Sumário
Majestade e sofrimento
Edição Nº 204 - 12/2018
Matérias desta Edição:
• Crescer na confiança
• Escrevem os leitores
• Natal, garantia de luz em meio às sombras
• O mais eficaz meio de trabalhar pela paz
• A verdadeira procura da felicidade
• Dureza de coração ante o Messias esperado
• Memórias de uma carmelita em tempos de guerra
• Majestade e sofrimento
• Os homens procuram a paz e não a encontram
• Alma contemplativa e séria, encanto do Deus Altíss
• Ser escravo: um privilégio!
• Portugal: Arcebispo Primaz preside cerimônia no Sa
• Novo Oratório, nova vitória de Maria!
• Aconteceu na igreja e no Mundo
• O órfãozinho e a marquesinha
• Os santos de cada dia
• Saltitantes como cervos
• Vitoriosa sobre os demônios
Crescer na confiança
Eis uma linda cena da vida de São Francisco Xavier:
Era noite. Dentro de um barquinho em mar revolto, todos estavam aflitos e São
Francisco rezando. Enquanto a nau era sacudida de todos os lados, o Santo ia
percorrendo em espírito os nove coros de Anjos, reverenciando os Patriarcas,
recomendando-se aos Profetas, numa visita serena, calma, pedindo ajuda a
cada um. As pessoas atônitas, olhando para aquela tranquilidade, encontravam
nela os meios de resistência.
É a atitude de um grande Santo que, por ter em abundância o espírito da Igreja,
enfrenta os perigos da existência como um cavaleiro medieval enfrentava os
riscos da guerra. O cavaleiro era ávido de perigos e de aventuras, porque sabia
defender assim a causa para a qual fora suscitado.
Esta é a posição do varão católico quando se encontra em perigo: não é
apavorar-se, mas crescer na confiança.
Plinio Corrêa de Oliveira
ESCREVEM OS LEITORES
Juntos formamos a Igreja de Cristo
No artigo publicado na edição de agosto passado, Anúncio da realidade futura,
escrito por Mons. João, fiquei admirada quando ele disse que Deus não olha
tanto nossos defeitos, mas sim o ponto final para o qual nos criou.
Assim como na Transfiguração Jesus escolheu somente três de seus discípulos
para revelar-lhes o que aconteceria, da mesma forma Deus chama a muitos,
porém escolhe apenas alguns, para que estes passem e transfiram o amor de
Deus aos outros.
Como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, cada flor tem sua beleza própria e
nenhuma ofusca o brilho da outra, senão que, juntas, formam um lindo jardim.
Assim também somos nós, cada um tem seu dom e juntos formamos a Igreja de
Cristo, ajudando uns aos outros com um único propósito: sermos verdadeiros
Santos, na instauração do Reino de Maria.
Joice Priscila de Araújo
Osasco – SP
“Luzes da intercessão de Dona Lucilia”
Acabo de receber o exemplar da revista Arautos do Evangelho de outubro deste
ano, que muito agradeço.
Francamente, gostei de todo o seu conteúdo, mas muito especialmente o que se
refere às Luzes da intercessão de Dona Lucilia. É maravilhoso! Em tudo! Que
pessoa tão especial ela deve ser para Deus! Louvado seja o nosso Deus, que
faz pessoas tão perfeitas interiormente! Nem tenho palavras… Tal senhora só
podia gerar um filho como o seu filho, o nosso querido Dr. Plinio Corrêa de
Oliveira.
Cesaltina da Silva Nogueira Santos
Queluz – Portugal
Pessoas de todas as partes congregadas para o mesmo fim
O que mais me encanta na revista Arautos do Evangelho é a clareza e pureza
de doutrina com que os assuntos, de modo geral, são abordados; assuntos
sérios e atuais.
A atuação e crescimento dos Arautos no mundo inteiro é um espetáculo! Onde
mais se encontra no mundo em que vivemos uma atuação como esta?
É impressionante como Mons. João, o fundador, consegue congregar pessoas
de todas as partes do orbe para o mesmo fim!
Maria de Fátima de Mattos Lopes
Natividade – RJ
Forma delicada e pedagógica de explicar o Evangelho
Em minha opinião, todas as seções da revista Arautos do Evangelho são muito
boas, pois cada uma delas nos proporciona inúmeros ensinamentos.
A seção que mais gosto de ler é o Comentário ao Evangelho, de Mons. João
Scognamiglio Clá Dias. Com sua forma tão delicada e pedagógica de se exprimir,
ele nos ilustra e nos ensina cada detalhe do Evangelho, e nos dá a oportunidade
de que, também nós, expliquemos aos nossos esta Palavra que é vida.
É muito bonita também a seção na qual se plasmam experiências de muitas
pessoas ao redor do mundo, acerca do Oratório ou da congregação da família
de almas dos Arautos do Evangelho.
Gladys Beatriz Araujo Astudillo
Cuenca – Equador
É na serenidade que se adquire a força
A leitura da revista Arautos do Evangelho é sempre proveitosa em vários
aspectos, seja cultural, artístico e, principalmente, espiritual.
cuja força pode chegar a ser imensa. embora somente consiga agir sobre os metais… . com a Igreja e na Igreja Os Arautos “escolheram a melhor parte”. Ricardo Borges Rio de Janeiro – RJ Pela Igreja. mostra que é na serenidade que se adquire a força para enfrentar as situações difíceis. Pela Igreja. empresas e instituições públicas. do qual Ele mesmo é Cabeça. orfanatos. publicado na edição de agosto último. como membros vivos desta sagrada instituição. de sua Revista e meios de comunicação diversos em redes sociais e internet. pelas mãos de Nossa Senhora. se exerce de formas tão variadas quanto são diversos os objetos aos quais Ele atrai. regendo as marés em longos ciclos. garantia de luz em meio às sombras Deus atrai constantemente para Si tudo o que criou. objetos de oração. por meio de doações. Mãe da Igreja. a todos os âmbitos nas dioceses onde atuam. presídios. Levam-na aos lares. asilos. com a Igreja e na Igreja. pela divina graça. enfim. Esta atração. Convencidos de que a solução para o mal está na Igreja Católica. que se esgueiram à busca da luz da qual lhes vem a vida. Corpo de Cristo. entretanto. levam a doutrina da Fé acompanhada das devidas obras de caridade. Disto encontramos reflexos na própria natureza: uma é a atração exercida pelo Sol sobre todos os vegetais. Davi Barbosa Lima Fortaleza – Ceará Natal. outra. outra a exercida pela lua sobre as águas. promovem o caminho da catolicidade e da nova evangelização: a devoção à Santíssima Virgem Maria. missões marianas.O artigo Serenidade e combatividade. hospitais. Levam assim esperança. piedade e redenção às almas. a do ímã.
Ele nunca está distante. Ao longo de nossa vida. se esconde na casa. o Natal nos lembra que Deus nunca abandona seu povo. Portanto. Deus passa a agir de modo diferente: Ele Se esconde. Chegou a hora de a criatura demonstrar com um amor desinteressado a sua gratidão por tantos benefícios recebidos. para provar o filho.Ora. e de realizar por Ele qualquer sacrifício. se admira por ver o Criador descer de sua grande glória para tratá-lo como filho. Para Deus. dá-se também com os povos e com o conjunto da humanidade. de modo mais intenso e de maneiras diversas. e brota dali uma confiança de fundo de alma que o torna capaz de praticar qualquer virtude. Nesses momentos. Assim. a prova do abandono nos purifica e robustece. veremos que Ele assim age mediante duas formas principais. individualmente. Neste mundo. as duas atitudes de Deus se sucedem muitas vezes: enquanto a experiência de seu amor nos estimula e transforma. nada é impossível. aparentemente contraditórias. vinha redimir os homens e estabelecer com eles um convívio destinado a durar até o fim do mundo. ambas – cada uma a seu modo – são igualmente indispensáveis para o verdadeiro progresso espiritual. Uma vez conquistada esta etapa. na aparência abandonada por Deus. senão esquecer-Se daqueles a quem resgatou ao preço de seu Unigênito. os Anjos anunciaram aos pastores o nascimento d’Aquele que. Em certas ocasiões. com razão. Contudo. onde cada vez há menos lugar para a esperança. se analisarmos o proceder de Deus. O homem. manifestando toda a sua generosidade. Matéria Anterior Próxima Matéria . sua compaixão e sua ternura. pois as almas apresentam uma variedade muito maior que os demais habitantes da terra. e como filho muito amado. dividindo a História ao meio. deixando-o procurá-la. quando as trevas pareciam dominar para sempre a terra. aos quais ama incomparavelmente mais que aos seres materiais. um pouco como a mãe que. apenas nos retira a confortadora sensibilidade de sua presença. então. Deus sobretudo atrai a Si os homens. seu perdão e sua paternalidade. mas na realidade complementares. Se faz de ausente e de surdo. mas escolhe a hora de maior provação para suas intervenções mais fulgurantes. Faze-o. Isto que verificamos na vida de cada homem. Ele nos faz sentir a efusividade de seu amor.
após a catástrofe da guerra. 28). queira aplicar o remédio apropriado. como nós. É por . por culpa dos indivíduos e das nações. tanto na vida pública. causa que o próprio horror da guerra não poderia deixar de afastar e suprimir. Quem ignora esta previsão das Escrituras? Não menos conhecida é a tão grave advertência de Jesus. nem os povos encontraram ainda a verdadeira paz. nem a sociedade. nosso Redentor e Mestre: “Sem Mim.1 nem os homens. É isso o que. nunca como em nossos dias a verdade brilhou com tal evidência aos olhos de todos. porém. em virtude do nosso encargo apostólico. e esta outra: “Quem não recolhe comigo. […] “Aqueles que abandonam o Senhor perecerão” Bem antes de a guerra ter incendiado a Europa. 23). os preceitos e os exemplos de Cristo. “Aqueles que abandonam o Senhor perecerão” (Is 1. nada podeis fazer” (Jo 15. se todos tivessem compreendido o alcance desses formidáveis acontecimentos. quanto na privada. Analisar cuidadosamente a extensão e gravidade de tal crise e investigar suas causas e origem é a primeira coisa que deve fazer quem. 5). e também não se restabeleceu até agora a tranquilidade operosa e fecunda que o mundo almeja. e dar continuidade ao longo do nosso pontificado. pretendemos realizar nesta carta encíclica. É fato evidente para todos que. espalha” (Lc 11. O mais eficaz meio de trabalhar pela paz Não haverá verdadeira paz – a tão almejada paz de Cristo – enquanto os homens não seguirem fielmente os ensinamentos. Em todos os tempos esses divinos oráculos se confirmaram. a principal causa de tão grandes males já atuava com crescente força.
ou pelo menos tinham muito pouco. as próprias bases da autoridade foram subvertidas. Por fim. mesmo aos olhos de filósofos pagãos como Cícero. incontestavelmente. Até as próprias bases da autoridade foram subvertidas Como Deus e Jesus Cristo foram excluídos da legislação e dos assuntos públicos. que chegam a infectar as fontes da vida das famílias e dos povos. eles nada tinham. Daí os alunos concluíram que. uma vez que se suprimiu a razão fundamental do direito de comandar. desaparecem a hierarquia e a paz do lar. doravante privada de sólidos sustentáculos. as leis perderam a garantia de sanções reais e eficazes. se Deus e sua Lei são proscritos do ensino. os quais. pela mesma razão. padecem de uma esterilidade quase completa todos os programas que eles acalentam com vistas a reparar os danos e a salvar o que resta de tantas ruínas. a esperar dessa ordem de coisas que era absolutamente silenciada ou da qual não se falava senão em termos de desprezo. mas a atacá-la velada ou mesmo abertamente. e não os da pátria.terem se separado miseravelmente de Deus e de Jesus Cristo que os homens caíram de sua felicidade de outrora nesse abismo de males. um abalo da sociedade inteira. mas dos homens. De fato. parece que Deus e Cristo foram excluídos da educação da juventude. . chegou-se. Daí decorreu. à mercê das facções que disputavam o poder para garantir seus interesses pessoais. as baixas paixões e o mortal apego a interesses mesquinhos violam tão frequentemente a santidade do casamento. não tanto a suprimir a Religião nas escolas. para uns. 32) para ser o símbolo santo e santificador do vínculo indissolúvel pelo qual Ele próprio Se une à sua Igreja. e a autoridade passou a provir não mais de Deus. Assim se obscurecem nas massas populares as ideias e os sentimentos religiosos que a Igreja havia infundido na célula mater da sociedade. Decidiu-se inclusive que nem Deus nem o Senhor Jesus presidiriam mais à fundação da família. e do dever de obedecer. do qual Cristo havia feito um grande Sacramento (cf. Ef 5. bem como os princípios soberanos do direito. Mais ainda. reduzindo à categoria de mero contrato civil o matrimônio. a família. para bem conduzir sua vida. para outros. não se vê mais como se pode solicitar aos jovens que fujam do mal e levem uma vida honesta e santa. só podem derivar da eterna Lei divina. a união e a estabilidade da família ficam cada vez mais comprometidas. e isto era inevitável.
como faz a graça com a natureza. Ef 3. Jesus Cristo reina na sociedade quando esta. 15). . manter face aos indivíduos e à sociedade todos e cada um dos direitos de Deus. os preceitos e os exemplos de Cristo. Com efeito. firmada no Sacramento do Matrimônio cristão. que é a felicidade eterna. Portanto. A Igreja não diminui a autoridade dessas sociedades. então – só então – eles desfrutarão de profícua paz no interior. na qual a autoridade paternal reflete a paternalidade divina. na qual os filhos imitam a obediência de Jesus adolescente e toda a vida respira a santidade da família de Nazaré. ela as completa muito acertadamente. em toda a vida. Jesus Cristo reina também na família quando esta. de sociedade perfeita. reina nas mentes por seus ensinamentos. pelos ensinamentos e preceitos de Jesus Cristo. manterão relações de mútua confiança e resolverão de modo pacífico os conflitos que possam surgir. capazes de contribuir para a prosperidade pública. defensores da ordem e da paz. É este o sentido de nossa breve fórmula: o Reino de Cristo. mestra e guia das demais sociedades. Ele reina antes de tudo sobre todos os homens individualmente considerados. tanto na vida pública quanto na privada. […] Cristo reina nos homens. por fim. legítimas cada uma na própria esfera. tanto interna quanto externa. é necessário que. prestando suprema homenagem a Deus. no cumprimento de sua divina missão. o concurso da Igreja possibilita a essas sociedades oferecer aos homens uma possante ajuda para atingir seu fim último. e as coloca em melhores condições de assegurar até mesmo a felicidade temporal de seus membros.nem como formar para a família e a sociedade homens de bons costumes. não haverá verdadeira paz – a tão almejada paz de Cristo – enquanto os homens não seguirem fielmente os ensinamentos. nas famílias e na sociedade Quando os estados e os governos tomarem como um dever sagrado regular sua vida política. à obediência seu caráter imperativo e sua grandeza. conserva inviolavelmente seu caráter de instituição sagrada. quando reconhece o privilégio da Igreja. quando cada qual se conforma à sua Lei e imita seus exemplos. Ademais. nos corações pela caridade. o que dá ao poder suas regras. reconhece que d’Ele derivam a autoridade e seus direitos. a Igreja possa enfim. regularmente organizada a família humana. que é a sua fonte e lhe dá o seu nome (cf. recebido de seu Fundador.
e Lisânias a Abilene. João Scognamiglio Clá Dias. 3E ele percorreu toda a região do Jordão. 2quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. seu irmão Filipe. pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia. o filho de Zacarias. A mensagem de São João Batista surge na História como um farol seguro a iluminar o caminho para encontrá-la. foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João. 4como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor. 23/12/1922 Comentário ao Evangelho – II Domingo do Advento A verdadeira procura da felicidade Em busca da felicidade. as regiões da Itureia e Traconítide. Herodes administrava a Galileia. 1-6). Mons.É. EP Evangelho 1No décimo quinto ano do império de Tibério César. evidente que não pode haver paz de Cristo a não ser pelo Reino de Cristo. no deserto. toda montanha e colina serão rebaixadas. . 6E todas as pessoas verão a salvação de Deus’” (Lc 3. 5Todo vale será aterrado. Excertos da Encíclica Ubi arcano Dei consilio. e que o mais eficiente meio de trabalhar pelo restabelecimento da paz é restaurar o Reino de Cristo. endireitai suas veredas. pois. muitos se arriscam por vias equivocadas que terminam na frustração. as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. Pio XI.
porém. Vivem na insaciável ambição de acumular cada vez mais – pois quem “ama a riqueza nunca se fartará” (Ecl 5. É o que se verifica em nossos dias. norteador de seus atos: o desejo de ser feliz. Fazem do saber a finalidade última da existência. Bem supremo e fim último do homem. Aspirando a dominar assuntos de difícil compreensão para o geral das pessoas e obstinados pela ideia de serem laureados pela erudição. com pessoas que se submetem a dietas rigorosas para se adequarem aos padrões de beleza física impostos pela moda. Nunca serão felizes.I – A procura da felicidade Quem se detivesse a fazer uma breve análise das pessoas do próprio meio ou até de outras menos próximas – incluindo antepassados. aptidões ou estilo de vida. o conhecimento humano jamais satisfará a sede de felicidade da alma. perceberia que. pelo simples fato de seguirem um itinerário que não conduz a Deus. às vezes. tanto maiores serão suas aflições para administrá-la e conservá- la. sobretudo quando entesouram para si mesmos e não são ricos para Deus (cf. consomem o tempo em estudos. bem como garantia de um futuro despreocupado. pesquisas e escritos. figuras destacadas no contexto mundial hodierno ou de outrora –. Veem o equilíbrio financeiro como sinônimo de prestígio. Julgando que se sentirão plenamente satisfeitas com os elogios e a admiração provocada por uma exagerada magreza. enredam-se nas ilusões do dinheiro. Por isso. apesar de todos. 9) – e. por exemplo. mesmo sendo aplaudidos pelo mundo. como também ao absurdo. esquecendo-se de que ele é apenas um meio dado por Deus ao homem para conhecê-Lo melhor e remontar a considerações mais elevadas. que anseia pelo Infinito. Não é raro. 21). muitos são ludibriados pelo mundo e acabam trilhando vias paralelas ao verdadeiro caminho. esses falsos caminhos levam não só à frustração. lguns. Entretanto. personagens históricos. que a existência de quem muito possui tenha características bem diversas de uma estável tranquilidade. muitos intelectuais. poder e influência na sociedade. Já para outros. E. procurarem a felicidade com infatigável ardor. terminam seus dias na amargura. sem exceção. a ilusão será a ciência. Lc 12. Ao invés de orientar sua existência para Deus. prescindem não só do nobre prazer do paladar temperante. por exemplo. mas . Por ser limitado. quanto maior for a opulência. único Ser que sacia por completo esta aspiração. muitos chegam ao fim de seus dias sem a terem encontrado… Qual será a causa desses esforços frustrados? O problema é que “todos querem ser felizes e nem todos desejam viver do único modo como se pode ser feliz”. é possível nelas distinguir um traço comum. apesar da diferença de mentalidade.1 observa Santo Agostinho.
portanto. capaz de derramar sangue inocente para salvaguardar os próprios interesses. O poder supremo do Império Romano era então exercido por Tibério. as regiões da Itureia e Traconítide. São Lucas abre seu terceiro capítulo nomeando as autoridades políticas da Palestina. Em casos extremos. Herodes administrava a Galileia. e Lisânias a Abilene… Para situar cronologicamente o início da missão do Precursor e delinear a conjuntura histórica em que se encontrava o povo judeu naquela época. contemplada neste 2º Domingo do Advento: o Precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo. eram filhos de Herodes. sob todos os aspectos. essa enganosa via da felicidade torna- se um atalho para abreviar a própria vida… Nessa perspectiva. não obstante estivesse reconhecida pelos romanos. vício caracterizado por “uma hábil sagacidade em encontrar os meios mais oportunos para entregar-se a toda . A respeito de Antipas. 32) para se ter uma acertada noção de sua personalidade. significava para os judeus a humilhante condição de dupla sujeição aos gentios: os romanos e os idumeus. mencionados logo em seguida. e seus contemporâneos Fílon e Flávio Josefo são ainda mais categóricos ao descrever sua má índole. seu irmão Filipe. mostrou-se um autêntico representante do arbitrário césar. Seu governo. “um dos mais mal-afamados tiranos da História Universal”2 devido à duplicidade de caráter e irrefreável espírito vingativo que marcou sua conduta no governo. e por sua pérfida crueldade”. pois “não somente odiava seus súditos. Lc 13.inclusive da saúde.4 Aproveitava ele qualquer pretexto para infringir os preceitos mosaicos e assim ferir a religiosidade e o nacionalismo israelita. Os relatos evangélicos da condenação de Jesus retratam o procurador como homem covarde e egoísta. dizendo ter-se destacado “por seu desdém à Lei judaica. À maneira desse astuto animal. basta lembrar a alcunha de raposa que lhe foi dada pelo Divino Mestre (cf. quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia. Que relação podemos encontrar entre sua mensagem e a busca da felicidade? II – A pregação de João Batista 1No décimo quinto ano do império de Tibério César. Pôncio Pilatos foi por ele constituído procurador da Judeia3 e. o Grande. como também tinha uma prepotente necessidade de mostrar-lhes seu ódio”. o comportamento do tetrarca era regido conforme a prudência carnal.5 Os tetrarcas Herodes Antipas e Filipe. nossa consideração recai sobre uma figura ímpar na História.
os israelitas perderam as esperanças a respeito do Messias prometido por Deus aos patriarcas e anunciado pelos profetas. genro de Anás. Em nenhum momento.7 Quanto à Abilene. deposto havia anos. a realização da promessa messiânica parecia mais iminente.10 Essa deplorável situação religiosa somada à opressão política refletia-se no povo e resultava num estado geral de depauperamento. Ele viria “para curar os corações doloridos. . bem como a supremacia em relação a todos os outros povos da terra.9 comenta Maldonado. No entanto. que era individual. o Grande. contudo. 1). Tal decadência moral do judaísmo se agravou com Anás. e apareceria num período de extrema desolação para a nação judaica. Por isso. a errônea interpretação das profecias levava os judeus a imaginar o Salvador como um herói nacional que os libertaria do jugo romano – considerado o grande mal do qual decorriam todos os outros infortúnios de Israel – e dar-lhes- ia uma insuperável projeção política. estava ocupado por Caifás.8 tetrarca de origem grega. No momento histórico descrito pelo Evangelista. à custa de subornos. o qual constituiu uma organização familiar cúmplice do poder romano e herodiano. negociações corruptas por detrás de cada nomeação. e aos prisioneiros a liberdade” (Is 61. à medida que a situação piorava.espécie de concupiscências desordenadas”. o cargo. anunciar aos cativos a redenção. a ponto de ser considerado uma exceção à regra dos herodianos. social e financeira. foi honrado em sua vida particular e exerceu de modo correto as funções administrativas. província limítrofe da Judeia governada por Lisânias. Reavivamento das expectativas messiânicas 2a …quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes… Desde a época de Herodes. existindo. ainda exercer tamanha influência que sua palavra era equivalente à voz do sumo sacerdote oficial. os pontífices eram instituídos e depostos conforme os interesses dos imperadores ou das autoridades políticas locais. passando a controlar todo o establishment israelita. São Lucas nomeia ambos pelo fato de Anás. Pesavam-lhe os impostos e os próprios costumes judaicos se dessoravam sob o influxo do paganismo romano. o Evangelista a inclui nesta relação porque tal território fazia parte dos “limites assinalados por Deus a Abraão […] e é provável que estivesse habitada em sua maior parte por judeus. com frequência. pelo contrário. embora sob o domínio de um estrangeiro”.6 Seu irmão Filipe.
A esse início cheio de celebridade. 6. Ali o menino cresceu e fortificou-se em espírito (cf. Mt 2. João “viveu no deserto até o dia em que se apresentou diante de Israel” (Lc 1. Um Precursor à altura? 2b …foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João. 80) pela prática de um rigoroso ascetismo. porém.Em meio a tão singular atmosfera. 4). 9) e aos Reis Magos pela estrela que os conduziu a Belém (cf. Bem diferente. 1-12). um novo profeta manifestou-se à nação eleita. Lc 2. na qual se confundiam o desalento e a expectativa. e que se estendia a partir da margem ocidental deste último até os limites das terras férteis da Judeia. 5-25. de quem João era Precursor.13 . Apartando-se do convívio social.57-66). as notícias a seu respeito se propagaram “por todas as montanhas da Judeia” (Lc 1. 65). entretanto. de uma grande delicadeza de alma e extrema modéstia. Esse estilo de vida permite-nos imaginá-lo como “um homem profundamente recolhido. despertando a admiração popular. é verdade. o filho de Zacarias… Devido aos diversos fatos extraordinários relacionados com o nascimento de São João Batista (cf. Tal deserto corresponde a uma região agreste. seria de se esperar que o começo de sua vida pública também fosse precedido por aparições semelhantes ou por extraordinários fenômenos da natureza. “Sua autoridade lhe vinha desta pureza mais que terrestre e da majestade da graça que o destacava aos olhos do povo como um homem superior ao resto da humanidade.11 quando começou a exercer seu ministério. quase toda desabitada. Lc 1.12 À primeira vista. Mc 1. tão misteriosa austeridade pode parecer o extremo oposto da glória infinita do Verbo Encarnado. Lc 1. foi o anúncio feito por João Batista. 80). até à idade de mais ou menos trinta anos. Mt 3. Da mesma forma como a entrada do Menino Deus no mundo havia sido anunciada aos pastores por um Anjo refulgente de luz (cf. vestindo-se de pele de camelo e alimentando- se de mel silvestre e gafanhotos (cf. sucederam-se anos de completo apagamento aos olhos do mundo. tão absorto em Deus que se tem a impressão de que só com esforço ele consegue sair de sua contemplação”. pois sua grandeza não era aparatosa. compreendida entre o Lago de Genesaré e o Mar Morto. encarregado de censurar e repreender. como também investido de uma missão de inefável misericórdia”.
Pela força da evidência. cujo amor a Deus e fervor de intenção fê-la dar “mais glória a Deus pela menor de suas ações – por exemplo. se as exterioridades do arauto de Cristo correspondessem às pompas do cerimonial prestado à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade pela corte celeste. Portanto. não surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior que João Batista” (Mt 11. sem qualquer prestígio social. Daí decorre também ser São João Batista um exemplo do quanto.14 ensina São Luís Grignion de Montfort. nesse sentido. dando pontos de agulha –. Não foi entre os líderes da política ou da religião em Israel. crendo na divindade de Jesus quando O vissem pessoalmente. quis a Providência nos ensinar que o verdadeiro valor do homem está em seu interior. conforme Jesus revelou: “Em verdade vos digo. cujos nomes abrem o Evangelho de hoje. O anunciador de Cristo possuía a mais nobre das qualificações: fora santificado ainda no ventre materno. que São Lourenço sobre a grelha. o deserto pode ser interpretado em sentido simbólico. por isso. sua excelência sobrenatural fê-lo ultrapassar em grandeza a todos os homens. 11). também neste caso a Providência escolheu o que havia de melhor. o aspecto esplendoroso de João Batista seria suficiente para concluir que o Mestre por ele anunciado era o próprio Deus. O eleito para esta missão de importância ímpar na História foi um homem sui generis para os costumes da época. também o Precursor estava livre de apegos materiais e pretensões . Não obstante. é Maria Santíssima. que Deus escolheu o seu Precursor. como é próprio à ação divina. Além de referir-se ao local onde São João viveu e recebeu a revelação. no seu cruel martírio. e o mesmo em relação às mais heroicas ações de todos os Santos”. Deus procedeu desta forma para não tirar aos judeus a possibilidade de adquirir o mérito da fé. Com efeito. do que pelo esforço empregado ao realizá-los. fiando na roca. Nossos atos exteriores nos obtêm mérito sobrenatural mais pela disposição interior que nos anima. 15). embora muitas vezes o mundo não o reconheça. tornando-se cheio do Espírito Santo e. Modelo supremo. era “grande diante do Senhor” (Lc 1. Por outro lado. para Deus. mais vale o homem pelo que é do que por aquilo que faz.A essência da verdadeira grandeza Entre outras razões. Simbolismo do deserto 2c …no deserto. ter-se-ia extinguido o estado de prova dos contemporâneos de Nosso Senhor em relação ao mistério da Encarnação. Assim como aquela região era desabitada.
ratificando de forma sensível o desejo de. O deserto é uma bela imagem da alma dignamente preparada para receber Jesus e participar do Reino de Deus: despojada das manias e dos caprichos egoístas. Se Aquele que deveria vir superava ainda mais o admirável e arrebatador Batista. certamente. Naquela região. começou ali mesmo a pregar àqueles que encontrava – bem poucos. João Batista não se dirigiu às cidades. Pregação de alto sentido simbólico 4 …como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor. haviam atravessado os séculos como sinal de . endireitai suas veredas’”. 16). e logo “saíam para ir ter com ele toda a Judeia. através da penitência. deserta de vaidades e ambições. Com vistas a esse grande acontecimento. a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias” (Lc 3. 5). contudo. Um batismo de penitência 3 E ele percorreu toda a região do Jordão. nem aos locais públicos onde era comum haver aglomerações. O impacto causado por sua pessoa e pelo vigor de sua mensagem teve rápida repercussão. fazia-se mister preparar-se para recebê-Lo. numerosos judeus receberam o “batismo de conversão”. purificar-se espiritualmente a fim de poder participar no iminente Reino de Deus. não conferia a graça à alma15 como o Batismo sacramental instituído depois por Cristo. pois era apenas um símbolo que consolidava a mudança de mentalidade à qual João conclamava. toda Jerusalém” (Mc 1. outrora solitária. Percorrendo as agrestes cercanias do Rio Jordão. Inclusive muitos carregavam em seu interior uma dúvida cheia de esperança: não seria João o próprio Messias? Por isso. ora discernindo os pensamentos dos corações. Este. mas eis que vem outro mais poderoso do que eu. tornou-se intensa a circulação de judeus que procuravam encontrar no profeta o despontar da ansiada regeneração moral e religiosa de Israel. ora respondendo a perguntas explícitas. o Precursor entremeava as exortações à penitência com afirmações que dirimiam os equívocos a respeito de sua pessoa: “Eu vos batizo na água. Essas palavras de Isaías.mundanas. pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados… De modo diferente dos antigos profetas. afastada do materialismo reinante no mundo. vazio de si mesmo. que prenunciaram o fim do exílio do povo judeu na Babilônia e o retorno à Palestina.
8). Toda a sua pregação tem alto sentido simbólico e deve ser interpretada pelo prisma sobrenatural. sem. o dinamismo do mal termina sufocando uma frágil adesão à virtude e cai-se por inteiro na via do pecado. buscando a inteira coerência entre nossa conduta e a Fé.consolo e perdão. A segunda vinda. nas mais diversas circunstâncias da vida. sendo necessário estarmos sempre prontos para recebê-Lo. abstraindo da febricitação do mundo. Esta advertência é um apelo para eliminar os desvios que se estabelecem na alma quando se quer conjugar a adoração a Deus com o egoísmo. Eliminar a mediocridade e o orgulho 5a “Todo vale será aterrado. ele exorta a endireitar as veredas do caminho pelo qual o Senhor passará em breve. das quais a primeira corresponde à sua vida mortal e a última ao Juízo após o fim do mundo. todavia. penetrando a fundo nas consciências e movendo-as à conversão. examinar nossa consciência a fim de verificar se não estamos. determo-nos um pouco em nossa caminhada espiritual e. no Advento. Jesus nos chama a cada momento. Importante é lembrarmo-nos de que a pregação de João Batista não foi dirigida somente aos que tiveram a ventura de viver no tempo de Jesus. Não se trata. quando Ele vier em Corpo glorioso. também nós devemos produzir “frutos de verdadeira penitência” (Mt 3. Conforme ensina São Bernardo. construindo trajetos sinuosos em nossa vida. de promover uma obra de retificação das estradas palestinas.16 a vinda de Nosso Senhor ao mundo pode ser dividida em três etapas. por sua vez. Nos lábios do Precursor. todavia. Oportuno é. quando Ele vem a cada um de nós. evidentemente. a mesma mensagem revestiu-se de caráter penitencial. é cotidiana. Cedo ou tarde. Façamos então o firme propósito de endireitá-los. Quem não se empenha em combater os defeitos pessoais nem em progredir na perfeição acaba entrando pelas tortuosas sendas dos vícios à margem do bem. querer abandoná-lo por inteiro. em algum ponto. Em primeiro lugar. o que se cifra no perfeito cumprimento dos Mandamentos da Lei de Deus. toda montanha e colina serão rebaixadas…” . Como outrora aqueles judeus que acorriam às margens do Jordão. colocando em prática as admoestações do Precursor. pela sua graça.
Por exemplo. que foge ao se deparar com o aguilhão da consciência que o importuna. Como comenta São Cirilo. meios eficazes para essa reforma interior. As passagens tortuosas são uma imagem adequada desses desonestos subterfúgios do pecador. É interessante aqui observarmos um pormenor do texto evangélico. menosprezando a eternidade. pois encobrem a inconsistência do erro com a aparência sólida da verdade. Conferindo a graça à alma. As racionalizações. Só com tais evasivas o homem consegue permanecer nos acidentados caminhos do pecado. não havendo montes nem vales que fossem obstáculo para quem quisesse caminhar”. passagens tortuosas da consciência 5b “…as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados”. “quando Deus feito Homem destruiu o pecado em sua carne. Formam-se na alma. no desejo de chamar a atenção alheia sobre as qualidades pessoais. as montanhas e colinas serão rebaixadas. Para eliminar . muitas vezes o homem dá as costas a esse plano superior e concentra toda a atenção nas coisas concretas. como no anterior. o qual se manifesta das mais diversas maneiras.Chamado a viver em função de sua dignidade de filho de Deus e a ter os olhos sempre postos nos elevados panoramas da Fé. São as elevações do amor-próprio desregrado. advertindo-o a respeito do mal que pretende fazer ou repreendendo-o pelas faltas já praticadas. preocupando-se excessivamente com os bens materiais e com banalidades próprias à existência terrena. os falsos raciocínios elaborados pelo homem para justificar suas próprias faltas – são desvios muito sutis na vida espiritual. eles corrigem os desníveis que se interpõem no caminho da perfeição e dificultam o progresso espiritual. há também montanhas e colinas na vida espiritual. tudo foi aplainado e se tornou fácil o caminho. mesmo quando pequeno. é preciso nivelar essas proeminências do orgulho. As racionalizações – ou seja. os vales da ausência de Deus. A par disso. reais ou supostas. então. sempre consciente de que cada avanço. pois. Além de aterrar os vales da mediocridade materialista. mas faz uma afirmação: os vales serão aterrados. o Precursor não dá uma ordem. Com a vinda de Nosso Senhor ao mundo foram deixados à disposição da humanidade os Sacramentos. Tal mesquinhez leva-o a se esquecer da efemeridade desta vida e. se deve à graça obtida por Cristo e não a seu mero empenho. a viver como se o Criador não existisse.17 Resta ao homem unir a esse auxílio divino o próprio esforço. procurando sobressair em relação aos demais. neste versículo.
Fl 1. a qual faz a pessoa ver por inteiro sua própria fraqueza e maldade. Duquesne: “O Salvador. Porém. Conferida como uma semente. Cabe a nós nunca desanimar a meio caminho. mas sim que todos verão a salvação. tendo começado em nós essa boa obra. propõe a cada um de nós um desafio. pesam-nos as consequências do pecado original e de nossos pecados atuais. ressaltando aos olhos do homem o horror do pecado e a noção de que Deus conhece todas as coisas.essas ardilosas irregularidades do terreno é preciso a virtude da retidão. diante do qual se encontra todo cristão. voltando ao problema da felicidade. mais uma vez. não só para significar a universalidade da missão de Nosso Senhor. o fator decisivo é. Deus deve estar no centro da vida do homem 6 “E todas as pessoas verão a salvação de Deus”. “até alcançar em cada um de nós a plenitude que . a levará à perfeição. De um lado. pois o objetivo de cada um de seus ensinamentos se reduz a um só: fazer o homem viver em função de Deus e não de si mesmo. podemos ver a conversão pregada pelo Precursor como um farol seguro a iluminar o percurso para lograr o êxito na busca desse tesouro desejado por todos nós.18 Finalmente. como comenta o Pe. Não conseguimos sequer fazer digna penitência por nossas faltas! É o desafio da santidade. entretanto. ao mostrar-nos a estreita relação entre a conversão e a felicidade. fazendo-a participar da vida divina. reconhecendo-se pecadora e necessitada do amparo sobrenatural para não soçobrar nas tentações. obter a salvação ou a perdição eterna. em vista disso. compreendemos a necessidade de pôr em prática as admoestações de São João Batista. ao qual nos referíamos no início. Tal obra se inicia com o Batismo. De outro. livres que são para aceitá-Lo ou rejeitá-Lo e. reformando-nos espiritualmente. Mas dia virá em que todos O verão como seu Juiz”. 6). veio para todos os homens e foi anunciado a todos os homens. nem todos. como também a atitude dos homens em relação a Ele. Estas palavras finais são muito exatas. III – Deus nos levará até o fim O Evangelho deste 2º Domingo do Advento. O reconheceram e O seguiram. conforme escreve São Paulo aos filipenses no trecho escolhido para a leitura deste domingo (cf. Daí a razão de São João não dizer que todos se salvarão. mas crer com fé robusta que Ele. e vemos quão incapazes somos de levar a cabo uma reforma interior sem a força da graça de Deus. a ação divina. quando Deus introduz na alma a graça. inclusive os mais íntimos pensamentos e as intenções do coração. enviado de Deus. deve ela se desenvolver durante toda a existência.
HOLZAMMER.. devido à falta de provas de sua historicidade. a Samaria e a Idumeia foram dadas a Arquelau. 1927.corresponda ao grau de nossa predestinação em Cristo”. Madrid: BAC.II. E assim se fez: a Judeia.712. certos de que Ela mesma Se encarregará de conduzir à plenitude este ousado empreendimento de nos fazer perfeitos assim como o Pai Celeste é perfeito (cf. HOLZAMMER. p. n. vales e demais sinuosidades colocadas pelo próprio homem no terreno de sua alma. 1935.4.421. cit. e as terras situadas ao norte da Transjordânia foram a parte de Filipe. p. Madrid: BAC. Juan Bautista.I. a confiança na onipotência divina são a contribuição que a Providência espera de nós nessa obra de perfeição. cujo Autor e Consumador é o próprio Deus. op. Historia de Israel. voltemos nosso olhar a Nossa Senhora. p. José. que impedem seu desenvolvimento… São os montes. 5 RICCIOTTI. cit. Como alento de nossa esperança. v. Ora. onde a graça deveria crescer. c. Buenos Aires: Excelsa. Julgava-se ter sido um equívoco do Evangelista a menção a Lisânias como contemporâneo de Tibério (14-37).76). o emprego de todos os meios a nosso alcance para eliminá-los e. p. Todos os dons por nós recebidos nos foram alcançados por sua mediação.. o Grande. RICCIOTTI.414.]. Plinio Corrêa de Oliveira. Arquelau foi deposto por César Augusto e seu território tornou-se subjugado ao governo da Síria.430. nota 1. Ignacio. OP. Acusado de tirania. Mt 5. Herodes. 7 Cf. pois o Rei Lisânias do qual se tinha notícia fora morto . O desejo de remover tais empecilhos. 6 ROYO MARÍN. 8 Este dado do Evangelho de São Lucas foi causa de inúmeras controvérsias durante longo período. que a cada instante intercede por nós junto a seu Divino Filho. op. entretanto. deixara consignado em testamento que após sua morte a Palestina fosse dividida entre seus três filhos. das grandes obras levadas a termo”. 2 WEISS. SCHUSTER. De Trinitate. t. 4 SCHUSTER. op. Antonio. v. Resta-nos. sobretudo. Ela é a Senhora das construções terminadas. p. p. “Ela não pode ser a Senhora das obras inacabadas.20 afirma com unção o Prof. 3 Segundo os historiadores. os imperadores nomeavam procuradores que se estabeleciam na Judeia e exerciam sua autoridade em toda a província (cf. abandonarmo-nos aos maternais cuidados de Maria Santíssima.. 1956. Historia Universal. p.d.III. v. cit. L. [s. p. Herodes Antipas recebeu a Galileia e a Pereia. Barcelona: La Educación. Auxílio dos Cristãos. Juan B. Teología Moral para seglares. 48).661.II.XIII. Historia Bíblica. A partir de então. 1 SANTO AGOSTINHO. portanto. 1996.19 Existem obstáculos. In: Obras.7.412-413. t. Barcelona: Litúrgica Española.132.V. RICCIOTTI.
En el Adviento del Señor. 17 SÃO CIRILO. porém. 1904.621-622. 20 CORRÊA DE OLIVEIRA. Comentarios a los cuatro Evangelios. p. Somos hijos de Dios. p.445.III. SCHUSTER. Paris: Victor Lecoffre. In Lucam. 18 DUQUESNE.38. FLÁVIO JOSEFO. v.antes da constituição do Império Romano. 16 Cf. apud SÃO TOMÁS DE AQUINO. Madrid: BAC. Suma Teológica. São Paulo. Paris: P.15. Madrid: BAC. Fecharemos nós os nossos corações? . SJ. op. p. Traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge. op. SÃO BERNARDO. Antonio. concluiu-se que São Lucas se refere a outro Lisânias.115. In: Œuvres Complètes. SJ. 9 MALDONADO. p. cit. Lethielleux. Paris: Du Seuil.91. 1890. Com base nestes registros. 14 jun.II. então transformado em tetrarquia. governante do antigo reino de Cálcide.442. Sermón V. v. 14 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. 1966.I. 11 Cf. p.177. 12 COLERIDGE. Madrid: BAC. c.132. HOLZAMMER.638. 15 Cf. 1954.4). Também em nossos dias a voz profética se faz ouvir chamando-nos à conversão. Antiguidades judaicas.XV. Eles. Jean Baptiste. III. porém. v. p.ed. MALDONADO.3-6. 13 Idem. Dureza de coração ante o Messias esperado Inúmeras profecias indicavam ao povo eleito que Jesus era o Salvador. c. La prédication de St. q. rejeitaram-No. L’Évangile médité. 1953. recebendo o nome de Abilene. OP. 10 Cf. Madrid: BAC. p. a. 19 ROYO MARÍN. Conferência. v.14- 15. Juan de. Plinio. vítima de uma instigação de Cleópatra junto a Antônio (cf. L. p.. Catena Aurea. n. 1951. p. diante da evidência trazida a lume quando escavações na região descobriram inscrições da época que coincidem com o Evangelho. p.I. SJ. As polêmicas cessaram.. Evangelios de San Marcos y San Lucas. Andrés. FERNÁNDEZ TRUYOLS. In: Obras Completas.222. SÃO TOMÁS DE AQUINO. cit. Henry James.3. 1995. Sermones de Tiempo. Vida de Nuestro Señor Jesucristo. 1977. 2.
eis com ele o preço de sua vitória” (Is 62. “Concluirei com eles uma aliança de paz. Gn 3. tornando-o depositário da aliança estabelecida com o gênero humano. Deus escolhe um povo como depositário da promessa Os primeiros episódios dessa preparação remontam aos primórdios da criação. 3). 26). A fim de congregar a humanidade decaída. Uma nova e eterna aliança estava por chegar. Gn 9. . homens e mulheres escolhidos para formá-lo na expectativa da vinda do Redentor: “Eis o que o Senhor proclama até os confins da terra: Dizei a Sião: eis. Deus renovou por meio de Noé sua aliança com todos os seres criados (cf. No meio desse povo surgiram os profetas. Mesmo tendo os homens novamente prevaricado. centro e pináculo da História. e procurassem orientar em função dele todos os aspectos de sua existência. 16). e considera como germe do anúncio messiânico. que a Igreja aplica à Virgem Maria e sua descendência. o mesmo livro sagrado descreve como. “Dias hão de vir – oráculo do Senhor – em que firmarei nova aliança com as casas de Israel e de Judá” (Jr 31. Ele não os abandonou nem revogou sua palavra. Da descendência do santo patriarca constituiu o seu povo.Giuliana D’Amaro Ao longo de séculos. Não muito depois. quando da queda de Adão e Eva com o pecado original. Era preciso que os homens compreendessem a importância desse acontecimento. 31). Deus preparou a humanidade das mais diversas formas para receber seu Filho Unigênito. Israel. Deus os incitava assim a confiar. que haveria de lhe trazer a salvação. após o dilúvio universal. 11). o Altíssimo elegeu Abraão para ser pai de uma multidão de nações: “Todas as famílias da terra serão benditas em ti” (Gn 12. um tratado eterno” (Ez 37. 15). aí vem teu Salvador. Já nos capítulos iniciais do Gênesis deparamo-nos com a célebre passagem do protoevangelho (cf. pois para eles era mister ter fé e esperar nas promessas feitas aos patriarcas. Sua vocação consistia em receber a Boa-nova e proclamá-la a todas as gentes.
Lc 1. e meu povo não tem entendimento” (1. 27) ou “raça de víboras” (Mt 23. Mt 1. e um rebento brotará de suas raízes. Se o Divino Mestre foi rejeitado pelos líderes religiosos da época e por boa parte de seu povo. E a tradição católica viu em outro oráculo de Isaías um prognóstico do rechaço dos habitantes de Belém a seu Senhor: “O boi conhece o seu possuidor. Local e circunstâncias do nascimento de Cristo A ascendência davídica de Jesus. Suas origens remontam aos tempos antigos. mas por maldade. não foi por desconhecimento. aos dias do longínquo passado” (5. para assim conhecer e amar mais o Menino cujo nascimento em breve celebraremos. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim” (Jo 5. é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. 14). 27). 39). existem cerca de 456 referências explícitas ao Messias no Antigo Testamento. que “a todos curava” (Mt 4. o estábulo do seu dono. Por terem se fechado a Maria e José as portas de . 1-14. os qualificasse de “sepulcros caiados” (Mt 23. nos Livros Históricos. 3). que Nosso Senhor Jesus Cristo tenha afirmado aos fariseus: “Vós perscrutais as Escrituras. profeta messiânico por excelência. Belém de Éfrata. Elas aparecem no Pentateuco. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor. 33). em lugares e circunstâncias muito diversas. e o asno. Espírito de prudência e de coragem. Não façamos como eles.1 Não é de se estranhar. 1). Espírito de sabedoria e de entendimento. tão claramente testemunhada pelos Evangelistas (cf. portanto. Daí se entende que o doce Jesus. Proféticos e também nos Sapienciais. mas Israel não conhece nada. e correspondem a anúncios feitos ao longo de onze séculos. Até o local em que haveria de nascer o Homem-Deus foi indicado com precisão por Miqueias: “Mas tu. predisse a miraculosa concepção do Salvador. Consideremos os mais significativos episódios do Antigo Testamento prenunciadores do advento do Salvador e das circunstâncias em que ele se daria. 1-2). Espírito de ciência e de temor do Senhor” (11. O mesmo Isaías. tão pequena entre os clãs de Judá. 24). pai do rei-profeta: “Um renovo sairá do tronco de Jessé.“As Escrituras dão testemunho de Mim” Segundo antigos escritos rabínicos. Filho de Maria Santíssima e do Espírito Santo: “O próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho. julgando encontrar nelas a vida eterna. e o chamará ‘Deus conosco’” (7. foi já anunciada por Isaías numa referência a Jessé.
esposa do patriarca Jacó sepultada próximo a Belém.todas as casas da cidade. o Messias veio para os seus. “podem dizer imediatamente onde nasce o Messias: em Belém! Mas não se sentem convidados a ir”. porque já não existem” (Jr 31. É Raquel que chora os filhos. representa a nação israelita. pelos dromedários de Madiã e de Efá. lamentos e amargos soluços. A tal ponto que. Por ocasião da chegada dos Magos a Jerusalém.4 Os Evangelhos nos mostram que também o povo estava muito familiarizado com as principais profecias a respeito do Salvador. seu ministério público e morte. virão todos de Sabá. 1). reputados como autoridades no conhecimento e interpretação das Escrituras. e os judeus. e estes não O quiseram reconhecer (cf.2 Há inúmeras outras profecias sobre o advento do Messias. Também a fuga para o Egito e permanência do Menino Jesus na terra dos faraós estão presentes nesses vaticínios: “Do Egito chamei meu filho” (Os 11. E ela se harmoniza com outra célebre profecia de Isaías: “Serás invadida por uma multidão de camelos. com a Revelação e todas as profecias. os príncipes dos sacerdotes e escribas. 15). Jesus nasceu numa gruta e foi deitado numa manjedoura (cf. não quiseram abrir a alma para o seu Rei. E nem mesmo a matança dos Santos Inocentes foi omitida: “Ouve-se em Ramá uma voz. e publicando os louvores do Senhor” (60. por sua vez. Em todas elas impressiona constatar a riqueza de detalhes e como cada um se cumpriu inteiramente na Pessoa de Nosso Senhor. trazendo ouro e incenso. Neste versículo Raquel. Muitos se recusavam a crer… Mas. o Messias”. Adoração dos Magos e fuga para o Egito No Livro do Salmos. 7). ó grande mistério! Esperado ao longo de milênios. quando surgiu a austera figura do Batista. 11). todos indagavam se João não era o Messias .3 Já nos albores da existência terrena do Redentor verificou-se um triste contraste: “Reis pagãos acreditaram na mensagem que lhes fora transmitida por Deus através de uma estrela. encontramos uma previsão sobre a adoração dos Reis Magos e suas oferendas ao Divino Infante: “Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes. Lc 2. recusando ser consolada. 6). 10). os reis da Arábia e de Sabá lhe oferecerão seus dons” (71. Jo 1.
Levantaram-se e lançaram-No fora da cidade. Quem comer deste pão viverá eternamente. social e financeira. Em outra ocasião. e comprovemos o que vai acontecer com ele. Como puderam rejeitar Aquele que tão claramente lhes fora predito? Visão errada a respeito do Messias A resposta nos é dada por Mons. de fato. Tal infidelidade causa espanto e confusão. fará mais milagres do que este faz?” (Jo 7. tal como foi descrito no Livro da Sabedoria: “Armemos ciladas ao justo. e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade. Quanto aos fariseus. Jesus revelou na sinagoga de Cafarnaum o Sacramento da Eucaristia. com mais razão. Se. o justo é ‘filho de Deus’. os nazarenos “encheram-se todos de cólera na sinagoga. 1). repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Após um primeiro movimento de admiração. 12. Resultado: grande parte de seus discípulos O abandonou e Ele já não podia permanecer na Judeia. Entretanto. se é verdade o que ele diz. pois. Lc 3. 31). a quem Jesus repreendia abertamente. E o Pão.5 . ao constatar os sinais realizados por Nosso Senhor perguntavam-se: “Quando vier o Cristo. muitos se recusavam a crer… “Armemos ciladas ao justo” Em Nazaré. depois de ter lido uma passagem do Livro do profeta Isaías que prevê a vinda e missão do Messias. João: “A errônea interpretação das profecias levava os judeus a imaginar o Salvador como um herói nacional que os libertaria do jugo romano – considerado o grande mal do qual decorriam todos os outros infortúnios de Israel – e dar-lhes-ia uma insuperável projeção política. 8-29). e queriam precipitá-lo dali abaixo” (Lc 4. desde o início maquinavam planos para livrarem-se d’Ele. o próprio Jesus anunciou a seus conterrâneos que naquele dia se cumpria o oráculo que acabavam de ouvir. prefigurado no maná que alimentara os judeus no deserto: “Eu Sou o Pão vivo que desceu do Céu. pois “os judeus procuravam tirar-Lhe a vida” (Jo 7. 15).(cf. porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir. que Eu hei de dar. bem como a supremacia em relação a todos os outros povos da terra”. 51). […] Vejamos. é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6.17-18). Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos” (2. E.
9). senão a cegueira para as realidades sobrenaturais? Por abraçarem uma visão materialista da vida e da própria salvação. e os que veem se tornem cegos” (Jo 9. aclamaram a Nosso Senhor Jesus Cristo por ocasião de sua entrada em Jerusalém. quando perguntado sobre o que pensava d’Aquele que o curara. Estes tentaram esquivar-se das indagações. E mais tarde São Paulo declararia que os habitantes de Jerusalém e seus chefes não reconheceram o Salvador e. cumpriram as profecias que se liam todos os sábados (cf. remetendo-as ao filho. havia respondido: “É um profeta” (Jo 9. 13). tais louvores mostraram-se vazios quando alguns dias depois foram substituídos pelo infame “Crucifica-O!” (Jo 19. 15). enquanto seu coração está longe de Mim’” (29. Cegueira espiritual e dureza de coração Muito elucidativa a esse respeito é a narração da cura do cego de nascença feita por São João em seu Evangelho. maravilhadas com suas palavras e com os inúmeros milagres que Ele realizava. abraçou a fé em Nosso Senhor e deu testemunho de sua divindade. Buscavam a cura de seus males e desejavam ouvi-Lo falar a respeito do Reino. também sobre isso escreveu Isaías: “O Senhor disse: ‘Esse povo vem a Mim apenas com palavras e Me honra só com os lábios. Entretanto. At 13. O ex-cego. 17). eram tidas pelo povo como uma referência ao Messias prometido. 39). Pouco depois. boa parte daqueles que O proclamavam como Messias partilhavam da visualização mundana acima descrita e começaram a sentir-se incomodados com as censuras e exigências morais que lhes fazia o Homem- Deus… “Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos Céus!” (Mt 21. pois “os judeus tinham ameaçado expulsar da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo” (Jo 9. Essas palavras. Negando-se a admitir que aquele homem houvesse sido miraculado. 27- 28). Que cegueira é esta. .No princípio da vida pública de Nosso Senhor. A propósito desse fato. Ora. 22). as multidões procuravam-No com avidez. afirmou Jesus: “Vim a este mundo para fazer uma discriminação: os que não veem vejam. aqueles homens tornaram-se incapazes de elevar os olhos para os horizontes da Fé e contemplar o Filho de Deus presente no meio deles. ao condená-Lo. os fariseus interrogaram seus pais a fim de verificar a autenticidade da cegueira. tiradas do Salmo 117. por sua vez. Todavia.
LABURU. EP.Certo é que Nosso Senhor concedia graças superabundantes a todos com os quais tratava. como atestam os autores sagrados. 10).144. Città del Vaticano-São Paulo: LEV. SJ. Ao povo eleito foram enviados os patriarcas e profetas para lhe indicar a verdade e preparar o advento do Redentor. em Fátima e tantos outros lugares… Se soubermos abrir os nossos corações a essa voz. In: O inédito sobre os Evangelhos. o deicídio. In: O inédito sobre os Evangelhos. com muitos se passou o que descreve o profeta: “Obceca o coração desse povo. A voz da Igreja e da Santíssima Virgem Corre-se o risco de julgar erroneamente que nada disso tem relação com o mundo atual. porém. 1 Cf. fecha-lhe os olhos. Lumen Sapientiæ. Também nos foi dada como Mãe a Santíssima Virgem. SJ. 2014.32. ALONSO. 4 CLÁ DIAS. E a recusa a tão grande dádiva culminou no maior crime da História. Jesus Cristo é Deus? São Paulo: Loyola. p. João Scognamiglio. A dureza de seus corações tornou-os cegos e surdos para Deus. A verdadeira procura da felicidade. Città del Vaticano-São Paulo: LEV. SJ. LEAL. p. João Scognamiglio. v. 2 Cf.42. SJ. EDERSHEIM. desprezado e odiado. p.III. Homilia na Santa Missa com os membros da Comissão Teológica Internacional. v. em Lourdes. não ouça com seus ouvidos. que tanto deseja derramar sobre nós seu amor infinito e dar-Se inteiramente a cada um de seus filhos e filhas. é rejeitado. 5 CLÁ DIAS. temos a graça de ouvir a voz da Santa Igreja. p. Severiano. ensurdece-lhe os ouvidos. que no último século fez insistentes e amorosos apelos à conversão na Rue du Bac. . A docilidade ao Espírito Santo ensinada por pagãos.I. v. Alfred.710. 1/12/2009. seremos capazes de contemplar as maravilhas reservadas por Deus aos seus eleitos. Madrid: BAC. que há dois mil anos fala à humanidade através de seus Santos e de varões providenciais. 2012. 1961. a humanidade fez-se insensível à voz do Senhor. Juan. p. José.V. Contudo. 3 BENTO XVI. La Sagrada Escritura. EP. Texto y comentario por los profesores de la Compañía de Jesús. The Life and Times of Jesus the Messiah. Quanto a nós.I. José Antonio de. 1966. Grand Rapids (MI): Eerdmans. em La Salette. A realidade. nos mostra o contrário: mais uma vez. Ele. não compreenda nada com seu espírito” (Is 6. Nuevo Testamento. Lumen Sapientiæ. v.29. a fim de O reconhecerem e seguirem. de modo que não veja nada com seus olhos. DEL PÁRAMO. 1953.
a confiança que tivemos até agora. sentia-se que algo estava por acontecer. a julgar pelo que nos deixava fazer. e tudo quanto narrarei a seguir foi por mim visto e vivido em primeira pessoa. animava-me a dar esse passo o quanto antes. não sei ao certo durante quanto tempo. Madre Dolores de Jesús. uma vez dentro do Carmelo. Éramos todas jovens. A seu lado vivíamos num ambiente completamente sobrenatural. Ouçamos o testemunho de uma delas. disse-me ela com enorme humildade: “Minha filha. Não duvidei e. pude apreciar sua grande fortaleza e o ânimo que transmitia à comunidade. Memórias de uma carmelita em tempos de guerra Ingressar no convento como noviça e levar vida comunitária durante a sangrenta Guerra Civil Espanhola: eis uma tarefa aparentemente impossível… Mas não para almas da têmpera de Santa Maravilhas de Jesus e de suas filhas espirituais. fundado por Madre Maravilhas de Jesus em 1924. e todo mundo julgava ser uma loucura fazer-me religiosa nessas circunstâncias. Fazíamos isso numa cela de onde se vê perfeitamente o monumento e o farol que o ilumina. Nossa madre. pois era melhor estar já consagrada ao Senhor quando se desencadeassem os acontecimentos. Mas nossa madre velava todas as noites. OCD Em 29 de maio de 1935 ingressei no Carmelo do Cerro de los Ángeles. Todas as noites eram escaladas duas monjas para velar o monumento do Sagrado Coração de Jesus. . ela própria devia fazer muitíssima. quaisquer que fossem.1 metade da noite cada uma. Noites de vigília junto ao Sagrado Coração O ambiente na Espanha era muito carregado. pois desde essa data até o dia da morte dela nunca nos separamos. não a perderemos”. Pouco depois de minha entrada. Exortava-nos continuamente à penitência e. porém.
levam-nos presas” Tinha ela a firme decisão de jamais abandonar por livre vontade o convento. declarando que não nos importavam os explosivos. Nossa madre sentou-se na tábua da frente. levam- nos presas”. Ele respondeu que sim. . por volta das dez horas da manhã. subiriam também nossos pobres hinos de amor. Ela começou a rezar o Te Deum e todas nós a acompanhamos. Não faltava nem uma freira Subimos depois num caminhão cujos “bancos” eram várias tábuas em cada qual cabiam duas pessoas. Nossa madre resistiu. Depois nos abençoou. junto ao motorista. Assim. Houve uma explosão de alegria: aproximava-se o martírio. fizemos em conjunto a profissão solene dos votos in articulo mortis. Como a situação se agravara muito numa das últimas noites que passamos no Carmelo do Cerro. Madre Maravilhas nos falou calorosamente. de pé. Ela começou a se preocupar pelo guarda de assalto que ia ao seu lado. apresentou-se um magote de guardas de assalto em dois ou três caminhões. portanto. Como ela era humana e. não para guardá-lo. Mas o Senhor dispôs de forma diferente. Depois de muita insistência. e assim. no dia 22 de julho. ao mesmo tempo. seguindo em duas filas. nossa madre nos mandou tomar uma xícara de chá de tília para estarmos “tranquilas” caso fosse necessário sair. Fomos para a capela. instando-nos a abandonar o convento. mas para fazer companhia ao Sagrado Coração de Jesus. eles confessaram seu verdadeiro objetivo: vinham com ordem do prefeito para levar- nos presas e. Com grande fortaleza e serenidade. que para isto a chamara ao seu lado com muita insistência. sobrenatural! “Irmãs. Nossa madre tocou o sino para reunir a comunidade e nos disse: “Irmãs. nossa madre se dirigiu ao chefe dos guardas e lhe pediu permissão para irmos nos despedir do monumento do Sagrado Coração de Jesus. junto com as blasfêmias da impiedade. onde nós. mas que nos apressássemos. as oito noviças. estimulando-nos e animando-nos ao martírio. devíamos sair logo. pois iam dinamitá-lo.Madre Maravilhas tinha obtido do Papa autorização para sairmos da clausura a fim de rodear e defender o monumento. caso os milicianos anticatólicos o atacassem. pois iríamos para os porões. Disse-lhe que deveria estar cansado e se afastou para ele poder sentar-se.
Nesse tempo de “calvário”. portanto. nossas famílias tinham vindo buscar- nos. ela observava com binóculos o monumento. O monumento é explodido com dinamite No convento das ursulinas. Madre Maravilhas organizou imediatamente a vida comunitária. Enquanto isso. e que estaríamos melhor em Madri. a temperatura era asfixiante. o qual disse a nossa madre que receava não poder nos defender. subíamos ao sótão para fazer companhia ao Senhor. ela soube suavizá-lo com suas virtudes e seu exemplo. Chegou em seguida o prefeito. Ali cantávamos. quando víamos que os milicianos se retiravam.No final da ladeira do Cerro. comungamos. Durante muitos dias. desejando que fôssemos desertando uma a uma. etc. Suas palavras tinham tal força que desarmaram o alcaide. tranquilas por esse dia. inventávamos ladainhas de desagravo. ao lugar de Getafe por nós escolhido. Estava-se em pleno verão. Os que iam conosco saltaram e reagiram porque. tinham proteção do governo de seu país. primeira sexta-feira do mês. maior que . descíamos para jantar. inclusive. rezávamos. mas nenhuma quis sair. A comunidade estava completa: vinte e uma monjas. Ao cair da tarde. Como sempre. às três horas da tarde. Via-se um grande rebuliço. dizia- nos ela: “Continua de pé. nossa madre respondia que continuavam todas ali. Em 7 de agosto. por serem francesas. nosso caminhão cruzou-se com outro caminhão de milicianos. por estar mais perto do monumento do Coração de Jesus. Cena idêntica se repetia todos os dias. e o Russo lhe perguntava constantemente se faltava alguma monja. Ela lhe respondeu que preferíamos ficar ali. não conseguiram tirar a imagem sagrada. depois de rezar Vésperas. mas sãs e salvas. Viam-se perfeitamente os intentos de destruí-lo com explosões de dinamite. nossas orações. eles tinham ordem de nos levar presas. queriam nos matar ali mesmo. não nos moveríamos enquanto não nos expulsassem. Animada. Estes. subimos ao sótão às três horas da tarde. ao ver que éramos monjas. irmãs!” Redobrávamos. cognominado o Russo. então. que. Com muita satisfação e fortaleza de ânimo. Passávamos quase todo o tempo com os braços em cruz. Nossa madre lhes havia dito para conduzir-nos ao convento das ursulinas que. Elas nos acolheram com imensa caridade. Todos os dias. conduzindo-nos mais para Deus. pelo visto.
Os milicianos trabalharam intensamente durante toda a tarde. Interditaram toda a rua. para não causar transtornos às ursulinas. Trajava um vestido negro com gola branca e ostentava seu grande crucifixo. Interrompemos o jantar e subimos. ela respondeu com impressionante serenidade: “Sim. Nossa madre deixou duas irmãs vigiando com os binóculos. porque não sabem o que fazem”. e ela repetia muitas vezes: “Perdoai-os. mas nós estávamos “explodindo” de tal modo que. ao descer. A madre se mantinha sereníssima. dez homens e duas mulheres. na Rua Gênova. Nossa madre abriu a porta aos milicianos.o habitual. de que acabara de cair a imagem do Coração de Jesus entre horríveis blasfêmias. filhas. ocuparam as duas escadas e nos esperavam na checa. e no qual ela mais demonstrou sua fortaleza e bondade. Nossa madre. vários carros e. Os milicianos haviam-lhe amarrado uma corda ao pescoço e a arrastaram com o guindaste. chefe de uma das checas2 mais famosas e temidas da cidade. disse-nos: “Partiremos amanhã mesmo para Madri”. nos sentamos na escada para desafogar nossa dor. Senhor. e eu sou a superiora”. somos nós. foi o interrogatório feito por Avelino Cabrejas. nos disse: “Vamos subir. embora não tenha visto. Ela subiu logo após a refeição e pôde ouvir as três detonações que derrubaram a imagem sagrada. Ela nos animava. e fazer-Lhe companhia neste momento”. para nos levarem presas. com dois caminhões. Tivemos de descer na hora do jantar. Como nada mais tínhamos a fazer ali. pois os homens ainda lá estavam. Ficamos meio mortas. Rezamos também por aqueles infelizes. Em 6 de setembro ele apareceu em nosso alojamento na Rua Cláudio Coelho. Na mira da pistola de um anarquista Um dos maiores perigos pelos quais tivemos de passar. . a do palácio do Duque de Tovar. pelo menos. Quando Cabrejas lhe perguntou pelas carmelitas do Cerro de los Ángeles. Permanecemos longo tempo no sótão. cada uma de nós fizesse para Ele um trono em seu coração. como haviam deposto de seu trono o Senhor. O calor era infernal. Nesse momento lhe transmitiram o aviso da telefonista de Getafe. muitos caminhões e até mesmo um guindaste. mas cheia de fortaleza. Disse-nos ela que. pois já escurecera. com a fisionomia alterada.
para que o outro visse como estávamos contentes e como éramos tão felizes. acompanhada pela Ir. feito de um pente e papel de seda. que grande felicidade! Beber com Jesus o cálice. Visitação. estava de guarda a Ir. rezando Matinas. e começou a interrogá-la sobre o dinheiro que tínhamos e onde estava.Ele quis conversar a sós com Madre Maravilhas. informando que não prenderia nenhuma porque “são umas infelizes!” Depois que se retiraram. celebramos o Santo padroeiro de nossa madre. el Cabrejas!” – disse. disse: “Irmãs. A Ir. fomos todas agradecer a Deus. que tínhamos composto: “Se conseguirmos o martírio. A madre nos chamou. seu carrasco. Nossa madre respondia com uma pasmosa tranquilidade. como se estivesse falando com uma de nós. no salãozinho. sem nada possuir. Ângeles entoou a lição do Martirológio. 7 de setembro. desta vez com outro miliciano. desta vez “como amigo” No dia seguinte. e esta. como este tinha duas portas de cristal. Cabrejas escarranchou-se numa cadeira em frente a ela. dir-Lhe-ei que estou presa só. Hoje vinha visitar-nos “como amigo”. que somos autênticos anarquistas?” Muito sorridente. prontas a entrar em qualquer momento. uma basca que quase não sabia falar espanhol. Depois de algum tempo. . Madre Maravilhas respondeu-lhe com toda a tranquilidade: “Realmente. Ficou lindo! Nós nos revezávamos para vigiar pelo olho mágico da porta de entrada. e não houve mais comentários. Veio correndo chamar nossa madre: “¡Ené. em fins de outubro. assombrado: “Não tendes medo de nós. só por amor a Ele”. ele guardou a pistola e lhe disse. algumas de nós se postaram junto a elas. e depois com Ele no Céu morar! Se Deus quiser que eu morra no - cárcere. Ouvíamos tudo. era para ter medo. Certo dia. conforme nos disse. Encerrado o interrogatório. nós desejamos dá-la por Cristo…” Ato contínuo. voltando-se para nós. dando-lhe uma ligeira batida no ombro: “Você e eu nunca poderemos brigar”. Cantamos então com toda a alma a seguinte estrofe. Estivemos todas com ele no salãozinho – nós sentadas no chão –. Era mesmo o Cabrejas. cantem aquele hino do martírio”. Isabel com um violino improvisado. apontando-lhe durante todo o tempo uma pistola. Cabrejas nos perguntou. Mas o máximo que podem nos fazer é tirar-nos a vida. Cabrejas telefonou para a checa. como se fosse uma “visita rotineira”. Nova visita.
Esta as atendeu com extremo carinho. Naquele pequeno apartamento da Rua Cláudio Coelho. estamos muito bem e rezamos muito pelo senhor”. replicou ela. Ela sofria muito. continuou sempre confiando que aquele criminoso se salvou. Cabrejas disse à nossa madre que ia enviar-nos camas e cobertores.Muito impressionado. Entretanto. suas filhas. sempre a vimos esquecida de si mesma e dedicando-se aos outros de modo excepcional. sabendo. Eles nos enviaram a ficha criminal do pobre homem. o criminoso. Encarregou-as de lhe dizer o quanto no Carmelo rezavam por ele. nunca nos faltou a alegria. sobretudo. mas também a quantos o Senhor punha em seu caminho. e não tivemos nenhum outro interrogatório. Maria Cruz. Intercedendo pelo criminoso Depois da guerra. como Deus não deixa sem recompensa sequer um copo d’água dado por amor a Ele. e de vários generais seus conhecidos. marcando a página em que Santa Teresinha fala de Pranzini. pela contínua ameaça de suas filhas serem encarceradas ou dispersas. As virtudes que vi tão de perto Madre Maravilhas praticar nessa época são extraordinárias. Madre Maravilhas nunca conseguiu descobrir que fim teve Cabrejas. por presenciar a destruição de sua pátria e. Embora investigasse bastante. por meio de um alto magistrado da Justiça Militar espanhola. não só a nós. detido quando fugia para Alicante. que era estarrecedora: tinha matado pessoalmente mais de duas mil pessoas. Uma destas foi Cabrejas. Desde então Cabrejas dispôs que ninguém nos incomodasse. irmão da Ir. pois estávamos muito mal alojadas. apesar dos sofrimentos desses meses e das terríveis notícias que nos chegavam. “Não precisamos de nada. as quais pediram à nossa madre que intercedesse por ele. por diversos motivos: por não ter convento nem o suficiente para alimentar suas monjas. enviou ao Cerro sua mulher e sua mãe. Estando no cárcere. . Fez tudo quanto humanamente podia para salvá-lo – e podia muito –. pelas ofensas feitas a Deus. lembraram-se dela e lhe pediram ajuda. porém. muitas pessoas que haviam tratado com nossa madre durante esse tempo. e enviou a Cabrejas a História de uma alma.
Mas não é só isso: percebe- se ali uma claridade que. o próprio Menino. porque talvez nem sequer os Anjos tivessem o privilégio de limpá-la. em geral. põe em realce a conjugação de uma simplicidade absoluta com uma limpeza absoluta. quando estavam cansados. torturavam e julgavam de forma sumaríssima os suspeitos de pertencer ao bando oposto. em mostrá-la com uma pureza diáfana. em 30 de maio de 1919. p. E às vezes. de: “Mis recuerdos de la Madre Maravillas”. penetrada pela luz de um dia lindamente luminoso. castíssimo esposo d’Ela. Rainha dos Anjos. Dr. como o são a virgindade e a pureza. representando a Santa Casa de Nazaré. Majestade e sofrimento Com a alma pervadida de enlevo. Eram Nossa Senhora. Madrid: Edibesa. com pequenas adaptações. sendo matinal na maturidade do dia. Num canto da sala. cenário desta narração. limpava a casa para que seus pais pudessem descansar. e São José. fica bem junto à monumental imagem do Sagrado Coração de Jesus diante da qual o Rei Afonso XIII Lhe consagrou o país. onde residiu a Sagrada Família. Plinio Corrêa de Oliveira É frequente nos depararmos com estampas pitorescas. brota . 2006.199-219 1 O Carmelo do Cerro de los Ángeles. Plinio descreveu numa de suas conferências como ele imaginava o convívio diário na Sagrada Família e compôs uma pungente oração glorificando a majestade do Menino Deus unida ao sofrimento. 2 Cárcere informal onde comitês e organizações do bando republicano retinham. Do seu talo perpendicular e muito ereto.Transcrito. vemos um jarro simples do qual se ergue uma açucena. Limpeza exímia e simplicidade sublime O que dizer da limpeza dessa casa? É difícil imaginar. decorosas e dignas. Elas se empenham. os incumbidos dessa tarefa. respeitáveis. diante de todos os coros angélicos extasiados.
é ainda tão pequeno que se apoia numa cadeira vazia para brincar com dois ou três objetos. por estarem postas sob aquela luz tomam um caráter maravilhoso! E para muito adequadamente realçar a humildade de personagens tão puros. em pé. Atentos aos gestos. Coadunam-se nesse lugar o dia a dia simples de uma família operária e o encanto das considerações metafísicas feitas por Nossa Senhora e São José. fica-se extasiado. São José. um autêntico direito de pai. Nossa Senhora faz uma costura. Mas Jesus havia sido gerado pelo Espírito Santo no seio virginal de Maria. usando-a como se fosse uma mesa. Nenhum dos três pronuncia palavra alguma. antes de conseguir achá-lo. por exemplo. Em certo momento. mesmo sendo tão elevada e distante do pecado original como era a do Menino-Deus. hesitava sobre onde estaria e. Ele era da raça de Davi e. ou para uma prateleira de madeira tosca que suporta três ou quatro pequenos objetos indispensáveis para a vida diária. mas todos se entendem superlativamente.o cálice de uma flor maravilhosa. Este possuía sobre seu Filho. Nascido da Virgem-Mãe. como. está torneando um móvel. Filho de Maria Virgem. ia se desenvolvendo de acordo com a ordenação posta por Deus na natureza humana. acompanhando o menor movimento do Menino. entretanto. a flor do gênero humano! O que dizer disso? Não há palavras que bastem para descrevê-lo! A Santíssima Trindade “movia-Se”. percorreria sem êxito outros lugares. Mas olhando para o ponto em que um pé de cadeira encosta no chão. à voz. apresenta-se dentro deste décor a Sagrada Família. sem saber o que dizer. procurando algum objeto. tão comuns na existência cotidiana. da mesma estirpe de São José. que viviam inundados pela presença do Menino. de bom gosto em todo o ambiente. concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser. com tudo quanto isso significava. ao olhar do Menino Jesus Paira o silêncio. Até quando Ele brincava com algumas pedrinhas ou mexia com uma coisa qualquer. imaginá-Lo nas cenas mais comuns na vida de uma criança. seja porque Nossa Senhora ou São José o tinham mudado de . sentado. portanto. fruto das entranhas de sua esposa. por assim dizer. era contemplado por todos os Anjos do Céu. Sua infância. Poderíamos. e o Menino. Essas sublimes bagatelas. portanto. É o único elemento que fala de arte.
deixando-os habitualmente implícitos e conversando sobre eles apenas nas grandes ocasiões. Certamente a comentariam entre si. na Casa de Nazaré? Teriam entre si um gênero de interlocução que a todo momento fizesse referência à natureza divina de Jesus? E. mas pouco comentados. em suma. ao voltar novamente os olhos para Ele. Que repercussão teriam episódios aparentemente tão simples no relacionamento entre as três Pessoas da Santíssima Trindade? De outro lado. pelas contingências da vida concreta. confabulando: “O que estará fazendo nosso Filho?” Sabiam que Ele não estava apenas satisfazendo o desejo infantil de entreter-se com um companheiro. tanto quanto possível. contemplando o Menino. cochichando baixinho. São José e Maria Santíssima deviam cuidar dos afazeres domésticos procurando. o relacionamento concreto entre os três. pois tudo quanto fazia tinha um significado muito profundo. pela necessidade de prestar atenção nos afazeres cotidianos. se deparavam com uma atitude inesperada. bela como uma música inefável. o Menino. o menor dos seus movimentos possuía uma majestade e uma graça inexprimíveis! Eles sabiam ser o Homem-Deus quem hesitava.posição. seja porque o paninho que procurava havia sido empurrado para longe pelo vento sem Ele perceber. marcada pelos assuntos cotidianos: . Como seria. estando sempre atentos à mínima emissão de sua voz. falava… Podemos imaginar o enlevo sem fim que os inundava! Como seria o convívio diário na Sagrada Família? Algumas vezes devia acontecer também que. O mais fugaz dos olhares do Menino Jesus era um tesouro sem conta. Em outras ocasiões era o Menino Jesus quem saía para brincar no jardim com alguma criança. o Santo Casal tivesse êxtases místicos. eles desviavam a atenção do Menino e. quando baixavam do Céu luzes extraordinárias? Com exceção dos momentos em que. não perder nem um gesto d’Ele. e se um dos esposos estivesse fora da casa nesse momento receberia encantado ao chegar o “jornal falado” dado pelo outro. talvez o resto do tempo transcorresse em uma vida comum. à virgindade fecunda de sua Mãe e à virgindade milagrosa de São José florindo num casamento casto? Ou seriam esses temas por eles conhecidos e venerados. movia-Se. enquanto São José e Nossa Senhora ficavam dentro de casa.
eu ainda preciso ficar aqui. Devia haver momentos de uma seriedade extraordinária. Haviam sido completamente transportados para outra esfera. se dessem concomitantemente as situações mais contrapostas. enquanto isso. e Maria dissesse a José: — Está ficando tarde. ou quereis ainda ficar aqui? — Senhora. pois estavam diante de Deus! Poderia acontecer também que. Nossa Senhora via o objeto finalizado e dizia: — Senhor. exceto se vossa vontade for outra… Algum tempo depois.— José. que reluziria de modo tão esplendoroso entre Moisés e Elias quando adulto. Enquanto ela saía para pegar a roupa. depois de terem contemplado tanto esplendor. o pedaço de madeira que estava sendo trabalhado por José tomava rapidamente a forma que ele queria dar-lhe. Passar-se-ia um certo tempo sem que conseguissem responder-Lhe e Jesus. em que a Santíssima Trindade Se manifestava ao Santo Casal. se harmonizava de acordo com uma fórmula maravilhosa que não sabemos qual é. aguardaria reluzente a autorização paterna. nada comentassem entre si. diria São José: — Senhora. poder-se-ia imaginar tudo… Refulgindo como no Tabor Eu seria propenso a achar que. Ao retornar. na maravilha desse convívio familiar. Devia haver também momentos em que aquele Menino. meu esposo. E ele responderia: — Senhora. se apresentava diante deles com um brilho inopinadamente intenso pedindo-lhes licença para brincar no jardim. já está pronta a encomenda? – manifestando sua suspeita de ter sido concluída pelos Anjos. não é? Vou recolher a roupa que está do lado de fora. Vós vos distraístes – ele bem sabia que Ela tinha estado conversando com os Anjos! – e o almoço já vai longe no nosso pequeno fogareiro. preciso finalizar o objeto que me encomendaram para hoje à tarde. . fostes vós que abristes aquela porta? Quereis porventura sair levando um banco que acabastes de fazer. Tudo. entretanto. mas podemos intuir. vede um pouco como está… Enfim. de uma gravidade sublime.
eu Vos encontro! Majestade. . que nobreza. de uma majestade. Era uma pré-figura da Cruz. responderia: — Senhora. às vezes as coisas correm depressa… Momentos prefigurativos da Paixão e do Reino Há um matiz nesse convívio da Sagrada Família que eu não vejo refletido na iconografia. esmagado de dor. Em suma: de uma seriedade e de uma dor desconcertantes. Mais raros ainda são aqueles que não se cansam de admirar a majestade. Vós sois todas as grandezas e magnificências! Pouco numerosas são as almas que conseguem habitar na dor. diante da grandeza de cenas como essas. se ajoelharia e diria: “Ó Majestade divina. e carregando dois pauzinhos às costas. manifestações de venerabilidade as mais augustas. O oceano parece um dedal de água em vossa presença. eu Vos compreendo! Vós tendes o império sobre os Anjos! Em Vós habita toda grandeza! “Quando apareceis perante mim. porque não é fácil reproduzi-lo. são minúsculas torneiras abertas diante de Vós. Eles ficavam com o coração partido vendo- O andar assim de um lado para outro com determinação. Algumas vezes o Menino devia aparecer subitamente diante do Santo Casal chagado dos pés à cabeça. penso no estrondo das cataratas mais caudalosas que. ou fazendo gestos ao Padre Eterno em lances anunciadores da Agonia no Horto. e todas as magnificências da terra não são nada em comparação convosco. Na Santa Casa de Nazaré tudo estava impregnado de uma respeitabilidade. entretanto. E poderíamos imaginar. discreto. ó Majestade. quem tivesse uma alma inteiramente reta. Que dor. manifestando em Si uma grandeza em comparação com a qual os césares romanos assemelhavam-se a moleques de rua. assim. Ele Se apresentava como Rei. Contudo. de uma seriedade augusta.E ele. de uma determinação forte. e compreendo que assim aconteça. quanto Vos procurei sem saber que era a Vós que eu procurava! Quanto Vos desejei! Quanto me empenhei em recolher até os menores fiapos de majestade que encontrava pelo meu caminho e me deter para contemplar neles a grandeza que ainda não conhecia! “Mas afinal. que majestade! Em outros momentos.
a alegria do meu despertar”. para nós. Sem essa dor. ó Majestade! Vós sois todas as grandezas. Esta é a verdade: na nossa vida há sempre a dor. ó Majestade! “E precisamente porque Vos compreendo. superficial. “Vós sois o meu repouso quando estou cansado. procura-se em corpo e alma o bom e o belo. fútil. ó Majestade! “Meus braços ansiariam por um escudo e por uma espada para Vos defender! Meu corpo inteiro se retesaria diante da possibilidade de Vos proclamar aos homens. compreendo também que na vossa imensidade cabem todas as outras coisas. não teria sentido o santuário infinito da majestade. pela qual o homem abandona o que é frívolo. há sempre a cruz. A mente esforça-se em alcançar a verdade. quanto eu Vos procurei! Ó pátria de minha alma. e se volta para o sério e profundo. num holocausto mil vezes repetido em prol da verdade. não sabia que um dos nomes dela era ‘Majestade’. que majestade! Se eu visse o Menino. nem amizade. até mesmo das coisas pequenas. . No santuário da majestade. o modesto carpinteiro. que majestade! Se eu visse José. o vaso de vossa honorificência! “Se eu visse Maria. do bem. A Santa Igreja Católica Apostólica Romana é o receptáculo da vossa majestade. a Cruz sacrossanta de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não há amor paterno nem materno. ó Majestade.“Ó Majestade. nem nada do que o coração humano possa produzir de mais suave e terno. a tranquilidade e a harmonia do meu sono. nem proteção. e da beleza. Agora o compreendo. nem carinho fraterno. aos pés da Cruz Quem compreende assim a majestade? Quem percebe que bem no centro do seu santuário incomensurável há um altar destinado a oferecer o próprio sofrimento? É ali que devemos oferecer essa forma de dor de espírito que é a ascese. nem socorro. afinal Vos encontro! “Quando eu fitava a Igreja e renovava enlevado o meu ato de fé. concebidos no pecado original. minha alma procuraria rimas para celebrar- Vos. que não more em Vós. todas as magnificências.
201 (Dez. pouco temos ouvido da “glória a Deus no mais alto dos Céus”. Tal é a majestade da cruz! Quem amará esses pensamentos? Quem se habituará a conviver com eles? Quem quererá morar no santuário da majestade. e vemos cada dia menos homens “de boa vontade”. aos ouvidos – as luminosas e harmoniosas palavras com as quais “uma multidão do exército celeste”. quase diríamos. louvava a Deus. Plinio”. tão cheio de simplicidade que até uma criança o pode compreender. encerra verdades muito profundas. Que nossos ouvidos se extasiem com este tão conhecido cântico: “Noite de paz. Esta representa o píncaro da majestade. com adaptações. noite de amor. Ano XVII. Fernando Néstor Gioia Otero. da revista “Dr. cheios de amor ao próximo. . Afinal. proclamando: “Glória a Deus no mais alto dos Céus e na terra paz aos homens de boa vontade” (Lc 2. aparecendo de súbito junto ao Anjo que anunciava aos pastores o nascimento do Redentor. p. 13-14). e o fato de ser relativamente pequena em relação à coroa dá ideia de uma tal superioridade que torna difícil contemplá-la. a partir de certo momento da História cristã. Pe.. bem-dispostos em relação uns aos outros. ajoelhado aos pés da Cruz? Extraído. a ligação entre a majestade e a cruz é tal que. São Paulo.Quem ama a dor? Quem ama a cruz? Entretanto. Este anúncio. EP É impossível meditar sobre o Natal sem vir-nos à mente – e.18-21 Os homens procuram a paz e não a encontram Volvamos nossos pensamentos à noite de Natal. tudo dorme em derredor”. 2014). N. nenhuma coroa foi concebida sem estar encimada por uma cruz. o que é a paz? Quantas vezes ouvimos falar de paz durante este convulsionado ano prestes a findar-se! Entretanto.
de todos conhecido e tantas vezes recitado: “Noite de paz. pode haver muita tranquilidade. Quando a adoração ao dinheiro. a consequência é a falta de paz na qual vivemos. não se pode dissociar da glória de Deus a paz na terra. Contudo… não temos tranquilidade. A inquietação corrói os corações de nossos contemporâneos. Conforme nos ensina Santo Agostinho. Para esses. Deixemos nossos ouvidos se extasiarem com este cântico. A ciência e a técnica nos pervadem. enfim. para isso. Na nossa mente confrontam-se a justiça e a injustiça. só há verdadeira paz onde reina a ordem. o domínio despótico da força bruta. Se os homens não derem a Deus a glória devida. que nos eleva. prestando numerosos serviços práticos. é tão infinito este Deus pequeno. quando o paganismo em todos os seus aspectos vai invadindo a face da terra. tudo dorme em derredor”. o bem e o mal. a desenfreada procura dos prazeres. Portanto. falta-nos a fé. a glória de Deus nada tem a ver com a paz na terra. a moralidade escasseia. São homens e mulheres plasmados pela mentalidade de que essa glória é algo totalmente insignificante. Aparentemente. a paz é a tranquilidade da ordem. Ora. Esforçamo-nos em excogitar como obter uma correta disposição de todas as coisas da vida terrena e. Quando a ouvimos ou cantamos. . a paz? fazer em ininterruptos deleites todo o percurso da vida terrena. perdendo a religiosidade. perguntamos: Por que os homens querem tanto a paz e não a encontram? O que é. a honradez tornou-se uma raridade e. em sua manifestação de compaixão para com o Menino Deus recém-nascido. Um velho psiquiatra comentava-me que até os enfermos. não têm paz de alma. como na estagnação dos pântanos… paz não haverá. noite de amor. a consequência evidente é que não haverá paz no mundo. como a nos dizer: é tão pequeno este Deus infinito. nada melhor do que volver nossos pensamentos à noite de Natal. Buscamos a paz e não a encontramos. Volvamos os olhos para o Menino Deus À vista de tudo isso.À vista disto. sobretudo. ela se recusa a habitar conosco. É o Stille Nacht. concretamente. a virtude e o pecado. a divinização das massas. acabamos sentindo em torno de nós um abismo entre o ideal e a realidade do que vivemos. Em meio à desordem. hoje chegamos a conquistar o mundo inteiro. Máquinas e mais máquinas exercem funções que surpreendem. não uma tranquilidade qualquer. cada ano.
Sem Vós a paz é uma mentira e. resultará vão tudo quanto se intente. “Em primeiro lugar” – afirmou Bento XVI –. logo cessaria esta crise moral. ameaçá-la. o coração do homem é o lugar das intervenções de Deus”. sim. dando-nos a paz verdadeira: a paz de Cristo. Sem isso. e de São José. Poderemos contemplá-Lo na debilidade de um bebê posto numa manjedoura. peçamos com confiança por nossa reforma pessoal e pela do próximo. Deus humanado. esta crise religiosa. afinal. E acrescentou sabiamente: “Aliás. Que o Menino Jesus. do amor à cruz. A responsabilidade está em nós mesmos. ao contrário. uma mudança de mentalidade. olhando com encanto as pequenas imagens da Sagrada Família. Então. a sair do impasse que nos enche de tristeza. na augusta pobreza de uma gruta. que tirais o pecado do mundo. Disse um grande católico do século passado: “Vós. E quando nos inclinarmos diante do presépio. dai-nos a paz”. A paz deve ser construída nos corações Se a humanidade caminhasse no cumprimento da Lei de Deus. . enfraquecê-la. sua Santíssima Mãe. esta crise de fé. estaremos certos de que haverá solução para a crise contemporânea. Senhor Jesus. é neles que se desenvolvem sentimentos que podem alimentá-la ou. de desapego dos prazeres ilícitos. à pureza de vida num mundo cheio de depravações. De fato. Que se produza em cada um de nós uma metanoia. a Virgem Maria e São José derramem sobre todos nós suas bênçãos.2 Na Santa Missa. sois entre os homens o Príncipe da Paz. os fiéis rezam em coro ao aproximar-se o momento da Comunhão: “Cordeiro de Deus.1 Nós O veremos nos presépios. tudo se converte em guerra”. encham nossos corações das santas e puras alegrias do Natal. Volvamos os olhos para o Divino Infante. e sentirmos como Deus quis pôr-Se a nosso alcance. “a paz deve ser construída nos corações. da justiça ante todo tipo de iniquidades. junto da Virgem Maria. durante o tempo de Natal. Convidando-nos às vias da austeridade. sufocá-la”. quão tosca e pobre! Aí está quem nos convida a transformar o curso da História dos homens.essa bela canção de Natal nos inspira movimentos interiores de ternura e de respeito.
onde o ministro sagrado parece ter discernido em sua cândida fronte o sinete dos predestinados. que com incansável zelo renovem a face da terra. 2/9/2006. A crucificada fez seu o espírito do Crucificado. N. se atingiu alto grau de santidade.1 CORRÊA DE OLIVEIRA. Ano XIII. Lélia Spinola. e Ele Se tornou o seu trono. EP Estamos no fim do século XVI. a mãe de tão abençoada criança. encontra- se Virgínia Centurione Bracelli. 2 BENTO XVI. E. Ir. Mensagem ao Bispo de Assis. isto se deveu à sua íntima união com o Cordeiro Imolado. Esmerou-se em educar a filha nas vias da virtude e do relacionamento com o sobrenatural.2. embora não o fizesse. A glória de Deus no alto dos Céus. Plinio. 1963). Poucos dias depois foi conduzida à fonte batismal. “Será ela um Anjo?” Virgínia nasceu a 2 de abril de 1587. e teve tanto êxito nos seus intentos que a pequena “aos quatro . “Será ela um Anjo?”. Foi ela principalmente a fundadora de uma congregação religiosa? Uma vítima expiatória? Uma exemplar e caritativa dama da sociedade? Até os nossos dias ainda não se definiu com precisão a missão desta singular Bem-aventurada. p. era uma piedosa senhora. Emelly Tainara Schnorr. Campos dos Goytacazes. pelo apego ao luxo e às riquezas.156 (Dez. a sua felicidade. em vez de Virgínia. Santa Virgínia Centurione Bracelli Alma contemplativa e séria. excogitou impor-lhe o nome de algum dos espíritos celestes. perguntou-se ao vê-la. A conjuntura histórica é marcada pela impiedade e ateísmo. E entre o batalhão de escol que a Providência suscitou nesse período. a sua luz. a sua alegria. A Igreja necessita de almas de fogo. encanto do Deus Altíssimo Se obteve êxitos em sua vida apostólica. aspecto secundário do Natal? In: Catolicismo. comparada por muitos dos seus contemporâneos com outra grande Santa que vivera décadas antes na mesma cidade: Catarina de Gênova.. pelo pecado e imoralidade.
Eles continuariam sua educação de modo bem diferente… Por vias opostas aos desejos de Deus Virgínia pertencia a uma nobre família de Gênova. o irmão mais velho. ocupava um alto cargo da República e. à qual pretendia unir em matrimônio com um dos partidos mais ricos da cidade. Contudo. Assim. Isso obrigava a mãe a ficar vigiando durante as aulas. nem contra-arrestar as artimanhas a que ele recorria para impô-la. confirma quanto aquela criança possuía uma alma séria e contemplativa. custava-lhe compreender a vocação religiosa de sua filha. ela estudava. Virgínia não pôde senão acatar a determinação paterna envolta num doloroso pranto. conduzi-la pessoalmente ao convento. e a alta vocação para a qual era chamada. Sentia em si um ardente desejo de se tornar religiosa. Aos quinze anos de idade não possuía ainda firmeza de alma suficiente para enfrentar a vontade do progenitor. prometendo-lhe. chegada a hora. mas era por demais caprichoso.1 Sendo ela muito menina. No dia marcado. foi se despedir do Crucificado diante do qual tanto rezara parecendo-lhe ouvir que a queria toda para Si. deixando a pequena nas mãos do pai e de uma madrasta. logo veio a falecer.anos já rezava admiravelmente e. Giorgio Centurione. Tal fato. entretanto. procurava ela prestar atenção nas lições. com os quais tanto se familiarizou que podia citá-los de cor e até fazer pregações sobre eles. tu Me deixas por um homem!” . enquanto Virgínia permanecia junto a eles. o que lhe permitiu aprender muito cedo a língua da Santa Igreja. ainda ocupada em estudar o alfabeto. seu pai. especialmente dos Evangelhos. meditava e aprendia longos trechos das Escrituras. costurando na mesma sala. generosa e tendente à timidez. Francisco. escutou claramente dos seus lábios uma severa repreensão: “Virgínia. estando acostumado a em tudo se guiar por critérios financeiros e políticos. Desta vez. já sabia meditar em Jesus crucificado”. mas só à piedosa mãe confidenciava seus infantis anelos. quando este lhe comunicou estar já com o candidato e a data assentes para o casamento. recebia lições de latim. Tendo adquirido bastante habilidade no manejo da linha e agulha. Mesmo antes de cumprir os dez anos de idade. entre muitos outros. Esta a compreendia e estimulava. A jovem era dócil. antes de se dirigir à igreja.
porém. como continuasse insistindo com ameaças e lisonjas. seu marido. Virgínia encontrava conforto diante de seu Bom Jesus. Virgínia vivia com a sogra. por fim. Deus amava a missão de Virgínia e a levaria a pleno cumprimento. As amigas que iam visitá-la viam-se com frequência obrigadas a aguardar longo tempo enquanto ela permanecia rezando no seu oratório. fruto do qual nasceram duas filhas – Lélia e Isabel –. A angústia e a aflição por ter traído o chamado divino. então. a tornasse uma filha sem mancha e a fizesse. Em certo momento. À espera de um sinal da Providência Naquela época. Entretanto.Foi o início de um doloroso calvário. Gaspar contraiu uma tuberculose que o levou à morte em poucos dias. cumprir sua missão. As comunicações celestes. não se afastavam do seu espírito. Giorgio Centurione quis aproveitar a situação para obter mais um casamento brilhante para sua filha. Nosso Senhor tinha forjado a alma da jovem com o fogo do sofrimento. passava o tempo em festas e jogatinas. Virgínia cortou sua linda cabeleira em sinal de rotura definitiva com o mundo e entrega perpétua nas mãos de Deus. sem o auxílio de criadas. o ambiente mudou radicalmente em Gênova. E. Virgínia obteve-lhe a graça dos derradeiros Sacramentos e ele rendeu sua alma em paz com Deus. Nos longos dias em que a deixava sozinha em casa. disposto a lutar pela glória de sua causa. Naquele período. Deus queria transformar sua débil índole de pomba na de um destemido leão. Ora. Suplicava-Lhe que perdoasse suas misérias. regressaram. graças de seriedade e fortaleza de espírito que a fariam carregar as pesadas cruzes e enfrentar os obstáculos que dali em diante haveria de lhe mandar. Somou-se a isto o aparente abandono que o Céu lhe fazia experimentar… Cinco anos de matrimônio Gaspar Bracelli. costumes e horários mais próprios a um convento. para percorrer vias a ele tão opostas. dando-lhe. e seguindo regras. transcorridos cinco anos de matrimônio. ao apresentar-lhe a proposta recebeu a mais categórica das negativas. A rica e . ao mesmo tempo. mas amenizavam a espera observando-a secretamente pelas frestas. que lhe mostrasse as vias a seguir. Passava horas em colóquios e êxtases com seu Senhor Jesus e com Maria Santíssima. edificadas com seu profundo recolhimento. Estava à espera de um sinal claro da Providência.
Ao ser avisada pela criada que se tratava de uma criança abandonada em consequência da guerra. orientava a transviada. em impedir as profanações das igrejas. abraça com emoção a pobrezinha. A despeito do empenho com o qual realizava esse labor caritativo. obrigando milhares de crianças e anciãos a procurar refúgio em Gênova. Pouco tempo depois. para que lhe fosse revelada sua vocação. Santa Virgínia empenha-se em socorrer os fugitivos que se aglomeravam nas praças. Virgínia passou em revista a cidade inteira. “Ei-la atenta em cortar abusos. Com diligência buscava as ovelhas: fortificava a boa. uma terceira. decidiu acolhê-la. preocupada pela formação espiritual daquelas almas abandonadas. Havendo falecido a sogra e tendo-se casado as filhas. Aldeias e povoados eram devastados. aquece- a e lhe diz: “Ficarás comigo e serás minha filha”. Em breve chegam a quinze. Confissões e procissões com o Santo Sudário e a relíquia de São João Batista. que havia sido construído trinta anos antes pelos franciscanos reformados. e urge mais ainda fazer cessar as graves e imorais consequências a que tal calamidade expunha a cidade. acolhe outra menina. em legitimar uniões. Movida pela voz de Deus que ouvira claramente no seu interior. veste-a. . ordenando tudo. quando ouviu sob sua janela o pranto de uma menina. mais tarde. e não demora muito em ter de deixar a casa familiar para transladar-se ao Mosteiro do Monte Calvário. trinta mil soldados inimigos se aproximavam dela. Tinha início assim a primeira família espiritual de Santa Virgínia. curava a machucada. Afastado o perigo da invasão.despreocupada cidade passava por terrível aflição: franceses e piemonteses haviam-se coligado para conquistá-la! Enquanto na capital se multiplicavam os jejuns. Urge naquele terrível momento o auxílio material. Com a ajuda de outros nobres. em reorganizar famílias. especialmente pela das crianças. em reconduzir à observância os santos asilos”. numa tarde de inverno estava recolhida em oração. sabia não ser este o caminho que a Providência lhe havia traçado… O Refúgio do Monte Calvário Por anos inteiros Santa Virgínia rezou a jaculatória “emitte lumen tuum – enviai a vossa luz”.
“de ‘virgens seculares’ passariam a ser religiosas. . idealizou os uniformes e hábitos. Dirigiram- se em primeiro lugar à igreja onde. e das Filhas de Nossa Senhora do Monte Calvário. assistindo-a com profusão de graças. Em Monte Calvário e outros lugares ficaram as jovens que não sentiam em si a vocação religiosa. e consagradas a Deus”. Mas. “De cada filha formai uma flor e uma gema”. assim. e sabei que eu não terei mais nem pensamentos nem vida. consagrou a nova obra ao Rei dos reis. suplicou. além de fomentar a vida espiritual de suas filhas com Adorações ao Santíssimo Sacramento. além de uma solução para suas carências materiais. “Quanto a mim. e para quantas vierem”. bem junto ao tabernáculo. para Carignano foram apenas aquelas que desejavam levar uma vida austera e regrada. preferencialmente o Rosário. para que dali saíssem almas que verdadeiramente O amassem. e revestidas de perfeição e esplendor. Adotaram como vestimenta o hábito das clarissas e. Frequentar o Refúgio levava a saborear as doçuras do Céu. Tudo em Carignano fluía dentro de uma disciplina envolta em piedade e trabalho. Havia sido dado o primeiro passo para as futuras congregações das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário. seguiam a regra dos terciários franciscanos. acompanhada de quarenta filhas. Estas. mas prometendo obediência aos seus superiores. senão para estas filhas que me coroam. Foi visando essa finalidade que Virgínia delineou os horários e as regras. Inicia-se a vida religiosa em Carignano No Refúgio do Monte Calvário aquelas meninas deviam encontrar. Para as almas se abrasarem no amor a Deus. sacerdote capuchinho que se tornou diretor do Refúgio. Logo a obra deitou raízes fecundas e fez-se necessário abrir mais casas.A ele chegou em solene procissão. amparo para sua santificação e salvação. pois muitas delas eram chamadas pela Providência a dedicar suas vidas a Cristo. Estava fundada a obra de Virgínia Centurione Bracelli: um refúgio para as almas que buscavam a Deus e precisavam de proteção. ser convidado a mudar de conduta ou se afervorar ainda mais. orações em conjunto. Pediu-lhe que não a deixasse inacabada. sem votos. por recomendação de Frei Matias Boroni. desejava Virgínia que as cerimônias litúrgicas fossem ornadas com ricas alfaias e paramentos. eis-me: aceitai o sacrifício que Vos faço de mim mesma.
modelo e exemplo para suas filhas. Enquanto a oração revigora o interior. Nosso Senhor reservou. e nada. se atingiu alto grau de santidade. Vítima da fúria dos infernos Ora. Esta se tornou o seu trono.cerimônias em honra a Nossa Senhora e reuniões sobre temas espirituais. uma cruel imolação. Nem no leito de morte deixou de incentivar a devoção a Ela. Santa Virgínia também as educava no trabalho. no momento de receber a Comunhão. a sua luz. atualmente. Prostrada num leito de dores por uma terrível moléstia. conselhos e direção para tudo quanto fazia. até duas vezes ao dia. sofria acessos tão violentos. que os circunstantes foram obrigados a amarrá-la na cama com fitas de couro. o seu rosto tornava-se resplandecente e suas faces se abrasavam. “A crucificada fez seu o espírito do Crucificado. a sua alegria. o trabalho ordena o exterior. pois julgava não haver matéria para tal. Ele era mais propenso a dar-lhe bênçãos a absolvições. e a perceber como. Este forma a pessoa na seriedade e no domínio de suas paixões. Piedade profunda e exemplar A vida espiritual da fundadora servia de meta. a sua felicidade”. isto se deveu à sua íntima união com Jesus. De contínuo conversava com Nossa Senhora e Lhe pedia luzes. pois possuía um forte vínculo com a Rainha dos Céus. para quem assim se oferecia como vítima. o que levava seu confessor dizer-lhe apenas: “Vá comungar para a maior glória de Deus”. que procurava transmitir e estender a todos os que com ela conviviam. as quais muitas vezes ela rompia… . Recorria com assiduidade ao Sacramento da Reconciliação. se Santa Virgínia obteve êxitos em sua vida apostólica. D’Ela recebia instruções e até revelações. Cordeiro Imolado. quem cede ao ócio está entregue às tentações do demônio e às solicitações da concupiscência. Acostumaram-se a vê-la em diários e profundos êxtases. Chegado o fim da sua existência. lhe é mais caro que a Cruz. com febre alta. Tinha bem presente a máxima beneditina ora et labora e o benefício para a vida espiritual de manter-se ocupada.
transcorridos cinquenta anos. sobretudo. No dia 15 de dezembro. situado em outra igreja. Nas horas de tranquilidade era acometida por abatimentos e angústias. teve de padecer as penas do Purgatório e foi conduzida até as portas do inferno. com a fortaleza dos cruzados e. com a calma e a serenidade de seu Senhor crucificado. apenas no livro da vida… A consumação do sacrifício Em dezembro de 1651. o único brado que lhe saía dos lábios era: “Senhor. Sua doença foi consumindo-a paulatinamente. pelo contrário. seus lábios balbuciaram estas palavras: “Está pronto o meu coração. sentindo-se totalmente abandonada pela Providência. as autoridades civis mandaram sepultá-lo novamente. E ao exumar o cadáver tempos depois para . o corpo foi exumado ainda flexível e sem deterioração alguma. enquanto suas filhas rezavam as orações dos agonizantes. Nunca deixava escapar uma queixa e sempre procurava. fazer o bem aos que a circundavam. mortos ou ainda vivos… Visões pavorosas a oprimiam e amedrontavam tanto que. Sofreu o calor das chamas eternas e chegou a encontrar ali certos conhecidos. dizia a suas filhas espirituais: “Que júbilo experimentaria se fosse assistir lá em cima aos preparativos que os Anjos e os Santos fazem para o nascimento do Redentor!” E na festa da Imaculada Conceição perguntou a uma delas: “Que direis se dentro de oito dias nos achássemos no Céu?” Não se enganara a santa fundadora em seus prognósticos. Sendo muito numerosas as pessoas que acorriam para venerá-lo. inutilizada. eis a minha alma!” E exalou o último suspiro. Rogava por cada um e pedia perdão a todos.Assaltava-a a fúria dos infernos. oitava da Imaculada Conceição. ao voltar a si. E. desta vez num túmulo muito úmido. Virgínia enfrentava a dor com o ânimo dos mártires. ó Deus!… Senhor. liquidada. No dia do enterro. fazendo-os concluir que era algo relacionado com o futuro da Igreja e do mundo. o rosto permanecia róseo e os lábios esboçavam um sorriso. pronunciava frases das quais os presentes não conseguiam compreender o alcance. Como o novo mosteiro ainda estava em construção. Prevendo que morreria antes do Natal. Tinha sessenta e quatro anos de idade. os demônios martirizavam-na sem cessar. Infelizmente essas revelações não ficaram registradas nas páginas da História. misericórdia!” Durante tais visões. seus membros não tinham ficado rígidos. foi sepultada na Igreja de Santa Clara. Além das investidas diabólicas.
pelas mãos de Maria. ele estava totalmente mofado. curto. apesar de deteriorado. exultemos e n’Ele alegremo-nos” (cf. as razões da alegria manifestada por tantos consagrados? Quais as vantagens de uma tão radical entrega. o fato de Maria dar em troca o que Ela tem de melhor: seu próprio Divino Filho. Luigi. porém. Testemunhos Ser escravo: um privilégio! Testemunhos de variadas partes do Brasil expressam a gratidão de inúmeras pessoas pelos benefícios recebidos após a consagração como escravo de amor a Jesus Cristo. Quais são. encanto do Deus Altíssimo! 1 Todas as citações entre aspas foram tiradas da obra: TRAVAERSO. Dele emana uma singular aura da santidade própria a esta alma de escol. Adilson Costa da Costa Maravilhas fez conosco o Senhor. revestido com o traje azul que substitui o antigo hábito franciscano. sem dúvida. Belo Horizonte: Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Monte Calvário. o corpo de Santa Virgínia permanece flexível. Vida e apostolado da Santa Virgínia Centurione Bracelli. seguindo o método ensinado por São Luís Maria Grignion de Montfort no seu Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem? O mais alto e sublime motivo para fazer tão radical entrega é. 3). 1960.entregá-lo às irmãs do Refúgio. Hoje. Foi preciso retirar- lhe o hábito e limpá-lo com cuidado. perfeito e . pelas mãos de Maria. Sl 125. fazem a sua consagração como escravos de amor a Jesus Cristo. Não em vão indica São Luís ser esta devoção “um caminho fácil. As palavras do salmista bem poderiam expressar o júbilo e a gratidão de inúmeras pessoas que. por meio de cursos ministrados pelos Arautos do Evangelho.
concedendo aos seus escravos numerosas prerrogativas. tudo fica mais fácil. obtidos por aqueles que se entregam como escravos de amor a Jesus. Força e coragem para enfrentar as dificuldades Com efeito. algumas tão excelentes que excedem a compreensão humana. não satisfeita em revelar essa privilegiada via para se tornar um outro Cristo. Em consequência. tenho- A presente em meu dia a dia através do Santo Terço”. mas graças ao colo acolhedor de Nossa Senhora de Fátima. e até mesmo materiais. ‘que tudo é permitido’”. e nisto consiste a perfeição do cristão”. Nossa Senhora vai falando em nossos corações e ensinando aquilo que mais agrada a seu Filho Jesus. E. mas após a consagração. Maria cuida e alivia as dores de seus filhos. pois antes achava que o modo de nos vestir não influenciava em nada na nossa vida cristã. com o auxílio da nossa Mãe nas dificuldades. pois aprendi que uma vida sem oração é uma vida vazia”. Muitas provações surgem em minha vida. pelas mãos de Maria.1 Ora. acrescenta: “Meu estilo de roupa também mudou.2 Testemunhos recebidos de variadas partes do Brasil ajudar-nos-ão a conhecer de forma viva e convincente alguns dos abundantes benefícios espirituais. sendo a melhor de todas as mães. declara: “Aprendi que as provações são para o nosso crescimento e. E quantos são os sofrimentos pelos quais passam os degredados filhos de Eva nesta terra! Laninha Pelisson Siqueira. A seguir. além de amá-La mais. comunicando-lhes força e coragem para enfrentar a tribulação. manifestando sua confiança na bondade materna de Maria. . depois de um ano de consagrada. mas aprendi que a modéstia é muito importante e que não é verdade o que o mundo nos ensina. Devemos entregar nas mãos d’Ela todas as preocupações cotidianas. afirma a capixaba Cleidinéia Vieira Calixto ao relatar sua experiência após a consagração a Nossa Senhora. Nossa Senhora ajuda poderosamente a percorrê-la. pois Ela nunca deixa sem resposta o pedido de um filho consagrado ao seu Imaculado Coração”. esta consagração constitui “um meio admirável para perseverar na virtude e ser fiel”. conclui: “Depois da consagração. Já amava Maria antes.seguro para chegar à união com Nosso Senhor. Ela vai ensinando o que mais agrada a seu Filho “Meus hábitos de oração foram os primeiros a mudar. consigo superá-las.
Consagrou-se solenemente no mesmo dia em que celebrava o aniversário de seu matrimônio. meu esposo obteve o diagnóstico de sua doença. resolveu atender ao convite que recebera para participar de um curso preparatório para consagração a Nossa Senhora.4 A Santíssima Virgem tem para com eles um amor cheio de afeição e dispõe-Se a auxiliá-los também em suas necessidades terrenas. desta vez durante o período em que realizava o curso preparatório para a consagração na comunidade dos Arautos do Evangelho dessa cidade. Gn 27). nos coloca nos braços do seu Filho. e tornou-se “uma pessoa mais orante”. como se fossem nozes verdes saturadas de açúcar. experimentou a especial proteção de Nossa Senhora. temos a imensa vontade de que todas as pessoas possam conhecer e se consagrar a Nosso Senhor pelas mãos de Maria e aí sentirem a verdadeira alegria”. comenta jubilosa: “Nossa Senhora é maravilhosa. Auxílio nas necessidades materiais Da mesma forma que Rebeca. Por isso. sob a intercessão de Nossa Senhora de Fátima. ao testemunhar as graças que a Mãe de Deus foi derramando na sua família. ouvir mais e falar menos”. livrou Jacó dos perigos que o ameaçavam (cf. “Sempre acreditei na intercessão da nossa Mãe Maria.Esta experiência expressa o que explica São Luís Grignion3 no Tratado: os servidores de Maria levam suas cruzes com mais facilidade. pois Ela as torna doces. Isso fez uma diferença enorme em minha vida”. e assim relata o primeiro presente recebido da Santíssima Virgem depois de se tornar sua escrava de amor: “Com as graças de Deus. Estando Joicy de Souza Silva Santana em situação financeira difícil e com o esposo doente há mais de dez meses. quando fez a consagração junto com seu esposo. Rejane Machado. em Vitória (ES). mérito e glória. mas foi durante o curso que aprendi a verdadeira devoção a Ela. sem um diagnóstico preciso. de Campo Grande. poucos dias depois. Ele ficou internado durante sete dias e hoje se encontra totalmente curado”. Também Nádia Maria Manhães Guimarães Freire. com seus cuidados e habilidade. esta bondosa Mãe jamais cessa de defender e proteger os seus servos. de Campos dos Goytacazes (RJ). . Conta-nos que nas reuniões aprendeu “a ser mais paciente.
sua filha e duas amigas estavam retornando do Rio de Janeiro. estando sempre presente em obras sociais.Ela. Inspirada. como nos afirma o casal Everton Luiz e Liliane Perucci. se purificarem das menores manchas e encontrarem plenamente a Jesus. Ainda da capital baiana chegam as expressivas palavras de Carlos Augusto dos Reis a respeito do aprendizado no curso preparatório: “Foram-me passados muitos conhecimentos sobre a Igreja Católica. com risco de se chocar com outros veículos. estou consolidando e aprofundando- os. fez internamente uma oração pedindo que nada ocorresse. doce cadeia que nos prende a Deus. e o carro se estabilizou. Agradecida pelo amparo celeste. vínculo de amor que nos une aos Anjos. comenta: “Eu senti fortemente a presença de Nossa Senhora e isto me confirmou que estava no caminho certo. sem que houvesse nenhuma colisão. e isto só veio acrescentar e aumentar mais a minha fé. eu tenho a honra de ser toda de Nossa Senhora”. como nota distintiva de sua entrega. Já consagrado. ressalta uma das práticas particulares dos verdadeiros consagrados à Mãe Celeste: “Ó Rosário bendito de Maria. ao narrar as mudanças operadas por Maria em suas vidas. quando seu automóvel derrapou devido a forte chuva na estrada. para aí ficarem abrasados de amor. É Ela quem me daria o livramento também em todas as outras situações difíceis que estava passando”. salve Maria”. eis ao que a graça move os consagrados a Nossa Senhora. crescendo cada vez mais no meu amor à Igreja Católica. como cristã praticante. Agradeço aos Arautos pelos conhecimentos adquiridos e pela minha consagração a Jesus pelas mãos de Maria”. Tudo mudou! Comecei a rezar o Terço todos os dias e a frequentar as Missas. Hoje. a Nossa Senhora e a Nosso Senhor Jesus Cristo. Faço parte da equipe litúrgica e da Pia União de Santo Antônio na minha comunidade. . Carregados no colo por Maria Santíssima Atirar-se até esconder-se e se perder de um modo admirável no regaço maternal da Santíssima Virgem. familiar e cristã. E. Rosilene Quadros Souza Amorim iniciou um novo capítulo de sua existência e devoção a Maria após o curso de consagração feito em Salvador (BA): “Passei por uma transformação espiritual na minha vida pessoal. “Tenho a honra de ser toda de Nossa Senhora” Encantada pelos temas apresentados por São Luís no Tratado.
desprezam-nos. enquanto eles mesmos fazem fortuna. vivem em situação esplêndida.Sofrendo por ver seu filho doente e sem sucesso no tratamento médico. De fato. Tornamo-nos esquisitos para o mundo aí fora – o que nos deixa de certa forma bastante felizes. que sempre os levou pela mão. disciplinada e empenhada nos estudos apesar de todas as dificuldades”.5 Ciente dessa realidade. para que cheguem a transformar-se em Jesus Cristo.6 . enriquecem. se engrandecem e levam vida folgada”. Rogério conclui: “Temos muito que crescer espiritualmente. finalmente. até a consagração a Nossa Senhora: “Hoje posso dizer que tudo na nossa vida melhorou muito. Nosso matrimônio chegou à maturidade e meus filhos pequenos rezam conosco diariamente o Terço. de graça em graça e de luz em luz. enganam-nos. reduzem-nos a pó. pois é o sinal mais pungente de que estamos no caminho certo”. ensina São Luís no Tratado que “os réprobos. Maria Santíssima nos trouxe até aqui e Ela não deixará o trabalho incompleto. mas após a consagração os carrega no colo. pediram com muita fé o auxílio d’Ela. rumo à união com Nosso Senhor Jesus Cristo”. alcançarmos a nossa salvação!” E reconhecem que só conseguirão progredir na virtude com o auxílio da Mãe Santíssima. sem precisar de nenhum remédio. o estopim de nossas vidas se deu após a concretização de nossa consagração a Jesus Cristo através de Maria. odeiam e perseguem diariamente os predestinados. É Ele quem conduz à perfeição as almas. Sinal de estar seguindo o caminho certo Da capital paranaense. roubam-nos. Rogério Peixoto narra seu encontro com os Arautos. com a consciência de que queremos carregar nossas cruzes e sofrer para. gozam de seus prazeres. com mérito. tornou-se uma criança mais calma. Prejudicam- nos quanto podem. sendo prontamente atendidos: “Fomos a uma Missa nos Arautos do Evangelho em São Carlos (SP) por uma insistência de nossa filha – mas sem conhecer a totalidade desta obra – e desde então nosso filho. O casal Perucci também admite: “No entanto. no dia de Nossa Senhora das Dores. fazendo-as progredir de virtude em virtude. em segredo ou às claras. Verdadeiro modelo a ser seguido Todo avanço na vida espiritual é obra do Espírito Santo. mas agora sabemos que existe a graça de Deus e que a santidade depende da atuação dela. a partir das primeiras vezes em que sua esposa e ele foram assistir à Missa na casa da instituição.
dentre muitos que poderiam ser citados. de Recife (PE): “Fiz o curso de consagração a Nossa Senhora na Sede dos Arautos do Evangelho e foi por intermédio dele que descobri cada vez mais a beleza da Santa Igreja. meu corpo e minha alma. e assim o realça a própria fórmula composta por São Luís: “Entrego-Vos e consagro-Vos. E complementa: “Também comecei a ver Nossa Senhora como verdadeiro modelo a ser seguido. procuro evitar. deixando-Vos direito pleno e inteiro de dispor de mim e de tudo o que me pertence. roupas… Fui buscando usar roupas mais modestas e procuro passar esse modo de ser e agir para minhas filhas. porque é a mais honesta e a mais generosa de todas as puras criaturas. sem exceção. E por um ovo. Aumentei a frequência às Confissões e passei a rezar mais”.8 . isto é. vindos de outros países e estados do Brasil. ilustram quanto a consagração a Jesus Cristo por meio de Maria Santíssima faz crescer espiritualmente as almas e as coloca sob sua especial proteção. por pouco que Lhe demos Ela dá mais do que recebeu de Deus”. “Maria Santíssima.7 Mas. meus bens interiores e exteriores. Maria não Se deixa vencer em generosidade Estes testemunhos. no tempo e na eternidade”. na qualidade de escravo. tudo bem. diz um santo homem Ela dá um boi. amizades. mas senão. presentes e futuras. mas depois comecei a assistir à Missa diariamente. Passei a ir às Missas dominicais. e até o valor de minhas obras boas passadas. para a maior glória de Deus. O amor a Nosso Senhor foi crescendo em mim.Mas para Ele nos obter essa tão anelada união é preciso recorrermos à misericordiosa intercessão da Mãe de Deus. Assim também procedo no que diz respeito aos hábitos. não Se deixa vencer jamais em amor e liberalidade. oh maravilha! Como afirma o Tratado. conversas. É bem verdade que esta devoção exige nos abandonarmos completamente nas mãos de Maria. É o que relata Lidiane Cristina Rocha. tipos de lazer. Em muitos momentos procuro pensar: ‘Será que Nossa Senhora frequentaria determinado lugar?’ Se a resposta for positiva. Peço a Nossa Senhora a graça de ser uma santa mãe e que minhas filhas sigam meus exemplos muito mais que minhas palavras”. a vosso gosto.
154. São Paulo.118. n.9 E o nosso mundo. 29 jan. presidiu a Eucaristia celebrada em honra a Nossa Senhora de Fátima. 8 Idem. Por intercessão de Maria realizou-se o milagre das bodas de Caná. n.175-176. p. p. 6 Cf. uma imensa volta das almas arrependidas para os valores eternos da Fé Católica”. p. 28. p. 9 CORRÊA DE OLIVEIRA. p. segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort.Que venha o Reino de Maria! Nestes dias em que a humanidade se encontra num extremo de degenerescência. p. Que venha o Reino de Maria nos corações e que ele seja estabelecido sobre a face da terra! 1 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. na qual “a água se transformará em vinho excelente. 7 Idem. 3 Cf.181. n. Idem. Dom Nicola Girasoli. De forma análoga.168. derrama graças abundantíssimas. o melhor vinho da História”.148. em ardorosas palavras. todos se ajoelharam e fizeram um breve ato de consagração a Nossa Senhora.190.ed.145. n. 2 Idem. n. 5 Idem. Peru – Por ocasião do dia 13 de outubro o Núncio Apostólico no Peru. n. Conferência. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem.182-183.210. p. Após a homilia. na Paróquia .152. Idem. 1967.282. Plinio. Nossa Senhora deseja ser mais generosa do que nunca para com os seus filhos e. 4 Cf. sobre aqueles que assim se entregam a Ela. Idem.201-202. Concelebraram o pároco e diversos sacerdotes Arautos. Estados Unidos – Cento e quinze fiéis se consagraram solenemente à Virgem Maria. Petrópolis: Vozes. 2000. transformar-se-á naquele Reino de Maria cuja grandeza São Luís Grignion de Montfort descreveu profeticamente. haverá uma transmutação. conforme Ela mesma predisse em Fátima. p. tão pecador. n.173. “pelas onipotentes súplicas da Virgem Santíssima.119. prenunciadoras do momento em que seu Imaculado Coração triunfe em toda a terra.
Novo Oratório. os participantes percorreram em procissão as ruas do centro da cidade. Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto. EP. A seguir. em Houston. OFM. meus caríssimos irmãos. 16-17). nos arredores de Braga. O curso preparatório foi ministrado por Cooperadores dos Arautos do Estado do Texas. e concelebrada pelo Pe. no 101º Aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. presidida pelo Arcebispo Metropolitano. Equador – Centenas de fiéis acorreram à Catedral de Guayaquil para participar da Missa pelo 101º aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. e culminou na Eucaristia presidida por Dom Jorge Ortiga. Luis Manuel Pérez. centenas de fiéis se reuniram para uma solene Eucaristia celebrada por Mons.de São Justino Mártir. Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas. e desce do Pai das luzes” (Tg 1. Cônego da Catedral. e concelebrada por sacerdotes dos Arautos do Evangelho. A cerimônia foi marcada pela entronização e coroação da Imagem Peregrina do Imaculado Coração de Maria. nova vitória de Maria! O ão vos enganeis. foi rezado um terço processional pelas principais ruas da cidade. Dom Luis Cabrera. norteou e tornou plena a alegria dos que acorreram à solene . México – Na Catedral Metropolitana da Cidade do México. Portugal: Arcebispo Primaz preside cerimônia no Sameiro Mais de dois mil e quinhentos fiéis de diferentes dioceses de Portugal reuniram- se na cripta do Santuário do Sameiro. Com estas palavras São Tiago Apóstolo deixa consignado em sua epístola um princípio sobrenatural que bem ilustrou. Terminada a Eucaristia. Álvaro Mejía. para renovarem de maneira solene a Consagração à Virgem Maria.
este verdadeiro estandarte da vitória de Maria ficou cravado para todo o sempre nas montanhas friburguenses. e o Pe. Coube a Dom Edney. Bispo Diocesano de Nova Friburgo. E um telão teve de ser instalado num recinto anexo para que pudessem acompanhar a cerimônia aqueles que não tinham lugar no interior do local (foto 6). abençoar o altar derramando óleo sobre ele (foto 1) e presidir a Solene Concelebração (foto 2). EP (foto 3). Dom Edney Gouvêa Mattoso. fizeram o cortejo das oferendas (fotos 4 e 5). além de alguns sacerdotes dos Arautos do Evangelho. Desde o dia 13 de maio de 2016. Dom Jorge Alves Bezerra. para a maior glória de Deus. A celebração contou ainda com a participação do Vigário Geral da Diocese. Pe. Walmir Bortoletto. Com a bênção do pastor No último dia 13 de outubro. Lourenço Ferronatto. Desta forma. Marcus Vinicius Macedo. pelo período de doze horas. No fim. e diversos presbíteros diocesanos. um fervoroso grupo deles vem realizando diariamente uma Adoração ao Santíssimo Sacramento na Capela São Pedro Julião Eymard. Lourenço Ferronatto. Aconteceu na igreja e no Mundo Diocese de Paracatu inaugura Adoração Eucarística na catedral A Diocese de Paracatu tem sido particularmente abençoada por Deus pela assinalada piedade eucarística de muitos dos seus fiéis. Vigário Geral da Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli.cerimônia de dedicação do altar de mais um Oratório dos Arautos do Evangelho. A Adoração se inicia às 6:30h com uma Missa presidida pelo Bispo. Ritual cheio de beleza e significado Mais de quinhentas pessoas participaram da cerimônia litúrgica e acompanharam passo a passo o belíssimo Ritual da Dedicação. SSS – qualificado por uma das adoradoras de “profundo . entre os quais o Pe. muito florescente na cidade. diretor dos Arautos em Nova Friburgo e cerimoniário-mor da cúria diocesana. desta vez em Nova Friburgo (RJ). ele felicitou com um forte abraço o Pe. presidiu a solene dedicação do altar e bênção do Oratório Nossa Senhora de Fátima. com a bênção do pastor. EP. EP. Jovens do setor feminino.
incentivador e promotor da vida orante, fraterna e servidora” –, e se encerra no
fim da tarde.
Tendo ficado pequena a antiga capela para acolher todos os fiéis, desde o dia 2
de outubro a Adoração está sendo feita na Capela do Santíssimo da Catedral de
Santo Antônio, bem maior que o local anterior.
Relíquia de São Pio de Pietrelcina nas Filipinas
De acordo com os dados publicados pela imprensa local, cinco milhões de
filipinos veneraram o coração incorrupto de São Pio de Pietrelcina durante as
três semanas de peregrinação pelas cidades de Manila, Cebu, Davao e Lipa,
entre os dias 6 e 26 de outubro. Trata-se de uma afluência de pessoas sem
precedentes na história da Igreja Católica nas Filipinas, país que, entretanto,
brilha pelas suas multitudinárias manifestações de fé.
Inglaterra redescobre o Rosário
Para comemorar o mês de outubro, tradicionalmente dedicado ao Santo Rosário,
os sacerdotes da Diocese de Liverpool, Inglaterra, foram incentivados por seu
Arcebispo, Dom Malcolm McMahon, OP, a estimular entre os fiéis a recitação
diária do Terço. Para isso, deveriam explicar nas homilias os benefícios dessa
devoção e o modo de praticá-la, lembrando ser possível rezar o Rosário em
qualquer momento do dia, até mesmo durante uma caminhada ou enquanto se
espera num ponto de ônibus.
Cabe destacar também outras iniciativas em prol do Terço promovidas
recentemente na Inglaterra, como a Cruzada do Rosário em Londres, ocorrida
no dia 13 de outubro, durante a qual duas mil pessoas o rezaram
processionalmente nas ruas adjacentes à Catedral de Westminster, e o Rosário
de Costa a Costa, que reuniu mais de dez mil católicos no mês de abril.
O incentivo à recitação do Santo Rosário se insere também nos preparativos
para se renovar a consagração da Inglaterra como “Dote de Maria”, a ser
realizada em 2020 no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Walsingham.
Essa consagração é conhecida no Reino Unido desde o século XI.
Simpósio sobre canonização da Rainha Isabel de Castela
Entre os dias 15 e 19 de outubro, foi realizado na cidade de Valladolid, Espanha,
o simpósio internacional Isabel, a Católica, e a Evangelização da América.
Organizado pela comissão que promove a canonização dessa piedosa rainha
espanhola, o congresso teve como ponto central a consideração das suas
virtudes e sua exemplaridade na Fé.
Valladolid foi escolhida como sede por ser o local onde Isabel faleceu. Nessa
arquidiocese teve início, em 1958, o processo de beatificação, cuja fase
diocesana se concluiu em 1972.
Escolas católicas se destacam pela qualidade nos Estados
Unidos
Em cerimônias realizadas nos dias 7 e 8 de novembro, a Secretária de Educação
dos Estados Unidos, Betsy DeVos, outorgou o prêmio de excelência na
educação aos melhores estabelecimentos de ensino do país, sendo galardoadas
trezentas escolas públicas e quarenta e nove privadas. Destas últimas, quarenta
e quatro são escolas católicas.
Os colégios católicos escolhidos se encontram em dezessete dioceses de treze
estados americanos. O presidente da National Catholic Educational Association,
Thomas W. Burnford, comentou: “Como as escolas católicas trabalham juntas
na missão comum de integrar conhecimento e fé na vida dos jovens, a honra de
ter recebido o National Blue Ribbon Schools confirma a excelência desse
trabalho e distingue essas escolas como comunidades notáveis”.
O reconhecimento National Blue Ribbon Schools se baseia no desempenho
acadêmico e progresso contínuo na qualidade de ensino. Este é o 36º ano que
o evento ocorre.
Site promove e explica a consagração a Maria
Um novo site dedicado a promover a consagração a Nosso Senhor Jesus Cristo
pelas mãos de Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort,
acaba de ser lançado na internet. Seu endereço é: https://www.matercoeli.com/.
Nele são apresentadas informações básicas sobre o Tratado da verdadeira
devoção à Santíssima Virgem, escrito pelo santo francês no século XVIII, e sobre
os motivos que levam a realizar essa consagração. Fornece também, após ter
se escolhido a data para realizá-la, um curso de trinta e três dias, durante os
quais são enviados diariamente orações e textos preparatórios por e-mail. Por
enquanto, só está disponível em espanhol.
Círio de Nazaré reúne milhões de brasileiros
Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social
do Pará, mais de dois milhões e meio de fiéis participaram neste ano das duas
principais procissões do Círio de Nazaré. Na procissão da noite de sábado, dia
13 de outubro, 1,3 milhão de pessoas acompanharam a passagem da berlinda
que conduz a imagem de Maria Santíssima; no domingo, verificou-se a presença
de 1,16 milhão de fiéis.
Instituído no ano de 1793 em Belém do Pará, o Círio de Nossa Senhora de
Nazaré é uma das maiores manifestações de devoção mariana de todo o mundo.
Costuma congregar mais de dois milhões de participantes. Durante os dias
prévios, são celebradas vigílias e diversas romarias rodoviárias e fluviais.
Mais uma capela de Adoração
Perpétua em Valência
No dia 21 de outubro, foi inaugurada mais uma capela de Adoração Eucarística
Perpétua no Mosteiro do Santo Sepulcro, na cidade de Alcoi, Espanha. É a sexta
do gênero erigida na Arquidiocese de Valência.
A Missa inaugural foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Cardeal Antonio
Cañizares Llovera, na vizinha Igreja de São Mauro e São Francisco. Ato
contínuo, o Santíssimo Sacramento seguiu em procissão até o mosteiro, sendo
acompanhado por autoridades civis e militares, e saudado ao longo do caminho
pelo repicar dos sinos das igrejas. Na chegada à nova capela, foi dada a bênção
eucarística e iniciou-se a Adoração Perpétua.
Os turnos de Adoração estão sendo organizados e supervisionados pelas
Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, instituto pertencente à Família
Religiosa do Verbo Encarnado, que desde janeiro deste ano assumiu o histórico
mosteiro de freiras agostinianas.
Vaticano publica documentário
sobre milagres eucarísticos
Sob os auspícios do Dicastério para a Comunicação, foi apresentado no dia 30
de outubro, na Filmoteca Vaticana, um documentário intitulado Sinais. Nele são
narrados alguns milagres eucarísticos aprovados pela Igreja e bem estudados
do ponto de vista médico, entre os quais os ocorridos recentemente em Buenos
Aires e nas cidades polonesas de Sokolka e Legnica, bem como o acontecido
no século VIII em Lanciano, na Itália.
ressaltando o fato de eles terem se tornado centros de peregrinação e o aumento da fé propiciado por esses prodígios. pois muitos sacerdotes zelosos haviam sido martirizados… . O documentário foi inspirado pela devoção eucarística de Carlos Acutis. cujos habitantes estavam impedidos de comemorar o nascimento do Homem-Deus. tudo na natureza parecia cantar o solene dia que ia começar: 25 de dezembro! Mas. sem Missa e sem cânticos. No filme são apresentadas análises médicas que revelam dados tão significativos quanto tratar-se de sangue humano do tipo AB. saqueadas ou até queimadas em toda a França. jovem falecido em 2 de outubro de 2006. e recolhe declarações de habitantes desses locais. ou corresponder a células de miocárdio humano o fragmento de tecido entregue ao laboratório sem revelar sua origem.. tanto sacerdotes quanto leigos. o que terá acontecido? Será que ele fugiu de casa e veio se esconder aqui?! Será talvez um órfãozinho? Em qualquer caso.. Reinava a tristeza no país. e o suave júbilo emanado da paisagem não parecia harmonizar-se com a soturna atmosfera daquele povoado. o que estava acontecendo? Era já quase meia-noite e não se ouvia tocar os sinos da matriz convocando os fiéis para a Missa do Galo… Naquele ano.O trabalho chama a atenção para a diversidade de lugares onde os milagres se deram. EP Ao contemplar as colinas cobertas por um manto branco. O Natal só podia ser celebrado às escondidas. é preciso ajudá-lo!” Ir. que se dedicou a recolher e publicar notícias sobre milagres ocorridos com o Santíssimo Sacramento. História para crianças. Teresinha Karina Lorayne Herdy Cobiceiro Zebendo. muitas igrejas foram fechadas. ou adultos cheios de fé? O órfãozinho e a marquesinha Ao vê-lo a menina pensou: “Pobrezinho! Certamente está com fome… Mas.
Corriam os anos e a menina. dando-lhe ordem de levá-la embora. pronta a enfrentar os invasores. a criada incumbida de cuidar da criança. . sua herdeira. Inseguros e furiosos diante da dignidade daquela família. Passou-se algum tempo sem que o nobre casal fosse incomodado por praticar sua Fé. bem longe de Paris. a situação era um pouco diferente. não resistiu. Ela viera ao mundo três anos antes. a marquesa se dirigiu ao salão junto com seus familiares. Certo dia em que se encontrava sozinha. Em prantos e apertando fortemente contra o peito a imagem do Menino Jesus. Em poucos minutos a confusão tomou conta do castelo. Marie. encomendou a uma de suas criadas o cuidado de sua filha. criada por seus pais adotivos num ambiente alheio a qualquer prática religiosa. E prevendo o destino que a esperava. Casou-se com um ateu e mudou o nome de Thérèse para Jane. Temendo sofrer a mesma sorte. bem como o de Thérèse. no qual Jane estava proibida de mexer. No castelo da família La Roche. optou por se acomodar aos ditames da Revolução. da qual havia perdido toda lembrança. os bandidos arrancaram a pequena dos braços da marquesa e a lançaram nas mãos de uma das domésticas. Thérèse jogou-se no colo de sua mãe. Logo foi consagrada a Jesus Menino por sua mãe e recebeu como presente uma imagenzinha do Divino Infante. o marquês e sua esposa dispunham-se a festejar o nascimento do Menino Deus. os agitadores chegaram até o lugar onde todos se reuniram. Quebrando tudo o que havia pelo caminho. mas certo dia um ruidoso bando de malfeitores começou a se fazer ouvir nas proximidades… Tomando rapidamente Thérèse nos braços. às margens do Rio Loire. a fim de apagar qualquer indício de sua ancestralidade.Entretanto. ela decidiu abri-lo… E qual não foi sua surpresa ao encontrar no seu interior um Menino vestido com roupas belíssimas! Era a imagem que seus pais lhe deram por ocasião do Batismo. exatamente no dia de Natal. Para a menina era a despedida: seus pais dali seriam conduzidos à guilhotina. Marie ali a ocultara receosa de que alguém a profanasse e mais receosa ainda de que seu marido a descobrisse. sentia na alma um vazio que a impelia a procurar avidamente uma realidade superior… Havia no sótão da casa um misterioso baú.
quando todos na casa dormiam. mas ela ficou órfã e nós dois fomos entregues aos cuidados de uma criada. entoou a melodia de uma conhecida música natalina que fez surgir no coração de Thérèse vivas lembranças da sua primeira infância. ela dirigiu-se pé ante pé até o sótão. explicou-lhe que ela também viera ao mundo num 25 de dezembro. Contou-lhe quem haviam sido seus pais. conte-me como você foi parar neste baú… — A história é muito longa. Jane ouviu a voz de Marie entrando na casa e guardou rapidamente o Menino no móvel. desvendou os mistérios do seu passado. e. Marie percebeu que Jane estava muito pensativa. A pequena aproveitou para subir ao sótão e se encontrar com o Menino Jesus. que lhe perguntou: . revelou-lhe seu verdadeiro nome. abriu o baú e disse baixinho: — Jesus. Já faz quatro anos que isso aconteceu… Quando ia indagar mais sobre a tal menina. sem saber muito bem por que. enquanto comia. a imagem lhe respondeu: — Meu nome é Jesus. a marquesinha pensou: “Pobrezinho! Certamente está com fome… Mas. Fui dado como presente de Batismo à filha de uma família de marqueses. E o seu? — Jane. E. ofereceu-lhe um pouco de leite quente. para finalizar. é preciso ajudá-lo!” Retirou-o do baú. Ao amanhecer. No dia seguinte. À meia-noite. por favor. perguntando: — Qual é o seu nome? Tomando vida. sentou-o numa mísera cadeira. Mas. Jane teve a ideia de oferecer- Lhe um bom jantar. Era um 24 de dezembro. mas não deu maior importância e saiu para fazer algumas encomendas. venha! Hoje você terá um jantar especial! O Menino saltou ao pescoço dela e contemplou encantado as singelas iguarias que Jane tinha conseguido reunir para homenageá-Lo. o que terá acontecido? Será que ele fugiu de casa e veio se esconder aqui?! Será talvez um órfãozinho? Em qualquer caso.Ao vê-la.
unida ao coro dos Bem-aventurados. Enviado como missionário junto aos anglos pelo Papa Honório I. muitos habitantes do povoado choraram. . presbítero (†1552 Sanchoão .China). São Francisco Xavier. Beato Simão Yempo. Convertida por Santo Hilário. ela recebeu por missão defender e alimentar a inocência das crianças de todos os tempos. mártir (†1623). Thérèse saiu pelas ruas da cidade levando-O em seus braços enquanto cantava músicas natalinas. 3. o sangue de Thérèse juntara-se ao do seu amado Jesus. logrou a conversão do Rei Cinegilso e fixou sua sede episcopal em Dorchester. I Domingo do Advento. Santa Florência. Os santos de cada dia 1. presbítero e Doutor da Igreja (†c. Fundou conventos de Clarissas Capuchinhas nas cidades de Saragoça e Múrcia. Na juventude ingressou num mosteiro budista. Beata Maria Ângela Astorch.— Quereis ir para o Céu comigo? — Claro que sim! – respondeu – O que preciso fazer? Conversaram brevemente e. onde. O oferecimento da pequena tinha sido aceito. a seguir. IV). São Birino. As sublimes conversas que iniciaram na terra haviam de continuar no Céu. Foi preso e condenado à fogueira durante as perseguições no Japão. abadessa (†1665). Bispo (†650). Porém. Vendo-a. 749 Mar Saba - Israel). poucos se converteram… Tamanha ousadia não podia ser tolerada por quem havia se libertado da “tirania” e “superstição” cristãs. virgem (†séc. pois nem os mais valentes tinham coragem para proclamar sua Fé em tempos tão conturbados. retornou com ele à França e viveu como eremita em Comblé. seguiu-o em seu exílio na Ásia Menor. São João Damasceno. mas depois abraçou a Fé Católica. Cruéis revolucionários se precipitaram sobre a menina. arrancaram a imagem de suas mãos e mataram-na a pauladas e golpes de faca. 2. 4. na Espanha.
na Palestina. 9. São Pedro Fourier. por fim. mártir (†1840). Beato João Marinoni. Escolheu para exercer seu ministério a paupérrima paróquia de Mattaincourt. Espanha. Órfão pagão adotado no Vietnã por uma família cristã. Jovem costureira equatoriana que. presbítero (†1562). e fundou o Instituto das Cônegas Regulares de Santo Agostinho. foi enviado com outros monges para fundar um mosteiro na Alemanha. . Santo Ambrósio. Preso por ter dado hospedagem aos missionários. 7. Bispo e Doutor da Igreja (†397 Milão .Itália). sobretudo. onde dedicou-se à oração e às boas obras. pai de numerosa família e. 10. IV Mira . Religioso mercedário eleito Bispo de Jaén. II Domingo do Advento. França. Papa (†741). monge (†1179). decapitado. Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Papa (†384 Roma). 13. São Dâmaso I.Itália). lutou contra os iconoclastas. o Silencioso. Foi capturado pelos mouros e decapitado após quatro anos de cárcere em Granada. Santa Narcisa de Jesus Martillo Morán. onde morreu após atrozes suplícios. Turquia). socorreu os pobres e favoreceu a vida religiosa. Por ter grande amor ao silêncio e ao recolhimento.5. São Gregório III. Alemanha. Beato Narciso Putz. São Pedro Pascual. Bispo (†séc. padroeira da América Latina. Bispo (†558). foi admitida na vida comunitária no Convento dominicano do Patrocínio. Santa Luzia. São João Diego Cuauhtlatoatzin (†1548 Cidade do México). Sacerdote polonês encarcerado no campo de concentração de Dachau. virgem e mártir (†c. 8. presbítero (†1640). Beato Davi. foi barbaramente torturado e. 304/305 Siracusa . após uma vida de intensa oração e penitência. renunciou ao Episcopado de Colônia da Armênia e foi viver na Laura de São Sabas. São Simão Phan Dac Hoa. Peru. em Lima. cristão fervoroso. Sacerdote da Ordem dos Teatinos. São João. Tornou-se médico afamado. Incentivou a pregação do Evangelho aos germanos. Nossa Senhora de Guadalupe. presbítero e mártir (†1942). 6. Bispo e mártir (†1300). 12. virgem (†1869). Admitido por São Bernardo na Abadia de Claraval. 11. São Nicolau.
590). Itália. Fundou em Bréscia. Itália. 20. Destacou-se por seu grande zelo pastoral na Diocese de Utrecht. Paralítico desde a infância. ficando conhecida como a “Mãe dos pobres”. imperatriz (†999). onde viveu como irmão leigo. IV Domingo do Advento. Holanda. 1200). 19. religioso (†1860). 16. transtornada pela invasão dos normandos. Alemanha. que.dedicou-se junto a São Caetano à reforma do clero e assistência aos necessitados. cheio de amor a Deus. Posteriormente. Trabalhador manual em Koblenz. . 18. Santo Hungero. III). fundou a Congregação dos Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora. 14. Um dos primeiros monges da Cartuxa de Casotto. Beata Francisca Schervier. virgem (†1876). Pregou o Evangelho na Gália e foi o primeiro Bispo de Tours. 15.Suíça). mostrou-se cheia de caridade para com os indigentes e construiu várias igrejas e mosteiros. São João da Cruz. Fundou a Congregação das Irmãs dos Pobres de São Francisco. 22. dedicou-se ao serviço dos doentes. na Bélgica. 23. que se encontrava quase em ruínas. abadessa (†1170). doentes e aflitos. Santa Maria Crucifixa de Rosa. restabelecendo nele a observância e prática do louvor divino. 17.Espanha). presbítero e Doutor da Igreja (†1597 Friburgo . São Sérvulo. presbítero (†1473 Cracóvia .Polônia). abade (†1073). virgem (†1855). São João Câncio. III Domingo do Advento. presbítero e Doutor da Igreja (†1591 Úbeda . o Instituto das Servas da Caridade. Beato Pedro Friedhofen. Santa Adelaide. Beato Guilherme de Fenoglio. pedia esmolas no pórtico de uma igreja de Roma e compartilhava com outros pobres o que recolhia. Dedicou-se ao cuidado dos necessitados. Bispo (†séc. Primeira superiora do Mosteiro de Santa Maria de Grand-Bigard. Espanha. Santa Vivina. São Pedro Canísio. religioso (†c. São Graciano de Tours. Esposa do imperador do Sacro Império Oto I. restaurou o mosteiro beneditino de Silos. Bispo (†866). Após ter sido eremita. 21. São Domingos de Silos. o Paralítico (†c.
São Silvestre I. Bispo de Ivano-Frankivsk. Tailândia. Maria e José. fundou em Tivoli. Beatas Inês Phila. diácono e protomártir. . De família nobre romana. Bispo e mártir (†1945). 30. viúva (†400). certas almas procuram a Deus fazendo reluzir em si a alegria inocente. fundou um hospital e dedicou-se a uma vida de orações e penitência. Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por se recusarem a negar a Fé Católica. Lúcia Khambang e companheiras. 29. 28. Foi modelo de caridade e paciência. Religiosa das Filhas da Caridade. VI). o Instituto das Irmãs do Divino Salvador. impor disciplina e determinar dias de jejum e festas em sua diocese. Santa Tarsila. Apóstolo e Evangelista. 31. morto no cárcere em Kiev. Papa (†335 Roma). em Paris. Itália. mártires (†1940). Filho de Jessé de Belém. Santos Inocentes. São João. Bispo (†491). Saltitantes como cervos Assim como o cervo percorre saltitante vales e montes em busca da fonte de água viva. virgem (†1907). Tia de São Gregório Magno. Lutou durante trinta anos para propagar a Fé. Santa Fabíola. o qual elogiou sua exemplar vida de oração. recolhimento e penitência. Beato Gregório Khomysyn. De sua estirpe nasceu o Salvador. trasladou a Arca da Aliança do Senhor para a cidade de Jerusalém. Santa Catarina Labouré. São Perpétuo de Tours. Festa da Sagrada Família de Jesus. virgem (†1876). virgem (†séc. mártires. De origem alemã. Ucrânia. Beata Maria dos Apóstolos. recebeu as revelações de Nossa Senhora das Graças. São Davi.24. 27. foram fuziladas no cemitério de Song-Khon. Bispo e mártir (†1170 Cantuária . Santo Estêvão. 25. humilde e vigilante própria ao Espírito Santo. aplicou suas riquezas em favor dos pobres.Inglaterra). 26. rei e profeta. São Tomás Becket.
Jo 4. no reino animal. 8-9). sente-se pairar sobre eles uma inocência cheia de perspicácia. ou um cervo ainda novo!” (2. O meu amado parece uma gazela. O cervo é. EP Ao folhearmos as Escrituras encontramos Jesus sendo comparado com o bom pastor. é deste nobre animal que a casta esposa do Cântico dos Cânticos se serve para nos descrever seus anseios: “É a voz do meu amado! Eis que ele vem saltando pelos montes. mas parece acompanhar nobremente o ritmo de uma música grandiosa. fazer com que todos fujam saltitantes. 2). O cervo não pula de modo descompassado como o cabrito. Embora irracionais. Letícia Gonçalves de Sousa. da qual jorra água para a vida eterna (cf. Olhando um conjunto de cervos enquanto se alimentam da ramagem tenra das árvores. Aparentemente despreocupados. . Nessa esteira de imagens terrenas que nos reportam às realidades sobrenaturais. pulando sobre as colinas. pulando sobre as colinas”… O que será que ele procura? A resposta. única Fonte da água viva capaz de saciar nossa sede. eles parecem viver em pós daquela fonte que Nosso Senhor ofereceu à samaritana. Por isso. ita desiderat anima mea ad te. levantando o rabinho com gesto característico e dando um breve bramido. com a galinha que reúne os pintainhos sob suas asas. convidando quem o contempla a se desapegar da terra em busca de panoramas mais elevados. 14). Deus”1 (Sl 41. a encontramos nas palavras do salmista: “Sicut cervus desiderat ad fontes aquarum. com um cordeiro imaculado e obediente até a morte… Visa assim o autor sagrado servir-se de exemplos muito ao nosso alcance para espelhar as inefáveis perfeições divinas. a imagem do desejo que a alma tem de Deus. basta um notar alguma ameaça para. nos deparamos com um simpático animalzinho que reflete aquelas almas chamadas a procurar a Deus com entusiasmo e alegria: o cervo. “Vem saltando pelos montes.Ir. com um forte leão. Seu salto transborda distinção e elegância. ou passeiam num viçoso gramado.
Maria o é. e a trilhar com saltitante regozijo o caminho que leva à bem-aventurança. séria. Foi vencido quando esta santíssima e augustíssima Virgem deu à luz o Filho de Deus feito homem. assim minha alma anseia por Vós. que não cessa de lhe arrebatar suas vítimas. por sua própria morte. Aprendamos a nos alegrar no Espírito Santo. basta para obrigá-lo a fugir. e o será até o fim dos tempos. pela mesma razão. humilde. inocente. e isso as torna cheias de contentamento. desfazer suas ciladas. vigilante. Zéphyr-Clément Jourdain . À semelhança desses encantadores animaizinhos. transbordante de entusiasmo… A essas almas compete possuir. de modo todo especial. Somente o nome de Maria basta para fazê-lo tremer. a sede de Deus e do sobrenatural. dispostas a carregar o sagrado e suave fardo da virtude com ufania. Quantas coisas podem nos ensinar as criaturas quando consideradas como reflexo das realidades celestes. certas almas são chamadas a fazer reluzir em si a alegria própria ao Espírito Santo. sobre todos os inimigos de Deus. Foi vencido quando Ela foi concebida imaculada. cuja vontade eles executam.Há um designío do Altíssimo para todos os seres. Aquele que vinha sobre a terra para destruir. Pe. a esta Mãe misericordiosa. uma invocação a esta Rainha toda poderosa. Vitoriosa sobre os demônios O demônio foi vencido por Maria uma primeira vez quando Deus anunciou que esta mulher esmagaria sua cabeça. por Maria. Vitoriosa sobre os demônios. ó meu Deus”. e de pôr freio às suas violências. tendo esse desejo entusiasmado do Reino dos Céus! 1 “Como o cervo anseia pelas fontes das águas. Ele foi vencido durante séculos. porque destes é chefe o demônio. o império da morte de satanás.