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CIENCIAS

CORPO HUMANO

72 SÉRIE

Ayrton César Marcondes


Médico e professor do Curso Universitário de Santos

José Carlos Sariego


Bacharel e licenciado em ciências biológicas (USP)
Especialista em ecologia (UNICAMP)
Mestre em metodologia (UNICAMP)
Orientador pedagógico na rede municipal de Campinas

Respostas e sugestões aparecem apenas no livro do professor.

editora scipione
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DIRETORIA
Luiz Esteves Sallum
Vicente Paz Fernandez
José Gallafassi Filho
Antonio Carlos Fiore

GERÊNCIA EDITORIAL
Aurelio Gonçalves Filho

RESPONSABILIDADE EDITORIAL
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ASSISTÊNCIA EDITORIAL
Gláucia Elaine Bosquilha

REVISÃO
chefia - Sâmia Rios
assistência - Minam de Carvalho Abões
preparação - Carlos Alberto Inada
revisão - Roberto Belli, Maysa Monção
Gabrielli e Paula C. Hernandes

GERÊNCIA DE PRODUÇÃO
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ARTE
coordenação geral - Sérgio Yutaka Suwaki
edição de arte - Didier D. C. Dias de Moraes
coordenação de arte - Edson Haruo Toyota
assistência - Yong Lee Kim Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIF)
capa e miolo - Ulhôa Cintra Comunicação Visual (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
ilustrações - Artur Kenji Ogawa, Maria Azevedo e
Osny de Oliveira
Marcondes, Ayrton Casar, 1947-
pesquisa iconográfica - Edson Rosa, Lourdes Ciencias, 12 grau / Ayrton e Sonego. Sío
Guimarães e Fernando P. da Silva Paulo Scipione, 1996.

fotos - Agostinho de Paula e Laureni Fochetto


Edigio nic-consualvel.
conteído: Ar, ígua e solo -- Seres vivos -- Corpo
humano -- QuI.ioa e física.
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO
José Antonio Ferraz 1. Clínciaa (1. grau) 2. Cancias (12 grau) -
Laboratório. I. Sariego, Joeí Carlos tope.. II. fitai

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E FILMES


Gama
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1. Ciências Ensino de 12 grau 372.35
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MATRIZ
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Tel. (011) 242 8411
Caixa Postal 65131

1998

ISBN 85-262-2719-X
52 EDIÇÃO
(22 impressão)
E

AOS PROFESSORES
o
O estudo das ciências naturais é fascinante não só pela beleza intrínseca de seu con-
teúdo, como também pelas perspectivas de suas aplicações. Entretanto, o aluno nem sem-
pre é conquistado por essa disciplina, podendo até mesmo sentir repulsa por ela. Parte da
responsabilidade por essa situação cabe aos livros didáticos: a maioria deles se prende
estritamente ao conteúdo mínimo obrigatório dos programas oficiais, padece de um exces-
sivo formalismo e está defasada em relação às descobertas e aos inventos mais importantes,
que atraem vivamente a atenção dos nossos jovens.
Elaboramos esta nova coleção didática de ciências considerando cada uma dessas
dificuldades. Procuramos adotar uma linguagem mais direta e pessoal, com frases curtas e
textos pequenos, capazes de envolver diretamente o estudante. Além disso, introduzimos
conteúdos que apresentam as mais importantes conquistas tecnológicas, sem perder de
vista as relações entre ciência, tecnologia e sociedade, uma tendência atualmente predomi-
nante no ensino do Primeiro Mundo. Essa estratégia permite destacar as implicações am-
bientais e sociais da aplicação do saber científico. Acreditamos que isso aprimore a visão
crítica dos alunos, um dos principais objetivos do ensino de ciências.
A avaliação deve ser uma ocasião de reforçar e complementar a aprendizagem, e não
apenas se restringir a uma simples cobrança de conteúdos formais. Assim, no final de cada
capítulo, apresentamos — além das costumeiras questões de revisão — sugestões de leituras
que pautam debates e análises críticas (item Reflexão). Os exercícios encerram-se sempre
com a proposta de alguns desafios aos alunos, que podem incluir o estudo do significado
dos termos empregados no capítulo, ou perguntas que requeiram raciocínios mais elabora-
dos, deduções ou mesmo pequenas pesquisas bibliográficas.
Estamos certos de que, oferecendo este novo material aos professores, estaremos con-
tribuindo séria e eficazmente para a melhoria do ensino de ciências, resgatando o fascínio
que envolve a todos que se aventuram na _busca do conhecimento.

Os autores

AO ALUNO

Ao ler e estudar este livro, com a orientação e o apoio do seu professor, você começará
a desvendar pequenos e grandes mistérios da natureza. Ao conhecê-la mais profundamen-
te, estudando suas leis e entendendo seus mecanismos, você estará mais capacitado para
descobrir a beleza e a magia que se escondem por trás das coisas mais simples, como o
brilho das estrelas, as cores do arco-íris, o abrir de uma flor e o simples ato de respirar.
Também entenderá melhor como funcionam as criações do homem, incluindo os aparelhos
e instrumentos que fazem parte das comodidades da nossa vida diária.

Os autores
NIPINE

INTRODUÇÃO - ANTES DE CONHECER O CORPO, 7 CAPÍTULO 6 - SISTEMA RESPIRATÓRIO, 57


UNIDADE 1 - O ORGANISMO HUMANO, 8 NARIZ, 58
CAPÍTULO 1 - A ESTRUTURA DO ORGANISMO, 8 LARINGE, 58
O QUE É O ORGANISMO?, 8 TRAQUÉIA E BRÔNQUIOS, 58
CÉLULAS, 9 PULMÕES, 59
PARTES DAS CÉLULAS, 10 INSPIRAÇÃO E EXPIRAÇÃO, 60
• NÚMERO DE CROMOSSOMOS, 12
DIVISÃO CELULAR, 12 CAPITULO 7 - SISTEMA CIRCULATÓRIO, 65
DIFERENCIAÇÃO CELULAR, 13 SANGUE, 65
GLÓBULOS VERMELHOS, 66
CAPÍTULO 2- OS TECIDOS, 18 GLÓBULOS BRANCOS / PLAQUETAS, 67
TECIDO EPITELIAL, 19 CORAÇÃO! CAMINHO DO SANGUE, 68
EPITÉLIO DE REVESTIMENTO, 19 VASOS SANGUÍNEOS, 70
EPITÉLIO GLANDULAR, 19 PEQUENA E GRANDE CIRCULAÇÃO, 70
TECIDO CONJUNTIVO, 20 SISTEMA LINFÁTICO, 72

1 TECIDO MUSCULAR, 21
TECIDO NERVOSO, 22
DOS TECIDOS AO ORGANISMO, 22
CAPITULO 8 - SISTEMA EXCRETOR, 77
RINS / FORMAÇÃO DA URINA, 78
VIAS URINARIAS, 79
UNIDADE 2 - O ORGANISMO SE REPRODUZ, 26
CAPÍTULO 3- SISTEMA REPRODUTOR, 26 UNIDADE 4 - COORDENAÇÃO DAS FUNÇÕES ORGÂNICAS, 84
SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO, 27 CAPÍTULO 9- COORDENAÇÃO NERVOSA, 84
TESTÍCULOS, 27 PARTES DO SISTEMA NERVOSO, 85
EPIDIDIMOS, 28 IMPULSO NERVOSO, 85
CANAIS DEFERENTES, 28 NERVOS, 86
VESÍCULAS SEMINAIS, 28 SISTEMA NERVOSO CENTRAL, 86
PRÓSTATA, 28 ENCÉFALO, 86
URETRA! PÊNIS, 28 MEDULA ESPINHAL, 87
SISTEMA REPRODUTOR FEMININO, 29 SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO, 87
OVÁRIOS, 29 SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO, 88
TROMPAS UTERINAS, 29
ÚTERO, 29 CAPÍTULO 10- COORDENAÇÃO HORMONAL, 99
VAGINA, 30 HIPÓFISE! TIREÓIDE, 100
VULVA, 30 PARATIREÓIDES, 101
CICLO SEXUAL FEMININO, 30 SUPRA-RENAIS / PÂNCREAS, 101
O PERÍODO FÉRTIL, 31
GRAVIDEZ E PARTO, 32 UNIDADE 5 - RELAÇÕES COM O AMBIENTE, 105
CAPÍTULO 11 - SISTEMA LOCOMOTOR, 105
UNIDADE 3 - A MANUTENÇÃO DO ORGANISMO, 39 ESQUELETO, 105
CAPÍTULO 4 - ALIMENTOS E DIGESTÃO, 39 DPOS DE OSSOS, 105
ALIMENTOS, 40 ARTICULAÇÕES, 107
TIPOS DE NUTRIENTES, 40 CRÂNIO E FACE, 108
PROTEÍNAS, 40 COLUNA VERTEBRAL, 108
CARBOIDRATOS OU AÇÚCARES, 40 COSTELAS E ESTERNO, 108
LIPÍDIOS OU GORDURAS, 41 MEMBROS SUPERIORES, 109
ÁGUA / SAIS MINERAIS! VITAMINAS, 41 MEMBROS INFERIORES, 109
MÚSCULOS, 110
CAPÍTULO 5- SISTEMA DIGESTIVO, 47
BOCA, 48 CAPÍTULO 12- SISTEMA SENSORIAL, 116
FARINGE, 49 VISÃO, 116
ESÔFAGO, 49 AUDIÇÃO, 117
ESTÔMAGO, 49 OLFATO, 118
INTESTINO, 50 PALADAR, 118
ABSORÇÃO, 52 TATO, 119
INTESTINO GROSSO, 52 MINIATLAS DA SAÚDE, 125
Antes de conhecer o corpo

Uma descoberta feita no ano de 1663 mudou o la segundo diferentes ramos do conhecimento. Desde
rumo de nossos conhecimentos sobre os seres vivos. logo, estabeleceu-se uma controvérsia: de um lado,
Naquele ano, Robert Hooke descobriu a célula, ob- formou-se o grupo dos que entendem a vida como
servando um fragmento de cortiça num microscópio um fenômeno sobrenatural e acima das propriedades
bastante rudimentar. A partir daí, outro passo impor- da matéria; de outro lado, um segundo grupo explica
tante foi a proposição da teoria celular, segundo a qual a vida em termos puramente físicos e químicos.
o organismo de todos os seres é constituído por célu- Segundo G. G. Simpson, a vida consiste numa
e las. Isso quer dizer que deixamos de "pensar" a vida
como um organismo considerado em seu todo, pas-
série de processos ligados à complexa organização da
matéria. Graças a esses processos, tudo o que é vivo é
sando a procurá-la em um mundo de unidades que capaz de crescer, reproduzir-se, movimentar-se, rea-
não podiam ser vistas a olho nu. Confirmava-se que gira estímulos e usar matéria-prima para produzir ma-
todo o organismo trabalha para preservar a vida das téria igual à que possui.
células que o constituem. Essas características são encontradas apenas nos
É muito difícil definir o que seja a vida. Através seres vivos. São elas que nos permitem flagrar a qual-
dos séculos, vários estudiosos procuraram conceituá- quer instante o fenómeno que chamamos vida.

Robert Hooke.

7
A estrutura do organismo

A perfeição do organismo humano não encontra


O que é o organismo? paralelo sequer nas mais avançadas máquinas cons-
truídas pelo homem. De fato, nosso equipamento bio-
Quando subimos os degraus de uma escada, vá- lógico é incomparável: ossos funcionando como vigas
rios mecanismos entram em ação para que os nossos para suportar o peso; músculos e articulações aptos aos
músculos se contraiam e o corpo se movimente: os mais variados movimentos; receptores capazes de per-
pulmões encarregam-se de obter mais oxigênio, o co- ceber sons, luz e outros estímulos; capacidade de produ-
ração bate mais depressa e os vasos sanguíneos dos zir os materiais de que necessita; poder de crescimen-
músculos se dilatam para que mais sangue chegue às to e reparação de suas estruturas; possibilidade de pen-
células musculares. sar, falar, inventar, e capacidade de produzir seres se-
Pulmões, coração, vasos sanguíneos, músculos melhantes a si próprio. Tudo isso resulta do trabalho
e o próprio sangue são partes de um todo que é o or- conjunto de milhares de pequenas unidades que for-
ganismo humano. mam o organismo humano: as células.

boca
nervos
pulmão

músculo

fígado

-- cérebro

vasos sanguíneos

coração
bexiga

músculo

--sistema digestivo

eliminação
rim
de resíduos
sensor (tato, calor, dor)
NGSSG organismo pode ser comparado a uma complexa máquina.
Cada tipo de célula tem uma determinada fun- exemplo. Ele apresenta características que nenhuma
ção; por isso, as células têm tanto forma como orga- outra célula do corpo possui, próprias para realizar o
nização interna próprias. O espermatozóide é um bom processo de fecundação do óvulo.

cabeça: a forma longa, com ex-


tremidade pontiaguda, permite
nadar rapidamente e quase sem
atrito.

acrossomo: bolsa com subs-


tâncias digestivas que perfu-
ram a membrana protetora do O espermatozóide é produzido
óvulo. pelo organismo humano para
fecundar o óvulo. É uma célula
flagelo: tem movimento circular semelhan- com vida curta e com um núme-
te ao de uma hélice, conferindo propulsão ro mínimo de componentes in-
mais rápida e eficiente.
ternos.

O corpo humano é formado por bilhões de célu- O microscópio eletrônico permite apenas a
las. Vamos, agora, conhecer alguns detalhes sobre es- observação de células mortas. Funciona com um
sas minúsculas unidades da matéria viva. feixe de elétrons, e não de luz, e tem a capacidade
4i1e ampliar milhares de vezes as estruturas nele ob-
servadas.
Células
Existem no organismo vários tipos de células, que dit
diferem entre si por características como forma, estru-
tura e funções que desempenham. Entretanto, todas as
células possuem uma organização muito semelhante e -"mienipm.„
realizam funções básicas, como a produção e o arma- 9,11
zenamento de substâncias, a respiração celular, a troca
de materiais com o meio em que se encontram e a eli-
e
glóbulos vermelhos do sangue
célula muscular

minação dos restos resultantes de sua atividade.


Dado seu pequeno tamanho, poucos tipos de cé-
lulas são visíveis a olho nu. A quase totalidade delas
tem dimensões microscópicas. Para vê-las, precisamos
• de aparelhos com lentes capazes de ampliar as estrutu-
ras observadas. São os microscópios. Desde que Hooke
descobriu a célula, observando um fragmento de corti-
ça ao microscópio, esses aparelhos têm sido aperfeiço-
ados. Atualmente, os microscópios mais usados são o
microscópio óptico comum e o eletrônico.
O microscópio óptico comum permite a obser-
vação de células vivas e mortas. As células, coloca-
das sobre uma lâmina de vidro, são atravessadas por
células nervosas
um feixe de luz, que é captado por um sistema de
As células têm forma e funções diferentes. A muscular é fusi-
lentes. Forma-se, desse modo, a imagem ampliada, forme e permite movimentos. A nervosa é estrelada e encarre-
que chega aos olhos do observador com aumentos de ga-se da condução de impulsos. Já os glóbulos vermelhos são
até três mil vezes. discóides e transportam oxigênio.

9
forma, estrutura e funções que desempenham. Mas, se
Partes das células por um lado as células são bastante diferentes entre si,
por outro lado elas realizam as mesmas tarefas básicas,
Quer uma tarefa realmente difícil de cumprir? En- próprias de qualquer ser vivo. Para isso, possuem uma
tão, tente contar as células do corpo. São milhares de organização interna muito semelhante, sendo formadas
milhões, dos mais variados tipos, diferentes quanto à por três partes: membrana, citoplasma e núcleo.

membrana
plasmática

citoplasma

Esquema de uma célula animal.


A membrana é uma camada que
envolve a célula. O citoplasma
é um conjunto de estruturas lo-
calizadas entre o núcleo e a mem-
brana. O núcleo apresenta-se
como um corpúsculo mergulha-
do no citoplasma.

Membrana plasmática sendo capaz de selecionar os materiais que o atraves-


sam. Em algumas células, o plasmalema é capaz de
A membrana plasmática que envolve as células englobar partículas grandes, trazendo-as para o inte-
é também chamada plasmalema. Trata-se de uma rior do citoplasma. Um desses processos recebe o
membrana viva e tão fina que só pode ser observada nome de fagocitose e consiste no englobamento de
ao microscópio eletrônico. Ela separa o conteúdo ce- partículas sólidas grandes. A fagocitose executada por
lular do meio que o rodeia, e sua principal função é certos glóbulos brancos do sangue humano é particu-
controlar a entrada e a saída de materiais nas células. larmente importante para a defesa do organismo. Atra-
Essa passagem de substâncias pela membrana recebe vés dela, capturam-se e destroem-se elementos estra-
o nome de permeabilidade celular. O plasmalema nhos ao corpo, inclusive bactérias, vírus e outros se-
participa ativamente do processo de permeabilidade, res capazes de provocar doenças.

A fagocitose é um mecanismo
glóbulo branco
de defesa, que nos protege de
pseudópodos
elementos estranhos ao corpo,
incluindo bactérias, vírus e ou-
tros micróbios capazes de pro-
vocar doenças.

10
estrutura é bastante complexa. De fato, no citoplas-
Citoplasma ma existem diversas estruturas, denominadas orga-
Chama-se citoplasma o compartimento locali- nelas citoplasmáticas, que desempenham várias fun-
zado entre a membrana e o núcleo. Quando observa- ções celulares vitais. Veja na figura a seguir as orga-
do ao microscópio eletrônico, verificamos que a sua nelas citoplasmáticas.

lisossomos: responsáveis pela diges-


tão dos materiais ingeridos pela cé-
mitocóndrias: realizam a respiração lula, decompondo-os em substâncias
celular, processo em que a célula ob- menores que podem ser usadas na
tém a energia necessária para seu construção de novas substâncias.
funcionamento.

ribossomos: pequenas granulações


que produzem proteínas. retículo retículo endoplasmetico
endoplasmético rugoso
liso

retículo endoplasmático: sistema de


canalículos que transporta as proteí-
nas produzidas nos ribossomos.

complexo de Golgi: conjunto de sa-


cos e cavidades que armazenam os
materiais transportados pelo retículo centríolos: realizam certos movimen-
endoplasmático. tos dentro das células.

Organelas citoplasmáticas presentes nas células humanas.

O núcleo controla a atividade celular. Em seu in-


Núcleo terior, encontram-se filamentos denominados cromos-
Em geral, o núcleo é único e tem forma esférica. somos, que são responsáveis pelas informações gené-
Entretanto, existem células com mais de um núcleo, ticas. Nos cromossomos encontram-se os genes, subs-
como as células do fígado, que têm dois núcleos, e tâncias químicas que permitem que as informações
as musculares, que possuem vários. genéticas sejam transmitidas de uma geração a outra.

t!

Os cromossomos são finíssimos fios, que podem ser vistos individualmente com o microscópio óptico, durante a divisão celular. São
formados por seqüências de genes, cada qual codificando uma determinada característica do organismo. Detalhes dos cromossomos
somente podem ser observados ao microscópio eletrônico.

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Número de cromossomos Divisão celular
Todos os seres de uma mesma espécie têm, em As células se dividem através de dois processos:
suas células, o mesmo número de cromossomos. Isto meiose e mitose. Ambos são fundamentais para que
significa que todas as células de todos os seres huma- novos seres sejam produzidos e para que eles possam
nos têm 46 cromossomos! Na verdade, os esper- crescer e se desenvolver.
matozóides e os óvulos têm 23 cromossomos cada, e, A meiose é a divisão celular que serve à pro-
ao se fundirem para formar o ovo, somam 46. dução de células sexuais. Ela só ocorre em células
Esses 46 cromossomos estão organizados em diplóides (2n) e consiste de duas divisões celulares
4$
pares: nossas células têm 23 pares deles. Esse núme- consecutivas, das quais resultam quatro células
ro é constante e independe da forma e da função dos haplóides (n).
vários tipos de células que formam o organismo. Os
espermatozóides e os óvulos têm apenas um cromos-
somo de cada par. As células que têm pares de cro-
mossomos são chamadas diplóides ou 2n; as que têm
apenas um cromossomo de cada par são chamadas
haplóides ou n.
As células diplóides são de dois tipos: somáticas
e germinativas. As somáticas ou "do corpo" são en-
contradas em todas as partes do organismo. As ger-
minativas dão origem às células sexuais e existem
apenas nos órgãos que produzem tais células. As cé-
lulas haplóides são as sexuais, também conhecidas
como gametas.

Na meiose, a célula diplóide sofre duas divisões celulares con-


secutivas, produzindo quatro células haplóides.

glóbulo branco célula epitelial No organismo humano, apenas as células ger-


minativas sárem meiose, produzindo os esper-
matozóides no homem e os óvulos na mulher. É a
partir da união de um espermatozóide com um óvulo
que se forma a célula-ovo ou zigoto. A célula-ovo é

diplóide, pois forma-se pela união de duas células
haplóides.
O zigoto marca o início da vida de um novo ser.
A partir dele, originam-se todas as células que for-
marão o novo organismo. Para que isso Ocorra, o
zigoto inicia uma longa seqüência de divisões celula-
espermatozáide res sucessivas, todas do tipo mitótico, porque a mitose
óvulo
é um tipo de divisão celular em que há conservação
do número de cromossomos. Isto quer dizer que as
As células epiteliais e os glóbulos brancos são diplóides. Os células-filhas têm sempre o mesmo número de cro-
gametas (os espermatozóides e os óvulos) são haplóides. mossomos da célula que as produziu.

12
espermatozáide

2n

fecundação

zigoto

óvulo
Chama-se fecundação a união
dos gametas masculino e femi-
nino, originando o zigoto, que
crescerá e formará o embrião.

mitose

célula-mãe
2n
46cromossomos

células-filhas
46 cromossomos
• A mitose conserva o número de cromossomos.

O fato de o organismo se formar por mitoses originaram de uma única célula?


sucessivas, a partir da célula-ovo, explica por que as Essa questão tem interessado os cientistas ao
células que o constituem são diphiides. longo dos séculos e ainda não está de todo resolvi-
da. Sabe-se, entretanto, que os vários tipos celula-
res que nos formam resultam de um processo de
Diferenciação celular diferenciação celular, pelo qual surgem diferen-
ças estáveis entre as células. Isto ocorre porque,
As células que formam nosso organismo não são embora o número de cromossomos permaneça o
todas iguais entre si: distinguem-se cerca de uma cen- mesmo em todas as células, os genes têm ações
tena de tipos de células no corpo humano, diferentes diferentes e determinam a formação dos vários ti-
na forma e função. Como isso é possível, se todas se pos celulares.

13
Em cada uma das diferentes células são ativados genes diferentes, responsáveis pelas diferenças entre elas.

A evo 'do estudo 'Ou'as

Citologia é a área da biologia que estuda as células, individualmente. Esse estudo sem-
pre esteve relacionado com o avanço tecnológico, porque, para ver a grande maioria das célu-
las, é necessário utilizar aparelhos com lentes capazes de ampliar as imagens centenas de
vezes. São os microscópios. •
A história da citologia começou no século XVI, com os irmãos holandeses Hans e Zacharias
Janssen, fabricantes de óculos. Eles desenvolveram a técnica de fabricação de lentes. Com
elas, abriram-se as fronteiras do espaço e do mundo microscópico. Usando as lentes dos ir-
mãos Janssen, Galileu construiu a primeira luneta e, assim, revolucionou a astronomia e nossa
concepção do universo.
As lentes também possibilitaram a construção do primeiro microscópio, na segunda me-
tade do século XVII. O autor dessa proeza foi o holandês Anton van Leeuwenhoek, que dedi-
cou setenta anos de sua vida ao desenvolvimento desse aparelho e às suas observações. Ciu-
mento de seu invento, não o mostrou a ninguém. Nem a cientistas, nem à rainha da Inglaterra,
nem ao poderoso imperador da Rússia. Apesar disso, deixou ao morrer mais de trezentos
trabalhos, nos quais descrevia minuciosamente suas observações de protozoários e de partes
de animais e plantas.

14
O microscópio de Leeuwenhoek era constituído
por uma placa metálica com uma lente encaixa-
da sobre um furo. O material a ser observado de-
via ser colocado na ponta da agulha e posicio-
nado no centro da lente.

O termo célula foi criado pelo físico inglês Robert Hooke, em 1665. Observando um
fragmento de cortiça, com um novo tipo de microscópio que ele mesmo havia construído,
Hooke percebeu que ela era formada por muitas unidades semelhantes a pequenas celas. E a
estas deu o nome de células, diminutivo de celas. Hooke é considerado o descobridor da
célula.
Um marco fundamental nessa história foi a proposição da teoria celular por Theodor
Schwann e Mathias Schleiden. Somando as observações realizadas por muitos cientistas às
suas próprias, eles concluíram que o organismo de todos os seres era constituído por células.
Não poderia haver ser vivo sem célula, a unidade básica da vida.

Questões de revisão

Quais são as três partes básicas da célula?


Qual é a função da membrana plasmática?
Cite as funções das seguintes organelas citoplasmáticas: retículo endoplasmático, complexo
de Golgi, mitocôndrias e ribossomos.
Qual é a importância dos cromossomos? Considerando o número de cromossomos presentes
nas células do organismo, como estas são classificadas?
Qual é a diferença entre células somáticas e células germinativas?
Como são os processos de divisão celular? Em que tipos de células ocorrem?
O que é diferenciação celular?

15
8. Por que a invenção do microscópio foi importante para o desenvolvimento da citologia? Que
tipos de microscópio são usados em citologia e em que diferem quanto à capacidade de au-
mento?

Reflexão

Leia atentamente o texto abaixo:

Os limites da engenharia genética


A partir da década de 70, desenvolveram-se diversas técnicas de laboratório que permitem
manipular os genes e até mesmo alterá-los. A esse conjunto de técnicas dá-se o nome de
engenharia genética.
Aplicando as técnicas da engenharia genética, é possível, por exemplo, isolar o gene da
planta responsável pela produção de determinada substância química. Ao introduzir esse gene
em certas bactérias, estas passam a fabricar aquela substância mais rapidamente e, por conse-
guinte, com um custo menor
Devido a esse potencial econômico, muitas empresas de grande porte estão investindo
pesadamente em estudos de engenharia genética. Elas esperam patentear novas formas de pro-
dução de substâncias orgânicas e até mesmo, misturando características de diferentes seres
vivos, fabricar novos seres hoje desconhecidos, desde vegetais resistentes a pragas até animais
exóticos.
A engenharia genética também pode ser aplicada ao ser humano. Com ela, podem-se alte-
rar as características genéticas de um bebê, para corrigir deficiências de nascença, evitando
que certas doenças se manifestem quando adulto. É possível, ainda, que os pais determinem a
seu gosto o sexo, a cor de olhos ou o tipo de cabelo de uma criança, antes de ela nascer Por
outro lado, também é possível a governos e empresas particulares escolher e produzir seres
humanos, em laboratório, de acordo com os seus interesses, criando exércitos fortes e sanguiná-
rios ou trabalhadores dóceis.
Os limites e as possibilidades da engenharia genética têm sido discutidos por muitas pes-
soas e entidades sociais. Tenta-se assim mobilizar as pessoas para que se adotem posições cla-
ras sobre a questão.

Reúna um grupo para discutir esse e outros textos que tratem do tema engenharia genética.
Pesquise em revistas e jornais para conhecer as opiniões de autoridades e os últimos avanços na
área. Questione parentes e amigos sobre essa questão.
Tente estabelecer com seu grupo os limites que deveriam ser impostos às pesquisas e apli-
cações da engenharia genética. Que formas de controle poderiam ser criadas para isso?

Desafios

1. Localize no capítulo os termos abaixo e descubra o seu significado:


fagocitose
englobamento
informações genéticas
zigoto
fecundação

16
Qual é o nome das estruturas celulares indicadas na figura abaixo?

Comparando a célula a uma cidade, associe os elementos abaixo com a organela citoplasmática
que você considerar mais apropriada:
encanamentos c) armazém
fábrica d) subestação de energia elétrica

17
A diferenciação celular permite a formação dos
vários tipos de célula. A diversidade celular do nosso Tecido é um conjunto de células semelhantes
organismo é grande. Ao examinarmos a sua superfí- que desempenham uma mesma função.
cie, por exemplo, encontramos células achatadas como
ladrilhos e muito próximas umas das outras, forman-
do uma barreira contra a penetração de agentes estra-
nhos. No interior do organismo, por sua vez, existem Os tecidos não são formados apenas por células.
as células capazes de receber e transmitir mensagens Possuem também material fabricado por elas.A quan-
e aquelas que se contraem e provocam movimentos. tidade deste material, chamado substância interce-
Os vários tipos de célula não trabalham isolada- lular, varia de acordo com o tipo de tecido, podendo,
mente, mas organizam-se em grupos, que executam em alguns casos, ser mais abundante do que as pró-
certas funções. Esses grupos chamam-se tecidos. prias células.

A maior parte do volume de um


osso é constituída por substância
intercelular, que lhe confere dure-
za. As células ósseas, chamadas
osteócitos, ocupam apenas uma
pequena parte desse volume.

18
São quatro os tipos fundamentais de tecidos: mas, entre as quais existe pouca substância intercelu-
epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. lar. Estas células têm formas diferentes, relacionadas
com a sua função: planas, prismáticas e cúbicas.

Tecido epitelial
O tecido epitelial reveste a superfície externa do
corpo e os órgãos internos. Fabrica também secre- epiderme
ções (líquidos constituídos de várias substâncias). De
acordo com essas funções, distinguem-se dois tipos
de tecido epitelial: os epitélios de revestimento e o
epitélio glandular.

As células epiteliais planas formam a camada mais externa da


pele (epiderme) e estão tão unidas que os líquidos corpóreos
não escapam por entre elas. Se isso acontecesse, em ambien-
tes secos haveria ressecamento do corpo.

Os epitélios de revestimento formam a camada


mais superficial da pele e cobrem todas as superfícies
internas do organismo. Nessas superfícies, ficam so-
bre o tecido conjuntivo, formando com ele as chama-
das membranas mucosas. As mucosas revestem as
cavidades naturais do organismo, como a boca e as
fossas nasais, e também o interior dos órgãos ocos,
como o estômago e o intestino.

A pele é formada por três camadas: epiderme, derme e


hipoderme. A epiderme é constituída por tecido epitelial. A Epitélio glandular
derme, que fica abaixo da epiderme, é constituída por tecido
conjuntivo e possui vasos sanguíneos, corpúsculos nervosos, O epitélio glandular forma as glândulas, órgãos
nervos e glândulas produtoras de suor e secreções oleosas. A especializados na produção de secreções, como a sa-
hipoderme localiza-se sob a derme e é constituída por tecido liva, o suor, as lágrimas e os hormônios.
gorduroso, que separa a pele dos músculos.
Certas glândulas, que recebem o nome de exó-
crinas, lançam suas secreções para fora do organis-
Epitélio de revestimento mo ou em suas cavidades naturais. É o caso, respecti-
vamente, das glândulas sudoríparas, que expelem o
O epitélio de revestimento é um tecido plano, suor sobre a pele, e das glândulas salivares, que lan-
fino e compacto, formado por células muito próxi- çam a saliva dentro da boca.

19
Outras glândulas, chamadas endócrinas, lançam das por uma camada de pele que recobre um esque-
as secreções, denominadas hormônios, diretamente leto de cartilagem.
no sangue, que as distribui pelo corpo. Finalmente, Cartilagens são encontradas na traquéia e nos
existem as glândulas mistas, que são ao mesmo tem- brônquios. As cartilagens também revestem a superfí-
po exócrinas e endócrinas. Um exemplo é o pâncre- cie dos ossos, nas regiões em que eles se articulam,
as, cuja secreção exócrina é o suco pancreático e cuja diminuindo o atrito e evitando que eles se desgastem.
secreção endócrina são os hormônios insulina e
glucagon. substância
condrócitos
intercelular

Tecido conjuntivo
O tecido conjuntivo caracteriza-se por pos-
suir grande quantidade de substância intercelular,
que mantém as células afastadas umas das outras.
Essa substância dá ao tecido conjuntivo a capaci-
dade de ligar e sustentar os órgãos e os demais
tecidos.
Existem vários tipos de tecido conjuntivo. Estuda-
remos o adiposo, o cartilaginoso, o ósseo e o sangue.
* Tecido adiposo: é formado pelas células adiposos, que
são especializadas no armazenamento de gorduras. É
Os condrócitos estão mergulhados numa substância interce-
encontrado sob a pele, onde forma os contornos do cor- lular que torna a cartilagem firme e flexível.
po, e se concentra na parede do abdome e nas nádegas.
O tecido adiposo constitui uma importante reserva de * Tecido ósseo: as células que formam o tecido ósseo
energia para o organismo. Além disso, ele protege o corpo são os osteócitos. A substância intercelular existente
contra traumatismos e contra o frio. entre elas é abundante e muito dura. Sua rigidez deve-
se à presença de sais minerais, principalmente de
fosfato de cálcio.
núcleo
gordura
O tecido ósseo é o mais resistente entre os que dão
citoplasma sustentação ao corpo. Forma os ossos, que, além de
sustentar, protegem órgãos vitais, como o cérebro e o
coração, e servem de apoio aos músculos.

Alguns ossos possuem, no seu interior, um tecido mole


chamado medula óssea, que se encarrega da produ-
ção das células do sangue.

* Sangue: o sangue é um líquido vermelho que cir-


cula no interior dos vasos sanguíneos, impulsionado
pelo coração. É formado por vários tipos de células,
mergulhadas em um líquido intercelular denominado
plasma. Além das células e do plasma, o sangue tam-
bém possui restos celulares, as plaquetas, que parti-
As células adiposas, formadoras do tecido adiposo, contêm grâ-
nulos cheios de gordura, uma reserva energética.
cipam do processo de coagulação do sangue.

* Tecido cartilaginoso: também chamado de carti- O sangue é um meio de transporte. Carrega o gás oxi-
lagem, esse tecido é formado por células denomina- gênio e o gás carbônico envolvidos na respiração,
das condrócitos. Entre elas, existe uma substância transporta os nutrientes absorvidos no intestino e leva
intercelular que dá à cartilagem uma consistência aos rins os materiais que devem ser eliminados do
firme e flexível. Apalpe as orelhas: elas são forma- organismo.

20
As células do sangue são os glóbulos vermelhos ou * Músculo liso: as células que formam o músculo liso
hemácias e os glóbulos brancos ou leucócitos. As são alongadas, com extremidades afiladas, e possuem
hemácias são células sem núcleo, de forma achatada um só núcleo. O músculo liso é encontrado na parede
e bicôncava, que se encarregam do transporte de oxi- de órgãos ocos, como os órgãos do tubo digestivo e
gênio. Os leucócitos possuem núcleo e têm forma qua- das vias respiratórias e os vasos sanguíneos.
se esférica. Existem cinco tipos de leucócitos, todos O músculo liso realiza movimentos lentos, contínuos
eles com funções relacionadas à defesa do organismo. e involuntários (independentes da nossa vontade),
como os da respiração e os da contração do intestino,
durante a digestão.
vista em cortes
transversais
e
músculo liso
núcleos

núcleo

st,
fibra estriada esquelética
estrias
miofibrilas

músculo estriado cardíaco


vista lateral

Os três tipos de tecidos musculares: liso, estriado esquelético


e estriado cardíaco.

* Músculo estriado esquelético: é formado por cé-


lulas longas, com vários núcleos e miofibrilas que
apresentam, alternadamente, estrias claras e escuras.
Esse músculo recebe o nome de esquelético porque
se liga aos ossos. A ligação se faz por meio de cor-
dões fibrosos muito resistentes, chamados tendões.
O músculo estriado esquelético tem contrações rápi-
das, vigorosas e voluntárias. Esse músculo permite-
nos andar, falar, mover os olhos, etc.

As hemácias transportam o oxigênio e os leucócitos encarre-


gam-se da defesa do organismo. As plaquetas atuam na coagu-
lação do sangue. "pacotes" de fibras

Tecido muscular
O tecido muscular é responsável pelos movimen-
tos do corpo. Suas células, chamadas fibras muscu-
lares, são alongadas e capazes de se contrair, porque
possuem no citoplasma filamentos contráteis chama-
dos miofibrilas.
Existem três tipos de tecidos musculares: liso,
estriado esquelético e estriado cardíaco. Eles são de- fibra muscular
terminados pelas características das suas células, pela As fibras do músculo estriado esquelético mostram alternância
localização no organismo e por sua função. de estrias claras e escuras.

21
* Músculo estriado cardíaco: é formado por células rior do próprio organismo, conduzindo-os e elaboran-
alongadas com um ou mais núcleos. Elas se prendem do respostas para eles. Esta capacidade se deve à pre-
umas às outras por suas extremidades e também por sença de células nervosas, altamente especializadas,
formações especiais chamadas discos intercalares. chamadas neurônios.
O músculo estriado cardíaco é também chamado de Um neurônio é formado pelo corpo celular, de onde
miocárdio e localiza-se no coração. Sua contração é saem prolongamentos. O corpo celular contém o núcleo e
rápida e involuntária. o citoplasma. Os prolongamentos são de dois tipos:
dendritos e axônio. Os dendritos são curtos, ramificados
e, em geral, numerosos. O axônio é um filamento longo
Tecido nervoso (pode atingir 1 metro) e único em cada neurônio.
Além de neurônios, encontram-se no tecido ner-
O tecido nervoso é capaz de receber estímulos voso células de sustentação denominadas células da 4

do ambiente exterior (luz, calor, frio, etc.) ou do inte- neuróglia.

Os neurônios são formados pelo corpo celular e seus prolongamentos.

Por sua vez, um órgão é parte de uma estrutura


Dos tecidos ao organismo maior chamada sistema ou aparelho. No caso do
estômago, ele forma o sistema digestivo, juntamen-
Do mesmo modo que as células se organizam te com a faringe, o esôfago, o intestino e outros ór-
formando os tecidos, estes se juntam formando os gãos. Temos vários sistemas: reprodutor, digestivo,
órgãos. O estômago, por exemplo, é um órgão for- nervoso, respiratório, etc.
mado pelos quatro tecidos principais: epitelial, con- Por fim, o conjunto de sistemas forma um or-
juntivo, muscular e nervoso. ganismo.

22
células da mucosa estomacal

"

k‘r

estômago

O organismo é um conjunto de sistemas, cada um formado por diversos órgãos. Cada órgão é constituído por vários tecidos, forma-
dos por células do mesmo tipo.

23
EE xX 'ER <C 1 C II

Questões de revisão

O que é a substância intercelular?


Enumere os principais tipos de tecido.
Que são membranas mucosas? Que tecidos as formam?
Caracterize os quatro tipos de tecido conjuntivo.
O que são filamentos musculares? E miofibrilas?
Que tipo de músculo existe no coração? O que suas contrações têm em comum com as dos
músculos estriados e dos músculos esqueléticos?
Qual é a função dos neurônios?

Reflexão

Leia com atenção o texto abaixo:

Câncer: um mal que não escolhe suas vitimas


O câncer ou neoplasia é uma doença que sempre existiu, mas que se tornou mais conhecida
no último século. Pode atacar praticamente qualquer tecido, e consiste no crescimento
desordenado das células. Ao crescer anormalmente, o tecido gera células alteradas, que se
agrupam e formam o tumor
O tumor; e, por extensão, o próprio câncer; pode ser benigno ou maligno. No tumor malig-
no, as células tumorais podem sair do tecido e se espalhar pelo corpo. É o fenômeno da metástase,
que freqüentemente marca a fase final e letal da doença. O tumor benigno é apenas uma altera-
ção limitada no tecido, que não representa nenhum risco para o organismo. Um exemplo são as
pintas negras na pele de pessoas claras, que recebem o nome de melanomas. Entretanto, há a
possibilidade de um tumor benigno converter-se em maligno.
Ainda não estão muito claras e totalmente definidas as causas do surgimento dos tumores.
Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver câncer Mas algumas tendências já foram
estabelecidas, com uma certa margem de segurança. Um tipo de câncer da mucosa do estômago
freqüentemente sucede a uma úlcera crônica não tratada. A hepatite infecciosa do tipo B geral-
mente é seguida por um câncer de fígado. Já foi também determinado que uma falha no
cromossomo 21 pode causar a leucemia mielóide, um câncer na medula dos ossos que afeta a
produção de leucócitos.
Da mesma forma que existem diversos tipos de cânceres, também são muitos os tratamen-
tos possíveis. Os principais são a quimioterapia (aplicação de substâncias tóxicas às células
cancerosas) e a radioterapia (aplicação de radiações). Ambos têm graves efeitos colaterais. E
nem sempre os resultados são plenamente satisfatórios. Mas uma coisa é certa: a vontade de
curar-se e levar uma vida normal é o que mais ajuda na recuperação.

Procure ler livros que tratem do câncer (sugestão: Conviver com o câncer, de Simon
Smail, da Editora Scipione). Pesquise em postos de saúde ou entreviste um médico oncologista
para saber quais são os tipos de cânceres mais comuns entre homens e mulheres. Que cuida-
dos podem evitá-los? Também discuta com seu grupo que hábitos de vida podem facilitar o
surgimento do câncer.

24
Desafios

1. Localize no capítulo os termos abaixo e descubra o seu significado:


hormônios
grânulos
bicôncava
filamentos

2. Localize no corpo humano o tecido epitelial glandular, o tecido cartilaginoso e o tecido adiposo.
4
3. Associe, em seu caderno, as características com o tipo de tecido:
Presença de muita substância intercelular.
Possuem células transformadas em fibras.
Ausência de substância intercelular.
I — Tecido epitelial
II — Tecido conjuntivo
III — Tecido muscular
IV — Tecido nervoso

4. Indique o nome das estruturas apontadas na figura abaixo:

25
CAPÍTULO 3

Sistema reprodutor

A vida é um processo de curta duração. Para que espécie. Ela está ligada às atividades sexuais, pois é
ela se perpetue, é preciso que os seres que a manifes- o impulso sexual que aproxima os sexos. A repro-
tam transmitam suas características a uma descendên- dução humana envolve não só os aspectos físicos,
cia rejuvenescida. A perpetuação da vida se faz por mas também a estrutura psicológica do indivíduo.
meio da reprodução, definida como a capacidade de E o sexo não é praticado com a finalidade exclusi-
produzir descendentes. va de produzir descendentes. É antes uma fonte de
É a reprodução que permite a continuidade da prazer e realização entre pessoas que se amam.

Entre os seres humanos, a atividade reprodutiva possui reflexos sociais e psicológicos. Por isso, tanto as sociedades tribais quanto as
tecnológicas a cercam de rituais, regras e instituições.

26
A reprodução humana é realizada pelo sistema Sistema reprodutor masculino
reprodutor, formado, em ambos os sexos, por órgãos
capazes de produzir células sexuais. Estas são o es- O sistema reprodutor masculino é formado pe-
permatozóide, no homem, e o óvulo, na mulher. O los seguintes órgãos:
esperma que o homem ejacula durante o ato sexual
contém os espermatozóides, que penetram nos órgãos
genitais femininos. Um espermatozóide se unirá ao bexiga urinária ureter

óvulo, caso a mulher esteja no período fértil do seu


fiN ciclo sexual. A união do espermatozóide com o óvu-
lo chama-se fecundação, que resulta na formação
da célula-ovo ou zigoto. É o começo da vida de um

novo ser. A partir da nidação da célula-ovo, que é a
implantação dessa célula na parede do útero, inicia-se o vesículas
processo de gravidez, durante o qual um novo organis- seminais

mo irá, progressivamente, se formar. Quando a forma- canal


deferente
ção se completar, ocorrerá o parto e um novo indivíduo
virá à luz. próstata

dutos
ejaculadores uretra

epidídimos
glândulas
bulbo-uretrais

pênis

O óvulo, muito maior que os espermatozóides, carrega reser-


vas de alimento para sustentar o embrião em seus primeiros
dias de vida.
canal
testículos deferente

bolsa
prepúcio
glande escrotal

Os espermatozóides são fabricados nos testículos e armaze-


nados nos epidídimos. Depois, percorrem um trajeto formado
pelos canais deferentes, duto ejaculador e uretra, por meio da
qual chegam ao meio externo.

Um novo indivíduo
vem à luz geralmen-
te depois de uma Testículos
gestação de 40 se-
manas, tempo ne- Os testículos são as glândulas sexuais do ho-
cessário para o or- mem. De forma ovalada, localizam-se na bolsa
ganismo se trans-
escrotal ou escroto. Esta bolsa, juntamente com o
formar de uma célu-
la-ovo num ser hu- pênis, forma os órgãos genitais visíveis externa-
mano completo. mente.

27
Cada testículo possui, no seu interior, uma mas- canais seminíferos, são armazenados durante um certo
sa de tubos muito finos, chamados bíbulos semi- tempo.
níferos. Neles, ocorre a produção de espermatozóides,
que são levados aos epidídimos. A produção de es-
permatozóides tem início na puberdade, a partir dos Canais deferentes
12 ou 13 anos de idade.
De cada epidídimo sai um canal deferente, que
ureter canal (ou duto) sobe para a cavidade abdominal. Ali, os dois canais
deferente deferentes se unem aos dois dutos das vesículas se-
bexiga
vesícula minais para formar os dois dutos ejaculadores, que
urinária
seminal ,------'âá"----- . desembocam diretamente na uretra.
::-....„
/._ ISCR:3145", osso
, púbis

Vesículas seminais
As vesículas seminais produzem uma secreção
esbranquiçada, que é adicionada aos espermatozói-
próstata
des quando estes passam pela parte superior dos ca-
nais deferentes. A função dessa secreção é proteger e
duto nutrir os espermatozóides.
ejaculador pênis

duto uretra Próstata


deferente
É uma glândula que envolve a uretra no ponto em
que esta sai da bexiga urinária. Ela produz secreção
semelhante à das vesículas seminais. Esta secreção é
lançada no duto ejaculador. Dá-se o nome de sêmen ou
esperma ao conjunto formado pelos espermatozóides
mais as secreções das vesículas seminais e da próstata.

tubulos
seminíferos
Uretra
bolsa
testículo escrotal glande
A uretra é um tubo que nasce na bexiga urinária
O interior do testículo é preenchido de tubos seminíferos, que
e passa pelo interior do pênis, em cuja extremidade
lhe conferem uma aparência de espaguetes muito finos.
se abre. Através dela o sêmen chega ao meio externo
Os testículos também produzem hormônios mas- no momento da ejaculação.
culinos, dos quais o principal é a testosterona. Ela A uretra também é o caminho de saída da urina,
provoca no homem o desenvolvimento de suas ca- extremamente venenosa para os espermatozóides. Por e
racterísticas sexuais secundárias. Estas se manifes- isso, antes da ejaculação, passa pela uretra uma pe-
tam na passagem da infância para a adolescência: au- quena quantidade de líquido seminal, para limpá-la e
mento de tamanho dos órgãos genitais, engrossamento neutralizar os efeitos tóxicos da urina.
da voz, aparecimento da barba e dos pêlos nas regi-
ões sexuais, desenvolvimento da massa muscular e
início dos impulsos sexuais dirigidos ao sexo oposto.
Pênis
Epididimos O pênis é um órgão de forma cilíndrica, consti-
tuído pela uretra e pelos corpos cavernosos. Estes são
São estruturas alongadas situadas junto a cada três massas de tecido erétil, que se enchem de sangue
testículo. Cada um deles é um tubo extremamente no momento da ereção, permitindo o aumento do vo-
enovelado, onde os espermatozóides, vindos dos lume e do tamanho do pênis.

28
Sistema reprodutor feminino Além de óvulos, os ovários fabricam os hormô-
nios estrogênio e progesterona. O estrogênio é o
O sistema reprodutor feminino é formado pe- hormônio sexual feminino que determina o apareci-
los seguintes órgãos: mento dos caracteres sexuais secundários na mulher.
É a sua ação que transforma a menina em moça: a
voz torna-se mais aguda, os seios se desenvolvem, os
quadriz se alargam, etc. A progesterona determina o
espessamento da mucosa uterina, aprontando-a para
receber o ovo, e prepara as glândulas mamárias para
a produção de leite.

Trompas uterinas
Também chamadas de trompas de Falópio, as
trompas uterinas são dois tubos finos que comuni-
cam os ovários ao útero. Através delas, o óvulo
produzido pelos ovários desce em direção ao úte-
ro. É também no interior das trompas de Falópio
que ocorre a fecundação, formando-se o ovo que
irá se fixar na mucosa uterina.

Órgãos do sistema reprodutor feminino.

O óvulo é produzido nos ovários e liberado para a trompa, onde


Ovários ocorre a fecundação. Forma-se desse modo o ovo, que começa a
se dividir, desce pela trompa e chega ao útero, onde se implanta.
Os ovários são as glândulas sexuais da mulher.
São duas estruturas com a forma de amêndoas, acha-
tadas e esbranquiçadas, localizadas na cavidade ab-
dominal. Útero
A função dos ovários é produzir óvulos. Estes
resultam do amadurecimento de células contidas no O útero é um órgão muscular, que se assemelha
interior de estruturas ovarianas chamadas foliculos a uma pêra. É no seu interior que o embrião cresce e
de Graaf. se desenvolve, formando um novo indivíduo. Isso é

29
possível porque a camada que o reveste internamen- O hímen é geralmente rompido durante a primeira
te, denominada mucosa uterina ou endométrio, tem relação sexual.
a capacidade de receber o embrião. Além disso, o útero
possui grande elasticidade e pode distender-se, per- Vulva
mitindo que o embrião se desenvolva no seu interior.
A vulva ou genitália externa é formada pelo
Vagina clitóris e pelos grandes e pequenos lábios. O clitóris
é formado por tecido erétil e serve à excitação sexual.
A vagina é um canal que liga o útero ao meio Os grandes lábios são dobras de pele sobre as quais
exterior. Internamente, o canal vaginal é revestido existem pêlos. Os pequenos lábios são dobras da
pela mucosa vaginal, que forma, próximo ao orifí- mucosa vaginal. Grandes e pequenos lábios não de-
cio externo da vagina, uma dobra chamada hímen. sempenham funções especiais.

grandes
lábios
clitóris

orifício urinário

pequenos
lábios

entrada Genitália externa feminina (os grandes lá-


ânus da vagina bios estão afastados para permitir a visão
dos pequenos lábios).

Ciclo sexual feminino


Chama-se ovulação o processo pelo qual os óvu-
los são liberados pelos ovários. As ovulações têm iní-
cio na puberdade, período da vida feminina que se
inicia com a primeira menstruação, chamada me-
narca. A menstruação consiste de um sangramento
periódico do útero, que se repete em ciclos de aproxi-
madamente 28 dias, quando não há fecundação do
óvulo. O óvulo degenera, ocorre a descarnação do
endométrio e eles são eliminados através da vagina.

Para que uma mulher possa saber a duração do seu ciclo mens-
trual, basta marcar, durante vários meses, o primeiro dia da mens-
truação e o dia anterior ao começo da menstruação seguinte. A
duração do seu ciclo será dada pelo número médio dos dias en-
tre uma menstruação e outra.

30
Vários fatores podem alterar a duração do ciclo pa. É a ovulação. Após esta ocorrência, os restos do
menstrual, inclusive fatores emocionais. A angústia ou folículo passam a produzir progesterona. Esse
ansiedade por uma possível gravidez indesejável, por hormônio age sobre a mucosa uterina, espessando-a e
exemplo, pode fazer com que a menstruação atrase. mantendo-a intacta para receber o embrião, caso o
A menstruação ocorre porque não há gravidez. óvulo seja fecundado.
Nos primeiros dias do ciclo menstrual, a mucosa Se, entretanto, não há gravidez, toda essa prepa-
uterina é estimulada hormonalmente pelo estrogênio, ração terá sido inútil, havendo uma diminuição da taxa
produzido pelos ovários. Respondendo a esse estímu- de progesterona. O nível mais baixo desse hormônio
lo, as células da mucosa uterina proliferam e esta se provocará, 14 dias depois da ovulação, a descarnação
espessa, tornando-se apta a receber o embrião. Por do endométrio, cujos restos serão eliminados pela
volta do décimo quarto dia do ciclo, um folículo de vagina. É a menstruação, um sangramento que dura
Graaf se rompe e libera um óvulo, que vai para a trom- de três a cinco dias.

LH

quantidade quantidade
de FSH de LH
no sangue no sangue

o 14° 282 (dias do ciclo)

% 4I9 ,ê2
folículos em folículo ovulação corpo lúteo
crescimento maduro

progesterona r-
estrógeno i.. quantidade de
quantidade
de estrógeno progesterona
no sangue no sangue

14° 282 (dias do ciclo)

espessura do
endométrio As variações na quan-
tidade dos hormônios
femininos causam alte-
rações no folículo de
Graaf e no endométrio,
menstruação provocando a ovulação
e a menstruação.

ção for o dia 24 de um certo mês, a ovulação ocor-


O período fértil
rerá no dia 10 deste mesmo mês. Agora vejamos
O período em que ocorre a ovulação é chamado qual seria, neste caso, o período fértil: ele com-
período fértil, durante o qual a mulher está apta a preende o dia da ovulação, os quatro dias que o
engravidar. O período fértil pode ser previsto, desde precedem e os quatro dias que o sucedem. No
que se saiba o dia da ovulação. exemplo citado, o período fértil corresponde aos
Em mulheres cujo ciclo menstrual é de 28 dias 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13e 14 do mês em ques-
dias, a ovulação ocorre 14 dias antes do dia pre- tão. As relações sexuais ocorridas nesses dias po-
visto para a próxima menstruação. Assim, por exem- derão resultar em gravidez. Nos demais dias do
plo, se a data prevista para a próxima menstrua- ciclo, o risco de gravidez é pequeno.

31
Gravidez e parto Uma outra estrutura que se forma durante a gra-
videz é o âmnio ou bolsa de água. Trata-se de uma
membrana que circunda o feto, formando um saco
A gravidez tem início após a nidação da célu- cheio de líquido que o envolve e protege.
la-ovo e dura aproximadamente nove meses. Com Após nove meses de gravidez, ocorre o parto,
cerca de uma semana de vida, o embrião implanta- desencadeado por fortes contrações do útero. Tais con-
se no endométrio e passa a retirar dele o seu ali- trações visam expulsar o feto do útero e são doloro-
mento. sas, daí serem chamadas de dores do parto. As dores
Esta situação persiste até a formação da placen- são um sinal de que o parto se aproxima. Outro sinal
ta. Esta é um órgão que se desenvolve na parede inter- é a ruptura da bolsa de água.
na do útero e pelo qual se estabelecem trocas de subs- À medida que as contrações aumentam em nú-
tâncias entre o sangue materno e o sangue fetal: o feto mero e força, inicia-se o período de expulsão co-
recebe nutrientes e oxigênio e devolve à mãe produtos nhecido como trabalho de parto. Por meio desse
de excreção e gás carbônico. processo, o feto e as estruturas formadas durante a
A ligação entre o feto e a placenta se faz por gravidez são expelidos do corpo materno, através da
meio do cordão umbilical, no interior do qual exis- vagina, que possui uma notável capacidade de dila-
tem vasos sanguíneos. tação.

estômago

placenta
intestino

cordão
umbilical

trompa de
Falópio

ovário
útero

feto de
nove meses

bexiga
Posição normal do feto
no útero materno.

32
O parto normal, ainda que demo-
rado e doloroso, é o procedimen-
to mais recomendado e saudável.

Doenças sexualmente transmissíveis

O ato sexual supõe um contato muito íntimo, o que facilita a transmissão de inúmeros
agentes causadores de doenças, quando um dos parceiros está contaminado. Destacam-se, por
sua gravidade e por penetrarem no corpo através dos órgãos sexuais, as seguintes doenças: a
gonorréia, a sífilis, a Aids e a hepatite.

Gonorréia ou blenorragia
O agente causador é uma bactéria conhecida como gonococo, que penetra pela uretra e
pelas vias genitais, provocando infecção.
Os primeiros sinais da gonorréia, nos homens, começam a surgir dois dias após o contá-
gio. Consistem em coceira, ardência, vermelhidão e inchaço na ponta do pênis. Depois apare-
cerá uma secreção clara que, com o passar dos dias, se tornará amarelo-esverdeada, sinal da
presença de pus. Nas mulheres, a gonorréia é percebida por uma leve secreção e pela ardência
no ato de urinar.

33
istério da Saúde
C OO.rc NA MONTO NO
VA& NA ANUS
DOR AO UR.AR
OU NAS IZElAÇÁ
SE 4.JA

Mei PODE ESTAR COM


cionataimi
GowDatkái• á UMA DoENÇA, E ratoussitssXo Os sinais da gonorréia podem ser
sExum_ MUi TO CON, AC,OSA E FAC,l MENTE
cuaÁvet...
percebidos na ponta do pênis e
pela produção de secreções.

Se a gonorréia não for tratada, a infecção pode se espalhar e atingir os órgãos sexuais
internos, provocando esterilidade. A cura pode ser conseguida com a aplicação, sob orientação
médica, de antibióticos.

Sífilis
Causada pela bactéria Treponema pallidum, também pode ser transmitida por meio de
objetos de uso pessoal contaminados, como copos, talheres, toalhas e roupas íntimas.
O primeiro sintoma da sífilis é o aparecimento, no pênis ou na vulva, de um nódulo
vermelho-escuro, da largura de um lápis. Como esse nódulo não causa dor e logo desaparece,
muitas vezes o doente nem procura um médico. Mas, dois meses depois, surgem manchas
vermelhas por todo o corpo, indicando que a doença entrou em uma fase altamente contagiosa.
Se não for tratada, no terceiro mês a bactéria ataca os órgãos vitais.
Ministério da Sa úde

SE VOCÊ TIVER...
FERIDAS

NO P-é'NIS NO ÂNUS NA VULVA


Nódulos vermelho-escuros
são um claro sinal da sífilis.

Se uma mulher grávida for contaminada, o feto poderá ser gravemente afetado: a criança
poderá nascer com problemas no sistema nervoso, coração, fígado e rins. Do mesmo modo
que a gonorréia, a sífilis pode ser tratada com antibióticos.

Aids
A Aids é uma doença recente e mortal, causada pelo vírus HIV. Esse vírus foi detectado
pela primeira vez na África, em 1981, de onde se espalhou pelo mundo todo, a partir de 1984.
A contaminação se dá por transfusão de sangue, por uso de seringas contaminadas (prin-
cipalmente entre viciados em cocaína) e pelo ato sexual.
Como todos os vírus, o HIV ataca um tipo determinado de célula. Nesse caso, são ataca-
dos os linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo contra a invasão de micróbi-
os. Conseqüentemente, o doente torna-se vulnerável a doenças que não matariam uma pessoa
saudável.

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