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ANTIBACTERIANOS

FARMACOLOGIA - RESUMO

→ TERMOS UTILIZADOS ○ Aminoglicosídeos (bactericidas)


● Inibidores da síntese proteica (sub. 50s -
- Antibiótico: é produzido por um microrganismo (fungo, bacteriostáticos):
bactéria) e age sobre células bacterianas, fúngicas ou até ○ Macrolídeos
mesmo células humanas. ○ Cloranfenicol
○ Lincosamidas
- Quimioterápico: substância sintética obtida em laboratório. ● Agem na membrana (bacteriostáticos):
Agem como moléculas químicas que interferem em alguma via ○ Polimixina
metabólica do microrganismo alvo.

- Antimicrobiano: é um composto natural ou sintético capaz de


destruir ou inibir agentes infecciosos. Podem ser antibacterianos,
antifúngicos, antivirais, antiprotozoarios.

→ CLASSIFICAÇÃO DOS ANTIBACTERIANOS

- Quanto ao espectro de ação: variedade de microrganismos


que o antimicrobiano age. Pode ser de largo ou pequeno
espectro.

- Quanto à ação sobre os microrganismos: podem inibir


OBS: para escolha do antimicrobiano é importante se obter
(impede a replicação - “státicos” - obs: dependem da
a etiologia da bactéria, determinadas áreas são comuns a
eliminação dos microrganismos pelo sistema imunológico) ou
determinados tipos de bactérias (na pele é comum
matar (“cidas”).
encontrar Staphylococcus e Streptococcus). Para deter uma
única infecção não é recomendado antibiótico de amplo
espectro, pois pode destruir a flora e abrir espaço para
infecções oportunistas.

→ RESISTÊNCIA BACTERIANA

- Natural: como exemplo pode-se citar os Mycoplasmas que


são resistentes aos betalactâmicos e aminoglicosídeos por
não apresentarem uma parede celular composta por
peptidoglicanos.

- Adquirida: ocorre principalmente em ambiente hospitalar.


As bactérias trocam genes de resistência entre si através de
- Quanto ao mecanismo de ação e grupo químico: conjugação ou através de vírus bacteriófagos que podem
● Inibidores da síntese da parede (bactericidas): propagar os genes de resistência.
○ Betalactâmicos: não age contra
Mycoplasma (não apresenta parede com - Mecanismos de resistência:
peptidoglicanos). ● Mutação ocasional de algum gene que leve a
○ Bacitracina alteração dos alvos utilizados pelos fármacos para
○ Vancomicina combater as bactérias.
● Ação no DNA (bactericidas): ● Destruição ou inativação dos fármacos: bactérias
○ Quinolonas que produzem betalactamases (enzima que destrói
○ Metronidazol o fármaco).
● Ação da síntese de ácido fólico / antimetabólicos ● Bombas de efluxo: jogam o fármaco para fora da
(bacteriostáticos: bactéria.
○ Trimetoprim OBS: Hoje estão sendo desenvolvidas substâncias
○ Sulfonamidas especializadas em inibir a resistência bacteriana. Há os
● Inibidores da síntese proteica (sub. 30s): inibidores das bombas de efluxo e inibidor es de enzimas
○ Tetraciclinas (bacteriostáticos) bacterianas (inibidores da betalactamases).
- Além disso, elas também ativam enzimas autolíticas
→ BASES PARA PRESCRIÇÃO DO ANTIBACTERIANO (autolisinas) na parede celular, aumentando os poros na
parede da bactéria.

- Conhecimento a respeito do paciente:


- Tudo isso resulta no aumento da pressão osmótica (já que a
● Idade
parede bacteriana que dava resistência osmótica à bactéria
● História pregressa de hipersensibilidade
não consegue ser restituída), levando a lise celular.
● Funções hepáticas e renais
● Possível gravidez
OBS: devido ao mecanismo utilizado por esses medicamentos
● Estado imunológico
(bactericidas), que é favorecido em bactérias em replicação,
● Uso recente de antimicrobiano
não é recomendado o uso desse com bacteriostáticos, que
● Interação entre os antimicrobianos
impedem a replicação bacteriana. Dessa forma o bactericida
- Identificação da bactéria:
não vai conseguir atuar de forma eficiente.
● Bacterioscopia
● Cultura
- Sensibilidade aos antibacterianos: teste de sensibilidade aos → MECANISMO DE RESISTÊNCIA BACTERIANA
antibacterianos (TSA):
- Inativação do anel beta-lactâmico: As bactérias podem
produzir betalactamases (também chamadas de
BETALACTÂMICOS penicilinases). Estas enzimas quebram o anel betalactâmico,
que se liga as PLPs, inutilizando o fármaco.
- Anel betalactâmico comum a todos esses fármacos. Este
anel se liga aos sítios de ação e é alvo das betalactamases. - Alterações nas PLPs de maneira que o fármaco não consiga
se ligar.
- Penicilina: primeiro betalactâmico a ser produzido. Fármaco
de custo baixo e alto índice terapêutico. Utilizado até hoje - Efluxo do antibiótico
para sífilis e sífilis congênita.
- Redução do acesso do antibacteriano: Algumas bactérias
- São classificados em: gram negativas alteram os canais de maneira que as
● Penicilinas penicilinas não conseguem alcançar o interior da bactéria
● Cefalosporinas (precisam atravessar além da parede, a membrana externa
● Carbapenêmicos em bactérias gram negativas).
● Monobactâmicos
OBS: inibidores da betalactamase também são → PENICILINAS
betalactâmicos, mas não tem a função bactericida. Tem
apenas a função de inibir as betalactamases. São utilizados
- Possuem uma alta eficácia, um baixo custo e uma baixa
nas infecções em que há suspeita de microrganismos
toxicidade (não é teratogênico).
produtores de betalactamase.

- Ultrapassa a barreira placentária.


→ MECANISMO DE AÇÃO:
- Não são metabolizadas.
- Ligam-se a PBP (PLP - proteína de ligação à
penicilina))inibindo de forma irreversível a transpeptidação, - Grupo de penicilinas:
interferindo na síntese da parede bacteriana: quando as 1) Naturais:
bactérias se replicam, essas produzem autolisinas para ● Penicilina G (benzilpenicilina): Cristalina (IV),
aumentarem seu tamanho, ao mesmo tempo que produzem procaína e benzatina (IM).
peptideoglicanos que vão se inserindo na parede fazendo ● Penicilina V (VO).
ligações transpeptídicas (por meio da enzima transpeptidase - Ambas agem contra cocos gram negativos, gram positivos,
PBP/PLP). É justamente nos espaços criados pelas autolisinas anaeróbios e espiroquetas. Assim não tem boa ação contra
no momento da replicação que a penicilina entra na infecção intestinal, por não agir contra bacilos gram
bactéria, impedindo a ação da enzima transpeptidase, dessa negativos aeróbios e nem contra infecção por
forma os peptidoglicanos não conseguem se fixar a parede. Staphylococcus. Tem boa ação contra sífilis, gonorréia e
tétano antes do Clostridium liberar toxinas.

2) Penicilinase-resistentes:
● Oxacilina OBS: Em pacientes alérgicos a penicilina não deve ser utilizada
● Cloxacilina com cefalosporina, pois pode causar choque anafilático
● Dicloxacilina (reação alérgica cruzada devido a semelhança estrutural).
Não são destruídas pelas betalactamases. Só agem contra
Staphylococcus produtores de penicilinases. Uso restrito a → MONOBACTÂMICO
infecções dermatológicas, das vias aéreas superiores,
sinusite.
- Aztreonam (IM, IV): usado em ambiente hospitalar. Ação
3) Penicilina de amplo-espectro:
apenas contra aeróbios gram negativos (bacilos e cocos) -
● Ampicilina
boa ação contra enterobactérias, Pseudomonas e N.
● Amoxicilina
gonorrhoeae. Possui pouca atividade alérgica cruzada com
Possuem ação contra os mesmos das penicilinas naturais,
outros betalactâmicos.
além de agirem na Haemophilus influenza que causa
infeção respiratória, e também age contra várias
enterobactérias (bacilos gram negativos aeróbios).
→ CARBAPENÊMICOS
4) Penicilina antipseudomonas:
● Carbenicilina / indanil carbenicilina sódica Terminam em “penem”. São fármacos resistentes a maioria
● Mezlocilina das betalactamases. Uso reservado a pacientes internados
● Piperacilina com infecção grave não suscetível a outras opções, para
● Ticarcilina evitar indução de resistência. Uso intravenoso:
Além de ação de amplo espectro, também agem nas ● Meropenem
pseudomonas (gram negativos - Pseudomonas aeruginosas - ● Imipenem (associado a cilastatina).
gram positivos, ambos anaeróbios). Utilizados em último caso
quando outros bactericidas não funcionam. → EFEITOS ADVERSOS DOS BETALACTÂMICOS

→ CEFALOSPORINAS - Reação alérgica leve com erupções cutâneas.

- Reações alérgicas mais graves, normalmente, em um


Começam com cefa. As mais prescritas são as que podem ser segundo encontro do organismo. Ocorre choque anafilático e
administradas por via oral. São divididas em quatro gerações: edema de glote. Apresenta relação com a resposta imune
secundária que é mais intensa devido aos linfócitos de
1) 1ª Geração: memória.
● Cefalexina (VO)
● Cefazolina e cefalotina (IM, IV) - Alterações do TGI: processo digestivo, destruição da
Agem contra cocos gram positivos e não penetram o SNC microbiota dando abertura a infecções oportunistas,
(desaconselhável em meningites bacterianas). diminuição de vitamina K, levando a hemorragia.
2) 2ª Geração:
● Cefoxitina e cefotetan (IM, IV) - Hemólise: deposição do fármaco nas hemácias (menos
● Cefuroxima e Cefaclor (VO) comum).
Age contra cocos gram positivos e bacilos gram negativos.
3) 3ª Geração: - Alterações hepáticas (piperacilina - evita-se uso de
● Cefixima (VO) paracetamol e fármacos hepatotóxicos).
● Cefotaxima, ceftriaxona, cefoperazona (IM, IV)
Possuem menor atividade contra cocos gram positivos, tem - Nefrotoxicidade (principalmente com as cefalosporinas).
atividade ampliada contra bacilos gram negativos.
Penetram o SNC, exceto o cefoperazona. - Convulsões (Imipenem).
4) 4ª Geração:
● Cefepime (IM, IV)
● Cefpirome (IV)
INIBIDORES DA SÍNTESE PROTEICA
Só se utiliza em pacientes internados em hospital. Ativas
contra gram negativas (boa ação contra Pseudomonas), São bacteriostáticos, com exceção dos aminoglicosídeos, que
ativas contra gram positivas (mais resistentes as agem nos ribossomos. Os fármacos são separados de acordo
betalactamases. São usadas juntamente com com a subunidade de ação no ribossomo:
anaerobicidas, pois não tem boa ação contra anaeróbios.
→ FARMACOCINÉTICA:

- Eritromicina possui administração tópica e oral, os demais


possui administração via oral e intravenosa.

- Distribuem-se rapidamente por todos os tecidos (maior


penetração no fluido gengival pelos fármacos semi-sintéticos).
Atingem boa concentração até dentro das células (neutrófilos
→ MECANISMO DE AÇÃO (SUB. 50S): e macrófagos), agindo, portanto, inclusive nas bactérias
fagocitadas por essas células (bactérias que driblam o Sistema
- Na subunidade 50s do ribossomo há um sítio A onde chega o Imune, impedindo a ligação do lisossomo com o fagossomo,
RNAt trazendo os aminoácidos, quando este chega, há um permanecendo dentro das células fagocitárias como forma
deslocamento para o sítio P, para que o sítio A fique de resistência - forma latente).
desocupado e outro RNAt possa se encaixar.
- Sofrem biotransformação hepática.
- Assim, após a chegada do RNAt há uma transpeptidação,
ou seja o aminoácido que chegou vai se ligar à cadeia - Excreção biliar (em altas taxas) e urinária.
peptídica em formação. Alguns antibacterianos vão impedir
essa transpeptidação, enquanto outros irão impedir a → ESPECTRO:
translocação (que seria a translocação do sítio A para o sítio
P). - Possuem um amplo espectro. Tendo ação sobre:
● Gram +, Gram - aeróbios e anaeróbios.
→ MACROLÍDEOS ● Mycoplasmas, Chlamydia, Mycobacterium avium
(tuberculose atípica, acomete principalmente
- São moléculas grandes. Todos vão terminar em “tromicina”. pacientes imunossuprimidos - azitromicina é eficaz),
Agem na subunidade 50s do ribossomo. M. leprae (macrolídeos não são os fármacos de
primeira escolha, mas podem ser utilizados caso o
- Primeiro macrolídeo foi a eritromicina. Se distingue dos paciente já tenha adquirido resistência ou não
macrolídeos mais novos, por ter que ser administrada várias tenha tido eficácia com outros fármacos - usa-se
vezes ao dia (VO), além de possuir maior toxicidade. Além de claritromicina).
seu uso oral, também há o uso tópico. ● Espiroquetas: Treponema e Leptospira.
● Toxoplasma gondii - protozoário (azitromicina).
- Em geral são fármacos de baixa toxicidade, possuem menos
efeitos adversos e são mais tolerados. → TOXICIDADE E EFEITOS ADVERSOS

- Azitromicina (normalmente se usa 1 comprimento/dia por - Risco de flebite e tromboflebite (agregação plaquetária pela
três ou cinco dias, o que facilita o tratamento-maior adesão), inflamação do vaso - trombo pode se soltar e causar embolia
claritromicina e roxitromicina são fármacos mais novos, com pulmonar) em pacientes que estão há muito tempo
boa posologia, meia vida mais longa, comodidade para internados recebendo o fármaco por administração IV no
administração e baixos efeitos adversos. mesmo vaso (10 a 20 dias). Ocorre principalmente devido a
rapidez na admnistração (“forma de bolo”).
- Opção de tratamento para alérgicos à penicilina.
- Hepatite colestática: causada pela estase da bile devido
- Fármacos de amplo espectro. obstrução do ducto colédoco. Ocorre em resposta ao sal
(estolato) de eritromicina.
- Como é uma molécula muito grande, vai impedir a
translocação, ou seja, impede que o RNAt libere o sítio de OBS: estolato de eritromicina e claritromicina não são usados
chegada, assim, não passa do sítio A para o sítio P. em gestantes, pois afetam o primeiro trimestre da gestação,
causando problemas de organogênese e após o primeiro
- Quanto mais a bactéria se multiplicar, mais proteína ela trimestre são fetotóxicos. Passam pelo leite e podem destruir a
precisará produzir, tendo, então grande eficácia esse microbiota do bebê. Primeira escolha para gestantes:
medicamento, interrompendo o prosseguimento da síntese penicilina e depois azitromicina.
proteica.
- Comprometimento auditivo em altas doses.
- Distúrbios GI: irritações gástricas, alternativa é ingerir após - Os benefícios devem ultrapassar os riscos.
alimentação.
- Quando não houver antibacterianos igualmente eficazes e
- Cefaléia e tontura. potencialmente menos tóxicos que o cloranfenicol.

→ CLORANFENICOL → EFEITOS ADVERSOS:

- Toxicidade hematológica reversível: é dose-dependente,


- Atua inibindo a transpeptidação, interrompendo dessa forma
causa anemia (aplástica é irreversível e pode se apresentar
a síntese proteica. OBS: não faz sentido prescrever fármacos
até 12 semanas após a terapia - mesmo em apresentação
que atuam na mesma subunidade, como macrolídeos e
tópica pode desencadear), granulocitopenia e
cloranfenicol, pois irão competir entre si.
trombocitopenia.
OBS: aplasia medular - leucopenia, anemia e
- Possuem amplo espectro de ação:
trombocitopenia, comprometimento da imunidade, transporte
● Gram +, Gram -
de oxigênio e coagulação sanguínea - cuidado ao associar
● Rickettsia
com outros fármacos mielotóxicos.
● Chlamydia
● Espiroquetas
- Neurite óptica e diminuição da acuidade visual (pode ou
● Mycoplasmas
não ser reversível).
● Anaeróbios
OBS: as bactérias Gram - , como mecanismo de resistência,
→ PRECAUÇÕES:
diminuem a permeabilidade da membrana externa, alteram
o ribossomo e realizam inibição enzimática.
- Evitar o uso em:
● pacientes imunocomprometidos - com diminuição
- Possui alta toxicidade (pois inibem a síntese de proteínas
de granulócitos (transplantados, pacientes
mitocondriais), sendo mais utilizado de forma tópica, como
submetidos a quimioterapia, AIDS.
nos colírios. Há muitas restrições para o uso sistêmico desse
● crianças e gestantes
fármaco.
● pacientes com insuficiência renal ou hepática grave
● com agentes imunizantes (vacinas)
→ FARMACOCINÉTICA:

- Tem boa administração por via oral. Pode se utilizado de → CLINDAMICINA


forma tópica e administração parental também.
- Liga-se à subunidade 50s e impede a transpeptidação. Por
- Possui ampla distribuição, atravessando a barreira competir pelo sítio de ligação com macrolídeos e
hematoencefálica (vantagem para tratar meningite) e Cloranfenicol não deve ser administrada junto à esses.
placentária.
- Apesar de possui o mesmo mecanismo de ação do
- Biotransformação hepática (de fase 1 e 2 - glicuronidação e Cloranfenicol, a clindamicina não compartilha dos mesmos
sulfonação): recém-nascidos carecem de mecanismo de efeitos adversos, pois tem diferente estrutura, metabolização e
conjugação com ác. glicurônico, não concluindo a afinidade por ribossomos diferentes.
metabolização do fármaco, isso pode levar à Síndrome do
bebê cinzento (3 a 4 dias após o início do tratamento). Essa - Pode ser administrado por VO, tópica, IM e IV.
síndrome se caracteriza por: cianose, respiração irregular e
rápida, vômitos, distensão abdominal, fezes - Possui ótima penetração no fluido gengival, mas não
amolecidas/verdes, hipotermia, hipotensão, risco de choque e atravessa a BHE, e por isso não atinge boas concentrações no
morte. Além disso, não deve ser indicada para adultos com SNC.
insuficiência hepática, pois aumenta o risco de toxicidade.
→ ESPECTRO DE AÇÃO E USOS CLÍNICOS
- Eliminação principalmente urinária.
- Fármaco de amplo (largo) espectro:
→ USOS CLÍNICOS: ● Aeróbios Gram +
● Anaeróbios
- Só usar em pacientes graves em situações especiais.
- Não é uma boa opção para pacientes com gonorréia,
infecções entéricas, Mycoplasmas e sífilis.

- Os principais usos são:


● Infecções do trato respiratório superior (amigdalite,
faringite, sinusite, otite média) e do trato respiratório
inferior (bronquite e pneumonia).
● Infecções da pele e partes moles (acne, furúnculos, - A primeira tetraciclina a ser descoberta foi a Clortetraciclina
celulite, impetigo, abcessos e feridas infeccionadas). (Streptomyces aureofaciens).
● Osteíte purulenta ou outras infecções ósseas e
articulares (isso porque atinge boas concentrações - A primeira glicilciclina foi a tigeciclina (2005) - ativas contra
em tecidos ósseas - característica encontrada em várias cepas resistentes. É administrada IV e possui meia vida
poucos fármacos, as tetraciclinas também de 36 horas.
possuem).
● Profilaxia da endocardite bacteriana em pacientes → MECANISMO DE AÇÃO:
que não podem tomar amoxicilina.
● Infecções que não sejam erradicadas por penicilinas - Se ligam na subunidade 30s do ribossomo, impedindo a
e macrolídeos. entrada do RNAt ao seu sítio de entrada. Dessa forma, impede
a chegada do RNAt, impedindo que traga um novo
→ EFEITOS ADVERSOS: aminoácido para ser adicionado à cadeia polipeptídica.
Possui interação com betalactâmicos e aminoglicosídeos.
- Alguns pacientes podem desencadear:
● colite pseudomembranosa (Clostridium difficile) - - Possui seletividade pelas bactérias. Acumulam-se ativamente
clindamicina não tem boa ação sobre essa nas células bacterianas. Penetram a membrana externa por
bactéria, apesar de ser anaeróbia. canais de porina e a membrana interna por transporte ativo.
● Alergias (erupções cutâneas).
● Hepatotoxicidade → ESPECTRO:
● Supressão da medula óssea
● Alterações cardiovasculares (hipotensão). - Possui amplo espectro:
● Cocos e bacilos Gram+ e Bacilos Gram- (Vibrio
→ PRECAUÇÕES cholerae)
● Mycoplasma
- Cuidado nas diarréias concomitantes ao tratamento: pode ● Rickettsia e Chlamydia
ser um indicativo de infecção por Clostridium difficile. ● Plasmodium falciparum
● Espiroquetas
- Diminuir ou ajustar a dose em hepatopatas.
→ FARMACOCINÉTICA:
→ TETRACICLINAS E GLICILCICLINAS
- Absorção após administração oral:

- São bastante utilizados na dermatologia. Possui amplo


espectro e atingem boas concentrações na pele.

- Bacteriostáticos.

- Possuem baixo custo, são administradas por VO e tem - São melhor absorvidas em baixo pH (não deve ser ingerida
propriedades não antibióticas. com antiácidos - também possuem íons que induzem
quelação). Ppte a minociclina e doxiciclina.
- Apresenta 4 anéis. Todos terminam em “ciclina”.
- Possuem um efeito quelante de íons bivalente e trivalentes,
- São classificadas em relação ao seu tempo de meia vida no por esse motivo não deve ser ingerida com leite (Ca2+). A
organismo, pois todas possuem basicamente o mesmo quelação impede a correta absorção - fármacos
espectro de ação: remanescentes no intestino podem alterar a microbiota
intestinal.
- São fármacos de ampla distribuição: fígado, rins, baço, pele, → INTERAÇÕES:
ossos, dentes, secreção pleural, ascítica e apenas 10 à 20%
LCR (atravessam pouco à BHE). Utilizados em infecções ósseas, - Antiácidos, sais de ferro, Ca2+, Mg2+, Al3+: diminuem
orais e dermatológicas. absorção do fármaco. Cimetidina (inibidores da bomba de
prótons).
OBS: esses fármacos se acumulam na pele, assim, raios
ultravioletas podem atingi-los, mudando sua conformação - Carbamazepina, barbitúricos e álcool: diminuem a meia-vida
química e provocando dermatite tóxica e fototoxicidade. da doxiciclina.

- Atravessam a barreira placentária e são excretadas no leite. - As tetraciclinas diminuem a ação dos anticoagulantes orais e
anticoncepcionais hormonais.
- Sofrem biotransformação hepática baixa.
→ PRINCIPAIS USOS:
- Sofrem excreção renal e biliar. OBS: doxiciclina mais indicada
para pacientes com insuficiência renal e possui menor risco de - Tigeciclina:
superinfecção em imunocomprometidos. ● Infecções cutâneas e abdominais graves.
● Tratamento IV na pneumonia adquirida.
→ RESISTÊNCIA BACTERIANA: ● Não age em Pseudomonas e Proteus.

- Efluxo do medicamento (bombas): principalmente Gram-. - Tetraciclinas:


● Infecções causadas por clamídias, riquétsias, cólera,
- Proteção ribossomal: deslocam as tetraciclinas do RNAr. brucelose e actinomicose.
● Alternativas para infecções causadas por
- Alteração da permeabilidade: proteínas da membrana Mycoplasma, N. gonorrhoeae, H. ducrey, T. pallidum
externa - mutação cromossômica. ● Pacientes com traqueobronquite e sinusites.

- Inativação enzimática. - Doxiciclina: antibioticoterapia e quimioprofilaxia para


leptospirose.
OBS: 40% dos Streptococcus pyogenes e 10% dos S.
pneumoniae são resistentes à tetraciclinas. Pseudomonas - Limeciclina e Minociclina: atividades antiinflamatórias,
aeruginosa é naturalmente resistente à tigeciclina. antiproteinases (anticolagenases, antigelatinases),
antimitogências e antiangiogênicas. - tratamento de acne.
→ EFEITOS ADVERSOS:
→ AMINOGLICOSÍDEOS
- Distúrbios GI: náuseas, vômito, diarréia (destruição da
microbiota). - Bactericidas. Tem terminação “micina”, exceção da
Amicacina - contra cepas resistentes).
- Superinfecções.
- Alta potência (trata infecções bacterianas graves) e alta
- Classe de risco D: evitar em gestantes e crianças até 8 anos, toxicidade (baixo índice terapêutico).
devido à hepatotoxicidade e porque causa
hiperpigmentação dentária (mata os germes dentários), - São administrados de forma parenteral, não tem
devido aos depósitos de cálcio dos dentes que formam biodisponibilidade por via oral (formam policátions altamente
quelatos insolúveis com a tetraciclina, além disso, o feto pode polares que não atravessam a membrana), não é absorvido
nascer com deformidades ósseas devido ao depósito dessa na pele íntegra.
nos ossos.

- Fototoxicidade.

- Toxicidade renal.

- Reações de hipersensibilidade

- Toxicidade vestibular (minociclina) - tontura.


- Não penetram a BHE e não atingem boa concentração no
humor vítreo. Penetram na barreira placentária. - Não possuem ação em meio anaeróbio, pH ácido, meio rico
em cátions divalentes.
- São eliminados pela filtração glomerular (forma ativa).
Praticamente não sofrem metabolização. → EFEITOS ADVERSOS:

- Exemplos: - Ototoxicidade: causada por acúmulo na endo e perilinfa


● Estreptomicina que causa lesão nas células ciliadas. Pode causar surdez,
● Gentamicina tontura, desequilíbrio tanto para gestantes, quanto para o
● Tobramicina feto.
● Amicacina
● Neomicina B - Nefrotoxicidade: dano renal. Mais severos em pacientes com
● Paromomicina doenças crônicas, idosos e pacientes com nefropatia.

→ MECANISMO DE AÇÃO: - Neurotoxicidade: causa bloqueio neuromuscular não


despolarizante. Pode causar paralisia respiratória.
- Nas bactérias Gram - o aminoglicosídeo desloca cálcio e
magnésio presentes nessa membrana e se ligam no lugar - Alergia: pacientes previamente sensibilizados.
desses, promovendo um aumento da permeabilidade da
membrana externa para o fármaco. - Distúrbio GI.

- Eles atravessam a membrana plasmática interna por - Contra-indicado em gestantes.


mecanismo dependente do transporte de elétrons, devido à
necessidade de um potencial elétrico de membrana (interior → INTERAÇÃO COM OUTROS FÁRMACOS:
negativo) - por isso tem efeito muito reduzido na presença de
pus e atividade anaeróbica. - Tem sinergismo com fármacos que interferem na síntese da
parede bacteriana (betalactâmicos): aumenta a penetração
- Se ligam à subunidade 30s do ribossomo e induz leitura de aminoglicosídeos.
incorretas do RNAm produzindo proteínas anômalas e
defeituosas, o que será responsável por seu efeito bactericida, - São antagonizados por outros inibidores da síntese proteica.
provocando dano celular (dano na integridade da
membrana, abre poros, promovendo entrada de mais → USO CLÍNICO:
antibiótico). Em altas concentrações promovem uma inibição
completa da síntese proteica. - Infecções moderadas e intensas: infecções hospitalares
(trato respiratório, osteomielite por G-, etc).
- Tem um efeito “pós-antibiótico”: mesmo após a eliminação
do antibiótico ainda possui uma ação bactericida, pois - Infecção causada por Pseudomonas.
continuam tendo o efeito de impedir a reprodução
bacteriana. - Infecção por N. gonorrhoeae (espectinomicina).

→ ESPECTRO: - Uso tópico (otite externa): neomicina, tobramicina.

- Possuem ação contra: - Amicacina: cepas resistentes.


● bactérias aeróbias Gram + (Staphylococcus) e G-
(enterobactérias). - Não são utilizados para tratamento de micoplasmas.
● Pseudomonas: sensível a gentamicina, tobramicina
e amicacina (usada contra cepas resistentes). → QUINOLONAS
● M. tuberculosis (estreptomicina)
● Giardíase e amebíase intestinal (Paromomicina)
- São fármacos que atuam no DNA e são antimicrobianos
sintéticos.
- Inativos contra:
● anaeróbios
- A primeira quinolona foi o ácido nalidíxico. Essas primeiras
● Rickettsia
tem uso restrito devido à sua alta toxicidade.
● Chlamydia
● Mycoplasmas.
- A segunda geração foi fluorada e possui maior espectro de
ação, maior absorção por via oral e boa tolerabilidade. - Excreção ppte renal, além de ser excretado pela bile e pelo
leite (norfloxacina, ofloxacina, pefloxacina, ciprofloxacina).
- São classificados em :
● 1ª Geração: ác. nalidíxico, ácido oxolínico, → USOS CLÍNICOS:
cinoxacina.
Possuem baixa distribuição sistêmica e elevada resistência e - Infecção do trato urinário
efeitos adversos (uso limitado).
- Prostatite
OBS: a partir da segunda geração toda quinolona terminará
em “floxacina”. - DSTs (Neisseria, Haemophilus ducrey, Chlamydia), não tem
● 2ª Geração: ciprofloxacina*(cistites e infecção boa ação contra sífilis, pois não age em espiroquetas.
urinária), ofloxacina, norfloxacina, lomefloxacina.
Possuem baixo espectro, agindo contra Gram - aeróbios (a - Infecções GI (todas as gerações).
mais potente contra Pseudomonas). Age contra
Mycobacterium (ofloxacina e ciprofloxacina). Não age contra - Infecções respiratórias
cocos Gram + e anaeróbios.
● 3ª Geração: esparfloxacina, levofloxacina. → EFEITOS ADVERSOS:
São de amplo espectro e agem contra Gram -, cocos Gram +
e anaeróbios. - Em geral são bem toleradas.
● 4ª Geração: trovafloxacina, moxifloxacina,
gemifloxacina. - GI: anorexia, náuseas, vômitos e desconforto gástrico.
Age contra gram negativos, gram positivos e tem maior ação
ainda contra anaeróbios. - SNC: cefaléia, ansiedade, insônia, tontura e alterações de
humor. (podem deslocar GABA do receptor - gera excitação
→ ESPECTRO DE AÇÃO: do SNC, assim como os AINEs, por isso deve-se evitar o seu uso
conjugado).
- O espectro de ação é largo a partir da terceira geração:
● Age principalmente contra bactérias Gram - - Podem gerar fototoxicidade, por ser um fármaco que atinge
aeróbias (Enterobactérias, Proteus, Neisseria, Brucella boas concentrações na pele. Os raios ultravioletas agem na
e Pseudomonas). estrutura do fármaco produzindo metabólitos reativos. Podem
● Cocos gram + e anaeróbios (apenas 3ª e 4ª ficar apenas hiperêmicos ou formar bolhas semelhantes a uma
geração): Mycobacterium e Mycoplasma. queimadura.

→ MECANISMO DE AÇÃO: - Além disso, podem causar tendinites, reações alérgicas. É


contra indicado em crianças e gestantes pelo risco de
- Inibe a síntese de DNA bacteriano pela inibição das enzimas artropatias, tendinites e comprometimento do crescimento.
“topoisomerases 4” e DNA girase.
→ INTERAÇÕES:
- As quinolonas inibem a ação da enzima de religar as fitas de
DNA, após a separação no processo de transcrição. Quanto - Antiácido, sulfato ferroso, misturas multivitamínicas e sais
maior a atividade da bactéria, maior a necessidade de minerais diminuem a absorção.
replicação e mais rápida é a destruição da bactéria. Impede
também a separação do DNA replicado. - AINEs aumenta o deslocamento do GABA pelas quinolonas
no SNC.
→ FARMACOCINÉTICA:

- Boa absorção no TGI: alimento não tem diminuição da


absorção, porém retarda.

- Possui ampla distribuição: atravessa a BHE e a barreira


transplacentária. Atinge boas concentrações nos rins, urina,
próstata, pulmão, bile, fezes, macrófagos e neutrófilos.

- Biotransformação hepática parcial.