio aponta como fazer,
tomar parte (envolver) (2008, p. 356).

167/178 Unidade 8 • O Gestor Social e o Planejamento


?
Questão
para
reflexão

Com base nos conceitos de eficiência, eficácia e


efetividade, reflita sobre exemplos práticos de
aplicabilidade desses conceitos, em um projeto social
que tenha como objetivo contribuir para a redução do
número de crianças em trabalho infantil.

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Considerações Finais

Este último momento desta disciplina convida a refletir sobre a importância


do papel do gestor na garantia dos processos de planejamento para que ele
seja incorporado na equipe com vistas à garantia da eficiência, eficácia e
efetividade dos projetos sociais de intervenção.
Mais do que incorporar a teoria, o planejamento é um exercício cotidiano que
exige disciplina, porém com frutos muito compensadores.
Que a leitura deste material sirva de inspiração para ações de planejar e
gerenciar projetos e que estas ações contribuam para a transformação da
sociedade e em um mundo mais justo e igualitário.

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Referências

BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo:


Veras Editora, 2000.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. Introdução à temática da gestão social. In: ÁVILA, Célia
M. (Org.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa
Capacitação Solidária, 2001. p. 13-18.
CURY, Thereza Christina Holl. Elaboração de projetos sociais. In: ÁVILA, Célia M. (Org.). Gestão de
projetos sociais. 3. ed. rev. São Paulo: Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária,
2001. p. 39-60.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. 7.
ed. Curitiba: Positivo, 2008.

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Aula 8 - Tema: O Gestor Social e o Planejamento Aula 8 - Tema: O Gestor Social e o Planejamento
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Questão 1
1. São momentos em que uma avaliação deve ocorrer em um projeto
social:

a) Durante, depois e algum tempo depois.


b) Antes, durante e depois.
c) Antes, durante, depois e algum tempo depois.
d) Antes, durante e algum tempo depois.
e) Durante e depois de o projeto acabar.

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Questão 2
2. As avaliações podem ser classificados de acordo com os sujeitos
envolvidos em sua execução, deste modo, pode-se classificá-las em:

a) interna, externa, mista e participativa;


b) interna, externa e mista;
c) monitoramento, resultado e impacto;
d) monitoramento e avaliação participativa;
e) interna, mista e participativa.

173/178
Questão 3
3. Relaciona-se a medir custo X benefício:

a) eficácia
b) efetividade
c) eficiência
d) avaliação de resultado
e) avaliação ex-ante

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Questão 4
4. Relaciona-se a medir o impacto de um projeto:

a) eficácia
b) efetividade
c) eficiência
d) avaliação de resultado
e) avaliação ex-ante

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Questão 5
5. Relaciona-se a medir o resultado alcançado:

a) eficácia
b) efetividade
c) eficiência
d) avaliação de resultado
e) avaliação ex-ante

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Gabarito
1. Resposta: C. 5. Resposta: A.

As avaliações poderão ocorrer: antes, A eficácia mede o resultado alcançado.


durante, depois e algum tempo depois.

2. Resposta: A.

Com relação a quem executa, as avaliações


podem ser classificadas em: interna,
externa, mista e participativa.

3. Resposta: C.

A eficiência mede custo x benefício.

4. Resposta: B.

A efetividade está relacionada com o


impacto do projeto.
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