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4536-(2) Diário da República, 1.ª série — N.

º 139 — 21 de Julho de 2008

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Assim, nos termos daquele diploma, os instrumen-


tos de gestão territorial aplicáveis devem conter as
Resolução do Conselho de Ministros n.º 115-A/2008 medidas necessárias para garantir a conservação dos
habitats e das populações das espécies que funda-
A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica que tem
mentaram a classificação dos sítios e das ZPE ou,
por objectivo contribuir para assegurar a biodiversi-
não contendo essas medidas, deverão integrá-las na
dade através da conservação dos habitats naturais e
primeira revisão ou alteração a que forem sujeitos.
da fauna e da flora selvagens no território da União
Europeia. Prevê ainda a elaboração de um plano sectorial re-
Resultando da aplicação de duas directivas comuni- lativo à execução da Rede Natura 2000, que deverá
tárias, as Directivas n.os 79/409/CEE, do Conselho, de 2 estabelecer as orientações para a gestão territorial nos
de Abril (Directiva Aves), e 92/43/CEE, do Conselho, sítios e nas ZPE, bem como as medidas referentes à
de 21 de Maio (Directiva Habitats), a Rede Natura 2000 conservação das espécies da fauna, flora e habitats,
constitui um instrumento fundamental da política da tendo em conta o desenvolvimento económico e social
União Europeia, em matéria de conservação da natureza das áreas abrangidas.
e da biodiversidade. Esta rede é constituída por zonas de Posteriormente, também a Estratégia Nacional da Con-
protecção especial (ZPE), criadas ao abrigo da Direc- servação da Natureza e da Biodiversidade (ENCNB),
tiva Aves e que se destinam, essencialmente, a garantir aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros
a conservação das espécies de aves e seus habitats, e n.º 152/2001, de 11 de Outubro, reconhece a necessidade
por zonas especiais de conservação (ZEC), criadas ao de assegurar a conservação do património natural dos sí-
abrigo da Directiva Habitats, com o objectivo expresso tios e das ZPE, definindo-se orientações no que se refere
de contribuir para assegurar a conservação dos habitats à Rede Natura 2000.
naturais e das espécies da flora e da fauna incluídos nos A Resolução do Conselho de Ministros n.º 66/2001,
seus anexos. de 6 de Junho, determinou, entretanto, a elaboração
Para efeitos do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 do plano sectorial relativo à implementação da Rede
(PSRN2000), são consideradas as áreas classificadas como Natura 2000, estabelecendo também os respectivos
sítios da Lista Nacional (um estatuto atribuído na fase objectivos.
intermédia do processo de inclusão na Rede Natura 2000) É neste contexto que se integra a aprovação do
e ZPE. PSRN2000, consubstanciando um conjunto de medidas
Todavia, a dinâmica e a evolução do processo de imple- e orientações consideradas adequadas à implementação
mentação da Rede Natura 2000 pode justificar a designação da Rede Natura 2000 em Portugal, designadamente no
de novas áreas sempre que se verifiquem os pressupostos território continental.
previstos para o efeito. O PSRN2000 é um instrumento de gestão territorial,
Em Portugal continental foram criadas 29 ZPE, ao de concretização da política nacional de conservação
abrigo dos Decretos-Leis n.os 280/94, de 5 de Novem- da diversidade biológica, visando a salvaguarda e va-
bro, e 384-B/99, de 23 de Setembro, sendo que os 60 lorização dos sítios e das ZPE do território continen-
sítios da Lista Nacional (criados ao abrigo das Reso- tal, bem como a manutenção das espécies e habitats
luções do Conselho de Ministros n.os 142/97, de 28 de
num estado de conservação favorável nestas áreas.
Agosto, e 76/2000, de 5 de Julho) foram já designados
Na sua essência, é um instrumento para a gestão da
como sítios de importância comunitária (SIC), nos
biodiversidade.
termos das Decisões da Comissão n. os 2004/813/CE,
Trata -se de um plano desenvolvido a uma macro-
de 7 de Dezembro (adopta a lista dos SIC da região
escala (1:100 000) para o território continental, que
biogeográfica atlântica), e 2006/613/CE, de 19 de Ju-
lho (adopta a lista dos SIC da região biogeográfica apresenta a caracterização dos habitats naturais e se-
mediterrânica). minaturais e das espécies da flora e da fauna presentes
A necessidade de manter num estado de conservação nos sítios e ZPE e define as orientações estratégicas
favorável os valores naturais que estão na origem da desig- para a gestão do território abrangido por aquelas áreas,
nação dos sítios e das ZPE conduz a que a gestão territorial considerando os valores naturais que nele ocorrem,
destas áreas, que abrangem uma superfície total terrestre com vista a garantir a sua conservação a médio e a
de 1 820 978,19 ha e uma superfície total marinha de longo prazos.
109 009,19 ha, constitua uma matéria de grande relevância O PSRN2000 vincula as entidades públicas, dele se
e acuidade. extraindo orientações estratégicas e normas programá-
Neste sentido, o Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, ticas para a actuação da administração central e local,
com a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 devendo as medidas e orientações nele previstas ser
de Fevereiro, ao efectuar a transposição conjunta para o inseridas nos planos municipais de ordenamento do
direito interno das Directivas Aves e Habitats, estabeleceu território (PMOT) e nos planos especiais (PEOT), no
também os mecanismos necessários à gestão dos sítios e prazo máximo de seis anos após a sua aprovação, con-
das ZPE. forme resulta do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril,
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com a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de zonas de protecção especial, abreviadamente ZPE, que
24 de Fevereiro. consta do anexo II da presente resolução e que dela faz
A articulação do PSRN2000 com os demais instru- parte integrante, e glossário de orientações de gestão,
mentos de gestão territorial efectua-se nos termos pre- que consta do anexo III da presente resolução e que dela
vistos no Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, faz parte integrante.
com a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, 2 — Actualizar, de acordo com as fichas de sítios e ZPE
de 19 de Setembro, e de acordo com o preceituado no constantes do anexo II da presente resolução, a identifica-
Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com a redacção
ção dos tipos de habitats naturais e das espécies da flora
dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro,
e da fauna que ocorrem em cada um dos sítios da Lista
sendo de salientar que são definidas no presente Plano
Nacional de Sítios, constante das Resoluções do Conselho
as formas de adaptação dos PMOT e dos PEOT aos
de Ministros n.os 142/97, de 28 de Agosto, e 76/2000, de
princípios e objectivos de conservação dos habitats e
das espécies em função dos quais os sítios e as ZPE 5 de Julho.
foram classificados. 3 — Determinar que, no prazo de cinco anos a con-
Os trabalhos de elaboração do PSRN2000 foram co- tar da sua aprovação, o PSRN2000 deve ser objecto
ordenados pelo Instituto da Conservação da Natureza e de apreciação quanto à necessidade de proceder à sua
da Biodiversidade, I. P. (ICNB), e acompanhados pelas revisão.
autarquias locais cujos territórios estão incluídos no 4 — Definir que a necessária adaptação dos planos espe-
respectivo âmbito de aplicação, de acordo com o precei- ciais e dos planos municipais de ordenamento do território
tuado no n.º 1 do artigo 39.º do Decreto-Lei n.º 380/99, existentes face ao PSRN2000 é efectuada no prazo de
de 22 de Setembro, na redacção dada pelo Decreto-Lei seis anos a contar da publicação deste e de acordo com as
n.º 310/2003, de 10 de Dezembro. A complexidade do formas de adaptação nele definidas, nos termos do n.º 7
PSRN2000 bem como a pluralidade de interesses en- do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril,
volvidos determinaram que a sua elaboração fosse ainda na redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 14 de
acompanhada por uma comissão mista de coordenação Fevereiro.
(CMC), composta pelas entidades constantes do n.º 4 5 — Estabelecer que se encontram disponíveis para
da Resolução do Conselho de Ministros n.º 66/2001, consulta no sítio da Internet do Instituto da Conservação da
de 6 de Junho, e em cujos trabalhos participaram tam-
Natureza e da Biodiversidade, I. P., os seguintes elementos
bém as comissões de coordenação e desenvolvimento
de suporte ao PSRN2000:
regional.
Ao longo da elaboração do Plano foram realizadas várias a) Identificação da ocorrência de habitats naturais e de
sessões públicas e outras reuniões técnicas, com municípios espécies da flora e da fauna;
e entidades representadas na CMC, com vista a analisar b) Fichas de caracterização ecológica e de gestão dos
e a recolher contributos relativamente ao conteúdo do valores naturais;
mesmo. c) Cartografia indicativa dos valores naturais: habitats
O PSRN2000 foi objecto de discussão pública, no pe- naturais e espécies da flora e da fauna;
ríodo compreendido entre 26 de Janeiro e 10 de Março d) Cartografia indicativa das orientações de gestão.
de 2006, durante o qual tiveram lugar diversas sessões
públicas de esclarecimento. Foram ponderados, por fim, 6 — Criar a comissão de acompanhamento e avaliação
os resultados da discussão pública e concluída a versão do PSRN2000, com a composição e as competências de-
final do PSRN2000. finidas no n.º 8 do relatório do PSRN2000, constante do
Assim: anexo I da presente resolução.
Ao abrigo do disposto no n.º 4 do artigo 8.º do
7 — Determinar que a designação dos membros
Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com a redac-
da comissão de acompanhamento e avaliação do
ção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fe-
PSRN2000 e a determinação do seu mandato é feita
vereiro, e no artigo 41.º do Decreto -Lei n.º 380/99,
por despacho conjunto dos membros do Governo
de 22 de Setembro, na redacção dada pelo Decreto-
-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro, e nos termos da responsáveis pelas áreas da administração local, do
alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho ambiente e do ordenamento do território, da econo-
de Ministros resolve: mia e da agricultura, do desenvolvimento rural e das
1 — Aprovar o Plano Sectorial da Rede Natura 2000 pescas.
(PSRN2000) relativo ao território continental, composto Presidência do Conselho de Ministros, 5 de Junho de
por relatório, que consta do anexo I da presente reso- 2008. — O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho
lução e que dela faz parte integrante, fichas de sítios e Pinto de Sousa.
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ANEXO I Através dos Decretos Regulamentares n.º 6/2008, de


26 de Fevereiro, e n.º 10/2008, de 26 de Março, foram
Plano Sectorial da Rede Natura 2000 criadas, respectivamente, as ZPE de Monchique e Cal-
deirão, e Monforte, Veiros, Vila Fernando, São Vicente,
Relatório Évora, Reguengos, Cuba e Piçarras. Pelo Decreto-Lei n.º
1. A Rede Natura 2000 59/2008, de 27 de Março, foram ainda alargados os limites
das ZPE de Moura/Mourão/Barrancos e Castro Verde. A
A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica resultante da informação relativa a estas áreas classificadas, incluindo
aplicação das Directivas n.º 79/409/CEE, de 2 de Abril, a cartografia de limites, os valores naturais presentes e as
(Directiva Aves) e n.º 92/43/CEE, de 21 de Maio de 1992, orientações de gestão, será incluída na primeira revisão
(Directiva Habitats). Tal como definido pelo Artigo 2.º da do PSRN2000.
Directiva Habitats, tem como objectivo «contribuir para
QUADRO N.º 1
assegurar a biodiversidade através da conservação dos
habitats naturais e da fauna e da flora selvagens no ter- Lista das Zonas de Protecção Especial (ZPE)
ritório europeu dos Estados–membros em que o Tratado
é aplicável». Designação da ZPE Código
A Rede Natura 2000 é composta por áreas de impor-
tância comunitária para a conservação de determinados Açude da Murta PTZPE0012
habitats e espécies, nas quais as actividades humanas são
compatíveis com a preservação destes valores, visando uma Cabo Espichel PTZPE0050
gestão sustentável do ponto de vista ecológico, económico Campo Maior PTZPE0043
e social. A selecção das áreas da Rede Natura 2000 tem Castro Verde PTZPE0046
por base critérios exclusivamente científicos. Costa Sudoeste PTZPE0015
As Directivas Aves e Habitats estão harmonizadas Douro Internacional e Vale do Águeda PTZPE0038
e transpostas para o direito nacional pelo Decreto-Lei
n.º 140/99, de 24 de Abril, com a redacção que lhe foi Estuário do Sado PTZPE0011
dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro. Estuário do Tejo PTZPE0010
Este define os procedimentos a adoptar em Portugal para Estuários dos Rios Minho e Coura PTZPE0001
a sua aplicação. Em Portugal Continental, nos termos do Ilhas Berlengas PTZPE0009
referido Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, a Lagoa da Sancha PTZPE0014
Rede Natura 2000 é composta por:
Lagoa de Santo André PTZPE0013
− Sítios da Lista Nacional (criados ao abrigo das Resolu- Lagoa Pequena PTZPE0049
ções de Conselho de Ministros n.º 142/97, de 28 de Agosto,
Leixão da Gaivota PTZPE0016
e n.º 76/2000, de 5 de Julho), adiante designados Sítios;
− Zonas de Protecção Especial, adiante designadas Montesinho / Nogueira PTCON0002
ZPE (ZPE do Estuário do Tejo criada pelo Decreto-Lei Mourão / Moura / Barrancos PTZPE0045
n.º 280/94, de 5 de Novembro, e restantes ZPE criadas pelo Paul da Madriz PTZPE0006
Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro). Paul de Arzila PTZPE0005
Paul do Boquilobo PTZPE0008
O PSRN2000 refere-se a 29 ZPE (Quadro n.º 1) e 60
Sítios (Quadro n.º 2). Estas áreas abrangem uma superfície Paul do Taipal PTZPE0040
total terrestre de 1.820978,19 hectares, representando cerca Ria de Aveiro PTZPE0004
de 20,47% do território continental. Ria Formosa PTZPE0017
Encontram-se aprovadas as listas de Sítios de Impor- Rios Sabor e Maçãs PTZPE0037
tância Comunitária das Regiões Biogeográficas Atlântica Sapais de Castro Marim PTZPE0018
e Mediterrânica nos termos das Decisões da Comissão n.º
2004/813/CE, de 7 de Dezembro e n.º 2006/613/CE, de 19 Serra da Malcata PTZPE0007
de Julho. No entanto, a aprovação destas listas comporta Serra do Gerês PTZPE0002
algumas reservas relativamente a habitats naturais e espé- Tejo Internacional, Erges e Pônsul PTZPE0042
cies considerados como insuficientemente representados Vale do Côa PTZPE0039
na Rede Natura 2000, para os quais é necessário designar Vale do Guadiana PTZPE0047
área adicional.

QUADRO N.º 2

Sítios da Lista Nacional

Código Designação do Sítio Código Designação do Sítio

PTCON0003 Alvão /Marão PTCON0023 Morais


PTCON0035 Alvito /Cuba PTCON0053 Moura /Barrancos
PTCON0052 Arade /Odelouca PTCON0037 Monchique
PTCON0006 Arquipélago da Berlenga PTCON0031 Monfurado
PTCON0010 Arrábida /Espichel PTCON0002 Montesinho / Nogueira
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Código Designação do Sítio Código Designação do Sítio

PTCON0046 Azabuxo – Leiria PTCON0044 Nisa / Lage da Prata


PTCON0018 Barrinha de Esmoriz PTCON0005 Paul de Arzila
PTCON0049 Barrocal PTCON0056 Peniche / Santa Cruz
PTCON0029 Cabeção PTCON0058 Ria de Alvor
PTCON0033 Cabrela PTCON0013 Ria Formosa / Castro Marim
PTCON0030 Caia PTCON0038 Ribeira de Quarteira
PTCON0057 Caldeirão PTCON0059 Rio Paiva
PTCON0016 Cambarinho PTCON0026 Rio Vouga
PTCON0027 Carregal do Sal PTCON0021 Rios Sabor e Maçãs
PTCON0050 Cerro da Cabeça PTCON0043 Romeu
PTCON0051 Complexo do Açor PTCON0007 São Mamede
PTCON0034 Comporta /Galé PTCON0041 Samil
PTCON0012 Costa Sudoeste PTCON0015 Serras de Aire e Candeeiros
PTCON0022 Douro Internacional PTCON0014 Serra da Estrela
PTCON0055 Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas PTCON0047 Serras da Freita e Arada
PTCON0011 Estuário do Sado PTCON0028 Serra da Gardunha
PTCON0009 Estuário do Tejo PTCON0060 Serra da Lousã
PTCON0054 Fernão Ferro /Lagoa de Albufeira PTCON0048 Serra de Montejunto
PTCON0036 Guadiana PTCON0025 Serra de Montemuro
PTCON0032 Guadiana /Juromenha PTCON0045 Sicó / Alvaiázere
PTCON0004 Malcata PTCON0008 Sintra / Cascais
PTCON0042 Minas de St.º Adrião

2. Enquadramento do Plano Sectorial da Rede Na- − Elaboração de Planos de Gestão territoriais;


tura 2000 − Elaboração de Planos de Acção orientados para es-
Nos termos da Lei de Bases de Ordenamento do Terri- pécies ou habitats;
tório (Lei n.º 48/98, de 11 de Agosto) e respectiva regula- − Integração e orientação de medidas programáticas
mentação (Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, na ou de política sectorial tais como, e a título de exemplo,
sua redacção actual) os planos sectoriais» são instrumentos as enquadradas no Programa de Desenvolvimento Ru-
de programação ou de concretização das diversas políticas ral – Continente (2008-2013), na política da água ou de
com incidência na organização do território» estabele- transportes ou nas políticas costeira e marinha;
cendo entre outros aspectos «a articulação da política − Elaboração de acordos, parcerias ou medidas contra-
sectorial em causa com os demais instrumentos de gestão tuais (com actores públicos ou privados);
territorial aplicáveis». − Estabelecimento de medidas de carácter adminis-
O n.º 4 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de trativo.
Abril, com a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005,
de 24 de Fevereiro, determina a elaboração de um plano 3. Objectivos
sectorial relativo à implementação da Rede Natura 2000 A Resolução do Conselho de Ministros n.º 66/2001,
que estabeleça o «âmbito e enquadramento das medidas de 6 de Junho, determina a elaboração do PSRN2000, de
referentes à conservação das espécies da flora, da fauna e acordo com os seguintes objectivos:
dos habitats naturais e tendo em conta o desenvolvimento
económico e social das áreas abrangidas». − Estabelecer orientações para a gestão territorial das
O Plano Sectorial da Rede Natura 2000 (PSRN2000) ZPE e Sítios;
constitui um instrumento de concretização da política na- − Estabelecer o regime de salvaguarda dos recursos e
cional de conservação da biodiversidade, visando a salva- valores naturais dos locais integrados no processo, fixando
guarda e valorização dos Sítios e ZPE do território conti- os usos e o regime de gestão compatíveis com a utilização
nental, bem como a manutenção nestas áreas das espécies sustentável do território;
e habitats num estado de conservação favorável. − Representar cartograficamente, em função dos dados
Nesta medida, a aplicação das orientações de gestão e das disponíveis, a distribuição dos habitats presentes nos Sítios
outras normas programáticas estabelecidas no PSRN2000 e ZPE;
são da responsabilidade da administração central e local, − Estabelecer directrizes para o zonamento das áreas em
e assumindo as seguintes formas: função das respectivas características e prioridades de con-
servação;
− Criação ou revisão do quadro legislativo; − Definir as medidas que garantam a valorização e a ma-
− Revisão ou alteração de outros instrumentos de ges- nutenção num estado de conservação favorável dos habitats
tão territorial, nomeadamente planos municipais, planos e espécies, bem como fornecer a tipologia das restrições ao
especiais de ordenamento do território e planos de génese uso do solo, tendo em conta a distribuição dos habitats a
sectorial ou regional; proteger;
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− Fornecer orientações sobre a inserção em plano muni- 4. Âmbito territorial


cipal ou especial de ordenamento do território das medidas
e restrições mencionadas nas alíneas anteriores; O PSRN2000 aplica-se às áreas classificadas ao abrigo do
− Definir as condições, os critérios e o processo a seguir Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com a redacção dada
na realização da avaliação de impacte ambiental e na análise pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, no territó-
de incidências ambientais. rio continental e identificadas no mapa adiante apresentado.

5. Síntese Metodológica Aves e Habitats, correspondentes aos listados nos Anexos I


A informação de base relativa aos valores naturais re- da Directiva Aves e Anexos I e II da Directiva Habitats,
levantes para a garantia do cumprimento das Directivas resultou da recolha exaustiva da informação já existente,
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produzida pelo ICNB ou outras instituições, e a sua siste- As fichas de Sítios e ZPE permitem evidenciar os usos
matização e uniformização. Excepções foram feitas para e actividades que mais influenciam, directa ou indirec-
a informação sobre a distribuição geográfica das espécies tamente, o estado de conservação dos valores naturais
de aves mais relevantes para a coerência de cada uma das presentes.
ZPE (designadas como espécies-alvo), e para a produção As orientações de gestão identificadas nas fichas de Sítio
das fichas de caracterização ecológica e de gestão dos ou ZPE enquadram, de uma forma genérica, as medidas
habitats naturais. necessárias à conservação dos valores naturais protegidos
Com a informação compilada e produzida foram ela- pelas Directivas Aves e Habitats, as quais se aplicam e
boradas fichas de caracterização ecológica e de gestão de transpõem para os instrumentos de gestão territorial ou
valores naturais (disponíveis em www.icnb.pt) , tendo a outros planos e programas, incluindo os que se traduzem
cartografia da distribuição dos valores naturais sido digi- em apoios financeiros a actividades. A sua redacção é
talizada na melhor escala disponível, adoptando a escala condicionada pelo carácter estratégico do PSRN2000 e
de 1:100 000 como referência do plano. pela respectiva escala de elaboração (c.f. 5.4.).
No anexo II da Resolução de Conselho de Ministros As orientações de gestão identificadas nas fichas de Sítio
que aprova este relatório, em cada um dos Sítios e ZPE, e ZPE reportam-se às exigências ecológicas dos valores
o PSRN2000: naturais tendo em conta os respectivos objectivos de con-
servação e factores de ameaça. São incluídas aquelas que
− Actualiza a informação relativa à ocorrência de habi-
se consideram fundamentais para a garantia de manutenção
tats naturais e de espécies da flora e da fauna;
num estado de conservação favorável dos valores naturais
− Identifica orientações de gestão, com carácter indica-
que determinaram a criação do Sítio ou ZPE, compatibi-
tivo, e enquadra-as no conjunto de factores que actuam so-
lizando as actividades humanas com a conservação da
bre os valores naturais presentes em cada Sítio ou ZPE;
biodiversidade.
− Não contém todas as especificações necessárias à exe-
São listadas as orientações de gestão determinadas por
cução de acções de conservação dos valores naturais, nem
cada um dos valores naturais que ocorrem no Sítio, ou
esgota outras necessidades de gestão da Rede Natura.
das espécies-alvo de cada uma das ZPE, com a respectiva
identificação, o que permite estabelecer a relação com a
Para facilitar a compreensão do significado de cada
informação das fichas de caracterização ecológica e de
orientação de gestão foi produzido um glossário (Anexo III
gestão de valores naturais.
da Resolução de Conselho de Ministros que aprova este
Para a identificação das orientações de gestão a adoptar
relatório), com os conceitos utilizados e incluindo a dis-
em cada área classificada, aplicou-se a seguinte metodo-
criminação das especificidades associadas aos diferentes
logia:
valores naturais. Ao longo do processo de revisão a que
este glossário foi submetido, algumas das orientações de − Identificação de todas as orientações de gestão pre-
gestão foram englobadas noutras, de maior abrangência, conizadas para as espécies da flora e da fauna e os tipos
razão pela qual se podem observar descontinuidades na de habitat presentes em cada Sítio ou ZPE, com base em
sua numeração. informação das fichas de caracterização ecológica e de
Definem-se «sítios relevantes» para garantir a manuten- gestão de valores naturais que ocorrem naquelas áreas
ção de um habitat ou de uma espécie num estado de con- classificadas;
servação favorável, como sendo aqueles onde se verifica − Agregação destas orientações de gestão e triagem,
pelo menos uma das seguintes características: constituem em função das especificidades de cada Sítio ou ZPE, eli-
dos poucos locais onde ocorre, integram o seu limite de minando as que, para a área em causa, se consideraram
distribuição ou incluem os núcleos ou as sub-populações desajustadas.
mais bem conservadas. No caso de «sítios relevantes» para
a manutenção de uma espécie num estado de conservação Deste modo, a aplicação das orientações de gestão iden-
favorável, estes podem ainda apresentar características de tificadas nas fichas dos Sítios e ZPE carece de articulação
habitat particularmente favoráveis ou incluírem isolados com as orientações correspondentes nas fichas de caracteri-
populacionais. zação ecológica e de gestão dos valores naturais, nas quais
se encontram detalhados os condicionamentos específicos
5.1. Fichas de Sítios e ZPE a observar, face às respectivas exigências ecológicas e
factores de ameaça.
As fichas de Sítios e ZPE (Anexo II) englobam uma
caracterização da área sob os pontos de vista biogeográ-
5.2. Fichas de caracterização ecológica e de gestão
fico, ecológico (com a indicação das espécies e dos tipos
dos valores naturais
de habitat determinantes para a sua classificação), agro-
florestal, do uso e ocupação do solo, incluindo alguns Estas fichas contêm a caracterização ecológica, a iden-
indicadores socio-económicos, e a lista dos valores naturais tificação de ameaças à sua manutenção, os objectivos de
que nela ocorrem, constantes dos anexos do Decreto-Lei conservação identificados e as orientações de gestão ne-
n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro. cessárias para assegurar a conservação dos valores naturais
Na identificação dos valores naturais que ocorrem no a médio e longo prazo. Entre outros aspectos, ressalta a
Sítio ou ZPE, é dado especial destaque aqueles cuja pre- importância da gestão agrícola e florestal para a manuten-
sença foi determinante para a criação daquela área clas- ção de um estado de conservação favorável de um conjunto
sificada. muito significativo de habitats naturais (e.g. charnecas
Estas fichas incluem também referência aos principais secas (4030), Prados ibéricos siliciosos com Festuca in-
factores de ameaça à conservação dos valores naturais e digesta (6160), Montados de Quercus suber e ou Quercus
às orientações de gestão a implementar. ilex (6310)) e de espécies da flora (e.g. Festuca elegans,
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Ononis hackelii) e da fauna (e.g. Lynx pardinus, aves es- O trabalho de compatibilização e adaptação das dis-
tepárias, Chioglossa lusitanica). posições do PSRN2000 deverá ter por base a informação
Em casos específicos, alguns dos valores naturais fo- contida nas fichas de caracterização ecológica e de gestão
ram agrupados em resultado de exibirem características dos valores naturais e a sua cartografia, produzida com
ou exigências ecológicas e de gestão semelhantes. Foi uma metodologia ajustada à escala 1:25 000 ou maior,
efectuado o levantamento das ameaças que são actuantes necessária à adequada inserção em plano municipal ou
ou expectáveis num futuro próximo. especial de ordenamento do território das orientações do
Foram elaboradas 88 fichas de habitats naturais, 84 PSRN2000.
fichas de espécies da flora e 125 de espécies da fauna. As
fichas dos habitats naturais foram elaboradas pela ALFA 5.4. Orientações de gestão
– Associação Lusitana de Fitossociologia. No caso das As orientações de gestão foram agrupadas por blocos
fichas das espécies da flora e da fauna, a informação re- temáticos:
colhida é proveniente de vários projectos e estudos de − Agricultura e pastorícia;
inventariação e caracterização promovidos pelo ICNB − Silvicultura;
e pela comunidade científica portuguesa, realizados até − Edificação e infra-estruturas;
Novembro de 2005. − Outros usos e actividades (usos do solo ou actividades
No caso da avifauna, as fichas das espécies-alvo foram económicas não incluídos nos grupos anteriores);
elaboradas adaptando os critérios do BirdLife para a desig- − Orientações específicas (orientações relacionadas com
nação de Áreas Importantes para as Aves (IBA, Important gestão directa de espécies ou habitats);
Bird Areas).
O bloco temático designado «orientações específicas»
5.3. Cartografia de valores naturais agrupa um conjunto de orientações de gestão (activa ou
Procedeu-se à harmonização da informação cartográfica passiva) complementares, para as situações em que se
disponível sobre habitats naturais, e espécies da flora e da considera que as medidas regulamentares são insuficientes
fauna. Para as espécies de aves, foi elaborada cartografia para a obtenção de resultados positivos de conservação.
especificamente orientada para o PSRN2000. Foi desenvolvido um exercício de cartografia das
A sistematização para a escala 1:100 000 da informação orientações de gestão (disponível em www.icnb.pt), que
de base cartográfica disponível, em diversos formatos constitui uma ferramenta indicativa da sua aplicação ao
(polígonos, estruturas lineares, pontos de amostragem e território.
No âmbito deste exercício, não foram cartografadas
levantamentos em quadrícula) e com escalas de levanta-
algumas orientações de gestão que se encontram nas se-
mento variadas, implicou simplificações e generalizações
guintes condições:
que carecem de posterior aferição e validação, para efeitos
da sua mais adequada utilização na transposição de orien- − Não são cartografáveis à escala de trabalho do
tações para os IGT. PSRN2000, devido ao detalhe associado à sua execução
Sobre a cartografia produzida destacam-se os seguintes (por exemplo, desobstruir a entrada de abrigos para mor-
elementos: cegos);
− Pela sua abrangência, se aplicam à generalidade do
− Habitats naturais – na informação disponível existem território do continente (por exemplo, condicionar ex-
diferenças de pormenor e de qualidade entre áreas do país. pansão urbano-turística ou condicionar a construção de
Verifica-se a ausência de cartografia para alguns habitats infraestruturas);
de distribuição localizada/pontual, o que impossibilita a − Constituem princípios gerais da política de conserva-
sua apresentação na escala adoptada pelo PSRN2000. Há ção da natureza aplicáveis a quase todos os valores naturais
ainda a registar a ocorrência de diversos habitats cartogra- (por exemplo, adquirir conhecimento e prospectar a espé-
fados numa mesma mancha, não individualizados, por se cie/habitat ou melhorar a eficácia da fiscalização).
verificar a sua ocorrência em mosaicos cartograficamente
não destrinçáveis, por num mesmo espaço ocorrem estratos Numa primeira etapa, a representação cartográfica das
diferenciados, ou resultado da escala de levantamento orientações de gestão foi elaborada com base na distribui-
adoptada; ção cruzada dos habitats, e das espécies da flora e da fauna.
− Espécies da flora – a generalidade da informação A sobreposição da correspondente cartografia de orienta-
cartográfica existente refere-se a registos pontuais, sendo ções de gestão obrigou a um exercício de análise e à tomada
apresentada uma cartografia de ocorrências conhecidas, de decisões, caso a caso, sempre que se existiam orien-
para espécies com maior grau de ameaça e localização tações de gestão contraditórias para um mesmo espaço.
restrita, não podendo ser confundida com uma cartografia O resultado obtido não substitui o confronto do uso e
de distribuição das espécies em causa; ocupação actual do solo com as fichas e cartografia de
− Espécies de fauna (com excepção da avifauna) – a valores naturais, sempre que as opções concretas a adoptar
cartografia apresentada é função do tipo de informação exijam maior rigor que o possível numa escala de referên-
disponível sobre cada uma das espécies, nomeadamente cia de 1:100 000.
em termos de grau de cobertura da distribuição e de escala
de levantamento; 6. Análise Global
− Espécies de aves consideradas mais relevantes para
a coerência de cada uma das ZPE ou espécies-alvo – a 6.1. Habitats naturais e espécies da flora e da fauna
representados em Portugal
cartografia foi efectuada com base no conhecimento de
terreno dos especialistas em cada espécie (ou grupo de O registo da ocorrência de habitats naturais e de espécies
espécies) apoiada em cartografia de uso do solo. da flora e da fauna (disponível em www.icnb.pt) inclui as
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listas dos valores naturais incluídos nos anexos I e II da sítio relevante PTCON0055 Dunas de Mira, Gândara e
Directiva n.º 92/43/CEE representados em cada um dos Gafanhas;
Sítios. Inclui ainda a lista das aves consideradas espécies- iv) Urzais turfófilos de Erica tetralix e Calluna vulgaris
alvo em cada uma das ZPE. (4010), tipo de habitat que só tem como sítio relevante
Não esquecendo que as obrigações do Estado Português PTCON0001 Peneda/Gerês;
se referem à totalidade dos valores protegidos pelas Direc- v) Dunas atlânticas com bosques de Querci ou pinhais
tivas Aves e Habitats, é possível identificar situações de disclimácicos (2180), ocorrendo com relevância com ape-
maior fragilidade que exigem mais detalhe na avaliação nas o sítio PTCON0017 Litoral Norte como relevante;
das decisões subsequentes à aprovação do PSRN2000. vi) Dunas costeiras e paleodunas com vegetação anual
A contribuição de Portugal para a manutenção do estado oligotrófica (2230), tipo de habitat com distribuição limi-
favorável de conservação dos valores protegidos é aferida tada à Península ibérica, que apresenta como sítios relevan-
pela sua raridade e sensibilidade em território nacional, mas tes PTCON0013 Ria Formosa/Castro Marim, PTCON0034
também pela sua peculiaridade no espaço europeu. Um Comporta/Galé e PTCON0054 Fernão Ferro/Lagoa de
valor escassamente representado a nível comunitário que Albufeira;
ocorra maioritariamente em território nacional, constitui vii) Águas oligotróficas sobre areias com vegetação da
uma responsabilidade a que se deverá dar resposta. Littorelletalia (3110), tipo de habitat limitado à Penín-
Na Região Atlântica do espaço EUR15, o tipo de ha- sula ibérica, que tem como sítios relevantes PTCON0034
bitat prioritário 5230* (matos altos de lauróides), que só Comporta/Galé e PTCON0055 Dunas de Mira, Gândara
ocorre em Portugal, e ainda os tipos 2230 (areias costeiras e Gafanhas.
com prados anuais oligotróficos), 6160 (matos rasteiros
pioneiros e prados psicroxerófilos), 9380 (azevinhais) e Interessa destacar os seguintes tipos de habitat que exi-
9580* (bosquetes de teixo) que estão limitados ao espaço gem melhoria do seu estado de conservação.
ibérico, constituem prioridades do PSRN2000.
Também na Região Mediterrânica do espaço EUR15 a) Com apenas um sítio relevante:
ocorrem exclusivamente em Portugal os tipos de habitats i) Prados-juncais dos estuários atlânticos (1330), no
1330 (prados-juncais dos estuários atlânticos), 2170 (de- sítio PTCON0019 Rio Minho;
pressões dunares com matagais de Salix arenaria), 4010 ii) Cascalheiras ribeirinhas com comunidades herbáceas
(urzais turfófilos de Erica tetralix e Calluna vulgaris) e (3250), tipo de habitat especializado, no Sítio PTCON0022
5140* (matos baixos litorais com Cistus palhinhae), es- Douro internacional;
tando limitados à Península Ibérica os tipos 1230 (falésias iii) Matos de eufórbias (5320), no Sítio PTCON0010
atlânticas com vegetação), 1320 (arrelvados dominados por Arrábida/Espichel.
Spartina maritima), 2130* (dunas cinzentas), 2150* (tojais
psamófilos), 2230 (areias costeiras com prados anuais b) Com dois Sítios relevantes:
oligotróficos), 3110 (águas oligotróficas em areias com
vegetação da Littorelletalia), 4020* (urzais-tojais meso- i) Bosques mesotróficos de plano-caducifólias (9160),
higrófilos e higrófilos), 6160 (matos rasteiros pioneiros e tipo de habitat que exige incremento tanto da área de ocu-
prados psicroxerófilos), 9230, 9240 (carvalhais de Quercus pação como do grau de conservação e que ocorre de modo
robur e/ou Q. pyrenaica e de Q. faginea subsp. broteroi) relevante PTCON0001 Peneda/Gerês e PTCON002 Mon-
e 92B0 (amiais com adelfeiras), onde se salientam três tesinho/Nogueira;
tipos prioritários. ii) Amiais com adelfeiras (92B0), tipo de habitat limi-
No contexto europeu, a localização periférica de Portu- tado à Península Ibérica, exigindo melhoria do grau de
gal confere-lhe elevada e singular biodiversidade tornando conservação e com relevância em PTCON0016 Camba-
expressivas as variações regionais dos tipos de habitat,, rinho e PTCON0037 Monchique como relevantes;
que no território continental se traduzem em 168 subtipos, iii) Rias de águas salgadas (1160), tipo de habitat ne-
muitos deles com reduzida extensão de ocorrência, uma cessitando de melhoria do estado de conservação e com
marcada especialização ou carácter finícola, com carac- relevância em PTCON0013 Ria Formosa/Castro Marim e
terísticas únicas e não replicáveis. PTCON0058 Ria de Alvor como relevantes;
Um cruzamento entre os tipos de habitat que ocorrem iv) Arribas costeiras do litoral Norte (1230), tipo de ha-
num menor número de Sítios considerados como relevan- bitat com vegetação específica, necessitando de incremento
tes – um, dois ou três –, e aqueles que apresentam uma do grau de conservação e com relevância em PTCON0006
tendência decrescente de área de ocupação ou cujo estado Arquipélago da Berlenga e PTCON0017 Litoral Norte
de conservação é médio ou desfavorável, considerando como relevantes;
ainda o seu estatuto de endemicidade, permite destacar os v) Grutas, algares e minas, não ou pouco perturbados
seguintes tipos de habitat a que é necessário dedicar uma (8310), tipo de habitat exigindo melhoria do grau de con-
atenção especial: servação e com relevância em PTCON0015 Serras de Aire
e Candeeiros e PTCON0024 Valongo como relevantes.
i) Matos baixos litorais com Cistus palhinhae (5140*),
tipo de habitat prioritário, endémico português, que só c) Com três Sítios relevantes:
ocorre em PTCON0012 Costa Sudoeste;
ii) Bosquetes de teixo (9580*), tipo de habitat priori- i) Depressões húmidas intradunares (2190), em PT-
tário, limitado à Península ibérica, que tem como sítios CON0017 Litoral Norte, PTCON0034 Comporta/Galé e
relevantes PTCON0001 Peneda/Gerês e PTCON0014 PTCON0055 Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas;
Serra da Estrela; ii) Biótopos higroturfosos com vegetação pioneira
iii) Depressões dunares com Salix arenaria (2170), (7150), em PTCON0001 Peneda/Gerês, PTCON0034
tipo de habitat endémico português, que só tem como Comporta/Galé e PTCON0039 Serra d’ Arga;
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iii) Bosques higrófilos não ripícolas de freixo (91B0), Para além destes, há um conjunto de outros habitats
em PTCON0004 Malcata, PTCON0031 Monfurado e PT- que devido à sua importância ecológica, baixa frequência,
CON0038 Ribeira de Quarteira; área de ocorrência pontual, reduzida ou fragmentada, se
iv) Bosques de zambujeiro e alfarrobeira (9320), em definem como de conservação prioritária. De modo a sis-
PTCON0010 Arrábida/Espichel, PTCON0036 Guadiana tematizar estas especificidades, é apresentado um resumo
e PTCON0049 Barrocal. dos tipos de habitats referidos (Quadro n.º 3).

QUADRO N.º 3

Tipos de habitat de conservação prioritária


Objectivo
Carácter Objectivo
Código Prioritário Tipo Sítios relevantes Estado
de endemicidade Área de ocupação
de Conservação

5140 * Matos baixos litorais com Cistus palhinhae PTCON0012 Português Aumentar Melhorar
9580 * Bosquetes de teixo PTCON0001 Ibérico Aumentar Melhorar
PTCON0014
2170 Depressões dunares com Salix arenaria PTCON0055 Português Aumentar Melhorar
4010 Urzais turfófilos de Erica tetralix e Calluna vulgaris PTCON0001 – Aumentar Melhorar
2180 Dunas atlânticas com bosques de Querci ou pinhais dis- PTCON0017 – Aumentar Melhorar
climácicos
2230 Dunas costeiras e paleodunas com vegetação anual oli- PTCON0013 Ibérico Aumentar Melhorar
gotrófica PTCON0034
PTCON0054
3110 Águas oligotróficas sobre areias com vegetação da Lit- PTCON0034 Ibérico Aumentar Melhorar
torelletalia PTCON0055
1330 Prados-juncais dos estuários atlânticos PTCON0019 – Desconhecido Melhorar
3250 Cascalheiras ribeirinhas com comunidades herbáceas PTCON0022 – Desconhecido Melhorar
5320 Matos de eufórbias PTCON0010 – Desconhecido Melhorar
9160 Bosques mesotróficos de plano-caducifólias PTCON0001 – Aumentar Melhorar
PTCON0002
92B0 Amiais com adelfeiras PTCON0016 Ibérico Desconhecido Melhorar
PTCON0037
1160 Rias de águas salgadas PTCON0013 – Desconhecido Melhorar
PTCON0058
1230 Arribas costeiras do litoral Norte PTCON0006 – Desconhecido Melhorar
PTCON0017
8310 Grutas, algares e minas, não ou pouco perturbados PTCON0015 – Desconhecido Melhorar
PTCON0024
2190 Depressões húmidas intradunares PTCON0017 – Aumentar Melhorar
PTCON0034
PTCON0055
7150 Biótopos higroturfosos com vegetação pioneira PTCON0001 – Aumentar Melhorar
PTCON0034
PTCON0039
91B0 Bosques higrófilos não ripícolas de freixo PTCON0004 – Aumentar Melhorar
PTCON0031
PTCON0038
9320 Bosques de zambujeiro e alfarrobeira PTCON0010 – Aumentar Melhorar
PTCON0036
PTCON0049
1150 * Lagunas costeiras Vários (5) – Aumentar Melhorar
9560 * Bosques com Juniperus Vários (5) – Aumentar Melhorar
2250 * Dunas e paleodunas com matagais de zimbro Vários (7) – Aumentar Melhorar
4020 * Urzais-tojais meso-higrófilos ou higrófilos Vários (10) – Aumentar Melhorar
3170 * Charcos temporários mediterrânicos Vários (8) – Manter Melhorar
3160 Charcas distróficas naturais com Utricularia Vários (4) – Aumentar Melhorar
9240 Carvalhais de Quercus faginea subsp. broteroi Vários (4) – Aumentar Melhorar
9340 Bosques de Quercus rotundifolia Vários (5) – Aumentar Melhorar
2260 Areais dunares com matos dominados por Stauracan- Vários (6) – Aumentar Melhorar
thus
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Objectivo
Carácter Objectivo
Código Prioritário Tipo Sítios relevantes Estado
de endemicidade Área de ocupação
de Conservação

7140 Turfeiras Vários (6) – Aumentar Melhorar


9330 Sobreirais Vários (6) – Aumentar Melhorar
5210 Matagais de zimbros sobre substratos compactos Vários (7) – Aumentar Melhorar
9230 Carvalhais de Quercus robur e/ou Q. pyrenaica Vários (8) – Aumentar Melhorar
3130 Águas paradas com vegetação de Littorelletea uniflorae Vários (3) – Manter Melhorar
e/ou de Isoeto–Nanojuncetea
3120 Águas oligotróficas sobre areias, com Isoetes Vários (4) – Manter Melhorar

Não se incluem nos tipos acima enumerados diversos ix) Cistus palhinhae (Costa Sudoeste);
subtipos com elevada sensibilidade e com frequência e área x) Dianthus cintranus (Sintra/Cascais);
de ocupação baixas, sujeitos a ameaças relevantes, mais xi) Diplotaxis vicentina (Costa Sudoeste);
exigentes em termos de objectivos de conservação do que xii) Festuca brigantina (Montesinho/Nogueira);
o próprio tipo em que se integram, necessitando de acções xiii) Festuca henriquesii (Serra da Estrela);
adicionais orientadas para a sua conservação. xiv) Herniaria algarvica (Costa Sudoeste);
De entre estes subtipos, por exigirem simultaneamente xv) Herniaria berlengiana (Arquipélago da Berlenga).
aumento de área de ocupação e incremento do grau de
conservação, destacam-se os seguintes: Destacam-se as espécies não endémicas de Portugal
mas que estão bastante ameaçadas e no limite da sua área
i) Malhadais (6220*pt2), prioritário; de distribuição, em situações de grande vulnerabilidade e
ii) Arrelvados vivazes neutrobasófilos de gramíneas com ocorrências muito restritas:
altas (6220*pt3), prioritário;
iii) Amiais e salgueirais paludosos (91E0*pt3), prio- i) Narcissus fernandesii;
ritário; ii) Armeria velutina (Ria Formosa/Castro Marim);
iv) Bancos com Cymodocea nodosa (1110pt2); iii) Narcissus humilis (Guadiana/Juromenha);
v) Bancos com Zostera marina (1110pt3); iv) Culcita macrocarpa (Valongo);
vi) Bancos com Zostera noltii (1110pt4); v) Eryngium viviparum* (Montesinho /Nogueira);
vii) Estuários atlânticos (1130pt2); vi) Riella helicophylla (Ria Formosa /Castro Marim);
viii) Bancos de sedimentos intermareais com Zostera vii) Marsilea quadrifolia (Alvão /Marão);
noltii (1140pt2); viii) Trichomanes speciosum (Valongo);
ix) Salgueirais-choupais algarvios de choupos-brancos ix) Apium repens (Costa Sudoeste);
(92A0pt1). x) Jasione lusitanica (Barrinha de Esmoriz e Litoral
Norte);
Identificam-se as espécies da flora e os territórios que xi) Narcissus cyclamineus (Corno do Bico, Serras da
as acolhem que suscitam atenção particular no quadro do Freita e Arada, Valongo);
PSRN2000. Destacam-se as espécies que se encontram xii) Veronica micrantha (Sítios mais relevantes: Alvão/
simultaneamente numa situação mais grave em termos de Marão, C. do Açor e Montesinho/Nogueira).
conservação, são exclusivas de Portugal e possuem uma
Destacam-se também as espécies dependentes de ecos-
distribuição restrita
sistemas húmidos, ou de solos temporariamente enchar-
São endemismos lusitanos muito ameaçados, que ocor-
cados. Todas as espécies estão num estado de conserva-
rem em apenas um ou dois Sítios:
ção desfavorável e quase metade são consideradas muito
i) Bryoerythrophyllum campylocarpum* (Corno do ameaçadas.
Bico); Algumas outras espécies especialmente ameaçadas são
ii) Linaria ricardoi* (Alvito/Cuba); características de carvalhais, merecendo igual destaque
iii) Omphalodes kuzinskyanae (Sintra/Cascais); as que dependem de sistemas dunares ou associadas a
iv) Plantago algarbiensis (Barrocal); comunidades litorais (onde se englobaram as comunidades
v) Plantago almogravensis. (Costa Sudoeste); litorais rupícolas e psamófilas, herbáceas ou arbustivas).
vi) Linaria coutinhoi (Montesinho/Nogueira e Douro Neste âmbito, importa ainda referir o número significativo
Internacional). de espécies associadas a matos ou clareiras de matos com
estado de conservação desfavorável.
São endemismos lusitanos vulneráveis, que ocorrem Foram considerados como particularmente relevantes
num único Sítio em Portugal: para a conservação de espécies da flora, os Sítios abaixo
listados que: (i) integram espécies de ocorrência única;
i) Asphodelus bento–rainhae* (Serra da Gardunha); (ii) integram grupos de dois ou três Sítios de ocorrência
ii) Convolvulus fernandesii* (Arrábida/Espichel); exclusiva de uma espécie; (iii) possuem elevada represen-
iii) Silene rothmaleri* (Costa Sudoeste); tatividade de espécies (iv); albergam espécies cujo estado
iv) Armeria berlengensis (Arquipélago da Berlenga); de conservação se encontra num nível mais elevado; ou
v) Armeria pseudarmeria (Sintra/Cascais); (v) integram zonas limítrofes da extensão de ocorrência
vi) Avenula hackelii (Costa Sudoeste); de uma espécie ou áreas de ocupação isoladas:
vii) Biscutella vicentina (Costa Sudoeste);
viii) Chaenorrhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum i) Costa Sudoeste pelo número de espécies total,
(Costa Sudoeste); pelo número de espécies endémicas, pelo número de
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espécies que são exclusivas desse Sítio, pelo número de Aire e Candeeiros, Barrocal, Serra de Montejunto e
de espécies ameaçadas, pelo número de espécies para Sicó/Alvaiázere.
as quais é considerado Sítio muito relevante – é aquele vi) Alvito/Cuba, Arquipélago da Berlenga, Azabuxo/
que, sob todos os critérios, se destaca pela sua impor- Leiria, Barrinha de Esmoriz, Samil, Ria de Alvor, Valongo,
tância florística. Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira e Corno do Bico que,
ii) Os costeiros, pelo número de espécies total, ou pelo sendo muito distintos nas suas características biogeográ-
número de espécies para os quais são considerados muito ficas, têm todos áreas reduzidas, com poucas espécies da
relevantes: Arrábida/Espichel, Costa Sudoeste, Sintra/Cas- flora no total, mas que são considerados muito relevantes
cais, Comporta/Galé, Estuário do Sado, Ria Formosa/Cas- para a conservação de todas estas espécies, as quais têm
tro Marim. ecologias muito diversas.
iii) Os com uma grande importância para a conservação
da flora orófila e que englobam uma grande variedade de O Quadro n.º 4 sistematiza as espécies da flora de acordo
espécies, designadamente, Montesinho/Nogueira, Serra da com os Sítios de ocorrência com base em critérios de estado
Estrela, Serras da Peneda e Gerês e Alvão/Marão. de conservação, distribuição em Portugal e endemicidade.
iv) Montesinho/Nogueira, Morais e Samil, pela presença As categorias de ameaça são indicativas do estado de con-
das espécies serpentinófitas. servação das espécies, tendo sido estimadas com base na
v) Os mais relevantes para a conservação das espécies da informação das fichas de caracterização ecológica e de ges-
flora dependente dos calcáreos: Arrábida/Espichel, Serras tão dos valores naturais e na sua distribuição conhecida.
QUADRO N.º 4

Espécies da flora de conservação prioritária


(MA – Muito Ameaçada; prov.Ex – provavelmente Extinto; A/Vu – Ameaçada/Vulnerável).

Estado Carácter Número


Espécie Prioritária Sítios relevantes
de conservação de endemicidade Sítios

Espécies muito ameaçadas

Bryoerythrophyllum campylocarpum *p MA PT 1 Corno do Bico


Linaria ricardoi *p MA PT 1 Alvito/Cuba
Omphalodes kuzinskyanae MA PT 1 Sintra/Cascais
Plantago algarbiensis MA PT 1 Barrocal
Plantago almogravensis MA PT 1 Costa Sudoeste
Narcissus fernandesii MA IB 0
Armeria velutina MA IB 1 Ria Formosa/Castro Marim
Eryngium viviparum *p MA – 1 Montesinho/Nogueira
Apium repens MA – 1 Costa Sudoeste
Culcita macrocarpa MA – 1 Valongo
Marsilea quadrifolia MA – 1 Alvão/Marão
Narcissus humilis MA – 1 Guadiana/Juromenha
Riella helicophylla MA – 1 Ria Formosa/Castro Marim
Trichomanes speciosum MA – 1 Valongo
Linaria coutinhoi MA PT 2 Montesinho/Nogueira Douro In-
ternacional
Jasione lusitanica MA IB 2 Barrinha de Esmoriz
Litoral Norte
Narcissus cyclamineus MA IB 3 Corno do Bico Serras da Freita e
Arada
Valongo
Veronica micrantha MA IB 8 Alvão/Marão
Complexo do Açor
Montesinho/Nogueira
Armeria neglecta prov. Ex PT 0
Astragalus algarbiensis *p prov. Ex - 0
Endemismos lusitanos que ocorrem num único Sítio
Asphodelus bento-rainhae *p A/Vu PT 1 Serra da Gardunha
Convolvulus fernandesii *p A/Vu PT 1 Arrábida/Espichel
Silene rothmaleri *p A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Armeria berlengensis A/Vu PT 1 Arquipélago da Berlenga
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Estado Carácter Número


Espécie Prioritária Sítios relevantes
de conservação de endemicidade Sítios

Armeria pseudarmeria A/Vu PT 1 Sintra/Cascais


Avenula hackelii A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Biscutella vicentina A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Chaenorrhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Cistus palhinhae A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Dianthus cintranus A/Vu PT 1 Sintra/Cascais
Diplotaxis vicentina A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Festuca brigantina A/Vu PT 1 Montesinho/Nogueira
Festuca henriquesii A/Vu PT 1 Serra da Estrela
Herniaria algarvica A/Vu PT 1 Costa Sudoeste
Herniaria berlengiana A/Vu PT 1 Arquipélago da Berlenga
Centaurea rothmalerana desconhecido PT 1 Serra da Estrela
Narcissus scaberulus não ameaçado PT 1 Carregal do Sal
Espécies Ameaçadas ou Vulneráveis que ocorrem num único Sítio
Narcissus pseudonarcissus subsp. nobilis A/Vu IB 1 Serras da Peneda e Gerês
Petalophyllum ralfsii A/Vu – 1 Barrocal
Espécies Ameaçadas ou Vulneráveis que são endemismos lusitanos e ocorrem apenas em 2 Sítios
Halimium verticillatum A/Vu PT 2 Cabeção
Ononis hackelii *p A/Vu PT 2 Comporta/Galé
Costa Sudoeste
Tuberaria major *p A/Vu PT 2 Ria Formosa/Castro Marim
Jasione crispa subsp. serpentinica A/Vu PT 2 Montesinho/Nogueira
Samil
Leuzea longifolia A/Vu PT 2 Azabuxo/Leiria
Melilotus segetalis subsp. fallax A/Vu PT 2 Ria Formosa/Castro Marim
Estuário do Sado
Espécies Ameaçadas ou Vulneráveis que ocorrem apenas em 2 Sítios
Holcus setiglumis subsp. duriensis A/Vu IB 2 Douro Internacional
Bruchia vogesiaca A/Vu - 2 Corno do Bico
Serra da Estrela
Woodwardia radicans A/Vu - 2 Serras da Freita e Arada
Serras da Peneda e Gerês
Espécies Ameaçadas ou Vulneráveis que são prioritárias, endemismos lusitanos e ocorrem apenas em 3 Sítios
Linaria ficalhoana *p A/Vu PT 3 Estuário do Sado
Comporta/Galé
Costa Sudoeste
Thymus lotocephalus *p A/Vu PT 3 Barrocal
Ria Formosa/Castro Marim

Relativamente à avifauna identificam-se as espécies e os dependem quase exclusivamente de um destes habitats, como
territórios que as acolhem, e que suscitam atenções particu- as aves marinhas ou as aves estepárias dependentes de meios
lares no quadro do PSRN2000. agrícolas, mas muitas associam-se a mais do que um tipo de
Destacam-se (i) as espécies globalmente ameaçadas; (ii) habitat.
as espécies ameaçadas ao nível europeu e cuja distribuição Na Europa, e tendo em atenção o estatuto de conservação
se cinge à Europa; (iii) aquelas que, estando ameaçadas na e as ameaças sobre as aves dependentes dos principais habi-
Europa mas tendo uma distribuição mais alargada, têm esta- tats terrestres, verifica-se que o declínio mais acentuado se
tutos desfavoráveis em Portugal, e (iv) todas as espécies que faz sentir sobre as espécies dependentes de meios agrícolas,
possuem estatuto de ameaça em Portugal e que estão incluídas estando estas em declínio generalizado. Num universo de 173
no anexo I da Directiva Aves. espécies dependentes de meios agrícolas, cerca de 70% têm
A nível global, considera-se a organização da generalidade estatuto de conservação desfavorável.
das espécies de aves em função da sua dependência de quatro Algumas ZPE, como é o caso de Castro Verde e Campo
grandes tipos de habitats: o meio marinho e costeiro, as zonas Maior, assumem especial relevância para espécies exclusi-
húmidas, a floresta e as zonas agrícolas. Algumas espécies vamente dependentes de habitats agrícolas, principalmente
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da agricultura cerealífera extensiva, mas também de áreas As aves que utilizam a floresta são alvo de um grande
abertas com sobreiros, azinheiras e olival. Nestas incluem-se leque de ameaças que afectam a qualidade e extensão do
tanto as aves estepárias, das quais se destaca a Abetarda Otis habitat favorável, em consequência de práticas de gestão
tarda, o Sisão Tetrax tetrax, o Alcaravão Burhinus oedic- florestal inadequada, nomeadamente florestação com espé-
nemus, o Cortiçol-de-barriga-preta Pterocles orientalis e a cies não indígenas, a fragmentação do habitat e os incêndios
Calhandra-real Melanocorypha calandra, e ainda o Francelho florestais.
Falco naumanni, o Rolieiro Coracias garrulus, o Tartara- As zonas húmidas são áreas escassas à escala global, co-
nhão-caçador Circus pygargus e a Calhandrinha Calandrella brindo apenas 3% do território europeu, que sofrem processos
brachydactyla. regressivos importantes, relacionados com o aumento da
Estas áreas são também fundamentais para espécies que população e forte incremento das actividades industriais. Em
delas dependem em fases específicas do seu ciclo anual ou Portugal, as principais ZPE com zonas húmidas encontram-
circadiano: como área de reprodução e alimentação da Per- se ou ao longo da costa e correspondem maioritariamente a
diz-do-mar Glareola pratincola, de alimentação do Grou estuários de rios e lagoas costeiras (tais como os Estuários
Grus grus, ou como zonas de assentamento de juvenis e de dos Rios Minho e Coura, Ria de Aveiro, Estuário do Tejo,
invernada de rapinas como a Águia de Bonelli Hieraaetus Estuário do Sado, Lagoa Pequena, Lagoa de Santo André,
fasciatus, a Águia-imperial Aquila adalberti, a Águia-real Lagoa da Sancha, Ria Formosa e Sapais de Castro Marim),
Aquila chrysaetus ou o Milhafre-real Milvus milvus (como ou são zonas húmidas de interior (tais como o Paul da Ma-
é o caso de Castro Verde, uma das áreas mais relevantes driz, Paul de Arzila, Paul do Taipal, Paul do Boquilobo e o
neste particular). Açude da Murta).
Também a zona agrícola da ZPE do Estuário do Tejo, uma Nestas zonas, encontra-se uma grande variedade de aves
área de reprodução do Sisão Tetrax tetrax, da Calhandra-real aquáticas, principalmente pertencentes às ordens Gaviiformes,
Melanocorypha calandra, do Tartaranhão-caçador Circus Podicipediformes, Pelecaniformes, Ciconiiformes, Phoeni-
pygargus e da Calhandrinha Calandrella brachydactyla, é copteriformes, Anseriformes, Gruiformes e Charadriiformes,
também relevante para a nidificação da Perdiz-do-mar Glare- num total de cerca de 100 espécies. Delas dependem também
ola pratincola e a invernada do Sisão. São ainda conhecidos uma grande variedade de passeriformes, a Águia-Pesqueira
movimentos dos sisões durante o Inverno e Verão entre esta Pandion haliaetus e o Guarda-rios Alcedo atthis, e ainda
ZPE e outras áreas do país. espécies que, embora frequentem zonas agrícolas ou flores-
Contudo, a importância da maioria das ZPE deve-se ao tais, necessitam de zonas húmidas para se alimentarem, tais
facto de conjugarem as áreas agrícolas com áreas florestais como a Águia-sapeira Circus aeruginosus e o Milhafre-preto
e/ou zonas húmidas, e assim proporcionarem habitat favorável Milvus migrans.
a espécies dependentes de mais de um tipo de habitat. É o caso A maioria das aves marinhas dependentes das ZPE da
do mosaico agrícola e florestal, do qual depende uma grande costa portuguesa são invernantes e frequentam sobretudo as
variedade de aves, nas quais se incluem muitos passeriformes, ZPE da Ria de Aveiro, Ilhas Berlengas, Cabo Espichel, La-
residentes, invernantes e reprodutores estivais, e aves de ra- goa de Santo André, Lagoa da Sancha, Costa Sudoeste, Ria
pina como a Águia-imperial Aquila adalberti, Águia-cobreira Formosa e Castro Marim, existindo algumas excepções de
Circaetus gallicus, Águia de Bonelli Hieraaetus fasciatus, espécies nidificantes (que complementam durante o período
Águia-calçada Hieraaetus pennatus, Milhafre-real Milvus pós reprodutor alguns dos efectivos migradores de passagem
milvus e Bútio-vespeiro Pernis apivorus. observados), tais como a Cagarra Calonectris diomedea, o
Para além do mosaico agrícola e florestal, algumas espé- Roquinho Oceanodroma castro, o Airo Uria aalge ibericus,
cies tais como a Águia-real Aquila chrysaetus, o Bufo-real a Galheta Phalacrocorax aristotelis, a Gaivota de Audouin
Bubo bubo e a Cegonha-negra Ciconia nigra necessitam Larus audouinni e a Gaivota-d’asa-escura Larus fuscus. Des-
de grandes escarpas para nidificarem, (que se alimenta em taca-se a ZPE das Ilhas das Berlengas, que constitui a única
águas interiores pouco profundas, como lagoas ou charcas,
área de nidificação no território continental português do
pequenas albufeiras ou linhas de água). Também o Falcão-
peregrino Falco peregrinus, o Grifo Gyps fulvus e o Bri- Roquinho, do Airo e da Cagarra (sendo que nestes últimos
tango Neophron percnopterus que, nidificando em fragas, casos estamos perante os respectivos limiares meridional
se alimentam em áreas agrícolas. As ZPE de montanha ou e setentrional da área de reprodução). Por seu lado, Castro
integrando os vales de grandes rios, como a Serra do Gerês, Marim e Ria Formosa são os únicos locais conhecidos da
Montesinho/Nogueira, Serra da Malcata, Rios Sabor e Maçãs, costa portuguesa de nidificação da Gaivota de Audouin.
Douro Internacional e Vale do Águeda, Vale do Côa, Tejo Para além da importância da área costeira nas ZPE
Internacional, Erges e Pônsul, Mourão/Moura/Barrancos e citadas, também a área marinha é local de descanso e ali-
Vale do Guadiana destacam-se como de elevada relevância mentação daquelas aves invernantes e ainda das migradoras
para a preservação destas espécies. de passagem nas suas rotas migratórias.
QUADRO N.º 5

Espécies-alvo com categoria de ameaça em Portugal continental

Anexo I Categoria
Espécie SPEC** Nº ZPE ZPE relevantes
Directiva Aves de Ameaça*

Espécies que deverão ser objecto de especial atenção na sua conservação e dos seus habitats
Aegypius monachus Sim CR 1 4 Malcata; Tejo Internacional, Erges e Ponsul; Moura/Mourão/ Bar-
rancos; Vale do Guadiana
Aquila adalberti Sim CR 1 5 Tejo Internacional, Erges e Ponsul; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro
Verde; Vale do Guadiana
Falco naumanni Sim VU 1 3 Campo Maior; Castro Verde; Vale do Guadiana
Larus audouinii Sim VU 1 1 Castro Marim; Ria Formosa
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Anexo I Categoria
Espécie SPEC** Nº ZPE ZPE relevantes
Directiva Aves de Ameaça*

Otis tarda Sim EN 1 3 Moura/Mourão/ Barrancos; Campo Maior; Castro Verde; Vale do
Guadiana
Tetrax tetrax Sim VU 1 8 Estuário do Tejo; Costa Sudoeste; Castro Marim; Douro Internacional
e Vale do Águeda;Moura/Mourão/ Barrancos; Campo Maior; Castro
Verde; Vale do Guadiana
Outras espécies com categoria de ameaça e que deverão ser objecto de atenção particular na sua conservação e dos seus habitats

Aquila chrysaetos Sim EN 3 – Serra do Gerês; Montesinho/Nogueira; Rios Sabor e Maçãs; Douro
Internacional e Vale do Águeda; Vale do Côa; Tejo Internacional,
Erges e Ponsul; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde; Vale do
Guadiana; Monchique
Ardea purpurea Sim EN 3 – Estuários dos Rios Minho e Coura; Ria de Aveiro; Paul de Arzila; Paul
da Madriz; Paul do Taipal; Tejo Internacional, Erges e Ponsul; Paul
do Boquilobo; Estuário do Tejo; Estuário do Sado; Açude da Murta;
Lagoa Pequena; Lagoa de Santo André; Lagoa da Sancha
Ardeola ralloides Sim CR, EN 3 – Paul do Boquilobo
Asio flammeus Sim EN 3 – Estuário do Tejo; Estuário do Sado
Burhinus oedicnemus Sim VU 3 – Douro Internacional e Vale do Águeda; Vale do Côa; Costa Sudoeste;
Campo Maior; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde; Ria
Formosa; Sapais de Castro Marim
Calonectris diomedea Sim VU 2 – Ilhas Berlengas
Caprimulgus europaeus Sim VU 2 – Serra do Gerês; Montesinho/Nogueira; Rios Sabor e Maçãs; Douro
Internacional e Vale do Águeda; Serra da Malcata; Estuário do
Tejo
Chlidonias hybridus Sim CR 3 – Paul do Boquilobo; Estuário do Tejo
Ciconia nigra Sim VU 2 – Montesinho/Nogueira; Rios Sabor e Maçãs; Douro Internacional e
Vale do Águeda; Vale do Côa; Serra da Malcata; Tejo Internacional,
Erges e Ponsul; Moura/Mourão/ Barrancos; Vale do Guadiana
Circus aeruginosus Sim VU Não SPEC – Estuários dos Rios Minho e Coura; Ria de Aveiro; Paul de Arzila; Paul
da Madriz; Paul do Taipal; Estuário do Tejo; Estuário do Sado;
Açude da Murta; Lagoa de Santo André; Lagoa da Sancha
Circus cyaneus Sim CR, VU 3 – Serra do Gerês; Montesinho/Nogueira; Serra da Malcata; Estuário
do Tejo; Castro Verde
Circus pygargus Sim EN Não SPEC – Serra do Gerês; Montesinho/Nogueira; Rios Sabor e Maçãs; Douro
Internacional e Vale do Águeda; Vale do Côa; Serra da Malcata;
Estuário do Tejo; Campo Maior; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro
Verde; Vale do Guadiana
Coracias garrulus Sim CR 2 – Campo Maior; Castro Verde; Vale do Guadiana; Caldeirão
Falco peregrinus Sim VU Não SPEC – Serra do Gerês; Montesinho/Nogueira; Douro Internacional e Vale
do Águeda; Ilhas Berlengas; Estuário do Tejo; Cabo Espichel;
Costa Sudoeste
Gallinago gallinago CR, LC Não SPEC – Serra do Gerês
Glareola pratincola Sim VU 3 – Estuário do Tejo; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde; Ria For-
mosa; Sapais de Castro Marim
Grus grus Sim VU 2 – Campo Maior; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde; Vale do
Guadiana
Gyps fulvus Sim VU Não SPEC – Rios Sabor e Maçãs; Douro Internacional e Vale do Águeda; Vale do
Côa; Serra da Malcata; Tejo Internacional, Erges e Ponsul
Hieraaetus fasciatus Sim EN 3 – Montesinho/Nogueira; Rios Sabor e Maçãs; Douro Internacional e
Vale do Águeda; Vale do Côa; Tejo Internacional, Erges e Ponsul;
Costa Sudoeste; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde; Vale
do Guadiana; Monchique; Caldeirão
Ixobrychus minutus Sim VU 3 – Estuários dos Rios Minho e Coura; Ria de Aveiro; Paul de Arzila;
Paul da Madriz; Paul do Taipal; Paul do Boquilobo; Estuário do
Tejo; Estuário do Sado; Açude da Murta; Lagoa Pequena; Lagoa
de Santo André; Lagoa da Sancha; Ria Formosa
Milvus milvus Sim CR, VU 2 – Montesinho/Nogueira; Rios Sabor e Maçãs; Douro Internacional e
Vale do Águeda; Vale do Côa; Serra da Malcata; Tejo Internacional,
Erges e Ponsul; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde
Neophron percnopterus Sim EN 3 – Rios Sabor e Maçãs; Douro Internacional e Vale do Águeda; Vale do
Côa; Tejo Internacional, Erges e Ponsul; Vale do Guadiana
Nycticorax nycticorax Sim EN 3 – Paul de Arzila; Paul da Madriz; Paul do Taipal; Paul do Boquilobo
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Anexo I Categoria
Espécie SPEC** Nº ZPE ZPE relevantes
Directiva Aves de Ameaça*

Oceanodroma castro Sim VU 3 – Ilhas Berlengas


Oenanthe hispanica VU 2 – Serra da Malcata
Oenanthe leucura Sim CR 3 – Rios Sabor e Maçãs; Douro Internacional e Vale do Águeda; Vale
do Côa; Tejo Internacional, Erges e Ponsul; Moura/Mourão/ Bar-
rancos
Pandion haliaetus Sim CR, EN 3 – Ria de Aveiro; Estuário do Tejo; Estuário do Sado; Costa Sudoeste
Pernis apivorus Sim VU Não SPEC – Serra do Gerês; Serra da Malcata
Phoenicopterus roseus Sim VU 3 – Estuário do Tejo; Estuário do Sado; Lagoa de Santo André; Ria
Formosa; Sapais de Castro Marim
Platalea leucorodia Sim EN 2 – Ria de Aveiro; Paul do Taipal; Paul do Boquilobo; Estuário do Tejo;
Lagoa de Santo André; Ria Formosa; Sapais de Castro Marim
Porphyrio porphyrio Sim VU 3 – Paul de Arzila; Paul da Madriz; Paul do Taipal; Paul do Boquilobo;
Estuário do Sado; Lagoa Pequena; Lagoa de Santo André; Ria
Formosa
Pterocles alchata Sim CR 3 – Tejo Internacional, Erges e Ponsul
Pterocles orientalis Sim EN 3 – Campo Maior; Moura/Mourão/ Barrancos; Castro Verde; Vale do
Guadiana
Pyrrhocorax pyrrhocorax Sim EN 3 – Serra do Gerês; Montesinho/Nogueira; Douro Internacional e Vale
do Águeda; Costa Sudoeste
Sterna albifrons Sim VU 3 – Ria de Aveiro; Paul de Arzila; Estuário do Tejo; Estuário do Sado;
Lagoa de Santo André; Ria Formosa; Sapais de Castro Marim
Uria aalge Sim CR, NT Não SPEC – Ilhas Berlengas
* Categorias de Ameaça (Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal 2005)
**(SPEC) Espécies de Conservação Preocupante na Europa (BirdLife International 2004)

Relativamente à fauna de invertebrados, peixes, an- bora se saiba que apresenta várias populações em situação
fíbios, répteis e mamíferos, identificam-se as espécies de grande fragilidade;
e os territórios que as acolhem e que suscitam atenções – Canis lupus e Callimorpha quadripunctaria, espé-
particulares no quadro do PSRN2000. cies prioritárias, a primeira com estatuto de ameaça (EN);
Destacam-se as espécies cuja distribuição é mais res- quanto à segunda, não há informação suficiente para avaliar
trita e com estatutos de ameaça mais elevados e ainda os o seu estatuto em Portugal;
endemismos sobre os quais Portugal assume particular – São também de salientar espécies como o lince-ibérico
responsabilidade na sua conservação. Lynx pardinus (também espécie prioritária) e o lagostim-
As seguintes espécies reúnem algumas particularidades de-patas-brancas Austropotamobius pallipes, cuja ocor-
que as tornam sensíveis: rência não tem sido confirmada; para estas espécies são
propostos programas de reintrodução em áreas históricas
– Lacerta monticola, endemismo ibérico, ocorrente num com maior potencial.
único sítio e com estatuto de ameaça (VU);
– Anaecypris hispanica e Barbus comiza, endemismos
Face à dependência que as espécies associadas aos cur-
ibéricos (tendo o primeiro uma distribuição restrita à bacia
sos de água têm da integridade destes sistemas, que são
do Guadiana), ocorrentes em quatro sítios e com estatuto
dos mais intervencionados, nomeadamente pela criação
de ameaça (CR e EN, respectivamente);
de barreiras à circulação, modificação das suas margens, e
– Lampetra fluviatilis e Lampetra planeri, ambas cri-
alteração das características físico-químicas e biológicas da
ticamente em perigo (CR) e ocorrente num e em quatro
água, muitas destas espécies têm necessidades específicas
sítios, respectivamente; de conservação
– Salmo salar, ocorrente em quatro sítios e com estatuto Globalmente, identificam-se como relevantes para ga-
de ameaça (CR); rantir a manutenção das espécies num estado de conser-
– Chondrostoma lusitanicum, espécie criticamente em vação favorável, os seguintes Sítios:
perigo (CR). Esta entidade, corresponde actualmente a duas
espécies (C. lusitanicum e C. almacai), a última das quais – Serra da Estrela, Montesinho/Nogueira, Serras da
ocorre apenas no Sul de Portugal, restringindo a sua distri- Peneda e Gerês, Serras de Aire e Candeeiros, Sicó/Alvai-
buição às bacias do Mira e Arade (em quatro Sítios); ázere e Monfurado, onde ocorrem uma grande diversidade
– Os quirópteros, grupo particularmente vulnerável por de espécies;
a maioria das espécies ser cavernícola, inclui um número – Costa Sudoeste, Moura/Barrancos, S. Mamede, Gua-
significativo de espécies com estatuto de ameaça (três diana, Alvão/Marão e Douro Internacional, onde ocorrem
espécies CR, uma EN e quatro VU) ou sobre os quais não muitas espécies com estatuto de ameaça em Portugal.
existe informação suficiente (duas espécies DD);
– O bivalve dulciaquícola Margaritifera margaritifera, Sem esquecer que as obrigações do Estado Português se
espécie redescoberta em Portugal e que ocorre em apenas estendem à manutenção em estado de conservação favorá-
três Sítios, e cujo estatuto de ameaça não é conhecido, em- vel de todos os valores protegidos pelas Directivas Aves e
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Habitats, é admissível extrair um conjunto de orientações namento do território face à ausência de integração dos
estratégicas sobre as necessidades mais prementes e es- objectivos das Directivas Aves e Habitats nos instrumentos
truturantes de actuação territorial. já adoptados. Em detrimento da procura de compatibili-
A recuperação ou manutenção das características de zação em sede de discussão de projectos concretos, com
qualidade e continuidade de linhas de água e fundos dos recurso aos processos de avaliação de incidências ambien-
vales (incluindo vales escarpados) podem ser identifica- tais (com um papel importante, mas complementar ao do
das como uma das mais evidentes necessidades de gestão ordenamento do território), torna-se necessário um esforço
da Rede Natura 2000. Esta situação decorre tanto da sua significativo das entidades com as tutelas do ordenamento,
importância para a conservação de habitats específicos, da conservação da Natureza, do sector económico, bem
como da dependência da sua integridade para um conjunto como dos agentes económicos envolvidos, no sentido de
muito alargado de espécies ameaçadas, seja directamente compreender os conflitos de interesses potenciais nestas
(como nos peixes bivalves e nalgumas espécies de répteis, áreas, resolvendo-os, em antecipação, em sede de ordena-
anfíbios, mamíferos e aves), seja como áreas de alimenta- mento do território.
ção (como no caso dos quirópteros e algumas espécies de O PSRN2000 identifica ainda a manutenção e incre-
aves), refúgio, local de passagem e corredor (como para os mento dos bosques climácicos ou para-climácicos, so-
grandes carnívoros), ou como local de reprodução (como bretudo de quercíneas, mas também com outras espécies
no caso de espécies de aves de rapina ou planadoras). dominantes em situações específicas (a manutenção e
A integridade funcional das linhas de água, associada recuperação dos bosques ripícolas, de uma importância
aos vales e às margens ribeirinhas, exige que a gestão extrema, está incluída na gestão das linhas de água e fundos
destas áreas e os interesses sociais sectoriais secularmente dos vales) como elemento central para a conservação dos
associados à gestão da água e das zonas de acumulação de valores protegidos pela Rede Natura 2000. Sendo certo
solo, sejam adequadamente ponderados e equilibrados. que a recuperação da vegetação autóctone é uma notória
As zonas húmidas e os habitats higrófilos estão asso- tendência actual, fruto do abandono rural, nomeadamente
ciados aos topos das serras (por exemplo, turfeiras), às do pastoreio, é também certo que este abandono tem feito
depressões litorais, sobretudo dunares e a um conjunto crescer de forma significativa o risco de incêndio, com con-
muito diverso de situações fisiográficas ao longo do país sequências no atraso da recuperação dos ecossistemas.
(por exemplo, pauis). A fragmentação destas áreas, a sua Duas linhas de actuação devem ser prosseguidas de
reduzida dimensão e a ausência de sinais evidentes de forma consistente: a defesa dos povoamentos relíquiais
valor conservacionista para a generalidade do público, climácicos ou para-climácicos ainda existentes, e a articu-
torna essencial o esforço de identificação e referenciação lação com a política florestal que perspectiva uma gestão
destas áreas. O PSRN2000 identifica como muito rele- orientada para o apoio à evolução da actual recuperação da
vante a gestão das zonas húmidas, para as quais a questão vegetação autóctone para a reconstituição de manchas sig-
da continuidade funcional se coloca também de forma nificativas de bosques autóctones estruturalmente maduros.
pertinente. Os habitats e as espécies da flora e da fauna Sobretudo para as espécies da fauna, e algumas da flora,
(em particular anfíbios e alguns grupos de aves) assumem o PSRN2000 identifica a necessidade de uma gestão ade-
grande valor para a conservação. Embora seja escassa a quada das áreas agrícolas e agro-florestais e dos mosaicos
informação disponível, é expectável que a sua importân- agro-silvo-pastoris. Para alguns grupos de aves especial-
cia para a conservação de espécies de invertebrados seja mente ameaçados, a manutenção de áreas significativas de
também muito elevada. culturas extensivas de cereais de sequeiro de rotação no Sul
Em muitas situações, configurando pequenas bolsas de do País ou de manchas de montado de sobro e azinho mais
território, as zonas húmidas estão encravadas numa matriz ou menos abertas, é uma condição para a sua manutenção
produtiva com relevância do ponto de vista económico. num estado de conservação favorável. Da mesma forma, o
A sua dependência da hidrologia do solo (que pode ser mosaico agro-silvo-pastoril é estruturante na conservação
afectada por acções realizadas a grandes distâncias) torna dos grandes mamíferos, dada a mobilidade destas espécies,
particularmente exigente a compatibilização da sua conser- a dimensão das suas áreas vitais e a absoluta necessidade
vação com o desenvolvimento das actividades económicas de conectividade entre estas.
envolventes (sobretudo a pastorícia e a florestação nas Neste contexto, o PSRN2000 preconiza uma articulação
serras, a agricultura e o desenvolvimento urbano-turístico entre a política de conservação e a política de desenvolvi-
no restante território). mento rural como uma questão estratégica em matéria de
A riqueza e a fragilidade de dunas, arribas, estuários, conservação da biodiversidade.
lagoas costeiras e outras áreas litorais são um dado re- O PSRN2000 identifica a conservação de abrigos exis-
ferenciado. O PSRN2000 vem confirmar esta situação, tentes em grutas e minas como fundamental para a con-
sobretudo relevante para os habitats, as espécies da flora servação dos quirópteros. Também as escarpas, embora
e as aves das zonas húmidas costeiras, identificando como de forma menos condicionada, são indispensáveis para a
central para a manutenção em estado de conservação fa- conservação de grupos específicos muito ameaçados, tais
vorável dos valores associados a estas áreas uma necessi- como as grandes aves rupicolas. Neste sentido, preconiza-
se regulamentação e vigilância em áreas muito limitadas
dade de articulação profunda com os sectores económicos
do território, que pela sua importância e especificidade
mais presentes: urbano-turístico, pescas e aquacultura,
devem ser protegidas para o cumprimento das respon-
actividade portuária, actividade industrial e intervenção a
sabilidades de Portugal em matéria de conservação da
montante ao nível das bacias hidrográficas.
biodiversidade.
A compatibilização de diferentes interesses, exige um
esforço significativo de planeamento. Neste sentido, não
6.2. Orientações de gestão
descurando a importância dos Planos de Ordenamento da
Orla Costeira (POOC) e dos Planos de Bacia Hidrográfica, O conjunto de orientações de gestão de âmbito gené-
reconhecem-se as limitações dos instrumentos de orde- rico, que a seguir se enumeram, são aplicáveis à maioria
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dos valores naturais e também a grande parte dos Sítios transfronteiriças ou para espécies de distribuição ibérica,
e ZPE. tais como o Lince-ibérico Lynx pardinus, a Cegonha-negra
No que diz respeito a informação e monitorização de Ciconia nigra, o Lobo-ibérico Canis lupus e o Saramugo
valores naturais torna-se urgente colmatar lacunas nas Anaecypris hispanica, entre outras;
seguintes áreas: – Para valores naturais especialmente ameaçados, em
situação de precariedade do seu estado de conservação e a
– Informação de base referente aos invertebrados e aos
complexidade das questões envolvidas na sua conservação,
briófitos;
tais como o Lince-ibérico Lynx pardinus, a Abetarda Otis
– Cartografia da flora – desenvolver e implementar um
tarda, o Grou Grus grus, o Rato de Cabrera Microtus ca-
programa de cartografia sistemática das áreas de ocorrên-
brerae o Morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinolophus
cia, a iniciar-se pelas espécies mais ameaçadas;
euryale, e o Morcego-rato-pequeno Myotis blythii, adoptar
– Cartografia dos habitats naturais – rever a cartografia
um plano de acção;
mais deficitária, adoptando como base de produção a es-
– Implementar medidas de conservação ex–situ, tais
cala de 1:25 000. A revisão global desta cartografia deve
como a criação de estruturas de recepção ou reprodução
basear-se na informação constante das fichas de habitats
para espécies da fauna ou estabelecimento de bancos de
elaboradas para o PSRN2000;
germoplasma para espécies da flora, que deverão integrar,
– Cartografia das espécies da fauna – rever e actualizar
se existentes, os planos de acção acima mencionados;
a distribuição das espécies nas áreas em falta e, nos casos
enumeram-se, a título de exemplo, as espécies da flora
em que se justifique, proceder ao zonamento da área da
Linaria ricardoi, Linaria coutinhoi, Marsilea quadrifolia e
ocorrência identificando áreas de disjunção, isoladas gene-
Narcisus fernandesii, e as espécies da fauna Lynx pardinus
ticamente e funcionalmente diversas (reprodução, repouso,
e Geomalacus maculosus
alimentação); compatibilizar a base cartográfica para as
– Combater doenças fitossanitárias e epizootias: aplica-
diferentes espécies ou grupos de espécies;
se a populações presa de espécies da fauna, como o coelho-
– Para a globalidade dos valores naturais identificar o
bravo (base da alimentação do lince e de algumas aves de
seu estado de conservação nas áreas de distribuição, bem
rapina, sendo a rarefacção das populações de coelho-bravo
como a sua representatividade em cada Sítio ou ZPE, e no
(provocada pela mixomatose e pela pneumonia viral he-
conjunto da Rede Natura 2000.
morrágica); contempla o combate a pragas e doenças fitos-
sanitárias, nomeadamente, em soutos antigos, o combate
Complementarmente, devem desenvolver-se e imple-
à doença da tinta e ao cancro do castanheiro;
mentar-se programas de monitorização a nível da totalidade
– Implementar medidas de prevenção de envenenamen-
do território continental orientados para:
tos: visa combater o uso de venenos através do reforço
– o acompanhamento da evolução do estado de conser- da fiscalização, da divulgação de medidas preventivas e
vação dos valores naturais, soluções alternativas, e da sensibilização para o impacto
– a avaliação da eficácia das medidas de gestão adop- que esta prática tem na conservação da natureza e da bio-
tadas em função dos objectivos de conservação; diversidade.
– a avaliação dos impactes das acções decorrentes da – Gerir e fiscalizar o tráfego marítimo ao longo da costa,
implementação de projectos, planos e programas; evitando as lavagens de tanques e contaminação indevida
– a avaliação dos resultados da execução das medidas por hidrocarbonetos e outros poluentes, reforçar a fiscaliza-
de compensação e de minimização estabelecidas no âm- ção do despejo das águas de lastro dos navios e o controlo
bito dos processos de licenciamento ou autorização de do seu tratamento (na medida em que estas são um meio
projectos. de introdução e disseminação de espécies não indígenas
invasoras e/ou patogénicas), com repercussão em habitats
O reforço da eficácia de fiscalização, entendida como o costeiros e halófilos.
processo que compreende a dissuasão, o reconhecimento da
infracção e a sanção do seu autor, é considerado essencial No que diz respeito à gestão dos Sítios e ZPE, identifi-
para a melhoria da aplicação da legislação vigente e da cam-se as seguintes linhas estratégicas:
gestão para a conservação dos valores naturais.
– Para a globalidade dos valores naturais, é necessária
Para um conjunto também alargado de valores naturais,
uma maior integração dos objectivos de conservação dos
a informação e sensibilização é uma medida complemen-
valores naturais nos instrumentos de gestão do território,
tar de apoio à execução de outras orientações de gestão.
compatibilizando este objectivo com um leque alargado
Fazendo uso de várias sinergias com outras entidades da
de actividades, incluindo a urbanização, o turismo, a in-
administração pública ou privadas, deve desenvolver-se
dústria extractiva, as infra-estruturas, as acessibilidades,
um plano de informação, sensibilização e educação sobre
o recreio e o lazer.
a importância da biodiversidade e dos valores da Rede
– A gestão activa da conservação dos Sítios e ZPE,
Natura 2000, tendo vários público-alvo por objecto: e.g.
estabelecendo parcerias nos sectores agrícola, florestal, de
crianças, universitários, cidadãos de idade avançada, autar-
pastorícia e pescas,, sobretudo com proprietários e gestores,
cas, caçadores, agricultores, intervenientes nos processos
é uma orientação chave para a gestão da Rede Natura 2000.
de fiscalização e outros agentes (advogados, magistrados,
Esta prática contratual deve estar estreitamente ligada à
autoridades policiais intervenientes na aplicação da justiça).
disponibilidade dos meios para a sua execução, à integra-
Para determinados valores naturais foram identificadas
ção dos objectivos de conservação da biodiversidade nos
orientações de gestão cuja implementação extravasa o
instrumentos de gestão da política agrícola e das pescas,
âmbito territorial dos Sítios e ZPE, carecendo de medidas
coerente com o sentido das reformas da Política Agrícola
a nível nacional, transfronteiriço ou internacional:
Comum e das Pescas;
– Estabelecer colaboração em programas internacio- – Na gestão dos valores associados às linhas de água e
nais de conservação de espécies, nomeadamente em áreas dos sistemas húmidos, dada a sua estreita dependência das
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(19)

características do meio, deve presidir a lógica de gestão guesa consagram a existência de uma pluralidade de planos
integrada da bacia hidrográfica, obrigando à necessária territoriais, de onde deriva necessariamente o princípio
articulação entre as autoridades de conservação da biodi- constitucional da conjugação e harmonização entre as
versidade e as entidades de tutela da gestão da água; normas dos diferentes planos, visando impedir a ocorrência
– Devem ser elaborados planos de gestão que definam de conflitos entre as mesmas.
as medidas e acções de conservação, visando a compa- Na esteira deste princípio, a Lei n.º 48/98, de 8 de
tibilização da conservação dos valores naturais com as Agosto, relativa às bases da política de ordenamento do
actividades neles praticadas, tarefa que exige o recurso a território e de urbanismo bem como o regime jurídico
informação detalhada.; dos instrumentos de gestão territorial, aprovado pelo De-
– Quando os Sítios ou ZPE coincidem, no seu todo creto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, consignam as
ou em parte, com os limites de áreas protegidas classifi- relações de hierarquia entre os vários instrumentos de
cadas no âmbito da Rede Nacional de Áreas Protegidas gestão territorial conferindo importância à capacidade que
(RNAP), os objectivos de conservação e gestão são pro- as várias entidades responsáveis pela sua elaboração têm
porcionalmente assegurados através dos planos especiais de coordenar as suas actuações.
de ordenamento das áreas protegidas. Por outro lado, em Deste modo, a elaboração de qualquer plano é o re-
Sítios e ZPE cujos objectivos de conservação estão depen- sultado da colaboração e da concertação entre os vários
dentes de uma gestão vocacionada para a manutenção ou órgãos da administração directa e indirecta do Estado e da
fomento de práticas instaladas de natureza florestal, agrí- administração local, com competências sobre o território
cola e pecuária, a elaboração de Intervenções Territoriais em causa, e ainda da participação dos cidadãos, visando
Integradas (ITI), no contexto do Plano de Desenvolvimento concretizar uma adequada ponderação dos diferentes in-
Rural – Continente (2008-2013), apresenta-se como uma teresses nele envolvidos.
solução particularmente adequada e estruturante; O procedimento de elaboração do PSRN2000, regeu-se
– Nas áreas abrangidas por aproveitamentos hidroagrí- pelos princípios supra-referidos, ou seja, o de cooperação
colas, as orientações relativas à manutenção das funções entre os vários sujeitos de direito público, o da participação
produtivas e os objectivos de conservação dos valores de todos os intervenientes e o da adequada ponderação e
naturais em presença devem ser compatibilizados; concertação dos interesses nele envolvidos.
– Como objectivo geral, considera-se fundamental que O Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com a redac-
todos os Sítios e ZPE se encontrem munidos dos instru- ção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro,
mentos de gestão operacional adequados até final de 2010. estabelece no seu artigo 8.º, n.º 4, que a execução da Rede
Atendendo ao elevado número de áreas em causa, torna-se Natura 2000 seria objecto de um plano sectorial, a elaborar,
vantajoso definir um escalonamento temporal relativa- designadamente, nos termos do Decreto-Lei n.º 380/99, de
mente à elaboração de planos de gestão (art. 7º nº 3 a)) 22 de Setembro. Estabelece também regras próprias rela-
do Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril, com a redacção tivas aos instrumentos de gestão territorial aplicáveis nas
dada pelo Decreto-Lei nº 40/2005, de 24 de Fevereiro). áreas englobadas na Rede Natura 2000 (artigos 8.º e 9.º).
Assim, e independentemente de outras medidas, consi- Na articulação do PSRN2000 com os demais instrumentos
dera-se prioritária a elaboração de planos de gestão para de gestão territorial aplicam-se, conjuntamente, as normas
os seguintes Sítios e ZPE: constantes do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com
i) Barrocal (Sítio) a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de
ii) Monchique (Sítio e ZPE) Fevereiro e as normas do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22
iii) Caldeirão (Sítio e ZPE) de Setembro, na sua redacção actual.
iv) Moura/Barrancos e Moura/Mourão/Barrancos (Sítio O PSRN2000 visa implementar no território nacional,
e ZPE) os objectivos consignados nas Directivas Aves e Habitats,
v) Caia (Sítio) pelo que as alterações do seu conteúdo ou parte dele, por
vi) Campo Maior (ZPE) outro instrumento de gestão territorial, quando permitidas
vii) Ria de Aveiro (ZPE) nos termos da legislação em vigor, não poderão contrariar
os referidos objectivos.
O PSRN2000 é um instrumento de gestão territorial, de
– O estado de conservação de um número alargado de
âmbito nacional, que vincula entidades públicas, estabe-
valores depende em grande medida de acções de pequena
lecendo orientações estratégicas e normas programáticas
escala e muito localizadas que deverão ser identificadas e
para a actuação da administração central e local, devendo
calendarizadas num Programa Nacional de Conservação
as medidas e orientações nele previstas ser transpostas
da Natureza que garanta a sua execução;
para os planos municipais de ordenamento do território
– O controlo ou a erradicação de espécies invasoras,
(PMOT) e nos planos especiais (PEOT). Assim, as medidas
bem como de outras espécies não indígenas em situações
e orientações de gestão previstas no PSRN2000 apenas
específicas, constituem uma prioridade absoluta, sendo
que a complexidade e extensão dos meios envolvidos (in- serão vinculativos para os particulares quando forem in-
cluindo os financeiros) aconselham a adopção de uma po- seridos nos PMOT e nos PEOT.
lítica nacional. Complementarmente, o controlo de animais Nos termos do regime jurídico dos instrumentos de
assilvestrados é uma acção com impactes positivos signi- gestão territorial, este plano traduz um compromisso re-
ficativos para algumas espécies em alguns Sítios e ZPE. cíproco de compatibilização com as opções constantes
do Programa Nacional de Política de Ordenamento do
Território (PNPOT), os outros planos sectoriais, os planos
7. Articulação com outros instrumentos de gestão
especiais de ordenamento do território (PEOT) e com os
territorial
planos regionais de ordenamento do território (PROT).
As disposições constantes da alínea a) do n.º 2 e dos Quanto aos PMOT, estabelece-se no Decreto-Lei
n.os 4 e 5 do artigo 65.º da Constituição da República Portu- n.º 380/99, de 22 de Setembro, na sua redacção actual,
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que estes devem acautelar, nomeadamente, a programação aprovadas por referência aqueles objectivos. Estabelece
e a concretização das políticas de ambiente, com inci- ainda que a adaptação às medidas de conservação previstas
dência espacial, promovidas pela administração central, no PSRN2000, deve ocorrer no prazo de seis anos após a
através dos planos sectoriais (artigo 24º, n.º 3 do mesmo sua aprovação.
Decreto-Lei). O Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril,
na redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de 7.2. Inserção das normas e orientações nos instru-
Fevereiro, determinou que na primeira revisão ou alteração mentos de gestão territorial
dos PMOT, designadamente dos Planos Directores Muni-
cipais (PDM), (e bem assim dos PEOT), deve efectuar- O ordenamento do território é um processo interdisci-
se a sua adaptação às medidas de conservação definidas plinar que visa assegurar uma adequada organização dos
através dos mecanismos previstos no diploma ou previstas usos e actividades a desenvolver, na perspectiva da sua
no PSRN2000 (artigo 8º, n.º 3, alínea b)). Por outro lado, valorização e sustentabilidade, tendo em conta as vertentes
consignou que os relatórios dos PMOT (nomeadamente ambiental, social e económica.
dos PDM) e dos PEOT devem especificar o fundamento A efectiva conservação dos valores naturais protegi-
das previsões, restrições e determinações aprovadas que ga- dos pelas Directivas Aves e Habitats implica uma maior
rantam a conservação dos habitats e das espécies (alínea b) integração dos seus objectivos nos vários instrumentos de
do n.º 3 do artigo 8.º). gestão, compatibilizando um conjunto de actos e activi-
Simultaneamente, e nos termos do artigo 8.º, n.º 6, do dades incluindo, designadamente, a construção de infra-
Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Fevereiro, na sua redacção estruturas e acessibilidades, a urbanização, o turismo, o
actual, deve o PSRN2000 definir as formas de adaptação recreio e o lazer.
dos PEOT e dos PMOT. Tais formas de adaptação de- O PSRN2000 visa contribuir para o conhecimento à
vem efectuar-se no prazo de seis anos após a sua aprova- escala do território continental, das suas necessidades eco-
ção (artigo 8º, n.º 7 do citado Decreto-Lei n.º 140/99, de lógicas, dos factores de ameaça, dos objectivos de conser-
24 de Fevereiro, com a redacção dada pelo Decreto-Lei vação e das orientações de gestão necessárias à sua manu-
n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro). tenção num estado de conservação favorável, identificadas
como estratégicas a uma macro-escala de ordenamento do
7.1. Análise de Planos, Programas e projectos sec- território. Na sua abordagem a escalas de maior pormenor,
toriais estabelecer-se-ão os parâmetros de ocupação e de utiliza-
Conforme disposto no n.º 3 do Artigo 38.º do Decreto- ção do solo, quer em PEOT e PMOT , quer em Planos de
Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, na redacção actual, «a Gestão ou Planos de Acção, ou ainda na sua articulação
elaboração dos planos sectoriais obriga a identificar e a com políticas sectoriais, assegurando a compatibilização
ponderar, nos diversos âmbitos, os planos, programas e a conservação da biodiversidade, a regulação com os usos
projectos designadamente da iniciativa da Administra- produtivos e o bem-estar das populações.
ção Pública, com incidência na área a que respeitam, Assim, a informação contida no PSRN2000 deve ser
considerando os que já existam e os que se encontrem integrada, cruzada e devidamente ponderada, com infor-
em preparação, por forma a assegurar as necessárias mação de caracterização biofísica e informação de carácter
compatibilizações.» social e económico relevante para a aferição das aptidões,
O PSRN2000 assegurou a compatibilidade com planos vocações e condicionamentos aos usos e ocupação do solo,
sectoriais e PROT já aprovados. Atendendo à natureza na procura das melhores opções de ordenamento nome-
genérica da maioria das orientações de gestão estratégicas, adamente aquando do processo de elaboração de outros
não foram identificadas significativas divergências de prin- instrumentos de gestão territorial, com especial destaque
cípio com a disciplina consagrada nos demais instrumen- para os PMOT e PEOT. Essa adaptação dos PMOT e PEOT,
tos de gestão territorial ou com as disposições de outros tem como princípio a responsabilidade colectiva e indi-
Programas ou Projectos. No entanto, excepcionalmente, vidual da comunidade e visa a integração da conservação
procederam-se a ajustes para algumas das orientações da biodiversidade em todas as políticas sectoriais, através
de gestão, por forma a acautelar o desenvolvimento de de um envolvimento crescente de todos os sectores da
determinados usos e actividades em moldes compatíveis Administração Pública, que assumem um papel activo e
com os objectivos de conservação dos habitats e espé- interventor na implementação e na prossecução dos ob-
cies: quando se identificaram divergências de objectivos jectivos de classificação das áreas que integram a Rede
sectoriais, designadamente entre o sector agro-florestal Natura 2000.
e a conservação da biodiversidade, foi desenvolvido um Na adaptação desses instrumentos às orientações de
trabalho conjunto com os representantes dos ministérios gestão do PSRN2000, e sempre que a fundamentação dos
responsáveis pelo ambiente e pela agricultura, por forma respectivos relatórios esteja conforme com as referidas
a clarificar a abordagem de gestão a adoptar para algumas orientações (n.º 7 e alíneas a) e b) do n.º 3 do artigo 8.º
áreas classificadas,. do Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro), verifi-
Quanto aos futuros PEOT e PMOT, o PSRN 2000 for- car-se-á uma simplificação de numerosos procedimentos,
nece as orientações de gestão e restantes normas progra- designadamente os necessários para a prática dos actos
máticas para a respectiva adaptação, por forma a que esses e actividades constantes do n.º 2 do artigo 9.º do citado
planos cumpram os princípios consignados nas Directivas diploma.
Aves e Habitats. O Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fe-
vereiro, estabelece (artigo 8.º) que na primeira revisão ou 7.3. Metodologia de adaptação dos PEOT e PMOT
alteração daqueles instrumentos de gestão territorial, de-
verá ser avaliada a execução dos objectivos das Directivas A adaptação dos PEOT e PMOT ao PSRN2000 é supor-
Aves e Habitats, e elaborado um relatório que especifique tada pela informação relativa aos valores naturais, cons-
o fundamento das previsões, restrições e determinações tante nas fichas de caracterização ecológica e de gestão dos
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(21)

valores naturais e à respectiva cartografia e a cartografia prioridade e significância. Em cada Sítio ou ZPE, as orien-
dos limites dos Sítios e ZPE. tações de gestão devem ainda ser operacionalizadas no
A cartografia dos valores naturais de suporte ao contexto dos cenários de ordenamento e desenvolvimento
PSRN2000 deve ser considerada como um instrumento económico e social dos respectivos planos, fixando os usos,
de orientação e enquadramento indicativo, atendendo à sua a ocupação e a transformação do solo.
escala de referência (1:100 000), e ao dinamismo inerente e) Dentro dos limites dos territórios classificados no
aos sistemas naturais, que implicam a contínua necessidade âmbito da Rede Natura 2000, encontram-se áreas qualifi-
de actualização desta informação de base. cadas como solo rural e como solo urbano.
A metodologia geral de integração do disposto no Nos PMOT, as áreas de ocorrência dos valores naturais
PSRN2000 em qualquer outro instrumento de gestão ter- ou necessárias à sua conservação e restabelecimento inte-
ritorial, poderá seguir os seguintes trâmites, de acordo com gram obrigatoriamente as estruturas ecológicas municipais,
as necessidades e opções de cada plano: integradas nas diferentes categorias de acordo com as
a) Transposição dos limites de Sítios e ZPE, para a exigências ecológicas, necessidades de gestão e o grau de
respectiva escala de elaboração, devendo esse polígono protecção necessário à concretização dos objectivos de
ser vertido para a planta de condicionantes; conservação dos valores em presença. Este grau de pro-
b) Análise do conteúdo das fichas de Sítios e ZPE onde é tecção deverá ser estabelecido em função da importância
efectuada uma caracterização genérica da área classificada do território para a manutenção ou a recuperação do valor
e identificados os valores naturais (habitats e as espécies natural num estado favorável de conservação, e de acordo
da flora e da fauna, dos anexos I e II da Directiva Habitats, com as respectivas fichas de caracterização.
e espécies do anexo I da Directiva Aves) que nelas ocor- São identificados os espaços afectos a solo urbano exis-
rem, com especial destaque para os valores naturais cuja tentes e outros que se revelem comprovadamente neces-
relevância ao nível nacional e europeu foi determinante sários, face à dinâmica demográfica, ao desenvolvimento
para a criação do respectivo Sítio ou ZPE; económico e social e à indispensabilidade de qualificação
c) Aferição da informação cartográfica relativa à ocor- urbanística. No entanto, quaisquer propostas de reclas-
rência e distribuição dos valores naturais constantes dos sificação do solo rural como solo urbano, são avaliadas
documentos de base do PSRN2000, para a respectiva escala tendo em vista a manutenção num estado de conservação
de elaboração com base em cartografia com uma metodo- favorável dos valores naturais que ocorrem no território
logia adequada à escala 1:25 000 ou maior. em causa.
A cartografia de suporte ao PSRN2000 deve ser actu- f) Os regulamentos dos PMOT estabelecem os parâ-
alizada por confrontação com o uso e ocupação actual do metros de ocupação e de utilização do solo, de modo a
solo previstos nos PEOT e PMOT, procedendo-se deste assegurar a compatibilização das funções de conservação,
modo à sua aferição, sempre com base na existência ou regulação com os usos produtivos, o recreio e o bem-estar
não de valores naturais protegidos cujas necessidades de das populações.
gestão e conservação deverão ser ponderadas nas opções Os relatórios dos PMOT e PEOT, na sua primeira revisão
de planeamento. ou alteração posterior à aprovação do PSRN2000, devem
Se verificada qualquer discrepância entre a informação especificar o cumprimento dos objectivos de conservação
sobre os valores naturais recolhida à escala do plano, pro- dos habitats e das populações das espécies em função dos
grama ou projecto e a informação de base do PSRN2000, quais os Sítios e ZPE foram classificados.
essa discrepância deve ser claramente identificada e co- A adopção desta metodologia pressupõe que em ter-
municada ao ICNB, que validará a nova informação dis- ritórios concelhios abrangidos por áreas classificadas no
ponível, no respectivo quadro do acompanhamento da âmbito da Rede Natura 2000, o ICNB esteja representado
elaboração do IGT. nas respectivas Comissões de Acompanhamento, bem
d) Fixada a informação sobre a existência de valores como nas conferências decisórias, enquanto entidade à
naturais, são aplicáveis a esses elementos as orientações de qual, em virtude das suas responsabilidades ambientais
gestão determinadas pelo PSRN2000 para os respectivos específicas, interessam os efeitos ambientais resultantes
valores, ou outras, que venham a ser identificadas e acor- da aplicação dos planos municipais e dos planos especiais
dadas, de modo a garantir o cumprimento das disposições de ordenamento do território.
contidas no Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com Num guia orientador a elaborar com a participação das
a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de entidades responsáveis pela conservação da natureza e
Fevereiro. biodiversidade, o ordenamento do território e a actividade
A tradução no território das orientações de gestão do agrícola e florestal, esta metodologia de aplicação e trans-
PSRN2000 decorre directamente das características eco- posição do PSRN2000 para os PEOT e PMOT será ainda
lógicas de cada território adaptando-se às suas especifici- detalhada, no sentido de aprofundar a identificação das
dades e à escala de elaboração dos planos. Este trabalho orientações de gestão passíveis de serem regulamentadas
tem como suporte a informação contida nas fichas e car- e o procedimento de integração da gestão dos Sítios e ZPE
tografia dos valores naturais, podendo ainda ser apoiado nos instrumentos de gestão territorial.
pelo exercício de cartografia de orientações de gestão. Do g) Quando o território abranger mais do que um conce-
mesmo modo, são tidas em conta as especificidades das lho, proceder ao exercício no seu conjunto e não de forma
orientações de gestão e respectiva aplicação, com vista à parcelar, num quadro de cooperação inter-municipal
conservação dos valores naturais.
O desenvolvimento e pormenorização destas orientações 8. Acompanhamento e avaliação
de gestão face à realidade do Sítio ou ZPE são integrados
com as diferentes componentes de caracterização do terri- O PSRN2000 incorpora um conjunto significativo de
tório, das quais fazem parte os valores naturais, adaptados informação de base e de orientações de gestão para os
à escala 1:25 000 ou maior, representados segundo a sua vários Sítios e ZPE com vista à conservação da biodiver-
4536-(22) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

sidade, devendo considerar-se um instrumento dinâmico, parte da sociedade, de acordo com o direito do cidadão à
susceptível de ser actualizado e melhorado. informação.
Atendendo ao estado actual do conhecimento no país e Esta deverá adequar-se aos vários tipos de público, com
ao dinamismo dos valores naturais no território continental formas, produtos, materiais e conteúdos diferenciados, e
abrangido pelas áreas classificadas no âmbito da Rede adaptados às suas características.
Natura 2000, preconiza-se uma actualização sistemática Competirá ao ICNB e restantes entidades representadas
da informação de base, através dos dados relativos aos va- na CAA promover esta divulgação.
lores naturais obtidos no desenvolvimento das atribuições A informação do PSRN2000, respectiva actualização,
do ICNB, nomeadamente, na promoção de investigação acompanhamento e avaliação, está permanentemente dis-
e monitorização, no acompanhamento da elaboração e ponível no sítio da Internet do ICNB (www.icnb.pt).
revisão de instrumentos de gestão territorial, nos procedi-
mentos de avaliação de impacte ambiental e nos processos
ANEXO II
de avaliação de incidências ambientais.
Toda a informação de base do PSRN2000 e respectivas Fichas de Sítios da Lista Nacional (Sítios)
actualizações efectuadas anualmente, bem como toda a in- e Zonas de Protecção Especial (ZPE)
formação obtida nos termos do parágrafo anterior, validada a) Nota explicativa
pelo ICNB, estarão permanentemente disponíveis para
consulta no sítio da Internet do ICNB (www.icnb.pt). SÍTIO/ZPE
A informação de base do PSRN2000 será também in- Denominação do Sítio ou ZPE.
tegrada no Sistema de Informação sobre o Património
Natural (SIPNAT) e no Cadastro Nacional dos Valores CÓDIGO
Naturais Classificados, previstos no regime jurídico da Código do Sítio ou ZPE de acordo com a tipologia
conservação da natureza e da biodiversidade. adoptada na União Europeia, no âmbito da designação de
Um processo contínuo de acompanhamento da aplicação áreas classificadas na Rede Natura 2000.
do PSRN2000 passa pela verificação do cumprimento dos
princípios, regras e procedimentos que este preconiza. DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
Esta avaliação corresponde a um sistema de permanente
e regular por parte de uma Comissão – adiante designada Referência do diploma legal de classificação do Sítio
por Comissão de Acompanhamento e Avaliação (CAA) ou ZPE e data da sua publicação.
– presidida pelo ICNB e composta pelas entidades res- Referência à Decisão Comunitária de classificação como
ponsáveis pela elaboração do PSRN2000, nomeadamente Sítio de Importância Comunitária (SIC).
do ordenamento do território e da actividade agrícola e
florestal, da actividade económica, e as Comissões de ÁREA
Coordenação e Desenvolvimento Regional.
Área do Sítio ou ZPE em hectares.
Os estudos e projectos conducentes a este processo de
avaliação poderão ser realizados directamente pelo ICNB
e restantes entidades pertencentes à Comissão, ou ainda CÓDIGOS NUT
por entidades exteriores, designadamente Universidades, Nomenclatura das Unidades Territoriais abrangidas pelo
Centros de Investigação e Organizações Não-Governa- Sítio ou ZPE.
mentais de Ambiente.
Para a avaliação da eficácia do PSRN2000 compete à CAA: CONCELHOS ENVOLVIDOS
– Acompanhar a elaboração do guia orientador a adoptar Listagem dos concelhos abrangidos pelo Sítio ou ZPE,
sobre a metodologia de transposição do PSRN2000 para com informação sobre:
os PEOT e PMOT e promover a adopção da metodologia
estabelecida; – Área em hectares, da superfície ocupada pelo Sítio ou
– verificar a adaptação dos instrumentos de gestão ter- ZPE em cada concelho;
ritorial às orientações consignadas no PSRN2000; – % do Concelho classificado – percentagem de cada
– pronunciar-se sobre a identificação de prioridades concelho abrangida pelo Sítio ou ZPE;
e calendários de execução de acções, de elaboração de – % do Sítio ou ZPE no Concelho – percentagem do
planos de gestão e outros instrumentos relevantes da Rede Sítio ou ZPE por concelho.
Natura 2000;
– definir os indicadores de eficácia da aplicação das REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
medidas de gestão (directos e indirectos); Região Biogeográfica onde se insere o Sítio ou ZPE,
– proceder à selecção dos indicadores do estado, pressão de acordo com delimitação oficial da Agência Europeia
e resposta dos Sítios e ZPE; do Ambiente (Centro Temático para a Conservação da
– identificar as alterações do uso do solo para verifi- Natureza e Biodiversidade).
cação da evolução (natural ou antropogénica) dos Sítios
e ZPE; RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DO ÂMBITO
– elaborar um relatório bianual sobre a aplicação do NACIONAL
PSRN2000.
Percentagem de sobreposição da área do Sítio ou ZPE
9. Divulgação com áreas classificadas da Rede Nacional de Áreas Pro-
tegidas (RNAP):
O acompanhamento e avaliação do PSRN2000 será
objecto de divulgação com o propósito de lhe dar visibi- – Parque Nacional;
lidade e constituir um elemento de controlo externo por – Parques Naturais;
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(23)

– Reservas Naturais; de aves do Anexo A-I do Decreto-Lei n.º 49/2005 e outras


– Paisagens Protegidas; espécies de aves migradoras que ocorrem regularmente no
– Sítios Classificados; território nacional e cuja conservação requer a designação
– Monumentos Naturais. de zonas de protecção especial, seleccionadas segundo os
critérios definidos no Anexo III do Relatório do Plano. As
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER- espécies alvo são consideradas as mais relevantes para a
NACIONAL manutenção da coerência ecológica de cada uma das ZPE
Percentagem de sobreposição da área do Sítio ou ZPE e serviram de base à definição das orientações de gestão
com outras áreas classificadas para a conservação da na- da ZPE.
tureza, de âmbito internacional, nomeadamente: – Outras aves do Anexo I da Directiva 79/409/CEE e
Migradoras – Outras espécies de aves de interesse comu-
– Zonas Húmidas de Importância Internacional, inscritas nitário cuja conservação requer a designação de zonas de
na lista de Sítios da Convenção de Ramsar; protecção especial. Considerou-se que a manutenção do
– Reservas Biogenéticas (Conselho da Europa); estado de conservação favorável destas espécies ficará
– Reserva da Biosfera (UNESCO); assegurada através da implementação das orientações de
– Sítios Geminados Europeus; gestão definidas para as espécies-alvo.
– outras áreas classificadas no âmbito do Decreto-Lei
n.º 140/99, de 24de Abril, republicado pelo Decreto-Lei PRINCIPAIS USOS E OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO COM RES-
n.º 49/05, de 24 de Fevereiro. PECTIVAS PERCENTAGENS

CARACTERIZAÇÃO Tabela com a identificação dos principais tipos de uso


do solo no Sítio/ZPE e indicação das respectivas área e
Descrição genérica da estrutura biofísica da paisagem percentagem de cobertura. Os dados foram calculados
do Sítio ou ZPE, realçando especificidades geográficas, com base na Cartografia de Ocupação do Solo de 1990
focando aspectos geológicos, geomorfológicos ou climá- (COS 90) do Instituto Geográfico Português.
ticos, e referindo os usos do solo predominantes.
São destacados os valores naturais mais relevantes do CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
Sítio ou ZPE, nomeadamente os habitats e as espécies
da flora e da fauna cuja presença foi determinante para a A caracterização agrícola e florestal integra informação
criação do Sítio ou ZPE. sobre os sistemas dominantes, a percentagem de cobertura
dos tipos culturais e florestais e as dinâmicas socioeco-
VALORES NATURAIS QUE OCORREM NO SÍTIO OU ZPE nómicas, fazendo ainda referência a programas de apoio,
programas específicos, áreas de regadio, áreas de empar-
Os valores naturais constantes dos Anexos do Decreto- celamento e produtos de qualidade.
Lei n.º 49/2005 de 24/02 são apresentados em tabelas, onde São utilizados os seguintes conceitos:
constam o código, a designação dos habitats e espécies, e
a identificação do Anexo onde se incluem. – Superfície agrícola utilizada (SAU) – superfícies
ocupadas com culturas temporárias em cultura principal,
TABELAS APRESENTADAS NAS FICHAS DE SÍTIO: pousio e horta familiar, prados e pastagens permanentes,
incluindo sob-coberto de matas e florestas, culturas per-
– Habitats naturais e semi-naturais constantes do ane- manentes;
xo B-I do Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, – Margem bruta standard (MBS) – corresponde a uma
– Tipos de habitats naturais de interesse comunitário cuja margem bruta média para cada uma das actividades agrí-
conservação exige a designação de zonas especiais de colas em cada região. A MBS identifica-se como o valor
conservação; da produção bruta agrícola deduzida dos principais custos
– Espécies da Flora constantes do anexo B-II do De- específicos da actividade em causa;
creto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro – Espécies ve- – Orientação técnico-económica (OTE) – determinada
getais de interesse comunitário cuja conservação exige a pela contribuição relativa das diferentes actividades da
designação de zonas especiais de conservação. exploração na MBS total. Isto é, tendo em conta a natureza
– Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do De- das produções em causa e os limites mínimos e máximos
creto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, – Espécies da MBS de cada actividade, na MBS total da exploração,
animais (excepto aves) de interesse comunitário cuja para que pertença a uma determinada classe de OTE;
conservação exige a designação de zonas especiais de – SAU irrigável – o peso da superfície agrícola (má-
conservação. xima) do território que, no decurso do ano agrícola poderia,
– Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V do Decreto- se necessário, ser irrigada, i.e. dispõe da dotação de água
Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro; e do equipamento próprio necessários;
Anexo B-IV – Espécies animais (excepto aves) e vege- – SAU menos produtiva – peso das pastagens pobres e
tais de interesse comunitário que exigem uma protecção pousios no total da SAU;
rigorosa. – Rural dinâmico/frágil e agricultura competitiva/frágil
Anexo B-V – Espécies animais (excepto aves) e vegetais – a composição do território, associada a valores positivos/
de interesse comunitário cuja captura ou colheita na natu- negativos de dinâmica socioeconómica e de competitivi-
reza e exploração podem ser objecto de medidas de gestão. dade sectorial da agricultura conjugados assenta em índices
de competitividade agrícola e global do território;
– Propensão para o abandono – o indicador resulta do
TABELAS APRESENTADAS NAS FICHAS DE ZPE:
peso da SAU das freguesias com rendimento médio por
– Espécies alvo de orientações de gestão – Aves do unidade de trabalho inferior a 60 % da média regional, no
Anexo I da Directiva 79/409/CEE e Migradoras – Espécies total da SAU do Sítio ou ZPE.
4536-(24) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

INDICADORES SOCIOECONÓMICOS podem afectar negativamente a conservação dos valores


naturais existentes no Sítio ou ZPE.
A concepção de um quadro geral de indicadores, calcu-
lados com base em dados COS 90 (Carta de Ocupação do
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO
Solo), INE (Instituto Nacional de Estatística) e MADRP
(Ministério da Agricultura Desenvolvimento Rural e Pes- O texto introdutório enquadra as orientações de gestão,
cas), tem como objectivo quantificar o nível de desenvol- de forma genérica, destacando as que são consideradas
vimento económico e social dos Sítios e ZPE (ao nível da estruturantes, na medida em que respondem às principais
demografia, emprego e actividade económica). necessidades ecológicas dos valores naturais que justifi-
Descrição sumária dos indicadores apresentados: caram a criação do Sítio ou ZPE e relacionando-se com
as ameaças identificadas no ponto anterior.
– População residente HM (2001 – Nível do lugar) As orientações de gestão apresentadas correspondem ao
– População residente Homem Mulher – Pessoas que, conjunto de todas as orientações determinadas por cada um
independentemente de no momento de observação esta- dos valores naturais (habitats e espécies da flora e da fauna)
rem presentes ou ausentes num determinado alojamento, que ocorrem no Sítio (ou das espécies-alvo no caso das ZPE).
aí habitam a maior parte do ano com a família ou detêm a A designação das orientações de gestão é apresentada
totalidade ou a maior parte dos seus haveres de forma simplificada e abrange um conjunto de especifi-
– População presente HM (2001 – Nível do lugar) cidades que decorrem dos diferentes valores naturais em
– População presente Homem Mulher – Indivíduos que causa, e das ameaças à sua conservação.
no momento censitário – zero horas do dia 12 de Março Sob a designação de cada orientação de gestão estão
de 2001 – se encontravam numa unidade de alojamento, identificados os valores naturais 1 que a justificam, o que
mesmo que aí não residam, ou que, mesmo não estando permite estabelecer a relação com a informação das fi-
presentes, lá chegaram até às 12 horas desse dia chas de caracterização ecológica e de gestão relativas aos
– Densidade populacional (2001 – Nível da Freguesia) valores naturais respectivos e identificar especificidades
– Intensidade do povoamento expressa pela razão entre o dessa orientação.
número de habitantes e a superfície do território (número A expressão territorial das orientações de gestão apre-
de habitantes por quilómetro quadrado) sentadas, quando aplicável, coincide, regra geral, com
– Taxa de actividade (2001 – Nível do lugar) – Relação as áreas de ocorrência conhecidas dos valores naturais
entre a população activa e a população total que as determinam, podendo por vezes abranger habitats
– Índice de poder de compra (2001 – Nível do Concelho) contíguos.
– O índice do Poder de Compra reflecte o peso do poder
de compra de cada concelho e região no total do país que b) Fichas de Sítios
assume o valor 100. Este indicador é composto por 18 va-
SÍTIO
riáveis base por recurso a um modelo de análise factorial
– Percentagem de população agrícola (1999 – Nível ALVÃO / MARÃO
da Freguesia) – O indicador traduz o peso da população
agrícola no total da população por freguesia CÓDIGO
– Taxa de produtores agrícolas singulares com idade en- PTCON0003
tre 25 e 55 anos (1999 – Nível da Freguesia) – O indicador
pretende avaliar a percentagem da população agrícola na DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
faixa etária mais significativa da vida produtiva
– Taxa de produtores agrícolas singulares com idade Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28
superior a 55 anos (1999 – Nível da Freguesia) – O in- de Agosto
dicador traduz o grau de envelhecimento dos produtores ÁREA
agrícolas
– Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medi- 58 788 Ha
das agro-ambientais (2001 – Nível do Concelho) – O indi-
CÓDIGOS NUT
cador reflecte a percentagem de área agrícola com apoio
das medidas agro-ambientais, permitindo avaliar a sua apli- PT115 – Tâmega – 45 %
cação em função da relação entre o valor conservacionista PT117 – Douro – 29 %
de cada sítio, ZPE e Rede Natura e a produção agrícola PT118 – Alto Trás-os-Montes – 26 %
– Percentagem de ocupação da área agrícola (COS90
Nível da Rede Natura) – Calculado com base na existên- Concelhos envolvidos
cia de solos com aptidão e/ou uso predominantemente
agrícola Concelho Área (ha)
% do concelho
classificado
% do sítio no
concelho
– Percentagem de ocupação do coberto florestal (COS90
Nível da Rede Natura) – Calculado com base na existência Amarante 8217 27 % 14 %
de solos florestados Baião 1477 8% 3%
Mesão Frio 92 3% 0,2 %
FACTORES DE AMEAÇA Mondim de Basto 10798 63 % 18 %
Peso da Régua 1146 12 % 2%
Identificam-se de uma forma sucinta os factores de Ribeira de Pena 5875 27 % 10 %
ameaça considerados como mais relevantes no Sítio ou Sabrosa 25 0% 0,04 %
ZPE actuantes à data de elaboração do PSRN2000. É feita S.ta Marta de Penaguião 2663 38 % 5%
Vila Pouca de Aguiar 13495 31 % 23 %
referência a tipos de uso do solo, actividades humanas ou Vila Real 15003 40 % 25 %
mesmo outros factores, inclusive de origem natural, que
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(25)

REGIÃO BIOGEOGRÁFICA Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I


do Dec. Lei n.º 49/2005
Mediterrânica
3120 Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas em solos ge-
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO ralmente arenosos do oeste mediterrânico com Isoëtes spp
NACIONAL 3130 Águas estagnadas, oligotróficas a mesotróficas, com ve-
getação da Littorelletea uniflorae e ou da Isoëto-Nano-
Parque Natural do Alvão (13 %) Diploma de classifi- juncetea
cação: Decreto-Lei n.º 237/83 de 8 de Junho
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ci-
NACIONAL
liaris e Erica tetralix
Não se aplica 4030 Charnecas secas europeias
4090 Charnecas oromediterrânicas endémicas com giestas es-
CARACTERIZAÇÃO pinhosas
Este Sítio abarca grosso modo as serras do Alvão e do 6160 Prados oro-ibéricos de Festuca indigesta
Marão, orientadas no sentido Nordeste-Sudoeste e com 6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
altitudes máximas de 1330 e de 1416 m, respectivamente, dietea
e encontra-se delimitado a Oeste pelo rio Tâmega e a Este 6230* Formações herbáceas de Nardus, ricas em espécies, em
pelo rio Corgo. substratos silicosos das zonas montanas (e das zonas
submontanas da Europa continental)
A ocupação agrícola dos vales e socalcos junto aos aglo-
merados rurais em contraste com as encostas escarpadas 6410 Pradarias com Molinia em solos calcários, turfosos e argilo-
limosos (Molinion caeruleae)
ou cobertas de matos e ou matas, assim como a zona mais
planáltica, por vezes rochosa, é ocupada, quando se propor- 6510 Prados de feno pobres de baixa altitude (Alopecurus pra-
tensis, Sanguisorba officinalis)
ciona, por pastagens naturais e ou matos, que imprimem
uma grande variedade a este território. 7140 Turfeiras de transição e turfeiras ondulantes
O Sítio engloba uma grande diversidade de habitats 8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
naturais, onde predominam os carvalhais de carvalho-roble 91B0 Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia
e carvalho-negral (9230) e os matos baixos de ericáceas 91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
e/ou tojos sobre substratos duros (4030), tipo de vegetação (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
que em Portugal apresenta uma relação máxima à escala 9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus
mundial entre a diversidade fitocenótica e a área ocupada. pyrenaica
São de destacar as turfeiras (7140), que se caracterizam 92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba
pela sua singularidade e que a nível nacional somente
9330 Florestas de Quercus suber
ocorrem de forma pontual, e ainda o habitat prioritário
constituído por urzais-tojais húmidos de Erica ciliaris A negrito: habitats prioritários

e Erica tetralix e/ou Ulex minor (4020*). Em termos de


Espécies da Flora constantes do anexo B-II
flora é de sublinhar a ocorrência do extremamente ame-
do Dec. Lei n.º 49/2005 de 24/02
açado trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia), no
seu último local de ocorrência em Portugal, e da precária
Código espécie Espécie Anexos
Veronica micrantha.
Região montanhosa de grande importância para o lobo
1793 Centaurea micrantha ssp. herminii II, IV
(Canis lupus), sendo a densidade de alcateias nesta zona
das maiores do nosso país, juntamente com as que se veri- 1885 Festuca elegans II, IV
ficam nas regiões fronteiriças dos Sítios Montesinho/No- 1891 Festuca summilusitana II, IV
gueira e Serras da Peneda e Gerês. 1428 Marsilea quadrifolia II, IV
É um Sítio igualmente relevante para a conservação da 1865 Narcissus asturiensis II, IV
fauna aquática e ribeirinha, sendo de destacar a sua im-
portância para a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), 1733 Veronica micrantha II, IV
a lontra (Lutra lutra) e a panjorca (Rutilus arcasii).
Ocorrem várias espécies de morcegos ameaçadas, sendo Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Dec. Lei
de salientar uma colónia de hibernação de morcego-rato- n.º 49/2005 de 24/02
pequeno (Myotis blythii) e de morcego-de-ferradura-grande
(Rhinolophus ferrumequinum). Relativamente à herpe- Código espécie Espécie Anexos

tofauna, salienta-se a presença do lagarto-de-água (La-


certa schreiberi) e da salamandra-lusitânica (Chioglossa 1044 Coenagrion mercuriale II
lusitanica), espécies endémicas da Península Ibérica. De
1065 Euphydryas aurinia II
referir ainda a presença de invertebrados, como a borboleta
Euphydryas aurinia e o coleóptero Lucanus cervus, sendo 1083 Lucanus cervus II
um dos poucos Sítios de ocorrência conhecida da libélula
1041 Oxygastra curtisii II, IV
Oxygastra curtisii.
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Código espécie Espécie Anexos Espécie Anexos

1116 Chondrostoma polylepis (1) II FAUNA Eptesicus serotinus IV

1123 Rutilus alburnoides II Myotis mystacinus IV


Myotis daubentonii IV
1127 Rutilus arcasii II
Myotis nattereri IV
1172 Chioglossa lusitanica II, IV
Nyctalus leisleri leisleri IV
1259 Lacerta schreiberi II, IV
Pipistrellus pipistrellus IV
1221 Mauremys leprosa II, IV Pipistrellus (Hypsugo) savii IV
1352 Canis lupus II, IV Plecotus auritus IV

1301 Galemys pyrenaicus II, IV Plecotus autriacus IV


Tadarida teniotis IV
1355 Lutra lutra II, IV
1308 Barbastella barbastellus II, IV Principais usos e ocupação do território
com respectivas percentagens
1310 Miniopterus schreibersii II, IV
1307 Myotis blythii II, IV Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)

1321 Myotis emarginatus II, IV


Áreas agro/silvo/pastoris 1200,697 2,04
1324 Myotis myotis II, IV
Áreas agrícolas arvenses 7099,327 12,08
1304 Rhinolophus ferrumequinum II, IV Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 1850,018 3,15
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV Matos e Pastagens naturais 27830,609 47,34
A negrito: espécies prioritárias Floresta 16233,555 27,61

Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V Zonas húmidas 78,171 0,13
do Dec. Lei n.º 49/2005 de 24/02 Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 4495,804 7,65
sem coberto vegetal)
Espécie Anexos Fonte – COS 90

FLORA Arnica montana V CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL

Lycopodium inundatum V Área do Sítio: 15 % Agrícola e 72 % Florestal;


Murbeckiella pinnatifida ssp. herminii V
Uso Agrícola – SAU: 8 659 ha:
Murbeckiella sousae IV
Narcissus bulbocodium V Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
Narcissus triandrus IV
Ruscus aculeatus V Past.Permanentes: 71 %; OTE pecuárias: 77 %
Forragens/Prados tempor.: 15 %.
– Herbívoros não especializados:
Sphagnum spp. V 67 %
Spiranthes aestivalis IV – Herbívoros especializados: 10 %

Teucrium salviastrum ssp. salviastrum V Vinha: 12 % Espec.Vinhas qualidade: 11 %


FAUNA Alytes obstetricans IV
– N.º explorações agrícolas: 1 324;
Bufo calamita IV
– SAU por exploração: 7 ha
Chalcides bedriagai IV – SAU menos produtiva: 60 %; SAU irrigável: 24 %;
Coluber hippocrepis IV
Coronella austriaca IV
Uso Florestal – 42 041 ha:
Discoglossus galganoi IV % área
Tipo Composição
do Sítio
Hyla arborea IV
Rana iberica IV Matos 41 %
Rana perezi V Espécies 31 % 16 % Pinheiro Bravo; 7 % Carva-
Triturus marmoratus IV lhos; 2 % Castanheiro;
2 % Eucalipto; 2 % Outras Folho-
Felis silvestris IV sas; 2 % Outras Resinosas;
Genetta genetta V Incêndios (90-2003) 31 %
Mustela putorius V Regime de Caça Especial 72 %
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1. Dinâmicas Socio-económicas utilizados complementarmente na época estival, e menos


• Dinâmicas Territoriais: 66 % da área do Sítio Rural intensamente do que no caso dos pequenos ruminantes.
Frágil Nos últimos anos, assistiu-se a uma transição da produção
• Propensão para o Abandono - % da SAU do Sítio: de carne de bovino para a produção de leite, tendo-se obser-
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região - 32 % vado um aumento substancial do efectivo leiteiro em certas
– com elevado risco de abandono após desligamento áreas de montanha, que levou à introdução de formas de
total das ajudas – 29 % agricultura mais «intensivas», nomeadamente a introdução
2. Sistemas dominantes: de prados e pastagens temporários de regadio e a introdução
de milhos híbridos para a produção de silagem, se bem que
Espaço florestal muito representativo com dominância na área associada ao Marão haja alguma tendência inversa.
de matos. A área de povoamentos tem uma composição Os dois sistemas de produção do vale são em tudo se-
diversificada. Neste Sítio têm grande expressão os baldios, melhantes aos das zonas mais altas, com a excepção dos
áreas comunitárias utilizadas sobretudo em pastoreio com pequenos ruminantes, verificando-se a sua substituição
grande importância socioeconómica para região. pelos bovinos. Os produtores de bovinos têm tendência a
Espaço agrícola constituído por quatro grandes siste- especializar-se em carne ou leite.
mas de produção. Dois característicos das regiões mais Quase todas as explorações agrícolas possuem uma zona
altas e dois característicos das regiões de vale. O sistema de mata ou «carvalhada», onde recolhem mato para a cama
policultural, comum a todas as zonas, caracteriza-se pelas dos animais (pequenos ruminantes e bovinos autóctones) e
culturas do centeio e ferrejos (para a alimentação animal), lenha para o Inverno. A «carvalhada» serve também para
como actividades de Outono-Inverno, a batata e o milho pastagem dos ovinos, caprinos e do bovino maronês.
como actividades de Primavera-Verão e a horta familiar
que é transversal a todas as explorações. 3. Programas/Projectos Específicos
Na região de montanha a nível do sector pecuário en-
contramos: 3.1. Regadios
– rebanhos de pequenos ruminantes, onde os caprinos Quase todas as povoações de montanha possuem rega-
continuam a ter um peso importante, e nos quais predomina dios tradicionais, a grande maioria sujeitos a intervenções
a Cabra Bravia, uma raça autóctone. Normalmente os pasto- de melhoria por parte dos serviços do Ministério que tutela
res não possuem terra, fazendo-se o pastoreio destes animais a Agricultura.
nas grandes áreas de baldios que caracterizam esta região.
– explorações com gado bovino, que pode ser leiteiro ou 3.2. Produtos de qualidade
para carne. No caso do gado bovino de carne a raça mais Este Sítio abrange a Região Demarcada do Douro e
característica é a Maronesa, encontrando-se actualmente a Região Demarcada de Vinhos Verdes onde se produ-
em vias de extinção. Todos os produtores de bovinos pos- zem vinhos de qualidade. Está inserida na área geográ-
suem prados e pastagens permanentes de regadio (lamei- fica de produção de «Carne bovina Maronesa» (DOP);
ros), alguns seculares, para produção de feno ou pastoreio «Cabrito das Terras Altas do Minho» (IGP); «Cordeiro do
directo. No caso dos bovinos de carne, os baldios são Barroso»(IGP) e «Cabrito do Barroso» (IGP).
Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 19146 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 18149 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 32,57 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 33,29 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 1,13 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 21,13 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 37,58 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 62,42 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 9,65 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 15,25 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 26,57 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA háquia e erva-pinheirinha); abertura de vias de comuni-


Qualidade da água muito degradada; actividade flores- cação; mini-hídricas; parques eólicos; pressão cinegética;
tal intensiva; abate de carvalhal; sistema de minas e fojos práticas agrícolas e pastoris (e.g. agroquímicos, excesso
degradados; fogos florestais (entre 1990 e 2003 ardeu de queimadas, etc); abandono agrícola; exploração de
31 % da área); invasão por espécies exóticas (acácia, pedreiras ilegais.
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ORIENTAÇÕES DE GESTÃO quetes, sebes e matos, intercalados com zonas mais abertas
de pastagens e zonas agrícolas)
As orientações de gestão para este Sítio são dirigidas
prioritariamente para a manutenção da sua elevada di-
versidade e das características naturais que o tornam sin- – Aumentar a pressão do pastoreio
gular e que permitem albergar os valores naturais nele 6230*
existentes:
– Promoção e acompanhamento de um modelo de gestão – Condicionar a intensificação agrícola
de uso múltiplo, com o objectivo de promover uma agri- Chioglossa lusitanica; Euphydryas aurinia; Barbas-
cultura e pastorícia extensivas, em mosaico com manchas tella barbastellus; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii;
florestais autóctones. Igualmente para áreas de matos é Myotis emarginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrume-
necessário desenvolver uma gestão adaptada à realidade quinum; Rhinolophus hipposideros
local, envolvendo a pastorícia, a apicultura, os fogos con-
trolados e a utilização para lenhas. – Condicionar mobilização do solo
– Implementação de medidas de conservação dos carva-
lhais e de manchas florestais naturais mais desenvolvidas, 3120; 6220*
as quais desempenham ainda um papel importante como
locais de abrigo e reprodução para o lobo. – Condicionar queimadas
– Protecção estrita de algumas formações com enorme 4020*; 7140
valor natural como as turfeiras, as florestas de vidoeiros, Euphydryas aurinia (particularmente nas fases de ovo
as matas de loureiros e alguns prados naturais. e crisálida)
– Preservação das linhas de água e vegetação ribeiri-
nha (freixiais, amiais, salgueirais), habitats fundamentais – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
para a conservação de espécies da fauna associadas a este
meio. Deverá ser dada uma particular atenção à zona da Canis lupus; Euphydryas aurinia (em áreas mais abertas,
foz do Rio Corgo, por se tratar do único local conhecido com o objectivo de criar locais de refúgio e reprodução)
de ocorrência de Marsilea quadrifolia. Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
Myotis blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Rhi-
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA nolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros (em
AOS VALORES NATURAIS áreas mais abertas, para aumentar a diversidade de presas
e facilitar deslocações na paisagem)
Agricultura e Pastorícia Lucanus cervus (em especial em áreas mais abertas,
– Adoptar práticas de pastoreio específicas de forma a proporcionar madeira em áreas de presença
da espécie)
3120; 3130; 4020*; 6230*; 6410; 6510; 91B0 Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
Centaurea micrantha ssp herminii; Festuca summilu- e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
sitana (pastoreio de percurso) húmidas)
Canis lupus (cercas eléctricas, rebanhos de menores
dimensões, cães de gado) – Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
Euphydryas aurinia (baixo encabeçamento, preferen- colas
cialmente bovinos)
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais 4020*; 6510
mais sensíveis) Euphydryas aurinia (determinar períodos de corte com-
patíveis com a manutenção das populações, o que implica
– Manter práticas de pastoreio extensivo geralmente retardar o corte da vegetação, de forma a não
coincidir com os períodos larvar-crisálida)
4030; 6160; 6220*; 6410
Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi; Myo- – Remover, por corte mecânico, a biomassa aérea não
tis blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Rhinolo- pastoreada
phus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros
6230*
– Salvaguardar de pastoreio
– Condicionar expansão do uso agrícola
7140; 9230; 9330
4020*; 7140; 9330
– Assegurar a manutenção de usos agrícolas extensivos
6510 – Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
alternativas
– Assegurar mosaico de habitats 6230*; 6510
Canis lupus (bosquetes alternados com zonas mais aber- Barbastella barbastellus; Chioglossa lusitanica; Coena-
tas de matos e prados) grion mercuriale; Euphydryas aurinia; Lacerta schreiberi;
Euphydryas aurinia (áreas mais abertas, de prados e Lucanus cervus; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii;
pastagens, alternadas com zonas não cortadas/abandonadas Myotis emarginatus; Myotis myotis; Oxygastra curtisii;
recentemente,) Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros
Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
Myotis blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Rhi- – Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
nolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros (bos- alternativas em áreas contíguas ao habitat
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(29)

3120; 3130; 3260; 6410; Chioglossa lusitanica; Chon- Construção e Infra-estruturas


drostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Lacerta schrei-
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
beri; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides; limpeza de taludes
Rutilus arcasii
Veronica micrantha
Silvicultura Euphydryas aurinia (em áreas mais sensíveis, efectuar
estes trabalhos em função do ciclo de vida da espécie)
– Adoptar práticas silvícolas específicas Galemys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Chioglossa
91B0; 91E0*; 9230; 92A0; 9330 lusitanica; (adjacentes às linhas de água, de forma a não
Festuca elegans (condicionar o corte das formações aterrar/destruir as margens das linhas de água e a vegetação
florestais de cuja orla a espécie faz parte, bem como a aí existente)
limpeza destas orlas)
– Assegurar caudal ecológico
– Condicionar a florestação Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Lutra
4020*; 6510; 8220; 9330; Festuca summilusitana lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides; Rutilus
Canis lupus (em áreas mais sensíveis) arcasii

– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc- – Condicionar a construção de infra-estruturas


tones 4030; 6220*; 6230*; 7140; 8220; 9330; Narcissus as-
Lucanus cervus turiensis; Veronica micrantha
Festuca elegans (carvalhais e soutos) Canis lupus (condicionar a construção de infra-estru-
turas em áreas sensíveis. Garantir a livre circulação da
Veronica micrantha (conservar o habitat 9230; adensa-
espécie e das suas presas)
mento dos povoamentos e manutenção de elevados níveis
Chioglossa lusitanica; Galemys pyrenaicus; Lacerta
de naturalidade sem qualquer tipo de intervenção no sub- schreiberi (na construção de novas estradas ou alargamento
coberto; manutenção dos níveis de escorrência e infiltração das existentes, evitar que estas não passem demasiado
das águas no solo ao longo das vertentes vizinhas) próximo das linhas de água)
Canis lupus; Euphydryas aurinia; Barbastella barbas- Barbastella barbastellus; Rhinolophus ferrumequinum;
tellus; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis Rhinolophus hipposideros (localização dos nós das auto-es-
emarginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; tradas em relação aos abrigos de importância nacional)
Rhinolophus hipposideros (com um subcoberto diversi- Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis
ficado) (localização dos parques eólicos em relação aos abrigos
de importância nacional)
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
e arbustivo – Condicionar expansão urbano-turística
Canis lupus; Euphydryas aurinia; Barbastella barbas- 4030; 7140; 8220; 9330; Festuca summilusitana
tellus; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis Chioglossa lusitanica; Mauremys leprosa (ordenar ex-
emarginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; pansão urbano-turística de forma a não afectar as áreas
Rhinolophus hipposideros mais sensíveis)

– Manter árvores mortas ou árvores velhas com cavi- – Condicionar transvases


dades
Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Rutilus
Barbastella barbastellus; Myotis emarginatus; Lucanus alburnoides; Rutilus arcasii
cervus
– Melhorar transposição de barragens /açudes
– Tomar medidas que impeçam a florestação Galemys pyrenaicus (implementação de canais de
4090; 7140; 91B0 bypass naturalizados ou outras passagens para peixes
adaptadas à espécie)
– Promover a regeneração natural Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus
arcasii (colocação de passagens adequadas para peixes)
91B0; 91E0*; 9230; 9330; Veronica micrantha
– Reduzir mortalidade acidental
– Reduzir risco de incêndio
Canis lupus (vedações efectivas com saídas one way out,
91E0*; 9230; 9330; Barbastella barbastellus; Canis passagens para fauna e sinalização rodoviária, tanto nas
lupus; Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; novas vias rodoviárias como nas já existentes, como o IP4)
Coenagrion mercuriale; Euphydryas aurinia; Galemys Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lucanus cervus; Lutra rodovias; implementar dispositivos dissuasores da passa-
lutra; Mauremys leprosa; Miniopterus schreibersi; Myotis gem e entrada da espécie nas pisciculturas)
blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Oxygastra Galemys pyrenaicus (implementar grelhas de malha
curtisii; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hip- fina/dispositivos dissuasores à entrada dos canais/circuitos
posideros; Rutilus alburnoides; Rutilus arcasii de aducção de água de pisciculturas e aproveitamentos
4536-(30) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

hidráulicos e hidroeléctricos, com vista a evitar a entrada – Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas
e morte de animais nestas infra-estruturas) fora dos caminhos estabelecidos
Barbastella barbastellus; Rhinolophus ferrumequinum; Narcissus asturiensis
Rhinolophus hipposideros (evitar o uso de vedações rema-
tadas no topo com arame farpado) – Tomar medidas que impeçam as deposições de dra-
gados ou outros aterros
– Condicionar construção de açudes em zonas sensíveis
Marsilea quadrifolia; Narcissus asturiensis; Veronica
3260; 91E0*; Veronica micrantha; Galemys pyrenaicus; micrantha
Rutilus alburnoides; Chondrostoma polylepis; Rutilus Galemys pyrenaicus; Chondrostoma polylepis; Rutilus
arcasii alburnoides; Rutilus arcasii (em áreas mais sensíveis)
– Condicionar construção de barragens em zonas sen- – Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
síveis
3120; 3130; 3260; 6410; 7140; Marsilea quadrifolia;
3260; 91E0*; Veronica micrantha; Canis lupus; Gale- Chioglossa lusitanica; Coenagrion mercuriale; Lacerta
mys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Chondrostoma poly- schreiberi; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Oxygastra
lepis; Rutilus alburnoides; Rutilus arcasii curtisii
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus
Outros usos e Actividades arcasii (considerando como valores de referência os limites
previstos para as «águas de ciprinídeos», de acordo com o
– Condicionar captação de água disposto no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
3260; 7140 Galemys pyrenaicus (considerando como valores de
Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Co- referência os limites previstos nas «Normas de qualidade
enagrion mercuriale; Galemys pyrenaicus; Lutra lutra; aplicáveis às águas piscícolas», de acordo com o disposto
Mauremys leprosa; Oxygastra curtisii; Rutilus alburnoi- no Decreto-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
des; Rutilus arcasii (nas zonas mais sensíveis e durante Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
os meses de menor pluviosidade) Myotis blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Rhi-
nolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
(conservação das suas áreas de alimentação)
– Condicionar drenagem
3120; 3130; 3260; 4020*; 6410; 7140 – Ordenar acessibilidades
Mauremys leprosa; Chioglossa lusitanica; Oxygastra 9330
curtisii (em zonas mais sensíveis) Canis lupus (condicionar a abertura/utilização de aces-
sos em áreas sensíveis)
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
nhas de água – Ordenar actividades de recreio e lazer
3120; 3260; 91E0*; 9230; 92A0; Chioglossa lusitanica; 6230*; 7140; Marsilea quadrifolia
Coenagrion mercuriale; Galemys pyrenaicus; Lacerta Galemys pyrenaicus; Mauremys leprosa (em áreas mais
schreiberi; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Oxygastra sensíveis, associadas às zonas húmidas)
curtisii; Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Canis lupus (condicionar actividades motorizadas todo-
Rutilus arcasii o-terreno, restringindo o acesso a zonas mais sensíveis)

– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone – Ordenar prática de desporto da natureza


Barbastella barbastellus; Chioglossa lusitanica; Chon- 6230*
drostoma polylepis; Coenagrion mercuriale; Galemys Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Rutilus
pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lucanus cervus; Lutra alburnoides; Rutilus arcasii (desportos associados aos
lutra; Mauremys leprosa; Miniopterus schreibersi; Myotis cursos de água)
blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Oxygastra Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis emar-
curtisii; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hip- ginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum;
Rhinolophus hipposideros (espeleologia)
posideros; Rutilus alburnoides; Rutilus arcasii
– Reduzir mortalidade acidental
– Incrementar sustentabilidade económica de activida-
des com interesse para a conservação Lutra lutra (utilização de grelhas metálicas, em artes
de pesca, que impossibilitam o acesso da lontra ao interior
6220*; 6230*; 9230; 9330; Canis lupus engenho)
– Implementar gestão cinegética compatível com con- – Regular dragagens e extracção de inertes
servação da espécie
3120; 8220; Coenagrion mercuriale; Oxygastra cur-
Canis lupus (correcta exploração cinegética das suas es- tisii
pécies presa, nomeadamente pelo estabelecimento de áreas Galemys pyrenaicus (tomar medidas que impeçam a
de caça/não caça, condicionantes ao número de efectivos extracção de inertes nas linhas de água, durante o período
a abater e às épocas de caça) de reprodução da espécie, Março–Julho)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(31)

Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex- – Desobstruir a entrada de abrigos
tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis emargi-
reprodução) natus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhi-
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus nolophus hipposideros (grutas, minas ou algares)
arcasii (tomar medidas que impeçam a extracção de inertes
nos locais de reprodução da espécie, em qualquer época do – Efectuar desmatações selectivas
ano. Nos restantes locais, condicionar durante a Primavera)
6220*; 6230*; 6410
– Regular uso de açudes e charcas
– Efectuar gestão por fogo controlado
3120; Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos tem-
porários do gado; evitar a mobilização dos charcos tem- 4030; 6160; 6220*
porários localizados em terrenos agrícolas)
– Elaborar/Implementar Planos de Gestão localizados
– Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte Marsilea quadrifolia (executar um Plano de Conservação
e a colheita de espécies que preveja o ordenamento das actividades lúdicas e recrea-
3130 tivas na área, recuperação de charcas e efectivação de pro-
gramas de sensibilização orientados para a população local)
Orientações específicas Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
Myotis blythii; Myotis emarginatus; Myotis myotis; Rhi-
– Condicionar o acesso nolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros
7140
– Estabelecer programa de repovoamento/fomento/rein-
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis emar- trodução de presas
ginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum;
Rhinolophus hipposideros (quando se justifique, colocar Canis lupus (promover o fomento de presas selvagens,
vedações que evitem a entrada de visitantes mas permi- como o corço e o veado)
tam a passagem de morcegos. A entrada dos visitantes é
restringida apenas nas épocas do ano em que o abrigo se – Estabelecer programa de repovoamento/reintrodução
encontra ocupado) Marsilea quadrifolia; Veronica micrantha
– Consolidar galerias de minas importantes – Impedir encerramento de grutas, minas e algares com
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis emar- dispositivos inadequados
ginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis emar-
Rhinolophus hipposideros ginatus; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum;
Rhinolophus hipposideros (como portas compactas ou
– Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe- gradeamentos de malha apertadas)
tição inter-específica
3130; 6230*; 91B0 – Impedir introdução de espécies não autóctones /con-
trolar existentes
– Controlar efectivos de animais assilvestrados 4030; 6220*; 8220; 9330
Marsilea quadrifolia (nomeadamente Myriophyllum
Canis lupus (cães assilvestrados, em áreas mais sen- aquaticum)
síveis) Chioglossa lusitanica Euphydryas aurinia; Coenagrion
mercuriale; Galemys pyrenaicus; Chondrostoma polylepis;
– Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo Rutilus alburnoides; Rutilus arcasii; Oxygastra curtisii
o seu cultivo (implementar programas de controlo e erradicação de espé-
3130 (criação de alternativas à sobrecolheita de Mentha cies vegetais exóticas invasoras das margens das linhas de
cervina) água e encostas adjacentes, promovendo a sua substituição
por espécies autóctones)
– Criar caixas de abrigo Lacerta schreiberi (remover espécies vegetais exóticas pelo
menos numa faixa de 50 m para cada lado das linhas de água)
Barbastella barbastellus; Myotis emarginatus Mauremys leprosa (controlar introduções furtivas de
espécies animais potenciais competidoras)
– Criar novos locais de reprodução, conservar/recuperar
os existentes – Manter/recuperar habitats contíguos
Chioglossa lusitanica (conservar/recuperar minas e ga- 6410; 91E0*
lerias já identificadas) Marsilea quadrifolia (recuperação das áreas de charcas
aterradas em data recente)
– Definir zonas de protecção para a espécie Veronica micrantha (conservar os carvalhais que cons-
tituem o habitat-orla)
Veronica micrantha (salvaguarda da população perto Euphydryas aurinia; Galemys pyrenaicus; Chondros-
de Pontido, onde estão cerca de 33 % dos efectivos co- toma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus arcasii (es-
nhecidos da espécie) tabelecer corredores ecológicos)
4536-(32) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– Manter as edificações que possam albergar colónias/ Na parcela de Cuba, as actividades económicas res-
populações tringem-se à agricultura e à pastorícia, com destaque para
a cultura de cereais, criação de ovinos e pontualmente
Myotis emarginatus; Rhinolophus ferrumequinum; Rhi- olivicultura.
nolophus hipposideros Na parcela de Alvito acrescem a exploração de mon-
tados de sobro e azinho e a suinicultura em regime de
– Promover a manutenção de prados húmidos montanheira.
Euphydryas aurinia A presença de olivais de reduzida dimensão não su-
Narcissus asturiensis (relvados rochosos e cervunais, jeitos a um uso intensivo de herbicidas parece ter sido
nomeadamente o habitat 6230) determinante para a conservação da espécie prioritária
Linaria ricardoi, um endemismo lusitano cuja ocorrência
– Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas é conhecida exclusivamente neste Sítio.
associados
Espécies da Flora constantes do anexo B-I
Narcissus asturiensis do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02

– Recuperar zonas húmidas Código espécie Espécie Anexos

Mauremys leprosa
1713 Linaria ricardoi II, IV
SÍTIO
A negrito: espécies prioritárias
ALVITO/CUBA
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II
CÓDIGO do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02

PTCON0035 Código espécie Espécie Anexos

DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO


1355 Lutra lutra II, IV
Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de
Julho Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
ÁREA
Espécie Anexos
922 ha

CÓDIGOS NUT FAUNA Discoglossus galganoi IV

PT144 – Baixo Alentejo – 100 % Principais usos e ocupação do território com respectivas
percentagens
Concelhos envolvidos
Tipo de uso do solo Área (ha) Percentagem (%)
% do concelho % do sítio
Concelho Área (ha)
classificado no concelho

Áreas agro/silvo/pastoris 533,969 57,85


Alvito 652 2% 71 %
Áreas agrícolas arvenses 183,196 19,85
Cuba 137 1% 15 %
Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 194,314 21,05
Viana do Alentejo 134 0,3 % 15 %
Matos e Pastagens naturais 0 0
Floresta 11,47 1,24
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
Zonas húmidas 0 0
Mediterrânica
Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 0 0
sem coberto vegetal)
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL Fonte – COS 90

Não se aplica CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL

RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER- Área do Sítio: 81 % Agrícola e 59 % Florestal;
NACIONAL
Uso Agrícola – SAU: 751 ha:
Não se aplica
Culturas Principais (% da SAU) OTE Principais (% da SAU)
CARACTERIZAÇÃO

O Sítio inclui duas áreas distintas, geograficamente Past.Permanentes: 41 %; OTE pecuárias: 48 %


separadas (Cuba e Alvito), ocupadas por sistemas agrí- Forragens/Prados tempor.: 7 %.
– Herbívoros não especializados:
colas, incluindo cerealicultura de sequeiro. São zonas de 38 %
topografia aplanada, parcialmente ocupada por solos de – Espec. Bovinos Carne: 8 %;
– Espec. Ovinos/Caprinos: 3 %;
elevada qualidade, conhecidos como «Barros de Beja».
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(33)

2. Sistemas dominantes:
Culturas Principais (% da SAU) OTE Principais (% da SAU)
O Sítio de Alvito é caracterizado pela existência de
grandes áreas de montado de sobro, de algum azinho e de
Cereais: 24 %; Pousio: 12 %; Arvenses: 36 %
Culturas Industriais: 8 % olivais. O aproveitamento do seu sob-coberto é predomi-
nantemente feito com pastagens naturais, subsistindo algu-
Olival: 8 % Espec.Olivicultura: 3 % mas culturas cerealíferas em rotações longas. Verifica-se
na actualidade a renovação de áreas de olival tradicional
– N.º explorações agrícolas: 16; e a criação de novas áreas como alternativa aos sistemas
– SAU por exploração: 64 ha culturais existentes.
Uso Florestal – 546 ha: O Sítio de Cuba é caracterizado por montado da Azinho,
com o aproveitamento do sob-coberto por pastagem natural.
% área do
Tipo Composição
Sítio 3. Programas/Projectos Específicos
Matos 2% 3.1. Áreas de regadio
Espécies 58 % 43 % Sobreiro; 14 % Azinheira Este Sítio confina com áreas de regadio do EFMA.

1. Dinâmicas Socio-económicas 3.2. Produtos de qualidade


• Dinâmicas Territoriais: 100 % da área do Sítio Rural O Sítio está inserido na área geográfica de produção,
Frágil abate, desmancha e acondicionamento de «Carne de
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio: Bovino Mertolenga»(DOP) e «Alentejana»(DO). Área
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da re- geográfica de produção de: «Porco Alentejano»(DO),
gião– 0 % «Azeite do Alentejo Interior»(DO), «Borrego do Baixo
– com elevado risco de abandono após desligamento Alentejo»(IGP), «Queijo de Serpa»(DOP) e «Mel do
total das ajudas – 11 % Alentejo»(DOP).

Indicadores socioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 0 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 0 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 0 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 0 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 0 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 0 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 0 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,88 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 40,90 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 59,10 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA


AOS VALORES NATURAIS
A intensificação agrícola, em particular o uso de her-
bicidas, constituiu o factor determinante para a regressão Agricultura e Pastorícia
das populações de Linaria ricardoi.
– Promover cerealicultura extensiva (e promover agri-
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO
cultura biológica em cerealiculturas e oliviculturas ex-
tensivas)
O Sítio Alvito/Cuba tem como finalidade a conserva-
ção de uma espécie da flora em estado crítico de ameaça Linaria ricardoi
– Linaria ricardoi. Pretende-se alcançar este objectivo
através de acções de repovoamento e promoção de prá- – Incrementar sustentabilidade económica de activi-
ticas agrícolas sustentáveis nas áreas de ocorrência da dades com interesse para a conservação (manutenção
espécie, e através da manutenção da cultura extensiva e incremento das actividades agrícolas tradicionais,
de cereais de sequeiro e redução na aplicação de her- nomeadamente através de programas de incentivo aos
bicidas. agricultores)
4536-(34) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Linaria ricardoi RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-


NACIONAL
– Condicionar intensificação agrícola (tomar medidas
que impeçam as explorações de regadio sobre a área de Não se aplica
ocorrência da espécie)
CARACTERIZAÇÃO
Linaria ricardoi
O Sítio Arade /Odelouca desenvolve-se ao longo dos
– Condicionar uso de agro-químicos / adoptar técnicas troços finais do rio Arade e da ribeira de Odelouca (o
alternativas (desenvolver acções de extensão rural, orienta- seu principal afluente), cursos de água de regime tor-
das para um uso racional de adubos e fitofármacos, desig- rencial.
nadamente seguindo os conceitos da Protecção Integrada, De montante para jusante, até à zona superior do es-
ou através de luta biológica; a aplicação destes princípios tuário do Arade, processa-se um interessante gradiente
necessita de esclarecimento eficiente dos agricultores e de biofísico: na parte superior do Sítio observam-se vales
acompanhamento técnico) encaixados preenchidos por galerias ripícolas serranas,
Linaria ricardoi que para Sul dão lugar a vales mais largos, nos quais,
com a aproximação do litoral, se torna notória a influência
Construção e Infra-estruturas salina, crescendo a importância das marés e acentuando-se
– Condicionar expansão urbano-turística o carácter estuarino, com margens aplanadas preenchidas
por lodaçais, sapais, áreas de salgados e pequenas praias
Linaria ricardoi
de areia, onde se intercalam zonas agrícolas. De referir a
Orientações específicas existência do bloco de Silves do Aproveitamento Hidroa-
grícola de Silves, Lagoa e Portimão.
– Estabelecer programa de repovoamento / reintrodução Sítio muito importante para a diversidade genética de
(implementar acções de repovoamento em locais menos
sujeitos ao uso de herbicidas, designadamente searas de ciprinídeos, sendo de salientar a boga-do-Sudoeste (Chon-
trigo e de aveia com baixa intervenção antrópica, em sub- drostoma almacai), entidade anteriormente considerada
coberto de olival ou de montado, bermas de caminhos ou como C. lusitanicum, a qual ocorre apenas nas bacias dos
searas biológicas) rios Mira e Arade, limitando a sua distribuição a alguns
Linaria ricardoi Sítios do Algarve.
Inclui um abrigo importante para morcegos, nomeada-
SÍTIO mente por albergar colónias de criação de morcego-de-
ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi) e de criação
ARADE/ODELOUCA
e hibernação de morcego-de-ferradura-pequeno (Rhino-
CÓDIGO lophus hipposideros), sendo também utilizada durante o
resto do ano por outras espécies de morcegos, todas elas
PTCON0052
com estatuto de ameaça.
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
Habitats naturais e semi-naturais constantes
Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de do anexo B-I do Decreto-Lei n.º 49/2005
Julho
1110 Bancos de areia permanentemente cobertos por água do
ÁREA mar pouco profunda

2 112 Ha 1130 Estuários


1140 Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa
CÓDIGOS NUT
3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion
PT15 – Algarve – 100 % ou da Hydrocharition

Concelhos envolvidos 3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion

Concelho Área (ha)


% do sítio no % do concelho 3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-
concelho classificado Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix
e Populus alba
Lagoa 279 13 % 3% 3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
Monchique 58 3% 0,2 %
Agrostidion
Portimão 347 16 % 2%
Silves 1428 68 % 2% 4030 Charnecas secas europeias
6310 Montados de Quercus spp de folha perene
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
Mediterrânica 8310 Grutas não exploradas pelo turismo
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO 92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba
NACIONAL 92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea
e Securinegion tinctoriae)
Não se aplica
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(35)

Espécies da Fauna constantes do anexo B-II


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)

Código espécie Espécie Anexos Floresta 301,605 14,28


Zonas húmidas 513,302 24,31
1065 Euphydryas aurinia II Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 106,524 5,04
1128 Chondrostoma lusitanicum (2) II sem coberto vegetal)
Fonte – COS 90
1221 Mauremys leprosa II, IV
1355 Lutra lutra II, IV CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
1310 Miniopterus schreibersii II, IV Área do Sítio: 26 % Agrícola e 41 % Florestal;
1307 Myotis blythii II, IV
Uso agrícola – 554 SAU: ha:
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV
Uso Florestal – 865 ha:
1302 Rhinolophus mehelyi II, IV
% área
Tipo Composição
do Sítio
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Matos 27 %
Código espécie Espécie Anexos Espécies 13 % 7 % Pinheiro Manso;
6 % Eucalipto;

FAUNA Euphydryas aurinia Regime de Caça Especial 67 %


IV

Dinâmicas Territoriais: 98 % área do Sítio Rural Di-


Principais usos e ocupação do território nâmico
com respectivas percentagens

Percentagem Sistemas dominantes: Espaços florestais dominantes


Tipo de uso do solo Área (ha)
(%) com representação de matos. Espaço agrícola pouco ex-
pressivo onde predomina fruticultura de regadio, vinha,
Áreas agro/silvo/pastoris 76,345 3,62 hortícolas ao ar livre e arvenses de regadio.
Áreas agrícolas arvenses 146,842 6,95
Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 740,44 35,07 Áreas de Regadio: O Aproveitamento Hidroagrícola
de Silves, Lagoa e Portimão sobrepõe-se à área do Sítio
Matos e Pastagens naturais 226,545 10,73
apenas no bloco de Silves.

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 178 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 174 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 8,43 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 37,08 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 1,07 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 4,99 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 24,07 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 75,93 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,5 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 42,02 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 10,17 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA ORIENTAÇÕES DE GESTÃO

Dragagens; poluição difusa de origem agrícola; poluição As orientações de gestão do Sítio Arade /Odelouca
da água provocada por efluentes de suiniculturas, sobre- são especialmente dirigidas para a conservação das li-
tudo na ribeira de Odelouca; corte de vegetação ripícola; nhas de água e espécies que dependem do meio aquático.
actividades desportivas de motonáutica na zona estuarina Assim, afiguram-se como eixos de actuação prioritá-
do Arade; construção de barragens. rios a melhoria da qualidade da água, a manutenção da
4536-(36) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

morfologia do leito do rio e a preservação da vegetação – Condicionar construção de açudes em zonas sensíveis
ribeirinha.
3260; 3290; 92D0; Chondrostoma lusitanicum
Na área do Aproveitamento Hidroagrícola de Silves,
Lagoa e Portimão, para além das orientações de gestão – Condicionar construção de barragens em zonas sen-
identificadas, deverão ver-se cumpridas as exigências das síveis
boas práticas agrícolas em vigor.
Actualmente, torna-se ainda necessário controlar o 3260; 3280; 3290; 92D0; Chondrostoma lusitanicum
impacto turístico, ordenando as actividades em regimes
compatíveis com um modelo de desenvolvimento sus- – Melhorar transposição de barragens /açudes
tentável. Chondrostoma lusitanicum (colocação de passagens
adequadas para peixes)
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
AOS VALORES NATURAIS – Assegurar caudal ecológico
Orientações dirigidas para os ecossistemas ribeiri- 3260; Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra; Mau-
nhos remys leprosa
– Monitorizar, manter / melhorar qualidade da água
– Condicionar transvases
1110; 1130; 1140; 3150; 3260; 3280; 3290; 8310; 92D0;
Lutra lutra; Mauremys leprosa Chondrostoma lusitanicum
Chondrostoma lusitanicum (considerando como valores
de referência os limites previstos para as «águas de cipri- Agricultura e Pastorícia
nídeos», de acordo com o disposto no Dec.-Lei nº 236/98, – Condicionar a intensificação agrícola
de 1 de Agosto)
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis
hipposideros; Rhinolophus mehelyi (conservação das suas blythii; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
áreas de alimentação)
– Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
– Condicionar captação de água alternativas
3260 Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis
Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra; Mauremys blythii; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
leprosa (nas zonas mais sensíveis e durante os meses de
menor pluviosidade. Dar particular atenção aos pegos, – Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
tomando medidas para a sua permanência) alternativas em áreas contíguas ao habitat
3150; 3260; 3280; 3290; Chondrostoma lusitanicum;
– Condicionar drenagem Lutra lutra; Mauremys leprosa
3260
Mauremys leprosa (em zonas mais sensíveis) – Assegurar mosaico de habitats
Euphydryas aurinia (áreas mais abertas, de prados e
– Regular uso de açudes e charcas pastagens, alternadas com zonas não cortadas/abandonadas
Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos temporários recentemente)
do gado; evitar a mobilização dos charcos temporários Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus
localizados em terrenos agrícolas) hipposideros; Rhinolophus mehelyi (bosquetes, sebes e
matos, intercalados com zonas mais abertas de pastagens
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone e zonas agrícolas)
Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra; Mauremys – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
leprosa; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhino-
lophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi Euphydryas aurinia (em áreas mais abertas, com o ob-
jectivo de criar locais de refúgio e reprodução)
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li- Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus
nhas de água hipposideros; Rhinolophus mehelyi (em áreas mais abertas,
para aumentar a diversidade de presas e facilitar desloca-
3260; 3280; 3290; 92A0; 92D0; Chondrostoma lusita- ções na paisagem)
nicum; Lutra lutra; Mauremys leprosa Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
– Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos húmidas)
que revolvam o fundo
1110; 1130; 1140 – Adoptar práticas de pastoreio específicas

– Reduzir mortalidade acidental 6310


Euphydryas aurinia (baixo encabeçamento, preferen-
Lutra lutra (utilização de grelhas metálicas em artes de cialmente bovinos)
pesca, que impossibilitam o acesso da lontra ao interior Mauremys leprosa (salvaguadar do pastoreio os locais
do engenho) mais sensíveis)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(37)

– Manter práticas de pastoreio extensivo Chondrostoma lusitanicum (tomar medidas que impe-
çam a extracção de inertes nos locais de reprodução da
3280; 3290; 6310; Miniopterus schreibersi; Myotis
blythii; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi espécie, em qualquer época do ano. Nos restantes locais,
condicionar durante a Primavera)
– Salvaguardar de pastoreio Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex-
tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de
92DO reprodução)
Silvicultura – Tomar medidas que impeçam as deposições de dra-
– Adoptar práticas silvícolas específicas gados ou outros aterros

6310; 8220; 92A0 Chondrostoma lusitanicum (em áreas mais sensíveis)

– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc- – Ordenar acessibilidades


tones 1130; 92D0
Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis
blythii; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi – Ordenar actividades de recreio e lazer
(com um subcoberto diversificado) 1110; 1130; 1140
Mauremys leprosa (em áreas mais sensíveis, associadas
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo às zonas húmidas)
e arbustivo
Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis – Ordenar prática de desporto da natureza
blythii; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi 8310
Chondrostoma lusitanicum (desportos associados aos
– Promover áreas de matagal mediterrânico cursos de água)
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus
hipposideros; Rhinolophus mehelyi (espeleologia)
– Condicionar a florestação
– Regular o tráfego de embarcações e o estabelecimento
8220
de zonas de amarração
– Reduzir risco de incêndio 1110; 1130; 1140
Chondrostoma lusitanicum; Euphydryas aurinia; Lutra
lutra; Mauremys leprosa; Miniopterus schreibersi; Myotis – Condicionar a expansão de viveiros de bivalves
blythii; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi 1110; 1140
Construção e Infra-estruturas Orientações específicas
– Condicionar a construção de infra-estruturas – Recuperar zonas húmidas
1110; 1140; 4030; 8220 Mauremys leprosa
– Condicionar expansão urbano-turística – Estabelecer programa de repovoamento/reintrodução
1110; 1130; 1140; 4030; 8220; 8310; 92D0 1110; Chondrostoma lusitanicum
Lutra lutra; Mauremys leprosa (ordenar expansão ur-
bano-turística de forma a não afectar as áreas mais sen- – Impedir introdução de espécies não autóctones /con-
síveis) trolar existentes
– Reduzir mortalidade acidental 1130; 3150; 4030;
Chondrostoma lusitanicum; Euphydryas aurinia (im-
Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em plementar programas de controlo e erradicação de espécies
rodovias; implementar dispositivos dissuasores da passa-
vegetais exóticas invasoras das margens das linhas de água
gem e entrada da espécie nas pisciculturas)
e encostas adjacentes, promovendo a sua substituição por
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (evi-
tar o uso de vedações rematadas no topo com arame far- espécies autóctones)
pado) Mauremys leprosa (controlar introduções furtivas de
espécies animais potenciais competidoras)
Outros usos e Actividades
– Condicionar o acesso
– Manter/recuperar salinas
8310
1130 Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus
hipposideros; Rhinolophus mehelyi (quando se justifique,
– Regular dragagens e extracção de inertes
colocar vedações que evitem a entrada de visitantes mas
1110; 1130; 1140; 8220; 8310 permitam a passagem de morcegos. A entrada dos visitantes
4536-(38) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

é restringida apenas nas épocas do ano em que o abrigo CARACTERIZAÇÃO


se encontra ocupado)
Sítio localizado a algumas milhas a Noroeste do Cabo
Carvoeiro (Peniche), composto por um conjunto de ilhas
– Desobstruir a entrada de abrigos rochosas – Berlenga (granítica) e Farilhões (mistura de
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus gneiss e xistos metamórficos) – pontos mais elevados de
hipposideros; Rhinolophus mehelyi (grutas) uma antiga zona costeira, hoje submersa. É constituído
pelas ilhas rochosas e pela área marinha em seu redor.
– Impedir encerramento de grutas, minas e algares com As suas características únicas, nomeadamente a geogra-
dispositivos inadequados fia e o clima, conduziram à especiação de dois endemismos
florísticos (Armeria berlengensis e Herniaria berlengiana)
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Rhinolophus e à ocorrência de uma comunidade vegetal peculiar.
hipposideros; Rhinolophus mehelyi (como portas com- Merecem especial distinção os recifes (1170), de origem
pactas ou gradeamentos de malha apertadas) rochosa, bem como as grutas marinhas submersas ou semi-
submersas (8330), onde vivem comunidades bentónicas
– Efectuar gestão por fogo controlado vegetais e animais, e onde ocorrem comunidades não ben-
4030 (para bloqueio da progressão sucessional, com tónicas associadas em apreciável estado de conservação.
ciclos de recorrência que evitem a acumulação excessiva As falésias costeiras expostas aos fortes ventos marí-
de combustível) timos assumem particular importância, possibilitando a
existência de vegetação de fendas mais ou menos terrosas,
SÍTIO
própria de rochedos graníticos litorais (1230 – um habitat
que apenas se encontra em mais outro Sítio em Portugal
ARQUIPÉLAGO DA BERLENGA continental), bem como a existência de vegetação anual
primaveril (1310) de arribas graníticas nitrofilizadas em
CÓDIGO consequência da utilização e nidificação de avifauna e de
matos halonitrófilos (1430), compostos por caméfitos e
PTCON0006 nanofanerófitos frequentemente suculentos.
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
do Decreto-Lei n.º 49/2005
Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28
de Agosto 1170 Recifes

ÁREA 1230 Falésias com vegetação das costas atlânticas e bálticas


1310 Vegetação pioneira de Salicornia e outras espécies anuais
96 ha das zonas lodosas e arenosas
1420 Matos halófilos mediterrânicos e termoatlânticos (Sarco-
CÓDIGOS NUT
cornetea fruticosi)
PT131 – Oeste – 100 % 1430 Matos halonitrófilos (Pegano-Salsoletea)
8330 Grutas marinhas submersas ou semi-submersas
Concelhos envolvidos
A negrito: habitats prioritários
% do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
classificado concelho
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Peniche – – –
Código espécie Espécie Anexos
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA

Mediterrânica 1645 Armeria berlengensis II, IV


1449 Herniaria berlengiana II, IV
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Reserva Natural das Berlengas (100 %) Diploma de
classificação: Decreto-Lei n.º 264/81 de 3 de Setembro; Di- Código espécie Espécie Anexos
ploma de reclassificação: Decreto Regulamentar n.º 30/98
de 23 de Dezembro, alterado pelo Decreto Regulamentar
FLORA Narcissus bulbocodium V
n.º 32/99, de 20 de Dezembro
Scrophularia sublyrata V
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
NACIONAL FACTORES DE AMEAÇA

Reserva Biogenética (Conselho da Europa): Berlenga Presença de espécies da flora infestante, como o chorão
(100 %) (Carpobrotus edulis); sobre-população de algumas espé-
Zona de Protecção Especial das Ilhas Berlengas (100 %) cies animais, nomeadamente a gaivota-de-patas-amarelas
Diploma de classificação: Decreto-Lei n.º 384B/99 de 23 (Larus cachinnans) e o coelho-bravo (Oryctolagus cuni-
de Setembro culus); pressão turística (actividades sazonais de recreio
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(39)

e lazer, efluentes domésticos intensos durante a época – Ordenar actividades de recreio e lazer
balnear); lixeiras domésticas; lixeiras nas imediações (que,
juntamente com aterros sanitários e sobretudo os portos de 1170 (pesca e actividades subaquáticas)
pesca presentes ao longo da costa Oeste, funcionam como
alimentadores das gaivotas); pesca ilegal, nomeadamente – Ordenar prática de desporto da natureza
de arrasto. 8330
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO SÍTIO
As orientações de gestão do Sítio têm como objectivo ARRÁBIDA/ESPICHEL
garantir a conservação da flora e vegetação endémica,
essencialmente através de medidas que visam proteger CÓDIGO
este habitats da degradação causada pelo pisoteio, pela
invasão de espécies exóticas e pelo excesso populacional PTCON0010
de gaivotas. Neste âmbito, importa também determinar a
capacidade de carga de visitantes. DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
Pela sua importância e fragilidade, a preservação das grutas
marinhas e dos recifes é outro objectivo fundamental, a atingir Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28
sobretudo através do impedimento da destruição directa e do de Agosto
controlo da poluição.
ÁREA
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
20 663 ha (área terrestre = 15 131 ha + área mari-
AOS VALORES NATURAIS
nha = 5 532 ha)
– Monitorizar, manter / melhorar qualidade da água
CÓDIGOS NUT
1170; 1310; 1420
PT133 – Península de Setúbal – 71 %
– Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas Área marinha (não coberta por regiões NUT) – 29 %
associados
Armeria berlengensis; Herniaria berlengiana Concelhos envolvidos

– Impedir introdução de espécies não autóctones /con- Concelho Área (ha)


% do concelho
classificado
% do sítio no
concelho
trolar existentes
Armeria berlengensis; Herniaria berlengiana (pros- Palmela 1655 4% 8%
seguir a erradicação de Carpobrotus edulis através de Sesimbra 6772 35 % 33 %
Setúbal 6704 30 % 32 %
arranque e transporte para fora do arquipélago; controlar
a expansão de Mesembryanthemum crystallinum)
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
– Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe-
Mediterrânica
tição inter-específica
Armeria berlengensis (prosseguir o controlo da popula- RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
ção de gaivota-de-patas-amarelas Larus cachinnans) NACIONAL

– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a Parque Natural da Arrábida (52 % terrestre e 27 % mari-
limpeza de taludes nho). Diploma de criação: Decreto-Lei nº 622/76, de 28 de
Julho. Diploma de reclassificação: Decreto Regulamentar
Herniaria berlengiana (assegurar que a limpeza de n.º 23/98 de 14 de Outubro. Diplomas de alteração de
trilhos é efectuada de forma selectiva) limites: Decreto Regulamentar n.º11/03 de 8 de Maio/
– Ordenar acessibilidades RCM n.º141/2005 de 23 de Agosto
Monumento Natural Jazida de Icnofósseis dos Lagostei-
1230; 1310; 1420; 1430; Armeria berlengensis; Her- ros (0,02 %) Diploma de classificação: Decreto n.º 20/97
niaria berlengiana (manter a circulação pedonal dentro de 7 de Maio
dos trilhos definidos) Monumento Natural Pedra da Mua (0,03 %) Diploma
de classificação: Decreto n.º 20/97 de 7 de Maio
– Condicionar o acesso Sítio Classificado Gruta do Zambujal (0,07 %) Diploma
8330 (condicionar acesso a grutas) de classificação: Decreto-Lei n.º 140/79 de 21 de Maio

– Regular o tráfego de embarcações e o estabelecimento RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
de zonas de amarração NACIONAL
1170; 8330 Reserva Biogenética (Conselho da Europa): Serra da
Arrábida (52,6 %)
– Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos Zona de Protecção Especial Cabo Espichel (16 %) Di-
que revolvam o fundo ploma de classificação: Decreto-lei n.º 384B/99 de 23 de
1170; 1310; 1420 Setembro
4536-(40) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

CARACTERIZAÇÃO arriba. Sublinhe-se a existência de grutas total ou parcial-


mente submersas (8330).
O Sítio Arrábida/Espichel é de uma extraordinária
A orientação a Sul deste litoral, sendo única na costa
qualidade e diversidade do ponto de vista paisagístico e
ocidental portuguesa, oferece uma protecção eficaz aos
ecológico, assumindo grande importância em termos de
ventos dominantes do quadrante Norte e à ondulação, o que
conservação. É marcado pela cadeia da Arrábida, sujeita
promove a reprodução, o desenvolvimento e a presença de
ao clima mediterrânico, mas sob forte atlanticidade, dada
um muito elevado número de espécies marinhas, muitas
a proximidade ao Oceano, qual se encontra orientada no
delas raras em Portugal, caso dos bancos de areia perma-
sentido Nordeste/Sudoeste, atingindo os 500 m, e acompa-
nente submersos com pradarias de Zostera marina (1110),
nha o rebordo costeiro meridional da península de Setúbal.
habitat que todavia, devido à acção humana, se encontra
Exibe majestosas arribas e falésias onde se podem obser-
em acelerada regressão e muito perto da extinção.
var comunidades de plumbagináceas endémicas (1240)
ou, sobre calcários, zimbrais-carrascais dominados por Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
Juniperus turbinata subsp. turbinata (5210). do Decreto-Lei n.º 49/2005
Assume uma merecida relevância a vegetação de ca-
rácter reliquial, em bom estado de conservação, onde se 1110 Bancos de areia permanentemente cobertos por água do
incluem formações vegetais com elementos macaronésicos, mar pouco profunda
de que são um magnífico exemplo os matos dominados 1140 Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa
por Euphorbia pedroi (5320), no único local de ocorrência
1170 Recifes
em Portugal continental.
É uma área de elevadíssima importância para inúmeras 1210 Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela
comunidades e espécies calcícolas, bastas vezes distri- maré
buindo-se por afloramentos rochosos ou «terra rossa», 1240 Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Li-
sendo de referir as lajes calcárias dispostas em plataformas monium spp. endémicas
percorridas por fendas (8240*), os afloramentos coloniza- 1410 Prados salgados mediterrânicos (Juncetalia maritimi)
dos por comunidades casmofíticas (8210) e as cascalheiras 1420 Matos halófilos mediterrânicos e termoatlânticos (Sarco-
calcárias (8130). cornetea fruticosi)
Boa cobertura é também assegurada pelos matos bai-
1430 Matos halonitrófilos (Pegano-Salsoletea)
xos de urzes e/ou tojos (4030) e pelos matagais densos
dominados por carrasco (Quercus coccifera subsp. cocci- 2110 Dunas móveis embrionárias
fera) em cujas clareiras podem aparecer tojais e tomilhais 2120 Dunas móveis do cordão litoral com Ammophila arenaria
(5330). Muito interessantes são os singulares bosques de («dunas brancas»)
zambujeiro (Olea europaea var. sylvestris) e alfarrobeira 2130* Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzen-
(Ceratonia siliqua) (9320). tas»)
Realce para os prados rupícolas com plantas suculentas 2150* Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulice-
(6110*), os arrelvados vivazes frequentemente ricos em tea)
orquídeas (6210) e para existência pontual de juncais de
2250* Dunas litorais com Juniperus spp.
Juncus valvatus, em solos encharcados derivados de cal-
cários dolomíticos (6410). 2260 Dunas com vegetação esclerófila da Cisto-Lavenduletalia
Sobre areias dunares podem ainda encontrar-se comu- 2270* Dunas com florestas de Pinus pinea e ou Pinus pinaster
nidades arbustivas de Juniperus spp. (2250*) e dunas com
3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-
pinhal-bravo (Pinus pinaster subsp. atlantica), com sob- Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix
coberto não perturbado recentemente (2270*). e Populus alba
Em relação à flora, para além do notável endemismo ar- Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
3290
rabidense Convolvulus fernandesii, os elementos calcícolas Agrostidion
são como expectável os mais importantes, destacando-se, 4030 Charnecas secas europeias
entre outras espécies, os endemismos lusitanos Euphorbia 5210 Matagais arborescentes de Juniperus spp.
transtagana, Iberis procumbens subsp. microcarpa, Arabis 5230* Matagais arborescentes de Laurus nobilis
sadina e Pseudarrhenatherum pallens. 5320 Formações baixas de euforbiáceas junto a falésias
Este Sítio inclui abrigos importantes para várias espécies 5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
de quirópteros, sendo alguns particularmente relevantes Prados rupícolas calcários ou basófilos da Alysso-Sedion
como locais de criação e hibernação para o morcego-de- 6110*
albi
peluche (Miniopterus schreibersii). É um dos poucos Sítios Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em substrato
para onde está dado o lepidóptero Callimorpha quadri- 6210 calcário (Festuco-Brometalia) (* importantes habitats
punctaria, espécie prioritária, sendo ainda de referir a de orquídeas)
ocorrência dos cetáceos bôto (Phocoena phocoena) e roaz Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
6220*
(tursiops truncatus), espécies que ocorrem neste Sítio com dietea
relativa frequência. 6310 Montados de Quercus spp. de folha perene
A costa da Arrábida/Espichel apresenta, em geral, fundos Pradarias com Molinia em solos calcários, turfosos e argilo-
6410
limososo (Molinion caeruleae)
de baixa profundidade e que se encontram bem limitados
Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-
pela linha de costa escarpada e pelas grandes profundidades 6420
Holoschoenion
dos canhões de Setúbal e Lisboa. 8130 Depósitos mediterrânicos ocidentais e termófilos
Localizada num vasto sector da costa portuguesa onde
8210 Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica
os fundos arenosos dominam, os fundos rochosos (1170)
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
da costa da Arrábida constituem uma particular excepção,
8240* Lajes calcárias
já que resultam essencialmente da fragmentação da própria
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(41)

8310 Grutas não exploradas pelo turismo Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
8330 Grutas marinhas submersas ou semi-submersas do Dec. Lei n.º 49/2005 de 24/02
91B0 Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia
Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
91E0* Espécie Anexos
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
Carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus cana-
9240
riensis FLORA Anthyllis lusitanica V
Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea Arnica montana V
92D0
e Securinegion tinctoriae)
9320 Florestas de Olea e Ceratonia Narcissus bulbocodium V
9330 Florestas de Quercus suber Ruscus aculeatus V
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia
Scrophularia sublyrata V
A negrito: habitats prioritários Thymus capitellatus IV
Thymus villosus ssp. villosus IV
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Ulex densus V
FAUNA Alytes obstetricans IV
Código espécie Espécie Anexos Discoglossus galganoi IV
Bufo calamita IV
1507 Arabis sadina II, IV
Rana iberica IV
1644 Armeria rouyana II, IV
Rana perezi V
1664 Convolvulus fernandesii II, IV
Triturus marmoratus IV
1573 Euphorbia transtagana II, IV
Chalcides bedriagai IV
1462 Herniaria maritima II, IV
Coluber hippocrepis IV
1503 Iberis procumbens ssp. microcarpa II, IV
Coronella austriaca IV
1487 Jonopsidium acaule II, IV
Caretta caretta IV
1877 Juncus valvatus II, IV
Dermochelys coriacea IV
1639 Limonium lanceolatum II, IV
Felis silvestris IV
1863 Narcissus calcicola II, IV
Genetta genetta V
1878 Pseudarrhenatherum pallens II, IV
Mustela putorius V
1457 Silene longicilia II, IV
Eptesicus serotinus IV
1695 Thymus camphoratus II, IV
Myotis daubentonii IV
1681 Thymus carnosus II, IV
Myotis mystacinus IV
A negrito: habitats prioritários
Myotis nattereri IV
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Dec. Lei Pipistrellus pipistrellus IV
n.º 49/2005 de 24/02 Tadarida teniotis IV

Código espécie Espécie Anexos


Principais usos e ocupação do território
com respectivas percentagens
1078 Callimorpha quadripunctaria II
1065 Euphydryas aurinia II Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)
1221 Mauremys leprosa II, IV
1355 Lutra lutra II, IV Áreas agro/silvo/pastoris 1158,277 5,61
1308 Barbastella barbastellus II, IV Áreas agrícolas arvenses 2335,834 11,31
1310 Miniopterus schreibersii II, IV Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 2903,279 14,05
1324 Myotis myotis II, IV Matos e Pastagens naturais 3816,702 18,47
1305 Rhinolophus euryale II, IV Floresta 3662,467 17,73
1304 Rhinolophus ferrumequinum II, IV Zonas húmidas 17,892 0,09
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 1265,355 6,12
1302 Rhinolophus mehelyi II, IV sem coberto vegetal)
1351 Phocoena phocoena II, IV Não classificado 3643,669 17,64
1349 Tursiops truncatus II, IV Sem cartografia 266,743 1,29

A negrito: espécies prioritárias Fonte – COS 90


4536-(42) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL 1. Dinâmicas Socio-económicas


Área do Sítio: 16 % Agrícola e 46 % Florestal; • Dinâmicas Territoriais: 100 % da área do sitio Rural
Dinâmico
Uso Agrícola – SAU: 3 283 ha:
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 14 %
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
– com elevado risco de abandono após desligamento
Forragens/Prados tempor.: 19 %. OTE pecuárias: 49 %
total das ajudas – 14 %
Past.Permanentes: 41 %;
– Herbívoros não espec.: 41 %
– Espec. Ovinos/Caprinos: 7 % 2. Sistemas dominantes:
Vinha: 17 %; OTE Culturas Permanentes: 26 % A área florestal dominante essencialmente constituída
Olival: 2 %
– Espec. Outros Vinhos: 13 %; por matos e folhosa diversa, sobretudo na zona rochosa da
Espec Vinhos Qualid: 4 %;
– Cult. Permanentes Comb Dom: Serra da Arrábida, com algum montado de sobro e pinhal
6 %; na meia encosta e sopé da mesma.
– Espec. Frutos Frescos: 4 %; Os sistemas culturais predominantes são os arbó-
Hort Int Flor: 4 % Espec Hort Int: 8 % (Área) e 19 % (MB) reo-arbustivos onde a cultura da vinha tem grande im-
Cereais: 3 %; Pousio: 9 %; Arvenses Policultura: 13 % portância, nomeadamente nos concelhos de Palmela e
Setúbal, e os que assentam numa horticultura intensiva
– N.º explorações agrícolas: 394; ao ar livre. Na pecuária assiste-se maioritariamente á
– SAU por exploração: 8 ha exploração mista de bovinos e ovinos, salientando-se
– SAU irrigável: 22 %; no entanto a produção de pequenos ruminantes, nome-
Uso Florestal – 42 041 ha: adamente ovelhas leiteiras, para a produção de «Queijo
de Azeitão».
% área
Tipo Composição
do Sítio
3. Produtos de Qualidade
Matos 26 % Este Sítio abrange as áreas geográficas da «Carne Mer-
Espécies 20 % 8 % Folhosas Diversas; 5 % Pi- tolenga» – DOP, «Carnalentejana» -DOP, «Queijo de Azei-
nheiro Bravo; tão» – DOP. No que respeita aos vinhos abrange a área
4 % Pinheiro Manso; 3 % So- geográfica dos «DOC Setúbal»; «DOC Palmela» e Vinho
breiro;
Regional «Terras do Sado».
Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 7559 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 7169 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 36,58 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 45,96 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 2,28 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 5,65 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 28,66 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 71,34 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,24 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 25,36 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 18,34 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA portivas motorizadas e actividades desordenadas de


desporto de natureza, circulação de viaturas no litoral);
Poluição das linhas de água por efluentes urbanos, incêndios florestais; pressão da pesca comercial e lúdica;
industriais e em resultado da descarga de efluentes pro- colheita de espécies de plantas com valor comercial;
venientes de instalações pecuárias e fossas; explora- caça não ordenada ou em zonas sensíveis; erosão provo-
ção de recursos geológicos (pedreiras); laboração da cada pela prática de actividades humanas desadequadas
cimenteira; pressão urbanística; perturbação humana (construção, silvicultura, agricultura, etc) em zonas
(associada ao recreio e lazer incluindo actividades des- declivosas.
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(43)

ORIENTAÇÕES DE GESTÃO Armeria rouyana (condicionar alteração de uso do solo


As orientações de gestão para este Sítio são dirigidas funda-
para usos agrícolas, nomeadamente intensivos)
mentalmente para a manutenção da elevada diversidade e das Juncus valvatus (restringir drenagem do habitat da es-
características naturais que o tornam singular e que permitem pécie para uso agrícola)
albergar os valores aqui existentes. Neste contexto impõem-se
como fundamentais as orientações de gestão que visam: – Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
alternativas
– Um correcto ordenamento e gestão florestal, tendo em
conta nomeadamente a manutenção dos núcleos existentes Barbastella barbastellus; Callimorpha quadripuncta-
de coberto vegetal natural e semi-natural e a substituição ria; Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis
progressiva dos povoamentos florestais envelhecidos, myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus ferrumequi-
constituídos por espécies exóticas, por plantações com num; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
espécies autóctones;
– O ordenamento das práticas de pastoreio por forma a – Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
garantir a conservação dos valores naturais em presença; alternativas em áreas contíguas ao habitat
– Um correcto ordenamento dos usos urbano e turísticos, 1410; 3280; 3290; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Pho-
acautelando a proliferação de edificação dispersa nas áreas caena phocaena; Tursiops truncatus
rurais ou naturais bem como de infra-estruturas;
– O ordenamento das actividades e práticas de recreio – Condicionar queimadas
e de desporto da natureza por forma a salvaguardar os
valores naturais mais vulneráveis aos impactes destas ac- Euphydryas aurinia (particularmente nas fases de ovo
tividades; e crisálida)
– Um correcto ordenamento das actividades de extrac-
ção de inertes e a minimização dos seus principais impactes – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
sobre os valores naturais; Euphydryas aurinia (em áreas mais abertas, com o ob-
– A protecção das linhas de água e das formações ripí- jectivo de criar locais de refúgio e reprodução)
colas associadas; Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
– Controlar as espécies infestantes, como o chorão (Car- Myotis myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus ferru-
pobrotus sp.), Ailanthus sp., Oxalis sp.; mequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehe-
– A fiscalização da colheita de espécies vegetais ame- lyi (em áreas mais abertas, para aumentar a diversidade de
açadas.
presas e facilitar deslocações na paisagem)
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes e bor-
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
daduras de vegetação natural na periferia das zonas húmidas)
AOS VALORES NATURAIS

Agricultura e Pastorícia – Assegurar mosaico de habitats


– Adoptar práticas de pastoreio específicas Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
Myotis myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus fer-
5210; 5330; 6110*; 6210; 6310; 6410; 91B0; 9240 rumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus
Arabis sadina; Euphorbia transtagana; Iberis procum- mehelyi (bosquetes, sebes e matos, intercalados com zonas
bens ssp microcarpa; Jonopsidium acaule (pastoreio de
mais abertas de pastagens e zonas agrícolas)
percurso)
Euphydryas aurinia (áreas mais abertas, de prados e
Euphydryas aurinia (baixo encabeçamento, preferen-
pastagens, alternadas com zonas não cortadas/abandonadas
cialmente bovinos)
recentemente)
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais
mais sensíveis)
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
colas (retardar a ceifa em campos agrícolas)
– Manter práticas de pastoreio extensivo
Euphydryas aurinia
3280; 3290; 4030; 6210; 6220*; 6310; 6410; 6420;
8240; Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
Myotis myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus ferrume- Silvicultura
quinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi – Condicionar a florestação

– Salvaguardar de pastoreio 2250*; 5330; 8220; 9330; 9340; Iberis procumbens ssp
microcarpa; Thymus camphorathus
2130*; 2260; 92D0; 9330; 9340 Arabis sadina (sujeitar a parecer os planos de flores-
tação)
– Condicionar a intensificação agrícola Armeria rouyana (conter e reconverter o eucaliptal)
Euphorbia transtagana (tomar medidas que impeçam a
Barbastella barbastellus; Callimorpha quadripuncta-
ria; Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis florestação com eucaliptos em compassos apertados)
myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus ferrumequi- Herniaria maritima (nas zonas dunares)
num; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi Jonopsidium acaule (tomar medidas que impeçam as
florestação com eucalipto)
Thymus carnosus (não adensar pinhais ou outros po-
– Condicionar expansão do uso agrícola
voamentos florestais na faixa de 100m atrás das dunas
5330; 5410; 6420; 9330; 9340 primárias)
4536-(44) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– Tomar medidas que impeçam a florestação – Promover a recuperação dos zimbrais


91B0; Iberis procumbens subsp. microcarpa; Pseudar- 2250*; 5210
rhenatherum pallens
– Promover a regeneração natural
– Adoptar práticas silvícolas específicas
6310; 91B0; 91E0*; 9240; 9320; 9330; 9340
2150*; 2250*; 2270*; 6310; 91B0; 91E0*; 9240; 9330;
9340 – Promover áreas de matagal mediterrânico
5330 (condicionar operações de desmatação) 9330; 9340; Rhinolophus euryale; Rhinolophus fer-
Armeria rouyana (práticas silvícolas sustentáveis: ciclos rumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus
de limpeza florestal de 3 a 5 anos, permanência de aceiros mehelyi
e clareiras, desmatações selectivas e mobilizações superfi-
ciais, evitando intervenções entre Novembro e Julho) – Reduzir risco de incêndio
Euphorbia transtagana (desmatações efectuadas de
forma selectiva) 2150*; 2260; 2270*; 5210; 5230*; 5330; 91E0*; 9240;
Iberis procumbens ssp microcarpa (desmatações se- 9330; 9340; Barbastella barbastellus; Callimorpha qua-
lectivas) dripunctaria; Euphydryas aurinia; Lutra lutra; Mauremys
Juncus valvatus (aumento do período entre desmatações, leprosa; Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolo-
que deverá superar os 3 anos, com recurso a gradagens) phus euryale; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus
Pseudarrhenatherum pallens (optar por desmatações hipposideros; Rhinolophus mehelyi
selectivas na limpeza de povoamentos florestais)
Thymus camphoratus (desmatação selectiva, preser- Construção e Infra-estruturas
vando as leguminosas, ericáceas e folhosas em detrimento – Condicionar a construção de infra-estruturas
das cistáceas arbustivas)
1240; 1410; 1420; 1430; 2150*; 2260; 4030; 5230*;
– Condicionar mobilização do solo 5330; 6110*; 6220*; 8130; 8210; 8220; 9320; 9330; 9340;
Limonium lanceolatum; Narcissus calcicola; Miniopterus
2270*; 5330; 6220* schreibersii; Myotis blythii; Myotis myotis
Armeria rouyana (limpezas florestais devem preferen- 1110; 1140; 1170; 1210; 2110; 2120; 2130* (obras cos-
cialmente efectuadas com corta-matos ou eventualmente teiras)
gradagens superficiais) Arabis sadina (definir áreas de exclusão à instalação de
2150*; Juncus valvatus (recorrer a mobilizações su- antenas e equipamentos correlacionados; definir medidas
perficiais do solo, ex. gradagem, nas actividades agro- de minimização nos trabalhos de manutenção de antenas)
silvícolas) Barbastella barbastellus; Rhinolophus euryale; Rhino-
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc- lophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhi-
tones nolophus mehelyi (localização dos nós das auto-estradas
em relação ao abrigos de importância nacional)
Silene longicilia (recuperar os carvalhais de carvalho-
português (Quercus faginea) através do adensamento das – Condicionar expansão urbano-turística
formações com as quercíneas autóctones apropriadas a 1110; 1140; 1240; 1410; 1430; 2150*; 2250*; 2260;
cada caso) 4030; 5210; 5230*; 5320; 5330; 6110*; 8130; 8220; 8310;
Barbastella barbastellus; Euphydryas aurinia; Miniop- 92D0; 9320; 9330; 9340; Armeria rouyana; Euphorbia
terus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolophus euryale; transtagana; Herniaria maritima; Juncus valvatus; Thy-
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; mus camphoratus; Thymus carnosus
Rhinolophus mehelyi (com um subcoberto diversificado) Convolvulus fernandesii (tomar medidas que impeçam
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo a construção na área de ocupação da espécie e locais con-
e arbustivo finantes, sobretudo no planalto situado a norte das arribas
costeiras)
2270*; Barbastella barbastellus; Euphorbia transta- Lutra lutra; Mauremys leprosa (ordenar expansão ur-
gana; Euphydryas aurinia; Iberis procumbens ssp micro- bano-turística de forma a não afectar as áreas mais sensíveis)
carpa; Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolo-
phus euryale; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus – Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
hipposideros; Rhinolophus mehelyi; Thymus camphoratus limpeza de taludes
Silene longicilia (nos pontos onde a espécie ocorre,
6410 (condicionar impermeabilização de caminhos
conservar o subcoberto dos carvalhais de Carvalho-portu-
rurais)
guês sem desmoitas; nas formações de carrascal nenhum
Euphydryas aurinia (em área mais sensíveis, efectuar
tipo de maneio)
estes trabalhos em função do ciclo de vida da espécie)
– Manter árvores mortas ou árvores velhas com cavi- Pseudarrhenatherum pallens (condicionar o alarga-
dades mento e a limpeza das bermas da estrada para as antenas
na Serra da Arrábida)
2270*; Barbastella barbastellus
– Reduzir mortalidade acidental
– Manter/melhorar ou promover manchas de montado
aberto Phocoena phocoena
Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolophus Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros rodovias)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(45)

Barbastella barbastellus; Rhinolophus euryale; Rhino- Lutra lutra; Mauremys leprosa; Phocaena phocaena;
lophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhi- Tursiops truncatus (considerando como valores de re-
nolophus mehelyi (evitar o uso de vedações rematadas no ferência os limites previstos nas «Normas de qualidade
topo com arame farpado) aplicáveis às águas piscícolas», de acordo com o disposto
no Decreto-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
Outros usos e Actividades
– Ordenar acessibilidades
– Condicionar captação de água
1210; 1240; 1410; 1430; 2110; 2120; 2130*; 2250*;
Lutra lutra; Mauremys leprosa (nas zonas mais sensí- 2260; 5210; 5230*; 9240; 92D0; 9320; 9330; 9340; Ara-
veis e durante os meses de menor pluviosidade) bis sadina; Convolvulus fernandesii; Euphorbia trans-
tagana; Iberis procumbens subsp. microcarpa; Jonopsi-
– Condicionar a expansão de viveiros de bivalves dium acaule; Juncus valvatus; Limonium lanceolatum;
1110; 1140 Narcissus calcicola; Pseudarrhenatherum pallens; Silene
longicilia; Thymus camphorathus
– Condicionar drenagem Herniaria maritima; Thymus carnosus (no acesso a
praias, de modo a proteger o cordão dunar do pisoteio)
5410; 6410; 6420
Juncus valvatus (manter zonas de escorrência (valas) e – Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas
de acumulação de água; condicionar a impermeabilização fora dos caminhos estabelecidos
de caminhos rurais e das suas bermas, mantendo as valetas
dos eixos viários secundários em terra, em vez de calhas 1240; 2250*; 2260; 5210; 5230*; Jonopsidium acaule;
metálicas, lajes de cimento ou outros de materiais artificiais) Santolina impressa; Thymus camphoratus; Thymus carnosus
Mauremys leprosa (em zonas mais sensíveis)
– Regular o tráfego de embarcações e o estabelecimento
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li- de zonas de amarração
nhas de água 1110; 1140; 1170; 8330
3280; 3290; 5230*; 91E0*; 92D0; Callimorpha qua-
dripunctaria; Lutra lutra; Mauremys leprosa – Ordenar actividades de recreio e lazer
1110; 1140; 1170; 2110; 2120; 2130*; 2250*; 2260;
– Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte Thymus carnosus
e a colheita de espécies Mauremys leprosa (em áreas mais sensíveis, associadas
5210; 5230 às zonas húmidas)

– Condicionar pesca – Ordenar prática de desporto da natureza


Phocaena phocaena (das suas presas) 6110; 8210; 8310; 8330
Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolophus
– Incrementar sustentabilidade económica de activida- euryale; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hip-
des com interesse para a conservação posideros; Rhinolophus mehelyi (espeleologia)
6220*; 6310; 9240; 9330; 9340 – Ordenar/Regulamentar a actividade de observação de
espécies da fauna
– Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos
que revolvam o fundo Tursiops truncatus
1110; 1140; 1170; 1420 Orientações específicas
– Regular uso de açudes e charcas – Condicionar o acesso
Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos temporários 5320; 8310; 8330; 9320
do gado; evitar a mobilização dos charcos temporários Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolophus
localizados em terrenos agrícolas) euryale; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hi-
pposideros; Rhinolophus mehelyi (quando se justifique,
– Tomar medidas que impeçam as deposições de dra- colocar vedações que evitem a entrada de visitantes mas
gados ou outros aterros permitam a passagem de morcegos. A entrada dos visitantes
é restringida apenas nas épocas do ano em que o abrigo se
8130; Juncus valvatus encontra ocupado)

– Monitorizar, manter / melhorar qualidade da água – Conservar/recuperar cordão dunar


1110; 1140; 1170; 1410; 1420; 3280; 3290; 6410; 8310; 2110; 2120; 2130*; 2150*; 2250*; Herniaria maritima; Jo-
92D0 nopsidium acaule; Thymus camphorathus; Thymus carnosus
Barbastella barbastellus; Miniopterus schreibersi;
Myotis myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus fer- – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
rumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus Barbastella barbastellus; Callimorpha quadripuncta-
mehelyi (conservação das suas áreas de alimentação) ria; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Miniopterus schrei-
4536-(46) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

bersi; Myotis myotis; Rhinolophus euryale; Rhinolophus phoratus; Thymus carnosus; Iberis procumbens ssp mi-
ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus crocarpa
mehelyi Callimorpha quadripunctaria; Euphydryas aurinia (im-
plementar programas de controlo e erradicação de espécies
– Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe- vegetais exóticas invasoras das margens das linhas de água
tição inter-específica (competição inter-específica) e encostas adjacentes, promovendo a sua substituição por
espécies autóctones)
91B0 Mauremys leprosa (controlar introduções furtivas de
espécies animais potenciais competidoras)
– Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo
o seu cultivo – Manter/recuperar habitats contíguos
5230 6410; 91E0*; 9240
Limonium lanceolatum; Narcissus calcicola; Thymus Armeria rouyana (quando possa servir para aumentar a
carnosus (se se verificar procura comercial da espécie, conectividade entre os centros de abundância)
incentivar a passagem a cultivo, estabelecendo um selo de Euphydryas aurinia (assegurar corredores ecológicos)
certificação; envolver as populações locais e promover a
divulgação e sensibilização para a problemática da colheita – Manter as edificações que possam albergar colónias
ilegal das populações selvagens) /populações
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros
– Criar caixas de abrigo
Barbastella barbastellus – Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas
associados
– Definir zonas de protecção para a espécie/habitat Convolvulus fernandesii; Narcissus calcicola
5210 – Promover a manutenção de prados húmidos
Euphorbia transtagana (definir microreservas)
Microtus cabrerae (identificar e preservar os locais onde Euphydryas aurinia
ocorrem colónias)
– Recuperar zonas húmidas
– Desobstruir a entrada de abrigos Juncus valvatus; Mauremys leprosa
Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolophus SÍTIO
euryale; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hippo-
sideros; Rhinolophus mehelyi (grutas, minas ou algares) AZABUXO – LEIRIA
CÓDIGO
– Efectuar desmatações selectivas
5330; 6220*; 6410; 6420 PTCON0046
Pseudarrhenatherum pallens (abrir clareiras para redu- DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
ção da concorrência de outras espécies)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de
– Efectuar gestão por fogo controlado Julho
4030; 5330; 6110; 6210; 6220*; 6420; Iberis procum- ÁREA
bens subsp. microcarpa; Narcissus calcicola
Arabis sadina (é admissível o recurso a queima em 136 ha
pequenas manchas para condicionar a evolução dos car- CÓDIGOS NUT
rascais)
PT123 – Pinhal Litoral – 100 %
– Estabelecer programa de repovoamento / reintrodução Concelhos envolvidos
1110; Convolvulus fernandesii; Juncus valvatus; Pseu-
darrhenatherum pallens Concelho Área (ha)
% do concelho
classificado
% do sítio no
concelho

– Impedir encerramento de grutas, minas e algares com Leiria 136 0,2 % 100 %
dispositivos inadequados
Miniopterus schreibersi; Myotis myotis; Rhinolophus REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
euryale; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hip- Mediterrânica
posideros; Rhinolophus mehelyi (como portas compactas
ou gradeamentos de malha apertadas) RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con-
trolar existentes Não se aplica
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
1410; 2120; 2130*; 2150*; 2270*; 4030; 5230*; 5330;
NACIONAL
6220*; 8220; 9240; 9330; 9340; Armeria rouyana; Jo-
nopsidium acaule; Limonium lanceolatum; Thymus cam- Não se aplica
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(47)

CARACTERIZAÇÃO Espécies da Fauna constantes do anexo B-II


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
O Sítio é delimitado por linhas de água com galerias em
bom estado de conservação, com amieiro (Alnus glutinosa), Código espécie Espécie Anexos
salgueiros (Salix spp.) e amieiro-negro (Frangula alnus)
(91E0*), que bordejam campos agrícolas maioritariamente 1116 Chondrostoma polylepis II
abandonados.
O local encontra-se predominantemente ocupado por 1135 Rutilus macrolepidotus II
pinhal e eucaliptal, em solos quase turfosos sobre materiais 1259 Lacerta schreiberi II, IV
arenosos, onde se desenvolvem urzais-tojais (4020*) de
Erica ciliaris, com Ulex minor, Doronicum plantagineum, 1355 Lutra lutra II, IV
Scorzonera humilis e Euphorbia uliginosa.
Nas partes inferiores e nas depressões, estes urzais con- Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
tactam com prados de herbáceas vivazes (Molinio-Arrhena-
theretea) (6420), juncais ricos em espécies florísticas pouco
Espécie Anexos
comuns, que são percorridos por escorrências onde domi-
nam Hypericum helodes, Scirpus fluitans e Juncus bulbosus,
formando uma comunidade vegetal muito rara em Portugal. FLORA Thymus villosus ssp. villosus IV
Nas áreas menos húmidas desenvolve-se um mato rico
em carvalhiça (Quercus lusitanica) e Ulex jussiaei (5330), Principais usos e ocupação do território
em cujas clareiras ocorre o endemismo lusitano Leuzea com respectivas percentagens
longifolia, constituindo-se o Sítio como um dos dois onde Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
está assinalada esta espécie em vias de extinção. (%)

Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I Áreas agro/silvo/pastoris 0 0


do Decreto-Lei n.º 49/2005 Áreas agrícolas arvenses 37,029 27,13
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo- Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 27,965 20,49
Agrostidion
Matos e Pastagens naturais 1,147 0,84
4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ci-
liaris e Erica tetralix Floresta 64,182 47,02
Zonas húmidas 0 0
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 6,173 4,52
6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Mo- sem coberto vegetal)
linio-Holoschoenion
Fonte – COS 90
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae).
CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
A negrito: habitats prioritários
Área do Sítio: 10 % Agrícola e 19 % Florestal;
Espécies da Flora constantes do anexo B-II Uso Agrícola – SAU: 14 ha:
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Uso Florestal – 26 ha: constituído na sua totalidade por
pinheiro bravo
Código espécie Espécie Anexos Dinâmicas Socio-económicas: 100 % da área do sitio
Rural Dinâmico
1788 Leuzea longifolia II, IV
Sistemas dominantes: Sem expressão agro-florestal
Áreas de Regadio: Abrange o regadio do SIROL
Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 339 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 317 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 249,26 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 47,49 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 1,10 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 8,53 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 23,05 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 76,95 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,04 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 47,61 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 45,53 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP
4536-(48) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

FACTORES DE AMEAÇA – Promover a regeneração natural


A pequena dimensão do Sítio e a sua proximidade a 91E0*
um grande núcleo populacional (Leiria) tornam-no espe-
cialmente vulnerável à expansão urbana e à perturbação – Condicionar a florestação
humana. São também relevantes a florestação com euca-
liptos e as desmatações não selectivas. 4020*; 5330
Leuzea longifolia (tomar medidas que impeçam as flo-
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO restação com eucaliptos; renaturalizar áreas com eucalipto)
Os esforços de conservação deverão ser direcciona- – Conservar vegetação dos estratos herbáceo e arbus-
dos prioritariamente para a área florestal (pinhal e área tivo
adjacente a Sudoeste), onde se concentra a ocorrência de
habitats e a maior riqueza florística. Neste sentido importa Leuzea longifolia (urzal higrófilo, como o habitat 4020*,
salvaguardar estas áreas de expansão urbana, florestações e mato de carvalhiça e tojo intercalado com clareiras)
e desmatações.
– Reduzir risco de incêndio
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
5330; 91E0*; Chondrostoma polylepis; Lacerta schrei-
AOS VALORES NATURAIS
beri; Lutra lutra; Rutilus macrolepidotus
Agricultura e Pastorícia
Construção e Infra-estruturas
– Condicionar mobilização do solo
– Condicionar a construção de infra-estruturas
5330
– Adoptar práticas de pastoreio específicas 5330
Lacerta schreiberi (na construção de novas estradas ou
5330 alargamento das existentes, evitar proximidade às linhas
Leuzea longifolia (pastoreio com suínos pode prejudicar de água)
a instalação e manutenção da espécie, devendo ser feito
por ovinos) – Condicionar expansão urbano-turística
– Manter práticas de pastoreio extensivo 5330; Leuzea longifolia
Lutra lutra (não afectar as áreas mais sensíveis)
3290; 6420
– Condicionar expansão do uso agrícola – Condicionar construção de açudes em zonas sensíveis
4020*; 5330; 6420 3290; 91E0*; Chondrostoma polylepis; Rutilus ma-
crolepidotus
– Condicionar uso de agro-químicos /adoptar técnicas
alternativas – Assegurar caudal ecológico
Lacerta schreiberi Chondrostoma polylepis; Lutra lutra; Rutilus macro-
lepidotus
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
colas Outros usos e Actividades
4020* – Monitorizar, manter / melhorar qualidade da água

– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas 3290; Lacerta schreiberi; Lutra lutra


alternativas em áreas contíguas ao habitat Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus (con-
siderando como valores de referência os limites previstos
Chondrostoma polylepis; Lacerta schreiberi; Lutra lu- para as «águas de ciprinídeos», de acordo com o disposto
tra; Rutilus macrolepidotus no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí- – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
colas em áreas contíguas ao habitat
Chondrostoma polylepis; Lacerta schreiberi; Lutra lu-
3290 tra; Rutilus macrolepidotus
– Condicionar queimadas – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
4020* nhas de água
3290; 91E0*; Chondrostoma polylepis; Lacerta schrei-
Silvicultura beri; Lutra lutra; Rutilus macrolepidotus
– Adoptar práticas silvícolas específicas
– Condicionar captação de água
91E0*
5330 (condicionar operações de desmatação) Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus; Lu-
Leuzea longifolia (período alargado entre desmoitas tra lutra (nas zonas mais sensíveis e durante os meses de
selectivas) menor pluviosidade)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(49)

– Condicionar drenagem RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-


NACIONAL
4020; 6420
Não se aplica
– Tomar medidas que impeçam as deposições de dra-
gados ou outros aterros CARACTERIZAÇÃO
Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus A importância da Barrinha de Esmoriz reside na pre-
– Ordenar prática de desporto da natureza sença da lagoa costeira de água salobra (1150*), um habitat
prioritário, originada pela deposição de areia junto à foz
Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus (des- de uma pequena linha de água, com a formação de um
portos associados a cursos de água) cordão dunar que é aberto sazonalmente para renovação
da água. A lagoa tem associada uma área de floresta sub-
Orientações específicas higrófila de árvores caducifólias (91F0), habitat que em
– Efectuar desmatações selectivas Portugal se distribui de forma pontual e maioritariamente
na Beira Litoral.
5330; 6420 Destaca-se ainda a presença da campanulácea Jasione
– Efectuar gestão por fogo controlado lusitanica, um endemismo ibérico dos areais do litoral
Noroeste, que devido à sua reduzida e fragmentada área de
5330; 6420 ocupação, se encontra significativamente ameaçada. Este
é um dos dois Sítios onde está representada.
– Manter/recuperar habitats contíguos
A Barrinha de Esmoriz é ainda um dos poucos locais de
91E0* ocorrência confirmada da lampreia-de-riacho (Lampetra
Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus (as- planeri).
segurar o continuum fluvial)
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
– Impedir introdução de espécies não autóctones /con- do Decreto-Lei n.º 49/2005
trolar existentes
1150* Lagunas costeiras
Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus
1210 Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela
Lacerta schreiberi (remover espécies vegetais exóticas pelo maré
menos numa faixa de 50 m para cada lado das linhas de água)
1320 Prados de Spartina (Spartinion maritimae)
SÍTIO 1330 Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia ma-
ritimae)
BARRINHA DE ESMORIZ
2110 Dunas móveis embrionárias
CÓDIGO
2120 Dunas móveis do cordão litoral com Ammophila arenaria
PTCON0018 («dunas brancas»)
2130* Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzen-
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO tas»)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de 6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Moli-
Julho nio-Holoschoenion
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
ÁREA (Alno-Padion, Alnion incanae,
Salicion albae)
396 ha 91F0 Florestas mistas de Quercus robur, Ulmus laevis, Ulmus
minor, Fraxinus excelsior ou Fraxinus angustifolia das
CÓDIGOS NUT margens de grandes rios (Ulmenion minoris)

PT114 – Grande Porto – 68 % 92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba


PT121 – Baixo Vouga – 31 % A negrito: habitats prioritários

Concelhos envolvidos Espécies da Flora constantes do anexo B-II


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
% do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
classificado concelho
Código espécie Espécie Anexos

Espinho 2108 13 % 68 %
Ovar 14899 1% 31 % 1753 Jasione lusitanica II, IV

REGIÃO BIOGEOGRÁFICA Espécies da Fauna constantes do anexo B-II


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Mediterrânica
Código espécie Espécie Anexos
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL
1096 Lampetra planeri II
Não se aplica
4536-(50) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)

Espécie Anexos
Sem cartografia 4,015 1,01
Fonte – COS 90
FLORA Spiranthes aestivalis V
FAUNA Discoglossus galganoi IV CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL

Área do Sítio: 1 % Agrícola e 26 % Florestal;


Principais usos e ocupação do território Uso agrícola – SAU: 5 ha:
com respectivas percentagens
– SAU irrigável: 93 %;
Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%) Uso Florestal – 102 ha

Áreas agro/silvo/pastoris 0 0 Tipo


% área
Composição
do Sítio
Áreas agrícolas arvenses 38,238 9,65
Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 0 0 Matos 19 %
Espécies 7% 7 % Eucalipto;
Matos e Pastagens naturais 75,29 19
Floresta 19,196 4,85 1. Dinâmicas Socio-económicas: 100 % da área do Sítio
Zonas húmidas 104,985 26,50 é Rural Dinâmico
2. Sistemas dominantes: Sem importância agro-flores-
Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 154,464 38,99
sem coberto vegetal)
tal. Área florestal dominada por matos e povoamentos de
eucaliptos. Área agrícola diminuta.

Indicadores sócio-económicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 3569 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 3412 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 78,37 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 37,35 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,43 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 15,21 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 33,78 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 66,22 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 1,62 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 32,63 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 25,20 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA ORIENTAÇÕES DE GESTÃO

Pressão turística (que acarreta um intenso pisoteio das As orientações de gestão para a conservação desta zona
dunas); pressão urbanística e infra-estruturação turística húmida costeira são prioritariamente dirigidas para a pre-
(campo de golfe); elevada poluição dos cursos de água servação da lagoa e dos ecossistemas dunares. Assim são
que desaguam na lagoa (nomeadamente a Ribeira de Rio pontos fundamentais:
Maior), devido a descarga de efluentes industriais e agrí-
colas não tratados; obras de protecção costeira; invasão – Melhorar a qualidade da água. A despoluição da bar-
por espécies exóticas nomeadamente acácia (Acacia spp.) rinha e das linhas de água que nela desaguam deve ser
e chorão (Carpobrotus sp.); extracção ilegal de areias; efectuada em concomitância com o necessário reforço do
trânsito de maquinaria pesada (exercícios militares). tratamento dos efluentes industriais a montante.
A frequente desobstrução do canal de ligação da lagoa – As intervenções associadas à manutenção da lagoa
ao mar, embora permita o escoamento de poluentes, pode (entre outras, as dragagens e a abertura da «barra») de-
pôr em causa a sua integridade, pelo tipo de intervenção verão ser previamente sujeitas a uma avaliação de im-
(processos mecânicos) e pelas variações bruscas do nível pacte ambiental, que permita planificar a futura gestão
da água e da salinidade. do Sítio.
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(51)

– Recuperar o sistema dunar, assegurando a sua preser- 1210; 2110; 2120; 2130* (precaver impactes de obras
vação através do ordenamento de acessos pedonais e da costeiras)
interdição do acesso a veículos.
– Recuperação da vegetação ripícola nas margens da – Condicionar expansão urbano-turística
lagoa e eliminação das espécies exóticas infestantes. 1150*; Jasione lusitanica
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
Orientações dirigidas para os ecossistemas ribeiri-
AOS VALORES NATURAIS
nhos
Assumem particular relevância neste Sítio as seguintes – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
orientações de gestão:
Lampetra planeri
– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
1150*; 1320; 1330 – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
Lampetra planeri (considerando como valores de refe- nhas de água
rência os limites previstos para as «águas de ciprinídeos», 91E0*; 91F0; 92A0; Lampetra planeri
de acordo com o disposto no Dec.-Lei n.º 236/98, de 1 de
Agosto) – Manter/recuperar habitats contíguos
– Regular dragagens e extracção de inertes 91E0*
Lampetra planeri (assegurar continuum fluvial)
1150*; 1210; 1320; 2110; 2120; 2130*
Lampetra planeri (tomar medidas que impeçam a ex- Outros usos e actividades
tracção de inertes nos locais de reprodução da espécie, em
qualquer época do ano. Nos restantes locais, condicionar – Tomar medidas que impeçam a pesca ou apanha por
durante a Primavera) artes ou métodos que revolvam o fundo
1150*; 1320; Lampetra planeri
– Tomar medidas que impeçam as deposições de dra-
gados ou outros aterros – Ordenar prática de desporto da natureza
1150; Jasione lusitanica Lampetra planeri (desportos associados aos cursos de
Lampetra planeri (em áreas mais sensíveis) água)

– Condicionar drenagem Agricultura e pastorícia


1150*; 6420; 91E0* – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
alternativas em áreas contíguas ao habitat
– Conservar/recuperar cordão dunar 1150*; Lampetra planeri
2110; 2120; 2130*; Jasione lusitanica
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
– Ordenar acessibilidades colas em áreas contíguas ao habitat
1150*; 1210 1150*
2110; 2120; 2130*; Jasione lusitanica (nas zonas bal-
neares, de modo a proteger o cordão dunar do pisoteio e Silvicultura
da circulação de veículos) – Adoptar práticas silvícolas específicas
– Ordenar actividades de recreio e lazer 91E0*; 92A0
2110; 2120; 2130* – Promover a regeneração natural
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- 91E0*
trolar existentes
– Reduzir risco de incêndio
1330; 2120; 2130*; 91F0
Lampetra planeri (implementar programas de controlo 91E0*; Lampetra planeri
e erradicação de espécies vegetais exóticas invasoras das
SÍTIO
margens das linhas de água, promovendo a sua substituição
por espécies autóctones) BARROCAL
Neste Sítio são ainda importantes as seguintes orien-
tações de gestão: CÓDIGO

Construção e infra-estruturas PTCON0049

– Condicionar a construção de infra-estruturas DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO

2120; 2130*; Jasione lusitanica (salvaguardando o sis- Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de
tema dunar) Julho
4536-(52) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

ÁREA da palmeira-anã (Chamaerops humilis); e matagais densos,


geralmente dominados por carrasco (Quercus coccifera
20 864 ha
subsp. coccifera) em cujas clareiras surgem amiúde tojais
CÓDIGOS NUT
e tomilhais (5330).
Deve ser também referida a presença de águas doces
PT15 – Algarve – 100 % com comunidades de Chara (3140), de charcos temporários
mediterrâneos (3170*), de arrelvados vivazes neutroba-
Concelhos envolvidos sófilos de gramíneas altas (6220*) e de bosques baixos
de loendro (Nerium oleander) e tamargueira (tamarix
% do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
classificado concelho spp.), associados ao leito de estiagem de cursos de água
(92D0).
Albufeira 1754 12 % 8% No que concerne à importância florística, é de salientar
Loulé 17767 23 % 85 % a existência dos únicos locais confirmados do briófito
São Brás de Alportel 550 4% 3% Petalophyllum ralfsii e do endemismo lusitano Plantago
Silves 793 1% 4%
algarbiensis, bem como a elevada representatividade do
efectivo populacional de Narcissus calcicola e de Thymus
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA lotocephalus, um endemismo do sotavento algarvio.
Mediterrânica Relativamente à fauna, este Sítio inclui um complexo de
quatro grutas que abrigam a quase totalidade da população
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO de morcegos do Algarve, sendo de salientar as colónias
NACIONAL de hibernação e criação de cerca de metade da população
portuguesa de morcego-rato-pequeno (Myotis blythii).
Sítio Classificado da Rocha da Pena (3 %) Decreto-Lei Albergam ainda a maior parte dos efectivos da população
n.º 392/91 de 10 de Outubro algarvia de morcego-de-peluche (Miniopterus schreiber-
sii) e de morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
mehelyi) nas épocas de hibernação e criação.
NACIONAL
É ainda um Sítio importante para a lontra (Lutra lutra)
Não se aplica e para a boga-de-boca-arqueada (Rutilus lemmingii).

CARACTERIZAÇÃO Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I


do Decreto-Lei n.º 49/2005
O Sítio engloba o que se pode designar genericamente
por Barrocal ocidental, uma faixa compreendida entre o 3140 Águas oligomesotróficas calcárias com vegetação bêntica
litoral e a serra do Caldeirão, que lhe confere protecção de Chara spp.
aos ventos do quadrante Norte, intensificando as carac- 3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion
terísticas mediterrânicas do território. É a segunda maior ou da Hydrocharition
área cársica do país. 3170* Charcos temporários mediterrânicos
Caracteriza-se igualmente pela existência de alguma 3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
ocupação agrícola, nomeadamente de pomares de sequeiro Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
(figueira, amendoeira, alfarrobeira e oliveira), que ocupam
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
a área de distribuição natural de azinheira, alternando com Agrostidion
matos e matagais mediterrânicos num mosaico caracte-
rístico. 4030 Charnecas secas europeias
A diversidade biológica é elevada, estando presentes 5210 Matagais arborescentes de Juniperus sp.
numerosos tipos de habitat importantes, de uma forma 5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
geral em bom estado de conservação, como os que ocor-
rem nas superfícies calcárias de relevo ondulado, de que 6110* Prados rupícolas calcários ou basófilos da Alysso-Sedion
albi
são exemplos os afloramentos rochosos com vegetação
casmofítica calcícola (8210), os prados rupícolas com 6210 Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em substrato
calcário (Festuco-Brometalia) (* importantes habitats
plantas suculentas (6110*), as cascalheiras calcárias (8130) de orquídeas)
ou os arrelvados vivazes xerófilos, frequentemente ricos
em orquídeas (6210). Os habitats calcícolas atingem por 6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
dietea
vezes uma expressão significativa, de que é exemplo a
Rocha da Pena. 6310 Montados de Quercus spp. de folha perene
Dada a sua singularidade, estado de conservação e di- 6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-
versidade, merecem um destaque particular os matos e Holoschoenion
matagais. Aqui se incluem: bosques mistos de azinheiras 6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos
(Quercus rotundifolia) e zimbros (Juniperus turbinata pisos montano a alpino
subsp. turbinata) (9560*), em excelente estado de conser- 8130 Depósitos mediterrânicos ocidentais e termófilos
vação; carvalhais de carvalho-cerquinho (Quercus faginea
subsp. broteroi) (9240), ocasionalmente com Quercus ca- 8210 Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica
nariensis; bosques dominados por alfarrobeiras (Ceratonia 8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
siliqua) ou mais raramente co-dominados por zambujeiros 8310 Grutas não exploradas pelo turismo
(Olea europaea var. sylvestris) (9320); matagais de zimbro
91B0 Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia
e azinheira ou zambujeiro (5210), por vezes com a presença
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(53)

Principais usos e ocupação do território


9240 Carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus cana- com respectivas percentagens
riensis
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba. Tipo de uso do solo Área (ha)
Percentagem
(%)
92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea
e Securinegion tinctoriae) Áreas agro/silvo/pastoris 359,494 1,72
9320 Florestas de Olea e Ceratonia Áreas agrícolas arvenses 236,669 1,13
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 18853,664 90,36
9560 Florestas endémicas de Juniperus spp. Matos e Pastagens naturais 349,146 1,67

A negrito: habitats prioritários Floresta 762,316 3,65


Zonas húmidas 139,671 0,67
Espécies da Flora constantes do anexo B-II Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 163,923 0,79
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 sem coberto vegetal)
Fonte – COS 90

Código espécie Espécie Anexos


CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL

1863 Narcissus calcicola II, IV Área do Sítio: 45 % Agrícola e 26 % Florestal;


1395 Petalophyllum ralfsii II Uso agrícola – 9 395 SAU: ha:
1742 Plantago algarbiensis II, IV
Salix salvifolia ssp. australis Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
1434 II, IV
1682 Thymus lotocephalus II, IV Frutos secos: 44 % OTE Culturas Permanentes: 91 %
1595 Tuberaria major II, IV Olival: 18 %
– Cult.Perm.Dom: 46 %
Frutos Frescos: 13 %
– Espec-Frutos Frescos: 37 %
A negrito: espécies prioritárias – Espec Frutos Secos: 17 %

Espécies da Fauna constantes do anexo B-II – N.º explorações agrícolas: 1 620;


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 – SAU por exploração: 6 ha
Uso Florestal– 5 355 ha:
Código espécie Espécie Anexos
% área
Tipo Composição
do Sítio
1065 Euphydryas aurinia II
1125 Rutilus lemmingii II Matos 3%
1221 Mauremys leprosa II, IV Espécies 23 % 21 % Outras Folhosa; 2 % So-
breiro; 1 % Azinheira;
1355 Lutra lutra II, IV
Regime de Caça Especial 62 %
1310 Miniopterus schreibersi II, IV
1307 Myotis blythii II, IV 1. Dinâmicas Socio-económicas
1324 Myotis myotis II, IV • Dinâmicas Territoriais: 97 % área do Sítio Rural Di-
1304 Rhinolophus ferrumequinum II, IV nâmico
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV • Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
1302 Rhinolophus mehelyi II, IV – com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 34 %
– com elevado risco de abandono após desligamento
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
total das ajudas – 34 %
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 2. Sistemas dominantes:
O uso agrícola corresponde às actividades com aptidão
Espécie Anexos da zona do Barrocal Algarvio o qual se estende numa
faixa de Barlavento a Sotavento, numa área aproximada
FLORA Bellevalia hackelli V de 80 000 ha, na zona in termédia entre o Litoral e a Serra.
Narcissus bulbocodium V
Trata-se de uma zona de terras onduladas do Jurássico e
Cretácico, constituída por solos calcários, tradicionalmente
Ruscus aculeatus V zona de excelência do Pomar Tradicional de Sequeiro (al-
Scilla odorata V farrobeira, amendoeira e figueira), onde outras culturas tais
como fruteiras de regadio (pomoideas, prunoideas, citrinos,
FAUNA Discoglossus galganoi IV
etc) hortícolas de ar livre, vinha e olival encontram perfeita
Eptesicus serotinus IV aptidão. O Sítio do Barrocal representa 20 864 ha ou seja
Myotis daubentonii IV aproximadamente ¼ da área total da zona biofísica vulgar-
mente conhecida por Barrocal. Nesta zona, desde os anos 80
Myotis nattereri IV
que os citrinos se vêm expandindo com algum intensidade.
4536-(54) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 6357 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 6202 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 30,47 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 39,26 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 1,40 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 22,60 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 21,06 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 78,94 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 1,61 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 91,53 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 1,79 31,27 36,91 % 1990

Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA – Salvaguardar de pastoreio


Intensificação agrícola (utilização de agroquímicos, la- 9340; 92D0; 9560*
vouras profundas); expansão de pomares de citrinos (prin-
cipalmente os cultivos intensivos de grande dimensão e – Assegurar mosaico de habitats
muitas vezes localizados em áreas declivosas e pedregosas);
extracção de inertes; pressão urbano-turística (construção Euphydryas aurinia (áreas mais abertas, de prados e
dispersa e empreendimentos turísticos) e infra-estruturação pastagens, alternadas com zonas não cortadas/abandonadas
associada; visitação de grutas; sobrepastoreio. recentemente)
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myo-
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO tis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposi-
As orientações de gestão para este Sítio são dirigidas deros; Rhinolophus mehelyi (bosquetes, sebes e matos,
prioritariamente para a conservação dos afloramentos ro- intercalados com zonas mais abertas de pastagens e zonas
chosos, das grutas e algares, dos matagais altos e matos agrícolas)
baixos e prados calcícolas, assim como para a flora rupícola
e ainda para várias espécies de morcegos que ocorrem – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
nesta paisagem cársica.
Para o efeito, é necessário acautelar os impactes de alte- Euphydryas aurinia (em áreas mais abertas, com o ob-
rações de uso do território. Importa assegurar o mosaico de jectivo de criar locais de refúgio e reprodução)
habitats e manter a ocupação agro-silvo-pastoril extensiva, Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
tendo presente a preservação dos afloramentos rochosos e Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
ecossistemas rupícolas. Rhinolophus mehelyi (em áreas mais abertas, para au-
Tendo em conta as ameaças detectadas, verifica-se a neces- mentar a diversidade de presas e facilitar deslocações na
sidade de ordenar a expansão urbano-turística e a extracção paisagem)
de inertes.
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
AOS VALORES NATURAIS
húmidas)
Agricultura e Pastorícia – Condicionar a intensificação agrícola
– Adoptar práticas de pastoreio específicas Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis
3170*; 5210; 5330; 6110*; 6210; 6310; 6430; 91B0; blythii; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhi-
9240 nolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
Euphydryas aurinia (baixo encabeçamento, preferen-
cialmente bovinos) – Condicionar expansão do uso agrícola
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais
mais sensíveis) 5210; 5330; 6420; 9320; 9340; 9560*

– Manter práticas de pastoreio extensivo – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas


alternativas
3290; 4030; 6220*; 6310; 6420; Miniopterus schrei-
bersi; Myotis blythii; Myotis myotis; Rhinolophus fer- Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis
rumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus blythii; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhi-
mehelyi nolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(55)

– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas – Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo


alternativas em áreas contíguas ao habitat e arbustivo
3150; 3170*; 3260; 3290; Lutra lutra; Mauremys le- 5210; Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi;
prosa; Rutilus lemmingii Myotis blythii; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequi-
num; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
– Condicionar mobilização do solo Salix salvifolia ssp australis (adensamento dos povoa-
3170*; 5330; 6220* mentos e manutenção de elevados níveis de naturalidade
sem intervenção no subcoberto)
– Condicionar o cultivo de lenhosas (designadamente
no que se refere ao cultivo de pomares de citrinos) – Promover a recuperação dos zimbrais
Thymus lotocephalus 5210; 9560*
– Condicionar queimadas – Promover áreas de matagal mediterrânico
Euphydryas aurinia (particularmente nas fases de ovo 9340; 9560*; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus
e crisálida) hipposideros; Rhinolophus mehelyi
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
colas – Promover a regeneração natural
Euphydryas aurinia (determinar períodos de corte com- 5210; 6310; 91B0; 9240; 9340; 9560*
patíveis com a manutenção das populações, o que implica
geralmente retardar o corte da vegetação, de forma a não – Condicionar queimadas
coincidir com os períodos larvar-crisálida) Euphydryas aurinia (particularmente nas fases de ovo
e crisálida)
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
Salix salvifolia ssp. australis – Reduzir risco de incêndio
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Miniopterus schrei-
bersi; Myotis blythii; Myotis myotis; Rhinolophus ferrume- 5210; 5330; 9240; 9320; 9340; 9560*; Euphydryas
quinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi; aurinia; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Miniopterus
Rutilus lemmingii schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis; Rhinolophus
ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus
– Incrementar sustentabilidade económica de activida- mehelyi; Rutilus lemmingii
des com interesse para a conservação
Construção e Infra-estruturas
6220*; 6310; 9240; 9340; 9560*
Narcissus calcicola (vide Criar alternativas à colheita – Condicionar a construção de infra-estruturas
de espécies, promovendo o seu cultivo)
4030; 5330; 6110*; 6220*; 8130; 8210; 8220; 9320;
Silvicultura 9340; Narcissus calcicola; Tuberaria major

– Adoptar práticas silvícolas específicas – Condicionar expansão urbano-turística


6310; 91B0; 9240; 92A0; 9340; 9560* 4030; 5210; 5330; 6110*; 8130; 8220; 8310; 92D0;
5330 (condicionar operações de desmatação) 9320; 9340; 9560*; Plantago algarbiensis; Thymus loto-
9320 (condicionar o corte de vegetação na área ocupada cephalus; Tuberaria major
pelo habitat) Lutra lutra; Mauremys leprosa (ordenar expansão ur-
bano-turística de forma a não afectar as áreas mais sen-
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
tones síveis)

Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis – Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a


blythii; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhi- limpeza de taludes
nolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (com um
subcoberto diversificado) Euphydryas aurinia (em área mais sensíveis, efectuar
estes trabalhos em função do ciclo de vida da espécie)
– Manter/melhorar ou promover manchas de montado
aberto – Assegurar caudal ecológico
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus lemmingii
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros
– Reduzir mortalidade acidental
– Condicionar a florestação
Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
5330; 8220; 9340 rodovias)
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposi-
– Tomar medidas que impeçam a florestação deros; Rhinolophus mehelyi (evitar o uso de vedações
5210; 91B0; 9560* rematadas no topo com arame farpado)
4536-(56) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– Condicionar construção de açudes em zonas sensí- – Ordenar prática de desporto da natureza


veis
6110; 8210; 8310
3260; 3290; 92D0; Rutilus lemmingii Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
Outros usos e Actividades Rhinolophus mehelyi (espeleologia)
– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água – Deposições de dragados ou outros aterros
3140; 3150; 3170*; 3260; 3290; 8310; 92D0; Lutra 8130; Tuberaria major
lutra; Mauremys leprosa Rutilus lemmingii (em áreas mais sensíveis)
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; – Regular dragagens e extracção de inertes
Rhinolophus mehelyi (conservação das suas áreas de ali-
mentação) 3170*; 6110*; 8130; 8210; 8220; 8310
Rutilus lemmingii (considerando como valores de refe- Plantago algarbiensis (analisar os impactes das activi-
rência os limites previstos para as «águas de ciprinídeos», dades extractivas, no sentido de esclarecer a relação entre
de acordo com o disposto no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de a espécie e esta actividade e, eventualmente, desclassificar
Agosto) a área de ocorrência da espécie como «Zonas de Extracção
Mineral» no Regulamento do PROT-Alg)
– Condicionar captação de água Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex-
tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de
3170*; 3260 reprodução)
Lutra lutra; Mauremys leprosa (nas zonas mais sensí- Rutilus lemmingii (tomar medidas que impeçam a ex-
veis e durante os meses de menor pluviosidade) tracção de inertes nos locais de reprodução da espécie, em
Rutilus lemmingii (nas zonas mais sensíveis e durante os qualquer época do ano. Nos restantes locais, condicionar
meses de menor pluviosidade. Dar particular atenção aos durante a Primavera)
pegos, não permitindo a sua eliminação ou alteração)
Orientações específicas
– Regular uso de açudes e charcas
– Condicionar o acesso
3170*; Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos
temporários do gado; evitar a mobilização dos charcos 8310; 9560*
temporários localizados em terrenos agrícolas) Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
– Condicionar drenagem Rhinolophus mehelyi (quando se justifique, colocar ve-
dações que evitem a entrada de visitantes mas permitam
3170*; 3260; 6420 a passagem de morcegos. A entrada dos visitantes é res-
Mauremys leprosa (em zonas mais sensíveis) tringida apenas nas épocas do ano em que o abrigo se
encontra ocupado)
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
nhas de água – Consolidar galerias de minas importantes
3170*; 3260; 3290; 92A0; 92D0; Lutra lutra; Mauremys Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
leprosa; Rutilus lemmingii Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
Salix salvifolia ssp. australis (a selecção da maquinaria Rhinolophus mehelyi
e estratégias para as limpezas de linhas de água deverá
garantir a continuidade e a complexidade dos povoamen- – Desobstruir a entrada de abrigos
tos, evitando a redução a um simples remate arbóreo das
margens ribeirinhas. Não imobilizar os taludes de margem Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
através de enrocamentos ou betonização) Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
Rhinolophus mehelyi (grutas, minas ou algares)
– Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte
e a colheita de espécies – Impedir encerramento de grutas, minas e algares com
dispositivos inadequados
5210; 9560*
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
– Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
fora dos caminhos estabelecidos Rhinolophus mehelyi (como portas compactas ou gradea-
mentos de malha apertadas)
5210
– Manter as edificações que possam albergar colónias/
– Ordenar acessibilidades populações
5210; 9240; 9340 Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros

– Ordenar actividades de recreio e lazer – Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe-
tição inter-específica
Mauremys leprosa (em áreas mais sensíveis, associadas
às zonas húmidas) 91B0
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(57)

– Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo SÍTIO


o seu cultivo CABEÇÃO
Narcissus calcicola (se se verificar procura comercial
CÓDIGO
da espécie, incentivar a passagem a cultivo, estabele-
cendo um selo de certificação; envolver as populações PTCON0029
locais)
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO

– Efectuar desmatações selectivas Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28


5330; 6220*; 6420 de Agosto
Thymus lotocephalus; Tuberaria major (para controlo ÁREA
da sucessão ecológica)
48 607 ha
– Efectuar gestão por fogo controlado CÓDIGOS NUT
5330; 6110; 6210; 6220*; 6420 PT134 – Médio Tejo – 45 %
4030 (para bloqueio da progressão sucessional, com PT142 – Alto Alentejo – 45 %
ciclos de recorrência que evitem a acumulação excessiva PT143 – Alentejo Central – 10 %
de combustível)
Concelhos envolvidos
Tuberaria major (controle da sucessão ecológica através
do controle de matos recorrendo, se necessário, a fogo % do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
controlado) classificado concelho

– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- Alter do Chão 1172 3% 2%


Avis 23630 39 % 49 %
trolar existentes Mora 5016 11 % 10 %
Ponte de Sôr 18789 22 % 39 %
3140; 3150; 4030; 6220*; 9240; 9340; Mauremys le-
prosa
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
Euphydryas aurinia; Rutilus lemmingii (implementar
programas de controlo e erradicação de espécies vege- Mediterrânica
tais exóticas invasoras das margens das linhas de água e
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
encostas adjacentes, promovendo a sua substituição por
NACIONAL
espécies autóctones)
Não se aplica
– Manter/recuperar habitats contíguos
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
6430; 9240 NACIONAL
Plantago algarbiensis (recuperar a qualidade do habitat
Não se aplica
em torno dos núcleos populacionais alargando a área dos
nichos de regeneração; favorecer a coalescência de locais CARACTERIZAÇÃO
com habitat favorável)
O Sítio Cabeção é caracterizado por uma planície le-
– Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas vemente ondulada sobre solos arenosos, onde o coberto
vegetal é essencialmente constituído por montados de
associados sobro (6310) bem conservados, aos quais está associada
Narcissus calcicola uma utilização pecuária extensiva. Ocorrem também al-
guns montados de azinho.
– Promover a manutenção de prados húmidos A área de montado assume um papel relevante para a con-
servação de Halimium verticillatum (este Sítio alberga mais
Euphydryas aurinia de 60 % do total comunitário da espécie), favorecendo igual-
mente a presença do rato de Cabrera (Microtus cabrerae).
– Recuperar zonas húmidas Saliente-se também a presença de charcos temporários
mediterrânicos (3170*) e de urzais-tojais higrófilos e ter-
Mauremys leprosa mófilos de Erica ciliaris (4020*), neste caso com a presença
adicional de Erica erigena.
– Definir zonas de protecção para a espécie Esta paisagem é cortada por alguns vales aplanados, onde se
podem observar bosques ripícolas, sobretudo salgueirais (92A0).
Plantago algarbiensis (microreservas)
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
do Decreto-Lei n.º 49/2005
– Estabelecer programa de repovoamento/reintrodu-
ção 2260 Dunas com vegetação esclerófila da Cisto-Lavenduletalia.
Plantago algarbiensis (fundar novos núcleos populacio- 2330 Dunas interiores com prados abertos de Corynephorus e
Agrostis
nais para o desagravamento do estado de elevada precarie-
dade da espécie, após avaliação dos cenários possíveis) 3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion
ou da Hydrocharition.
Tuberaria major
4536-(58) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V


3170* Charcos temporários mediterrânicos
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
Espécie Anexos
3270 Cursos de água de margens vasosas com vegetação da Che-
nopodion rubri p.p. e da Bidention p.p.
FLORA Narcissus bulbocodium V
3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-
Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix FAUNA Alytes obstetricans IV
e Populus alba Discoglossus galganoi IV
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo- Myotis nattereri IV
Agrostidion
Nyctalus leisleri IV
4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ci-
liaris e Erica tetralix Pipistrellus kuhlii IV

4030 Charnecas secas europeias


Principais usos e ocupação do território
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos com respectivas percentagens
6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
dietea Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)
6310 Montados de Quercus spp. de folha perene
Áreas agro/silvo/pastoris 29914,143 61,54
6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-
Holoschoenion Áreas agrícolas arvenses 7705,131 15,85
6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 2245,761 4,62
pisos montano a alpino
Matos e Pastagens naturais 458,093 0,94
91B0 Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia
Floresta 6365,945 13,10
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae). Zonas húmidas 472,639 0,97

9240 Carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus cana- Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 174,013 0,36
riensis sem coberto vegetal)

92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba Sem cartografia 1271,216 2,62

92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea Fonte – COS 90


e Securinegion tinctoriae)
CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
9330 Florestas de Quercus suber
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia Área do Sítio: 56 % Agrícola e 85 % Florestal;
A negrito: habitats prioritários
Uso Agrícola – SAU: 27 041 ha:
Espécies da Flora constantes do anexo B-II Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Past.Permanentes: 56 %; Pecuárias: 70 %
Código espécie Espécie Anexos Forragens/Prados temp.: 10 %.
– Espec. Bovinos Carne: 15 %;
– Espec. Ovinos/Caprinos: 12 %;
– Herbív. Polipecuária: 16 %;
1573 Euphorbia transtagana II, IV
– Herbív. + Culturas Permanentes:
1593 Halimium verticillatum II, IV 12 %;
– Herbív. + Arvenses: 16 %
1788 Leuzea longifolia II, IV
Cereais: 8 %; Pousio: 21 %; Arvenses: 18 %

Espécies da Fauna constantes do anexo B-II


– Nº explorações agrícolas: 478;
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 – SAU por exploração: 57 ha
– SAU menos produtiva: 68 %;
Código espécie Espécie Anexos
Uso Florestal – 41 095 ha:
1116 Chondrostoma polylepis II
% área
Tipo Composição
Lampetra sp. (3) II do Sítio

1123 Rutilus alburnoides II


Matos 10 %
1221 Mauremys leprosa II, IV
Espécies 75 % 60 % Sobreiro; 6 % Azinheira; 6 %
1355 Lutra lutra II, IV Eucalipto; 1 % Pinheiro Bravo;
1 % Pinheiro Manso; 1 % Ou-
1338 Microtus cabrerae II, IV tras Folhosas
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV Regime de Caça Especial 72 %
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(59)

1. Dinâmicas Socio-económicas nuos e extensivos com longos pousios e predomínio dos


cereais mais rústicos. Ainda nestas formações tem grande
• Dinâmicas Territoriais: 100 % da área do Sítio Rural
importância o sistema florestal com base no pinheiro.
Frágil
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
3. Programas/Projectos Específicos
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 4 %
3.1. Áreas de regadio
– com elevado risco de abandono após desligamento
total das ajudas – 21 % O Aproveitamento Hidroagrícola do Vale do Sorraia so-
brepõe-se a Este, a uma pequena área do Sítio do Cabeção.
2. Sistemas Dominantes
3.2. Produtos de qualidade
Os espaços florestais têm uma expressão muito im-
portante com especial relevância dos povoamentos de O Sítio está inserido na área geográfica de produção,
sobreiro. Com efeito, é a zona ecológica do montado de abate, desmancha e acondicionamento de: «Carne de
sobro, praticamente em sistemas estremes de elevada den- Bovino Mertolenga»(DOP), «Alentejana»(DOP) e da
sidade com o aproveitamento do sob-coberto pratense por «Charneca»(DO). Área geográfica de produção de: «Porco
pecuária extensiva. Alentejano»(DO), «Borrego do Nordeste Alentejano»(IG),
Os sistemas de culturas arvenses, em terra campa ou no «Azeite do Norte Alentejo»(DOP), «Queijo de Nisa»(DOP)
sob-coberto do montado de azinho, são sempre descontí- e de «Tolosa»(IGP).

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 3667 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 3489 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 7,54 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 33,82 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,09 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 22,94 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 27,46 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 72,54 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,82 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 20,77 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 73,33 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA ORIENTAÇÕES DE GESTÃO

Degradação dos montados, por gestão inadequada: re- No Sítio Cabeção, as orientações de gestão devem ser
curso a maquinaria pesada com a consequente compactação prioritariamente dirigidas para a conservação de habitats de
do solo; lavouras muito intensas que favorecem a erosão montado, de zonas de matos prioritárias (urzais higrófilos)
e lavouras muito próximo do tronco das árvores que são e de ecossistemas ripícolas:
prejudiciais ao sobreiro e azinheira; cultura cerealífera
intensiva no subcoberto e as lavouras muito frequentes que – Estabelecer práticas agrícolas, silvícolas e pecuárias
impedem o aparecimento do habitat 6220 e constrangem adequadas, conciliando a manutenção da produção sube-
a capacidade de regeneração natural; podas excessivas e rícola com a conservação de habitats e espécies (desig-
descortiçamentos exagerados; sobrepastoreio, sobretudo nadamente de Halimium verticillatum). Assim, o ordena-
por gado bovino (que leva a degradação do subcoberto). mento e gestão florestal, deverá ter em conta: definição e
Substituição dos montados por plantações de eucalipto implementação de modelos de uso múltiplo do montado,
ou por pequenos regadios. baseado em sistemas extensivos; a promoção da regenera-
No meio aquático, alguns dos factores que mais in- ção natural; gestão de matos compatível com conservação
fluenciam o aumento da poluição estão relacionados com de espécies (desmatações selectivas e com periodicidades
utilização intensiva de adubos e pesticidas, explorações adequadas); podas conscenciosas; conservação das man-
pecuárias com deficiente tratamento de efluentes. Altera- chas florestais naturais mais desenvolvidas – azinhais e
ção do leito de linhas de água e mobilização de linhas de sobreirais (impedir cortes e evitar sobrepastoreio); controlo
escorrência. Corte de salgueirais e freixiais. da instalação de novos povoamentos florestais, nomeada-
Pressão turística, nomeadamente expansão urbana e mente condicionando arborizações com eucalipto; e o es-
infra-estruturação associada, resultante das condições tabelecimento de sistemas de prevenção contra incêndios.
proporcionadas pelas barragens de Montargil e Mara- – Conservar e recuperar as linhas de água e a vegetação ri-
nhão. beirinha associada, bem como as linhas de drenagem natural.
4536-(60) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Na área do Aproveitamento Hidroagrícola do Vale do – Condicionar mobilização do solo


Sorraia, para além das orientações de gestão identificadas,
2330; 3170*; 5330; 6220*
deverão ver-se cumpridas as exigências das boas práticas
agrícolas em vigor.
Importa ainda garantir a compatibilização das activida- – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
des turísticas e recreativas com a conservação dos habitats alternativas
e espécies existentes. Rhinolophus hipposideros

DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
AOS VALORES NATURAIS alternativas em áreas contíguas ao habitat
Agricultura e Pastorícia 3150; 3170*; 3260; 3270; 3280; 3290; Chondrostoma
polylepis; Lampetra sp.; Lutra lutra; Mauremys leprosa;
– Adoptar práticas de pastoreio específicas Rutilus alburnoides
3170*; 3270; 5330; 6310; 6430; 91B0; 9240; Microtus
cabrerae – Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
Euphorbia transtagana; Halimium verticillatum (pas- colas
toreio de percurso) 4020*
Leuzea longifolia (o pastoreio com suínos pode pre-
judicar a instalação e manutenção desta espécie, sendo Silvicultura
desejável optar por ovinos);
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais – Adoptar práticas silvícolas específicas
mais sensíveis) 6310; 91B0; 91E0*; 9240; 92A0; 9330; 9340
5330 (condicionar operações de desmatação)
– Manter práticas de pastoreio extensivo Euphorbia transtagana; Leuzea longifolia (desmatações
3280; 3290; 4030; 6220*; 6310; 6420; Rhinolophus selectivas; adequação do intervalo de tempo entre desmata-
hipposideros ções que permita a instalação e permanência destas espécies)
Halimium verticillatum (desmatações selectivas com re-
– Salvaguardar de pastoreio curso a corta-matos preferencialmente na época de frutifi-
cação; adequação do intervalo de tempo entre desmatações
2260; 91E0*; 92D0; 9330; 9340 que permita a instalação e permanência desta espécie)
– Assegurar mosaico de habitats – Promover a regeneração natural
Microtus cabrerae (intercalar vegetação alta e rasteira, 6310; 91B0; 91E0*; 9240; 9330; 9340
com arbustos espinhosos. Zonas de pastoreio e áreas agrí-
colas extensivos, em associação com diferentes classes su- – Condicionar a florestação
cessionais de floresta, com abundante estrato herbáceo)
Rhinolophus hipposideros (bosquetes, sebes e matos, 4020*; 5330; Euphorbia transtagana; Halimium verti-
intercalados com zonas mais abertas de pastagens e zonas cillatum; Leuzea longifolia
agrícolas) Microtus cabrerae (condicionar a conversão do uso do
solo para florestação em áreas com colónias identificadas)
– Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
– Tomar medidas que impeçam a florestação
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas 91B0
húmidas)
Microtus cabrerae (em áreas mais abertas, com o ob- – Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
jectivo de criar locais de refúgio e reprodução) tones
Rhinolophus hipposideros (em áreas mais abertas, para
aumentar a diversidade de presas e facilitar deslocações Rhinolophus hipposideros (com um subcoberto diver-
na paisagem) sificado)
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
– Assegurar a manutenção de usos agrícolas extensivos e arbustivo
Microtus cabrerae Euphorbia transtagana; Halimium verticillatum; Mi-
crotus cabrerae; Rhinolophus hipposideros
– Condicionar expansão do uso agrícola Leuzea longifolia (sobretudo urzais higrófilos, como o
habitat 4020*, mas também matos de carvalhiça/tojal com
4020*; 5330; 6420; 9330; 9340
presença de clareiras)
– Condicionar queimadas
– Promover áreas de matagal mediterrânico
4020*
Microtus cabrerae (não efectuar queimadas nas zonas 9330; 9340; Rhinolophus hipposideros
mais sensíveis)
– Manter/melhorar ou promover manchas de montado
– Condicionar a intensificação agrícola aberto
Microtus cabrerae; Rhinolophus hipposideros Microtus cabrerae; Rhinolophus hipposideros
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(61)

– Incrementar sustentabilidade económica de activida- – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
des com interesse para a conservação nhas de água
6220*; 6310; 9240; 9330; 9340 3170*; 3260; 3270; 3280; 3290; 91E0*; 92A0; 92D0;
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Microtus cabrerae; Rutilus
– Reduzir risco de incêndio alburnoides; Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.
2260; 5330; 91E0*; 9240; 9330; 9340; Chondrostoma – Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
polylepis; Lampetra sp.; Lutra lutra; Mauremys leprosa;
Microtus cabrerae; Rhinolophus hipposideros; Rutilus 3150; 3170*; 3260; 3270; 3280; 3290; 92D0; Lutra
alburnoides lutra; Mauremys leprosa
Rhinolophus hipposideros (conservação das suas áreas
Construção e Infra-estruturas de alimentação)
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur-
limpeza de taludes noides (considerando como valores de referência os limites
previstos para as «águas de ciprinídeos», de acordo com o
Microtus cabrerae (em áreas onde forem identificadas
disposto no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
colónias)
– Condicionar captação de água
– Condicionar a construção de infra-estruturas
3170*; 3260
2260; 2330; 4030; 5330; 6220*; 9330; 9340
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides
Chondrostoma polylepis; Lampetra sp. (nas zonas mais
– Condicionar expansão urbano-turística
sensíveis e durante os meses de menor pluviosidade)
2260; 4030; 5330; 92D0; 9330; 9340; Euphorbia trans-
tagana; Leuzea longifolia – Condicionar drenagem
Lutra lutra; Mauremys leprosa (ordenar expansão ur-
bano-turística de forma a não afectar as áreas mais sen- 3170*; 3260; 4020*; 6420; Microtus cabrerae
síveis) Mauremys leprosa (em zonas mais sensíveis)

– Regular uso de açudes e charcas


– Condicionar construção de açudes em zonas sensí-
veis 3170*; Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos
3260; 3290; 91E0*; 92D0; Chondrostoma polylepis; temporários do gado; evitar a mobilização dos charcos
Lampetra sp.; Rutilus alburnoides temporários localizados em terrenos agrícolas)

– Condicionar construção de barragens em zonas sen- – Regular dragagens e extracção de inertes


síveis 2330; 3170*
3260; 3280; 3290; 91E0*; 92D0; Chondrostoma poly- Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex-
lepis; Lampetra sp.; Rutilus alburnoides tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de
reprodução)
– Melhorar transposição de barragens/açudes Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur-
noides (tomar medidas que impeçam a extracção de inertes
Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur- nos locais de reprodução da espécie, em qualquer época do
noides (colocação de passagens adequadas para peixes) ano. Nos restantes locais, condicionar durante a Primavera)
– Assegurar caudal ecológico – Tomar medidas que impeçam a deposições de draga-
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides; dos ou outros aterros
Chondrostoma polylepis; Lampetra sp. Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur-
– Condicionar transvases noides (em áreas mais sensíveis)
Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur- – Ordenar acessibilidades
noides
2260; 9240; 9330; 9340
– Reduzir mortalidade acidental
Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em – Ordenar actividades de recreio e lazer
rodovias) 2260
Rhinolophus hipposideros (evitar o uso de vedações Mauremys leprosa (em áreas mais sensíveis, associadas
rematadas no topo com arame farpado) às zonas húmidas)
Outros usos e Actividades – Ordenar prática de desporto da natureza
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone Chondrostoma polylepis; Lampetra sp. (desportos as-
Mauremys leprosa; Lutra lutra; Microtus cabrerae; sociados a cursos de água)
Rhinolophus hipposideros; Rutilus alburnoides; Chon- Rhinolophus hipposideros; Rutilus alburnoides (espe-
drostoma polylepis; Lampetra sp. leologia)
4536-(62) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Orientações específicas DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO

– Estabelecer programa de repovoamento Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28


Leuzea longifolia de Agosto
ÁREA
– Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe-
tição inter-específica 56 555 ha
91B0 CÓDIGOS NUT

– Efectuar desmatações selectivas PT141 – Alentejo Litoral – 50 %


PT143 – Alentejo Central – 50 %
2330; 5330; 6220*; 6420
Concelhos envolvidos
– Efectuar gestão por fogo controlado
% do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
4030; 5330; 6220*; 6420 classificado concelho

Alcácer do Sal 25271 17 % 45 %


– Manter/recuperar habitats contíguos Montemor-o-Novo 18970 15 % 33 %
6430; 91E0*; 9240 Viana do Alentejo 12314 31 % 22 %
Microtus cabrerae (assegurar corredores ecológicos)
Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur- REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
noides (assegurar continuum fluvial)
Mediterrânica
– Recuperar zonas húmidas RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
Mauremys leprosa NACIONAL

Não se aplica
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con-
trolar existentes RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
2330; 3150; 3270; 4030; 6220*; 9240; 9330; 9340 NACIONAL
Chondrostoma polylepis; Lampetra sp.; Rutilus albur- Não se aplica
noides (implementar programas de controlo e erradicação
de espécies vegetais exóticas invasoras das margens das CARACTERIZAÇÃO
linhas de água e encostas adjacentes, promovendo a sua
substituição por espécies autóctones) No Sítio Cabrela predominam as áreas de montado
Mauremys leprosa (controlar introduções furtivas de (6310), sobretudo de azinho (Quercus rotundifolia), mas
espécies animais potenciais competidoras) também de sobro (Quercus suber) ou mistos, onde em sub-
coberto se distribuem arrelvados xerófilos, dominados por
– Condicionar o acesso gramíneas anuais e/ou perenes (6220*) e sujeitos a pastoreio.
Estas áreas são entrecortadas por vales cujas encostas,
Rhinolophus hipposideros (quando se justifique, colocar quando de carácter xérico e acentuado declive, exibem medro-
vedações que evitem a entrada de visitantes mas permi- nhais (Arbutus unedo) (5330), formações que atingem portes
tam a passagem de morcegos. A entrada dos visitantes é significativos na Ribeira de S. Cristovão. Ocorrem também,
restringida apenas nas épocas do ano em que o abrigo se em situação reliquial, azinhais (9340) e sobreirais (9330), os
encontra ocupado) quais se encontram confinados a situações declivosas e de
difícil acesso.
– Desobstruir a entrada de abrigos Nas linhas de água é frequente a presença de vegetação
Rhinolophus hipposideros (grutas, minas ou algares) flutuante com ranúnculos (3260) e de galerias ripícolas, em
estado de conservação variável. Os tamargais (92D0), em
– Impedir encerramento de grutas, minas e algares com razoável estado de conservação, ocorrem sobretudo nalguns
troços das ribeiras de S. Cristovão e Alcáçovas, sendo os
dispositivos inadequados
freixiais (91B0) a formação ripícola mais frequente (embora
Rhinolophus hipposideros (como portas compactas ou sejam pontuais os exemplos em bom estado de conservação).
gradeamentos de malha apertadas) Os amiais (91E0*), bosques ripícolas com elevado interesse
nesta região (por serem pouco frequentes no Sul de Portugal),
– Manter as edificações que possam albergar colónias/ apresentam alguma fragmentação.
populações De destacar a presença do endemismo lusitano Hyacinthoi-
des vicentina, aqui representado pela subespécie transtagana,
Rhinolophus hipposideros espécie da flora que ocorre nas clareiras de matos e em pousios
com encharcamento temporário.
SÍTIO O micro-mosaico, formado por clareiras de matos, relva-
CABRELA
dos, e algum uso agrícola em moldes extensivos, favorece
também a presença do rato de Cabrera (Microtus cabrerae).
CÓDIGO
Este Sítio é igualmente importante para a ictiofauna de
água doce, nomeadamente para a boga-portuguesa (Chon-
PTCON0033 drostoma lusitanicum).
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(63)

Sítio de ocorrência histórica de lince-ibérico (Lynx par- Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
dinus) e que mantém características adequadas para a sua do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
presença ou susceptíveis de serem optimizadas, de forma a
promover a recuperação da espécie ou permitir a sua reintro- Espécie Anexos
dução a médio/longo prazo, num programa integrado com os
Sítios circundantes.
FLORA Arnica montana V
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I Ruscus aculeatus
do Decreto-Lei n.º 49/2005 V
Spiranthes aestivalis IV
3170* Charcos temporários mediterrânicos
Thymus capitellatus IV
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion FAUNA Alytes cisternasii IV
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo- Alytes obstetricans IV
Agrostidion
Discoglossus galganoi IV
5210 Matagais arborescentes de Juniperus spp.
Hyla arborea IV
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
Hyla meridionalis IV
6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
dietea Pelobates cultripes IV

6310 Montados de Quercus spp. de folha perene Triturus marmoratus IV

6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio- Felis silvestris IV


Holoschoenion Genetta genetta V
91B0 Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia Herpestes ichneumon V
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior Mustela putorius V
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
9240 Carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus cana-
Principais usos e ocupação do território
riensis
com respectivas percentagens
92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea
e Securinegion tinctoriae) Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)
9330 Florestas de Quercus suber
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia Áreas agro/silvo/pastoris 26134,376 46,21
A negrito: habitats prioritários
Áreas agrícolas arvenses 17482,873 30,91
Espécies da Flora constantes do anexo B-II Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 2589,883 4,58
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Matos e Pastagens naturais 1487,382 2,63
Código espécie Espécie Anexos Floresta 5396,661 9,54
Zonas húmidas 1440,028 2,55
1644 Armeria rouyana II, IV Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 463,368 0,82
1888 Festuca duriotagana II, IV sem coberto vegetal)
1851 Hyacinthoides vicentina II, IV Não classificado 0,036 0
1669 Myosotis lusitanica II, IV Sem cartografia 1559,898 2,76
1434 Salix salvifolia ssp. australis II, IV Fonte – COS 90

1777 Santolina impressa II, IV


CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
A negrito: espécies prioritárias
Área do Sítio: 69 % Agrícola e 74 % Florestal;
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Uso Agrícola – SAU: 38 927 ha:
Código espécie Espécie Anexos
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)

1128 Chondrostoma lusitanicum II


Past.Permanentes: 63 %; OTE pecuária: 84 %
1116 Chondrostoma polylepis II Forragens/Prados temp.: 13 %.
– Herbívoros não especializados:
1123 Rutilus alburnoides II 51 %
– Espec. Bovinos de Carne: 29 %;
1221 Mauremys leprosa II, IV
– Espec. Ovinos/Caprinos: 3 %;
1355 Lutra lutra II, IV
Cereais: 9 %; Pousio: 14 %; Arvenses: 8 %
1362 Lynx pardinus (4) II, IV
1338 Microtus cabrerae II, IV – Nº explorações agrícolas: 241;
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV – SAU por exploração: 161 ha;
A negrito: espécies prioritárias – SAU menos produtiva: 50 %;
4536-(64) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Uso Florestal – 41 842 ha: sivos com longos pousios e predomínio dos cereais mais
rústicos, onde se desenvolvem também sistemas culturais
Tipo
% área
Composição de regadio, principalmente de orizicultura. Ainda nestas
do Sítio
formações tem grande importância o sistema florestal com
base no pinheiro.
Matos 20 %
Caracteriza-se, também, por uma outra área de terrenos
Espécies 54 % 26 % Sobreiro; 19 % Azinheira; encorpados, de média fertilidade, de topografia plana a
6 % Eucalipto; ligeiramente ondulada, onde se desenvolvem sistemas
3 % Pinheiro Manso
cerealíferos de rotação contínua ou descontínua, sendo o
Regime de Caça Especial 68 % pousio nas terras limpas de curta duração. O cereal princi-
pal é o trigo, surgindo como cereal complementar a aveia
1. Dinâmicas Socio-económicas ou o triticale. No sob-coberto dos montados de sobro e
azinho praticam-se sistemas culturais extensivos, de cereais
• Dinâmicas Territoriais: 100 % da área do Sítio Rural
e pastagens naturais e semeadas, integrados com sistemas
Frágil;
pecuários extensivos de bovinos de carne ou pequenos
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
ruminantes.
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 0 %
– com elevado risco de abandono após desligamento 3. Programas/Projectos Específicos
total das ajudas – 0 %
3.1. Áreas de regadio
2. Sistemas dominantes: Estão referenciados 565,43 ha de pequenos regadios
particulares.
Os espaços florestais são predominantemente ocupados
com povoamentos de quercíneas com elevado aproveita-
mento agrícola do sob-coberto. 3.2.Produtos de qualidade
Caracteriza-se por uma zona de charneca que é a zona O Sítio está inserido na área geográfica de produ-
ecológica do montado de sobro, praticamente em sistemas ção, abate, desmancha e acondicionamento de «Carne
estremes de elevada densidade com o aproveitamento do de Bovino Mertolenga»(DOP), «Alentejana»(DOP) e da
sob-coberto pratense por pecuária extensiva. Os sistemas «Charneca»(DO). Área geográfica de produção de «Porco
de culturas arvenses, em terra campa ou no sob-coberto Alentejano»(DO) e «Mel do Alentejo»(DOP)
do montado de azinho, são sempre descontínuos e exten-

Indicadores sócio-económicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 1531 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 1435 313188 10148259 indivíduos 2001
2
Densidade populacional 2,71 17,08 113,20 hab/km 2001
Taxa de actividade 36,25 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,24 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 16,42 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 43,98 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 56,02 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,35 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 35,62 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 53,31 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA ORIENTAÇÕES DE GESTÃO

Degradação de troços de ribeiras devido a utiliza- No Sítio Cabrela as orientações de gestão deverão desen-
ção agrícola das margens, pisoteio por gado, poluição volver-se segundo dois eixos de actuação prioritários:
orgânica (devida a esgotos domésticos e pecuárias in-
tensivas) e despejo de lixos; intervenções nos cursos de – Acompanhar as acções de ordenamento e gestão flo-
água (regularizações, corte de vegetação, represamentos); restal, nomeadamente através de: definição e implementa-
florestação em áreas inadequadas, tais como encostas ção de modelos de uso múltiplo do montado, baseado em
mais declivosas das principais ribeiras; intensificação sistemas extensivos; conservação das manchas florestais
agrícola; pressão cinegética e furtivismo; expansão ur- naturais mais desenvolvidas – azinhais e sobreirais (impe-
bano-turística. dir cortes e evitar sobrepastoreio); controlo da instalação de
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(65)

novos povoamentos florestais, no que respeita a localização Lynx pardinus (matagais e bosques mediterrânicos, inter-
(preservando montado e azinhais), dimensão, composição calados com áreas abertas de pastos e zonas agrícolas)
e infra-estruturas de apoio (rede viária, corta-fogos, etc.), Rhinolophus hipposideros (bosquetes, sebes e matos,
assim como a sua gestão futura; promoção da regeneração intercalados com zonas mais abertas de pastagens e zonas
natural nos montados e bosques de sobro e azinho; e esta- agrícolas)
belecimento de sistemas de prevenção contra incêndios.
– Preservar as linhas de água e vegetação ribeirinha – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
(amiais, freixiais, tamargais), habitats fundamentais tam- Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
bém para a conservação de espécies da fauna associadas e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
a este meio, nomeadamente através de: melhoria da qua- húmidas)
lidade da água; condicionamento de obras de comparti- Microtus cabrerae (em áreas mais abertas, com o ob-
mentação do leito e de regularizações/corte de vegeta- jectivo de criar locais de refúgio e reprodução)
ção ribeirinha, sem prejuízo das limpezas necessárias ao Rhinolophus hipposideros (em áreas mais abertas, para
adequado escoamento; planeamento das florestações de aumentar a diversidade de presas e facilitar deslocações
produção, de forma a salvaguardar as margens de linhas na paisagem)
de água; condicionamento do acesso do gado às galerias
ripícolas e juncais; e recuperação das galerias ripícolas – Assegurar a manutenção de usos agrícolas extensivos
degradadas.
Microtus cabrerae
Importa igualmente ordenar a actividade cinegética
(deverá contemplar, entre outras, acções que favoreçam – Condicionar queimadas
as espécies de caça menor) e as actividades de recreio e Microtus cabrerae (não efectuar queimadas nas zonas
lazer (nomeadamente actividades motorizadas), tendo em mais sensíveis)
conta a preservação de áreas mais sensíveis.
Dada a crescente procura da área numa vertente urbano- – Condicionar mobilização do solo
turística, deverá desenvolver-se um modelo de planea-
mento sustentável, de forma a minimizar os problemas 3170*; 6220*
de fragmentação de habitat decorrentes da construção Hyacinthoides vicentina (manutenção através de gra-
dispersa. dagens das pastagens de escala da parcela agrícola, sobre
solos arenosos; evitar a utilização de arados de lâminas
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA profundas)
AOS VALORES NATURAIS
– Condicionar a intensificação agrícola
Agricultura e Pastorícia
Microtus cabrerae; Rhinolophus hipposideros
– Adoptar práticas de pastoreio específicas
3170*; 5210; 5330; 6310; 91B0; 9240; Microtus ca- – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
brerae alternativas
Hyacinthoides vicentina (manter o uso ganadeiro, sem Rhinolophus hipposideros
intensificação pecuária nem a utilização de espécies for- Hyacinthoides vicentina (evitar utilização de herbicidas
rajeiras de prolongada persistência, como por exemplo nas pastagens; por precaução, devem ser mantidos os níveis
ervilhaca, festucas, etc; estas pastagens devem associar-se estritamente indispensáveis considerando o efeito cumu-
a bovinos e em menor grau a ovinos; promover a conversão lativo de estrumes devido à permanência do gado)
de parcelas actualmente afectas à exploração agrícola)
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
mais sensíveis) alternativas em áreas contíguas ao habitat
– Manter práticas de pastoreio extensivo 3170*; 3260; 3290; Chondrostoma lusitanicum; Chon-
drostoma polylepis; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Ru-
3290; 6220*; 6310; Lynx pardinus; Rhinolophus hip- tilus alburnoides
posideros
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
– Salvaguardar de pastoreio colas
9330; 9340; 92D0 Hyacinthoides vicentina (à escala da parcela, evitar o
Festuca duriotagana; Salix salvifolia ssp australis uso agrícola dirigido para a produção de hortícolas, for-
(condicionar o acesso do gado a determinados troços das rajeiras, pequenos frutos, hidroponia, etc.)
margens das linhas de águas, definindo áreas de bebedouro
e salvaguardando as áreas de ocorrência mais importantes) – Condicionar expansão do uso agrícola
5210; 5330; 6420; 9330; 9340; Armeria rouyana
– Assegurar mosaico de habitats
Microtus cabrerae (intercalar vegetação alta e rasteira, Silvicultura
com arbustos espinhosos; zonas de pastoreio e áreas agrí-
– Adoptar práticas silvícolas específicas
colas extensivos, em associação com diferentes classes su-
cessionais de floresta, com abundante estrato herbáceo) 6310; 91B0; 91E0*; 9240; 9330; 9340
4536-(66) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

5330 (condicionar operações de desmatação) Construção e Infra-estruturas


Armeria rouyana (práticas silvícolas sustentáveis: ciclos – Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
de limpeza florestal de 3 a 5 anos, permanência de aceiros limpeza de taludes
e clareiras, desmatações selectivas e mobilizações superfi-
ciais, evitando intervenções entre Novembro e Julho) Santolina impressa
Santolina impressa (aumento do intervalo de tempo Microtus cabrerae (em áreas onde forem identificadas
entre desmoitas) colónias)

– Promover a regeneração natural – Condicionar a construção de infra-estruturas


5210; 6310; 91B0; 91E0*; 9240; 9330; 9340 5330; 6220*; 9330; 9340
Santolina impressa (estradas)
– Condicionar mobilização do solo Lynx pardinus (condicionar a construção de grandes
infra-estruturas em áreas prioritárias)
5330
Armeria rouyana (limpezas florestais preferencialmente – Condicionar expansão urbano-turística
efectuadas com corta-matos ou eventualmente por grada-
5210; 5330; 92D0; 9330; 9340; Armeria rouyana; San-
gens superficiais) tolina impressa
Santolina impressa (recorrer a mobilizações superficiais Lynx pardinus; Lutra lutra; Mauremys leprosa (ordenar
do solo (ex. gradagem) nas actividades silvícolas) expansão urbano-turística de forma a não afectar as áreas
mais sensíveis)
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
tones – Condicionar construção de açudes em zonas sensí-
Lynx pardinus; Rhinolophus hipposideros (com um veis
subcoberto diversificado) 3260; 3290; 91E0*; 92D0; Chondrostoma lusitanicum;
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides
– Manter/melhorar ou promover manchas de montado Hyacinthoides vicentina (manter o regime hídrico nas
aberto zonas de ocorrência, evitando a construção de represas que
Microtus cabrerae; Rhinolophus hipposideros provoquem inundação das zonas depressionárias, em que
existe acumulação temporária de água)
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
– Condicionar construção de barragens em zonas sen-
e arbustivo síveis
5210; Lynx pardinus; Microtus cabrerae; Rhinolophus 3260; 3290; 91E0*; 92D0; Lynx pardinus; Chondros-
hipposideros toma lusitanicum; Chondrostoma polylepis; Rutilus al-
Salix salvifolia ssp australis (manter elevados níveis de burnoides
naturalidade no subcoberto de povoamentos ripícolas) Festuca duriotagana (manter o regime hídrico na sua
área de ocorrência, nomeadamente cursos de água de re-
– Promover a recuperação dos zimbrais gime intermitente, evitando a construção de represas a
5210 montante da sua área de distribuição)

– Promover áreas de matagal mediterrânico – Melhorar transposição de barragens/açudes

9330; 9340; Lynx pardinus; Rhinolophus hipposideros Rutilus alburnoides


Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis;
– Condicionar a florestação Rutilus alburnoides (colocação de passagens adequadas
para peixes)
5210; 5330; 9330; 9340; Hyacinthoides vicentina
Armeria rouyana (conter e reconverter o eucaliptal) – Assegurar caudal ecológico
Lynx pardinus (em áreas mais sensíveis) 3260; Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma poly-
Microtus cabrerae (condicionar a conversão do uso lepis; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoi-
do solo para florestação em áreas com colónias identifi- des
cadas)
– Condicionar transvases
– Tomar medidas que impeçam a florestação
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis;
91B0 Rutilus alburnoides
– Reduzir risco de incêndio – Reduzir mortalidade acidental
5210; 5330; 91E0*; 9240; 9330; 9340; Chondrostoma Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
lusitanicum; Chondrostoma polylepis; Lynx pardinus; rodovias)
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Microtus cabrerae; Rhi- Rhinolophus hipposideros (evitar o uso de vedações
nolophus hipposideros; Rutilus alburnoides rematadas no topo com arame farpado)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(67)

Outros usos e Actividades – Implementar gestão cinegética compatível com con-


servação espécie
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
Lynx pardinus (correcta exploração cinegética das suas
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis; presas, nomeadamente pelo estabelecimento de áreas de
Lynx pardinus; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Microtus caça/não caça, condicionantes ao número de efectivos a
cabrerae; Rhinolophus hipposideros; Rutilus alburnoides abater e às épocas de caça)
Salix salvifolia ssp australis (adensar povoamentos ri-
pícolas) – Regular dragagens e extracção de inertes
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li- 3170*
nhas de água Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex-
tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de
3170*; 3260; 3290; 91E0*; 92D0; Chondrostoma lusi- reprodução)
tanicum; Chondrostoma polylepis; Lutra lutra; Mauremys Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis;
leprosa; Microtus cabrerae; Rutilus alburnoides Rutilus alburnoides (tomar medidas que impeçam a ex-
Festuca duriotagana; Myosotis lusitanica (nomeada- tracção de inertes nos locais de reprodução da espécie, em
mente regularizações) qualquer época do ano. Nos restantes locais, condicionar
Salix salvifolia ssp australis (nomeadamente regula- durante a Primavera)
rizações, cortes e desbastes; a selecção da maquinaria
e estratégias para as limpezas de linhas de água deverá – Tomar medidas que impeçam as deposições de dra-
garantir a continuidade e a complexidade dos povoamen- gados ou outros aterros
tos, evitando a redução a um simples remate arbóreo das
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis;
margens ribeirinhas; não imobilizar os taludes de margem Rutilus alburnoides (em áreas mais sensíveis)
através de enrocamentos ou betonização)
– Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas
– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água fora dos caminhos estabelecidos
3170*; 3260; 3290; 92D0; Lutra lutra; Mauremys le- 5210
prosa
Rhinolophus hipposideros (conservação das suas áreas – Ordenar acessibilidades
de alimentação)
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis; 5210; 9240; 9330; 9340
Rutilus alburnoides (considerando como valores de refe- Festuca duriotagana (evitar pisoteio, através de sinali-
rência os limites previstos para as «águas de ciprinídeos», zação de acessos à linha de água e, se necessário, instalação
de acordo com o disposto no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de de parques de estacionamento junto a alguns acessos)
Agosto) Lynx pardinus (condicionar a utilização/abertura de
acessos em áreas sensíveis)
– Condicionar captação de água
– Ordenar actividades de recreio e lazer
3170*; 3260
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis; Mauremys leprosa (em áreas mais sensíveis, associadas
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides (nas às zonas húmidas)
zonas mais sensíveis e durante os meses de menor plu-
viosidade) – Ordenar prática de desporto da natureza
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis
– Condicionar drenagem (desportos associados a cursos de água)
3170*; 3260; 6420 Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus hipposideros
Mauremys leprosa (em zonas mais sensíveis) (espeleologia)
Hyacinthoides vicentina (condicionar drenagem dos
terrenos através de valas ou outros dispositivos; laquear Orientações específicas
valas existentes) – Manter/recuperar habitats contíguos
– Regular uso de açudes e charcas 91E0*; 9240
Armeria rouyana (no sentido de aumentar a conectivi-
3170*; Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos dade entre os centros de abundância)
temporários do gado; evitar a mobilização dos charcos Microtus cabrerae; Lynx pardinus (assegurar corredores
temporários localizados em terrenos agrícolas) ecológicos)
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis;
– Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte Rutilus alburnoides (assegurar continuum fluvial)
e colheita de espécies
5210 – Conservar/recuperar vegetação palustre
Myosotis lusitanica
– Incrementar sustentabilidade económica de activida-
des com interesse para a conservação – Efectuar desmatações selectivas
6220*; 6310; 9240; 9330; 9340; Lynx pardinus 5330; 6220*; 6420
4536-(68) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Armeria rouyana (estabelecer e manter zonas de menor CÓDIGOS NUT


densidade (clareiras em aproximadamente 10 % de cada
PT142 – Alto Alentejo – 100 %
parcela) e aceiros)
Santolina impressa (favorecer perturbações com pa- Concelhos envolvidos
drão reticulado, resultantes da condução do pinhal; corte
controlado de urzais e tojais, promovendo o mosaico ve- Concelho Área (ha)
% do concelho % do sítio no
getacional) classificado concelho

Lynx pardinus (criar espaços abertos intercalados nas


manchas de matos, para fomento de presas) Arronches 2697,76 9% 9%
Campo Maior 15396,64 62 % 49 %
Elvas 12936,48 20 % 42 %
– Efectuar gestão por fogo controlado
5330; 6220*; 6420 REGIÃO BIOGEOGRÁFICA

– Manter as edificações que possam albergar colónias/ Mediterrânica


populações
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
Rhinolophus hipposideros NACIONAL

– Estabelecer programa de repovoamento/fomento/rein- Não se aplica


trodução de presas
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
Lynx pardinus (promover o fomento de presas selvagens,
NACIONAL
em particular o coelho-bravo)
Zona de Protecção Especial de Campo Maior (16 %)
– Estabelecer programa de repovoamento/reintrodução Diploma de classificação: Decreto-Lei n.º 384B/99 de 23
Chondrostoma lusitanicum; Lynx pardinus de Setembro

– Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe- CARACTERIZAÇÃO


tição inter-específica A diversidade da paisagem do Sítio decorre sobretudo
91B0 da coexistência entre uma utilização tradicional do terri-
tório e os biótopos naturais de elevada peculiaridade que
– Controlar efectivos de animais assilvestrados aí ocorrem, ainda que em determinadas áreas se dê uma
ocupação agrícola de regadio, com milho, pomares, olival
Lynx pardinus (cães e gatos assilvestrados, em áreas e exploração horto-industrial, determinada sobretudo pelo
prioritárias) Aproveitamento Hidroagrícola do Caia, o qual ocupa cerca
de 25 % do Sítio.
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- Constituem um bom exemplo de uso múltiplo extensivo
trolar existentes da floresta mediterrânica os montados de azinho (Quercus
6220*; 9240; 9330; 9340 rotundifolia) (6310), com um subcoberto de pastagens
Armeria rouyana (conter e reconverter o acacial) espontâneas em excelente condição, as quais se podem
Chondrostoma lusitanicum; Chondrostoma polylepis; também observar em subcoberto de olival ou em zonas
Rutilus alburnoides (implementar programas de controlo desarborizadas. Menção especial para as raras pastagens
e erradicação de espécies vegetais exóticas invasoras das vivazes da Poetalia bulbosae (6220*), um habitat priori-
margens das linhas de água e encostas adjacentes, promo- tário dotado de grande valor biocenótico.
vendo a sua substituição por espécies autóctones) A parte terminal do rio Caia, de natureza essencial-
Mauremys leprosa (controlar introduções furtivas de mente granítica, com solos derivados de xistos e dioritos,
espécies animais potenciais competidoras) apresenta uma morfologia com fracos declives, plana ou
levemente ondulada, com zonas de fundo aluviais que, na
– Recuperar zonas húmidas generalidade da bacia do rio Guadiana, são escassas e de
reduzidas dimensões. Tais características propiciam a exis-
Mauremys leprosa tência no Sítio de grandes extensões de solos sazonalmente
alagados, onde se desenvolvem as mais vastas áreas em
SÍTIO território nacional de habitats de herbáceas anuais higro-
CAIA fíticas (Isoeto-Nanojuncetea) (3120 e 3170*) de elevado
interesse ecológico, e que integram espécies de grande
CÓDIGO
valor (e.g. Isoetes histrix e Cicendia filiformis).
Associadas a cursos de água, com frequência de carácter
PTCON0030 torrencial, estão galerias dominadas por salgueiros (Salix
spp.) (92A0) ou por loendros (Nerium oleander) (92D0),
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO e espécies da flora de interesse comunitário, tais como
Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 Marsilea batardae e Salix salvifolia subsp. australis.
de Agosto Este Sítio é igualmente importante para a conservação
da boga-de-boca-arqueada (Rutilus lemmingii) e da lontra
ÁREA
(Lutra lutra).
Salienta-se ainda a importância deste Sítio para a con-
31 115 ha servação do rato de cabrera (Microtus cabrerae).
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(69)

Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
do Decreto-Lei n.º 49/2005 do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02

3120 Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas em solos Espécie Anexos


geralmente arenosos do oeste mediterrânico com Isoëtes
spp.
3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion FLORA Spiranthes aestivalis IV
ou da Hydrocharition FAUNA Bufo calamita IV
3170* Charcos temporários mediterrânicos Discoglossus galganoi IV
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion Pelobates cultripes IV

3270 Cursos de água de margens vasosas com vegetação da Che- Rana perezi V
nopodion rubri p.p. e da Bidention p.p. Triturus marmoratus IV
3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-
Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix
e Populus alba Principais usos e ocupação do território
com respectivas percentagens
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
Agrostidion
Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos (%)

6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-


dietea Áreas agro/silvo/pastoris 2726,437 8,76

6310 Montados de Quercus spp. de folha perene Áreas agrícolas arvenses 21467,877 68,99

6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio- Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 4606,739 14,81
Holoschoenion Matos e Pastagens naturais 646,229 2,08
8210 Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica Floresta 303,617 0,98
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
Zonas húmidas 1063,361 3,42
8230 Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleran-
thion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 211,916 0,68
sem coberto vegetal)
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba
Não classificado 89,167 0,29
92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea
e Securinegion tinctoriae) Fonte – COS 90

9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia


CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
A negrito: habitats prioritários
Área do Sítio: 89 % Agrícola e 18 % Florestal;
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Uso Agrícola – SAU: 27 677 ha:

Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)


Código espécie Espécie Anexos

Cereais: 35 %; Pousio: 25 %; Arvenses: 60 %


1888 Festuca duriotagana II, IV
1427 Marsilea batardae II, IV Olival: 16 % Espec.Olival: 11 %

1434 Salix salvifolia ssp. australis II, IV Past. Permanentes: 13 %; OTE pecuárias: 25 %
Forragens/Prados temp.: 2 %.
– Herbívoros não especializados:
17 %
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II – Espec.Bov.Carne: 6 %;
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 – Espec.Ovinos/Caprinos: 2 %;

Código espécie Espécie Anexos – Nº explorações agrícolas: 693;


– SAU por exploração: 40 ha
1116 Chondrostoma polylepis (5) II – SAU irrigável: 32 %;
1123 Rutilus alburnoides II
Uso Florestal – 5 458 ha:
1125 Rutilus lemmingii II
1221 Mauremys leprosa II, IV Tipo
% área
Composição
do Sítio
1355 Lutra lutra II, IV
1338 Microtus cabrerae II, IV Matos 9%
1304 Rhinolophus ferrumequinum II, IV Espécies 9% 8 % Azinheira
Regime de Caça Especial 39 %
A negrito: espécies prioritárias
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1. Dinâmicas Socio-económicas Os sistemas de sequeiro baseiam-se na cerealicultura


extensiva associada a pecuária não especializada.
• Dinâmicas Territoriais: 70 % da área do Sítio Rural
Frágil
3. Programas/Projectos Específicos
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
3.1.Áreas de regadio
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 0 %
– com elevado risco de abandono após desligamento O Sítio do Caia abrange a totalidade da área consignada
total das ajudas – 10 % ao Aproveitamento Hidroagrícola do Caia (7 737 ha). Ve-
rifica-se uma pequena sobreposição a sul da área prevista
2. Sistemas Dominantes: para rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Canção.
Estão referenciados 98,46 ha de pequenos regadios par-
A área agrícola tem uma expressão muito importante, ticulares.
com uma substancial área de regadio. Predominam os
solos derivados de dioritos ou de xistos, mais ou menos
3.2 .Produtos de qualidade
encorpados de elevada capacidade de retenção para a água
e média fertilidade. Os sistemas policulturais de regadio O Sítio está inserido na área geográfica de produção,
assumem, deste modo, um impacte considerável nesta abate, desmancha e acondicionamento de «Carne de Bo-
zona, concentrados na área do Aproveitamento Hidroagrí- vino Mertolenga»(DOP) e «Alentejana»(DOP). Área
cola do Caia, com predomínio para os sistemas de culturas geográfica de produção de: «Porco Alentejano»(DO),
horto-industriais e sistemas pecuários de bovinicultura de «Borrego do Nordeste Alentejano»(IG), «Azeite do Norte
carne. Alentejano»(DOP) e «Ameixas de Elvas» (DOP).

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 4190 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 3973 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 13,47 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 44,18 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,27 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 16,65 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 37,76 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 62,24 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 1,74 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 83,80 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 9,42 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA uma utilização mais elevada de adubos e pesticidas. Na


bacia do Guadiana, a sub-bacia do Caia é uma das áreas
Abate de azinheiras; intensificação da agricultura (uso
onde se registam maiores riscos de exportação de fósforo
de fertilizantes, herbicidas, mecanização, rega, drenagem
e uma das que gera maior volume de azoto.
de terrenos); abandono da pastorícia extensiva e expansão
A área desde a zona a Este de Arronches até Elvas (onde
dos pomares, olivais e culturas arvenses (de sequeiro ou
o Sítio Caia se inclui), está assinalada como altamente
regadio) sobre os territórios de pastagem extensiva; inten-
vulnerável à contaminação das águas subterrâneas pelo
sificação na exploração dos montados (mobilizações do
aumento dos nitratos. Para tal concorre esta zona ser, na
solo, aumento de encabeçamento do gado); intervenções
sua grande maioria, de máxima infiltração.
das margens do Rio Guadiana e ribeiras afluentes (cortes
de vegetação, movimentos de terras); construção de infra-
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO
estruturas viárias e obras hidráulicas.
São importantes factores de ameaça (com impactes As orientações de gestão para o Sítio Caia são dirigidas
negativos não apenas sobre o Sítio Caia, mas também prioritariamente para a conservação das grandes extensões
sobre o Sítio Guadiana/Juromenha) as cargas orgânica e de habitats higrofíticos (charcos temporários e arrelvados
de nutrientes lançadas no solo e nas linhas de água, com anfíbios, adaptados a solos temporariamente encharcados)
uma acentuada degradação da qualidade da água. e habitats estepários (subestepes de gramíneas e anuais),
Mesmo com a reduzida ocupação da sub-bacia, a água li- bem como dos montados de azinho.
bertada pela barragem do Caia é já de qualidade deficiente. Assim, deverá ser promovida a ocupação agro-silvo-
Para além disso, nas zonas sujeitas ao regadio onde assume pastoril tradicional, mantendo as manchas florestais de
maior importância uma agricultura do tipo intensivo, ocorre montado de sobro e azinho e incentivando em áreas abertas
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(71)

a cerealicultura extensiva assente numa rotação cultural. – Assegurar mosaico de habitats


Neste sentido, a contenção das actividades agrícolas in-
tensivas deverá ser considerada, nomeadamente através Microtus cabrerae (intercalar vegetação alta e rasteira,
da redução de uso de fertilizantes, pesticidas, lavouras com arbustos espinhosos. Zonas de pastoreio e áreas agrí-
profundas e rega. colas extensivos, em associação com diferentes classes su-
Por outro lado importa restringir a drenagem de zonas cessionais de floresta, com abundante estrato herbáceo)
paludosas ou de encharcamento, assim como as interven- Rhinolophus ferrumequinum (bosquetes, sebes e matos,
ções nas margens e leito de linhas de água. Estas deverão, intercalados com zonas mais abertas de pastagens e zonas
quando necessário, ver o seu traçado e perfil renaturalizado agrícolas)
e recuperada a vegetação ribeirinha. A qualidade da água
deve ser monitorizada para aferir o bom uso de pesticidas – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
e fertilizantes. Microtus cabrerae (em áreas mais abertas, com o ob-
Na área de regadio beneficiada pelo Aproveitamento Hi- jectivo de criar locais de refúgio e reprodução)
dro-Agrícola do Caia, as orientações de gestão traduzem-se Rhinolophus ferrumequinum (em áreas mais abertas,
no cumprimento das exigências das boas práticas agrícolas para aumentar a diversidade de presas e facilitar desloca-
em vigor. Serão complementadas pela monitorização da ções na paisagem)
qualidade da água e a preservação das galerias ripícolas Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes e bor-
que, em conjunto com as outras áreas habitualmente não daduras de vegetação natural na periferia das zonas húmidas)
cultivadas no âmbito da utilização anual do perímetro de
rega, assegurarão a conservação dos valores naturais em Silvicultura
causa. Na área prevista para o Aproveitamento Hidroagrí-
cola do Cancão, as orientações de gestão traduzem-se no – Adoptar práticas silvícolas específicas
cumprimento das boas práticas agrícolas em vigor.
6310; 92A0; 9340
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA 5330(condicionar operações de desmatação)
AOS VALORES NATURAIS
– Condicionar a florestação
Agricultura e Pastorícia
5330; 8220; 9340
– Adoptar práticas de pastoreio específicas Microtus cabrerae (condicionar a conversão do uso
3120; 3170*; 3270; 5330; 6310; Microtus cabrerae do solo para florestação em áreas com colónias identifi-
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais cadas)
mais sensíveis)
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
– Manter práticas de pastoreio extensivo tones
3280; 3290; 6220*; 6310; 6420; Rhinolophus ferru- Rhinolophus ferrumequinum; (com um subcoberto di-
mequinum versificado)
– Salvaguardar de pastoreio
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
92D0; 9340 e arbustivo
– Assegurar a manutenção de usos agrícolas extensivos Microtus cabrerae; Rhinolophus ferrumequinum
Salix salvifolia ssp australis (manter elevados níveis de
Microtus cabrerae naturalidade no subcoberto de povoamentos ripícolas)
– Condicionar a intensificação agrícola – Promover áreas de matagal mediterrânico
Microtus cabrerae; Rhinolophus ferrumequinum 9340; Rhinolophus ferrumequinum
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas – Promover a regeneração natural
alternativas
6310; 9340
Rhinolophus ferrumequinum
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas – Manter/melhorar ou promover manchas de montado
alternativas em áreas contíguas ao habitat aberto
3120; 3150; 3170*; 3260; 3270; 3280; 3290; Chondros- Microtus cabrerae; Rhinolophus ferrumequinum
toma polylepis; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus
alburnoides; Rutilus lemmingii – Incrementar sustentabilidade económica de activida-
des com interesse para a conservação
– Condicionar mobilização do solo 6220*; 6310; 9340
3120; 3170*; 5330; 6220*
– Reduzir risco de incêndio
– Condicionar queimadas
5330; 9340; Chondrostoma polylepis; Lutra lutra; Mau-
Microtus cabrerae (não efectuar queimadas nas zonas remys leprosa; Microtus cabrerae; Rhinolophus ferrume-
mais sensíveis) quinum; Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii
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Construção e Infra-estruturas Mauremys leprosa; Microtus cabrerae (em zonas mais


sensíveis)
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
limpeza de taludes
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
Microtus cabrerae (em áreas onde forem identificadas Chondrostoma polylepis; Lutra lutra; Mauremys le-
colónias nestas situações) prosa; Microtus cabrerae; Rhinolophus ferrumequinum;
Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii
– Condicionar a construção de infra-estruturas Salix salvifolia ssp australis (adensar povoamentos ri-
5330; 6220*; 8210; 8220; 9340 pícolas)

– Condicionar expansão urbano-turística – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-


nhas de água
5330; 8220; 8230; 92D0; 9340
Lutra lutra; Mauremys leprosa (ordenar expansão ur- 3120; 3170*; 3260; 3270; 3280; 3290; 92A0; 92D0;
bano-turística de forma a não afectar as áreas mais sensíveis) Marsilea batardae; Chondrostoma polylepis; Lutra lutra;
Mauremys leprosa; Microtus cabrerae; Rutilus alburnoi-
– Condicionar construção de açudes em zonas sensíveis des; Rutilus lemmingii
Festuca duriotagana (manter a topografia natural das
3260; 3290; 92D0; Chondrostoma polylepis; Rutilus margens dos cursos de água termófilos)
alburnoides; Rutilus lemmingii Salix salvifolia ssp australis (a selecção da maquinaria
e estratégias para as limpezas de linhas de água deverá
– Condicionar construção de barragens em zonas sen- garantir a continuidade e a complexidade dos povoamen-
síveis tos, evitando a redução a um simples remate arbóreo das
3260; 3280; 3290; 92D0; Chondrostoma polylepis; Ru- margens ribeirinhas. Não imobilizar os taludes de margem
tilus alburnoides; Rutilus lemmingii através de enrocamentos ou betonização)
Festuca duriotagana, Marsilea batardae (evitar a cons-
trução de represas que afectem o regime hídrico na sua – Regular uso de açudes e charcas
área de ocorrência) 3120; 3170*; Mauremys leprosa (salvaguardar os char-
cos temporários do gado; evitar a mobilização dos charcos
– Assegurar caudal ecológico temporários localizados em terrenos agrícolas)
Chondrostoma polylepis; Lutra lutra; Mauremys le-
prosa; Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii – Ordenar acessibilidades
92D0; 9340
– Condicionar transvases
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus – Ordenar prática de desporto da natureza
lemmingii 8210
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus
– Melhorar transposição de barragens/açudes lemmingii (desportos associados aos cursos de água)
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Ruti-
– Reduzir mortalidade acidental
lus lemmingii (colocação de passagens adequadas para
peixes) Lutra lutra (utilização de grelhas metálicas em artes de
pesca, que impossibilitam o acesso da lontra ao interior
– Reduzir mortalidade acidental do engenho)
Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em – Tomar medidas que impeçam as deposições de dra-
rodovias; implementar dispositivos dissuasores da passa- gados ou outros aterros
gem e entrada da espécie nas pisciculturas)
Rhinolophus ferrumequinum (evitar o uso de vedações Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus
rematadas no topo com arame farpado) lemmingii (em áreas mais sensíveis

Outros usos e Actividades – Regular dragagens e extracção de inertes


– Condicionar captação de água 3120; 3170*; 8210; 8220
Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex-
3170*; 3260 tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de
Chondrostoma polylepis; Lutra lutra; Mauremys le- reprodução)
prosa; Rutilus alburnoides (nas zonas mais sensíveis e Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus
durante os meses de menor pluviosidade) lemmingii (tomar medidas que impeçam a extracção de iner-
Rutilus lemmingii (nas zonas mais sensíveis e durante os tes nos locais de reprodução da espécie, em qualquer época do
meses de menor pluviosidade. Dar particular atenção aos ano. Nos restantes locais, condicionar durante a Primavera)
pegos, não permitindo a sua eliminação ou alteração)
– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
– Condicionar drenagem
3120; 3150; 3170*; 3260; 3270; 3280; 3290; 92D0
3120; 3170*; 3260; 6420 Marsilea batardae; Lutra lutra; Mauremys leprosa
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(73)

Rhinolophus ferrumequinum (conservação das suas ÁREA


áreas de alimentação)
47 286 ha
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus
lemmingii (considerando como valores de referência os
CÓDIGOS NUT
limites previstos para as «águas de ciprinídeos», de acordo
com o disposto no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto) PT15 – Algarve – 90 %
PT144 – Baixo Alentejo – 10 %
Orientações específicas
Concelhos envolvidos
– Condicionar o acesso
% do concelho % do sítio no
Rhinolophus ferrumequinum (quando se justifique, Concelho Área (ha)
classificado concelho
colocar vedações que evitem a entrada de visitantes mas
permitam a passagem de morcegos. A entrada dos visitantes Almodôvar 10319 13 % 22 %
é restringida apenas nas épocas do ano em que o abrigo se Loulé 20562 27 % 44 %
encontra ocupado) São Brás de Alportel 7288 49 % 15 %
Silves 4892 7% 10 %
Tavira 4224 7% 9%
– Consolidar galerias de minas importantes
Rhinolophus ferrumequinum REGIÃO BIOGEOGRÁFICA

– Desobstruir a entrada de abrigos Mediterrânica


Rhinolophus ferrumequinum (grutas, minas ou algares) RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL
– Impedir encerramento de grutas, minas e algares com
dispositivos inadequados Não se aplica
Rhinolophus ferrumequinum (como portas compactas RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
ou gradeamentos de malha apertadas) NACIONAL

– Manter as edificações que possam albergar colónias/ Zona de Protecção Especial do Caldeirão (100 %) – em
populações processo de classificação
Rhinolophus ferrumequinum CARACTERIZAÇÃO

– Efectuar desmatações selectivas O Sítio é marcado pela presença da serra do Caldeirão,


um extenso relevo xisto-grauváquico de formas arredon-
5330; 6220*; 6420 dadas, resultante da deformação do Maciço Hespérico,
entrecortado por pequenos rios e ribeiras em vales mode-
– Efectuar gestão por fogo controlado radamente encaixados.
5330; 6220*; 6420 Grande parte do Sítio é coberta por extensos montados
de sobro (Quercus suber) (6310), relativamente abertos,
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- os quais, em muitos locais, devido ao abandono agro-
trolar existentes pastoril, evoluíram para formações mais densas, com um
subcoberto desenvolvido.
3150; 3270; 5330; 6220*; 8220; 9340; Mauremys le- Nas zonas de montado ainda sujeitas ao cultivo ex-
prosa tensivo de cereais, os pousios possibilitam a ocorrência
Chondrostoma polylepis; Rutilus alburnoides; Rutilus de arrelvados xerófilos (6220*). Contudo, a maior parte
lemmingii (implementar programas de controlo e erradi- da actividade agrícola concentra-se junto aos montes e
cação de espécies vegetais exóticas invasoras das margens pequenos aglomerados urbanos, sendo principalmente de
das linhas de água e encostas adjacentes, promovendo a subsistência.
sua substituição por espécies autóctones) Nas zonas mais frescas e declivosas das áreas serranas
verifica-se a presença de matos e de matagais arbores-
– Recuperar zonas húmidas centes, podendo por vezes observar-se sobreirais (9330)
Mauremys leprosa e medronhais.
Neste Sítio ocorrem também vastas áreas de esteval,
SÍTIO
em solos empobrecidos, resultado da cultura cerealífera
intensiva e posterior abandono, a partir da década de 60.
CALDEIRÃO Os ecossistemas ribeirinhos apresentam condições favo-
ráveis para várias espécies da ictiofauna, sendo de salientar
CÓDIGO o saramugo (Anaecypris hispanica), a boga-do-Sudoeste
PTCON0057 (Chondrostoma almacai – nova espécie que anteriormente
era incluída na entidade C. lusitanicum, e que ocorre apenas
nas bacias dos rios Mira e Arade, limitando a sua distribui-
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
ção a alguns Sítios do Algarve), e a boga-de-boca-arqueada
Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de (Rutilus lemmingii). Estes cursos de água são igualmente
Julho importantes para a conservação da lontra (Lutra lutra).
4536-(74) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Sítio de ocorrência histórica de lince-ibérico (Lynx par- Principais usos e ocupação do território
com respectivas percentagens
dinus) e que mantém características adequadas para a sua
presença ou susceptíveis de serem optimizadas, de forma Tipo de uso do solo Área (ha)
Percentagem
(%)
a promover a recuperação da espécie ou permitir a sua
reintrodução a médio/longo prazo. Áreas agro/silvo/pastoris 17034,153 36,02
Áreas agrícolas arvenses 465,945 0,99
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
do Decreto-Lei n.º 49/2005 Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 5805,375 12,28
Matos e Pastagens naturais 5192,425 10,98
3170* Charcos temporários mediterrânicos
Floresta 6175,312 13,06
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
Agrostidion Zonas húmidas 344,708 0,73
6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo- Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 100,924 0,21
dietea sem coberto vegetal)
6310 Montados de Quercus spp. de folha perene Sem cartografia 12167,515 25,73
6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio- Fonte – COS 90
Holoschoenion
8310 Grutas não exploradas pelo turismo CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL

92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba Área do Sítio: 3 % Agrícola e 91 % Florestal;
92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea
e Securinegion tinctoriae) Uso Agrícola – SAU: 1 523 ha:
9330 Florestas de Quercus suber
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
A negrito: habitats prioritários

Past. Permanentes: 62 %; OTE Pecuárias: 80 %


Espécies da Flora constantes do anexo B-II Forragens/Past.Tempor.: 10 %
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 – Herbívoros não especializados:
49 %
– Espec. Ovinos/Caprinos: 20 %
Código espécie Espécie Anexos – Espec. Suinos: 5 % (área) e
28 % (MB)

1434 Salix salvifolia ssp. australis II, IV Cereais: 11 %; Pousio: 6 % Arvenses: 16 %

– Nº explorações agrícolas: 78
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-
– SAU por exploração: 19 ha
Lei n.º 49/2005 de 24/02
– SAU menos produtiva: 67 %
Código espécie Espécie Anexos Uso Florestal – 42 891 ha:

1065 Euphydryas aurinia II Tipo


% área
Composição
do Sítio

1133 Anaecypris hispanica II


Matos 48 %
1128 Chondrostoma lusitanicum (6) II
Espécies 43 % 33 % Sobreiro; 5 % Outras Folho-
1123 Rutilus alburnoides II, IV sas; 2 % Pinheiro Manso; 2 %
Eucalipto
1125 Rutilus lemmingii II
1221 Mauremys leprosa II 1. Dinâmicas Socio-económicas
1355 Lutra lutra II • Dinâmicas Territoriais: 52 % área do Sítio Rural Di-
nâmico
1362 Lynx pardinus (7) II, IV • Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
A negrito: espécies prioritárias – com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 71 %
– com elevado risco de abandono após desligamento
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V total das ajudas – 71 %
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
2. Sistemas dominantes:
Espécie Anexos
Espaço florestal predominante com grande represen-
tatividade dos matos. Povoamentos com dominância do
FAUNA Discoglossus galganoi IV sobreiro.
Felis silvestris IV Localizado na zona serrana do Algarve. É composto fun-
Myotis daubentonii IV
damentalmente por solos de xistos, esqueléticos e pobres,
por terrenos declivosos e também alguns vales nas margens
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(75)

das linhas de água. A floresta de sobro, medronheiro, euca- pastagens, pequenos ruminantes, suinicultura em regime
lipto e pinheiro é a actividade principal e com maior poten- extensivo, actividades que devem ser preservadas, dado
cial neste território, se bem que nos vales, junto às linhas serem fundamentais para o autoconsumo e complemento
de água, tem alguma importância a horto-fruticultura ao de rendimento das populações destes territórios pobres e
ar livre, o pomar tradicional de sequeiro, olival, arvenses, frágeis, em vias de desertificação.

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 2414 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 2349 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 5,11 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 36,54 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 1,30 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 36,21 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 22,96 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 77,04 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,89 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 13,28 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 40,25 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA Assim, têm grande importância as medidas tendentes a


incrementar a sustentabilidade económica de actividades
Destruição da vegetação autóctone (matos e bosques com interesse para a conservação.
mediterrânicos e vegetação ribeirinha); incêndios flores-
tais; falta de ordenamento cinegético, com consequên- DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
cias nomeadamente na rarefacção do coelho-bravo, que AOS VALORES NATURAIS
actualmente apresenta um padrão de distribuição muito
fragmentado na região; furtivismo; abertura excessiva de Silvicultura
caminhos e aumento significativo da perturbação; desma- – Adoptar práticas silvícolas específicas
tações excessivas; florestação com espécies exóticas.
6310; 92A0; 9330
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO
– Promover a regeneração natural
As orientações de gestão no Sítio Caldeirão deverão ser
dirigidas prioritariamente para a conservação dos montados 6310; 9330
e recuperação de áreas de matagal mediterrânico, habitats
– Condicionar a florestação
que são igualmente importantes para a conservação de
várias espécies da fauna. 9330
Neste sentido, importa acompanhar as acções de or- Lynx pardinus (em áreas mais sensíveis)
denamento e gestão florestal, nomeadamente através de:
definição e implementação de modelos de uso múltiplo do – Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
montado, baseado em sistemas extensivos; conservação das tones
manchas florestais naturais mais desenvolvidas – azinhais, Euphydryas aurinia; Lynx pardinus (com um subcoberto
sobreirais e medronhais (condicionar cortes); controlo diversificado)
da instalação de novos povoamentos florestais, no que
respeita a localização (preservando montado e azinhais), – Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
dimensão, composição e infra-estruturas de apoio (rede e arbustivo
viária, corta-fogos, etc.), assim como a sua gestão futura;
promoção da regeneração natural nos montados e bosques Euphydryas aurinia; Lynx pardinus
Salix salvifolia ssp australis (manter elevados níveis de
de sobro e azinho; manutenção de faixas de matos, medida
naturalidade no subcoberto de povoamentos ripícolas)
a compatibilizar com as acções necessárias à prevenção
de incêndios florestais. – Promover áreas de matagal mediterrânico
Deverá ser também assegurada a manutenção do mo-
saico silvo-pastoril e a utilização de boas práticas agríco- 9330; Lynx pardinus
las, o que contribuirá para o aumento das populações de
– Incrementar sustentabilidade económica de activida-
espécies-presa.
des com interesse para a conservação
Importa igualmente ordenar a actividade cinegética,
tendo em conta a preservação de áreas mais sensíveis. 6220*; 6310; 9330; Lynx pardinus
4536-(76) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– Reduzir risco de incêndio – Condicionar a construção de infra-estruturas


9330; Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitani- 6220*; 9330
cum; Euphydryas aurinia; Lutra lutra; Lynx pardinus; Lynx pardinus (condicionar a construção de grandes
Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii infra-estruturas em áreas prioritárias)

Agricultura e Pastorícia – Condicionar expansão urbano-turística


– Adoptar práticas de pastoreio específicas 8310; 92D0; 9330
3170*; 6310 Lutra lutra; Lynx pardinus; Mauremys leprosa (ordenar
Mauremys leprosa (salvaguardar do pastoreio os locais expansão urbano-turística de forma a não afectar as áreas
mais sensíveis) mais sensíveis)
Euphydryas aurinia (baixo encabeçamento, preferen-
cialmente bovinos) – Condicionar construção de açudes em zonas sensí-
veis
– Manter práticas de pastoreio extensivo 3290; 92D0; Anaecypris hispanica; Chondrostoma lu-
3290; 6220*; 6310; 6420; Lynx pardinus sitanicum; Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii

– Salvaguardar de pastoreio – Condicionar construção de barragens em zonas sen-


síveis
92D0; 9330
3290; 92D0; Anaecypris hispanica; Chondrostoma lu-
– Assegurar mosaico de habitats sitanicum; Lynx pardinus; Rutilus alburnoides; Rutilus
lemmingii
Euphydryas aurinia (áreas mais abertas, de prados e
pastagens, alternadas com zonas não cortadas/abandonadas – Assegurar caudal ecológico
recentemente)
Lynx pardinus (matagais e bosques mediterrânicos, inter- Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Lu-
calados com áreas abertas de pastos e zonas agrícolas) tra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides; Rutilus
lemmingii
– Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
– Melhorar transposição de barragens/açudes
Euphydryas aurinia (em áreas mais abertas, com o ob-
jectivo de criar locais de refúgio e reprodução) Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Ruti-
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes lus alburnoides; Rutilus lemmingii (colocação de passagens
e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas adequadas para peixes)
húmidas)
– Condicionar transvases
– Condicionar queimadas Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Ru-
Euphydryas aurinia (particularmente nas fases de ovo tilus alburnoides; Rutilus lemmingii
e crisálida)
– Reduzir mortalidade acidental
– Condicionar mobilização do solo Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
3170*; 6220* rodovias)

– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas Outros usos e Actividades


alternativas – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
Euphydryas aurinia Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum;
Lutra lutra; Lynx pardinus; Mauremys leprosa; Rutilus
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas alburnoides; Rutilus lemmingii
alternativas em áreas contíguas ao habitat Salix salvifolia ssp australis (adensar povoamentos ri-
3170*; 3290; Anaecypris hispanica; Chondrostoma pícolas)
lusitanicum; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus al-
burnoides; Rutilus lemmingii – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
nhas de água
– Condicionar expansão do uso agrícola
3170*; 3290; 92A0; 92D0; Anaecypris hispanica;
6420; 9330 Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra; Mauremys le-
prosa; Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii
Construção e Infra-estruturas Salix salvifolia ssp australis (a selecção da maquinaria
e estratégias para as limpezas de linhas de água deverá
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
garantir a continuidade e a complexidade dos povoamen-
limpeza de taludes
tos, evitando a redução a um simples remate arbóreo das
Euphydryas aurinia (em áreas mais sensíveis, efectuar margens ribeirinhas; não imobilizar os taludes de margem
estes trabalhos em função do ciclo de vida da espécie) através de enrocamentos ou betonização)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(77)

– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água – Ordenar prática de desporto da natureza


3170*; 3290; 8310; 92D0; Lutra lutra; Mauremys le- 8310
prosa Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Ru-
Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Ru- tilus alburnoides; Rutilus lemmingii (desportos associados
tilus alburnoides; Rutilus lemmingii (considerando como aos cursos de água)
valores de referência os limites previstos para as «águas
de ciprinídeos», de acordo com o disposto no Dec.-Lei nº Orientações específicas
236/98, de 1 de Agosto) – Efectuar desmatações selectivas
– Condicionar captação de água 6220*; 6420
Lynx pardinus (criar espaços abertos intercalados nas
3170* manchas de matos, para fomento de presas)
Lutra lutra; Mauremys leprosa; Rutilus alburnoides
(nas zonas mais sensíveis e durante os meses de menor – Efectuar gestão por fogo controlado
pluviosidade)
Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Ruti- 6220*; 6420
lus lemmingii (nas zonas mais sensíveis e durante os meses – Estabelecer programa de repovoamento/fomento/rein-
de menor pluviosidade. Dar particular atenção aos pegos, trodução de presas
tomando medidas para a sua permanência)
Lynx pardinus (promover o fomento de presas selvagens,
– Condicionar drenagem em particular o coelho-bravo)
3170*; 6420 – Estabelecer programa de repovoamento/reintrodução
Mauremys leprosa (em zonas mais sensíveis)
Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Lynx
– Regular uso de açudes e charcas pardinus

3170*; Mauremys leprosa (salvaguardar os charcos – Criar novos locais de reprodução, conservar/recuperar
temporários do gado; evitar a mobilização dos charcos os existentes
temporários localizados em terrenos agrícolas) Anaecypris hispanica (melhorar os habitats de repro-
dução e alevinagem nas zonas degradadas)
– Regular dragagens e extracção de inertes
– Controlar efectivos de animais assilvestrados
3170*; 8310
Mauremys leprosa (tomar medidas que impeçam a ex- Lynx pardinus (cães e gatos assilvestrados, em áreas
tracção de inertes nas zonas coincidentes com áreas de prioritárias)
reprodução)
Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Ru- – Impedir introdução de espécies não autóctones/con-
tilus alburnoides; Rutilus lemmingii (tomar medidas que trolar existentes
impeçam a extracção de inertes nos locais de reprodução 6220*; 9330
da espécie, em qualquer época do ano. Nos restantes locais, Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; Eu-
condicionar durante a Primavera) phydryas aurinia; Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii
(implementar programas de controlo e erradicação de espé-
– Tomar medidas que impeçam as deposições de dra- cies vegetais exóticas invasoras das margens das linhas de
gados ou outros aterros água e encostas adjacentes, promovendo a sua substituição
Anaecypris hispanica; Chondrostoma lusitanicum; por espécies autóctones)
Rutilus alburnoides; Rutilus lemmingii (em áreas mais Mauremys leprosa (controlar introduções furtivas de
sensíveis) espécies animais potenciais competidoras)
– Condicionar o acesso
– Implementar gestão cinegética compatível com con-
servação espécie 8310
Lynx pardinus (correcta exploração cinegética das suas – Recuperar zonas húmidas
presas, nomeadamente pelo estabelecimento de áreas de
caça/não caça, condicionantes ao número de efectivos a Mauremys leprosa
abater e às épocas de caça)
SÍTIO

– Ordenar actividades de recreio e lazer CAMBARINHO

Mauremys leprosa (em áreas mais sensíveis, associadas


CÓDIGO
às zonas húmidas)
PTCON0016
– Ordenar acessibilidades
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
9330
Lynx pardinus (condicionar a utilização/abertura de Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de
acessos em áreas prioritárias) Julho
4536-(78) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

ÁREA Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-


Lei n.º 49/2005 de 24/02
24 ha

CÓDIGOS NUT Código espécie Espécie Anexos

PT125 – Dão-Lafões – 100 %


1083 Lucanus cervus II
Concelhos envolvidos 1172 Chioglossa lusitanica II, IV
% do concelho % do sítio no 1259 Lacerta schreiberi II, IV
Concelho Área (ha)
classificado concelho
A negrito: espécies prioritárias
Vouzela 23,31 0,1 % 100 %
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Mediterrânica
Código espécie Espécie Anexos
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL
1733 Veronica micrantha II, IV
Reserva Botânica de Cambarinho – Diploma de classi-
ficação: Decreto-Lei nº 364/71 de 25 de Agosto
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER- do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
NACIONAL

Não se aplica Espécie Anexos

CARACTERIZAÇÃO FLORA Arnica montana V


O Sítio localiza-se na vertente Noroeste da serra do FAUNA Coenonympha hero IV
Caramulo, apresentando a sua vegetação influências dos
Alytes obstetricans IV
elementos biogeográficos eurosiberiano e mediterrânico.
O Sítio é atravessado pelo ribeiro de Cambarinho (su- Discoglossus galganoi IV
bafluente do Vouga) e alguns pequenos tributários, que Rana iberica IV
correm entre pequenas elevações rochosas de natureza
granítica. Observam-se bosques residuais de carvalhos Triturus marmoratus IV
(Quercus robur e Q. pyrenaica), resquícios das formações
outrora dominantes.
Nas margens dos cursos de água verifica-se a presença Principais usos e ocupação do território
do habitat prioritário (5230), de distribuição naturalmente com respectivas percentagens
restrita, constituído por matagais altos dominados, de forma
estreme ou quase, por loendro (Rhododendron ponticum Tipo de uso do solo Área (ha)
Percentagem
(%)
subsp. baeticum) (5230*), e de amiais (Alnus glutinosa)
ripícolas, associados a orlas arbustivas de loendro (92B0).
Áreas agro/silvo/pastoris 0 0
Estes habitats só ocorrem em dois Sítios, apresentando uma
marcada disjunção na sua distribuição. Áreas agrícolas arvenses 0,366 1,57
O Sítio Cambarinho alberga uma das maiores popu- Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 0 0
lações portuguesas de loendro. Esta planta termófila é
um endemismo ibérico, constituindo provavelmente uma Matos e Pastagens naturais 21,521 92,32
relíquia das florestas laurifólias artho-terciárias paleo- Floresta 1,114 4,78
sub-tropicais.
Zonas húmidas 0 0
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 0,31 1,33
do Decreto-Lei n.º 49/2005 sem coberto vegetal)
4030 Charnecas secas europeias Fonte – COS 90

5230* Matagais arborescentes de Laurus nobilis


8230 Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleran- CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
thion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii
Área do Sítio: 88 % Florestal;
9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus
pyrenaica Uso Florestal – 21 ha: Povoamentos de pinheiro bravo
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba Dinâmicas Socio-económicas: 100 % da área do sítio
92B0 Florestas-galerias junto aos cursos de água intermitentes Rural Frágil
mediterrânicos com Rhododendron ponticum, Salix e
outras espécies Sistemas dominantes: Dominância de povoamentos de
A negrito: habitats prioritários pinheiro bravo.
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(79)

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 0 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 0 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 0 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 0 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 0 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 0 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 0 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 1,57 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 4,78 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA – Manter árvores mortas ou árvores velhas com cavi-


dades
Fogos florestais; corte ou arranque de plantas de lo-
endro; captações de água (afectação das linhas de água Lucanus cervus
sazonais); sobrevisitação; plantação intensiva de eucalipto
e pinheiro-bravo; – Promover a regeneração natural
9230; 92B0; Veronica micrantha
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO

As orientações de gestão a considerar para este Sítio – Reduzir risco de incêndio


destinam-se fundamentalmente à conservação das zonas de
5230*; 9230; 92B0; Chioglossa lusitanica; Lacerta
ocorrência de loendro (galeria ripícola e matos higrófilos),
schreiberi; Lucanus cervus
através de uma gestão florestal adequada.
Outros usos e Actividades
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
AOS VALORES NATURAIS – Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte
e colheita de espécies
Silvicultura
5230*; 92B0
– Adoptar práticas silvícolas específicas
– 5230* (mantendo um ambiente florestal sombrio) – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
9230; 92A0; 92B0 nhas de água
5230*; 9230; 92A0; 92B0; Chioglossa lusitanica; La-
– Condicionar a florestação (controlar a plantação de
certa schreiberi
eucaliptal e pinhal)
5230*; 92B0 – Condicionar captação de água
92B0; Chioglossa lusitanica (nas zonas mais sensíveis
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
e durante os meses de menor pluviosidade)
tones
Lucanus cervus – Condicionar drenagem
Veronica micrantha (conservar o habitat 9230. Adensa-
Chioglossa lusitanica (em zonas mais sensíveis)
mento dos povoamentos e manutenção de elevados níveis
de naturalidade sem qualquer tipo de intervenção no subco-
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
berto. Manutenção dos níveis de escorrência e infiltração
das águas no solo ao longo das vertentes vizinhas) Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi; Lucanus
cervus
– Incrementar sustentabilidade económica de activida-
des com interesse para a conservação – Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
9230 Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi

– Efectuar desmatações selectivas – Ordenar actividades de recreio e lazer


9230; 92B0; 5230* 5230*; 92B0
4536-(80) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– Ordenar acessibilidades – Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a


limpeza de taludes
5230*
Veronica micrantha
– Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas
fora dos caminhos estabelecidos SÍTIO

5230* CARREGAL DO SAL

Agricultura e Pastorícia CÓDIGO

– Condicionar expansão do uso agrícola PTCON0027


5230*
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO

– Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28


de Agosto
Lucanus cervus
ÁREA
– Salvaguardar de pastoreio
9 554 ha
9230
CÓDIGOS NUT
Orientações específicas
– Criar novos locais de reprodução, conservar/recuperar PT124 – Pinhal Interior Norte – 70 %
os existentes PT125 – Dão-Lafões – 15 %
PT127 – Serra da Estrela – 15 %
Chioglossa lusitanica (conservar/recuperar minas e ga-
lerias já identificadas) Concelhos envolvidos

– Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo Concelho Área (ha)


% do concelho
classificado
% do sítio no
concelho
o seu cultivo
5230*; 92B0 Carregal do Sal 1476 13 % 15 %
Oliveira do Hospital 6576 28 % 69 %
Seia 1125 3% 12 %
– Efectuar limpezas manuais/selectivas de linhas de Tábua 377 2% 4%
água, necessárias ao adequado escoamento
92A0; 92B0 REGIÃO BIOGEOGRÁFICA

– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- Mediterrânica


trolar existentes
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
4030; 5230*; 92B0 NACIONAL

Chioglossa lusitanica (implementar programas de con- Não se aplica


trolo e erradicação de espécies vegetais exóticas invasoras
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
das margens das linhas de água e encostas adjacentes,
NACIONAL
promovendo a sua substituição por espécies autóctones)
Lacerta schreiberi (remover espécies vegetais exóticas Não se aplica
pelo menos numa faixa de 50 m para cada lado das linhas
de água) CARACTERIZAÇÃO

– Manter/recuperar habitats contíguos O Sítio é composto por elevações graníticas, entrecor-


tadas por linhas de água, algumas encaixadas, onde se
Veronica micrantha (conservar os carvalhais que cons- salientam o rio Mondego e o seu afluente rio Seia, bem
tituem o habitat-orla) como o rio Cobral, afluente do Seia.
Apresenta um mosaico agro-silvo-pastoril cuja distri-
– Estabelecer programa de repovoamento/reintrodu- buição espacial depende das características topográficas
ção e, consequentemente, da qualidade dos solos.
Veronica micrantha Nas zonas mais aplanadas, correspondentes aos solos
de melhor qualidade, ocorrem extensas áreas de terrenos
Construção e Infra-estruturas agrícolas, usualmente distribuídas em redor dos principais
núcleos populacionais.
– Condicionar a construção de infra-estruturas Em vertentes mais inclinadas ocorrem extensas manchas
Veronica micrantha de pinhais de produção (Pinus pinaster).
Nas vertentes de máximo declive dos rios Mondego,
Seia e Cobral, assim como nas linhas de festo adjacentes,
– Condicionar construção de açudes em zonas sensíveis
encontramos os solos mais degradados ou incipientes, que
Veronica micrantha suportam uma vegetação arbustiva dominada por giesta-
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(81)

branca (Cytisus multiflorus), e afloramentos graníticos Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
em abundância. do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Este tipo de solos e os afloramentos graníticos consti-
tuem o habitat preferencial de Narcissus scaberulus, um Espécie Anexos

endemismo lusitano, cuja ocorrência é exclusiva deste


Sítio. FLORA Narcissus bulbocodium V
O Sítio Carregal do Sal é ainda importante para a con- Narcissus triandrus IV
servação da salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica),
espécie vulnerável, endémica da Península Ibérica, que Principais usos e ocupação do território
com respectivas percentagens
ocorre em ecossistemas ribeirinhos.
Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I (%)
do Decreto-Lei n.º 49/2005
Áreas agro/silvo/pastoris 44,308 0,46
3130 Águas estagnadas, oligotróficas a mesotróficas, com ve-
getação da Littorelletea uniflorae e/ou da Isoëto-Nano- Áreas agrícolas arvenses 1434,876 15,02
juncetea
Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 1515,868 15,87
3260 Lagos e charcos distróficos naturais
Matos e Pastagens naturais 1421,746 14,88
4030 Charnecas secas europeias
Floresta 4581,32 47,95
5230* Matagais arborescentes de Laurus nobilis
Zonas húmidas 48,492 0,51
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 506,92 5,31
6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo- sem coberto vegetal)
dietea
Fonte – COS 90
6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos
pisos montano a alpino
CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
6510 Prados de feno pobres de baixa altitude (Alopecurus pra-
tensis, Sanguisorba officinalis) Área do Sítio: 9 % Agrícola e 61 % Florestal;
8130 Depósitos mediterrânicos ocidentais e termófilos
Uso Agrícola – SAU: 920 ha:
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
8230 Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleran-
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
thion ou da Sedo albi – Veronicion dillenii
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae) Forragens/Prados tempor.: 68 %. OTE Pecuárias: 35 %

9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus – Espec.Ovinos/Caprinos: 31 %


pyrenaica (área); 20 % (MBT)

92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba Olival: 27 % Culturas Permanentes Dominantes:
Vinha: 13 % 11 %
9330 Florestas de Quercus suber Espec. Olival: 4 %
A negrito: habitats prioritários
– Nº explorações agrícolas: 353;
Espécies da Flora constantes do anexo B-II – SAU por exploração: 3 ha
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 – SAU irrigável: 75 %;
Código espécie Espécie Anexos Uso Florestal – 5 816 ha:

1870 Narcissus scaberulus II, IV Tipo


% área
Composição
do Sítio

Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto- Matos 22 %


Lei n.º 49/2005 de 24/02
Espécies 39 % 31 % Pinheiro Bravo; 4 % Euca-
lipto;
Código espécie Espécie Anexos 3 % Carvalhos; 1 % Outras Fo-
lhosas;
Regime de Caça Especial 43 %
1116 Chondrostoma polylepis II
Incêndios (90-2003) 21 %
1135 Rutilus macrolepidotus II

1172 Chioglossa lusitanica II, IV 1. Dinâmicas Socio-económicas


1259 Lacerta schreiberi II, IV • Dinâmicas Territoriais: 100 % da área do sitio Rural
Frágil
1301 Galemys pyrenaicus II, IV
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
1355 Lutra lutra II, IV
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 69 %;
4536-(82) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– com elevado risco de abandono após desligamento 3.2 Produtos de Qualidade


total das ajudas – 69 %;
O Sítio abrange:
2. Sistemas dominantes: – Algumas freguesias pertencentes à área geográfica de
Área com ocupação maioritariamente florestal com produção de Borrego e queijo da Serra da Estrela (DOP)
povoamentos de pinheiro bravo. (Oliveira do Hospital e Carregal do Sal);
Zona de policultura onde dominam as culturas arvenses – Algumas freguesias pertencentes à área geográfica de
muitas vezes associadas a olival e a ovinicultura para pro- produção de maçã da Beira Alta (IGP) Bravo de Esmolfe
dução de borrego e queijo da Serra da Estrela. (DOP) (Oliveira do Hospital e Carregal do Sal).

3. Programas/Projectos Específicos 3.3 Programas Específicos


3.1 Áreas de Regadio Este Sítio está incluído nas áreas beneficiadas por Planos
de Intervenção (AGRIS – Acção 7.1) de Recuperação e
Nos vales aluvionares aparecem com frequência pe- Valorização do Património, da Paisagem e dos núcleos
quenos regadios colectivos que aproveitam as águas das Populacionais em Meio Rural:
ribeiras adjacentes através do seu represamento durante a
época de Primavera/Verão. – PI de Oliveira do Conde (Carregal do Sal)

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 5960 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 5690 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 62,38 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 38,51 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,52 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 28,65 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 31,38 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 68,62 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,53 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 30,92 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 38,90 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA


AOS VALORES NATURAIS
As ameaças mais relevantes estão associadas aos in-
cêndios florestais, à desmatações não selectiva no pi- Agricultura e Pastorícia
nhal, à degradação da qualidade da água e à perturbação
– Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
humana.
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
húmidas)
A manutenção das condições actuais de ocupação do
solo é suficiente para garantir a viabilidade das populações – Adoptar práticas de pastoreio específicas
de Narcissus scaberulus. A elevada coincidência geográfica
entre a distribuição desta espécie e a dos outros valores 3130; 5330; 6430; 6510
da Directiva existentes no Sítio, permitem a concentração
espacial das orientações de gestão. – Manter práticas de pastoreio extensivo
As orientações de gestão deverão ser prioritariamente 6220*
dirigidas para a redução do risco de incêndios florestais, 4030 (pastorícia extensiva de percurso)
para a adopção de práticas silvícolas adequadas (nomeada-
mente no que se refere à opção por desmatações selectivas), – Salvaguardar de pastoreio
para a promoção da qualidade da água e manutenção da
naturalidade das margens. 91E0*; 9230; 9330
É ainda recomendável condicionar a expansão urbano-
turística nas áreas mais sensíveis, bem como ordenar o – Condicionar expansão do uso agrícola
recreio, o lazer e as acessibilidades. 5330; 9330
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(83)

– Condicionar mobilização do solo – Condicionar construção de açudes em zonas sensí-


veis
5330; 6220*
3260; 91E0*; Chondrostoma polylepis; Galemys pyre-
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas naicus; Rutilus macrolepidotus
alternativas
– Condicionar construção de barragens em zonas sen-
6510; Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi
síveis
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí- 3260; 91E0*; Chondrostoma polylepis; Galemys pyre-
colas naicus; Lacerta schreiberi; Rutilus macrolepidotus; Nar-
cissus scaberulus
6510
– Assegurar caudal ecológico
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
alternativas em áreas contíguas ao habitat 3260; Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus;
Lutra lutra; Rutilus macrolepidotus
3130; 3260; Chioglossa lusitanica; Chondrostoma poly-
lepis; Galemys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lutra lutra;
– Melhorar transposição de barragens/açudes
Rutilus macrolepidotus
Galemys pyrenaicus (levadas laterais de água ou escadas
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí- para peixes)
colas em áreas contíguas ao habitat Alosa alosa; Lampreta fluviatilis; Chondrostoma poly-
lepis; Rutilus macrolepidotus (colocação de passagens
3130
adequadas para peixes)
Silvicultura
– Condicionar transvases
– Adoptar práticas silvícolas específicas
Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Rutilus
91E0*; 9230; 92A0; 9330 macrolepidotus
5330 (condicionar operações de desmatação)
– Reduzir mortalidade acidental
– Promover a regeneração natural
Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
91E0*; 9230; 9330 rodovias)

– Condicionar a florestação Outros usos e Actividades


5330; 6510; 8220; 9330; Narcissus scaberulus – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Gale-
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
mys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lutra lutra; Rutilus
tones
macrolepidotus
Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
– Promover áreas de matagal mediterrânico nhas de água
9330 3130; 3260; 91E0*; 9230; 92A0; Chioglossa lusitanica;
Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Lacerta
– Reduzir risco de incêndio schreiberi; Lutra lutra; Rutilus macrolepidotus
5230*; 5330; 91E0*; 9230; 9330; Chioglossa lusita-
– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
nica; Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; La-
certa schreiberi; Lutra lutra; Rutilus macrolepidotus 3130; 3260; Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi;
Lutra lutra
Construção e Infra-estruturas Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus (con-
siderando como valores de referência os limites previstos
– Condicionar a construção de infra-estruturas
para as «águas de ciprinídeos», de acordo com o disposto
5230*; 5330; 6220*; 8130; 8220; 9330 no Dec.-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
Chioglossa lusitanica; Galemys pyrenaicus; Lacerta Galemys pyrenaicus (considerando como valores de
schreiberi (na construção de novas estradas ou alargamento referência os limites previstos nas «Normas de qualidade
das existentes, evitar proximidade às linhas de água) aplicáveis às águas piscícolas», de acordo com o disposto
no Decreto-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
– Condicionar expansão urbano-turística
– Condicionar captação de água
5230*; 5330; 8130; 8220; 9330; Narcissus scaberulus
Chioglossa lusitanica; Lutra lutra (ordenar expansão 3260
urbano-turística de forma a não afectar as áreas mais sen- Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Ga-
síveis) lemys pyrenaicus; Lutra lutra; Rutilus macrolepidotus
4536-(84) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

(nas zonas mais sensíveis e durante os meses de menor 4030 (para bloqueio da progressão sucessional, com
pluviosidade) ciclos de recorrência que evitem a acumulação excessiva
de combustível)
– Condicionar drenagem
3130; 3260; 91E0* – Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte
Chioglossa lusitanica (em zonas mais sensíveis) e colheita de espécies
3130; 5230*
– Regular uso de açudes e charcas
3130 (por pisoteio de gado bovino) – Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo
o seu cultivo
– Regular dragagens e extracção de inertes 5230*
3130; 8130; 8220; Narcissus scaberulus
Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus (tomar – Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe-
medidas que impeçam a extracção de inertes nos locais tição inter-específica
de reprodução da espécie, em qualquer época do ano; nos
restantes locais, condicionar durante a Primavera) 3130
Galemys pyrenaicus (tomar medidas que impeçam a
extracção de inertes nas linhas de água, durante o período – Impedir introdução de espécies não autóctones/con-
de reprodução da espécie, de Março a Julho) trolar existentes
4030; 5230*; 6220*; 8220; 9330
– Ordenar actividades de recreio e lazer Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Ga-
Galemys pyrenaicus (em áreas mais sensíveis, associa- lemys pyrenaicus; Rutilus macrolepidotus (implementar
das às zonas húmidas) programas de controlo e erradicação de espécies vege-
tais exóticas invasoras das margens das linhas de água e
– Ordenar acessibilidades encostas adjacentes, promovendo a sua substituição por
espécies autóctones)
5230*, 9330
Lacerta schreiberi (remover espécies vegetais exóticas
– Ordenar prática de desporto da natureza pelo menos numa faixa de 50 m para cada lado das linhas
de água)
Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Rutilus
macrolepidotus (desportos associados a cursos de água) SÍTIO

– Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas CERRO DA CABEÇA


fora dos caminhos estabelecidos
CÓDIGO
5230*
PTCON0050
– Incrementar sustentabilidade económica de activida-
des com interesse para a conservação DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO

6220*; 9230; 9330 Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de


Julho
Orientações específicas
ÁREA
– Definir zonas de protecção para a espécie/habitat
9230; 9330 570 ha

CÓDIGOS NUT
– Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas
associados PT15 – Algarve – 100 %
Narcissus scaberulus
Concelhos envolvidos
– Manter/recuperar habitats contíguos % do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
classificado concelho
3130; 6430; 91E0*
Galemys pyrenaicus (assegurar corredores ecológicos)
Olhão 574 4% 100 %
Chondrostoma polylepis; Rutilus macrolepidotus (as-
segurar continuum fluvial)
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
– Efectuar desmatações selectivas Mediterrânica
5330; 6220*
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
– Efectuar gestão por fogo controlado NACIONAL

5330; 6220* Não se aplica


Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(85)

RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER- Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-
NACIONAL Lei n.º 49/2005 de 24/02

Não se aplica
Código espécie Espécie Anexos
CARACTERIZAÇÃO

Sítio de elevado valor paisagístico e científico, onde pre- 1303 Rhinolophus hipposideros II, IV
dominam os afloramentos rochosos calcários, que ocupam 1302 Rhinolophus mehelyi II, IV
mais de 50 % da área total. Estes afloramentos, em bom
estado de conservação, comportam vegetação vascular
(8210), estando por vezes organizados em lajes calcárias, Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
horizontais ou pouco inclinadas (8240*), com um reticu- do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
lado de fendas colonizadas pelos melhores exemplos de
vegetação casmofítica calcícola em território nacional. Espécie Anexos
O coberto vegetal é dominado por carrascais (5330),
sendo observáveis alguns resquícios dos azinhais (Quer-
FLORA Bellevalia hackelii IV
cus rotundifolia) (9340) de outrora. Registam-se ainda as
presenças de arrelvados submetidos a pastoreio (6220*) Narcissus bulbocodium V
e de matagais ou bosques baixos de Nerium oleander e Ruscus aculeatus V
Tamarix sp. pl., em galeria, associados ao leito de cursos
de água de caudal irregular (92D0). FAUNA Bufo calamita IV
Refira-se ainda que esta paisagem cársica possui uma
grande disponibilidade de cavidades, potenciais abrigos Principais usos e ocupação do território
de morcegos. com respectivas percentagens
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
do Decreto-Lei n.º 49/2005 Tipo de uso do solo Área (ha)
Percentagem
(%)
3140 Águas oligomesotróficas calcárias com vegetação bêntica
de Chara spp.
Áreas agro/silvo/pastoris 0 0
3170* Charcos temporários mediterrânicos
Áreas agrícolas arvenses 0 0
3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
Agrostidion Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 311,189 54,21
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos Matos e Pastagens naturais 262,824 45,79
6210 Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em subs- Floresta 0 0
trato calcário (Festuco-Brometalia)
(* importantes habitats de orquídeas) Zonas húmidas 0 0
6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo- Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 0 0
dietea sem coberto vegetal)
6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e Fonte – COS 90
dos pisos montano a alpino
8210 Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL
8240* Lajes calcárias
Área do Sítio: 16 % Agrícola e 53 % Florestal;
8310 Grutas não exploradas pelo turismo
Uso agrícola – 91 SAU: ha:
92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamari-
cetea e Securinegion tinctoriae) – OTE dominantes – Culturas Permanentes
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia
A negrito: habitats prioritários Uso Florestal – 305 ha: ocupados com matos
Dinâmicas Territoriais: 100 % área do Sítio Rural Di-
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 nâmico
Sistemas dominantes: Espaço Florestal representativo
Código espécie Espécie Anexos
com ocupação exclusiva de matos. O uso agrícola é dimi-
nuto, não havendo aptidão agrícola de relevo com excepção
1863 Narcissus calcicola II, IV
das culturas referenciadas para o Barrocal

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 0 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 0 313188 10148259 indivíduos 2001
4536-(86) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

Densidade populacional 0 17,08 113,20 hab/km2 2001


Taxa de actividade 0 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 0 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 0 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 0 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 1,78 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 54,21 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 0 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas


alternativas em áreas contíguas ao habitat
A implantação de infra-estruturas (sobretudo através de
construção civil), as actividades turísticas e a extracção de 3170*; 3290
inertes assumem-se como os principais factores de ameaça
para o Sítio. Silvicultura
– Promover a regeneração natural
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO
9340
A gestão do Sítio deverá ser orientada sobretudo para a
conservação da flora e vegetação rupícola. Para o efeito, é – Promover áreas de matagal mediterrânico
necessário preservar as áreas dos afloramentos rochosos
nos cerros, condicionando as alterações ao uso actual do 9340; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
solo, nomeadamente pela expansão urbano-turística e ex-
tracção de inertes. Importa ainda assegurar o mosaico de – Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
habitats e manter a ocupação agro-silvo-pastoril extensiva, e arbustivo
sobretudo no sopé dos cerros. Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA – Adoptar práticas silvícolas específicas
AOS VALORES NATURAIS
9340
Agricultura e Pastorícia 5330(condicionar operações de desmatação)
– Manter práticas de pastoreio extensivo
– Condicionar a florestação
3290; 6210; 6220*; 8240*; Rhinolophus hipposideros;
Rhinolophus mehelyi 5330; 9340
– Reduzir risco de incêndio
– Adoptar práticas de pastoreio específicas
5330; 9340; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus
3170*; 5330; 6210; 6430 mehelyi
– Salvaguardar de pastoreio Construção e Infra-estruturas
9340; 92D0 – Condicionar a construção de infra-estruturas
– Condicionar expansão do uso agrícola 5330; 6220*; 8130; 8210; 9340; Narcissus calcicola
5330; 9340 – Condicionar expansão urbano-turística
– Condicionar a intensificação agrícola 5330; 8310; 92D0; 9340
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi Outros usos e Actividades
– Condicionar mobilização do solo – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
3170*; 5330; 6220* Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (com
um subcoberto diversificado)
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
alternativas – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
nhas de água
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
3170*; 3290; 92D0
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(87)

– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi


(quando se justifique, colocar vedações para evitar a en-
3140; 3170*; 3290; 8310; 92D0
trada de visitantes nas épocas do ano em que o abrigo
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (con-
servação das suas áreas de alimentação) se encontra ocupado, mas que permitam a passagem de
morcegos)
– Condicionar captação de água
– Desobstruir a entrada de abrigos
3170*
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (grutas
– Condicionar drenagem ou algares)

3170* – Impedir encerramento de grutas, minas e algares com


dispositivos inadequados
– Regular uso de açudes e charcas
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (como
3170* portas compactas ou gradeamentos de malha apertadas)

– Regular dragagens e extracção de inertes SÍTIO

3170*; 8210; 8240*; 8310 COMPLEXO DO AÇOR

– Ordenar acessibilidades CÓDIGO

9340 PTCON0051
– Ordenar prática de desporto da natureza DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
8210; 8310 Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (es- Julho
peleologia)
ÁREA
– Reduzir mortalidade acidental
1 362 ha
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (evitar
o uso de vedações rematadas no topo com arame farpado) CÓDIGOS NUT

– Incrementar sustentabilidade económica de activida- PT124 – Pinhal Interior Norte – 91 %


des com interesse para a conservação PT127 – Serra da Estrela – 2 %
PT 12 A– Cova da Beira – 7 %
6220*; 9340; Narcissus calcicola
Concelhos envolvidos
Orientações específicas
% do concelho % do sítio no
– Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas Concelho Área (ha)
classificado concelho
associados
Arganil 749 2% 55 %
Narcissus calcicola Covilhã 99 0,2 % 7%
Pampilhosa da Serra 489 1% 36 %
– Manter/recuperar habitats contíguos Seia 26 0,06 % 2%
6430
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA
– Efectuar desmatações selectivas
Mediterrânica
5330; 6220*
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
– Efectuar gestão por fogo controlado NACIONAL
5330; 6210; 6220* Área Paisagem Protegida Serra do Açor (24,5 %) Di-
ploma de classificação: Decreto-Lei n.º 67/82, de 3 de
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- Março
trolar existentes
3140; 6220*; 9340 RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
NACIONAL
– Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo Reserva Biogenética (Conselho da Europa): Mata da
o seu cultivo Margaraça
Narcissus calcicola
CARACTERIZAÇÃO
– Condicionar o acesso
O Complexo do Açor é composto por quatro áreas distin-
8310 tas: Mata da Margaraça, S. Pedro do Açor, Cebola e Fajão.
4536-(88) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Nas Matas da Margaraça e do Fajão, destacam-se as Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-
comunidades vegetais, bosques caducifólios de carácter Lei n.º 49/2005 de 24/02
reliquial, com elevado valor botânico e fitogeográfico. A
Margaraça encontra-se localizada sobre encostas xistosas Código espécie Espécie Anexos
e o Fajão sobre afloramentos quartzíticos de valor geo-
morfológico e paisagístico.
Assinala-se aqui a ocorrência de azereirais (5230*), 1083 Lucanus cervus II, IV
sendo a Serra do Açor a zona da Península Ibérica com o
1172 Chioglossa lusitanica II, IV
maior núcleo populacional de azereiro (Prunus lusitanica
subsp. lusitanica), espécie que aqui aparece com frequência 1259 Lacerta schreiberi II, IV
associada a azevinho (Ilex aquifolium) (9380) e loureiro 1355 Lutra lutra II, IV
(Laurus nobilis) (5230*).
Em Cebola e S. Pedro do Açor a paisagem apresenta 1308 Barbastella barbastellus II, IV
características distintas, com charnecas e matos de altitude, 1321 Myotis emarginatus II, IV
nomeadamente matos rasteiros acidófilos temperados e
mediterrânicos (6160), a que se associam as gramíneas 1323 Myotis bechsteinii II, IV
Festuca elegans e Festuca summilusitana.
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV
Ainda em termos florísticos, importa destacar a presença
de várias espécies da flora endémicas e/ou raras, como A negrito: espécies prioritárias
Murbeckiella sousae, Veronica micrantha, e a população
mais meridional de Narcissus asturiensis.
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
Sítio importante para o lagarto-de-água (Lacerta schrei-
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
beri) e particularmente para a salamandra-lusitânica (Chio-
glossa lusitanica), atendendo a que se trata de uma área de
elevada diversidade genética e de maior vulnerabilidade Espécie Anexos
para esta espécie.
FLORA Murbeckiella sousae IV
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
do Decreto-Lei n.º 49/2005 Narcissus bulbocodium V
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da Narcissus triandrus IV
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
Ruscus aculeatus V
4030 Charnecas secas europeias
Scrophularia grandiflora V
5230* Matagais arborescentes de Laurus nobilis
FAUNA Alytes obstetricans IV
6160 Prados oro-ibéricos de Festuca indigesta
Rana iberica IV
8130 Depósitos mediterrânicos ocidentais e termófilos
Triturus marmoratus IV
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
8230 Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleran- Eptesicus serotinus IV
thion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii Myotis daubentonii IV
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae) Myotis nattereri IV

92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba Nyctalus leisleri IV

9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus Pipistrellus pipistrellus IV


pyrenaica
Plecotus auritus IV
9260 Florestas de Castanea sativa
Tadarida teniotis IV
9330 Florestas de Quercus suber
9340 Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia
Principais usos e ocupação do território
9380 Florestas de Ilex aquifolium com respectivas percentagens
A negrito: habitats prioritários

Percentagem
Espécies da Flora constantes do anexo B-II Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
Áreas agro/silvo/pastoris 7,888 0,58
Código espécie Espécie Anexos
Áreas agrícolas arvenses 17,531 1,29
1882 Festuca elegans II, IV Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 67,266 4,93
1891 Festuca summilusitana II, IV Matos e Pastagens naturais 974,628 71,50
1390 Marsupella profunda II Floresta 268,645 19,71
1865 Narcissus asturiensis II, IV Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 27,218 2
1733 Veronica micrantha II, IV sem coberto vegetal)
A negrito: espécies prioritárias Fonte – COS 90
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CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL Dinâmicas Socio-económicas: 91 % da área do sitio


Área do Sítio: 89 % Florestal; Rural Frágil
Sistemas dominantes: Área predominantemente flo-
Uso Florestal – 1 212 ha: restal onde domina o pinheiro bravo. Área agrícola sem
expressão.
% área Áreas de Regadio: Nos vales aluvionares aparecem com
Tipo Composição
do Sítio frequência pequenos regadios colectivos que aproveitam as
águas das ribeiras adjacentes através do seu represamento
Matos 47 %
durante a época de Primavera/Verão.
Espécies 41 % 17 % Pinheiro Bravo; 11 % Car- Produtos de Qualidade: Mel da Serra da Lousã.(DOP)
valhos;
7 % Outras Folhosas; Programas Específicos: Está em curso o Plano de Acção
de Desenvolvimento Agro Rural do Vale do Alva e do
Incêndios (95-2001) 36 %
Vale do Ceira.

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 95 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 94 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 6,98 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 49,47 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,71 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 22,77 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 33,15 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 66,85 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,48 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 6,22 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 17,64 31,27 36,91 % 1990

Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA de limpezas nos carvalhais, soutos e medronhais. Nas zonas


com menor potencial regenerativo, deverá ser avaliada a
Incêndios florestais (em 2005 ardeu grande parte da
área, tendo sido afectados os «sub-sítios» S.Pedro do viabilidade da reposição do coberto vegetal natural.
Açor, Fajão e Cebola); mobilização de solos devido a Em virtude da reduzida dimensão das áreas de ocorrên-
acções de florestação; plantação de pinhal e eucaliptal cia de habitats (habitats raros) e espécies da flora, e consi-
(nomeadamente em Fajão); pressão turística (sobrevisita- derando a magnitude do impacte resultante da implantação
ção, raids todo-terreno); expansão de espécies alóctones de infra-estruturas sobre estas comunidades, deverão ser
(acácia – sobretudo na Mata da Margaraça e em Fajão); salvaguardadas as áreas mais sensíveis, nomeadamente
abertura de estradas e abertura de corta-fogos; extracção zonas de cumeada, relativamente à localização de estra-
de inertes (afloramentos de Fajão); implantação de parques das, antenas, parques eólicos, ou projectos de natureza
eólicos e/ou antenas. similar.
Torna-se ainda necessário minimizar o impacto turístico,
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO através da definição de capacidades de carga das áreas e do
ordenamento das actividades de recreio e lazer, incluindo
As orientações de gestão para o Complexo do Açor a visitação.
visam sobretudo a conservação e manutenção da diversi-
dade florística e dos habitats, considerando a existência DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
de espécies raras e prioritárias; a gestão do Sítio deverá AOS VALORES NATURAIS
assegurar igualmente a conservação dos valores faunísticos
mais relevantes, nomeadamente da herpetofauna associada Neste Sítio assumem particular relevância as seguintes
a linhas de água. orientações de gestão:
Tendo em conta as ameaças identificadas é fundamental – Reduzir risco de incêndio
investir na redução do risco de incêndio, sendo no entanto
necessário, definir quais as áreas mais adequadas para 5230*; 91E0*; 9230; 9330; 9340; 9380; Barbastella
abertura de corta-fogos. No que se refere à recuperação de barbastellus; Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi;
áreas ardidas (actualmente, sobretudo em Fajão), deverão Lucanus cervus; Lutra lutra; Myotis bechsteini; Myotis
ser efectuadas algumas intervenções pós-incêndio através emarginatus; Rhinolophus hipposideros
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– Promover a regeneração natural – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos


91E0*; 9230; 9330; 9340; Veronica micrantha Barbastella barbastellus; Myotis bechsteini; Myotis
emarginatus; Rhinolophus hipposideros (em áreas mais
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc- abertas, para aumentar a diversidade de presas e facilitar
tones deslocações na paisagem)
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
Lucanus cervus; Festuca elegans; Veronica micrantha e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
Barbastella barbastellus; Myotis bechsteini; Myotis húmidas)
emarginatus; Rhinolophus hipposideros (com um subco-
berto diversificado)
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
alternativas
– Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
e arbustivo Barbastella barbastellus; Chioglossa lusitanica; La-
certa schreiberi; Lucanus cervus; Myotis bechsteini; Myo-
Barbastella barbastellus; Myotis bechsteini; Myotis tis emarginatus; Rhinolophus hipposideros
emarginatus; Rhinolophus hipposideros
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
– Condicionar a construção de infra-estruturas alternativas em áreas contíguas ao habitat
4030; 5230*; 6160; 8130; 8220; 8230; 9330; 9340 3260;Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi; Lutra lutra
Festuca elegans; Narcissus asturiensis; Veronica mi-
crantha (estradas e antenas)
– Adoptar práticas de pastoreio específicas
Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi (na constru-
ção de novas estradas ou alargamento das existentes, evitar Festuca elegans; Festuca summilusitana (pastoreio de
proximidade às linhas de água) percurso)

– Preservar os maciços rochosos e habitats rupícolas – Manter práticas de pastoreio extensivo


associados
4030; 6160; Barbastella barbastellus; Myotis bechs-
Narcissus asturiensis teini; Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposideros

– Promover a manutenção de prados húmidos – Salvaguardar de pastoreio


Narcissus asturiensis 9230; 9330; 9340

– Incrementar sustentabilidade económica de activida- Silvicultura


des com interesse para a conservação
– Adoptar práticas silvícolas específicas
9230; 9260; 9330; 9340
5230*; 91E0*; 9230; 9260; 92A0; 9330; 9340
Narcissus asturiensis (vide Criar alternativas à colheita
Festuca elegans (condicionar o corte das formações
de espécies, promovendo o seu cultivo)
florestais de cuja orla a espécie faz parte, bem como a
limpeza destas orlas)
– Ordenar acessibilidades
5230*; 9330; 9340 – Condicionar a florestação
5230*; 8220; 9330; 9340; Festuca summilusitana
– Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas
fora dos caminhos estabelecidos
– Manter árvores mortas ou árvores velhas com cavidades
5230*
Lucanus cervus; Barbastella barbastellus; Myotis be-
chsteini; Myotis emarginatus
– Ordenar actividades de recreio e lazer
6160 – Promover áreas de matagal mediterrânico
9330; 9340; Rhinolophus hipposideros
– Condicionar ou tomar medidas que impeçam o corte
e a colheita de espécies
Construção e infra-estruturas
5230* (Tomar medidas que impeçam colheita de plantas)
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
limpeza de taludes
Neste Sítio são ainda importantes as seguintes orien-
tações de gestão: Veronica micrantha
Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi (adjacentes às
Agricultura e pastorícia
linhas de água, de forma a não aterrar/destruir as margens
– Assegurar mosaico de habitats das linhas de água e a vegetação aí existente)
Barbastella barbastellus; Myotis bechsteini; Myotis
– Condicionar expansão urbano-turística
emarginatus; Rhinolophus hipposideros (bosquetes, sebes
e matos, intercalados com zonas mais abertas de pastagens 4030; 8130; 8220; 9330; 9340; Festuca summilusi-
e zonas agrícolas) tana
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(91)

Chioglossa lusitanica; Lutra lutra (ordenar expansão – Estabelecer programa de repovoamento/reintrodu-


urbano-turística de forma a não afectar as áreas mais sen- ção
síveis)
Veronica micrantha
– Condicionar construção de açudes em zonas sensí-
veis – Impedir introdução de espécies não autóctones/con-
trolar existentes
3260; 5230*; 91E0*; Veronica micrantha
4030; 5230*; 8220; 9330; 9340
Chioglossa lusitanica (implementar programas de con-
– Condicionar construção de barragens em zonas sen-
trolo e erradicação de espécies vegetais exóticas invasoras
síveis
das margens das linhas de água e encostas adjacentes,
5230* promovendo a sua substituição por espécies autóctones)
Lacerta schreiberi (remover espécies vegetais exóticas
Outros usos e actividades pelo menos numa faixa de 50 m para cada lado das linhas
de água)
– Regular dragagens e extracção de inertes
5230; 6160; 8130; 8220 (extracção de inertes) – Condicionar o acesso
Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposideros (quando
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
se justifique, colocar vedações que evitem a entrada de vi-
5230; Barbastella barbastellus; Chioglossa lusitanica; sitantes mas permitam a passagem de morcegos. A entrada
Lacerta schreiberi; Lucanus cervus; Lutra lutra; Myotis dos visitantes é restringida apenas nas épocas do ano em
bechsteini; Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposi- que o abrigo se encontra ocupado)
deros
– Impedir encerramento de grutas, minas e algares com
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li- dispositivos inadequados
nhas de água
Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposideros (como
3260; 5230*; 91E0*; 9230; 92A0; Chioglossa lusita- portas compactas ou gradeamentos de malha apertadas)
nica; Lacerta schreiberi; Lutra lutra
– Desobstruir a entrada de abrigos
– Condicionar captação de água
Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposideros (grutas,
3260 minas ou algares)
Chioglossa lusitanica; Lutra lutra (nas zonas mais sen-
síveis e durante os meses de menor pluviosidade) – Manter as edificações que possam albergar colónias/
populações
– Condicionar drenagem
Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposideros
3260; 91E0*
Chioglossa lusitanica (em zonas mais sensíveis) SÍTIO

COMPORTA/GALÉ
– Ordenar prática de desporto da natureza
Myotis emarginatus; Rhinolophus hipposideros (espe- CÓDIGO
leologia)
PTCON0034
Orientações específicas
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO
– Manter/recuperar habitats contíguos
Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28
91E0* de Agosto

– Definir zonas de protecção para a espécie/habitat ÁREA

Veronica micrantha (microreservas) 32 051 ha

– Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo CÓDIGOS NUT


o seu cultivo
PT141 – Alentejo Litoral – 100 %
5230*; 9380
Narcissus asturiensis (se se verificar procura comercial Concelhos envolvidos
da espécie, incentivar o cultivo de narcisos, estabelecendo
um selo de certificação) Concelho Área (ha)
% do concelho
classificado
% do sítio no
concelho

– Criar novos locais de reprodução, conservar/recuperar Alcácer do Sal 22582 15 % 70 %


os existentes Grândola 5656 7% 18 %
Santiago do Cacém 2480 2% 8%
Chioglossa lusitanica (conservar/recuperar minas e ga- Sines 1313 6% 4%
lerias já identificadas)
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REGIÃO BIOGEOGRÁFICA transtagana, Herniaria maritima, Myosotis lusitanica,


Myosotis retusifolia, Santolina impressa, Thorella verti-
Mediterrânica
cillatinundata e Thymus carnosus.
Relativamente à fauna, destaca-se a presença da boga-
RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
portuguesa Chondrostoma lusitanicum, endemismo lusi-
NACIONAL
tano criticamente em perigo.
Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da San-
cha (9,17 %) Decreto Regulamentar n.º 10/00, de 22 de Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
Agosto do Decreto-Lei n.º 49/2005

1110 Bancos de areia permanentemente cobertos por água do


RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER- mar pouco profunda
NACIONAL
1140 Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa
Zona de Protecção Especial de Lagoa da Sancha (0,58 %) 1150* Lagunas costeiras
Diploma de classificação: Decreto-Lei n.º 384B/99 de 23
1210 Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela
de Setembro maré
Zona de Protecção Especial de Lagoa de Santo An-
dré (4,57 %) Diploma de classificação: Decreto-Lei n.º 1240 Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Li-
monium spp. endémicas
384B/99 de 23 de Setembro
Zona de Protecção Especial de Açude da Murta (1,14 %) 1310 Vegetação pioneira de Salicornia e outras espécies anuais
das zonas lodosas e arenosas
Diploma de classificação: Decreto-Lei n.º 384B/99 de 23
de Setembro 1320 Prados de Spartina (Spartinion maritimae)
Sítio Ramsar «Lagoas de Santo André e Sancha» 1410 Prados salgados mediterrânicos (Juncetalia maritimi)
1420 Matos halófilos mediterrânicos e termoatlânticos (Sarco-
CARACTERIZAÇÃO cornetea fruticosi)
O Sítio é constituído por duas unidades paisagísticas 1430 Matos halonitrófilos (Pegano-Salsoletea)
diferenciadas: a norte, uma planície costeira formada por 2110 Dunas móveis embrionárias
areias plistocénicas, cujo coberto vegetal é por dominado
por pinhal, podendo ocorrer bosques mistos e montados 2120 Dunas móveis do cordão litoral com Ammophila arenaria
(«dunas brancas»)
de sobro e azinho (6310), e a sul, uma faixa costeira cons-
tituída por um sistema dunar bem desenvolvido e estabi- 2130* Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas»)
lizado. 2150* Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea)
Face à elevada área do Sítio ocupada por dunas, os 2190 Depressões húmidas intradunares
habitats psamófilos estão muito bem representados em
variedade, extensão e estado de conservação. Merece re- 2230 Dunas com prados da Malcolmietalia
ferência toda uma sequência de dunas e sua vegetação, 2250* Dunas litorais com Juniperus spp.
desde o mar ao interior, a começar pelas dunas costeiras 2260 Dunas com vegetação esclerófila da Cisto-Lavenduletalia
(2110), frequentemente com vegetação anual halonitrófila
(1210), dunas embrionárias (2110), brancas (2120) ou 2270* Dunas com florestas de Pinus pinea e ou Pinus pinaster
cinzentas (2130*) (onde se incluem dunas sobre-elevadas 2330 Dunas interiores com prados abertos de Corynephourus e
com matos camefíticos), até aos tojais sobre dunas descal- Agrostis
cificadas (2150*), dunas com vegetação esclerófila (2260) 3110 Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas das planícies
ou areias com prados anuais oligotróficos (2230) ou com arenosas (Littorelletalia uniflorae)
arrelvados de Corynephorus (2330). Destaque para as 3130 Águas estagnadas, oligotróficas a mesotróficas, com ve-
dunas e paleodunas com matagais de Juniperus turbinata getação da Littorelletea uniflorae e ou da Isoëto-Nano-
subsp. turbinata e/ou Juniperus navicularis (2250*), ou juncetea
com pinhais-bravos (Pinus pinaster), com sob-coberto 3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion
arbustivo espontâneo (2270*) e para as depressões húmidas ou da Hydrocharition
intradunares (2190). De assinalar a presença de florestas 3160 Lagos e charcos distróficos naturais
mistas de Fraxinus angustifolia ou Ulmus minor (91F0),
3170* Charcos temporários mediterrânicos
em depressões intradunares ou nas imediações de hidros-
somas de características lóticas em paleodunas litorais 3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-
(frequentemente em ambiente de pinhal). Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix
e Populus alba
Muito importantes são as turfeiras sublitorais (7140) e
os biótopos higroturfosos com vegetação pioneira (7150), 3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
habitats com ocorrência bastante fragmentada. Agrostidion
No Sítio estão também incluídas lagoas costeiras 4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ci-
(1150*), com realce para a Lagoa de Santo André, separada liaris e Erica tetralix
do mar por uma faixa de dunas estabilizadas. 4030 Charnecas secas europeias
A flora observável é de elevado valor, sendo de salientar 6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
a presença de diversas espécies prioritárias (Armeria rou- dietea
yana, Linaria ficalhoana, Ononis hackelii, Jonopsidium
6310 Montados de Quercus spp. de folha perene
acaule, Thymus camphoratus), todas elas endemismos
lusitanos, com algum grau de vulnerabilidade. Presentes 6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-
Holoschoenion
estão ainda outras espécies protegidas, caso de Euphorbia
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(93)

6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos


Espécie Anexos
pisos montano a alpino
7140 Turfeiras de transição e turfeiras ondulantes
FLORA Sphagnum auriculatum V
7150 Depressões em substratos turfosos da Rhynchosporion
Thymus capitellatus IV
91B0 Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae) FAUNA Alytes cisternasii IV
91F0 Florestas mistas de Quercus robur, Ulmus laevis, Ulmus Bufo calamita IV
minor, Fraxinus excelsior ou Fraxinus angustifolia das Coluber hippocrepis IV
margens de grandes rios (Ulmenion minoris)
Discoglossus galganoi IV
9240 Carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus cana-
riensis Hyla arborea IV
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba Hyla meridionalis IV
92D0 Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea Triturus marmoratus IV
e Securinegion tinctoriae)
Pelobates cultripes IV
9330 Florestas de Quercus suber
Rana perezi V
A negrito: habitats prioritários
Eptesicus serotinus IV
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Principais usos e ocupação do território
com respectivas percentagens
Código espécie Espécie Anexos Percentagem
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%)

1644 Armeria rouyana II, IV Áreas agro/silvo/pastoris 357,642 1,12


1785 Centaurea fraylensis II, IV Áreas agrícolas arvenses 1825,352 5,70
1573 Euphorbia transtagana II, IV Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 512,595 1,60
1462 Herniaria maritima II, IV Matos e Pastagens naturais 338,078 1,05
1851 Hyacinthoides vicentina II, IV Floresta 17104,775 53,37
1487 Jonopsidium acaule II, IV Zonas húmidas 336,429 1,05
1639 Limonium lanceolatum II, IV Outros (áreas urbanas e industriais, áreas
sem coberto vegetal) 1332,541 4,16
1719 Linaria ficalhoana II, IV
Não classificado 27,727 0,09
1669 Myosotis lusitanica II, IV
Sem cartografia 10215,674 31,87
1673 Myosotis retusifolia II, IV
Fonte – COS 90
1549 Ononis hackelii II, IV
1434 Salix salvifolia ssp. australis II, IV CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL

1777 Santolina impressa II, IV Área do Sítio: 12 % Agrícola e 84 % Florestal;


1618 Thorella verticillatinundata II, IV Uso Agrícola – SAU: 3 944 ha:
1695 Thymus camphoratus II, IV
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
1681 Thymus carnosus II, IV
A negrito: espécies prioritárias
Past.Permanentes: 67 %; OTE Pecuária: 29 %
Forragens/Prados temp.: 5 %.
– Herbívoros não especializados:
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto- 15 %
Lei n.º 49/2005 de 24/02 – Espec. Bovinos Carne: 10 %;
– Espec. Ovinos/Caprinos: 6 %;
Código espécie Espécie Anexos
Cereais: 17 %; Pousio: 6 %; Arvenses: 29 % (arroz-17 %)

1128 Chondrostoma lusitanicum II – N.º explorações agrícolas: 236;


– SAU por exploração: 17 ha
1355 Lutra lutra II, IV – SAU menos produtiva: 63 %; SAU irrigável: 29 %;
A negrito: espécies prioritárias
Uso Florestal – 26 997 ha:
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 % área
Tipo Composição
do Sítio

Espécie Anexos
Matos 8%

FLORA Ruscus aculeatus V Espécies 77 % 34 % Pinheiro Bravo; 31 % Pi-


nheiro Manso; 9 % Eucalipto;
Scrophularia sublyrata V 3 % Sobreiro
4536-(94) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

1. Dinâmicas Socio-económicas As áreas agrícolas situam-se essencialmente nos peque-


• Dinâmicas Territoriais: 98 % da área do Sítio Rural nos vales húmidos onde predominam solos de baixa e co-
Frágil luviais, com a toalha freática muito próxima da superfície,
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio: onde normalmente se produz arroz, batata-doce e outras
hortícolas nos períodos de primavera/Verão.
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 77 % Algumas destas áreas estão ocupadas com pastagem
– com elevado risco de abandono após desligamento natural sujeitas a um regime de pastoreio extensivo.
total das ajudas – 68 %
3. Área de regadio
2. Sistemas dominantes:
Estão referenciados 152,22 ha de pequenos regadios
Os espaços florestais são predominantes com povoa-
particulares.
mentos muito significativos de pinhal.

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 694 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 663 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 2,17 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 38,47 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,59 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 10,25 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 36,55 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 63,45 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,14 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 7,30 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 53,61 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA Importa assegurar que a agricultura se efectue com recurso


a técnicas menos nocivas à conservação destes valores natu-
Pressão turística e de expansão urbana nesta faixa cos- rais, nomeadamente no que se refere ao uso de agro-químicos
teira; exploração florestal intensiva; drenagem de turfeiras e à forma de efectuar as lavouras.
e depressões húmidas e sua utilização para fins agrícolas;
doença provocada pelo nemátodo do pinheiro; pesca com DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
redes; poluição das ribeiras. AOS VALORES NATURAIS

ORIENTAÇÕES DE GESTÃO Agricultura e Pastorícia


Este é um Sítio importante para a flora e vegetação – Adoptar práticas de pastoreio específicas
típica dos sistemas dunares, que aqui apresentam um bom 3130; 6430; 3170*; 6310; 6430; 7140; 7150; 91B0;
estado de conservação. 91F0; 9240
São de extrema importância as orientações de gestão diri-
2230 (condicionar o pastoreio nos montados sobre
gidas à protecção de todo o sistema dunar, das zonas húmi-
das litorais e dos zimbrais. Importa assim compatibilizar a areias)
conservação destes habitats naturais com actividades como Euphorbia transtagana; Jonopsidium acaule (pastoreio
a urbanização, o turismo, as infra-estruturas, as acessibilida- de percurso)
des, o recreio e o lazer. Para isso há que assegurar o correcto Hyacinthoides vicentina (o uso ganadeiro deverá ser
ordenamento da expansão urbano-turística e da acessibilidade mantido promovendo-se a conversão de parcelas actu-
às praias e da localização das infra-estruturas balneares tendo almente afectas à exploração agrícola; não é vantajosa
em conta a capacidade de carga dos sistemas naturais. a intensificação pecuária nem a utilização de espécies
Deverá ser garantida a protecção das depressões intradu- forrageiras de prolongada persistência como por exemplo
nares e o controle das espécies infestantes como o chorão e ervilhaca, festucas etc; estas pastagens devem associar-se
a acácia. a bovinos e em menor grau a ovinos)
Deverá ainda garantir-se uma boa gestão e ordenamento Ononis hackelii (as pastagens deverão ser afectas a
florestal através: da conservação das manchas de vegetação gado ovino)
natural e semi-natural mais desenvolvidas e com maior valor
biológico; da protecção das zonas interiores constituídas por – Manter práticas de pastoreio extensivo
pinhais com um bom subcoberto e do incentivo ao maneio
do pastoreio por forma a garantir a conservação dos valores 1310 (nas zonas de sapal alto)
naturais em presença. 3280; 3290; 4030; 6220*; 6310; 6420
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(95)

– Salvaguardar de pastoreio – Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-


colas em áreas contíguas ao habitat
2130*; 2190; 2230; 2260; 92D0; 9330; Linaria fica-
lhoana 1150*

– Condicionar a intensificação agrícola – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos


Ononis hackelii Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
– Condicionar expansão do uso agrícola húmidas)
2230 (tomar medidas que impeçam as culturas agrícolas Silvicultura
em montados psamófilos de sobreiro)
4020*; 6420; 7140; 91F0; 9330 – Condicionar a florestação
Armeria rouyana (condicionar alteração de uso do solo 2250*; 4020*; 9330; Herniaria maritima
para usos agrícolas) Armeria rouyana (conter e reconverter o eucaliptal)
Thorella verticillatinundata (condicionar reconver- Euphorbia transtagana (tomar medidas que impeçam as
são agrícola por drenagem de pântanos onde a espécie florestação com eucaliptos em compassos apertados)
ocorre) Hyacinthoides vicentina (a florestação poderá ser uma
actividade vantajosa conciliável com a conservação da
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas espécie se se tratar de uma ocupação florestal de pinheiro
alternativas bravo e estritamente associada aos locais com maior dre-
nagem)
Ononis hackelii
Jonopsidium acaule (tomar medidas que impeçam as
Hyacinthoides vicentina (não utilizar herbicidas nas
florestação com eucalipto)
pastagens. Não é conhecido o efeito das adubagens inor- Ononis hackelii (impedir substituição do montado por
gânicas. Por precaução, devem ser mantidos os níveis es- eucaliptal)
tritamente indispensáveis considerando o efeito cumulativo Thymus carnosus (não adensar pinhais ou outros po-
de estrumes devido à permanência do gado) voamentos florestais na faixa de 100m atrás das dunas
primárias)
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
alternativas em áreas contíguas ao habitat – Tomar medidas que impeçam a florestação
1150*; 1410; 3110; 3150; 3160; 3170*; 3280; 3290; 7140; 91B0
7140; Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra
– Adoptar práticas silvícolas específicas
– Condicionar mobilização do solo
2150*; 2250*; 2270*; 6310; 91B0; 92A0; 9240; 9330
2150*; 2270*; 2330; 3160; 3170*; 6220 Armeria rouyana (práticas silvícolas sustentáveis: ciclos
Armeria rouyana (limpezas florestais devem ser pre- de limpeza florestal de 3 a 5 anos, permanência de aceiros
ferencialmente efectuadas com corta-matos ou eventual- e clareiras, desmatações selectivas e mobilizações superfi-
mente por gradagens superficiais) ciais, evitando intervenções entre Novembro e Julho)
Ononis hackelii (preparar o solo com periodicidade Euphorbia transtagana (desmoitas efectuadas de forma
superior a 5 anos, sem recurso a charrua) selectiva e com periodicidade ideal superior a 15 anos)
Santolina impressa (recorrer a mobilizações superficiais Ononis hackelii (quando em montados a desmoita de-
do solo, ex. gradagem, nas actividades agro-silvícolas) verá ocorrer com intervalos de 5 a 10 anos)
Centaurea fraylensis (sendo admissível a grade de dis- Santolina impressa (aumento do intervalo de tempo
cos em detrimento da utilização de charruas ou ripagens entre desmoitas)
profundas) Thymus camphoratus (idealmente o intervalo de tempo
Hyacinthoides vicentina (manutenção através de gra- entre desmoitas deverá superar os 15 anos; desmatação
dagens das pastagens de escala da parcela agrícola, sobre selectiva, preservando as leguminosas, ericáceas e folhosas
solos arenosos; evitar a utilização de arados de lâminas em detrimento das cistáceas arbustivas)
profundas)
Ononis hackelii (evitar a utilização de arados de lâminas – Manter/melhorar ou promover manchas de montado
profundas) aberto
Ononis hackelii
– Condicionar queimadas
4020*; 7140; 7150 – Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
tones
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí- Chondrostoma lusitanicum
colas
4020* – Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
Hyacinthoides vicentina (à escala da parcela, evitar o e arbustivo
uso agrícola dirigido para a produção de hortícolas, for- 2270*
rajeiras, pequenos frutos, hidroponia, etc.) Centaurea fraylensis (tojais e urzais baixos)
4536-(96) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Euphorbia transtagana (matos de carvalhiça e tojais) – Melhorar transposição de barragens/açudes


Ononis hackelii (relvados e charnecas com clareiras)
Lutra lutra
Salix salvifolia ssp australis (manter elevados níveis de
Chondrostoma lusitanicum (colocação de passagens
naturalidade no subcoberto de povoamentos ripícolas)
adequadas para peixes)
Thymus camphoratus (principalmente matos xerofíticos
e psamófilos, urzais, tojais)
– Condicionar transvases
– Promover a recuperação dos zimbrais Chondrostoma lusitanicum
2250* – Reduzir mortalidade acidental
– Promover a regeneração natural Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
rodovias)
6310; 91B0; 9240; 9330
Outros usos e Actividades
– Promover áreas de matagal mediterrânico
– Ordenar actividades de recreio e lazer
9330
1110; 1140; 2110; 2120; 2130*; 2190; 2230; 2250*;
– Reduzir risco de incêndio 2260; Thymus carnosus
2150*; 2260; 2270*; 9240; 9330; Chondrostoma lusi- – Conservar/recuperar cordão dunar
tanicum; Lutra lutra
2110; 2120; 2130*; 2150*; 2190; 2230; 2250*; Hernia-
Construção e Infra-estruturas ria maritima; Jonopsidium acaule; Linaria ficalhoana;
Thymus carnosus
– Condicionar expansão urbano-turística
1110; 1140; 1150*; 1240; 1310; 1410; 1430; 2150*; – Ordenar acessibilidades
2190; 2250*; 2260; 3110; 7140; 92D0; 9330; Armeria 1150*; 1210; 1240; 1310; 1410; 1420; 1430; 2110; 2120;
rouyana; Euphorbia transtagana; Herniaria maritima; 2130*; 2190; 2230; 2250*; 2260; 92D0; 9240; 9330
Linaria ficalhoana; Myosotis retusifolia; Ononis hacke- Herniaria maritima; Linaria ficalhoana; Thymus car-
lii; Santolina impressa; Thymus camphoratus; Thymus nosus (no acesso a praias, de modo a proteger o cordão
carnosus dunar do pisoteio)
Lutra lutra (ordenar expansão urbano-turística de forma
a não afectar as áreas mais sensíveis) – Tomar medidas que impeçam a circulação de viaturas
fora dos caminhos estabelecidos
– Condicionar a construção de infra-estruturas
1240; 2230; 2250*; 2260; Linaria ficalhoana; Thymus
1240; 1310; 1410; 1420; 1430; 2150*; 2190; 2260; carnosus; Hyacinthoides vicentina
2330; 3110; 3160; 7140; 9330; Limonium lanceolatum
Myosotis retusifolia (abertura e alargamento de vias de – Condicionar captação de água
comunicação ou outras infra-estruturas localizadas junto
a linhas de água) 2190; 3110; 3170*; 7140
Santolina impressa (abertura e alargamento de vias de Chondrostoma lusitanicum (nas zonas mais sensíveis
comunicação) e durante os meses de menor pluviosidade. Dar particular
1110; 1140; 1210; 2110; 2120; 2130*; 2230 (obras cos- atenção aos pegos, tomando medidas para a sua perma-
teiras) nência)
Lutra lutra (nas zonas mais sensíveis e durante os meses
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a de menor pluviosidade)
limpeza de taludes
– Condicionar drenagem
Santolina impressa
Myosotis retusifolia (adjacentes às linhas de água, de 1150*; 2190; 3110; 3160; 3170*; 4020*; 6420; 7140; 7150
forma a não aterrar/destruir as margens das linhas de água Hyacinthoides vicentina (condicionar drenagem dos
e a vegetação aí existente) terrenos através de valas ou outros dispositivos; laquear
valas existentes)
– Assegurar caudal ecológico Thorella verticillatinundata (condicionar drenagem de
pântanos para uso agrícola)
Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra
– Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
– Condicionar construção de barragens em zonas sen- nhas de água
síveis
3170*; 3280; 91F0; 92A0; 92D0; Chondrostoma lusi-
3280; 91F0; 92D0; Chondrostoma lusitanicum tanicum; Lutra lutra; Myosotis lusitanica; Myosotis retu-
sifolia; Salix salvifolia ssp australis
– Condicionar construção de açudes em zonas sensí-
veis – Regular uso de açudes e charcas
91F0; 92D0; Chondrostoma lusitanicum 3160; 3170*
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(97)

– Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos Salix salvifolia ssp australis (adensar povoamentos ri-
que revolvam o fundo pícolas)
1110; 1140; 1150*; 1310; 1320; 1420
– Controlar a predação e/ou parasitismo e/ou a compe-
– Tomar medidas que impeçam a conversão de sapais tição inter-específica
1410; 1420; 1430; Limonium lanceolatum 3110; 3130; 91B0 (competição inter-específica)

– Tomar medidas que impeçam as deposições de dra- – Efectuar desmatações selectivas


gados ou outros aterros 2330; 6220*; 6420
1150; 2190; Hyacinthoides vicentina Armeria rouyana (estabelecer e manter zonas de menor
Chondrostoma lusitanicum (em áreas mais sensíveis) densidade (clareiras em aproximadamente 10 % de cada
parcela) e aceiros)
– Ordenar prática de desporto da natureza Santolina impressa (favorecer perturbações com pa-
Chondrostoma lusitanicum (desportos associados a drão reticulado, resultantes da condução do pinhal; corte
cursos de água) controlado de urzais e tojais, promovendo o mosaico ve-
getacional)
– Regular dragagens e extracção de inertes
– Efectuar gestão por fogo controlado
1110; 1140; 1150*; 1210; 1310; 1320; 1420; 2110; 2120;
2130*; 2150*; 2330; 3170* 4030; 6220*; 6420
Chondrostoma lusitanicum (tomar medidas que impe-
çam as extracção de inertes nos locais de reprodução da – Estabelecer programa de repovoamento/reintrodu-
espécie, em qualquer época do ano. Nos restantes locais, ção
condicionar durante a Primavera) 3110 (reforçar o habitat com espécies características)
– Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água Chondrostoma lusitanicum; Myosotis retusifolia

1110; 1140; 1150*; 1310; 1320; 1410; 1420; 3110; 3130; – Impedir introdução de espécies não autóctones/con-
3290; 3150; 3160; 3170*; 3280; 3290; 7140; 7150; 92D0; trolar existentes
Lutra lutra
Chondrostoma lusitanicum (considerando como valores 1410; 2120; 2130*; 2150*; 2190; 2230; 2270*; 2330;
de referência os limites previstos para as «águas de cipri- 3150; 4030; 6220*; 91F0; 9240; 9330
nídeos», de acordo com o disposto no Dec.-Lei nº 236/98, Armeria rouyana; Linaria ficalhoana; Thymus carnosus
de 1 de Agosto) (conter e reconverter o acacial e combater a expansão de
chorão)
– Regular o tráfego de embarcações e o estabelecimento Chondrostoma lusitanicum (implementar programas de
de zonas de amarração controlo e erradicação de espécies vegetais exóticas inva-
soras das margens das linhas de água e encostas adjacentes,
1110; 1140; 1150* promovendo a sua substituição por espécies autóctones)
– Reduzir mortalidade acidental
– Manter árvores mortas ou árvores velhas com cavi-
Lutra lutra (utilização de grelhas metálicas em artes de dades
pesca, que impossibilitam o acesso da lontra ao interior
do engenho) 2270*

– Incrementar sustentabilidade económica de activida- – Manter/recuperar habitats contíguos


des com interesse para a conservação 6430; 9240
6220*; 6310; 9240; 9330 Chondrostoma lusitanicum (assegurar continuum flu-
vial)
Orientações específicas Armeria rouyana; Centaurea fraylensis; Ononis ha-
ckelii; (no sentido de aumentar a conectividade entre os
– Condicionar o acesso centros de abundância)
7140; 7150 Thorella verticillatinundata (reconstituir habitats favo-
ráveis, no sentido de expandir a área de ocupação)
– Definir zonas de protecção para a espécie
– Promover a manutenção de prados húmidos
2250*; 9240
Euphorbia transtagana (definir microreservas) Thorella verticillatinundata (turfeiras oligotróficas)

– Conservar/recuperar vegetação palustre SÍTIO

Myosotis lusitanica; Myosotis retusifolia CORNO DO BICO

– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone CÓDIGO

Chondrostoma lusitanicum; Lutra lutra PTCON0040


4536-(98) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO das sub-bacias do rio Labruja e Vez (bacia do Lima), áreas
Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/00 de 5 de consideradas relevantes para a toupeira-de-água (Galemys
Julho pyrenaicus).
Classificado como SIC pela Decisão da Comissão de 7
de Dezembro de 2004 que adopta, nos termos da Directiva
92/43/CEE do Conselho, a lista dos Sítios de Importância Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I
Comunitária da região biogeográfica atlântica do Decreto-Lei n.º 49/2005

ÁREA 4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ci-


liaris e Erica tetralix
5 139 ha
4030 Charnecas secas europeias
CÓDIGOS NUT 6510 Prados de feno pobres de baixa altitude (Alopecurus pra-
tensis, Sanguisorba officinalis)
PT111 – Minho-Lima – 100 %
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
Concelhos envolvidos
9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus
% do concelho % do sítio no pyrenaica
Concelho Área (ha)
classificado concelho
A negrito: habitats prioritários
Arcos de Valdevez 457 1% 9%
Paredes de Coura 4681 34 % 91 %
Espécies da Flora constantes do anexo B-II
do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
REGIÃO BIOGEOGRÁFICA

Atlântica
Código espécie Espécie Anexos

RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO


NACIONAL 1385 Bruchia vogesiaca II
1388 Bryoerythrophyllum campylocarpum II
Paisagem Protegida do Corno do Bico (42 %) Decreto
Regulamentar n.º 21/99 de 20 de Setembro 1885 Festuca elegans II, IV
1891 Festuca summilusitana II, IV
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
1862 Narcissus cyclamineus II, IV
NACIONAL

Não se aplica
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-
CARACTERIZAÇÃO Lei n.º 49/2005 de 24/02

Este Sítio possui uma elevada importância biofísica,


pois integra as cabeceiras dos rios Labruja, Coura e Vez, Código espécie Espécie Anexos
três dos principais cursos de água do Alto Minho.
O coberto vegetal é constituído por uma extensa e bem 1116 Chondrostoma polylepis (8) II
preservada mancha florestal, onde predominam os carva-
lhais de carvalho-roble (Quercus robur) (9230), com uma 1172 Chioglossa lusitanica II, IV
elevada abundância de arando (Vaccinium myrtillus), vido- 1259 Lacerta schreiberi II, IV
eiro (Betula celtiberica) e azevinho (Ilex aquifolium). 1352 Canis lupus II, IV
Merecem destaque os urzais-tojais higrófilos de Erica
tetralix e Ulex minor (4020*) e os tojais mesófilos domi- 1301 Galemys pyrenaicus II, IV
nados por Ulex europaeus subsp. latebracteatus e/ou Ulex 1355 Lutra lutra II, IV
minor (4030). Assinala-se também a presença de lameiros
de feno (6510). A negrito: espécies prioritárias

Sítio importante para a brioflora, registando-se a pre-


sença de Bruchia vogesiaca, que no continente ocorre Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
apenas em dois Sítios, e de Bryoerythrophyllum campylo- do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
carpum, sendo este o único Sítio onde ocorre. Aqui se
situam ainda as duas melhores populações portuguesas de
Narcissus cyclamineus. Espécie Anexos

Tendo em conta as excelentes condições de habitat que


este Sítio apresenta para o lobo (Canis lupus), o mesmo é FLORA Arnica montana V
extremamente relevante para assegurar a ligação entre o Narcissus bulbocodium V
núcleo populacional do Gerês e as áreas mais marginais
da distribuição desta espécie no NW do país, como seja Narcissus triandrus IV
a Serra de Arga. Ruscus aculeatus V
Este Sítio inclui uma parte significativa das cabeceiras
Scrophularia herminii V
do rio Coura (bacia do Minho) e ainda uma pequena parte
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(99)

– Nº explorações agrícolas: 432;


Espécie Anexos – SAU por exploração: 4 ha
– SAU irrigável: 56 %; SAU menos produtiva: 40 %
FAUNA Alytes obstetricans IV
Bufo calamita IV
Uso Florestal – 2 889 ha:
Coronella austriaca IV % área
Tipo Composição
do Sítio
Discoglossus galganoi IV
Rana iberica IV Matos 21 %
Triturus marmoratus IV Espécies 35 % 11 % Outras Folhosas; 10 % Euca-
Vipera seoanei IV lipto; 9 % Pinheiro Bravo;
5 % Carvalho;
Felis silvestris IV
Incêndios (90-2002) 12 %
Genetta genetta V

Principais usos e ocupação do território 1. Dinâmicas Socio-económicas


com respectivas percentagens
• Dinâmicas Territoriais: 100 % da área do Sítio Rural
Percentagem
Frágil
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%) • Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 45 %
Áreas agro/silvo/pastoris 977,29 19,02
– com elevado risco de abandono após desligamento
Áreas agrícolas arvenses 1088,886 21,19 total das ajudas – 45 %
Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 801,508 15,60
Matos e Pastagens naturais 894,826 17,41
2. Sistemas dominantes
Floresta 975,888 18,99 Os espaços florestais têm uma representação significa-
tiva com uma composição diversificada de povoamentos.
Zonas húmidas 0 0
Na área agrícola predominam os sistemas pecuários
Outros (áreas urbanas e industriais, áreas 401,04 7,80 extensivos com maior relevância de pequenos ruminan-
sem coberto vegetal) tes, equinos e bovinos autóctones, com recurso ou não a
Fonte – COS 90 terrenos baldios; explorações especializadas dispersas de
produção bovina e pequenos ruminantes; Policultura com
CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL relevância da cultura do milho para utilização própria e
Área do Sítio: 34 % Agrícola e 56 % Florestal; prados temporários.
Prevê-se que estes sistemas de produção, designada-
Uso Agrícola – SAU: 1 729 ha: mente os dominantes, se mantenham ainda que com ten-
dência para abandono, face à idade dos agricultores e à
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU) desertificação que caracteriza estas zonas.

Pastagens permanentes: 50 %; OTE Pecuárias: 81 % 3.Programas/Projectos Específicos


Forragens/Prados tempor.: 48 %; 3.1.Produtos de Qualidade
– Herbiv.Polipecuária: 55 %;
– Espec. Bov.Leite: 11 %;
Bov.Leite Dominante: 8 %; O Sítio encontra-se inserido nas áreas geográficas de
produção de «Carne Barrosã» (DOP) e «Cabrito das Terras
Cereais: 10 % Arvenses: 6 %
Altas do Minho»(IGP).
Indicadores sócioeconómicos
Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 4892 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 4660 313188 10148259 indivíduos 2001
Densidade populacional 95,19 17,08 113,20 hab/km2 2001
Taxa de actividade 38,47 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,15 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 40,58 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 35,91 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 64,09 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 5,29 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 36,78 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 33,31 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP
4536-(100) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

FACTORES DE AMEAÇA – Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-


colas
O Sítio sofre pressão agrícola moderada em toda a sua
extensão; pressão humana (o local de realização do festival 4020*; 6510
anual de Paredes de Coura recai sobre a área de ocorrência
de Narcissus cyclamineus). – Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos
Canis lupus (em áreas mais abertas, com o objectivo de
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO
criar locais de refúgio e reprodução)
As orientações de gestão para este Sítio são dirigidas Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes
prioritariamente para a conservação dos carvalhais, das e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
florestas aluviais, bem como dos urzais húmidos, habitats húmidas)
que desempenham também um papel importante como
locais de abrigo e reprodução para o lobo. Para tal, é ne- Silvicultura
cessário um acompanhamento das acções de ordenamento – Adoptar práticas silvícolas específicas
e gestão florestal.
A gestão do Sítio passa também por medidas que assegu- 91E0*; 9230
rem a conservação da população de Narcissus cyclamineus, Bryoerythrophyllum campylocarpum (a ecologia pre-
sobretudo através de medidas de preservação da vegetação ferencial, taludes de florestas caducifólias atlânticas au-
marginal de linhas de água. tóctones, deve evoluir sem intervenção humana ou com
Será ainda importante que as actividades agro-pastoris intervenção mínima)
sejam desenvolvidas de forma extensiva, mantendo um Festuca elegans (condicionar o corte das formações
nível reduzido na utilização de agro-químicos. florestais de cuja orla a espécie faz parte, bem como a
limpeza destas orlas)
DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
AOS VALORES NATURAIS – Condicionar a florestação
Agricultura e Pastorícia 4020*; 6510; Festuca summilusitana
Canis lupus (em áreas mais sensíveis)
– Adoptar práticas de pastoreio específicas
4020*; 6510 – Condicionar queimadas
Festuca elegans; Festuca summilusitana (pastoreio de 4020*
percurso)
Canis lupus (cercas eléctricas, rebanhos de menores – Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc-
dimensões, cães de gado) tones
Galemys pyrenaicus
– Manter práticas de pastoreio extensivo Festuca elegans (sobretudo carvalhais)
4030 (pastorícia extensiva de percurso) Narcissus cyclamineus (sobretudo florestas aluviais
com ensombramento)
– Salvaguardar de pastoreio Canis lupus (com um subcoberto diversificado)
9230 – Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo
e arbustivo
– Assegurar mosaico de habitats
Canis lupus
Canis lupus (promover existência de bosquetes, em
alternância com zonas mais abertas de matos e prados) – Promover a regeneração natural

– Condicionar a intensificação agrícola 91E0*; 9230

Chioglossa lusitanica – Reduzir risco de incêndio


91E0*; 9230; Canis lupus; Chioglossa lusitanica;
– Condicionar expansão do uso agrícola Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Lacerta
4020* schreiberi; Lutra lutra
Narcissus cyclamineus (condicionar utilização agrícola
das margens dos cursos de água) Construção e Infra-estruturas
– Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas limpeza de taludes
alternativas
Chioglossa lusitanica; Galemys pyrenaicus; Lacerta
6510; Chioglossa lusitanica; Galemys pyrenaicus; La- schreiberi (adjacentes às linhas de água, de forma a não
certa schreiberi; Lutra lutra aterrar/destruir as margens das linhas de água e a vegetação
aí existente)
– Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
alternativas em áreas contíguas ao habitat – Assegurar caudal ecológico
Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Gale- Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus; Lutra
mys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lutra lutra lutra
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(101)

– Condicionar a construção de infra-estruturas – Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone


4030 Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Gale-
Canis lupus (condicionar a construção de grandes infra- mys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lutra lutra
estruturas em áreas sensíveis. Garantir a livre circulação
da espécie e das suas presas) – Incrementar sustentabilidade económica de activida-
Chioglossa lusitanica; Galemys pyrenaicus; Lacerta des com interesse para a conservação
schreiberi (na construção de novas estradas ou alargamento 9230; Canis lupus
das existentes, evitar que estas passem demasiado próximo Narcissus cyclamineus (vide Criar alternativas à colheita
das linhas de água) de espécies, promovendo o seu cultivo)
– Condicionar expansão urbano-turística – Implementar gestão cinegética compatível com con-
servação espécie
4030; Festuca summilusitana
Chioglossa lusitanica; Lutra lutra (ordenar expansão ur- Canis lupus (correcta exploração cinegética das suas
bano-turística de forma a não afectar as áreas mais sensíveis) presas, nomeadamente pelo estabelecimento de áreas de
caça/não caça, condicionantes ao número de efectivos a
– Melhorar transposição de barragens/açudes abater e às épocas de caça)
Galemys pyrenaicus (implementação de canais de – Monitorizar, manter/melhorar qualidade da água
bypass naturalizados ou outras passagens para peixes
adaptadas à espécie) Chioglossa lusitanica; Lacerta schreiberi; Lutra lutra
Chondrostoma polylepis (considerando como valores
Chondrostoma polylepis (colocação de passagens ade-
de referência os limites previstos para as «águas de cipri-
quadas para peixes)
nídeos», de acordo com o disposto no Dec.-Lei nº 236/98,
de 1 de Agosto)
– Reduzir mortalidade acidental Galemys pyrenaicus (considerando como valores de
Canis lupus (vedações efectivas com saídas one way referência os limites previstos nas «Normas de qualidade
out, passagens para fauna e sinalização rodoviária, tanto aplicáveis às águas piscícolas», de acordo com o disposto
nas novas vias rodoviárias como nas já existentes) no Decreto-Lei nº 236/98, de 1 de Agosto)
Lutra lutra (passagens para fauna e sinalizadores em
rodovias; implementar dispositivos dissuasores da passa- – Ordenar acessibilidades
gem e entrada da espécie nas pisciculturas) Canis lupus (condicionar a abertura/utilização de aces-
Galemys pyrenaicus (implementar grelhas de malha sos em áreas sensíveis)
fina/dispositivos dissuasores à entrada dos canais/circuitos
de aducção de água de pisciculturas e aproveitamentos – Ordenar actividades de recreio e lazer
hidráulicos e hidroeléctricos, com vista a evitar a entrada Narcissus cyclamineus (salvaguardando de pisoteio)
e morte de animais nestas infra-estruturas) Galemys pyrenaicus (em áreas mais sensíveis, associa-
das às zonas húmidas)
– Condicionar construção de açudes em zonas sensí- Canis lupus (condicionar actividades motorizadas de
veis todo-o-terreno, restringindo o acesso às áreas mais sensíveis)
91E0*; Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus – Ordenar prática de desporto da natureza
Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus (despor-
– Condicionar construção de barragens em zonas sen- tos associados aos cursos de água)
síveis
91E0*; Canis lupus; Chondrostoma polylepis; Galemys – Reduzir mortalidade acidental
pyrenaicus; Lacerta schreiberi Lutra lutra (utilização de grelhas metálicas em artes de
pesca, que impossibilitam o acesso da lontra ao interior
Outros usos e Actividades do engenho)
– Condicionar captação de água
– Regular uso de açudes e charcas
Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Gale-
mys pyrenaicus; Lutra lutra (nas zonas mais sensíveis e Galemys pyrenaicus
durante os meses de menor pluviosidade)
Orientações específicas
– Condicionar drenagem – Controlar efectivos de animais assilvestrados
4020* Canis lupus (cães assilvestrados, em áreas mais sen-
Chioglossa lusitanica (em zonas mais sensíveis) síveis)

– Condicionar intervenções nas margens e leito de li- – Criar alternativas à colheita de espécies, promovendo
nhas de água o seu cultivo
91E0*; 9230; Chioglossa lusitanica; Chondrostoma Narcissus cyclamineus (se se verificar procura comercial
polylepis; Galemys pyrenaicus; Lacerta schreiberi; Lutra da espécie, incentivar a passagem a cultivo, estabelecendo
lutra; Narcissus cyclamineus um selo de certificação e envolvendo as populações locais)
4536-(102) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

– Criar novos locais de reprodução, conservar/recuperar


% do concelho % do sítio no
os existentes Concelho Área (ha)
classificado concelho

Chioglossa lusitanica
Odemira 56891,65 33 % 48 %
Santiago do Cacém 3183,71 3% 3%
– Definir zonas de protecção para a espécie/habitat Sines 5095,66 25 % 4%
Vila do Bispo 16388,25 92 % 14 %
Narcissus cyclamineus (avaliar os impactos do festi-
val de Paredes de Coura e da necessidade de vedar áreas
sensíveis) REGIÃO BIOGEOGRÁFICA

Mediterrânica
– Efectuar gestão por fogo controlado
4030 RELAÇÕES COM OUTRAS ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO
NACIONAL
– Estabelecer programa de repovoamento/fomento/rein- Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicen-
trodução de presas tina (65 %) Diploma de classificação: Decreto Regula-
Canis lupus (promover o fomento de presas selvagens, mentar n.º 26/95 de 21 de Setembro
como o corço e o veado)
RELAÇÕES COM ÁREAS CLASSIFICADAS DE ÂMBITO INTER-
– Impedir introdução de espécies não autóctones/con- NACIONAL
trolar existentes Reserva Biogenética (Conselho da Europa): Ponta de
4030 Sagres (1,7 %)
Chioglossa lusitanica; Chondrostoma polylepis; Ga- Zona de Protecção Especial Costa Sudoeste (63 %)
lemys pyrenaicus (implementar programas de controlo e Diploma de classificação: Decreto-Lei n.º 384B/99 de 23
erradicação de espécies vegetais exóticas invasoras das de Setembro
margens das linhas de água e encostas adjacentes, promo-
vendo a sua substituição por espécies autóctones) CARACTERIZAÇÃO
Lacerta schreiberi (remover espécies vegetais exóticas
pelo menos numa faixa de 50 m para cada lado das linhas Área litoral de extraordinária qualidade paisagística e
de água) ecológica, com grande importância em termos de conser-
vação. Litologicamente, esta região inclui um território
– Manter/recuperar habitats contíguos silicioso, constituído por rochas sedimentares e metamór-
ficas, das quais predominam os litossolos de xistos e grau-
91E0*; Chondrostoma polylepis; Galemys pyrenaicus vaques dispostos em bancadas alternantes e um território
de arenitos dunares de génese particular muito raros em
– Promover a manutenção de prados húmidos Portugal, aos quais está associado um elenco florístico de
Narcissus cyclamineus singular importância.
No Sítio Costa Sudoeste a ocupação agrícola é muito di-
SÍTIO versificada, incluindo sistemas e culturas tradicionais asso-
ciadas à agro-pecuária, culturas de sequeiro, pomares e hor-
COSTA SUDOESTE tejos tradicionais. A área do Aproveitamento Hidro-Agrícola
CÓDIGO
do Mira, que ocupa cerca de 12.000 ha no Sítio, constitui uma
excepção, já que a disponibilidade de água tem permitido
PTCON0012 a reconversão e a intensificação dos sistemas produtivos.
Aqui a produção de gado bovino assume um papel muito
DATA E DIPLOMA DE CLASSIFICAÇÃO importante, tendo-se igualmente verificado nos últimos
Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 anos o aumento da área ocupada por horto-fruticultura e flo-
de Agosto ricultura que corresponde actualmente a cerca de 1.800 ha.
O Sítio Costa Sudoeste apresenta uma grande diversi-
ÁREA dade de habitats costeiros, incluindo sapais, falésias, sis-
temas dunares e sistemas lagunares. São de salientar, pela
118 267 ha (área terrestre = 99 457 ha + área marinha sua singularidade, as falésias litorais e áreas adjacentes,
= 18 810 ha) expostas a ventos marinhos carregados de salsugem, onde
CÓDIGOS NUT
ocorrem comunidades endémicas apenas deste Sítio, tais
como as de matos baixos, de carácter prioritário, com co-
PT141 – Alentejo Litoral – 60 % dominância de Cistus palhinhae (5140*) ou as arbustivas
PT15 – Algarve – 24 % em forma de almofada, caracterizadas pelo domínio de
Área marinha (não coberta por regiões NUT) – 16 % Astragalus tragacantha (5410).
Destacam-se igualmente os matos sobre areias consoli-
Concelhos envolvidos dadas, com diversos habitats prioritários, caso das comuni-
dades de tojais, tojais-urzais e tojais-estevais, com domi-
% do concelho % do sítio no
Concelho Área (ha)
classificado concelho nância de Ulex australis subsp. welwitschianus (2150*), os
matagais de zimbro (Juniperus turbinata subsp. turbinata
Aljezur 15903,18 49 % 13 % e Juniperus navicularis) (2250*), e os pinhais de Pinus
Lagos 2767,88 13 % 2% pinaster subsp. atlantica, de P. pinea ou mistos, adultos,
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(103)

com origem em arborizações ou regeneração natural, com 1140 Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa
vegetação de subcoberto sucessionalmente evoluída, não
sujeita a mobilizações ou roça recente (2270*). Referên- 1150* Lagunas costeiras
cia também para os matos de areias dunares, litorais ou 1170 Recifes
interiores, dominados pelo género Stauracanthus e outros 1210 Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela
arbustos espinhosos (2260), onde são observáveis inúmeros maré
endemismos florísticos portugueses e ibéricos. 1240 Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Li-
Importantes são ainda os charcos temporários mediter- monium spp. endémicas
rânicos (3170*) e as charnecas húmidas atlânticas meridio-
1310 Vegetação pioneira de Salicornia e outras espécies anuais
nais (4020*), dois habitats prioritários que evidenciam as das zonas lodosas e arenosas
características mistas atlânticas e mediterrânicas do Sítio,
e os matos de vegetação halonitrófila onde se albergam 1320 Prados de Spartina (Spartinion maritimae)
plantas espinhosas e terófitos nitrófilos de territórios quen- 1410 Prados salgados mediterrânicos (Juncetalia maritimi)
tes e secos a áridos (1430). 1420 Matos halófilos mediterrânicos e termoatlânticos (Sarco-
Aqui se congrega um notável património florístico, de ex- cornetea fruticosi)
trema importância científica a nível mundial, constituindo- 1430 Matos halonitrófilos (Pegano-Salsoletea)
se como uma das áreas europeias de maior biodiversidade
florística, com especial profusão de endemismos nacionais 1510* Estepes salgadas mediterrânicas (Limonietalia)
(e.g. Avenula hackelii, Biscutella vicentina, Centaurea 2110 Dunas móveis embrionárias
fraylensis, Chaenorrhinum serpyllifolium subsp. lusita- 2120 Dunas móveis do cordão litoral com Ammophila arenaria
nicum, Cistus palhinhae, Diplotaxis vicentina, Herniaria («dunas brancas»)
algarvica, Herniaria maritima, Hyacinthoides vicentina,
2130* Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas»)
Linaria algarviana, L. ficalhoana, Myosotis lusitanica,
M. retusifolia, Ononis hackelii, Plantago almogravensis, 2150* Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea)
Pseudarrhenatherum pallens, Silene rothmaleri, Thymus 2190 Depressões húmidas intradunares
camphoratus, Verbascum litigiosum), muitos deles ocor-
2230 Dunas com prados da Malcolmietalia
rendo somente neste Sítio.
Os sistemas costeiros apresentam ambientes de substra- 2250* Dunas litorais com Juniperus spp.
tos móvel e rochoso muito diversificados e estruturados. 2260 Dunas com vegetação esclerófila da Cisto-Lavenduletalia
Neste contexto, importa sublinhar a ocorrência de recifes
2270* Dunas com florestas de Pinus pinea e ou Pinus pinaster
(1170) e de grutas marinhas submersas ou semi– submersas
(8330). Uma ocorrência especialmente emblemática cor- 2330 Dunas interiores com prados abertos de Corynephourus e
responde à adaptação ecológica da população de lontra Agrostis
(Lutra lutra) que ao longo da Costa Sudoeste utiliza am- 3110 Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas das planícies
bientes marinhos, sendo a única em Portugal (e uma das arenosas (Littorelletalia uniflorae)
poucas na Europa) com estes hábitos. 3120 Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas em solos ge-
Este Sítio é igualmente importante para a ictiofauna de ralmente arenosos do oeste mediterrânico com Isoëtes spp.
água doce, nomeadamente para a boga-portuguesa (Chon- 3140 Águas oligomesotróficas calcárias com vegetação bêntica
drostoma lusitanicum) – entidade a partir da qual foi des- de Chara spp.
crita uma nova espécie, a boga-do-Sudoeste (C. almacai) 3170* Charcos temporários mediterrânicos
– sendo este o único Sítio onde estão representadas as duas
espécies (C. lusitanicum a Norte e C. almacai a Sul, a qual 3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da
Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
ocorre apenas nas bacias dos rios Mira e Arade). É ainda im-
portante para a savelha (Alosa fallax), única espécie migra- 3290 Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-
dora do Anexo II da Directiva Habitats ocorrente nesta área. Agrostidion
Para além de populações relevantes de rato de Cabrera 4020* Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ci-
(Microtus cabrerae), o património faunístico deste Sítio liaris e Erica tetralix
inclui também abrigos importantes para os quirópteros que 4030 Charnecas secas europeias
albergam colónias de criação de morcego-de-ferradura-
5140* Formações de Cistus palhinhae em charnecas marítima
mourisco (Rhinolophus mehelyi), morcego-rato-grande
(Myotis myotis) e morcego-de-peluche (Miniopterus 5210 Matagais arborescentes de Juniperus spp.
schreibersii), e de hibernação de morcego-de-ferradura-pe- 5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
queno (Rhinolophus hipposideros). Verifica-se a presença
5410 Friganas mediterrânicas ocidentais dos cimos de falésia
significativa das duas espécies de cágados, o cágado-de- (Astragalo-Plantaginetum subulatae)
carapaça-estriada (Emys orbicularis) e o cágado-mediterrâ-
nico (Mauremis leprosa). De salientar a ocorrência na Serra 6210 Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em substrato
calcário (Festuco-Brometalia) (* importantes habitats
do Cercal de uma população reliquial de lagarto-de-água de orquídeas)
(Lacerta schreiberi), confinada a três locais completamente
isolados e com efectivos muito reduzidos. 6220* Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypo-
dietea
Habitats naturais e semi-naturais constantes do anexo B-I 6310 Montados de Quercus spp. de folha perene
do Decreto-Lei n.º 49/2005
6410 Pradarias com Molinia em solos calcários, turfosos e argilo-
1110 Bancos de areia permanentemente cobertos por água do limosos (Molinion caeruleae)
mar pouco profunda
6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-
1130 Estuários Holoschoenion
4536-(104) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos


Código espécie Espécie Anexos
pisos montano a alpino
8210 Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica
1851 Hyacinthoides vicentina II, IV
8220 Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
1487 Jonopsidium acaule II, IV
8310 Grutas não exploradas pelo turismo
1639 Limonium lanceolatum II, IV
8330 Grutas marinhas submersas ou semi-submersas
1726 Linaria algarviana II, IV
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior
(Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae) 1719 Linaria ficalhoana II, IV
9240 Carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus cana- 1669 Myosotis lusitanica II, IV
riensis
1673 Myosotis retusifolia II, IV
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba
1863 Narcissus calcicola II, IV
9330 Florestas de Quercus suber
1549 Ononis hackelii II, IV
A negrito: habitats prioritários
1743 Plantago almogravensis II, IV
1878 Pseudarrhenatherum pallens II, IV
Espécies da Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-
Lei n.º 49/2005 de 24/02 1434 Salix salvifolia ssp. australis II, IV
1452 Silene rothmaleri II, IV
Código espécie Espécie Anexos 1618 Thorella verticillatinundata II, IV
1695 Thymus camphoratus II, IV
1044 Coenagrion mercuriale II
1681 Thymus carnosus II, IV
1065 Euphydryas aurinia II 1731 Verbascum litigiosum II, IV
1103 Alosa falax II A negrito: espécies prioritárias
1128 Chondrostoma lusitanicum (9) II
Outras Espécies dos Anexos B-IV e B-V
1220 Emys orbicularis II, IV do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02
1221 Mauremys leprosa II, IV
Espécie Anexos
1259 Lacerta schreiberi II, IV
1355 Lutra lutra II, IV
FLORA Arnica montana V
1338 Microtus cabrerae II, IV
Bellevalia hackelii IV
1310 Miniopterus schreibersi II, IV
Malcolmia lacera ssp. gracillima V
1307 Myotis blythii II, IV
Narcissus bulbocodium V
1324 Myotis myotis II, IV
Ruscus aculeatus V
1304 Rhinolophus ferrumequinum II, IV
Scilla odorata IV
1303 Rhinolophus hipposideros II, IV
Scrophularia sublyrata V
1302 Rhinolophus mehelyi II, IV
Spiranthes aestivalis IV
A negrito: espécies prioritárias
Thymus capitellatus IV

Espécies da Flora constantes do anexo B-II FAUNA Alytes cisternasii IV


do Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24/02 Alytes obstetricans IV
Bufo calamita IV
Código espécie Espécie Anexos
Discoglossus galganoi IV
Hyla arborea IV
1614 Apium repens II, IV
Hyla meridionalis IV
1644 Armeria rouyana II, IV
Pelobates cultripes IV
1886 Avenula hackelii II, IV
Triturus marmoratus IV
1505 Biscutella vicentina II, IV
Chalcides bedriagai IV
1785 Centaurea fraylensis II, IV
Coluber hippocrepis IV
1721 Chaenorrhinum serpyllifolium ssp. lusita- II, IV
nicum Caretta caretta IV
1592 Cistus palhinhae II, IV Dermochelys coriacea IV
1497 Diplotaxis vicentina II, IV Eptesicus serotinus IV
1573 Euphorbia transtagana II, IV Felis silvestris IV
1448 Herniaria algarvica II, IV Mustela putorius V
1462 Herniaria maritima II, IV Myotis daubentonii IV
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(105)

1. Dinâmicas Socio-económicas
Espécie Anexos
• Dinâmicas Territoriais: 92 % da área do Sítio Rural
Frágil:
FAUNA Myotis nattereri IV
• Propensão para o Abandono – % da SAU do Sítio:
Pipistrellus pipistrellus IV
– com Rend.Trabalho < 60 % da média da região – 19 %
Plecotus austriacus IV – com elevado risco de abandono após desligamento
Tadarida teniotis IV total das ajudas – 19 %

Principais usos e ocupação do território 2. Sistemas dominantes:


com respectivas percentagens
Área florestal ocupando cerca de metade da área do
Percentagem
Sítio, com distribuição equivalente entre matos e povo-
Tipo de uso do solo Área (ha)
(%) amentos.
Esta área apresenta dois sistemas culturais bastante
Áreas agro/silvo/pastoris 13721,276 11,60 distintos, um ligado às áreas de sequeiro e outro associado
Áreas agrícolas arvenses 34570,766 29,23 às áreas de regadio.
Nas áreas de sequeiro, o sistema produtivo é do tipo
Áreas agrícolas arbóreo-arbustivas 8539,786 7,22
extensivo, conciliando a produção de cereal com a
Matos e Pastagens naturais 18936,656 16,01 criação de gado. Nas zonas onde os declives são mais
Floresta 20451,434 17,29 acentuados, no sob-coberto do montado de sobro pouco
denso, existe maioritariamente a pastagem natural. No
Zonas húmidas 809,313 0,68
zona Algarvia aparecem ainda algumas áreas ocupadas
Outros (áreas urbanas e industriais, áreas
3313,524 2,80 com figueiras ou alfarrobeiras, com pequena densidade
sem coberto vegetal) e rendimento.
Não classicado 13680,506 11,57 Na zona de regadio, a horticultura – de ar livre e de
Sem cartograa
estufa – tem conhecido um forte incremento ao longo dos
773,758 0,65
últimos anos, concentrando-se na área do Aproveitamento
Fonte – COS 90 Hidroagrícola do Mira e representando cerca de 20 % da
Margem Bruta Agrícola do Sítio. As culturas arvenses e
CARACTERIZAÇÃO AGRO-FLORESTAL as pastagens melhoradas também assumem alguma im-
portância, sendo principalmente destinadas à produção de
Área do Sítio: 30 % Agrícola, 52 % Florestal e 16 % gado bovino para carne em regime semi-intensivo, mas
Marinha; também à produção bovina para leite que apresenta algum
crescimento na região.
Uso Agrícola – SAU: 35 502 ha: No concelho de Odemira ainda se pratica sistemas cul-
turais tradicionais de orizicultura e na região entre o Rio
Culturas Principais ( % da SAU) OTE Principais (% da SAU)
Mira e Odeceixe as culturas do amendoim e da batata-doce,
de produtividade reduzida com alguma tendência para o
desaparecimento.
Past.Permanentes: 32 %; Forra- Pecuárias: 67 %
gens/Prados temp.: 8 %. Forra-
– Herbívoros não especializados: 3. Programas/Projectos Específicos
gens/Prados tempor.: 15 %.
44 %
– Espec.Bovinos Carne: 10 %; 3.1. Medidas de Apoio
– Espec. Ovinos/Caprinos: 8 %;
Cereais: 20 %; Pousio: 35 %; Arvenses : 26 % No quadro das medidas agro-ambientais existe, desde
2005, um Plano Zonal que disponibiliza apoios específicos
Batata+Hortic.Ext+Intens.Flori- Espec.Hortofruticultura: 2 % (área) à manutenção de sistemas agro-florestais importantes para
cultura: 3 %; Culturas Indus- e 19 % (MB);
triais: 2 % a preservação da avifauna.

3.2. Áreas de regadio e emparcelamento


– Nº explorações agrícolas: 1 328;
– SAU por exploração: 35.4 ha O Aproveitamento Hidroagrícola do Mira sobrepõe-se
– SAU menos produtiva: 63 %; SAU irrigável: 24 %; na quase totalidade ao Sítio da Costa Sudoeste. Estão
referenciados 151,89 ha de pequenos regadios parti-
Uso Florestal – 61 163 ha: culares.
Encontra-se em execução o projecto de emparcelamento
% área de Odeceixe/S. Teotónio
Tipo Composição
do Sítio

3.3. Produtos de qualidade


Matos 28 %
O Sítio está inserido na área geográfica de produção,
Espécies 24 % 10 % Sobreiro; 9 % Eucalipto e abate, desmancha e acondicionamento de «Carne de Bovino
4 % Pinheiro Bravo Mertolenga»(DOP), «Alentejana»(DOP) e da «Charneca»
Regime de Caça Especial 23 % (DO), bem como de produção de «Porco Alentejano»(DO)
e «Borrego do Baixo Alentejo»(IGP).
4536-(106) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Indicadores sócioeconómicos

Total Portugal
Indicador Sítio Unidade Período
Rede Natura Continental

População residente HM 16588 329376 10356117 indivíduos 2001


População Presente HM 15793 313188 10148259 indivíduos 2001
2
Densidade populacional 14,03 17,08 113,20 hab/km 2001
Taxa de actividade 38,78 38.14 48.20 % 2001
Índice de Poder de Compra 0,90 48.68 96.55 % 2002
Percentagem de população agrícola 15,11 15.93 11.38 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade entre 25 e 55 anos 28,38 32.88 34.15 % 1999
Taxa de produtores agrícolas singulares com idade superior a 55 anos 71,62 67.12 65.85 % 1999
Percentagem de área agrícola beneficiada pelas medidas agroambientais 0,14 2.10 2.20 % 2001
Percentagem de ocupação da área agrícola 36,78 27,59 35,29 % 1990
Percentagem de ocupação do coberto florestal 23,71 31,27 36,91 % 1990
Fonte – COS 90, INE e MADRP

FACTORES DE AMEAÇA – Contemplar a preservação do mosaico de habitats exis-


tente, mantendo manchas florestais de montado de sobro
São dois os principais factores de ameaça no sítio Costa
Sudoeste: e azinho e a vegetação dos barrancos (vales encaixados
com densa cobertura vegetal), utilizados como refúgio e
– Perturbação e degradação dos sistemas litorais, de- locais de reprodução de diversas espécies, em paralelo
signadamente as dunas, os matos litorais e as falésias, com a manutenção de sistemas agrícolas extensivos com
causada por pisoteio excessivo e uso desregrado de veícu- rotações tradicionais.
los todo-o-terreno, por vezes com vandalismo associado;
estas pressões sobre os sistemas litorais decorrem do de- Consequentemente, deverão ser viabilizados e disponi-
sordenamento dos acessos ao litoral e têm tendência para bilizados mecanismos que promovam a sustentabilidade
aumentar, dada a procura continuada de pesqueiros, praias da produção agro-florestal e pescas.
e percursos na natureza; Dever-se-á orientar o desenvolvimento turístico em
– Empobrecimento do mosaico agrícola e desapare- moldes sustentáveis, considerando a capacidade de carga
cimento dos sistemas agrícolas extensivos associada à e a sensibilidade ecológica da região.
crescente intensificação agrícola, em particular na área Na área do Aproveitamento Hidroagrícola do Mira, as
do Aproveitamento Hidro-Agrícola do Mira; as ameaças medidas a implementar serão as estabelecidas no Programa
específicas nesta área são o desaparecimento da rotação Sectorial em curso.
tradicional, degradação e destruição de lagoas temporárias
e instalação de culturas de regadio; DETALHE DAS ORIENTAÇÕES DE GESTÃO COM REFERÊNCIA
AOS VALORES NATURAIS
Outros factores de ameaça prendem-se com a ausência
de regulamentação da pesca e da apanha de marisco e de Agricultura e Pastorícia
isco vivo, a mortalidade de espécies da fauna associada a
estruturas lineares (infra-estruturas rodoviárias, linhas de – Adoptar práticas de pastoreio específicas
transporte de energia) e parques eólicos, pressão turística 3120; 3170*; 4020*; 5210; 5330; 6210; 6310; 6410;
e urbanística; exploração ilegal de areias; colheita de es- 6430; 9240; Microtus cabrerae
pécies vegetais ameaçadas e fogos florestais. 2230 (condicionar o pastoreio nos montados sobre
areias)
ORIENTAÇÕES DE GESTÃO Euphorbia transtagana; Jonopsidium acaule (pastoreio
As orientações de gestão para este Sítio são dirigidas fun- de percurso)
damentalmente para a manutenção da elevada diversidade e Hyacinthoides vicentina (manter o uso ganadeiro, sem
das características naturais que o tornam singular e que per- intensificação pecuária nem a utilização de espécies for-
mitem albergar os valores aqui existentes. Neste contexto rajeiras de prolongada persistência, como por exemplo
impõe-se um vasto leque de medidas de gestão que visa: ervilhaca, festucas, etc; estas pastagens devem associar-se
a bovinos e em menor grau a ovinos; promover a conversão
– Assegurar a conservação das galerias ripícolas, das de parcelas actualmente afectas à exploração agrícola)
lagoas temporárias e urzais húmidos, dos ecossistemas Linaria algarviana (manter o uso ganadeiro, sem inten-
marinhos e litorais, como as lagoas costeiras, charnecas sificação pecuária nem a utilização de espécies forrajeiras
costeiras, zimbrais, dunas (móveis e consolidadas) e falé- de prolongada persistência, como por exemplo ervilhaca,
sias (topo e encostas); festucas, etc; estas pastagens devem associar-se a bovinos
– Assegurar a conservação do património florístico, e em menor grau a ovinos)
concedendo especial atenção ao Planalto Vicentino e à Ononis hackelii (as pastagens deverão ser afectadas a
região de Aivados; gado ovino)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(107)

Plantago almogravensis (gado bovino e em regime Thorella verticillatinundata (condicionar reconversão


extensivo) agrícola por drenagem de pântanos onde a espécie ocorre)
Emys orbicularis; Mauremys leprosa (salvaguardar do
pastoreio os locais mais sensíveis) – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
Euphydryas aurinia (baixo encabeçamento, preferen- alternativas
cialmente bovinos)
6410; Coenagrion mercuriale; Euphydryas aurinia; La-
certa schreiberi; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii;
– Manter práticas de pastoreio extensivo Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus
3290; 6210; 6220*; 6310; 6410; 6420; Miniopterus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis; Rhinolophus Hyacinthoides vicentina (evitar utilização de herbicidas
ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus nas pastagens; por precaução, devem ser mantidos os níveis
mehelyi estritamente indispensáveis considerando o efeito cumula-
1310 (apenas nas zonas de sapal alto) tivo de estrumes devido à permanência do gado)
Linaria algarviana (evitar herbicidas nas pastagens, ou
– Salvaguardar de pastoreio mantidos os níveis estritamente indispensáveis, conside-
rando o efeito cumulativo dos estrumes devido à perma-
2130*; 2190; 2230; 2260; 91E0*; 9330 nência do gado)
– Assegurar mosaico de habitats – Condicionar uso de agro-químicos/adoptar técnicas
Euphydryas aurinia (áreas mais abertas, de prados e alternativas em áreas contíguas ao habitat
pastagens, alternadas com zonas não cortadas/abandonadas 1150*; 1410; 3110; 3120; 3170*; 3260; 3290; 6410;
recentemente) Alosa fallax; Chondrostoma lusitanicum; Emys orbicula-
Microtus cabrerae (intercalar vegetação alta e rasteira, ris; Lacerta schreiberi; Lutra lutra; Mauremys leprosa;
com arbustos espinhosos; zonas de pastoreio e áreas agrí- Plantago almogravensis
colas extensivos, em associação com diferentes classes su-
cessionais de floresta, com abundante estrato herbáceo) – Condicionar mobilização do solo
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myo-
tis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposi- 2150*; 2270*; 2330; 3120; 3170*; 5330; 6220*; Plan-
deros; Rhinolophus mehelyi (bosquetes, sebes e matos, tago almogravensis
intercalados com zonas mais abertas de pastagens e zonas Armeria rouyana (limpezas florestais preferencialmente
agrícolas) efectuadas com corta-matos ou eventualmente por grada-
gens superficiais)
– Conservar/promover sebes, bosquetes e arbustos Centaurea fraylensis (admissível a utilização de grade de
discos em detrimento de charruas ou ripagens profundas)
Euphydryas aurinia; Microtus cabrerae (em áreas mais Hyacinthoides vicentina (manutenção através de gra-
abertas, com o objectivo de criar locais de refúgio e re- dagens das pastagens de escala da parcela agrícola, sobre
produção) solos arenosos; evitar a utilização de arados de lâminas
Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis; profundas)
Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Linaria algarviana (manter, através de gradagens, as
Rhinolophus mehelyi (em áreas mais abertas, para au- pastagens sobre solos arenosos, mas evitar a utilização de
mentar a diversidade de presas e facilitar deslocações na arados de lâminas profundas)
paisagem) Ononis hackelii (preparar o solo com periodicidade
Lutra lutra (promover a manutenção/criação de sebes superior a 5 anos, sem recurso a charrua)
e bordaduras de vegetação natural na periferia das zonas
húmidas) – Condicionar queimadas
– Assegurar a manutenção de usos agrícolas extensi- 4020*
vos Euphydryas aurinia (particularmente nas fases de ovo
e crisálida)
Microtus cabrerae Microtus cabrerae (não efectuar queimadas nas zonas
mais sensíveis)
– Condicionar a intensificação agrícola
Avenula hackelii; Euphydryas aurinia; Microtus ca- – Outros condicionamentos específicos a práticas agrícolas
brerae; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis 4020*; 6410
myotis; Ononis hackelii; Rhinolophus ferrumequinum; Hyacinthoides vicentina (à escala da parcela, evitar o
Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi uso agrícola dirigido para a produção de hortícolas, for-
rajeiras, pequenos frutos, hidroponia, etc.)
– Condicionar expansão do uso agrícola Linaria algarviana (evitar o uso agrícola dirigido para
a produção hortofrutícola, forragens, pequenos frutos, hi-
4020*; 5210; 5330; 6420; 9330; Armeria rouyana; Plan-
droponia, etc)
tago almogravensis; Verbascum litigiosum
2230 (tomar medidas que impeçam as culturas agrícolas
– Outros condicionamentos específicos a práticas agrí-
em montados psamófilos de sobreiro)
colas em áreas contíguas ao habitat
6410 (condicionar cultivo de arroz na área ocupada
pelo habitat) 1150*
4536-(108) Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008

Silvicultura – Conservar/recuperar vegetação dos estratos herbáceo


e arbustivo
– Adoptar práticas silvícolas específicas
2270*; 5210; Euphydryas aurinia; Microtus cabrerae;
2150*; 2250*; 2270*; 6310; 91E0*; 9240; 92A0; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis;
9330 Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros;
5330 (condicionar operações de desmatação) Rhinolophus mehelyi
Armeria rouyana (práticas silvícolas sustentáveis: ciclos Avenula hackelii (na área de ocorrência da espécie, pre-
de limpeza florestal de 3 a 5 anos, permanência de aceiros servar os matos costeiros, bem como os sistemas dunares
e clareiras, desmatações selectivas e mobilizações superfi- móveis e consolidados)
ciais, evitando intervenções entre Novembro e Julho) Centaurea fraylensis (tojais e urzais baixos)
Centaurea fraylensis (periodicidade de desmatação Euphorbia transtagana (matos de carvalhiça e tojais)
superior a 5 anos; não é vantajoso o adensamento do po- Ononis hackelii (relvados e charnecas com clareiras)
voamentos arbóreos) Salix salvifolia ssp australis (adensamento dos povoa-
Euphorbia transtagana (desmoitas efectuadas de forma mentos e manutenção de elevados níveis de naturalidade
selectiva e com periodicidade ideal superior a 15 anos) sem intervenção no subcoberto de povoamentos ripícolas)
Linaria algarviana (as desmoitas devem ser produzidas Thymus camphoratus (principalmente matos xerofíticos
com regularidade superior a 5 anos) e psamófilos, urzais, tojais)
Ononis hackelii (quando em montados a desmoita de- Plantago almogravensis (urzais baixos com clareiras)
verá ocorrer com intervalos de 5 a 10 anos)
Pseudarrhenatherum pallens (impor selectividade em – Promover áreas de matagal mediterrânico
eventuais desmatações a efectuar para limpeza de euca-
9330; Rhinolophus ferrumequinum; Rhinolophus hip-
liptais) posideros; Rhinolophus mehelyi
Thymus camphoratus (o intervalo de tempo entre des-
moitas deverá superar os 15 anos; desmatação selectiva, – Promover a recuperação dos zimbrais
preservando as leguminosas, ericáceas e folhosas em de-
trimento das cistáceas arbustivas) 2250* (restaurar os zimbrais na sua área potencial de
ocorrência, onde tenha sido alterado ou extinto)
– Condicionar a florestação 5210 (reconverter áreas florestais ou agrícolas com
potencialidade de recuperação dos zimbrais-carrascais)
2250*; 4020*; 5210; 5330; 8220; 9330; Herniaria ma-
ritima – Manter/melhorar ou promover manchas de montado
Armeria rouyana; Centaurea fraylensis (conter e re- aberto
converter o eucaliptal)
Euphorbia transtagana (tomar medidas que impeçam as Microtus cabrerae; Miniopterus schreibersi; Myotis
florestação com eucaliptos em compassos apertados) blythii; Myotis myotis; Ononis hackelii; Rhinolophus fer-
Hyacinthoides vicentina (a florestação poderá ser uma rumequinum; Rhinolophus hipposideros
actividade vantajosa conciliável com a conservação da
espécie se se tratar de uma ocupação florestal de pinheiro – Promover a regeneração natural
bravo e estritamente associada aos locais com maior dre- 5210; 6310; 91E0*; 9240; 9330
nagem)
Jonopsidium acaule (tomar medidas que impeçam as – Reduzir risco de incêndio
florestação com eucalipto)
Linaria algarviana (sendo aceitável a ocupação flo- 2150*; 2260; 2270*; 5210; 5330; 91E0*; 9240; 9330;
Alosa fallax; Chondrostoma lusitanicum; Coenagrion mer-
restal por povoamentos abertos de espécies autóctones de
curiale; Emys orbicularis; Euphydryas aurinia; Lacerta
folhosas e/ou resinosas)
schreiberi; Lutra lutra; Mauremys leprosa; Microtus ca-
Ononis hackelii (impedir substituição do montado por brerae; Miniopterus schreibersi; Myotis blythii; Myotis
eucaliptal) myotis; Plantago almogravensis; Rhinolophus ferrumequi-
Thymus carnosus; Verbascum litigiosum (condicionar o num; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi
adensamento de pinhais ou outros povoamentos florestais
numa faixa de 100 metros atrás das dunas primárias) Construção e Infra-estruturas
Microtus cabrerae (condicionar a conversão do uso
do solo para florestação em áreas com colónias identifi- – Apoiar tecnicamente o alargamento de estradas e a
cadas) limpeza de taludes
Herniaria algarvica
– Tomar medidas que impeçam a florestação 6410 (condicionar impermeabilização dos caminhos
Plantago almogravensis; Pseudarrhenatherum pallens rurais)
Diplotaxis vicentina (minimizar o impacte dos arran-
– Conservar/recuperar povoamentos florestais autóc- jos/alargamento dos caminhos, nomeadamente da praia
tones do Carvalhal)
Microtus cabrerae (em áreas onde forem identificadas
Euphydryas aurinia; Miniopterus schreibersi; Myotis colónias)
blythii; Myotis myotis; Rhinolophus ferrumequinum; Rhi- Myosotis retusifolia; Lacerta schreiberi (adjacentes às
nolophus hipposideros; Rhinolophus mehelyi (com um linhas de água, de forma a não aterrar/destruir as margens
subcoberto diversificado) das linhas de água e a vegetação aí existente)
Diário da República, 1.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2008 4536-(109)

Euphydryas aurinia (em área mais sensíveis, efectuar Outros usos e Actividades
estes trabalhos em função do ciclo de vida da espécie)
– Conservar/recuperar vegetação ribeirinha autóctone
– Condicionar a construção de infra-estruturas Alosa fallax; Chondrostoma lusitanicum; Coenagrion
mercuriale; Emys orbicularis; Lacerta schreiberi; Lutra
1110; 1140; 1170; 1210; 2110; 2120; 2130*; 2230 (obras lutra; Mauremys leprosa; Microtus cabrerae; Miniopterus
costeiras) schreibersi; Myotis blythii; Myotis myotis; Rhinolophus
1210; 1240; 1310; 1410; 1420; 1430; 1510*; 2120; ferrumequinum; Rhinolophus hipposideros; Rhinolophus
2130*; 2150*; 2190; 2230; 2260; 2330; 3110; 4030; mehelyi; Salix salvifolia ssp australis
5140*; 5330; 5410; 6220*; 8210; 8220; 9330; Herniaria
algarvica; Limonium lanceolatum (vários tipos de infra- – Condicionar intervenções nas margens e leito de li-
estruturação) nhas de água
Myosotis retusifolia (abertura e alargamento de vias de
comunicação ou outras infra-estruturas localizadas junto 3120; 3170*; 3260; 3290; 91E0*; 92A0; Alosa fallax;
a linhas de água) Chondrostoma lusitanicum; Coenagrion mercuriale; Emys
Lacerta schreiberi (na construção de novas estradas