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I.

F UNDAMENTOS DOS F ENÔMENOS DE TRANSPORTE

Sumário
1. Conceituação.............................................................................................................................................. I-1
2. Objeto de Estudo......................................................................................................................................... I-1
3. Campos...................................................................................................................................................... I-1
4. Fluxo e Densidade de Fluxo......................................................................................................................... I-1
5. Intensidade de Campo ................................................................................................................................. I-1
6. Equações das Variações - Forma Unidimensional.......................................................................................... I-2
6.1. Equação de Newton da viscosidade........................................................................................................ I-2
6.2. Equação de Fourier da Condução de Calor ............................................................................................. I-2
7. Unidades de Medida.................................................................................................................................... I-3
7.1. Sistemas............................................................................................................................................... I-3
7.2. Escalas de Temperatura ........................................................................................................................ I-3
7.3. Unidades de Energia ............................................................................................................................. I-3
7.4. Consistência entre as Unidades.............................................................................................................. I-4
8. Resumo das Leis da Termodinâmica ............................................................................................................ I-4
8.1. Lei Zero da Termodinâmica .................................................................................................................. I-4
8.2. Primeira Lei da Termodinâmica............................................................................................................. I-4
8.3. Segunda Lei da Termodinâmica - Entropia ............................................................................................. I-4
9. Equação de Balanço - Leis de Conservação ................................................................................................. I-4
9.1. Finalidade ............................................................................................................................................ I-4
9.2. Definições............................................................................................................................................ I-5
9.3. Quantidades de um sistema ................................................................................................................... I-5
9.4. Formulação .......................................................................................................................................... I-5
9.5. Postulados Fundamentais ...................................................................................................................... I-5
10. Taxas de Transporte.................................................................................................................................. I-6
10.1. Transporte de massa ........................................................................................................................... I-6
10.2. Propriedades específicas...................................................................................................................... I-6
10.3. Transporte de Energia, Entropia e Momentum ...................................................................................... I-6
11. Balanço de Massa ..................................................................................................................................... I-7
12. Balanço de Energia ................................................................................................................................... I-7
12.1. Trabalho e Calor. ................................................................................................................................ I-7
12.2. Formas de Energia .............................................................................................................................. I-8
13. Balanço de Entropia .................................................................................................................................. I-8
14. Balanço de Momentum.............................................................................................................................. I-9
15. Considerações Finais ................................................................................................................................I-10
15.1. Sistema Fechado................................................................................................................................I-10
15.2. Equações Temporais Vs. de Variação..................................................................................................I-10
16. Referências..............................................................................................................................................I-11

21/02/02 16:34 Profs. Dalton Vinicius Kozak (PUCPR) e Sérgio Bordalo (UNICAMP)
Fenômenos de Transporte FUNDAMENTOS DOS FENÔMENOS DE T RANSPORTE

1. Conceituação Superfície,
T1
Fenômenos de transporte envolvem o transporte ou
transferência de massa, calor e momentum (quantidade Troca de calor líquida Superfície,
de movimento) através de um meio. Qualquer processo pela radiação entre T2
q1”
de transferência é caracterizado pela tendência ao duas superfícies
equilíbrio, que é uma condição em que não ocorre q2”
nenhuma variação. Uma "força motriz", o movimento no
sentido do equilíbrio, e o transporte de alguma
quantidade são fatos comuns a todos os processos de 3. Campos
transferência. A massa do material através do qual as Um campo é uma região onde "acontecem coisas"-
variações ocorrem afeta a velocidade do transporte, e a coisas observáveis. Por exemplo, existe o campo térmico,
geometria do material afeta a direção do processo. descrito pela temperatura nos diversos pontos em
determinada região dos espaço; o campo gravitacional,
descrito pelo valor da força de atração (peso) conforme a
equilíbrio posição de um corpo ou partícula; o campo fluido ou de
escoamento, descrito pelas velocidades em diferentes
locais do fluido.
desequilíbrio maior

T T Campo térmico: cada cor


está associada a uma
T-Temperatura T1 T2 T1 < T2 temperatura.
T3 < T1
T3 T4
T4 > T2
Pois bem. A análise do comportamento de cada tipo
O estudo dos fenômenos de transporte centraliza-se de campo fornece os subsídios para o estudo dos
na análise desses diversos processos de transferência e fenômenos de transferência das quantidades associadas
como eles ocorrem. àquele campo.
2. Objeto de Estudo 4. Fluxo e Densidade de Fluxo
Os assuntos geralmente abordados em fenômenos de O fluxo f é a taxa de transferência, no tempo, de
transporte incluem: alguma quantidade. No caso de fluidos, como a água,
• tópicos da termodinâmica, visto que suas leis pode ser l/s, ou m3 /s (mais conhecido como vazão nesse
fundamentais continuam válidas e são úteis na caso particular). No caso da transferência de calor, pode
análise dos processos de transferência; ser J/s (Watt). Quando essa quantidade é expressa por
• mecânica dos fluidos, pois ao escoamento de unidade de área de superfície através da qual o fluxo
fluidos estão associados o transporte das várias passa perpendicularmente, define-se a densidade de fluxo
quantidades: massa, calor e momentum; Df como
• transferência de calor pelos mecanismos de ∆f
condução, convecção e radiação (abaixo). D f = lim n
∆ S →0 ∆S

T1 > T2 onde n é um vetor unitário da normal à superfície S.


T1 T2 Das definições acima, percebe-se que o fluxo é uma
Condução através de um
sólido ou de um fluído
quantidade escalar, ao passo que a densidade de fluxo é
estacionário1 vetorial.
q” Assim sendo, conforme o campo em consideração
- térmico, fluido, etc. - estaremos tratando em nosso
Fluido em movimento, T∞ estudo de determinados tipos de fluxo, ou densidade de
q” Convecção de uma fluxo, pertinente ao problema em questão. Por exemplo,
TS > T ∞ superfície para um fluido em um campo térmico, a determinação do fluxo de calor
TS em movimento e sua densidade é pertinente.
5. Intensidade de Campo
A intensidade de um campo de determinada
propriedade P, expressa por ∇P (gradiente de P),
permite determinar a densidade de fluxo da grandeza
associada a essa propriedade. Por exemplo, a quantidade
de calor transferida através de uma superfície é
diretamente proporcional ao gradiente de temperatura.
1
q" é o fluxo de calor por unidade de área perpendicular à direção da Num campo fluido em escoamento, a tensão de
transferência - veja densidade de fluxo, a seguir.
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2
cisalhamento é diretamente proporcional ao gradiente de estando a tensão atuando no plano perpendicular ao eixo
velocidades. y e paralelo a x, onde u é a velocidade do fluido na
De forma genérica, um fluxo estará relacionado à uma direção x e µ é a viscosidade absoluta.
determinada propriedade P do campo pela relação A tensão de τyx
u+du
D f = −C ∇P (1) cisalhamento y partícula
está associada dy
de fluido
onde ∇ - operador gradiente - é definido por ao fluxo de u
τ yx
∂ ∂ ∂ momentum.
∇≡i + j +k (2) x
∂x ∂y ∂z
Exemplo 1
num sistema de coordenadas retangulares, e C é uma Dois discos coaxiais horizontais com diâmetro de 2 ft (pés)
constante de proporcionalidade; i, j e k são vetores estão separados por uma distância de 0.050 in (polegadas). O
unitários em direções ortogonais entre si. Quando C for disco inferior está fixo e o superior gira a 5 revoluções por
positivo, o sinal negativo indica que o fluxo está na segundo, necessitando de um torque de 8.62 ft.lbf .
direção da intensidade decrescente do campo. O Desprezando-se os efeitos laterais, calcule a viscosidade do
gradiente de P é algumas vezes denominado de gradiente óleo que preenche o espaço entre os discos.
de potencial, e representa uma força motriz. Solução
A constante de proporcionalidade C depende do O esquema desse problema pode ser visto na figura abaixo
campo considerado, assim como a intensidade de campo dθ
ω = 10π rad/s
e a densidade de fluxo. Seu valor pode depender da T = 8.62 ft.lbf
temperatura, da pressão e, se o meio não for homogêneo dr
dF
e isotrópico3 , também da posição. A A r

6. Equações das Variações - Forma


Unidimensional 0.050 in
A eq. (1) é uma equação geral que descreve de forma 2 ft Vista AA
adequada o comportamento de um campo fluido, um
Supondo uma distribuição linear
campo térmico, um campo de difusão mássica ou mesmo
de velocidade (∂u/∂y=cte.), tem-se u=rω
um campo elétrico ou magnético. Na forma
unidimensional, essa equação se reduz à dF du u
=µ =µ h
∂P dA dy h
D f x = −C (3)
∂x onde u é a velocidade local, isto é, a
u=0
velocidade de um ponto (ou elemento
onde D f x pode representar a densidade de fluxo de de área) situado num raio r.
quantidade de movimento, de massa ou de calor, A força elementar dF varia com o raio do disco, uma vez
dependendo do campo sendo considerado. A derivada que a área de cisalhamento cresce com o raio. Portanto
∂P/∂x é o gradiente de potencial, a intensidade da dF rω

respectiva força motriz. dA h
Na seqüência algumas equações são apresentadas onde a velocidade local é u = rω. Porém, dA = r dr dθ; e a
mostrando a analogia entre alguns tipos de integração em relação a θ fornece
transferências. ω 2 2π 2πµω 2
dF = µ r dr ∫0 dθ = r dr
6.1. Equação de Newton da viscosidade h h
e o torque dT = rdF é
A tensão de cisalhamento τ, decorrente do atrito entre
2πµω R 3 π µω 4
duas camadas fluidas adjacentes que deslizam em T= ∫0 r dr = R
velocidades diferentes, em condições estacionárias pode h 2 h
ser calculada pela expressão 2 hT 2 (0 .050 in )( 8. 62 ft.lb f )(1 ft )
µ= =
∂u πωR 4 π(10 π / s )(1 ft 4 )(12 in )
τ yx = µ (4) µ = 7.27·10 lbf ·s/ft2
-4
∂y
6.2. Equação de Fourier da Condução de Calor
A quantidade de calor transferida através de uma área
na direção x, ou fluxo de calor, é proporcional ao
gradiente da temperatura. No estado estacionário, a
2
A tensão de cisalhamento é decorrência da força atuando relação é
tangencialmente a uma superfície. Ocorre em escoamentos, quando
q ∂T
duas "lâminas adjacentes" de fluido tem velocidades diferentes, o que   = q ,,x = −k (5)
ocasiona atrito.
3
 A x ∂x
Um "meio isotrópico" é aquele onde as propriedades não mudam
conforme a direção; "meio homogêneo" é aquele que apresenta as
mesmas propriedades físicas em toda a sua extensão.
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onde a constante de proporcionalidade k (não negativa) é Sistema F=(Ma)/gc gc
a condutividade térmica que, para algumas substâncias,
(1 Kg)(1 m)
varia linearmente com a temperatura. O símbolo q" S.I.4 1N = 1 Kg·m/(N·s2 )
significa fluxo de calor por unidade de área s2
perpendicular à direção de transferência. ( 32 .174 lb )(1 ft)
O sinal negativo na relação (5) indica que o calor é Inglês (1) 1 lb = m
32.174 lbm ·ft/( lbf ·s2 )
f 2
transferido no sentido do decréscimo da temperatura, em s
obediência à 2a lei da Termodinâmica (veja item 8.3). Inglês (2) 1 lb f =
(1 slug)(1 ft)
1 slug·ft/( lbf ·s2 )
2
Exercício 1 s
Uma face de uma placa de cobre de 3 cm de espessura é (9.8067 Kg)(1 m)
mantida a 400o C, e a outra face é mantida a 100o C. Qual a Métrico5 1 kg f
= 9.8067 Kg·m/(Kgf ·s2 )
s2
densidade de fluxo de calor transferido através da placa?
(1 g)(1 cm)
Solução C.G.S. 1 din = 1 g·cm/( din·s2 )
A condutividade térmica do cobre é 370 W/(m·o C) à 250o C. s2
Da equação de Fourier
onde: N - Newton lbm - libra-massa
Kg - Kilograma-massa lbf - libra-força
Kgf - Kilograma-força slug - 32.174 lbm
m - metro din - dina
s - segundo
Às unidades fundamentais da mecânica deve-se
adicionar mais uma: a temperatura. Com essas quatro
unidades fundamentais, e sua combinação, todas as
grandezas envolvidas em nosso estudo podem ter uma
medida.
7.2. Escalas de Temperatura
As escalas mais conhecidas são mostradas abaixo.
7. Unidades de Medida Temperatura Escala de temperatura Linear
7.1. Sistemas de referência Celsius Kelvin Farenheit Rankine
Embora o Sistema Internacional - S.I. - venha se congelamento
0o C 273.16 K 32o F 491.69o R
firmando ao longo dos anos como tendência na da água
padronização do sistema de unidades, em muitos países, Ebulição da
100o C 373.16 K 212o F 671.69o R
e em diversas das referências utilizadas na área de água
fenômenos de transporte e da engenharia em geral, Por serem escalas lineares, relações entre as
outros sistemas ainda são bastante utilizados, como visto temperaturas de uma escala para outra podem ser obtidas
no Exemplo 1, onde foram utilizadas as unidades do diretamente através de uma simples "regra de três".
sistema inglês. Portanto, é importante saber como Abaixo, algumas dessa relações.
realizar a conversão das unidades (medidas) de uma
determinada dimensão (grandeza) entre esses diversos o 9o
sistemas. F= C + 32 (a)
5
Na mecânica costuma-se definir as chamadas
o
unidades fundamentais - massa, comprimento e tempo R = o F + 459.69 (b)
(das quais derivam todas as outras) - com base na lei de (7)
Newton K = o C + 273.16 (c)

Ma 9o
F= (6) o
R= K (d)
gc 5
onde F é a força, M a massa, a a aceleração e g c a
constante gravitacional. A tabela a seguir resume a 7.3. Unidades de Energia
relação entre as unidade fundamentais de cada sistema. Como nesse texto a energia (trabalho e calor) será
muito abordada, convém conhecer alguns fatores de
conversão de um sistema para outro (tabela abaixo).

4
O S.I. é uma versão do antigo sistema MKS - Metro-Kilo-Segundo.
5
No sistema métrico-gravitacional a força é uma unidade
fundamental, ao invés da massa, denominada UTM - unidade técnica
de massa - equivalendo a 9.8067 Kg.
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Sistema Unidade de Energia Fatores de Conversão


S.I. N·m = 1 Joule (J) 1 Btu = 778.16 lbf ·ft
Inglês(1) lbf ·ft 1 Btu = 1055 J
Inglês(2) lbf ·ft 1 cal = 4.184 J
Métrico Kgf ·s = 9.8067 J 1 lbf ·ft = 1.356 J
cgs din·cm = erg 1 Btu = 252 cal

Note que nessa tabela existem também a caloria (cal)


e o Btu (British Thermal Units), ainda bastante utilizados 8. Resumo das Leis da Termodinâmica
como unidades de energia.
8.1. Lei Zero da Termodinâmica
7.4. Consistência entre as Unidades
Se dois corpos A e B estão em equilíbrio térmico6
Atenção sempre deve ser dada no uso de unidades com um terceiro corpo C, ou seja, TA = TC e TB = TC ,
consistentes, ou seja, pertencentes a um mesmo sistema então esse dois corpos estão também em equilíbrio
de unidades. Algumas vezes os dados de determinado térmico: TA = TB .
problema podem ser fornecidos ou estar disponíveis em
tabelas com unidades de sistemas diferentes. Para aplicar 8.2. Primeira Lei da Termodinâmica
as diversas fórmulas e obter resultados coerentes, todas Essa lei trata da conservação de energia de um
as grandezas envolvidas devem estar descritas em sistema de massa fixa que interage com sua vizinhança
unidades do mesmo sistema. através de sua fronteira (veja item 9.2 para essas
definições). A energia total do sistema no estado 1 é
Exemplo 2
O peso de uma peça de metal é 100.0 N em um local onde
denotada por E1 , e no estado 2 é denotada por E2.
a aceleração da gravidade g é 10.60 m/s2 . Qual é a massa dessa A 1a lei pode ser expressa pela seguinte relação
peça, em Kg, e qual o seu peso na superfície da Lua, onde ∆E = E2 - E1 = W12 + Q12 (8)
g = 1.67 m/s2 .
Solução
onde W12 e Q12 representam o trabalho e calor que
cruzaram a fronteira do sistema entre os estados 1 e 2 (no
Como gc é 1 Kg·m/(N·s2 ) no S.I., a segunda lei de Newton
item 12.1 se voltará a falar sobre trabalho e calor, e sobre
pode ser escrita na forma F = mg. Assim
as convenções de sinal).
F 100 .0 (N) N
m= = = 9 .434 = 9 .434 Kg 8.3. Segunda Lei da Termodinâmica - Entropia
g 10 .60 (m/s 2 ) m/s 2
Como massa e energia, todo sistema possui entropia,
A massa é uma constante, mas o peso dependerá da que é uma espécie de medida do grau de desordem
aceleração local da gravidade. Dessa forma , na Lua
microscópica (incerteza sobre o estado microscópico) do
peso = F Lua = mg = 9.434 (kg) ⋅1.67 (m/s2 ) = 15. 8 N sistema. É uma propriedade extensiva: a entropia de um
Exercício 2 sistema é igual ao total da soma das entropias de suas
O peso de uma peça de metal é 220.5.0 lbf em um local partes. Ao contrário da massa e energia, a entropia pode
onde a aceleração da gravidade g é 30.50 ft/s2 . Qual é a massa ser produzida, mas nunca destruída.
dessa peça, em Kg, e qual o seu peso na superfície da Lua, A 2a lei estabelece que a entropia de um sistema e
onde g = 5.48 ft/s2 . suas vizinhanças (sistema isolado - veja item 9.2) nunca
Solução pode diminuir, ou seja
∆S sist.isolado ≥ 0 (9)
A entropia tem utilidade no estudo de processos
termodinâmicos7 , porém não pode ser diretamente
medida. Pode-se dizer, entretanto, que no zero absoluto
(0K ou -273.16o C) todas as substâncias tem valor zero
para essa propriedade.
9. Equação de Balanço - Leis de Conservação
9.1. Finalidade
Análise de sistemas com fluxos de massa,
momentum, energia e entropia. Essas equações são,
portanto, fundamentais no estudo dos fenômenos de
transferência.

6
Com mesma temperatura.
7
Especialmente aqueles envolvendo os gases perfeitos.
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9.2. Definições Grandeza Símb. Unidade SI


8
• Sistema - objeto da análise; ocupa volume e possui
massa m kg
massa; pode ser fixo ou móvel, rígido ou deformável,
isolado (sem troca de energia9 e massa com o volume V m3
exterior), fechado (com troca de energia, mas não de energia E J (Nm) (Ws) (kg m2 /s2 )
massa, com o exterior) ou aberto (com troca de
energia e massa com o exterior). entropia S J/K
r
• Fronteira - superfície que delimita o sistema; define o momentum L kg m/s (Ns) (vetorial)
interior e exterior; pode ser fixa ou móvel, rígida ou
deformável, fechada ou aberta (conforme definições 9.4. Formulação
r
do parágrafo acima), isolante ou diatérmica10 . Seja N uma das grandezas do sistema - m, E, S ou L -
• Vizinhança - tudo o que pertence ao exterior e cuja variação deseja-se estudar.
interage com o sistema. Considere-se num intervalo de tempo dt o seguinte11
superfície de exterior
fronteira
dN a variação de N;
controle
dN ext a variação induzida por agentes externos;
M
δN trans a quantidade de N transportada para/do
sistema (entra/sai);
Sistema
Volume de
Controle
Q Q
Fechado δN prod a quantidade de N produzida/consumida
W W no interior do sistema.

vizinhança N
dNext N δNe
• Volume de Controle - região do espaço escolhida para
a realização da análise termodinâmica, conveniente dN
δNprod
para analisar dispositivos ou equipamentos onde há
fluxo de massa (M). t δNs
dt
• Superfície de Controle - análoga à fronteira do
sistema, porém com a possibilidade de existir fluxo Tem-se que
mássico através dela. dN = dN ext + δ N trans + δ N prod (10)
tubo pistão de onde se obtém
sistema dN  dN 
fechado =  + N& trans + Ρ& N (11)
dt  dt ext
volume de controle Conceitualmente, pode-se escrever esta equação de
A escolha do uso de conceitos como de sistema balanço da seguinte forma
aberto, fechado ou de volume de controle depende do  taxa de variação  taxa de   taxa de 
problema a ser analisado, mas qualquer que seja a  taxa de       
   de N induzida   transporte  produção
escolha, as leis de conservação (e da Termodinâmica)  variação =  +   + 
sempre serão aplicáveis.    no sistema por   de N para  de N no 
 de N       
9.3. Quantidades de um sistema  agenteexterno   o sistema   sistema 
Para os estudos a serem realizados, as grandezas 9.5. Postulados Fundamentais
mostradas abaixo serão relevantes. Os postulados conhecidos, respectivamente, por lei de
conservação de massa, lei de conservação de energia, lei
de conservação de momentum e lei de geração de
entropia dizem respeito ao termo de produção de massa,
energia, momentum e entropia que aparece na equação
de balanço; são eles

8
Alguns conceituados autores (Irving Shames, Van Wylen et all.) em
suas obras definem sistema como sendo uma quantidade identificada,
ou fixa, de matéria. Nesse ponto de vista, um sistema sempre será
fechado, e o que aqui chamamos de sistema aberto é equivalente ao
volume de controle (massa cruzando a fronteira). Isso não constitui
11
problema desde que as leis de conservação e da termodinâmica sejam A notação dN refere-se à taxa de variação de uma grandeza, e a
aplicadas corretamente. notação δN está associada ao transporte ou produção da grandeza N
9
Na forma de calor e trabalho. dentro do sistema ou volume de controle de questão, que geralmente
10
Que permite a troca de calor. depende do processo (ou "caminho").
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Fenômenos de Transporte FUNDAMENTOS DOS FENÔMENOS DE T RANSPORTE

Ρ& m = 0 (a) 10. Taxas de Transporte


10.1. Transporte de massa
Ρ& E = 0 (b)
Define-se fluxo de massa, ou vazão mássica, como
r& (12)
PL = 0 (c) δmtrans
m& = (13)
dt
Ρ& S ≥ 0 (d) que representa a taxa de transporte de massa, isto é, a
Em outras palavras, massa, energia e momentum não quantidade de massa transportada por unidade de
aparecem do nada, e a entropia pode ser gerada, mas tempo (kg/s).
nunca "consumida". 10.2. Propriedades específicas
r
Exercício 3 As grandezas V, E, S e L são ditas extensivas porque
Assuma que, na equação (11), N represente a carga as suas quantidades em um corpo dependem da massa do
elétrica Q. Aplique essa equação ao volume de controle (VC) corpo. Definem-se, então, propriedades específicas da
abaixo e comente o resultado. Considere que a carga elétrica
matéria associadas às grandezas extensivas, que são
não pode ser acumulada no interior do VC e que não existe
agente externo que induza variação de carga no interior do VC. independentes da quantidade de massa da substância.
Assim, sendo N uma grandeza extensiva, tem-se a
fluxo de carga propriedade específica
δN
V.C. n= (14)
δm
que representa a quantidade de N contida numa unidade
de massa.
Volume específico - volume ocupado por unidade de
massa (m3 /kg):
Solução
δV
v= (15)
δm
Energia específica - energia por unidade de massa
(J/Kg):
δE
e= (16)
δm
Entropia específica - entropia por unidade de massa
((J/K)/Kg):
δS
s= (17)
δm
Momentum específico - momentum por unidade de massa
(velocidade - m/s):
r
r δL
l= (18)
δm
A densidade de uma substância representa a
quantidade de massa contida em um volume unitário
(Kg/m3 ); portanto, obtém-se:
δm 1
ρ= = (19)
δV v
10.3. Transporte de Energia, Entropia e Momentum
A taxa de transporte de uma grandeza extensiva N&
pode ser descrita em termos do fluxo de massa:
N& = m
&n (20)
Energia (J/s = W):
E& = m&e (21)
Entropia ((J/K)/s):
S& = m& s (22)

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Momentum ( kg m/s2 = N):


r& r
L=m &l (23)

11. Balanço de Massa


Seguindo a formulação dada em (11), escreve-se
dm  dm 
=  + m& + Ρ& m (24)
dt  dt ext 12. Balanço de Energia
Baseando-se no postulado fundamental da massa Ainda de acordo com a formulação (11), tem-se
(12a), e no desconhecimento de um mecanismo de
dE  dE 
alteração da massa provocada por um agente externo, e =   + E& + Ρ& E (27)
admitindo-se a possibilidade de múltiplos fluxos de dt  dt  ext
massa tem-se Utilizando o postulado fundamental da energia (12b),
dm e inserindo o conceito de energia específica dada em (22)
= Σm& (25) na expressão para a taxa de transporte de energia
dt
associada a vários fluxos de massa, obtém-se
No somatório, considera-se positivo ou negativo,
respectivamente, o fluxo de massa que entra ou sai do dE  dE 
=  + Σm& e (28)
sistema. Utilizando-se a notação m& e e m& s para o fluxo dt  dt ext
entrando e fluxo saindo, em valores absolutos, pode-se 12.1. Trabalho e Calor.
reescreve-ser o balanço de massa na forma
Os estudos de mecânica e termodinâmica demonstram
dm a possibilidade de agentes externos alterarem a energia
= Σm& e − Σm
&s (26)
dt de um sistema fechado através de trabalho e calor; isso é
expresso por (veja 8.2)
m
&
e1 m
&
s1 ∆ E ext = Q + W (29)

m
&
e2 m
&
s2
O Trabalho está associado a deslocamentos
(movimento) induzidos e mantidos pela ação de uma
força. Mais precisamente, um sistema realiza trabalho
(termodinâmico) quando o único efeito12 externo ao
Exercício 4 sistema (sobre as suas vizinhanças) puder ser traduzido
Qual é o valor e direção do fluxo de massa indicado na
por uma elevação de peso13 . Também é definido como a
figura abaixo? O tanque está cheio, e a água é um fluido
incompressível.
forma de energia em trânsito não associada com
transferência de massa, e devido a uma diferença de um
10 Kg/s
potencial que não seja temperatura. O trabalho é
positivo14 quando realizado sobre o sistema (energia
adicionada ao sistema) e negativo quando realizado pelo
5 Kg/s
Tanque com água
o sistema (energia que deixa o sistema). O símbolo
1 Kg/s
2 Kg/s
utilizado é W (Work) e a Unidade S.I. é o Joule - J (Nm).
A taxa de realização de trabalho (J/s = W: Watt)
m& = ? expressa-se por15
10 Kg/s 10 Kg/s
W& = δW dt (30)
Solução O Calor está associado à transferência de energia
térmica por efeito de uma diferença de temperatura
(condução de calor), ou por ondas eletromagnéticas
(radiação), não estando associada à transferência de
massa. A troca de calor é positiva se o calor é adicionado
ao sistema ou volume de controle, e negativo quando

12
Único efeito: só trabalho, sem geração de calor.
13
Energia elétrica pode atravessar a fronteira do sistema e acionar um
motor externo que levantará um peso. Portanto, a energia elétrica
realiza trabalho.
14
Existe um convenção de sinal que, por razões históricas, assume
que o trabalho realizado pelo sistema é positivo. Nesse caso, a
expressão (29) deve ser mudada para ∆Eext = Q - W.
15
A variação de trabalho é uma diferencial inexata, pois depende do
"caminho" em que o trabalho é realizado; por isso δW e não dW.
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Fenômenos de Transporte FUNDAMENTOS DOS FENÔMENOS DE T RANSPORTE
removido.O símbolo tradicionalmente usado é Q, e a e = ec + eg + u (34)
unidade S.I. é o Joule (outra unidade comum é a caloria:
1 cal = 4.184 J). A taxa de transferência de calor (Watt) Notar que as variações tanto de Ec como de Eg estão
expressa-se por 16 associadas à realização de trabalho.
Exemplo 4
Q& = δQ dt (31)
Um pedaço de gelo de massa M na temperatura de fusão
Trabalho e calor serão vistos novamente mais adiante. (Tf = 0o C) está dentro de uma cavidade cúbica de aresta L. A
Por hora, o balanço de energia fica espessura das paredes dessa cavidade é e, e a condutividade
térmica, k. No instante t = 0, a superfície externa da parede fica
dE
= ΣQ& + ΣW& + Σm
&e (32) na temperatura T1 > Tf . Obter uma expressão para o intervalo
dt de tempo necessário para fundir completamente o gelo.
Solução
Exemplo 3
A energia total de um sistema fechado aumenta em 55.0 KJ Hipóteses:
durante um processo enquanto trabalho é realizado sobre o 1. a superfície interna da parede da cavidade é Tf durante todo
sistema numa quantidade de 100.0 KJ. Quanto calor é o processo;
transferido durante esse processo, e ele é removido ou 2. as propriedades são constantes;
adicionado ao sistema? 3. a condução de calor é unidimensional através de cada
Solução parede;
4. a área de condução de cada parede é aproximadamente L2
Nesse problema deve-se considerar o princípio de (e << L).
conservação de energia, que para sistemas fechados é expresso
pela segunda lei da termodinâmica na forma da eq. (29) Seção A-A
∆ Eext = Q + W q”
k
A A dE
Substituindo os valores, tem-se
55.0 = Q + 100.0 → q = -45.0 KJ dt
O sinal negativo indica que o calor é removido do sistema. T1
Mistura
Exercício 5 L gelo-água (Tf )
e
Cite um exemplo corriqueiro de um processo onde ocorre
realização de trabalho sobre o sistema com liberação de calor. Como o sistema é fechado e não há trabalho sendo
Solução realizado, e sim apenas adição de calor, o balanço de energia
fornece
dE
= ΣQ&
dt
Uma vez que as temperaturas T1 e Tf mantém-se constante
durante o processo, o fluxo de calor por unidade de área q"
também é constante no tempo. Assim sendo (veja equação (5))
T −T ∆E Energia p / fusão
ΣQ& = q "⋅ A = k
1 f 2
⋅ 6 L = cte = =
e ∆t Tempo p / fusão
O aumento de energia no interior do sistema se deve
exclusivamente à variação da energia latente associada à
conversão do sólido em líquido. A quantidade de energia
necessária para efetuar essa modificação, por unidade de massa
do sólido, é o calor latente de fusão hsf . Portanto, o aumento
12.2. Formas de Energia de energia é dado por
As diferentes "formas" de energia serão abordadas ao
∆E = M hsf
longo desse trabalho. Por enquanto, vale ressaltar as
formas mais conhecidas. A incógnita do problema é ∆t. Das duas últimas expressões
obtém-se a relação procurada
Conceito: energia Energia eM h
Energia Simb. sf
associada à... específica ∆t =
cinética Ec velocidade da massa ec 2
6 kL (T − T )
1 f
gravitacional Eg posição da massa no eg
campo gravitacional 13. Balanço de Entropia
térmica U atividade térmica das u Mais uma vez, partindo-se da formulação (11), tem-se
partículas da massa
dS  dS 
No balanço de energia tem-se =   + S& + Ρ& S (35)
dt  dt  ext
E = Ec + Eg + U (33)
O postulado fundamental da entropia estabelece que a
produção de entropia é sempre positiva ou nula
16
A variação de calor também é uma diferencial inexata; por isso δQ
e não dQ.
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Fenômenos de Transporte FUNDAMENTOS DOS FENÔMENOS DE T RANSPORTE
(veja (12.d)). Os estudos de termodinâmica demonstram −Q Q  TH − TC 
que ∆S = ∆S + ∆S = C
+ C
=Q  
total H C C  T T 
T T  H C 
Ρ& = 0 processos reversíveis
S
H C
A segunda lei da termodinâmica diz que a variação de
Ρ& S > 0 processos irreversíveis17 entropia de qualquer sistema e seu exterior, considerados
juntos, é sempre positiva, ou seja, ∆Ssist.isolado ≥ 0.
Ou seja, os processos só acontecem na direção onde a Como existe diferencial de temperatura, há fluxo de calor;
entropia total (dos sistemas envolvidos) é mantida ou isso implica em se ter
cresce, mas nunca no sentido de sua diminuição (veja Q C (TH − TC ) > 0
item 8.3).
Além disso, verifica-se que um agente externo pode Como TH > TC , então QC só pode ser positivo; ou seja, o
alterar a entropia de um sistema, e que esta alteração está calor passa do reservatório quente para o frio, conforme
relacionada com transferência de calor, de acordo com observado na prática18 .

Q 14. Balanço de Momentum


∆S ext = (36) Finalmente, partindo-se da formulação (11), tem-se
Q Ts r r
onde Ts é a temperatura do ponto onde o dL  d L  r& r&
Ts =   + L + ΡL (39)
fluxo de calor entra/sai do sistema. dt  dt  ext
Entropia será vista novamente mais adiante; no Os termos de produção e transporte são obtidos, como
momento, é o bastante expressar o balanço de entropia anteriormente, de (12c) e (23). A taxa de variação de
como momentum induzida pela ação de um agente externo é
dS Q& simplesmente a força exercida por este agente externo,
= Σ + Σm
& s + Ρ& S (37) segundo os conceitos da dinâmica newtoniana. Na
dt Ts
realidade, esta é a própria definição de força. Seu
Alguns autores escrevem este balanço na seguinte símbolo é F, e a unidade S.I. é o Newton - N.
forma equivalente Portanto, o balanço de momentum escreve-se como
r
dS Q& dL r r
≥ Σ + Σm& s (38) = ΣFext + Σm &l (40)
dt Ts dt
Exemplo 5 Exemplo 6
Mostre que qualquer transferência de calor entre dois O cientista russo Konstantin Tsiolkovsky é considerado pai
reservatórios de calor às temperaturas TH e TC , TH > TC , deve da "foguetaria teórica". Em 1903 publicou a sua famosa
acontecer do reservatório mais quente para o mais frio. equação do foguete, mais conhecida como Equação de
Solução Tsiolkovsky. Essa equação é válida para o foguete de massa M
Um reservatório de calor é, por definição, um corpo com em vôo no espaço livre, onde a força gravitacional é
capacidade calorífica infinita, ou seja, capaz de absorver ou desprezada e a resistência ao avanço inexiste, sendo a variação
libertar quantidades ilimitadas de calor sem qualquer variação de velocidade do foguete devido apenas à velocidade de escape
de temperatura, e sem irreversibilidades ("efeitos dos gases, c, que deixam o foguete a uma taxa mássica m& .
dissipativos"). A variação de entropia é dada por (36) Sabendo-se disso, deduza essa equação.
independente se o reservatório é fonte ou sumidouro de calor. Solução
Dessa forma, A situação física idealizada pode ser vista na figura abaixo.
Q V.C.
∆S =
T & c
m, u
Seja Q a quantidade de calor que passa de um reservatório
para o outro. O valor absoluto de Q é o mesmo para ambos os
reservatórios, mas QH e QC têm sinais opostos, porque o calor
fornecido a um reservatório (considerado positivo) é calor
extraído do outro (considerado negativo). Portanto, QH = -Q C . Admitindo o volume de controle mostrado, e considerando
Logo que o problema pode ser analisado unidimensionalmente, a
Q −Q Q equação do balanço de momento (40) reduz-se a
∆ SH = H = C
e ∆ SC = C  dL du 
T
H
T
H
T
C  dt = F = Ma = M dt  = [m& c ]
Assim
dM du dM
Como m& = − M& = − , então M =− c ou
dt dt dt
17
Há algumas formas de trabalho que são inerentemente irreversíveis
como, por exemplo, o trabalho devido às forças de atrito, onde há
geração de calor, típico fenômeno da irreversibilidade. Exemplo:
18
agitando-se uma colher dentro de um copo d'água (trabalho), o líquido Esse exemplo serve para ilustrar o significado da 2a Lei da
aquece; ao contrário, será que se a água for aquecida a colher será Termodinâmica, que é uma "lei direcional": indica o sentido em que
agitada? um processo termodinâmico pode ocorrer.
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Fenômenos de Transporte FUNDAMENTOS DOS FENÔMENOS DE T RANSPORTE

dM 15. Considerações Finais


du = − c
M Resumindo, as equações de balanço são
Admitindo-se que, para t = 0, u = uo e M = Mo , então
dm
M  = Σm
& (a)
u − u = − c(ln M − ln M ) = c ln  0  dt
0 0  M 
  dE
ou = ΣQ& + ΣW& + Σm
&e (b)
dt
 M0 
u = c ln  +u (41)
 M  0 dS Q&
  = Σ + Σm & s + Ρ& S (c)
que é a equação de Tsiolkovsky. dt Ts
Nota. Com freqüência satélites, como os de telecomunicações, r
dL r r
precisam realizar ajustes e correções de órbitas. Isso é = ΣFext + Σm&l (d)
realizado através de incrementos ou decrementos de dt
velocidade, e a equação de Tsiolkovsky é uma ferramenta para 15.1. Sistema Fechado
determinar a quantidade de combustível (como hidrazina) que
deve ser consumida para obter a variação de velocidade
Para sistemas fechados, i.e., sem fluxo de massa,
desejada. obtém-se
dm
Exercício 6 = 0 ou m = constante (a)
Um satélite de telecomunicações, para realizar um pequeno dt
ajuste de órbita, precisa ter um acréscimo de velocidade de
dE
75 m/s. Sabendo-se que a massa do satélite é 220 Kg, e que a = ΣQ& + ΣW& (b)
velocidade de escape dos gases do motor de correção é cerca dt
de 2500 m/s, quanto propelente deve ser consumido para (42)
realizar esse ajuste. Calcule essa massa com 2 casas decimais. dS Q&
= Σ + Ρ& S (c)
Solução dt Ts
r
dL r
= ΣFext (d)
dt
Assim, para uma certa quantidade de massa constante,
as três últimas equações são expressões de conhecidas
leis da física (certamente já estudadas anteriormente pelo
estudante de fenômenos de transporte), a saber
• 1a lei da termodinâmica;
• 2a lei da termodinâmica;
• 2a lei da dinâmica newtoniana.
15.2. Equações Temporais Vs. de Variação.
As equações anteriores para sistemas de massa fixa
estão escritas na forma de derivadas temporais; de forma
alternativa, podem ser escritas na forma de variações
finitas.
∆E = Q + W (a)

∆ S = Φ S + ΡS (b) (43)
r r
∆L = Ι F (c)

onde o calor total recebido é dado por


Q = Σ ∫ Q& dt = Σ ∫ dQ (44)

o trabalho total recebido é dado por


W = Σ∫ W& dt = Σ ∫ dW (45)

o influxo total de entropia é dado por


Q& dQ
Φ S = Σ ∫ dt = Σ ∫ (46)
Ts Ts

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Fenômenos de Transporte FUNDAMENTOS DOS FENÔMENOS DE T RANSPORTE
a produção total de entropia é dada por
Ρ = Σ∫ Ρ& dt = Σ ∫ dΡ
S S S (47)

e o impulso total das forças aplicadas é dado por


r r
Ι = Σ ∫ F dt (48)

e as integrais referem-se ao período considerado, em que


o sistema evolui entre os estados inicial e final do
processo em questão.
16. Referências
1. Notas de Aula do Professor Sérgio Bordalo, da
Unicamp.
2. Wark, K.: Thermodynamics. McGraw Hill
Kokakusha Ltd., 1977.
3. Van Wylen, G.J., Sonntag, R.E. e Borgnakke, C.::
Fundamentos da Termodinâmica Clássica. Editora
Edgard Blücher Ltda, 5a edição, 1998.
4. Sisson, L.E e Pitts, R.P.: Fenômenos de Transporte.
Editora Guanabara, 1979.
5. Incropera, F.P. e DeWitt, D.P.: Fundamentos da
Transferência de Calor e Massa. Livros Técnicos e
Científicos Editora Ltda, 4a edição, 1998.
6. Cornelisse, J.W, et all.: Rocket Propulsion and
Spaceflight Dynamics. Pitman Publishing Limited,
London (UK), 1979.

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