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A vida sem busca não é digna de ser vivida

1. Introdução à Lógica II

1.1 Lógica e argumentação


Nesta unidade vamos demonstrar a relação entre a racionalidade Ainda existe a chamada racionalidade prático-política, na procura e
filosófica e a racionalidade argumentativa. A racionalidade é o uso fundamentação das formas e ideias de organização social e política.
da razão nas suas mais variadas funções de conhecer, justificar,
fundamentar em diversos domínios da acção humana – como Por racionalidade argumentativa, entende-se um tipo da
crenças, decisões, leis, teorias, o que dá lugar diversos tipos de racionalidade que se distingue em particular da racionalidade
racionalidade. demonstrativa, ou seja, da racionalidade puramente formal, que se
aplica na geometria, em matemática ou lógica.
A racionalidade pode ser técnica, quando um certo engenheiro
calcula as contas do material necessário para a construção de um Por fim, temos a racionalidade filosófica, que é também uma
betão de uma casa ou ponte. racionalidade argumentativa, pois, a característica fundamental da
reflexão filosófica é a argumentação, baseada na comparação,
A racionalidade pode ser científica, quando um investigador confrontação e discussão de diferentes pontos de vistas, em teorias
descobre problemas sociais, estruturais ou saúde pública e daí ou teses, sobre os problemas filosóficos em debates
formula e testa hipóteses.
A racionalidade pode ser ainda prático-ética quando se há razões e
se tomam decisões controvérsias no âmbito moral ou bioética.

O que é argumentar?
Tomemos atenção nas seguintes questões:
Porque será o Homem um ser mortal? Quem criou o Homem? De onde viemos e para onde vamos? Será a democracia a melhor forma de
governo? O que significa ser livre no mundo moderno?
Estas e muitas outras perguntas constituem questões sobre as quais o Homem pensa e as quais procura dar respostas. Ao responder-lhes, o
Homem constrói argumentos que podem ser verdadeiros ou falsos, convincentes ou não e, por vezes, enganosos, uma vez que o ser humano não
era apenas em relação a informação de que dispõe, como também no seu próprio pensamento.
Por exemplo, em pleitos eleitorais os candidatos apresentam as suas razões que justificam o seu voto dizendo: “votem em mim porque eu sou
bonito, simpático, filho desta terra, de uma família rica e influente na zona, etc.”. Estas rezões podem não ser suficientes para convencer o
eleitorado a votar nele. Daí a importância da lógica, oferece critérios ou princípios e regras com base na lógica, não só distinguimos os
argumentos válidos dos inválidos. E compreendemos porque razão os mesmos argumentos são correctos ou incorrectos. Portanto, a
argumentação é, em primeiro lugar, uma questão de conhecimento, o que implica procurar informações seguras, trocar e confrontar
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justificações, comparar e avaliar razões. Estas razões podem ser boas ou más, as razões pertinentes e não pertinentes, relevantes e não
relevantes.
Argumentar é fornecer argumentos ou razões que sejam a favor ou contra uma determinada tese. Assim definida, a argumentação constitui um
acto, por um lado, de pensamento e de discurso, o que implica a produção de proposições, ou seja, enunciados, teses e opiniões, que requer
justificações e provas demonstrativa e, enquanto tal, é o objecto do estudo da lógica. Por outro lado, a argumentação constitui um acto de
comunicação em que um interlocutor procura não só expor, como também partilhar com o seu público-alvo, as suas ideias ou opiniões sobre
determinados assuntos; é com efeitos, a arte de persuadir e convencer um dado auditório. Assim, enquanto tal, a argumentação é um acto
comunicacional, utilizando um discurso argumentativo e também a retórica.
Este jogo comunicacional sendo dialéctico, não implica nenhuma eliminação dos contrários. Quem entra neste jogo, deve estar preparado para
não ganhar sempre, admitindo a possibilidade de a outra parte ter argumentos mais valiosos do que os seus. Daí que se acrescenta as máximas da
lógica:
• A máxima da cooperação – prestar informação suficiente sobre a sua argumentação, não fugir às responsabilidades, clarificar os argumentos e
dar provas materiais e imateriais, etc.
• A máxima da pertinência- falar do essencial sobre o seu assunto, não fugir o tema, evitar manobras dilatórias ou argumentos falaciosos;
• A máxima de relevância – concentrar-se no que é certo e efectivamente do interesse do tema.
Por fim, não esquecermos que a argumentação seja uma questão da linguagem. Não basta que seja mais informado sobre o assunto, pois, um
informado poderá acabar por ser vencido por outros mais hábeis na formulação das questões. Não basta ter razão, é também necessário saber
formular a questão com alguma habilidade na arte da palavra de modo a deixar audiência clara e distinta sobre o assunto em exposição.
O discurso filosófico é, por sua vez, um discurso comunicacional que utiliza os raciocínios argumentativos. Em suma, na argumentação, a
produção de proposições ou enunciados é um processo que está ligado a princípios e regras lógicas, o que nos permite a aprender a argumentar
de forma coerente e, consequentemente, de forma correcta. Por isso, a filosofia interessa-se pela argumentação uma vez que ela constitui matéria
de investigação e reflexão e é, também a forma particular do seu discurso.

Os princípios referidos são:


Princípio de identidade: “O que é, é”; “o que não é, não é”.
O princípio de não contradição: “Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo”.
O princípio do terceiro excluído: “Uma coisa é ou não é, não existe a terceira possibilidade”.

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Argumentação e demonstração
Para além de ser um discurso que visa partilhar e expor argumentos com o público-alvo, a argumentação tem também como objectivo fornecer
argumentos de carácter persuasivo, e por isso, a argumentação comunicacional persuasiva distingue-se da demonstração. Na argumentação, ao
fornecermos argumentos recorremos à retórica e não se trata de um monólogo, mas sim, de um diálogo comunicativo, no qual pretendemos
persuadir um auditório, que reconhecemos como nosso interlocutor e do qual esperamos adesão: trata-se de um acto pessoal dirigido a
indivíduos.
A demonstração é por sua vez, um processo acima de tudo impessoal, cuja validade depende unicamente das deduções efectuadas: é um
processo independente do sujeito e orador e diz respeito à validade de uma conclusão que parte das premissas com que se relaciona.

O que é persuasão?
Trata-se de um discurso que:
- Recorrendo a sedução apela mais ao sentimento, ao coração, ao inconsciente do que a razão, utiliza argumentos passionais ou preferenciais;
- Tem por objectivos tornar algo apetecível, desejável, agradável, por isso, a sua função é, além de impor um desejo, criar uma necessidade de
forma fictícia. Ex.: vive e ajuda a viver! etc.

Exercício
1. O que entendes por argumentar?
2. Diferencie a argumentação da demonstração.
3. Por que razão a filosofia se interessa pelo discurso argumentativo?

1.2 Noção de juízo e proposição


O juízo foi designado como a segunda operação da mente, para distingui-lo do conceito que é a primeira operação e a representação de um ser no
espírito humano. No conceito, o pensamento faz a apreensão das essências, por exemplo, “a mesa é quadrada”. O juízo é a operação da mente

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pela qual se afirma ou se nega alguma relação entre os conceitos, ou pela qual se afirma ou se nega a conveniência entre um sujeito e um
predicado de tal sorte que se possa aferir a sua veracidade ou a sua falsidade.
O juízo, como acto do pensamento, tem a sua expressão verbal na proposição ou no enunciado ou ainda na frase, da forma que o conceito se
materializa no termo. Contudo, a proposição é a expressão verbal do juízo.
Portanto, é necessário distinguir o sentido gramatical do sentido lógico do termo proposição, pois, nem todas as proposições gramaticais são
proposições lógicas ou correspondem a juízos.
Assim,
• As proposições interrogativas: “Qual o significado da existência?” “O jantar está pronto?”
• As imperativas: “Faz o que deves!”, “Não roubes!”, “Arruma a casa!”.
•As interjeições: “Que calor!”, “Meu Deus!”.
As proposições acima, não exprimem juízos, precisamente porque não traduzem uma afirmação ou negação e, como tal, não podem ser
consideradas nem verdadeiras, nem falsas. Em suma, só os enunciados ou frases que exprimem verdades ou falsidades recebem o nome de juízo,
dado que expressam uma relação de concordância ou discordância entre os dois conceitos ou termos considerados de sujeito e predicado.
Também se considerarmos o termo “aluno”, em si, não é verdadeiro nem falso. O mesmo se diga ao termo “dedicado”, se tomado isoladamente.
Outro exemplo: Ana universitária
É óbvio que não estamos perante um juízo. Estaremos perante um juízo se introduzirmos o verbo ser na sua forma afirmativa ou negativa.
Mas se ligarmos os dois conceitos e afirmarmos que a “Ana é universitária” ou “Ana não é universitária”, “o aluno é dedicado” ou “o aluno não é
dedicado”, passamos a estar perante um juízo, susceptível de ser declarado falso ou verdadeiro.

Estrutura do juízo
Atente-se no seguinte juízo ou proposição: Alguns moçambicanos são hospitaleiros
Analisando este juízo, verificamos que apresenta três elementos: sujeito, predicado e a cópula, sendo que:
Sujeito (S) - é aquilo acerca do qual se afirma ou se nega algo. Trata-se da coisa de que se fala ou de quem se fala. No exemplo anterior, o sujeito
é o conceito “moçambicanos”.

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Predicado (P) – é a qualidade ou a característica que se afirma ou se nega pertencer ao sujeito. No exemplo anterior, o predicado é o conceito
“hospitaleiros”.
Cópula (é/não é) – é o elemento de ligação entre o sujeito e o predicado, que muitas vezes representa-se pelo verbo ser. No exemplo anterior,
usou-se o verbo ser na sua forma afirmativa: “são”.
Verificamos que existe ainda um outro elemento - a partícula “alguns”. Também é de mera importância a sua presença num juízo, dado que nos
indica se o predicado é atribuído a todos os elementos da extensão do sujeito ou uma parte deles ou ainda se não é atribuída a qualquer deles. São
chamados de “quantificador”. Durante esta unidade, usaremos quantificadores mais frequentes como: “todo/s”, “nenhum”, “alguns” ou “certos”
ou ainda, “há”,estes três últimos como indicadores da parte de um todo.

Forma padrão do juízo categórico


A todo o juízo que afirma ou nega, sem reservas ou absolutamente, a relação entre o sujeito e o predicado, denomina-se de juízo categórico. A
forma padrão do juízo denominado categórico, é constituído por quatro elementos: quantificador, sujeito, Cópula e o predicado. Portanto, é a
forma padrão que exprime uma proposição.
Ex.: Alguns alunos são preguiçosos
↓ ↓ ↓ ↓
Quantificador Sujeito Cópula Predicado
Neste sentido, todas as proposições da nossa linguagem corrente ou quotidiana podem ser reduzidas à forma de padrão. A redução dos enunciados
da linguagem comum facilitará a classificação e a avaliação dos juízos.
Se tivermos em consideração, que em lógica, expressões como nem todos, muitos, certos, há e existem são utilizadas com o significado de alguns,
então, poderá ser fácil traduzir proposições para a forma padrão.
Exemplo: Nem todos os moçambicano são nortenhos.
Muitos alunos da 12ª classe não gostam de ler.
Passando para a forma padrão, teremos:
Alguns moçambicanos são nortenhos.
Alguns alunos da 12ª classe não gostam de ler.
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Também salientar que o sujeito e o predicado constituem a matéria do juízo, enquanto a cópula constitui a forma, o mais importante é saber que a
forma canónica do juízo resume-se nos seguintes esquemas: “S é P” ou “S não é P”.
Ex.: A Lurdes é uma aluna dedica
↓ ↓ ↓
Matéria Forma Matéria

Exercício
4. Distingue, nos seguintes enunciados as proposições das não5. 5.Introduz o verbo ser nas proposições seguintes.
proposições.
a) O a) Mataka navega sobre as águas do lago Niassa.
a) Empresta-me o teu caderno de Filosofia!
b) A b) essência não muda.
b) Noémia de Sousa é escritora e Lurdes Mutola é atleta.
c) Ec) Estela vende peixe.
c) O meu nome Nguenha, Malangatana Valente.
d) O d) desporto educa.
d) Algumas cobras voam.

6. Apresenta os juízos seguintes na forma padrão do juízo categórico (quantificado, sujeito, cópula e predicado).
a) Os macuas falam língua macua.
b) Certos Bitongas falam macua.
c) Não há animais imortais.
d) É proibido proibir
e) Se estranho não entra.
f) Qualquer trapézio é um polígono.
g) Existem Bitongas que são avarentos.

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1.3 Classificação dos juízos: quantidade e qualidade dos juízos
Os juízos classificam-se de diferentes maneiras, consoante o ponto de vista em que nos encontramos.

Quanto à quantidade,refere-se na sua extensão, os juízos podem seruniversais, particulares e singulares


Universais – quando o predicado se aplica à todos indivíduos da classe considerada, ou sujeito é tomado em toda sua extensão.
Ex.:Todos os animais são mortais.
Nenhum Homem tem asas.
Juízos como “As minhocas são animais” e “O avarento é egoísta”. São necessariamente universais porque se refere a toda a extensão do sujeito:
“todas as minhocas”, “todos os avarentos”.

Particular – quando o predicado se aplica apenas a uma parte do sujeito, ou sujeito é tomado em parte da sua extensão.
Ex.: Alguns filósofos são professores.
Alguns moçambicanos são médicos.

Singular – quando o predicado se refere apenas a um indivíduo.


Ex.: O Cossa é professor.

A Maria é costureira.

Convém notar que as proposições singulares referem-se a universos constituídos por um só indivíduo no conjunto de tantos os outros, isto é,
universos particularizados. Por isso, as proposições singulares são redutíveis a proposições particulares.

Quanto à qualidade ou forma, os juízos podem ser afirmativos e negativos.

Afirmativos –quando o predicado convém ao sujeito.

Ex.: O cabrito é herbívoro.

Negativos – quando o predicado não convém ao sujeito, a cópula indica que o predicado não é aplicável ao sujeito.

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Ex.:Mocuba não é distrito de Inhambane.

Quanto àcompreensão do Sujeito, a inclusão ou não inclusão do predicado no sujeito, os juízos podem ser analíticos e sintéticos.

Analítico - aqueles cujo o predicado faz parte essencial da compreensão do sujeito. Ex.: O homem é mortal.
Sintético – aqueles cujo predicado não faz parte essencial da compreensão do sujeito. O predicado exprime algo acidental que se junta a ideia do
sujeito.
Ex.: João está doente.
Bitongas são avarentos.

Quanto à dependência ou não da experiência, os juízos podem ser a priori e a posteriori.

A priori – quando a sua verdade pode ser conhecida independentemente da experiência.

Ex.: O quadrado tem quatro lados iguais.

A posteriori – quando a sua verdade só pode ser conhecida através da experiência.


Ex.:A água ferve a 100 graus celsos.

Quanto à relação ou condição, os juízos podem ser categóricos, hipotéticos e disjuntivos.

Categóricos – quando há afirmação ou negação sem reservas. Exprime uma correspondência clara.
Ex.: Data de nascimento.

Hipotético – quando há afirmação ou negação sob condição (condicional).


Ex.: quando não fores, também não vou.
Se te aplicares, transitas de classe.

Disjuntivos – quando a afirmação de um predicado exclui os outros.

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Ex.: Maria estuda ou vê a televisão.

João vive ou está morto.

Quanto à modalidade, os juízos podem ser assertórios, problemáticos e apodícticos.

Assertórios – quando enuncia uma verdade de facto, embora não necessária logicamente.

Ex.: A mesa é redonda.


Apodícticos ou necessários – quando são necessariamente verdadeiros, o predicado convêm necessariamente ao sujeito.
Ex.: O triângulo tem três lados.
O círculo é redondo.

Problemáticos ou duvidosos – quando enuncia uma possibilidade.

Ex.: Os macuas são provavelmente bons apreciadores de “karacata”.

Passarei aos exames.

Quanto à matéria, os juízos podem se necessários, contingentes e impossíveis.

Necessários – quando o predicado convém e não pode não convir ao sujeito.

Ex.: O círculo é redondo.

Contingentes – quando o predicado convém de facto ao sujeito, mas poderia também não convir.

Ex.: O Pedro passou com distinção no exame.

Impossíveis (ou absurdos) – quando o predicado não pode convir ao sujeito.

Ex.: O círculo é quadrado.

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Classificaçãoão das Proposições: Os quatro tipos de proposições categóricas
As proposições classificam-se da mesma forma que os juízos, visto serem a sua expressão verbal. Mas à lógica interessa principalmente
classificar em harmonia com quantidade e qualidade. Aristóteles definiu que cada um dos elementos de proposição seria substituído por um
símbolo.
Observa: O africano é hospitaleiro
↓ ↓ ↓
Sujeito Cópula Predicado

Para formalizar este juízo, substituem-se os termos do mesmo por letras ou símbolos e obtém-se a forma de proposição:
Sujeito Cópula Predicado
S é/não é P

As formas “S” e “P” são utilizadas em substituição do sujeito e predicado de qualquer proposição, independentemente do conteúdo da mesma. (S
é P / S não é P)
As proposições categóricas/juízos no que se refere à quantidade e à qualidade, classificam-se em:

• Universais afirmativos (A): são da forma “Todo S é P”.


Ex.: Todos os moçambicanos são africanos. • Particulares afirmativos (I): são da forma: “Algum S é P”.
Ex. Alguns alunos são indisciplinados.
• Universais negativos (E): são da forma “Nenhum S é P”
Ex.: Nenhuma ave tem quatro patas. • Particulares negativos (O): são da forma: “Algum S não é P”
Ex.: Alguns alunos não são indisciplinados.
Estas vogais são tomadas das duas primeiras vogais da palavra “AfIrmo” e das duas únicas vogais da palavra “nEgO”.
As letras A, E, I, O Servem para indicar abreviadamente a quantidade e a qualidade das proposições.
A e I designam as proposições afirmativas;
EeO designam proposições negativas.
A e Esão proposições universais;
I e O são proposições particulares.

Observa:

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Tipo Qualidad Quantidad Exemplo
e e
A Afirmativ Universal Todo o S é P
a Todos os cães são
companheiros.
E Negativa Universal Nenhum S é P
Nenhum cão é
companheiro
I Afirmativ Particular Algum S é P
a Alguns cães são
companheiros
O Negativa particular Algum S não é P
Alguns cães não são Regra prática: O sujeito das proposições Universais é universal; o das
companheiros. Particulares é Particular. O predicado das proposições Afirmativas é
Particular e das Negativas é Universal.

Ou por outra:
Se a proposição é Afirmativa o predicado vai ser Particular.
Se a proposição é Negativa o predicado vai ser Universal.

Sujeito Sujeito
Universal Particular Observa o quadro:
Predicado Particular A I
Predicado Universal E O

Exercício
7. Classifica os juízos seguintes quanto à qualidade e quantidade.
a) Os maputenses são africanos.
b) Nenhum anarquista é respeitador da lei.

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c) Certos moçambicanos são académicos.
d) Alguns anarquistas são políticos.
e) Há políticos que são milionários.
f) Existem políticos que não são milionários.

1.4. Lógica do raciocínio / Discurso


Noção e divisão do raciocínio

Raciocínio e argumento
Nas actividades reflexivas, o princípio é sempre o de tentar partir de uma base já dada, para descobrir-se algo desconhecido, mas que será
necessariamente a sua conclusão.
A terceira operação elementar da mente é o raciocínio. Tal como a expressão verbal do conceito é o termo, do juízo é a proposição, assim também
do raciocínio se chama de argumento.
Pode-se definir o raciocínio como a operação mental a partir da qual passamos de juízos conhecidos para um ou mais juízos novos até então
desconhecidos e que são o seu fim lógico.
Portanto, o argumento é, pois, a relação existente entre as diversas proposições que constituem um raciocínio.

Noção de inferências e suas espécies


Conceito de inferência

O raciocínio é também sinónimo de inferência. Abordando as proposições isoladamente, não tem um valor em si mesmas, mas podemos passar de
uma para outra.
O processo de chegar a uma ideia que está ausente a partir de uma base de que se dispõe, é a inferência.
A inferência é o processo mental (raciocínio) que a partir da qual, partindo de uma ou mais proposições, se passa para outra, ou outras, cuja
conclusão lógica ou verdade resulta da verdade das premissas.
Ou ainda, podemos entender a inferência como o movimento do pensamento que liga a(s) premissa (s) à conclusão.

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Exemplo de inferências:
Ex1.:
Todos os filósofos são (1ª
tolerantes. premissa)
Logo, Alguns tolerantes (Conclusão)
são filósofos.

Ex2.:

Todos Homens são (1ª


mamíferos. premissa)
Nenhum réptil é (2ª
Homem. premissa)
Logo, Nenhum réptil é (Conclusão)
mamífero.
A inferência pode ser Imediatas e Mediatas.
Existem dois tipos de inferência: Imediata, também designada simples e, mediatas chamada de complexa, conforme seja uma passagem de uma
proposição a outra ou de duas ou mais proposições ligadas a outra ou outras.

Imediata – consiste em obter directamente uma nova proposição a partir de uma proposição dada e apenas com termos que a constituem.
Ex.: Todos os mamíferos são vertebrados” podemos inferir que“
Alguns vertebrados são mamíferos”.

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Mediata – exige duas ou mais proposições unidas entre si, e obtém-se uma nova proposição. Este tipo de inferência funciona, geralmente, com
três termos.
Ex.: Todo o homem é mortal.
Ora, António é homem
Logo, António é mortal.

1.4.1 Inferência Imediata


Como Já dissemos que, esta inferência consiste em obter directamente uma nova proposição a partir de uma proposição dada e apenas com termos
que a constituem. Os dois tipos mais importantes da inferência imediata são a oposição e a conversão. A oposição e a conversão são importante na
medida em que permite definir melhor a quantidade do predicado das proposições particulares e universais, possibilitando uma maior
flexibilidade noutros tipos de inferências, nomeadamente os silogismos.

Inferências imediatas por oposição


Respectivas leis da verdade

Oposição de uma proposição consiste em inferir de uma dada proposição uma outra que difere-se da primeira em quantidade e qualidade, mas
mantenha o mesmo sujeito e o mesmo predicado.

Há quarto tipo de oposições.

Contrárias: (A e E) – são duas proposições universais que, tendo os mesmos termos, diferem pela qualidade, isto é, uma é afirmativa e a outra é
negativa.
Ex.: Todo o portista é consciente (A) / Nenhum portista é consciente (E)
Todo casal é fiel (A) / Nenhum casal é fiel (E)
Subcontrárias: (I e O )– são duas proposições particulares que, tendo os mesmos termos, diferem pela qualidade, isto é, uma é afirmativa e a
outra é negativa.
Ex.: Alguns benfiquistas praticam desporto(I) / Alguns benfiquistas não praticam desporto (O)
Alguns casados são fiéis (I) / Alguns casados não são fiéis (O)
Subalternas: (A e I;EeO) – são duas proposições que, tendo a mesma qualidade, diferem-se pela quantidade, isto é, uma é universal e a outra é
particular.

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Ex.: Todos homens são felizes (A) / Alguns homens são felizes (I)
Nenhum casado é fiel (E) /Alguns casados não são fiéis (O)

Contraditórias:(A e O;EeI) – sãoduas proposições que, tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, diferem simultaneamente em qualidade e
quantidade.Isto é, uma universal, a outra particular.
Ex.: Todos os casados são fiéis (A) / Alguns casados não são fiéis (O)
Nenhum homem é justo (E) / Alguns homens são justos (I)

Observa o quadro lógico da oposição das proposições.

A Contrárias E

Contraditórias

I Subcontrárias O

Leis da Oposição

Dada uma proposição, verdadeira ou falsa, é possível inferir a partir dela, mediante o conhecimento de certas regras, a verdade ou falsidade de
outra proposição.

Lei das contrárias: (AE) – Duas proposições contrárias não podem ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo, mas podem ser ambas falsas, se uma
é verdadeira, a outra deve ser falsa; mas se uma é falsa, a outra é indeterminada.
Ex.: Todos os Homens são bípedes (A) - V / Nenhum Homem é bípede (E) – F
Todos os casados são fiéis (A) – F / Nenhum casado é fiel (E) – V/F ou ?

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Lei das subcontrárias: (IO) - Duas proposições subcontrárias não podem ser ambas falsas ao mesmo tempo, mas podem ser ambas verdadeiras,
se uma é falsa, outra deve ser verdadeira, mas se uma é verdadeira, a outra é indeterminada.
Ex.: Alguns casados são fiéis (I) – F / Alguns casados não são fiéis (O) - V
Algumas mulheres são justas (I) – V / Algumas mulheres não são justas (O) – V/F ou ?

Lei das subalternas: (AI; EO) – Duas proposições subalternas serão ambas verdadeiras se a universal for verdadeira. Serão ambas falsas se a
particular for falsa. Mas, a falsidade da universal não implica a falsidade da particular e, a verdade da particular não implica a verdade da
universal.
Ex.: Nenhum casado é fiel (E) – V / Alguns casados não são fiéis (O) – V
Nenhum casado é fiel (E) – F / Alguns casados não são fiéis (O) – V/F ou ?
Alguns professores são advogados (I) –F / Todos os professores são advogados (A) - F
Alguns professores são advogados (I) – V / Todos os professores são advogados (A) – V/F ou ?

Lei das contraditórias: (AO; EI) – Duas proposições contraditórias não podem ser verdadeiras nem falsas ao mesmo tempo. Se uma é
verdadeira, a outra deve ser falsa e, vice-versa.
Ex.: Toda circunferência é redonda (A) – V / Alguma circunferência não é redonda(O) - F
Toda circunferência é redonda (A) – F / Alguma circunferência não é redonda (O) - V
Algum cientista é preguiçoso (I) – F / Nenhum cientista é preguiçoso (E) - V
Algum cientista é preguiçoso (I) – V / Nenhum cientista é preguiçoso (E) – F

Podemos resumir em tabela, as leis que regem as relações de oposição entre as proposições.
Relação de oposição Valores de verdade
Contrárias A(V) – E(F) E(V) –A(F)
(A-E) A (F) – E (V/F ou ?) E(V) – A(V/F ou ?
Subcontrárias I(V) – O(V/F ou ?) O(V) – I(V/F ou ?)
(I-O) I(F) – O(V) O(F) – I(V)
Subalternas A(V) – I(V) I(V) – A(V/F ou ?)
(A-I;E-O) A(F)- I(V/F ou ?) I(F) – A(F)
E(V) – O(V) O(V) – E(V/F ou ?)
E(F) – O(V/F ou ?) O(F) – E(F)

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Contraditórias A (V) – O (F) O (V) – A (F)
(A-O; E-I) A (F) – O (V) O (F) – A (V)
E (V) – I (F) I (V) – E (F)
E (F) – I (V) I (F) – E (V)

Exercício
8. Identifica as relações de oposição presente nos seguintes pares de proposições.
a) Alguns jovens adeptos de moçambola gostam de violência / Existem jovens que não são adeptos de moçambola que gostem de violência.
b) As mulheres são criaturas sensíveis. / Há mulheres que são criaturas sensíveis.
c) Todos os criminosos são cobardes. / Nenhum criminoso é cobarde.
d) Todos os corvos são pretos. / Há corvos que não são pretos.

9. Considere a proposição: “Nenhum árabe é cristão.”


a) Infere, por oposição de proposições, a proposição subalterna.
b) Considerando a proposição inferida em “a” de Falsa, determina, de forma justificada, o valor lógico da proposição inicial “Nenhum árabe é
cristão”.

10. Demonstre que, sendo falso que “Nenhum militar é cobarde”, é verdade que “Alguns militares são cobardes”.

11. Considere a seguinte proposição: “Nenhum agente da lei e ordem é leal à pátria”.
a) Altera, simultaneamente, a quantidade e qualidade da proposição apresentada.
b) Determina a relação de oposição estabelecida entre a proposição obtida em “a” e a proposição inicial.
c) Considerando a proposição inicial de falsa, indica o valor lógico da proposição obtida em “a”. Justifica a tua resposta.

12. Partindo da proposição “Todos os sábios são poderosos”. Infere por oposição as proposições, se possível.
a) Subalternas;
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b) Subcontrárias;
c) Contrárias;
d) Contraditória.

Inferências imediatas por conversão


A oposição das proposições constitui a primeira forma de inferências imediatas ou simples, a conversão é a segunda forma, como operação lógica.
Neste caso, troca-se o sujeito pelo predicado. Mas, para o efeito, é preciso ter sempre a regra segundo a qual os termos permutados não podem ter
maior extensão na conclusão do que nas premissas.
Por exemplo: “Algumas moçambicanas são professoras”, seria inválida a inferência que chegasse à conclusão “Todas as professoras são
moçambicanas”.

De acordo com as suas características, as proposições podem ser convertidas de diversas maneiras:

Conversão simples (E,I)


A conversão simples só se aplica as proposições do tipo E (universal negativa) e as do tipo I (particular afirmativa), visto que nestas proposições,
o sujeito e o predicado apresentam a mesma extensão. Assim sendo, a conversão faz-se pela simples permuta do sujeito pelo predicado e,
predicado pelo sujeito, sem alterar a sua quantidade nem qualidade.

Ex.: Nenhum africano é europeu (E), converte-se em, Nenhum europeu é africano (E)
Certos filósofos são pedagogos (I), converte-se em, Certos pedagogos são filósofos (I)

Converte-se também, simplesmente, as proposições chamadas recíprocas ou equivalentes.


Ex.: O triângulo é um polígono de três lados, converte-se em, O polígono de três lados é um triângulo.

Conversão por limitação ou por acidente (A)


Aplica-se geralmente nas proposições do tipo A (universal afirmativa), que se reduz a particular afirmativa (I). Ao convertermos qualquer
proposição do tipo A, teremos de manter na proposição inicial, a extensão do predicado (particular), de modo que a proposição daí resultante seja
particular; caso contrario, resultará uma falácia, isto é, um erro lógico.

Ex.: Todas as crianças são alegres (A), converte-se em, Algumas alegres são crianças (I).

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Todos os maputenses são moçambicanos (A), converte-se em, Alguns moçambicanos são maputenses (I).

Conversão por negação ouEquivalência(O)


Toda e qualquer proposição do tipo O, apresenta um sujeito particular e um predicado universal. De forma a respeitarmos a validade da conversão,
devemos recorrer a um artifício que consiste em transformar a proposição a converter numa proposição particular afirmativa (I) equivalente, o que
só é possível transferindo a negação da cópula para o predicado da proposição resultante.
Ex.: Alguns políticos não são honestos (O), converte-se em, Alguns não honestos são políticos (I).
Alguns alunos não são cabuladores (O), converte-se em, Alguns não cabuladores são alunos (I).

Conversão por contraposição(A,O)


Aplica-se nas proposições universais afirmativas (A), e as particulares negativas (O). Consistem em juntar uma negação ao sujeito, e a outra
negação ao predicado da proposição a converter e, em seguida faz-se a conversão simples, isto é, permuta dos termos.

Ex.: Todos os políticos são corruptos (A), converte-se em, Todos os não corruptos são não políticos (A).
Alguns políticos não são corruptos (O), converte-se em, Alguns não corruptos não são não políticos (O).

Exercício
13. Para cada uma das proposições, realiza a sua conversão e indica o tipo de conversão que realizaste.
a) Os pássaros não são animais com quatro patas.
b) Não há moçambicano que seja homem terrorista.
c) Nenhum círculo é quadrado.
d) Qualquer manual escolar é um livro educativo.
e) Há pelo menos um moçambicano que é filósofo.
f) As crianças são criaturas amáveis.
g) Nem todos os jovens gostam da música tradicional africana.

14. Considere a seguinte proposição: “O homem é animal cultural”.


a) Converte a proposição segundo as suas possibilidades.

15. Das proposições seguintes, indica as que podem ser objecto da conversão simples.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
a) Todo o angolano é africano.
b) Os homens são animais racionais.
c) Certos moçambicanos são médicos.
d) Qualquer protestante é cristão.

1.4.2. Inferências mediatas (ou raciocínios e argumentos)


As inferências mediatas ou raciocínios, subdividem-se em três grupos: os dedutivos, os indutivos e os raciocínios por analogia ou, simplesmente,
analógicos.

Indução: do particular para o geral


Na vida quotidiana, ouvimos frequentemente: “Os africanos são hospitaleiros”. No campo da ciência ouvimos dizer de igual modo, “Os metais
são bons condutores da corrente eléctrica”. Ao proceder deste modo, afirma-se predicados de todos e de cada um dos elementos pertencentes à
classe de seres designados pelo termo sujeito. Mas será que já se observaram em todos os moçambicanos? E os físicos já observaram todos os
metais?

Não é possível fazer observações em todos os moçambicanos e em todos os metais. Pensemos nos moçambicanos que serão nascidos no futuro e
os metais que futuramente serão descobertos.
A Indução é este tipo de raciocínio que se caracteriza pela formulação de enunciados gerais a partir de observações particulares de um caso, ou
seja, partindo do particular para o mais geral, ou de observação de alguns fenómenos para a formulação de uma lei geral.
Por isso, pode concluir-se que a indução é um tipo de raciocínio em que as premissas podem ser verdadeiras e a conclusão pode não ser
necessariamente, mas sim, provavelmente verdadeira. Os enunciados científicos são gerais, são validos para todos e cada um dos elementos de
uma classe considerada. Contudo, estes são inferidos com base na observação empírica de apenas alguns casos.

Ex1.:Sócrates, Platão e Aristóteles são filósofos.


Ora, Sócrates, Platão e Aristóteles são homens.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Logo, Todos os homens são filósofos.

Ex2: O bronze e o ferro são bons condutores da corrente eléctrica.


Ora, O bronze e o ferro são metais.
Logo, Os metais são bons condutores da corrente eléctrica.

Dedução: do geral para o particular


A dedução pode ser vista em algum aspecto como a operação inversa da indução. O raciocínio na dedução deriva do geral para o particular. A
dedução partede um ou vários juízos tomados como premissas, conclui um novo juízo, que é a sua consequência necessária. O que caracteriza a
dedução é o facto de a conclusão estar de algum modo contida nas premissas e a sua validade resultar do modo como relacionam as proposições
antecedentes. O raciocino dedutivo enuncia, na conclusão, de modo explícito, a informação que já estava de algum modo contida nas premissas.

Ex.: Os bons poetas devem ser lidos.


Ora, Camões é um bom poeta, .
Logo, Camões deve ser lido.
A analogia: comparação
O raciocínio por analogia é a forma espontânea de raciocino muito usado por todos nós no nosso quotidiano. Basta-nos uma comparação de objectos
semelhantes de duas espécies diferentes, inferimos certas semelhanças. Do semelhante conclui para o semelhante.

Ex.:Ontem o céu tinha o aspecto que tem hoje.


Ora, Ontem choveu.
Logo, hoje também irá chover.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

Exercício
16. A indução, a dedução e analogia, são três tipos de raciocínios completamente diferenciados.
a) Em que consiste cada um deles?

17. Indica os tipos de inferências mediatas presentes nos enunciados a seguir.


a) A função que desempenha o número zero na adição é idêntica à função que cumpre o número um na multiplicação. A soma de qualquer número
com zero é igual ao próprio número.
b) AliceMabote pertence à Liga dos direitos humanos. Como tal, votará contra a violência doméstica, dado que os membros que compõem a sua
Liga se opõem à violência doméstica.
c) Os funcionários da empresa cervejas de Moçambique são bem pagos. O senhor Manuença é bem pago porque trabalha na empresa cervejas de
Moçambique.

1.5. O Silogismo
A palavra “silogismo” é composta por duas outras palavras de origem grega Syn (com) e Logos (discurso), significando assim, discurso composto
ou ainda cálculo.
Segundo Aristóteles, o silogismo é uma forma de inferência mediata ou raciocínio dedutivo formado por três proposições, sendo as duas primeiras
designadas de premissas e a terceira por conclusão. Em seguida trataremos dos silogismos categóricos e hipotéticos respectivamente.
1.5.2. Silogismos Categóricos
Estrutura e material do silogismo
Todo o silogismo categórico é formado por três proposições ou juízos, sendo duas premissas, uma maior, a outra menor e uma conclusão.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

Ex.: Todos os moçambicanos são orgulhosos. Premissa maior (P)


Ora, Todos os macuas são moçambicanos. Premissa menor (S)
Portanto, Todos os macuas são orgulhosos. Conclusão

Neste caso, convém salientar que as premissas e a conclusão são todas proposições universais afirmativas (A); todavia, cada uma delas poderia ser
de um outro tipo: Universal negativa (E), particular afirmativa (I) ou, ainda, particular negativa (O).

Premissa maior – é a proposição que contém o termo maior ou predicado da conclusão, para além do termo médio. Em geral, trata-se da primeira
proposição. Do silogismo anterior, a premissa maior é: “Todos os moçambicanos são orgulhosos.”

Premissa menor – é a proposição que contém o termo menor ou o sujeito da conclusão e o termo médio. Trata-se da segunda proposição. Ainda do
silogismo anterior, a premissa menor é: “Todos os macuas são moçambicanos.”

Conclusão– é a proposição que contém os termos maior e menor. O sujeito da conclusão é o termo menor e o predicado é o termo maior. Do
silogismo anterior, a conclusão é: “Todos os macuas são orgulhosos”

Nas três proposições do silogismo anterior, surgem apenas três termos: Termo maior: “orgulhosos”, Termo menor:“macuas” e Termo médio:
“moçambicanos”.
Termo Maior (T) ou (P) –Éaquele que tem a maior extensão e é sempre o predicado da conclusão. Por isso, pode representar-se com a sigla “P”, que
designa a função de predicado da conclusão, além de “T” maiúsculo.
Termo Menor (t) ou (S) – É aquele que tem menor extensão, e é sempre sujeito da conclusão. Por isso, além da letra “t” minúsculo pode representar-
se pelo “S”, que indica essa função do sujeito na conclusão.
Termo Médio (M) –É aquele cuja extensão é intermediária entre o termo maior e o menor. Ou seja, este termo serve de comparação entre os termos
maior e o menor e, por isso, se repete nas premissas e não consta na conclusão. A sua sigla é “M”.

Ex.:
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A vida sem busca não é digna de ser vivida
{O moçambicano (M) é homem (P)
Antecedente: {O Jaimito (S) é moçambicano (M)

Consequente: {O Jaimito (S) é homem (P)

As proposições e os termos constituem a matéria do silogismo. Os termos são matéria remota e as proposições são a matéria próxima. A
configuração que o silogismo toma em virtude das relações que se assume as proposições e os termos constituem a forma do silogismo.
Quanto a matéria, os juízos que formam o raciocínio serão verdadeiros ou falsos.
Quanto a forma, o silogismo será correcto ou incorrecto.

Princípios do Silogismo
Os princípios de silogismos são os fundamentos e garantes das possibilidades da coerência de pensamentos. A sua observância permite a formulação
correta e lógica do raciocínio. Assim, podemos falar de dois princípios fundamentais do silogismo. De compreensão e de extensão.

Princípio de compreensão – duas ideias que convém uma terceira, convém entre si; duas ideias das quais uma convém a outra não a uma terceira,
não convêm entre si. Isto é, duas coisas iguais a uma terceira, são iguais entre si.
Ex.:

A=B; B=C; Logo, A=C ou A=B; B não é C; Logo, A não é C

Princípio de extensão – tudo que se afirma ou nega universalmente de um sujeito, afirma-se ou nega-se do que está contido na extensão desse
sujeito; o que se afirma ou nega de todo afirma-se ou nega-se das partes.
Ex.: se afirmarmos que “Todos os moçambicanos são orgulhosos”, consequentemente afirmamos que os “maputenses, macuas, os beirenses, os
ndaus, e cada um dos moçambicanos são orgulhosos”.

Regras do Silogismo

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
As regras que o silogismo deve obedecer geralmente são oito, sendo que, quatro delas se referem aos termos e outras quatro referem-se as
proposições ou premissas.
A não observância destas regras que a seguir serão detalhadas, constituirá um silogismo falacioso, isto é, um raciocínio errado.

Regras dos termos


1 – Os termos do silogismo são três:maior, menor e médio.
Pode ser violada esta regra com facilidade, introduzindo no silogismo um termo de duplo sentido (equívoco).
Ex.As mangas são doces.
Ora, As camisas têm mangas.
Logo, As camisas são doces.

2 – Nenhum termo deve ter maior extensão na conclusão do que nas premissas.
Ex.: Os moçambicanos são africanos
Ora, Os angolanos não são moçambicanos
Logo, Os angolanos não são africanos.

3 – O termo médio deve ser tomado, pelo menos uma vez universal.
Ex.: Todos os africanos são generosos.
Ora, Alguns generosos são feiticeiros.
Logo, Os africanos são feiticeiros.

4–O termo médio não deve entrar na conclusão.


Ex.: Maria é curiosa.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Ora, Maria é bela.
Logo, Maria é bela curiosa.

Regras das proposições


1– De duas premissas afirmativas não se pode tirar uma conclusão negativa.
Ex.: O homem é um animal racional.
Ora, Pedro é homem.
Logo, …

2 – De duas premissas negativas nada se pode concluir.


Ex.; António não é filho da Nilza.
Ora, Pedro não é filho da Nilza.
Logo, …
Que parentesco existe entre António e Pedro? A pergunta não tem sentido.

3 – De duas premissas particulares nada se pode concluir.


Ex.: Há homens qua são virtuosos.
Ora, Há homens são pescadores.
Logo, …

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
4 -A conclusão segue sempre a premissa mais fraca. Isto significa que, em lógica, qualitativamente, a negação é pior (fraca) que afirmação; e
quantitativamente, a particular é pior (fraca) que a
universal.
Ex.: Os peixes respiram por guerlas.
Ora, As aves não respiram por guerlas.
Logo, As aves não são peixes.

Exercício
18. Descobre os termos maior, menor e médio dos silogismos seguintes.
a) Alguns homens honrados são pacíficos.
Ora, Os pacíficos são amantes da Natureza.
Logo, Alguns amantes da natureza são homens honrados.

b) Todo o mafioso é cidadão desonesto.


Ora, Alguns alunos são mafiosos.
Logo, Alguns alunos são cidadãos desonestos.

19. Analisa a legitimidade dos seguintes silogismos. Se existir ilegitimidade, indica a regra ou as regras infringidas.
a) Os moradores de Chitima são alvo de envenenamento.
Ora, Algumas crianças moçambicanas são deChitima.
Logo, Algumas crianças moçambicanas são alvo de envenenamento.

b) As orquídeas enfeitam o jardim Tunduro. Logo, Algumas mulheres moçambicanas c) Nenhum educador é sensível à causa
Ora, Algumas orquídeas são mulheres enfeitam o jardim Tunduro. humana.
moçambicanas. Ora, Alguns educadores são professores.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Logo, Nenhum professor é sensível à causa Logo, Os vertebrados são aves.
humana. d) Nenhuma ave é mamífero.
Ora, Todo o mamífero é vertebrado.
20. Os silogismos seguintes não contêm uma das premissas (maior ou menor). Complete-os.
a) As aves são seres voadores. b) ________________________.
Ora, _____________________. Ora, Nenhum anjo é mortal.
Logo, O homem não é ave. Logo, Nenhum anjo é homem.

1.5.4 Figuras e modos do silogismo

O que determina a figura de um silogismo?


A figura de um silogismo é determinada pelo papel que o termo médio (M) desempenha nas duas premissas, ora como sujeito numa premissa e
predicado na outra, ou como predicado numa e sujeito na outra. Ora, como predicado ou sujeito em ambas premissas.

Assim sendo, existem quatro figuras possíveis.

1ª Figura:Sub - Prae
O termo médio é o sujeito da primeira premissa e o predicado na
segunda.
2ª Figura: Prae - Prae
O termo médioé o predicado nas duas premissas.
Representando o termo médio por letra M, o maior por letra P e, o Ex.: A P M
menor por letra S. Toda mulher é mãe. P - M E S M
Ex.: João não é mãe. S - M E S P
Todo ser vivo se alimenta. M A M P - P João não é mulher. S -P
Ora, Todo o vegetal é um ser vivo. S - A S M M
Logo, Todo o vegetal se alimenta.S A S P - P
3ª Figura: Sub - Sub O termo médio é sujeito nas duas premissas.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Ex.: O termo médio éo predicado da primeira premissa e sujeito na
Os bitongas são moçambicanos. M-P A M P segunda.
A M S
Os bitongassão económicos. M- P Designa-se também por figura de Galeno, porque terá sido este autor
I S P
Alguns moçambicanos são económicos. S - P que a juntou às três figuras anteriores propostas por Aristóteles.
Ex.:
Os africanos são homens. A P M P-M
Os homens são racionais. A M S M-S
Alguns racionais são africanos. I S P S-P
4ª Figura: Prae - Sub

Modos do silogismo
Chama-se modo do silogismo a cada uma das formas que o silogismo pode tomar nas diferentes figuras em virtude da quantidade e qualidade das
proposições. Como sabemos, há quatro tipos de proposições:
A – Universal Afirmativa; E – Universal negativa; I – Particular Afirmativa e O – Particular Negativa.
Jogando com todas as possibilidades de combinações das proposições universais (A, E) e particulares (I, O) obteremos 64 (16 x 4) modos em cada
proposição. E das 4 proposições obtermos 256 modos possíveis. Destes 19 modos são válidos e 4 modos perfeitos.

O século XIII, o filósofo Português PEDRO HISPSNO, mais conhecido por Papa João XXI, para facilitar os alunos a tarefa de memorização e
estudo, resolveu designar por palavras latinas de três sílabas os modos válidos. São os seguintes.
1ª Figura – Barbara, Celarent, Darii, Ferio;
2ª Figura – Baroco, Cesare, Camestres, Festino;
3ª Figura – Bocardo, Darapti, Disamis, Datisi, Felepton, Ferison;
4ª Figura – Barmantip, Camenes, Dimaris, Fesapo, Fression.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

Para melhor compreensão apresentemos os modos e as figuras na tabela seguinte:


Figuras
Modos
B C D F
1ª(Sub- Barbara(AAA) Celarent (EAE) Darii(AII) Ferio (EIO)
Prae)
4
Modos
2ª(Prae- Cesare(EAE) Festino(EIO)
Prae) Baroco(AOO) Camestres(AEE) ----------
4
Modos
3ª(Sub- Darapti(AAI) Ferison
Sub) Bocardo(OAO) ------------ Datisi(AII) (EIO)
6 Disamis Felapton
modos (IAI) (EAO)
4ª(Prae- Bramantip(AAI) Camenes (AEE) Dimaris Fesapo(EAO)
Sub) (IAI) Fresison
5 (EIO)
Modos

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

Eis o exemplo de algumas demonstrações de todos modos válidos para cada uma das figuras.

1ª Figura
BARBARA OAlguns animais não são mamíferos. FESTINO
A Todo ser vivo se alimenta. E Nenhum santo é orgulhoso.
A Ora, Todo o vegetal é um ser vivo. 2ª Figura IOra, Algum reformado é orgulhoso.
A Logo, Todo o vegetal se alimenta. BAROCO OLogo, Algum reformado não é santo.
A Todo o tolo é enfadonho.
CELARENT O Ora,Algum tagarela não é enfadonho.
E Nenhum homem odeia a vida. O Logo, Algum tagarela não é tolo.
A Ora, Todo o desesperado é homem.
E Logo, Nenhum desesperado odeia a vida. CESARE
3ª Figura
E Nenhum homem cruel está em paz.
BOCARDO
DARII A Ora, Todo santo está em paz.
O Algum ministro não é honesto.
A Todos os gatos são mamíferos. ELogo, Nenhum santo é homem cruel.
A Todo o ministro é poderoso.
I Alguns animais são gatos.
O Algum poderoso não é honesto.
I Alguns animais são mamíferos. CAMESTRES
A Todo o invejoso é cruel.
DARAPTI
FERIO EOra, Nenhum santo é cruel.
A Todo estudante é homem inteligente.
E Nenhum peixe é mamífero. ELogo,Nenhum santo é invejoso.
A Todo o estudante é pesquisador.
IAlguns peixes são animais.
I Algum pesquisador é inteligente.
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A vida sem busca não é digna de ser vivida
I Ora, Algum ambicioso é filantropo. E Ora, Nenhum ridículo é inteligente..
O Logo, Algum filantropo não E Logo, Nenhum inteligente é orgulhoso.
DATISI desinteressado.
A Todo o animal é corpóreo. DIMARIS
I Ora, Algum animal é ser inteligente. FELAPTON I Alguns professores são casados.
I Logo, Algum ser inteligente é corpóreo. E Nenhum crocodilo é amigo do homem. A Ora, Todos os casados são felizes.
A Ora, Todo crocodilo é animal. I Logo, Alguns felizes são professores.
O Logo, Algum animal não é amigo do
homem. FESAPO
E Nenhum homem é quadrúpede.
DISAMIS 4ª Figura AOra, Todo quadrúpedes é animal.
I Algum rico é misericordioso. BRAMANTIP O Logo, Algum animal não é homem.
A Ora, Todo o rico é um homem temido. ATodo o rico é orgulhoso.
I Logo, Algum homem temido é A Todo o orgulhoso é solitário. FRESISON
misericordioso. IAlguns solitários são ricos. E Nenhum moçambicano é milionário.
I Ora, Alguns milionários são africanos.
FERISON CAMENES O Logo, Alguns africanos não são
E Nenhum ambicioso é desinteressado. A Todo o orgulhoso é ridículo. moçambicanos.

Exercício
Logo, Os animais batráquios não comem cenoura.
21.Considere o seguinte silogismo.
Nenhum batráquio come cenouras. a) Recorrendo às regras do silogismo validos, diz por que motivo a
Ora, Alguns animais são batráquios. conclusão deste silogismo não é valida.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
b) Rescreve o silogismo de número 1, rectificando o erro da
conclusão. a) A gazela não é um animal marinho.
c) Agora indica a figura e o modo do silogismo corrigido na alínea Ora, O pássaro não é um animal marinho.
anterior. Logo, O pássaro não é uma gazela.

b) Os peixes são seres aquáticos.


Ora, As algas são seres aquáticos.
Logo, As algas são peixes.
22. Identifica a figura e o modo de cada um dos silogismos seguintes.
a) Os grandes artistas são homens com sentido de humor.
Ora, Malangatana é um grande artista.
Logo, Malangatana é um homem com sentido de humor. c) Alguns leões são felinos.
Ora, Como certos animais são leões.
b) A manga tem um sabor exótico. Logo, Alguns animais são felinos.
Ora, A manga é um fruto tropical.
Logo, Alguns frutos tropicais têm sabor exótico. d) O gado alimenta-se de ervas.
Ora, O gado é um mamífero.
c) Os músicos são figuras públicas. Logo, O mamífero não se alimenta de ervas.
Ora, Alguns músicos são pobres.
Logo, Alguns pobres são figuras públicas. 24. Escreve um silogismo da 3ª figura, modo IAI, com base no termo
médio “espécies marinhas” e na premissa menor “As espécies
23. Descobre a regra ou as regras infringidas nos silogismos seguinte. marinhas são elementos do ecossistema”.
Redução dos silogismos à 1ª figura

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Os modos válidos da segunda, terceira e quarta figura, podem reduzir-se a modos da primeira figura, considerada a figura perfeita, cujos seus modos
são evidentes. Mediante esta conversão, os modos da segunda, terceira e quarta figura ficarão assim justificados.
Quanto as as consoantes iniciais: (B, C, D, F) indicam que feita a redução, devemos obter silogismos respectivamente em Barbara, Celarent, Darii
e Ferio.
Quanto as consoantes interiores: A letra S, indica que a proposição que antecede se deve converter simplesmente ou permuta dos termos. A letra
P, mostra que a proposição anterior deverá ser convertida por limitação. A letra M, significa que as duas premissas do silogismo que estão entre a
letra“m”devem ser transportas, mudando a sua posição.

Ex1: CESARE2ª Figura


E Nenhuma pedra é vegetal.
A Ora, Toda planta é vegetal.
E Logo, Nenhuma planta é pedra.

Trata-se de um silogismo da segunda figura, ao reduzirmos para a primeira figura, devemos ter em conta a consoante inicial “C”do modo Cesare,
que indica, este silogismo deve reduzir-se ao modo Celarent da primeira figura. Em seguida, devemos olhar para as consoantes interiores, referimos
de S, P e M. Mas, para o silogismo em causa, apenas temos a letra S como consoante interior, logo, devemos fazer a conversão simples da
proposição que antecede a consoante “S”. Assim, teremos o seguinte silogismo:
E Nenhumavegetal é pedra.
A Ora, Toda planta é vegetal.
E Logo, Nenhuma planta é pedra.

Ex2: CAMESTRES 2ª Figura


Todos os cientistas são homens.
Ora, Todos os irracionais não são homens.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Logo, Todos os irracionais não são cientistas.

Este silogismo também deve reduzir-se ao modo Cesare, deveu-se a consoante inicial do modo Camestres, em seguida olhemos as consoantes
interiores e seguirmos as regras das mesmas, que no modo camestres apenas temos as consoantes como S e M. Assim teremos:

Todos os homens não são irracionais.


Ora, Todos os cientistas são homens.
Logo, Todos os cientistas não são irracionais.

Ex3: BRAMANTIP4ª Figura


Os sábios são mortais.
Ora, Os mortais são viventes.
Logo, Alguns viventes são sábios.

Ao reduzirmos este modo do silogismo, também devemos ter em conta a consoante inicial do modo, a letra B, que indica que a redução deve ser
feita para o modo Barbara da primeira figura. Quanto as consoantes interiores, apenas temos a letra M, que é a permuta das proposições que estão
entre a consoante M. Temos ainda, letra P, que indica a conversão por limitação da proposição que precede a consoante P. Mas, a proposição que é
precedida pela consoante P, já se encontra convertida por limitação, o que devemos fazer é reencontrar a proposição inicial, que é do tipo A. Assim,
teremos:

Os mortais são viventes.


Ora, Os sábios são mortais.
Logo, Os sábios são viventes

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Importa salientar qua a redução dos modos válidos da 2ª, 3ª figuras especialmente para Baroco e Bocardo, no seu interior não apresentam as
consoantes S, M e P. Apenas apresentam uma das letras que merece especial atenção, a consoante C. implica que substitua-se a conclusão pela sua
contraditória e depois formular o raciocínio. Mas, apresentam a consoante inicial B, que indica que a redução para a primeira figura, deve ser feita
para o modo Barbara.

Ex4: BAROCO2ª Figura Reduz-se para:


A Todo o tolo é enfadonho. Barbara, da 1ª Figura
O Ora,Algum tagarela não é enfadonho.
O Logo, Algum tagarela não é tolo. A Todo tagarela é tolo.
A Ora, Todo enfadonho é tagarela.
A Logo, Todo enfadonho é tolo.

Ex5: BOCARDO 3ª Figura


O Alguns alunos não são aplicados.
A Ora, Todos alunos são participantes das aulas.
O Logo, Alguns participantes das aulas não são aplicados.

Reduz-se para:
Barbara, da 1ª Figura

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

A Todos participantes das aulas são aplicados.


A Ora, Todos alunos são participantes das aulas.
A Logo, Todos alunos são aplicadas.

Exercício
25. Descobre a figura e o modo do silogismo, em seguida reduz para a primeira, se for possível.

a) Todos os homens são racionais. Ora, Todos os casados são felizes. f) Nenhum crocodilo é amigo do homem.
Ora, Todos os homens são animais. Ora, Todo crocodilo é animal.
Logo, Todos os animais são racionais. Logo, Algum animal não é amigo do
d) Nenhum homem é quadrúpede. homem.
b) Todos os moçambicanos são Ora, Todo quadrúpede é animal.
hospitaleiros. Logo, Algum animal não é homem.
Ora, Alguns beirenses não são hospitaleiros.
Logo, Alguns beirenses não são e) Nenhum ambicioso é desinteressado.
moçambicanos. Ora, Algum ambicioso é filantropo.
Logo, Algum filantropo não desinteressado.
c) Alguns professores são casados.
Logo, Alguns felizes são professores.

1.5.6 Classificação dos silogismos

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Há dois tipos de silogismo: categóricos e Hipotéticos. Os categóricos compreendem dois tipos: regulares e irregulares.
Os silogismos categóricos regulares são aqueles que apresentam três proposições e três termos (os silogismos estudados até então). Em seguida
veremos o que são os silogismos categóricos irregulares e hipotéticos respectivamente.

{Regulares: aqueles silogismos que possuem 3 proposições e termos).


Categórico
{ Irregulares:aqueles que possuem que mais de ou menos de três proposições e termos:Entimema.Epiquerema, Polissilogismos
(progressivos e regressivos) e Sorites

Hipotéticos: Condicionais, Disjuntivo e Dilema.

Os silogismos Categóricos como jádissemos, são aquelas cujas premissas afirmam ou negam simplesmente.Em seguida tratemos dos silogismos
irregulares.

Silogismos CategóricosIrregulares
São aqueles silogismos constituídos por mais ou menos de três proposições ou termos. Por isso, esta espécie de silogismo é desprovida de estrutura.

Tipos de silogismos irregulares


Há quatro tipos de silogismos categóricos irregulares: O entimema, o epiquerema, o polissilogismos e o sorites.

Eintimema- é um silogismo simplificado pela omissão de uma das premissas, que se subtende facilmente.
Ex1: Os homens são mortais.
Logo, Pedro é homem

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

Ex2: eu penso.
Logo, existo.

Aqui podemos verificar que no exemplo 1, está subtendida a premissa menor que estaria patente no silogismo “Pedro é mortal”. O mesmo acontece
no exemplo 2, está subtendida a premissa maior “O que pensa, existe”.

Epiquerema– é um silogismo em que uma ou ambas premissas contêm as respectivas provas ou justificações. Embora com três proposições, os
seus termos são excessivos.

Ex1: Os cristãos são hospitaleiros, porque a hospitalidade é uma das


virtudes recomendadas pelo evangelho. Ex2 A ciência é útil porque ensina a verdade.
Ora, Os moçambicanos por natureza são hospitaleiros, porque a Ora, A lógica é uma ciência, porque é um conjunto de verdade.
hospitalidade é um valor cultural. Logo, A lógica é útil.
Logo, Os moçambicanos por natureza são cristãos.

Polissilogismo – é um encadeamento de dois ou mais silogismos. Ordenados de tal modo que a conclusão do primeiro seja a premissamaior ou
menor do silogismo seguinte, chamando-se por isso de polissilogismo progressivos ou regressivos respectivamente. No mínimo, o polissilogismo
apresenta cinco proposições.

Exemplo do polissilogismo progressivo: A fruta é nutritiva. CéA


A fruta é saudável. CéB
Tudo quanto nutritivo é saudável. A é B O citrino é fruta. DéC

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
O citrino é saudável. DéB A toranja é nutritiva. CéA
A laranja é um citrino. EéD A toranja é saudável. CéB
Portanto, a laranja é saudável. E é B. As coisas saudáveis são apetitosas. BéD
A toranja é apetitosa. CéD
Exemplo de um polissilogismo Regressivo: Tudo o que é apetitoso agrada ao paladar. D é E
A toranja é agradável ao paladar. CéE
Tudo que é nutritivo é saudável. AéB

Sorites - é um silogismo que tem pelo menos quatro proposições de tal modo entrelaçadas, há sorites progressivos e sorites regressivos ou
aristotélicos.
Nos sorites progressivos, o sujeito da primeira premissa aparece como o predicado da segunda; o sujeito da segunda premissa aparece com o
predicado da terceira e assim sucessivamente. Na conclusão, une-se o sujeito da última premissa e o predicado da primeira premissa.
Nos sorites regressivos ou aristotélicos, o predicado da primeira proposição é sujeito da segunda; o predicado da segunda é sujeito da terceira; assim
sucessivamente, na conclusão, une-se o sujeito da primeira premissa e o predicado da última premissa.

Exemplo de um sorites progressivos: Exemplo de um sorites regressivo ou aristotélico:

Todo ladrão é maldito. AéB Quem é humilde é modesto. A – B


Todo prisioneiro é ladrão. CéA Quem é modesto vence paixões. B–C
Todo o condenado é prisioneiro.D é C Quem vence paixões vive em paz. C – D
Logo, Todo o condenado é maldito. D é B Logo, Quem é humilde vive em paz. A - D

Silogismos hipotéticos
São os silogismos cuja premissa maior não afirma nem nega da maneira absoluta. A maior apresenta uma alternativa; na menor afirma-se ou nega-se
uma das partes da alternativa.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida

Por isso, a premissa maior de um silogismo hipotético é sempre constituída por uma proposição molecular (por duas ou mais proposições simples)
cuja ligações são feitas por conectivas, “se…então”, “…e…”, “…ou…” Em virtude disto, os silogismos hipotéticos são também chamados de
silogismos compostos.
Os silogismos hipotéticos podem ser: condicional, disjuntivo, conjuntivo e dilema.

Condicional – aquele cuja premissa maior estabelece uma condição dividida em duas partes (condição e condicionado). Este compreende dois
modos:

ModusPonens (Modo Positivo–Positivo, ou afirmação do ModusTollens (Modo Negativo – Negativo, ou negação do


antecedente) condicionado)

Ex1: Se a terra é um planeta,então move-se. (p→q) Ex1: Se tenho malária, então estou doente. (p→q)
Ora a Terra é um planeta. (p) Ora, não estou doente. (não q)
Logo, a Terra move-se. (Logo, q) Logo, não tenho malária. (Logo, não p)

Ex2: Se João frequenta a Escola, é estudante. (p→q) Ex2: SeMatavele estudou, passa de classe. (p→q)
João frequenta a Escola. (p) Ora, não passa de classe. (não q)
Logo, João é estudante. (Logo, q) Logo, Matavele não estudou. (não p)

Isto resume-se da seguinte maneira: Isto resume-se da seguinte maneira:


Se p, então q, Ora, p, logo,q
(p→q, p, logo, q) Se p, então q, Ora, não q, logo não p (p→q,
não q, logo, não p)

A operacionalidade do silogismo hipotético condicional ModusTollens obedece as duas regras fundamentais:


1ª : A negação do consequente torna necessária a negação do antecedente;
2ª : Da negação do antecedente, nada se pode concluir.

Exemplo da 2ª regra:
Se tenho malária, então estou doente.
Ora, não tenho malária.
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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Logo, …

Disjuntivo – aquele cuja premissa maior é uma proposição que estabelece alternativa entre dois termos ou mais, de tal modo que a afirmação ou a
negação na premissa menor de um dos termos exclui a afirmação ou a negação do outro/s termo/s.

Este silogismo compreende duas formas dos modos válidos.


ModusPonendo-Tollens (ao afirmar algum ou alguns termos na premissa menor, nega outro/s termos na conclusão: positivo -negativo).

Ex1: Os “mambas” ou ganham ou empatam ou perdem Ex2: Ou Kharina é cobarde, ou é humilde.


Ora, Os mambas perdem Ora, Kharina é humilde.
Logo, os mambas não ganham, nem empatam. Logo, Kharina não é cobarde.

ModusTollendo – Ponens (ao negar algum ou alguns termos na premissa menor, afirma outro/s termos na conclusão: negativo – positivo).

Ex.: Agora é dia ou noite.


Ora, Não é dia.
Logo, é noite.

Conjuntivo – é aquele silogismo cuja premissa maior não admite que os dois termos opostos prediquem simultaneamente um mesmo sujeito.
Este silogismo assume duas formas ou modos válidos:

ModusPonendo – Tollens (afirmando – nega) ModusTollendo –Pnens (negando –afirma)

Ex.: Ninguém pode ser simultaneamente mestre e discípulo Ex.: Khatija não pode ser baixa e alta ao mesmo tempo.
Sócrates é mestre Ora, Khatija não é alta.
Logo, Sócrates não é discípulo Logo, (ela) é baixa.

Dilema – éum raciocínio hipotético e disjuntivo, é formado por uma proposição disjuntiva e por duas proposições condicionais, e qualquer que seja
a opção escolhida, a consequência é sempre a mesma.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Ex1: Ou sabes que sabes ou não sabes que não sabes.
Se sabes que sabes, sabes alguma coisa. Ex2: Ou a filosofia vale ou não vale a pena.
Se não sabes que não sabes, também sabes alguma coisa. Se vale, deveis filosofar.
Logo, em qualquer dos casos sabes. Se não vale a pena, deveis mostrar que não e tereis que filosofar.
Logo, num caso ou no outro é indispensável filosofar.

Nota: O Dilema deve obedecer as seguintes regras:


A disjunção deve ser completa para que o adversário não acrescente, terceiro ou quarto caminho.
A refutação de cada uma das hipóteses deve ser válida para que o adversário não negue a consequência.
O dilema não deve ser retorquível (recíproco), ou seja usar-se o mesmo argumento contra o argumento.

Exercício

26. Diz, de forma justificada, se os c) Se o sol morrer, a terra torna-se inóspita.


silogismos seguintes são ou não válidos. b) Se és estudantes, então não és Ora, o Sol não morreu.
vagabundo. Logo, A terra não se tornou inóspita.
a) Se tenho malária, então estou doente. Ora, não és vagabundo.
Ora, não tenho malária. Logo, és estudante.
Logo, não estou doente.

d) Se chover, o chão ficará molhado.


Ora, o chão está molhado.
Logo, choveu.

27. Completa os seguintes argumentos condicionais, se possível, de modo que estejam válidos.

a) Se passo no exame, então termino o curso de Filosofia. b) Se comes tapioca, então és do sul de Moçambique.
Ora não passo no exame. Ora, comes tapioca.
Logo,__________________________________ Logo, _________________________________

28. Identifica os modos dos seguintes silogismos disjuntivos.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
a) António ou é alto ou é baixo.
Ora, António não é baixo.
Logo, (ele) é alto.

b) Este estudante ou é aplicado ou é preguiçoso. 30. Qual será a conclusão deste sorites?
Ora, Este estudante é aplicado.
Logo, (ele) não é preguiçoso. A alma humana é imaterial.
Ora, o imaterial é simples.
29. A que modos pertence o silogismo? Ora, o simples é indecomponível.
Se R, então T. Ora, o indecomponível é incorruptível.
Ora, R. Ora, o incorruptível é imortal.
Logo, T. Logo, _____________________________

1.6 Falácias e paradoxos


A lógica ensina-nos a raciocinar bem, segundo as regras já estudadas. Acontece que nem sempre o homem raciocina correctamente, ou como deve
ser, as vezes ele está sujeito a erros.
Dá-se o nome de falácia a todos os raciocínios enganosos com aparências de correctos e verdadeiros.
O erro pode ser involuntário (pois o homem está sujeito a enganar-se), estaremos perante o paralogismo. Ao passo que os erros voluntário (quando
há intenção de enganar alguém ou de má fé), estaremos perante sofisma.

Em qualquer falácia, ocorre dois elementos essenciais.


- Uma verdade aparente: em que o argumento é convincente e leva ao equívoco;
- Um erro oculto: que faz com que se retira conclusões falsas e contraditórias a partir de uma verdade.

Espécies de Falácias

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Num raciocínio incorrecto, o erro pode originar-se tanto das palavras como da conexão entre as ideias. Temos assim sofismas verbais (ou
gramaticais) e sofismas lógicos (ou de ideias).

Falácias Verbaisou de linguagem


São aqueles cujo erro se encontra na linguagem empregada, este pode ser:
Ambiguidade ou equívoco – é o uso indevido do mesmo termo com diferente significação.
Ex.:Só o homem é que pensa.
Ora, Nenhuma mulher é homem.
Logo, Nenhuma mulher pensa.

Metáfora – resulta da confusão originada pelo emprego de um termo em sentido figurado.

Os mambas qualificaram-se para o CAN. As aves voam.


Osmambas são répteis. Ora, O avião voa.
Logo, alguns répteis qualificaram-se para o CAN. Logo, o avião é uma ave.

Anfibiologias – são expressões de duplo sentido.

3 vezes 5, mais 5, igual a 20 Todos os homens amam uma mulher.


3 vezes 5, mais 5, igual a 30 Ora, Manuel ama Maria.
Logo, 20 igual a 30. Logo, Todos homens amam Maria.

Confusão entre o sentido colectivo e o sentido individual – erro que se originam quando utilizamos alguns termos que não se distingue o seu sentido
colectivo ou sentido individual.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Os moçambicanos são hospitaleiros.
João e Maria são moçambicanos.
Logo, João e Maria são hospitaleiros.

Falácias Lógicos ou de pensamento


Referem-se a conexão de ideias, e estas podem ser:

Falácia de indução:
Falácia de acidente – é um erro que consiste em considerar como essencial o que é apenas acidental, mera coincidência ou vice-versa.
Um doente morre nas mãos de um enfermeiro.
Logo, Todos os enfermeiros matam os seus doentes.

Sofisma de falsa analogia – resulta do facto de se atender apenas às semelhanças aparentes entre dois objectos, chegando a conclusões precipitadas
e realmente falsas.

Os peixes nadam. A lua é um planeta como a terra.


Os pescadores nadam. A terra é habitada.
Logo, Os pescadores são peixes. Logo, A lua é também habitada.

Ignorância de causa – consiste em considerar verdadeira causa, uma circunstância ocasional e de mera coincidência.
Ex.: Joana partiu um espelho; e logo depois, sofreu um pequeno acidente. Joana concluiu que o acidente foi provocado pelo espelho partido, pois,
os vidros partidos são prenúncio de desgraça.
Enumeração imperfeita(falacia de composição) – quando se chega a conclusões repentinas e precipitadas, generalizando aquilo que só pode
atribuir-se a algumas partes.
João, Manuel, e José não estudam.
João, Manuel, e José são alunos.
Logo, os alunos não estudam.
Falácia da dedução:
Subdivide-se por sua vez, em formais e materiais.

Falácias Formais:
Falácia de conversão de oposição – são erros que decorrem da violação das regras de oposição dos valores da verdade.
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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Falácia de conversão – são erros que resultam através do desrespeito das regras das proposições.
Falácia do silogismo – diz-se de todos os erros decorrentes da violação das regras do silogismo, tanto regulares como irregulares.

Falácias Materiais:
Petição de princípio – é o sofisma que apresenta uma conclusão baseada em premissas que já pressupõem essa mesma conclusão.
A alma humana é imortal
Pedro tem a alma.
Logo, a alma de Pedro é imortal.

Círculo vicioso ou dialelo – consiste em provar uma coisa por outra, sem demonstrar nenhuma delas.

Provar que questão A por B e B por A.

Que é uma ideia clara?


É aquela ideia que não é obscura.
O que é uma ideia obscura?
É aquela que não é clara.

Ignorância da questão – consiste num afastamento do assunto da discussão, apresentando argumentos que levam a uma conclusão que,
aparentemente, parece consequência lógica delas.
Ex.: Num tribunal, um advogado está apostado em provar que X é um cidadão respeitável, bom pai e bom marido, etc., para desviar as atenções
das acusações que pesam sobre X.

Tautologia – quando se apresenta a mesma ideia apenas por palavras diferentes, sem esclarecer nada.Ex.: O homem é racional porque é dotado de
razão.
Falácia de argumentação
Argumento de autoridade – consiste em provar a verdade ou a falsidade de uma asserção evocando a autoridade, seja científica ou de qualquer tipo
de uma área.
Ex.: A soma de ângulos internos de um triângulo é 180º, porque o dizem os professores de Matemática.

Argumento ad hominem (contra o homem) – consiste em refutar ou provar a falsidade de uma proposição pondo em causa a dignidade do
adversário.
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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Ex.: Procurar provar a incompetência de alguém justificando-se pelo facto de ele ser um divorciado.

Argumento ad terrorem – consiste em fazer valer uma opinião ressaltando apenas as consequências negativas que decorreriam da sua não aceitação.
Ex.: Se não dares esmola aos pobres, queimar-te-ás nos Céus. Por isso, deves dar esmola.

Argumento ad misercordiam – consiste em apelar à compaixão para obter um tratamento especial ou vantagem pessoal.
Ex.: Obtive uma classificação negativa no teste porque perdi a minha mãe. Por isso, o professor deve administrar-me uma classificação positiva.

Argumento ad populum (apelo ao povo) – consistem em apelar a emoção ou paixão para excitar o entusiasmo, a ira ou o ódio dos ouvintes a seu
favor.
Ex.: A pátria alemã nunca foi a pátria dos escravos, por isso não se deve submeter ao tratado de versalhes. (teor do discurso de Hitler para conseguir
o apoio do povo para a 2ª guerra mundial).

Argumento ad baculum (apelo à força ou pressão) – consiste no apelo à força ou intimidação para fazer valer uma determinada ideia.
Ex.: Senhor policia, sei que conduzo sob efeito de álcool…mas devias antes saber com quem está a falar e avaliar as consequências disso para o seu
emprego.

Argumento ad ignorantiam (apelo à ignorância) – consiste em defender a falsidade de um enunciado alegando a falta de provas da sua veracidade;
ou o inverso. Embora se considere enganosa esta argumentação, ela é acolhida no tribunal para determinar a inocência dos réus em juízo.
Ex.: Na falta de provas que incriminem um determinado cidadão acusado de autoria de um crime, concluir a sua inocência.

Lógica proposicional

A lógica formal não se esgota no estudo do silogismo, ou seja, na lógica clássica ou aristotélica, que é totalmente formal e demonstrativa, passemos
então ao estudo da lógica Moderna ou Logística de Bertrand Russel. Habitualmente é designada por lógica Simbólica, para outros, lógica
Matemática.
A lógica proposicional é um esforço de união entre a Lógica e a Matemática, recorrendo a uma linguagem simbólica para traduzir as proposições e
as suas relações, evitando desta forma ambiguidades que resultam do uso que se faz da linguagem natural.

Na aplicação desta lógica, é preciso ter em consideração os seguintes aspectos:


• As variáveis ou variáveis proposicionais – são letras minúsculas do nosso alfabeto, que usamos para representar as proposições simples/atómicas
ou complexas/molecular, essas vaiáveis são também designadas de letras enunciativas: p, q, r, s, t, etc.

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
• As conectivas lógicasou operações lógicas –são palavras usadas para conectaras proposições atómicas entre si numa proposição composta, são em
número de seis: ~, ^,v ou +, w,→ou=>,↔ou.

• Os parênteses (curvos ou rectos) e as chavetas: {, [, ( ), ], } funcionam como sinais de pontuação nas proposiçõescomplexas, tal como a vírgula e
os pontos. A ordem da utilização é a mesma que a de matemática. Por exemplo, não saberíamos com exactidão o resultado da operação 2+3x5, é
igual a 25 ou 17? Assim também, sem o uso de parênteses na lógica proposicional dificilmente distinguiríamos as seguintes fórmulas
proposicionais: ~(p→q) e ~p→q.

• O valor lógico das proposições – diz que uma proposição é verdadeira ou é falsa: p é verdadeira = V (1), ou p é falsa =F (0).

1.7.1 Proposições simples e proposições complexas


As proposições são frases do tipo declarativo às quais se associam aos valores de verdade ou falso (V ou F). As proposições podem ser simples ou
atómicas e complexas ou moleculares.

As simples ou atómicas são aquelas que não se podem decompor em outras proposições, daí que o seu valor lógico depende unicamente do
confronto com os factos de que enunciam. Ex.: os moçambicanos são honestos.

As complexas ou moleculares são aquelas que se podem decompor em outras proposições consideradas simples.
Ex.: Lurdes Mutola foi campeã olímpia dos 800m ou cantora ou dançarina.
Esta proposição é composta pelas seguintes proposições:
- Lurdes Mutola foi campeã olímpia dos 800m.
- Lurdes Mutola foi cantora.
- Lurdes Mutola foi dançarina.

1.7.2 Conectivas Lógicas ou Operadores lógicos


As conectivas lógicas ou operadores lógicos são partículas que designam as diferentes operações lógicas. À semelhança da matemática, em que os
símbolos +, -, xe : designam diferentes operações sobre os números, as partículas como e, ou, se…então…, e outras designam diferentes operações
sobre valores de verdade.
Observa o quadro a seguir:

Operações Símbolo Exemplo Expressão verbal


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A vida sem busca não é digna de ser vivida
Lógicas
Negador ~ ~p Não p; não é verdade que p; é falso que
Negação Não p; não é o caso de p; não é certo que p.
Conjunção/Conjuntor ^ (.) p^q p^q, equivale a mas, também, ainda que,
e porém, etc.
Disjunção inclusiva v(+) pvq pvq.
ou
Disjunção exclusiva W pwq Ou p ou q; seja p seja q.
ou…ou
Condicional →, o=> p→q Se p então q; se p,q.
Condicionador
Implicação
Bicondicionador ↔,  p↔q Se e somente se p, q; se e só se; quando
Equivalência e somente quando.

1.7.3 As Tabelas de verdade


As operações lógicas que se realizam com as conectivas são apresentadas sob forma de tabelas de verdade, onde é possível combinar todos os
valores de verdades possíveis das proposições conectadas. Dado que estamos perante uma lógica bivalente, isto é, a lógica que admite dois valores
de verdade (verdade ou falso).
Ex.: consideremos a seguinte conjunção: Khatija estuda eMataka joga futebol. Podemos atribuir a proposição“Khatija estuda”, de proposição p;
também podemos atribuir a proposição “Mataka joga futebol”, de q. Isto é equivalente:

Khatija estuda - p
e-^
Mataka joga futebol - q
Para a construção de tabela de verdade, devemos ter em conta a seguinte fórmula: 2n. Onde, n indica o número total de combinações de valor lógico
nas variáveis atómicas. Indicando assim, o número de casos possíveis..

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
No exemplo anterior, teremos 4 casos possíveis, porque somos apresentados apenas duas (2) proposições que correspondem a “n” da fórmula.
Assim sendo, teremos: 2n = 2x2=4.
Casos possíveis Proposições simples Proposições compostas
Khatija estuda Mataka joga Khatija estuda e Mataka joga
futebol futebol

1º caso V V V
2º caso V F F
3º caso F V F
4º caso F F F

Servindo-nos de Tabela de verdade, é possível verificar a validade ou não das proposições e, consequentemente das operações. Dado um juízo
composto qualquer, constrói-se a sua tabela de verdade, fazendo uma coluna para cada proposição e uma terceira para o sinal da operação resultante
das proposições conectadas.
F V
1.7.4 As operações lógicas sobre as proposições
Negação (~) Conjunção (^)

Denomina-se Negação de um operador que, ao ligar-se a uma única A conjunção é verdadeira quando os seus conjuntos forem todos
proposição, a torna falsa se é verdadeira e verdadeira se é falsa. verdadeiros, será falso nos restantes casos.

Ex.: p: Maputo é Capital de Moçambique. (V ou 1) Ex.: O Vicente está doente e o médico está ausente.

~p: Maputo não é Capital de Moçambique (F ou 0) p ^ q

Não pode ter o mesmo valor lógico. V V V

p ~p V F F

V F F F V

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
F F F F F F

Disjunção exclusiva (w)


A disjunção exclusiva, só será verdadeira quando os seus conjuntos
Disjunção Inclusiva (V) tiverem valores distintos. Em restantes casos será sempre falso.
A disjunção inclusiva é falsa quando as proposições que a compõe são Ex.: Estas vivo ou estás morto.
falsas. Será verdadeiro em outros casos. p q pw q
Ex.: Está sol ou a temperatura está agradável. V V F
p q pv q V F V
V V V F V V
V F V F F F
F V V

p q p→ q Condicional ou implicação (→)

V V V Numa implicação, só será falsa caso o

V F F antecedente seja verdadeiro e o

F V V consequente falso. Bicondicional ou Equivalência ou dupla implicação ()


A equivalência é verdadeira quandoos seus conjuntos tiverem valores
F F V
idênticos.
Ex.: Se Jaime estuda, então passa de classe. Ex.: X é par se e somente se é divisível por 2.
p q p↔q
V V V
V F F
F V F

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
F F V

Como preencher a tabela de verdade?


O preenchimento seguro das combinações de V e F deve primeiramente partir da proposição atómica mais à direita para a esquerda. Ou seja,
iniciar sempre pelo preenchimento dos valores lógicos da coluna da última variável atómica, alternando apenas o “V” pelo “F”, até completar o
número de combinações necessárias, conforme a proposição molecular envolva 2, 3 ou 4 proposições atómicas. Em segundo, preencher a coluna
seguinte correspondente à variável da proposição atómica anterior (sempre na ordem da direita para a esquerda) alternando o duplo “V” pelo
duplo “F”, até equipara-se ao número em que cessou o preenchimento da coluna anterior.

Salientar que numa proposição molecular apresenta vários conectores, sendo assim, a ordem de cálculo é: 1º: negação,2º: conjunção, 3º:
disjunção inclusiva, 4º: disjunção exclusiva,5º: implicação e, 6º: é equivalência.

Se o último resultado do cálculo de proposição simples ou molecular, dar tudo verdade, diz-se que a proposição é tautologia; se dar tudo falso,
diz-se que é contradição; se dar verdade e falso, diz-se que é contingência ou indeterminação.

Exemplo de uma proposição molecular composta por três proposições simples.


Fórmula: 2n.
2x2x2=8. Assim significa que temos 8 casos possíveis.
A Maria estuda e António trabalha se e somente se os pais costearem as despesas.

A Maria estuda - p
e- ^
António trabalha – q
se e somente se ↔
os pais costearem as despesas – r

(p ^ q) ↔ r (p^q)↔r
V V V V V
V V V F F
V F F F V V/F
V F F V F Contingência
F F V F V ou

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A vida sem busca não é digna de ser vivida
F F V V F indeterminação
F F F F V
F F F V F

Atenção: no caso do conector da negação, já não se preenche essa coluna nestes moldes pois, como referimos, o negador é um conector unário,
com uma só proposição atómica. Entretanto deve indicar o valor lógico da proposição de modo a orientar a aferição do valor lógico da negação.

Exercício
30. Simbolize as proposições, em seguida constrói a tabela de verdade.
a) Não é verdade que Júnior está doente e Ana dança.
b) Se a Maria dança ou estuda então a Maria dança.
c) A ciência é incerta porque nada é seguro.
d) O nº de pessoas aumenta numa região se e somente se não haver o planeamento.
e) Os adeptos estarão felizes se e somente se Mambas golearem o Sudão, então os Mambas ganharão o jogo.

31. Determine o valor lógico usando a tabela de verdade.


a) (pvq)^(r→~q)vr 32. Sendo p falso, q falso e r verdadeiro. Determine as proposições
b) p^q→(p↔qvr) se são tautológicas, contingências ou indeterminação.
c) pvq↔p^q a) [(pvq) ^(q^r)]→(p^q)
d) ~[pv(~pvq] b) ~[~(~q^r)]→ [~(~p)]
c) (p→q)v~(q^r)
Resolução: d) (p↔q→qvp)→r
31,a) (pvq)^(r→~q)vr e) p^(pvq)↔p

(p v q) ^ (r → ~q) v r (pvq)^(r→~q)vr
Resolução de 32, a) [(pvq) ^(q^r)]→(p^q)
V V V F V F F V V
V V V V F V F V F [(FvF) ^(F^V)]→(F^F)
V V F V V V V V V V/F
V V F V F V V V F Contingência (F ^F)→(F)
F V V F V F F V V ou
F V V V F V F V F indeterminação F→F
F F F F V V V V V
F F F F F V V F F V R/. O resultado é
tautologia.

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