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A refutação definitiva está em dois pontos, e o de resto são só comentários e adendos.

“O que torna este argumento uma falácia de falsa analogia é a conotação da palavra “existir”
usada na primeira premissa que não pode ser aplicada à origem do universo. [...] essa premissa
[maior] é formada de forma indutiva em que se analisam processos de TRANSFORMAÇÃO de
energia, como a análise de que um “ovo existe, pois é causado por uma galinha”. E após mostrar
vários processos de TRANSFORMAÇÃO de energia eles tentam inferir que é evidente que isso
deva valer para a CRIAÇÃO da energia.”

Núcleo: O argumento de kalam é uma falácia da falsa analogia, porque ele compreende a palavra
“existir” a partir de transformações de energia, e com ela enuncia-se a premissa maior [Tudo que
veio a existir, tem uma causa], como se estas transformações fossem “criações de energia”, já em
sua premissa menor [O Universo teve um começo].

PRIMEIRO, não faz sentido ser uma falsa analogia, porque o argumento não é ou faz ou se utiliza
de analogia alguma. E aqui cabe lembrar que uma falácia é um erro lógico-formal, na estrutura
do raciocínio. Ora, o argumento é próprio de um silogismo, e assim sendo, o máximo que você
poderia mostrar, em vez da falsa falsa analogia, é que ele viola o Princípio do silogismo: Se a
implica b que implica c, então a implica c. Porém, enquanto a isso, o argumento de kalam procede
perfeitamente: o elemento da premissa menor [o Universo] pertence ao conjunto da premissa em
que se encontra (de coisas que veio a existir), e este que pertence ao conjunto da premissa maior
(das coisas que teve uma causa), logo o elemento da premissa menor tem as propriedades do
conjunto da premissa maior: Universo logo tem uma causa.
Assim como:
P1: Todo grego (G) é mortal (M); (Conjunto G ⸦ M)
P2: Sócrates (s) é grego; (Conjunto s ∈ G)
Logo, Sócrates é mortal. (s ∈ M)
(Se s implica G que implica M, então s implica M).

Pormenores: “Sites apologéticos como "reasonable faith", deixam explícito que essa premissa
[maior] é formada de forma indutiva [...]”.

Uai!? É óbvio que a primeira premissa do silogismo é indutiva, assim como a é em todo silogismo.
Indução é todo processo para se obter universais; a partir dos quais deduz-se os particulares. Não
sei o porquê da ênfase, já que a indução é própria das ciências, quer naturais quer sociais.
Mostrem-nos algo intuitivo que contraria a generalização da premissa maior, neste caso, um ente
a cuja causa de sua existência é ele próprio, ou cuja existência não tem causa nenhuma. O que
estaria jogando verdades de fato contra verdades lógicas, e “Contra factum non argumentum
est”. Quando assim feito, o argumento de kalam estará completamente refutado.
SEGUNDO, faz-se uma confusão entre duas palavras: criação e transformação. Quer-se fazer
alguma distinção formal, lógica ou material entre as duas coisas; quando na verdade diferem-se
apenas temporalmente. A natureza neste aspecto é um grande e constante processo de
transformações a partir das quais as coisas vêm à existência, e a palavra “criação” refere-se apenas
a instâncias de transformações. Algo bobo de ser percebido. Caso contrário, que se diga a quais
outros processos excetos de transformações que a palavra “criação” é atribuída. Logo, além disto
não dizer a respeito do Princípio do silogismo, até mesmo contrariando-o, também não tem
sentido nenhum em si mesmo.

Pormenores: “Os argumentos cosmológicos para a origem do universo, são um conjunto de


enunciados sem amparo científico que tentam inferir uma causa primeira para o surgimento do
cosmos.”

Eu nunca soube o que é este tal “aparato científico”. Parece-me que ter “aparato científico” é
conditio sine qua non algo poder-se-ia ser verdadeiro. Santa paciência... Se assim for, então
pergunto: Esta mesma afirmação “Os argumentos cosmológicos para a origem do universo, são
um conjunto de enunciados sem amparo científico que tentam inferir uma causa primeira para o
surgimento do cosmos.” tem algum aparato científico? Enunciando: A afirmação de que algo não
tenha aparato científico, o que, nela, torna esse algo necessariamente falso, logo precisa ter
aparato científico para ser verdadeira no que se afirma. Então agora você vai utilizar o método
científico para provar que alguém não utilizou o método científico, submetendo o método a ele
mesmo. Se possível, coisa que evidentemente não é, você geraria uma tautologia; portanto, uma
mega-hiper-power-ultra-verdade universal epistemológica. E imediatamente destruiríamos todos
os museus, bibliotecas e acervos com obras de grandes filósofos, fundaríamos logo uma nova
civilização científica rumo ao progresso da ciência, para sairmos do planeta e, se possível, do
Universo, para assim salvar a raça humana do big freeze. Ou mesmo até, finalmente seríamos
Deuses de nós mesmos, jogaríamos a consciência de todo mundo num mundo artificial sustentado
por computadores quânticos. Enfim, entre cientificismo e criacionismo não há muita diferença
mística.
Meu caro, vou admitir, por enquanto, que seja alguma falácia. Porém, a da falsa analogia jamais
poderia ser, pelas seguintes razões:

PRIMEIRA, o argumento não é ou faz analogia alguma. O argumento é próprio de um silogismo.


SEGUNDA, a que tenta justificar a primeira: a palavra existir evidentemente (certamente não foi
para você) que sentido conotativo nenhum ela poderia ter, pois ela é um verbo: aquilo que indica
uma ação. Verbo nenhum pode ter sentido conotativo, apenas palavras substantivas das quais
representam entes reais poderiam obter-se sentidos conotativos.

Primeira conclusão: Você errou 3 vezes: a primeira, do argumento ser uma falsa analogia. Porém
este me parece apenas ser o compromisso ideológico com o ateísmo. Segundo, do que é uma falsa
analogia; e terceiro, do que é ou poderia ter sentido conotativo. E esses três certamente devem
decorrer de um único maior em simplesmente não saber o que de verdade é uma analogia.

“Parafraseando-te” (na verdade, expressando com forma mais inteligível aquilo que tu querias
dizer mas não conseguiste), diz então: “[O argumento] compreende a palavra “existir” a partir
de transformações de energia, e com ela enuncia-se a premissa maior, como se estas
transformações fossem “criações de energia”, já em sua conclusão.”
Bem, parece que realmente não estamos mesmo trabalhando com coisas reais, mas apenas com
palavras. Ora, meu caro, você sequer
De todo o texto que analisarei a seguir, já posso dar em resumo minhas considerações. Pois
bem, nada de novo vindo de grupos políticos e militantes contra a tradição cristã. Eles não
têm nada além do marxismo e do positivismo – em especial da filosofia positivista da ciência:
o cientificismo – com o que atacar, pois são as únicas coisas que eles (ateus, secularistas,
anticristãos etc) produziram ao longo dos últimos dois séculos, e qualquer coisa além destas
que lhes servisse é profundamente “anticientífica”, pois genealogicamente já está
fundamentada ou concebida a partir de elementos essencialmente teológicos.