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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


EXMO. SR. DESEMBARGADOR RELATOR

digitalmente por Tribunal de Justica Sao Paulo e AMARILDO BARELLI.


código 4E357F.
Recurso de Agravo de Instrumento

CONJUNTO HABITACIONAL DIADEMA H, que em


face de JOSINEIDE DE SOUZA e da COMPAINHA DE
DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL E URBANO DO ESTADO DE
SÃO PAULO – CDHU move a AÇÃO ORDINÁRIA que tem trâmite pela

78.2014.8.26.0161 e
do original assinado
DDª 2ª Vara Cível da Comarca de Diadema, processo autuado sob nº
1012469-78.2014.8.26.0161, não se conformando com r. despacho
proferido naqueles autos, vem perante este C. Tribunal Paulista interpor
RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO, com base nas razões em
anexo (doc. 1).

Parao original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/esaj, informe o processo 1012469-


Este foi protocolado em 24/11/2014 às 14:22, por Jose Agostinho Mendes, é cópia
Requer ainda a concessão dos benefícios da
justiça gratuita, diante dos argumentos que serão melhores detalhados
nas referidas razões recursais.
Nestes Termos,
P. Deferimento.
Diadema, 24 de novembro de 2014

Amarildo Barelli
OAB 89.126

Escritório: Av. Fagundes de Oliveira 2011, Vila São José, Diadema, SP,
CEP 09950-300, tel. 4075-2400. E-mail: amarildo@shangrilar.com.br
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RAZÕES DO AGRAVO DE INSTRUMENTO

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código 4E357F.
Agravante: CONJUNTO HABITACIONAL DIADEMA H
Agravadas: JOSINEIDE DE SOUZA e

COMPAINHA DE DESENVOLVIMENTO
HABITACIONAL E URBANO DO ESTADO DE
SÃO PAULO – CDHU
Ação: ORDINÁRIA

Origem: DDª 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE

DIADEMA
Processo: AUTUADO SOB Nº 1012469-78.2014.8.26.0161

78.2014.8.26.0161 e
do original assinado
Advogado do agravante: Amarildo Barelli, OAB-SP nº 89.126, com
escritório na Av. Fagundes de Oliveira nº 2011, Vila São José,

Parao original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/esaj, informe o processo 1012469-


Diadema, SP, CEP 09950-300, tel. 4075-2400.

Advogado das agravadas: Não há. Este foi protocolado em 24/11/2014 às 14:22, por Jose Agostinho Mendes, é cópia

EGRÉGIO TRIBUNAL
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1) DO EFEITO SUSPENSIVO

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1.1) Nos termos do r. despacho disponibilizado em 11/11/2014, o DD.
Juízo Monocrático assim proferiu o seu julgamento, de onde foi tirado o
seguinte trecho:

“Trata-se de ação de cobrança de despesas de condomínio. O


benefício da gratuidade não abarca condomínios, ainda que
populares. Indefiro o benefício. Taxa judiciária, de mandato,
despesas para impressão de contrafés e citações postais, em
cinco dias, pena de cancelamento da inicial”.

1.2) Como se verá no curso desta peça, o agravante defenderá a tese de


que a r. decisão não exteriorizou a costumeira Justiça, e diante da
relevância da questão, que se concentra exclusivamente na esfera do

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do original assinado
direito, requer o recebimento deste agravo em seu efeito suspensivo,
para o fim de determinar ao Juízo de Primeira Instancia que não extinga o
feito até o pronunciamento definitivo desta C. Câmara.

1.3) Ressalta a importância da concessão liminar do efeito suspensivo,

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diante do fato de que o r. posicionamento exteriorizado pelo DD.

Este foi protocolado em 24/11/2014 às 14:22, por Jose Agostinho Mendes, é cópia
Magistrado a quo não está em sintonia com as reiteradas jurisprudências
provenientes deste C. Tribunal, no sentido de que deva ser reconhecida a
situação de penúria pela qual passa o condomínio agravante, porque
presumível, fazendo-o merecedor da justiça gratuita.

2) DO AGRAVO NA FORMA DE INSTRUMENTO

2.1) Considerando que não haverá outra oportunidade para a apreciação


das presentes razões recursais, a não ser mediante provocação por esta
peça, o oferecimento deste recurso na forma de instrumento se mostra
inevitável, ao qual requer seja acolhido e analisado pelo DD. Julgador.
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3) DA CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA

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3.1) O condomínio agravante foi construído com base nos padrões da
CDHU. Isto significa que ele se destina às pessoas de baixa renda,
porque as unidades são pequenas; desprovidas de acabamento; sem
lazer; sem empregados; e de baixa manutenção.

3.2) Foram erguidos no empreendimento em debate 8 blocos com 20


apartamentos cada um, totalizando 160 unidades. O valor do condomínio
é de R$ 60,00 mensais, mas ninguém se iluda que este aparente valor
irrisório tem o condão de tornar a inadimplência um caso raro de se ver.
Ao contrário. A população que ali encontrou abrigo é, em boa parte dela,
uma mescla de desempregados com pessoas desprovidas de renda
mensal fixa e profissionais de baixa qualificação.

3.3) Por terem o orçamento doméstico apertado, o pagamento das

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do original assinado
prestações condominiais é colocado ao último plano: se sobrar, será pago.
Esta realidade, que só mesmo quem vive aquele cotidiano pode
testemunhar, resulta em um sério problema aos que administram as
contas condominiais, porque a inadimplência é elevadíssima, a ponto de o
total arrecadado muitas vezes ser insuficiente para pagar as contas

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básicas de consumo de água e luz.

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3.4) Se há dificuldades para o pagamento das contas de água e energia,
muito menos dispõe o agravante de recursos capazes para honrar as
custas e despesas processuais destinadas aos processos de cobrança de
condomínio.

3.5) Por muito tempo o agravante se viu neste impasse, no sentido de que
não propunha a ação de cobrança por falta de dinheiro; por outro lado, a
falta do braço forte do Estado sobre o inadimplente fazia-o ainda mais
acomodado, gerando um efeito negativamente contagiante sobre os
demais moradores, que passaram a questionar o porquê de continuar a
pagar, se nenhum prejuízo advinha àquele faltoso.
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3.6) Este problema tornou-se de tamanha complexidade, a ponto de, a


exemplo do caso sub judice, no qual o apartamento acumula anos de

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débitos condominiais (de 10/02/2011 a 10/10/2014), ser comum observar
esta mesma situação em inúmeras outras unidades.

3.7) Certamente sensibilizado com esta grave realidade, este C. Tribunal


passou a conceder a justiça gratuita aos condomínios pertencentes ao
grupo da CDHU, como é o caso do ora agravante, caracterizados por uma
singela mensalidade e um alto número de inadimplência:

Agravante: Conjunto Habitacional Diadema H, 30ª Câmara de


Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Agravo de
Instrumento nº 2186518-79.2014.8.26.000, 5 de novembro de
2014, Rel. Des. Lino Machado:

Ementa:

78.2014.8.26.0161 e
do original assinado
Agravo de instrumento - Cobrança - Despesas de condomínio -
Indeferimento de justiça gratuita.
Tratando-se de condomínio destinado à moradia de pessoas de
baixa renda e com dificuldades financeiras em face do
inadimplemento de seus condôminos, possível beneficiar-se da

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justiça gratuita.

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Agravo provido

Agravante: Conjunto Habitacional Diadema H, 31ª Câmara de


Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Agravo de
Instrumento nº 2120265-12.2014.8.26.0000, 5 de agosto de 2014,
Rel. Des. Francisco Casconi:

Ementa:
AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE COBRANÇA –
DESPESAS DE CONDOMÍNIO - DECISÃO QUE INDEFERE
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PEDIDO DE GRATUIDADE PROCESSUAL – ELEMENTOS DOS


AUTOS QUE DEMONSTRAM A INCAPACIDADE DO

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CONDOMÍNIO DE ARCAR COM AS CUSTAS DO PROCESSO,
SEM COMPROMETER DESPESAS A ELE INERENTES -
RECURSO PROVIDO.

36ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São


Paulo, Agravo de Instrumento nº 073869-45.2013.8.26.000, 16 de
maio de 2013, Des. Rel. Jayme Queiroz Lopes:

Ementa:
AGRAVO DE INSTRUMENTO – DESPESAS CONDOMINIAIS -
COBRANÇA - BENEFÍCIOS DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
GRATUITA - CONDOMÍNIO CONSTITUÍDO POR UNIDADES

78.2014.8.26.0161 e
do original assinado
PERTENCENTES A PESSOAS DE BAIXA RENDA (C.D.H.U.) E
COM ALTA TAXA DE INADIMPLÊNCIA - CONCESSÃO DA
JUSTIÇA GRATUITA - ADMISSIBILIDADE. Agravo de
Instrumento provido.

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3.8) A dispensa do recolhimento das custas processuais trouxe ao
agravante esperanças de pôr ordem em suas finanças, porque as ações
judiciais se constituem no único meio eficaz de fazer com que as
prestações sejam tratadas pelos condôminos com a importância que
merecem, forçando os inadimplentes a regularizarem a sua situação, ao
mesmo tempo em que incentiva os bons pagadores a manter a
pontualidade, sob pena de o agravante não ter como sobreviver.

3.9) É com base nas razões ora expostas, corroboradas pelas


jurisprudências aqui colacionadas, que o agravante não se conformou
com o r. despacho monocrático que lhe negou a justiça gratuita.
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3.10) Ao contrário do entendimento contido no r. despacho transcrito, urge


esclarecer:

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3.10.1) Apesar de não ser pessoa física, o agravante, por suas
características próprias relacionadas à CDHU, pode ser enquadrado no rol
das pessoas passíveis da concessão do benefício previsto na Lei
1060/50;

3.10.2) A inadimplência é enorme, conforme se verifica no número das


ações em andamento na Comarca de Diadema, conforme faz prova o
levantamento realizado no site deste Tribunal, em anexo.

3.11) Por todo o exposto, a melhor solução, no humilde entendimento do


agravante, seria a concessão dos benefícios da justiça gratuita.

Pelo exposto, o agravante requer à C. Câmara:

78.2014.8.26.0161 e
do original assinado
a) O recebimento deste recurso, fazendo-o no efeito suspensivo;

b) O processamento e, ao final, seja a este agravo de instrumento dado


provimento, com a conseqüente reforma do r. despacho de fls., para o fim
de conceder os benefícios da justiça gratuita, por reiterar o agravante,
desde já, a declaração de ser pobre na acepção jurídica do termo.

Parao original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/esaj, informe o processo 1012469-


Este foi protocolado em 24/11/2014 às 14:22, por Jose Agostinho Mendes, é cópia
Tudo como exteriorização da costumeira JUSTIÇA.

O patrono que esta peça subscreve assegura a


autenticidade das peças que a compõem.

Nestes Termos,
P. Deferimento.
Diadema, 24 de novembro de 2014

Amarildo Barelli
OAB 89.126

Escritório: Av. Fagundes de Oliveira 2011, Vila São José, Diadema,


SP, CEP 09950-300, tel. 4075-2400. amarildo@shangrilar.com.br
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