Você está na página 1de 7

Treinando líderes 1

Aula 12

A importância do treinamento de líderes


Texto básico: Efésios 4.11-12

Leitura diária

D Jr 1.1-10 – Deus vocaciona pessoas


S 1 Co 3.1-9 – Cooperadores de Deus
T I Co 12.20-25 – Diferentes dons no Corpo
Q Ef 4.11,12 – capacitação de líderes
Q 1Pe 2.9-10 – Sacerdócio dos santos
S Mc 10.42-43 – Somos servos
S Jz 6.15 – Servos limitados

Objetivos
Ao final desta aula, o aluno deverá:

a) Saber a importância do treinamento de líderes.


b) Entender que a base de treinamento da liderança não é o pragmatismo, mas sim,
a Escritura Sagrada.
c) Estabelecer estratégias para treinar a liderança na igreja local

A lição numa frase

Uma das razões para o não crescimento das igrejas é a falta de treinamento de
líderes. Para a revitalização da igreja se faz necessário considerar seriamente o
princípio bíblico de que cada membro deve colocar seus dons a serviço do
Corpo.

Introdução

Os membros de nossas igrejas, de um modo geral, se dividem em três


categorias: os que fazem as coisas acontecerem, os que observam as coisas
acontecerem, e os que nem sabem o que estão acontecendo. De acordo com a
descrição dos autores do livro Como Descobrir seu Ministério no Corpo de Cristo,
muitas das nossas igrejas podem ser comparadas a uma partida de futebol, onde
Treinando líderes 2

vemos 22 jogadores em campo, trabalhando exaustivamente e 22 mil nas


arquibancadas, apenas torcendo.1

Quando olhamos para a Escritura Sagrada, a visão bíblica de igreja local é a de


Corpo (1 Co 12). De acordo com a bíblia, cada membro tem a sua função ou
cooperação singular a realizar no Corpo, segundo a capacitação divina que cada
um recebeu (1 Co 12, Rm 12). Se desejamos renovar a vida da igreja, então
precisamos considerar seriamente o princípio bíblico de que cada membro deve
colocar seus dons a serviço do Corpo. Para isto cada membro deve ser treinado
ou aperfeiçoado para a realização do seu ministério (Ef 4:11ss) a fim de
promover o crescimento de todo o Corpo.

1. O QUE É SER LÍDER


A liderança é necessária em todas as áreas da vida, não se restringindo àqueles
que governam o país, ou gerenciam fábricas, empresas ou aos formadores de
opinião. Liderança é uma palavra comum aos cristãos e não-cristãos, muito
embora, o significado do termo não seja o mesmo para ambos.2
As pessoas têm muitas ideias erradas sobre liderança. Quando ouvem dizer que
alguém tem um título de prestígio ou uma posição de liderança, supõem logo
que é um líder. Às vezes isso é verdade. Mas títulos não são tão importantes
quando o assunto é liderança cristã. Outro erro comum é pensar que, só porque
alguém exerce liderança em sua vida secular ou profissional, que isto,
automaticamente, o qualifica para ser um líder cristão. A verdadeira liderança
não pode ser concedida, nomeada ou atribuída. Deriva somente da influência, e
não pode ser delegada. Precisa ser conquistada. Liderança é influência. Nada
mais, nada menos.3

Falando sobre a qualificação da liderança dos 12 apóstolos, MacArthur entende


que tal liderança era uma capacitação dada por Deus. Diz ele:

O que qualificava esses homens para serem líderes? Obviamente não


era qualquer aptidão intrínseca ou talento patente neles próprios…não foi
por terem talentos extraordinários, aptidões intelectuais singulares,
poderosa influência política ou uma posição social especial”4

Penso que devemos concordar com MacArthur. Quando olhamos para alguns
líderes na Escritura, como por exemplo Moisés (Êxodo 3.11), não vemos nele
nada de carismático. Jeremias era tímido e chegou a dizer que não passava de
“uma criança” (Jeremias 1.6). Gideão alegou ser membro de uma família

1
Bruce Bugbee & Armando Bispo. Como Descobrir seu Ministério no Corpo de Cristo. Editora Vida. 1997.
P.23
2
STOTT, John. O Chamado para líderes cristãos. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã – 2005. p.09
3
MACARTHUR, John. 12 Homens Comuns. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 2004 p.50
4
MacArthur, op Cit., p.24-26
Treinando líderes 3

inexpressiva em Israel (Juízes 6.15). Isaías disse ser um homem impuro,


desqualificado para permanecer diante do Senhor (Is 6.5).

John MacArthur é de opinião que não há ninguém que seja naturalmente


qualificado. Na opinião dele é Deus quem deseja salvar pecadores, santifica-os
e então transforma-os de seres incapazes em instrumentos úteis a ele.5

O modelo de liderança que vemos na Escritura é diferente do modelo secular e


empresarial. É impossível liderar biblicamente confiando nas nossas
competências. A Bíblia nos ensina que Deus escolhe pessoas que se sentem
inadequadas e aparentemente incapazes. “Sabeis que os que são considerados
governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais
exercem autoridade. Mas entre vós não é assim” (Mc 10.42-43).

2. A IGREJA PRECISA DE LÍDERES BEM PREPARADOS

Muitas pessoas que ocupam cargos e funções de liderança na igreja, na maioria


das vezes fazem o trabalho com esforço e boa vontade, mas sem qualquer tipo
de treinamento. O resultado é, muitas vezes, um trabalho deficiente e sem bons
resultados. É preciso ficar claro que o trabalho dedicado, por si só, não faz a
igreja crescer. As igrejas crescem pelo poder de Deus, e através dos esforços
de pessoas habilidosas (1 Co 3.6-13). Devemos trabalhar bem e não apenas
arduamente.

Uma das razões para o não crescimento das igrejas é a falta de treinamento de
líderes. Um erro comum que ocorre na igreja, mesmo nas igrejas reformadas, é
a centralização no ministério do clero em detrimento do investimento nos leigos.

Uma das grandes ênfases dadas pela Reforma Protestante, e que teve uma
significativa implicação na vida da igreja foi a ênfase no sacerdócio de todos os
crentes. Os reformadores defenderam o princípio bíblico de que todo cristão é
ministro de Deus e um sacerdote. A ênfase estava no sacerdócio de todos os
crentes em oposição ao ministério centralizado no clero (Êx 19.5-6; 1Pe 2.9-10,
4.10; Ap 1.6; Efésios 4.16; I Coríntios 12.20-25).

Como igreja cristã reformada precisamos reservar tempo para preparar pessoas
para a obra do ministério. Precisamos preparar os santos para desempenharem
bem o sacerdócio e a vocação que receberam de Deus. À longo prazo isso vai
economizar mais tempo e trará melhores resultados. É necessário mais do que
dedicação para levar a igreja a crescer. É preciso usar a inteligência (1 Co 3.10).

O líder já nasce com algumas habilidades, mas não pode abdicar de treinamento.
Ao analisar a liderança do apóstolo Pedro, o vemos como um homem que

5
Idem., p.26
Treinando líderes 4

possuía alguns dons para exercer a liderança, mas isso não significa dizer que
Pedro tivesse que abdicar de treinamento específico a fim de ser moldado e
assim melhorar sua capacidade de liderança.6

Veja o exemplo daqueles que são chamados para o ministério pastoral. Mesmo
sentindo-se chamados para tal honroso ofício, são enviados para o seminário
onde passam quatro, cinco ou mais anos recebendo treinamento. Por que
deveríamos desprezar o treinamento dos demais vocacionados em outras áreas
da vida da igreja?

Uma das estratégias de Paulo era a de preparar os membros para


desenvolverem seus ministérios: pregar, ensinar, lidar com os pobres,
administrar os problemas que surgiam, e assim por diante (I Co 12 a 14).

Observe as inspiradoras palavras de Drescher:


“Como muitos ministros, comecei supondo que o trabalho da
Igreja era minha responsabilidade. Mas, que desafio e alívio tive
quando percebi que meu chamado era equipar cada crente a
viver a vida de Cristo e a fazer o trabalho de Cristo no mundo,
exatamente onde cada um vivia! Hoje, eu preferiria ser o pastor
de uma dúzia de pessoas que estão sendo equipadas e ativas
em todos os tipos de serviço do que ser pastor de mil pessoas
que enchem os bancos da igreja, mas que têm pouca ideia do
que significa funcionar como Corpo de Cristo”7

Desta forma, se queremos o crescimento da igreja precisamos descobrir


pessoas da Igreja que tenham potencial e treiná-las para ministérios específicos.
Em 2 Timóteo encontramos este princípio claramente expresso: “E o que de
minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a
homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Nessa passagem, Paulo
está dizendo a Timóteo que ele precisava capacitar pessoas que seriam
responsáveis por capacitar outras.

Outra importante passagem é Efésios 4.11,12. Nela aprendemos que a


estratégia de Paulo é que os pastores se concentrem em capacitar os crentes
para fazerem a obra do ministério. “E ele mesmo deu uns para… pastores e
doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério…”
(Efésios 4.11-12a). Leia novamente: “… querendo o aperfeiçoamento dos
santos, para a obra do ministério”.

6
John MacArthur, Op Cit., p.50
7
DRESCHER, John M. Se eu começasse meu ministério de novo. Campinas: Ed. Cristã Unida. 1997 p.51
Treinando líderes 5

O termo grego para “aperfeiçoamento” é katartismos, que vem da palavra para


artista, artesão. Segundo Paulo, o pastor da igreja, no exercício do seu ofício,
deve dar importância especial em equipar pessoas para que sejam capazes de
exercerem bem o ministério para o qual foram também vocacionadas por Deus.
Devemos ter claramente na mente que é a igreja é uma comunidade de pessoas
com dons, e não apenas uma comunidade de pessoas com um pastor que possui
dons.8

Usando a metáfora do futebol diríamos que a função do pastor não é a de jogar


em todas as posições no time, mas treinar cada jogador na sua equipe para jogar
bem em suas respectivas posições. Só assim o time pode jogar bem e conseguir
bons resultados. É preciso, portanto, treinar, capacitar pessoas para que sejam
totalmente capazes e maduras o suficiente para exercerem seu chamado.

Esse ensino de Paulo pode ser visto no seu próprio ministério. Ele mesmo foi
treinado por Gamaliel e Barnabé (Atos 4.36-37; 8.1-3; 9.1-30; 13.1-13). Depois
ele treinou Silas (At 15.40); Timóteo (At 16.1,2); Áquila e Priscila (At 18.8); Erasto
(At 19.22; Rm 16.33) e outros.

3. O QUE É TREINAR LÍDERES?

No sentido mais amplo da palavra, treinamento significa: habilitar pessoas em


algo que ainda não sabem fazer ou mesmo em algo que não fazem tão bem.
Num sentido mais restrito e aplicando à vida na igreja, treinar líderes é capacitar
pessoas para serem maduras na fé (Efésios 4.13). E pessoas maduras são
pessoas desenvolvidas em seu conhecimento, caráter e habilidades para
tornarem-se “perfeitas em Cristo”, produzindo assim frutos para a glória de Deus
(Cl 1.28; Jo 15.16). O cristão maduro, de acordo com Cl 1.4, 9-12, é aquele que
apresenta pelo menos cinco características:

1) Ele é salvo, tem certeza disso e experimentou pessoalmente o novo


nascimento, depositando sua fé em Cristo e recebendo-o como seu Senhor
e Salvador (Cl 1.4). É impossível se converter a Cristo e não saber se está
trilhando um caminho novo. Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo:
Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna,
não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (Jo. 5.24).

2) Ele é santo e consagrado, pois vive de modo digno do Senhor, para o seu
inteiro agrado (Cl 1.10a). Liderança cristã, antes de qualquer coisa, é
questão de caráter e não de performance do líder.

8
BUGBEE, Bruce; COUSINS, Dom; HYBELS, Bill. Rede ministerial: pessoas certas, nos lugares certos,
pelas razões certas. São Paulo: Vida, 2001. p. 31.
Treinando líderes 6

3) Ele é um cristão produtivo. Cl 1.10b). Deus tem uma obra a ser realizada
por cada cristão. Portanto, cada cristão foi vocacionado, não apenas para
a salvação, mas também para servir no reino de Deus de forma frutífera,
com alegria, responsabilidade e eficácia. (Êx 31.1-6; Js 1.1-2; Jz 6.11-14;
Mt 4.18-22; At 26.12-28).

4) Ele cresce no pleno conhecimento de Deus (Cl 1.10c). Pedro nos


encoraja: “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo”. 2 Pedro 3:18.

5) Ele é fortalecido com todo o poder espiritual (Cl 1.11a). O líder cristão
precisa ser cheio de Espírito, pois é o Espírito Santo que capacita a igreja.
E foi exatamente sobre isso que Jesus falou quando disse que os
discípulos deveriam ficar em Jerusalém somente até que do alto eles
fossem revestidos de poder (Lc 24.49).

“Servi-vos uns aos outros” é um dos mandamentos recíprocos (Gálatas 5:13).


Portanto, é um mandamento e não uma opção. A maioria de nós sabe que
devemos servir. E muitos são sinceros e querem servir, mas não sabem como.
Daí a necessidade de treinamento.

De acordo com Ronaldo Lidório,

“Os crentes no Novo Testamento eram não apenas rapidamente


incorporados à igreja, mas também eram discipulados e treinados como
líderes locais. A multiplicação de liderança local é proporcional à
multiplicação de igrejas. Uma igreja local, sob o critério de crescimento,
deve ser analisada pela quantidade e qualidade de líderes em
treinamento e não quantidade de membros”.9

Como sugestão, alguns cursos de treinamento que podem ser oferecidos:

 Curso para presbíteros e diáconos.


 Curso para professores da Escola Dominical.
 Curso para pregadores leigos
 Curso de evangelismo pessoal.
 Curso de interpretação bíblica.
 Curso para líderes de Pequenos Grupos.
 Curso de orientação para visitas nos lares e hospitais
 Curso básico de teologia
 Curso para casais e noivos

9
LIDORIO, Ronaldo. Plantando Igrejas. Editora Cultura Cristã. SP. 2007. P.87
Treinando líderes 7

CONCLUSÃO:

No texto de I Coríntios 12:1-3, Paulo fala da Igreja como um corpo, e deixa claro
que ninguém se reúne a esse corpo, a não ser por um novo nascimento, através
da fé em Cristo. Uma vez que alguém se torna membro desse corpo, têm uma
contribuição a fazer. Na medida em que cada membro trabalha naquilo que Deus
lhe deu para fazer, todo o corpo funciona como foi planejado. O princípio bíblico
é claro: No corpo todos são necessários. Todos nós somos membros do Corpo
de Cristo. E nenhuma parte do Corpo tem o direito de omitir-se.

No Corpo de Cristo todos devem funcionar, servindo, orando, aliviando,


pregando, aconselhando, ensinando, organizando, liderando, administrando,
louvando, tocando, ouvindo, enfim. O serviço no Corpo de Cristo nunca deve ser
realizado apenas por alguns. É responsabilidade e um tremendo privilégio de
todos os membros trabalhar na igreja. Que todos possamos dizer como Cristo:
“não vim para ser servido, mas para servir”.