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Caso do vestido E lhe roguei que aplacasse que não sei onde ele anda. vosso pai aparecia.

de meu marido a vontade. Mas te dou este vestido, Olhou para mim em silêncio,
Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego? Eu não amo teu marido, última peça de luxo mal reparou no vestido
me falou ela se rindo. que guardei como lembrança e disse apenas: Mulher,
Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou. Mas posso ficar com ele daquele dia de cobra, põe mais um prato na mesa.
se a senhora fizer gosto, da maior humilhação. Eu fiz, ele se assentou,
Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida? só para lhe satisfazer, Eu não tinha amor por ele, comeu, limpou o suor,
não por mim, não quero homem. ao depois amor pegou. era sempre o mesmo homem,
Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando. Olhei para vosso pai, Mas então ele enjoado comia meio de lado
os olhos dele pediam. confessou que só gostava e nem estava mais velho.
Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo! Olhei para a dona ruim, de mim como eu era dantes. O barulho da comida
os olhos dela gozavam. Me joguei a suas plantas, na boca, me acalentava,
Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca. O seu vestido de renda, fiz toda sorte de dengo, me dava uma grande paz,
de colo mui devassado, no chão rocei minha cara, um sentimento esquisito
Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se. mais mostrava que escondia me puxei pelos cabelos, de que tudo foi um sonho,
as partes da pecadora. me lancei na correnteza, vestido não há... nem nada.
E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós, Eu fiz meu pelo-sinal, me cortei de canivete, Minhas filhas, eis que ouço
me curvei... disse que sim. me atirei no sumidouro, vosso pai subindo a escada.
se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou. Saí pensando na morte, bebi fel e gasolina,
mas a morte não chegava. rezei duzentas novenas,
Chorou no prato de carne,
bebeu, gritou, me bateu, Andei pelas cinco ruas, dona, de nada valeu:
passei ponte, passei rio, vosso marido sumiu.
me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe, visitei vossos parentes, Aqui trago minha roupa
não comia, não falava, que recorda meu malfeito
Carlos Drummond de Andrade.
mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou, tive uma febre terçã, de ofender dona casada
mas a morte não chegava. pisando no seu orgulho.
dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro, Fiquei fora de perigo, Recebei esse vestido
fiquei de cabeça branca, e me dai vosso perdão.
beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato. perdi meus dentes, meus olhos, Olhei para a cara dela,
costurei, lavei, fiz doce, quede os olhos cintilantes?
Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado, minhas mãos se escalavraram, quede graça de sorriso,
meus anéis se dispersaram, quede colo de camélia?
me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa, minha corrente de ouro quede aquela cinturinha
pagou conta de farmácia. delgada como jeitosa?
que tivesse paciência
e fosse dormir com ele... Vosso pai sumiu no mundo. quede pezinhos calçados
O mundo é grande e pequeno. com sandálias de cetim?
Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos. Um dia a dona soberba Olhei muito para ela,
me aparece já sem nada, boca não disse palavra.
Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos. pobre, desfeita, mofina, Peguei o vestido, pus
com sua trouxa na mão. nesse prego da parede.
Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau. Dona, me disse baixinho, Ela se foi de mansinho
não te dou vosso marido, e já na ponta da estrada
Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

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