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. STJ. Seguridade social. Tributário. INSS. Abono-assiduidade.

Contribuição
previdenciária. Não incidência. Natureza indenizatória. Precedentes do STJ. Lei
8.212/91, art. 28, § 9º, «e», item 7.

«O abono-assiduidade convertido em pecúnia possui natureza indenizatória, não incidindo


a Contribuição Previdenciária.»

TRF-3 - APELAÇÃO CÍVEL AC 12492 MS 2001.03.99.012492-9 (TRF-3)


Data de publicação: 09/02/2010
Ementa: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. REMESSA OFICIAL TIDA POR
INTERPOSTA. EXECUTADA. LEGITIMIDADE PARA OPOSIÇÃO DOS EMBARGOS. AUXÍLIO-
ALIMENTAÇÃO EM ESPÉCIE. NATUREZA
SALARIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ABONOASSIDUIDADE E LICENÇ
A-PRÊMIO. HIPÓTESES DE NÃO-INCIDÊNCIA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. I - Ante a
procedência dos embargos e não havendo nos autos qualquer informação concreta acerca do valor
atualizado da dívida, tenho por interposta a remessa oficial, com fundamento no artigo 475 , II , do CPC .
II - Figurando a CEF como executada, e tendo garantido a dívida com depósito no montante integral,
detém a apelada legitimidade para discussão do débito pela via dos embargos, a teor do artigo 16 , da Lei
6.830 /80. III - O auxílio-alimentação não tem por escopo a indenização, mas a contraprestação pelo
trabalho prestado, tendo a sua origem na relação de emprego, sendo, portanto, remuneração, hipótese de
incidência de contribuição previdenciária. IV - Apenas as parcelas pagas in natura, vale dizer, quando
entregues os gêneros alimentícios pela empresa aos empregados, e cumpridos os requisitos da Lei nº
6.321 /76, deixaria de incidir a contribuiçãoprevidenciária. V - No que se refere às importâncias pagas a
título de licençaprêmio, estas não possuem natureza salarial, eis que não são pagas de maneira habitual.
Por conseguinte, não é possível a incidência da contribuiçãoprevidenciária sobre tais verbas. VI -
Quanto ao abono assiduidade, maciça jurisprudência do E. STJ fixou o entendimento de que se trata de
indenização pela não-fruição de um período de descanso remunerado ao qual faria jus o empregado pelos
serviços prestados, não incidindo as contribuições previdenciárias sobre essas verbas. VII - Os
embargos à execução procedem em parte, devendo ser extinta a cobrança decorrente da exigência
de contribuição previdenciária sobre os valores relativos
ao abono assiduidade e licença prêmio indenizados,

Relativamente ao reflexo no repouso semanal remunerado , deve ser observado que, se o


valor corresponder a um percentual ou quantia mensalmente fixado, não haverá qualquer
cálculo para a sua inclusão no RSR, uma vez que o valor do descanso já estará incluído
na remuneração mensal.

ACÓRDÃO - TRIBUTÁRIO, IMPOSTO DE RENDA, FÉRIAS NÃO GOZADAS, LICENÇA PRÊMIO,


ABONO ASSIDUIDADE, RECEBIMENTO EM DINHEIRO, INDENIZAÇÃO, JUROS, PERCENTUAL,
INÍCIO DA CONTAGEM, VERBA HONORÁRIA. As férias são para serem gozadas no curso do
contrato laborativo. Se substituídas por dinheiro por não terem sido gozadas, na verdade
constituem indenização. O abono-assiduidade corresponde ao direito do empregado de ter
determinado número de dias de folga para cada ano trabalhado. Se essa folga é convertida em
dinheiro, passa a ser indenização. A licença-prêmio é o direito de faltar o serviço por
determinado período, pelo fato de ter o empregado sido assíduo durante um certo número de
anos. Se esse direito é convertido em dinheiro, temos configurada uma indenização. O
recebimento em dinheiro de tais parcelas constitui uma reparação ao dano sofrido pelo
empregado de não ter podido, no momento certo e oportuno, restaurar suas forças. Proc n.º
I997.01.00.03377O-O/DF. 3ª-Turma. DJ DF3O-O9-97.

IMPOSTO DE RENDA – FÉRIAS, ABONO- ASSIDUIDADE E LICENÇA-PRÊMIO CONVERTIDAS EM


PECÚNIA – CELETISTAS – NÃO FRUIÇÃO POR NECESSIDADE DE SERVIÇO. O empregado
celetista, assim como o servidor público, ao optarem pela conversão em pecúnia do direito às
férias e à utilização da licença-prêmio, utilizam-se de um direito. Os benefícios, quando
convertidos em pecúnia, não se transmudam em salário, contraprestação e constituem-se uma
indenização, isentas de imposto de renda. (...)". STJ – Ac. Da 2ª T., publicado em 19-2-02001 –
Resp. 172.404-DF – Rel. Minª Eliana Calmon.

Neste sentido:

"CESTA BÁSICA NÃO É VANTAGEM SALARIAL. Remuneração é o conjunto de todas


as vantagens salariais ou não, pecuniárias ou não, pagas ou não pelo empregador e
que decorrem do contrato de trabalho. Salário é o que remunera a força de trabalho
disponibilizada pelo trabalhador, de forma pecuniária ou não, pago ou não pelo
empregador. Cesta básica é uma vantagem 'in natura', oriunda do contrato de trabalho,
contudo, não decorrente da força de trabalho disponibilizada. Rejeitam-se, pois, as
incidências requeridas." (TRT/SP 00942-2001-351-02-00-3, Ac. 2ª Turma n.º
20040207719, Rel Juiz Francisco Ferreira Jorge Neto, DOE/SP 18.05.2004).

"CESTA-BÁSICA. NATUREZA NÃO SALARIAL. A cesta básica não é fornecida como


forma de contraprestação do serviço, como salário indireto, como expediente para
fraudar a lei, mas sim em razão do princípio da boa-fé e da colaboração mútua que
deve orientar a relação de trabalho. O propósito da lei, aliás, não é o de castigar o
empregador, senão quando a prestação é utilizada como forma de salário indireto.
Hipótese que atrai, por analogia, as disposições legais que afastam a natureza salarial
da alimentação fornecida através do Programa de Alimentação do Trabalhador.
Sentença mantida." (TRT/SP 02354-2004-201-02-00-2, Ac. 11ª Turma n.º
20060680614, Rel. Juiz Eduardo de Azevedo Silva, DOE/SP 12.09.2006).

Não merece, portanto, reparo a r. sentença de origem.

A conclusão adotada pela Turma é fruto de exegese razoável, o que afasta a


admissibilidade do apelo por violação (Súmula 221/II/TST), e a recorrente não
comprovou a divergência jurisprudencial capaz de viabilizar o reexame da matéria.

Com efeito, o aresto transcrito a fl. 500 é inservível ao confronto de teses, porquanto
oriundo de Tribunal Regional Federal, ou seja, hipótese não aventada na alínea a, do
art. 896, da CLT