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Publicado em 30 de Abril de 2015 às 09h35

STF - Negado provimento a REs sobre aplicação da Lei do Plano Real em contratos de
locação comercial
Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou provimento a cinco
Recursos Extraordinários (REs 211304, 212609, 215016, 222140 e 268652) nos quais se discute
a aplicação da legislação relativa ao Plano Real, referente ao estabelecimento de critérios para a
conversão de valores de aluguéis e modificação da periodicidade de reajustes nos contratos. Os
processos discutem a constitucionalidade do artigo 21, da Lei do Plano Real (Lei 9.069/1995), que
teve o objetivo de estabelecer transição entre os sistemas monetários.

Em síntese, alega-se nos recursos que a aplicação dessa norma aos contratos em curso de
execução comprometeria a garantia constitucional de preservação de direitos adquiridos e do ato
jurídico perfeito.

Na sessão plenária desta quarta-feira (29), o ministro Teori Zavascki apresentou voto-vista pelo
desprovimento dos recursos e foi acompanhado pela maioria. Segundo ele, a norma em questão
é um dos mais importantes conjuntos de preceitos normativos do Plano Real, porque fixa os
critérios para a transposição das obrigações monetárias, inclusive contratuais, do antigo para o
novo sistema monetário. “São, portanto, preceitos de ordem pública e seu conteúdo, por não ser
suscetível de disposição por atos de vontade, tem natureza estatutária, vinculando de forma
necessariamente semelhante a todos os destinatários”, ressaltou.

De acordo com o ministro, a discussão contida nos processos consiste em saber se o artigo 21
tem aplicação aos contratos anteriores em curso de execução ou se é aplicável somente aos
contratos futuros. “Pelo seu teor, não há dúvida de que a norma foi editada para ter aplicação
sobre contratos em curso. Aliás, é justamente essa sua finalidade específica”, salientou.

Assim, ele avaliou que a questão não é apenas de direito intertemporal. “Se a finalidade da norma
é disciplinar o regime de correção monetária de contratos em curso, qualquer juízo que importe a
não aplicação a esses contratos supõe, necessariamente, a prévia declaração de sua
inconstitucionalidade”, acrescentou.

“Considerando que a norma em questão tem natureza institucional estatutária, não há


inconstitucionalidade de sua aplicação imediata – que não se confunde com aplicação retroativa –
para disciplinar as cláusulas de correção monetária de contratos em curso”, concluiu o ministro
Teori Zavascki, ao seguir precedentes do Supremo sobre a matéria.

Votos vencidos

No dia 16 de abril, quando o julgamento dos processos teve início, o ministro Marco Aurélio,
relator de três dos recursos (REs 268652, 211304, 222140), votou pelo provimento dos REs com
declaração de inconstitucionalidade do dispositivo questionado. Segundo ele, a matéria de fundo
é a aplicação retroativa da legislação, alcançando ato jurídico perfeito.

“O Plenário já enfrentou essa matéria, mas continuo convencido de que é uma cláusula
importantíssima no ordenamento jurídico constitucional referente à preservação do ato jurídico
perfeito e acabado, afirmou à época. O ministro Marco Aurélio ficou vencido nos cinco processos,
tendo sido acompanhado pelo ministro Carlos Velloso (aposentado) nos REs 215016 e 215016,
pelo ministro Ricardo Lewandowski nos REs 222140 e 268652, e por ambos os ministros no RE
211304.

Processos relacionados: RE 215016, RE 211304, RE 212609, RE 222140 e RE 268652

Fonte: Supremo Tribunal Federal