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VERGOTTINI, Giuseppe de. Constituição. In: BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política.

Brasília: UnB. Pp. 258-68

O Vergottinni faz um texto descritivo sobre o conceito de Constituição. A pergunta central é: o


que é a Constituição? As secundarias são: Como se caracterizam as Constituições? Quais são os
tipos principais? Quais problemas têm que afrontar?

O que responde dizendo que a Constituição é a expressão formar dos princípios organizativos da
sociedade. Se caracteriza por partir de quatro elementos chave: a defensa das garantias
(fundamentalmente liberais), a estabilização, a legitimação do poder e a propaganda política-
ideológica. Fala de quatro tipos clássicos: 1) o da democracia liberal clássica, 2) o do régime
socialista, 3) o do régime autoritário e 4) dos regímenes das novas nações. O faz utilizando o
método científico empírico analítico.

O artigo é claro e útil para questões académicas, corresponde ao livro. Ideologicamente está perto
à ortodoxia progressista da Ciência Política contemporânea, a qual representa os compiladores.

I. Pressupostos das constituições contemporâneas.


a. Garantia.
b. Estabilização e racionalização.
c. Legitimação.
d. Propaganda e educação política.
II. Insuficiência do conceito formal de constituição.
III. Contaste entre estática e dinâmica de um ordenamento: o conceito material de
constituição.
IV. Alterações da Constituição.
V. A Assembleia Constituinte e as características da nova Constituição.
VI. Seu desenvolvimento.
VII. Tendências constitucionais contemporâneas.
a. Estados de democracia clássica (democracia liberal).
b. Estados socialistas.
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c. Estados autoritários.
d. Estados de recente independência.

[Definição de Constituição] “Todo ordenamento estatal possuiu sempre um conjunto peculiar de


princípios orgânicos característicos, que o distinguia dos demais, mas só em tempos relativamente
recentes se estendeu e consolidou a convicção de que tais princípios deveriam, em geral, ser
reunidos em um documento formal, definido como Constituição. As primeiras Constituições se
inseriram no quadro de um processo [...]”. (p. 258)

[A garantia] “Esta concepção da Constituição como garantia das liberdades fundamentais tinha
razão de ser, enquanto o modelo dos ordenamentos políticos estava, sobretudo, decalcado na
concepção própria do Estado liberal, primeiro em sua versão oligárquico-censitária e, depois, na
versão democrática [...]”. (p. 258)

[A estabilização e racionalização] “[...] A Constituição é um ponto firme, uma base coerente e


racional para os titulares do poder político, que visam, mediante ela, dar estabilidade e
continuidade à sua concepção da vida associada. [-] Com a Constituição são então fixadas
múltiplas garantias para defesa da ideologia dominante e dos institutos constitucionais
fundamentais”. (p. 258)

[Função de propaganda e de educação política] “[...] isso se verifica facilmente nas


Constituições de elevado conteúdo ideológico — como as francesas da Revolução, as socialistas
e as das repúblicas islâmicas —, cujos textos contêm, não só normas organizativas, mas sobretudo
princípios de orientação e estímulos de ativação das massas”. (p. 259)

[Limites teóricos] “Em geral, existe uma certa concordância sobre a insuficiência do recurso ao
critério formal para a identificação dos princípios essenciais [...]”. (p. 259)

[A tensão dinâmica e estática] “Das características inevitáveis de todo ordenamento é a busca da


conciliação entre o sistema tendencialmente estático das normas originais e as orientações fixadas

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pelos rumos políticos, que os órgãos constitucionais formulam sob o impulso dinâmico das forças
sociais. Esta dinâmica provoca um constante estado de tensão [...]”. (p. 260)

[Estados exceção] “[...] A de suspensão da Constituição é diferente; trata-se de uma modificação


apenas temporânea, justificada, em geral, pela necessidade de manter a Constituição material,
como acontece quando se instauram regimes de emergência interna e externa [...]”. (p. 261)

[Comissões parlamentárias] “[...] O modelo decisório de maioria mantém-se, em geral, como


modelo básico, mas, na prática, no Parlamento, tende a ser suplantado pelo modelo proporcional
em que cada grupo presta a sua contribuição por meio de propostas, emendas e votos. As comissões
parlamentares deliberativas são o lugar ideal para o método pactuai, enquanto que, na assembleia,
subsiste o confronto dos papéis e a aplicação da regra majoritária. [...]”. (p. 266)

[Socialismo] “[...] Constituições dos países socialistas se opõem claramente ao constitucionalismo


clássico, tanto aos princípios, como às soluções organizativas [...]”. (p. 267)

[Constituições fascistas] “[...] se caracterizavam por uma certa forma de reação em relação a uma
temida democratização dos ordenamentos liberais, e tendiam a prevenir a instauração de
ordenamentos socialistas, tinham por base o partido único, portador da ideologia oficial, única
legal. Encontraram sua orgânica sistematização num único texto constitucional, na Constituição
portuguesa de 1933”. (p. 267)