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Apostila

de

Aluno(A):_____________________________________________________________________

Nº:________ Professora: Clarice L. G. de Freitas

Turma: ______________

2016
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ARTE EGÍPCIA

Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que


se desenvolveu no Egito. Era uma civilização já bastante
complexa em sua organização social e riquíssima em suas
realizações culturais. A religião invadiu toda a vida egípcia,
interpretando o universo, justificando sua organização social e
política, determinando o papel de cada classe social e,
consequentemente, orientando toda a produção artística desse
povo. Além de crer em deuses antropozoomórficos (parte
humana, parte animal) que poderiam interferir na história
humana, os egípcios acreditavam também numa vida após a morte e achavam que
essa vida era mais importante do que a que viviam no presente. O fundamento
ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado, para
o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.

Arquitetura

As características gerais da arquitetura egípcia são:

 Solidez e durabilidade;
 Simplicidade das formas;
 Poucas aberturas;
 Sentimento de eternidade; e
 Aspecto misterioso e impenetrável.

Os monumentos mais expressivos da arquitetura egípcia são os túmulos e os


templos. Os túmulos são divididos em três categorias:

 Pirâmide - túmulo real destinado ao faraó;


 Mastaba - túmulo para a nobreza; e
 Hipogeu - túmulo destinado à gente do povo.

As pirâmides tinham base quadrangular e eram feitas com pedras que


pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem
admiravelmente lapidadas. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela
polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O interior era um
verdadeiro labirinto que levava à câmara funerária, local onde estava a múmia do

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faraó e seus pertences. As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas
mais famosas e, foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops,
Quéfren e Miquerinos. Junto a essas três pirâmides está a esfinge mais conhecida do
Egito, que representa o faraó Quéfren, mas a ação erosiva do vento e das areias do
deserto deu-lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso.

Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor, ambos dedicados ao deus


Amon. Os principais tipos de colunas dos templos egípcios são divididos conforme seu
capitel:

 Palmiforme – inspirada nas folhas de palmeira branca;


 Lotiforme – inspirada na flor de lótus;
 Papiriforme – inspirada na flor de papiro (podem ser abertas ou
fechadas);

Escultura

Os escultores egípcios representavam os


faraós e os deuses em posição serena, quase sempre
de frente, sem demonstrar nenhuma emoção.
Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de
imortalidade. Com esse objetivo ainda, exageravam
frequentemente as proporções do corpo humano,
dando às figuras representadas uma impressão de
força e de majestade. Os Usciabtis (lê-se Shabits)
eram figuras funerárias em miniatura, geralmente
esmaltadas de azul e verde, destinadas a substituir o
faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além,
muitas vezes coberto de inscrições.

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Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também
expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam
colunas e paredes, dando um encanto todo especial às construções. Os próprios
hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo.

Pintura

A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das


atitudes religiosas. Suas características gerais são:

 Ausência de três dimensões;


 Ignorância da profundidade (perspectiva);
 Colorido a tinta lisa, sem sombreado e sem
indicação do relevo; e
 Lei da frontalidade - que determinava que
olhos e tronco da pessoa fossem
representados de frente, enquanto sua
cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos
de perfil.

Quanto à hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com


maior importância no reino, ou seja, nesta ordem de grandeza: o rei, a mulher do rei, o
sacerdote, os soldados e o povo. As figuras femininas eram pintadas em ocre,
enquanto que as masculinas pintadas de vermelho.

Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós.


Desenvolveram três formas de escrita:

 Hieróglifos - considerados a escrita sagrada;


 Hierática - uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos
sacerdotes;
 Demótica - a escrita popular.

Música e dança no Egito Antigo

Segundo estudiosos a música no Antigo Egito tem origens tão remotas como a
da Mesopotâmia. A partir de afrescos em templos e túmulos, podemos ter uma noção
do desenvolvimento dos instrumentos musicais e o uso da música na civilização
egípcia. Entre o Sexto e o Quarto milênio AEC, após o estabelecimento das primeiras
cidades, a dança era a principal manifestação artística e os instrumentos
provavelmente vieram do sul da África e da Suméria.

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Na época do Império Antigo, entre a III e X Dinastias, entre 2.635 a 2.060 AEC,
a música egípcia viveu seu auge. Muitas representações mostram pequenos conjuntos
musicais, (com cantores, harpas e flautas) e inscrições coreográficas descrevem
danças realizadas para o Faraó. Acredita-se que este tenha sido o período de maior
florescimento da arte musical egípcia.

No Império Médio (XI a XVII dinastia) conjuntos maiores e até orquestras são
representados. Entre os instrumentos, há harpas, alaúdes, liras, flautas, flautas de
palheta dupla (oboés), trombetas, tambores e crótalos. No Império Novo (XVIII a XX
dinastia), estes instrumentos se aperfeiçoam. A música passa a ter papel ritual e
militar.

Alguns destes instrumentos foram encontrados em escavações de pirâmides,


templos e túmulos subterrâneos do Vale dos Reis, mas infelizmente, nenhum deles de
afinação fixa. Isso impossibilita definir que tipos de escalas musicais eram utilizados.
Não foi encontrado nenhum texto que permita deduzir a existência de um sistema de
notação e também não há textos sobre teoria musical. Aparentemente isso se deve ao
fato de que os músicos não gozavam, entre os egípcios, do mesmo status que tinham
entre os sumérios. Muitos afrescos mostram músicos sempre ajoelhados e vestidos
como escravos. A posição subalterna não permitia a transmissão dessa arte pouco
valorizada através dos textos.

A cultura musical do Egito Antigo entrou em decadência junto ao próprio


Império. Com as sucessivas invasões, a música do Egito passou a ser influenciada
pelos gregos e romanos, perdendo totalmente sua independência. Músicos gregos são
contratados para integrar a corte e trazem consigo alguns de seus instrumentos. Até
uma espécie de órgão hidráulico foi encontrado. Alguns musicólogos acreditam que os
últimos vestígios da música faraônica ainda possam ser identificados na liturgia copta.

Teatro no Egito Antigo

A origem do teatro egípcio remonta aos tempos de faraós. A primeira


apresentação feita se refere a Osíris através das oferendas sacerdotais e aos apelos
aos deuses, nas câmaras mortuárias faltando o componente decisivo do teatro: seu
indispensável parceiro criativo, o público.

Ele existe nas danças dramáticas cerimoniais, nas lamentações e choros


pantomímicos, e nas apresentações dos mistérios de Osíris5 em Abidos, que são
reminiscentes da peça de paixão. Todos os anos, dezenas de milhares de peregrinos

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viajavam a Abidos, para participar dos grandes festivais religiosos. Aqui acreditava-se
estar enterrada a cabeça de Osíris; Abidos era a Meca dos egípcios. No mistério do
deus que se tornou homem – sobre a entrada da emoção humana no reino do
sobrenatural, ou a descida do deus às regiões de sofrimento terreno – existe o conflito
dramático e, assim, a raiz do teatro.

Osíris é o mais humano de todos os deuses no panteão egípcio. A lenda


finalmente transformou o deus da fertilidade num ser de carne e osso. Como o Cristo
dos mistérios medievais, Osíris sofre traição e morte – um destino humano. Depois de
terminado o seu martírio, as lágrimas e lamentos dos pranteadores são sua
justificativa diante dos deuses. Osíris ressuscita e se torna o governador do reino dos
mortos. Essa peça era só apresentada aos nobres do Egito antigo.

PARA SABER MAIS

 Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). Eram


colocadas na alameda de entrada do templo para afastar os maus espíritos.
 Livro dos Mortos, ou seja, um rolo de papiro com rituais funerários que era posto no
sarcófago do faraó morto era ilustrado com cenas muito vivas, que acompanham o
texto com singular eficácia. Formado de tramas de fibras do tronco de papiro, as quais
eram batidas e prensadas transformando-se em folhas.
 Hieróglifos: a escrita egípcia foi decifrada por Champolion, que descobriu o seu
significado em 1822, ela se deu na Pedra de Rosetta que foi encontrada na cidade do
mesmo nome no Delta do Nilo.
 Mumificação: a) eram retirados o cérebro, os intestinos e outros órgãos vitais, e
colocados num vaso de pedra chamado Canopo. b) nas cavidades do corpo eram
colocadas resinas aromáticas e perfumes. c) as incisões eram costuradas e o corpo
mergulhado num tanque com Nitrato de Potássio. d) Após 70 dias o corpo era lavado e
enrolado numa bandagem de algodão, embebida em betume, que servia como
impermeabilização.
 Queóps é a maior das três pirâmides, tinha originalmente 146 metros de altura, um
prédio de 48 andares.

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ARTE GREGA

Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega liga-se à
inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se
dedicavam ao bem estar do povo. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente.
Contemplando a natureza, o artista se empolga pela vida e tenta, através da arte,
exprimir suas manifestações. Na sua constante busca da perfeição, o artista grego cria
uma arte de elaboração intelectual em que predomina o ritmo, o equilíbrio, a harmonia
ideal. Eles têm como características: o racionalismo; amor pela beleza; a democracia;
e o antropocentrismo, filosofia de vida, que se baseia na crença de que o ser humano
é o centro do universo, essa pequena criatura que, segundo o poeta Protágoras, é “a
medida de todas as coisas”. A arte grega se desenvolveu em quatro diferentes
períodos: o geométrico, o arcaico, o clássico e o helenístico.

Arquitetura

As edificações que despertaram maior interesse são os templos. A


característica mais evidente dos templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada
e o dos fundos. O templo era construído sobre uma
base de três degraus. O degrau mais elevado
chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as
colunas. As colunas sustentavam um entablamento
horizontal formado por três partes: a arquitrave, o
friso e a cornija, e sobre estes o frontão triangular. As
colunas e entablamento eram construídos segundo
os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia. As
ordens arquitetônicas, de acordo com estilos e períodos foram:

 Ordem Dórica - era simples e maciça. O fuste da coluna era monolítico e grosso.
O capitel era uma almofada de pedra. Sendo a mais antiga das ordens
arquitetônicas gregas, a ordem dórica, por sua simplicidade e severidade,
empresta uma ideia de solidez e imponência.
 Ordem Jônica - representava a graça e o feminino. A coluna apresentava fuste
mais delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata, mas sobre uma
base decorada. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. A
ordem dórica traduz a forma do homem e a ordem jônica traduz a forma da mulher.

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 Ordem Coríntia - o
capitel era formado com
folhas de acanto e quatro
espirais simétricas, muito
usado no lugar do capitel
jônico, de um modo a
variar e enriquecer
aquela ordem. Sugere
luxo e ostentação.

Os principais monumentos da arquitetura grega são:

 Templos, dos quais o mais importante é o Parthenon de Atenas. Na Acrópole,


também, se encontram as Cariátides que homenageavam as mulheres de
Cária.
 Teatros, chamados de teatro de arena, eram construídos em lugares abertos
(encosta) e que compunham de três partes: a skene ou cena, para os atores; a
konistra ou orquestra, para o coro; o koilon ou arquibancada, para os
espectadores. (Um exemplo típico é o Teatro de Epidauro, construído, no séc. IV A.C,
ao ar livre, composto por 55 degraus divididos em duas ordens e calculados de acordo
com uma inclinação perfeita. Chegava a acomodar cerca de 14.000 espectadores e
tornou-se famoso por sua acústica perfeita.)
 Ginásios, edifícios destinados à cultura física.
 Ágora, praça onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados
assuntos, entre eles; filosofia.

Pintura

A pintura grega encontra-se predominantemente na arte cerâmica. Os vasos gregos


são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela
harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Além
de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre
outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à
função para que eram destinados. Abaixo estão os principais tipos de vasos cerâmicos
produzidos pelos gregos antigos.

 Ânfora - vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas;
 Cratera - tinha a boca muito larga, com o corpo em forma de um sino invertido,
serviapara misturar água com o vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro);

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 Hídria - (derivado de ydor, água) tinha três asas, uma vertical para segurar enquanto
corria a água e duas para levantar.

As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia
grega. O artista que mais se destacou nessa arte foi o pintor de figuras negras Exéquias.

A pintura grega se divide em três grupos:

1. Figuras negras sobre o fundo vermelho;


2. Figuras vermelhas sobre o fundo negro;
3. Figuras vermelhas sobre o fundo branco (figuras coloridas).

Escultura

A estatuária grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem.


Na escultura, o antropomorfismo - esculturas de formas humanas - foi insuperável. As
estátuas adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, a ilusão de movimento.

No Período Arcaico os gregos começaram a esculpir, em mármores, grandes figuras


de homens. Primeiramente aparecem esculturas simétricas, em rigorosa posição
frontal, com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas. Esse tipo
de estátua é chamado Kouro (palavra grega: homem jovem) e Kore (ou Koré: mulher
jovem).

No Período Clássico passou-se a procurar demonstrar o efeito de movimento nas


estátuas, para isto, inventaram a técnica do contraposto ou antefrontal (flexão de um
dos joelhos) e se começou a usar o bronze, mais resistente do que o mármore,
podendo criar a ilusão de movimento sem se quebrar. Surge o nu feminino, pois no
período arcaico, as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas.

No Período Helenístico observamos o crescente naturalismo: os seres humanos não


eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade, mas também
segundo as emoções e o estado de espírito de um momento. O grande desafio e a
grande conquista da escultura do período helenístico foram a representação não de

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uma figura apenas, mas de grupos de figuras que mantivessem a sugestão de
mobilidade e fossem bonitos de todos os ângulos que pudessem ser observados.

Os principais mestres da escultura clássica grega são:

- Policleto, autor de Doríforo - condutor da lança, criou padrões de


beleza e equilíbrio através do tamanho das estátuas que deveriam
ter sete vezes e meia o tamanho da cabeça (o cânone das 7½
cabeças).

- Fídias, talvez o mais famoso de todos, autor de Zeus Olímpico, sua


obra-prima, e Atenéia. Realizou toda a decoração em baixos-relevos
do templo Parthenon: as esculturas dos frontões, métopas e frisos.

- Lisipo, representava os homens “tal como se veem” e “não como


são” (verdadeiros retratos). Foi Lisipo que introduziu a proporção
ideal do corpo humano com a medida de oito vezes a cabeça.

- Praxíteles, celebrado pela graça das suas esculturas, pela lânguida


pose em “S” (Hermes com Dionísio menino), foi o primeiro artista que
esculpiu o nu feminino.

- Miron, autor do Discóbolo - homem arremessando o disco.

Teatro

Os gregos antigos deram uma grande parcela de contribuição para o teatro da


forma como o conhecemos hoje. Há quem afirme que os gregos inventaram o teatro.
Isso é apenas um pouco verdade. De fato, os gregos criaram o teatro grego.

O teatro na Grécia antiga teve suas origens ligadas a Dionísio, divindade da


vegetação, da fertilidade e do vinho, cujos rituais tinham um caráter orgiástico6 .
Durante as celebrações, que duravam seis dias, em honra ao deus, em meio a
procissões e com o auxílio de fantasias e máscaras, eram entoados cantos líricos, os
ditirambos, que mais tarde evoluíram para a forma de representação plenamente
cênica como a que hoje conhecemos através de peças consagradas.

Seu florescimento ocorreu entre 550 AEC e 220 AEC, sendo cultivado em
especial em Atenas, que neste período também conheceu seu esplendor, mas
espalhou-se por toda a área de influência grega, desde a Ásia Menor até a Magna
Grécia e o norte da África. Sua tradição foi depois herdada pelos romanos, que a
levaram até as suas mais distantes províncias, e é uma referência fundamental na
cultura do ocidente até os dias de hoje.

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As peças teatrais, originalmente eram encenadas exclusivamente por atores
masculinos que usavam mascaras de linho enrijecido e representavam também
personagens femininos.

O apogeu do teatro grego se dá após a ruina causada pelas Guerras Médicas


da cidade de Atenas, onde não só o teatro foi reconstruído, mas toda a cidade. Nesse
período podemos perceber uma evolução muito grande do teatro principalmente nos
enredos onde se destaca o surgimento da tragédia e da comédia.

A tragédia era o gênero mais antigo do mundo e os temas eram relativos à


religião ou contos de heróis. Já a comédia, o gênero novo que acabou caindo nas
graças dos gregos, tinha temas mais voltados para o cotidiano, para os costumes,
existiam até mesmo críticas aos governantes e na grande maioria das vezes eram
tratados com sátiras. (A sátira é uma técnica literária ou artística, usada no teatro, que ridiculariza
um determinado tema).

Após a Guerra do Peloponeso o teatro grego entrou em decadência. Nesse


conflito Atenas acabou saindo derrotada pela sua rival Esparta e com isso nota-se
uma queda muito brusca na produção teatral do período. Porém, isso não significou o
seu fim. Apesar das atividades terem perdido a “vitalidade”, o teatro ainda continuou
até o período Helenístico, quando o gênero preferido passou da tragédia para a
comédia.

Música

Pouco se sabe sobre a música da Grécia Antiga devido à escassez de


documentos registrados. Entretanto, alguns vestígios dão conta de que essa arte
também exerceu influência significativa na cultura romana subsequente, dali se
transmitindo à Idade Média através da teoria, com suas escalas, modos e noções de
harmonia.

O que hoje sobrevive da música daquela época são algumas referências


literárias, imagens de músicos em ação com seus instrumentos, e um sistema teórico.
Infelizmente, das obras propriamente ditas resta apenas pouquíssimos fragmentos
com notação, cuja decifração exata ainda é assunto de controvérsia.

A música entre os antigos gregos era um fenômeno de origem divina, e estava


ligada à magia e à mitologia, havendo várias histórias místicas relacionadas à origem
da música e suas capacidades e funções. Alguns instrumentos e modos eram

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associados especificamente a certas divindades, como o aulos a Dionísio, e a kithara
a Apolo.

Na mitologia grega, registros diversos indicam que a música era parte integral
da percepção grega de como o seu povo teria vindo à existência e de que continuava
a ser regido pelos deuses. Por exemplo, Anfião teria aprendido música com Hermes e
teria construído Tebas através do poder do som; Orfeu podia tocar com tamanha
doçura que até as feras quedavam absortas; Hermes teria inventado a lira, dada a
Apolo em troca do gado que havia dele roubado. O próprio Apolo, depois assumindo o
papel de Deus da Música e líder das Musas (das quais Euterpe tutelava a Música), é
mencionado em competição com Mársias e Pã.

Assim, estando presente em alguns de seus principais mitos, a música


invariavelmente era usada nos ritos religiosos, nos Jogos Olímpicos e Pítios, nas
festas cívicas, nas atividades de lazer e subsidiando outras formas de arte.

O grande teórico da música grega antiga foi o matemático Pitágoras,


considerado o fundador de nosso conhecimento de harmonia musical - a relação física
entre as diferentes frequências sonoras (notas) e o efeito de suas combinações.
Também a ele se deve a análise da música sob a ótica de uma matemática
transcendental, relacionando-a à constituição íntima do universo, concebido como uma
estrutura criada e sustentada através de relações numéricas perfeitas que produziam
a chamada música das esferas, a qual, entretanto, só poderia ser inteligível através do
pensamento superior.

Alguns instrumentos se tornaram tradicionais:

 A lira, um instrumento de cordas tangidas afinadas segundo as notas de um dos modos, e


fixadas em um arcabouço formado com o casco de tartaruga. Era usada como
acompanhamento para recitativos e canções.
 A kithara, também um instrumento de cordas, mais complexo que a lira, possuindo uma
caixa de ressonância. As cordas eram tocadas com um plectro e podiam ser afinadas em
diferentes alturas.
 O aulos, usualmente duplo (Diaulos), sendo uma espécie de flauta com palheta,
possivelmente produzindo uma sonoridade similar à do oboé ou clarinete.
 A flauta de Pã, também conhecida como Syrinx, constituída de uma série de tubos fixos
juntos, de comprimentos diferentes, através dos quais o ar era soprado pela extremidade
superior.
 O hidraulos, um instrumento de teclado, precursor do órgão moderno. Empregava água sob
pressão para produzir som através de movimento do ar nos tubos.

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Há ainda registro de muitos outros instrumentos, como a concha marinha
perfurada, um tipo de trompete (Salpinx), uma flauta transversal chamada Photinx,
címbalos, sistros, tambores, e diversos mais.

PARA SABER MAIS

 Mitologia: Zeus: senhor dos céus; Atenéia (ou Atenas): deusa da guerra; Afrodite:
deusa do amor; Apolo: deus das artes e da beleza; Posseidon: deus das águas; entre
outros.
 Olimpíadas: Realizavam-se em Olímpia, cada 4 anos, em honra a Zeus. Os primeiros
jogos começaram em 776 A.C. As festas olímpicas serviam de base para marcar o
tempo.
 Teatro: Foram criadas a comédia e a tragédia. Entre as mais famosas: Édipo Rei de
Sófocles.
 Música: Significa a arte das musas, entre os gregos a lira era o instrumento nacional.
 Legado: Os gregos influenciaram outras épocas e estilos artísticos mais tarde como o
Renascimento e o Neoclassicismo. Ambas as escolas artísticas valorizavam o
antropocentrismo. É de Protágoras, filósofo grego da Idade Antiga, a autoria da célebre
frase “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das
coisas que não são, enquanto não são."

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