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A palavra “hermenêutica” deriva do vocábulo grego que significa “interpretar”.

A definição
tradicional da palavra é “ciência que define os princípios ou métodos para a interpretação do significado
dado por um autor específico”. Essa definição, todavia, tem sido desafiada, e a tendência hoje em muitos
círculos é restringir o termo à elucidação do significado atual de um texto e não à intenção original.
A hermenêutica é importante porque capacita a pessoa a se movimentar do texto para o contexto,
para que o significado inspirado por Deus na Bíblia fale hoje com uma relevância tão nova e dinâmica
quanto em seu ambiente original. Além disso, pregadores ou professores devem anunciar a Palavra de
Deus em vez de suas opiniões religiosas repletas de subjetividade. Só uma hermenêutica bem definida
pode manter alguém atrelado ao texto.
O perigo de uma hermenêutica está nas intensificações que os hermeneutas contemporâneos
propagam, vem dos críticos modernos que negam cada vez mais a verdadeira possibilidade de descobrir
o significado original ou pretendido de um texto. O problema é que os autores originais tinham em
mente um significado definido quando escreveram significado que se perdeu para nós, pois os autores
não estão mais aqui para esclarecer e explicar o que escreveram. O leitor moderno não pode estudar o
texto a partir da perspectiva do passado, mas sempre lê a passagem a partir de perspectivas modernas.
Por esse motivo, afirmam os críticos, é impossível fazer uma interpretação objetiva, pois o significado
pretendido pelo autor está perdido para sempre. Cada comunidade fornece suas tradições que, por sua
vez, orientam o leitor na compreensão de um texto. São elas que produzem o significado. Esse
“significado” não é o mesmo para todas as comunidades, de modo que, na realidade, qualquer passagem
pode ter múltiplos significados, e cada um deles é válido para uma determinada perspectiva de leitura ou
comunidade.
Gordon Fee e Douglas Stuart, por exemplo, definem exegese, enquanto primeira tarefa da
interpretação, como ―o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir o significado
original que foi pretendido; descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia, e a
hermenêutica como segunda tarefa que abrange o campo inteiro da interpretação, inclusive a exegese,
cujo sentido se faz em procurar a relevância contemporânea dos textos bíblicos. Roy Zuck define
hermenêutica como ―ciência (princípios) e arte (tarefa) de apurar o sentido do texto bíblico e sua
correlação com a exegese como a ―verificação do sentido do texto bíblico dentro dos seus contextos
históricos e literários. "Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios, as leis e os métodos de
interpretação" (Louis Berkof, Princípios de Interpretação Bíblica).

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A primeira razão porque precisamos aprender como interpretar é que, quer deseje, quer não, todo
leitor é ao mesmo tempo um intérprete. Ou seja, a maioria de nós toma por certo que, enquanto lemos,
também entendemos o que lemos. Tendemos, também, a pensar que nosso entendimento é a mesma
coisa que a intenção do Espírito Santo ou do autor humano. Apesar disto, invariavelmente trazemos para
o texto tudo quanto somos, com todas as nossas experiência s, cultura e entendimento prévio de palavras
e ideias. As vezes, aquilo que trazemos ao texto, sem o fazer deliberadamente , nos desencaminha, ou
nos leva a atribuir ao texto tudo quanto é ideia estranha a ele.
Tipos de Hermenêutica.

 Geral: aplica-se à interpretação de qualquer obra escrita.


 Especial: aplica-se a determinados tipos de produção literária (Leis, História, Filosofia,
Poesia, etc.)- Uma das Hermenêuticas especiais é a Hermenêutica Bíblica (Sacra, Sagrada),
objetivo do nosso estudo. Ela é especial porque trata de um livro peculiar no campo da literatura:
As Sagradas Escrituras.
Exegese:. Esta aplica os princípios e regras estabelecidas pela Hermenêutica. O exegeta ou intérprete
serve-se dos conhecimentos fornecidos pela Crítica Textual e a Hermenêutica. Descobrir o significado
do texto bíblico na época em que foi escrito (O que o autor queria dizer aos seus contemporâneos?).
Disto surge a necessidade de estudar as palavras usadas, as implicações gramaticais, a história do autor e
dos seus contemporâneos, a história dos povos relacionados, a geografia, a tradução (se é correta ou
não), etc. Aplicar a mensagem descoberta no estudo do texto, do povo relacionado e as nossas vidas.
Na interpretação do livro de Deus torna-se necessário:
1. Comparar as coisas espirituais com as espirituais (Cl 1.9; IPe 2.5; ICo 2.15; 3.1);
2. Procurar conhecer a realidade e a verdade (2Tm 2.25; 3.7; lTm 2.4; Cl 1.5; Ef 4.15,21);
3. Ser sensato e saber raciocinar (Pv 2.3,5; Tg 1.5; Pv 11 .2; Rm 12.16);
4. Ser simples, modesto, sem altivez1 (Pv 11.2; SI 119.130; Mt 11.25);
5. Saber que as Escrituras tratam principalmente de Cristo, que é seu centro, porém apresentam
assuntos materiais e espirituais: tempo e eternidade, terra e céu, passado, presente e futuro ( lCr 16.36;
Ne 9.5,6; SI 41.13; Is 57.15). Sabemos que para esses importantes assuntos, nos é muito útil a
Hermenêutica Bíblica; lembremo-nos, porém, de que a Palavra do Senhor é que permanece para sempre
( IPe 1.25; SI 12.6; SI 119.40; Mt 24.35).

Divisão da Hermenêutica Sacra


A hermenêutica bíblica subdivide-se em geral e específica. A geral estuda as regras que regem a
interpretação do texto bíblico inteiro: análise histórico-cultural, léxico-sintática, contextual e teológica.
A especial estuda as regras que se aplicam a gêneros literários específicos, tais como figuras de
linguagem, tipos, símbolos, numerologia, profecia e poesia.
A exegese cristã costuma dividir a hermenêutica bíblica em:
a) Noemática:
Literalmente significa “percepção”. A função da hermenêutica noemática é analisar os vários
sentidos das Escrituras. Pela noemática compreende-se que existe uma lacuna filosófica entre o autor e o
tradutor atual, e que para transmitir validamente uma mensagem o tradutor precisa estar ciente tanto das

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similaridades como dos contrastes das cosmovisões. Uma das disciplinas da noemática é a
fenomenologia, isto é, opiniões acerca da existência, vida, circunstância e da natureza do Universo.
b) Heurístico:
Literalmente significa “achar”. A função da hermenêutica heurística é ensinar as regras para
encontrar os sentidos tratados pela noemática. Através de métodos analíticos procura descobrir as
verdades expostas cientificamente. Atua também como disciplina auxiliar da História, estudando as
“Pesquisas das Fontes”.
c) Proforística:
Literalmente significa “expor”. Ensina a maneira de expor o sentido encontrado.

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA BIBLICA

PRINCÍPIOS HERMENÊUTICOS ENTRE OS JUDEUS


Os Judeus Palestinicos
Os judeus palestinicos (os escribas) devotavam o mais profundo respeito â Bíblia da sua época (o
Antigo Testamento) como a infalível Palavra de Deus. Consideravam sagradas até mesmo as letras , e é
sabido que os seus copistas tinham inclusive o hábito de contá-las, a fim de evitar qualquer omissão no
ato da transcrição. Era tríplice a divisão das Escrituras no seu tempo:
Lei, Profetas, e Escrita. Eles tinham a Lei em mais alta estima do que os profetas e os demais escritos
que a compunham. Faziam clara distinção entre o mero sentido literal da Bíblia e a sua exposição
exegética.
O ponto negativo da hermenêutica dos judeus palestinicos, é que ela exaltava a Lei Oral, consistindo
de milhares de tradições verbais acumuladas ao longo dos séculos, e desprezava a Lei Escrita, por isto
Jesus os condena em Marcos 7.13. Esse método arbitrária de interpretação deu forma a muitos outros
tipos de interpretação igualmente condenáveis.
Os Judeus Alexandrinos
A interpretação bíblica dos judeus alexandrinos era, de certa forma, determinada pela filosofia
predominante na grande cidade de Alexandria, no Egito. Eles adotavam o princípio fundamental de
Platão, segundo o qual ninguém deve acreditar em algo que seja indigno de Deus. Desse modo, quando
encontravam alguma coisa no Antigo Testamento que discordava da sua filosofia e ofendia a sua lógica,
recorriam às interpretações alegóricas. Filo foi o principal mestre deste método de interpretação entre os
judeus. Para ele, a letra das Escrituras era apenas um símbolo de coisas mais profundas, portanto, o
significado oculto das Escrituras era o que de mais importante havia.
Negativamente, Filo diz que "o sentido literal deve ser excluído quando o que ele afirma é indigno de
Deus, quando envolve contradição, quando a própria Escritura alegoriza. Positivamente, o texto deve ser
alegorizado quando as expressões são ambíguas, quando existem palavras supérfluas, quando há
repetições de fatos conhecidos, quando a expressão é variada, quando há o emprego de sinônimos,
quando é possível um jogo de palavras em qualquer das suas modalidades, quando as palavras admitem
uma ligeira alteração , quando a expressão é rara, quando existe algo de anormal quanto ao número e ao
tempo gramatical". Essas regras naturalmente abriram caminho a toda espécie de erros de interpretação
do texto sagrado entre os judeus alexandrinos.

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Os Judeus Caraítas
A seita dos judeus Caraítas foi fundada por Anan ben David, cerca do ano 800 da nossa era.
Historicamente eles são descendentes espirituais dos saduceus. Representam um protesto contra o
rabinismo, parcialmente influenciado pelo maometismo. Os Caraítas (=filhos da leitura), eram assim
chamados porque seu princípio fundamental era considerar a Escritura como única autoridade em
matéria de fé. Isso significava por um lado, desprezo à tradição oral e à interpretação rabínica, e, por
outro lado, um novo e cuidadoso estudo do texto da Escritura. A fim de combatê-los, os rabinos
encetaram estudo semelhante, e o resultado deste conflito literário foi o texto massorético. Sua exegese,
como um todo, era mais correta do que a dos judeus palestinicos e alexandrinos
Os Judeus Cabalistas
O movimento cabalista do século doze era de natureza bem diferente dos até aqui estudados.
Representava, de fato, vim reduto absurdo do método de interpretação das Escrituras. Admitiam que
mesmo os versículos, as palavras, as letras, vogais e até mesmo os acentos das palavras da Lei, foram
entregues a Moisés no Monte Sinai, e que "o número de letras, cada letra de per si, a transposição e a
substituição tinham poder especial e sobrenatural".
Os Judeus Espanhóis
No período que vai do século doze ao quinze desenvolveu-se um método mais sadio de interpretação
das Escrituras entre os judeus da Espanha. Quando a exegese da Igreja cristã estava em situação
periclitante, e o conhecimento do hebraico estava quase nulo, alguns judeus instruídos da Península
Perenaica restauraram o interesse por uma hermenêutica bíblica sadia. Alg.umas de suas interpretações
ainda hoje sãò citadas como fonte de referência por estudiosos da Bíblia nos tempos modernos.

A HERMENÊUTICA NA IGREJA CRISTÃ


Para melhor compreensão do papel da Hermenêutica Sagrada na Igreja cristã, vamos dividir a sua
atuação nas mais variadas épocas da sua história: o período patrístico (=período dos Pais da Igreja),
período da Idade Média, período da Reforma Protestante, e o período do confessionalismo.
O Período Patrístico
No período dos Pais da Igreja, o desenvolvimento dos princípios hermenêuticos dependiam dos três
principais centros de atividades da Igreja de então: Alexandria, no Egito; Antioquia, na Síria e o
Ocidente.
J. A ESCOLA VE ALEXANDRIA. No começo do terceiro século d.C., a interpretação bíblica foi
influenciada especialmente pela escola catequética de Alexandria, principal centro cultural e religioso
do Egito. Nessa culturalmente famosa cidade, a religião judaica e a filosofia grega se encontraram e
mutuamente se influenciaram.
Os principais representantes dessa escola foram Clemente e seu discípulo Orígenes. Ambos
consideravam a Bíblia como inspirada Palavra de Deus, em sentido estrito, e adotavam a opinião do seu
tempo de que regras especiais deviam ser aplicadas na interpretação da revelação divina através da
Escritura. Não obstante reconhecerem o sentido literal da Bíblia, eram da opinião que somente a
interpretação alegoria contribuía para um conhecimento real dela.
Clemente foi o primeiro a aplicar de forma efetiva o método alegórico na interpretação do Antigo
Testamento. Na sua opinião, o sentido literal da Escritura poderia originar apenas uma fé elementar,
enquanto que o sentido alegórico conduziria ao verdadeiro conhecimento. Mas foi a Orígenes, sem
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dúvida o maior teólogo do seu tempo, a quem coube pormenorizar a teoria da interpretação alegórica
pontificada pelo seu mestre, Clemente.
2. A ESCOLA DE ANTIOQUIA. Supõe-se que a escola catequética de Antioquia tenha sido fundada
por Doroteu e Lúcio, no final do terceiro século, se bem que Farrar considera Diodoro, primeiro
presbítero de Antioquia, e depois de 378 d.C., bispo de Tarso, como o verdadeiro fundador da escola.
Diodoro escreveu um tratado sobre princípios de interpretação bíblica. O seu maior feito, porém, é
constituído de dois discípulos seus - Teodoro de Mopsuéstia e João Crisóstomo.
Apesar de discípulos dum mesmo mestre, Teodoro e Crisóstomo, divergiam grandemente quanto a
interpretação da Bíblia. O primeiro sustentou um ponto de vista liberal a respeito da Bíblia, enquanto
que o segundo a considerou em todas as suas partes como sendo a infalível Palavra de Deus. A exegese
do primeiro era intelectual e dogmática; a do último, mais espiritual e prática. Um se tornou famoso
como crítico e intérprete; o outro se bem que fosse um exegeta de não menos habilidade, suplantou
todos os seus contemporâneos como orador. Daí porque Teodoro é considerado "o Exegeta", enquanto
que João foi chamado "Crisóstomo" (=boca de ouro), por causa do esplendor de sua eloquência. Eles
avançaram no sentido de uma exegese verdadeiramente científica, reconhecendo, como o fizeram, a
necessidade de determinar o sentido original da Bíblia.
3. A ESCOLA OCIDENTAL. A Igreja do Ocidente desenvolveu uma exegese que era um misto do
que esposavam a escola de Alexandria e a de Antioquia. Seu aspecto mais característico, entretanto,
encontra-se no fato de haver acrescentado outro elemento que até então ainda não havia sido
considerado, a saber, a autoridade da tradição e da Igreja na interpretação da Bíblia. Além disto, atribuiu
valor normativo ao ensino da Igreja no campo da exegese. Esse tipo de exegese foi representado por
quatro grandes mestres da Igreja: Hilário, Ambrósio, Jerônimo e Agostinho, principalmente os dois
últimos.
Jerônimo é lembrado pelo fato de haver traduzido a versão bíblica chamada "Vulgata". Conhecedor
das línguas originais da Bíblia, seu trabalho no campo da interpretação bíblica consiste principalmente
de grande número de notas linguísticas, históricas e arqueológicas. Já Agostinho não pode ser lembrado
como um exegeta da magnitude de Jerônimo, visto que ele possuía fraco conhecimento das línguas
originais. No entanto, é lembrado como o grande sistematizador da doutrina cristã. Era da opinião de
que o intérprete das Escrituras devia estar preparado para a sua tarefa, tanto a filosófica como a crítica e
histórica, e devia, acima de tudo, ter amor ao autor.
O Período Medieval
Durante a Idade Média, muitos, e até mesmo muitos dos clérigos, viviam na mais profunda
ignorância quanto a Bíblia. O pouco que dela conheciam era somente da Vulgata através dos escritos
dalguns dos Pais da Igreja. Nessa época, para a grande maioria dos chamados "cristãos" a Bíblia era
considerada um livro de mistérios que só podia ser entendido misticamente. Nesse período, o quádruplo
sentido da Escritura (literal, tropológico, alegórico e analógico) era geralmente aceito, e tornou-se
princípio estabelecido que a interpretação bíblica tinha de adaptar-se a tradição e a vontade dos líderes
da Igreja. Interpretavam a Bíblia partindo dos escritos dos Pais da Igreja. Para a cristandade dessa época
a Bíblia dizia aquilo que os patriarcas da Igreja diziam. Hugo de São Vitor chegou a dizer: "Aprende
primeiro o que deves crer e então vai ã Bíblia para encontrar a confirmação".
Nenhum novo princípio hermenêutico surgiu nesse tempo, e a exegese estava de mãos e pés
amarrados pela tradição e pela autoridade dos concílios. Esse estado de coisas se reflete de forma clara
na literatura desse período negro da história da Igreja.
O Período da Reforma

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O período renascentista que preparou a Europa e o mundo para a Reforma Protestante, chamou a
atenção para a necessidade de se estudar a Escritura recorrendo aos originais como forma de se achar o
seu verdadeiro significado. Reuchlin e Erasmo, famosos cultores do Novo Testamento, foram os
apóstolos dessa época áurea da hermenêutica. Ambos contribuíram decisivamente para o estudo e a
pesquisa das Escrituras, o primeiro, publicando uma gramática e um dicionário da língua hebraica, a
língua do Antigo Testamento; enquanto que o último, escreveu a primeira edição crítica do Novo
Testamento Grego. O quadruplo sentido da Bíblia foi gradualmente abandonado, para dar lugar ao
princípio de que a Bíblia deve ser interpretada apenas num sentido.
Os reformadores tinham inabalável crença de que a Bíblia era a inspirada Palavra de Deus, e em
certos aspectos, revelavam notável liberdade no trato das Escrituras. Contra a infalibilidade dos
concílios eles estabeleceram a infalibilidade das Escrituras.
Era posição dos reformadores de que não ê a Igreja que determina o que as Escrituras ensinam; pelo
contrário, são as Escrituras que determinam o que a Igreja deve ensinar. Martinho Lutero defendeu o
direito do juízo privado; salientou a necessidade de se considerar o contexto e as circunstâncias
históricas de cada livro; exigiu que o intérprete da Bíblia tivesse intuição espiritual e fé; e pretendeu
encontrar Cristo em toda a Escritura. Jã Filipe Melanchton, fiel aliado de Lutero, seguiu o princípio de
que as Escrituras devem ser entendidas gramaticalmente antes de serem entendidas teologicamente, e
que a mesma tem apenas um simples e determinado sentido.
João Calvino, considerado o maior exegeta da Reforma, considera como "primeiro dever de um
intérprete, permitir que o autor diga o que realmente diz, ao invés de lhe atribuir o que pensamos que
devia dizer".
O Período Confessional
Após a Reforma, teoricamente os protestantes conservavam o princípio segundo o qual "A Escritura
interpreta a Escritura". Mas, â medida que se recusavam aceitar a interpretação bíblica seguindo normas
ditadas pela tradição, tal como havia sido determinado pelos concílios e papas, corriam o risco de ceder
diante dos padrões confessionais da Igreja. Nesse tempo, "quase toda cidade importante tinha o seu
credo favorito".
Esse foi o período das grandes controvérsias doutrinárias. O protestantismo até aqui coeso, começou
a se dividir em várias facções, enquanto que a exegese se tornou serva da dogmática, se degenerando em
mera busca de textos-provas. Estudava-se a Escritura apenas buscando apoio âs declarações de fé das
Confissões da época.
É interessante observar que a maior contribuição para a hermenêutica dessa época, não é encontrada
nas tendências da Igreja, mas na literatura dos movimentos da reação contra a mesma, dentre as quais se
destacam a literatura dos Soncinianos, de Conccejus e a dos Pietistas.
Vertentes formadoras das hermenêuticas bíblicas atuais.
• A vertente teológico-psicológica – O personagem principal desta linha hermenêutica foi, sem
dúvida, Friedrich Schleiermacher (1768-1834), o qual seguindo os passos de Kant, também desvinculou
a religião da razão. Para ele, a religião não é um conhecimento, como pretendiam os racionalistas e os
ortodoxos, nem mesmo uma moral (Kant); antes, a melhor palavra que pode defini-la é “afeto” (do
alemão gefühl ) . Para ele, esse afeto é religioso e não algo que apela aos sentimentos ou a uma emoção
passageira de uma expressão de culto, mas que está ligado fortemente ao sentimento que nos permite,
em primeiro lugar, tomar consciência da existência daquele que é superior à própria existência e base
dela; em segundo lugar, o “afeto” é o sentimento que nos leva a reconhecer nossa dependência absoluta
de Deus. Essas duas definições de “afeto” nos levam ao pensamento que em Schleiermacher a religião

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constitui-se no gosto pelo infinito. A função da teologia consiste em expor e atualizar essa ideia da
dependência divina. A distinção entre o que é natural e o que é sobrenatural deve ser rejeitada, não
porque se oponha à ciência moderna, mas porque limita o nosso sentimento de dependência de Deus
àqueles momentos em que se manifestam as coisas sobrenaturais. O modelo utilizado por
Schleiermacher foi o estudo psicológico das escrituras através do entendimento das ideias dos seus
autores, que eram humanos. Deixando para trás o conceito de inspiração das escrituras, defendia que a
Bíblia reflete tão somente as ideias de seus autores e só pode ser entendida porque existe uma unidade
do espírito humano que liga homens de todas as épocas e de todos os lugares uns aos outros. Ao
valorizar a experiência religiosa do caráter universal e residente no indivíduo, Schleiermacher reduziu o
cristianismo a uma experiência subjetiva e centralizou a teologia no homem deixando de lado a
revelação através da Palavra. Com isso, abriu caminho para hermenêuticas centradas no leitor, como por
exemplo, a vertente filosófica de Gadamer.
• A vertente Exegética – Aparece aqui a pessoa de Rudolf Bultmann (18841976), considerado um dos
maiores eruditos em NT do Século XX. Notabilizou-se a partir de sua exegese da demitização . O que
seria a demitização em Bultmann? Ricoeur, interpretando Bultmann, diz que demitizar “consiste em
desfazer a engrenagem conceptual por meio da qual foi constituída uma visão do mundo que já não é
mais a nossa, visto que pertence à uma época pré-científica”. Para chegar ao seu conceito de
demitização, Bultmann parte do princípio que toda a interpretação da revelação pressupõe uma pré-
compreensão e esta, por sua vez, implica essencialmente uma filosofia. Ora, é justamente essa pré-
compreensão dos primeiros discípulos de Cristo caracterizada pela visão místico-metafísica que
Bultmann acreditava ser incompreensível e absurda para o homem moderno, mais dirigido pela
mentalidade científica e pela orientação existencial. A partir daí, Bultmann pregava a necessidade de
demitização da mensagem cristã, tirando aquela roupagem místico-metafísica, traduzindo-a em
categorias existenciais, as quais constituem a pré-compreensão do homem moderno. Por isso, se o
pregador moderno não quiser expor a mensagem cristã à falência total, deverá procurar descobrir o
significado mais profundo que está escondido sob as concepções mitológicas e interpretar tais
concepções servindo-se da auto-compreensão que o homem do Século XX tem de si mesmo. A
hermenêutica de Bultmann foi influenciada pela filosofia existencialista de Heiddeger (seu colega de
classe), o qual defendia que a hermenêutica significa simplesmente o processo de interpretar o ser. Essa
maneira de interpretar não dá atenção à perspectiva do autor, mas àquilo que se expressa no texto,
independente do autor. Para Bultmann, no processo de leitura acontece a auto-interpretação do leitor,
que se processa no nível de suas preposições. Segundo Bultmann, a pré-compreensão místico-metafísica
caracteriza-se pelo uso predominante da referências às potências sobrenaturais e a um mundo habitado
por espíritos, deuses, potestades, os quais sempre intervêm na história dos homens; um mundo dividido
em três andares: o céu, onde habitam Deus e os seres celestiais; o inferno, como o mundo subterrâneo e
lugar da pena divina; a terra, como palco dos acontecimentos naturais e cotidianos, mas também como
campo de batalha entre Deus, os seres celestiais e Satanás e seus demônios.
• A vertente Linguística – Os linguistas em geral concordam que o estudo da linguística é uma coisa
antes e outra depois de Ferdinand de Saussure (1857-1913), linguista suíço que deu à linguística status
de ciência. A partir da descoberta do Sânscrito, na segunda metade do Século XVIII, Saussure
desenvolveu uma teoria segundo a qual existe uma estrutura linguística comum a todos os povos e que
consiste na elaboração feita pelo cérebro de um sistema fechado de códigos que se organizam de acordo
com um padrão universal. Muito embora existam idiomas diferentes, todos eles operam a partir de uma
base estrutural que se desenvolve a nível inconsciente. Mesmo que o autor de uma passagem tenha
escrito com uma intenção consciente, transmitiu inconscientemente uma série de outros sentidos através
desta base estrutural que governa todas as línguas. A tarefa principal do linguista (exegeta bíblico) é
estudar esta estrutura. As ideias de Saussure estão condensadas através de dicotomias, das quais as mais
importantes são:

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o Língua versus fala (langue versus parole) – A língua é um conjunto de hábitos linguísticos que
permitem a uma pessoa compreender e fazer-se compreender. Do ponto de vista funcional é encarada
como um sistema de signos distintos correspondentes a ideias distintas, mas de tal forma organizados
para atingir a um determinado fim, ou seja, palavras unidas com normas de combinação para traduzir
ideias. Já a fala é o lado executivo da língua cujo domínio é da inteligência e da vontade do indivíduo, o
qual manipula combinações de forma que intenta exprimir seu pensamento pessoal.
o Sincronia versus diacronia – o objetivo aqui é distinguir no estudo da língua uma visão descritiva
de uma visão histórica. Saussure procurou despertar a consciência daqueles lingüistas que para explicar
determinados fenômenos recorriam ao passado e à evolução da língua. Tais métodos eram diacrônicos
pois se preocupavam excessivamente com a história do texto, seu surgimento, seu desenvolvimento, seu
contexto, sua gramática; a análise sincrônica, por outro lado, procura ver o texto em si mesmo, sem
relação com o progresso histórico do qual faz parte. O exegeta neste caso concentra-se na presença
literária do texto como um todo no mundo de narrativa construído pelo autor. Por exemplo, os autores
dos evangelhos pintaram quadros e criaram mundos de narrativas, buscando causar efeitos nos leitores.
• A vertente Filosófica – Desde os tempos mais antigos, a luta entre o que é alegórico e o que é literal
dentro da igreja cristã tem movimentado o ambiente da hermenêutica, notadamente pela influência do
platonismo, presente na escola alexandrina e do aristotelismo, próprio da escola medieval. No início do
século XX, houve uma mudança na forma de pensar sobre as relações existentes entre o escritor, o texto
e o destinatário. Isso se deve ao trabalho do filósofo alemão Hans Georg Gadamer, cujo fundamento
principal é a hermenêutica do tipo Reader Response, cujos conceitos básicos são:
o O conceito de fusão de horizontes – “Horizontes” são os mundos vivos do autor e do leitor que se
fundem quando ambos se encontram no texto. O leitor expande o horizonte do texto ao apropriar-se dele
em uma nova situação histórica; o texto, em troca, impulsiona o leitor a desafiar e expandir as estruturas
e pressuposições que traz consigo. Em resumo, a hermenêutica de Gadamer se move do autor e do texto
para uma união entre o texto e o leitor com raízes no presente em vez do passado: interpretar é aplicar.
o O conceito da importância das pressuposições do leitor – Aduz-se aqui a dicotomia de Saussure
sobre diacronia e sincronia. O sentido de um texto não é encontrado na pesquisa diacrônica em busca do
sentido original e histórico do texto, mas através do diálogo com o texto no presente sem nenhuma
preocupação com a intenção do autor, como faziam os exegetas da escola da crítica da redação. Agora,
contrariando a perspectiva negativa que o racionalismo tinha sobre as pressuposições do leitor na
interpretação, Gadamer afirma que essas pressuposições são a chave para a compreensão de um texto.
Esse conceito veio mais tarde influenciar as hermenêuticas de libertação.
o O conceito subjetivista – Gadamer não estabelece qualquer critério para definir se uma
interpretação é falsa ou verdadeira. Segundo ele, todas são verdadeiras para quem lê, numa clara
demonstração de relativização da verdade e de subjetivismo, onde cada nova leitura pode produzir
sentidos diferentes e inovadores até para o mesmo leitor, e nenhum deles conflitante com os demais.
o Desconstrucionismo – Outro expoente da vertente filosófica é o francês Jacques Derrida (nascido
em 1930 e falecido em 8.10.2004), considerado como o pai do desconstrucionismo. Segundo esta linha
hermenêutica, surgida em meados da década de 1960, não há uma única verdadeira interpretação de um
fato, de um texto ou discurso mas muitas interpretações igualmente válidas. Esta postura é, na verdade,
uma ampliação do princípio do pluralismo que, neste caso, vai além do inclusivismo e propõe não
apenas a aceitação e assimilação de pensamentos diferentes, mas a inexistência de uma verdade
absoluta. A desconstrução surgiu nos textos de Derrida como parte de uma crítica abrangente ao
pensamento ocidental. Ela é um dos termos de uma equação filosófica complexa elaborada em vários
livros. Trata-se de uma estratégia “subversiva” de leitura que parte do princípio de que qualquer texto,
por mais que almeje à clareza e ao rigor, sempre contém pontos cegos ou módulos de ambigüidade que,

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devidamente explorados, permitem desfazer as amarras lógicas do raciocínio, inverter suas premissas,
anular sua hierarquia de ideias. O desconstrucionismo abriu portas para minorias que se sentiam
marginalizadas por aquilo que consideravam o “substrato autoritário e opressor do pensamento
ocidental”, como por exemplo, as feministas. Entretanto, para Derrida, há coisas que não podem ser
desconstruídas, a saber, justiça, amizade e democracia.
O s vários componentes envolvidos na hermenêutica
Em toda comunicação, estão presentes três componentes básicos: o autor, o texto e o leitor, ou, como
os lingüistas tendem a dizer: o codificador, o código e o decodificador.

O texto como fator determinante do significado


Alguns intérpretes sugerem que o significado é propriedade do texto, ou seja, é o próprio texto que o
determina. Provavelmente, já ouvimos ou dissemos algo como: “O nosso texto nos diz...” E quem não
ouviu grandes pregadores dizerem: “A Bíblia diz....”? Porém, os que defendem o significado como
propriedade do texto pensam diferente. Alegam que o texto literário possui autonomia semântica, sendo
o seu significado completam ente independente do que o autor bíblico quis comunicar quando o
escreveu. O que estava pensando ou procurava transmitir no momento em que escrevia é um tanto
irrelevante e não influencia o significado, devido ao fato de o texto ser totalmente independente do seu
autor. Como resultado, ler a epístola aos Gálatas com a finalidade de compreender o que Paulo quis
dizer quando escreveu a epístola aos Romanos faz pouco ou nenhum sentido. Seria como ler Um conto
de duas cidades, de Charles Dickens. Além disso, o que Paulo realmente quis dizer quando escreveu aos
romanos vale tanto quanto a opinião de qualquer pessoa. Assim, de acordo com esse ponto de vista, o
texto é independente e não tem nenhum a conexão com o autor — possui seu próprio significado.
O leitor como fator determinante do significado
Alguns intérpretes alegam que o significado do texto é determinado pelo leitor (às vezes, chamado de
“leitor implícito”, “leitor com petente”, “leitor pretendido”, “leitor ideal” ou “leitor real”). Em outras
palavras, é ele quem define o significado — ou o “atualiza”. É preciso estar atento para não confundir
esse ponto de vista com a concepção de que o leitor aprende-decifra-descobre-determina o significado
que o texto possui em si mesmo (o ponto de vista descrito anteriormente),nem com a ideia de que o
significado é determinado pelo que o autor quis dizer quando escreveu o texto (ponto de vista que será
descrito a seguir). Pelo contrário, segundo essa teoria o indivíduo, enquanto lê, cria o significado!

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Conhecido também como “teoria da recepção”, “estética da recepção” ou “crítica de resposta do
leitor”, esse ponto de vista sugere que, se leitores distintos encontram diferentes significados, isso ocorre
simplesmente em virtude de o texto lhes permitir essa multiplicidade. Em razão disso, há “leituras” ou
interpretações marxistas, feministas, liberais, igualitárias, evangélicas ou arminianas do mesmo texto.
Ou seja, para essa corrente vários significados legítimos podem ser extraídos mediante a concepção de
cada intérprete. O texto funciona mais ou menos como um quadro de giz, onde o leitor apõe o seu
significado. E algo parecido com o que se ouve, às vezes, em linguagem popular: “O que este texto
bíblico significa para mim é...” Ou: “Esta passagem pode significar algo diferente para você, mas para
mim significa...” Como veremos posteriormente, tais declarações são mais bem compreendida quando
se descrevem as muitas aplicações (ou implicações) do significado pretendido pelo autor.
O autor como fator determinante do significado
O método mais tradicional para o estudo da Bíblia, no entanto, tem sido o de analisar o significado
com o algo controlado pelo autor. De acordo com esse ponto de vista, o significado é aquele que o
escritor, conscientemente, quis dizer ao produzir o texto. Dessa maneira, a epístola aos Romanos deve
ser interpretada à luz do que Paulo quis passar aos seus leitores quando escreveu — se estivesse vivo,
bastaria que nos dissesse o que desejava transmitir. O significado, portanto, é exatamente o que o
apóstolo considerava como tal. (Por isso, a melhor forma de tentar entender o sentido da epístola aos
Romanos é ler, por exemplo, a epístola aos Gálatas, também escrita por Paulo, em vez de O velho e o
mar, de Ernest Hemingway, ou a Ilíada, de Homero.) A mesma regra se aplica, por consequência, ao
Evangelho de Lucas: o significado do texto é aquele que o próprio Lucas, quando o escreveu, quis
transmitir a Teófilo.
Esse ponto de vista argumenta que a Bíblia e outras grandes obras da literatura não devem ser
tratadas como obras de “arte” exclusivas, com regras distintas e apropriadas. Pelo contrário, cabe
interpretá-las da mesma maneira como interpretamos outras formas de comunicação verbal. Esse é
essencialmente o método do bom senso, visto que o objetivo da interpretação é compreender o que o
orador ou escritor está querendo dizer.

A diferença entre Gênero Literário e Estilo Literário:


O Gênero Literário compreende o conjunto de textos que apresentam a mesma estrutura formal
básica, acrescidos de conteúdos ou outras características similares. Fala-se de gênero, portanto, quando
ditos ou narrativas apresentam um conjunto de formas idênticas, acrescidas de outros elementos
comuns. Como exemplos de gêneros no material discursivo podem ser citados: ditos proféticos, ditos
sapienciais, ditos de seguimento, hipérboles e parábolas. No material narrativo temos os gêneros dos
relatos de milagres, das controvérsias, dos relatos da paixão, entre outros.
O Estilo Literário é a criatividade do autor (ou da comunidade em que o texto foi produzido, por
meio do seu círculo literário), o jeito próprio de escrever dentro do Gênero Literário escolhido,
previamente conhecido naquela cultura. O “estilo” de um texto engloba toda a sua forma de
apresentação, como introduções ou finais típicos. E descrições breves ou pormenorizadas dos eventos.

1) Interpretação em Sentido Geral


A Bíblia é o seu próprio intérprete.
Esta é a grande verdade, a principal regra a ser seguida. Existem outras formas que auxiliam a
interpretação bíblica (Êx 4.15; Dt 17.19; Js 1.8; Pv 30.6; Lc 24.27,32; Jo 5.39; At 17.11; ICo 2.6,16;
2Tm 3.15; IPe 1.11; 2Pe 1.19,21). Considerações:

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É de absoluta necessidade examinar o verdadeiro sentido, a finalidade a que se propôs o autor
sagrado ao escrever. Em Provérbios 1.1,6, por exemplo, Salomão diz com que fim o escreveu; no
Evangelho de Lucas 1.1,4 igualmente o escritor esclarece; do mesmo modo em Mateus 1.1; em Marcos
10.45; em João 20.31; em Atos 1.1,2 e em Romanos 3.28.
É ponto firme e real que qualquer interpretação de ensino ou doutrina só pode ser verdadeira, se não
houver passagem contrária nas Escrituras (Dt 29.29; Is 8.20; Rm 2.29; 7.6; 2Co 3.6; Cl 4.16; lTs 5.27).

2) Aproximação do Texto
Uma leitura atenciosa e crítica do texto, utilizando-se de várias versões em português e fazendo
anotações de questões que vão surgindo no decorrer dessa leitura, constitui-se um passo importante, que
chamamos “aproximação do texto”.
Através dela vamos iniciar nosso diálogo com o texto e trata-se de um primeiro contato que busca
visualizar coisas que uma leitura rápida e desatenta não nos permite notar. Basicamente, perseguimos 2
metas quando fazemos “aproximação do texto”:
A) Pretendemos nos familiarizar com o CONTEÚDO DO LIVRO.
B) Pretendemos nos familiarizar com o CONTEXTO HISTÓRICO DO LIVRO.
C) Gênero Literário Deve se determinar o gênero literário do livro (doutrinário, apologético,
evangelístico, pedagógico, etc.)
D) Assunto Básico do Livro Deve determinar o assunto básico do livro, ou seja, do que esse livro ou
epístola está falando?
a. observar palavras e expressões repetidas
b. observar pessoas e lugares mencionados
c. observar acontecimentos
d. observar ordens, pedidos, proibições
e. tentar determinar a atmosfera (louvor, gratidão, urgência, preocupação).
E) Divisões Principais do Livro
Aqui se tenta organizar os parágrafos em grupos conforme tema, idéia principal, etc. Como é possível
determinar uma divisão de uma epístola ou livro?
a. Por meio de uma declaração do autor (cf. Cl 3.1)
b. "Pistas" estruturais (cf. Rm. 12:1, 1 Co. 7:1,25, 8:1, 12:1)
c. Mudanças de gênero literário (cf. 1Tm 3.16)
d. Repetição e mudança de formas gramaticais (de indicativos, imperativos, etc. (cp. Ef. 1-3, 4-6).
F) Síntese do Livro
Como resultado dessas observações, devemos determinar “provisoriamente” o tema e o propósito do
livro. Trata-se aqui de sintetizar as informações até aqui obtidas. Embora provisória esta síntese é
importantíssima para o processo exegético.

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As seguintes perguntas auxiliarão na formulação deste tema e propósito provisórios.
 Qual a primeira impressão que o texto provoca?
 Que assunto ou ideia sobressai na mente do escritor?
 Que assunto capta todos os outros tópicos mencionados?
 Qual é a afirmativa básica feita (ou inferida) sobre este assunto?
 Que ênfase é mais abrangente que todas as demais em seu escopo?
 Qual é o objetivo (explícito ou implícito) do autor?

Exercício Leia Filemon e III João e descubra a ideia principal destes textos.
3) O Estudo da Tipologia
A palavra grega tipos, da qual se deriva a palavra tipo, tem uma variedade de denotações no Novo
Testamento. As ideias básicas expressas por tipos e seus sinônimos são os conceitos de parecença,
semelhança e similaridade. A seguinte definição de tipo desenvolveu--se de um estudo indutivo do uso
bíblico deste conceito: tipo é uma relação representativa preordenada que certas pessoas, eventos e
instituições têm com pessoas, eventos e instituições correspondentes, que ocorrem numa época posterior
na história da salvação. Provavelmente a maioria dos teólogos evangélicos concordaria com esta
definição de tipologia bíblica.
A tipologia baseia-se na suposição de que há um padrão na obra de Deus através da história da
salvação. Deus prefigurou sua obra redentora no Antigo Testamento, e cumpriu-a no Novo; o Antigo
Testamento contém sombras de coisas que seriam reveladas de modo mais pleno no Novo. As leis
cerimoniais do Antigo Testamento, por exemplo, demonstravam aos crentes daquela época a
necessidade de expiação por seus pecados: essas cerimônias apontavam para o futuro, para a expiação
perfeita a realizar-se em Cristo. A prefiguração é chamada tipo; o cumprimento chama-se antítipo.
Há três características básicas de tipos que podemos identificar. A primeira é que "deve haver algum
ponto notável de semelhança ou analogia" entre o tipo e seu antítipo. Isto não significa que não haja,
também, muitos pontos de dessemelhança: Adão é um tipo de Cristo, não obstante a Bíblia fala mais dos
pontos de dessemelhança entre eles do que dos de semelhança (veja Romanos 5:14-19).
Segunda, "deve haver evidência de que a coisa tipificada representa o tipo que Deus indicou". Há
certa discordância entre os estudiosos acerca de quão explícita deve ser a declaração divina. Com
referência a tipos dizia que nada pode ser considerado tipo a menos que se demonstre de modo explícito
figurar na Escritura. Na outra extremidade do espectro estão os que classificam como tipos qualquer
coisa que apresente, mais tarde, semelhança com algo. Um ponto de vista moderado, que conta com o
apoio da maioria dos estudiosos do assunto diz que para a semelhança ser tipo deve haver alguma
evidência de afirmação divina da correspondência entre tipo e antítipo, embora tal afirmação não precise
ser formalmente declarada.
A terceira característica de um tipo é que ele "deve prefigurar alguma coisa futura". Os antítipos no
Novo Testamento apresentam verdade mais plenamente cumprida do que no Antigo. A correspondência
no Novo revela o que era nascente no Antigo. A tipologia é, por conseguinte, uma forma especial de
profecia.
O perigo da tipologia é transportar o conteúdo das Escrituras unicamente para a Igreja, e que havia
um véu para os personagens antigos bíblicos e de seus autores na compreensão real de seus registro e
atos. Além de poder cair num alegorismo medieval.
4) Interpretando a Profecia

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A interpretação de profecia é um assunto sumamente complexo, não tanto em virtude da discordância
concernente aos princípios interpretativos corretos, mas por causa das diferenças de opinião sobre como
aplicar esses princípios. A seção a seguir aponta os princípios sobre os quais há concordância geral bem
como os problemas que ainda aguardam solução.
Em ambos os Testamentos, "profeta é um porta-voz de Deus que declara a vontade de Deus ao
povo". A profecia refere-se a três coisas:
(1) predizer eventos futuros (e.g., Apocalipse 1:3; 22:7,10; João 11:51);
(2) revelar fatos ocultos quanto ao presente (Lucas 1:67-79; Atos 13:6-12), e
(3) ministrar instrução, consolo e exortação em linguagem poderosamente arrebatada (e.g., Amos;
Atos 15:32; 1 Coríntios 14:3, 4, 31).
Se aceitarmos as datas dos vários livros da Bíblia comumente dadas pelos eruditos evangélicos,
parece-nos que uma significativa porção da Bíblia é profecia preditiva. Payne calcula que dos 31.124
versículos da Bíblia, 8.352 (27%) são material preditivo à época em que foram proferidos ou escritos.
Na Bíblia, predizer estava a serviço de proclamar. Com frequência, o padrão era este: "À luz do que o
Senhor vai fazer (predição), devemos viver vidas piedosas (proclamação)."
A profecia preditiva pode servir a várias funções importantes. Pode trazer glória a Deus dando
testemunho de sua sabedoria e soberania sobre o futuro. Pode conceder segurança e consolo aos crentes
oprimidos. Pode motivar os ouvintes a uma fé mais vigorosa e uma santidade mais profunda (João
14:29; 2 Pedro 3:11).
As características das profecias do Antigo Testamento são:
1) Uma vez que a revelação é dada ao profeta sob a forma de intuição, tem-se a impressão de que o
futuro é imediatamente presente, completo, ou de que todos os acontecimentos estão em andamento.
2) O fato de que o assunto da profecia é dado em forma intuitiva também é razão pela qual ela
sempre vê a concretização desse assunto em certas ocorrências completas em si mesmas; i.e., uma
profecia pode aparecer como uma única ocorrência, mas, na verdade, pode haver dois, três ou quatro
cumprimentos.
3) Já que o assunto da profecia se apresenta ao leitor como uma série de fatos individuais, pode
parecer às vezes que prognósticos individuais se contradizem quando são, na realidade, apenas partes
nas quais as ideias reveladas foram separadas, complementando-se mutuamente, e.g., imagens
contrastantes do Messias em estados de sofrimento e de glória.
4) O assunto profético está na forma de intuição, o que significa ainda que, no que diz respeito à sua
forma, ela está no nível do próprio observador, i.e., o profeta falou da futura glória nos termos de sua
própria sociedade e experiência.
5) A profecia pode ser cumprida logo após pronunciada ou em data muito posterior.
6) A profecia é condicionada eticamente, quer dizer, parte de seu cumprimento está condicionada ao
comportamento dos receptores. Ela pode até ser revogada.
7) A profecia pode ser cumprida sucessivamente.
8) Muitas profecias, sobretudo as referentes a Cristo, são literalmente cumpridas.
9) A forma e o caráter da profecia são condicionados pela época e pela localização do escritor.
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10) As profecias frequentemente formam partes de um todo e, assim, devem ser comparadas com
outras profecias.
11) O profeta vê juntos fatos que são amplamente separados no cumprimento.
A lei da dupla referência. Poucas leis são mais importantes de observar na interpretação das
Escrituras proféticas do que a lei da dupla referência. Dois acontecimentos, muito distantes no que diz
respeito à época de cumprimento, podem ser unidos no escopo de uma profecia. Isso acontecia porque o
profeta tinha uma mensagem para sua própria época e outra para o futuro. Reunindo dois
acontecimentos muitos distantes dentro do escopo da profecia, ambos os propósitos podiam cumprir-se.
Profecias condicionais: Agindo com base nesse princípio, Jeremias consequentemente fala aos
príncipes, sacerdotes e profetas que o queriam ver morto: "Falou Jeremias a todos os príncipes e a todo o
povo, dizendo: O Senhor me enviou a profetizar contra esta casa e contra esta cidade todas as palavras
que ouvistes. Agora, pois, emendai os vossos caminhos e as vossas ações e ouvi a voz do Senhor, vosso
Deus; então, se arrependerá o Senhor do mal que falou contra vós outros" [Jr 26.12,13]. Se as pessoas se
arrependessem, em certo sentido o Senhor se arrependeria.

5) Como Interpretar Citações do A.T. no N.T.


1. Em que contexto do NT aparece a citação ou alusão? Ou seja, sem (nesse estágio) entrar nos
detalhes da exegese, o interprete deve procurar estabelecer o tema tratado, o fluxo das ideias e, sempre
que pertinente, a estrutura literária, o gênero e a retórica da passagem.
2. De que contexto do AT a citação ou alusão é extraída? Por mais simples que seja, essa pergunta
exige o mesmo cuidado com relação ao AT que a primeira pergunta demanda para o estudo do NT.
3. Que tratamento é dado à citação ou fonte véterotestamentária na literatura do judaísmo do Segundo
Templo.
4. Que fatores textuais devem ser considerados quando se procura compreender determinada
utilização do AT? Estaria o NT citando o TM, a LXX ou um targum? Ou será que a citação contém uma
mistura de fontes, ou talvez ainda uma influência da memória ou de alguma forma de texto que não
conhecemos? Qual é a importância das pequenas alterações? Há variantes textuais dentro da tradição
hebraica, da tradição do AT grego ou da tradição textual do NT grego? Exercem essas variantes alguma
influência direta sobre nosso entendimento de como o NT está citando o AT ou fazendo alusão a ele?
5. Uma vez que se conclua esse trabalho de base, torna-se importante tentar entender como o NT está
usando o AT ou recorrendo a ele. Que ligação está sendo considerada pelo autor do NT? Seria apenas
um vínculo linguístico?
6. Que aplicação teológica o autor do NT faz da citação do AT ou da alusão a ele? Em certo sentido,
essa pergunta já está presente em todas as outras, mas vale a pena fazê-la separadamente, pois destaca
aspectos que de outra forma poderiam ser omitidos.

6) Interpretando a Lei no Contexto do Novo Testamento


A) O Antigo Testamento é uma Aliança

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B) Algumas Leis do A.T. não foram renovadas e estipuladas no N.T.
Mas isto não significa que devemos rejeitar totalmente o A.T. ela contem a revelação progressiva de
Deus para a humanidade, e tem muito a nos ensinar sobre caráter de Deus, sobre doutrinas
antropológica, angelologia, Cristologia e suas profecias, verdade da vida cristã, e muito mais.
C) Tipos de Leis.
a) Apofáticas: Elas começam com as frases faça e não faça ex. Lv.19.9-14.
b) Lei Casuística: Ela é aplicada em um acontecimento ou uma posse e que por acaso vir acontecer
tal situação ela é aplicada, esta lei é substituída pelo nossa Constituição e Leis Civis.DT15.12-17.
c) Leis Culturais: Fala de como o hebreu deve se vestir, construir sus casas, seus cabelos, comer, e
outras coisas.
d) Lei Cerimoniais: Mais destinada aos levitas, mas que a nação de Israel deveria conhecer, e assim
em conjunto com esta tribo cuidar de cumprir e obedecer a Lei. (Lv1-7, leis dos sacrifícios).
e) Leis Morais: Era o padrão de conduta de todo israelita, esta lei predomina até os dias de hoje na
Igreja.

7) Interpretar as Poesias
1. Cânticos de guerra
Os cânticos de guerra eram uma das formas mais antigas de poesia. Muitos acreditam que o chamado
para os exércitos de Êxodo 17.16 e o grito de guerra de Juizes 7.18, 20 (e talvez o de Nm 10.35-36)
possuem implicações poéticas. Os mais conhecidos são os cânticos de vitória de Moisés (Êx 15.1-18) e
Débora (Jz 5), eles relatam fatos, e dõ crédito a Jeová pelas vitórias, ele são motivadores para nossa
caminhada.
2. Cânticos de amor.
A maioria dos críticos atuais não distingue em seu texto qualquer plano estrutural, mas acredita que
seja uma coleção de cânticos de amor seculares, talvez modelados em hinos de louvor.
3. Lamento
O lamento é o tipo mais comum de salmo. Mais de sessenta lamentos são encontrados no saltério.
Eles podem ser lamentos individuais (como SI 3; 5—7; 13; 17; 22; 25—28; 31; 38—40; 42—43; 51;
54—57; 69—71; 120; 139; 142) ou coletivos (como SI 9; 12; 44; 58; 60; 74; 79—80; 94; 137), o valor
desses salmos para todo crente é óbvio. Se a pessoa está doente (Sl 6; 13; 31; 38; 39; 88; 102), atacada
por inimigos (3; 9; 10; 13; 35; 52—57; 62; 69; 86; 109; 120; 139) ou consciente do pecado (25; 38; 39;
41; 51), os salmos de lamento não apenas encorajam, mas são modelos de oração. Muitos têm afirmado
que deveríamos orá-los diretamente, e eu concordo, mas prefiro meditar, contextualizar e então orar
esses salmos quando eles refletem a minha situação pessoal.

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4. Hinos ou cânticos de louvor.
Fee e Stuart apontam três tipos específicos de hinos (2003:213): Javé é louvado como Criador (SI 8;
19; 104; 148), como protetor e benfeitor de Israel (SI 66; 100; 111; 114; 149) e como Senhor da história
(SI 33; 103; 113; 117; 145—147). Vários hinos entram em detalhes sobre como Deus está no controle
da história, recapitulando os grandes eventos da salvação na vida de Israel (SI 78; 105—106; 135—
136). Eles ainda recapitulam os fracassos de Israel e os comparam à fidelidade de Deus, chamando a
nação para renovar a garantia de aliança. Esses hinos foram cantados em celebrações e festas da
colheita, nas peregrinações para o templo (SI 84; 87; 122; 132), após os triunfos do exército (SI 68;
IMacabeus 4—5) e em ocasiões especiais de louvor. Os salmos de Hallel (SI 113—118) formavam uma
parte especial da celebração da Páscoa e eram também uma parte regular do culto da sinagoga. O
desenvolvimento desses salmos inicia com a compaixão divina para com o oprimido (SI 113), continua
com o poder redentor (SI 114) e a ajuda a Israel (SI 115), chegando ao louvor e agradecimentos de Israel
a Javé (SI 116—118). Eles proporcionam assim uma nova e significativa experiência de adoração nos
dias de hoje, do mesmo modo quando foram originalmente escritos e cantados.

5. Hinos de ação de graças


Mais específico do que hinos ou cânticos de louvor, os hinos de ação de graças louvam a Deus por
sua resposta a orações específicas. Poderíamos dizer que eles quase formam o “antes” e o “depois” da
confiança religiosa, no qual o lamento coloca o problema diante de Deus e a ação de graças o louva por
sua resposta. Como os lamentos, os hinos de ação de graças se dividem entre expressões individuais (SI
18; 30; 32; 34; 40; 66; 92; 103; 116; 118; 138) e coletivas (SI 65; 67; 75; 107; 124; 136).
Há cinco elementos estruturais nos cânticos de ação de graças:
• Convite para dar graças ou louvar a Javé (SI 30.2,5; 34.2-4; 118.1 -4).
• Relato de problema e salvação (SI 18.4-20; 32.3-5; 40.2-4; 41.5-10; 116.3-4; 118.10-14).
• Louvor a Javé, reconhecimento de sua obra de salvação (SI 18.47-49; 30.2-4, 12-13; 40.6; 92.5-6;
118.14,28-29).
• Fórmula de ofertório na apresentação do sacrifício (SI 118.21; 130.2; 138.1-2; Is 12.1) e bênçãos
aos participantes da cerimônia (SI 22.27; 40.5; 41.2; 118.8-9).
• Exortação (SI 32.8-9; 34.10,12-15; 40.5; 118.8-9).
6) Salmos imprecatórios.
Os salmos imprecatórios (Sl 12; 35; 52; 57—59; 69; 70; 83; 109; 137; 140) em geral são salmos de
lamento, em que se observa a predominância da amargura do escritor e do desejo de vingança. Na
realidade, a meditação sobre esses salmos e sua aplicação poderiam ser terapêuticas para os que
passaram por experiências traumáticas (como abuso infantil). Despejando a natural amargura em Deus,
a vítima poderia tomar-se livre para “amar o não amável”. Devemos nos lembrar de que o mesmo Davi
que escreveu todos os salmos acima, com exceção do 83 e 137, mostrou grande clemência e amor por
Saul. Quando se clama por justiça depois de um profundo ferimento (conforme, por exemplo, os santos
martirizados em Apocalipse 6.9-11), cumpre-se, de fato, Rm 12.19, pois a vingança é na verdade
transferida para Deus, deixando aquele que crê livre para perdoar seu inimigo.

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8) Interpretar as Epístolas
1. Estude o desenvolvimento lógico do argumento. Embora isso não seja muito difícil em algumas
epístolas (como Coríntios e Hebreus).
2. Estude a situação por trás das declarações. Tal procedimento é mais importante do que parece à
primeira vista, pois pode determinar não somente o contexto para o argumento de um livro, mas também
até que ponto a passagem se aplica a situações além das circunstâncias históricas dos leitores originais.
3. Verifique os diferentes subgêneros empregados nas epístolas. Quase todos os tipos de literatura
discutidos nesses capítulos sobre gênero encontram-se nas epístolas, como hinos e credos, apocalípticos
e provérbios. O leitor deve observá-los cuidadosamente e aplicar os princípios específicos do gênero
correspondente ao interpretar a epístola. Por exemplo, as precauções para interpretar um apocalíptico
serão inestimáveis em um estudo sobre o anticristo (2Ts 2) ou a destruição do mundo (2Pe 3). As regras
para interpretar a poesia nos ajudarão a compreender lTimóteo 3.16 ou 1 Pedro 3.18, 22. No caso dos
hinos, isso levará a dois níveis de interpretação, o significado do hino em sua forma original (como a
teologia da encarnação de Fp 2.6-8) e em sua posição dentro da própria epístola (Fp 2.6-11 como um
paradigma da humildade).
O contexto é o nexo recíproco dos vários elementos duma oração, sejam próximos (contexto
imediato), sejam distantes (contexto remoto).
O exame do contexto é extremamente importante por- que as palavras, as locuções e as frases podem
assumir senti- dos múltiplos, os pensamentos normalmente são expressos por sequência de palavras ou
de frases, e desconsiderar o contexto acarreta interpretações falsas.
Contexto inicial é a própria frase ou versículo em que o termo foi usado. Antes mesmo de recorrer ao
contexto imediato e remoto, é extremamente necessário entender o texto (frase) onde o termo aparece
em seu conjunto.
No contexto inicial, saber se o vocábulo está sendo usado em sentido denotativo ou conotativo é
imprescindível.
O contexto consequente é aquele que procede imediatamente ao texto.
O macro contexto de uma palavra ou de um versículo é um contexto maior que a palavra ou o
versículo que precede ou segue o versículo considerado.
No contexto amplo, o importante é verificar o tema exposto pelo versículo, parágrafo e capítulo e
como ele se relaciona com o esboço geral do livro, e com temas semelhantes em outros livros.
Chama-se contexto literário (no sentido bíblico) ao contexto que é próprio a literatura e publicações
correntes no período vetero ou neotestamentário, e que servem como fundo literário para se
compreender os matizes literários das Escrituras.
Ao que parece, o contexto remoto de um texto nas páginas do Novo Testamento, se encontra aduzido
nas próprias citações que prendem uma situação histórica presente (sincrônica) a um fato ou profecia
pretérita.
O contexto gramatical e lógico unem-se naturalmente no discurso literário, cada um emprestando ao
outro suas normas.

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Util ao estudante é o emprego do método linguístico-gramatical também chamado de léxico-sintático.
Esse método combina o estudo etimológico do vocábulo e a relação desse termo com as partes frasais
que o acompanha.
O uso do contexto remoto por Cristo e mais tarde pelos apóstolos, inaugurou uma nova fase
mterpretativa das Sagradas Escrituras: A interpretação cristológica, tendo as profecias do Antigo
Testamento como pilar, mas sendo explorada de seu contexto maior e geral para um particular e
especial.

BIBLIOGRAFIA:

ELWELL, Walter A., editor. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vida Nova, v.3
BENTHO, Esdas Costa. Hermenêutica : Fácil e descomplicada, Ed CPAD, 2003
FEE, Gordon; STUART, Douglas. Entendes o que lês? um guia para entender a Bíblia com o auxílio
da exegese e da hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 1984.
VIRKLER, Henry. Hermenêutica: princípios de processos de interpretação bíblica. São Paulo: Vida,
1987.
ZUCK, Roy B. A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo: Vida
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CARSON, D.A. A exegese e suas falácias: perigos na interpretação da Bíblia. São Paulo: Vida Nova,
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BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.
GEISLER, Norman; NIX, William. Introdução bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo:
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ANGLADA, Paulo R. B.. Introdução à hermenêutica reformada: correntes históricas, pressuposições,
princípios e métodos linguísticos. Ananindeua: Knox Publicações, 2006,

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