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2017

Comunicação e
Interculturalidade em
saúde
Países Árabes e de Leste

UFCD 6560
Comunicação e Interculturalidade em saúde

Introdução
Este trabalho, inserido na UFCD 6560, Comunicação e interculturalidade. Pretende analisar as
diferenças culturais e religiosas entre diversos países recaindo neste, os países árabes e da Europa
oriental (de Leste), sendo estes actualmente, as maiores fontes de imigrantes na europa.
O tema da interculturalidade tem vindo a ser cada vez mais investigado em variados países devido à
evolução e diversificação cultural que os sistemas de saúde, educação e outros tem vindo a sentir
devido as migrações e a globalização.
A afirmação das diferenças – étnicas, de género, orientação sexual, religiosas, entre outras –
manifesta-se de modos plurais, assumindo diversas expressões e linguagens.
As problemáticas são múltiplas, visibilizadas especialmente pelos movimentos migratórios a nível
social e económico dos refugiados e que denunciam injustiças, desigualdades e discriminações como
intolerância religiosa, estereótipos de género, estes estão presentes na nossa sociedade,
reivindicando igualdade de acesso a bens e serviços e reconhecimento político e cultural.

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

ÍNDICE
Introdução…………………………………..…………………………………………………………………………….…………………………1
Indíce………..………………………………………………………………………………………………………………….……………………….2

O que é interculturalidade…………………………..………………………………………..………………………………..……………3
Países Árabes – Cultura e tradição……………………………………………………………………………….………….…………4

Costumes Árabes….………………………………………………………………………………………………………………………....…….5
Língua e Comunicação…………………………………………………………………………………….………………………………….….6

Artes………………………………………………………………………………………………………………………………………………………7
Privacidade…………………………………………………………………………………………………………………………………….………8

Vestuário…………………………………………………………………………………………………………………………………....9, 10, 11

Receber Convidados, A família Árabe…………………………………………………………………………………….…...………….12

A mulher Árabe na Sociedade, Educação da família Árabe, Deveres Sociais……………………………………………13

Negócio com Árabes; Sexologia….…………………………………………………………………….………….……..………..…14, 15

Religião.……………………………………………………………………………………………………….……………………………..……….16

A Saúde………………………………………………………………………………………………………………………………………..………17

Fundamentalismo religioso e territorial………………………………………………………………………………………18, 19, 20

Países de Leste – Cultura e Tradição……………………………………………………………………………………….…21, 22

Língua e Comunicação.…….……………………………………………………………………………………………………………….….23

Artes……………………………………………………………………………………………………………………………………..……….24, 25

Religião.……………………………………………………………………………………………………….……………………………..…….…26

Sociedade……………………………………………………………………………………………….…………………………….…..…………27

Família……………………………………………………………………………………………….……………………………..…………………28

Vestuário……………………………………………………………………………………………….……………………………………………..29

Conclusão……………………………………………………………………………………………….…………………………………….……30

Bibliografia……………………………………………………………………………………………….………………………………………..31

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O que é Interculturalidade?
Vivemos em um mundo cada dia mais conectado e em que as
pessoas estão cada vez mais em contato umas com as outras. A
afirmação já é tão disseminada que virou praticamente um clichê.
Apesar disso, pouca gente sabe que essa nova realidade passou a
ser objeto de estudo e acabou criando um novo campo teórico.
Assim
. como a sociologia e a antropologia, o interculturalismo
estuda as culturas dos povos, mas diferencia-se de ambas essas
áreas por propor uma análise do ponto de vista da interação entre
as pessoas

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Países Árabes - Cultura e Tradição

Estados e territórios
Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Comores, Djibouti, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Iraque,
Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Palestina, Catar, Saara Ocidental,
Síria, Somália, Sudão e Tunísia.

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Uma das mais antigas culturas do mundo, onde os princípios básicos de respeito em sociedade são
mantidos desde o surgimento da civilização, a cultura da sociedade árabe é muito receptiva, forte e
tradicional.
Mundialmente conhecida, e com costumes conservativos, o povo árabe não costumam expressar os
seus sentimentos pessoais.
Problemas pessoais, seja entre amigos ou familiares, são sempre mantidos longe de estranhos porque
existe uma grande preocupação em não permitir que outras pessoas saibam o que se passa na sua
vida, assim como não se vêm nas ruas de países árabes, pessoas a rir em voz alta.

Conscientize-se de que a cultura árabe estará com um árabe,


mesmo que ele tenha saído de seu país de origem, portanto,
respeite suas vestimentas, tradições, costumes e cultura e
mantenha um comportamento observador, mas não o
comprometa com nenhuma atenção desnecessária, ou contenha-
se para não cometer nenhuma gafe ou ofensa.

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Língua e Comunicação
‫ارت باطات و زب ان‬

A língua árabe é a força unificadora mais importante entre esse povo, ainda que haja dialectos
regionais, a sua escrita e raízes clássicas, impõem a supremacia em toda a nação árabe.
Muitos homens de negócios do mundo árabe falam inglês, francês, espanhol e português, além de
diplomas de universidades ocidentais.
É aconselhável também, para quem precise dialogar com um árabe, que aprenda e se informe com
certa antecedência, sobre as informações básicas do islã, bem como sua história, as suas crenças,
tratar com respeito as suas manifestações e costumes. Cuidado com as palavras. Estas são
analisadas, uma a uma, mesmo que sejam elogios!

 Um simples elogio a algo do anfitrião árabe, mesmo que seja de valor expressivo é avaliado.
Admire as coisas, mas sem exageros.
 Não se sente com as pernas cruzadas, de forma a mostrar a sola do sapato para árabe, isso é
considerado um desrespeito a ele;
 Agradeça sempre a generosa hospitalidade que ele lhe ofereceu;
 Jamais fale de um árabe para outro árabe;
 Não se esqueça de que ser chamado de “habibi” é um ponto positivo, do início de uma
duradoura amizade;
 Beijos nas bochechas como forma de saudação, significa que há uma amizade já consolidada,
assim como o aperto de mãos;
 Respeite os jejuns, e não fume na presença de um árabe durante o mês do Ramadão;
 Não recuse os chás que também lhe serão oferecidos na sua chegada;

Inicie uma pesquisa sobre a cultura árabe, inclusive o idioma, mostre que você conhece, nem que seja
um pouco, sobre a sua cultura, costumes e tradições, e pergunte o que não souber, mas demonstre
interesse, isso fá-lo-á feliz e honrado.
Na cultura árabe as pessoas mais velhas são veneradas e respeitadas, não trate com indiferença ou
desinteresse uma pessoa em virtude de sua avançada idade, isso seria totalmente desrespeitoso.
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Artes
Dos traços dominantes da arte e da arquitetura islâmicas, a importância da decoração caligráfica e a
composição espacial da mesquita estiveram intimamente ligadas à doutrina islâmica e se
desenvolveram nos primeiros tempos de sua religião.
O profeta Maomé era um rico comerciante de Meca, que experimentou uma série de revelações
divinas aos 40 anos e começou a pregar a nova fé. Seus ensinamentos estão contidos no Alcorão,
livro sagrado dos muçulmanos, onde é marcante a herança linguística da literatura árabe. A
importância desse livro na cultura islâmica e na estética da escritura arábica contribuiu para o
desenvolvimento dos estilos decorativos caligráficos em todos os campos da arte islâmica. A palavra
escrita, especialmente as inscrições do Alcorão, tinha uma importante função decorativa nas
mesquitas e em seus objectos litúrgicos.
A arte islâmica evoluiu a partir de muitas fontes, como as romanas, as paleocristãs ou bizantinas, que
se entremearam em sua primeira arquitetura, a arte persa sassânida e os estilos do centro da Ásia,
incorporados através das incursões turcas e mongóis. A arte chinesa constituiu um ingrediente
essencial da pintura, da cerâmica e das artes têxteis.

Arquitetura
O escasso ritual do culto islâmico deu lugar a duas tipologias de caráter religioso: a mesquita (masjid),
recinto onde a comunidade se reúne para orar, e a madrasa ou escola alcorânica. Na arquitetura civil,
destacam-se os palácios, os caravançarais e as cidades, planejadas de acordo com a necessidade de
canalizar água e proteger a população contra o calor. Outro edifício importante no Islã é o mausoléu,
onde eram sepultados os governantes como símbolo de seu poder terreno.
O estuque, o tijolo e o azulejo eram usados como elementos decorativos nos edifícios islâmicos. Os
painéis murais eram adornados com motivos decorativos de laçaria geométrica sobre azulejos. As
gelosias de madeira talhada, muitas vezes com incrustações de marfim, também proporcionaram um
suporte para a decoração arquitectónica no mundo islâmico.

Artes decorativas
O banimento da temática figurativa, contida nos hadith, é semelhante à iconoclastia desenvolvida
durante o período do império bizantino.
A pintura de cavalete não existiu na arte islâmica, concentrada na ilustração de livros. As mostras
conservadas mais antigas são miniaturas de manuscritos científicos gregos traduzidos do árabe.

As telas eram consideradas objetos de luxo, e as mais refinadas foram realizadas nas oficinas
denominadas tiraz, controladas pelo califa. O sistema de tiraz, comparável às instituições oficiais do

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Império bizantino, copta e sassânida, terminou com a conquista mongólica. Os tecidos procedentes de
um tiraz (que tinham este mesmo nome e, em geral, serviam como prendas cerimoniais) eram
considerados possessões do mais alto valor e, frequentemente, levavam impressa a marca da oficina,
a data de fabricação e o nome do governante.
Os tapetes islâmicos mais antigos de que se tem notícia foram fabricados em Konya (Turquia) no
século XIV. Esses tapetes, em tons de azul, verde e vermelho, seguem um esquema baseado em
formas naturais, com uma beirada contendo inscrições. Durante o domínio dos mamelucos, os tapetes
tinham padrões geométricos em tons de azul pálido, vermelho e amarelo.

Privacidade
A privacidade, uma das características mais importantes da sociedade árabe, é visivelmente percebida
através da construção civil, onde as casas e prédios costumam ser construídas com paredes bem
largas, para proporcionar distância do barulho do trânsito. Uma das considerações mais importantes
na construção de uma casa, é a garantia de que os seus moradores não verão os seus vizinhos, de
nenhuma parte da casa, e vice-versa. Quando em visita a casa de um árabe, é recomendável ficar
próximo à porta, de maneira que, quando a porta se abrir, não seja visível o interior da casa, e só
tomar a iniciativa de entrar quando for convidado, pelo anfitrião que estende a mão, com a palma para
cima, dizendo: “tifaddal” (“entre”).

Ao ser convidado à casa de um anfitrião árabe, ou para o seu escritório, se for apresentado a uma
mulher, seja ela funcionária ou parente dele, não se deve beijá-la. Se ela estender a mão para
cumprimentar, cumprimente, em outros casos, somente a cumprimente com palavras. Nunca comente
a beleza da mulher de um árabe, seja ela, a esposa, a irmã, filha ou funcionária. Isto não será visto
como um elogio!

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Vestuário
Os turbantes e túnicas usados hoje nos países árabes são quase idênticos às vestes das tribos de
beduínos que viviam na região no século VI. É uma roupa que suporta os dias quentes e as noites
frias do deserto.
A partir do século VII, a expansão do islamismo difundiu esse vestuário pela Ásia e pela África,
fixando algumas regras. A religião não permite que os fiéis mostrem em público as “partes íntimas” –
para os homens, a região entre o umbigo e o joelho; e, para as mulheres, o corpo inteiro, exceto o
rosto e as mãos. Por esse motivo, as vestes não podem ter nenhumas transparências nem serem
justas a ponto de delinear o corpo. “Essas partes só podem ser vistas pelo cônjuge e alguns
familiares. Dentro de casa, portanto, veste-se qualquer roupa. Existem também normas para
diferenciar a aparência feminina da masculina. Os homens não devem usar objetos de ouro ou seda.
Recomenda-se também que tenham barba, para se distanciar ainda mais da estética feminina e
assemelhar-se aos antigos profetas. Entre os religiosos xiitas, há o costume de vestir preto, em sinal
de luto pela morte, em 680, de seu patriarca Husayn, filho de Ali, o quarto califa, que consideram
sucessor legítimo de Maomé.

Simbolismo das roupas de origem árabe varia conforme a região:

Icharb
Na maioria dos países árabes, as mulheres utilizam roupas semelhantes às túnicas masculinas e, na
cabeça, um lenço que deixa só o rosto à mostra. O nome deu origem ao francês écharpe.

Xador
O Alcorão determina que as mulheres se vistam de forma a não atrair a atenção dos homens. Esse
mandamento é levado ao pé da letra em países como Irã e Arábia Saudita, onde se recomenda o uso
do xador, uma veste que envolve o corpo todo, com exceção dos olhos.

Burqa
As vestes femininas são conhecidas pelos árabes como hijab, ou “cobrimento”. As partes do corpo que
a mulher deve cobrir, no entanto, variam de acordo com o país. No Afeganistão, o Taleban instituiu o
uso da burqa, uma versão radical do xador que cobre até os olhos.

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Cafia
Traje muito comum no Oriente Médio, que consiste em um pano quadrado preso por uma tira
chamada egal (também agal, igal ou ogal). Por baixo dela, uma touca prende o cabelo. Sua origem
remonta aos beduínos, que a utilizavam como máscara protetora contra o frio e contra tempestades de
areia. A cor da cafia e da tira que a prende indicam o país e a região em que a pessoa nasceu. A
versão quadriculada em preto e branco, consagrada por Yasser Arafat, é típica dos palestinos.

Abaia
É uma grande capa de lã. Os beduínos a carregavam em volta do corpo durante o dia e a vestiam à
noite para se aquecer. Também a utilizavam, junto com um cajado, para improvisar uma cabana que
os protegesse do sol.

Túnica
A principal peça do vestuário árabe é esse “vestido” de manga comprida que cobre o corpo inteiro. Ela
costuma ser clara e larga para refletir os raios solares, fazer o ar circular e refrescar o corpo durante o
dia. O corte e o material variam em cada país, podendo receber nomes como caftan, djellabia,
dishdasha ou gallibia.

Cirwal
Calça larga, usada por baixo da túnica. Acredita-se que foi uma invenção dos persas, adotada pelos
árabes a partir do século VII. É feita para permitir a liberdade de movimentos e foi muito utilizada entre
soldados e camponeses. Deu origem à palavra “ceroula”.

Tarbush
Também conhecido como fez, trata-se de um pequeno chapéu de feltro ou pano, algumas vezes
utilizado em conjunto com um turbante. Tornou-se muito popular durante o Império Otomano, quando
foi incorporado ao traje oficial do governo.

Ihram
Durante as peregrinações, como as que todo muçulmano deve fazer à Meca, os fiéis ficam descalços,
sem qualquer tipo de adorno e cobertos apenas por duas toalhas brancas. Essa veste, conhecida
como ihram, retira do corpo todos os sinais de poder e riqueza para mostrar que todos são iguais
perante Deus.

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Turbante
De origem desconhecida, já era utilizado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. Consiste
em uma longa tira de pano – que, às vezes, chega a 45 metros de comprimento – enrolada sobre a
cabeça. As inúmeras formas de amarrá-lo compõem uma linguagem: o turbante indica a posição
social, a tribo a que a pessoa pertence e até o seu humor naquele momento.

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Receber convidados
Receber um convidado é algo muito importante para os árabes, onde todas as honras da casa serão
apresentadas. Ele interrogar-se-á sempre se o convidado está a a ser bem recepcionado (às vezes
até de forma exagerada), e servirá em quantidades além do normal.
Existe uma preocupação grande em saber se o convidado está bem satisfeito. Para poder servir e
apresentar as honras da casa, os membros da família são os últimos a comer. Quando for convidado
para almoçar, ou jantar, num restaurante por um árabe, ele é quem vai pagar sempre a conta, e o
mesmo é esperado quando as posições se inverterem. Quando convidar um árabe, certifique-se sobre
sua religião, e não lhe ofereça ou sirva álcool, carne suína e seus derivados, porque são itens
proibidos aos muçulmanos.

A família árabe
A família árabe é centrada na figura do pai, ou do irmão mais velho (no caso da ausência do pai), pois
o homem da família é o provedor das necessidades da casa, a este é devida toda uma reverência e
respeito e a mãe é responsável pelos cuidados da casa, e dos afazeres domésticos.
Em alguns países árabes, e nos países do Golfo, normalmente existem empregadas.
O homem árabe sempre foi quem toma as decisões, e só as suas opiniões eram importantes. Com o
tempo, a mulher tem-se mostrado formadora de opinião na família, interagindo com o marido, para
juntos resolverem problemas que antes só convinham aos homens, os filhos são sempre
encaminhados a continuar as tradições de família. Os homens são suporte para o pai, e as filhas,
apoio para a mãe, além de serem responsáveis pela ajuda nos serviços da casa.
A família árabe é patriarcal. A mãe é responsável pelos afazeres domésticos e cuidados da casa,
enquanto o pai é o provedor e toma as decisões da casa.

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A mulher árabe na sociedade


Durante muitos anos, a mídia internacional apresenta a mulher árabe, como uma pessoa privada do
acesso ao mercado de trabalho, o que não é verdade.
Atualmente, o trabalho da mulher é fundamental em todos os países árabes; porém o mais comum, é
que elas só saiam de casa para se casar.
Em casamentos, é costume que as pessoas levem dinheiro, ouro, ou algo para a nova casa do casal e
em casos de separação, elas retornam a casa dos pais.
Quando surgem filhos, visitas e presentes são esperados de todos os membros da família. Em
algumas comunidades, a mulher ainda fica quarenta dias na casa da sua mãe, para poder ser cuidada
pelas irmãs e pela mãe. Algumas famílias consideram que a filha está apta ao casamento aos 9 anos.

A educação da família árabe


Os árabes têm por lei o direito ao ensino, tanto para homens quanto para mulheres. Nos países do
Golfo, o governo também responde pelo ensino universitário. Em alguns países, existem escolas para
meninas e escolas para meninos e escolas mistas, cabendo aos pais escolher qual a melhor educação
para os seus filhos.

Deveres sociais
Na sociedade árabe, a família não se resume a pai, mãe e filhos. As responsabilidades sociais são
exercidas por todos os demais membros, onde todos constroem uma união, que se mantêm presente,
em todos os momentos da vida familiar.

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Negócio com árabes


Há um provérbio árabe que diz que se não se negocia de forma rentável, não se negociará durante
muito tempo. Portanto, todo negócio deve ser feito de forma que ambas as partes ganhem. Se há
interesse de se negociar continuamente com árabes, é preciso conhecer os seus costumes e também
sua religião.
Existem 200 milhões de árabes em 22 estados que se estendem do norte da África e Oriente Médio,
do Oceano Atlântico até o Golfo de Omã, e ao longo da Ribeira Sul do Mediterrâneo. E cada estado
possui suas próprias peculiaridades, diferenças, conceitos, costumes e estruturas e capacidades
económicas, distintas.
Em alguns países ocidentais, o que se conhece sobre o islã é quase nulo, e muitas informações
equivocadas, levam a ofensas grotescas.
Leis, ética e sistemas comerciais, variam de um país árabe para outro, mas em todos eles, existem
elementos culturais comuns.
A paciência na cultura árabe é considerada uma virtude, os árabes não gostam de abordar os
assuntos relativos a negócios, precipitadamente. Encontrar-se com um árabe, ou iniciar uma conversa
de negócios com ele logo de início, é considerado má educação.
Primeiro conversam sobre assuntos sociais, e depois abordam os assuntos de negócios. “A paciência
tem raízes amargas, mas frutos muito doces”, segundo um provérbio árabe.

SEXUOLOGIA
As Leis santificadas regulam o comportamento sexual, impõem certos princípios, proibições e
regulamentos. Por exemplo:
A proibição da homossexualidade como um desvio das normas aceitas de comportamento.
É comum encontrar homens que se abraçam e trocam beijos na bochecha ou andando de mãos
dadas (isso é um sinal de grande amizade).
Contudo, quando se dirigem a uma mulher, normalmente os homens árabes não as encaram e
somente a cumprimentam com palavras. Isso porque na maioria dos países árabes, o beijo público
entre casais é proibido.
De acordo com o Alcorão, o sexo é bom ato, puramente religioso.
A mulher menstruada é considerada impura, a pessoa masturbar-se está sujeita a condenação.
O número de esposas de homens árabes depende do status social, capacidade financeira, o número
de filhos, e assim por diante. Mas a poligamia, por razões naturais, nem sempre são honrados.

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Hoje, em muitos países islâmicos, até homens muito ricos têm apenas uma esposa.
De acordo com o Islã, as mulheres devem viver num harém. A palavra «harém» (do turco — Garima)
significa «lugar proibido.» Harem é habitação para mulheres e crianças, inacessíveis a outros homens.
Durante o mês do Ramadão, todos os árabes (homens e mulheres), que já tenham chegado à
puberdade, devem se abster de comer, beber, fumar, usar perfumes e ter relações sexuais durante o
dia, entre o nascer do sol até o por do sol.
Alguns estudiosos islâmicos têm sugerido que a idade de casar pelas leis religiosas do Islã é a idade
em que os guardiões da menina sentem que ela chegou a maturidade sexual. A determinação da
maturidade sexual é uma questão de julgamento subjectivo e há uma forte crença entre a maioria dos
muçulmanos e académicos, com base na Sharia, que se casar com uma menina de menos de 13 anos
de idade é uma prática aceitável para os muçulmanos.
Cerca de um milhão de crianças, incluindo aquelas com menos de 10 anos, são casados. Cerca de
85% dessas crianças casadas são meninas. Como no Paquistão e no Afeganistão, em alguns casos,
as meninas são casadas para resolver disputas entre famílias.
Mais da metade das meninas no Iêmen casam antes dos 18 anos, algumas com oito anos de idade. O
Comité Legislativo da Sharia do governo do Iêmen bloqueou as tentativas de aumentar a idade
mínima de casamento para 15 ou 18, em razão de que qualquer lei que estabelece idade mínima para
as meninas é anti-islâmica. Ativistas muçulmanos iemenitas afirmam que algumas meninas estão
prontas para o casamento aos nove anos de idade.

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Religião
O islão é uma das mais importantes religiões mundiais (a população muçulmana é estimada em mais de 935
milhões), originária da península da Arábia e baseada nos ensinamentos de Maomé (570-632), chamado o
Profeta.
Segundo o Alcorão, o Islã é a religião universal e primordial. O muçulmano é um seguidor da revelação divina
contida no Alcorão e formulada pelo profeta Maomé. Já que, no Alcorão, muçulmano é o nome dado aos
seguidores de Maomé (Alcorão 22,78), os muçulmanos sentem-se ofendidos quando são chamados de
maometanos pois isto implica a ideia de um culto pessoal a Maomé, proibido no Islã.
Os muçulmanos consideram a Caaba, ao centro da grande mesquita de Meca, o lugar mais sagrado da Terra. A
tradição muçulmana diz que os patriarcas Abraão e Ismael construíram o santuário sobre os primeiros alicerces
postos por Adão. Todos os muçulmanos do mundo rezam nesta direção e, todos os que não tiverem um sério
impedimento, deverão peregrinar à Meca, pelo menos uma vez na vida. Esta imagem mostra a cerimónia na qual
os peregrinos devem beijar a Pedra Negra (Caaba). Os fiéis permanecem neste lugar vários dias, celebrando
rituais.
O Ramadão para os muçulmanos começa a ser contado, após o por do sol, quando já não se diferencia uma
linha branca de uma preta, e não a meia-noite, como ocorre no calendário ocidental cristão. Os muçulmanos
possuem cinco obrigações religiosas básicas, chamadas de “os cinco pilares do Islã”, que constroem a sua fé, e
que devem ser obrigatoriamente realizadas por cada muçulmano.
São eles:
 Credo (chahada), que consiste em aceitar e repetir todos os dias: “Não há outro Deus a não ser Deus, e
Mohammad (Maomé) é o seu profeta”;
 Oração (salat), que consiste em realizar cinco orações diárias, em horários pré-determinados, com o
rosto voltado para Meca;
 Caridade (zacat), onde durante os 40 dias do mês do Ramadão (o nono mês do calendário islâmico) é
obrigatório, jejuar do nascer do sol até o por do sol;
 Peregrinação a Meca (haj), onde ao menos uma vez na vida, todo muçulmano adulto que tenha
condições, de fazer uma peregrinação à Meca.
 Orar cinco vezes por dia sempre com a cabeça voltada em direção a Meca.
 Dar esmolas de acordo com o que possuir.
 Participar da guerra santa para propagar o Islamismo.

Bastante rigoroso, o ritual consiste em dar sete voltas em torno da Caaba (Mesquita de Meca), e só pode ser
feito uma vez por ano, em datas específicas. O acesso à região só é permitido aos muçulmanos, que devem
alcançar um estado de pureza ritual, antes de chegar à Meca.

Cerca de 2 milhões de muçulmanos fazem o Haj, Muitos o fazem a pé, de navio, ou de avião, vindos de todas as
partes do mundo, onde a fé e a cultura islâmica continuam até hoje, a formar a vida das pessoas no Oriente
Médio, no norte da África e sudoeste da Ásia.

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A saúde
Quando alguém adoece, é muito comum todos ficarem extremamente preocupados, deixando os seus
afazeres diários, e permanecendo na casa da pessoa, ou no hospital.
O suicídio, a eutanásia (suicídio assistido) e o aborto são proibidos
Após a profissão médica, a enfermagem foi o segundo tipo de trabalho praticado por mulheres
muçulmanas em ciências.
Um fator importante foi a descrição na lei islâmica, ou Sharia, com preocupações sobre a sociedade
na qual mora e da importância á busca de conhecimento, o que levou muitas mulheres a cultivar a sua
aprendizagem e conhecimento.
É uma obrigação atribuir ao papel das mulheres muçulmanas que serviram, muito antes, como
enfermeiras, cuidando de pacientes e cobrindo as necessidades a nível de prevenção, hospitalar e
social durante as guerras.
A enfermeira muçulmana desta primeira época participava de todos os serviços de saúde, de
assistência de emergência, tanto em tempos de guerra e paz, para atendimento domiciliário para
pacientes que não podiam mover-se por conta própria.

A partir de uma herança rica vinda dos tratados de Hipócrates e Galeno, a medicina árabe inovou em
diferentes aspectos e transformou-se numa medicina de alto nível, desenvolvida nos grandes centros
da época. Foram exatamente por causa das grandes cidades que os árabes desenvolveram o
conceito de hospital, ou seja, um lugar onde se reuniam especialistas empenhados no tratamento de
doentes, na prática e no ensino da medicina. Nestes locais também se desenvolveram as farmácias
onde se reuniam os agentes terapêuticos diversos. Devido aos avanços na pesquisa química e na
busca do elixir terapêutico, os árabes tornam-se responsáveis pela descrição de grandes
farmacopeias (colecção de elementos detalhadamente descritos quanto ao seu aspecto, obtenção e
uso terapêutico).
Os avanços na química também permitiram não só o tratamento das doenças, mas também os
preparados químicos na busca do equilíbrio e do bem-estar. Grandes desenvolvimentos na área
médica foram possíveis nesta época e muitas doenças como a varíola, a asma e a alergia foram
descritas e tratadas. Grandes conhecimentos de anatomia e fisiológicos foram adquiridos, entre os
quais a anatomia e fisiologia da mulher, do desenvolvimento fetal e da gravidez.
Houve também o desenvolvimento de instrumentos cirúrgicos e de técnicas cirúrgicas sofisticadas
para a época.
Há que se salientar que antes dos árabes as cirurgias eram feitas pelos barbeiros e a partir dos
árabes, estas tornaram-se práticas desenvolvidas e ensinadas em escolas médicas.

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

Graças aos árabes muito do conhecimento foi salvaguardado e aprimorado para depois ser
transmitido aos europeus e ao Ocidente, possibilitando um novo despertar da humanidade e do
chamado mundo civilizado. De um pólo a outro, de um século ao outro até os dias atuais, foram os
conhecimentos adquiridos e desenvolvidos pelos árabes e posteriormente incorporados pelos
Europeus que fizeram ampliar os conhecimentos que transcenderam épocas, fronteiras e línguas. Aos
árabes devemos muito da nossa ciência atual e um lugar de destaque deve ser reservado a este
conhecimento. Essa herança universal e humanista está em todo o conhecimento científico gerado
pelos árabes. Esta é uma história que devemos sempre lembrar.

Fundamentalismo religioso e territorial

http://www.controinformazione.info/clamorose-rivelazioni-sui-collegamenti-degli-usa-con-il-terrorismo-islamico/

O fundamentalismo é uma manifestação religiosa onde os praticantes de uma determinada crença promovem a
compreensão literal de sua literatura sagrada. Não se limitando à realidade do mundo oriental, o
fundamentalismo religioso aparece entre alguns grupos cristãos que empreendem uma compreensão literal da
Bíblia. Entre os muçulmanos, este tipo de manifestação apareceu somente no início do século XX.

As guerras vividas em Palestina, Síria, Afeganistão, com vários países envolvidos como Israel, Estados Unidos,
Rússia. Geraram um aceleramento do processo migratório. Proveniente de países como Eritreia, Gana, Nigéria
também se há registrado um grande número de imigrantes.

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Outro fato importante é o de terroristas vinculados a religiões. Essas atitudes causam aumento da violência,
intolerância e até repugnância, resultando em insatisfação por parte da sociedade em geral, que não compactua
com essas ações extremas. E decidem buscar asilo em outras regiões.

Levam consigo uma história muito complicada, pelas marcas deixadas por guerras, pelo imperialismo,
o colonialismo, o ditatorialismo, o fanatismo religioso e a intolerância. Infelizmente, muitos não chegam
a seu destino, perpetuando um processo histórico.
Antes do início do conflito na siria, a população queixava-se de um alto nível de desemprego,
corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão pelo governo Bashar al-Assad - que
havia sucedido o pai, Hafez, em 2000.
Em março de 2011, adolescentes pintavam mensagens revolucionárias no muro de uma escola na
cidade de Deraa, no sul do país, foram presos e torturados pelas forças de segurança.
O fato provocou protestos por mais liberdades no país, inspirados na Primavera Árabe - manifestações
populares que naquele momento se estendiam pelos países árabes.

O conflito já havia, então, tornado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os
que se opunham a ele - adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas
alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.
O Irã, de maioria xiita, é o aliado mais próximo de Bashar al-Assad. A Síria é o principal ponto de
trânsito de armamentos que Teerã envia para o movimento Hezbollah no Líbano - a milícia também
enviou milhares de combatentes para apoiar as forças sírias.
Estima-se que os iranianos já tenham desembolsado bilhões de dólares para fortalecer as forças
sírias, provendo assessores militares, armas, crédito e petróleo.
Contrapondo-se à influência do Irã, a Arábia Saudita, principal rival de Teerã na região, tem enviado
importante ajuda militar para os rebeldes, inclusive para grupos radicais.
Outro aliado importante dos rebeldes sírios, a Turquia tem tentado limitar o apoio dos EUA às forças
curdas, que acusam de apoiar rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).
Os rebeldes da oposição síria têm ainda atraído apoio em várias medidas de outras potências
regionais, como Catar e Jordânia.
Por que a guerra está durando tanto?
Um fator chave da guerra durar tantos anos é a intervenção de potências regionais
A intervenção externa té responsabilizada por fomentar o sectarismo no que costumava ser um Estado
até então secular (imparcial em relação às questões religiosas).
A divisão entre a maioria sunita e a minoria alauita no poder alimentou atrocidades de ambas as
partes, não apenas causando a perda de vidas, mas a destruição de comunidades, afastando a
esperança de uma solução pacífica.

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

O êxodo de refugiados, um dos maiores da história recente, colocou sob pressão os países vizinhos -
Líbano, Jordânia e Turquia.
Cerca de 10% deles buscam asilo na Europa, provocando divisões entre os países do bloco europeu
sobre como dividir essas responsabilidades.
A vertente política do fundamentalismo passou a organizar se entre os muçulmanos quando alguns
estudiosos e líderes fabricaram uma visão de mundo calcada em ideologias contemporâneas e
interpretações particulares do passado. Em suma, observamos que os líderes fundamentalistas do Islã
reivindicam toda uma ordem de símbolos tradicionais na construção de políticas externas e formas de
organização dos governos que fazem parte do mundo islâmico.

De acordo com alguns estudiosos do islã, o terrorismo islâmico estaria associado à prática das ações
militares sancionadas por Deus contra os apóstatas, motivada pelo antagonismo em direção a sua
seita, geralmente um grupo religioso, que podem incluir a sunita, o xiita, o Ahmadi e grupos religiosos
cristãos.

Refugiados Sírios

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Países de Leste - Cultura e tradição

Albânia, Bielorrússia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, República Tcheca ou República Tcheca,


Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria´, Kosovo, Letônia, Lituânia, Macedónia, República da
Macedónia (ou Antiga República Jugoslava da Macedónia/FYROM) , Moldávia, Montenegro, Polónia /
Polônia , Roménia,Rússia, Sérvia, UcrâniaArménia ou Armênia, Azerbaijão,Geórgia , Turquia
,Também foram considerados do Leste Europeu os seguintes países extintos, Alemanha Oriental ,
Iugoslávia , Sérvia e Montenegro , Tchecoslováquia e União Soviética (União Soviética)

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A Europa Oriental é uma região geográfica localizada na área leste do continente europeu. Em
comparação com a parte ocidental, a oriental é menos desenvolvida do ponto de vista económico.
É importante destacar que esta divisão, baseada na localização geográfica, não é uma unanimidade
entre os geógrafos. Muitos adotam critérios históricos, culturais e até políticos para estabelecer a
divisão da Europa em Oriental e Oriental. O termo Leste Europeu (Europa Oriental) foi muito utilizado
no período da Guerra Fria, para fazer referência aos países socialistas sob influência da antiga União
Soviética. Os antecedentes económicos desses países têm sido substancial e igualmente divergentes
antes e depois da Guerra Fria, variando desde as Terras Tchecas, com renda per-capita excedendo
os níveis austríacos em 1920, até a Albânia, que tradicionalmente tem sido a sociedade islâmica mais
atrasada da Europa. O que eles têm em comum é o destino que compartilhavam até recentemente, a
saber, a maioria deles fazia parte do império soviético e todos estavam sujeitos à economia de
comando, de uma forma ou outra. Em outras palavras, cada um deles se tornou subjugado ao maior
experimento de engenharia social da história moderna: a tentativa de modernização do socialismo de
Estado.

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Língua e Comunicação
Зв'язок і мова

Apenas quatro países (Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Bulgária) utilizam exclusivamente o alfabeto
cirílico. Os outros quatro (Sérvia, República da Macedónia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro)
utilizam dois alfabetos – o cirílico e o latino – simultaneamente. Já a Geórgia e a Arménia criaram os
seus próprios alfabetos, sendo que os restantes usam exclusivamente o latino.

A maioria (13) dos estados considerados normalmente como integrantes do Leste Europeu têm como
língua oficial uma das línguas eslavas. Os 10 que não têm são: a Eslovénia e a Hungria (onde se
falam línguas urálicas), a Lituânia e a Letónica (onde se falam línguas bálticas), a Moldávia e a
Roménia (onde se falam línguas românicas), a Albânia, a Arménia, a Geórgia e o Azerbeijão.

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Artes
A primeira metade do século XX é um momento importante para a cultura de leste, que atingiu seu
nível máximo de afirmação internacional em harmonia com as tendências culturais europeias.
O artista mais importante, que ocupava um lugar especial na história do mundo da arte à época, foi o
escultor Constantin Brâncuşi, uma figura central do movimento artístico de vanguarda e um dos
pioneiros da abstração, o inovador global em escultura pela imersão nas fontes primordiais de criação
popular.
O início do século XX também foi um período importante para a prosa romena, com romancistas
ativos, tais como Liviu Rebreanu, Sadoveanu e Camil Petrescu. No drama, Mihail Sebastian e Lucia
Sturdza-Bulandra foram os atores mais representativos deste período.

Após a Segunda Guerra Mundial, o regime comunista introduziu uma censura áspera na cultura,
usando-a como um meio de controlo e de subordinação das pessoas. A liberdade de expressão foi
restringida constantemente de várias maneiras.
A arte Naïf é produzida no Leste Europeu em grande escala, isso ocorre pelo fato de que é bem
popular e acessível, as pessoas do povo se identificam com as obras e fazem encomendas. No
período da antiga União Soviética, nos países que faziam parte do regime, a Arte Naïf era produzida
pelos artistas, e comercializada entre os amigos e vizinhos, que consideravam o trabalho do artista
como a mais legítima das artes e faziam encomendas de paisagens e retratos, sendo importantes
mantenedores da arte, uma vez que a figura do grande colecionador já não existia mais.
No século XX existia um país maior chamado Checoslováquia, que na atualidade se separou e virou
República Tcheca, com capital na cidade de Praga, e a Eslováquia ficou com a capital Bratislava, que
tem um forte vínculo com a arte Naïf, pois foi lá que em ocorreu duas trienais importantes para a
solidificação do termo Naïf.
Quando o assunto é arte de rua, podemos citar muitas referências
O Leste Europeu tem uma cultura Pop rica mas pouco divulgada fora de suas fronteiras. Mesmo com
as diferenças entre os países, é possível identificar alguns traços comuns, como a presença de forte
influência da estética oriental na música, no design e na produção audiovisual. Em diversos deles, há
uma mistura intensa entre televisão e política, com vários apresentadores de programas de auditório
sendo também políticos e parlamentares atuantes.
O cinema talvez seja a mais conhecida das manifestações culturais recentes, a partir de cineastas
premiados no Ocidente como o sérvio Emir Kusturica, o romeno Radu Mihaileanu e o russo Nikita
Mikhalkov, e de filmografias como o cinema russo. Nos anos 1960 e 1970, era bem divulgada também

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a animação do Leste Europeu, que iniciou técnicas pioneiras em países como a Hungria e a então
Tchecoslováquia.
Na música, em vários países predomina uma mescla entre ritmos tradicionais (conhecidos pelo intenso
uso da modulação tonal) e estilos modernos/dançantes, como o turbo folk Iugoslavos (com Ceca e
Lepa Brena) e a chalga búlgara, mais O-Zone e Holograf na Roménia. Na Rússia e em outras antigas
repúblicas da URSS, há uma forte cultura de música dance, techno e batidas electrónicas.
Passada entre gerações, o tradicional artesanato da região tem como destaque as pinturas em
porcelana com motivos ucranianos; as Matrioshkas, um dos itens mais procurados, que são pequenas
bonecas (ocas) confeccionadas em diversos tipos de materiais, em que as menores ficam
armazenadas nas maiores, assim sucessivamente, até que o conjunto todo caiba em uma só peça;
arte em madeira, ovos pintados e bordados característicos. Há também as apresentações de grupos
de danças, corais folclóricos, e de músicos que tocam instrumentos típicos. Deve se lembrar também,
que artesanatos que fazem referência a temas tipicamente brasileiros também são encontrados,
reforçando, desse modo, a efetiva integração entre a cultura brasileira e a dos povos eslavos.
Durante a Páscoa, em alguns países do Leste Europeu como a Polónia, a Ucrânia, a Rússia e a
Hungria, há a tradição de pintar artisticamente os ovos de várias aves com motivos alegres e
multicoloridos.

As Matrioshkas

Komposition "Zwecklos" - Vassily


Kandinsky

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Religião
No Leste Europeu existe uma grande heterogeneidade religiosa. O Catolicismo é a religião
predominante na Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Croácia e Lituânia. O
Cristianismo ortodoxo predomina na Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia, Roménia, Bulgária,
Sérvia, Montenegro, República da Macedónia e Geórgia. O Protestantismo predomina na Estónia e
Letónia. Já o Islão predomina na Bósnia e Herzegovina, Albânia e Azerbaijão.O Cristianismo foi
adotado pelos povos do leste Europeu entre os séculos VI e X, de forma gradual, enquanto as crenças
pagãs iam sendo abandonadas. Pode-se dizer que os eslavos contemporâneos são, em sua maioria,
cristãos ortodoxos e católicos romanos, enquanto que protestantes e muçulmanos sunitas são
minorias. Os imigrantes eslavos trouxeram consigo esse perfil religioso, e o incorporaram à região
como pode ser visto por toda a região das "vilas", onde existem igrejas que celebram suas missas nos
idiomas dos países de origem, como as: Igreja Católica Lituana (Paróquia São José), Igreja Católica
Ucraniana (Paróquia Nossa Senhora da Glória), Igrejas Ortodoxas Russas (Igreja Santíssima Trindade
, Nossa Senhora da Proteção e dos Starovéri), Igreja Batista Boas Novas de Origem Russa e
Assembléia de Deus Russa.[5] Existiu uma Igreja Ortodoxa Russa na Av. Zelina esquina com R. Barão
de Juparaná na década de 1940 a 1950 onde devido a perseguição aos eslavos durante o regime
militar nesta época acabou sendo fechada. Existem colégios católicos bizantinos, católicos romanos e
adventistas fundados com ajuda de representantes destas comunidades.
, a Polónia é um país predominantemente católico, mas também possui um bom número de cristãos
ortodoxos e protestantes que comemoram a Páscoa de forma parecida.
No Sábado de Aleluia, as mulheres levam cestas cheias de comida para serem abençoadas nas
igrejas e algumas famílias recebem um padre em suas casas para abençoar a mesa decorada na qual
será servido o jantar.
Depois da missa de domingo, as famílias e seus convidados se reúnem em casa para compartilharem
alguns ovos cozidos previamente abençoados e desejarem oficialmente uma “Feliz Páscoa” uns aos
outros. Em seguida, todos são convidados a se servirem de presunto, salsicha, salada, pães e bolos,
além de algumas doses de vodca bem gelada! No centro da mesa, geralmente é colocada a figura de
um cordeiro, feito de gesso ou de açúcar, que representa Jesus Cristo.
Árvore da Páscoa é um elemento decorativo muito comum na Alemanha e nos países do Leste
Europeu é montado com galhos secos que simbolizam o momento de sofrimento da morte de Jesus
Cristo. Nos galhos são penduradas cascas de ovos coloridos que simbolizam a alegria da vida e a
ressurreição. A curiosidade da Árvore de Páscoa está nas cores dos ovinhos. Tradicionalmente, o ovo
vermelho significa o sangue de Cristo; o verde, a esperança; o amarelo, a luz e o branco, a paz.

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

Sociedade
Após a Primeira Guerra Mundial por razões políticas sobretudo deu-se um novo êxodo para o
ocidente: Tchecoslováquia, França, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Durante a Segunda Guerra
Mundial, algumas centenas de milhares de ucranianos não desejando submeter-se ao domínio russo-
comunista abandonaram sua terra, passando a ser, desde então, considerados como "deslocados de
guerra". Cerca de duzentos mil ucranianos - operários, prisioneiros de guerra, refugiados políticos -
fugiram para a zona ocidental da Europa. Muitos, porém, em decorrência do Tratado de Yalta, foram
repatriados à força pelos aliados ocidentais.
Somente em fins de 1945 foi abolida a cláusula de repatriação obrigatória dos refugiados. A UNRRA
(United Nations Relief an Repatriation Administration) e a IRO (International Refugee Organization)
ambos organismos da ONU providenciaram auxílio aos refugiados e encaminharam-nos a vários
países da Europa Ocidental, aos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Venezuela, Paraguai e
também para a Austrália e Nova Zelândia.
Cerca de 5 milhões de ucranianos vivem em países da Europa, América do Norte, América do Sul e
Austrália.
Embora o fluxo migratório inicial fosse de natureza laboral e predominantemente masculino, a
componente feminina na comunidade ucraniana em Portugal aumentou substancialmente nos anos
posteriores, nomeadamente por motivos relacionados com a reunificação familiar. Segundo os Censos
de 2011, as mulheres representavam 49,2% da população ucraniana residente em Portugal,
Na URSS, as migrações eram essencialmente internas: Migrações de trabalho, deslocações militares
durante e após a segunda Guerra Mundial, deslocações forçadas.

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Família
Composta a semelhança do modelo europeu, pai, mãe e filhos, em que o pai é o chefe de família e
responsável pelo sustento da mesma. A mulher actualmente colabora no sustento juntamente com o
pai, fazendo parte do mercado de trabalho.
Muitas famílias foram separadas no pós-guerra e pelas migrações.
A Natalidade tem vindo a aumentar nestes países, Na Ucrânia e na Rússia, existem 1,2 milhões de
famílias com três filhos, 23 mil com quatro e 95 mil com cinco a sete filhos, chegando mesmo aos 11
filhos.

Tradicionalmente, o reagrupamento familiar tem sido visto como um meio de aumentar a estabilidade
social, económica e psicológica dos imigrantes.
No entanto, a inserção das famílias imigrantes reagrupadas na sociedade de acolhimento, passa por
uma série de dificuldades que, apesar de poderem ser comuns às famílias autóctones mais pobres, no
seu conjunto, caracterizam especificamente a categoria das famílias reagrupadas.
Estes imigrantes de leste deparam-se com dificuldades no processo de reagrupamento familiar
Dificuldades legais, restrições no acesso ao emprego e formação profissional; instabilidade decorrente
da autorização de permanência no país ser temporária; desconhecimento da língua (maior
vulnerabilidade às situações de desemprego, profissões mais desqualificadas, de baixos salários e
desvalorizadas socialmente; maior risco de pobreza e exclusão social).
Limitação de direitos dos imigrantes que não têm autorização de residência (conceito restritivo de
residente).
Face ao aumento do desemprego dos imigrantes é necessário prever a concessão de vistos de curta
duração para os desempregados à procura de emprego (de outro modo, permanecerão no país em
situação irregular).

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

Vestuário
O Vestuário dos povos de Leste é normalmente colorido e feito a mão. Cada símbolo que é bordado
na roupa tem significado. Varia consoante os símbolos nacionais, por exemplo, uvas significam a
família, folhas de carvalho significam a força masculina.
Antigamente as mulheres faziam roupas para a sua família e cada um tinha roupa para o dia-dia, os
casamentos, as festas, as viagens, os negocias, os aniversários. A mãe bordaria símbolos que
protegeriam o marido e os filhos.
As cores variam dependendo da região, mais comuns são o vermelho, castanho e azul.
Depois de casar a mulher não podia andar com cabelo solto e destapado, ela tinha que usar o cocar.
Hoje poucas mulheres conhecem as técnicas e significados antigos dessa arte. Mas ainda há quem
siga as tradições.
Hoje o vestuário está na moda e a maioria de pessoas tem pelo menos a camisa. Os jovens usam
camisas tradicionais com ganga.

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

Conclusão
Até aos anos 90 do século XX, a maioria da imigração na europa e em particular em Portugal era
oriunda de países lusófonos, dada a proximidade cultural e linguística.
No entanto, a partir de 1999, começou repentinamente um tipo de imigração diferente e em massa
proveniente da Europa de Leste e mais recentemente com os refugiados árabes.
Toda a organização nacional, o sistema de saúde e educacional se viu com as contrariedades
culturais e religiosas das pessoas que chegavam. Foi e continua a ser necessário uma adaptação para
o fenómeno.
O conceito de interculturalidade tem uma forte relação com o de comunicação na sociedade atual. A
complexidade e multiculturalidade são fenómenos interligados ao mundo, onde globalização,
migração, minorias e tentativas de hegemonia são realidades efectivas. A interculturalidade passa pelo
desafio lançado pela globalização e suas implicações étnicas e culturais. Identidade, homogeneidade
e diversidade são os eixos definidores da interculturalidade, que tem na educação e suas instituições e
agentes os meios de desenvolvimento.
Os valores são os da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da igualdade, tolerância, educação
multicultural.
A interculturalidade visa assim não apenas a formação mas também a integração dos grupos no todo
social, perante o individualismo e a cultura, pressupõe a educação democrática.
Não defende que a sua cultura é melhor do que as outras ensinam; antes ensina a pesquisar ou
procurar entender os costumes e a maneira de pensar da mesma, sem assim termos de mudar a
nossa e sem a desvalorizar.

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Comunicação e Interculturalidade em saúde

Bibliografia
http://www.gazetadebeirute.com/2013/06/costumes-arabes.html#ixzz4r8IFBMwz

http://www.gazetadebeirute.com/2013/06/costumes-arabes.html

https://www.todamateria.com.br/cultura-arabe/

https://www.google.pt/search?q=pintura+de+leste+europeu&tbm=isch&tbo=u&sou
rce=univ&sa=X&ved=0ahUKEwjdn5Hu94DWAhUCXBoKHRYYA9MQsAQIJA&biw=126
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