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O armamento da população tem sido um assunto muito

discutido atualmente e é super relevante para a sociedade


como um todo. Como sempre, existem pessoas a favor
e outras contra - e é preciso se informar muito para
escolher, com consciência, um dos lados desse debate.

Justamente pelo armamento civil ser um tópico tão


importante, ele pode virar tema de Redação do Enem! E
como vocês já sabem, no texto dissertativo-argumentativo
cobrado no Exame é essencial defender um ponto de vista
consistente e apresentar argumentos que o apoiem, além
de uma proposta de intervenção realista.

Ou seja, estar por dentro do debate sobre armamento


da população também pode te ajudar a mandar bem no
vestibular.

Por isso, aqui nesse e-book você encontra:

_ Textos de apoio para a produção de uma redação com


o tema “Armamento Civil - Problema ou solução no Brasil
atual?”
_ 01 modelo de redação exemplar argumentando contra o
armamento civil
_ 01 modelo de redação exemplar argumentando a favor
do armamento civil

Assim, falar sobre armamento civil em 30 linhas vai até


parecer fácil, hein! Partiu produzir uma redação?
Armamento Civil –
Problema ou solução no
Brasil atual?

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos


construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo
em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema Armamento civil:
problema ou solução no Brasil atual?, apresentando proposta de intervenção,
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1

Disponível em: http://tirocerto.homestead.com/files/charge_2.gifnoticia/2015/02/


ciencia-por-tras-do-debate-sobre-o-desarmamento-civil.html
Texto 2
Semana passada, a revista “Slate” publicou uma longa reportagem que analisa
vários estudos científicos existentes a respeito do impacto social do porte de
armas, intitulado “The Myth of the Good Guy with a Gun” (“O Mito do Bom
Sujeito com uma Arma”).

O título não deixa muita dúvida sobre o que dizem os dados: a ideia de que
um “bom sujeito” armado aumenta a segurança geral da população é um
“mito”. Entre as evidências levantadas, está um relatório estatístico do FBI que
mostra que o total de homicídios cometidos em desentendimentos – como
brigas de trânsito, discussões de família, brigas de bar – é o dobro do número
de homicídios cometidos como parte de outro crime (assalto, estupro, roubo
de carro, etc.). Conclusão: por mais paradoxal que possa parecer, “pessoas
de bem” emocionalmente alteradas tiram muito mais vidas do que os tais
“bandidos” de quem as armas deveriam nos proteger.

Outro trabalho levado em conta é um estudo, publicado ano passado no


“American Journal of Public Health”, que encontrou uma forte correlação
estatística entre possuir arma e o risco de matar uma pessoa conhecida – e
nenhuma correlação entre possuir arma e o risco de matar um desconhecido.
O que sugere que as armas em poder de “gente de bem” são muito mais
usadas, de modo consistente, contra parentes e amigos (isto é, conhecidos do
dono do armamento) do que contra assaltantes (gente que o dono da arma,
provavelmente, nunca viu antes).

É certo que existem inúmeros casos reais de cidadãos comuns que salvaram
vidas porque tinham uma arma à mão, mas as pesquisas apontam que esses
casos são uma minúscula minoria. O que os números mostram é que um
cidadão que adquire uma arma tem, de fato, muito mais chance de usá-la,
caso um dia a use, para fazer algo de que vai se arrepender depois do que para
proteger um ente querido ou a sociedade.

Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2015/02/


ciencia-por-tras-do-debate-sobre-o-desarmamento-civil.html

Texto 3
No dia 23 de outubro de 2005, depois de um intenso debate popular, 59
milhões de brasileiros (63% dos eleitores) foram às urnas e rejeitaram a
proibição da venda de armas de fogo e munições em um referendo. Ao não
permitir que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003)
entrasse em vigor, a maioria da população esperava ter a opção de comprar
armas para a defesa própria, mas esbarrou na burocracia. Nove anos depois,
uma comissão especial da Câmara dos Deputados discute um projeto de lei
que pretende atender ao resultado do referendo e facilitar o porte.

[…]De acordo com sua proposta, quem quiser comprar legalmente uma
arma deve ter no mínimo 25 anos, não possuir antecedentes criminais, fazer
treinamento de manuseio e tiro antes e não responder a processos. Além disso,
terá de ser submetido a um exame psicológico. Hoje, além desses critérios, o
interessado precisa entregar uma declaração mostrando a “efetiva necessidade”
de uso da arma, o que seria vetado pela nova lei.

— Como a PF pode olhar e dizer que uma pessoa tem cara de bandido e negar
a compra, como ocorre atualmente? Isso tem o objetivo claro de barrar a
indústria — argumenta Mendonça.

Disponível em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/10/nove-anos-apos-


referendo-congresso-discute-lei-para-facilitar-porte-de-armas-4627244.html

Modelo de redação
Argumentação contra o armamento civil

Todos os dias, ao acompanharmos as notícias nos jornais, nos deparamos com


o fato de que a violência já é parte da nossa rotina. Assaltos, assassinatos,
sequestros, tudo isso nos deixa com uma sensação de insegurança
permanente, já que as tentativas de diminuir a frequência desses episódios
têm sido ineficazes. Esse contexto gera debates sobre o armamento civil, o
que diminuiria a falta de segurança e, mais ainda, a sensação de impotência
do cidadão. No entanto, esse recurso se mostra eficiente somente na teoria,
já que, na prática, não solucionaria o problema, gerando outros, ainda mais
preocupantes.

É importante, primeiramente, pensar que a questão da violência no Brasil é


muito profunda e está calcada em outras questões, como a desigualdade
social, o sucateamento da educação pública e o mau tratamento que o
tráfico de drogas recebe pelo nosso governo. Isso significa dizer que armar
a população não resolve nem um terço do gigante problema que temos em
mãos, já que o indivíduo que comete um crime representa somente a ponta de
um enorme iceberg. Defender-se de um assalto, por exemplo, não significa,
necessariamente, estar seguro, uma vez que a nossa insegurança não é causada
por crimes isolados, mas por uma estrutura que os sustenta.

Além disso, quando analisamos as possíveis consequências desse recurso,


encaramos uma série de problemas que agravariam o estado de violência que
estamos vivendo, já que, fatalmente, usaríamos as armas em outros contextos
além da defesa pessoal. Nos EUA, por exemplo, onde o porte e compra desses
artigos não tem grande restrição, são comuns os casos de assassinatos ou
mesmo de chacinas promovidas por civis. Casos como o recente assassinato
coletivo na Carolina do Sul, em que nove pessoas negras foram vítimas de
racismo, levado às últimas consequências, provam que facilitar o acesso da
população não é uma boa alternativa.

Fica claro, portanto, que o armamento de civis não deve ser uma opção a
ser considerada, já que se mostra um recurso perigoso e nocivo a toda a
sociedade, além de não representar uma solução para o problema da violência.
Desse modo, cabe a nós, cidadãos, e ao Estado pensar coletivamente nessa
solução, buscando resolver a questão desde a raiz, desfazendo sua estrutura
por meio da escola, das polícias e das políticas públicas e sociais. Só assim
deixaremos de mascarar o problema e passaremos a solucionar.

Bruna Saad - Equipe Descomplica


Modelo de redação
Argumentação a favor do armamento civil

Tiro: a arma ou da arma?

As ditaduras classificadas dentro do espectro direita/esquerda tomaram


como ponto de partida o desarmamento da população para a disseminação
do medo: um povo indefeso é mais fácil de ser adestrado. O artigo 3º da
Declaração Universal do direitos Humanos afirma que todo cidadão deve
ter direito à segurança pessoal. Aliado a isso, o Código Penal Brasileiro
reconhece o princípio da legítima defesa, que deixa claro que, se o indivíduo
age para se proteger, não há crime. Nesse sentido, embora o Estado tenha a
responsabilidade de garantir a segurança pública, o direito de autodefesa é
natural e inviolável e, por isso, a população deve ser armada.

Em 2016, o estudo, publicado no Volume 30, Número 2 do Harvard Journal of


Law & Public Policy constatou: uma sociedade armada apresenta baixos índices
de criminalidade. Ainda que o armamento civil seja legal em alguns países,
nenhum espaço está imune: atentados brutais ocorrem, como por exemplo,
o da boate Pulse, em Orlando, contra o público LGBT. 50 óbitos. O motivo
foi justamente a área ser “free gun” (livre de armas, em tradução livre), logo,
as vítimas estavam vulneráveis e foram tolhidas do direito à integridade física.
Desse modo, o porte de armas dá aos habitantes a sensação de proteção
integral, ao passo que inibe os infratores da lei: a possibilidade de confronto
armado é intimidadora.

Além disso, os EUA registram anualmente sete vezes menos homicídios do que
o Brasil - lá os americanos podem ter armas. A proibição e não-regulamentação
desses instrumentos acarretam outros problemas sociais nocivos ao povo
brasileiro, mas não evitam que malfeitores continuem a operar ilegalmente
armas clandestinas. Sendo assim, as pessoas de bem vivem coagidas, reféns
do medo e à deriva nesse mar sanguinolento que é a nossa realidade. Então,
apesar de a ideia de aumento da violência ser erroneamente vinculada
ao porte de armas, é perfeitamente possível diminuir a criminalidade sem
restringir a liberdade da população, mas libertando-a dos grilhões de pavor.

Portanto, para que o direito individual não seja violado, é imprescindível que
países discutam e repensem as leis armamentistas. Aos governantes, cabe
a regulamentação e aprovação dos projetos de lei, bem como o incentivo a
campanhas de conscientização em consonância com as forças armadas, a fim
de ministrar treinamentos para a utilização adequada e responsável desses
letais instrumentos. O MEC deve reformular os currículos escolares para que
contemplem noções básicas de direito civil, constitucional e penal. Assim,
a sociedade do impávido colosso daria um tiro certeiro rumo à ordem e ao
progresso.

Rodrigo Pamplona - Equipe Descomplica

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