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TENDENCIAS

Neutros

Os personagens Neutros possuem uma frieza que não podemos chamar de maldosa, mas
prática. Com sua lógica apurada, os personagens deste tipo têm uma capacidade de entender o
seu redor e de que forma eles precisam ‘se adaptar’ ou agir para que possam chegar a um ponto
específico de sua escolha. Segundo o Livro do Jogador de D&D 3ª edição “um personagem
Neutro sempre faz o que lhe parecer ser uma boa ideia”.

O entendimento do que está acontecendo ao seu redor é muito mais importante do que uma
posição que tome. Naturalmente ao entender o seu redor, o personagem neutro se posiciona e
exerce o papel que achar mais apropriado. Por essa noção eu discordo quando se diz que um
personagem Neutro possui uma falta de convicção para com um compromisso. Acho que na
realidade o personagem Neutro tem essa posição por convicção sim e como uma escolha
consciente.

O personagem deste alinhamento vê as coisas como organizadas em uma lógica que não pode,
ou não deve ser alterada. O equilíbrio deve ser mantido e para isso qualquer ação sua é
justificável. Em resumo, ele faz o que é necessário para continuar onde está ou para chegar à
sua meta.

Assim, a postura de um personagem Neutro não pode ser vista como mecânica, mas sim como
uma postura lógica. Ele irá proteger a si próprio e as suas convicções, assim como seus aliados
(mesmo que de momento) para manter o ‘equilíbrio’ em que está inserido.

Ele irá ter um comportamento agradável com seus aliados e ríspido com seus adversários. Mas
ao mesmo tempo ele não irá ter ações desse tipo para com aqueles que não lhe dizem respeito.
Ele não se compadecerá de indivíduos que sofram algum mal se esses indivíduos não fizerem
parte de seu grupo que mantém o ‘equilíbrio’ ou seu interesse. Essa postura não pode ser
considerada como maldade, mas apenas como algo que não lhes diz respeito.

“Se alguém estiver em necessidade, eles vão pesar as opções das potenciais recompensas e
perigos associados. Se um inimigo estiver em necessidade, eles vão ignorá-lo ou tirar proveito
da situação. ”

Se formos mais além vamos chegar à conclusão de que personagens Neutros são, em última
análise, imprevisíveis. Sua imparcialidade descompromissada lhes deixa imunes a qualquer tipo
de problema por tomar posição sobre qualquer assunto, ao mesmo tempo que, quando tomam
uma posição, não sofrem por mudar de lado ou opinião.

Abaixo listo algumas ações de personagens Neutros:

- O personagem Neutro não evitará atacar um inimigo desarmado, se isso se mostrar


necessário.

- Ele pode usar tortura para extrair informações, mas nunca sentindo prazer.

- Ele não matará por prazer, mas para defender a si ou a outros.

- O personagem Neutro ajudará pessoas com necessidades, se isso for de seu interesse.
- Ele não se importa de ser mandado por uma autoridade até que essa autoridade use a lei
para dificultar sua vida ou seus interesses.

- Eles são indiferentes aos conceitos de autodisciplina e honra, à não ser que isso fosse útil
para seus interesses.

Caótico Neutro

Em uma frase poderíamos dizer que aqueles que estão dentro deste alinhamento seriam
personagens que seguiriam seus caprichos. Ele é um individualista que valoriza sua liberdade,
não dando tanta importância assim para a liberdade dos outros. Não possuindo respeito pela
autoridade estabelecida ele, à sua vontade, não aceita tradições ou restrições. Mas não se
enganem, pois ele não é mau já que suas motivações estão fora do eixo bom-mau. Ele não faz
isso para ir de encontro à vontade de outros simplesmente, mas apenas para manter sua
‘liberdade’.

Como um Caótico Neutro lida com o bem e o mal? Para ele são apenas braços de uma balança
onde o equilíbrio seria a sua vontade. São secundários. Não há preferências, mas sim satisfação
própria de estar em liberdade. Sua visão de bem e mal não entram em conflito com sua moral,
pois para ele a vida é em si sua própria lei e ordem, ou em outras palavras, ‘as coisas são como
são’.

Personagens deste alinhamento podem ser considerados difíceis de se lidar. Aparentemente


eles são imprevisíveis, pois nem sempre os outros sabem suas verdadeiras vontades, mas esse
comportamento não é verdadeiramente aleatório. Eles são capazes de trabalhar junto com o
bem, o neutro ou com o mal, mas sem se poluir totalmente com nenhum deles, desejando
apenas a melhor oportunidade para si. Mas ao mesmo tempo podem trocar de um lado pelo
outro quase que como troca de roupa.

Seu comportamento o fará não se importar com o que os outros sofrem, mas necessariamente
ele não irá escolher prejudicar ou beneficiar os outros sem uma justificativa em seu favor. Por
essa suposta inconstância um personagem caótico neutro pode agir como se fosse de uma outra
tendência, mas isso ocorre apenas por um certo tempo e se for no benefício de sua liberdade
de fazer o que deseja. Ele pode ter um coração gentil e ajudar os outros, mas não se sentirá
comprometido com essas pessoas e o fará, na grande maioria das vezes por um fim ligado á sua
liberdade de pensar e agir. Fama e riqueza não podem ser considerados estímulo para eles, pois
seus desejos vão muito além.

Caóticos Neutros não são considerados violentos, mas não deixarão de usar a intimidação e a
violência não-letal para atingir seus fins. Ao mesmo tempo ele poderá atacar um oponente
desarmado ou mesmo um inocente se isso se mostrar necessário. Isso pode incluir inclusive a
tortura, mas sem prazer, para conseguir informações importantes. Ele racionalizará e executará
a tortura.

Algumas ações que podem ser consideradas ‘honrosas’ para um personagem Caótico Neutro:

- Luta suja;

- Fugir de uma batalha em que está em desvantagem;

- Humilhar um oponente para ganhar uma luta;

- Provocar um inimigo;
- Ser considerado uma pessoa de espírito livre.

Leal Neutro

“Um personagem Leal e Neutro se comporta de acordo com a lei e a tradição, ou é dirigido por
um código de conduta pessoal. ” Para ele ordem e organização são fundamentais, em um nível
pessoal, e seguir uma conduta; ou em nível geral, e servir à um governo. Não importa quais das
opções, Ele esse adequará àquela que melhor responder seus anseios.

Mas mesmo assim não é tão fácil de lidar com ele quanto parece (como com qualquer
alinhamento). Ao mesmo tempo que podemos lidar com um personagem deste alinhamento
como uma pessoa honrada e de confiança, ele pode tornar-se um problema se atentarmos
contra qualquer um de seus pressupostos. Essa dualidade pode ser explicada pelo fato de que
em suma, para membros deste alinhamento, bem e mal, são faces irrelevantes da mesma
moeda cuja função é simplesmente a regulação do universo em prol de um propósito que ele
segue ou prega.

É fácil de entender então porque podemos ligar personagens deste alinhamento com membros
de um governo que, embora não sejam fanáticos, mantém suas obrigações para com eles sem
questionar por completo suas ações. A noção de justiça não esbarra em sua firmeza em cumprir
ordens e manter a ‘lei’ e ele não a questionará. Em sua mente ele raciocinará – “se é a lei e se o
governo à impõe, então deve ser cumprida”. Mesmo seu bem-estar não importa se para isso
tenha de manter a lei. E quando ocorre de um questionamento, por meio de um personagem
deste alinhamento, ele necessariamente seguirá os meios legais e oficiais para questioná-la, mas
apenas em último caso. Ele será reticente enquanto tiver forças ou provas para isso. Em hipótese
alguma ele se valerá de ações ‘revolucionárias’ para questionar a lei.

A família também é ótimo elemento para um personagem deste alinhamento ser observado. Ele
manterá à todo o custo a tradição da família e seguirá as orientações do membro mais
respeitável e tradicional (o mais velho ou mais sábio, desde que seja aquele que mantém a
ordem familiar).

Por todo esse ‘código’ seguido por eles para manter a ‘lei’, por assim dizer, os transformam em
pessoas extremamente respeitosas frente àqueles que dividem o espaço com ele (grupo,
organização, governo ou nação), sejam figuras de comando acima dele ou subalternos. Lucros
pessoais não valem de nada para ele, psicológicos ou materiais.

As interpretações de personagens deste tipo são difíceis no sentido de que eles são
extremamente verdadeiros no sentido de que preferem não mentir. Para eles, se estão fazendo
uma tarefa ‘legal’ não têm por que mentir. Outra dificuldade é que se possível eles não atacarão
um inocente, pois isso feriria seu código, mas ao mesmo tempo eles podem atacar um inimigo
desarmado se isso for uma necessidade de mente-lo seguindo ‘a lei’. Mesmo a tortura não será
questionada por ele se o fim for o de uma necessidade oficial. Não por menos que ele será o
preferido das organizações e governos por sua fidelidade e disciplina.

Em suas ações particulares o alinhamento também interfere de forma peculiar. Não espere que
um personagem Leal e Neutro jogue sujo em uma luta, pois isso feriria, em última análise, as
regras do combate. Nem ao menos imagine que ele vá se recusar à um duelo. Se ele for acusado
de um crime ou preso, principalmente se for inocente ele usará de todos os meios ‘lícitos’ para
limpar sua honra. Apenas se valerá de meios ‘ilegais’ se o fim se justificar em um bem maior.
Mas se ele for culpado, mesmo que sem intenção, ele se colocará à disposição da lei e de suas
penalidades.

Neutro Mau

Normalmente ligado à vilões (ou heróis peculiares) podemos dizer em poucas palavras que ele
fará tudo o que estiver em seu alcance para escapar. Além disso, ele não derramará lágrimas
por aqueles que mata, visando sempre o lucro que lhe cabe em cada caso. Ao mesmo tempo ele
não aparece como um lunático malévolo que age de forma inquieta e sempre visando a maldade
como fim. Ao contrário, ele age, embora não se veja seguindo a ordem ou as leis, com calma,
mas sempre visando seu benefício através do malefício à alguém.

Em última análise podemos dizer que eles chegam a fazer o mal por uma questão de ideologia
em seu benefício. Isso se encaixaria muito bem com personagens movidos pela fé à deuses que
tenham este tipo de visão. Não imagine vê-los derrubando um governo corrupto ou violento por
simpatia à população, mas apenas porque eles querem o cargo de comando.

“(...) é o alinhamento mais perigoso porque representa o mal puro, sem honra e sem variação.

Normalmente são seres ou personagens não solitários, mas isolados, pois acham que o grupo
(ou mesmo a sociedade) não tem importância frente aos seus desejos. Mesmo assim eles podem
agir junto de outros voluntariamente, mas apenas enquanto seus desejos estejam sendo
atendidos. Por seu benefício eles não se importarão em trair seus companheiros baseando sua
lealdade no valor do dinheiro e do poder. Não abrem mão de qualquer coisa que vá deixar sua
vida mais confortável.

“Este mal é um neutro sem escrúpulos (...) Esta pessoa vai mentir, enganar e matar qualquer um
para tingir seus objetivos pessoais. ”

A própria lei pode ser usada por eles. Se precisarem usá-la para seus fins eles a usarão, se
precisarem burlá-la, facilmente também o farão. Eles simplesmente não têm importância por
um ou outro caminho, eles as veem como simples ferramentas à serem utilizadas ao seu bel
prazer. Da mesma forma ele não se sente na obrigação de manter sua palavra a ninguém e à
nenhuma causa.

Seu valor pela vida é medido pelo seu interesse. Ele matará inocentes ou merecedores com a
mesma facilidade para manter seus interesses ou seu caminho rumo ao poder e lucro. Mesmo
a tortura será aplicada por ele sem nenhum problema moral por sentir prazer em realizá-la,
desde que o fim seja sua promoção ou uma boa recompensa. Por sinal este pode ser um ótimo
modo de colocar um Neutro Mau na linha – a recompensa. Esta é uma das grandes fontes de
aventuras em RPG e por isso mesmo pode ser o elo mais forte entre ele e o grupo de
aventureiros.

Alguns adjetivos podem ser ligados à personagens deste tipo tais como insensível, indiferente,
egoísta, indelicado, elitista, presunçoso, autossuficiente, cruel e imoral.

Você não verá um personagem deste alinhamento deixar de ser desagradável se isso for de
benefício dele; ele também não mostrará misericórdia contra um oponente inferior, mas
claramente poderá pedir misericórdia se estiver em desvantagem para poder tirar proveito
disso; ele não manterá sua palavra se seus interesses não forem mais atingidos; ele não fará
sacrifícios pessoais por outros sem que ele não ganhe muito com isso.
Ao mesmo tempo será, digamos, honroso para personagens deste tipo: derrotar alguém
superior a ele; dar um golpe de misericórdia em alguém indefeso; lutar de forma suja; fugir de
uma luta em que esteja em desvantagem; fazer zombarias à um adversário; aceitar suborno.

Jogar com este tipo de personagem é um problema se o desejo for manter o grupo unido ou se
índole dos negócios do grupo for boa. Rapidamente, se bem interpretado, haverá brigas e rachas
no grupo.

Leal Mau

Voltando a questão da ordem e das leis, os personagens Leais/Maus usam esses dois elementos
como suporte para seus próprios interesses, as leis servem como forma de regras o lugar de
cada um no universo e na sociedade. Assim, quando eles tencionam o poder, eles têm a noção
exata de que este poder precisa ser sustentado posteriormente, e as leis servem para manter
essa ordem. Eles se beneficiam das leis para seus interesses próprios de uma forma lúcida. Para
eles o sucesso garantido dentro da lei será muito mais duradouro e resistente, mas sempre
tendo seus interesses como fim máximo.

Personagens deste alinhamento manterão sua palavra, como já foi dito, e se possivelmente não
mentirão, embora possam omitir a verdade. A morte é vista por eles como algo dentro de uma
ordem, mas nunca será praticada, permitida ou não pela lei, por prazer. Um personagem deste
alinhamento deixará um adversário recuperar sua arma que caiu durante um combate ou
permitirá que o exército adversário recolha seus mortos para um funeral digno após uma
batalha. Ao mesmo tempo ele não verá com bons olhos ser acusado de descumprir a lei e não o
veremos fugir de uma batalha, mesmo em desvantagem, e também não irá recusar um duelo.

Podemos ter governos ou organizações com esta tendência. Se isso acontecesse eles seriam
regidos por leis bem organizadas que seriam seguidas rigorosamente pela maioria por medo de
punições severas. Essas leis têm por função, além da ordem, a manutenção do posicionamento
social mais do que da justiça em si. É um estado/organização autoritária ancorada em leis onde
a obediência é recompensada.

Leal Bom

Provavelmente um dos alinhamentos mais menosprezados dentre todos seja Leal e Bom. Quem
já não ouvi dizerem – “quem iria querer ser o bonzinho do grupo? ” Ou “quem vai querer jogar
sem poder matar à vontade? ”. Este alinhamento combina os conceitos de ordem e bondade
em níveis inquestionáveis! Será?

Um personagem deste alinhamento acredita na bondade inerente a todos os seres. Muitas vezes
este alinhamento é considerado perfeito quando descaradamente exagerado e este estereótipo
acaba por prejudicar seu uso nos jogos. Bons, honestos, verdadeiros e lícitos são adjetivos
comuns para esses personagens. Mas não podemos nos esquecer nunca que qualquer um dos
alinhamentos são categorias gerais, uma simplificação, e por isso mesmo devem servir como
parâmetro e não como regra implícita. Um personagem Leal/Bom pode parecer um alinhamento
difícil de defender, mas é preciso lembrar (principalmente os mestres) que personagens deste
alinhamento não são necessariamente ingênuo ou irrealista. Leais e bons não vão honrar uma
lei que vai de encontro ao seu alinhamento.
Podemos dizer que este alinhamento tem três linhas diretivas para seus personagens e seguir
qualquer uma delas não o desqualifica:

- Lei antes de Bondade: como todo personagem deste alinhamento ele enfrenta um dilema
entre fazer o que for bom ou fazer o que for certo. Um personagem deste alinhamento segue
sempre as leis e é, essencialmente, uma pessoa boa que nunca penderá para o lado do mal. Mas
é em momentos de crise? Nesses momentos extremos ele seguirá a lei e enfrentará o mal com
todas as suas forças, pois sabe que isso é que irá salvar os inocentes. Um personagem desta
linha fará o que for necessário, lógico que nunca sacrificando alguém, mas fará o necessário.

- Bondade antes da Lei: este é exatamente o inverso da linha apresentado acima. De igual
apenas o dilema, mas ao contrário. Quem não lembra das crises existências de Clark Kent no
seriado Smallville? Nos momentos de crise um personagem desta linha não pensará duas vezes
em deixar o ‘chefão’ fugir se isso trouxer algo de bom, como salvar a vida de alguém.

- Equilíbrio: este é o verdadeiro dilema neste alinhamento. Como um personagem consegue


lidar com os dilemas anteriores – bondade antes da lei ou lei antes da bondade? Parece muito
complicado, mas na realidade é a forma mais fácil de lidar com este alinhamento. Muitos podem
achar o contrário, já que aparentemente lança o personagem naquele estereótipo exagerado
comentado anteriormente. Mas na verdade está possibilidade de equilíbrio coloca nosso
personagem no controle de suas ações se, e somente se, ele tiver a possibilidade de escolha
entre os dois dilemas.

Muitas vezes as ações neste alinhamento, principalmente quando um personagem procura uma
via mais equilibrada, são confundidas com Neutro/Bom, mas uma diferença crucial deve ser
levada em conta. Um Leal/Bom fará a coisa ‘certa’ ou ‘boa’ pois ele deve ser o exemplo daquilo
que acredita nunca indo de encontro com a sua moral. Já o Neutro/Bom fará a coisa certa, pois
deve proteger um bem maior. Pode parecer pouca a diferença, mas é crucial.

Eles estão convencidos de que a ordem e as leis são absolutamente necessárias para assegurar
que o bem prevaleça. Verdadeiros seres bons não vão querer mentir ou enganar ninguém, seja
ele bom ou mau. Mas não por isso que personagens desta tendência não matarão. Alguns
podem ficar horrorizados e subir em uma mesa gritando que isso é uma blasfêmia, mas é apura
verdade. Eles podem sim tirar uma vida quando seu oponente estiver indo de encontro aos seus
parâmetros de ordem (as ações do oponente vão de encontro à uma lei estabelecida) ou contra
seus parâmetros de bondade (as ações do oponente podem gerar uma ação má).

Em guerras paladinos estarão sempre lutando e matando contra vilões e ações opositoras que
desejam agir de forma ‘má’ contra o seu povo. Claro que esta ação de ‘matar’ não causará prazer
algum ao personagem Leal/Bom como poderá lhe trazer um certo remorso. Além disso, ele
tentará todas as alternativas antes do golpe final e mortal.

Diferenças interessantes entre o Bem o as Leis

Uma boa forma de entender a diferença entre os três tipos de alinhamento ligados ao ‘bem’ são
sua relação com códigos de conduta (ou de honra). Os três exemplos são apresentados abaixo
deixando isso claro:

Leal/Bom: quem melhor se adapta à um código de conduta, embora muitos digam que qualquer
um dos alinhamentos ‘bons’ conseguem, é o Leal/Bom. Além de ficar mais próximo do equilíbrio
esperado para este personagem, resolve alguns problemas ligados aos dilemas de como
proceder. O código adotado poderia ser tanto auto imposto, quanto codificado por uma lei.
Quando o personagem se encontra dentro de algum dilema seu primeiro impulso deverá ter
referência no código, chegando, assim, à uma resposta. Isso impõe sua consciência à norma
estabelecida. Como é descrito no Livro do Jogador D&D 3.5: “Um personagem com essa
tendência se comporta como todos esperam que uma pessoa boa o faça. Ele combina a vontade
de combater o mal com a disciplina de lutar incessantemente”. Ao mesmo tempo o Módulo
Básico de Tormenta RPG afirma: “Pessoas Leais e Bondosas fazem o que é esperado de uma
pessoa justa, respeitando a lei e sacrificando-se para ajudar os necessitados. Cumprem suas
promessas e dizem a verdade. ”

Neutro/Bom: como já é sabido, os personagens neutros não são tão afeitos à disputa entre
ordem e caos. Eles respeitam leis e autoridades, mas as podem as quebrar por um motivo que
considerem justo ou apenas para promover o bem. Algo diferente do Leal/Bom que vê o
caminho correto na manutenção da ordem (lei) onde quebrar a lei não é uma opção, mas uma
imposição de alguma circunstância. Códigos de conduta para este tipo de alinhamento não
servem muito se suas regras forem rígidas, se adequando muito mais às ordens onde as regras
estão ligadas à um certo grau de liberdade, designado por ideais ou pelo modo ‘sincero’ de agir
do personagem.

Caótico/Bom: aqui a lei não serve para quase nada frente a consciência do personagem. Um
código de conduta aqui é quase impossível já que o personagem o quebrará as regras sempre
que for necessário já que sua consciência é sua verdadeira regra e guia. Ele não aceitará que um
mero código limite sua capacidade de fazer o bem.

Neutro Bom

Este é outro alinhamento controverso e que nos leva novamente a questão se ele não engessa
em demasia quando usado por um personagem. Em poucas palavras o alinhamento
Bom/Neutro é o alinhamento da ‘doçura’ e da ‘luz’. Gostei desses termos pois eles são muito
sugestivos. Um personagem deste tipo irá cumprir as leis acima de tudo, ou pelo menos tentará
cumprir ao máximo, desde que isso beneficie o bem maior, entrando em conflito contra quem
é contra esse bem maior.

Em geral temos dois tipos de Bom/Neutro.

O primeiro são os considerados passivamente bons. Eles farão o ‘bem’ sempre que tiverem a
possibilidade disso e principalmente para aqueles próximos a ele (família e amigos), mas não
necessariamente se negarão a ajudar estranhos. Um elemento interessante é que eles não se
consideram bons, pois para eles este tipo de ação é algo natural para eles e deveria ser para
todos.

O segundo tipo é o oposto no que diz respeito à sua atitude. Embora eles tenham o mesmo
conceito com relação ao bem, eles se consideram na obrigação de agir, tal qual um ideal de vida,
uma obrigação. Para eles fazer o que é certo e é uma obrigação que vale o sacrifício de sua
felicidade pessoal. Eles desejam sair do marasmo para levar o bem a todos, além de viverem
aventuras. Eles continuam achando, como o tipo anterior, que fazer o bem é algo natural e não
uma obrigação.

Mas como é a relação deste alinhamento com a questão da ordem? Eles são neutros, como diz
o título, mas o que isso significa? Significa que eles fazem o bem sem se preocupar com a ordem
estabelecida. Eles priorizaram o bem aos outros, indiferente se isso custa atuar contra ou a favor
da ordem. Alguns dizem que este é um dos melhores alinhamentos para jogar pela falta de
respeito à ordem em benefício do que é certo. Na verdade, não uma ‘falta de respeito pela
ordem’, mas sim eles consideram que a ordem não pode ser considerada boa ou ruim, mas
apenas um instrumento que só é válido quando traz o bem.

Ao mesmo tempo, quase como um paradoxo, personagens deste alinhamento percebem que a
ordem e a lei servem para que o excesso de liberdade não acabe por trazer o malefício das
pessoas. Eles trabalharão em prol das leis e do sistema enquanto ele continuar garantindo o
bem para todos. Esses personagens farão de tudo para ficar dentro da lei, até que isso se torne
insuportável para manter o bem dos outros. Este mesmo tipo de reação os Bom/Neutros terão
com relação à verdade e mentira. Eles não se sentirão culpados em mentir para um malfeitor.

Mas mesmo com esta concepção ele não será cruel. Ele não lutará contra um adversário
desarmado e nunca irá se valer de tortura para qualquer fim.

Esses personagens não irão se impedir de tirar a vida de outra pessoa que o esteja ameaçando
e atacando. Isso acontece, pois, personagens deste tipo consideram, confiam, que sua atitude é
baseada em no que ele acha de mais correto. Por isso mesmo que em momentos de crise
extrema eles confiam em suas atitudes e em nenhum outro membro do grupo de aventureiros.
Isso está longe de ser algo parecido com a independência dos caóticos, mas sim uma crença em
seu próprio julgamento. Isso não significa que ele não sabe seguir ordens. Na verdade, ele
seguirá fielmente as ordens, até o ponto em que ela comece a não ser mais com a função do
bem dos outros.

Caótico Mau

Sendo um dos nove alinhamentos possíveis muitos o considera erroneamente o mais fácil de
utilizarmos. Mas na verdade é um dos mais difíceis. Enquanto o alinhamento Caótico/Neutro
pode ser considerado a representação do personagem de espírito livre, este alinhamento é o
puro espírito maligno, livre também, mas maligno acima de tudo. A grande diferença entre eles
que pode ser colocada na forma como chegar à esta liberdade. Os de caráter neutro não
pretendem ferir os outros para atingir a sua liberdade. Mas os de caráter mau irão fazer o que
quiserem e quando quiserem, pois, se consideram ‘livres’ para isso.

Com essa falta de limite são acertadamente considerados os mais violentos e cruéis dentre todos
os nove alinhamentos, principalmente por sua impulsividade violenta, que está ancorada em
seu desrespeito total para com as coisas ao seu redor, sejam pessoas, objetos ou instituições.
Esse desrespeito com relação aos ‘outros’ é resultado de um puro desprezo, assim como para
com a ordem e as leis. Eles apreciam a manipulação dos outros, principalmente os virtuosos e
puros, provando sua força, poder e liberdade de agir, com os outros, como preferir.

Mas mesmo parecendo que este alinhamento é uniforme, ele possui peculiaridades que
distingue muitos de seus membros dentre si. Podemos dizer que eles se dividem em quatro tipos
mais ou menos claros onde o diferencial está no peso que os campos ‘caótico’ e ‘mau’ têm no
conjunto. O primeiro deles seria o personagem onde o caótico prevalece sobre o aspecto mal e
isso cria um personagem que não necessariamente será um vilão. Ele poderá combater por
liberdade, embora valorize sua capacidade de fazer o mal além de ser, normalmente,
imprevisível, trocando de lado conforme lhe agradar. O segundo tipo é o oposto em relação aos
seus eixos moral e ético. Aqui o que prevalece é o aspecto maligno em relação ao caótico. Aqui
a maldade é exercida é realizada sem pensar nas consequências ou danos colaterais, mesmo
companheiros que se atrevam a ficar entre ele e seu objetivo, serão seu alvo.
O terceiro tipo pode ser considerado um personagem feroz por natureza onde eles mesmos se
veem como predadores em uma verdadeira selva e onde seu algoz está espreitando à todo
momento e em qualquer lugar. Com isso ele tendem a agir ferozmente sem perder tempo com
ponderações ou cálculos onde a única coisa que importa é ser forte o suficiente para levar o que
bem desejar no momento que quiser. Este seria mais um traço de conduta dentro do
alinhamento, mais do que uma variação.

O quarto tipo seria um perfeito equilíbrio entre o lado caótico e o lado mau. Esse equilíbrio
permite que eles sejam mais elaborados na construção de um plano para chegarem em seus
objetivos. Muitos consideram esse com o mais perigoso dentre todas as facetas dos personagens
caóticos/maus. Com esse equilíbrio seu desejo de liberdade e o desprezo pelos outros não se
afetam deixando com que seus planos sejam construídos e executados como se fosse um
verdadeiro jogo de xadrez.

Depois dessas quatro visões sobre os caóticos/maus podemos entender melhor da dificuldade
de interpretá-los. Ser deste alinhamento não significa sermos apenas muito mal, intempestivos
ou loucos. Ser deste alinhamento requer um certo grau de sutileza. Além disso, os quatro
caminhos sofrem de uma mesma peculiaridade que os deixam ainda mais perigosos. Um
membro deste alinhamento é incrivelmente imprevisível.

Depois destas pinceladas, e já tendo visto as outras tendências más anteriormente, onde está a
diferença específica entre elas? Não está nos seus desejos maus, se você estava imaginando
isso, mas sim no método para realizar sua maldade e na própria natureza da noção de liberdade.
Os leais/maus, que se auto obrigam a viver dentro de um código de conduta rigoroso como já
visto, terão como primeiro impulso para resolver um dilema moral confrontá-lo com este
código. Como este código poderá ser (e normalmente é) um código de interesses duvidosos a
resposta será normalmente má, mas não pela maldade em si, mas por seguirem o código. Os
neutros/maus por sua vez são, como já visto, indiferentes frente a ordem e o caos. Isso faz com
que tenham desejo único a realização daquilo que querem e vão usar todos os meios para isso.
Mas os caóticos/maus ignoram (ou dão pouco valor) as leis não por puro desprezo a elas, mas
por considerar que seus impulsos maus são seus melhores guias.

Caótico Bom

À primeira vista parece um alinhamento contraditório. Como alguém pode ser caótico e bom ao
mesmo tempo? Mas quando pensamos em critérios mais profundos podemos identificar muito
bem a beleza desta peculiaridade. Os personagens caóticos/bons são rebeldes em seu âmago
considerando-se livres para fazerem o que desejarem, principalmente para fazer o bem da
maneira que quiserem. Essa liberdade extremada pode ser evidente neles de uma forma mais
sutil, quando eles simplesmente ignoram normas sociais e leis instituídas, ou de uma forma mais
extremada, quando na forma de anarquista negam e combatem a ordem estabelecida.

Mas nunca se esqueçam que esse combate à ‘ordem’ vem de sua característica ‘caótica’. Ou
seja, eles não se colocam contrários à ordem para seu benefício próprio, mas por considerarem
que um bem maior virá com o fim daquela ordem estabelecida. Ele considera que os indivíduos
só podem alcançar a verdadeira satisfação e felicidade através da liberdade total. O ponto final,
ou quem sabe central, permanece sendo os sentimentos e necessidades dos outros. Ele faz seu
próprio caminho, mas mesmo assim, ele pode ser considerado gentil e benevolente.
Mas esse lado caótico cobra um preço do personagem. Tanto ele é contra à ordem, como já
disse, de uma forma mais sutil ou extremada, que ele acaba sendo uma pessoa isolada,
individualista, que dificilmente será visto por muito tempo com um grupo fixo de aventureiros.
Lógico que pelo bem maior ele se manterá aliado pelo tempo que for necessário.

Nas pesquisas que fiz encontrei alguns tipos de caóticos/bons que são definidos conforme o
peso que essa dualidade tem no alinhamento. O primeiro seria aquele personagem onde o viés
caótico está mais presente que o bem. Neste caso eles prezam a liberdade mais do que tudo
tanto para eles quanto para todas as outras pessoas. Mas de qualquer forma essa ‘liberdade’ é
regrada pelo desejo de fazer o bem. Isso acontece em suas mentes de uma forma considerada
natural por eles, nunca como um dever, uma obrigação. Sua visão tanto é de falta de obrigação
que eles não admitirão serem chamados de herói, nem espere que eles compareçam a uma
cerimônia de entrega de medalhas por serviços prestados.

Outro tipo de personagem deste alinhamento são aqueles onde o bem tem um peso maior que
seu caráter caótico. Aqui o ato de fazer o bem vem em primeiro lugar assumindo sim uma
postura de dever. A sua liberdade, embora fundamental, vem em segundo plano. Uma frase
interessante que li sobre essa variação é que ‘eles sentem que ser bom é o preço de ser livre’.
Desta forma eles não desconsideram as leis, as usando apenas no essencial, e se valem delas
para poderem trazer o bem e dar liberdade aos outros. Mas não esqueçam que mesmo aqui eles
não deixarão que as leis fiquem entre ele e o bem necessário de ser feito.

Um terceiro tipo seria aqueles que se dedicam à ambas as ações – bem e liberdade. Aqui o bem
leva a liberdade e a liberdade leva ao bem, segundo suas concepções. Eles lutarão por governos
mínimos ou mesmo inexistentes ao mesmo tempo que acreditam que uma sociedade que viva
com sentido no bem apenas não necessitará de um governo.

A última variação seria uma mescla entre o primeiro e o segundo tipo. Eles acreditam em fazer
o bem e em ter liberdade antes de mais nada, mas ao mesmo tempo eles sabem que não vivem
em um mundo de fantasias e que eles não têm condições de simplesmente criarem uma
sociedade utópica do nada. Eles procuram encontrar um meio termo entre o que desejam e a
realidade até que possam chegar ao ponto que tanto almejam.

Para muitos jogadores o alinhamento caótico/bom é o melhor ou o pior dos alinhamentos. Ele
pode ser o melhor, pois combina o ‘bom coração’ com um ‘espírito livre’. Ao mesmo tempo ele
pode ser o pior dos alinhamentos, pois além de atrapalhar a ordem de uma sociedade ele pode
punir aqueles que mesmo sendo bons consideram necessária a existência de uma ordem social.

Outra questão que surge seria qual a verdadeira diferença entre leal/bom, neutro/bom e
caótico/bom? É simples. A diferença deles está simplesmente no método que eles acreditam ser
o mais apropriado e correto para chegar ao seu destino. Eu já comentei isso em outra das
postagens sobre os alinhamentos.