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PACTOS, SUA POSSIBILIDADE, VALIDADE E ANULAÇÃO POR

MEIOS MÁGICOS

A presente questão me foi dirigida por um dos membros deste grupo, que
julguei digna de uma resposta elaborada pela experiência que tenho em campo e
também poque essa questão do pacto, que gera uma grande polêmica dentro dos
meios ocultos e necessita urgentemente de esclarecimentos tanto à Luz do
Conhecimento como do da prática.

Para que alcancemos este objetivo, reproduzi abaixo a questão do membro


deste Grupo, assim como uma breve explanação do vem a ser o pacto em termos de
Magia Ritualística Prática, a fim de que não seja confundido com o vulgar “pacto
com o diabo”, mais afeito às produções hollywoodianas e aos seriados televisivos
voltados para a imaginação exagerada.

O “pacto com o diabo” como é conhecido e a forma mais popular explorada


pelas produções cinematográficas e consiste em um acordo entre o humano e a figura
mítica do diabo, no qual este concede favores materiais em troca da alma do
indivíduo que aceito este acordo. É uma tentativa de pular as etapas do
desenvolvimento interior para obter privilégios (normalmente riquezas e poder
político) sem que para isso o indivíduo possua mérito ou evolução alguma. Este não é
modelo explorado no presente texto.

O pacto no sentido mágico ritualístico é uma tentação realizada por parte das
Inteligências Superiores ou Inferiores de forçar o Mago a ceder em suas fraquezas,
caso não disponha do treinamento e da preparação devida para exercer o contato
consciente com elas. Por essa razão, além de preparado, o Mago nunca deve ceder a
tentação de atender às oferendas solicitadas pelas Inteligências Invisíveis, que
buscam testar sua força e firmeza de sua força interior para saber se realmente está à
altura de seu sacerdócio. É um aspecto altamente positivo, porém, revestido de forma
aparentemente negativa.

O Mago é claramente instruído durante o período de sua preparação sobre essa


ocorrência e o modo de proceder com relação a ela. Vale sempre a pena lembrar que,
embora essas Inteligências ou Potências sejam infinitamente mais poderosas do que o
homem, elas fazem parte de sua consciência e não são dela separadas. O que significa
que toda tentação vem de dentro do seu próprio ser e ocorre sob os auspícios do
Mestre Interior (Santo Anjo Guardião ou Cristo Cósmico) dentro de cada um.

Todo seu na Luz do Soberano Colégio dos Magos Praticantes!


Charles Lucien de Lièvre

PERGUNTA DO SR. M:

Charles, uma dúvida (que pode até tornar-se um documento da Ordem caso
queira), na Ordem assim como nos livros sérios de Magia, sempre fala-se de que
não se deve pactos de nenhuma espécie (e você mesmo sempre insiste nisso, diga-
se), pois bem, e se uma pessoa antes de entrar na Ordem tiver passado por outros
grupos, nos quais a praxis é a realização de pactos, como proceder? Existe alguma
técnica ou prática que sirva justamente para quebrar um pacto (procurei inclusive
no Tratado Elementar e nada encontrei)?

RESPOSTA:
Os pactos são acordos firmados entre as Inteligências Invisíveis que se fazem
presentes diante do círculo Mágico e são uma espécie de teste para o Magista, pois
essas Potências Invisíveis, enxergando o homem em todas as suas virtudes e defeitos,
tentará por meio de suas fraquezas e vícios, torná-lo de Senhor e Autoridade dentro
Círculo a servo das mesmas forças invocadas por ele invocadas. Isso só pode ser
realizado com o consentimento do próprio Magista, pois no momento em que tornou
possível a materialização dessas Forças Invisíveis, ele está investido do Poder e da
Autoridade Divina, que é incorruptível. Essa corrupção só pode vir através do próprio
Mago, por isso as Inteligências Invisíveis, sejam elas superiores ou inferiores, se
apegarão no aspecto da pureza e da preparação do Operador. Pureza que transcende a
moralidade humana comum.

Daí a insistência da preparação interior com vistas a eliminar todos os tipos de


traumas, fobias, preconceitos, más intenções, ambição desmedida por poder, entre
muitas outras. É dentro do Mago que se encontram os piores inimigos; e não fora
dele. Quando uma Inteligência Invisível pede ao Operador algum tipo de oferenda, é
nisso que consiste o pacto, elas não dizem explicitamente ao Operador que se trata de
um pacto, mas a oferenda normalmente é seguida de uma proposta de algo que o
Mago deseja profundamente, de algo que lhe aguça os sentidos materiais. Para que o
pacto seja selado o Mago deve atender ao pedido das Inteligências presentes e não
precisa dar continuidade ao ritual de submissão dessas forças ao seu poder, nem
confirmar seus sigilos e assinaturas.

“Apresentar-se impuro no Ritual Mágico é violar o Sagrado dentro de si


mesmo, por isso este indivíduo incauto é punido por sua própria consciência.”
É o teste de VONTADE a que todo Magista está sujeito, mesmo sendo
experiente, daí as advertências tão firmes dos antigos autores e Magos
experimentados nas práticas ritualísticas de que o Operador não ceda à tentação de
firmar pacto algum com as Inteligências Invisíveis, sejam elas superiores ou
inferiores. Embora ele esteja investido do Poder e da Autoridade Divinos para atuar
no Ritual, ele é dotado do livre-arbítrio, pode escolher ceder ou não ao pedido das
Inteligências Invisíveis.

O pacto com sacrifício de pequenos animais como um rato, um morcego, uma


pomba são os mais comuns, devido ao fato do sangue carregar, não apenas, elementos
nutritivos, mas também a energia vital (prana) para todas as partes e células do corpo.
Lembrando que cada célula de nosso organismo compõem uma parte da consciência,
que despertamos por meios dos exercícios. Há ainda aqueles que acreditam que a
alma se localiza no sangue, por isso muitas religiões são contrárias a transfusão de
sangue.

“Ora, não se pode celebrar a vida (Ritual de Alta Magia) com a morte ou sacrifício
do que quer que seja. É uma terrível violação da VONTADE, mola-mestra de todo
o Ritual Teúrgico sério.”

Os jejuns, as meditações, as purificações, as orações, os retiros, a vigilância


sobre os pensamentos, a identificação de traumas no subconsciente e a eliminação
deles, tudo isso tem somente um único objetivo: despertar o HOMEM-DEUS e fazer
com que assuma as rédeas da personalidade humana e retorne ao seu Estado Original.
É no Ritual de Alta Magia que ele confirma e coroa esse momento. A sua Autoridade
Divina é confirmada pelas Inteligências Invisíveis, daí passam a obedecê-lo e atendê-
lo em todos os seus pedidos e necessidades, pouco importa se são inferiores ou
superiores. O pacto que as Inteligências Invisíveis tentam firmar com o Mago é uma
tentativa de não submeter-se a essa Autoridade do HOMEM-DEUS, que existe dentro
de cada um de nós.
“Daí a necessidade essencial da preparação, purificação, do fortalecimento
interior, do desenvolvimento da VONTADE do Magista. Toda essa preparação é
uma Lei de Força e Responsabilidade, vinculada à Moral Cósmica e não à moral
hipócrita dos homens.”

“Todas as técnicas preparatórias para o Ritual Mágico são voltadas para a


mortificação do EU INFERIOR para que nasça o EU SUPERIOR (HOMEM-
DEUS ou CRISTO CÓSMICO) que deve reger o Ritual. É sobre a Deidade Interior
no homem que está pautada a Autoridade Divina. Se o EU INFERIOR não estiver
mortificado (símbolo da crucificação do Cristo), o EU SUPERIOR não poderá
ressuscitar dentre os mortos (RESSURREIÇÃO ou RECONCILIAÇÃO) e
finalmente dizer: ‘Eu e o Pai somos UM’.”

“A personalidade humana ou ego não é aniquilado, mas funde-se com o EU


SUPERIOR em um todo harmonioso. É o casamento alquímico da transfiguração
espiritual do ser humano em sua expressão real de existência.”

O que acontece, hoje em dia, é que ninguém mais está disposto a realizar esse
treinamento, pois veem na Magia apenas o circo, o espetáculo, o show. E é este tipo
de círculo mágico que é dominado pelas formas-pensamento e larvas astrais (criações
inferiores da mente humana), pois estão vinculadas aos defeitos, vícios, pequenezas,
mediocridade e egoísmo humanos. São essas entidades artificiais que se alimentam
de pactos de sangue, oferenda de animais, além de se aderirem à aura do participante
e sugar a vida dele. Pedindo sempre cada vez mais aplausos. Por isso, aconselho e
sou cauteloso com relação a rituais coletivos, que não sejam os simbólicos.

Este tipo de sacrifício ou oferta pode ser pedido também por um Grande
Arcanjo como Mittatron, Haniel, Kamael ou outros. Mas sempre com base nas
virtudes e defeitos do Operador, pois quando estes veem o Magista, não o enxergam
como um ser de carne e osso, mas sim uma forma radiante de energia na qual é
possível ver a totalidade de seu ser, seus pensamentos e desejos mais íntimos e
secretos, seu grau de purificação e sua preparação interior. É na base de seus defeitos
pessoais mal resolvidos que essas Inteligências tentarão firmar o seu domínio sobre o
Magista.

Agora vamos entrar no cerne de sua pergunta, mas para isso tudo teve que ser
devidamente explicado como foi acima.

O melhor método de livrar-se de pactos anteriores é a modificação e


transformação interior pelo despertar do HOMEM-DEUS em cada um. O pacto ou
juramento de subserviência realizado é um ato fundamentado na preguiça e no relaxo
do postulante que busca o caminho do menor esforço, ou seja, quero conseguir tudo,
mas sem ter trabalho algum. É mentalidade medíocre que predomina na maioria dos
círculos iniciáticos hoje em dia.

Sendo este pacto pautado em uma ilusão, em algo submetido ao mundo


fenomênico é passível de dissolução, pois não há nenhuma força superior ao homem
do que ele mesmo. Com o trabalho de purificação interior o Santo Anjo Guardião
(Mestre Interior) ganha força e exerce uma poderosa proteção sobre a pessoa que
realizou o pacto, afastando dela todas as negatividades e das pessoas com elas
relacionadas. Há uma limpeza total do ser. No entanto, isso só pode acontecer pelas
ações deliberadas e voluntárias da pessoa envolvida. Ela pode receber auxílio
invisível por parte de magos experientes que são capazes de dissolver muitas dessas
entidade artificiais criadas pela mente humana. Mas o maior trabalho compete a ela
de se desvincilhar de todos os vínculos que a conectam mentalmente com a antiga
corrente. Vale repetir aqui a acertada lenda do vampiro que diz: “Um vampiro só
pode entrar em sua casa (sua mente, suas emoções) se ele for convidado”.
É importante dizer que essas correntes do alakazam, hocus focus, Harry Potter,
além de nada sérias, a extrema preocupação em aparecer para o público (vaidade)
destrói-lhes os elementos de força, portanto os pactos realizados são fracos e fáceis
de serem dissolvidos. É somente a mente da pessoa envolvida que mantém, e muitas
vezes, quer manter o vínculo mental devido às suas próprias limitações e à sua
necessidade de chamar e escravizar a atenção de todos para ela. Então, esse trabalho é
uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo, deve se trabalhar psicologicamente sobre a
pessoa obsediada pela ideia de mal contra ela. Normalmente, ela está se atribuindo
uma demasiada importância que não possui.