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A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS NO BRASIL: UMA BREVE ANÁLISE

DO PERÍODO COLONIAL AOS DIAS ATUAIS1

Enver Souza Lima2

RESUMO: Este trabalho apresenta uma análise sobre a evolução dos direitos políticos do
Brasil desde o período colonial até as últimas reformas eleitorais nos dias atuais. O país
passou por longos períodos de instabilidade dos direitos políticos, ocorrendo constantes
progressos e retrocessos, mudanças que moldaram o nosso sistema eleitoral atual. Durante
esse percurso evolutivo a sociedade lutou por seus direitos políticos, consequentemente por
sua participação na condução da coisa pública, seu direito de votar e ser votado. Assim,
buscar-se-á desenvolver uma breve análise acerca da importância dos direitos políticos, da sua
evolução e das reformas eleitorais atuais.

Palavras-chave: Direitos políticos; evolução; sistema eleitoral; mudanças; reformas políticas.

ABSTRACT: This paper presents an analysis of the evolution of the political rights of Brazil
from the colonial period to the last electoral reforms in the present day. The country has gone
through long periods of political rights instability, with constant progress and setbacks,
changes that shaped our current electoral system. During this evolutionary course the citizen
fought for his political rights, consequently by their participation in the conduct of the public
thing, your right to vote and to be voted. Thus, a brief analysis will be developed on the
importance of political rights, of its evolution and of the current electoral reforms

Key-words: Rights policy; evolution; electoral system; changes; political reforms.

Sumário: Introdução. 1) Contexto histórico; 1.1) Período colonial; 1.2) Período Imperial; 1.2)
Período Republicano; 1.3.1) Período ditatorial (1937-1945); 1.3.2) Período ditatorial (1964 –
1985); 1.4) Nova república; 2) Direitos Políticos; 2.1) Relação entre os Direitos Políticos e os
Direitos Fundamentais; 2.2) Classificação dos direitos políticos; 2.2.1) Direitos políticos
positivos: sufrágio, plebiscito e referendo; 2.2.2) Direitos políticos negativos: inelegibilidade,
perda e suspensão; 3) Reformas eleitorais; 3.1) Governo Lula; 3.1.1) Minirreforma eleitoral
de 2006; 3.1.2) Minirreforma eleitoral de 2009; 3.2) Governo Dilma; 3.2.1) Minirreforma
eleitoral de 2013; 3.2.2) Minirreforma eleitoral de 2015; Considerações finais.

1
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao Curso de Direito/CERES/UFRN como exigência
parcial para a obtenção do bacharelado em Direito, sob a orientação do Prof. Dr. Ubirathan Rogerio Soares.
2
Acadêmico do Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
2

INTRODUÇÃO

Os direitos políticos sempre fizeram parte do cotidiano da humanidade. Desde os


primórdios da existência humana, surgiu a necessidade de as pessoas fazerem escolhas e
tomarem decisões coletivas acerca de assuntos que envolviam os seus vilarejos, cidades ou
aldeias.
Porém, apesar de sempre fazer parte da vida em sociedade, tais direitos sempre
desencadearam tensões e conflitos entre seus detentores. Especificamente no caso brasileiro,
para que os direitos políticos fossem implantados no ordenamento jurídico pátrio, houveram
lutas, progressos e regressos em prol do fortalecimento da democracia, sendo possível a
participação do cidadão de maneira ativa, direta ou indireta da administração pública.
A legislação eleitoral do Brasil passou por mudanças significativas durante os
últimos anos, reformas cujo o objetivo é melhorar o sistema eleitoral nacional. A mudança
mais recente foi em decorrência da publicação da Lei nº 13.165, em vigor desde o dia 29 de
setembro de 2015 e aplicada pela primeira vez nas eleições municipais de 2016, que de
acordo com seu texto, visa reduzir os custos das campanhas eleitorais, simplificar a
administração dos Partidos Políticos e incentivar a participação feminina.
O presente estudo pretende, com base em uma metodologia de pesquisa
bibliográfica, gerar um estudo acerca da evolução dos direitos políticos no país, desde sua
origem no período colonial até os dias de hoje. Para tanto, se faz necessária a explanação dos
direitos políticos, fazendo a classificação destes, bem como esclarecer a ação das reformas
eleitorais mais recentes no Brasil. Tais objetivos serão alcançados através de estudo associado
à própria história do Brasil, como também das diretrizes constitucionais, das normas
infralegais e dos posicionamentos doutrinários sobre o tema sob análise.
A estruturação do presente trabalho foi organizada da seguinte forma: no primeiro
capítulo, será apresentada a evolução histórica dos direitos políticos no âmbito interno; já no
segundo capítulo, serão abordadas as peculiaridades acerca dos direitos políticos como parte
dos direitos fundamentais; e por fim, no terceiro capítulo, apresentar de maneira sucinta as
reformas eleitorais articuladas durante os dois últimos governos.
Justifica-se o trabalho na necessidade de fazer um estudo doutrinário, histórico e
conceitual acerca da importância dos direitos políticos na vida dos cidadãos brasileiros e o
estudo das mais recentes reformas eleitorais, a título de conhecimento do leitor.
3

1. CONTEXTO HISTÓRICO DOS DIREITOS POLÍTICOS NO BRASIL

É possível afirmar que na atualidade vivemos uma fase em que os direitos


políticos estão cada vez mais perto do ideal para garantir a soberania popular e a democracia,
expressas na Constituição Federal de 1988. Porém, para que essa realidade se tornasse
possível, passamos por uma longa evolução, que se iniciou nos primórdios do descobrimento
do país.
A seguir, faremos um apanhado histórico do surgimento dos direitos políticos no
Brasil, para assim compreender as raízes de seu surgimento, analisar a influência das
transformações para melhor compreender a realidade atual.

1.1 PERÍODO COLONIAL (1500 – 1822)

A primeira eleição no Brasil ocorreu em 23 de janeiro de 1532 e aconteceu de


forma indireta na Vila de São Vicente, que era a sede da capitania hereditária de São Vicente,
atual São Paulo. Seu objetivo principal era escolher o conselho administrativo da vila e
somente seria disputada pelos chamados “homens bons”, que era uma expressão utilizada na
época para se referir a pessoas que tinham propriedades, bens ou fossem de famílias
tradicionais. Outra regra da primeira eleição, era a proibição de autoridades do Reino nos
locais de votação, para que não influenciasse o voto.
Faoro3 (2001, p. 214), define bem os critérios de escolha dos homens bons:

Na verdade, o escopo íntimo da superioridade institucional do homem bom será o


mesmo que inspira os conselhos portugueses: inscrever os proprietários e burocratas
em domicílio na terra, bem como seus descendentes, nos ‘Livros da Nobreza’,
articulando-os, desta sorte, na máquina pública e administrativa do império.

Durante todo o período colonial as eleições tinham um caráter local e municipal,


sendo regidos pelo “livro das ordenações”, uma legislação de Portugal, produzido no ano de
1603. A ampliação das eleições para o âmbito nacional surgiu em 1821, um ano antes da
proclamação da independência, e pode-se dizer que foi nossa primeira eleição nacional de
acordo com os moldes atuais.
Apresentando uma análise mais precisa de como funcionaram as primeiras
eleições em âmbito nacional, Porto 4(2002, p.23 e 24) definiu que:

3
FAORO, Raymundo. Os donos do poder. Formação do patronato político brasileiro. 3ª ed. São Paulo: Globo,
2001.
4

As Cortes de Lisboa eram uma assembleia constituinte com representantes do clero,


nobreza e povo que culminaram com a aprovação da Constituição portuguesa de
1822. Para a designação dos deputados para as Cortes, o processo eleitoral consistia
numa complexa eleição em quatro graus para formação de juntas eleitorais de
paróquia, de comarca e de província. As primeiras se comporiam de todos os
cidadãos da paróquia que elegeriam onze compromissários, e estes elegeriam o
eleitor paroquial; as juntas de comarca se comporiam dos eleitores da paróquia que
elegeriam os eleitores de província que elegeriam os deputados de Cortes.

Na ausência de uma legislação eleitoral brasileira, utilizaram a Constituição


Espanhola para reger o pleito, que trazia algumas novidades, como a possibilidade do
analfabeto votar. Nesse pleito, 72 representantes do povo foram eleitos por homens livres.
Algumas das instruções das eleições de 1821, apresentavam um sistema dividido
em quatro graus: o povo, em massa, escolhia os compromissados; estes, escolhiam os
eleitores de paróquia, que, por sua vez, escolhiam os eleitores de comarca; finalmente, estes
últimos procediam à eleição dos deputados. (FERREIRA 2005)5.
Podemos assim concluir que as eleições no período colonial careciam da vontade
da população brasileira, devido ao total controle que as classes dominantes e religiosas tinham
perante o eleitorado, baseando-se nas regras eleitorais europeias. Vejamos adiante a
continuação da evolução dos direitos políticos no Período Imperial.

1.2 PERÍODO IMPERIAL (1822 – 1889)

No ano posterior às primeiras eleições gerais da história do país, no dia 07 de


setembro 1822, houve a proclamação da independência do Brasil pelo então príncipe regente
Dom Pedro I. Sendo que em 03 de junho de 1822, o príncipe regente já estava convencido de
que a independência do Brasil de fato ocorreria naquele ano e, logo, fez a convocação de uma
Assembleia Constituinte com o objetivo de elaborar uma Constituição para o novo Estado
Soberano.
A partir da Assembleia Constituinte alguns ideais foram estabelecidos em relação
aos direitos políticos, um deles foi o voto censitário, que seria o voto permissionário a pessoas
que possuíssem uma renda anual equivalente a 150 alqueires de farinha de mandioca ou fosse

4
PORTO, Walter Costa. O voto no Brasil. Da Colônia à 6ª República. 2ª ed. Rio de Janeiro: Topbooks Editora,
2002.
5
FERREIRA, Manoel Rodrigues, A evolução do sistema eleitoral brasileiro. 2ª ed. Tribunal Superior
Eleitoral, 2005.
5

dono de grandes quantidades de terras. Devido a tal peculiaridade, o projeto passou a ser
conhecido como “Constituição da Mandioca” (ARRUDA, PILETTI, 2001)6.
A divisão dos poderes proposta pela Assembleia Constituinte contrariou os
interesses de Dom Pedro I devido a predominância do poder legislativo sobre o executivo,
limitando o seu poder e desafiando as suas pretensões absolutistas. Tal fato o incentivou a
dissolver da Assembleia Constituinte com o apoio militar, gerando o acontecimento
conhecido como “a Noite da Agonia”.
Em sua obra “a evolução constitucional do Brasil”, Paulo Bonavides (2004, p.
385)7, apresenta como foi a dissolução da Assembleia Constituinte:

Em 1823, o confronto dos dois poderes, em face da insubmissão do poder


constituinte de direito, provocou uma colisão aberta e ostensiva, que teve por
desfecho a queda da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa, dissolvida pela
tropa sob o comando pessoal de D. Pedro I, e, a seguir, a outorga da Carta do
Império

Após a dissolução da Assembleia, D. Pedro I convocou seis ministros e quatro


políticos de sua confiança para redigir junto com ele a nova Constituição Brasileira, que foi
outorgada em 25 de março de 1824, com o intuito de garantir o seu poder de imperador.
Algumas das características da nova Constituição eram: a concentração do poder nas mãos do
imperador, através do poder moderador, a exclusão da maioria da população brasileira do
direito de votar, pois apenas o eleitor rico que comprovasse determinada renda teria esse
direito, a criação do conselho de estado, onde os representantes eram escolhidos pelo
imperador.
O artigo 98 da Constituição do Império do Brasil de 1924, estabelecia nitidamente
as características da constituição, cujo objetivo era concentrar o poder nas mãos do imperador.
Vejamos:

Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organisação Politica, e é delegado


privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro
Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independencia,
equilibrio, e harmonia dos mais Poderes Politicos.

Durante todo o período de império e colônia as fraudes eleitorais eram frequentes,


pois além de não haver uma fiscalização eficiente eram permitidas ações que facilitavam as

6
ARRUDA, José Jobson de A.; PILLETI, Nelson. Toda a História: História Geral e História do Brasil, 2001.
11ª edição. São Paulo: Ática.
7
BONAVIDES, Paulo. A evolução constitucional do Brasil. Estudos Avançados, São Paulo, v. 14, n. 40,
p.155-176, 2000.
6

alterações dos resultados. Uma das principais fraudes eleitorais decorreu da possibilidade do
voto por procuração, onde pessoas não compareciam aos locais de votação e enviavam um
representante munido de um instrumento de procuração para exercer o seu direito de voto.
Além disso não existia na época título eleitoral, as pessoas eram reconhecidas
pelos integrantes da mesa apuradora e por testemunhas, o que facilitava a ação dos
fraudadores, que contabilizavam votos de mortos, crianças e eleitores de outras cidades.
O ano de 1881 trouxe grandes mudanças no sistema político da época, nele foi
instituído o Decreto nº 3.029 de 9 de janeiro, conhecido como “Lei Saraiva”, em homenagem
ao então Ministro do Império José Antônio Saraiva. Tal Decreto trouxe consideráveis avanços
para as eleições nacionais, quais sejam: a instituição do título de eleitor, eleições diretas para
todos os cargos eletivos do império e possibilidade de um candidato não católico disputar o
pleito.
Apesar dos avanços que proporcionou, o Decreto recebeu fortes críticas por seguir
um caráter de exclusão social. Segundo Porto 8(2002, p. 100):

O que se esperava com a eleição direta, segundo Rui Barbosa, é que se excluísse ‘o
capanga, o cacetista, o biju, o xenxém, o bem-te-vi, o morte-certa, o cá-te-espero, o
mendigo, o analfabeto, o escravo, todos esses produtos da larga miséria social, para
abrir margem ao patriotismo, à ilustração, à independência, à fortuna, à experiência’.

A Lei Saraiva apresentou retrocessos ao impedir que os analfabetos exercessem o


seu direito de voto, e ao condicionar a candidatura dos não católicos que possuíssem renda
inferior a duzentos mil reis. Mais uma vez, seguindo a característica do período colonial, a
legislação eleitoral era voltada para a manutenção da realidade social existente e respectivas
injustiças sociais, visto que excluía da vida política do país parcela significativa da sociedade
por critérios pautados no poder econômico dos indivíduos.

1.3 PERÍODO REPUBLICANO (1889 – 1930)

Em 1891 foi promulgada a Constituição da República dos Estados Unidos do


Brasil, a primeira constituição republicana da história do país, tendo como principais
contribuições as grandes modificações no regime político e jurídico. A construção desta Carta

8
PORTO, Walter Costa. O voto no Brasil. Da Colônia à 6ª República. 2ª ed. Rio de Janeiro: Topbooks
Editora, 2002.
7

Magna foi baseada no positivismo francês e na constituição norte americana, se estabelecendo


o modelo presidencialista e federalista.
Sobre o assunto, Silva (2000, p. 103)9 apresenta a definição de federalismo:

O federalismo, como expressão do direito constitucional, nasceu com a Constituição


norte-americana de 1787. Baseia-se na união de coletividades políticas autônomas.
Quando se fala em federalismo, em Direito Constitucional, quer-se referir a uma
forma de Estado, denominada Federação ou estado federal, caracterizada pela união
de coletividades públicas dotadas de autonomia político-constitucional, autonomia
federativa.

A Magna Carta de 1891 ainda trouxe avanços como o voto direto masculino e não
secreto para os representantes do poder executivo e legislativo, a alteração do Estado em laico
e a exclusão do poder moderador (afastando do Imperador o poder político) e do Conselho de
Estado.
Ainda no período republicano, foi instituído o primeiro Código Eleitoral
brasileiro, precisamente no ano de 1932, por meio do Decreto nº 21.076, cujo principal
objetivo era a reforma da legislação eleitoral pátria, trazendo mudanças consideráveis, como a
instituição do voto secreto e obrigatório, do voto feminino10, a adesão do sistema proporcional
de votação, a regularização das eleições federais, estaduais e municipais e a delegação à
Justiça Eleitoral pela organização de todo o processo eleitoral. No mesmo ano, o TSE
(Tribunal Superior Eleitoral) foi inaugurado no estado do Rio de Janeiro, que na época era a
capital do país.11
Outra grande inovação que o Código Eleitoral de 1932 trouxe foi a criação dos
Tribunais Regionais Eleitorais, cujo objetivo era fazer o cumprimento das decisões do
Tribunal Superior Eleitoral, o julgamento de recursos e a divisão sua jurisdição em zonas
eleitorais.
Dois anos depois, em 16 de julho de 1934, no governo Vargas, foi promulgada a
Constituição Brasileira de 1934. A nova Carta chamava atenção por suas características
progressistas e nacionalistas. Os principais avanços que trouxe foi o voto feminino, a
criação da justiça eleitoral e a justiça do trabalho, o voto obrigatório para maiores de 18
anos e o voto secreto.

9
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 18. ed. São Paulo: Malheiros: 2000.
10
“Pela primeira vez, as mulheres conquistavam o exercício da cidadania, o que, além de ter um significado
político muito importante, implicava um acréscimo substancial no corpo de votantes. (FAUSTO, 2007, P.22)
11
"Primeiro Código Eleitoral do Brasil completa 81 anos”. Tribunal Superior Eleitoral. 2013. Disponível em:
< http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2013/Fevereiro/primeiro-codigo-eleitoral-do-brasil-completa-81-
anos >. Data de acesso: 30 de outubro de 2016.
8

Apesar do pouco tempo em que esteve em vigor, a Constituição Federal dos


Estados Unidos do Brasil de 1934 deixou seu legado para as questões sociais brasileiras.
Sobre tal legado e suas consequências, Arruda e Caldeira (1986)12 expõem que:

Com a Constituição de 1934, a questão social passou a assumir grande destaque no


país: direitos democráticos foram conquistados, a participação popular no processo
político aumentou, as oligarquias sentiram-se ameaçadas - juntamente com a
burguesia - pela crescente organização do operariado brasileiro e de suas
reivindicações. Nessa conjuntura registrou-se a primeira grande campanha nacional
em que a Imprensa esteve envolvida: o debate a respeito do apelo nacionalista
apregoado pelo Integralismo, movimento anti-liberal, anti-socialista, autoritário,
assemelhado ao Fascismo italiano.Em conseqüência disso, o equilíbrio era algo
difícil e já se previa naquela época que alcançá-lo iria levar tempo, para as novas
forças políticas brasileiras.

A valorização e atenção às questões sociais incomodou de certa forma a classe


burguesa brasileira, ameaçando também as oligarquias, que mantinham em suas mãos o
poder. Logo surgiram movimentos anti-socialistas e de cunho fascista, elementos tidos como
essenciais a nova forma de governo que se iniciaria em 1937.

1.3.1 PERÍODO DITATORIAL (1937- 1945)

Apesar dos avanços que trouxe, o primeiro Código Eleitoral brasileiro foi
revogado no ano de 1937, após início do Estado Novo, como era conhecida a “nova ordem”
instituída pelo presidente Getúlio Vargas. Em 10 de novembro foi outorgada a Constituição
de 1937, conhecida como “polaca”, trouxe um regresso considerável dos direitos políticos do
cidadão brasileiro, abolindo os partidos políticos, suspendendo as eleições livres,
estabelecendo eleições indiretas para presidente da República, no qual teria um mandato de 6
anos.
Durante o período de 10 anos não houve eleições no país, período caracterizado
por abolir vários direitos políticos, concentrando o poder nas mãos das autoridades
governantes. Paulo Bonavides (2008)13 em sua obra Curso de Direito Constitucional,
apresenta considerações acerca da Carta de 1937, afirmando que esta:

12
Apud ARRUDA, Marcos. CALDEIRA, Cesar. Como Surgiram as Constituições Brasileiras. Rio de
Janeiro: FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e educacional). Projeto Educação Popular para a
Constituinte, 1986.
13
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 22 ed. São Paulo: Malheiros Editores Ltda.
9

representa na tela do constitucionalismo um largo esboço de limitação da autoridade


do governante. O rei, príncipe ou Chefe de Estado enfeixa em suas mãos poderes
absolutos, mas consente unilateralmente em desfazer-se de uma parcela de suas
prerrogativas ilimitadas, em proveito do povo, que entra assim no gozo de direitos e
garantias, tanto jurídicas como políticas, aparentemente por obra apenas e graça da
munificência real.

No ano de 1945 a Justiça Eleitoral foi reestabelecida por meio do Decreto nº 7586.
No mesmo ano Getúlio Vargas anuncia eleições gerais e sofre o golpe militar. Após o golpe, o
presidente do Supremo Tribunal Federal se estabeleceu no poder durante o período
aproximado de 3 meses, período conhecido como hiato eleitoral. Esse lapso temporal trouxe
uma ideia de cidadão/trabalhador, valorizando o cidadão que participava de alguma forma da
economia do país.
O Código Eleitoral instituído por meio do Decreto nº 7586, trouxe novidades para
o cenário político, como: a obrigatoriedade da vinculação dos candidatos a partidos políticos e
a redução da idade mínima para votar, que passou de 21 anos para 18 anos. Além disso, a Lei
Agamenon, como também era conhecido o Código Eleitoral, trouxe mais segurança às urnas
com a finalidade de garantir o sigilo do voto, utilizavam sobrecartas oficiais, uniformes e
opacas; para evitar as fraudes, o código determinava pena de detenção de três meses a um ano
a quem se escrevesse mais de uma vez e pena de seis meses a um ano para o eleitor que
votasse no lugar de outro.14

1.3.2 PERÍODO DITATORIAL (1964 – 1985)

Em 1964 instaurou-se o golpe militar, trazendo mais regressos para a


manifestação da cidadania, proibindo o voto direto para presidente da república e aos cargos
de governador, prefeito e senador, permitindo apenas o voto para deputado estaduais e
federais e vereadores.
Segundo (FAUSTO 2008)15, para controlar o poder de Estado durante 21 anos, o
regime ditatorial produziu 17 atos institucionais, regulamentados por outros 104 atos
complementares. Os atos Institucionais, decretos que davam ao Executivo poderes

14
“Código Eleitoral completa 50 anos nesta quarta feira”. Tribunal Superior Eleitoral. 2015. Disponível em:
< http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2015/Julho/codigo-eleitoral-completa-50-anos-nesta-quarta-feira-
15 >. Data de Acesso em: 01 de novembro de 2016.
15
FAUSTO, Boris. História do Brasil. Edusp, 2008; HERKENHOFF, João Baptista. Gênese dos Direitos
Humanos. Editora Santuário, 2002.
10

excepcionais, constituíram o principal instrumento utilizado para revestir de legalidade as


ações do governo de exceção.
No período entre 1964 e 1985 (fim da ditadura militar), o povo era tratado como
ignorantes políticos, que não tinham consciência política suficiente para exercer o seu direito
de voto, e isso impedia que o cidadão agisse como um ser político e transformador da
democracia, o cidadão observou os seus direitos políticos serem ceifados durante vinte e um
anos mediante atos institucionais.

1.3.3 NOVA REPÚBLICA (1985 – atual)

Com o fim da ditadura militar, em 1985, foi eleito indiretamente o presidente


Tancredo Neves, que morreu logo após a sua eleição, sendo a presidência ocupada por José
Sarney. O período que se iniciou com o fim do regime militar é conhecido como Nova
República e trouxe diversos avanços, como as eleições diretas para a presidência e prefeituras
das cidades, a concessão do direito de votar aos 16 anos e a permissão do voto ao analfabeto.
A nova república ganhou esse nome devido ao surgimento de um período
democrático novo e diferenciado, onde havia grande oposição ao sistema militar que
proporcionou aos cidadãos 20 longos anos de censura, repressão dos movimentos sociais e
regresso democrático. O período da nova república se iniciou em 1985 e vivemos ele até os
dias de hoje.
Em 1988 foi promulgada a nova Constituição Federal, conhecida como a
Constituição cidadã, que estabeleceu as eleições diretas, a eleição por maioria absoluta para
presidente, governadores e prefeitos (municípios acima de 200 mil eleitores, caso não haja
maioria absoluta na primeira votação terá segundo turno), estabeleceu o período de cinco anos
para o mandato do presidente, vedando a reeleição para o período subsequente, fixou a
desincompatibilização até seis meses antes das eleições, para presidente, governador e
prefeito que almejasse concorrer a outro cargo. A Carta Magna de 1988 também permitiu o
voto do analfabeto, tornou o voto facultativo para os maiores de 16 anos e menores de 18 e
deu maior autonomia aos partidos políticos, tornando-os pessoa jurídica de direito privado.16
Os anos 90 foram marcados por avanços consideráveis no sistema eleitoral
brasileiro. Em 1993 mais de 67 milhões de pessoas foram às urnas para decidir, através de

16
“Década de 80: ad diretas já”. Disponível em: <
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/93436-DECADA-DE-80:-AS-DIRETAS-
JA.html >. Acesso em 13/10/2016.
11

plebiscito, a forma e o sistema de governo, sendo escolhidos a república e o presidencialismo.


No ano posterior, foi aprovada a Emenda Constitucional nº5, de 7 de junho de 1994 que
reduzia o mandato presidencial de cinco para quatro anos.17
Nas eleições municipais de 1996 o brasileiro passou a votar de maneira diferente:
surgiram as urnas eletrônicas, uma inovação tecnológica que trouxe mais segurança,
confiabilidade, agilizou bastante a apuração dos votos e reduziu consideravelmente as fraudes.
Nos anos 2000 a máquina passou a ser utilizada nas eleições em todo o país, sendo o Brasil o
único país em que o sistema de apuração de votos é totalmente eletrônico.
A Constituição Federal de 1988 vedou em seu texto a reeleição para o período
subsequente, porém, no ano de 1997 a emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997 foi
aprovada, possibilitando a reeleição. Tal decisão foi alvo de críticas, tendo em vista que o
candidato que concorre à reeleição já tem o contato com a máquina administrativa.
Nos anos 2000 a internet passou a ser uma das principais ferramentas das
campanhas eleitorais. Os candidatos utilizam blog e redes sociais para fazer uma espécie de
marketing pessoal. O candidato ainda pode receber doações online, através do cartão de
crédito.
Após a análise histórica e evolutiva dos direitos políticos no Brasil, surge a
necessidade da análise conceitual desses direitos, assim como a sua relação com os direitos
fundamentais e classificação de acordo com a Constituição Federal de 1988, vejamos no
capítulo adiante.

2.DIREITOS POLÍTICOS

O Título II da Constituição Federal de 1988 – CF/88 dedica-se ao estabelecimento


dos chamados “direitos e garantias fundamentais” que, por sua vez, divide-se em espécies,
quais sejam: direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, direitos de
nacionalidade, direitos políticos, que são objeto principal do presente estudo, e, por fim, os
partidos políticos. Tais direitos estão plenamente interligados, de forma que a ausência de um
compromete a plenitude dos demais e, consequentemente, dos direitos fundamentais como um
todo.

17
“Década de 90: avanços no sistema eleitoral”. Disponível em: <
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/93435-DECADA-DE-90-AVANCOS-NO-
SISTEMA-ELEITORAL.html >. Acesso em 16/10/2016.
12

Especificamente com relação aos direitos políticos, dá-se grande destaque em


nosso atual sistema eleitoral, devido as prerrogativas e deveres que eles transferem a
população. É através deles que é possível a participação do cidadão na vida pública, na
organização e no funcionamento do Estado.
Pedro Lenza (2009, p. 785)18, na sua obra “curso de direito constitucional
esquematizado”, conceitua os direitos políticos como:

os direitos políticos nada mais são do que instrumentos por meio dos quais a
Constituição Federal (CF) garante o exercício da soberania popular, atribuindo
poderes aos cidadãos para interferirem na condução da coisa pública, seja direta,
seja indiretamente.

Seguindo esta mesma linha de raciocínio, José Afonso da Silva (2004)19 citando
Pimenta Bueno também define que os direitos políticos são as prerrogativas, os atributos,
faculdades ou poder de intervenção dos cidadãos ativos no governo de seu país, intervenção
direta ou só indireta, mais ou menos ampla, segundo a intensidade de gozo desses direitos.
Os cidadãos gozam dos seus direitos políticos, exercendo o seu direito de
participação popular, que surge da vontade manifestada individualmente por cada pessoa, com
a finalidade de contribuir de maneira direta ou indireta para a organização do estado e
manutenção da democracia.

2.1 RELAÇÃO ENTRE OS DIREITOS POLÍTICOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS

Os Direitos Fundamentais têm o objetivo de assegurar aos indivíduos o respeito, a


dignidade e a garantia das mínimas condições para que o ser humano se desenvolva. Tais
direitos são positivados nas constituições federativas dos respectivos países com a função de
garantir a proteção do indivíduo.
Apresentando um conceito claro e importante, Moraes (2002)20 define os direitos
fundamentais como:

O conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano que tem por


finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de sua proteção contra o
arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e
desenvolvimento da personalidade humana.

18
LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado. 13. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo:
Saraiva, 2009.
19
SILVA, José Alfonso. Curso de Direito Constitucional Positivo. Editora Malheiros. 23º Edição. 2004.
página 344.
20
MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais: Teoria Geral. 4ªed. São Paulo: Atlas, 2002.
13

De acordo com a evolução de cada época, baseadas nos preceitos constitucionais


das nações, nasceu a necessidade, por parte dos teóricos, de fazer a divisão dos direitos
fundamentais em três gerações. Em breve síntese, a primeira geração compreende os direitos
civis, políticos e as liberdades clássicas, a segunda geração compreende os direitos
econômicos, sociais e culturais e a terceira geração, por sua vez, trata do direito ao meio
ambiente equilibrado, qualidade de vida saudável, paz e autodeterminação.
Preciosas são as palavras de (BONAVIDES, 1993)21, ao fazer referência aos
direitos de primeira dimensão, quando afirma que os direitos fundamentais de primeira
dimensão representam exatamente os direitos civis e políticos, que correspondem à fase
inicial do constitucionalismo ocidental, mas que continuam a integrar os catálogos das
Constituições atuais (apesar de contar com alguma variação de conteúdo), o que demonstra a
cumulatividade das dimensões.
Conclui-se então, que os direitos políticos estão intimamente relacionados com os
direitos fundamentais, tendo em vista que estes são divididos em três gerações, na qual os
direitos políticos fazem parte da primeira geração. Além disso, como apresentado no tópico
anterior, a Constituição Federal de 1988, traz em seu Título II os “Direitos e garantias
fundamentais”, tendo como espécie os direitos políticos.
Dando continuidade ao trabalho, para melhor análise e compreensão do dos
direitos políticos, se faz necessário um tópico que trata da sua classificação.

2.2CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS

Podemos classificar os direitos políticos em positivos e negativos. Os primeiros se


vinculam ao sufrágio e à capacidade eleitoral ativa e passiva, ou seja, a capacidade de eleger e
de ser eleito. Já os direitos negativos, por sua vez, são os impedimentos que o indivíduo sofre
na atividade política, privando-o de exercer a sua cidadania, tendo em vista o não
cumprimento dos requisitos expressos na Constituição Federal.
Corroborando este entendimento, colaciona-se posicionamento de Sylvio
Clemente da Motta Filho22 (2008, p. 207), segundo o qual existem os direitos políticos
positivos, cujo âmago é o direito de sufrágio e suas consequências, ladeado pelo direito de ser

21
BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. São Paulo: Malheiros, 1993.
22
MOTTA FILHO, Sylvio Clemente. Direito constitucional: teoria, jurisprudência e questões. 20. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2008.
14

eleito, exercer sua atividade política e assumir encargos públicos. Direitos políticos negativos
são os que importam na privação na qualidade de eleitor (cidadão).
Conclui-se que há a necessidade de classificação dos direitos políticos, tendo em
vista a sua importância no exercício da atividade política. Vejamos, mais adiante e de maneira
mais clara, no que consistem os direitos políticos positivos e negativos.

2.2.1 DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS: SUFRÁGIO, PLEBISCITO E


REFERENDO

O direito político positivo do sufrágio é pedra angular de um regime democrático,


pois um dos preceitos do regime democrático é a escolha dos seus representantes políticos e a
possibilidade de também se tornar representante, caso preencha os requisitos. Ou seja, o
sufrágio representa o direito de votar e ser votado.
Segundo Araújo (2006)23, o direito de sufrágio não é um direito individual, pois
tem o condão de possibilitar o cidadão de participar da vida política do Estado, atuando como
agente transformador do regime democrático, assumindo um direito-dever.
Em posicionamento parecido sobre o direito de sufrágio, Pontes de Miranda24
(1967, p.560) defende que:

O direito de sufrágio posto que não seja mero reflexo das regras jurídicas
constitucionais, como já se pretendeu, não é só direito individual no sentido em que
o é o habeas corpus e o mandado de segurança, pela colocação que se lhes deu na
Constituição. É função pública, função de instrumentação do povo: donde ser direito
e dever.

Diante do apresentado, observa-se que o sufrágio é um dos direitos políticos mais


importantes e é constantemente confundido com o sinônimo do voto. Porém, vale salientar
que o sufrágio é um direito público subjetivo, já o voto é o instrumento pelo qual exercemos o
sufrágio. Também há uma dúvida comum, acerca do que seria o escrutínio, sendo este a forma
do voto, público ou secreto.
Além do sufrágio os outros direitos políticos positivos estão previstos no Art. 14
da Constituição Federal de 1988, o presente artigo estabelece que: “A soberania popular será

23
ARAÚJO, Luiz Aberto David. Curso de Direito Constitucional. Editora Saraiva. 10ª Edição. 2006. pg. 239.
24
MIRANDA, de Pontes. Comentários à constituição de 1967. 2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1967.
15

exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e,
nos termos da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo; III- iniciativa popular.
O Plebiscito e o referendo são direitos políticos expressos na Carta Magna de
1988 e regulamentados pela Lei nº 9709, os dois tem o mesmo objetivo, consultar o povo para
que tomem decisões sobre algum tema de relevância nacional nas questões de natureza
constitucional, legislativa ou administrativa.
Apesar de possuírem o mesmo objetivo de consulta popular, eles se diferenciam
quanto o momento da consulta. O plebiscito é convocado antes da criação do ato legislativo
ou administrativo, para que o povo decida se o ato será criado ou não. Já o referendo se dá
após o ato, e o cidadão tem que escolher pela ratificação ou rejeição da proposta apresentada.

2.2.2 DIREITOS POLÍTICOS NEGATIVOS: INELEGIBILIDADE, PERDA E


SUSPENSÃO

Os direitos políticos negativos estabelecem impedimentos e restrições acerca do


exercício do direito de eleger certo candidato ou impossibilidade de este assumir algum cargo,
eletivo ou não. Para que a pessoa tenha qualidade de cidadão, deve cumprir alguns requisitos
relacionados ao direito de sufrágio, não incorrendo nos casos de suspensão, inelegibilidade ou
perda dos seus direitos políticos.
Pedro Lenza (2004)25, define os direitos políticos negativos da seguinte forma:
individualizam-se ao definirem formulações constitucionais restritivas e impeditivas das
atividades político-partidárias, privando o cidadão do exercício de seus direitos políticos
Os direitos políticos negativos (inegibilidade, perda e suspensão dos direitos
políticos), estão expressos no artigo 14, §4º ao §11º, da Carta Magna de 1988 e São ações que
privam o cidadão do direito de participação no procedimento político nos órgãos
governamentais.
As causas de inelegibilidade estão previstas no art. 14, §§ 4º a 7º e § 9º, da CF/88,
e elas ocorrem quando o candidato não tem capacidade eleitoral ativa, não podendo
consequentemente ser votado. A inelegibilidade restringe total ou parcialmente a
possibilidade de o indivíduo ser eleito a algum cargo público.

25
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 7 ed. São Paulo: Método, 2004.
16

O próprio texto constitucional em seu art. 14, § 9º, estabelece que a finalidade da
inelegibilidade é proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do
poder econômico ou do abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração
direta ou indireta, conforme expressa previsão constitucional (art.14, § 9º, CF/88).
É importante salientar que devido ao aspecto constitucional da inelegibilidade, é
possível que outros casos e situações sejam tratados por lei complementar. Segundo Pedro
Lenza26, as inelegibilidades estão previstas tanto na CF (art. 14, §§ 4º a 8º), normas estas que
independem de regulamentação infraconstitucional, já que de eficácia plena e aplicação
imediata, como em lei complementar, que poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade e
os prazos de sua cessação” (2009, p. 789).
Ainda podemos classificar as inelegibilidades em absolutas e relativas. A primeira
diz respeito ao impedimento de exercer qualquer cargo eletivo, seguindo os casos taxativos
expressos pela CF/88, já a segunda diz respeito a cargos eletivos cujo caso concreto e a
situação em que o indivíduo se encontra o impedirá de exercer o cargo.
Assim como a inelegibilidade, os casos de perda e suspensão dos direitos políticos
estrão elencados na Carta Magna de 1988, o artigo 15 estabelece que: “É vedada a cassação
de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: I - cancelamento da
naturalização por sentença transitada em julgado; II - incapacidade civil absoluta; III -
condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; IV - recusa de
cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; V -
improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
A evolução dos direitos políticos continua até os dias de hoje, podemos observar
tal evolução através das reformas eleitorais, que nos últimos dois governos ocorreram com
certa frequência, objetivando a melhoria, o equilíbrio e a transparência das nossas eleições,
vejamos no próximo capítulo as principais reformas eleitorais.

3. REFORMAS ELEITORAIS

Neste capítulo, serão expostas as reformas eleitorais ocorridas nos últimos dois
governos presidenciais, Luís Inácio Lula da Silva (2003 a 2011) e Dilma Rousseff (2011 a

26
LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado. 13. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo:
Saraiva, 2009.
17

2016). Porém, antes de adentrar nas reformas propriamente ditas, importante a diferenciação
entre reforma política e reforma eleitoral, que não podem ser utilizadas como sinônimos.
Reforma política seria um termo mais amplo, utilizado para designar mudanças no
próprio sistema político como um todo, motivado por pressões sociais que não se veem
representadas pelos governantes e clamam por mais participação.
Ao definir reforma política, Frei Sérgio Antônio Gorgen (2016) fala de uma “crise
de representação” que, em suas palavras, “é quando os representados não se sentem mais
representados por seus governantes formais e deixam de acreditar no próprio sistema de
representação, pois sabem antecipadamente que seus anseios e necessidades não estarão sendo
minimamente atendidos”.
Um dos motivos dessa crise de representação advém da influência do poder
econômico em nosso sistema político. Pode-se dizer que os maiores empresários do país estão
no poder, seja como políticos ou como financiadores das campanha dos políticos aliados.
Nestes dois casos, os eleitos não trabalhariam em prol da população e do bem comum, pelo
contrário: desenvolveriam suas ações no sentido de manter os privilégios sempre existentes.
Já a reforma eleitoral, por sua vez, tem um campo de abrangência menor. Ela
busca alterar as regras da campanha para que o pleito possa ocorrer de forma igualitária, sem
que uma parcela da sociedade, em geral os mais ricos, seja beneficiada em detrimento de
outra. Ao tratar dos objetivos das reformas política e eleitoral, Fernando de Lascio (2015)
afirma que:

Enquanto na reforma política o principal objetivo é a inclusão da sociedade nos


processos decisórios das políticas públicas, portanto, a implementação da
democracia participativa, na reforma eleitoral o objetivo geral é aperfeiçoar as
normas de campanha, tais como financiamento de público de campanha, reeleição,
prazos, inelegibilidade, ficha limpa, etc.

Feita esta diferenciação inicial, a seguir serão expostas as principais reformas


eleitorais ocorridas na legislação brasileira entre os anos de 2003 a 2015. Serão abordadas as
principais mudanças como também sua importância para um processo eleitoral limpo e
honesto, cada vez menos sujeito ao poderio econômico.

3.1 – GOVERNO LULA (2003 - 2011)

Durante o governo Lula ocorreu duas minirreformas eleitorais, a Lei 11.300/2006


e a Lei nº 12.034/2009, ambas com o objetivo de trazer melhorias para o nosso sistema
18

eleitoral no tocante à contenção de gastos no período eleitoral, a regularização da publicidade


eleitoral e da prestação de contas dos candidatos.

3.1.1 Minirreforma eleitoral de 2006 (Lei nº 11.300/2006)

Durante os 8 anos de governo Lula, a legislação eleitoral passou por algumas


alterações. Entre elas, citamos as inovações trazidas pela Lei nº 11.300, de 10 de maio de
2006, chamada de "minirreforma eleitoral", o objetivo principal desta lei era conter gastos e o
excesso de recursos publicitários envolvidos nas eleições.
Na parte financeira, podemos falar da responsabilidade solidária do tesoureiro de
campanha, que a partir da Lei de 2006, passou a dividir a responsabilidade da administração
financeira com o candidato. Além disso, devem ser abertas contas durante o período eleitoral,
com a finalidade de apenas movimentar custos da campanha, não devendo ser utilizada
nenhuma outra conta além da exclusiva. 27
A respeito das doações de campanha, a minirreforma trouxe novidades, impondo
que estas somente poderão efetuadas em contas do partido ou do próprio candidato, pessoas
jurídicas não podem fazer doações em dinheiro, devendo transferir ou depositar cheque
cruzado e pessoas físicas podem doar dinheiro em espécie, desde que o depósito seja
identificado da forma correta.
A Lei 11.300/06 ainda trouxe no seu art. 26, um rol de gastos eleitorais que devem
ser feitos registros, gastos com aluguel de bens particulares, montagens de carros de som,
gastos com propaganda e publicidade, entre outros. A coibição das irregularidades aumentou,
diante da possibilidade que a Lei trouxe de cassar o candidato após as eleições, caso este
tenha cometido irregularidades durante o pleito.
Quanto ao marketing de campanha, houve alterações consideráveis. Passou a não
ser mais permitida qualquer meio de propagandas em bens públicos, como permitia a Lei
9504/97; também foi proibida a distribuição de brindes como: bonés, camisas, chaveiros,
entre outros, com o objetivo de coibir a vantagem do candidato. Os conhecidos Showmícios
também foram proibidos. Os outdoors não podem ser utilizados na campanha eleitoral,
sujeitando-se a empresa responsável ou partido a retirada e o pagamento de multa.

27
“Novas regras para as eleições de 2006”. 2006. Disponível em: < https://jus.com.br/artigos/8580/novas-
regras-para-as-eleicoes-de-2006 >. Data de Acesso em: 03 de novembro de 2016.
19

Outra importante mudança foi a proibição de candidatos que possuíam programas


de rádio ou televisão, que a partir da lei devem encerrar suas atividades a partir do resultado
da convenção, que ocorre em junho, como forma de evitar o abuso de poder pela mídia.
Por último, se faz necessária a apresentação de mais uma mudança. O artigo 73 da
Lei 11.300/06, apresentou o seguinte texto que fala da proibição da doação de bens e valores
pela Administração pública: "no ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição
gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos
de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e
já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá
promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa."

3.1.1 Minirreforma eleitoral de 2009 (Lei nº 12.034/2009)

A segunda minirreforma eleitoral do governo Lula foi a Lei nº 12.034 de 2009,


que segundo os eu texto, altera as Leis nos 9.096, de 19 de setembro de 1995 - Lei dos
Partidos Políticos, 9.504, de 30 de setembro de 1997, que estabelece normas para as eleições,
e 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código eleitoral.
Se faz necessário uma breve análise acerca das mudanças que a Lei trouxe para o
nosso sistema eleitoral, iniciando pela internet, devido a evolução da era tecnológica. A lei
permitiu o uso de redes sociais, sites e blogs, como meio de propaganda eletrônica, permitiu a
doação pela internet através do cartão de crédito e direito de resposta na internet.
No tocante a prestação de contas houve uma “suavização” nas punições, tendo em
vista que o candidato ou partido que não prestar as contas corretamente sofrerá sanção de
forma proporcional, por um a doze meses e não poderá ser aplicada a esta suspensão caso as
contas não tenham sido julgadas depois de cinco anos de sua apresentação, ainda cabendo
recurso em todas as instâncias com efeito suspensivo.
Em relação às campanhas nas ruas, a lei proibiu a propaganda em bens públicos
de uso comum, propriedades comerciais, árvores e jardins de área públicas, cercas. No dia das
eleições estão proibidas as aglomerações e manifestações coletivas com roupas de
propagandas. A lei proibiu os trios elétricos nas carreatas, podendo ser utilizados apenas nos
comícios, sendo permitidas as movimentações de entrega de material de campanha e
caminhadas até às 22 horas do dia anterior ao pleito.
20

As propagandas antecipadas, ou seja, material divulgado antes do dia 5 de julho


do ano eleitoral, serão aplicadas multas aos responsáveis, que vão de cinco mil reais a vinte e
cinco mil reais.
Os candidatos também devem ter cuidado, pois a nova reforma estabeleceu o
prazo de um ano para julgamento definitivo de processo de perda de mandato pela Justiça
Eleitoral. Também é de grande importância a apresentação de propostas por parte dos
candidatos, que são obrigatórias para a validação do registro de candidatura.

3.2 GOVERNO DILMA ROUSSEFF (2011 a 2016)

Foi durante o Governo da Presidenta Dilma Rousseff que a legislação eleitoral


sofreu transformações significativas, sobretudo no que diz respeito à busca pela moralidade e
honestidade dos que concorrem no pleito, como pela procura em acabar, ou no mínimo
diminuir, a influência do poder econômico no resultado das eleições.

3.2.1 Minirreforma eleitoral de 2013 (Lei n.º 12.891/2013)

A primeira minirreforma eleitoral que ocorreu durante o governo de Dilma


Rousseff foi a de 2013. Aprovada por intermédio do Projeto de Lei n.º 441, de 2012 (no
6.397/13 na Câmara dos Deputados), que altera dispositivos da Lei dos Partidos Políticos (Lei
n.º 9.096/95), da Lei das Eleições (Lei n.º 9.504/97) e do Código Eleitoral (Lei n.º 4.737/65),
destacando as inclusões normativas promovidas nas mencionadas leis e as modificações
ocorridas nas regras que se encontravam vigentes. A finalidade da minirreforma eleitoral de
2013 é diminuir os custos das campanhas eleitorais, apresentando aperfeiçoamentos da
legislação eleitoral. 28
Uma das mudanças consideráveis foi o cancelamento de filiação a partido
político, onde para ter o cancelamento imediato da filiação partidária, basta o candidato se
filiar a outro partido, passando a vigorar a filiação do partido mais recente, diferente das
regras anteriores, que exigiam o cancelamento da antiga filiação.

28
"Breves notas sobre a minirreforma eleitoral de 2013”. Justiça Eleitoral. 2014. Disponível em: <
http://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/tre-ms-artigo-breves-notas-sobre-a-minirreforma-eleitoral-de-2013 >.
Data de acesso: 05 de novembro de 2016.
21

Em relação a ata da convenção, esta deve ser feita e publicada em qualquer meio
de comunicação em até 24 horas após a realização da convenção. E caso não seja obedecida a
norma, o juiz eleitoral pode determinar o seu cumprimento obrigatório.
Antes da minirreforma a substituição de candidatos às eleições majoritárias
poderia ocorrer a qualquer tempo e dos candidatos às eleições proporcionais em até 60 dias
antes do pleito. Porém, o prazo para substituição de candidatos foi estabelecido em 20 dias,
tanto para majoritária quanto para proporcional.
Em relação aos gastos de campanha, 10 % (dez por cento) foram limitados com
alimentação do pessoal que presta serviços às candidaturas e 20% (vinte por cento) ao aluguel
de veículos. Os gastos com a contratação do pessoal em campanha estão expressos pelos
artigos 100-A e 30-A, que estabelecem a contratação direta ou terceirizada para a prestação de
serviços de militância e a contratação está vinculada aos limites impostos aos seus candidatos.
São excluídos dos limites fixados a militância não remunerada, pessoal contratado para apoio
administrativo e operacional, fiscais e delegados credenciados para trabalhar nas eleições e os
advogados dos candidatos ou dos partidos e coligações.
Quanto ao marketing eleitoral, passou a ser proibida a veiculação de propaganda
eleitoral em vias públicas utilizando cavaletes, bonecos e cartazes, sendo permitido apenas o
uso de bandeiras móveis. A minirreforma limitou o tamanho dos adesivos, tendo as
dimensões máximas de 50cm por 40cm, porém, proibiu adesivos em taxis e ônibus.
O marketing sonoro também foi reformado, estabelecendo um limite de volume e
de funcionamento do dia 6 de julho até as eleições, das 8 às 22 horas, com distância nunca
inferior a 200 metros de órgãos públicos e de hospitais, fóruns, escolas, bibliotecas públicas,
igrejas e teatros. O volume máximo permitido para o funcionamento do som é de 80 decibéis
de pressão sonora.
Um importante assunto, tendo em vista a sua atualidade, que a minirreforma
trouxe, foi a possibilidade de manifestação e posicionamento pessoal sobre questões políticas
nas redes sociais antes do período destinado a propaganda eleitoral, em decorrência do direito
fundamental da livre manifestação do pensamento.
Por fim, a nova lei também estabeleceu que a prestação de contas deve ser
realizada mediante escrituração contábil, sendo necessária fiscalização de documentos
contábeis e fiscais apresentados pelo partido, contendo as despesas da campanha eleitoral
como um todo.
22

3.2.2 Minirreforma eleitoral de 2015 (Lei nº 13.165/2015)

A segunda e última minirreforma eleitoral do governo Dilma Rousseff foi a Lei nº


13.165, aprovada em 9 de setembro de 2015, por intermédio do Projeto de Lei nº 5.735/13 na
Câmara dos Deputados e nº 75/15 no Senado Federal, que altera dispositivos da Lei das
Eleições (Lei nº 9.504/97), da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95) e do Código
Eleitoral (Lei nº 4.737/65), destacando as inclusões normativas promovidas nas mencionadas
leis e as modificações ocorridas nas regras que se encontravam vigentes. A finalidade da lei
estudada é reduzir os custos das campanhas eleitorais (a mesma atribuída à minirreforma
anterior, implementada pela Lei nº 12.891/2013), simplificar a administração dos partidos
políticos e incentivar a participação feminina.29
O presente estudo trará uma breve análise das novidades mais relevantes que a lei
trouxe. Inicialmente se faz necessário abordar as mudanças na cassação do registro, que com a
nova lei as decisões dos Tribunais Regionais acerca das ações que tenham como objeto a
cassação de registro, anulação geral de eleições ou perna de diplomas, deverão ser tomadas
mediante a presença de todos os juízes integrantes; segundo o Art. 257, §2º da Lei 13.165/15,
os recursos das respectivas ações serão recebidos pelo tribunal competente com efeito
suspensivo. 30
No tocante ao registro de candidatura, alterações foram feitas no prazo para o
candidato dar entrada no registro de candidato a cargo eletivo, passando a ser até o dia 15 de
agosto do ano das eleições, alterando o prazo anterior que era de até 90 (noventa) dias antes
do pleito. Já o prazo para julgamento dos registros era de setenta dias antes do pleito, sendo
alterado para até 20 dias antes do pleito.
As convenções partidárias que têm como objetivo a escolha de candidatos nas
eleições majoritária e proporcional, são abordadas na nova lei e o seu prazo para realização
deverá ser entre os dias 20 de julho a 05 de agosto do ano do pleito.
A Reforma Eleitoral de 2015 também trouxe novas regras para os candidatos
eleitos nas eleições proporcionais, ou seja, vereador, deputado federal, deputado estadual e

29
"Breves notas sobre a minirreforma eleitoral de 2015”. Justiça Eleitoral. 2015. Disponível em: <
http://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/tre-ms-breves-notas-sobre-a-minirreforma-eleitoral-de-2015-
1449677024470 >. Data de acesso: 06 de novembro de 2016.
30
"Série Reforma Eleitoral 2015: conheça os principais pontos alterados no Código Eleitoral”. Tribunal
Superior Eleitoral. 2015. Disponível em: < http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2015/Outubro/serie-
reforma-eleitoral-2015-conheca-os-principais-pontos-alterados-no-codigo-eleitoral >. Data de acesso: 06 de
novembro de 2016.
23

deputado distrital, estabelecendo que serão eleitos apenas os candidatos que tenham obtido
um número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral.
Outro importante avanço que a minirreforma trouxe para os nossos direitos
políticos é a ampliação do voto em trânsito. A partir de agora o código eleitoral assegura que
o eleitor que estiver dentro do estado em que vota poderá votar para diversos cargos políticos
em cidades com mais de 100 mil eleitores. Os militares também poderão votar na
circunscrição em que estiverem laborando, mesmo que não seja no seu domicílio eleitoral.
A Lei 13.165 de 2015 trouxe diversas outras novidades e alterações do nosso
sistema eleitoral, porém, como apresentado no início do tópico, o objetivo deste capítulo é
fazer apenas uma breve análise das reformas eleitorais em um contexto evolutivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os direitos políticos fazem parte da terceira geração dos direitos fundamentais,


sendo de grande importância para garantir ao povo a sua soberania e participação direta ou
indireta da administração do Estado. Porém, os direitos políticos surgiram sob uma égide
diferente dos dias de hoje, sofrendo forte influência das classes dominantes.
Observa-se esta tendência ao analisar que os primeiros códigos restringiam o
direito de votar e ser votado, estabelecendo condições para o exercício da cidadania, baseados
no poder e status econômico da população, ás questões relacionadas ao gênero e idade do
indivíduo.
Acompanhando a evolução das questões sociais e luta pelos direitos
fundamentais, os direitos políticos passaram a fazer parte de um contexto mais igualitário.
Embora a realidade atual seja bastante diferente do que existia na época do seu surgimento,
sobretudo no que diz respeito a amplitude dos direitos, que hoje podem ser exercidos por
homens e mulheres, pobres e ricos, observadas as disposições legais e constitucionais, não
podemos deixar de admitir que violações ainda existem, sobretudo no que diz respeito ao
abuso do direito econômico.
Sob esses aspectos, surgiu a necessidade de leis com a finalidade de reformar o
nosso sistema eleitoral, tornando o pleito mais igualitário entre os candidatos e abolindo o
máximo possível a autopromoção dos candidatos que através do poder econômico e político.
Apesar das minirreformas eleitorais e dos avanços que estas trouxeram, o país necessita de
uma reforma política incisiva, que traga mudanças significativas para o nosso sistema político
e eleitoral, consequentemente possibilitando um maior desenvolvimento do país.
24

REFERÊNCIAS

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25

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