Você está na página 1de 4

O estudo do movimento retilíneo uniforme variado

Kevin Alexander dos Santos


Lorhan Santos de Lima
Universidade Federal do Pampa
UNIPAMPA
Bagé, Rio Grande do Sul, Brazil
kevin.alexsz20@gmail.com
lorhanlima@live.com

Resumo - Este trabalho foi realizado com o objetivo Podemos dizer que um corpo está em Movimento
de ampliar o estudo sobre o Movimento Retilíneo Retilíneo Uniformemente Variado quando ao longo
Uniformemente Variado, onde podemos analisar os de uma reta, o módulo da sua velocidade apresenta
dados obtidos que há grandezas física que foram sempre o mesmo aumento (ou decréscimo) em
determinados a partir do experimento, e então intervalos de tempos iguais, devido a isso a
compará-los com um referencial teórico. Assim aceleração é uma constante. Se um corpo apresenta
podemos obter informações como a variação da um MRUV, podemos então caracterizar esse
velocidade e aceleração. movimento em dois tipos devido a variação da
velocidade e esses são:
I. Introdução
ㆍMovimento Retilíneo Uniformemente Acelerado.
Neste trabalho sobre cinemática estuda-se os O módulo da velocidade aumenta.
movimentos unidimensionais de um corpo. Este
experimento tem como objetivo o estudo do ㆍMovimento Retilíneo Uniformemente Retardado.
MRUV. O experimento foi realizado utilizando o O módulo da velocidade diminui.
trilho de ar, equipamento que é projetado para
diminuir a força de atrito entre o corpo; que Sendo assim, a aceleração (a) de um corpo é
chamamos de “carrinho”; e o trilho, para melhor definida como a variante da velocidade (Δv)
precisão experimental. Isso é possível devido a dividido pela variante de tempo (Δt), ou seja. [1]
inúmeros furos distribuídos igualmente por toda a
extensão do equipamento, que servem para a saída a = Δv * (Δt) −1 = (V f − V i) * (tf − ti) −1 (1)
de ar comprimido fornecido por um gerador de Eq. 1.1
fluxo de ar, que trabalha em conjunto com o
restante do equipamento, assim possibilitando o Quando a aceleração é uma constante,
carrinho “flutuar” sobre o trilho. Para a realização podemos manipular a fórmula expressada acima
de um trabalho sobre o MRUV, precisamos de uma para obtermos uma equação da velocidade em
aceleração para o corpo e isso foi obtido com um função do tempo.
peso ligado ao carrinho por um fio que ficava
suspenso abaixo do equipamento por uma roldana, o V f − V i = at (1)
mesmo peso era solto e então o movimento V = V i + at (1)
começava a acontecer devido a aceleração da
gravidade. E a velocidade média é obtida a partir da
seguinte fórmula :
II. Teoria
ΣV = (v 1 + v 2 + v 3 ... + v n ) * n−1 (1) Figura 1.
Eq. 1.2

Há também a equação horária do MRUV,


que nos permite calcular o deslocamento a partir da
aceleração sendo constante e diferente de 0 (zero).

x = x o + v o t + 0.5at^2 (1) Eq. 1.3

Essa equação horária do MRUV, é utilizada Como mostrado na foto do trilho de ar, podemos
para cálculo em outras ocasiões como: queda livre, observar um carrinho que usamos para poder
lançamento oblíquo (por ser um movimento em realizar o experimento de MRUV. Onde nesse
duas dimensões, só pode ser usado a equação no trilho, o carrinho “flutua” sobre o ar que o trilho de
eixo vertical, onde há aceleração constante). ar expele por alguns orifício disposto no aparelho.

Tendo conhecimento de cinemática, sabe-se IV. Resultados e Análise de dados


que essa função expressa graficamente, fornece uma
parábola. Como a função expressa graficamente é Depois da execução do experimento, foi a
uma parábola, não pode ser calculado o coeficiente etapa de analisar os dados obtidos, e o primeiro
angular por ser uma curva. Entretanto, com alguns passa foi observar os resultados encontrados
‘artifícios’ de matemática, podemos descobrir essas referente aos tempos (T1, T2, T3 e T4),
grandezas físicas de várias maneiras como: respectivamente de cada sensor. Entretanto, pode-se
derivando, linearizando a partir da aplicação de notar que a variação de tempo não é linear, então
Logaritmo, ou apenas elevando o eixo do tempo (t) temos em mente que o gráfico de (D x T) será uma
ao quadrado. curva.

Tabela 1.
III. Parte experimental

Foi usado materiais, como cronômetro


digital, carrinho, trilho de ar e outros objetos para
auxílio. Logo embaixo, haverá descrição e foto do
material de maior importância:

Materiais usados:

Trilho de ar com sensores fotoelétricos:


Como citado acima, o gráfico D x T
O trilho é um bom aparelho para poder
forneceu uma curva por conta da aceleração ser
analisar e estudar o MRU e MRUV, por conta do
diferente de 0, então obtivemos uma curva.
atrito ser aproximadamente 0. Então, se formos
Entretanto, não podemos calcular o coeficiente
comparar os dados experimentais, pode-se notar que
angular por conta de ser uma curva, então podemos
o erro é comumente na terceira casa decimal. Os
fazer alguns processos algébricos para transformar
sensores fotoelétricos servem para calcular o tempo
em uma reta (elevar ao quadrado um dos eixos ou
entre um determinado variação de posição.
aplicar logaritmo):
podemos fazer a análise gráfica de A x T,
Figura 2. verificamos que a área que surge no gráfico é a
velocidade em cada instante de T.
A partir de todas as análises gráficas, é possível
obter as equações horários do carrinho (tanto do
deslocamento, como da velocidade):

Eq. Horária do Movimento:


x = 0,5(0,27956)t^2

Eq. Horária da Velocidade:


Após a linearização do gráfico, elevando um v = 0,27956t
dos eixos ao quadrado, obtivemos D x T², com isso
é possível calcular o coeficiente angular Com essas equações que desenvolvemos
(aceleração) e o coeficiente linear (posição inicial). para esse experimento, podemos calcular a
O valor do coeficiente angular experimentalmente é velocidade em função do tempo e a posição final
A(inclinação) = 0,139776346135823*(2) +/- em função do tempo e com isso, achar o erro obtido.
0,000413488593670149 (o coeficiente angular é a Para calcular o erro percentual obtido, podemos
metade da aceleração do sistema. Por tanto, para calcular do seguinte método:
achar a aceleração real, é necessário multiplicar o
coeficiente angular por 2). e o coeficiente é B σ = [(real - aproximado)/real]*100 (1) Eq. 1.4
(interceptação em y) = 0,0100538028069877 +/-
0,000945095463876599. O gráfico da velocidade em função do
tempo é expressado por uma reta, isso nos informa
Portanto, a equação do MRUV (x = xo + vt que a velocidade aumenta linearmente em função
+ 0,5at^2), se considerarmos a posição inicial e do tempo. Abaixo temos o gráfico de v(t):
velocidade inicial igual a 0 (zero), podemos reduzir
a equação horária do movimento em: Figura 3.

x = 0,5at^2

Imediatamente, foi analisado à aceleração


obtida realizando o experimento, e foi construído
um gráfico, logo abaixo:

Figura 3.

Como o gráfico acima é uma função do tipo


afim (y = ax + b), sabemos que há um coeficiente
linear e um coeficiente angular, onde o coeficiente
angular ou inclinação representa a aceleração do
carrinho, e o coeficiente linear ou intersecção no
eixo y, representa a velocidade inicial do carrinho.
A (inclinação) = 0,27955269227 +/-
0,00067570586270258 (coeficiente angular)
B (interceptação em y) = 0,000237193136940365
Sabe-se que a aceleração é constante ao
+/- 0,000974413976176599 (coeficiente linear)
longo de todo deslocamento, porém houve em
alguns instante que teve variação. Em seguida,
[1](1)HALLIDAY D.; RESNICK R. e WALKER J.
Tabela 2. Fundamentos de Física: mecânica. Volume 1. 8ª
edição. Editora LTC, 2009.

Pode-se notar que a variação da aceleração foi


considerável. Entretanto, podemos fazer uma média
e usar como parâmetro para realizar a comparação
com o coeficiente angular.
Usando a equação 1.4, podemos realizar o erro
percentual:

σ = [(0,292 - 0,27956)/0,292]*100
σ ≃ 4, 26 %

Por tanto, temos noção que o erro obtido


experimental em relação ao teórico, está abaixo dos
5%, que pode-ser considerado tolerável.

Discussões e Conclusões

No experimento anterior podemos observar que


um corpo está em MRU quando o módulo da
velocidade for constante e diferente de 0, e no
MRUV podemos constatar que o movimento pode
ser retardado ou acelerado, dependendo do sinal da
sua aceleração, com isso também podemos observar
que o corpo em MRUV tem sempre a mesma
variação de velocidade em qualquer instante do
movimento, esteja o corpo freiando ou acelerando.
Podemos também constatar que o gráfico do
MRUV sempre será uma parábola e que ao
linearizar o gráfico (fazendo o tempo²) o
transformaremos em uma reta onde podemos
calcular o Coeficiente Angular; que expressa a
aceleração do movimento; e o Coeficiente Linear,
que dita a posição inicial do movimento (Xo). Com
a realização deste experimento foi possível
visualizar de uma maneira prática como funciona o
Movimento Retilíneo Uniformemente Variado. Foi
possível também ao final do experimento termos
uma total compreensão do funcionamento do trilho
de ar e de todo o restante do equipamento utilizado.

Referências Bibliográficas