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UFRN – UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

DISCIPLINA: SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA GERAL


DOCENTE: PROF. DR. DOUGLAS ARAÚJO
DISCENTE: DÉBORA ALVES PRIMOLAN
CURSO: DIREITO – MATUTINO

Resenha dos capítulos 2 e 3 do livro “Da divisão do trabalho social”, de Émile


Durkheim

A intenção do autor se baseia em analisar e expor a composição da


solidariedade presente na sociedade, exemplificando conceitos e expressões
relacionadas aos termos “crime” e “pena”. Ele critica a conjuntura dos atos
denominados crimes, relatando que “há uma multidão de atos que foram e
ainda são considerados criminosos, sem que, por si mesmos sejam prejudiciais
à sociedade”, evidenciando as notórias lacunas no tocante à criminalização de
práticas.

Destaca as indubitáveis diferenças entre o Código Civil – tendo como


conceito ”eis o dever” e o Código Penal – tendo como conceito “eis a pena”.
Essa comparação diz respeito à disparidade de atualizações, visto que o
Código Civil foi atualizado com uma maior frequência em relação ao Código
Penal, mostrando uma nítida falha, já que este último também carece de
mudanças para a melhor expressão de penas e medidas efetivas.

O autor revela sua opinião em relação à ambiguidade do crime,


revelando que “não o reprovamos por ser um crime; é um crime porque o
reprovamos”, expressando assim o paradoxo existente entre o real ato de
criminalizar e o modo como tal punição é empregada em sua totalidade.
Somado a isso, ele inicia suas avaliações a respeito da “pena”, fazendo
comparações entre a contemporaneidade e as eras antigas, encontrando
semelhanças e diferenças e expõe que: “hoje em dia a pena não é mais para
se vingar, e sim para se defender”. Define também “expiatória” – uma
sequencia de ações e contra ações motivadas por vingança, que são levadas a
cabo ao longo de um extenso período por grupos que buscam justiça.
Durkheim exprime outros julgamentos sobre o crime, tendo como ideia
central enfatizar que este não é apenas uma lesão e conflito de interesses, é
também uma ofensa a uma autoridade de certa forma transcendente,
evidenciando a parcialidade no que diz respeito à criminalização, mostrando a
ideia do “moralmente correto”, o qual afirma que o crime aproxima as
consciências honestas e as conecta.

Ademais, define “pena” como sendo uma reação passional de


intensidade graduada que a sociedade exerce por intermédio de um corpo
constituído contra aqueles de seus membros que violaram certas regras de
conduta, evidenciando a complexidade desse conceito e a necessidade de
debate efetivo para ampliar e modernizar ideias e práticas em relação a crimes
e penas, importantes conceitos para a construção de uma sociedade lúcida.

No capítulo 3, o autor se direciona no sentido de destacar os conceitos


de pena e castigo na visão da solidariedade orgânica, afirmando que para
haver uma efetiva pena, seria necessária uma real proporção entre o ‘castigo’ e
a ‘falta’, sendo preciso que a gravidade desta última fosse seriamente
estabelecida. Ele afirma que não toleramos a ideia de que um compromisso
contrário aos costumes ou obtido pela violência ou pela fraude possa vincular
os contratantes, mostrando que existe uma parcialidade na sociedade. Destaca
também que as regras com função restitutiva ou não fazem em absoluto parte
da consciência coletiva ou são apenas fracos desta, afirmando que o direito
restitutivo tem origem em regiões excêntricas.

Durkheim expõe que a sociedade tem um papel fundamental na esfera


judicial e que o Direito é uma coisa social por excelência Destaca a existência
do direito real, que compreende o direito de propriedade sob suas diversas
formas e suas diferentes modalidades.

Afirma que a ordem perturbada é resultado não de um concurso, mas de


uma pura abstenção. O autor destaca que os homens só precisam de paz à
medida em que já são unidos por algum vínculo de sociabilidade, admitindo-se
que a justiça é cheia de caridade e a solidariedade negativa nada mais é que
uma emanação de outra solidariedade de natureza positiva.
Fala também a respeito do objetivo do direito civil, o qual determina a
maneira como se distribui as diferentes funções familiares e o que elas devem
ser em suas mutualidades. Exprimindo, assim, a solidariedade particular que
une entre si os membros da família em consequência da divisão do trabalho
doméstico.

Além disso, é exposta a ideia de que o contrato é, por excelência, a


expressão jurídica da cooperação e o símbolo da troca, expondo que a pesar
da simplicidade relativa desse esquema, ele é suficiente para manifestar a
extrema complexidade dos fatos que resume. Admite-se que quando o Código
Comercial não regulamenta contratos propriamente ditos, determina quais
devem ser certas funções especiais, com o intuito de garantir a solidariedade
de todas as partes do aparelho comercial.

O autor destaca que o s estados de consciência só são fortes na medida


em que são permanentes, evidenciando que a solidariedade negativa não
produz por si mesma nenhuma integração e reconhece apenas duas espécies
de solidariedade positiva. A primeira é aquela que liga diretamente o indivíduo
à sociedade, sem nenhum intermediário. A segunda, por sua vez, trata da ideia
de que a sociedade não é vista sob o mesmo aspecto em dois casos. Esses
conceitos demonstram que a primeira só pode ser forte na medida em que as
ideias e as tendências comuns a todos superem em número e intensidade as
que pertencem a cada um.

Afirma que a consciência coletiva necessita deixar descoberta uma parte


da consciência individual, para que nela se estabeleçam funções especiais que
ela não pode regulamentar. Finaliza afirmando que este capítulo proporciona
meios de calcular a parte que cabe a cada um desses dois vínculos sociais no
resultado total e comum, admitindo que o direito sempre varia de acordo com
as relações sociais que rege.