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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

DEPARTAMENTO DE CIENCIAS EXATAS E DA TERRA-


CAMPUS I

QUÍMICA LICENCIATURA

QUÍMICA ORGÂNICA III

DOCENTE: MARLY CARVALHO

DISCENTE: CAROLINE REIS BARROSO DA SILVA

IDENTIFICAÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS

SALVADOR

2018.2
CAROLINE REIS BARROSO DA SILVA

IDENTIFICAÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS

Relatório apresentado como parte das


exigências para a obtenção da aprovação na
disciplina Química Orgânica III, no Curso de
Licenciatura em Química, na Universidade do
Estado da Bahia. Orientadora: Prof.ª. Dra. Marly
Carvalho.

SALVADOR

2018.2
SUMÁRIO

OBJETIVOS ................................................................................................................... 3

Objetivos gerais .......................................................................................................... 3

Objetivos específicos .................................................................................................. 3

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 4

RESULTADOS OBTIDOS ............................................................................................ 6

DISCUSSÃO .................................................................................................................. 8

Interpretações dos espectros da amostra ..................................................................... 8

CONCLUSÃO .............................................................................................................. 13

REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 13

ANEXO ........................................................................................................................ 13
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OBJETIVOS

Objetivos gerais

• Conhecer a estrutura do composto da amostra desconhecida, a partir dos resultados dos


métodos clássicos e análise das técnicas instrumentais espectroscópicas.

Objetivos específicos

• Interpretar os resultados obtidos através da investigação sistemática da amostra


desconhecida;
• Identificar e se apropriar dos ensaios feitos no laboratório para realizar a análise de grupos
funcionais existentes na amostra orgânica desconhecida;
• Utilizar algumas das técnicas espectroscópicas de análise para coletar informações
sobre a estrutura da amostra desconhecida (Amostra 6);
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para determinar um composto desconhecido é indispensável seguir um método sistemático


que deve inicialmente excluir tantas possibilidades estruturais quantas possíveis. Esse método
sistemático é chamado de testes de bancada. Porém, a resposta final deve ser dada através da
posterior análise dos espetros de infravermelho, de massa e ressonância magnética nuclear do
hidrogênio.

A mais importante função do espectro de infravermelho é fornecer a informação estrutural


da molécula, pois permite identificar os tipos de grupamentos funcionais que o composto possui.
As ligações covalentes vibram tanto com movimentos axiais quanto com movimentos angulares.
Essas vibrações causam deformações axiais, que ocorre ao longo das linhas da ligação, e
deformações angulares, que não ocorre ao longo da linha, mas modifica o ângulo da ligação.
Deformação angular só ocorre em moléculas que possuem ângulo de ligação e podem ser tanto no
plano quanto fora do plano.

É possível se obter um espectro no infravermelho através de um espectrômetro de


infravermelho no qual a amostra é submetida a uma radiação na região do infravermelho. Quando
a frequência dessa radiação é exatamente igual à frequência de vibração da molécula, a mesma
absorve energia gerando um sinal e esses sinais são chamados de bandas de absorção. O espectro
gerado relaciona a porcentagem de transmitância da radiação em função do número de ondas. A
radiação eletromagnética com número de ondas de 4000 a 1000 cm-1 é conhecido com região de
grupo funcional e a radiação de 1000 a 600 cm-1 é chamada de impressão digital.

A espectrometria de massa é utilizada principalmente para determinar a massa molecular e


a fórmula molecular de uma substância. É possível se obter um espectro de massa através do
espectrômetro de massa, o qual relaciona a abundância relativa dos fragmentos do íon molecular
em função da razão massa/carga (m/z) dos mesmos. A molécula é bombardeada por elétrons de
alta energia na câmera de ionização. A colisão das moléculas da amostra com os elétrons, resulta
inicialmente na perda de um elétron por parte da molécula da molécula da amostra, formando um
cátion radical chamado de íon molecular. Esse íon molecular é quem determina a massa molecular
do composto.

O íon molecular absorve energia extra e entra num estado vibracional altamente excitado
que pode ser instável e perder parte de sua energia extra ao se quebrar em outros fragmentos. No
espectro de massa, esses fragmentos aparecem como picos correspondentes às razões m/z dos
mesmos. O fragmento que apresenta o maior pico é chamado de pico base. A formação dos
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fragmentos sempre se dá por processos unimoleculares. A fragmentação mais provável é a que


forma íons mais estáveis, ou seja, deixa a carga positiva no fragmento com a mais baixa energia
de ionização.

A espectroscopia de ressonância magnética nuclear de hidrogênio é utilizada para auxiliar


a identificação do esqueleto carbono-hidrogênio de uma substância orgânica. A energia absorvida
pela amostra na região de radiofrequência, sob condições apropriadas em um campo magnético,
gera uma orientação no spin nuclear da molécula. O espectro de RMN é “um registro gráfico das
frequências dos picos de absorção contra suas intensidades.”

A análise e identificação de compostos orgânicos realizada paralelamente com os métodos


clássicos e os atuais tornam-se um ótimo exercício de química orgânica quando os seus resultados
são comparados e discutidos.
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RESULTADOS OBTIDOS

Tabela 01- Exame preliminar e constante física


Estado Físico Cor Odor Teste de Chama Ponto de Ebulição
Rosa Chama amarela e Início:106ºC
Sólido Forte
claro fuliginosa Final:110ºC
A chama amarela e fuliginosa é indicativa de um composto aromático ou alifático
altamente insaturado.

Tabela 02- Solubilidade


Água HCl 5% NaOH 5% H2SO4 Conc. NaHCO3 5% Resultado
Solúvel Solúvel Solúvel Solúvel Solúvel Grupo S1

O pH observado na solução com água foi igual a 4.

Tabela 03- Análise elementar


Fusão com sódio Haleto (X-) Sulfeto (S2-) Nitrogênio
Negativo Negativo Negativo
Sem precipitado. Sem precipitado.
Coloração marrom Sem precipitado. Coloração marrom
escuro, pH= 3 escuro, pH= 13

Testes para Grupos Funcionais

Tabela 04- Aldeídos e Cetonas


Testes Observações Resultados
Dissolve em álcool etílico.
Formou uma solução amarela
2,4-DNPH Negativo
forte sem a presença de
precipitado

Tabela 05- Compostos Insaturados


Testes Observações Resultados
Solução de bromo em Solução amarelo claro Positivo
tetracloreto de carbono
Bayer Solução marrom claro Positivo

Tabela 06 - Hidrocarbonetos aromáticos


Teste Observações Resultados
Clorofórmio e cloreto de
Laranja escuro Positivo
alumínio
7

Tabela 07- Álcoois


Testes Observações Resultados
Solução com coloração verde
escuro e opaca. Uma gota foi
Ácido crômico (Jones) Positivo
utilizada e a reação ocorreu
rapidamente.
Lucas Não foi observado alteração Negativo

Tabela 08- Fenóis


Testes Observações Resultados

Utilizou-se duas gotas e a


Água de bromo Positivo
solução ficou verde

Cloreto férrico Solução ficou violeta Positivo


Fenóis e enóis reagem com cloreto férrico e geram complexos coloridos. As cores variam
dependendo da natureza do composto, podendo ser vermelha, azul, púrpura ou verde para fenóis e
vermelha, violeta ou bronze para enóis.

Tabela 10- Ácidos carboxílicos


Teste Observações Resultados
Solução rosa claro com a
adição de NaHCO3. E a
Classificação Positivo
solução focou verde com a
adição de NaOH.

Tabela 11- Nitrocompostos


Teste Observações Resultados
Solução marrom claro e sem
Hidróxido ferroso Negativo
a presença de precipitado.
A fonte das tabelas descritas acima são aulas práticas de Química Orgânica III.
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DISCUSSÃO

Interpretações dos espectros da amostra

Espectro de infravermelho da amostra 6.

Analisando o espectro de infravermelho é possível observar uma banda forte na região de


entre 1300 – 1000 cm-1, que corresponde à deformação axial de ligação C–O, tem um pico largo e
forte que concorda tanto com a vibração da ligação O–H na região de 3650-3100 cm-1, que
corresponde à deformação angular no plano de O–H.

É possível perceber a existência de quatro bandas de absorção com intensidade de média


a fraca na região de 1600, 1580, 1500, 1450 cm-1 indicando presença de bandas harmônicas, que
podem ser atribuídas à existência de anel aromático na estrutura. Essas são vibrações do esqueleto
que correspondem à deformação axial de ligação entre carbonos de anel aromático. Há também
uma banda média na região de 3100-3000 cm-1 que indica a presença de C sp2-H o que condiz com
a presença do C=C.

Com essa afirmação, podemos verificar a região da impressão digital do composto e


veremos que há um sinal evidenciado para o padrão de anel benzênico Di 1,3 substituído,
expressado de forma mais pronunciada pela existência de duas bandas com intensidades
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semelhantes na região de 810 - 750 cm-1e 735 - 680 cm-1 , que corresponde à deformação angular
fora do plano das ligações C – H de anel aromático.

Espectro de massas da amostra 6

O íon molecular da substância é o próprio pico-base, apresentando relação m/z no valor de


110. Ou seja, a massa molecular da amostra em estudo é 110 g/mol. No espectro em questão há a
contribuição de M+1 e há a presença de M+2, logo teremos: M+ = 110 m/z, M+1 = 111 m/z e M+2
= 112 m/z.

Pela regra do nitrogênio, uma massa molecular de número par apresenta em sua estrutura
um número par de nitrogênios ou nenhum nitrogênio. Usando o que foi obtido pelo espectro de
IV, não há nitrogênios nessa estrutura (pela ausência de picos N-H), ou seja, N=0.

m/z 110 111 112


% do Pico base 100 7 0,6
Os cálculos foram realizados admitindo que M+ é o pico base, a partir daí as intensidades
dos picos M+ + 1 e M+ + 2 foram medidos para que fosse calculada a fórmula molecular do
composto. Através das fórmulas seguintes é possível calcular o número átomos de carbono,
nitrogênio e oxigênio presentes no composto.

I - %[M+ + 1] = 1,1 x número de átomos de C + 0,36 x números de átomos de N


10

II - %[M+ + 2] = (1,1 x número de átomos de C)2 + 0,20 x número de átomos de O

200

Em I calcular-se-á o número de átomos de carbono partindo da hipótese que o número de


átomos de nitrogênio é zero, pois quando o peso molecular da molécula é par, ou não contém
nitrogênio, ou contém um número par de átomos de nitrogênio.

I - %[M+ + 1] = 1,1 x número de átomos de C + 0,36 x números de átomos de N (sabendo-


se que não há presença de nitrogênios)

7 = 1,1 x nº de C + 0

nº de C = 6,36  nº de C  6

II - %[M+ + 2] = (1,1 x número de átomos de C)2 + 0,20 x número de átomos de O

200

0,6 = (1,1 x 6)2 + 0,2 x nº de O

200

0,6 = 0,2178 + 0,2 x n° de O

nº de O = 1,911  nº de O  2

MM da amostra- MM do carbono x nº de C - MM do carbono x nº de O = nº de H

110 – 12x6 (número de carbonos) – 16x2 (número de oxigênios) = 6

Dessa fórmula, o número de hidrogênios na estrutura é igual a 6 e a partir dos valores


encontrados é coerente propor sua fórmula molecular como a seguinte: C6H6O2.

Conhecendo sua fórmula molecular é possível calcular o IDH (Índice de Deficiência de


Hidrogênio), conhecendo este valor tem-se a indicação de presença ou ausência de ligações duplas,
triplas ou anéis aromáticos na estrutura do composto.

O cálculo do IDH é feito à partir das seguinte expressão: IDH = (C + M/2) + T/2 +1, onde
C é o número de átomos de carbono; M é o número de átomos monovalentes e T é o número de
átomos trivalentes. Para as possíveis fórmulas, tem-se:

IDH = no de átomos tetravalentes - no de átomos monovalentes +

2
11

no de átomos trivalentes + 1

6
𝐼𝐷𝐻 = 6 − + 1 = 4
2

O valor correspondendo a 4 “sítios de insaturação”, indica a presença de anel aromático, 3


para as três ligações duplas e 1 para o anel.

Sob a análise do espectro do infravermelho, constata-se a inexistência de ligação dupla


entre átomos de Carbono e Oxigênio da estrutura molecular do composto, o que permite, através
da literatura, propor as seguintes estruturas possíveis para o composto:

Resorcinol Hidroquinona 1,2 - Benzenodiol

C/D

Espectro de ressonância magnética nuclear de hidrogênio da amostra 6.


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Observamos através do espectro de RMN-1H, que há um sinal de dubleto na região de


deslocamento químico correspondente a  6,3 -6,2 ppm e o sinal em tripleto 6,9 ppm que são
característicos dos hidrogênios da dupla ligação de anel aromático, logo podemos afirmar que há
três tipos de hidrogênios ligados ao anel aromático. O sinal do tripleto indica que esse hidrogênio
é vizinho de dois hidrogênios equivalentes e o sinal do dubleto é característico está posição meta
do anel aromático.

Observamos também o espectro δ 9,2 ppm um singleto indica pela regra da multiplicidade
n +1 que não é vizinho de outros hidrogênios, ou seja, não está diretamente ligado a um carbono
com outros hidrogênios. Podemos afirmar que esses hidrogênios estão na ligação com o oxigênio.

A Fragmentação do composto comprova os dados obtidos no espectro de massa.

Podemos afirmar que o composto trata-se do 1,3 – Benzenodiol ou Resorcinol


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CONCLUSÃO

Partindo das informações dos testes de bancada, bem como através da análise dos espectros
é possível a conclusão sobre as amostras estudadas, como sendo: Resorcinol

REFERÊNCIAS

McMURRY, J., Química Orgânica vol. único . Editora CENGAGE Learning. Tradução
da 7ª Edição Norte Americana, 2011.

PAVIA, Donald L.; LAPMAN, Gary M.; KRIZ, George S.; ENGEL, Randall G. Química
Orgânica Experimental: Técnicas em Pequena Escala. Tradução Ricardo Bicca de Alencastro.
2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.

Roteiro de Prática de Química Orgânica III. Curso de Licenciatura em Química da


UNEB 2018.2 (DCET-Campus I).

Massa molecular da Risorcina. Disponivel : <https://pt.wikipedia.org/wiki/Resorcina>


acessado: em 11 de dezembro de 2018.

ANEXO

Imagem1: Amostra 6