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Armas On­Line

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Fuzís Mauser no Brasil e as Espingardas da Fábrica de
Itajubá (Rev. 2)

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UM POUCO DA HISTÓRIA

Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil não possuía nenhum arsenal ou fábrica de armas, fosse
ela  privada  ou  não,  capaz  da  produção  em  larga  escala  de  equipamentos  militares  para  suprir  a
demanda do Governo Brasileiro. O armamento aqui empregado, tanto nas Forças Armadas como nas
Polícias Militares estaduais era um misto de contratos e importações oriundo, basicamente, da França
e  da  Alemanha.    Já  naquela  época  o  mais  bem  equipado  e  armado  estado  da  então  República  dos
Estados Unidos do Brasil era São Paulo, cuja milícia denominada de Força Pública, pelo número de
homens e quantidade de equipamentos, podia ser comparada a um pequeno exército.

O Governo Brasileiro já havia efetuado vários contratos de importação de armamentos leves, mas o
mais importante deles foi a dotação do fuzil Mauser modelo 1893, no ano de 1894, em calibre 7mm X
57mm,  para  substituir  o  seu  antecessor,  o  fuzil  da  comissão  alemã  G88,  que  aliás  é  objeto  de  um
artigo  neste  site.  Posteriormente,  em  1908,  outra  grande  aquisição  do  governo  junto  à  D.W.M.
(Deutsche Waffen und Munitionsfabrik) veio se juntar à anterior, mas agora com os novos modelos
Mauser 1898, que aqui passaram a ser denominados de modelo 1908. Falaremos disso mais adiante,
com mais detalhes.

Com a federalização oriunda após a proclamação da República, os estados possuíam autonomia para
adquirirem armamento sem necessitar passar por aprovações dos arsenais federais, de forma que isso
facilitou muito a aquisição de armas diretamente dos fornecedores na Europa.

Desta  maneira,  a  Força  Pública  de  São  Paulo  também  adquiriu  grande  quantidade  destes  fuzis
diretamente da D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik, de Berlim , Alemanha. Da França, o
Governo  do  Brasil  também  importou  em  razoável  quantidade  as  metralhadoras  Hotchkiss,  onde  se
escolheu  manter,  para  essas  armas,  o  calibre  padronizado  de  7mm  X  57mm  Mauser,  o  mesmo  dos
fuzís importados da Alemanha. Na área das armas curtas, houve aquisições importantes de diversas
nações, como o revólver “D’ Ordenance Mdle. 1892”, erroneamente chamado de Lebel, os revólveres
do tipo Nagant, oriundos da Bélgica (Pieper) e da Alemanha (Simson & Son) , bem como as pistolas
semi‑automáticas alemãs Parabellum (Luger), trazidas em um lote de 5.000 peças, em 1906.

Em 16 de julho de 1934 funda‑se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de
Em 16 de julho de 1934 funda‑se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de
Itajubá,  estado  de  Minas  Gerais,  inaugurada  em  1935.  Paralelamente,  em  1939,  foi  reestruturada  a
antiga Real Fábrica de Pólvora da Estrela na cidade de Majé, estado do Rio de Janeiro, criada em 1808
na  Lagoa  Rodrigo  de  Freitas,  pelo  imperador  D.  João  VI.  Ela  funcionou  como  uma  organização
militar vinculada ao Ministério do Exército até 1975.

Em  1960  a  F.I.  chegou  a  produzir  cerca  de  50.000  pistolas  M1911A1,  sob  licença  da  Colt,  a  fim  de
suprir demanda do Exército Brasileiro. Em 1975, durante o regime militar, o governo brasileiro funda
a IMBEL, Indústria de Material Bélico do Brasil, que mantém sob sua alçada as unidades de Itajubá,
Juiz de Fora e de Magé.

Segundo  informações  da  própria  Imbel  em  seu  site,  há  indicativos  que  a  criação  desta  empresa
pública ocorreu em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo de Ernesto Geisel, do
Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial.

Com  a    sua  criação,  as  Fábricas  Militares  do


Exército  foram  transferidas  para  a  estatal,  e
com  isso,  o  setor  de  defesa,  integrado  com  as
demais  empresas  privadas  da  época,  passou  a
ser uma atividade estratégica para o país, com
uma  tecnologia  nacional  em  evolução,  que
permitiria  ao  Brasil  tornar‑se  mais
independente  na  produção  de  equipamentos
militares.

Em  1893  atravessou  período  conturbano


financeiramente  e  acabou  cedendo  sua  fábrica
de  munições,  situada  em  Realengo,  para  a
CBC.  Em  1985  fechou  um  contrato  com  a
Springfield  Armory  e  produziu  diversas  variantes  da  pistola,  chegando  algumas  delas  a  serem
adotadas pelo F.B.I. Pelo menos até o ano de 2004, a Imbel detinha 30% das ações da CBC e mantinha
uma  joint‑venture  com  as  empresas  South  America  Ordnance,  a  Royal  Odnance  e  a  Schahin
Participações, essa última de controle nacional.

Entrada da Fábrica de Itajubá, MG

Mas, voltando bastante no tempo, vamos nos posicionar quanto à dotação de armas longas efetuadas
pelo  Governo  Brasileiro  após  a  Guerra  de  Canudos.  Como  já  explorado  em  outro  artigo  neste  site,
ainda  em  1873  o  governo  havia  adotado  as  carabinas  belgas  Comblain,  que  teve  uma  longa
participação  ativa  nas  fileiras  militares  brasileiras.  Somente  em  1892  é  que  começaram  a  ser
substituídas pelos fuzís alemães modelo 88, o “Gewehr 88”, em calibre 7,92X57mm, uma vez que no
mundo todo a tendência era a de substituição de armas longas utilizando cartuchos de pólvora negra
pelos novos cartuchos de pólvora sem fumaça, em calibres mais baixos e mais velozes.

Os fuzis modelo 88 (veja artigo sobre ele, aqui no site) tiveram uma vida de serviço curta no Brasil,
devido  a  uma  série  de  problemas  ocorridos  com  a  arma  durante  a  Revolução  Federalista  e
posteriormente,  no  conflito  de  Canudos.  Em  1894,  a  Comissão  Técnica  Consultiva,  que
estranhamente já havia  deixado  de lado  a  ideia  de  adotar  as  carabinas “belgas” da Mauser modelo
1889, em favor dos fuzis 88, voltou a pensar nelas como alternativa.

Mas  a  essa  altura,  decidiu‑se  sabiamente  por  importar  algo  mais  moderno,  um  modelo  similar  ao
fuzil  que  já  era  utilizado  na  Espanha,  e  que  chegou  por  aqui  como  sendo  o  Mauser  modelo  1893,
denominado de mod. 1894 em virtude de que a maioria deles vieram com suas câmaras datadas com

este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos
este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos
primeiros lotes, vieram datadas de 1895. 

Ao lado,  o fuzil Mauser mod. 1894, em cal.
7X57

Cerca de 75.000 armas foram entregues ao
Governo.  Em  1899,  um  inventário  acusou
57.000  delas,  só  no  Rio  de  Janeiro.  Mas,  é
por volta de 100.000 armas a quantidade estimada da compra desse modelo, que desembarcaram em
terras tupiniquins ainda em tempo de participar de diversos conflitos armados tais como a Revolução
Federalista, a Revolta da Armada e a Guerra de Canudos, mas ainda convivendo lado a lado com as
carabinas  belgas  Comblain  e  os  fuzís  modelo  1888.  Como  o  Exército,  na  época,  contava  com  um
efetivo  em  tempos  de  paz  de  28.000  homens,  e  cerca  do  dobro  disso  em  período  de  guerra,  essa
aquisição serviu para substituir todo o estoque de armas antigas existentes, tanto as Comblain como
o modelo 1888, e mais ainda, o que restava dos fuzis Kropatcheks e das raras carabinas belgas de 1889
em calibre 7,65mmX53.

As  dimensões  do  fuzil  Mod.  1894  eram:  Comprimento:  1,231m  –  Peso:  3,75Kg  –  Comprimento  do
cano: 0,741m. O raiamento consistia de 4 raias destrógiras. As carabinas 1894, bem mais raras de se
encontrar hoje em dia, mediam 0,949m, cano com 0,457m e peso de 3,103 Kg.

Detalhe da ação Mauser do modelo 1894

Em  1908,  o  governo  resolve  substituir  o  modelo  1894  pelo  mais  moderno  e  reforçado  modelo  da
Mauser, o 1898, mas  ainda  em  calibre  7X57mm,  embora  as  armas  do  modelo 1894 continuaram em
uso até meados da década de 50. Muitas delas foram equipar as Polícias Militares de alguns estados,
como o do Rio de Janeiro, que mesmo nos anos 90 ainda eram vistas nas mãos de integrantes da PM
daquele estado. Este fuzil passou a ser denominado aqui como Mauser modelo 1908. O fuzil M1908
media 1,247m, cano com 0,742m e peso de 3,796 Kg.
O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e
conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero‑oito”. 

O período de maior aquisição de Mausers da D.W.M. feito pelo Governo Brasileiro foi entre 1908 e
1914, quando eclodiu a I Guerra e a D.W.M. não tinha sequer condições de suprir o mercado interno
em tempos de guerra. Posteriormente, a aquisição de armas fornecida pela C.Z., da Tchecoslováquia,
ocorreu principalmente de 1922 a 1924, com o fuzil conhecido como VZ24. (N.A.: as letras VZ é uma
abreviatura da palavra tcheca “vzor”, que significa “modelo”; portanto se trata de uma redundância o costume
de  alguns  autores  citarem  esse  fuzil  como  “modelo  VZ  24”).  Um  detalhe  histórico  interessante  foi  a
importação feita pelo governo do Estado de São Paulo, de 15.000 carabinas da C.Z. (Tchecoslováquia),
no  ano  de  1932,  para  suprir  as  tropas  revolucionárias  que  se  ergueram  contra  Getúlio  Vargas;  a
chamada Revolução Constitucionalista.

Da  Fabrique  Nationale  D’Armes  de  Guerre,  a  F.N.  de  Herstal,  Bélgica,  o  Exército  importou  grande
quantidade  de  carabinas,  também  entre  os  anos  de  1922  a  1924,  para  uso  de  tropas  de  artilharia  e
cavalaria. A quantidade correta de armas importadas ainda não é devidamente comprovada. A ação
era  do  Mauser  98,  em  calibre  7mmX57mm,  alavanca  de  ferrolho  curvada  para  baixo  e  a  coronha
seguia o estilo “inglês”, sem punho‑pistola. A telha era de madeira do tipo inteiriça, apenas com uma
abertura, de onde emergia a alça de mira. A braçadeira dianteira era do tipo estreito, não a tradicional
em  forma  de  H  mais  comumente  encontrada  nos  fuzís.  As  carabinas  mediam  1,063  m  de
comprimento, cano com 0,558 m e peso total de 3,601 Kg.

As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército
As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército
Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação 1898, possuíam a
coronha sem punho‑pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.  

Em 1930, a reviravolta política causada pela ascensão de Getúlio Vargas e a proclamação do “Estado
Novo”,  sistema  modelado  em  vários  aspectos  à  ditadura  fascista  de  Mussolini,  alavancou
sobremaneira a re‑equipação das Forças Armadas. Além disso, do nordeste do país vinha crescendo a
ameaça  constante  do  cangaço.  Por  essa  razão,  e  com  a  produção  um  pouco  limitada  da  Fábrica  de
Itajubá, o governo aceitou uma proposta da Mauser Werke, da Alemanha, já sob controle do partido
nazista, que cultivava uma simpatia discreta com o Governo Getulista.

Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular)

Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado

A Mauser, embora ainda  debaixo do Tratado de Versalhes e produzindo “secretamente” armas para
equipar  o  Exército  Alemão,  ofereceu  ao  governo  brasileiro  o  preenchimento  desta  demanda,  com  o
Modelo  1935,  em  versões  de  fuzil  ou  de  carabina.  Essas  armas,  uma  produção  pré‑guerra,
apresentavam o que de mais perfeito a Mauser podia exibir no que tocava à acabamento e qualidade.
Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas
militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e
sem uso – note o dispositivo cobre‑mira atachado à boca do cano. 

Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.

Na verdade essas armas eram idênticas ao modelo alemão de 1898, aqui adotado como M1908, com
exceção  da  alça  de  mira  tangencial  já  utilizada  neste  último  modelo,  além  da  incorporação  de  um
rebaixo  efetuado  na  parte  frontal  da  coronha  para  melhorar  a  aderência  da  mão.  Desta  forma,  essa
similaridade não apresentava dificuldades maiores para o treinamento dos soldados, já acostumados
à arma. Grande parte dessa importação permaneceu em arsenais brasileiros praticamente sem uso até
a  sua  substituição  pelo  Mosquetão  Itajubá,  a  partir  de  1950,  com  a  adoção  do  calibre  .30‑06
Springfield  pelas  Forças  Armadas  Brasileiras.  Acredita‑se  que  grande  parte  desses  Mauser  foram
posteriormente retrabalhados e transformados no Mosquetão M1949.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão
de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia.

Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.

O MAUSER “BRASILEIRO”

Devido  à  grande  demanda  de  fuzis  para  suprir  as  Forças  Armadas  Brasileiras  durante  a  primeira
metade do século XX, a Fábrica de Itajubá iniciou a fabricação “em casa” dos Mauser mod. 1908 como
alternativa  às  importações  que  eram  geralmente  feitas  junto  à  D.W.M.  na  Alemanha  (Deutsche 
Waffen  und  Munitionsfabrik)  e  da  C.Z.  (Ceska  Sbrojovka),  na  então  Tchecoslováquia,  com  a
utilização  de  madeiras  locais  ao  invés  das  nogueiras  européias.    Foi  então  que  a  partir  de  1934,  e
como  forma  de  minimizar  a  dependência  de  importação  de  armas,  a  Fábrica  de  Itajubá  decidiu
produzir  fuzís  e  carabinas  no  Brasil,  originando  assim  o  chamado  modelo  1908/34,  uma  versão
“nacionalizada” e encurtada, nos moldes das carabinas.

Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm

Em 1949, após a II Guerra, onde o Brasil participou com a F.E.B. nos campos de batalha da Itália, por
influência e acordo militar com o governo norte‑americano, o Exército resolveu adotar o calibre .30‑06
como regulamentar, embora o 7X57mm continuou ainda, e por muito tempo, presente em algumas
unidades do Exército, bem como nos “Tiro de Guerra”. Com essa modificação, a Fábrica de Itajubá

começa  a  produzir  uma  carabina  Mauser,  baseada  no  08/34  mas  em  calibre  .30‑06  Springfield,  aqui
começa  a  produzir  uma  carabina  Mauser,  baseada  no  08/34  mas  em  calibre  .30‑06  Springfield,  aqui
batizada  por  Mosquetão  Itajubá  M1949.  Posteriormente,  uma  segunda  série  com  pequeníssimas
mudanças, tais como a boca do cano rosqueada para permitir montagem de lança‑granadas e quebra‑
chamas, foi fabricada em 1954, originando assim 0 Mosquetão Itajubá M954.

Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30‑06 Springfield,  baseado na ação Mauser de 1898

Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças

Em  1964,  o  Exército  Brasileiro  resolve  adotar  o  fuzil  semi  e  automático  belga,  o  F.N.  denominado
F.A.L. (Fuzil Automatique Legère), ou fuzil automático leve, utilizando o cartucho padrão da OTAN,
o 7,62mmX51, cartucho baseado no .308 Winchester. Paulatinamente, esse fuzil começou a substituir
os  mosquetões  Itajubá  M949  e  M954,  ainda  em  calibre  .30‑06.  Em  1967,  a  fim  de  reduzir  custos  e
poder padronizar mais rapidamente o calibre utilizado pelo Exército Brasileiro, a Fábrica de Itajubá
resolve modificar cerca de 10.000 mosquetões para que pudessem usar o novo cartucho, aproveitando
também  para  aliviar  o  peso  da  arma.  Assim  nascia  o  M968,  apelidado  pelo  exótico  nome  de
“Mosquefal”.

Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO

Essa transformação era de natureza simples. Como o culote do cartucho 7,62mmX51 tem exatamente
o  mesmo  diâmetro  do  .30‑06,  não  houve  necessidade  de  se  modificar  nada  no  ferrolho,  caixa  de
culatra e mecanismo de disparo. A alça de mira tipo Mauser foi eliminada, sobre o cano, e a telha de
madeira,  agora,  não  tinha  mais  a  abertura  superior  para  ela.  Foi  desenvolvida  uma  alça  de  mira
traseira,  tipo  “peep‑sight”,  algo  semelhante  à  usada  no  fuzil  norte‑americano  Enfield  1917.  Além
disso,  foi  acrescentada  uma  massa  de  mira  mais  alta  e  um  quebra‑chamas,  com  suporte  para

possibilitar  montagem  de  um  lança‑granadas,  o  mesmo  utilizado  pelo  FAL.  Essa  arma  ainda  se
possibilitar  montagem  de  um  lança‑granadas,  o  mesmo  utilizado  pelo  FAL.  Essa  arma  ainda  se
encontra  em  uso  até  hoje  em  diversas  unidades  de  “Tiro  de  Guerra”.  Desta  forma,  foi  decretada  a
“morte” definitiva do cartucho .30‑06 Springfield nos quartéis brasileiros.

Durante  as  décadas  de  70  a  80  a  Fábrica  de  Itajubá  lançou  algumas  carabinas  baseadas  nas  ações
Mauser  de  fuzís  que  eram,  progressivamente,  sendo  recolhidos  nas  unidades  do  Exército,  além  do
que  ocorria  com  os  leilões  organizados  pelo  E.B.  a  fim  de  vender  essas  armas,  ora  obsoletas,  para
militares e colecionadores registrados.

Algumas  dessas  carabinas,  feitas  em  muito  pouca  quantidade,  foram  distribuídas  para  algumas
unidades  policiais  e  para  serem  usadas  em  veículos  militares.  Eram  carabinas  curtas,  chamadas  de
Officer, talvez uma alusão ao fato de serem utilizadas por oficiais. Segundo meu amigo e expert  em
fuzis, J. Renato M. Figueira, a intenção era de se fazer uma carabina do tamanho da americana .30M1.
Tanto  as  ações  de  fuzis  Mauser  1894  e  1898  foram  utilizadas.  Várias  dessas  armas  foram,
posteriormente, leiloadas pela Imbel. Conta Figueira que várias dessas peças, em leilão, estavam com
suas coronhas tomadas por carunchos. O acabamento era o parquerizado, mais barato e simples de se
fazer do que oxidação à quente e eram fornecidos com bandoleiras de lona.

AS ESPINGARDAS

Em  meados  da  década  de  60,  diversos  fuzis  remanescentes  do  modelo  1893  em  cal.  7X57mm.  se
encontravam completamente fora de serviço e espalhados por várias unidades do Exército Brasileiro.
Surgiu então a idéia de se reaproveitar esse armamento, a grande maioria deles em perfeito estado;
ao  invés  de  serem  destruídos,  e  lançando  mão  de  pouquíssimo  investimento,  a  Fábrica  de  Itajubá
resolve transformá‑los em uma arma para venda no comércio, destinada à caça; uma espingarda de
alma lisa.

A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 –
foto do autor

Da  grande  quantidade  de  armas  recuperadas  dos  quartéis  e  depois  de  passarem  por  uma  triagem,
aproveitava‑se a coronha com a soleira de metal, a ação completa (caixa de culatra com mecanismo
de disparo, ferrolho e armação do carregador) e os acessórios da coronha como anilhos e presilhas de
bandoleira. O cano, bem como as miras,  eram removidos e em seu lugar entrava um novo cano de
alma  lisa,  fabricado  na  própria  Itajubá.  Foram  escolhidos  dois  calibres  para  estabelecerem  as  duas
versões da espingarda; o calibre 28 e o 36. Como não havia mais a alça de mira regulável, a nova telha
que recobre parte do cano teve que ser feita à parte, por não ser possível a original ser reaproveitada.
Note a coronha típica dos Mauser 1893, sem punho‑pistola.

De acordo com o leitor Marcos Letro, militar e instrutor de tiro, as primeiras espingardas em calibre
36  foram  colocadas  à  venda  em  1962,  oferecida  para  sargentos  e  oficiais  do  Exército,  na  época  pelo
preço  de  Cr$  1.000,00  (Um  Mil  Cruzeiros  ).  Os  modelos  em  calibre  28  foram  lançadas  entre  1965  e
1966, pois ainda havia disponibilidade de muitas peças em estoque. A esta altura, as espingardas já se
encontravam à venda nas lojas de caça e pesca do país. O autor adquiriu uma calibre 28 no final de
1965,  ao  preço  de  Cr$  45.500,00.  Os  pistolões,  mais  difíceis  de  serem  encontrados  hoje  em  dia,  em
calibre 36, foram os últimos a serem fabricados, pois não havia mais disponibilidade de coronhas, diz
o leitor colaborador.
Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28

A escolha desses dois calibres não foi feita tão somente pelo fato de serem, na época, muito populares
para caças pequenas e de aves. O fato é que, no caso do calibre 28, havia uma feliz coincidência de
que os cartuchos podiam se encaixar corretamente, de ambos os lados, nas abas do carregador, mas
somente  em  número  de  dois,  um  em  cima  do  outro.  Havia  a  possibilidade  de  se  colocar  mais  um
cartucho diretamente na câmara, o que fazia a arma comportar tres cartuchos.

A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser,
aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.

No caso do calibre 36, a coisa era mais fácil de se adaptar; nem foi necessário o uso de uma lâmina de
transporte dos cartuchos de forma plana, como no caso da 28; podia‑se usar a mesma lâmina original
do  fuzil,  com  a  nervura  de  divisão  central,  visto  que  os  cartuchos  podiam  ser  carregados  de  forma
bifilar tal como os originais calibre 7X57mm.
Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full‑Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos
cartuchos.

Infelizmente  nos  faltam  dados  sobre  a  produção  e  vendas  dessas  duas  espingardas,  bem  como  até
que  ano  foram  produzidas;    depois  de  várias  tentativas  de  contato  com  a  Imbel,  não  obtivemos
resposta e colaboração dela neste sentido. Talvez, se um dia recebermos essas informações, elas serão
sem dúvida adicionadas aqui. Mas, pode‑se afirmar sem medo de errar que essas espingardas foram
bem vendidas. O preço era convidadivo, custando um pouco mais que uma espingarda da Amadeo
Rossi ou da CBC, modelos de um cano, de cão externo, armas bem mais simples.

Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28
Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota
mais nenhuma diferença em relação à calibre 28

Os  modelos  eram  fornecidos  com  canos  em  “full‑choke“,  ou  seja,  com  um  certo  estrangulamento,
característica  que  aliada  ao  grande  comprimento  do  cano  (740  mm),  permitia  um  alcance
considerável para o calibre. O autor fez testes do tipo “pa埄�ern” na espingarda de calibre 28, em alvo
de  papel,  para  se  avaliar  a  densidade  de  chumbos.  A  1o  metros  de  distância,  o  diâmetro  da
chumbada  de  número  7  estava  em  torno  de  40  centímetros,  o  que  mostra  uma  concentração  muito
grande.

Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira,
eliminando‑se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm

Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil
Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil
para  uso  com  cartuchos  de  caça,  a  arma  muito  dificilmente  dava  problemas  de  alimentação  e  de
ejeção.  Porém,  os  cartuchos  tinham  que  ser  do  tipo  com  boca  rebordada,  de  papelão  ou  plástico.
Cartuchos de metal, do tipo “Presidente” produzido pela CBC, em virtude de terem a boca em canto
vivo,  enroscavam  na  alimentação.  Outro  fator  importante  era  a  qualidade  do  produto  e  sua
durabilidade,  pois  com  excessão  do  cano,  se  tratava  de  um  fuzil  fabricado  na  Alemanha  com  os
melhores  materiais  de  que  se  dispunha  na  época.  Sem  dúvida,  uma  arma  que  duraria  por  várias
dezenas de anos, se convenientemente bem tratada.

Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura
central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez
 

Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota‑se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que
possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.

Uma  variante  bem  mais  rara,  derivada  do  mesmo  projeto,  foi  uma  espécie  de  pistolão,  lançado  no
calibre 36 nos finais da produção, por ainda possuírem em estoque o mecanismo da ação, mas não
mais  dispondo  mais  de  coronhas.  O  pistolão  usava  uma  coronha  tipo  pistola,  com  a  empunhadura
posicionada logo abaixo da culatra e um pequeno fuste colocado na parte anterior, sob o cano, que
tinha pouco mais de 30 cm. de comprimento. Era um pouco desconfortável o manuseio da ação por
ferrolho, uma vez que a mão esquerda deveria estar empunhando a arma enquanto a direita abria o
ferrolho. Esse pistolão foi bem menos disponibilizado no mercado do que as espingardas.
Pistolão Imbel em cal. 28 – cortesia de um leitor, utilizando a ação Mauser do tipo 1898
Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)

Os  últimos  exemplares  produzidos,  já  com  a  empresa  utilizando  seu  novo  nome,  Imbel,  usavam
ações do Mauser tipo 1898, provavelmente oriundas de fuzis remanescentes do Contrato Brasileiro de
1908. Acredita‑se que essas últimas saíram de linha no começo dos anos 90. Mesmo nos fuzis Mauser,
a  ação  modelo  1898  tem  uma  diferença  marcante  em  relação  à  modelo  1893,  dentre  outras  visando
maior  segurança:  na  ação  1898,  o  simples  fato  de  se  erguer  a  alavanca  do  ferrolho  e  baixá‑la
novamente,  já  arma  o  percussor.  Na  ação  1893,  após  a  alavanca  erguida,  o  ferrolho  tem  que  ser
puxado um pouco para trás para se proceder ao engatilhamento.

Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha
utilizada, original do fuzil 1908, com punho‑pistola e agora sem a telha superior –  (Foto cortesia de D.A.N.)
Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)
Outra variação da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre

Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo
98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no
cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do
ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos.  (Foto cortezia de
D.A.N.)
Acima, colaboração do leitor Emanoel Oliveira, catálogo da Imbel com dois modelos da espingarda cal. 28GA e
Acima, colaboração do leitor Emanoel Oliveira, catálogo da Imbel com dois modelos da espingarda cal. 28GA e
um modelo pistolão.

DETALHES DE FUNCIONAMENTO

De maneira análoga ao manuseio do fuzil Mauser, abre‑se a culatra puxando‑se o ferrolho totalmente
para  trás.  Insere‑se  dois  cartuchos  no  carregador  (cal.  28),  por  cima,  de  forma  que  o  último  fique
retido  pelas  abas  traseiras.  Um  terceiro  cartucho  pode  ser  inserido  diretamente  na  câmara.  Neste
caso, antes de fechar o ferrolho, exerce‑se uma pequena pressão para baixo no último cartucho para
que o ferrolho passe por cima dele e tranque sobre o cartucho existente na câmara.

Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36

Após cada disparo, o ferrolho necessita ser aberto até o final de seu curso, ejetando o cartucho vazio;
fecha‑se novamente o ferrolho, quando o cartucho seguinte no carregador se solta das abas, para ser
alimentado. Em relação aos cartuchos utilizados, dever‑se tomar o cuidado de se usar os designados
para câmaras de 65mm e não os de 70mm, que poderá ocasionar problemas sérios.

O  mecanismo  de  gatilho,  mantido  exatamente  como  o  original,  não  é  particularmente  muito  duro,
mas tem a característica típica dos fuzis Mauser, que são os dois estágios bem definidos e com curso
bem  longo.  De  qualquer  forma,  mesmo  se  tratando  se  arma  derivada  de  um  fuzil  militar,  o
acionamento do gatilho é macio.

A trava de segurança, que é de uma eficácia a toda prova pois impede de forma muito consistente o
movimento do percussor, funciona da seguinte maneira:
   

À esquerda, ferrolho destravado e desengatilhado; no centro, arma engatilhada e travada (o ferrolho pode ser
manuseado desta forma com total segurança); à direita, trava total acionada, que não permite nem a abertura do
ferrolho para manuseio.

Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na
posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o
cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e
trava de segurança.

O  ferrolho  pode  ser  retirado  da  arma  com  muita  facilidade.  Do  lado  esquerdo  da  culatra  há  um
retém, articulado em um pino, com um ressalto serrilhado na parte superior. Abre‑se o ferrolho até o
final  do  curso,  abre‑se  esse  retém  para  fora,  puxando‑o  para  a  esquerda  e  retira‑se  o  ferrolho.  Ao
recolocar o ferrolho na arma, não é necessário se mover o retém, mas atenção com o posionamento
correto da lâmina do extrator.

O  funcionamento  da  calibre  36  era  mais  garantido  do  que  na  28.  Nesta  última,  o  autor  teve  a
O  funcionamento  da  calibre  36  era  mais  garantido  do  que  na  28.  Nesta  última,  o  autor  teve  a
oportunidade de usar várias delas, a extração nem sempre ocorria de forma adequada. Interessante
citar  que  cartuchos  carregados  eram  extraídos  com  mais  eficiência  do  que  os  vazios.  Muitas  vezes,
esses  eram  corretamente  extraídos  da  câmara  mas  por  questão  de  ajustes,  eram  “largados”  pelo
extrator  no  meio  do  percurso,  antes  de  atingirem  o  ejetor,  que  fica  localizado  na  trava  do  ferrolho,
lado esquerdo da caixa da culatra.

CONCLUSÃO

Trata‑se  de  uma  arma  curiosa,  tanto  nos  aspectos  técnicos  como  da  forma  como  foi  idealizada.  No
Brasil  da  década  de  60,  com  pouquíssimos  fabricantes  concorrentes  e  nenhuma  espingarda  com
padrões  altos  de  qualidade,  diga‑se  de  passagem,  a  Fábrica  de  Itajubá  teve  a  chance  e  a  idéia
interessante  de  reaproveitar  armas  militares,  cujo  destino  certo  seria  a  destruição,  e  lançar  uma
espingarda  no  mercado,  com  investimento  baixíssimo  e  praticamente  nenhum  custo  de
desenvolvimento.

Mesmo  se  tratando  de  uma  adaptação,  a  arma  tinha  suas


virtudes  como  extrema  resistência,  qualidade  dos  materiais  e
robustez a toda prova. Sua semelhança com os fuzis Mauser de
repetição  podem  ter  inclusive,  ajudado  nas  vendas  pois  era
uma  arma  atraente  e  muito  mais  vistosa  que  as  simples
espingardas de um tiro e de um cano existentes na época.

À esquerda, o autor em ação, caçando codornas com a Itajubá 28, na
década de 60

A  desvantagem  ficava  por  conta  do  tamanho  avantajado,


embora  os  modelos  em  calibre  36  tiveram  uma  opção
que utilizava canos mais curtos; em relação ao transporte, elas
eram  realmente  um  tanto  incovenientes  e  chamavam  muito  a
atenção,  pois  não  tinham  o  recurso  comum  nas  espingardas
tradicionais  de  se  separar  o  cano  do  resto  da  arma,  inclusive
sem uso de ferramentas.

O  acabamento  é  muito  bom,  de  modo  geral,  com  o  madeiramento  bem  conservado  e  envernizado
brilhante,  e  peças  em  aço  com  oxidação  negra  brilhante.  O  ferrolho  foi  mantido  em  aço  puro,  sem
acabamento algum. Estéticamente a arma peca um pouco pela parte dianteira onde, com a retirada
do prolongamento do fuste do fuzil, a coronha termina de forma um tanto abrupta.

A ITAJUBÁ HOJE

Hoje, a fábrica de Itajubá é parte do complexo fabril da Imbel, fornecedora de armamento bélico para
as forças armadas, incluindo aí o fuzil FAL M964, a carabina MD97, as pistolas baseadas no projeto
1911 M973 bem como armas para uso de civís e atiradores na categoria “Tiro Prático” (I.P.S.C.) como
o  modelo  GC45.  Além  disso  ainda  produz  munição  de  uso  militar  e  vários  tipos  de  pólvora

destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é
destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é
outra  arma  destinada  ao  público  atirador  esportivo,  conforme  nos  mostra  o  material  promocional
abaixo.

Essa  arma  é  a  substituta  de  outra  carabina  no  mesmo  calibre,  lançada  pela  Fábrica  de  Itajubá  nas
décadas de 70 a 80,  com  o  intuito  de  competir  no  mercado  com  suas  rivais da CBC e da Rossi. Era
uma  carabina  com  carregador  destacável  de  5  cartuchos,  de  repetição  por  ferrolho,  muito  bem
construída  com  materiais  de  primeira  linha.  Em  sua  época,  provou  ser  uma  das  mais  agradáveis  e
precisas carabinas nacionais.

Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele
poderia ser retirado para limpeza. 

DADOS RESUMIDOS DA ESPINGARDA 28 E 36

Data de fabricação: entre 1965 a 1975 (estimado)

Calibre: 28 e 36

Capacidade: 28 (3 cartuchos) e 36 (5 cartuchos) incluindo um câmara

Acabamento: oxidada

Comprimento total: 125 cm (28) e 107 cm (36)

Comprimento do cano: 74mm (28) e 56mm (36)

Pêso: 2,500 Kg descarregada (28) e 2,325 Kg (36)

Wri埄�en by Carlos F P Neto

05/04/2011 às 10:45
337 Respostas

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Gentil, saudações, não temos essa informação, infelizmente. Grato pelo contato.

Carlos F P Neto

24/05/2017 at 11:42

Boa tarde, gostaria de saber qual é o modelo e ano da carabina itajubá/imbel 22, cuja serie é 6048,
obrigado.

Gentil Santos Silva

23/05/2017 at 20:29

Prezado Alexandre, infelizmente não temos como ajudá‑lo nisso. Recomendo entrar em contato
com a Imbel ou um de seus representantes. Abraços.

Carlos F P Neto

18/05/2017 at 19:34

BOA TARDE , POR GENTILEZA PRECISO DE UMA FOTO DO PERCURSSOR E MOLA DO
RIFLE ITAJUBÁ .22LR MODELO A4028

ALEXANDRE LÚCIO ZUZA

18/05/2017 at 16:29

Erick, devidamente corrigido no texto.

Carlos F P Neto

25/04/2017 at 22:05

Prezado Carlos,

Sobre o pistolão Imbel, consta que ele esteve disponível até o começo dos anos 90, pois ele ainda
aparece anunciado nos Catálogos Magnum dessa época.

Erick Tamberg

25/04/2017 at 17:46

Pedro, a marca B foi utilizada somente pela DWM para uso nas suas exportações dos Mausers
para o Governo Brasileiro.Os fuzis produzidos aqui não possuíam essa marca. Abraços.

Carlos F P Neto

23/03/2017 at 18:28

Pedro, a marca B foi utilizada somente pela DWM para uso nas suas exportações dos Mausers
Pedro, a marca B foi utilizada somente pela DWM para uso nas suas exportações dos Mausers
para o Governo Brasileiro.Os fuzis produzidos aqui não possuíam essa marca. Abraços.

Carlos F P Neto

23/03/2017 at 18:27

Carlos, em uma das fotos você cita a letra B gravada em uma Mauser 1908. Este B provavelmente
seja de Brasil, mas seria das fabricadas aqui ou das primeiras importadas? Estou tentando datar
uma exatamente igual a esta, com o B e o brasão nacional nela, e ainda possui um número de
registro de 4 digitos.
Meus parabens pelo artigo, fantástico.

PEDRO AUGUSTO

23/03/2017 at 10:27

Carlos, parabéns pelas informações, o conteúdo está muito completo e conta tudo que precisa
saber sobre as FO. Deixa eu te pedir somente uma coisa, essa gravação B que cita em uma
imagem, se referindo a Brasil e a gravação do brasão, são somente nas produzidas no Brasil ou as
importadas por primeiro já vinham assim? Existe algum registro sobre os números de série das
importadas e nacionais?

Pedro

21/03/2017 at 0:05

Wadson, saudações. Por favor, leia a nossa Política de Avaliações e Identificações. Obrigado.

Carlos F P Neto

15/03/2017 at 17:36

Olá gostei do artigo. Me ofereceram uma 1908 com brasão das forças armadas. É de colecionador .
Qual valor aproximado de venda do mosquetão. A埄�.

wadson

09/03/2017 at 18:15

Josias, sim, já vimos algumas dessas Schüler; realmente creio que serviram de inspiração para as
nossas espingardas Itajubá.

Carlos F P Neto

27/02/2017 at 12:07

Gostaria de saber se alguem conhece a marca schueler cal 32 com carregador para 3 catuchos
muito parecida com o rifle de itajuba

Josias teixeira

22/02/2017 at 0:42

Prezado Lucena, a coroa dos fuzis Mauser não podem ser retiradas, foram executadas no próprio
cano. Abraços.
Carlos F P Neto
Carlos F P Neto

09/01/2017 at 15:11

gostaria de saber se a coroa do fuzil mauser pode ser retirada, se e rosqueada

major lucena

09/01/2017 at 13:02

Daniel, saudações. Realmente não existem registros quanto à produção de um modelo da
espingarda Itajubá em calibre 20. Aliás isso me deixa muito curioso, pois técnicamente, o calibre
28 é o maior calibre que pode ser admitido na arma, devido à largura do carregador. Além disso,
o diâmetro do culote do cartucho 20 também ultrapassa o diâmetro da cabeça do ferrolho, o que
impossibilitaria o trancamento. Agradeceria se pudesse me enviar fotos dessa peça, através do e‑
mail armasonline@gmail.com. Abraços.

Carlos F P Neto

24/11/2016 at 9:37

Li o artigo e achei maravilhoso e muito explicativo, mas não vi o calibre 20…Herdei uma Itajuba
calibre 20, e o mais legal que ela tem o numero de serie 0001…..

Daniel Fredriksson

24/11/2016 at 8:38

Alberto, entre em contato pelo armasonline@gmail.com. Obrigado.

Carlos F P Neto

10/11/2016 at 10:17

olá, gostaria de tirar uma duvida mas precisaria de um contato por email. poderiam ajudar?

Alberto

09/11/2016 at 19:35

Prezado leitor, por gentileza leia antes a nossa política de avaliações, aqui no Menu do nosso site.
Grato pelo contato.

Carlos F P Neto

30/10/2016 at 15:12

Opa Boa noite amigos.
Qual valor de um mosquetão 7.62 hoje? Herdei um de meus antecedentes. Não está funcionando
ah alguns tempo. Mais quanto valeria uma relíquia dessas hoje?

Vr16

29/10/2016 at 23:15

Fui PM e Policial Civil, além de caçador de perdiz, optando pelo calibre 28 mais em conta. Ouvi
Fui PM e Policial Civil, além de caçador de perdiz, optando pelo calibre 28 mais em conta. Ouvi
falar das espingardas que procediam de fuzis, mas nunca vi uma no comércio do RS, a não ser os
pistolões e a carabina 22 Long Rifle da qual possui uma…Aqui nos anos 50/70 as espingardas de
caça mais popular e acessíveis eram as espingardas ROSSI e BOITO. que vinham com 01 ou 2
canos….A CBC /Bereta de um cano era mais cara do que a Rossi dupla…Ainda havia espingardas
de caça importadas da Espanha como a La Sorda, e Urgatechea..Além de muitas usadas como a
Bayard e Sauer alemã…. Conheci também revolver Itajubá, cano oitavado que eram bem precisas
e robustas…

Além dos pistolões da Itajubá, a Boito de Veranópolis RS. talvez os ainda fabrica, mas pouco
usados…..

nelson Korb

19/10/2016 at 20:24

Rodrigo, grato pelo contato. Na verdade o mosquetão brasileiro, produzido pela Fábrica de
Itajubá foi lançado em 1949, daí o nome de Mosquetão M949, e posteriormente a versão
melhorada, a M954.Seu avô deve ter servido, provavelmente, com algum fuzil Mauser M1908, o
chamado Fuzil Ordinário 08.

Carlos F P Neto

12/08/2016 at 21:35

Srs. boa tarde, li o artigo sobre essas belas armas e fiquei muito surpreso com as informações e
detalhes.
Parabéns, muito bom mesmo!
Quero aproveitar e pedir (se possivel) alguma ajuda para reunir alguns dados para pesquisa
pessoal sobre o armamento e demais informações do exercito brasileiro na decada de 40.
Meu avô esta com 90 anos e serviu nesse periodo e tem ficado muito saudosista a respeito,
gostaria de proporcinar a ele algumas boas memorias desse tempo em que ele se recorda de
carregar consigo o ” Mosquetão 409 ” como ele o chama, arma essa que me parece ser uma das
citadas nessa pagina.
Se houver alguma forma de me direcionar com minha pesquisa ficarei muito grato e garanto que
ele também.

Rodrigo Reis

12/08/2016 at 18:20

Tenho uma Itajubá calibre 36, funcionando, uso em caçadas, infelizmente a lâmina que extrai o
cartucho vazio tá quebrada, então cada vez que disparo, preciso retirará o estojo vazio, mas é uma
toma arma, comprei de um senhor que disse ter adquiridono norte do Brasil na ddécada de 70.
Se houver algum o interesse posso enviar fotos dela. .

Alexandre

11/08/2016 at 18:38

Wagner, saudações. Achei interessantíssimas as suas colocações, e com grande satisfação e honra
pelo‑lhe permissão de enriquecer o meu artigo com materiais que porventura puder fornecer. O e‑
mail é armasonline@gmail.com. Gostaria muito de trocar algumas idéias com você, por e‑mail.
Grande abraço.

Carlos F P Neto
Carlos F P Neto

03/06/2016 at 19:30

Obrigado pela pesquisa Carlos. De fato, parece que o mistério continuará a reinar. O VZ 24 foi um
fuzil encomendado pela China, que no entanto falhou em pagar e as armas permaneceram em
depósito, até terem sido compradas por SP (ou pelos revolucionários ?) e então tiveram os canos
trocados para 7×57, já que o calibre da China era 8mm. Daí vem a denominação no exterior de VZ
24 JC, sendo que JC significa Sul da China, abreviado em checo.
Se me permite, com todo respeito, complementar seu excelente artigo, cumpre lhe informar que
em relação ao modelo 1935 foram feitos 8.000, destes 1000 eram carabinas (com nº de série de 1000
a 1999), sendo tais armas entregues metade em 1935 e a outra metade em 1937. O custo por
unidade era de em torno de 65 reichsmark. Pelo menos 5000 deles foram vendidos em 1974, sendo
3000 para a empresa alemã Frankonia e outros 2000 para outros países, a maioria destes estavam
ainda nas caixas de madeira com forro de zinco fechadas desde os anos 30, ou seja, as armas
estavam literalmente sem uso, e eram acompanhadas da bandoleira, cobre mira e um alvo de teste
realizado ainda na Mauser. O modelo 1935, como você muito bem destaca, era o supra sumo da
metalurgia de armas, sendo tais armas no exterior tidas como um dos melhores fuzis Mauser do
mundo já fabricadas. A carabina se parecia muito com o modelo chileno de mesmo ano e ambas
possuem um protetor de massa de mira diferenciado, existente somente nestas duas armas.
Se possuir algum email, posso disponibilizar alguns documentos a respeito e fotos da carabina.
Grande abraço.

Wagner

01/06/2016 at 22:37

Wagner, segundo meu amigo Adler Homero, curador do Museu Militar Conde de Linhares, diz
ele: “Corre a lenda – e não só de boca, já li isso em livros, mas não tenho anotações, que em 1932
alguns mosquetões foram comprados do Paraguai, onde eram regulamentares (o famoso fuzil
“mata‑paraguaio”, por ser de qualidade muito ruim, o cano explodindo muito facilmente). O
problema dessa versão? Vários. Os fuzis paraguaios eram brasonados (brazão do Paraguai, claro),
não eram do modelo de 1925, e seu calibre era o 7,65×53 mm.
O que posso dizer dos Oviedo é que eles eram comuns (muito comuns mesmo) em depósitos do
exército. Me parece que foi uma compra direta na Espanha ou na Argentina (pouco provável, por
causa do calibre – a Argentina nunca usou o 7X57mm), ou ainda podem ter sido apreendidos
junto com os outros armamentos que eram importados por SP por via marítima, como muita coisa
foi, inclusive canhões antiaéreos.”
O problema da falta do Brazão de Armas nos CZ VB24 é que, simplesmente, não foram
comprados pelo Governo Federal, e sim, pelo Estado de SP. Lembre‑se de que os Mausers de
contrato, sejam 1893 como 1898 vinham brazonados da fábrica, e possuíam a marca de prova B
dentro do círculo.

Carlos F P Neto

01/06/2016 at 18:15

Olá, Carlos!
Primeiramente parabéns por todo o site, que resgata a história das armas do Brasil, tarefa
infelizmente ingrata nos dias de hoje.

Tenho uma dúvida: obras estrangeiras, especialmente o livro Mauser Military Rifles of the World,
dizem que os revolucionários de 32 compraram 15000 mosquetões CZ VZ 24. Curiosamente se
você notar, verá que diferentemente dos outros fuzis, estes não possuem brasão da república. No
entanto ouvi também relatos verbais que um segundo fuzil teria sido encomendado por estes: o
entanto ouvi também relatos verbais que um segundo fuzil teria sido encomendado por estes: o
mosquetão OVIEDO modelo 1916 fabricados em 1925 (do qual possuo um exemplar em estado
mint, obviamente que devidamente registrado) e que curiosamente também não possui brasão.
O amigo, que é um sério pesquisador, saberia algo a respeito destes fatos (ou boatos)?
Parabéns, continue o bom trabalho!

Wagner

31/05/2016 at 13:48

Tenho uma 28 que herdei do meu Pai, ele comprou em 1970, está em perfeito estado, novinha em
folha.

Luís Cesar

10/05/2016 at 23:34

Victor, realmente cremos que o primeiro “crime” já foi o ato de transformarem milhares de fuzis
Mauser com ação 1893 ou 1898, a maioria em bom estado, em espingardas de caça.

Carlos F P Neto

20/04/2016 at 19:19

Vi recentemente uma itajuba 36, em situação deplorável. É um crime o que foi feito dos otimos
rifles e carabinas imbel/mauser e depois um crime maior ainda com o desarmamento que acabou
por destruir inúmeras relíquias cheias de história. Dessas as sobreviventes na maior parte não
lograram melhor sorte sendo abandonadas em galpões e oficinas brasil afora por falta de
documentos exigidos pelo governo. É uma parte da história nacional que se perde. Esta velha
Itajubá de que falei estava toda podre em uma oficina. Se o dono fizer bom preço vou comprar
ainda que não funcione só pra pendurar na parede…

Victor Fox

18/04/2016 at 1:13

Obrigado, Aguinaldo.

Carlos F P Neto

31/03/2016 at 23:58

gostei do artigo muito .obrigdo

aguinaldo oliveira

31/03/2016 at 22:34

Eduardo, sem fotografias, tudo o que dissermos será um “chute”. Leia antes a nossa Política de
Identificações. Abraços.

Carlos F P Neto

18/03/2016 at 11:30

Boa tarde.
Boa tarde.
Ao ler o artigo fiquei muito curioso, pois a pouco tempo me deparei com uma arma dessas em
calibre 32. A referida arma não tem marca, semente números e cada peça possui um símbolo
minúsculo gravado. Alguém sabe alguma informação que possa me ajudar a descobrir a origem
desta arma. Ela é idêntica a imbel e é industrializada (não foi feita por armeiro).

Eduardo

16/03/2016 at 14:10

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