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Teoria Geral dos Direitos Humanos

Aspectos Gerais

Falta a coercibilidade para o Direito Internacional. Diferentemente do Direito Interno, que possui os aspectos coercitivos.

- Direito Cosmopolita;
- Direito Internacional se fundamenta na solidariedade entre os povos.

1) Fundamento

A temática contemporânea dos direitos humanos, está intrinsecamente ligada a experiência totalitária da Segunda
Guerra Mundial. Após as barbáries vivenciadas nesse período a Sociedade Internacional se conscientizou da
fundamental importância de se estabelecer mecanismos de proteção para direitos mais caros dos cidadãos.

Fundamentos dos DH na atualidade se consubstancia na noção de que os Direitos mais caros, dos seres humanos, é
algo a ser construído e conquistado através da convivência coletiva. Considerando que é algo a ser conquistado, a
sociedade internacional, logo após a segunda guerra mundial, criou a ONU, tendo como uma das premissas básicas, o
respeito universal aos Direitos Humanos (art. 55, alínea C, da Carta de São Francisco).

Francisco de Vitória foi um teólogo espanhol que no final do século XV e início do XVI ja pregava a necessidade de
solidariedade entre os povos e os cidadãos, mesmo em contexto de guerra. Para Francisco de Vitória a soberania dos
países poderiam ser limitadas, tendo em vista o Direito Humanitário. Francisco de Vitória inclusive criticava a
apropriação das terras no Novo Mundo (América), pelos países europeus.

Hugo Croci, filósofo holandês, focou parte dos seus estudos ao Direito da Guerra e da Paz. Para ele, o Direito a Paz era
algo a ser buscado entre os estados beligerantes, tendo em vista a preocupação com os direitos dos indivíduos
habitantes dos estados em guerra.

2) Aspectos Históricos

a) Confúcio/Budismo/Grécia/Francisco de Vitória/Hugo Grócio


b) DUDH: 1948 Universalização ?

Tratado teria um poder de vinculação maior do que uma Resolução.

Natureza Jurídica da DUDH é uma resolução da ONU.

Força Vinculante:

Possui força vinculante e deve ser respeitada por todos os Estados da Sociedade Internacional. A Assembleia Geral da
ONU, naquele contexto possuía o poder com base no art. 55, alínea c de sua carta de criação, estabelecer um rol
mínimo de direitos a serem observados por todos os atores internacionais.

Hard Law

Constitui um costume internacional, por já estar incorporada na temática e na rotina das relações internacionais, assim,
sendo o costume uma fonte de suma importância do Direito Internacional a Declaração de Paris, constitui, na realidade,
um Direito Vinculante, cogente, a ser observado por toda sociedade internacional. Corrente mais aceita.

Soft Law

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A DUDH representa apenas uma diretriz/orientação a ser seguida e buscada pelos diferentes sujeitos da Sociedade
Internacional. Por ser uma mera Resolução da ONU não teria caráter vinculativo.

3) Características

Hannah Arendt: Direitos humanos é o direito fundamental a ter direitos. Analisando a questão dos apátridas.

a) Universalidade: os direitos humanos são aplicados a todos os cidadãos, independentemente de nacionalidade,


religião, sexo ou qualquer outra característica. Apos a declaração universal de 1948, houve em 1968 a Conferência
de Teerã em que o principio da universalidade foi amplamente reconhecido pela Sociedade Internacional. Além
disso, o fundamento jurídico do principio da Universalidade também se encontra no art. 55, alínea C, da Carta de
Fundação da ONU (Carta de São Francisco). Portanto, os DH são direitos de todos e não privilégios de alguns.

b) Essencialidade: DH são tidos como algo essencial e indispensável para uma vida digna e plena. Assim, não só
Poder Público, bem como os particulares devem observá-los.

c) Superioridade normativa: todos os diplomas normativos (nacionais ou internacionais) gozam de superioridade


normativa em face de outros arcabouços jurídicos que com eles conflitam. Principio pró homine é uma
exteriorização da característica da superioridade normativa.

d) Reciprocidade: traduz a ideia, de interligação, de interdependência, entre as diferentes espécies de Direitos


Humanos e também a interdependência de seus titulares.

Principio da vedação à proteção ineficiente:

- Proibição da proteção insuficiente é o sentido positivo do critério de proporcionalidade: o critério não é apenas controle
das restrições a direitos, mas também controle da promoção a direitos. Decorre do reconhecimento dos deveres de
proteção, fruto da dimensão objetiva dos direitos humanos. A proibição da proteção insuficiente também utiliza os
mesmos três elementos da proporcionalidade.

4) Tipos de Conduta

a) Ativa
b) Passiva

5) Classificação dos Direitos Humanos

* Teoria dos Estatus - Georg Jellinet

a) Subordinação: para Georg Jellinet os DH não é algo nato e sim direito a ser positivado. O status da subordinação
consubstancia o poder soberano do Estado de impor direitos e deveres e limitar as condutas.

b) Negativo: é o direito do cidadão de exigir certas abstenções por parte do Estado. Trata-se, do espaço das
liberdades individuais.

c) Positivo: refere-se ao direito de exigir do Estado determinados comportamentos e prestações em prol da


cidadania. Consubstanciam por exemplo os direitos sociais.
d) Ativo: reflete o direito de participação dos indivíduos na formação da vontade do Estado. Constitui também direito
ao sufrágio, o direito de acesso aos cargos do Estado.

* Karel Vasak (Gerações ou Dimensões)

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Em uma conferência Estrasburgo em 1979 estabeleceu uma classificação universalmente conhecida, que é a
classificação das gerações dos direitos humanos ou fundamentais.

1) Liberdade: teve como marco o ideal liberal proposto na Revolução Francesa de 1789.
2) Igualdade: possui o marco teórico a constituição mexicana de 1917 e a constituição da OIT de 1919.

3) Fraternidade/Solidariedade: Consubstancia a ideia de solidariedade social e de desenvolvimento sustentável. Parte


da noção que os recursos naturais são finitos, razão pela qual a simbiose entre a relação homem e terra, é algo a
ser debatido pelo direito internacional.

4) Globalização/Pluralismo/Democracia (Paulo Bonavides): os direitos oriundos da globalização que de certa forma


traduzem o ideal de multiculturalismo, diversidade e de pluralismo político. Para o professor a democracia só é
plena e efetiva a partir da compreensão desses fenômenos sociais.

5) Direito à Paz (Paulo Bonavides): Direito fundamental de todos os seres humanos deve ser garantido em todas as
esferas que é o direito a paz. A palavra paz, tem 42 citações na carta de fundação da ONU. Esse direito foi o
principal motivo de fundação das Nações Unidas. Esse direito a paz está consubstanciado em outro documento, na
Resolução 39 de 12 de novembro de 1984, trata-se da Declaração Sobre o Direito dos Povos à Paz, pela
Assembléia Geral da ONU.

Israel/Palestina: Resolução 181 da ONU (perdeu sua eficácia).

Especificidades dos Direitos Humanos

É uma característica distintiva em relação aos outros direitos, acabo por caracterizar como uma marca, essas ideias.

Centralidade: os direitos humanos é o epicentro axiológico do ordenamento jurídico nacional e do ordenamento jurídico
internacional. Irradiam seus efeitos por conta dessa centralidade, pra todos os demais ramos do direito;

Transnacionalidade: noção de que os direitos humanos se aplicam a todos o indivíduos indistintamente, independente
da nacionalidade e do território, do espaço territorial em que se encontra. Duas conferências internacionais:
Conferência Internacional de Direitos Humanos em Teerã em 1968 e a segunda em Viena em 1993. Não é a mesma
coisa que universalismo (determinados valores influenciam outros valores na sociedade internacional, criando a
necessidade de respeitá-los).

Abertura: a ideia de exaustividade é marcante na temática dos direitos humanos. Os direitos humanos não possuem um
rol taxativo, ele é dinâmico e vem de certa forma estabelecendo mutações e alterações durante o tempo. (CF art. 5º par.
1º):

Súmula Vinculante 25
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.

(...) diante do inequívoco caráter especial dos tratados internacionais que cuidam da proteção dos direitos humanos,
não é difícil entender que a sua internalização no ordenamento jurídico, por meio do procedimento de ratificação
previsto na CF/1988, tem o condão de paralisar a eficácia jurídica de toda e qualquer disciplina normativa
infraconstitucional com ela conflitante. Nesse sentido, é possível concluir que, diante da supremacia da CF/1988 sobre
os atos normativos internacionais, a previsão constitucional da prisão civil do depositário infiel (art. 5º, LXVII) não foi
revogada (...), mas deixou de ter aplicabilidade diante do efeito paralisante desses tratados em relação à legislação
infraconstitucional que disciplina a matéria (...). Tendo em vista o caráter supralegal desses diplomas normativos
internacionais, a legislação infraconstitucional posterior que com eles seja conflitante também tem sua eficácia
paralisada. (...) Enfim, desde a adesão do Brasil, no ano de 1992, ao PIDCP (art. 11) e à CADH — Pacto de São José
da Costa Rica (art. 7º, 7), não há base legal para aplicação da parte final do art. 5º, LXVII, da CF/1988, ou seja, para a
prisão civil do depositário infiel.
[RE 466.343, voto do rel. min. Cezar Peluso, P, j. 3-12-2008, DJE 104 de 5-6-2009, Tema 60.]

Imprescritibilidade: a ideia que os direitos humanos não se perdem, não deixam de gozar de efetividade pelo mero
decurso do tempo. O tempo não acarreta a falibilidade desse direito.
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Inalienabilidade: Do ponto de vista jurídico, os direitos humanos não possuem uma dimensão pecuniária, razão pela
qual a principio, não podem ser negociados economicamente.

Inrrenunciabilidade: trás a noção de que o núcleo essencial do Direito, jamais pode ser renunciado pelo seu titular.

Proibição ao retrocesso (efeito Cliquet):

- a expressão "cliquet" é utilizada pelos alpinistas e define um movimento que só permite ao mesmo subir, não lhe
sendo possível retroceder, em seu percurso. O efeito "cliquet" dos direitos humanos significa que os direitos não
podem retroagir, só podendo avançar nas proteções dos indivíduos. No Brasil esse efeito é conhecido como
princípio da vedação do retrocesso, ou seja, os direitos humanos só podem avançar. Esse princípio, de acordo com
Canotilho, significa que é inconstitucional qualquer medida tendente a revogar os direitos sociais já regulamentados,
sem a criação de outros meios alternativos capazes de compensar a anulação desses benefícios (CANOTILHO, J. J.
Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição . 5ª ed. Coimbra: Almedina, 2002, p. 336.).

- O principal fundamento jurídico estaria na noção de Estado Democrático de Direito, no caso brasileiro,
especificamente no art. 1, inciso III da Constituição Federal. Outro fundamento jurídico está no principio da proteção
da confiança/segurança legitima, construído a partir da jurisprudência do Tribunal Constitucional Alemão. O Estado
não pode surpreender de forma tão brusca os seus administrados, violando um direito legítimo, de modo a esvaziar
totalmente essas expectativas.

- Não se aplica: 1) justificativa de mesma envergadura jurídica; 2) respeito ao principio da proporcionalidade; 3)


preservação do núcleo essencial do Direito. Casos STF: Contribuição dos inativos (STF), dimensão negativa do
principio de vedação ao retrocesso; b) previsão do voto impresso (STF) a volta do voto impresso, representava um
retrocesso politico e institucional para o Sistema Eleitoral Brasileiro (vedação ao retrocesso). Código Civil ao
estabelece diferenças em Direito Sucessório nos casos de união estável e casamento (art. 1790 do CC), declarado
inconstitucional.

1) Interpretação dos Direitos Humanos

A) Interpretação conforme os Direitos Humanos: por meio da interpretação dos operadores do Direito nos
diferentes tribunais, aplicam na temática dos Direitos Humanos, é que torna possível a consolidação da
centralidade desses direitos. A interpretação conforme os DH, estabelece a vinculação estreita, dos diferentes
arcabouços normativos internacionais e a preservação do núcleo essencial dos direitos mais caros da pessoa
humana. Assim, deve-se privilegiar sempre a interpretação que melhor se coaduna com o viés axiológico inerente
as diferentes espécies de DH.

B) Força Expansiva: efeito irradiante, perante as relações sociais vivenciadas pela sociedade contemporânea. A partir
da aplicação e da observância dos DH em seus diferentes campos de atuação, há uma forte influência irradiante
desses direitos nas diferentes relações sociais. O direito das minorias, o acesso a justiça, a o tratamento da violência
em face da mulher, sao exemplos notórios da forca expansiva dos direitos humanos.

C) Máxima efetividade: se busca a consolidação efetiva desses direitos humanos, dando-lhe a máxima efetividade.
Busca o adimplemento dos diferentes direitos estabelecidos e distintos diplomas normativos da matéria. Entretanto, não
se trata de um mero uso indiscriminado e retórico de determinados princípios em debate. Segundo as lições do
professor Antônio Augusto Cançado Trindade, o principio da máxima efetividade é aquele que estabelece diálogo entre
a abertura dos DH e a realidade social vivenciada em determinado contexto de uma Sociedade contemporânea.

• O uso vulgar do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.

* mecanismos de interação com a sociedade: audiências públicas; amicus curie;

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2) Resolução de conflitos entre Direitos Humanos

A) Teoria interna: Para a teoria interna os limites dos direitos humanos são imanentes, inerentes ao conteúdo interno
dos direitos envolvidos, assim, o conflito seria meramente aparente, por que na realidade, não há vigência efetiva
de um deles, no caso concreto. A critica que se faz a teoria interna (Daniel Sarmento) é que na delimitação do
conteúdo dos direitos envolvidos, já há uma prévia ponderação camuflada. Vetores axiológicos natos, inerentes à
conduta humana. Mas esses direitos possuem limites imanentes a esses direitos. A sua não observância é o limite
para discussão desses direitos. Os direitos de propriedade, por exemplo, estão limitados pela função social da
propriedade (CF 1988). É imanente ao direito de liberdade de expressão a ofensa a dignidade humana.

B) Teoria externa: Para a teoria externa há dois momentos distintos na resolução do conflito entre direitos humanos:
a) primeiro momento é aquele que se identifica a incidência no caso concreto, após a avaliação prima face de
aplicação daquele direito na especie, passa-se ao segundo momento; b) segundo momento seria aquele em que
ocorre a ponderação, sopesamento entre os direitos em conflito. Para tal ponderação, na maioria das vezes,
utiliza-se o principio ou postulado da proporcionalidade (derivado do Direito Alemão). existe dois momentos: prima
face (enxergamos em um primeiro momento, e verificamos se ele sobre incidência). Posteriormente, ocorre a
ponderação de princípios.

Níveis dos tratados, ver jurisprudência do STF:

- Status de emenda constitucional;


- Norma supralegal ….

* Principio da proporcionalidade:

- Adequação: é a hipótese de incidência, a moldura legal dos fatos ao direito, ou seja, se o caso em discussão se
adequa a hipótese normativa estabelecida.
- Necessidade: ou seja, se é necessário a utilização desse direito para resolução do caso. Se não existe outra decisão
menos traumática e menos maléfica apta para resolução.
- Proporcionalidade em sentido estrito: ultimo momento dessa cadeia racional do sopesamento da proporcionalidade.
Custo benefício na resolução de conflito. é o efetivo exercício da ponderação. Ponto valorativo, principiológico.

3) Proibição da proteção insuficiente: busca evitar a violação de determinados direitos. Constitui a dimensão positiva
do principio da proporcionalidade (derivado do direito alemão). Por esse princípio, entende-se que o ordenamento
jurídico nacional e internacional não pode tutelar de forma insatisfatória os direitos mais importantes. Exemplo: Direito a
Saúde não tratada de forma adequada sobre determinado contexto; Direito a educação, faltar escola pública pra quem
está em idade escolar pra estudar; Direito Penal que não pune as violações mais graves dos direitos do cidadão
(latrocino, homicídio).

3 Eixos de Proteção

a) Direito internacional de Direitos Humanos.

b) Direito Internacional Humanitário: Convenção de Genebra (1949): 42.121/57. “Direito de Genebra” trata
especificamente do Direito Humanitário, diferentemente, do Direito de Haia, que trata do Direito de Guerra. A convenção
que normativa a temática é a de 1949, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto nº 42.121/57. O direito de Haia foca
nas ações dos beligerantes.

C) Direito Internacional dos Refugiados: convenção relativa aos refugiados: Decreto nº 5.0215/51

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Principio da Complementaridade: Atua como vetor interpretativo e integrador, dos diferentes eixos temáticos que
compõe a matéria de direito internacional e direitos humanos. Exemplo: art. 22.8 22.9 da Convenção Americana de
Direitos Humanos.

Decreto 678/92 - art. 22.8 e 22.9:

8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro país, seja ou não de origem, onde seu direito à
vida ou liberdade pessoal esteja em risco de violação por causa da sua raça, nacionalidade, religião, condição social ou
de suas opiniões políticas.

9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.

Decreto nº 40/91 - art. 3º

ARTIGO 3º

1. Nenhum Estado Parte procederá à expulsão, devolução ou extradição de uma pessoa para outro Estado quando
houver razões substanciais para crer que a mesma corre perigo de ali ser submetida a tortura.

2. A fim de determinar a existência de tais razões, as autoridades competentes levarão em conta todas as
considerações pertinentes, inclusive, quando for o caso, a existência, no Estado em questão, de um quadro de
violações sistemáticas, graves e maciças de direitos humanos.

O Princípio da vedação/proibição de devolução do requerente de refugio, constitui um princípio de direito universal,


razão pela qual, tratado de diferentes matérias, trazem de forma complementar, o referido principio.
DUDH como principal arcabouço normativo do sistema universal dos Direitos Humanos, constitui costume internacional
e deve ser observado por todos os atores da sociedade internacional, portanto, para a doutrina e jurisprudência
internacional a DUDH é norma vinculante (jus cogens).

- Sistema Universal de Direitos Humanos (ONU);


- DUDH - 1948;
- Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966): Decreto 592/1992: a primeira parte do pacto trata do principio
extremamente importante para o Direito Internacional, que é especificamente, a autodeterminação dos povos. Partes
II e III tratam da abrangência desses direitos, a todos os indivíduos, mesmo que não sejam, de nacionalidade do
respectivo Estado ou mesmo esteja em condição irregular. Parte IV nos artigos 28 a 45 estabelecem a criação do
Comitê de Direitos Humanos da ONU. Trata-se do órgão responsável para analisar os relatórios e adotar medidas
para tornar efetivo, os direitos previstos no pacto internacional dos direitos civis e políticos. Vale ressaltar que o
Brasil aderiu a dois protocolos facultativos do pacto internacional: do mecanismo de proteção e monitoramento do
comitê de Direitos Humanos a partir de petição da própria vítima. O segundo protocolo que é o compromisso para
abolição da pena de morte.

ARTIGO 1

1. Todos os povos têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente seu estatuto
político e asseguram livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.

2. Para a consecução de seus objetivos, todos os povos podem dispor livremente se suas riquezas e de seus
recursos naturais, sem prejuízo das obrigações decorrentes da cooperação econômica internacional, baseada no
princípio do proveito mútuo, e do Direito Internacional. Em caso algum, poderá um povo ser privado de seus meios de
subsistência.

3. Os Estados Partes do presente Pacto, inclusive aqueles que tenham a responsabilidade de administrar territórios
não-autônomos e territórios sob tutela, deverão promover o exercício do direito à autodeterminação e respeitar esse
direito, em conformidade com as disposições da Carta das Nações Unidas.

- Pacto Internacional de Direitos Sociais, econômicos e culturais (1966): Decreto 591/1992. A parte I desse tratado,
trata da autodeterminação dos povos. A parte II trata especificamente, dos direitos em especie, prevendo que a
abrangência, vigência e observância dos direitos sociais é algo a ser conquistado, progressivamente (direitos de

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terceira geração). A parte IV prevê a criação do comitê de Direitos Sociais Econômicos e Culturais. Tal órgão da
ONU, é responsável por analisar relatórios e estabelecer medidas com a finalidade de tutelar direitos previstos no
referido pacto. Os dois comitês dos referidos pactos, atuam também de forma pró-ativa, ou seja, podem requisitar
novos relatórios e informações adicionais, bem como expedir recomendações.

As convenções para eliminação de toda forma de discriminação racial, contra a mulher e para eliminação da tortura,
constitui convenções internacionais que influenciaram diretamente debate nacional, e contribuíram de forma decisiva,
para promulgação de leis com o mesmo objeto.

- Convenção para eliminação da discriminação racial (Dec. 65810/69);


- Convenção para eliminação da discriminação contra a mulher (Dec. 4377/2002);
- Convenção para eliminação de toda a forma de tortura (Decreto nº 40/1991).

- Convenção sobre a imprescritibilidade dos crimes de guerra e contra a humanidade. Convenção que o Brasil não é
signatário. Trata-se do costume internacional estabelecido pela organização da Nações Unidas, quando da análise
dos princípios de Nuremberg. As previsões e diretrizes traçadas no contexto do Tribunal Militar Internacional de
Nuremberg, constitui até os dias de hoje costumes internacionais tidos com normas jus cogens.

- Convenção relativa aos Refugiados;


* instituto de alcance global/universal;
* medida humanitária;
* Perseguição por motivos religiosos, raciais, políticos, entre outros;
* Natureza Declaratória.

1. Convenção sobre apátridas (1954). DECRETO Nº 4.246, DE 22 DE MAIO DE 2002. Promulga a Convenção sobre
o Estatuto dos Apátridas.

Conceito: apátrida é toda pessoa que não seja considera nacional por nenhum Estado. Para evitar tais situações foram
convencionados diplomas normativos internacionais sobre o tema, que visam persuadir os diferentes estados para
adoção de critérios de nacionalidade que evitem a apatridia.

2) Convenção para redução dos casos de apátrida (1961): Decreto 8.501/2015. Promulga a Convenção para a Redução
dos Casos de Apatridia, firmada em Nova Iorque, em 30 de agosto de 1961.

3) Lei 13.445/2017 art. 26

4) Regras de Bangkok - Resolução 65/229 de 2010

Soft Law

Vide art: 6º, X, art. 185, par. 10, art, 304, par. 4º, art. 318, IV a VI do CPP

5) Convenção contra o Desaparecimento forçado de pessoa: Decreto 8.767/2016

6) Sistema Regional: OEA

- Carta da OEA (1948);


- Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem (1948);
- Convenção Americana de Direitos Humanos - Decreto 678/2002;
- Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

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Sistema Regional de Proteção dos Direitos Humanos

1) O.E.A: 35 membros do Continente americano


- Conferência de Bogotá/ 1948;
- Carta da OEA (1948): Decreto 30.544/52
- Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem, reconheceu a universalidade dos direitos humanos ao
expressar os direitos essenciais do homem não derivam do fato de ser cidadão ou nacional de um determinado
Estado, mas sim, de sua condição humana.
- Universalismo: preâmbulo da Declaração;
- Sistema de Relatórios.

2) Convenção Americana de D.H “Pacto de San José” - Convenção de 1969, entrou em vigor em 1978 e o Brasil
ratificou em 1992 ( Decreto 678/92).

- Garantia do Duplo Grau de Jurisdição: art. 8, item 2, alinea “h” do Decreto nº 678/92. A questão dos julgados pelo
STF que possuem Foro por Prerrogativa de Função.

- O artigo 28 da Convenção Americana de D.H estabelece o que chamamos de clausula federal. Com isso, a
responsabilização internacional sempre recairá sobre o Estado Nacional. No caso brasileiro, a União representará o
país, mesmo em casos de violações por particulares ou outros entes da Administração Pública.

- Além da convencido temos o Pacto de San Salvador, que é de 1988, mas o Brasil só aderiu em 1999, através do
decreto 3321/99. Trata de Direitos Econômicos, sociais e culturais. É o protocolo mais importante que complementa a
Convenção;

- Carta Democrática interamericana de 2001, foi estabelecida pela Assembleia Geral da OEA em 11/09/01, trata-se de
uma resolução da OEA, razão pela qual é tida com Soft Law. Premissas: Alternância de poder e eleições periódicas;
Democracia substancial, qual seja, a busca por uma justiça social.

- Atuação da Comissão Interamericana e da Corte Interamericana de DH

1) Comissão Interamericana de DH:

tem sede em W.D.C, possui 7 membros, atualmente a professora Flávia Biovesam a compõe. Ela analisa petições,
denúncias por parte dos indivíduos, por parte dos Estados signatários, ou mesmo por qualquer organização
governamental. A comissão tem uma atuação bastante ampla. Verifica os requisitos, notifica o Estado infrator para
esclarecer o ocorrido. Caso não haja justificativa, prossegue a denúncia. Pode fazer informes, solicitações.

- arts. 34 a 51 da Convenção Americana.

- Caráter dúplice:
- 1) Age como mecanismo de controle das diferentes convenções de Direitos Humanos, na esfera da OEA. Ela atua
realizando estudos solicitando relatórios (relatórios sombras e relatórios especiais), e expedindo recomendações e
determinando medidas.
- 2) A comissão também atua buscando a responsabilização internacional dos Estados violadores de Direitos
Humanos.

- Trâmite/fases:
- I) Admissibilidade de conciliação: nessa fase a comissão avalia os requisitos de admissibilidade das petições que
informam supostas violações de Direitos Humanos. São quatro os requisitos básicos: i) esgotamento da jurisdição

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interna (trata-se do caráter subsidiário da jurisdição internacional) ii) entre o esgotamento da jurisdição interna e a
data de apresentação da petição não tenha se passado 6 (seis) meses; iii) o caso não esteja submetido a outro
sistema de direitos humanos; iv) não haja coisa julgada internacional.

- II) A comissão pode determinar o cumprimento de variadas medidas cautelares;


- III) improcedência ou primeiro informe: verificando que não há pertinência, a comissão pode declarar o arquivamento
da demanda, com o reconhecimento da improcedência das alegações suscitadas. Ou, reconhecendo a procedência
das alegações, realizar um informe dirigido ao Estado demandado e a Assembleia Geral da OEA. O Relatório/
Informe é confidencial e oportuniza que o Estado demandado cumpra as medidas determinadas no prazo de três
meses.
- IV) O Estado não cumprido as diretrizes estabelecidas no primeiro informe, teremos duas soluções: a) caso o Estado
demandado tenha aceitado a jurisdição contenciosa da corte interamericana, o caso será submetido a este Tribunal
para julgamento. b) Caso o Estado não seja signatário da Jurisdição contenciosa da Corte, será elaborado um
segundo informe da Assembleia Geral da OEA

2. Corte Interamericana de D.H

Decreto 4463/2002 - Reconheceu a jurisdição contenciosa.

A jurisdição contenciosa da corte é facultativa, podendo ser reconhecida em caráter geral e permanente, ou mesmo
para um único caso específico.

Além disso, diferentemente da Comissão Interamericana, não se admite petições individuais na Corte Interamericana. A
jurisdição é sempre inaugurada pelos Estados ou pela Comissão interamericana.

Pode haver perante a corte, um processo abreviado: 1) em caso de solução amistosa; 2) em caso de desistência; 3) em
caso de reconhecimento. Nos dois primeiros casos, deve haver homologação por parte da Corte, oportunidade em que
verificará se o ato está ou não em sintonia com o disposto na convenção americana.

- Sede: San José (Costa Rica)


- Órgão de Convenção Americana.
- arts. 52 a 73 da Convenção Americana;
- Possui Jurisdição Compulsiva (obrigatória) e contenciosa (facultativa);
- Não admite petição individual;
- Pode determinar medidas cautelares;
- Suas Decisões não necessitam de homologação;

- Diferenças entre asilo e refugio, destacando a jurisprudência do STF em relação ao dois institutos (revisar);
- Regras de Bangkok e Conferencia de Jacarta (revisar);

3) Jurisprudência relevante: casos

a) Castilho Petruzzi Vs Peru (1999);


b) Barrios Altos Vs Peru (2001);
c) La Comunidad Mayagna Vs Nicarágua (2001);
d) Caso Gonzália (campo algodonero) Vs México;
f) Caso Vélez Floor Vs Panamá (2010)
g) Atala Riffo e Filhos Vs Argentina (2012)

Brasil

1) Damião Ximenes Lopes;


2) Gomes Ilund
3) Trabalhadora da Fazenda Rio Verde.

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1) Mecanismos de monitoramento do Sistema Global:

a) órgãos da estrutura da ONU: realizam relatórios especiais, visitas in loco, para avaliar de uma maneira geral como
a anda a proteção de DH em determinado Estado ou somente uma temática (discriminação racial)

- Conselho de Direitos Humanos: realizada Revisão Periódica Universal: avaliação por pares. É composta uma
comissão de 03 outros Estados (TROIKA). O Estado avaliado envia os relatórios e outros informes oficiais para os
seus pares (TROIKA), estes documentos são avaliados pelo Alto Comissariado (avaliação prévia). A TROIKA analisa
e elabora relatórios com recomendações. Dinamarca recomendou a fusão da Policia Civil e Policia Militar no âmbito
do CDH. Soft Law. Possui 47 Estados Membros.

- Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.


- Conselho Econômico e Social da ONU.

b) Órgãos independentes:

- Comitês dos Diferentes Tratados de Direitos Humanos:


Alguns aceitam petições individuais, outros não.

Ex: Comitê de DH do Pacto de Direitos Civis e Políticos:

- Relatórios prestados pelos Estados e relatórios sombras, pelas organizações internacionais

- Decisões não são vinculantes, em regra. No caso de violação especifica de um direito,

- E no caso de petições individuais? (Protocolo Facultativo ratificado pelo DL 311/2009, aceitou as petições individuais
no Comitê de DH do Pacto de Direitos Civis e Políticos)

Divergentes:

- Não vinculante: TSE entende que não é vinculante.


- Vinculante:

Josué Santos - Direito UFAC - LII