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18/3/2018 Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies – Kirill Kondrashin | P.Q.P.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete


Symphonies – Kirill Kondrashin
Publicado em 7 de novembro de 2017 por Luke D. Chevalier

Há exatamente 100 anos atrás, no dia 7 de novembro de 1917 do calendário gregoriano, e 25 de outubro do calendário
juliano, soldados armados, sob ordens do Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado, tomavam pontos chaves
da cidade que, até Fevereiro daquele ano, fora símbolo de opulência da autocracia czarista. Era um golpe que se
realizava? Um banho de sangue? Um complô?

UM BREVE RESUMO DA REVOLUÇÃO: DE 1905 A 1917*

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Do ponto de vista econômico, em 1905, a Rússia era um país majoritariamente agrário, mas portador de um importante
setor industrial financiado pelo capital estrangeiro e de grandes pólos urbanos industriais como São Petersburgo e Moscou.
Cerca de 80% da população vivia no campo e praticava uma agricultura rudimentar sob um regime de semi-servidão e em
situação de miséria. Nas cidades, os operários tinham jornadas de trabalho de até 15 horas e baixos salários. No campo
político, todo o poder se concentrava nas mãos do czar, apoiado na nobreza feudal.

Em janeiro de 1905, uma multidão liderada pelo padre Gueórgui Gapon se dirigiu ao Palácio de Inverno de São
Petersburgo, residência do czar, reivindicando melhores condições de vida e trabalho. As massas foram recebidas a tiros.
O massacre entrou para a história como o “Domingo Sangrento” e desencadeou a Revolução Russa de 1905. Este episódio
é bem retratado por um dos filmes mais importantes da história do cinema, O encouraçado Potemkin (1925), de Sergei
Eisenstein, que traz uma imagem do período, mostrando a rebelião dos marinheiros do navio de guerra Potemkin e o apoio
da população.

Foi nesses levantes que surgiram os sovietes (conselhos de trabalhadores), instrumentos de auto-organização compostos
por representantes eleitos nos locais de trabalho. Sua finalidade era organizar as greves e a resistência, mas, quando as
atividades econômicas foram interrompidas pelas paralisações, os sovietes tiveram de assumir também funções de
governo, cuidando da segurança pública e providenciando os serviços essenciais.

O czarismo conseguiu controlar as revoltas, dissolver os sovietes e se manter no poder. No entanto, esses eventos
prepararam as Revoluções de 1917: a experiência dos sovietes ensinou às massas um modo de se organizar e as lutas
obrigaram os grupos políticos, que atuavam nesses conselhos, a definirem suas estratégias.

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano da época),
trabalhadoras de fábricas de São Petersburgo saíram em greve, denunciando suas condições de trabalho, a fome e a
guerra. As paralisações e os atos se propagaram, culminando, após uma semana, na derrubada do czarismo.

O poder político passou para as mãos do Governo Provisório, um governo liberal formado por uma coalizão de partidos
socialistas e burgueses. Os bolcheviques se mantiveram de fora. Os sovietes de operários e soldados, os sovietes de
camponeses, os comitês de fábricas, os comitês de soldados no front, todos os organismos e ferramentas organizativas
que permitiram o combate à velha ordem passaram a exigir do novo governo o atendimento a suas reivindicações, entre as
quais a saída da Primeira Guerra Mundial e a solução do problema agrário.

O livro-reportagem Dez dias que abalaram o mundo, do jornalista norte-americano John Reed, descreve esse momento: “A
revolução já completava oito meses e tinha pouca coisa a mostrar… Enquanto isso, os soldados começaram a resolver a
questão da paz por conta própria, simplesmente desertando; os camponeses incendiavam propriedades rurais e ocupavam
latifúndios; os operários sabotavam e faziam greves”.

Os bolcheviques passaram a defender não apenas a transferência do poder para os proletários e camponeses pobres, mas
também um programa socialista para a Rússia. Em 7 de novembro (25 de outubro), tendo obtido a maioria nos sovietes das
principais cidades, os líderes bolcheviques decidiram que havia chegado a hora da tomada do poder. O Palácio de Inverno
de São Petersburgo, sede do Governo, foi ocupado pelos insurgentes. Concretizava-se a Revolução de Outubro.

ALGUMAS QUESTÕES POLÊMICAS SOBRE OUTUBRO

Quem assistiu o Fantástico no domingo do dia 29 de outubro viu uma pequena reportagem sobre a Revolução Russa. Lá, o
apresentador diz que a Revolução de Fevereiro foi “apartidária”. Tirando o fato de que este termo é anacrônico para
designar o acontecimento, há nesta afirmação uma imprecisão: a revolução de fevereiro foi inesperada, isto é, não foi
planejada, portanto, foi uma insurreição sem planejamento prévio de um partido. Mas de forma alguma ela foi feita sem
nenhuma consciência política das massas de trabalhadores operários, soldados e camponeses. Ela se deu graças ao
trabalho, de anos a fio, realizado pelos partidos socialistas desde a fundação do Partido Operário Social-Democrata Russo
(POSDR) em 1898. Em 1903, em seu Segundo Congresso, uma divergência sobre a forma de organização dos militantes
dividiu o POSDR entre a maioria dos delegados do congresso (bolcheviques) e a minoria (mencheviques). Apenas nesse
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momento os bolcheviques foram maioria. Essa cisão, na prática, formaria dois partidos diferentes, que atuaram ambos em
prol de uma revolução, mas com táticas diferentes. Os mencheviques se tornariam muito mais numerosos, devido a própria
concepção de partido, que era mais aberto a dissidências internas e menos disciplinado, focado mais na adesão de novos
membros do que na formação de líderes disciplinados.

Lênin, líder dos bolcheviques, tinha uma concepção de organização que basicamente visava a formação de militantes como
quadros (líderes) políticos, tanto entre intelectuais quanto entre operários, sendo estes centralizados em torno daquilo que o
Partido deliberasse em conjunto. Tal concepção se devia, em parte, do próprio contexto em que a Rússia vivia, o de uma
autocracia que perseguia, prendia e censurava os dissidentes políticos. Para lidar com essa situação, era preciso formar
militantes extremamente organizados, disciplinados e bem formados na teoria e na prática revolucionária. Numa
semelhança e, ao mesmo tempo, numa oposição à concepção de políticos profissionais do sociólogo burguês Max Weber
em sua conferência “A Política Como Vocação”, Lênin idealizava a formação de revolucionários profissionais, isto é,
revolucionários por vocação. Foi essa concepção organizativa que permitiu com que os bolcheviques formassem diversos
líderes políticos entre os próprios trabalhadores industriais de São Petersburgo e Moscou.

Em fevereiro de 1917, antes da revolução, Lênin, Zinoviev, Kameniev e outros líderes dos bolcheviques estavam todos
exilados ou presos. Trótski, que ainda não aderira aos bolcheviques, mas que fora líder da Revolução de 1905, estava
exilado nos EUA. Os membros do Comitê Central do Partido Bolchevique, que estavam na Rússia no momento da
Revolução, não souberam lidar com o momento, que fora totalmente inesperado; foi a base operária, extremamente
“trabalhada na propaganda bolchevique” (segundo um relatório policial da época), que dirigiu a Revolução de Fevereiro. O
programa político, ou seja, as direções que a Revolução deveria tomar dali para frente, seria objeto de disputa dentro e fora
do Partido até outubro, tendo seu ponto de virada nas Teses de Abril que Lênin elabora em seu retorno à Rússia.

A diferença entre Fevereiro e Outubro são, então, basicamente duas: a tomada do poder e o planejamento da revolução;
em fevereiro a revolução se realiza sem um programa político definido e nem um planejamento prévio, e, por isso, não toma
o poder, mas apenas derruba o antigo; ao contrário, outubro toma o poder político com um programa político definido (todo
poder aos sovietes, paz imediata, terra para os camponeses, controle das fábricas pelos operários, etc.), mas é
deliberadamente planejada, não é espontânea.

A Revolução de Outubro é realizada sob a direção dos bolcheviques. Após meses pressionando os mencheviques e social
revolucionários do Governo Provisório a abandonar a aliança com a burguesia e tomar o poder sozinhos (assim poderiam
conseguir coisas a que a burguesia se opunha, como a paz imediata), as massas se voltam para os bolcheviques. Estes,
ao contrário do que acusam os detratores, não tomam o poder apenas pelo Partido, mas pelos sovietes. Se fosse para
tomar o poder com uma minoria, poderiam tê-lo feito em julho, quando ainda não tinham a maioria de delegados nos
sovietes, mas tinham uma imensa massa e operários e soldados que os empurravam para tomar o poder. Somente após o
fracasso do golpe que Kerensky trama com o general Kornilov em agosto, as massas passam a desacreditar totalmente no
Governo Provisório e se voltam aos bolcheviques. A partir daí eles se tornam maioria nos conselhos. A partir desse
momento, Lênin, avaliando as condições favoráveis, pressiona o Partido com toda a força para que tome o poder. É criado
o Comitê Militar Revolucionário por iniciativa dos próprios mencheviques. Trótski se torna presidente do Soviete de
Petrogrado e já tendo aderido aos bolcheviques, vai elaborar no Comitê Militar Revolucionário, junto dos operários e
soldados, além de outros bolcheviques, os planos para a insurreição armada em Petrogrado.

Em todos os Congressos de Sovietes pela Rússia, ocorridos em Outubro, antes da revolução, a resolução pelo poder dos
sovietes é aprovada. Ou seja, em toda a Rússia a questão da tomada do poder por um órgão revolucionário das massas é
colocado publicamente e é aprovada por todos. Mesmo com todos os jornais burgueses acusando diariamente e
incessantemente os bolcheviques de espiões alemães e outras calúnias do tipo. Mesmo sendo um partido relativamente
pequeno se comparado aos outros. É interessante notar, assim como notaram Marx e Engels no Manifesto Comunista, que
a classe trabalhadora, por ser a única classe revolucionária, é a única que pode declarar abertamente seus objetivos: a
tomada do poder pela maioria, a socialização dos meios de produção, trabalho obrigatório a todos, etc. A burguesia, desde
que subiu ao poder, se viu obrigada a esconder seus interesses sob declarações e palavras de ordem vagas, como, por
exemplo, hoje ela tenta enfiar uma reforma da previdência goela abaixo sob o mote de “ser melhor para o trabalhador”, mal
tem coragem de mascarar direito a mentira. Na Revolução Russa não foi diferente, sob o signo de “guerra pela pátria e pela

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Revolução”, os burgueses e os “socialistas” do Governo Provisório mantiveram a guerra a serviço da Entente sob
negociações secretas, até que uma declaração de um deles foi vazada, o que deu novo impulso às massas em direção do
que viria a ocorrer em outubro.

As massas aderem à revolução pois os sovietes assim deliberam. A maior parte daqueles que seguiram os bolcheviques na
Revolução de Outubro o fizeram em conformação com o que fora deliberado pela maioria, muitas vezes quase unânime,
dos delegados nos sovietes. Embora fossem em grande número os operários industriais da cidade que seguiriam os
bolcheviques independentemente dos sovietes, a grande maioria da população da Rússia, que são os camponeses,
soldados ou não, se guiam politicamente não pelo Partido, mas, pelos sovietes, onde, a partir de setembro de 1917, os
bolcheviques serão maioria, e portanto, deliberarão conforme a vontade desta.

É curioso notar que no dia da insurreição as ruas estavam calmas e vazias; diz um jornalista francês em Petrogrado que
jamais se sentira tão bem protegido (TROTSKY, 1967, P. 897). Isso não significa que as massas não estavam presentes.
Pelo contrário, três dias antes, dia 22 de outubro, os bolcheviques marcaram encontros públicos em Petrogrado que
inundaram a cidade de gente. Esses meetings tinham o objetivo de medir o ânimo das massas pela Revolução, e tiveram
imenso sucesso, levando milhares de pessoas para discutir política abertamente em espaços públicos cheios de jovens,
mulheres com crianças de colo, idosos, soldados, marinheiros, entre todo tipo de gente. No dia da insurreição não havia
necessidade de jogar milhares de pessoas às ruas, podendo isso causar tumultos e confrontos. Seguindo a resolução do
Comitê Militar Revolucionário, apenas trabalhadores armados, os soldados e os marinheiros são mobilizados. Os pontos
chave da cidade são ocupados quase sem nenhuma resistência, e na madrugada do dia 26, o Palácio de Inverno é tomado.
Kerensky, o líder do Governo Provisório, foge. O novo poder soviético e seu programa revolucionário é declarado no
Congresso dos Sovietes de toda a Rússia que acontecia no mesmo dia. Desapropriação das terras dos nobres e divisão
igualitária entre os camponeses, controle das fábricas pelos operários, divulgação dos tratados secretos até aquela data e
abolição da diplomacia secreta, etc.

Pela primeira vez na história, as massas tomavam em suas mãos o poder de decidir sobre o rumo de seu próprio destino,
não mais deixado ao capricho das classes dominantes.

A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO NO SÉCULO XX

Talvez nenhum período da história tenha sido mais decisivo para os rumos da humanidade do que a primeira parte do
século XX. Muito se fala das grandes guerras imperialistas (não dessa forma, obviamente), mas pouco falam das
revoluções. Nos meses seguintes a Revolução de Outubro, três outras revoluções se seguiriam na Europa: A Revolução
Húngara de 1918-1919, o Biênio Vermelho na Itália e a trágica Revolução Alemã, que, certamente, foi decisiva para os
rumos da própria revolução na Rússia.

Assim como o capitalismo só pôde crescer e se desenvolver ao envolver o mundo todo numa rede que definiu a divisão
internacional do trabalho e os papéis de cada país no estabelecimento da democracia liberal e a ditadura do capital, o
socialismo só poderia sobreviver, segundo compreendiam Lênin e Trótski, se se expandisse ao resto do mundo,
promovendo a democratização dos meios de produção e a radicalização da democracia política. Não de cima para baixo,
por imposição, mas pela própria continuação do efeito em cadeia de uma revolução, e a organização, a nível internacional,
dos trabalhadores. A Revolução Russa, apesar dos fracassos das outras revoluções, conseguiu sobreviver isolada, mas ao
custo de sofrer uma transfiguração que arruinaria não só seu futuro, mas o futuro de outras revoluções pelo mundo nas
décadas seguintes.

SHOSTAKOVICH E A UNIÃO SOVIÉTICA

Neste contexto contraditório é que se desenvolveu um dos maiores compositores do século XX, e certamente o maior
compositor soviético, Dmitri Shostakovich.

Sua trajetória pessoal e artística exprime direta ou indiretamente os conflitos de uma revolução transfigurada. Sabemos que
Shostakovich foi limitado pelos interesses da burocracia stalinista, mas a arte não necessariamente precisa ser livre para
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florescer. Ora, se assim fosse, como que a arte teria florescido com tanto vigor como a música no século XVIII floresceu na
Europa, numa sociedade de corte extremamente regrada, onde os músicos eram serventes lacaios dos caprichos da
nobreza em seu auge histórico? A liberdade é necessária para a arte burguesa, e Mozart, vivendo na transição dessas
duas sociedades, a aristocrática para a burguesa, sentiu na pele a contradição entre uma e outra. Desejava compor e viver
como um burguês, mas as condições políticas e sociais ainda não eram tais para que pudesse usufruir da liberdade
burguesa, quem ainda ditava as regras eram os nobres. Beethoven, que vivendo alguns anos após Mozart, conseguiu
usufruir dessa liberdade de criação como poucos. (ELIAS, 1994)

Muito depois da morte de Mozart, a liberdade burguesa acabou por se tornar cada vez mais decadente, atingindo o auge do
decadentismo na virada do século XIX para o XX. O músico, a partir dali, tinha liberdade de criar o que era demandado pelo
mercado, e somente com muito esforço arranjaria algum tempo para criar algo que não fosse imposto pelo mercado
musical da época. Hoje essa “liberdade” é mais sufocante do que nunca. Mas por que digo tudo isso?

O socialismo não visa acabar com a liberdade de criar, na verdade, ele visa expandi-la. A partir do momento em que o
músico, o escritor, o poeta, o cineasta, etc. não precise mais se preocupar com suas necessidades básicas (comer, dormir,
morar, etc.) pois o mínimo de trabalho já lhe proporcionará tudo isso, ele terá todo tempo livre do mundo para criar obras
das mais variadas espécies. Não de forma desligada de sua realidade, mas, pelo contrário, em maior sintonia com a
sociedade de que depende a para a qual contribui.

Infelizmente na União Soviética tal liberdade socialista não foi possível, tanto pelo ditames do regime, quanto pelas próprias
dificuldades econômicas pelas quais passou em seu desenvolvimento isolado. Mas isso não impediu que Shostakovich
criasse obras que marcaram compositores e plateias pelo mundo todo, apesar das dificuldades econômicas que encontrou
nos momentos em que foi cerceado. Só a história de sua Sétima Sinfonia, “Leningrado”, já rende bons calafrios. Esse é um
belo exemplo de como a música erudita conseguiu desempenhar um papel social e romper em alguma medida a barreira
entre música erudita e popular. Se pensarmos também na Sinfonia No. 11, “O ano de 1905”, ouviremos várias referências a
canções revolucionárias populares, como, por exemplo, a referência a “Tu caíste, como vítima, na luta!” no terceiro
movimento, o Adagio.

A música de Shostakovich seria um bom exemplo daquilo que o italiano Antonio Gramsci chamou de “nacional popular”,
isto é, uma música que estabelece uma identidade nacional e de classe. Infelizmente Shostakovich era um pouco
nacionalista demais, mais do que era socialista, consequência das contradições a que estava submetido na União
Soviética, mas tinha uma concepção de mundo em favor dos oprimidos, e, não à toa, por exemplo, faz várias referências ao
sofrimento dos judeus, sendo o ápice dessa homenagem a Sinfonia Nº14, “Babi Yar”.

Em Shostakovich a melodia é central e age quase como uma fala, nela encontramos a paródia, o hino e o fúnebre.
(ANDRADE, 2013) A paródia de seus inimigos, o hino à nação e à Revolução e o fúnebre em memória dos oprimidos.
Encontramos a inventividade criativa de um vanguardista e o compositor popular das massas, sendo, nas duas ocasiões,
extremamente apolíneo.

Trago a vocês as sinfonias completas deste grande compositor, regidas por Kirill Kondrashin. Embora Shostakovich não
seja o maior modelo de compositor revolucionário engajado e revolucionário, é o resultado vivo das contradições e dos
desafios da construção de um sonho. Sonho este que, apesar de passado cem anos de calúnias, mentiras e esquecimento
proposital, não morreu, e hoje, mais do que nunca, se mostra como uma necessidade frente aos problemas de nosso
tempo. Esta história, tanto do artista como da Revolução, deve ser lembrada e discutida, para que aprendamos com ela,
superemos seus erros, e façamos que o impossível seja inevitável mais uma vez.

Referências:
* Retirado de http://www.usp.br/cinusp/
ANDRADE, Mario. FRAGELLI, Pedro. Engajamento e sacrifício: o pensamento estético de Mário de Andrade. Rev. Inst.
Estud. Bras. [online]. 2013, n.57, pp.83-110. http://www.scielo.br/pdf/rieb/n57/04.pdf

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COUTINHO, Carlos Nelson (org.). O leitor de Gramsci. São Paulo: Civilização Brasileira, 2011.
ELIAS, Norbert. Mozart: Sociologia de um gênio. São Paulo: Zahar, 1994
MARX, Karl. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.
REED, John. Dez Dias Que Abalaram o Mundo. São Paulo: PENGUIN COMPANHIA, 2010.
TROTSKY, Leon. A História da Revolução Russa. Rio de Janeiro: Editora Saga, 1967.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphonies 1-15, Symphonic Poems, Cantata and violin concerto. Conducted by
Kirill Kondrashin

CD1

Symphony No. 1 In F Minor, Op. 10


01 Allegretto. Allegro Non Troppo
02 Allegro
03 Lento
04 Allegro Molto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

05 Symphony No. 2 In B Major, Op. 14 “To October” (Text By A. Bezymensky)

06 Symphony No. 3 For Orchestra And Choir In E Flat Major, Op. 20 “The First Of May’ (text by S. Kirsanov)

Russian State Choral Chapel


Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD2

Symphony No. 4 In C Minor, Op. 43


01 Allegretto Poco Moderato
02 Moderato Con Moto
03 Largo

04 October, Symphonic Poem, Op. 131

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD3

Symphony No. 5 In D Minor, Op. 47


01 Moderato
02 Allegretto
03 Largo
04 Allegro Non Troppo

Symphony No. 6 In B Minor, Op. 54


05 Largo
06 Allegro
07 Presto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra


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CD4

Symphony No. 7 In C Major, Op. 60 (“Leningrad”)


01 Allegretto
02 Moderato (Poco Allegretto)
03 Adagio
04 Allegro Non Troppo

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD5

Symphony No. 8 In C Minor, Op. 65


01 Adagio
02 Allegretto
03 Allegro Non Troppo
04 Largo
05 Allegretto

Moscow Philharmonics Symphony Orchestra

06 The Sun Shines On Our Motherland Cantata, Op. 90 (text by Ye. Dolmatovski)

Boys’ Choir Of The Moscow Choral College


Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD6

Symphony No. 9 In E Flat Major, Op. 70


01 Allegro
02 Moderato
03 Presto
04 Largo
05 Allegretto

Yuri Nekludov, basoon


Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

Symphony No. 10 In E Minor, Op. 93


06 Moderato
07 Allegro
08 Allegretto
09 Andante. Allegro

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD7

Symphony No. 11 In G Minor “1905”, Op. 103


01 Дворцовоая площадь (Palace Square). Adagio
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02 Девятое Января (January The Ninth). Adagio


03 Вечная память (Eternal Memory). Adagio
04 Набат (Tocsin). Allegro Non Troppo – Allegro – Adagio – Allegro

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD8

Symphony No. 12 In D Minor “1917”, Op. 112 (In Memory of V.I. Lenin)
01 Революционный Петроград. Revolutionary Petrograd. Moderato. Allegro
02 Разлив. Razliv (The Flood). Allegro. Adagio
03 “Аврора”. “Aurora”. L’istesso Tempo. Allegro
04 Заря человечества. The Dawn Of Humanity. L’istesso Tempo. Allegretto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

05 The Execution Of Stepan Razin, Op. 119 (Yevgeni Yevtushenko)

Vitaly Gromadski, bass


Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD9

Symphony No. 13 For Bass Soloist, Choir Of Basses, And Symphony Orchestra In B Flat Minor, Op. 113 (“Babi Yar”) (text by
Yevgeni Yevtushenko)
01 Бабий Яр (Babiy Yar). Adagio
02 Юмор (Humour). Allegretto
03 В магазине (At The Store). Adagio
04 Страхи (Fears). Largo
05 Карьера (Progress). Allegretto

Artur Eizen, bass


Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD 10

Symphony No. 14 For Soprano, Bass And Chamber Orchestra, Op. 135
01 De Profundis. Adagio
02 Malagueña. Allegretto
03 La Loreley. Allegro Molto. Adagio
04 Le Suicidé. Adagio
05 Les Attentives (On Watch). Allegretto
06 Les Attentives II (Madam, Look). Adagio
07 Ala Santé (In Prison). Adagio
08 Réponse Des Cosaques Zaporogues Au Sultan De Constantinople. Allegro
09 O Delvig, Delvig! Andante
10 Des Tod Des Dichters (The Death Of The Poet). Largo
11 Scheußtück (Conclusion). Moderato
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Yevgeni Nesterenko, bass


Yevgenia Tselovalnik, soprano
Ensemble Of Soloists Of Moscow Philharmonic Academic Symphony Orchestra
text in 1 and 2 by Federico Garcia Lorca
text from 3 to 8 by Guillaume Apollinaire
text in 9 by Wilhelm Küchelbecker
text in 10 and 11 by Rainer Maria Rilke

CD11

Symphony No. 15 In A Major, Op. 141


01 Allegretto
02 Adagio
03 Allegretto
04 Adagio. Allegretto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

Concerto For Violin And Orchestra No. 2 In C Sharp Minor, Op. 129
05 Moderato
06 Adagio
07 Adagio. Allegro

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra


David Oistrakh, violin

CDs 1-4
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CDs 5-8
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CDs 9-11
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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— “A historia de uma revolução é para nós, antes de tudo, a história da entrada violenta das massas no domínio de decisão de
seu próprio destino”
– L. Trótski

Luke

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3 IDEIAS SOBRE “DMITRI SHOSTAKOVICH (1906-1975): COMPLETE SYMPHONIES – KIRILL KONDRASHIN”

anélio
em 7 de novembro de 2017 às 18:19 disse:

belo texto boa música obrigado

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Pleyel
em 7 de novembro de 2017 às 21:42 disse:

[batendo palmas de pé para o texto e a música ]

ps: Beethoven foi livre puxando o saco de vários aristocratas e dedicando a eles dúzias de obras

ps2: A decadência ‘fin de siècle’ que precedeu a 1a Guerra e a Revolução Russa tem tudo a ver com os dias de hoje em que o capitalismo
globalizado encontra os limites físicos do planeta (solo, água, ar e temperatura) e responde a essa contradição cada vez com mais cinismo, m
desigualdade e menos direitos humanos

[seguem as palmas]

Luke D. Chevalier
em 8 de novembro de 2017 às 8:21 disse:

Obrigado Pleyel!
Realmente, outro fato curioso da burguesia é que, ao chegar ao poder, ela começa a idealizar a vida aristocrática contra a qual ela mesma
lutou, tentando, da forma mais conciliatória possível (pelo casamento), tomar para si o status da nobreza em queda. É impressionante
como a indústria cultural, principalmente a infantil, idealiza tanto a monarquia e a vida aristocrática.

http://pqpbach.sul21.com.br/2017/11/07/dmitri-shostakovich-1906-1975-complete-symphonies-kirill-kondrashin/ 11/11