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Motivação

Recentemente foi decidida, pela Câmara Municipal de Braga (CMB), a venda e


votada, em reunião do executivo e em assembleia municipal, a alienação da antiga
Fábrica Confiança, não sendo aberta qualquer possibilidade de auscultar a população.
Esta decisão mostrou-se, desde logo, pouco democrática e, em todo o seu fundamento,
contraditória e pouco vantajosa para a cidade, por várias razões.
Efetivamente, é sabido que, no final do ano de 2012, vereadores da CMB votaram
consensualmente a expropriação da antiga fábrica. À data, o vereador Ricardo Rio, atual
presidente da CMB, votou a favor deste negócio, defendendo a importância transversal
da fábrica para o concelho. Já em 2013, enquanto candidato à CMB, o Dr. Ricardo Rio
afirmou que a fábrica deveria manter-se no erário público, de forma a impulsionar o
baluarte entre a cidade e a universidade, motor de desenvolvimento e potenciamento
jovem para a cidade. Na altura, o edifício representava uma possibilidade reiterada para
sede da Associação Académica da Universidade do Minho, bem como para estimular o
crescente movimento cultural e associativismo presente no concelho. Cinco anos
volvidos, a mesma figura, agora num cargo diferente, volta atrás na sua decisão,
apontando a sua “vontade” para a venda dos terrenos da fábrica, revertendo uma
promessa eleitoral e, acima de tudo, ignorando a memória dos bracarenses, algo que não
deve, nem nunca poderia ser um negócio.
Gera-se, assim, um debate público e interessado em torno do futuro das
instalações da antiga Fábrica Confiança, ao qual não posso deixar de acrescentar uma
comparação, quem em nada é novidade, mas que em tudo é fundamental, e a reter: A
Fábrica Confiança está sediada numa freguesia (São Victor) onde não existe qualquer
dispositivo cultural ao serviço dos seus habitantes. Por seu turno, São João da Madeira,
que é um concelho com um número de habitantes equivalentes ao de São Victor, criou,
a partir do complexo da antiga fábrica Oliva, o Oliva Creative Factory, gerido pela Câmara
municipal, onde está sediada uma incubadora de empresas e é dinamizado o comércio e
a arte. Para além deste exemplo, existem inúmeros casos, por todo o país, de
reaproveitamento industrial em prol de soluções sustentáveis e de mãos dadas com o
bem público, sempre resguardando a memória imaterial e a defesa do património dos
concelhos.
Proposta

É, com base na premissa que acima defendi, da manutenção das instalações da


antiga Fábrica Confiança enquanto património público e memória dos tempos áureos da
indústria bracarense, que venho, através desta moção, propor que a Juventude Socialista
se pronuncie pela não alienação da mesma, apresentando opções viáveis, de olhos postos
na capacidade deste espaço potenciar novas valências para a cidade.
Em primeiro lugar, proponho a construção de uma residência universitária,
pública e acessível, como alternativa à lacuna do alojamento para os estudantes
universitários, problema agravado pela atual bolha imobiliária que assola todo o país,
dificultando o arrendamento face aos preços praticados pelo mercado.
Em segundo lugar, proponho a criação ou dinamização de um hub cultural no
mesmo espaço, tal como acontece em muitas outras cidades do país, de forma a
potenciar a atividade cultural e associativa existente na cidade de Braga.
Por último, relembro que o investimento neste edifício (Fábrica Confiança) se
encontra integralmente pago, ou seja, não constitui qualquer encargo para o Município,
declaração a partir da qual peço a aprovação desta moção à presente assembleia, pela
projeção de uma cidade de futuro, sem esquecer o passado.
Subscritores

Nº de Militante Nome
133111 Ana Catarina Tavares
123630 Bruno Gonçalves
124421 Eulália Antunes
124503 Nuno Pereira
93922 Eduardo Coturela
124463 João Pinheiro
129816 Tiago Abelheira
135696 Gonçalo Faria
123206 João Moniz
130924 José Freitas
135622 Cátia Rosário

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