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Transfiguração do lugar comum

 Uma ontologia da obra de arte – responder qual é a diferença ontológica entra as


obras de arte e objetos comuns que eventualmente lhes são indiscerníveis

- Danto – historia da arte = história da filosofia da arte

Teoria da arte cuja descoberta se tornou possível pela arte contemporânea

O conceito de arte é possível por uma teoria da arte indexada a um momento histórico
particular

Função parcial de uma interpretação limitada pela possibilidade histórica

Obra de arte – constituída em relação a uma interpretação (determinação das relações


entre a obra e sua contraparte material) [sistema de referências – a moda dos jogos de
linguagem de wittgenstein ou das ferramentas humanas formando um sistema total
heidegger]

Danto – essencialista (a obra de arte têm uma essência, um conceito fechado) +


historicista (desenvolvimento progressivo, cada definição de arte responde à um contexto
histórico específico) = desenvolvimento do conceito de obra de arte, mesmo a partir de
conceitos equivocados ou insuficientes, mas que foram momentos de progresso na
realização da definição bem sucedida do que arte essencialmente é.

Arte clássica (modelo renascentista) – teoria da verossimilhança

Arte Moderna – teoria da especificidade do médium (clemente Greenberg, kant, dobra sob
si mesma, o tema da pintura é a tinta, etc)

Arte contemporânea - ?

Warhol/Duchamp – quando a arte coloca em questão a indiscernibilidade entre os seus


objetos e os do mundo cotidiano, esta realiza sua própria filosofia – a genuíno problema
filosófico – nada interno à experiência (sensível) revela a que ordem pertence

Brillo box – a questão do que é arte é posta em sua própria forma (alcança sua
autoconsciência) fim da arte

Inspiração hegeliana – desenvolvimento histórico irresistível. Arte parece uma forma auto-
alienada de filosofia – só é possível alcançar o conceito de arte quando esta chega ao
fim/olhar para trás/ conceito é o tempo da coisa etc...

- circunstância histórica penetra a substância da arte

-necessária uma interpretação determinada pelos limites da possibilidade histórica

Wolfflin – nem tudo é possível a em qualquer momento.

- a história é inseparável da interpretação; arte é inseparável da história

- as obras de arte são internamente relacionadas com as interpretações que as definem

Arte – corporifica significado (forma presentificadora =/= formas discursivas (significado é


externo) Suzanne K. Langer
Obra de arte – resultado da história e da teoria da arte

Obra de arte = objeto + significado (interpretação mostra como é essa relação, como o
objeto em que o significado está corporificado efetivamente o incorpora)

Interpretação das obras de arte é o cerne do exercício da crítica da arte.

Apreciação estética – tudo pode ser considerado com distanciamento estético/ reações
estéticas diferentes dependendo das convenções, das crenças, do contexto envolvido –
aspectos não miméticos – possibilitam a existência da própria arte mimética

Conteúdo e causalidade

Obra de arte/falsificação – a diferença está na história da cada um dos objetos, o modo


como estes surgiram no mundo.

Os eventuais dilemas que temos quando lidamos com obras de arte e objetos comuns
indistinguíveis, como por exemplo, uma obra e uma falsificação, podem ser diferenciados,
através da exposição da história de cada objeto.

Gravata do Picasso – só ele poderia ter feito, não só por ser um artista, resultado de um
contexto histórico, da evolução da teoria da arte. O conteúdo dessa obra é diferente da
gravata falsificada ou a do cezane, que usava pra limpar pincéis.

Obras de arte tem uma condição causal. A diferença está na história causal.

Filosofia e arte

Coincidência entre a autorreflexividade da arte e da filosofia

Filosofia – tem de ser sistemática

Aprender sobre um objeto significa aprender também meu próprio pensamento = as


estruturas dos objetos que o ato de pensar revela também são revelações sobre as
estruturas do pensamento

Arte – torna-se autoconsciente/ a questão filosófica do seu status quase se converteu em


sua própria essência/ eixo de articulação de suas energias internas / arte se transfiguraram
em exercícios de filosofia da arte.

Arte como tal – contrasta com a realidade

Filosofia – só pode existir quando a sociedade na qual surge conseguiu formar um conceito
de realidade. (contraste entre a realidade e outra coisa – aparência, ilusão, representação,
arte)

Abrir um fosso delimitado de um lado pela realidade e de outro por algo que estabeça um
contraste global com a realidade

Danto – a filosofia se ocupa do espaço entre a linguagem e o mundo

Porque a linguagem é exterior ao mundo? Porque são SOBRE alguma coisa ou DE alguma
coisa, se opõem as coisas. (aboutness)
Essa distância cobre o espaço no qual os filósofos sempre trabalharam – por isso a arte
tem pertinência filosófica.

Arte mimética – o fato de ser imitativa não quer dizer que exista necessariamente alguma
coisa que lhe corresponda

- a correspondência só é uma condição relevante para a representação a partir do


momento em que se colocam problemas de verdade e salsidade.

Arte – contrasta com a realidade

É possível imaginar um mundo sem obras de arte se esse mundo for aquele em que ainda não
se formou o conceito de realidade.

O valor filosófico da arte reside no fato histórico de, em seu surgimento, ter ajudado a trazer à
consciência dos homens o conceito de realidade, (por isso arte é uma questão filosófica)

Por isso os projeto de acabar com a distância entre arte e realidade falharam

Mondrian, Jasper Johns, o cara dos mapas, alvos, bandeiras.

Por mais que uma imagem se assemelhe à coisa que representa, continua sendo uma entidade
de ordem logicamente distinta, apesar de ser a imagem de uma imagem.

Estética e obra de arte

Duchamp

A reação estética deve passar pela mediação conceitual.

O fato de sabermos que uma coisa é uma obra de arte cria uma diferença no modo como
reagimos esteticamente a um objeto.

Se há reações estética diferentes diante de objetos indiscerníveis, a referência estética não


pode ter papel definidor na definição de arte

A distinção entre as obras de arte e as coisas comuns é anterior à reação estética

Ex arte mimética

Aristóteles – imitações causam prazer quando sabemos que são imitações; os originais não nos
trazem o mesmo deleite

Diderot – nos comovemos até as lágrimas com representações de coisa que por si só não nos
comoveriam, ou nos comoveriam de forma diferente.

Ou seja, considerações estéticas são insuficientes para chegar numa definição de arte

É preciso uma definição prévia para indicar as reações estéticas apropriadas a obras de arte
em contraste com meras coisas reais

Reações estéticas muitas vezes depende de crenças que temos sobre os objetos

Tese: uma obra de arte não pode ser reduzida ao seu suporte material e simplesmente
identificada com ele, pois se fosse assim, seria o que a mera coisa real é
A obra de arte forma uma entidade complexa com o seu respectivo objeto

“Construir a obra” – pode envolver sérias investigações na história e na filosofia da arte

Não quero dizer que a estética seja irrelevante para a arte, mas que a relação entre obra de
arte e a sua contraparte material deve ser primeiro entendida corretamente para que a
estética tenha qualquer propósito

As qualidades estéticas da obra são função de sua própria identidade histórica, e talvez seja
necessário rever completamente a avaliação de uma obra à luz das informações obtidas sobre
ela.