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UFCD LEGISLAÇÃO FISCAL NA

0676 FUNÇÃO PESSOAL


ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Índice

Introdução............................................................................................................................................ 2

Âmbito do manual........................................................................................................................... 2

Objetivos .......................................................................................................................................... 2

Conteúdos programáticos .............................................................................................................. 2

Carga horária ................................................................................................................................... 2

1.Legislação fiscal ............................................................................................................................... 4

1.1.Conceito de direito fiscal ......................................................................................................... 5

1.2.Fontes do direito fiscal ............................................................................................................ 8

2.Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) ............................................................................ 23

2.1.Implicações para o sujeito passivo ...................................................................................... 24

2.2.Repercussão na empresa ...................................................................................................... 29

2.3.Estrutura deste imposto ........................................................................................................ 31

2.4.Determinação do rendimento coletável .............................................................................. 43

3. Restantes contribuições .............................................................................................................. 51

3.1.Imposto de selo ...................................................................................................................... 52

3.2.Outros impostos ..................................................................................................................... 58

Bibliografia ......................................................................................................................................... 63

Termos e condições de utilização ................................................................................................... 64

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Interpretar e aplicar a legislação fiscal na função pessoal.

Conteúdos programáticos

 Legislação fiscal
o Conceito de direito fiscal
o Fontes do direito fiscal
 Imposto sobre o rendimento de pessoas singulares (IRS)
o Implicações para o sujeito passivo
o Repercussão na empresa
o Estrutura deste imposto
o Determinação do rendimento coletável
 Restantes contribuições
o Imposto de selo
o Outros impostos

Carga horária

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 25 horas

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1.Legislação fiscal

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1.1.Conceito de direito fiscal

O Direito Fiscal é o sistema de normas jurídicas que disciplinam as relações de imposto e


definem os meios e processos pelos quais se realizam os direitos emergentes daquelas
relações. É um dos ramos do Direito Financeiro.

Direito Fiscal material é o conjunto de normas que regulam a existência orgânica do


imposto, bem como as obrigações que derivam da respetiva relação jurídica de imposto,
tendo em vista os seus titulares, objeto e configuração pormenorizada (direito constitucional
fiscal, normas que regulam o núcleo central do direito fiscal, direito penal fiscal).

Por sua vez, Direito Fiscal formal é o conjunto de normas instrumentais, disciplinadoras do
processo de determinação do imposto e também as normas que regulam a tutela
jurisdicional (p. ex., normas de processo fiscal ou tributário e normas de carácter
administrativo respeitante à liquidação e cobrança de impostos.

O Estado, no exercício da sua atividade financeira subordina-se a normas jurídicas próprias,


o Direito Financeiro que define juridicamente os poderes das entidades públicas na
obtenção e no emprego dos meios económicos destinados à realização dos seus fins. Este
ramo de direito baseia-se na ideia central de limitação de poderes das entidades públicas.

Como disciplina jurídica da utilização de meios económicos pelas entidades públicas, o Direito
Financeiro abrange um amplíssimo sector de receitas públicas, todo o sector das despesas
públicas e a coordenação das despesas e das receitas públicas.

O Direito Financeiro compreende três ramos nitidamente separáveis – o direito das receitas,
o direito das despesas e o direito da administração financeira.

Por sua vez, estes ramos de Direito Financeiro admitem divisões, entre elas o Direito das
Receitas, o Direito dos Impostos, e o Direito Fiscal. É este sub-ramo do Direito Financeiro,
o Direito das Receitas, que constitui o Direito Fiscal.

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O Direito Fiscal é assim o sector da ordem jurídica que regula o nascimento, o


desenvolvimento e a extinção das relações jurídicas suscitadas pela perceção do imposto.

Em sentido muito amplo podemos definir o conceito de direito fiscal como o direito dos
impostos. Sendo o imposto a mais importante receita do Estado foi-se construindo à sua
volta todo um conjunto de princípios e de normas, com conteúdo e sentido próprios, que
foram ganhando autonomia dentro do direito público em geral: o direito fiscal.

Os impostos não são a única receita do Estado. Ao seu lado, existem outras receitas de
natureza semelhante como as taxas, as contribuições especiais, as contribuições para a
segurança social, entre outras.

Os impostos e todas estas receitas são genericamente designadas por tributos a que se
aplicam alguns princípios e normas que integram o conjunto de diplomas que fazem parte
do Direito Tributário.

Uma das principais funções do Estado é a de satisfazer as necessidades públicas de que


poderemos destacar, a saúde, a defesa, a educação, entre outras. Para fazer face a estas
necessidades o Estado necessita de receitas. E as principais receitas do Estado são:

 Receitas patrimoniais. Estas receitas podem derivar, por exemplo, do arrendamento


de imóveis do Estado ou da sua própria venda, da aplicação de capitais na compra
de ações que rendem dividendos, entre outras fontes.
 Receitas de empréstimos públicos. Estas receitas têm a designação de dívida pública,
assumindo formas diversas (títulos do tesouro, empréstimos no exterior);
 Receitas derivadas da prestação de serviços e venda de bens. Os organismos do
Estado prestam serviços de vária ordem, pelos quais cobram a respetiva
contrapartida, como, por exemplo, as portagens de pontes e autoestradas, a venda
de equipamentos, etc.;
 Receitas tributárias. São as receitas a que já fizemos referência e onde os impostos
representam, de longe, a maior fatia, não só do conjunto das receitas tributárias mas
de todas as receitas do Estado.

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Conceito de imposto

O imposto é o financiamento que o sector público extrai do sector privado sob a forma
coerciva, como meio de contribuir para o financiamento geral da atividade pública.

As características do imposto são a coercividade, isto é, o sector público determina


unilateralmente a quantidade a pagar e os agentes privados são obrigados a pagar em
grande quantidade sem contrapartida direta.

A inexistência de contrapartida significa que quem mais paga o IRS não tem prioridade na
utilização das estradas, das escolas, dos hospitais, dos tribunais, etc. Não tem mais direitos
do que quem não paga.

O imposto é uma transferência coerciva e unilateral dos particulares para o Estado. Os


impostos sem contrapartida designam-se por impostos gerais. Os impostos com
contrapartida designam-se por taxas.

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1.2.Fontes do direito fiscal

Interessa agora saber onde nasce, como se forma e como se revela aos particulares o direito
fiscal. Como fontes principais do direito fiscal devem ser indicadas: a Constituição, a lei, o
decreto-lei e o regulamento.

A estas fontes acrescem os tratados e em certas circunstancias os costumes, a doutrina e a


jurisprudência.

É possível distinguir entre as fontes de direito fiscal as fontes intencionais ou voluntarias


as leis, convenções internacionais, estatutos, regimentos, convenções jurídicas, assentos,
etc., e fontes não voluntarias ou não intencionais os princípios jurídicos fundamentais,
princípios gerais do direito, costume, usos, desusos, costume internacional, etc.

Apesar da aparente diversidade das fontes de direito fiscal, a lei em sentido amplo (lei e
decretos-lei, incluindo em certos casos os tratados), surge como a principal fonte de Direito
Fiscal.

No Estado Português vários são os órgãos com poder legislativo e diversos os processos
através dos quais as leis são elaboradas. Entre as formas de lei estabelece-se um
escalonamento ou hierarquia visando o princípio da unidade do sistema jurídico e o princípio
da não contradição.

Este princípio traduz-se em que as leis de hierarquia inferior não podem contrariar ou
contradizer leis de hierarquia superior, têm de se conformar a elas; e por conseguinte, as
leis de hierarquia superior podem contrariar ou contradizer leis de hierarquia igual ou inferior
(a lei mais recente revoga a mais antiga).

A hierarquia estabelece-se normalmente do seguinte modo:

o A Constituição

o O direito comunitário

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o As convenções internacionais

o As leis

o Decretos-lei

o Decretos Regionais

o Os regulamentos

o Os contratos

o A jurisprudência

o A doutrina

A Constituição

Numa perspetiva hierárquica, a Constituição é a primeira das fontes ou modos de revelação


das normas jurídico-fiscais. O Direito Fiscal apresenta-se fortemente modelado pela chamada
“Constituição fiscal”.

Isto é, pelo conjunto de princípios jurídico-constitucionais disciplinadoras, ao mais elevado


nível, quer de quem, de como e de quando tributa, quer do que (é que) e do quanto se
tributa, estabelecendo assim uma teia de limites à tributação.

Consiste num conjunto de normas que limitam e organizam o poder político, estabelecendo
e protegendo os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos (sentido material), sendo certo
que, nos termos do artigo 3.º 2, o Estado subordina-se à Constituição.

A Constituição contém normas não especificamente fiscais mas com relevância para o direito
fiscal, a saber, normas sobre a igualdade jurídica, normas sobre direitos, liberdades e
garantias, normas sobre a validade interna do direito internacional, etc.

A lei constitucional ocupa lugar de relevo na hierarquia das fontes de Direito em geral. E, no
campo do Direito Tributário, para além da sua função comum de supremacia relativamente
à lei ordinária, tem ainda a de definir a zona reservada à lei em sentido formal, em obediência
ao princípio da legalidade do imposto.

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As normas fundamentais em matéria de tributação encontram-se normalmente, nos sistemas


de Direito modernos, reunidas nas leis constitucionais. Assim, na Constituição vigente em
Portugal, os princípios da legalidade e da igualdade tributária refletem-se nos
arts.103/2, 108 e 165/1, al. i) e dão conteúdo formal e material às normas fiscais.

O Princípio da Igualdade Tributária encontra-se consagrado no art. 13 CRP e o seu


conteúdo, em termos tributários, está concretizado nos arts. 103 e 104 CRP.

A nossa CRP entende a igualdade num sentido dinâmico, como uma meta a atingir, segundo
uma conceção de justiça social, em que igualdade é igual a repartição igualitária do
rendimento e da riqueza.

Para se alcançar este objetivo, atendeu o legislador constitucional aos seguintes meios:
1. Personalização do imposto sobre o rendimento, o qual, além de único, deve atender
às necessidades do agregado familiar (é o que sucede com o IRS);
2. Adoção da tributação progressiva do rendimento pessoal e da tributação de bens;
3. Consideração das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social na
tributação da despesa (e consumo).

O Princípio da igualdade integra 2 subprincípios:

o Princípio da generalidade: todos estão à partida sujeitos a impostos, não pode


haver discriminações.

o Igualdade vertical e horizontal: a igualdade vertical traduz-se num sistema


proporcional em que a mesma taxa é aplicada independentemente do rendimento,
tanto a 100 como a 1 000), progressivo (a taxa vai subindo à medida que o
rendimento sobe) ou regressivo.

A igualdade horizontal integra o princípio do benefício, em que estariam na mesma


situação aqueles que tiverem os mesmos benefícios), princípio da capacidade
contributiva (estariam na mesma situação aqueles que tivessem a mesma
capacidade contributiva avaliada através do rendimento obtido, acumulado ou
gasto).

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Princípio da capacidade contributiva: ninguém pode ser tributado se não tiver


capacidade para pagar o tributo. O imposto deve estar distribuído de acordo com a
capacidade.

Neste sentido o art. 103º 1 consagra a justa repartição do rendimento e da riqueza: quem
tem mais paga mais (justiça social).

Princípio da legalidade tributária


Concretiza-se na ideia da obrigação dos encargos tributários serem votados nas assembleias
representativas.

Esta ideia está consagrada no art. 103 da CRP atual. Isto reforça a ideia de que cabe à AR
legislar sobre taxas, incidência, garantias dos constituintes e benefícios fiscais. Sobre estes
quatro elementos fundamentais cabe apenas à AR legislar, a não ser que haja lei de
autorização ao Governo.

A violação deste artigo gera o vício da inconstitucionalidade material, logo os tribunais não
devem aplicar disposições legislativas inconstitucionais.

Deste princípio decorre o princípio da tipicidade dos impostos, ou seja, não pode haver tributo
sem lei anterior a consagrá-lo.

Este princípio no direito fiscal está dirigido em torno da ideia do auto tributação que se traduz
em que os impostos devem ser aprovados pelas pessoas que os têm de pagar, é como se as
pessoas se auto tributassem.

Nos dias que correm os impostos são aprovados pela AR. e são aprovados pelos deputados
eleitos pelo povo, pois é o povo que elege os seus representantes, daí é o povo que aprova
os impostos.

Os impostos são aprovados anualmente com o Orçamento do Estado, isto porque anualmente
a AR. tem competência exclusiva para legislar sobre impostos (artº 165º 1 al i) CRP), que é

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uma competência relativa, pois a AR. pode autorizar o governo a legislar, mas com os termos
definidos pela A.R., assim a Assembleia da República nunca perde o controlo das grandes
linhas do ato normativo que vier a ser produzido pelo governo (art. 198º 1 al b).

Outra coisa é a capacidade de iniciativa legislativa, esta não é exclusiva da AR., pois tanto
pode ser dos deputados como do governo (e autarquias locais e regionais).

De acordo com o artigo 103.º 2 da Constituição, os impostos são criados por lei que
determina a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes:

a. Os impostos são criados por Lei

A Lei da criação dos impostos é uma lei formal da AR., ou um Decreto-Lei., autorizado ao
governo.

A maioria dos atos legislativos em matéria fiscal é elaborada pelo governo sob D.L.
autorizado. Esta é uma reserva absoluta de lei formal, ou seja, só a lei formal pode
determinar estas matérias.

O art. 165º diz-nos que é a A.R. que cria impostos, mas é o art. 103º 2 que nos diz qual o
âmbito da competência.

o Princípio da reserva de lei formal


Os impostos só podem ser criados por lei da AR, das Assembleias legislativas regionais
ou pelas Assembleias Municipais.

o Princípio da reserva de lei material (conteúdo)


Este princípio relaciona-se com aquilo que se tributa, que tem de estar tipificado
categoria por categoria, e como se tributa: com base na lei regularmente criada,
quando se tributa: dentro dos prazos de caducidade.

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A autorização legislativa fixa todos os elementos essenciais para a criação das taxas e
impostos. O DL não tem valor em si porque tem de ter uma lei de autorização que fixe esses
elementos essenciais.

Se o DL não respeitar a lei, então é inconstitucional, por falta de poder. O Governo só pode
legislar enquanto durar a autorização legislativa e, depois de a usar, já não pode voltar a
usar.

b. Incidência

Uma norma de incidência é uma norma que define os pressupostos de facto do nascimento
de obrigação de imposto.

A incidência divide-se em Incidência Real ou Objetiva e em Incidência Pessoal ou Subjetiva.

A primeira define o que está sujeito a imposto, isto é, define quais os factos e os pressupostos
da definição de imposto (ex: os rendimentos de trabalho estão sujeitos a IRS).

A segunda incidência, são as normas que definem a quem, ou seja, quem é que está sujeito
a imposto (ex: quem adquirir um prédio a titulo oneroso está sujeito a imposto de IMT).

c. Taxas

As taxas são os fatores de quantificação de imposto que podem ser um valor percentual. O
imposto não é obrigatoriamente quantificado percentualmente, o imposto pode ser uma
quantia fixa (ex. imposto de selo).

Há taxas específicas, como as taxas sobre as cervejas, mas as mais usuais são as taxas
percentuais, estas normalmente são taxas de dois tipos:
 Taxas proporcionais, são taxas que aumentam à medida que aumenta a proporção

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 Taxas progressivas, são taxas que aumentam mais do que a proporção, ou seja o
imposto aumenta em progressão.

A razão disto vem consagrado na CRP art. 104º 1, ou seja, na diminuição da desigualdade,
é o exemplo do IRS.

Outros princípios:

o Princípio da liberdade;

o Princípio da certeza;

o Princípio da não retroatividade dos impostos;

o Princípio da segurança;

o Princípio da imparcialidade;

o Princípio da proporcionalidade;

o Princípio da participação;

o Princípio da boa-fé;

o Princípio da proteção da confiança;

o Direito à informação

As convenções internacionais

Os tratados e acordos em matéria fiscal (para evitar a dupla tributação ou lutar contra a
fraude fiscais), sobretudo bilaterais, são hoje em dia frequentes.

A este propósito, é possível afirmar que, de um dos assuntos mais caracteristicamente


nacionais, a tributação, em virtude da abertura económica dos países, da internacionalização
e globalização dos mercados, se transformou numa matéria internacional dos mais
relevantes.

Nos termos do art. 8.º da Constituição, as normas internacionais vinculam diretamente os


cidadãos de um Estado, logo são autênticas fontes de Direito Fiscal.

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De referir que as convecções assinadas com países membros da União Europeia tendem a
perder a sua importância, à medida que o direto comunitário fiscal progride, sendo certo que
o direito comunitário prevalece sobre o direito das Estados membros (incluindo as suas
constituições nacionais), seja este direito interno ou direito internacional.

O Direito comunitário.

O direito da atual União europeia constitui uma fonte cada vez mais importante do direito
fiscal, podendo mesmo falar-se em direito comunitário fiscal. O direito comunitário fiscal
próprio e o direito comunitário fiscal interestadual.

O primeiro disciplina os impostos comunitários próprios, ex: a pauta aduaneira única; os


impostos sobre funcionários europeus. O segundo respeita á harmonização e à cooperação
fiscal entre os membros, como o caso do IVA.

As leis.

A título de lei, entendida com o sentido de diploma legislativo, existem: as leis (da AR), os
decreto-lei (do Governo) e os decretos legislativos regionais (das assembleias regionais).

Como foi referido a respeito do princípio da legalidade fiscal, quanto aos elementos essenciais
dos impostos, tem de haver necessariamente uma intervenção prévia de lei (parlamentar).
Só depois de uma pronúncia legislativa da AR podem o Governo e as regiões autónomas,
disciplinarem os elementos essenciais dos impostos.

Leis da Assembleia da República

Compete à Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias:

o Criação de impostos e sistema fiscal (elementos essenciais do imposto);

o Regime geral das taxas;

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o Regime geral das contribuições financeiras a favor das entidades públicas;

o Regime geral das contraordenações (ilícitos de mera ordenação social) e do processo


de contraordenação;

o Definição dos crimes, penas e medidas de segurança;

o Estrutura do processo criminal.

Decretos-Lei do Governo

O Governo só pode editar neste domínio, fiscal, decreto-lei (parlamentarmente) autorizados).


O Governo legisla através de Decretos-Lei numa dupla qualidade:

a. No exercício de competências próprias. Em matéria fiscal temos:


o Todas as matérias do sistema fiscal não reservadas à Assembleia da República
(Normas de liquidação e cobrança, processo, etc).
o Regulamentação das leis fiscais.

b. No exercício de autorizações da Assembleia da República em matérias fiscais que lhe


são reservadas. Os Decretos-Lei publicados no âmbito de autorização da Assembleia
da República devem mencionar expressamente a lei de autorização.

Resoluções da Assembleia da República

As resoluções são uma forma frequente de aprovar atos da Assembleia da República. Em


matéria fiscal é através da Resolução que são aprovados os tratados internacionais (que
versam matérias fiscais e outras matérias).

Só através de lei da AR se pode criar impostos e definir ou alterar a sua incidência. Também
só através de lei da AR se pode condenar certa conduta fiscal como crime.

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O Decreto-Lei, com exceção das leis de autorização que permitem ao Governo legislar sobre
matéria reservada à AR, só poderá desenvolver e completar os princípios e as bases definidas
por lei ou disciplinar os restantes elementos do imposto.

Por meio de lei da AR pode regular outros elementos da relação jurídico-tributária, além dos
tradicionais – lançamento, liquidação, cobrança – bem como a disciplina dos chamados
deveres fiscais acessórios.

No que respeita às matérias referidas no art. 103.º 1 al. i) e 165.º 1 CRP, a competência da
AR é exclusiva, não podendo o Governo dispor por decreto-lei contra o preceituado na lei,
sob pena de inconstitucionalidade material.

Já quanto às restantes matérias, a competência da AR e do Governo é concorrente. Assim


sendo, nada impede o Governo de alterar por via de DL o que estiver disposto em lei anterior
da AR.

Os regulamentos.

Os regulamentos são atos normativos secundários, que geralmente dão execução a uma lei
da Assembleia da República ou a um Decreto-Lei emanado do Governo. O regulamento é
uma norma geral e abstrata, emanada do poder executivo, no desempenho da atividade
administrativa, com vista à boa aplicação das leis.

Face à complexidade de legislação fiscal, em que não seria possível ou até desejável prever
minuciosamente todos os aspetos necessários à sua aplicação, a própria legislação fiscal
emanada da Assembleia da República confere ao Governo a possibilidade de publicar
decretos regulamentares tendo em vista o desenvolvimento de normas genericamente
definidas nessa legislação.

Noutros casos, a mesma legislação atribui ao Ministro das Finanças a competência para
aprovar portarias ou despachos que desenvolvam e tornem exequíveis determinados

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preceitos constantes nessa legislação, para publicar despachos normativos, aprovar


declarações fiscais, entre outras situações.

Com base no art. 103.º CRP são possíveis regulamentos de execução ou complementares,
que são regulamentos efetuados no seguimento de uma lei, com vista à boa execução dessa
lei (não vai além das ideias contidas na lei). Não são possíveis, no entanto, regulamentos
autónomos ou independentes.

As leis fixam as bases gerais do regime jurídico e, posteriormente, são objeto de


regulamentação através dos regulamentos de execução (art. 199 CRP).

Ordens internas da Administração (despachos, instruções e circulares):

O carácter geral e abstrato dos chamados “despachos genéricos”, das instruções e circulares,
emanados de diversas entidades (Ministro e Secretários de Estado do Departamento das
Finanças, Diretores-gerais das Contribuições e Impostos, das Alfândegas, etc.) sobre
matérias tributárias, têm levado, por vezes, a considerar a questão de saber se tais
“resoluções meramente administrativas”, pois essa é a sua natureza, serão fontes de Direito
Fiscal.

Não parece que o sejam, porquanto a força vinculativa de tais diplomas se acha circunscrita
a um sector da ordem administrativa. E essa mesma força vinculativa resulta tão-somente
da autoridade hierárquica dos agentes de onde provêm, e dos deveres de acatamento dos
subordinados aos quais se dirigem.

Assim, por exemplo, os “despachos genéricos”, as instruções e as circulares, emanados de


um Secretário de Estado, e tendo por destinatários os funcionários da Direcção-Geral das
Contribuições e Impostos, só vinculam aqueles mesmos funcionários, e em razão do seu
dever de obediência hierárquica.

Tais diplomas não têm por destinatários os particulares, os cidadãos, os contribuintes. O que,
evidentemente, não obsta a que, no plano prático, os contribuintes tenham o maior interesse

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em conhecer tais instruções, circulares e despachos. Porque é segundo os critérios ai


definidos, nomeadamente quanto à interpretação da lei fiscal aplicável, que os funcionários
hierarquicamente vinculados a essas ordens de serviço vão apreciar os casos sobre os quais
lhes cumpre decidir.

E, na generalidade das situações, ou porque os critérios adotados são corretos, ou por


resignação em face das eventuais incorreções, os contribuintes conformam-se com a
orientação definida no plano administrativo.

Tal orientação, porém, não os vincula. Nem aos Tribunais, que tratam de interpretar e aplicar
as leis fiscais sem qualquer dependência dos critérios adotados pela Administração fiscal
através dos referidos “despachos genéricos”, das circulares e das instruções.

Assim, se os contribuintes inconformados com aqueles critérios não conseguirem convencer


a Administração do bem fundado das suas razões contrárias, resta-lhes a via judicial, para
através dela fazerem vingar os seus pontos de vista. E, frequentemente, por tal forma o
conseguem.

Já se tem procurado atribuir a natureza de regulamentos e de fontes de Direito às referidas


ordens internas da Administração. Mas integração de lacunas ou a interpretação das leis
fiscais que elas visam não cabe na função regulamentar. E a limitação do poder vinculativo
a uma esfera hierárquica retira-lhes a qualidade de fonte de Direito.

Circulares, ofícios e instruções – emitem comandos para aqueles que, na cadeia hierárquica
lhes são inferiores, de forma escrita (formal).

Do ponto de vista fiscal, não são fonte de direito, pese embora que, por vezes, se possa
sentir os seus efeitos.

Os contratos

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Fala-se, no Direito Fiscal, de contratos fiscais, os quais se encontram agora expressamente


mencionados e previstos na codificação geral do direito fiscal – art.º 37º da LGT.

Temos no direito fiscal dois tipos de contratos. De um lado, temos os contratos que podemos
designar por contratos fiscais, stricto sensu, os quais têm por objeto, em alguma medida,
incentivos fiscais.

Por outro lado temos os contratos que se enquadram num conceito mais amplo ou lato de
contratos fiscais, em que se integram para além dos referidos contratos fiscais stricto sensu,
também os contratos que têm por objeto o lançamento, a liquidação ou a cobrança do
imposto, em que intervêm, de um lado e por parte do sujeito ativo, a administração fiscal e,
de outro, o próprio sujeito da correspondente relação jurídica fiscal, ou terceiros.

Os contratos fiscais em sentido amplo, nas diversas modalidades que assumem, dizem
respeito a situações concretas e individuais, não podem considerar-se como fontes de direito
fiscal.

A jurisprudência e a doutrina

Nem a jurisprudência nem a doutrina constituem fontes imediatas de Direito Fiscal. No


entanto, desempenham um papel do maior relevo como fontes mediatas de Direito Fiscal,
pela influência que exercem na evolução dos sistemas de Direito positivo.

E esta influência é ainda mais marcada no campo do Direito Fiscal, por se tratar de um ramo
de Direito que tem sofrido ultimamente, e está a sofrer, grandes e profundas alterações, as
quais são muito frequentemente influenciadas pela opinião dos doutrinadores e pelas
orientações jurisprudenciais.

O costume

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Há ramos de Direito cujas normas vão sendo elaboradas pelos próprios destinatários,
constantemente, através do ajustamento quotidiano de critérios de justiça, espontaneamente
definidos, às situações concretas que se sucedem no tempo.

E os legisladores, na sua função de descobrir as normas já existentes, ou em formação, numa


sociedade, acabam, com maior ou menor lentidão, por formular essas normas assim criadas
por via consuetudinária.

Em tais esferas jurídicas, o costume - "tacitus consensus populi longa consuetudine


inveteratus" há-de afirmar-se como fonte de Direito. Mas não parece que aconteça no campo
tributário, onde as normas não são criadas espontaneamente pelos destinatários.
O costume não é fonte de direito fiscal.

Os usos e os costumes administrativos - também não são fonte de direito fiscal

A codificação fiscal

Tal como acontece no Direito Comunitário, o Direito Fiscal disciplina uma realidade cujas
condicionantes políticas, económicas e sociais se encontram em permanente mutação. Nisto
radica a dificuldade de codificação desta área do saber.

A 1ª grande codificação do direito Fiscal ocorreu em 1919, na Alemanha e ficou a dever-se


a Becker, grande jurista alemão. A legislação alemã de 1919, pela definição de conceitos,
sistematização e conceptualização de leis que operou foi um trabalho que se revelou muito
importante pelo impulso que deu à Doutrina e à Jurisprudência não só alemãs, mas de todo
o mundo europeu.

Em Portugal, a codificação tende a ser parcelar (imposto a imposto). Cada código consagra
as normas relativas a um imposto.

Em Portugal temos os seguintes códigos:

o Código IVA;

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o Código do IMI;

o Código IRS;

o Código IRC;

o Código Processo Tributário.

Atualmente, há uma falta de codificação básica geral das normas tributárias, apesar dos
vários códigos parcelares existentes. O que conduz a que nestes códigos parcelares se
contenham, atualmente, princípios de direito substantivo comuns às diversas espécies
tributárias, com a consequente inevitabilidade da repartição de conceitos e da existência de
contradições.

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2.Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS)

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2.1.Implicações para o sujeito passivo

Os elementos básicos que configuram qualquer figura tributária são os seguintes:

Ato tributável

Entende-se por ato tributável a circunstância cuja realização, de acordo com a lei, origina a
obrigação tributária.

São atos tributáveis a detenção ou imputação de rendimento nos impostos sobre o


rendimento, a propriedade de bens e a titularidade de direitos económicos nos impostos
sobre o património; a aquisição de bens e direitos por herança ou por doação nos impostos
de sucessões e doações; a entrega de bens e a prestação de serviços nos impostos sobre as
vendas.

Base tributável

É a quantificação e valorização do ato tributável. Existem dois métodos para determinar a


base do imposto: o método direto que exige a elaboração de cálculos apoiados em
documentos e dados contabilísticos e o método objetivo ou indiciário que utiliza sinais
externos ou índices para estimar a base tributável;

Taxa tributária

É a quantidade que se aplica à matéria coletável.

Sujeito passivo

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Entende-se por sujeito passivo a pessoa natural ou jurídica que está obrigada por lei ao
cumprimento das prestações tributárias. Distingue-se entre contribuinte, a que a lei impõe a
carga tributária e o retentor, aquele que retém o imposto e a entrega ao Estado.

Neste sentido é sujeito passivo toda a pessoa singular que resida em território português e
a que, nele não residindo, aqui obtenha rendimentos.

Devemos assim distinguir entre as pessoas singulares residentes em território português, as


quais estão sujeitas a imposto sobre a universalidade dos seus rendimentos, incluindo os
obtidos fora desse território e as pessoas singulares não residentes em território português,
as quais apenas estão sujeitas a imposto sobre os rendimentos obtidos neste território.

Existindo agregado familiar, o imposto é devido pelo conjunto dos rendimentos das pessoas
que o constituem, considerando-se como sujeitos passivos aquelas a quem incumbe a sua
direção.

O agregado familiar é constituído por:


a. Os cônjuges não separados judicialmente de pessoas e bens e os seus dependentes;
b. Cada um dos cônjuges ou ex-cônjuges, respetivamente, nos casos de separação
judicial de pessoas e bens ou de declaração de nulidade, anulação ou dissolução do
casamento, e os dependentes a seu cargo;
c. O pai ou a mãe solteiros e os dependentes a seu cargo;
d. O adotante solteiro e os dependentes a seu cargo.

Para efeitos do disposto anteriormente, consideram-se dependentes:


a. Os filhos, adotados e enteados, menores não emancipados, bem como os menores
sob tutela;
b. Os filhos, adotados e enteados, maiores, bem como aqueles que até à maioridade
estiveram sujeitos à tutela de qualquer dos sujeitos a quem incumbe a direção do
agregado familiar, que, não tendo mais de 25 anos nem auferindo anualmente
rendimentos superiores ao valor da retribuição mínima mensal garantida, tenham
frequentado no ano a que o imposto respeita o 11.º ou 12.º anos de escolaridade,
estabelecimento de ensino médio ou superior;

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

c. Os filhos, adotados, enteados e os sujeitos a tutela, maiores, inaptos para o trabalho


e para angariar meios de subsistência, quando não aufiram rendimentos superiores
ao salário mínimo nacional mais elevado;

Em regra, as pessoas não podem fazer parte de mais do que um agregado familiar nem,
integrando um agregado familiar, ser consideradas sujeitos passivos autónomos.

A situação pessoal e familiar dos sujeitos passivos relevante para efeitos de tributação é
aquela que se verificar no último dia do ano a que o imposto respeite.

Um exemplo – Rendimentos Categoria A

O sujeito passivo que tinha tido um rendimento anual bruto de 12.000€ de Categoria A
(trabalho dependente/por contra de outrem). Isto é o equivalente a receber mensalmente
857€ em 14 meses.

De acordo com o cálculo do IRS:

Dos 12.000€ que recebeu, os “primeiros” 4.104€ não pagam imposto (porque é descontada
a dedução específica da Categoria A).

Sobram 7.896€ (12.000€ – 4.104€) que é o chamado Rendimento Coletável (o valor que é
sujeito a pagar impostos).

É a este valor (7.896€) que se aplica os escalões de IRS de uma forma progressiva:

O primeiro escalão vai dos 0€ aos 7000€ e tem uma taxa de 14,50%. Ou seja, dos 7.896€
do valor do rendimento, 7.000€ vão ser taxados a 14,5%, o que dá 1015€ de IRS. Ficam a
sobrar 896€ que serão taxados no escalão seguinte;

O segundo escalão vai dos 7000€ até 20.000€ e tem uma taxa de 28,50%. Ou seja, os 896€
que faltam taxados a 28,5%, o que dá 255,36€ de IRS.

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Assim, o valor a pagar de IRS seria 1015€ + 255,36€ = 1270,36€

A este valor de imposto apurado, as finanças ainda lhe fazem alguns “descontos” - as
deduções à coleta.

Por exemplo, por cada contribuinte existe um desconto de 427,50€ ou 213,75€ (consoante
a pessoa seja casada ou solteira).

Por cada filho, há um desconto de 427,50€ (caso o filho tenha até 3 anos) ou de 213,75€,
caso tenha mais do que 3 anos. Há ainda vários outros descontos, como despesas de saúde
e educação.

Um exemplo – Rendimentos Categoria A + Rendimentos Categoria B

Caso de uma pessoa que tenha tido os seguintes rendimentos:

o Categoria A (trabalho dependente/por contra de outrem): rendimento anual bruto de


10.000€

o Categoria B (faturas-recibo eletrónicas ou Recibos Verdes): rendimento anual bruto


de 1.000€

Ou seja, o rendimento total bruto desta pessoa é de 11.000€. Mas não são os 11.000€ que
são sujeitos aos escalões de IRS. Antes disso é preciso descontar a dedução específica de
cada categoria.

Já vimos que a dedução específica dos rendimentos de categoria A é de 4104€, logo da


categoria A, vamos ter sujeito a imposto 10.000€-4104€ = 5896€

Da categoria B, a dedução específica é 25%, logo 1000- 25% = 750€.

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Assim, o rendimento coletável (sujeito a imposto) é 5896€ (categoria A) + 750€ (categoria


B) = 6.646€

É a este valor (6.646€) que se aplica os escalões de IRS de uma forma progressiva:

-Como o primeiro escalão vai até 7000€, a totalidade destes rendimentos são taxados a
14,5%, logo o valor de IRS apurado seria 14,5% * 6646€ = 963,67€.

Para além deste valor de imposto apurado, as finanças ainda lhe fazem alguns “descontos”
- as chamadas deduções à coleta.

Por exemplo, por cada contribuinte existe um desconto de 427,50€ ou 213,75€ (consoante
a pessoa seja casada ou solteira).

Por cada filho, há um desconto de 427,50€ (caso o filho tenha até 3 anos) ou de 213,75€,
caso tenha mais do que 3 anos. Há ainda vários outros descontos, como despesas de saúde
e educação.

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2.2.Repercussão na empresa

As empresas e profissionais individuais são sujeitos passivos de IRS pela Categoria B, cujos
rendimentos, salvaguardadas algumas especificidades, são apurados de acordo com as
regras do Código do IRC.

Para além deste aspeto, refere-se que sobre as empresas, individuais e coletivas, com
residência, sede ou direção efetiva em território português, recaem obrigações relacionadas
com o IRS, no âmbito da substituição tributária (retenção na fonte).

Assim, as pessoas singulares, agindo no quadro de uma atividade empresarial ou profissional,


e as pessoas coletivas e entidades equiparadas, que paguem ou coloquem à disposição
rendimentos sujeitos a IRS, estão obrigadas a efetuar a retenção na fonte sobre esses
rendimentos.

Essa obrigação determina, também para as empresas a sujeição a um conjunto de obrigações


de natureza contabilística e declarativa, conexas com a obrigação de retenção.

Retenção na fonte

O método de funcionamento do IRS obriga as empresas ao cumprimento de determinadas


obrigações.

Como regra geral, para os rendimentos em que tal é possível e conveniente, o método de
pagamento que o Código prevê é o da retenção na fonte, devendo a entidade que procede
ao pagamento dos rendimentos entregá-los ao contribuinte já líquidos do imposto.

Os rendimentos sujeitos a retenção na fonte são, nomeadamente, os seguintes:


o Rendimentos do trabalho dependente (Categoria A);
o Rendimentos empresariais e profissionais (Categoria B);

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o Rendimentos de capitais (Categoria E);


o Rendimentos prediais (Categoria F);
o Pensões (Categoria H).

As empresas estão obrigadas a proceder à retenção relativamente a todos os rendimentos


acima mencionados

Trabalho dependente

Para as remunerações de trabalho dependente, sejam fixas ou variáveis, prevê-se a aplicação


de tabelas práticas de retenção.

Remunerações fixas

As tabelas a aplicar no caso das remunerações fixas dos trabalhadores dependentes são
definidas em Decreto-Regulamentar tendo em conta a situação familiar do contribuinte.

Remunerações variáveis

As tabelas a aplicar às remunerações variáveis constam do Código, aplicando-se à


remuneração anual estimada no início de cada ano ou no início da atividade profissional do
sujeito passivo, ou a correspondente ao somatório das remunerações já recebidas ou
colocadas à disposição, acrescido das resultantes de eventuais aumentos verificados no ano
a que respeite o imposto.

A responsabilidade pelo pagamento do imposto cabe à entidade que procede à retenção. No


caso da retenção na fonte, é a entidade que procede à retenção que está obrigada à entrega
do imposto.

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2.3.Estrutura deste imposto

O IRS incide sobre o valor anual (ano civil) dos rendimentos das categorias seguintes:

Categoria A - Rendimentos do trabalho dependente


Categoria B - Rendimentos Empresariais e Profissionais
Categoria E - Rendimentos de Capitais
Categoria F - Rendimentos Prediais
Categoria G - Incrementos Patrimoniais
Categoria H – Pensões

Rendimentos da categoria A

Consideram-se rendimentos do trabalho dependente todas as remunerações pagas ou postas


à disposição do seu titular, provenientes de:

a) Trabalho por conta de outrem prestado ao abrigo de contrato individual de


trabalho ou de outro a ele legalmente equiparado;

b) Trabalho prestado ao abrigo de contrato de aquisição de serviços ou outro de


idêntica natureza, sob a autoridade e a direção da pessoa ou entidade que ocupa
a posição de sujeito ativo na relação jurídica dele resultante;
c) Exercício de função, serviço ou cargo públicos;
d) Situações de pré-reforma, pré-aposentação ou reserva, com ou sem prestação de
trabalho, bem como de prestações atribuídas, não importa a que título, antes de
verificados os requisitos exigidos nos regimes obrigatórios de segurança social
aplicáveis para a passagem à situação de reforma.

As remunerações referidas compreendem, designadamente, ordenados, salários,


vencimentos, gratificações, percentagens, comissões, participações, subsídios ou prémios,

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senhas de presença, emolumentos, participações em multas e outras remunerações


acessórias, ainda que periódicas, fixas ou variáveis, de natureza contratual ou não.

Consideram-se ainda rendimentos do trabalho dependente, entre outros:

a) As remunerações dos membros dos órgãos estatutários das pessoas coletivas e


entidades equiparadas, com exceção dos que neles participem como revisores
oficiais de contas;
b) As remunerações acessórias, nelas se compreendendo todos os direitos,
benefícios ou regalias não incluídos na remuneração principal que sejam auferidos
devido à prestação de trabalho ou em conexão com esta e constituam para o
respetivo beneficiário uma vantagem económica, designadamente:

1) Os abonos de família e respetivas prestações complementares, exceto na


parte em que não excedam os limites legais estabelecidos;
2) O subsídio de refeição;
3) As importâncias despendidas pela entidade patronal com seguros e
operações do ramo «Vida», contribuições para fundos de pensões, fundos
de poupança-reforma ou quaisquer regimes complementares de
segurança social;
4) Os subsídios de residência ou equivalentes ou a utilização de casa de
habitação fornecida pela entidade patronal;

Não constituem rendimento tributável:

a) As prestações efetuadas pelas entidades patronais para regimes obrigatórios de


segurança social, ainda que de natureza privada, que visem assegurar
exclusivamente benefícios em caso de reforma, invalidez ou sobrevivência;
b) Os benefícios imputáveis à utilização e fruição de realizações de utilidade social e
de lazer mantidas pela entidade patronal;
c) As prestações relacionadas exclusivamente com ações de formação profissional
dos trabalhadores, quer estas sejam ministradas pela entidade patronal, quer por
organismos de direito público ou entidade reconhecida como tendo competência

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

nos domínios da formação e reabilitação profissionais pelos ministérios


competentes.
d) As importâncias suportadas pelas entidades patronais com a aquisição de passes
sociais a favor dos seus trabalhadores desde que a atribuição dos mesmos tenha
carácter geral.

Rendimentos da categoria B

Consideram-se rendimentos empresariais e profissionais:

a) Os decorrentes do exercício de qualquer atividade comercial, industrial, agrícola,


silvícola ou pecuária;
b) Os auferidos no exercício, por conta própria, de qualquer atividade de prestação
de serviços, incluindo as de carácter científico, artístico ou técnico, qualquer que
seja a sua natureza, ainda que conexa com atividades mencionadas na alínea
anterior;
c) Os provenientes da propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de
informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial,
comercial ou científico, quando auferidos pelo seu titular originário.

São excluídos de tributação os rendimentos resultantes de atividades agrícolas, silvícolas e


pecuárias quando o valor dos proveitos ou das receitas, isoladamente ou em cumulação com
os rendimentos ilíquidos sujeitos, ainda que isentos, desta ou de outras categorias que devam
ser ou tenham sido englobados, não exceda por agregado familiar quatro vezes e meia o
valor anual do IAS.

Os rendimentos referidos ficam sujeitos a tributação desde o momento em que para efeitos
de IVA seja obrigatória a emissão de fatura ou documento equivalente ou, não sendo
obrigatória a sua emissão, desde o momento do pagamento ou colocação à disposição dos
respetivo titulares, sempre que o rendimento seja determinado com base na contabilidade.

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Rendimentos da categoria E

Abrange os rendimentos de capitais, ou seja, os frutos e demais vantagens económicas,


qualquer que seja a sua natureza ou denominação, sejam pecuniários ou em espécie,
procedentes, direta ou indiretamente, de elementos patrimoniais, bens, direitos ou situações
jurídicas, de natureza mobiliária, bem como da respetiva modificação, transmissão ou
cessação, com exceção dos ganhos e outros rendimentos tributados noutras categorias,
designadamente:

a) Os juros e outras formas de remuneração decorrentes de contratos de mútuo,


abertura de crédito;
b) Os juros e outras formas de remuneração derivadas de depósitos à ordem ou a
prazo em instituições financeiras, bem como de certificados de depósitos;
c) Os juros, os prémios de amortização ou de reembolso e as outras formas de
remuneração de títulos da dívida pública, obrigações, títulos de participação,
certificados de consignação, obrigações de caixa ou outros títulos análogos;
d) Os juros e outras formas de remuneração de suprimentos, abonos ou
adiantamentos de capital feitos pelos sócios à sociedade;
e) O saldo dos juros apurado em contrato de conta corrente;
f) Os lucros das entidades sujeitas a IRC colocados à disposição dos respetivos
associados ou titulares, incluindo adiantamentos por conta de lucros;
g) Os rendimentos das unidades de participação em fundos de investimento;
h) Quaisquer outros rendimentos derivados da simples aplicação de capitais;
i) O ganho decorrente de operações de swaps cambiais, swaps de taxa de juro,
swaps de taxa de juro e divisas e de operações cambiais a prazo;

Rendimentos da categoria F

Consideram-se rendimentos prediais as rendas dos prédios rústicos, urbanos e mistos


pagas ou colocadas à disposição dos respetivos titulares. São havidas como rendas:

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a) As importâncias relativas à cedência do uso do prédio ou de parte dele e aos


serviços relacionados com aquela cedência;
b) As importâncias relativas ao aluguer de maquinismos e mobiliários instalados no
imóvel locado;
c) A diferença, auferida pelo sublocador, entre a renda recebida do subarrendatário
e a paga ao senhorio;
d) As importâncias relativas à cedência do uso, total ou parcial, de bens imóveis,
para quaisquer fins especiais, designadamente publicidade;
e) As importâncias relativas à cedência do uso de partes comuns de prédios em
regime de propriedade horizontal;
f) As importâncias relativas à constituição, a título oneroso, de direitos reais de gozo
temporários, ainda que vitalícios, sobre prédios rústicos, urbanos ou mistos.

Rendimentos da categoria G

Esta categoria inclui os incrementos patrimoniais, desde que não considerados rendimentos
de outras categorias:

a) As mais-valias;
b) As indemnizações que visem a reparação de danos não patrimoniais, excetuadas
as fixadas por decisão judicial ou arbitral ou resultantes de acordo homologado
judicialmente, de danos emergentes não comprovados e de lucros cessantes,
considerando-se neste último caso como tais apenas as que se destinem a
ressarcir os benefícios líquidos deixados de obter em consequência da lesão;
c) Importâncias auferidas em virtude da assunção de obrigações de não
concorrência, independentemente da respetiva fonte ou título;
d) Acréscimos patrimoniais não justificados.

Constituem mais-valias os ganhos obtidos que, não sendo considerados rendimentos


empresariais e profissionais, de capitais ou prediais, resultem de:

35
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a) Alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis e afetação de quaisquer


bens do património particular a atividade empresarial e profissional exercida em
nome individual pelo seu proprietário;
b) Alienação onerosa de partes sociais, incluindo a sua remição e amortização com
redução de capital, e de outros valores mobiliários e, bem assim, o valor atribuído
aos associados em resultado da partilha que, nos termos do artigo 81.º do Código
do IRC, seja considerado como mais-valia;
c) Alienação onerosa da propriedade intelectual ou industrial ou de experiência
adquirida no sector comercial, industrial ou científico, quando o transmitente não
seja o seu titular originário;
d) Cessão onerosa de posições contratuais ou outros direitos inerentes a contratos
relativos a bens imóveis;

Rendimentos da Categoria H

Consideram-se pensões:
a) As prestações devidas a título de pensões de aposentação ou de reforma, velhice,
invalidez ou sobrevivência, bem como outras de idêntica natureza, e ainda as
pensões de alimentos;
b) As prestações a cargo de companhias de seguros, fundos de pensões, ou
quaisquer outras entidades, devidas no âmbito de regimes complementares de
segurança social em razão de contribuições da entidade patronal, e que não sejam
consideradas rendimentos do trabalho dependente;
c) As pensões e subvenções não compreendidas nas alíneas anteriores;
d) As rendas temporárias ou vitalícias.

Tipos de taxas
As taxas de irs para 2014, também conhecidas como escalões de irs, são cinco.

As taxas do imposto (2014) para rendimentos auferidos a partir de 1 de Janeiro de 2013


são as constantes da tabela seguinte:

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Rendimento Coletável Taxa


até 7000 euros 14.50%
+ 7000€ a 20 000€ 28.50%
+ 20 000€ a 40 000€ 37%
+ 40 000€ a 80 000€ 45%

+ 80 000€ 48%

O quantitativo do rendimento coletável, quando superior a €. 7000, é dividido em duas


partes: uma, igual ao limite do maior dos escalões que nele couber, à qual se aplica a taxa
correspondente a esse escalão; outra, igual ao excedente, a que se aplica a taxa da coluna
respeitante ao escalão imediatamente superior.

Sobretaxa e Taxa adicional de solidariedade

Em 2014, mantém-se a sobretaxa extraordinária de IRS para todos os trabalhadores da setor


público e privado, com salários de valor superior ao salário mínimo nacional - 485€.

Ao rendimento coletável de IRS que exceda o valor da remuneração mínima mensal garantida
(6.790€) por sujeito passivo, é aplicada uma sobretaxa. A sobretaxa foi fixada em 3,5% e irá
incidir sobre todo o tipo de rendimentos englobados na declaração anual de IRS, auferidos
por pessoas residentes fiscais em território português.

Esta sobretaxa incidirá também sobre alguns rendimentos sujeitos a taxa especiais,
nomeadamente os rendimentos auferidos por residentes não habituais em Portugal.

Os sujeitos passivos que aufiram rendimentos de trabalho dependente e pensões serão


sujeitos a uma retenção na fonte mensal. Esta retenção será efetuada a título de pagamento
por conta da sobretaxa devida a final e que vier a ser apurada com a entrega da declaração
anual de IRS.

Relativamente aos rendimentos de outras fontes, a sobretaxa extraordinária será apurada


através da apresentação da declaração de rendimentos anual.

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Taxa adicional de solidariedade

A taxa adicional de solidariedade aplica-se de forma progressiva à parte do rendimento


coletável que exceda 80.000€. Assim, aplica-se a taxa de 2,5% aos rendimentos coletáveis
entre 80.000 € e 250.000€. A parte do rendimento que exceda 250.000€ será tributada à
taxa de 5%.

Ao quantitativo do rendimento coletável superior a (euro) 80 000 incidem as taxas


adicionais de solidariedade constantes da tabela seguinte:

Rendimento Coletável Taxa


De mais de 80.000€ até 250 000 2.5%
Superior a 250 000€ 5%

O quantitativo da parte do rendimento coletável que exceda 80 000€, quando


superior a 250 000€, é dividido em duas partes: uma, igual a 170 000€, à qual se
aplica a taxa de 2,5%; outra, igual ao rendimento coletável que exceda (euro) 250 000, à
qual se aplica a taxa de 5%.

Tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas


e bens, a taxa referida no número anterior aplica-se à diferença positiva entre a divisão
por dois do rendimento coletável e o limite estabelecido no mesmo número,
multiplicada por dois.

Quociente conjugal

Tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas


e bens, as taxas aplicáveis são as correspondentes ao rendimento coletável dividido
por 2.

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

O método consiste em dividir o rendimento global da família (após as deduções e os


abatimentos) por dois, determinando-se a taxa de imposto aplicável ao quociente obtido e
determina-se, assim, o imposto correspondente a metade do rendimento. Finalmente,
multiplica-se por dois esse imposto a fim de obter o imposto devido pelo casal.

Tudo se passa como se o rendimento global do casal fosse tributado à taxa aplicável a metade
desse rendimento. Evita-se assim que a tributação conjunta faça subir a taxa de imposto,
com vista a eliminar o incentivo fiscal ao divórcio ou ao não casamento.

O quociente conjugal funciona satisfatoriamente em situações em que os rendimentos


individuais de cada um dos cônjuges são relativamente aproximados, mas origina distorções
na tributação quando num dos cônjuges se concentra a maior parte do rendimento.

Em situações deste tipo o quociente conjugal confere mais vantagens aos casados,
prejudicando os não casados.

Mínimo de existência

Da aplicação das taxas estabelecidas não pode resultar, para os titulares de rendimentos
predominantemente originados em trabalho dependente ou em pensões, a disponibilidade
de um rendimento líquido de imposto inferior ao valor anual da retribuição mínima mensal
acrescida de 20 % nem resultar qualquer imposto para os mesmos rendimentos, cuja matéria
coletável, após a aplicação do quociente conjugal, seja igual ou inferior a (euro) 1911.

Ao rendimento coletável dos agregados familiares com três ou quatro dependentes ou com
cinco ou mais dependentes, cujo montante seja, respetivamente, igual ou inferior ao valor
anual do salário mínimo nacional mais elevado acrescido de 60% ou igual ou inferior ao valor
anual do salário mínimo nacional mais elevado acrescido de 120%, não são aplicadas as
taxas estabelecidas.

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Sobretaxa extraordinária

Sobre a parte do rendimento coletável de IRS que resulte do englobamento, acrescido dos
rendimentos sujeitos às taxas especiais, auferido por sujeitos passivos residentes em
território português, que exceda, por sujeito passivo, o valor anual da retribuição mínima
mensal garantida, incide a sobretaxa extraordinária de 3,5 %.

À coleta da sobretaxa extraordinária são deduzidas apenas:


a) 2,5 % do valor da retribuição mínima mensal garantida por cada dependente ou
afilhado civil que não seja sujeito passivo de IRS;
b) As importâncias retidas na fonte que, quando superiores à sobretaxa devida,
conferem direito ao reembolso da diferença.

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Deduções específicas

Categoria

A  72% de doze vezes o valor da RMMG (Remuneração mensal


Rendimentos mínima garantido) para o ano de 2010 (4.104,00€) ou, quando
do trabalho superior, o valor total das contribuições obrigatórias para regimes
de proteção social
 Elevação para 75% x 12 x RMMG para o ano de 2010 (4.275,00€),
existindo quotas para associações profissionais indispensáveis ao
exercício de atividade profissional por conta de outrem
 Indemnizações pagas pelo trabalhador por rescisão unilateral do
contrato de trabalho
 Quotas para sindicatos, até 1% do rendimento bruto, acrescidas
de 50%
 Profissões de desgaste rápido, dedução das despesas com
prémios de seguro de doença, acidentes pessoais e vida, com
limite de 2.096,10€

B
 Regime simplificado: não há deduções de despesas
Rendimentos
 Regime contabilidade organizada: em regra, serão aceites as
empresariais e
despesas inerentes à atividade
profissionais

F  Despesas de manutenção e conservação


Rendimentos  Imposto Municipal sobre Imóveis
prediais  Encargos de condomínio
 Imposto do Selo nos contratos de arrendamento de imóveis ou
parte de prédios

G  50% do saldo apurado entre as mais-valias e menos-valias com:


o venda de imóveis

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Incrementos o venda de direitos de propriedade intelectual ou industrial, ou

patrimoniais "know-how" quando auferido pelo titular não originário


o cessão de posição contratual em contratos relativos a
imóveis

H  Dedução até 4.104€ para pensões até 22.500€


pensões  Para pensões de valor superior a 22.500€, a dedução reduz-se
progressivamente, sendo nula para pensões de valor superior a
43.020€
 Quotas para sindicatos até 1% do rendimento bruto, acrescidas
de 50%
 Contribuições obrigatórias para regimes de proteção social e para
subsistemas legais de saúde

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

2.4.Determinação do rendimento coletável

O rendimento coletável em IRS é o que resulta do englobamento dos rendimentos das várias
categorias auferidos em cada ano, depois de feitas as deduções e os abatimentos previstos.

Nas situações de contitularidade, o englobamento faz-se nos seguintes termos:


a) Tratando-se de rendimentos da categoria B, cada contitular engloba a parte do
rendimento que lhe couber, na proporção das respetivas quotas;
b) Tratando-se de rendimentos das restantes categorias, cada contitular engloba os
rendimentos ilíquidos e as deduções legalmente admitidas, na proporção das
respetivas quotas.

Não são englobados para efeitos da sua tributação:


a) Os rendimentos auferidos por sujeitos passivos não residentes em território
português;
b) Os rendimentos auferidos por residentes em território português, sujeitos às taxas
liberatórias e taxas especiais, sem prejuízo da opção pelo englobamento neles
previsto.

Quando o sujeito passivo aufira rendimentos que dêem direito a crédito de imposto por dupla
tributação internacional, os correspondentes rendimentos devem ser considerados pelas
respetivas importâncias ilíquidas dos impostos sobre o rendimento pagos no estrangeiro.

Sempre que a lei imponha o englobamento de rendimentos isentos, observa-se o


seguinte:
a) Os rendimentos isentos são considerados, sem deduções, no caso de sujeitos
passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens, para
determinação das taxas a aplicar ao restante rendimento coletável;
b) Para efeitos da alínea anterior, o quociente da divisão por 2 dos rendimentos
isentos é imputado proporcionalmente à fração de rendimento a que corresponde
a taxa média e a taxa normal.

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Deduções à coleta

À coleta são efetuadas as seguintes deduções relativas:

a) Aos sujeitos passivos, seus dependentes e ascendentes;


b) Às despesas de saúde;
c) Às despesas de educação e formação;
d) Às importâncias respeitantes a pensões de alimentos;
e) Aos encargos com lares;
f) Aos encargos com imóveis;
g) Aos encargos com prémios de seguros de vida;
h) Às pessoas com deficiência;
i) À dupla tributação internacional;
j) Aos benefícios fiscais.

São ainda deduzidos à coleta os pagamentos por conta do imposto e as importâncias retidas
na fonte que tenham aquela natureza, respeitantes ao mesmo período de tributação.

As deduções previstas aplicam-se apenas aos sujeitos passivos residentes em território


português.

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Deduções à coleta de IRS 2014

Não
Valores em Euros Casado
casado

Pessoais e familiares

i) Contribuinte 427,50 213,75

ii) Famílias monoparentais - 332,50

iii) Dependentes 213,75 213,75

Dependentes <= 3 anos a 31 de dezembro do ano em causa 427,50 427,50

Agregados familiares com três ou mais dependentes a seu cargo / Por


237,50 237,50
dependente

iv) Ascendentes em comunhão de habitação com o contribuinte e


261,25 261,25
rendimento <= à pensão mínima do regime geral

v) Apenas um ascendente em comunhão de habitação com o contribuinte


403,75 403,75
e rendimento <= à pensão mínima do regime geral

Pessoas portadoras de deficiência

i) Por sujeito passivo 3.800,00 (1) 1.900,00

ii) Por dependente portador de deficiência 712,50 712,50

iii) Por ascendente portador de deficiência 712,50 712,50

Sem
iv) 30% de despesas educação e reabilitação Sem limite
limite

v) 25% de prémios de seguros de vida e contribuições para associações 15%


15% coleta
mutualistas coleta

- Se contribuições pagas para reforma por velhice 130,00 65,00

Despesas de saúde

Dedução de 10% das seguintes despesas:

a) aquisição de bens e serviços isentos de IVA ou sujeitos à taxa reduzida


838,44 (2) 838,44 (2)
de 6%

65,00 ou
b) aquisição de outros bens e serviços desde que devidamente justificados 65,00 ou
2,5% de a)
através de receita médica 2,5% de
se superior

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

a) se
superior

c) nos agregados com três ou mais dependentes com despesas de saúde o


125,77 125,77
limite é elevado por dependente em

Despesas de educação e formação profissional

i) Dedução de 30% das despesas com o limite de 760,00 760,00

ii) Nos agregados com três ou mais dependentes com despesas de


educação o limite é elevado por cada dependente com despesas de 142,50 142,50
educação em

Encargos com lares

Dedução de 25% dos encargos relativos ao próprio sujeito passivo, bem


como dos encargos para pessoas com deficiência, seus dependentes,
403,75 403,75
ascendentes e colaterais até ao 3º grau com rendimentos inferiores ao
salário mínimo nacional

Prémios de seguros de vida e acidentes pessoais

Revogado - Apenas se
mantêm para
Dedução de 25% dos prémios de acidentes pessoais e seguros de vida
profissões de
(riscos de morte, invalidez ou reforma por velhice após os 55 anos de idade
desgaste rápido e
e 5 anos de contrato)
pessoas portadoras de
deficiência

Pensões de alimentos

419,22 por mês, por


Dedução de 20% das importâncias suportadas
beneficiário

Encargos com imóveis

Dedução de 15% dos seguintes encargos:

a) juros de dívidas, por contratos celebrados até 31 de dezembro de 2011,


contraídas com a aquisição, construção ou beneficiação de imóveis para
296,00 296,00
habitação própria e permanente ou arrendamento devidamente
comprovado para habitação permanente do arrendatário;

b) prestações devidas, em resultado de contratos celebrados até 31 de


dezembro de 2011 com cooperativas de habitação ou no regime de
compras em grupo, para aquisição de imóveis para habitação própria e 296,00 296,00
permanente ou para arrendamento para habitação permanente do
arrendatário, na parte que respeitem a juros das correspondentes dívidas;

46
ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

c) importâncias pagas a título de rendas por contrato de locação financeira


celebrado até 31 de dezembro de 2011 relativo a imóveis para habitação
296,00 296,00
própria permanente efetuadas ao abrigo deste regime, na parte que não
constituam amortização de capital;

d) importâncias líquidas de subsídio ou comparticipações oficiais,


suportadas a título de renda pelo arrendatário de prédio urbano ou da sua
414,00 414,00
fração autónoma para fins de habitação permanente, quando referentes a
contratos de arrendamento celebrado ao abrigo do RAU ou do NRAU.

Os limites estabelecidos nas alíneas a) e b) e c) são elevados da seguinte forma:

- rendimento coletável até ao limite do 1º escalão – 50%; 444,00 444,00

- rendimento coletável até ao limite do 2º escalão – 20%. 355,20 355,20

O limite estabelecido na alínea d) é elevado da seguinte forma:

- rendimento coletável até ao limite do 1º escalão – 50%; 621,00 621,00

- rendimento coletável até ao limite do 2º escalão – 20%. 496,80 496,80

Fundos de Poupança-Reforma e Planos de Poupança-Reforma (3)

Dedução de 20% do valor aplicado

i) pessoas com idade inferior a 35 anos; 800,00 400,00

ii) pessoas com idade compreendida entre os 35 e os 50 anos (inclusive); 700,00 350,00

iii) pessoas com idade superior a 50 anos. 600,00 300,00

Prémios de seguro de saúde

Dedução de 10% de despesas com prémios de seguros de saúde 100,00 50,00

Por cada dependente acresce 25,00 25,00

Donativos

Dedução de 25% dos donativos:

Sem
i) administração Central, Regional ou Local; Fundações (com condições); Sem limite
limite

15% da 15% da
ii) donativos a outras entidades.
coleta coleta

Regime público de capitalização

Dedução de 20% do valor aplicado em contas individuais geridas em


700,00 350,00
regime público de capitalização

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Dedução do IVA suportado (4)

Dedução de 15% do IVA suportado, por qualquer membro do agregado


familiar, que conste de faturas que titulem determinadas prestações de 500,00 250,00
serviços comunicadas à Autoridade Tributária

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Limitações a deduções à coleta e a benefícios fiscais 2014

Limite de soma das deduções à coleta

Para 2014, o limite da soma das Deduções à Coleta é:

- rendimento coletável situado no 1º escalão Sem limite

- rendimento coletável situado no 2º escalão 1.250,00 (6)

- rendimento coletável situado no 3º escalão 1.000,00 (6)

- rendimento coletável situado no 4º escalão 500,00 (6)

- rendimento coletável situado no 5º escalão 0,00

Limite dos benefícios fiscais dedutíveis à coleta

Para 2014, o limite da soma dos Benefícios Fiscais é:

- rendimento coletável situado no 1º escalão Sem limite

- rendimento coletável situado no 2º escalão 100,00

- rendimento coletável situado no 3º escalão 80,00

- rendimento coletável situado no 4º escalão 60,00

- rendimento coletável situado no 5º escalão 0,00

As deduções quando superiores ao imposto devido conferem direito ao reembolso da


diferença.

1
(1) No pressuposto que os dois sujeitos passivos são portadores de deficiência.
(2) Este limite aplica-se à alínea a) e b).
(3) Não são dedutíveis os valores aplicados após a data de passagem à reforma.
(4) Conferem direito à dedução as despesas incorridas com prestações de serviços nos seguintes setores de
atividade:
- manutenção e reparação de veículos automóveis;
- manutenção e reparação de motociclos, suas peças e acessórios;
- alojamento, restauração e similares;
- atividades de salões de cabeleireiro e institutos de beleza.
(5) Inclui despesas de saúde, educação e formação, encargos com lares, encargos com imóveis e pensões de
alimentos.
(6) Estes limites são majorados em 10% por cada dependente ou afilhado civil que não seja sujeito passivo de
IRS.

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Em caso algum as deduções previstas podem deixar aos sujeitos passivos rendimento líquido
de imposto menor do que aquele que lhe ficaria se o seu rendimento coletável
correspondesse ao limite superior do escalão imediatamente inferior.

As deduções referidas só podem ser realizadas:

a) Mediante a identificação fiscal dos dependentes, ascendentes, colaterais ou


beneficiários a que se reportem,
b) Mediante a identificação, em fatura emitida nos termos legais, do sujeito passivo ou
do membro do agregado a que se reportem, nos casos em que envolvam despesa.

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3. Restantes contribuições

51
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3.1.Imposto de selo

O imposto de selo é o imposto mais antigo dentro do sistema fiscal português tendo sido
criado por alvará em 1660, sendo considerado pelo menos até 2000, um imposto anacrónico.

Hoje, o imposto de selo está disciplinado no Código do Imposto de Selo (CIS), aprovado pela
Lei nº 150/99, de 11.09, existindo uma Tabela Geral do imposto quanto às taxas a liquidar.

Incidência objetiva

O imposto de selo recai sobre todos os atos, contratos, documentos, títulos, livros, papéis e
outros factos previstos na respetiva tabela do imposto, (nomeadamente os previstos na verba
nº 1.2 da TG) incluindo ainda as transmissões gratuitas de bens. (cf. artigo 1º do
CIS)(Redação Lei 55-A/2012).

Para efeitos da verba 1.2 da Tabela Geral, são consideradas transmissões gratuitas,
designadamente, as que tenham por objeto, designadamente:

a) Direito de propriedade ou figuras parcelares desse direito sobre bens imóveis,


incluindo a aquisição por usucapião;
b) Bens móveis sujeitos a registo, matrícula ou inscrição;
c) Participações sociais, valores mobiliários e direitos de crédito associados, ainda que
transmitidos autonomamente, títulos e certificados da dívida pública, bem como
valores monetários, ainda que objeto de depósito em contas bancárias;
d) Estabelecimentos comerciais, industriais ou agrícolas;
e) Direitos de propriedade industrial, direitos de autor e direitos conexos;

52
ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Incidência subjetiva

O imposto de selo é devido por todos aqueles que tenham interesse económico nas
modalidades referidas no ponto anterior, concretamente todos os sujeitos e estão
identificados no artigo 2º do CIS, recaindo o respetivo encargo sobre os titulares do interesse
económico das situações que estão identificadas no artigo 1º do CIS.

São sujeitos passivos do imposto, designadamente:


a) Notários, conservadores dos registos civil, comercial, predial e de outros bens sujeitos
a registo, outras entidades públicas, incluindo os estabelecimentos e organismos do
Estado, bem como todas as entidades ou profissionais que autentiquem os
documentos particulares, relativamente aos atos, contratos e outros factos em que
sejam intervenientes, com exceção dos celebrados perante notários relativos a crédito
e garantias concedidos por instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras
entidades a elas legalmente equiparadas e por quaisquer outras instituições
financeiras, e quando, nos termos da alínea n) do artigo 5.º, os contratos ou
documentos lhes sejam apresentados para qualquer efeito legal;
b) Entidades concedentes do crédito e da garantia ou credoras de juros, prémios,
comissões e outras contraprestações;
c) Instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras entidades a elas legalmente
equiparadas residentes em território nacional, que tenham intermediado operações
de crédito, de prestação de garantias ou juros, comissões e outras contraprestações
devidos por residentes no mesmo território a instituições de crédito ou sociedades
financeiras não residentes;

No contrato de Prestação de Serviços, o imposto de selo é devido pelo sujeito que recebe a
prestação do serviço.

No contrato de trabalho, o imposto é devido pelo empregador.

Isenções

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Isenções subjetivas

Estão isentos (isenção subjetiva) do imposto de selo os seguintes sujeitos:

o Estado

o Regiões Autónomas

o Autarquias locais

o Associações de autarquias locais

o Federações de autarquias locais

o Serviços das autarquias locais

o Estabelecimentos e organismos das autarquias locais

o Institutos públicos

o Segurança Social e suas instituições

o Pessoas coletivas de utilidade publica

o Instituições de solidariedade social ou equiparadas.

Nos termos do disposto no artigo 8º do CIS, quando haja lugar a qualquer isenção, deve
averbar-se no documento ou no título a disposição legal que a prevê.

O nascimento do imposto verifica-se na data dos atos e dos contratos dos quais consta a
respetiva assinatura dos sujeitos intervenientes.

O imposto de selo é sempre pago por meio de guia no final do mês seguinte aquele em que
a obrigação tributária se constituiu.

Pelos contratos de prestação de serviços e de trabalho é devido o valor de 5,00€ de imposto


de selo – n.º 8 da tabela do imposto selo.

54
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Valor tributável

O valor tributável do imposto do selo é o que resulta da Tabela Geral.

55
ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Incidência Taxa (%)

Aquisição onerosa ou por doação de imóveis 0,8

Aquisição gratuita de bens por pessoas


10
singulares (sucessões e doações)

Arrendamento ou subarrendamento (sobre um


10
mês de renda)

Garantias (exceto se acessórias e simultâneas de Prazo < 1 ano – por cada mês ou
0,04
contratos especialmente previstos na Tabela): fração

Prazo >= 1 ano 0,5

Sem prazo ou prazo >= 5 anos 0,6

Prazo < 1 por cada mês ou fração 0,04

Prazo >= 1 ano 0,5

Prazo >= 5 anos 0,6


Utilização de crédito:

Prazo não determinado (v.g. conta


corrente) – por mês sobre a média 0,04
mensal da dívida

Prazo < 1 por cada mês ou fração 0,07

Prazo >= 1 ano 0,9

Prazo >= 5 anos 1


Crédito ao consumo:

Prazo não determinado (v.g. conta


corrente) – por mês sobre a média 0,07
mensal da dívida

Juros, incluindo desconto de letras 4

Comissões por garantias prestadas 3


Operações efetuadas por instituições
Outras comissões por serviços
financeiras: 4
financeiros

Comissões por mediação de seguros 2

Com afetação habitacional 1

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Direito de propriedade, usufruto ou superfície


Detidos por entidades residentes em
sobre prédios urbanos e terrenos para
paraíso fiscal (exceto pessoas 7,5
construção com valor patrimonial tributário >=
singulares)
1.000.000€

Letras e livranças sobre o valor com mínimo de


0,5
1€

Trespasse de estabelecimento 5

Prémio de bingo (*) 25

Outros prémios (rifas, jogos do loto, sorteios ou


concursos, com exceção dos prémios dos jogos
35
sociais previstos na verba 11.3 da Tabela Anexa
ao Código do Imposto do Selo) (*)

Parcela dos prémios Euromilhões, Lotaria


Nacional, Lotaria Instantânea, Totobola, 20
Totogolo, Totoloto e Joker que exceda 5.000€

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3.2.Outros impostos

Contribuição para a segurança social

A qualidade de contribuinte por parte de uma entidade empregadora decorre da circunstância


de ter trabalhadores ao seu serviço, aos quais pague uma remuneração, ligados através de
contratos de trabalho ou da sua subordinação hierárquica e funcional, caso não exista
contrato.

Para este efeito considera-se que os membros dos órgãos estatutários das pessoas coletivas
(administradores, gerentes, etc.), entre outros trabalhadores com vínculos especiais, são
também abrangidos pelo regime geral dos trabalhadores por conta de outrem.

Inscrição da entidade

As entidades empregadoras estão sujeitas a inscrição nos Centros Regionais de Segurança


Social, estando também obrigadas a proceder à inscrição dos respetivos trabalhadores
dependentes e equiparados.

A inscrição consiste em participar o início da atividade, no prazo de 30 dias a contar da data


em que o mesmo se verificar, fornecendo um conjunto de dados informativos e documentos.
Assim:

A participação deve conter:


o A identificação da entidade empregadora e dos responsáveis pela administração ou
gerência;
o O tipo de atividade;
o A sede ou domicílio;
o O local de trabalho;

58
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Documentos que devem ser apresentados:


o A declaração fiscal de início de atividade;
o O número de identificação fiscal;
o Fotocópia autenticada da escritura de constituição ou do Diário da República em que
a constituição foi publicada.

As entidades empregadoras estão também obrigadas a comunicar a suspensão ou a cessação


da sua atividade, juntando declaração fiscal comprovativa dessa situação.

Obrigações declarativas das remunerações

As entidades empregadoras estão obrigadas a declarar as remunerações que paguem aos


seus trabalhadores, nos seguintes termos:
 Através de folha de remuneração, em duplicado, ou através de suporte informático.
 A entrega através de suporte informático pressupõe o acordo prévio com o Centro
Regional competente;
 Folha essa a entregar mensalmente, de 1 a 15 do mês seguinte àquele a que diz
respeito;
 Elementos que as folhas de remuneração devem conter, relativamente aos
trabalhadores:
o Identificação (nome, número de beneficiário e categoria profissional);
o Número de dias de trabalho;
o Valor das remunerações;
o Outras indicações com relevância na situação remuneratória (doença, etc.)

Nas situações em que haja lugar a taxas contributivas diferentes da taxa social única, devem
ser apresentadas folhas de remuneração autónomas, com indicação da situação que
determina essas taxas.

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ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

Base da incidência das contribuições

Constitui base de incidência de contribuições para a Segurança Social as remunerações


pagas, nomeadamente:
 A remuneração base (pecuniária ou em género);
 As quantias pagas a trabalhadores em contrapartida de trabalho prestado, como por
exemplo a reforma antecipada;
 As diuturnidades;
 O subsídio de Páscoa ou Natal;
 Os diversos prémios, como por exemplo os prémios de produtividade e assiduidade;
 O Subsídio de férias;
 A retribuição por trabalho suplementar;
 O bónus ou outras prestações de mesma natureza;
 A retribuição por trabalho noturno;
 As comissões;
 A retribuição por trabalho em dias de descanso;
 A parte sujeita das remunerações dos órgãos estatutários;
 A retribuição por trabalho em feriado;
 As gratificações, quando consideradas remunerações;
 A remuneração correspondente ao período de suspensão de trabalho com perda de
remuneração (sanção disciplinar);
 O subsídio por condições especiais de trabalho (por exemplo, o subsídio de risco);
 O subsídio de alimentação, na parte que exceda 1,5 o estabelecido para os servidores
do Estado, ou 1,7 se pagos por título de refeição;
 Os subsídios regulares como por exemplo a renda de casa.

Não constituem base de incidência:


 Os subsídios pagos aos trabalhadores para fins de estudos ou despesas de infantário
dos seus filhos;
 As despesas de transporte;
 As ajudas de custo;
 A compensação paga por cessação do contrato de trabalho a termo;
 As indemnizações pela não concessão de férias;

60
ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

 A participação nos lucros das empresas quando se trata de remuneração do capital;


 Os complementos aos subsídios da previdência (pensões, doença, etc.);
 O subsídio de alimentação até 1,5 do valor praticado para os servidores do Estado,
ou 1,7 se pagos em títulos de refeição;
 Os subsídios pagos aos trabalhadores para pagamento das despesas médicas e
hospitalares, bem como a dos seus familiares;
 Certos subsídios de residência (Decreto-Lei n.º 275/87 e Portaria n.º 475/87 de 5 de
Junho;
 Prémios pecuniários de antiguidade ou outros, sem carácter regular, desde que não
referidos nos contratos de trabalho e não correspondam a prática corrente na
empresa;
 Subsídios de formação pagos a jovens com contratos de formação;
 Verbas pagas aos trabalhadores na sequência de acordo de cessação do contrato de
trabalho;
 Despesas de representação atribuídas a gestores ou a outros profissionais derivado
das exigências das suas funções;
 Indemnização paga ao trabalhador pela cessação do contrato de trabalho a termo
antes de findo o prazo convencionado.

Taxas

Taxa contributiva global do regime geral:

Entidades empregadoras .............................................................................. 23, 75%


Trabalhadores ………................................................................................................. 11%
Total .................................................................................................................................... 34,75%

Taxas contributivas mais favoráveis

A lei prevê taxas contributivas mais favoráveis, podendo consistir na redução da taxa geral
ou mesmo na isenção, em situações que abrangem, nomeadamente:

61
ufcd nº 0676 – Legislação fiscal na função pessoal

 Entidades sem fins lucrativos;


 Sectores de atividade economicamente débeis;
 Adoção de medidas de estímulo ao aumento de postos de trabalho;
 Adoção de medidas de estímulo ao emprego em relação a trabalhadores de idade
mais avançada ou com incapacidade para o trabalho.

Pagamento das contribuições

Compete à entidade empregadora proceder ao pagamento das contribuições à segurança


social.

O pagamento é feito através de guias de pagamento e processa-se nos seguintes termos:

Prazo

 De 1 a 15 do mês seguinte àquele a que as contribuições dizem respeito

Locais de pagamento:

 Centro Regional da Segurança Social da área do local de trabalho, nas quantias até
100 Euros;
 Nas instituições de crédito, nas quantias iguais ou superiores a 100 Euros.

Meios de pagamento.

 Em numerário;
 Cheque à ordem do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social;
 Por transferência bancária.

No caso das taxas mais favoráveis devem ser preenchidas guias de pagamento autónomas,
com indicação da situação a que dizem respeito.

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Bibliografia

AA VV., Código do IRS, Ed. Vida económica, 2010

AA VV., Manual prático: Processamento laboral, Edições Verlag Dashoffer, s/d

Correia, Paulo, Fiscalidade – Manual de formação, Ed. Companhia própria, 2004

Ferreira, Abel, Legislação Laboral. Guia do formando, Ed. IEFP/ ISG, 2004

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Termos e condições de utilização

AVISO LEGAL

O presente manual de formação destina-se a utilização em contexto educativo.


É autorizada a respetiva edição e reprodução para o fim a que se destina.
É proibida a divulgação, promoção e revenda total ou parcial dos respetivos conteúdos.

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