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Período colonial

No ano de 1532, chegou, ao Brasil, o primeiro protestante: o luterano Heliodoro Heoboano,


filho de um amigo de Lutero, que aportou em São Vicente.
O protestantismo calvinista chegou ao Brasil pela primeira vez com viajantes e nas tentativas
de colonização do Brasil por huguenotes (nome dado aos reformados franceses) e reformados
holandeses e flamengos durante o período colonial. Esta tentativa não deixou frutos
persistentes. Uma missão francesa enviada por calvinistas se estabeleceu, em 1557, numa das
ilhas da baía de Guanabara, fundando a França Antártica. No mesmo ano, esses calvinistas
franceses realizaram o primeiro culto protestante no Brasil e, de acordo com alguns, da
própria América. Mas, pela predominância católica, foram obrigados a defender sua fé ante as
autoridades, elaborando a Confissão de Fé de Guanabara, assinando, com isso, sua sentença
de morte, pondo um fim no movimento. Inclusive, o padre José de Anchieta é acusado de ter
puxado a alavanca de enforcamento de um dos reverendos mortos.
Por volta de 1630, durante o domínio holandês em Pernambuco, a Igreja Reformada
Holandesa (em holandês: Nederlandse Hervormde Kerk, ou NHK) instalou-se no Brasil.
Foram fundadas 22 igrejas protestantes no Nordeste do Brasil, sendo que a maior era a
do Recife, que contava inclusive com uma congregação inglesa e uma francesa. Esta se reunia
no templo Gálico, que tinha, no conde Maurício de Nassau, seu membro mais ilustre.
Segundo o professor Alderi Souza de Matos, “as igrejas foram servidas por mais de 50
pastores (‘predicantes’), além de pregadores auxiliares (‘proponentes’) e outros oficiais.
Havia também muitos ‘consoladores dos enfermos’ e professores de escolas paroquiais”. A
Igreja Cristã Reformada batizou índios, lutou por sua libertação e pretendia traduzir a Bíblia
para o tupi e ordenar pastores indígenas. Esse período se encerrou com a Guerra da
Restauração portuguesa. Quando não houve mais condições de manter Recife, o Nordeste foi
devolvido a Portugal. Terminava, assim, a missão cristã reformada, impossível sem a proteção
de um país protestante.
Brasil monárquico

Neste período imperial ocorreu à inserção definitiva do protestantismo no Brasil. Nessa fase,
predominou o protestantismo de imigração e o início de atividades missionárias,
principalmente de organizações britânicas, americanas e germânicas. Entretanto, o
protestantismo dessa época viu-se limitado pela constituição imperial de 1824 que, apesar de
dar liberdade de culto, reconhecia o catolicismo como oficial. Dessa forma, as perseguições
veladas ou consentidas pelo Estado tornaram difícil o enraizamento do protestantismo ao
largo da sociedade brasileira do século XIX.

As primeiras igrejas com atividade contínua chegaram ao Brasil quando, com a vinda da
família real portuguesa para o Brasil e a abertura dos portos a nações amigas por meio
do Tratado de Comércio e Navegação, comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja
Anglicana no país, em 1811. Seguiu-se a implantação de outras igrejas de imigração: alemães
trouxeram a Igreja Luterana, em 1824, imigrantes americanos trouxeram a Igreja Batista (em
1871) e a Metodista, e também a Igreja Adventista, em 1890. Os missionários Robert Kalley e
Ashbel Green Simonton trouxeram as Igrejas Congregacional (em 1855) e Presbiteriana (em
1859), respectivamente, estas voltadas ao público brasileiro.
Seguiram a implantação de igrejas de imigração: alemães trouxeram o luteranismo em 1824.
A primeira comunidade luterana foi a de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro organizada
em 1824 por Friedrich Oswald Sauerbronn, o primeiro pastor luterano no Brasil. O
luteranismo se estabeleceu e expandiu em solo brasileiro através da Imigração alemã no
Brasil. No Rio Grande do Sul o primeiro pastor luterano Georg Ehlers chegou com a terceira
leva de imigrantes a São Leopoldo também em 1824.
Em 1835, o reverendo Foutain Elliot Pitts foi enviado pela Igreja Metodista Episcopal,
dos Estados Unidos, com a missão de avaliar as possibilidades do estabelecimento de uma
missão metodista nas terras brasileiras. Chegando ao país com uma carta de recomendação do
então presidente americano Andrew Jackson, o rev. Pitts desembarca no Rio de Janeiro. Mais
tarde em 1836 e 1837, foram enviados o rev. Justin Spaulding e rev. Daniel Parish Kidder,
com suas respectivas famílias, para compor a missão.
Em 1855, Robert Reid Kalley, missionário autônomo escocês, fundou igrejas congregacionais
constituindo primeiro trabalho protestante permanente em terras brasileiras.

Mais tarde, em 1859, a Igreja presbiteriana foi fundada pelo rev. Ashbel Green Simonton no
Rio de Janeiro. Apesar de uma inicial desavença entre Kalley e Simonton, logo os dois
passaram a cooperar. Quando Kalley precisou partir do Brasil, providenciou a formação de
pastores brasileiros em um Seminário da Inglaterra (a Escola de Pastores do rev. Charles
Spurgeon) e, providenciou também que outro missionário independente, o batista Salomão
Ginsburg, fosse enviado para cá.

O ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873) converteu-se ao protestantismo, tornando-


se presbiteriano, e foi o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro protestante, em 1865.
Em 1871, o primeiro grupo batista se estabeleceu em Santa Bárbara d’Oeste, no estado de São
Paulo, trazida por missionários americanos. Em 1907 fundava-se a Convenção Batista
Brasileira.

A igreja Adventista do Sétimo Dia chegou ao Brasil por intermédio de publicações alemãs
enviadas para Brusque em Santa Catarina, tendo o porto de Itajaí como porta de entrada, isso
em 1884, nessa época surgiram os primeiros conversos. Em maio de 1893, Alberto B. Stauffer
chegou ao Brasil como missionário e introduziu a colportagem no país. Em 1896 organiza-se
o primeiro templo adventista em Gaspar Alto. Também em 1896, em Curitiba foi fundada a
primeira Escola Adventista no país.
Brasil republicano

O protestantismo no Brasil republicano caracterizou-se pela intensificação de atividades


missionárias estrangeiras, a nacionalização de denominações históricas e a propagação do
pentecostalismo. Nessa fase, o país passou a gozar liberdade religiosa constitucional, com
separação entre estado e religião, o que permitiu o avanço do protestantismo no Brasil.
Em 1910, o Brasil recebeu o pentecostalismo, com a chegada da Congregação Cristã no
Brasil e da Assembleia de Deus. Esta, em particular, foi trazida ao Brasil por dois
missionários suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren, e estabeleceu-se inicialmente no norte,
no Pará.
Também no início do século XX se estabeleceram no Brasil denominações evangelicalistas e
do Movimento de Santidade. Em 1922, chegou ao país o Exército de Salvação, igreja
reformada de origem inglesa, pelas mãos de David Miche e esposa, um casal de
missionários suíços. Em 1928, chegou ao Brasil à igreja Metodista Livre, desenvolvendo seu
trabalho entre japoneses, como também fez a Igreja Evangélica Holiness.

Em 1932, alguns ministros brasileiros da Assembleia de Deus devolveram voluntariamente


suas credenciais de obreiros e organizaram Igreja de Cristo no Brasil em Mossoró.
Nos anos 1950, surgiu uma nova onda do pentecostalismo, com a influência de movimentos
de cura divina e expulsão de demônios que geraram diferentes denominações: A primeira
delas a ser fundada em solo brasileiro foi a Igreja do Evangelho Quadrangular (inicialmente
fundada com o nome Igreja Evangélica do Brasil) em 15 de novembro de 1951, na cidade
paulista de São João da Boa Vista, trazida pelos missionários Harold Edwin Williams e Jesus
Hermírio Vásquez Ramos, que se instalaram inicialmente na cidade mineira de Poços de
Caldas. Por influência desta, muitas outras surgiram tais como: Igreja Pentecostal O Brasil
para Cristo fundada pelo já falecido missionário Manoel de Mello, que pertenceu ao
ministério Quadrangular. Em 1962 surgiu a Igreja Pentecostal Deus é Amor, fundada pelo
missionário David Miranda.
Também nesta época várias igrejas protestantes que eram tradicionais adicionaram o fervor
pentecostal, como exemplos, a Igreja Presbiteriana Renovada, a Igreja Cristã Maranata,
a Convenção Batista Nacional.
Pentecostalismo e neopentecostalismo

Em 1910, o Brasil recebeu o pentecostalismo, com a chegada da Congregação Cristã no


Brasil (1910) e da Assembleia de Deus (1911). A partir de 1950, o pentecostalismo
transformou-se com a influência de movimentos de cura divina que geraram diferentes
denominações, tais como a Igreja “O Brasil Para Cristo” e a Igreja do Evangelho
Quadrangular. Nessa época, algumas denominações protestantes que eram tradicionais
adicionaram o fervor pentecostal, como exemplo, a Convenção Batista Nacional e a igreja
Presbiteriana Renovada e Igreja Cristã Maranata, ambas surgidas a partir da Igreja
Presbiteriana do Brasil.[carece de fontes] Na década de 1970, surgiu o movimento
neopentecostal, com igrejas mais secularizadas, padrões morais menos rígidos, e ênfase
na teologia da prosperidade, como a Igreja Universal do Reino de Deus. A partir dos anos
1980, surgiram igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta, trazendo um
discurso ainda mais liberal quanto aos costumes e menos ênfase nas manifestações
pentecostais.
Nas últimas décadas, o protestantismo principalmente as
igrejas pentecostais e neopentecostais tem ganhado muitos adeptos, sendo o segmento
religioso com maior índice de crescimento. A maioria das igrejas protestantes estão presentes:
no Paraná, Rio Grande do Sul (descendentes de alemães, que trouxeram a Igreja Luterana,
maior grupo religioso da Alemanha até os dias de hoje), nas grandes capitais do sudeste, como
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (onde as igrejas batistas têm grande espaço),
Goiânia e Brasília (onde a igreja Sara Nossa Terra têm grande percentual da população). Os
protestantes estão em número bastante significativo nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e em toda a região centro-oeste.