Você está na página 1de 3

A tinta a óleo é a técnica de cavalete mais importante, popular e mais estudada.

Desenvolveu-se por mais de seis séculos na Europa.

Foi consequência das modificações na elaboração da tinta têmpera e surgiu por


ETAPAS. No entanto, a tinta a óleo rapidamente ultrapassou a têmpera de ovo em
popularidade devido à sua maior versatilidade, por permitir um mais longo período de
trabalho e uma aplicação mais sutil. As formas arredondadas e requintadamente
modeladas caraterísticas do Renascimento não teriam sido possíveis sem as
qualidades contidas nas tintas a óleo.
Originalmente, eram os aprendizes dos mestres pintores que preparavam as tintas a
óleo no próprio atelier. No final do século XVIII apareceram na Europa lojas de tintas
para pintores que vendiam cores pré-misturadas

A mais antiga das pinturas a óleo conhecida foi elaborada na Noruega no século
XII. Ela é anterior aos irmãos Hubert (1366-1426) e Jan Van Eyck (1390-1441). Muitos
pensam que Jan Van Eyck inventou essa tinta, mas na verdade o que ele criou foi uma
tinta com óleo de secagem mais rápida. É provável que ele e outros pintores holandeses
do século XV tinham azeites com boas propriedades secantes. Também a terebentina
já era um diluente.
O uso do óleo como aglutinante foi inicialmente mais difundido no norte da
Europa que no sul. No século XV começou a transição gradual da têmpera para a tinta
óleo. Muitos artistas usavam as duas técnicas em seus quadros, começavam com a
têmpera e terminavam com a óleo.
Em 1475, Antonello da Messina levou o óleo para Veneza, e o pintor Giovanni
Bellini alcançou todas as suas possibilidades e especificidades técnicas. Em Veneza, a
técnica foi muito bem aceita e assim difundida pela Itália e pelo resto da Europa. A partir
daí a riqueza das cores, o brilho e a estética renascentista se desenvolveram de maneira
triunfante.
Durante o século XVII, a prática de pintar quadros inteiramente com óleos
aumentou e virou uma atividade rotineira. No mesmo século, houve um incremento da
oferta na produção de tintas por profissionais, e até o século XVIII era possível comprar
linhos preparados para pinturas e tintas a óleo guardadas em bolsas de couro. Também
inventaram os pigmentos sintéticos, aumentando a paleta de cores. Em 1704, surgiu o
azul da Prússia que substituiu o azurita e o azul ultramarino, que eram bem mais caros.
Em 1750 surgiu o amarelo de Nápoles que substituiu a purpurina amarela. Em
1802 surgiu o azul de cobalto. Em 1828 o azul ultramarino foi produzido sinteticamente,
ficando mais barato. No século XIX, as tintas passaram a ser comercializadas em tubos
de estanho. Com isso, os artistas não precisavam perder tempo fabricando suas tintas.

Composição:

Pigmento + óleos vegetais (linhaça, papoula, nozes, soja, girassol, cânhamo,


açafrão, tabaco, algodão etc);

Solvente: terebentina, água rás e querosene (algumas pessoas não indicam);

Para secagem mais rápida: secante de cobalto;

Para maior fluidez (deixar a tinta mais rala) deve usar a terebentina e/ou óleo de
linhaça;
Suporte: linho, madeira e algodão (com fundo de gesso, polímero acrílico ou gola e
gelatina);
Os pigmentos mais adequados são: branco de titânio, branco de zinco, azul de
ultramar, azul cobalto, azul cérulo, verde cobalto, terras verdes, verde óxido de cromo,
amarelo de cádmio, amarelo ocre, terras de siena, amarelo de Nápoles, amarelo de
marte, amarelo cobalto, amarelo hansa, vermelho ocre, vermelho indiano, vermelho de
cádmio, vermelho de marte, preto marfim, preto mineral, preto de carvão vegetal, violeta
de cobalto, violeta de manganês, violeta de marte, marrom de marte, siena queimada e
sombra natural. Claro que podemos usar terra e outros tipos de pigmentos para produzir
nossas próprias tintas.
O óleo de linhaça é o mais usado e é encontrado em papelarias e em casas de
materiais de arte. É bem fácil de ser encontrado. Ele é extraído das sementes maduras
da planta do linho. O óleo extraído pela prensagem a frio é de melhor qualidade para as
tintas ao contrário do que é extraído pela prensagem a quente, realizada com a ajuda
de vapor, que é o processo mais comum. O aquecimento do óleo de linhaça a
temperaturas entre 272°C e 302°C, o transforma em óleo polimerizado, alterando suas
propriedades físicas mecânicas. O resultado é um óleo mais viscoso e parecido com
mel.

Características:

Flexibilidade e elasticidade;

Liberdade de efeitos;

Pouca alteração das cores após a secagem;

Brilho;

Secagem lenta;

Grande variedade de tintas;

Receita:

Aquecer o óleo de linhaça e acrescentar 1% do volume de cera de abelha


derretida. Sobre um azulejo ou vidro, coloque o pigmento e acrescente o óleo aos
poucos e ir amassando e misturando com uma espátula ou pilão de vidro ou cerâmica.
O processo de misturar é importante para uma boa tinta, quanto mais misturada e
amassada, melhor é a tinta.
Óleo de papoula: não é tão antigo quanto o de linhaça e não teve a mesma
popularidade entre os artistas. É mais claro que o de linhaça e tem tendência a amarelar
menos. O tempo de secagem é mais lento e forma uma película mais fraca e tende a
rachar. Pode ser misturado ao óleo de linhaça e ao de nozes.

Óleo de soja: é bem inferior ao de linhaça e precisa de agentes secantes. É


comumente usado na indústria como substituto do óleo de linhaça. É utilizado como
ingredientes de vernizes e esmaltes. Não amarela com o tempo.

Óleo de girassol: Possui propriedades equivalentes ao óleo de papoula, porém


inferior a este. Na Europa, ele muitas vezes substitui o óleo de linhaça.

Óleo de cânhamo (cannabis): Possui propriedades equivalentes ao óleo de


papoula, porém inferior a esse. As propriedades secativas desse óleo já eram
conhecidas na Antiguidade e também é muito usado na Europa como substituto do óleo
de linhaça.

Óleo de algodão: não é recomendado, pois seu uso reduz a durabilidade da tinta.
Apesar da história das tintas a óleo estar muito romanceada, não há qualquer
dúvida de que a qualidade das tintas atuais é muito superior à das produzidas há
séculos, há gerações e mesmo apenas há algumas décadas atrás. Porquê?
Materiais novos e mais estáveis, melhores métodos, assim como a experiência e o
conhecimento científico acumulados do fabricante impõem uma diferença drástica na
qualidade das tintas disponíveis para o pintor dos nossos dias.
Componentes
Hoje em dia, as tintas a óleo tradicionais são fabricadas essencialmente através
do mesmo processo utilizado no século XV.
O pigmento é misturado com um meio de óleo de linhaça (extraído da planta do
linho) e, em alguns casos, com óleo de cártamo. Em vez de se moer cada cor
manualmente, com uma pedra ou um almofariz de vidro, as tintas de melhor qualidade
são produzidas atualmente através de uma variedade de métodos de moagem.
As decisões sobre quantas passagens no moinho de três rolos são necessárias,
que quantidade de óleo deve ser utilizada e que tipo de óleo, são determinadas com
base nas características individuais de cada pigmento.
Características
Os óleos de melhor qualidade proporcionam:
Profundidade da cor: Quando devidamente moído, o óleo de linhaça suporta
uma elevada concentração de pigmento. Isso traduz-se numa elevada força de
entintagem, numa mistura autêntica e na oportunidade de aproveitar ao máximo a
transparência ou opacidade relativas de cada pigmento. Por outro lado, as qualidades
refrativas do óleo (o modo como a luz atravessa o excipiente) conferem uma excelência
e uma profundidade à cor sem rival quando comparadas com as que se obtêm com
qualquer outro aglutinante.
Permanência e Estabilidade: As tintas a óleo de melhor qualidade são uma
mistura ideal de pigmento e excipiente, permitindo que o óleo seque devidamente,
formando uma película estável que, em condições adequadas, se manterá por muitas
gerações.
Estabilidade dentro do tubo: Uma cor moída por especialistas permanecerá
numa suspensão estável quase indefinidamente. As cores moídas com menores
cuidados têm tendência a separar-se, com o óleo subindo para o topo do tubo deixando
a massa do pigmento no fundo. Para além de constituir um incômodo para o pintor, a
separação excessiva pode levar a que a tinta, quando aplicada, fique muito fina, e não
inclua óleo suficiente para criar uma película de tinta estável.
Tempo de Secagem da tinta a óleo:
Tempo de trabalho prolongado, dependendo do pigmento, os óleos tornam-se
secos ao tato entre 2 e 12 dias, permitindo um tempo de trabalho, de mistura e de
modelagem prolongado. A variação do tempo de secagem deve-se à reação de cada
pigmento quando misturado com o óleo.

Fontes:
http://a-winter-garden.blogspot.com/
http://manualdoartista.com.br/aplicacoes-e-tecnicas/