Você está na página 1de 5

UNIDERP – Curso de Enfermagem. Disciplina de Urgência pré-hospitalar.

CINEMÁTICA DO TRAUMA
Processo de análise e avaliação da cena do acidente, com intuito de se estabelecer
um diagnóstico o mais precoce possível das lesões resultantes da energia, força e
movimentos envolvidos. O tratamento bem sucedido dos traumatizados depende da
identificação das lesões ou das possíveis lesões e de uma boa avaliação.
As condições de avaliação e o atendimento ao traumatizado podem ser divididos em
três fases: pré-colisão, colisão, pós-colisão.
PRÉ-COLISÃO: inclui os eventos que precedem o incidente, como ingestão de álcool e
drogas, doenças preexistentes, estado mental do paciente.
COLISÃO: Inicia-se no momento do impacto. Estimar a força de impacto e quantidade de
energia transferida para a vítima. Na maioria dos traumas ocorrem três impactos: (1) o
impacto dos dois objetos, (2) o impacto dos ocupantes com o veículo, (3) o impacto dos
órgãos dentro dos ocupantes.
PÓS-COLISÃO: Começa tão logo a energia da colisão é absorvida e o doente é traumatizado.
As informações obtidas reforçam o diagnóstico de suspeita. O socorrista deve traduzir estas
informações em previsão de lesões e tratamento adequado.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS:

 PRIMEIRA LEI DO MOVIMENTO DE NEWTON: Afirma que um corpo em repouso


permanecerá em repouso e um corpo em movimento permanecerá em movimento,
a menos que uma força externa atue sobre ele.

 LEI DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA: afirma que a energia não pode ser criada nem
destruída, mas pode mudar de forma. Um objeto em movimento para que ele pare
completamente, deve perder toda a sua energia convertendo-a em outra forma de
energia, ou transferindo esta energia para outro objeto.

 CAVITAÇÃO: Um objeto em movimento atinge o corpo humano, ou quando o corpo


humano em movimento atinge um objeto parado. O tecido do corpo humano é
arremessado para longe de sua posição original criando uma cavidade.
CAVITAÇÃO TEMPORÁRIA: É causada por estiramento dos tecidos; surge no momento do
impacto, os tecidos conservam sua elasticidade e retomam a sua condição inicial.
CAVITAÇÃO PERMANENTE: É causada por compressão ou laceração dos tecidos.

 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA (DENSIDADE/ ÁREA DE CONTATO): Quanto mais denso


o tecido, maior o número de partículas atingidas por um objeto em movimento.
Portanto, a quantidade de energia transferida dependerá do tipo de órgão que sofre
o impacto. A quantidade de energia transferida que causaria danos na vítima
depende, da energia do objeto e da densidade do tecido no trajeto da transferência
de energia.

CLASSIFICAÇÃO DO TRAUMA

COLISÕES:
ACIDENTES QUE PRODUZEM DESACELERAÇÃO RÁPIDA ACARRETAM EM TRÊS COLISÕES:
1. O VEÍCULO COLIDE COM UM OBJETO OU OUTRO VEÍCULO;
2. O OCUPANTE NÃO CONTIDO COLIDE COM A PARTE INTERNA DO VEÍCULO;
3. OS ORGÃO INTERNOS DO OCUPANTE COLIDEM UNS COM OS OUTROS OU COM A
PAREDE DA CAVIDADE QUE OS CONTÉM.
COLISÃO AUTOMOBILÍSTICA
As colisões automobilísticas podem ser divididas em cincos tipos:
1. IMPACTO FRONTAL;
2. IMPACTO TRASEIRO;
3. IMPACTO LATERAL;
4. IMPACTO ANGULAR;
5. CAPOTAMENTO.

 IMPACTO FRONTAL: A intensidade do estrago no carro indica sua velocidade


aproximada no momento do impacto. Quanto maior a velocidade do veículo, maior a
transferência de energia e maior a probabilidade de que os ocupantes tenham lesões
graves.
LESÕES PROVÁVEIS – TRAJETÓRIA POR CIMA: o movimento do corpo para a frent leva-o para
cima, sobre o volante.
TRAUMA CRANIANO, COLUNA CERVICAL; FRATURAS DE COSTELAS, AFUNDAMENTO DO
TÓRAX, CONTUSÃO PULMONAR, PNEUMOTÓRAX, CONTUSÃO MIOCÁRDICA OU LESÕES DOS
GRANDES VASOS, RUPTURAS DE ORGÃOS ABDOMINAIS (FÍGADO E BAÇO, VASOS RENAIS).

LESÕES PROVÁVEIS- TRAJETÓRIA POR BAIXO: o ocupante continua a mover-se para baixo em
direção ao assento e para frente em direção ao painel ou à coluna de direção.
LUXAÇÃO OU FRATURA DE TORNOZELO, DE JOELHO, RUPTURA DE LIGAMENTOS OU
TENDÕES DO JOELHO, LESÃO DA ARTÉRIA POPLÍTEA, FRATURA DE FÊMUR,LUXAÇÃO
POSTERIOR DA ARTICULAÇÃO DO ACETÁBULO.

 IMPACTO TRASEIRO
LESÕES PROVÁVEIS: Se o encosto da cabeça não estiver bem posicionado para mover a
cabeça junto com o tronco, então o corpo em contato com o carro será acelerado antes da
cabeça. Pode ocorrer ruptura de ligamentos, lesão cervical.

 IMPACTO LATERAL
LESÕES PROVÁVEIS:
TRAUMA DE CRÂNIO, LUXAÇÃO OU FRATURA DAS VERTEBRAS CERVICAIS, TÓRAX INSTÁVEL
LATERAL, PNEUMOTÓRAX, RUPTURA TRAUMÁTICA DA AORTA OU DIAFRAGMA, FRATURA DE
PELVE, LESÃO DO BAÇO OU FÍGADO.
OBSERVAR LESÕES ENTRE OS OCUPANTES DO VEÍCULO, POR LESÃO SECUNDÁRIA COM
OUTROS PASSAGEIROS.

 IMPACTO ANGULAR
RESULTAM EM LESÕES QUE SÃO UMA COMBINAÇÃO DAS COLISÕES COM IMPACTO FRONTAL
E LATERAL.
LESÕES MAIS GRAVES SÃO OBSERVADAS NA VÍTIMA MAIS PRÓXIMO DO PONTO DE
IMPACTO.
 CAPOTAMENTO
LESÕES MAIS GRAVES OCORREM COMO RESULTADO DA FALTA DE CONTENÇÃO;
OS OCUPANTES PODEM SER EJETADOS E ESMAGADOS PELO PRÓPRIO VEÍCULO OU
SOFREREM LESÕES PELO IMPACTO COM O CHÃO.

DISPOSITIVOS DE CONTENÇÃO:
 CINTO DE SEGURANÇA: O USO CORRETO TRANSFERE A FORÇA DO IMPACTO DO
CORPO DA VÍTIMA PARA O CINTO DE SEGURANÇA, A PRESSÃO DO IMPACTO É
ABSORVIDA PELA PELVE E PELO TÓRAX.
 AIR BAGS: ABSORVEM A ENERGIA, AMORTECENDO O IMPACTO DO CORPO CONTRA
O INTERIOR DO VEÍCULO, PODEM CAUSAR ABRASÕES;
INFLAM E DESINFLAM RAPIDAMENTE, NÃO SÃO EFICIENTES EM IMPACTOS TRASEIRO,
LATERAL, CAPOTAMENTO E SEGUNDO IMPACTO.

COLISÕES DE MOTOCICLETA
 IMPACTO FRONTAL: O MOTOCICLISTA COLIDE COM GUIDÃO.
LESÕES PROVÁVEIS: TRAUMA CRANIANO, TÓRAX, ABDOME, OU PELVE,
DEPENDENDO DA PARTE DO CORPO QUE COLIDIR COM O GUIDÃO.
O MOTOCLICLISTA PERMANECE COM OS PÉS NOS PEDAIS:
LESÕES PROVÁVEIS: FRATURA BILATERAL DE FÊMUR.

 IMPACTO ANGULAR: A MOTOCICLETA CAI SOBRE O MOTOCICLISTA, OU PRENSA O


MOTOCICLISTA ENTRE O VEÍCULO E O OBJETO ATINGIDO.
LESÕES PROVÁVEIS: FRATURA OU LESÃO EXTENSAS DE PARTES MOLES DOS
MEMBROS SUPERIORES, OU INFERIORES.

 IMPACTO COM EJEÇÃO:


A LESÃO OCORRE NO PONTO DE IMPACTO, IRRADIANDO-SE PARA O RESTO DO CORPO À
MEDIDA QUE A ENERGIA É ABSORVIDA.

LESÕES EM PEDESTRE: ATROPELAMENTO


NO ATROPELAMENTO, AS LESÕES VARIAM CONFORME A ALTURA DA VÍTIMA.
EXISTEM TRÊS ETAPAS DISTINTAS NA COLISÃO ENTRE PEDESTRE E VEÍCULO MOTORIZADO.

ADULTO: VIRA-SE PARA FUGIR DA COLISÃO


1. O IMPACTO INICIAL É NAS PERNAS E ÀS VEZES NOS QUADRIS.
2. O TRONCO ROLA SOBRE O CAPÔ DO CARRO.
3. A VÍTIMA CAI DO CARRO NO ASFALTO, GERALMENTE DE CABEÇA, COM POSSÍVEL
TRAUMA DA COLUNA CERVICAL.

CRIANÇA: POSICIONA-SE DE FRENTE


1. O IMPACTO INICIAL É NAS PERNAS (ACIMA DO JOELHO) OU A PELVE, LESANDO
FÊMUR OU A CINTURA PÉLVICA.
2. CABEÇA E FACE DA CRIANÇA ATINGEM A FRENTE OU A PARTE DE CIMA DO CAPÔ DO
VEÍCULO: PODE AINDA CAUSAR LESÕES INTRA-ABDOMINAIS OU INTRATORÁCICAS
GRAVES.
3. A CRIANÇA PODE NÃO SER ATIRADA PARA LONGE DO VEÍCULO, MAS PODE FICAR
PRESA E SER ARRASTADA PELO VEÍCULO: PRESUMIR A EXISTÊNCIA DE INSTABILIDADE
DA COLUNA CERVICAL E CRÂNIO.

QUEDAS:

DEVE-SE AVALIAR:
1. ALTURA DA QUEDA: SUPERIOR A TRÊS VEZES A ALTURA DA VÍTIMA SÃO
CONSIDERADAS GRAVES.
2. SUPERFÍCIE SOBRE A QUAL A VÍTIMA CAIU: AVALIAR GRAU DE COMPRESSIBILIDADE.
3. PARTE DO CORPO QUE TOCOU PRIMEIRO O SOLO.

LESÕES POR EXPLOSÃO


A EXPLOSÃO PODE SER DIVIDIDA EM TRÊS FASES:
Lesões Primária – são causadas pela onda de pressão da explosão. Atingem órgãos que
contém gás, como tímpano, os pulmões e os intestinos. As lesões incluem sangramento
pulmonar, pneumotórax, embolia gasosa ou perfuração do tubo digestório, lacerações de
pequenos vasos. Essas ondas podem causar dano grave ou a morte, sem sinais externos de
lesão.
Lesões secundárias – ocorrem quando a vítima é atingida por detritos da explosão. Incluem
ferimentos penetrantes, lacerações e fraturas.
Lesões terciárias – resultam quando a vítima é lançada contra um objeto pela força da
explosão. A lesão ocorrem no ponto de impacto.

LESÕES POR ARMA BRANCA

A gravidade dos ferimentos por arma branca depende da região anatômica atingida,
da extensão da lâmina e do ângulo de penetração.
A lesão produzida pela faca depende do movimento da lâmina dentro da vítima.
LESÕES POR ARMA BRANCA- ARMAS DE BAIXA ENERGIA. ESSAS ARMAS PRODUZEM
LESÃO SOMENTE COM AS PONTAS AFIADAS.
FERIMENTO POR ARMA BRANCA NA REGIÃO INFERIOR DO TÓRAX PODE LESAR ESTRUTURAS
TORÁCICAS BEM COMO INTRA-ABDOMINAIS. AVALIAR O SEXO DO AGRESSOR, HOMENS
POSSUEM TENDÊNCIA DE ESFAQUEAR COM O IMPULSO PARA CIMA, AO PASSO QUE AS
MULHERES TENDEM A ESFAQUEAR PARA BAIXO. O FERIMENTO PODE SER PEQUENO NA
ENTRADA, MAS A LESÃO INTERNA PODE SER EXTENSA.

LESÕES POR ARMA FOGO- ARMAS DE MÉDIA E ALTA ENERGIA


O TAMANHO DA ÁREA DE SUPERFÍCIE FRONTAL DO PROJÉTIL É INFLUENCIADO POR TRÊS
FATORES: PERFIL, ROLAMENTO E FRAGMENTAÇÃO.
PERFIL: DESCREVE O TAMANHO INICIAL DE UM OBJETO E SE ESSE TAMANHO MUDA NO
MOMENTO DO IMPACTO. SE O PROJÉTIL COLIDIR COM A PELE E SE DEFORMAR, ATINGE
UMA ÁREA MAIOR DE TECIDO, RESULTANDO EM MAIS LESÃO.
ROLAMENTO: INDICA QUE O PROJÉTIL ROLA E ASSUME DENTRO DO CORPO UM ÂNGULO
DIFERENTE DO QUE TINHA AO ENTRAR NO CORPO.
FRAGMENTAÇÃO: INDICA QUE O PROJÉTIL DEPOIS DE ENTRAR NO CORPO, ROMPE-SE. SE O
PROJÉTIL SE FRAGMENTAR, ELE SE ESPALHA SOBRE UMA ÁREA MAIOR.
ESTAS VARIÁVEIS INFLUENCIAM NA EXTENSÃO E DIREÇÃO DA LESÃO
OUTROS FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O DANO TECIDUAL:
FORMAÇÃO DE VACUO/CONTAMINAÇÃO DO FERIMENTO;
DISTÂNCIA DO DISPARO;
A LESÃO TECIDUAL OCORRE NO LOCAL DE ENTRADA NO CORPO, NO TRAJETO DA
BALA E NO LOCAL DE SAÍDA DO CORPO.

FERIDA DE ENTRADA: APRESENTA-SE REDONDO OU OVAL, PEQUENA ÁREA DE ABRASÃO


(RÓSEA OU PRETA), SE A BOCA DA ARMA DE FOGO É COLOCADA CONTRA A PELE, OS GASES
EM EXPANSÃO PENETRAM NO TECIDO E PRODUZEM CREPITAÇÃO, QUEIMADURAS 5 A 7 CM,
ADERÊNCIA DA FUMAÇA E IMPREGNAÇÃO DA PÓLVORA;
FERIDA DE SAÍDA: APRESENTA-SE ESTRELADO, BORDAS IRREGULARES E MAIOR QUE A
FERIDA DE ENTRADA, NÃO EXISTE ABRASÃO.

EFEITOS REGIONAIS DE TRAUMA PENETRANTE

CABEÇA: O TECIDO CEREBRAL É COMPRIMIDO PRODUZINDO LESÃO OU ATÉ EXPLOSÃO DA


ESTRUTURA;
TORÁX: LESÃO PULMONAR, LESÃO MIOCÁRDICA (PODE SER CONTROLADA PELA
CONTRAÇÃO), VEIA CAVA E AORTA SÃO FATAIS E LESÃO DE ESOFAGO.
EFEITOS REGIONAIS DE TRAUMA PENETRANTE
ABDOME: LESÃO POR ARMA DE BAIXA ENERGIA PODE NÃO CAUSAR LESÃO IMPORTANTE,
LESÃO DE MÉDIA ENERGIA PRODUZ MAIS LESÕES DE ESTRUTURAS SÓLIDAS E VASCULARES
PODEM NÃO CAUSAR EXSANGUINAÇÃO IMEDIATA.
EXTREMIDADES: PODEM INCLUIR LESÕES ÓSSEAS, MUSCULARES E VASCULARES.