Você está na página 1de 4

RECEBENDO AJUDA DE UM AMIGO

Um dos maios para redimir a compulsão pessoal é a ajuda de um amigo, que conhece a
compulsão e tem a habilidade para lhe responder dum modo integrador.
Algumas sugestões para responder a cada tipo de personalidade, seriam as seguintes:

- UM -
- São perfeccionistas
- São rigorosos no seu grande criticismo para com eles próprios e para com os outros
- Muitas vezes, a sua compulsão fá-los cair na armadilha de algum ponto específico, e eles
trabalham-no exageradamente
- Um amigo é-lhes mais útil e proveitoso interrogando-os do que determinando-lhes coisas
- Os verdadeiros amigos mostram interesse nos seus talentos e ajudam-nos a atingir uma segurança
no seu bom uso
- Precisam de ser ouvidos no seu próprio comprimento de onda, senão dizem que ninguém os ouve
- Um verdadeiro amigo escuta-os levando a sério o que eles dizem uma e outra vez e retribui-lhes,
dizendo: Isso deve ser realmente importante para ti, pois continuas a repeti-lo! A reacção poderá
ser um sorriso
- Beneficiam extraordinariamente ao reconhecerem a sua própria debilidade como algo gracioso
- Meter-se com eles é um caminho natural para os iluminar acerca da sua tendência para serem
excessivamente sérios. Eles gostam disso, mas o modo como devolvem as piadas pode ser mais
sarcástico e afiado do que alegre

- DOIS -
- Pensam que são independentes mas na realidade dependem da apreciação feita ao seu serviço
- São ajudados por um amigo “quanto às suas próprias necessidades pessoais”
- Um amigo leva-os a tomar consciência dos seus próprios sentimentos e afirma-lhes que é bom
precisar de algo, dizendo-lhes: É importante saber que, também tu, tens necessidades, porque isso
faz-te humano como as outras pessoas!
- Um amigo deveria ter cuidado em não os usar pois é muito fácil apanhá-los para satisfazer todas as
nossas necessidades menores (e mesquinhas)
- Apressam-se em obter tudo o que se lhes pede, sempre sem dizerem nada
- O que precisam é de afecto; precisam de ser alimentados
- Nunca pedem expressamente afecto pois não gostam de pedir o que precisam
- Não são ajudados a sair da sua compulsão sendo atacados pelas costas (por todas as pequenas
coisas que fazem) nem sendo adulados
- Se os quer ajudar, um amigo recusa-se a apoiar a sua compulsão de obter aprovação pelo que
fazem
- Em vez de se gostar deles por fazerem o que agrada, devem ser amados pelo que são
- O melhor momento para lhes agradecer não é quando fazem um favor, mas quando são
genuinamente eles próprios

- TRÊS -

1
- São ajudados pelo reforço, pelo apoio que se lhes dá como pessoas, mais do que apoiando o que
fazem
- Um amigo ajuda-os a ser eles próprios aceitando-os, estimulando-os a afirmar-se como pessoas e
levando-os a ter gosto das suas qualidades pessoais
- Precisam de se distinguir como pessoas de êxito, apenas pelo que são
- Precisam também de ser ajudados a aceitar com realismo as suas próprias fraquezas, erros e
frustrações
- Um amigo que consiga falar das fraquezas consegue, de algum modo, um grande êxito
- É-lhes importante aceitar a fraqueza em si mesma como parte do que significa aceitar a vida
- Um amigo dirá: Sinto-me melhor contigo quando te unes ao resto da raça humana
- Quando hiper-valorizam a sua competência, precisam de ser chamados à atenção num sentido de
um modo mais equilibrado de encarar as coisas, talvez através de uma expressão gentil
exageradamente moderada
- Muitas vezes ignoram completamente o modo como os seus próprios sentimentos os afectam
- Quando fazem afirmações, muito positivas e entusiasmadas, poderão ser questionados acerca do
seu conteúdo e chamados à responsabilidade acerca do que dizem. Neste sentido, um amigo pode
ser um dom para eles chamando-lhes a atenção para aquilo que tendem a referir só superficialmente
- Têm a compulsão de substituir a qualidade pela quantidade pois procuram o máximo de êxito
- Talvez quando crianças não tenham sido amados separadamente dos seus êxitos; por isso apenas
sentem orgulho quando vencem actuando
- Encaram-se a si mesmos a partir de fora, pensando que são aquilo que realizam
- Precisam que se lhes mostre que o seu verdadeiro êxito está neles próprios e não na multiplicação
de realizações eficientes
- Para eles, um amor amistoso, simplesmente como pessoas, substitui o falso amor que
experimentaram desde pequenos e que causa neles o apego à sua compulsão pelo êxito como
medida do mérito

- QUATRO -
- Estão sempre a hiper-raciocinar
- Mantêm-se na eterna pergunta: Porquê?
- Um amigo ajuda-os chamando-os a manter-se firmes na sua própria força sem precisarem de ser
extremistas
- São ajudados pelos amigos que sabem partilhar com eles as próprias experiências
- A relação interpessoal é uma peça-chave: admitirão um ponto de vista diferente do seu, apenas se
sentirem que a outra pessoa os percebe
- Do que necessitam é, precisamente, de uma boa amizade
- Gostam de adquirir informação e, por isso, um amigo tem uma boa oportunidade para lhes dizer o
que eles precisam de ouvir para serem mais livres, ou seja, como as coisas mais ordinárias da vida
podem ser apreciadas

- CINCO -
- Podem ser ajudados por um amigo a sair da sua caverna e a ser algo mais do que os eternos
observadores do que se passa à volta
- Sabendo que têm o mundo no seu interior, um amigo tenta convidá-los a fazer mais uso do poder
que possuem, ou seja, arranca-os do isolamento a fim de partilharem e porem ao serviço do bem
comum tudo aquilo que sabem
- Podem ser convidados a actuar e a experimentar coisas novas com os amigos
- De facto, os amigos precisam de os meter em cima do palco e de lhes dizer: Dança!

2
- SEIS -
- Devido ao maior obstáculo para o seu crescimento ser o seu próprio meio ambiente, um amigo
pode ajudá-los chamando-os a comprovar a sua coragem de muitos modos
- É importante não lhes dar conselhos
- Precisam de ser encorajados a tomar as suas próprias decisões
- Para os medrosos, uma boa pergunta é esta: O que é que, de facto, desejas fazer?
- O verdadeiro amigo apoia-os imediatamente em qualquer decisão que tomem e continua a apoiá-
los enquanto procuram levar até ao fim a decisão tomada, mesmo que ela não venha a realizar-se
totalmente
- É necessária muita paciência para os ajudar a chegar a uma decisão pessoal
- Se fizerem parte de um grupo e forem os primeiros a ser questionados para tomarem uma decisão,
a sua compulsão vai conduzi-los a eleger o que pensam que os outros querem
- Precisam de tempo para se clarificarem mentalmente antes de responder
- Precisam também de ser ajudados a entrar em contacto com os seus medos
- No dia a dia, negoceiam com o medo
- Quando se lhes dá autoridade têm medo das vozes discordantes e tendem a ser autoritários para
mostrar aos outros quem é o chefe
- Um amigo pode-os ajudar a ver outros caminhos construtivos para exercer a liderança e chegar a
ser mais conscientes de que a responsabilidade não cai apenas sobre os seus ombros, mas que pode
ser partilhada de um modo confiante

- SETE -
- São sonhadores
- Os seus planos para o futuro levam-nos a ser muito entusiastas e a experiência de levar a cabo
estes planos não chega para preencher as suas expectativas
- Um amigo chama-os a uma maior responsabilidade em relação aos seus sonhos, dizendo: Uma
coisa é o que tu dizes e outra o que tu fazes!
- Apenas se animam a realizar parte dos seus projectos, dado que a planificação total, normalmente
ultrapassa o possível
- Percebendo a sua tendência para evitar a dor, um amigo explica-lhes que não é preciso que tudo
lhes seja favorável (visão optimista idealista) e que não é mal esperar que a vida traga certos
sabores amargos
- É importante que não sejam poupados ao perigo das consequências da sua falta de acção
- Um amigo pode ajudá-los deixando-os sofrer as consequências da sua própria demora
- Devem ser questionados pelas suas negligências (descuidos, esquecimentos) e recordados de que,
ao fazerem um plano, os outros esperam que eles o levem até ao fim
- Precisam de se tornar conscientes das dores e das dificuldades que causam aos outros com as suas
negligências dado que, compulsivamente, tendem a bloquear (desterrar) este processo para fora do
seu campo de consciência
- Um amigo mostra-lhes como a sua demora (atraso) ou a sua acção prejudica os outros
- A sua motivação de que falta algo para serem felizes pode ajudá-los a ser mais seguros
- Nalguns casos, chamando-os a contas, um amigo ajuda-os a estar mais em contacto com a
realidade tal qual é, em vez de suavizar ou aliviar tudo

- OITO -
- Procuram a justiça por si mesma
- Atacam fortemente qualquer situação ou pessoa, escapando-lhes o modo como os outros sentem

3
- Lucram quando um amigo lhes revela o modo de sentir das outras pessoas, ou como ele próprio
sente como amigo que é
- Depois de actuarem como OITO que são, frente a um amigo ou a outras pessoas, o amigo precisa
de ser uma pessoa forte para transformar a amizade numa real partilha de vida. O amigo tem de ser
capaz de lhes responder com algo deste género: Sabes como me senti quando tu disseste isso?!
- Eles respeitarão qualquer pessoa que assuma a responsabilidade dos seus próprios sentimentos
- Contudo, é muito prudente não usar de agressividade quando se lhes responde
- Para eles e para a própria relação, uma gentileza verdadeira é de muito maior ajuda do que uma
resposta carregada de agressividade
- Gostam de discutir e defendem a sua própria rectidão, mesmo que se trate dum amigo íntimo a
lamentar-se de ter sido ferido pelo que eles disseram ou fizeram
- Atribuem aos outros os falhanços, pois consideram-se justos e os outros sempre do contra
- Precisam de aprender a responder ao nível dos sentimentos, bem como a reconhecer com que
agressividade procedem para com os outros
- Um amigo precisa de ser valente frente a eles, nunca deve recuar. Tem de os convidar gentilmente a
mostrar o seu lado delicado e carinhoso
- Há muitas formas de dizer a verdade. A arrogância não é a única maneira de desanuviar a atmosfera
e comunicar efectivamente. Na relação com os OITO um amigo precisa de estar preparado para
ser firme, para enfrentar as suas reacções imprevistas e intempestivas
- Muitas vezes pensam que disseram a verdade aos outros e que estes é que não a quiseram ouvir
- Um amigo precisa também de se habituar a que a primeira resposta dos OITO, a cada nova
sugestão, é um não redondo; mas habituam-se também a que possa haver logo um abrandamento
da reacção inicial e uma mudança da resposta para um sim

- NOVE -
- São não-conformistas
- Não estão de acordo com o mundo, pelo que tendem a não actuar nele
- Quando começam a descobrir como são as pessoas, geralmente não gostam do que encontram, o
que os leva a tornar-se inactivos
- Um amigo pode ajudá-los convidando-os a assumir uma posição mais equilibrada e a tentar
modificar o mundo
- Pode ser confuso saber como os interpelar. Parecem tão carentes de energia e de entusiasmo!...
- Um amigo começa por aceitá-los tal como são e, depois, procura exprimir a sua confiança neles
através de convites para se unirem a actividades diversas, exigindo-lhes responsabilidade no que
lhes toca
- São como uma máquina que precisa de ser oleada, precisam de alguém que faça algo e os desafie a
colaborar
- Gostam de ser estimulados pelos outros e prontificam-se a responder quando há alguém que toma a
iniciativa