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VERSOS ENGAJADOS: UMA ANÁLISE SEMIÓTICA DO POEMA AQUARELA

DE CACASO COMO FORMA DE RESISTÊNCIA E DENÚNCIA NA POESIA


MARGINAL DOS ANOS 70

Resumo: este artigo propõe uma leitura semiótica do poema “Aquarela”, de


Antônio Carlos de Brito, mais conhecido como Cacaso, que pertenceu à poesia
marginal dos anos 70 situada historicamente durante o período de maior
recrudescimento do Golpe Militar de 1964. O corpus escolhido corresponde a
forma de representação poética de maior expressividade naqueles “Anos de
Chumbo” – a poesia engajada – que não só se posicionava contundentemente
contrária ao regime militar, mas também às formas preestabelecidas de produção
literária e de divulgação editorial da época, tendo um papel de vanguarda no rol dos
estudos literários atualmente. A pesquisa empreenderá pela construção de sentido no
poema demonstrada a partir do arcabouço teórico do percurso gerativo de sentido
(PGS) que concebe a produção de sentidos no texto enquanto um percurso de geração
do significado em que se vai do mais concreto e complexo, localizado no nível da
superfície textual, ao mais simples e abstrato, presente em seu nível profundo.
Preconizado por A. J. Greimas (1917-1992) e seus colaboradores, o PGS abordado
aqui se limitará, por uma questão de recorte metodológico, ao primeiro nível de
abstração do sentido denominado pela semiótica de linha francesa de nível
fundamental, lançando mão do quadrado semiótico a fim de estabelecer o maior
número de relação de sentido possíveis e sinalizar “pistas” de compreensão textual
recorrentes na dimensão intradiscursiva do texto que estão inscritas nele como
possibilidade, contribuindo, dessa forma para a uma efetiva formação leitora do gênero
literário da poesia.
Palavras-Chave: semiótica; percurso gerativo de sentido; quadrado semiótico;
poesia marginal; ditadura militar.