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Riscos em Projetos Fotovoltaicos

1 INTRODUÇÃO

Desde a adoção da resolução normativa REN 482/2012 e REN 687/2015 pela Agência Nacional
de Energia Elétrica (ANEEL), em que se procede a regulamentação de gerações distribuída no Brasil
(ANEEL, 2012; ANEEL, 2015), o futuro da energia solar fotovoltaica permanece desconhecido. Apesar
do crescimento do setor de energias renováveis, cogeração e biomassa, o segmento carece do
cumprimento da regulação por parte das concessionarias de energia.
A ausência de um quadro regulamentar específico para a energia solar fotovoltaica introduz uma
nova variável que, juntamente com o intrínseco de grandes projetos de construção de energia, exige
uma identificação de riscos em uma fase ainda conceitual do projeto.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

De um ponto de vista genérico, estão disponíveis na literatura diferentes definições de risco, sendo
a primeira a mais adequada para projetos de sistemas fotovoltaicos:

• A exposição à possibilidade de perda ou ganho econômico-financeiro, dano físico ou lesão, ou atraso,


devido à incerteza associada ao prosseguimento de uma determinada ação (Perry e Hayes, 1985).
• A probabilidade de perdas em um projeto (Jaafari, 2001; Kartam e Kartam, 2001).
• A probabilidade de ocorrência de um evento prejudicial ao projeto (Baloi e Price, 2003).

Com base nessas definições, o PMBOK® Guide 5th Edition 2013, sugere que uma gestão de
risco eficaz envolve um processo de quatro fases:

1. Identificação dos riscos: o processo de determinação de quais os riscos podem afetar o projeto
eas metodologias para documentar suas características.
2. Avaliação dos riscos: o processo de priorização do risco para posterior análise ou ações
subsequêntes, avaliando e combinando a probabilidade de ocorrência e impacto.
3. Resposta aos riscos: o processo de desenvolvimento de opções e ações para melhorar
asoportunidades e reduzir as ameaças que impactam os objetivos do projeto.
4. Monitoramento e atualização dos riscos: o processo de implementação de planos de resposta
aosriscos, rastreamento de riscos identificados, monitoramento de riscos residuais, identificação
de novos riscos e revisão da evolução dos riscos iniciais.

Este artigo centra-se na primeira fase do processo descrito acima, uma vez que são apresentados
procedimentos para a identificação dos riscos em projeto de grandes usinas fotovoltaicas, deixando
para futuras pesquisas a execução das outras etapas do processo de avaliação de riscos, mais
relacionadas à fase de construção do projeto.

3 METODOLOGIA

Nesta seção propõe-se um modelo de identificação de risco para projetos de sistemas fotovoltaicos
de grande porte. O modelo consiste em três etapas:

1. Estabelecer um grupo de especialistas para a identificação dos riscos.


2. Identificar as fontes de risco.
3. Construir uma estrutura hierárquica com os riscos identificados para facilitar a análise.

3.1 Estabelecimento de um grupo para a identificação dos riscos.

Os membros de um grupo de identificação de riscos devem ser cuidadosamente selecionados. Os


especialistas selecionados devem possuir um alto grau de conhecimento e experiência prévia em
projetos similares de energia renovável (Hu e Zou, 2011).
A equipe de avaliação de riscos deve incluir pelo menos os seguintes especialistas: gerentes de
projeto, membros da equipe de projeto, projetistas e especialistas na área, porém fora da equipe do
projeto ou partes interessadas a critério do gerente do projeto.
2

Neste artigo, o painel de identificação de risco é composto por quatro especialistas com vasta
experiência em projetos de geração fotovoltaica.

• E1: Gerente de Projetos, com experiência no projeto e construção de usinas solares fotovoltaicas.
• E2: Investidor em instalações para produção de eletricidade a partir de fontes renováveis de energia.
• E3: Gerente de uma empresa de projetos de construção fotovoltaica EPC (Engineering,Procurement
and Construction).
• E4: Supervisor de instalações fotovoltaicas do departamento de O&M (Operation and Maintenance).

3.2 Identificação das fontes de risco

A identificação dos riscos tem como objetivo detectar com antecedência todos os fatores que
podem impactar o projeto, a fim de eliminar ou reduzir os riscos negativos e aumentar os riscos positivos
ou oportunidades. Uma correta identificação dos riscos é essencial, uma vez que o restante dos
processos de gestão de riscos, como a análise de risco e as estratégias de resposta ao risco, só podem
acontecer nos riscos potenciais identificados.
A identificação de riscos é um processo iterativo presente ao longo do ciclo de vida do projeto, uma
vez que os riscos podem evoluir ou aparecer novos à medida que o cronograma do projeto avança. A
frequência de iteração depende das características do projeto. Como os projetos de sistemas
fotovoltaicos são geralmente ágeis (abaixo de seis meses), são necessárias sessões de identificação
e atualização de riscos mais frequêntes.
Existem alguns métodos úteis para identificar os riscos potenciais de projetos, como lista de
verificação, diagramas de influência, diagramas de causa e efeito, análise do modo de falha e seus
efeitos, árvores de falhas e árvores de eventos (Yim et al., 2015; Ahmed, Kayis e Amornsawadwatana,
2007, Chapman 1998).

3.3 Construindo uma estrutura hierárquica com os riscos identificados

Os membros do grupo de avaliação de risco são orientados a identificar e classificar os riscos


associados ao projeto de construção (Nieto-Morote e Ruz-Vila, 2011). Para decompor os riscos em
detalhes adequados nos quais eles podem ser avaliados de forma eficiente, uma estrutura hierárquica
de riscos é gerada (Zhu et al., 2015), (Klein e Cock, 1998). Os riscos são classificados em N grupos
com base nos tipos de riscos, como mostrado na Fig. 1.
O estado da arte no gerenciamento de riscos contém várias classificações (Athanasios, Read e
Ioannou, 2016) (Zhao e Li, 2015) (Serhat, 2011), (Millera e Lessardb, 2001), (Aragonés-Beltrán et al.,
2009) . Juntamente com a experiência e qualificação do comitê de identificação de risco, é criada uma
classificação geral de riscos que se revela mais adequada para o tipo de projeto em questão:

1. Riscos Políticos
2. Riscos Técnicos
3. Riscos Econômicos
4. Riscos no Cronograma
5. Riscos Legais
6. Riscos Sociais.

Um questionário em duas fases é completado pelo comitê de especialistas. Na primeira fase,


os especialistas devem responder à seguinte pergunta: "Com base na classificação geral dos riscos,
identificar as possíveis condições gerais que podem afetar o projeto em cada classificação".
A segunda fase remete à identificação de todos os riscos específicos do projeto. A questão que
os especialistas devem responder é "Para cada um dos subgrupos de riscos que formam a estrutura
hierárquica, identificar e descrever os riscos que podem surgir no projeto". Como resultado, uma
estrutura hierárquica de riscos de três níveis é obtida.
3

Fig. 1 - Riscos genéricos exemplificando a estrutura hierárquica.

4 ESTUDO DE CASO

Como forma de testar a metodologia de identificação de riscos, é utilizado um projeto de uma usina
solar fotovoltaica de 321,98 MW localizada em Cassilândia/MS. Esta usina está em fase de estudo e
processamento inicial. As características técnicas gerais do projeto são:

• Área da usina solar: 978 ha


• Quantidade de painéis fotovoltaicos: 1,006,200 painéis de 320 Wp
• Suporte para estrutura de painéis fotovoltaicos: estrutura fixa com ângulo de inclinação de 25º
eazimute de 0º, com sistema monopolar rebaixado.
• Inversores: 260 inversores de 1 MVA
• Primeiro nível de elevação de tensão: 65 estações de transformação de 3 MVA
• Redes de distribuição interna subterrânea para conexão das estações de transformação
• Subestação central da usina: formada por quatro cubículos de 100 MVA – 34,5/138 kV
• Linha de transmissão aérea em 138 kV de 12 km de comprimento
• Subestação transformadora em conexão com a rede básica: formado por um cubículo de 300 MVA–
138/230 kV.

A complexidade técnica e administrativa do projeto é alta. Além disso, a área ocupada é


extensa, com grande impacto no entorno social, econômico, administrativo e ambiental.
A duração do projeto é um objetivo chave, e os atrasos do projeto são riscos importantes que
o comitê realizou com o máximo de atenção. Além disso, outras fontes de risco podem levar ao atraso
do projeto, como a falta de qualidade da oferta de mão-de-obra, mudanças de projeto, e falta de
recursos financeiros.
Seguindo a classificação macro apresentada, os riscos são agora levantados e classificados de acordo
com as partes interessadas e os impactos gerados.

4.1 Riscos políticos

No que diz respeito aos riscos políticos, a influência da política não é apenas nacional, existem
partes interessadas internacionais, como países do G-20 que assinaram tratados para redução das
emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Como é visto nas tabelas de risco, a política nacional
também possui parte significativa do gerenciamento de riscos, principalmente na aprovação de
licenças. É necessário frizar o momento em que a política brasileira passa, com inúmeros escândalos
de corrupção e instabilidade político no executivo.

4.1.1 Macroeconomia
Este grupo de riscos engloba os elementos associados à influência da política brasileira em
questões voltadas a produção de energia por meio de fontes alternativas. Atualmente, este tipo de
projeto situa-se no âmbito do plano brasileiro apresentado na COP-21 em Paris, sendo que em 2030,
o país deverá antingir (COP Report, 2016):

• 37% de redução na emissão de efeito estufa


• 23% da matriz energética proveniente de fontes como eólica, solar e biomassa
4

• Inexistência de desmantamento ilegal

Assim, o Brasil terá a liberdade de regulamentar os mercados das energias renováveis, na


medida em que o considerem adequado para atingir estes objetivos.

Tabela 1. Risco político - Macroeconomia.


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
1.1.1 - Nível de estabilidade política Estabilidade do governo
1-
1.1 - brasileiro
Riscos
Macroeconômia 1.1.2 - Mudanças em políticas Mudanças na política climática
políticos
energéticas feitas pelo governo
4.1.2 Planejamento urbano

Órgãos municipais, estaduais e federais autorizam as licenças de implantação, operação e


ambiental para o desenvolvimento do projeto. Deverão existir metodologias para gerenciamento de tais
partes interessadas e suas respectivas instituições. Ter o aval do poder municipal já é um início
interessante em se trantando de sistemas fotovoltaicos, uma vez que são necessárias extensões de
terra consideráveis, e as interfaces com assuntos relacionados ao planejamento urbano podem levar a
conflitos entre stakeholders.

Tabela 2. Risco político - Planejamento urbano.


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
1.2.1 - Aprovação pelo corpo Nível de interesse no projeto pelo
1- 1.2 - político local conselho local
Riscos Planejamento 1.2.2 - Obtenção da licença de Interesse do conselho de todas as
políticos urbano implantação instâncias em conceder licenças para
implantação, operação e ambiental
4.2 Riscos técnicos
4.2.1 Localização da usina

A seleção correta da localização da planta é essencial para o sucesso do projeto. Este projeto
está localizado na área de radiação V, de acordo com o CRECESB (2006), com um nível de
precipitação de 1300-1500 l/ano. A terra é uma área agrícola ligeiramente ondulada que hoje é
dedicada a pastoreio.
Tabela 3. Riscos técnicos - Localização da instalação.
GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
2.1.1 - Adaptação tecnológica às Mudanças climáticas podem
mudanças climáticas afetar o projeto durante seu
ciclo de vida
2.1.2 - Riscos de tempestades e Possibilidade de tempestades
enchentes fortes e inundações na área do
projeto
2- 2.1 - 2.1.3 - Estimativa da irradiação Existência de erro nas
Riscos Localização da solar estimativas de irradiação solar
técnicos planta para o local
2.1.4 - Terraplanagens Problemas técnicos associados
a sismos e acomodação
geológica
2.1.5 - Estudos geotécnicos Riscos associados com
problemas geotécnicos em
estruturas
4.2.2 Tecnologia fotovoltaica empregada

A seleção dos componentes principais da instalação fotovoltaica, tais como módulos


fotovoltaicos, estrutura de suporte e fixação, inversores de potência, é crucial para a realização bem
sucedida do projeto, e acarreta certos riscos. O projeto inicial da planta é composto por paineis
policristalinos, estrutura tracker, estações de inversores conectados à rede.
5

Tabela 4. Riscos técnicos - Riscos da tecnologia fotovoltaica.


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
2.2.1 - Novos sistemas de energia Risco no desenvolvimento de
solar fotovoltaica novas tecnologias fotovoltaicas
2.2.2 - Seleção do tipo do painel A seleção inadequada dos
fotovoltaico paineis pode afetar a
rentabilidade
2.2.3 - Seleção dos inversores Risco associado à seleção dos
2- 2.2 - Tecnologia inversores
Riscos do sistema 2.2.4 - Estrutura de suporte e Influência da seleção do
técnicos fotovoltaico fixação dos paineis material
2.2.5 - Conexão à rede elétrica Requer sistemas de controle
onerosos e com tecnologia de
ponta
2.2.6 - Sistemas de geração de Risco de desenvolvimento de
energia renovável novos sistemas de geração de
energia
4.3 Riscos econômicos

Como projeto de investimento, a avaliação dos riscos econômicos é de extrema importância, já


que se trata de um projeto de investimento real avaliado em R$ 904,475,000.

4.3.1 Operação da usina

A operação da usina é a fase mais delicada na perspectiva econômica, pois é a fase em que
os fluxos de caixa necessários para fazer pagamentos de financiamento e benefícios esperados para
o projeto ocorrem.

Tabela 5. Riscos econômicos - Operação da planta


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
3.1.1 - Custo de operação da Incertezas no custo
3 - Riscos 3.1 - Operação
usina operacional da planta
ecnonômicos da planta
3.1.2 - Custo de manutenção Incertezas no custo de
corretiva manutenção corretiva da usina
3.1.3 - Custo de manutenção Risco da estimativa do custo de
preventiva manutenção preventiva
3.1.4 - Perda de performance Má estimativa da perda de
performance da planta em seu
ciclo de vida
4.3.2 Localização da planta

A localização da planta é essencial para a média de produção anual de energia, bem como os
possíveis custos associados com serviços como terraplanagem e sondagens. Tabela 6. Riscos
econômicos - Localização da planta
GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
3.2.1 - Erros na estimativa da Falta de consistência na
irradiação solar disponível estimativa da irradiação solar
disponível
3.2 - 3.2.2 - Estimativa de produção Mudanças climáticas ao longo
3 - Riscos
Localização da devido à mudanças climáticas do ciclo de vida da planta
econômicos
planta 3.2.3 - Produtividade da Risco de custos adicionais
terraplanagem associados às medidas
corretivas de nivelamento do
terreno
6

3.2.4 - Projeto contra inundações Risco de custos adicionais


devido a problemas associados
às inundações
3.2.5 - Solução de problemas Risco de custos extras devido a
geotécnicos problemas geotécnicos
4.3.3 Comissionamento e início de operação

No que se refere às ligações e ao início de operação da usina fotovoltaica, os pagamentos e


os acordos econômicos para a realização da instalação determinam um fator importante de
rentabilidade. Nessa etapa o Ministério de Minas e Energia (MME) se torna uma parte interessada
crucial, sendo necessário um gerenciamento mais próximo de seus intereresses.

Tabela 7. Riscos econômicos - Comissionamento e início de operação


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
3.3.1 - Custo de conexão à rede Acordos com concessionárias
elétrica locais e MME envolvem custos
elevados
3.3.2 - Custo dos acordos com Dificuldade na assinatura de
os proprietários dos terrenos contratos com latifundiários
3.3 - para instalação
Comissionamento 3.3.3 - Possibilidade de O ponto de conexão à rede é
3 - Riscos
e início de construção de infraestrutura resposabilidade da
ecnonômicos
operação da para conexão da planta concessionária local, mas é
planta possível que esse custo possa
ser anexado ao CAPEX da
usina
3.3.4 - Licença de implantação O município pode exigir itens
específicos para liberar licença
de implantação da usina
4.3.4 Tecnologia

Uma seleção incorreta de tecnologia para uso nos principais componentes fotovoltaicos pode
ser um custo significativo na instalação e falta de desempenho.
Tabela 8. Riscos econômicos - Tecnologia
GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
3.4.1 - Custos devido à seleção Risco de redução na
inadequada dos paineis rentabilidade da planta
fotovoltaicos
3 - Riscos 3.4.2 - Custo relacionados à Risco de redução na
3.4 - Tecnologia
ecnonômicos seleção incorreta do inversor rentabilidade da planta
3.4.3 - Custos devidos à falta de Custos associados ao reparo
consistência na seleção das das estruturas de suporte e
estruturas de suporte e fixação fixação
4.3.5 Macroeconomia

As mudanças macroeconomicas podem gerar sérios riscos sobre o futuro do projeto, uma vez
que impactam diretamente a rentabilidade da planta. A atenção a esse grupo de riscos deve ser
redobrada, uma vez que existe instabilidade política no Brasil, além de desconfiança internacional por
parte de investidores.

Tabela 9. Riscos econômicos - Macroeconomia.


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
3.5.1 - Financiamento bancário Risco associado à obtenção de
3 - Riscos 3.5 - financiamento bancário
ecnonômicos Macroeconomia 3.5.2 - Mudanças na demanda As mudanças na demanda de
de energia energia variam a rentabilidade
7

3.5.3 - Inflação Influência da taxa de inflação


sobre o fluxo de caixa do
projeto
3.5.4 - Mudanças no preço de Risco de veriação dos preços
energia de energia durante a vida útil
da planta
4.4 Riscos de atrasos no cronograma.
4.4.1 Ligação à rede elétrica.

A conexão à rede elétrica pode produzir atrasos que afetam o projeto.

Tabela 10. Riscos de atraso no cronograma - Ligação à rede


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
4.1.1 - Atraso na obtenção de Dependerá do apoio do proejto
aprovação adminitrativa para a pela administração local
infraestrutura de conexão
4.1.2 - Atrasos na construção da A construção da infraestrutura
infraestrutura para conexão à como sendo responsabilidade
4 - Risco de rede da planta é mais rápida do que
4.1 - Conexão
atrasos no passando a responsabilidade
à rede elétrica
cronograma da concessionária local
4.1.3 - Atrasos na obtenção de Depende do apoio do projeto
licença de operação da planta pelos órgãos competentes
4.1.4 - Atrasos na assinatura de Existem riscos de atrasos na
contratos com a concessionário assinatura de contratos com a
local e MME concessionária local e MME
4.4.2 Planejamento urbano.

O planejamento urbano depende diretamente do município de Cassilândia e do governo do


estado de Mato Grosso do Sul. Previamente, são órgãos dessas instâncias que emitem autorização
prévia para o início da construção, juntamente com a autorização administrativa. Os atrasos
injustificados na concessão das licenças afetam diretamente a rentabilidade do projeto, com perdas
para os investidores, uma vez que todos os custos de processamento anteriores à licença urbana são
cobertos por fundos próprios.
Tabela 11. Risco de atrasos - Planejamento urbano.
GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
4.2.1 - Atrasos na obtenção da Atrasos administrativos na
aprovação de órgão local aprovação do projeto pelos
órgão locais
4.2.2 - Atrasos na obteção do Atrasos administrativos
4 - Risco de 4.2 - licenciamento ambiental associados à aprovação da
atrasos no Planejamento avaliação dos impactos
cronograma urbano ambientais pelo órgão
competentes
4.2.3 - Atrasos na obtenção de Atrasos administrativos na
licença de implantação aprovação da licença de
implantação
4.5 Riscos legais.
4.5.1 Questões legais.

O Brasil é um país com garantias legais, mas as circunstâncias macroeconômicas afetam as


reversões nas estratégias energéticas, introduzindo mudanças legais que afetam os projetos.
Tabela 12. Riscos legais - Questões jurídicas.
GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
8

5.1.1 - Mudanças na legislação Os riscos de alterações


específica legislativas afetam os
incentivos às energias
5 - Riscos 5.1 - Questões renováveis.
jurídicos jurídicas 5.1.2 - Mudança na legislação Risco de alterações na
geral legislação geral brasileira, tanto
técnica como administrativa.

4.5.2 Ligação à rede elétrica.

Todas as regras de ligação às instalações da rede eléctrica estão sujeitas a alterações e


actualizações. Sendo a conexão elétrica uma chave para a operação e rentabilidade da planta, é
necessário identificar quais riscos podem estar associados a ela.

Tabela 13. Riscos legais - Ligação à rede elétrica.


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
5.2.1 - Alterações legislativas na As infra-estruturas de ligação
Autorização Administrativa da elétrica requerem autorização
infra-estrutura de ligação de administrativa da
energia concessionária local e MME.
5.2 - Conexão
5 - Riscos 5.2.2 - Alterações legislativas na O governo local emite
à
jurídicos permissão de start-up da planta autorização de start-up no final
rede elétrica
da construção do projeto
5.2.3 - Obtenção de registros de Risco de mudanças na
produtor de energia legislação do MME
independente
4.6 Riscos sociais.

Ao identificar os riscos do projeto, maior a escala do projeto, maior influência tem na sociedade.

4.6.1 Operação da usina

O projeto inclui a instalação de um sistema de segurança anti-intrusão completo na planta.

Tabela 15. Riscos sociais - Operação da usina


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
6.1.1 - Roubo Risco de roubo no local da
6 - Riscos 6.1 - Exploração usina
sociais da planta 6.1.2 - Vandalismo Risco de vandalismo no local
da usina
4.6.2 Impacto social.

A sociedade brasileira está cada vez mais envolvida com a introdução de energias renováveis
em suas vidas diárias, sendo um impacto positivo para a região de Cassilândia e para o estado de Mato
Grosso do Sul. Entretanto, é necessário se atentar para questões fundiárias e culturais quando
extensas áreas de terras são ocupadas por tempo indeterminado.

Tabela 16. Riscos sociais - Planejamento Urbano


GRUPO SUB-GRUPO RISCO DESCRIÇÃO
6.2.1 - Consequências sociais Risco de desaprovação social
resultantes da aquisição de dos cidadãos de Cassilândia.
6 - Riscos 6.2 - Impacto
terrenos
sociais social
6.2.2 - Aceitação social Risco de invasão por
proprietários anteriores
9

5 CONCLUSÃO

Neste trabalho, foi utilizado um modelo de identificação de riscos baseado no trabalho de um grupo
de especialistas pelos principais perfis profissionais necessários para a construção de usinas solares
fotovoltaicas. Uma vez identificados, os riscos formam uma estrutura de riscos hierárquicos de três
níveis.
Para testar a adequação do modelo, aplica-se a um projeto de construção de uma usina solar
fotovoltaica de 321,98 MW em Cassilândia/MS. Como parte do modelo de implementação, existe um
painel de identificação de risco, formado por quatro especialistas, sendo um invertidor, um gerente de
projeto, um gerente de uma empresa especializada em construção de plantas fotovoltaicas e
responsável pela operação e manutenção de usinas.
Para coletar os resultados da identificação de riscos de cada especialista, foi utilizado o método
Delphi com um questionário de duas camadas. Com base em uma classificação geral dos riscos
(políticos, tecnológicos, econômicos, atrasos no cronograma, legais e sociais), os especialistas
identificaram quinze subgrupos que constituem o segundo nível da estrutura hierárquica. Na segunda
fase do questionário, identificaram cinquenta e três riscos que podem ocorrer na construção da usina
fotovoltaica.
A estrutura hierárquica de riscos será a base para pesquisas futuras que desenvolvam as seguintes
etapas de gerenciamento de risco para o projeto de construção, tais como avaliação de risco, resposta
a riscos e monitoramento e controle de riscos durante todo o ciclo de vida do projeto.

REFERÊNCIAS

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2017

Autorização de Divulgação de Artigo Técnico

AUTORIZAÇÃO DE PUBLICAÇÃO

X AUTORIZO A PUBLICAÇÃO DO ARTIGO TÉCNICO NA INTERNET, JORNAIS E REVISTAS


TÉCNICAS EDITADAS PELO IETEC.

NÃO AUTORIZO A PUBLICAÇÃO OU DIVULGAÇÃO DO ARTIGO TÉCNICO.

BELO HORIZONTE, 10/04/2017

CURSO: Gerenciamento de Projetos

SEMESTRE/ANO: 1/2017 TURMA: 161

TÍTULO DO ARTIGO: Identificação de Riscos de em Projetos de Usinas Solares Fotovoltaicas

NOME DO AUTOR (LEGÍVEL) ASSINATURA


Frederico José de Oliveira _____________________________