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LISTA DE RECUPERAÇÃO DE HISTÓRIA

Professor:
CAIUS

ALUNO: ___________________________________________________________TURMA: _____________

SÉRIE: 3ª SÉRIE DATA: / 09 / 2018

01 - (Mackenzie SP)
A respeito da Lei Áurea, leia o texto.

“Na verdade, não havia mais como adiar o processo. Redigido de maneira simples, o texto da lei era curto
e direto: ‘É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em
contrário’. O Treze de Maio redimiu 700 mil escravos, que representavam, a essa altura, um número
pequeno no total da população, estimada em 15 milhões de pessoas. Como se vê, a libertação tardou
demais, e representava o fim do último apoio da monarquia: os fazendeiros cariocas da região do Vale
do Paraíba, os quais se divorciavam de seu antigo aliado”.
Lilia M. Schwarcz. As barbas do imperador: D. Pedro II,
um monarca nos trópicos. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, pp. 437-438

Assinale a alternativa que contenha a questão central para o “divórcio” mencionado no texto.

a) No âmbito das camadas dominantes, o abolicionismo gradual era a defesa principal. Entretanto a
assinatura da Lei Áurea, em 1888, foi entendida como um ato radical e desesperado do Império,
resultando na cisão entre os fazendeiros e o governo.
b) A abolição definitiva gerou perdas materiais e levou ao desprestígio de uma minoria muito ativa e
extremamente ligada ao trono. A falta de indenização, portanto, selou o rompimento com o Estado
e a adesão, daquela minoria, ao republicanismo.
c) Com o crescimento da campanha abolicionista, o Império não teve como negar ações de caráter mais
populares. A Lei Áurea representou o último ato de um governo estável e sem oposições internas,
garantindo, assim, o início de um futuro Terceiro Reinado.
d) A abolição representou a vitória de setores mais progressistas da sociedade, representado pelo
fazendeiro do Vale do Paraíba. Por isso, tal ato freou, ao menos momentaneamente, as aspirações
republicanas e deu uma sobrevida ao Império.
e) Resultado das pressões de diversos fatores sociais, o abolicionismo teve seu ponto alto com a
assinatura da Lei Áurea. Entretanto, em virtude dos interesses oligárquicos, foi cerceada qualquer
medida em prol da consolidação dos direitos dos recém libertos.

02 - (UDESC SC)
A Lei do Ventre Livre foi uma lei abolicionista, promulgada, no Brasil, em 28 de setembro de 1871.

Sobre a Lei do Ventre Livre, assinale a alternativa correta.

a) Foi promulgada pelo Imperador Pedro II e concedia liberdade a todas as crianças e às respectivas
mães que viviam sob a escravidão no território brasileiro.
b) Essa lei encontrou forte resistência entre os senhores, visto que não previa indenização pelo fim da
escravidão das crianças nascidas a partir da publicação da lei.
c) Instituía a liberdade de todas as crianças nascidas a partir da publicação da lei, mas deixava a
possibilidade dessas crianças permanecerem sob “os cuidados” do antigo proprietário até a idade
de 21 anos.
d) Como a lei libertava a criança, mas não libertava os pais, assim que nasciam essas crianças eram
retiradas do convívio com os pais escravizados e eram destinadas a um abrigo mantido pelo Estado.
e) De acordo com a lei, os senhores tinham a opção de manter as crianças libertas junto aos pais
escravizados até a maioridade, mas os senhores não podiam usufruir da mão de obra delas.

03 - (FATEC SP)
Observe com atenção a notícia em destaque no jornal Gazeta de Notícias.

<http://tinyurl.com/ptw8n9j> Acesso em: 31.07.2015.

Assinale a alternativa que identifica corretamente a lei a que o jornal se refere e sua relação com o
processo de extinção da escravidão no Brasil.

a) Lei Eusébio de Queiroz: endurecia a fiscalização das leis que proibiam a escravidão desde os
primeiros séculos da presença portuguesa na América.
b) Lei Eusébio de Queiroz: promulgada após a abolição, visava garantir direitos e condições de
reinserção da população liberta na sociedade e na economia brasileiras.
c) Lei Áurea: foi promulgada após a proclamação da República, quando toda a legislação imperial foi
revogada e a questão da escravidão passou por nova regulamentação.
d) Lei Áurea: instituía uma série de dispositivos legais e foi adotada anos antes da abolição para garantir
que, uma vez liberta, a população negra estivesse preparada para o mercado de trabalho.
e) Lei Áurea: representou o último passo para a abolição da escravidão, que já vinha ocorrendo
gradualmente com a adoção de leis como a Eusébio de Queiroz, Lei do Ventre Livre e Lei do
Sexagenário.

04 - (FGV)
O excerto a seguir faz parte do parecer de uma comissão da Câmara dos Deputados sobre a lei de
1871, que discutia a escravidão no Brasil.
“Sem educação nem instrução, embebe-se nos vícios mais próprios do homem não civilizado.
Convivendo com gente de raça superior, inocula nela os seus maus hábitos. Sem jus ao produto do
trabalho, busca no roubo os meios de satisfação dos apetites. Sem laços de família, procede como inimigo
ou estranho à sociedade, que o repele. Vaga Vênus arroja aos maiores excessos aquele ardente sangue
líbico; e o concubinato em larga escala é tolerado, quando não animado, facultando-se assim aos jovens
de ambos os sexos, para espetáculo doméstico, o mais torpe dos exemplos. Finalmente, com as
degradantes cenas da servidão, não pode a mais ilustrada das sociedades deixar de corromper-se.”
(apud Sidney Chalhoub, Machado de Assis, historiador. 2003)

No trecho, há um argumento
a) político, que reconhece a importância da emancipação dos escravos, ainda que de forma paulatina,
para a construção de novos elementos de cidadania social, condição mínima para o país abandonar
a violência cotidiana e sistemática contra a maioria da população.
b) social, que assinala a inconsistência da defesa do fim da escravidão no país, em razão da incapacidade
dos homens escravizados de participar das estruturas hierárquicas e culturais, estabelecidas ao longo
dos séculos, durante os quais prevaleceu o trabalho compulsório.
c) econômico, que distingue os cidadãos ativos dos passivos, estes considerados um estorvo para as
atividades produtivas, fossem na agricultora ou na procura de metais preciosos, por causa da
desmotivação para o trabalho, elemento central para explicar a estagnação econômica do país.
d) cultural, que se consubstancia na impossibilidade da convivência entre homens livres e homens
libertos e tenderia a produzir efeitos sociais devastadores, como tensões raciais violentas e
permanentes, a exemplo do que já ocorria no sul dos Estados Unidos.
e) moral, que aponta para os malefícios que a experiência da escravidão provoca nos próprios escravos
e que esses malefícios terminam por contaminar toda a sociedade, mostrando, em síntese, que os
brancos eram muito prejudicados pela ordem escravocrata.

05 - (FGV)
Chiquinha Gonzaga alinha-se a outras figuras femininas do Império (...) como a Imperatriz Leopoldina
e Anita Garibaldi. Todas as três, embora de diferentes maneiras, de diferente proveniência social e, em
diferentes épocas, desempenharam um papel político que, certamente, contribuiu para as mudanças por
elas defendidas e as inscreveu na História do Brasil.
(Suely Robles Reis de Queiroz, Política e cultura no império brasileiro. 2010)

Em termos políticos, a Imperatriz Leopoldina, Anita Garibaldi e Chiquinha Gonzaga, respectivamente:

a) atuou, ao lado de Dom Pedro e de José Bonifácio, no processo de emancipação política do Brasil;
participou da mais longa rebelião regencial, a Farroupilha; militou pela abolição da escravatura e
pela queda da Monarquia.
b) articulou a bancada constitucional brasileira na Assembleia Constituinte; organizou as forças
populares participantes da rebelião regencial ocorrida no Grão-Pará, a Cabanagem; foi a primeira
mulher brasileira a se eleger para o Senado durante o Império.
c) convenceu Dom Pedro I a assumir o trono português após a morte do rei Dom João VI; defendeu a
ampliação dos direitos de cidadania durante a reforma constitucional que instituiu o Ato Adicional;
liderou uma frente parlamentar de apoio às leis abolicionistas.
d) participou como diplomata do Império brasileiro na Guerra da Cisplatina; foi a primeira mulher a
trabalhar como jornalista e romancista durante o Segundo Reinado; tornou- se uma importante
liderança política na defesa do fim do tráfico de escravos para as Américas.
e) articulou com os diplomatas ingleses o reconhecimento da Independência do Brasil junto a Portugal;
foi uma importante liderança militar no processo de Guerra de Independência da Bahia; criou a
primeira associação política em defesa do voto feminino no Brasil.

06 - (UNESP SP)
Observe a charge.
(Ângelo Agostini, Revista Illustrada)

Publicada em 1887, essa charge de D. Pedro II é uma alusão

a) à sua aliança com o grupo português, o que aumentou a ameaça de recolonização.


b) à estabilidade política proporcionada pelo parlamentarismo, que diminuiu seu poder.
c) a seu descaso em relação aos problemas do país, como a derrota na Guerra do Paraguai.
d) à crise pela qual a monarquia passava, que conduziu à proclamação da república.
e) à sua abdicação, diante do desrespeito às leis aprovadas pela Assembleia Geral.

07 - (Fac. Direito de Sorocaba SP)


A alienação entre o Exército e o sistema político vigente acirrou-se com a Questão Militar da década de
1880, quando oficiais foram punidos por fazer críticas ao governo em público. [...] Em junho de 1887,
eles fundaram o Clube Militar, uma organização para debates totalmente fora da estrutura do Exército,
e em outubro daquele ano dissociaram-se das oligarquias agrárias, solicitando à princesa regente que,
“em nome da humanidade e da honra da própria bandeira que defende”, eximisse o Exército da
abominável missão de caçar escravos fugidos. O corpo de oficiais, assim, mostrou uma opinião mais afim
à dos setores médios urbanos, de onde provinham muitos de seus membros.
(Frank D. McCann, Soldados da pátria)

O excerto revela que o Exército brasileiro, na década de 1880,

a) continuou a recapturar escravos e a discutir política com as oligarquias agrárias.


b) contrariou os líderes abolicionistas por defender a atuação dos capitães do mato.
c) passou a defender a abolição da escravatura e a questionar o governo monárquico.
d) distanciou-se, cada vez mais, das propostas políticas e sociais da classe média urbana.
e) manteve seu apoio ao Império e aos interesses econômicos da elite fundiária escravista.

08 - (UEL PR)
O Positivismo desenvolveu-se no Brasil durante o II Império e foi defendido por políticos ilustres como
Benjamin Constant, Júlio de Castilho, Teixeira Mendes, marcando fortemente os ideais republicanos que
culminaram com a Proclamação da República, em 1889.
Com base nos conhecimentos sobre as influências positivistas no processo de transição do regime
imperial para o republicano, considere as afirmativas a seguir.

I. Como expressão mais forte dessas mudanças, o pavilhão imperial adotou o lema positivista.
II. A ideia de uma democracia representativa levou à adoção do sistema do voto universal, o que
permitia a acomodação das classes sociais.
III. A presença do ideário positivista destacou-se no setor militar, sobretudo entre os oficiais de alta
patente.
IV. A formação de um governo de cunho autoritário caracterizou-se pela imposição da ordem através
da força militar, na chamada República de Espadas.
Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.


b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

09 - (UNESP SP)
Não há dúvida de que os republicanos de São Paulo e do Rio de Janeiro representavam preocupações
totalmente distintas. Enquanto os republicanos da capital, ou melhor, os que assinaram o Manifesto de
1870, refletiam as preocupações de intelectuais e profissionais liberais urbanos, os paulistas refletiam
preocupações de setores cafeicultores de sua província. [...] A principal preocupação dos paulistas não
era o governo representativo ou direitos individuais, mas simplesmente a federação, isto é, a autonomia
estadual.
(José Murilo de Carvalho. A construção da ordem, 1980.)

As diferenças entre os republicanos de São Paulo e do Rio de Janeiro, nas décadas de 1870 e 1880, podem
ser explicadas, entre outros fatores,

a) pelo interesse dos paulistas em reduzir a interferência do governo central nos seus assuntos
econômicos e em concentrar, na própria província, a maior parte dos recursos obtidos com
exportação.
b) pela disposição dos intelectuais da capital de assumir o controle pleno da administração política
nacional e de eliminar a hegemonia econômica dos cafeicultores e comerciantes de São Paulo.
c) pela ausência de projetos políticos nacionais comuns aos representantes de São Paulo e do Rio de
Janeiro e pela defesa pragmática dos interesses econômicos das respectivas províncias.
d) pelo esforço dos paulistas em eliminar as disparidades regionais e em aprofundar a unidade do país
em torno de um projeto de desenvolvimento econômico nacional.
e) pela presença dos principais teóricos ingleses e franceses do liberalismo no Rio de Janeiro e por sua
influência junto à intelectualidade local e ao governo monárquico.

10 - (UERJ)
A um grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas,
virar bondes e arrancar trilhos ao longo da rua Uruguaiana. Dois pelotões do Exército ocuparam o Largo
de São Francisco, postando-se parte da tropa em frente à Escola Politécnica, atual prédio do Instituto de
Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. A multidão dispersou-se e, salvo pequenos distúrbios nos três dias
seguintes, estava findo o motim do vintém. A cobrança da taxa passou a ser quase aleatória. As próprias
companhias de bondes pediam ao governo que a revogasse. Desmoralizado, o ministério caiu a 28 de
março. O novo ministério revogou o desastrado tributo.
Adaptado de CARVALHO, José Murilo de.
A Guerra do Vintém. Revista de História, setembro/2007.

Ocorrida entre o final de 1879 e o início de 1880, a Revolta do Vintém representou a manifestação de
segmentos populares descontentes com a decisão do governo de aumentar os preços das passagens dos
bondes puxados a burro, que trafegavam na então capital do Império.
Um dos principais efeitos dessa revolta naquele momento foi:

a) politização dos oficiais militares


b) privatização dos serviços públicos
c) modernização dos meios de transporte
d) enfraquecimento das instituições monárquicas

11 - (UNIFOR CE)
Acontecimentos importantes marcaram a História do Brasil na segunda metade do século XIX, dentre
eles pode-se destacar imigração, a abolição da escravidão e a proclamação da República. Sobre estes
acontecimentos assinale a alternativa correta:

a) A imigração não foi importante para a generalização do trabalho assalariado pois os colonos viviam
praticamente como escravos.
b) A República proclamada em 15 de Novembro de 1889 introduziu um amplo programa de adaptação
do escravo liberto à vida na sociedade brasileira.
c) A proclamação da República visava, dentro outros objetivos, descentralizar o poder político,
facilitando a ação dos estados em favor das economias locais.
d) A imigração desenvolveu largamente as formas de trabalho assalariado dinamizando a
industrialização do Nordeste do brasil.
e) A indústria brasileira desenvolveu-se no período, basicamente direcionada à exportação, dado o
pouco dinamismo do mercado interno.

12 - (UERJ)
Sobretudo compreendam os críticos a missão dos poetas, escritores e artistas, neste período especial e
ambíguo da formação de uma nacionalidade. São estes os operários incumbidos de polir o talhe e as
feições da individualidade que se vai esboçando no viver do povo.
O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba pode falar com igual pronúncia e o mesmo
espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?
José de Alencar, prefácio a Sonhos d’ouro, 1872. Adaptado de ebooksbrasil.org.

De acordo com José de Alencar, a caracterização da identidade nacional brasileira, no século XIX, estava
vinculada ao processo de:

a) promoção da cultura letrada


b) integração do mundo lusófono
c) valorização da miscigenação étnica
d) particularização da língua portuguesa

13 - (UNESP SP)
O fato de ser a única monarquia na América levou os governantes do Império a apontarem o Brasil
como um solitário no continente, cercado de potenciais inimigos. Temia-se o surgimento de uma grande
república liderada por Buenos Aires, que poderia vir a ser um centro de atração sobre o problemático Rio
Grande do Sul e o isolado Mato Grosso. Para o Império, a melhor garantia de que a Argentina não se
tornaria uma ameaça concreta estava no fato de Paraguai e Uruguai serem países independentes, com
governos livres da influência argentina.
(Francisco Doratioto. A Guerra do Paraguai, 1991.)

Segundo o texto, uma das preocupações da política externa brasileira para a região do Rio da Prata,
durante o Segundo Reinado, era

a) estimular a participação militar da Argentina na Tríplice Aliança.


b) limitar a influência argentina e preservar a divisão política na área.
c) facilitar a penetração e a influência política britânicas na área.
d) impedir a autonomia política e o desenvolvimento econômico do Paraguai.
e) integrar a economia brasileira às economias paraguaia e uruguaia.

14 - (UEPG PR)
Entre 1822 e 1889, o Brasil viveu sob um regime monárquico chefiado por D. Pedro I (1822-1831) e por
D. Pedro II (1840-1889), intercalados por um período regencial (1831-1840). A respeito desse particular
momento da história política nacional, assinale o que for correto.

01. A partir de meados do século XIX, o sistema de escravidão sofreu seu primeiro grande abalo com o
fim do tráfico negreiro e com a implantação de um conjunto de leis que culminou com a abolição em
1888.
02. Tanto no Primeiro quanto no Segundo Reinado, o Poder Moderador – estabelecido pela Constituição
de 1824 – concedeu grande força ao Imperador, correspondendo, na prática, a uma centralização de
poder.
04. O processo de modernização do país – com a construção de ferrovias, a montagem de uma tímida
estrutura industrial, um paulatino crescimento urbano e com a integração de um grande contingente
de imigrantes europeus ao mercado de trabalho livre – é um fenômeno vinculado majoritariamente
ao II Império.
08. A Guerra do Paraguai (1865-1870) envolveu um grande contingente de soldados e um grande volume
de recursos financeiros. Ao sair como vencedor do conflito, a Monarquia brasileira se fortaleceu e
sufocou o ascendente movimento republicano brasileiro.
16. Uma das maiores revoltas enfrentadas pelo I Império, a Confederação do Equador reuniu lideranças
políticas de províncias do nordeste brasileiro e trazia, entre suas pretensões, o fim da escravidão e a
implantação de uma República no Brasil.

15 - (Fac. Direito de Franca SP)


Numa sociedade em que há concentração dos meios de produção, onde vagarosa, mas progressivamente,
aumentam os mercados, paralelamente forma-se um conjunto de homens livres e expropriados que não
conheceram os rigores do trabalho forçado e não se proletarizaram.
Maria Sylvia de Carvalho Franco. Homens livres na ordem
escravocrata. São Paulo: Kairós, 1983, p. 14.

O texto analisa uma forma de trabalho presente na economia cafeeira do interior paulista, no século XIX.
Essa forma de trabalho pode ser identificada com os

a) operários, como ferreiros e metalúrgicos, que protagonizaram o impulso industrial do final do século
XIX.
b) escravos, que compuseram a mão de obra principal nas lavouras açucareira e cafeeira.
c) trabalhadores, como tropeiros e vendeiros, que atuavam fora da grande lavoura voltada à
exportação.
d) imigrantes ,que provocaram, no final do século XIX, a eliminação do trabalho compulsório.

16 - (UNIFICADO RJ)
1850 não assinalou no Brasil apenas a metade do século. Foi o ano de várias medidas que tentavam
mudar a fisionomia do país, encaminhando-o para o que então se chamava modernidade. Sugiram
bancos, indústrias, empresas de navegação a vapor, etc. Esboçavam-se, nas áreas mais dinâmicas do país,
mudanças no sentido de uma modernização capitalista. Uma das figuras que mais se projetaram nessa
época foi Irineu Evangelista de Sousa, Barão de Mauá.
FAUSTO, B. História do Brasil. 12ª ed., 1ª reimpr. São Paulo: Edusp, 2006. p. 197. Adaptado.
Um fator que tornou possível o surto industrial descrito no texto foi a

a) queda dos preços das terras agricultáveis


b) libertação dos escravos e sua conversão em consumidores
c) liberação de capitais antes aplicados na importação de escravos
d) demanda por equipamento bélico para utilizar na Guerra do Paraguai
e) derrubada das barreiras alfandegárias

17 - (Fac. Direito de Sorocaba SP)


Em meados do século XIX, ocorreu no Brasil um surto de prosperidade econômica, com a criação de
fábricas e empresas diversas.
Esse período, conhecido como “Era Mauá”, foi favorecido

a) pela diminuição das taxas de importação determinada pela Tarifa Alves Branco, que recebeu apoio
dos norte-americanos.
b) pelo desenvolvimento de tecnologia nacional, graças ao incentivo do governo com a criação de
escolas técnicas.
c) pela aplicação de capitais antes empregados no tráfico negreiro intercontinental, proibido pela Lei
Eusébio de Queirós.
d) pelo investimento dos lucros obtidos com a exploração de ouro e com a extração de borracha, base
da economia da época.
e) pelo aumento do mercado consumidor interno, devido à Lei Áurea e à imigração de asiáticos atraídos
pela doação de terras.

18 - (UERJ)
A Guerra do Paraguai (1864-1870) foi o conflito externo de maior repercussão para os países envolvidos
− Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai −, quer quanto à mobilização e perda de homens, quer quanto
aos aspectos políticos e financeiros. Essa guerra foi, na verdade, resultado do processo de construção
dos Estados nacionais no rio da Prata e, ao mesmo tempo, marco nas suas consolidações.
Adaptado de DORATIOTO, F. F. M. Maldita guerra: nova história da Guerra
do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Os motivos que justificaram a Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice Aliança, continuam gerando
controvérsias cento e cinquenta anos depois.
Apresente dois motivos que expliquem essa guerra, tendo em vista as disputas na região do rio da Prata
durante a segunda metade do século XIX.

19 - (Mackenzie SP)
A maior das guerras que a América Latina conheceu no século XIX foi a Guerra do Paraguai (1864-1870).
Em 1865, os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança contra o governo do
presidente paraguaio Solano López. Sobre esse conflito considere as afirmativas dadas.

I. A questão fundamental era a liberalização da bacia do Rio da Prata para o comércio internacional, o
que beneficiaria especialmente aos interesses ingleses na região.
II. A expansão da economia paraguaia exigia que o país pudesse exercer controle sobre a navegação
dos rios platinos. Com uma indústria florescente, o Paraguai necessitava escoar suas mercadorias
através do estuário do Prata.
III. Os países integrantes da Tríplice Aliança foram financiados pelo capital inglês e, portanto, não
tiveram suas economias prejudicadas pelo confronto armado.
Assinale

a) se somente a afirmativa I estiver correta.


b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
e) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

20 - (UEPG PR)
Fenômeno que alterou profundamente a realidade social, econômica, cultural e demográfica brasileira,
o movimento de imigração europeia do século XIX tornou-se um dos principais objetos de estudo de
historiadores, sociólogos e economistas que buscam compreender a nossa realidade contemporânea.
Sobre o tema, assinale o que for correto.

01. O crescimento da economia europeia pode ser compreendido como um dos fatores que impulsionou
a vinda dos imigrantes para as regiões periféricas, como o Brasil. O movimento imigratório
acompanhou o investimento de capitais e o estabelecimento de indústrias transnacionais europeias
ao redor do mundo.
02. Apesar do discurso que associava a imigração ao ideal de progresso e a construção de uma
"civilização", muitos imigrantes pobres foram objeto de perseguição por parte de autoridades
políticas e policiais brasileiras que entendiam a pobreza como um sinônimo de periculosidade e
criminalidade.
04. Ao contrário do que prometiam as propagandas que arregimentavam os imigrantes na Europa, as
condições as quais eles foram submetidos no Brasil eram bastante precárias. Fixados no meio rural
ou no meio urbano, os primeiros imigrantes passaram por dificuldades extremas para poder
sobreviver no Brasil.
08. Para as autoridades brasileiras, os imigrantes europeus foram vistos como substitutos naturais dos
negros escravos nas grandes lavouras cafeeiras de São Paulo e também significavam a possibilidade
de branqueamento da população nacional, algo que estava em consonância com as ideias eugênicas
que circulavam no mundo naquele período.
16. Nos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), os imigrantes cumpriram um
importante papel de ocupação territorial e também se dedicaram às atividades agrícolas. No
entanto, diferentemente de São Paulo, nos estados do Sul não houve envolvimento de imigrantes
com as atividades comerciais e industriais.

21 - (UFRR)
Dentre as dificuldades observadas na substituição da mão de obra escrava pela mão de obra assalariada
de imigrantes no Brasil, a partir da segunda metade do século XIX, estava:

ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA.

a) as condições de moradia em que eram instalados os colonos nas fazendas: casas de pau-a-pique, de
chão batido, algumas vezes, em antigas senzalas;
b) a falta de estrutura de transportes para conduzir os imigrantes de seus países de origem para o Brasil;
c) a prática, considerada injusta pelos imigrantes, de entregar metade da produção de suas roças ao
fazendeiro, determinada no sistema de parceria que se instalou inicialmente;
d) o endividamento dos colonos que envolvia despesas de viagem e dívidas no armazém da fazenda,
deixando-o preso ao fazendeiro, quase como escravo;
e) o costume dos fazendeiros com o trabalho escravo, que os levava a ver os colonos como
indisciplinados e a reclamarem das frequentes deserções.
TEXTO: 1 - Comum à questão: 22

Nordeste, terra de São Sol!


Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor,
que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos
para os comer. (...)
Terra de Deus! Terra da minha bisavó
que dançou uma valsa com D. Pedro II.
São Tomé passou por aqui?
Tranca a porta, gente, Cabeleira aí vem!
Sertão! Pedra Bonita!
Tragam uma virgem para D. Lampião!
(LIMA, Jorge de. Antologia poética. São Paulo: Cosac Naify, 2014. p. 93)

22 - (PUCCamp SP)
Considere também o texto abaixo.
(...) foi promulgada, em 1850, a Lei de Terras. A nova lei reconhecia apenas a propriedade pela compra,
ou seja, as invasões e as doações públicas ficaram proibidas. As terras já ocupadas deveriam ter sua
propriedade regulamentada em cartório. Nas regiões mais distantes dos centros urbanos, no entanto, os
posseiros, desinformados sobre a determinação legal, acabaram perdendo as terras para os
latifundiários, que se dirigiam aos cartórios e registravam os lotes em seus nomes (...).
(PETTA, Nicolina L. de & OJEDA, Eduardo A. B. História,
uma abordagem integrada. São Paulo: Moderna, 2003. p. 182)

O texto permite afirmar que a Lei promulgada no Segundo Reinado, por D. Pedro II,

a) estimulou a produção agrícola, uma vez que, ao associar terra livre ao trabalho livre, facilitava a
aquisição da pequena propriedade por ex-escravo e imigrante dedicados a uma produção de
subsistência.
b) promoveu um grande impacto na estrutura agrária brasileira, pois alterou as formas de produção
agrícola ao estabelecer que a terra deveria ser propriedade unicamente de quem produz para a
exportação.
c) reforçou a estrutura agrária brasileira fundada no período colonial, que se caracterizava pela
concentração das terras, pela improdutividade e pelo predomínio da monocultura para a
exportação.
d) promoveu o crescimento e a integração de um mercado consumidor interno de produtos agrícolas,
na medida em que dificultou o acesso dos exescravos à propriedade de terras cultiváveis.
e) contribuiu para a superação da estrutura colonial agrária brasileira, que se baseava na distribuição
de sesmarias e na concentração de terras produtivas unicamente nas mãos de poucos proprietários.

TEXTO: 2 - Comum à questão: 23

TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo
ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia.
Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos
grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava,
entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os
garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.
— Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos!
Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília
dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta
saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para
uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras,
costumava dizer, orgulhoso:
— Eis o barulho da fortuna!
Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades.
Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A
floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não
apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo
pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era
conveniente que houvesse pouca serragem...
Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar.
Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o
peito, vaidoso.
— Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!
[...]
Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo.
Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado...
Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo.
Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza”. Essas ONGs de fachada... Lá, o
seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia
continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília
dos ricos, e semear capim.
Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo
parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no
primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo,
depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões
estavam para vir... [...]
(GONÇALVES, David. Sangue verde.
São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)

23 - (PUC GO)
Pioneirismo, empreendedorismo e busca de fortunas fizeram parte do projeto de vida de alguns homens
de negócio no Brasil imperial. Em meados do século XIX, com a proibição do tráfico de escravos,
configurou-se um novo cenário para a economia do Império brasileiro. Vislumbrou-se a uma elite
mercantil capitalizada a possibilidade de grandes negócios e lucros fáceis que, além de multiplicar suas
riquezas, permitia-lhe ascender na restrita escala social brasileira. Assinale a alternativa correta sobre os
projetos econômicos desse momento histórico:

a) Os empresários e políticos que se aventuraram em empresas financeiras tiveram o apoio inconteste


do Estado e conseguiram, assim, abrir inúmeras casas bancarias nas províncias.
b) Surgiram empresas de navegação e de construção de estradas terrestres e de ferro, todas elas
subsidiadas inteiramente pelo capital nacional.
c) Os empreendimentos de mineração, devido aos excelentes resultados econômicos e sociais da
exploração do ouro conseguidos anteriormente na capitania de Minas Gerais, foram estimulados e
revigorados pelas empresas nacionais.
d) Alguns comerciantes receberam concessões territoriais e privilégios do Estado e investiram suas
fortunas em empreendimentos de colônias agrícolas, visando à produção para exportação, em
especial, de café.

TEXTO: 3 - Comum à questão: 24

VI

Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.
— Como foi?
— Senta-te.
Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a
andar.
— Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de
grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do
Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No
momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-
-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu,
e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua
Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era
toda sangue; expirou minutos depois.
— Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.
— Não.
— Não?
— Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome,
muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou
as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse
obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação:
Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não
morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse
um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o
fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça
de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.
Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela
necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que
chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre.
Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:
— E que Humanitas é esse?
— Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro
Rubião; falemos de outra coisa.
— Diga sempre.
Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.
— Queres ser meu discípulo?
— Quero.
— Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado
inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a
verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do
mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...
— Mas que Humanitas é esse?
— Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio
único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande
Camões:

Uma verdade que nas coisas anda,


Que mora no visíbil e invisíbil.

Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo,
porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?
— Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...
— Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a
supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a
condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o
carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a
montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz
as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso,
é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a
alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações
bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que
o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma
pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as
batatas.
— Mas a opinião do exterminado?
— Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água?
Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem- se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os
indivíduos são essas bolhas transitórias.
— Bem; a opinião da bolha...
— Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes
que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina
os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da
droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos.
Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu
destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas
edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.
(ASSIS, Machado de. Quincas Borba.
18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

24 - (PUC GO)
No texto o narrador nos remete a uma cena cotidiana da vida urbana na capital do Império, Rio de
Janeiro, subverte o tempo e o espaço e nos descortina as relações de poder que eram vivenciadas pela
sociedade naquela cidade. Com relação a esse tema, analise as afirmativas a seguir:

I. A vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 promoveu mudanças sociais. Dentre essas, o
surgimento de um grupo de proprietários de terra que se notabilizou por abastecer com produtos
agrários o mercado carioca e, com isso, conseguir ascensão política local e provincial. Porém, esse
grupo não era aceito na Corte por estar ligado ao comércio.
II. O surto cafeeiro, por ter se desenvolvido com recursos nacionais, possibilitou a autonomia e
independência das elites cariocas com relação ao capital estrangeiro para implementar suas
atividades comerciais e financeiras.
III. Era comum encontrar na cidade escravos exercendo todas as formas de trabalho, dentro e fora das
casas, no comércio, nas ruas, nas artes e em outros ofícios. Esses escravos, diferentemente dos
escravos das fazendas, não sofriam castigos e gozavam de liberdade e autonomia.
IV. A proibição do tráfico de escravos liberou capitais para aplicações bancárias e ampliação de serviços.
Com isso, criaram-se condições favoráveis à diminuição das desigualdades sociais, pois os ex-
escravos foram incorporados no mercado e se transformaram em prestadores de serviços
assalariados.

Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) II e IV.

TEXTO: 4 - Comum à questão: 25

O universo ficcional de Machado de Assis é povoado pelos tipos sociais que se mesclavam na sociedade
fluminense do século XIX: proprietários, rentistas, comerciantes, homens pobres mas livres e escravos.
Cruzam seus interesses e medem- se em seus poderes ou em sua falta de poder. É essa a configuração
das personagens das obras-primas Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. A tragédia do
negro escravizado está exposta em contos violentos, e o capricho dos senhores proprietários dá o tom a
narradores como Brás Cubas e Bento Santiago, o Bentinho, que contam suas histórias de modo a
apresentar com ar de naturalidade a prática das violências pessoais ou sociais mais profundas.
(TÁVOLA, Bernardim da, inédito)

25 - (PUCCamp SP)
A tragédia do negro escravizado, no Brasil, deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Durante a
primeira República a maioria absoluta da população negra continuou excluída da vida política, tendo
colaborado para essa exclusão o fato de que

a) a legislação republicana oficializou medidas segregacionistas em nível nacional.


b) a população negra livre não era contemplada pelo sistema clientelista.
c) os negros optaram por permanecer no campo, não se inserindo nas cidades.
d) os analfabetos, mendigos e soldados não podiam votar.
e) as organizações políticas ou culturais que agregassem negros eram proibidas.

GABARITO:

1) Gab: B

2) Gab: C

3) Gab: E

4) Gab: E

5) Gab: A
6) Gab: D

7) Gab: C

8) Gab: C

9) Gab: A

10) Gab: D

11) Gab: C

12) Gab: D

13) Gab: B

14) Gab: 23

15) Gab: C

16) Gab: C

17) Gab: C

18) Gab:
Dois dos motivos:
• disputa pela hegemonia regional entre o Brasil e a Argentina
• controle da navegação pelos rios Paraguai, Paraná e Uruguai
• criação de entraves à formação de Estados nacionais fortes que unificassem a região
• necessidade do Paraguai de controlar o estuário do Prata para acessar o oceano Atlântico
• garantia da proeminência brasileira ou argentina em relação aos demais Estados do Prata
• consolidação das fronteiras de províncias brasileiras, como Mato Grosso e Rio Grande do Sul

19) Gab: D

20) Gab: 14

21) Gab: B

22) Gab: C

23) Gab: D

24) Gab: A

25) Gab: D