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29/09/2018 Matérias Reconhecidas :: STF - Supremo Tribunal Federal

Brasília, 29 de setembro de 2018 - 06:53 Imprimir

Notícias STF

Quarta-feira, 08 de março de 2017

Partido questiona no STF artigos do Código Penal que criminalizam aborto

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ajuizou no Supremo Tribunal Federal a Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF) 442, na qual pede que a Corte declare a não recepção parcial dos artigos 124 e 126 do Código Penal
pela Constituição da República. O partido alega que os dispositivos, que criminalizam o aborto provocado pela gestante ou
realizado com sua autorização, violam os princípios e direitos fundamentais garantidos na Constituição Federal.

A tese central defendida na ADPF é a de que as razões jurídicas que moveram a criminalização do aborto pelo Código Penal
de 1940 não mais se sustentam. “Em democracias constitucionais laicas, isto é, naquelas em que o ordenamento jurídico
neutro garante a liberdade de consciência e crença no marco do pluralismo razoável e nas quais não se professa nenhuma
doutrina religiosa como oficial, como é o caso do Brasil, enfrentar a constitucionalidade do aborto significa fazer um
questionamento legítimo sobre o justo”, argumenta. Para o partido, a longa permanência da criminalização do aborto “é um
caso de uso do poder coercitivo do Estado para impedir o pluralismo razoável”, pois torna a gravidez um dever, sendo que,
em caso de descriminalização, “nenhuma mulher será obrigada a realizá-lo contra sua vontade”.

O PSOL sustenta que a criminalização do aborto compromete a dignidade da pessoa humana e a cidadania das mulheres e
afeta desproporcionalmente mulheres negras e indígenas, pobres, de baixa escolaridade e que vivem distante de centros
urbanos, onde os métodos para a realização de um aborto são mais inseguros do que aqueles utilizados por mulheres com
maior acesso à informação e poder econômico, afrontando também o princípio da não discriminação. Outro aspecto
apontado como violado é o direito à saúde, à integridade física e psicológica das mulheres, e ainda o direito à vida e à
segurança, “por relegar mulheres à clandestinidade de procedimentos ilegais e inseguros” que causam mortes evitáveis e
danos à saúde física e mental.

A legenda entende que o questionamento apresentado na ADPF deve ser analisado no contexto de um processo
“cumulativo, consistente e coerente” do STF no enfrentamento da questão do aborto como matéria de direitos
fundamentais. E cita, para demonstrar esse processo, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, julgada em 2008,
na qual a Corte liberou pesquisas com células-tronco embrionárias; a ADPF 54, em 2012, que garantiu às gestantes de fetos
anencefálicos o direito à interrupção da gestação; e o Habeas Corpus (HC) 124306, em 2016, em que a Primeira Turma
afastou a prisão preventiva de acusados da prática de aborto.

Pedidos

O partido pede a concessão de liminar para suspender prisões em flagrante, inquéritos policiais e andamento de processos
ou decisões judiciais baseados na aplicação dos artigos 124 e 126 do Código Penal a casos de interrupção da gestação
induzida e voluntária realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez. No mérito, pede a declaração de não recepção parcial
dos dispositivos pela Constituição, excluindo do âmbito de sua incidência a interrupção da gestação induzida e voluntária
realizada nas primeiras 12 semanas, “de modo a garantir às mulheres o direito constitucional de interromper a gestação, de
acordo com a autonomia delas, sem necessidade de qualquer forma de permissão específica do Estado, bem como garantir
aos profissionais de saúde o direito de realizar o procedimento”.

CF/AD

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http://www.stf.jus.br/portal/geral/verImpressao.asp 1/1