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Copyright @ 2012, W Eduardo Nery
Direitos Reservados em2012 por Editora Interciência Ltda.
Diagramação: Maria de Lourdes Oliveira
Claudia Regina S. L. Medeiros
Revisão Ortográfica: Maria Paula da Mata Ribeiro
Maria Helena de Aguiar Huebra
Capa: Paula Almeida
APRESENTAçÃO

CIP-Brasil. Catalogação-na-Fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Liwos, R]

M524
Mercados e regulação de emergia elétrica / [coordenação de Eduardo Nery]. As origens deste livro se estendem ao final dos anos 7970, inicio dos 1980,
- Rio de Janeiro: l:rterciência,2012.
quanclo nos coube implantar um novo Comitê de Estudo no ambiente do
722p.: il.;25 cm.
CIGRÉ-Brasil, e aprendemos a importância de registrar o conhecimento produ-
a
Inclui bibliografia zido, para orientar e instruir o Processo de seu desenvolvimento continuado.
ISBN 978-85 -7193-279-1 Naquela época, publicamos mais de trinta exemplares de rratureza cliversifi-
1. Energia Elétrica. 2. Energia elétrica - Brasil. 3. Energia elétrica -
O
cada sem que nenhum deles tivesse, de fato, uma folmatação de livro e circulasse
Distribuição. 4. Profissionais. I. Nery, Eduardo. fora da organização, disseminando amplamente o que fora desenvolvido. Essa o
12-0819. cDD 333.790981 história se repetiu com o Comitê de Estudo C5, Mercados e Regulação, a partir
cDU 620.91 de2OO2, com a orientação do aprendizado anterior.
A estrutura de mercaclo e os asPectos determinantes de sua regulação são
É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios,
recentes, desde que, na maior parte da existência do Setor Elétrico Brasileiro, ele
sem autorização por escrito da editora.
operou como monopólio regulado, com um grau de concorrência ou contesta-
bilidade muito restrito. A abertura da oferta e de parcela do mercado, no final
do século passado, ensejou transformaçÕes profundas que levaram a um novo
www.editorainterciencia.c om.br ambiente de mercado o qual, mesmo apresentando alguns dos fundamentos ge-
rais que se observam no universo internacional, possue características Próprias,
desenvolvidas para as condições específicas brasileiras. Tal situação lhe atribui
distinções cujos fundamentos e mecanismos diferenciados dispõem de poucas
Editora Interciência Ltda.
referências publicadas, inclusive pelo curto intervalo de sua existência e pela di-
Rua Verna Magalhães, 66 - Engenho Novo
nâmica de ajustes e mudanças que são implementadas a partir das experiências
Rio de Janeiro - RI - 20710-290

P Tels.: (2L) %81-E378 / »414916-Fax (21)'250147ffi


e-mail: vendas@editorainterciencia.com.br
vivenciadas.
Diante deste cenário, o propósito deste livro constitui apresentar o conjunto
de matérias essenciais sobre mercado e regulação do setor de energia elétrica
brasileiro, que permitam a comPreensão necessária do seu modo e de seus prin-
cÍpios de funcionamento. Com iSSo, os autores esperam constituir as base§ que
Impresso no Brasil - Printed in Brazíl
o
Mercodos e do ELétríca

em estudos, investi-
;piciem a multiplicação cle fertilizações e polarizações
çõeseinovações,assimcomoProverosfunclamentosparaosprocessosde
o seu desenvolvimento
ucação superior especializada, criando condições PaIa
puru pelos agentes que nele convivem. O livro tem, portanto, uma
steniaclo
" que sustentam a
'entação voltacli para as teorias, conceitos e fiodlts operandi
e unidade, interações
ualidáde do mercâdo de energia elétrica, a sua estrutura
com o mer-
nterdependências com a sua regulação e com a oferta e a clemanda, PREFÁCIO
mais relevan-
clo de capital e sistema financeiro, em suas macromanifestações
as funções executivas e
s. Os orgãnismos que atuam na integração e exercitam
e econÔmica mereceram
-eracionãis clo sisterna elétrico e a regulação setorial
especial por seu encargo na gestão das soluções aplicadas' defini-
ta atenção
lsemconsonânciacomaspolíticaseosdirecionamentosnacionais.
re-
Os capítulos reúnem tóxtos de vários autores, todos eles especialistas
se thes te-
nhecidos, e podem ser liclos de maneira independente, conquanto
para Uma das missões do CIGRÉ é a difusão do estado da arte e do conhecimen-
ra atribuído uma sequência lógica, com um encadeamento progressivo
das matérias to sobre o setor de energia elétrica brasileiro, e a publicação de um livro não só
rcilidade dos leitores.-Naturalmente, eles não esgotam qualquer
que novas publicações, especializadas, devem acontecef registra o conhecimento produzido como matetiaLiza essa missão'
atadas, assuminclo-se
A piopósito, cabe ressaltar que uma das Perspectivas pro- Sempre foi um desejo do CIGRÉ-Brasil promover a publicação de livros que
r futuro próximo. de
rissoras ctàsta public uéa"Z supoÍtar a realização de um
programa de eclucação contivessem conhecimento consolidado, fruto do trabalho dos seus comitês
cle um MBA em Mercados, em parceria com insti- estudo, e acessível ao Público.
tntinuada na modalidad,e
ições universitárias cle gestão, a qual lepresenta uma iniciativa
consistente da O momento para a publicação não poderia ser mais oportuno. O CIGRÉ-Brasil
uáiificaçao de profissionais para o paÍs e América Latina' comemora este ano 40 anos de uma história rica em exemplos de contribuição para
os meus agÍa- a formação dos técnicos e especialistas do setor elétrico brasileiro.
A história do
Como cooráenador deste projeto e editor, gostaria de externar
ecimentosaosautoresqueseempenharamnageraçãodesteconhecimentocom CIGRÉ-Brasil, iniciada por engenheiros visionários, pretende passar Por uma nova
equipe de além da
,mero, à Direção ao CtàRf-B,u'lt po' seu apoio e estímulo' à nossa Íase. Os profissionais do setor elétrico, hoje com várias outras formações
que tão bem conduziram suas atividades, com em termos de conhecimento.
uporte e à Editora Interciência engenharia, atingiram sua maturidade
evada efetividade. Atualmente, as questões técnicas envolvidas no setor elétrico, muitas vezes
que nos envlem
Gostaria de solicitar igualmente, aos nossos futuros leitores/ sem comparação com a realidade cle outros países, economicamente desenvol-
pois estamos iniciando um plocesso que,
eus comentários, críticas e sugestões, vidos ou não, contam com profissionais extremamente maduros e criativos, a
aperfeiçoado daqui para sempre'
ertamente, se estenderá e será ponto de termos soluções originais para nossos problemas e que servem de pa-
radigma para outros países.
Eduardo NerY
O novo modeio setorial, como nolmalmente é referido, hoje está plenamente
Novembro de 2011
operacional. Se existem ajuStes a Serem feitos, eles em nada comprometem a ex-
pansão e a operação do sistema. Os novos atores, Operador Nacional do Sistema,
Agência Nacional de Energia Elétrica e a Empresa de Planejamento Energético,
são exemplos bem-sucedidos de como Íoram operacionalizadas as mudanças es-
truturais do setor.
o
VIII Mercodos e Reguloçõo do Energia Elétrica

Os autores são profissionais que estiveram profundamente envolvidos em


todas as fases das mudanças que foram operadas no setor elétrico brasileiro ou
dela participam ainda hoje. Ligados às entidades acima mencionadas, às con-
cessionárias de energia ou ainda como consultores renomados, são membros do
Comitê de Estudo CE C5 - Mercados de Eletricidade e Regulação.
O CE C5 foi criado na reestruturação promovida pelo CIGRÉ-Brasil em 2000,
que visava a uma melhor aderência aos desafios impostos pela nova realidade
dos setores elétricos mundiais. Desde então,o CE C5 tem participado ativamente AUTORES
de toclas as atividades do CIGRÉ internacional, com uma produção significativa
de documentos técnicos, e vem desenvolvendo o projeto de produzir este livro
como forma de transmitir o conhecimento para um público mais amplo do que
aquele que participa das atividades técnicas do CIGRÉ-Brasil.
Estamos todos de parabéns pela publicação deste livro. Os autores, pela
missão cumprida, o CIGRÉ-Brasil, por tornálo viável, e todos aqueles que tive-
rem acesso a ele, pela qualidade do material que está sendo publicado.
Alice Azeoedo
Antonio Varejão de Godoy Graduação em engenharia elétrica -Sistemas cie Potência pela Universidade
Presidente do CIGRÉ-Brasil Federal Fluminense, especialização em Economia do Setor Elétrico pela FGV
e MBA em Gestão de Energia pela Coppead. Engenheira de sistemas de po-
tência sênior da Diretoria de Administração dos Serviços de Transmissão clo
ONS- Operador Nacional do Sistema Elétrico.

Antônio Lázaro da Sil<:a


Advogado, trabalhou na CEMIG clurante 40 anos e hoje participa do cor-
po jurídico de diversas associações ligadas ao setor elétrico. É proíessor
de Direito de Energia na PUC-MG e da Fundação Mineira de Educação e
Cultura (FUMEC), e atua como consultor jurídico no setor elétrico, nas áreas
de Direito Tributário, Administrativo e Constitucional.

Bernardo Bezerra
Doutorando em Engenharia Elétrica. Gerente de projetos na PSR. Atua em
diversas áreas como economia da energia, leilões, gerência de riscos, pla-
nejamento energético gás-eletricidade e desenho de mercados. É autor de
cerca de 100 artigos técnicos em periódicos e conferências . Tem sido pales-
trante em conÍerências e seminários no Brasil e exteÍioÍ.

Bruno Flaclt
Doutor em Engenharia Elétrica pela PUC-Rio. Gerente cle projetos na PSR.
Atua em diversas áreas como economia da energia, Ieilões, gerência de ris-
X Mercados e Reguloçoo do Energia Elétrico AUTORES XI

cos, planejamento energético gás-eletricidade e desenho de mercados. Foi de Empresas, Acompanhamento do Mercado Acionário, Avaliação e
visitante na Universidade cla Califórnia, San Diego e no Centro de Análise Análise de Crédito, Avaliação de Projetos, Estruturação de Financiamentos
de Risco e de Aplicações de Modelagem em Otimização da Universidade de e Operações de Captação de Recursos, Bancos de Investimento Nacionais
Brunel, Londres. e Estrangeiros, Estudos de Privatização de Empresas do Setor Elétrico,
Projeções de Demanda e Oferta de Energia Elétrica, Estudos de Planejamento
Eilna Maia de Almeida Araujo de Expansão de Geração, Projeção de Preços de Energia, Estudos de
Engenheira Eletricista pela Universidade Católica de Minas Gerais. Assistente Comercialização de Energia. Desde 2010 trabalha na Bio Energias Renováveis
da superintendência de transmissão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Ltda, onde é Consultora Sênior prestando consultoria para diversas empre-
especialista em estudos de planejamento de sistemas elétricos. Secretária do sas e negócios relacionados ao setor elétrico.
Comitê de estudos C1 do CIGRÉ-Brasil.
Francisco Ramos
E iluar do H enriq ue D iniz E ittip alili
Formado em Engenharia Elétrica, modalidade Eletrotécnica pela
Engenheiro da Chesf e Professor da Escola Politécnica da Universidade de
Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, em 1981. Mestre em Economia
Pernambuco. Mestre e Doutor em Engenharia de Produção. Graduado em
pelo PIMES-UFPE, em 1987. Mestre em Economia Matemática pelo CORE -
Engenharia Elétrica pela UFPE. Trabalhou no planejamento da operação
do sistema elétrico e no planejamento econômico-financeiro da Chesf. Foi Center of Operations Research & Econometrics, Université Catholique de
o responsável pela área de leilões para venda de energia elétrica da Chesf Louvin, Bêlgica, em L989. Doutor em Sciences Economiques, Université
no Ambiente de Contratação Livre. Atualmente é gerente da Divisão de Catholique de Louvin, Bélgica, em1992. Pós-Doutorado no THEMA-CNRS,
Engenharia de Segurança do Trabalho da Chesf. Théprie Economique, Modélisation at Application, Paris, França, em 2002.
Professor do PIMES-UFPE, Departamento de Economia e do PPGEP-UFPE,
Eduardo Nery Departamento de Engenharia de Produçào.
Formação e especialização em múltiplas áreas de conhecimento, sendo
Engenharia pela Universidade Federal de Minas Cerais e Westinghouse G abriel N as s er D oyle de D oile
Electric Co/ Pennsylvania State University entre outras. Diretor da Energy É engenheiro eletricista, pós - graduado em Engenharia Mecânica pela Escola
Choice Consultoria e Negócios e coordenador dos seus trabalhos nos do- de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
mínios de desenvolvimento sustentável, energia e desenvolvimento empre- Atualmente é Especialista em Regulação dos Serviços Públicos de Energia
sarial e gerencial. Diretor do ICEN e coordenador de suas atividades de na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
economia criativa. Professor associado da Fundação Dom Cabral.
Hermes Chipp
Eaelina Neaes
Engenheiro eletricista pela UFR] e pós-graduado pela GE/Union College, de
Graduada em Engenharia Elétrica, Mestre em Engenharia Elétrica e Doutora
New York (Power System Engineering Course). Diretor-Geral do Operador
em Física Computacional pela Universidade de São Paulo. Atuou nas áreas
Nacional do Sistema Elétrico - ONS, membro do Very Large Power Grid
de Preço do Mercado de Curto PÍazo, Implantação de Novos Projetos,
Regras e Procedimentos de Comercialização e Monitoramento do Mercado.
Operators -
VLPGO e da Comisión de Integración Energética Regional -
CIER. Integra, em caráter permanente, o Comitê de Monitoramento do Setor
Atualmente é coordenadora da Assessoria Técnica Econômica do Conselho
Elétrico - CMSE, do Ministério de Minas e Energia.
de Administração da CCEE.

F átüna Regina V az Moreira f oão Carlos de Oliaeira Mello


Graduada em Economia, UER], 1988; Mestrado em Economia, PUC-SP,2007. Engenheiro eletricista e Doutor em Ciências pela Pontifícia Universidade
Experiência Profissional: Análise de Investimentos, Projeção de Resultados Católica do Rio de ]aneiro (PUC/RD. Presídente da Andrade & Canellas
atua pessoalmente nas áreas cle regulação, mercado de energia, negócios
xII Mercados e da Enerqia Elétríco AUToRES xru

institucionais, estudos de sistemas de energia, análise econômica e financei- em Otimização Estocástica, PUC-Rio e Universidacle British Columbia,
ra, termelétricas, energias renováveis, redes de conexão, gestão do mercado em 2005. Experiência Profissional em Projetos Elétricos de Inclústrias,
livre de energia e engenharia aplicacla às práticas ambiental, civil, mecânica Subestações e Usinas; Projeto e Comissionamento de Sistemas Digitais de
e eIétrica. Proteção e Controle; Desenvolvimento de Software de Engenharia Elétrica;
Estudos cie Planejamento de Transmissão; Estudos de Comercialização de
Lenilson Veiga Mattos Energia e Estudos cle Planejamento cla Geração. Experiência Acadêmica
Mestre em Engenharia Elétrica - Sistemas de Potência pela Universidacle como Professor nos cursos de Pós-Graduação em Planejamento Energético,
Federal do Rio de ]aneiro - COPPE/UFRJ. Engenheiro cle sistemas de po- Comercialização cle Energia e Gerenciamento de Risco, na PUC-Rio e
tência sênior da Diretoria de Administração dos Serviços de Transmissão do FGV-Rio. Engenheiro Sênior em Planejamento Energético e Comercialização
ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico. de Energia na Empresa cle Pesquisa Energética (EPE) clesde 2006.

Luiz Attgttsto Barroso Ricardo Saooia


Doutor em Pesquisa Operacional pela UFRJ. Diretor cla PSR. Atua em di- Craduado emAdministração com ênÍase em Comércio Exterior, Universidade
versas áreas como economia da energia, leilões, gerência de riscos, planeja- Paulista, 1997;Mestre em Energia (PIPGE-IEE), Universidade de São Paulo,
2009; lr4BE em Economia e Setor Financeiro, FIPE/USP, 2001; Gestão em
mento energético gás-eletricidade e desenho de mercados. É autor de cerca
Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, Universidade Mackenzie, 2007;
de 100 artigos técnicos em periódicos e conÍerências . Foi proÍessor visitante
Valuation and Financial Decisions, Darclen Schoolof Business - USA,
no Instituto de Investigación Tecnológica (IIT) da Universidade Pontifícia
Setembro, 2A07 ; Temexperiência na área de Energia Elétrica, Aclministração
Comillas em Madrid. É Senior Member da IEEE Power Engineering Society,
Financeira, Economia, Contabilidade, Aclministração e Comércio Exterior,
de onde recebeu em 2010 o premio IEEE PES Outstanding Young Engineer
tenclo trabalhado por mais de 10 anos em emPresas de distribuição de ener-
Award. gia nas áreas de estudos no planejamento da distribuição (projeção de ener-
gia e clemanda), contratação de energia, mercado livre, revisão taríÍária,
Lrliz Henriqtte Alaes Pazzini relações com investidores, planejamento estratégico e captação de recur-
Graduado em Engenharia Elétrica, Mestre e Dout«:r em Engenharia Elétrica sos em moeda nacional e estrangeira. Desde 2008 trabalha na Andrade &
pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Desde 2004na CCEE, Canellas (A&C), onde é Consultor Técnico referente aos trabalhos de estu-
trabalhou na Capacitação, Assessoria Técnica e Econômica do Conselho dos econômicos financeiros, regulação, tarifas e mercado livre de energia.
cle Administração e atualmente trabaiha na Gerência de Desenvolvimento
do Mercado, e é professor do curso de Engenharia Elétrica da Escola de Salztador Vairo
Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Bacharel em Economia pela UFF, com especialização em Finanças pela
Fundação Getúlio Vargas, SP, atua há 36 anos na área financeira com grande
Maria Alzira Noli Silaeira experiência em avaiiação econômico-financeira e operações de compra, ven-
Mestre em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Itajubá. da e reestruturação financeira de empresas.
Engenheira assistente da superintendência de transmissão da Empresa de
Pesquisa Energética (EPE), especialista em estudos de planejamento de sis- Teófilo de Holanda Caaalcanti
temas elétricos. Coordenadora do Comitê cle estuclos C1 do CIGRÉ-Brasil. Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal cle Pemambuco.
Mestre em Engenharia Elétrica, possui também Pós-Graduação em Comércio
Exterior e MBA em Finanças Empresariais. Engenheiro da CHESF descle
Pedro Atnérico Moretz-Sohn Daaicl
1984.Trabalhou nas áreas de operação e gestão da qualidade da operação,
Gracluaclo em Engenharia Elétrica, UFRI, em L974; Mestrado em
tendo ingressado na área de comercialização de energia elr:.1,998. Foi geren- I
Controle Digital e Processamer-rto de Sinais, PUC-Rio, em 1995; Doutor
Mercados e u do Elétrica
xry

tedaDivisãodeComercializaçãodeEnergiae,atualmente,exelceocar-
Contato: E-mail:
go cle Gerente do Departu*".rL de Relações Comerciais.
leofiloh@ clrcsf . gott.br ; Fone (81)3229'37 00'

Xisto Vieira Filho


Engenheiro eletricista pela PUC-Rio e Mestre em Engenharia
peio
de Energia
Ressselaer Polytechnic Institute. Diretor de comercialização SUMÁRIO
de
e Regulação áa MPX Energia,Presidente da Associação Brasileira
GeradoresTermelétricos-ReRecgr,ex-SecretárioNacionaldeEnergia,
do CEPEL'
ex-Diretor de Engenharia da ELETROBRÁS, ex-Diretor-Geral

Apresentação
VI
Prefácio....'
Autores.....
x

Capítulo 1
1
TEORTA DA REGULAçÃO .
1
1-.L Regulação - Conceitos'
1L
1,.2 Regulação e os Sistemas Político e SimbÓlico-Cultural ' '
1.3 ComentáriossobreasFormaslnstitucionais' " ' ' ' ' ' ' "
13
19
L.4 Regulamentação-Conceitos' ' '
22
1.5 Concorrência, Competiçãoe Cooperação'' "'
23
1,.6 Sistemas Concorrenciais e a Teoria da Contestabilidade'
27
L1 Regulação Setorial
29
1.8 O Modo de Regulação e o Planejar
3L
1,.g Modos de Regulação e Desenvolvimento
35
1.10 Referências

Capítulo 2
37
A REGULAçÃO g n CoMERCIALIZAçÃo DE ENERGIA
3/
2|1, Organização clo Setor Elétrico Brasileiro
Regulação 42
2.2 Os Ambientes de Contratação de Energia e a
XVI Mercados e da Elétrica SUMARIO xvu

2.3 Comercialização de Energia: Uma Atividade com qual Nível 4.4 Alguns Exemplos de Leilões de Compra e Venda de Energia
deRegulação?..... 43 Eléüica no Ambiente de Contratação Livre. 182
2.4 Os Principais Aspectos da Regulação do Setor Elétrico Brasileiro 4.5 Conclusões 186
e Efeitos na Comercialização de Energia 47 4.6 Referências 187
2.5 Outras Observações hnportantes Referentes à Regulação
da Comercialização de Energia 51
2.6 Regulação Explícita x Regulação Implícita 54
Capítulo 5

2.7 Conclusões 55 MERCADOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO: DESCRIçÃO E PANORAMA


INTERNACIONAL. 191
Capítulo 3 5.1 Primeira Geração: Descrição 191
FUNDAMENTOS DA COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA 5.2 Estruturas de Mercado - Uma Visão Conceitual . . 1.92

NO BRASIL. . 57 5.2.1 Modelo I - O MonoPólio 193


3.1, Introdução. 57 5.2.2 Modelo II - Agência Central de Comercialização 194
3.2 Visão Geral do Modelo de Comercialização do Setor Elétrico 5.2.3 Modelo III - A Competição no Atacado' 196
Brasileiro. 58 5.2.4 Modelo IV - A Competição no Varejo 197
3.2.1. Ambiente de Contratação Regulada (ACR). 60 199
5.2.5 Identificação dos Modelos
3.2.2 Ambiente de Contratação Livre (ACL) . 61.
5.3 Uma Visão Geral do Setor Elétrico Mundial - Primeira Geração 201.
3.3 A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) 64 202
5.3.1 Um Pouco da História.
3.3.1 Os Primórdios: Administradora cle Serviços do Mercado
5.3.2 Os Principais Ingredientes das Reformas . . ' . . 244
Atacadista de Energia Elétrica (ASMAE) - Setembro de 2000
a Março de 2002 5.3.3 Os Principais Resultados Encontrados 215
65
3.3.2 A Segunda Fase: O Mercado Atacadista de Energia Elétrica 5.4 Os Principais Problemas da Primeira Geração 276
(MAE) - Março de2002a Novembro de2004 68 5.5 Referências 218
3.3.3 A Consolidação: A Câmara de Comercialização de Energia 5.6 Primeira Geração: Panorama lnternacional. . . . . . 220
Elétrica (CCEE) - Desde Novembro de2004 7L
5.7 A Abertura na América do Norte 220
5.7.1 AEstrutura do Setor Elétrico Americano 221.
Capítulo 4
5.7.2 A Abertura do Mercado de Energia no Canadá 229
LEILÕES DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA ELÉTRICA NO
5.7.3 Alguns Mercados na América do Norte 231.
AMBTENTE DE CONTRATAçÃO LIVRE DO SETOR ELÉTRICO
5.8 A Evolução do Mercado Latino-Americano . 244
BRASILEIRO - UMA VISÃO TEóRICA. . 153
250
5.8.1 O Setor Elétrico Mexicano
Resumo. 153
5.8.2 A Argentina e seu Mercado de Energia Elétrica. 251.
4.L Teoria dos Jogos e Teoria dos Leilões: Alguns Conceitos . . . . . 154
5.8.3 O Mercado Chileno - Pioneiro 255
4.2 Teoria clos Leilões Aplicada ao Setor Elétrico: Processos de
Compra 5.8.4 O Mercado e o Setor Elétrico Brasileiro 257
Venda de Energia Elétrica
e 161
4.3 Modelos para Leilões de Comercialização de Energia Elétrica. 168
-]

xvm Mercodos e Reg uLaÇão do Energia Elétrica SUMÁRIO xx


268 6.6 Colômbia: Leilões de Opções de Confiabilidade . 361
5.9 O que Aconteceu no Mercado Europeu?
269 6.6.1, OEsquema Anterior: Encargo cle Capacidade . . . . . . . . . . 362
5.g.LDiretivas cla Comunidade - Definição do Mercado Europeu
276 6.6.2 O Novo Esquema: Opções de ConÍiabilidade (Opções de
5.g.2 ASituação Atual do Mercado de Energia Elétrica Europeu'
286 Energia Firme) 363
5.9.3 As Bolsas de Energia na Europa
294 6.6.3 Resultados. .. 367
5.9.4 As ReÍormas na Rússia e na CEI
296 6.7 Leilões de Energia em outros Países 369
5.9.5 Alguns Mercados na EuroPa
313 6.7.1. Pent 370
5.10 Os Movimentos na Ásia e Oceania
5.10.1 O Setor Elétrico no Japão e as Reformas ' ' ' ' '
313 6.7.2 América Central: Em Direção aos Leilões Regionais de
315 Energia 372
5.10.2 A Evolução do Setor Elétrico na China
319 6.7.3 Experiência fora da América Latina 375
5.10.3 As Reformas na Coreia do Sul .
321. 6.8 Conclusões 376
5.10.4 A Experiência no Sudeste Asiático
324 6.9 Agradecimentos. . . , J/ /
5.10.5 O Novo Mercado Elétrico na Austrália
326 6.1.0 Referências J/ /
5.11 ReÍerências

Capítulo 6 ^
Capítulo 7
MEcANIsMosDEMERCADoPARAVIABIUZARASUFICIENCIAE ARCABOUçO rEGAL E TNSTITUCTONAL. 381
EFICIÊNCN NA EXPANSÃO DA OFERTA E GARANTIR O 7.1, Introito. 381
SUPRIMENTO DE ELETRTCIDADE NA SEGUNDA "ONDA" DE
REFORMAS NOS MERCADOS ELÉTRICOS DA AMÉRICA
LATINA . . 333
Capítulo 8
6.L A América Latina: Crescimento Econômico e Suprimento de
334 TARIFAS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO 423
Energia
336
6.2 A Primeira "Onda" de Reformas 8.1 Introdução. 423
336
6.2.1' OsMecanismos Para A Garantia de Suprimento ' ' ' ' 8.2 Receita Anual Permitida - RAP. 424
338
6.2.2 Os Bons Resultados e as Dificulclades 8.3 Metodologias de Cálculo das Tarifas 425
339
6.2.3 Os Problemas Conceituais 8.4 Metodologia Nodal 429
341
6.3 A Segunda "Onda" de Reformas na América Latina' 8.4.1 Formulação Básica. 429
6.4 Brasil: Leilões de Energia e Capacidade Através de Opções e 8.4.2 Critério de Despacho para Estabelecimento do Caso Base 434
343
Contratos a Termo.
3M 8.4.3 Custos de Reposição das Instalações da Rede Básica. . . . . 436
6.4.L A"Segunda" Onda de Reformas no Brasil
349 8.4.4 Ajuste das Tarifas para Cobertura da Receita Anual
6.4.2 Leilões: Organização e Resultados " ' '
354 Permitida 437
6.5 Chile: Leilões de Energia para Moclernizar o Processo de Reforma
8.4.5 Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) 439
6.5.1 Buscando Alternativas de Mercado para EnJrentar Crise '
a 356
358 8.4.6 Caso Exemplo da Metodologia Nodal 439
6.5.2 Os Leilões de Energia
360
6.5.3 Resultados. . '
xx Mercodos e Regulaçõo da Enerqia ELétrico SUMÁRIO xxr

8.5 Aspectos Gerais $obre a TUST. 443 Capítulo t0


8.5.1 Tarifas de Fronteiras - TUST-FR 448 MIODOS DE FUNDING PARA O DESENVOLVIMENTO DA ENERGIA
ELÉTRICA BRASILEIRA 483
8.5.2 Encargos de Transmissão. . 450

8.6 Sistemáticas de Cálculo .


da Tust para Geradores . . 451 10.1 Breve Revisão de Práticas Recentes. 483

"Usina "Usina Existente" 451 1.0.2 A Contribuição e Participação do BNDES 486


8.6.1 Sistemática: Nova" x
8.6.2 Sistemática para Usinas Participantes de Leilões de Energia. . 453 L0.3 Outras Fontes de Funding 489

8.7 Instalações de Transmissão Compartilhadas por Geradores - ICG. . 455 10.4 Captações no Mercado Financeiro e de Investidores
Institucionais..... 491
8.8 Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição - TUSDg. 456
10.5 Uma Alternativa Diferenciada: Certificados de Energia Elétrica 494
8.8.1 TUSDg para o Nível de Tensão entre 88 kV e 138 kV """" 458
1.0.6 Considerações..... 501
8.8.2 Vigência da TUSDg 462
Referências 502
1,0.7
8.8.3 Impacto nos Contratos de Uso. 463

S.S.4FiuxoFinanceirodaTUSDg. ....... 463


Capítulo L1-
8.8.5 Impacto no cálculo da TUST 463
ESTRUTURA DO PLANEJAMENTO E EXPANSÃO DA GERAçÃO
8.8.6 TUSDg para os Níveis de Tensão abaixo de 88 kV. 465
E DA TRANSMISSAO NO BRASIL 515
g.g Referências 465
515
11..1 Objetivo
11..2 Introdução. 515
Capítulo 9 11.3 Visão Geral dos Estudos 517
REGULAçÃO DO SETOR ELÉTRICO: HISTÓRICO. AGÊNCIA 11.3.1 O Processo de Planejamento . . . 518
R.EGULADORA, ATUALIDADES E PERSPECTIVAS FUTURAS. . . . 469
11.4 Planelamento da Geração Elétrica. 519
9.7 História do Setor Elétrico Brasileiro 469 11.4.1 Histórico... 519
9.1.1 A Reforma dos Anos 1990 . . 470 11.4.2 Metodologia e Critérios do Planejamento da Geração. . . . . . 521.

9.1.2 Avanços na Década de 2000. 47L 1L.4.3 Oferta Energética no Brasil. 525
9.1.3 Estrutura Atual do Setor Elétrico Brasileiro 472 11.5 Pianejamento da Expansão de Interligações . . 529
9.2 A Regulação Brasileira 473 11.6 Planejamento da Expansão da Transmissão . . 534
9.2.1 Competência das Agências Reguladoras 474 11.6.1 Histórico... 534
9.2.2 Estrutura clas Agências Reguladoras . . ' 475 11.6.2 Metodologia e Critérios para Planejamento da Transmissão 537
9.2.3 Fontes de Receita 476 1L.6.3 Horizontes de Planejamento 537

9.2.4 ARegulação Brasileira Comparada com Outras 476 1L.6.4 Critérios de Atendimento. 539

9.2.5 Conclusão Acerca da Regulação Brasileira em Geral. . . . . ' . 477 11.6.5 Principais Estudos Elétricos. 543

9.3 A ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica. 478 11.6.6 Desenvolvimento dos Estudos 548

9.3.1 Estrutura Organizacional da ANEEL. 479 11.6.7 Síntese do Processo de Planejamento da Transmissão . . . . . 550
479 11.6.8 Evolução do Sistema de Transmissão da Rede Básica Nacional 552
9.3.2 Sup erintendências
11..7 Considerações Finais. s53
9.4 Conquistas e Perspectivas Futuras 481
xxII Mercodos e Regulaçõo da Energio Elétrica SuuÁnto xxul

Capítulo 12 13.2.5 Relações do ONS com a EPE 624

O MODELO INSTITUCIONAL DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO E 13.2.6 Relações do ONS com a Sociedade. . . 624

A COMERCTAUZAçÃO DE ENERGIA - UMA VISÃO GLOBAL. . . 555 13.3 A Governança e as Atribuições Legais do ONS 625

e Objetivo 13.3.1 Estrutura Organizacional da Governança do ONS 625


12.1, Introdução 555
12.2 Aspectos Físicos e Operacionais do Sistema Elétrico Brasileiro . . 556 13.3.2 Atribuições Legais e Estrutura Organizacional da Diretoria
do oNS 626
12.3 Organização Institucional do Setor Elétrico Brasileiro. 561,
13.4 Caracterização do Sistema Interligado Nacional Atual . 629
12.3.L Breve Histórico da Regulamentação Institucional do Setor 561.
13.5 O Estamento Regulatório - Procedimentos de Rede do ONS. . . . . . 632
1.2.3.2 Objetivos do Modelo. 568
13.6 A Estrutura da Operação do Sistema Interligado Nacional 638
12.3.3 Instituições do Setor Elétrico . . . . . 569
13.6.1 A Administração dos Serviços da Transmissão . . . 639
12.3.4 Competências e Atribuições dos Órgãos/Instituições. . . . . 577
13.6.2 O Planejamento e a Programação da Operação
12.4 As Relações Contratuais entre os Agentes 582
Eletroenergética... 642
12.5 A Comerciaiização de Energia Elétrica. 587
13.6.3 A Operação em Tempo Real . ' 649
12.5.1 Comercialização de Energia no Ambiente Regulado. . . . . . 589
13.7 Desafios Futuros da Operação do SIN 654
12.5.2 Comercialização de Energia no Ambiente Livre . 594
12.5.3 Atuação de Geradoras sob Controle Federal, Estadual e
Capítulo L4
Municipal na Comercialização de Energia 594
12.5.4 Contratação de Energia de Reserva 595 MÉToDos DE PREcIFIcAçÃo, TARIFAçÃo E TRIBUTAçÃo . .... . 6s9
12.5.5 Mercado de Curto Prazo e Operações na CCEE. 596 1,4.1" Introdução. 659

12.5.6 Regras e Procedimentos de Comercialização . . . 598 L4.1,.1, O Monopólio Natural no Contexto das Distribuidoras de
Energia 659
12.5.7 Venda de Energia para Consumidores Cativos e Receita
das Distribuidoras. 603 L4.1..2 A Política Energética, a Energia na Questão do Bem Essencial
e seu Crescimento ExPonencial. . 661
12.6 Marcos do Modelo. 605
14.1.3 Os Padrões de Usos por Energia Elétrica. 662
12.7 Glossário 610
'1.4.2 O Marco Regulatório 664
12.8 Referências 677
14.2.L Características do Modelo Institucional do Setor Elétrico' ' ' 666

1,4.3 Composição da Tarifa de Distribuição cle Energia Elétrica ' 678


Capítulo 13
14.3.1, Características dos Sistemas Tarifários 678
ESTRUTURA DA OPERAçÃO OO SISTEMA INTERLIGADO
NACIONAL 619 1,4.3.2 O Princípio de Competência e a abertura por Lotes de
Faturamento 683
13.1 Introdução. 619 686
1-4.3.3 Cálculo Por Dentro do iCMS
13.2 Estrutura Institucional do Setor Elétrico Brasileiro . . . . 62L
1,4.4 Realinhamento Tarifário e Equalização das TariÍas 686
13.2.1 Relações do ONS com a ANEEL 6» e Revisão TariÍária das
L4.4.L O Processo de Reajuste
L3.2.2 Relações do ONS com os Agentes. 622 Distribuidoras.... 688
13.2.3 Relações do ONS com a CCEE, a ANA e a ANP . 623
13.2.4 Relações do ONS com o Governo Federal. . . . . . . 623
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7)
{-J TEORIA DA REGULAçAO
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Eduordo Nery

1.1 REGULAçÃO - CONCETTOS

Entende-se por regulação de um grande sistema o conjunto de princípios,


normas, regras e processos de decisão que asseguram a estabilidade e a coerên-
cia aproximada dos diferentes atores de uma economia em uma dada geografia

Fica claro que o modo de regulação num ambiente internacional de mer-


r:aclo, atéo momento, não possui a força e a sustentação que lhe atribuem as
formas institucionais nacionais, ainda que se deva reconhecer que é exatamente,
|to contexto internacional, que subsistem condições de incertezas radicais, con-
2 Mercodos e da Energia Elétrico CapÍruro t o Teorto da Reguloçõo 3

flitos e paradoxos comportamentais, efeitos não intencionais de desestabilização, . a identificação e codificação dos princípios e modos de gestão em
movimentos contraditÓrios ou reações em cadeia, entre outros, para os quais período(s) adrede selecionado(s);
não há como se constituir sm n'todus de funcionamento senão através de deli- . a estratificação e codificação de valor que leve ao reconhecimento dinâ-
mitações, referências comuns, procedimentos e regularidades que veiculam ou mico das diÍerentes classes ou grupos sociais, tanto os incluídos como os
propiciam a existência e prática de dispositivos coletivos que são as regras/ as não incluídos;
convenções e as organizações aceitas e pactuadas. Somente a racionalidacle eco-
nômica não é suficiente, nem caPaz, para a resolução dos problemas e questões
. uma composição individualizada das demandas social, cultural, ambien-
de ordem de uma sociedade, entre as quais estão presentes, as coordenações de tal e tecnológica (ou do conhecimento), validando as tendências de evolu-
ações que envolvem todos os atores e SuaS posições em todas aS economias e ção das capacidades de produção identificadas;
seus mercados, qualquer que seja o seu nÍvel de sua abrangência - escopo e es- . uma identificação da(s) modalidade(s) de articulação que subsistiu(ram)
cala. Concomitantemente é importante mencionar que a configuração política do com as formas não capitalistas, que tiveram ou têm uma posição de parti-
Estado e a sua autonomia prePonderante em matéria da codificação do regime cipação determinante, na formação econômica em questão (BOYER, 1986).
monetário, das formas de concorrência, do regime e condição do trabalho deter-
minam aS formas de articulação entre ele, Estado, e a economia, representada Naturalmente, as bases de trabalho reúnem as formas que se apresentam
pelos agentes individuais, coletivos e a população que nela comparece. Assim, o na reação capital-trabalho e o que as regula em setores em que persiste o traba-
modo de regulação de qualquer sistema contempla as interações recíProcas entre tho independente, assumindo, então, a caracterização das relações indissolúveis
ambos. entre pessoas (próprias ou terceirizadas), o trabalho, a produção e as mudanças
Dessa maneira, entende-se por modo de regulação de um sistema o conrunto ou transformações, em todas as suas propriedades e formas de manifestação -
de procedimentos e de comportamentos, individuais e coletivos, que tem a pro- social, cognitiva, organização.. econômica, etc. -, no ambiente analisado.
priedade de: De maneira anâloga, as bases salariais e de remuneração constituem a conÍi-
. guração das relações mútuas entre os diferentes tipos de organização do trabalho,
ÍeproduziÍ as relações sociais e culturais, ambientais e tecnológicas fun-
o modo de vÍda e as modalidades de reprodução dos trabalhadores assalariados,
damentais do modo de produção deste sistema Por meio das formas ins-
abrangendo, portanto, a tipologia do meio/sequenciamento de produção, a divi-
titucionais que o constituem, historicamente determinadas;
são social e hierarquia técnica/tecnológica do trabalho, a mobilização e vincula-
. sustentar e guiar/conduzir o regime de acumulação em vigor; ção dos empregados ao processo de produção empresarial, os determinantes dos
. assegurar a compatibilidade dinâmica de um conjunto de decisões des- montantes de salários e remunerações, e benefícios diretos e indiretos, e o modo
centralizadas, sem que seja necessária a assimilação pelos atores econômi- de vida do assalariado, ou seja, a aquisição de insumos e a utilização de serviços
cos dos princípios que ajustam o sistema como uma unidade ativa e viva coietivos fora do mercado (efeito propagação).
(BOYER,1986). Segundo esta conceituação, ao longo de sua trajetória histórica e institucio-
nal, a regulação se estruturou como um sistema hierárquico construído em três
Regime de acumulação constitui, então, para cada sociedade ou ambiente níveis, todos eles devidamente instrumentalizados, de acordo com a ordem de
considerado, o conjunto de regularidades que ocorrem e asseguram a progressão sua abstração, qual sejam:
congruente de sua acumulação do capital, o qual permite que ela desenvolva, no . nível mais alto tratando dos modos de produção e de prestação de servi-
tempo, intervenções que alterem os desequilíbrios e distorções ou desvios que ços e de geração de soluções e conhecimento, Íeconhecendo-se que, neles,
emergem e se mantêm do prÓprio existir deste processo. o valor de troca se impõe sobre o valor de uso, tornando a acumulação
Estas regularidades compreendem principalmente: uma condição imperativa para a autoprodução e a sustentação desses sis-
. a tipificação da evolução da organízação e fluxos da produção e das ba- temas e da sociedade;
ses de trabalho e salários/remunerações correspondentes aos meios de . nível intermediário, no qual a análise se detén'r no estudo das regularida-
produção; des, apenas constatadas no nível anterior, em suas várias modalidades, as
4 Mercados e ReguLaçõo do Energia Elétrico CAPÍruLo 1 ' Teoria da Reguloçõo 5

quais propiciam a acumulação se desenvolver no longo prazo, dinâmica III. crise do modo de regulação na qual este se revela incapaz de conter,
esta que habitualmente se denomina regime de acumulação; reverter ou equacionar encadeamentos conjunturais desfavoráveis ou
. nível mais baixo, no qual o objeto da análise são as configurações espe- que resultam de novas condições, descobertas, não previstas nos dispo-
cíficas das relações sociais e culturais, ambientais e tecnológicas de uma sitivos que determinam sua atuação. Em ambas as situações, pelo menos
geograÍia, em um dado tempo. inicialmente, o regime de acumulação mantém a sua viabilidade;
IV. crise do regime de acumulação que sucede quando uma economia atin-
E importante mencionar que a acumulação subsiste em períodos de cresci- ge os limites das contradições e insuficiências no contexto das formas
mento da economia, interrompidos sistematicamente por crises estruturais. A institucionais, as mais essenciais para a sua existência. Entram em crise
regulação, portanto, trabalha e se desenvolve sobre a descontinuidade maior, a regulação e o crescimento ou desenvolvimento da economia, em con-
segregando, de um lado, tudo o que acontece em um regime de crescimento ou junto, o que implica a necessidade cle reformulação de ambos;
clesenvolvimento estabilizado ou sustentável e, de outra parte, a eclosão dessas
regularidades observadas, anteriores/ por ocasião da emergência das crises.
V. crise do modo de produção que se caracteriza pelo colapso do conjunto
de relações sociais no bojo de um modo de produção, o que coincide
As formas institucionais ef ou estruturais correspondentes definem o princí-
com a perda de sua viabilidade, seja causada por se ter chegado ou ul-
pio das regularidades socioeconômicas observadas, na medida em que elas, for-
trapassado os limites de uma configuração de formas institucionais, seja
mas institucionais e/ou estruturais socializam os comportamentos heterogêneos
por se ter esgotado ou ultrapassado os limítes da condição de produção
dos agentes econômicos, fazendo com que se estabeleça e se sustente o regime de
de um ou mais fatores que comparecem no seu modo de produção.
acumulação que permite que se passe da micro à macroeconomia. As formas ins-
titucionais constituem/ então, como toda a codificação de relações sociais funda-
mentais de uma sociedade, compreendendo o regime monetário e de crédito, o
trabalho e os salários, o meio ambiente, a tecnologia e o conhecimento, as formas REGTME DE ACUÍUULAÇÃO
de concorrência, a distributividade, anatureza ou papel do Estado e a inserção Compatibilidade dinâmica entre
produção, divisão da receita
internacional de sua economia. e gênese da demanda
A representaçã.o grâhca da hgara 1.1 ilustra, com propriedade, as bases, as FORMAS INSTITUCIONAIS
ordens interaçõ es do modus operandi genérico da regulação de uma economia.
e as - Regime monetário e de crétido
A teoria da regulação identifica cinco classes de crises que afetam a continui- - Regime e condição de trabalho (salário
- Meio ambiente Dinâmica social
dade dos crescimentos ou desenvolvimentos de quaisquer economias: - Conhecimento e tecnologia
- Forma de concorrência Ajuste econômico
I. crise causada por perturbação externa ao sistema econômico que tan- - Distributivídade
* Natureza e papel do estado
to pode ser uma catástrofe natural ou climática, uma guerra ou uma
- lnserção internacional MODO DE REGULAÇÃO
ruptura política no entorno próximo de sua atuação ou, um evento de
- Orientação dos comportamentos
origem no ambiente externo, habitualmente na economia internacional, individuais e coletivos em função
que esteja se propagando; do regime de acumulação
- Reprodução das formas
II. crise endógena ou periódica que resulta de fases de realização ou apu- institucionais
ração de tensões e desequilíbrios provocados pelo processo de acumu-
lação na expansão da economia, ou seja, no interioÍ das regularidades Crises: evolutivas e estruturais
sociais e dos seus mecanismos econômicos: tudo se passa como se hou-
vesse uma sucessão de períodos favoráveis e desfavoráveis no ambiente FIGURA í.1 Regulação, Íluxograma de seu funcionamento (Fonte: ThéorÍe da la
das formas institucionais vigentes, que praticamente não se alteram; regulation, l'état des savoirs, 2002).
, '. ,',$\!*.
-,.\,.
._':' r,: ^
r.,itÍ,

.'.:

o
6 Mercodos e da Enerqia Elétrico cAptruLo I o Teorio do Regulaçõo 7

Regra geral, as crises dos grupos I e II se configuram como pequenas crises, Nível crescente de NÍvel e objeto Coerência
eminentemente coniunturais, aquelas que se situam no interior dos processos generalidade da regulação crise
das interaçóes
que determinam o modo de regulação.
l
-----) o Slmbólico
As crises dos grupos III e IV estão associadas à perda de compatibilidade
entre as formas institucionais e as dinâmicas econômicas e com o surgir de de-
sequilíbrios estruturais que Provocam uma recessão ou depressão, o que requer
Realimenta
'{ I
'O
Constitui

Mododeregulação
uma reforma parcial ou total das formas institucionais e, por via de consequência -------)
da regulação decorrente, sem o que não se Passa a uma nova condição de cresci-
mento, figuras 1,.2e'1,.3. Como tal, caracteriza-se semPre como uma grande crise.
Realimenta
^l
:l:ü Compõe

Na economia em tempo real, há indicadores de desempenho que mensuram e (-------o Regime macroeconômico

permitem antecipar a entrada em uma grande crise, tais como a insuficiência de A


)
lucros ou receitas ou a destruição das formas sociais que sustentam ou permiti- Rêalimenla
Determina
riam a retomada da acumulação; a dissolução dos determinismos e da previsibi-
lidade econômica; a emergência dos conflitos socioeconômicos e políticos, tanto
{ Formação das regras e
--- --- - > formações institucionais
nacionais quanto internacionais; entre outros. +
Retroage Determina
lndicadores de desempenho sobre
(monitoramento)
Regras de base --4 Organizações

Grande crise
A, instituições
e agêntes
(ilr, rv) ^a

+ Y
Coerência
Tempo Grise
Avaliação Mudança Coerência: um mêsmo princípio simbólico permeia as diversas mediaçóes.
Contradições Regulação 1,: :..j: tr.J:,.:.trli.jôaÊ i;e aofrs:f lrrr i.:.i s: rl:jri 5 r:-:,. i'-r;31: 2r'-,'.
Estratégias
! Coerência: estâbilidade estrutural da dinâmica econômica impulsionada pela
I
conjunçâo das formas institucionais.
a ir st lr::,'-i i: a :r:s,o de :-ira j::rira :rst:ii aiíliâ: cleses:ârrll:a t eg':- il ::l:) 1rj:r'^'
a
a
ílr:r;i::,r.j i: llvati:iiíliiêS.r,:.a.i1Sir,:it;ijtJila._1 iaiftêiijlsÍf:r::a:1 .'t,jia,i:.t:,,'i!ri:i,t
Novas condições l:'1:i:1 i-1 ts. :1.'rcrr ttrle ;idlvjat-âli|j|i3 se i)iass:vêi:l :-'êi§iilas.
institucionâis !

Y Coerência: aptidão das mediaçÕes primárias para assegurar a coevolução


às diversas ordêns.
i.,i:rjü r-,i.j ' .Jcs'e2,-:ia,:--ir':,'â!r3a ac LÊr ics SrcceiirnetiÍ.\s ce rrêiitiÇij:1.
^ ' :.rs,:-r t,i-i:l ,:: ; .l/t:;Çã:r1 ílas C:ie.'J:.-1.es ar:edirlçÕês às fclr..as itrc:)r'r''.-!aiiv€ris
Atualização Íempo : i-::'i r::: ,J.-tif:r!.
Comportamentos Atualização
Modo de regulação
indivuduais Modo de Coerência: compatibilidade de um conjunto de regras com a exigência da forma
Regulação institucional âdotada.
' !1 1:: ,.'.râ .f i j,-l tI ::r L't: i,..:.1 t,.; !.-:rlà:; fâJr.,S.L:T à i-^€fr:3r'.ini;iâ ii
:- -: :i ,..:.ii::j.):-::.a

I
Dinâmica econômica t Coerência: conduçâo satisfazendo as estratégias dos agentes no(s) campo(s) de
ação da(s) regra(s).
...:ra.:.,::,,r:a:-i:t;ta;:a.:it,_:á,-;::,.t_títdf:ti;.,i,-:Jnlfa3r!-:.aj,Jlir('aje:.j:ijlêr'el-liã
. '.:;:t .i:ti ;l: ti,;r::,ijt'jal:.. ilí:: ii1r.i :.!.::),',ti..e:'i):ilaraCe Oni.ij r):vaisêS rr:lll!si;

FIGURA 1.2 Crises estruturais, tempos e modo de regulação.


í.3 Crises estruturais, tempos e modo de regulação.

o
8 Mercados e ReguloÇão da Energia Elétrica Ctpituto L ' Teorio da Reguloçõo g

Como as condições que identificam as crises variam com os regimes de Modo de coordenção e dístribuição do poder
acumulação que resultam de uma interação entre os domínios da política e da
economia, há, além do Estado e do mercado, outras entidades que neles compa- Horizontal Vertical
o
recem com um poder de goveÍnança, o que leva a uma taxonomia portadora de a
a
o
uma complexidade maior com uma variedade mais ampla de princípios de coor- a) Mercado Hierarquia corporativa
C
denação aplicáveis, em função da situação de cada economia e das inter-relações
que nela persistem.
o
As comunidades compreendendo os grupos populacionais, distritos e simi- IG
o Associações
6
lares que se aglutinam no sentido de estabelecer as condições de regulação que o
E
viabilizem a sua economia e o seu crescimento ou desenvolvimento local, res- o
r6
peitando as suas dimensões variáveis, pequenas e limitadas, particularmente no §
.F
que se refere às atividades produtivas, de comercialização e crédito. Redes
o ou
As chamadas lúerarquias, nos moldes dos grandes grupos corporativos pri- 'o sistemas

vados, verticalmente integrados, que buscam, no seu existir, otimizar a dinâmica o
'r
!
dos custos de produção e comercialização, no que se inclui frequentemente a o
inovação, o meio ambiente, a distributividade (compromisso e reconhecimento
Comunidade Estado
social).
As associações reunindo agentes que mantêm um interesse comum na sua
atuação no sistema econômico, visando compartilhar as incertezas, fortalecer
FlGURA1.4 Taxonomiadosprincípiosdeintervençãoecoordenação(Fonte:Hollingworth
suas posições no mercado por meio do viabilizar a apropriação e incorporação
& Boyer, '1997).
de formas institucionais tais que lhe sejam mais favoráveis, tais como novas tec-
nologias, soluções ambientais, condições de trabalho e salários, entre outras.
As crises do grupo vI constituem o último e mais severo grau de uma crise,
As redes oLt sistefilas, abrangendo as associações profissionais e de classe, sin-
que se aproxima de uma crise orgânica. observa-se uma perda de sua capacidade
dicatos, grupos inÍormais, que se multiplicam a cada dia, exercendo o papel de
de autoprodução, sem perspectivas de reconstituição das dinâmicas econômicas
agentes ativos e formadores de opinião, representando como as outras entidades
do sistema de acumulação, diante de tendências de sua evolução que se mostram
citadas, um desmembramento ou reagrupamento de funções tradicionalmente absolutamente inviáveis em longo prazo (entropia máxima), o que faz com que a
atribuíclas aos Estados ou mercados.O desenho da Íigura 1,.4 mostra a posição re- decisão política se mostre sem efetividade ou bloqueada para fazer frente às no-
lativa destas entidades entre os modos de ação e de coordenaÇão, entre as estru- vas condições que se impõem. A história mostra que, nesses casos, emerge uma
turas do dever e do poder (ordenadas e abscissas), o que proporciona uma visão nova economia, com uma nova estrutura que se desconhecia até então.
ampliada do arranjo institucional plural subsistente, reunindo uma dimensão Naturalmente, muitas das crises acontecem como uma composição de mais
horizontal e igualitária uersus vrrra componente hierarquica calcada na desigual- de um dos tipos anteriormente descritos, em superposição ou contraposição, em
dade, no que emergem indispensáveis as coordenações do modo de regulação. encadeamento ou sequenciamento.
Ressalte-se que se trata de uma representação do que se observa operando, não Do exposto, fica claro que a regulação se realiza sobre uma abordagem eco-
se constituindo, portanto, em qualquer arranjo decorrente de estudos e modela- nômica, que se manifesta determinando as relações que regem a dinâmica da
gem, muito menos uma conÍiguração ótima. produção e da oferta para uma sociedade (demanda), no sentido de alcançar dois
objetivos integrados e interdependentes:
' um regime de acumulação sustentável, entendido como a ou as via(s) de
crescimento ou clesenvolvimento de uma dada economia;

' o modo de regulação adequado paraviabllizar este regime de acumulação.


-:.:._-
. ,- :'j.'i.,. l

o
o 10 Mercodos e do Elétríco Capfiuro L ' Teorio da Reguloção 11
o
Para assegurar que os dois se realizem em simultaneiclade, numa primei- . da aprendizagem e conhecimento;
ra aproximação, aplica-se o princípio da interação acumulativa, tanto intensi- . da inovação e da criação atribuindo valor aos processos e produtos, servi-
va quanto extensiva, que diz que, em uma economia, a evolução dos mercados
aciona os mecanismos que resultam em ganhos de produtividade (valoração), ços, e significados e pessoas;
os quais, uma vez produzindo (utilização), atuam sobre a dinâmica da clemanda . da responsabilidade e do compromisso social dos sistemas produtivos.
que, por sua vez, estimula a evolução dos mercados.
Para que esta aplicação resulte, em função dos ambientes e dos agentes que Já a formação da demanda se constitui pelo modo como os ganhos de pro-
constituem uma sociedade, há que se considerar a interação das funções das va- clutividade são repartidos ou compartilhados entre os cliferentes partícipes clo
riáveis de decisão que definem os espaços institucionais de atuação da regulação mercado: consumidores, trabalhadores/colaboradores, acionistas/investidores,
e da autorregulação, representada na figura 1..5. ernpreendedores/empresas, Estado,... .

Seleção natural ou pela efetividade


(agência ou instituto)
L.2 REGUTAçÃO E OS STSTEMAS POLÍTICO E
SIMBóLICO.CULTURAL

o O estudo e a busca de soluções e respostas, para questões e problemas que


Autorregulação
§
.o
se apresentaram tanto na condição de regime quanto diante das crises das econo-
e
E ilias, tornaram evidente a importância e as interações entre os níveis lógicos do
.c
P1i::1'.ipiç
e., Princí;:ir:: sistema social representados pela economia, tratando da acumulação dariqueza,
Crorrjeracác rracrossocjal Cooideni:çáo lcca! câst aÇÕeS e a política tratando da acumulação do poder, em especial no que concerne à
Flircioi:aliCaraie
ordem constitucional.
Regulação
Há de se reconhecer que, do ponto de vista teórico, ex-ante, eles são inde-
pendentes, enquanto, na prática, ex-post eles são interdependentes, com a exis-
tência de conexões e circuitos absolutamente relevantes, reciprocamente. Isso faz
com que as dinâmicas dos processos da política e da economia tenham uma traje-
Seleção eletiva tória histórica e localizada muito próxima da compatibilidade. Particularmente,
(ação coletiva)
as articulações entre a economia e a política se manifestam necessárias em to-
FIGURA í.5 Regulação e os espaços institucionais. dos os regimes de acumulação, adquirindo um significado próprio em face dos
movimentos e situações criadas pela internacionalização e/ou globalização da
economia mundial.
Cabe lembrar que a obtenção de ganhos de produtividade, que constitui o
lado da oferta, pode advir principalmente:
. da constituição de economias de escala e escopo, em associação com a
administração das deseconomias e externalidades;
. de melhor(es) organização e fluxos da produção, trabalho, suprimento
o e comercialização, gestão e cultura, capital e crédito, tecnologia e meio
ambiente;
. do contínuo desenvolvimento do desempenho da produção e dos produ-
tos e serviços;
t2 Mercodos e Requlaçõo do Enerqia Elétrico CapÍrulo 1 ' Teoria do Reguloçõo 13

Em paralelo, a difusão e a generalização das ideias e proposiçÕes do pensa-


mento econômico, fruto das redes de comunicação, perpassam entre países e suas
economias, assumindo variações segundo as estratégias que as transpõem a cada
forma institucional e seus correspondentes modo de acumulação e regulação. Este
movirnento, envolvente, que resultou na globalização financeira, provocou moclos
de pensar disseminados, com a presença de algumas condições gerais, entre os
quais se faz mais marcante a questão da credibilidade, que passa a ser referida
mais à comunidade e ao regime financeiro intemacional do que aos ambientes
1'
endógenos, nacionais ou mesmo dos blocos econômicos constituídos como comu-
niclades de naçÕes. Observa-se então uma mudança no foco das relações de poder
e um aumento expressivo das incertezas e riscos.
No entanto, este poder e a propagação das teorias se deÍrontaram com a di-
versificação das trajetórias econômicas dos países, associadas às suas identidades
culturais e às imperfeições de mercado de cada um deles, f.azendo com que as
1> O
crises recentes das várias economias se distinguissem entre si, em função das diÍe-
renças marcantes entre os seus modos de regulação. Ou seja, não se constata uma
convergência de modos de regulação decorrente de mesmas teorias econômicas e
Regularnentação
o
Regras, processos, procedimentos
concepções políticas, tanto nos ambientes macro, quanto microeconômico.
Com certeza, perdeu-se multipliciclade e acentuou-se em muito a fragilidade
e vulnerabilidade do sistema e, naturalmente, os riscos sistêmicos globais, numa 1L
situação em que as regulações nacionais passam a funcionar como defesas de cada o
sistema por sua endogenia, em relação à sua inserção internacional. lndústria & serviços
Nesse contexto, para cada sistema social, deve-se considerar a agregação à
ordem ou nível lógico da economia ou da macroeconomia de pelo menos mais Produção
dois outros níveis, o político e o simbólico-cultural ou, simplesmente, simbólico,
com a ampliação da representação de suas relações pelas interações ou conexões FIGURA 1.6 Tipificação da estrutura lógica multiníveis que abriga o modo de regulação
o
(Fonte: Aglietta, Boyer, Lordon, Orléans, Théret, 2000).
que entre eles se efetivam, regular e sistematicamente. Além disto, há que se levar
em conta que uma forma institucional pode se realizar sobre uma pluralidade de o
estruturas ou arranjos organizacionais e, por via de consequência, de regulamenta-
ções, entendidas estas como regras, procedimentos, modos de agir, etc., baseadas e 1.3 COMENTÁRIOS SOBRE AS FORMAS INSTITUCIONAIS
em consonância com o modo de regulação. Esse estágio, subsequente à regulação,
cria os ambientes em que interagem os agentes da economia que, entre outros A moeda e o regime a ela associado, abrangendo os mecanismos para sua
propósitos, no exercitar as suas ações, buscam constituir uma autonomia lógica cri.rçiio ou emissão e para sua circulação, contribuem para determinar o moclo
ex-Post, utilizando-se de todos os meios e recursos das bases de conhecimento de crescimento de uma economia. Como um elemento institucional tipicamente a
de suas operações e dos mercados, no sentido de poder e passar a realimentar a encltlgeno, a moeda está vinculada à produção e ao crédito, o que torna o expli-
cadeia lógica da economia de modo ativo e consistente, figura 1.6- o seu objetivo é citar as suas relações extremamente importantes para a viabilização cle ambos.
mostrar os níveis lógicos: simbólico, polÍtico, formação institucional ou da macro- r\ relação da criação de nloeda vinculada ao crédito financeiro ou bancário
economia, e o das operações ou microeconomia, as suas interações que se regem, produziu uma economia de endividamento, na qual toda e qualquer despesa
em que para cada nível, por um ou mais tipos cle coerência e um ou mais tipos de
crise.
aclicional é automaticarnente monetizacla.
o
L4 Mercodos e ReguL oçoo da En ergia ELétrica CapÍruro 1 Teoria da 15

e cle Sua siucro-


Dessa naneira, enqualto moecia cle créclito, ela se mantém fora do merca- sâo os movimentos e aS mensurações de suas taxas c1e variação
com a produtividade ou ganhos cle significados (mais-valia), e
do no sisterna finalceiro e bancário, Somente passando a Íazer parte do mer- niciclacle ou não
Seu cgmpartilhamento, e com o comportamento das demandas do mercado. Em
cado quanclo da realização de uma operação na modalidacle empréstimo ou
paralelo, a conclição estrutural de estabilidade ou instabilictade do mercado de
equivalente.
Com uma amplitude praticamente sem limites, a moeda cle crédito exerceu e trabalho, nos Setores que compõem a economia, permite avaliar continuamente
a evolução ilas tensões e anteciPar crises cíclicas, Particularmente as de
maior
exerce um papel fundarnental na expansão da economia contemPorânea, atuando
associadas à educação e aos graus de aptendizagem para o trabalho
inclusive como um fator tnoderaclor da gravidade de algumas crises das últimas inciclência,
décadas. e ti segmeltação e natureza desse mesmo trabalho. Para realizar tais avaliações,
No eltanto, constata-se que a sua mobilidade e trânsito no mercado de ca- talto podem Ser consideradas as mudanças que ocorrem nas regularidades de
pitais internacional transfere eventuais perdas a toclos, usando as moeclas nacio- rlrxa economia, quanto pocle se partir da condição de que uma relação instável,
nais, através cle um Processo de acumulação de ganhos puramente nominais e de eni longo ptazo, Se comPorta como estável em intervalos cle temPo menores, nela
redistribuição cle receitas sem lastro. contida.
Com isso, a ocorrência da destruição do capital e da deflação de ativos se co- As bases clo conhecimento - técnica e tecnologia, ciência e arte, cultura - e
i1 srla incorporação ao sistema produtivo, inter-relacionando as formas
institu-
necta cliretamente à desvalorização Srad:ual da moeda, em regime de câmbio flu-
cionais, estabelecem os fundamentos e as condições diferenciais de um legime
tuante ou flexível, fragilizanclo a capacidade cle intervir dos meios de regulação,
com a inflação fazendo subir os preços e desvalorizando, concomitantemente, ,-1ecrescimento, até a Sua obsolescência ou colapso em uma crise. Por conseguin-
os ativos financeiros. Como a lesposta dos movimentos de taxas de juros é mais te, a regulação macroeconômica considera a evolução do conhecimento na Sua
lenta, quando os desequilíbrioS estÍuturais Se acentuam, a incerteza cresce e oS ;olltribuição para a proclução e produtividade da economia, particularmente na
ínvestimentos, ÍegÍa geral, são difericlos. formação das demandas, recusando uma condição de clecisão ex-Post, colrespon-
,,lente ao cleterminismo pelo qual a sociedacle se adaptaria ao conhecimento, em
A climensão extraordinariamente Srande dos movimentos financeiros diá-
rios, clas participações dos etrrprestadores de úitimo recurso, a proliferação do função do ciclo econômico que estivesse ou esteja nela ocorrendo. Na trajetÓria
lançamento de novas formas de moeclas por instituições financeiras privadas, .la realização do conhecimento, a regulação trata de suas relações dinâmicas, via
alcançada pelo mercaclo financeiro internacional, a ptivatização gradual dos sis- etlucação e aprendizado, na sua relação com o trabalho e com o sistema social;
temas cle pagamentos, entre outras macroquestões, elevalam a volatilidade em via rnercaclo, na sua relação de escala, escopo e nichos, com o ciesenvolvimento
níveis incontroláveis, o que somente pode ser equacionado mecliante a interven- cla arte e a Ciência e, com a condição essencial para o desenvOlver e o preservar,
representado pela cultura que orienta ou orientará a sociedade.
ção para a sua regulação/regulamentação e coorclenação pelos Estados, de modo
a se estabelecer a alocação equilibracla e segura, ou estável, do crédito para a Em outra vertente, a regulação trata da geração e clo acesso ao conhecimento
11ovo ou produzido pelos setoles e sistemas de uma economia no qual, mui-
produção e regime de acumulação.
A relação de longo prazo do trabalho e salários que comParece na forma tas vezes, se tornam portadores de forte propensão à concentração, com ações e
ir-rstitucional do regime de acumulação compreende, além da renda ou da receita atitucies monopolistas, cerceadoras cla livre concorrência e clo livre acesso/ res-
salarial, a divisão social (sistema de trabalho) e técnica (qualificação ou capacita- tringindo o processo de crescimento e desenvolvimento cle uma sociedade. Na
relação da produção do novo conhecimento também está Presente a questão da
ção profissional) cto trabalho, as modalidades de mobilização (convenções, sindi-
regulação de seus efeitos e riscos ambientais que, no limite, podem comprometer
calízação, envolvimento, conflitos e autorregulação social, etc.) e vinculação dos
a sobrevivência e capacidade de autoprodução dos sistemas vivos, ou a vicla no
assalariaclos à empresa, os salários, vantagens e benefícios indiretos e o modo
planeta.
de vida clo assalariado (elasticidade renda-preço, qualidade de vida, melhoria
Para ambas as situações há aigum avanço, com a disponibilidade de mode-
c{e acesso, etc.). As abordagens mais recentes dos regirnes de trabalho passam
los e funções que se prestam a Íelacionar as variáveis de decisão para orientar o
a incluir igualmente a força de trabalho terceirizada e os prestadores de serviço
que a regulação pode e deve fazer para assegurar a sustentabiliclade necessária
que assumetn participação crescente na cleterminação cla forma de trabalho c{o-
do conl-recimento a cada caso.
minante. A sua visão, toclavia, não é estática, ao contÍáÍio, o que mais inteÍessa
L6 Mercodos e RequloÇõo da Enerqia Elétrico CepÍruro L a Teorio da Reguloçõo t7

No que se refere à participação do meio ambiente no regime de regulação, as seu discurso e do seu conhecimento sobre sua atuação ou o que ele deve fazer.
iniciativas são incipientes quando não inexistentes, salvo em duas considerações Entende-se por Estado o sistema de instituições detentoras das prerrogativas do
parciais sobre o "natura7" , quais sejam o uso dos espaços e a agricultura. No plano poder público. A definição desta relação se realiza sobre uma investigação histó-
da economia, as polarizações e a politização, gue se instalaram em torno dos seus rica que contextualiza o sistema mediante a identificação de suas regularidacles
temas centrais, encontraram uma história de regulação pouco fértil, sem herança mais expressivas e de uma comparação internacional de semelhanças e diferen-
cuitural, originária de economias de base industrial. Os resultados da ConÍerência ças. Assumindo o Estado representaclo por um sistema com duas variáveis em
do Rio de )aneiro e o Protocolo de Kyoto, do ponto de vista geoestratégico global, que a primeira retrata os níveis iógicos hierarquizados da sua constituição e a se-
pouco evoluÍram para sua incorporação efetiva aos regimes de acumulaçáo, atê gunda varíável representa as três lógicas de sua atuação, a regulação ou o modo
muito recentemente. Uma das dificuldades percebidas diz respeito aos modos cle de regulação se define como sendo a matriz, interseçâo destas variáveis devida-
se considerar o meio arrbiente (assim como o conhecimento) "como uma produ- mente decompostas.
ção cultural" que conÍronta com os interesses da economia, numa primeira aproxi- Para uma compreensão consentânea clesta relação, quanto à primeira
mação, passando por atribuir-lhe uma conotação exógena a cacla economia, clesde variável, há cinco níveis lógicos hierarquizados que comparecem na constituição
que cliz respeito ao planeta, assumindo posição de extrema discrição e reserva, não do Estado:
alarmismo, diante das ocorrências do bioterrorismo, e ainda a não disposição de . o Estado como um princípio na estruturaçâo do sistema social, a partir da
regular o urbanismo que prevalece generalizadamente muito especulativo. sociedade civil, explicitando a natureza do jogo social;
Em alguns casos, na ausência de uma regulação, alguns países investiram em
regulamentações parciais, diretas ou sob a forma de normalização. Um ensaio re-
. a ordenação do jogar social na sua maior generalização, ou a constituição
levante sobre esse assunto destaca que a regulação precisa contemplar o meio am- de suas codificações institucionais, com o estabelecimento dos institutos
biente na medida em que ele " rueio antbiente presstLpõe unta economia orientacla pela correspondentes. Envolve as elaborações do direito e seu controle, outros
ética e pelas decisões públicas; o meio antbiente assltme uma dinâmica econünicn firndada instrumentos institucionais, as condições e regras de funcionamento dos
na autoprodução social que por sLLa Ltez depende dn atrtoprodução antbiental; o meio ant- poderes legislativo e judiciário, a centralização ef ou a descentralização na
biente assume uma econotuia qtLe se inscrerte no longo, muito longo tentpo" . organização do Estado e a sua aplicação na estruturação do território, os
Em 2008, contudo, acontece mudança notável em que os países desenrrolvidos modos de atuação administrativo, de direito, autoritário ou mandatório
e da Comunidade Econômica Europeia assumem um compromisso de reduzir as (pressão, coerção e força), etc.; as condições e regras do sistema financeiro
emissões com metas de20'/' paru2020, e 50% para 2050, referidas aos indicadores e tributário/fiscal; as condições e regras de relacionamento com outros
apurados em1999, o que implica que as regulações e os processos de acumula- estados;
ção correspondentes devem passar a contemplar condições que permitam que tais . o desenvolver do jogo social, ou as suas Íormas de ação e interação tais
valores venham a ser alcançados, tanto em relação ao existente, quanto ao que como mercados, sistemas, hierarquias públicas (e. g. comunidades) e pri-
vier a ocorrer nos sistemas a serem implantados. Trata-se de um compromisso de vadas (e. g. empresas), associações, alianças e parcerias, redes e outras
transformação das sociedades que, se levado à frente, deve provocar mudanças similares;
drásticas nas relações enfre as formas institucionais e revisões e reformulações nos . o Estado como agente econômico no ambiente enclógeno ou enquanto
conceitos de, praticamente, todas elas, com impactos de grande eirvergadura a
ator da ordem internacional.
começar pelas culturas dominantes. Cumpre lembrar que se trata cle uma paÍte
menor, em termos de número de países, a maioria ainda não tendo se manifestado
No que se refere à segunda variável, há três lógicas, não hierarquizadas, de
quanto à sua adesão a essa proposta ou aos termos iniciais de um novo acordo
atuação de um Estado, a saber, a coordenação (interiores a ambientes comuns), a
internacional sobre o meio ambiente, a partir das negociações em Bali.
Iegitimação (situações justas e aceitáveis mesmo em presença de Íalhas de coorde-
O modo de relação entre o Estado e a economia considera a sua presença
nação, e também a criação social de disposições e valores que influenciam as per-
social, portanto cobrindo a produção, a distributividade e a utilização dos recur-
cepções das realidades e os comportamentos dos agentes) e o poder envolvendo a
sos e materiais existentes e, também, o seu pensamento que leva à construção do
1g Mercados e ReguLaçao do Energia Elétrica Cnpirurc L ' Teoria do ReguloÇõo 19

governança (seja pelo modo cognitivo ou do consentimento, seja pela coerção) e mentaridades enquanto lirnita em valores toleráveis as especificidades diferen-
a sua soberania. ciais nacionais, o que permitiria conter as concorrências destrutivas.
O modo cle regulação de uma economia de um Estado relacional integrado Numa última interpretação, o regime internacional constitui um "conjunto de
se constrói, portanto, das relações recíprocas entre estas oito (cirrco;três) condi- princípios, regras e processos de decisão que asseguran'r a estabilidade e coerên-
ções que integram as duas variáveis. cia dos comportamentos dos diÍerentes atores da vicla internacional e que evitam
Uma questão emergente que, não obstante estar contida nas formas institu- conflitos onerosos".
cionais descritas, se destacou e passou a desempenhar um papel individualizado A situação mostra uma multiplicidade de posturas revelando que no que
diz respeito à ciistributividade. Na verdade, as relações dos sistemas sociais existe, a regulação internacional advém de regulações nacionais, não obstante
mostraram a exigência de se atribuir um tratamento específico para os diversos as relações resultarem de ativos tangíveis e intangÍveis e capitais cle decisões
moclos pelo qual a distributividacle se manifesta no sentido de conter o acentuar privadas, muitas vezes havendo a prevalência de posições hegemônicas. Há ca-
dos desequilÍbrios e o aparecimento crescente de assimetrias nas sociedades, sos em que o mercado internacional influencia ou impõe normas e regras às re-
comprometendo a sua sobrevivência. Além dos papéis reconheciclos do Estado gulações nacionais, exemplo típico clo que acontece com o mercaclo financeiro.
cle, nas economias, proteger minorias e formar equilíbrios, outras funções no- Na medida em que a interdependência entre países, com relação ao mercado
vas assumem importância primordial para a cousecução de todo e qualquer para o escoamento e destinação da produção ligada ao regime de acumulação
processo de acumulação abrangendo a inclusão social, a igualdade espacial de cle cada um deles, aumenta, as dificuldades e os problemas crescem e tendem
crescimentos e oportunidacles, o direito e a qualificação no assegurar as con- a radicalizações. De Íato, para ilustrar, as questões do trabalho e da produção
dições para o acesso social, a elevação e repartição da renda para os estratos agrâría (protecionismo), cle um lado, da geração e uso intensivo do conhecimen-
menos favoreciclos para a desconcentração da renda nacional, a desconcentra- to ou tecnologia/técnica, cle outro, dos aspectos de preservação ambiental e da
ção geográÍica (regionalização) planejada da economia superposta à ocupação escassez ou esgotamento de recursos naturais, em um outro, dos blocos políticos
do território, a formação para o trabalho, a clesconcentração urbana (contenção formados para criar posições fortalecidas e dominante neste mercado internacio-
e reversão clas taxas de urbanização, reocupação das áreas rurais), sustentabi- nal, e outras muitas mais, conÍiguram um quadro de grande complexidade em
liclades associadas a práticas do princípio da economia ecológica, as políticas que se assumia ou presumia que os mercados teriam uma capacidade de se au-
de verticalização e encadeamento produtivo em segmentos estratégicos de país, torregularem, com as agências internacionais cle regulação de comércio agindo
entre outros. Esta situação da distributividacle transcende ao Estado, com disse- em complementação, o que não subsiste e perde eficácia a cada dia. A condição
minação consentida e reconhecida clo conceito da responsabiliclade social e do do mercado financeiro é ainda mais grave pelo poder de contágio e imposição de
desempenho social, como partes integrantes das relações do viver e produzir de perdas de acumulação a toclos, independente de participação e do que fizerem.
organizações e grupos sociais, que passam a compartilhar e também a responder Fica claro que a regulação internacional, salvo ocorrências operacionais menores
por ela, mecliante respaldo do regime de regulação. ou localizadas, não depencle do seu regime para produzir resultados, mas de
As principais formas de regulação internacional são: os sistemas comerciais uma nova postura cultural com a revisão dos princípios da civilização e do viver
e financeiros, as empresas multinacionais, os acordos comerciais ou equivalentes no planeta.
e o sistema monetário internacional. Um dos conceitos dominantes considera o
sistema produtivo predominante sobre os Estados, ciefinido como um conjunto
plurinacional de atividades proclutivas fortemente integradas. Sob esta ótica, a L.4 REGULAMENTAçAO - CONCETTOS
regulação caracteriza-se por uma circulação monetária unificada em torno da
moeda do país nuclear, com fluxos internos que podem atenuar os problemas de A regulamentação constifui uma continuidade e desdobramento cia regu-
balanços de pagamentos entre países. lação, compreendendo os modos de intervenção e coordenação, os modos de
Numa seguncla abordagem, as relações internacionais se desenvolvem a aplicação e os modos de gestão a serem empregados nos processos originários
partir cle agentes privados, em resposta à cliferenciação estrutural entre países: o e coerentes com o modo de regulação desta economia. A regulamentação é, por
regime internacional transforma as tensões em crescinrento, explorando comple- conseguinte, essencialmente pragmática, e tem por objetivo levar a regulação às
;r.

20 Mercodos e da Energia Elétrico CapÍrulo 1 o Íeorio do uLo 2L

atividades da economia para realizar o seu regime de acumulação estabelecido aberta e privilegiando a competição entre os agentes, no qual, então, uma parcela
para uma dada sociedade. O seu meio de trabalho e exPressão mais usual são as expressiva do exercício da regulan'rentação é "substituída" pela normalização
regÍas que constituem uma relação durável entre uma hipótese ou PressuPosto (standards &, patterns). Esta é desenvolvida e aplicada por associações e redes
de um tipo de situação e seu eÍeito econômico (consequência). Este efeito ou con- cle agentes (que ali existem muito bem estruturadas e ativas continuadamente,
sequêncà pode ser de três tipos: ordem, permissão e habilitação. portadoras da mais alta qualificação e especialização), reeebendo uma aceitação
Utilizá-se igualmente a denominação desregulamentação, em função de po- ã legitimação como sendo um ato cultural natural, tanto da sociedade (PoPu-
líticas recentes que reorientaram as economias Para arranios mais abertos, em lação), quanto dos organismos institucionais. Vale ressaltar que esta normali-
que a regulamentação existente até então se revelava excessiva, restritiva para zação internaliza os conceitos, PrincíPios e diretrizes da regulação pertinente,
i consecução do novo direcionamento político desejado. A figura 1.7, ilustra a proveniente ou originária do Estado (Institutional Ácús), que têm se concentrado
conectividade entre a regulação e a regulamentação e o contexto sequenciado em mais na delimitação dos campos competitivos (incluindo os asPectos ambientais
que se inserem. e tecnológicos) e no coibir os monopólios ou atuações de concentração ou ma-
nipulação de mercado, similares. Trata-se, de fato, de uma condição típica de
Regulação = ação de regular autorregulação/regulamentação (grupos que regulam todos os que dele fazem
parte), exercitando uma abordagem mais ampla da normalização tradicional e
1' disseminada (o que habitualmente se designa como target standards), especial-
tnente quanto ao Seu escoPo e nível de reconhecimento e atendimento às suas
liefrêgulaÇão = açâo de regular cc:r oulr: fiiosoíiarcr;êntaciiô disposições pelos agentes econômicos, o que a aproxima ou aÍaz exercer o papel
de uma regulamentação.
Numa primeira aproximação, um sistema de regulamentação deve atender
a um coniunto mínimo de cinco condições PaÍa que tenha a legitimidade e o de-
Regulamento = resultado da ação de regular sempenho exigido por uma sociedade, quais são:
. o mandato ou autorização legislativa, claramente estabelecido em esta-
tuto e processo de atuação, permitindo aos legisladores atribuírem aos
reguladores ou regulamentadores graus DE abstração e liberdade para
ReguiarientaÇão rodo distintc de se apiicar c resullacc
Ja aÇàc or-i Ce regrtlai",-'t, oe se api;ca" a
enfrentar as situações conhecidas, delineadas e as que venham a surgir
Rerregulamentaçáo
re;'regr.iia qão au desreguiarnenlaÇão nos horizontes seguintes;
De-sregularnentac ão
. autonomia financeira, com dotações de recursos próprios vinculados ao
exercício de suas atribuições, associada a um sistema de contabilidade e
1L auditoria conjugadas, provendo sistemática prestação de contas e dos re-
Regulamentação = aplicação do resultado da ação de regular sultados produzidos para a sociedade, referentes à aplicação dos recursos
FIGURA í.7 Regulação e Regulamentação, relacionamento e encadeamento. recebidos;
. processos, instrumentalização e comunicação, dotadas de sistemas e ba-
Na atualidade, a regulamentação é, predominantemente, na maioria dos ses de conhecimento e inÍormações os mais avançados e atuais, abertos e
países, exercida pelo Estado, através das chamadas agências ou entes regula- multiacessáveis, para sua atuação nas múltiplas redes a que se conecta e
dores ou equivalentes. No entanto, há situações alternativas, em que os Estados atendimento aos seus públicos-alvo;
Unidos representam uma delas com muita propriedade, na medida em que este . especialização e competência com experiência acumulada e estruturada
país, desde a sua instalação, adota um posicionamento cultural explícito e rígido em bases de conhecimento, com quadro altamente qualiÍicado, multi e
voltado para a hegemonia do princípio e prática de uma economia de mercado, interdisciplinar;
22 Mercados e Regulaçõo da Enerqio ELétrico aAPÍruLo 1 a Teorio da Reguloçõo 23

. efetiviclacle - eficiência e eficácia e observância aos princípios cle preser- cle uma subdivisão de mercado aceita temporariamente entre eles; o de guerra,
vação anbiental - mensurando e exibindo seu desempenho e resultados eir qlte persistem proPostas e ações cle conquistas cle posições de uns sobre ou-
pela apreciação da sociedade em relação à sua atuação, tanto em situações tr.os, e o de um armistício ou trégua, em que os contendores observam ou clão
àe regime, predomínio das regulariclacles, quanto, particularmente, nos t,r1t1po para Se reposicionarem para uma nova etapa de clisputa, subsequente.
conflitos e antecipações/condução das crises dos sistemas de acumulação. Estabelecicla a condição cle concorrência ou monopólio de um mercaclo ou setor
,la economia, o que pressupõe naturalmente a possibilidacle da prática da com-
Na sua aplicação comparecem três estágios, correspondentes à promulga- petição, o que é feito no âmbito cla regulação, a sua regulamentacão consequente
ou edição das bases institucionais e legais hábeis e comPetentes, o estabeleci- ,lesenvolve como Se deve realizar a Sua atuação diretamente, Considelando oS
ção
mento cla governança regulatória com a mobilização e participação dos agentes Estados mencionados, através dos fatores determinantes, entre os quais estão a
clo mercaclo e a transposição deste arcabouço às pessoas, instituições e arenas r::.trutura cla cOmpetição, a estrutura de custos, a extensão cla diversificação, os
envolvidas e a serem orientadas e instruídas, supervisionadas no aprendizado e custos associados à cliferenciaçáo, à agregação de tecnologia e ao meio ambiente,
a fiscalizadas na execução ou na não execução, de modo a fazer da regulamentação ;r tliversiclacle de estratégias e objetivos, as faciliclacles para entrada e as barreiras

um elemento ativo e essencial das decisões e ações da socioeconomia. O grande para saídas.
clesafio da atuação regulamentar é o preservar e o manter a realização saudá-
Numa economia, o conjunto cle seus centros de acumulação de capital frag-
vel e sustentável do regime de acumulação. Cumpre mencionar que é comum mentados, que correspondem a setores, áreas geográficas ou políticas, arranjos
r.,u plataformas proclutivas, cacleias de agregação, etc., necessita ser otganizado
confundir-se regulação com regulamentação, essa última, mais conhecida por
reunir as práticas a que a maioria tem acesso e com que convive habitualmente. e ter as conclições de suas relações preestabelecidas pela regulação, clesde que
regulamentação, ou um híbri- .is suas decisões ocorrem a priori, independentes umas das outras. Nos casos cle
Eventualmente, há países que somente exercitam a
clo cle regulação e regulamentaÇão.
mercados concorrenciais, uma relação de conÍrontação ex-post valida ou não os
i"esultados da produção. Para o caso clos monopólios, a questão essencial consti-
tui no explicitar quais são os determinantes ex-ante da condição e movimento de
Iucro, assuminclo-se que o valor a ser alcançado ex-post contempla as condições
l.s coNcoRRÊNCIA, COMPETIçÃO r COOPEru\çÃO que intervirão na produção para atender a uma demanda social e em sua traje-
tória de crescimento.
As formas de concorrência ou a concorrência descreve(m) as relações entre
os centros ativos de um regime de acumulação'
Entende-se por concorrência a condição natural de se pocler escolher um
dentre alguns.
1.6 SISTEMAS CONCORRENCIAIS E A TEORIA DA
Entende-se por competição a condição cultural de se constituir e explorar CONTESTABITIDADE
vantagens comparativas para se exerceÍ poder de melcado. Na competição, a
condição de rivalidade sempre faz com que uns estejam contra os outros.
Os chamados serviços públicos - transporte e logística, energia, comunica-
Entende-se por cooperação a condição biolÓgica ou humana de operar juntos ções, saneamento ambiental, áreas de preservação e parques, segurança, relações
internacionais, obras (inÍraestrutura), habitação em alguns países, entre outros -,
ou em uma moclalidade de parceria, atuar em coalizões ou em rede, compartilhar
coustituem um dos grandes motores de um sistema macroeconÔmico. A sua re-
desenvolvimentos, num mercado de concorrência. A cooperação corresponde ao
gulação é, portanto, determinante tanto para o crescimento e/ou desenvolvimen-
fluir de uns em outros e com outros, em congruência recíproca, conservando as
to tlesses setores, como para a economia como um sistema. No caso específico
coordenações de ações entre eles e com o meio ambiente.
desse elenco cle serviços públicos, as suas formas institucionais estão associadas
A competição constitui um potencial mecanismo regulador de mercados
clit'etatnente às políticas públicas e, estas, particularmente dependentes da forma
concorrenciais ou contestáveis e não contribui para a situação de um monopólio
ou moclo de concorrência as quais estabelecem os limites ex-ante, qualificando
natural. Nos ambientes competitivos de mercado subsistem três Estados pos- a coilrpetição acLniticla em função da característica de cada um dos setores. Nas
síveis: o de convivência relativa, em çlue os competidgres Se movem em torno
24 Mercados e Reguloçõo dq Enerqio Elétrica alwuLo L ' korto da Reg 25

últimas décaclas, três grancles movimentos se PloPagalam no ambiente munclial


e influenciaram clecisivamente as revisões de concepÇões e estruturas dos siste-
mas úle regulação dos serviços públicos cla maior parte dos países, quais ÍoÍam:
. regulação incluinclo em diferentes 8raus, a privatização e a desregula-
mentação, com uma propensão a reduzir a atuação institucional e dos
estados, liberanclo e expandinclo espaços PaIa as forças do mercado - no
a
momento imediatamente anterior, a maioria, quase totalidade, desses ser-
viços era tida e operava como um monoPólio integrado;
. presença e participação crescente e significativa das forças sociais, am- 0)
bientais e de compartilhamento de responsabilidades;
. internacionalização ou globalização ou operação em redes de sistemas pa-
ralelos, de processos e atividades, com uma climinuição muito explessi- Amea ça Rivalidade Pressão
va da diversificação, particularmente no mercado financeiro, pÍovocando dos direta entre dos
entrantes concorrentes substitutos
uma elevação generalizada dos riscos.

Em simultaneidacle, obseÍva-se um agravamento dramático da degrada-


ção ambiental do planeta, com a emergência dos efeitos de mudanças
climáticas
acentuadas o que inclui o aumento da quantidade e intensidade de situações ca-
tastróficas - o que ratifica a oportunidade dos movimentos apontados, e acontece
a gÍancle crise Íinanceira global, uma condição de desequilíbrio e desestruturação
dà economia mundial jamais experimentada anteriormente pela humanidade.
Nesse contexto, apareceu uma nova teoria econÔmica, a contestabilidade,
que poderia ser simplesmente chamada de concorrência, pela qual cada setor
e du.o*pottO nos Segmentos ou ÍunçõeS que corÍespondem aos submercados
cle seu mercado setorial, avaliando-se para cada um deles a extensão das con-
testações ou das possibilidades de concorrência desse mercado, sob conclições
de livre entrada e saída de agentes, figura 1.8. Em função dos resultados dessa
anáIise, a regulação deÍine a aÍena concoÍrencial e os modos de concorrência ou
contestabilidade indicados, com as condições que lhe são pertinentes, o que é
repassado ao modo de regulamentação Para a implementação correspondente.
Para os segmentos ou funções que se revelam concorrenciais ou contestáveis
do ponto de vista da sua resposta de mercado para atender ao interesse da so-
ciedade (população), num dado ambiente, abre-se o submercado à concorrência
ou competição: os preços, qualidade e serviço Passam a ser objeto das forças de
mercado.
Uma clas técnicas aplicadas habitualmente para se proceder a tais avaliações
consiste na sustentabilidade dos monopólios naturais, tanto para proclutos sin-
gulares quanto multiprodutos que considera custos e elasticidades, jogos, paÍa a
obtenção da condição concorrencial do segmento ou função.
a Teoria do Reguloçõo
26 Mercodos e RequtaÇõo do Energia Elétrica CnpÍruro 1 27

Regulamentação clo país, uma vez que cacia mudança de nível de agregação pode alterar ou altera
:
o objetivo e o modo de regulação.
Natural
t: Uma segunda questão diz respeito ao cruzamento de atividades reguladas e
Regulação estática ÍVlonopólio
t:
Estatal regulamentadas e clesregulamentadas ou não reguladas de um mesmo setor, em
- lil+ Sem concorrência que subsídios e outras condições transfericlas podem comprometer a autonomia
dos resultados individuais.

Serviço público - concessão, permissão, autorização

Atividade mercantil L.7 REGULAçAO SETORIAL


Tecnologia
Na medida em que a teoria da regulação se aplica a um ambiente macroeco-
nômico, fez-se necessário trazê-la para o ambiente mesoeconômico ou setorial, o
que multiplicou a sua utilização: o cuidado que se requer diz respeito às relações
Regulação dinâmica Oligopólio
que prevalecem em cada setor e quais as que subsistem associadas à ordem lógi-
Serviço público - concessão
ca do conjunto intersetorial.
Limitada, Íechada Entende-se por setor, para fins da constituição de um regime de regulação,
(contestabilidade
uma concepção e construção histórica, social e econômica complexa de um siste-
Aberta, competitiva
rna de produção, em que se produz valor de uso particular por meio de relações
FIGURA 1.9 Regulação e os regimes de mercado. de instituições que trabalham com profissionais qualificados e bases de conhe-
cimento e tecnologia específicos próprios, destinados a viabilizar processos e
coordenações estruturadas para cumprir ou atender a uma ou mais demandas
A análise clas formas de concorrência pela regulação assimila um estudo e c1a economia de uma sociedade.
investigações para as definições relacionadas, entre outras, quais devem ser as Um setor compreende, então:
formaúe orgánização da produção (escalas, concentrações, relações trans, inter
e intracorporáçOes e instituições e suas redes), quais clevem ser aS folmas
de mer- . um conjunto de relações sociais de trabalho que se estabelecem em função
cado e os modos de seu funcionamento na economia, quais as interfaces entre a da característica definida pelas atividades que identificam o seu sistema
regulação e a política, os modos de gestão e a governança, quais as opções de produtivo;
concorrência e competição apropriados aos objetos da concorrência e aos alvos . um regime de capitalizaçã.o consentâneo com os processos e demandas
de seus resultados, quais as articulações necessáIias com o sistema financeiro
ea
sociais e suas evoluções respectivas, atuanclo segundo uma forma de con-
sua interdependência com as condiçÕes monetárias, quais as responsabilidades e
corrência adrede estruturada;
sociai§ e ambientais (externalidades, de-
encargos institucionais com os sistemas . posturas internacionais que assimilem e regulem a dinâmica institu-
seconómias, seguros, etc.), quais os compromissos com as políticas e programas
vali- cional do setor segundo clisposições comuns, aceitas neste ambiente
socioeconômicãs, as formas de desempenho e intervenção e as condições de
viabilizam pela percepção de janelas internacional.
dação social. As vantagens competitivas se
políticas que se abrem e fecham em intervalos de curta duração'
A regulação de um setor visa, portanto, à sua capacitação continuada para
uma questão central, crítica, na aplicação da contestabilidade ou teoria da
Promover os ajustes finos que serão exigidos durante todo o período de cresci-
concorrência, nas estruturas sociais de acumulação de uma economia, Ieside na inento da macroeconomia, enquanto ele se habilita para formular e propor saídas
resposta à pergunta: a quem se destinam os resultados da regulação?
- e soluções alternativas necessárias nos perÍodos de crise, sustentando a continui-
O conflito surge na escolha do favorecido entre os indicaclos: consumidores t'lacle da via de desenvolvimento econômico vigente, selecionada.
setoriais ou o setor a quem pertencem, a economia ou a sociedade (população)
CnpÍrulo 1 a Teorio dq 29
28 Mercodos e Regutaçõo da Energio Elétrica

lações de inclusão social, seja na melhoria e elevação do acesso de estratos menos


Naprática,rebate-searegulaçãomacroeconômicasobreadinâmicaseto- favoreciclos, participantes da economia de uma sociedade.
seto-rial - que cor-
rial naquilo que ela especifica o funcionamento da produção Outro aspecto igualmente relevante diz respeito à inclusão na regulação
respondeaoclela"sp"ru.lopataaobtençãodoregimedeacumulaçãodesejaclo clas atividades produtivas de serviços na modalidade designada como comércio
setorial,
p"à *u..o"conomiá, o, ,.ràliru*-se as diferenças da heterogeneidade de eletrônico que aPfesenta, regra geral, vantagens compalativas nos processos de
compatível ao regime
ãlustando as diferenças que permitam a sua produção acumulação decorrentes da redução de custos e melhoria do serviço ao longo
procluçao cla macroeco.,ámiá, e preservando-se as
homologias, ou avaliam-se as
cle toda a cadeia de produção, expande e aprimora a prestação de serviços para
independên-
funcionalidades entre setor(es) e macÍoeconomia, identificando-se os seus usuários, transforma os modelos de negócios e processos existentes por
comPortamentais, compatibilizando-as com o regime
.iu. ou interdependências meio da criação e introdução dos inÍomediários, constitui novos negócios e pos-
deacumulação(semprenumacondiçãoproscritivasubótima).Afigura1..10ilus- tos de trabalho, enquanto, em simultaneidade, traz consigo riscos elevados cle
tra bem o Processo da regulação setorial da economia' volatilidade e fluência na transfelência de efeitos em face das condições de sua
propagação e disseminação/contaminação genelalizada de contensão incerta,
tipicamente ex-Post.

Macroeconomia'
r..8 o MoDO DE REGULAçÃO E O PLANEJAR
Os mercados de uma economia, em que persistam homogeneidade de renda
e acesso e uniformidade de oportuniclades, Podem assegurar, com muita pro-
priedade, que as demandas e preferências dos consumidores existentes sejam
Setor atendidas.
Esta constitui a relação mercantil do mercado, que trata do mecanismo de
preços em um sistema de acumulação de uma economia, a qual demonstra uma
alta eficácia sincrônica no captar as necessidades imediatas da parcela da so-
ciedade que compra, uma vez que escolhe e possui capacidade para comprar e
iroder aquisitivo para pagar o preço do que está sendo produzido, determinado
pelas quantidades ofertaclas, se se tratar de um mercado de livre concorrência.
Desta maneira, a relação mercantil traduz uma sinalização econômica de signifi-
cado muito ehcaz, uma dimensão democrática, de validade no curto prazo.
No entanto, em sociedades heterogêneas, há parcela da população que não
(Fonte: Boyer' está incluída no sistema socioeconômico, representando consumidores poten-
FIGURA 1.10 Regulação articulação do macroeconômico e do setorial
ciais se vierem a ter renda ou se puderem ter acesso ao que está sendo produzido
1 ee0).
e ofertado no mercado. Essa é a chamada relação situacional do mercado que
trata das demandas de uma economia, tanto as clemandas atendidas quanto e,
pela re-
É importante mencionar que, além do desdobramento representado principalmente, as não atendidas. A relação situacional representa a dimensão
da regulação
gulação setorial, muito se desenvolveu também sobre aplicações da distributividade de uma sociedade, reunindo as condições que nela subsistem
qual determinam as condições de expansão da oferta
ãapital e trabalho, pela se cle rencla, poder aquisitivo e propriedade.
da riqueza a ser diante de políticas de ex-
de trabalho e distribuição PÍoduzida Os mercados possuem ainda uma terceira relação, a política, que advém da
pansão da macroeconomia, tenào como ob;"ti'o a criação e
multiplicação das existência e persistência ou não das condições indispensáveis para viabllizar a
atuando nas re-
àportunidades de postos de trabalho e atribuição de rendas, seja
Mercodos e Reguloçõo da Enerqia Elétrica CnpÍruro f r Teoria da Reguloçao 31
30

Cumpre ressaltar que, quanto mais planejada for uma economia, mais efe-
produção clo sistema cle acumulação cle uma dacla economia. A relação política
àstá lijacla, portanto, à oferta ou à produção e determina os limites cla capaci- tiva e menor será a necessidade de intervenção de sua regulação, uma vez que o
clacle àe atenclimento clas demanclas, clependendo essencialmente da
regulação planejar está associado a uma ampla mobilização do conhecimento, da inÍorma-
processos de
para a economia em questão, num cao e .tu, forças sociais, comunitárias e políticas, que promovem os
e cla política, correspondentes ou vigentes
clado^momento. A relação política expresa, então, a dimensão da estratégia e do crescimento e desenvolvimento.
regular e planejar uma economia por sua sociedade, no senticlo cle atribuir e ga-
atendimento ofelta, em qualquer
raítir as conclições mínimas para plomover o à
tempo. 1.9 MODOS DE REGULAçÃO E DESENVOLVIMENTO
Na avaliação quanto ao atendimento futuro, os mercados São pouco caPa-
Na medida em que a regulação busca constituir os meios que desenvolvam
zes olt incapazes, tanto de atender a demandas dos contingentes de
consumo
provenientes de e m.antenham um clàdo Plocesso de acumulação de riqueza - no seu sentido
existentes, quanto para atender a modificações de demandas
o que ela
assim como, regra geral, r-.rais amplo (inclui conhecimento, naturalmente) - de uma sociedade,
intervençõei que visem altelar a sua relação situacional continuamente, a especificação e promoção da constituição de aco-
está a Íaier, é
não possuem capacidade de resposta para descontinuidades que surjam na sua entre a economia e o ambiente qUe resultem numa ou em
plarnentos estruturais
relação política. sustentável(is) que respondem seu crescimento e não ne-
iárias dinâmica(s) Por
Além disto, os mercados apresentam problemas complexos tais como não desenvolvimento, que pode ou não ocorrer'
cessariamente Por seu
linearidades, inexistência de economias de escalas, ou falta de escala, ausência
Configura-se eviclentemente, a construção de uma condição de viabilidade
de uma história pregre§sa, interdependência quase total de suprimentos exter-
e não a obtenção de uma condição ótima.
nos, inviabilidade econômico-Íinanceira, entre outlos, que Iequerem tlatamen-
As teorias de desenvolvimento ou evolução tratam dessa questão como um
tos especiais.
processo cognitivo, de aprendizagem e seleções associadas às derivas naturais
ó planejamento clo sistema de acumulação de uma economia considera as
que comparecem para a produção dos acoplamentos citados. Neste sentido, a
três relações como Parte integrante e indissociável da identidade associada ao
cogniçãoé entendida como sendo uma atuação intencional que resulta na his-
mercado, e no seu bojo estará sempre presente, qualquer que venha a ser a sua
tória de acoplamento estrutural que produz uma sociedade, o que ocorle como
orientação política, o atendimento à demanda da sociedade, por meio da inclu-
uma rede com múltiplos níveis, ou sub-redes, sensoriais, ambientais e motoras,
são dos pela extensão do acesso a todos, ou a universalização dos
"*ilrídor, interagindo, um sistema que se incorpora e Passa a Íazer parte continuada da so-
meÍcados, a formação de equilÍbrios e eliminação de assimetrias, a antecipação cieclade existente ou lhe permite delinear novos estágios consecutivos para esta
de problemas e a administração e dos riscos que podem vir a representar
que
dos processos sociedade. Nesta compreensão, a cognição não é mais vista como a resolução de
comprometam o suprimento ou abastecimento, as coordenações problemas com base em representações, e a intencionalidade consiste no direcio-
distributlvos (inclusive clo altruísmo) em compatibilidade com a contensão ou mi- namento da ação (VARELA et a1ii,1"992).
tigação dos efeitos negativos dos processos de crescimento ou desenvolvimento' Numa abordagem conjunta, o modo de regulação, constituído a partir das
Toclas essas ações e também a maioria dos processos de expansão e cresci- teorias da regulação, e o modo de desenvolvimento ou evolução de uma socie-
mento se processa em degraus ou patamares que conduzem à caracterização do dade atuam em complementaridade, constituindo explicações sobre como estes
diacrônico'
-planejamento como essencialmente acoplamentos se realizam, identificando e leconhecendo como Surgem as Suas
óiante do exposto, ficam claras e evidentes as relações recíprocas entre a regularidades, o que realimenta ambos os modos. Se os acoplamentos, tanto his-
regulação da macioeconomia e o planejamento e o mercado ou mercados, par- tóricos quanto os projetados tivessem que ser ótimos, considerando-se a cogni-
tiJular e, em especial, para as socioeconomias que não tenham ainda alcançado
ção, ter-se-ia que adotar sistematicamente meios de regulação essencialmente
um alto grau dã homogeneidade no desenvolvimento cle sua sociedade e econo- prescritivos, isto é, a regulação da economia, como um sistema composto de vá-
mia resp."ectiva. Por conseguinte, o planeiar ou planejamento intermedeiam as rios subsistemas na sua complexidade, deve especifical tudo o que é permitido
relações^ entre mercados e ãconomia via regulação, exercendo um papel essencial para que os acoplamentos delineados subsistam e realizem o crescimento, a sua
à sustentação do modo de acumulação de toda e qualquer sociedade. melhoria e a sua adaptação persistente.
32 Mercodos e Reguloção do Energio Elétrico CnpÍruro f o Teorio do Reguloçõo 33

No entanto, como o que se pretende alcançar é simplesmente o viável para clocomportamento destas duas variáveis, se define uma família de isoquantas do
o sistema, a orientação a ier usada deve se voltar para facilitar a continuidade grau de regulação exigido pela economia ou sociedacle.
de sua integridade ef ou a sua linhagem, sendo eminentemente
proscritiva, ou
permitir ao sistema desenvolver qualquer ação desde que Análise estruturada que os organismos assumiram
seja, a reguiaçao deve
integridade e/ou a sua ao longo de sua história ê que resultaram aceitáveis
elá nao .iiot" u restriçãó de manter a continuidade de sua por superarem uma fronteira de satisfação
linhagem, o que está mostrado nas figuras 1"1'l' e1'12' - capacidade de persistir (subótima)
Desafio 2
Viabilidade - simplesmente possível
,, Analise do processo:
Amanhá ', .: .. r. .:. ; "satisÍazendo"
Análise centrada numa decisão - escolha ótima r (metáfora: "bricolagem")
construída sobre/a partir de uma descrição
Aliia-se o que não é compatível com a sobrevivência
' de uma realidadê reconstituída
e a reProdução Otimização - realizar um plano ideal..'
(autoreProdução)
-' :,,,.,
Princípios do processo
Prescreve-se a função do crescimento/melhoria e adaptaÉo 'jl
t-,.a'-a-.
,*.--.-,-:-:1
':_iI
"l l'.-
'",,
I
como essa prodigaliclade e reduzidà dê mâàeirá á fornecer
o núcleo de múltiplas vias viáveis Desafio 1
Compreensão
LJ? explicativa
ldeia base Como se faz a seleção ao tongo do curso de algumas trajetórias
correspondentes ao modelo exterior
..--.'..'..'

j. Lógica explicativa do agir


Prescritiva Proscritiva experienciado pelo setor Fantástica diversioade de estruturas.que não
,
naeio ambienâc"r'"t- somente satisfazem aos dois princípios, mas ';.
=<- estão entremeadas ao seu tecido
Pêrspectiva
do contexto

Atualidade ,.
Problemas para a explicação da "realidade",
:
,-l- -,--.. -,- -.-..'-_- :1'

FIGURA í.11 Da regulação proscritiva em substituição à prescritiva'


FIGURA 1.12 Da regulação de espaços aos espaÇos da regulação.
Uma questão que se faz frequentemente com relação ao modo regulação
diz respeito a quanto uma economia requer de regulação/ para que o processo Observa-se que as quantidades aumentam na função da consequência do não
de acumulação clesejado aconteça e persista. Em outras palavras seria perguntar
ser, enquanto a valoração é tanto maior como consequência do ser, ambos caracte-
ideal ou Ótimo para uma sociedade?
- o grau de regulação
qual
um assunto muito pouco exPlolado que, no entanto, pode ser
rizando a economia, ou a sociedade que a contém.
Trãta-se de
A isoquanta é de certa forma um indicador da ética da sociedade em ques-
resumido, com muita propriedade, em uma primeira aproximação de uma refle-
o que faz com que tanto maior o risco de sua degradação maior a propensão
xão do pesquisador ]. P. Rosseti, constÉmte da figura 1,.13: nela comParece/ rePre-
regular, e quanto mais ético o comportamento do sistema endógeno, menor
sentada na abscissa, a necessidade da regulação mensurada pela quantidade de
e a necessidade efetiva de sua regulação.
princípios, diretrizes e condições proscritivas do modo de regulação' reunidos
iob a àenominação Regras, ou a sua quantidade; enquanto na ordenada figura
a valoração ou significãdo que se reconhece e atribui ao aParato regulador
para
que o objeto da rãgulação seja efetivado, sob a denominação Valor. Em função
34 Mercodos e RegulaÇão do Energia ELétrlco 'npÍtuLo 1 a Teoria da ReguLoçõo 3s

Valor
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FIGURA 1.13 Da amplitude do grau de regulação (Fonte: J' P' Rosseti)' VARELA, F.; THOMPSON, E. & ROSCH, E. De cuerpo presente - Las ciencias
cognitivas y la experiencia humana. Gedisa Editorial, Barcelana, 1992.

Vale notar que entre os objetivos que se pode adotar como meta para regula-
da riqueza produzida
ção de uma sociádade figura, muitas vezes, a maximização
o pelo seu regime de acumulação. Essa postuÍa
na medida em que enseja vícios de circularidade
apresenta
e
sevela
vieses, não
restrição e crítica
assumindo uma
o base ética como suporte mandatÓrio para a tomada de decisões sobre as ações da

regulação, admitindo interferências na distributividade, direitos e intervenções


prádutó.iu, em atenção à sua contribuiçâo ou não, à sua maior ou a menor valo-
iação para a geração da riqueza, independente de suas consequências e imPac-
tos. DaÍ ser esta orientaçãolnaceitável, com a hegemonia do objeto da regulação
realizar-se pela satisfação do que se faz possível para produzir o que represente
a maior significaçao paÍa ato.i"dud", respeitando-se e valorizando-se os princí-
pios da isonomia, qualidade do viver e sustentabilidade.
"qridud",
N
\í,
tr{
rra
) A REGULAçAO E A
{-J CoMERCTALTZAçÃO DE ENERGIA
1F{
l.\
tú{
t-v
(J
Xisto Vieira Filho

2.L ORGANTZAçÃO DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO


Para melhor compreensão dos elementos básicos da regulação da comercia-
lização de energia elétrica, primeiramente, é fundamental conhecermos bem os
principais órgãos setoriais. A seguir, esses agentes comparecem com uma breve
clescrição de suas funções.

CNPE - Conselho Nacional de Política Energêtica


. É o órgão de assessoramento da Presidência da Repúblicaparaa formula-
ção de políticas e diretrizes de energia.
. Composto por 7 Ministros, 1 representante dos Estados e do Distrito
Federal, 1 cidadão brasileiro especialista em matéria de energia e 1 repre-
sentante de universidade brasileira, especialista em matéria de energia.

' É o órgão responsável pelo estabelecimento de políticas energéticas, as


quais devem ser seguidas por toda a estrutura setorial.

' Decisões de nível estratégico, baseadas em aspectos técnicos, econômicos,


sociais e estruturais.
O
o

38 Mercodos e RequLoÇão da Energia Elétrica CepÍruro 2 ' AReguLaçõoeaComerciolizoçãodeEnergio 39

MME - Ministério de Minas e Energia ANP - Agência Nacional do Petróleo

. . Órgão regulador do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, vinculaclo


Tern como competências as áreas cle geologia, recursos minerais e ener-
ao Ministério de Minas e Energia.
géticos; aproveitamento cla energia hidráulica; mineração e metalurgia; e
fetróleo, combustÍvel e energia elétrica, incluindo a nuclear' . Tem como atribuições promover a regulação, a contratação e a fiscaliza-
. É o principal elemento do CNPE, servinclo como Coordenac{or e como ção das atividades econômicas integrantes da indústria do petróleo.
Secretaria Executiva. . Ação integraclora da regulação do setor de gás natural, em particular, o
. transporte. A regulação desse setor é complementada pelas agências re-
Entre os órgãos vinculaclos ao Ministério estão as Agências Nacionais
gulacloras estaduais.
de Energia Elétrica (ANEEL) e do Petróleo (ANP), órgãos reguladores.
No entanto, as agências não prestam obediência ao MME, mas sim, ao
ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico
Congresso Nacional, que elege suas diretrizes'
. Responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de
EPE - Empresa de Pesquisa Energética geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional
(SIN), sob a fiscalização e regulação da ANEEL.
r Tem por finalidade prestar serviços na área de estudos e pesquisas desti-
nadas a subsidiar o planejamento do setor energético.
. Responsável pela elaboração dos estudos de planejamento da operação
nos horizontes de curto prazo (dias, semanas, meses) e longo prazo (atê
. É uma empresa do Ministério de Minas e Energia. três anos à frente).
. Diversas atividades da EPE, como todas aquelas referentes aos leilões de . Procedimentos operativos fortemente regulados pela ANEEL.
energia, são detalhadamente reguladas pela ANEEL.
. Participação intensa dos agentes.
Agentes Setoriais
CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
. Empresas de Geração, Transmissão, Distribuição, Comercialização e
. Tem por finalidade viabilizar a comercialização de energia elétrica de cur-
Consumidores Livres.
to, médio e longo prazos no Sistema Interligado Nacional (SIN), sob regu-
lação e fiscalização da ANEEL.
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica
, . Principais atribuições:
Órgão regulador do setor Elétrico, vinculado ao Ministêrio de Minas e

Energia mas sem se reportar ao mesmo.


' Promover leilões de compra e venda de energia elétrica em consonância
com os requisitos estabelecidos pela EPE.
. Tem como principais finalidades regular e fiscalizar a geração, a transmis- ' Manter o registro de toclos os Contratos de Comercializaçáo de Energia
são, a distribuição e a comercialização da energia elétrica' no Ambiente Regulado (CCEAR) e dos contratos celebrados no Ambiente
. de contratação Livre (ACL).
É responsável pela supervisão e aprovação das seguintes atividades:
' Procedimentos de comercialização de energia elaborados pela CCEE. ' Apurar o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) clo mercado de cur-
to prazo por submercado.
' Procedimentos operativos de rede, elaborados pelo NOS' ' Apurar o descumprimento de limites de contratação de energia elétrica
. Procedimentos de expansão da geração para atendimento ao consumi-
e outras infrações e aplicar as respectivas penalidades.
dor cativo.
o Todas as atividades cle comerci alização de energia com consumidores ca-
o . Participação efetiva de agentes e consumidores com equilíbrio entre as
tivos são fortemente regulados pela ANEEL.
partes e em benefício da sociedade, além cle mecliar os conflitos de inte-
resses entre os agentes do setor elétrico e entle eSSeS e os consumidores. ' Participação intensa de todos os agentes.
e o Comercio de
4l
)oA
da Energia Elétrica I
Mercados e Regu
40
Órgão regulador
do Setor Elêtrico Orgão de política energética {
CMSE - Comitê de Monitoramento
I
.TemÍunçãocleacompanhareavaliaracontinuidadeeasegurançado
,rfri*",tto eletroeneigético em tod'o o territÓrio nacional' .t
.PresididopeloMinistrodeEstadoc{eMinaseEnergiaecomaseguinte
MME e os representantes titulares
cla
composição: + t"pt"tà"t""":-1: . Regula principalmente atividades
i"L"cionàors com consumidores
ANÉEL, ANP, CCEE, EPE C ONS. cativos.
.Temcomoatribuiçõesacompanharodesenvolvimentodasatividadesde
comercialízaçáo, importação e expor- . SemPre leva em conta as Políticas
geração,transmissão, distribuição, ênergéticas aProvadas'
e petróleo e seus derivados'
tação de energãelétr ica' gásnatural

se pÍocessa a interação entre estes


agentes:
A figura 2.1 indicacomo

Planejamento estratégico CNPE Órgãos de Política Política Energética x Regulação'


energético energética

de polític-a energética são


exercidas
Assim, enquanto as funções t': YYI'
Planejamento da expansao às agências rJguladoras'
É"u t"pu'ução permite a convl-
do setor elétrico e dos N/IVIE / EPE CMSE as cle regulaçaã cabem
demais setores energéticos vênciadeempresasprivadas"pt,uiia,nosmesmosambientesdecontratação

ANP
Leilões de energia Órgãos
Leilões de linhas AGENTES reguladores
de transmissáo
êtrT^Ê)lÀlq
Concursos abertos ANEEL
para gasodutos

Coordenação das
Planejamento da operação ONS CCEE atividades de
Coordenação da operação comercialização de energia

FIGURA 2.1 lnteração entre todos os agentes'

Portanto,poclemosverificarqueoSistemaElétricoBrasileirofoiconcebiclo
Íigxa2'2'
regulação, conÍorme indica
dentro de conceitos.*rugruao, de
o 42 Mercodos e Regulaçõo da Energia Elétrica CnpÍruro ) o A Regulaçõo e a Comerciolizoçõo de Energio 43

. Muíta reguÍação
Este, aliás, é o grande desafio de ambientes de desenvolvimento de setores . Pouca regulação
. Maiores possibilidades de
. I\,4aiores Possibilidades de
elétricos: saber exatamente quando está no momento de interferir no andamento ganhos/maiores riscos ganhos/menores riscos
normal clo setor, seja através de mecanismos de política energética, seja através
o de regulação.
seja capaz de se desenvolver
s", por um lado, há o temor de que o setor não 1
somente através de mecanismos de mercado e resultar em situações difíceis, por
outro lado, o excesso de regras e regulações pode afugentar investidores. I

De qualquer Íorma, é de extrema importância que o Órgão regulador e o ACL ACR


órgão de política energética consigam identificar as especificidades de cada uma
dessas situações e procurem atrair os investidores, mantenclo o seu interesse nos
negócios setoriais.

2.2 OS AMBIENTES DE CONTRATAçÃO DE ENERGIA E A 0 100 Nível de regulação

REGULAçÃO Baixo Alto

No sistema elétrico brasileiro, existem dois ambientes para contratação de FIGURA 2.3 ACR X ACL.

energia: o Ambiente cle Contratação Regulado (ACR), no qual estão alocados


82% dos consumidores (chamados cativos) e o Ambiente de Contratação Livre
(AcL), no qual estão 18% dos consumidores (chamados consumidores livres). 2.3 COMERCIALIZAçÃO DE ENERGIA: UMA ATIVIDADE COM
'
No primeiro grupo estão, obrigatoriamente, os consumidores com deman-
das menores do que 3 MW, e aqueles de demandas maiores que, eletivamente, QUAL NÍVEL DE REGULAçÃO?
preferem ser supridos através da distribuidora local. No segundo grupo estão Geralmente, quando se pensa em "comercialização de energia", pensa-se
às consumidoÍes que, à sua escolha, sejam supridos diretamente por Produtoles em uma atividade desregulada, ou que deveria ter pouca influência da regula-
Independentes de Energia (PIEs), com demandas maiores ou iguais a 3 MW'
çaio. No entanto, é importante observar que, mesmo isso sendo válido em grande
Recentemente, uma regulaçao especÍÍica permitiu que consumidores com de- parte dos sistemas elétricos de países comercialmente desenvolvidos, no sistema
mandas acima de 0,5 MW também possam ser atendidos no ACL, desde que brasileiro há especificidades clo próprio modelo e do arcabouço regulatório que
através de contratos com Fontes Alternativas de Energia (FAEs)' atrelam parte considerável da comercialização de energia a regras regulatórias.
A figura 2.3 sintetiza as diferenças básicas: Primeiramente, deve-se considerar que o sistema brasileiro é um sistema hi-
clrotérmico, mas com forte predominância hídrica, com capacidade equivalente
de armazenamento de água que vem sendo paulâtinamente redu.zida- Por outro
lado, pode-se demonstrar que a melhor forma de otimizar o referido sistema
quanto aos seus recursos cle armazenamento e segurança é através de operação
centralizada, e isto é feito sob a coordenação do ONS, em nível de planejamento
e programação da operação.
Dentro desse contexto, determina-se um "custo equivalente" da âgua
através de sofisticado pacote de programas computacionais e, semPre que o
custo equivalente da água Íor superior ao custo unitário variável de geradores
térmicos, os referidos geradores são, então, despachados pelo ONS (despacho
44 Mercodos e Regulaçõo do Energio Elétrico cepÍruro 2 ' A ea de En 45
o
por oÍdem de mérito). Dessa maneira, é determinado o CMO (Custo Marginal
N,4argem ou
de Operação) que é, naturalmente, o custo clo último MWh despachado. E, em preço de 40 R$/MWh ) 10 R$/MWh
sequência, determina-se o PLD (preço de liquidação das diferenças), totalmente garantia física
//preço
atrelado ao CMO. E, portanto, o PLD, que aparentemente representa o
spoÍ" da energia, pode ser consideraclo abase geral da comercializaçáo da energia. -4' s0 R$/MWh
A partir desse conceito, quem não está no dia a dia da comerciaiização de PLD
//preço
energia, sempre fica com uma dúvida: deveria o spot" de energia ser de-
terminado por metodologias e procedimentos computacionais ou por leis de --*
mercado (oÍerta x demanda)? Não há a menor dúvida que o preço de liquidação
de diferenças tem que ser cleterminado pela metodologia computacional, visto PLD = 30 R$/MWh
que a mesma leva em conta uma cadeia de previsões de hidrologias futuras, bem
lVlargem (preço de garantia física disponível) 10 RS/lr/Wh
como situações de oferta x demanda, trazendo tais previsões para o presente, =
precificando-as e chegando a um //preço equivalente atual". Mas este é apenas PrêÇo equivalente de energia = 40 R$iÀlwh
um componente do real "preço spot" ou preço de curtíssimo prazo e a regulação FiüURA 2.4 Exemplo de Comercialização de Curto prazo.
foi sábia neste sentido, ao permitir capturar como "preço spot real" tanto as es-
timativas do modelo (que amarram o preço à situação prevista para o sistema)
quanto as leis básicas do mercado. Neste exemplo, o agente pagaria a liquidação pelo PLD (neste caso,
Isto será explicado a seguir. R$ / MWh)
determinado através da metodologia computacional existente
e
Vamos supor um consumidor de 50 MWmed que tenha adotado como es- negociaria a aquisição de 50 MWmed de lastro no mercado de
curtÍssimo pÍazo,
tratégia comprar esse montante de energia a curtíssimo prazo, veiamos o que com agentes geradores ou agentes comercializadores.
pode ocorrer com o referido consumidor. Para que seja melhor entendido este Como pode ser observado, um agente de consumo que deixa
para comprar
exemplo é importante colocar duas regras da regulação vigente: tr:d os os seus requisitos de energia a curtíssimo prazo
poderá estar sujeito a ris-
cos consideráveis, como indicado no exemplo a seguir:
1) Todos os consumidores têm que estar 100% contratados e, para tan- o mesmo consumidor de
5C MWmed deixa de comprar energia no mercado de mais longo
to, devem demonstrar à CCEE que têm lastro para cobrir 100% de sua pÍazo, Por um
preço de 135 R$/MWh e tenta comprar a referida energia
demanda de energia (lastro é o respaldo de um agente gerador ou co- no mercado de curtís-
si;lo prazo. Vamos supor que o PLD estivesse em 60 Rg/MWh,
mercializador colocando paÍa o consumidor uma garantia física corres- aparentemente,
o consumidor teria feito um excelente negócio. No entanto,
pondente à demanda). vamos também su-
por um cenário mais estressado de oferta x demanda,
no qual o consumidor só
2) Os agentes consumidores que não demonstrarem lastro para suas de- tivesse conseguido adquirir 30 MWmed de garantia
física a 60 R$/MWh. Dessa
mandas estarão sujeitos à uma penalização de: forma, 20 MWmed de demanda estariam sujeitos
à penalização e o preço equiva_
lente de energia deste consumidor seria:
Max {VR; PLD}

Onde VR é o "valor de referência" estabelecido pela ANEEL (em início de


2011, cerca de 145 RS/MWh).
Dessa forma, teÍemos, como indicado na figura 2.4:
o

o Mercados e do Energia Elétrica CAeÍTULo 2 ' A Regulação e o ComerciaLizoçõo de Energi.o 47


46

At t1 t2
Ír/ax {VR; PLD} ..--.4 205 R$/MWh

145 R$/tMWh
120 R$/MWh

Margem ) 60 R$/lMWh lnstante da compra


60 RS/N/Wh do contrato para o
tempo t1, com
-> 60 R$/IVíWh
validade até t2
PLD -+
PLD +

Estimativa de baianço oferta x demanda futura

Quanto maior Àt, mais o PLD atua


somente como "fator emocional"

Preço equivalente Pago Pelo Preço equivalente Pago Pelo "Fator Estrutural"
consumidor Por 30 MWmed consumidor Por 20 MWmed
de demanda de demanda
FlGURA 2.6 "Guias" da Comercialização

FIGURA 2.5 Exemplo sem lastro suficiente


Caberia, no entanto, a dúvida: mas os consumidores cativos não deveriam
ser monitorados por suas respectivas distribuidoras? A rigor, o modelo setorial
30 x120 + 20 x2A5
= 154 R$/MWh trrasileiro não dá liberdade total às distribuidoras, embora elas possam traçar
Preço equivalente =
50 suas estratégias de expansão de consumo, mas a comercialização da energia re-
suitante é muito regulada.
esse consumidor
Portanto, ao adotar essa estratégia de aquisição de energia,
R$/MWh que ti-
pagou um preço equivalente de 154 R$/MWh, em vez dos
135

nhám slclo oferecidos por um contrato de longo pÍazo'


2"4 OS pRrNCrpArS ASPECTOS DA REGULAçÃO DO SETOR
Aindanomercadolivre(ACL),pode-seobservarquecontratosdemédioe ELÉTRIco BRASTLEIRo E EFEITos NA coMERcrALrzAçÃo
,,guias,'fundamentais: as previsões de PLD e as
longo prazos também tém dois DE ENERGIA
estimativas de oferta x demanda:
de energia no
Portanto, pode-se efetivamente, observar que a comeÍcialização Para que possa ser melhor entendido o modelo brasileiro de regulação e o
era de se esperal'
ACL tem um nível relativamente pequeno de regulação, como impacto na comercialização de energia, vamos, primeiramente, indicar quais são
ocolre
o contrário acontece com a Venda de energia no ACR, pois a mesma as irossíveis formas de regulação:
através de leilões com elevado nível de regulação' Regulador Independente: neste modelo, as seguintes características devem
de energia
Dessa forn-ra, também como era de se esperar, a comercialização ser observadas:
porque se trata de
no ACR é uma atividade de elevado nível dá regulação. Isto,
a vencla de energia paÍa consumidores cativos, os quais têm
muito pouca ingerên- ' Necessidade de quadro técnico independente.

cia no seu processo de aquisição de energia'


48 Mercodos e Reguloçõo do Energio Elétrico aapÍrulo 2 A eo Comercializoçõo de
49

. Órgão regulador tem que ser realmente independente, sem interferências


externas ou Políticas. Capacidade
. Precisa ter recursos suficientes (financeiros e humanos).
técnica
e recursos

Contratos Regulatórios: trata-se de uma forma mais "amena" de regular e Deve ser no ponto certo.
i !ão preludicar políticas energéticas.
há necessidade de mercado mais maduro.
. Importante determinaÍ quem estabelece e quem monitora.
. Aparecerão diversos problemas não previstos nos contratos. Como
contorná-los?

Câmara de Notáveis: é outra forma de regulação com muito menor grau de


interferência.
. Difícil fazer aÍwidades diárias/rotineiras de regulação.
. Quem nomeia os componentes e quais os pré-requisitos?
Congresso Nacional
Modelo Misto de Regulação: .
Respeitar as diferentes funÇões
(políticas energétícas x regulação)
. Combinação de 2 ou 3 modelos regulatórios acima indicados'
FlâURA 2.7 Fatores que permitem regulação independente

Regulação feita pelo goveÍno:


. É menos eficiente em sistemas em que haja empresas estatais e privadas. A figura 2.7 mostra alguns pontos extremamente importantes,
que podem
ser considerados verdadeiros dilemas da regulação:
No sistema brasileiro, adotou-se o modelo "Regulador Independente", que a) Poder do Regulador: o Regurador precisa ser justo
é um modelo de regulamentação forte nos setores que assim necessitam. Dentro e entender ciaramen-
te que o seu poder vai até dois limites muito importantes:
clesse esquema, é de grande importância separar-se claramente regulação de po- quando não
lítica energética. Enquanto a regulação deve ser feita por agente regulador inde- ltinge nenhuma política energética, competênciá do go.rerà e não do
Regulador, e quando não atinge o direito ào agente
pendente, a política energética deve ser feita pelo Ministério, órgão do Soverno' relulado.
A figura 2.7, a seguir, indica os fatores principais que permitem o desenvol- b) Capacidade Técnica e.Recursos: um órgão regurador
precisa se impor
vimento de um sistema regulatório, com base em regulação independente. pela capacidade e qualidade de r"r, .o.pã técnico.
somente dessa forma
os agentes respeitarão a regulação e o regulador.
c) Governança do Regulador: este é o item mais
difícil de se resorver em
termos de reguração. se não houver concordância
regulador f agente,
como proceder? Tais pontos têm sido resolvidos
na luJtiça, mus se.á esse
o melhor caminho? Não seria interessante
pensar-se em uma ,,Cãmara
de Regulaçã o,, para julgar tais casos?

Uma Câmara de Notáveis é o modelo


usado na França.
o 50 Mercados e Regulação da Energio Elétrica CapÍrurc 2 ' ARegulaçõoeaComerciolizoçõodeEnergia 51

o Quando não há concordância entre regulador


e regulaclo, a forma que vem
o senclo utilizacla é a justiça. A figura 2.8 mostra como isto vem sendo
feito e os T
Setores não
problemas observados. competitivos
Muita regulação
D

Justiça

tVACL
Pouca
regulação CL
. Falta agilidade e conhecimento técnicos
Setores

o Problemas
verificados
. No entanto, para o sistema brasileiro, está se
demonstrando como a única solução plausível
comPetitivos

Muita GecR
regulação
T= Transmissão a
"LEN
D= Distribuição
Grcr= Gerador que vende sua energia no Ambiente de Contratação Livre
ANEEL, atualmente, resPonde
a diversas açoes juridicas Por CL= Consumidor livre
Consequências parte dos agentes
G46p= Gerador que vende sua energia no Ambiente de Contratação Regulada
G1s5= Gerador que vende sua energia nos Leilões de Energia Nova, do ACR

FIGURA 2.9 As bases da regulação setorial.

. Câmara de regulação. Observamos, portanto, que enquanto setores não competitivos (Transmissão
. Maior utilização de "regulação e Distribuição) têm muita regulação, os setores competitivos devem ter o mínimo
SoluçÕes por incentivo" em vez de de regulação. Nesse último caso, que está a Geração, deve-se, claramente distin-
"regulação por Penalização"
giiir o tipo de competição: competição de venda de energia a setores regulados
o devem ter regulação e setores de competição de venda de energia a consumido-
res livres devem ter a regulação minimizada.
FIGURA 2.8 Solução de Conflitos Regulatórios.

A figura 2.9,por srlavez, indica, de forma sucinta, as bases da regulação 2"s oUTRAS OBSERVAçÕES TVTpORTANTES REFERENTES À
setorial, ãonfo.me ia explanado anteriormente, no que se refere aos níveis de
REGULAçÃO DA COMERCIATIZAçÃO DE ENERGIA
regulação.

o Em praticamente todas as atividades setoriais, sente-se a presença da regu-


lação. Em alguns casos, tal presença é mais forte e, em outÍos casos, mais suaves.
Vamos analisar, sucintamente, cada uma das principais atividades e verificar as
interações com a regulaçâo.
52 Mercados e RequlaÇão da Energia Elétrico 2.A e a Comercioltzaçõo de 53

Planejamento cla expansão: muito embora esta atividade esteja totalmente ção de energia elétrica, a regulação atua de forma mais Íorte em face dos seguin-
atrelada às políticas energéticas, ainda neste caso, há influência cle regulação, tes problemas:
senclo a principal o estabelecimento da política de preços em leilões regulados a) Garantia cle modicidade tari{ária ao consumidor cativo, uma vez que
(basicament e o price cap dos leilões). Esse é um fator importante, pois se for esta- este não toma suas decisões referentes ao suprimento de energia, mas
beleciclo um pÍeço teto que não atraia investidores, os resultados dos leilões não delega à sua respectiva distribuidora.
refletirão os anseios da política energética.
b) Garantia de suprimento de energia, visto que um eventual racionamento
de energia causa problemas de grandes proporções à economia do país.
operação: o operador Nacional do sistema é totalmente regulado pela
agência reguladora. Portanto, todos os chamados procedimentos de rede têm
Vejamos, então, o papel da regulação em cada um clestes tópicos:
que ter aprovação regulatória.
Para tentar garantir modicidade tarifária ao consumidor cativo, elaborou-se
Comercialização cle Energia: conforme explanado anteriormente, a comer-
r-rm sistema de leilões que resulta em contratos regulados, de regulação relativa-
cialização cle energia é uma atividade muito regulada no mercado regulado e
mente complexa. Nesses contratos, são estabelecidos diversos tipos de penaliza-
pouco regulada no mercado livre. Neste item, apresentaremos mais detalheS a
cões para atrasos cle obras dos agentes geradores que se sagraram venceclores
respeito de regulação e comercialização de energia.
dos certames. Essas são penalizações para assegurar o suprimento. Com relação
A figura 2.10 mostra as atividades relacionadas à comercializaçáo de energia:
à modicidade tariÍária, o único movimento regulado é o estabelecimento deprice
caps nos leilões e, com efeito, o processo natural de competição se encarrega de
assegurar preços menores que o príce cap. Dessa forma, cabe a dúvida: então o
Ívlédio/longo
Curto prazo pfazo processo está adequado e assegura modicidade tariÍáría?
E, embora o arcabouço dos leilões de energia no mercado regulado tenha
cl-regado a bons resultados, consideramos que ainda há espaço para aperfeiçoa-
0 mentos, uma vez que na realiclade o que se deve buscar é modicidade tarifaria
e segurança energética. No entanto, é importante observar que tais aperfeiçoa-
mentos se reÍerem muito mais ao processo de planejamento e sua interação com
os leilões.
Alguns exemplos:

ACL = negociação de lastro


- os estudos de planejamento, em geral, só fazem previsões de gerações
ex-ante ou ex-post ACL = negociações de contrato hidrelétricas e fontes alternativas. Como isso nunca ocorre na realidade
ACR =A-3
(e ainda bem que não ocorre, se não o risco de deficit aumentaria), os
ACR = A-1
balanço A-5 leilões levam em conta inclusões de geração térmica sem um refinamento
anterior.
FIGURA 2.10 Atividades ligadas à comercialização de energia' - os sistemas de leilÕes não têm colocado elementos que assegurem a par-
ticipação somente de "agentes tradicionais" do setor elétrico e isto é feito
com base na falsa hipótese de aumento de competitividade.
É extremamente interessante, neste ponto, levarmos em conta a aparente
contradição entre regras de mercado e regulação, no que se refere à atividade
Dessa forma, em diversas ocasiões "agentes não trad.icionais" ganham lei-
de comercialização de energia elétrica. Em tese, colocamos regulação mais forte
lões e não conseguem condições mínimas para materializar seus projetos.
onde achamos que as regras de mercado poderiam não Íesolver um determinado Com
isso, a energia dos consumidores cativos tem que ser atendida com energia
problema ou resolvê-lo de forma inadequada. E, no que se reÍere à comercializa- mais
cara.
e o Comercializoçõo de
55
Elétrica 64pÍrL.tr.O
)oA
Mercados e RequloÇõo da Energto
54
l{equlação Explícita: quanclo o
regulador define claramente os pontos cle
aclmitem O" deficit cle até 5%' quan- de instrumento regulatÓrio'
- Os estudos cle ptanejamento 1T"t aceita' em hipÓtese a.t"..',i""aà reguiação através
existe' pois a sociedacle não ''''' o"ãrrurro í*pii.itu, quanclo o regulaclor não define claramente determina-
do na realiclacle isso'não Dessa forma' o Operador é sempre sem precisar
uma peça regulatória, ou por considerá-los evidentes
alsuma, que ocorÍam 'utio"u**tos' do que o previsto' na modalidacle clos pontos cle
situação'
oúigaclo u a"'p"nu' *ul'
tO'^ita --,-l;ritá-los,ou por nao tei concebiclo a priori determinada
mérito"' impactanc{o mais no consumidor
L -
^ t-"'-
"clespacho fora cla ota"*
de Nessesúltimoscasos,oagentereguladoquenãoquisercorrerriscosdeve
cle^geraçào termica' deviclamentc' o regrrãdor. vuitas vezes, após discutido um
determir-ta-
do que ," ho"uut'"""ãp""õento constrrtar formalmente
vira regulação explícita, através
estruturado ;;;;; não colocado r,u i"çu regulatória, este
todas as cle instrução normativa suplementar'
que a regulaçã:
Dessa forma, Pocle-se observar ":t".P-1"-t^"I:,"*
fárma indireta' confor'
,"1" a" to.*, dirãta, sela cle
ativiclades do setor "là;-",
2'11'
me mostrado na figura 2.7 coNcLUSÕES
. evolutiva, corn o desen-
Comercialização A regulação em um sistema de potência deve ser
Planejamento
Operaçáo de energia volvimento do referido sistema'
órgão re-
. É necessáriodispor-se de corpo técnico especializado, tanto no
gulador,comortosagentesregulados'nosentidodegarantirasegurança
energética do sistema e do agente'
.Eimportanteobservarqueumaaplicaçãoregulatóriainadequadapodele-
varumagentereguladoaproblemassérios,inclusivedeordemfinanceira.
lnterações PrinciPai:
lnteração: atividade
bastante regulada
. É possível, e interessante, dispor-se de ambiente regulado e livre no mes-
lnteraçáo PrinciPal
através de - ACR: regras dos rnà sistema elétrico, como no caso do sistema brasileiro'
leilÕes resultantes leilÓes, sistema de
"procedimento
do planejamento'
de rede". preÇos, inclusive .AANEELvem-Sefirmando,cadavezmais,comoumórgãoregulador
price caPs. bastante interes-
setorial de atuação comedida e séria, evoluindo de forma
ACL: obrigação de sante para a segurança regulatÓria do sistema brasileiro'
-
1 00o/o de contrataçâ'r'

- Penalizações
diversas.

reguladas
FIGURA 2.11 lnteraçóes com atividades

o
2.6 REGULAçÃo EXPLÍorA X REGULAçÃo IMPLÍCITA
regulaçáo d\z respeito'a como
proce'-1er
Um clos pontos mais críticos d'a da seguinte
em casos de "regulação implícita"'
roa"*o'ãlflnir taisiegulações
forma:
FUNDAMENTOS DA
coM ERCTALTZAç^O DE EN ERGrA
ELÉTRICA NO BRASIL

Evelina Neves
Luiz Henrique Alves Pazzini

3.1 TNTRODUçÃO

reformas ao redor do mundo clesde


o desempenho da prestação de ser-
o 7-
o
o
o 58 Mercodos e ReguLoçõo do Energío Elétrico rAprTULo I o Fundomentos do Comerciolizaçõo de Energio ELétrico 59
o
o p-»rodutores negociam abertamente seus contratos de compra c vencla de energia, l().ElE, c'le 200.1, que estabelece as principais bases clo processo de comercializa-
o a busca por se elevar o número de agentes aptos a participar do processo cle ofer-
ta de energia, reduzindo a possibilidade de abuso de poder de mercado por parte
ç.io cie energia,
aspectos da
e o Decreto nq 5.163, de 2004, ctocumento que regulameuta diver-
Lei nq 10.848. Destacatlr-se tambétl o Decreto n!5.-177, de 2004,
o do segmento de produção de energia, e a criação de uma instituição destinada a
sos
c1r.reinstitr-ri a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) como en-
o operar o mercado de energia elétrica.
O setor elétrico brasileiro também passou por esse processo cle refornra
ti.iat'le responsável pela operação do mercado cle energia elétrica, e a Resolução
ANEEL na 109, cle 2004, que estabelece a Convenção de Cornercialização cle
o corn intuito cle aprimorar a eficiência econômica. Tendo início en-L meados da Energia Elétrica.
o década de 1990, o processo brasileiro passou por diversas fases até a consoli-
dação do modelo atual, criado a partir de debates entre o Governo Federal e
O r-lodelo brasileiro cle comercialização de energia elétrica institui dois am-
o os agentes do setor, que culminaram em uma estrutura que envolve agentes
bieltes cle contratação c1e energia elétrica: o Ambiente de Contratação Regulada
(ACR), no qual os distribuidores devem adquirir sua energia de forma regulada
a estatais e privados, a presença de um órgão regulador (Agência Nacional de prelo Governo Federal, e o Arnbiente de Contratação Livre (ACL), no qtlal ocor-
o Energia Elétrica - ANEEL), uma entidade responsável pelo planejamento do
setor (Empresa cle Pesquisa Energética - EPE), um operador clo sistema elétri-
rerrr transações livremente negociadas entre vendeclores e compradores de ener-
gia elétrica, conforme pode ser visualizado na figura 3.1.
o co (Operaclor Nacional do Sistema Elétrico - ONS) e um operador do merca-
o do (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE), com presença do
Governo Federal na identificação de políticas, implantação cle programas especí- Vendedores
Geradores de serviço público, produtores independentes,
ficos voltados ao desenvolvimento do setor e monitorarnento do setor de energia
comercializadores e autoprodutorês
elétrica (Ministério cle Minas e Energia - MME, Conselho Nacional de Política
Energética - CNPE e Comitê de Monitoramento clo Setor Elétrico - CMSE).
o Este trabalho foca no desenvolvimento e aprimoramento das atividades da
o Câmara de Comercializaçáo de Energia E1étrica - CCEE, desde o início da im-

a plantação do mercado de energia elétrica brasileiro, ao final dos anos 1990, até
os dias atuais, rnomento em que se pocle presenciar a consoiidação dos trabalhos
dessa empresa em suas diversas frentes de atuação, tais corno a contabilização e

o liquidação da energia do Mercado de Curto Prazo, envolvendo processos especí-


ficos, até arealização, e posterior gestão, dos leilões de energia elétrica.
a O tópico 3.1 apresenta esta introdução. No tópico 3.2, tem-se uma breve
a apresentação clo atual modelo institucionai do setor elétrico brasileiro, destacan-
do os principais aspectos da comercialização de energia eiétrica. ]á o tópico 3.3 Contratos resultantes Contratos livremênte
o apresenta a evolução dos trabalhos desenvolviclos no mercado de energia elétri- de leilões negociados

o ca brasileiro, desde seus primórdios, nos últimos anos do século XX, até os clias
atuais, detalhando os atuais processos desenvolvidos pela CCEE.
FIGURA 3.1 Ambientes de Contratação de Energia do Setor Elétrico Brasileiro.

Percebe-se pela figura 3.1 que os agentes vendedores podem construir sua
estratégia de venda em qualquer um dos ambientes de contratação, estimulando
a 3.2 VISÃO GERAL DO MODELO DE COMERCIALIZAçÃO DO a cotlpetição no processo de geração de energia elétrica. Já a competição no lado

o SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO da clemanda está restrita ao Ambiente de Contratação Livre, no qual pode ocor-
rer a livle negociação entre os agentes.
o O atual modelo brasileiro de cornercialização de energia elétrica tem suas
o bases em legislação específica, constituída por um grande conjunto de leis, clecre-
tos, resoluções e portarias. Dentro clesse universo jurídico, clestacam-se a Lei n-
o
o
60 Mercados e Reguloçõo da Energia ELétrico Fundomentos da Comerci de EIétrico 61

3.2.1 Ambiente de Contratação Regulada (ACR) Contratos de Comercialização de Energia clo Ambiente Regulado
Íigura3.2apresenta o atual portfólio de contratação das empresas de
O ACR é o ambiente de contratação das empresas clistribuidoras cie energia, cle energia elétrica.
que adquirem energia elétrica para atender às necessidades de seus consumi-
dores cativos - consumicloÍes que não têm o direito de escolher o fornecedor cle
PROINFA Bilateral curto
energia e que compram energia diretamente do clistribuiclor ao qual estão conec- 2,61Yo 0,14%
taclos, pagando tarifas reguladas pela ANEEL.
A legislação prevê algumas moclalidacles cle compra aos distribuidores cle
energia:
lnicial
. Compra de energia de geração distribuída, proveniente de usinas co. 0,1 o/

nectactas diretamente ao sistema de distribuição de energia, através de


processo de chan-rada pública realizado pelo Agente de ilistribuição. Tai
modalidade de contratação é iimitada em 10% (dezpor cento) do mercaclo
CCEAR DI
do distribuiclor. 9,48Yo
. Aquisição cle energia do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas cle
Energia (PROINFA).
. Compra de energia de Itaipu Binacional por distribuidoras localizadars
nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
. Compra de energia de reserva através cle leilões específicos realizados

das
atra
7_

62 Mercodos e Regulaçào da Energio Eletrica Cr,pÍrulo 3


a Fundamentos do Comercio de io Elétrico 63

A]ém cle contratos de cotlpra de energia, os consumidores passíveis de atuar


Energia incentivada Energia convencional
no ACL devem celebrar contratos de conexão e uso clas instalações de distribuição (sem desconto na TUSDffUST)
\oom desconto na
TUSD/TUST)
ou transmissão, conforme o caso.
Os consunridores livres são caracterizados por uma demanda mínima con- - Hidrelétricas com potência superior
tratacla de 3 MW, podendo adquirir energia cle qualquer fonte. Já os consumi- - Pequenas centrais hidrelétricas ê 1 MW e igual ou inferior a 50 MW,
(PCHs) sem as carcterísticas de PCHs
clores especiais apresentam demanda mínima contratada de 500 kW, podendo .Centrais a biomassa com - Centrais a biomassa com potência
adquirir energia das chamadas fontes incentivadas: pequenas centrais hidrelétri- ootência injetada na rede injetada na rede superior a 30 MW
rnenor ou igual a 30 MW Demais usinas
cas, usinas de biomassa, eólica e solar fotovoltaica com potência injetacla na recle e inferior a 50 MW
- üentrais eólicas com Potência - Centrais eólicas com potência convencionais
de transmissão/clistribuição limitada em 30 MW. Importante ressaltar que, para injetada na rede menor ou injetada na rede superior a 30 MW
os consumidores especiais/ a comprovação da demanda de 500 kW pode ser ob- icr-ral a 30 MW e inferior a 50 MW
- óentrais de energia solar com - Centrais de energia solar com
tida através da união de cargas não contíguas, reunidas por comunhão de fato ou potência injetada na rede potência injetada na rede supêrior
de direito, conforme previsto na Resolução ANEEL ne 247, de dezembro de 2006. ii-,enor ou igual a 30 MW a 30 MW e ínferior a 50 MW
As usinas incentivadas são caracterizadas por um desconto cle 50% ou
1,00% na tarifa de transporte de energia, percentual que varia de acordo com as
determinações dos regulamentos da ANEEL. Caso as usinas violem regras de
comercialização estabelecidas, ocorre perda do desconto. Já o clesconto clos con-
sumiclores finais clepende de sua forma de contratação, que pode ser realizada
cliretamente dos geradores ou de comercializadores de energia, e de eventual
perda do desconto das usinas das quais adquire energia. O desconto final clos
consumidores é determinaclo mensalmente pela CCEE e informado às empresas FIGURA 3.3 Processo de contratação de energia convencional e incentivada
detentoras das linhas de distribuição e transmissão para que sejam efetivamente
praticados.
Alteração na legislação ocorrida em 2009 permite que consumidores espe- A Íigura 3.4 apresenta o atual portfólio de contratação dos consumidores
ciais possam contratar energia de usinas com potência entre 30 e 50 MW, porém iii res e especiais.
sem direito a clesconto nessas situações. A figura 3.3 ilustra de forma sucinta a Na figura 3.4, os contratos classificados como de longo prazo apresentam
comercialização de energia de fontes incentivadas e convencionais para os con- duração superior ou igual a seis meses, enquanto os de cuÍto prazo apresentam
sumiclores livres e especiais. cluração inferior a seis meses.
Os acorclos firmados são pactuaclos através cle contratos clenominados bila-
terais, instrumentos que regulamentam a venda e a compra dessa energia.
Os próprios vendedores podem adquirir energia de outros vendedores para
posterior revenda. Essa é a função de um comercializaclor de energia, Agente
que, a princípio, não detém propriedade de nenhum ativo de geração de energia
elétrica, atuando na compra e venda de energia proveniente de usinas de outros
proprietários.
Além clos contratos bilaterais, os consumidores livres e especiais são deten-
tores cle cotas da energia do PROINFA, calculadas a partir da determinação do
perceutual cle seu consulno em relação ao consumo totat do SIN.
64 Mercodos e Reguloçõo da Enerqia ELétrica Ctpituto 3 ' Fundomentos do ComercializaÇõo de Energia Elétrico 65

Para realizar com eficácia suas atividades, a CCEE conta com uma equipe
multidisciplinar de colaboradores, além de uma estrutura administrativa condi-
zente com a importância dos trabalhos desenvolvidos. A empresa utiliza siste-
mas computacionais que permitem o recebimento de informações de medição,
o registro e gerenciamento de dados de contratos, e posterioÍ contabilização e
liquidação do mercado, o que a torna importante referência como provedora de
informações ao mercado de energia elétrica brasileiro.
A empresa prima pela transparência de suas atividades, mantendo canais
abertos de comunicação e promovendo a capacitação dos agentes, através de
treinamentos de regras e procedimentos de comercialização de energia, sistemá-
ticar de leilões, processo de formação de preço, dentre outros.
PROINFA
3% Nos tópicos seguintes é apresentada a evolução da operação do mercado de
energia elétrica, desde os primórdios da ASMAE, passando pela estabilização
da contabilização e iiquidação do Mercado de Curto Prazo nos tempos do MAE
e culminando com a consolidação do mercado com o advento da CCEE e com a
lircorporação de novas e importantes atribuições, que permitem vislumbrar um
futuro de crescentes e importantes desafios à empresa.

FIGURA 3.4 Portfólio de Contratação de Consumidores Livres/Especiais, outubro de 3"3.1 Os Primórdios: Administradora de Serviços do Mercado
2010.
Atacadista de Energia Elétrica (ASMAE) - Setembro de
2000 a Março de 2002
Na clécada de 1990 o setor elétrico brasiieiro passou poÍ um processo cle
3.3 A CÂMARA DE COMERCIALIZAçÃO DE ENERGIA ELÉTRICA reestruturação com o intuito de aprimorar sua eficiência econômica. Nesse sen-
(ccEE) ticlo, forarn lançaclas as bases que permitiram a consoliclação do atual processo
de comercializaçáo de energia elétrica, com a criação das figuras do consumidor
A CCEE é a instituição responsável pela operação do mercado de energia livre, do proclutor independente de energia e do comercializador de energia elé-
elétrica no âmbito do Sistema Interligado Nacional (SIN). Seu funcionamento trica. Para viabilizar as transações de compra e venda de energia elétrica, a Lei nq
foi autorizado pela Lei nq 10.848/200a e sua implantação foi estabelecida pelo q.648, de L998, e o Decreto no 2.655, de 1998, instituíram o Mercado Atacadista de
Decreto ne 5.177 /2004. Energia Eiétrica - MAE, ambiente virtual, sem personalidade jurídica, tendo sido
A CCEE é sucessora das empresas Administradora de Serviços do Mercado estabelecido um contrato de adesão multilateral de todos os agentes (Acordo de
Atacadista cle Energia Elétrica (ASMAE) e Mercado Atacadista de Energia Mercado) que atuavam no SIN.
Elétrica (MAE), entidades que atuaram nos primeiros anos da comercialização Com o objetivo de administrar esse mercado foi criada a Administradora de
de energia no Brasil, tendo mantido suas atribuições e incorporado outÍas com Serviços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (ASMAE), sociedade civil de
o passar dos anos. tlireito privado, braço operacional do MAE, empresa autorizada da ANEEL e au-
Atualmente os trabalhos da CCEE englobam, entre outros, a contabiliza- torregulamentada. Cabia à ASMAE a responsabilidade de todas as atividades re-
ção e liquidação do Mercado de Curto Prazo, o tratamento da energia de reser- íerentes à administração clo MAE, inclusive financeiras, contábeis e operacionais.
va, a apuração, e posterior liquidação dos valores de cessão, do Mecanismo de Nessa fase embrionária ocorreu o desenvolvimento das primeiras ferramen-
Compensação de Sobras e Deficits - MCSD, a realizaçã,o de leilões de energia, lrs computacionais necessárias para a operacionalização do mercado de ener-
quando delegado pela ANEEL. gia elétrica, com destaque para o Sistema de Contabilização e Liquidação - SCL
ç

66 Mercados e ReguLaÇoo da Energio Elétrico i-APíruLo 3 a Fundomentos da Comercializaçõo de Energia ELetrico 67

(também conheciclo como SINERCOM), sistema computacional responsável pela No total, esses leilões propiciaram a negociação de mais de 50 000 MWh de
contabilização do Mercado de Curto Prazo. Ainda nessa fase, implantaram-se as errergia, movimentado um montante superior a R$ 8.000.000,00 (oito milhões de
primeiras regras e procedimentos de mercado, instrumentos importantes para a reais - valores da época). Mais ainda, essa experiência iniciou uma cultura de de-
contabilização e liquidação financeira do mercado. senvolvimento de leilões de energia pela empresa, o que propiciou acúmulo de
Os trabalhos contemplavam a contabilização e a liquidação financeira do conhecimento nessa área, tornando-a importante referência no desenvolvimento
mercado de energia elétrica, sendo que as Íegras de mercado já contemplavam ,: na aplicação de metodologias de leilões de energia.
assuntos ainda hoje importantes, como o Mecanismo de Realocação de Energia Embora os leilões de certificados tenham sido bem-sucedidos, os trabalhos
(MRE) e o Excedente Financeiro. c1a ASMAE foram prejuclicados pelo modelo de governança/gestão adotado,
Em 2001, o Brasil atravessou o racionamento de energia elétrica, tendo o que propiciava o surgimento de fortes conflitos de interesses entre os diferentes
Governo Fecleral instituído cotas de consumo para consumidores industriais, agel.rtes de mercado.
comerciais e residenciais, sendo posteriormente implantada a possibilidade cle Tal situação foi diagnosticada pelo Comitê de Revitalização do Moclelo do
transferência de metas de consumo de energia entre os consumidores durante o Sctor Elétrico Brasileiro, criado durante a crise de abastecimento para reavaliar
período de racionamento. pontos do moclelo setorial. O Relatório de Progresso ns 1 desse Comitê propÔs
Para viabilizaÍ essa transferência de cotas entre os consumidores, o Governo a ieestruturação do mercado de energia, que se concretizou em abril de 2002,
Federal atribuiu à ASMAE a responsabiliclade de desenvolver e implementar um através da publicação da Lei ne 1.0.423, que transformou a ASMAE em pessoa
ambiente para que essa transÍerência fosse realizada de forma seguÍa, transpa- jtri'íclica de direito privado, alteranclo sua clenominação pata MAE e terminando
rente e eÍicaz. Assim, foram implementados os ieilões de certificados, ambiente com a autorregulamentação clo mercado.
virtual através do qual era possível comprar e vender certificados de direito de A figura 3.6 apresenta uma linha do tempo com os principais acontecimen-
uso de redução cie meta durante o período de racionamento de energia por meio tos cla primeira fase do mercaclo de energia.
de certames eletrônicos realizados diariamente através cla Internet. A figura 3.5
apresenta o montante de energia mensal negociado nesses leilões.
o a o o
14 000 Julho/95 - Lei no 9.074 Outubro/99 - Agosto/98 - Sêtembro / 2000 -
Estabelece os conceitos assinatura de estabelecido o início das
de Consumidor Livre e 1'contrato de um acordo de operaçÕes da
12 000 Produtor lndependente Consumidor Livre mercado ASMAE
de Energia de Energia

'Í0 000

B 000
C O o
=
= Junho/2001 Fevereiro/2002 Março/2002-Íim
6 000 das operações da
ASMAE e início das
Realização dos leilões operação do
4 000 I\4AE
de cerlificado

2 000 FIGURA 3.6 Linha do Tempo: Primórdios do Ívlercado de Energia Elétrica (ASMAE)

0
juniO1 jul/01 ago/01 seU01 ouV0'1 noviO1 dezll1 ianl)Z íevl12

FIGURA 3.5 Resultados Í\4ensais dos Leilões de Certificados (jun/O1 aÍevl02).


68 Mercodos e Regulaçõo do Energio Elétrico CapÍruto 3 ' Fundamentos da ComerciaLizoÇõo de Energia Elétrico 69

TABELA 3.'l Resultados do Leilão de Venda de Energia Elétrica - 2002


3.3.2 A Segunda Fase: O Mercado Atacadista de Energia
Elétrica (MAE) - Março de 2002 a Novembro de 2OA4 Empresa Quantidade [MW Médio]
CHESF 2 052
A partir cle março d,e2002, a ASMAE foi substituída na operação do mercado 100
COPEL GERAÇAO
de eneigia pelo Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE), pessoa jurídica
280
de direiio privado submetida à regulamentação da ANEEL. A Resolução ANEEL
ELETRONORTE

ne1,02/2}}2estabeleceu a Convenção do Mercado, em substituição ao Acordo de FURNAS 190


Mercado, clocumento que estabelecia as condições de funcionamento do MAE, TRACTEBEL 13
ctividindo seus agentes nas categorias d.e produção e consumo de energia. Total 2 635
o período do MAE foi marcado pelos trabalhos de consolidação das regras
pro."ài*"ntos cle mercado e pela busca de se colocar o mercado em fase, pois, No ano de 2003, o MAE deu início aos leiiões cle compra de energia, que fo-
"até então, as operações cle compra e venda eram contabilizadas, mas as liquida-
ram realizados até meaclos cle 2004. A motivação para a implantação dos leilões
ções financeiras, última etapa do Processo, não se concretizavam. c-le compra foi a descontratação clos Contratos Iniciais estabelecida pela Lei nq
Através de trabalho desenvolvido pelo grupo diretivo da entidade, com a
9.648/98, em25oÁ ao ano referente ao montante contrataclo em2002. Com isso,
importante participação dos colaboradores, conseguiu-se realizar a primeira li-
c-listribuidores e comercializadores puderam comprar energia de geradores, pro-
quidação Íinanceira que compÍeendeu o período de setembro de 2000 a setembro
dutores independentes e comercializadoresf distribuidores que possuíam sobras
de2002. Em virtude de seu caráter excepcional, essa liquidação tratou de forma
ci-.ntratuais. O modelo de leilão cle compra permitiu a criaçâo de um mecanis-
integrada os 25 meses represados, criando-se gruPos de agentes e dispensanclo-se
mo competitivo para a vencla de lotes cle energia por esses agentes. Destaca-se
o aporte de garantias financeiras. Também, estabeleceu-se uma liquidação finan-
qtle esses leilões utilizaram sistemática clesenvolvicla especialmente para o MAE,
ceira conclicionada, a ser realizada em duas fases: 50% em uma primeira etapa e
através de pregão eletrônico, via Internet.
os restantes 50% após a realização cle auditoria de todo o plocesso de contabili-
No totai, foramrcalizados 11 leilões de compra entre os anos de 2003 e2004,
zaçáo e liquidação.
totalizanclo montante negociacio de 213 MW médios. A tabela 3.2 resume os re-
Os demais meses clo ano de 2002 foram liquidados mensalmente, tenclo se s'iiitados desses leilões.
mantido a formação de grupos de agentes e a dispensa de aporte cle garantias Ponto importante para aprimoramento dos trabalhos do mercado de ener-
financeiras. gia elétrica foi o inÍcio da implantação do Sistema de Coleta cle Dados cle Energia
Danclo sequência ao desenvolvimento de leilões de energia no setor elétrico
brasileiro, o MAE realizou eÍn2OA2um leilão de venda de energia elétrica, com o
intuito cle disponibilizar aos agentes distribuidores e comercializadores lotes de
energia ofertados por empresas geradoras federais e, também, por empresas ge-
radoras estacluais e pÍivadas. o leilão, realizado em setembro de2002, negociou
um total d.e 2 635 MW médios cle energia, conÍorme discriminado na tabela 3.1.
Em 2003, o MAE realizou um leilão de excedentes de energia, certame regula-
mentado pela Resolução ANEEL nq 353, de22 dejulho de 2003. Teve como objeti-
vo a vencla de excedentes de energia elétrica das concessionárias e autorizadas de
geração decorrentes da liberação clos contratos iniciais e equivalentes, bem como
os nrontantes estabelecidos nas Resoluções ANEEL n§ 267 /98, 450/98 e 451./98,
compreendidos como energia de geração ptôpria, poclendo participar c1o certame,
como compradores, oS col1surnidores livres. O leilão de excedentes ocorreu elrt
setenrbro cle 2003, tendo sido negociado o ürontanté de912,2MW médios.
o
70 Mercados e Reguloçõo da Enerqia Elétrica CapÍruro J e Fundamentos da Comerciolizaçõo de Energio Etétrica 7L

TABELA 3.2 Resultados dos Leilões de compra de Energia Elétrica a o o o


o Leilão
Total Demandado Total Negociado Total Negociado MarÇo/2002 - início tvlaio/2002 - Setembro/2002 Janeiro/2003
inicio dos
Data inicio da liquidação da 'l?
IMW Médiosl [MW Medios] Í%l das operaçôes do MAE
trabalhos do
implantação do tranche do periodo
31/07/03 1q Leilão 75 0 0 SCDE de setembro de 2000 monitoramento
a setembÍo de 20O2 de mercado

a 28/08/03
25l09/03
2sLeilâo
3a Leilão
0
0
0
0
0
0
Leilão de venda
de energia

30/1 0/03 4s Leilão 49 I 18,37

27t11t03 5a Leilão 25 15 60
Transição MAE - CCEE
23t12t03 6s Leilão 0 0 0

29t01t04 7s Leilão 20 0 0

20t02t04 8e Leilão 215 80 37,21 C a o o


25t03t04 9s Leilão 0 0 0 Julho/2003 Setembro/2003 Abril/2004

29t04t04 10, Leilão 46,5 30 64,52


leilão de excedentes Lei n' 10.848 -
implantação do
27t04t04 110 Leilão 195 79 40,51 Novo Modelo do
Setor
Total 625,5 213 34,06%

Leilões de compra de energia


Em abril de 2004 houve importante alteração no modelo do setor elétrico
brasileiro com a promulgação cla Lei nq 10.848, que estabeleceu as atuais di- I'IGURA 3.7 Linha do Tempo tt/AE.
retrizes da comercializa{ao de energia elétrica no Brasil e criou a Câmara de
Comercialização de Energia Elétrica (ccEE) para substituir o MAE em seu papel
de operador do mercado. 3.3.3 A Consolidação: A Câmara de Comercialização de
Em agosto d.e2O04,o Governo Federal publicou o Decreto na5.777 que insti- Energia Elétrica (CCEE) - Desde Novembro de 2004
tuiu a CCEE e estabeleceu prazo de 90 dias de transição Para que a nova emPresa
assumisse as tarefas operacionais do MAE. Assim, apartit de novembro de2004, Com o advento do novo modelo setorial em2004, iniciou-se a fase de atuação
o mercado de energia elétrica brasileiro iniciou sua fase de consolidação, através cla CCEE como entidade operadora do mercado de energia elétrica. Essa fase pode
dos trabalhos desenvolvidos pela CCEE. ser considerada como de consolidação do pÍocesso de comercialização de ener-
A figura 3.7 apresenta uma linha do temPo com os principais destaques gia no Brasil, com crescimento do mercado livre, maior maturidade dos agentes,
ocorridos durante essa segunda fase do mercaclo. aperfeiçoamento de regras e procedimentos de comercialização, implantação do
SCDE, dentre outras realizações. Do ponto de vista da CCEE, a empresa paulati-
llamente agregou atividades em seu escopo, como a realização dos leilões cle ener-
gia elétrica do Governo Federal, a liquidação de valores cedidos do Mecanismo
cle Compensação de Sobras e Deficits (MCSD) entre os distribuidores, a gestão da
energia de reserva, entre outras atividades.
Nesse processo de amadurecimento, a empresa aprimorou o relacionamen-
to com os agentes, através da sua central de atendimento para esclarecer dúvidas
cle agentes e da ampliação da grade de treinamentos oferecidos para capacitação
dos agentes. Também se preocupou com seu desenvolvimento ac{ministrativo,
72 Mercodos e Reguloçõo da Enerqia Elétrica .apírvto 3 ' Fundamentos do ComerciolizaÇõo de Energía Elétrico 73

focando na segurança clas informações, no maPeamento cle seus processos e no No primeiro nível hierárquico encontra-se a Assembleia Geral, formada por
treinamento cl-e colaboraciores, culminando com a implantação de seu planeja- todos os agentes das categorias geração, distribuição e comercialização, que de-
mento estratégico, revisto anualmente para manter a empresa alinhada com as têm número de votos calculados através de Regras de Comercialização específi-
do mercado de energia elétrica brasileiro' ras. Ressalta-se que a categoria comercialização engloba os comercializadores de
-
perspectivas
energia e os consumidores livres e especiais. As atribuições da Assembleia Geral,
br tópicos seguintes apresentam os diversos trabalhos desenvolviclos Pela Jentre outras, são:
CCEE, bem como suas atividades de gestão e cle atendimento aos agentes que
atuam no processo de comercialização cle energia elétrica' . Eleger e destituir os membros do Conselho de Administração da CCEE.
. Eleger e destituir os membros do Conselho Fiscal da CCEE.
3.3.3.7 Governonça da CCEE . Deliberar sobre o orçamento da CCEE.
. Deliberar sobre alterações do Estatuto Social da CCEE.
conforme estabelecido na Convenção de Comercializaçáo, a ccEE é
constituída pela Assembleia Geral, pelo Conselho de Administração, pela
. Aprovar os termos da Convenção Arbitral.
Superintenclência e pelo Conselho Fiscal, conÍorme o olganograma cla institui- . Julgar recurso interposto contra decisão que decretar o desligamento cle
ção esquematizado na figura 3'8. um Agente da CCEE.
. Aprovar o relatório anual apresentado pelo auditor do processo de conta-
Conselho Íiscal bllização e liquidação financeira.
. Deliberar sobre a remuneração e os benefícios dos membros do Conselho
de Administração da CCEE.
. Deliberar sobre a remuneração e os benefícios dos membros do Conselho
Fiscal da CCEE.

FIGURA 3.8 Organograma Simpliflcado da CCEE


d

o 74 Mercodos e Regulaçõo do Energia Elétrica . ^.PÍTULo 3 a Fundomentos da Comercializaçõo de Energio Elétrico 75

Destaca-se que há agentes com participação obrigatória e outros com par-


oConselhoFiscalêumórgãocolegiadoconstituídoportrêsmembrosti-
cle dois anos e são eleitos pela ticipação facultativa na CCEE. As seguintes características tornam a presença
tulares e três suplentes. Eles po.-rrr"^ mandato
obrigatória na CCEE:
o Assembleia GeráI, permitida apenas uma recondução.
iiL^fir" os atos da administruçao du CCEE, verificando
Dentre outras atribuiÇões,
o cumprimento de seus . Os concessionários, permissionários ou autorizados de geração que possuarn
deveres legais e estatutários' central geradora com capacidade instalada igual ou superior a 50 MW.
. Os autorizados para importação ou exportação de energia elétrica com
3.3.3.2 Agentes do Mercddo intercâmbio igual ou superior a 50 MW.
de energia são . Os agentes de geração comprometidos com CCEAR e com Contrato de
Os agentes que participam do Processo de comercialização
associadoi da CCfg e classificados em categorias e classes, de acordo com suas Energia de Reserva - CER.

características. Essa classificação é apresentada a seguir: . Os concessionários, permissionários ou autorizados de serviços e instala-
I. Categoria de geração: classe dos agentes geradores de serviço público' ções de distribuição de energia elétrica, cujo volume comercializado seja
dos agentes piod,rto."t independentes e dos agentes autoprodutores' igual ou superior a 500 GWh/ano, referido ao Étno anterior.
II. Categoria de distribuição: classe dos agentes distribuidores' . Os concessionários, permissionários ou autorizados de serviços e instala-
e exPoÍ-
III. Categoria de comercialização: classe dos agentes importadores ções de distribuição de energia elétrica, cujo volume comercializado seja
dos agentes consumidores li- inferiora 500 GWh/ano, referido ao ano anterior, quando não adquirirem
tadores, dos agentes comercializadores,
vres e dos agentes consumidores especiais' a totalidade da energia de supridor com tariÍa regulada.
. Os autorizados de comercialização de energia elétrica, cujo volume comer-
A figura 3.9 apresenta a evolução do número de agentes da CCEE'
cializado seja igual ou superior a 500 GWh/ano, referido ao ano anterior.
1 600 " Os consumidores livres e os consumidores especiais.
'l 400

'l 200 3.3.3.3 Relacionamento com o Mercado


1 000
A CCEE tem como responsabilidade prestar todo o suporte necessário para
800 que cs agentes desempenhem adequadamente suas atividades no mercado, pos-
600 suindo uma área específica de atendimento, composta por diversos especialistas
400 e pi'1a Central de Atendimento CCEE, canal de ligação direta entre a Câmara e os
agentes, investidores e público em geral.
200 Todo o contato entre a Central de Atendimento e os agentes é registrado, o
U
2004 2005 2006 2007 2009 que permite um controle por parte do solicitante sobre seu questionamento e a
2000 2001 2002 2003
1 1 I 1 1 1 s€§, :'anÇâ no recebimento de uma resposta. Os agentes também podem solicitar
1

15 19 1 20 22 ?7 30
2
esclarecimentos e informações por meio do sistema de autoatendimento, dispo-
11 14 21 28
3 11
43 Àa 43
nibrl,:ado no site institucional da cCEE, e acompanhar o status de todos os seus
, Distribuidor 35 39 4 4
48 89 chamados por meio desse sistema.
c 18 3 35 4 44
15 4 65 83 88 .r:.o longo dos anos, a quantidade de chamados aumentou, em função do
Prod. 2
0 0 34 470 613 684 665
Consum. livre 0 0 crescimento de número de agentes e do maior número de atribuiçÕes assumi-
146 194 826 1 348
tr Total 5i 95 126
das ...ela empresa. Para manter a qualidade dos trabalhos, a CCEE implantou
FIGURA 3.9 Evolução do NÚmero de Agentes da CCEE'
7

o
76 Mercodos e do Energio Elétrico npÍtuLo 3 a Fundamentos da Comerciolização de Energia ELétrico 77

resposta a cada chama- Percebe-se um grande número de agentes treinados durante o ano de 2005.
métodos de gestão que permitem o controle do tempo de
do, contribtrlndopara ie avaliar pontos críticos que precisam ser aprimorados -al fato decorre da implantação do atual modelo do setor elétrico brasileiro ocor-
oela empresa. rida em 2004, o que fez com que a CCEE desenvolvesse um grande esforço de
Em adição aos trabalhos de atendimento ao mercado, a CCEE,
desde seus -.rpacitação durante o ano de 2005 para atender à demanda registrada à época.
pri_ãràior, planeja, desenvolve e executa ações para a capacitaçãocontínua
dos Com intuito de avaliar e aprimorar suas atividades, a CCEE iniciou em 2008
ãg""*r, instituições do setor elétrico, órgãos governamentais e público em geral. ,--squisas de satisfação junto aos agentes para identificar suas necessidades de
úsru fo.-a, várias ações de capacitação são oferecidas de acordo com as neces- aprimoramento e traçar estratégias de desenvolvimento de seus trabalhos. A
sidades identificadas para cada público, englobando treinamentos
de regras de , .squisa é realizada a partir de entrevistas com uma amostra de agentes escolhi-
do SCDE' da de forma a retratar o público externo da CCEE, e envolve questões relaciona-
comercialização de energia, operação do SCL (SINERCOM), operação
modelos Newave e DecJmp - utilizados no cálculo do Preço de Liquidação das ( :i à comunicação da empresa com oS agentes e o mercado, forma e conteúdo
crescimento do clas informações disponibilizadas pela organização, bem como cumplimento da
Diferenças, dentre outros. Assim como no caSo dos chamados, o
pela em- i .,isão e das obrigações regulatórias.
me..adá de energia induz uma maior procura pelos cursos oferecidos
presa, o que torna um desafio Permanente o desenvolvimento de treinamentos Outras iniciativas correlatas da CCEE são comunicados e Newsletters. Os
com qualidade aos agentes. c_.l-runicados Expedidos pelo Conselho de Administração, Superintendência e
Á figrrru 3.10 apresenta a evolução do número de chamados e de agentes Gerência de Atendimento ao Mercado, têm o intuito de inÍormar aos agentes
treinados pela CCEE (e MAE), desde 2002' s',rre atividades operacionais da CCEE, como Prazos que devem ser cumpridos
pelos agentes. Como exemplo de newsletter, temos a CCEE News, informativo
70 000
2 000 rr.crlsâl que traz notícias relevantes sobre o mercado de energia elétrica.

1 800
60 000
1 600
3.3.3.4 Sistemas Computacionais

400 ! A CCEE conta com sistemas computacionais específicos PaÍa desenvolver


a 50 000 o
o c
'a)
r,- : trabalhos: o Sistema de Coleta de Dados de Energia - SCDE, e o Sistema de

tr
200 Contabilização e Liquidação - SCL (também conhecido como SINERCOM).
E
õ 40 000 a
0)
000 C
o co o Sistema de Coleta de Dados de Energia - SCDE
fJ (? o)
(') (§
Io 30 000 ro
rÍ)
(Í)
(o
800 0) O SCDE tem a finalidade de coletar e tratar as in{ormações de medição dos
o
.fE o) agentes de geração e consumo para serem utilizadas no processo de contabiliza-
z
20 000 @
o
ôI {
O)
600 0)
E çi." cio Mercado de Curto Prazo. Dessa forma, os agentes que atuam no merca-
(o o
Í 400
z do de energia devem adequar seus sistemas de medição às exigências técnicas
to
(Y) cic,.nidas pela CCEE e pelo ONS e constantes do Procedimento de Rede nq 12
10 000 200
rí)
(g
- Medição para Faturamento.
o Atualmente, existem duas formas de coleta de dados empregadas pelo
@ 0
0
2002 2003 2oO4 2005 2006 2007 2008 2009 SCDE:
Chamados H Números de agentes treinados ' Coleta Passiva - coleta na qual o Agente instala a Unidade Central de
Evolução do Número de Chamados e Agentes Treinados na CCEE Coleta de Medição (UCM) para agregar os dados de todos seus medido-
FIGURA 3.'IO
res e enviá-los à CCEE. A figura 3.11 retrata de forma simplificada esse
tipo de coleta.
r

78 Mercodos e Regulação do Energio E!étrico 1npÍrulo 3 a Fundomentos da Comercializoção de Energia Elétrica 79

A interligação dos agentes ao sCDE ocorre de forma gradual, sendo cumpri-


das várias etapas até que o Proce§so esteja totalmente concluído, com os dados
de medição coletados pelo sistema sendo utilizados no processo de contabiliza-
CCEE
@ do Mercado de Curto Prazo.
"ão
â
SCDE
Medidores
w gistema de Contabilização e Liquidação - SCL
O SCL é o sistema computacional que realiza todos os cálculos previstos nas
@ .êgras de comercialização para a contabilização do Mercado de curto Ptazo.
Em linhas gerais, o sCL é alimentado com os dados de medição provenien-
ls do SCDE, com inÍormações dos contratos de compra e venda de energia, re-
Sêrvidor gistrados pelos agentes do mercado, e com o Preço de Liquidação das Diferenças
local pela CCEE,
.lt-O1. Com base nesses dados, e em outras informações fornecidas
ONS e ANEEL, o SCL processa a contabilizaçáo, obtendo o resultado contábil de
;da Agente participante do mercado de energia. Esses resultados são disponibi-
lizados através de relatórios mensais.
Todo acesso ao SCL por parte dos agentes, seja para cadastrar informações,
Canal para inspeção lógica seja para visualizar resultados, é realizado através do site da CCEE. Existe uma
Canal para coleta de dados
- .itrutura construída para manter a segurança das inJormações utilizadas pelo
FIGURA 3.1í SCDE Coleta -Passiva - Esquema Simplificado. SCL no processo de contabilização.

. Coleta Aüva - coleta em que cada medidor está conectado diretamente !.3.3.5 Aspectos finonceiros
à CCEE, sendo a aquisição de dados realizada diretamente pelo sistema
através de um canal de comunicação de alta velocidade e conÍiabilidade.
A CCEE é uma sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos.
A figura 3.12 rekata de forma simplificada esse tipo de coleta. ConÍorme previsto na legislação, seu patrimônio é derivado de contribuições
,:rensais dos agentes que atuam no processo de comercializaçáo de energia,
CCEE Agentê eventuais subvenções e doações, receitas resultantes de ressarcimento de custos
SCDE i lespesas, recebimento de emolumentos, aplicação dos recursos sociais, e bens
Medidor móveis e imóveis, títulos, valores e direitos Pertencentes.

e Para sua manutenção, a CCEE conta com orçamento anual cujo valor é de-
finido em Assembleia Geral, normalmente realizada no mês de novembro. Esse
Medidor .:çamento é dividido em doze parcelas mensais que são pagas mensalmente pe-
e los agentes. O valor da contribuição de cada Agente é determinado proporcio-
^rrilmente à quantidade de votos a que o Agente tem direito na Assembleia Geral.
Por sua !ez, os votos dos agentes dependem do número de agentes da CCEE
\parcela uniforme dos votos) e da quantidade de energia comercializada (parcela
variável dos votos). Assim, os agentes que comercializam maiores quantidades
tie energia serão responsáveis por maiores valoÍes de contribuição. A figura 3.13
Canal para coleta de dados e inspeção lógica apresenta a evolução do orçamento da CCEE.
-
FIGURA 3.12 SCDE Coleta Ativa - Esquema Simplificado.
Í

80 Mercados e Regulaçõo da Energio Elétrico ÍnpÍruro 3 . Fundamentos do ComercioLizoçõo de Energia Elétrico 81

180.000

160.000

140.000

120.000
: 112.2121
1{
E 100.000
ê
É
80.000
774 67.571
79
zd.s4s
ffi
I I.4t\-7
60.000
58 665 57.704
54346
40.000
40
20.000 FIGURA 3.14 Mercado de Curto Prazo.
7
10.427
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 20a7 2008 2009 A contabilização do Mercado de Curto Prazo tem como base os seguintes
- Corporativo *Projetos -+.Total pilares:

FIGURA 3.13 Evolução do orçamento da CCEE.


. Os montantes contratados pelos agentes e registrados no SCL.
. Os valores efetivamente produzidos ou consumidos, coletados pelo SCDE.
. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) utilizado para valorar os
3.3.3.6 Mercado de energio elétrico montantes liquidados no Mercado de Curto Prazo.
Os trabalhos da CCEE como operador do mercado de energia elétrica foram
Esses dados são processados pelo SCL e informados aos agentes através de
se diversificando com o tempo. Tendo iniciado com a tarefa de contabilizar o
relatórios mensais para posterior liquidação financeira. A figura 3.15 fornece, de
Mercado de Curto Prazo, a empresa ganhou novas competências com o passar
tt-rrma simplificada, uma visão geral desse processo de contabilização.
dos anos, tornando-se a principal responsável pela execução dos leilões de ener-
gia elétrica do ACR, por exemplo.
O Mercado de Curto Prazo é o mercado das di{erenças entre os valores con-
tratados pelos agentes (compra ou venda) e os efetivamente consumidos ou ge-
rados, conforme retratado na Íigr:lra3.1,4.

4 @
Resultados
(relatórios) @

são Geral da Contabilização do Mercado de Curto Prazo.


82 Mercodos e ReguLoçõo da Energio ELétrica '.,'rpÍruro J o Fundomentos do ComercioLizoçõo de Energio ELetrico 83

Na realização dos trabalhos de contabiltzaçáo, divulgação dos resultados e Função de Custo Futuro, que indica o valor esperado da água em funÇão do nível
I.: reservatório. Esse modelo é processado uma vez por mês durante o Programa
liquidação financeira do Mercado de Curto Ptazo, a CCEE conta com um conjun-
to cle Regras e Procedimentos de Comercialização. As Regras de Comercialização Mensal de Operação - PMO, realizado pelo ONS, definindo as diretrizes de ope-
são formadas por um conjunto de equações algébricas que regulamentam as ..ção do mês.
cliferentes relações entre as cliversas variáveis que impactam o processo de O Decomp é um modelo de programação de operação de curto prazo, com
comercialização. 1 rrizonte de dois meses, sendo o primeiro mês discretizado semanalmente, com
As regras constituem uma modelagem do mundo físico, buscando refletir vazóes previstas, e o segundo mês aberto em cenários de possíveis vazões, com
todos os pontos contidos na legislação de comercialização de energia elétrica. ', usinas representadas individualmente. O objetivo do Decomp é determinar
Como todo processo de modelagem, elas estão sujeitas a aproximações, sendo o despacho de geração das usinas hidráulicas e térmicas que minimiza o valor
objeto de constante aprimoramento Para se adequar o mais próximo possível ao ' .perado do custo de operação na primeira semana. Esse modelo é processado
mundo real. semanalmente, utilizando a Função de Custo Futuro gerada pelo Newave como
Já os Procedimentos de Comercialização são documentos que estabelecem t-,'nte de inÍormações do futuro do comportamento do sistema.
direitos e deveres dos agentes com a CCEE e vice-versa. Uma de suas principais A figura 3.16 apresenta, de forma esquemática e simplificada, o processo de
finalidades é estabelecer os prazos que devem ser cumpridos no Processo de ci.:Lerminação do PLD.
contabilização, como o relativo ao registro de contratos no SCL, ao envio de da-
dos de medição, a1ém do prazo que a CCEE conta Para contabilizar o meÍcado,
dentre outros. Dados do plane.iamento
de londo
Nos tópicos seguintes são detalhados os principais trabalhos realizados pela
CCEE.
5 Séries de afluência .-\ € Previsâo de carga
anos de londo prazo
3.3.3.6.1 Preço de Liquidação das DiferenÇas (PLD)
s
O PLD é o preço utilizado para valorar quantidades de energia liquidadas
as Função de custo
um pilares do processo de contabilização Íuturo
no Mercado de Curto Prazo, sendo dos
da CCEE. Seu valor é determinado semanalmente pela CCEE com base no Custc
Marginal de Operação (CMO) - quanto custa produzir o próximo MWh para o
Previsões mensais e
sistema. semanais de vazões ôv Dísponibilidade de
Como o setor elétrico brasileiro é predominantemente hidrelétrico, o ope- ê geração térmica
rador do sistema deve levar em conta a situação presente e cenários futuros de é.t
custo de operação
2 Previsões de carga
afluência para efetuar a operação - definir se utiliza a âgua armazenada nas usi-
fr i:i9S . Sem retricões inteÍnas
nas paÍa gerar energia elétrictu deplecionando os reservatórios, ou se produz aos submercados
. Preço mínimo
energia a partir das termelétricas, mantendo a água armazenada pala o futuro. . Preço máximo
O resultado dessa decisão determina o custo total da operação e o CMO. Ess;-
tomada de decisão é realizada a partir dos resultados obtidos pelo emprego dos r\
n
modelos computacionais Newave e Decomp.
O Newave é o modelo utilizado Para programação da operação no médio Fl'.luRA 3.16 Processo de Determinação do PLD.
prazo (atécinco anos), com discretização mensal e representação a sistemas equ|
valentes, considerando-se todas as usinas de um submercado agregadas em um
único reservatório. Em termos de determinação clo CMO/PLD, o Newave gera a
Mercodos e Reguloção do Enerqio Elétrico
rapÍTulo 3 o Fundomentos do Com de EIétrica 85
84

O Mercado de Curto Prazo é o ambiente no qual são liquidadas as diferen-


Além de semanal, o PLD pode apresentar valores diÍerenciados para cada
cas entre os valores contlatados e os efetivamente gerados/consumidos. Assim,
um dos quatro submercados que compõem o Sistema Interligado Nacional (SIN)
a maior parte das transações comerciais ocorre através de contratos de compra
- Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nolte e Nordeste, e Para os Patamares de carga. celebrados entÍe as partes interessadas. Esses contratos esta-
e venda de energia
O patamar de carga é deÍinido em relação à variação da carga do sistema ao negociadas entre as partes, contendo, dentre outras inÍor-
oelecem as condições
iongo das 24horas de um dia. Assim, em momentos de menor carga, quando o negociados, o preço da energia, critérios de reajuste, regras
mações, os volumes
consumo de energia se reduz (madrugadas, Por exemplo), tem-se o patamar de
para sazonalízação e modulação da energia contratada.
carga leve. Os momentos de maior carga são classificados como sendo patamal
Para que sejam considerados no Processo de contabilização da CCEE, os
de carga pesada. As demais horas do dia são classiÍicadas como patamar de car-
contratos devem ser registrados no SCL pelas partes. Para a CCEE, as informa-
ga médio. Também são estabelecidos, pela ANEEL, um valor máximo e um valor
ao seu trabalho são os volumes contratados, as partes relacio-
mínimo para o PLD. Dessa forma, caso o valor calculado seja inferior ou supeÍior "ões necessárias
nadas, o submercado de registro do contrato, a duração do contrato e como a
a esses limites, o PLD assumirá esses valores. A figura 3.17 apresenta a evolução
.lrergia é distribuída ao longo dos meses (sazonalização) e horas (modulação),
do valor mensal médio do PLD em cada submercado do SIN.
não sendo o preço da energia contratada variável de interesse pataacontabiliza-
,'lo do Mercado de Curto Prazo.
Existem diferentes tipos de contratos de energia elétrica, sendo que cada
r' ro apresenta particularidades na Íorma de contratação e nos processos de sazo-
nalizaçã,o e modulação da energia.

c
Contratos de Compra de Energia no Ambiente Livre (CCEALs)
= Os Contratos de Compra de Energia no Ambiente Livre, conhecidos como
@ 700,00
g. contratos bilaterais, são contratos firmados entre vendedores e compradores que
o 600,00
J
o-
L,"dârÍr no Ambiente de Comercialização Livre (ACL) - geÍadores de serviços
500,00 públicos, Produtores Independentes de Energia (PIEs), autoprodutores/ comer-
400,00 -,.ilizadores e consumidores livres e especiais.
Esses contratos são frutos de negociações realizadas entre as Partes, tendo
300,00
ú.iús montantes registrados no SCL. Atualmente, é possível que os agentes re-
ffiSE/CO 200,00 gistrem os contratos de forma ex-post, ou seja, após a ocorrência do consumo ou
il.i S
NE >E 100,00 6cração.
z; Os CCEALs são registrados, sazonalizados e modulados no SCL pela parte
N 0,00 -;cndedora, cabendo a parte compradora validar as informações, sendo que so-
mente os contratos validados são considerados no processo de contabilização da
LCEE.
FIGURA 3.í7 Evolução do PLD
Lontratos de Itaipu
São contratos firmados entre o Agente Comercializador de Energia de Itaipu
(ACEI) e as disfribuidoras que adquirem essa energia. Em função da usina de
3.3.3.6.2 Contratos de Energio
Itaipu ser binacional, a comercialização de sua eneÍgia é tratada em legislação
Outro pilar do processo de contabilização da CCEE é o registro dos montan- específica, gerando contratos que possuem regras particulares para sua sazona-
tes de compra e venda de energia contratados pelos agentes. l;,ação e modulação.
r

86 Mercados e ReguLoçõo da Energio Elétrico -aPÍTULo 3 Fundamentos do Comerciolizaçõo de Energio ELétrica 87

Contratos do PROINFA
O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (PROINFA) é
TUSD
um programa estabelecido pelo Ministério de Minas e Energia para promover o
desenvolvimento das chamadas fontes alternativas de energia elétrica - biomas-
sa, eólica e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).
Em termos de comercialização de energia, são estabelecidas cotas-partes da
energia do PROINFA para cada empresa de distribuição e cada consumidor livre ... ''. ^,} Distribuidora
e especial. O pagamento dessa energia é realizado através das Tarifas de Uso ACEPT
ONS
do Sistema de Transmissão ou Distribuição (TUST ou TUSD), con-forme o caso, TUST
sendo esses recursos destinados à Eletrobrás, que posteriormente realiza seu re-
passe aos proprietários dos empreendimentos.
A energia do PROINFA também é considerada no processo de contabiliza- Usinas do
Cons. livre 1

ção do Mercado de Curto Prazo, existindo regras específicas para sua sazonaliza- PROINFA
ção e modulação. Do lado dos vendedores, o PROINFA é representado na CCEE Cons. livre
pelo Agente Comercializac{or de Energia do PROINFA - ACEP, que tem regis-
trado em seu nome contratos de venda e as usinas do PROINFA. Assim, mensal-
mente são verificadas as quantidades produzidas pelas usinas do PROINFA e os
contratos de venda, sendo as diferenças liquidadas no Mercado de Curto Prazo.
Do lado dos compradores - Distribuidores e Consumidores Livres/Especiais, os
Legenda: rq @ .çelrralo @
montantes do PROINFA são adicionados aos demais contratos para serem con- Firura 3.18 Processo de Comercíalização de Energia do PROINFA.
siderados na contabilização da CCEE. A figura 3.L8 apresenta, de forma sucinta,
o processo de comercialízação da energia do PROINFA. C.dirtratos de Comercialização de Energia do Ambiente Regulado (CCEARs)
Os leilões de energia do ACR têm seus resultados consolidados através da
asrinatura de contratos específicos, denominados Contratos de Comercialtzaçáo
cle Energia do Ambiente Regulado - CCEARs. Esses contratos também dispõem
cle regras específicas para sua sazortalizaçáo e modulação.
Os leilões de energia do ACR preveem duas formas de contratação de ener-
gra, gerando dois tipos diferentes de CCEARs:
. Contratação por quantidade: contratação típica de energia proveniente de
usinas hidrelétricas. Nesse tipo de contrato, os riscos hidrológicos da ope-
ração energética são assumidos integralmente pelos geradores, cabendo
a eles todos os custos referentes ao fornecimento da energia contratada.
Ou seja, caso não ocorra entrega de energia, os custos de aquisição dessa
energia no Mercado de Curto Prazo são arcados pelos geradores. Em con-
trapartida, os riscos oriundos da diferença de preços entre submercados
são assumidos pelos agentes de distribuição, sendo os CCEARs registra-
dos nos submercados dos vendedores.

' Contratação por disponibilidade: tipo de contratação mais aderente às


usinas termelétricas. Nessa modalidade, o empreendedor é remunerado
88 Mercados e Regulaçõo da Energia Elétrica ,-rpÍrulo 3 ' Fundamentos da Comercializoçõo de Energia Elétrico 89

através do recebimento de uma receita fixa anual, suficiente paÍa que cons-
o (O
si o
trua a usina e a mantenha apta para produzir energia, e por uma parcela §E ó o o o o (o
o (o a ': o- @-
de receita variável originada de um eventual despacho do ONS que leve
ÉN
o= ó o o
(o
@ (o c!
@
@ n
o ot o N o
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a usina a produzir acima da inflexibilidade declarada. A inflexibilidade, o N s
declarada pelo empreendedor na ocasião do leilão, corresponde a um va- o
N o
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6_ e? ó\ od
o Fj u?
(o §
aO
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lor minimo de geração que a usina produzirá mensalmente, independente o
o
N
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o a q .+ @ N @
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do despacho do ONS. Assim, a receita mensal de um empreendedor que
N
ôi o., §
N «q N
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detenha CCEARs por disponibilidade pode ser resumida por: @ $ o


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Receita Mensal @ + N a o
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de ccEARs por = Receíta FixaAnuar/12 . |::."lli Yriáv-eltVlensal
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N o ôl d o N«q o N d
§ N §i N
O cáIculo da Receita Variável é responsabilidade da CCEE, que aplica o aa \
@ o
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o o- q
N
o
metodologia específica para realizá-la, levando em conta a variação de o
o o. ts o ôí o
o- @ o, @ o q
preços dos combustíveis utilizados pelas usinas termelétricas e o valor de
N o oç o ôi o rN ci
o
íi oN
geração verificada acima da inflexibilidade declarada pelo proprietário da o o
usina. Essa modalidade de contratação prevê que os consumidores assu- o o o rt
o
@ N
q
@
@
o o- o. o- ol o o o o
mam os riscos hidrológicos - ou seja, quando a usina não produz energia o
N o o o NN q N o o0q
@ N N
em Íunção do despacho do ONS, os distribuidores são responsáveis pelos N
ut
t-- co o ó_ tu
custos da compra da energia no Mercado de Curto Prazo. Cabe aos gera- $
o o o o o o g N o
o o- o" c>- o-
o o o o
N
\
o o a
@ o
dores o compromisso da manutenção da disponibilidade contratada no N o o o
F-
leilão, estando sujeitos a penalidades caso os índices de disponibilidade o- o
ô_ .t ó-
da usina sejam inferiores aos valores contratados. o o Õ o o ó
o
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O- o- o o_ *
o o c, o q ó ts N n
\ o

N
N N C
A figura 3.19 apresenta a evolução dos volumes contratados através dos o
o- O
diferentes tipos de contratos registrados na CCEE. Percebe-se o crescimento dos o o o o o (o D
@ @

CCEARs em defrimento de outros tipos de contratos, tais como os conkatos de


o
o o- o- q o o- ci o1 (o
o ':
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N o Õ o o o o
N o
leilões, referentes às contratações realizadas por intermédio dos leilões organi-
.u)
zados pelo MAE, e dos contratos iniciais, contratos estabelecidos na Lei ne9.648,
@-
N o
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o
o oo oo o N o o o
Õ É.
de 1998, e que se constituíram como instrumento de transição do antigo modelo o
N o o d o o o ôl

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centralizado, com carência de competição, para o modelo competitivo. E
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-.rrpÍTut-o 3 Fundomentos da Comerciolizoçõo de Energía Elétrica 91


90 Mercodos e ReguLoçõo da Energta Elétrico

(MCSD)
Mecanismo de Compensação de Sobras e Defícits
possibilidade de redução dos montantes con-
À iegislaçao braiileira prevê a
existentes a critério das empresas de clis-
tratados ã.r, tuito", de empràendimántos
de energia' A proposta do MSCD
;;il;n;", ;t" função de variações clo mercado
contratada, em
ã p*r'rUrità. uo, áirt.ibrridores que não necessitem dessa energia Perfil de sazonalização Sobras compensadas Nova quantidade contratual
que se en-
f""Ã de variações de mercado, ceder suas sobras para distribuidores
ainda haja sobras,
.o distribuidor cedente
antes do IV1CSD
respeitando o perÍ'il de
sazonalização após MCSD
após cessão das sobras
Ao final do processo, caso
.."i."." com deficit de contratação. o espÍrito da lei.
à.o.r" a devolução da energia aos geradores, mantendo-se
o Embora não seja um cÃtrato á" .o*pru e venda de energia,
o MCSD afeta os

o valores contratados dos CCEARs provenientes de leilões


dimentos existentes. Portanto, os resultados do MCSD
de energia de empreen-
interferem nos montantes
liquidados do Mercado de Curto Ptazo'
Atualmente, o MCSD é processado em diferentes modalidades' Perfil de sazonalização do Déficit compensado respeitando
distribuidor cessionário o perfil de sazonalização do
O MCSD Mensal
antes do MCSD agente cedente após
processamento do MCSD
NoMCSDMensalosdistribuidorespodemdeclararosseguintestiposdc
FIGURA 3.20 lnfluência do MCSD na Sazonalização de CCEARs.
sobras:
a)doexercício,pelosconsumidorespotencialmentelivres,daopçãode
(art' 29, inci - No ano seguinte, a sazonalização pode ser feita livremente, em comum acor-
compra de energia elétrica proveniente de outro fornecedor
o so I, do Decreto ns5-1,63/2004);
clo entre o Agente cessionário e os vendedores envolvidos.
Ir{ensalmente, sempre que houver declarações de sobras e defbits pelos
de contratos ar'
b) de acréscimo na aquisição de energia elétrica decorrente agentes de distribuição, exceto quando ocorrer o processamento de outras mo-
teriores a 16 cle *árço de 2004, daia de publicação da Lei nq 10.848/2004 dali.l161"r do MCSD, ocorrerá o processamento de um MCSD Mensal.
no DOU (art.29,inciso III, do Decreto ns5'L63/2004)'
MCID Trocas Livres
o A declaração de sobras provenientes da migração de consumidores
potet-
de clistribuição
O MCSD Trocas Livres, cuja periodicidade de aplicação é estabelecida em
cialmente livres para o ACL decorre do fato de que os agentes Pro. .:limento de Comercialização, é derivado de outros desvios de mercado dos
ao realizareiit
consideram todo o seu mercado cativo (total de consumidores) agentes de distribuição, não existindo limites para declaração de deficits. Quanto
o suas previsões de demanda para comPra em leilão. Uma parcela desse mercado
que podem adquirir energla
à de,.i.iração de sobras, a CCEE verifica se o Agente cedente possui o volume
é composta de consumidores potencialmente livres, declarado no montante contratado vigente.
contra-
elétrià de qualquer fornecedãr. Para minimizar a quantidade de sobras :-r;irlo flo MCSD Mensal, nessa modalidade do MCSD o cessionário deve
dos agentes oe
tuais advinâas áa migração desses consumidores, existe a oPção respeitar, no ano em vigência, o perfil de sazonalização da energia do Agente
o distribuição declararem essa sobra de energia no MCSD'
em energia e
cede,,,;. (ilustrado na figura 3.21).
As compensações e reduções do MCSD mensal são realizadas E importante destacar que, nessa modalidade de MCSD, eventuais sobras
até o
potência para todos o, -ur"r, a partir do mês de execução do mecanismo que n;.u forem ceclidas não podem ser objeto de redução de CCEAR com os agen-
res-
iinal da vlgoncia do contrato. Para o ano corrente ao da execução, deve-se tes vencledores.
na fig'rra
peitar o p"ifit a" sazonalização do Agente cedente, conforme ilustrado
3.20.Essamedidaénecessáriapuruqt'"nãohajaimpactonareceitadoAgente
a vendedor.
o
{

Mercados e Reguloçõo da Enerqia Elétrica ,'


92

MCSD4% ivlCSD de ItaiPu


A energia proveniente da usina de Itaipu é entregue por meio de cotas aos
Na cessão e/ou redução ocorrida nesta modalidade, a declaração de sobras
é motivada por variações de mercado implícitas à dinâmica do setor elétrico e agentes de distribuição dos submercados Sul e Sudeste e Centro-Oeste, na pÍo-
porção de seus mercados.
dos cenários que o influenciam, estando limitada a4% do montante originalmen-
Entretanto, em face de revisão da relação dos agentes de distribuição que
te contratado de CCEARs. Sua aplicação independe do prazo de vigência e início
de alterações no mercado de energia elétrica
de suprimento do CCEAR, bem como dos montantes já efetivamente reduzidos l."rticipam do rateio das cotas, ou
dos quotistas, há necessidade de ajustes periódicos nas cotas-partes vinculadas
por processamentos do MCSD nos anos anteriores.
;r-r.rela usina.
O processamento do MCSD 4% éprevisto pala ocorrer anualmente, antes de
declaração de compra feita pelos agentes de distribuiçáo para o lei1ão de energia
elétrica proveniente de empreendimentos existentes, procedimento necessáric
para que esses agentes possam adequar SuaS intenções de compra com os resui-
tados do mecanismo.
Os montantes de sobras devem ser declarados em valores percentuais e as
respectivas compensações e/ou reduções terão vigência a partir do início do ant
subsequente ao da declaração, conÍorme ilustra a figtra3.Z1,.
Assim como na modalidade mensal, as sobras que não forem objeto de ces
são são devolvidas aos geradores. Distribuidora 1 com reduÇáo da cota de ltaipu: Distribuidora 2 com aumento da cota de ltaipu:

Limite de Limite de
declaração de declaração de
Quantidâde anual de CCEAs um distribuidor
deflcrts de D1 no sobras de D2 no

Legenda: Compensação e/ou


redução em X+1 da
X_1, X-2...= qualquer
quantidade contratacl
ano de realização em X. íeita com basc
do leilão em 4% do valor
X=anode originalmente
processamento do contratado em X-1
e/ou X-2 e/ou...
MCSD 4%
X+1 = ano dê impacto
das cessões
realizadas em X

Ano X-1, X-2, X-3... Ano X Ano X+1


ão de sobras e deficits em decorrência dessa revisão
Quantidade anual Quantidade anual Quantidade anual
originalmente vigente no ano X,
do ano X+1, As compensações resultantes da aplicação do mecanismo, da mesma forma
contratada em leilão já considerando considerando o u idCSD 4%, têmvalidade a partir do ano seguinte ao de sua realização, sen-
participaçãoem processamento
MCSDs anteriores do tvlCSD 4%
que não há possibilidade de devolução de sobras
realizada no ano X
D Ex-post
FIGURA 3.21 Aplicação do Í\/CSD 4%.
principal objetivo do MCSD Ex-post é propiciar um mecanismo adicional
evitar que agentes de distribuição sejam penalizados em função de ausência
para cobertura de sua demanda. Por outro lado, o mecanismo também
í

94 Mercados e Reguloçõo do Energio Elétrica cAPÍruLo 3 a Fundamentos da Comercializaçõo de Energia ELétrica 95

possibilita, embora não garanta, que clistribuidores que tenham apresentado so- 5ú ponto e devem levá-la até seu local de consumo, também "pagando" as perdas
bras de energia ao longo do ano, liquidadas no Mercado de Curto Prazo, Possam oriundas da Rede Básica. Esse "pagamento" das perdas consolida-se com uma
recuperar eventuais perdas financeiras ocorridas nessas liquidações. redução dos valores individuais de geração e com a elevação dos valores indivi-
Em outras palavras, distribuidores com sobras de energia podem ter liquida- cluais de consumo, sendo o total de geração no Centro de Gravidade do sistema
do esses montantes a preços inÍeriores aos pagos pela energia contratada (PLD < igual ao consumo total nesse ponto. A figura 3.23 ilustra esse processo.
Preço do CCEAR), gerando uma perda financeira que pode ser ressarcida quando
da aplicação do MCSD Ex-post: esses distribuidores receberiam a diferença entre o
valor médio pago pela energia proveniente dos CCEARs e o PLD médio de liqui-
dação das sobras (Dif. = Preço médio dos CCEARs - PLD médio). Por outro lado,
os distribuidores que apresentaram deficit durante o ano, e "compraram" energia
Mêdição
do mercado de curto prazot receberiam essa energia e pagariam um Preço médio Medição ajustada
calculado com base no valor que todos distribuidores com sobra devem receber. de geração

a€
Medição tVêdição
Dessa forma, o processamento do MCSD Ex-post consiste em se identificar os aiustada de consumo
O
distribuidores que apresentatam sobras e deficits durante o ano civil e promoveÍ
â compensação entre esses montantes, com o respectivo acerto financeiro entre as
Centro de
partes, não se afetando os valores liquidados no passado. Sua aplicação ocorre an gravidade
tes do processamento do cálculo das penalidades dos agentes de distribuição. Os GeraÇão = consumo
valores contratados não são alterados pela aplicação do MCSD Ex-post.
Dados de medição são "levados" ao centro de gravidade
- aumento do consumo
3.3.3.6.3 Mediçõo de Energia - redução na geração

Os dados de medição de energia elétrica são informações fundamentais para


o processo de contabilização da CCEE, seja do ponto de vista da geração como do
consumo. Como visto, a CCEE conta com o SCDE para obter as informações de
medição necessárias pala a contabilização do Mercado de Curto Prazo. Todavie F'GURA 3.23 Tratamento das Perdas da Rede Básica.
essa coleta de dados é apenas o primeiro passo - as informações precisam ser
tratadas para a obtenção dos montantes liquidados no Mercado de Curto Prazc Para realizar o processo ilustrado na figura 3.24, são calculados os chamados
Tal processo é denominado tratamento contábil dos dados de medição. Íatores de perdas de geração e consumo, de forma que metade das perdas seja
De forma simplificada, o tratamento contábil dos dados de medição esta- ;;locada aos Agentes de Geração e a outra metade aos Agentes de Consumo. O
belece quais são os agentes lesponsáveis pelos dados coletados via SCDE (defi- fator de perdas de geração, portanto, resulta em um número inÍerior a unidade,
nição da propriedade do dado de medição), distribui as perdas das instalaçõe' s :ndo os dados de medição dos agentes multiplicados por esse fator, reduzindo

compartilhadas entre os usuários dessas redes, determina os montantes de per- os montantes individuais de geração. |á o fator de perdas de consumo resulta em
das de energia da Rede Básica de transmissão e determina os valores de mediçã ' ;. m número superior a um o qual é aplicado aos dados de medição de consumo,

no chamado Centro de Gravidade do sistema. elevando os valores individuais de consumo. São esses dados de medição no
O Centro de Gravidade do sistema é um ponto virtual no qual a geraçã ' ilentro de Gravidade, ou seja, com as perdas contempladas, que são utilizados
se iguala ao consumo. Em geral, é o ponto no qual se considera que a energia no processo de contabilização da CCEE.
é negociada. Assim, pode-se dizer que os agentes de geração devem entregaL:' A figura 3.24 apresenta a evolução dos dados de geração, consumo e perdas
sua energia nesse ponto,"pagando" as perdas oriundas do transporte via Rede antes da aplicação do rateio descrito. Aos dados de geração e consumo assim
Básica para chegar a esse ponto, e os agentes de consumo recebem a energia ne-' t.iscriminados, dá-se o nome de valores brutos de medição.
r

96 Mercados e Regulaçõo da Energio Elétrica .APÍTULo 3 a Fundamentos da Comerctolizaçõo de Elétrico 97

o @- N t.3.3.6.4 Mecanismo de Realocaçõo de Energia - MRE


$ o-
ç oN a
o Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) foi instituído a partir do
e N
o
Decreto no 2.655, de julho de 1998, que regulamentou a estrutura do Mercado
o. r- o
o N
N
O
6
6- r,tacadista de Energia Elétrica (MAE) dentro do processo de reestruturação do
a N o N
N o N setor elétrico brasileiro.
o N
o objetivo do MRE é minimizar o risco hidrológico relacionado com o des-
O.o- o pacho centralizado das usinas hidrelétricas pelo oNS, o que Íaz com que essas
@ N @ @
o a N N
N r o
O
N usinas não tenham controle sobre seu nível de geração, embora possam compro-
@ N
meter toda sua garantia física em contratos de venda. para sanar essa situação,
o- @- N
o instituiu-se o MRE, visando evitar que as usinas com geração comprometida, em
o a
o O
o o o f,-rr"rção de critérios de operação do sistema, sejam prejudicadas na sua comercia-
N o @
o
0 N lização de energia elétrica.
O. $- o
@-
A participação no MRE é obrigatória para todas as usinas hidrelétricas des-
@ @ o
O
O
o
N
@
ts o
o
pachadas centralizadamente pelo ONS e facultativa para as demais hidrelétricas.
N N @
N
z o MRE está calcado na redistribuição da geração verificada no sistema, ou
6- O. o a seja, há uma realocação do excesso de energia das usinas que geraram acima de
6 o @- o
O
o o @ ! s,'a garantia física para as usinas que geraram abaixo de sua garantia física. os
N N @ o
o o @
o
O N princípios seguidos são os seguintes:
o
0- o- cN ÍL se o total de energia produzida pelas usinas que participam clo MRE é
O
6 N
a € 6 0)
'
o
N
o
o
@ igual ao nível de garantia física do sistema, há uma rearocação de ener-
$ N c
gia que assegura que todas as usinas atinjam seu nível de garantia física,
a
=
n €
c!
C
o sendo que essa realocação ocorre primeiro dentro de cada submercado e
O
o §
€ N §
N
o posteriormente entre os submercados, conÍorme ilustrado na hglr.a 2.25.
N O Á
o N lo
o.
O. O, 6
«, ' se o total de energia produzida pelas usinas que participam do MRE é
N o menor que o nível de garantia física do sistema, ocorre um ajuste da ga-
a o
O N.
o (,
N o o o rantia física de todas as usinas em iguais proporções. Após esse processo,
o @
o N !
o ocorre a aplicação normal do MRE, similar ao retratado na figura 3.25.
O. N
rt N.
O o
o
@ N O
ô @ Ê ' se o total de energia produzida pelas usinas que participam do MRE é
N o O a maior que o nível de garantia física do sistema, o excedente positivo é
o o N
!
o denominado energia secundária e é distribuído entre todas as usinas que
N 6_ o- @ r(E
lé § N
o
@-
N
o^ participam do MRE, na proporção de suas garantias físicas. Também, pro-
:ê N f
õ§ N o
@
ó o cede-se inicialmente a realocação dentro de cada submercado e posterior-
D N
ul mente há cessão entre submercados, conforme ilustra a frgura3.26.
o
o o
o o o
o a o õ 6
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o o O o o o c!
o
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[so1p9ul 1,1yy]
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í
o
98 Mercados e Regulaçõo do Energia Elétricc CÂPÍruLo 3 Fundomentos do C de Elétrica 99

-
Usina 1 Usina 2
@ lJsina 3 ina 3
Usina 1 Usina 2 Usina3 Usina Submercado a
Usina 2 Submercado b
Submercado a Submercado b
Alocação dentro do mercado (prioritário)

(") (.

Usina 1 Usina 2 Usina3 Usina 3


Usina 1 Usina 2
@, Usina 3
Usina 3
Submercado a Submercado b
Submercado a Submercado b Usina
Alocação entre submercados Alocação dentro do submercado(prioritário) e entre submercados

(-)
t) í-)

(.) í-)
3 (.)
Usina 1 Usina 2 ÉH;íl Usina Usina 3 Usina Usina 2 Usina 3 Usina 3
,ffi
1
Submercado a Usina 2
Submercado b
2
-
Usina 1
*- apesar
*- apesar de ser referente à usina 2, essa parcela de de ser referente à usina do submercado A, essa
parcela de energia secundária permanece relacionada ao submercado B
cobertura física permanece relacionada ao submercado
(submercado da usina que as gerou)
da usina que o gerou

I Garantia física E Garantia física


E Geração 5 Geração
@ Geração a realocarirealocada t3 Geração para cobertura de garantia física
E Energia secundária
FIGURA 3.25 Alocação de Energia do ttIRE.
FIGURA 3.26 Alocação de Energia Secundária.

Na aplicação do MRE ocorre ressarcimento dos custos de geração da energia rea- A tarifa utilizada para valorar as transações realizadas no MRE é estabelecida
locada pala compensar os geÍadores que cedem energia ao sistema. Isso é realizado Pela a'ryEgt e denominada Tarifa de Energia de otimização (TEo), sendo aplica-
através das compensações financeiras pelo uso da água pol paÍte das hidrelétricas. Os da a.todas as usinas que participam do MRE
com exceção da usina de Itaipu que,
custos dessa energia realocada (de todos os geradores que cederam energia ao MRE) qesd' ianeiro
de 2010 apresenta uma TEo diferenciada. o resultado do MRE é
são totalizados e pagos por todos geradores que receberem energia do MRE.
100 Mercodos e Reguloçõo da Enerqía Elétrico (1PÍrulo 3 Fundomentos da Comerciolizocão de ELétrico 101

computado pela CCEE, sendo um dos itens que compõem a contabilização dos Redução média no periodo'. -A,21%
agentes de Geração no ambiente de comercialização de energia elétrica. 44

Mecanismo de Redução de Energia Assegurada - MRA 42


Desde julho de 2004, por determinação da ANEEL, a aplicação do MRE
40 000
é precedida de uma análise da performance das usinas no mês de operação. Õ
Basicamente, verifica-se qual foi a indisponibilidade da usina e comPara-se com .3 3a 000
um valor de referência estabelecido pela ANEEL. Caso a usina tenha permaneci- E

clo indisponível por um perÍodo superior ao previsto, sua garantia física será re- >Jo
=^^
duzídapara aplicação do MRE. A tal procedimento dá-se o nome de Mecanismo
34
de Redução de Energia Assegurada (MRA).
Inicialmente aplicado somente às usinas despachadas centralizadamente, o 32 000
MRA foi estendido às usinas não despachadas pelo ONS a partir da edição da
ResoluÇão ANEEL ne 266, de 2007, sendo responsabilidade do ONS a aPuração 30

dos parâmetros para cálculo do indicador de indisponibilidade real das usinas


despachadas centralizadamente, cabendo à CCEE a tarefa de apurar essas infor-
Garantia física antes do IVIRA .:Garantia física após o MRA
mações para as usinas não despachadas, com base em inÍormações fornecidas
pelo proprietários das usinas. O valor apurado é comparado com o dado de refe- I .gura3.27 lmpacto do MRA em Usinas Despachadas Centralizadamente.
rência da ANEEL. Matematicamente, o resultado indicará um número menor ou
igual a 1 que será aplicado ao valor da garantia física da usina' 2000
Pode-se entender o MRA como um mecanismo que penaliza as usinas que
não realizam um bom proglama de manutenção. A penalidade consiste na redu-
ção de energia que será recebida do MRE e que deverá ser adquirida no Mercado
1 800

de Curto Prazo, no qual se paga o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que
apresenta um valor superior ao da TEO. Para Íins de exemplo, a TEO praticada 1 600
o
durante todo o ano de 2010 ê de R$ 8,51 (oito reais e cinquenta e um centavos). Já .o
!.o
o PLD tem seu valor variando ao longo das semanas, poté1;;., seu valor mínimo ts
para 201,0 é de R$ 1,2,80 (doze reais e oitenta centavos), conÍorme estabelecido ; 1 400

pela ANEEL. =
As figuras 3.27 e 3.28 apresentam os resultados da aplicação do MRA 1 200

nos montantes de garantia física de usinas despachadas e não despachadas


centralizadamente pelo ONS. Percebe-se um maior impacto inicial do mecanismo, 1 000
com tendência de redução de seus efeitos com o passar do tempo. Isso pode ser
entendido como um processo de aprendizagem: visto que o MRA afeta os lesulta-
800
dos financeiros das usinas hidrelétricas participantes do MRE, há incentivo paÍao 2008 2009 Jan/10 Fev/10 ÀIar/10 Abr/10 Mai/10 Jun/10 Jul/10 Ago/10 SêU10 OuV10
aprimoramento das atividades de manutenção das usinas hidrelétricas, reduzindo Garantia física antes do MRA ::l Garantia física após o MRA
seus períodos de parada Íorçada e programada, contribuindo para minimizar a
redução dos montantes de garantia Íísica dos empreendimentos hidrelétricos. FlüuRA 3.28 lmpacto do ltilRA em usinas Não Despachadas centralizadamente.
o

LOz Mercados e da Energio Elétrict


C.. "íruLo 3 . Fundamentos do ComerciolizoÇão de Energio Elétrico 103

Ressalta-se que a Resolução ANEEL ne 409, cle 2010, implantou alterações na


Na aplicação do MRE ocorre ressarcimento dos custos de geração da ener-
participação do MRE de usinas não despachaclas centralizadamente pelo oNs
sendo a principal delas a substituição da aplicação do MRA por um sistema de
gi: realocadapara compensar os geradores que cedem energia ao sistema. Isso
acompanhamento da geração mensal da usina, que será excheída do MRE cas. é realizado através das compensações financeiras pelo uso da água por parte
d;-.,.hidrelétricas. Os custos dessa energia realocada (de todos os geradores que
sua geração média, em um período de 12 meses, seja inferior a um percentual
cle cederam energia ao MRE) são totalizados e pagos por todos os geradores que
sua garantia física estabelecido pela ANEEL, que depende do tempà de operaçã,
re.-,!:rerem energia do MRE.
da usina, conforme ilustrado na tabela 3.3.

TABELA 3.3 Percentual de Geração Mínima de usinas Não Despachadas em Função


do Tempo de Operação Comercial

Meses de Operação Comercial da % da Geração Média da Usina Submercado A


Usina Registrados na CCEE em Relação à sua Garantia Física Sistêma de transmissão
24<m<36 > 1A% com capacidade finita

36<m<48 >- 55o/o

48<m<60 >60%
60<m<72 FIGURA 3.29 Submercados lnterligados por Sistema de Transmissão.
> 65%
72<m<84 >70%
84<m<96 >75%
o despacho centralizado do oNS buscará o menor custo de operaçào para
o 96sm<120 > 80%
o sistema, ou seja, do ponto de vista energético, usinas com menores custos de
geração têm primazia de produção em detrimento de usinas mais caras. Assim,
m>- 120 > 85% pode ser menos oneroso produzir energia em um submercado e utilizar o sis-
ter: de transmissão para transportá-la a outro. Caso o limite de transmissão
A usina excluída do MRE poderáÍetornar quando os referidos limites forem não seja atingido, esse processo evita o despacho de usinas mais onerosas no
atendidos, seja em função de novo valor de geração média de energia elétrici: sub'-:rg1ç446 importador de energia, com consequente equilíbrio entre os pLDs,
seja em função de revisão de sua garantia física. Essa nova sistemática de avalia- conforme ilustrado na figura 3.30.
ção da perfonnance de usinas não despachadas participantes do MRE deverá se -
implementada a partir de janeiro de 2011. Fluxo de energia inÍerior à capacidade do
sistema de tramissáo: equilibrio de preço

3.3.3.6.5 Excedente Financeiro

A existência dos submercados, originados em função de restrições de trans-


Sistema de transmissão
missão que impõem limites de transferência de energia entre as regiões com capacidade finita
do país,
pode causar diferenças de preços no SIN.
Por exemplo, sejam os submercados A e B, ilustrados na figura 3.29, interri-
-
gados por um sistema de transmissão com capacidade finita, elue contam col-T
FlGl-;.?A 3.30 Submercados com Equilíbrio de preços.
diferentes recursos de geração hidráulica e térmica.
LO4 Mercados e Reguloçõo do Energio Elétrica :APiTUto 3 Fundamentos da de Elétrica 10s

Quando o limite do sistema de transmissão é atingido, e ainda há necessida-


de de suprimento no submercado importador, ocorre despacho de usinas mais í--Ç
onerosas nesse submercado. Nessa situação, há diferenças de PLDs entre os sub-
mercados, conÍorme ilustrado na figura 3.31.
t "-111 [_,I ffieJ*ReceitasubA=
GXPLDA
=G
EfHHi l:l.Ej*Despesasub
B= cxPLDB

Usina I Usina 1
Submercado A; PLDa + Submercado B; PLDB
Fluxo de energia igual à capacidade do
sistema de tramissão: desequilÍbrio de preço
Se PLDo> PLD" =+ ft66sit2",oo> Despesa"uoe+ Luóro (esposição positiva)
Se PLDo< PLD, =+ psçs;lrsubA< Despesas,oe+ prejuízo
(esposição nêgativa)
o
o
106 Mercados e do Energio Elétrica C/.;:'ÍTULo 3 a Fu ndo mentos d a Co m e rcio de ELétrico LO7

ções residuais dos geradores que participam do MRE são, então, rateadas entre tvto
eles, na proporção de suas Garantias Físicas mensais, para que nenhum fique retroativo
com exposição residual incompatível com seu porte. A figura 3.33 ilustra essas (sobra)
situações.

Sobra Meses m-12 m-í1 m-10 m-08 m-07 m-06 m-05 m-04 m-03 m-02jm-o'
Exposições Alíviq Exposições
positivas Excedente Sobra d_as
. exp-ostçoes negativas
financeiro oo mes anteríor do

Excedente
disponível
pata
-+ + de meses
anteriorês
Exposições Exposiçôes Exposições
Íinanceiro alívio ESS
negativas negativas negativas de meses
(surplus)
anteriores

Alocação do excedente financeiro em caso de suficiência de recursos para alívio das exposiçôes negativas FtuURA3.34 Alívio Retroativo de Exposições Negativas e ESS dos
12 meses anteriores
ao mês de apuração.

Ali..,io de Exposições Financeiras dos CCEARs


do
Exposições os leilões de energia erétrica do ACR apresentam como particurariclade
Excedente a
positivas ExposiçÕes corrlpra por parte dos distribuidores de todos os vendedor",
financeiro negativas qr" negociaram
-> disponível energia no certame. Dessa forma, distribuiclores podem.o-p.u,
de usi_
Excedente para na: l.ocalizadas em todos os submercados. Comoàs CCEARs "r,urgia
a financeiro
(surplus)
alívio
submercados dos vendedores, podem surgir situações similares
sao registrados nos
à ilustracia na fi-
gur::' 3.32, com a diferença de que a exposição purru
a ser do Agente de distribui-
Alocação do excedente financeiro em caso dê insuÍlciência de recursos para alívio das exposições negatívas
ção. ou seja, os distribuidores também terão Éxposições positías ou
Negativas.
FIGURA 3.33 Alocação do Excedente Financeiro. As Exposições Negativas de CCEARs também têm direito
a aríviã, cujos
recursos são oriundos das Exposições positivas
de cCEARs e de penalidaáes
apiicadas sobre insuficiência de contratação ou
Caso ainda haja sobra de excedente após o alívio dos ESS, essa sobra é usa- de lastro de energia. Caso esses
recursos sejam suficientes para cobrir as exposições
da para compensação das exposições negativas residuais e de ESS dos 12 meses negativas, tãdu,
posições do mês são eliminadas. Caso haja iobra "rru, "*_é
anteriores de forma sequencial, ordenados do mês m-12 (12e mês anterior ao mês de reúrsos, esse montante
rateado entre os distribuidores na proporçao
de apuração) ao mês r,r.-2 (2e mês anterior ao mês de apuração), finalizando conr a" seus CCEARs. No caso dos re_
curros não cobrirem o total de Exposições
pagamentos de ESS referentes ao mês m-L. Finalmente, ainda restando saldo po- Negativas dos CCEARs, o alívio será
efetuado proporcionalmente às exposições
sitivo, este deverá ser utilizado para formação de fundo de reserva para redução negativas dos agentes de distribui-
dos ESS de meses futuros. Esse processo é ilustrado na figura 3.34. ção, ocasionando exposições residúais, as quais são rateadaã
entre tais agentes,
na proporção de suas quantidades
contratadas em CCEARs. A figura 3.35 ilustra
essas situações.
108 Mercados e Reguloçõo do En ergia ELétrict:
Lo3 a Fundamentos do
de Elétrico 109

Recurso as restrições elétricas internas aos submercar


econômi-
rateado entre
distribuidores
co ctistinto do despacho físico do ols. asr*t'^?:1111',"* lu.:f:tno
ExposiÇões
p ro d u zi re m
"r,",
gi
.rorma
u de d
;'"T
i Jrt; ;; ;13,:if E&:'::;;"Í: J'il::
rerlças que não são capturadas pero processo de cálculo ao ãró,
negativas de que devem
CCEARs ser remuneradas através do pagamenio de Encargos " operação.
por Restrições de
outras sítuações grle podem gerar ESS po.
Alívio de exposições financeiras dos ccEARs em caso de
suficiência de recursos para alívio das exposições
negativas
iestriç0", a" ôp".ução são res-
triqões elétricas, controre de tensão no sistema
de-transmissã;, ;;;;-"-plo, que
inr'iuzem alterações no despacho previsro pero
oNS. pu* il;;;;; essa situação,
suponha-se que o despacho previsto pero oNS-det"r*i.,or-q.rJr'.urgu
ateirclida pela usina 1, mantendo-se a usina 1 seria
2 Íora de operação. Tocravia, uma
restrição erétrica causa arteração no despacho
Exposições previsto, rure.,áo com que a carga
negativas de 1 rcja suprida pela usina 2, Íícanclo u ,rir,
1 desligacla. Essa situação está
CCEARs
trada na Íigura 3.36. ilus-

Chave 1 Chave 2
Chave 1 Chave 2
Alivio de expÔsiÇÕes ínanceiÍas dos ccEARs em caso
de insuficiência de recursos para alívio das exposições
negativas
FIGURA 3.35 Alívio de Exposições Financeiras dos CCEARs.
Gerador l Gerador 1

Gerador 2
3.3.3.6.6 Encargos de Serviço de Sistema _ ESS
Gerador 2
{
o
110 Mercodos e do Energia Elétrict CnPirulo 3 a Fundomentos da Comerciolizoçõo de Energia Elétrico 111

c) Segurança Energética
Até dezembrc de 2007, o clespacho centralizado do ONS tinha como parâ-
nretro principal os resultados dos modelos Newave e Decomp, os quais estabe-
Montante com Montante com
direito a direito a
ressarcimento ressarcimento lecem os montantes produzidos pelas usinas obedecendo à ordem de mérito de
por ESS por ESS custo de geração, ou seja, do menor para o maior custo. Em dezembro de2007,
o Conselho Nacional de PolÍtica Energética - CNPE publicou a Resolução nq 8
Geração estabelecendo a possibilidade de o ONS despachar recursos energéticos fora da
rcalizada orclem de mérito econômico, ou seja, usinas de maior custo, Para manter a segu-
Geração rança de suPrimento do SIN.
Geraçâo
realizada prevista Essa Resolução também estabeleceu que os custos das usinas despachadas
Íora da ordem de mérito não devem influenciar na formação do PLD. Como o
PI D é calculado com base no Custo Marginal de Operação (CMO) das usinas
despachadas centralizadamente, seu valor não é suficiente para remunerar essas
Constrained-on
usirras com custo de geração superior. Assim, há necessidade de ressarcir os cus-
Constrained-of[
tos dessas usinas através da cobrança de um encargo específico - o Encargo por
FIGURA 3.37 Encargos por Constrained-off e Constrained-on.
Se3urança Energética.
A Resolução CNPE nq 8, de 2007, tambêm estabeleceu que os custos das usi-
b) Serviços Ancilares na', clespachadas por ultrapassagem da Curva de Aversão ao Risco (CAR) também
Serviços Ancilares englobam um coniunto de atividades desenvolvidas não devem inÍluenciar a formação do PLD, sendo seus custos também ressarcidos
por usinas para manter a integridade e a qualidade do SIN. São definidos pe'a atii r,és do pagamento de encargo - Encargo por Ultrapassagem da CAR.
ANEEL quais desses serviços têm c{ireito a ressarcimento via ESS, sendo que A CAR é um mecanismo de seguranÇa que estabelece o nível mínimo de ar-
atualmente são: mcLzÊl1âfir€Írto de água dos reservatórios das hidrelétricas necessário à produção
. Reserva de prontidão: usinas termelétricas podem ser solicitadas a per- de energia com segurança para o sistema. Ou seja, para assegurar o atendimento
plcrro clo mercado e a capacidade de recuperação dos reservatórios, os níveis de
manecerem aptas a entrar em operação rapidamente. Os custos do com-
bustível são passíveis de serem ressarcidos via ESS após autorização cla armazenamento de água dos reservatórios de cada região devem ser mantidos
seiiipre acima da CAR ao longo de dois anos.
ANEEL.
A figura 3.38 apresenta a evolução dos Encargos cle Serviço do Sistema des-
. Compensação síncrona: serviço que visa à manutenção da energia reati''a de.r início da operação do mercado de energia elétrica.
em níveis adequados às necessidades operacionais do sistema elétrico,
sendo que, quando da prestação desse serviço, a usina opera na modaii-
dade de compensador sÍncrono. Usinas autorizadas a prestar esse tipo de
serviço recebem a Tarifa de Serviços Ancilares para o volume de energia
reativa produzida ou consumida da rede.
. Usinas também recebem ESS para ressarcir custos nas seguintes situações:
' adequação da usina para prestação de serviços ancilares;
' manutenção do funcionamento do Controle Automático de Geração
- CAG;
' implantação, operação e manutenção de sistema especial de proteção;
' operação e manutenção de sistema de autorrestabelecimento (Black Start)-
Í-
o
o
ll2 Mercodos e Regulaçõo do Energia Elétrico C^PÍruLo 3 a Fundomentos da Com de Energio Elétrico 113

3.000
Cada Agente de consumo pagarâ uma parcera do ESS proporcional ao seu
consumo registrado na CCEE no Centro de Gravidade do sistema. A figura 3.39
Encargos no período (seU2000 a ouV2010)
2.500 ilustra de forma esquemática o processo de rateio dos Encargos de seiviço do
Serviços ancilares: 200 [R$ milhão] Sistema.
2.000
Restrição de operação: 3.037 [R$ mllhão]
o
r§ Segurança energética: 3.008 [RS milhão]
s .500
E
É. ( Íotal: 6.2448 [R$ milhão]
1.000

Recurso para
500
fúontagem pagamento de
de êncargo ESS (sobras de Rateio entre
a ser pago excedente agentes de
Jan á financeiro e consumo
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 110 penalidades)
Seouranca eneroética 0 0 0 0 0 0 22 2.304
Restricão de oDeracão 180 592 201 198 139 257 242 115 60 236 778
f? SeviÇos ancilaÍes o 0 0 o 7 10 31 27 ao JJ
ETotal 180 592 201 198 146 266 313 164 2.403 524 1.25t:

FIGURA 3.38 Evolução dos Encargos de Serviço do Sistema Recebidos pelas Usinas.

d) Pagamento dos Encargos de Serviço do Sistema FIGURA 3.39 Pagamento de Encargos por Serviço do Sistema.
A apuração dos Encargos por Restrição de Operação e por Compensação
Síncrona érealizada por submercado, sendo seus custos ressarcidos pelos agen-
tes de consumo de cada submercado. Já os encargos oriundos de outros serviços _ A tabela 3.4 apresenta a evolução do pagamento de Encargos de serviços de
sistema. Percebe-se que os agentes respondem pera maior purõu de
ancilares (reserva de prontidão, Black Start, etc.) e os encargos por segurança pagamento
desses encargos - 86,92% na média do períodó, sendo os valores
energética são considerados como benefícios para todo o sistema, sendo seus restantes pa-
gos através dos recursos oriundos do Excedente Financeiro
e do pagamento de
custos ressarcidos por todos os agentes de consumo do SIN. penalidades.
Ressalta-se que primeiramente tenta-se ressarcir os custos desses encargos
Já os encargos oriundos da ultrapassagem da cAR não contam com recur- O
através do emprego de eventuais sobras do Excedente Financeiro e de recursos sos Para seu pagamento, sendo rateados entre
todos os agentes que atuam no
provenientes das seguintes modalidades de penalidade possÍveis de serem apli- mercado de energia elétrica. Essa modalidade de geração"ocorreu
cadas pela CCEE: somente em
duas ocasiões, nos meses de janeiro e fevereiro aeloos,
conforme ilustrado na
' penalid.ades por insuficiência de contratação e insuficiência de lastro cle tabela 3.5. o
venda dos agentes, conforme estabelecido pelas Resoluções ANEEL ne
91/2003 e ns352/2003 - conhecidas como "penalidades antigas" (anterio-
res ao Decreto no5.163/2004);
. penaliclades por falta de combustíveI;

' penalidade por ausência de adequação do sistema de medição ao SCDE;

' multas aplicaclas aos agentes por não aporte de Garantias Financeiras.
1-- í
o
o
o LL4 Mercados e ReguLoçõo da Energio ELétrica CAPÍTULo 3 Fundomentos da de io ELétrica 115

IABELA 3.5 Evolução do Pagamento de Encargos por Ultrapassagem da CAR


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Mês/Ano a ser Pago de Geração Gonsumo
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Etr 1,38 49,600/o
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s fev/08 23,89 12,02 50,33% 11,87 49,67%
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o ú.
3.3.3.6.7 Contabilizoçõo dos CCEARs por Disponibiltdode
o
s s srO s s s s s s s Os CCEARs por clisponibilidade apresentam particularidades que devem
so so so s s s s (o s
o)
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() @ o O o F- o (o O) F. $ F.
s o- o- o- O. O. o- O. o o- (o- v- o)- *ü- s_ §-
rO- ser consideradas no processo de contabilização da CCEE. Em resumo, os efeitos
E
G O o o ry N o o o o cr) o o o o d o o O o ,.ia contabilização da CCEE desses contratos são de responsabilidade dos Agentes
o cle Distribuição, ou seja, dos compradores de energia. A metodologia aclotada
À
o pela CCEE no tratamento desses contratos foi a criação de um Agente virtual,
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o
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o oo- oo- F. cf) o o O o F- $ s
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ó clenominado Condomínio virtual, sujeito ao processo de contabilização, sendo
o- o- o- o CD.
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(o_ o_ C)- n" @_
o o O o o o o c) os resultados apurados rateados entre os Agentes de Distribuição. o Agente
= o o c! @
o (f)
C\
o @ Condomínio virtual possui as usinas que negociaram energia por CCEARs de
É. ú.
ciisponibilidade modeladas em seu nome, sendo registrados contratos de venda
entre cada uma dessas usinas e cada distribuidor que adquiriu energia nessa
o
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N sO) sro so s sN s.{- s so s s s@- modalidade, conforme ilustrado na figura 3.40.
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UJ F!'iURA 3.40 Representação do Condomínio Virtual na CCEE.
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o Condomínio virtual é um Agente como outro qualquer da GCEE. Dessa
((, §l C{ c{ (\ §t O,l ôt N §l ôl G o E (E E E" t-
IJJ .E forma, está sujeito à contabilizaçao ào Mercado de Curto iruro qu", como vis-
E =
t- to, constitui-se na comparação dos dados de contratos e de mediçao, sendo as
116 Mercodos e Reguloçãa da En o ELétrica CapÍruro 3 a Fundomentos da ComerciaLizaçõo de En o Elétrico L17

de me- 3.41 ilustra as situações descritas.


cliferenças apuradas liquicladas no Mercado cle Curto Prazo. Os daclos A figura
dição do Conclomínio Virtual correspondem à geração das usinas termelétricas
mocleladas em seu nome, sujeitas ao despacho do ONS. Dessa forma, conforme Condomínio Contratos CCEAR

a variação do CMO, essas usinas produzirão ou não energia impactando dire- viriual

tamente os resultaclos do Mercacio de Curto Prazo clo Condomínio Virtual' De


forma simpliÍicada têm-se as seguintes situações: Ia
1

. CMO > CVU clas usinas moclelaclas no condomínio virtual: as usinas pro- Contrato de ú
=.
c
duzem energia, recluzinclo as compras desse Agente no Mercado de Curto Vendedor ressarcimento 2 õ
o
Prazo. Aincla mais, clependendo do nÍvel de produção de energia e de o
a
contratação, o Conclomínio Virtual pode se tornar um vendedor de ener-
gia no Mercado de Curto Prazo.
. cMo < cvu das usinas modeladas no Condomínio virtual: nesse cenáIio
não ocorre geração das usinas modelaclas sob esse Agente, elevando suas .)uando a usina modelada sob o condomÍnio virtual não produz energia, o sistema gerâ um
Prazo. contrato automático de ressacimento.
compras no Mercado de Curto
Esse contrato evila que o condominio virtual tenha de comprar o montante previsto de geração
ilue não Íoi efetivada no mercado de curto prazo. preservando a saúde financeira dos
Além clo Mercaclo de Curto Prazo, o Condomínio Virtual absoÍve os de- distribuidores.
Assim, essa possibilidade de compra no mercado de curto prazo é transferída para o agente.
mais efeitos cla contabilização da CCEE. Assim, quando as usinas modeladas em
nome do Condomínio Virtual têm direito a recebimento de ESS, por qualquer
razão (restrição de operações, serviços ancilares, segurança energética), esses va- Condomínio Contratos CCEAR
virtual
lores serão contabilizados nos direitos de recebimento do Agente Condomínio
virtual. O único item do processo de contabilização que não é absorvido pelo 1

Condomínio Virtual corresponde à penalização por insuficiência de lastro de o


6'
venda, que é cle responsabilidade direta do proprietário da usina' Contrato de
Contrato
parã equacionar esse último ponto, toda vez que uma usina modelada sob 2 o
compra o
o Condomínio virtual não produz energia conÍorme o programado pelo oNS, o
a
o sistema computacional da CCEE gela um contrato automático entre a usina
que deixou cle produzir energia elétrica e o Condomínio Virtual. Dessa forma, o
ôonclomínio Viitual não compra ou reduz o montante de compra no Mercado de
CttrtoPrazo,visto que eSSe contrato é considerado como um IecuISo na contabili- Para evitar a compra no mercado de curto prazo, e uma eventual penalidade, o vendedor deve
zação d.o Mercado de Curto Prazo, substituindo a geração programada, mas não reqislrar no SCL um contrato de compra. Há restrições quanto à origem de energia desse contrato
realizada.Por sua vez, há duas consequências PaÍa o Agente proprietário da usina: de compra, restrições que dependem do leilão que originou os CCEARS.

. O Agente estará sujeito à contabilização do Mercado de Curto Ptazo, de-


Tratamento da Indisponibilidade das Usinas Termelétricas com CCEARs
por Disponibilidade.
,"..1o apresentar um contrato de compra para atender a esse contrato de
venda gerado automaticamente pelo sistema.
. Todos os resultados da contabilização do Condomínio Virtual, sejam cré-
O Agente está sujeito à penaliclade por insuficiência de lastro de venda,
clitos ou deficits, são rateaclos entre os Agentes de Distribuição que compraram
caso não registre o contrato de compra necessário pala atender ao contra-
no leilão que originou os CCEARs. O rateio dos valores é realizado na
to de compra gerado automaticamente pelo sistema.
porção dos CCEARs cle cada Distribuidor. Destaca-se que para cada leilão
o I

o
o
o 118 Mercados e Regulaçõo do Energia ELétrtco CnpÍruro 3 a Fundomentos do Comercializoçõo de a Elétrico 119
o
em que há negociação que envolve contratos por disponibilidacle é criado um Rede de distribuiÇão
o Condomínio Virtual para tratar a energia negociada no certame'
'fictal
de garantia
ou transmissão

fÍsica das usinas


do agente ou
j.3.3.6.8 Energio lncentivado
Contratos de compra MBU
de energia
convencional lnjeção
O Com intuito de promover o desenvolvimento de fontes alternativas no Pro- nas redes de
o cesso de produção de energia elétrica, a legislação brasileira criou incentivos
para estimular empreendedores e consumidores a investirem nesse Segmento do
transmissão
ou distribuição
superior a 30 MW
mercado de energia.
Nesse sentido, importante marco legal é a Lei nq 9.427, de 26 de dezembro
de 7996, que estabelece o direito a percentual de redução não inÍerior a 50% (cin- I
quenta pár cento) a ser aplicado às tarifas de uso dos sistemas elétricos de trans- Será atribuÍdo desconto zero à usina

missão (TUST) e de distribuição (TUSD), incidindo na produção e no consumo FIGURA 3.42 situações de perda do desconto de usinas incentivadas.
da energia comercializada, aos empleendimentos identificados como produtores
de energia incentivada. São caracterizados como beneficiários desse desconto o desconto que o gerador repassará ao seu comprador poderá ser propor-
o caracterizados como Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), cionalmente inferior ao contratado, caso ele tenha o valor das vendas superior ao
"-pr"".,di.nentos
empreendimentos hidrelétricos com potência igual ou inferior a 1_MW, e aqueles seu lastro ou se ele comprar energia de outro gerador incentivado que venha a
com base em fonte solar, eÓlica e biomassa, cuja potência injetada nos sistemas
o de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a 30 MW'
fornecer um desconto inferior ao contratado.
os consumidores especiais devem comprar energia somente de geradores
a O direito estabelecido na Lei ns 9.427 / 96 foi regulamentado pela Resolução incentivados, sendo seu desconto proporcional às suas compras. se comprar
Normativa ANEEL ne77 f 04, que estabelece os cÍitéIios que disciplinam a redu- energia somente de um gerador incentivado que possua s0% de desconto, seu
ção da TUSD e TUST para esses empreendimentos' desconto também será de 50%. se comprar energia somente de um gerador in-
Em complementação, a Resolução Normativa ANEEL ne 247 /06 estabelece centivado que possua 100% de desconto, seu desconto também será de 100%.
se
as condições paÍa a comercialização de energia elétrica com unidade, ou coniun- comprar energia de geradores incentivados que possuam 50 e 100% de desconto,
to de unidades consumidoras, cuia carga seja maior ou igual a 500 kW, no âmbito seu desconto será um valor entre 50 e 100%, pois dependerá das proporções
de
do SIN. energia comprada com cada percentual de desconto. o desconto do consumidor
As usinas incentivadas possuem desconto na TUSD/TUST de 50% ou 100%, especial será proporcionalmente reduzido se ele realizar um consumo
maior que
sendo que o Agente gerador, proprietário dessas usinas, perderá totalmente o
o desconà caso complemente Sua venda com um montante de energia conven'
os seus contratos, ou se o gerador repassar um desconto inÍerior
entre as partes.
ao contratado

o cional super ior a q9% da sua gararúia física ou ultrapasse o limite permitido
distribuição, conÍorme
de
ilustra"
injeção dà potência nos sistemas de transmissão e Matriz de Descontos
dá na figuia 3.42. Dessa Íoruna, o desconto que a distribuidora ou transmissora Em virtude da inexistência de restrições nas intermediações para comercia-
efetuará ao gerador serâ50%o,100% ou zero. lização de energia incentivada, foi necessária a
utilização de soluiao matemática
o matricial para representar as partes envolvidas e para apuraçãodos
aos quais os agentes têm direito, conforme
descontos
ilustrado na figura 3.43.

o
V'

O
L22 Mercados e ReguLoçõ o da Energio Elétrico ,- píTULo 3 o Fundomentos do Comerciolizoção de Energia Elétrtco L23

. linha
,,i,, não for um Agente de geração, seu valor será a) Penalidade por Insuficiência de Lastro de Venda de Energia
Se o elemento da
O Decreto ns 5.1,63/04 estabelece que os agentes vendedores devem apre-
igual a zeto;
sentar lastro de 100% para a venda de energia, estando sujeitos a penalidades
. se o elemento da linha "1" Íor um Agente de geração,
o valor do,elemento
o'rando houver descumprimento desse requisito. Esse lastro é composto pela
ajustado de todas as usi-
será igual ao valor correspondente ao desconto garantia física das unidades geradoras, moclelaclas em nome clo Agente, acres-
da determi-
.,us dã Agente de geraçaó. A figura 3'45 ilustra um exemplo ci,lo de eventuais contratos de compra de energia. Destaca-se que o lastro dos
nação do Vetor Disponibilidade de Desconto (B)' Geraclores Incentivados deve estar associado à energia proveniente de usinas
crralcterizadas para o mercado de energia incentivada.
Exemplo de Montagem do vetor de disponibilidade de desconto Mensalmente, a CCEE apura a insuficiência de lastro para venda de energia,
c^,n base na média das exposições dos 12 meses precedentes ao mês de referên-
GF = A(50%)
cia. Se nesse período deL2 meses for apurada insuficiência de lastro de venda,
o Agente estará sujeito a penalidade equivalente a um cloze avos do montante
CCEI = 4
apurado de ausência de lastro multiplicado pelo maior valor entre o PLD médio
Gr = Gerador I [0, = cr (A)- desc (50'À
dr mês e o Valor de Referência (VR), determinado com base no estabelecido pelo
Decreto ne5.L63/04. Afigura3.46 ilustra o processo de cálculo de penalidade por
CCEI = [-!:=consumidor ) l3.=o ) ir: ,rficiência de lastro de venda de energia.

CCEI = 4
80 110100120100 B0 110 B0 90 110 90 110 1:0 MWh/mês

Contrato de venda =
GFIS + MWh/mês
Carga = 10 contratos de
F|GURA3.45ExemplodemontagemdoVetorDisponibilidadedeDesconto. compra

mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai
OcáIculodoVetordeDescontosFinais(VetorD),queforneceovalorefe- 2009 2010
tivo de desconto de cada Agente que participa do processo de comercialização lvlês de referência: maio de 2010 (Apuração Mensal)
de energia incentivada, e oblido atiavéi do produto da
matriz inversa da matriz /Período usado para apuração será mai/09 -abr/10
de
de desõnto de energia incentivada (Matriz A) pelo vetor Disponibilidade r' GFIS + Contrato de Compra: 1 180 MWh
Desconto (Vetor B), conÍorme a equação seguinte' / Total de Contratos de Venda: 1 200 Í\,,lwh
/ NÍvel de lnsuficiência de Lastro: 1 200-1 180 = 20Mwh
D = A{*B / ltrlaior valor entre VR (Valor
de Referência) e média dosPLDs =R$ltMWh145,41
r' Penalidade = 2O I 12 " 145,41 (VR) = pg 24r,a,

3.3.3.6.9 Penolidades
FIGURA 3.46 Apuração de Penalidade por Insuficiência de Lastro para Venda de Energia
EléirrCa.

osagentesqueatuamnoPÍocessodecomercia|izaçáodeenergiaelétrica
práticas e ati
estão sujeitos a uma série de penalidades, cujo objetivo é restringir b) I'enalidade por Insuficiência de Cobertura de Consumo
do mercado de energia elétrica'
tudes juigadas contrárias ao úom funcionamento O Decreto nq 5.163/} estabelece que os agentes de consumo devem apresen-
atuais responsabilidades da CCEE'
A apuração dessas penalidades é uma das tar iastro de 100% para seu consumo verificado, estando sujeitos a penalidades
querc{o houver descumprimento desse requisito. O consumo deve ser lastreado
através de contratos de compra de energia elétrica ou por garantia física de em-
L24 Mercodos e Regulaçõo da Energia Elétri«. C..oÍruLo J o Fundomentos da ComercialÍzoção de Energio Elétrico L25

preendimentos próprios de geração, sendo que os consumidores especiais de- Ressalta-se que o procedimento de cálculo de penalidade por insuficiência
vem lastrear seu consumo através de energia proveniente de usinas classificadar do cobertura de consumo para distribuidores é semelhante ao processo ilustrado
como provedoras de energia especial. naÍigura3.47, corr. a ressalva que o cálculo é realizado somente na contabiliza-
A insuficiência de contratação de energia elétrica de consumidores livres r: ção do mês de janeiro de cada ano, tendo como base o ano civil anterior
especiais é apurada e notificada mensalmente, com base na média das exposições
dos 12 meses precedentes ao mês de apuração. Para os Agentes de Distribuiçãc Penalidade por Insuficiência de Potência
o cálculo da penalidade é feito uma única vez no ano, considerando o ano civil AIém da exigência de lastro de energia, para os vendedores, e de cobertura
anterior, sempre na contabilização de janeiro.
A penalidade de consumidores livres e especiais, apurada mensalmente
pela CCEE, tem como base a média das exposições dos 12 meses precedente.
ao mês de referência. Se nesse período de 12 meses for apurada uma insuficiên-
cia de lastro de consumo, o Agente estará sujeito a uma penalidade equivalent ,
a um doze avos do montante apurado de ausência de lastro multiplicado pelo
maior valor entre o PLD médio e o Valor de Referência (VR), determinado cor'.
base no estabelecido pelo Decreto ns5.163/04. A figura 3.47 llusúa o processo de
cálculo de penalidade por insuficiência de lastro de consumo de energia.
Após a apuração individual, os Consumidores Livres e Consumidores
Especiais terão a insuficiência de contratação de energia eIétrica consolidada ci.
forma global, ou seja, eventuais sobras de um determinado perfil de consumo Com o objetivo de possibilitar aos agentes com dficits de lastro de potência
poderão ser utilizadas como cobertura do consumo de outros perfis deficitários a itdução, ou mesmo eliminação, de sua penalidade, foi estabelecido um meca-
do mesmo Agente, respeitados os pré-requisitos de contratação de cada perfil.

Contrato ='100 túWh/mês 120


110
roN roo 100
80

ago set out nov dez jan Íev mar abr mai jun jul ago rrotência, após o período de negociação, é notificado pela CCEE e estará su-
2009 2009 2010 2010 a uma penalidade valorada pelo produto da insuficiência de potência por
r Mês de referência:agosto de 2010 (Apuração Mensal) preço de penalização, chamado de Preço de Referência paÍa Pagamento da
/ Período usado para apuração será agostoiO9 a julho/1 0 por Insuficiência de Lastro de Potência
/ Total Consumido: 1 220lt/Wh Esse preço é calculado com base no preço determinado pela ANEEL na
/ Total de Contratos de Gompra: 1 200 MWh
/ Nível de lnsuficiência de Cobertura do Consumo: 1 220 - 1200 = 20 [/Wh Normativa no1.68/06, atualizado pelo IPCA, e corrigido por um Íator
/ Í\4aior valor entre VR (Valor de Referência) e média dos PLDs= R$ 145,41l MWh ajuste, obtido em função da folga de potência que o sistema apresenta: se hou-
/ Penalidade = l2o-145,41)112 = RS 242,35 maior folga, o fator de ajuste será unitário e o preço se preserva; conÍorme a
FIGURA 3.47 Apuração de Penalidade por lnsuficiência de Cobertura de Consumo ''e :-a diminui, o fator de ajuste é incrementado elevando o preço a ser pago pela
Energia Elétrica. A figura 3.48 ilustra os processos descritos
o--
o
í
O
o L26 Mercodos e Regulaçõo do Enerqio Elétricc r .,pÍTULo J o Fundomentos da Comercioltzoçõo de Energia ELétrico L27
O
o d) Penalidade por falta de combustível
o Os proprietários de usinas termelétricas estão sujeitos a penalidade pela in-
disponibilidade de suas usinas originada por falta de combustível. A penalidade
a l'Ãte"te fl
234567n
lAfite i-l
234567n
í ^alculada mensalmente com base na energia não gerada pela falta do combustí-
o ,-,L
vel, conforme informado pelo ONS, sendo precificada de acordo com a seguinte
o tÃs*drl 56 Er""t"?
r^,'rtodologia:
.
o E Superâvit
polencra
oe E Superéút
de potencra
No primeiro mês em que se verificar a energia não gerada pela falta de
combustível, o valor da penalidade corresponderá ao PLD médio mensal
O 4567n
llnsúEiencia
de polência I Insuíicisciá
de potência
acrescido de25% da diferença entre o PLD máximo e o PLD médio.
o Fs""tA.
1- OeterminâÉo do supeÍávit e déficit de potência de potência entre agentes . Para as demais verificações, o acréscimo ao PLD médio será de 50o/o para
a segunda vez,75o/o para a terceira vez e finalmente 100%, para as demais
verificações, sendo necessário um período de 12 meses sem ocorrência de
o ..: i.i :,{- nova penalidade para que o preço volte a ser calculado com a regra do
o lAsente-il.
primeiro mês.
o M\ /, PÍêço de referência
(R$/MW= penalidade
e) Penalidadepor medição
i,!
,oente 2
Os agentes da CCEE estão sujeitos ao pagamento de penalidades por não
o .:------------l M\M Prêço de íeferência
adequação de seu sistema de medição às exigências do SCDE, contemplando:

o 67n
(R§/lr/!W = penalidade

'i["fitn",l"'
. Não instalação ou falta de adequação do sistema de medição.

o 3 - Cálculo das penalidades por insuficiência de potência


. lnfração na inspeção lógica.

' Ausência de coleta de dados de medição para o processo de contabilização.

o % folga de potênciâ em relaçáo à potência totâl do sistema

f) iontestação de penalidades
o Eventuais penalidades apuradas pela CCEE são notificadas aos agentes
qr:..: têm direito de apresentar contestação que será avaliada pelo Conselho de
Administração da CCEE. As penalidades cujas contestações são indeferidas pelo
o t1 T % Folga de
potência
Fator
C- ,,-i são efetivamente cobradas dos agentes responsáveis. Os prazos para envio e
o < lOo/o 4 análise das contestações são estabelecidas em Procedimento de Comercialização

o meses
lQTo -<25o/o

25% - <40
J

2
esr,tcífico.

o E sistema f] Maior carga verificada


240Yo
g) ,vrulta por não aporte de garantias financeiras

o
Potência totat do
Para reduzir os riscos inerentes ao processo de comercialização de energia
4- Cálculo do fator de aiuste do preço da penalidade de potência eléiiica no Mercado de Curto Prazo, os agentes da CCEE estão condicionados a
o FIGURA 3.48 Processo de Apuração de Penalidade por lnsuficiência Potência aPortar garantias financeiras calculadas a partir de uma metodologia específica,
O e que leva em conta o eventual risco que o Agente possa trazer ao mercado. Em

o caso de não aporte de garantia financeira, o Agente está sujeito a multa de 5%


(cinco por cento) em relação ao montante não aportado. Diferente das penali-
o
a
L28 Mercados e Reguloçõo do Energia Elétrica i i\.'ÍTULo 3 ' Fundamentos da de Energia Elétrica L29

dades, as multas por não apolte de garantias financeiras não são passíveis de
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processo de contestação pelos agentes da CCEE. N @
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Os recursos oriundos do pagamento das penalidades são alocados para !
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por não aporte de garantias financeiras são destinados ao pagamento de s=


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lizaçáo de energia elétrica. Conforme visto neste documento, a contabilização da o 6 G o gúEE€ E
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CCEE extrapola o Mercado de Curto Ptazo, sendo constituída por outros itens, E
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a) Resultados Finais dos Agentes de Geração É.


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A contabilização final de um Agente de geração é constituída pela soma o
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Resultado do Mercado de Curto Prazo: retrata o valor financeilo dos mon- É. d. É.
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tantes de energia liquidados no Mercado de Curto Prazo, podendo ser ul - a:
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valor positivo ou negativo, resultado que depende da combinação entre a ã= cN o
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posição do Agente em cada semana - sobra oa deficit de energia, e o val'."' UJ t1J IIJ (r^

do PLD, que pode variar nos diferentes patamares de carga, semanas e o o_ o p


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submercados. Isso significa que um Agente pode estar 100% contratacl:-i o>
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130 Mercados e Reguloçõo da Energio Etétrico lnpÍrulo J o Fundomentos da Comercialboçõo de Energia Elétrtco 131

. pro- . Resultado do Mercado de Curto Prazo: semelhante aos Agentes de Geração,


Acerto do MRE: demonstra os valores apagar ou receber dos agentes
que participam desse mecanismo, refle- valor financeiro dos montantes de energia liquidados
esse tópico retrata o
prietários de usinas hiclráulicas
iindo cessões e recebimentos ocorridos ao longo do mês contabilizado. no Mercado de Curto Prazo, podendo ser um vaior positivo ou negativo,
resultado que depende da combinação entre a posição do Agente em cada
. Ajuste do Excedente Financeiro: demonstra os valores a pagar ou
receber
semana e patamar de carga (sobra ou deficit) e da variação clo PLD ao longo
em função do alívio de exposições negativas dos agentes'
dos períodos e submercados - ver exemplo da Íígura3.48.
. Recebimento de ESS: demonstra o valor a receber pelos agentes que
pos-
. Alívio de Exposição dos CCEARs: demonstra os valores a pagar ou rece-
suemusinasqueprestaramserviçosaosistema-englobamosEncargor ber em função do alívio de exposições negativas dos CCEARs.
por Restrição de Operação, Serviços Ancilares, Segurança Energética e

Ultrapassagem da CAR.
. Pagamento de ESS: demonstra o valor a pagar pelos agentes em função
dos encargos apurados no mês - englobam os Encargos por Restrição de
. Pagamento por Geração do Agente Vendedor de CCEAR por Disponibilidade Operação, Serviços Ancilares e Segurança Energética.
abli*o do àespacho do ONS: as usinas térmicas comprometidas conl .
CCEAR por diiponibilidade que não produzirem o montante equivalente Pagamento do Agente Distribuidor por Geração realizada abaixo do des-
ao despacho prwisto pelo ONS devem ressarcir o Condomínio Virtual poi
pacho do ONS: corresponde ao pagamento que deve ser realizado pelos
meio de um contrato automáüco de ressarcimento. Dessa forma, os agentes Distribuidores quando as usinas por disponibilidade geÍarem abaixo do
proprietários das usinas térmicas assumem as exposições no Mercado de despacho do ONS.
turto Prazo ocasionadas pelo referido contrato. No entanto, para manter o . Pagamento de Encargos por Ultrapassagem da CAR: corresponde ao va-
correto equilíbrio do arranjo concebido pelo CCEAR por Disponibilidade,
os
lor que o Agente deve pagar em função de encargo oriundo de despacho
geradores- recebem uma contrapartida financeira, paga pelas Distribuidora", de usina atrelado à ultrapassagem da CAR.
ãomplementando a remuneração que the é devida, não incorporada na
parcela variável, representada pelo produto da geração não realizada pelo ' Penalidades: reflete o valor de penalidades efetivamente pagas pelos
agentes de consumo.
seu Custo Variável.
. Pagamento de Encargos por ultrapassagem da CAR: corresponde ao r
.- " Acertos do MCSD Ex-post: corresponde ao acerto financeiro dos distri-
de encargo oriundo de despacho buidores que participam do MCSD Ex-post, sendo que a apiicação desse
tor"qre o Agente deve pigar em função
mecanismo somente ocorre na contabilização de janeiro de cada ano.
de usina atrelado à ulkapassagem da CAR'
. penalidades: reflete o valor de penalidades efetivamente pagas pelos ' Efeitos da contratação dos CCEARs por disponibilidade: representa a par-
cela dos resultados da contabilização do condomÍnio virtual de responsa-
agentes de geração.
bilidade do Agente.
. Ressarcimento aos CCEARs por Disponibilidade: corresponde ao va -'r
queosagentesquePossuemCCEARspordisponibilidadedevempagar
' Ajustes e recontabilizações: valores que refletem eventuais recontabiliza-
ções efetuadas pela CCEE.
em Íunção da indisponibilidade de suas usinas'
. Ajustes e recontabilizações: valores que refletem eventuais recontabiliza- .Lessalta-se que nem todos os itens descritos aplicam-se a todos os agentes.
ções efetuadas pela CCEE. Por exemplo, a contabilização de consumidores livres e especiais se Íesume, nor-
mat:r,ente, ao resultado do Mercado de Curto Prazo e pagamento de ESS, sendo
os comercializadores normalmente afetados somente pelo resultado do mercado
b) Resultados Finais dos Agentes de Consumo
A contabilização final áe um Agente de consumo é constituída pela st 'rra cle rr.to prazo.
algébrica dos seguintes itens:
Mercados e Reguloção do Enerqí.o Elétrica .,,\PÍTULO
L32 3 Fundamentos da de En o ELétrica 133

j. 3. 3. 6.L1 Liq u td oçõ o F in a n ceira

A contabilização da CCEE fornece os valores financeiros que os agentes do


mercado devem pagar ou receber. Parafinalização desse PIoceSSo, há necessida-
@
s
de da consolidação desses pagamentos e recebimentos entre os agentes. Isso se
materializa no processo da liquidação financeira.
uma das particularidades de um sistema elétrico é a impossibilidade de se
definir a origem da energia elétrica que abastece um determinado consumidor:
os empreendimentos de geração produzirão enelgia elétrica a ser injetada no sis- FIGURA 3.50 Processo de liquidação flnanceira da contabllização da CCEE.
tema de transmissão e distribuição. Essa energia se distribui através do sistema,
respeitando as leis da física que regem o fluxo de corrente elétrica, fornecendo o
se todos os agentes devedores realizarem seu pagamento na íntegra, todos
insumo necessário às atividades industriais, comerciais e residenciais. Assim, os
os credores receberão o total de seus direitos. No entanto, caso algum Agente
contratos de energia elétrica são instrumentos que regulamentam as transações
clevedor não reaiize o pagamento de toda, ou parte, de sua dívida, estará carac-
comerciais do mercado de energia elétrica, não condicionando a entrega do pro-
terizada uma inadimplência, que será rateada proporcionalmente entre todos os
duto, mas fornecendo as condições necessárias para organizal o fluxo monetário
ag.entes credores, na proporção do crédito de cada Agente credor. para reduzir o
envolvido nesse processo.
risco de inadimplência no mercado, os agentes estão sujeitos ao aporte de garan-
Como visto, o Mercado de Curto Prazo é o resultado das diferenças entre os
tia-q financeiras, calculadas mediante regra específica da CCEE que será detalha-
valores contratados e o efetivamente gerado e consumido pelos agentes. Assirr,.
da em item específico.
a liquidação desse mercado envolve essas diÍerenças, consistindo em um merca-
do multilateral, pois não há contratos para oÍganizar essas transações. Porém,
Liquidação Financeira de Penalidades
oS montantes que devem ser pagos são iguais aos montantes que devem ser re-
cebidos pelos agentes.
Diante desse cenário, optou-se pela adoção de uma liquidação financeira
centralizada através de um Agente financeiro (um banco comercial) parateaLiza.
essas operações.
Em linhas gerais, os valores apurados no processo da contabilização d;t
CCEE são informados aos agentes e à instituição responsável pela liquidação
financeira. Em data determinada em Procedimento de Comercialização, os ageti
tes devedores realizam depósitos em suas contas-correntes abertas na instituição
financeira, contas essas exclusivas para essa finalidade. O Agente financeiro re-
colhe o montante depositado pelos agentes devedores e, no dia seguinte, rcaltza
a transferência desses valores aos agentes credores. A figura 3.50 ilustra o Pro-
cesso de liquidação financeira centralizada da CCEE.
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o
134 Mercados e Reguloçôo da Energio Elétrico ,- rpÍtuLo 3 a Fundomentos do de Energio Elétrica 13s

o Nesse processo, a CCEE calcula mensalmente os montantes transferidos en- Como a metodologia tinha como base o passado, não refletia os reais riscos
tre as distribuicloras em decorrência dos diversos plocessamentos do MCSD ao e^s quais o mercado poderia ser submetido, visto que um Agente com históri-
longo do tempo, e determina os valores que cada distribuidora tem a pagar de co credor poderia, em um determinado mês, apresentar elevada posição deve-
."rú", a todos os seus respectivos agentes vendedores cle CCEAR, em virtude r{^ra, não contando com aPorte de garantia suficiente para cobrir sua eventual
cle montantes recebidos para atender a deficits declarados' inadimplência.
Após esse cálculo, ê realizada a liquidação financeira das cessões, na qual Diante desse cenário, a metodologia de cálculo foi alterada e passou a ava-
as clistiibuidoras efetuam os depÓsitos de seus valores devidos ao coniunto de liar risco futuro que o Agente pode trazer ao mercado. Basicamente, a nova
o
agentes vendedores. De acordo com as Regras de Comercializaçáo, eventuais r. 'todologia, em vigor a partir de janeiro de 2009, utiliza as informações do úl-
o iriadimplências nos valores a liquidar decorrentes de cessões do MCSD são timo mês contabilizado (m-1), informações do mês que será contabilizado (m) e
rateadai entre todos os Agentes Vendedores de CCEARs Para o respectivc ir-';rrmações dos quatro meses futuros (m+1 até m+4), buscando identificar as
Agente de Distribuição inadimplente. exposições negativas ("compras") no Mercado de Curto prazo dos Agentes e,
d. ',,;a forma, permite a valoração do risco que o Agente possa trazer ao mercado
em caso de sua inadimplência. Para valorar os montantes liquidados no Mercado
i. 3. 3.6.L 2 Go ro ntia s F ina n ceiros cl. lurto Prazo, utilizam-se previsões do PLD obtidas a partir de simulações com
o modelo Newave. A figura 3.52 retrata essa metodologia.
Os agentes semPre tiveram a obrigação de aporte de garantias financeiras os dados utilizados para identificação dos volumes liquidados no Mercado
para reduzir os riscos de inadimplência no Mercado de Curto Prazo, porém a de Curto Prazo são contratos registrados no sCL para os meses futuros e previ
metodologia de cálculo foi aprimorada ao longo dos anos e ainda é instrumentc sôu:, oü declarações, de geração e consumo de energia elétrica, conÍorme a classe
de constante trabalho visando ao seu aperfeiçoamento. do Agente.
A partir da implantação da CCEE, em 2004, a metodologia de cálculo da
garantia financeira tinha como base o passado do Agente na CCEE. Analisava-se
á hirtóri.o de posições credoras e devedoras dos agentes e, com base nas última"
três posições devedoras ocorridas nos últimos 24 meses, calculava-se o valor da
garantia financeira que o Agente deveria aPortar. Além disso, havia o conceit'
de garantia mínima, o que gerava a necessidade de aporte por todos os agentes
de mercado. A figura 3.5L apresenta os princípios dessa metodologia de cálcuk'

2006 2007
ô-! ) N r
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tttlar/06 Dezl06 Jun/07


Garantia - Max [i"',ntiu. + + FS
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[_flinima J

Meses atípicos E Crédito Debito

FIGURA 3.51 Nletodologia de cálculo de Garantia Financeira Adotada entre 2004 e 20C.:,.

o
136 Mercados e Regulação do Energio Elétrtc, CApir izoçõo de Energia Etétrico L37

. Caso o Agente não realize a declaração de algum mês pertencente ao ho-


Horizonte de garantias (6meses) rizonte do cálculo da Garantia Financeira, será adotado como consumo
para esse mês o maior valor de consumo verificado em um histórico de 12
meses.

caso o Agente não possua histórico de consumo na CCEE, o valor consi-


derado será a soma da capacidade máxima de todos os pontos c{e medição
â
IV

de consumo do Agente.
Contabilizado
b) Tratamento da geração
Não contabilizado Com relação às informações de geração utiiizadas no cálculo do aporte das
Garantias Financeiras, considera-se o seguinte tratamento:
Passado Futuro
Para o mês m-1 consideram-se os valores efetivamente gerados pelas
uslnas.
Cálculo ntias
ex-ante às seis liquidaçôes ' Para os demais meses o tratamento varia conforme o tipo cia usina.
' Para as hidrelétricas com Garantia Física estabelecidà em legislação es-
pecifica, considera-se para os meses m a m+4 a Garantia Fíri". ,rro-
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g nalizada, aplicando-se um fator de perdas médio para referenciar as
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1 os va,lores de geração previstos no programa Mensal dá Operaçao
(PMO) do ONS e, para os demais meses (m+1 a m+4), a Garantà Física
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as informações ao Centro de Gravidade do sistema.
Para as termelétricas que não possuem Garantia Física clefinida em
o- le-
gislação específica e que se enquaclrem nas modalidades cle despacho
Jan Fev Mar Abr tvlai Jun IA (usina que possui seu custo unitário de geração inÍormado ao ONS,
FIGURA 3.52 Metodologia de cálculo de Garantia Financeira adotada a partir de 2009. sendo programada e despachada) e IIA (usina programada mas não
despachada pelo ONS), considera-se para os meses m, m+1, m+2,
m+3
e m+4 a potência das unidades geradoras em operação comerciar,
a) Tratamento do consumo aba-
tendo-se as perdas internas e indisponibilidacrás da usina, e apricando
Com relação às informações de consumo utilizadas no cálculo do aporte das o fator de perdas médio dos úrtimos 12 meses para referenciar as
Garantias Financeiras, considera-se o seguinte tratamento: infor-
mações ao Centro cle Gravidade do sistema.
' Para o mês m-1 consideram-se os valores efetivamente consumidos pelos ' Para as demais usinas considera-se o valor decrarado pelo Agente,
sen-
agentes. do que se não ocorrer declaração, adota-se o menor valor àe geração
dos últimos 12 meses ou zero, caso a usina não tenha histórico à"
' Para os demais meses do horizonte do cálculo das Garantias Financeiras g"rr-
(m, m+1, m+2, m*3, m+4) são considerados os valores declarados pelo ção na ccEE. seja quar for o varor utilizado, será aplicado um fator de
perdas médio para referenciar as informações ao Centro cle Gravidade
Agente, aplicando-se um fator de perdas médio dos últimos doze meses
clo sistema.
para referenciar as in{ormações ao Centro de Gravidade do sistema.
o
o
a
Mercodos e Regulação do Enerqio ELétrica cAPÍruLo 3 Fundomentos do Comerciolizaçõo de Energio Elétrica 139
138

o 3.3.3.6.1i Energia de Reserva


A Leilões de Novos t Leilões de Energia de
Empreendimentos (ACR) Reserva

Alegislaçãoatualprevêapossibilidadedecontrataçãodeenergiaelétrica
dereservaParapromoverasegurançanoabastecimentodoSlN.Destaca-se
acima
à"" " .r",átaçãà dessa energia visa ao aumento da oferta da energia Dist

áo equilíbrio comercial, imptiãando que essa energia não poderá ser revendicla CCEE
e consumiclores
apos sua aquisição e não constitui lastro Para os distribuidores
Iivres/ esPeciais.
cántratação dessa modalidade de energia ocorre por meio
cle lei-
A quantidade
lões específicos, sendo possível a contratação nas modalidades
Mercado
dos leilões
ou disponibilidade de energia. o tratamento dessa energia clifere Spot
específlcos do ACR, sendo as principais diferenças: CCEE CLs
. Nos leilões do ACR, são firmados contratos entre os proprietários
das
Geradores e Distribuidores participam do Energia de Reserva Liquidada no [\,4ercado
reserva, sàc
usinas e oS aSentes de distribuição; nos leilões de energia de
a firmadoscontratosentreosproprietáriosdasusinaseaCCEEeentrea
processo de contabilizaÇão da CCEE

FIGURA 3.53
de Curto Prazo
Diferença no tratamento da Energia de Reserva e Energia de Leilões do
CCEE e os agentes de consumo do SIN' ACR.
.ospa8amentosdosvalorescontratadosnosleilõesdoACRsãorealizados
diretamente entre as partes; os pagamentos aos proprietários
clos
Apuração e Liquidação da Energia de Reserva
empreendimentos dos ieiloes de reserva são de responsabilidade cla
A geração das usinas que compõem a Energia de Reserva é contabilizacla e
CCEE. liquidada exclusivamente no Mercado de Curto Prazo. Os valores monetários ad-
.osrecursosparaPasamentodasusinascloACRsãoderesponsabilidacle viniios desta liquidação são destinados à Conta de Energia de Reserva - coNER,
cuja estruturação e gestão são atribuições da ccEE, conforme procedimentos
a dos distribuidores; os recursos pala Pagamento das usinas dos
leilões cle
reservasãooriundosdaliquidaçãodaenergiaproduziclaporessasusina;
est;i irelecidos pela ANEEL.

no Mercado de Curto Prazo, mais recursos obtidos pelo recebimento


de o saldo da coNER é composto pela receita advinda da exposição positiva
ao iviCP decorrente da geração das usinas, pelo Encargo de Energia de Reserva
encargosdeenergiadereserva,pagospelosagentesdeconsumoàCCEE' -
EER, por encargos moratórios advindos da eventual inadimplência no pagamento
clo iER e eventuais penalidades previstas na 1egislação. A coNER também deve
Afigura3.53ilustraasdiferençasentreessasmodalidadesdecontratação ressarcir à ccEE os custos de estruturação e gestão dos contratos e da conta.
de energia.
Irarte dos recursos da CoNER é destinada a um fundo de garantia, cujo ob-
jetivo é cobrir eventuais inadimplências no pagamento dos Com base
na lleceita Fixa Anual atualizada de cada empreendimento,".rà.gor.
determinada men-
salmente pela CCEE, é calculado o Fundo de Garantia para operacionalização
cla Contratação da Energia de Reserva. Além da Receità Fixa Anual,
utiliza-se
também no cálculo do Fundo de Garantia um fator de ajuste, determinado pelo
Conselho de Administração da CCEE, além de .r- ,rído comprometido com
paganentos retidos - valores que não são pagos a usinas por determinação
da
ANEEL, normalmente em funçáo de atraso de obras.
Mensalmente a CCEE determina o saldo da CoNER, conforme ilustrado na
figura 3.54, constituído pela soma dos seguintes itens:
o
L40 Mercados e da Energio ELétrica C,.,pÍruro 3 . Fundomentos do Comercialização de Energta Elétrica 7.4L

Liquidação no mercado de curto prazo [R$l o ô


() o (ó @
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oÕoooooôoô
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Encargos Paoamentos Venda no
Saldo do recolhidos no + morãtórios do + MCP
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mês anterior mês anterioÍ mês anterior '/oo «
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NER. "L.
FIGURA 3.54 Determinação do saldo me F

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Saldo do mês anterior. o,
' '<% @

. Recebimento de Encargos de Reserva ocorridos no mês anterior'


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o, c.l
. Recebimento de encargos moratórios derivados da inadimplência de t/Á
u,
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Encargos de Reserva. t o N
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"1_r^
' Pagament o realizado aos geradores no mês anterior. :o
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o
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. Receita do Mercado de Curto Ptazo. o o,.-ré, o o


u
. Rendimentos financeiros obtidos através da aplicação dos recursos dispo-
0)
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níveis na CONER. o ,§
c
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Conhecendo-se o valor do saldo da CONER, é possível se determinar o valor

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de encargo a seI pago pelos agentes de consumo. O valor desse encargo é deter- o
E ô N
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minado a partir de cálculo ilustrado na figura 3.55. =fa -%o
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Na liquidação dos Encargos de Energia de Reserva, os agentes de consu- -o (§

mo devem depositar os lecursos financeiros Íeferentes a seus débitos, em ptazo %-.


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previamente estabelecido, na mesma instituição financeira responsável pela li- 'n c @
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quidação do Mercado de Curto Prazo. Os recursos obtidos são posteriormente o o
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repassados aos vendedofes, sendo responsabilidade da CCEE disponibilizar os O Õ o o u?
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resultados aos agentes, bem como informar possíveis inadimplências à ANEEL. o


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A figura 3.56 mostra a evolução da geração de energia de reserva e a corres- N c\j
(!o =
pondente arrecadação obtida no Mercado de Curto Ptazo.
[qry1y1] o95era9 I
lJ-
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{

L42 Mercados e Regulaçõo do Enerqio Elétrica (.,\PÍTULO 3 a Fundomentos do de Energio ELétrico 143

3.3.3.7 Leitões de Energia Elétricq ram como compradoras para o ceÍtame, ou seja, não há escolha pelo fornecedor.
Além disso, os editais dos leilões de novos empreendimentos também podem
Leilões são instrumentos de negociação dos mais variaclos bens, sendo uti- possibilitar que uma parcela da energia da usina seja destinada ao mercado livre.
lizaclos como instrumento para extração de informações dos compradores/ven- A energia contratada pelas distribuidoras é destinada ao suprimento dos
cleclores quanclo os participantes do certame não sabem ao certo o valor do bem consumidores cativos, aqueles que não podem escolher seu fornecedor de ener-
que está sendo negociado e desejam extrair o máximo benefício possível com g;a, adquirindo energia de Íorma regulada diretamente da empresa de distribui-
essa negociação. Um leilão pode ser definido como um mecanismo de lances ção ao quais estão conectados, estando sujeitos a tarifas reguladas pela ANEEL.
norteados por regras que especificam como o ganhador é determinado e quantc Os leilões são realizados através de plataformas eletrônicas de negociação,
ele pagará (ou receberá) Pelo bem. utilizando redes de computadores. De acordo com as características do leilão,
Dentre os benefícios que um leilão introduz na disputa, pode-se citar: srra realização pode ser em ambiente fechado (via Intranet), com os participantes
. Redução do tempo e dos custos necessários para a realização de uma alocados em salas separadas, normalmente em um hotel, sendo toda a inÍraes-
negociação. iiútura de responsabilidade da entidacle promotora do leilão (CCEE ou ANEEL),
ou em ambiente aberto (via Internet), sendo cada participante responsável pela
. Revela informações a respeito do .ralor que o bem possui Para os partici- lirontagem da infraestrutura necessária à participação do leilão.
pantes do certame.

G . Reduz a possibilidade dos participantes exercerem seu poder de mercaclo. a; Leilões de empreendimentos existentes
. São leilões cujo principal objetivo é promover a recontratação de energia
Evita práticas desonestas entre o vendedor e o comprador.
cie contratos que vencem ao longo dos anos, constituindo uma ferramenta para
renegociação da energia contratacla entre vendedores e distribuidores de energia
Em termos metodológicos, há diferentes estruturas que podem ser emprega-
eletrica, tendo como objetivo secundário a possibilidade de atendimento da ex-
das na realização de um leilão, como o leilão do tipo inglês, no qual os lances são
pansão da demanda dos distribuidores, limitado a 5% da necessidade de recon-
ofertados pelos compradores e o preço é crescente, sendo o vencedor do certame tratação da distribuidora, sendo que o atendimento ao incremento da demanda
o comprador que ofelece o maior preço, ou o leilão do tipo holandês, certame no
só se realizará após o pleno atendimento das necessidades de recontratação de
qual os lances são ofereciclos pelos vendedoÍes com pleço decrescente, sendo ' tocias as distribuidoras que participarem do leilão.
vencedor do certame o vendeclol que aceita o menor valor pelo seu ploduto. O primeiro leilão de energia de empreendimentos existentes ocorreu em
No Brasil, os leilÕes são uma das formas utilizadas em Processos de licit;- dezembro de 2004. Desde então, foram realizados mais nove leilões de energia
ções públicas, particularmente no setor elétrico, sendo ferramenta empregada cle ernpreendimentos existentes, totalizando um montante contratado de 19 982
tanto para licitação de novos empreendimentos de transmissão de energia elétri-
[MW Médios], conÍorme apresentado na hgura 3.57.
ca, bem como no processo de comercialização de energia elétrica do ACR, senc{o
a principal forma de contratação das empresas de distribuição.
Em termos de comercializaçáo de energia do ACR, optou-se pela utilização
de leilões do tipo holandês com o critério de menor preço/ ou seja, os €ÍIprê€ii-
dedores vencedores são aqueles que ofeltam energia ao menol valor. Tal siste-
mática tem-se mostrado bem-sucedida ao longo dos anos, ocorrendo acirradiis
o disputadas nos certames.
A demanda a ser contratada nos leilões de energia (exceto leilões de resei-
va) é oriuncla da declaração de necessidade de contratação das distribuidoras,
conforme previsto no Decreto nq 5.163. A metodologia prevê que os venclecio-
res dos leilões assinem contratos, cujas cláusulas são previamente estabeleciclas
pelo Poc{er Concedente, com todas as empresas de distribuição que se declal'a-
L44 Mercodos e Regulação da Energia Elétrk,l 3 . Fundomentos do Comercíolboçõo de ELétriCo L45

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O ocor:reu em dezembro de 2005. Desde então, ocorreram mais dez leilões desse
tipo, além de clois leilões exclusivos para contração de energia proveniente de
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o-P Íorries renováveis - Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), biomassa, energia
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eólica, entre outÍas, e os chamados leilões estruturais, realizados com a fina1i-
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daile cle contratação específica da energia das hidrelétricas de Santo Antônio,
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Jirau e Belo Monte, empreendimentos de grande porte localizados na Regiâo
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t46 Mercados e Regulaçõo da Energio ELétricc, Ci ?ÍruLo 3 ' Fundomentos da ComercioLizoçõo de Energia Elétrico L47

c) Leilões de energia de reserva


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Esses leilões têm a finalidade de contratarum montante adicional de ener-
proporcionar maior segurança ao sistema elétrico brasileiro. O pa-
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@(0.d-No garnento dessa energia é rcalizado com recursos obtidos pela venda da energia
de reserva no Mercado de Curto Prazo acrescida cle recursos obtidos de dis-
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o o tr";buridores e consumidores livres e especiais, através de um encargo caiculado
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mensalmente pela CCEE - Encargo de Energia de Reserva - ver item 3.3.3.6.13.
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o- o 6 llrrmalmente, esses leilões visam contratar energia de fontes alternativas.
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o @ rt O primeiro leilão para contratação de energia de reserva ocorreu em 2008,
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o s,jt1clo exclusivo para contratação de energia proveniente de empreendimentos
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o o de biomassa. ]á em 2009 ocorreu o segundo certame desse tipo, com intuito de
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c,-,iitLatar energia proveniente de parques eólicos. Em 2010 ocorreu o terceiro lei-
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N @ o_ lão dessa modalidacle, no qual se contratou energia de PCHs, usinas a biomassa
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e cmpreendimentos de energia eólica. O montante total contratado nesses certa-

o o o mes é de L746 IMW Médios], conforme apresentado na figura 3.59.


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L48 Mercados e do Elétrii t CApiÍrJLo 3 o Fundomentos da de Elétrico 149

d) Cronograma dos leilões


lqMt/\/SUl orpçu oÔer6 Para se entender a lógica temporal da realização dos leilões utiliza-se a fi-
gura3.60 como referência. Nessa figura o ano A rePresenta um ano no futuro,
888oeao ãen,1o A-1 um ano antes do ano A, A-3 três anos antes do ano A e A-5 cinco anos
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=ã-áÕ-o-?-ôo ó(o$No antes do Ano A. Em todo ano A-1 ocorre um leilão de energia de empreendimen-
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o @ §- tos existentes para recontratar energia de eventuais contratos que Se encerrem ao
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final do ano A-1, sendo que os contratos desses leilões têm sua vigência iniciada
a partir do início do ano A - os empreendimentos já existem, não há necessida-
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de de construção de usinas. Os leilões que ocorrem no ano A-5 visam atender à
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denranda futura que as distribuidoras preveem para o ano A. Dessa forma, os
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o @ empreendedores que negociam energia no ano A-5 contam com um período de
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cinrc anos para construÍrem as usinas para atender ao crescimento esperado da
demanda.
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Fontes alternativas
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§- Contratos: 10 - 30 anos
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N entre os anos "A-1" e "A-5"
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cimento de demanda para o ano A, crescimento que não foi contemplado nas de- o
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É contrataÍ energia para atender a um crescimento da demanda não previsto na
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o époc., da realização do leilão A-5. Todavia, há um limite de contração nesses lei-
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1s0 Mercados e do ELét;:co CePirttt.o J o Fundomentos da Comercia de ELétrico 151

lões A-3 de 2% (dois por cento) da carga efetivamente registrada do distribuiclor [tlMt/\j/Su] otpar.r.r oôar6
no ano de realização do leiião A-5. Custos para contratação de volumes acli"io-
nais a esse limite de 2% não são repassados às tarifas de energia elétrica. ooo
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Também estão previstos os leilões de energia alternativa, que ocorrem enhe :oooo-o-o-Õo
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os anos A-5 e A-1, e têm por meta a contratação de energia proveniente cle no-
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vos empreendimentos de fontes consideradas alternativas - Pequenas Centrlig o{
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Hidrelétricas (PCHs), biomassa, eólica, solar fotovoltaica, dentre outras. o N

Por sua vez, os leilões de ajuste são certames cujo objetivo é permitir los N
distribuidores a complementação do atendimento de sua demanda em um de- o
N
terminado ano, sendo que podem ocorrer diversos leilões de ajuste ao longc do @
ano, com a ressalva de que os distribuidores têm limite de contratação de 1% de §
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sua carga nesses leilões, percentual que pode ser alterado, condicionado à pr,bli-
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cação de documento legal, em situações especÍficas, como ocorreu nos anos cle o
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2008 e 2009, com alteração do limite paral%. a CY)
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e) Análise conjunta dos leilões 0) N
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Atualmente, os leilões do ACR são a principal ferramenta de contratação de !
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energia pelas empresas de distribuição, nas diversas modalidades previstas. A o N
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hgura3.61. apresenta um panorama geral da evolução da contratação de energia G
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por meio de leilões, desde 2004 até o final de 2010. a
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Focando somente a energia de novos empreendimentos, pode-se constatar .9
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que nos primeiros leilões a contratação centrou-se em empreendimentos terme- '0J o o
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létricos, sendo que em leilões mais recentes houve um crescimento expressivo de c o
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novos empreendimentos hidrelétricos, com destaque para as grandes centrais cla o
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Região Amazônica. Esse cenário se justifica pela dificuldade de obtenção de licen- o ô O)
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a ças ambientais para a licitação de novas hidrelétricas: quando do início dos leilões
de novos empreendimentos, em dezembro de 2005, havia poucas hidrelétricas
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uma maior contratação de fontes termelétricas; a partir do momento em que as
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L52 Mercados e Reguloção da Energio Elétrico

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o fortemente desde a sua cnaçao col1t o su rgmtento de un't nulnero express iao
o de liores. De 200 7 2 008 esse fiumero decresceu Llm pouc0
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o, o c01?t o re torno de alguns agentes para o ambiente regulado, colt|0 consu
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dores catiaos. Mesmo ass111'L/ aolumes de e1'LergM e de dinheiro
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são algumas das formas que sa0 usadns para a rea lização do rnellnr neg0cto
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L54 Mercados e da Elétric,:: CAriruLo 4 ' Lei!ões de Compra e Vendo de Energio ELétrico no Ambiente.. 155

possíael seja pnrn contpradores, seja parn uertdedores. AIém tlisso, a análise ou às "jogadas" que eles podem Íazer; as estratégias, representando a(s) linha(s)
consistirá tnmhân na desxição de cada formn e ntodalidnde de leilão feiÍo cle atuação que o jogador irá seguir para atingir seus objetivos determinados an-
de um modo detalhado com a disctLssão dos pontos fortes e pontos fracos de tes do início do processo; as informações disponíveis para cada jogador, sendo o
cada wna delas, conjurnto c{e claclos de que dispõe cacla agente antes do desenvolvimento das suas
Dessa forma, o artigo pretende seruir de referêncin Pnrfi ns empresfis qtrc estratégias; os resultados ou benefícios para os jogadores, correspondendo aos
//pagamentos"
ainda não têm prática com essa fonna de comercinlização e deseiam conlrccrr char.nados payoffs ou do jogo; o equilíbrio de jogo, se ele existe ou
e utilizar de tnna forma mais completa o potencial oferecido por essn ferra- não além cla natureza do jogo em si.
menta para compra e oenda de energia elétrica. A Teoria dos Jogos pode ser dividida, de acordo com esses autores
(KREPS, L990; FUNDENBERG & TIROLE, 1991; GIBBONS, 1992; VARIAN,
19?2; OSBORNE & RUBINSTEIN, 7994 e MAS-COLLEL et nlii,1995), em Jogos
4.I TEORIA DOS JOGOS E TEORIA DOS LEILÕES: ALGUNS Cooperativos, em que os jogadores interagem cooperativamente entre eles para
CONCEITOS col.seguir os melhores resultados para todos e ]ogos Não Cooperativos, onde
os agentes agiriam de forma racional, buscando os melhores resultados para si,
O universo de atuação da Teoria dos ]ogos corresponde a qualquer si- serr se preocupar com o que estaria acontecendo com os outros competidores,
tuação de disputa, de impasse ou de conÍronto entre dois ou mais agentes sem haver ajuda entre eles. Ainda cle acordo com aqueles autores, os Jogos Não
(FUNDENBERG & TIROLE,1991-; GIBBONS, 1992e OSBORNE & RUBINSTEII{, Cooperativos podem ser divididos, por sua vez, emlogos Estáticos (onde os joga-
1994). Além disso, espera-se que esses agentes, os jogadores do processo, ajam dores agem ao mesmo tempo sem conhecer as jogadas do(s) outro(s) jogador(es))
sempÍe de forma racional, buscando os melhores resultados para si dentro dessa e Jogos Dinâmicos (onde os jogadores movem-se em sequência conhecendo as
situação de disputa. De acordo com Nash (1950), nessa teoria, os participantes ações anteriores uns dos outros). O jogo pode ser ainda de informações comple-
agem independentemente e a noção de um Ponto de Equilíbrio é um ingredien- tas, quando o payoff de cada jogador é de conhecimento comum entre todos os jo-
te básico para se definir o resultado do jogo. Muito tem-se discutido sobre esse gaclores, ou de inÍormações incompletas, quando pelo menos um jogador possui
assunto, desde que surgiu pela primeir a vez a publicação do livro Ganrc Theory incerteza em relação ao payoff de outro(s) jogador(es). Além disso, esse jogo pode
and Economic Belutsior de Von Neumann & Morgenstern em 1944. A partir des- possrrir ainda informações perfeitas, quando todos os movimentos ou decisões
SeS autores, pioneiros no desenvolvimento dessa teoria, podem-se estabelecer dos jogadores são conhecidos por todos os outros jogadores, ou informações im-
as principais ferramentas a serem utilizadas e que permitem analisar qualqtler perf*.itas, quando pelo menos um jogador desconhecer ou tiver dúvidas com re-
situação de conflito entre dois ou mais agentes que estão em uma determina- lação ao movimento ou ação de outro(s) jogador(es) durante a realização do jogo.
da situação de disputa. Dessa forma, inúmeras foram as situações passíveis 'Ie Essa teoria vem sendo utilizada em inúmeras áreas do conhecimento, desde
serem estudadas e analisadas à luz dessa nova teoria emergente: a disputa por relações humanas que envolvam situações de conflitos e disputas até análises
um cargo em suas mais diferentes formas, seja através de eleições ou outro me- ecot'.ômicas que envolvam o destino da população de um país, por exemplo.
canismo qualquer, o fechamento de um contÍato entre duas empresas, a compra Shahidehpour, Yamin & Li (2002) aplicam diversos resultados da Teoria dos
e a venda de um determinado objeto, uma situação de guerra entre dois ou m:ris Jogo,. na análise do crescimento da competitividade no mercado de energia elétri-
países e até mesmo a simples disputa de quem seria o primeiro carro a passar em ca a fim de determinar os melhores payoíís para os "logadores" em várias situações
um cruzamento Sem sinalização quando os dois estivessem ali ao mesmo ten:l)o de operação dos mesmos.
(vARiAN, 1gg2).O universo de abrangência de atuação dessa teoria é ilimitaclo, Mecanismos de leilões têm sido bastante utilizados na comercialização de
sob o ponto de vista de estudos e análises, e dá a qualquer situação de disp: Lta várius produtos de diferentes espécies, uma vez que representam processos que
um caráter científico com base nas teorias econômicas envolvidas. têm como finalidade criar um ambiente competitivo para a compra e a venda des-
Kreps (1990, 2001) e Mas-Collel et alii (1995) estabelecem que os elemenios ses produtos. Nos setores elétricos de vários mercados pelo mundo, montantes
essenciais que constituem a base dessa teoria seriam os jogadores, agentes ativos de energia têm sido comercializados por geradores, proáutores inc{ependentes e
ou passivos no processo; as ações desses jogadores, que correspondem aos al'os comercializadores que são demandados por distribuidores, consumidores livres
L56 Mercados e Regulaçõo da Energia ELétrica Cr.pÍruro 4 ' Lei!ões de Compra e Vendo de Energio Etétrica no Ambiente.. 157

e cativos, e outros comercializadores. A análise de leilões como jogos de inÍor- Cacla uma clessas modalidades poderá ser utilizacla para a comercialização do(s)
mações incompletas surgiu originalmente no artigo de Vickrey (1,961). Dessa for- p'oduto(s), mas um determinado tipo deverá ser escolhido para atingir os obje-
ma, a Teoria clos Leilões pode ser considerada como uma partição da Teoria dos iirror propottos pelo organizador do leilão ou o leiloeiro. A escolha da {orma vai
Jogos, porém com regras, conceitos e embasamentos matemáticos bem definidos depender sobremaneira das características e hipóteses clefinidas para o mecanis-
Além disso, de acordo com Krishna (2002), os leilões, de uma forma geral, seriam nro do leilão e os agentes envolvidos com este.
jogos de informações imperfeitas e incompletas a serem "jogados" por agentes Dessa forma existem vários tipos e modaiidades de leilões com característi-
que representariam os vendedores de um lado e os compradores de outro. cas específicas para cada um deles as quais Íazem com que um determinado leilão
De acordo com as características apresentadas pelos diferentes tipos de el:r particular venha a se tornar melhor do que outros para atingir determinados
leilão, eles têm sido o objeto de estudo de inúmeros pesquisadores. Klemperer objetivos da comercializaçã,o. No entanto, de acordo com Klemperer (2000), não
(1999,2000 e 2002) delineou as principais características da Teoria dos Leilões c iiiiporta o tipo de leilão utilizado, sob certas condições, todos os tipos de leilão
suas inúmeras aplicabilidades em três artigos já clássicos sobre o assunto (Auction levam ao mesmo rendimento esperado (Princípio do Rendimento Equivalente).
Tlrcory: A Guíde to Liternture,1999,Wry Eaery Econonúst SltotLld Learn Some Auctior: /.pesar disso, determinados leilões se mostram mais eficientes que outros em
Theory, 2000 e Wut Really Matter in Auction Design, 2002). Wolfstetter (1999) de- determinados tipos de mercado de compra e venda de energia e se as condições
fine o leilão como um mecanismo de lances descrito por um conjunto de regras rrencionadas não forem satisfeitas, rendimentos e resultados bem distintos serão
que especificam como o ganhador é determinado e quanto ele pagará pelo bem obtidos em cada um deles. Para que o resultado do leilão seja mantido, mesmo
adquirido. Rasmusen (2001) define que o leilão é usado como meio para extrair ccm cliferentes formas de teilão sendo utilizadas, é necessário, como jâ afirrnado,
informação dos compradores quando os vendedores não sabem ao certo o valor que algumas condições sejam satisfeitas:
do bem que está sendo vendido e desejam extrair o máximo benefício possÍvei . Independência: os valores estimados pelos agentes participantes são dis-
com a venda desse bem. De acordo com Silva (2003), o leilão funcionaria, por-
tribuídos de forma independente, ou seja, a avaliação de um agente não
tanto, como um mecanismo de formação de preços em que o próprio mercadc inÍluencia a avaliação de outro agente.
revela, no decorrer do leilão, o valor do bem.
Em linhas gerais, de acordo com Krishna QA02), os leilões por sua vez po- ' Neutralidade ao Risco: todos os agentes envolvidos são considerados
dem ser divididos em leilões de objetos simples, quando apenas um único objeto neutros ao risco e procuram maximizar seus lucros esperados.
será leiloado e leilões de múltiplos objetos, quando mais de um objeto, idênticos,
semelhantes ou distintos, seriam leiloados. Dekrajangpetch & Sheblé (1999) clas-
sificam essas modalidades de leilão como de produtos homogêneos e heterogê-
neos. Correia (2005) classifica, de acordo com esse ponto de vista, em leilões de
objetos únicos e leilões de objetos distintos. Com relação aos leilões de objetos
únicos, o autor considera ainda que eles poderiam ser classificados como ob-
jetos indivisíveis e divisíveis. O leilão de um objeto de arte seria um leilão de
um objeto único indivisível; já o leilão de um lote de energia seria de um objeto
único, porém, divisível uma vez que ele poderia vir a ser adquirido ou vendi-
do por mais de uma empresa. No entanto, mesmo no caso de objetos idênticos,
serão considerados aqui leilões de múltiplos objetos quando mais de um objeto
estiver sendo leiloado, mesmo que esse objeto possa ou não ser divisível. Esse
aspecto é fundamental no que se espera que ocorra com o leilão a partir dos tipos
específicos de agentes que participem deste. Tanto para leilões de objetos sim-
ples quanto para leilões de múltiplos objetos, vários são os tipos e modalidades
que poderão ser utilizadas nesse mecanismo de compra e venda dos produtos.
r
L58 Mercados e Reguloção do Energia Elétricc, C/,"ÍruLo 4 Leilões de e Vendo de a ELétrico no Ambíente... 159

a) Classificação quanto à Natureza participante em questão. A oferta é sempre conhecida, Polem o ofertante
o De acordo com a natureza, o lerlão se classifica pela maneira como os parti-
cipantes, vendedores e compradores, atuam no mesmo. Dessa forma, os leilões
pocle ou não ser divulgado, dependendo das regras estabelecidas. Esse
ieilão é assim, um processo dinâmico. O teilão aberto pode ser de Preços
classificam-se como: Ascendentes ou Leilão Inglês (em que os comPradores dão lances pelo
. Leilões de Oferta ou de Compra: O leiloeiro ou os compradores deter- procluto ofertado) ou de Preços Descendentes (em que os vendedores dão
minam o(s) produto(s) que eles estão dispostos a adquirir (com as sua ir.r."r para os bens demandados). um caso particular de leilões de preços
quantidades especiÍicadas de acordo com o produto). Os vendedores, descendentes é o Leilão Holandês em que o Preço decresce continuamen-
por sua vez, ofertam esses produtos com seus preços ao leiloeiro ou ao-l te até que um jogador aceite pagar esse preço terminando assim o leilão.
compradores diretamente podendo existir um preço reserva teto acima clo . Leilão Fechado: Os lances são aplesentados ao leiloeiro pelos partici-
qual os compradores não estão clispostos apagar. Vence o ofertante qur pantes em envelopes fechados e ocorre com apenas uma jogada (one slnt
lançar o menor preço. Nesse leilão os compradores teriam uma posição game). Vencem os melhores lances, quer sejam de oferta ou de deman-
passiva no decorrer do leilão enquanto os vendedores teriam uma posiçâu áa. Num leilão ascendente, a maior oferta seria a vencedora e o contrário
ativa durante o mesmo. ocorreria num leilão descendente. Esse leilão pode ser de primeiro preço/
. Leilões de Demanda ou de Venda: Os compradores fazem lances de de- em que a melhor oferta vence o leilão sendo pago esse valor, ou de segun-
manda com os seus preços fixados para os produtos postos à venda pelos do preço (ou de Vickrey), em que a melhor oferta leva o prêmio sendo
o vendedores. Vence o jogaclor que oÍerecer o maior preço ao leiloeiro, que pago o segundo melhor lance verificado no processo. um tipo específico
representa os vendedores, ou a esses agentes diretamente que sempre de- de leilão, dentro dessa classificação, seÍia o leilão no qual todos pagarr.,
sejam vencler o produto ao maior preço possível. Nesse leilão pode existir mas só a melhor oferta leva o prêmio (all pay sealed-bid atLction).
também um preço de reserva que seria o mínimo valor com que os vende-
clores estariam dispostos a negociar o produto. Diferentemente do leilão Reynolds (1996) ahrma que, nos leilões abertos, os jogadores participantes
anterior, nesse tipo de leilão são os compradores que têm uma posição potlem obter informações vantajosas observando e analisando os lances dos ou-
ativa enquanto os vendedores apresentam uma posição passiva durante o tros jogadores. A maior disponibilização de informações seria benéfica à atuação
leilão. clos agentes. Ainda segundo essa autora, se vários jogadores Permanecem no lei-
. Leilão Duplo: Vendedores e compradores fazem ofertas simultâneas po- lão, isto dá ao jogador a conÍiança de que a sua avaliação do produto estava cor-
dendo haver ou não a participação do leiloeiro. O preço de fechamenh reta e ele tende a dar lances maiores. De acordo com Khoroshilov & Dodonova
desse tipo de leilão é determinado no intervalo entre os lances de oferta (2004), um vendedor que quer maximizar sua receita esperada deve implemen-
e de demanda, de acordo com regras estabelecidas no início do processc. tar,: leilão inglês (aberto). Enquanto isso, Myerson (1981) salienta que o preço de
Normalmente não há preços de reserva nesse leilão duplo uma vez que o reselva em um leilão inglês aberto deve ser maior que a avaliação do vendedor
preço de fechamento, como já explicitado, estará sempre compreendidc pal o objeto.
entre os preços dos vendedores e dos compradores. Nesse leilão, tanto os
compraclores quantos os vendedores têm uma posição ativa, ofertancio c) Classificação quanto ao Preço de Fechamento
preços e/ou quantidades diretamente entre si ou sob a coordenação de As ciassificações anteliores mostram como podem ser dados os lances de
um leiloeiro. ofei-ta nos leilões e como definir o jogador vitorioso no leilão. Essa classificação
clefine o quanto o agente vencedor'dã lei1ão vai pagar ou receber pelo obieto lei-
b) Classificação quanto à Forma loaiio. De acordo com as regras do preço com que o produto será negociado, os
Define-se a forma de um leilão a partir do modo como os lances dos agentes leilões podem ser:
são realizaclos:
' Leilão de Preço de Fechamento Uniforme: Diferentes agentes compra-
. Leilão Aberto: Os participantes determinam seus lances de forma aber- dores e/ou vendedores que vencem o leilão comercializarão os produtos
ta e explícita, de forma que todos saibam o quanto foi estabelecido pelo pelo mesmo preço. Esses leilões podem ter ainda o Preço uniforme de
Y-
I
!

160 Mercodos e do EIétrícc: ctpitu,o 4 . Leilões de Compra e Venda de Energia Elétrica no Ambiente... L6L

fechamento de primeiro preço (em que o melhor lance é o preço a todos próprio ou para revenda. Quanclo o produto vier a ser utilizado pelo próprio
os vencedores) ou cle segundo preço ou de vickrey (em que o segundo agente participante do processo, díz-se que o leilão é de Valores Privativos ou
melhor lance será o preço de fechamento aos vencedores do mesmo).
particulares (Priuate VahLes), mas se o produto for adquirido para revenda, o
Ieilão será de valores Interdependentes (lnterdependent Values). Dessa forma,
. Leilão de Preço de Fechamento Discriminatório: Nesse caso, cada agente
os autores consicleram que a utiiidade que os agentes destinam para o produ-
venceclor no leilão pagaúo seu valor de lance pelo produto adquirido. É
to adquirido no leilão pode gerar valores distintos para esse produto. Ainda,
um leilão que desencoraja o uso do poder de mercado que alguns agentes
segundo esses autores, um caso particular de leilão com valores interdepen-
possuem paraÍixar o seu lance no produto requerido.
clcrrtes é aquele em que o valor do produto, embora desconhecido durante o
leilão, seria o mesmo para todos os jogadores. Esse leilão é chamado de Leilâo
De acordo com Wolfstetter (1999),leilões de segundo preço tendem a teI seu
c{e Valores Comuns (Comnton ValrLes).
preço de fechamento inferior ao preço ótimo devido à falta de conhecimento dos
No ACL os compradores do produto ofertado podem ser comercializaciores
àgentes ativos no processo de que a estratégia dominante é dar um lance igual
uã ,", preço de oportunidade daquele bem. vickrey (1961) ressalta ainda que
revenda ou para uso final. Com isso, de acordo com a classificação dada ante-
o leilão de segundo preço é incentivador , urrra vez que ieva os agentes partici-
Íiormente, os leilões de venda seriam de valores privativos ou de valores inter-
pantes a apregoaÍ lances equivalentes à sua valoração real do item. Por sua vez,
clepenclentes. O fato cle os leilões serem classificados como um tipo ou outro irá
bnuute 6ríoq aaianta que o leilão de primeiro preço é o tipo de leilão preferido
intiuenciar sobremaneira no resultado final clo leilão. Os teóricos afirmam que
dos vendedores, pois tendem ageÍat preços superiores ao ótimo'
leilões de valores interdependentes podem procluzir maiores receitas em leilões
segundo silva (2003), diferentes modelos de leilões poderiam ser avaliados
de segundo preço do que em leilões de primeiro preço.
através=de diferentes parâmetros para se medir o "sucesso" do referido leilão'
Os autores revelam também a existência de agentes neutros, aversos e pro-
Ainda segundo esse autor, pode-se avaliar um leilão em função de um dos se-
guintes parâmetros:
- Quantidade Negociada: Considera-se que um leilão atingiu seu objetivc,
se ele consegue negociar o objeto posto em leilão ou negociar a máxima
quantidade do objeto sendo ele um produto divisível'
- Excedentes Produzidos: Esses montantes são determinados a partir da
diferença entre os preços dos compradores e dos vendedores multiplica-
da pela quantidade negociada. Um dos objetivos do leilão seria a maxi-
mização desses excedentes.
volume Negociado: Esse parâmetro é definido a partir do produto d,; Leilões têm sido utilizados ativamente na comercialízação de energia elé-
-
preço final pela quantidade negociada e um dos objetivos do leilão po- em varlos mercados mundiais pela própria natsreza que essa forma de
deria ser a maximização ou a minimização nesse volurne' negocraçao pode revelar em termos de preços e condições de pagamento e re-
bimento. Nesse ambiente, os jogadores participantes do processo seriam as
- Preço de Fechamento: A classificação dos leilões quanto ao preço de fe-
geradoras, empresas distribuidoras, empresas comercializadoras e
chamento, já definida anteriormente, mostrou que esse preço pode ser
s finais de energia; as estratégias a serem adotadas por cada um
uniforme (primeiro ou segundo preço) e discriminatÓrio; o objetivo do s representariam o conjunto de ações ou movimentos a serem realizados
leilão poderia ser a maximização ou minimização nesses valores.
eles no decorrer do leilão; os payoffs seriam os valores a serem recebidos
jogadores ao final do jogo ou os produtos adquiridos por eles, enquanto
Klemperer (2000), Krishna (2002) e Menezes & Monteiro (2005) afirmam
regÍas específicas a serem estabelecidas pelo(s) órgão(s) responsável(is)
que as avaliações que os agentes dão aos produtos que estão sendo leiloa-
a estrutura do jogo.
clos dependem do destino que os mesmos darão a esses produtos: para uso
o
Mercados e ReguLaçõo do Elétric.: Cppirulo 4
. Leilões de e Vendo de En Elétrica no Ambiente.. 163
L62
o
por possuir alguns aspectos que as distinguem de outros bens, a comPra e ciac{os entre os produtos) fez com que se estabelecessem produtos heterogêneos
a venda de energia elétrica entre os diversos agentes produtores, consumiclores para a energia elétrica ainda de acordo com a classificação claqueles dois autores.
e comercializadores apresentam algumas nuances e especificidades que devem Dekrajangpetch & Sheblé (1999) propuseram também algumas estruturas e
ser discuticlas, estudadas e analisadas de uma maneira mais aprofundada parr formulações Para os leilÕes de compra e venda de energia nos setoles elétricos.
que os mecanismos dos leiiões possam vir a atingir os objetivos básicos definiclos De acordo com esses autores podem-se estabelecer leilões com os participantes
para cada um desses processos. Alguns artigos podem ser citados dentro cless.r clo mesmo identificados (realizando negócios cliretamente entre si) ou não iden-

àrea de atuação da Teoria dos Leilões: Ethier et alii (1997) discutem sobre o tlesigtt tificaclos (em que os negócios são realizados a partir de uma "bolsa" onde ocorre
o leilão). Esses participantes, jogadores do processo, seriam os vendedores e os
de leilões para mercados de energia elétrica competitivos enquanto Fabra, vo:1
der Fehr & Harbord (2002) fazemuma análise da utilização de várias formas de compradores. Ainda segundo esses autores, os leilões podem envolver produ-
leilão para a comercialização em mercados de energia, explorando, inclusive "r
to. com as mesmas características (produtos homogêneos) e com caracterÍsticas
distintas (produtos heterogêneos). Em cada um desses leilões, por sua vez, os
utilização de leilões de Vickrey nesses processos.
lar:ces (preços e/ou quantidades dos produtos) podem ser determinados pelos
Além desses artigos que discutem a aplicabilidade dos leilões na comerciali-
vendedores ou pelos compradores que definiriam, por suavez, as características
zação d,eenergia elétrica, outros trabalhos vêm sendo desenvolvidos na prÓpria
dl leilão conforme as classificações mostradas anteriormente.
análise dos mercados de eletricidade em si, discutindo formas e modalidades
para a aquisição desse bem em diferentes ambientes e estruturas c{o setor. Hunt
a) Leilão com Produtos Homogêneos e |ogadores Identificados
& Shuttleworth (1996) propuseram quatro alternativas estruturais para os mel-
cados de produção e comercialização de energia elétrica: Vendedores Compradores
. Modelo 1: Monopólio em toclos os níveis (geração, distribuição) até che-
gar ao consumidor final.
. Modelo 2: Agência compladora adquirindo energia aos geradores e re-
o passando-a aos distribuidores.
. Modelo 3: Competição no atacado em que distribuidores escolhem umir
agência compradora ou um gerador de quem adquirem a energia'
. Modelo 4: Competição no varejo em que os consumidores finais escolhem
de quem irão adquirir a energia elétrica que irão consumir'

A energia elétrica é um produto de comercialização que não possui, sob o


ponto de vlita do mercado brasileiro, nenhuma diferenciação do ponto de vista
técnico. Ao se comer cializat esse produto, realiza-se um contrato puramente fi-
nanceiro que não tem correspondência com a entrega física dessa energia. Dessa
forma, empresas de produção não utilizam alguns parâmetros ou índices de qua
lidade para diferenciação dos seus produtos. A energia entra num ambiente de
um grande pool comercial onde são realizados contlatos bilaterais de compra e'
.rr".áu dessa energia. Com isso, a energia elétrica em si deveria ser considerada
como um produto homogêneo de acordo com a classificação de Dekrajangpetch
& Shebté (L999). No entanto, o fato de poderem seÍ comercializados lotes de FIGURA 4.1 Leilão com Produtos Homogêneos e Jogadores Especificados.
eneÍgia com cliferentes plazos de fornecimento (e a partir daí, preços diferen- Fonte: Dekrajangpetch & Sheble (1999).
L64 Mercados e Reguloçõo da Energia Elétrict: C,r,pÍruLo 4 o Leilões de Compra e Venda de Energia Elétrtca no Ambiente... 165

e pre- Nesse tipo de leilão, os negócios são fechados entre os vendedores e o leiloeiro
Nesse leilão existem rz vendedores e 71 compradores com quantidades
jogadores diretamente. Os preços das ofertas or1 entre os compradores e o leiloeiro, que nesse caso representam a contraparte
ços especificados entre cacla par de
podem ser, por svavez, determinados pelos vendedores (leilão de compra), pe- na llegociação. Os preços definidos pelos vendedores nos leilões de venda seriam
ior.orrrprudores (leilão de venda) ou por ambos, vendedores e compradores (lei- representados por csi (preço do vendedor I para o produto) enquanto as quantidades
tão dupio). Do ponto de vista do organizaclor clo leilão, pretencle-se determinar negociadas entre esses vendedores e o leiloeiro seriam x.-. Por ouko lado, caso
o, pr"Ço, c,i e as quanticlades Í,- entre o vendedor i e o compradori que atinjanr os preços sejam deteÍminados pelos compradores, os preços e as quantidades
o, àU;"ti"ol traçados para esse leilão específico. Esses objetivos poderiam ser a negociadas entre o comprador 7 e o leiloeiro seriam, respectivamente,
LOJ[] c., e x,... No

maxiÁizaçáo da quantidade negociada, maximização clos excedentes ptoduz'-- caso do leilão duplo (vendedores e compradores dando lances de preços e/ou
dos no processo, minimização dos preços finais para a energia entre outros e que quantidades), as incógnitas do problema seriam as já definidas anteriormente (c",,
cu,, y., € x,,,) cujos valores finais devem ser ajustados para a obtenção dos objetivos
produziriam restrições específicas no leilão. As restrições físicas envolvidas tan:-
té- .1"r"* ser levadas a termo na obtenção do resultado final, entrando como especÍficos traçados para esse leilão. Salienta-se que nesse processo existem
limitações no Processo. algr.rmas restrições como capacidade de fornecimento ou de demanda que devem
ser levadas em consideração na definição do resultado final.
b) Leilão com PÍodutos Homogêneos e |ogadores Não Identificados
c) Leilão com Produtos Heterogêneos e ]ogadores Não ldentificados
Vendedores Compradores
Vendedores Compradores

Produto 1

Produto 2

csl Xsl Produto cnj *oj

Produto h

Produto p

FIGURA 4.2 Leilão com Produtos Homogêneos e Jogadores Não Especificados.


RA 4.3 Leilão com Produtos Heterogêneos e Jogadores Não EspeciÍicados
Fonte: Dekrajangpetch & Sheble (1999).
Dekra jangpetch & Sheble (1999).
{i
o
Mercados e doE Elétricc C^PÍTULo 4 Leilões de e Venda de Elétrica no Ambiente L67
L66

o leilão de produtos heterogêneos Iepresenta uma espécie de leilão simul- rllesma além da sua crença na atuação dos outros jogadores e da expectativa
tâneo cle vários produtos homogêneos a partir cle um leiloeiro que determina
as clas crenças que os demais agentes possuem a seu respeito (type do agente).
regras e os resuliaclos do referido leilão. Os vendedores podem tealizar negócios Busca-se, assim, a otimização da atuação da empresa nesse processo através da
coin cada um dos mercados representados. Dessa forma, representa-se
como x.,. melhor estratégia de ação para a mesma.
determinado De acordo com as características apresentaclas anteriormente, pode-se consi-
a quanticlacle que sai do vencleclor i para o produto ll a um Preço c!i,,
peio vendecloi. Po, outro lado, tem-se Íla,c9mo a quanticlade que sai do
produto derar que os leilões de energia elétrica no ACL são Leilões de Valoies privativos,
parâmetros cleterminadas situações, ou de Valores Interdependentes, em outras situa-
i', puru o comprador i a um preço cr,i/, definido pelo comprador'
F-cses en-r

teiiam u, *"i-u, designaçàes casJ o leilão fosse do tipo duplo. O resultado Íinal ções. Os agentes compradores participantes são empresas comercializadoras e
do leilão seriam as quintidades e os preços negociados por cadawendedor para consumidores livres que podem estar interessados em adquirir um determina-
clo lote de energia para suprir uma necessidade específica da empresa ou para
cada produto atendàndo ou não a cada um dos compradores. Esse resultado.
definido pelo leiloeiro do processo, visa atender a determinados objetivos traça- otirnizar o seu portfólio de contratos nesse ambiente. Além clisso, pode-se àon-
siderar também que os agentes participantes do leilão são aversos ou, no máxi-
do, quunão da definição àur r"g.ur desse leilão. De acordo com a obtenção orr
que se mo, neutros ao risco. Como os montantes envolvidos nesse negócio de compra
nao áo objetivo ou objetivos originais traçados para o leilão em questão é
óu fracasso do mesmo. No item 4.3, que trata cl-a e rrenda de energia elétrica são muito vultosos, não se considerá a existência de
pode avaliar o grau de sucesso
tipos de leilão com suas funções objetivo a serern otimizadas emPresas propensas ao risco nesse mercado. Com isso, essas serão as hipóteses
ànálise de váriõs
avaliação qtre serão adotadas na definição das sistemáticas dos leilões de compra ó venda
aliadas às restrições envolvidas, serão analisados esses parâmetros de
leilões cle energia elétrica no ACL.
para definir os vários objetivos que podem ser estabelecidos para os de
de leilões para Será levado em consideração também na análise das sistemáticas o fato de
àomercialização de energia. Esse item apresenta alguns modelos
elétrica adaptados da proposição cle Dekrajanpetch que ofertar a própria valoração dada ao produto que está sendo leiloado é uma
comercialização de
&
".,".!iu
Sheblé (f9Ó9) em qr" ãao mostradas as funções matemáticas a serem
otimiza- estratégia de ação dominante para agentes neutros e aversos ao risco. No entan-
to, para leilões de segundo preço essa estratégia de ofertar sua própria valoração
das em cada um deles com as suas respectivas restrições'
seria dominante para qualquer tipo de agente.
Por se tratar de um processo em que os agentes envolvidos "disputam"
vale ressaltar, no entanto, que os preços a serem obtidos nas negociações
um cleterminado bem, a comercialízação de energia elétrica, envolvendo a
atrar,és de leilões no ACL estão limitados sempre pela penalidade que oi ug".,tu,
compra e a venda, compõe-se em um ambiente completamente favorável
a ser
Segunclo incorrem quando ficam expostos nesse ambiente llvre. De acordo.à* ur rrãr*u,
analisado e discutido, càmo já mencionado , àluz daTeoria dos Jogos.
da Teoria dos é a buscae obtenção de vigentes, o Preço da penalidade estaria determinado pelo maior valor verificado
Azevedo (2004), o conceito áhave ]ogos
pode ser atingida de forma relativamente sim- entre o Valor de Referência - VR e a média verificada do PLD nos 12 últimos
uma situação de equilíbrio que
em meses. Com isso, mesmo esperando obter resultados distintos para
ples ou não, dependendo das circunstâncias do jogo. Dessa forma/ mesmo as diferentes
procural sistemáticas a serem utilizadas nos leilões do ACL, salienta-se quu essa,
situações de disputa, os participantes do Proces§o, jogadores, devem diferen-
q,r" todás saiam gánhando, da melhor maneira possível ças sempre estarão limitadas por esse preço da penalidade.
atingir o equilíbiio
".n Nos leilões de venda no ACL, o produto a ser leiloado, energia elétrica,
na rãferida disputa ou ãmbate. Esse autor utilizou os conceitos da Teoria
dos
apresenta algumas características que a tornam, de certa forma,
]ogos para clesónvolver um modelo computacional para
j.ogos não cooperativos bà peculiar.
energia ofertada por um gerador normalmente é maior do que a demãnda
de infàrmação incompleta que procure informar a melhor estratégia pata -o +
clividual pretendidã pot .uàu comprador inscrito no processo. A
in-
agente de acordo .o* o qr" àle airedita e sabe sobre o jogo. A análise efetuada soma de todas
as clemandas, no entanto, pode sei maior que
nãste artigo tem a fina[dãde de auxiliar os agentes do setor elétrico nos leilões a ofertà efetuada o que caracteri-
de zatá uma situação de tendência ao aumenio dos preços
cle compã e venda de energia no mercado brasileiro a partir da agregação de lance. bessa forma,
os do pocle-se otganizar a análise dos leilões cle venda
informações ao agente. Essã acréscimo de informações a todos agentes no ACL de forma simultânea,
com a oferta de toda quantidade de energia cle
mercado, ainda dó acorclo com Azevedo (200a), concorreria para a diminuição que são oÍertados lotes de energia um após
uma sôvez, ou sequencial, em
do exceclente e o aumento da liquidez nos leilões. A análise efetuada permite o outro. Krishna (2002);Menezes &
Monteiro (2005) concluíram qrie leilões simultâneos procluzem
definir a participação de uma determinada emPresa nos leilões de compra
e
resultados dis-
pela ttntos dos leilões sequenciais, considerando
vencla de ànergiã elétrica a partir das informações particulares disponíveis agentes nãutros ou aversos ao risco.
Mercados e Reguloçõ o da Energio
Elétrico aApÍTULo 4 ' Leilões de Compra e Vendo de Energia ELétrÍca no Ambiente... 169
168

DE eiétrica em sistemas de potência. A seguir serão analisados alguns desses mode-


4.3 MODELOS PARA LEILõES DE COMERCIALIZAçÃo Jos com o problema de otimização correspondente associado a partir dos objeti-
ENERGIA ELÉTRICA vos traçados em cada um deles. As variáveis utilizadas na representação desses
são as seguintes:

Formulaçôes de Modelos de Comerclalização

t. Índice para os vendedores


índice para os compradores
L índice para os tipos de produtos
Preço do vendedor I para o comprador 7, produtos homogêneos, agentes
especificados
Preço do comprador j para o vendedor i, produtos homogêneos, agentes
especificados
Preço do vendedor i, produtos homogêneos, agentes não especificados
Preço do compradorl, produtos homogêneos, agentes não especificados
Preço do vendedor i, produtos heterogêneos de uma classe específica h
Preço do compradorf, produtos heterogêneos de uma classe específica h
Preço de reserva definido pelo vendedor I
Preço de reserva definido pelo compradorl
lVontante vendido pelo vendedor ipara o comprador/, agentes especificados
(homogêneo)
Montante vendido pelo vendedor i, agentes não especificados (homogêneo)
Montante comprado pelo compradorl, agentes não especificados (homogêneo)
l/ontante vendido pelo vendedor I (produto heterogêneo de uma classe h)
[Vlontante comprado pelo compradorl (produto heterogêneo de uma classe h)
Montante não vendido de um vendedor I
N4ontante não comprado pelo compradorl
Capacidade de suprimento do vendedor I
Demanda potencial do compradorl
Número total de vendedores
Número total de compradores
l: Número de classes de produtos (heterogên eos)

Dekrajangpetch & Sheblé (1999)


T
o
L70 Mercodos e da Elétricr:: C.\PÍTULo 4 a Leilões de Compro e Venda de Energio Elétrica no Ambiente...
L7L

A partir dessas variáveis definiclas serão apresentados a seguir alguns mo- b) Produtos Homogêneos, Agentes Especificados, preços Determinados pelos
clelos que podem ser utilizaclos na comerci alização cle energia elétrica juntamen- l/endedores e com Preços de Reserva (definidos pelos compradores):
te corrl as funções que se pretende otimizar em cada um deles. Em todos esses Nesse modelo de leilão de compra, a otimização será definida a partir da
modelos, a função a otimizar são os excedentes financeiros produziclos em cada nriirimização da função custo total dos compraclores determinada pelás preços
um deles. Essa otimização será definida pelo organizador do leilão que procu- dos produtos comercializados entre os agentes especificaclos e suas respectivas
rará atingir o(s) objetivo(s) traçado(s) por ele quando da formatação do reÍeridr clriantidades, acrescida dos montantes não adquiridos pelos compradóres em
leilão. Como se trata de excedentes financeiros, a otimização constituiria a mini- virtude dos preços de reserva terem sido atingidos e valorados por esses preços,
mização da função custo no caso dos leilões de venda, da maximização da fur- a:rrcla sujeita às restrições de capacidade e demanda dos agentes participantes.
entre a
ção receita no caso dos leilões de compra e da maximização da diferença
função receita e a função custo, no caso de leilões duplos.
A partir dos tipos de proclutos a serem comercializados e da determinação
dos preços dos mesmos, os seguintes modelos de formatação de leilões para i
Mín.( i L,*
x,i,Tj,,' i=7 j=1-'" 'l
* t
j=1
nn1Tn1)

comercialização em mercados de energia podem ser definidos juntamente com


11

suas funções de otimização:


s.a z ,, .
i=1
S, i = 1, 2,..., m (capacidade de fornecimento clos vendedores)
a) Produtos Homogêneos, Agentes Especificados, PÍeços Determinados pelÚs
nt
Vendedores e Sem Preços de Reserva:
Nesse modelo de leilão de compra, a otimização será deÍinida a paltir da Íiti- z
i=1,
xi, + "171 2 D1 j= 1,2,...,n (demanda potencial doscompradores)
nimização da função custo total dos compradores determinada pelos preços clos
produtos comercializados entre os agentes especificados e suas respectivas quarl- *,, u O i=L,2,...,m e j=L,2,...,n
iidrd"r, sujeita às restrições de capacidade e demanda dos agentes participantes.
oB3.: c., seria o preço mínimo final ofertado pelo vendedor I ao compradorT e
tlt n .r, o montante comercializado entre esses agentes, nn, é o preço acima do qrrui
o
Mín. I
x,i i=1 I L ..^..
conrprador não aceita comprar (reserva) e y,, seria o montante não adquiridÀ pelo
comprador j.
i=1

Q Produtos Homogêneos, Agentes Especificados, preços Determinados pelos


s.a L
j=1.
x. s S i=1,,2,..., m (capacidade de fornecimento dos vendedores) Compradores e Sem Preços de Reserva:
Nesse modelo de leilão de venda, a otimização será d.efinida a partir da ma-
ximização da função receita total dos vendedores determinada pelás
preços dos
produtos comercializados entre os agentes especificado, * rrrr rãrpectlvas
I ,,,'t = D,t' i = 1,2, ...,n(demanda potencial dos compradores) quan-
tidades, sujeita às restrições de capacidade e àemanda dos agentes
i=\ participantes.
x,20 i=L,2,...,m e j=1,2,..-,n t11

OBS: seria o preço mínimo final ofertado pelo vendedor i ao compradorf e r,


c-.-
Máx
x..
T j=1
Z c...x..
U

seria a quantidade negociada do produto entre esses agentes i ef.

I
II

x,j . S, i = 1,2,..., m (capacidade de Íornecimento dos vendedores)


Mercodos e do EIétrici: CrpÍrulo 4 a Leilões de C e Venda de E Elétrico no Ambiente... 173
L72

suas respectivas quantidades, sujeita às restrições de capacidade e demanda dos


a qen tes particiPantes.
T
i=1
*ij < D ji= 1,2,..., n (clemanda potencial dos compradores)
t't7 11

m e j = L, 2, ..., n Máx. I I (cn,1-


*r,ro í= 1,, 2,..., x,j i 1 j=l ',,,)x,1

OBS.: c,,,- serta o preço máximo final ofertado


pelo compradorf ao vendedor I e:.;'
a quantidade comercializada entre esses agentes fl

d) Produtos Homogêneos, Agentes Especificados, Preços


Determinados pelos z
j=r
r (§ i = 1,2,..., m (capacidade de fornecimento dos vendedores)
vendedores):
Compradores e Com Preços de Reserva (definidos pelos
I
Ín
Nesse modelo de leilão de venda, a otimização será definida a partir da
determinada pelos preços *,j D jj=1,2,.'., n (demanda potencial dos compradores)
maxirnização da função receita total dos vendedores 1
'
respectivas
dos produtos comercializados entre os agentes especificados
C SUAS

acrescida agora dos montantes não vendidos pelos vendedores eln x.. >- 0 i=1,2, ..,m e j=L,2,..-,n
quantidades,
por esses
virtude dos seus Preços de teserva terem sido atingidos e valorados c. .. seria o preço máximo final ofertado pelo compradorT ao vendedor l, c -
agentes participantes.
preços, sujeita às restrições de capacidade e demanda clos It!
o pÍeço mínimo final ofertado pelo vendedor I ao comprador f e ;r, seria o
comercializado entre cada par de agentes I e i
lnn
Máx. ca;ixii * Z nsi,,ri)
f) i'rodutos Homogêneos, Agentes Não Especificados, Preços Determinados
"'rl, , s, 1 j=t

s.a T x
;1
+ \ si < S
i i = L, 2,..., m (capacidade de fornecimento dos vendedori:s

*ij > D j i= 1,2,..., n (demanda potencial dos compradores)


i=1
,rj , O i=1,2,...,ffi € i=L,2,"',n rt!1, Z L c,iÍ.i
ao vendedor I e
x,j i=l j=1 "'-
OBS.: cu, seria o preço máximo final ofertad.o pelo compradorT
entre eles,2,, é o preço abaixo do qual o
a quantidade do produto negociada
seria a q uantidade não r..qt < S. i='1,2,..., m (capacidade de fomecimento dos vendedores)
e
dedor i não aceita negociar (reserva) Y.-
pelo vendedor i.
tlt
s D; (demanda potencial dos compradores)
X v) j=1'
,L r
e) Produtos Homogêneos, Agentes EspeciÍicados, Preços Determinados
t-1

Vendedores e Pelos ComPradores e Sem Preços de Reserva: >o i=1,2,...,m


Nesse modelo de leilão duPlo, a otimização será definida a partir
da
determinada pela diferença c.- seria o preço mínimo final ofertado por cada vendedor i para o produto
mização da função receita total dos vendedores
seria a quantidade vendida do produto por cada um desses vendedores.
preços finais ofertados pelos compradores e pelos vendedores
L74 Mercodos e do Elétricc Cr pÍrulo 4 . Leilões de e Vendo de Energio ELétrica no Ambiente.. 175

g) produtos Homogêneos, Agentes Não Especificados, Preços Determinados nnl


telos Vendedores e Com Preços de Reserva (definidos pelo leiloeiro): Z Íu, 3 I S,i=r, 2, ..., n(capacidade cle fornecimento clos vendedores)
Nesse modelo de leilão de compra, a otimização será definida a partir da j=t i=1.
minimização da Íunção custo total dos compradores determinada pelo produto 0
xn,2 i=1,2,...,n
dos preços de cada agente vendedor e suas respectivas quantidades, acrescida
aindà do montante do produto homogêneo não adquirido pelos compradore'r OBS.: seria o preço máximo final ofertado por cada compradorf Para o produto
c,,-

em virtude do preço de reserva desse produto ter sido atingido e valorados por e r,, seria a quantidade do produto adquirida por cada um desses compradores.
esse preço, ainda sujeita às restrições de capacidade e demanda dos agentes par"
ticipantes. Saliente-se ç[ue, uma vez que os agentes não são especificados, o preço i) produtos Homogêneos, Agentes Não Especificados, Preços Determinados
de reserva, único por produto, será determinado pelo leiloeiro a partir de sinais ptlos Compradores e Com Preços de Reserva (definidos pelo leiloeiro):
de custos ou de disponibilidade a pagar emitidos pelos compradores' Nesse modelo de leilão de venda, a otimização será definida a partir da
lir.rximização da função receita total dos vendedores determinada pelo produto

(I clos preços máximos de cada agente comprador e suas resPectivas quantidades,


1n

Mín. c.iÍ., +
x..v.
firJr,) acrescida ainda do montante do produto homogêneo não comercializado pelos
i=7
vendedores em virtude do preço de reserva desse produto ter sido atingido e
vaiorados por esse preço, ainda sujeita às restrições de capacidade e demanda dos
s.a x..lJt < s. i=1,2,..., m (capacidade de fomecimento dos vendedores)
agentes participantes. Mais rtI.rravez, saliente-se que a partir da não especificação
1n clos agentes, o preço de reserva, único por produto, será determinado pelo
§r
L x,,+ !,,2 2
j=L
D; (demanda potencial dos compradores) leiloeiro a partir de sinais de custos ou de disponibilidade a receber emitidos
i=1 pelos vendedores.
x 20 yb>O i=1,2,...,m
t7

OBS.: c.. seria o preço mínimo final oÍertado por cada vendedor í pata o produto Máx. » cà-xr + 7[,y")
,.- ,u.iu a quantidade do produto vendida por cada um deles,2,, é o preço aci- xnj'\. j=1
"*u'do qual nenhum comprador aceita comprar tal produto (reserva) e yr seria
o montante não adquirido do produto em questão pelos compradores (uma vez n
que o seu preço de reserva foi atingido). s.a I 1
*nj s Dj j=1,2,..., n (demanda potencial dos compradores)

h) Produtos Homogêneos, Agentes Não Especificados, Preços Determinados


pelos CompÍadoÍes e Sem Preços de Reserva:
Nesse modelo de leilão de venda, a otimização será definida também a par-
É r,,+y.í í si (capacidade de fornecimento dos vendedores)
i=1. i=1.
tir da maximizaçáo da função receita total dos vendedores determinada pel';s
preços máximos de cada comprador para o produto e suas resPectivas quanti *r,j
'
y. > 0 j=1,2,...,n
dades, sujeita às restrições de capacidade e demanda dos agentes participanter;' OBS.: c,,, seria o preço máximo final ofertado por cada comprador jpara o Pro-
cluto e x, é a quantidade adquirida por cada compradorf , n,ê o preço abaixo do
n
qual nenhum vendedor aceita vender tal produto (reserva) e y" seria o montante
Máx.
xnj
z
j=1
c..x..
Pl t'l não vendido do produto em questão pelos vendedores (uma vez que o seu Preço
de reserva foi atingido).

s.a *ni 3 Dj j=1,2,..., n (demanda potencial dos compradores)


L76 Mercodos e Regulaçõo do Energta Elétri:q 4 Leilões de e Venda de o Elétrica no Ambiente... L77

j) Produtos Homogêneos, Agentes Não Especificados, Preços Determinados função deveria ser maximizada para cada um dos produtos heterogêneos (/i clas-
pelos Vendedores e pelos Compradores e Sem Preços de Reserva: ses ,-1e produtos) e ainda estaria sujeita às restrições cle capacidacle e clernanda
Nesse modelo de leilão duplo, a otimização será definida a paftir da ma- agentes participantes.
xrmização da função receita total dos vendedores determinada pela diferenla
n

I
t1t
entre o montante obtido pelo produto do preço máximo ofertado pelos compra-
dores e suas respectivas quantidades e o montante obtido pelo preço mínir-.-ro
Máx. I
x"i.tr, xr,i,nh=1, j=1
c...Í... - z
i=1.
c.._Y..
oferecido pelos vendedores com suas quantidades específicas. Essa função ainda
t78 Mercados e ReguLaçoo do E ELétri, t CRPÍruio 4 . Leilões de e Vendo de Elétrica no Ambiente... L79

tratégias a serem adotadas peios diversos agentes participantes e de suas carac- No entanto, outras funções poderiam vir a serem utilizadas na otimização e
terístlcas notaclamente aquelas voltadas ao seu comportamento perante o riscc. alocação dos produtos entre os agentes a partir de suas ofertas finais' Silva (2003)
Os moclelos anteriores formularam os problemas de otimização consideran- collsiclera um modelo de leilão em duas etaPas: a primeira compreenclendo um
clo quatro possibilidades para diferenciá-los: produtos homogêneos ou heterogê- Drocesso de maximização dos excedentes, de acordo com oS modelos anteriores
neos, agentes ofertantes especificados ou não especificados, preços definidos por à u s"grnda considerando um modelo de maximização cla quantidade negocia-
vendedãres, por compradores ou por ambos e com e sem Preços de reserva A cla e6r que são introduzidas novas restrições que farão com que os vendedo-
energia elétrica, em termos de sua estrutura física, é um ploduto homogêneo já res e compradores com oS melhores lances tenham preferência no negócio Sem
qr" * trata de um fluxo de elétrons multiplicado pela diferença de potencial a qr:e cletrimento da quantidade negociada. A formulação matemática desse modelo
esse fluxo se acha submetido considerac{o em um tempo específico. No entanto, encontra-se representada a Seguir, Sendo aS variáveis envolvidas Semelhantes àS
o Íormato do leilão pode considerar características específicas para essa energia c{os rnodelos anteriores.
como período de fornecimento, Ieaiustes nos Preços cle pagamento, Prazos Para
le Caso: Agentes Especificados
pagamento e outras considerações dessa ordem. Pode-se até estabelecer difererr-
çur qualidade da energia fornecida como fatores de diferenciação do produto. EtapaL: Maximização da Quantidade Negociada
"u
No entanto, com os sistemas interligados, a energia física entregue ao compraclcr
não é necessariamente produzida pelo vendedor correspondente. Dessa forma, fi't
IT
17

muitas vezes, oS contlatos de compra e venda de energia são contratos apenas ;i- Máx. Í..
nanceiros, amparados por lastros de energia alocados aos vencledores de acordo
x,i i=1 i=1
com os seus montantes de geração próprios ou adquiridos e das garantias est.t-
belecidas por eles, sem ter a obrigatoriedacle da entrega física do produto. Com
essas diferenciações, a energia elétlica vem sendo tratada em muitos ambien-
tes de comercialização como um produto heterogêneo (DEKRAJANGPETCH &
s.a z x,j '
j="1
S, í = 1',2, ..', m (restrições dos vendedores)

SHEBLÉ, 1999) ou múltiplo (KRISHNA, 2002). Essa consideração/ por sua vez,
nl
abre a possibilidade de um número crescente de formas e modalidades para o
leilão a ser realizado na comercialização dos produtos. z *,t 3
i=1
D j i=1,2,...,n (restrições dos compraclores)
O leiloeiro define as regras e Procedimentos para o mesmo. A partir dessas
regÍas e das calactelísticas de cada agente jogador, os preços a serem ofertaclos 0< xij < Ltij i=7,2,...,m e j=L,2,...,n
puiu or produtos vão sendo deÍinidos através de suas estratégias de atuação até On.ie a-. representa o universo de possíveis negócios entre o vendedor I e o com-
àtingirem seus valores finais. Os modelos em análise, a partir cla definição desses prador f . Esse universo corresponde aos máximos valores de disponibilidade do
pr"çã, finais, alocam as quantidades entre os agentes de acordo com suas ofertas veiirledor ou de demanda do comprador, desde que o preço a pagar do com-
iu*pr" visando à otimização requerida na formatação do leilão, seja ela de ma- prador seja maior ou igual ao preço de vencla do vendedor. Assim uij = xtjse o
ximização ou de minimizaçáo. Os modelos aplesentados sempre consideÍaram preço do comprador for maior que o do vendedor e xti3 x.i; Lt..= xri se o Preço
como funções de otimização a minimização clo montante a ser PaSo Pelos agen- clo comprador for maior e x,,3 x61. Se o preço do comprador for menor que o do
tes compradores, quando eles são definidores de preços ou a maximizaçáo do veneledor, tt..= 0.
montanie a ser recebido pelos agentes vendedores, quando eles são os determi-
nantes clos preços ou em leilões àuplos. ou seja, os modelos de Dekrajangpetch
& sheblé (1999) procuram sempre maximizar os excedentes do leilão. os leilões
são tratados como um problema de atribuição (assignruent problem) devendo s'er
resolvidos por algoritmos esPecíficos.
L$O Mercados e RegulaÇõo do Energia Elétrit":)

Etap a 2: Maximização dos Excedentes

zz
n
illn
Máx. (c6i1-'.,,)x,1
Máx. I
xri,xti i=1
crjxuj - I 'l
c,iÍ.i
11 '

í = 1., 2, ..., m (capacidacle de fornecimento dos


x S

iiÍi;=itx,:
sa i=1 i=1 i=1 i=t
i = 7, 2, ..., m (x1l
nido na etapa anterior)
x,, é o montante defi-
xuj D
vendedores)
i = 1,2,..., n (demanda potencial dos compradores)

I
il-L

j=L
L x,,. s, i = L,2,..., m (capacidade de fornecimento dos vendedores) 1
1x;i e o montante definido na etapa anterior)

3 Dj j = 1,2,..., n (demanda potencial dos compradores) j


Z 1x;,1 é o montante definido na etapa anterior)
1
,à ''j
i = 1", 2, ..., m (capacidade de fornecimento dos
20 i=L,2,...,m r"- í
x,,
" l=t,2,...,fl
S-
vendedores)

2s Caso: Agentes Não Especificados


Etapa 1: Maximização da Quantidade Negociada

Máx.
.Z_ *,, + I_ (c,,,,-c.,)x,
x.. r-r
! l-L

s.a. x.<5.
i=1, 2, ..., m (capacidade de fornecimento dos
s, I
vendedores)
xn, 3D i = 1,2,..., n (demanda potencial dos compradores)

i x,i- j=-t
i=1
Z rn,= o
já pnra o leilão de venda com os preços deÍinidos pelos compradores, o exceden-
te do vendedor agora seria:
03 x..3 u.. =1-,2,....,m
0< xr,.<u.. ='1,2, ....,n EC = (Prou,o,ntn, - Pri,,n)*QN"sn,in,ri

Onde a,, representa o universo de possíveis negócios entre o vendedor I e a bolsa para o caso do leilão duplo, esse excedente seria o Benefício Social cuja função
de comàrcialização e entre o comprador 7 e a bolsa. Esse universo corresponde otimizar seria:
aos máximos valores de disponibilidade do vendedor ou de demanda do conr-
BS = (Pcou,rrn,!0,' Pvr*trto,) *QN.Br.ir,tn'
prador, desde que o preço apagar do comprador seja maior ou igual ao preço
venda do vendedor de acordo com o que já foi apresentado anteriormente.
T

Mercados e RequloÇão da Energio Elétrico CApíruLo 4 ' Leilões de Compra e Vendo de Energia Elétrica no Ambiente.. 183
L82
te, ser perfeitamente racionais. A falta de informaçôes e o caráter temporal que
Deacorclocomoutrosparâmetrosc{eavaliação,poclern-seainclaconside- existem no processo (há um leilão hoje e haverá outro leilão no próximo mês, por
otimização do ieilão a especificar.
rar diferentes formatos purà u, funções de exemplo) é que tornam o jogo interessante. A Teoria dos Leilões, aPesar de ser
Paraacomercializaçaocleenergiaelétrica,algumasoutrasformasdeavaliaçãoo leilão' srna ciência, não pode ser considerada como exata, pois não são modelaclos nas
hrlaes também podem ãer utilizaclas.
;, o leiloeiro pode formatar
;; negociada (no caso em questão' lotes propostas de leilões aspectos psicológicos que, muitas vezes, norteiam a atitucle
maximizanclo a quantiàade cle produto e as ações dos agentes participantes do leilão.
seria como a anteriormente
ã" elétrica), em que a função de otimização
""".gi, ó",.í fo.mà.1" modelar o leilão seria a partir da maximização clo
;i.-",;;?;;;.
função de otimização seria o produto Fxemplos de Leilões no ACL:
vorume Íinanceiro negociado, em que a
e/ou a receber por cada unidade
;;;" , quanticlade negociacla e o preço 1!ug"' poderia ser ainda a otimização (ma' 1) Leilões de Venda
.ogo.iuàu. U*:lar: íormato puiu o leiláo
fecÀamento verificado no leilão, seja ele Ofertante: Empresas vendedoras de energia elétrica (geradores, comerciali-
ximização ou mlnlmlzaçao) no preço de
pelos vendedores, pelos compradores ou por
ambos' zadores, produtores independentes, autoprodutores e importadores).
ü;,d;
"'--- das restrições ob-
a f*ti, clas funções u àti.r,iru, definidas anteriormente, para as regras dt ]ogadores/Participantes: Empresas compradoras de energia elétrica (con-
adotadas
,u.rudá, para cada caso particular, das hipÓteses participantes do sumidores livres, comercializadores, distribuidores, geradores).
dos jogadores
clesenvolvimento do leilaà, das características . Leilão Aberto com Preços Ascendentes
.",*o(sejamelesneutros/aversosouproPensosaorisco),dosparâmetloseni Os jogadores ofertam quantidade de energia e/ou preço de compra; as
e dos objetivos finais a serem atingidos em cada
;r;;" a"râiu avaliar um leilão de vista do leiloeiro, o formato ou ofertas de maiores preÇos são as vencedoras do leilão. Nos leilões de pri-
um deles, cleve-se escolher, a partir do ponto meiro preço, a oferta vencedora paga o seu próprio preço ofertado; já no
função a otimizar e suas
modalidacle do leilão a utilizar com a corresponclente
de segundo preço, a oferta vencedora irá pagar o segundo maior preço
restrições.
ofertado. Nessa modalidade de leilão, os compradores podem alterar suas
ofertas no decorrer do leilão.
.
4.4 ALGUNS EXEMPLOS DE LEILõES DE COMPRA E VENDA