Você está na página 1de 5

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Graduação em Relações Internacionais

Maicon Taynan Luiz


Marianny Franco

EXPORTAÇÃO DE CERVEJA ARTESANAL PARA A CHINA

Poços de Caldas
2018
EXPORTAÇÃO DE CERVEJA— CHINA
A empresa selecionada para o trabalho se chama Quinta do malte, sua sede é situada na
cidade de Socorro, no interior do estado de São Paulo. Esta cidade pertence ao circuito das
águas paulistas e fica a aproximadamente 134 km da capital. O foco da empresa é produzir
cerveja de alta qualidade e atender o público que demanda uma cerveja mais elaborada e
diferente das que são comumente vendidas no mercado. Sendo assim, a Quinta do Malte busca
atender as novas tendências do mercado cervejeiro no brasil, focando no requinte de quem
busca uma cerveja de alto padrão e na variedade de produção das cervejas mais apreciadas no
setor das cervejas artesanais. Nesse sentido, a Quinta do Malte tem em sua linha de produção
as cervejas: TAIPAN, KRAIT, RUBRA, MAMBA E ADVENTURE LAGER.
Visto a empresa, parte-se para a identificação de possíveis mercados para a exportação
da cerveja. A princípio, os países da América Latina foram cogitados para serem os possíveis
receptores, entretanto, na região existe um padrão de produção de cerveja similar ao brasileiro
e que supre, em certa medida, as demandas desses países. Além disso, o continente como um
todo não vem passando por um bom momento econômico, como por exemplo, Argentina,
Uruguai, Venezuela, Bolívia, entre outros, o que limita o poder de compra do consumidor e a
lógica se reaplica ao importador que acaba por não ter poder de compra. Consequentemente, a
América do Norte também foi pensada como potencial mercado, mas Estados Unidos e Canada
produzem cerveja o suficiente para consumir e até mesmo exportar. Deste modo, é possível
observar a Europa como palco de exportação e até foram encontrados possíveis parceiros,
todavia, há de se ressaltar o quão difícil seria ter que concorrer com países como Irlanda e
Alemanha, que são grandes produtoras de cerveja de alta qualidade, conseguem produzir a um
preço muito menor do que no Brasil e ainda gozam de acordos comercias que beneficiam o
comércio na União Europeia. Além de que o fator da proximidade favorece o transporte, assim
como nas demais localidades próximas a Europa. A exportação para a Rússia também foi
excluída, pois os russos consomem majoritariamente bebidas de alto teor alcoólico e, sobretudo,
vodka.
Nessa perspectiva, averiguou-se que o mercado Asiático poderia ser um passível
receptor da cerveja artesanal. Logo, a China como país mais populoso da região emergiu como
neste cenário, visto que possivelmente haveria uma elite consumidora dada a variedade de
gostos que se pode encontrar dentro de uma sociedade. Então, partiu-se para o estudo do país e
nele foram encontradas as explanações que virão adiante.
Devido ao aumento da renda per capta da população chinesa e o processo de
urbanização do país, a China aumenta cada vez mais, um grande mercado consumidor de
produtos agrícolas e alimentícios. As perspectivas para as importações são promissoras, tanto
para as demandas em commodites como para os produtos processados. O aumento da renda
também contribui para o crescimento da classe média chinesa, um grupo crítico para o consumo
de alimentos importados de maior valor agregado (APEX-BRASIL, 2014 p.6).
A cerveja é o produto mais consumido pelos chineses em termo de volume, atingindo
aproximadamente os 50 bilhões de litros. Para que possamos entender melhor o perfil do país
para o mercado, propomos compreender que o público homem é o maior responsável pelo
sucesso do produto no território chinês. O consumo entre jovens, adultos, homens ou mulheres,
está aumentando devido a melhoria na renda e mudanças no estilo de vida e influência ocidental
cada vez mais frequente. O crescimento do entendimento sobre a formulação do produto
também aumentou o consumo de cerveja e apesar das Cervejas artesanais ainda não serem
muito comuns na China, já é possível encontrar este tipo de bebida em grandes cidades como
Pequim e Xangai. (APEX-BRASIL, 2014 p.8).
O principal produto no mercado é a cerveja do tipo lager. Entretanto, com o aumento
da renda disponível dentre a população chinesa, os consumidores passaram a migrar para o
consumo de cervejas lager de maior qualidade, como a tradicional e a premium (APEX-
BRASIL, 2014 p.9). Mas no que se refere a cervejas artesanais é possível denotar um
crescimento desde 2014. O grande interesse do mercado chinês para o aparecimento de cervejas
artesanais tem como principal consequência o aumento de estrangeiros no país e também pelo
interesse que vem sendo demonstrado por parte de muitos consumidores chineses dos grandes
centros urbanos. As regiões Leste e Norte e Nordeste são as principais consumidoras de cerveja
na China e juntas tem participação de aproximadamente 60%. Em seguida, tem-se as regiões
Central e Sul com participações de 15,9% e 14,5%. Graças ao rápido desenvolvimento
econômico da região do Leste da China, muitos consumidores possuem uma boa capacidade
financeira, o que os torna mais dispostos a comprar produtos de maior qualidade e valor. O
chope é uma tendência emergente na região (APEX-BRASIL, 2014 p.10).
As cervejas premium, tanto nacionais quanto importadas, têm ganhado mais adeptos
entre os moradores de áreas urbanas. E neste caso, percebe-se a grande penetração de marcas
estrangeiras, porém devido a sua grande diversidade, verifica-se que não há fidelidade dos
consumidores a marcas em específico. Além disso, devido as flutuações extremas de
temperaturas entre as estações nessa região, o consumo de cerveja atinge altos níveis entre os
meses de maio e outubro, porém caem consideravelmente entre os meses de inverno. Dada a
grande densidade populacional da região Central da China há um grande potencial de aumento
das vendas de cerveja nos próximos anos (APEX-BRASIL, 2014 p.14).
Quanto ao Incoterm, sugeriria o DDP - Delivered Duty Paid - Entregue Direitos Pagos.
O vendedor cumpre os termos de negociação ao tornar a mercadoria disponível no país do
importador no local combinado desembaraçada para importação, porém sem o compromisso de
efetuar desembarque; o vendedor assume os riscos e custos referentes a impostos e outros
encargos até a entrega da mercadoria; este termo representa o máximo de obrigação do
vendedor em contraposição ao EXW. Mas este, assim como o modal, dependeria da
negociação. E a forma de pagamento seria a carta de crédito, pois é a forma de pagamento mais
segura. (BANCO DO BRASIL,2017, p.3)
O modal proposto seria o aéreo, este modal é sempre preconizado quando o objetivo é
entregar com maior rapidez e quando um produto tem o conteúdo ou embalagem mais sensíveis.
Entretanto, dependendo do intuído do exportador e do importador seria possível utilizar o modal
marítimo e HS é 2203.00 que se refere a cervejas de malte.
No que tange as especificações técnicas, além da documentação básica: proforma,
commercial invoice, packing list, certificado de origem; a china demanda um registo na AQSIQ
(General Administration of Quality Supervision Inspection and Quarantine). A legislação
chinesa obriga a que todos os exportadores e importadores de alimentos e bebidas para a China
estejam registado nesta entidade, a AQSIQ. Além de deter consequentemente a Business
License e registrar o produto e da embalagem de acordo com a organização supracitada, que
neste caso seria GB10344-2005 – General Standard for the labelling of pre-packaged alcoholic
beverages. (MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES,2017, p.98)
Para fazer negócios com sucesso na China é preciso entender a cultura do povo chinês
e suas implicações para as relações comerciais. A paciência é um aspecto importante e
necessário para muitos compromissos com homens de negócio na China, pois é essencial para
estabelecer os níveis de confiança e respeito mútuo esperados, que serão benéficos nas tratativas
futuras das empresas brasileiras. “Status” e hierarquia são extremamente importantes, mas
também são valorizados a energia jovem e o ímpeto que caracterizam os empreendedores
chineses das últimas décadas. É necessário seguir algumas regras de conduta ao encontrar-se
com chineses no contexto dos negócios. Algumas podem parecer estranhas, mas o respeito a
esses “ritos de passagem” não é difícil e sinaliza uma apreciação da cultura chinesa, que não
passará despercebida. (MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES,2017, p.131)
Sendo assim, é necessário gastar tempo para conhecer seus parceiros chineses, buscando
estabelecer uma relação de confiança e valorizando os pequenos gestos (por exemplo,
presentes, reuniões sociais). As redes de conhecimento pessoal são consideradas fundamentais
– as empresas brasileiras devem saber cultivá-las. Uma presença pública respeitável é
importante na China e, por esse motivo, é aconselhável que os empresários brasileiros nunca se
deixem levar pela irritação nem se comportem de forma emocional. Ao contrário, as trocas
entre pessoas deverão passar sempre dentro de padrões controlados de emoção e ação, nunca
chegando a extremos. Ademais, é importante que as empresas brasileiras entendam o papel do
Estado e do Partido Comunista Chinês na economia do país. Empresas brasileiras podem
encontrar-se em competição com grandes estatais e terão que lidar com o Estado em vários
níveis na China e as empresas brasileiras também precisam notar cuidadosamente as formas de
investimento estrangeiro estimuladas, restritas e proibidas e manterem-se sempre atualizadas a
esse respeito. (MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES,2017, p.131)

REFERÊNCIAS:
APEX-BRASIL. Oportunidades para a Indústria Brasileira de Cerveja na China. 2014.
Disponível em: < http://www.apexbrasil.com.br/Content/imagens/63f2e67c-c202-4079-
ae04063649f65bf0.pdf?fbclid=IwAR3lSqdFXk_z0cB09qGIIdXKJeoLHLNzQqrKp7N5vkse
Ft2TvThoTD_lTY4> Acessado dia: 14/11/2018.

BANCO DO BRASIL. Termos Internacionais de Comércio (INCOTERMS). 2017.


Disponível em: < https://www.bb.com.br/docs/pub/dicex/dwn/IncotermsRevised.pdf>
Acessado dia: 14/11/2018

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. COMO EXPORTAR PARA A CHINA.


2017. Disponível em:< https://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/Pequim/pt-
br/file/CEXChina-2017-%20vers%C3%A3o%20final.pdf> Acessado dia 15/11/2018