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BUREAU OF RECLAMATION

BRASIL

7
MANUAL DE
IRRIGAÇÃO
Elaboração de
Projetos de Irrigação

BRASÍLIA - DF
2002
Todos os Direitos Reservados
Copyright © 2002 Bureau of Reclamation
Os dados desse Manual estão sendo atualizados por técnicos do Bureau of Reclamation.
Estamos receptivos a sugestões técnicas e possíveis erros encontrados nessa versão. Favor
fazer a remessa de suas sugestões para o nosso endereço abaixo, ou se preferir por e-mail.
1ª Edição: Outubro de 1993
2ª Edição: Dezembro de 2002
Meio Eletrônico
Editor:
BUREAU OF RECLAMATION
SGA/Norte - Quadra 601 - Lote I - Sala 410
Edifício Sede da CODEVASF
Brasília - DF
CEP - 70830-901
Fone: (061) 226-8466
226-4536
Fax: 225-9564
E-mail: burec2001@aol.com

Autores
Richard A. Simonds - Engº Civil - Especialista em Tubulação - “Bureau of Reclamation”
Thomas Haider - Engº Civil - Especialista em Canais - “Bureau of Reclamation”
Clete Mages - Engº Mecânico - “Bureau of Reclamation”
Paul Rucht - Engº Mecânico - Especialista em Estações de Bombeamento - “Bureau of Reclamation”
Edward Gray - Geólogo - “Bureau of Reclamation”
Sherwood Baxter - Engº Elétrico - “Bureau of Reclamation”
Paul Knode - Engº Civil - Especialista em Mecânica de Solos - “Bureau of Reclamation”
Rod Vissia - Engº de Planejamento - “Bureau of Reclamation”
Douglas Olson - Engº de Planejamento - “Bureau of Reclamation”
Peter J. Hradilek - Engº Civil - Especialista em Barragens - “Bureau of Reclamation”
Equipe Técnica do Bureau of Reclamation no Brasil
Catarino Esquivel - Chefe da Equipe
Ricardo Rodrigues Lage - Especialista Administrativo
Evani F. Souza - Assistente Administrativo
Tradutora
Suzanne Sobral - Tradutora particular
Revisores Técnicos:
ENGECORP’S (Corpo de Engºs Consultores) - Vários Especialistas
CODEVASF / DNOCS - Vários Especialistas
Composição e Diagramação:
Print Laser - Assessoria Editorial Ltda

Ficha Catalográfica:

Elaboração de projetos de irigação / Richard A. Simonds.... [et


al.]. — Brasília: Secretaria de Recursos Hídricos, 1999.
527 p. : il. (Manual de Irrigação, v.7)

Trabalho elaborado pelo Bureau of Reclamation, do Depar-


tamento de Interior, dos Estados Unidos, por solicitação do Mi-
nistério da Integração Nacional do governo brasileiro.
1. Irrigação - Elaboração. I.Simonds, Richards A. II. Série.

CDU 627.82.004.15
Elaboração de Projetos de Irrigação

APRESENTAÇÃO

Em maio de 1986, o Banco Mundial aprovou um Contrato de Empréstimo para a


elaboração de estudos e projetos de irrigação no Nordeste do Brasil. O Contrato inclui
recursos para assistência técnica à Secretaria de Infra-Estrutura Hídrica e, para isto, foi
assinado - em novembro de 1986 - um acordo com o “Bureau of Reclamation”, do Depar-
tamento do Interior, dos Estados Unidos.

A assistência abrange a revisão de termos de referência, estudos básicos, setoriais


e de pré-viabilidade; projetos básicos e executivos; especificações técnicas para constru-
ção de projetos de irrigação; critérios, normas e procedimentos de operação e manuten-
ção de projetos de irrigação; apresentação de seminários técnicos; acompanhamento da
construção de projetos; formulação de recomendações de políticas relativas ao desenvol-
vimento da agricultura irrigada.

O trabalho de assistência é realizado por uma equipe residente no Brasil, e por


pessoal temporário do Bureau, do Centro de Engenharia e Pesquisa de Denver, Colorado,
Estados Unidos. A equipe residente conta com especialistas em planejamento, projetos
de irrigação, barragens, hidrologia, sensoriamento remoto e operação e manutenção.

O Bureau vem prestando estes serviços há mais de dezesseis anos. Neste período,
obteve um conhecimento bastante amplo sobre a agricultura irrigada, no Brasil. Devido a
este conhecimento e à grande experiência do Bureau, em assuntos de irrigação, o Minis-
tério da Integração Nacional, solicitou que fossem elaborados manuais técnicos, para
utilização por órgãos governamentais (federais, estaduais e municipais), entidades priva-
das ligadas ao desenvolvimento da agricultura irrigada, empresas de consultoria, empreiteiras
e técnicos da área de irrigação.

A coleção que ora é entregue a esse público é um dos resultados do Contrato


mencionado. Ela é composta dos seguintes Manuais:

„ Planejamento Geral de Projetos de Irrigação


„ Classificação de Terras para Irrigação
„ Avaliação Econômica e Financeira de Projetos de Irrigação
„ Operação e Manutenção de Projetos de Irrigação
„ Especificações Técnicas Padronizadas
„ Standard Technical Specifications
„ Avaliação de Pequenas Barragens
„ Elaboração de Projetos de Irrigação
„ Construção de Projetos de Irrigação

Para sua elaboração contou com o trabalho de uma equipe de engenheiros e espe-
cialistas do “Bureau of Reclamation”, por solicitação do governo brasileiro.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

O objetivo dos Manuais é apresentar procedimentos simples e eficazes para serem


utilizados na elaboração, execução, operação e manutenção de projetos de irrigação.

Os anexos 10, 11 e 12 do “Manual de Operação e Manutenção de Projetos de


Irrigação” foram redigidos por técnicos do Instituto Interamericano de Cooperação para a
Agricultura - IICA. O anexo do “Manual de Avaliação de Pequenas Barragens” foi elabora-
do pelo Grupo de Hidrometeorologia da Superintendência de Desenvolvimento do Nordes-
te - SUDENE, em convênio com o “Institut Français de Recherche Scientifique pour le
Developement en Cooperation” - ORSTOM.

Foram publicadas, separadamente, pelo IBAMA / SENIR / PNUD / OMM (Instituto


Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, Secretaria Nacional de Irrigação,
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Organização Meteorológica Mun-
dial), as “Diretrizes Ambientais para o Setor de Irrigação”. Estas diretrizes devem ser
seguidas em todas as etapas de planejamento, implantação e operação de projetos de
irrigação.

O Bureau of Reclamation agradece a gentil colaboração da CODEVASF (Compa-


nhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) e do DNOCS (Departamento Nacio-
nal de Obras Contra as Secas) pela disponibilização de informações sobre Leis e Normas
Técnicas Brasileiras.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ............................................................................................................ 3

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 18
1.1 Objetivo do MANUAL ................................................................................... 18
1.2 Níveis de Projeto .......................................................................................... 18
1.2.1 Estudos Regionais (Plano Diretor) e Estudos de Pré-Viabilidade .............. 19
1.2.2 Estudos de Viabilidade ..................................................................... 19
1.2.3 Projetos Básicos .............................................................................. 20
1.2.4 Dossiê de Licitação das Obras Civis, e Dossiê de
Licitação dos Equipamentos Eletromecânicos ...................................... 20
1.2.5 Projetos Executivos ......................................................................... 21
1.3 Escopo do MANUAL ..................................................................................... 21
1.4 “Eficácia de Custos” ..................................................................................... 22

2 DADOS BÁSICOS PARA PROJETO E DESENVOLVIMENTO DO LEIAUTE DO SISTEMA .. 23


2.1 Dados Básicos do Sistema ............................................................................. 23
2.1.1 Aspectos Gerais .............................................................................. 23
2.1.2 Importância da Integralidade dos Dados .............................................. 23
2.2 Projeto a Nível de Pré-Viabilidade ................................................................... 23
2.2.1 Aspectos Gerais .............................................................................. 23
2.2.2 Dados do Projeto a Nível de Pré-Viabilidade ......................................... 24
2.2.3 Leiaute do Sistema a Nível de Pré-Viabilidade ...................................... 24
2.3 Projeto a Nível de Viabilidade ......................................................................... 24
2.3.1 Aspectos Gerais .............................................................................. 24
2.3.2 Planta Geral .................................................................................... 25
2.3.3 Descrição Geral das Condições Locais ................................................ 25
2.3.4 Controle Topográfico ....................................................................... 25
2.3.5 Plantas Topográficas ........................................................................ 26
2.3.6 Leiaute Geral .................................................................................. 26
2.3.7 Dados das Fundações ...................................................................... 26
2.3.8 Materiais de Construção ................................................................... 27
2.3.9 Estações de Bombeamento ............................................................... 27
2.3.10 Canais Principal e Secundários e Tubulações ....................................... 28
2.3.10.1 Canais e Tubulações ....................................................... 28
2.3.10.2 Canais .......................................................................... 28
2.3.10.3 Tubulações .................................................................... 29
2.3.11 Drenos ........................................................................................... 29
2.3.12 Considerações Relativas ao Meio Ambiente ......................................... 29
2.3.13 Dados Diversos ............................................................................... 30
2.4 Projeto Básico .............................................................................................. 30
2.4.1 Geral ............................................................................................. 30
2.4.2 Planta Geral .................................................................................... 31

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Elaboração de Projetos de Irrigação

2.4.3 Descrição Geral ............................................................................... 31


2.4.4 Controle Topográfico ....................................................................... 31
2.4.5 Plantas Topográficas ........................................................................ 31
2.4.6 Leiaute Geral .................................................................................. 31
2.4.7 Plantas e Perfis ............................................................................... 31
2.4.7.1 Geral ............................................................................ 31
2.4.7.2 Canais e Drenos ............................................................. 32
2.4.7.3 Tubulações Primárias ...................................................... 32
2.4.7.4 Tubulações Secundárias .................................................. 32
2.4.7.5 Estradas ........................................................................ 32
2.4.7.6 Diques .......................................................................... 33
2.4.8 Fotografias Aéreas .......................................................................... 33
2.4.9 Fotografias Coloridas ....................................................................... 33
2.4.10 Dados das Fundações ...................................................................... 33
2.4.10.1 Dados Geológicos ........................................................... 33
2.4.10.2 Dados de Engenharia ...................................................... 34
2.4.11 Dados dos Materiais de Construção ................................................... 35
2.4.12 Estações de Bombeamento ............................................................... 35
2.4.13 Canais Principal e Secundário e Tubulações ........................................ 36
2.4.13.1 Canais e Tubulações ....................................................... 36
2.4.13.2 Canais .......................................................................... 37
2.4.13.3 Tubulações .................................................................... 37
2.4.14 Drenos ........................................................................................... 38
2.4.15 Poços ............................................................................................ 38
2.4.16 Estradas ......................................................................................... 38
2.4.17 Dados Relativos às Instalações Elétricas ............................................. 39
2.4.17.1 Estações de Bombeamento, Canais, Tubulações e Poços ..... 39
2.4.17.2 Subestações Elétricas ..................................................... 40
2.4.18 Considerações Relativas ao Meio Ambiente ......................................... 41
2.4.19 Dados Diversos ............................................................................... 41

3 INVESTIGAÇÕES GEOGNÓSTICAS ......................................................................... 43


3.1 Níveis de Investigação .................................................................................. 43
3.1.1 Aspectos Gerais .............................................................................. 43
3.1.2 Investigações a Nível de Pré-Viabilidade ............................................. 43
3.1.3 Investigações a Nível de Viabilidade ................................................... 44
3.1.4 Investigações a Nível de Projeto Básico .............................................. 46
3.1.5 Investigações a Nível de Projeto Executivo .......................................... 47
3.2 Princípios de Investigação ............................................................................. 48
3.2.1 Objetivos ........................................................................................ 48
3.2.2 Classificação das Fundações das Estruturas ........................................ 49
3.2.3 Fontes de Informações de Mapas e Fotografias ................................... 50
3.2.3.1 Plantas Topográficas ....................................................... 50
3.2.3.2 Mapas Geológicos .......................................................... 50
3.2.3.3 Fotografias Aéreas .......................................................... 51
3.2.3.4 Alternativas às Fotografias Aéreas .................................... 54
3.2.4 Investigação da Superfície ................................................................ 54
3.2.4.1 Aspectos Gerais ............................................................. 54
3.2.4.2 Solos Fluviais ................................................................. 55
3.2.4.3 Solos Eólicos ................................................................. 56
3.2.4.4 Solos Residuais .............................................................. 56
3.2.5 Exploração da Subsuperfície ............................................................. 57
3.2.5.1 Aspectos Gerais ............................................................. 57
3.2.5.2 Estruturas Pontuais ......................................................... 58
3.2.5.3 Estruturas Lineares ......................................................... 58
3.2.5.4 Áreas de Empréstimo ...................................................... 62

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Elaboração de Projetos de Irrigação

3.2.5.5 Escolha de Amostras ...................................................... 62


3.2.5.6 Ensaios de Campo .......................................................... 65
3.2.6 Investigação de Materiais com Propriedades Específicas ....................... 66
3.2.6.1 Aspectos Gerais ............................................................. 66
3.2.6.2 Materiais Impermeáveis ................................................... 66
3.2.6.3 Materiais Permeáveis ...................................................... 68
3.2.6.4 “Riprap” e Enrocamentos ................................................. 69
3.2.7 Materiais para Solos Estabilizados ...................................................... 70
3.2.7.1 Aspectos Gerais ............................................................. 70
3.2.7.2 Solo-Cimento Compactado .............................................. 70
3.3 Métodos de Sondagem ................................................................................. 71
3.3.1 Aspectos Gerais .............................................................................. 71
3.3.2 Categorias de Amostras ................................................................... 72
3.3.3 Amostras Deformadas ...................................................................... 72
3.3.3.1 Aspectos Gerais ............................................................. 72
3.3.3.2 Poços de Inspeção e Trincheiras ....................................... 73
3.3.3.3 Amostragem em Poços e Trincheiras ................................. 73
3.3.3.4 Amostragem a Trado ...................................................... 74
3.3.3.5 Amostragem por Cravação .............................................. 75
3.3.3.6 Preparo e Transporte de Amostras Deformadas .................. 76
3.3.4 Amostras Indeformadas ................................................................... 76
3.3.4.1 Amostras Indeformadas Cilíndricas e de Bloco .................... 76
3.3.4.2 Amostras Indeformadas por Meios Mecânicos .................... 79
3.3.4.3 Preparo e Transporte de Amostras Indeformadas ................ 79
3.3.5 Amostras Indeformadas de Rocha (Testemunhos de Sondagem) ............ 86
3.3.5.1 Aspectos Gerais ............................................................. 86
3.3.5.2 Remoção e Preparo dos Testemunhos para Transporte ........ 87
3.3.6 Diversos Métodos de Perfuração ....................................................... 87
3.3.7 Ensaios de Campo ........................................................................... 88
3.3.7.1 Aspectos Gerais ............................................................. 88
3.3.7.2 Ensaio de Penetração Padronizado (SPT) ............................ 88
3.3.7.3 Ensaios de Permeabilidade ............................................... 88
3.3.7.4 Ensaio de Palheta ........................................................... 88
3.3.7.5 Ensaio de Penetrômetro de Cone ...................................... 89
3.3.7.6 Ensaio de Cisalhamento no Furo ....................................... 89
3.3.7.7 Ensaio de Dilatômetro de Placa Lisa .................................. 89
3.3.7.8 Ensaio de Pressiômetro ................................................... 89
3.3.7.9 Ensaio de Massa Específica Aparente In Situ ...................... 89
3.4 Registros e Relatórios de Dados ..................................................................... 90
3.4.1 Mapas ........................................................................................... 90
3.4.2 Perfil dos Furos de Sondagem ........................................................... 91
3.4.2.1 Localização dos Furos de Sondagem ................................. 91
3.4.2.2 Identificação dos Furos ................................................... 92
3.4.2.3 Tipos de Perfis de Sondagem ........................................... 92
3.4.2.4 Descrição dos Solos ........................................................ 98
3.4.2.5 Descrição dos Testemunhos de Rocha ............................... 98
3.4.3 Seções Subsuperficiais ..................................................................... 99
3.4.4 Amostragem ................................................................................. 100
3.4.5 Relatórios ..................................................................................... 100
3.4.5.1 Aspectos Gerais ........................................................... 100
3.4.5.2 Fundações ................................................................... 101
3.4.5.3 Dados dos Materiais de Construção ................................ 102
3.5 Agregados de Concreto ............................................................................... 103
3.5.1 Qualidade e Granulometria dos Agregados ........................................ 103
3.5.1.1 Substâncias Contaminantes ........................................... 103
3.5.1.2 Alterabilidade ............................................................... 104

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Elaboração de Projetos de Irrigação

3.5.1.3 Resistência e Resistência à Abrasão ................................ 104


3.5.1.4 Mudanças de Volume .................................................... 104
3.5.1.5 Formato das Partículas .................................................. 105
3.5.1.6 Peso Específico ............................................................ 105
3.5.1.7 Granulometria .............................................................. 105
3.5.2 Amostragem dos Agregados ........................................................... 105
3.5.3 Prospecção para Agregados ............................................................ 106
3.5.3.1 Aspectos Gerais ........................................................... 106
3.5.3.2 Características Geológicas e Outras Características
Afins dos Agregados e dos Depósitos de Agregados ......... 106
3.5.3.3 Prospecção .................................................................. 110
3.5.3.4 Amostragem Preliminar das Fontes Potenciais
de Agregado e Relatório de Informações Pertinentes ........ 111
3.5.4 Exploração de Jazidas Naturais de Agregado ..................................... 113
3.5.4.1 Procedimentos Gerais ................................................... 113
3.5.4.2 Furos de Sondagem Revestidos de Aço ........................... 113
3.5.4.3 Furos de Sondagem Não-Revestidos................................ 113
3.5.4.4 Poços e Trincheiras de Exploração .................................. 114
3.5.4.5 Designação das Jazidas e das Sondagens ........................ 114
3.5.4.6 Relatórios .................................................................... 114
3.5.5 Ensaios de Laboratório e Seleção dos Agregados ............................... 115
3.5.5.1 Ensaios dos Agregados ................................................. 115
3.5.5.2 Análise dos Dados de Campo e de Laboratório ................. 116
3.5.5.3 Quantidade de Agregado ............................................... 117
3.5.5.4 Seleção dos Agregados ................................................. 117
3.6 Prospecção de Materiais Pozolânicos ............................................................ 117
3.6.1 Ocorrência Geológica da Pozolana ................................................... 117
3.6.2 Amostras ..................................................................................... 117
3.6.3 Ensaios e Análises dos Materiais Pozolânicos .................................... 118
3.7 Solos Colapsíveis ....................................................................................... 118
3.7.1 Geral ........................................................................................... 118
3.7.2 Resumo das Propriedades ............................................................... 119
3.7.3 Identificação dos Solos Colapsíveis .................................................. 120
3.7.3.1 Observações de Campo ................................................. 120
3.7.3.2 Ensaios de Laboratório .................................................. 121
3.7.4 Métodos de Amostragem dos Solos Colapsíveis ................................ 125
3.7.4.1 Amostras Talhadas Manualmente ................................... 125
3.7.4.2 Métodos de Sondagem Mecânica ................................... 125
3.7.5 Tratamento dos Solos Colapsíveis ................................................... 126
3.7.5.1 Descrição dos Métodos de Tratamento ............................ 128
3.7.5.1.1 Hidrocompactação ....................................... 128
3.7.5.1.2 Solidificação do Solo .................................... 130
3.7.5.1.3 Compactação Dinâmica ................................ 131
3.7.5.1.4 Vibroflotação .............................................. 131
3.7.5.1.5 Escarificação Profunda e Umedecimento ......... 132
3.7.5.1.6 Outros Métodos de Adensamento .................. 132
3.7.5.2 Eficácia dos Métodos de Tratamento –
Vantagens e Desvantagens ............................................ 133
3.7.5.2.1 Hidrocompactação ....................................... 133
3.7.5.2.2 Solidificação do Solo .................................... 133
3.7.5.2.3 Compactação Dinâmica ................................ 134
3.7.5.2.4 Vibroflotação .............................................. 134
3.7.5.2.5 Escarificação Profunda e Umedecimento ......... 134
3.7.6 Adoção de Medidas de Projeto ........................................................ 134
3.7.6.1 Projeto para Recalque Após a Construção ........................ 135
3.7.6.2 Uso de Estacas ou Tubulões .......................................... 135

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Elaboração de Projetos de Irrigação

3.7.6.3 Prevenção de Colapso pelo Alívio das Pressões ................ 135


3.7.6.4 Remoção dos Solos Colapsíveis ...................................... 136
3.7.7 Resumo ....................................................................................... 136
3.8 Argilas Dispersivas ..................................................................................... 137
3.8.1 Geral ........................................................................................... 137
3.8.2 Descrição ..................................................................................... 137
3.8.3 Fatores Geográficos e Climáticos ..................................................... 138
3.8.4 Conseqüências na Engenharia ......................................................... 138
3.8.4.1 Mecanismos de Ruptura por “Piping” .............................. 138
3.8.4.2 Erosão das Argilas Dispersivas Causada Pelas Chuvas ....... 139
3.8.5 Experimentos com Argilas Dispersivas .............................................. 140
3.8.6 Identificação das Argilas Dispersivas ................................................ 141
3.8.7 Ensaios de Laboratório ................................................................... 142
3.8.7.1 Ensaio de Dispersão Rápida ........................................... 142
3.8.7.2 Ensaio de Comparação Granulométrica ............................ 142
3.8.7.3 Ensaio de Furo de Agulha (“Pinhole”) .............................. 143
3.8.7.4 Ensaios Químicos ......................................................... 146
3.8.8 Considerações de Engenharia .......................................................... 147
3.8.8.1 Seleção de Materiais para uma Construção Econômica ...... 148
3.8.8.2 Elaboração do Projeto e dos Cuidados Construtivos .......... 148
3.8.8.3 Barragens e Aterros Existentes de Argila Dispersiva .......... 150
3.8.9 Resumo ....................................................................................... 150
3.9 Solos Expansivos ....................................................................................... 150
3.9.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 150
3.9.2 Identificação das Argilas Expansivas ................................................ 152
3.9.3 Ensaios de Laboratório ................................................................... 153
3.9.3.1 Ensaio de Expansão ...................................................... 154
3.9.3.2 Ensaio de Pressão de Expansão ...................................... 154
3.9.4 Métodos de Amostragem de Solos Expansivos .................................. 155
3.9.4.1 Amostras Moldadas Manualmente .................................. 155
3.9.4.2 Métodos de Amostragem Mecânica ................................ 155
3.9.5 Métodos de Tratamento ................................................................. 156
3.9.5.1 Retrabalho do Solo ....................................................... 156
3.9.5.2 Controle do Teor de Umidade do Solo ............................. 157
3.9.5.3 Estabilização do Solo .................................................... 158
3.9.6 Deterioração dos Solos de Fundações .............................................. 159
3.9.7 Resumo ....................................................................................... 159
3.10 Calcário Cárstico ........................................................................................ 160
3.10.1 Geral ........................................................................................... 160
3.10.2 Calcário ....................................................................................... 161
3.10.3 Definição de Calcário Cárstico ......................................................... 161
3.10.4 Dissolução do Calcário ................................................................... 162
3.10.5 Indicadores Potenciais de Aberturas Subsuperficiais ........................... 162
3.10.5.1 Indicadores Diretos ....................................................... 162
3.10.5.2 Indicadores Condicionais ............................................... 163
3.10.5.3 Fatores Modificadores ................................................... 163
3.10.6 Estudos Geológicos e Geotécnicos do Local ...................................... 163
3.10.6.1 Geologia do Local ......................................................... 163
3.10.6.2 Natureza da Estrutura ................................................... 164
3.10.6.3 Coordenação das Investigações ...................................... 164
3.10.6.4 Investigações Hidrológicas ............................................. 165
3.10.6.5 Piezômetros ................................................................. 165
3.10.6.6 Ensaios de Perda de Água ............................................. 165
3.10.6.7 Injeções ...................................................................... 166
3.10.6.8 Sensoreamento Remoto ................................................ 166
3.10.6.9 Fotografia Aérea ........................................................... 166

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Elaboração de Projetos de Irrigação

3.10.6.10 Perfuração e Escavação ................................ 167


3.10.6.11 Estudos em Sondagens ................................ 168
3.10.7 Avaliação da Segurança das Fundações ............................................ 169
3.10.8 Condições que Afetam as Estruturas de Retenção de Água ................. 171
3.10.9 Métodos de Tratamento ................................................................. 171
3.10.9.1 Áreas de Fundações ..................................................... 171
3.10.9.2 Áreas de Reservatório ................................................... 172
3.10.9.3 Cavidades de Dissolução ............................................... 172
3.10.9.4 Problemas Potenciais Resultantes das
Injeções e do Enchimento .............................................. 172
3.10.10 Resumo ....................................................................... 172
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 174

4 CAPTAÇÕES...................................................................................................... 179
4.1 Canais de Captação .................................................................................... 179
4.1.1 Elaboração do Projeto .................................................................... 179
4.1.2 Captação no Reservatório ............................................................... 180
4.1.3 Captação no Rio ............................................................................ 181
4.2 Requisitos Relativos à Sedimentação e às Propriedades Hidráulicas ................... 181
4.2.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 181
4.2.2 Sedimentos na Água Bombeada ...................................................... 181
4.2.3 Nível da Água no Lado de Sucção da Bomba ..................................... 186
4.2.4 Estabilidade das Margens ............................................................... 188
4.2.5 Canais de Captação ....................................................................... 189

5 ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO ........................................................................... 193


5.1 Tipos de Estação ........................................................................................ 193
5.1.1 Estações do Lado do Canal ............................................................. 193
5.1.2 Estações na Extremidade do Canal ................................................... 193
5.1.3 Estações em Reservatórios ou Rios .................................................. 195
5.1.4 Estações Elevatórias ...................................................................... 195
5.1.5 Estações Tipo “Booster” ................................................................. 195
5.2 Tipos de Instalação .................................................................................... 195
5.2.1 Instalações Internas ....................................................................... 195
5.2.2 Instalações Externas ...................................................................... 195
5.2.3 Instalações Semi-Internas ............................................................... 195
5.3 Áreas Funcionais das Estações de Bombeamento ........................................... 197
5.3.1 Área de Serviço ............................................................................ 197
5.3.2 Vão da Bomba .............................................................................. 197
5.3.3 Área para Armazenamento de Óleo .................................................. 198
5.3.4 Área do Equipamento de Canhole e Salas de Canhole ......................... 198
5.3.5 Área das Baterias .......................................................................... 198
5.3.6 Escritórios .................................................................................... 198
5.3.7 Vestiários ..................................................................................... 198
5.3.8 Poço de Drenagem ........................................................................ 198
5.3.9 Área de Montagem do Rotor ........................................................... 198
5.4 Seleção e Operação das Unidades de Bombeamento ....................................... 199
5.4.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 199
5.4.2 Tipo de Bomba Requerida ............................................................... 199
5.4.3 Número e Dimensões das Unidades ................................................. 199
5.4.4 Operação das Unidades de Bombeamento ......................................... 200
5.5 Descrição dos Tópicos Relativos às Estruturas e à Construção Civil .................. 200
5.5.1 Fundações .................................................................................... 200
5.5.1.1 Aspectos Gerais ........................................................... 200
5.5.1.2 Materiais Sujeitos a Ciclagem (Esplastilhamento) .............. 200
5.5.1.3 Solos Expansivos .......................................................... 200

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Elaboração de Projetos de Irrigação

5.5.1.4 Materiais de Baixo Peso Específico.................................. 201


5.5.1.5 Cavidades de Dissolução ............................................... 201
5.5.2 Cálculo de Estabilidade ................................................................... 201
5.5.2.1 Excentricidade ou Tombamento ...................................... 202
5.5.2.2 Atrito .......................................................................... 202
5.5.2.3 Subpressão ou Flutuação ............................................... 203
5.5.2.4 Fatores de Segurança.................................................... 203
5.5.3 Cargas de Projeto Estrutural ............................................................ 203
5.5.3.1 Aspectos Gerais ........................................................... 203
5.5.3.2 Cargas Permanentes ..................................................... 204
5.5.3.3 Cargas Acidentais (Variáveis) ......................................... 204
5.5.3.4 Cargas Acidentais Concentradas .................................... 204
5.5.3.5 Cargas de Guindastes ................................................... 205
5.5.3.6 Cargas de Impacto........................................................ 208
5.5.3.7 Cargas Durante a Construção ......................................... 208
5.5.3.8 Ações de Vento ........................................................... 209
5.5.3.9 Forças Sísmicas ........................................................... 209
5.5.3.10 Empuxo da Terra .......................................................... 209
5.5.3.11 Tensões Térmicas e de Contração .................................. 211
5.5.3.12 Pressão Hidrostática ..................................................... 211
5.5.3.13 Subpressão Hidrostática ................................................ 211
5.5.3.14 Cargas Especiais e Outras Cargas ................................... 211
5.5.4 Análise Estrutural e Considerações na Elaboração de Projetos ............. 212
5.5.5 Considerações Diversas na Elaboração de Projetos ............................. 212
5.5.5.1 Juntas nas Estruturas de Concreto Armado ...................... 212
5.5.5.1.1 Aspectos Gerais .......................................... 212
5.5.5.1.2 Juntas de Construção .................................. 213
5.5.5.1.3 Juntas de Contração .................................... 217
5.5.5.1.4 Juntas de Expansão ..................................... 217
5.5.5.1.5 Juntas de Controle ...................................... 217
5.5.5.2 Tubos e Conduítes Embutidos ........................................ 217
5.5.6 Considerações Relativas ao Leiaute da Estação de Bombeamento ........ 219
5.5.6.1 Captações ................................................................... 219
5.5.6.2 Poços de Bombas ......................................................... 220
5.5.6.3 Bases das Bombas ........................................................ 220
5.5.6.4 Espaçamento das Bombas ............................................. 223
5.5.6.5 Áreas e Salas de Armazenamento de Óleo ....................... 232
5.5.6.6 Salas de Canhole .......................................................... 232
5.5.6.7 Salas de Baterias .......................................................... 235
5.5.6.8 Vãos de Escada ............................................................ 235
5.5.6.9 Sistemas de Drenagem da Estação de Bombeamento ........ 235
5.5.6.10 Poço de Drenagem ....................................................... 235
5.5.7 Considerações Relativas ao Leiaute do Pátio de Serviço ...................... 237
5.5.8 Considerações Relativas ao Leiaute da Subestação ............................ 237
5.5.9 Considerações Relativas à Construção ............................................. 238

6 CANAIS E ESTRUTURAS ASSOCIADAS ................................................................ 242


6.1 Introdução ................................................................................................. 242
6.2 Seções de Canal e Itens Relacionados às Seções de Canal .............................. 242
6.2.1 Revestimento de Canal ................................................................... 242
6.2.1.1 Revestimento de Concreto ............................................. 242
6.2.1.2 Revestimento de Terra Compactada ................................ 254
6.2.1.3 Revestimento de Membrana Plástica Enterrada ................. 259
6.2.1.4 Outros Sistemas de Revestimento com Membrana ............ 261
6.2.2 Quadros para Projeto de Seções de Canal ......................................... 263
6.2.2.1 Propriedades Físicas ...................................................... 265

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Elaboração de Projetos de Irrigação

6.2.2.2 Propriedades Hidráulicas ................................................ 265


6.2.2.3 Estradas de Operação e Manutenção ............................... 265
6.2.3 Itens Relacionados às Seções de Canal ............................................ 265
6.2.3.1 Borda Livre .................................................................. 265
6.2.3.2 Topo da Margem/Estradas de Operação e Manutenção ...... 266
6.2.3.3 Curvatura e Velocidades Permissíveis .............................. 267
6.2.3.4 Fórmulas de Escoamento ............................................... 267
6.2.3.5 Perdas por Infiltração .................................................... 269
6.2.3.6 Seções de Canal em Aterros Altos .................................. 270
6.2.3.7 Seções de Canal em Cortes Profundos ............................ 273
6.2.3.8 Considerações Operacionais ........................................... 276
6.3 Estruturas de Canal .................................................................................... 278
6.3.1 Estruturas de Controle ................................................................... 278
6.3.1.1 Estruturas de Controle com “Stoplogs” ........................... 278
6.3.1.2 Vertedouros em Bico de Pato ......................................... 280
6.3.1.3 Estruturas de Controle com Comporta ............................. 280
6.3.2 Estruturas de Sifão Invertido ........................................................... 280
6.3.2.1 Sifões Formados por Tubulações .................................... 284
6.3.2.2 Estruturas de Drenagem ................................................ 284
6.3.2.3 Sifões Invertidos de Seção Retangular ou Trapezóide ........ 284
6.3.3 Estruturas de Calha em Alinhamento ................................................ 284
6.3.4 Quedas ........................................................................................ 288
6.3.4.1 Quedas de Tubulação .................................................... 288
6.3.4.2 Quedas Inclinadas de Seção Retangular ........................... 292
6.3.4.3 Quedas com Blocos Amortecedores ................................ 292
6.3.4.4 Quedas Verticais .......................................................... 292
6.3.5 Tomadas d’Água ........................................................................... 297
6.3.5.1 Tomadas d’Água de Orifício de Carga Constante .............. 297
6.3.5.2 Tomadas d’Água com Hidrômetro a Molinete ................... 297
6.3.5.3 Tomadas d’Água com Calha Parshall ............................... 299
6.3.5.4 Tomadas d’Água com Calha em Rampa ........................... 299
6.3.5.5 Tomadas d’Água com Controles de Vazão Modulares ........ 302
6.3.5.6 Tomadas d’Água com Tela Fixa ...................................... 302
6.3.5.7 Tomadas d’Água com Tela Móvel ................................... 306
6.3.5.8 Tomadas d’Água com Tela de Chapa Perfurada ................ 306
6.3.6 Estruturas de Descarga e Vertedouros .............................................. 306
6.3.6.1 Vertedouros-Sifão e Vertedouros de Canal Lateral ............. 309
6.3.6.2 Estruturas de Descarga/Vertedouros com Comporta .......... 309
6.3.7 Estruturas de Drenagem Transversal ................................................ 313
6.3.7.1 Estruturas de Passagem de Água,
por Cima de um Canal (Tubos e Canaletas) ...................... 313
6.3.7.2 Bueiros Tubulares ......................................................... 313
6.3.7.3 Bueiros de Caixa .......................................................... 315
6.3.8 Captação da Água de Escoamento Superficial ................................... 315
6.3.9 Critérios Gerais para Elaboração do Projeto Hidráulico ........................ 317
6.3.9.1 Fatores de Atrito .......................................................... 317
6.3.9.2 Perdas de Transição ...................................................... 317
6.3.9.3 Perdas nas Curvas das Tubulações ................................. 319
6.3.9.4 Perdas nas Grades ........................................................ 319
6.3.9.5 Perdas Devido aos Pilares .............................................. 323
6.3.9.6 Borda Livre das Estruturas ............................................. 323
6.3.9.7 Percolação ................................................................... 323
6.3.9.8 Estabilidade ................................................................. 323
6.3.9.9 Ressalto Hidráulico ....................................................... 327
6.3.9.10 “Riprap” ...................................................................... 327

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6.3.10 Considerações Gerais Relativas às Estruturas .................................... 329


6.3.10.1 Critério de Projeto de Concreto Armado ........................... 329
6.3.10.2 Carregamento .............................................................. 336
6.3.10.3 Estabilidade das Estruturas ............................................ 340
6.3.10.4 Capacidade de Carga .................................................... 342
6.3.10.5 Recalques Diferenciais .................................................. 343
6.4 Operações e Automatização dos Canais ........................................................ 344
6.4.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 344
6.4.2 Operação dos Sistemas de Canais ................................................... 344
6.4.2.1 Sistema de Demanda .................................................... 344
6.4.2.2 Sistema de Controle à Montante ..................................... 345
6.4.2.3 Combinações ............................................................... 346
6.4.3 Métodos de Ajuste das Comportas de Controle ................................. 346
6.4.3.1 Controle Manual Local ................................................... 346
6.4.3.2 Controle Automático Local............................................. 346
6.4.3.3 Controle Remoto por Supervisor ..................................... 347
6.4.3.4 Sistemas de Controle Combinado ................................... 348
6.4.4 Conceitos de Controle .................................................................... 348
6.4.5 Métodos de Operação das Piscinas dos Canais .................................. 350
6.4.6 Automação ................................................................................... 353
6.4.6.1 Elementos Básicos do Sistema de Controle Automático ..... 353
6.4.6.2 Algoritmos ................................................................... 354
6.4.6.2.1 Algoritmo de Little-Man ................................ 356
6.4.6.2.2 Algoritmo de Colvin ..................................... 356
6.4.6.2.3 Algoritmos EL-FLO + RESET e P + PR ........... 358
6.4.6.2.4. Algoritmo de BIVAL ..................................... 359
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 360
ANEXO A Programa de Computador para Calhas em Rampa ..................................... 361

7 TUBULAÇÕES .................................................................................................... 364


7.1 Introdução ................................................................................................. 364
7.2 Projeto Hidráulico das Tubulações ................................................................ 364
7.2.1 Perdas de Carga na Tubulação ........................................................ 365
7.2.2 Perdas de Carga nas Válvulas e nas Conexões .................................. 372
7.2.3 Perdas de Carga nas Linhas de Aspersão .......................................... 372
7.3 Considerações Relativas ao Golpe de Aríete ................................................... 381
7.3.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 381
7.3.2 Dispositivos de Controle de Golpe de Aríete ...................................... 382
7.3.3 Condições Operacionais a Serem Investigadas ................................... 385
7.3.3.1 Condições Operacionais Normais .................................... 385
7.3.3.2 Condições Operacionais de Emergência ........................... 387
7.3.4 Critérios de Projeto ........................................................................ 387
7.4 Projeto Estrutural dos Tubos ........................................................................ 389
7.4.1 Cargas Aplicadas ........................................................................... 389
7.4.2 Classificação dos Tubos ................................................................. 393
7.4.2.1 Aspectos Gerais ........................................................... 393
7.4.2.2 Tubos Rígidos .............................................................. 393
7.4.2.2.1 Tubos de Fibrocimento ................................. 394
7.4.2.2.2 Tubos de Concreto ...................................... 398
7.4.2.3 Tubos Flexíveis ............................................................ 399
7.4.2.3.1 Aspectos Gerais .......................................... 399
7.4.2.3.2 Deflexão Admissível ..................................... 400
7.4.2.3.3 Determinação do Valor de Deflexão ............... 400
7.4.2.3.4 Considerações Relativas à Deflexão ............... 403
7.4.2.3.5 Flambagem de Tubos de Aço ........................ 405

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Elaboração de Projetos de Irrigação

7.5 Considerações Relativas ao Leiaute do Sistema .............................................. 406


7.6 Outras Considerações de Projeto .................................................................. 406
7.6.1 Válvulas de Isolamento .................................................................. 406
7.6.2 Ventosas ...................................................................................... 409
7.6.3 Ancoragem de Empuxo .................................................................. 411
7.6.4 Automatização das Bombas ............................................................ 414
7.6.4.1 Tubulações de Descarga das Estações de Bombeamento ... 414
7.6.4.2 Tubulações de Adução e de Distribuição .......................... 414

8 RESERVATÓRIOS DE REGULARIZAÇÃO ................................................................ 418


8.1 Aspectos Gerais ......................................................................................... 418
8.2 Aplicações ................................................................................................ 418
8.2.1 Separação de Dois Trechos de Canal com Períodos de
Operação Diferentes ...................................................................... 418
8.2.2 Separação das Prioridades Operacionais ........................................... 419
8.2.3 Compensação entre Vazão Uniforme num Lado e
Vazão Variável no Outro ................................................................. 419
8.2.4 Separação entre um Sistema de Canal e um
Sistema de Bombeamento .............................................................. 420
8.2.5 Regularização de Controle Automático ............................................. 420
8.3 Critérios de Projeto e de Operação ................................................................ 420
8.3.1 Tipos de Reservatório de Regularização ............................................ 420
8.3.1.1 Reservatório no Alinhamento ......................................... 421
8.3.1.2 Reservatório Fora do Alinhamento .................................. 421
8.3.1.3 Reservatórios de Tomada d’Água ao Lado do Canal .......... 422
8.3.2 Dimensionamento .......................................................................... 422
8.4 Reservatórios de Controle Automático das Estações de Bombeamento .............. 423

9 DESCRIÇÃO DA PARTE MECÂNICA ..................................................................... 427


9.1 Conjuntos Moto-Bombas ............................................................................. 427
9.1.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 427
9.1.2 Bombas Verticais Tipo Turbina ........................................................ 428
9.1.3 Bombas Centrífugas Horizontais ...................................................... 431
9.1.4 Ensaios nos Conjuntos Moto-Bombas ............................................... 431
9.2 Válvulas .................................................................................................... 432
9.2.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 432
9.2.2 Válvula Tipo Comporta Deslizante .................................................... 432
9.2.3 Válvulas de Retenção ..................................................................... 433
9.2.4 Válvulas Tipo Borboleta .................................................................. 434
9.2.5 Válvulas Tipo Globo ....................................................................... 435
9.2.6 Válvulas Tipo Gaveta ..................................................................... 436
9.2.7 Válvulas Antigolpe de Aríete de Abertura .......................................... 437
9.2.8 Ventosas ...................................................................................... 438
9.2.8.1 Aspectos Gerais ........................................................... 438
9.2.8.2 Entrada de Ar ............................................................... 438
9.2.8.3 Tipos de Ventosa ......................................................... 439
9.2.8.3.1 Ventosas de Simples Efeito de
Pequeno Orifício .......................................... 440
9.2.8.3.2 Ventosas de Duplo Efeito de
Grande Orifício ............................................ 440
9.2.8.3.3 Ventosas Duplas ou de Combinação .............. 441
9.2.8.4 Locais de Instalação ...................................................... 441
9.2.8.5 Proteção e Manutenção ................................................. 441
9.2.9 Válvulas de Segurança ................................................................... 442
9.3 Equipamentos Hidromecânicos ..................................................................... 443
9.3.1 Comportas Ensecadeiras ................................................................ 443

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Elaboração de Projetos de Irrigação

9.3.2 Grades ......................................................................................... 444


9.3.2.1 Descrição e Função ...................................................... 444
9.3.2.2 Cargas de Projeto ......................................................... 445
9.3.2.3 Tensões Admissíveis e Critérios de Dimensionamento ....... 445
9.3.2.4 Materiais e Revestimentos ............................................. 446
9.3.2.5 Considerações na Elaboração do Projeto .......................... 446
9.3.3 Estruturas de Içamento ou Vigas Pescadoras ..................................... 447
9.3.4 Comportas Segmento .................................................................... 447
9.3.5 Tanques de Aço ............................................................................ 450
9.3.5.1 Aspectos Gerais ........................................................... 450
9.3.5.2 Projeto ........................................................................ 450
9.3.5.3 Especificações ............................................................. 451
9.3.5.4 Montagem ................................................................... 452
9.3.5.5 Inspeção ..................................................................... 452
9.3.5.6 Pintura ........................................................................ 452
9.4 Equipamentos de Elevação e Transporte ........................................................ 452
9.5 Tubulações da Estação de Bombeamento ...................................................... 455
9.5.1 Tubos de Aço para Adução, Recalque e Barriletes .............................. 455
9.5.1.1 Aspectos Gerais ........................................................... 455
9.5.1.2 Requisitos de Projeto .................................................... 457
9.5.1.3 Fabricação ................................................................... 458
9.5.1.4 Seleção do Material ...................................................... 458
9.5.1.5 Controle da Corrosão .................................................... 459
9.5.1.6 Ancoragem .................................................................. 459
9.5.2 Juntas de Expansão Tipo Luva ........................................................ 459
9.5.2.1 Aspectos Gerais ........................................................... 459
9.5.2.2 Tirantes ...................................................................... 461
9.6 Equipamento de Medição de Vazão ............................................................... 462
9.6.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 462
9.6.2 Medidores de Vazão em Condutos ................................................... 462
9.6.2.1 Precisão dos Medidores de Vazão ................................... 462
9.6.2.2 Faixas Operacionais ...................................................... 463
9.6.2.3 Disponibilidade de Energia no Local da Medição ................ 463
9.6.2.4 Dimensões dos Medidores de Vazão ............................... 463
9.6.2.5 Pressão Operacional ...................................................... 464
9.6.2.6 Custo de Aquisição ....................................................... 464
9.6.2.7 Custos Operacionais ..................................................... 464
9.6.2.8 Vida Útil ...................................................................... 464
9.6.2.9 Tipos de Medidor de Vazão ............................................ 464
9.6.2.9.1 Medidor de Hélice ......................................................... 464
9.6.2.9.2 “Tubos de Fluxo” ......................................................... 466
9.6.2.9.3 Medidores de Vazão de Pitot .......................................... 468
9.6.2.9.4 Medidores de Vazão Ultra-Sônicos .................................. 469
9.6.2.9.5 Medidores de Vazão Magnéticos .................................... 471
9.6.3 Medidor de Vazão em Condutos Abertos .......................................... 472
9.6.3.1 Vertedouros ................................................................. 473
9.6.3.2 Calhas de Aferição de Parshall ....................................... 473
9.6.3.3 Medição Ultra-Sônica de Vazão em Seções de Canal ......... 474
9.6.3.4 Calhas Inclinadas .......................................................... 475
9.6.3.5 Medidores de Fluxo ....................................................... 475
9.7 Sistemas de Energia Elétrica de Emergência ................................................... 476

10 DESCRIÇÃO DA PARTE ELÉTRICA ........................................................................ 479


10.1 Sistema de Energia Elétrica .......................................................................... 479
10.2 Subestações .............................................................................................. 482
10.2.1 Localização e Disposição de Grandes Estações de Bombeamento ......... 482

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Elaboração de Projetos de Irrigação

10.2.2 Transformadores para as Grandes Estações de Bombeamento ............. 483


10.2.3 Disjuntores ................................................................................... 486
10.2.4 Proteção contra Descargas Elétricas de Origem Atmosférica ............... 486
10.2.5 Localização e Disposição de Pequenas Estações de Bombeamento ....... 486
10.3 Estações de Bombeamento .......................................................................... 487
10.3.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 487
10.3.2 Sala de Controle ............................................................................ 487
10.3.3 Equipamentos Diversos .................................................................. 487
10.3.4 Barramento de Alimentação do Motor .............................................. 488
10.3.5 Equipamento de Proteção para Motores de Corrente Alternada ............ 489
10.3.6 Cabos de Força e de Comando ........................................................ 491
10.3.7 Resumo ....................................................................................... 493
10.4 Sistemas de Comando e Controle das Unidades ............................................. 495
10.4.1 Esquemas de Controle .................................................................... 495
10.4.2 Controle dos Motores de Inducção ................................................... 495
10.4.3 Comando dos Motores Síncronos .................................................... 496
10.4.4 Excitação para Motores Síncronos ................................................... 496
10.4.5 Unidade de Bombeamento de Velocidade Ajustável ............................ 496
10.4.6 Elementos do Controle de Motores .................................................. 497
10.4.7 Controladores Programáveis ............................................................ 498
10.4.8 Equipamento de Aterramento Neutro de Motores ............................... 499
10.4.9 Controle do Equipamento Auxiliar .................................................... 499
10.5 Equipamento do Sistema de Serviços Auxiliares ............................................. 500
10.5.1 Alimentação em Corrente Alternada ................................................. 500
10.5.2 Alimentadores de Corrente Contínua ................................................ 501
10.5.3 Conjunto Motor-Gerador de Emergência ........................................... 501
10.6 Métodos de Aterramento ............................................................................. 501
10.6.1 Aspectos Gerais ............................................................................ 501
10.6.2 Projetos de Aterramento ................................................................. 502
10.6.3 Resistência de Terra ...................................................................... 504
10.6.4 Aterramento de Estações de Bombeamento ...................................... 505
10.6.5 Aterramento de Subestações .......................................................... 507
10.6.6 Aterramento de Instalações Isoladas ................................................ 509

11 DRENOS ............................................................................................................ 510


11.1 Aspectos Gerais ......................................................................................... 510
11.2 Tipos de Drenos ......................................................................................... 510
11.2.1 Drenos de Alívio e de Interceptação ................................................. 510
11.2.2 Drenos para Escoamento Superficial em Glebas ................................. 512
11.2.3 Drenos de Proteção ....................................................................... 512
11.2.4 Drenos Coletores ........................................................................... 512
11.2.5 Drenos de Saída ............................................................................ 512
11.3 Considerações Acerca do Projeto ................................................................. 512
11.3.1 Estaqueamento ............................................................................. 513
11.3.2 Seções Típicas .............................................................................. 513
11.3.3 Capacidades de Projeto .................................................................. 513
11.3.4 Velocidade de Escoamento nos Drenos ............................................ 514
11.3.5 Estruturas ..................................................................................... 514
11.3.5.1 Entradas de Drenos ....................................................... 514
11.3.5.2 Transições ................................................................... 517
11.3.5.3 Estruturas de Queda ..................................................... 517
11.3.5.4 Cruzamento de Canais e Estradas ................................... 517
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 518

12 ESTRADAS DE RODAGEM ................................................................................... 519


12.1 Aspectos Gerais ......................................................................................... 519

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Elaboração de Projetos de Irrigação

12.2 Considerações Acerca do Projeto ................................................................. 519


12.2.1 Velocidade de Projeto .................................................................... 519
12.2.2 Projeto Geométrico ........................................................................ 520
12.2.3 Superelevação .............................................................................. 520
12.2.4 Distância de Visibilidade ................................................................. 520
12.2.5 Superfície de Rolamento ................................................................. 521
12.2.6 Largura da Plataforma .................................................................... 521

13 DIQUES DE PROTEÇÃO ....................................................................................... 523


13.1 Aspectos Gerais ......................................................................................... 523
13.2 Considerações Acerca do Projeto ................................................................. 523
13.3 Fundações ................................................................................................. 523
13.4 Materiais para os Aterros ............................................................................ 524
13.5 Resumo .................................................................................................... 524

14 RELATÓRIOS DO PROJETO ................................................................................. 525


14.1 Aspectos Gerais ......................................................................................... 525
14.2 “Resumo do Projeto” .................................................................................. 525
14.3 “Considerações Construtivas” ...................................................................... 526
14.4 “Manual de Operação e Manutenção” ........................................................... 526
14.4.1 Minuta e Versão Final .................................................................... 527

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Elaboração de Projetos de Irrigação

INTRODUÇÃO

1.1 Objetivo do MANUAL

O objetivo do MANUAL é apresentar procedimentos simples e eficazes para serem


utilizados pelos órgãos federais, estaduais e locais, por organizações privadas e por fir-
mas de consultoria, no desenvolvimento de projetos de irrigação no Brasil. Não pretende
apresentar discussões teóricas acerca de mecânica de fluidos, análise estrutural ou outras
questões técnicas. Pelo contrário, o MANUAL apresenta diretrizes e critérios, algumas
vezes normas empíricas, que visam a auxiliar os engenheiros na elaboração de projetos
adequados às diversas estruturas que compõem os projetos de irrigação.

O “Bureau” tem mais de 100 anos de experiência em planejamento, elaboração,


construção e operação de projetos de irrigação no Oeste dos Estados Unidos. O objetivo
deste MANUAL é tentar passar essa experiência de maneira clara, concisa e direta; incor-
porando a experiência do “Bureau” em elaborar projetos no Brasil e dentro da realidade
brasileira. O MANUAL, portanto, está adaptado às condições brasileiras e à maneira bra-
sileira de elaborar projetos. Os critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) e as diretrizes oficiais foram incorporados, assim como os critérios do “Bureau”
julgados pertinentes.

O MANUAL não pretende constituir um conjunto rígido de normas. Pelo contrário,


apresenta diversas alternativas de projeto, o que dá considerável liberdade na seleção de
tipos de instalações, estruturas e equipamentos, para cada obra e/ou cliente em particu-
lar.

1.2 Níveis de Projeto

Conforme descrito no “Manual de Planejamento Geral de Projetos de Irrigação”, os


projetos seguem diversas etapas de planejamento. A elaboração dos projetos, por sua
vez, também passa por diversos níveis, que se correlacionam com as etapas de planeja-
mento:

„ Estudos Regionais e de Pré-Viabilidade;


„ Estudos de Viabilidade;
„ Projeto Básico;
„ Dossiê de Licitação das Obras Civis;
„ Dossiê de Licitação dos Equipamentos Eletromecânicos;
„ Projeto Executivo;
„ Projeto “As Built”.

A exposição a seguir apresenta uma idéia geral dos diversos níveis de planejamento
do projeto e dos níveis de elaboração de projeto a eles associados.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

1.2.1 Estudos Regionais (Plano Diretor) e Estudos de Pré-Viabilidade

A maior parte do planejamento é desenvolvido nos estudos regionais e de pré-


viabilidade. Nos estudos regionais, são identificadas áreas com potencial para agricultura
irrigada, as quais são priorizadas e selecionadas para consideração no estudo de pré-
viabilidade. Os conceitos básicos do projeto, como pontos de armazenamento e de desvio
de água, localização das instalações principais, área a ser irrigada, métodos de irrigação,
tipo de projeto, esquemas gerais de parcelamento e disposição geral da rede de distribui-
ção de água, deverão ser definidos no nível de pré-viabilidade, assim como verificados no
estudo de viabilidade, quando houver dados mais precisos disponíveis.

Nos estudos regionais e de pré-viabilidade, muito pouco é projetado. São efetuados


leiautes preliminares das principais estruturas do projeto, a partir das plantas topográficas
existentes. O custo das grandes instalações de projeto é avaliado por meio de curvas e
tabelas de custos desenvolvidos para projetos similares. No caso dos sistemas secundários
e parcelares, utilizam-se valores de custo por hectare de projetos em áreas similares, ajus-
tados de modo a refletir as características específicas do projeto que está sendo considera-
do. Esses custos por hectare são empregados, juntamente com as estimativas de custo
desenvolvidas para as principais instalações, para computar o custo total do projeto.

1.2.2 Estudos de Viabilidade

O objetivo do estudo de viabilidade é detalhar e aprimorar o plano ou planos selecio-


nados no estudo de pré-viabilidade e determinar se o plano selecionado é técnica e econo-
micamente factível. Uma vez que o estudo de viabilidade é muito mais detalhado do que
o de pré-viabilidade, será preciso, durante esta etapa, rever o processo de seleção do
plano elaborado na etapa anterior, a fim de garantir sua adequabilidade.

No estudo de viabilidade, são avaliadas diversas alternativas, como o número e os


tipos de bomba, a configuração dos barriletes e das adutoras de recalque, os tipos de
sistemas de controle de transientes hidráulicos, os materiais de revestimento de canais, o
detalhamento do leiaute dos canais e das tubulações, os materiais das tubulações, os
conceitos de válvula, os tipos de comportas de controle de água, a localização e os tipos
de vertedouros, os conceitos de automação, etc. O processo de otimização do sistema
passa pela avaliação e o detalhamento dos diversos tipos de alternativas. A avaliação das
alternativas exige dados topográficos, hidrológicos, geológicos, geofísicos e geotécnicos
detalhados, coletados na área do projeto, assim como grande competência técnica em
engenharia (vide Capítulo 2, para uma descrição dos dados e requisitos de leiaute de
sistema para os estudos de viabilidade e elaboração do projeto básico).

No estudo de viabilidade, preparam-se projetos preliminares para as principais es-


truturas do projeto de irrigação e para o sistema de distribuição, incluindo alguns setores
hidráulicos, de forma amostral. As estimativas de custo baseiam-se em quantidades de-
terminadas a partir dos anteprojetos, e os custos unitários são desenvolvidos e ajustados
com base em projetos similares.

No Brasil, convencionou-se agrupar as unidades básicas de irrigação (parcelas) em


setores hidráulicos, que normalmente abrangem entre 200 e 500 hectares, embora, em
alguns projetos, tenham atingido até 1.500 hectares, ou mais. Com frequência, os seto-
res hidráulicos são servidos por canais secundários, embora também possam receber
água de um canal principal. Dentro dos setores, a distribuição às parcelas individuais é
efetuada por tubulações pressurizadas ou por canais terciários e quaternários. Anterior-
mente, os projetos de irrigação por aspersão eram projetados com setores hidráulicos
pressurizados, e os canais terciários e quaternários não eram muito utilizados. Entretanto,
recentemente, alguns projetos de aspersão foram projetados e construídos com canais
terciários e quaternários (em certos casos, usando também tubos de baixa pressão), a fim

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Elaboração de Projetos de Irrigação

de proporcionar maior flexibilidade e delegar maior responsabilidade aos irrigantes do


projeto. Nestes projetos, a pressurização é providenciada pelo agricultor e não pelo projeto.

No estudo de viabilidade, são desenvolvidos projetos preliminares para áreas pa-


drão dos sistemas parcelares típicos e dos setores hidráulicos, na qual são baseadas as
estimativas de custo. Os anteprojetos dos sistemas parcelares e as estimativas de custo
são realizados, mesmo quando estes sistemas são de responsabilidade dos agricultores e
não parte do projeto, de modo a se obter uma estimativa de custo total do desenvolvi-
mento da irrigação. A partir dos custos estimados para as parcelas e os setores hidráuli-
cos, em áreas padrão, estima-se o custo por hectare para avaliar o custo total da área do
projeto.

1.2.3 Projetos Básicos

Neste MANUAL, os Projetos Básicos são considerados projetos com bastante deta-
lhe. Anteriormente, no Brasil, costumava-se deixar o maior esforço de elaboração de
projeto final para os Projetos Executivos. Uma vez que as propostas apresentadas nas
licitações da construção das obras são baseadas nos Projetos Básicos, a falta de detalha-
mento neste nível tem resultado em custos supra-orçamentários significativos, durante a
construção. Portanto, o “Bureau” recomenda que os Projetos Básicos sejam detalhados,
com base em dados topográficos, hidrológicos, geológicos, geofísicos e geotécnicos mi-
nuciosos, a fim de minimizar a ocorrência de custos para além do previsto e mudanças
significativas no projeto na etapa de construção.

O Projeto Básico é composto por projetos individuais para todas as estruturas e


sistemas, incluindo todos os setores hidráulicos. Também são elaborados projetos parce-
lares que incluem diferentes tipos de sistema e configurações, com definições detalhadas
do equipamento-padrão necessário. Estes projetos parcelares são desenvolvidos mesmo
quando constituem responsabilidade dos agricultores e não fazem parte do projeto, a fim
de se estimar os custos totais do desenvolvimento da irrigação. Também são projetados
as dimensões das estruturas e a arquitetura, as seções de canal, o traçado em planta e os
perfis longitudinais dos canais e das tubulações. Os projetos resultantes são suficiente-
mente detalhados para permitir a estimativa do volume altamente confiável dos quantita-
tivos de materiais a serem fornecidos e de serviços a serem realizados, assim como do
equipamento a ser instalado.

1.2.4 Dossiê de Licitação das Obras Civis, e Dossiê de Licitação dos Equipamentos
Eletromecânicos

Os dossiês de licitação são conjuntos de documentos fornecidos aos Concorrentes


(para obras civis, fornecimento e/ou montagem de equipamentos eletromecânicos), du-
rante o processo de licitação. O dossiê, normalmente, inclui um edital, termos de referên-
cia, minuta do contrato, resumo do projeto, desenhos, planilhas de quantitativos e
especificações técnicas. Quando total ou parcialmente financiado por órgãos internacio-
nais, é, normalmente, requerida a preparação dos dossiês em inglês.

É necessário observar que o processo usual de licitação exige um conjunto de


desenhos, planilhas e especificações para as obras de construção civil e um outro para o
fornecimento de equipamentos eletromecânicos a serem instalados. Em geral, os equipa-
mentos são agrupados em lotes, de maneira que cada lote possa ser provido por um
fornecedor diferente; entretanto, se tiver condições, cada fornecedor poderá atender a
dois ou mais lotes. São preparadas especificações separadas para a instalação de grandes
equipamentos mecânicos e elétricos e para a instalação de tubulações. Várias combina-
ções de contratos individuais podem ser utilizadas. Por exemplo, a instalação de tubula-
ções pode ser incluída nas obras de construção civil e a instalação de bombas e motores,
no contrato de fornecimento.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

1.2.5 Projetos Executivos

No Projeto Executivo é preparado um conjunto completo de desenhos para


construção, no qual devem estar incluídos, entre outros, os de forma, armadura e funda-
ção das estruturas de concreto, e os de detalhamento e arranjo dos equipamentos
eletromecânicos nas estruturas em que estão inseridos. No Projeto Executivo, cada par-
cela individual de terra é identificada, com detalhes completos das tubulações, das cone-
xões e dos acessórios requeridos.

Em geral, os Projetos Executivos são preparados simultaneamente com os estágios


iniciais da construção da obra. Apoiado num Projeto Básico bem elaborado, o Projeto
Executivo será desenvolvido com base em levantamentos topográficos e investigações
geológicas/geotécnicas completas que permitam uma otimização sensível das obras civis
e um detalhamento adequado dos equipamentos eletromecânicos de acordo com os for-
necedores.

1.3 Escopo do MANUAL

Existem dois elementos básicos necessários na elaboração de projetos: os dados


básicos e os critérios do projeto. Os dados básicos de projeto são os valores numéricos e
as informações específicas ao projeto, como a topografia, os dados geológicos, geotécnicos
e hidrológicos, as demandas de água para irrigação, e a capacidade e os requisitos de
pressão do sistema de irrigação a ser implantado. Os critérios que incluem os parâmetros
do projeto são o modo como os dados serão utilizados na elaboração do projeto. Dentre
os exemplos de critérios de projeto, destacam-se: inclinações permitidas para os taludes
laterais e espessura mínima do revestimento dos canais, tipos de curva e de conexões
aceitáveis para as tubulações e rotações admissíveis para as bombas e os motores.

Este MANUAL está organizado em 14 capítulos. O Capítulo 1 descreve o objetivo e


a abrangência do MANUAL e inclui, para fins informativos, uma discussão acerca dos
diversos níveis de projetos preparados durante o desenvolvimento de um projeto de irriga-
ção. O conhecimento sobre os vários níveis de projeto é essencial para compreender o
esforço envolvido no desenvolvimento de projetos de irrigação no Brasil.

O Capítulo 2 aborda os requisitos de dados de projeto e de leiaute do sistema, que


são os valores numéricos e as informações necessárias antes de se iniciar o trabalho de
elaboração de um projeto detalhado. Neste capítulo, recomenda-se a preparação, pela
firma de consultoria que está elaborando o projeto, de um documento separado, intitulado
“Dados Básicos para Projeto e Desenvolvimento do Leiaute do Sistema”, e a revisão e
aprovação desse documento, pelo cliente, antes de se iniciar a elaboração do projeto
detalhado.

O Capítulo 3 fornece uma descrição detalhada das investigações geotécnicas e


geológicas necessárias à elaboração do projeto. Estas investigações são requeridas na
preparação dos dados do projeto e são apresentadas num capítulo separado, devido à sua
relevância. Tendo em vista os problemas de solo com frequência constatados no Brasil, o
Capítulo 3 inclui seções especiais relativas a solos expansivos, dispersivos e colapsíveis,
assim como calcários cáusticos. Será preciso elaborar, revisar e aprovar um relatório
separado referente às investigações geotécnicas e geológicas, antes de iniciar a elabora-
ção do projeto detalhado.

Os Capítulos 4 a 13 descrevem os critérios de projeto recomendados para as prin-


cipais estruturas dos projetos de irrigação, especificamente: captações, estações de
bombeamento, canais, tubulações, reservatórios para regularização e compensação, equi-
pamento mecânico, equipamento elétrico, sistemas de drenagem, estradas e diques. As

Manual de Irrigação Copyright © Bureau of Reclamation 21


Elaboração de Projetos de Irrigação

informações fornecidas nestes capítulos são apresentadas de forma a permitir considerá-


vel flexibilidade na elaboração dos projetos de sistemas e instalações.

No final do MANUAL, o Capítulo 14 discute a necessidade de relatórios de projeto


devidamente elaborados e recomenda a preparação de relatórios separados, ao nível de
Projeto Básico, intitulados “Resumo do Projeto”, “Considerações Construtivas” e “Manu-
al de Operação e Manutenção”.

1.4 “Eficácia de Custos”

A “eficácia de custos” é um conceito básico que deve ser considerado em todos os


níveis de elaboração de projetos. A “eficácia de custos” é definida como o processo pelo
qual o resultado ou o retorno é maximizado em relação ao custo de se fazer alguma coisa.
É um processo de otimização pelo qual os benefícios menos os custos (benefícios líqui-
dos) são maximizados. A maneira de “custo mais eficaz” para se fazer algo é, geralmente
mas nem sempre, a maneira menos dispendiosa. Se, por exemplo, dois projetos diferen-
tes obtiverem resultados idênticos, o projeto de “custo mais eficaz” será o menos
dispendioso. Entretanto, às vezes acontece de uma alternativa ter custos presentes ligei-
ramente mais elevados, mas pode-se prever que atingirá resultados a longo prazo muito
mais satisfatórios que uma outra alternativa com custos menores. Nesse caso, a solução
mais dispendiosa pode ter um “custo mais eficaz”. Deve-se ter cuidado especial em não
se utilizar o conceito de “eficácia de custos” para justificar projetos mais caros, sem
provas numéricas.

Para descrever melhor esse conceito, pode-se tomar como exemplo o caso de bom-
bas. Quando da comparação de alternativas para se avaliar a “eficácia de custos”, devem
ser considerados: o custo inicial de investimento; a eficiência das bombas e o custo de
energia; a utilidade e a durabilidade dos diferentes materiais usados nas bombas e os
custos de reparos, revisões e substituições; os custos operacionais (tais como se a bom-
ba seria operada manual ou automaticamente); e as quantidades e os custos dos materi-
ais utilizados, como óleo, etc. A bomba de “custo mais eficaz” será aquela que satisfizer
as exigências do projeto pelo menor custo, no decorrer da vida útil do projeto.

A engenharia não é somente o processo de elaborar projetos que obtenham certos


resultados, mas sim o processo de criar os projetos que atinjam seus resultados, da forma
mais econômica. Todo engenheiro, seja elétrico, mecânico, geotécnico, civil, hidráulico,
etc., deve executar suas atividades de “design” de modo a garantir, continuadamente, a
elaboração de projetos mais econômica possível.

No corpo deste MANUAL são utilizados os termos “eficácia de custos” e “custo


mais eficaz” que representarão esse conceito de otimização.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

DADOS BÁSICOS PARA


PROJETO E
DESENVOLVIMENTO
DO LEIAUTE DO
SISTEMA
2.1 Dados Básicos do Sistema

2.1.1 Aspectos Gerais

Os dados básicos de projeto são constituídos por todas as informações necessárias


à elaboração do projeto de irrigação. Dependendo do nível do projeto, da qualidade das
informações disponíveis e do tipo e dimensões das instalações, os dados podem ser
coletados a partir de estudos e relatórios existentes, ou através de investigações de
campo e de imagens de satélite.

No Brasil, os projetos são normalmente elaborados por firmas de consultoria, para


clientes que, em geral, são órgãos estaduais ou federais, embora, algumas vezes, sejam
irrigantes ou empresas particulares. Algumas das considerações relativas aos dados do
projeto e ao leiaute do sistema precisam ser determinadas e/ou aprovadas pelo cliente.
Em todos os casos, é necessário submeter à aprovação do cliente pacotes com os dados
do projeto e o leiaute do sistema, antes de iniciar o trabalho detalhado de elaboração do
projeto.

A maioria dos projetos de irrigação inclui sistemas de canais primários e secundári-


os, sistemas de tubulações primárias e secundárias, estações de bombeamento,
subestações elétricas, sistemas de drenagem, poços e sistemas viários. Os requisitos
relativos aos dados do projeto e ao leiaute do sistema, apresentados neste capítulo,
referem-se a todas estas estruturas ou instalações e são descritos para os níveis de pré-
viabilidade e viabilidade e para o projeto básico. Uma vez que o projeto básico é conside-
rado, neste MANUAL, como projeto bastante detalhado, com uma elevada precisão para
evitar mudanças significativas durante a construção, em geral não haverá necessidade de
muitos dados adicionais do projeto para o projeto executivo.

2.1.2 Importância da Integralidade dos Dados

Os dados do projeto precisam ser completos e atender às necessidades dos proje-


tistas. Consistirão de informações relativas a todos os fatores, inclusive dos requisitos
ambientais e de segurança, que podem influenciar o projeto.

2.2 Projeto a Nível de Pré-Viabilidade

2.2.1 Aspectos Gerais

Os projetos a nível de pré-viabilidade são a base para a preparação de planos alter-


nativos e de estimativas preliminares de custo para esses planos. Os projetos em nível de
pré-viabilidade:

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Elaboração de Projetos de Irrigação

„ São necessários para comparação dos planos alternativos;


„ Definem os problemas relativos ao local da obra, a serem investigados durante a
elaboração dos estudos de viabilidade (elementos como profundidade do aluvião;
seqüência, estrutura e competência dos estratos; localização das zonas desagre-
gadas e severidade do problema; e condições dos aqüíferos);
„ Estabelecem uma justificativa para o estudo de viabilidade;
„ Determinam a abrangência das sondagens necessárias à obtenção dos dados re-
queridos num estudo de viabilidade;
„ Fornecem uma base adequada para o plano de trabalho, nos estudos de viabilidade.

2.2.2 Dados do Projeto a Nível de Pré-Viabilidade

Os dados do projeto a nível de pré-viabilidade são obtidos de fontes existentes.


Dentre as fontes de dados, destacam-se:

„ Levantamentos topográficos e geológicos;


„ Estudos geológico-geotécnico;
„ Fotografias aéreas;
„ Estudos pedológicos;
„ Estudos climatológicos;
„ Estudos hidrológicos;
„ Relatórios de planejamento de outros projetos, na mesma área;
„ Projetos e dados de construção de outros projetos, na mesma área;
„ Curvas de custos;
„ Curvas de projetos estruturais.

Só raramente são realizadas investigações de campo neste nível de planejamento,


exceto quando não há dados suficientes a respeito da área do projeto ou existem condi-
ções especiais que exigem tais investigações de campo, para se obter uma compreensão
parcial das condições locais.

2.2.3 Leiaute do Sistema a Nível de Pré-Viabilidade

A nível de pré-viabilidade, os principais elementos do projeto, assim como os siste-


mas de canal principal, tubulações, estradas, drenos e diques são localizados nas plantas
topográficas existentes. Em geral, são utilizadas escalas de 1:25.000 e intervalos entre
as curvas de nível de 5,0m, com valores máximos de 1:50.000 e 10,0m, respectivamen-
te. Maiores informações a respeito do leiaute do sistema nos estudos de pré-viabilidade
podem ser obtidas no “Manual de Planejamento Geral de Projetos de Irrigação”.

2.3 Projeto a Nível de Viabilidade

2.3.1 Aspectos Gerais

Os projetos a nível de viabilidade servem de base para a elaboração das estimativas


de custo e para a definição da alternativa a ser detalhada no Projeto Básico. Os projetos
a nível de viabilidade devem oferecer detalhamento suficiente para a elaboração de esti-
mativas seguras de custo.

No início dos estudos de viabilidade, será necessário determinar o grau de detalha-


mento exigido para sua elaboração. O detalhamento deverá variar conforme a estrutura
ou instalação em questão e sua importância no plano geral. O custo da estrutura ou
instalação é fator importante na definição do grau de detalhamento dos dados do projeto.
No início do processo de planejamento, nem todos os detalhes do estudo serão conheci-
dos. À medida que o estudo prosseguir, poderão ser identificados outros dados indispen-
sáveis ao projeto.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

A equipe responsável pela elaboração dos projetos deverá visitar o local das princi-
pais estruturas incluídas no estudo de viabilidade. A equipe deverá ser composta por
projetistas e especialistas em geologia, geotecnia, projetos estruturais, hidráulica e outras
especialidades técnicas, conforme necessário.

Só deverão ser coletados os dados essenciais ao estudo de viabilidade. Se forem de


qualidade aceitável e dentro do orçamento do projeto, os dados existentes poderão ser
revisados e utilizados, ao invés de se procurarem novos dados. Utilizar-se-ão os métodos
mais econômicos possíveis na obtenção dos dados necessários do projeto, embora seja
indispensável um grau razoável de precisão, assim como coerência dos dados com os
objetivos da investigação.

Os parágrafos a seguir descrevem os dados de elaboração do projeto e das estima-


tivas em nível de viabilidade. Nem todos os itens serão exigidos em cada investigação.

2.3.2 Planta Geral

Elaborar-se-á uma planta com as seguintes informações:

„ Planta-chave (no lado direito superior), indicando a localização da área do projeto no


estado e no município;
„ Localização de todos os elementos importantes do projeto, incluindo canais, tubu-
lações e estações de bombeamento;
„ Núcleos urbanos, rodovias e linhas de serviços públicos;
„ Localização das obras, das estradas de acesso às mesmas;
„ Áreas de empréstimo de materiais de construção naturais e depósitos de bota-fora;
„ Outras áreas existentes ou potenciais, ou elementos de interesse para a elaboração
do projeto, assim como para sua construção, operação ou manutenção, como áreas
de lazer; reservas ecológicas e outras áreas afins; áreas residenciais e comerciais;
áreas de interesse arqueológico, histórico ou paleontológico; áreas de mineração.

A escala da planta geral deverá ser adequada à sua finalidade, de forma a mostrar
claramente os detalhes anteriormente relacionados.

2.3.3 Descrição Geral das Condições Locais

A descrição geral das condições locais deverá incluir os itens relacionados a seguir:

„ Capacidade e limitações do sistema de transporte e da infra-estrutura viária;


„ Disponibilidade de habitação e de outros serviços nos centros urbanos mais próxi-
mos; requisitos para a instalação do canteiro de obra; e necessidade de residências
permanentes, para o pessoal operacional do projeto de irrigação;
„ Disponibilidade ou acessibilidade dos serviços públicos, como abastecimento de
água, rede de esgoto, serviços de telefonia e rede de eletricidade, para a obra e a
subseqüente operação e manutenção do projeto de irrigação;
„ Condições climáticas que afetam a implantação da obra, como índices pluviométricos
e intensidade e distribuição das chuvas; temperaturas, incluindo máximas e míni-
mas; e informações resumidas a respeito dos ventos, incluindo velocidades máxi-
mas e direções predominantes.

2.3.4 Controle Topográfico

Será necessário fazer levantamentos topográficos limitados, para controle vertical


e horizontal. O uso de um sistema de coordenadas, ou sistema de controle vertical local,
é aceitável, embora se recomende referenciá-lo ao sistema nacional ou estadual, quando
possível.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

2.3.5 Plantas Topográficas

Deverão ser preparadas plantas topográficas numa escala e com intervalos entre as
linhas de nível que permitam sua utilização no leiaute do sistema de irrigação. Recomen-
da-se uma escala de aproximadamente 1:10.000 e um intervalo máximo entre as linhas
de nível de 2,5m. Esta escala e intervalo entre as linhas de nível poderá ser maior ou
menor com autorização prévia do CLIENTE.

2.3.6 Leiaute Geral

O leiaute geral (desenhos relativos à disposição geral do projeto) deverá ser preparado
a partir de plantas topográficas e incluir a localização de todos os elementos do projeto,
incluindo estações de bombeamento, reservatórios, tubulações, canais, drenos, estradas
e diques. No caso de tubulações, canais, drenos, estradas e diques, será preciso indicar o
eixo longitudinal e o estacamento dos mesmos, assim como a localização das principais
estruturas ao longo deles, como reservatórios, sifões e pontes. O leiaute deverá estar
acompanhado das dimensões e das capacidades dos diversos sistemas e das estruturas.

2.3.7 Dados das Fundações

A quantidade e o detalhamento dos dados das fundações requeridos nos estudos


de viabilidade variam consideravelmente, devido aos diferentes tamanhos e complexida-
des dos elementos dos projetos de irrigação. Os dados deverão ser suficientes para permi-
tir que o projetista determine o tipo de fundação necessário a cada sistema ou estrutura
e identifique os principais problemas da mesma. Os itens relacionados a seguir deverão
ser considerados durante a preparação dos dados referentes às fundações:

„ Resumo da geologia geral da área;


„ Descrição e interpretação da geologia do sítio, incluindo as propriedades físicas e a
estrutura geológica dos estratos das fundações, os níveis freáticos sazonais, as
condições sísmicas, áreas existentes ou potenciais de deslizamento e interpreta-
ções geológicas de engenharia, quando pertinentes;
„ Registros geológicos de todas as sondagens subsuperficiais; a localização e a cota
de todos os furos de sondagem deverão basear-se no mesmo sistema de controle
topográfico;
„ Informações relativas à geologia (plotadas em plantas topográficos do local) mos-
trando a geologia superficial e a localização dos cortes geológicos, dos perfis de
solo e de todas as sondagens subsuperficiais;
„ Seções geológicas – com perfis de solo, quando exigidos —, mostrando as condi-
ções da subsuperfície, conhecidas e interpretadas;
„ Amostras dos estratos das fundações, conforme necessário, para exame visual ou
ensaios de laboratório;
„ Características químicas das águas subterrâneas e das águas de irrigação;
„ Condições das águas subterrâneas, incluindo fontes, localização, profundidade, pres-
sões artesianas existentes e gradientes hidráulicos;
„ Solos:
f classificação, de acordo com o Sistema Unificado de Classificação de Solos,
para cada estrato importante;
f descrição do estado indeformado do solo, em cada estrato importante;
f esboço da extensão lateral e da espessura dos estratos críticos, competen-
tes, fracos ou potencialmente instáveis das fundações e dos taludes de esca-
vação, especialmente aqueles permanentemente expostos;
f estimativa, ou determinação por ensaios simples, das propriedades de enge-
nharia significativas dos diversos estratos, como densidade, permeabilidade,
resistência ao cisalhamento e tendência ao colapso ou à expansão, assim
como do efeito da carga estrutural, das mudanças no teor de umidade, e das

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Elaboração de Projetos de Irrigação

mudanças nessas propriedades devido a flutuações ou ao aumento perma-


nente do lençol freático.

„ Rocha:
f descrição do contorno das superfícies da rocha, espessura das zonas altera-
das, fraturadas, cavernosas ou de algum outro modo alteradas, assim como
de demais fraquezas e descontinuidades estruturais;
f esboço das zonas estruturalmente fracas, permeáveis ou potencialmente ins-
táveis e dos estratos de rocha mole e/ou solo nas fundações e nos taludes de
escavação, em particular aqueles permanentemente expostos;
f estimativa, ou determinação por ensaios simples, das propriedades de enge-
nharia significativas da rocha, como densidade, absorção, permeabilidade,
resistência ao cisalhamento e à deformação, assim como do efeito da carga
estrutural, das mudanças no teor de umidade, e das mudanças nessas proprie-
dades devido às flutuações ou ao aumento permanente do lençol freático.
„ Fatores relativos aos métodos e procedimentos de revestimento de canais.

2.3.8 Materiais de Construção

Os dados do projeto relativos aos materiais de construção deverão incluir:

„ Localização, distância, quantidades disponíveis, propriedades e facilidade de extra-


ção de materiais de empréstimo apropriados para aterros e barragens permeáveis e
impermeáveis, agregado de concreto e “riprap”.

2.3.9 Estações de Bombeamento

Os dados de projeto relativos às estações de bombeamento deverão incluir:

„ Flutuações periódicas anuais dos níveis de água da fonte (rio ou reservatório),


indicadas em tabelas ou quadros que forneçam informações resumidas referentes a
anos normais, secos e úmidos; ação prevista das ondas;
„ Níveis de água máximos durante enchentes (normalmente, nas grandes estações
de bombeamento, oferece-se proteção contra enchentes com período de recorrência
de 25 anos, durante a construção, e com período de recorrência de 100 anos,
durante o funcionamento); ação prevista das ondas;
„ Ocorrência prevista e volume de siltagem, sedimentação e detritos, e possível efei-
to nas captações das estações de bombeamento; necessidade de instalações para
remoção de sedimentos e cotas mínimas das grades e das passarelas da comporta;
„ Níveis máximos de água previstos e possibilidade de controle desses níveis median-
te instalações de regularização à montante ou à jusante, nos casos de esgotamento
de uma área durante a construção de uma estação adjacente a um rio ou reservató-
rio;
„ Fatores relacionados à seleção de estações de bombeamento internas ou externas,
flutuantes ou fixas;
„ Tipo e volume de detritos previstos na captação das estações de bombeamento;
„ Requisitos (anual, mensal, diário) de água do projeto, capacidade inicial e final,
curva de capacidade-duração;
„ Perfil, alinhamento, assim como condições e requisitos de saída das adutoras de
recalque;
„ Localização, capacidade, seção hidráulica e cotas da superfície da água dos canais
de captação e de descarga;
„ Localização e orientação das linhas de transmissão de energia elétrica existentes e
propostas, que terminam na estação de bombeamento;
„ Fontes e tensão da energia elétrica a ser utilizada no bombeamento; nome da con-
cessionária de energia elétrica, restrições relativas a quedas de tensão causadas

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pela iniciação do bombeamento e número de partidas ou iniciações, limitações do


fator de potência e distância até as fontes; requisitos de impedância mínima e
máxima do sistema; e quaisquer limitações operacionais impostas pela concessio-
nária de energia elétrica ou pelos governos federal ou estadual, como restrições à
operação em períodos fora-de-pico;
„ Natureza das operações, isto é, manual, semi-automática, completamente automá-
tica, ou controladas por meio de centro de operações, por telemetria;
„ Fatores relacionados ao número de bombas e à sua capacidade;
„ Requisitos de medição da descarga da estação de bombeamento;
„ Necessidade de inclusão de oficinas mecânicas, grandes ou pequenas, ou de pátios
de serviço, nas estações de bombeamento;
„ Futuros planos de expansão da capacidade de bombeamento, quando aplicável.

2.3.10 Canais Principal e Secundários e Tubulações

2.3.10.1 Canais e Tubulações

Os itens relacionados a seguir deverão ser incluídos entre os dados do projeto


relativos aos canais e às tubulações:

„ Para as principais sub-áreas do projeto de irrigação:


f requisitos sazonais de água, em geral expressos em metros cúbicos, por
hectare produtivo, por ano;
f requisitos mensais de água, expressos como um percentual dos requisitos
sazonais, para cada mês da estação irrigada.

„ Para todos os pontos no sistema de distribuição onde mudar a vazão e para todas
as tomadas será indispensável fornecer os seguintes dados (Observação: Normalmen-
te, é aceitável, nos estudos de viabilidade, projetar sistemas secundários de distribui-
ção, até o nível das tomadas das propriedades, para as áreas demonstrativas típicas,
e não para todo o projeto; portanto, no caso de sistemas secundários, as seguintes
informações precisarão ser fornecidas somente para as áreas demonstrativas):
f vazão do canal ou da tubulação, em litros/segundo, requerida para atender à
demanda de água à jusante do ponto em questão; este cálculo deverá se basear
nos critérios de dimensionamento do sistema do projeto de irrigação (ver Anexo
5 do “Manual de Planejamento Geral de Projetos de Irrigação”) e nos requisitos
de uso doméstico, se forem incluídos;
f cotas do nível de água requerida (para as tubulações, quando a água for dis-
tribuída sob pressão, será preciso fornecer a pressão mínima da água em KPa).

„ Requisitos relativos aos métodos de controle e medição ao longo do sistema e nas


tomadas das propriedades, como tipo de comporta, tipo de operação (manual,
automatizada, controle por centro de operações, medidores, válvulas de controle e
válvulas redutoras de pressão; se for selecionado o controle por centro de opera-
ções, deverá ser fornecida a localização do centro de operações).
„ Localização e descrição de todas as principais estruturas (sifões, pontes, reservatóri-
os, medidores, estações de bombeamento, chaminé de equilíbrio, etc.), ao longo de
canais e tubulações, mostrando estaqueamento, tipo, tamanho, capacidade, etc.
„ Medidas necessárias para o controle e a filtragem dos sedimentos.
„ Futuros planos de expansão do sistema, quando aplicável.

2.3.10.2 Canais

Para os canais:

„ Necessidade de estruturas de drenagem transversal e vertedouros, incluindo a loca-


lização e a capacidade de cada estrutura.

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2.3.10.3 Tubulações

Para as tubulações:

„ Cobertura mínima necessária de terra, sobre as tubulações, a qual é definida, em


geral, em função da localização do lençol freático, da profundidade da cultura, da
erodibilidade dos terrenos nos locais de drenagem transversal, etc.;
„ Custo da energia elétrica, a ser utilizado no dimensionamento econômico das tubu-
lações.

2.3.11 Drenos

Os dados do projeto relativos aos drenos deverão incluir:

„ Drenagem superficial natural, histórico de enchentes e localização e características


dos canais naturais de drenagem;
„ Registros de precipitação e de escoamento fluvial nos drenos locais e adjacentes;
„ Curvas de área x vazão para enchentes com períodos de recorrência de 5, 10 e 25
anos, a serem usadas para projetar os drenos (em geral, os drenos são projetados
para enchentes com período de recorrência de 5 anos, nas áreas irrigadas, e com
período de recorrência de 25 anos, na proteção de canais e estruturas de drenagem
transversal de canais; será possível utilizar períodos de recorrência menores ou
maiores, dependendo de considerações econômicas);
„ Estabilidade dos canais naturais que recebem o fluxo de drenagem;
„ Uso da terra e práticas de irrigação previstos;
„ Vazão estimada por hectare, a ser escoada pelo sistema de drenagem, incluindo a
descarga de enchente, as perdas de água dos canais, e escoamento das terras
irrigadas (perdas resultantes do escoamento superficial e da percolação profunda);
„ Hidrogramas típicos mostrando a variação do nível d’água em poços de observação
selecionados;
„ Avaliação geral da drenabilidade e dos requisitos de drenagem sub-superficial;
„ Plantas preliminares para os sistemas de drenagem superficial e sub-superficial,
incluindo tipos de drenos a serem instalados, esboço geral das áreas que poderão
exigir tratamento especial e quaisquer problemas de escavação ou condições de
trabalho excepcionais;
„ Necessidades de correlação e integração dos sistemas de drenagem do projeto com
os drenos das propriedades, os canais, o sistema de defesa contra cheias e as
obras de proteção não relacionadas ao projeto.

2.3.12 Considerações Relativas ao Meio Ambiente

Os dados do projeto deverão incluir, pelo menos, uma breve descrição dos elemen-
tos ambientais que podem ser afetados pelo projeto proposto.

A ênfase será fornecer aos projetistas várias alternativas para o desenvolvimento


dos projetos estruturais nas áreas sensíveis, do ponto de vista ambiental. Os itens relacio-
nados a seguir deverão ser considerados na compilação dos dados do projeto:

„ Sítios de importância histórica e/ou arqueológica;


„ Sítios com populações de espécies de flora e fauna significativas e importantes;
„ Áreas de reserva existentes ou propostas (para a preservação histórica, arqueológica,
da flora ou da fauna);
„ Requisitos de manutenção dos padrões de qualidade da água, incluindo supres-
são de nitrogênio, níveis adequados de oxigênio e controle de turbidez, durante a
construção;

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„ Impacto do transporte dos materiais de construção na rede viária existente, incluin-


do-se a consideração de fatores como congestionamentos de trânsito, efeitos so-
bre as condições das estradas, poluição do ar, etc.;
„ Necessidade de controle de erosão e sedimentação;
„ Requisitos arquitetônicos das estruturas;
„ Requisitos relativos à recuperação de áreas de empréstimo e à proteção dos taludes
de bota-fora com espécies vegetais;
„ Requisitos de revisão dos projetos por órgãos ligados às questões ambientais;
„ Considerações relativas aos padrões de controle de poluição das águas, poluição
sonora e diminuição de poeira; e às áreas que requerem tratamento paisagístico,
substituição da camada de terra vegetal, semeadura, etc.;
„ Necessidades e procedimentos a serem incorporados no projeto para prevenir a
ocorrência de doenças normalmente relacionadas à água, como esquistossomose.

2.3.13 Dados Diversos

Entre os dados diversos requeridos nos estudos de viabilidade, destacam-se:

„ Localização e dados das fontes de energia elétrica;


„ Descrição de pontes e outras estruturas significativas não incluídas nos dados exi-
gidos, mencionados anteriormente, com informações quanto a dimensões, capaci-
dades, tipos e atuais normas de projeto;
„ Requisitos de segurança pública;
„ Para as estradas, velocidades projetadas, limites de declividades e curvas, limites
de carga e corte típico do leito de rolamento, mostrando a largura, a espessura e o
tipo de pavimentação;
„ Para os diques, altura, largura na crista, descrição do material disponível e da sua
localização, níveis d’água para períodos de recorrência de projeto (em geral, os
diques são projetados para proteção contra enchentes com período de recorrência
de 100 anos, embora possam ser utilizados períodos maiores ou menores, depen-
dendo de considerações econômicas), velocidade de fluxo e alcance da onda para
as águas fora dos diques;
„ Para a maioria das subestações, tensões de entrada e de saída; número de linhas de
transmissão conectadas em cada tensão; capacidade das instalações, em quilovolt-
ampère; e tipo de operação (manual, local, automática, ou controladas por centro
de operações). As edificações para serviço e manutenção, assim como as funções
operacionais a serem controladas dos edifícios. Para estruturas mais complexas, o
projetista deverá determinar quais os detalhes específicos requeridos.

2.4 Projeto Básico

2.4.1 Geral

O projeto básico é constituído pelas informações necessárias à execução das obras


e ao fornecimento e à instalação dos equipamentos. O projeto inclui relatórios, especifica-
ções técnicas, desenhos e orçamentos. Os orçamentos incluem as planilhas de quantita-
tivos de todos os serviços, os materiais e os equipamentos, assim como os preços unitá-
rios. No caso de concorrências internacionais, todas essas informações deverão ser
fornecidas em português e em inglês.

Os dados básicos e os requisitos de leiaute do sistema no Projeto Básico são simi-


lares aos exigidos no Estudo de Viabilidade, necessitando-se, no entanto, de informações
mais detalhadas nesta etapa. Os dados do projeto coletados durante o estudo de viabili-
dade deverão ser incorporados aos dados do projeto básico, com as revisões e o
detalhamento adicional necessários, fruto das mudanças na alternativa básica ou no pro-
jeto estrutural.

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2.4.2 Planta Geral

Para o projeto básico, esta planta deverá conter as informações descritas no item
2.3.2.

2.4.3 Descrição Geral

Para o projeto básico, a descrição geral das condições locais deverá conter as
informações apresentadas no item 2.3.3.

2.4.4 Controle Topográfico

Estabelecer-se-á um controle topográfico vertical e horizontal permanente, logo no


início do processo de coleta de dados. Será fixado um sistema de coordenadas, numa
matriz verdadeira norte-sul, com a origem localizada de maneira que os diversos elemen-
tos (incluindo as áreas de empréstimo) de cada estrutura principal estejam num só quadrante
da matriz. Os valores numéricos utilizados para as coordenadas norte-sul e leste-oeste
deverão estar adequadamente separados, a fim de reduzir a possibilidade de erro. Reco-
menda-se referenciar o sistema de coordenadas ao sistema de coordenadas federal ou
estadual. Todos os levantamentos anteriores, incluindo topografia, localização e cotas da
superfície do terreno, locais de sondagens subsuperficiais, deverão ser corrigidos, para
que estejam de acordo com o sistema permanente de controle. Qualquer levantamento
subseqüente, incluindo a localização e as cotas da superfície do terreno nos locais de
sondagens subsuperficiais, deverá basear-se no sistema de controle permanente.

2.4.5 Plantas Topográficas

Deverão ser preparadas plantas topográficas numa escala máxima de 1:5.000, e


com intervalos máximos entre as curvas de nível de 1,0m.

2.4.6 Leiaute Geral

O leiaute geral (desenhos relativos à disposição geral do projeto) deverá ser prepa-
rado a partir de plantas topográficas e deverá incluir a localização de todos os elementos
do projeto, incluindo estações de bombeamento, reservatórios, tubulações, canais, drenos,
estradas e diques. No caso de tubulações, canais, drenos, estradas e diques, será preciso
indicar o eixo longitudinal e o estaqueamento dos mesmos, assim como a localização de
estruturas como sifões, pontes, bueiros, estruturas de controle do nível da água, toma-
das, calhas, quedas, vertedouros, medidores, válvulas, conexões, chaminés de equilíbrio,
tanques, etc. Também serão fornecidas informações relativas às dimensões e às vazões
dos diferentes sistemas e das estruturas.

Os polígonos dos leiautes, assim como as seções transversais, devem ser levanta-
dos no campo, e as plantas topográficas devem ser ajustadas, quando necessário.

2.4.7 Plantas e Perfis

2.4.7.1 Geral

Além do leiaute geral, o projeto básico requer a elaboração de plantas e perfis de


canais, tubulações e diques. As plantas deverão mostrar todos os detalhes que constam
do leiaute geral, embora numa escala diferente. As plantas e os perfis deverão indicar
estruturas, estradas, drenos transversais, áreas de empréstimo, localização e registros
dos furos de sondagem, dados de alinhamento e de curvas, estaqueamento e curvas de
nível.

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2.4.7.2 Canais e Drenos

„ As plantas deverão ter as mesmas informações apresentadas no leiaute geral;


„ Os perfis deverão indicar a cota de fundo, níveis de água dinâmicos e estáticos no
canal, superfície original do terreno e propriedades hidráulicas;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:2.000, é recomendável uma escala
horizontal máxima de 1:2.000, escala vertical máxima de 1:100 e intervalo máximo
entre curvas de nível de 1,0m;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:5.000, pode-se optar por uma
escala de 1:5.000, com a aprovação prévia do CLIENTE;
„ Localização, tipo e dimensões nominais de todas as estruturas previstas (sifões,
pontes, bueiros, estruturas de regularização do nível da água, tomadas, calhas,
quedas, vertedouros, medidores, etc);
„ Localização de linhas de infra-estrutura de serviços públicos, drenagem natural, ou
outros elementos físicos que se interceptem;
„ Localização de valas e diques de proteção.

2.4.7.3 Tubulações Primárias

„ As plantas deverão ter as mesmas informações apresentadas no leiaute geral;


„ Os perfis deverão indicar as cotas da linha central, a superfície original do terreno,
os gradientes hidráulicos operacionais e os gradientes hidráulicos máximo e mínimo
resultantes dos transientes hidráulicos;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:2.000, é recomendável uma escala
horizontal máxima de 1:2.000, escala vertical máxima de 1:200, intervalo entre
linhas de nível de 1,0m, em terrenos planos, e intervalos de 5,0m, em terrenos
íngremes;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:5.000, pode-se optar por uma
escala de 1:5.000, com a aprovação prévia do cliente;
„ Localização, tipo e dimensões nominais de todos os acessórios requeridos (vento-
sas, válvulas de descarga, válvulas de seccionalização, conexões, chaminés de
equilíbrio, tanques hidropneumáticos, medidores, etc.);
„ Localização de infra-estrutura de serviços públicos, drenagem natural, ou outros
elementos físicos, que se interceptem.

2.4.7.4 Tubulações Secundárias

„ As tubulações secundárias deverão ser indicadas no leiaute geral; as plantas e os


perfis poderão ser apresentados no projeto básico ou nos desenhos “as-built”, mas
sempre deverão ser preparados de maneira similar e conter os mesmos tipos de
informações descritos para as tubulações principais.

2.4.7.5 Estradas

„ As plantas deverão ter as mesmas informações apresentadas no leiaute geral;


„ Os perfis deverão indicar o novo leito da estrada (com informações completas acer-
ca de declives, cotas e curvas verticais), greide natural do terreno e greide das
estradas existentes num raio de 200m, em cada direção, dos pontos de interseção;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:2.000, é recomendável uma escala
horizontal máxima de 1:2.000, escala vertical máxima de 1:200, intervalo entre
linhas de nível de 1,0m, em terrenos planos, e intervalos de 5,0m, em terrenos
íngremes;
„ Quando a base topográfica está de 1:5.000, pode-se optar por uma escala de
1:5.000, com a aprovação prévia do CLIENTE;
„ Localização, tipo e dimensões nominais de todas as obras-de-arte especiais neces-
sárias requeridas (pontes, bueiros, etc.);

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„ Localização de infra-estrutura de serviços públicos, drenagem natural, ou outros


elementos físicos, que se interceptem;
„ Localização de valas e diques de proteção.

2.4.7.6 Diques

„ As plantas deverão conter as mesmas informações apresentadas no leiaute geral.


„ Os perfis deverão indicar as cotas da superfície do terreno, o fundo do dique, o topo
do dique e o nível máximo da água;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:2.000, é recomendável uma escala
horizontal máxima de 1:2.000, escala vertical máxima de 1:2.000, intervalo entre
linhas de nível de 1,0m, em terrenos planos, e intervalos de 5,0m, em terrenos
íngremes;
„ Quando a base topográfica está em escala de 1:5.000, pode-se optar por uma
escala de 1:5.000, com a aprovação prévia do CLIENTE;
„ Localização, tipo e dimensões nominais de todas as obra-de-arte correntes neces-
sárias (saídas, bueiros, etc.);
„ Localização de infra-estruturas de serviço público, drenagem natural, ou outros
elementos físicos, que se interceptem.

2.4.8 Fotografias Aéreas

Recomenda-se incluir no projeto básico fotografias aéreas (coloridas, se possível)


do local de todas as estações de bombeamento e de outras estruturas principais.

Essas fotografias deverão ser tiradas de locais que mostrem as estruturas propos-
tas da melhor maneira possível, e num ângulo oblíquo de aproximadamente 20 a 30
graus, acima da horizontal. Quando possível, deverão ser indicados os pontos de ligação
com os mapas topográficos. Estas fotografias deverão ser tiradas entre 11 e 14 horas, de
maneira que a área principal da estrutura proposta não fique na sombra.

2.4.9 Fotografias Coloridas

Recomenda-se anexar fotografias coloridas de todos os elementos vizinhos aos


locais das estruturas propostas, assim como primeiros planos de quaisquer estruturas que
possam afetar os projetos. As fotografias em preto e branco são aceitáveis para as estru-
turas que serão removidas ou demolidas.

2.4.10 Dados das Fundações

O grau de detalhamento dos dados do projeto relacionados a seguir deverá variar


conforme o tipo e as dimensões da estrutura de engenharia. As características dos mate-
riais das fundações deverão ser descritas de acordo com o tipo de estrutura a ser projetada.

2.4.10.1 Dados Geológicos

„ Resumo da geologia geral da área;


„ Descrição e interpretação da geologia do sítio, incluindo as propriedades físicas e a
estrutura geológica dos estratos das fundações, os níveis freáticos sazonais, a
subsidência do terreno, as condições sísmicas, as áreas existentes ou potenciais de
deslizamento, as áreas de queda de blocos, o escoamento superficial e as interpre-
tações de geologia de engenharia pertinentes à geologia estrutural em questão,
incluindo as condições antecipadas durante a escavação e a construção;
„ Registros geológicos de todas as sondagens subsuperficiais. A localização em coor-
denadas e a cota da superfície do terreno de todos os furos de sondagem deverão
ser corrigidas, se necessário, de acordo com o sistema permanente de controle

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Elaboração de Projetos de Irrigação

topográfico; a localização e a cota de todos os furos de sondagem subseqüentes


deverão basear-se neste sistema permanente de controle topográfico;
„ Uma planta geológica, desenhada sobre a planta topográfica do local, mostrando a
geologia superficial e a localização de cortes geológicos, perfis de solo e todas as
sondagens subsuperficiais;
„ Seções geológicas, com perfis de solo detalhados, deverão ser desenvolvidas, mos-
trando as condições da subsuperfície, conhecidas e interpretadas;
„ Os furos de sondagem deverão ser estendidos para dentro do material das funda-
ções, bem abaixo da base da estrutura; poderão ser efetuados registros geofísicos,
quando necessário, para os furos de sondagem;
„ Fotografias coloridas das estruturas geológicas e topográficas do terreno, que se-
jam pertinentes, incluindo fotografias aéreas, quando disponíveis;
„ Amostras dos estratos das fundações, conforme necessário, para exame visual ou
ensaios de laboratório.

2.4.10.2 Dados de Engenharia

„ Mecânica de Solos:
f classificação, de acordo com o Sistema Unificado de Classificação de Solos,
para cada estrato importante;
f descrição do estado indeformado do solo em cada estrato importante;
f esboço da extensão lateral e da espessura dos estratos críticos, competen-
tes, fracos ou potencialmente instáveis (incluindo minerais sujeitos a
empolamento e conteúdo de gipsita e outros sulfatos, caulinita, montimo-
rilonita, etc.) das fundações e dos taludes de escavação, especialmente aqueles
permanentemente expostos;
f determinação, por meio de ensaios, das propriedades de engenharia significa-
tivas dos diversos estratos, como densidade, permeabilidade, resistência ao
cisalhamento e tendência ao colapso ou à expansão, assim como do efeito da
carga estrutural e das mudanças nessas propriedades devido a flutuações ou
ao aumento permanente do lençol freático;
f determinação, por meio de ensaios, das propriedades corrosivas e do teor de
sulfatos no solo e nos aqüíferos.

„ Rocha:
f um plano topográfico da superfície da rocha; descrição da espessura das
zonas alteradas, fraturadas, cavernosas ou de algum outro modo enfraquecidas,
assim como de outras fraquezas e descontinuidades estruturais;
f esboço das zonas estruturalmente fracas, permeáveis ou potencialmente ins-
táveis e dos estratos de rocha mole e/ou solo das fundações e dos taludes de
escavação, em particular aqueles permanentemente expostos, com atenção
especial para as questões de engenharia, como minerais sujeitos a empola-
mento e conteúdo de gipsita e outros sulfatos, caulinita, montimorilonita,
etc.
f determinação, mediante ensaios, das propriedades de engenharia significati-
vas da rocha, como densidade, absorção, permeabilidade, resistência ao
cisalhamento e à deformação, assim como do efeito da carga estrutural, de
mudanças nessas propriedades devido a flutuações ou ao aumento perma-
nente do lençol freático.

„ Uma planta com profundidades críticas das áreas em que ocorrem argilas, argilitos
xistosos, arenitos, ou outros materiais, indicados os limites de profundidades preju-
diciais à drenagem;
„ Corrosividade do solo e da rocha:
f recomenda-se medir a resistividade elétrica do solo e da rocha na área da
obra, a fim de se determinar se há necessidade de proteção contra a corrosão

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Elaboração de Projetos de Irrigação

de fundações sobre estacas, malha de aterramento elétrico, tubulações de


descarga, tubulações primárias e secundárias, etc.; também deverão ser
efetuadas medições em áreas onde há uma mudança acentuada no tipo de
solo ou rocha, ou nas condições de drenagem ou umidade;
f observar as informações relativas ao desempenho histórico dos materiais de
construção a serem utilizados na área;
f relacionar a localização, a potência e os usos das fontes de corrente contínua
no solo ou na rocha, situados num raio de 500m da estrutura, e acessórios;
se o objetivo da corrente contínua for a proteção catódica, descrever a estru-
tura protegida e sua localização; determinar se existem, na vizinhança, outras
estruturas subterrâneas protegidas, e qual o método de proteção.
„ Fatores relacionados aos métodos e aos procedimentos de revestimento de canais.

2.4.11 Dados dos Materiais de Construção

Além das informações contidas no item 2.3.7, também será preciso apresentar as
que seguem:

„ Classificação de todos os materiais retirados de furos de sondagem, como solos,


rochas, etc., conforme o Sistema Unificado de Classificação de Solos; localização e
extensão do topo rochoso, áreas de lençóis freáticos altos e outras condições
singulares;
„ Relatório dos materiais de solo, com informações completas e detalhadas acerca
das fontes potenciais de solos e rochas que tenham sido selecionadas para exame
final;
„ Fonte de agregados de concreto e fatores relacionados ao tipo de cimento a ser
utilizado, por exemplo, cimento resistente aos sulfatos;
„ Fonte, localização e granulometria de materiais aceitáveis para o revestimento de
estradas e pátios de serviço, e/ou materiais para assentamento das tubulações;
„ Referências ao histórico de serviço dos materiais utilizados anteriormente e aos
resultados das amostragens e das análises, incluindo ensaios anteriores.

2.4.12 Estações de Bombeamento

Além das informações contidas no item 2.3.9, também será preciso fornecer as
que seguem:

„ Fatores relacionados à seleção dos métodos a serem utilizados pelo sistema de


captação da estação para manusear e dispor de detritos, assim como à escolha dos
locais onde os detritos serão depositados;
„ Pressão estática máxima na qual se requer a capacidade máxima de bombeamento
da estação, ou a capacidade mínima que será suficiente na pressão hidráulica má-
xima;
„ Fatores relacionados à seleção dos tipos de tubo para as adutoras de recalque e os
tipos de revestimento externo e interno dos tubos;
„ Custo de oportunidade de capital, custo da energia elétrica utilizada no bombeamento
e fator de potência da estação de bombeamento, para os estudos econômicos;
„ Requisitos de segurança para a proteção da estação de bombeamento e do equipa-
mento contra vandalismo ou sabotagem; medidas específicas necessárias para en-
frentar condições indesejáveis, como cerca do pátio com arame farpado na parte
superior, fechaduras e portas especiais, vidro de segurança, iluminação de segu-
rança, ausência de janelas, equipamento eletrônico de vigilância, etc.;
„ Descrição dos planos de proteção contra incêndios, que serão aplicados na esta-
ção de bombeamento;
„ Requisitos de armazenamento de materiais, peças sobressalentes e equipamento
de manutenção para a operação e a manutenção do sistema (no local; armazenamento
fora do local; espaço e instalações de armazenamento existentes).

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Elaboração de Projetos de Irrigação

2.4.13 Canais Principal e Secundário e Tubulações

Além das informações contidas no item 2.3.10, também será preciso fornecer as
que estão relacionadas a seguir.

2.4.13.1 Canais e Tubulações

„ Para todos os pontos no sistema de distribuição onde ocorrer mudança na vazão e


para todas as tomadas d’água, serão fornecidas as seguintes informações:
f vazão do canal ou da tubulação, em litros/segundo, requerida para atender à
demanda de água à jusante do ponto em questão; esta determinação deverá
basear-se nos critérios de dimensionamento para projetos de irrigação (ver
Anexo 5 do “Manual de Planejamento Geral de Projetos de Irrigação”) e nos
requisitos de uso doméstico, se forem incluídos;
f cotas requeridas do nível da água (para as tubulações, quando a água for
distribuída sob pressão, será preciso fornecer a pressão mínima da água em
KPa).
„ Fluxos máximo, mínimo e normal de quaisquer cursos d’água que interceptem o
canal ou a tubulação, assim como a possibilidade de erosão;
„ Percentual máximo da vazão de projeto que o canal ou a tubulação deverá atender
em cada mês, e datas prováveis em que poderá ser desativado para manutenção, a
cada ano;
„ Tipo de maquinaria de manutenção que está sendo considerado;
„ Tipo de sistema de comunicação que está sendo levado em conta;
„ Tomadas:
f vazão de projeto, nível operacional mínimo da água no canal ou cota mínima
de gradiente hidráulico na tubulação, assim como nível máximo da água ime-
diatamente abaixo da tomada;
f tipo de medidor e se será utilizada a telemetria;
f cotas e afastamentos das estradas de manutenção;
f requisitos para obstrução e filtragem.
„ Medidores:
f tipo de medidor e/ou estrutura;
f declividade no fundo (para medidores em canais abertos) e níveis operacionais
máximo e mínimo da água (cotas de gradiente hidráulico, para as tubula-
ções), à jusante e à montante do medidor/estrutura;
f vazões máxima e mínima a serem medidas;
f se há necessidade de registro contínuo da vazão e se haverá monitoramento
remoto.
„ Características da água que será transportada, em relação ao provável conteúdo de
sedimentos, crescimento indesejado de algas nos canais, crescimento de plantas e
ervas daninhas aquáticas ao longo das margens dos canais e corrosibilidade;
„ Tipo, localização e requisitos referentes a valas de irrigação, sistemas domésticos
de abastecimento de água, redes elétrica e telefônica, que atravessam os canais ou
as tubulações;
„ Quaisquer restrições relativas à altura das chaminés de equilíbrio, tanques e outras
estruturas, como resultado da respectiva localização, impostas por regulamentos
estaduais ou federais; velocidades máximas previstas no local das chaminés e dos
tanques e requisitos referentes a lanternas de balizamento;
„ Programa de irrigação, incluindo operação das tomadas pelos diversos irrigantes ou
pelo pessoal do distrito e planos de futura expansão do distrito, se aplicável;
„ Horários permitidos para se fazer a conexão com as instalações existentes.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

2.4.13.2 Canais

„ Vazão de pico projetada (em geral, tempo de recorrência de 25 anos, dependendo


de considerações econômicas) para drenagem transversal, exceto para as situa-
ções em que o período de alongamento temporário, acima do canal, for considerado
no projeto; nesse caso, deverão ser analisados hidrogramas das enchentes projetadas
e plantas topográficas que abranjam as áreas temporariamente inundadas;
„ Hidrogramas das enchentes de projeto (em geral, tempo de recorrência de 25 anos,
dependendo de considerações econômicas) para as principais áreas de drenagem
cruzada (quando o canal ou a tubulação cruzam a drenagem natural) ou áreas am-
plas e mal definidas de drenagem;
„ Para estruturas de drenagem transversal: forma, dimensões, declividade e natureza
da área de drenagem, provável intensidade das chuvas e escoamento superficial
previsto, para cada estrutura; localização, distância, dimensões físicas e caracterís-
ticas de qualquer regularização do escoamento fluvial à jusante; e necessidade de
paredes em asa ou muros de cabeceira;
„ Para pontes e viadutos: dados hidrológicos dos cursos d’água; vãos livres (com
limitações de área de trabalho durante a construção) e cotas de regularização (nível
da água, topo do trilho, greide da estrada, etc.);
„ Volume estimado de sedimentos arrastados para dentro do canal e/ou acumulado
acima da entrada do dreno utilizado para grandes áreas de drenagem transversal e
para os canais de grande capacidade;
„ Curvas de nível da água, estudos de sedimentação, degradação e estudos de
assoreamento deverão ser incluídos para os drenos, quando críticos;
„ Planos de reutilização ou disposição das perdas operacionais dos canais;
„ Vertedouros:
f tipo de controle (comporta deslizante, comporta automática de controle do
nível da água à jusante, comporta radial, vertedouro lateral, vertedouro sifóide)
e vazão;
f variação de regularização do nível da água, no caso de canal de descarga
automático.
„ Estruturas de controle do nível da água:
f tipo de controle (com comporta de emergência, comporta deslizante ou radial);
vazão do vertedouro de transbordamento, se desejada; tipo de operação (se
manual, automática e/ou de monitoramento ou controle remoto);
f nível mínimo da água a ser fornecido nas tomadas;
f detalhes dos requisitos estruturais, se combinados com outras estruturas.
„ Calhas e quedas:
f variação das vazões, níveis da água e cotas do fundo, à jusante e à montante;
f combinações com outras estruturas, como estruturas de regularização do
nível da água, sifões, pontes sobre estradas operacionais, ou tomadas;
f curva de vazão x tempo, no caso de calhas ou quedas utilizadas como medi-
dores.
„ Necessidade de estradas de operação e manutenção nas margens e ao longo dos canais;
„ Número, largura e requisitos de carga das pontes que cruzam os canais;
„ Requisitos especiais e localização dos dispositivos de segurança dos canais, como
guarda-corpo, iluminação de segurança, cercas em áreas povoadas, redes e grades;
requisitos nos locais de cruzamento de animais, nas áreas cercadas e nos corredo-
res de fuga.

2.4.13.3 Tubulações

„ Cobertura mínima para as tubulações secundárias, com base nas atividades agríco-
las realizadas sobre as tubulações, na profundidade dos aqüíferos, no tipo de solo;
„ Detalhes do sistema de drenagem, os quais poderão influenciar o projeto do siste-
ma de tubulações;

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„ Requisitos de segurança para os taludes das valas da tubulação;


„ Análise de utilização de tipos de tubos alternativos; por exemplo, aço, cimento-
amianto, ferro dúctil, etc.

2.4.14 Drenos

Além das informações contidas no item 2.3.11, também será preciso fornecer as
que seguem.

„ Para os principais pontos no sistema de drenagem onde houver mudança na vazão,


deverão ser fornecidos os seguintes dados:
f vazão dos drenos superficiais ou subsuperficiais, em litros/segundo;
f cotas máximas do nível da água.
„ Condições singulares de escavação ou construção;
„ Disponibilidade de materiais de construção, incluindo cascalho para os filtros;
„ Permeabilidade e granulometria do cascalho;
„ Dados comparativos relativos a terras, na vizinhança do projeto, com solos e condi-
ções de drenagem similares, e que já estejam sendo irrigadas:
f planta de quaisquer sistemas de drenagem existentes;
f resumo das propriedades do solo e dos substratos, assim como profundida-
de, vazões e espaçamento dos drenos;
f dados detalhados acerca de determinados drenos, quando os fatores que
afetam a drenagem forem similares aos da área do projeto; os dados deverão
incluir o tipo de dreno, o projeto de drenagem, as propriedades dos solos e
dos substratos, as condições das águas subterrâneas, os problemas de cons-
trução e manutenção, vazões, uso da terra, práticas de irrigação e área efetiva-
mente drenada para uma boa produção agrícola.

2.4.15 Poços

„ Cortes e detalhes de um poço típico, mostrando a relação entre os componentes


gerais e os detalhes, quando aplicável;
„ Tabelas mostrando profundidades totais, revestimento e comprimentos das penei-
ras, assim como outras dimensões conhecidas ou estimadas dos poços;
„ Dados descrevendo a metodologia dos ensaios de bombeamento, incluindo o rendi-
mento hídrico e o rebaixamento previsto, os requisitos de capacidade e altura
manométrica da bomba, os requisitos de medida de fluxo, a duração do ensaio e o
destino da água bombeada no teste;
„ Dados descrevendo os fatores ecológicos, incluindo o impacto ambiental das ope-
rações de perfuração e dos ensaios, e a localização do poço, quando concluído;
„ Dados descrevendo os fatores de segurança, incluindo a presença de altas pres-
sões subsuperficiais ou de gases tóxicos;
„ Resumo descritivo da geologia da área, das condições e do uso histórico dos
aqüíferos;
„ Resumo das informações hidrogeológicas disponíveis, como profundidade e espes-
sura dos aqüíferos, rendimentos hídricos, condutividades hidráulicas, transmissi-
vidades, etc.

2.4.16 Estradas

Além das informações contidas no item 2.3.13, também será preciso fornecer as
relacionadas a seguir:

„ Drenagem transversal:
f vazão de projeto, frequência das enchentes de projeto (em geral, períodos de
recorrência de 25 anos, dependendo de considerações econômicas) e planta
das áreas de captação das águas de drenagem;

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Elaboração de Projetos de Irrigação

f fluxos máximo, mínimo e médio de todos os cursos d’água que cruzam a


estrada;
f para estruturas de drenagem transversal, formato, dimensões, declividade e
natureza da área de drenagem, provável intensidade das chuvas e escoamen-
to superficial previsto, para cada estrutura; localização, distância, dimensões
físicas e características de qualquer regularização de escoamento fluvial à
jusante; e necessidade de paredes ou muros de ala;
f para pontes e viadutos, dados hidrológicos dos cursos d’água, vãos (com ou
interferências ou restrições permitidas durante a construção) e cotas de con-
trole (nível da água, topo de balaustradas, greide da estrada, etc.).
„ Cruzamentos de estrada (sifões, pontes e bueiros):
f tipo de estrutura e possíveis alternativas;
f cota do leito e largura do pavimento da estrada; espaço livre mínimo entre o
topo do bueiro ou sifão e a cota do leito da estrada;
f limites da faixa de domínio da estrada; limites para largura da estrada; locali-
zação de desvios, quando requeridos durante a construção;
f limites máximos de invasão da faixa de domínio da estrada durante a constru-
ção e para as estruturas concluídas, incluindo as margens dos canais;
f método de manutenção do tráfego durante a construção.
„ Localização, declividade do fundo, dimensões e vazão das valas de drenagem;
„ Cargas móveis de projetos e tensões admissíveis;
„ Desenhos de um corte transversal típico da estrada, mostrando:
f eixo longitudinal da estrada;
f base da estrada (topo do aterro ou fundo do corte);
f largura do leito da estrada (acostamento a acostamento) na base da estrada,
tanto para aterros, quanto para cortes;
f taludes do aterro e do corte;
f dimensões e posições das valas do leito da estrada, assim como diques e
valas de proteção;
f número de camadas de revestimento, tipos de materiais, espessura e largura
de cada camada e declividade transversal a partir da cota de coroamento da
estrada.

2.4.17 Dados Relativos às Instalações Elétricas

2.4.17.1 Estações de Bombeamento, Canais, Tubulações e Poços

Os dados relacionados a seguir são imprescindíveis para iniciar a elaboração do


projeto. Os dados fornecidos deverão ser suficientes para permitir que os projetistas
concluam o projeto básico (diagramas unifilares) do complexo de irrigação. Quando o
projeto tiver avançado o suficiente para desenvolver os detalhes dos requisitos do siste-
ma elétrico, os projetistas deverão preparar uma lista de dados adicionais, requeridos para
concluir o projeto final das instalações elétricas.

„ Nome e endereço da concessionária de energia elétrica;


„ Localização do ponto de conexão com a rede de energia elétrica;
„ Tensão de fornecimento, número de fases e se o serviço será aéreo ou subterrâneo;
„ Impedâncias máxima e mínima do sistema, olhando na direção da fonte de abaste-
cimento;
„ Localização dos medidores, isto é, acima ou abaixo do transformador;
„ Carga em kVa estimada;
„ Estimativa do número de motores e suas dimensões; se não for possível estimar o
número e as dimensões, serão fornecidos detalhes das cargas elétricas previstas;
„ Códigos federal, estadual e municipal a serem obedecidos;

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Elaboração de Projetos de Irrigação

„ Deverão ser considerados os requisitos de fonte secundária de energia elétrica; se


esse recurso for necessário, serão indicados os seguintes itens:
f se a fonte secundária será um motor-gerador;
f risco de danos físicos ou materiais, no caso de interrupção do fornecimento
proveniente da fonte principal de energia elétrica;
f cargas que precisarão ser atendidas pela fonte secundária.
„ Requisitos de monitoramento remoto das condições das instalações; localização do
centro de controle remoto, e itens que precisam ser monitorados;
„ Requisitos de controle remoto com centro de operações, incluindo a localização do
centro;
„ Requisitos de comunicação e telemetria de dados entre a estação-mestra de super-
visão e as instalações remotas;
„ Restrições à carga de ligação;
„ Restrições ao fator de potência;
„ Probabilidade de interrupção do abastecimento.

2.4.17.2 Subestações Elétricas

As seguintes informações deverão ser fornecidas:

„ Esquemas de ligação, mostrando os circuitos sugeridos, incluindo os equipamentos


principais propostos, como transformadores, disjuntores e reguladores; onde o equi-
pamento será comprado e instalado para o uso e o benefício de um sistema interligado,
comentários relativos a esses arranjos deverão fazer parte dos dados do projeto;
„ Capacidade dos transformadores, em quilovolt-ampere;
„ Dados a respeito dos circuitos:
f voltagem nominal e destino;
f cargas, em quilovolt-ampere ou quilowatts, e fator de potência;
f tipo de medidor requerido para cada linha (serão fornecidos medidores que
mostram a demanda em watt-hora, exceto quando de outra forma especifica-
do);
f dimensionamento do condutor para as linhas existentes;
f ajuste de fase das linhas existentes na estação;
f tensão mínima durante os horários de carga mais pesada e tensão máxima
durante os horários de carga mais leve, tanto para condições normais quanto
para situações de emergência;
f impedâncias máxima e mínima do sistema, para cada conexão;
„ Diagrama unifilar do sistema primário da concessionária de energia elétrica, que
será conectado à estação; estas informações são necessárias à elaboração dos
estudos de relés e deverão incluir:
f localização dos disjuntores do sistema primário e dos relés, conforme definido
para a operação inicial; mudanças futuras deverão ser indicadas, quando pos-
sível;
f tipo de relés do sistema primário (de distância, para corrente excessiva, etc.)
e características operacionais dos relés; serão precisos os ajustes reais dos
relés, a fim de serem efetuados ajustes coordenados entre os relés; entretanto,
esses dados não precisam ser fornecidos inicialmente, caso isso possa atra-
sar o recebimento de outras informações; os problemas de coordenação dos
relés, como comutação lenta do sistema primário, deverão ser indicados;
f condições operacionais do sistema primário que possam afetar as ligações ou
o controle;
f tempo de religamento, se forem utilizados disjuntores de religamento auto-
mático nos sistemas primários;
f comprimento e característica das linhas primárias e se são circuitos trifilar ou
tetrafilar;

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Elaboração de Projetos de Irrigação

f localização, conecções e capacidade nominal dos transformadores e das má-


quinas síncronas conectadas aos sistemas primários; a localização e o tipo de
aterramento neutro também deverão ser incluídos.
„ Capacidade total em quilovolt-ampere requerida dos transformadores de alimenta-
ção da estação;
„ Método proposto de operação da estação (se manual, automático local ou de con-
trole remoto);
„ Alturas e localização de edifícios, linhas de transmissão e outras obstruções exis-
tentes, que não estejam associadas à estação, mas localizadas no local da estação
ou perto dele, e que poderão provocar problemas de afastamento;
„ Tipo e capacidade das instalações de comunicações desejadas;
„ Importância relativa dos circuitos, de modo que os relés térmicos do transformador
de potência possam ser instalados para desligarem cargas relativamente baixas, a
fim de aliviar transformadores sobrecarregados;
„ Disponibilidade das instalações de manuseio do transformador, com capacidade e
altura de levantamento suficiente e numa distância de transporte praticável, de
maneira a poder determinar se serão precisos transformadores com a flange da
carcaça no fundo; quando disponíveis, fornecer a altura máxima e a capacidade do
guindaste;
„ Códigos elétricos: relação dos códigos elétricos estadual e federal e especificações
municipais relativas a segurança elétrica;
„ Custo da capacidade, custo da energia elétrica, custo de oportunidade do capital e
fator de potência da estação bombeadora, a serem empregados na avaliação das
perdas energéticas de transformador;
„ Planos e requisitos regionais relativos a torres de rádio e de micro-ondas, a serem
localizadas dentro dos limites das subestações; assim, será possível determinar a
possibilidade de usar outros projetos de estrutura dentro da subestação, a fim de
instalar o sistema de comunicações planejado e eliminar, desta forma, a necessi-
dade de torres adicionais;
„ Requisitos relativos a iluminação para funcionamento noturno e para garantir a
segurança.

2.4.18 Considerações Relativas ao Meio Ambiente

As informações relacionadas no item 2.3.12 também deverão ser incluídas no Pro-


jeto Básico.

Além deste MANUAL, devem ser consultadas as “Diretrizes Ambientais para o


Setor de Irrigação”, publicadas por SENIR-IBAMA-PNUD-OMM.

2.4.19 Dados Diversos

Além das informações contidas no item 2.3.13, também será preciso fornecer as
seguintes:

„ Fatores relacionados à definição do período de construção do projeto;


„ Custo de oportunidade do capital, o qual será utilizado nas análises econômicas;
„ Informações relativas ao mercado de trabalho e aos problemas de mão-de-obra
locais;
„ Exigências legais ou práticas relativas à construção de cercas; fatores relacionados
ao tipo de cerca;
„ Existência de pragas não usuais, como cupim, caruncho e roedores; práticas locais
de combate às pragas;
„ Quantidades estimadas de todos os itens do cronograma de construção que não
possam ser determinadas, com facilidade, no escritório do projetista, como material

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Elaboração de Projetos de Irrigação

de aterro (comum e rocha); momento de transporte extra de material de escavação,


com distância limite de transporte; “riprap”, bueiros; e cercas e portões para a faixa
de domínio;
„ Estimativa de custo de desapropriação das faixas de domínio;
„ Informações acerca de grandes obras civis em andamento ou planejadas na vizi-
nhança do projeto de irrigação e a presença, na área, de empreiteiras ou subem-
preiteiras interessadas;
„ Estimativas do custo de relocação de linhas de serviços públicos existentes na área
da obra;
„ Estimativas do custo de remoção de edifícios e de outras estruturas dentro da área
da obra, incluindo descrição geral e exposição acerca da necessidade de eliminação
das estruturas em questão;
„ Áreas designadas para desmatamento, com descrição de tipos, tamanho e densida-
de de vegetação; os fatores relacionados ao método de pagamento também deve-
rão ser discutidos; por exemplo, pagamento do preço global para áreas com limi-
tes definidos ou preço unitário, por hectare, para áreas sujeitas a mudanças duran-
te a obra; quaisquer pagamentos adicionais deverão ser utilizados para áreas cla-
ramente definidas com vegetação diferente e dificuldades especiais de desma-
tamento; se a vegetação a ser limpa é muito rala ou pode ser removida sem neces-
sidade de equipamento especial ou de operações sofisticadas, o custo do
desmatamento deverá estar incluído nos preços cotados para escavação, ou para
outros itens da obra.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

INVESTIGAÇÕES
GEOGNÓSTICAS

3.1 Níveis de Investigação

3.1.1 Aspectos Gerais

As informações acerca das fundações das estruturas e dos materiais naturais de


construção, disponíveis para a execução das diversas obras em referência, são de impor-
tância fundamental na elaboração dos projetos. As investigações necessárias à coleta
dessas informações são realizadas tanto em campo quanto em laboratório, e as análises
são efetuadas no escritório. As investigações devem ser adequadamente planejadas, de
forma a se obter o máximo possível de informações em relação ao esforço despendido.
Quando as investigações de campo forem iniciadas, o pesquisador deve ter um plano
experimental de desenvolvimento do projeto, que mostre os tipos de instalação requeri-
dos, assim como a capacidade, as dimensões e a localização geral das mesmas. Além
disso, necessita de conhecimentos gerais mínimos a respeito das fundações e dos mate-
riais necessários às diversas instalações consideradas no projeto. As investigações do
subsolo só devem ser iniciadas quando todos os dados geológicos e geotécnicos disponí-
veis tiverem sido revisados e avaliados. O pesquisador necessita de conhecimentos práti-
cos de geologia de engenharia, incluindo os requisitos de classificação dos solos, das
rochas e da morfologia do terreno. Deve ainda estar familiarizado com as técnicas de
mapeamento, de registro de dados e de amostragem, e também com os ensaios de
campo e de laboratório. Esse tipo de vivência, aliado a conhecimentos acerca das capaci-
dades e das limitações dos diversos métodos de sondagem do solo, levará à seleção dos
métodos de campo mais apropriados.

É indispensável realizar uma investigação abrangente das fundações das estruturas


e dos solos ao longo das instalações projetadas, a fim de determinar se é possível execu-
tar um projeto econômico. As investigações de um projeto potencial consistem em quatro
estágios ou níveis principais. Estes estágios, classificados em ordem cronológica de exe-
cução, são de pré-viabilidade, viabilidade, projeto básico e projeto executivo. Cada nível
de investigação ou de estudo utiliza, como ponto de partida para as investigações subse-
qüentes, os resultados provenientes do nível anterior. É essencial que, durante cada está-
gio, os dados coletados sejam periodicamente sumarizados, de modo que as conclusões
e as decisões sejam baseadas em todas as informações disponíveis.

3.1.2 Investigações a Nível de Pré-Viabilidade

Os dados obtidos durante as investigações a nível de pré-viabilidade são de caráter


eminentemente descritivo. O trabalho de campo deverá ser precedido de um estudo de
todos os dados disponíveis relativos às áreas em consideração. Os tipos de dados deve-
rão incluir mapas, fotografias aéreas e outras informações de sensoriamento remoto e de
relatórios existentes. Após a revisão dos dados, examinar-se-á a área visualmente.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

O reconhecimento da área deverá ser efetuado para selecionar os locais mais favo-
ráveis à instalação das estações de bombeamento e ao alinhamento dos canais principais.
A seleção será realizada com base nos solos existentes nas diversas áreas e nos dados
geológicos, bem como no exame visual do terreno e nas condições geológicas e
morfológicas da área do projeto. Será preciso examinar os cursos d’água, suas margens e
os cortes das estradas, pois podem prover informações valiosas relativas à natureza dos
solos ao longo do alinhamento dos canais e nos locais das obras. O reconhecimento da
área deve ser realizado por engenheiros e geólogos que possuam conhecimento e experi-
ência na seleção de locais para estações de bombeamento e canais.

Neste estágio, as investigações devem levar à avaliação das condições gerais do


subsolo em toda a área do projeto, assim como dos aspectos gerais das condições das
fundações nos diversos locais alternativos, selecionados para as estruturas principais ou
críticas. Esta avaliação deverá determinar, com um grau razoável de certeza, as vanta-
gens e desvantagens das fundações e dos materiais de construção nos locais alternativos,

As investigações de pré-viabilidade estão baseadas, principalmente, nos indicado-


res de superfície e, por vezes, poderá ser necessário um deslocamento a distâncias con-
sideráveis dos locais propostos para as estruturas do projeto, a fim de serem obtidas
informações com as quais se possam extrapolar e determinar as condições de subsolo.
Como estas condições são desconhecidas, as áreas definidas como de empréstimo pode-
rão ser consideravelmente maiores do que aquelas de fato necessárias. As condições das
fundações com frequência podem ser avaliadas a partir de inspeções visuais das caracte-
rísticas de erosão, dos afloramentos rochosos, das escavações praticadas para estradas
de rodagem e de ferro, das escavações para edificações, de poços abandonados e pedrei-
ras na área do projeto. Em geral, as informações acerca das condições de água subterrâ-
nea podem ser obtidas nos poços existentes no local.

A descrição das fundações dos edifícios e de outras estruturas similares construídas


sobre alicerces deverá estender-se até uma profundidade equivalente a uma vez e meia a
dimensão horizontal mínima do alicerce. As estruturas dos canais requerem uma descri-
ção das condições das fundações abaixo da sua base, até uma profundidade aproximada
equivalente a duas vezes a carga hidráulica. As fundações dos sistemas de transporte –
ou seja, canais, estradas de rodagem e túneis – deverão ser descritas até uma profundi-
dade suficiente, de forma a incluir os materiais das fundações que influenciarão o projeto.

Os resultados dos estudos de pré-viabilidade deverão ser lançados em plantas topo-


gráficas, que deverão ser acompanhadas por um relatório contendo a descrição das con-
dições geológicas e geotécnicas, incluindo a classificação de engenharia dos solos e das
rochas. As plantas deverão mostrar a localização dos possíveis alinhamentos de canal e
das estações de bombeamento. Os solos que possam apresentar problemas especiais,
como expansão quando umedecidos, colapso-recalque ou dispersividade, devem ser iden-
tificados e localizados. O relatório de pré-viabilidade deverá discutir as relações entre as
condições geológicas e geotécnicas e a futura estabilidade e desempenho das estações
de bombeamento, dos canais e das estruturas dos canais. Problemas geológicos ou
geotécnicos aparentes, que exijam investigações adicionais, deverão ser discutidos, e um
programa experimental de investigação deverá ser recomendada, delineando a extensão e
a natureza das investigações, a ser empreendido para o estágio de viabilidade.

3.1.3 Investigações a Nível de Viabilidade

O objetivo das investigações a nível de viabilidade é confirmar e ampliar o trabalho


realizado durante os estudos de pré-viabilidade, de modo a permitir a preparação de uma
estimativa adequada do custo do projeto.

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No caso de estruturas de armazenamento ou transporte de água, o problema de


perda de água deverá ser cuidadosamente investigado nos estudos de viabilidade. Exceto
nos casos em que as áreas de perda de água estejam concentradas, o tratamento neces-
sário quase sempre influenciará significativamente o custo total e os requisitos das insta-
lações gerais do projeto. O traçado do sistema de canais deverá ser examinado, a fim de
determinar as áreas onde a perda de água poderá ser significativa. Tais áreas deverão ser
definidas e estudadas, de modo a se obter o volume de perda de água esperado.

O primeiro passo numa investigação de viabilidade é a revisão do trabalho já execu-


tado, o que inclui não somente revisão das investigações de pré-viabilidade, como tam-
bém exame dos projetos contemplados durante o nível de pré-viabilidade. Os projetos das
estruturas devem ser confrontados com as condições levantadas das fundações. As pro-
priedades e quantidades dos materiais naturais de construção são comparadas ao uso
contemplado nos projetos de pré-viabilidade.

Esse exame poderá identificar situações nas quais as observações do pesquisador


não foram compreendidas durante as investigações de pré-viabilidade, ou condições que
o pesquisador considerou menos significativas, mas que o projetista considera relevan-
tes, ou ainda que o projetista não levou em conta, embora parecessem importantes para
o pesquisador. O exame permitirá que o pesquisador, a nível de viabilidade, localize os
furos de sondagem, de maneira a obter as informações pertinentes, esclarecer as condi-
ções duvidosas e minimizar o grau de interferência na localização proposta para a estrutura.

O segundo passo numa investigação de viabilidade é a elaboração de um programa


de sondagens, que deverá indicar a localização dos furos propostos, o tipo de procedi-
mento de sondagem requerido, a profundidade da furação e o tipo de dado a ser obtido.
Os furos de sondagem deverão estar localizados numa configuração sistemática, à qual
seja possível incorporar futuras investigações. O programa deverá mostrar a ordem de
realização das sondagens, para que as áreas mais duvidosas e as mais críticas sejam
estudadas primeiramente. Contudo, o programa deverá ser flexível, de modo a permitir
adaptações às condições constatadas durante o seu desenvolvimento. O custo deste
programa deverá ser estimado, para que os responsáveis pela autorização do trabalho
possam ser informados quanto à magnitude do empreendimento.

Será necessário realizar investigações limitadas do subsolo nos locais das estações
de bombeamento, das estruturas dos canais importantes e dos alinhamentos dos canais
principais, para identificar a natureza dos solos e rochas nesses locais. Poderá ser preciso
fazer uma série de sondagens nos locais das principais estações de bombeamento, de
modo a permitir ajustes específicos à área da obra e à localização de outras instalações,
como chaminés de equilíbrio. Os furos de sondagem deverão estender-se além da cota de
fundação da estrutura, por uma distância mínima equivalente a uma vez e meia a dimen-
são horizontal máxima da base da estrutura. As investigações ao longo dos alinhamentos
de canais principais deverão ser realizadas a intervalos nunca superiores a 1km. No caso
de solos problemáticos, os intervalos deverão ser diminuídos, para delimitar esses depó-
sitos, tanto lateralmente quanto em profundidade.

O terceiro passo é a execução da sondagem, que é feita, em geral, por empreitada.


A amostragem efetuada pela empreiteira deverá obedecer às normas estabelecidas pelo
órgão contratante. A nível de viabilidade, as informações provenientes de cada item deve-
rão ser o mais completas possível, considerando o tempo e os recursos disponíveis, de
modo que os dados possam ser utilizados posteriormente na elaboração do projeto bási-
co. Será preciso preparar um perfil de cada furo de sondagem, com base no exame real
dos materiais retirados do furo, suplementado pelas informações do boletim de sonda-
gem. A permeabilidade dos diversos estratos deverá ser testada, e o lençol freático deter-
minado durante e ao final da perfuração.

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O quarto passo é a elaboração de um relatório. Nesta fase, o relatório difere do de


pré-viabilidade, pelo fato de a descrição das fundações e das jazidas de materiais serem
definidas em profundidade, com base nas constatações dos furos exploratórios, ao invés
daquelas com indicações superficiais e as descrições dos materiais serem elaboradas com
dados provenientes dos ensaios de caracterização e de outros ensaios laboratoriais.

O relatório preparado após a conclusão da investigação das fundações no estágio


de viabilidade deverá incluir um mapa apresentando a geologia da superfície, a localização
de todas as investigações e das seções geológicas. Os mapas deverão ser basicamente
geológicos e modificados ou subdivididos, a fim de mostrar a distribuição dos solos e
rochas com diferenças significativas nas suas propriedades físicas e de engenharia. Deve-
rão ser preparadas seções transversais ressaltando as características geológicas do
subsolo, conhecidas e interpretadas. Incluir-se-ão os perfis de todos os furos de sondagem.

3.1.4 Investigações a Nível de Projeto Básico

O objetivo das investigações a nível de projeto básico é fornecer dados para os


projetos executivos das diversas estruturas da obra. Desde que seja norma a construção
de tais estruturas por empreitada, será necessário que a natureza e o volume das obras
sejam especificados.

Os projetos básicos exigirão investigações geográficas adicionais. Entretanto, a


localização e os tipos de materiais de solo e de rocha deverão ter sido determinados
durante o estágio de viabilidade. Durante o estágio de projeto básico, as conclusões das
investigações da viabilidade serão confirmadas ou ajustadas, quando necessário. As con-
siderações críticas acerca da geologia e da geotecnia do local do projeto deverão ser
resolvidas por meio de investigações e ensaios laboratoriais, de maneira que se possam
preparar análises detalhadas do projeto e desenhos de construção. Também serão neces-
sários amostragens e ensaios de laboratório, para se poderem estabelecer os parâmetros
do projeto de fundações.

Neste estágio, as investigações das fundações e dos materiais devem produzir,


além de dados geológicos relevantes, informações bastante detalhadas para se estabele-
cerem as quantidades de materiais a serem mobilizadas. Esta operação exige significativa
capacidade de julgamento. Será necessário garantir um grau máximo de precisão, com
um número ótimo de sondagens, o que requer a localização dos furos de investigação de
tal maneira que seja possível determinar as estruturas e as condições do maciço rochoso
pertinentes, incluindo o topo rochoso e topo da rocha sã.

Em geral, o trabalho de investigação no nível de viabilidade fornece informações


suficientes para que, com conhecimento das estruturas geológicas, possam ser delineadas
seções transversais mostrando os pontos que exigem investigações adicionais. Se o tra-
balho a nível de viabilidade for insuficiente para este propósito, as investigações de nível
de projeto básico deverão ser direcionadas, inicialmente, para este objetivo.

Quanto às investigações de viabilidade, o programa de investigações deverá ser


formulado antes de se iniciar o trabalho de campo. Visto que esta é a última oportunidade
de considerar as condições do local da obra em relação aos requisitos das estruturas
antes de iniciar o projeto básico, o engenheiro responsável pela elaboração do projeto e
das especificações deverá revisar o programa de investigações com o engenheiro
geotécnico, com o geólogo, ou com ambos, antes de iniciar o trabalho de investigações.

Com base nos conhecimentos do engenheiro acerca dos requisitos das estruturas,
na sua experiência com o desempenho dos solos e nas condições que deverão prevalecer
no local da obra, será possível determinar-se onde as condições são (1) evidentemente
adequadas, (2) nitidamente inadequadas ou (3) duvidosas. Como resultado, o engenheiro

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poderá orientar os ensaios para as áreas duvidosas e, desta forma, diminuir substancial-
mente o volume de trabalho. É necessário frisar que um máximo de economia nas inves-
tigações só poderá ser conseguido com o auxílio do engenheiro responsável pelo projeto
da obra.

Nas investigações das fundações, sugerem-se métodos que ofereçam oportunidade


de amostragem e ensaio sem excessivo amolgamento. Portanto, sondagens por lavagem
em solo ou por percussão em rocha são, em princípio, desaconselhadas. Poços de inspe-
ção e trincheiras abertas com trator ou retro-escavadeira, que permitem a inspeção visual
das fundações, são excelentes métodos para determinar a natureza dos materiais das
fundações e são recomendados, quando factíveis. Os métodos de sondagem recomenda-
dos para a exploração das fundações de solo são as sondagens rotativas, utilizando
barrilete amostradores padronizados ou amostradores tipo Denison ou Pitcher, assim
como trados de haste oca, quando for necessário retirar amostras indeformadas de so-
los de baixa densidade. Os trados de haste oca podem produzir amostras indeformadas
a 50m de profundidade, sem o uso de fluidos ou lamas de perfuração. A ausência de
fluidos de perfuração é particularmente vantajosa em solos potencialmente colapsíveis
e solos expansivos, quando o umedecimento do solo altera as condições in situ. O en-
saio de massa específica aparente nas paredes das escavações abertas (o fundo da esca-
vação em solos de baixa massa específica pode ter sido adensado pelo peso do equipa-
mento de escavação) e do teor de umidade in situ, dos solos acima do lençol freático,
também é necessário. Para extrair amostras das perfurações em rocha são necessárias
sondagens rotativas com barrilete amostrador. Os valores aproximados de permeabilidade
dos estratos de rocha e dos horizontes de solo podem ser determinados mediante ensai-
os hidráulicos nos furos de sondagem. Em cada furo de sondagem, é importante medir e
registrar a profundidade dos lençóis freáticos e as datas de tais mensurações.

À medida que a investigação progredir, a empresa responsável pela elaboração do


projeto deverá ser mantida informada do seu andamento. Os requisitos variam, dependen-
do da urgência; em geral, o perfil geológico de cada furo de sondagem deverá ser remeti-
do após a conclusão daquela furação. Na investigação de materiais, os dados acumulados
deverão ser enviados a intervalos de sete a dez dias.

Os resultados das investigações das fundações e dos materiais, ao nível de projeto


básico, deverão ser incorporados ao(s) relatório(s), como foi feito com os resultados das
investigações de pré-viabilidade e viabilidade. Neste estágio, o material de base deverá
ser resumido, mas os resultados do trabalho adicional de detalhamento deverão ser total-
mente documentados por meio de perfis dos furos e seções transversais que mostrem a
interpretação geológica. O relatório deverá ser preparado sob a direção do engenheiro ou
geólogo encarregado das investigações de campo.

3.1.5 Investigações a Nível de Projeto Executivo

As investigações das fundações e dos materiais durante a fase de elaboração do


projeto executivo são, essencialmente, de natureza confirmatória. São utilizadas para
esclarecer determinadas condições que não foram satisfatoriamente resolvidas durante
as investigações a nível de projeto básico, assim como para explorar propostas alternati-
vas sugeridas como resultado da disponibilidade de determinados tipos de equipamento
ou de variações climáticas, da mão-de-obra disponível ou de condições econômicas dife-
rentes daquelas previstas quando os projetos foram elaborados. Se as investigações exis-
tentes não fornecem informações suficientes para permitir uma demarcação precisa das
escavações para as estruturas e de outras escavações exigidas, será preciso realizar
sondagens adicionais, neste estágio, a fim de se obterem os dados requeridos. Na carac-
terização do solo, é necessário determinar as propriedades características, ou as de enge-
nharia, dependendo da natureza do problema específico. O trabalho deverá ser realizado
sob a direção de um engenheiro civil.

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Durante estas investigações, as plantas e seções geológicas deverão ser revisadas


ou novos desenhos executados, de maneira a mostrar as condições reais determinadas
nas escavações da obra. Esses mapas e desenhos poderão ser úteis como registros “as
built”, caso ocorram problemas devido às condições das fundações, constatados mais
tarde, durante a operação e manutenção do projeto. Quando são tomadas medidas para
melhorar as condições das fundações durante a construção, utilizam-se ensaios in situ,
como os do penetrômetro de cone, do pressiômetro e o de cisalhamento no furo de
sondagem, para determinar as condições das fundações “antes-e-depois”, a fim de avali-
ar o grau de melhoria do solo das fundações.

3.2 Princípios de Investigação

3.2.1 Objetivos

O objetivo das investigações é obter informações relativas às condições das funda-


ções e aos materiais naturais de construção, de acordo com a magnitude e o tipo da
estrutura e com o estágio do projeto. As investigações são realizadas no escritório, em
campo e no laboratório. Em geral, o procedimento é iterativo, no qual as características e
as condições dos solos subsuperficiais são determinadas progressivamente, incrementando-
se o grau de detalhamento, à medida que os trabalhos de investigação avançam. Os
dados obtidos precisam ser organizados, de maneira a mostrar claramente as caracterís-
ticas significativas das ocorrências e das propriedades dos solos.

Os objetivos específicos das investigações incluem a determinação, conforme ne-


cessário, dos itens relacionados a seguir.

„ A localização, a seqüência, a espessura e a extensão (em área) de cada estrato de


solo, incluindo a descrição e a classificação dos solos e da sua estrutura no estado
indeformado. As características geológicas significativas, como as concreções, assim
como os minerais e seus constituintes químicos, também deverão ser anotadas;
„ A profundidade do topo rochoso, além de tipo, localização, seqüência, espessura,
extensão (em área), cota, grau de intemperismo, alterabilidade, intercalações, fra-
turas, fissuras e outras características estruturais da rocha. Será necessário obter-
se uma descrição da rocha em cada estrato rochoso até o limite de influência da
estrutura;
„ As características das águas subterrâneas, incluindo a profundidade do lençol freático,
se é suspenso ou normal, a profundidade e a pressão nas zonas artesianas e a
quantidade de sais solúveis e de outros minerais presentes;
„ As propriedades dos solos, determinadas com base num método ou numa combina-
ção de métodos, de acordo com o estágio da investigação, o tipo de estrutura e
dados detalhados de engenharia necessários, mediante:
f a descrição e a identificação dos solos in situ visualmente e a determinação
da sua massa específica aparente;
f a obtenção de amostras deformadas, a descrição e a identificação visual
dessas amostras e a determinação dos seus teores de umidade natural e suas
propriedades características; as propriedades físicas podem ser estimadas
com base na classificação do solo e nos resultados dos ensaios laboratoriais
relativos aos índices;
f o emprego de métodos indiretos de campo, como interpretações geológicas,
sondagens, ou métodos geofísicos, utilizando os resultados de alguma explo-
ração direta e de outros ensaios, de modo a se obterem as necessárias corre-
lações;
f as observações do desempenho de estruturas construídas anteriormente com
esse solo ou obras sobre solos similares;
f a obtenção de amostras indeformadas, sua identificação visual, a descrição
do seu estado indeformado, a determinação da massa específica aparente e

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do teor de unidade natural e a definição das propriedades de engenharia,


mediante ensaios laboratoriais;
f a execução de ensaios de campo, como os ensaios de penetração padroniza-
dos (SPT), as provas de carga de estaca, os ensaios de permeabilidade e os
de palheta (“Vane Shear Test”).

Na discussão anterior, as propriedades características do solo são a granulometria


para solos de grãos grossos, a consistência (limites de Atterberg) para solos de grãos
finos, as relações umidade-massa específica e a resistência à penetração. As três propri-
edades de engenharia (ou físicas) mais importantes são a permeabilidade, a resistência ao
cisalhamento e a compressibilidade. Em geral, presume-se que os materiais numa área
limitada, com propriedades características similares, apresentarão propriedades físicas
similares. Entretanto, a correlação entre as propriedades características e as físicas não é
perfeita, e as primeiras não devem ser utilizadas na elaboração dos projetos.

3.2.2 Classificação das Fundações das Estruturas

Os requisitos de investigação para as fundações das estruturas variam muito e


podem incluir considerações a respeito dos materiais de fundações para uso nas funda-
ções ou na estrutura. A fim de auxiliar na determinação do tipo e da quantidade de
investigação necessários, as fundações das estruturas podem ser agrupadas em quatro
categorias:

„ O solo ou a rocha é de má qualidade e precisa ser removido parcial ou totalmente,


para prover fundações satisfatórias à estrutura em questão;
„ O solo ou a rocha in situ, com ou sem tratamento, constituirá as fundações da
estrutura;
„ O solo ou a rocha constituirá tanto as fundações quanto a maior parte da estrutura,
sendo que o material proveniente da escavação da fundação será utilizado na estru-
tura; e
„ Idem ao item anterior, exceto pela necessidade de quantidades substanciais de
material adicional àquele proveniente da escavação requerida.

Para as estruturas que descansam sobre a rocha, como as grandes barragens de


concreto, além das investigações acerca das fundações de rocha, será realizada uma
investigação do solo, contemplando, em especial, a profundidade da rocha sã, a estabili-
dade dos taludes e a dificuldade das escavações. Os materiais provenientes das escava-
ções para estruturas nesta categoria deverão ser empregados para outras finalidades,
quando factível; portanto, seria desejável o exame dos solos, durante as investigações
preliminares, com esta possibilidade em mente. Por exemplo, um local considerado ade-
quado para uma barragem de concreto exigirá ensecadeiras provisórias e, por isso, será
preciso considerar o emprego, para essa finalidade, de materiais provenientes de escava-
ções requeridas.

Para as estruturas fundadas no solo, como edifícios ou canais, o objetivo precípuo


da investigação dos solos é determinar suas características de mudança de volume, as
quais possam resultar em recalque ou levantamento da estrutura. Quando se prevê a
imposição de grandes cargas ou condições de aumento significativo da umidade do solo,
será necessário investigar, também, a resistência ao cisalhamento.

Para as estruturas fundadas no solo e que utilizam materiais de escavações obriga-


tórias, é essencial que os materiais sejam estudados tanto do ponto de vista da estabilida-
de quanto do de utilização. A estabilidade dos taludes, em corte e em aterros, é de
especial relevância. A compressibilidade varia em importância de acordo com a estrutura,
não sendo muito significativa na construção de estradas não pavimentadas ou de peque-
nos canais, e tendo maior importância nas estradas pavimentadas ou nos canais revesti-

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dos maiores, com grandes estruturas. Nos solos expansivos e nos de baixa massa espe-
cífica, a probabilidade e o grau de subpressão e de colapso precisam ser avaliados. A
permeabilidade é importante para os canais não revestidos. Quando for possível escolher
o traçado da obra, é necessário lembrar que a trabalhabilidade dos materiais é de grande
importância econômica. Por isso cortes em rocha são normalmente evitados.

3.2.3 Fontes de Informações de Mapas e Fotografias

3.2.3.1 Plantas Topográficas

São indispensáveis na elaboração da maioria dos projetos e das obras de constru-


ção civil. Antes de se iniciar a tarefa de desenvolvimento dos mapas, é preciso pesquisar
a existência de outros mapas da área da estrutura e das fontes potenciais de materiais de
construção.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Diretoria do


Serviço Geográfico do Exército (DSGE) publicam mapas topográficos.

Os mapas topográficos são valiosos nas investigações de fundações e materiais de


construção para estruturas hidráulicas. A localização e as cotas dos furos de sondagem,
dos afloramentos e das características de erosão podem ser incluídas nos mapas e a
morfologia do terreno representada pelas linhas de nível pode refletir, até certo ponto, o
tipo de solo e as condições geológicas subsuperficiais. As informações relativas à origem
e às características de algumas das morfologias mais simples são fornecidas no item
3.2.4. Na falta de mapas topográficos que cubram o local da obra, ou quando for ne-
cessário maior detalhamento, é possível contratar empresas para produzir, por fotogrametria,
plantas em qualquer escala ou quaisquer intervalos de curvas de nível requeridas, assim
como perfis ou seções transversais adequados ao processamento automatizado dos da-
dos.

3.2.3.2 Mapas Geológicos

Os mapas geológicos oferecem um expressivo volume de informações de engenha-


ria de grande utilidade. Identificam diretamente as rochas ocorrentes na área do projeto.
As características das rochas são da maior importância na seleção do local das barragens
e na elaboração dos projetos das estruturas de retenção e transporte de água. Muitos
solos superficiais estão estreitamente relacionados ao tipo de rocha dos quais se origi-
nam, mas, se o solo foi transportado de grandes distâncias, poderá se sobrepor a um tipo
de rocha totalmente diferente. Na consideração da influência do clima, do relevo e da
geologia da área, um engenheiro experiente poderá, razoavelmente, predizer o tipo de
solo a ser encontrado ou a associação daquele tipo de solo com determinados materiais
de origem. Em geral, as condições abaixo da superfície podem ser acertadamente deduzidas
a partir das informações tridimensionais fornecidas pelos mapas geológicos. Este mapas
são muito valiosos em áreas das quais se detêm limitadas informações pedológicas, do
ponto de vista agrícola.

Freqüentemente, os mapas geológicos incluem pelo menos uma seção geológica.


Essa seção é uma representação gráfica da disposição, em profundidade, dos diversos
estratos, ao longo de uma linha arbitrária, em geral indicada no mapa. As seções geológi-
cas são, até certo ponto, hipotéticas e devem ser utilizadas ponderadamente. A escala
vertical é quase sempre exagerada. As seções preparadas tão-somente a partir de dados
de superfície podem ser incorretas; as seções com base nos registros de sondagem ou em
evidências de mineração são mais confiáveis. Denomina-se seção colunar aquela compi-
lada para mostrar a seqüência e as relações estratigráficas das unidades de rocha num
local; indica somente a sucessão dos estratos e não a estrutura das camadas, como as
seções geológicas.

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Há vários tipos de mapas geológicos. O mapa que mostra uma vista em planta da
rocha na área, do ponto de vista geológico, é denominado mapa de rocha ou geológico de
área. Tal mapa indica os limites das formações visíveis e infere a distribuição das unida-
des cobertas pelo solo ou pela vegetação; em geral, inclui pelo menos uma seção geoló-
gica. Exceto pela indicação de grossos depósitos aluviais ou de materiais eólicos, os
mapas de área não mostram o solo ou o manto não-consolidado. Em áreas de geologia
complexa e nas quais quase inexistem rochas expostas, a localização dos contatos entre
as formações é geralmente indicada de forma aproximada ou hipotética. Os mapas geoló-
gicos da superfície diferenciam os materiais de superfície não-consolidados na área, de
acordo com suas categorias geológicas, como residual, aluvião e areias eólicas. Estes
mapas indicam a extensão de área, as características e a idade geológica dos materiais da
superfície. Em geral, os mapas geológicos de área (de rocha), de sítios com deformação
moderada, incluem suficientes símbolos estruturais para fornecer uma compreensão
adequada da geologia estrutural da região; em muitos casos, a estrutura sub-superficial
generalizada pode ser deduzida a partir da distribuição das formações no mapa. Em
áreas muito complexas, para as quais são necessárias grandes quantidades de dados
estruturais, para a interpretação da geologia, são preparados mapas geológicos estrutu-
rais especiais.

Além de fornecer a idade geológica das rochas mapeadas, alguns mapas fornecem
uma descrição sucinta das rochas. Entretanto, muitos não apresentam a descrição litológica.
Um geólogo experiente pode fazer certos pressupostos ou generalizações a partir apenas
da idade da rocha, por meio de analogias com outras áreas. Para um maior detalhamento
e uma identificação mais confiável da litologia, contudo, é preciso consultar a literatura
geológica de toda a área. As informações de engenharia podem ser obtidas nos mapas
geológicos, se o usuário tiver conhecimentos fundamentais de geologia e uma compreen-
são de como os engenheiros utilizam os fatos geológicos na elaboração de projetos e na
construção de estruturas. Mediante o estudo de um mapa geológico básico, aliado a
todos os dados geológicos colaterais pertinentes à área, é possível preparar-se um mapa
especial que interprete a geologia em termos dos materiais de construção. Da mesma
forma, é possível interpretar-se, nos mapas geológicos, as condições das fundações e das
escavações, assim como os dados das águas superficiais e subterrâneas. Tais informa-
ções são muito valiosas no planejamento preliminar, embora não substituam as investiga-
ções de campo detalhadas, nos estágios de viabilidade e de elaboração das especificações.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério de Infra-


Estrutura, dispõe de mapas geológicos, na escala 1:1.000.000.

3.2.3.3 Fotografias Aéreas

Uma fotografia aérea é uma representação pictórica de parte da superfície da Terra,


tirada do ar. Pode ser uma fotografia vertical, em que o eixo da câmera é vertical, ou
quase, ou uma fotografia oblíqua, na qual o eixo da câmera está inclinado em maior ou
menor grau. As fotografias oblíquas altas incluem a linha do horizonte; as baixas, não. As
fotografias verticais são Freqüentemente utilizadas como base do mapeamento topográ-
fico, no mapeamento de solos agrícolas e nas interpretações geológicas. Além das foto-
grafias aéreas em preto e branco, algumas vezes é válido obterem-se fotografias coloridas
– ou diapositivos ou revelações opacas –, em infravermelho preto e branco, ou infravermelho
colorido.

Usando filtros apropriados, é possível obterem-se fotografias que variam de


ultravioleta ao infravermelho próximo. As câmeras de faixa múltipla que utilizam de qua-
tro a nove lentes e combinações de diversas lentes, filtros e filmes, permitem fotografar
dentro de estreitas faixas de comprimento de onda, em toda esta extensão, de forma a
enfatizar o efeito da diversidade de solos, teores de umidade e tipos de vegetação, o que
auxilia na interpretação das fotografias. Existem outros sensores remotos que registram e

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processam os dados além do alcance das fotografias, por meio de comprimentos de onda
térmicos, de infravermelhos, de microondas e de radar. Fenômenos como as diferenças
na força de gravidade da Terra ou nas propriedades magnéticas também podem ser
mensuradas, com o intuito de se dispor de ferramentas adicionais de interpretação.

Exceto quando uma densa floresta impede a visão de grandes áreas, as fotografias
aéreas mostram todos os detalhes naturais ou o resultado da ação do homem na superfí-
cie terrestre, dentro da resolução do filme. São reveladas relações que, nas situações
usuais ou rotineiras de investigação da superfície, nunca seriam descobertas, apesar de
exame cuidadoso. A identificação das características indicadas nas fotografias é facilita-
da pelo exame estereoscópico. A seguir, as características são interpretadas para um
propósito específico, como geologia, uso do solo, ou características de engenharia. O
escopo de utilização das fotografias aéreas dependerá da experiência e da capacitação
do engenheiro. Conhecimentos básicos de geologia e ciência do solo auxiliam na inter-
pretação das fotografias aéreas com fins de engenharia. Freqüentemente, as fotografias
aéreas são utilizadas na localização de áreas a serem investigadas ou sondadas no cam-
po e substituem os mapas.

A Força Aérea dos Estados Unidos produziu, em 1965, fotografias aéreas, em preto
e branco, de todo o país, numa escala 1:60.000. As cópias dessas fotografias podem ser
obtidas na Diretoria de Serviço Geográfico do Exército (DSGE). Também existem fotos
aéreas em outras escalas, e com outros tipos de filme, de inúmeras áreas do território
brasileiro, embora a cobertura não seja sistemática. Em geral, as fotografias são tiradas
por firmas privadas de fotogrametria aérea, contratadas para efetuar tarefas específicas
de mapeamento, das quais é possível adquirir cópias das fotografias. Essas atividades são
acompanhadas pela Comissão de Cartografia (COCAR), em Brasília, que mantém foto-
índices, a fim de auxiliar os usuários potenciais a encontrar as fotos que cobrem a área do
seu interesse.

No caso do Vale do São Francisco, as fotografias aéreas obtidas até 1982 estão
catalogadas no “Cadastro de Levantamentos Básicos da Bacia do São Francisco”, da
CODEVASF.

A interpretação das fotos aéreas dos tipos de solo e de aspectos geológicos é


relativamente simples e objetiva, embora requeira experiência. As características de diag-
nóstico incluem a “posição” do terreno, a topografia, a drenagem e as características de
erosão, as tonalidades das cores e a cobertura vegetal. A interpretação limita-se às con-
dições da superfície e àquelas próximo a ela. Existem casos especiais, entretanto, em que
as características nas fotos permitem predizer, de maneira confiável, as condições sub-
terrâneas profundas. Embora a interpretação possa ser efetuada a partir de qualquer
fotografia nítida, a escala constitui um fator limitante, uma vez que as fotos em pequena
escala restringem a quantidade de informação detalhada passível de se obter. A escala
1:20.000 demonstrou ser satisfatória para interpretações de engenharia e geológicas dos
materiais de superfície. Geralmente, as fotografias de grande escala podem ser utilizadas
em trabalho de alto nível de detalhamento, como estimativas para desmatamento de
áreas de reservatório e mapeamento de reconhecimento geológico de locais de localiza-
ção de barragens.

As fotografias aéreas podem ser utilizadas para a identificação de tipos de terreno


e geomorfologia. Essas características morfológicas são descritas no item 3.2.4. Em
geral, a análise do par estereoscópico de uma área, com ênfase na topografia regional, as
características locais do terreno e as condições de drenagem são suficientes para identi-
ficar os tipos comuns de terreno. Isso permite prever a possível variação de materiais de
solo e rocha, assim como definir suas características, dentro de amplos limites.

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As características geológicas podem ser muito significativas em termos da localiza-


ção ou do desempenho das estruturas de engenharia civil, algumas vezes identificáveis a
partir de fotografias aéreas. Em muitos casos, tais características podem ser mais facil-
mente identificadas nas fotografias aéreas do que no solo. É preciso reconhecer, entre-
tanto, que a interpretação de fotografias aéreas é aplicável apenas àquelas características
que desenvolvem expressões superficiais reconhecíveis, como configurações de drena-
gem, antigos leitos de rios e o alinhamento de cristas e vales. Os sistemas de fraturas, os
escorregamento, as zonas de falha, os alinhamentos orientados, as dobras e outras carac-
terísticas estruturais algumas vezes são rapidamente identificáveis nas fotografias aére-
as, embora seja difícil reconhecê-las em campo. A importância destes itens no local de
construção de uma barragem e obras correlatas é evidente. A orientação geral, a
estratificação e a seqüência de camadas da rocha exposta, assim como a presença de
diques e intrusões, Freqüentemente podem ser interpretados a partir de fotografias aé-
reas. Tais informações são muito valiosas na avaliação da possibilidade de ocorrer
deslizamentos em cortes e perdas por infiltração em reservatórios.

As configurações de drenagem, em particular seu tipo e sua intensidade, provêem


um indicador da permeabilidade relativa dos tipos de solo. Uma configuração de drena-
gem densa e muito dividida indica uma área de solo impermeável, com alto escoamento
superficial e baixa infiltração. Em contraste, a falta de uma configuração de drenagem
superficial indica um solo com baixo escoamento superficial e alta infiltração, contanto
que não seja uma área de deserto. A configuração de drenagem superficial em áreas de
lençol freático alto tem significado limitado, como indicador do tipo de solo presente. Em
geral, os alinhamentos definitivos no padrão de drenagem indicam controle pela estrutura
geológica local.

As características de erosão são significativas, pois refletem, com frequência, a


textura dos materiais expostos. Barrancos curtos e íngremes, em formato de V, com
gradiente uniforme, estão associados a materiais granulares; barrancos longos, com gra-
dientes uniformes de taludes com seção transversal arredondada, estão associados a
solos plásticos de grão fino. Os siltes e os materiais arenosos-argilosos em geral apresen-
tam barrancos com seções transversais em formato de U e gradientes compostos. O
significado dos barrancos, como indicador da textura do solo, é modificado por influênci-
as climáticas extremas, como ocorre nas regiões áridas onde os valores em forma de “U”
parecem prevalecer, independentemente da textura do solo. Entretanto, sem considerar
as influências climáticas, as mudanças no gradiente ou na seção transversal dos barran-
cos, ou mudanças na inclinação de superfícies erodidas, podem indicar alterações no solo
exposto, na textura da rocha, ou na estrutura geológica.

As tonalidades das cores (valores relativos de cinza fotográfico) são significativas,


pois, em geral, refletem as condições de umidade do solo e muitas vezes revelam a
posição relativa do lençol freático. Em geral, os tons claros estão associados a solos bem
drenados, como cascalhos e areias, com lençol freático bem abaixo da superfície do solo.
Os tons escuros com frequência indicam argilas orgânicas mal drenadas e argilas siltosas
com nível do lençol freático máximo da superfície. O significado da cor do solo nas
fotografias aéreas precisa ser avaliado a partir de um padrão geral de cor, uma vez que
deve esperar-se alguma variação na qualidade do tom fotográfico, conforme a fotografia
aérea examinada. Também é necessário excluir, visualmente, os tons produzidos pela
vegetação.

A cobertura vegetal é significativa, porque suas configurações constantes das foto-


grafias aéreas muitas vezes refletem a natureza e as condições de umidade do solo. Além
disso, uma mudança no padrão da vegetação pode indicar uma alteração no tipo ou na
textura da rocha subjacente. O uso de padrões de vegetação como indicadores das con-
dições do solo será muito útil em climas extremos, como na região ártica, na tropical ou
em regiões áridas, onde a combinação do solo e do clima selecionam a vegetação existen-

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te. Em regiões áridas, o padrão de vegetação pode ser utilizado para distinguir solos de
baixa dos de alta alcalinidade, e os lençóis freáticos altos dos baixos. O uso efetivo da
vegetação como indicador nas fotografias aéreas requer uma certa correlação de campo.

3.2.3.4 Alternativas às Fotografias Aéreas

Uma valiosa alternativa e/ou complemento às fotografias aéreas no trabalho de


geologia é a imagem de radar do Projeto Radambrasil. O IBGE fornece positivos em preto
e branco, na escala 1:250.000, as quais possuem excelente representação das estruturas
geológicas.

As imagens de satélite do LANDSAT norte-americano e do SPOT francês também


são alternativas/complementos muito utilizados. Estas imagens são distribuídas no Brasil
pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Tanto os positivos quanto as transparênci-
as, coloridas ou em preto e branco, podem ser adquiridas em escalas que variam de
1:2.000.000 até 1:50.000. A seleção é efetuada a partir de faixas de espectro nos
comprimentos de onda visível, infravermelho próximo, infravermelho médio e infravermelho
térmico do espectro eletromagnético. Pode-se trabalhar com apenas uma faixa de espec-
tro na forma de imagens em preto e branco, ou selecionar um conjunto de três faixas, de
maneira a compor uma imagem colorida. Em geral, as imagens de satélite oferecem uma
visão geral regional que só é possível com as fotografias aéreas, mediante laboriosos
mosaicos de fotografias. No caso do LANDSAT, têm sido adquiridas, para todo o país,
desde 1973; no do SPOT, desde 1988. Continuam a ser adquiridas sistematicamente,
com uma passagem por cada ponto, a cada 16 dias, para o LANDSAT, e uma frequência
maior para o SPOT, devido à capacidade de apontar, dos seus instrumentos de produção
de imagens (embora seja necessário solicitação prévia da aquisição das imagens, a fim de
se aproveitar adequadamente esta capacidade).

Uma vez que as imagens de satélite são conjuntos de dados digitais, é possível
processá-las e realçá-las em computador, a fim de facilitar sua interpretação para fins
geológicos. No Brasil, o sistema SITIM 150 é o mais usado para este tipo de trabalho.
Existem de 60 a 100 sistemas, principalmente nos laboratórios universitários e nos ór-
gãos governamentais que trabalham na gestão e no desenvolvimento de recursos natu-
rais. Em geral, os sistemas consistem de um microcomputador, com um monitor de vídeo
colorido para as imagens. Os programas disponíveis permitem varreduras panorâmicas e
detalhamento na tela, aumento de contraste, cálculos de proporção de faixas e o realce
das bordas, entre outros recursos que auxiliam o usuário a interpretar a geologia. Essas
manipulações podem ser valiosas quando utilizadas em conjunto com a interpretação
visual de fotografias e transparências, a fim de esclarecer pontos de análise mais comple-
xa na versão da imagem em papel.

3.2.4 Investigação da Superfície

3.2.4.1 Aspectos Gerais

A relação entre a topografia do terreno e as características dos solos subsuperficiais


tem sido demonstrada repetidas vezes. Desta maneira, a capacidade de reconhecer as
características do terreno em mapas, ou em fotografias aéreas, e durante os reconheci-
mentos de campo, combinada com uma compreensão elementar dos processos geológi-
cos, pode ser de grande valia na localização de jazidas de materiais de construção e na
avaliação das condições das fundações.

Os principais mecanismos que desenvolvem os depósitos de solo são a ação da


água e do vento, para os solos transportados; e a ação químico-mecânica do intemperismo,
para os solos residuais. Uma camada de solo pode ser produto de diversos mecanismos.
No caso dos solos transportados, cada tipo de ação tende a produzir um grupo de relevo

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típico, modificado, até certo ponto, pela natureza da rocha-mãe. Os solos encontrados
em locais similares, dentro de topografias análogas, em geral possuem as mesmas propri-
edades físicas. O pessoal responsável pelas investigações das fundações e dos materiais
destinados a estruturas hidráulicas deve estar familiarizado com as topografias e com os
solos a elas associados. Esses conhecimentos são muito valiosos durante o estágio de
reconhecimento das investigações e podem ser úteis no controle da abrangência das
investigações dos estágios de estudo de viabilidade e de elaboração das especificações.

3.2.4.2 Solos Fluviais

Os solos cujas propriedades são afetadas, primordialmente, pela ação das águas às
quais foram expostos denominam-se solos fluviais. Sua característica comum é o formato
arredondado dos seus grãos. Em geral, ocorre uma intensa segregação, de maneira que o
depósito é bem estratificado ou lenticulado. Os estratos individuais podem ser de maior
ou menor espessura, mas a granulometria do material de cada estrato estará dentro de
uma faixa limitada. Os três principais tipos de solos fluviais, resultantes da velocidade da
água de deposição, são chamados aluvião lavado de torrente (depósitos torrenciais), alu-
vião de talvegue e de leito lacustre.

Os depósitos torrenciais ocorrem como aluviões em cones e aluviões em leque.


Variam em natureza e tamanho, de pequenos depósitos com declividade acentuada, cons-
tituídos por fragmentos rochosos grossos, até planícies de suave declive, formadas por
aluvião de grãos finos e abrangendo vários hectares.

Em geral, as areias e os cascalhos destes depósitos possuem formatos de


subarredondados a subangulares, refletindo o carreamento por distâncias relativamente
pequenas, e a estratificação dos depósitos é pouco desenvolvida. Os depósitos torrenci-
ais são boas fontes de areia e cascalho, de materiais permeáveis e semipermeáveis e de
agregados de concreto. Contudo, a presença de matações limitaria, possivelmente, sua
utilidade. Em geral, os solos são de areia ou cascalho de granulometria desfavorável,
classificando-os como SP ou GP. Este tipo de depósito é adensado apenas pelo seu
próprio peso e, portanto, será preciso prever recalque nos solos de grãos finos, quando
utilizados nas fundações de estruturas hidráulicas.

Os aluviões de talvegue ou de planícies de inundação são geralmente mais finos,


mais estratificados e melhor segregados do que os depósitos torrenciais. A diferença
entre estes aluviões e os torrenciais dependerá consideravelmente do volume e da
declividade do curso d’água que os originou.

Em geral, os depósitos das planícies de inundação, constituídos de areia e cascalho,


são fontes de agregado de concreto e materiais permeáveis. Os solos dos diversos estra-
tos dos depósitos fluviais podem variar de permeáveis a impermeáveis; conseqüentemen-
te, a permeabilidade do material resultante pode, algumas vezes, ser significativamente
influenciada pela profundidade do corte. A presença de um lençol freático alto pode
dificultar o uso destes depósitos, particularmente como fonte de material impermeável.

A competência dos depósitos fluviais como fundações de estruturas hidráulicas


varia consideravelmente. Entre as dificuldades potenciais incluem-se os lençóis freáticos
altos, as variações nas propriedades dos solos, a infiltração ou percolação, o recalque e
as resistências ao cisalhamento, possivelmente baixas. Salvo em estruturas menores, os
depósitos dos aluviões de talvegue são de valor duvidoso como fundações, pelo que a
profundidade e as características destes depósitos devem ser cuidadosamente investigadas.

Os terraços constituem um tipo importante de depósito fluvial, e são encontrados


ao longo dos cursos d’água. Em geral, as areias e os cascalhos dos depósitos de terraços
apresentam-se em camadas e com granulometria favorável. São excelentes fontes de
material de construções.

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Os sedimentos lacustres resultam da sedimentação em águas paradas. Exceto pró-


ximo às cabeceiras dos depósitos sujeitos a importante influência aluvial, os materiais
serão, provavelmente, siltes e argilas de granulometria fina. Freqüentemente, a estratificação
é tão fina que os materiais parecem ter estrutura maciça. Os depósitos lacustres podem
ser reconhecidos pela sua superfície plana e por estarem rodeados de terreno mais alto.
Com frequência, os materiais contidos nos depósitos lacustres são impermeáveis, compres-
síveis e com baixa resistência ao cisalhamento. São usados, principalmente, como reves-
timento impermeável para reservatórios e canais, assim como para barragens de pouca
altura. O controle da umidade nestes solos é problemático, pois é difícil alterar-se o teor
de umidade.

Em geral, os sedimentos lacustres fornecem fundações inadequadas para as es-


truturas. Pode-se prever características tão duvidosas que exijam ensaios especiais de
campo e laboratório, mesmo durante o estágio de pré-viabilidade. Recomenda-se recor-
rer a um especialista sempre que for necessário localizar as estruturas sobre este tipo de
fundações.

3.2.4.3 Solos Eólicos

Os solos depositados pelo vento são denominados solos eólicos. A principal cate-
goria destes depósitos, de fácil identificação, são as dunas de areia. As dunas são montes
de areia baixos, alongados ou em formato de meia-lua, com encosta suave e lisa de
barlavento e mais abrupta na encosta de sotavento. Em geral, estes depósitos têm escas-
sa cobertura vegetal. O material é muito rico em quartzo e caracteriza-se pela faixa limita-
da dos diâmetros dos grãos, geralmente entre as areias finas e médias. Este material não
tem coesão, tem permeabilidade moderadamente alta e compressibilidade moderada. Em
geral, é classificado no grupo SP (areia de granulometria desfavorável), do Sistema Unifi-
cado de Classificação de Solo (“Unified Soil Classification System”).

Normalmente, os depósitos eólicos são considerados de qualidade duvidosa, em


particular como fundação das estruturas. Esses depósitos devem ser evitados, quando
possível. Entretanto, algumas vezes não há qualquer alternativa e os depósitos eólicos
precisam ser utilizados. Nesses casos, a avaliação das condições da subsuperfície, a
partir dos indicadores superficiais, é complexa e incerta, razão por que as investigações
das fundações são iniciadas durante o estágio de pré-viabilidade, para as estruturas im-
portantes ou dispendiosas e a magnitude das investigações é incrementada proporcional-
mente nos estágios de viabilidade e de projeto básico. As informações relativas à densida-
de in situ dos solos eólicos é de importância vital na avaliação da utilidade destes solos
como fundação das estruturas.

Loesse é um tipo especial de depósito eólico, que consiste, principalmente, de


partículas de silte e/ou areia fina, com pequena quantidade de argila, a qual liga os grãos
de solo entre si. Estes depósitos possuem notável capacidade de constituírem paredes
verticais. Embora de baixa densidade, os solos de loesse, naturalmente secos, possuem
resistência relativamente alta, devido à ligação da argila. Entretanto, esta resistência
pode ser perdida quando umedecidos, podendo ocorrer colapso do solo (ver subitem
3.7). Quando remoldados, os solos de loesse são impermeáveis, moderadamente
compressíveis e de baixa resistência coesiva. Em geral, são classificados como ML, ou
no limiar dos grupos de solos ML-CL ou ML-SP.

3.2.4.4 Solos Residuais

À medida que o intemperismo age sobre a rocha, seus fragmentos são gradualmen-
te reduzidos em tamanho, até que todo o material tenha aparência de solo. Os solos
residuais resultam da alteração, pelo intemperismo, do material subjacente, sem ser trans-
portado do local. Algumas vezes torna-se difícil definir claramente a linha divisória entre

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a rocha e o solo residual, mas, para fins de engenharia, o material pode ser considerado
solo quando pode ser removido pelos métodos usuais de escavação. É possível obter
algumas informações acerca das características de engenharia dos solos residuais a par-
tir do conhecimento da rocha-mãe que os originou.

É difícil identificar e avaliar os solos residuais com base na geomorfologia. Sua


ocorrência é generalizada, quando não se reconhece nenhum dos outros tipos de depósi-
tos, com seus formatos característicos e onde o material não é, claramente, rocha in situ.
Além disso, as características de erosão podem ser úteis na avaliação dos depósitos
residuais. Uma vez que o tipo de rocha-mãe influencia consideravelmente a natureza dos
solos residuais, o tipo de rocha sempre deverá ser determinado na coleta de dados para a
avaliação do depósito residual. O grau de alteração rege a resistência do material. É
necessário realizar ensaios de laboratório sempre que houver dúvida quanto à qualidade
do material, ou quando se planeja a construção de grandes estruturas. A identificação dos
minerais de argila nos solos residuais também costuma ser necessária, quando se deseja
uma boa compreensão das suas propriedades de engenharia.

Uma característica notável de muitos solos residuais é que as partículas in situ são
angulares, embora moles. O manuseio destes materiais, durante a construção, poderá
reduzir apreciavelmente sua granulometria, de maneira que o solo utilizado tenha caracte-
rísticas inteiramente diferentes daquelas indicadas pelos ensaios laboratoriais-padrão, re-
alizados no solo original. Com frequência, são necessários programas de ensaios especi-
ais de laboratório, a fim de se determinarem as prováveis mudanças nas características
resultantes do manuseio. Algumas vezes, recomenda-se realizar ensaios de campo em
seções experimentais, antes de tomar decisões relativas à utilização desses solos.

Alguns solos residuais são perfeitamente apropriados como fundações, ou como


material de construção, sendo, em alguns casos, até superiores aos outros solos locais.
Outros solos residuais, devido ao tipo de rocha-mãe, não possuem propriedades de enge-
nharia adequadas e devem ser evitados sempre que possível.

3.2.5 Exploração da Subsuperfície

3.2.5.1 Aspectos Gerais

Além dos aspectos geológicos, a exploração da subsuperfície é realizada com três


objetivos: primeiramente, para determinar quais massas distintas de solo e rocha existem
numa área de fundação ou de empréstimo, dentro da área de interesse; em segundo
lugar, as dimensões destas massas; e em terceiro, suas propriedades de engenharia.

Na avaliação do ponto de vista de engenharia de uma área de fundação ou emprés-


timo, é necessário dividir a estrutura do solo, por meio de perfis ou planos, numa série de
massas ou zonas, dentro da qual as propriedades geotécnicas são uniformes. Os materi-
ais que possuem propriedades de solo variáveis podem ser avaliados sempre que a natu-
reza de tais variações possa ser detalhadamente definida. Em geral, é necessário que a
determinação das linhas divisórias entre o que possa ser considerado massa de solo
uniforme seja efetuada com base no exame visual, o que exige muita perícia. O Sistema
Unificado de Classificação do Solo fornece uma orientação satisfatória na consideração
de solos em estado amolgado. Para a avaliação de solos em estado indeformado, os
fatores qualificadores adicionais requeridos são a estratificação e o teor de umidade e a
densidade in situ. A cor e a textura também são úteis para delinear as massas de solo com
características uniformes.

Algumas vezes, as fundações de solo são descritas tão detalhadamente que o


quadro resultante fica mais confuso do que claro; entretanto, é melhor errar por excesso
de detalhes na descrição das fundações, uma vez que as descrições não pertinentes

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podem ser eliminadas; as informações necessárias e não incluídas não podem ser acres-
centadas. Ocasionalmente, a única uniformidade a ser encontrada num horizonte de solo
é sua heterogeneidade. Entretanto, em muitos casos, após cuidadosa análise, é possível
perceber um padrão na massa de solo, o qual auxiliará o projetista a reduzir os custos da
estrutura em questão.

As dimensões destas massas de solo são determinadas por métodos análogos aos
usados nos levantamentos de superfície, ou seja, efetuando seções transversais ou de-
senvolvendo a topografia das superfícies superior e inferior da massa de solo. O método
preferencial escolhido dependerá, até certo ponto, do tipo de estrutura considerada. As
seções transversais são adequadas à investigação das condições das fundações para
muitos tipos de edifícios, canais, tubulações e estradas. Infelizmente, o problema de
localização dos pontos de mensuração ou as irregularidades nas superfícies subterrâne-
as são virtualmente insolúveis, pois essas superfícies não podem ser vistas e o custo de
cobrir a área com uma malha de furos de sondagem é considerável. Em geral, a solução
utilizada nas investigações começa com uma estimativa da localização das irregularida-
des, com base na interpretação geológica da subsuperfície. A seguir executa-se uma
investigação desses locais, com furos de sondagem em aproximações sucessivas. Os
sistemas de malhas de furação só são utilizados em grandes áreas de empréstimo, ou nas
fundações de grandes barragens de terra, nas quais as irregularidades da subsuperfície
não possam ser estabelecidas de outra forma.

3.2.5.2 Estruturas Pontuais

Para estruturas como pequenos edifícios, estações de bombeamento, torres de


transmissão e pilares de pontes, em geral é suficiente um único furo de sondagem para
atender aos requisitos de investigação das fundações. Estruturas um pouco maiores exi-
gem mais furos. Quando a localização exata de uma estrutura depende das condições das
fundações, o número de furos de sondagem requerido aumentará. Se num destes casos
forem utilizados dois ou três furos, em investigação preliminar, para estabelecer as condi-
ções gerais das fundações, o número de furos poderá ser diminuído nos estágios subse-
qüentes. A Figura 3.1 mostra as profundidades sugeridas para os furos de sondagem
preliminares, para diversas estruturas pontuais. A Figura 3.2 apresenta um exemplo do
perfil de solo no local de uma estação de bombeamento.

3.2.5.3 Estruturas Lineares

Para as estruturas lineares, como canais, tubulações, drenos e estradas, os requisi-


tos de sondagem para a definição da espessura, assim como para a determinação dos
diversos materiais das fundações, variam consideravelmente, tanto nas dimensões e im-
portância da estrutura, quanto na natureza do terreno no qual a estrutura linear estará
localizada. O espaçamento dos furos deverá variar, dependendo da necessidade de iden-
tificar as mudanças nas condições do subsolo. Quando essas estruturas estiverem locali-
zadas em terreno relativamente plano, com solos evidentemente uniformes, como planíci-
es, planaltos e praias, apenas alguns furos serão suficientes para atender aos requisitos
de investigação. Em geral, furos a intervalos máximos de, aproximadamente, 1,5km, para
as investigações de viabilidade, e de cerca de 500m, para as investigações de projeto
básico, são considerados suficientes para canais e drenos. Será preciso uma cobertura
mais estreita quando houver probabilidade de o subsolo apresentar distribuição mais errática.

Para as investigações a nível de projeto básico de estruturas principais, os requisi-


tos variam consideravelmente; escorregamentos, encostas em talus e leques de aluvião
requerem cuidadoso estudo. Todas estas feições geológicas devem ser estudadas por
meio de pelo menos dois furos, caso afetem a estrutura linear por mais de 60m.
Freqüentemente serão necessários furos a intervalos de 30m. Cortes altos ou áreas de
aterro também devem ser exploradas com um mínimo de dois furos de sondagem, em

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Figura 3.1 Profundidade dos Furos de Sondagem Preliminares para Estruturas


Pontuais

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Figura 3.2 Exemplo de Perfil de Solo no Local de uma Estação de Bombeamento

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Figura 3.3 Profundidade dos Furos de Sondagem Preliminares para Estruturas


Lineares (Canais, Estradas, Tubulações)

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pontos localizados a 1/4 e 3/4 do comprimento total. Em geral, também será preciso um
furo de sondagem no ponto mais alto do aterro ou no fundo do vale. Poderão ser neces-
sários outros furos afastados do alinhamento para todas estas feições, dependendo da
topografia, da geologia e das condições do subsolo. Quando se tratar de itens muito
dispendiosos, as sondagens antes mencionadas poderão ser requeridas para as estimati-
vas ao nível de viabilidade. A Figura 3.3 mostra as profundidades mínimas sugeridas dos
furos de sondagem para as grandes estruturas lineares. Algumas vezes, poderão ser
necessárias profundidades maiores para determinar a natureza de solos questionáveis. A
Figura 3.4 fornece um exemplo de perfil geológico, ao longo do eixo central de uma
tubulação.

3.2.5.4 Áreas de Empréstimo

Existem dois tipos de investigação de áreas de empréstimo. O primeiro inclui as


investigações para localizar um tipo específico de material, como agregados de concreto,
de base ou de revestimento de estradas, de leito filtrante para drenos, tapetes ou reves-
timento de canais, para “riprap”, ou para solos estabilizados ou modificados. O segundo
visa a determinação dos tipos de material disponível numa área.

O primeiro tipo de investigação exige a localização de quantidades comparativa-


mente pequenas de um material com características específicas. Inicialmente, portanto,
são feitas furações individuais em locais muito prováveis, de maneira a determinar se
existe aquele material com as características exigidas. Se a fonte potencial for encontra-
da, serão feitas furações suplementares, suficientes para delimitar a quantidade de mate-
rial requerida. Não será necessário definir os limites de toda a jazida.

O segundo tipo de investigação é realizado para localizar quantidades relativamente


grandes de material e, neste caso, a acessibilidade, a uniformidade e a trabalhabilidade
são tão importantes quanto as propriedades de engenharia do solo. De início, será neces-
sário localizar, com base nas indicações da superfície, uma jazida potencial que atenda
estes requisitos. A seguir, fazem-se alguns furos para estabelecer que existe profundida-
de suficiente do material, sendo depois a área coberta com uma malha de furos que
permita determinar o volume disponível. A disposição da malha deverá permitir a obten-
ção de uma quantidade máxima de informações, com um mínimo de furos de sondagem.
Em geral, nos depósitos longos e estreitos, os furos precisam ser espaçados de forma
que, estatisticamente, cada furo represente um volume similar de material. Um depósito
quadrado deverá ter furos a intervalos aproximadamente iguais, em ambas as direções.
Nas explorações de nível de viabilidade que visem à localização de jazidas de materiais
para uma barragem, estes furos devem estar situados, inicialmente, a intervalos de 150 a
300m. Nas investigações a nível de projeto básico, o espaçamento dos furos de sonda-
gem deverá ser reduzido para 60 a 120m. Com frequência, serão necessários furos adici-
onais durante a construção. Antes de iniciar as escavações, por vezes o espaçamento é
diminuído para 15 ou 30m, perto dos limites da jazida, ou em jazidas de material variável.
A Figura 3.5 apresenta um exemplo de uma planta e uma seção mostrando as investiga-
ções numa área de empréstimo. Nas obras de canais, o material de empréstimo é normal-
mente retirado de áreas adjacentes ao canal, e não são precisos furos de sondagem, caso
os furos do alinhamento estejam próximos o suficiente para assegurar a disponibilidade
de materiais de qualidade satisfatória.

3.2.5.5 Escolha de Amostras

Poderá ser necessário realizar ensaios para determinar as propriedades de uma


jazida de solo em: (1) amostras de solo, sem levar em consideração suas condições na
jazida; (2) amostras de solo, nas quais as condições naturais foram preservadas na medi-
da do possível; e (3) solos, conforme encontrados nas fundações. São efetuados ensaios
dos solos para determinar tanto as propriedades de engenharia representativas quanto a

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Figura 3.4 Exemplo de Perfil Geológico ao Longo do Eixo Central de uma


Tubulação

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Figura 3.5 Exemplo das Investigações numa Área de Empréstimo


Planta e Seção para uma Barragem Típica

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extensão das variações dessas propriedades. Para estabelecer estas relações, é possível
fazer um grande número de ensaios e determinar os valores médios e a extensão, median-
te análise estatística. Uma vez que isto pode ser muito dispendioso, o processo geralmen-
te utilizado é definir, a partir do exame visual, quais amostras têm maior probabilidade de
representar as propriedades piores, médias e melhores, para aquela característica consi-
derada crítica. No estágio de elaboração das especificações, os ensaios relativos aos
índices dos solos poderão ser utilizados, a fim de serem selecionadas as amostras para
ensaios detalhados, ao invés de depender do exame visual.

Durante a construção, são colhidas amostras representativas dos solos utilizados,


numa parte das quais serão realizados ensaios de laboratório, sendo o restante armazena-
do, caso haja necessidade de novos ensaios. Uma vez que as amostras podem ser
danificadas durante o transporte, a armazenagem ou os ensaios, e que o número exato
de ensaios não pode ser predeterminado, será preciso coletar um número bem maior de
amostras do que o considerado necessário para a realização dos ensaios.

As amostras deformadas são coletadas nos casos em que as propriedades relacio-


nadas às propriedades in situ do solo não são muito importantes. O elemento relevante
neste tipo de amostragem é que a amostra seja uniforme dentro dos intervalos de profundi-
dade de amostragem e que sejam coletadas amostras separadas para cada mudança de
material. Se os furos de sondagem são pequenos, todo o material do furo é recolhido. Nos
furos grandes que permitem acesso, o material é removido de uma ranhura com seção
transversal uniforme, cortada numa das paredes, a fim de fornecer as amostras. Em
alguns casos, uma parte específica de cada quantidade de material retirado é separada,
como amostra representativa. É norma fazer a amostragem completa de todos os furos
de sondagem inicialmente perfurados. Se estas amostras demonstrarem que o horizon-
te de solo é claramente uniforme, poderá ser desnecessário fazer furos intermediários,
para delimitar detalhadamente o depósito.

As amostras indeformadas são coletadas onde o solo, no estado in situ, parece


apresentar determinadas características que precisam ser definidas. Podem ser coletadas
apenas para exame visual da estrutura do solo, aferição da massa específica aparente,
ensaios de carga-adensamento, ensaios de cisalhamento, ou outros ensaios especiais que
visem à determinação das mudanças nas propriedades de engenharia conforme a condi-
ção natural sofrer alterações. Existe um amplo leque de procedimentos para a obtenção
de amostras indeformadas, desenvolvidos com o intuito de fazer a amostragem de tipos
de solo, retirar amostras de estruturas pedológicas singulares, minimizar o amolgamento
provocado, ou diminuir os custos de amostragem. A norma exige a obtenção de amostras
dos furos de sondagem, por meio de um amostrador de pistão ou de tubo duplo e dos
poços de inspeção ou das escavações abertas, pelo talhamento e retirada de um grande
bloco de material. Quando estes procedimentos se mostrarem insatisfatórios, o engenhei-
ro deverá prover instruções e assistência especiais.

3.2.5.6 Ensaios de Campo

Os ensaios nas fundações, realizados no campo, incluem ensaios de massa espe-


cífica aparente e umidade natural, permeabilidade in situ, pressiômetro e dilatômetro de
chapa lisa, penetrômetro eletrônico de cone, cisalhamento em furo de sondagem, resis-
tência à penetração, ensaio de palheta (“Vane Shear Test”), cravação de estacas e carga
de estacas. Também é norma realizar ensaios de permeabilidade nas fundações de estru-
turas hidráulicas (barragens e canais). Os ensaios de penetração algumas vezes são rea-
lizados em fundações de solo e utilizados como ensaio relativo aos índices, em especial
onde a capacidade de carga do solo é questionável. Em geral, os ensaios de palheta e os
de cravação de estacas são solicitados pelo engenheiro projetista. Uma vez que o local
onde o ensaio é realizado está estreitamente relacionado aos requisitos do projeto, estes
dois últimos ensaios são exigidos, principalmente, nas investigações de projeto básico e
de projeto executivo.

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3.2.6 Investigação de Materiais com Propriedades Específicas

3.2.6.1 Aspectos Gerais

Freqüentemente, a área vizinha a uma estrutura de terra não contém a variedade de


materiais naturais necessários à construção econômica da obra. Nesses casos, pode ser
interessante, para diminuir os custos, obter as quantidades limites de materiais que pos-
suam características particularmente desejáveis, de áreas situadas a distâncias conside-
ráveis do local da obra. Esses materiais incluem os solos impermeáveis, para a construção
de aterros; areia e cascalho para agregados de concreto; filtros, drenos internos, revesti-
mento de estradas e, ocasionalmente, proteção contra erosão, assim como fragmentos
de rocha para “riprap” e enrocamento agregado de concreto.

É evidente que, se os materiais requeridos podem ser encontrados em grandes


quantidades na vizinhança imediata da obra, será desnecessário investigar jazidas mais
distantes. Entretanto, se houver falta de materiais permeáveis ou rocha na área imediata,
não é incomum obter quantidades limitadas do material deficitário a 15 ou 30km do local
da obra. Por outro lado, o solo-cimento deve ser considerado como método alternativo de
proteção de taludes, quando a fonte da rocha apropriada estiver a mais de 15km de
distância. Mesmo assim, a(s) fonte(s) mais próxima(s) deve(m) ser investigada(s), de
forma a se obterem cotações alternativas, se considerada(s) apropriada(s) pelo engenhei-
ro projetista.

O quadro de usos em engenharia (Tabela 3.1) fornece informações acerca da utili-


dade dos materiais, exceto rochas, nas diversas aplicações, do ponto de vista da qualida-
de. Em geral, não é economicamente factível obter qualquer material, inclusive rocha,
com características ideais, sendo preciso bom senso, por parte do investigador, na sele-
ção das fontes de materiais. O grau de aproximação às características desejadas num
material dependerá do seu uso. No emprego de materiais, a qualidade pode ser substitu-
ída, até certo ponto, pelo volume e um processamento especial do material de fontes
mais próximas poderá ser mais econômico que o uso de fontes mais distantes. No caso
das fontes mais afastadas, a acessibilidade e o tipo de transporte a ser utilizado pesam
consideravelmente no interesse por um material.

3.2.6.2 Materiais Impermeáveis

Na construção de canais e reservatórios, em alguns casos, há necessidade de ma-


terial impermeável de uma fonte especial. Esse material precisa ser impermeável, em
contraste com os solos das fundações, a fim de justificar seu uso, embora os materiais
argilosos muito plásticos quase nunca sejam necessários ou desejáveis. Estes solos im-
permeáveis são aplicados como tapetes ou revestimento das fundações permeáveis. Os
gradientes hidráulicos através do tapete ou do revestimento serão altos, de maneira que
é essencial que a granulometria do material não permita o carreamento dos finos do
tapete ou do revestimento para dentro do material mais permeável das fundações. O
material será exposto à água no canal ou reservatório e, portanto, deverá poder resistir às
forças erosivas do fluxo d’água e das ondas. Poderá ficar exposto a condições alternadas
de molhagem e secagem. Conseqüentemente, os materiais utilizados nos tapetes e nos
revestimentos expostos não poderão ser propensos à contração ou expansão. Existem
métodos para superar estas características geotécnicas indesejáveis, mas, em muitos
casos, ocorre tal aumento dos custos que membranas enterradas, ou uso de aditivos para
a estabilização do solo, de modo a formar uma cobertura protetora dura sobre a superfí-
cie, ou ainda o revestimento de concreto, de argamassa aplicada pneumaticamente, ou
de solo-cimento compactado, tornam-se alternativas economicamente competitivas. De-
vido à disponibilidade de procedimentos alternativos, a procura por materiais impermeá-
veis não deve estender-se a grandes distâncias, sem uma prévia consideração dos custos
comparativos.

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TABELA 3.1. Quadro de Usos em Engenharia

Propriedades Importantes de Engenharia


Praticabilidade
Simbolos dos
Nomes Típicos de Grupos de Solo Resistência de como Material
Grupos Permeabilidade Compressibilidade
cisalhamento, quando de Construção
quando quando Compactados
compactados e
Compactados e Saturados
saturados
Cascalhos, bem graduados, compostos de
cascalho com areia, sem ou com poucos GW Permeável Excelente Desprezível Excelente
mal graduados, finos
Cascalhos, mal graduados, compostos de
Muito
cascalho com areia, sem ou com poucos GP Boa Desprezível Boa
Permeável
grãos, finos
Cascalhos siltosos, mal graduados, Semipermeável
GM Boa Desprezível Boa
compostos de cascalho e silte a impermeável
Cascalhos argilosos mal graduados,
GC Impermeável Boa a Regular Muito Baixa Boa
compostos de cascalho, areia e argila
Areias e areias cascalhadas, sem ou com
SW Permeável Excelente Desprezível Excelente
pouco grãos finos bem graduados
Areias e areias cascalhadas, sem ou com
SP Permeável Boa Muito Baixa Regular
poucos grãos finos bem graduados
Areias siltosas e compostos de areia e silte Semipermeável
SM Boa Baixa Regular
bem graduadas a Impermeável
Areias argilosas e compostos de areia e
SC Impermeável Boa a Regular Baixa Boa
argila mal graduadas
Silte inorgânico e areias muito finas, pó de
Semipermeável
pedra, argilas finas siltosas e argilosas com ML Regular Média Regular
a Impermeável
pouca plasticidade
Argilas inorgânicas de baixa a média
plasticidade argilas, cascalhos, argilas CL Impermeável Regular Média Boa a regular
arenosas, argilas siltosas
Silte orgânico e argila siltosas organicas de Semipermeável
OL Ruim Média Regular
baixa plasticidade a Impermeável
Silte inorgânico, solos arenosos finos ou Semipermeável
MH Regular a Ruim Alta Ruim
siltosos a Impermeável
Argilas inorgânicas com alta plasticidade CH Impermeável Ruim Alta Ruim
Argilas orgânicas de plasticidade média a
OH Impermeável Ruim Alta Ruim
alta
Turfa e outros solos altamente orgânicos PT – – – –

Na construção de canais, os revestimentos de solo impermeável podem ser utiliza-


dos para reduzir a perda de água, o que é desejável para conservar o suprimento de água,
prevenir o encharcamento das terras contíguas ou reduzir as dimensões do sistema de
transporte. Neste sentido, um alto grau de impermeabilidade é muito desejável; entretan-
to, também têm sido utilizados revestimentos espessos de material com impermeabilidade
moderada. Mesmo assim, estes revestimentos são constituídos com a menor espessura
possível, tanto para economizar material, quanto para minimizar a necessária sobrees-
cavação. Quando as velocidades no canal podem ser altas ou o solo natural é erodível, a
procura de materiais para os canais deverá incluir uma fonte de material grosseiro, para
uso como tapete, exceto se o material impermeável já contiver um número considerável
de partículas grossas.

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3.2.6.3 Materiais Permeáveis

As areias e o cascalho são necessários para agregado de concreto, para filtros e


drenos associados à construção das estruturas de concreto, como berços sob o “riprap”,
para uso como material de transição, visando a impedir o entubamento (“piping”), e como
revestimento de estradas. Exceto quando há necessidade de uma mistura especial de
materiais, material permeável, no sentido utilizado neste texto, significa areia com algu-
mas partículas da dimensão de seixos. No revestimento de estradas, é desejável uma
pequena quantidade de finos, como ligação. A distância entre o local da obra e as áreas
onde são realizadas as investigações para a localização de depósitos de materiais perme-
áveis com propriedades especiais, poderá variar dependendo da necessidade de obten-
ção de tal material especial.

Os procedimentos de investigação para a localização de agregados para concreto


são descritos no item 3.5. É preciso frisar que tais investigações devem ser mais rigoro-
sas do que as direcionadas a outros propósitos. Por exemplo, as investigações de agrega-
dos para concreto também podem ser utilizadas com outras finalidades, mas as investiga-
ções que visam a outros propósitos, em geral, não são adequadas para localizar agrega-
dos de concreto.

Embora, na maioria das vezes, só seja exigida uma pequena quantidade de material
permeável para filtros e drenos, os requisitos de qualidade são rigorosos. O principal
propósito construtivo de uso deste material é a prevenção da subpressão hidráulica. Por-
tanto, o material deve ter drenagem livre; ao mesmo tempo, é preciso que cargas hidráu-
licas relativamente altas sejam dissipadas sem deslocamento do material filtrante ou do
solo das fundações. Com frequência, uma única camada de material será insuficiente,
sendo preciso projetar um tapete de duas camadas. É indesejável a existência de areia
fina, silte ou argila no material permeável e é necessário o processamento por lavagem ou
peneiramento, de modo a produzir um material aceitável, a partir da maioria dos depósitos
naturais. Embora os requisitos relativos à granulometria difiram, em geral os materiais
utilizados em filtros são obtidos, economicamente, de fontes aceitáveis para agregado de
concreto. Como nem a forma das partículas, nem a natureza dos minerais contidos no
material permeável são de importância crítica, é possível utilizar agregados de concreto
processados e que foram rejeitados devido a tais características, na construção de drenos
e de tapetes de drenagem, desde que obedecida a granulometria requerida.

No caso do berço de areia e cascalho sob o “riprap”, o requisito principal é granulação


grossa. Por isso, o material de berço utilizado para este propósito é freqüentemente obti-
do dos finos da rocha existentes nas pedreiras. Entretanto, se for descoberto um depósito
de cascalho grosso, a uma distância razoável do local da obra, o desenvolvimento dessa
jazida poderá ser economicamente factível. Serão necessárias grandes quantidades des-
tes materiais e um processamento especial, por peneiramento ou outros meios, poderá
ser dispendioso. O principal objetivo deste tipo de transição é impedir que as ondas que
penetram no “riprap” causem erosão no aterro subjacente. Uma quantidade limitada de
material fino é aceitável, embora parte dele possa se perder pela ação das ondas. É
necessário que o material seja durável. O material encontrado na maioria dos depósitos de
cascalho é adequado, embora alguns depósitos contenham grandes quantidades de mate-
rial impróprio. Esses depósitos incluem antigos leitos de cascalho deteriorados pelo
intemperismo e depósitos de sopé ou talus, nos quais a ação da água foi insuficiente para
remover a rocha mais mole.

Os materiais para revestimento ou base de estradas são procurados, principalmen-


te, pelas suas características de resistência e durabilidade. O material preferido para
revestimento consiste, na sua maior parte, de cascalho fino a médio, com suficiente argila
para dar liga e relativamente pouca quantidade de silte e areia fina. O material preferido
para base de estradas não deve conter silte ou argila.

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3.2.6.4 “Riprap” e Enrocamentos

Nas estruturas de terra, são necessários fragmentos de rocha que visam a proteção
de aterros ou escavações expostas à ação da água, como ondas, fluxos turbulentos ou
chuvas pesadas. O “riprap” é uma camada relativamente espessa de fragmentos volumo-
sos de rocha, de preferência angulares, utilizada como proteção contra a ação erosiva
severa das ondas e dos fluxos de água de grande velocidade. Os enrocamentos são
camadas relativamente finas de fragmentos de rocha, utilizadas como proteção contra a
ação erosiva moderada, como aquelas decorrentes das chuvas.

O material proveniente das fontes de rocha deverá satisfazer dois requisitos


principais:

„ Primeiramente, a fonte de rocha deverá produzir fragmentos de rocha de tamanhos


apropriados para o uso a que se destinam e, em segundo lugar, os fragmentos de
rocha devem ser duros e suficientemente resistentes para enfrentar os processos
necessários à sua obtenção e lançamento, assim como o processo normal de intem-
perismo e outras forças associadas com o local onde serão utilizados. A massa
específica é um atributo importante, embora, até certo ponto, seja possível substi-
tuir fragmentos mais densos por fragmentos maiores. Existem outros métodos que
podem ser utilizados em lugar do “riprap” e dos enrocamentos, como o solo-cimen-
to, na proteção dos taludes e que devem ser considerados na falta de fontes de
rocha perto do local da obra.

Não há parâmetro geral que defina qualquer tipo de rocha como a mais apropriada
para a proteção de taludes. Entretanto, toda rocha sedimentar que contenha argila deverá
ser considerada potencialmente fraca. Ensaios laboratoriais, como os de ciclagem, revela-
rão essa falta de resistência.

Em geral, a durabilidade pode ser avaliada, investigando-se locais em que essa


mesma rocha esteja sujeita a condições similares em outros reservatórios ou cursos d’água.

O tamanho dos fragmentos de rocha é muito importante; podem ser necessários


fragmentos de até meio metro cúbico em volume. O espaçamento das fraturas nos
afloramentos ajudará a determinar se poderão ser obtidos fragmentos das dimensões
apropriadas, mas é imprescindível prestar atenção a antigas fraturas que possam ter
ficado cimentadas, mas que poderão romper-se durante as escavações. Quando não exis-
tir, na vizinhança do local da obra, um afloramento de rocha com os atributos requeridos
e que possa ser explorado satisfatoriamente, os materiais para o “riprap” poderão ser
obtidos mediante a remoção de matações existentes nos cursos d’água, encostas de
talus ou depósitos superficiais. A qualidade de muitas pedreiras varia em função da pro-
fundidade, e o solo sobrejacente de algumas pode ser tão espesso que sua remoção se
torne economicamente inviável. Portanto, muitas vezes é necessário investigar as jazidas
de rocha através de furos de sondagem, dependendo das condições geológicas, antes de
aprová-las como pedreiras.

Quando é necessário obter o “riprap” a distâncias superiores a alguns quilômetros,


muitas vezes se localiza mais de uma jazida utilizável do material. Nestes casos, poderão
ser especificados os padrões de qualidade requeridos para o “riprap”, ao invés da fonte,
de maneira que a empreiteira possa utilizar a competitividade entre os diversos possíveis
fornecedores, para obter preços mais econômicos. Assim, as investigações deverão ser
orientadas ao estabelecimento da competitividade das diversas jazidas, nas quais deverá
ser feita amostragem, sendo as amostras submetidas a ensaios que determinem suas
características essenciais. As informações obtidas serão utilizadas, junto com os proje-
tos, para estabelecer requisitos mínimos aceitáveis das diversas propriedades, a fim de
determinar os padrões de qualidade. O estabelecimento desses requisitos mínimos levará

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em conta elementos como o custo inicial, a vida efetiva do revestimento, os custos de


reparo, as condições climáticas e a espessura do revestimento; portanto, os requisitos
mínimos não podem ser estabelecidos antes de se determinar a natureza das diversas
jazidas alternativas.

O “riprap” é utilizado na construção de canais, nos pontos sujeitos a forte erosão.


Em geral, esses locais encontram-se nos trechos curtos dos canais à jusante das estrutu-
ras de concreto, perto dos pilares das pontes e nas curvas acentuadas. O nível de prote-
ção requerido varia consideravelmente; a proteção necessária pode ser fornecida apenas
por uma fina camada de cascalho ou até a exigência de “riprap” equivalente àquele utili-
zado à jusante das obras de controle das barragens. Quando os revestimentos são cons-
tituídos por “riprap”, em geral têm espessura entre 30 e 60cm, com fragmentos de rocha
de dimensões proporcionais.

Os revestimentos de enrocamento são utilizados para proteger a superfície da ação


das chuvas. Praticamente todos os fragmentos de rocha que não se desagreguem quando
expostos à água ou ao ar podem ser utilizados nos enrocamentos. Folhetos e alguns
siltitos são quase os únicos tipos considerados inaceitáveis. O tamanho dos fragmentos
não é um parâmetro crítico, embora precisem ter tamanho mínimo equivalente a cascalho
e máximo dependente da espessura do revestimento especificado. Um possível substitu-
to é a manta de terra gramada, que não é dispendiosa. A obtenção de material para
revestimentos de enrocamento em locais mais afastados só se justifica quando não há
rocha na vizinhança imediata da obra ou quando o substituto anteriormente mencionado
não oferece proteção adequada.

3.2.7 Materiais para Solos Estabilizados

3.2.7.1 Aspectos Gerais

Um solo estabilizado é aquele cujas propriedades são mudadas parcial ou totalmen-


te quando se acrescenta um material dissimilar, antes da compactação do solo ou quando
se injeta um aditivo no solo in situ. Dependendo das propriedades e da quantidade de
material dissimilar adicionado, todas as propriedades características do solo podem ser
modificadas completa e permanentemente.

Os solos estabilizados são utilizados como substituto do “riprap” na proteção de


taludes de montante das barragens de terra, no revestimento dos reservatórios e na
proteção temporária das obras, durante o desvio do rio. São usadas pequenas quantida-
des de aditivos para modificar e melhorar as propriedades dos solos empregados nos
aterros, para aumentar a resistência à erosão, para reduzir a permeabilidade ou fornecer
estabilidade temporária durante as obras.

3.2.7.2 Solo-Cimento Compactado

O solo-cimento compactado é um solo estabilizado com cimento, que consiste de


uma mistura controlada de solo, cimento e água, compactada até tornar-se uma massa
densa e uniforme. É utilizado em revestimentos e mantas de proteção, assim como na
proteção de taludes, substituindo o “riprap”. O teor de umidade e a massa específica
durante o seu lançamento são controlados por meio de ensaios de compactação de labo-
ratório.

O solo mais apropriado para estes propósitos é areia siltosa (SM) que tenha uma
boa distribuição granulométrica, com 15 a 25% de finos e tamanho máximo entre a
peneira N 4 e cerca de 50mm. Também podem ser utilizados outros solos, entretanto,
poderá ser preciso usar mais cimento para atender os requisitos de resistência e durabili-
dade. O fator mais importante para garantir a uniformidade do solo-cimento compactado

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é a uniformidade do solo quanto a textura, granulometria e teor de umidade, quando


introduzido na central de dosagem.

Em geral, o solo é obtido de uma área de empréstimo devidamente investigada, de


maneira a garantir a quantidade e a uniformidade requeridas. Um depósito uniforme é
preferível. Os depósitos estratificados podem ser utilizados, sempre que seja prático e
econômico executar a escavação seletiva e o processamento, em comparação com ou-
tras fontes potenciais. Pode ser necessário efetuar escavação seletiva e mistura do mate-
rial durante a estocagem, de maneira que o solo possa apresentar, na medida do possível,
uniformidade de textura, granulometria e teor de umidade. Poderá ser também necessário
empregar equipamento de seleção para remover: (1) matéria orgânica indesejável e partí-
culas demasiado grandes; (2) folheto, caliche, “hard pan” e outras partículas não passí-
veis de desagregação durante o processamento normal; e (3) torrões de areia, silte e
argila, denominados “bolas de argila”, normalmente formados em materiais de emprés-
timo que contêm lentes de silte ou argila.

São necessários ensaios exaustivos do material, para determinar a quantidade e o


tipo de cimento, os limites de umidade e os requisitos de compactação que deverão ser
especificados para a obra. Portanto, amostras representativas de 150kg, da fração <75mm,
de material médio, mais fino e mais grosso, deverão ser submetidas a ensaios. A água a
ser utilizada na mistura deverá ser razoavelmente limpa e isenta de quantidades inadmis-
síveis de matéria orgânica, álcalis, sais e outras impurezas. Poderá ser utilizada água
límpida, que não tenha gosto salobro ou salino; entretanto, é necessário fazer amostras e
testar qualquer fonte questionável.

3.3 Métodos de Sondagem

3.3.1 Aspectos Gerais

Existem muitos métodos de fazer furos de sondagem exploratórios, que podem ser
classificados de diversas maneiras: (1) os que produzem amostras utilizáveis e aqueles
cujas amostras não são utilizáveis; e (2) os que provêem acesso ao pessoal para a inspe-
ção e os que não o provêem. Na investigação de fundações ou materiais, a finalidade
principal de uma sondagem é obter amostras do solo, seja para exame visual, seja para
ensaios. Portanto, aqueles procedimentos que não produzem amostras só devem ser
utilizados quando já foram obtidas amostras suficientes. Os métodos de amostragem
variam conforme a dureza do material a ser penetrado e, também, segundo o grau admissível
de amolgamento da amostra. Além disso, os furos de sondagem podem ser feitos manual
ou mecanicamente. Os furos exploratórios podem ser de diversos tamanhos, dependendo
da necessidade de acesso, da profundidade de penetração, do tamanho da amostra requerida
e do tipo de material que será perfurado.

A estabilidade dos furos pequenos, localizados totalmente acima do lençol freático,


depende do tipo de material. Em geral, os furos no solo abaixo do lençol freático exigem
sustentação por meio de revestimento de aço ou lama de perfuração com um estabilizador
de parede. Algumas vezes é necessário proteger estes furos exploratórios com revestimento
de aço, para evitar danos ao furo, decorrentes das operações de perfuração e contamina-
ção das amostras com materiais provenientes de locais mais altos. Na investigação das
fundações, muitos furos exploratórios precisam ser ensaiados com água. Utilizando-se
revestimento de aço, é possível ensaiar com água em determinados trechos das funda-
ções, o que simplifica a avaliação das fundações e a determinação do tratamento requerido.
Quando se especifica a realização de ensaios com água, não se deve usar lama de
perfuração.

Em fundações de solo fofo ou de baixa massa específica, a sustentação in situ das


paredes do furo poderá ser insuficiente para impedir que o solo invada o fundo do furo.

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Em muitos casos, será suficiente conservar o furo cheio de água para manter os materiais
no seu lugar. Em casos mais graves, utilizar-se-á um estabilizador de parede ou um fluido
pesado, ou ambos. Quando não é necessário ensaiar com água, em geral, utiliza-se lama
de perfuração que consiste de uma mistura de bentonita e água. Esse fluido, preparado
especialmente, tem o peso requerido graças ao acréscimo de material sólido fino. Tam-
bém são úteis os novos produtos químicos orgânicos, como os aditivos de fluidos de
perfuração, existentes no mercado. Enquanto a estabilidade das fundações fofas e o
colapso das fundações de baixa massa específica são as principais fontes de preocupa-
ção do engenheiro, a obtenção de amostras para os ensaios de laboratório é a tarefa mais
importante do investigador. As amostras devem ser obtidas dos furos por meio de
amostradores de tubo duplo ou amostradores de cravação. A fim de minimizar o
amolgamento das amostras, recomenda-se o uso de amostradores de pistão fixo e trados
com eixo oco, no caso de solos muito fofos ou de baixa massa específica.

Ao aprofundar os furos exploratórios através de materiais duros, nos quais não há


necessidade de sustentação adicional, algumas vezes são encontradas zonas de rocha
fragmentada ou falhas, das quais podem-se desprender fragmentos de rocha que tendem
a tapar o furo ou a emperrar o equipamento de perfuração. Nesses casos, poderá injetar-
se argamassa de cimento na área e, após sua pega, o furo poderá ser perfurado através
da argamassa. Uma vez que estas zonas de rocha fragmentada ou falhas representam
algumas das condições críticas que estão sendo investigadas do ponto de vista da enge-
nharia, será necessário realizar todos os ensaios possíveis, como ensaios de água, antes
de proceder à injeção de argamassa na parte instável do furo e apresentar um relatório
completo das condições constatadas. Antes de injetar argamassa num furo de sondagem,
a pessoa responsável pelas sondagens deverá ser informada da operação pretendida e
aprová-la.

Todos os furos exploratórios devem ser protegidos com coberturas ou cercas, de


modo a impedir a entrada de matéria estranha e a queda de pessoas ou animais. Todos os
furos devem ser preenchidos ou vedados após terem atendido os objetivos para as quais
foram executados.

3.3.2 Categorias de Amostras

Existem dois tipos de amostras: deformadas e indeformadas.

As amostras deformadas são coletadas quando as condições naturais do material


são de pouca importância relativa – ou seja, se os solos serão retrabalhados quando
utilizados na estrutura.

As amostras indeformadas são coletadas quando o material, no seu estado natural,


possui características especiais que se poderão perder numa amostra deformada e essas
características precisam ser aferidas.

3.3.3 Amostras Deformadas

3.3.3.1 Aspectos Gerais

O elemento importante neste tipo de amostragem é que a amostra seja representa-


tiva do material no intervalo de amostragem, e que as diversas amostras sejam coletadas
toda vez que o material se altere. Também é importante que as amostras sejam cuidado-
samente embaladas e rotuladas.

Cada estrato com espessura superior a 30cm deverá ser amostrado separadamen-
te. Todos os estratos encontrados até a profundidade final da sondagem deverão ser
amostrados. Quando forem omitidas amostras, o fato deverá constar do diário de sonda-
gens, junto com a justificativa.

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A quantidade de solo enviado ao laboratório dependerá dos tipos de ensaio a serem


realizados, conforme estabelecido nas especificações.

3.3.3.2 Poços de Inspeção e Trincheiras

Os poços e trincheiras abertos são acessíveis e permitem a obtenção de informa-


ções completas a respeito do solo penetrado. Quando a profundidade do solo sobrejacente
e as condições do nível freático permitirem, recomenda-se o uso destes métodos de
investigação das fundações, ao invés de depender, exclusivamente, de perfurações.

Os poços de inspeção podem ser escavados manualmente ou com o uso de


retroescavadeira, escavadeira e caçamba articulada (“clamshell”).

As trincheiras são utilizadas da mesma maneira que os poços, mas têm a vantagem
de mostrar a continuidade ou a natureza de um determinado estrato. Em geral, são esca-
vadas como trincheiras abertas, de cima a baixo de um talude, seja em trincheira única
declive abaixo, seja uma série de trincheiras curtas, espaçadas a intervalos apropriados,
ao longo do talude. Da mesma forma que os poços, as trincheiras permitem realizar
inspeção visual dos estratos do solo, o que facilita o levantamento do perfil e a seleção
das amostras. As trincheiras nos terrenos em declive têm a vantagem de se autodrenarem.
Em geral, são escavadas com trator de lâmina e/ou retroescavadeira.

3.3.3.3 Amostragem em Poços e Trincheiras

Durante a escavação, o material trazido à superfície deverá ser colocado, de manei-


ra organizada, em torno do poço ou ao lado da trincheira. Deverão ser colocados marcadores
indicando a profundidade de onde o material foi retirado, a fim de facilitar a descrição e a
amostragem.

Em geral, só a parte do solo <75mm é amostrada. Uma pessoa especificamente


capacitada determina e descreve o material sobredimensionado (>75mm), mediante exa-
me visual das faces expostas do poço ou da trincheira ou do material nas pilhas. Se for do
interesse amostrar o solo que contém material >75mm, deverão ser tiradas porções
representativas do material total escavado, como, por exemplo, cada quinto ou décimo
balde de material.

As condições de umidade de cada pilha deverão ser registradas antes de as amos-


tras secarem sob o efeito do sol e do ar.

No desenrolar das escavações ou ao seu término, far-se-á amostragem dentro do


poço. Raspa-se uma área da parede lateral do poço de inspeção ou da superfície exposta,
a fim de se remover qualquer solo afetado pelo intemperismo ou misturado. A superfície
raspada é examinada para determinar a seqüência, a espessura, a classificação e a descri-
ção de cada estrato do material. A amostra é retirada da seguinte maneira: abre-se um
sulco de seção transversal uniforme na superfície raspada e recolhe-se o solo sobre uma
lona estendida abaixo do sulco. A dimensão mínima do sulco de amostragem deverá ser
equivalente a, pelo menos, quatro vezes o diâmetro da maior partícula de cascalho no
solo. Na amostragem de um determinado estrato do solo, é preciso evitar a mistura com
material de outros estratos.

A amostragem pode ser realizada utilizando-se a caçamba da retroescavadeira. Em


geral, isto é efetuado obtendo-se amostra do estrato mais próximo da superfície e progre-
dindo para baixo. É preciso evitar qualquer mistura ou contaminação das amostras.

Quando se deseja uma amostra misturada, a seção transversal do sulco de


amostragem deverá ser mantida constante através de todos os estratos.

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Se a amostra coletada for maior do que o necessário para os ensaios, ela poderá ser
diminuída rolando-se e misturando-se a amostra até se obter uma mistura uniforme, que,
em seguida, deverá ser dividida em quatro partes sobre a lona. A amostra é misturada por
duas ou mais pessoas que seguram os extremos opostos da lona, suspendendo primeiro
um lado, depois o outro, e rolando, desta forma, o material. Este procedimento deverá ser
repetido inúmeras vezes, até se obter uma mistura completa e uniforme e uma granulometria
quase uniforme em todo o material. Para dividir a amostra em quatro partes, o material é
colocado numa pilha uniforme, que é achatada até ficar de espessura uniforme, a qual é
dividida por duas linhas perpendiculares entre si e que se intersectam no centro da pilha.
São removidos dois quartos diagonalmente opostos, e o restante do material é misturado,
dividido em quatro e reduzido até que se obtenha o peso de amostra desejado.

3.3.3.4 Amostragem a Trado

Um dos instrumentos mais utilizados nas investigações do subsolo é o trado. Os


trados podem ser utilizados de duas maneiras:

„ Para estender um furo até uma determinada profundidade;


„ Para obter amostras deformadas de solo.

Com os trados de avanço helicoidal contínuo, as amostras de solo podem ser recu-
peradas por três métodos:

„ As amostras podem ser coletadas das aparas depositadas na parte superior do furo.
Pás cheias do material depositado na parte superior do furo são embaladas e rotu-
ladas. Este é o método menos aconselhável de obter amostras com trado, pois a
amostra resultante é muito deformada e de profundidade ignorada;
„ O trado pode ser retirado do furo e uma amostra coletada da ponta cortante. Esta
amostra pode ser obtida pegando-se material da ponta e colocando-o num saco, ou
pondo-se uma pequena amostra num recipiente. Tanto o saco quanto o recipiente
deverão ser corretamente rotulados. Quando se usa este método, a profundidade
de onde foi retirada a amostra é conhecida e deverá ser indicada;
„ As amostras do material no fundo do furo podem ser coletadas por meio de um
amostrador de parede fina ou bipartido. Este método utiliza o trado apenas para
aprofundar o furo. A amostragem por cravação será discutida no próximo item.

Em aparência, os trados com eixo oco são muito similares aos trados de avanço
helicoidal contínuo, mas sua parte central é grande e oca. A haste central e o bujão
atravessam o eixo oco do trado. Quando o furo é estendido até a profundidade desejada,
a haste e o bujão são removidos, e um amostrador é abaixado através do eixo oco, a fim
de retirar uma amostra de solo do fundo do furo. Este sistema de trado e amostragem
possui nítida vantagem nas camadas de capeamento de solo, uma vez que permite que a
amostragem seja feita a seco, sem o uso de meio circulante, como ocorre com as sondas
rotativas.

O trado de balde possui um barrilete relativamente curto, aberto na extremidade


superior. Está equipado com uma variedade de dentes, para perfuração nos diversos tipos
de solo. À medida que o trado gira para dentro do solo, enche-se de aparas. Quando fica
cheio, o trado é removido do furo e a amostra colocada numa lona. Os trados de balde são
úteis na amostragem de jazidas de areia e cascalho. Em geral, as amostras retiradas com
este trado são ensacadas e rotuladas da mesma forma que as amostras ensacadas dos
poços de inspeção.

O trado de disco possui apenas uma hélice, de borda cortante. Quando o trado é
girado para dentro do solo, a amostra é coletada na hélice. O trado é retirado, e a amos-
tra removida. Os trados de disco são utilizados apenas a pequenas profundidades e po-

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dem ser empregados na amostragem de jazidas de areia e cascalho. Quando se retira o


trado de disco, as amostras devem ser ensacadas; amostras menores, devem ser coloca-
das em recipientes herméticos e rotuladas. Com este método, é conhecida a profundida-
de de onde foram retiradas as amostras.

3.3.3.5 Amostragem por Cravação

A seguir, descreve-se o procedimento de amostragem por cravação, utilizando-se


amostrador de cravação e peso de cravação de qualquer tamanho.

Após perfurar até a profundidade desejada, remove-se a haste de perfuração e


limpa-se o furo. Monta-se um conjunto de ferramentas, o qual consiste de:

„ Sapata de cravação;
„ Amostrador de tubo sólido, ou bipartido;
„ Haste de perfuração;
„ Acoplamento de cravação;
„ Cabeça de cravação;
„ Haste guia;
„ Peso de cravação.

Esse conjunto de ferramentas é baixado dentro do furo. Quando necessário, deve-


se usar tubo de revestimento. A cabeça de cravação impulsiona o amostrador para dentro
do material indeformado, no fundo do furo. Ao alcançar a profundidade de amostragem,
giram-se as hastes de perfuração, a fim de cortar a amostra. O peso de cravação é
utilizado para bater os tubos e o amostrador para cima, e removê-los do solo no fundo do
furo. A amostra é removida do tubo e selada em recipiente hermético. Quando se utiliza
amostrador bipartido, as porções amolgadas superior e inferior da amostra deverão ser
descartadas antes. A seguir, o recipiente é devidamente rotulado e armazenado até seu
transporte.

Os amostradores de cravação são tubos ocos cravados no material não consolidado


para colher amostras. Seu tamanho varia de 50mm a 113mm de diâmetro externo e com
eles podem-se obter amostras de 45cm a 60cm de comprimento. Se forem indispensá-
veis amostras maiores, existem acoplamentos para unir dois amostradores. Os três prin-
cipais tipos de amostradores de cravação são o de tubo sólido, o bipartido e o bipartido
com camisa (tubo interno).

Os amostradores de tubo sólido são os amostradores de cravação mais simples.


São constituídos por um tubo sólido de aço com uma válvula esferoidal de retenção no
cabeçote, para alívio de pressão, e uma sapata de aço temperado, para cravação. Embora
este amostrador seja de utilização simples e muito resistente, tem a desvantagem de que
a amostra precisa ser empurrada para fora do tubo, o que provoca a quebra.

O tipo mais popular de amostrador é o de tubo bipartido. É similar ao de tubo sólido,


mas é partido longitudinalmente, de maneira que pode ser aberto, expondo toda a amostra.

Nos amostradores bipartidos com camisa, acrescenta-se um tubo interno, ou reves-


timento ao amostrador de cravação. O próprio amostrador lembra um amostrador bipartido,
mas também contém um tubo de papel, aço ou latão de parede fina, o qual foi projetado
para conservar a amostra. Após a amostragem, o tubo interno é selado com uma tampa
de plástico, alumínio ou latão e coberto de cera. O tubo bipartido com camisa não tem
sido muito utilizado após o desenvolvimento dos amostradores de parede fina.

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3.3.3.6 Preparo e Transporte de Amostras Deformadas

Grandes amostras de solos coesivos e cascalhos arenosos susceptíveis de ruptura


devem ser colocadas em sacos revestidos de plástico. As areias e os cascalhos devem
ser postos em sacos de pano de trama fechada. Recomenda-se sacos revestidos de plás-
tico para os solos de granulometria fina, caso se deseje determinar o teor de umidade.
Se as amostras forem enviadas por transportem público, devem ser usados sacos du-
plos, a fim de evitar sua ruptura.

Pequenas amostras deformadas para análise visual, ou para determinação do teor


de umidade, devem ser colocadas em recipientes à prova de umidade, como vidros de
conservas ou latas metálicas, com tampas herméticas. Estes recipientes deverão ser
totalmente preenchidos.

Todas as amostras deverão ser claramente rotuladas, incluindo as informações a


seguir:

„ Número da amostra de campo;


„ Número do poço ou furo de sondagem;
„ Localização: coordenadas, estação, afastamento, etc.;
„ Área: nome, letra ou número e outra identificação;
„ Profundidade representada pela amostra;
„ Objetivo: revestimento, filtro, reaterro, aterro, registro ou outros;
„ Saco (ou recipiente) No____ de No____ (se a amostra for colocada em mais de um
saco ou recipiente);
„ Projeto;
„ Estrutura.

Cada amostra deverá ter duas etiquetas de identificação, uma do lado de fora do
recipiente e a outra, no de dentro. Quando o solo estiver úmido, uma das etiquetas deverá
ser colocada num saco plástico dentro do recipiente. As latas podem ser rotuladas direta-
mente no seu exterior, ou por meio de etiquetas corretamente fixadas à superfície exter-
na. As informações deverão estar nas latas e não nas tampas, uma vez que estas últimas
podem ser trocadas.

As amostras em pequenos recipientes, a serem enviadas por meio de transportem


público, deverão ser acondicionadas, de preferência, em caixas resistentes de madeira.
As jarras de vidro deverão ser protegidas com material de embalagem adequado, a fim de
evitar que se quebrem. As amostras ensacadas podem ser transportadas sem acondicio-
namento especial.

3.3.4 Amostras Indeformadas

3.3.4.1 Amostras Indeformadas Cilíndricas e de Bloco

As amostras talhadas manualmente podem ser obtidas com menos deformação do


que as retiradas por outros métodos. Se a escavação for acessível, selecionar-se-ão os
estratos representativos antes da amostragem. Em geral, este método envolve a escava-
ção de um poço ou de uma trincheira e se limita a profundidades relativamente pequenas,
que não excedem cerca de 10m. A escavação dos poços e das trincheiras de exploração
encontra-se descrita na seção relativa às Amostras Deformadas. Poço ou sondagem de
grande diâmetro podem também dar acesso para obtenção de amostras cilíndricas talha-
das a mão.

A Figura 3.6 mostra as diversas etapas do procedimento utilizado para amostragem


manual de blocos. O processo de talhar e aparar as amostras de bloco no tamanho e no

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Figura 3.6 Etapas do Procedimento Utilizado para Obtenção de Amostras de


Blocos Talhados Manualmente.

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formato requeridos é laborioso, em especial quando se trabalha com materiais fofos facil-
mente deformáveis ou que contenham fragmentos de rocha.

Recomenda-se o uso de ferramentas cortantes adequadas, a fim de impedir a defor-


mação e a rachadura da amostra. Os solos fofos e plásticos requerem facas finas e
afiadas e, algumas vezes, é possível utilizar-se uma corda de piano fina e bem esticada.
Quando as condições climáticas podem provocar a secagem rápida da amostra, é preci-
so utilizar panos úmidos ou um outro meio de proteger a amostra, enquanto está sendo
cortada.

Após talhar e aparar a amostra no tamanho e formato requeridos, ela deverá ser
embrulhada numa camada de morim fino, o qual será pintado com cera derretida morna.
Após aplicar a cera, a superfície deverá ser esfregada com as mãos, a fim de selar os
poros. Ao todo, a amostra deverá receber, pelo menos, três destes invólucros. A Figura
3.7 mostra o procedimento de selagem das amostras talhadas manualmente.

Se o solo é facilmente deformável, será necessário colocar uma caixa de madeira,


solidamente construída, sem as extremidades, por cima da amostra, antes de que seja
talhada e retirada do material de origem.

O espaço entre a amostra e as paredes da caixa deverá ser preenchido com serra-
gem úmida ou outro material de embalagem similar. A seguir, a tampa da caixa será
colocada por cima do material de embalagem. Após a remoção da amostra, sua parte
inferior será coberta com o mesmo número de invólucros de morim encerado das outras
superfícies, e o fundo da caixa colocado por cima do material de embalagem.
A cera quente sempre deverá ser pintada, e não despejada, sobre a amostra, duran-
te o procedimento de selagem e empacotamento.

As amostras podem ser de diversos tamanhos, sendo os mais comuns cubos de


150mm ou 300mm. Entretanto, as amostras cilíndricas de 150 a 200mm de diâmetro e
150 a 300mm de comprimento são obtidas com frequência. Pode-se utilizar cilindros
metálicos para acondicionar as amostras durante seu transporte. De outra maneira, deve-
rá ser utilizado o mesmo processo de aparar e selar as amostras de bloco. A Figura 3.8
mostra o método de obtenção manual de amostras cilíndricas indeformadas.

Figura 3.7 Selagem das Amostras Talhadas Manualmente

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3.3.4.2 Amostras Indeformadas por Meios Mecânicos

As amostras indeformadas também podem ser obtidas por meio de um barrilete de


amostragem, projetado de maneira que as amostras possam ser preservadas num tubo ou
camisa e transportadas intactas.

Para todos os tipos de amostradores, é necessário fazer a furação até a profundida-


de requerida para extrair a amostra. A seguir, o furo é limpo, cuidando-se para que o
material a ser amostrado não seja amolgado pela operação de limpeza. Nas amostras de
solos tiradas acima do lençol freático e que podem ser afetados pela umidade, recomen-
da-se o uso de trado a seco, como método de furação inicial. Em solos de granulometria
fina e baixa permeabilidade, ou em solos já saturados, é apropriada a sondagem rotativa
com uso de brocas de widia, ou brocas tricônicas para a furação inicial.

Muitos solos não precisam de sustentação, enquanto outros, como os fofos,


saturados ou sem coesão, necessitam dela. Essa sustentação pode ser fornecida pelos
fluidos de perfuração ou por meio de revestimento. É indispensável que o revestimento
tenha as dimensões adequadas para permitir a inserção do amostrador. Quando a finalida-
de do furo de sondagem for apenas colher uma amostra indeformada, recomenda-se o
uso de fluido de perfuração viscoso, uma vez que é menos dispendioso e auxilia na
recuperação da amostra.

Existem quatro tipos de amostrador de solo de tubo-duplo: Denison, Denver, Pitcher


e trado de tubo duplo, os quais constam das Figuras 3.9 a 3.12.

Os amostradores de Denison, Denver e Pitcher são similares e possuem camisas


descartáveis para manuseio e transporte das amostras de solo. Estes três amostradores
são adequados para a amostragem de solos de granulometria fina, não cimentados ou
pouco cimentados. Podem recuperar amostras razoavelmente indeformadas, se o solo for
ligeiramente coeso e a perfuração cuidadosamente realizada. Também podem ser utiliza-
dos com solos bastante firmes a duros e quebradiços, assim como com solos parcialmen-
te cimentados, por meio de ação cortante.

Os amostradores de Denison, Denver e Pitcher não são apropriados para solos


pedregulhosos; solos de baixa massa específica e sem coesão; siltes localizadas abaixo
do lençol freático; solos coesivos plásticos e fofos; ou materiais muito fissurados ou
fraturados.

O amostrador de trado de tubo duplo é o mais adequado para a amostragem de


solos de granulometria fina, de massa específica baixa e média e localizados acima do
lençol freático. Não requer fluido de perfuração para remover os detritos, o que o torna
apropriado para a amostragem de solos afetados negativamente pelo fluido de perfura-
ção.

O amostrador de solo de cravação com paredes finas encontra-se ilustrado na Figu-


ra 3.13. Este amostrador é adequado para a amostragem de qualquer solo com alguma
coesão, exceto os solos muito duros, cimentados ou demasiado pedregulhosos para a
penetração do amostrador. Não tem bom desempenho nos solos fofos e saturados, uma
vez que não consegue retê-los.

3.3.4.3 Preparo e Transporte de Amostras Indeformadas

Antes de remover as amostras indeformadas do local, é preciso marcá-las da se-


guinte maneira: a caixa ou o cilindro, de amostras talhadas manualmente, a camisa do
amostrador bipartido para solo ou testemunhos ou o tubo do amostrador de cravação
deverão ser marcados (mas não os discos de madeira ou os obturadores de expansão

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Figura 3.8 Método de Obtenção de Amostras Cilíndricas Indeformadas Talhadas


Manualmente

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Figura 3.9 Amostrador de Solo Tipo Denison

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Figura 3.10 Amostrador de Solo Tipo Denver

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Figura 3.11 Amostrador de Solo Tipo Pitcher

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Figura 3.12 Amostrador de Solo Tipo de Tubo Duplo

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utilizados para fechar as extremidades do tubo). No caso de pequenos testemunhos,


poderá ser necessário fixar uma etiqueta com as seguintes informações:

„ Na extremidade superior ou inferior – É muito importante que as amostras sejam


marcadas “extremidade superior” e “extremidade inferior”, ou com outros dizeres
similares, de modo que as amostras sejam adequadamente orientadas;
„ Projeto, estrutura, número do furo e número da amostra de campo;
„ Cota ou faixa de profundidade de onde a amostra foi retirada.

As amostras indeformadas de bloco ou de cilindro talhadas manualmente deverão


ser embaladas em caixas próprias para transporte. As amostras de solo de tubo duplo, ou
de cravação, podem ser embaladas em recipientes de isopor, com uma caixa protetora
de papelão, para transporte e carregadas na posição horizontal.

O exterior do caixote deve ser marcado claramente, indicando que o conteúdo é


frágil e qual a orientação do caixote.

Figura 3.13 Amostrador de Solo Tipo de Cravação com Paredes Finas

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3.3.5 Amostras Indeformadas de Rocha (Testemunhos de Sondagem)

3.3.5.1 Aspectos Gerais

Uma das mais importantes ferramentas na sondagem do subsolo é a sonda de


diamante – uma sonda rotativa com um barrilete, uma coroa diamantada e um avanço
hidráulico ou mecânico – que foi originalmente desenvolvida para perfurar através de
rocha dura ou mole e fazer amostragem do material perfurado. A sonda de diamante
pode funcionar com uma série de coroas, dependendo da dureza do material a ser pene-
trado. As sondas rotativas são fabricadas em diversas formas, que variam desde equipa-
mentos bem leves e portáteis até pesados conjuntos fixos. As dimensões dos furos e dos
testemunhos variam de menos de 25mm a 1m, ou mais. Podem perfurar até centenas de
metros de profundidade.

Entre os grandes avanços na área de sondas rotativas nos últimos anos, destaca-se
a introdução de conjuntos de hastes (“wire line”) e barriletes de tubo interno retrátil. Estas
ferramentas são muito úteis nas sondagens a grandes profundidades, uma vez que permi-
tem a eliminação de entradas e saídas no furo com o equipamento de sondagem. Com a
técnica de “wire-line”, o barrilete amostrador é parte integral da coluna de perfuração. A
haste de perfuração serve como dispositivo de sondagem e revestimento, pois, em geral,
só é removida quando se troca a coroa. Os testemunhos de sondagem são retirados
removendo-se o tubo interno do barrilete através da haste de perfuração. Isso é efetuado
descendo um dispositivo de retração, por meio de um fio de aço (“wire line”), através da
haste de perfuração, até destravar um mecanismo especial embutido no cabeçote do tubo
interno do barrilete. O testemunho é removido, e o tubo interno retraído através da haste
de perfuração, continuando-se, então, a sondagem. Atualmente, o diâmetro máximo des-
tes testemunhos “wire-line” é de 85mm.

A precisão e a confiabilidade dos registros das sondas de diamante dependem, em


grande parte, do tamanho do testemunho em relação ao tipo de material sondado, do
percentual de recuperação de testemunhos, do desempenho da coluna de perfuração
durante as operações e da experiência da equipe de perfuração. Uma vez que a rocha que
facilita a amostragem num furo NX poderá romper-se facilmente num furo EX, é importan-
te que os diâmetros do furo e do barrilete sejam os maiores praticáveis. A recuperação do
testemunho é muito mais importante do que o avanço rápido na perfuração. As porções
perdidas de testemunho provavelmente representam rocha fraturada ou incompetente e
mole, enquanto as porções recuperadas representam a rocha melhor, a partir da qual,
provavelmente, será feita uma superestimação das fundações. Um percentual relativa-
mente alto de recuperação de testemunhos, por outra parte, fornecerá uma seção mais
contínua dos materiais encontrados. Os testemunhos oferecem informações relativas à
natureza e à composição das diversas formações, com evidências acerca do espaçamento
e do grau de abertura de fraturas, intercalações, fissuras e de outros detalhes estruturais.

Uma vez que o furo deixado na rocha está limpo e as intercalações e as fissuras não
são seladas pela ação da sonda, será possível efetuar ensaios de perda de água, a fim de
avaliar a permeabilidade dos estratos e determinar a provável infiltração através de fratu-
ras ou fissuras abertas na rocha. É indispensável registrar qualquer grande perda de água
ou a entrada de água nos furos durante as sondagens, pois indicam, respectivamente, a
presença de grandes aberturas na formação ou a existência de fluxos subterrâneos de
água. Após serem completados, os furos deverão ser tampados, de maneira a preservá-
los para futuras observações do(s) nível(eis) d’água ou como furos de injeção, ou para
continuação, caso seja desejável aprofundar o furo. Em geral, os furos em material solto
ou em solos subsuperficiais não-consolidados precisam ser revestidos.

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3.3.5.2 Remoção e Preparo dos Testemunhos para Transporte

Os testemunhos devem ser colocados exatamente na mesma ordem em que foram


removidos do barrilete. Se o testemunho ficar fora de seqüência, perderá seu valor. Os
testemunhos devem ser acondicionados numa caixa adequada, com ranhuras para conter
os pedaços do testemunho, sem movimentação indesejável dos pedaços. A Figura 3.14
mostra uma caixa típica para testemunhos, com as amostras arrumadas de acordo com a
profundidade em que foram colhidas e marcadas de forma a permitir a sua correta identi-
ficação.

3.3.6 Diversos Métodos de Perfuração

As furações que visam apenas à determinação da profundidade de um estrato ou do


maciço rochoso ou o aprofundamento de um furo para amostrar uma camada subjacente,
podem ser executadas utilizando-se quaisquer dos métodos previamente descritos. Exis-
tem também inúmeros procedimentos muito econômicos, regularmente utilizados, que
podem servir para estes propósitos. Entre outros, destacam-se a perfuração por percus-
são, por lavagem e por jatos d’água. Em geral, a sondagem a varejão é o método mais
econômico para estabelecer a profundidade existente até um estrato firme. Os diversos
procedimentos empregados dependem, principalmente, da natureza do solo a ser pene-
trado, sendo que a perfuração por percussão é utilizada nos solos mais duros e compac-
tos, e a sondagem a varejão, nos mais fofos. Todas as operações baseiam-se no desloca-
mento vertical, para cima e para baixo, de uma ferramenta de perfuração, que desagrega
o material no furo, as quais utilizam quantidades crescentes de água, na ordem em que se
encontram relacionadas, exceto a sondagem a varejão, que não utiliza água.

Figura 3.14 Caixa Típica com os Testemunhos Arrumados para Permitir sua
Correta Identificação.

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Na perfuração por percussão, a ferramenta é conectada à extremidade de um cabo.


Adiciona-se água e os detritos formam uma lama, que, intermitentemente, é bombeada
ou retirada por meio de baldes. Nas perfurações por lavagem e por jato d’água, os detritos
são removidos, pelo fluxo contínuo de água oriundo da parte superior do furo. A perfura-
ção por lavagem aprofunda o furo por meio de uma combinação de percussão e lavagem
do material. A perfuração por jato d’água depende, principalmente, da ação cortante de
um jato d’água a grande pressão. Quando estes métodos são utilizados, é indispensável
cuidar para que o estrato subjacente a ser amostrado não seja amolgado ou umedecido.
Obtém-se alguma indicação da natureza do material penetrado mediante o exame dos
detritos na lama ou na água de lavagem, mas uma classificação precisa requer outros
métodos de amostragem. A sondagem a varejão consiste na cravação de uma vareta ou
de um tubo no solo e na mensuração do esforço requerido na operação.

3.3.7 Ensaios de Campo

3.3.7.1 Aspectos Gerais

Além dos ensaios realizados nas amostras de solo e nos testemunhos, também são
efetuados ensaios no furo de sondagem, a fim de determinar a resistência e a permeabilidade
do solo ou da rocha. Estes ensaios adicionais são: (1) o ensaio de penetração padroniza-
do, (2) os ensaios de permeabilidade, (3) o ensaio de palheta, (4) o ensaio de penetrômetro
de cone, (5) o ensaio de cisalhamento no furo, (6) o ensaio de dilatômetro de placa lisa,
(7) o ensaio de pressiômetro e (8) o ensaio de massa específica aparente in situ. Este
último é utilizado também nos cálculos relativos à determinação dos fatores de contração
e expansão entre as escavações das áreas de empréstimo e o volume do aterro, assim
como do potencial de colapso dos solos de baixa massa específica.

3.3.7.2 Ensaio de Penetração Padronizado (SPT)

Os amostradores de tubo bipartido ou de tubo sólido podem ser utilizados para


obter amostras da subsuperfície e, simultaneamente, medir a resistência, a dureza e a
densidade, in situ das fundações. A resistência à penetração do amostrador no solo é
medida em termos do número de golpes do peso padronizado, necessárias para penetrar
30cm no solo. Para se obter este tipo de informação, é essencial utilizar um procedimento
padronizado. Neste tipo de sondagem, deverão ser obtidas informações acerca do tipo de
solo, do teor de umidade e da resistência à penetração. Numa variação de 5 a 50 golpes
por 30cm, é possível estabelecer uma correlação bastante confiável com as propriedades
de engenharia, para diversos tipos de material, desde que o teor de umidade seja alto.

3.3.7.3 Ensaios de Permeabilidade

Os ensaios de água nos furos permitem a obtenção de valores aproximados de


permeabilidade para cada estrato penetrado pela sonda. A confiabilidade destes valores
dependerá da homogeneidade do estrato ensaiado e de certas restrições próprias das
fórmulas matemáticas utilizadas. Entretanto, se os procedimentos recomendados forem
rigorosamente obedecidos, será possível obter resultados úteis durante as operações
normais de perfuração. O uso de métodos mais precisos de determinação da permeabilidade,
mediante bombeamento a partir de poços, com uma série de furos de observação, para
medir o abaixamento do lençol freático ou ensaios de bombeamento para dentro do furo,
utilizando revestimento perfurado de grande diâmetro, requer instruções especiais e a
assessoria de especialistas.

3.3.7.4 Ensaio de Palheta

O método de palheta, que visa à determinação da resistência ao cisalhamento in


situ dos solos, tem demonstrado sua utilidade na investigação de fundações. É utilizado,

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principalmente, em solos argilosos fofos e saturados, nos quais a resistência à penetra-


ção, determinada pelo ensaio de penetração padronizado, é muito baixa. O ensaio de
palheta é muito mais sensível e preciso do que o ensaio de penetração padronizado e
fornece, diretamente, um valor de resistência ao cisalhamento.

3.3.7.5 Ensaio de Penetrômetro de Cone

Um método de sondagem cada vez mais utilizado é o ensaio de penetrômetro de


cone. Este instrumento consiste de um conjunto de ponta e manga, que é pressionado
para dentro do solo a uma velocidade controlada. A resistência do solo à ponta e à manga
é monitorada na superfície, por meios mecânicos ou elétricos. Neste último caso, também
é possível obter outros parâmetros, como inclinação e pressão neutra. O dispositivo pode
ser operado a partir de uma plataforma de sondagem convencional ou pode ser montado
num caminhão. A partir dos dados fornecidos pelo ensaio, são estimados o tipo de solo,
o peso específico in situ, a resistência ao cisalhamento e a compressibilidade. O ensaio é
relativamente rápido e, embora não seja obtida uma amostra do solo, quando utilizado
com técnicas convencionais de sondagem e amostragem, é possível delinear rapidamente
tipos e perfis de solo nas fundações e nas áreas de empréstimo.

3.3.7.6 Ensaio de Cisalhamento no Furo

Este ensaio é utilizado para determinar a resistência ao cisalhamento in situ do solo


a diferentes profundidades. Pequenas placas dentadas de aço, de área conhecida, são
empurradas com uma determinada força de encontro às paredes de um furo de sonda-
gem. Aplica-se uma força verticalmente até a ruptura do solo. A seguir, aplica-se força
adicional para forçar as placas contra as paredes do furo de sondagem, de novo. A força
vertical é novamente aplicada até a ruptura do solo. A seqüência é repetida três ou quatro
vezes. Os dados fornecidos pelo ensaio são analisados e apresentados no formato de uma
envoltória de Mohr. Este ensaio pode ser executado rapidamente, a várias profundidades,
dentro do furo de sondagem.

3.3.7.7 Ensaio de Dilatômetro de Placa Lisa

O dilatômetro de placa lisa é um dispositivo chato, com formato de lâmina, que é


empurrado para dentro do solo. Existe uma pequena membrana expansível, circular, no
lado do dilatômetro, que é expandida pelo ar ou pela pressão hidráulica, para pressionar o
solo. Os dados do ensaio são utilizados para desenvolver valores dos módulos e avaliar as
tensões horizontais nas fundações, em diversas profundidades. Este ensaio pode ser
realizado rapidamente e fornece grandes quantidades de dados, a um custo mínimo.

3.3.7.8 Ensaio de Pressiômetro

O pressiômetro pode ser autocravável ou consistir em um dispositivo que é descido


dentro do furo de sondagem. Constitui-se de uma membrana cilíndrica expandível, que é
pressionada de encontro às paredes do furo de sondagem, por meio de pressão hidráulica
ou pneumática. O volume de expansão, o tempo de expansão e a pressão aplicada são
cuidadosamente anotados. Os dados deste ensaio são utilizados para obter valores dos
módulos. É indispensável preparar com cuidado o furo de sondagem utilizado neste en-
saio, de maneira que as paredes estejam lisas e retas no trecho que está sendo estudado.
O diâmetro do furo de sondagem também deverá ser estreitamente controlado.

3.3.7.9 Ensaio de Massa Específica Aparente In Situ

O método de areia é utilizado para determinar a massa específica aparente de um


solo de fundação ou de área de empréstimo ou aterro compactado. O ensaio é efetuado
mediante a escavação de um buraco a partir de uma superfície horizontal, determinação

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do peso do material escavado e do volume da cavidade, enchendo-a com areia calibrada.


A determinação do teor de umidade de uma amostra do solo escavado permite o cálculo
da massa específica aparente seca do material do solo. Diversos dispositivos, que utili-
zam balões com água ou óleo, têm sido empregados para medir o volume da cavidade,
mas o método de areia é o mais comum.

Muitas vezes, é necessário determinar a massa aparente seca e o teor de umidade


in situ de fundações bastante profundas, constituídas por solos coesivos, acima do lençol
freático. Nestes casos, o uso do método de massa aparente da areia requer a escavação
de um poço de inspeção, de maneira a permitir o acesso aos solos que estão sendo
ensaiados.

3.4 Registros e Relatórios de Dados

3.4.1 Mapas

Informações que exigiriam muitas páginas de exposição, em geral, podem ser trans-
mitidas através de uma única folha de papel, por meio de um mapa. Entre as inúmeras
variedades de métodos de mapeamento existentes, é sempre possível encontrar-se algu-
ma que transmita as informações requeridas, clara e facilmente.

No trabalho de investigação, são três as faixas de escala utilizadas com mais fre-
qüência. Os mapas em escalas que variam entre 1:500.000 e 1:50.000 são apropriados
para mostrar a área geral da obra; descrever acessos e redes de transporte, como estra-
das de rodagem e de ferro, rios e centros urbanos; e localização de jazidas especiais de
materiais como “riprap” ou agregados. Os mapas em escalas que variam entre 1:20.000
e 1:5.000 são freqüentemente empregados para transmitir informações mais detalhadas
acerca da área circunvizinha ao local da obra; da geologia geral da área; das áreas de
reservatório; da localização das áreas de empréstimo; das linhas de direito de passagem;
da localização de estradas, canais e linhas de transmissão, e informações similares. Para
prover informações detalhadas a respeito do local da estrutura são utilizados mapas em
escalas que variam entre 1:5.000 e 1:250. A localização de pequenas estruturas, para as
quais é importante fornecer detalhes locais, pode ser mapeada na escala de 1:250. Na
seleção da escala, é importante manter, o mais simples possível, razão entre as medidas
de campo e as medidas da planta; por exemplo, os detalhes adicionais fornecidos em uma
escala de 1:8.000 trazem menos benefícios do que a conveniência da escala 1:10.000.
Além disso, um mapa completo não deve ser maior do que é o conveniente para ser
aberto sobre uma mesa de trabalho comum. A escala do mapa sempre deverá ser indicada.

Todos os mapas em escala maior ou com mais detalhes, devem obedecer a um


sistema de coordenadas ou a um outro meio de localização precisa de pontos no terreno.
Quando se utiliza um sistema de coordenadas, as linhas matriciais deverão estar orienta-
das nos sentidos norte-sul e leste-oeste verdadeiros. Se se estabelecer um sistema matricial
local, a origem do sistema deverá ser para o sul e o oeste da área considerada, e o
deslocamento da origem deverá ser numa direção predominante, de maneira que exista
uma diferença numérica significativa entre as coordenadas norte e leste de qualquer
ponto. O sistema matricial deverá ser referenciado em relação a levantamento de terras
públicas, estações de triangulação e outros marcos permanentes da área.

As variações de cota são delineadas nos mapas em escala maior, por meio de
curvas de nível. O intervalo entre as curvas de nível pode variar entre 5-10m e 0,5m, ou,
ocasionalmente até 25cm, dependendo da escala do mapa e dos acidentes fisiográficos.

Em geral, as curvas de nível deveriam estar bastante juntas para permitir a determi-
nação das cotas entre as curvas com um certo grau de confiabilidade, mas suficientemen-
te afastadas para que cada curva possa ser seguida visualmente, sem qualquer dificulda-

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de. De preferência, as cotas sempre devem fazer referência ao nível do mar, com base no
sistema nacional de levantamentos topográficos. Se um determinado dado é presumido
nas investigações de nível de pré-viabilidade, deverá ser muito diferente do dado relativo
ao nível do mar, de forma que não haja qualquer confusão.

Os mapas gerais e de localização devem estar orientados com o norte na parte


superior da folha. Os mapas em escala maior, relativos a estruturas de armazenamento
ou de transporte de água, deverão estar orientados de maneira que o fluxo d’água seja
em direção à parte superior ou para o lado direito da folha. Os mapas de localização de
estradas de rodagem e de ferro são orientados segundo as normas estabelecidas pela
organização envolvida. Todos os mapas devem incluir uma seta apontando o norte.

Os mapas de localização devem mostrar todas as vias de transporte estabelecidas


e as comunidades adjacentes à área em questão. Os mapas de reservatórios devem
mostrar todas as instalações importantes, incluindo ferrovias, estradas de rodagem, tubu-
lações, canais, linhas telefônicas, linhas de transmissão de energia elétrica, edificações,
minas, cemitérios, reservatórios e poços, assim como qualquer outra instalação julgada
significativa. Também é preciso delinear o tipo e a classe de cobertura vegetal existente.
Os mapas em escala maior, além de mostrar as feições mencionadas anteriormente,
deverão indicar a localização de afloramentos rochosos, talus, escorregamentos
identificáveis, cursos d’água, assim como marcos de referência e marcos de cotas de
levantamentos topográficos.

Nas investigações a nível de projeto básico, será necessário elaborar um mapa que
indique os limites do direito de passagem a ser obtido para a estrutura em questão. Esse
mapa deverá mostrar as linhas de demarcação das propriedades e a posse das diversas
áreas.

3.4.2 Perfil dos Furos de Sondagem

3.4.2.1 Localização dos Furos de Sondagem

A localização dos furos de sondagem é regida pelo seu objetivo. Em geral, a finali-
dade dos furos inicialmente perfurados ou escavados numa área é esclarecer as condi-
ções geológicas e, portanto, sua localização baseia-se, principalmente, na estrutura geo-
lógica. Os últimos furos são feitos com propósito de engenharia e são localizados com
base na estrutura a ser construída. Os furos também são perfurados ou escavados com o
objetivo de estabelecer o formato e as dimensões das unidades geológicas e de examinar
a natureza das descontinuidades geológicas. Embora seja recomendável localizar os furos
de maneira a satisfazer o maior número possível de requisitos, algumas vezes tais requi-
sitos são contraditórios, sendo indispensável fazer outros furos. Do ponto de vista de
engenharia, sondagens em ambos os lados de uma formação geológica prejudicial é, em
geral, o mais recomendável, sempre que os outros requisitos do projeto ofereçam sufici-
ente flexibilidade para mudar a localização da estrutura, a fim de evitar as condições
desfavoráveis. Do ponto de vista geológico, e naquelas situações de engenharia em que
não é possível evitar uma área duvidosa, é preferível efetuar uma série de furos de sonda-
gem na área problemática.

Cada furo perfurado precisa ser localizado em três dimensões – ou seja, amarrado
ao sistema de coordenadas matriciais, ou localizado de uma outra forma satisfatória, tal
como estaqueamento –, assim como deve ser estabelecida a cota da boca. As coordena-
das e a cota de um poço ou uma trincheira de exploração deverão fazer referência ao
centro da escavação. Entretanto, se for necessário descrever adequadamente os materi-
ais numa trincheira com mais de um perfil, conforme discutido no subitem relativo às
planilhas de dados, será preciso indicar as coordenadas e as cotas de cada perfil. Os furos
deverão ser perfilados em toda sua profundidade. Se, por qualquer razão, for impossível

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perfilar um trecho do furo, o intervalo não perfilado deverá ser registrado junto com uma
justificativa pela omissão. Também é indispensável registrar o azimute e o ângulo com a
horizontal dos furos.

3.4.2.2 Identificação dos Furos

A fim de assegurar a integralidade dos registros e eliminar qualquer dúvida, os


furos de sondagem deverão ser numerados, em ordem ascendente de escavação e as
séries numéricas deverão ser contínuas em todas as diversas etapas da obra. Se o furo é
planejado e programado, recomenda-se fazer uma anotação de “não executado” ou
“abandonado”, junto ao número do furo, além de anexar uma nota explicativa, ao invés
de reutilizar o número daquele furo para um outro. Entretanto, é aceitável deslocar os
furos a pequenas distâncias e manter o número programado, quando esses desloca-
mentos forem exigência das condições locais ou de alterações nos planos de engenha-
ria. Quando as sondagens cobrirem várias áreas, como locais alternativos e áreas de
empréstimo, deverá ser utilizada uma nova série para cada novo local ou área de em-
préstimo. Em geral, recomenda-se iniciar a numeração de cada nova área estudada com
uma nova centena.

3.4.2.3 Tipos de Perfis de Sondagem

Os perfis contêm os registros, por escrito, dos dados relativos aos materiais e às
condições constatadas nos diversos furos de sondagem.

Provêem informações essenciais, nas quais se podem basear subseqüentes conclu-


sões e interpretações, como a necessidade de sondagens ou ensaios adicionais, viabilidade
do local escolhido para a obra, tratamento de projeto necessário, custo da construção,
método de construção e avaliação do desempenho de uma estrutura. Os perfis apresentam
informações pertinentes e importantes, que serão utilizadas por muitos anos; podem ser
necessários para definir acuradamente uma mudança nas condições, a qual ocorreu com
o passar do tempo; pode constituir um importante elemento na documentação contratual;
e pode ser requerida como prova básica, na eventualidade de um processo judicial. Con-
seqüentemente, cada perfil deverá ser factual, preciso, claro e completo. Não deve ser
enganoso. A seguir, são discutidos alguns tipos de perfis para furos de sondagem.

„ Perfis de poços de exploração e furos de trado (Figura 3.15). Este perfil é apropria-
do para todos os tipos de furos de sondagem que produzam amostras completas,
embora deformadas;
„ Perfis de resistência à penetração (Figura 3.16). Esta planilha foi desenvolvida para
o ensaio de penetração no campo;
„ Perfis geológicos dos furos de sondagem (Figuras 3.17 e 3.18). Este perfil é ade-
quado para furos de exploração nos quais são realizados ensaios de penetração ou
de permeabilidade, ou ambos.

Será indispensável desenvolver planilhas padronizadas para os outros ensaios in


situ, de maneira que todos os dados pertinentes sejam devidamente registrados.

Conforme indicado nas Figuras 3.4 e 3.5, os dados relativos às investigações em


trincheiras e poços de exploração são melhor apresentados em desenhos, que devem
conter todas as informações pertinentes dos perfis geológicos.

Os cabeçalhos dos perfis fornecem espaços para registrar informações de identifi-


cação, como projeto, estrutura, número do furo, localização, cota, datas de início e con-
clusão e nome da pessoa responsável pelo perfil. As profundidades da rocha sã e do
lençol freático são informações valiosas e importantes e devem ser sempre registradas.
Quando for impossível obter determinados dados requeridos num perfil, será preciso ano-

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Figura 3.15 Perfil Geológico de Sondagem a Trado

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Figura 3.16 Perfil Geológico de Sondagem de Percussão – Ensaios de Penetração


Padronizados

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Figura 3.17 Perfil Geológico de Sondagem Mista – Rotativa + Percussão –


Ensaios de Penetração Padronizados

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Figura 3.18 Perfil Geológico de Sondagem Mista – Rotativa + Percussão –


Ensaios de Penetração Permeabilidade

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tar uma justificativa. O corpo do perfil é dividido numa série de colunas, que incluem
diversos tipos de informação requerida, de acordo com o tipo de furo de sondagem.

Na perfilagem do solo sobrejacente, cada estrato de material substancialmente dife-


rente na sua composição dos estratos sobre e subjacentes deverá ser localizado em termos
do intervalo de profundidade, classificado separadamente e descrito no corpo do perfil.

Será necessário descrever as camadas delgadas ou lentes de material diferente


num estrato relativamente uniforme de material, embora não precise ser classificado se-
paradamente no perfil, exceto em furos de investigação das fundações de uma estrutura;
por exemplo, “Há uma lente descontínua de areia fina, com 25mm de espessura, a 7m de
profundidade”. Entretanto, os perfis de sondagem para fundações de estruturas deverão
indicar a classificação, além de uma descrição detalhada do material.

Os grandes poços ou trincheiras de exploração cavados mecanicamente requerem


mais de um perfil para descrever adequadamente as variações de material constatadas
nos diversos trechos do poço ou da trincheira. O perfil inicial de tais poços ou trincheiras
deverá descrever a coluna vertical de solo, no trecho mais profundo da escavação, sendo,
em geral, tomado no centro de uma das paredes do poço ou da trincheira. Se este perfil
não descrever adequadamente as variações nos diversos estratos expostos pelo poço ou
pela trincheira, será indispensável preparar perfis adicionais de outros locais dentro da
escavação para amostragem, a fim de se obter uma verdadeira representação de todos os
estratos constatados no poço ou na trincheira. Nas trincheiras extensas far-se-á, pelo
menos, um perfil a cada trecho de 15m de parede da trincheira, independentemente da
uniformidade do material ou do estrato. Poderá ser necessário preparar a seção geológica
de uma ou de ambas as paredes longitudinais, para descrever as variações dos estratos e
do material, entre os diversos locais dos perfis. Quando for necessário mais de um perfil
para descrever o material em um poço ou uma trincheira de exploração, é preciso fornecer
as coordenadas de localização e a cota da superfície do terreno, para cada ponto perfila-
do. Sempre deverão ser elaborados mapas geológicos e seções geológicas das trincheiras
de exploração que encontrarem rocha sã nas fundações das estruturas.

Os perfis sempre devem conter informações relativas ao tamanho do furo e ao tipo


de equipamento de perfuração ou escavação utilizado. Isso inclui o tipo de coroa de
perfuração, utilizada nos furos de sondagem, a descrição do equipamento de penetração
ou o tipo de trado utilizado, ou o método de escavação dos poços de exploração. A
localização dos pontos em que se fez amostragem também deverá ser indicada nos perfis
e a quantidade de material recuperado como amostra deverá ser expresso como um
percentual do comprimento de barrilete que penetrou no material. É indispensável que os
perfis indiquem a extensão e o método de sustentação empregados, à medida que se
aprofundava o furo, bem como a dimensão e a profundidade do revestimento; a localiza-
ção e a extensão de injeções, quando utilizada; o tipo de lama de perfuração; ou o tipo de
escoramento nos poços de exploração. Qualquer desabamento ou entrada de materiais
deverá ser anotado no perfil referente àquele furo de sondagem, uma vez que esses
fenômenos podem indicar a presença de um estrato de baixa resistência.

Os perfis precisam conter informações relativas à presença ou ausência de água,


assim como comentários acerca da confiabilidade dos dados. Também deverão ser anota-
das as datas em que as mensurações foram efetuadas, uma vez que o nível de água sofre
variações sazonais. Os níveis de água devem ser registrados periodicamente, desde o
momento em que for encontrada água e à medida que o furo for sendo aprofundado.
Após o término das perfurações, o furo deverá ser esvaziado, permitindo-se depois sua
recuperação, a fim de se obter o verdadeiro nível de água. É importante anotar a presença
de lençóis d’água suspensos e de água sob pressão artesiana. A presença de aqüíferos
deverá ser registrada, assim como das áreas em que ocorreu perda da água durante a
perfuração. O perfil precisa incluir informações relativas aos ensaios de permeabilidade

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realizados nos furos, a intervalos. Uma vez que poderá ser recomendável haver registros
periódicos a respeito das flutuações temporais no nível da água, é necessário definir se
tais registros deverão ser obtidos antes de tampar ou abandonar um furo de sondagem.

Quando forem encontrados seixos ou matações nas sondagens para a identificação


de áreas de empréstimo de solo, é importante determinar os percentuais destas ocorrên-
cias, por volume. Os perfis relativos a poços de exploração ou furos a trado (Figuras 3.16,
3.17 e 3.18) incluem um método para a obtenção de percentuais por volume de pedras
com diâmetro entre 75 e 125mm e acima de 125mm. Este método envolve a pesagem
das pedras, a conversão do peso em volume sólido de pedra e a mensuração do volume
do furo contendo as pedras. Essa determinação pode ser feita a partir do volume total do
estrato escavado ou numa porção representativa do estrato, por meio de uma trincheira
de amostragem.

Nos furos de sondagem que penetrarem menos de 7m no material de empréstimo


potencial, será necessário fazer uma anotação em “Comentários”, explicando por que o
furo não foi estendido. Para os outros tipos de furo, anotar-se-á, no fim do perfil, que o
trabalho foi concluído conforme exigido ou quais foram as razões para sustar a sonda-
gem. O material não deverá ser descrito como rocha sã, material de deslizamento, nem
deverá ser utilizada outra terminologia interpretativa similar, exceto quando a sondagem
realmente penetrou tal formação geológica e foram colhidas amostras para sustentar
essas assertivas.

3.4.2.4 Descrição dos Solos

A pessoa que perfila os furos de sondagem deverá estar habilitada a identificar os


solos de acordo com o Sistema Unificado de Classificação do Solo. A descrição do solo
no perfil deverá incluir o nome típico, seguido dos dados descritivos pertinentes. Após
essa descrição, colocar-se-á o grupo de classificação do solo, por meio das letras-símbo-
los. Esses grupos de símbolos representam uma série de solos que possuem certas carac-
terísticas comuns; portanto, não são suficientes, de per si, para descrever um determina-
do solo. As classificações limítrofes (dois conjuntos de letras, separados por um hífen)
deverão ser utilizadas quando o solo não se encaixar claramente num dos dois grupos,
mas possuir características de ambos.

A identificação e a classificação dos solos nos perfis de sondagem deverão basear-


se no exame visual e em ensaios manuais. Os perfis de campo não devem incluir sofisti-
cações que só possam ser aferidas mediante o uso de equipamento de laboratório. Os
ensaios laboratoriais podem ser utilizados para auxiliar o pessoal não qualificado a verifi-
car suas classificações de campo.

É indispensável ressaltar o estado natural dos solos investigados com o objetivo de


neles serem feitas fundações. O uso de denominações genéricas, como lateríticos, caliches
ou adobes, além do nome de classificação do solo, poderá ser útil na identificação das
condições in situ.

3.4.2.5 Descrição dos Testemunhos de Rocha

O objetivo precípuo da descrição dos testemunhos de rocha é fornecer um registro


conciso das características geológicas e físicas importantes, dos materiais desses teste-
munhos.

A descrição de um testemunho de rocha deverá incluir o nome típico da rocha,


seguido de dados acerca da litologia e das características estruturais; das condições
físicas, incluindo alteração; e de quaisquer detalhes geológicos, mineralógicos ou físicos
especiais, pertinentes à interpretação das condições subsuperficiais. Atenção deverá ser

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dada: (1) à atitude e ao grau de fraturas, intercalações, ou fissuras, se as mesmas estão


preenchidas ou não, assim como a evidências de cisalhamento, esmagamento, ou
falhamento; (2) aos planos de estratificação, laminação ou acamamento, e à facilidade
de fendilhamento ao longo de tais planos; (3) à cor, à granulometria e ao formato, assim
como (nas rochas sedimentares, como o arenito) à mineralogia dos grãos e do material de
cimentação, e ao grau de ocupação dos espaços entre os grãos pelo material de cimentação;
e (4) ao grau de alteração ou intemperismo e à dureza da rocha. Neste último caso, frases
adicionais, como “rompe-se com pancada seca de martelo”, “desagrega-se facilmente
entre os dedos”, ou “dureza de tijolo comum” são úteis. As estimativas do comprimento
médio dos pedaços de testemunho, em seções sucessivas do furo, ajudam a chamar a
atenção para mudanças nas formações ou nas condições da rocha no furo, as quais, de
outra forma, não seriam identificadas, mas que são úteis na avaliação das condições
subsuperficiais, em termos das propriedades de engenharia.

O propósito das sondagens e dos perfis é obter evidências das condições in situ da
rocha; portanto, é preciso anotar quaisquer condições dos testemunhos, ou danos causa-
dos pelo tipo de coroa de perfuração ou barrilete utilizado, ou a operação inadequada
durante o processo de perfuração. Uma causa comum de danos ou ruptura dos testemu-
nhos é o uso de uma mola retentora de testemunho no barrilete amostrador; portanto,
desaconselha-se, na maioria das amostragens de rocha, o uso desse dispositivo, exceto
quando absolutamente indispensável. Esses fatores poderão ter um efeito significativo na
quantidade de testemunho recuperada, e nas suas condições, nas rochas moles, friáveis
ou gravemente fraturadas, em especial.

Perfis e descrições adequados dos testemunhos de rocha podem ser preparados


apenas com base no exame visual ou “manual” do testemunho, com eventual auxílio de
simples ensaios de campo. Em geral, os ensaios laboratoriais ou microscópicos detalha-
dos para definir o tipo de rocha e sua mineralogia só são necessários em casos especiais.
A Figura 3.14 mostra como os testemunhos das rochas obtidos num furo de sondagem
podem ser arrumados para descrição dos furos de sondagem.

3.4.3 Seções Subsuperficiais

O uso de seções para mostrar as condições subsuperficiais presumidas é, ao mes-


mo tempo, muito vantajoso e potencialmente arriscado, uma vez que necessariamente
será feita uma interpretação dessas condições. Quando se utilizam seções na documenta-
ção contratual, as informações indicadas limitam-se a dados factuais, como a linha da
superfície do terreno e os perfis dos furos de sondagem, localizados na sua posição real,
em relação a essa linha. Embora a escolha das seções seja efetuada para simplificar a
interpretação dos dados, os locais reais das formações geológicas, como rocha sã, lençol
freático, etc., não são indicados por linhas contínuas, mas apenas onde constatados em
cada furo de sondagem. A exceção são as seções transversais das trincheiras e dos
poços de exploração, onde essas formações podem ser mapeadas após observação visual.

Por outro lado, as seções mostrando as condições que se acredita existirem no


subsolo são muito úteis para os relatórios geológicos, os relatórios sobre materiais natu-
rais e nos dados de projeto para barragens, canais e outras estruturas. A localização
destas seções deverá ser escolhida de maneira que apresentem as condições descritas da
melhor forma possível. Em geral, as seções transversais de vales fornecem muito mais
informações do que uma série de cortes paralelos ao vale. Além disso, os cortes devem
cruzar as características fisiográficas num ângulo reto, na medida do possível. Sempre
deverá ser mantida uma nítida diferenciação entre os dados factuais e os interpretativos.
Recomenda-se o uso do sistema de linhas contínuas e tracejadas, no qual os pontos
representam interpretações meramente hipotéticas, as linhas contínuas significam dados
factuais e as linhas tracejadas definem o grau de confiabilidade dos dados intermediários,
de acordo com o comprimento dos traços que as constituem. Para este propósito, não
deverão ser utilizadas linhas de espessuras diferentes, que deverão ser reservadas para

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ênfase. As seções transversais sempre deverão mostrar o nome da pessoa que efetuou a
interpretação e a data em que foi feita.

3.4.4 Amostragem

As amostras de solo e de rocha são colhidas para exame visual, de maneira que o
perfil relativo a um furo de sondagem possa ser preparado, para preservar amostras
representativas de apoio à descrição no perfil, para determinar as propriedades caracterís-
ticas e para realizar ensaios de laboratório que indiquem as propriedades de engenharia.

Na sondagem rotativa, todo o material recuperado como testemunho deverá ser


coletado e armazenado em caixas de testemunho. Além disso, amostras de solo e de
rocha deverão ser recolhidas e colocadas em potes selados, a fim de preservar seu teor
natural de umidade, representativo dos diversos estratos úmidos ou molhados, caso o
método de sondagem permita colher tais amostras. Durante o andamento da sondagem,
deverão ser colhidas amostras representativas dos diversos tipos de material encontrados
na área investigada. Se houver grandes variações na qualidade do solo, deverão ser colhi-
das amostras representativas dos melhores materiais, dos médios e dos piores.

Nas sondagens de materiais em áreas de empréstimo e nas fundações, onde há


quantidades substanciais de materiais que possuem potencial de uso na construção de
aterros, deverão ser coletadas amostras representativas de cada estrato, num volume
suficiente para fornecer 35kg de material que passe pela peneira no. 4 (4,75mm), quando
possível, as quais serão utilizadas para ensaiar as propriedades de engenharia. Só o mate-
rial de tamanho superior a 150mm deverá ser retirado da amostra, e o percentual do
material >150mm removido deverá ser registrado. Entretanto, em alguns casos, é im-
prescindível obter amostras maiores, a fim de serem efetuados ensaios em todo o mate-
rial. Se o material parecer uniforme em todo o furo de sondagem, tomar-se-ão amostras
dos terços superior, médio e inferior do furo.

Nas investigações para localizar fontes de material para “riprap”, as amostras con-
sistem de três ou quatro pedaços de rocha, com peso mínimo total de 275kg, representa-
tivas da fonte. A coleta de amostras de material para tapetes, filtros e lastro deverão
atender aos requisitos de coleta de material de empréstimo para a construção de aterros.

Dentre as amostras coletadas conforme descrito anteriormente (vide também o


item 3.2.5), são selecionadas as amostras que serão submetidas aos ensaios para deter-
minar as propriedades características e as de engenharia. Será preciso preservar um nú-
mero suficiente de amostras para sustentar os perfis dos furos de sondagem e para enviar
ao laboratório para a determinação das propriedades de engenharia.

Em geral, as amostras coletadas durante as sondagens de rotina não são satisfatórias


para os ensaios associados à determinação das propriedades do maciço de solo ou de
rocha nas suas condições naturais. Para este propósito, as amostras são retiradas de
material não afetado pelas condições climáticas sazonais, de furos de sondagem de gran-
de diâmetro (100 a 150mm, como mínimo) ou do fundo dos poços de exploração. As
amostras dos furos de sondagem deverão ter entre 30 e 60cm de comprimento e as dos
poços deverão ser cubos de 25 a 30cm de lado, devendo estar em condições tão próxi-
mas das naturais quanto possível.

3.4.5 Relatórios

3.4.5.1 Aspectos Gerais

Os resultados de cada investigação deverão ser apresentados em forma de relató-


rio. Durante o estágio de pré-viabilidade de pequenas estruturas, poderá ser suficiente

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uma carta-relatório descrevendo, em termos gerais, a natureza dos problemas associados


à investigação, a magnitude da investigação e as conclusões alcançadas. Durante o de-
senrolar das investigações, novos dados serão colhidos, avaliados e aceitos ou rejeitados.
á medida que forem alcançados os diversos estágios das investigações, o material previa-
mente compilado é incorporado ao relatório de andamento. Durante a preparação deste
relatório, são examinados os relatórios anteriores, e aquelas questões respondidas são
incluídas no relatório, junto com a solução encontrada ou, caso contrário, reservadas
para futura consideração. O relatório final preparado antes da elaboração das
especificações, deverá dar resposta a todas as indagações dos relatórios anteriores, ou
mostrar que não é possível alcançar uma solução positiva, dentro do âmbito das investi-
gações.

Cada relatório deverá incluir uma declaração de propósito da investigação, o está-


gio para o qual está sendo preparado, o tipo de estrutura contemplada e suas principais
dimensões. Todos os relatórios deverão incluir as características a seguir, relativas às
fundações e às terraplenagens.

3.4.5.2 Fundações

Os dados das fundações deverão ser coletados considerando o tipo e as dimensões


da cada obra de engenharia, bem como o efeito na estrutura das características significa-
tivas dos materiais das fundações e das condições prevalentes num determinado local.

A geologia geral da região deverá ser descrita. Essa descrição deverá incluir as
características geológicas principais, o nome das formações encontradas na área, sua
idade, as relações entre as formações e suas características físicas gerais.

O relatório deverá apresentar uma descrição e uma interpretação da geologia local,


incluindo a qualidade física e a estrutura geológica dos estratos das fundações, informa-
ções acerca das águas subterrâneas, as condições sísmicas, áreas de escorregamento
real ou potencial, e interpretações geológicas apropriadas referentes à estrutura de enge-
nharia afetada por quaisquer desses fatores. Os perfis geológicos de todas as sondagens
também deverão ser incluídos no relatório, assim como um mapa geológico plotado sobre
um mapa topográfico do local da obra, mostrando a geologia superficial e a localização
das seções geológicas e das sondagens efetuadas. Este mapa deverá ser suplementar,
com seções geológicas que indiquem as condições conhecidas e interpretadas. Quando
disponíveis, acrescentar-se-ão fotografias de características geológicas e topográficas
pertinentes, incluindo fotografias aéreas para mosaicos.

Os dados de engenharia, relativos aos solos de cobertura nas fundações da estrutu-


ra proposta, deverão ser mostrados por meio de perfis detalhados de solo e relatados de
acordo com os seguintes parâmetros:

„ Classificação, obedecendo o Sistema Unificado de Classificação do Solo de cada


solo, em cada estrato principal;
„ Descrição do estado indeformado do solo no estrato;
„ Delineamento da extensão lateral e da espessura de estratos críticos, competentes,
pobres ou potencialmente instáveis;
„ Estimativa ou determinação, mediante ensaios, das propriedades de engenharia
significativas dos estratos, como as características de massa específica, permea-
bilidade, resistência ao cisalhamento e características de compressibilidade ou ex-
pansão, assim como do efeito da carga estrutural, das mudanças de umidade e das
flutuações ou do aumento permanente do lençol freático, sobre tais propriedades
de engenharia;
„ Estimativa ou determinação das propriedades corrosivas e do teor de sulfatos do
solo e das águas subterrâneas, em termos do seu efeito na escolha do cimento.

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Quanto aos dados acerca do maciço rochoso, serão precisos:

„ Descrição da profundidade e do contorno do topo rochoso; da espessura das zonas


sujeitas a intemperismo, alteradas ou de alguma forma amolecidas de outras fra-
quezas e descontinuidades estruturais;
„ Esboço das zonas e dos estratos de rocha mole e/ou solo que sejam fracos, perme-
áveis e/ou estruturalmente instáveis;
„ Estimativa ou determinação (dependendo do estágio do projeto) das propriedades
de engenharia significativas da rocha, como massa específica, absorção,
permeabilidade, características de resistência e deformação; e do efeito da carga
estrutural, das mudanças de umidade e das flutuações ou do aumento permanente
do lençol freático sobre tais propriedades.

3.4.5.3 Dados dos Materiais de Construção

É indispensável elaborar um relatório dos materiais de construção, o qual deverá


incluir um inventário dos solos impermeáveis disponíveis, dos solos permeáveis e da
rocha para “riprap” e enrocamentos, como parte dos dados necessários à elaboração do
projeto ao nível de viabilidade e das especificações, no caso de grandes barragens e,
ocasionalmente, de canais e outras estruturas principais, para os quais se requerem substan-
ciais volumes desses materiais. Algumas vezes, são necessários relatórios similares, rela-
tivos a pequenos volumes de materiais especiais. O principais itens a serem incluídos nos
relatórios de materiais de construção estão relacionados a seguir.

„ Um mapa quadriculado mostrando a topografia da jazida, do local da obra e do


terreno interveniente, caso a jazida esteja localizada a menos de 3km do local da
obra. A localização dos furos e das trincheiras deverá ser indicada por meio de
símbolos padronizados;
„ Propriedade da área;
„ Breve descrição da topografia e da vegetação;
„ Espessura estimada da jazida, incluindo variações. Deverão ser incluídos desenhos
mostrando os perfis do subsolo ao longo das linhas do quadriculado;
„ Extensão de área da jazida;
„ Quantidade estimada de material na jazida;
„ Tipo e espessura do solo de cobertura;
„ Acessibilidade da jazida;
„ Descrição geral das jazidas de rocha;
„ Incidência de fraturas e espessura de acamamento dos estratos rochosos;
„ Espaçamento, formato, angularidade, tamanho médio e variação de tamanhos das
ocorrências naturais de matações;
„ Breve descrição do formato e da angularidade dos fragmentos de rocha encontra-
dos nos taludes dos depósitos de rocha, assim como as características e as dimen-
sões dos fragmentos de rocha resultantes do desmonte a fogo;
„ Perfis de todos os furos de sondagem a trado e das faces expostas em poços e
trincheiras exploratórias;
„ Estimativa ou determinação das propriedades características e de engenharia dos
solos encontrados, conforme os resultados dos ensaios. Os ensaios deverão ser
restritos, no estágio de viabilidade; ensaios mais detalhados deverão ser deixados
para o nível de projeto básico;
„ Recomenda-se a inclusão de fotografias, mapas e outros desenhos úteis nos regis-
tros das investigações.

Em alguns casos, as informações colhidas para o relatório dos materiais de constru-


ção, o qual é fornecido como subsídio para a elaboração do projeto básico e das especi-
ficações, não terão detalhamento suficiente para permitir o desenvolvimento de um plano
de utilização e otimização dos materiais de solo disponíveis. Assim que houver fundos

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disponíveis para a elaboração do projeto executivo, cada área de empréstimo incluída nas
especificações deverá ser cuidadosa e especificamente estudada.

Os principais objetivos do estudo detalhado são a determinação da profundidade


dos cortes nas áreas de empréstimo, a melhor distribuição possível dos materiais a serem
utilizados nos aterros e a definição da necessidade de acrescentar ou retirar umidade. Na
maioria dos casos, recomenda-se aumentar a umidade dos materiais de empréstimo im-
permeáveis e secos antes da escavação. Os estudos deverão incluir uma análise das
condições de umidade em cada área de empréstimo, a partir da qual será possível desen-
volver planos de irrigação das áreas. Se os materiais nas áreas de empréstimo estiverem
demasiado úmidos para serem lançados adequadamente, os planos de drenagem destas
áreas poderão basear-se nos resultados dos estudos detalhados. As variações sazonais
no teor de umidade, as variações de umidade em função da profundidade e a taxa de
penetração da água sempre deverão ser consideradas.

As investigações detalhadas, descritas anteriormente, são recomendadas para ca-


nais e estruturas para as quais se requerem grandes volumes de materiais de escavação
e empréstimo. De todas as formas, o pessoal da obra deverá realizar suficientes sonda-
gens antes de iniciar a construção, de modo a determinar onde obter os tipos de materiais
especificados, incluindo agregados de concreto e onde deverão ser colocados os diversos
materiais.

3.5 Agregados de Concreto

3.5.1 Qualidade e Granulometria dos Agregados

Os agregados de concreto podem consistir de areia e cascalho naturais, pedra


britada ou misturas destes materiais. As areias e os cascalhos naturais são utilizados
sempre que apresentem qualidade satisfatória e que possam ser obtidos de maneira eco-
nômica e em quantidade suficiente. A pedra britada é amplamente utilizada como agrega-
do graúdo e, ocasionalmente, no lugar de areia, quando não há disponibilidade de materi-
ais naturais a um custo razoável, embora a produção de concreto trabalhável a partir de
fragmentos pontiagudos, angulosos e triturados, requeira, em geral, mais vibração e ci-
mento do que aquele com areia de grãos arredondados e seixos rolados. Entretanto,
devido à trabalhabilidade adicional resultante de ar incorporado, é possível reduzir subs-
tancialmente as dificuldades de produção de concreto trabalhável, com a utilização de
agregado britado. O formato das partículas de pedra britada depende, em grande parte,
do tipo de rocha e do método de britagem utilizados.

Em muitos casos, o uso de agregados impróprios tem sido apontado como causa de
deterioração do concreto. Os agregados apropriados são compostos, essencialmente, de
partículas limpas, sem película, de formato adequado, originários de materiais fortes e
duráveis. Quando incorporados ao concreto, deverão resistir satisfatoriamente a mudan-
ças químicas e físicas, como fissuramento, inchamento, amolecimento, lixiviação e alte-
ração química; não deverão conter substâncias contaminantes que possam contribuir
para a deterioração do concreto ou prejudicar sua aparência.

3.5.1.1 Substâncias Contaminantes

Em geral, os agregados encontram-se contaminados por silte, argila, mica, carvão,


húmus, fragmentos de madeira, outras matérias orgânicas, sais químicos, películas e
incrustações superficiais. Essas substâncias contaminantes no concreto agem de diver-
sas maneiras, prejudicando a sanidade, diminuindo a resistência e a durabilidade e provo-
cando aparência inaceitável; sua presença complica as operações de processamento e
mistura. Em geral, os percentuais permissíveis, por peso seco, são determinados nas
especificações. Felizmente, com freqüência é possível eliminar o excesso de substâncias

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contaminantes, mediante tratamento simples. Silte, argila, películas de pó, sais químicos
solúveis e certos materiais leves são removidos lavando-se o material. Outras substâncias
menos sensíveis, como os torrões de argila, podem exigir processamento especial e mais
complicado ou são impossíveis de remover por meios economicamente factíveis. As subs-
tâncias prejudiciais, como raízes de árvores e lenha, deverão ser eliminadas.

3.5.1.2 Alterabilidade

Um agregado é considerado fisicamente são se for adequadamente forte e apto


para resistir ao intemperismo, sem desagregação ou decomposição. As partículas mine-
rais e rochosas fisicamente fracas, muito absorventes, frágeis, ou que se expandem
quando saturadas, são susceptíveis à ruptura provocada pela exposição aos processos
naturais de intemperismo. Os folhetos, arenitos friáveis, algumas rochas micáceas, ro-
chas argilosas, algumas rochas com cristalização grossa e vários sílexes são exemplos de
materiais de agregado fisicamente fracos.

Dentre as propriedades importantes que afetam a sanidade física do agregado,


destacam-se as dimensões, a abundância e a continuidade dos poros e canais dentro das
partículas. Estas características dos poros influenciam a durabilidade, a resistência, a
elasticidade, a resistência à abrasão, o peso específico, a ligação do material ao cimento
e o grau de alteração química.

A sanidade química de um agregado também é importante. Em muitos casos, foi


possível associar uma expansão excessiva que causou a deterioração precoce do concreto
com reações químicas entre o agregado reativo e os álcalis do cimento. Entre as substân-
cias reativas conhecidas estão os minerais de sílica, opala, calcedônia, tridimita e cristobalita;
zeolita, heulandita (e, provavelmente, ptilolita), riolitos vítreos a criotocristalinos, dacitos
e andesitos e seus tufos, basaltos e certos filitos. Qualquer rocha contendo uma propor-
ção significativa de substância reativa produzirá reações deletérias; portanto, embora os
calcários e as dolomitas puros não causem tais reações, esses mesmos materiais, quando
contêm opala e calcedônia, podem ser reativos. Da mesma forma, arenitos, folhetos,
granitos, basaltos e outras rochas normalmente inócuas, podem causar reações indesejadas,
se estiverem impregnadas ou revestidas de opala, calcedônia ou outras substâncias reativas.

Outros tipos de alteração química, como oxidação, dissolução ou hidratação, po-


dem diminuir a sanidade química das partículas susceptíveis de agregado, após sua incor-
poração ao concreto ou podem produzir exsudação ou manchas que prejudicam a aparên-
cia do produto acabado.

3.5.1.3 Resistência e Resistência à Abrasão

Os agregados devem possuir bastante resistência para desenvolver a resistência


total da matriz de cimentação. Quando a resistência ao desgaste é importante, as partícu-
las de agregado deverão ser duras e fortes. Os quartzos, o quartzito e muitas rochas
vulcânicas e silicosas densas estão perfeitamente qualificadas para produzir concretos
resistentes ao desgaste.

3.5.1.4 Mudanças de Volume

As alterações no volume de um agregado, causadas pela umecção ou secagem,


são uma fonte comum de deterioração do concreto. Os folhetos, as argilas e alguns
nódulos rochosos são exemplos de materiais que sofrem expansão, quando absorvem
água, e contração, quando dessecados.

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3.5.1.5 Formato das Partículas

O principal problema das partículas de agregado achatadas ou alongadas é seu


efeito pernicioso na trabalhabilidade, o que exige que se acrescente maior quantidade de
areia à mistura de concreto e, conseqüentemente, que se use mais cimento e água. Um
percentual moderado (cerca de 25% de qualquer granulometria) de fragmentos achatados
ou alongados no agregado graúdo não terá maior efeito na trabalhabilidade ou no custo do
concreto.

3.5.1.6 Peso Específico

O peso específico do agregado só é importante quando o projeto ou considerações


estruturais exigem que o concreto tenha um determinado peso mínimo ou máximo. É um
indicador útil e rápido da adequabilidade de um agregado. Um baixo peso específico em
geral é indicativo de material poroso, fraco e absorvente, enquanto um peso específico
alto com freqüência indica boa qualidade; entretanto, tais indicações não são confiáveis,
se não forem confirmadas por outros meios.

3.5.1.7 Granulometria

A distribuição das partículas do agregado de acordo com seu tamanho, realizada


mediante a separação com peneiras-padrão, é denominada granulometria. Geralmente, a
granulometria da areia é expressa em termos dos diversos percentuais individuais retidos
em peneiras-padrão, designados pelos números 4 (4,75mm), 8 (2,38mm), 16 (1,19mm),
30 (0,590mm), 50 (0,297mm), 100 (0,149mm) e 200 (0,075mm). A granulometria dos
agregados graúdos é determinada por meio de peneiras, cujas aberturas obedecem às
especificações ou aos requisitos especiais do projeto. Na medida do possível, a
granulometria das jazidas naturais deverá ser utilizada na construção, exceto quando se
demonstrar, em investigações laboratoriais ou experiências, que corrigir a granulometria
seria vantajoso.

A granulometria permissível da areia depende, até certo ponto, do formato e das


características de superfície das partículas. Areia constituída de partículas lisas e arredon-
dadas poderá apresentar resultados satisfatórios, mesmo com granulometria mais grossa
do que seria aceitável numa areia composta de partículas cortantes, angulosas e de su-
perfície áspera.

Em geral, as especificações limitam o tamanho máximo nominal do agregado a ser


utilizado. Há vantagens significativas na utilização de concreto produzido com agregado
de granulometria até o máximo tamanho aceitável, uma vez que é possível diminuir a
quantidade utilizada de água e cimento. A diminuição do teor de cimento é primordial na
redução da contração provocada pela dessecação.

3.5.2 Amostragem dos Agregados

A tarefa de obtenção de amostras realmente representativas dos agregados é com-


plexa, devido à segregação que ocorre quando o agregado é manuseado ou transportado.
Para se obter uma amostra que verdadeiramente represente o material de uma jazida, será
preciso fazer sondagens e poços de exploração, localizados sistematicamente em toda a
área da jazida, e os métodos de amostragem deverão garantir a obtenção de uma amostra
contínua, de cima a baixo, de cada furo.

A amostra de agregado deverá ser separada nas suas frações de areia e agregado
graúdo. Estas frações deverão ser, por sua vez, reduzidas, pelo método dos quartos ou
por outro método adequado à divisão de amostras, até atingirem um tamanho apropriado
à análise granulométrica. Far-se-á uma análise separada de cada amostra, ao invés de

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uma análise de uma amostra composta, de maneira que possam ser determinadas as
variações de material.

O método de divisão de amostras em quartos é discutido no item 3.3.3.3.

3.5.3 Prospecção para Agregados

3.5.3.1 Aspectos Gerais

As investigações de campo relativas a materiais para o concreto, realizadas antes


de se iniciar a obra, se limitam, principalmente, à prospecção de agregados e à sondagem
e amostragem das fontes disponíveis. Sempre que possível, o engenheiro encarregado
deverá ser informado a respeito da quantidade aproximada de agregados requerida, os
tamanhos máximos a serem utilizados e a natureza geral da obra proposta. As pessoas
encarregadas da prospecção deverão estar familiarizadas com os efeitos da granulometria,
das características físicas e da composição dos agregados nas diversas propriedades do
concreto. Em geral, as investigações preliminares de campo, criteriosas e minuciosas,
resultam numa maior durabilidade e economia das estruturas construídas.

Dentre os mapas de detalhe mais adequados para a localização das fontes de agre-
gados de concreto ou na escolha do local de construção das centrais de dosagem e outras
estruturas, destacam-se os mapas topográficos, as fotografias aéreas, os mapas hidrofisio-
gráficos e, em alguns casos, os mapas geológicos. As fotografias aéreas são freqüen-
temente empregadas como base para o mapeamento topográfico das fontes de agrega-
dos. Antes de se iniciar o mapeamento, será preciso empreender uma procura cuidadosa
dos mapas existentes.

3.5.3.2 Características Geológicas e Outras Características Afins dos Agregados e


dos Depósitos de Agregados

A maioria dos fatores relativos à adequabilidade das jazidas de agregado está rela-
cionada com a história geológica da região. Os processos geológicos que dão origem às
jazidas, ou que as modificam subseqüentemente, são responsáveis por muitas caracterís-
ticas que podem influenciar a decisão de utilização de uma ocorrência. Entre outros, é
possível mencionar as dimensões; o formato e a localização da ocorrência; a espessura e
a natureza do solo de cobertura; os tipos e a condição das rochas; a granulometria, o
arredondamento e o grau de uniformidade das partículas de agregado e o nível do lençol
freático.

„ Tipos de jazida – Os agregados podem ser obtidos em jazidas naturais de areia e


cascalho ou de pedreiras em áreas de afloramentos rochosos. Em geral, as areias e os
cascalhos naturais são a fonte mais econômica de agregado. São normalmente obti-
dos em depósitos fluviais ou leques aluviais. Os depósitos de talus algumas vezes
podem ser processados e utilizados. Também é possível obter-se areia fina para
misturar, em depósitos eólicos;
„ Os depósitos fluviais são desejáveis, uma vez que as partículas são, em geral,
arredondadas. Os cursos d’água exercem uma ação de separação dos grãos, o que
pode melhorar a granulometria do material e a abrasão, causada pelo transporte e
deposição desses grãos pelo curso d’água, leva à eliminação parcial dos materiais
mais fracos. É freqüente a existência de grandes depósitos de areia e cascalho nas
margens ou no leito dos cursos d’água, mas a prospecção deverá incluir os depósi-
tos de terraços em maiores elevações;
„ Um leque aluvial é uma massa de detrítica de declive suave e formato semicônico,
depositada no pé de uma ravina, por repetidas enchentes torrenciais. As areias e os
cascalhos depositados sob tais circunstâncias são muito diferentes daqueles en-
contrados normalmente nos depósitos fluviais: as partículas são angulosas e o

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material mal estratificado e graduado. Os depósitos em leques aluviais são freqüen-


temente empregados como fonte de agregados de concreto, embora exijam mais
processamento do que o usual;
„ Os depósitos de encosta (talus) formam-se no fundo de taludes acentuados e
escarpas, como resultado do deslizamento e da queda de rochas soltas. Não há
qualquer ação de separação granulométrica, pouco arredondamento das partículas
e nenhuma segregação dos diversos materiais. Em geral, há pequena variedade de
tipos de rocha. Em alguns casos, o material dos depósitos de encosta pode ser
britado ou processado de outra forma para constituir um agregado adequado;
„ O material sujeito à ação eólica tem granulometria fina e é útil como areia de mistu-
ra. Em geral, são grãos arredondados, compostos, principalmente, por quartzo,
devido ao intenso atrito produzido pelo vento que eficazmente remove os constitu-
intes menos duráveis das rochas;
„ Nem sempre há disponibilidade de areias e cascalhos naturais e, algumas vezes, é
necessário produzir agregados de concreto mediante o desmonte de rochas em
pedreiras e seu subseqüente processamento. Só se recorre à exploração de pe-
dreiras quando não é possível obter, economicamente, outros materiais de quali-
dade e tamanho apropriados. No item 3.5.3.4 são tecidas outras considerações
quanto às instruções de amostragem de afloramentos rochosos, nas investiga-
ções de pedreiras;
„ Classificação e características das rochas – A Tabela 3.2 apresenta uma classifica-
ção das rochas, com base na sua origem, em três grupos principais. Esta classifica-
ção, muito sintética, inclui apenas os tipos de rocha mais importantes;
„ A maioria das rochas ígneas constitui excelente agregado de concreto; em geral,
estas rochas são duras, fortes e densas. Poderão ser exceções os tufos e certas
lavas muito porosas, pela inclusão de bolhas de gás. Normalmente, estes são inade-
quados como agregados de concreto, exceto na fabricação de concreto leve, devi-
do à sua pouca resistência, seu baixo peso e sua alta absorção;
„ As rochas sedimentares variam de duras a moles, de pesadas a leves e de densas a
porosas; sua adequabilidade como agregado é igualmente variável. Os arenitos e os
calcários, quando duros e densos, são adequados como agregados. Mas os arenitos
são, com freqüência, friáveis ou excessivamente porosos, devido à cimentação
imperfeita dos seus grãos constituintes. Tanto os arenitos como os calcários po-
dem conter argila, o que torna a rocha friável, mole e absorvente; com maiores
teores de argila, estas rochas chegam a ser classificadas como folheto arenoso ou
calcífero. Em geral, os folhetos não são bons agregados, pois são moles, leves,
fracos e absorventes. Além disso, uma vez que, originalmente, foram depositados
em camadas finas, o formato dos folhetos, quando fragmentado, tende a ser acha-
tado ou laminado. Os conglomerados podem ser inadequados como agregado, por-
que são sujeitos a romper progressivamente em pedaços menores, durante seu
manuseio e processamento. Os sílexes e as pederneiras são amplamente utilizados
como agregados, embora muitos sílexes tenham tido desempenho tão pouco
satisfatório que seja necessário julgar o material individualmente, de preferência
com base na sua adequabilidade em serviços anteriores e ensaios do concreto
produzido. Na falta de informações acerca de utilização anterior, a adequabilidade
dos sílexes de peso específico baixo ou absorção alta, comparativamente e que
compreendem uma proporção significativa do agregado, poderá ser questionada.
Os sílexes facilmente desintegráveis, quando saturados, podem-se mostrar sãos,
quando secos. Além disso, após dessecados, não tornam a ficar igualmente satu-
rados. As mesmas considerações são válidas para outros tipos de rochas absorven-
tes que contêm pequenos poros. A presença de partículas caracterizadas por peque-
nos poros e, conseqüentemente, a necessidade destas considerações especiais só
podem ser determinadas mediante ensaios de laboratório;
„ Também há grandes variações nas características das rochas metamórficas. Os
mármores e os quartzitos são normalmente maciços, densos e suficientemente
duros e fortes. Os gnaisses também são duráveis e fortes, mas podem possuir as

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Tabela 3.2. Classificação Geral de Rochas Comumente Encontradas

Ígneas (solidificadas a partir do estado de liquefeito)


Cristalinas granulação grauda Cristalinas granulação fina Fragmentárias cristalinas ou vítreas
(ou cristais e vidro)
Origem: intrusão profunda vagarosamente esfriada Origem intrusão razoável Origem: fragmentos vulcânicos
vulcânica rapidamente esfriada explosivos depositados como
sedimentos
Granito Minerais escuros Crescentes,
Minerais Claros e Cinzas e pumice (poeira ou
Piorito
Quartzosos Crescentes escória vulcânica)
Gabro Tufo (Cinzas Consolidadas)
Nota: Os nomes das rochas so baseadas no conteúdo mineral a cor Especialmente vidro (esfriado
pode ser usada como indicaço grosseira, conforme notado acima. rapidamente poucos cristais ou
ausência deles)
Obsidiana Retinito, etc. Aglomerado (Detritos Vulcânicos
Graudos e finos)
Sedimentares sedimentos transportados por água, ar, gelo e gravidade)
Depositados Mecanicamente Depositados Quimicamente ou Bioquimicamente
A.N consolidados:
o
A. Cálcarios
Argila Pedra Calcárea (CaCO3)
Silte
Dolomita (CaCO3 MgCO3)
Areia
Cascalho De acordo com o tamanho das Marga (Xisto Argiloso Calcáreo)
Pedregulhos partículas
“Caliche” (Solo Calcáreo)
“Coquina” (Pedra Calcárea de Conchas)
B.Consolidados: B. Siliciosos
Folhelho (Argila Consolidada) Silex Córneo Depósitos nas fontes, enchimentos de
Pederneira Agata veias e das cavidades
Siltitos (Silte Consolidado)
Calcedonia
Arenito (Areia Consolidada)
Conclomerado (Cascalhos ou pedregulhos redondos
consolidados)
Brecha (Fragmentos angulares)
C. Outras:
Hulha, fosfato, salinas, etc
Metamórficas (rochas igneas ou sedimentares modificadas por calor ou presso)
A.Folhadas
Ardósia: Densa, Escura, Fende em Lâminas... (Folhelho Metamorfoseado)
Xisto: Predominantemente Micacea, Lamelas semiparalelas
Gnaisse: Granular, com faixas, micaceo subordinadamente
B.Maciças
Mármore: cristalina com elementos graúdos, calcários (Pedra Calcárea Metamorfoseada)
Quartzito: Densa, muito dura, quartzoso (Arenito metamorfoseado)

características indesejáveis dos xistos. Com freqüência, os xistos apresentam-se


em lâminas finas e, portanto, tendem a ter formato achatado; em geral, contêm
grande quantidade de minerais micáceos moles e não possuem a resistência requerida
nos agregados de concreto. Por outro lado, alguns xistos são perfeitamente aceitá-
veis como agregado. As ardósias apresentam, em geral, laminação fina, o que é
desaconselhável;
„ Em geral, as características das rochas inalteradas são modificadas, em maior ou
menor grau, por processos secundários, como o intemperismo, que provocam de-
composição química e desintegração física. Outros processos secundários, como a

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ação das águas subterrâneas, também podem alterar a natureza original dos mate-
riais rochosos, pela decomposição das películas que os revestem ou das substânci-
as de cimentação. Essas substâncias podem ser deletérias, de per si ou inadmissí-
veis por dificultarem o processamento dos materiais. Conforme será discutido, as
propriedades nocivas de um tipo de rocha ou de uma jazida podem ser atenuadas
por meio de lavagem, exploração seletiva, ou por outros tratamentos;
„ Adequabilidade química dos agregados – Alguns materiais de agregado sofrem
alterações químicas que podem ser prejudiciais ao concreto. São reações de vários
tipos, incluindo a do agregado com os constituintes do cimento, a dissolução dos
materiais solúveis, a oxidação pelo intemperismo e complexos processos que impe-
dem a hidratação normal do cimento. As mudanças volumétricas das argilas,
provocadas pela absorção e pela desidratação, são alterações físicas que se enqua-
dram neste tópico, devido à sua relação com a estrutura cristalográfica e a compo-
sição química dos diversos minerais na argila;
„ A reação entre certos agregados e os álcalis do cimento podem causar expansão,
fissuramento e deterioração do concreto. Pequenos teores de opala, riólito e outras
rochas e minerais no agregado, que, de outra forma, seriam perfeitamente
admissíveis, têm provocado expansão excessiva e rápida deterioração do concreto.
A opala (sílica aquosa amorfa) é o constituinte mais reativo dos agregados, mas as
rochas vulcânicas ácidas e intermediárias são as mais significativas, por serem
mais numerosas. A sílica opalina é um constituinte menor em muitos tipos de ro-
cha, ou pode formar películas ou incrustações nas partículas de areia ou cascalho;
„ Dentre as rochas e os minerais reconhecidamente prejudiciais, por reagirem com os
álcalis do cimento, destacam-se as rochas vulcânicas de teor médio a alto de sílica;
as sílicas fundidas (artificiais ou naturais, exceto o tipo básico, como os bassaltos
fundidos), as rochas opalinas e calcedônicas (incluindo a maioria dos sílexes e das
pederneiras), alguns filitos e tridimitas, assim como certas zeólitas. Em geral, os
agregados petrograficamente similares a tipos reativos ou suspeitos de possuírem
tendências reativas, com base na experiência ou em experimentos laboratoriais, só
devem ser utilizados com cimento de baixo teor de álcalis. A intensidade dessas
reações pode ser atenuada e provavelmente eliminada em alguns casos, pela limita-
ção dos álcalis a 0,5-0,6% do cimento e/ou o uso de uma pozolana eficaz. As zeólitas
e os minerais do tipo montmorilonita podem aumentar o fornecimento de álcalis, por
meio de reações de intercâmbio de cátions;
„ Uma reação de efeito similar é a reação álcali-carbonato, que ocorre quando certos
calcários dolomíticos são utilizados como agregado graúdo, junto com um cimento
de alto teor de álcalis;
„ Determinados sulfetos minerais, como os sulfetos de ferro, as piritas e as marcassitas,
são facilmente oxidados pela ação do intemperismo, o que causa feias manchas de
ferrugem e perda de resistência e coesão nas partículas afetadas. Essas reações
também podem gerar produtos químicos ácidos, nocivos à matriz de concreto
circunvizinha, e causar reações afins que resultam em aumento de volume e conse-
qüente esfoliação do concreto. O carvão é indesejável devido à sua baixa resistên-
cia e ao mau aspecto nas superfícies de concreto. Outras substâncias orgânicas,
como determinadas matérias vegetais e o húmus, contêm ácidos orgânicos que
inibem a hidratação do cimento. As areias que produzem uma cor mais escura do
que o padrão do ensaio colorimétrico para as impurezas orgânicas poderão ser
rejeitadas, embora esses resultados possam ser interpretados como sugestão de
ensaios adicionais para determinar o tipo de matéria orgânica presente e seu efeito
específico no concreto. As argilas são sujeitas a expansão e contração, causadas
pela absorção e pela hidratação; quando presente, como constituinte das rochas –
nos calcários, por exemplo –, essa absorção aumenta consideravelmente a suscep-
tibilidade da rocha à desagregação pelo intemperismo. Os sais químicos, como
sulfatos, cloretos, carbonatos e fosfatos, podem estar presentes nos agregados,
sob inúmeras formas. Algumas destas substâncias reagem quimicamente, modifi-
cando ou impedindo os processos normais de pega do cimento; outros são

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Elaboração de Projetos de Irrigação

desaconselháveis devido à sua baixa resistência ou porque tendem a se dissolver.


Essas contaminações também contribuem para a formação de exsudações ou
eflorescências, e, se pulverulentas ou de grãos finos, podem aumentar as frações
siltosas inadmissíveis de um agregado;
„ Em geral, as frações muito finas dos agregados são classificadas como silte ou
argila e não devem ser permitidas em grandes quantidades, pois tendem a aumen-
tar a quantidade de água necessária na mistura, com conseqüente enfraquecimen-
to da sanidade e diminuição da resistência e da durabilidade do concreto. A mica é
uma substância contaminante freqüentemente encontrada nos agregados; é
desaconselhável por ser mole, laminada e absorvente, assim como susceptível a
desintegração ao longo dos planos de clivagem, o que contribui para reduzir a
resistência e a durabilidade do concreto;
„ As substâncias nocivas ou contaminantes podem ocorrer como películas envolven-
do as partículas dos agregados graúdos ou finos, como incrustações cimentando-as
ou como camadas diferenciadas nas jazidas de agregados. Tais contaminações são
mais freqüentes nas regiões áridas ou semi-áridas. Se a substância for pulverulenta,
algumas vezes se solta durante o manuseio do agregado, aumentando a fração
siltosa;
„ Em geral, a simples lavagem remove as películas de silte e argila, o pó fino de mica
livre, os sais muito solúveis e a matéria orgânica leve. Os torrões de argila só são
removidos com dificuldade. O carvão é eliminado mediante lavagem, se as partícu-
las não forem demasiado grossas, ou por processamento de fluxo em sentido con-
trário ou separação do material pesado, quando há partículas de carvão maiores
presentes. As películas duras e aderentes e as incrustações exigem processamento
vigoroso por abrasão, como moinho de tambor, para que as substâncias contaminan-
tes se soltem e possam ser posteriormente removidas mediante peneiração e lava-
gem. Algumas películas não podem ser removidas a um custo economicamente
factível;
„ As substâncias solúveis contidas nos agregados podem dissolver-se e contaminar a
água de mistura, se não forem previamente removidas durante o processamento do
agregado. As películas e as incrustações superficiais, em especial quando soltas e
pulverulentas, podem ser parcialmente removidas na betoneira; entretanto, qual-
quer aprimoramento resultante da ligação entre o cimento e os agregados poderá
ser prejudicado pela tendência do material solto de aumentar a quantidade de água
requerida.

3.5.3.3 Prospecção

Na procura de uma agregado apropriado, é importante levar em consideração que


os materiais ideais são raramente encontrados. É comum haver falta ou excesso de um ou
mais tamanhos; tipos de rocha inadmissíveis, partículas cimentadas ou com películas ou
partículas achatadas podem ocorrer em quantidades excessivas; as argilas, os siltes ou a
matéria orgânica podem estar contaminando a jazida; ou o intemperismo poderá ter redu-
zido a resistência das partículas.

É essencial obter-se uma interpretação razoável dos materiais, por meio de amos-
tragem adequada. Além disso, a profundidade do lençol freático ou do solo de cobertura
podem comprometer a utilização da ocorrência. Infelizmente, não é possível observar,
diretamente da superfície, os estratos que compõem a jazida. Entretanto, uma compreen-
são dos processos geológicos que agiram sobre o material poderão auxiliar na interpreta-
ção baseada nas observações da superfície. Com freqüência, essa compreensão permitirá
distinguir entre condições apenas superficiais e aquelas que serão também expressadas a
alguma profundidade. Em geral, as conclusões finais exigem investigações exaustivas,
embora seja possível obter muita informação pertinente durante as investigações no está-
gio de pré-viabilidade.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Muitas características indesejáveis das jazidas de areia e cascalho podem ser reme-
diadas por processamento apropriado. A britagem poderá complementar os depósitos
deficientes em tamanhos de cascalho fino ou até de areia ou, então, poderá haver dispo-
nibilidade de areia para misturar. A lavagem dos materiais servirá para remover argilas,
siltes e matéria orgânica. A escavação seletiva pode constituir um meio satisfatório de
evitar a exploração de partes inadmissíveis da jazida. Se estes ou outros métodos se
justificam, dependerá, em geral, da magnitude do projeto e da disponibilidade de mate-
riais satisfatórios de outras fontes. Tais considerações deverão influenciar as investiga-
ções preliminares. A acessibilidade, a proximidade ao local da obra e a trabalhabilidade
de uma jazida são elementos essenciais na avaliação da sua adequabilidade.

A quantidade de agregado que pode ser obtida na jazida deve ser estimada aproxi-
madamente e comparada aos prováveis requisitos. As áreas podem ser medidas, aproxi-
madamente, com passadas. A profundidade e a granulometria do material podem ser
estimadas examinando-se as margens dos cursos d’água e outros cortes expostos. Dedu-
zindo uma perda estimada, em, aproximadamente, 20 a 50%, com base na aparência do
material, pode-se presumir que um metro cúbico do material in situ produzirá agregado
para um metro cúbico de concreto.

3.5.3.4 Amostragem Preliminar das Fontes Potenciais de Agregado e Relatório de


Informações Pertinentes

Os métodos empregados na obtenção de amostras preliminares para os ensaios de


laboratório dependem de diversos fatores, como o tipo de estrutura e seu projeto de
construção e das características da jazida de agregado, em relação à sua uniformidade,
dimensões e formato, cobertura de solo, condições das águas subterrâneas, etc. Será
preciso colher amostras das fontes consideradas mais factíveis e econômicas, nas quais
serão realizados ensaios de laboratório, a fim de melhor avaliar a jazida. As quantidades
das amostras serão as seguintes: 300kg de materiais do tamanho no. 4 até 18mm e 50kg
de cada tamanho produzido. A quantidade da amostra de rocha de pedreira proposta para
britagem deverá ser de 300kg. Um memorando contendo informações deverá acompa-
nhar cada remessa de amostras. Uma cópia do memorando deverá ser incluída em cada
saco de amostras.

„ Jazidas de Areia e Cascalho – Deverão ser obtidas amostras representativas dos


materiais “como saem da mina” (“pit-run”) das faces expostas de trincheiras ou
poços escavados nos locais apropriados. Ao fazer a amostragem de fontes que
tenham instalações de separação dos materiais disponíveis, recomenda-se obter
amostras individuais de cada tamanho.

As informações relacionadas a seguir, relativas às jazidas investigadas que têm


potencial, auxiliarão na seleção ou aprovação da fonte de agregado e na elaboração das
especificações:

„ Propriedade da jazida;
„ Localização da jazida, indicada num mapa;
„ Tipo de jazida, topografia e descrição da vegetação;
„ Estimativa aproximada do volume e da profundidade média da jazida assim como da
espessura de solo sobrejacente; além disso, informações acerca do lençol freático e
das suas flutuações;
„ Percentual aproximado do material de tamanho superior às dimensões máximas
incluídas nas amostras;
„ Estrada de acesso a rodovias;
„ Histórico de concretos produzidos com o agregado, se existente, ou de concretos
manufaturados com agregados similares na localidade;
„ Fotografias e quaisquer outras informações úteis ou necessárias.

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Para as fontes comerciais de areia e cascalho e as pedreiras equipadas para a


operação, recomenda-se obter as seguintes informações:

„ Nome e endereço do encarregado; se a jazida não estiver sendo ativamente explo-


rada, uma declaração acerca da propriedade ou da autorização de exploração;
„ Localização da jazida e da usina de beneficiamento;
„ Idade da usina e, se inativa, data aproximada de quando foram suspensas as opera-
ções;
„ Facilidades e dificuldade de transporte;
„ Dimensões da jazida;
„ Capacidade da usina e das pilhas de estoque;
„ Descrição da usina, incluindo o tipo de equipamento de escavação, transporte,
britagem, triagem, lavagem, classificação e carregamento, assim como as condi-
ções em que se encontra;
„ Percentuais aproximados dos materiais dos diferentes tamanhos produzidos pela
usina;
„ Localização das balanças em que são pesados os carregamentos;
„ Preços aproximados dos materiais f.o.b. na usina;
„ Principais usuários da produção da usina;
„ Histórico de concretos produzidos com os agregados, incluindo o tipo e as dimen-
sões da estrutura, dosagem, tipo de cimento utilizado e qualidade do concreto;
„ Outras informações pertinentes;
„ Jazidas Potenciais de Rocha – Com freqüência, é necessário fazer-se a amostragem
das pedreiras ou formações rochosas inexploradas. Nas investigações preliminares,
os requisitos de amostragem das pedreiras em operação ou das pedreiras inativas,
onde estão armazenados materiais beneficiados, são similares aos das jazidas co-
merciais de areia ou cascalho;
„ As amostras de formações rochosas inexploradas devem ser colhidas com muito
cuidado, de maneira que o material selecionado seja o mais parecido possível com
o material predominante na jazida e, inclusive, aponte quaisquer variações significati-
vas no tipo de rocha. O solo sobrejacente poderá restringir a área da qual o material
poderá ser retirado e esconder a verdadeira natureza de uma grande parte da jazida.
Além disso, os afloramentos rochosos podem ter sofrido, pelo intemperismo, modifi-
cações mais acentuadas do que o material do interior da jazida. As amostras obti-
das de pedaços soltos no chão ou coletadas em superfícies externas dos afloramentos
sujeitas ao intemperismo quase nunca são representativas. É possível obter materi-
al fresco rompendo a superfície externa ou, quando necessário, abrindo trincheiras,
desmontando a fogo ou perfurando a rocha para a obtenção de testemunhos;
„ Na amostragem de formações de rocha sedimentares, são pertinentes algumas
considerações geológicas. Nos depósitos estratificados, como os arenitos ou
calcários, será necessário avaliar a uniformidade vertical, uma vez que os sucessi-
vos estratos podem variar substancialmente. O mergulho das formações estratificadas
também deverá ser considerado, pois a inclinação dos estratos em relação à topo-
grafia fará aflorar estratos diferentes em diferentes partes da área e as escavações
poderão tornar-se antieconômicas, devido à excessiva cobertura de solo. É preciso
verificar a existência de zonas ou camadas de material indesejável. As camadas ou
os veios de argila ou de folheto podem ser suficientemente grandes ou prevalentes
para tornar necessária uma exploração seletiva, um descarte excessivo ou um
processamento especial;
„ As informações requeridas no relatório das investigações de pedreiras potenciais
são similares àquelas anteriormente descritas neste item. Recomenda-se incluir des-
crições das condições observáveis relativas à acessibilidade ou trabalhabilidade
da jazida, como a espessura e a uniformidade do material sobrejacente, as condições
das águas subterrâneas e a área disponível para as operações. Quaisquer investiga-
ções de campo adicionais serão especificamente solicitadas pelo engenheiro encar-
regado.

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3.5.4 Exploração de Jazidas Naturais de Agregado

3.5.4.1 Procedimentos Gerais

As jazidas promissoras, identificadas durante as investigações preliminares, deve-


rão ser exploradas em toda sua extensão e amostradas por meio de furos de sondagem
revestidos ou não, poços de exploração ou trincheiras. Se as jazidas estiverem expostas
em cortes de rodovias ou ferrovias ou ao longo de ravinas, não haverá necessidade de
maiores escavações. Os métodos utilizados dependerão da topografia local da área, for-
mato e profundidade da jazida, das condições das águas subterrâneas, da prevalência de
grandes pedras e de considerações que afetam a economia da exploração. As escavações
para ensaios deverão ser distribuídas a intervalos, de acordo com a uniformidade e a
extensão da jazida e restritas ao número mínimo requerido. Os principais objetivos são os
de obter um número suficiente de amostras representativas, que permitam estimar, com
precisão, a qualidade e a quantidade de materiais disponíveis; possibilitar predições
confiáveis das operações de beneficiamento que serão necessárias e dos traços de con-
creto que melhor se adaptarão ao trabalho a ser executado; e fornecer informações para
uso das empreiteiras e do pessoal de campo, durante a obra.

3.5.4.2 Furos de Sondagem Revestidos de Aço

O furo de sondagem revestido de aço e perfurado mecanicamente é um método


muito preciso de se fazer uma amostragem exaustiva das jazidas de agregado. Também é
o método mais econômico utilizado atualmente. Quando o solo a ser sondado está razo-
avelmente isento de pedras sobredimensionadas, a amostragem da jazida poderá ser
facilmente executada cravando-se um tubo ou um revestimento de aço, através do qual
serão removidas as amostras, por meio de um trado ou de um outro dispositivo adequado.
O tubo também evita que areia ou cascalho caiam no fundo do furo, devido ao desmoro-
namento das paredes. Este método deverá ser utilizado sempre que possível, a não ser
quando se possa empregar um outro mais econômico. As seções do tubo de revestimento
deverão ser bastante curtas para permitir seu fácil manuseio e a superfície externa das
juntas, suficientemente lisa para facilitar a cravação. Quando os tubos forem retirados
após a amostragem, será preciso usar juntas rosqueadas ou de encaixe. Se o tubo for
cravado, utilizar-se-á um anel de cravação, de maneira a evitar danos à extremidade do
tubo. Também é essencial utilizar um pescador de três dentes, para remover as rochas
que não possam ser manuseadas pelo trado.

A sistemática de manuseio e tratamento das amostras dos furos de sondagem


revestidos é a mesma descrita a seguir para as amostras retiradas de poços de exploração,
só que as amostras dos furos revestidos contêm todo o material escavado.

Quando se constatar a presença de água no fundo de um poço de exploração, será


possível pesquisar toda a profundidade do material por meio de furos revestidos, crava-
dos no fundo dos poços de exploração, utilizando um equipamento similar a um perfura-
dor de poços. Será necessário empregar uma sonda de percussão no início e nas partes
mais duras, mas, em geral, é possível abaixar o tubo de revestimento por meio de um
peso de cravação. As amostras do material das partes mais profundas são tiradas com
uma bomba coletora (bomba-balde com êmbolo de sucção e uma válvula de retenção na
base).

3.5.4.3 Furos de Sondagem Não-Revestidos

Nos locais em que o solo for adequado e existir água abundante, algumas vezes
será possível explorar uma jazida de agregado abaixo do lençol freático, por meio do
método da sondagem com fluxo contrário. Este método foi desenvolvido para contornar
as dificuldades do método de fluxo direto, no qual a água é forçada para dentro da haste

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de perfuração e se perde ou retorna à superfície fora da própria haste. No método de fluxo


direto, quando se utilizam brocas de percussão, é preciso revestir toda a profundidade do
furo, a fim de evitar desmoronamentos. No método de fluxo contrário, o desmoronamen-
to é evitado pela carga hidrostática mantida, com freqüência, com revestimento na parte
superior do tubo, de 2,5 a 3m acima do lençol freático. Desta forma, existe uma coluna de
água externa à haste de perfuração, a qual, junto com o material do furo, se mistura ao ar
injetado próximo ao fundo da haste de perfuração, e é bombeada para a superfície, atra-
vés da parte central da haste de perfuração. Exceto em algumas condições específicas na
parte superior do furo, em geral o revestimento é dispensável. Com o método de fluxo
contrário, os furos de sondagem podem ser perfurados mais rapidamente do que é normal
nos furos revestidos ou pelo método de fluxo direto, em especial quando se perfura
através de material estável.

3.5.4.4 Poços e Trincheiras de Exploração

As operações em poços e trincheiras de exploração cavadas para a investigação


de jazidas de agregados de concreto são similares às discutidas nos itens 3.3.3.2 e 3.3.3.3,
para outros materiais de solo, com apenas algumas exceções.

Se o procedimento de amostragem descrito a seguir for rigorosamente empregado,


não será necessário fazer o peneiramento de todo o material de um poço de exploração
cavado manualmente, para determinar a granulometria. O objetivo é obter, para
peneiramento, todo o material de uma coluna contínua, dentro do poço, com diâmetro
aproximado de 50cm. Tendo o fundo do poço atingido o novo nível, retira-se a amostra do
material de um furo de 50cm de diâmetro, com a profundidade quanto o permitir a esca-
vação limpa. A seguir, escava-se o restante do fundo do poço, até o nível do fundo do
furo de amostragem, quando o procedimento é repetido.

Deverão ser retiradas, pelo menos, duas amostras representativas de cada trecho
de 1,5m, ou de cada estrato separado, efetuando-se, a seguir, uma análise de peneiramento
completa, a qual deverá ser registrada. Se as amostras de areia estiverem úmidas, deve-
rão ser dessecadas espalhando-se as mesmas sobre uma lona ao sol ou mediante equipa-
mento adequado de secagem, determinando-se o teor da amostra antes e depois da
dessecação. Se a granulometria das amostras de areia não for bem similar, será preciso
fazer novos ensaios, registrando-se a média de todos os ensaios efetuados. Quaisquer
outros dados que possam ser úteis para se obter uma compreensão precisa do material da
jazida também deverão ser registrados.

3.5.4.5 Designação das Jazidas e das Sondagens

As áreas ou as jazidas ensaiadas, em geral designadas por nomes, deverão ser


referenciadas pela longitude e latitude e as sondagens, por números ou combinações de
números e letras. As designações dos furos e dos poços deverão ser marcadas em esta-
cas fincadas próximo a eles e indicadas no mapa da jazida.

3.5.4.6 Relatórios

Após a conclusão das investigações para a localização de agregados, deverão ser


submetidos relatórios das explorações ao engenheiro encarregado. Quando as explora-
ções se estenderem ao longo de vários meses, submeter-se-ão relatórios mensais do
andamento das explorações. Os relatórios deverão descrever, em detalhe, as atividades
de campo e estar acompanhados por dados de granulometria dos diversos poços de
exploração. Recomenda-se também anexar fotografias, mapas e outros desenhos que
atestem o andamento das investigações. A utilidade dos mapas aumenta quando são
acompanhados por indicações relativas a linhas de força, direitos de passagem, cercas,
estruturas e outros marcos importantes da superfície.

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3.5.5 Ensaios de Laboratório e Seleção dos Agregados

3.5.5.1 Ensaios dos Agregados

As amostras dos agregados de concreto deverão ser cuidadosamente ensaiadas em


laboratórios bem equipados. As propriedades físicas deverão ser determinadas e as amos-
tras analisadas petrograficamente. Os agregados deverão ser ensaiados quanto à sua
sanidade, por meio de ensaio de sanidade com sulfato de sódio; à sua dureza e à resistên-
cia à abrasão, com a máquina de abrasão tipo Los Angeles; e ao seu potencial de reatividade
com os álcalis do cimento, pelo ensaio da barra de argamassa. A determinação das propri-
edades físicas deverá incluir o peso específico e os ensaios de absorção, os ensaios
colorimétricos para impurezas orgânicas na areia, a determinação da percentagem do
material que atravessa a peneira no. 200 (0,075mm) e a granulometria da areia e do
cascalho grosso.

Os ensaios relativos ao peso específico e à absorção são realizados rotineiramente,


devido à sua importância na determinação da dosagem do concreto. Em geral, os agrega-
dos de peso específico maior são mais satisfatórios quanto à sanidade e resistência. Um
peso específico baixo não significa, necessariamente, a rejeição de um agregado, mas
serve de advertência acerca da necessidade de realizar ensaios adicionais, antes de se
aceitar o agregado. O peso unitário do concreto depende, em grande medida, do peso
específico do agregado. Com freqüência, o peso específico da areia e do cascalho é
limitado, nas especificações, a um valor mínimo de 2,60. Em alguns projetos, é necessá-
rio processamento especial do agregado, para remover partículas mais leves.

O ensaio de absorção determina a quantidade de água que o agregado absorverá


quando submerso durante um período predeterminado, em geral 30 minutos para dosa-
gem do concreto e 24 horas para avaliação do agregado. Uma vez que a relação água-
cimento do concreto se baseia no uso de agregado saturado de superfície seca, será
necessário determinar o valor da absorção do agregado. Um valor muito superior a 1%
indica que o agregado pode ser de má qualidade, mas não significa, necessariamente, que
deva ser rejeitado. Por exemplo, agregados leves em geral possuem uma absorção alta,
mas podem ser utilizados com êxito em concretos estruturais. Os limites máximos de
absorção não são normalmente especificados, pois as limitações em outras propriedades
físicas servem, em geral, para rejeitar os agregados que têm absorção particularmente
alta. Ocasionalmente, é possível utilizar agregados naturais de alta absorção.

Os ensaios colorimétricos da areia são úteis na determinação da presença de quan-


tidades nocivas de matéria orgânica. Quando se obtém uma cor mais escura do que a cor
padrão com areia lavada, serão necessários ensaios adicionais para determinar a natureza
do material responsável por essa coloração e seu efeito na argamassa. Dentre os ensaios
que podem ser requeridos, destacam-se o de resistência estrutural da areia, o de tempo
de pega e o de análise química.

As substâncias contaminantes, como siltes, argilas, matéria orgânica e sais solú-


veis, que podem reduzir a resistência ou a durabilidade do concreto, com freqüência
podem ser removidas mediante lavagem. O ensaio de verificação mais simples é a deter-
minação do percentual de material que passa na peneira no. 200 (0,075mm), durante a
lavagem. Na maioria dos casos, não se permitem valores superiores a 3%.

O ensaio de sanidade com sulfato de sódio fornece um indicador da presença de


fraqueza estrutural num agregado. Os ensaios laboratoriais indicam que a resistência à
compressão está relacionada com a perda percentual de agregado graúdo no ensaio com
sulfato de sódio. Os requisitos do ensaio dependem da localização e do tipo da estrutura
e dos conhecimentos que se têm acerca dos agregados disponíveis. Em geral, as amos-
tras de agregado são consideradas aceitáveis se a perda de areia, em peso, for inferior a
8% e a de cascalho, 10%, após cinco ciclos.

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O ensaio de abrasão Los Angeles fornece informações valiosas relativas à dureza e


à resistência de um agregado, assim como um indicador da desagregação que poderá
esperar-se de um determinado material durante seu armazenamento, manuseio e trans-
porte. Existe uma relação clara entre a resistência do concreto e a qualidade do agregado
graúdo, medido pelo ensaio de abrasão Los Angeles. Em geral, recomenda-se que o agre-
gado graúdo não perca mais do que 10% do seu peso, após 100 revoluções, nem mais do
que 40%, após 500.

O exame petrográfico auxilia na interpretação dos ensaios físicos e químicos dos


agregados e poderá expor fraquezas não constatadas pelos ensaios físicos padronizados.
O agregado deverá ser examinado visualmente e identificado de acordo com as diferenças
mineralógicas e químicas que apresenta. O grau de revestimento das partículas, a nature-
za da substância que as recobre e o formato das partículas também são determinados. O
potencial de reatividade nociva dos agregados com os álcalis do cimento deverá ser
verificado mediante ensaios químicos.

Após o exame petrográfico, ao se recomendar o ensaio da barra de argamassa para


determinar o potencial de reatividade álcali-agregado, os agregados de concreto são ensaia-
dos em barras de argamassa de 25mm X 286mm, produzidas com cimentos-padrão de
alto e de baixo teores de álcali. A fim de estabelecer a existência de uma condição
máxima na qual percentuais menores de agregado reativo poderão produzir maior expansão,
serão realizados ensaios dos agregados, tanto areia quanto agregados graúdos britados
até o tamanho de areia, a 25, 50 e 100%, apenas com cimentos de alto teor de álcali. O
quartzo neutro britado até tamanho de areia, a 75, 50 e 0%, respectivamente, constitui o
restante do agregado. Se qualquer destas combinações resultar em expansão igual ou
superior àquelas descritas a seguir, o agregado será considerado reativo e deverão ser
tomadas precauções para seu uso. Em algumas barras, utiliza-se cimento de baixo teor de
álcali, ao invés do de alto teor, a fim de se estabelecer se ocorrerão expansões outras que
as causadas pela reação álcali-agregado. Desta forma, será possível estabelecer definitiva-
mente a reatividade do agregado e determinar a eficácia do uso de cimento de baixo teor
de álcali.

Os resultados dos ensaios de barra de argamassa estão correlacionados à rapidez e


à magnitude de deterioração causada pela reação álcali-agregado nas estruturas de cam-
po. Qualquer combinação de agregado e cimento-padrão de alto teor de álcali que cause
expansão linear superior a 0,20% na argamassa, no período de um ano, produzirá uma
deterioração por expansão facilmente identificável no concreto, através da reação álcali-
agregado. Os agregados que causam expansão inferior a 0,10%, em um ano, quando
utilizados com cimento-padrão de alto teor de álcali, são inócuos no que diz respeito à
reatividade álcali-agregado. Não há provas claras de reatividade nos agregados que cau-
sam expansão entre 0,10 e 0,20%, em um ano, quando usados com cimentos de alto
teor de álcali; mas vários agregados desta categoria têm sido associados à deterioração
de concreto. Conseqüentemente, tais agregados só poderão ser utilizados com cimento
de baixo teor de álcali ou em combinações apropriadas de cimento portland e pozolanas.

3.5.5.2 Análise dos Dados de Campo e de Laboratório

Os relatórios de campo relativos à investigação de agregados deverão ser revisa-


dos, e a granulometria e outros dados submetidos deverão ser reduzidos a valores médi-
os, considerando a profundidade total utilizável em cada poço de exploração. Quando a
investigação for suficientemente extensa, compilar-se-ão dados médios ponderados para
toda a área da jazida, ou para a área provável de exploração. Os resultados dos ensaios de
laboratório deverão ser tabulados e dispostos de forma que facilitem comparações com
os dados de campo.

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Em geral, após a análise dos dados de campo e laboratoriais compilados, relativos


às diversas jazidas de agregado, escolhe-se, tentativamente, uma jazida e são testadas
novas amostras no laboratório, para determinar as propriedades do concreto produzido
com esse material. Os dados são também utilizados para preparar os desenhos e as
tabelas das especificações.

3.5.5.3 Quantidade de Agregado

Um importante elemento na análise dos dados relativos ao fornecimento de agrega-


do é a quantidade disponível em relação à quantidade requerida. Conforme indicado no
item 3.5.3.3, é possível utilizar métodos mais grosseiros de avaliação durante a prospecção,
mas, após a exploração de uma ou mais áreas, será preciso estimar acuradamente os
diversos tamanhos de agregado requeridos e disponíveis. A quantidade necessária de
agregado deverá ser determinada a partir do tipo e do volume de concreto especificado no
projeto. Será preciso calcular a quantidade de material adequado na jazida, com base nos
dados dos poços de exploração, das análises granulométricas e das áreas representadas
nos poços de exploração.

3.5.5.4 Seleção dos Agregados

Quando existe mais de uma fonte possível de agregado, será necessário considerar
vários fatores, na seleção definitiva do agregado. A qualidade relativa do material das
diversas fontes é a mais importante e a que mais deverá pesar na escolha. O histórico de
uso do agregado proveniente de uma determinada fonte e os exames do concreto produ-
zido com esse agregado poderão fornecer informações valiosas acerca da sua qualida-
de. Essas indicações deverão ser avaliadas junto com as características do agregado que
afetam o concreto.

As considerações econômicas ditarão a escolha da fonte de agregado quando a


qualidade dos diversos agregados for equivalente. O estudo deverá avaliar a localização
da jazida e o grau de beneficiamento requerido para cada agregado. O agregado que puder
ser entregue na central dosadora pelo menor custo não será necessariamente o mais
econômico, pois poderá requerer maior teor de cimento ou de outros agregados de fonte
mais dispendiosa. Além disso, muitas vezes parte do custo de beneficiamento, como a
correção da granulometria, poderá ser compensado quando tal beneficiamento permitir
uma redução no teor de cimento empregado. Em geral, o agregado que produzir a qualida-
de desejada, ao menor custo total, deverá ser selecionado.

3.6 Prospecção de Materiais Pozolânicos

3.6.1 Ocorrência Geológica da Pozolana

As pozolanas naturais originam-se como tufos e cinzas vulcânicos, ou como argilas


e folhetos, os quais se acumulam em ocorrências estratificadas. As formações podem ser
grossas ou finas. Podem ter características e composições muito variáveis ou serem
uniformes numa grande área. As cinzas muito finas obtidas nas chaminés das usinas de
geração de energia elétrica que usam carvão pulverizado como combustível constituem
um tipo de pozolana artificial. Devido à possível variabilidade, é indispensável submeter
as fontes potenciais de pozolana a investigação, amostragem e ensaios exaustivos, a fim
de se estabelecerem a extensão da jazida e a quantidade de material utilizável disponível.

3.6.2 Amostras

Os ensaios laboratoriais realizados nas amostras de pozolana fazem parte das in-
vestigações preliminares dos materiais de construção. As instruções relativas à amostragem
e ao transporte de amostras de pozolana são similares às dos agregados de concreto, as

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quais foram descritas nos itens 3.5.3.4 e 3.5.4.6. As amostras deverão pesar cerca de
25kg, cada uma. As amostras de materiais promissores de ocorrências não exploradas
poderão ser obtidas em qualquer afloramento natural ou corte exposto ou, quando neces-
sário, em poços ou trincheiras de exploração.

3.6.3 Ensaios e Análises dos Materiais Pozolânicos

As amostras de pozolana submetidas às investigações preliminares estarão sujeitas


a análise petrográfica e a ensaios químicos e físicos. Esses testes permitirão a eliminação
de materiais de qualidade inferior e daqueles cujo beneficiamento seria demasiado
dispendioso. Materiais promissores, que pareçam preencher os requisitos da obra e este-
jam disponíveis a um custo competitivo, deverão ser testados exaustivamente na produ-
ção de concreto, a fim de estabelecer, quantitativamente, seu efeito no concreto, assim
como determinar as dosagens que maximizarão as vantagens potenciais e minimizarão
qualquer qualidade desvantajosa da pozolana.

As propriedades das pozolanas que influenciam diretamente sua qualidade incluem


triturabilidade, necessidade de calcinação ou de outro beneficiamento, peso específico,
finura, água requerida, desenvolvimento de resistência com cimento portland, efeito na
reação álcali-agregado, geração de calor, etc. Por exemplo, a triturabilidade reflete-se nos
custos de beneficiamento. O peso específico controla a relação peso-volume entre o
cimento e a pozolana. Uma pozolana que requeira mais água aumentará a contração de
secagem e diminuirá a durabilidade, embora o uso de agentes incorporadores de ar dimi-
nua, até certo ponto, esses efeitos.

3.7 Solos Colapsíveis

3.7.1 Geral

Os solos colapsíveis são encontrados em todo o mundo, em depósitos de loess,


eólicos, coluviais, de corrida de lama, aluviais, residuais ou em aterros artificiais. Os solos
colapsíveis são aqueles sujeitos a um rearranjo radical das partículas acompanhado de
brusca redução de volume, quando inundados, submetidos a carga adicional, ou a ambos.
Em geral, estes solos são encontrados em regiões áridas ou semi-áridas e têm estrutura
porosa. Apresentam um alto índice de vazios e um baixo teor de umidade, bem inferior ao
de saturação. Tipicamente, a estrutura destes solos, de baixo peso específico, consiste
em partículas mais grossas, ligadas nos pontos de contato por silte e/ou uma fração
argilosa, e geralmente, pela sucção das fases ar-água.

Tem-se atribuído à adição de água a causa primordial para o desencadeamento do


colapso do solo. Entretanto, o colapso pode ocorrer devido à aplicação de carga, com
inundação do solo, ou ambas. Desta maneira, o colapso pode ser causado pelo aumento
da pressão aplicada além da resistência das ligações, ou pela redução da resistência,
mantida a pressão. Independentemente da causa física das ligações entre partículas,
todos os solos colapsíveis sofrem enfraquecimento com o aumento de umidade. A redu-
ção da resistência é mais imediata nos casos de grãos ligados por sucção capilar, mais
lenta no caso de cimentação química, e muito mais lenta no caso de matriz argilosa. Por
isso, o colapso total pode demorar algum tempo, e mesmo anos, até ocorrer. As estrutu-
ras típicas de solos colapsíveis constam da Figura 3.19.

A distribuição mundial destes solos e as dificuldades de se construir sobre eles são


há muito reconhecidas. No entanto, é comum negligenciar seu estudo, pois, de maneira
geral, predominam em regiões áridas, de desenvolvimento econômico limitado. Com o
desenvolvimento dos projetos de irrigação em algumas destas áreas, terras que nunca
foram cultivadas estão recebendo grandes volumes d’água e, conseqüentemente, os pro-
blemas associados aos solos colapsíveis tornam-se evidentes.

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Figura 3.19 Estruturas típicas de solo colapsíveis

Existem solos colapsíveis de espessura considerável, com freqüência até 30m ou


mais, embora sempre em áreas onde o lençol freático está a uma profundidade ainda
maior. Os fatores que afetam o valor do colapso e sua velocidade, são mineralogia das
frações presentes, índice de vazios inicial, histórico de tensão do solo, formato dos grãos
maiores e sua granulometria, teor de umidade in situ, tamanhos e formatos dos poros,
agentes de ligação ou cimentícios presentes, espessura da camada de solo e valor da
carga adicional, seja hidrostática, seja estrutural. O colapso pode ser considerável, con-
forme demonstrado pelo recalque dos canais de irrigação, de até 5m, no centro-oeste do
Vale de São Joaquim, Califórnia, Estados Unidos.

3.7.2 Resumo das Propriedades

Os solos colapsíveis apresentam uma variedade de condições de ocorrência. Fo-


ram constatadas propriedades específicas em solos colapsíveis específicos, e,
freqüentemente, tais propriedades não pertencem a outros solos colapsíveis. Uma vez
que o recalque de efeito destrutivo varia de uma estrutura para outra, é necessário deter-
minar o recalque permissível, a fim de assegurar um projeto eficaz. As diretrizes gerais
relacionadas a seguir podem ser aplicáveis.

„ Existem solos colapsíveis em relevo montanhoso ou de planície, em clima árido ou


úmido. Entretanto, em áreas geográficas delimitadas, a identificação de uma ori-
gem ou de uma feição geomorfológica poderá ajudar na localização de solos
colapsíveis similares;
„ O valor e velocidade de colapso parecem ser afetados por muitos fatores, incluindo
mineralogia, fração de argila, formato dos grãos, granulometria, teor de umidade,
índice de vazios, tamanho e formato dos poros, agentes de ligação e outros;

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„ O teor de umidade in situ é bem inferior ao correspondente a um grau de saturação


de 100%. O grau de saturação para ocorrer o colapso máximo varia, em geral, entre
13 e 39%. Alguns solos podem até aumentar de resistência, inicialmente, à medida
que o teor de umidade aumenta;
„ Embora alguns solos sejam sujeitos a colapso quando inundados sem qualquer
carga adicional, uma sobrecarga provoca colapso ainda maior. Outros solos exigem
carga adicional para que haja colapso;
„ Ensaios simples de rotina podem identificar solos susceptíveis a colapso. Os ensai-
os mais complexos fornecem dados para a determinação do valor de colapso. En-
tretanto, nenhum dos ensaios simula as condições de campo. Poderão ser necessárias
correlações e ajustes à medida que se acumularem experiência e dados de campo.
Estas correlações provavelmente não são transferíveis de uma área para outra.

3.7.3 Identificação dos Solos Colapsíveis

O engenheiro geotécnico deve ser capaz de identificar facilmente os solos que


podem sofrer colapso e determinar a magnitude de colapso que pode ocorrer. Dentre os
depósitos de solo mais sujeitos a colapso, destacam-se:

„ Os aterros fofos;
„ As areias depositadas pela ação dos ventos;
„ Os resíduos de erosão em encostas, com baixo peso específico;
„ Solos coluviais e residuais porosos;
„ Sedimentos aluvionares, arenosos porosos;
„ Talus corridos de lama.

Em alguns casos, o engenheiro também considerará o tempo necessário para a


ocorrência do colapso, especialmente se isto conduzir a recalques diferenciais sob a es-
trutura.

É difícil identificar e prever o colapso, porque não há um critério único aplicável a


todos os solos colapsíveis. Os ensaios de rotina nem sempre são indicadores confiáveis
da presença de solos colapsíveis, devido à diversa natureza das ligações. Até hoje, a
maioria das classificações utilizadas na identificação de um solo colapsível está baseada
nas relações entre a porosidade, o índice de vazios, o teor de umidade e o peso específico
seco in situ.

3.7.3.1 Observações de Campo

Quando se tem uma certa vivência, assim como uma boa compreensão dos princí-
pios básicos do fenômeno, é possível identificar, a partir do perfil natural do solo no
campo, a possibilidade de colapso do solo. Dentre os pontos a serem considerados,
destacam-se os seguintes:

„ O recalque por colapso não ocorre em solos abaixo do lençol freático, já que a
condição de saturação parcial é requisito essencial do colapso;
„ Se o solo for siltoso ou argiloso, provavelmente terá consistência dura ou rija devi-
do à saturação parcial. Portanto, durante a inspeção do local da obra, é preciso
considerar o teor de umidade in situ e fazer sua determinação sobre amostras
naturais. Ocorrem erros na avaliação da susceptibilidade ao colapso, quando o
engenheiro se esquece, ao examinar o perfil seco, que o subsolo sofrerá elevação
da umidade, após o término da obra.

Existe um ensaio de campo muito simples, que pode ser utilizado na avaliação do
potencial de colapso de um solo. Retira-se um torrão de material com 10 a 20cm de
dimensão, da parede do poço de inspeção, de fragmentos de sondagem a trado, ou de

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Elaboração de Projetos de Irrigação

outra fonte. Este torrão é separado em dois, e os pedaços são aparados até ficarem com
aproximadamente o mesmo volume. Uma amostra é umedecida, amolgada e modelada
com as mãos, em formato de bola. O volume desta bola é comparado ao volume da
amostra indeformada. Se a bola amolgada for obviamente menor do que a amostra
indeformada, deverá suspeitar-se de um colapso.

3.7.3.2 Ensaios de Laboratório

Uma vez que os baixos pesos específicos são indicativos de estrutura porosa, o
peso específico seco in situ constitui um bom parâmetro para a previsão de colapso.
Também têm sido utilizados o teor de umidade, o índice de vazios, o limite de liquidez, o
percentual de saturação, o limite de plasticidade, o índice de plasticidade e a densidade.
Os diversos critérios de colapsibilidade encontram-se resumidos e discutidos nos traba-
lhos de Thornton e Arulanandan [1] e Nowatzki [2].

Um critério de fácil aplicação, que exige apenas os valores de peso específico seco
e limite de liquidez, tem sido aplicado com êxito para definir os solos potencialmente
colapsíveis na obra do canal de San Luis, no Vale de São Joaquim, nos Estados Unidos.
Este critério estabelece uma linha limite em que os vazios do solo são suficientes para
conter a umidade do solo no seu limite de liquidez [3]. Os solos com pesos específicos,
acima da linha mostrada na Figura 3.20, são porosos e, se totalmente saturados, teriam
teor de umidade superior ao limite de liquidez. Quando o solo tem peso específico tão
baixo que o volume dos vazios pode acomodar o teor de umidade do limite de liquidez, ou
mais, a saturação poderá causar uma consistência de limite de liquidez, na qual o solo
oferece pouca resistência à deformação. Quando o volume dos vazios é ainda maior, a
saturação resulta num teor de umidade superior ao limite de liquidez, com considerável
potencial de colapso. Se não ocorrer colapso, o solo certamente estará em condições
muito sensíveis [4].

Um outro ensaio laboratorial útil é o ensaio edométrico. Molda-se um corpo de


prova de uma amostra indeformada com teor de umidade in situ, de modo a encaixar-se
no anel do edômetro. A seguir, o corpo de prova pode ser submetido a uma carga padrão,
conforme sugerido por Knight [5], ou a algum valor que represente uma condição conhe-
cida de campo ou de projeto. Após a aplicação da carga, o corpo de prova é inundado
com água e deixado repousar durante um intervalo de tempo. Após estabilização, conti-
nua-se o ensaio edométrico até o valor de carga máxima. O potencial de colapso poderá
ser avaliado com base na mudança de altura do corpo de prova provada pela inundação,
conforme mostrado na Figura 3.21 e resumido na tabela a seguir. Este valor é apenas
indicativo do potencial de colapso e é afetado por muitas variáveis, embora, após sufici-
entes ensaios, possa ser muito útil para estabelecer correlações válidas em áreas geográ-
ficas específicas.

Alguns valores sugeridos de potencial [6] são:

Valores de Potencial de Colapso


PC – % Gravidade do Problema
0–1 Não há problema
1–5 Grau moderado
5 – 10 Problemático
10 – 20 Problemas Graves
> 20 Problemas Gravíssimos

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Figura 3.20 Critério de Avaliação da Probabilidade de Colapso

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Figura 3.21 Resultado Típico do Ensaio de Potencial de Colapso

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Entretanto, segundo Nowatzki [2], do ponto de vista da engenharia, os solos sus-


ceptíveis a colapso só trazem problemas quando o colapso resultante da inundação exce-
de valores aproximados de 6 a 8%.

O ensaio edométrico e o gráfico de limite de liquidez versus peso específico, consi-


derados em conjunto, em geral fornecem uma indicação confiável da susceptibilidade ao
colapso e podem complementar as análises baseadas em outros critérios. Recomenda-se
o ensaio edométrico como o método principal para caracterizar os solos colapsíveis. Na
maioria dos projetos, as análises de recalque devem ser realizadas considerando os verda-
deiros acréscimos de tensões, as espessuras das camadas e a tolerância da estrutura a
deslocamentos, ao invés de se utilizarem apenas critérios empíricos. Em geral, é melhor
realizar um maior número de ensaios simples do que poucos ensaios mais sofisticados.
Existe um ensaio edométrico abreviado, efetuado com um número menor de estágios de
carga do que o usual, no qual o corpo de prova é inundado à pressão equivalente ao peso
da terra sobrejacente, mais a carga estrutural. Este ensaio fornece dados tão confiáveis
quanto os de ensaios mais refinados, e é mais fácil de realizar.

É preciso reconhecer que os ensaios edométricos não simulam as condições de


campo: enquanto os corpos de prova são saturados nos ensaios de laboratório, o colapso
in situ ocorre para um grau de saturação crítico, inferior à saturação completa.

Para que os resultados dos ensaios edométricos sejam confiáveis, é muito impor-
tante a extensão de amostras indeformadas de altíssima qualidade, realmente representa-
tivas dos solos em estudo. Os melhores resultados são obtidos com blocos talhados
manualmente, devidamente acondicionados e cuidadosamente transportados até o labo-
ratório.

As amostras indeformadas colhidas com um trado com eixo oco também são acei-
táveis, pois este é o único método disponível de se obterem amostras indeformadas de
alta qualidade de estratos mais profundos, sem utilizar-se lama de perfuração ou outros
fluidos. Amostras obtidas com amostrador cravado ou empurrado não são apropriadas, já
que a estrutura do solo é amolgada durante a amostragem. Os corpos de prova de labora-
tório moldados dessas amostras produzirão resultados errados.
O engenheiro geotécnico deverá ser cuidadoso na aplicação dos resultados de en-
saios aos vários critérios, e só raramente depender dos valores de peso específico apenas
para analisar a susceptibilidade ao colapso; sabe-se que diversos solos são estáveis em
faixas de peso específico bem diferentes. Também é importante determinar o tipo de
solo, sua plasticidade, a capacidade de retenção de água e os efeitos da inundação,
visando o colapso global do solo [4]. O intervalo de tempo até o colapso total também
pode ser uma importante consideração, pois algumas vezes transcorrem longos períodos,
de até mesmo anos. Aliás, todas estas diretrizes devem ser utilizadas com discernimento
e adaptadas ao caso particular estudado.

Jennings e Knight [6] também propuseram um método, utilizado na elaboração de


projetos, de prever o recalque devido a colapso, com base nos resultados do ensaio
edométrico duplo. A principal dificuldade na interpretação dos resultados deste ensaio é
que é virtualmente impossível obter e ensaiar dois corpos de prova com propriedades
físicas idênticas, mesmo quando se originam de um único bloco indeformado.

O ensaio mais representativo seria aquele efetuado em campo, com a carga real
aplicada. Entretanto, tal procedimento é dispendioso, demorado e só mostra o efeito na
pequena área testada.

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3.7.4 Métodos de Amostragem dos Solos Colapsíveis

Ao se fazer a amostragem de materiais porosos, é muito importante a obtenção de


amostras indeformadas, cuja estrutura e índice de vazios não tenha sido alterado durante
o processo de amostragem. A estrutura fofa destes materiais dificulta a obtenção de
amostras indeformadas, para a determinação do peso específico in situ e para a realização
de ensaios de laboratório. A amostragem a seco é preferível, porque o uso de água na
perfuração rotativa, para amostragem de camadas profundas, sempre envolve o risco de
que o fluido penetre no solo à frente da sonda e mude suas propriedades. Além disso,
qualquer carga ou pressão aplicada durante a perfuração rotativa com água pode adensar
o solo amostrado. Blocos indeformados talhados manualmente, de alta qualidade, podem
ser obtidos em poços ou trincheiras de exploração, embora sejam necessários outros
métodos de amostragem quando as amostras são de camadas mais profundas. Em geral,
não é prático escavar poços de inspeção para retirada de blocos indeformados, além de
cerca de 10m de profundidade.

A obtenção de amostras indeformadas de solo é um processo dispendioso, reque-


rendo o maior cuidado durante cada fase do processo: extração da amostra no campo,
sua identificação, descrição, manuseio e acondicionamento, transporte até o laboratório e
execução dos ensaios. É preciso o máximo cuidado na manipulação das amostras. Uma
amostra que sofre amolgamento, submetida a ensaio, como indeformada, é mais prejudi-
cial que qualquer amostra, já que os resultados dos ensaios podem levar a um dimensiona-
mento errado e a um projeto de fundações falho.

3.7.4.1 Amostras Talhadas Manualmente

Em geral, os blocos talhados manualmente sofrem menos amolgamentos do que


amostras obtidas por outros métodos; por isso, o método manual é preferível. Este tipo de
amostragem deve ser efetuado com todo o cuidado e com ferramentas apropriadas, para
evitar o amolgamento ou o fissuramento da amostra. A amostra não deve ficar exposta à
variação de umidade enquanto é aparada, manuseada e transportada. O procedimento de
obtenção das amostras talhadas manualmente é descrito no subitem 3.3.4.1.

3.7.4.2 Métodos de Sondagem Mecânica

Independentemente do método de amostragem utilizado, é importante que a sonda


e o amostrador estejam em bom estado e mantidos limpos. Conforme já foi discutido,
trabalhar em condições secas é ideal para se colherem amostras de solos colapsíveis.

É possível obter amostras indeformadas, de boa qualidade, de solos colapsíveis


utilizando-se lama de perfuração ou outros fluidos, mas somente com operadores muito
experientes e cuidadosos. Existem vários amostradores de barrilete duplo que apresen-
tam um desempenho adequado com esse método. Estes amostradores utilizam tubos de
revestimento interno rígidos, de metal não corrosivo ou de plástico. A amostra de solo
entra no tubo à medida que o amostrador avança no subsolo. A amostra, nos tubos
rígidos de metal ou de plástico, pode então ser facilmente removida, suas extremidades
regularizadas e seladas, acondicionada para transporte ao laboratório.

O ideal é utilizar um amostrador de grande diâmetro (cerca de 16cm), de modo a


amolgar o mínimo possível a amostra. Os diversos amostradores de barrilete duplo, e suas
características, são discutidos em vários relatórios, assim como no “Earth Manual” [7].

Até bem recentemente, o único método de obtenção de amostras indeformadas,


sem o uso de fluidos de perfuração, era o amostrador cravado. Estes amostradores são
também denominados amostradores tipo Shelby. Técnicas de laboratório aprimoradas,
como o uso de exame radiográfico com raios X, demonstraram que a amostragem por

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Elaboração de Projetos de Irrigação

cravação causava grave deformação e compactação das amostras de solos porosos [8].
Portanto, foi realizada uma investigação com o intuito de determinar se um amostrador de
trado com eixo oco, recém-desenvolvido, poderia obter amostras menos amolgadas dos
solos porosos. Os resultados foram positivos, e o trado com eixo oco é atualmente muito
utilizado quando as amostras precisam ser retiradas a seco. Tem sido também muito
empregado no estudo de aterro compactado de barragens existentes, de modo a eliminar
o risco de fraturamento hidráulico do maciço pelo uso de água de perfuração.

Embora os amostradores cravados tenham sido usados amplamente no passado,


sua utilização na retirada de amostras indeformadas de solos porosos é desaconselhável,
uma vez que comprometem qualquer análise da susceptibilidade do solo ao colapso.

Nos Estados Unidos, existem diversos fabricantes de equipamentos de sondagem


que produzem trados com eixo oco para amostragem. Tais amostradores (com tubo de
revestimento interno rígido) são atualmente (1990) a melhor ferramenta para se obterem
amostras indeformadas em grandes profundidades, em solos porosos. Os amostradores
de maior diâmetro (entre cerca de 16 e 21cm) devem ser utilizados, devido à excelente
qualidade das amostras obtidas para ensaios de laboratório. Dependendo do tipo de solo,
das suas condições e da capacidade da sonda, podem-se obter a profundidades de até 30
a 40 metros. A Figura 3.22 apresenta um esquema do sistema de perfuração a trado com
eixo oco.

3.7.5 Tratamento dos Solos Colapsíveis

Muitos métodos de tratamento dos solos colapsíveis têm sido utilizados. O método
selecionado dependerá de vários fatores como: a profundidade da camada de solo colapsível,
o tipo de estrutura a ser construída, os recalques admissíveis pela estrutura, a probabilida-
de da umidade na fundação aumentar e as tensões serem impostas à fundação pela
estrutura. Embora algumas vezes sejam feitas tentativas para impedir o acesso da água
às fundações, é muito provável que os solos da fundação sejam saturados em alguma
oportunidade da vida do projeto, especialmente nos projetos de irrigação agrícola.

Na avaliação das medidas de tratamento, é necessário estabelecer a espessura dos


depósitos, não havendo uma demarcação nítida de depósito raso para profundo. Medidas
atenuadoras superficiais, como a compactação com rolos ou soquetes, muito provavel-
mente não produzirão qualquer resultado nos depósitos profundos (profundidade superior
a 3m) e podem funcionar, ou não, nos depósitos rasos. Cada situação requer avaliação
individual e, com freqüência, diversas tentativas, com vários métodos, antes de se atingi-
rem resultados satisfatórios. Se forem identificados solos colapsíveis na fundação de uma
estrutura, incluindo os canais, o objetivo principal deverá ser a estabilização dos solos,
antes de se iniciar a construção. Em geral, é muito menos dispendioso tratar do problema
nesta fase do que após a conclusão da construção. Além disso, os custos de manutenção
serão menores, a operação do projeto será mais eficiente e a vida útil das estruturas, mais
longa.

As medidas de tratamento dos solos colapsíveis podem ser classificadas como


segue:

„ Hidrocompactação;
„ Consolidação do solo;
„ Compactação dinâmica;
„ Vibroflotação;
„ Escarificação profunda e inundação;
„ Outros métodos de densificação.

O uso destes métodos e suas peculiaridades são discutidos nos próximos itens [9].

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Figura 3.22 Esquema do Trado com Eixo Oco

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3.7.5.1 Descrição dos Métodos de Tratamento

3.7.5.1.1 Hidrocompactação

Este método visa a indução do colapso do solo antes da construção, por meio do
alagamento superficial. Em geral, é utilizado para estruturas condutoras de água, onde
não se pode evitar a água após a construção. A fim de garantir a inundação de todas as
camadas passíveis de colapso, com freqüência são utilizados poços de injeção. Estes
métodos só podem ser empregados quando a drenagem é assegurada por uma camada
permeável na base ou quando o depósito é tão espesso que permitirá drenagem vertical
durante a compressão da parte superior do depósito [10].

O “Bureau of Reclamation” realizou amplas investigações sobre o colapso que ocor-


re antes da construção e da aplicação de carga. Nas grandes estruturas flexíveis (ou seja,
barragens de terra), permite-se algum recalque durante a construção. As estruturas rígidas
(isto é, os canais revestidos de concreto) podem sofrer graves danos devido a recalques
diferenciais, sendo necessário, com freqüência, o tratamento antes da construção. Den-
tre as investigações realizadas, destacam-se as seguintes: Canal de San Luis, Califórnia
[11] [12]; Bacia do Rio Missouri; local da barragem de Medicine Creek, Nebraska; Canal
de Courtland, Kansas; Canal de Upper Meeker, Nebraska; Barragem de Sherman, Nebraska,
para citar apenas algumas [13].

Prokopovich [14] e Bara [15] descreveram diversos métodos de pré-umedecimento


do solo usando técnicas de alagamento ou aspersão de água. Relatam que a inundação da
superfície (alagamento) ou a aspersão, em conjunção com o uso de poços de infiltração,
é o método mais eficiente e rápido de fazer com que grandes quantidades de água se
desloquem vertical e horizontalmente através do subsolo (Figura 3.23 [16]), provocando
sua saturação.

Denisov [17] recomenda que, em área passível de hidrocompactação, sejam estu-


dadas áreas piloto e seções de canais experimentais antes da construção (em Lofgren
[13]). Adverte, contudo, que áreas pequenas nem sempre sofrem recalque equivalente
àquele observado em áreas maiores. Bara [15] também indicou que as pequenas lagoas
sofrem menor recalque que as grandes. Já foram utilizados trechos experimentais com
diversas dimensões:

„ Duas lagoas experimentais (aproximadamente 40m X 40m, cada) foram utilizadas


em áreas de subsidência potencial, no Canal de San Luis [18];
„ Uma lagoa experimental (aproximadamente 25m X 40m) foi utilizada numa seção
da Estrada Interestadual 25, perto de Algodones, no estado de New Mexico [19];
„ Duas lagoas com 25m de diâmetro foram utilizadas numa área entre leques aluviais,
ao longo da Estrada Interestadual 70, perto de Grand Valley, Colorado [20].

O tempo de alagamento deverá ser suficiente para que a água se infiltre no solo
uniformemente (Figura 3.24). Shelton et al. [20] concluíram, através de estudos de alaga-
mento, que a saturação parcial produzia um colapso imediato parcial. Todas as tentativas
razoáveis de saturar toda a coluna de solo tenderam a eliminar o problema de colapso
secundário causado por horizontes de solo parcialmente saturados, e que não sofrem
colapso.

Constatou-se que o tratamento por pré-alagamento, em conjunto com a aplicação


de pré-carregamento o local da estrutura, diminui o tempo total necessário ao colapso e é,
com freqüência, indispensável quando os solos requerem tanto inundação quanto aplica-
ção de carga, para sofrer colapso. Uma sobrecarga constituída por aterro, no local da
estrutura proposta, pode pré-carregar o solo enquanto inundado, até uma tensão equiva-
lente ou superior aos valores previstos no projeto. O uso de pré-carregamento ajuda a
promover a ocorrência do colapso antes da construção da estrutura [1].

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Figura 3.23 Pré-Tratamento de Solo Colapsível


Trincheira de Inundação de Poços de Infiltração.

Figura 3.24 Curva de Recalque X Tempo Referente ao Lago L ; Marco L


Localização, e Pino 33 Localizado a 12m ao Norte do Lago

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Certas áreas do Vale de São Joaquim permaneceram alagadas por mais de um ano
antes da construção do Aqueduto da Califórnia. Trabalhando com solos profundos de até
50m no Canal de San Luis, foram necessários quase dois anos para atingir a quase
estabilização sob o pré-alagamento [18]. Na Romênia [21], o revestimento dos canais foi
adiado por 2 a 4 anos, a fim de garantir que a maior parte do colapso ocorresse antes da
colocação do revestimento (em [1]).

A pré-inundação, embora dispendiosa, minimiza o futuro colapso do solo e reduz


substancialmente os custos de manutenção, reparos ou reconstrução.

3.7.5.1.2 Solidificação do Solo

Métodos que consolidam o solo, de maneira que não seja afetado pela umidade e
não perca sua resistência ao cisalhamento, podem ser utilizados para evitar o colapso dos
solos.

Sokolovich e Gubkin ([22] o primeiro; [23], ambos) pesquisaram técnicas de estabiliza-


ção química no tratamento dos solos colapsíveis (em [24]). Os métodos empregados são:

„ A silicificação gasosa dos solos arenosos e de loess;


„ O reforço dos cimentos de carbonatos, por meio de polímeros;
„ O enrijecimento dos solos aluviais, mediante soluções de silicatos argilosos.

A silicificação gasosa envolve a mistura do solo com dióxido de carbono e de uma


solução de silicato de sódio. Um ensaio de campo em solos arenosos não-carbona- tados,
pré-tratados com dióxido de carbono, demonstrou que a resistência aumenta entre 20 e
25% [24].

Outras investigações realizadas por Sokolovich demonstraram que é possível esta-


bilizar os loess por meio de tratamento com amoníaco. Neste tratamento, o amoníaco
gasoso é injetado através de furos de sondagem no loess sujeito a recalque do tipo
abatimento (“slump”). Uma reação do hidróxido de cálcio precipitado (resultante de uma
reação de troca catiônica com o cálcio absorvido), da sílica e do ácido silícico coloidal do
solo leva à formação de uma ligação calcário-silícica que estabiliza o solo. Durante a
estabilização gasosa dos loess, a cal que precipita, devido a uma reação química, sedimenta
na superfície dos grãos do solo. Apenas o esqueleto do loess é estabilizado. A estabiliza-
ção gasosa dos loess só diminui a tendência desses solos ao recalque por colapso [24].

Litvinov [25] relata que o uso de processos térmicos e termoquímicos muda com-
pletamente a estabilidade dos depósitos de loess (em [13]). A aplicação de tratamento
térmico a depósitos do tipo loess resultou em mudanças das características físicas (isto é,
perderam a propensão a adensar; já não ficaram fofos quando molhados; e sua resistência
à compressão, ao cisalhamento e à compactação aumentou consideravelmente). A esta-
bilização térmica foi alcançada pelo bombeamento de calor para dentro do solo, por meio
da circulação de ar comprimido pré-aquecido à temperatura entre 600 e 800 graus centí-
grados, ou mediante a injeção e queima subterrânea de combustíveis enriquecidos com
produtos químicos especiais. Não foi encontrada qualquer referência que documentasse o
uso do tratamento térmico em campo.

O uso de cal ou de cimento Portland para estabilizar a ligação argilosa ou provocar


a cimentação e, conseqüentemente, aumentar a resistência do ligante, é um método
convencional sempre utilizado com êxito. Arman e Thornton [26] pesquisaram o uso de
cimento Portland e cal na estabilização de loess colapsíveis na Louisiana e propõem seu
uso sempre que o equipamento de construção puder incorporar estes produtos ao solo.
Esses investigadores recomendam que a pesquisa relativa às técnicas de estabilização
prossiga para determinar os efeitos da cal a longo prazo.

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3.7.5.1.3 Compactação Dinâmica

A compactação dinâmica consiste no uso de um guindaste ou de um tripé capaz de


suspender e deixar cair um grande peso (por exemplo, 15t), de uma grande altura (isto é,
15m) (vide Figura 3.25). Este método de pré-tratamento dos solos colapsíveis foi testado
e documentado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do estado de New Mexico
[19], num trecho experimental na Estrada Interestadual 25.

3.7.5.1.4 Vibroflotação

Vibroflotação utiliza uma sonda vibroflotadora desenvolvida na Europa, sustentada


por um guindaste (Figura 3.26). A sonda vibra a partir de um peso excêntrico ativado por
um motor elétrico ou hidráulico interno. São lançados jatos d’água sob pressão da ponta
e ao longo da sonda. O vibroflotador gradualmente atravessa a camada de solo que está
sendo tratada pela vibração dos jatos d’água e do próprio peso. Descendo e içando a
sonda, e se for necessário, alimentando o furo com brita, e fazendo-a penetrar no solo em
torno, os solos são comprimidos e retrabalhados até atingir um peso específico maior
[19].

Compactação
Dinâmica

Fig. 3.25 Pré-Tratamento de Solos Colapsíveispor Compactação Dinâmica.

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3.7.5.1.5 Escarificação Profunda e Umedecimento

Profunda escarificação, umedecimento do solo acima da umidade ótima e compac-


tação com rolos vibratórios pesados, têm sido tentados. Este método consiste na escari-
ficação em profundidade de até 1m e adição de água. O solo é trabalhado de modo que se
atinja um teor de umidade mínimo de 5% acima do ótimo, uniforme em todo o solo [19].
O solo pode ser compactado superficialmente com um rolo liso vibratório pesado. Tal
método foi utilizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de New
Mexico, com o intuito de obter informações relativas a: recompactação de solos poro-
sos, penetração da umidade nos solos indeformados pela ação do rolo, o colapso e sua
propagação, sem inundação, e ao efeito de ponte (da zona superior compactada) sobre as
áreas sujeitas a colapso.

3.7.5.1.6 Outros Métodos de Adensamento

Aitchison e Tokar [27] relataram o uso de explosões na superfície e subsuperfície,


cuja finalidade era impor cargas adicionais sobre o material, na Rússia. O “apiloamento”
ou cravação de fundações no solo colapsível, até além da carga admissível e causando o
colapso subseqüente do solo, também foi relatado [27].

Figura 3.26 Pré-tratamento de Solos Colapsíveis Técnica de Vibroflotação.

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3.7.5.2 Eficácia dos Métodos de Tratamento – Vantagens e Desvantagens

3.7.5.2.1 Hidrocompactação

A hidrocompactação por meio de rega por aspersão sem poços de infiltração foi
descrita por Bara [15] como o método menos adequado dentre os seis por ele pesquisados.
Utilizando uma faixa de 12m de largura sem poços (após 61 dias) a água tinha penetrado
apenas 9m. A escarificação da superfície do solo com grade de discos não auxiliou na
penetração da água. Camadas finas impermeáveis podem prejudicar a eficácia dos méto-
dos de alagamento e de rega, quando não forem instalados poços de infiltração. Uma
vantagem da rega é que utiliza menos água do que o de alagamento com poços de injeção
e, ao final, efetua o pré-tratamento adequado do solo colapsível. Dentre as desvantagens,
destacam-se:

„ Não é eficaz quando existem zonas impermeáveis;


„ É demorado (isto é, leva muito tempo para se atingir a total da saturação do solo);
„ A perda de água por evaporação é substancial nas regiões áridas.

Numa das investigações para o Canal de San Luis, a hidrocompactação por rega,
associada a poços de injeção, permitiu que a água atingisse a profundidade de 18m, em
apenas 31 dias. O uso de poços de infiltração foi considerado mais eficiente, porque
diminuiu o tempo de umedecimento pela metade e dobrou, ou triplicou, a quantidade de
água aplicada ao subsolo [16].

De acordo com Prokopovich [14] e Bara [15], o método mais eficaz de pré-trata-
mento das fundações para as estruturas de adução de água é o de pré-alagamento em
conjunto com poços de infiltração. Dentre as vantagens deste método vale a pena men-
cionar:

„ O período relativamente curto para atingir-se o colapso numa grande área;


„ A eficiência na difusão vertical e horizontal da água no substrato;
„ A penetração completa da água;
„ As desvantagens deste método são:
f A necessidade de usar grandes quantidades de água;
f Os altos custos quando a água é de difícil obtenção.

3.7.5.2.2 Solidificação do Solo

Ainda são necessários avanços tecnológicos antes de se poder usar o tratamento


térmico ou os aditivos químicos (além da cal e do cimento), em especial nos sistemas de
adução de água, quando se trabalha com materiais colapsíveis com profundidade variá-
vel. Para tornar viáveis estas alternativas, é necessário que os depósitos colapsíveis se-
jam superficiais, de modo a justificar o uso de tratamentos não convencionais e
dispendiosos. Por enquanto, estes métodos não apresentam quaisquer vantagens, des-
tacando-se dentre as desvantagens:

„ Seu alto custo potencial;


„ A incerteza de se conseguir a estabilização do solo;
„ A inexistência de experiência em grandes projetos ou em sistemas de adução de
água.

De acordo com o relatório do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de


New Mexico, a injeção de produtos químicos foi descartada, porque nenhum dos produ-
tos pesquisados mostrava-se promissor em relação à penetração dos solos relativamente
impermeáveis [19].

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3.7.5.2.3 Compactação Dinâmica

Os resultados de um estudo realizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem


do Estado de New Mexico [19] indicam que a compactação dinâmica teve o melhor
desempenho entre os métodos investigados, na estabilização de solos até profundidades
de 3 a 6m. As curvas de densidade demonstraram nítidas melhoras até 6m, e as densida-
des pretendidas, derivadas dos ensaios edométricos duplos, foram ultrapassadas na mai-
oria dos casos. As vantagens deste método incluem:

„ Eficácia;
„ O colapso do solo pode ser facilmente verificado.

As desvantagens do método, de acordo com o relatório da instituição, são:

„ Substancial custo inicial de mobilização;


„ Alto custo por unidade de área tratada.

3.7.5.2.4 Vibroflotação

Conforme demonstrado pelos resultados do estudo realizado pelo Departamento de


Estradas de Rodagem do Estado de New Mexico, a técnica de vibroflotação é aceitável
para o tratamento de solos colapsíveis. Os pesos específicos desejados foram obtidos
com espaçamentos de 1,8 e 2,1m. A técnica que emprega vibroflotador é eficaz com os
solos colapsíveis. Dentre as desvantagens, destacam-se:

„ O custo substancial de mobilização do equipamento;


„ Embora não haja dúvida de que as condições do solo natural melhoram em toda a
área experimental com o uso da vibroflotação, é difícil quantificar o desempenho do
método.

Com base no estudo realizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do


Estado de New Mexico [19], concluiu-se que a vibroflotação e a compactação dinâmica
podem produzir o resultado desejado; entretanto, uma vez que nenhum dos dois métodos
foram utilizados com solos colapsíveis, não há justificativa para o seu uso, e pouca proba-
bilidade de que o método venha a ser competitivo.

3.7.5.2.5 Escarificação Profunda e Umedecimento

Conforme indicado no relatório do Departamento de Estradas de Rodagem do Esta-


do de New Mexico, o método que combina escarificação profunda, umedecimento e
passagem de rolo vibratório foi o menos eficaz de todos os métodos testados, não tendo
produzido praticamente nenhuma melhoria de densidade na zona de 6 a 8m do solo
colapsível. O método foi descrito nesse relatório como de êxito pouco provável, mesmo
antes de se iniciarem as experiências. As vantagens do método são:

„ É pouco dispendioso;
„ Não há alto custo inicial de mobilização.

A desvantagem do método é sua ineficácia, não representando, portanto, uma


alternativa viável.

3.7.6 Adoção de Medidas de Projeto

Na elaboração dos projetos de irrigação em áreas de solos colapsíveis, ao invés de


se tratar do solo, é possível, algumas vezes, adotar as medidas relacionadas a seguir:

„ Projetar de forma a permitir o colapso do solo após a conclusão da construção;

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„ Usar estacas e tubulões;


„ Alívio de pressão sobre as fundações;
„ Remover os solos colapsíveis.

3.7.6.1 Projeto para Recalque Após a Construção

Quando se estima que os recalques potenciais de um solo colapsível são pequenos,


é possível projetar algumas estruturas, como diques e canais, prevendo futuro recalque.
Em geral, esta é a abordagem menos dispendiosa para solos colapsíveis e, se o projeto for
adequado, as obras de irrigação podem ser construídas, operadas e mantidas, conviven-
do-se com os recalques.

No caso de canais, por exemplo, podem ser utilizados revestimentos flexíveis que
preservem a seção do canal e mantenham a impermeabilidade, mesmo após pequenos
recalques. Os revestimentos que podem ser utilizados nestes casos são a argila e as
membranas flexíveis. Quando se deseja que a seção de canal seja equivalente a uma
seção revestida de concreto, é possível utilizarem-se revestimentos intercalados (tipo
sanduíche), com uma membrana plástica inferior, um geotêxtil no meio, colado à mem-
brana plástica e que adere bem ao concreto, e uma camada superior de concreto. A
camada de concreto pode ser relativamente fina, sendo que fissuramentos e pequenos
recalques diferenciais não afetam a integridade do revestimento. Com freqüência, estes
tipos de revestimento podem ser colocados diretamente sobre o solo colapsível, sem
qualquer tratamento, ou com tratamento mínimo, se estudos preliminares indicarem que
haverá pouco recalque. Quando estes revestimentos forem utilizados, é conveniente pre-
ver-se sobre elevação, de maneira que reste borda livre suficiente, após ocorrer o recalque
do solo.

Os diques podem ser projetados e construídos com precisão de alteamento após o


recalque, a fim de se manter a elevação desejada. É importante monitorar o recalque do
solo e se acrescentar material à medida que for necessário, e da maneira especificada.

3.7.6.2 Uso de Estacas ou Tubulões

As estacas e os tubulões podem constituir uma fundação segura para as estruturas


de concreto construídas sobre solos sujeitos a colapso quando molhados. Em geral, são
utilizados em grandes estruturas, como estações de bombeamento, usinas de energia
elétrica e pontes. É importante que as estacas e os tubulões atinjam profundidade sufici-
ente para se apoiar em solos não sujeitos a colapso quando saturados, ou em rocha sã. A
Figura 3.27 mostra a perda de resistência com o aumento de umidade de uma estaca de
madeira de 7m de comprimento, cravada em loess seco de baixo peso específico. O uso
de estacas de deslocamento (isto é, estacas de madeira), por exemplo, em conjunto com
a pré-inundação das fundações, antes da cravação das estacas, apresenta nítidas vanta-
gens em comparação com outros tipos de estacas. á medida que é cravada, a estaca
provoca o deslocamento do solo fofo e sua compactação, fornecendo, desta forma, uma
fundação mais densa [10].

3.7.6.3 Prevenção de Colapso pelo Alívio das Pressões

O uso de fundações flutuantes, o alívio das pressões do solo pela remoção de


material, e a prevenção do umedecimento são formas de minimizar o colapso dos solos.
Melhorar a drenagem superficial poderá ser a alternativa mais econômica de prevenir ou
minimizar o colapso, no caso de estruturas não hidráulicas. A melhoria das condições de
drenagem deve incluir evitar o alagamento ou a criação de saturação superficial, ou
subsuperficial e o subseqüente colapso. Bally et al. [21] relataram que a distância entre as
estruturas hidráulicas (isto é, estações de bombeamento) e as estruturas de adução de
água (canais, etc) deveria ser equivalente a duas a três vezes a espessura das camadas
sujeitas a colapso [1].

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Figura 3.27 Capacidade de Carga dos Estacas de Madeira em Solos Colapsíveis e


Molhados (Segundo Holtz E Hilf, 1961)

3.7.6.4 Remoção dos Solos Colapsíveis

Se o solo colapsível for superficial ou de dimensões limitadas, poderá ser mais


econômico escavar o material e substituí-lo por material compactado [10]. Este tratamen-
to das fundações tem sido utilizado em pequenas estações de bombeamento, fundações
de pontes e diversas estruturas nos canais, como extravasores, sifões e comportas.

3.7.7 Resumo

Muitos métodos têm sido utilizados para reduzir os efeitos prejudiciais de solos
colapsíveis. Embora alguns sejam usados com mais freqüência, todos são eventualmente
empregados. Antes de selecionar um método, é importante o conhecimento preciso da
extensão e magnitude do problema, por meio de investigações geotécnicas cuidadosas
e detalhadas.

Uma revisão da literatura existente acerca deste assunto indica que a pré-inunda-
ção é a medida mais utilizada para induzir os recalques dos solos colapsíveis antes da
construção. Dependendo das circunstâncias, medidas de projeto, previstas durante sua
elaboração, podem fornecer uma solução técnica e economicamente viável de enfrentar
os solos colapsíveis. Muitas vezes também é possível e apropriado utilizar uma combi-
nação de dois ou mais métodos.

É indispensável realizar algum estudo comparativo antes de decidir qual o método a


ser empregado. Cada método alternativo, seja tratamento, seja medida incluída no proje-
to, deverá ser analisado quanto ao custo, previsão de comportamento, facilidade de apli-
cação ao caso e eficácia. Em alguns casos, poderá ser necessário testar um ou mais

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Elaboração de Projetos de Irrigação

métodos em seções experimentais de campo, antes de se fazer a seleção final do(s)


método(s) a ser(em) utilizado(s) em todo o projeto. Freqüentemente, o procedimento
menos complicado fornece os melhores resultados.

3.8 Argilas Dispersivas

3.8.1 Geral

Os problemas potenciais causados por argilas dispersivas são de tamanha magnitu-


de que podem conduzir a graves problemas de engenharia, se ocorrerem em estruturas
hidráulicas e aterros para barragens ou estradas e se não forem devidamente identificados
e tratados. Tal dificuldade é de âmbito mundial e, em muitos países, houve rupturas de
estruturas, atribuídas a argilas dispersivas. Há uma extensa literatura acerca desses materiais
e das suas propriedades, publicada em periódicos internacionais.

A magnitude e a abrangência do problema exigem a participação de engenheiros


geotécnicos na elaboração dos projetos de grandes barragens e de outras obras de enge-
nharia civil. Entretanto, a experiência indica que os engenheiros geotécnicos só ocasional-
mente participam da elaboração de projetos de irrigação. Finalmente, os últimos avanços
ocorridos na elaboração de projetos sobre argilas dispersivas não são aceitos generaliza-
damente.

3.8.2 Descrição

No passado, os solos argilosos eram considerados muito resistentes à erosão cau-


sada pelo fluxo d’água, mas, nos últimos anos, tornou-se evidente que, na natureza,
existem determinados solos argilosos muito sujeitos à erosão. Alguns solos argilosos
naturais defloculam e se dispersam na presença de água relativamente pura e, portanto,
estão muito mais sujeitos à erosão e ao “piping”. A tendência à dispersão de um solo
depende de diversas variáveis, como argilo-minerais e os sais dissolvidos na água dos
vazios do solo e na água externa [28]. Essas argilas são rapidamente erodidas por água
fluindo vagarosamente, mesmo em comparação com as areias e os siltes finos sem coe-
são. Quando um solo argiloso dispersivo é imerso em água, a fração de argila tende a se
comportar como composto por partículas individuais. Isto é, as partículas de argila têm
atração eletroquímica mínima e pouca aderência ou ligação às outras partículas do solo.
Desta forma, os solos de argila dispersiva são erodidos pelo fluxo d’água, pois as placas
e flocos individuais de argila são separados e carregados pela água. Essa erosão pode
iniciar-se numa trinca de dissecação, numa fissura de recalque ou em outros canais de
alta permeabilidade na massa do solo. A principal diferença entre as argilas dispersivas e
as argilas comuns, resistentes à erosão, parece residir na natureza dos cátions na água
dos poros da massa de argila. Nas argilas dispersivas há uma preponderância de sódio,
enquanto, nas argilas comuns, predominam os cátions de cálcio, potássio e magnésio na
água dos poros [29].

Os fenômenos da argila dispersiva foram inicialmente observados pelos agrônomos


há mais de 100 anos; sua natureza básica já era bem compreendida pelos cientistas de
solo e engenheiros agrônomos há quase 50 anos [30] [31], mas a importância deste
assunto na prática da engenharia civil só foi reconhecida no início da década de 60,
quando foi iniciada, na Austrália, uma pesquisa relativa a rupturas de barragens de terra
por “piping” em maciços de argilas dispersivas [32]. A pesquisa foi motivada por inúme-
ras rupturas de pequenas barragens de argila ocorridas naquele país. Desde então, o
assunto tem sido amplamente investigado, de modo a refinar os procedimentos de iden-
tificação das argilas dispersivas, o que não pode ser efetuado pelos ensaios laboratoriais
convencionais, como a classificação visual, a granulometria, ou os limites de Atterberg
[28] [33]. Foi observado que existem grandes diferenças na erodibilidade de materiais
com aparência visual e índices idênticos, mesmo quando as amostras são retiradas de
locais próximos, de uns poucos metros.

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3.8.3 Fatores Geográficos e Climáticos

As argilas dispersivas não foram associadas a uma origem geológica específica,


embora a maioria tenha sido encontrada como depósitos formados no pé de taludes e no
leito de lagos, depósitos de “loess” (material fino depositado pelo vento) e depósitos
aluvionais nas planícies de inundação. Em algumas áreas, argilitos e xistos argilosos dos
depósitos marinhos têm os mesmos sais na água dos poros encontrados nas argilas
dispersivas, e seus solos residuais são dispersivos. Em Zimbábue, também encontram-se
argilas dispersivas associadas aos granitos e aos arenitos [67].

Em áreas de topografia íngreme capeadas por argilas dispersivas, é fácil reconhecer


a erosão superficial característica, com cristas irregulares e sinuosas, e canais e túneis
profundos, que se formam rapidamente.

Nas planícies e nas áreas de colinas suaves, é raro encontrar qualquer evidência
superficial de argilas dispersivas, devido a uma camada protetora de areia siltosa e ao solo
vegetal, das quais as partículas de argila dispersivas foram removidas. A ausência de
sinais de erosão superficial, típicos das argilas dispersivas, não indica necessariamente a
inexistência destes solos. As argilas dispersivas podem ser vermelhas, marrons, cinzen-
tas, amarelas ou de diversas combinações destas cores. Os solos negros com evidente
alto teor de matéria orgânica não são dispersivos [34]. Quase todos os solos finos, reco-
nhecidamente derivados do intemperismo in situ de rochas metamórficas e ígneas, têm
sido não-dispersivos em ensaios, como também ocorre com os solos derivados de rocha
calcária [28].

Os primeiros estudos pareciam indicar que as argilas dispersivas estavam associa-


das somente aos solos formados em climas áridos ou semi-áridos e em áreas de solos
alcalinos. Mais recentemente, constatou-se que existem esses mesmos solos e proble-
mas de erosão, em climas úmidos, em diversas localidades. Há referências a problemas
causados pelas argilas expansivas em projetos hidráulicos de lugares tão diversos como
Austrália, Tasmânia, México, Trinidad, Vietnã, áfrica do Sul, Tailândia, Israel, Gana, Bra-
sil, Venezuela e muitas partes do sul dos Estados Unidos [28]. Os solos dispersivos são
encontrados em 60% de Zimbábue [67], tendo sido também relatado o rompimento de
uma barragem de materiais dispersivos no Quênia.

3.8.4 Conseqüências na Engenharia

Virtualmente todos os estudos mostram que o rompimento de estruturas construídas


com solos de argila dispersiva ocorreram com o primeiro enchimento. Todas as rupturas
estavam associadas à presença de água e trincas de contração, recalque diferencial ou
defeitos de construção.

Tais situações enfatizam a importância da identificação precoce dos solos de argila


dispersiva. Os problemas decorrentes deste tipo de solo podem resultar em eventos
repentinos, irreversíveis e catastróficos que levam à ruptura.

3.8.4.1 Mecanismos de Ruptura por “Piping”

Na explanação clássica da ruptura por “piping” ou erosão interna em barragens, o


fluxo concentrado à jusante se origina na água que percola pelo solo. A erosão inicia-se
no ponto de saída do fluxo, onde existe uma concentração local de forças de percolação
e de erosão. A erosão progride para montante, formando um tubo, até alcançar a entrada
d’água, quando pode ocorrer uma ruptura repentina e catastrófica. A erosão é favorecida
nos solos finos não-coesivos, com pouca resistência às forças de arraste da água que
parcela.

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Com as argilas dispersivas, o “piping” decorre de um processo de defloculação, em


que a água flui através de um canal de percolação preferencial, como uma fenda, desde
seu início. Há erosão simultânea em todo o comprimento das paredes do canal de infiltra-
ção. Ao contrário da erosão em solos não-coesivos, nas argilas dispersivas o processo de
erosão não decorre da percolação através dos poros da argila. É preciso que haja um fluxo
concentrado para que se inicie a erosão [28]. Os danos causados pela erosão nos aterros
construídos com argilas dispersivas em geral ocorreram em áreas com grande potencial
de fissuramento, como ao longo de tubulações, em áreas com grandes diferenças de
compressibilidade nos materiais das fundações, ou em áreas de dissecação [36].

Uma das propriedades que determina a susceptibilidade ao “piping” por dispersão é


o percentual de cátions de sódio absorvido pelas partículas de argila, em relação à quan-
tidade de outros cátions polivalentes (cálcio, magnésio e potássio). Um segundo fator
determinante é o conteúdo total de sais dissolvidos na água do canal ou do reservatório.
Quanto menor for este teor de sais dissolvidos, maior será a susceptibilidade da argila
sódica saturada à dispersão.

Quando se inicia um fluxo concentrado através de um aterro construído com argila


dispersiva, podem ocorrer duas coisas: i) se a velocidade for bastante baixa, a argila em
torno do canal de fluxo poderá expandir e, progressivamente, tamponar o canal e bloque-
ar o escoamento; ii) se a velocidade inicial for suficientemente alta, as partículas de argila
dispersiva serão carregadas pela água, aumentando o canal de fluxo com mais rapidez do
que a expansão o diminui, o que levará à ruptura progressiva por erosão.

3.8.4.2 Erosão das Argilas Dispersivas Causada Pelas Chuvas

A erosão superficial devido à precipitação pode ocorrer em massas de solo coeso,


com freqüência, em conjunto com a erosão por dispersão. O desplacamento de certos
solos contribui para a erosão superficial e também pode constituir fator determinante na
erodibilidade interna de argilas dispersivas. A reação da superfície do solo à presença de
água é, essencialmente, a formação de torrões de solo, e o desplacamento é a desagrega-
ção desses torrões em fragmentos discretos, quando imersos em água. Essa desagrega-
ção pode chegar até os colóides individuais de argila, quando os torrões de solo são
constituídos de argila dispersiva. Duas causas do desplacamento são a substituição do ar
ocluso pela água e as tensões de tração, causadas pela expansão [37].

Existem substanciais diferenças no potencial de erosão por precipitação, em talu-


des de solos dispersivos e não-dispersivos. Os taludes naturais de solos não-dispersivos,
normalmente cobertos por vegetação e contendo matéria orgânica na camada superficial
do solo nas áreas úmidas, em geral apresentam muito pouca erosão. Em geral, os solos
dispersivos não são encontrados na camada superficial dos taludes naturais, devido ao
processo de eluviação, que é o movimento de partículas de argila de um horizonte para
outro – inferior – dentro do solo. Um estudo de argilas dispersivas no estado de Mississipi,
nos Estados Unidos, demonstrou que, embora muitas pequenas barragens tenham desen-
volvido túneis de erosão devido à precipitação, não ocorreram danos causados pela chuva
no solo natural adjacente às barragens [38].

Um estudo relacionando o comportamento em laboratório com as situações de


campo [39] demonstrou que quando o solo caulinítico era umedecido vagarosamente, a
partir da superfície, não ocorria escamamento, mas, quando era molhado rapidamente por
uma chuva mais forte, havia escamamento até uma profundidade considerável. No pri-
meiro caso, a fase de vapor d’água entrava na subsuperfície do solo, permitindo que o ar
se dispersasse. A água em estado líquido, rapidamente introduzida no solo, causava o
escamamento.

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Um outro estudo [40] descreve o desenvolvimento de substancial erosão por ravinas


e por túnel em taludes sem vegetação, de corte e de aterro, de argila dispersiva, quando
ocorria forte chuva após estiagem. Os taludes dos aterros de argila dispersiva com cober-
tura vegetal também estavam sujeitos a grave erosão por túnel, sob determinadas condi-
ções climáticas, por exemplo, forte precipitação após seca.

Foi desenvolvida uma relação [41] entre o teor de sódio e o total de sais solúveis
(igual à concentração iônica total) na água extraída dos poros do solo, nos aterros que
foram muito erodidos pela chuva. Os taludes da maioria das barragens e aterros sujeitos
a erosão pela chuva tinham excelente cobertura de grama. Pensou-se, na oportunidade
(1972), que somente os aterros de solos com menos de 15meq/l (miliequivalentes por
litro) de sais solúveis totais eram susceptíveis à erosão pela chuva. Subseqüentemente,
foi demonstrado que a erosão pela chuva ocorre em aterros compactados com sais solú-
veis totais na faixa de 50 a 150 meq/l [28] [42]. Constatou-se também que a erosão pela
chuva, em alguns solos classificados como dispersivos em ensaios de laboratório, podia
não ser maior, nos taludes com cobertura vegetal de aterro ou de corte, do que nos solos
não-dispersivos. Essa variação no comportamento das argilas dispersivas está ligada ao
potencial de fissuramento, à velocidade de inchamento para fechar as fissuras, às condi-
ções climáticas, ou à rapidez das partículas coloidais [28] [43] entrarem em suspensão.

3.8.5 Experimentos com Argilas Dispersivas

A identificação sistemática das argilas dispersivas na prática da engenharia civil é


tão recente que apenas poucas grandes barragens foram construídas, com a preocupação
voltada ao problema, embora muitas obras civis tenham sido construídas. A experiência
de milhares de barragens erguidas de acordo com as normas aceitas na época constatou
muito poucas rupturas ou problemas menos severos devidos a “piping”, e quase todas
essas rupturas ou esses problemas foram atribuídos a alguma condição não prevista pelo
projetista, como controle de qualidade inadequado durante a construção ou condições
geológicas não identificadas durante os levantamentos. As únicas exceções a estes bons
desempenhos foram rupturas de barragens de terras homogêneas, nas quais surgiram
infiltrações no talude à jusante, sem terem passado por filtros. Muitas destas barragens
foram relativamente pequenas, tendo sido construídas de maneira econômica, como açudes
dentro de propriedades rurais, que não contaram com qualquer assistência técnica [28].

Nos casos relatados, a maioria dos problemas com argilas dispersivas ocorreu em
barragens de terra existentes, construídas antes do reconhecimento e da identificação
das dificuldades associadas às argilas dispersivas. Os problemas resultantes foram de
erosão interna ou “piping”, desenvolvimento de túneis, erosão superficial e voçorocas
internas (formação da parte vertical de um túnel de erosão subterrâneo, cuja base é maior
do que o topo, em formato de jarra).

Virtualmente, todos os estudos demonstraram que as rupturas de estruturas


construídas sobre argilas dispersivas ocorreram à primeira vez que foram inundadas. Isso
inclui casos em que o reservatório ou o nível da água aumentou após ter permanecido
numa determinada cota durante algum tempo. Todas as rupturas estavam associadas à
presença de água e a fendas de contração, recalque diferencial ou defeitos de construção
[28], [33], [37], [38], [44]. Identificarem-se as fendas como um fator contribuinte, já que
todas as estruturas que sofreram ruptura devido à erosão interna se romperam durante
o primeiro enchimento, tendo-se constatado, com freqüência, a existência de túneis e
voçorocas, sem que houvesse erosão superficial. Outra condição para ruptura é que haja
um teor significativo de material de gradação tal que seja caneado pelo fluxo inicial da
água, o que desencadeia o processo de alargamento.

Foi também verificado que fendas verticais em argilas dispersivas podem alargar-se
em decorrência da saturação pela água que entra na fenda, mesmo sem fluxo [34]. Além

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da ruptura causada por “piping” nas argilas dispersivas das barragens de terra homogênea,
quando o reservatório é enchido pela primeira vez, é também possível que ocorra ruptura
por “piping” mais tarde, caso a concentração iônica da água do reservatório seja substan-
cialmente reduzida. Foi relatado o caso de uma barragem australiana, numa área de solo
salino [45], na qual o reservatório tinha sido originalmente enchido com água de poço que
apresentava concentração iônica relativamente alta, 26meq/l, e a barragem permaneceu
estável durante alguns anos, embora fossem registradas perdas contínuas por infiltração.
Após a conclusão de uma tubulação de 32km, para trazer água de menor teor iônico
(1,2meq/l) de um rio próximo, a barragem sofreu ruptura por “piping”, três dias depois.

Foram estudados vários locais para barragens onde só havia argila dispersiva para o
núcleo impermeável, e as ombreiras e as fundações eram também de argila dispersiva, de
grande espessura, impossibilitando a construção de um “cut off” [28]. Concluiu-se que o
risco dos túneis por “piping” se estendeu nas formações de argila dispersiva saturadas,
abaixo das trincas de ressecamento, ou o potencial de colapso, por saturação, era despre-
zível e não justificava medidas de proteção intensivas.

Há apenas poucos casos [28] de barragens baixas em regiões áridas em que os


túneis causados por “piping” continuaram pelas fundações ou ombreiras de solo natural,
em algumas dezenas de centímetros abaixo da base do maciço. Iniciaram provavelmente
em trincas de ressecamento ou de recalque. Quase todas as rupturas causadas por argila
dispersiva ocorreram devido a túneis no próprio maciço; não há casos conhecidos de
túneis nas fundações que se aprofundaram além do nível freático.

Sabendo-se, atualmente, que as argilas dispersivas são encontradas em todas as


regiões do mundo, pode-se inferir que existem inúmeras pequenas barragens de terra
homogêneas construídas com argila dispersiva, uma vez que esse material, na ocasião,
teria sido considerado apropriado à construção de barragens. Além disso, muitas dessas
barragens têm tido bom desempenho desde sua construção. Portanto, esta experiência
indica que a atual prática de elaboração de projeto e construção de barragens, que inclui
o uso de filtros bem projetados e um controle cuidadoso da obra, resultará em barragens
seguras, mesmo quando for utilizada argila dispersiva. Entretanto, o êxito no uso das
argilas dispersivas requer sua identificação e caracterização prévias e, quando utilizadas
em maciços, que sejam tomadas medidas de engenharia apropriadas.

3.8.6 Identificação das Argilas Dispersivas

A identificação de argilas dispersivas deverá ser iniciada com um reconhecimento


de campo, a fim de determinar se existe qualquer indicador de superfície, como configu-
rações singulares de erosão com túneis ou voçorocas profundas, acompanhados de
turbidez excessiva de qualquer água armazenada. A existência de áreas de baixa produ-
tividade agrícola ou de vegetação raquítica pode também ser um indicador de solos
bastante salinos, muitos dos quais dispersivos. Entretanto, os solos dispersivos podem
também ocorrer em solos neutros ou ácidos e podem sustentar abundante crescimento
de gramíneas [46]. Embora as evidências superficiais possam constituir importante indi-
cador da existência de solos dispersivos, a falta de tais evidências não exclui a presença
de argila dispersiva em cotas inferiores, sendo necessário proceder a mais investiga-
ções.

Conforme mencionado anteriormente, as argilas dispersivas não podem ser identifi-


cadas por meio dos ensaios de caracterização utilizados normalmente, como classificação
visual, análise granulométrica, ou limites de Atterberg. Conseqüentemente, foram desen-
volvidos ensaios de laboratório específicos. As argilas devem ser ensaiadas como rotina
durante os estudos para projeto das estruturas hidráulicas, nas quais a argila poderá estar
sujeita a erosão e a “piping”.

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3.8.7 Ensaios de Laboratório

Os cinco ensaios mais comuns são os de dispersão rápida, de granulometria dupla,


de furo de agulha (“pinhold”) de sais dissolvidos na água dos poros e o de capacidade de
troca de sódio. Os quatro primeiros são os mais freqüentemente utilizados nos Estados
Unidos, enquanto o quinto é o mais confiável e comum na Austrália [32], [47], [48], [49],
[50], na áfrica do Sul [46] e em Zimbábue [67]. É importante que todas as amostras sejam
mantidas e ensaiadas com o seu teor de umidade natural, uma vez que a secagem, espe-
cialmente em estufa, pode alterar as características de dispersão [28], [29], [51]. Embora
vários ensaios apresentem resultados consistentes para muitos solos, existe um número
significativo de exceções. Conseqüentemente, é aconselhável realizar todos os ensaios
sobre cada amostra.

3.8.7.1 Ensaio de Dispersão Rápida

O Ensaio de Dispersão Rápida de Emerson [52] foi desenvolvido como simples


procedimento para identificar o comportamento dispersivo do solo em campo, embora
atualmente seja utilizado também em laboratório. O ensaio consiste na moldagem de um
corpo de prova cúbico de cerca de 15mm de lado, com teor de umidade natural, ou da
seleção de um torrão de solo, com teor de umidade natural, com o mesmo volume,
aproximadamente. O corpo de prova é colocado, com cuidado, em 250ml de água desti-
lada. á medida que o solo começa a se hidratar, observa-se que as partículas de dimensão
coloidal tendem a deflocular e a entrar em suspensão. Os resultados são interpretados a
intervalos de tempo predeterminados, destacando-se quatro graus de reação: 1) nenhuma
reação; 2) leve reação; 3) reação moderada; 4) forte reação (nuvem coloidal cobrindo
todo o fundo do recipiente).

O guia de interpretação a seguir pode ser utilizado para avaliar o potencial de disper-
são do solo:

„ Nenhuma reação – o solo pode desagregar-se e depositar-se no fundo do recipien-


te, formando uma camada achatada, mas não há qualquer sinal de turbidez causada
por partículas coloidais em suspensão;
„ Reação leve a moderada – há uma incipiente de nuvem de colóides em suspensão,
ligeiro a fácil reconhecimento; os colóides podem estar concentrados em torno e
próximos ao torrão ou disseminados em finas estrias, no fundo do recipiente;
„ Forte reação – a nuvem coloidal cobre quase todo o fundo do recipiente formando uma
camada muito fina. Em casos extremos, a água apresenta-se completamente turva.

O ensaio de dispersão rápida é um bom indicador do potencial de erodibilidade


dos solos argilosos; contudo, argilas dispersivas algumas vezes podem dar reação não-
dispersiva neste ensaio. Se o ensaio indicar dispersão, o solo provavelmente será
dispersivo. O ensaio é descrito na USBR 5400, “Procedure for Determining Dispersibility
of Clayey Soils by the Crumb Test Method”. (Norma de Determinação da Dispersibilidade
de Solos Argilosos, de Acordo com o Método de Ensaio de Dispersão Rápida).

3.8.7.2 Ensaio de Comparação Granulométrica

O ensaio de dispersão, do Serviço de Conservação de Solos dos Estados Unidos,


também denominado ensaio de granulometria dupla, foi um dos primeiros métodos de-
senvolvidos para avaliar a dispersão dos solos argilosos. O método atualmente utilizado
foi desenvolvido a partir de um ensaio proposto por Volk [31], em 1937.

A amostra deverá ser remetida ao laboratório acondicionada num recipiente herme-


ticamente fechado, de modo a evitar a perda da umidade. O ensaio é realizado em corpos
de prova com teor de umidade natural.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Inicialmente, a distribuição granulométrica é determinada por meio do ensaio pa-


drão, no qual a amostra de solo é dispersada em água destilada, por meio de agitação
mecânica forte e de um dispersor químico. A seguir, é realizada uma granulometria para-
lela, num segundo corpo de prova idêntico, mas sem agitação mecânica ou agente
dispersor. O “percentual de dispersão” é a razão entre o teor de partículas de diâmetro
igual ou menor a 0,005mm, obtido no segundo ensaio, e aquele do primeiro ensaio,
expresso como percentual [53], conforme mostra a Figura 3.28.

Os critérios de avaliação do grau de dispersão, utilizando os resultados do ensaio de


comparação granulométrica, são:

Percentual de Dispersão Grau de Dispersão


< 30 Não-dispersivo
30 a 50 Intermediário
> 50 Dispersivo

O ensaio deverá ser realizado repetidas vezes, uma vez que a dispersibilidade do
solo pode variar consideravelmente, mesmo a pequenas distâncias, dentro de uma área
de empréstimo, ao longo do alinhamento de um canal, ou dentro de um aterro existente.

Existem evidências de que muitos solos dispersivos apresentaram valores de 30%,


ou mais, quando testados com este método [28].

3.8.7.3 Ensaio de Furo de Agulha (“Pinhole”)

Este ensaio foi desenvolvido para medir diretamente a dispersibilidade de solos


finos compactados. Neste ensaio, força-se o fluxo d’água através de um pequeno furo no
corpo de prova. O fluxo d’água, através do pequeno furo, simula o fluxo d’água através
de uma fenda ou de outro canal de fluxo concentrado, no núcleo impermeável de uma
barragem ou em outra estrutura.

Faz-se uma pequena perfuração de 1,0mm de diâmetro através de um corpo de


prova cilíndrico, com 25mm de comprimento e 35mm de diâmetro. Deixa-se percolar
água destilada através do furo, a cargas hidráulicas de 50mm, 180mm e 380mm, e
registram-se a vazão e a turbidez efluente. As cargas hidráulicas de 50, 180 e 380mm
resultam em velocidades de fluxo que variam entre cerca de 30 até 160cm/s, em gradien-
tes hidráulicos de aproximadamente 2 a 15. O ensaio foi desenvolvido por Sherard et al.
[29], e tem sido amplamente utilizado como ensaio físico [51], [54], [55]. É importante
que o ensaio se já efetuado em solo com teor de umidade natural, uma vez que a seca-
gem pode afetar os resultados, em alguns solos.

Se o material contiver areia grossa ou partículas de cascalho, estes deverão ser


removidos, passando-se a amostra por uma peneira no. 10 (2mm). O teor de umidade
natural deverá ser determinado, e o teor de umidade desejado para a compactação será
conseguido adicionando-se a quantidade de água requerida (ou por meio de secagem
gradual com ar, caso o solo esteja demasiado úmido). Só deverá ser acrescentada água
destilada.

O procedimento e o equipamento originais do ensaio do furo de agulha foram modi-


ficados pelo “Bureau of Reclamation”, como resultado de um amplo programa de investi-
gações de laboratório de campo, concluído em 1982. O novo ensaio de furo de agulha
produz os mesmos resultados do ensaio original, mas com procedimentos aprimorados de
preparo, manuseio e controle dos corpos de prova e com maior consistência dos ensaios.
Também foi desenvolvido um método quantitativo de classificação dos diversos graus de
dispersão, [51], conforme mostra a Figura 3.29.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Figura 3.28 Porcentagem de Dispersão, Ensaio de Comparação Granulométrica

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Figura 3.29 Grau de Dispersão X Vazão – Ensaio de Furo de Agulha (“Pinhole”)

Figura 3.30 Quadro de Dispersão Potencial

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Outros ensaios indiretos, como o de dispersão rápida, o de granulometria dupla e as


análises de cátion na água dos poros do solo e de potencial zeta, também são utilizados
para ajudar a identificar as argilas dispersivas. Entretanto, os resultados dos diversos
ensaios nem sempre são compatíveis, e o ensaio de furo de agulha é considerado o mais
confiável, por ser um ensaio físico. É preciso frisar que cada amostra de solo deverá ser
submetida a todos os ensaios, de modo a se colherem informações abrangentes e se fazer
a identificação mais confiável possível.

3.8.7.4 Ensaios Químicos

Durante a década de 60, os pesquisadores australianos chegaram à conclusão de


que a presença de sódio permutável era o fator químico determinante no comportamen-
to das argilas dispersivas [32], [49], [56]. O parâmetro básico para quantificar este efeito
é o ESP (“exchangeable sodium percentage” ou capacidade de troca de sódio), onde:

ESP = (sódio permutável)/[(capacidade de troca de cátions) (100)],


com unidade de meq/100gm de solo seco [33].

Os solos com ESP igual ou superior a 10, sujeitos à lixiviação dos seus sais livres,
por percolação de água relativamente pura, devem ser classificados como dispersivos.

Os critérios usados na classificação das argilas dispersivas, utilizando os dados de


ESP, são:

ESP Grau de Dispersão


<7 Não-dispersivo
7 a 10 Intermediário
> 10 Dispersivo

Outro parâmetro normalmente utilizado na quantificação da importância do sódio


na dispersão de um solo com sais livres é o SAR (“sodium absorption ratio” ou teor de
absorção do sódio) da água dos poros do solo, onde:

SAR = Na/[0,5 (Ca + Mg)], em meq/l.

O método SAR não é aplicável na ausência de sais livres. O uso do SAR está base-
ado no fato de os solos naturais estarem em equilíbrio com seu ambiente. Em particular,
existe uma relação entre a concentração de eletrólitos na água livre dos poros do solo e
os íons permutáveis na água absorvida pela camada dupla de argila.

Os pesquisadores australianos demonstraram que todos os solos são dispersivos


quando o SAR é superior a 2. Esse resultado é consistente para os solos com TDS (“total
dissolved salts” ou total de sais dissolvidos) entre 0,5 e 3 meq/l, mas não para os solos
fora desta faixa [67], conforme indicado na Figura 3.30.

Nos Estados Unidos, o método atualmente aceito de avaliação química do com-


portamento dispersivo dos solos é mostrado na Figura 3.31, onde:

Percentual de Sódio = Na (100)/(Na + Ca + Mg + K), medidos em meq/l


da água de saturação [33].

Na obtenção da água de saturação, o solo é misturado à água destilada até formar-


se uma pasta de solo saturado com teor de umidade próximo ao limite de liquidez. Deixa-
se descansar a pasta durante algumas horas até se atingir equilíbrio entre os sais na água

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Elaboração de Projetos de Irrigação

dos poros e a troca de cátions. Subseqüentemente, filtra-se um pouco de água dos poros
da pasta de solo por meio de vácuo. A água extraída dos poros é ensaiada utilizando-se
métodos químicos rotineiros, a fim de determinar os teores dos principais cátions metáli-
cos: cálcio, magnésio, sódio e potássio, em miliequivalentes por litro. A seguir, determi-
na-se o percentual de sódio e de sais dissolvidos totais (soma dos quatro cátions metáli-
cos).

Embora a Figura 3.31 tenha sido utilizada com algum êxito nos Estados Unidos, a
análise estatística dos dados demonstrou que o método não é consistente com os resul-
tados dos ensaios físicos (de furo de agulha), para cinco dos seis grupos de solos
pesquisados [55]. A utilização da Figura 3.31 foi bem sucedida, quando os dados prelimi-
nares indicavam que havia uma boa correlação entre os dados da Figura 3.31 e os resul-
tados do ensaio de furo de agulha. Então é possível se utilizarem os ensaios químicos, de
maneira confiável, em solos de uma mesma área, quando os dados relativos à água dos
poros são usados em conjunto com os ensaios físicos.

O uso da Figura 3.31 também não foi considerado suficientemente confiável pelos
engenheiros da áfrica do Sul e de Zimbábue [67], tendo sido desenvolvido um procedi-
mento para avaliar os efeitos dos sais dissolvidos na água dos poros sobre o potencial
de dispersão, conforme indicado na Figura 3.32 [46].

O principal requisito na coleta de amostras de solo em campo, para uso em ensai-


os de dispersão, é assegurar que não ocorra perda de umidade. As amostras devem ser
remetidas ao laboratório em recipientes herméticos.

3.8.8 Considerações de Engenharia

Em muitos casos, o primeiro indicador da existência de argilas dispersivas numa


determinada área foi a ruptura do aterro. Estas situações demonstram a importância de se
reconhecerem e identificarem estes solos precocemente. Os problemas decorrentes da

Figura 3.31 Quadro de Dispersão Potencial

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Figura 3.32 Avaliação química

presença de argilas dispersivas podem resultar em eventos repentinos, irreversíveis e


catastróficos, que levam à ruptura ou à quase ruptura de estruturas. A fim de evitar
graves problemas posteriores e utilizar adequadamente os solos disponíveis nas obras, é
necessário considerar a possível existência de solos dispersivos, tanto mais quando há
evidências provenientes de levantamentos da superfície e de estudos geológicos, confor-
me descrito anteriormente. Quando são identificados solos dispersivos durante a fase de
investigação de jazidas, é possível decidir acerca de materiais alternativos ou tomar as
medidas de engenharia necessárias para lidar com as propriedades dispersivas dos mate-
riais.

3.8.8.1 Seleção de Materiais para uma Construção Econômica

Embora exijam cuidados especiais quando utilizados em aterros, os solos dispersivos


podem representar a escolha mais econômica de material em determinadas circunstânci-
as. As limitações destes materiais e os graves problemas que podem acarretar não devem
impedir seu uso, quando materiais alternativos seriam mais dispendiosos.

3.8.8.2 Elaboração do Projeto e dos Cuidados Construtivos

Quase todas as numerosas rupturas devidas a argilas dispersivas ocorreram em


aterros homogêneos, sem filtros, e todas as rupturas por “piping” foram causadas por
uma percolação preferencial concentrada através do aterro. Estes fluxos concentrados
podem ser causados por trincas de ressecamento, recalques diferenciais, colapso por
saturação ou fratura hidráulica.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Além disso, as zonas de permeabilidade potencialmente maior, como em torno das


tubulações através do aterro, em torno de estruturas de concreto e na interface com as
fundações, exigem tratamento especial e controle cuidadoso durante a obra. Para evitar o
“piping” causado pela defloculação, a permeabilidade não deve exceder 10-5cm/seg.

Portanto, é necessário exercer um cuidadoso controle da compactação e do teor de


umidade durante a construção, para poder minimizar essas condições.

Os filtros de areia podem controlar as infiltrações dos aterros com eficácia e segu-
rança, independentemente de serem construídos com argila dispersiva ou não-dispersiva.
No fluxo em solo de argila dispersiva, o filtro não poderá impedir a passagem das partícu-
las coloidais em suspensão, mas as partículas de granulometria de silte, carregadas pelo
fluxo, não poderão entrar no filtro de areia e serão retidas no canal de fluxo, à montante
do filtro, selando, desta forma, gradualmente, a infiltração. Nos solos não-dispersivos, o
filtro é projetado para evitar que nos seus vazios passem as partículas mais finas da zona
que protege.

Com base nas considerações anteriores, Sherard et al. [59], [60] determinou que os
filtros de areia ou de areia com cascalho, com o D15 = 0,5mm ou menor, podem contro-
lar e selar, com segurança, fluxos concentrados através da maioria das argilas dispersivas
com D85 superior a aproximadamente 0,03mm. Os filtros de areia com o D15 = 0,2mm ou
menor são conservadores para as argilas dispersivas mais finas.

D15 = diâmetro das partículas do filtro, das quais 15% são menores,
por peso seco de solo;

d85 = diâmetro das partículas do solo base, das quais 85% são menores,
por peso seco de solo.

Estes critérios de filtro são idênticos para as argilas dispersivas e não-dispersivas


com granulometria similar.

Para ser eficaz perante às trincas, o filtro precisa ser não-coesivo. Caso contrário,
poderá sustentar uma trinca aberta e não proteger o núcleo fissurado.

Os mesmos critérios de elaboração de projetos podem ser utilizados quando se


empregam geotêxteis como elemento de filtro.

É necessário dar especial atenção às barragens com núcleos dispersivos sobre fun-
dações de rocha, e impedir que a argila penetre nas pequenas fendas da rocha. O melhor
procedimento é limpar as fendas até uma profundidade mínima igual a três vezes sua
largura e enchê-las com argamassa de cimento, antes de cobrir com calda de injeção a
interface núcleo-rocha. Também podem-se utilizar argilas dispersivas modificadas com
cal hidratada [37], ou argilas não-dispersivas com plasticidade média a alta, dependendo
das circunstâncias [28], [61], [62], [63].

Será necessário muito cuidado na compactação do solo adjacente a estruturas


rígidas, como tubulações. Em alguns casos, utilizou-se argila modificada com cal em
partes desta interface. Para a proteção de taludes, será necessário efetuar a estabilização
da argila dispersiva com cal quando não é economicamente possível adotar outras medi-
das, como o uso de cascalho e transição.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

3.8.8.3 Barragens e Aterros Existentes de Argila Dispersiva

No mundo inteiro existem inúmeras pequenas barragens e aterros homogêneos de


argila dispersiva que têm funcionado bem durante muitos anos. Isto pode ser concluído
com base na atual conscientização de que as argilas dispersivas são encontradas em
grandes áreas geográficas e no mundo inteiro.

É pouco provável que uma barragem ou um maciço, construído de argila dispersiva,


que tenha retido um reservatório sem infiltrações, venha a desenvolver um fluxo concen-
trado sob condições normais de operação do reservatório. No caso das grandes barragens
que retêm importantes reservatórios, particularmente se construídos com filtros, conclui-
se que, geralmente, não há razão para considerá-las insatisfatórias sob condições nor-
mais, em especial se não apresentaram qualquer infiltração ao longo dos anos.

Na reconstrução de barragens de argila dispersiva, nas quais ocorreram rupturas


devido a “piping”, têm-se utilizado solos modificados com cal nos reparos da ruptura e
na proteção dos taludes [28], [44], [64].

3.8.9 Resumo

As argilas dispersivas possuem propriedades singulares. Sob certas circunstânci-


as, podem deflocular e são rapidamente erodidas e carreadas pelo fluxo d’água. Estas
propriedades podem ter conseqüências desastrosas para as barragens de terra ou ou-
tras estruturas hidráulicas construídas com estes materiais. Entretanto, atualmente co-
nhece-se bem a distribuição geográfica e as propriedades das argilas dispersivas, assim
como os ensaios a que devem ser submetidas para sua identificação e seu uso em barra-
gens e aterros.

Com base nos atuais conhecimentos acerca das argilas dispersivas, acredita-se que
não é necessário mudar substancialmente os recentes procedimentos de projeto e de
construção das barragens de terra [28], [65]. Contudo, é importante que o engenheiro
saiba identificar as argilas dispersivas num determinado projeto, de maneira a poder
controlar adequadamente as áreas críticas em que este material será utilizado, durante
as fases de elaboração do projeto e de execução da obra. Pesquisa recente acerca de
filtros demonstrou que as argilas dispersivas podem ser utilizadas, com segurança e
eficácia, quando filtros adequadamente projetados são incorporados ao projeto. Nos
últimos anos, foram construídas diversas barragens de grande porte, com núcleos im-
permeáveis identificados como argilas dispersivas [63], [66], nas quais se utilizaram, na
construção, argilas dispersivas modificadas com cal em certas áreas críticas.

Em resumo, é possível construir barragens e outras estruturas hidráulicas seguras


utilizando-se argilas dispersivas, contanto que sejam tomadas determinadas precauções.
Estas precauções incluem, embora sem a elas se limitarem, o controle adequado de umi-
dade e densidade, o uso de filtros e drenos, adequação dos materiais de aterro ao local
em que serão colocados, o uso de proteção de areia-cascalho ou de solo modificado com
cal nos taludes, e o tratamento químico das argilas dispersivas. Sem exceção, as argilas
dispersivas identificadas até a data foram transformadas em não-dispersivas, acrescen-
tando-se cal [Ca(OH)2] na proporção de 1 a 4% (por peso seco de solo).

3.9 Solos Expansivos

3.9.1 Aspectos Gerais

Nas últimas décadas, cresceu a consciência acerca dos danos causados pelos solos
metaestáveis, que mudam de volume em contato com a água. O volume das argilas
expansivas aumenta, enquanto o volume dos solos colapsíveis diminui, quando se lhes

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acrescenta água, sob pressão constante. Tais solos são encontrados em qualquer parte
do mundo, independentemente do clima. Existem difíceis problemas de engenharia asso-
ciados a estes solos estruturalmente metaestáveis e, apenas nos Estados Unidos, os
danos causados a residências pelas argilas expansivas excedem os danos médios anuais
causados por enchentes, furações, terremotos e tornados, junto. Os problemas associa-
dos às argilas expansivas têm sido documentados mundialmente, em países como União
Soviética, China, Austrália, Israel, Brasil, Índia, Estados Unidos, áfrica do Sul, e em algu-
mas regiões da Europa e do Canadá.

Em geral, as argilas expansivas podem ser encontradas como solos residuais de-
senvolvidos a partir de rochas ígneas básicas e rochas sedimentares montmoriloníticas,
ou como materiais transportados derivados dos mesmos materiais matrizes.

As argilas são os finos plásticos do solo. Quando úmidas, possuem baixa resistên-
cia à deformação, mas formam uma massa dura e coesa quando secas. As argilas são
virtualmente impermeáveis, difíceis de compactar quando úmidas, sofrem grande defor-
mação sob carga e são impossíveis de drenar por meios comuns. Outras características
das argilas são as significativas expansão e contração resultantes das mudanças no teor
de umidade. Em geral, pequenas alterações no teor de umidade resultam em mudanças
abruptas na resistência das argilas, especialmente ao passarem de secas a úmidas.

Normalmente, os solos argilosos sofrem mudanças de volume quando se altera o


teor de umidade. Quando secos, os solos argilosos sofrem contração e fissuramento. Se
molhados após secagem, ocorre inchamento. As mudanças de volume na massa do solo,
resultantes de causas naturais ou artificiais, trazem problemas peculiares aos solos, os
quais não são normalmente encontrados com outros materiais de construção. O decrés-
cimo do volume é causado pela carga; é função do tempo; está associado a mudanças
nos teores de umidade e de ar; e é produzido por compactação e por vibração. O aumento
do volume é função da carga, do peso específico, do teor de umidade e do tipo de solo.

A maioria dos solos argilosos tem afinidade com a umidade, que só pode ser remo-
vida após considerável esforço. Muitos dos minerais argilosos atingem o estado de saturação
sem grandes mudanças de volume; alguns, contudo, como as argilas montmoriloníticas,
absorvem ou liberam grandes volumes de água e sofrem substanciais contração e expan-
são. As argilas montmoriloníticas são a principal origem de dificuldades e, uma vez que as
estruturas hidráulicas sempre provêem uma fonte de água para a expansão, é preciso
identificar e tratar estas argilas, a fim de evitar dispendiosas falhas.

Além do fenômeno normal de expansão, que ocorre por alívio de tensões, como
pela retirada do manto de intemperismo, certos tipos de solos e rochas argilosas apre-
sentam características de expansibilidade na presença da água.

O grau de expansão depende do tipo de mineral argiloso e da disponibilidade de


água, e é função do tempo, da pressão de confinamento, do peso específico inicial e do
teor de umidade inicial.

Os solos sujeitos a contração e expansão podem ser utilizados quando compactados


sob controle da umidade e carregados suficientemente com outros materiais, a fim de
impedir sua expansão. Os aterros que usam solos expansivos requerem taludes mais
abatidos e volumes maiores do que aqueles construídos com solos que não sofrem expan-
são. Em geral, isso justifica a procura de material de aterro de jazidas distantes, em lugar
da utilização de um solo expansivo próximo do canteiro de obras. Quando se constrói uma
estrutura, como um canal, sobre solo ressecado, e existe uma fonte de umidade, como da
irrigação, o solo terá seu teor de umidade aumentado após o término da obra. Se o solo
for propenso a inchamento pelo aumento da umidade, ocorrerá expansão. Em campo, a
expansão é restringida no plano horizontal, sendo predominante na direção vertical, o que

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provocará uma elevação da superfície. O movimento de subida inicia-se logo após o


término da obra e atinge seu auge alguns anos mais tarde, dependendo das condições de
permeabilidade dos solos das fundações. Esse levantamento é mais comum nas áreas
onde a evaporação excede a chuva, mas pode ser encontrado em áreas onde o clima
normal não apresenta deficiência de umidade. Uma vez que as argilas expansivas tendem
a apresentar permeabilidades extremamente baixas, o trânsito da umidade é lento e o
processo de expansão leva muito tempo. Devido a este elemento temporal, é possível que
as argilas moderadamente expansivas com um potencial de expansão menor, embora
com permeabilidade mais elevada, possam apresentar maior expansão in situ, durante
uma única temporada de chuvas, do que uma argila mais expansiva, que poderia sofrer
expansão muito superior, ao longo de um extenso período.

Quando são encontradas argilas com limites de liquidez superiores a 40% ou argilitos
plásticos, é preciso determinar se são suficientemente expansivos para causar qualquer
levantamento indesejável da estrutura. Isso pode ser conseguido mediante a determina-
ção da granulometria, dos índices de plasticidade e dos valores limites de contração dos
solos. Se os ensaios qualitativos indicarem competência duvidosa da fundação, será ne-
cessário realizar ensaios específicos, o que normalmente implica na obtenção de amos-
tras indeformadas e ensaios em laboratório.

3.9.2 Identificação das Argilas Expansivas

Muitas estruturas com fundações de argila têm desempenho satisfatório, embora


muitas outras falhem. As argilas que parecem ser mais traiçoeiras têm uma ou mais, das
seguintes características: índice de plasticidade superior a 25%, pelo ensaio de limites de
consistência (Atterberg); teor coloidal superior a 20%; alta sensibilidade, isto é, um peda-
ço do depósito natural amolece quando manipulado; e as características de contração e
expansão demonstrada pela contração e pelo fissuramento à medida que o solo seca.
Também há uma relação entre o teor de umidade e a resistência dos materiais argilosos.

O engenheiro geotécnico deverá estar capacitado para identificar facilmente os


solos passíveis de expansão e determinar o valor de levantamento que poderá ocorrer.
Têm sido desenvolvidas diversas classificações da expansão, de modo a separar os so-
los de baixo, médio, alto e muito alto potencial de expansão. É necessário reconhecer
que tais classificações não levam em consideração nem o teor de umidade e as condições
de tensão do solo na oportunidade da amostragem, nem as mudanças ambientais que
poderão ocorrer no futuro. Como primeiro passo, estas correlações são úteis, rápidas e
pouco dispendiosas.

Um dos métodos mais confiáveis e fáceis de usar na identificação preliminar das


argilas expansivas foi desenvolvido pelo “Bureau of Reclamation” dos Estados Unidos, no
início da década de 50. O índice de plasticidade, o limite de contração e o percentual de
partículas de solo com diâmetros inferiores a 0,001mm são correlacionados ao ensaio

Propriedades índice do Solo e Prováveis Mudanças de Volume nos Solos Muito Plásticos
Estimativa da
Dados do ensaios de índice (1)
expansão provável, (2)
(% da mudança total de Grau de Expansão
Teor Coloidal volume, de seco até
Índice de Plasticidade Limite de Contração (%)
(% < 0,001mm) saturado)
>28 >35 <11 >30 Muito alto
20 – 31 25 – 41 7 – 12 20 – 30 Alto
13 – 23 15 – 28 10 – 16 10 – 20 Médio
<15 <18 >15 <10 Baixo

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laboratorial de inchamento do “Bureau of Reclamation” em 6,9kPa de sobrecarga, confor-


me mostrado na seguinte tabela:
Observações:

(1) três ensaios índice deverão ser considerados conjuntamente, ao se estimarem as


propriedades de expansão.
(2) Com base numa pressão vertical de 6,9kPa, como para revestimento de concreto
para canal. Para cargas maiores, o grau de expansão é menor, dependendo da
pressão e das características da argila.

No início da década de 60, vários engenheiros geotécnicos, de São Francisco, na


Califórnia, EUA, desenvolveram uma classificação baseada em estudos de argilas
recompactadas, e a estenderam, para incluir também as argilas naturais.

O potencial de expansão está baseado no percentual da amostra com diâmetro


inferior a 0,002mm e na atividade. A atividade é definida como o índice de plasticidade
dividido pelo percentual de partículas de solo, com diâmetro inferior a 0,002mm. É possí-
vel estimar o potencial de expansão do solo utilizando-se as informações que constam da
Figura 3.33.

Muitos outros sistemas de classificação foram desenvolvidos na áfrica do Sul, nos


Estados Unidos, em Israel, na Índia e em outros países com problemas de expansão.
Nenhum método atende completamente às necessidades. Entretanto, estas classifica-
ções permitem a identificação preliminar dos solos expansivos e são muito úteis à medida
que se vão acumulando dados acerca de áreas geográficas específicas.

3.9.3 Ensaios de Laboratório

Figura 3.33 Tabela de Classificação do Potencial de Expansão.

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É possível obter maiores informações quantitativas confiáveis ensaiando amostras


indeformadas em edômetro convencional. Em geral, são realizados dois ensaios. O primei-
ro – o ensaio de expansão – é efetuado para determinar a quantidade de levantamento ou
expansão vertical que ocorre quando o solo é inundado. O segundo, o ensaio de pressão
de expansão, é realizado para determinar a magnitude da pressão de expansão, desenvol-
vida quando o solo é inundado e confinado.

3.9.3.1 Ensaio de Expansão

a. Moldar um corpo de prova indeformado que se encaixe bem no anel do edômetro.


b. Aplicar uma pequena carga de assentamento e registrar a altura inicial e as leituras
de carga.
c. Inundar o solo e permitir que ocorra expansão sob a carga de assentamento, duran-
te pelo menos 48 horas, ou até completar a expansão da amostra.
d. Calcular a expansão como percentual da altura inicial.
e. Se desejado, carregar novamente o corpo de prova até que alcance sua altura
original. Esses dados são úteis na avaliação das condições das fundações, nos
casos em que ocorre alívio ou expansão, em conseqüência de redução da carga,
quando as fundações são escavadas e, depois, recarga com a estrutura.

3.9.3.2 Ensaio de Pressão de Expansão

a. Moldar um corpo de prova indeformado que se encaixe bem no anel do edômetro.


b. Aplicar uma pequena carga de assentamento e registrar a altura inicial e as leituras
de carga.
c. Inundar o solo e, assim que começar a expandir, aumentar a carga, de forma a
manter a altura inicial do corpo de prova.
d. Continuar esse processo até atingir a pressão máxima de expansão.
e. Calcular a pressão máxima de expansão dividindo a carga máxima necessária para
manter a altura original do corpo de prova pela sua área.
f. Se desejado, é possível descarregar o corpo de prova, a fim de determinar a expan-
são máxima após ter sido confinado quando umedecido. Esta informação é útil na
avaliação das características de descarga-tempo, caso a fundação seja descarregada
após umedecida.

Em circunstâncias especiais, poderá ser desejável determinar a expansão ou a pres-


são para inundação sob condições específicas de carga. Nesse caso, aplicar ao corpo de
prova a carga desejada, inundá-lo e medir a altura expandida ou a pressão necessária para
impedi-lo de expandir.

A seguir, os resultados destes dois ensaios de laboratório podem ser analisados,


para determinar o efeito dos solos expansivos na estrutura considerada.

O percentual de expansão não é um critério de projeto e não tem uso especial para
julgar quanto levantamento ocorrerá num determinado caso. Serve apenas de orientação
ou índice que informa ao engenheiro experiente se deve ou não prever problemas e se
justifica a realização de uma investigação detalhada. No caso de maciços de solo, é
possível que a estrutura exerça tal carga que o efeito dos solos expansivos seja anulado.
Em outras estruturas, como as estações de bombeamento, poderá ser preciso aumentar a
carga por unidade de área ou utilizar longas estacas, trabalhando por atrito, ou tubulões
de base alargada, para impedir o levantamento da estrutura. No caso de estruturas sob
carga leve, como canais ou estruturas de canais, será necessário avaliar outras soluções.
Nos solos expansivos é preferível utilizar revestimentos flexíveis para canais, como terra
ou membrana plástica, a revestimentos rígidos. Em alguns casos, quando as cargas estru-
turais são pequenas, como no revestimento de canais, é possível preparar a argila expan-
siva umedecendo previamente as fundações e mantendo-as úmidas, de maneira que a

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expansão futura seja mínima. No caso de túneis e tubulações enterradas, estes dados são
particularmente úteis na avaliação das cargas que poderão ser exercidas pelos solos
expansivos sobre a tubulação ou o revestimento do túnel.

Observou-se que um testemunho de xisto argiloso muito expansivo não sofreu


expansão quando selado úmido, após sua retirada, e mantido, depois, no seu teor de
umidade natural ou acima dele durante os ensaios de laboratório. Vários ciclos de seca-
gem-molhagem causaram muito mais expansão do que apenas uma molhagem, de modo
que é importante evitar tais ciclos.

3.9.4 Métodos de Amostragem de Solos Expansivos

Os comentários gerais que constam do subitem 3.7.4, relativos à amostragem de


solos colapsíveis, também são aplicáveis à amostragem de solos argilosos expansivos. As
amostras devem ser tiradas e manuseadas com cuidado e devem ser representativas dos
solos a serem estudados.

3.9.4.1 Amostras Moldadas Manualmente

Os mesmos procedimentos utilizados na amostragem manual, que foram discutidos


no subitem 3.3.4.1, deverão ser usados nos solos expansivos. Geralmente, os solos ex-
pansivos mostram alívio da tensão na amostragem, de maneira que as amostras devem
ser manuseadas e protegidas para minimizar, tanto quanto possível, esta condição. Será
preciso muito cuidado para reter o teor de umidade in situ durante a amostragem e, mais
tarde, durante todas as outras etapas do processo.

3.9.4.2 Métodos de Amostragem Mecânica

As amostras de solos argilosos podem ser obtidas utilizando-se uma sonda rotativa
e lama de perfuração para estabilizar o furo. Entretanto, é preciso muito cuidado para
não contaminar as amostras com a lama.

Se forem utilizados barriletes duplos, estes deverão ter um tubo de revestimento


interno rígido de plástico ou de metal não-corrosível, para dentro do qual as amostras se
deslocam, à medida que o amostrador desce. A amostra deverá se encaixar bem no tubo
interno, a fim de minimizar os efeitos de alívio da tensão durante a amostragem. Deverá
ser tomado muito cuidado na verificação da folga correta da coroa e na recuperação de
quase 100%, de maneira a assegurar que a amostra não está sendo consolidada ou
expandida durante a amostragem. Quando a furação atingir a profundidade de amostragem,
o fundo do furo deverá ser cuidadosamente limpo de material que deslizou, de modo que
a parte superior da amostra indeformada esteja o mais isenta possível de solo contamina-
do com a lama de perfuração. Qualquer solo contaminado deverá ser cortado, com cuida-
do, das extremidades da amostra no tubo interno rígido, antes de selar com obturador
mecânico ou mediante um disco de madeira e cera. Quando utilizado, o disco de madeira
nunca deve ser fixado com um prego através da parede do tubo interno rígido, uma vez
que isso afetaria a amostra. Os outros comentários constantes do parágrafo 3.7.4.2,
relativos a solos colapsíveis, também se aplicam aos solos expansivos. Recomenda-se
utilizar o maior diâmetro de amostrador possível, uma vez que proporciona uma amostra
indeformada de melhor qualidade para os ensaios de laboratório.

O trado com eixo oco é um excelente instrumento para se obterem amostras


indeformadas de argilas expansivas, mas a profundidade de amostragem pode ser limita-
da em virtude da resistência do solo.

Como ocorre com os solos colapsíveis, o tubo amostrador cravado não deve ser
utilizado na obtenção de amostras indeformadas de solos expansivos ou na determinação
de peso específico.

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3.9.5 Métodos de Tratamento

Quando são encontrados solos expansivos em conexão à construção civil proposta,


existe uma série de procedimentos possíveis para lidar com o problema. Dentre eles,
destacam-se:

„ Construir a estrutura em um outro lugar;


„ Elaborar um projeto que suporte os esforços e os deslocamentos impostos pelos
solos expansivos;
„ Restringir o movimento do solo mediante a aplicação de uma sobrecarga;
„ Retrabalhar o solo;
„ Controlar o teor de umidade do solo;
„ Estabilizar o solo.

As três primeiras opções estão relacionadas com o planejamento do projeto, ou do


projeto da estrutura, e devem ser analisadas individualmente, a fim de determinar se são
física e economicamente viáveis. As demais opções estão relacionadas com a manipula-
ção do solo. Com freqüência, a solução final implicará medidas de ambos os tipos. A meta
e, muitas vezes, a única solução técnica e economicamente possível é atenuar a expan-
são e a contração dos solos expansivos e não eliminar suas características.

Neste documento, são discutidas apenas as três opções relacionadas com o pre-
paro do solo.

3.9.5.1 Retrabalho do Solo

A remoção e substituição do solo expansivo por um solo não-expansivo só é pra-


ticável se o depósito de solo expansivo for bastante raso e se existirem solos não-expan-
sivos disponíveis, a uma distância razoável. Os solos de substituição deverão ser não-
expansivos, ter baixa permeabilidade, ser colocados com controle de peso específico e
teor de umidade e ter boa drenagem superficial.

Os solos expansivos mais profundos deverão ser escavados e retrabalhados, colo-


cando-se solos não-expansivos nas cotas mais altas. Os solos expansivos deverão ser
retrabalhados, com o intuito de reduzir seu peso específico e o potencial de expansão. A
umidade do solo deverá ser mantida ligeiramente acima do teor ótimo de umidade, que é
próximo à saturação e, portanto, perto da expansão máxima provável do solo nos anos
após o término da obra. O solo não deverá ser substituído com um peso específico tão
reduzido que possa causar problemas de adensamento.

Os aterros altos deverão ser construídos zoneados, colocando-se materiais expan-


sivos numa profundidade na qual as pressões de solos sobrejacentes ajudem a compensar
as pressões de expansão e onde as variações no teor de umidade sejam mínimas. Os
solos expansivos não devem ser colocados em locais que prejudiquem o movimento das
águas subterrâneas, exceto quando for provida subdrenagem. Em geral, é necessário
fazer subdrenagem, a fim de impedir a formação de lençol freático suspenso.

Os solos expansivos e não-expansivos podem ser misturados para reduzir o teor de


mineral argiloso expansivo, em geral montmorilonita, na massa total de solo. Normalmen-
te, a redução do teor de montmorilonita para menos de 10% é eficaz. A mistura deve ser
uniforme e bem feita, o que é difícil de se conseguir em toda a área. Se essa mistura for
adequadamente efetuada, os resultados podem ser muito satisfatórios.

Os locais de futuras estruturas, nos quais os solos são estratificados horizontal-


mente sob terreno em declive, requerem consideração especial. Num terreno em declive,
o local da obra, em nível, é geralmente obtido escavando o lado alto e aterrando o lado

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baixo, estando parte da estrutura localizada sobre o corte e a outra parte sobre o aterro.
Mesmo que os teores de umidade e os pesos específicos dos solos sejam similares no
corte e no aterro, com freqüência ocorre levantamento diferencial, o que causa danos
estruturais perto do ponto de demarcação entre o corte e o aterro. A fim de minimizar
esse movimento diferencial, todo o local da obra deverá ser sobreescavado e reaterrado
no nível, com solo não-expansivo, mantendo-se o teor de umidade e o peso específico sob
controle. Em geral, será preciso executar a subdrenagem de toda a área.

3.9.5.2 Controle do Teor de Umidade do Solo

Quando se controla o teor de umidade do solo para atenuar sua expansão, tenta-se
impedir que a água entre ou saia do solo embaixo da estrutura. Se o esforço for bem
sucedido, reduzirá ou eliminará a expansão e a contração após o término da obra. As
argilas expansivas deverão ser compactadas e mantidas com teores de umidade ligeira-
mente superiores ao teor ótimo e em torno do peso específico máximo. A maioria das
estruturas é menos susceptível a danos causados por contração do que por expansão.
Dessa forma, em geral é mais eficaz limitar o levantamento colocando os solos relativa-
mente úmidos e mantendo-os assim, do que limitando a contração colocando-os e man-
tendo-os relativamente secos.

Quando as argilas expansivas são compactadas com controle do peso específico e


do teor de umidade, é importante impedir que se sequem e, portanto, sofram contração
antes de terminar a estrutura. Após instaladas, as fundações e os pisos da estrutura
tendem a limitar a perda de umidade do solo abaixo deles. Uma vez que raramente ocorre
levantamento após o solo estar quase saturado, teores de umidade ligeiramente acima do
teor ótimo, conforme já discutido, em geral impedem danos causados por levantamen-
to, embora a contração potencial precise ser controlada.

Um método de diminuir a perda de umidade consiste em aprofundar as fundações


da estrutura até, aproximadamente, a profundidade da zona ativa de mudança da umida-
de. Essa técnica é muito eficaz quando a construção ocorre durante a época de chuvas e
quando o solo estará sujeito a secagem, depois, durante uma longa e quente estação da
seca.

A umidade do solo pode ser aumentada antes ou durante a construção, por meio
de inundação ou rega da superfície, ou injeção de água sob pressão. Se o método de
inundar ou regar a superfície for utilizado, seu efeito será mais eficaz em conjunção com
a injeção de poços ou furos de sondagem, de maneira que a água esteja facilmente
disponível nos níveis mais profundos. As argilas expansivas têm grãos finos e, portanto,
baixa permeabilidade; molhá-las em profundidade pode levar algum tempo.

Em geral, a injeção de água sob pressão não é tão eficaz, uma vez que a água só
penetra através de estrias de cisalhamento, trincas de tração abertas, ou outras inclusões
permeáveis. Desta forma, a água não penetra em grau significativo na massa de argila e,
com freqüência, perde-se. Se a água for retida, poderá ser vagarosamente absorvida pela
massa de argila e, finalmente, ser eficaz, mas ainda não foi demonstrado que este método
seja prático, previsível, ou mesmo adaptável à grande variedade de condições dos solos
expansivos.

Ao invés de adicionar água, algumas vezes é necessário limitar a que entra embaixo
das fundações da estrutura. Nestes casos, deverão ser instalados subdrenos, a fim de
interceptar e desviar a percolação de águas superficiais ou subterrâneas. Esta abordagem
é muito utilizada, mas nem sempre é eficaz, devido a falhas de projeto. A tubulação de
drenagem deverá ser adequadamente protegida por filtros, de maneira que não fique
entupida, e a saída precisa ser mantida, para que não haja fluxo contrário.

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As barreiras horizontais ou verticais, como as geomembranas, têm sido utilizadas


para manter estável o teor de umidade perto das estruturas. Zonas ativas de solo expan-
sivo saturado têm sido cobertas com uma camada de 60cm, ou mais, de areia grossa de
baixa capilaridade, com o intuito de impedir a secagem e a contração do solo. Esta técnica
funciona melhor em áreas com declives iguais ou inferiores a 1%.

3.9.5.3 Estabilização do Solo

Muitos materiais têm sido utilizados como aditivos, na tentativa de controlar o


inchamento dos solos expansivos. Dentre os produtos químicos experimentados, desta-
cam-se: cloreto de amônia, asfalto, carbonatos, cloretos, hidróxidos, ligninas, ácido
fosfórico, silicatos, sulfatos e muitos “aditivos de compactação” de marca registrada.
Estes materiais são misturados, borrifados, injetados ou espalhados no solo de várias
maneiras. Nenhum dos aditivos químicos ou dos métodos foi particularmente eficaz, e a
maioria era difícil de misturar ou de injetar, de modo uniforme, no solo.

A permanência desses materiais é duvidosa e ainda não foi provada. A maioria dos
materiais é insatisfatória para estabilizar os solos expansivos, com a possível exceção de
áreas muito pequenas e especiais.

Tanto o cimento quanto a cal têm sido utilizados, com êxito, como aditivos do solo,
no controle dos solos expansivos. A cal é mais eficaz do que o cimento. Ambos são
misturados no solo pelo mesmo método.

O método de aplicação utilizado com maior freqüência e que provê melhores re-
sultados é o de remover o solo, misturá-lo com cal, recolocar a mistura no local e compactá-
la até atingir o peso específico máximo e o teor de umidade ótimo. Uma vez que a adição
de cal ao solo reduz sua plasticidade e seu teor de umidade e o faz mais trabalhável, este
processo é muito útil quando se lida com solos muito úmidos durante a obra. Pode ser
utilizado para tratar os solos abaixo e em volta de pilares, estacas e tubulões, onde
reduzirá as forças de levantamento e de atrito lateral para baixo, que agem através da
fricção na superfície do fuste.

Este método de estabilização teve muito êxito na recuperação do Canal Friant-


Kern, na Califórnia, EUA, vinte anos após sua construção. Este grande canal tinha reves-
timentos de concreto e de terra, mas, após três anos de uso, começou a sofrer rachadu-
ras, deslizamentos e escorregamento dos taludes, tanto na seção revestida com concre-
to quanto na revestida com terra. Misturando cal aos solos expansivos, a plasticidade dos
solos diminuiu e o limite de contração aumentou. A resistência à compressão simples do
material solo-cal ficou várias vezes superior à dos materiais não tratados, e houve um
aumento significativo da resistência ao cisalhamento do revestimento do canal. A mistura
compactada de solo e cal é extremamente resistente à erosão e, quase vinte anos após
sua recuperação, ainda é possível observar as marcas do equipamento. O canal tem tido
excelente desempenho desde sua recuperação, sem que tenha-se repetido o problema de
ruptura de taludes. A recuperação do canal é descrita em “Proceedings of the 4th
International Conference on Expansive Soils, ASCE, 1980” e em ”Bureau of Reclamation
Report no. Gr-87-10, June 1987".

Também é possível misturar a cal no solo por meio de aração ou mistura in situ.
Nenhum destes métodos é tão eficaz quanto o método anteriormente descrito.

A injeção de lama (“slurry”) de cal é outro método utilizado na estabilização dos


solos expansivos. As deficiências deste método incluem o fato de que a lama só penetra
através de estrias de fricção, trincas de contração abertas ou outras inclusões permeá-
veis. A lama não penetra na massa de argila, de maneira que sua eficácia é limitada. A
profundidade de tratamento depende da profundidade até a qual é possível introduzir as
sondas de injeção no solo.

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3.9.6 Deterioração dos Solos de Fundações

Na medida do possível, tanto as fundações de terra quanto as de rocha devem ser


preservadas no seu estado natural. É preciso manter uma cobertura de solo sobre a
superfície das fundações até a limpeza final, e, em seguida, a estrutura deve ser construída
sobre as fundações. Deverá evitar-se a secagem da superfície da fundação. Alguns argilitos
e argilas ficam ressecados e fissuram para, depois, quando molhados novamente, após
terem sido expostos ao ar, virarem uma lama mole. Quando não é possível construir a
estrutura imediatamente após estas superfícies terem sido expostas ao ar, uma cobertura
de asfalto borrifado ou de argamassa aplicada pneumaticamente ou de outro material
aprovado poderá, em algumas circunstâncias, proporcionar uma proteção satisfatória.

3.9.7 Resumo

As argilas expansivas são aquelas que sofrem grandes mudanças de volume em


função das modificações no teor de umidade. Tais solos são encontrados em qualquer
parte do mundo, independentemente do clima. Difíceis problemas de engenharia estão
associados a estes solos estruturalmente metaestáveis, tendo sido reportados importan-
tes danos às estruturas, em diversos países. Os solos expansivos são muito prejudiciais
às estruturas hidráulicas, como os canais, pois estas estruturas com freqüência estão
sujeitas a cargas leves e são construídas em regiões semiáridas, onde ocorre molhagem
e secagem cíclicas dos solos das fundações.

A identificação preliminar das argilas expansivas pode ser efetuada mediante a


avaliação do teor de colóides (% < 0,001mm), do limite de contração e do índice de
plasticidade. As argilas com limites de liquidez superiores a 40% e as rochas argilosas
plásticas sempre devem ser ensaiadas, a fim de determinar se são suficientemente expan-
sivas para causar levantamento prejudicial à estrutura. Os ensaios de expansão e de
pressão de expansão, realizados em laboratório, são úteis na avaliação do comporta-
mento dos solos de fundações, especialmente nas condições previstas após o término
da obra e sob as cargas estruturais reais.

Existe uma grande variedade de métodos para reduzir os efeitos das argilas ex-
pansivas sobre as estruturas. Com freqüência, o solo expansivo é removido e substituí-
do por um não-expansivo, em especial quando o depósito de solo expansivo é bastante
raso. Outros métodos de retrabalhar os solos expansivos incluem aumentar o teor de
umidade do solo até quase o nível ótimo, mas com peso específico reduzido, e misturar
solos não-expansivos ao expansivo, a fim de reduzir o teor de mineral argiloso que ex-
pande. Algumas vezes uma camada bastante espessa de solo não-expansivo é
compactada sobre os solos expansivos das fundações para reduzir o efeito dos solos
expansivos. Freqüentemente, utilizam-se camadas compactadas espessas de solo não-
expansivo para revestir os canais, uma vez que podem acomodar deslocamentos com
maior eficácia e menos danos do que os revestimentos rígidos, como o concreto.

O controle do teor de umidade do solo pode atenuar a expansão, se a água for


impedida de entrar ou sair do solo situado sob a estrutura. As fundações das estruturas
algumas vezes podem ser aprofundadas, de maneira que fiquem mais perto do fim da
zona ativa. O método da molhagem prévia dos solos expansivos também é utilizado na
estabilização do solo antes da construção, de modo que o solo esteja no estado expandi-
do quando a estrutura for construída. A seguir é importante manter o teor de umidade do
solo, a fim de prevenir danos causados pela contração.

A adição de cal ao solo expansivo reduz a plasticidade e o teor de umidade do solo


e o torna mais trabalhável, em especial quando se lida com solos úmidos durante a obra.
A resistência à compressão simples do solo tratado com cal é várias vezes superior à do
solo não tratado. Um importante canal dos EUA foi recuperado utilizando-se solo tratado
com cal e tem apresentado excelente desempenho nos 20 anos após sua recuperação.

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3.10 Calcário Cárstico

3.10.1 Geral

Nos lugares onde existirem ou se suspeitar que existam cavernas subterrâneas no


local de uma importante estrutura, torna-se necessário avaliar o potencial de ruptura ou
subsidência do solo que possa ser causada por tais aberturas, assim como definir um
tratamento corretivo. Os problemas geológicos e de engenharia resultantes são muito
complicados, e a construção de estruturas principais sobre terreno calcário representa
tanto um desafio quanto um risco. Nem sempre é possível escolher um local alternativo
para a construção em área reconhecidamente estável. A não-identificação dos detalhes
geológicos e hidrológicos de uma área de calcário em que será construída uma estrutura
poderá levar a substanciais problemas de engenharia e à impossibilidade de a estrutura
ter um desempenho adequado.

As camadas de calcário dissolvidas pela água subterrânea circulante podem criar


morfologias de terreno totalmente caóticas, hidrovias subterrâneas e sistemas hidrológicos
grandes e complexos capazes de colher substanciais fluxos de águas superficiais. As
cavidades ou as aberturas subterrâneas podem resultar da dissolução de rochas consti-
tuídas por carbonatos ou outros compostos solúveis, de cavernas nas lavas vulcânicas,
da erosão mecânica de rochas sedimentares pouco cimentadas ou de escavações feitas
pelo homem, com freqüência em minas subterrâneas, que podem estar mal localizadas
nos mapas ou não constar dos mesmos, ou mesmo nunca ter sido registradas e, agora,
ter caído no esquecimento.

As questões básicas a serem consideradas quando se trata de ruptura ou


subsidência potencial do solo que poderá afetar a segurança das fundações ou o desem-
penho de estruturas de retenção de água, podem ser caracterizadas da seguinte maneira:

„ Predição;
„ Detecção;
„ Avaliação dos perigos;
„ Tratamento.

A predição implica uma determinação das condições geológicas do local quanto à


possibilidade de ruptura do solo. Inclui questões relativas à geologia, à hidrologia, ao
clima e às atividades culturais que podem estar associadas ao desenvolvimento das aber-
turas subterrâneas e à possível ruptura ou subsidência do solo, assim como às áreas
geográficas susceptíveis à ruptura que tenham sido identificadas.

Durante a exploração do local da estrutura e a construção da obra, é essencial que


quaisquer cavidades que possam afetar a segurança da estrutura sejam detectadas, ade-
quadamente definidas e localizadas, para poder aplicar as medidas corretivas necessárias.

A avaliação dos perigos inclui a identificação dos mecanismos de ruptura, a proba-


bilidade de ocorrer ruptura sob diversas circunstâncias e a maneira como os vários
parâmetros – tamanho, número e profundidade – afetam a probabilidade de ruptura. Além
disso, é necessário decidir se as condições prevalentes podem ser modificadas por medi-
das corretivas.

O tratamento de fundações insatisfatórias por meio de medidas corretivas de enge-


nharia, como reaterro ou injeções de cimento, é discutido em parágrafos posteriores.

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3.10.2 Calcário

O calcário puro é constituído por carbonato de cálcio. Os calcários são rochas


sedimentares que ocorrem em conjunção com outros sedimentos ou em camadas interca-
ladas com outros materiais. Os calcários podem originar-se em depósitos marinhos ou de
água doce. A maioria dos calcários tem impurezas, como silte, argila ou areia, assim
como pequenas quantidades de sílica e outros minerais comuns. Devido ao intemperismo,
o carbonato de cálcio é dissolvido e carregado pelo fluxo d’água, e as impurezas e outros
minerais são depositados como capeamento de solo ou enchimento de vazios, em geral
tingidos de vermelho ou de amarelo pela oxidação de minerais ferrosos residuais. O magnésio
pode substituir o cálcio na estrutura cristalina. Se este processo, conhecido como
dolomitização, continuar até o mineral substituto exceder os 50%, a rocha será denomi-
nada dolomítica, ao invés de calcária.

O calcário puro efervesce vigorosamente em ácido clorídrico (um teste de campo


para carbonato de cálcio) e é normalmente branco, amarronzado a amarelo esbranquiçado,
ou cinza claro. A cor pode também variar entre marrom, cinza ou preto, devido a consti-
tuintes secundários, principalmente óxido de ferro e matéria orgânica.

A textura varia de afanítica até cristais grossos, com calcário fossilífero, que exibe
as características de fósseis inclusos. O calcário ocorre em camadas finas nos xistos, em
camadas grossas, que incluem intercalações de xisto e arenito, e em grandes extratos.
Existem depósitos de calcário de mais de 4.000m de espessura.

As rochas calcárias e dolomíticas precipitadas podem ocorrer em associação com


sal-gema, anidrita e gipsita, um conjunto de rochas normalmente denominado de se-
qüência de evaporitos. Em geral, os terrenos de evaporito são cársticos e apresentam
complicações geológicas e de engenharia, além daquelas decorrentes do calcário cárstico.

A complicação é a grande solubilidade do sal-gema, da gipsita e da anidrita. A


gipsita é dez vezes mais solúvel em água subterrânea do que o calcário. É possível remo-
ver grandes quantidades destes minerais mediante dissolução, durante o tempo de vida
útil normal de muitas estruturas, criando-se novos canais de dissolução, bem como au-
mentando-se e modificando-se, significativamente, os canais mais antigos.

3.10.3 Definição de Calcário Cárstico

Carst é um terreno de calcário, dolomita ou gipsita, com topografia formada pela


dissolução dos minerais, o qual se caracteriza por depressões superficiais fechadas ou
dolinas, cavernas e circulação subterrânea. As características cársticas resultam da ação
corrosiva das águas subterrâneas sobre a rocha calcária. á medida que a água subterrâ-
nea se desloca através do calcário, o carbonato de cálcio é dissolvido e a circulação
subterrânea se alarga. As fraturas, planos abertos de estratificação e falhas constituem
as vias de percolação preferenciais. á medida que estas vias de circulação se alargam,
surgem cavidades e cavernas no calcário. Se a resistência da massa de rocha for suficien-
te, formar-se-ão grandes cavernas (grutas) e poços. Entretanto, mais freqüentemente, a
rocha circunvizinha sofre colapso para dentro destas aberturas, até que a superfície do
solo também afunda. A dolina é a indicação comum deste tipo de colapso. Com a progres-
são do colapso da superfície do solo, são criadas inúmeras estruturas morfológicas cársticas.

À medida que a rede de vias de percolação cresce através das estruturas morfológicas
cársticas abertas e em colapso, a água subterrânea em circulação procura vias de escoa-
mento mais eficientes e o fluxo subterrâneo é canalizado. Este sistema de circulação
subterrânea pode tornar-se tão eficiente que elimine a drenagem superficial, e todo o
escoamento é levado para o subsolo. Além disso, se os depósitos de calcário forem
extensos, poderá desenvolver-se um sistema singular de drenagem subterrânea, que abarque
mais de uma bacia topográfica de drenagem.

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As áreas de topografia cárstica possuem uma característica ambiental geral única,


em termos de morfologia superficial, litologia, aberturas subterrâneas e hidrologia super-
ficial e subsuperficial. Estes elementos são críticos na exploração e na análise do local da
obra, assim como na elaboração do projeto das estruturas.

3.10.4 Dissolução do Calcário

A dissolução e a precipitação do calcário é um processo complexo, e a taxa de


reação depende de vários fatores. Os processos químicos que incidem sobre o calcário
são influenciados por fatores como: a permeabilidade primária e secundária da rocha, a
composição química do calcário, a velocidade e o volume da circulação de águas subter-
râneas, os sólidos totais dissolvidos nas águas subterrâneas, a temperatura, a pressão e
a concentração de dióxido de carbono e outros ácidos naturais nas águas subterrâneas.
Em condições similares, a taxa de dissolução do calcário é cinco vezes maior do que a da
dolomita.

Uma parte das águas superficiais infiltra-se no calcário pelos poros, diáclases, fra-
turas e falhas, fluindo para baixo, levada pela força da gravidade, até encontrar uma
saída ou o lençol freático. Ao encontrar o lençol freático, as águas se deslocam dentro do
aquífero em direção ao ponto de descarga. De maneira que as águas que percolam e
circulam no calcário, dissolvem-no, carregando o carbonato de cálcio.

3.10.5 Indicadores Potenciais de Aberturas Subsuperficiais

A seguir, estão relacionadas as condições ou características a serem consideradas


na determinação das probabilidades de ruptura de solo devido a aberturas naturais ou
criadas pelo homem, existentes no local da obra e na avaliação da extensão e do grau de
gravidade dessa ruptura potencial. Os “indicadores diretos” são as condições ou carac-
terísticas que sempre, ou com mais freqüência, ocorrem em associação com os proces-
sos que produzem aberturas subterrâneas. Os “indicadores condicionais” são os que
ocorrem como resultado dos processos de formação de carstes e da presença de calcário,
que levam ao desenvolvimento das características dos processos de dissolução só quan-
do combinados a outros fatores de influência, como condições favoráveis de hidrologia
subterrânea, estratigrafia, etc. Os “indicadores condicionais” não são indicadores exclusi-
vos de aberturas subterrâneas. Também podem resultar da erosão eólica dos arenitos. Os
“fatores modificadores” são os que afetam, ou refletem, a extensão e o grau de gravidade
do problema. Desta maneira, requerem estudo e explicação, a fim de se poder avaliar a
extensão do problema, o perigo que acarreta e o desenvolvimento de possíveis medidas
corretivas.

O grau de significância dos indicadores relacionados varia muito mais do que uma
simples dupla classificação poderia refletir, e os indicadores também não demonstram a
considerável importância da ocorrência de múltiplos indicadores. Entretanto, a ocorrência
de quaisquer dos indicadores diretos ou condicionais no local de uma grande estrutura
requer um exame consciente e explícito da possibilidade da existência do problema de
aberturas subsuperficiais e uma decisão acerca das investigações adicionais necessárias.

3.10.5.1 Indicadores Diretos

Os indicadores diretos são: sumidouros, dolinas, ou valas (grandes depressões for-


madas pela coalescência de várias dolinas), cones cársticos (elevações isoladas, cujo solo
superficial foi erodido), cavernas ou grutas, rios sumidos, histórico de subsidência do
solo, presença de minas ou de atividades de mineração, histórico ou registros de ativida-
des de mineração e fogos subterrâneos.

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3.10.5.2 Indicadores Condicionais

Os indicadores condicionais são: pontes naturais, depressões superficiais, nascen-


tes, calcário, dolomita, gipsita, anidrita, halita (sal-gema), rendzina (“terra rosa”), lavas,
rochas clásticas de cimentação fraca, carvão de pedra, minérios e discordâncias estrati-
gráficas em rochas solúveis.

3.10.5.3 Fatores Modificadores

Os fatores modificadores são: padrões regionais de cavernas e profundidade das


cavernas; cota do lençol freático; gradientes hidráulicos das águas subterrâneas; aquíferos
confinados; histórico de mudanças nos níveis do lençol freático, na vazão dos poços, nas
taxas de bombeamento e nas razões infiltração-escoamento superficial; grau de dolomiti-
zação das rochas calcárias; permeabilidade e porosidade; mineralogia; materiais de enchi-
mento das cavernas; tipo de solo de cobertura; espessura da rocha solúvel; presença e
continuidade de camadas intercaladas impermeáveis; densidade e orientação das descon-
tinuidades (como diáclases, fraturas, falhas, planos de estratificação, etc.); e falhamento
e dobramento.

3.10.6 Estudos Geológicos e Geotécnicos do Local

O planejamento e a elaboração do projeto de qualquer estrutura principal deverá


incluir um programa de estudos geológicos e geotécnicos do local da obra, com o propó-
sito geral de definir geologicamente o local, o qual deverá incluir a estratigrafia, as carac-
terísticas geológicas e geotécnicas dos solos e das rochas, a estrutura geológica e as
falhas e fraturas. Além disso, o programa de estudos deverá visar a definir qualquer fonte
potencial de risco geológico, como uma rocha-mãe cavernosa. Na avaliação dos proble-
mas levantados pela possível ocorrência de cavidades, é preciso utilizar toda a informa-
ção obtida rotineiramente ou disponível para outros fins. Qualquer informação adicional
necessária poderá ser conseguida em investigações orientadas especificamente ao pro-
blema de detecção e mapeamento de cavidades.

Na fase preliminar dos estudos, é necessário estabelecer cenário geológico geral e


identificar a natureza geral dos problemas geotécnicos potenciais. Se existir possibilidade
de problemas de dissolução de rochas ou de subsidência, estes precisam ser identificados
nesta fase das investigações, a fim de possibilitar o planejamento ou a modificação das
investigações do local, para se obterem as informações imprescindíveis à solução do
problema. A elaboração do programa de investigações, a escolha dos métodos a serem
empregados e a ênfase relativa dada às diversas partes do programa dependerão da
natureza do local e do projeto. Dentre os fatores relativos ao planejamento das investiga-
ções de cavidades, destacam-se: a geologia do local, a natureza da estrutura, a coordena-
ção das investigações, as investigações hidrológicas, os piezômetros, o ensaio de perda
de água, injeções, o sensoreamento remoto, a fotografia aérea, a perfuração e a escavação
e os estudos em sondagens.

3.10.6.1 Geologia do Local

As características que devem ser consideradas inicialmente no planejamento dos


estudos do local da obra incluem a espessura e a natureza dos solos de cobrimento, a
morfologia superficial (depressões), a hidrologia superficial (drenagem superficial, nascentes,
dolinas), sistema de fraturas, a estratigrafia e a geologia estrutural. Algumas caracterís-
ticas, como os alinhamentos ou as características lineares, apresentados nas imagens de
sensoreamento remoto, assim como outras anomalias que podem estar associadas aos
processos de dissolução, também devem ser consideradas ao se estabelecerem os locais
de sondagem ou as localizações e os alinhamentos de outros levantamentos exploratórios.
A natureza das cavidades deverá ser considerada, em especial sua ocorrência como aber-

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turas discretas, como túneis ou aberturas de minas, ou como uma rede de canais interli-
gados ou fraturas alargadas pelo processo de dissolução. Algumas vezes, como neste
último caso, pode ser impraticável ou impossível localizar ou mapear cada uma das cavi-
dades, de maneira que a única abordagem possível é mapear as zonas de acordo com o
grau de continuidade ou competência da rocha. Isto também deve ser levado em conta na
elaboração do projeto e na localização das estruturas.

3.10.6.2 Natureza da Estrutura

As considerações importantes incluem: as dimensões, a carga das fundações, a


função (sustentação de carga vs. retenção de água) e o projeto – especialmente a capa-
cidade da estrutura de “fazer ponte” sobre as fendas nas fundações. Por exemplo, se uma
estrutura puder fazer uma ponte sobre fendas de determinada largura nas fundações,
essa largura será a dimensão máxima, para cavidades isoladas, que pode ser tolerada
por baixo da estrutura. Por sua vez, isso determina os requisitos de resolução,
espaçamento e profundidade das investigações geofísicas e subsuperficiais. Por outra
parte, se a função da estrutura for a retenção de água, uma rede integrada de pequenas
cavidades, por baixo da estrutura, em geral será mais significativa do que cavidades
discretas isoladas. Para esse tipo de estrutura, uma abordagem exploratória, que enfatize
o zoneamento, poderá ser mais apropriada. Além disso, o projeto de engenharia poderá
ser afetado pela necessidade de detalhamento e de resolução no mapeamento das cavi-
dades. O uso de um muro de vedação, através da zona com potencial de dissolução,
poderá reduzir a necessidade de investigações detalhadas das cavidades ou poderá
confiná-la à vizinhança do muro. O princípio geral que rege estas considerações é que os
possíveis modos de falência podem ser identificados e analisados em relação aos tipos
de condições de solo que poderiam contribuir a tal falência, e o programa de exploração
deverá contemplar a detecção de qualquer característica da subsuperfície que possua
dimensões ou qualidades críticas.

3.10.6.3 Coordenação das Investigações

O programa de estudos geológicos e geotécnicos deverá ser concebido como um


todo integrado, mesmo que o plano de investigação necessariamente evolua e mude à
medida que for sendo executado. As diversas partes e fases do programa deverão ser
complementares e possuir um grau suficiente de redundância para garantir a definição,
com segurança, das condições relevantes para as fundações. Essa segurança deverá ser
uma conclusão consensual de um grupo responsável e qualificado de profissionais. A
necessidade de um considerável grau de redundância fica evidente a partir do estudo da
variabilidade inerente aos solos e às rochas (com freqüência oculta pela aparência super-
ficial de uniformidade), dos limites de confiabilidade de quaisquer das ferramentas de
investigação utilizadas e das muitas surpresas desagradáveis com que os engenheiros e
os construtores têm de se defrontar nos terrenos cársticos ao longo dos anos, como
resultado de investigações inadequadas. Contudo, um excesso de redundância reflete-se
em custos excessivos. Em grande parte, esse impasse pode ser evitado pelo planejamen-
to, de maneira a maximizar a eficácia do uso de todas as fontes de informações. Por
exemplo, as escavações da rocha, com fins construtivos, são uma das melhores e mais
confiáveis fontes de informação acerca das condições da rocha. Se este fato for reconhe-
cido durante a etapa de planejamento, será possível evitar desperdício de esforços na
definição das condições subsuperficiais, antes de se proceder à escavação, com nível de
detalhamento desnecessário nas etapas iniciais da construção. Embora a técnica e a
análise sejam importantes, é preciso lembrar que técnica e análise por si sós não têm
valor algum, são até perigosas, quando exercidas sem bom-senso e capacidade de julga-
mento. Os dados numéricos obtidos nos ensaios, assim como as transformações dos
dados produzidos pela análise, deverão ser utilizados como elementos auxiliares ao exer-
cício da capacidade de julgamento.

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3.10.6.4 Investigações Hidrológicas

Uma vez que o regime hidrológico das águas subterrâneas é de importância primor-
dial nos processos de dissolução, a determinação das condições das águas subterrâneas
é essencial à compreensão das atividades de dissolução passadas e presentes, que pos-
sam afetar o local da obra. Dentre as características mais importantes do regime hidrológico
das águas subterrâneas, destacam-se a localização e os gradientes dos lençóis freáticos,
os aquíferos, os canais de fluxo, as relações com os fluxos de superfície, os aquíferos
suspensos e a química das águas subterrâneas. O regime das águas subterrâneas pode
ser complexo num ambiente cárstico, devido ao papel principal desempenhado pelas es-
truturas resultantes de dissolução em grande escala. Mesmo assim, os lençóis freáticos,
com freqüência, estão muito bem definidos. Em geral, o limite entre a zona de saturação
e a zona de aeração é tão nítido nas rochas de carbonatos quanto nas outras rochas. As
fraturas e as passagens de dissolução, assim como as outras aberturas, geralmente for-
mam uma rede de aberturas interligadas, cheias de água até a altura do lençol freático.
Há exceções à regra, contudo; o fluxo das águas subterrâneas pode ocorrer, algumas
vezes, em dutos acima do nível geral do lençol freático. É possível que a diferença mais
importante entre o fluxo das águas subterrâneas nos terrenos cársticos e em meios po-
rosos é o fato de que o fluxo nos dutos predomina nos primeiros, tanto acima como
abaixo do nível do lençol freático, de maneira que a velocidade de fluxo são várias or-
dens de magnitude superiores nos carsts. Uma outra conseqüência é que a filtragem,
que nos meios porosos remove os contaminantes da água, praticamente inexiste no
ambiente cárstico.

Quando se considera a segurança das fundações, as principais preocupações são


a localização dos lençóis freáticos e a identificação de zonas de fluxo concentrado de
águas subterrâneas, o qual pode indicar grandes aberturas. Além disso, o estudo dos
gradientes hidráulicos e de suas variações, assim como as velocidades e as direções dos
fluxos de águas subterrâneas, poderá detectar a presença ou a distribuição de aberturas
subterrâneas e as suas interconexões.

3.10.6.5 Piezômetros

Mediante observações da pressão de água intersticial, os piezômetros indicam a


localização dos lençóis freáticos. As observações de uma rede de piezômetros fornecem
os gradientes ou a distribuição dos gradientes, que podem ser indicativos das zonas de
fluxo de águas subterrâneas. São utilizados piezômetros múltiplos instalados com as
pontas ou as telas isoladas nos níveis apropriados, para se obterem os mesmos tipos de
informação para múltiplos lençóis freáticos ou múltiplas zonas de fluxo, conforme o caso.
Em projetos de maior envergadura, são instalados piezômetros em caráter permanente,
os quais são monitorados durante toda a vida operacional da estrutura, a fim de se ter
aviso antecipado do desenvolvimento de condições potencialmente perigosas. Essas ins-
talações são particularmente apropriadas para barragens, canais ou outras estruturas cuja
integridade ou função pode ser afetada pelo fluxo de águas subterrâneas, em aberturas de
dissolução. É necessário algum cuidado na interpretação das leituras dos piezômetros,
quando o comportamento das águas subterrâneas é dominado por sistemas de fraturas.
Os valores das leituras dependem da maneira da interseção da seção aberta do piezômetro
com as fraturas nas zonas saturadas, e, conseqüentemente, podem ser enganosos ou
improcedentes.

3.10.6.6 Ensaios de Perda de Água

Os ensaios de perda de água são utilizados na determinação da permeabilidade in


situ da massa rochosa. O ensaio consiste na injeção de água num furo (ou em um trecho
de um furo), à pressão e taxa de fluxo constantes. O trecho que será testado é isolado do
restante da furação por uma única obturação, se o trecho testado estiver no fundo da

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perfuração ou por dois obturadores, se o trecho estiver acima do fundo. Em geral, as


pressões limitam-se a valores que não se acredita possam aumentar a largura da fratura;
um critério comum é utilizar uma pressão igual ou inferior à pressão efetiva da rocha
sobrejacente na profundidade da injeção.

3.10.6.7 Injeções

Em geral, as injeções de cimento são uma medida corretiva ao invés de um método


de investigação, mas a importância das observações e dos registros efetuados durante
esse processo não devem ser desprezados como fonte de informações relativas às condi-
ções geológicas. Com freqüência, estas operações, executadas em caráter experimental,
em sondagens exploratórias, são realizadas com o intuito de determinar, antes de se
iniciar a construção, até que ponto os materiais da subsuperfície podem ser injetados
com cimento. Os registros dos volumes de calda injetada podem indicar a distribuição
das aberturas subterrâneas e, até certo ponto, sua geometria e dimensões. O mapeamento
dos contornos do consumo de calda, como os das perda de água nos ensaios de
permeabilidade, podem auxiliar no zoneamento do local da obra, em termos da qualida-
de da rocha.

3.10.6.8 Sensoreamento Remoto

Genericamente, o termo sensoreamento remoto refere-se ao uso de sensores ins-


talados em aeronaves ou satélites, com o propósito de detectar características na super-
fície ou subsuperfície da terra. Dentre estes métodos, o mais antigo e ainda o mais im-
portante é a câmera aérea. Os métodos desenvolvidos mais recentemente incluem o uso
de dispositivos transportados por aeronaves, como magnetômetros, radares e vários
tipos de exploradores, que detectam e registram as radiações eletromagnéticas, às quais
os filmes de fotografia não são sensíveis. Os dispositivos de sensoreamento remoto
podem ser divididos em duas categorias, de acordo com a natureza física básica do
fenômeno a que respondem. Os sensores de campos de força medem a intensidade ou o
gradiente dos diversos componentes dos campos magnéticos, gravitacionais ou elétri-
cos da terra. Os sensores de radiações, que incluem a câmera fotográfica convencional,
respondem à radiação eletromagnética, que é emitida ou refletida pela Terra.

3.10.6.9 Fotografia Aérea

Conforme mencionado anteriormente, a fotografia aérea é a forma de sensoreamento


remoto mais antiga, mais freqüentemente utilizada e mais importante. Na maior parte do
mundo, é possível obter fotografias tiradas pelos satélites da terra, os quais fornecem
imagens em escala regional. Estas fotografias são úteis, principalmente, na interpretação
regional de estruturas geológicas, dos tipos de solo e de rocha, dos padrões de drenagem
e das geomorfologias principais. Na avaliação do local da obra, as fotografias aéreas
convencionais, numa escala igual ou superior a 1:25.000, são muito úteis. A interpreta-
ção geológica das fotografias aéreas depende da geomorfologia, assim como do uso de
tons de cinza ou de cores que podem estar associados a determinados tipos de rocha, de
crescimento da vegetação ou de condições do solo, em particular a umidade do solo.
Emulsões fotográficas especiais, como aquelas próprias das cores, do infravermelho ou
do infravermelho de falsa-cor, podem ser empregadas para enfatizar certos aspectos das
imagens fotográficas, como o tipo e as condições da vegetação. É possível obter-se uma
discriminação ainda maior mediante o uso complementar de emulsões sensíveis a diferen-
tes partes do espectro eletromagnético (fotografia multiespectral). O potencial das ativi-
dades de dissolução é determinado por meio da identificação das características
geomorfológicas associadas aos terrenos cársticos. A detecção de cavidades específicas,
com base em fotografias aéreas, é possível algumas vezes, porque essas estruturas
subsuperficiais, como as cavernas, as aberturas de minas ou as fraturas alargadas pela
dissolução, possuem uma expressão superficial muito sutil, aparente na fotografia aérea,

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embora não para o observador no solo. Isso ocorre com maior freqüência devido a anoma-
lias no teor de umidade, causadas por efeitos topográficos sutis, as quais são visíveis nas
fotografias através de diferenças de cor ou de tom de cinza. Entretanto, não há qualquer
garantia de que as cavidades específicas, mesmo aquelas próximo à superfície, possam
ser detectadas.

3.10.6.10 Perfuração e Escavação

A partir de uma revisão das virtudes e defeitos dos métodos de prospecção discu-
tidos anteriormente, a conclusão inevitável é que a única maneira de se obterem informa-
ções definitivas e diretas da presença ou ausência de rocha num determinado ponto do
subsolo e das suas condições, é ter acesso àquele ponto, de modo a realizar observações
visuais ou ensaios mecânicos. Ou seja, é necessário perfurar através do ponto ou esca-
var até chegar a ele. Conseqüentemente, dado o atual estado-da-arte, a verificação final
das fundações de estruturas críticas precisa ser feita por estes métodos diretos.

As escavações com acesso – aberturas bastante grandes para permitir a entrada


do pessoal e observação visual direta – são relativamente dispendiosas, embora, com
freqüência, justificadas nos casos de estruturas críticas. Os poços e as chaminés são
aberturas escavadas verticalmente, a partir da superfície do solo, que provêem acesso e
observação direta. Os poços são usados, em especial, na exploração do solo ou na obser-
vação do contato solo-rocha. As valas são relativamente rasas e, em geral, são utilizadas
na investigação de falhas. Também são úteis no mapeamento de fraturas e na observação
das condições do contato solo-rocha sã. As escavações executadas como parte das
obras oferecem grandes oportunidades de se obterem informações relativas ao contato
solo-rocha sã, às fraturas e aos sistemas de fraturas e a possíveis estruturas de dis-
solução.

Na falta de acesso físico direto às aberturas subterrâneas, a sondagem convencio-


nal é a fonte melhor e mais confiável de informações. Durante as sondagens de investiga-
ção, será possível achar evidências de falta de integridade da rocha, nos casos de perda
de circulação, de entrada de água nas furações, de queda de hastes, de resistência singu-
larmente baixa à perfuração ou de altas taxas de penetração, ou na recuperação deficien-
te de testemunhos. Devido às implicações de tais ocorrências, é importante manter regis-
tros completos e cuidadosos de todas as operações de sondagem. É indispensável
implementar um sistema rotineiro de registros da taxa de perfuração, obtidos por meio de
instrumentos ou resultantes das observações do pessoal de perfuração.

Nas operações de amostragem da rocha, em geral, são utilizadas sondas rotativas,


que constituem o método mais eficiente e econômico de obtenção de testemunhos. Em
investigações de locais em que se suspeite da existência de aberturas subterrâneas, dois
outros métodos são particularmente aplicáveis. A sonda calyx é muito útil em perfurações
de grande diâmetro, que podem prover acesso, embora possa haver alguma dificuldade
na operação, quando se perde a circulação do fluido de perfuração. A sondagem por
percussão pneumática, comum na instalação de chumbadores na rocha e em perfurações
para desmonte de rocha nas pedreiras, é o método mais econômico de fazer furos de
pequeno diâmetro, a pequenos intervalos, para a verificação detalhada de fundações.
Embora não sejam obtidas amostras intactas, as observações precisas e os registros das
taxas de perfuração fornecerão indicadores confiáveis de cavidades subsuperficiais, se-
jam vazias, sejam com materiais de enchimento. Para o êxito deste método, é fundamen-
tal um supervisor qualificado e experiente. Uma vez que as fraturas alargadas pela disso-
lução estão quase sempre orientadas subverticalmente, as sondagens exploratórias deve-
rão incluir perfurações inclinadas. As sondas de percussão podem ser facilmente opera-
das na posição inclinada.

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Os testemunhos de sondagem da rocha, que podem ser obtidos com sondas rotativas
convencionais, ou, nas rochas duras, com sondas de coroa de diamante, permitem exame
e descrição geológica bem detalhados e ensaios laboratoriais das propriedades físicas,
químicas e de engenharia; posteriormente, também constituem registros de arquivo va-
liosos. A evidência de fraturas ou outras aberturas na rocha ou a presença de materiais
de enchimento, pode ser observada, algumas vezes, nos testemunhos de sondagem,
embora, com maior freqüência, a rocha muito desagregada ou cavernosa cause a não-
recuperação ou a recuperação defeituosa, naqueles intervalos. O grau de recuperação dos
testemunhos, expresso como relação percentual entre o comprimento do testemunho
recuperado e o comprimento do intervalo do qual se retirou aquele testemunho, pode ser
utilizado como índice para a classificação e o mapeamento da qualidade ou da continuida-
de de um intervalo de rocha. Um método alternativo de classificação que tem sido ampla-
mente aceito é a “Rock Quality Designation” (Designação de Qualidade da Rocha), que se
obtém contando-se – ao somar o comprimento total de testemunho recuperado – apenas
aqueles testemunhos de comprimento igual ou superior a 10cm, e que sejam duros e
sãos. Os pedaços quebrados pela perfuração ou pelo manuseio são juntados e contados
como uma só peça. O resultado é expresso como percentual do comprimento do intervalo
do qual se retiraram os testemunhos. Uma classificação baseada na Designação da Qua-
lidade da Rocha é a seguinte:

Designação da Qualidade da Rocha Descrição da Qualidade da Rocha


0 – 25 Muito má
25 – 50 Má
50 – 75 Regular
75 – 90 Boa
90 – 100 Excelente

Quando são executadas perfurações utilizando métodos comuns, é preciso tomar


precauções especiais na presença de minerais muito solúveis, como halita, uma vez que
podem simplesmente dissolver-se na lama de perfuração ou passarem desapercebidos.
Nestes casos, pode ser necessário utilizar perfuração pneumática, lamas salinas, ou la-
mas à base de óleo.

3.10.6.11 Estudos em Sondagens

Nas operações de perfuração, são obtidas informações acerca das condições da


rocha, a partir de amostras na forma de testemunhos ou de aparas de perfuração que
voltam com o fluido de perfuração, da taxa de perfuração ou dos dados de resistência e
de eventos, como a perda de circulação ou a entrada de água no furo. O termo genérico
“estudos em sondagem” é utilizado para métodos de exame de materiais na parede ou em
volta do furo de sondagem, por meio de dispositivos que são introduzidos no furo. Inclu-
em observações geofísicas das rochas na vizinhança do furo, como as medidas de
resistividade elétrica, a emissão de raios gama, a resposta a bombardeamento de nêu-
trons, a velocidade sísmica, o gradiente de gravidade e a temperatura; e medidas ou
observações das condições ou da geometria do próprio furo de sondagem, como medidas
de compasso do diâmetro dos furos, câmeras de inspeção de sondagens e estudos de
desvio.

Os registros geofísicos convencionais fornecem um grande volume de informações


a respeito da litologia geral e das condições da rocha na vizinhança do furo de sondagem.
Os registros mais comuns referem-se a resistividade elétrica potencial espontânea, raios
gama e raios-gamanêutrons. As observações são complementares e podem ser utilizadas
com maior eficácia, como um conjunto de registros. As informações obtidas refletem as
condições através de um determinado volume de rocha, na vizinhança dos furos de son-

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dagem e, em geral, não possuem qualidades direcionais. Desta maneira, os registros


geofísicos são usados, principalmente, na detecção e no delineamento das zonas de
atividade de dissolução ou de porosidade aumentada, ao invés da detecção de cavidades
discretas específicas.

Os métodos de investigação dirigidos ao estudo da configuração dos furos de son-


dagem são de considerável interesse na prospecção das cavidades. Tais métodos incluem
os registros das medidas de compasso, as câmeras ou a televisão de inspeção de sonda-
gens, o televisor e os registros de ecografia. Este último método foi especificamente
projetado para a investigação de cavidades. Em todos estes métodos, um requisito evi-
dente é que o furo de sondagem intersecte a cavidade investigada.

3.10.7 Avaliação da Segurança das Fundações

Nas obras de grande envergadura, é necessário efetuar-se um perfil geológico com-


pleto, que mostre todas as estruturas de dissolução, a qualidade e as condições do solo
sobrejacente e da rocha sã e as condições das águas subterrâneas, a fim de que sejam
avaliados os problemas das fundações e as alternativas de tratamento. Todas as cavida-
des cobertas pelo solo sobrejacente deverão ser injetadas com calda de cimento ou esca-
vadas e reaterradas, dependendo da profundidade do solo. Quando o solo sobrejacente é
raso e a escavação é realizada até a superfície da rocha sã, será indispensável avaliar a
distribuição de zonas de rocha sólida, a compressibilidade e a resistência à erosão dos
materiais de enchimento, assim como sua profundidade nas fraturas alargadas pela dis-
solução, a fim de se determinar:

„ A escavação requerida e o tipo de material de reaterro necessário para substituir


os materiais fofos ou compressíveis;
„ O tipo de fundação a ser empregado, como fundação em laje, sapata, estacas, ou
tubulões (sapata profunda);
„ As exigências para a determinação das condições constatadas pela escavação e a
verificação da sanidade da rocha abaixo dos elementos de fundações, após a esca-
vação.

Quando o solo sobrejacente é profundo, será preciso avaliar o tipo e a quantidade


de materiais de enchimento nas estruturas de dissolução, a fim de determinar se a injeção
com calda de cimento será eficaz. As zonas fofas profundas, entre os pináculos de calcário
e as concentrações de tensões resultantes das cargas estruturais sobre os pináculos de
calcário, podem causar grandes recalques diferenciais para uma fundação em laje, e o uso
de estacas ou tubulões sobre rocha sã poderá constituir-se numa alternativa melhor.

As cavidades cobertas por solo, os canais de dissolução que sofreram enchimento,


as zonas de solo fofo entre os pináculos de calcário e outras estruturas de dissolução,
deverão ser injetadas com calda de cimento ou escavadas e reaterradas com concreto ou
solo compactado, dependendo do tipo de estrutura e de fundação. Poderão ser necessá-
rias medidas substanciais de controle da drenagem superficial e subsuperficial, a fim de
prevenir infiltrações e migração para baixo das águas superficiais.

As dolinas preenchidas podem conter sedimentos fofos compressíveis e estar sujei-


tas a nova erosão e ao desenvolvimento de dolinas. O último ocorre quando dolinas
preenchidas não identificadas são cobertas por um reservatório ou um aterro, com o
aumento das pressões hidrostáticas. A existência de dolinas não identificadas, por baixo
de estruturas, pode causar recalques desastrosos. Conseqüentemente, as dolinas preen-
chidas precisam ser localizadas e sua extensão em área, definida. Os materiais de enchi-
mento que permanecerão sob fundações estruturais devem ser classificados e ensaiados,
a fim de se determinar sua compressibilidade, consolidação, capacidade de suporte de
carga e susceptibilidade à erosão.

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O potencial de erosão deve ser avaliado, uma vez que mudanças a longo prazo nos
níveis das águas subterrâneas podem reativar o entubamento (“piping”) dos materiais de
enchimento para dentro de fraturas ou fissuras abertas próximas ao fundo das dolinas
preenchidas. Na avaliação da susceptibilidade das argilas à erosão, será preciso efetuar
ensaios de furo de agulha em corpos de prova indeformados e analisar os resultados dos
ensaios de sais na água intersticial.

Os materiais de enchimento nas dolinas que se estenderem abaixo do nível das


fundações da obra precisam ser avaliados quanto à sua capacidade de sustentar carga e
recalque. Os resultados dos ensaios de resistência ao cisalhamento e de consolidação,
em amostras indeformadas, devem ser utilizados na avaliação da capacidade de susten-
tar carga e recalque. Duas importantes questões precisam ser consideradas nas áreas
onde existem dolinas preenchidas acima de pináculos de calcário:

„ Em geral, há zonas mais fofas na interface entre os solos residuais e a parte supe-
rior dos pináculos, e a capacidade de sustentar carga é regida pela concentrações
de tensões nestes locais;
„ Quando se escavam dolinas preenchidas ou solos residuais, até se atingir a profun-
didade dos pináculos de rocha, as áreas variáveis de sedimentos fofos e calcário
poderão não prover áreas de sustentação de carga adequadas sobre rocha sã para
fundações em sapatas ou em laje. Poderá ser necessário escavação adicional, de
modo a fornecer uma área uniforme de sustentação de carga.

As cavidades abaixo das superfícies de calcário podem ser cobertas por várias
espessuras de calcário com fraturas, com solo residual, solos aluviais ou outras rochas
sedimentares sobrejacentes. A estratigrafia e as características geotécnicas do material
sobrejacente, assim como os sistemas de fraturas e os defeitos de dissolução no calcário
acima da cavidade, devem ser definidos e aferidos, para se avaliar seu efeito na estabili-
dade da cavidade. É evidente que os locais acima de extensas cavidades, interligadas por
diáclases de dissolução, deverão ser, de preferência, evitados.

As cavidades subjacentes à superfície da rocha sã estão, com freqüência, total ou


parcialmente preenchidas por sedimentos fofos. Esse material de enchimento poderá pro-
ver sustentação parcial de teto, embora possa ocorrer perda de sustentação nas cavida-
des acima do lençol freático, no caso de uma futura elevação do nível das águas subter-
râneas, o que causaria um amolecimento dos materiais de enchimento. Nas cavidades
abaixo do lençol freático, uma queda futura do nível das águas subterrâneas poderá
provocar a drenagem e a consolidação dos materiais de enchimento. Além disso, esses
materiais inibem a distribuição uniforme da calda de cimento injetada e requerem um
espaçamento menor dos furos de injeção, a fim de se poderem encher as cavidades e os
canais de dissolução interligados. Será preciso determinar cuidadosamente a quantidade
de material de enchimento e suas características geotécnicas e avaliar o seu potencial de
compressão sob cargas estruturais, para se poder determinar a necessidade de escava-
ção, remoção e substituição dos materiais de enchimento por materiais estáveis. Tam-
bém será preciso avaliar a viabilidade da injeção com calda de cimento, de modo a se
atingirem condições de estabilidade.

A estabilidade das cavidades dentro da zona de influência da carga da estrutura


deve ser avaliada. Embora não exista qualquer orientação específica relativa à razão ta-
manho mínimo-profundidade que exija avaliação, será preciso considerar as cavidades
iguais ou superiores a 2m, a profundidades de até 65m. A avaliação da estabilidade exige
conhecimentos acerca do sistema de fraturas, da resistência das juntas, das resistências
à compressão e à tração da rocha sã, dos módulos elásticos in situ, do coeficiente Poisson
e do Ko (razão entre a tensão horizontal efetiva e a tensão vertical efetiva) da massa
rochosa. Quando existir folhelho ou uma outra rocha sedimentar de grão fino sobre a
rocha cavernosa, e a mesma não será escavada, também deverá ser considerada a contri-

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buição destas camadas à estabilidade da cavidade. O principal objetivo da avaliação da


estabilidade da cavidade é determinar se poderá ocorrer colapso do teto sob as cargas
estruturais a serem impostas ou se o colapso poderá progredir para os solos sobrejacentes,
onde a erosão por percolação poderá ocasionar o desenvolvimento de dolinas.

3.10.8 Condições que Afetam as Estruturas de Retenção de Água

As lagoas e os reservatórios para armazenamento de água e os canais de transporte


de água são vulneráveis à ação das dolinas e da percolação sob os aterros ou sob o curso
do canal. É necessário obter, para todas as áreas de construção, um quadro completo das
condições de dissolução da rocha sã, da profundidade do solo sobrejacente e do tipo de
material nesse solo, incluindo a compressibilidade e a susceptibilidade à erosão.

O principal perigo para os aterros, os canais, as lagoas e outros tipos similares de


reservatório construídos sobre terreno cárstico provém da infiltração, do entubamento
(“piping”) e da erosão dos materiais contidos nas dolinas preenchidas ou nas estruturas
de dissolução interligadas preenchidas. Além disso, o recalque desigual do aterro pode-
rá causar fissuramento transversal e, em última instância, “piping” através do aterro. Os
solos permeáveis que recobrem a rocha alterada requerem um “cutoff” positivo (vedação)
por baixo do maciço ou um revestimento impermeável da superfície do reservatório.
Ainda assim, as dolinas preenchidas, as fissuras de dissolução e as cavidades preenchi-
das subjacentes à rocha sã deverão ser identificadas e tratadas. Estas condições são
particularmente perigosas onde os estratos de rocha e os lençóis freáticos mergulham a
partir da área do reservatório.

Em alguns casos, as injeções com calda de cimento poderão fornecer um controle


adequado das cavidades. Deverão ser executados ensaios adicionais de bombeamento e
um programa experimental de injeções, a fim de determinar a adequabilidade deste mé-
todo de tratamento. De outra maneira, poderá ser necessário construir uma parede
“cutoff” de concreto, de alto custo, caso não exista um melhor local para a obra.

3.10.9 Métodos de Tratamento

Existem vários tratamentos para as estruturas de dissolução e as aberturas de


mineração, que visam à melhoria da estabilidade, à diminuição das perdas de água por
percolação e à prevenção do desenvolvimento de dolinas. A parte crítica de qualquer
tratamento é a verificação do seu êxito e a monitorização das condições futuras, a fim de
detectar quaisquer problemas que possam surgir, a tempo de corrigi-los antes que se
tornem demasiadamente graves.

O tratamento de dolinas preenchidas e de fraturas alargadas pela dissolução inclui


escavação e reaterro, injeções de calda de cimento, pré-carregamento das fraturas preen-
chidas (para aumentar a capacidade de sustentação de carga e reduzir o recalque) e
medidas corretivas para controlar a infiltração.

3.10.9.1 Áreas de Fundações

Nas áreas de fundações, as dolinas preenchidas e as fraturas alargadas pela disso-


lução que se estendem abaixo do nível escavado das fundações na rocha são, em geral,
escavadas e aterradas com concreto, até uma profundidade mínima equivalente a duas
vezes a largura máxima da fratura. Entretanto, aquelas dolinas preenchidas que levam a
fissuras de dissolução mais profundas, sujeitas à erosão dos materiais de enchimento,
poderão requerer o seguinte tratamento:

„ Escavação do enchimento da dolina;


„ Tamponamento do fundo da dolina com concreto;
„ Injeções rasas em torno da base da dolina.

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3.10.9.2 Áreas de Reservatório

Nas áreas de reservatório, um perigo de importância crítica é a infiltração vertical


através de solos residuais e o rejuvenescimento das dolinas. Conseqüentemente, poderá
ser necessário um extenso programa de injeções no ponto de contato entre o solo
sobrejacente e a rocha sã, além das injeções no maciço rochoso. No caso de reservatórios
críticos ou cuja segurança é primordial, as injeções deverão ser consideradas, principal-
mente, como uma medida de controle da perda de água, uma vez que não podem prover
uma real defesa contra possível “piping” ou erosão dos materiais de enchimento das
fraturas. A verdadeira proteção da área do reservatório poderá exigir a total remoção dos
solos sobrejacentes e o tratamento da superfície da rocha sã. As fissuras de dissolução
largas e profundas, subjacentes ao maciço, também podem precisar de tratamento espe-
cial.

3.10.9.3 Cavidades de Dissolução

As cavidades de dissolução subjacentes à superfície da rocha sã, que forem inter-


ceptadas pela escavação para as fundações, normalmente deverão ser escavadas, lim-
pas e enchidas com concreto. Nas cavidades na rocha sã, abaixo do nível das fundações,
deverá ser injetada calda de cimento, de modo a preencher os vazios e as fraturas abertas
existentes. Em geral são necessários ensaios de perda de água e a retirada de testemu-
nhos, para verificar a adequação do programa de injeções.

3.10.9.4 Problemas Potenciais Resultantes das Injeções e do Enchimento

Sob determinadas combinações desfavoráveis das condições do local da obra, as


medidas corretivas podem ter resultados opostos àqueles pretendidos, ou podem ocasi-
onar outros problemas. Conseqüentemente, é necessário tomar precauções especiais
para garantir a adequada definição do regime das águas subterrâneas, durante a fase de
investigação do local da obra, de modo a se assegurar a previsão das conseqüências das
medidas corretivas. O enchimento dos vazios no subsolo as injeções neles aplicadas
podem ter graves conseqüências para a transmissão das águas subsuperficiais nas áreas
cársticas. O bloqueio das rotas seguidas pelo fluxo d’água pode resultar em um aumento
do fluxo em áreas adjacentes, resultando em erosão do solo dos canais de dissolução e
problemas imediatos de sustentação de cargas. O bloqueio também pode ocasionar
represamento de água à montante, com inundação das instalações ou causar a formação
de rotas alternativas no subsolo, enfraquecendo áreas anteriormente estáveis. Em certas
circunstâncias, a construção de muros ou cortinas “cutoff”, juntamente com o desvio de
todo o fluxo de águas superficiais do local da obra, poderá resultar na queda do nível do
lençol freático sob o local da obra, o que, por sua vez, poderá aumentar a instabilidade
pela remoção da sustentação por água dos tetos das cavidades cheias de água, ou pela
secagem e pela contração dos materiais de enchimento. Qualquer acidente ambiental que
provoque a contaminação dos aquíferos será mais grave nos terrenos cársticos do que
nas áreas normais, uma vez que a transmissão da água ocorre pelo fluxo através de
dutos. Isso resulta num rápido deslocamento das águas contaminadas para longe do local
do acidente e na ausência de descontaminação por filtragem.

3.10.10 Resumo

Nas seções anteriores, foram discutidas considerações relativas à localização e aos


estudos geológicos e geotécnicos das principais obras associadas a recursos hídricos em
lugares onde, potencialmente, podem existir aberturas subterrâneas, sejam naturais, se-
jam artificiais, as quais poderiam provocar ruptura do solo. Também foram discutidas as
condições do terreno associadas a estas aberturas, como dolinas e fraturas abertas, que
apresentam outros perigos, como “piping”, infiltração e risco de perda da integridade dos
reservatórios de água.

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Embora a investigação do local da obra nas regiões cársticas sejam empreendimen-


tos complexos, é possível planejar um programa que utilize os conhecimentos existentes
acerca da geologia do local, assim como métodos complementares de investigação da
superfície, o sensoreamento remoto, os estudos geofísicos, as sondagens e as escava-
ções, de modo a determinar adequadamente as condições da subsuperfície. As
metodologias-padrão de investigação do local da obra precisam ser adaptadas para aten-
der às complexidades específicas do local, conseqüência dos sistemas de cavidades
subsuperficiais. Os métodos e os programas geofísicos, que funcionam muito bem para
delinear a estratigrafia e as estruturas geológicas mais simples, em investigações rotinei-
ras, com freqüência demonstram ser inadequados para identificar e delinear as cavidades.
No planejamento e na execução das investigações do local da obra, assim como na inter-
pretação dos resultados obtidos, o pesquisador precisa lembrar que (a) as condições das
fundações, no caso de estruturas críticas, precisam ser verificadas, em última instância,
mediante sondagens ou escavações e (b) nem sempre será praticável, ou mesmo possí-
vel, detectar e delinear cada estrutura de dissolução num determinado local. Conseqüen-
temente, nestes casos é preciso decidir qual é a maior dimensão de cavidade não desco-
berta que seria tolerável, com base nos efeitos dessas cavidades no desempenho das
estruturas importantes.

Os maiores perigos à segurança das fundações nos terrenos cársticos residem nas
estruturas de dissolução preenchidas, na superfície da rocha sã, e nas cavidades preen-
chidas ou vazias a pequena profundidade (em relação ao tamanho da cavidade) abaixo da
rocha sã.

O potencial de erosão e a compressibilidade dos materiais de enchimento nos


canais de dissolução e nas cavidades requerem cuidadosa avaliação, de modo a deter-
minar a capacidade de sustentação de carga, o recalque e a susceptibilidade à futura
erosão, causada por possíveis mudanças no regime da água subterrânea.
Também é preciso considerar a estabilidade das cavidades naturais abaixo da su-
perfície da rocha sã, até profundidades mínimas de 65m. As dimensões da cavidade, sua
profundidade, os sistemas de fraturas, as condições das fraturas, o tipo de rocha e o
acamamento acima da cavidade são os principais fatores que influenciam a estabilidade
do teto, assim como a profundidade até a qual será considerada.

Os lençóis freáticos, as condições de percolação e o recalque deverão ser monito-


rizados após a conclusão da obra, de forma a detectar o surgimento de condições poten-
cialmente perigosas. É necessário fazer e manter registros completos de todas as medi-
das de tratamento das fundações, executadas durante a construção, para uso futuro no
caso de ser necessário implementar medidas corretivas. Tais registros deverão incluir a
localização e os dados de tratamento de todas as estruturas de dissolução. Estes regis-
tros serão de importância fundamental na determinação das possíveis causas de proble-
mas e no planejamento de tratamento corretivo.

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Sinkhole Development”, Hydrologic Problems in Karst Regions, editado por R.R. Dilamartar e
S.C. Csallany, Western Kentucky University, Bowling Green, 1977, pp. 432-438.
[86] SCHMIDT, B., MATARAZZI, B., DUNNICLIFF, C.J. & ALSUP, S. “Subsurface Exploration Methods
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Transportation, Urban Mass Transit Assoc., Washington, 1976.
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[88] SOWERS, G.F. “Failures in Limestones in Humid Subtropics”, Journal of the Geotechnical
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[89] SWEETING, M.M. “Karst Landforms”, Columbia University Press, Nova Iorque, 1973, 362 pp.
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[92] WATER RESOURCES COMMISSION. Grouting Manual, 2nd. ed., Water Resources Commission,
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[93] AMERICAN SOCIETY OF CIVIL ENGINEERS. “Proceedings of the 4th Internation Conference on
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Elaboração de Projetos de Irrigação

CAPTAÇÕES

4.1 Canais de Captação

4.1.1 Elaboração do Projeto

A elaboração do leiaute e do projeto dos canais de captação baseia-se na passagem


pelo canal da máxima vazão a ser bombeada pela estação de bombeamento, com o nível
da água da fonte de abastecimento no seu ponto mais baixo. Esta abordagem na elabora-
ção do projeto garantirá o funcionamento das instalações na sua capacidade máxima,
mesmo quando a fonte de água estiver no nível mais baixo.

A velocidade de projeto admissível no canal varia consideravelmente, dependendo


do tipo de solo ou rocha sobre o qual for construído o canal, de o canal ser ou não
revestido e da quantidade de sedimento presente na fonte de água.

É indispensável projetar os canais de captação que recebem água de rio com base
em consideração de sedimentação. As velocidades não poderão ser muito altas, de modo
que os sedimentos de maior diâmetro, e que poderiam danificar as bombas, sejam depo-
sitados no canal, antes que o escoamento da água chegue à estação de bombeamento. A
velocidade utilizada na elaboração do projeto do canal está diretamente relacionada com
as dimensões e a quantidade de partículas que precisam ser removidas da água antes do
seu bombeamento.

As velocidades do projeto para canais revestidos e nos construídos sobre rocha


podem chegar a de 2m/s, dependendo do material de revestimento e da qualidade da
rocha.

Em geral, as velocidades nos canais não revestidos, construídos sobre solo, não
devem exceder 0,5m/s, exceto quando houver garantia de que velocidades superiores
não causarão erosão no fundo e nos taludes laterais do canal. Os canais construídos
sobre solos muito erodíveis requerem velocidades bem inferiores.

Em certas circunstâncias, recomenda-se revestir o canal, pois, desta maneira, o


projetista poderá utilizar velocidades de projeto maiores, o que permitirá uma seção de
canal menor e, conseqüentemente, economia na escavação. Uma outra vantagem dos
canais revestidos é que permitem taludes laterais com maior declividade, o que também
se traduz em economia nos custos de escavação. No caso de solos muito erodíveis, o
revestimento poderá ser a única forma de manter estáveis o fundo e os taludes da seção.

Nas proximidades da estação de bombeamento, o canal precisa ser mais largo e


profundo, a fim de se reduzir a velocidade da água quando esta se aproxima das sucções
das bombas. Esta exigência justifica-se pois a velocidade de aproximação recomendada,
perto das grades de detritos, não deverá exceder 0,6m/s, sob condições de fluxo máximo

Manual de Irrigação Copyright © Bureau of Reclamation 179


Elaboração de Projetos de Irrigação

(ver o subitem 9.3.2, Grades, no Capítulo 9 deste MANUAL). No caso de telas contra
musgo e de telas para peixes, as velocidades de aproximação recomendadas são 0,3m/s
e 0,15m/s, respectivamente, sob condições de fluxo máximo. Outro parâmetro que afeta
a profundidade do canal é a submersão correta das bombas, para impedir a formação de
vórtices, que poderiam provocar a cavitação.

Além disso, no leiaute do canal, é preciso manter o traçado do canal o mais reto
possível, para minimizar as perdas hidráulicas e reduzir a formação de redemoinhos no
canal, o que causaria perdas hidráulicas inadmissíveis.

Em situações especiais e no caso de grandes instalações, recomenda-se construir


um modelo hidráulico reduzido, de modo a aferir os parâmetros utilizados na elaboração
do projeto e a garantir a redução do potencial de problemas hidráulicos no canal a ser
construído.

Durante a elaboração do projeto, tanto a nível de viabilidade quanto de projeto


básico, o projetista deverá considerar cuidadosamente a estabilidade dos taludes laterais,
de modo a se assegurar de que o canal a ser construído não terá problemas durante a
operação do sistema hidráulico, como resultado do deslizamento de taludes. Será indis-
pensável realizar análises relativas à estabilidade dos taludes laterais, sob condições vari-
áveis de nível de água e de saturação. Nestas análises, o efeito do rebaixamento rápido do
nível de água sobre o solo ou a rocha do canal constitui uma situação crítica e que deve
ser analisada com cuidado. Em rochas fraturadas, o projetista deverá observar a orienta-
ção, a inclinação e o espaçamento das fraturas, a fim de se assegurar de que os blocos de
rocha não serão deslocados, após as fraturas terem sido lubrificadas pela água. Poderá
ser necessário estabilizar os blocos com chumbadores, caso esta análise das fraturas
indique a presença de problemas potenciais.

As considerações relativas à elaboração do projeto e à operação dos canais de


captação são similares às dos outros canais. Para informações sobre fundações, tipos de
revestimento, juntas, taludes laterais, etc., vide o Capítulo 6 deste MANUAL.

O projeto deve observar um plano construtivo adequado e dispositivos que garan-


tam uma manutenção adequada. As travessias dos canais por pontes, galerias, etc.,
devem merecer uma atenção adequada.

4.1.2 Captação no Reservatório

Em geral, os canais de captação nos reservatórios não apresentam problemas de


sedimentação, já que o reservatório funciona como uma bacia, na qual os sedimentos do
rio, que poderiam danificar as bombas, se depositam. Os principais problemas associados
a estes canais de captação são as grandes variações no nível da água e a ação das ondas.

Grandes variações no nível da água exigem canais mais profundos, de maneira


que a estação de bombeamento possa captar água, mesmo quando o nível da água no
reservatório estiver baixo. É evidente que isso implica em custos maiores de construção
e, também de manutenção e de operação. Além disso, os canais profundos podem, em
alguns casos tornar mais críticos os problemas de estabilidade de taludes.

A ação das ondas é de importância fundamental nos canais construídos em solo,


pois pode causar a erosão dos taludes laterais. Para se solucionar este problema, normal-
mente é colocado “riprap” nos taludes. Este problema também pode ser solucionado
localizando-se a captação numa área do reservatório em que a entrada do canal esteja
protegida dos ventos predominantes, com significativa redução da altura das ondas e
correspondente decréscimo do potencial de erosão. Quando não há uma área protegida,
é, às vezes possível orientar a entrada do canal de maneira que as ondas predominantes
passem ao largo, sem entrar no canal.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

4.1.3 Captação no Rio

A sedimentação é o principal problema na elaboração do projeto de canais de cap-


tação nos rios. Em geral, a entrada do canal deverá estar localizada no lado externo de
uma curva do rio, a jusante da bissetriz do arco. Esta é a melhor localização, pois a
velocidade do rio é maior no lado externo e, em geral, é suficiente para carregar a maior
parte dos sedimentos para além da entrada do canal e, desta forma, reduzir a entrada de
sedimentos no canal de captação. Também, a boca do canal deverá estar orientada de
forma que aponte para montante. O próximo item deste capítulo, Requisitos Relativos à
Sedimentação e às Propriedades Hidráulicas, acrescenta informações acerca da localiza-
ção dos canais de captação.

Os rios que têm quantidades elevadas de sedimentos em suspensão podem provo-


car problemas adicionais. Devido aos grandes volumes de material em suspensão, o leiaute
do canal precisará incluir uma bacia de sedimentação no canal, de forma que o material
possa ser decantado antes de a água ser bombeada.

Em trechos de tráfego fluvial intenso, a ação das ondas também pode criar proble-
mas e as soluções de projeto são similares àquelas discutidas em relação aos canais de
captação em reservatórios.

4.2 Requisitos Relativos à Sedimentação e às Propriedades Hidráulicas

4.2.1 Aspectos Gerais

Nesta seção são apresentados os requisitos gerais relativos à sedimentação e às


propriedades hidráulicas dos rios, utilizados na elaboração de projetos de estações de
bombeamento em rios ou reservatórios. Estes requisitos das estações de bombeamento
variam conforme a localização da estação, as diferentes características dos canais dos
rios, as propriedades hidráulicas do rio, a granulometria e a quantidade dos sedimentos
transportados e a topografia. Embora se reconheça a existência de diferenças que deter-
minam alteração ou redução de determinados dados necessários em locais específicos, as
informações relacionadas a seguir sempre deverão ser fornecidas junto com os dados de
projeto.

4.2.2 Sedimentos na Água Bombeada

Será preciso determinar a quantidade de sedimentos na água a ser bombeada e a


sua granulometria.

Os sedimentos são transportados pela água do rio como carga em suspensão ou


carga de fundo. A carga de fundo é definida como os sedimentos que são carregados, por
um curso d’água, em contato contínuo com seu leito. Os diâmetros dos sedimentos
carregados são muito importantes, e os sedimentos são classificados, em função do seu
diâmetro, em argilas, siltes, areias, cascalho, ou seixos. A Figura 4.1 mostra uma análise
granulométrica típica de cargas em suspensão e de fundo. Esta distribuição é típica de
muitos rios no Oeste dos Estados Unidos, e similar àquela encontrada em alguns rios do
Nordeste do Brasil. A Figura 4.2 apresenta o amostrador empregado para coletar amos-
tras de sedimentos em suspensão para análise laboratorial da concentração e da distribui-
ção granulométrica.

Outra relação importante é a variação na concentração de sedimentos em junção da


profundidade, no canal natural do rio. A Figura 4.3 mostra as variações das diferentes
granulometrias ao longo de uma linha vertical. Observe-se que, para os materiais mais
grossos na faixa das areias, as concentrações nas partes aumentam consideravelmente,
e, se este aumento é extrapolado até o fundo do curso d’água, encontrar-se-ão concen-

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Figura 4.1 Análise Granulométrica Típica de Cargas em Suspensão e de Fundo

Figura 4.2 Zonas Medidas e não Medidas numa Amostragem Vertical de uma
Corrente com Relação a Velocidade do Fluxo e Concentração de
Sedimentos. J.K. Culbertson (Comunicação Escrita em Maio de 1968)

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Figura 4.3 Curvas de Concentração X Altura Acima do Leito do Rio

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Elaboração de Projetos de Irrigação

trações extremamente altas. As variações apresentadas na Figura 4.3 resultam de uma


combinação da velocidade do fluxo da água no rio com a velocidade de queda das partí-
culas de sedimento. Conforme esperado, as partículas de areia de diâmetro maior caem
mais rapidamente e, portanto, encontram-se em concentrações bem menores perto da
superfície da água.

Existem inúmeras equações e técnicas teóricas para computar o transporte dos


sedimentos. Em especial, qualquer aumento na velocidade do rio causa um aumento no
tamanho dos sedimentos carregados. A relação geral entre a velocidade e o tamanho dos
sedimentos encontra-se na Figura 4.4, que mostra em quais velocidades as partículas de
sedimento serão erodidas, transportadas, ou depositadas. Esta relação foi desenvolvida
apenas para partículas de diâmetro uniforme e não deve ser aplicada a sedimentos em
ambientes naturais. Os métodos de cálculo do transporte de sedimentos fluviais podem
ser encontrados na publicação “Design of Small Dams” (Projeto de Pequenas Barragens),
do “Bureau of Reclamation”.

É indispensável determinar a quantidade de sedimento fluvial e sua granulometria, a


fim de projetar corretamente as bombas para manter um bom intervalo entre as revisões
e para determinar as condições ótimas de entrada da bomba. A abrasão e o desgaste que
ocorrem nas diversas peças das bombas e que, conseqüentemente, reduzem a eficiência
das mesmas são causados, principalmente, pela passagem de sedimentos com o tama-
nho da areia. O grau de desgaste nas partes móveis da bomba que entram em contato
com a água carregada de sedimento é proporcional ao tamanho desse sedimento. Os
sedimentos de diâmetro superior à metade da folga do anel de atrito provocam desgaste

Figura 4.4 Curvas para Erosão, Transporte e Deposição de um Material


Uniforme

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Elaboração de Projetos de Irrigação

significativo. Como comparação, estudos prévios relativos a turbinas de alta carga hidráu-
lica indicam que é com o diâmetro de 0,38mm que se inicia o maior desgaste. Entretanto,
este tamanho de sedimentos que provoca danos em pequenas bombas está próximo de
0,10mm. Uma vez que este diâmetro está próximo do limite mínimo da classificação
granulométrica das areias (0,0625mm), é razoável presumir que qualquer água que conte-
nha areia ou sedimentos mais graúdos seja prejudicial às bombas. A água utilizada no
resfriamento dos mancais não deverá conter sedimentos.
A Tabela 4.1 relaciona e descreve quatro condições gerais de fluxo do complexo de
água e sedimentos que passam por estações de bombeamento existentes. A tabela suge-
re um aumento percentual na capacidade das bombas, acima da capacidade de projeto
necessária, quando poderão bombear água contendo sedimentos. As grandes estações
de bombeamento, ou seja, aquelas com bombas de capacidade igual ou superior a 2,8m3/
s, são menos afetadas pelo sedimento e, portanto, requerem aumentos percentuais me-
nores. As condições são classificadas, principalmente, em função da quantidade de sedi-
mento na água bombeada e da sua granulometria. Estes valores estão baseados numa
análise dos dados relativos a bombas com capacidades de até 22,71m3/s.

Em geral, o desgaste normal, exceto aquele atribuído aos sedimentos, é pequeno


nas bombas bem projetadas e não deverá exceder 3%, entre revisões. Desta forma, o
maior valor recomendado de aumento de capacidade inclui o desgaste normal, enquanto
o menor valor, não. A tabela é preparada para as condições de operação com períodos
entre revisões previstos de 3 anos, no caso das pequenas bombas, e de 5 anos ou mais,
para as bombas maiores.

Tabela 4.1. Condições do Binômio Água X Sedimento a Serem Aduzidas nas


Estações de Bombeamento

Aumento Recomendado
da Capacidade (%)
Descrição Localização Aplicável A Bombas Bombas
Pequenas Grandes
< 3m3/s > 3m3/s
A. Água Límpida
Não contém areia (0,0625 – 2mm) ou silte <0,004 – Reservatório (com taxa de Reservatórios, canais de 0–5 0–3
0,0625mm); mas poderá conter argila (<0,004mm) capacidade anual de recarga recalque, estações de
numa concentração média menor que 100 ppm e maior que 0,03, grandes bombeamento tipicas para
material orgânico. canais (capacidades maior que drenagem, e derivações do
500 ft3/s – 15m3/s), drenos e canal principal.
grandes riachos.
B. Pequena Carga Sedimentar
Contém argila (<0,004mm) e silte (0,004 – Pequenos reservatórios, Reservatório, poços de 5 – 10 2–5
0,0625mm) numa concentração média menor que drenos, canais e riachos drenagem, estações de
500 ppm, e por curtos períodos, areia fina (0,0625- alimentados pelo degelo. bombeamento em rios e
0,125mm). derivações do canal principal.
C. Carga Sedimentar Média
Contém argila (<0,004mm), silte (0,004 – 0,0625mm) Em poucos canais e drenos Alguns canais de drenagem e 10 – 15 5–8
e areia (0,0625 – 2mm) numa concentração média que escoam frequentemente estações de drenagem, a
menor que 2,000 ppm que poderá ocorrer como areia água de chuva com maioria dos poços de
fina (0,06250-0,125mm) em pequena quantidade na sedimentos e a meior parte drenagem, fins de canais e
maior parte do ano e areia grossa (0,125 – 2mm) dos rios e riachos onde a algumas estações em rios.
durante períodos de cheia. erosão e normal.
D. Alta Carga Sedimentar
Contém argila (<0,004mm), silte (0,004 – 0,0625mm) Em rios onde a erosão e Poços, estações de 15 – 20 8 – 15
e alguma areia fina (0,0625 – 0,125mm) ou contém grande e em riachos com bombeamento em rios e os
frequentemente areia grosseira (0,125 – 2mm) e aluvionamento por sedimentos terminais do canal principal.
ocasionalmente cascalho (2 – 8mm) numa de areia.
concentração media maior que 1000ppm.

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Elaboração de Projetos de Irrigação

Os dados de projeto deverão indicar as necessidades específicas de água para a


irrigação, além das perdas e da capacidade máxima necessária. Por sua vez, esta capaci-
dade líquida de bombeamento necessária determinará a capacidade mínima da estação de
bombeamento entre revisões. A este requisito, será preciso acrescentar capacidade adici-
onal, a fim de compensar a diminuição na eficiência que ocorre entre revisões, como
resultado do desgaste normal e do desgaste excessivo causado pelo sedimento.

Será necessário tentar evitar a entrada de partículas de sedimento maiores (>


0,1mm) nas bombas. Deve-se incluir no projeto um desarenador ou outro dispositivo onde
se preveja a ocorrência de tais sedimentos. No caso de grandes estações de bombeamento,
em rios que quase sempre carregam quantidades apreciáveis de areia, poderá ser mais
econômico remover o sedimento por meio de uma bacia de sedimentação, ou outro dispo-
sitivo, antes da entrada da água na estação. A falta de tais dispositivos poderá ocasionar
maiores despesas em energia elétrica, um custo inicial maior para as bombas e os moto-
res, e a necessidade de limpeza mais freqüente dos canais. O relatório do “Bureau of
Reclamation”, denominado “User’s Guide to Computer Modeling of Settling Basins” (Ma-
nual do Usuário para Modelagem Computadorizada de Bacias de Sedimentação), descre-
ve um método de dimensionamento das bacias de sedimentação.

O custo da limpeza dos canais e da manutenção dos sistemas de distribuição,


assim como a freqüência com que serão realizadas, deverão determinar a inclusão, ou
não, de dispositivos para a remoção de sedimentos da água a ser bombeada. Nos siste-
mas de irrigação por gravidade, a fração de sedimento silte-argila em geral é bombeada e
distribuída sem efeitos deletérios. Entretanto, nos sistemas de irrigação por aspersão,
algumas vezes é necessário remover alguns tamanhos de silte, por meio de bacias de
sedimentação, a fim de evitar o entupimento do sistema de tubulação e dos bicos dos
aspersores.

4.2.3 Nível da Água no Lado de Sucção da Bomba

Determinar-se-ão os níveis de água operacionais mínimo, médio e máximo na entra-


da da estação de bombeamento. Se a fonte de água for um reservatório, dados relativos
às flutuações anuais periódicas do reservatório, indicadas em tabelas ou quadros, que
resumem os estudos da operação do reservatório em períodos normais e críticos, poderão
auxiliar na determinação destes níveis. Se a fonte for um curso d’água livre, utilizar-se-ão,
na determinação destes níveis, os registros das medições referentes às flutuações perió-
dicas da vazão, assim como um estudo do perfil do nível da água, para o trecho do canal
que começa à jusante e se estende até a área de entrada da estação de bombeamento.
Estas informações poderão ser obtidas mediante um cálculo de remanso do perfil da linha
da água, regime permanente para toda a gama de vazões.

As cotas máximas de descarga de cheia também deverão ser determinadas, para as


freqüências de cheia selecionadas, para as condições de reservatório e de rios. Nos pro-
jetos de estações de bombeamento, utiliza-se normalmenete a freqüência de cheia de
100 anos.

Sob condições de assoreamento, seja num reservatório, seja num curso livre de
água, determinar-se-ão os níveis da água operacionais mínimo, médio e máximo, com a
deposição de sedimentos superimposta ao perfil do fundo do reservatório ou do rio.

Se a fonte da água bombeada é um reservatório, e o ponto de tomada localizado no


delta do reservatório ou próximo a ele, será necessário um estudo do delta, a fim de
definir os níveis operacionais futuros do reservatório no local onde será instalada a bom-
ba. As duas fases do estudo do delta tratam da determinação física da localização do
delta e, quando o local já tiver sido fixado, do cálculo de remanso, através do canal do rio
à montante, com o intuito de definir as cotas da superfície da água que decorrem do

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Elaboração de Projetos de Irrigação

reservatório na existência do delta. Normalmente, utiliza-se a vazão pico da enchente com


freqüência de 100 anos, como cota da superfície da água nas áreas inundadas. Em geral,
o delta de 50 anos de deposição representará as condições médias para os cálculos
relacionados às cheias de 100 anos; entretanto, se a bomba estiver localizada em uma
área na qual se prevê a ocorrência de grande impacto devido à deposição de sedimentos,
recomenda-se selecionar o delta de um período mais longo, em geral 100 anos de depo-
sição de sedimento.

A publicação “Design of Small Dams” (Projeto de Pequenas Barragens), do “Bureau


of Reclamation” descreve um método de elaboração dos estudos de delta. A descrição a
seguir é um resumo desse método. Mais detalhes podem ser encontrados no documento
referenciado. O método de predição da formação do delta ainda é empírico, baseado nos
depósitos de delta observados em inúmeros reservatórios. A Figura 4.5 apresenta um
perfil típico de delta. O perfil é definido por um declive da parte à montante do delta, um
declive da parte à jusante do delta e um ponto pivô (de inflexão) entre os dois declives,
que ocorre na mediana do nível operacional do reservatório, ou seja, o ponto onde 50%
do tempo o nível do reservatório está acima dessa elevação e 50% está abaixo dela.
Presume-se que a quantidade de material a ser depositado no delta será igual ao volume
de material de granulometria de areia, ou superior, (>0,062mm), que entrará no reserva-
tório durante o período de 50 ou 100 anos. Um método iterativo que emprega dados
topográficos e batimétricos e o cálculo do volume pelo método da média das áreas das
extremidades é utilizado para se obter uma localização final do delta. O declive da parte à
montante do delta pode ser determinado por meio de diversas equações de transporte
sólida de fundo e pela obtenção do declive do fundo, no qual os sedimentos não serão
mais arrastados. A extremidade do delta à montante é fixada na interseção entre a super-
fície máxima da água do reservatório e o leito original do curso d’água. O declive da parte
montante do delta é projetado a partir desse ponto, até a cota prevista para o ponto pivô,
a fim de se iniciar o primeiro cálculo iterativo do volume de sedimento. Um declive médio

Figura 4.5 Perfil Esquemático de um Delta Típico

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Elaboração de Projetos de Irrigação

da parte jusante do delta, equivalente a 6,5 vezes o talude à montante do delta, será
representativo de muitos declives da parte jusante frente do delta, observados em reser-
vatórios existentes. Entretanto, alguns reservatórios podem ter declives na parte jusante
do delta muito mais íngremes. Após a aplicação do método iterativo na localização do
ponto pivô e/ou do declive da parte jusante do delta, o volume final de sedimento calcu-
lado a partir das seções transversais do reservatório, incluindo o delta imposto, deverá
concordar com o volume de material, de granulometria de areia ou maior, que se espera
flua para o delta.
Após a determinação da configuração futura do delta, será preciso calcular o perfil
da linha da água, para determinar as cotas operacionais da superfície da água mínima,
média e máxima, no ponto de captação da estação de bombeamento. Os cálculos de
remanso deverão ser iniciados à jusante, no reservatório, no ponto em que a velocidade
média na seção é inferior a 0,03m/s, para todas as vazões. O perfil deverá estender-se à
montante, além do ponto de captação da estação de bombeamento.

Se a fonte da água bombeada for um curso livre de água e se se acreditar haver


assoreamento, será preciso realizar um estudo de erosão/assoreamento. Estas condições
podem estar presentes à jusante de um reservatório, onde as vazões de enchente foram
reduzidas devido à acumulação de água no reservatório, o que diminui a remoção dos
materiais depositados nos pontos de convergência dos afluentes. Estas condições tam-
bém podem estar presentes onde a degradação do canal natural do rio à jusante arrastou
grandes quantidades de sedimento grosso para áreas à jusante, nas quais as condições
hidráulicas causam a deposição de tais sedimentos. É possível constatar-se o assoreamento
quando o curso d’água se torna mais dividido em múltiplos braços, à medida que grandes
bancos de areia se deslocam através do sistema, ou pelas mudanças nas curvas de cota/
vazão, nas estações hidrométricas. Repetidos levantamentos do trecho do rio, ao longo
de linhas preestabelecidas, ajudam a confirmar as condições de assoreamento. O estudo
de erosão/assoreamento deverá descrever as condições existentes no curso d’água e
fazer projeções relativas às condições futuras do leito do rio e das cotas da superfície da
água nos locais propostos para as obras.

Além disso, definir-se-á o impacto do vento e das flutuações da maré sobre as


cotas da superfície da água. Os sítios localizados em grandes massas de água, nas quais
as extensões de “fetch” são consideráveis e ocorrem ventos de grande velocidade, po-
dem sofrer um aumento no nível da água decorrente do desnivelamento do reservatório e
da intensa ação das ondas no sítio. Existem métodos para calcular o desnivelamento
máximo e a altura de onda que podem ocorrer devido a uma tempestade de vento de
freqüência projetada. Estes métodos empregam registros meteorológicos relativos à velo-
cidade do vento na área em questão. Determinar-se-ão a magnitude das flutuações da
maré e seu impacto nas cotas da superfície da água no sítio, se a estação de bombeamento
estiver localizada no estuário de um rio. Os registros relativos às marés nessa área pode-
rão fornecer todas as informações necessárias.

4.2.4 Estabilidade das Margens

Os materiais que constituem as margens do reservatório ou do rio próximo à esta-


ção de bombeamento, incluindo os solos, as formações rochosas e a cobertura vegetal,
deverão ser examinados e identificados. Também será preciso prever qualquer futura
remoção da vegetação nas margens do reservatório ou rio, a qual poderá afetar a estabi-
lidade das margens. No caso dos rios, é necessário tirar amostras representativas do solo
e determinar a distribuição granulométrica, o índice de plasticidade e o teor de umidade do
material das margens.

As características hidráulicas do reservatório ou do rio, próximo ao ponto de capta-


ção da estação de bombeamento, também deverão ser examinadas. No caso de estações
de bombeamento localizadas na parte externa de curva do rio, dever ocorrer pouca evi-

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Elaboração de Projetos de Irrigação

dência de erosão das margens, caso o meandro do rio seja relativamente estável. Se
houver qualquer indicação de erosão continuada na margem externa, será preciso tomar
medidas para estabilizar as margens, ou selecionar um outro local para a estação de
bombeamento. Mesmo no caso de margens consideradas estáveis, é indispensável plane-
jar algumas medidas de proteção para a entrada do canal de captação, em face da turbu-
lência que ocorre quando a água é sugada para dentro do canal.

No caso de estações de bombeamento em reservatórios, é necessário determinar a


estabilidade das margens na proximidade da estação e a sua capacidade de suportar a
ação das ondas e as grandes flutuações no nível da água no reservatório. Se a margem do
reservatório próxima ao sítio selecionado for considerada muito suscetível de erosão de-
corrente das ondas, será preciso escolher um outro local, já que a intensidade deste tipo
de erosão sobre as margens desprotegidas é difícil de avaliar. Se se prevê pouca erosão,
será necessário planejar medidas de proteção da margem.

4.2.5 Canais de Captação

As características de transporte dos sedimentos nas proximidades do ponto de


captação da estação de bombeamento deverão ser entendidas e consideradas na elabora-
ção do projeto do canal de captação. As características hidráulicas e de sedimentação
dos rios que seguem um percurso curvo diferem substancialmente das dos rios que fluem
em linha relativamente reta. A configuração do fluxo nas curvas é caracterizada pela
circulação secundária dentro do fluxo. A água superficial, que se movimenta mais rapida-
mente, se desloca para o fundo no lado externo da curva e volta à superfície no lado
interno. A erosão e o solapamento ocorrem na margem externa, o que cria um canal
encaixado mais profundo. A maioria do material mais fino removido pela corrente em
espiral, assim como parte do material mais grosso do fundo do curso d’água, são desloca-
dos para o lado interno da curva. A Figura 4.6 ilustra um padrão típico de meandros, com

Figura 4.6 Padrões de Meandros Fluviais

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Figura 4.7 Seções Transversais Fluviais

bancos de areia no lado interno (convexo) e buracos resultantes da erosão do leito do rio
no lado externo (côncavo) da curva. Conforme indicado na Figura 4.7, a corrente secun-
dária em espiral puxa ou suga o sedimento em movimento no fundo do rio para o lado
interno da curva, onde o deposita. Conseqüentemente, quando possível, o ponto de cap-
tação da estação de bombeamento deverá localizar-se na curva externa do rio, próximo à
sua extremidade a jusante.

Quando possível, é preferível construir as estações de bombeamento na margem do


reservatório ou do rio, evitando a construção de um canal de captação. Entretanto, isso
nem sempre é possível, devido às condições das fundações junto ao rio, ou à necessidade
de remoção de sedimentos do escoamento, no lado da sucção. Estudos de modelos
hidráulicos demonstram que qualquer derivação do rio, em ângulo de 90 graus, resultará
no deslocamento desnecessário de uma quantidade maior de sedimento para dentro do
canal. É possível obter melhores condições de entrada inclinando-se o canal de captação
na direção montante, de maneira que a água entre no canal, mais ou menos na direção do
escoamento do rio. Um alinhamento do canal aproximadamente tangencial à curvatura,
no trecho jusante da curva, minimiza a quantidade adicional de sedimento que é sugado
para dentro da captação. Em alguns casos, as condições de entrada podem ser aprimora-
das pela construção de espigões, a partir da margem para dentro da área de fluxo, confor-
me apresentado na Figura 4.8. Este plano utiliza a turbulência e os redemoinhos criados
na extremidade dos espigões para conservar a entrada livre de sedimentação.

Se for preciso planejar um canal de captação, este deverá ser dimensionado de


maneira que uma grande fração do material de granulometria da areia, que está sendo
sugado para dentro da entrada, seja depositada. Uma bacia de sedimentação, associada
aos canais de captação, é a melhor maneira de conseguir este efeito.

Também é indispensável elaborar um plano para a remoção periódica dos sedimen-


tos depositados no canal de captação. O custo da remoção e destinação dos sedimentos
deverá ser incluído nos custos estimados de operação e manutenção.

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Figura 4.8 Espigões Utilizados para Minimizar Sedimentação no Canal de


Aproximação

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Além disso, desenvolver-se-á um plano de retenção e remoção dos detritos flutuan-


tes. Em alguns casos, um “log-boom”, localizado no lado do rio do canal de captação,
impedirá que troncos ou árvores penetrem no canal. Será preciso instalar grades contra
detritos na estação de bombeamento, assim como providenciar meios apropriados de
limpeza dessas grades, a fim de impedir a entrada de detritos na estação de bombeamento
(ver subitem 9.3.2, Grades, no Capítulo 9 deste MANUAL).

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Estações de
Bombeamento

5.1 Tipos de Estação

5.1.1 Estações do Lado do Canal

Estas estações de bombeamento (Figura 5.1), situam-se ao lado de um canal, do


qual aspiram a água. Elas podem succionar a água diretamente do canal, ou ter uma
estrutura de captação a partir do canal que alimenta a estação de bombeamento, por
meio de tubulação. Em geral, emprega-se uma estrutura de captação independente da
estação de bombeamento, quando é desejável ter-se uma estrada de operação e manu-
tenção, sem interrupções, ao longo do canal. Neste caso, a tubulação leva a água até a
estação através da estrada de acesso.

5.1.2 Estações na Extremidade do Canal

Estas estações (Figura 5.2), estão situadas na extremidade de um canal e são


utilizadas, em geral, quando é necessário elevar a água acima de uma estrutura geológica,
ou elevar a água a uma nova cota do canal.

Figura 5.1 Estação de Bombeamento ao Lado do Canal

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Figura 5.2 Estação de Bombeamento na Extremidade do Canal

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5.1.3 Estações em Reservatórios ou Rios

Estas estações (Figura 5.3) estão localizadas na margem de um reservatório ou de


um rio e constituem, de modo geral, a primeira estação do sistema que retira água de uma
fonte natural de água e a despeja em canal, tubulação, tanque, ou outro reservatório ou
rio.

5.1.4 Estações Elevatórias

As estações elevatórias (Figura 5.4), estão localizadas em um ponto intermediário


de um sistema de canais, onde há necessidade de bombeamento para elevar a água acima
de uma estrutura geológica, ou até uma cota mais alta. Em geral, tais estações são
precedidas por um reservatório, tanque ou canal de regularização, que oferece maior
flexibilidade operacional e evita ciclagem excessiva das bombas. Observe-se que as esta-
ções na extremidade do canal são, essencialmente, estações elevatórias.

5.1.5 Estações Tipo “Booster”

São as que recebem água diretamente de um sistema de distribuição (de tubulação)


pressurizado e que reforçam a pressão da água distribuída, conforme necessário.

5.2 Tipos de Instalação

5.2.1 Instalações Internas

São estações de bombeamento situadas em estruturas permanentes, que possuem


pé-direito suficientemente alto para permitir a instalação de guinchos, para manuseio dos
componentes da bomba principal e do equipamento auxiliar. Estas estruturas estendem-
se por todo o comprimento do prédio, incluindo sua área de serviço, se existente.

5.2.2 Instalações Externas

São estações de bombeamento sem estrutura permanente para as unidades princi-


pais, o que deixa todas ou parte das bombas expostas às intempéries. O equipamento
auxiliar, a sala de comando e as diversas instalações podem estar situados em um local
conveniente e protegidos, conforme necessário. A área de serviço ou de montagem,
quando existente, pode estar exposta à intempérie ou protegida. Pode estar locada so-
bre o sob o piso superior da edificação, bem como parcial ou totalmente fora da edificação.
São necessários guindastes móveis ou fixos, para manusear os componentes da bomba
principal e o equipamento auxiliar.

5.2.3 Instalações Semi-Internas

São similares às de instalação interna; exceto que a estrutura permanente sobre a


estação não tem pé-direito suficiente para permitir a instalação de guinchos internos. A
estrutura permanente poderá ser coroada por um teto ou uma plataforma. O manuseio
dos componentes do conjunto principal e do equipamento auxiliar é efetuado através de
alçapões com tampas removíveis no teto ou na plataforma. Nas estações de bombeamento
de muito pequeno porte, toda a estrutura de proteção pode ser retirada, de forma a
permitir a instalação ou a remoção do equipamento. Os requisitos de localização do equi-
pamento auxiliar, das diversas instalações e da área de serviço ou de montagem são
similares aos das estações de bombeamento externas.

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Figura 5.3 Estação de Bombeamento em Reservatórios ou Rios

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Figura 5.4 Estação Elevatória

5.3 Áreas Funcionais das Estações de Bombeamento

5.3.1 Área de Serviço

As estações de bombeamento maiores possuem uma área de serviço que serve


para a montagem das bombas principais; a manutenção e a conservação das bombas
principais e do equipamento auxiliar; o depósito temporário de equipamento ou materiais
diversos; e o carregamento e descarregamento dos caminhões. Este espaço é necessário,
pois as bombas principais são demasiadamente grandes para serem transportadas, ou
não é econômico levá-las a uma oficina central para reparos.

Em geral, a área de serviço das grandes estações de bombeamento contém diver-


sos equipamentos, como tanques de armazenamento de óleo, purificador de óleo, poço
de drenagem e bombas do poço, estruturas de acesso (escadas e elevadores), compres-
sores de ar, equipamento de comando e outros equipamentos auxiliares comuns a todas
as bombas.

Em geral, as estações de bombeamento menores não possuem área de serviço, já


que as bombas e o equipamento auxiliar são menores e podem ser enviados a uma oficina
central para reparos.

5.3.2 Vão da Bomba

Nas estações com múltiplas bombas, o vão da bomba é a parte da edificação que
contém uma única grande bomba e o equipamento auxiliar que serve apenas àquela
bomba. Em geral, os vãos e bombas adjacentes são separados por paredes estruturais e,
nas estações de grande porte, são separados também por uma junta de dilatação.

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5.3.3 Área para Armazenamento de Óleo

Normalmente, apenas as grandes estações de bombeamento, que precisam de óleo


para a manutenção dos mancais ou para os sistemas operacionais hidráulicos, têm área
própria para armazenamento de óleo. Nas estações de porte médio, o óleo é armazenado
em uma área rodeada por um muro de contenção do óleo, ou o chão dispõe de um recorte
para receber óleo derramado. Nas grandes estações de bombeamento, o óleo é armazena-
do num cômodo separado, com porta corta-fogo de fechamento automático, a fim de
isolar o óleo do restante da estação, no caso de incêndio.

5.3.4 Área do Equipamento de Canhole e Salas de Canhole

As pequenas estações de bombeamento dispõem, normalmente, de uma área com


o equipamento de canhole da bomba e o equipamento associado. Esta área localiza-se o
mais perto possível das bombas, a fim de minimizar o comprimento dos cabos de canhole
e permitir a inspeção visual das máquinas enquanto o operador manuseia o equipamento,
na modalidade de comando local.

Em geral, as grandes estações de bombeamento possuem uma sala de canhole


separada, onde é colocado o equipamento de canhole, isto porque é necessário que o
local de instalação dos sensíveis componentes eletrônicos dos comandos seja refrigerado.

5.3.5 Área das Baterias

As baterias são colocadas, em geral, numa área isolada que, desta forma, pode ser
ventilada separadamente do restante da estação de bombeamento. As baterias podem
emitir gases prejudiciais à saúde. Além disso, podem explodir, sob determinadas circuns-
tâncias. O isolamento das baterias do restante da estação ajudará a conter qualquer
explosão e minimizará o impacto da explosão na instalação.

5.3.6 Escritórios

São incluídos na estrutura das grandes estações de bombeamento, nas quais há


equipes trabalhando permanentemente. As estações de funcionamento automatizado
podem ter, ou não, escritórios, dependendo das necessidades do projeto.

5.3.7 Vestiários

Também são incluídos nas estações de bombeamento com equipes permanentes.


Dependendo das necessidades do projeto, poderão fazer parte das estações automatizadas.

5.3.8 Poço de Drenagem

Normalmente, o poço de drenagem é para coletar vazamentos de água na estação,


os quais serão removidos posteriormente pelas bombas do poço. Em muitas estações, o
poço de drenagem também é utilizado no esvaziamento das bombas, quando é necessário
efetuar qualquer serviço nas mesmas. Nas grandes estações de bombeamento, o poço de
drenagem é constituído por duas câmaras, de maneira que qualquer óleo que se misturar
à água possa ser separado antes de a água ser bombeada para fora do poço. O objetivo é
evitar a contaminação do meio ambiente com grandes quantidades de óleo.

5.3.9 Área de Montagem do Rotor

Em geral, as grandes estações de bombeamento dispõem de uma área separada


para a montagem do rotor. Estas áreas são necessárias para os grandes motores das
bombas, que chegam desmontados, e cuja montagem final é efetuada na própria estação.

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5.4 Seleção e Operação das Unidades de Bombeamento

5.4.1 Aspectos Gerais

Os crescentes custos da energia elétrica e da construção civil exigem a máxima


atenção na escolha de bombas eficientes. É preciso revisar cuidadosamente os dados de
projeto, para poder garantir que as bombas selecionadas, que operam com a máxima
eficiência sob as condições operacionais propostas estejam prontamente disponíveis. Na
falta de tais bombas, poderá ser mais econômico modificar o sistema e as condições
operacionais. Se as condições operacionais forem substancialmente alteradas após a
escolha das bombas, poderá ser necessário selecionar bombas diferentes, a fim de asse-
gurar uma operação eficiente. Aumentar a submersão das bombas além de dois diâmetros
(2D) do sino de sucção, para atender às novas condições operacionais é raramente
satisfatório, e, portanto, deve ser evitada.

5.4.2 Tipo de Bomba Requerida

O Capítulo 9 deste MANUAL descreve os elementos de mecânica para os diversos


tipos de bomba. Geralmente, as estações de bombeamento alimentadas por canais ou
rios têm poços de tomada abertos. Bombas verticais são utilizadas usualmente neste tipo
de estação. As estações de bombeamento que recebem a água de reservatórios ou tubu-
lações podem ter uma substancial carga hidráulica na sucção, em determinadas condi-
ções operacionais. As bombas centrífugas horizontais, as verticais com carcaça, e as
verticais de sucção no fundo são normalmente fornecidas para estas estações, a fim de
evitar a perda de carga hidráulica na sucção.

Em geral, escolher a bomba correta para uma estação de bombeamento, com uma
altura manométrica que não varie mais do que 10%, acima ou abaixo da altura manométrica
nominal, não é uma tarefa muito difícil. Entretanto, selecionar bombas apropriadas para
as estações que apresentam grandes variações nas alturas de sucção e/ou de recalque,
assim como uma ampla gama de vazões operacionais, é consideravelmente mais complexo.

5.4.3 Número e Dimensões das Unidades

Na seleção do número de unidades necessárias e suas dimensões, é preciso consi-


derar sua confiabilidade, flexibilidade e eficiência, assim como seu custo. Um ou dois
conjuntos poderão ser suficientes, no caso de estações que prestam serviço intermitente,
o que proporcionaria bastante tempo para a manutenção das bombas, com um mínimo de
interrupção do serviço. Entretanto, recomendar apenas uma unidade poderá ser desastro-
so, quando o abastecimento de água depende da operação contínua do equipamento. Em
geral, nas estações de bombeamento dos sistemas municipais de abastecimento de água,
existe uma bomba de reserva.

Uma estação de bombeamento que serve um canal ou uma tubulação de distribuição


requer maior capacidade de regulação do que uma estação que bombeia água de um
reservatório para outro, ou para um canal alimentador. No primeiro caso, poderá ser
necessário instalar um certo número de bombas, ou mesmo bombas de duas ou mais
capacidades, a fim de atender às variações na demanda. No caso de pequenas estações,
é comum selecionarem-se duas unidades com um terço da capacidade da estação, uma
unidade com um sexto da capacidade e duas unidades com um duodécimo da capacidade
da estação. Esta combinação permite aumentos de fluxo equivalentes a um duodécimo da
capacidade da estação, e as perdas não ultrapassam um terço da capacidade, quando
uma das bombas maiores está indisponível.

Em geral, a vazão nominal de cada bomba é incrementada em 3 a 5% (o que se


denomina, normalmente, de fator de desgaste), a fim de garantir que a estação oferecerá

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a descarga necessária, mesmo após operar durante vários anos. Para uma discussão
sobre os efeitos de sedimentação na determinação das necessidades de incremento da
capacidade com relação aos sedimentos, vide item 4.2.2 e Tabela 4.1.Uma outra forma
de lidar com requisitos variáveis de carga e de capacidade é a velocidade variável, que se
está tornando cada vez mais interessante, à medida que são colocados, no mercado,
controladores de velocidade variável mais eficientes. Entretanto, o uso de bombas de
velocidade variável precisa ser analisado cuidadosamente, para cada estação de
bombeamento, a fim de se determinar se serão econômicos. Outros métodos de se obter
flexibilidade da vazão são o estrangulamento e o “bypass”. Contudo, tais métodos são
muito ineficientes e raramente econômicos.

5.4.4 Operação das Unidades de Bombeamento

Sempre que possível, a operação das bombas deverá ser automatizada. Isso pode
ser facilmente conseguido com a tecnologia e o equipamento de canhole hoje disponíveis.
As estações de bombeamento sempre desembocam numa tubulação – seja uma tubula-
ção de descarga, seja um sistema de distribuição pressurizado. A operação de bombas é
discutida no Capítulo 7 deste MANUAL, Tubulações.

5.5 Descrição dos Tópicos Relativos às Estruturas e à Construção Civil

5.5.1 Fundações

5.5.1.1 Aspectos Gerais

Esta seção discute os diversos métodos de se lidar com materiais de fundação


problemáticos, de modo que possam ser utilizados como fundação das estações de
bombeamento. Tais métodos não são, de forma alguma, os únicos com que o engenheiro
pode contar, mas representam respostas comprovadamente eficazes na solução dos pro-
blemas de materiais de fundação problemáticos. Para maiores detalhes acerca dos solos
de fundação e dos métodos de construção que utilizam estes solos, ver o Capítulo 3,
Investigações Geotécnicas.

5.5.1.2 Materiais Sujeitos a Ciclagem (Esplastilhamento)

Determinados materiais de fundação, especialmente os argilitos xistosos, apre-


sentam um fenômeno conhecido como ciclagem (empastilhamento). Quando este mate-
rial é exposto à atmosfera, a camada superior começa a secar e, durante este processo,
formam-se microfissuras, que resultam no descolamento longitudinal de pastilhas des-
sa camada. Este processo continua até que a camada superior se converte num material
pulverulento, que oferece baixíssima resistência ao cisalhamento.

Existem vários métodos para resolver este tipo de problema. A primeira abordagem
é não permitir que o material exposto se resseque, mantendo as necessárias condições de
umidade na superfície, por meio de aspersores. Este método é econômico, mas interfere
um pouco com a construção da estação de bombeamento.

Outro método disponível consiste em cobrir a superfície exposta com uma fina
camada de concreto projetado. A vantagem desta técnica é que, após o concreto projeta-
do ter secado, será possível proceder à construção da estação de bombeamento, sem
qualquer problema adicional.

5.5.1.3 Solos Expansivos

Representam um dos maiores problemas para o projetista das estações de bombea-


mento, devido às enormes pressões desenvolvidas quando este material é umedecido e
se expande.

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A solução mais fácil para o problema dos solos expansivos é construir a estrutura
em um novo local, se a ocorrência for localizada onde não haja este tipo de solo. É
evidente que sempre existem certas limitações na relocação da estação de bombeamento.
Se toda a região apresentar solos expansivos, o que impossibilitará tal transferência local,
o projeto deverá ser elaborado especificamente para fundações em solos expansivos.

Se existir uma jazida de solos não-expansivos próximo ao local da obra, o projeto


poderá incluir uma sobreescavação da área e substituição por solo não expansivo bem
compactado, que possa fornecer uma fundação sólida para a estação de bombeamento.
O reaterro colocado em volta da estrutura também deverá consistir de material não ex-
pansivo da jazida.

Se não houver jazida de solos não-expansivos, o projeto deverá minimizar as cargas


impostas, pelos solos expansivos, na estrutura.

Nestes casos, a estrutura da estação de bombeamento deverá ser sustentada por


exemplo, por tubulões escavados no solo, até se atingir uma camada de material mais
firme. Por cima dos tubulões, construir-se-ão vigas, de modo a transferir todo o peso da
estrutura aos tubulões. O objetivo das vigas e dos tubulões é aumentar suficientemente a
carga sobre o solo abaixo dos tubulões, de modo que o empuxo ascendente do solo seja
contrabalançado pelo peso da estrutura, sem que ocorra deslocamento. É importante que
haja espaços vazios, maiores que o deslocamento previsto para o solo, sob as vigas e a
laje de base da estação de bombeamento, para garantir que estes elementos estruturais
não ficarão sujeitos a qualquer “empuxo ascendente”. O projeto também deverá contem-
plar uma zona de material de aterro não-expansivo, adjacente às paredes da estrutura.

Outro aspecto importante do projeto é a drenagem e proteção superficial da área ou


do pátio de serviço. O projetista deve prever a drenagem da água, para longe da estrutura,
de maneira que não ocorra concentração de água próximo à estrutura, o que permitiria
que o solo umedecesse.

5.5.1.4 Materiais de Baixo Peso Específico

Na maioria dos casos, este problema é resolvido mediante sobreescavação por


baixo da estrutura e substituição do solo de baixo peso específico por outro material
adequado, devidamente compactado, até atingir um peso específico aceitável. Essencial-
mente, criar-se-ia uma fundação flutuante, que espalharia a carga da estrutura.

Em determinadas circunstâncias, se o material tiver peso específico muito baixo ou


se as cargas da estrutura forem significativas, poderá ser necessário fundar a estrutura
sobre estacas ou tubulões.

5.5.1.5 Cavidades de Dissolução

A forma mais fácil de resolver o problema das cavidades de dissolução, em geral


associadas ao calcário cárstico, é relocar a estrutura para uma área que, reconhecidamen-
te, não apresente esse problema. De outra forma, todas as cavidades de dissolução
identificadas durante as investigações ou a construção deverão ser preenchidas.

5.5.2 Cálculo de Estabilidade

O cálculo de estabilidade da estação de bombeamento deverá demonstrar, por meio


de fatores de segurança adequados, a capacidade da estrutura de resistir às forças que
tendem a causar tombamento, deslizamento ou flutuação; deverá também demonstrar
que os valores de capacidade de carga das fundações não foram ultrapassados. As me-
mórias do projeto, resumindo o cálculo de estabilidade, deverão indicar claramente as

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cargas individuais consideradas, para os vários casos, durante e após a construção. As


memórias deverão mostrar ainda a área de base considerada, a magnitude e a distribuição
das forças normais e de cisalhamento no nível da fundação, a localização das principais
juntas de contração e de expansão, a subpressão arbitrada e quaisquer outros fatores
considerados durante o cálculo.

Os valores de projeto permissíveis das fundações serão utilizados com base no


programa de sondagens e nos ensaios de campo e de laboratório.

Nos parágrafos a seguir são empregados os seguintes símbolos:

A = área da base ou seção horizontal considerada (sob compressão);


c = coesão ou resistência unitária ao cisalhamento, aplicada apenas à área
sob compressão;
f = coeficiente de atrito entre o concreto e a fundação;
Q = fator de segurança cisalhamento-atrito;
U = empuxo devido a subpressão, que se arbitra que aja sobre 100% da área
— mais(+) significa ascendente;
H = soma das forças horizontais;
Mo = momento de tombamento no pé da estrutura;
Mr = momento de resistência no pé da estrutura;
W = soma das forças verticais, exceto o empuxo — mais(+) significa descen-
dente.

5.5.2.1 Excentricidade ou Tombamento

A excentricidade da reação das cargas totais, sobre o plano de contato da laje de


concreto da fundação e o material da fundação, deverá ser investigada, e a pressão
máxima não deverá exceder a capacidade de suporte permissível. Poderá ser necessário
alargar e/ou deslocar a base da estrutura, de maneira a reduzir a excentricidade, a fim de
diminuir a pressão máxima e o recalque desigual que poderia causar o desalinhamento,
em relação à vertical, dos eixos dos conjuntos moto-bombas. A importância desta inves-
tigação cresce proporcionalmente às características de compressibilidade dos materiais
das fundações. A relocação da estrutura para uma área com material de fundação de
melhor qualidade constitui a principal solução. Quando se constata a presença de materi-
ais de má qualidade, como areia fofa, argila mole, ou camadas de silte, tal material deve
ser removido, sempre que a sobreescavação necessária não seja excessiva e haja um
material disponível para troca. A seguir, a área deverá ser reaterrada com solo apropriado,
devidamente compactado, até atingir um peso específico adequado. No caso de peque-
nas estruturas sobre fundações de material de má qualidade, às vezes pode efetuar-se
sua compactação, por meio de equipamento apropriado.

5.5.2.2 Atrito

A resistência ao atrito no deslizamento, mais a resistência ao cisalhamento no


deslizamento pode ser expressada pela equação (W – U)f + cA. O coeficiente de atrito,
f, e a coesão ou resistência unitária ao cisalhamento, c, deverão ser determinadas, se
possível, por meio de ensaios de laboratório dos materiais de fundação recolhidos no local
da obra. O valor da resistência ao cisalhamento dependerá das resistências ao cisalhamento
dos materiais das fundações e do concreto. No cálculo do fator de atrito de cisalhamento,
utilizar-se-á o menor valor da resistência ao cisalhamento das fundações ou da resistência
ao cisalhamento do concreto.

No caso de fundação em material argiloso, mas pouco resistente, poderá ser neces-
sário acrescentar chaves de concreto, a fim de fornecer resistência suficiente ao desliza-
mento, por meio do aprofundamento do plano de deslizamento e, assim, aumento do

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valor de (w – u). Se as estruturas estiverem sobre fundação escalonada, apenas 60%, ou


menos, da área da parte horizontal das plataformas superiores deverão ser consideradas
no cálculo de cA, devido à tendência de ruptura dos degraus da fundação.

5.5.2.3 Subpressão ou Flutuação

Todas as estações de bombeamento deverão ser projetadas considerando-se a


subpressão total, quando a água sob pressão tem acesso às fundações da estrutura.
Pode-se arbitrar que a subpressão varia de forma linear entre os pontos de pressão conhe-
cida.

5.5.2.4 Fatores de Segurança

Todos os fatores de segurança são expressados como uma relação entre as forças
de resistência e as forças que tendem a causar o movimento.

Fator de segurança contra:

tombamento = Mr/Mo
atrito de cisalhamento = [(W – U)f + cA]/H
flutuação = W/U

As exigências de estabilidade são estabelecidas com base nos fatores mínimos de


segurança que constam das Tabelas 5.1 e 5.2.

Quando houver a possibilidade de ocorrerem danos de grande magnitude e/ou per-


das de vidas, utilizar-se-ão os valores da Tabela 5.1, para ambas as estações maiores e
menores.

5.5.3 Cargas de Projeto Estrutural

5.5.3.1 Aspectos Gerais

A definição das cargas de projeto é o primeiro passo no cálculo estrutural das


estações de bombeamento. Cada estrutura tem condições de carga e de suporte das
fundações específicas, que poderão exigir variações nos valores típicos apresentados
neste capítulo.

Todas as estruturas deverão ser projetadas de maneira a suportar as cargas perma-


nentes e acidentais máximas que nelas possam incidir, incluindo aquelas que ocorrem
durante a construção, assim como todas as decorrentes dos ventos, das pressões
hidrostáticas e de outras causas similares.

Tabela 5.1

ESTAÇÕES MAIORES
Durante a construção Operacional
Fator mínimo de
Cargas Cargas
segurança contra:
Normais Extremas Normais Extremas
Tombamento 1.1 1.1 1.2 1.1
Atrito de Cisalhamento 2.5 1.1 3.5 2.0
Flutuação 1.1 1.1 1.2 1.1

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Tabela 5.2

ESTAÇÕES MENORES
Durante a construção Operacional
Fator mínimo de
Cargas Cargas
segurança contra:
Normais Extremas Normais Extremas
Tombamento 1.1 1.1 1.2 1.1
Atrito de Cisalhamento 1.5 1.1 2.0 1.5
Flutuação