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DIREITO CONSTITUCIONAL

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PROFESSOR FABIO TAVARES

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CONSTITUIÇÃO

ITEM: Normas constitucionais – aplicabilidade e eficácia


1. As Constituições brasileiras se mostraram com avanços e retrocessos em relação aos direitos
humanos. A esse respeito assinale a alternativa correta.
(A)
A Constituição de 1946 apresentou diversos retrocessos em relação aos direitos humanos, principalmente no
tocante aos direitos sociais.
(B)
A Constituição de 1967 consolidou arbitrariedades decretadas nos Atos Institucionais, caracterizando diversos
retrocessos em relação aos direitos humanos.
(C)
A Constituição de 1934 se revelou retrógrada ao ignorar normas de proteção social ao trabalhador.
(D)
A Constituição de 1969, mesmo incorporando as medidas dos Atos Institucionais, se revelou mais atenta aos
direitos humanos que a Constituição de 1976.COMENTÁRIO:: A a D) A Constituição de 1946 não representou
retrocesso, mas verdadeira evolução em relação aos direitos sociais. Além de manter as garantias dos
trabalhadores que haviam sido conquistadas durante o “Estado Novo”, marcou importante “degrau” na
evolução do país (LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p.
70). A Constituição de 1969 foi a que mais trouxe retrocesso ao Brasil, em matéria de tutela dos direitos
humanos. Em que pesem as medidas decorrentes dos Atos Institucionais sob a égide da Constituição de 1967,
não se pode dizer que aquela se revelou mais atenta aos direitos humanos do que esta. Durante a vigência da
Constituição de 1967 tivemos a instituição de vários Atos Institucionais, dentre eles o AI-5, que suspendeu
diversas garantias constitucionais, fazendo com que o ordenamento jurídico brasileiro retrocedesse em matéria
de direitos humanos, isso sem mencionar o fechamento do Congresso Nacional. A Constituição de 1934 trouxe
várias normas de proteção social ao trabalhador, e foi promulgada sob a égide do governo de Getúlio Vargas,
conhecido pela defesa dos trabalhadores.

1. FUNDAMENTO: Doutrina (Devemos destacar que a nossa obra Teoria Unificada (Editora Saraiva) traz um
mega resumo sobre todas as Constituições Brasileiras).
2. SE LIGA: É muito comum a banca examinadora dentro do tema “Constituições Brasileiras” questionar
sobre as Constituições de 1934 e a de 1937 conhecida como “Polaca”.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

2.
(CESPE/2008.3) O art. 37, VII, da CF dispõe que “a administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também,
ao seguinte: (...) o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei
específica”. Acerca da interpretação e da aplicação dessas disposições constitucionais,
assinale a opção correta.
(A) O direito de greve dos servidores públicos é norma de eficácia plena.
(B)
A lei específica pode conter matéria estranha à disciplina do direito de greve dos servidores públicos.
(C) Na ausência de lei específica, é cabível a impetração de mandado de injunção.
(D)
Compete à justiça do trabalho julgar os dissídios relativos ao direito de greve dos servidores públicos
estatutários da administração direta, dos das autarquias e dos das fundações da UniãoCOMENTÁRIO:: A)
As normas de eficácia plena são normas de aplicabilidade imediata, porque não dependem de
regulamentação. Com isso, são normas autoaplicáveis, o que não condiz com o art. 37, VII, que exige
uma regulamentação. B) Por ser uma lei específica que irá disciplinar o direito de greve, ela não pode
conter matéria estranha à disciplina do direito de greve dos servidores públicos. C) O art. 37, VII, da CF
é norma de eficácia limitada, ou seja, que depende de regulamentação. Com isso, pela via difusa, é
cabível a impetração de mandado de injunção, e pela via concentrada, de ação direta de
inconstitucionalidade por omissão (arts. 5º, LXXI, e 103, § 2º, todos da CF). D) Compete à Justiça do
Trabalho processar e julgar as ações que envolvam o exercício do direito de greve (art. 114, II, da CF)
dos empregados públicos, sejam eles da administração direta ou indireta, e dos servidores públicos
federais (Lei n. 8.112/90). Contudo os servidores estatutários não possuem uma relação de trabalho, mas
sim de caráter institucional, de modo que a Justiça Estadual será competente.

1. FUNDAMENTO: Doutrina, Jurisprudência do STF (ver MI 708); art. 9º, da CF c \c Lei 7.783\89 e
Lei n. 8.112\90 (art. 57).

2. SE LIGA: As normas Constitucionais de eficácia limitada apresentam direitos, liberdades ou


prerrogativas constitucionais, todavia, o jurisdicionado fica impedido de EXECÊ-LOS por faltar
NORMA REGULAMENTADORA.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Interpretação da Constituição


3.
(CESPE/2007.1) No que concerne à hermenêutica e à aplicação das normas constitucionais,
assinale a opção correta.
(A)
Denomina-se mutação constitucional o processo formal de alteração da Constituição por meio das técnicas de
revisão e reforma constitucional.
(B)
Quando uma norma infraconstitucional contar com mais de uma interpretação possível, uma, no mínimo, pela
constitucionalidade e outra ou outras pela inconstitucionalidade, adota-se a técnica da interpretação conforme
para, sem redução do texto, escolher aquela ou aquelas que melhor se conforme(m) à Constituição, afastando-
se, consequentemente, as demais.
(C)
Ao contrário da norma de eficácia plena, a norma constitucional de eficácia contida é aquela que já contém
todos os elementos necessários para a sua aplicação imediata, não admitindo qualquer normatividade ulterior,
seja para aumentar a sua eficácia, seja para restringi-la.
(D)
A norma constitucional que preceitua como objetivos da República Federativa do Brasil erradicar a pobreza e
a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais são enquadrados como norma constitucional
de eficácia plena.

1. COMENTÁRIO: : A e B) A reforma constitucional é que seria a modificação do texto constitucional, através


de mecanismos traçados pelo poder constituinte originário, emendando, alterando, suprimindo ou
acrescentando artigos ao texto original. O que não ocorre com as mutações constitucionais, que não
alteram o texto constitucional, mas se transformam na interpretação da regra (Poder Constituinte Difuso).
C) Normas constitucionais de eficácia plena e contida são normas de aplicabilidade imediata, contudo, a
norma contida ou prospectiva poderá ter a sua abrangência reduzida pela norma infraconstitucional, o que
não ocorre com as normas de eficácia plena, que receberam do constituinte normatividade suficiente à sua
incidência. D) Os objetivos da República Federativa do Brasil são normas de eficácia limitada, portanto, de
aplicabilidade mediata e reduzida.

2. FUNDAMENTO: Jurisprudência do STF, Doutrina e art. 3º, da CF.

3. SE LIGA: Recentemente o STF julgou procedente a ADPF 54 que foi proposta em desfavor dos artigos
124, 125, 126 e 128, I, do CP. O STF declarou inconstitucional, sem redução do texto os dispositivos ora
citados do diploma penal, logo, a gestante tem o direito de retirar o feto anencéfalo. Em outras palavras,
os dispositivos infraconstitucionais continuam em vigor, mas sob a ótica de incriminar a conduta do aborto
nos casos de feto sem cérebro passa a ser inconstitucional.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

4. São princípios aplicáveis à interpretação constitucional, EXCETO:


(A)
Princípio da obrigatoriedade de interpretação autêntica.
(B) Princípio da interpretação sistemática.
(C) Princípio da interpretação conforme a Constituição.
(D) Princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

1. COMENTÁRIO:: A a D) Como brilhantemente mencionado pelo Professor Pedro Lenza (Direito


constitucional esquematizado, 13. ed., p. 94), “ao lado dos métodos de interpretação, a doutrina estabelece
alguns princípios específicos de interpretação e que podem ser assim esquematizados: princípios da
unidade da Constituição (nota do autor: também denominado princípio da interpretação sistemática); do
efeito integrador; da máxima efetividade; da justeza ou da conformidade funcional; da concordância prática
ou harmonização; da força normativa; da interpretação conforme a Constituição, da proporcionalidade ou
razoabilidade”. Sendo assim, está excluído o princípio da obrigatoriedade de interpretação autêntica.
2. FUNDAMENTO: Jurisprudência do STF e Doutrina (o tema é muito bem explorado na obra do Professor
Pedro Lenza - Direito constitucional).

3. SE LIGA: A expressão hermenêutica se deve ao mito do deus Hermes na mitologia grega, cuja função era
a de trazer e traduzir mensagens divinas entre eles – na condição de um mensageiro – ou destes para
linguagem dos seres humanos (Hermes tornava compreensível a linguagem dos deuses para os seres
humanos. Por isso que a hermenêutica se tornou a ciência da interpretação).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

5.
Assinale a alternativa INCORRETA:
(A) O preâmbulo constitucional serve de fonte interpretativa sistemática e histórica.
(B)
A contradição existente entre princípios constitucionais deve ser considerada apenas aparente, pois todas as
normas constitucionais devem formar um sistema harmônico.
(C)
Os princípios jurídicos são normas com grau de abstração mais elevado do que o das regras de direito.
(D)
A interpretação sistemática da Constituição pode ser realizada dentro de todo o sistema jurídico, considerando
normas constitucionais e infraconstitucionais.

1. COMENTÁRIO:: A) Há que observar que o preâmbulo foi votado e aprovado pela Assembleia Constituinte
e serve como referência para a elaboração, interpretação e integração do ordenamento jurídico. B) Os
dispositivos constitucionais servem como regra-matriz para a elaboração, interpretação e integração do
sistema nacional jurídico. São comandos que tornam o sistema harmônico. C) Para enfatizar ainda mais a
afirmativa, os princípios são ordenações que se irradiam e imantam os sistemas de normas, são (como
observam Gomes Canotilho e Vital Moreira, Fundamentos da Constituição, p. 409) “núcleos de
condensações nos quais confluem valores e bens constitucionais”. Os princípios, que começam por ser
base de normas jurídicas, podem estar positivamente incorporados, transformando-se em normas,
princípios e constituindo preceitos básicos da organização constitucional. D) Pelo princípio da unidade da
Constituição, a Constituição deve ser sempre interpretada em sua globalidade como um todo, e, assim, as
aparentes antinomias deverão ser afastadas.

2. FUNDAMENTO: Jursiprudência do STF (ADIn 2. 076/AC). Doutrina do Professor J.J Canotilho, Vital
Moreira, José A. da Silva e Gilmar Mendes.

3. SE LIGA: Conforme o STF o preâmbulo Constitucional não passa de mero “discurso político”, norma sem
eficácia normativa (Teoria Política ou da Irrelevância). A doutrina adota a teoria Específica, ou seja, o
preâmbulo é pura fonte de interpretação. Adotamos as duas teorias.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Preâmbulo e Ato das Disposições Constitucionais


Transitórias
6.
Acerca da teoria geral da Constituição Federal assinale a opção correta.
(A)
O constitucionalismo, que pode ser conceituado como o movimento político-social que pretende limitar o poder
e estabelecer o rol de direitos e garantias fundamentais está diretamente relacionado com a ideologia socialista
do início da primeira metade do século XX.
(B)
O poder constituinte derivado decorrente é caracterizado essencialmente pela sua ausência de vinculação a
qualquer regra anterior, pela sua autonomia e pela sua incondicionalidade.
(C)
O poder de reforma está limitado às chamadas cláusulas pétreas, entre as quais se inclui a proibição de
mudança do voto majoritário ou proporcional pelo voto distrital misto.
(D)
O valor social do trabalho e da livre iniciativa é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil.

1. COMENTÁRIO: A) Meados do século XVIII e não da primeira metade do século XX. B) O poder constituinte
derivado é dividido em reformador e decorrente, e suas regras estão todas estabelecidas pelo poder
constituinte originário, logo são subordinadas e condicionadas. C) O poder de reforma das emendas
constitucionais inclui a proibição de mudança do voto direto, secreto, universal e periódico (art. 60, § 4º, II,
da CF). D) Todo Estado deve desenvolver-se na consagração de um Estado Democrático de Direito, que
tem como fundamentos os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, IV, da CF).

2. FUNDAMENTO: Art. 60 e 1º, da CF. Doutrina (as obras da nossa Coleção OABNacional (Vol. de
Constituiconal) e Teoria Unificada apresentam um mega resumo sobre o Constitucionalismo).
3. SE LIGA: Os Princípios Fundamentais são os: Fundamentos, Poderes, Objetivos e Princípios
Internacionais da República Federativa do Brasil, respectivamente, art. 1º, 2º, 3º e 4º, da CF. Não confundir
com os Direitos Fundamentais (Direitos individuais, Coletivos, Sociais, de nacionalidade, Políticos e
Partidos Políticos).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

7.
Com relação ao preâmbulo da CF e às disposições constitucionais transitórias, assinale a opção
correta.
(A)
Por traçar as diretrizes políticas, filosóficas e ideológicas da CF, o preâmbulo constitucional impõe limitações
de ordem material ao poder reformador do Congresso Nacional, podendo servir de paradigma para a
declaração de inconstitucionalidade.
(B)
Considerando-se que o conteúdo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias é de direito
intertemporal, não é possível afirmar que suas normas ostentam o mesmo grau de eficácia e de autoridade
jurídica em relação aos preceitos constantes do texto constitucional.
(C)
A doutrina constitucional majoritária e a jurisprudência do STF consideram que o preâmbulo constitucional não
tem força cogente, não valendo, pois, como norma jurídica. Nesse sentido, seus princípios não prevalecem
diante de eventual conflito com o texto expresso da CF.
(D)
As disposições constitucionais transitórias são normas aplicáveis a situações certas e passageiras;
complementares, portanto, à obra do poder constituinte originário e, situando-se fora da CF, não pode ser
considerada parte integrante desta.

1. COMENTÁRIO:: O preâmbulo não é elemento obrigatório de qualquer Constituição. Prevalece entre nós
que o preâmbulo não possui força normativa, refletindo apenas a posição ideológica do constituinte,
conforme julgou o STF, ao concluir que a Constituição do Acre não violou os princípios da CF/88 ao deixar
de reproduzir a expressão “sob a proteção de Deus” nela consignada (ADIn 2. 076/AC). O ADCT é
composto por normas de transição ou de caráter temporário que possuem força constitucional e que, por
vezes, excepcionam as regras do corpo geral da Constituição da República, podendo mesmo prevalecer
sobre as regras permanentes quando houver regra expressa nesse sentido (art. 34, caput, do ADCT).

2. FUNDAMENTO: Art. 34, caput, do ADCT, Jurisprudência do STF (ADIn 2.076\AC) que aponta para a teoria
Política ou da irrelevância e a Doutrina majoritária que adota a teoria específica para o preâmbulo
Constitucional e a teoria Jurídica Comum para o ADCT.

3. SE LIGA: Leitura obrigatória do Preâmbulo e dos artigo 1º ao 4º, da CF e do art. 1º ao 10º, do ADCT.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: PODER CONSTITUINTE

Espécies
8.
(CESPE/2009.3 – aplicada em 2010) Assinale a opção correta acerca do disciplinamento das
emendas constitucionais.
(A) Há limitações implícitas ao poder reformador.
(B)
As limitações expressas com relação às emendas à CF restringem-se às temporais e às materiais.
(C)
As limitações materiais de emenda à CF relacionam-se à ideia de que a Constituição, documento mais
importante de um país, não pode ser alterada em regime de exceção.
(D)
As emendas à CF podem ser definidas como uma espécie extraordinária e transitória do gênero das reformas
constitucionais.

1. COMENTÁRIO: O Poder Constituinte reformador de emendas tem limitações explícitas, que são aquelas
expressas na Constituição Federal e classificadas em formais ou procedimentais, materiais, circunstanciais
e temporais. Há também cláusulas pétreas implícitas, a exemplo do quórum exigido para a aprovação de
uma emenda e do próprio § 4º do art. 60 da CF. As limitações materiais de emenda à Constituição Federal
relacionam-se à ideia de vedação às deliberações a proposta de emendas tendentes a abolir a forma
federativa, voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes e os direitos e garantias
individuais. Consoante isso, em determinadas circunstâncias, como a intervenção federal, estado de sítio e
estado de defesa, a Constituição não pode ser alterada de forma alguma devido ao regime de exceção.

2. FUNDAMENTO: Art. 60, § 1º, 2º, 3º e 4º, da CF.

3. SE LIGA: O Poder Constituinte apresenta duas espécies: Poder Constituinte Originário e o Poder
Constituinte Derivado que se divide em: Reformador (Revisão Constitucional e o Poder de Emendas
Constitucionais) e o Poder Constituinte Derivado Decorrente (art. 25, da CF c\c art. 11, do ADCT).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

Controle difuso (via de defesa, via de exceção)


9.
(CESPE/2007.2) Acerca do controle de constitucionalidade assinale a opção correta.
(A)
É cabível a arguição de descumprimento a preceito fundamental mesmo quando houver outra medida eficaz
para sanar a lesividade.
(B)
No recurso extraordinário, o recorrente deverá demonstrar, em preliminar, a repercussão geral das questões
constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o tribunal examine a admissão do recurso,
somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros.
(C)
Os partidos políticos têm legitimidade para instaurar o controle concentrado de constitucionalidade.
(D)
É obrigatória a oitiva do advogado-geral da União nas ações diretas de inconstitucionalidade por omissão.

1. COMENTÁRIO:A) A arguição de descumprimento a preceito fundamental é uma ação de natureza


subsidiária (residual). Não será admitida quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade
com força erga omnes (ADIn ou ADECON). B) Redação do art. 102, § 3º, da CF. C) Os partidos políticos
têm legitimidade para propor ADIn e ADECON, desde que tenham representação no Congresso Nacional
(art. 103, VIII, da CF). D) Não se trata de oitiva, pois quando o STF apreciar a inconstitucionalidade, em
tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o advogado-geral da União, que defenderá o
ato ou texto impugnado (art. 103, § 3º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Art. 102, § 3º, 103, VIII e seu § 3º, todos da CFL, c\c a Lei 9.868\99.

3. SE LIGA: Somente os legitimados do art. 103, da CF poderão propor ADIn, ADECOn, e ADPF, sendo certo,
que os Partidos Políticos com representação no Congresso Nacional, Entidades de classe de âmbito
nacional e as Confederações Sindicais são os únicos legitimados TEMÁTICOS ou especiais. Todos os
demais são denominados de legitimados NEUTRAIS.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

10.
(CESPE/2007.3) No controle de constitucionalidade de ato normativo pela via difusa discute-se o
caso concreto. A respeito desse controle, assinale a opção correta.
(A)
Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade afetam somente as partes envolvidas no processo, de
forma retroativa, em regra, de modo a desfazer, desde sua origem, o ato declarado inconstitucional,
juntamente com todas as consequências dele derivadas.
(B)
A declaração de inconstitucionalidade terá efeitos ex tunc e erga omnes por decisão do STF, pois somente
a este cabe assegurar a supremacia das normas constitucionais.
(C)
Os efeitos devem ser inter partes, podendo, entretanto, ser ampliados por motivos de segurança jurídica ou de
excepcional interesse social, em decorrência de decisão de dois terços dos membros do STF.
(D)
Os efeitos se tornarão ex tunc a partir do momento em que o Senado Federal editar uma resolução
suspendendo a execução, no todo ou em parte, da lei ou ato normativo declarado inconstitucional por decisão
definitiva do STF.

1. COMENTÁRIO: A) Como regra geral, no controle difuso os efeitos são inter partes e ex tunc. Entretanto,
o STF já reconheceu eficácia ex nunc (efeitos modulares da decisão - vide, e. g., RE 197.917, Rel. Min.
Maurício Corrêa). B) A inconstitucionalidade de lei federal, estadual, distrital ou municipal, reconhecida em
controle concreto (difuso), pode chegar ao STF por meio de recurso extraordinário (art. 102, III, a, b, e c,
da CF) ou ordinário. Contudo, os efeitos ainda serão inter partes e ex tunc. C) Incorreta, mas devemos
fazer menção à Reclamação n. 4.335, na qual o STF sinalizou que decisão anteriormente proferida por
aquela Corte no HC n. 82.959 poderia ser estendida para outros casos concretos. D) Segundo prevalece,
a suspensão pelo Senado se dá com eficácia ex nunc e erga omnes (art. 52, X, da CF).

2. FUNDAMENTO: Art. 102, 103 e 52, X da CF; Lei. 9.868\99. Jurisprudência do STF: RE 197.917;
Reclamação n. 4.335 e HC n. 82.959.

3. SE LIGA: O Senado Federal é o único órgão que pode atribuir efeitos “erga omnes” no controle difuso.
Todavia, se exige que exista um decisão definitiva de mérito do STF e que após a publicação da resolução
do Senado Federal a lei declarada inconstitucional seja ela suspensa sem que os seus efeitos sejam
retroativos (“ex nunc”).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

11.
A obrigatoriedade ou necessidade de deliberação plenária dos tribunais, no sistema de controle
de constitucionalidade brasileiro, significa que:
(A)
Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial
poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
(B)
A parte legitimamente interessada pode recorrer ao respectivo Tribunal Pleno das decisões dos órgãos
fracionários dos Tribunais Federais ou Estaduais que, em decisão definitiva, tenha declarado a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.
(C)
Somente nas sessões plenárias de julgamento dos Tribunais Superiores é que a matéria relativa a eventual
inconstitucionalidade da lei ou ato normativo pode ser decidida.
(D)
A competência do Supremo Tribunal Federal para processar e julgar toda e qualquer ação que pretenda
invalidar lei ou ato normativo do Poder Público pode ser delegada a qualquer tribunal, condicionada a
delegação a que a decisão seja proferida por este órgão jurisdicional delegado em sessão plenária.

1. COMENTÁRIO: A a D) É a chamada cláusula de reserva de plenário. O sistema brasileiro de controle de


constitucionalidade é jurisdicional, ou seja, é deferida competência para que o Poder Judiciário declare a
inconstitucionalidade da lei ou ato normativo do Poder Público (art. 97 da CF). O controle difuso se atribui
a todos os órgãos do Poder Judiciário, desde a primeira instância, para declaração de inconstitucionalidade
de atos normativos. Fala-se, então, em via de exceção. O controle concentrado consiste no exercício da
competência que se atribui a um órgão de cúpula do Judiciário – Supremo Tribunal Federal, para a defesa
da Constituição Federal, ou o Tribunal de Justiça do Estado, no caso da defesa da Constituição Estadual.
Com isso, tanto no controle difuso como ao controle concentrado, quer em tribunais federais, quer em
tribunais estaduais a declaração somente poderá ser obtida em caso de respeito ao quórum de maioria
absoluta.

2. FUNDAMENTO: STF Súmula Vinculante nº 10; art. 97, 102, I, “a”, 103, da CF. Leis 9.868\99 e 9.882\99.
Art. 480 e ss. do Código de Processo Civil.

3.
4. SE LIGA: A regra da full bench, também conhecida como cláusula de reserva de plenário, é, por assim
dizer, um requisito para que lei ou ato normativo do Poder Público seja declarado inconstitucional, qual
seja o voto da maioria dos membros do tribunal.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

12.
Declarando o Supremo Tribunal Federal, incidentalmente, a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo federal em face da Constituição do Brasil, caberá:
(A)
Ao Procurador-Geral da República, como chefe do Ministério Público da União, expedir atos para o
cumprimento da decisão pelos membros do Ministério Público Federal e dos Estados.
(B)
Ao Presidente da República editar decreto para tomar inválida a lei no âmbito da administração pública.
(C)
Ao Senado Federal suspender a execução de lei, total ou parcialmente, conforme o caso, desde que a decisão
do Supremo Tribunal Federal seja definitiva.
(D)
Ao Advogado-Geral da União interpor o recurso cabível para impedir que a União seja compelida a cumprir
a referida decisão.

1. COMENTÁRIO: : A) O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de


inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal, não se falando
em expedição de atos para seu fiel cumprimento. B) De fato, compete privativamente ao Presidente da
República editar decreto, sobre organização e funcionamento da administração pública federal, extinção de
cargos ou funções, manter relações com Estados estrangeiros e celebrar tratados, mas nunca tornar inválida
a lei no âmbito da administração pública (art. 84, VI e suas alíneas). C) Compete privativamente ao Senado
Federal suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva
do Supremo Tribunal Federal (art. 52, X, da CF). D) Assim como a alternativa “A”, quando o Supremo
Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citaram
previamente o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.

2. FUNDAMENTO: Art. 102, I, “a”e art. 103, da CF. Leis 9.868\99 e 9.882\99.

3. SE LIGA: No controle de constitucionalidade difuso – também chamado de "sistema aberto" –, todos os órgãos do
Poder Judiciário realizam o controle. Este modelo foi criado pelos Estados Unidos. Já o controle concentrado –
conhecido também como "sistema reservado" –, foi adotado inicialmente na Áustria. Ele permite que somente poucos
órgãos do Judiciário tomem decisões a respeito da constitucionalidade de atos, sendo que quase sempre o controle é
competência exclusiva de um só órgão, geralmente o mais elevado do Judiciário, como a Suprema Corte.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”


ITEM: Controle concentrado: Ação direta de
inconstitucionalidade (arts. 102, I, a, 103, I a IX, e 97,
todos da CF/88; Lei n. 9.868/99)
13.
As alternativas a seguir apontam diferenças entre a ADI e a ADC, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-
a.
(A) Rol de legitimados para a propositura da ação.
(B) Objeto da ação.
(C) Exigência de controvérsia judicial relevante.
(D) Manifestação do Advogado-Geral da União.

1. COMENTÁRIO: A) Nos termos do art. 103 da CF, podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e
a ação declaratória de constitucionalidade: o Presidente da República; a mesa do Senado Federal; a mesa
da Câmara dos Deputados; a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
o Governador de Estado ou do Distrito Federal; o Procurador-Geral da República; o Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil; partido político com representação no Congresso Nacional e a
confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. B) A ação direta de inconstitucionalidade
tem como objeto a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação
declaratória de constitucionalidade, a declaração da constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, se
houver controvérsia judicial relevante. C) A exigência de controvérsia judicial relevante é requisito
indispensável para a propositura da ação declaratória de constitucionalidade, o que não se exige na ação
direta de inconstitucionalidade. D) O Advogado-Geral da União será citado previamente para defender o
ato ou texto impugnado, sempre que o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese,
de norma legal ou ato normativo. O AGU não será citado previamente na ADC por não ter interesse
processual, já que não há o que defender.

2. FUNDAMENTO: arts. 102, I, a, 103, I a IX, e 97, todos da CF/88; Lei n. 9.868/99.

3. SE LIGA: A ADECON foi criada para que o STF declarasse as leis julgadas inconstitucionais como
constitucionais, tendo como finalidade, afastar a insegurança jurídica ou mesmo o estado de incerteza sobre a
validade de lei ou ato normativo federal, preservando a ordem constitucional, isto é, modificar uma presunção
relativa (“juris tantum” de constitucionalidade em absoluta (“jure et jure”), pois se julgada procedente a ação
declaratória de constitucionalidade, tal decisão automaticamente vinculará os órgãos do Poder Judiciário e a
Administração Pública. Destarte, o desígnio da ADECON ou ADC é transferir a Suprema Corte a decisão no
tocante à constitucionalidade de um dispositivo legal controverso nos julgamentos dos tribunais, afastando-se o
controle difuso de constitucionalidade.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

14.
(CESPE/2007.3) Sobre o controle de constitucionalidade de atos normativos no ordenamento
jurídico brasileiro assinale a opção correta.
(A)
Cabe ao STF o julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade contra atos normativos federais,
estaduais ou municipais.
(B)
Emendas constitucionais, por gozarem do caráter de normas constitucionais, não são passíveis de serem
controladas na sua constitucionalidade.
(C)
A jurisprudência do STF não admite, em sede de ação direta de inconstitucionalidade, o controle de
constitucionalidade de atos normativos pré-constitucionais.
(D)
A Constituição de 1988, desde a sua redação originária, previa o efeito vinculante das decisões tomadas pelo
STF nas ações diretas de inconstitucionalidade.
1. COMENTÁRIO: A) Cabe ao STF processar e julgar, originariamente, as ações diretas de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual (art. 102, I, a, 1ª parte, da CF). B) As
emendas constitucionais pertencem ao poder constituinte derivado, que é um poder limitado, condicionado
e subordinado ao poder constituinte originário, logo são passíveis de ser controladas na sua
constitucionalidade. C) Não se admite a interposição de ação direta de inconstitucionalidade para atacar
lei ou ato normativo revogado ou de eficácia exaurida (RTJ 95/980, 95/993, 99/544 e 145/339). D) A
determinação veio a partir da Emenda Constitucional n. 45, de 8-12-2004, que acrescentou o § 2º ao art.
102 da CF/88.

2. FUNDAMENTO: arts. 102, I, a, 1º parte e § 2º, 103, I a IX, 125 e 97, todos da CF/88; Lei n. 9.868/99 e
Jurisprudência dos tribunais 95/980, 95/993, 99/544 e 145/339.

3. SE LIGA: O primeiro caso judicial em que uma Suprema Corte, no caso a Suprema Corte norte-americana,
afirmou seu poder de exercer o controle de constitucionalidade foi em Marbury v. Madison.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

15.
Em relação ao controle concentrado de constitucionalidade pelo STF, assinale a alternativa
INCORRETA:
(A)
De modo geral, a declaração de inconstitucionalidade no sistema de controle concentrado produz efeitos
retroativos à edição da lei impugnada.
(B)
Na hipótese de declaração de inconstitucionalidade de lei, é possível que ocorra o efeito repristinatório em relação
à lei que teria sido revogada pela lei declarada inconstitucional.
(C)
A interpretação conforme a Constituição, que poderá acarretar a declaração de inconstitucionalidade sem
redução de texto, somente poderá ser utilizada quando a norma possuir um sentido unívoco, sem possibilidade
de interpretações variadas.
(D)
A declaração de inconstitucionalidade pode ser total ou parcial, abrangendo apenas uma palavra, por exemplo.

1. COMENTÁRIO: A a D) Em regra, a declaração definitiva de inconstitucionalidade de uma lei ou ato


normativo tem efeitos ex tunc, ou seja, a lei ou o ato são considerados nulos desde o seu nascimento,
não devendo por isso produzir qualquer efeito. Excepcionalmente, ao declarar a inconstitucionalidade de
uma lei ou ato normativo em ação direta de inconstitucionalidade, poderá o STF, por maioria de dois terços
de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração. Devemos lembrar que na hipótese de
declaração de inconstitucionalidade de lei é possível que ocorra o efeito repristinatório em relação à lei
que teria sido revogada pela lei declarada inconstitucional. Conforme decisão do STF, pode declarar a
inconstitucionalidade de apenas uma parte desta, razão por que muitos afirmam que o controle principal
da constitucionalidade admite a parcelaridade, também denominada divisibilidade. Com isso, na
declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, afasta-se parcialmente a aplicação da norma.

2. FUNDAMENTO: Arts. 102, I, a, 103, I a IX e seus parágrafos, todos da CF/88; Leis n. 9.868/99 e 9.882\99.

3. SE LIGA: Conforme o próprio nome explicita, concentrado é o tipo de controle feito


apenas por um órgão, cuja função é unicamente a de versar sobre a
constitucionalidade de leis. O exemplo típico é a Corte Constitucional austríaca,
estabelecida pela Constituição deste país em 1920, idealizada por Hans Kelsen. No
Brasil, existe a possibilidade de controle concentrado perante o Supremo Tribunal
Federal, desde 1965, quando a Emenda Constitucional n.º 16 estabeleceu poderes
ao Procurador-Geral da República para questionar matérias inconstitucionais
diretamente na última instância do ordenamento jurídico.
Gabarito Oficial: Alternativa “C”
ITEM: Controle concentrado: Ação direta de
inconstitucionalidade por omissão (art. 103, § 2º, da CF/88)
16.
Assinale a opção correta no que diz respeito ao controle das omissões inconstitucionais.
(A)
A ação direta de inconstitucionalidade por omissão que objetive a regulamentação de norma da CF somente
pode ser ajuizada pelos sujeitos enumerados no artigo 103 da CF, sendo a competência para o seu julgamento
privativa do STF.
(B)
Na omissão inconstitucional total ou absoluta, o legislador deixa de proceder à completa integração
constitucional, regulamentando deficientemente a norma da CF.
(C)
A omissão inconstitucional pode ser sanada mediante dois instrumentos: o mandado de injunção, ação própria
do controle de constitucionalidade concentrado; e a ação direta de inconstitucionalidade por omissão,
instrumento do controle difuso de constitucionalidade.
(D)
O mandado de injunção destina-se à proteção de qualquer direito previsto constitucionalmente, mas
inviabilizado pela ausência de norma integradora.

1. COMENTÁRIO:A) Matéria já debatida em questões anteriores. Redação do art. 102, I, a, c/c o art. 103, §
2º, todos da CF. B) O legislador não chega nem mesmo a regulamentar com deficiência. A ADIn por
omissão visa tornar efetiva a norma constitucional. C) A omissão inconstitucional pode ser sanada
mediante dois instrumentos: o mandado de injunção, ação própria do controle de constitucionalidade
DIFUSO; e a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, instrumento do controle CONCENTRADO
de constitucionalidade. D) O autor entende que a questão também está correta, pois a Constituição Federal
no art. 5º, LXXI, determinou que o mandado de injunção poderá ser impetrado sempre que faltar norma
regulamentadora que inviabilize o exercício de qualquer direito ou liberdade constitucional e principalmente
as prerrogativas inerentes a nacionalidade, soberania e cidadania.

2. FUNDAMENTO: Arts. 102, I, a, 103, I a IX e seus parágrafos, todos da CF/88; Leis n. 9.868/99 e 9.882\99.

3. SE LIGA: A ação direta de inconstitucionalidade por omissão não tem por objetivo a defesa de um
direito subjetivo, de um interesse juridicamente protegido lesado ou na iminência de sê-lo. É
voltada inteiramente para a defesa da Constituição, declarando a mora do legislador frente a
uma omissão legislativa e adotando medidas para o suprimento desta omissão constitucional,
que será feita por inciativa do próprio órgão remisso.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: Controle concentrado: Ação declaratória de


constitucionalidade (arts. 102, I, a; 103, I a IX,
da CF/88; Lei n. 9.868/99)
17.
(CESPE/2007.2) Em relação ao controle de constitucionalidade das leis no direito brasileiro
assinale a opção correta.
(A)
O autor de ação declaratória de constitucionalidade deve demonstrar existência de controvérsia judicial na
aplicação da norma pelos tribunais ao questionar a norma perante o Supremo Tribunal Federal (STF).
(B)
Não se exige de governador de estado demonstração de pertinência temática para propositura de ação direta
de inconstitucionalidade.
(C)
Resolução do Senado Federal é o instrumento adequado para dar eficácia erga omnes a decisão de ação
direta de inconstitucionalidade.
(D)
A decisão na ação direta de inconstitucionalidade não tem eficácia vinculante.
1. COMENTÁRIOA) A ação declaratória de constitucionalidade foi instituída pela EC n. 3, de 17-3-1993, e
visa à constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, sendo proposta pelos mesmos legitimados ativos
da ação direta de inconstitucionalidade do art. 103 da CF, tendo por finalidade resolver relevante
controvérsia judicial sobre a constitucionalidade, e seu julgamento compete exclusivamente ao Supremo
Tribunal Federal (arts. 102, I, a, da CF e 14, III, da Lei n. 9.868/99). B) Conforme a ADIn 1.096, os
governadores (ou DF), as confederações sindicais e as entidades de classe de âmbito nacional e a mesa
da Assembleia Legislativa (ou a Câmara Legislativa do Distrito Federal) são legitimados temáticos ou
específicos, logo devem demonstrar a pertinência temática. C) Apenas no controle difuso (art. 52, X, da
CF). D) A ação direta de inconstitucionalidade tem eficácia vinculante, conforme o art. 102, § 2º, da CF.

2. FUNDAMENTO: Arts. 102, I, a, 103 e seus parágrafos, da CF e 14, III, da Lei n. 9.868/99. ADIn 1.096 e
art. 52, X, da CF.

3. SE LIGA: Os legitimados universais podem propor a ADI sobre qualquer assunto. São eles: o presidente
da república, as Mesas do Senado e da Câmara de Deputados, o Procurador-Geral da República, o
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o partido político com representação no Congresso
Nacional. Os legitimados especiais só podem propor ADI sobre determinado interesse, ou seja, pertinência
temática. Os que possuem pertinência temática são: os governadores de estado, as mesas das
assembléias legislativas (estado) ou câmara legislativa (DF) e a confederação sindical e a entidade de
classe.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

18.
Acerca do controle concentrado de constitucionalidade exercido pelo STF assinale a opção
correta.
(A) É possível a declaração de inconstitucionalidade de normas constitucionais originárias.
(B)
É cabível o ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade cujo objeto seja lei ou ato normativo distrital
decorrente do exercício de competência estadual e municipal.
(C)
A ação direta de inconstitucionalidade por omissão admite pedido de medida liminar.
(D)
Declarada a constitucionalidade de lei ou de ato normativo federal, em sede de ação declaratória de
constitucionalidade, não se revela possível a realização de nova análise contestatória da matéria sob a
alegação de que novos argumentos conduziriam a uma decisão pela inconstitucionalidade.
1. COMENTÁRIO: A) Em respeito ao princípio da unidade da Constituição, atualmente não existe hierarquia
entre normas constitucionais elaboradas pelo Poder Constituinte Originário, o que impede que uma seja
declarada inconstitucional em face da outra (ADIn 815-3). B) É cabível o ajuizamento de ação direta de
inconstitucionalidade cujo objeto seja lei ou ato normativo distrital decorrente do exercício de competência
apenas estadual (art. 102, I, da CF). C) Com a redação da Lei n. 12.063, de 27-10-2009, a alternativa “C”
passou a ser correta, pois os arts. 12-F e 12-G da lei em comento autorizam o Tribunal por decisão da
maioria absoluta de seus membros a conceder medida cautelar. D) Já se presume que a norma seja
constitucional, assim declarada a constitucionalidade de lei ou de ato normativo federal, em sede de ação
declaratória de constitucionalidade; não se revela possível a realização de nova análise contestatória da
matéria sob a alegação de que novos argumentos conduziriam a uma decisão pela inconstitucionalidade.

2. FUNDAMENTO: Arts. 102, I, a, 103, I a IX e seus parágrafos, todos da CF/88; Leis n. 9.868/99 e 9.882\99.

3. SE LIGA: O entendimento consolidado na Corte Suprema, que considera cabível a concessão de medida
cautelar em sede de ADC, encontra respaldo jurídico no sistema constitucional de controle de
constitucionalidade, haja vista o poder geral de cautela do juiz e a natureza dúplice da ADC e da ADIN.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”


19.
Considerando o sistema de controle de constitucionalidade previsto na Constituição da
República de 1988, é CORRETO afirmar que:
(A)
É obrigatória a participação do amicus curiae no julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade.
(B)
O Procurador-Geral da República sempre deverá ser ouvido nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade.
(C)
O Prefeito Municipal tem legitimidade para a propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade.
(D)
Nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade, o Procurador-Geral da República será citado para defender a
constitucionalidade da lei impugnada.

1. COMENTÁRIO A) Como se sabe, não cabe intervenção de terceiros em ação direta de


inconstitucionalidade; contudo, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos
postulantes, o relator poderá admitir a manifestação escrita ou oral de outros órgãos ou entidades, que
atuarão como amicus curiae, nos termos do § 2º do art. 7º da Lei n. 9.868/99 e § 3º do art. 482 do CPC.
B) Prevalece o entendimento de que é desnecessária a manifestação do advogado-geral da União, pois
a ação já visa à defesa da norma objeto do pedido; contudo, o procurador-geral da República sempre
será ouvido nas ações declaratórias de constitucionalidade (art. 103, § 1º, da CF). C) O art. 103 da CF
traz um rol numerus clausus (taxativo). D) Quando o STF apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de
norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o advogado-geral da União, que defenderá o ato ou
texto impugnado (art. 103, § 3º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Arts. 102 e 103, da CF; § 2º do art. 7º da Lei n. 9.868/99 e § 3º do art. 482 do CPC.

3. SE LIGA: O ‘amicus curiae” é o "Amigo da Corte". Intervenção assistencial em processos de controle de


constitucionalidade por parte de entidades que tenham representatividade adequada para se manifestar nos autos
sobre questão de direito pertinente à controvérsia constitucional. Não são partes dos processos; atuam apenas como
interessados na causa.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: Controle concentrado: Arguição de descumprimento de


preceito fundamental (art. 102, § 1º, da CF/88; Lei n. 9.882/99)
20.
Se Governador de Estado desejar se insurgir contra súmula vinculante que, a seu juízo, foi
formulada com enunciado normativo que extrapolou os limites dos precedentes que a
originaram, poderá, dentro dos instrumentos processuais constitucionais existentes,
(A) ajuizar ADI contra a súmula vinculante.
(B) ajuizar ADPF contra a súmula vinculante.
(C) interpor reclamação contra a súmula vinculante.
(D) requerer o cancelamento da súmula vinculante.

1. COMENTÁRIO: A a D) O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula
que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem
como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Sem prejuízo do que vier a
ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderão ser provocados por
aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Ressaltamos que a ADI só poderá ser
proposta contra leis federais, estaduais ou atos normativos do poder público, emendas constitucionais e
decretos autônomos e a ADPF contra leis federais, estaduais, municipais e normas pré-constitucionais,
desde que tenha se esgotado a via ordinária.
2. FUNDAMENTO: Art. 103-A, da CF.

3. SE LIGA: Súmula é uma palavra originária do latim SUMMULA, que significa sumário, restrito, resumo. É uma síntese
de todos os casos, parecidos, decididos da mesma maneira, colocada por meio de uma proposição direta e clara. A
súmula não possui caráter cogente, servindo apenas de orientação para futuras decisões, salvo as SÚMULAS
VINCULANTES.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

21.
O Governador de um Estado-membro da Federação pretende se insurgir contra lei de seu Estado
editada em 1984 que vincula a remuneração de servidores públicos estaduais ao salário mínimo.
Os fundamentos de índole material a serem invocados são a ofensa ao princípio federativo e a
vedação constitucional de vinculação do salário mínimo para qualquer fim.

A ação constitucional a ser ajuizada pelo Governador do Estado perante o Supremo Tribunal
Federal, cuja decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais
órgãos do Poder Público, é a(o)

(A) Ação direta de inconstitucionalidade.


(B) Mandado de injunção.
(C) Arguição de descumprimento de preceito fundamental.
(D) Mandado de segurança coletivo.

1. COMENTÁRIO: A) A ação direta de inconstitucionalidade é competência originária do STF, na qual se


pleiteia, como pedido principal, a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou
estadual. Há de se observar, porém, que normas anteriores à Constituição vigente e com ela incompatíveis
devem ser consideradas não recepcionadas e não inconstitucionais. B) O mandado de injunção tem objeto
mais restrito, pois só conhece a ausência de norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos
direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania. Ademais, a decisão do mandado de injunção produz efeitos inter partes. C) A ADPF é uma ação
de natureza subsidiária, com força erga omnes. Além disso, pode ter por objeto relevante a controvérsia
constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à
Constituição vigente à época de sua propositura (direito pré-constitucional). D) Nos termos do art. 5º, LXX,
da CF, os legitimados são: partido político com representação no Congresso Nacional, organização
sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um
ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados.

2. FUNDAMENTO: Arts. art. 102, §1 e 103, da CF; Lei 9.882\99.

3. SE LIGA: A recepção constitucional ocorre quando se é editada uma nova Constituição e as normas
infraconstitucionais que existem passar por uma análise de adequação com o texto constitucional recém
editado. As norma infraconstitucionais recepcionadas são normas pré-constitucionais.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Controle de constitucionalidade estadual


22.
Em relação ao controle de constitucionalidade em face da Constituição Estadual, assinale a
alternativa correta.
(A)
Compete aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, reconhecida a legitimação para agir aos mesmos
órgãos e entidades legitimados a propositura de ação direta de inconstitucionalidade.
(B)
A decisão do Tribunal de Justiça que declara a inconstitucionalidade de lei local em face da Constituição
Estadual é irrecorrível, ressalvada a oposição de embargos declaratórios.
(C)
Não ofende a Constituição da República norma de Constituição Estadual que atribui legitimidade para a
propositura de representação de inconstitucionalidade aos Deputados Estaduais e ao Procurador-Geral do
Estado.
(D)
Não é possível o controle de constitucionalidade no plano estadual, no modo concentrado, se a norma
constitucional estadual tomada como parâmetro reproduzir idêntico conteúdo de norma constitucional federal.

1. COMENTÁRIO:A a D) Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis


ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da
legitimação para agir a um único órgão, contudo, a competência dos tribunais será definida na Constituição
do Estado, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça. Logo, em homenagem
ao princípio da simetria ou do paralelismo, não ofende a Constituição da República norma de Constituição
Estadual que atribui legitimidade para a propositura de representação de inconstitucionalidade aos
Deputados Estaduais e ao Procurador-Geral do Estado.

2. FUNDAMENTO: O art. 125, Parágrafo 2º da CF/88 atribuiu às Constituições Estaduais a competência para
instituir Adin no âmbito estadual. Jurisprudência RREE 91740, 93088 e 92169.

3. SE LIGA: ações diretas de inconstitucionalidade estaduais, em que lei municipal ou estadual seja
considerada inconstitucional em face de preceito da Constituição estadual que reproduza preceito central
da Constituição federal, nada impede que nessa ação se impugne, como inconstitucional, a interpretação
que se dê ao preceito de reprodução existente na Constituição do Estado por ser ela violadora da norma
reproduzida, que não pode ser desrespeitada, na federação, pelos diversos níveis de governo.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS


23.
(CESPE/2008.3) Assinale a opção correta no que se refere à aplicação do princípio da dignidade
da pessoa humana.
(A)
O uso de algemas não requer prévio juízo de ponderação da necessidade, como em casos de resistência e de
fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
pois, como a fuga é ato extremamente provável no momento da prisão, as algemas podem ser utilizadas como
regra.
(B)
A referência, na CF, à dignidade da pessoa humana, aos direitos da pessoa humana, ao livre exercício dos
direitos individuais e aos direitos e garantias individuais está relacionada aos direitos e garantias do indivíduo
dotado de personalidade jurídica ou não. Desse modo, a aplicação do princípio da dignidade humana exige a
proteção dos embriões humanos obtidos por fertilização in vitro e congelados, devendo-se evitar sua utilização
em pesquisas científicas e terapias.
(C)
A aplicação do princípio da insignificância, embora seja consequência do princípio da dignidade da pessoa
humana, não é aplicável aos crimes militares, haja vista a dignidade do bem jurídico protegido pelos tipos
penais que têm por objeto de proteção os interesses da administração militar.
(D)
A ausência de indicação da conduta individualizada dos acusados de crimes societários, além de implicar a
inobservância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, fere o princípio da
dignidade da pessoa humana.

1. COMENTÁRIO: A a C) O princípio da dignidade da pessoa humana, além de ser um dos fundamentos da


República Federativa, é uma referência constitucional unificadora dos direitos fundamentais inerentes à
espécie humana, ou seja, daqueles direitos que visam a garantir o conforto existencial das pessoas,
protegendo-as de sofrimentos evitáveis na esfera social, tais como o uso de algemas, que requer prévio
juízo de ponderação da necessidade, conforme a Súmula Vinculante 11; a permissão de se utilizarem
embriões humanos obtidos por fertilização in vitro e congelados em pesquisas científicas e terapias em
prol da própria pessoa humana; a aplicação do princípio da insignificância também nos crimes militares, já
que todos os demais princípios são derivados do princípio da dignidade da pessoa humana. D)
Combinação dos incisos III, XLVI, LV, todos do art. 5º da CF.

2. FUNDAMENTAÇÃO: a Súmula Vinculante 11; incisos III, XLVI, LV, todos do art. 5º da CF, Lei 11.105\2005
(Lei de Biossegurança); ADIn 3.510\DF. Informativo 508 do STF. Lei 9.434/97.

3. SE LIGA: A Adin 3. 510\DF foi julgada improcendente, assim, se permite, para fins de pesquisa e terapia, a
utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não usados
no respectivo procedimento, e estabelece condições para essa utilização (informativo 497 do STF).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS


24.
(CESPE/2007.1) A respeito dos direitos e das garantias fundamentais, assinale a opção correta.
(A)
No que se refere à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, a
Constituição Federal assegurou a preferência pelo modelo de reparação em detrimento da prevenção ao dano.
(B)
Os direitos e garantias fundamentais, criados como direitos negativos, impedem o poder público, mas não a
esfera privada, de violar o espaço mínimo de liberdades assegurado pela Constituição Federal.
(C)
De acordo com a doutrina majoritária, os direitos de segunda geração, ou direitos sociais, não constituem
simples normas de natureza dirigente, sendo verdadeiros direitos subjetivos que impõem ao Estado um facere.
(D)
A casa é o asilo inviolável, nela não se pode penetrar, salvo na hipótese de flagrante delito ou para prestar
socorro, durante o dia, ou por ordem judicial.

1. COMENTÁRIO: A) A Constituição Federal assegurou a indenização pelo dano material ou moral


decorrente de sua violação e não da prevenção ao dano (art. 5º, X, da CF). B e C) A teoria dos status de
Jellinek nos ensina que o status negativo é aquele que a autoridade do Estado exerce sobre homens livres.
Em aspectos gerais, a eficácia horizontal dos direitos fundamentais ocorre entre particulares, por isso que
é denominada eficácia privada ou externa. Com isso, os direitos fundamentais são direitos humanos de
primeira geração (liberdade); de segunda geração (direitos sociais); de terceira geração (solidariedade); e
de quarta geração (engenharia genética). D) A casa passa a ser violável nos casos de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou durante o dia, por determinação judicial.

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, da CF (leitura obrigatória). Doutrina (a nossa “Teoria Unificada (Editora Saraiva)
traz um mega resumo de todos os direitos fundamentais).

3. SE LIGA: Os direitos fundamentais a princípio são direitos subjetivos perante o Estado e, como
tradicionalmente é concebido, teriam efeitos diretos apenas na relação particular-Estado, enquanto que
nas relações entre particulares teriam efeitos apenas indiretos. A teoria da eficácia horizontal dos direitos
fundamentais (em alemão: Drittwirkung) propõe a incidência destes nas relações entre particulares também
de maneira direta. Portanto, a palavra eficácia é empregada no sentido de “âmbito”, “extensão”, “alcance”.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

25.
Com relação aos chamados “direitos econômicos, sociais e culturais”, é correto afirmar que
(A)
são direitos humanos de segunda geração, o que significa que não são juridicamente exigíveis, diferentemente
do que ocorre com os direitos civis e políticos.
(B)
são previstos, no âmbito do sistema interamericano, no texto original da Convenção Americana sobre Direitos
Humanos (Pacto de San José da Costa Rica).
(C)
formam, juntamente com os direitos civis e políticos, um conjunto indivisível de direitos fundamentais, entre os
quais não há qualquer relação hierárquica.
(D)
incluem o direito à participação no processo eleitoral, à educação, à alimentação e à previdência social.

1. COMENTÁRIO: A a D) Os direitos de primeira geração são os que se fundamentam na liberdade, civil e


politicamente considerada. São as liberdades públicas negativas, que limitam o poder do Estado,
impedindo-o de interferir na esfera individual; os de segunda geração são os que têm na igualdade o seu
fundamento, também denominados direitos de crédito ou direitos sociais; impõem ao Estado o
fornecimento de prestações destinadas ao cumprimento da igualdade e redução dos problemas sociais,
mas cuidado, a fraternidade ou solidariedade é o fundamento dos direitos de terceira geração e, por fim,
temos os direitos de quarta geração que materializam os direitos à democracia, à informação e o direito ao
pluralismo (para Norberto Bobbio, são direitos relacionados com o patrimônio genético de cada indivíduo
(A era do direito, Rio de Janeiro: Campus, 1996, p. 6). Concluímos que todos os direitos fundamentais,
sejam civis e políticos, formam um conjunto indivisível e sem hierarquia.

2. FUNDAMENTO: Arts. 6º e 170 da CF; Decreto nº 591 - de 6 de julho de 1992. Doutrina (Pacto Internacional
sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais)..

3. SE LIGA: O Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, está organizado em cinco
partes, que tratam respectivamente I – da autodeterminação dos povos e à livre disposição de seus
recursos naturais e riquezas; II – do compromisso dos estados de implementar os direitos previstos; III –
dos direitos propriamente ditos; IV – do mecanismo de supervisão por meio da apresentação de relatórios
ao ECOSOC e V – das normas referentes à sua ratificação e entrada em vigor.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

26.
Determinado congressista é flagrado afirmando em entrevista pública que não se relaciona com
pessoas de etnia diversa da sua e não permite que, no seu prédio residencial, onde atua como
síndico, pessoas de etnia negra frequentem as áreas comuns, os elevadores sociais e a piscina
do condomínio. Ciente desses atos, a ONG TudoAfro relaciona as pessoas prejudicadas e concita
a representação para fins criminais com o intuito de coibir os atos descritos. À luz das normas
constitucionais e dos direitos humanos, é correto afirmar que:
(A) o crime de racismo é afiançável, sendo o valor fixado por decisão judicial.
(B) o prazo de prescrição incidente sobre o crime de racismo é de vinte anos.
(C) nos casos de crime de racismo, a pena cominada é de detenção.
(D) o crime de racismo não está sujeito a prazo extintivo de prescrição.

1. COMENTÁRIO: A a D) A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades


fundamentais, sendo a prática do racismo crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão,
nos termos da lei. Sem prejuízo, devemos salientar que a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de drogas, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los,
se omitirem. Constitui ainda crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático

2. FUNDAMENTO: 5º, XLI, XLII, XLIII e XLIV, da CF c\c a Lei n. 9.034, de 3 de maio de 1995.

3. SE LIGA: A boneca Emília da obra de Monteiro Lobato (“Caçadas de Pedrinho” diz a Tia Nastácia:
“Parecem-me muito grosseiras e até bárbaras – coisa mesmo de negra beiçuda, como Tia
Nastácia” e “Bem se vê que é preta e beiçuda! Não tem a menor filosofia, esta diaba” ? O STF
ainda não se pronunciou se deve ou não censurar a obra de Monteiro Lobato (vamos
acompanhar).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

Item: Direito de liberdade


27.
A Constituição garante a plena liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar (art. 5°, XVII).

A respeito desse direito fundamental, é correto afirmar que a criação de uma associação

(A)
Depende de autorização do poder público e pode ter suas atividades suspensas por decisão administrativa.
(B)
Não depende de autorização do poder público, mas pode ter suas atividades suspensas por decisão
administrativa.
(C)
Depende de autorização do poder público, mas só pode ter suas atividades suspensas por decisão judicial
transitada em julgado.
(D)
Não depende de autorização do poder público, mas só pode ter suas atividades suspensas por decisão judicial.

1. COMENTÁRIO: A a D) É plena a liberdade de associações e, na forma da lei, as de cooperativas


independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. Nesta esteira,
as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por
decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado. Não podemos esquecer que ninguém
poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado, e as entidades associativas, quando
expressamente autorizadas, terão legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente.

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, “caput”, incisos, II, XVII, XIX e 8º, CF.

3. SE LIGA: Ao Estado é, portanto, conferido o direito de estabelecer regras de organização e estrutura das
associações, como o faz por meio de Código Civil, sem que essa conduta implique em interferência.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Direito de propriedade


28.
(CESPE/2008.1) Acerca da proteção e da perda do direito de propriedade julgue os itens
seguintes.
I –
A Constituição assegura a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem
e voz humanas, inclusive em atividades desportivas.
II –
A obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens podem ser integralmente estendidas aos
sucessores e contra eles executadas.
III –
Na desapropriação de imóvel rural de interesse para a reforma agrária e de imóvel urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, o pagamento ocorrerá mediante títulos públicos e, não, mediante indenização
em dinheiro.
IV –
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível
aos herdeiros em caráter permanente.
Estão certos apenas os itens:

(A) I e III.
(B) I e IV.
(C) II e III.
(D) II e IV.

1. COMENTÁRIO: I) Correta. Redação do art. 5º, XXVIII, a, da CF. II) Incorreta. O examinador faz referência
ao art. 5º, XLV, da CF, que relata que a decretação do perdimento de bens pode ser, nos termos da lei,
estendida aos sucessores e contra eles executada, até o limite do valor do patrimônio transferido, ou seja,
não pode ser integralmente estendida aos sucessores. III) Correta. Redação do art. 182, § 4º, III, c/c o art.
184, todos da CF. IV) Incorreta. A transmissão não será em caráter permanente, mas sim pelo tempo que
a lei fixar (“aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar” – art. 5º, XXVII, da CF).

2. FUNDAMENTAÇÃO: Arts. 5º, inciso II, XXVII, XXVIII, a e XLV, 170, 182, § 4º, III, 184 e 243, todos da
CF.

3. SE LIGA: Desapropriação é o procedimento pelo qual o Poder Público, fundado na necessidade pública,
utilidade pública ou interesse social, compulsoriamente, despoja alguém de certo bem, móvel ou imóvel,
adquirindo-o para si em caráter originário, mediante justa e prévia indenização. É, em geral, um ato
promovido pelo Estado, mas poderá ser concedido a particulares permissionários ou concessionários de
serviços públicos, mediante autorização da Lei ou de Contrato com a Administração.
Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: Princípios e garantias processuais e penais


29.
(CESPE/2009.1) De acordo com a CF, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. No que diz respeito aos
direitos e garantias fundamentais previstos na CF, assinale a opção correta.
(A)
Os direitos fundamentais não são assegurados ao estrangeiro em trânsito no território nacional.
(B)
Como decorrência da inviolabilidade do direito à liberdade, a CF assegura o direito à escusa de consciência,
desde que adstrito ao serviço militar obrigatório.
(C)
É admitida a interceptação telefônica por ordem judicial ou administrativa, para fins de investigação criminal
ou de instrução processual penal.
(D)
O duplo grau de jurisdição, no âmbito da recorribilidade ordinária, não consubstancia garantia constitucional.

1. COMENTÁRIO: : A) Todos os direitos fundamentais são assegurados ao estrangeiro em trânsito no


território nacional, destacando, ainda, que é livre a locomoção no território nacional de qualquer pessoa,
em tempo de paz (art. 5º, caput e XV, da CF). B) Pelo contrário, é inviolável a liberdade de consciência e
de crença (art. 5º, VI, da CF). C) É admitida a interceptação telefônica apenas por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal
(art. 5º, XII, da CF). D) Correta, pois não consta no rol do art. 5º da CF.

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, “caput”, incisos VI, XII e XV, da CF.

3. SE LIGA: O princípio da igualdade ou da isonomia provavelmente tenha sido utilizado em Atenas, na


Grécia antiga, cerca de 508 A.C. por Clístenes, o pai da democracia Ateniense. No entanto, sua concepção
mais próxima do modelo atual data de 1.199 D.C., quando o Rei João sem Terra (John Lackland) assina a
Magna Carta Britânica, considerado o início da Monarquia Constitucional, de onde origina-se o princípio
da legalidade, com o intuito de resguardar os direitos dos burgos, os quais o apoiaram na tomada do trono
do então Rei Ricardo Coração de Leão.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Remédios constitucionais


30.
(CESPE/2008.1) No que diz respeito aos direitos fundamentais, assinale a opção correta.
(A)
São gratuitas as ações de habeas corpus, habeas data e o mandado de injunção.
(B) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por qualquer partido político.
(C) O Estado deve prestar assistência jurídica integral e gratuita a todos.
(D) O direito de qualquer cidadão propor ação popular é previsto constitucionalmente.

1. COMENTÁRIO: A) São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data e, na forma da lei, os atos
necessários ao exercício da cidadania (art. 5º, LXXVII, da CF). B) O mandado de segurança coletivo pode
ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional (art. 5º, LXX, a, da CF). C) O
Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita apenas aos que comprovarem insuficiência de
recursos (art. 5º, LXXIV, da CF)). D) Conforme o art. 5º, LXXIII, da CF.

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, incisos LXVIII, LXIX, LXX, LXXI, LXXII, LXXIII e LXXVII, da CF; Lei n. 1.060, de
5-2-1950 – Assistência Judiciária.

3. SE LIGA: Conforme o Professor José A. da Silva, todos os Remédios Constitucionais são Garantias
Fundamentais Específicas Judiciais.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

31.
(CESPE/2008.2) Assinale a opção incorreta acerca dos remédios constitucionais.
(A)
Organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo
menos um ano têm legitimação ativa para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses
de seus membros ou associados.
(B)
A ação popular só pode ser proposta de forma repressiva, sendo incabível, assim, sua proposição antes
da consumação dos efeitos lesivos de ato contra o patrimônio público.
(C)
No habeas data, o direito do impetrante de receber informações constantes de registros de entidades
governamentais ou de caráter público é incondicionado, não se admitindo que lhe sejam negadas informações
sobre sua própria pessoa.
(D)
O mandado de segurança pode ser proposto tanto contra autoridade pública quanto contra agente de
pessoas jurídicas privadas no exercício de atribuições do poder público.

1. COMENTÁRIO: A) Redação do art. 5º, LXX, a e b, da CF. B) Correta. Conforme o Professor Ricardo Cunha
Chimenti, “a ação popular é o meio constitucional posto à disposição de qualquer cidadão para obter a
invalidação de atos ou contratos administrativos ilegais e lesivos ao patrimônio federal, estadual e
municipal, ou a patrimônio de autarquias, entidades paraestatais e pessoas jurídicas subvencionadas com
dinheiro público. O qualificativo popular deriva da natureza impessoal do interesse defendido” (art. 5º,
LXXIII, da CF e Lei n. 4.717/65). C) Vide art. 5º, LXXII, a e b, da CF. D) Vide art. 5º, LXIX, da CF.

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, inciso LXVIII, LXIX, LXX, LXXI, LXXII e LXXIII, da CF; Lei da Ação Popular
4.717\65. Súmulas 508, 516 e 517 do STF.

3. SE LIGA: Conforme a súmula 365\STF “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação
popular”.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

32.
(CESPE/2009.1) No que se refere aos remédios constitucionais assinale a opção correta.
(A)
A doutrina brasileira do habeas corpus, cujo principal expoente foi Rui Barbosa, conferiu grande amplitude a
esse writ, que podia ser utilizado, inclusive, para situações em que não houvesse risco à liberdade de
locomoção.
(B)
O habeas data pode ser impetrado ao Poder Judiciário, independentemente de prévio requerimento na esfera
administrativa.
(C)
A ação popular pode ser ajuizada por qualquer pessoa para a proteção do patrimônio público estatal, da
moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural.
(D)
A ação civil pública somente pode ser ajuizada pelo MP, segundo determina a CF.

1. COMENTÁRIO: : A) Correta, inclusive esta é uma famosa polêmica entre Pedro Lessa e Ruy Barbosa,
que defendia que o texto constitucional não restringia a concessão do writ, estendia-a para casos de
natureza não penal e para a proteção de qualquer direito. Contudo, com a reforma de 1926, pôs fim à
polêmica, uma vez que restabeleceu a finalidade clássica do habeas corpus de tutelar a liberdade de
locomoção. B) Não cabe o habeas data se não houve recusa de informações por parte da autoridade
administrativa (Súmula 2 do STJ). C) A ação popular pode ser ajuizada por qualquer cidadão para anular
ato lesivo (art. 5º, LXXIII). D) A legitimação do MP para as ações civis previstas no art. 129, § 1º, da CF
não impede a de terceiros, nas mesmas condições, segundo o disposto na Constituição Federal e na Lei
n. 7.347/85.

2. FUNDAMENTO: Doutrina; Art. 5º, LXXII, da CF c\c Lei 9.507\97 e súmula 2 do STJ; art. 5º, LXXIII c\c Lei
4.717\65; art. . 129, § 1º, da CF c\c Lei n. 7.347\85 (Ação Civil Pública).

3. SE LIGA: Sua origem remonta à Magna Carta libertatum, de 1215, imposta pelos nobres ao rei da Inglaterra
com a exigência do controle legal da prisão de qualquer cidadão. Este controle era realizado sumariamente
pelo juiz, que, ante os fatos apresentados, decidia de forma sumária acerca da legalidade da prisão. O writ
de habeas corpus, em sua gênese, aproximava-se do próprio conceito do devido processo legal (due
process of law). Sua utilização só foi restrita ao direito de locomoção dos indivíduos em 1679, através do
Habeas Corpus Act.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

33.
Em relação ao mandado de injunção, é INCORRETO afirmar:
(A)
Enquanto não editada legislação específica, serão observadas as normas procedimentais do mandado de
segurança, no que couber.
(B)
O Supremo Tribunal Federal considera possível a concessão de liminar, em sede de mandado de injunção.
(C)
Ao decidir o mandado de injunção, o STF pode suprir a lacuna normativa apontada, em relação ao caso
concreto analisado.
(D)
Pode ser ajuizado por qualquer pessoa que tenha o exercício de um direito constitucional inviabilizado por falta
de norma regulamentadora.

1. COMENTÁRIO: Qualquer pessoa física ou jurídica é parte legítima para impetrar mandado de injunção,
desde que, em razão da omissão normativa, esteja impossibilitada de exercitar um dos direitos protegidos
pelo inciso LXXI do art. 5º da CF. Admite-se, inclusive, o mandado de injunção coletivo. Devemos ressaltar
que o mandado de injunção segue o rito do mandado de segurança, conforme expressamente prevê o art.
24, parágrafo único, da Lei n. 8.038/90. Nessa esteira, podemos citar os MI 712 e 721 de 2007, em que o
STF deu nítida interpretação evolutiva, aos seus julgados, dando força concreta para viabilizar a fruição de
direitos constitucionais que estavam prejudicados pela inércia excessiva do Poder Legislativo. Contudo, a
letra “B”, também está incorreta, na exata medida que o STF não admite de forma alguma a concessão
de liminar no curso do mandado. Hoje a jurisprudência é pacifica neste sentido.

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, inciso LXXI, da CF c\c art. 24, parágrafo único, da Lei n. 8.038/90 c\c Lei n.
12.016\2009 (Lei do Mandado de Segurança); Doutrina; Jurisprudência do STF (MI 708, 712 e 721).

3. SE LIGA: Até 2007 o STF adota a Teoria Não Concretista, ou seja, declarava a mora do Poder e se limitada
a dar ciência. Após 2007, o STF passou a adotar em sede de Mandado de Injunção a Teoria Concretista,
ou seja, declara a mora e requisita a elaboração da norma regulamentadora ou autoriza ao caso concreto
que seja aplica outra norma por analogia.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

34.
O habeas data não pode ser impetrado em favor de terceiro PORQUE visa tutelar direito à
informação relativa à pessoa do impetrante. A respeito do enunciado acima é correto afirmar que
(A) ambas as afirmativas são verdadeiras, e a primeira justifica a segunda.
(B) a primeira afirmativa é verdadeira, e a segunda é falsa.
(C) a primeira afirmativa é falsa, e a segunda é verdadeira.
(D) ambas as afirmativas são falsas.

1. COMENTÁRIO; A a D) O habeas data é um remédio constitucional que tem por finalidade proteger a
esfera íntima dos indivíduos, possibilitando-lhes a obtenção e retificação de dados de informações
constantes de entidades governamentais ou de caráter público. Pode ser ajuizado diante de banco de
dados públicos (aquele titularizado por um ente público) ou de caráter público (titularizados por particulares,
mas cujas informações sejam transmissíveis a terceiros). A prova do anterior indeferimento do pedido de
informação de dados pessoais ou da omissão em atendê-lo constitui requisito indispensável para que se
configure o interesse de agir, sob pena de carência de ação. O habeas data é isento de custas (art. 5º,
LXXVII, da CF).

2. FUNDAMENTO: Art. 5º, incisos LXXII e LXXVII, da CF c\c Lei n. 9.507\99; súmula 2 do STJ; Lei n. 8.038\90
e Jurisprudência do STJ (HD 04, 147, 160, 127, 98 e 149).

3. SE LIGA: Em 2008 o STJ entendeu que o direito de ação de habeas data se estende aos herdeiros. No HD 147, a
Quinta Turma decidiu que o ministro da Defesa deveria fornecer informações funcionais sobre o marido para uma viúva
de 82 anos, que aguardava havia mais de 12 meses a transcrição dos documentos.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

35.
Sobre as chamadas ações constitucionais, assinale a alternativa INCORRETA:
(A)
O Mandado de Segurança pode, em algumas hipóteses, ser impetrado em face de atos praticados por
particulares.
(B)
O impetrante, se for vencido, deverá arcar com honorários de sucumbência; a Fazenda está isenta de tal
pagamento.
(C)
O Habeas Data só pode ser impetrado para o acesso, retificação ou correção de informações de bancos de
dados mantidos pela Administração Pública ou de caráter público, ainda que mantidos por instituições privadas.
(D)
Em importante mudança jurisprudencial, o STF passou a adotar a corrente concretista no tocante ao Mandado
de Injunção.

1. COMENTÁRIO: A única alternativa incorreta é a “B”, pois a Lei n. 12.016/2009, que trata do mandado de
segurança, é clara ao dispor no art. 25 que não cabem, no processo de mandado de segurança, a
interposição de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem
prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé. As demais alternativa estão em
consonância com a Constituição Federal e a Lei n. 12.016\2009 (Lei do MS).

2. FUNDAMENTO: Art.5º, incisos LXIX e LXX, da CF c\c Lei n. 12.016\2009.

3. SE LIGA: Somente parlamentar tem legitimidade para impetrar Mandado de Segurança com o fito de atuar
no Controle Preventivo de Constitucionalidade.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: DIREITO DE NACIONALIDADE


36.
(CESPE/2007.2) Acerca do direito internacional atinente a nacionalidade e a extradição, assinale
a opção correta.
(A)
A perda da nacionalidade brasileira somente poderá ocorrer caso haja aquisição de outra nacionalidade por
naturalização voluntária.
(B)
A extradição é um ato estatal que obriga o estrangeiro a sair do território nacional, ao qual não poderá mais
retornar.
(C)
Nacionalidade é o vínculo entre o indivíduo e a nação.
(D)
Considere que, durante uma viagem de navio, um casal de argentinos, que deixara seu país rumo a um passeio
pelo Caribe, tenha uma criança no momento em que o navio transite no mar territorial brasileiro. Nessa
situação, a criança terá nacionalidade brasileira.

1. COMENTÁRIO: A) O enunciado da questão refere-se ao art. 12, § 4º, II, da CF. Contudo, a perda ocorrerá
também se “tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao
interesse nacional” (art. 12, § 4º, I, da CF). B) Extradição não é um ato de coação, mas sim de soberania,
pelo qual o Estado entrega um indivíduo, acusado de um delito, ou já condenado como criminoso, à justiça
de outro, que o reclama e que é competente para julgá-lo e puni-lo. C) Nacionalidade é o vínculo jurídico-
político de direito público interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão pessoal
do Estado. Estes são os termos no sistema jurídico que foram adotados pela Constituição Federal.
Contudo, sociologicamente é certo que a nacionalidade indica a pertinência da pessoa a uma nação. D)
No critério da territorialidade incluem-se as terras delimitadas pelas fronteiras geográficas, o espaço aéreo
e o mar territorial; os navios e aeronaves de guerra brasileiros, onde quer que se encontrem; os navios
mercantes brasileiros em alto-mar ou de passagem em mar territorial estrangeiro; e as aeronaves civis
brasileiras em voo sobre o alto-mar ou de passagem sobre águas territoriais ou espaços aéreos
estrangeiros.

2. FUNDAMENTO: Arts. 5, incisos LI e LII, . 12, ambos da CF; Lei n. 6.815\80 (Estatuto do Estrangeiro).
Súmulas 01 e 421 do STF.

3. 3. SE LIGA: No dia 08 de junho de 2011, por 6 votos a 3, o STF decidiu, que o italiano Cesare Battisti deveria ser
solto. O Ministro Cezar Peluso, afirmou naquela oportunidade que o italiano somente poderá ser libertado se não estiver
preso por outro motivo. Battisti respondia a uma ação penal no Brasil por uso de documento falso. Para a maioria dos
ministros, a decisão do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva de negar a extradição de Battisti para a
Itália é um “ato de soberania nacional” que não pode ser revisto pelo Supremo.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

37.
Roberta Caballero, de nacionalidade argentina, está no Brasil desde 2008, como correspondente
estrangeira do jornal “El Diário”, sediado em Buenos Aires. Roberta possui visto temporário,
válido por quatro anos. Em 2011, pouco antes do vencimento do visto, Roberta recebe um convite
do editor de um jornal brasileiro, sediado em São Paulo, para ali trabalhar na condição de repórter,
sob sua supervisão, mediante contrato de trabalho.
Para continuar em situação regular, é correto afirmar que Roberta

(A)
deverá renovar, a cada quatro anos, o visto temporário VI (correspondente estrangeiro) e requerer autorização
de trabalho a estrangeiro com vínculo empregatício.
(B)
não poderá aceitar o emprego, pois a Constituição Federal, em seu artigo 222, veda a atuação de repórteres
estrangeiros em qualquer meio de comunicação social.
(C)
deverá apenas renovar, a cada quatro anos, o visto temporário VI (correspondente estrangeiro), pois pessoas
de nacionalidade de países do Mercosul não precisam de autorização de trabalho.
(D)
deverá transformar seu visto temporário VI (correspondente estrangeiro) em visto temporário V (mão de obra
estrangeira) e requerer autorização de trabalho a estrangeiro com vínculo empregatício.
1. COMENTÁRIO: A a D) Conforme o Consulado-Geral do Brasil, O visto temporário VI pode ser concedido
ao estrangeiro que viaje ao Brasil na condição de correspondente de jornal, revista, rádio, televisão ou
agência noticiosa estrangeira, por uma duração, no máximo, de 4 anos. O visto temporário VI é concedido
mediante autorização prévia do Ministério das Relações Exteriores. Já o visto temporário V – Emigrante
(RN64/05) – Membro de equipagem de embarcações (RN72/06) – Técnicos ou profissionais com contrato
de trabalho ou de estágio em empresas ou governo brasileiro (RN37/99 – RN61/04 – RN57/03), ou seja,
destina-se ao estrangeiro que pretenda exercer atividade remunerada, com vínculo empregatício no Brasil.
Em qualquer caso, o pedido de concessão do visto deverá ser apresentado diretamente pela empresa
contratante junto à Coordenação Geral de Imigração (CNI), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego.
Uma vez aprovada a chamada de mão de obra estrangeira, o Consulado--Geral do Brasil receberá
autorização do Ministério das Relações Exteriores para a concessão do visto.

2. FUNDAMENTO: Informativo STF nº 534 - VISTO ESTRANGEIRO - TRABALHO TEMPORÁRIO -


Mercado Comum do Sul (MERCOSUL); Decreto Legislativo nº 346, de 2008; Decreto Legislativo nº 347,
de 2008 e Lei n. 6.815\80 (Estatuto do Estrangeiro).

3. SE LIGA: No dia 13\01\2008 foi publicado O Decreto n.º 6.736 que dispõem que brasileiros que estão na
Argentina já podem tornar permanentes os vistos de turista ou temporários. A prerrogativa também vale
para os argentinos que estão no Brasil.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

38.
No que tange ao direito de nacionalidade, assinale a alternativa correta.
(A)
O brasileiro nato não pode perder a nacionalidade.
(B)
O filho de pais alemães que estão no Brasil a serviço de empresa privada alemã será brasileiro nato caso
venha a nascer no Brasil.
(C)
O brasileiro naturalizado pode ser extraditado pela prática de crime comum após a naturalização.
(D)
O brasileiro nato somente poderá ser extraditado no caso de envolvimento com o tráfico de entorpecentes.

1. COMENTÁRIO: A a D) A nacionalidade primária, originária ou de origem é a que resulta do fato natural


de nascimento (nato). Pode decorrer de dois critérios (ambos adotados pela Constituição Federal): a) ius
sanguinis: em decorrência da relação de filiação, ou seja, é considerado nacional aquele que é
descendente de nacionais; b) ius solis: são os que nascem no território nacional, independentemente da
nacionalidade dos seus ascendentes. Dessa forma os nascidos em território brasileiro, ainda que de pais
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país (ius solis). É considerado território
nacional todas as terras delimitadas pelas fronteiras geográficas, o espaço aéreo e o territorial. Os navios
e aeronaves de guerra brasileira onde quer que se encontrem também são considerados territórios
brasileiros. O mesmo se aplica aos navios mercantes brasileiros em alto-mar ou de passageiros em mar
territorial estrangeiro e às aeronaves civis brasileiras em voo sobre o alto-mar ou de passagem sobre águas
territoriais ou espaços aéreos estrangeiros, logo, brasileiros natos poderão perder a nacionalidade por ato
de liberalidade, o naturalizado só pode ser extraditado pela prática de crime comum antes da naturalização
e, por fim, o brasileiro nato nunca será extraditado.

2. FUNDAMENTO: Arts. 5º, inciso LI e LII e 12, da CF.

3. SE LIGA: A sociologia atribui ao termo nacionalidade significado diverso do que lhe é conferido pelo direito,
referindo-se a uma nação ou a um grupo étnico (indivíduos com as mesmas características: língua, religião,
hábitos etc.). Embora a etimologia de nacionalidade evidentemente contenha a palavra nação, a dimensão
jurídica do termo refere-se ao vínculo entre uma pessoa e um Estado, não entre uma pessoa e uma nação,
logo, adotamos o conceito jurídico (Nacionalidade é vínculo jurídico).

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

39.
Em relação à nacionalidade, assinale a opção CORRETA:
(A)
Perde a nacionalidade brasileira aquele que adquire outra nacionalidade, ainda que em virtude de
reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira.
(B)
É brasileiro nato o filho de pai brasileiro ou de mãe brasileira, nascido no estrangeiro, desde que um deles
esteja a serviço de empresa brasileira.
(C)
Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira só se tornam brasileiros se vierem a residir
no Brasil e optem, a qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira.
(D)
Os nascidos no estrangeiro, entre 7/6/94 e 20/9/07, filhos de pai brasileiro ou de mãe brasileira poderão ser
registrados em repartição diplomática brasileira, adquirindo assim a nacionalidade brasileira.

1. COMENTÁRIO: A) Aquele que adquirir outra nacionalidade por força do reconhecimento de nacionalidade
originária estrangeira ou de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em
Estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis,
não irá perder a sua nacionalidade (art. 12, § 4º, II, a e b, da CF). B) Não basta estar a serviço de “empresa
brasileira”, mas sim a serviço da República Federativa do Brasil (art. 12, I, b). C e D) É decorrente da EC
n. 54/2007, que também inseriu no ADCT (art. 95) a seguinte regra: “Os nascidos no estrangeiro entre 7
de junho de 1994 e a data da promulgação desta Emenda Constitucional, filhos de pai brasileiro ou mãe
brasileira, poderão ser registrados em repartição diplomática ou consular brasileira competente ou em
ofício de registro, se vierem a residir na República Federativa do Brasil”. Com a EC n. 54, o filho do
brasileiro ou da brasileira pode ser registrado na repartição brasileira competente ou desde que venha
residir no Brasil e opte, em qualquer tempo, depois da maioridade, pela nacionalidade brasileira (art. 12, I,
c).
2. FUNDAMENTO: Art. 12, da CF

3. SE LIGA: Território brasileiro, deverá entender-se a) espaço terrestre delimitado pelas fronteiras
geográficas; b) mar territorial; c) espaço aéreo; d) navios e aeronaves de guerra brasileiros; e)
embarcações comerciais brasileiras, ainda que em alto mar ou em mar territorial estrangeiro, e f) aeronaves
civis brasileiras, ainda que em voo sobre espaço aéreo internacional ou estrangeiro.
Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: DIREITOS POLÍTICOS

Partidos políticos
40.
De acordo com a Constituição da República, são inalistáveis e inelegíveis
(A) Somente os analfabetos e os conscritos.
(B) Os estrangeiros, os analfabetos e os conscritos.
(C) Somente os estrangeiros e os analfabetos.
(D) Somente os estrangeiros e os conscritos.

1. COMENTÁRIO: : A a D) São absolutamente inelegíveis para qualquer cargo eletivo, em todo o território
nacional, os inalistáveis (incluídos os conscritos e os estrangeiros) e os analfabetos. Contudo, devemos
ressaltar que os analfabetos têm capacidade eleitoral ativa, ou seja, são alistáveis, mas não têm
capacidade eleitoral passiva, ou seja, são inelegíveis. Devemos ainda ressaltar que o alistamento eleitoral
e o voto são facultativos para os analfabetos, os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e
menores de dezoito anos.
2. FUNDAMENTO: Art. 14, § 1º, II, a, b e c, e § 4º, da CF.

3. SE LIGA: Direitos Políticos Negativos são aquelas determinações constitucionais que, de qualquer forma,
importam em privar o cidadão do direito de participação no procedimento político e nos órgãos
governamentais. São negativos por que consistem no conjunto de regras que negam, ao cidadão, o direito
de eleger, ou de ser eleito, ou de exercer atividade político-partidária ou função pública (São os inelegíveis
e os inalistaveis).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

41.
Os direitos políticos não podem ser cassados. Podem, no entanto, sofrer perda ou suspensão à
luz das normas constitucionais pelo seguinte fundamento:
(A) condenação cível sem trânsito em julgado.
(B) incapacidade civil relativa, declarada judicialmente.
(C) cancelamento de naturalização por decisão administrativa.
(D) improbidade administrativa.

1. COMENTÁRIO: A a D) É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos
casos de cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; incapacidade civil absoluta
(ação de interdição); condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; recusa
de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII, da CF e
improbidade administrativa que importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública,
a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao Erário, na forma e gradação previstas em lei, sem
prejuízo da ação penal cabível

2. FUNDAMENTO: Arts. 5º, VIII, 15, 37, § 4º, ambos da CF, c\c a Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992, e o
Decreto n. 4.410, de 7 de outubro de 2002.

3. SE LIGA: O fenômeno da cassação é a retirada dos direitos políticos por ato unilateral do poder público,
sem observância dos princípios elencados no art. 5º inciso LV da CF/88 (ampla defesa e contraditório),
tal procedimento, só existe nos governos ditatoriais. Apenas a perda e suspensão são permitidas pela
Constituição Federal/88.
Gabarito Oficial: Alternativa “D”

42.
(OAB/CESPE/2009.2) Assinale a opção correta a respeito dos partidos políticos.
(A)
Como sujeitos de direitos, os partidos políticos têm legitimidade para atuar em juízo, e, se tiverem
representação no Congresso Nacional, podem ajuizar mandado de segurança coletivo.
(B)
Somente os partidos com representação no Congresso Nacional podem usufruir dos recursos do fundo
partidário e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei.
(C)
A CF consagra o princípio da liberdade partidária de modo ilimitado e irrestrito, não admitindo condicionantes
para a criação, fusão, incorporação e extinção dos partidos políticos.
(D)
Os partidos políticos somente adquirem personalidade jurídica após duplo registro: no registro civil das pessoas
jurídicas e no tribunal regional eleitoral do estado em que estão sediados.

1. COMENTÁRIO: Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, passam
a ser sujeitos de direitos (art. 17, § 2º, da CF), logo terão legitimidade para atuar em juízo, inclusive para
impetrar mandado de segurança coletivo se tiverem representação no Congresso Nacional (art. 5º, LXX,
a, da CF). O art. 17, § 3º, da CF faz referência apenas aos PARTIDOS POLÍTICOS e não faz menção à
representação no Congresso Nacional. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos
políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos
fundamentais da pessoa humana (art. 17 da CF).

2. FUNDAMENTO: Arts. 5º, LXX, da CF c\c Lei n. 12.016\2009 e arts . 16 e 17, da CF.

3. SE LIGA: O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu recentemente (junho de 2012) o julgamento que definiu a forma
de distribuição do tempo de propaganda eleitoral entre os partidos políticos. Na sessão plenária , já havia se formado
uma maioria de sete ministros que votou para garantir que legendas criadas após as últimas eleições possam participar
do rateio de dois terços do tempo da propaganda, que é dividido entre os partidos com representação na Câmara. O
outro um terço do tempo da propaganda será rateado entre todos os partidos.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

43.
(OAB/MG – Dez/08) Faltando quatro meses para as eleições municipais, um prefeito teve que
viajar ao exterior. Nessa hipótese, aponte a alternativa correspondente à solução constitucional
para as eleições seguintes, conforme aquele que assumisse interinamente o cargo de prefeito:
(A)
o vice-prefeito se tornaria irremediavelmente inelegível para o cargo de prefeito, pois teria assumido o posto a
menos de seis meses do pleito.
(B)
se não houvesse vice-prefeito e o presidente da Câmara de Vereadores assumisse, estaria inelegível para
novo mandato de vereador.
(C)
o vice-prefeito não poderia se candidatar ao cargo de prefeito, pelo fato de ter ocupado os cargos de vice-
prefeito e de prefeito no mesmo quadriênio.
(D)
o prefeito não poderia mais retornar ao cargo, salvo se fosse reeleito para o período subsequente.

1. COMENTÁRIO: A a D) Inelegibilidades por motivos funcionais de acordo com o antigo art. 14, § 5º, da
CF: eram inelegíveis para os mesmos cargos, no período subsequente, o presidente, os governadores
dos Estados e do Distrito Federal, os prefeitos e quem os houvesse sucedido ou substituído nos 6 meses
anteriores ao pleito. Referida inelegibilidade relativa não mais subsiste em face da EC n. 16, de 5 de junho
de 1997, que passou a admitir a reeleição dos chefes do Poder Executivo, cujo teor é o seguinte: “O
Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver
sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período
subsequente”. Subsistirá, contudo, a inelegibilidade relativa para concorrerem a outros cargos, devendo,
nesse caso, renunciar aos respectivos mandatos até 6 meses antes do pleito (art. 14, § 6º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Arts. 14 ao 17, da CF.

3. SE LIGA: Ao analisar um Recurso Extraordinário (RE 637647) interposto por João Félix de Andrade Filho, que pede
para voltar ao cargo de prefeito de Campo Maior (PI), o ministro Cezar Peluso aplicou entendimento do Plenário do
Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao chamado “prefeito itinerante”, conhecido como aquele que exerce mais
de dois mandatos consecutivos sendo eleito em municípios distintos.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: ORGANIZAÇÃO DO ESTADO


44.
(CESPE/2007.1) Acerca da organização do Estado, na forma como prevista na Constituição
Federal, assinale a opção correta.
(A)
A Federação é forma de Estado, ao passo que a República é forma de governo.
(B)
Viola um princípio sensível, constante da Constituição Federal, o fato de um estado-
-membro proceder ao provimento de cargo efetivo no âmbito da administração pública centralizada sem
realizar concurso público.
(C)
É cláusula pétrea a regra constitucional segundo a qual a matéria constante de proposta de emenda rejeitada
ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
(D)
No âmbito da competência concorrente, a ausência de norma estadual possibilita ao município dispor sobre a
matéria de forma supletiva. O advento de norma estadual suspende a execução da norma municipal com ela
incompatível, de forma que, revogada a lei estadual superveniente, a norma municipal volta a viger.

1. COMENTÁRIO: A e B) A organização e estrutura do Estado são analisadas sob três aspectos: forma de
governo (República), sistema de governo (Presidencialismo) e forma de Estado (Federação), o que acaba
impedindo a União de intervir nos Estados e no Distrito Federal, exceto para assegurar a observâncias dos
princípios sensíveis da Constituição Federal: forma republicana; sistema representativo e regime
democrático; direitos da pessoa humana; autonomia municipal; prestação de contas da Administração
Pública, direta e indireta, e aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos (art. 34, VII, da
CF). Na alternativa “C”, não se trata de uma cláusula pétrea, mas sim de uma limitação formal ou
procedimental (art. 60, § 5º, da CF). Assim como o art. 24, §§ 2º, 3º e 4º, da CF, que se opõem à alternativa
“D”.

2. FUNDAMENTO: Arts. 18 ao 25, 34, VII, 60, § 5º, da CF.

3. SE LIGA: Organização do Estado é de fundamental importância, pois explicitarmos o conceito de “Forma


de Estado” que deve ser entendida como a distribuição do poder político em função de um território, ou
seja, como o poder político e exercido dentro de um território.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

45.
(CESPE/2008.3) Considerando o sentido jurídico de território, tanto em direito internacional
público quanto em direito constitucional, assinale a opção incorreta.
(A)
Em sentido jurídico, o território nacional é mais amplo que o território considerado pela geografia política, pois
abrange áreas físicas que vão além dos limites e das fronteiras ditadas por esta.
(B)
O território nacional, em sentido jurídico, pode incluir navios e aeronaves militares, independentemente dos
locais em que estejam, desde que em espaço internacional e sob a condição de que não se trate de espaço
jurisdicional de outro país.
(C)
O território nacional, em sentido jurídico, pode possuir contornos inexatos, conforme ocorre na delimitação da
projeção vertical do espaço aéreo.
(D)
O território, em sentido jurídico, pode ser mais ou menos abrangente, a depender de manifestações unilaterais
dos Estados soberanos.

1. COMENTÁRIO: A, C e D) Estão corretas. B) Incorreta, pois no território nacional, em sentido jurídico,


incluem-se as terras delimitadas pelas fronteiras geográficas, o espaço aéreo e o mar territorial; os navios e
aeronaves de guerra brasileiros, onde quer que se encontrem; os navios mercantes brasileiros em alto-mar
ou de passagem em mar territorial estrangeiro; e as aeronaves civis brasileiras em voo sobre o alto-mar ou
de passagem sobre águas territoriais ou espaços aéreos estrangeiros. Com isso, observamos que a
expressão “independentemente” é muito abrangente.

2. FUNDAMENTO: Doutrina. Art. 12, da CF.

3. SE LIGA: Juridicamente, território nacional é a área que compreende todo o espaço, terrestre, fluvial,
marítimo (12 milhas) e aéreo (coluna atmosférica), onde o Estado brasileiro é soberano. Mas, esse território
poderá ser estendido quando se tratar de embarcações ou aeronaves públicas ou a serviço do governo
brasileiro onde quer que se encontre e as embarcações ou aeronaves estrangeiras privadas quando em
território nacional (art. 5º, 1º e 2º, CP).

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

46.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011) Os Estados são autônomos e compõem a
Federação com a União, os Municípios e o Distrito Federal. À luz das normas constitucionais,
quanto aos Estados, é correto afirmar que
(A)
podem incorporar-se entre si mediante aprovação em referendo.
(B)
a subdivisão não pode gerar a formação de novos territórios.
(C)
o desmembramento deve ser precedido de autorização por lei ordinária.
(D)
se requer lei complementar federal aprovando a criação de novos entes estaduais.

1. COMENTÁRIO: A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a


União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.
Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou
formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente
interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar e a criação, a
incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por lei estadual, dentro do período
determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às
populações dos municípios envolvidos, após divulgação dos estudos de viabilidade municipal,
apresentados e publicados na forma da lei.

2. FUNDAMENTO: Art. 18 e seus parágrafos, da CF.

3. 3. SE LIGA: Os eleitores paraenses decidiram, em plebiscito realizado no dia 11\12\2012, manter o estado
do Pará com o território original (a pretensão era desmembrar o Estado do Pará em Carajás e Tapajós (art.
18, § 4º, da CF).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Entes da federação brasileira


47.
(CESPE/2007.3) Nos termos da Constituição de 1988, o Estado federal brasileiro:
(A)
É formado pela união indissolúvel dos estados e municípios e do Distrito Federal (DF), todos autônomos, sendo
apenas a União detentora do atributo da soberania.
(B)
Adota um sistema de repartição de competências que enumera os poderes da União, define indicativamente
os dos municípios e atribuem os poderes remanescentes para os estados.
(C)
Destinam à União, como ente central, competências de caráter exclusivo e privativo, restando aos estados, ao
DF e aos municípios apenas o exercício de competências legislativas em caráter remanescente e suplementar.
(D)
Não admite que os municípios, mesmo de forma suplementar, possam legislar sobre as matérias que são
objeto da legislação federal e estadual.

1. COMENTÁRIO: A) O pacto federativo do art. 1º da CF constitui um Estado Democrático de Direito e tem


como fundamentos: a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do
trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Com isso, a organização político-administrativa da
República Federativa do Brasil compreende a União, os Estado, o Distrito Federal e os Municípios, todos
autônomos, nos termos da Constituição Federal (art. 18). B a D) É patente a repartição de competências
na Constituição Federal, tendo a União como detentora de competências exclusivas, privativas e comuns;
os Estados com uma competência comum e supletiva e os Municípios (arts. 21, 22, 23, 24 e 30, todos da
CF).
2. FUNDAMENTO: Previsão constitucional: arts. 1º, 21, 22, 23, 24 e 30, todos da CF).

3. SE LIGA: No Estado Democrático de Direito, o Poder Judiciário não está autorizado a alterar, a dar outra redação,
diversa da nele contemplada, a texto normativo. Pode, a partir dele, produzir distintas normas. Mas nem mesmo o STF
está autorizado a rescrever leis de anistia. Revisão de lei de anistia, se mudanças do tempo e da sociedade a
impuserem, haverá – ou não – de ser feita pelo Poder Legislativo, não pelo Poder Judiciário.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

48.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011) Lei estadual que regulamenta o serviço de
mototáxi é
(A)
constitucional porque se trata de competência legislativa reservada aos Estados.
(B)
constitucional porque se trata de competência legislativa remanescente dos Estados.
(C)
inconstitucional porque se trata de competência legislativa dos Municípios.
(D)
inconstitucional porque se trata de competência legislativa privativa da União.

1. COMENTÁRIO: A a D) Cada esfera federativa possui um rol próprio de competências, que, salvo hipótese
de delegação, deve exercer com exclusão das demais. As competências legislativas são exercidas pelo
Poder Legislativo de cada ente federado. Podem ser: competência privativa (art. 22 da CF) enumerada
como própria de uma entidade, com possibilidade, no entanto, de delegação ou de competência
suplementar. Dessa forma, tem-se que tais competências pertencem, em princípio, à União, como, por
exemplo, diretrizes da política nacional de transporte; transporte e trânsito (incisos IX e XI); competência
concorrente (art. 24 da CF) é exercida por mais de um ente federado, de acordo com regras traçadas na
Constituição para sua distribuição; competência reservada (art. 25, § 1º) dos Estados para legislar sobre o
que não estiver vedado, ou seja, sobre todas as matérias que não foram expressamente atribuídas à União
nem aos Municípios; competência exclusiva (art. 30, I) e competência suplementar (art. 30, II) dos
Municípios com relação à legislação estadual e federal.

2. FUNDAMENTO: Arts. 22 a 30, da CF.

3. SE LIGA: É inconstitucional a lei distrital ou estadual que comine penalidades a quem seja flagrado em estado de
embriaguez na condução de veículo automotor.” (ADI 3.269, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 1º-8-2011,
Plenário, DJE de 22-9-2011.) No mesmo sentido: ADI 2.796, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 16-11-2005,
Plenário, DJ de 16-12-2005.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

49.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) Um determinado Estado-membro editou
lei estabelecendo disciplina uniforme para a data de vencimento das mensalidades das
instituições de ensino sediadas em seu território. Examinada a questão à luz da partilha de
competência sobre os entes federativos, é correto afirmar que:
(A)
Mensalidade escolar versa sobre direito obrigacional, portanto, de natureza contratual, logo cabe à União
legislar sobre o assunto.
(B)
A matéria legislada tem por objeto prestação de serviço educacional, devendo ser considerada como de
interesse típico municipal.
(C)
Por versar o conteúdo da lei sobre educação, a competência do Estado-membro é concorrente com a da União.
(D)
Somente competirá aos Estados-membros legislar sobre o assunto quando se tratar de mensalidades
cobradas por instituições particulares de Ensino Médio.

1. COMENTÁRIO: A) Trata-se de uma competência privativa da União legislar sobre direito civil, pois
mensalidade escolar versa sobre direito obrigacional, portanto, de natureza contratual. B) Compete aos
municípios legislar sobre assuntos de interesse local e suplementar à legislação federal e à estadual no
que couber, o que não se vê na questão em análise. C e D) Fala-se em competência suplementar quando
a União deixar de legislar sobre normas gerais, ressaltando que a superveniência de lei federal sobre
normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.
2. FUNDAMENTO: Arts. 22 a 30, da CF. Jurisprudência: STF declara inconstitucional lei que dispunha
sobre cobrança de mensalidade escolar ((ADI) 1042, proposta pela Procuradoria Geral da República (PGR)
contra a Lei nº 670, de 04 de março de 1994, do Distrito Federal, que dispõe sobre a cobrança de anuidades,
mensalidades, taxas e outros encargos educacionais).

3. SE LIGA: O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a
ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares (Súmula 643\STF).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: Municípios
50.
(CESPE/2008.2) Assinale a opção correta acerca da disciplina constitucional dos municípios.
(A)
A posse de prefeitos e vice-prefeitos ocorrerá no dia 15 de fevereiro do ano subsequente ao da eleição.
(B) Os municípios, que são dotados de autonomia, podem editar constituição própria.
(C) Compete privativamente aos municípios legislar sobre trânsito e transporte.
(D) É vedada a criação de tribunais de contas municipais.

1. COMENTÁRIO: A) A posse do prefeito e do vice-prefeito ocorrerá no dia 1º de janeiro do ano subsequente


ao da eleição (art. 29, III, da CF). B) Os Municípios são dotados de autonomia (art. 18 da CF), mas se
organizam por lei orgânica, votada em dois turnos, com intervalo mínimo de 10 dias, e aprovada por dois
terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará (art. 29 da CF). C) Matéria reservada à União
(art. 22, XI, da CF). D) É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais (art.
31, § 4º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Previsão meramente Constitucional: Art. 31, § 4º, da CF.

3. SE LIGA: A Constituição da República impede que os Municípios criem os seus próprios Tribunais, Conselhos ou
órgãos de contas municipais (CF, art. 31, § 4º), mas permite que os Estados-membros, mediante autônoma deliberação,
instituam órgão estadual denominado Conselho ou Tribunal de Contas dos Municípios (RTJ 135/457, Rel. Min. Octavio
Gallotti – ADI 445/DF, Rel. Min. Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as Câmaras Municipais no exercício de seu
poder de controle externo (CF, art. 31, § 1º).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

51.
(OAB/MG – Ago/08) Assinale a alternativa CORRETA:
(A)
O número de vagas de vereadores a serem eleitos para as Câmaras Municipais, em outubro próximo, é
fixado proporcionalmente ao eleitorado dos Municípios respectivos.
(B)
A eleição do prefeito e do seu vice ocorre em pleito simultâneo em todo o país, salvo a eleição do prefeito de
Brasília, que coincide com a eleição presidencial.
(C)
O subsídio dos vereadores a serem eleitos em outubro será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais,
pelos vereadores atuais.
(D)
Os vereadores possuem as mesmas prerrogativas de inviolabilidade e imunidade que os deputados estaduais.

1. COMENTÁRIO: A) De acordo com o art. 29, IV, da CF/88, o número de vereadores será proporcional à
população do Município, observados os novos limites traçados pela Emenda Constitucional n. 58, de 23
de setembro de 2009, sem prejuízo da eleição que é realizada no primeiro domingo do mandato dos que
devam suceder. B) Conforme o art. 29, I, da CF, a eleição do prefeito e do vice-prefeito e dos vereadores,
para mandato de 4 anos, será feita mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País; o que
não se aplica ao Distrito Federal, que não tem prefeito, e sim governador e vice-governador (art. 32, §
2º, da CF/88). C) Redação do art. 29, VI, da CF/88. D) Os vereadores são titulares apenas das
imunidades materiais que também pertencem aos deputados estaduais, ou seja, os vereadores são
invioláveis por suas palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município (art. 29,
VIII, da CF).

2. FUNDAMENTO: Todos os fundamentos estão no corpo da Constituição (dispositivos supracitado no


tópico comentário).

3. SE LIGA: A EC 58/2009 dispõem sobre a alteração na composição dos limites máximos das Câmaras Municipais.
Art. 29, IV, da Constituição da República. (...) Posse de vereadores. Vedada aplicação da regra à eleição que ocorra
até um ano após o início de sua vigência: art. 16 da Constituição da República (...). Norma que determina a retroação
dos efeitos das regras constitucionais de composição das Câmaras Municipais em pleito ocorrido e encerrado afronta
a garantia do pleno exercício da cidadania popular (arts. 1º, parágrafo único, e 14 da Constituição) e o princípio da
segurança jurídica. Os eleitos pelos cidadãos foram diplomados pela justiça eleitoral até 18-12-2008 e tomaram posse
em 2009. Posse de suplentes para legislatura em curso, em relação a eleição finda e acabada, descumpre o princípio
democrático da soberania popular. Impossibilidade de compatibilizar a posse do suplente não eleito pelo sufrágio
secreto e universal: ato que caracteriza verdadeira nomeação e não eleição. O voto é instrumento da democracia
construída pelo cidadão: impossibilidade de afronta a essa expressão da liberdade de manifestação. A aplicação da
regra questionada importaria vereadores com mandatos diferentes o que afrontaria o processo político juridicamente
perfeito. (ADI 4.307-MC-REF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 11-11-2009, Plenário, DJE de 5-3-2010.).
Gabarito Oficial: Alternativa “C”

52.
(CESPE/2007.2) O município de Aracaju editou lei que obriga todo estabelecimento bancário
instalado em seu território a pagar multa de R$ 120,00 ao consumidor, toda vez que ele esperar
atendimento por mais de 30 minutos na fila do banco.
Em relação à situação hipotética acima, assinale a opção correta.

(A) A lei é inconstitucional porque cabe à União legislar sobre instituições bancárias.
(B)
A parte da lei que dispõe sobre multa é inconstitucional porque somente lei federal ou o Banco Central podem
fixar sanção pecuniária e aplicá-la a banco infrator.
(C)
A lei é inconstitucional porque cabe aos estados legislar sobre as competências residuais da Constituição
Federal de 1988.
(D)
A lei é constitucional, na medida em que cabe aos municípios dispor sobre o tempo de atendimento nas
agências localizadas em seu território.

1. COMENTÁRIO: : A a D) O art. 30, I, da CF – o interesse local diz respeito às peculiaridades e


necessidades ínsitas à localidade. Michel Temer observa que a expressão “interesse local” assume o
mesmo significado da expressão “peculiar interesse”, que é o mesmo que interesse predominante. Com
isso, o art. 30, II, da CF estabelece competir aos Municípios suplementar a legislação federal e a
estadual no que couber, que norteia a atuação municipal, balizando-a dentro do interesse local.
Devemos ainda observar que tal competência se aplica, também, às matérias do art. 24 da CF,
suplementando as normas gerais e específicas, juntamente com outras que digam respeito ao peculiar
interesse daquela localidade. Com isso as alternativas “A” a “C” estão incorretas, pois em todos os
casos as leis são constitucionais.

2. FUNDAMENTO: Todos os fundamentos estão no corpo da Constituição (dispositivos supracitado no


tópico comentário). Súmula 645\STF (É COMPETENTE O MUNICÍPIO PARA FIXAR O HORÁRIO DE
FUNCIONAMENTO DE estabelecimento comercial).

3. SE LIGA: O Município pode editar legislação própria, com fundamento na autonomia constitucional que lhe é inerente
(CF, art. 30, I), com o objetivo de determinar, às instituições financeiras, que instalem, em suas agências, em favor dos
usuários dos serviços bancários (clientes ou não), equipamentos destinados a proporcionar-lhes segurança (tais como
portas eletrônicas e câmaras filmadoras) ou a propiciar-lhes conforto, mediante oferecimento de instalações sanitárias,
ou fornecimento de cadeiras de espera, ou, ainda, colocação de bebedouros.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Intervenção federal


53.
(CESPE/2007.2) Acerca da organização da federação brasileira assinale a opção correta.
(A)
No âmbito da competência comum, lei complementar da União fixará normas para a cooperação entre a União
e os estados, o Distrito Federal (DF) e os municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do
bem-estar em âmbito nacional.
(B)
A intervenção da União nos estados ou no DF, na hipótese de inexecução de lei federal, dispensada a
apreciação pelo Congresso Nacional ou pela assembleia legislativa, deverá ser determinada pelo STF, após
representação do procurador-geral da República, sendo que o decreto de intervenção limitar-se-á a suspender
a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
(C)
Para a criação de um município, é necessária a edição de uma lei autorizativa estadual; de consulta prévia,
mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos; e, por fim, o estudo de viabilidade municipal,
apresentados e publicados na forma da lei federal.
(D)
O rio Amazonas, que se estende pelos estados do Amazonas e do Pará, não é um bem da União.

1. COMENTÁRIO: A) Incorreta, pois o parágrafo único do art. 23 da CF não faz menção apenas “à lei
complementar da União”, mas sim a “leis complementares”. B) Redação dos arts. 34, VI, e 36, II e III e seu
§ 3º, todos da CF. C) “A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por
lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia,
mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade
Municipal, apresentados e publicados na forma da lei (art.18, § 4º, da CF/88)”. D) Lagos e rios que banhem
mais de um Estado são bens da União (art. 20, III, da CF).

2. FUNDAMENTO: Os fundamentos estão no corpo da Constituição (dispositivos supracitados no tópico


comentário).

3. SE LIGA: O pedido de requisição de intervenção dirigida pelo Presidente do Tribunal de execução ao STF há de ter
motivação quanto à procedência e também com a necessidade da intervenção.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

54.
(CESPE/2008.2) Não constitui causa de intervenção da União nos estados e no DF a necessidade
de:
(A) Garantir a aplicação do mínimo exigido da receita na segurança pública.
(B) Manter a integridade nacional.
(C) Prover a execução de ordem judicial.
(D) Assegurar o princípio da autonomia municipal.

1. COMENTÁRIO: A) O rol do art. 34 da CF é taxativo e não inclui a aplicação do mínimo exigido da receita
na segurança pública (alínea e do inciso VII do art. 34 da CF). B) Vide art. 34, I, da CF (intervenção federal
espontânea), assim como os incisos II, III e V do mesmo artigo. C) Vide art. 34, VI, 2a parte, da CF
(intervenção federal por requisição do STF, STJ ou TSE, de acordo com a matéria (art. 36, II, da CF). D)
Vide art. 34, VII, c, que é um dos princípios sensíveis da Constituição Federal (intervenção federal por
provimento do STF, provocada pela representação do Procurador-Geral da República (art. 36, III, da CF).

2. FUNDAMENTO: Os fundamentos estão no corpo da Constituição (dispositivos supracitados no tópico


comentário).

3. SE LIGA: A não aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços
públicos de saúde, caracteriza ofensa ao art. 34, VII, “e”, da CF.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

55.
(CESPE/2009.1) De acordo com a CF e com a doutrina, a intervenção federal:
(A) Dispensa, quando espontânea, a autorização prévia do Congresso Nacional.
(B) Exige, em qualquer hipótese, o controle político.
(C)
Exige do presidente da República, quando provocada por requisição, a submissão do ato ao Conselho da
República e ao Conselho de Defesa Nacional, para posterior exame quanto à conveniência e oportunidade da
decretação.
(D)
É provocada por solicitação quando a coação ou o impedimento recaem sobre cada um dos três Poderes do
Estado.

1. COMENTÁRIO: A) O autor entende que a questão assinalada como correta está incorreta, pois o controle
político realizado pelo Congresso Nacional em 24 horas, após a expedição do decreto presidencial (art.
49, IV, da CF), só será dispensado nos casos do art. 34, VI e VII, da CF, desde que a suspensão do ato
impugnado pelo presidente da República tenha sido suficiente (art. 36, § 3º, da CF). A forma como foi
redigida a questão, dá uma falsa percepção que existe alguma modalidade de intervenção federal que
exige a autorização do Congresso Nacional, na verdade, nenhuma das modalidade exige a autorização.
B) Vide a questão anterior. O Chefe do Poder Executivo Federal não submete o ato aos Conselhos, nas
verdade busca tão somente a “opinião”que nem sequer nem efeitos vinculativos. C) Compete apenas aos
Conselhos da República e de Defesa Nacional opinarem sobre a intervenção federal (sem caráter
vinculativo). D) Só será caso de intervenção federal provocada por solicitação quando a coação ou
impedimento recaírem sobre o Poder Legislativo e Executivo, pois se recaírem sobre o STF será caso de
intervenção federal provocada por requisição.

2. FUNDAMENTO: Os fundamentos estão no corpo da Constituição (dispositivos supracitados no tópico


anterior).

3. SE LIGA: O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e


que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da
Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.

Gabarito Oficial: Todas estão incorretas (o examinador deu como correta a letra “A”).

ITEM: Fiscalizações contábil, financeira e orçamentária


56.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) O controle externo financeiro da União e
das entidades da administração federal direta e indireta é atribuição do Congresso Nacional, que
o exerce com o auxílio do Tribunal de Contas da União.
É competência do Tribunal de Contas da União

(A)
Apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante a emissão de parecer
prévio, que só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros do Congresso Nacional.
(B)
Sustar contratos administrativos em que seja identificado superfaturamento ou ilegalidade e promover a
respectiva ação visando ao ressarcimento do dano causado ao erário.
(C)
Aplicar aos responsáveis por ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas multa sancionatória, em
decisão dotada de eficácia de título executivo judicial.
(D)
Fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, mediante convênio, ajuste ou outros
instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município.

1. COMENTÁRIO; A) Apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante


parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar do recebimento. B) Sustar, se não
atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado
Federal. C) Aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado
ao erário. D) Cópia da redação do art. 71, VI, da CF.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 71, VI, da CF.

3. SE LIGA: O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos
atos do poder público. (Súmula 347.)

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: DA DEFESA DO ESTADO E DAS


INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS
57.
(CESPE/2008.3). Acerca da defesa do Estado e das instituições democráticas assinale a opção
correta.
(A)
Se o estado de sítio for decretado durante o recesso parlamentar, caberá ao presidente da República convocar
extraordinariamente o Congresso Nacional.
(B)
O estado de defesa deve ser decretado quando houver declaração de estado de guerra ou resposta a agressão
armada estrangeira.
(C)
Tanto no estado de defesa quanto no estado de guerra, as atividades dos parlamentares no Congresso
Nacional devem permanecer suspensas.
(D)
A decretação do estado de defesa é autorizada para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos
e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou
atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.

1. COMENTÁRIO: A) Se o estado de sítio for decretado durante o recesso parlamentar, caberá ao presidente
do Senado Federal convocar extraordinariamente o Congresso Nacional (art. 57, § 6º, I, da CF). B) Esta é
uma hipótese de estado de sítio e não de estado de defesa (arts. 136 e 137, todos da CF), que requer
preservar ou restabelecer a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade
institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. C) No estado de sítio e de
defesa, o Congresso Nacional permanecerá em funcionamento (arts. 136, § 6º, e 138, § 3º, todos da CF).
D) Redação do art. 136, da CF.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 136, da CF.

3. SE LIGA: Vale a pena transcrever: "Constitucional. Administrativo. Mandado de segurança. Município do Rio de
Janeiro. União Federal. Decretação de estado de calamidade pública no sistema único de saúde no Município do Rio
de Janeiro. Requisição de bens e serviços municipais. Decreto 5.392/2005 do Presidente da República. Mandado de
segurança deferido. Mandado de segurança, impetrado pelo Município, em que se impugna o art. 2º, V e VI (requisição
dos hospitais municipais Souza Aguiar e Miguel Couto) e § 1º e § 2º (delegação ao Ministro de Estado da Saúde da
competência para requisição de outros serviços de saúde e recursos financeiros afetos à gestão de serviços e ações
relacionados aos hospitais requisitados) do Decreto 5.392/2005, do Presidente da República. Ordem deferida, por
unanimidade. Fundamentos predominantes: (...) (iii) inadmissibilidade da requisição de bens municipais pela União em
situação de normalidade institucional, sem a decretação de Estado de Defesa ou Estado de Sítio." (MS 25.295, Rel.
Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 20-4-2005, Plenário, DJ de 5-10-2007.)

Gabarito Oficial: Alternativa “D”


58.
(CESPE/2008.2) Com relação ao que dispõe a CF acerca da disciplina das forças armadas,
assinale a opção incorreta.
(A) É garantida ao militar a remuneração do trabalho noturno superior à do diurno.
(B) A sindicalização é proibida ao militar.
(C) Ao militar que esteja em serviço ativo é proibida a filiação a partido político.
(D) Os eclesiásticos são isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz.

1. COMENTÁRIO: : A) Aplica-se aos militares o disposto nos arts. 7º, VIII, XII, XVII, XVIII, XIV e XXV, e 37,
XI, XIII, XIV e XV, todos da CF, em que não se garante ao militar a remuneração do trabalho noturno
superior à do diurno (art. 142, VIII, da CF). B) Vide art. 142, IV, da CF. C) Vide art. 142, V, da CF. D) As
mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém,
a outros encargos que a lei lhes atribuir (art. 143, § 2º, da CF; Regulamento – Lei n. 8.239, de 4-10-1991).

2. FUNDAMENTO: Literalidade dos artigos. 7º, VIII, XII, XVII, XVIII, XIV e XXV, e 37, XI, XIII, XIV e XV, todos
da CF.

3. SE LIGA: Os militares, indivíduos que são, não foram excluídos da garantia constitucional da individualização da pena.
Digo isso porque, de ordinário, a CF de 1988, quando quis tratar por modo diferenciado os servidores militares, o fez
explicitamente. Por ilustração, é o que se contém no inciso LXI do art. 5º do Magno Texto, a saber: ‘ninguém será preso
senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos
de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei’. Nova amostragem está no preceito de que ‘não
caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares’ (§ 2º do art. 142). Isso sem contar que são proibidas
a sindicalização e a greve por parte do militar em serviço ativo, bem como a filiação partidária (incisos IV e V do § 3º
do art. 142). De se ver que esse tratamento particularizado decorre do fato de que as Forças Armadas são instituições
nacionais regulares e permanentes, organizadas com base na hierarquia e disciplina, destinadas à defesa da Pátria,
garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem (cabeça do art. 142).
Regramento singular, esse, que toma em linha de conta as ‘peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas
cumpridas por força de compromissos internacionais e de guerra’ (inciso X do art. 142). É de se entender, desse modo,
contrária ao texto constitucional a exigência do cumprimento de pena privativa de liberdade sob regime integralmente
fechado em estabelecimento militar, seja pelo invocado fundamento da falta de previsão legal na lei especial, seja pela
necessidade do resguardo da segurança ou do respeito à hierarquia e à disciplina no âmbito castrense.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: ORGANIZAÇÃO DOS PODERES

Poder Judiciário

Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B da CF)


59.
(OAB/CESPE/2009.2) Relativamente à organização e às competências do Poder Judiciário,
assinale a opção correta.
(A)
A edição de súmula vinculante pelo STF poderá ocorrer de ofício ou por provocação de pessoas ou entes
autorizados em lei, entre estes, os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade. O cancelamento ou
revisão de súmula somente poderá ocorrer por iniciativa do próprio STF.
(B)
Cabe reclamação constitucional dirigida ao STF contra decisão judicial que contrarie súmula vinculante ou que
indevidamente a aplique. O modelo adotado na CF não admite reclamação contra ato que, provindo da
administração, esteja em desconformidade com a referida súmula.
(C)
O Conselho Nacional de Justiça, órgão interno de controle administrativo, financeiro e disciplinar da
magistratura, é composto por membros do Poder Judiciário, do MP, da advocacia e da sociedade civil.
(D)
As causas em que entidade autárquica, empresa pública federal ou sociedade de economia mista seja
interessada na condição de autora, ré, assistente ou oponente são de competência da justiça federal.

1. COMENTÁRIO: Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou
cancelamento de súmula poderão ser provocados por aqueles que podem propor a ação direta de
inconstitucionalidade. Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar caberá reclamação ao STF, que, julgando-
-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que
outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. O Conselho Nacional de
Justiça, órgão interno de controle administrativo, financeiro e disciplinar da magistratura, é composto por
membros do Poder Judiciário, do MP, da advocacia e da sociedade civil.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 103-B, da CF.

3. SE LIGA: O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de 2 (dois)
anos, admitida 1 (uma) recondução.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

60.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) Leia com atenção a afirmação a seguir,
que apresenta uma INCORREÇÃO.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem competência, entre outras, para rever, de ofício ou
mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais (se tiverem
sido julgados há menos de um ano), zelar pela observância dos princípios que regem a
administração pública e julgar os magistrados em caso de crime de abuso de autoridade.

Assinale a alternativa em que se indique o ERRO na afirmação acima.

(A)
O CNJ, sendo órgão do Poder Judiciário, atua apenas mediante provocação, não podendo atuar de ofício.
(B)
Não cabe ao CNJ, órgão que integra o Poder Judiciário, zelar por princípios relativos à Administração Pública.
(C)
O CNJ não pode julgar magistrados por crime de abuso de autoridade.
(D)
O CNJ pode rever processos disciplinares de juízes julgados a qualquer tempo.

1. COMENTÁRIO: : A a D) O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de quinze membros com mais de


trinta e cinco e menos de sessenta e seis anos de idade, com mandato de dois anos, admitida uma
recondução. Nos termos do art. 92 da CF, o CNJ é um dos órgãos do Poder Judiciário, logo, o princípio da
inércia se faz presente, tendo como atribuições zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo
cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua
competência, ou recomendar providências, sem prejuízo de rever processos disciplinares de juízes
julgados a qualquer tempo. Nestes termos, o CNJ não pode julgar magistrados por crime de abuso de
autoridade.

2. FUNDAMENTO: arts. 103-B e seguintes, 105, I, a, 108, I, a, todos da CF.

3. SE LIGA: O CNJ, embora seja órgão do Poder Judiciário, nos termos do art. 103-B, § 4º, II, da CF, possui, tão somente,
atribuições de natureza administrativa e, nesse sentido, não lhe é permitido apreciar a constitucionalidade dos atos
administrativos, mas somente sua legalidade.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”


61.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) A respeito do Conselho Nacional de
Justiça é correto afirmar que:
(A)
É órgão integrante do Poder Judiciário com competência administrativa e jurisdicional.
(B)
Pode rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de Tribunais
julgados há menos de um ano.
(C)
Seus atos sujeitam-se ao controle do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
(D)
A presidência é exercida pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal que o integra e que exerce o direito de
voto em todas as deliberações submetidas àquele órgão.

1. COMENTÁRIO: A) O Conselho Nacional de Justiça foi criado como órgão integrante do Poder Judiciário,
tendo como atribuições fiscalizá-lo administrativa, funcional e financeiramente. Ademais, em hipótese
alguma tal Conselho vai interferir no exercício da função jurisdicional, cabendo-lhe tão somente a
fiscalização do cumprimento dos deveres constitucionais. B) Redação do inciso V, do art. 103-B, da CF,
pois o CNJ funcionará como uma instância revisora das decisões prolatadas em processos administrativos
e disciplinares de juízes e membros de tribunais. C) Trata-se de competência originária do Supremo
Tribunal Federal, conforme alíneas n e r, do art. 102, da CF. D) O Conselho será presidido pelo Ministro do
Supremo Tribunal Federal, que votará em caso de empate, ficando excluído da distribuição de processos
naquele tribunal (§ 1º do art. 103-B da CF).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 103- B, da CF.

3. SE LIGA: O pedido de revisão disciplinar para o CNJ deve ser feito até um ano após o julgamento do processo
disciplinar pelo respectivo Tribunal, nos termos do art. 103-B, § 4º, V, da Constituição. Dessa forma, esgotado tal prazo
só restará ao interessado socorrer-se da via judicial para discutir a punição que lhe foi aplicada.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: Supremo Tribunal Federal (arts. 101 a 103 da CF)


62.
(OAB – IV EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011.1) A respeito da garantia constitucional
do acesso ao Poder Judiciário, assinale a alternativa correta.
(A)
O Poder Judiciário admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas paralelamente às ações
movidas nas instâncias da justiça desportiva.
(B)
De acordo com posição consolidada do Supremo Tribunal Federal, não ofende a garantia de acesso ao Poder
Judiciário a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda
discutir a exigibilidade de crédito tributário.
(C)
A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação.
(D)
É assegurado a todos, mediante pagamento de taxas, o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.

1. COMENTÁRIO: A) A Justiça Comum não é a instância mais adequada para lidar com litígios de natureza
desportiva porque, em geral, carece de conhecimentos especializados e utiliza rituais e processos
incompatíveis com a premência exigida para a solução dos conflitos ligados à prática desportiva. Por isso,
fundamental o perfeito funcionamento da Justiça Desportiva (JD). O art. 50 da Lei n. 9.615/98 (Lei Pelé)
estabelece que a organização, o funcionamento e as atribuições da JD devem ser definidos em Códigos
de Justiça Desportiva e são limitados ao processo e julgamento das infrações disciplinares e às
competições desportivas. B) De acordo com a Súmula Vinculante 28, é inconstitucional a exigência de
depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a
exigibilidade de crédito tributário. C) O inciso LXXVIII foi acrescentado ao art. 5º da CF, pela Emenda
Constitucional 45, de 8 de dezembro de 2004, que dispõe: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.
D) Nos termos do art. 5º, XXXIV, a, da CF, são a todos assegurados, independentemente do pagamento
de taxas, o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder (vide Súmula Vinculante 21).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 5º, LXXVIII, da CF.

3. SE LIGA: Em tema de habeas corpus, o tamanho do direito à razoável duração do processo é ainda maior. Mais forte
a sua compleição. Ele é a prioridade das prioridades ou o primus inter pares procedimental. A plenificar, por
consequência, o correlato dever estatal da não negação de justiça.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

63.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) Em relação à inovação da ordem
constitucional que instituiu a nominada Súmula Vinculante, é correto afirmar que:
(A)
Somente os Tribunais Superiores podem editá-la.
(B)
Podem ser canceladas, mas vedada a mera revisão.
(C)
A proposta para edição da Súmula pode ser provocada pelos legitimados para a propositura da ação direta de
inconstitucionalidade.
(D)
Desde que haja reiteradas decisões sobre matéria constitucional, o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício
ou por provocação, aprovar a Súmula mediante decisão da maioria absoluta de seus membros.

1. COMENTÁRIO: A a D) O Supremo Tribunal Federal poderá de ofício ou por provocação, mediante decisão
de 2/3 dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a
partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante. Poderá ainda proceder à sua revisão ou
cancelamento, na forma estabelecida em lei. Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a
aprovação, a revisão ou o cancelamento de súmula poderão ser provocados por aqueles que podem propor
a ação de inconstitucionalidade (art. 103-A, c.c. o art. 103, ambos da CF).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 103-A, da CF. A Lei 11.417/2006 define os legitimados para a edição, revisão
e cancelamento de enunciado de súmula vinculante (art. 3º).

3. SE LIGA: Inexiste ofensa à autoridade de Súmula Vinculante quando o ato de que se reclama é anterior à decisão
emanada da Corte Suprema. .

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

64.
(CESPE/2009.1) No que diz respeito ao instituto da repercussão geral, inovação criada pela EC
45/2004 e regulamentada pela Lei n. 11.418/2006, assinale a opção correta.
(A)
Tal inovação tem por finalidade aumentar o número de processos que devem ser apreciados no STF, a fim de
que as questões relevantes sejam todas julgadas o mais breve possível.
(B)
Para a rejeição da repercussão geral, é necessária a manifestação da maioria absoluta dos membros do STF.
(C)
A competência para a verificação da existência de repercussão geral, por decisão irrecorrível, é dos tribunais
superiores e do STF.
(D)
A decisão que nega a existência de repercussão geral vale para todos os recursos que versem sobre matéria
idêntica, os quais serão indeferidos liminarmente.

1. COMENTÁRIO: A) Tal inovação tem por finalidade diminuir o número de processos, pois quando houver
multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia a análise da repercussão geral será
processada nos termos do Regimento Interno do STF (art. 543-B, §§ 1º ao 5º, do CPC). B) Se a turma
decidir pela existência da repercussão geral por, no mínimo, quatro votos, ficará dispensada a remessa do
recurso ao Plenário (art. 543-A, § 4º, do CPC). C) Apenas do STF (art. 543-A do CPC). D) Vide redação do
art. 543-A, § 5º, do CPC.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do . 543-A, § 5º, do CPC.

3. SE LIGA: As decisões proferidas pelo Plenário do STF quando do julgamento de recursos extraordinários com
repercussão geral vinculam os demais órgãos do Poder Judiciário na solução, por estes, de outros feitos sobre idêntica
controvérsia. Cabe aos juízes e desembargadores respeitar a autoridade da decisão do STF tomada em sede de
repercussão geral, assegurando racionalidade e eficiência ao Sistema Judiciário e concretizando a certeza jurídica
sobre o tema. O legislador não atribuiu ao STF o ônus de fazer aplicar diretamente a cada caso concreto seu
entendimento. A Lei 11.418/2006 evita que o STF seja sobrecarregado por recursos extraordinários fundados em
idêntica controvérsia, pois atribuiu aos demais tribunais a obrigação de os sobrestarem e a possibilidade de realizarem
juízo de retratação para adequarem seus acórdãos à orientação de mérito firmada por esta Corte. Apenas na rara
hipótese de que algum tribunal mantenha posição contrária à do STF, é que caberá a este se pronunciar, em sede de
recurso extraordinário, sobre o caso particular idêntico para a cassação ou reforma do acórdão, nos termos do art. 543-
B, § 4º, do CPC. A competência é dos tribunais de origem para a solução dos casos concretos, cabendo-lhes, no
exercício deste mister, observar a orientação fixada em sede de repercussão geral. A cassação ou revisão das decisões
dos juízes contrárias à orientação firmada em sede de repercussão geral há de ser feita pelo tribunal a que estiverem
vinculados, pela via recursal ordinária. A atuação do STF, no ponto, deve ser subsidiária, só se manifesta quando o
tribunal a quo negasse observância ao leading case da repercussão geral, ensejando, então, a interposição e a subida
de recurso extraordinário para cassação ou revisão do acórdão, conforme previsão legal específica constante do art.
543-B, § 4º, do CPC. Nada autoriza ou aconselha que se substituam as vias recursais ordinária e extraordinária pela
reclamação. A novidade processual que corresponde à repercussão geral e seus efeitos não deve desfavorecer as
partes, nem permitir a perpetuação de decisão frontalmente contrária ao entendimento vinculante adotado pelo STF.
Nesses casos o questionamento deve ser remetido ao tribunal competente para a revisão das decisões do juízo de
primeiro grau a fim de que aquela Corte o aprecie como o recurso cabível, independentemente de considerações sobre
sua tempestividade.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

65.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011) No âmbito dos direitos humanos, a respeito
do Incidente de Deslocamento de Competência, instituído pela Emenda Constitucional 45,
assinale a alternativa correta.
(A)
Para assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos, de
que o Brasil seja parte, o Procurador-Geral da República pode suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça,
incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal, nas hipóteses de graves violações aos
direitos humanos.
(B)
O incidente de deslocamento de competência, embora garanta o cumprimento de obrigações do Estado
brasileiro em relação aos tratados internacionais de direitos humanos, não está relacionado com a razoável
duração do processo para a consecução da finalidade de efetiva proteção dos direitos humanos.
(C)
Pelo incidente de deslocamento de competência, a Justiça Federal só julgaria os casos relativos aos direitos
humanos após o Brasil ser responsabilizado internacionalmente.
(D)
O incidente de deslocamento de competência se efetiva contrariamente ao princípio do federalismo
cooperativo por não obedecer à hierarquia de competência para julgamento dos crimes comuns, mesmo no
âmbito de ferimento aos direitos humanos.
1. COMENTÁRIO: A a D) Conforme o art. 109, § 5º, da CF, nas hipóteses de grave violação de direitos
humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações
decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar,
perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de
deslocamento de competência para a Justiça Federal. A redação foi dada pela Emenda Constitucional n.
45/2004).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 109, § 5º, da CF.

3. SE LIGA: Na hipótese de concurso de infrações penais de jurisdições originárias diversas, a competência da JF para
uma delas atrai, por conexão ou continência, a competência para o julgamento das demais.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

66.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) Um juiz federal proferiu uma sentença
em processo relativo a crime político e outra sentença em processo movido por Estado
estrangeiro contra pessoa residente no Brasil. Os recursos interpostos contra essas duas
sentenças serão julgados pelo
(A) STF, no primeiro caso, e pelo TRF, no segundo caso.
(B) TRF em ambos os casos.
(C) STF, no primeiro caso, e pelo STJ, no segundo caso.
(D) TRF, no primeiro caso, e pelo STF, no segundo caso.

1. COMENTÁRIO: A a D) A questão ora apresentada é de fácil compreensão, pois são redações retiradas
dos arts. 102, II, b, e 105, II, c, ambos da CF. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a
guarda da Constituição, cabendo-lhe julgar, em recurso ordinário, o crime político e compete ao Superior
Tribunal de Justiça julgar, em recurso ordinário, as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou
organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.
Nos dois casos temos o exercício da competência recursal.

2. FUNDAMENTO: Literalidade dos arts. 102, II, b, e 105, II, c, ambos da CF.

3. SE LIGA: Competência da Justiça Federal definida na Constituição, não cabendo a lei ordinária e, menos ainda, a
Medida Provisória sobre ela dispor.
Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Tribunais e juízes dos Estados (arts. 125 e 126 da CF)


67.
(OAB/MG – Dez/08) De acordo com a CF/88, são formas de ingresso na magistratura, EXCETO:
(A) Como juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos.
(B)
Como desembargador federal, por escolha do Presidente da República, em lista tríplice, depois de aprovada
a indicação pela maioria absoluta do Senado Federal.
(C)
Como Ministro do Superior Tribunal de Justiça, por nomeação pelo Presidente da República, depois de
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.
(D)
Como Ministro do Superior Tribunal Militar, por nomeação do Presidente da República, depois de aprovada a
indicação pelo Senado Federal.

1. COMENTÁRIO: A) O ingresso na carreira da magistratura, cujo cargo inicial será o de juiz substituto,
mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da OAB em todas as fases, exigindo-se
do bacharel em direito, no mínimo, 3 anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem
de classificação (art. 93, I, da CF). B) O acesso aos tribunais (no caso TRF) de segundo grau far-se-á por
antiguidade e merecimento, alternadamente, apurados na última ou única entrância . C) Redação do art.
104, parágrafo único, da CF. D) Redação do art. 123 da CF.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 93, da CF.

3. SE LIGA: É inconstitucional a cláusula constante de ato regimental, editado por tribunal de Justiça, que estabelece,
como elemento de desempate nas promoções por merecimento, o fator de ordem temporal – a antiguidade na entrância
–, desestruturando, desse modo, a dualidade de critérios para acesso aos tribunais de segundo grau, consagrada no
art. 93 da Lei Fundamental da República.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

68.
(CESPE/2007.2) Acerca da organização do Poder Judiciário assinale a opção correta.
(A)
Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula vinculante aplicável ou que indevidamente a
aplicar, caberá arguição de descumprimento a preceito fundamental ao STF, que, julgando-a procedente,
anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, e determinará que outra seja proferida
com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.
(B)
Compete ao STF a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias.
(C)
A atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo vedadas férias coletivas, salvo para os tribunais.
(D)
Aos juízes é vedado exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos
do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.
1. COMENTÁRIO: : A) Caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal e não ADPF (art. 103-A, § 3º, da
CF). B) Compete ao Superior Tribunal de Justiça (art. 105, i, da CF). C) A regra também se aplica aos
tribunais, conforme o art. 93, XII, da CF. D) Correta. O inciso V do parágrafo único do art. 95 da CF foi
acrescentado pela EC n. 45, de 8-12-2004.
2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 95, da CF.

3. SE LIGA: O Supremo Tribunal já assentou que, salvo os casos expressamente previstos em lei, a responsabilidade
objetiva do Estado não se aplica aos atos de juízes.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Funções essenciais à justiça


69.
(CESPE/2007.1) Acerca das funções essenciais à justiça assinale a opção correta.
(A)
Integra o Ministério Público da União o Ministério Público do Tribunal de Contas da União (TCU).
(B)
Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle da atuação administrativa e financeira do
Ministério Público, sem prejuízo do controle exercido pelo Tribunal de Contas.
(C)
Os advogados da União representam a União, judicial e extrajudicialmente, inclusive no que se refere à
execução da dívida ativa.
(D) Às defensorias públicas é assegurada autonomia funcional e administrativa.

Comentário: A) Compreende o Ministério Público da União: MP Federal, MP do Trabalho, MP Militar, MP do Distrito


Federal e Territórios (art. 128 da CF). O Ministério Público que atua junto ao TCU (arts. 73, § 2º, I, e 130 da CF) não
é dotado de autonomia institucional e suas atribuições decorrem de lei ordinária de iniciativa do próprio Tribunal. B)
Redação do art. 130-A, § 2º, I e II, da CF. C) Cabe à Advocacia-Geral da União, diretamente, ou por órgãos vinculados
à representação da União judicial e extrajudicialmente, a consultoria jurídica do Poder Executivo. Em que pese a LC
n. 73/93 ter organizado a carreira, à Procuradoria da Fazenda Nacional ficou incumbida a execução de dívida ativa
tributária (art. 131, § 3º, da CF). D) A redação do art. 134, § 2º, da CF faz menção às Defensorias Públicas
Estaduais.
Gabarito Oficial: Alternativa “B”

70.
(CESPE/2008.3) Acerca das funções essenciais à justiça, assinale a opção correta.
(A)
A Advocacia-Geral da União é a instituição que representa judicial e extrajudicialmente a União, as autarquias
e as fundações públicas federais, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que disponha sobre sua
organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.
(B)
Às defensorias públicas da União e dos estados são asseguradas à autonomia funcional e administrativa e a
iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
(C)
O procurador-geral da República poderá ser destituído do cargo pelo presidente da República,
independentemente de prévia aprovação do Senado.
(D)
Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público receber e conhecer das reclamações contra membros
ou órgãos do MPU ou dos estados.

Comentário: A) A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado,


representa a União (apenas), judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que
dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder
Executivo (art. 131 da CF). B) A redação do art. 134, § 2º, da CF/88 descarta a União, pois será a lei complementar
que organizará a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para
sua organização nos Estados (art. 134, § 1º, da CF). C) A destituição do procurador-geral da República, por iniciativa
do presidente da República, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal (art. 128,
§ 2º, da CF). D) Vide art. 130-A, § 3º, I, da CF.
Gabarito Oficial: Alternativa “D”

71.
(OAB/MG – Dez/08) Em relação às funções essenciais à justiça, assinale a alternativa
INCORRETA:
(A)
O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República, nomeado pelo Presidente da
República dentre integrantes da carreira.
(B)
A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, nomeado pelo Presidente da
República dentre integrantes da carreira.
(C)
Os Ministérios Públicos dos Estados têm por chefes os Procuradores-Gerais de Justiça, nomeados pelos
Governadores dentre integrantes das respectivas carreiras estaduais.
(D)
As Advocacias-Públicas Estaduais são integradas por Procuradores dos Estados, que exercerão a
representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas.

Comentário: A) Redação do art. 128, § 1º, da CF. B) A Advocacia-Geral da União tem por chefe o advogado-geral da
União, de livre nomeação pelo presidente da República dentre cidadãos maiores de 35 anos, de notável saber jurídico
e reputação ilibada. C) Redação do art. 128, § 3º, da CF. D) Redação do art. 132 da CF. Devemos observar que aos
procuradores dos Estados e do Distrito Federal será assegurada estabilidade após 3 anos de efetivo exercício, mediante
avaliação de desempenho perante os órgãos próprios, após relatório circunstanciado das corregedorias.
Gabarito Oficial: Alternativa “B”

72.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) Considerando que nos termos dispostos
no art. 133 da Constituição do Brasil, o advogado é indispensável à administração da justiça,
sendo até mesmo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, é correto
afirmar que:
(A)
A imunidade profissional não pode sofrer restrições de qualquer natureza.

(B)
Nenhuma demanda judicial, qualquer que seja o órgão do Poder Judiciário pelo qual tramite,
independentemente de sua natureza, objeto e partes envolvidas, pode receber a prestação jurisdicional se não
houver atuação de advogado.
(C)
A inviolabilidade do escritório ou local de trabalho é assegurada nos termos da lei, não sendo vedadas,
contudo, a busca e a apreensão judicialmente decretadas, por decisão motivada, desde que realizada na
presença de representante da OAB, salvo se esta, devidamente notificada ou solicitada, não proceder à
indicação.
(D)
A prisão do advogado, por motivo de exercício da profissão somente poderá ocorrer em flagrante, mesmo em
caso de crime afiançável.

Comentário: A a D) Nas palavras do Professor José Levi Mello do Amaral Júnior (Constituição Federal Interpretada.
São Paulo: Manole, 2010, p. 808) “dispositivo que afirma a indispensabilidade do advogado à administração da
justiça e sua inviolabilidade quando do exercício profissional. Ambos os elementos destacados verificam-se nos
limites da lei. A legislação em causa é o Estatuto da Advocacia (Lei n. 8.906, de 4-7-1994), que foi objeto de ações
diretas de inconstitucionalidade (ADIn 1.105/DF, rel. Min. Paulo Brossard, DJ 27-4-2001, e a ADIn 1.127/DF, em
cujos autos foram deferidas medidas cautelares, confirmadas em 17.05.2006, na forma de Acórdãos confirmados
ao Ministro Ricardo Lewandowski. Decidiu-se que a presença do advogado em certos atos judiciais pode ser
dispensada, na forma da legislação, por exemplo, nas causas de valor até vinte salários mínimos em tramitação
perante os Juizados Especiais”. Por fim, o Estatuto da Advocacia dispunha que o advogado tem imunidade
profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no
exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele.
Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Poder Legislativo

Congresso Nacional

73.
(OAB – IV EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011.1) Considere a hipótese de Deputado
Federal que cometeu crime (comum) após a diplomação. Nesse caso, é correto afirmar que
(A) a Câmara dos Deputados pode sustar o andamento da ação penal.
(B) o STF só pode receber a denúncia após a licença da Câmara dos Deputados.
(C) o STF só pode receber a denúncia após a licença do Congresso Nacional.
(D) o Congresso Nacional pode sustar o andamento da ação penal.

1. COMENTÁRIO: : A a D) Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de


suas opiniões, palavras e votos e, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante
o Supremo Tribunal Federal. Uma vez oferecida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime
ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político
nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento
da ação. O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de 45 dias do
seu recebimento pela Mesa Diretora (art. 53 da CF).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 53 e seguintes da CF.

3. SE LIGA: Vale a pena transcrever porque se trata de um EXCEÇÃO A IMUNIDADE: Prisão decretada em
ação penal por ministra do STJ. Deputado estadual. Alegação de incompetência da autoridade coatora e nulidade da
prisão em razão de não ter sido observada a imunidade prevista no § 3º do art. 53, c/c parágrafo único do art. 27, § 1º,
da CR. (...) Os elementos contidos nos autos impõem interpretação que considere mais que a regra proibitiva da prisão
de parlamentar, isoladamente, como previsto no art. 53, § 2º, da CR. Há de se buscar interpretação que conduza à
aplicação efetiva e eficaz do sistema constitucional como um todo. A norma constitucional que cuida da imunidade
parlamentar e da proibição de prisão do membro de órgão legislativo não pode ser tomada em sua literalidade, menos
ainda como regra isolada do sistema constitucional. Os princípios determinam a interpretação e aplicação corretas da
norma, sempre se considerando os fins a que ela se destina. A Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia,
composta de 24 deputados, dos quais, 23 estão indiciados em diversos inquéritos, afirma situação excepcional e, por
isso, não se há de aplicar a regra constitucional do art. 53, § 2º, da CF, de forma isolada e insujeita aos princípios
fundamentais do sistema jurídico vigente." (HC 89.417, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22-8-2006, Primeira
Turma, DJ de 15-12-2006).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

74.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) O Congresso Nacional e suas respectivas
Casas se reúnem anualmente para a atividade legislativa. Com relação ao sistema constitucional
brasileiro, assinale a alternativa correta.
(A)
Legislatura: o período compreendido entre 2 de fevereiro a 17 de julho e 1º de agosto a 22 de dezembro.
(B)
Sessão legislativa: os quatro anos equivalentes ao mandado dos parlamentares.
(C)
Sessão conjunta: a reunião da Câmara dos Deputados e do Senado Federal destinada, por exemplo, a
conhecer do veto presidencial e sobre ele deliberar.
(D)
Sessão extraordinária: a que ocorre por convocação ou do Presidente do Senado Federal ou do Presidente da
Câmara dos Deputados ou do Presidente da República e mesmo por requerimento da maioria dos membros
de ambas as Casas para, excepcionalmente, inaugurar a sessão legislativa e eleger as respectivas mesas
diretoras.

1. COMENTÁRIO: A) Sessão Legislativa: o período compreendido entre 2 de fevereiro e 17 de julho e 1º de


agosto e 22 de dezembro. B) Legislatura: os quatro anos equivalentes ao mandato dos parlamentares,
logo, cada legislatura tem quatro sessões legislativas. C) Além de outros casos previstos na Constituição
Federal, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para conhecer do
veto e sobre ele deliberar. Veto é a manifestação de discordância do Chefe do Executivo aos termos de
um projeto de lei, por entendê-lo inconstitucional ou contrário ao interesse público. Deve ser sempre
motivado e apreciado em sessão conjunta, dentro de 30 dias de seu recebimento, só podendo ser rejeitado
pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e dos Senadores, em escrutínio secreto. . D) Sessões
extraordinárias ocorrem em circunstâncias que exijam a sua realização em períodos ou épocas não
determinadas previamente por constituição, regimento ou estatuto. Essas sessões podem ser convocadas
por iniciativa dos próprios órgãos competentes da instituição (art. 57, § 6º, I e II, da CF).

2. FUNDAMENTO: Literalidade dos arts. 57, § 3º, IV, c.c. art. 66§ 4º, ambos da CF.

3. SE LIGA: A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado Federal, e os demais
cargos serão exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos equivalentes na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

75.
(CESPE/2009.1) De acordo com a doutrina e jurisprudência, as comissões parlamentares de
inquérito instituídas no âmbito do Poder Legislativo federal:
(A)
Têm a missão constitucional de investigar autoridades públicas e de promover a responsabilidade civil ou
criminal dos infratores.
(B)
Não podem determinar a quebra do sigilo bancário ou dos registros telefônicos da pessoa que esteja sendo
investigada, dada a submissão de tais condutas à cláusula de reserva de jurisdição.
(C)
Deve obediência ao princípio federativo, razão pela qual não podem investigar questões relacionadas à
gestão da coisa pública estadual, distrital ou municipal.
(D)
Podem anular atos do Poder Executivo quando, no resultado das investigações, ficar evidente a ilegalidade
do ato.

1. COMENTÁRIO: A) As conclusões das comissões parlamentares de inquérito, se for o caso, serão


encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores
(art. 58, § 3º, da CF). B) Existe divergência sobre esse tema, pois o STF, em 1999 (MS 23.452/RJ), admitiu
a quebra de sigilo bancário e de registros telefônicos por determinação de CPI, desde que a determinação
esteja devidamente motivada. O mesmo ocorre com as buscas e apreensões domiciliares. Há decisões
do STF no sentido de ser observado o princípio da reserva da jurisdição. C) As comissões parlamentares
de inquérito devem obediência ao princípio federativo, razão pela qual não podem investigar questões
relacionadas à gestão da coisa pública estadual, distrital ou municipal, a apuração deve ser de fato
determinado e por prazo certo. D) O art. 58, § 3º, da CF não concede tal atribuição.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 58, § 3º, da CF. Jurisprudência do STF.

3. SE LIGA: É firme a jurisprudência deste STF no sentido de que a extinção da CPI prejudica o conhecimento do habeas
corpus impetrado contra as eventuais ilegalidades de seu relatório final, notadamente por não mais existir legitimidade
passiva do órgão impetrado. Precedentes. O encaminhamento do relatório final da CPI, com a qualificação das
condutas imputáveis às autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, para que o Ministério Público ou as
Corregedorias competentes promovam a responsabilidade civil, criminal ou administrativa, não constitui indiciamento.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

76.
(OAB/CESPE/2009.2) Assinale a opção correta acerca da organização do Congresso Nacional.
(A)
A convocação extraordinária do Congresso Nacional pode ser feita pelos presidentes da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal e pelo presidente da República, nos casos taxativamente previstos na CF.
Os membros de ambas as Casas não têm competência para propor esse tipo de convocação.
(B)
Além de outros casos previstos na CF, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão, em sessão
conjunta, para a apreciação de veto presidencial a projeto de lei e sobre ele deliberar.
(C)
Na constituição das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e na montagem das comissões
permanentes e temporárias há de se assegurar, obrigatoriamente, a representação proporcional, de modo
que nenhum partido ou bloco parlamentar deixe de ser contemplado.
(D)
O deputado ou senador licenciado para exercer o cargo de ministro de Estado, governador ou secretário
estadual, ou que estiver licenciado para tratar de interesse particular, poderá optar pela remuneração do
mandato, desde que, neste último caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias.

1. COMENTÁRIO: : A convocação extraordinária do Congresso Nacional far-se-á pelo presidente do


Senado Federal (em caso de decretação de estado de defesa ou de intervenção federal, de pedido de
autorização do estado de sítio e para o compromisso e a posse do presidente e do vice-presidente da
República), pelo presidente da República, pelo presidente da Câmara dos Deputados, pelo presidente do
Senado Federal ou a requerimento da maioria absoluta dos membros de ambas as Casas (art. 57, § 6º, I
e II, da CF). O veto será apreciado em sessão conjunta (Câmara e Senado), dentro de 30 dias a contar
do seu recebimento (art. 66, § 4º, da CF). Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada,
tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que
participam da respectiva Casa (art. 58, § 1º, da CF). Não irá optar por nada, pois será sem remuneração
(art. 56, II, da CF).
2. FUNDAMENTO: Literalidade da Constituição (dispositivos supracitados).

3. SE LIGA: Havendo medidas provisórias em vigor na data de convocação extraordinária do Congresso


Nacional, serão elas automaticamente incluídas na pauta da convocação.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: Processo legislativo


77.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) Sobre o instrumento jurídico denominado
Medida Provisória que não é lei, mas tem força de lei, assinale a afirmativa correta:
(A)
A sua eficácia dura sessenta dias contados da publicação, podendo a medida ser prorrogada apenas duas
vezes, ambas por igual período.
(B)
Se a Medida Provisória perder eficácia por decurso de prazo ou, em caráter expresso, for rejeitada pelo
Congresso Nacional, vedada será sua reedição na mesma sessão legislativa.
(C)
A não apreciação pela Câmara dos Deputados e, após, pelo Senado Federal, no prazo de 45 dias contados
da publicação, tem como consequência apenas o sobrestamento da deliberação dos projetos de emenda à
Constituição.
(D)
A edição de Medida Provisória torna prejudicado o projeto de lei que disciplina o mesmo assunto e que, a par
de já aprovado pelo Congresso Nacional, está pendente de sanção ou veto do Presidente da República.

1. COMENTÁRIO: : A) Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que,
no prazo de 60 dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do
Congresso Nacional. B) As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de 60 dias, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo,
as relações jurídicas delas decorrentes, sem prejuízo do disposto nos §§ 7º, 11 e 12 do art. 62 da CF. C)
Se a medida provisória não for apreciada em até 45 dias contados de sua publicação, entrará em regime
de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas,
até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.
D) É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo
Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República (art. 62 e seus parágrafos
da CF).

2. FUNDAMENTO: Exclusivamente Constitucional (supracitado).

3. SE LIGA: Conforme entendimento consolidado do STF, os requisitos constitucionais legitimadores da edição de


medidas provisórias, vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados de 'relevância' e 'urgência' (art. 62 da CF), apenas
em caráter excepcional se submetem ao crivo do Poder Judiciário, por força da regra da separação de poderes (art. 2º
da CF).

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

78.
(CESPE/2007.1) Quanto ao processo legislativo, assinale a opção correta.
(A)
No Senado Federal, para que um projeto de lei ordinária seja aprovado, é necessário que haja a maioria
simples, presente a maioria absoluta de seus membros. Dessa forma, como o Senado Federal tem 81
senadores, referido projeto demandará, no mínimo, 41 votos para que seja aprovado.
(B)
Um projeto de lei que disponha sobre parcelamento tributário de dívidas do imposto sobre propriedade veicular
(IPVA) não pode ser apresentado por parlamentar, por ser matéria de competência privativa do chefe do Poder
Executivo.
(C)
Considere que o Congresso Nacional já tenha aprovado determinado projeto de lei, agora em fase de sanção
ou veto, alterando o projeto inicial encaminhado pelo presidente da República. Não satisfeito com a referida
alteração, poderá o presidente da República editar nova medida provisória (MP) sobre a matéria rejeitada.
(D)
A matéria veiculada em MP rejeitada pelo Congresso Nacional não poderá ser reapresentada na mesma
sessão legislativa, cabendo a esse órgão disciplinar, por meio de decreto legislativo, as relações jurídicas
decorrentes da edição da MP rejeitada.

1. COMENTÁRIO: A) Conforme prescreve o art. 47 da CF, um projeto de lei ordinária é aprovado se obtiver
maioria de votos a seu favor, presente a maioria dos membros da Casa (maioria absoluta para a instalação
e maioria simples para a aprovação). B) Com isso, a iniciativa das leis complementares e ordinárias, em
regra, cabe a qualquer membro do Congresso Nacional, a qualquer comissão da Câmara dos Deputados,
do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao presidente da República, aos Tribunais Superiores, ao
PGR, ao TCU e aos cidadãos (arts. 61, 73 e 96 da CF). Uma das vedações à edição de medidas provisórias
é exatamente o que a questão “C” descreve como correta (art. 62, § 2º, da CF); já a questão “D” se subsume
aos §§ 3º e 11 do art. 62 da CF.
2. FUNDAMENTO: Exclusivamente Constitucional (supracitado os dispositivos).

3. SE LIGA: Questão de ordem quanto à possibilidade de se analisar o alegado vício formal da medida provisória após
a sua conversão em lei. A lei de conversão não convalida os vícios formais porventura existentes na medida provisória,
que poderão ser objeto de análise do Tribunal, no âmbito do controle de constitucionalidade.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

79.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.2) Sabe-se a polêmica ainda existente na
doutrina constitucionalista pátria no que se refere à eventual hierarquia da Lei Complementar
sobre a Lei Ordinária. Todavia, há diferenças entre essas duas espécies normativas que podem
até gerar vícios de inconstitucionalidade caso não respeitadas durante o processo legislativo.
A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta:

(A)
A Lei Complementar exige aprovação por maioria absoluta, enquanto a lei ordinária é aprovada por maioria
simples dos membros presentes à sessão, desde que presente a maioria absoluta dos membros de cada Casa
ou de suas Comissões.
(B)
As matérias que devem ser regradas por Lei Complementar encontram-se taxativamente indicadas no texto
constitucional e, desde que não seja assunto específico de normatização por decreto legislativo ou resolução,
o regramento de todo o resíduo competirá à lei ordinária.
(C)
As matérias reservadas à Lei Complementar não serão objeto de delegação do Congresso ao Presidente da
República.
(D)
A discussão e votação dos projetos de lei ordinária devem, obrigatoriamente, ter início na Câmara dos
Deputados.

1. COMENTÁRIO: : A e B) A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou


comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da
República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e
aos cidadãos, na forma e nos casos previstos na Constituição. A lei complementar exige a aprovação por
maioria absoluta, enquanto a lei ordinária é aprovada por maioria simples (arts. 61 e 69 da CF). As matérias
que devem ser regradas por lei complementar encontram-se taxativamente indicadas no texto
constitucional e, como regra, as competências privativas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal
terão a forma de resoluções (arts. 51 e 52 da CF) e as matérias de competência exclusiva do Congresso
Nacional serão abordadas por decretos legislativos (art. 49 da CF), logo, o resíduo competirá à lei ordinária.
C) As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação do
Congresso Nacional, mas não será objeto de delegação a matéria reservada à lei complementar (art. 68,
§ 1º, da CF). D) A discussão e a votação dos projetos de lei ordinária terão início no Senado Federal quando
a propositura for realizada por qualquer membro ou comissão do Senado Federal.

2. FUNDAMENTO: Exaustivamente os fundamentos foram apontados no tópico anterior. Fundamentos


Constitucionais e Doutrinários.

3. SE LIGA: Na verdade já existiu um debate acirrado sobre a questão, hoje não mais.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

80.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) A respeito da disciplina constitucional da
Administração Pública, é correto afirmar que
(A)
As funções de confiança e os cargos em comissão se destinam apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento.
(B)
Os atos de improbidade administrativa importarão a cassação de direitos políticos, a perda da função pública,
a indisponibilidade de bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo
da ação penal cabível.
(C)
A vinculação de espécies remuneratórias no serviço público é vedada, mas admite-se a equiparação salarial
entre carreiras públicas.
(D)
O direito de greve é assegurado ao servidor público civil, devendo ser exercido nos termos e nos limites
definidos em lei complementar.

1. COMENTÁRIO: A) Redação do art. 37, V, da CF. B) Os atos de improbidade administrativa importarão a


suspensão dos direitos políticos – até mesmo porque a cassação é vedada pelo art. 15 da CF –, a perda
da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação da lei,
sem prejuízo da ação penal cabível (improbidade administrativa: Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992). C)
Nos termos do art. 37, XIII, da CF, é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies
remuneratórias para o efeito de remuneração do serviço público. D) O direito de greve será exercido nos
termos e nos limites definidos em lei específica (art. 37, VII, da CF). Trata-se de norma de eficácia limitada,
ou seja, que depende de regulamentação, não podendo se falar em lei complementar. Ademais,
classificamos como norma híbrida, de eficácia limitada e contida.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do texto Constitucional.

3. SE LIGA: Cargos em comissão a serem preenchidos por servidores efetivos. A norma inscrita no art. 37, V, da Carta
da República é de eficácia contida, pendente de regulamentação por lei ordinária (RMS 24.287, Rel. Min. Maurício
Corrêa, julgamento em 26-11-2002, Segunda Turma, DJ de 1º-8-2003.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

81.
(OAB/CESPE/2009.2) Considerando as normas constitucionais sobre processo legislativo,
assinale a opção correta.
(A)
São de iniciativa privativa do presidente da República as leis que disponham sobre o aumento de remuneração
dos cargos, funções e empregos na administração direta e autárquica.
(B)
A iniciativa popular de lei pode ser exercida pela apresentação, à Câmara dos Deputados ou ao Senado
Federal, de projeto de lei subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído, pelo menos, por
cinco estados.
(C)
A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal. As comissões permanentes de ambas as Casas podem discutir e votar projetos de lei que
dispensarem a competência do plenário, mas não têm o poder de apresentar tais projetos para dar início ao
processo legislativo.
(D)
A emenda à CF será promulgada, com o respectivo número de ordem, pelo presidente do Senado Federal, na
condição de presidente do Congresso Nacional. Se a promulgação não ocorrer dentro do prazo de quarenta e
oito horas após a sua aprovação, as Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deverão fazê-lo.

Comentário: São de iniciativa privativa do presidente da República as leis que disponham sobre o aumento de
remuneração dos cargos, funções e empregos na administração direta e autárquica, conforme o art. 61, § 1º, da
CF. A iniciativa popular pode ser exercida somente à Câmara dos Deputados (art. 61, § 2º, da CF). Conforme o art.
61, caput, da CF, cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do
Congresso Nacional, ao presidente da República, ao STF, aos Tribunais Superiores, ao PGR e aos cidadãos a
iniciativa das leis complementares e ordinárias. As emendas constitucionais só serão promulgadas pelas Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
Gabarito Oficial: Alternativa “A”

82.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) Projeto de lei estadual de iniciativa
parlamentar concede aumento de remuneração a servidores públicos estaduais da área da saúde
e vem a ser convertido em lei após a sanção do Governador do Estado.
A referida lei é

(A)
Compatível com a Constituição da República, desde que a Constituição do Estado-
-membro não reserve à Chefia do Poder Executivo a iniciativa de leis que disponham sobre aumento de
remuneração de servidores públicos estaduais.
(B)
Constitucional, em que pese o vício de iniciativa, pois a sanção do Governador do Estado ao projeto de lei teve
o condão de sanar o defeito de iniciativa.
(C)
Inconstitucional, uma vez que os projetos de lei de iniciativa dos Deputados Estaduais não se submetem à
sanção do Governador do Estado, sob pena de ofensa à separação de poderes.
(D)
Inconstitucional, uma vez que são de iniciativa privativa do Governador do Estado as leis que disponham sobre
aumento de remuneração de servidores públicos da administração direta e autárquica estadual.

Comentário: A a D) Nos termos do art. 61, § 1º, II, a, da CF, são de iniciativa privativa do Presidente da República
as leis que disponham sobre a criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e
autárquica ou aumento de sua remuneração. Com isso, a iniciativa será sempre do chefe do Poder Executivo
Federal, mas por força do princípio da simetria ou do paralelismo, concluímos que os chefes do Executivo Estadual
e Municipal poderão dispor sobre o aumento de remuneração de seus servidores públicos. A iniciativa que parta de
qualquer outro legitimado para propor projetos de leis neste quesito deverá ser considerada inconstitucional.
Gabarito Oficial: Alternativa “D”

83.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) A Constituição da República de 1988
reclama lei complementar para dispor sobre
(A) O estatuto jurídico das empresas públicas e sociedades de economia mista.
(B) As formas de participação do usuário na administração pública.
(C) Finanças públicas.
(D) Contratação por tempo determinado na administração pública.
1. COMENTÁRIO: A a D) Nos termos do art. 59 da CF, temos as espécies normativas que compreende o
processo legislativo, entre elas destacamos as leis complementares e leis ordinárias, que serão aprovadas
em cada casa do Congresso Nacional, em um turno, respectivamente, pelo quórum da maioria absoluta e
maioria simples. O Poder Constituinte Originário ao se referir às leis ordinárias irá utilizar apenas a
expressão “lei”, mas quando se tratar de lei complementar dirá expressamente. Os arts. 173, § 1º, 37, §
3º, e 37, IX, todos da CF, utilizam a expressão lei, o que denuncia que somente a lei ordinária poderá dispor
sobre tais matérias (respectivamente, alternativas “A”, “B” e “D”). Por fim, o art. 146 da CF enumera
expressamente o que cabe à lei complementar.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 163, I, da CF.

3. SE LIGA: Medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade. LC 101, de 4-5-2000 (Lei de


Responsabilidade Fiscal). MP 1.980-22/2000. (...) LC 101/2000. Vício formal. Inexistência. (...) Por
abranger assuntos de natureza diversa, pode-se regulamentar o art. 163 da Constituição por meio de mais
de uma lei complementar." (ADI 2.238-MC, Rel. p/ o ac. Min. Ayres Britto, julgamento em 9-8-2007,
Plenário, DJE de 12-9-2008).

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

84.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011) A iniciativa popular é uma das formas de
exercício da soberania previstas na Constituição da República. O projeto de lei resultante de
iniciativa popular deve
(A) ser dirigido à Mesa do Congresso Nacional.
(B) ser subscrito por, no mínimo, 2% do eleitorado nacional.
(C) ser subscrito por eleitores de cinco Estados da Federação.
(D) dispor sobre matéria de lei ordinária.

1. COMENTÁRIO: A a D) A iniciativa popular é a possibilidade de o cidadão participar diretamente do


processo legislativo, podendo, portanto, propor projeto de lei (ordinária ou complementar) a ser apreciado
pela casa respectiva. Pode ocorrer em todas as esferas, federal, estadual e municipal. A Constituição
Federal, no art. 61, § 2º, prevê que na esfera federal, para se dar início ao trâmite legislativo, será
necessária a iniciativa de no mínimo 1% do eleitorado nacional, distribuído por no mínimo cinco Estados,
contando cada um deles com pelo menos 0,3% de seus eleitores.

2. FUNDAMENTO: Art. 1º, parágrafo único, da CF c\c arts. 14, III e . 61, § 2º, da CF.

3. SE LIGA: À luz do princípio da simetria, é de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo estadual as leis que
disciplinem o regime jurídico dos militares (art. 61, § 1º, II, f, da CF/1988). Matéria restrita à iniciativa do Poder Executivo
não pode ser regulada por emenda constitucional de origem parlamentar e nem mesmo por iniciativa popular. (ADI
2.966, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 6-4-2005, Plenário, DJ de 6-5-2005.) No mesmo sentido: ADI 858,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 13-2-2008, Plenário, DJE de 28-3-2008. Vide: ADI 2.102, Rel. Min.
Menezes Direito, julgamento em 15-4-2009, Plenário, DJE de 21-8-2009.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Emendas à Constituição


85.
(CESPE/2009.3) Assinale a opção correta acerca do disciplinamento das emendas
constitucionais.
(A) Há limitações implícitas ao poder reformador.
(B)
As limitações expressas com relação às emendas à CF restringem-se às temporais e às materiais.
(C)
As limitações materiais de emenda à CF relacionam-se à ideia de que a Constituição, documento mais
importante de um país, não pode ser alterada em regime de exceção.
(D)
As emendas à CF podem ser definidas como uma espécie extraordinária e transitória do gênero das reformas
constitucionais.

1. COMENTÁRIO: O Poder Constituinte reformador de emendas tem limitações explícitas que são aquelas
expressas na Constituição Federal e classificadas em formais ou procedimentais, materiais, circunstanciais
e temporais. Há também cláusulas pétreas implícitas, a exemplo do quórum exigido para a aprovação de
uma emenda e do próprio § 4º do art. 60 da CF. As limitações materiais de emenda à Constituição Federal
relacionam-se a ideia de vedação às deliberações a proposta de emendas tendentes a abolir a forma
federativa, voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes e os direitos e garantias
individuais. Consoante a isso, em determinada circunstância, como a intervenção federal, estado de sítio e
estado de defesa, a Constituição não pode ser alterada de forma alguma devido ao regime de exceção.

2. FUNDAMENTO: Doutrinário.

3. SE LIGA: O STF já assentou o entendimento de que é admissível a ação direta de inconstitucionalidade de emenda
constitucional, quando se alega, na inicial, que esta contraria princípios imutáveis ou as chamadas cláusulas pétreas
da Constituição originária (art. 60, § 4º, da CF). Precedente: ADI 939 (RTJ 151/755)." (ADI 1.946-MC, Rel. Min. Sydney
Sanches, julgamento em 29-4-1999, Plenário, DJ de 14-9-2001).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

86.
(OAB – IV EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2011.1) Em 2010, o Congresso Nacional
aprovou por Decreto Legislativo a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência. Essa convenção já foi aprovada na forma do artigo 5º, § 3º, da Constituição, sendo
sua hierarquia normativa de
(A) lei federal ordinária.
(B) emenda constitucional.
(C) lei complementar.
(D) status supralegal.

1. COMENTÁRIO: A) A lei ordinária é um ato normativo primário e contém, em regra, normas gerais e
abstratas, aprovadas em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, pelo quórum da maioria
simples (arts. 59, III, e 47, ambos da CF). B) São os únicos atos legislativos dotados de supremacia, pois
a proposta será discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-
se aprovada se obtiver, em ambas, três quintos dos votos dos respectivos membros (arts. 59, I, e 60, § 2º,
todos da CF). Contudo, o art. 5º, § 3º, da CF, redação acrescentada pela EC n. 45, de 8 de dezembro de
2004, materializa a possibilidade de tratados ou convenções internacionais sobre direitos humanos sejam
equivalentes a uma emenda constitucional. C) A lei complementar é um ato normativo primário e contém,
em regra, normas gerais e abstratas, aprovadas em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
pelo quórum da maioria absoluta (arts. 59, II, e 69, ambos da CF). D) A qualificação de “supralegal” significa
que a norma jurídica com esta qualificação está acima da lei, é-lhe hierarquicamente superior.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 5º, § 3º, da CF.

3. SE LIGA: após o advento da EC 45/2004, consoante redação dada ao § 3º do art. 5º da CF, passou-se a atribuir às
convenções internacionais sobre direitos humanos hierarquia constitucional. Desse modo, a Corte deve evoluir do
entendimento então prevalecente (...) para reconhecer a hierarquia constitucional da Convenção. Se bem é verdade
que existe uma garantia ao duplo grau de jurisdição, por força do pacto de São José, também é fato que tal garantia
não é absoluta e encontra exceções na própria Carta.

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: Medidas provisórias


87.
(OAB/MG – Ago/08) Sobre as medidas provisórias, é CORRETO afirmar:
(A)
Aprovado projeto de lei de conversão, alterando o texto original da medida provisória, esta é mantida
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.
(B)
As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de 45
dias, prorrogável uma vez por igual período.
(C)
A medida provisória que não tiver sua votação encerrada na Câmara e no Senado, dentro de seu prazo de
validade, é automaticamente prorrogada por mais um período de igual duração.
(D)
Caberá à comissão mista de deputados e senadores examinar as medidas provisórias, emitindo parecer, e
enviando-as, em seguida, para apreciação conjunta de deputados e senadores.

1. COMENTÁRIO: As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em
lei no prazo de 60 dias, prorrogável por uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional
disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. Não editado o decreto legislativo
até 60 dias após a rejeição ou perda da eficácia da medida provisória, as relações jurídicas constituídas e
decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. Agora, aprovado o
projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta se manterá integralmente
em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto (art. 62, §§ 3º, 11 e 12, da CF). Por fim, caberá à
comissão mista de deputados e senadores examinar as medidas provisórias, emitindo parecer, antes de
serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional
(art. 62, § 9º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 62, da CF.

3. SE LIGA: A CF, ao dispor regras sobre processo legislativo, permite o controle judicial da regularidade do processo.
Exceção à jurisprudência do STF sobre a impossibilidade de revisão jurisdicional em matéria interna corporis. (...).
Alegação de inconstitucionalidade formal: nulidade do processo legislativo em que foi aprovado projeto de lei enquanto
pendente a leitura de medida provisória numa das Casas do Congresso Nacional, para os efeitos do sobrestamento a
que se refere o art. 62, § 6º, da CF. Medida provisória que trancaria a pauta lida após a aprovação do projeto que
resultou na lei atacada.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

88.
(OAB – EXAME DE ORDEM UNIFICADO – FGV – 2010.3) Assinale a alternativa que contemple
matéria para cuja disciplina é vedada a edição de medida provisória.
(A) Instituição ou majoração de impostos.
(B)
Abertura de crédito extraordinário, ainda que para atendimento a despesas imprevisíveis e urgentes.
(C) Normas gerais de licitações e contratos administrativos.
(D) Partidos políticos e direito eleitoral.

1. COMENTÁRIO: A) Alternativa genérica, pois de fato é vedada a edição de medida provisória que implique
instituição ou majoração de impostos, salvo quando se tratar dos seguintes impostos: importação,
exportação, IPI, IOF e, na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários,
compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente,
cessadas as causas de sua criação (arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, ambos da CF). B) É possível a edição
de medidas provisórias quando se tratar de abertura de crédito extraordinário para atender a despesas
imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, nos
termos do art. 167, § 3º, da CF. C) É possível, pois não consta no rol do art. 62, § 1º, da CF. D) Redação
do art. 62, § 1º, I, a, da CF.

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 62, da CF.


3. SE LIGA: MP 420/2008, convertida na Lei 11.708/2008, que abriu crédito extraordinário em favor da União, com
fundamento no art. 167, § 2º, da CF. Créditos dessa natureza têm vigência temporalmente limitada ao exercício
financeiro para os quais foram autorizados, salvo se editados nos últimos quatros meses desse exercício, circunstância
em que suas realizações serão postergadas para o exercício financeiro seguinte. Como a medida provisória objeto
desta ação foi publicada em fevereiro de 2008, é possível concluir que os créditos previstos ou já foram utilizados ou
perderam sua vigência e, portanto, não subsistem situações passíveis de correção no presente, na eventualidade de
se reconhecer a sua inconstitucionalidade. Há, portanto, perda superveniente de objeto considerado o exaurimento da
eficácia jurídico-normativa do ato hostilizado.

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

ITEM: Poder Executivo


89.
(CESPE/2009.1) No que se refere às prerrogativas conferidas aos parlamentares federais assinale
a opção correta.
(A)
Os delitos de opinião praticados por congressistas, no exercício formal de suas funções, somente poderão ser
submetidos ao Poder Judiciário após o término do mandato do parlamentar.
(B)
Recebida a denúncia contra senador ou deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência
à Casa respectiva, que, por iniciativa do parlamentar réu ou do partido político a que é filiado, pode sustar o
andamento da ação.
(C)
A imunidade parlamentar formal não obsta, observado o devido processo legal, a execução de pena privativa
de liberdade decorrente de decisão judicial transitada em julgado.
(D)
As imunidades de deputados e senadores não subsistirão durante o estado de sítio dada a gravidade da
situação de crise e da excepcionalidade da medida.

1. COMENTÁRIO: A) Os deputados e senadores (congressistas) são invioláveis, civil e penalmente, por


quaisquer de suas opiniões, palavras e votos (imunidade absoluta ou material). No que diz respeito à
imunidade formal, o STF, recebendo a denúncia contra o senador ou deputado, por crime ocorrido após a
diplomação, dará ciência à Casa respectiva, que poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação
(art. 53, § 3º, da CF). B) O STF dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela
representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da
ação. C) Vide art. 53 e seus parágrafos da CF. D) Subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser
suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva (art. 53, § 8º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Literalidade do art. 53, da CF.

3. SE LIGA: A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa.” (Súmula 245.).

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Presidente da República


90.
(CESPE/2007.3) A disciplina constitucional sobre a organização dos Poderes Executivo e
Legislativo:
(A)
Permite que o presidente da República delegue aos ministros de Estado, ao procurador-
-geral da República ou ao advogado-geral da União algumas atribuições que lhe são privativas.
(B)
Estabelece que o presidente da República, nas infrações comuns, só possa ser preso em flagrante delito de
crime inafiançável.
(C)
Admite que os deputados e senadores sejam proprietários ou controladores de empresa que goze de favor
decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, desde que não ocupem cargos de diretores ou
nela exerçam função remunerada.
(D)
Autoriza que o deputado ou senador se licencie do cargo para exercer a função de ministro de Estado, mas,
não, a de secretário estadual.

1. COMENTÁRIO: A) O presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI,
XII e XXV, primeira parte, aos ministros de Estado, ao procurador-geral da República ou ao advogado-geral
da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações (parágrafo único do art. 84 da
CF). B) O presidente da República em hipótese alguma poderá ser preso enquanto não sobrevier sentença
condenatória, nas infrações comuns (art. 86, § 3º, da CF). C) Vedação expressa do art. 54, II, a, da CF. D)
A Constituição Federal, no seu art. 56, I, reza que o deputado ou senador, investido no cargo de ministro
de Estado, governador de Território, secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura
de Capital ou chefe de missão diplomática temporária não perderá o seu cargo.

2. FUNDAMENTO: : Incisos VI, XII e XXV, primeira parte, do art. 84, inciso II, do parágrafo único, do art. 87,
e caput do art. 62, 102, I, c e 105, I, b, todos da CF. Jurisprudência do STF: RE 633.009-AgR; MS 25.295,
RMS 25.367, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 4-10-2005, Primeira Turma, DJ de 21-10-2005.) No mesmo
sentido: RMS 24.619, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 11-10-2011, Segunda Turma, DJE de 22-11-2011; AI
725.590-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 22-2-2011, Segunda Turma, DJE de 15-3-2011.

3. SE LIGA: O STF firmou orientação no sentido da legitimidade de delegação a ministro de Estado da competência do
chefe do Executivo Federal para, nos termos do art. 84, XXV, e parágrafo único, da CF, aplicar pena de demissão a
servidores públicos federais. (...) Legitimidade da delegação a secretários estaduais da competência do governador do
Estado de Goiás para (...) aplicar penalidade de demissão aos servidores do Executivo, tendo em vista o princípio da
simetria.” (RE 633.009-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 13-9-2011, Segunda Turma, DJE de 27-
9-2011).

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

91.
(OAB/CESPE/2009.2) Assinale a opção correta acerca do Poder Executivo.
(A)
O presidente e o vice-presidente da República não podem ausentar-se do país, por qualquer período de tempo,
sem licença do Senado Federal, sob pena de perda do cargo.
(B)
Será considerado eleito presidente da República o candidato que, registrado por partido político, obtiver a
maioria absoluta de votos, não computados os votos em branco e os nulos.
(C)
Em casos de vacância ou de impedimento do presidente e do vice-presidente da República serão chamados ao
exercício da Presidência da República, sucessivamente, o presidente do Senado Federal, o presidente da Câmara
dos Deputados e o presidente do STF.
(D)
O presidente da República somente poderá ser processado e julgado, nas infrações penais comuns, perante
o STF, com a prévia anuência do Senado Federal.

1. COMENTÁRO: A) O presidente e o vice-presidente da República não poderão, sem licença do Congresso


Nacional, ausentar-se do País por período superior a 15 dias, sob pena de perda do cargo (art. 83 da CF).
B) Redação do art. 77, § 2º, da CF. C) O art. 80 da CF traz os nomes dos substitutos eventuais que, nos
casos de impedimento do presidente e do vice-presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão
sucessivamente chamados ao exercício da Presidência: o presidente da Câmara, o do Senado Federal e
o do Supremo Tribunal Federal. D) Admitida a acusação contra o presidente da República, por dois terços
da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o STF, nas infrações penais comuns
(art. 86 da CF).

2. FUNDAMENTO: Previsão Constitucional (remeto aos artigos supracitados no comentário).

3. SE LIGA: Constitucional. Eleitoral. Votos em branco. Eleições proporcionais. Quociente eleitoral: determinação.
Código Eleitoral, art. 106, parágrafo único. Compatibilidade com a Constituição. A norma inscrita no parágrafo único do
art. 106 do Código Eleitoral, a dizer que 'contam-se como válidos os votos em branco para determinação do quociente
eleitoral', não é incompatível com a Constituição vigente.” (RE 140.386, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 19-
5-1993, Plenário, DJ de 20-4-2001.).

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

92.
(CESPE/2008.1) Assinale a opção correta quanto às competências dispostas na Constituição
Federal acerca das relações internacionais.
(A)
Compete ao Congresso Nacional resolver definitivamente, por maioria absoluta, sobre tratados, acordos ou
atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
(B)
Compete ao Congresso Nacional autorizar o presidente da República a denunciar tratados, acordos ou atos
internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
(C)
Compete ao presidente da República, sem necessidade de autorização do Congresso Nacional, permitir que
tropas estrangeiras transitem pelo país nos casos previstos em lei complementar.
(D)
Compete ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgar o litígio entre Estado estrangeiro e o Distrito Federal.

1. COMENTÁRIO: A e B) O art. 49, I, da CF não faz alusão nenhuma a quorum de maioria absoluta e muito
menos sobre autorizar o presidente da República a denunciar tratados, acordos ou atos internacionais que
acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. C) Redação do art. 84, XXII, da
CF e LC n. 90, de 1º-10-1997. D) A competência é do STF, conforme o art. 102, I, e, da CF.

2. FUNDAMENTO: Previsão Constitucional (remeto aos artigos supracitados no comentário).

3. SE LIGA: Com muita frequência o examinador elabora questões que exigem tão somente o conhecimento
do texto Constitucional, por isso, é pertinente a leitura dos artigos da Constituição, em especial, artigos 49,
53, 58, 61, 70, 71, 72, 74 e 84, todos da CF.

Gabarito Oficial: Alternativa “C”

ITEM: Crimes de responsabilidade


93.
(CESPE/2007.2) Acerca da organização dos Poderes Legislativo e Executivo assinale a opção
correta.
(A)
Constitui crime de responsabilidade a ausência, sem justificação adequada, de ministro de Estado ou qualquer
titular de órgão diretamente subordinado à presidência da República, quando houver convocação por parte da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, ou de qualquer de suas comissões, para prestar informações
sobre assunto determinado.
(B)
Na hipótese de vacância dos cargos de presidente e vice-presidente da República, nos dois primeiros anos do
mandato, o Congresso Nacional deverá proceder à eleição indireta, no prazo de 30 dias a contar da vacância
do último cargo, para escolher o sucessor, que completará o mandato do antecessor.
(C)
O senador ou deputado federal que tenha cometido crime antes da diplomação somente terá o seu processo
penal por crime comum suspenso pela respectiva Casa por iniciativa de partido político nela representado e
pelo voto da maioria de seus membros.
(D)
O deputado federal ou senador terá os seus direitos políticos perdidos ou suspensos somente quando decidido
pela respectiva casa por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de
partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.

1. COMENTÃRIO: A) Correta. Redação do art. 50 da CF. B) O único caso de eleição indireta está no art. 81,
§§ 1º e 2º, da CF. Contudo, a eleição indireta se dá apenas se ocorrer a vacância nos “últimos dois anos
do período presidencial”. C) Não é antes, mas sim após a diplomação. O STF dará ciência à Casa
respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros,
poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação (art. 53, § 3º, da CF). D) A redação do art. 55, IV
e seu § 3º, não faz menção ao “voto secreto” e ao quorum de “maioria absoluta”.

2. FUNDAMENTO: Previsão Constitucional (remeto aos artigos supracitados no comentário).

3. SE LIGA: Dispositivo da Constituição do Estado que prevê a convocação, pela Assembleia Legislativa, do governador
do Estado, para prestar pessoalmente informações sobre assunto determinado, importando em crime de
responsabilidade a ausência sem justificação adequada. Fumus boni iuris que se demonstra com a afronta ao princípio
de separação e harmonia dos Poderes, consagrado na CF. Periculum in mora evidenciado no justo receio do conflito
entre poderes, em face de injunções políticas. (ADI 111-MC, Rel. Min. Carlos Madeira, julgamento em 25-10-1989,
Plenário, DJ de 24-11-1989.) No mesmo sentido: ADI 3.279, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 16-11-2011,
Plenário, DJE de 15-2-2012.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

94.
No processo de impedimento do Presidente da República, ocorre a necessidade de
preenchimento de alguns requisitos. Com base nas normas constitucionais, é correto afirmar que
(A)
a Câmara autoriza a instauração do processo pelo voto da maioria absoluta dos seus membros.
(B)
o julgamento ocorre pelo Senado Federal, cuja decisão deverá ocorrer pela maioria simples.
(C)
condenado o Presidente, cumprirá sua pena privativa de liberdade em regime semiaberto.
(D)
no julgamento ocorrido no Senado, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal.

1. COMENTÁRIO: A a D) A questão trata do procedimento do impeachment contra o Presidente da


República: a acusação pode ser oferecida por qualquer cidadão à Câmara dos Deputados; admitida a
acusação por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele necessariamente submetido a julgamento
perante o Senado Federal, que será presidido pelo Presidente do STF (a admissão pela Câmara vincula o
Senado); após a instauração do processo pelo Senado, o Presidente fica suspenso de suas funções, por
no máximo 180 dias; a condenação somente pode ser proferida por dois terços dos votos, limitada à perda
do cargo e inabilitação por oito anos para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções
judiciais cabíveis. No ordenamento jurídico brasileiro somente são passíveis de impeachment o Presidente
da República, os Governadores, os Prefeitos, os Ministros do STF, o Procurador-Geral da República, o
Advogado Geral da União e, em alguns casos, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica.

2. FUNDAMENTO: art. 52, parágrafo único, da CF, Lei 27, de 7-1-1892; Lei 30, de 8-1-1892. Lei 1.079, de 1950.
Jurisprudência do STF: MS 20.941-DF (RTJ 142/1988); MS 21.564-DF e MS 21.623-DF.

3. SE LIGA: As Cartas de 1969 e de 1988 não conferiram poder normativo ao Senado Federal que o legitimasse a
adotar estatuto próprio, veiculado por meio de resolução, para disciplinar o regime jurídico de seus servidores, achando-
se os funcionários civis dos três Poderes da República submetidos a regime funcional único instituído por lei que era,
ao tempo da edição da referida resolução, e continua sendo, de iniciativa privativa do presidente da República (art. 57,
V, da EC 1/1969 e art. 61, § 1º, II, c, da CF/1988).

Gabarito Oficial: Alternativa “D”

95.
(CESPE/2009.1) No tocante à responsabilização do presidente da República assinale a opção
correta.
(A)
Na CF, é assegurada ao presidente da República a prerrogativa de somente ser processado, seja por crime
comum, seja por crime de responsabilidade, após o juízo de admissibilidade da Câmara dos Deputados.
(B)
Compete ao STF processar e julgar originariamente o presidente da República nas infrações penais comuns
e nas ações populares.
(C)
Tratando-se de crime de responsabilidade, a decisão proferida pelo Senado Federal pode ser alterada pelo
STF.
(D)
São alternativas as sanções de perda do cargo de presidente e de inabilitação, por oito anos, para o exercício
de função pública.

1. COMENTÁRIO: A) Redação do art. 86 da CF. B) Compete ao STF processar e julgar originariamente o


presidente da República apenas nas infrações penais comuns (art. 102, I, b, da CF). C) O presidente do
STF estará limitado à condenação proferida por dois terços dos votos do Senado Federal. A decisão será
explicitada mediante resolução do próprio Senado Federal
(parágrafo único do art. 52 da CF). D) Consoante a alternativa “C”, cumulativamente, o presidente da
República perderá o cargo, com inabilitação, por 8 anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo
das demais sanções judiciais cabíveis

2. FUNDAMENTO: Arts. 52, 86 e 102, I, b, da CF.

3. SE LIGA: Oferecimento de denúncia por qualquer cidadão imputando crime de responsabilidade ao presidente da
República (...). Impossibilidade de interposição de recurso contra decisão que negou seguimento à denúncia. Ausência
de previsão legal (Lei 1.079/1950). A interpretação e a aplicação do Regimento Interno da Câmara dos Deputados
constituem matéria interna corporis, insuscetível de apreciação pelo Poder Judiciário.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

96.
A respeito do regime de responsabilidade do Presidente da República, assinale a alternativa
correta.
(A)
O ato do Presidente da República que atenta contra o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário,
do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação é considerado crime de
responsabilidade.
(B)
O Presidente ficará suspenso de suas funções nos crimes de responsabilidade somente após a condenação
pelo órgão competente.
(C)
Compete ao Congresso Nacional processar e julgar o Presidente da República nos crimes de responsabilidade.
(D)
Só se admite acusação contra o Presidente da República por três quintos da Câmara dos Deputados.

1. COMENTÁRIO: A) São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem


contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: a existência da União; o livre exercício do Poder
Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da
Federação, nos termos do art. 85, I e II, da CF. B a D) Admitida a acusação contra o Presidente da
República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo
Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de
responsabilidade, sendo certo que o Presidente ficará suspenso de suas funções nas infrações penais
comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo STF e nos crimes de responsabilidade, após a
instauração do processo pelo Senado Federal (art. 86 da CF).

2. FUNDAMENTO: Previsão Constitucional (vide arts. 85 e 86, da CF).

3. SE LIGA: Os comentários sobre crimes de responsabilidade se esgotam nas questões anteriores.

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: ORDEM ECONÔMICA


97.
Em relação aos Ministros de Estado, a Constituição do Brasil estabelece que:
(A)
Como delegatários do Presidente da República, podem, desde que autorizados, extinguir cargos públicos.
(B)
Podem expedir instruções para a execução de leis e editarem medidas provisórias.
(C)
Somente os brasileiros natos poderão exercer a função.
(D)
Respondem, qualquer que seja a infração cometida, perante o Superior Tribunal de Justiça.

1. COMENTÁRIO: A) As funções típicas são indelegáveis, mas a Constituição Federal, excepcionalmente,


poderá autorizar a delegação de funções, como ocorre nos casos dos incisos VI, XII e XXV, primeira parte,
do art. 84 da CF, que autoriza o Presidente da República a delegar tais funções aos Ministros de Estado,
ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União. B) Os Ministros de Estado poderão
expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos, mas nunca medidas provisórias
(inciso II, do parágrafo único, do art. 87 da CF e caput do art. 62 da CF). C) Somente os brasileiros natos
poderão exercer a função de Ministro de Estado de Defesa, logo, em relação aos demais Ministérios, o
exercício será por brasileiros natos e naturalizados. D) Os mandados de segurança e habeas data contra
ato de Ministro de Estado serão processados e julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, b, da
CF), e infrações comuns e os crimes de responsabilidade, pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, c, da
CF).

2. FUNDAMENTO: Incisos VI, XII e XXV, primeira parte, do art. 84, inciso II, do parágrafo único, do art. 87, e
caput do art. 62, 102, I, c e 105, I, b, todos da CF. Jurisprudência do STF: RE 633.009-AgR; MS 25.295, RMS
25.367, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 4-10-2005, Primeira Turma, DJ de 21-10-2005.) No mesmo sentido:
RMS 24.619, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 11-10-2011, Segunda Turma, DJE de 22-11-2011; AI 725.590-
AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 22-2-2011, Segunda Turma, DJE de 15-3-2011.

3. SE LIGA: O STF firmou orientação no sentido da legitimidade de delegação a ministro de Estado da competência do
chefe do Executivo Federal para, nos termos do art. 84, XXV, e parágrafo único, da CF, aplicar pena de demissão a
servidores públicos federais. (...) Legitimidade da delegação a secretários estaduais da competência do governador do
Estado de Goiás para (...) aplicar penalidade de demissão aos servidores do Executivo, tendo em vista o princípio da
simetria.” (RE 633.009-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 13-9-2011, Segunda Turma, DJE de 27-
9-2011.)

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

98.
(CESPE/2008.2) Assinale a opção correta a respeito da atuação do Estado no domínio econômico.
(A)
O Estado pode estabelecer o controle de abastecimento e o tabelamento de preços.
(B)
A CF proíbe a formação de monopólios, inclusive os estatais.
(C)
O Estado promove a exploração direta de atividade econômica por meio de empresas públicas e sociedades
de economia mista.
(D)
As atividades monopolizadas pela União são impassíveis de delegação.

1. COMENTÁRIO: A) Correta, em virtude do princípio da integração, que visa reduzir as desigualdades


regionais e sociais. B) O art. 177 da CF traz as matérias que são monopólios da União, ficando bastante
limitado (arts. 176, § 1º, e 177, ambos da CF). C) Ressalvados os casos previstos na Constituição Federal,
a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definido em lei (art. 173 e
seus parágrafos). Com isso, os instrumentos de participação do Estado na economia são as empresas
públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias. D) A União poderá contratar com empresas
estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos I a IV do art. 177 da CF, observadas
as condições estabelecidas em lei (art. 177, § 1º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Arts 173 até 178, da CF.

3. SE LIGA: Voo atrasado e extravio de bagagem. Longe fica de implicar violência ao art. 178 da CF provimento em que
reconhecido o direito de passageira à indenização por danos materiais e morais decorrentes de atraso de voo." ( AI
198.380-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 27-4-1998, Segunda Turma, DJ de 12-6-1998.)

Gabarito Oficial: Alternativa “A”

ITEM: DIREITOS SOCIAIS


99.
(CESPE/2007.1) Josias foi aposentado por invalidez, por ter contraído o vírus da AIDS, e não tem
condições econômicas de custear o seu tratamento, já que os custos com medicação e as
despesas de seu filho de 10 anos de idade ultrapassam o valor de seus proventos de
aposentadoria.

Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta à luz da ordem social e do
entendimento do STF.

(A)
A competência para legislar sobre previdência social e sobre saúde é privativa da União. Dessa forma, caberá
à União privativamente aumentar o valor do referido benefício ou custear as despesas do tratamento de Josias.
(B)
A competência para fornecer a medicação gratuita em favor de Josias é solidária entre o município em que
Josias tem domicílio e o respectivo estado-membro.
(C)
As ações de assistência social devem ser prestadas a Josias, independentemente de suas condições
econômicas, pelo fato de ele ser pai de uma criança.
(D)
A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da
sociedade destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social, as quais
exigem caráter contributivo.

1. COMENTÁRIO: A Constituição Federal estabelece no art. 30, VII, que compete aos Municípios prestar,
com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da
população. Com isso, a alternativa “A” está incorreta, pois a competência é concorrente e não privativa da
União, nos termos do art. 24, XII, da CF. Nessa esteira, a assistência social deve ser prestada a quem dela
necessitar e não somente a Josias, que é pai de uma criança (art. 203 da CF); por fim, a assistência social
e a saúde não exigem caráter contributivo, logo a medicação será gratuita em favor de Josias. Se não
bastasse a jurisprudência do STF é pacifica de considerar todos os entes da federação solidários.

2. FUNDAMENTO: Jurisprudência do STF: AI 550.530-AgR, (RE 607.381-AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 31-
5-2011, Primeira Turma, DJE de 17-6-2011.) No mesmo sentido: AI 553.712-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgamento em 19-5-2009, Primeira Turma, DJE de 5-6-2009; AI 604.949-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em
24-10-2006, Segunda Turma, DJ de 24-11-2006. Arts. 6º e 196, ambos da CF.

3. SE LIGA: Consolidou-se a jurisprudência desta Corte no sentido de que, embora o art. 196 da Constituição de 1988
traga norma de caráter programático, o Município não pode furtar-se do dever de propiciar os meios necessários ao
gozo do direito à saúde por todos os cidadãos. Se uma pessoa necessita, para garantir o seu direito à saúde, de
tratamento médico adequado, é dever solidário da União, do Estado e do Município providenciá-lo." (AI 550.530-AgR,
rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 26-6-2012, Segunda Turma, DJE de 16-8-2012.).

Gabarito Oficial: Alternativa “B”

ITEM: POLÍTICA URBANA, AGRÍCOLA e de REFORMA AGRÁRIA

100.
(CESPE/2007.1) Acerca de política urbana, agrícola e de reforma agrária, assinale a opção correta.
(A)
Compete privativamente à União desapropriar o imóvel rural para fins de reforma agrária, mas essa
competência somente poderá incidir sobre imóveis que não estejam cumprindo a sua função social, como, por
exemplo, aqueles em que a atividade não favoreça o bem-estar dos trabalhadores.
(B)
O beneficiário da distribuição de imóvel rural objeto da reforma agrária pode alienar o seu domínio
imediatamente, sendo esse um dos grandes entraves à concretização da reforma agrária.
(C)
O imóvel urbano que não esteja cumprindo a sua função social poderá ser imediatamente desapropriado,
efetuando-se o pagamento com títulos da dívida pública.
(D)
Os imóveis públicos urbanos não são suscetíveis de usucapião, mas essa restrição não se aplica aos imóveis
públicos rurais.

1. COMENTÁRIO: A) Para que a propriedade rural cumpra sua função social é necessário o atendimento
simultâneo dos requisitos do art. 186, I a IV, da CF, como a exploração que favoreça o bem-estar dos
proprietários e trabalhadores. Sendo assim, na ausência de um dos requisitos a União poderá desapropriar
por interesse social (art. 184 da CF). B) A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas
com área superior a 2.500 hectares dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional (art. 188, § 1º,
da CF). A alternativa “C” se refere à desapropriação comum, nos termos dos arts. 5º, XXIV, e 182, § 3º,
mediante justa e prévia indenização em dinheiro. D) Inexiste usucapião de imóveis públicos (art. 183, § 3º,
da CF).
2. FUNDAMENTO: Arts. 182 até 186 e 5º, XXIV, ambos da CF. Doutrina.

3. SE LIGA: Usucapião especial (CF, art. 183): firmou-se a jurisprudência do STF, a partir do julgamento do RE 145.004
(Gallotti, DJ de 13-2-1997), no sentido de que o tempo de posse anterior a 5-10-1988 não se inclui na contagem do
prazo quinquenal estabelecido pelo art. 183 CF (v.g. RE 206.659, Galvão, DJ de 6-2-1998; RE 191.603, Marco Aurélio,
DJ de 28-8-1998; RE 187.913, Néri, DJ de 22-5-1998; RE 214.851, Moreira Alves, DJ de 8-5-1998.)” (RE 217.414,
Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 11-12-1998, Primeira Turma, DJ de 26-3-1999.)
Gabarito Oficial: Alternativa “A”

101.
(OAB/CESPE/2009.2) No que se refere à política urbana e à de reforma agrária, assinale a opção
correta.
(A)
É insuscetível de reforma agrária a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu
proprietário não possua outra.
(B)
O imóvel público situado na área urbana só pode ser adquirido por usucapião se estiver sendo ocupada há
cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, como moradia familiar, desde que os membros da família não
sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural.
(C)
Compete à União desapropriar, por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja
cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro.
(D)
O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para cidades que tenham mais de vinte mil
eleitores, nos termos do que dispõe o Estatuto das Cidades.

1. COMENTÁRIO: A) Redação do art. 185, I, da CF. B) Reza o art. 183 da CF: “Aquele que possuir como sua
área urbana de até duzentos metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição,
utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário
de outro imóvel urbano ou rural”. C) Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em
títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos,
a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei (art. 184 da CF). D) O plano
diretor, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para cidades que tenham mais de vinte mil eleitores;
é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana (art. 182 da CF e não o
Estatuto das Cidades, até porque é matéria das Leis Orgânicas dos Municípios).

2. FUNDAMENTO: Arts. 170, 182 até 185, da CF. Doutrina.

3. SE LIGA: É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes da EC 29/2000, alíquotas progressivas para
o IPTU, salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana." (Súmula 668.).
Gabarito Oficial: Alternativa “A”

102.
(CESPE/2008.1) Com relação à disciplina constitucional no âmbito do meio ambiente, assinale a
opção correta.
(A)
O estudo prévio de impacto ambiental para instalação de obra potencialmente lesiva ao meio ambiente, embora
não tenha sido expressamente consagrado na Constituição, tornou-se obrigatório em virtude da jurisprudência
pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF).
(B)
Por disposição constitucional, o Atol das Rocas é considerado patrimônio nacional, devendo sua utilização
obedecer às condições de preservação do meio ambiente.
(C)
A Constituição consagra o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado fora do Título II, que se refere
aos direitos e garantias fundamentais.
(D)
As usinas que operem com reator nuclear devem ter sua localização definida em lei estadual.

1. COMENTÁRIO: A) O estudo prévio de impacto ambiental tem previsão constitucional e decorre do


princípio da precaução (art. 225, § 1º, IV, da CF – Regulamento: Lei n. 11.105, de 24-3-2005). B) A Reserva
Biológica Marinha do Atol das Rocas é um pequeno conjunto de duas ilhas que pertence ao Estado do Rio
Grande do Norte, no Brasil. É o único atol do Oceano Atlântico sul compreendendo 360 mil metros
quadrados; é uma das mais importantes reservas ecológicas, fazendo parte de patrimônios naturais da
humanidade da UNESCO. Em 5 de junho de 1975, o Atol das Rocas foi transformado na 1ª Reserva
Biológica do Brasil pelo Decreto-Lei n. 83.549. Posteriormente, em 5 de junho de 1976, pelo Decreto n.
92.755, foi declarado como área de proteção ambiental. C) Conforme o art. 225 da CF. D) As usinas que
operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser
instaladas (art. 225, § 6º, da CF).

2. FUNDAMENTO: Art. 225, da CF; n. 11.105, de 24-3-2005; Decreto-Lei n. 83.549. Posteriormente, em 5


de junho de 1976, pelo Decreto n. 92.755.

3. SE LIGA: Há perfeita compatibilidade entre meio ambiente e terras indígenas, ainda que estas envolvam áreas de
‘conservação’ e ‘preservação’ ambiental. Essa compatibilidade é que autoriza a dupla afetação, sob a administração do
competente órgão de defesa ambiental." (Pet 3.388, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 19-3-2009, Plenário, DJE
de 1º-7-2010.)

Gabarito Oficial: Alternativa “C”