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18/11/2015

Comparação: estabelece uma equivalência explícita


entre um comparante e um comparado, por meio de
um termo de comparação, que pode ser uma palavra
ou locução.
Professora Vanessa Alves Ex1: A vida é COMO uma grande escola.
Ex2:O concurso público é TAL QUAL um campo de
batalha.

Metáfora: é uma comparação implícita, ou seja, não


NÍVEIS DE SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS: possui o termo comparativo. Baseia-se numa
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO associação de ideias subjetivas: uma palavra deixa o
seu contexto normal para fazer parte de outro
 DENOTAÇÃO - Consiste em utilizar a palavra no seu
contexto.
sentido original, em estado primeiro de dicionário. A
denotação aproxima a palavra da essência do objeto Ex: “Veja bem, nosso caso
que ela buscou primordialmente expressar. É uma porta entreaberta”
(Gonzaguinha- Grito de Alerta)
 CONOTAÇÃO - Consiste em atribuir novos
significados ao valor denotativo. A conotação Ex: “Meu pensamento é um rio subterrâneo”.
aproxima a apalavra da percepção do sujeito que a (Fernando Pessoa)
observa, dando-lhe um valor subjetivo.

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 Metonímia: é a utilização de uma palavra por outra.


Essas palavras mantêm-se relacionadas de várias
formas:  Antítese: é a aproximação de palavras ou expressões
que exprimem ideias contrárias, adversas.
Ex1: O autor pela obra: Você já leu Camões (algum Ex1: Amamos, vagamente surpreendidos
livro de Camões)? Pelo ardor com que estávamos unidos
Ex2: A parte pelo todo: Eles não têm teto onde se Nós que andávamos sempre separados.
abrigar (teto= casa) (Vinícius de Moraes)
Ex2: “Como eram possível beleza e horror, vida e morte
harmonizarem-se assim no mesmo quadro?”
(Érico Veríssimo)

Perífrase (ou Antonomásia): emprego de palavra ou  Eufemismo: é uma maneira de, por meio de palavras
expressão designativa da qualidade do ser, em vez do nome mais polidas, tornar mais suave e sutil uma
do ser:
informação de cunho desagradável e chocante.
Ex1: O Poeta dos Escravos morreu na flor dos anos. (Castro
Alves) Ex1: Infelizmente ele se foi (em vez de ele morreu).
Ex2: O Rei do Futebol já fez mais de mil golos (Pelé-Edson
Arantes do Nascimento).  Gradação: é a maneira ascendente ou descendente
como as idéia podem ser organizadas na frase.
Ex1: “O primeiro milhão possuído excita, acirra,
assanha a gula do milionário” (Olavo Bilac)

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 Hipérbole: modo exagerado de exprimir uma idéia. 1. Leia o trecho da música Catavento e Girassol, de
Ex1: “Queria gritar setecentas mil vezes”. Guinga e Aldir Blanc, e responda a questão
Como são lindos, como são lindos os burgueses... seguinte.
(Caetano Veloso – podre poderes) “Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora
 Prosopopéia (ou personificação): é a atribuição de do teu girassol. Entre o escancaro e o contido, eu te
características humanas a seres não humanos. pedi sustenido e você riu bemol.”
“A lua”, A figura de linguagem predominante nesses versos é
Tal qual a dona de um bordel,
A) antítese.
Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel.
B) comparação.
E nuvens,
Lá no mata-borrão do céu C) eufemismo.
Chupavam manchas torturadas” D) metáfora.
(João Bosco e Aldir Blanc - O bêbado e a equilibrista) E) pleonasmo

 Paradoxo: é uma afirmação que subverte as idéias, A novidade veio dar à praia,
apresentando fatos que mantêm relações na qualidade rara de sereia
Metade o busto de uma deusa Maia,
incompatíveis entre si.
metade um grande rabo de baleia
Ex.: Amor é fogo que arde sem se ver
È ferida que dói e não se sente. A novidade era o máximo,
do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo prá ceia

Ó mundo tão desigual,


tudo é tão desigual, ô ô ô ô ô
De um lado este carnaval,
de outro a fome total, ô

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E a novidade que seria um sonho, 3. A figura de linguagem empregada nos versos em destaque
o milagre risonho da sereia é:
Virava um pesadelo tão medonho, “Quando a Indesejada das gentes chegar
ali naquela praia, ali na areia
(Não sei se dura ou caroável)
A novidade era a guerra Talvez eu tenha medo.
entre o feliz poeta e o esfomeado Talvez sorria, ou diga:
Estraçalhando uma sereia bonita, - Alô, iniludível!”
despedaçando o sonho prá cada lado
a) clímax
(Gilberto Gil – A Novidade) b) eufemismo
c) paradoxo
d) catacrese
e) pleonasmo.

2. Gilberto Gil em seu poema usa um procedimento


de construção textual que consiste em agrupar ideias ABORDAGEM DE TEMAS METAFÓRICOS/ FILOSÓFICOS
de sentidos contrários ou contraditórios numa
mesma unidade de significação. Todo tema metafórico/filosófico, na verdade, é um tema
social que foi abordado numa linguajem figurada, conotativa.

A figura de linguagem acima caracterizada é: Decodifique as ideias expressas nos textos abaixo.

a) Metonímia
b) Paradoxo
c) Hipérbole
d) Sinestesia
e ) Gradação

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1. Cidade prevista 2. CÉREBRO ELETRÔNICO


Irmãos, cantai esse mundo O cérebro eletrônico faz tudo
que não verei, mas virá Faz quase tudo
um dia, dentro em mil anos, Faz quase tudo
talvez mais... não tenho pressa. Mas ele é mudo.
Um mundo enfim ordenado, O cérebro eletrônico comanda
uma pátria sem fronteiras, Manda e desmanda
sem leis e regulamentos, Ele é quem manda
uma terra sem bandeiras, Mas ele não anda
sem igrejas nem quartéis, Só eu posso pensar
sem dor, sem febre, sem ouro, Se Deus existe
um jeito só de viver, Só eu posso chorar quando estou triste
Eu cá com meus botões
De carne e osso

mas nesse jeito a variedade, Eu falo e ouço


a multiplicidade toda Eu penso e posso
que há dentro de cada um. Eu posso decidir
Uma cidade sem portas, Se vivo ou morro por que
de casas sem armadilha, Porque sou vivo
um país de riso e glória Vivo pra cachorro e sei
como nunca houve nenhum. Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Este país não é meu No meu caminho inevitável para a morte
nem vosso ainda, poetas. Porque sou vivo e sei
Mas ele será um dia Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
o país de todo homem. Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa, Rio de Janeiro : Nova Aguilar, 1992, p. 158-159) Com seus botões de ferro e seus
Olhos de vidro.
Autor: Gilberto Gil

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3. Retrato Depois tocarão o botão e a deusa descansará. Então, as


Eu não tinha este rosto de hoje, pessoas vão para as camas, deitam e sonham. Com as coisas
assim calmo, assim triste, assim magro, vistas. Sempre vistas através da caixa. Nunca sentidas ou
nem estes olhos tão vazios, vividas. Imunizadas que estão contra a própria vida.
nem o lábio amargo.  Ignácio de Loyola Brandão

Eu não tinha estas mãos sem força,


tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,


tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
 Cecília Meireles

4. HOJE 5. Eu, Etiqueta


Nas noites de verão, ou todas as noites, depois do jantar, o pai Em minha calça está grudado um nome, que não é meu de batismo
abandona a mesa. Ainda com a xícara de café na mão, ele se ou de cartório, um nome... estranho.
dirige à caixa quadrada. A deusa dos raios azulados espera o Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nessa
toque. O lugar principal é para o pai. Ninguém conversa. Não vida, em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até
hoje não fumei.
há o que falar. O pai não traz nada da rua, do dia-a-dia, do
escritório. Os filhos não perguntam, estão proibidos de Minhas meias falam de produto que nunca experimentei, mas são
comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma
interromper. A mulher mergulha na telenovela, no filme.
coisa não provada, por este provador de longa idade.
Todos sabem que não virá visita. E se vier alguma, vai chegar
Meu lenço, meu lençol, meu chaveiro, minha gravata e cinto e
antes da telenovela. Conversas esparsas durante os
escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e
comerciais. A sensação é que basta estar junto. Nada mais. sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos
Silenciosa, a família contempla a caixa azulada. Os olhos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de
excitados, cabeças inflamadas. Recebendo, recebendo. uso, abuso, reincidências, costume, hábito, premência,
Enquanto o corpo suportar, estarão ali. indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda!!!.

É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha

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É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha 6. A PRECE DA ÁRVORE
identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas Ser humano,
registradas, todos os logotipos do mercado. protege-me!
Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Junto ao puro ar
da manhã ao crepúsculo,
tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante sentinte e eu te ofereço
solitário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, aroma, flores, frutos e sombra!
invencível condição. Se ainda assim não te bastar,
curvo-me e te dou
Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou
proteção para teu ouro,
em qualquer língua (Qualquer principalmente), e nisto me pinho para tua nota,
comprazo, tiro glória de minha anulação. teto para teu abrigo,
Não sou – vê-lá – anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago lenha para teu calor,
mesa para teu pão,
para anunciar, para vender em bares, festas, praias, piscinas, e bem leito para teu repouso,
à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e apoio para teus passos,
sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou bálsamo para tua dor,
suborno algum a compromete. altar para tua oração
e te acompanharei até à morte...
Rogo-te: Não me maltrates!
Walter Rossi

Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas 7. O Bicho
idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam Vi ontem um bicho
e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa. na imundície do pátio
Sou gravado de forma universal, seio da estamparia, não de casa, catando comida entre os detritos.
da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se
oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me
Quando encontrava alguma coisa,
ostentar assim, tão orgulhoso de ser não Eu, mas artigo industrial, não examinava, nem cheirava,
peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de engolia com voracidade.
homem. Meu nome novo é Coisa. O bicho não era um cão,
Eu sou a coisa, coisamente. não era um gato,
Carlos Drummond de Andrade não era um rato.
O bicho, meu Deus,
era um homem.

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1. O tema ou assunto do poema é


Velha Chácara (A) amor pela cidade onde nasceu.
“A casa era por aqui... (B) alegria de reencontrar a casa de sua infância.
Onde? Procuro-a e não acho. (C) saudades do tempo de criança.
Ouço uma voz que esqueci: (D) a casa de sua infância continua como era.
É a voz deste mesmo riacho. (E) saudades da cidade onde nasceu.
Ah quanto tempo passou!
( Foram mais que cinqüenta anos)
2. Escolha a alternativa que interpreta melhor o verso “Mas o
Tantos que a morte levou!
menino ainda existe.”, segundo a leitura do poema “Velha
(E a vida...nos desenganos...)
Chácara”
A usura fez tábua rasa
(A) o menino ainda mora na chácara.
Da velha chácara triste:
(B) o menino existe nas lembranças do homem.
Não existe mais a casa...
Mas o menino ainda existe.
(C) o homem quer ser criança.
(Manuel Bandeira) (D) o menino visita a casa em que nasceu.
(E) o homem não quer ser adulto.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS “Rua dos Cataventos”


Velha Chácara
“Dorme, ruazinha...É tudo escuro...
“A casa era por aqui...
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Onde? Procuro-a e não acho.
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Ouço uma voz que esqueci: Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos
É a voz deste mesmo riacho. Dorme...Não há ladrões, eu te asseguro...
Ah quanto tempo passou! Nem guardas para acaso persegui-los
( Foram mais que cinqüenta anos) Na noite alta, como sobre um muro,
Tantos que a morte levou! As estrelinhas cantam como grilos...
(E a vida...nos desenganos...) O vento está dormindo na calçada
A usura fez tábua rasa O vento enovelou-se como um cão...
Da velha chácara triste: Dorme, ruazinha...Não há nada...
Só os meus passos...mas tão leves são
Não existe mais a casa...
Que até parecem, pela madrugada,
Mas o menino ainda existe.
Os da minha futura assombração...
(Manuel Bandeira)
(Mário Quintana)

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3. Leia o poema com atenção e assinale a alternativa que exprime melhor (...)
os sentimentos do autor.
Inutilmente procuro reconstituir a menina de seis anos que
(A) Saudade e tristeza.
me olhava na mesa e me achava triste. E não faço a menor
(B) Ternura e carinho.
idéia do que ela soube ou viu a meu respeito durante esses
(C) Amor e sofrimento.
inumeráveis domingos. Certamente fui sempre, para ela, uma
(D) Revolta e mágoa.
figura constante, mas vaga – um senhor feio e quieto, que ela
(E) Tristeza e sofrimento.
se acostumou a ver distraidamente de vez em quando – às
vezes com um ano ou mais de intervalo, que viaja e reaparece
4. Existe um verso no poema anterior em que o autor faz referência à sua
morte. Assinale sua comprovação. com a mesma cara e o mesmo jeito. Tomo consciência de que é
a primeira vez que conversamos os dois, ao fim de tantos anos
(A) “Dorme o teu sono sossegado e puro,” de vagos “boa-noite” e “como vai?”, mas nossa conversa
(B) “Dorme, ruazinha... É tudo escuro...” tranqüila e trivial me emociona de repente quando ela diz “eu
(C) “E nos meus passos, quem é que pode ouvi-los?” tinha seis anos...”
(D) “Os da minha futura assombração...”
(E) “Só os meus passos...Mas tão leves são”

A CASA VIAJA NO TEMPO Penso em tudo o que vivi nestes anos – tanta coisa tão intensa que
Volto, como antigamente, a esta grande casa amiga, na noite de veio e se foi – e penso na casa, no dono da casa, na família, na gente
domingo. Recuso, com o mesmo sorriso, a batida que a dona da casa que passou por aqui. A casa não é mais a mesma, a casa não é mais
me oferece, e tomo a mesma cachacinha de sempre. O dono da casa casa, é um grande navio que vai singrando o tempo, que vai
é o mesmo, a cachaça é a mesma, a casa, eu... E tantas vezes vim embarcando e desembarcando gente no porto de cada domingo:
aqui que não tomo consciência das coisas que mudaram. dentro em pouco outra menina de seis anos, filha dessa menina,
Sento-me, por acaso, ao lado de uma jovem senhora, amiga da estará sentada na mesma sala, sob a mesma lâmpada, e com seus
família, e a conversa é tranqüila e morna. Mas, de repente, a dois olhinhos pretos verá o mesmo senhor calado, de cara triste – o
propósito de alguma coisa, ela diz que se lembra de mim há muito mesmo senhor que numa noite de domingo, sem o saber, se
tempo. “Você vinha às vezes jantar, sempre assim, de paletó e sem despedirá para sempre e irá para o remoto país onde encontrará
gravata. Sentava calado, com a cara meio triste, um ar sério. Eu me outras sombras queridas ou indiferentes que aqui viveram também
lembro muito bem. Eu tinha seis anos...” suas noites de domingo – e não voltaram mais.
Seis anos! Certamente não me recordo dessa menina de seis anos; (Rubem Braga)
a casa sempre esteve cheia de meninas e mocinhas, há pessoas que
eu conheço de muitos domingos através de muitos anos, e das quais
nem sequer sei o nome. Pessoas que para mim fazem parte desta
casa e desses domingos, visitando esta casa.

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1. Segundo o autor do texto, ele não nota as mudanças Profundamente


da casa que frequenta porque: “Quando ontem adormeci
Na noite de São João
a) procura preservar na memória como eram as coisas Havia alegria e rumor
antigamente; Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
b) sempre gostou das coisas como eram; Ao pé das fogueiras acesas.
c) mentalmente atua como se o tempo não existisse; No meio da noite despertei
d) tais mudanças de fato não ocorreram; Não ouvi mais vozes nem risos
e) visita a casa com muita assiduidade e não se apercebe das [...]
mudanças. Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

2. No final da crônica, o autor do texto compara a casa a — Estavam todos dormindo


um navio; essa comparação é feita com base numa Estavam todos deitados
Dormindo
semelhança entre esses dois elementos, que é: Profundamente
Quando eu tinha seis anos
a) o fato da grandiosidade da casa permitir a presença de Não pude ver o fim da festa de São João
muita gente; Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
b) a circunstância de a casa ser freqüentada por pessoas de Minha avó
diversas idades; Meu avô
c) a presença constante do cronista na casa nas noites de Totônio Rodrigues
Tomásia
domingo;
Rosa
d) a transitoriedade de muitas pessoas que freqüentam a Onde estão todos eles?
casa; — Estão todos dormindo
e) as mudanças constantes da aparência da casa. Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.”
Manuel Bandeira, Libertinagem

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Este açúcar veio


3. No conhecido poema de Bandeira, aqui parcialmente
de uma usina de açúcar em Pernambuco
reproduzido, a experiência do afastamento da festa de São
ou no Estado do Rio
João e tampouco o fez o dono da usina.
a) É de ordem subjetiva e ocorre, primordialmente, no plano Este açúcar era cana
do sonho e da imaginação. e veio dos canaviais extensos
b) Reflete, em chave saudosista, o tradicionalismo que que não nascem por acaso
caracterizou a geração modernista de 1922. no regaço do vale.
c) Se dá predominantemente no plano do tempo e encaminha (...)
uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas humanas. Em usinas escuras,
homens de vida amarga
d) Assume feição abstrata, na medida em que evita assimilar
e dura
os dados da percepção sensível, registrados pela visão e
produziram este açúcar
pela audição.
branco e puro
e) É figurada poeticamente segundo o princípio estético que com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
prevê a separação nítida de prosa e poesia. Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.

4. O antagonismo que configura uma imagem da divisão


O AÇÚCAR
social do trabalho na sociedade brasileira é expresso
O branco açúcar que adoçará meu café
poeticamente na oposição entre a doçura do branco
nesta manhã de Ipanema
açúcar e
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro a) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.
e afável ao paladar b) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.
como beijo de moça, água c) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na
na pele, flor boca.
que se dissolve na boca. Mas este açúcar d) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se
não foi feito por mim. produz o açúcar.
Este açúcar veio e) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da vale.
mercearia.

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A LIBERDADE
2. Um outro poema também oferece o contraponto entre nós e o mundo:
A liberdade como problema
Mundo mundo vasto mundo,
A torneira seca
se eu me chamasse Raimundo
(mas pior: a falta seria uma rima, não seria uma solução.
De sede) Mundo mundo vasto mundo,
a luz apagada mais vasto é meu coração.
(mas pior: o gosto
do escuro) 3. Neste poema, Carlos Drummond de Andrade, como José Paulo Paes,
confronta-nos com a realidade exterior: o "vasto mundo" do qual somos
A porta fechada uma pequena parcela e no qual estamos mergulhados. Todavia, os dois
(mas pior: a chave poemas diferem, pois, em vez da inércia resignada, estamos agora
diante da afirmação de que nosso ser é mais vasto do que o mundo:
por dentro)
pelo nosso coração - sentimentos e imaginação - somos maiores do que
o mundo, criamos outros mundos possíveis, inventamos outra realidade.
Abrimos a torneira, acendemos a luz e giramos a chave.

1. Este poema de José Paulo Paes nos fala, de forma 4. Embora diferentes, os dois poemas apontam para o grande
extremamente concentrada e precisa, do núcleo da tema da ética, desde que esta se tornou questão filosófica: o que
liberdade e de sua ausência. O poeta lança um contraponto está e o que não está em nosso poder? Até onde se estende o
poder de nossa vontade, de nosso desejo, de nossa consciência?
entre uma situação externa experimentada como um dado
Em outras palavras: até onde alcança o poder de nossa
ou como um fato (a torneira seca, a luz apagada, a porta
liberdade? Podemos mais do que o mundo - ou este pode mais do
fechada) e a inércia resignada no interior do sujeito (a falta que nossa liberdade? O que está inteiramente em nosso poder e o
de sede, o gosto do escuro, a chave por dentro). O que depende inteiramente de causas e forças exteriores que agem
contraponto é feito pela expressão "mas pior". Que significa sobre nós? Por que o pior é a falta de sede e não a torneira seca,
ela? Que diante da adversidade, renunciamos a enfrentá-la, o gosto do escuro e não a luz apagada, a chave imobilizada e não
fazemo-nos cúmplices dela e é isso o pior. Pior é a renúncia a porta fechada? O que depende do "vasto mundo" e o que
à liberdade. Secura, escuridão e prisão deixam de estar fora depende de nosso "mais vasto coração"?
de nós, para se tornarem nós mesmos, com nossa falta de (Marilena Chauí : Convite à Filosofia, São Paulo : Ática, p. 357.
sede, nosso gosto do escuro e nossa falta de vontade de Fragmento)
girar a chave.

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5. A pretensão maior da autora, no desenvolvimento do texto, é


questionar:
a) A liberdade de que gozam os poetas, quando expressam a
repercussão de situações externas no interior do sujeito.
b) A forma como a realidade exterior restringe a liberdade de uma
pequena parcela da população, mergulhada nos mistérios deste ‘vasto
mundo’.
c) A profundidade de nossos sentimentos e de nossa imaginação na
compreensão dos problemas que nos deixam inertes e resignados.
d) Até que ponto somos senhores de nosso destino e podemos controlar,
nós mesmos, nossos projetos de vida.
e) A consistência dos princípios éticos que se aplicam aos temas da
literatura poética e das doutrinas filosóficas.

6. Analisando as estratégias da autora na composição do texto,


podemos afirmar que:

a) Já no primeiro parágrafo, o autor sintetiza a ideia geral do texto


e antecipa elementos da conclusão.
b) O segundo e terceiro parágrafos dão continuidade à temática
do primeiro, mantendo, inclusive, o mesmo foco de percepção
da questão em análise.
c) As diferentes perspectivas dos poemas citados no texto
serviram de base para se abordar a natureza complexa do
problema proposto.
d) O autor optou pela estratégia das afirmações taxativas, em
todos os parágrafos, prescindindo da capacidade de reflexão
do leitor.
e) O último parágrafo se restringe à retomada do primeiro poema,
articulando, assim, o início com o final do texto.

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