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ABORDAGEM INTERACIONISTA COGNITIVISTA:

A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE PIAGET

1- QUEM FOI JEAN PIAGET?


Piaget nasceu em 9 de agosto de 1896, na Suíça. Foi psicólogo do
desenvolvimento e, anteriormente, biólogo. Estudou na Universidade de
Neuchãtel e doutorou-se em Ciências Naturais em 1918, quando deixou
Neuchãtel à procura de treinamento e experiência em Psicologia,
imbuindo-se da idéia de que a biologia poderia estar relacionada ao
desenvolvimento epistemológico do ser humano.

2. ABORDAGEM PIAGETIANA À INTELIGÊNCIA:


· Conceito de inteligência: a pessoa inteligente é aquela que tem:
capacidade para aprender, para resolver problemas, para adaptar-se a
situações novas, para ajustar-se ao ambiente, para estabelecer relações,
para compreender, para inventar, ter rapidez na interpretação. É preciso
levar em consideração as situações e o ambiente em que o indivíduo se
encontra.
· Para Piaget, a inteligência desenvolve-se através da relação entre
sujeito-objeto, chamada por ele de interação. O sujeito constrói
gradualmente sua inteligência e seus conhecimentos através da ação
constante e recíproca com seu meio.
· A ação funciona como sendo algo que supre uma necessidade causada
pela falta de equilíbrio entre o sujeito e o ambiente. Essa troca entre
sujeito e ambiente envolve a afetividade e, é claro a cognição. A cognição
e a afetividade complementam o processo de formação dos
conhecimentos.
· Existem duas formas de conhecimento:
· FÍSICO: ligado às ações físicas, onde o sujeito age sobre os objetos
(prende-se à natureza dos objetos explorados);
· LÓGICO-MATEMÁTICO: ligado às ações lógico-matemáticas, onde o
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sujeito enriquece os seus conceitos com novas propriedades e
relações (ultrapassa a simples exploração, ação intelectual).
· O processo de construção da inteligência dá-se a partir de dois
aspectos:

1. FUNCIONAL: são as características biológicas e hereditárias, sendo estas


invariantes no decorrer da vida. É este aspecto que caracteriza sua
abordagem teórica enquanto Embriologia Mental. " A inteligência traz uma
marca biológica, e este marca define suas características essenciais."
(PIAGET, 1972). A inteligência, então, parte inicialmente de processos
orgânicos. Divide-se em:

1.1 Hereditariedade Específica: estruturas biológicas propriamente ditas, que


determinarão as percepções mentais de cada indivíduo. Esta hereditariedade
pode facilitar ou dificultar a aquisição do conhecimento.

1.2 Hereditariedade Geral: herdamos algo que nos permite superar as


limitações biológicas. Temos uma dotação biológica que pode servir como
obstáculo ao nosso progresso intelectual, porém temos um "algo mais" que
faz com que superemos tais obstáculos, em direção à realização intelectual,
que também é inerente ao ser humano. Não herdamos estruturas cognitivas
prontas, e sim uma maneira individual para atuarmos no ambiente, que se
desenvolverão a partir do próprio funcionamento intelectual.
Tal funcionamento possui elementos fundamentais e invariantes:

1.2.1- ORGANIZAÇÃO: são as estruturas intelectuais, que diferem em


estágios de desenvolvimento. Depende de ações intelectuais e da dotação
biológica.

1.2.2. ADAPTAÇÃO: é a busca de comportamentos mais adaptativos,


impostos pelo ambiente físico e social, através do rompimento do equilíbrio.

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Possui os seguintes processos complementares:
* ASSIMILAÇÃO (solucionar novo situação a partir de estruturas mentais já
formadas);
* ACOMODAÇÃO (modificação de estruturas antigas para dominar a nova
situação).

2. ESTRUTURAL: possui os seguintes elementos

2.1. Mudanças Evolutivas: para que haja o desenvolvimento pleno do ser


humano, como também sua evolução, é indispensável um constante
processo de equilíbrio - desequilíbrio - equilíbrio.

2.2. Estruturas Cognitivas: são os chamados ESQUEMAS, ou seja,


instrumentos de aprendizagem e troca do sujeito com o meio. É um padrão
interno adquirido pela experiência; representação abstrata dos elementos
essenciais da experiência. Composto de representações, que resultam da
exposição a eventos, a partir da interação , surgindo unidades estruturais
básicas de pensamento e ação. No início são contínuas, sendo construídas
pouco -a- pouco, determinando a progressão dos conhecimentos numa
complexidade crescente, possibilitando a organização cognitiva. Embora
sejam construídas a partir das ações intelectuais, sua gênese encontra-se no
funcionamento biológico, mais precisamente no sistema nervoso.

3. PERÍODOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO


É importante salientar que a inteligência relaciona-se com a adaptação
psicológica ao meio. O ato inteligente envolve, portanto, a execução de
comportamentos complexos, que podem ser variados em função da situação
ambiental. Inteligência refere-se à possibilidade de variar as formas, as
maneiras de ação em vista de um objetivo. Para tanto, o sujeito precisa de
estruturas cognitivas capazes. Os períodos que Piaget estudou e elaborou
em sua teoria relacionam-se exatamente com o desenvolvimento dessas

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capacidades.

3.1. PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR (O-2 anos): recém -nascido dispõe de


reflexos hereditários, aos quais vão se acrescentando, a partir da exploração
do meio, adaptações que serão repetidas, fixadas e adquiridas.

3.2. PERÍODO PRÉ-OPERACIONAL (2-7 anos): sujeito passa a captar seu


mundo, através de sucessivas adaptações, na busca da manutenção da
harmonia (processo de equilíbrio-desequilíbrio). Começa a atuar com mais
lógica e coerência. Quanto ao funcionamento intelectual, este desenvolve
estruturas cognitivas cada vez mais complexas. O pensamento, nessa fase,
possui as seguintes características:
· · Equilíbrio
· Justaposição
· Transdução
· Sincretismo
· Irreversibilidade
· Centração
· Realismo intelectual
· Animismo
· Artificialismo

3.3. PERÍODO OPERACIONAL CONCRETO (7-12 anos): incremento do


pensamento lógico. Aparecimento de atitude crítica em lugar da tendência
lúdica do pensamento. Capacidade de realizar operações mentais complexas
e reversíveis (à toda operação racional corresponde uma operação simétrica
que permite o retorno ao ponto de partida). A criança passa de um estado de
indiferenciação, de desorganização do pensamento, para uma compreensão
lógica e adequada da realidade, percebendo-se como um indivíduo entre
outros, como um elemento de um universo, que gradativamente passa a
estruturar-se pela razão.

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3.4. PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS (12 anos em diante): formação de
esquemas conceituais abstratos. Indivíduo interage com toda a sociedade e
torna-se capaz de agir sobre ela e modificá-la, atingindo, portanto, a
maturidade.

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